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Concebido como um livro-texto, Química analítica: teoria e prática
essenciais aborda de forma objetiva, sem perder profundidade, o
conteúdo programático oferecido em disciplinas da área de química
analítica em diferentes cursos e instituições do país.
O projeto nasceu com o intuito de fornecer um material didático que
contemplasse as duas grandes áreas da química analítica: a análise
clássica, subdividida em qualitativa e quantitativa, e a análise
instrumental.
A ordenação dos conteúdos segue a tendência geral observada nos
diferentes planos de ensino de química analítica. São apresentados os
subsídios teóricos e práticos necessários ao direcionamento das aulas
da disciplina.
Trata-se de leitura altamente recomendável para alunos de cursos
presenciais, semi-presenciais ou EaD em nível técnico, nível tecnólogo
ou graduação em áreas como (ou correlatas com): agronomia,
engenharias, farmácia, física, geologia e química.
ACS
Química para um Futuro Sustentável, 8.ed.
ATKINS & JONES
Princípios de Química, 5.ed.
BARROS NETO, SCARMINIO & BRUNS
Como Fazer Experimentos, 4.ed.
CAREY, F.A.
Química Orgânica, 7.ed. – Volumes 1 e 2
CHANG, R.
Físico-Química para as Ciências Químicas e Biológicas,
3.ed. – Volumes 1 e 2
Química Geral: Conceitos Essenciais, 4.ed.
CHANG & GOLDSBY
Química, 11.ed.
COSTA, P. e cols
Ácidos e Bases em Química Orgânica
DIAS, S.L.P. e cols
Análise Qualitativa em Escala Semimicro
GARCIA, LUCAS & BINATTI
Química Orgânica
HIGSON, S.
Química Analítica
JUARISTI & STEFANI
Introdução à Estereoquímica e à Análise Conformacional
OLIVEIRA, G.M.
Simetria de Moléculas e Cristais: Fundamentos da
Espectroscopia Vibracional
PAVIA, D.L. e cols
Química Orgânica Experimental, 2.ed.
ROSA, GAUTO & GONÇALVES
Química Analítica
SHRIVER & ATKINS
Química Inorgânica, 4.ed.
VOLLHARDT & SCHORE
Química Orgânica: Estrutura e Função, 6.ed.
Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094
Q6 Química analítica : teoria e prática essenciais [recurso eletrônico]
 / Silvio Luis Pereira Dias ... [et al.]. – Porto Alegre : 
 Bookman, 2016.
 Editado como livro impresso em 2016.
 ISBN 978-85-8260-391-8
 1. Química analítica. I. Dias, Silvio Luis Pereira. 
CDU 543
Silvio Luis Pereira Dias
Doutor em Ciências pela Unicamp, professor do 
Departamento de Química Inorgânica da UFRGS
Júlio César Pacheco Vaghetti
Doutor em Química pela UFRGS, químico da 
Central Analítica do Instituto de Química da UFRGS
Éder Cláudio Lima
Doutor em Química pela UFSCar, professor do 
Departamento de Química Inorgânica da UFRGS
Jorge de Lima Brasil
Doutor em Química pela UFRGS, professor do 
Instituto Federal do Rio Grande do Sul - IFRS Campus Alvorada
Flávio André Pavan
Doutor em Química pela UFRGS, professor da 
Universidade Federal do Pampa, UNIPAMPA
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12 Química analítica: teoria e prática essenciais
 � Primeira porção – Processo 1.7
Adicione 6 gotas de cloreto estanoso. A formação de um precipitado cinzento em 
presença de excesso de reagente identifica o mercúrio.
As reações envolvidas são:
Hg2
2+
(aq) + Sn
4+
(aq) + 2Cl
–
(aq) Hg2Cl2(s) + Sn
2+
(aq)
Hg2Cl2(s) + Sn
2+
(aq) Hg (s) + Sn
4+
(aq) + 2Cl
–
(aq)
 � Segunda porção – Processo 1.8
Adicione 2 gotas de difenilcarbazida. Deixe escorrer KOH 2,0 mol/L em leve ex-
cesso pelas paredes do tubo em posição inclinada. O aparecimento de cor púrpura 
azulada identifica o mercúrio. Esse teste é muito sensível para o Hg2+.
