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Fisiologia Muscular Músculo Esquelético Epimísio Perimísio Endomísio 2 Retículo Sarcoplasmático: concentra e sequestra Ca2+ com o auxílio de uma Ca2+ -ATPase presente na membrana do RS. Túbulos T: Os túbulos T permitem que os potenciais de ação se movam rapidamente da superfície para o interior da fibra muscular, de forma a alcançar as cisternas terminais quase simultaneamente. Mitocôndrias: responsável pela produção da maior parte de ATP necessário para a contração muscular. Miofibrilas: principais estruturas intracelulares dos músculos estriados, feixes extremamente organizados de proteínas contráteis e elásticas envolvidas no processo de contração. Cada Miofibrila é composta por diversos tipos de proteínas organizadas em estruturas contráteis repetidas, chamadas de sarcômeros. As proteínas das miofibrilas incluem a proteína motora miosina (filamentos grossos) e os microfilamentos de actina (filamentos finos), as proteínas reguladoras tropomiosina e troponina; e duas proteínas acessórias gigantes, a titina e a nebulina 3 Sarcômero: é a unidade contrátil da miofibrila. Um sarcômero é formado por dois discos Z e pelos filamentos encontrados entre eles Cada sarcômero é constituído pelos seguintes elementos: ▪ Disco Z: os discos Z são estruturas proteicas em ziguezague que servem como pontos de ancoragem para os filamentos finos; ▪ Banda I (isotrópico): é a banda de coloração mais clara dos sarcômero e representa uma região ocupada apenas pelos filamentos. Um disco Z atravessa o centro de cada banda I, de modo que cada metade de uma banda I pertence a um sarcômero diferente; ▪ Banda A (anisotrópico): é a banda mais escura do sarcômero e engloba todo o comprimento de um filamento grosso. Nas porções laterais da banda A, os filamentos grossos e finos estão sobrepostos. O centro da banda A é ocupado apenas por filamentos grossos; ▪ Zona H: Essa região central da banda A é mais clara do que as porções laterais da banda A, uma vez que a zona H é ocupada apenas por filamentos grossos; ▪ Linha M: Essa banda representa as proteínas que formam o sítio de ancoragem dos filamentos grossos (equivalente ao disco Z para os filamentos finos). Cada linha M divide uma banda A ao meio. Tríade: O conjunto formado por um túbulo T e pelas duas cisternas terminais associadas a cada um de seus lados. Os túbulos T permitem que os potenciais de ação se movam rapidamente da superfície para o interior da fibra muscular, de forma a alcançar as cisternas terminais quase simultaneamente. Sem os túbulos T, os potenciais de ação alcançariam o centro da fibra somente pela condução do potencial de ação pelo citosol, um processo mais lento e menos direto, que retardaria o tempo de resposta da fibra muscular. Qual a importância da Tríade? Torna a liberação de Ca2+ para o citosol mais rápida. 4 Miosina é uma proteína motora com capacidade de produzir movimento. Cada molécula de miosina é composta de cadeias proteicas que se entrelaçam, formando uma longa cauda e um par de cabeças. ▪ Há várias isoformas de miosina em diferentes tipos de músculo, as quais influenciam a velocidade de contração do músculo. ▪ No músculo esquelético, cerca de 250 moléculas de miosina unem-se para formar um filamento grosso. ▪ Cada filamento grosso está organizado de modo que as cabeças da miosina fiquem agrupadas nas extremidades do filamento e a região central seja formada por um feixe de caudas da miosina. ➢ Cauda: assemelha-se a um bastão de consistência rígida, mas as projeções que formam as cabeças da miosina possuem uma região elástica em dobradiça (móvel), no ponto onde as cabeças se unem à cauda; ➢ Região Flexível: permite o movimento das cabeças em torno do ponto de fixação; ➢ Cabeça - cada cabeça de miosina possui duas cadeias proteicas: uma cadeia pesada e uma cadeia leve, menor. ▪ Cadeia pesada: é o domínio motor capaz de ligar o ATP e utilizar a energia da ligação fosfato de alta energia do ATP para gerar movimento. Como o domínio motor funciona como uma enzima, ele é considerado uma miosina- -ATPase. Contém o sítio de ligação para a actina. Actina é a proteína que forma os filamentos finos da fibra muscular. ▪ Uma molécula isolada de actina é uma proteína globular (actina G). ▪ Cada molécula de actina G tem um único sítio de ligação à miosina. ▪ Cada molécula de actina G liga-se com grande afinidade a um íon Ca2+ e a uma molécula de ATP. ➢ Tropomiosina: é uma molécula formada por duas cadeias de peptídicas separadas e que estão enroladas entre si. Sua função é bloquear os sítios de interação entre a cabeça da miosina e a actina (especificamente a actina G). ➢ Troponina: é uma proteína globular com função reguladora e possui três subunidades: ▪ Troponina T: estabiliza o complexo actina-miosina; ▪ Troponina I: inibe a contração, ou seja, inibe o deslizamento da cabeça da miosina na actina; ▪ Troponina C: Proteína de ligação do Ca2+. Ao se ligar ao Ca2+ ela altera sua conformação e desloca a tropomiosina, ou seja, libera o sítio de ligação. Na maior parte do tempo, os filamentos grossos e finos de cada miofibrila, dispostos em paralelo, estão conectados por ligações cruzadas de miosina, as quais atravessam o espaço entre os filamentos. As ligações cruzadas formam-se quando as cabeças de miosina dos filamentos grossos se ligam à actina dos filamentos finos. As ligações cruzadas têm dois estados: um estado de baixa energia (músculos relaxados) e um estado de alta energia (contração muscular). 5 O alinhamento adequado dos filamentos dentro de um sarcômero é assegurado por duas proteínas: titina e nebulina. Titina - é uma molécula elástica muito grande, sendo a maior proteína conhecida, composta por mais de 25 mil aminoácidos. ➢ Uma única molécula de titina se estende desde um disco Z até a linha M vizinha. ➢ Funções ▪ Estabilizar a posição dos filamentos contráteis; ▪ Fazer os músculos estirados retornarem ao seu comprimento de repouso, o que ocorre devido a sua elasticidade; ▪ Impedir que o músculo estenda além do limite; ▪ Limita o grau de estiramento do músculo; ▪ Medeia a geração de força passiva; ▪ Responsável por gerar a tensão (força) no estado basal. Nebulina - uma proteína gigante não elástica que acompanha os filamentos finos e se prende ao disco Z. ➢ Funções: ▪ Auxilia no alinhamento dos filamentos de actina do sarcômero; ▪ Organizar o eixo do filamento fino (estabiliza o filamento fino). Em um arranjo tridimensional, as moléculas de actina e de miosina formam uma treliça de filamentos finos e grossos dispostos em paralelo e sobrepostos. Os filamentos são mantidos no lugar por suas ligações às proteínas do disco Z (filamentos finos) e da linha M (filamentos grossos) (Fig. 12.5b). Em uma secção transversal, observa-se que cada filamento fino está cercado por três filamentos grossos; cada filamento grosso está circundado por seis filamentos finos (Fig. 12.5c, círculo à direita). 6 O que acontece com o Sarcômero durante a contração? Ele encurta, ocorre a sobreposição dos filamentos finos e grossos. Contração e Relaxamento Muscular A contração muscular é um processo extraordinário que permite a geração de força para mover ou resistir a uma carga. ➢ Tensão Muscular: a força produzida pela contração muscular; ➢ Carga: é o peso ou a força que se opõe à contração; ➢ Contração: a geração de tensão pelo músculo,é um processo ativo que necessita de energia fornecida pelo ATP; ➢ Relaxamento: é a liberação da tensão que foi produzida durante a contração. Quando o músculo contrai, os filamentos grossos e finos deslizam uns sobre os outros. Os discos Z aproximam-se à medida que o sarcômero encurta (Fig. 12.5e). A banda I e a zona H – regiões onde não há sobreposição de actina e de miosina no estado de repouso – praticamente desaparecem. Apesar do encurtamento do sarcômero, o comprimento da banda A permanece constante. Essas modificações são consistentes com o deslizamento dos filamentos finos de actina sobre os filamentos grossos de miosina, à medida que os filamentos finos se movem em direção à linha M, no centro do sarcômero 7 Principais eventos associados ao início do processo de contração muscular esquelética: 1. Eventos que ocorrem na junção neuromuscular: convertem um sinal químico (a acetilcolina liberada pelo neurônio motor somático) em um sinal elétrico na fibra muscular; 2. Acoplamento excitação-contração (E-C): é o processo pelo qual os potenciais de ação musculares produzem um sinal de cálcio, o qual, por sua vez, ativa o ciclo de contração-relaxamento. 