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Mycobacterium
-bacilos gram-positivos fraco > pois possuem um alto conteúdo de ácido micólico e
de lipídeos na sua parede celular que previnem a entrada dos corantes empregados
na técnica de coloração de Gram ou passam muito lentamente; Os lipídeos da
parede celular ligam-se à fucsina carbólica que não é removida pelo descorante
álcool-ácido usado no método de coloração de Ziehl-Neelsen (ZN); os que se coram
de vermelho por esse método, são ditos ácido-resistentes (BAAR) ou
ZN-positivos;
-bastonetes finos;
- forma de bastão;
-aeróbios estritos;
-Não capsulados;
- Catalase positivos;
-Lisozima resistente;
-Não produzem toxinas;
- não-formadores de esporos
- imóveis
-nenhuma micobactéria produz toxinas;
-acidorresistentes;
-podem possuir ramificações; crescimento filamentoso ou miceliar que se fragmenta
em bastonetes ou cocos em algum estágio do crescimento;
- contêm alto teor de guanina–citosina (GC) (cerca de 65%) em seus genomas;
- 243 sp e 24 subsp no gênero Mycobacterium spp;
-0,2-0,7 µm de diâmetro e 1,0 - 10 µm de comprimento;
-Parede Celular semelhante: Nocardia e Rhodococcus
-colônias de morfologia variável, porém geralmente são secas e enrugadas .
-Colônias de M. avium ssp. hominissuis geralmente apresentam formato de domo
e a maioria das cepas virulentas é transparente e lisa , as quais gradativamente se
transformam em opacas e rugosas, uma vez que a virulência pode se perder depois
de repetidas culturas;
- membrana citoplasmática (MC) > é responsável pelo transporte e seleção de
substâncias e pela síntese de pigmentos carotenóides e niacina , utilizados nos
testes de identificação fenotípica; Grânulos de polifosfato são utilizados em
atividades energéticas e multiplicação celular e ribossomos, que possuem enzimas
necessárias à biossíntese celular, entre elas a responsável pela redução do nitrato a
nitrito;
-Método de coloração de ZIEHL-NEELSEN: As micobactérias apresentam grande
quantidade de lipídeos em suas paredes celulares. Quando tratadas pelo corante
Fucsina Fenicada, coram-se de vermelho e persistem ao descoramento
subsequente por uma solução de Álcool-ácido forte (diferenciador);
Por esse motivo são conhecidas como Bacilos Álcool-Ácido Resistentes (BAAR). As
outras bactérias, que não possuem tais paredes celulares ricas em lipídeos, têm a
sua coloração pela Fucsina descorada pela solução de Álcool-ácido e coram-se em
azul pela coloração de fundo do Azul de Metileno (contra-corante)
* Fucsina
* Álcool (97%) e ácido clorídrico (3%)
* Lavagem com água
* Azul de Metileno
- BAAR – Bacilos álcool-ácido resistentes > devido a grande quantidade de
lipídios [ácido micólicos e outros lipídios {60% da parede celular} > tais respondem
por propriedades patogênicas e imunológicas
- micosídeos de superfície ( principalmente glicolipídios e peptídeoglicolipídios )
> determinam as características das colônias, as especificidades sorológicas e as
suscetibilidades a bacteriófagos;
- ácidos micólicos são ligados à camada mais interna de peptidoglicanos por meio
de arabinogalactanos > complexados com polissacarídeos e peptídeos ; A
determinação do comprimento da cadeia de ácido micólico tem importância
diagnóstica na identificação do gênero e das espécies, pois apresentam cadeias
mais longas, contendo 60 a 90 átomos de carbono;
-Alguns ácidos micólicos se ligam fracamente ao dissacarídio trealose , sob as
formas de monomicolato de trealose (TMM) e de dimicolato de trealose (TDM) >>
TDM foi identificado como fator “corda”, componente das micobactérias que lhes
confere aparência característica semelhante a serpentina, verificada na cultura em
alguns meios líquidos; está associado a várias funções nos mecanismos
fisiopatogênicos, protegendo as micobactérias da morte fagocítica e contribuindo
para a lesão das células do hospedeiro dentro do granuloma;
-seu peptidoglicano apresenta uma estrutura incomum > pois estão ligados com
ácido N-glicolilmurânico ao invés de ácido Nacetilmurâmico ; o componente da
subunidade dipeptídio muramil tem uma mistura de 50% de moléculas N -acetiladas
e 50% de moléculas N- glicosiladas, que é diferente dos 100% de típicas moléculas
N -acetiladas da maioria das eubactérias > diretamente relacionada com a
capacidade desse componente de potencializar a resposta imune humoral e a
resposta imune celular (adjuvanticidade) ;
- têm membranas celulares típicas, compostas de dupla camada de lipídios, mas têm
um importante glicolipídio da parede celular ( lipoarabnomanano, LAM ) > envolvido
na patogênese da infecção causada por micobactérias ( fagocitose e inibição de
fusões de fagolisossomos) especialmente por M. tuberculosis, pois é recoberto por
resíduos de manose (ManLAM);
-Outros lipídios ( glicolipídios, fosfolipídios, sulfolipídios e gorduras ) também
podem ter alguma participação nesses processos;
-A arquitetura da parede celular é completada pela presença de purinas e de outras
proteínas , tais como aquelas transportadoras envolvidas na aquisição de nutrientes ;
Algumas são antigênicas e grande quantidade delas pode ser facilmente detectada
no fluido sobrenadante do caldo de cultura; “secretam” s uperóxido dismutase ,
L- alanina desidrogenase e glutamato sintetase ;
-Importância dos Lipídios:
1. identificação das micobactérias;
2. responsável pela hidrofobicidade em meio líquido;
3. lento crescimento;
4. resistência aos ácidos, aos desinfetantes, aos Ac;
5. resistência à dessecação;
6. Fator corda da parede celular: crescimento colonial das bactérias virulentas;
causada pela TDM;
-Resistência ao ressecamento;
-Não resistentes ao calor ou irradiação UV;
-Crescimento lento ou muito lento;
-Tempo de geração lento: 15 - 20 h (ou + sp patogênicas)
-Colônias visíveis após 2 - 20 dias em temperatura ótima (depende da sp; );
-Amplamente distribuídos no solo e água;
● Algumas sp são: parasitas obrigatórios e patógenos de vertebrados ,
outros são saprófitas de vida livre ( micobactérias atípicas;
ocasionalmente provocam doenças em animais ); outras oportunistas .
-maioria dessas bactérias é saprófita e vive no ambiente;
- Mycobacterium bovis, M. tuberculosis e M avium subsp. paratuberculosis têm
temperatura de incubação ótima de 37°C .
-As micobactérias pertencentes ao complexo da M. avium crescem em temperaturas
que variam de 37 a 43°C
● podem ser divididas em dois grupos com base na taxa de crescimento:
1. Os produtores rápidos formam colônias visíveis em meio sólido, muitas
vezes dentro de sete dias;
2. os produtores lentos, por exemplo , MAC (Mycobacterium avium),
demoram mais para produzir colônias visíveis.