A reação que ocorre é :
2 O=C O=C
NH-NH-C6H5(aq)
NH-NH-C6H5
� Hg
2�
(aq) � Hg
NH-N-C6H5
NH-NH-C6H5
� 2 H
�
(aq)
2(aq)
difenilcarbazida quelato azul violeta
Análise sistemática dos cátions do Grupo II
Depois que os íons do Grupo I foram removidos como cloretos por filtração, os íons 
do Grupo II podem ser separados a partir de outros cátions comuns de uma solução 
aquosa na forma de sulfetos, os quais são insolúveis em solução ácida. Nessas con-
dições, a oferta de íons sulfeto, S2–, é muito baixa, e somente precipitam os sulfetos 
metálicos mais insolúveis. São eles: Hg2+, Pb2+, Cu2+, Cd2+, Bi3+, As3+, Sb3+ e Sn2+.
Os íons do Grupo I também formam sulfetos insolúveis com o agente preci-
pitante do Grupo II, nominalmente os íons sulfeto. Contudo, íons prata, Ag+, e mer-
curoso, Hg2
2+, devem ter sido removidos inteiramente por precipitação na forma de 
cloretos insolúveis na separação do Grupo I. No entanto, íons chumbo podem não ter 
sido removidos totalmente no processo de separação do Grupo I devido ao cloreto 
de chumbo, PbCl2, ser ligeiramente solúvel em solução aquosa. Portanto, alguns íons 
chumbo, Pb2+, podem estar presentes no filtrado a partir do Grupo I e ser precipita-
dos no Grupo II como sulfeto de chumbo de coloração preta.
Os sulfetos metálicos do Grupo II possuem constante do produto de solubili-
dade, KPS, muito baixa e são insolúveis em HCl 3,0 mol/L. A acidez elevada pode 
comprometer a precipitação dos sulfetos de cádmio, chumbo e estanho IV. Os ou-
tros membros do grupo não oferecem dificuldades. Durante a precipitação do grupo, 
adiciona-se uma gota de ácido nítrico para oxidar Sn2+ a Sn4+.
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Capítulo 1  Análise sistemática qualitativa 13
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14 Química analítica: teoria e prática essenciais
Após a precipitação do grupo em meio ácido utilizando como agente coletor 
a tioacetamida, única fonte de íons sulfetos em solução aquosa, ocorre a dissolução 
parcial dos sulfetos metálicosdo Grupo II por tratamento com hidróxido de potássio 
2,0 mol/L. Assim, são formados dois novos subgrupos: o Subgrupo IIA, com carac-
terísticas básicas à semelhança dos óxidos e hidróxidos desses metais e constituído 
por sulfetos metálicos insolúveis de HgS, PbS, CuS, CdS, Bi2S3; e o Subgrupo IIB, 
com características ácidas, assim como seus óxidos e hidróxidos, e constituído por 
tioânions e oxiânions solúveis, como AsS4
3–, SbS4
3–, SnS3
2– e AsO4
3–, SbO4
3–, SnO3
2–, 
respectivamente.
 � Precipitação – Processo 2.1
Recolha, em um tubo de centrífuga, o centrifugado separado na precipitação do Gru-
po I (Processo 1.1). Adicione uma gota de HNO3 3,0 mol/L.
IMPORTANTE
A adição de HNO3 tem por finalidade oxidar Sn
2+ Ag3+ e Sb3+ a Sn4+, As5+e Sb5+, aumentando o 
caráter ácido desse grupo de elementos.
Aqueça em banho-maria por 3 minutos. Acrescente NH4OH 3,0 mol/L até 
que a solução torne-se levemente alcalina ao papel tornassol (se a adição de 5 gotas 
não registrar mudança de coloração no papel, passe a adicionar NH4OHconcentrado). 
Junte HCl 3,0 mol/L gota a gota até ficar levemente ácida. Adicione uma gota de 
HClconcentrado.
Adicione 10 gotas da solução de tioacetamida e aqueça. Homogeneize com 
bastão de vidro, continuando o aquecimento por 5 minutos em banho-maria.
