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AS LEIS DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL 
(Definição, Origem, Manifestação, Prognóstico e Cura) 
Transcrições do JOURNAL OF MENTAL HEALTH © 
Número Dois 
 
NEUROTICS ANONYMOUS ® INTERNATIONAL LIAISON, 
INC. Little Rock, Arkansas, USA © NEUROTICS ANONYMOUS 
INTERNATIONAL LIAISON, INC. 1965-1970 
11140 Bainbridge Drive Little Rock, Arkansas 72212, USA 
 
Publicado por NEUROTICS ANONYMOUS INTERNATIONAL 
LIAIS ON, INC., únicos editores para a Irmandade de NEURÓTICOS 
ANÔNIMOS. Aprovado pela Diretoria. 
Todos os direitos reservados. A matéria contida neste livro não poderá 
ser reproduzida sem permissão escrita dos editores. 
Registro na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos sob o 
número 76-102220. 
Publicado no Brasil por NEURÓTICOS ANÔNIMOS - Escritório de Serviços Gerais 
do Brasil - ENABRA, Rua Brigadeiro Tobias, 118 — 4° andar, sala 402, Caixa 
Postal 4161, CEP 01061-970, São Paulo SP, Telefone: (11)228-2042 - Fax: (11) 228-
5852 - Site: http://neuroticosanonimos.org.br e-mail: 
enabra@neuroticosanonimos.org.br 
O ENABRA é o único órgão devidamente autorizado a traduzir e 
publicar, no Brasil, a literatura de Neuróticos Anônimos editada por 
NEUROTICS ANONYMOUS INTERNATIONAL LIAISON, INC. 
ÍNDICE 
Artigo página 
Prefácio ................................................................................................................VII 
O que é Neuróticos Anônimos .............................................................................. IX 
Os Doze Passos sugeridos de Neuróticos Anônimos ............................................ X 
PRIMEIRA PARTE - FATOS A RESPEITO DA DOENÇ A 
MENTAL E EMOCIONAL (Definição) 
1. As Leis da Doença Mental e Emocional .......................................................... 01 
2. Alguns fatos que descobrimos a Respeito da Doença Mental e Emocional ... 08 
3. A Doença Emocional E Doença espiritual ...................................................... 13 
4. A Doença Mental e Emocional: A Enfermidade da Alma .............................. 18 
http://neuroticosanonimos.org.br/
mailto:enabra@neuroticosanonimos.org.br
5. A Doença Se Origina em Nós Mesmos ......................................... ................ 21 
6. A Doença Emocional E Sempre a Mesma em todas as pessoas ..................... 25 
y 
7. A Doença Mental e Emocional E Uma Coisa Só, Porém Não São Sempre os 
Mesmos Sintomas que se Manifestam ............................................................ 31 
8. Doença Mental e Emocional: A Birra Glorificada. Suicídio: O Supremo Acesso 
de Birra ............................................................................................... ........... 34 
9. Doença Mental e Emocional: A Doença por Excelência ................................ 38 
SEGUNDA PARTE - ORIGEM (Causa) E MANIFESTAÇ Ã O DA DOENÇ A 
10. A Causa da Doença Emocional: Egoísmo ...................................................... 42 
11. A Preocupação Excessiva com a Própria Pessoa E Egoísmo, e o Egoísmo é a 
Causa da Doença Emocional ........................................................................... 47 
12. Causa Presente e Causa Remota da Doença Emocional ................................. 50 
13. Egocentrismo: O Caminho que Leva à Ruína................................................. 55 
14. Emoção Violenta E Insanidade, e, Vice-Versa, Insanidade E Emoção Violenta
 57 
15. Cólera: Uma Emoção Destrutiva .................................................................. 64 
16. Como Permanecer Emocionalmente doente ................................................... 71 
TERCEIRA PARTE - PROGNÓSTICO E 
CURA DA DOENÇ A 
17. A Resposta para a Doença Emocional: Amor .............................................. 74 
18. As Curvas da Doença Emocional e da Recuperação - Explanação ............. 80 
19. Traços de Caráter que Criam a Doença ou a Saúde ..................................... 84 
20. Um Único Deus, Um Único Povo, Uma Única Doença, Uma Única Saúde86 
21. Quanto Mais Perto estivermos das Pessoas, Mais Perto de Deus Nós Estaremos
 91 
22. Uma Afirmação que Sintetiza a Recuperação em N/A: "Agora Eu Amo as 
Pessoas" ........................................................................................................ 94 
23. Precisamos das Pessoas e Podemos Encontra-las por Intermédio de N/A: O 
Milagre das Recuperações Proporcionadas por Neuróticos Anônimos ...... 96 
24. Saúde Mental é Ter Amor e Carinho pelas Pessoas e Sentir-se Próximo Delas
 .................................................................................................................... 100 
25. Objetivo: Saúde Mental ............................................................................. 102 
26. Exis te Real Recuperaç ã o em Neurót icos Anônimos para a 
Pessoa que Passa a Ter Percepç ã o da Verdadei ra Natureza 
In te r ior de Seu Estado ...................................................................... 106 
27. Se Você Pretende Continuar Doente, Isso E Problema Seu. Se Quiser Recuperar-
se em Neuróticos Anônimos, Isso É Conosco ........................................... 108 
28. Uma Oração para Todos os Momentos, Por Grover ................................. 112 
Um Psiquiatra Fala sobre Neuróticos Anônimos ............................................. 113 
Uma Associação de Sacerdotes Apoia Neuróticos Anônimos ........................ 116 
As Doze Tradições de Neuróticos Anônimos .................................................. 118 
Um Convite ....................................................................................................... 120 
Oração da Serenidade ....................................................................................... 120 
PREFÁCIO 
Este livro contém transcrições de artigos do JOURNAL OF 
MENTAL HEALTH, artigos esses que serviram de fundamento para a 
nossa explanação sobre AS LEIS DA DOENÇ A MENTAL E 
EMOCIONAL. Essas LEIS foram descobertas e analisadas, e suas 
afirmações foram sistematizadas ao longo dos anos, como os próprios 
artigos demonstram. A evolução verificada em sua interpretação 
torna-se evidente quando os artigos são examinados em ordem 
cronológica. 
A divisão do livro em três partes apresentou um problema difícil 
no tocante à inclusão dos artigos, pois quase todos eles tratavam de 
todos os aspectos da doença e da recuperação. Assim sendo, a solução 
encontrada foi a de colocar cada artigo na parte do livro com a qual 
ele mais se identificava. 
Qualquer artigo sobre a doença mental e emocional trata 
necessariamente da causa, manifestação, prognóstico e cura dessa 
enfermidade, e poderia, portanto, ser incluído em qualquer uma das 
partes deste livro. Todavia, como a inclusão dos artigos que aqui 
foram transcritos acabou sendo feita segundo o conteúdo 
predominante de cada um, solicitamos ao leitor que leve em 
consideração esse fato e sinta-se à vontade para procurar no livro os 
que se referem a todos os aspectos da doença. 
Ficamos bastante surpresos ao verificar que os primeiros artigos 
do JOURNAL já nos conduziam diretamente a essas LEIS, num 
processo que não sofreu interrupção. Fomos levados diretamente a 
elas, porém só conseguimos percebê-las com clareza quando 
vn 
determinada etapa foi alcançada. Sentimo-nos verdadeiramente agra-
decidos e sinceramente acreditamos que elas nos foram reveladas por 
Deus à medida que julgava oportuno fazê-lo. Embora conduzidos por 
Ele, somente pudemos compreendê-las quando se formou um todo 
resultante das partes que se desenvolviam progressivamente. 