● Características culturais:
-sp de micobactérias patogênicas: podem ser diferenciadas por seu aspecto colonial
em meios à base de ovo;
- a influência do glicerol e de piruvato de sódio nas taxas de crescimento é usada
para diferenciar espécies patogênicas;
- a suplementação do meio com micobactina é requerida para M. avium subsp.
paratuberculosis > é extraída de raros isolados de M. avium subsp. paratuberculosis
não-dependentes de micobactina e mantidos em laboratório.
● Diferenciação bioquímica
-baseada em métodos-teste específicos;
-auxilia na identificaçãode M. tuberculosis, M. bovis e M. avium .
-Alguns isolados micobacterianos podem não ser classificados em determinadas
espécies pela diferenciação bioquímica já que o seu perfil nos testes bioquímicos é
difícil de interpretar;
● Exige meios orgânicos complexos:
-possuem: Glicerol que favorece o crescimento de M. tuberculosis e M. avium;
Piruvato favorece o crescimento do M. bovis; Espécies mamíferas : 33° a 39°C–
colônias secas e aspecto rugoso (esfarelado); Aviária e outras : 25 a 45°C –
colônias côncavas.
1. Lowenstein-Jensen (ovos inteiros) - A base do meio é constituída por
ovos integrais, o que permite amplo crescimento das micobactérias,
por conta que essas bactérias exigem lipídeos; composição - Citrato de
magnésio 0,6g Sulfato de magnésio 0,24g Fosfato potassico
monobasico 2,4g Asparagina 3,6g glycerol 13g verde malachita 0,3g
ovos 667mL agua deionizada; POSSÍVEIS RESULTADOS > Cor
original do meio: verde claro; Cultura negativa: ausência de
crescimento de colônias. Cultura positiva para BAAR: Crescimento de
colônias amarelas, quando for confirmado BAAR no esfregaço em
lâmina. Cultura contaminada: crescimento de outras bactérias que não
micobactérias. Formação de corda: As espécies do complexo M.
tuberculosis apresentam a formação de corda, ou grumos aglomerados
lineares. Geralmente os bacilos apresentam-se em paliçada adquirindo
um aspecto de corda. Outras vezes apresentam-se como grumos
compactos assemelhando-se a um borrão de corantes.
2. Middlebrook 7H11 - contém compostos inorgânicos que fornecem sais
inorgânicos essenciais para estimular o crescimento, bem como
vitaminas e co-fatores necessários; com uma adição de digestão
pancreática de caseína para facilitar o crescimento de culturas
fastidiosas de M. tuberculosis ; Produção de pigmentos Branco, creme
ou amarelo-claro = Não cromogénio (NC) Amarelo-limão, amarelo,
cor-de-laranja, vermelho = Cromogénio (Ch)
3. Stonebrink-Lesslie -
https://en.wikipedia.org/wiki/Pancreatic
https://en.wikipedia.org/wiki/Casein
https://en.wikipedia.org/wiki/M._tuberculosis
-propriedade útil para a classificação das micobactérias é a presença de pigmentos
carotenóides em algumas espécies (“cromogênicas” vs. “não cromogênicas ”) e
a sua dependência à luz (“fotocromogênicas” vs. “escotocromogênicas ”);
fotocromogênicas: crescimento lento (mais de sete dias de incubação) saprófitas,
mas doença rara no homem e nos animais.
escotocromógenos: produzem o pigmento principalmente na ausência de luz;
crescimento lento onipresente saprofíticos…
acromogênicos: produzem pouco ou nenhum pigmento amarelo-laranja,
independentemente da presença ou ausência de luz.
-Algumas sp produzem pigmentos: colônias geralmente róseas, laranjas ou
amarelas, especialmente quando expostas à luz;
-Pigmento não é difuso; superfície grosseira e rugosa; algumas espécies de difícil
crescimento;
-Há sp não são cultiváveis em meios de cultura ( M. leprae que infecta tatus >
crescimento muito lento );
-Exigem manipulação sob cabinas de segurança (prevenir a disseminação de
patógenos ao homem);
-Uso de calor para a esterilização;
-as micobactérias são resistentes aos desinfetantes químicos e a
influências/estresses ambientais > isto por conta dos ácidos micólicos;
● Relação com o hospedeiro:
1. Parasita obrigatório ( M. leprae e M. lepraemurium ).
2. Parasita intracelular facultativo : Maioria das micobactérias
patogênicas - Principais células que infectam são os macrófagos; Sp
parasitas (M): M. avium, M. bovis, M. tuberculosis, M. fortuitum, M.
marinum, M. ulcerans, M. kansasii, M. intracellulare, M.
scrofulaceum;
3. Parasita saprófito - a maioria das espécies; M. phlei, M. smegmatis,
M. butyricum, M. gordonae ;
- ESPÉCIES IMPORTANTES:
➔ M. tuberculosis : homem, psitacídeos, bovinos e suínos.
➔ M. bovis: bovinos, suínos, felinos, equinos, primatas, humanos, caninos,
ovinos e caprinos.
➔ M. avium : aves, suínos, equinos, bovinos e homem.
➔ M. avium subsp. paratuberculosis : doença de Johne (bovinos, ovinos,
caprinos, ruminantes silvestres, coelhos e o homem);
➔ M. lepraemurium: lepra felina e lesões cutâneas dos felinos.
➔ M. caprae : TB em caprinos, ovinos, bovinos, suínos e homem.
-As principais espécies de Mycobacterium patogênicas que afetam animais
domésticos exibem um grau considerável de especificidade quanto ao hospedeiro,
embora possam produzir doença esporádica em vários outros hospedeiros;
-Fontes de micobactérias patogênicas:
➔ Animais infectados ou animais silvestres (hospedeiro de manutenção 1 /ex. o
texugo na Europa, o gambá cauda-de-escova na Nova Zelândia, e o búfalo
do Cabo e outros ruminantes na África. Veados, tanto selvagens quanto de
propriedades, são particularmente suscetíveis e podem agir como
reservatórios );
➔ M. bovis: secreções respiratórias (aerossóis gerados por animais infectados),
fezes, leite contaminado ( provável via de transmissão para suínos e gatos ),
urina, semêm;
➔ M. avium subsp. avium and M. avium subsp. paratuberculosis: fezes
contaminadas;
➔ M. tuberculosis: principalmente por secreções respiratórias.
-Viabilidade:
➔ Até uma 1h em suspensão no ar (ao abrigo da luz solar direta);
➔ Até 2 anos em estábulos, pastos e esterco;
➔ Até um 1 ano na água;
➔ Até 10 meses nos produtos de origem animal;
1 aquele que mantém o agente por longo tempo.