3. No nível molecular, o ciclo de contração-relaxamento: é explicado pela teoria dos filamentos deslizantes da contração muscular. Nos músculos intactos, um único ciclo de contração-relaxamento é chamado de abalo muscular. 8 Os eventos que levam à contração muscular. A combinação dos eventos elétricos e mecânicos que ocorrem em uma fibra muscular é chamada de acoplamento excitação-contração (E-C). O acoplamento E-C envolve quatro eventos principais: 1. A acetilcolina (ACh) é liberada pelo neurônio motor somático; 2. A ACh leva à geração de um potencial de ação na fibra muscular; 3. O potencial de ação muscular desencadeia a liberação de cálcio pelo retículo sarcoplasmático; 4. O cálcio liga-se à troponina, dando início ao processo de contração. 9 MECANISMO 1. A acetilcolina liberada na fenda sináptica da junção neuromuscular liga-se aos receptores ionotrópicos (canais) de ACh da placa motora terminal da fibra muscular; 2. Quando esses canais dependentes de ACh se abrem, ocorre o fluxo de Na+ e K+ através da membrana plasmática. Entretanto, o influxo de Na+ supera o efluxo de K+, pois a força motriz do gradiente eletroquímico é maior para o Na+. A adição efetiva de carga positiva despolariza a membrana da fibra muscular, gerando um potencial da placa motora (PPM); 3. O potencial de ação desloca-se pela superfície da fibra muscular, e para o interior dos túbulos T, devido à abertura sequencial de canais de Na+ dependentes de voltagem. O processo é similar à condução dos potenciais de ação nos axônios, embora os potenciais de ação do músculo esquelético sejam conduzidos mais lentamente do que os potenciais de ação dos axônios mielínicos. No nível molecular, a transdução do sinal elétrico em um sinal de cálcio necessita de duas proteínas de membrana. A membrana do túbulo T contém uma proteína sensível à voltagem, um canal de cálcio do tipo L (Cav1.1), chamado de receptor de di-hidropiridina (DHP). No músculo esquelético, exclusivamente, esses receptores de DHP estão acoplados mecanicamente aos canais de Ca2+ do retículo sarcoplasmático adjacente. Estes canais de liberação de Ca2+ do RS são conhecidos como receptores de rianodina (RyR). 4. Quando o potencial de ação penetra nos túbulos T, ocorre a liberação de Ca2+ a partir do retículo sarcoplasmático. Quando a despolarização produzida por um potencial de ação alcança um receptor de DHP, o receptor sofre uma alteração conformacional. Essa alteração conformacional causa a abertura dos canais RyR para a liberação de Ca2+ do retículo sarcoplasmático. O Ca2+ armazenado flui para o citosol, a favor do seu gradiente eletroquímico, iniciando o processo de contração; 5. Em um músculo em repouso, os níveis citosólicos de Ca2+ normalmente são muito baixos. Entretanto, esses níveis aumentam cerca de 100 vezes após um potencial de ação. Quando os níveis citosólicos de Ca2+ estão altos, o Ca2+ liga-se à troponina, a tropomiosina move-se para a posição “ligada”; 6. As cabeças da miosina executam o movimento de força; 7. O filamento de actina desliza em direção ao centro do sarcômero. 10 Para finalizar uma contração, o cálcio deve ser removido do citosol. MECANISMO DE RELAXAMENTO 8. O retículo sarcoplasmático bombeia o Ca2+ de volta para o seu lúmen utilizando uma Ca2+ -ATPase; 9. À medida que a concentração citosólica de Ca2+ livre diminui, o equilíbrio entre o cálcio ligado e o não ligado é alterado, e o cálcio desliga-se da troponina; 10. A remoção do Ca2+ permite que a tropomiosina volte à sua posição inicial e bloqueie o sítio de ligação à miosina presente na molécula de actina. Com a liberação das ligações cruzadas, a fibra muscular relaxa, com a ajuda de componentes elásticos do sarcômero e do tecido conectivo do músculo. Sincronização do Acoplamento E-C Os gráficos abaixo mostram a sequência temporal dos eventos elétrico e mecânico durante o acoplamento E-C. ▪ Após o potencial de ação do neurônio motor somático, ocorre um potencial de ação muscular, seguido da contração muscular; ▪ Abalo Muscular: um único ciclo de contração-relaxamento de uma fibra muscular esquelética; ▪ Período de Latência: é o pequeno retardo entre o potencial de ação muscular e o início da geração de tensão muscular, representa o tempo necessário para a liberação do cálcio e sua ligação à troponina; ▪ Uma vez iniciada a contração, a tensão muscular aumenta continuamente até um valor máximo, à medida que as interações entre as ligações cruzadas também aumentam; ▪ A tensão diminui na fase de relaxamento do abalo; ▪ Durante o relaxamento, os elementos elásticos do músculo fazem o sarcômero retornar ao seu comprimento de repouso; ▪ Um único potencial de ação em uma fibra muscular provoca um único abalo. Entretanto, os abalos musculares variam de fibra para fibra em relação à velocidade com que a tensão é desenvolvida (a inclinação da porção ascendente da curva do abalo), à tensão máxima atingida (a altura da curva do abalo) e à duração da contração (a largura da curva do abalo). A célula pode expulsar o Ca2+ usando ou um trocador Na-Ca (NCX ou SLC8) ou a bomba de Ca2+ da membrana plasmática (PMCA). A extrusão através da membrana celular, contudo, pode por fim causar a depleção total de Ca2+ da célula e é, portanto, um mecanismo mínimo para remoção de Ca2+ do citoplasma. Ao contrário, a recaptação de Ca2+ dentro do RS é o mecanismo mais importante pelo qual a célula retorna a [Ca2+]i aos níveis de repouso. SERCA (Ca2+ - ATPase do Retículo Sarcoplasmático e Endoplasmático). NCX (Trocador Na/Ca). Transporte Ativo Secundário. PMCA (Ca2+ - ATPase da membrana plasmática) 11 Produção da Contração Muscular ▪ O movimento das ligações cruzadas da miosina fornece a força que move o filamento de actina durante uma contração. ▪ O processo pode ser comparado a uma equipe participando de uma regata em um barco a vela. Quando é dada a ordem para levantar o mastro, cada pessoa da equipe começa a puxar a corda de mão em mão, agarrando, puxando e soltando-a, em um ciclo que se repete à medida que a corda é movida. ▪ No músculo, as cabeças de miosina ligam-se às moléculas de actina, que representam a “corda”. Um sinal de cálcio inicia o movimento de força, produzido quando as ligações cruzadas da miosina mudam de conformação, movendo-se para a frente e empurrando os filamentos de actina em direção ao centrodo sarcômero. ▪ Ao final do movimento de força, cada cabeça de miosina solta-se da actina, inclina-se para trás e liga-se a uma nova molécula de actina, ficando pronta para dar início a um novo ciclo. ▪ Durante a contração, nem todas as cabeças de miosina se soltam ao mesmo tempo – se isso ocorresse, as proteínas deslizariam de volta para a posição inicial, do mesmo modo que o mastro cairia se todos os velejadores soltassem a corda ao mesmo tempo. De onde é obtida a energia necessária para a geração do movimento de força? A resposta está no ATP. ▪ A miosina converte a energia da ligação química do ATP na energia mecânica necessária para o movimento das ligações cruzadas; ▪ A miosina é uma ATPase (miosina-ATPase) que hidroliza o ATP, formando ADP e fosfato inorgânico (Pi); ▪ A energia liberada nesse processo é capturada pela miosina e armazenada como energia potencial no ângulo formado entre a cabeça da miosina e seu eixo longitudinal. Nessa posição, diz-se que as cabeças da miosina estão “engatilhadas”, ou prontas para disparar o movimento de força; ▪ A energia potencial armazenada nas cabeças engatilhadas transforma-se na energia cinética do movimento de força que desloca a actina 12 Como o íon cálcio “liga” e “desliga” a contração muscular? Através da Troponina (TN), a qual controla o posicionamento da Tropomiosina. Independentemente do tipo de músculo, o Ca2+ exerce seu efeito por meio da ligação com proteínas reguladoras em vez de interagir diretamente com as proteínas contráteis. Mecanismo da Contração, através do deslizamento da actina sobre a miosina. 