O que se mostrou extremamente admirável e nos levou a 
acreditar nessa revelação foi o desenvolvimento diretamente orientado 
e progressivo de sua manifestação. Jamais houve uma falha ou um 
artigo que não se enquadrasse nessa progressão. Foi como se 
tivéssemos sido colocados numa estrada por nós desconhecida, mas 
que nos conduzia ao belo destino que nos estava reservado. 
Acreditamosque foi exatamente isso o que aconteceu. Acreditamos 
que essas LEIS provêm de Deus, são absolutamente verdadeiras e nos 
foram reveladas para serem transmitidas a todos os que sofrem. Além 
de já terem sido experimentadas e comprovadas por um número muito 
grande de pessoas, elas também preenchem os requisitos científicos 
que toda LEÍ deve satisfazer. Sentimo-nos, portanto, profundamente 
agradecidos. 
Grover B. 
N.A.I.L 
vm 
Neuróticos Anônimos faz para a pessoa emocionalmente perturbada 
(neurótica) o que Alcoólicos Anônimos faz para o alcoólatra. Funciona 
da mesma maneira que A.A. 
N/A é uma Irmandade composta de grupos de pessoas que se 
reúnem, com a finalidade de solucionar seus problemas emocionais 
mediante a prática do Programa de Recuperação de Alcoólicos 
Anônimos, adaptado para N/A. Neuróticos Anônimos existe com o único 
propósito de ajudar as pessoas emocionalmente perturbadas a se 
recuperarem de sua doença e a permanecerem recuperadas. 
Não são cobradas taxas nem mensalidades para se participar de N/A 
ou receber sua ajuda. As pessoas recuperadas ajudam as que ainda se 
encontram em sofrimento. Todas as pessoas são bem-vindas às reuniões 
abertas de Neuróticos Anônimos. As portadoras de problemas emocionais 
são bem-vindas às reuniões fechadas. 
—ooo— 
Alcoólicos Anônimos bondosamente concedeu permissão a N/A para 
usar seus Passos e seu Programa, como já tem feito em relação a outras 
irmandades Anônimas. 
Desejamos expressar nossa gratidão a Deus e a Alcoólicos 
Anônimos por nos terem proporcionado os instrumentos necessários à 
nossa recuperação, os quais recebemos d'Ele por intermédio deles. 
—ooo— 
 
1. Admitimos que éramos impotentes perante nossas emoções - que 
havíamos perdido o domínio sobre nossas vidas. 
 
NEUROTÍCOS ANONIMOS 
2. Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia 
devolver-nos à sanidade. 
3. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de 
Deus, na forma em que O concebíamos. 
4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos. 
5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser 
humano, a natureza exata de nossas falhas. 
6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos 
esses defeitos de caráter. 
7. Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas 
imperfeições. 
8. Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado 
e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados. 
9. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, 
sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-
las ou a outrem. 
10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos 
errados, nós o admitíamos prontamente. 
11. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso 
contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, 
rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós 
se forças para realizar essa vontade. 
12. Tendo experimentado um despertar espiritual graças a estes 
Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos neuróticos e 
praticar estes princípios em todas as nossas atividades. 
ooo — 
* Reprodução adaptada com permissão de Alcoholics Anonymous 
World Services, Inc., New York, NY, USA.
PRIMEIRA PARIE 
FATOS A RESPEITO DA DOENÇ A 
MENTAL E EMOCIONAL 
(Definição)
AS LEIS DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL (Definição, 
Origem, Manifestação, Prognóstico e Cura) (Transcrito do JOURNAL OF 
MENTAL HEALTH de setembro de 1969) 
A doença mental e emocional é: 
1. Uma única doença, uma coisa só. 
2. Doença espiritual. 
3. Sempre a mesma em todas as pessoas, variando apenas nos 
detalhes superficiais. 
4. Caracterizada por sintomas penosos, NÃ O SENDO SEMPRE 
OS MESMOS, porém, OS QUE SE MANIFESTAM. 
5. Progressiva se não for tratada. 
6. De tratamento imediatamente aplicável. 
7. Causada pelo egoísmo inato, que impede a aquisição da 
capacidade de amar. 
8. Curada pela eliminação do egoísmo e aquisição da capacidade 
de amar. 
Com estas LEIS, apresentamos uma explanação completa, precisa 
e comprovada da doença mental e emocional que preenche todos os 
requisitos científicos que uma teoria ou explanação deve satisfazer. 
Recusamo-nos, entretanto, a chamar nossa explanação de teoria 
porque ela é verificável e diz respeito a fatos que se repetem, sendo, 
portanto, LEI. 
A Lei da Gravidade, por exemplo, não é considerada simples 
teoria porque é sempre verificável e passível de repetição. Nossas 
LEIS DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL também são 
passíveis de repetição e podem ser postas à prova por qual quer 
pessoa, onde quer que seja. Os resultados serão sempre os mesmos. 
E elas já foram comprovadas por inúmeras pessoas, nunca deixando dc 
produzir os mesmos e previsíveis resultados. 
Nossas LEIS satisfazem os seguintes requisitos científicos: 
1. Explicam todos os fatos conhecidos a respeito da doença. 
2. Sugerem novas áreas para a coleta de dados. 
3. Predizem com exatidão o curso da doença. 
4. Baseiam-se na observação e experiência de muitas pessoas. 
5. São passíveis de repetição e podem ser postas à prova por 
qualquer pessoa, onde quer que seja e a qualquer tempo. 
6. São práticas, aplicáveis e eficazes. 
7. Têm aplicação universal. 
8. Proporcionam tratamento eficaz, curam. 
9. Podem ser aplicadas imediatamente; na realidade, já estão sendo 
aplicadas. 
A doença mental e emocional é tão velha quanto a humanidade. 
Tem se manifestado em todas as sociedades através dos tempos, 
deixando frustrados os pesquisadores até recentemente empenhados 
em encontrar um meio de curá-la. Ainda hoje é considerada o 
problema de saúde pública número um do país (nota do tradutor: o 
autor se refere aos Estados Unidos). Antes destas LEIS, não havia 
realmente esperança para as pessoas mental e emocionalmente 
doentes. 
Agora, porém, já sabemos o que é a doença mental e emocional. 
Deixou de ser um mistério. Uma vez bem compreendidos os princípios 
contidos nestas LEIS, o que antes era considerado um problema 
desconcertante passa a ser visto como tendo explicação muito simples, 
bem como solução. 
A chave para o esclarecimento, solução e eliminação do problema 
da doença mental e emocional é o reconhecimento de que ela é 
causada pelo egoísmo inato, que impede a aquisição da capacidade de 
amar, e de que a cura resulta da supressão desse 
s 
egoísmo. E de admirar que não tenha sido descoberta há mais tempo. 
Valendo-se dessa chave, Neuróticos Anônimos oferece, às pessoas 
mental e emocionalmente doentes, um método mediante o qual 
poderão realizar a mudança que se faz necessária para que se 
recuperem e permaneçam recuperadas: substituir o egoísmo pela 
capacidade de amar. Isso, porém, requer a ajuda de um Poder superior 
ao poder individual: Deus segundo a concepção de cada um. O 
intelecto apenas não consegue proporcionar tal mudança. 
Além de esclarecer a causa e a cura da doença mental e 
emocional, essa simples chave também explica tudo mais que se 
relaciona com a doença. Todo ser humano já nasce egoísta. Precisa 
adquirir a capacidade de amar senão continuará egoísta, e o seu 
egoísmo impedirá a aquisição dessa capacidade. 
Pode-se perfeitamente prever que qualquer criança com o 
egoísmo inato ainda presente terá dificuldades em seu relacionamento 
com os pais, irmãos e coleguinhas. E o mesmo irá acontecer mais tarde 
em seu relacionamento com chefes, amigos, parentes, em suma, com 
TODO O MUNDO e em QUALQUER SITUAÇ Ã O. É inevitável. Não 
há como impedir que isso aconteça se não aprender a amar. Passará 
depois a sentir grande solidão, rejeição, retraimento, depressão, 
ansiedade, sentimento de culpa, remorso, medo, e todas as demais 
torturantes emoções próprias da doença mental e emocional profunda. 