Várias sorovares de M. avium avium são conhecidos, mas somente os tipos 1, 2 e 3
são patogênicos para pássaros;
M. bovis pode sobreviver na pastagem por ≥ 2 meses, M. avium sobrevive no solo
por ≥ 4 anos.
-coletivamente referidos como o complexo M. tuberculosis porque esses
organismos causam tuberculose, uma doença caracterizada pela formação de
tubérculos e necrose caseosa nos tecidos: Mycobacterium tuberculosis , M.
africanum , M. bovis , M. bovis BCG , M. microti , M. caprae e M. pinnipedii ;
https://www.sciencedirect.com/topics/nursing-and-health-professions/tuberculosis
https://www.sciencedirect.com/topics/agricultural-and-biological-sciences/microtus
https://www.sciencedirect.com/topics/agricultural-and-biological-sciences/capra
Lepra cutânea em um gato doméstico de pêlo curto, mostrando numerosas lesões
perioculares
❖ TUBERCULOSE
-doença infecciosa e contagiosa de evolução crônica, caracterizada por lesões de
aspecto nodular, localizada principalmente em linfonodos e pulmões, causada por
diferentes sp de Mycobacterium, que acomete diversos animais podendo afetar o
homem.
-manifesta-se não somente na forma clássica de tuberculose intestinal ou
escrofulose (transmitida por alimentos), mas, principalmente, na forma pulmonar
(transmitida por aerossóis).
-Principais agentes Complexo M. tuberculosis: M. tuberculosis, M. africanum, M.
canettii, M. bovis, M. pinnipedii, M. caprae , M. microti;
-Complexo M. avium inclui: M. avium avium, M. avium hominissuis, M. avium
paratuberculosis, M. intracellulare;
-Importância social:
● Mundo: Doença infecciosa que + mata em todo o mundo; Principal causa de
morte entre pessoas vivendo com HIV (PVHIV); 2018: no mundo 10,0 milhões
de pessoas adoeceram; 1,5 milhão morreram devido à TB; 251 mil
coinfectadas com TB/HIV.
● Brasil: 3° lugar nasAméricas; 200 casos por dia; 73.864 mil casos novos
(2019); 4.490 mortes; Em tempos de pandemia do novo coronavírus, a
tuberculose, se não for tratada adequadamente, pode ser uma causa de
agravamento de um quadro de infecção pela covid-19 > Apesar de ter cura, é
justamente o abandono do tratamento o principal motivo para a tuberculose
ainda continuar causando mortes no país.
● Importância econômica: Queda de produtividade; Descarte precoce; morte
de animais; condenação de carcaças; Perda da credibilidade da unidade de
criação; Custo/tempo de tratamento; queda no ganho de peso; diminuição na
produção de leite;
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-03/brasil-registra-200-casos-det
uberculose-por .
❖ TUBERCULOSE ANIMAL
-Epidemiologia:
1. Distribuição mundial;
2. Maior prevalência em países em desenvolvimento - Os índices de casos
variam amplamente por país, idade, raça, sexo e status socioeconômico; Em
2016, 64% dos novos casos ocorreram em 7 países; a maioria ocorreu na
Índia, mas também na Indonésia, China, Filipinas, Paquistão, Nigéria e África
do Sul; Alguns países, incluindo a Coreia do Norte, Lesoto, Moçambique,
Filipinas e África do Sul, tiveram taxas de incidência; A taxa de infecção e
mortalidade está caindo; Novos casos diminuíram 1,5% em 2014 e 2015,
ampliando uma tendência que vem ocorrendo há vários anos - em parte por
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-03/brasil-registra-200-casos-detuberculose-por
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-03/brasil-registra-200-casos-detuberculose-por
causa dos esforços globais de controle da TB que forneceram a mais pessoas
acesso a fármacos contra infecções por TB e HIV; Nos EUA, a taxa caiu de
1994 a 2014. Em 2016, 9.287 novos casos foram notificados ao CDC que
representaram uma taxa de 2,9/100.000, o que foi um ligeiro decréscimo em
relação a 2015 > Mais da metade desses casos ocorreu em pacientes
nascidos fora dos EUA em áreas de alta prevalência; O risco de infecção para
pessoas que moram em instalações comunitárias, como abrigos, instituições
de longa permanência ou estabelecimentos correcionais, bem como para os
sem-teto, aumentou no último ano. Em tais populações de alto risco, a
incidência de casos pode ficar próxima à de regiões do mundo de alto risco;
Houve um ressurgimento da tuberculose em regiões dos EUA e em outros
países desenvolvidos entre 1985 e 1992 > associado a vários fatores,
incluindo HIV pessoas sem-teto, deterioração da infraestrutura da saúde
pública e o surgimento da tuberculose mutlirresistente (TB-RMF); Embora
substancialmente controlada nos EUA pela saúde pública e por medidas
institucionais de controle de infecção eficazes, o problema da TB-RMF,
incluindo a tuberculose extensivamente fármaco-resistente, parece estar
aumentando no mundo, alimentado por recursos inadequados, incluindo
sistemas de fornecimento de tratamento e diagnóstico;
3. Erradicada ou em erradicação em alguns países desenvolvidos;
4. Brasil: Prevalência de rebanhos reagentes: 7,1%; Prevalência de animais
reagentes: 1,3%
- TB bovina: causada por M. bovis; Transmissão: de animais para seres humanos
( normalmente pela inalação de aerossóis ou pela ingestão de leite não
pasteurizado ) e outros animais; bovinos são os principais hospedeiros, mas outros
animais domésticos e mamíferos silvestres podem ser infectados ( ovelhas, cabras,
cavalos, porcos, cachorros, furões, camelos, lhamas, muitas espécies de
ruminantes silvestres incluindo cervos e alces; elefantes, rinocerontes,
raposas, coiotes, mustelídeos, primatas, gambás, lontras, focas, leões
marinhos, lebres, guaxinins, urso, javalis, grandes felinos (incluindo leões,
tigres, leopardos, guepardos e linces) e várias espécies de roedores; Pouco se
sabe sobre a suscetibilidade de pássaros ao M. bovis, embora eles geralmente
sejam considerados resistentes; Recentemente infecções experimentais foram
relatadas em pombos após inoculação intratraqueal e em urubus após
inoculação intraperitoneal. Algumas espécies de aves, incluindo patos
silvestres, parecem ser resistentes a infecções );
todos os vertebrados de sangue quente (exceto as aves);
-M. avium → pode afetar todas as espécies de aves, assim como suínos e
humanos;
-Bovinos e bubalinos → não desenvolvem tuberculose pelo M. avium (contudo,
dificulta o diagnóstico);
-M. tuberculosis → afeta principalmente os humanos, mas também: cães, gatos,
bovinos (doença autolimitante ) e suínos;
-Equinos: são raramente infectados; a infecção por M. avium ssp. hominissuis é
mais frequente que por M. bovis. Em geral, a porta de entrada da infecção é o trato
alimentar, com complexos primários relacionados com a faringe e o intestino;
possível notar lesões localizadas secundárias no pulmão, no fígado, no baço e em
membranas serosas, região faríngea e mesentérica; As lesões de vértebra cervical
podem ser decorrentes de periostite hipertrófica inespecífica secundária;
As lesões macroscópicas são semelhantes a tumor (neoplasias) : não apresentam
material caseoso (raro necrose caseosa) e calcificação macroscópica e contêm
poucos linfócitos; Observa -se proliferação de fibroblastos, mas geralmente não há
encapsulação firme;
-Ovinos (raro) e caprinos → são suscetíveis a M. bovis e, talvez um pouco menos
suscetíveis a M. avium ssp. hominissuis; resistentes à infecção progressiva causada
por M. tuberculosis; pulmonar; A doença é progressiva só nos jovens;
-Suínos → podem ser infectados por via alimentar; apenas M. bovis causa doença
progressiva com as lesões clássicas > as + frequentes são nos linfonodos da
cabeça, pescoço e abdômen ; infecções causadas por M. tuberculosis não
progridem além dos linfonodos regionais; infecção por M. avium ssp. hominissuis ,
predominante em vários países, pode disseminar-se a vísceras, ossos e meninges;
As lesões não apresentam tubérculos organizados, mas contêm material
granulomatoso; Pode haver quantidade abundante de bactérias.