1. Antes que a contração possa ocorrer, a tropomiosina deve ser deslocada para a posição “ligada”, o que libera a porção restante do sítio de ligação à miosina presente na actina. A mudança entre os estados “ligado” e “desligado” da tropomiosina é regulada pela troponina; 2. Quando a contração é iniciada em resposta ao cálcio, uma das proteínas do complexo – a troponina C – liga-se reversivelmente ao Ca2+; 3. O complexo cálcio-troponina C desloca a tropomiosina, afastando-a completamente dos sítios de ligação à miosina na actina; 4. Essa posição “ligada” permite que as cabeças da miosina formem ligações cruzadas fortes, de alta energia, e executem o movimento de força; 5. O filamento de actina é movido. Ciclo de Contração (ciclo de pontes cruzadas) Começaremos o ciclo com o estado de rigor, ou rigidez, no qual as cabeças da miosina estão fortemente ligadas às moléculas de actina G. Nenhum nucleotídeo (ATP ou ADP) está ligado à miosina. No músculo vivo, o estado de rigidez ocorre apenas por um período muito breve de tempo. Então: 1. Ligação do ATP e liberação da miosina: uma molécula de ATP liga-se à cabeça da miosina. A ligação do ATP diminui a afinidade de ligação da miosina pela actina, e a miosina acaba soltando-se da actina; 2. A hidrólise do ATP fornece a energia necessária para a cabeça da miosina se inclinar e se ligar novamente à actina: o sítio de ligação ao ATP envolve a molécula de ATP e converte a mesma em ADP e em fosfato inorgânico (Pi). O ADP e o Pi permanecem ligados à miosina enquanto a energia liberada pela clivagem do ATP move a cabeça da miosina até que ela forme um ângulo de 90° com o eixo longitudinal dos filamentos. Nesta posição engatilhada, a miosina liga-se a uma nova actina, que está 1 a 3 moléculas distante da sua posição inicial. As ligações cruzadas recém-formadas entre a miosina e a actina são fracas, uma vez que a tropomiosina está bloqueando parcialmente os sítios de ligação na actina. Entretanto, nesse estado engatilhado, a miosina estoca energia potencial, da mesma forma que uma mola esticada. A cabeça está pronta para disparar (exatamente como acontece quando alguém engatilha um revólver, puxando o martelo para trás antes de disparar). A maioria das fibras musculares em repouso encontram-se nesse estado, engatilhadas e preparadas para disparar (contrair), apenas esperando pelo sinal fornecido pelo cálcio; 13 3. Movimento de força: O movimento de força (o movimento de inclinação das ligações cruzadas) inicia após o cálcio se ligar à troponina e permite a liberação total do sítio de ligação à miosina. As ligações cruzadas, então, transformam-se em ligações fortes, de alta energia, à medida que a miosina libera o Pi. A liberação do Pi permite que a cabeça da miosina se desloque. As cabeças inclinam-se em direção à linha M, levando junto o filamento de actina. O movimento de força também pode ser chamado de movimento de inclinação das ligações cruzadas, pois a região da cabeça e a região de dobradiça da miosina saem de um ângulo de 90° para um ângulo 45°; 4. Miosina libera ADP: Ao final do movimento de força, a miosina libera ADP, o segundo produto do processo de clivagem do ATP. Com a saída do ADP, a cabeça da miosina liga-se fortemente à actina novamente, retornando ao estado de rigidez. O ciclo está pronto para recomeçar assim que uma nova molécula de ATP se ligar à miosina. Rigor Mortis No músculo vivo, o estado de rigidez é normalmente muito curto. As fibras musculares vivas têm um suprimento de ATP suficiente, o qual se liga rapidamente à miosina assim que o ADP é liberado. No entanto, após a morte, quando o metabolismo cessa e o suprimento de ATP se esgota, os músculos são incapazes de ligar mais ATP e, por isso, os músculos permanecem no estado de ligação forte, chamada de estado de rigidez. Na condição conhecida como rigor mortis, os músculos ficam “paralisados” em decorrência das fortes ligações cruzadas que permanecem imóveis. A forte ligação entre a actina e a miosina persiste por um dia ou mais após a morte, até que as enzimas envolvidas no processo de decomposição comecem a degradar as proteínas musculares. 14 Bioenergética Muscular O uso do ATP pela fibra muscular é uma característica essencial da fisiologia muscular. Situações em que os músculos necessitam de energia: • Durante a contração; • Para o movimento e a liberação das ligações cruzadas; • Durante o relaxamento, para bombear o Ca2+ de volta para o retículo sarcoplasmático; • Após o acoplamento E-C, para reconduzir o Na+ e o K+ para os compartimentos extracelular e intracelular, respectivamente. ▪ A quantidade, ou “pool”, de ATP estocado em uma fibra muscular a qualquer tempo é suficiente para apenas cerca de oito contrações; ▪ À medida que o ATP é convertido em ADP e Pi durante a contração, o estoque de ATP precisa ser restabelecido pela transferência de energia a partir de outras ligações fosfato de alta energia ou pela síntese de ATP utilizando processos mais lentos (vias metabólicas da glicólise e da fosforilação oxidativa); ▪ A reserva energética de segurança dos músculos é a fosfocreatina (ou creatina-fosfato, ou ainda, fosfato de creatina); ▪ Fosfocreatina: é uma molécula cujas ligações fosfato de alta energia são geradas entre a creatina e o ATP quando os músculos estão em repouso; ▪ Quando os músculos entram em atividade, como durante o exercício, os grupamentos fosfato de alta energia da fosfocreatina são transferidos para o ADP, gerando mais ATP para abastecer os músculos; ▪ A enzima que transfere o grupamento fosfato da fosfocreatina para o ADP é a creatina-cinase (CK), também conhecida como creatina-fosfocinase (CPK); ▪ As células musculares contêm grandes quantidades dessa enzima. Como consequência, níveis elevados de creatina- cinase no sangue normalmente são um indicador de dano muscular esquelético ou cardíaco; ▪ A energia armazenada nas ligações fosfato de alta energia é muito limitada. Assim, as fibras musculares precisam utilizar o metabolismo de biomoléculas para transferir energia das ligações covalentes para o ATP: Fontes de Energia ▪ Fonte rápida: cerca de oito abalos (contrações), ATP local (músculo já energizado); ▪ Fonte de reserva: fosfatode creatina; ▪ Exercício leve (prolongado): glicólise aeróbia ou oxidação de ácidos graxos (processos lentos) ▪ Exercício Extenuante (rápido): glicólise anaeróbia (processo rápido). 15 ➢ Carboidratos, mais rápida e eficiente – ▪ Glicólise aeróbia (presença de oxigênio): a glicose é metabolizada a piruvato, produzindo 2 ATPs. Na presença de quantidades adequadas de oxigênio, o piruvato entra no ciclo do ácido cítrico, produzindo cerca de 2 ATPs + NADH e FADH2. O NADH e o FADH, irão entrar na cadeia transportadora de elétrons e produzir cerca de 28 ATPSs. Totalizando ao final da via, 32 ATPs. ▪ Glicólise Anaeróbia (exercício intenso, queda das concentrações de O2): a glicose é metabolizada a lactato, com a produção efetiva de apenas 2 ATP por molécula de glicose. O metabolismo anaeróbio da glicose é uma fonte mais rápida de geração de ATP, porém produz quantidades muito menores de ATP para cada molécula de glicose. Quando as demandas energéticas excedem a quantidade de ATP que pode ser produzida pelo metabolismo anaeróbio da glicose, os músculos conseguem trabalhar apenas por um intervalo muito curto de tempo antes de entrarem em fadiga. ➢ Lipídios, mais lentos e para exercícios prolongados – sempre na presença de O2 ▪ Durante períodos de repouso ou exercícios leves, os músculos esqueléticos utilizam os ácidos graxos juntamente com a glicose, uma das razões pelas quais programas de exercícios moderados, como caminhadas, são um modo eficaz de reduzir a gordura corporal; ▪ O processo metabólico pelo qual os ácidos graxos são convertidos em acetil-CoA é relativamente lento e não é capaz de produzir ATP rápido o suficiente para suprir as demandas energéticas das fibras musculares durante um exercício intenso. Sob essas condições, as fibras musculares dependem fundamentalmente da glicose. ➢ Proteínas, normalmente não são uma fonte de energia para a contração muscular ▪ A maioria dos aminoácidos encontrados nas fibras musculares é utilizada para a síntese proteica, e não para a produção de ATP. Por que a fonte primária de energia (exercício intenso, rápido) é a glicose e não o ácido graxo? A oxidação de ácidos graxos envolve muitas etapas e processos enzimáticos, ou seja, leva mais tempo. Lembre-se também que os ácidos graxos estão localizados no tecido adiposo (na forma de triacilgliceróis), sendo necessário a quebra desses triacilgliceróis em glicerol+3 ácidos graxos e, posteriormente, a mobilização desses ácidos graxos, por meio da corrente sanguínea, até a célula muscular. Por outro lado, a glicose já está na célula muscular (armazenada no glicogênio localizado no sarcoplasma). Para atividades com maior gasto energético (exercício leve/moderado, prolongado), por que é interessante para os músculos utilizar gordura como fonte de energia? A produção de energia é maior, mais que o dobro, embora seja mais lenta. Lembre-se que o ácido graxo é longo, ou seja, é mais trabalhoso quebrar ele. Fadiga A fadiga descreve uma condição reversível na qual um músculo é incapaz de produzir ou sustentar a potência esperada. 