Prévia do material em texto
UNIDADE CENTRAL DE EDUCAÇÃO FAEM FACULDADES - UCEFF Acadêmicas: Andreia Alberici, Eloiza Grando, Idina Lucia Wickert, Leidy Daiany Felini, Mariane Kempfer. Doenças de origem genética em animais domésticos Citrulinemia A citrulinemia é caracterizada uma doença de herança autossômico recessivo, ela é ocasionada por variantes patogênicas no gene ASSI. Foram descritas até o momento no gene ASSI mais de 100 variantes patogênicas a substituição c.1168G>A no éxon 15 é a mais prevalente. A alteração acaba comprometendo a conformação tetramérica tridimensional da enzima, e provocando a inativação catalítica da mesma. Na homozigose a variante associa-se à CTLNI clássica severa e na heterozigose ela é composta com outra variante patogênica, ela pode estar relacionada tanto com a forma severa quanto com formas mais leves da doença. Deste modo, a citrulinemia é relacionada à deficiência da enzima Arginino- succinato sintetase, responsável por uma etapa importante do ciclo da ureia. Podendo ser classificada em: CTLNI clássica, apresentado quadros mais severos que podem ser diagnosticados precoce ou tardiamente, e CTLNI leve, assintomática na maioria dos casos. A enzima ASS atua no principal mecanismo de eliminação de amônia , sendo que este composto é formado fisiologicamente quando do catabolismo de aminoácidos , porém em quantidades inadequadas torna-se toxico ao organismo. Por outro lado, quando o ciclo da ureia esta em seu perfeito funcionamento temos a conversão de amônia e outros compostos nitrogenados em ureia, que posteriormente serão excretados na urina. Está doença se resulta em hiperamonemia, que é o acumulo de citrulina, glutamina, alanina e ácido orótico, como já citado anteriormente ela pode causar intoxicação e dano cerebral. Os sinais clínicas são recusa alimentar, convulsões, êmese, taquipneia, letargia e edema cerebral progredindo rapidamente para coma. O tratamento desta doença é baseado na eliminação do excesso de amônia, e também na dieta restritiva em proteínas, infusão intravenosa de glicose, hemodiálise e administração de arginina, em alguns casos pode chegar a ocorrer transplante hepático ortotópico. Deficiência de Adesão Leucocitária Bovina (BLAD) A deficiência de adesão leucocitária bovina (BLAD) é uma doença hereditária autossômica recessiva das glicoproteínas de adesão de superfície celular (β2-integrinas) dos leucócitos, ela é causada por uma mutação recessiva no gene CD18. Foi reconhecido nos bovinos um defeito que ocorre na subunidade β do CD18 e é provocado através da homozigose do alelo D126G. Nesse caso, o gene ITGB2 acaba não sendo expressado corretamente, isso acaba provocando um defeito na decodificação da integrina β2. Está atividade acaba sendo suprimida por elas serem moléculas essenciais para adesão das células. Os animais homozigotos devido ao alelo mutante acabam desenvolvendo a doença e morrendo ainda novos com pneumonia, crescimento atrofiado, perda de dentes e comprometimento do sistema imune. Os animais que são heterozigotos tem seu desenvolvimento normalmente e ainda estão relacionados com aumento na produção de leite e porcentagem de gordura e proteína. Para que o funcionamento do sistema imunológico seja adequado a adesão leucocitária é um evento fundamental, pois é a partir dela que ocorre o deslocamento das células de defesa para os tecidos adjacentes através da participação das moléculas de adesão e de diversos mediadores químicos, como as citocinas e quimiocinas. Para identificar as doenças é importante determinar o genótipo dos animais, pois, conforme o criador tiver informações dos animais que são portadores dos alelos indesejáveis, poderá tomar decisões de estratégias de acasalamentos e de descarte de animais infectados. Para a identificação de mutações específicas é necessário o uso de algumas técnicas para poder rastrear indivíduos e até mesmo populações acometidas. Os testes que são utilizados