Continuará cada vez mais doente se não se tratar, podendo mesmo 
entrar em profunda psicose, tentar o suicídio ou voltar-se para as 
drogas, o crime, ou outro tipo qualquer de comportamentoanti-social. 
Não haverá esperança enquanto não superar o seu egoísmo e aprender 
a amar. 
O egoísmo inato impede que a pessoa tenha relações humanas 
afetuosas e satisfatórias. Ela não sabe como conseguir isso. Vê-se de 
todo tolhida para a convivência normal com os demais seres humanos. 
Sente-se, naturalmente, a pessoa mais solitária do mundo. Não 
encontra paz ou descanso em parte alguma. Irá à procura de amor, 
porém sem resultado. Tudo fará para receber atenção e louvor, 
pensando que se trata de amor. Procurará inutilmente encontrar amor 
em "aventuras amorosas". E se nada a impedir de continuar, sua fome 
de amor a levará a fazer qualquer coisa enquanto não aprender o 
segredo: PARA RECEBER AMOR, É PRECISO DÁ -LO PRIMEIRO. 
Essa é a CAUSA da doença mental e emocional. 
s 
Não há nenhuma outra. E o egoísmo inato, unicamente, que leva a 
pessoa a ficar mental e emocionalmente doente. Ela dirá mais tarde 
que tudo aconteceu por causa de uma "experiência traumática", ou que 
a culpa é do marido (ou da mulher), do chefe, dos pais, ou de qualquer 
outra pessoa ou coisa. Essas desculpas, entretanto, são 
CONSEQÜ ÊNCIAS e não CAUSAS da doença. 
Vimos assim que a pessoa, doente irá naturalmente ter 
dificuldades de relacionamento com os pais, o chefe, o marido (ou a 
mulher), enfim, com as demais pessoas de um modo geral. 
• ♦ ys 
Orientar o tratamento tendo em vista essas CONSEQUÊNCIAS não 
irá proporcionar-lhe a cura. POR QUE SERA QUE ELA TEM 
DIFICULDADES DE RELACIONAMENTO COM ESSA GENTE 
TODA, quando outras pessoas não apresentam esse problema? Isso 
acontece porque ela ESTA DOENTE, E TEM ESTADO DOENTE A 
VIDA TODA. A tal de "experiência traumática" também não faz 
sentido como causa. Foi traumática porque a pessoa já estava doente e 
por isso a encarou traumáticamente. Inúmeras pessoas normais passam 
muitas vezes por experiências que poderiam ser tidas como 
"traumáticas", porém não as consideram "traumáticas". 
E preciso deixar de mimar a pessoa doente, a fim de não contribuir 
para que continue doente. 
A LEI segundo a qual. a causa da doença mental e emocional é o 
egoísmo inato, que impede a aquisição da capacidade de amar, 
também explica, prediz e oferece solução para os seguintes problemas 
sociais, tão patentes e difíceis, e que são motivo de grande 
preocupação: 
Doença mental e emocional em geral 
Ações criminosas 
Tumultos 
Juventude rebelde 
Desordens em universidades 
Dependência de drogas 
inquietação decorrente do "abismo entre gerações" 
Síndrome da "criança espancada" 
Crianças abandonadas pelos pais 
Negligência dos pais 
Acidentes de trânsito em sua maioria 
Muitos casos de retardamento mental 
Divórcios 
. Todos os casos em que a imposição da própria vontade interfere 
nos direitos dos demais. E no que se refere a países: Guerras 
Desentendimentos 
Cobiça 
Corrupção 
Descontentamento entre facções 
Serviços deficientes Oportunidades 
desiguais Conflitos e tensões 
Não resta a menor dúvida de que o egoísmo e a resultante 
incapacidade de amar causam todas essas, coisas. 
É por puro egoísmo que a pessoa se rebela contra a "ordem 
estabelecida" ou qualquer outro tipo de ordem social, contra o chefe, o 
marido (ou a mulher), os amigos, pois o que ela realmente quer é que 
sua vontade sempre prevaleça. 
s 
E por puro egoísmo que a pessoa provoca acidentes de trânsito 
por insistir em ultrapassar outros veículos quando não há condições 
para isso. E as estatísticas demonstram que a MAIORIA desses 
acidentes é causada por pessoas que, egoisticamente, desobedecem as 
leis de trânsito que porventura lhes dificultem chegar a seus destinos. 
s 
E por puro egoísmo que muitos pais abandonam ou espancam 
seus filhos. Porque acham que ELES INTERFEREM NA 
REALIZAÇ Ã O DE SEUS DESEJOS EGOÍSTICOS. 
s 
E por puro egoísmo que muitas pessoas transgridem as leis para 
conseguir o que desejam, sem se esforçarem para isso e sem nenhuma 
consideração para com as demais pessoas, desejando inclusive, como 
delinqüentes, atrair a atenção geral para as "celebridades" em que 
tentam se transformar. 
E por puro egoísmo que muitas pessoas usam drogas na tentativa 
de se sentirem melhor. 
E por puro egoísmo que muitas pessoas procuram de todo jeito 
levar vantagem sobre as outras porque acham que elas se interpõem na 
consecução de seus objetivos. 
s 
E também por causa desse mesmo egoísmo que nações se lançam 
na aventura de invadir o território de outras, oprimir povos, buscar 
"glórias" para si mesmas. E nenhuma nação jamais será curada 
enquanto os que a governam não tratarem de se curar. 
Como podemos ver, estas LEIS oferecem uma explicação 
completa da doença mental e emocional. E a prova que temos para 
apresentar é esta: NÓS ESTIVEMOS MENTAL E 
EMOCIONALMENTE DOENTES, GRAVEMENTE DOENTES, 
NA REALIDADE, E CONSEGUIMOS RECUPERARMOS. 
FOIDESSA MANEIRA QUE DESCOBRIMOS QUE ESTAS LEIS 
SÃ O VERDADEIRAS. Sobrevivemos à doença, conseguimos 
recuperar-nos. Fazendo também uma recapitulação de nossas vidas, 
descobrimos o que havia de errado conosco. TÍNHAMOS SIDO 
EGOÍSTAS a vida toda, e o que ganhamos com isso foi a doença 
mental e emocional, da qual só conseguimos livrar-nos quando, 
aprendendo a eliminar o egoísmo, adquirimos a capacidade de amar. 
Agora que sabemos amar, sentimo-nos finalmente livres da 
doença e somos pessoas felizes, saudáveis e alegres. Sabemos o que 
havia de errado conosco e o que nos proporcionou a recuperação. 
Inúmeras outras pessoas que também passaram por essa experiência 
dizem a mesma coisa. Estas LEIS funcionam para todos os que se 
disponham a observá-las. ESTES SÃ O OS FATOS, AS LEIS DA 
DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL, QUE SERÃ O ACEITAS 
COMO TEMPO PORQUE EXPRESSAM A VERDADE. Esta é a 
única explicação da doença, c estas LEIS, conseqüentemente, serão as 
únicas a serem aplicadas. Estão sendo enunciadas agora para benefício 
dos seres humanos. Já existe cura para a doença mental e emocional. 
Nós a estamos oferecendo à humanidade sofredora. Nosso desejo é que 
seja aceita e haja recuperação. Com a apresentação destas LEIS, a 
verdade a respeito da doença mental e emocional foi finalmente 
revelada. 
Durante muitos anos, o JOURNAL OF MENTAL HEALTH 
publicou artigos que corroboram o que acima foi revelado. Esses 
artigos compõem agora este livro, cujo objetivo é oferecer um 
panorama abrangente das LEIS DA DOENÇ A MENTAL E 
EMOCIONAL. 