IMPORTANTE
Como reagente gerador de íons sulfeto, emprega-se a tioacetamida que, por hidrólise a quente, 
produz H2S segundo a equação :
CH3CSNH2(aq) + 2H2O CH3COO
–
(aq) + H2S(aq) + NH4
+
(aq)
H2S(aq) HS
–
(aq) + H
+
(aq)
HS–(aq) S
2–
(aq) + H
+
(aq)
Adicione água até triplicar o volume. Junte mais 5 gotas de tioacetamida e 
repita o aquecimento por mais 5 minutos. Centrifugue. Verifique se a precipita-
ção foi completa adicionando 5 gotas de tioacetamida e aquecendo por 2 minu-
tos, sem agitação. Repita a operação de verificação da precipitação completa se 
necessário.
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Capítulo 1  Análise sistemática qualitativa 15
IMPORTANTE
A coloração dos sulfetos precipitados oferece informações úteis. Quando o precipitado for preto, 
isso pode indicar a presença de sulfetos de Hg, Cu, Pb e Bi. O Hg também pode formar precipitado 
branco de 2HgS∙Hg(NO3)2 que enegrece pelo acréscimo de mais H2S.
Um precipitado amarelo é indicativo da presença de sulfetos de As, Sb, Sn ou Cd. O sulfeto 
de antimônio é normalmente alaranjado, o de arsênio é amarelo brilhante, e o de chumbo, mesmo 
a frio, é preto.
O precipitado obtido contém os sulfetos dos cátions do Grupo II e é tratado de 
acordo com o Processo 2.2, sendo que o centrifugado contém os Grupos III, IV e V. 
Aqueça-o em banho-maria, até a expulsão total do H2S.
IMPORTANTE
O aquecimento é feito para expulsar os vapores de H2S, impedindo que o sulfeto se oxide a sulfa-
to, lentamente, em repouso. A formação de íons sulfato causaria a precipitação de componentes 
do Grupo IV, junto com os do II (mais especificamente, o bário). Se a análise do Grupo III for efe-
tuada logo em seguida, essa operação poderá ser omitida.
Reserve o centrifugado para análise dos cátions do Grupo III.
As reações envolvidas são:
 Hg2+(aq) + S
2–
(aq) HgS(s) (preto)
 Cu2+(aq) + S
2–
(aq) CuS(s) (preto)
 Cd2+(aq) + S
2–
(aq) CdS(s) (preto)
 2 Bi3+(aq) + 3 S
2–
(aq) Bi2S3(s) (marrom)
 Pb2+(aq) + S
2–
(aq) PbS(s) (preto)
 2 As5+(aq) + 5 S
2–
(aq) As2S5(s) (amarelo)
 2 Sb5+(aq) + 5 S
2–
(aq) Sb2S5(s) (laranja)
 Sn4+(aq) + 2 S
2–
(aq) SnS2(s) (amarelo)
 � Separação dos subgrupos II-A e II-B – Processo 2.2
Lave o precipitado obtido no processo anterior com uma solução contendo 10 gotas 
de água, 4 gotas de tioacetamida e uma gota de solução saturada de cloreto de amô-
nio sob aquecimento por 1 minuto.
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16 Química analítica: teoria e prática essenciais
IMPORTANTE
A adição de cloreto de amônio ao líquido de lavagem serve para manter o precipitado na forma 
coagulada, evitando a peptização e a consequente dispersão coloidal que dificulta a separação 
do precipitado por filtração ou centrifugação.
Centrifugue e despreze o líquido de lavagem. Trate o resíduo com 4 gotas de 
hidróxido de potássio 2,0 mol/L, agite, aqueça em banho-maria durante 2 minutos e 
centrifugue.
IMPORTANTE
A separação dos sulfetos do subgrupo II-A em relação aos sulfetos do II-B deve-se à insolubilida-
de dos primeiros e à solubilidade dos segundos em bases fortes (como KOH). Os sulfetos do sub-
grupo II-B, As, Sb e Sn, têm comportamento químico igual ao de óxidos ácidos, mas são menos 
ácidos, é verdade, pois o enxofre está situado abaixo do oxigênio na Tabela Periódica.