para confirmação são: hemograma evidenciando neutrofilia, que identifica à baixa presença de neutrófilos devido à incapacidade de migração para os sítios inflamatórios, e também a capacidade fagocitose e adesiva que é mediada através do C3b e/ou citometria de fluxo que acaba evidenciando a deficiência de proteínas de adesão. Complexo de Má Formação Vertebral (bovinos) A má formação vertebral é caracterizada por ser uma enfermidade hereditária e de caráter recessivo, e por consequência letal. É manifestada durante o desenvolvimento embrionário, levando a frequentes abortos de fetos ou mortes perinatal (MEYDAN, 2010, apud MARINHEIRO, 2011, pg. 13). Aproximadamente 80% dos fetos homozigotos recessivos são abortados antes de 260 dias de gestação. Uma pequena porcentagem de bezerros acometidos nasce viva, e nesse caso a eutanásia deve ser realizada por razões humanitárias (AGERHOLM, 2004, apud MARINHEIRO, 2011, pg.13) CARACTERISTICAS APRESENTADAS: os sinais em bezerros são, pescoço diminuído de tamanho, contração moderada e bilateral das articulações do carpo, contração moderada e bilateral das articulações metatarso falangeanas, múltiplas vertebras apresentam malformação, principalmente as cérvico-toracicas e cera de 50% dos animais apresentam anomalias cardíacos. Isso acontece por conta de uma mutação, a qual seria a substituição de uma guanina por tiamina no nucleotídeo 559 do gene SLC35A3 localizado no cromossomo 3 (KANAE, 2005; MEYDAN, 2010, apud MARINHEIRO, 2011, pg.13) Deficiência de Uridina Monofosfato Sintetase (DUMPS) Adeficiência de uridina monofosfato sitetase é conhecida como DUMPS , afeta o gado Holandês, é de caráter autossômico recessivo, o gene da UMPS encontra-se no cromossomo 1 dos bovinos e é considerada letal. A causa da doença se da através da deficiência parcial da enzima UMP sintetase, ela é responsável por participar da conversão de orotato (vitamina B13) em 5’- monofosfato uridina, na síntese dos nucleotídeos. A vitamina B13 (orotato) é encontrado no leite da vaca, a concentração varia de acordo com a raça, estagio de lactação, variabilidade individual ou numero de lactações. Os animais heterozigotos tem maior probabilidade de apresentar uma excreção maior do ácido no leite e apresentam uma deficiência parcial da UMP sintetase, ela não leva a anormalidades fenotípicas mas são detectados pois possuem apenas a metade dos níveis normais de UMP sintetase eritrocitária. Em bovinos homozigotos recessivos ocorre a morte embrionária, devido ao fato da UMP sintetase ser necessária na síntese do DNA e RNA, para que ocorra o crescimento e o desenvolvimento embrião. Deficiência do Fator XI Fator XI é um antecedente parcial da tromboplastina (Proteína plasmática que intervém na coagulação do sangue ao converter a protrombina em trombina), e participa dos estágios iniciais da via de coagulação sanguínea intrínseca. A deficiência desse fator acaba gerando uma doença autossômica recessiva hereditária, ela pode acometer tanto bovinos da raça Holandesa, como também, humanos e cães. Os animais que forem afetados acabam apresentando logo após o nascimento sangramento intenso do cordão umbilical e anemia. Hemorragias acentuadas após procedimentos como a castração também são observados. As vacas que forem acometidas podem apresentar o colostro com a coloração rósea, e tambémproblemas reprodutivos, como o cio repetido que pode estar associado ao desenvolvimento de folículos de Graaf que são menores que o normal. Alguns animais podem sobreviver por muitos anos sem apresentar os sinais clínicos da doença, apesar desta doença possuir taxas elevadas de morbidade e mortalidade. Os animais que são heterozigotos acabam apresentando sintomas e níveis de atividade reduzida do Fator XI variáveis. Hoje em dia existem métodos para mensurar o tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA – ela mede o tempo de coagulação a partir da ativação do fator XII e prossegue