-Cães e gatos → são facilmente infectados por M. bovis , mas raramente por M.
avium ssp; cães também são suscetíveis a M. tuberculosis ; A localização intestinal e
abdominal da infecção é mais comum em gatos que em cães , sugerindo que a via
de exposição provavelmente seja o trato alimentar > altamente suscetíveis ao M.
bovis, (pela ingestão de leite "in natura" de vacas tuberculosas ou comendo carne
contaminada); Lesão primária: órgãos abdominais e secundariamente no pulmão,
muito semelhante ao linfossarcoma felino (neoplasia);
Lesões cutâneas ulcerativas são mais comuns em gatos que em outros hospedeiros,
bem como o envolvimento ocular, com coroidite tuberculosa que ocasiona cegueira;
As lesões, especialmente em cães, frequentemente parecem mais uma reação
induzida por corpo estranho que um tubérculo, uma vez que podem não apresentar
células gigantes e células epitelióides típicas, tampouco material caseoso,
calcificação e liquefação; Geralmente o curso da doença é progressivo;
● Fontes de infecção e Vias de transmissão:
-Animais podem se contaminar por meio de:Animais doentes ou infectados,
(raramente o homem);
-Homem pode se contaminar por meio de: Animais doentes ou infectados: Através
do leite cru (normalmente tuberculose intestinal); Aquisição de doença profissional
(tratadores de animais, magarefes, veterinários [normalmente tuberculose pulmonar];
Contato próximo com humanos infectados (secreções respiratórias);
● Transmissão da Tuberculose
-De um animal infectado para outro animal sadio:
Vias mais comuns:
1. Aerossóis da respiração
2. corrimento nasal (orofaringe;)
3. Leite cru;
Vias menos comuns:
1. Fezes;
2. Urina;
3. Secreções vaginais/uterinas;
4. Sêmen;
-De um animal doente para o homem:
1. Aerossóis da respiração;
2. Leite cru;
3. Carne crua ou mal-cozida
-De um animal sem sintomas para outro animal: Animal recém infectado já pode
transmitir, mesmo sem lesões ou outros sinais de sua presença, a infecção para
outros animais;
Geralmente, animais + velhos têm mais chance de terem a doença mais adiantada e,
assim, serem a principal fonte de infecção para os mais jovens ;
● TUBERCULOSE BOVINA
-doença bacteriana crônica que acomete ocasionalmente outras espécies de
mamíferos;
-zoonose;
-infecção por Mycobacterium bovis;
- Introdução da doença no rebanho:
1. Aquisição de animais infectados;
2. Participação em eventos;
3. Proximidade de outro rebanho positivo.
4. Micobactérias invadem o gado: trato respiratório (90-95%) e via oral (5-10%).
5. Infecção congênita nos fetos bovinos pode ocorrer a partir da mãe infectada
( evento raro );
6. Bezerros jovens são infectados pela ingestão de leite contaminado;
-TB humana causada pelo M. bovis tem caído acentuadamente com a pasteurização
do leite;
-Caracterizam-se pelo desenvolvimento progressivo de lesões nodulare s
denominadas tubérculos, que podem localizar-se em qualquer órgão ou tecido;
-generalização da infecção pode assumir duas formas:
1. miliar - quando ocorre de maneira abrupta e maciça, com entrada de um
grande número de bacilos na circulação;
2. protraída - mais comum, que se dá por via linfática ou sanguínea,
acometendo o próprio pulmão, linfonodos, fígado, baço, úbere, ossos, rins,
sistema nervoso central, disseminando-se por, praticamente, todos os tecidos;
-O animal poderá não sofrer generalização precoce, ou sofrê-la e não morrer, não
curar, ou se curar clinicamente e mais tarde tiver reabertura de focos por baixas de
resistência (fome, doenças intercorrentes, gestações e lactações continuadas,
tratamento por corticóides, descalcificação etc).
-Poderá apresentar reativação da doença por infecção endógena, ou poderá ainda
sofrer nova infecção exógena;
-Lesões de tuberculose podem ser:
1. miliar aguda 2 ;
2. nodulares
3. tuberculose crônica dos órgãos - normalmente limitada aos pulmões,
linfonodos pulmonares e linfonodos craniais.
-Em casos avançados, a dispnéia pode ser aparente, devido a extensas lesões
pulmonares que levam ao enfraquecimento das funções respiratórias , ou em
decorrência do aumento dos linfonodos bronquiais , que causam a obstrução das
vias aéreas;
-O comprometimento dos pulmões, leva também a uma tosse crônica , devido à
broncopneumonia, esta tosse ocorre vez ou outra e é deprimida, entrecortada e
produtiva;
-Pode ocorrer corrimento nasal seroso ou purulento, taquipneia e hiperpneia ;
-Raramente podem ser auscultadas áreas de vazio pulmonar, correspondente a
maciez percussora e às vezes ruídos de roce pleural, crepitações e sibilos.
-Em casos avançados de tuberculose pulmonar pode ocorrer hemoptise e a
respiração pode ficar profunda > Nestes casos os bovinos podem apresentar
emagrecimento progressivo, anorexia, febre e debilidade.
- linfonodos mesentéricos aumentados de volume podem provocar obstruções
intestinais , e o aumento dos linfonodos retrofaríngeos pode levar a disfagia,
estridores e salivação.
-ocorrência de diarréia é rara , e quando presente, resulta de ulceras tuberculosas no
intestino delgado
-Em infecções tuberculosas na glândula mamária , o achado característico é um
endurecimento e hipertrofia acentuada que envolve primeiro a parte superior do
úbere nos quartos posteriores.