4As2S5(s) + 24 OH (aq) 
– 3 AsO4
3– (aq) + 5 AsS4
3– 
(aq) + 12 H2O
Por outro lado, considerando os sulfetos do subgrupo II-A, exceto o de chumbo, os demais 
são básicos, portanto, insolúveis em bases. A basicidade desses sulfetos é maior do que a que 
ocorre com os respectivos óxidos, não sendo possível prever sua solubilização em KOH.
Transfira o centrifugado (c1) para outro tubo. Trate novamente o resíduo com 
4 gotas de hidróxido de potássio 2,0 mol/L, agite, aqueça e centrifugue. Separe o 
centrifugado (c2) que deve ser incorporado ao centrifugado (c1).
O centrifugado constitui o subgrupo II-B, formado pelos tioânions e oxitioâ-
nions dos elementos As, Sb e Sn, e é analisado segundo o Processo 2.16.
O resíduo insolúvel em KOH constitui o subgrupo II-A, formado pelos sulfetos 
de Hg, Bi, Pb, Cu e Cd e é analisado de acordo com o Processo 2.3.
 � Análise do subgrupo II-A – Processo 2.3
Lave o resíduo do Processo 2.2 com 10 gotas de água, centrifugue e despreze o 
líquido de lavagem. Adicione 5 gotas de ácido nítrico 3,0 mol/L mais uma gota de 
HNO3concentrado.
IMPORTANTE
A adição de HNO3 provoca a solubilização dos sulfetos de Pb, Bi, Cu, Cd.
3 PbS(s) + 2 NO3
–
(aq) + 8 H
+
(aq) 3 Pb
2+
(aq) + 3 S
0 + 2 NO(g) + 4 H2O
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Capítulo 1  Análise sistemática qualitativa 17
Agite e aqueça em banho-maria por 3 minutos, centrifugue e guarde o centrifugado 
para o Processo 2.7.
 � Processo 2.4
O resíduo também pode conter HgS preto ou então 2 HgS∙Hg(NO3)2 branco. Dissol-
va em água-régia (uma gota de HNO3concentrado + 3 gotas de HClconcentrado) por aqueci-
mento. Dilua com 5 gotas de água, homogeneize e divida em duas porções.
IMPORTANTE
O HNO3 não é um oxidante satisfatório para dissolver o HgS. Recomenda-se o emprego de água-
-régia (HCl + HNO3), que alia as propriedades oxidantes do íon nitrato às propriedades comple-
xantes do cloreto sobre mercúrio II.
3 HgS(s) + 2 NO3(aq)
– + 12 Cl–(aq) + 8 H
+
(aq) 3 HgCl4
2–
(aq) + 3 S
0 + 2 NO(g) + 4 H2O
 � Primeira porção – Processo 2.5
Adicione até seis gotas de SnCl2. O aparecimento de um precipitado branco, que se 
torna cinzento sob a adição de excesso de SnCl2, indica a presença de mercúrio (con-
forme reação mostrada no Processo 1.7).
 � Segunda porção – Processo 2.6
Adicione 2 gotas de difenilcarbazida. Pelas paredes do tubo inclinado, deixe escorrer 
KOH ou Na2CO3 em excesso. Em presença de Hg
2+, forma-se uma coloração violeta 
(conforme reação mostrada no Processo 1.8).
 � Processo 2.7
O centrifugado pode conter Cu2+, Cd2+, Pb2+, Bi3+. Adicione NH4OH concentrado (até 
o meio ficar nitidamente alcalino) e centrifugue. Separe o centrifugado para análise 
nos Processos 2.13, 2.14 e 2.15. Lave o resíduo com 5 gotas de água, centrifugue e 
reúna o líquido de lavagem ao centrifugado.