até a formação do coágulo de fibrina, dessa forma avalia as vias comum e intrínseca da coagulação). Os animais que são acometidos por esta deficiência são homozigotos recessivos e acabam sendo relativamente mais fáceis de detectar, porém devido à gama de resultados possíveis os testes são frequentemente inconclusivos. A mutação é um exemplo desta doença que causa a Deficiência do Fator XI em bovinos da raça Holandesa, ela foi identificada no ano de 2004 no cromossomo 27. A inserção contém longas sequências de adenina e impede a produção da proteína completa. Displasia de Quadril A Displasia Coxofemoral é uma enfermidade articular frequente em cães, principalmente em raças de médio e grande portes. Ela acontece devido a má-formação genética, ocorre a degeneração da articulação do quadril e acaba envolvendo as estruturas como a cabeça do fêmur que acaba não “se encaixando” no acetábulo (local onde se encaixa a cabeça femoral). Os sinais clínicos apresentados são, claudicação uni ou bilateral , dorso arqueado, peso corporal deslocado em direção aos membros anteriores, com rotação lateral desses membros e andar bamboleante, dor aguda e paresia voluntária. O diagnóstico da doença é realizado somente através do exame radiográfico. É uma doença, que acaba afetando diversas raças caninas, as mais comuns são o Pastor-Alemão, Rotweiller, Labrador e São Bernardo. Os cães que desenvolvem displasia tem as articulações coxofemorais, estrutural e funcionalmente normais ao nascimento e logo após a doença vai se desenvolvendo, com seis a nove meses de idade já é possível obter o diagnóstico através radiográfico dependendo da gravidade do caso, 80% dos cães que apresentam displasia mostram evidências radiológicas aos doze meses e, em alguns casos, só são identificadas aos dois anos. Para o tratamento clínico desta doença é feito a utilização de analgésicos e antiinflamatórios, que são capazes de amenizar a dor do animal e possibilitam uma melhor movimentação do quadril. Pode ser feito também o controle de peso do animal, fisioterapia, natação, caminhadas, evitar que o animal deslize em piso liso, e a utilização da acupuntura, trazendo bons resultados. Também é indicado tratamento cirúrgico, para os casos considerados de maior gravidade (este procedimento é praticado apenas em cães com mais de dois anos, uma vez que os ossos necessitam de estar bem formados). Trissomia em Gatos Com bases nas pesquisas é possível que os gatos e outros animais apresentem alguma anomalia cromossômica comparada com a Síndrome de Down dos humanos, conhecida como trissomia, podem representar as mesmas características físicas e fisiológicas como a da síndrome que nasce um cromossomo a mais no par de cromossomos 21, mas não é a mesma, nos felinos ocorre quando há uma anomalia no par de cromossomos 19. Porém, pode haver vários tipos de trissomia não existe apenas a do cromossomo 19, essa condição também pode aparecer em endocruzamentos, quando cruza pais com filhos ou entre irmãos ou em gatas grávidas que são acometidas por um vírus que pode causar deformação nos fetos. Os principais sintomas que caracterizam a trissomia são: incoordenação motora, dificuldade na audição e visão, olhos afastados, língua pendular, problemas na tireoide, problemas cardíacos e diferenciação no formato do crânio. Não há um tratamento que possa reverter o caso mas é necessário que tenha um acompanhamento para tratamento das enfermidades devido a condição, e além disso, como eles apresentam dificuldade de locomoção, devem viver em um ambiente adaptado para suas necessidades e ter os cuidados com a higiene e a alimentação. REFERENCIAS MARINHEIRO. Mariana Fontanetti. Enfermidades genéticas com mutações caracterizadas em bovinos. Botucatu, SP, 2011. Disponível em: < https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/119830/marinheiro_mf_tcc_botfmv z.pdf?sequence=1 > Acesso em agosto de 2021. LLAMBI. Silvia, ARRUGA. Victoria, RINCON. Gonzalo. Frequência