-No início o leite não apresenta anormalidades macroscópicas, mas com o avanço
da doença, aparecem flocos muito finos que se depositam quando o leite está em
repouso, deixando-o com aspecto claro de coloração âmbar;
2 determinadas lesões que têm o tamanho de um pequeno milho.
- Em bovinos, as lesões de tuberculose causada pelo tipo aviária são comumente
encontradas nos linfonodos mesentéricos ;
-TB em pequenos ruminantes é rara.
-Suínos: pode ser causada pelos tipos bovina e aviária.
-Superinfecção é específica em bovinos.
-Zebuínos são mais resistentes que os taurinos e bubalinos (há cura natural de
muitos infectados e os efeitos da doença nos zebuínos são bem menos graves????);
- Cães das raças Fox Terrier e Irish Setter são mais frequentemente infectados que
cães das raças Dachshund e Doberman Pinscher;
Terrier e Doberman
-M. tuberculosis é a principal causa da tuberculose em humanos e pode infectar
bovinos, mas não causa doença progressiva nessa espécie, todavia pode
sensibilizá-los ao teste tuberculínico ;
-M. tuberculosis é menos patogênico para o bovino, e quando a doença ocorre, tem
caráter auto-limitante.
-Não há relatos de transmissão deste microrganismo entre bovinos ou de bovinos
para humanos;
-Bovinos leiteiros possuem uma taxa de infecção maior que os bovinos de corte >
em decorrência de confinamento mais estreito e estresse causado por maior
produtividade, em vacas leiteiras
➢ Patogenia
-ruminantes são infectados por M. bovis geralmente pela via respiratória e,
ocasionalmente, pela ingestão dos bacilos
-Após atingir o alvéolo pulmonar, o bacilo é fagocitado por macrófagos e seu
desenvolvimento, ou não, no hospedeiro depende da infectividade do
microorganismo, da carga infectante e da resistência oferecida pelo organismo
invadido.
-Se não forem eliminados os bacilos se multiplicam no interior dos macrófagos até
destruí-los.
-Esses bacilos que saem dos macrófagos rompidos, são fagocitados por outros
macrófagos alveolares ou por monócitos vindos da corrente circulatória.
-Por volta de duas a três semanas após a inalação do agente infeccioso, para a
multiplicação do mesmo e ocorre resposta imune celular com reação de
hipersensibilidade tardia, com necrose de caseificação para conter o crescimento
intracelular das micobactérias > Esse processo envolve a mediação por linfócitos T,
com migração de novas células de defesa ao local da infecção, que levarão à
formação dos granulomas da tuberculose.
-Essas lesões são constituídas por uma parte central, às vezes com área de necrose
de caseificação, envolvida por células epitelióides, células gigantes, linfócitos,
macrófagos e uma camada de fibroblastos na superfície;
-Os bacilos da lesão da tuberculose no parênquima pulmonar, propagam-se para os
linfonodos regionais, nos quais desencadeiam a formação de novo granuloma e
assim formam o complexo primário;
-Nos pulmões, as lesões se iniciam na junção dos bronquíolos com os alvéolos, e se
disseminam para linfonodos e brônquios, podendo regredir,continuarem
estabilizadas ou progredir. A disseminação para outros órgãos pode ocorrer durante
o desenvolvimento da doença mais tardiamente, em função de uma queda na
imunidade do animal.
-Quando generalizada, a tuberculose bovina pode se apresentar sob duas formas:
1. miliar (quando acontece de forma abrupta e maciça, com entrada de um
grande número de bacilos na circulação);
2. protraída, que é a mais comum (a disseminação se dá por via linfática ou
sanguínea, acometendo o pulmão, linfonodos, fígado, baço, úbere, ossos,
rins, sistema nervoso central e dissemina-se por quase todos os tecidos.
➢ Diagnóstico clínico e laboratorial
-Doença normalmente tem caráter crônico raramente se tornando aparente até que
tenha alcançado um estado avançado;
-é mais difícil diagnosticar porque a tuberculose tem um padrão crônico, ou seja, o
animal não demonstra que tem a doença tão rápido (ao contrário se ela fosse
aguda), então ela não surge rapidamente > por conta de sua parede, por conta da
bactéria; então ela precisa causar uma resposta bem exacerbada e letal pra
perceber (por conta de seus lipídeos) diferente da pneumonia, que é aguda > mata
mais rapido; por isso é mais letal; pode ter vários agentes; se replicam mais rápido;
curva q entra logo na fase de log, por isso é uma infecção aguda;
além disso, a patogênese da doença pode variar dentro de uma espécie, bem como,
entre espécies, resultando em diferentes vias de excreção e os padrões de
transmissão; Períodos de incubação mais prolongados, de até vários anos em
algumas espécies, indicam que os animais aparentemente saudáveis podem
transportar e excretar micobactérias patogênicas; Além disso, as micobactérias
podem ser eliminadas apenas intermitentemente por animais infectados, o que limita
a sensibilidade dos testes baseados na detecção de M. bovis nas excreções em um
único momento;
-diagnostico clínico da tuberculose é difícil devido ao fato de que os sinais
respiratórios, o emagrecimento e o aumento de tamanho de alguns linfonodos
ocorrem em casos avançados da enfermidade e podem ser confundidos com outras
doenças, por outro lado, um animal pode estar infectado, com um foco localizado e
apresentar-se aparentemente sadio > Alguns animais infectados parecem estar em
perfeitas condições de sanidade sem evidências de infecção até que sejam
abatidos ;
-Aspecto clínico: emagrecimento progressivo, tosse, aumento de volume dos
linfonodos, dispneia e diarreia intercalados com constipação, podendo ser afetados
qualquer órgão do corpo.
1. Histopatologia - consiste na análise de lesões suspeitas de tuberculose,
colhidas em carcaças submetidas à inspeção post mortem ( Exame após a
morte do anima l); são exames práticos, rápidos e de baixo custo, e
aumentam a sensibilidade de diagnóstico quando esta é realizada em
conjunto com a cultura, sendo um importante meio de diagnóstico a ser
aplicado principalmente em regiões de alta prevalência da doença: apenas
presuntivo, necessita confirmação por bacteriologia ; técnica indireta de
diagnóstico presuntivo de tuberculose que permite a verificação da presença
de granuloma, o que é considerado sugestivo da enfermidade, ou direta,
quando sob coloração especial de Ziehl-Neelsen, é pesquisada a presença
de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR);
Depende dos critérios de inspeção (de carcaça e sítios);
Depende de coleta adequada pares de linfonodos (pelo menos seis): Cabeça
– mandibulares, parotídeos e retrofaríngeo; Tórax – mediastínicos e
bronquiais; Abdômen – mesentérios; Carcaça – pré-escapulares, ilíacos,
isqueáticos, sacral, inguinal superior
Amostras de órgãos acometidos: Pulmão, fígado; Intestinos; Baço; Rim;
Úbere; Órgãos genitais.