16 A fadiga é muito variável, ela é influenciada por: ▪ Intensidade e duração da atividade contrátil; ▪ Metabolismo aeróbio ou anaeróbio; ▪ Composição do músculo; ▪ Condicionamento físico. Os fatores que têm sido propostos como exercendo um papel crucial na fadiga estão associados aos mecanismos de: ➢ Fadiga Central: originados no SNC, inclui sensações subjetivas de cansaço e um desejo de cessar a atividade. Acredita-se que seja um mecanismo de defesa. ➢ Fadiga Periférica: originados em qualquer local entre a junção neuromuscular e os elementos contráteis do músculo. ▪ Se a ACh não for sintetizada no terminal axonal rápido o suficiente para responder à taxa de disparo do neurônio, a liberação do neurotransmissor na sinapse diminuirá. Consequentemente, o potencial da placa motora do músculo não atingirá o limiar necessário para disparar um potencial de ação na fibra muscular, resultando em falha na contração; ▪ No exercício submáximo prolongado, a fadiga está associada à depleção das reservas de glicogênio muscular. Como a maioria dos estudos mostra que a falta de ATP não é um fator limitante, a falta de glicogênio pode afetar outros aspectos da contração, como a liberação de Ca2+ do retículo sarcoplasmático; ▪ No esforço máximo de curta duração, a teoria baseia-se no aumento dos níveis de fosfato inorgânico (Pi) produzido quando o ATP e a fosfocreatina são utilizados como fonte de energia na fibra muscular. Concentrações citoplasmáticas elevadas de Pi podem deixar mais lenta a liberação do Pi a partir da miosina e, assim, alterar o movimento de força; ▪ Os níveis elevados de fosfato diminuem a liberação de Ca2+, pois o fosfato se combina com o cálcio, formando fosfato de cálcio. Tipos de Fibras Musculares Esqueléticas ▪ A velocidade com a qual uma fibra muscular contrai é determinada pela isoforma da miosina-ATPase presente nos filamentos grossos da fibra; 17 ▪ A duração da contração é determinada, em grande parte, pela velocidade com que o retículo sarcoplasmático remove o Ca2+ do citosol; ▪ A eficiência com a qual as fibras musculares obtêm o oxigênio é um fator determinante do método preferencial de metabolização da glicose. Fibras Oxidativas de Contração Lenta (ST, tipo I) ▪ A contração pode durar dez vezes mais; ▪ São usadas quase constantemente para a manutenção da postura, na posição ortostática estacionária (ficar em pé) e durante a locomoção; ▪ Dependem principalmente da fosforilação oxidativa para a produção de ATP; ▪ Possuem mais mitocôndrias (a organela que contém as enzimas do ciclo do ácido cítrico e da fosforilação oxidativa) do que as fibras glicolíticas; ▪ Possuem mais vasos sanguíneos no tecido conectivo adjacente, disponibilizando mais oxigênio para as células; ▪ Presença da Mioglobina, um pigmento vermelho com grande afinidade pelo oxigênio. Essa alta afinidade permite que a mioglobina atue como molécula de transferência ou de transporte, levando o oxigênio mais rapidamente para o interior das fibras; ▪ Como as fibras oxidativas contêm mais mioglobina, a difusão do oxigênio é mais rápida do que nas fibras glicolíticas; ▪ Músculo Vermelho, devido às grandes quantidades de mioglobina; ▪ Possuem um diâmetro menor; ▪ Como as fibras oxidativas possuem mais mioglobina e mais capilares para levar o sangue até as células, além de terem menor diâmetro, elas possuem um melhor suprimento de oxigênio e, assim, são capazes de usar a fosforilação oxidativa para a produção de ATP. Fibras Glicolíticas de Contração Rápida (FG, tipo IIX) ▪ Produzem tensão duas a três vezes mais rápido do que as fibras de contração lenta; ▪ Clivam o ATP mais rapidamente e, assim, podem completar múltiplos ciclos contráteis com maior velocidade do que as fibras de contração lenta; ▪ Bombeiam Ca2+ para dentro do retículo sarcoplasmático de forma mais rápida do que as fibras lentas e, por isso, produzem contrações mais rápidas; ▪ Abalos duram somente cerca de 7,5 ms, o que torna esses músculos úteis para movimentos finos e rápidos, como tocar piano; ▪ Usadas ocasionalmente; ▪ Dependem principalmente da glicólise anaeróbia para a produção de ATP; 18 ▪ Entram em fadiga mais facilmente, uma vez que o acúmulo de H+ proveniente da clivagem do ATP contribui para a acidose, uma condição associada ao desenvolvimento de fadiga; ▪ Músculo Branco: devido ao seu baixo conteúdo de miosina; ▪ Diâmetro maior do que as fibras lentas; ▪ A combinação de um maior tamanho, uma menor quantidade de mioglobina e uma menor vascularização faz haver maior possibilidade de as fibras glicolíticas ficarem sem oxigênio após contrações repetidas. Portanto, as fibras glicolíticas dependem principalmente da glicólise anaeróbia para a síntese de ATP e, assim, entram mais rapidamenteem fadiga Fibras Oxidativas-Glicolíticas de Contração Rápida (FOG, tipo IIA) ▪ Exibem propriedades de fibras oxidativas e glicolíticas; ▪ Produzem tensão duas a três vezes mais rápido do que as fibras de contração lenta; ▪ Clivam o ATP mais rapidamente e, assim, podem completar múltiplos ciclos contráteis com maior velocidade do que as fibras de contração lenta; ▪ Bombeiam Ca2+ para dentro do retículo sarcoplasmático de forma mais rápida do que as fibras lentas e, por isso, produzem contrações mais rápidas; ▪ Possuem mais mitocôndrias (a organela que contém as enzimas do ciclo do ácido cítrico e da fosforilação oxidativa) do que as fibras glicolíticas; ▪ Possuem mais vasos sanguíneos no tecido conectivo adjacente, disponibilizando mais oxigênio para as células ▪ Presença da Mioglobina, um pigmento vermelho com grande afinidade pelo oxigênio. Essa alta afinidade permite que a mioglobina atue como molécula de transferência ou de transporte, levando o oxigênio mais rapidamente para o interior das fibras; ▪ Como as fibras oxidativas contêm mais mioglobina, a difusão do oxigênio é mais rápida do que nas fibras glicolíticas ▪ Músculo Vermelho Intermediário: devido a presença de mioglobina; ▪ São menores do que as fibras glicolíticas de contração rápida e utilizam uma combinação de metabolismo oxidativo e glicolítico para produzir ATP; ▪ Devido ao seu tamanho intermediário e ao uso da fosforilação oxidativa para a síntese de ATP, as fibras do tipo 2A são mais resistentes à fadiga do que as suas primas glicolíticas rápidas (tipo 2X). 