* 
ALGUNS FATOS QUE DESCOBRIMOS A RESPEITO DA 
DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL (Transcrito do JOURNAL OF 
MENTAL HEALTH de outubro de 1966) 
Nós que já sofremos da doença mental e emocional - profunda, 
grave, incapacitante - e conseguimos recuperar-nos, achamo-nos 
perfeitamente em condições de expor, tomando por base nossas 
experiências pessoais, alguns fatos relativos à causa e manifestação 
dessa enfermidade, bem como o que se torna necessário fazer para que 
se possa alcançar a recuperação. 
A pessoa que descobrisse a cura para o câncer muito certamente 
se tornaria a maior autoridade no assunto se a si mesma se curasse com 
a aplicação de sua descoberta. Todo o mundo naturalmente se 
apressaria a procurá-la para saber como foi que o conseguiu. 
Do mesmo modo, a pessoa que tenha descoberto o que havia de 
errado com ela quando se encontrava gravemente doente das emoções, 
e tenha conseguido recuperar-se, também está habilitada a revelar a. 
CciusE da doença emocional e como se pode conseguir a cura. Um 
caso apenas não serviria de prova, porém quando o processo se repete 
e muitas pessoas mais se recuperam, então temos aí uma grande 
revelação. 
Não é nossa intenção criticar outras autoridades no assunto ou 
campos do conhecimento humano. Sabemos que fazem um importante 
trabalho e geralmente ajudam muita gente. O que estamos querendo 
dizer, entretanto, é o seguinte: PERGUNTE A QUEM ESTEVE 
DOENTE E CONSEGUIU RECUPERAR-SE. Essa pessoa 
obviamente conhece o segredo. E se esse segredo dá certocom os 
outros, não tenha dúvida, use-o também. 
Ninguém poderá dizer-lhe, por exemplo, o que seja sentir dor de 
dente. E preciso tê-la sentido primeiro para saber exatamente o que é. 
O mesmo acontece com a depressão e a doença emocional em geral. 
/ 
E preciso ter passado por essa experiência para saber o que isso de fato 
significa. Não há quem possa dizer-lhe o que seja realmente a 
depressão, porém se você chegar a senti-la, aí então ficará sabendo. 
A melhor maneira de se ter uma idéia do que seja a depressão é 
perguntar a quem já a tenha sentido. Mesmo assim, só se poderá fazer 
unia vaga idéia. Da mesma forma, para se saber como uma pessoa se 
recupera da depressão, ou da doença emocional em geral, necessário 
se faz perguntar a quem já tenha alcançado a recuperação. Ponha de 
lado as teorias e pergunte a quem já esteja recuperado e pode, 
portanto, dizer-lhe como foi que o conseguiu. Em outras palavras, 
procure saber diretamente de quem conhece o assunto por experiência 
própria. 
Tendo em vista sermos pessoas habilitadas a falar sobre a doença 
emocional, uma vez que já estivemos emocionalmente doentes e 
conseguimos recuperar-nos, além de termos ajudado outras pessoas a 
fazer o mesmo, apresentamos agora os seguintes FATOS A 
RESPEITO DA DOENÇ A EMOCIONAL, que descobrimos através 
de nossas experiências pessoais: 
1. Fomos os autores de nossa própria doença. Ninguém mais deve 
ser responsabilizado. 
2. Foi preciso reconhecermos o fato acima para que pudéssemos 
recuperar-nos. 
/ 
3. Éramos extremamente egocêntricos, arrogantes, exigentes, 
emocionalmente frios e interesseiros, cobiçosos, gananciosos e cheios 
de autopiedade. 
4. Tentávamos iludir-nos, e aos outros também, procurando e 
fazendo acreditar que éramos pobres vítimas inocentes da doença 
emocional - ótimas pessoas sobre as quais pesava tamanho fardo. 
5. Man tínhamos uma posição de antagonismo em relação a um 
Poder Superior, e era isso o que havia de realmente errado conosco. 
6. Não aceitávamos ordens de ninguém. 
7. Recusávamo-nos a encarar nossa própria maneira de ser, 
recalcando-a tão bem que nem nós mesmos realmente a 
conhecíamos. 
8. Aparentávamos estar procurando ajuda, porém rejeitávamos a 
que nos fosse oferecida. Teimávamos em depender unicamente 
de nós mesmos. 
9. Sentíamo-nos superiores às demais pessoas, quando, na 
realidade, estávamos era escondendo um profundo complexo 
de inferioridade, ou, mais precisamente, tentando escondê-lo. 
10. Éramos incapazes de sentir emoções afetuosas devido ao nosso 
extremo egoísmo. 
11. Não hayia nada de errado com nossas mentes. Elas estavam 
apenas dominadas pelas emoções. 
Revelaremos agora um segredo relacionado com esse fato. 
Nossas mentes nunca chegaram a se deteriorar, mesmo no curso de 
/ 
alucinações. Éramos capazes de executai" trabalho mental complexo 
em estados paranóicos, em profunda depressão, em confusão 
emocional, se realmente tivéssemos de executá-lo- Somos muitos os 
que vimos nossas ações desculpadas porque as pessoas julgavam que 
estávamos "desvairados". Ora, o que podemos dizer é que estávamos 
na verdade perfeitamente cientes do que se passava. Estávamos, isto 
sim armando cenas infantis de birra, somente que bem aumentadas. 
Apressamo-nos a acrescentar, caso estejamos sendo mal 
interpretados, que a doença emocional é real, é extremamente penosa, 
é de fato uma enfermidade» A pessoa doente não consegue deixar de 
fazer o que faz, e naturalmente necessita de ajuda. O que queremos 
dizer, entretanto, é que ela não é "louca", pois sabe muito bem o que se 
passa, às vezes muito melhor do que as pessoas que a observam. E 
também de certa forma astuta, tudo fazendo para que sua própria 
vontade sempre prevaleça. 
12. Desafiávamos, ou, melhor dizendo, tentávamos desafiar, 
qualquer lei que não nos fosse conveniente e poucas, se tanto, nos 
eram convenientes. Essas leis incluíam tanto as físicas como as 
espirituais. Como podíamos então ser felizes quando não aceitávamos 
acontecimentos naturais como a chuva, por exemplo, e muito menos 
leis espirituais como a que preceitua o amor ao próximo? 
13. Procurávamos culpar as outras pessoas e as situações pela 
nossa doença, quase chegando a convencer-nos de que isso era 
verdade. 
14. Sentíamos inveja das pessoas, ressentíamo-nos com elas, e 
também as detestávamos e menosprezávamos. E não venham dizer- 
nos que não é verdade, pois ERA EXATAMENTE ISSO O QUE 
ACONTECIA CONOSCO, 
O que acima foi apresentado são alguns FATOS a respeito da 
doença. O que apresentaremos a seguir são FATOS a respeito da 
recuperação. 
1. Tivemos de admitir que estávamos errados que os .fatos acima 
eram reais, que a doença estava em nós, que éramos os autores cle 
nossa própria doença. 
2. Tivemos de admitir a derrota e procurar ajuda espiritual, pois 
estávamos espiritualmente estéreis e mortos. Tivemos de recorrer a 
Deus, segundo O concebíamos, e humildemente rogar a Ele que nos 
curasse se fosse de Sua vontade. 
