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Sistem� Muscular aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa� Beatriz Ignacio Carvalho - @beasroutine O tecido muscular é constituído de células alongadas, que contêm grande quantidade de filamentos citoplasmáticos compostos de proteínas cujo arranjo torna possível a transformação de energia química em energia mecânica. Estas proteínas produzem a força necessária para a contração das células e do tecido muscular, utilizando a energia armazenada em moléculas de trifosfato de adenosina (ATP). MÚSCULO ESQUELÉTICO O tecido muscular esquelético é formado por feixes de células muito longas, cilíndricas, multinucleadas e com inúmeros filamentos cilíndricos chamados miofibrilas. Nas fibras musculares esqueléticas, os numerosos núcleos elípticos localizam-se na periferia, logo abaixo do sarcolema. Essa localização nuclear característica ajuda a distinguir o músculo esquelético do músculo cardíaco. Organização: Os músculos são formados por milhares de fibras musculares organizadas em conjuntos de feixes. Estes são envolvidos por uma camada de tecido conjuntivo chamada epimísio, que recobre o músculo inteiro. Do epimísio partem finos septos de tecido conjuntivo que se dirigem para o interior do músculo, separando os feixes. Esses septos constituem o perimísio. Assim, o perimísio envolve os feixes de fibras. Entre as fibras musculares há uma delicada camada de tecido conjuntivo, denominada endomísio, formada por fibras reticulares e células do tecido conjuntivo. O endomísio contém uma extensa rede de capilares sanguíneos. Cada célula muscular esquelética é envolvida por uma lâmina basal. O tecido conjuntivo do músculo contém ainda vasos linfáticos e nervos. Uma função importante do tecido conjuntivo é manter unidas as fibras musculares de um músculo, além de agir na transmissão das forças produzidas pelo músculo na sua contração. Os vasos sanguíneos penetram o músculo através dos septos de tecido conjuntivo do perimísio e formam uma extensa rede de capilares sanguíneos situados no endomísio, entre as fibras musculares. Alguns músculos se afilam nas extremidades, observando-se uma transição gradual de músculo para tendão. Nessa região de transição, as fibras de colágeno do tendão inserem-se em dobras complexas do sarcolema. Anatomia microscópica de uma fibra muscular esquelética Sarcolema: constitui a membrana que separa o meio interno, rico em íons potássio, e o meio externo, rico em íons sódio. Membrana delgada que reveste a fibra muscular esquelética. Consiste em verdadeira membrana celular e com revestimento de fina camada de material polissacarídeo contendo muitas fibrilas colágenas delgadas. Em cada extremidade da fibra muscular, essa camada superficial do sarcolema funde-se com uma fibra do tendão. Essa, por sua vez, se agrupa em feixes para formar os tendões dos músculos que se inserem nos ossos. Túbulos transversos: invaginações do sarcolema que formam um túnel da superfície para o centro de cada fibra muscular. Sarcoplasma: dentro do sarcolema. Consiste no citoplasma da fibra muscular O sarcoplasma apresenta uma quantidade substancial de glicogênio, que pode ser utilizado para a produção de ATP. Rico em K+, Mg++ e PO4-3. Também contém uma proteína chamada mioglobina. Essa proteína liga moléculas de oxigênio que se difundem nas fibras musculares a partir do líquido intersticial. A mioglobina libera oxigênio necessário pela mitocôndria para a produção de ATP. Miofibrilas: pequenos filamentos que aparecem no sarcoplasma, e são as organelas contráteis do músculo esquelético. São compostas por filamentos de actina e miosina. Eles estão parcialmente interdigitados, fazendo com que a miofibrila alterne faixas escuras e claras. As claras só contém filamentos de actina, sendo conhecidas como faixas I. As escuras contém filamentos de miosina, sendo chamados de faixas A. OBS: Pontes Cruzadas - pequenas projeções laterais dos filamentos de miosina. É a interação entre os filamentos de actina e as pontes cruzadas que causam as contrações. As extremidades dos filamentos de actina estão ligadas aos discos Z. Dele, esses filamentos se estendem em ambas as direções para se interdigitarem com os filamentos de miosina. O segmento da miofibrila situado entre 2 discos Z é o sarcômero. Tinina: moléculas filamentosas que mantém os filamentos de miosina em seus lugares. Uma extremidade da molécula de tinina é elástica, estando fixada ao disco Z, atuando como mola e variando seu comprimento conforme o sarcômero contrai e relaxa. A outra parte da molécula de tinina a ancora nos filamentos grossos de miosina. Retículo sarcoplasmático: envolve cada miofibrila. É extremamente importante para o controle da contração muscular. Miofilamentos: filamentos finos são compostos pela actina e os grossos, miosina. Sarcômeros: Os filamentos dentro de uma miofibrila não se estendem por todo o comprimento da fibra muscular. Em lugar disso, são arranjados em compartimentos chamados sarcômeros, os quais constituem as unidades básicas funcionais de uma miofibrila. Regiões estreitas de material proteico denso chamadas linhas Z separam um sarcômero do outro. Assim, um sarcômero se estende de uma linha Z até o outra linha Z. A extensão da sobreposição dos filamentos grossos e finos depende de o músculo estar contraído, relaxado ou estirado. O padrão da sobreposição, consistindo em várias zonas e bandas, cria as estriações que podem ser vistas nas miofibrilas individuais e em fibras musculares inteiras. - Banda A: A parte do meio, mais escura, que se estende por todo o comprimento dos filamentos grossos No sentido de cada extremidade da banda A está uma zona de sobreposição, onde os filamentos grossos e finos repousam lado a lado. - Banda I: é uma área mais clara e menos densa que contém o resto dos filamentos finos e nenhum filamento grosso, por cujo centro passa uma linha Z. - Zona H: no centro de cada banda A. Contém filamentos grossos e não finos. - Linha M: proteínas de sustentação que mantêm os filamentos grossos juntos no centro da zona H. Mecanismo geral da contração muscular 1. Os potenciais de ação cursam pelo nervo motor até suas terminações nas fibras musculares. 2. Em cada terminação, o nervo secreta pequena quantidade da substância neurotransmissora acetilcolina. 3. A acetilcolina age em área local da membrana da fibra muscular para abrir múltiplos canais de cátion, “regulados pela acetilcolina”, por meio de moléculas de proteína que flutuam na membrana. 4. A abertura dos canais regulados pela acetilcolina permite a difusão de grande quantidade de íons sódio para o lado interno da membrana das fibras musculares. Essa ação causa despolarização local que, por sua vez, produz a abertura de canais de sódio, dependentes da voltagem, que desencadeia o potencial de ação na membrana. 5. O potencial de ação se propaga por toda a membrana da fibra muscular, do mesmo modo como o potencial de ação cursa pela membrana das fibras nervosas. 6. O potencial de ação despolariza a membrana muscular, e grande parte da eletricidade do potencial de ação flui pelo centro da fibra muscular. Aí, ela faz com que o retículo sarcoplasmático libere grande quantidade de íons cálcio armazenados nesse retículo. 7. Os íons cálcio ativam as forças atrativas entre os filamentos de miosina e actina, fazendo com que deslizem ao lado um do outro, que é o processo contrátil. 8. Após fração de segundo, os íons cálcio são bombeados de volta para o retículo sarcoplasmático pela bomba de Ca++ da membrana, onde permanecem armazenados até que novo potencial de ação muscular se inicie; essa remoção dos íons cálcio das miofibrilas faz com que a contração muscular cesse. Tropomiosina: durante o período de repouso, elas recobrem os locais ativos de filamento de actina, de forma a impedir que ocorra atração entre os filamentos de actina e de miosina para produzir contração. Troponina: - Troponina I: forte afinidade com actina - Troponina T: forte afinidade com tropomiosina - Troponina C: forte afinidade com o cálcio. - Mecanismo molecularda contração muscular 1. Antes do início da contração, as pontes cruzadas das cabeças se ligam ao ATP. A atividade da ATPase das cabeças de miosina imediatamente cliva o ATP, mas deixa o ADP e o íon fosfato como produtos dessa clivagem ainda ligados à cabeça. Nessa etapa, a conformação da cabeça é tal que se estende perpendicularmente em direção ao filamento de actina, só que ainda não está ligada. 2. Quando o complexo troponina-tropomiosina se liga aos íons cálcio, os locais ativos no filamento de actina são descobertos, e as cabeças de miosina então se ligam a eles. 3. A ligação entre a ponte cruzada da cabeça e o local ativo no filamento de actina causa alteração conformacional da cabeça, fazendo com que se incline em direção ao braço da ponte cruzada. Essa alteração gera um movimento de força para puxar o filamento de actina. A energia que ativa o movimento de força é a energia já armazenada, como uma mola “engatilhada” pela alteração conformacional que ocorreu na cabeça quando as moléculas de ATP foram clivadas. 4. Uma vez em que a cabeça e a ponte cruzada esteja inclinada, isso permite a liberação do ADP e do íon fosfato que estavam ligados à cabeça. No local onde foi liberado o ADP, nova molécula de ATP se liga. A ligação desse novo ATP causa o desligamento da cabeça pela actina. 