da deficiência na adesão leucocitária em uma população de bovinos da raça Holandesa, no Uruguai. Jaboticabal, SP, 2003. Disponível em: < https://www.researchgate.net/profile/Gonzalo- Rincon/publication/236744306_Frequencia_da_deficiencia_na_adesao_leucocitaria_em _uma_populacao_de_bovinos_da_raca_Holandesa_no_Uruguai/links/00b4952dd4062c 465f000000/Frequencia-da-deficiencia-na-adesao-leucocitaria-em-uma-populacao-de- bovinos-da-raca-Holandesa-no-Uruguai.pdf > Acesso em agosto de 2021. PAIVA. Daisyléa. Diagnóstico molecular da doença hereditária BLAD em bovinos da raça Girolando. Disponível em: < https://core.ac.uk/download/pdf/17051142.pdf#page=89 > Acesso em agosto de 2021. SANTOS, Glauco Jonas, PINHEIRO, Diana Célia. Adesão leucocitária na Medicina Veterinária: aspectos moleculares e enfermidades relacionadas. Fortaleza, CE, 2012. Disponível em: <https://periodicos.ufersa.edu.br/index.php/acta/article/view/2953/5152> Acesso em agosto de 2021. ROCHA, Fábio Perón. Displasia coxofemoral em cães. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA, Julho de 2008. Disponível em: <http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/3w06cWeAcFaNErX_2 013-6-14-10-15-11.pdf> Acesso em agosto de 2021. CRUZ, Julia. Gato com down? Saiba mais sobre a condição que acomente os felinos. Disponível em: < https://www.patasdacasa.com.br/noticia/gato-com-down-saiba-mais- sobre-a-condicao-que-acomete-os-felinos-e-na-verdade-se-chama-trissomia_a673/1 > Acesso em agosto de 2021. https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/119830/marinheiro_mf_tcc_botfmvz.pdf?sequence=1 https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/119830/marinheiro_mf_tcc_botfmvz.pdf?sequence=1 https://www.researchgate.net/profile/Gonzalo-Rincon/publication/236744306_Frequencia_da_deficiencia_na_adesao_leucocitaria_em_uma_populacao_de_bovinos_da_raca_Holandesa_no_Uruguai/links/00b4952dd4062c465f000000/Frequencia-da-deficiencia-na-adesao-leucocitaria-em-uma-populacao-de-bovinos-da-raca-Holandesa-no-Uruguai.pdf https://www.researchgate.net/profile/Gonzalo-Rincon/publication/236744306_Frequencia_da_deficiencia_na_adesao_leucocitaria_em_uma_populacao_de_bovinos_da_raca_Holandesa_no_Uruguai/links/00b4952dd4062c465f000000/Frequencia-da-deficiencia-na-adesao-leucocitaria-em-uma-populacao-de-bovinos-da-raca-Holandesa-no-Uruguai.pdf https://www.researchgate.net/profile/Gonzalo-Rincon/publication/236744306_Frequencia_da_deficiencia_na_adesao_leucocitaria_em_uma_populacao_de_bovinos_da_raca_Holandesa_no_Uruguai/links/00b4952dd4062c465f000000/Frequencia-da-deficiencia-na-adesao-leucocitaria-em-uma-populacao-de-bovinos-da-raca-Holandesa-no-Uruguai.pdf https://www.researchgate.net/profile/Gonzalo-Rincon/publication/236744306_Frequencia_da_deficiencia_na_adesao_leucocitaria_em_uma_populacao_de_bovinos_da_raca_Holandesa_no_Uruguai/links/00b4952dd4062c465f000000/Frequencia-da-deficiencia-na-adesao-leucocitaria-em-uma-populacao-de-bovinos-da-raca-Holandesa-no-Uruguai.pdf https://www.researchgate.net/profile/Gonzalo-Rincon/publication/236744306_Frequencia_da_deficiencia_na_adesao_leucocitaria_em_uma_populacao_de_bovinos_da_raca_Holandesa_no_Uruguai/links/00b4952dd4062c465f000000/Frequencia-da-deficiencia-na-adesao-leucocitaria-em-uma-populacao-de-bovinos-da-raca-Holandesa-no-Uruguai.pdfhttps://core.ac.uk/download/pdf/17051142.pdf#page=89 https://periodicos.ufersa.edu.br/index.php/acta/article/view/2953/5152 http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/3w06cWeAcFaNErX_2013-6-14-10-15-11.pdf http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/3w06cWeAcFaNErX_2013-6-14-10-15-11.pdf https://www.patasdacasa.com.br/noticia/gato-com-down-saiba-mais-sobre-a-condicao-que-acomete-os-felinos-e-na-verdade-se-chama-trissomia_a673/1 https://www.patasdacasa.com.br/noticia/gato-com-down-saiba-mais-sobre-a-condicao-que-acomete-os-felinos-e-na-verdade-se-chama-trissomia_a673/1