Como se pode ver, estávamos espiritualmente doentes. Sentíamos 
aversão pelas pessoas. Foi preciso então que recebêssemos ajuda 
espiritual para aprender a amá-las, antes que pudéssemos usufruir sua 
companhia e ser felizes. Sabemos que isso é um FATO porque 
estamos nos baseando em nossa própria 
A DOENÇ A EMOCIONAL É DOENÇ A ESPIRITUAL 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de março de 
1966) 
Tomando por base nossa experiência e observação, afirmamos 
que a doença emocional é doença espiritual. Quando emocionalmente 
doentes, na realidade era espiritualmente doentes que estávamos. Para 
que você não interrompa a leitura e se afaste, pedimos que reflita um 
pouco sobre esta definição de "espiritual": relativo a "pensamentos e 
emoções". Quanto a nós, temos certeza de que estávamos realmente 
doentes em nossos pensamentos e emoções. Pedimos que não se 
considere "espiritual" como tendo aqui um significado de natureza 
sobrenatural, embora para muitos de nós tal significado tenha razão de 
ser. 
A sabedoria popular de há muito vem empregando a palavra 
"espiritual" ou "espírito" para descrever o estado de ânimo das 
pessoas. Os seguintes exemplos são bem elucidativos; "seu estado de 
espírito é precário", "seu estado de espírito é o melhor possível",, "seu 
estado de espírito nada deixa a desejar", "é uma pessoa de espírito 
ardente". Essas expressões se referem ao modo de sentir, de pensar, de 
encarar o mundo, bem como à maneira de uma pessoa se colocai" 
diante da vida. Conseqüentemente, "espírito" está sendo aí considerado 
a soma das emoções, pensamentos, atitudes, crenças, modo de sentir, 
tudo, enfim, que leva o ser humano a agir da maneira que o faz. 
Há, naturalmente, componentes físicos e mentais envolvidos, 
porém eles apenas contribuem para a composição do "espírito" total. 
Não foram poucos os médicos que a muitos de nós disseram, depois de 
nos submeterem a testes minuciosos, que nada havia de fisicamente 
errado conosco. Fomos então obrigados a concluir que nossa doença 
era mental e espiritual 
Depois de nos submetermos a outros testes, destinados a aferir 
nossa capacidade mental, consultar psiquiatras e constatar que nossas 
mentes estavam intactas, vimo-nos também forçados a concluir que 
nossa doença era essencialmente espiritual. 
Descobrimos que estávamos cheios de ódio, ressentimento, raiva, 
autopiedade, ganância, comodismo e outras emoções igualmente 
indesejáveis, as quais faziam parte da nossa natureza "espiritual" ou 
maneira de nos comportarmos diante da vida. Precisavam ser mudadas 
para que pudéssemos recuperar-nos. 
Ficar sabendo que tínhamos de mudar espiritualmente foi para nós 
um sério golpe, pois éramos muitos os que nos mostrávamos contrários 
a tudo que fosse considerado "espiritual". Você poderá usar uma 
palavra diferente se assim preferir. Acho, porém, que "mental" não 
seria o termo adequado. Nada havendo de errado com a mente, asatitudes e os sentimentos podem ser mudados sem que a mente deixe 
de manter intactas as suas qualidades. Nessa mudança, é o "espírito" 
que deverá passar por uma modificação. 
Portanto, não havendo nada de física e mentalmente errado 
conosco, afirmamos que a nossa doença era espiritual. 
A prova mais convincente de que a doença emocional é doença 
espiritual está no fato de que a pessoa doente pode recuperar-se 
mediante ajuda espiritual. Vimos isso acontecer em casos tão 
numerosos que não temos como duvidar. Presenciamos alguns em que 
as pessoas já haviam tentado todos os meios então conhecidos. Só 
conseguiram recuperar-se quando receberam ajuda espiritual. Em meu 
próprio caso, foi exatamente isso o que aconteceu. 
Eu havia tentado todos os métodos de cura criados pelo homem. 
Passei mais de cinco anos fazendo tratamento psiquiátrico, consultei 
muitos médicos, tomei milhares de tranqüilizantes e comprimidos para 
dormir, recorri à religião e até mesmo à quiromancia e ao hipnotismo. 
Não me recuperei enquanto não recebi ajuda espiritual, e essa ajuda eu 
a consegui cm um dos grupos Anônimos. Fiquei conhecendo muitas 
pessoas com histórias semelhantes, que também foram curadas 
mediante ajuda espiritual, coisa que nenhum outro método de cura 
havia sido capaz de fazer. Conseqüentemente, SE A AJUDA 
ESPIRITUAL RECUPERA UMA PESSOA EMOCIONALMENTE 
DOENTE, ENTÃ O A DOENÇ A EMOCIONAL É DE FATO 
DOENÇ A ESPIRITUAL. 
Muitos psiquiatras também enfatizam o lado espiritual, insistindo 
com seus pacientes para que procurem ajuda dessa natureza. O famoso 
psiquiatra suíço Carl Jung foi um dos que salientaram a importância de 
tal ajuda. Hoje em dia, são em grande número os psiquiatras que 
declaram ser preciso algo mais do que a análise. Para eles, a ajuda 
espiritual também é necessária. 
Até aqui, falei de "espiritual" no que se refere ao modo de sentir e 
à maneira de se portar diante da vida. Irei um pouco mais longe agora. 
Falarei de "espiritual" no que diz respeito a outros significados da 
palavra, isto é, aos que a relacionam com a "alma", significados esses 
que não são considerados do ponto de vista físico. 
Falarei a respeito de entrar em relação harmoniosa com um Poder 
superior a nós mesmos, que chamarei de Deus segundo a concepção de 
cada um. Para a pessoa doente, é unicamente necessário que ela creia 
nesse Poder, que poderá conceber como queira. Poderá concebê-Lo 
como sendo a força da gravidade, por exemplo, 
ou o movimento dos átomos, a evolução, o amor entre os seres 
/ 
humanos, qualquer coisa enfim, não importa qual seja. E preciso 
apenas, como já dissemos, que admita a existência desse Poder, isto é, 
a existência de Algo superior a si mesma. Essa crença irá ajudá-la a 
eliminar o egocentrismo (tão acentuado nos doentes emocionais), 
a fim de que possa vir a se tornar um ser humano no exato sentido da 
/ 
palavra. E dessa forma que podemos sair de nós mesmos. 
Esse Poder, qualquer que seja a forma em que venha a ser 
concebido, ajudará a pessoa doente a passar por uma mudança que lhe 
proporcionará a recuperação. Tomemos, por exemplo, o amor entre os 
seres humanos como sendo o Poder de que estamos falando. Não resta 
dúvida de que o simples fato de vir a amar seus semelhantes fará com 
que a pessoa doente se transforme. Deixará de nutrir aversão pelas 
demais pessoas e de manter-se retraída, passando a amá-las e a desejar 
estar em sua companhia. Isso é realmente mudança, e mudança que só 
se opera mediante ajuda "espiritual". Até mesmo a decisão de juntar-se 
à corrente da realidade, da vida, em vez de ficar lutando contra ela, 
fará com que as pessoas se transformem. 
Se observarmos uma pessoa que tenha passado por essa 
transformação, que se tenha recuperado, logo veremos que ela é feliz, 
afetuosa, procura ajudar seus semelhantes, e seu "estado de espírito" é 
muito bom. Antes da mudança, porém, ela era mal humorada, sujeita a 
zangas, incapaz de demonstrar afeto, irritadiça, e seu "estado de 
espírito" não era nada bom. Fisicamente, não houve alteração. 
Tampouco mentalmente, no que diz respeito à sua, capacidade 
intelectual. A mudança ocorreu em seus pensamentos e emoções, o 
que é o mesmo que dizer que foi em seu "espírito" que ela ocorreu. 
Qualquer pessoa que se disponha a ser honesta consigo mesma 
pode 
conseguir essa mudança cie espírito erecuperar-se da doença 
emocional. 
/ 
E preciso, porém, que reconheça suas falhas, bem como o que a faz 
continuai- doente. E preciso também que passe a acreditar em um 
Poder superior a si mesma, e procure entrar em harmonia com Ele. 