2. Baciloscopia (Exame Microscópico) - é a pesquisa de bacilos álcool-ácido
resistentes - BAAR em esfregaços da amostra, preparados e corados com
metodologia padronizada. em meios de cultivo específicos para
micobactérias; considerada o procedimento + rápido e fácil;
também utilizada quando se deseja confirmar a presença de BAAR no
crescimento de culturas em meio sólido;
É menos sensível que a cultura exige nos espécimes de origem pulmonar em
torno de 5.000 a 10.000 bacilos/ml da amostra;
Corantes fluorescentes: Auramina, Rodamina + Microscopia de fluorescência:
↑ detecção e visualização;
3. Cultivo (Exame bacteriológico): Para primo isolamento de M. bovis: método
tradicional de descontaminação de Petroff > pois para o isolamento de
micobactérias, é necessário que o material clínico seja tratado para eliminar a
flora associada contaminante. Este processo ocorre fundamentalmente pela
utilização de determinadas concentrações de álcalis ou ácidos, que além de
cumprirem esta função, fluidificam a amostra, não interferindo diretamente
sobre a viabilidade das micobactérias, visto que estes microrganismos
apresentam resistência significativa às substâncias mencionadas; utiliza
hidróxido de sódio como elemento de descontaminação e digestão.
e semeadura em meios a base de ovo, como Stonebrink (contendo piruvato
de sódio e não glicerina); só consigo ver o crescimento após três a cinco
semanas de incubação a 37º C; Isolamento de M. bovis pode demorar até
mais de 12 semanas (podendo chegar a 90 dias); Identificação da cepa
isolada por métodos bioquímicos é demorada e utilização de sondas de DNA
pode facilitar > é um pequeno pedaço de DNA que é projetada para ter uma
sequência complementar a sequência particular do DNA na amostra. Isto
permite que a sonda hibride ou se ligue a um fragmento de DNA específico na
membrana.
4. Exame com o animal vivo:
➢ Exame clínico: Palpação dos linfonodos; auscultação dos pulmões,
etc.
➢ Testes tuberculínicos: Resposta de hipersensibilidade tardia
mediada por LT sensibilizados em indivíduos previamente expostos ao
bacilo tuberculoso; Consiste num infiltrado de células mononucleares
no local da aplicação, com formação de edema mais ou menos
pronunciado em no máximo 72 horas;
consiste na aplicação intradérmica de tuberculina (tuberculina
purificada derivada de proteína - PPD), que é um extrato, livre de
células, de proteínas e peptídeos liberados por M. tuberculosis no meio
de cultura; Essa inoculação intradérmica em indivíduos infectados
resulta em tumefação caracterizada por uma área endurecida 48 a 72
horas após a aplicação ( reação de hipersensibilidade retardada );
Em bovinos, uma dose de 0,2 a 0,3 mg de PPD bovina (PPD de M.
bovis) é aplicada por via intradérmica na pele da região caudal, vulvar
ou anal ou, em algumas situações, na pele do pescoço. Nos casos
positivos, a tumefação (> 5 mm) se desenvolve dentro de 72 horas.
Embora a tuberculina não possa induzir uma condição de
hipersensibilidade, pode dessensibilizar os animais durante semanas
ou meses. Um teste positivo implica infecção no passado ou no
presente, exigindo que o animal reagente seja abatido e submetido à
necropsia . Ocorrem reações falso -positivas, as quais são explicadas
pela hipersensibilidade às bactérias não tuberculosas (p. ex., M.
avium) e aos microrganismosaparentados, como aqueles da família
Nocardiae; O uso simultâneo de “tuberculina” aviária (PPD de M.
avium) frequentemente auxilia a decidir, por meio de avaliação
comparativa do tamanho das duas reações, se a sensibilidade se deve
a M. bovis ou a outra micobactéria ;
O resultado falso -negativo é comum em animais muito recentemente
infectados e nos casos avançados, nos quais se desenvolve anergia
(ausência de reatividade) em razão do excesso de antígeno ou da
imunossupressão;
Fatores inespecíficos, como desnutrição, estresse e parição iminente
ou recente são outras causas de anergia;
“Tuberculinas” de especificidade apropriada são utilizadas em suínos e
aves domésticas. Nos suínos, a injeção é na orelha, e em aves, na
barbela; A confiabilidade dos testes de tuberculina em equinos, ovinos,
caprinos, cães e gatos não foi definida; Praticidade, sensibilidade e
baixo custo do teste cutâneo o definem como o teste de triagem ante
mortem mais efetivo em ruminantes;
Preparações de tuberculinas: PPD (purified protein
derivate/Derivado Protéico Purificado), é um derivado do
crescimento de bacilo em meio líquido, ajustando-se o conteúdo de
Nitrogênio protéico, conforme os padrões internacionais. PPD Bovino,
preparado com uma amostra de Mycobacterium bovis AN5. PPD
Aviário, preparado com uma amostra de Mycobacterium avium D4;
Sensibilidade e especificidade do teste: Não há consenso entre os
estudiosos, variando de:
*Sensibilidade: 75 a 99 %;
*Especificidade: 75,5 a 99,9 %;
Variações causadas por:
*Presença de outras micobactérias infectantes nos animais: M.
kansasii, M avium, M tuberculosis, M avium paratuberculosis, ou outras
que compartilham antígenos com M. bovis.
*Dosagem de tuberculina utilizada;
*diferentes potências do PPD ou tuberculina, etc;
*Intervalo após infecção;
*Tipo de teste, simples (caudal ou cervical) ou comparativo ;
*Presença de animais anérgicos;
Teste da prega caudal (TPC) - teste único intradérmico (prega da cauda), 0,1
mL de PPD bovino é injetado intradermicamente na prega caudal do rabo (6 a
10 cm de distância da base da cauda) > na junção da pele pilosa e da pele
glabra, após limpeza do local ;
Teste de triagem apenas em estabelecimento de pecuária de corte;
o local da injeção é examinado/leitura é feita 72 horas após ± 6 horas;
Interpretação: avaliação visual e palpação;
Animal reagente : qualquer aumento na prega inoculada.
Não reagente: ausência de qualquer reação no local da aplicação,
caracterizada por um aumento de volume endurecido ou edematoso;
detecta a resposta imune celular dos animais à infecção por M. bovis;
tem pouca sensibilidade e inespecificidade, ou seja, não detecta casos de
sensibilidade mínima, como os ocorridos nos estádios iniciais e finais da
doença em animais idosos e em fêmeas recém-paridas, e não diferencia as
reações paralérgicas ou inespecíficas causadas por bactérias atípicas;
Teste cervical simples (TCS): consiste na inoculação, intradérmica, de 0,1
ml de tuberculina PPD bovina, em local previamente depilado da região
cervical do animal ( Local de inoculação é no terço médio da tábua do
pescoço; região da espinha da escápula; (prévia tricotomia dos pelos – área
de 3 cm2 e mede-se a espessura da derme com um cutímetro de pressão) .