19 Qual tipo de fibra muscular predomina nas pernas dos dois atletas abaixo? Grau de Tensão (Força) ▪ Em uma fibra muscular, a tensão desenvolvida durante uma contração depende diretamente do comprimento dos sarcômeros individuais antes do início da contração; ▪ Cada sarcômero contrai, desenvolvendo a força máxima se estiver no seu comprimento ideal (nem muito alongado, nem muito encurtado) antes do início da contração; ▪ Em nível molecular, o comprimento do sarcômero reflete o grau de sobreposição entre os filamentos grossos e finos; ▪ A tensão gerada por um músculo é diretamente proporcional ao número de ligações cruzadas entre os filamentos grossos e finos; ▪ O desenvolvimento de tensão de um único abalo muscular é uma propriedade passiva que depende do grau de sobreposição dos filamentos e do comprimento do sarcômero; ▪ (a): Se o sarcômero estiver tão encurtado a ponto de os filamentos grossos ficarem muito próximos aos discos Z, a miosina será incapaz de encontrar novos sítios de ligação para a formação das ligações cruzadas, e a tensão diminuirá rapidamente; ▪ (b): Se o sarcômero for mais curto do que o comprimento ideal no início da contração, os filamentos finos e grossos estarão demasiadamente sobrepostos antes de a contração iniciar. Consequentemente, os filamentos Fibras Glicolíticas de Contração Rápida (FG, tipo IIX), uma vez que será necessária uma explosão de força para aplicar o salto. É importante lembrar que as fibras do tipo IIX usam o metabolismo glicolítico como fonte de energia o qual fornece energia mais rapidamente, no entanto, em baixas concentrações. Assim, tem-se maior força nos movimentos, porém por um período curto de tempo. Vale lembrar também que essas fibras são menos resistentes a fadiga, o que, de certa forma, explica a sua predominância em um atleta de salto o qual necessita de uma explosão de força nos músculos para a disparada e o salto, ou seja, ações de curta duração. Fibras Oxidativas de contração lenta (ST, tipo I), uma vez que será necessário menos força e alta resistência. Nas fibras do tipo I o metabolismo é oxidativo, com liberação de grandes quantidades de ATP em um período mais longo, assim, é o ideal para um maratonista que terá que percorrer vários Km. Além disso, as fibras de contração lenta possuem uma alta resistência a fadiga, tornando essenciais para uma corrida de longa distância. 20 grossos só poderão movimentar os filamentos finos por uma distância muito curta, antes que os filamentos finos de cada uma das extremidades do sarcômero comecem a se sobrepor. Essa sobreposição impede a formação das ligações cruzadas; ▪ (c): No comprimento ideal do sarcômero, os filamentos iniciam a contração com numerosas ligações cruzadas formadas entre os filamentos grossos e finos, permitindo que a fibra gere a força máxima durante aquele abalo; ▪ (e): se as fibras iniciarem a contração com o sarcômero muito alongado, haverá pouca sobreposição entre os filamentos grossos e finos e, consequentemente, poucas ligações cruzadas. Isso significa que no início da contração haverá pouca interação entre os filamentos deslizantes, e, portanto, pouca geração de força. Somação de Contrações ▪ É importante ter em mente que um único abalo não produz a força máxima que uma fibra muscular pode desenvolver. Pode-se aumentar a força gerada pela contração de uma única fibra muscular ao aumentar a frequência de potenciais de ação sobre a fibra. ▪ Somação de contrações: geração de mais um potencial de ação em uma só contração, fazendo com que a fibra muscular não tenha tempo para relaxar completamente entre dois estímulos subsequentes, o que resulta em uma contração mais vigorosa. ▪ É possível aumentar a tensão gerada por uma única fibra muscular ao mudar a frequência dos potenciais de ação que a estimulam. ▪ Um potencial de ação muscular típico dura de 1 a 3 ms, ao passo que a contração muscular pode durar 100 ms. ▪ (a): se os potenciais de ação sequenciais estiverem separados por longos intervalos de tempo, haverá tempo para a fibra muscular relaxar completamente entre os dois estímulos subsequentes; ▪ (b): se o intervalo de tempo entre os potenciais de ação for reduzido, a fibra muscular não terá tempo para relaxar completamente entre os dois estímulos subsequentes, resultando em uma contração mais vigorosa; ▪ Se os potenciais de ação continuarem a estimular a fibra muscular repetidamente a curtos intervalos de tempo (alta frequência), o período de relaxamento entre as contrações diminui até que a fibra muscular atinja um estado de contração máxima, denominado tetania; ▪ Tetania incompleta ou imperfeita: a frequência de estimulação da fibra muscular é submáxima e, consequentemente, a fibra relaxa levemente entre os estímulos (c); 21 ▪ Tetania completa ou perfeita: a frequência de estimulação é alta o suficiente para que não haja tempo de a fibra relaxar. Em vez disso, a fibra atinge e mantém a tensão máxima de maneira sustentada (d); Unidade Motora ▪ A unidade motora é a unidade básica de contração em um músculo esquelético íntegro, formada por um grupo de fibras musculares que trabalham em conjunto e pelo neurônio motor somático que inerva essas fibras. ▪ Quando o neurônio motor somático dispara um potencial de ação, todas as fibras musculares daquela unidade motora se contraem; ▪ Observe que, embora um neurônio motor somático inerve diversas fibras musculares, cada fibra muscular é inervada por apenas um neurônio motor; ▪ O número de fibras musculares em uma unidade motora é variável; ▪ Em músculos usados para atos motores finos, como os músculos extraoculares que movem os olhos, ou os músculos das mãos, cada unidade motora contém poucas fibras musculares, cerca de 3 a 5. Quando uma dessas unidades motoras é ativada, poucas fibras musculares contraem, e a resposta muscular é pequena. ▪ Nos músculos usados para ações motoras mais grosseiras, como a manutenção da postura ereta ou para a caminhada, cada unidade motora pode conter centenas ou mesmo milhares de fibras musculares. ▪ O gastrocnêmio, o músculo da panturrilha, por exemplo, tem cerca de 2 mil fibras musculares em cada unidade motora. Cada vez que uma unidade motora adicional é ativadanesse músculo, muitas fibras musculares adicionais contraem, e a resposta do músculo aumenta abruptamente devido aos incrementos correspondentemente maiores. ▪ Todas as fibras musculares de uma mesma unidade motora pertencem ao mesmo tipo de fibras musculares. Por essa razão, há unidades motoras de contração rápida e unidades motoras de contração lenta; Tipos de Contração ➢ Contração Isotõnica: qualquer contração que gere força e movimente uma carga é uma contração isotônica. Ex: Usando um par de halteres. Pegue os halteres, um em cada mão, e flexione seus cotovelos até que os halteres toquem seus ombros. Quando você flexionou os cotovelos e levou os halteres até os ombros, os seus músculos bíceps braquiais encurtaram. ➢ Contração Isométrica (ou contrações estáticas): contrações que geram força sem mover uma carga. Ex: segure os halteres, mantendo-os imóveis à sua frente, os músculos dos seus braços estarão gerando tensão (força) para se opor à carga dos halteres, mas não estarão gerando movimento. O que determina a força de contração? Número de unidades motoras e o tipo de fibra muscular. Em um músculo esquelético, cada unidade motora contrai de modo tudo ou nada. Mas, então, como os músculos conseguem gerar contrações graduadas de força e duração variáveis? A resposta reside no fato de que os músculos são compostos por múltiplas unidades motoras de diferentes tipos 22 Como uma contração isométrica consegue gerar força se o comprimento do músculo não muda de modo significativo? A resposta está nos elementos elásticos do músculo. Todos os músculos contêm fibras elásticas nos tendões e em outros tecidos conectivos que prendem os músculos aos ossos, e também no tecido conectivo localizado entre as fibras musculares. Nas fibras musculares, as proteínas elásticas do citoesqueleto estão presentes entre as miofibrilas e no sarcômero. Todos esses componentes elásticos se comportam coletivamente como se estivessem conectados em série (um atrás do outro) aos elementos contráteis do músculo. Por isso, eles são frequentemente chamados de elementos elásticos em série do músculo. 