Para que alguém se recupere de uma doença, física ou de qualquer 
outra natureza, é preciso naturalmente ficar sabendo de que doença se 
trata. Uma perna fraturada, por exemplo, tem de ser reconhecida como 
tal antes que possa ser devidamente tratada. A primeira coisa a ser 
feita, portanto, é o diagnóstico. 
Seria totalmente absurdo cuidar de um dente quando o problema é uma 
perna fraturada. No caso da doença emocional, contudo, muitas vezes 
se procura tratá-la com algo que não lhe diz respeito. Sejamos 
coerentes, portanto, e tratemos a doença emocional adequadamente, 
isto é, por meio da ajuda espiritual. Nunca vimos tal ajuda falhar com 
quem sinceramente dela se tenha valido. Também nunca vimos uma 
pessoa que tenha recorrido a essa ajuda deixar de se recuperar 
da doença emocional. 
i» 
Que todos, portanto, se recuperem, reconhecendo que a doença 
emocional é doença espiritual e procurando ajuda adequada. E assim 
que se pode mudar e descobrir uma vida fecunda e feliz. 
* 
DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL: A ENFERMIDADE DA 
ALMA (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de 
novembro de 1966) 
Nós que já estivemos nas profundezas do desespero emocional e 
do sofrimento, e conseguimos recuperar-nos, declaramos aqui que a 
nossa doença era uma enfermidade da alma. Agora que estamos 
recuperados, em condições, portanto, de fazer uma avaliação da 
doença, logo se nos torna evidente que era mesmo a nossa alma que 
estava enferma. Na verdade, nós já sabíamos disso quando estávamos 
doentes, pois muitas e muitas vezes dizíamos: "Minha alma está 
sofrendo". E ainda encontramos pessoas em sofrimento que nos dizem: 
"Minha alma está doente", "Minha alma sofre muito", "Tenho a alma 
torturada", etc. Por estranho que pareça, até mesmo ateus e agnósticos 
chegam a fazer afirmações como essas. 
Não importa a definição que se dê a "alma". Ninguém tampouco é 
obrigado a pressupor uma alma imortal. Acreditamos que o emprego 
da palavra "alma" pelas pessoas em sofrimento diz respeito àquela 
parte do ser humano que é a consciência de si mesmo, a percepção de 
sua existência, a sua essência mais íntima, a qual. não sendo sinônimo 
de "mente", se caracteriza por ser amplamente independente do corpo. 
É aquela parte do ser humano que "sabe que ele existe", conhecida por 
vários nomes, entre os quais "ego" e "personalidade". 
Essa "alma" não é propriamente a "mente". A "mente" 
compreende ou denota pensamento lógico e processos destinados a 
ajudar a pessoa a sobreviver e funcionar. Os sentimentos, emoções, e a 
consciência de si mesmo, expressos pela "alma", são coisas bem 
diferentes do ato de pensar e do uso da mente para fins de 
sobrevivência. 
Em um dos artigos precedentes, declaramos que éramos capazes 
de executar trabalhos mentais de natureza complexa, mesmo quando 
lios achávamos em estado de profunda depressão, se realmente 
tivéssemos de fazê-los. Nossas almas, porém, sofriam muito. Não 
havia nada de errado com nossas mentes, a não ser o fato de que 
estavam dominadas por emoções resultantes da alma em sofrimento. 
Afirmamos que a nossa doença era uma enfermidade da alma 
porque nossos sentimentos em relação a um Poder Superior, bem como 
em relação aos nossos semelhantes e à vida não se enquadravam na 
normalidade. Éramos totalmente egoístas, incapazes de amar. Essa era 
realmentea verdade. Não podíamos, portanto, ser felizes. 
Atribuímos esses sentimentos à "alma" porque são valores que 
dizem respeito à conduta moral, ao amor, ao bom relacionamento com 
nossos semelhantes. Sabíamos muito bem como comportar-nos em 
sociedade, pois conhecíamos as regras de boas maneiras. Elas, porém, 
não faziam parte de nossos sentimentos. Sentíamo-nos, isto sim, 
perdidos, isolados, mesmo quando na companhia de outras pessoas, 
muito embora nossas maneiras pudessem estar sendo impecáveis. 
Também não fomos capazes de recuperar-nos por meio do 
pensamento racional, que simplesmente não surtiu nenhum efeito 
sobre nossas emoções descontroladas. Dizíamos: "Sim, não resta 
dúvida de que amar os nossos semelhantes é ótimo". Na realidade, 
porém, não conseguíamos amá-los, Todas as tentativas que fizemos, 
dizendo a nós mesmos: "Você será muito feliz se aprender a amar as 
pessoas", não resultaram em mudança de nossa parte. Sabíamos que 
amá-las seria o caminho para a nossa felicidade. Não conseguíamos, 
entretanto, sentir esse amor. Éramos demasiadamente egoístas, 
tínhamos a alma doente. 
Mesmo doentes, nós tínhamos consciência de que estávamos 
errados, de que precisávamos encontrar um jeito de mudar, porém não 
sabíamos como. Continuávamos cometendo os mesmos erros e 
mantendo a mesma atitude de má-vontade em relação às pessoas. 
Sabíamos que a doença se localizava na parte mais profunda de 
nosso ser, na que poderíamos muito bem chamar de "alma". 
Muitos de nós chegavam mesmo apensar quando tomavam banho: 
"Ah! que alívio abençoado não seria se eu pudesse lavar minha alma 
como lavo meu corpo!" 
O que estamos procurando salientar é que a nossa doença 
resultava do egoísmo, manifestado na arrogância, má-vontade, falta de 
amor e outras coisas mais, geralmente consideradas como pertencentes 
à área moral e não ao pensamento deturpado, à desorientação ou à falta 
de consciência da realidade. 
A prova mais convincente de que a nossa doença era uma 
enfermidade da alma reside no fato de que, quando decidimos mudar e 
aceitar valores espirituais ou morais, conseguimos finalmente 
recuperar- nos. Inversamente, quando procurávamos submeter a mente 
a tratamento, não apenas permanecíamos doentes como ficávamos 
mais doentes ainda. Foi somente quando aprendemos a amar, a nos 
interessar pelas pessoas, procurando ser-lhes úteis em vez de ficar 
exigindo que nossa vontade fosse sempre satisfeita, que conseguimos 
progredir em nossa recuperação. Aqm estáo MILAGRE: NÃ O 
ESTAMOS MAIS DOENTES DA ALMA. NOSSAS ALMAS NÃ O 
SOFREM MAIS. CONSEGUIMOS MUDAR E NOS SENTIMOS 
AGRADECIDOS. ESTAMOS FINALMENTE RECUPERADOS 
PORQUE A DOENÇ A DE NOSSAS ALMAS FOI TRATADA E 
ELIMINADA. 
Reafirmamos, portanto, já que estivemos doentes e conseguimos 
recuperar-nos, que a nossa doença era, de fato, uma enfermidade da 
alma, e que a única maneira de se alcançar a recuperação é passar pela 
mudança que acima descrevemos, adquirindo-se assim a capacidade de 
amar e de ser útil aos semelhantes. 
Nosso lema "ACABEMOS COM A DOENÇ A EMOCIONAL", 
bem que poderia ser o seguinte: 
"ACABEMOS COM A DOENÇ A DA ALMA". 
* 
A DOENÇ A SE ORIGINA EM NÓS MESMOS (Transcrito do 
JOURNAL OF MENTAL.HEALTH de abril de 1966) 
A doença emocional não resulta de nenhuma situação externa. Ela 
tem sua origem em cada um de nós mesmos. Precisamos reconhecer 
esse fato para que possa haver recuperação. 