IMPORTANTE
Pb e Bi precipitam, respectivamente, como hidroxinitrato de chumbo e nitrato de bismutila, en-
quanto Cu e Cd permanecem em solução como íons complexos:
Pb2+(aq) + NH3(aq) + NO3
–
(aq) + H2O PbOHNO3(s) + NH4
+
(aq)
Bi3+(aq) + 2 NH3(aq) + NO3
–
(aq) + H2O BiONO3(s) + 2 NH4
+
(aq)
Cu2+(aq) + 4 NH3(aq) Cu(NH3)4
2+
(aq)
Cd2+(aq) + 4 NH3(aq) Cd(NH3)4
2+
(aq)
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18 Química analítica: teoria e prática essenciais
 � Processo 2.8
O resíduo pode conter Pb(OH)NO3 e BiONO3. Adicione 5 gotas de KOH 2,0 mol/L, 
agite, aqueça e centrifugue. Separe o centrifugado. Adicione mais 2 gotas de KOH 
2,0 mol/L ao resíduo, aqueça, dilua com 4 gotas de água. Centrifugue e adicione o 
líquido ao centrifugado anterior.
IMPORTANTE
O hidroxinitrato de chumbo é anfótero e dissolve-se em KOH, formando plumbito.
PbOHNO3(s) + 2 OH
–
(aq)
 HPbO2
–
(aq) + H2O + NO3
–
(aq)
O nitrato de bismutila não se dissolve em KOH, convertendo-se em hidróxido de bismutila.
BiONO3(s) + OH
–
(aq) BiOOH(s) + NO3
–
(aq)
 � Processos 2.9 e 2.10
O resíduo pode ser BiOOH. Lave com água. Despreze o líquido de lavagem. Dissol-
va em uma gota de HClconcentrado. Adicione 10 gotas de cinchonina/iodeto de potássio. 
O aparecimento de um precipitado intensamente alaranjado caracteriza o bismuto.
IMPORTANTE
O teste é mais bem observado em acidez não muito elevada, por isso, o BiOOH deve ser dissol-
vido na menor quantidade possível de HCl. A cinchonina é uma substância básica que forma sais 
com os ácidos.
H+(aq) + B(aq) BH
+
(aq) (B = cinchonina)
BH+(aq) + 4 I
–
(aq) + Bi
3+
(aq) Bi(BH)I4(s)
 � Processos 2.11 e 2.12
O centrifugado pode conter Pb como íon plumbito, HPbO2
–. Acidifique fracamente 
com ácido acético 3,0 mol/L. Adicione K2CrO4. Um precipitado amarelo caracteriza 
o chumbo.
As reações envolvidas são:
HPbO2
–
(aq) + 3 H
+
(aq) Pb
2+
 (aq) + 2 H2O
Pb2+ (aq) + CrO4
2– 
(aq) PbCrO4 (s)
O centrifugado do Processo 2.7 pode conter Cu2+ e Cd2+ sob a forma de íons comple-
xos. Uma coloração azul forte indica a presença de cobre. Divida em duas porções.
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Capítulo 1  Análise sistemática qualitativa 19
 � Primeira porção – Processo 2.13
Adicione 10 gotas de água destilada e 4 gotas de alfa-benzoinoxima na primeira 
porção. A formação de um precipitado verde-amarelado mostra a presença de cobre.
A reação que ocorre é:
 � Segunda porção – Processos 2.14 e 2.15
Adicione quantidade suficiente de KCN na segunda porção para descorá-la.
IMPORTANTE
A espécie Cu(CN)3
2– é aproximadamente 1010 vezes mais estável que a espécie Cd(CN)4
2–. Por 
isso, no equilíbrio, a espécie tetracianocadmiato fornece à solução quantidade suficiente de íons 
Cd2+, de modo a formar um precipitado amarelo de CdS.
Adicione 5 gotas de tioacetamida e aqueça. Um precipitado amarelo indica a 
presença de cádmio.
As reações envolvidas são:
Cu(NH3)4
2+
(aq) + 3 CN
– 
(aq) Cu(CN)3
2–
(aq)
Cd(NH3)4
2+
(aq)
 + 4 CN– (aq) Cd(CN)4
2–
(aq)
Cu(CN)3
2–
(aq) Cu
+
(aq) + 3 CN
–
(aq) KInst � 10
–28 ou Kest � 10
28
Cd(CN)4
2–
(aq) Cd
2+
(aq) + 4 CN
–
(aq) KInst � 10
–18 ou Kest � 10
18
Cd(CN)4
2–
(aq) + S
–
(aq) CdS (s) + 4 CN
–
(aq)
 � Análise do subgrupo II-B – Processo 2.16
Ao centrifugado do Processo 2.2, contendo os íons do subgrupo II-B, adicione HCl 
3,0 mol/L até ficar levemente ácido, centrifugue e despreze o centrifugado.