23 ▪ A tensão medida antes da contração muscular é denominada de tensão passiva (C). Como o músculo torna-se mais rígido conforme é distendido, são necessárias quantidades cada vez maiores de tensão passiva para alongar de modo progressivo a célula muscular. ▪ Se em um comprimento fixo qualquer (p. ex., condições isométricas) o músculo é estimulado para contrair-se, desenvolve-se uma tensão ativa adicional por causa da ciclagem das pontes cruzadas. A tensão total medida é, portanto, a soma das tensões passiva e ativa. Essa tensão incremental ou ativa – a diferença entre a tensão total e a tensão passiva – é bem pequena quando o músculo está com menos de ∼70% de seu comprimento de repouso normal (D). Conforme o comprimento muscular aumenta em direção ao seu comprimento normal, a tensão ativa aumenta. A tensão ativa é máxima em um comprimento – em geral chamado de L0 – que é próximo do comprimento muscular normal. A tensão ativa diminui com o alongamento adicional; portanto, a tensão ativa é novamente pequena quando o músculo é alongado além de 150% de seu comprimento de repouso normal. Regeneração da Fibra Muscular Esquelética As fibras musculares esqueléticas estão entre as maiores células do corpo e se originam da fusão de muitas células musculares embrionárias. Células-tronco comprometidas, chamadas de células satélites, localizam-se em justaposição à porção externa da membrana da fibra muscular. As células satélites tornam-se ativas e diferenciam-se em músculo quando necessário para o crescimento e para o reparo muscular. O músculo esquelético é capaz de notável regeneração após lesão. (C) A curva passiva representa a tensão que é medida em diferentes comprimentos do músculo antes da sua contração. O comprimento do músculo é expresso como a porcentagem do comprimento “ótimo”, ou seja, o comprimento no qual a tensão isométrica ativa é máxima. (D) A tensão ativa é a diferença entre as tensões total e passiva em 24 ▪ Inicialmente, a lesão causa dissolução do sarcolema que leva a rápida necrose da fibra muscular, com posterior aumento do número de células inflamatórias no local da lesão, sendo estas as principais características histopatológicas observadas na fase inicial do trauma muscular. ▪ Assim, a fase inicial da lesão muscular é acompanhada pela ativação de células inflamatórias e miogênicas. Pesquisas recentes revelam que fatores liberados pelo músculo lesado ativam células inflamatórias intramusculares, que promoverão sinais quimiotáticos para células inflamatórias oriundas da circulação. ▪ Os neutrófilos são as primeiras células inflamatórias a invadir o músculo lesado, liberando bradicinina, prostaglandina e histamina, causando vasodilatação e aumentando a permeabilidade dos pequenos vasos, aumentando em quantidade de 1-6 horas após a lesão e permanecendo presentes poucas horas após a lesão. ▪ Após a infiltração de neutrófilos (~48h), os macrófagos tornam-se as células inflamatórias predominantes no local da lesão. Essas células mononucleares infiltram-se no local para fagocitar o tecido lesado, condição importante para a regeneração muscular, ativar e regular a atividade mitótica das células miogênicas, além de liberar fatores de crescimento após a lesão. ▪ A degeneração é seguida pela ativação do processo de reparo muscular. A proliferação celular é um evento necessário para a regeneração muscular. A expansão das células miogênicas promove uma fonte suficiente de novos mionúcleos para o reparo muscular. As células miogênicas diferenciam-se e fundem-se às fibras lesadas para reparo e/ou formação de novas miofibras. ▪ As células miogênicas responsáveis pela regeneração são as células satélites (CS). Elas fazem parte de uma população de células com grande atividade mitogênica que contribui para o crescimento muscular pós-natal, reparo das fibras musculares danificadas e manutenção do músculo esquelético adulto. São células indiferenciadas e mononucleadas, cuja membrana basal está em continuidade com a membrana basal da fibra muscular. ▪ Enquanto o tecido muscular esquelético mantém-se livre de agressões, as CS permanecem em estado de quiescência (repouso). ▪ Entretanto, em resposta a estímulos como crescimento, remodelação ou trauma, as CS são ativadas, proliferam-se e expressam marcadores da linhagem miogênica. ▪ Essas células se fundem a fibras musculares já existentes ou se fundem à CS vizinhas para gerar novas fibras musculares. ▪ A revascularização é fator importante para o sucesso e formação de nova fibra muscular após uma severa lesão, levando nutrientes e oxigenação aos tecidos adjacentes para o reparo do tecido. Deste modo, se a lesão levar a um comprometimento vascular, o processo regenerativo será mais lento, devido ao retardo da fagocitose pelas células inflamatórias. ▪ Além do suprimento sanguíneo, a integridade da lâmina basal também é importante no sucesso da regeneração, servindo como base para a formação do novo miotubo (precursor das miofibrilas) e o desenvolvimento mínimo de fibrose. 25 Músculo Liso Importância e Função Presente em quase todos os órgãos ocos (com exceção do coração, fígado e rins). ▪ Trato Gastrointestinal: movimentos de peristaltismo, relaxamento, agitação e expulsão das fezes; ▪ Vias Aéreas: transporta o ar da traqueia para os pulmões, contração e relaxamento dos brônquios e transporta o ar dos bronquíolos até os alvéolos para que ocorra a hematose (troca gasosa); ▪ Miométrio (útero): responsável por produzir as contrações que empurram o bebê para fora do útero. ▪ Tubas Uterinas; ▪ Corpos cavernosos, vasos deferentes, etc: ereção peniana; ▪ Sistema vascular: regula o fluxo sanguíneoe a pressão arterial. O desequilíbrio nas contrações/relaxamento do músculo liso causa: ▪ Cólicas uterinas; ▪ Cólicas intestinais; ▪ Hipertensão; ▪ Asma; ▪ Disfunção erétil (incapacidade de manter uma ereção peniana); ▪ Hipertensão Características do Músculo Liso Dois dos princípios apresentados nas seções anteriores, relativos ao músculo esquelético, aplicam-se a todos os tipos de músculo liso: em primeiro lugar, a força é criada pelas ligações cruzadas formadas entre actina e miosina, que permitem a interação entre os filamentos deslizantes. Em segundo lugar, a contração do músculo liso, assim como nos músculos esquelético e cardíaco, é iniciada por um aumento das concentrações citosólicas de Ca2+ livre. Examinaremos algumas diferenças, em nível tecidual e celular: ▪ Os músculos lisos precisam operar em uma faixa de comprimentos: o músculo liso presente em órgãos ocos e tubulares precisa funcionar de maneira eficiente ao longo de uma grande faixa de comprimentos musculares. Em contrapartida, a maioria dos músculos esqueléticos está ligada aos ossos e opera com pequena variação de comprimentos. Assim, o músculo liso pode ser amplamente dilatado, o que por sinal gera contrações fortes. ▪ Em um mesmo órgão, as camadas de músculo liso podem estar dispostas em diferentes direções: por exemplo, o intestino possui uma camada muscular que circunda o lúmen e uma camada longitudinal que acompanha o comprimento do intestino. Assim, o músculo liso produz força para mover o conteúdo através do lúmen de um órgão e ondas sequenciais de contração muscular lisa que deslocam o conteúdo ao longo do intestino delgado. Por outro lado, a maioria dos músculos esqueléticos, no entanto, dispõe-se de modo que sua contração encurta o músculo. ▪ O músculo liso contrai e relaxa muito mais lentamente: assim, o tempo de contração é muito maior. Por que? Porque possui um mecanismo para poupar energia e também do ponto de vista funcional, uma vez que determinadas regiões necessitam da manutenção de uma contração. 26 ▪ O músculo liso utiliza menos energia para gerar e manter um determinado grau de tensão: Os músculos lisos podem produzir força rapidamente, mas também possuem a capacidade de reduzir a velocidade da miosina- ATPase para que as ligações cruzadas possam ciclar mais lentamente à medida que a força é mantida. Como resultado, a utilização de ATP é menor, em relação ao músculo esquelético. O músculo liso tem menos mitocôndrias do que os músculos estriados e depende mais da glicólise para a produção de ATP. ▪ O músculo liso pode manter as contrações por longos períodos sem fatigar: essa propriedade permite que órgãos, como a bexiga urinária, mantenham tensão em resposta a uma carga contínua. ▪ Os músculos lisos são formados por células fusiformes pequenas e mononucleadas: ao contrário das grandes fibras musculares esqueléticas multinucleadas. ▪ Os elementos contráteis não estão organizados em sarcômeros; ▪ A contração do músculo liso pode ser iniciada por sinais elétricos, químicos ou ambos. Por outro lado, a contração muscular esquelética sempre começa com um potencial de ação na fibra muscular; ▪ O músculo liso é controlado pelo sistema nervoso autônomo. Em contrapartida, o músculo esquelético é controlado pela divisão motora somática do sistema nervoso. ▪ O músculo liso não apresenta regiões receptoras especializadas: o que é diferente do músculo esquelético que possui as placas motoras terminais, encontradas nas sinapses do músculo esquelético. Em vez disso, os receptores são encontrados sobre toda a superfície celular. O neurotransmissor é liberado pelas varicosidades do neurônio autonômico próximo à superfície das fibras musculares e simplesmente se difunde pela superfície celular até encontrar um receptor. ▪ No músculo liso, o Ca2+ necessário para a contração