São as nossas reações diante dos acontecimentos, e não os 
acontecimentos em si mesmos, que determinam o nosso modo de 
sentir. Embora muitas pessoas possam estar envolvidas em um mesmo 
acontecimento, a reação de cada uma delas pode ser diferente. É a 
interpretação individual dos acontecimentos e situações que resulta em 
saúde ou doença emocional. 
Um exemplo clássico freqüentemente citado é aquele em que dois 
homens participantes de uma guerra se protegem em um buraco 
cavado no solo. As mesmas balas passam sobre suas cabeças e as 
mesmas bombas caem para ambos. Um deles demonstra fortaleza e se 
torna um herói. O outro se deixa abater e acaba sendo considerado 
vítima de "esgotamento de guerra". 
O que é que distingue esses dois combatentes envolvidos na 
mesma situação? Na opinião de profissionais, o fator determinante foi 
o que cada um deles levou para a situação como característica de sua 
própria personalidade. O acontecimento foi apenas o agente 
precipitante do colapso emocional daquele que já se encontrava 
emocionalmente perturbado e, portanto, predisposto a sofrê-lo. Por 
outro lado o mesmo acontecimento contribuiu para revelar a fortaleza 
de caráter já existente em seu companheiro. 
Portanto, não seria correto afirmar que a "causa" do colapso 
emocional de um dos combatentes foi a penosa situação de guerra. 
Muito provavelmente, ele teria sido vítima de um colapso emocional 
em qualquer situação em que se visse sujeito a pressões. 
A mesma coisa acontece em relação a todas as situações externas. 
Quase todos os doentes emocionais costumam desfilar suas queixas 
contando longas histórias de como as outras pessoas e as situações lhes 
têm sido impiedosas. Queixas como essas, entretanto, precisam ser 
eliminadas, e a própria contribuição pessoal em cada situação precisa 
ser compreendida, antes que se possa alcctnçar a recuperação. 
Não é absolutamente verdade que uma esposa resmungona, um 
marido negligente, um chefe grosseiro, etc. sejam os "causadores" da 
doença emocional de uma pessoa. Em quase todos os casos, é a 
própria pessoa doente que, na realidade, ocasiona a situação 
desagradável em que se vê envolvida, ou no mínimo contribui para 
criá-la. Muito provavelmente, é o papel que ela mesma desempenha 
numa determinada situação que faz com que essa situação exista. Em 
outras palavras, assim como não se dança o tango, por exemplo, sem 
que haja a participação de duas pessoas, também não haverá briga, 
discussão, ou coisa semelhante para quem não contribua para isso. 
Mesmo que as outras pessoas estejam agindo de forma errada, 
/ 
isso não serve de justificativa para se ficar doente. E possível suportar 
situações desfavoráveis sem se deixar transtornar, e "vida normal" 
pode perfeitamente ser definida como ajustamento, isto é, ajustamento 
às situações em que nos encontremos envolvidos. Ninguém é dotado 
do privilégio de ter uma vida em que a sorte sempre lhe favoreça, uma 
vida totalmente isenta de dificuldades. O nosso ajustamento é 
determinado pelo equilíbrio do nosso comportamento tanto nos 
momentos difíceis como nas circunstâncias felizes. 
Agora, se uma situação se mostra de todo intolerável, o que se 
deve fazer é sair dela. Nenhuma pessoa normal permaneceria em tal 
situação, deixando-se transtornar. Portanto, o papel de "vítima" que as 
pessoas doentes assumem nenhum benefício lhes proporciona. A 
doença, repetimos, se origina na própria pessoa ao permitir que a 
situação a mantenha transtornada. 
Se uma pessoa se mostra mesquinha ou grosseira com você, isso 
significa que ela se encontra mais doente do que você e deveria, 
portanto, merecer pena e compreensão de sua parte, pois, não tenha 
dúvida, essa pessoa está pagando seu preço em infelicidade. 
Quase sempre, porém, as situações são mal interpretadas pela 
pessoa doente, de forma que as outras pessoas não podem em absoluto 
ser responsabilizadas. Quando estávamos doentes, costumávamos 
culpar os outros por tudo. Não queríamos assumir a responsabilidade 
pelo que havia dentro de nós mesmos. Recusávamo- nos a encarar 
nossos defeitos de caráter, jogando a culpa em outras pessoas. Só 
conseguimos recuperar-nos quando, deixando finalmente de fugir da 
realidade, resolvemos olhar para onde as falhas realmente se 
encontravam: dentro de nós mesmos. 
Todas as pessoas recuperadas que conhecemos admitem que 
estavam erradas quando se encontravam doentes. Em nosso próprio 
caso, foi justamente o reconhecimento de que o erro estava em nósmesmos que nos possibilitou chegar à raiz do problema e dar início à 
recuperação. 
Passamos então a compreender que a doença tinha sua origem em 
nós mesmos e não em outras pessoas ou situações externas. Isso foi 
um importante passo à frente e o momento decisivo de nossas vidas. 
Sentimos um grande alívio ao ficarmos finalmente conhecendo a 
verdade. Foi como sair das trevas. Os outros sempre souberam que 
estávamos doentes, e agora nós também tínhamos certeza disso. E não 
chegou a causar-nos grande sofrimento. Na realidade, o que nos vinha 
mesmo atormentando era o medo de nos confrontarmos. Ao fazê-lo, 
porém, vimos que isso nada apresentava de ruim e ainda nos 
proporcionava alívio imediato. Não pudemos então compreender 
porque havíamos fugido por tanto tempo. 
Enquanto culpávamos os outros, não conseguimos nenhuma 
ajuda. E não havia mesmo ajuda que pudesse ser conseguida dessa 
forma. 
Estávamos errados e agindo de forma errada em relação ao problema. 
Quando afinal decidimos assumir a responsabilidade, acertamos em 
cheio e obtivemos ajuda. Segundo as palavras de um companheiro de 
Washington, "somos nós mesmos que criamos as nossas próprias 
situações". 
Somos de fato os causadores de todas as nossas situações, boas ou 
más. Costuma-se dar crédito à pessoa bem sucedida, porém já está na 
hora de se depositar confiança também na pessoa doente, na que 
fracassou. Embora não deva ser censurada por estar doente, é sua a 
responsabilidade de fazer alguma coisa a esse respeito. Como 
acontece, por exemplo, com uma pessoa tuberculosa. Embora não 
mereça censura por encontrar-se doente, cabe-lhe sem dúvida alguma 
a responsabilidade de procurar ajuda e fazer o que deve ser feito para 
sarar. Se recusar tratamento e piorar, a culpa será sua. Ela precisa 
decidir. E a pessoa emocionalmente doente também precisa tomar uma 
decisão: recuperar-se. 
O tormento por que passam as pessoas emocionalmente doentes 
não é causado por nenhuma situação externa em que estejam 
envolvidas. São as suas próprias interpretações dos acontecimentos 
que as martirizam. 
A DOENÇ A SE ORIGINA EM NÓS MESMOS. A recuperação, 
portanto, depende de tratarmos de nossas próprias pessoas. Se 
acharmos de orientar o tratamento para as situações externas, 
não conseguiremos recuperar-nos. Experimente. 
* 
-6- ■ • A DOENÇA EMOCIONAL 
É SEMPRE A MESMA EM TODAS AS PESSOAS (Transcrito do 
JOURNAL OF MENTAL HEALTH de dezembro de 1966) 
Tomando por base nossa própria experiência e a experiência de 
muita gente mais, declaramos que a doença emocional é sempre a 
mesma em todas as pessoas, embora sua manifestação possa 
apresentar detalhes diferentes em casos individuais. Com isso 
queremos dizer que a causa, o sofrimento e os problemas resultantes 
são os mesmos para todas as pessoas, independentemente dos detalhes 
de sua manifestação na vida de cada uma delas. Uma pessoa, por 
exemplo, pode se mostrar malcriada e agressiva, enquanto que outra 
pode demonstrar excessiva timidez. Ambas, porém, e todas as que se 
situam entre os extremos por elas representados, procedem 
superficialmente de forma diferente para conseguir a mesma coisa, e 
pelo mesmo motivo. 