5. Após a cabeça ter sido desligada da actina, a nova molécula de ATP é clivada para que seja iniciado novo ciclo, levando a novo movimento de força. A energia volta a engatilhar a cabeça em sua posição perpendicular, pronta para começar o novo ciclo do movimento de força. 6. Quando a cabeça engatilhada se liga a novo local ativo no filamento de actina, ela descarrega e de novo fornece outro movimento de força. O grau de superposição dos filamentos de actina e de miosina determina a tensão que é desenvolvida pelo músculo que se contrai Três fontes de energia para para a contração muscular A maior parte de energia necessária para a contração muscular é utilizada para ativar o mecanismo walk-along, pelo qual as pontes cruzadas puxam os filamentos de actina, mas pequenas quantidades são necessárias para o bombeamento dos íons cálcio do sarcoplasma para o retículo sarcoplasmático quando cessa a contração, e o bombeamento dos íons sódio e potássio, através da membrana da fibra muscular, para manter o ambiente iônico apropriado para a propagação do potencial de ação das fibras musculares. O ATP é clivado para formar ADP, o que transfere a energia das moléculas de ATP para o mecanismo da contração da fibra muscular. Então, o ADP é refosforilado para formar novo ATP, em outra fração de segundo, permitindo que o músculo continue sua contração. ➔ Fosfocreatina: A primeira fonte de energia, que é utilizada para reconstituir o ATP. Transporta uma ligação fosfato de alta energia similar às ligações do ATP. As ligações fosfato de alta energia da fosfocreatina têm teor de energia livre pouco maior que cada ligação do ATP. Assim, a fosfocreatina é clivada instantaneamente, e sua energia liberada causa a ligação de novo íon fosfato ao ADP, para reconstituir o ATP. Entretanto, a quantidade total de fosfocreatina na fibra muscular é também pequena — apenas cerca de cinco vezes maior que a quantidade de ATP. Por isso, a energia combinada do ATP armazenado e da fosfocreatina, no músculo, é capaz de manter a contração muscular máxima por apenas 5 a 8 segundos. ➔ "Glicólise" do glicogênio nas células musculares A segunda fonte importante de energia. O rápido desdobramento enzimático do glicogênio a ácidos pirúvico e lático libera energia que é utilizada para converter o ADP em ATP. Ele pode, então, ser utilizado diretamente para energizar contrações musculares adicionais e também para reconstituir as reservas de fosfocreatina. A importância desse mecanismo de glicólise é: 1. As reações glicolíticas podem ocorrer mesmo na ausência de oxigênio, de modo que a contração muscular pode ser mantida por muitos segundos e, muitas vezes, por mais do que 1 minuto, mesmo quando o oxigênio liberado pelo sangue não estiver disponível. 2. A velocidade de formação do ATP pelo processo glicolítico é cerca de 2,5 vezes mais rápida do que a formação do ATP, em resposta à reação dos nutrientes celulares com o oxigênio. Entretanto, como muitos produtos finais da glicólise se acumulam nas células musculares, a glicólise perde também sua capacidade de sustentar a contração muscular máxima após 1 minuto. ➔ Metabolismo oxidativo O que significa combinar o oxigênio com os produtos finais da glicólise e com vários outros nutrientes celulares, para liberar ATP. Os nutrientes alimentares consumidos são carboidratos, gorduras e proteínas. Para a atividade muscular máxima extremamente longa — por período de várias horas —, a maior proporção de energia, de longe, vem da gordura, mas, por período de 2 a 4 horas, a metade da energia vem dos carboidratos armazenados. Fibras lentas e rápidas TECIDO MUSCULAR CARDÍACO O principal tecido na parede do coração é o tecido muscular cardíaco. Entre as camadas de fibras musculares cardíacas, as células contráteis do coração, existem lâminas de tecido conjuntivo que contêm vasos sanguíneos, nervos e o sistema de condução do coração. As fibras musculares cardíacas apresentam a mesma configuração de actina e miosina e as mesmas bandas, zonas e linhas Z que as fibras musculares esqueléticas. Entretanto, os discos intercalados são exclusivos das fibras musculares cardíacas. Discos intercalados: são espessamentos transversos irregulares do sarcolema que conectam as extremidades das fibras musculares cardíacas umas às outras. As linhas contêm desmossomos, que mantêm as fibras juntas, e junções comunicantes, que permitem que os potenciais de ação muscular se propaguem de uma fibra muscular cardíaca para outra. O tecido muscular cardíaco apresenta endomísio e perimísio, mas não possui epimísio. TECIDO MUSCULAR LISO Dois tipos: - Visceral (unitário): encontrado na pele e em arranjos tubulares que formam parte das paredes das pequenas artérias e veias e de órgãos ocos como estômago, intestinos, útero e bexiga urinária. Assim como o músculo cardíaco, o músculo liso visceral é autorrítmico. As fibras se