é proveniente do líquido extracelular e do retículo sarcoplasmático. No músculo esquelético, todo o Ca2+ é proveniente do retículo sarcoplasmático. ▪ No músculo liso, o Ca2+ inicia uma cascata que termina com a fosforilação da cadeia leve da miosina e a ativação da miosina-ATPase. No músculo esquelético, o Ca2+ liga- -se à troponina para dar início à contração. (O músculo liso não tem troponina.) Estrutura Celular ▪ Musculatura de contração involuntária e lenta; ▪ Células fusiformes, mononucleadas e pequenas; 27 ▪ Não há estrias (não há sarcômeros). ▪ Copos densos – Discos Z; ▪ Caveolas (túbulos T): responsáveis por aproximar a membrana da célula muscular com a membrana do retículo sarcoplasmático, ou seja, auxilia na propagação do potencial de ação. De modo geral, as cavéolas são regiões especializadas do músculo liso. Cheia de receptores (placa motora), quantidade maior de lipídios (balsas lipídicas) como o PIP2 e a fosfatidilcolina. Potenciais de Ação 28 Tipos de Músculo Liso De acordo com a localização: ▪ Vascular (paredes dos vasos sanguíneos); ▪ Gastrintestinal (paredes do tubo digestivo e órgãos associados, como a vesícula biliar); ▪ Urinário (paredes da bexiga e dos ureteres); ▪ Respiratório (vias aéreas); ▪ Reprodutivo (útero das fêmeas e outras tanto em machos quanto em fêmeas); ▪ Ocular (olhos). De acordo com o padrão de contração: ➢ Contração Fásica: músculos que sofrem ciclos periódicos de contração e relaxamento, ou seja, alterna entre estados de contração e relaxamento. Um exemplo seria a parede do esôfago inferior, que contrai apenas quando o alimento passa pelo órgão. Alguns músculos lisos fásicos, como os da parede intestinal, ciclam de forma rítmica, alternando entre contração e relaxamento; ➢ Contração Tônica: músculos que permanecem contraídos de forma contínua, uma vez que estão sempre mantendo algum nível de tônus muscular. Assim, na maior parte do tempo o músculo mantém-se contraído, em algum momento relaxa, mas rapidamente contrai e mantém. Os esfincteres do esôfago e da bexiga urinária são exemplos de músculos de contração tônica que fecham a abertura de uma víscera oca. Esses esfincteres relaxam quando é necessário permitir que o conteúdo entre ou saia da víscera. O músculo liso tônico nas paredes de alguns vasos sanguíneos mantém um nível intermediário de contração. Sob controle tônico do sistema nervoso, esse músculo liso vascular contrai ou relaxa de acordo com a demanda da situação. De acordo com a comunicação entre as células vizinhas: ➢ Músculo Liso Unitário: as células estão conectadas eletricamente por junções comunicantes e contraem como uma unidade coordenada. A maior parte da musculatura lisa é do tipo unitário. O músculo liso unitário também é chamado de músculo liso visceral, pois compõe as paredes dos órgãos internos (vísceras), como o trato gastrintestinal. As fibras do músculo liso unitário estão conectadas umas às outras por junções comunicantes. Um sinal elétrico em uma célula se espalha rapidamente por toda a camada de tecido muscular, produzindo uma contração coordenada; 29 ➢ Músculo Liso Multiunitário: as células não estão ligadas eletricamente, e cada célula muscular funciona de modo independente. Como as células não estão conectadas eletricamente, elas precisam ser estimuladas independentemente para contrair. Cada célula muscular individual está intimamente associada a um terminal axonal ou à varicosidade. Essa organização permite o controle fino da contração desses músculos pela ativação seletiva de células musculares individuais. O músculo liso multiunitário é encontrado na íris e no músculo ciliar do olho, em parte do trato reprodutor masculino e no útero (exceto no período logo antes do parto). De modo surpreendente, o músculo liso multiunitário presente no útero se transforma em músculo liso unitário durante os estágios finaisda gestação. A adição de junções comunicantes às células musculares do útero permite a sincronização dos sinais elétricos, fazendo a musculatura uterina contrair de modo mais eficaz durante o trabalho de parto. Por que o músculo liso intestinal é unitário? Para que o trato gastrointestinal contraia como um todo, o que faz com ele trabalhe de forma rítmica. Por que é importante que os vasos sanguíneos possuam músculo liso multiunitário? Para que a irrigação/contração ocorra em regiões específicas e não no vaso inteiro como um todo, assim, vasos sanguíneos possuem um controle na irrigação dos tecidos do corpo. 30 Disposição das Fibras Musculares nos Órgãos Aparato Contrátil O músculo liso possui os mesmos elementos contráteis do músculo esquelético – actina e miosina, que interagem via ligações cruzadas –, além do retículo sarcoplasmático, que armazena e libera Ca2+. No entanto, os detalhes dos elementos estruturais diferem entre os dois tipos musculares. Actina ▪ A actina é mais abundante no músculo liso do que no músculo estriado, com uma razão de actina para miosina de 10 a 15 para 1, comparada com 2 a 4 para 1 no músculo estriado; ▪ A actina do músculo liso está associada à tropomiosina (não bloqueia o sítio de interação), como no músculo esquelético; ▪ Músculo liso não contém troponina; ▪ A calmodulina é a proteína de ligação ao Ca2+; ▪ Os filamentos de actina ligam-se aos corpos densos. Miosina ▪ Os músculos lisos têm menos miosina do que o músculo esquelético; ▪ Os menos numerosos filamentos de miosina estão cercados por filamentos de actina e se organizam de modo que cada molécula de miosina está no centro de um feixe de 12 a 15 moléculas de actina; ▪ Os filamentos de miosina do músculo liso são mais longos do que no músculo esquelético, e toda a superfície do filamento está recoberta pelas cabeças da miosina; ▪ Essa organização singular permite que o músculo liso seja mais estirado enquanto ainda mantém sobreposição suficiente para criar uma tensão ideal. Essa é uma propriedade importante para os órgãos internos, como a bexiga urinária, cujo volume varia durante o enchimento e o esvaziamento; ▪ Fibras circulares: mistura; ▪ Fibras longitudinais: propele. Ambos acontecem ao mesmo tempo. 31 ▪ Para que ocorra a quebra de ATP na cabeça da miosina é necessário que a cadeia leve regulatória ative a cadeia leve catalítica. Por outro lado, no músculo esquelético a cabeça da miosina por si só tem atividade ATPásica; Ademais ▪ As células musculares lisas possuem um extenso citoesqueleto constituído por filamentos intermediários e corpos densos no citoplasma e ao longo da membrana celular; ▪ As fibras do citoesqueleto que ligam esses corpos densos à membrana plasmática ajudam a manter a actina em seu devido lugar; ▪ As fibras proteicas na matriz extracelular ligam as células musculares lisas de um tecido entre si e transferem a força proveniente da contração de uma célula para as células vizinhas. Retículo Sarcoplasmático ▪ A quantidade de RS no músculo liso varia de um tipo de músculo para outro; ▪ A disposição do RS do músculo liso é menos organizada do que no músculo esquelético, sendo constituída por uma rede de túbulos que se estende desde a região sob a membrana plasmática até o interior da célula; ▪ Não há túbulos T no músculo liso, mas o RS está intimamente associado a invaginações da membrana, chamadas de cavéolas, as quais aparentemente participam da sinalização celular. 