Ele requer, antes da aplicação da tuberculina, a medição da espessura da
dobra da pele do local da inoculação com cutímetro de pressão;
Sua leitura é realizada antes da aplicação e 48 a 72 ± 6 horas após a
aplicação da tuberculina, sendo a interpretação do resultado baseado nas
características da reação, podendo ser negativa, inconclusiva ou positiva; Os
animais com reação inconclusiva devem ser submetidos a testes
confirmatórios, 60 a 90 dias após, pelo Teste Cervical Comparativo.
Recomenda-se o TCS, como teste de rotina/triagem, em sistemas de
produção de gado de leite ou de corte, devendo ser realizado somente com o
objetivo de rastreamento da doença;
Teste cervical comparativo (TCC): é realizado com a utilização de dois tipos
de tuberculina , ou seja, a aviária (TA) e a bovina (TB ). Ambas as
tuberculinas são inoculadas na dose de 0,1 ml, em locais diferentes e
previamente depilados, no terço médio da tábua do pescoço do animal ou na
região da espinha da escápula ; Os locais de inoculação devem ser distantes,
cerca de 15 a 20 cm de distância, um do outro, em posição cranial e caudal,
sendo o primeiro reservado para a TA e o segundo para a TB; Antes e após
72 horas da aplicação das tuberculinas, mede-se a espessura da dobra da
pele, de ambos os locais de inoculação, com auxílio de um cutímetro;
Na sua leitura considera-se a diferença da subtração do resultado da
segunda medida (72 horas após a inoculação), com o resultado da primeira
medida (antes da inoculação); Como nos bubalinos as reações mostram-se
mais acentuadas e perduram por mais tempo que nos bovinos, a
interpretação do teste não deve ser a mesma para ambas as espécies.
Qualquer reação que se mostrar quente, dolorosa, com exsudato ou
necrosada deve ser considerada positiva.
Teste confirmatório permitido em estabelecimento de pecuária de leite ou
corte;
Teste de diagnóstico para rebanhos com ocorrência de reações
inespecíficas;
OBS:
● Os testes alérgicos de tuberculinização intradérmica devem ser efetuados
somente em animais com ≥ a seis semanas;
● não deve ser efetuado novo teste antes de 60 dias (falsos negativos), A
aplicação indevida da tuberculina pode interferir no resultado do teste.
● Animais tuberculinizados apresentam sua capacidade de responder a novos
testes diminuída (dessensibilização)
● não deve ser realizada no intervalo de 15 dias antes do parto e até 15 dias
após o parto (hipossensibilidade ocorre neste período); Testes: 60 a 90 dias
após o parto, obedecendo a um intervalo mínimo de 60 dias entre os testes;
● Uso de anti-histamínicos, atropina e ergotina, dexametasona interferem no
teste;
● Animais idosos, caquéticos e com lesões avançadas, e com infecção recente
até seis semanas podem estar anérgicos.
5. Outras provas de identificação:
● Testes com gamainterferona - se baseiam na liberação de
gamainterferona do sangue total de animais infectados quando
misturado com antígenos de micobactérias (p. ex., PPD), como
resultado da ativação da resposta imune mediada por célula; estudos
sugerem que a adição de citocinas às análises, como interleucina 1b,
pode, também, aumentar a sensibilidade do teste; faz-se dosagem da
citocina (interferon-gama) em amostras de sangue de animais
infectados, após a prévia estimulação dos linfócitos com PPD bovino e
aviário; Testes com base no sangue, desenvolvidos para uso em
conjunto com teste da tuberculina;
● ELISA para detecção de anticorpos circulantes
● Métodos de amplificação genética: reação em cadeia da polimerase
(PCR);
➢ Prejuízos que a doença causa nos animais
-Perda de peso;
-Atraso na primeira lactação;
-Menor número de lactações;
-Menor duração da lactação;
-Perdas econômicas pelo sacrifício de animais reagentes;
-Entraves para o comércio nacional e internacional;
-Possibilidade de contaminação para humanos.➢ Procedimentos em rebanho positivo:
-Esclarecimentos ao criador sobre a doença e suas implicações em saúde pública;
-Planejamento do combate da doença no rebanho;
-Destino dos animais reagentes, com abate sanitário ou destruição da carcaça na
propriedade;
-Isolamento dos animais com diagnóstico inconclusivo;
-Desinfecção de instalações, como cochos, bebedouros e salas de ordenha,
retirando-se todo o resíduo orgânico e desinfetando preferencialmente com
hipoclorito de sódio 10%;
-Examinar clinicamente o rebanho e verificar a possibilidade de existência de
animais não reagentes, como recém paridos, recém infectados ou em fase adiantada
de doença já “anérgicos”;
-Intervalo entre as tuberculinizações, de no mínimo 60 dias entre o teste de triagem e
o teste confirmatório ou 90 dias durante todo o período de saneamento do rebanho.
- Aconselhar a realização de exames de saúde das pessoas envolvidas.
- Verificar a possibilidade de contágio com outros animais da propriedade.
➢ Controle e Profilaxia
-controle da tuberculose bovina baseia-se na:
realização periódica da prova da tuberculina e abate dos animais que reagirem
positivamente; áreas de produção de leite recomenda-se a tuberculinização anual;
áreas de produção de gado de corte identificar os estabelecimentos infectados por
meio de lesões observadas nos estabelecimentos de abate;
Medidas gerais de higiene, como limpeza e desinfecção das instalações; cuidado na
introdução de novos animais no rebanho (c/testes [-] provenientes de rebanhos
livres, quarentenários; isolamento de animais suspeitos e descarte;
- PNCEBT/MAPA (Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e
Tuberculose Animal, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) >>> A
obtenção do certificado de estabelecimento de criação livre de tuberculose está
condicionada à realização de três testes de rebanho negativos [-] consecutivos
realizados em bovinos e bubalinos a partir de 6 semanas de idade, nu m intervalo de
90 a 120 dias entre o 1° e o 2° testes, e de 180 a 240 dias entre o 2º e o 3º testes; O
certificado de estabelecimento de criação livre de tuberculose tem validade de 12
meses;
● PARATUBERCULOSE (DOENÇA DE JOHNE´ S)
-enterite granulomatosa, crônica, contagiosa, invariavelmente fatal, que pode afetar
ruminantes domésticos e silvestres;
-causada pelo agente M. avium subsp. paratuberculosis > um microrganismo
ácido-resistente anteriormente chamado Mycobacterium johnei; excretada em
grande número nas fezes de animais infectados e em menor número no colostro e
no leite ; Resistente a fatores ambientais e pode sobreviver em pastagens por > 1
ano; a sobrevivência na água é mais longa que no solo;
-pertence às enfermidades da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), que
compreendem as doenças transmissíveis de importância socioeconômica e/ou de
importância em saúde pública, cujo controle é necessário para o comércio
internacional de animais e alimentos de origem animal;
-animais jovens são mais suscetíveis à infecção;
-Os animais mais velhos podem ser infectados, porém com inóculo maior;
-Infecta e causa a doença em todos os outros ruminantes (ovelhas, cabras, lhamas,
veados) e em animais selvagens cativos e livres ;
-também foi reconhecida em onívoros e carnívoros , como coelhos selvagens,
raposas, doninhas, porcos e primatas não humanos;
-Distribuição é mundial.