IMPORTANTE
Quando uma solução básica, formada pelos tio e oxiânions de As, Sb e Sn, for acidificada com HCl 
diluído, poderão formar-se os ácidos correspondentes que, reagindo entre si, formam os sulfetos 
pouco solúveis.
AsS4
3–
(aq) + 3 H
+
(aq) H3AsS4(aq)
AsO4
3–
(aq) + 3 H
+
(aq) H3AsO4(aq)
5 H3AsS4(aq) + 3 H3AsO4(aq) 4 As2S5(s) + 12 H2O
A não formação de precipitado nesse momento significa a ausência do Grupo IIB.
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20 Química analítica: teoria e prática essenciais
 � Processo 2.17
Adicione 6 gotas de HCl concentrado ao precipitado, aqueça e agite durante 3 mi-
nutos e centrifugue. Remova o centrifugado para um tubo de ensaio (c1). Trate o 
resíduo com uma mistura de 4 gotas de água e 4 gotas de HCl concentrado sob 
aquecimento. Centrifugue (c2). Junte o centrifugado (c2) ao (c1) para análise nos 
Processos 2.21, 2.22 e 2.23. Homogeneize.
 � Processos 2.18, 2.19 e 2.20
O resíduo pode conter sulfeto de arsênio.
Dissolva em uma gota de ácido nítrico concentrado, sob aquecimento, e adicio-
ne 5 a 10 gotas de molibdato de amônio. Aqueça em banho-maria durante 3 minutos, 
dilua a 5 ml e esfrie na água. Adicione duas gotas de cloreto estanoso.
A formação de uma coloração azul indica a presença de arsênio.
As reações envolvidas são:
As2S5 (s) + 10 NO3
–
(aq) + 4 H 
+
(aq) 2 AsO4
3–
(aq) + 10 NO2 (g) + 5 S
0 + 2 H2O
AsO4
3–
(aq) + 12 MoO4
2–
(aq) + 3 NH4
+ (aq)+ 24 H
+ (NH4)3[As(Mo12O40)] . 12 H2O (aq)
(NH4)3[As(Mo12O40)] . 12 H2O (aq) + Sn
2+ (aq) Sn
4+
(aq) +
óxidos azuis de molibdênio de composição variável (MoxOy)
O centrifugado pode conter Sb3+ e Sn4+. Divida em duas porções.
 � Primeira porção – Processos 2.21 e 2.22
Adicione 0,05g de NaNO2, vagarosamente, e depois, duas gotas de HCl 3,0 mol/L.
IMPORTANTE
Na solubilização do Sb2S5 em HCl concentrado, ocorre igualmente redução do Sb
5+ a Sb3+ à custa 
do íon sulfeto:
Sb2S5(s) + 6 H
+
(aq)  2 Sb
3+
(aq) + 2 S
0 + 3 H2S(aq)
Às duas gotas dessa solução, colocadas na cavidade de uma placa de porcela-
na, adicione duas gotas de rodamina-B (RB).
IMPORTANTE
Para que o Sb seja identificado pela rodamina-B, ele deve ser previamente oxidado a Sb(V) por 
meio de NaNO2:
Sb3+(aq) + 2 NO2
–
(aq) + 6 Cl
–
(aq) + 4 H
+
(aq) SbCl6
–
(aq) + 2 NO(g) + 2 H2O
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Capítulo 1  Análise sistemática qualitativa 21
O excesso de nitrito não deve ser demasiado para evitar que o teste seja positivo, indepen-
dentemente da presença de antimônio.
RB (aq) + H3O
+
(aq) RBH
+
(aq)+ H2O
SbCl6
–
(aq) + RBH
+
(aq) [SbCl6
–RBH+](aq)
Em presença de antimônio, surge uma delgada suspensão de cristais de um sal de cátion or-
gânico do corante e do ânion SbCl6
–, sal que, por transparência, tem uma coloração violeta. Na 
ausência de antimônio, a solução tem uma coloração verde-amarelada.