32 A Fosforilação da Miosina Controla a Contração Os eventos moleculares envolvidos na contração do músculo liso são similares aos do músculo esquelético, porém existem algumas diferenças importantes. No músculo liso: 1. Uma elevação citosólica do Ca2+ inicia a contração. Esse Ca2+ é liberado do retículo sarcoplasmático, mas também penetra na célula a partir do líquido extracelular; 2. O Ca2+ liga-se à calmodulina, uma proteína ligadora de cálcio encontrada no citosol; 3. A ligação do Ca2+ à calmodulina é o primeiro passo de uma cascata que termina com a fosforilação das cadeias leves da miosina; 4. A fosforilação das cadeias leves da miosina intensifica a atividade da miosina-ATPase e provoca a contração. Assim, a contração do músculo liso é controlada por processos reguladores associados à miosina, e não pela tropomiosina. Etapas da Contração 1. A contração começa quando as concentrações citosólicas de Ca2+ aumentam, logo após a entrada deste íon a partir do líquido extracelular e da sua liberação pelo retículo sarcoplasmático; 2. Os íons Ca2+ ligam-se à calmodulina (CaM), obedecendo à lei de ação das massas; 3. O complexo Ca2+-calmodulina ativa uma enzima, chamada de cinase da cadeia leve da miosina (MLCK); 4. Na base da cabeça da miosina, encontra-se uma pequena cadeia proteica reguladora, chamada de cadeia leve da miosina. Os processos de fosforilação e desfosforilação da cadeia leve da miosina controlam a contração e o relaxamento do músculo liso. Quando o complexo Ca2+-calmodulina ativa a MLCK, a enzima ativa as cadeias proteicas leves da miosina; 5. A fosforilação da miosina intensifica a atividade da miosina-ATPase. Quando a atividade da miosina-ATPase é alta, a ligação à actina e os ciclos das ligações cruzadas aumentam a tensão muscular; A desfosforilacão da cadeia leve da miosina pela enzima fosfatase da cadeia leve da miosina (MLCP, do inglês, myosin light chain phosphatase) diminui a atividade da miosina-ATPase. De modo interessante, a desfosforilação da miosina não resulta automaticamente em relaxamento. Sob condições que ainda não são bem compreendidas, a miosina desfosforilada pode permanecer em um estado de contração isométrica, chamado de estado de tranca. Essa condição mantém a tensão muscular com um consumo mínimo de ATP. Esse é um fator importante na capacidade do músculo liso de sustentar a contração sem entrar em fadiga. Por que a contração é lenta? A isoforma da miosina-ATPase do músculo liso é muito mais lenta do que a do músculo esquelético, o que reduz a frequência de ciclos das ligações cruzadas. Relaxamento ▪ Como a desfosforilação da miosina não causa relaxamento automático, é a razão entre a atividade da MLCK pela MLCP que determina o estado de contração do músculo liso; ▪ A MLCP do músculo liso está sempre ativa em algum grau; ▪ Assim, a atividade da MLCK é frequentemente o fator crítico. Lembre-se que a atividade da MLCK depende do complexo Ca2+-calmodulina; 6. Assim como no músculo esquelético, o Ca2+ livre é removido do citosol quando a Ca2+-ATPase o bombeia de volta para dentro do retículo sarcoplasmático. Além disso, parte do Ca2é bombeada para fora da célula, com o auxílio da Ca2+-ATPase e do trocador Na+-Ca2+ (NCX, Na+ -Ca2+ exchanger); 7. Pela lei de ação das massas, uma diminuição do Ca2+ citosólico livre faz o Ca2+ se desligar da calmodulina; 8. Na ausência do complexo Ca2+-calmodulina, a cinase da cadeia leve da miosina torna-se inativada. À medida que a MLCK se torna menos ativa, a fosfatase da cadeia leve da miosina desfosforila a miosina; 9. A atividade da miosina-ATPase diminui e o músculo relaxa. A MLCP controla a sensibilidade ao Ca2+ ▪ A partir da discussão anterior, seria possível imaginar que o cálcio e sua regulação sobre a atividade da MLCK fossem os principais fatores responsáveis pelo controle da contração do músculo liso. Entretanto, sinais químicos, 33 como neurotransmissores, hormônios e moléculas de ação parácrina, alteram a sensibilidade do músculo liso ao cálcio por modularem a atividade da fosfatase da cadeia leve da miosina (MLCP); ▪ Se a MLCK e o complexo Ca2+-calmodulina se mantiverem constantes, mas a atividade da MLCP aumentar, a razão MLCK/MLCP muda, e a MLCP domina o cenário; ▪ A miosina-ATPase édesfosforilada, e a força contrátil diminui, mesmo que a concentração citosólica de Ca2+ não tenha sido modificada; ▪ Costuma-se dizer que o processo de contração está dessensibilizado para o cálcio – o cálcio é menos efetivo para produzir a contração; ▪ Reciprocamente, moléculas sinalizadoras que diminuem a atividade da fosfatase da cadeia leve da miosina tornam a célula mais sensível ao Ca2+, e a força contrátil aumenta, mesmo que a (Ca2+) não tenha mudado. 34 O Ca2+ Inicia o Processo de Contração ▪ A contração pode ser iniciada por sinais elétricos (mudanças no potencial de membrana) ou sinais elétricos; ▪ Acoplamento Eletromecânico: a contração produzida por sinalização elétrica. Ex: Células Cajal no instestino, elas geram potenciais de membrana naturalmente devido a presença de junções comunicantes; ▪ Acoplamento Farmacomêcanico: as contrações iniciadas por sinais químicos, sem uma alteração significativa do potencial de membrana. Dependem, essencialmente, da ligação de uma molécula ao receptor, ou seja, depende do acoplamento de ligantes a receptores acoplados a Proteína G; ▪ O Ca2+ que inicia a contração vem de duas fontes: o retículo sarcoplasmático e o líquido extracelular; ▪ Quantidades variáveis de Ca2+ podem entrar no citosol a partir dessas fontes, criando contrações graduadas, cuja força varia de acordo com a intensidade do sinal de Ca2+. 35 Liberação de Ca2+ do Retículo Sarcoplasmático ▪ O estoque intracelular de Ca2+ do músculo liso está no retículo sarcoplasmático (RS); ▪ A liberação de Ca2+ pelo RS é mediada por um receptor de rianodina (RyR), que é um canal de liberação de cálcio, e por um canal receptor de IP3; ▪ O canal RyR abre-se em resposta ao Ca2+ que entra na célula, um processo conhecido como liberação de cálcio induzida por cálcio (LCIC); ▪ Os canais dependentes de IP3 abrem quando receptores acoplados à proteína G ativam as vias de transdução de sinal da fosfolipase C. O trifosfato de inositol (IP3) é um segundo mensageiro produzido nessa via. Quando o IP3 se liga ao canal receptor de IP3 do RS, o canal abre, e o Ca2+ flui do RS para o citosol. ▪ Quando os estoques de Ca2+ do RS diminuem, uma proteína-sensor (STIM1) presente na membrana do RS interage com os canais de Ca2+ operados por estoque presentes na membrana plasmática. Esses canais de Ca2+, formados pela proteína Orai-1, então, abrem- -se para permitir a entrada de mais Ca2+ na célula. As bombas Ca2+ -ATPase transportam o Ca2+ citosólico para dentro do RS, restabelecendo seu estoque. Entrada de Ca2+ pela membrana plasmática A entrada de Ca2+ na célula a partir do líquido extracelular, independentemente dos estoques, ocorre com a ajuda de canais da membrana que são dependentes de voltagem, dependentes de ligante ou mecanossensíveis. Canais de Ca2+ dependentes de voltagem - ▪ Abrem-se em resposta a um estímulo despolarizante. ▪ Os potenciais de ação podem ser produzidos naquela própria célula muscular ou podem penetrar na célula a partir de células vizinhas, via junções comunicantes; ▪ Potenciais graduados sublimiares podem causar a abertura de alguns canais de Ca2+, permitindo que pequenas quantidades de Ca2+ entrem na célula; ▪ indo que pequenas quantidades de Ca2+ entrem na célula. A entrada desse cátion despolariza a célula, provocando a abertura adicional de canais de Ca2+ dependentes de voltagem; ▪ Às vezes, moléculas sinalizadoras químicas abrem canais de cátions, e a despolarização resultante abre os canais de Ca2+. Canais de Ca2+ dependentes de ligante ou Canais de cálcio operados por receptor (ROCC) - ▪ Esses canais se abrem em resposta à ligação de um ligante e permitem a entrada de quantidades suficientes de Ca2+ na célula para induzir a liberação de cálcio pelo RS. Canais mecanossensíveis - ▪ Canais ativados por estiramento; ▪ Algumas células musculares lisas, como aquelas dos vasos sanguíneos, contêm canais de Ca2+ ativados pelo estiramento que se abrem quando uma pressão ou outra força deforma a membrana plasmática; ▪ O processo exato ainda está sendo debatido, mas a célula despolariza, abrindo canais de Ca2+ dependentes de voltagem próximos; ▪ Como a contração nesse caso é originada de uma propriedade da própria fibra muscular, ela é conhecida como contração miogênica. As contrações miogênicas são comuns nos vasos sanguíneos que mantêm uma certa quantidade de tônus o tempo todo. Por que a bexiga urinária desenvolve tensão quando enche e depois relaxa, à medida que se ajusta ao volume aumentado? Porque Embora o estiramento possa iniciar uma contração, alguns tipos de músculo liso se adaptam quando as células musculares permanecem estiradas por um período de tempo prolongado. À medida que o estiramento prossegue, os canais de Ca2+ começam a fechar de uma maneira dependente do tempo. Então, à medida que o Ca2+ é bombeado para fora da célula, o músculo relaxa. Há um limite à intensidade de estiramento que um músculo pode suportar, entretanto, e uma vez que o volume crítico é atingido, o reflexo da micção esvazia a bexiga. 36