-Maior prevalência relatada: gado leiteiro (20% a 80%);
-À semelhança dos demais gêneros de Mycobacterium, MAP é aeróbico, mas sua
multiplicação é extremamente lenta (8 a 12 semanas de incubação , em 37°C) em
meio de gema de ovo de Herrold; Os principais isolados clínicos requerem a adição,
ao meio, do sideróforo micobactina (um composto ligador de ferro derivado do
ácido hidroxâmico).
-caracterizada em bovinos por diarreia persistente, perda progressiva de peso,
debilitação edema intermandibular e morte.
-Diarreia não é um sinal clínico comum da doença, em ovinos e caprinos;
-Em ovinos e caprinos, as lesões intestinais são menos evidentes que em bovinos.
-Em caprinos acometidos, a perda de peso tem sido um achado consistente;
- patogênese: MAP provavelmente penetra na mucosa intestinal pelas células M; em
seguida, após a ingestão, é visto no interior de macrófagos, na submucosa da região
ileocecal e nos linfonodos adjacentes (ileocecal); O foco primário da infecção se
instala no intestino ; Inicialmente o animal não apresenta sinais de doença ; O período
de incubação, antes da manifestação clínica da doença, é de 12 meses ou mais
(pois sua multiplicação é muito lenta); A progressão da doença segue o curso de
outras infecções causadas por micobactérias, com formação de lesões
granulomatosas de progressão lenta ; Em alguns animais acometidos, o curso da
doença é acompanhado de má absorção, enteropatia com perda de proteína e
doença clínica evidente (apenas 3 a 5% dos animais de um rebanho infectado
progridem para essa fase terminal); O epitélio da mucosa apresenta aparência
característica ( mucosa corrugada ) que precede a síndrome de má absorção ;
lesões do intestino delgado caracterizam-se por espessamento acentuado da
mucosa >> resultado do acúmulo de células inflamatórias como parte da reação de
hipersensibilidade tardia que pode comprometer a absorção de nutrientes,
vascularização e drenagem linfática; assumindo um aspecto rugoso e aumento de
tamanho dos linfonodos mesentéricos. Após um longo período de incubação, cerca
de dois a três anos, a doença manifesta-se com diarréia e perda de peso dos
animais, sem apresentar sinais de febre;
-infecção é geralmente adquirida pela via fecal-oral ;
- Introdução da doença em um rebanho não infectado por portadores subclínicos ;
-Infecção é adquirida precocemente na vida - geralmente logo após o nascimento
mas os sinais clínicos raramente se desenvolvem em bovinos < 2 anos de idade
( progressão para a doença clínica ocorre lentamente );
-A resistência à infecção aumenta com a idade, e é muito menos provável que os
bovinos expostos como adultos sejam infectados;
-caracterizada pela inflamação crônica do intestino;
-Possível zoonose ???
Embora ainda não seja classificada como uma zoonose, algumas pesquisas
detectaram indícios da presença da M. paratuberculosis na biópsia de intestinos com
a doença de Crohn. Essa doença apresenta características clínicas similares às da
paratuberculose. Desta maneira, caso a M. paratuberculosis esteja, de fato,
associada à doença de Crohn e que pode estar disseminada em tecidos e órgãos de
animais infectados, o leite poderia ser veículo deste agente , principalmente se for
comprovada a sua possível resistência à pasteurização;
A doença de Crohn é um processo crônico inflamatório, ocorre no trato digestivo de
humanos, principalmente na porção íleo terminal, como acontece com a
paratuberculose. Alguns aspectos da doença de Crohn são semelhantes aos da
paratuberculose, porém existem diferenças consideráveis entre estas duas
enfermidades; A OIE não considera uma zoonose, apesar dessa bactéria ter sido
relatada em leite cru e pasteurizado, bem como em produtos de origem animal;➢ Diagnóstico:
-Cultura fecal (baixa sensibilidade de detecção: intermitência na excreção
microbiana nas fezes; e consome muito tempo > 12 a 16 semanas de incubação) >
recomenda-se espera pelo menos 20 semanas antes de declarar como resultado
negativo, pois na fase inicial da infecção a bactéria ainda não está sendo eliminada
nas fezes, gerando falso-negativo; método de triagem; sensibilidade de 50 a 70%
-PCR
- Johnin intradérmico semelhante ao PPD bovino : ↑ 75,0% de falso positivos;
-Johnin intravenoso: ↑ 1,5 °C ou + na temperatura correlaciona casos clínicos
positivos (80,0%); não detecta portadores bem como ovinos e caprinos
-ELISA, FC, IDGA: triagem e confirmação de casos clínicos;
-Animais mortos: cultura e histopatológico
➢ Controle e Prevenção
-Identificar e eliminar animais infectados;
-Prevenir a introdução de animais positivos no rebanho;
-Prevenir a exposição de animais susceptíveis ao Map;
-separação dos neonatos de suas mães e de outros animais adultos;
-garantia de que a parição ocorra em área não contaminada;
-não fornecimento de colostro ou leite não pasteurizado potencialmente infectante
aos neonatos
-Se a doença é confirmada, animais afetados devem ser sacrificados imediatamente
porque eles eliminam grande número de micobactérias capazes de contaminar
instalações e pastagens;
-é de difícil controle pois é difícil detectar os animais infectados que não mostram
sinais clínicos, por conta do longo período que o MO leva para se multiplicar e
causar reações, também por conta da baixa sensibilidade dos testes disponíveis,
pela alta resistência do MO no ambiente infectado;
● Porque é difícil criar uma vacina para tuberculose ?
-porque as vacinas que são criadas não criam uma resposta imunológica tão boa e
tão duradoura em humanos quanto a que é dada em alguns animais, também é
difícil separar se o animal está vacinado ou com infecção, se está saudável ou não,
pois os testes podem dar cruzamento com outras bactérias (teste sempre dá
positivo), também o antígeno não funciona nos humanos na mesma maneira que
funciona nos animais, ou seja, é difícil prever se as respostas da vacina nos animais
serão iguais nos seres humanos, além disso esses MO se escondem em células
humanas como os macrófagos, podendo fazer com que uma vacina direcione uma
resposta imune na direção errada.
-há Vacinas inativadas com adjuvantes estão disponíveis.
-Em bovinos, a vacinação pode reduzir o número de casos clínicos, mas pode não
auxiliar na eliminação da doença do rebanho .
-Como os animais vacinados geralmente se tornam sensibilizados à tuberculina, o
uso da vacina em alguns países está sujeito a controle regulatório. A vacinação
pode prevenir infecção em ovinos.