conectam umas às outras por sinapses, formando uma rede pela qual os potenciais de ação muscular podem se disseminar. - Multiunitário: consiste em fibras individuais, cada uma com seus próprios neurônios motores terminais e com algumas sinapses entre as fibras vizinhas. A estimulação de uma fibra multiunitária provoca a contração apenas daquela fibra. É encontrado nas paredes de grandes artérias, nas vias respiratórias dos pulmões, nos músculos eretores dos pelos, nos músculos da íris que ajustam o diâmetro da pupila e no corpo ciliar que ajusta o foco da lente no olho. Anatomia microscópica do músculo liso Em cada fibra, encontra- se um núcleo único, oval e centralmente localizado. O sarcoplasma das fibras musculares lisas contém filamentos finos e filamentos grossos,, porém não estão distribuídos em sarcômeros de maneira ordenada como no músculo estriado. As fibras musculares lisas também contêm filamentos intermediários. Visto que os vários filamentos não apresentam padrão regular de sobreposição, as fibras musculares lisas não exibem estriações. As fibras musculares lisas também não apresentam túbulos transversos e revelam apenas uma pequena quantidade de retículo sarcoplasmático para armazenamento de Ca2+. Embora não haja túbulos transversos no tecido muscular liso, existem pequenas invaginações da membrana plasmática chamadas cavéolas que contêm Ca2+ extracelular que pode ser usado na contração muscular. Nas fibras musculares lisas, os filamentos finos se fixam a estruturas chamadas de corpos densos, funcionalmente similares às linhas Z nas fibras musculares estriadas. Alguns desses corpos densos encontram- se dispersos por todo o sarcoplasma; outros estão presos ao sarcolema. Feixes de filamentos intermediários também se prendem aos corpos densos e se estendem de um corpo denso a outro.Contração do músculo liso O tecido muscular liso exibe algumas diferenças fisiológicas importantes dos tecidos musculares cardíaco e esquelético. - A contração na fibra muscular lisa começa mais lentamente e dura mais tempo que a contração muscular esquelética. - O músculo liso pode tanto encurtar- se quanto alongar -se até um grau maior que os outros tipos musculares. A elevação da concentração de Ca2+ no citosol de uma fibra muscular lisa inicia a contração, assim como no músculo estriado. O retículo sarcoplasmático é encontrado em pequenas quantidades no músculo liso. Os íons cálcio vão para o citosol do músculo liso oriundos tanto do líquido intersticial quanto do retículo sarcoplasmático. Já que não há túbulos transversos nas fibras musculares lisas (há cavéolas no lugar), demora mais para que o Ca2+ alcance os filamentos no centro da fibra e desencadeie o processo contrátil. Isso é responsável pelo começo lento da contração do músculo liso. Uma proteína reguladora chamada calmodulina liga- se ao Ca2+ no citosol. Depois, a calmodulina ativa uma enzima chamada de quinase da cadeia leve de miosina. Essa enzima usa ATP para adicionar um grupo fosfato a uma porção da cabeça de miosina. Uma vez fixado o grupo fosfato, a cabeça de miosina pode se ligar à actina e a contração pode ocorrer. Os íons cálcio também se movimentam lentamente para fora da fibra muscular, o que retarda o relaxamento. A presença prolongada de Ca2+ no citosol propicia o tônus do músculo liso, um estado de contração parcial contínuo. Dessa maneira, o tecido muscular liso consegue sustentar um tônus de longa duração, importante para o sistema digestório, cujas paredes exercem pressão constante sobre o conteúdo dos órgãos, e para as paredes dos vasos sanguíneos chamados arteríolas, que exercem pressão constante sobre o sangue. A maioria das fibras musculares lisas se contrai ou relaxa em resposta a potenciais de ação originados no sistema nervoso autônomo. Além disso, muitas fibras musculares lisas se contraem ou relaxam em resposta a estiramentos, hormônios ou fatores locais como alterações de pH, níveis de oxigênio e dióxido de carbono, temperatura e concentrações iônicas. Diferentemente das fibras musculares estriadas, as fibras musculares lisas podem se alongar de maneira considerável e ainda manter sua função contrátil. Quando as fibras musculares lisas são estiradas, elas inicialmente se contraem, desenvolvendo aumento da tensão. Em um minuto, a tensão diminui. Esse fenômeno possibilita que o músculo liso sofra grandes alterações de extensão enquanto retém a capacidade de se contrair de maneira efetiva. Desse modo, mesmo que o músculo liso nas paredes dos vasos sanguíneos e dos órgãos ocos como estômago, intestinos e bexiga urinária possa se estender, a pressão sobre os conteúdos muda muito pouco. Depois do esvaziamento do órgão, o músculo liso nas paredes volta ao normal e a parede mantém sua firmeza.