(C2H5)2N O 
C 
C2H5
C2H5
N � 
COOH 
H H 
tetraetilrodamina 
O aparecimento de cor violeta identifica o antimônio.
 � Segunda porção – Processo 2.23
Dobre o volume da porção com HCl 3,0 mol/L. Coloque uma tira de magnésio de 2 
cm de comprimento no fundo do tubo, conservando-o nessa posição com o bastão de 
vidro até a dissolução completa. Divida em duas porções.
IMPORTANTE
O magnésio é usado para reduzir o Sn4+ a Sn2+. Nas mesmas condições, o Sb3+ reduz-se a Sb 
metálico.
Sn4+(aq) + Mg(s)
  Sn2+(aq) + Mg
2+
(aq)
2 Sb3+(aq) + 3 Mg(s)  2 Sb(s) + 3 Mg
2+
(aq)
 � Primeira porção – Processo 2.24
Adicione três gotas de cloreto mercúrico. Um precipitado branco ou cinzento iden-
tifica o estanho.
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22 Química analítica: teoria e prática essenciais
As reações envolvidas são:
Sn2+(aq) + 2 Hg
2+
(aq) + 2 Cl
2+
(aq)  Hg2Cl2 (s) + Sn
4+
(aq)
Sn2+(aq) + Hg2Cl2 (s)  2 Hg
0 + Sn4+(aq) + 2 Cl
–
(aq)
 � Segunda porção – Processo 2.25
Adicione 5 gotas de água e uma gota de ácido fosfomolíbdico. A formação de uma 
coloração azul indica o estanho.
As reações que ocorrem são:
Sn2+(aq) + H3[P(Mo12O40)] . x H2O  Sn
4+
(aq) + óxidos azuis de molibdênio
Análise sistemática dos cátions do Grupo III
Esse grupo contém os cátions que não precipitam como cloretos ou sulfetos em 
HCl 0,3 mol/L, mas são precipitados como sulfetos de soluções amoniacais de seus 
sais com NH4Cl/NH3 seguido de tioacetamida. São eles: Al
3+, Cr3+, Zn2+, Mn2+, Fe2+ 
(Fe3+), Co2+ e Ni2+.
A maioria dos íons metálicos dos Grupos I e II também forma precipitados 
com íon sulfeto em meio amoniacal. A separação dos Grupos II e III está na 
diferença nos valores das constantes do produto de solubilidade (KPS) de seus 
respectivos sulfetos. O pH da solução é que possibilitaa separação dos grupos 
pelo controle da concentração de íons sulfeto. O sal de cloreto de amônio costu-
ma ser adicionado antes da precipitação do grupo para aumentar a concentração 
de íons NH4
+. Dessa forma, pelo efeito do íon comum, diminui a concentração de 
íons OH-–, prevenindo a dissolução dos hidróxidos de alumínio e/ou de cromo, 
bem como a coprecipitação do Grupo IV na forma de hidróxido ou carbonato de 
magnésio. Alumínio e cromo podem precipitar como hidróxidos que apresen-
tam menor KPS, no entanto, o fator determinante da composição do precipitado 
é a relação entre os íons OH– e S2–. Precipita o composto cujo KPS for alcançado 
primeiro.
Se cromo e manganês ocorrem como ânions CrO4
2–
 e MnO4
–, eles são redu-
zidos por íons sulfeto, diminuindo o seu estado de oxidação de 6+ para 3+ para o 
cromo e de 7+ para 2+ para o manganês, sendo precipitados como Cr(OH)3 e MnS, 
respectivamente.
Cromo, manganês, ferro, cobalto e níquel são elementos de transição, por-
tanto, pode-se esperar que mostrem propriedades daqueles elementos que possuem 
a camada interna de elétrons incompleta, isto é, estado de oxidação variável, íons 
coloridos e forte tendência a formar íons complexos. Além disso, como esses cinco 
elementos estão no terceiro período da Tabela Periódica e possuem uma variação 
progressiva na configuração eletrônica, são esperadas diferenças progressivas nas 
propriedades quando passamos do cromo para o manganês, depois para o ferro, 
cobalto e níquel.
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