Pessoas diferentes também podem se valer de recursos diferentes 
para tentar fugir de seus problemas ou conviver com eles. Algumas 
recorrem ao álcool, outras às drogas ou aos jogos de azar, havendo 
também as que desenvolvem um interesse exagerado pelo trabalho, 
passatempos e outras coisas mais. Há ainda as que se limitam a sofrer. 
Todavia, essas maneiras diferentes de lidar com a doença não devem 
deixar-nos cegos ao fato de que ela é a mesma em cada uma dessas 
pessoas e sempre responde ao mesmo tratamento. 
Categorias especiais para as pessoas doentes são, portanto, 
simples rótulos que servem apenas para classificá-las segundo 
determinados sintomas da doença, e não como portadoras de doenças 
diferentes. Afirmamos que os alcoólatras, toxicômanos, neuróticos, 
jogadores compulsivos, hipocondríacos, portadores de problemas 
sexuais, e, na verdade, todas as pessoas emocionalmente doentes 
sofrem da mesma doença e podem recuperar-se por meio do mesmo 
tratamento, com a condição de que as que se tornaram dependentes de 
alguma coisa se abstenham de seu uso. 
Depois de termos comparado observações sobre todos os tipos de 
doentes (alcoólatras, toxicômanos, etc., como mencionamos acima), 
chegamos à conclusão de que ÉRAMOS TODOS IGUAIS EM 
NOSSA DOENÇ A COMUM» Éramos vítimas da MESMA 
ENFERMIDADE, e todos nós RESPONDEMOS AO MESMO 
TRATAMENTO. Descobrimos assim que ÉRAMOS TODOS 
IRMÃ OS E IRMÃ S E QIJE NÃ O ESTÁ VAMOS SOZINHOS NA 
DOENÇ A: UMA DOENÇ A DA ALMA, como já descrevemos em um 
dos artigos anteriores. 
Nossos sentimentos, atitudes e ações eram absolutamente 
semelhantes. Quaisquer variações nos detalhes eram apenas 
superficiais. Havia, entre nós, alguns que eram casados, outros 
solteiros; alguns financeiramente prósperos, outros que lutavam 
arduamente para se manterem; alguns pertencentes à elite social, 
outros à classe mais modesta da população. Todos nós, porém, 
tínhamos uma coisa em comum: a mesma doença emocional. 
Nossa doença comum assumiu formas superficiais diferentes em 
nossas vidas. Alguns dentre nós tinham problemas no trabalho, 
enquanto outros os tinham em casa. Havia também alguns com 
problemas cm diversos setores. Esses problemas, entretanto, se 
originavam todos da mesma causa. 
A causa real de nossa doença era egoísmo absoluto e conseqüente 
falta de amor pelas pessoas, isso todos nós tínhamos em comum. Foi 
sobre essa base que os problemas e dificuldades começaram a surgir. 
Cada uma de nossas dificuldades resultava dessa causa original.Temos 
testemunhos de muitos alcoólatras, toxicômanos, neuróticos, etc. que 
confirmam esse fato. E nós sabemos disso muito bem, pois passamos 
pela mesma experiência. 
Não é verdade que a solução intelectual de problemas específicos 
nos tenha ajudado a recuperar-nos. Nada nos proporcionou a 
recuperação enquanto não admitimos o nosso egoísmo e falta de amor, 
e não fizemos o que devia ser feito para nos tornarmos pessoas 
desprendidas e capazes de amar. A prova está na experiência de 
inúmeras pessoas com diagnósticos diferentes que se uniram e se 
recuperaram, descobrindo assim o FATO de que A DOENÇ A 
EMOCIONAL É UMA SÓ, e não muitas enfermidades. 
Exemplos da vida cotidiana ajudam a demonstrai" a veracidade 
desse FATO. A dor de dente é sempre dor de dente, não importa onde 
se localize nem o que esteja afetando o nervo atingido, uma cárie, 
talvez, ou uma trinca no dente. O câncer também é sempre câncer, 
onde quer que esteja localizado e qualquer que seja a forma pela qual 
se manifeste. 
A mente humana tem capacidade para certas coisas apenas. Há 
um limite para o que possa fazer ou experimentar. Assim sendo, é sem 
dúvida razoável supor que ela somente seja capaz de certas reações, 
tanto normais quanto anormais. A doença emocional, portanto, não 
pode ser considerada única em uma pessoa só porque essa pessoa 
esteja doente até certo ponto apenas, mesmo porque muita gente por 
certo já deve ter experimentado as mesmas coisas antes. 
Já foi constatado que o desprendimento e o amor ao próximo 
fazem com que uma pessoa seja normal e feliz. E nós que já estivemos 
doentes e conseguimos recuperar-nos podemos afirmar que o inverso - 
egoísmo e falta de amor ao próximo - resulta em doença emocional e 
infelicidade. Foi isso exatamente o que aconteceu conosco. 
Quando estávamos doentes, cada um de nós pensava ser a única 
pessoa nessa situação, que a doença de que sofria não era igual à 
nenhuma outra. Muitas outras pessoas, inclusive profissionais com os 
quais nos tratávamos, também achavam que a doença de cada um dc 
nós não tinha similar e que se tornava necessário examinar 
minuciosamente as manifestações individuais dos problemas 
resultantes. 
Convencemo-nos, porem,de que esse exame minucioso de casos 
individuais não era necessário. Era apenas necessário reconhecer os 
fatores comuns da enfermidade que compartilhávamos com, todas as 
demais pessoas emocionalmente doentes e fazer alguma coisa a 
respeito. Não importava, por exemplo, que tivéssemos ou não dívidas a 
pagar, que tivéssemos ou não um emprego, um lar, etc., pois tudo isso 
não passava de detalhes superficiais. O que realmente importava era o 
fato de que tínhamos uma doença espiritual resultante do ódio, falta de 
amor ao próximo, comodismo, ganância, ressentimento, autopiedade, e 
outros sentimentos e atitudes igualmente destruidores que geram 
dificuldades em todos os quadrantes da vida. Era inevitável, portanto, 
que dificuldades ocorressem conosco. Com os sentimentos errados que 
abrigávamos, não nos era mesmo possível ter um aj u s tamento 
normal. 
Sentimentos errados como esses não são causados pelas 
dificuldades. As dificuldades, sim, é que são causadas por eles. Nós 
pensávamos, como muitas pessoas ainda pensam, que tudo ficaria bem 
se nossas dificuldades fossem removidas. ISSO SERIA, PORÉM, O 
MESMO QUE COLOCAR O CARRO ADIANTE DOS BOIS. Os 
sentimentos, sim, é que precisam ser corrigidos antes que 
qualquer problema possa ser solucionado. 
/ 
E muito fácil culpar os problemas pelas complicações na vida das 
pessoas. Enquanto era exatamente isso o que fazíamos, não só 
continuávamos doentes como piorávamos ainda mais. Para recuperar- 
nos, tivemos de compreender que eram as nossas emoções doentias 
que estavam causando todos os problemas, e tivemos também de 
trabalhar no sentido de corrigi-las. Os problemas, então, ou 
desapareceram por completo ou puderam ser solucionados 
inteligentemente pela primeira vez em nossas vidas. 
Como doentes emocionais, todos nós fazíamos as mesmas coisas 
negativas, nutríamos os mesmos sentimentos errados, e nossas atitudes 
erradas eram as mesmas. A única diferença em nossos casos estava nos 
detalhes superficiais das complicações em que nos envolvíamos por 
causa da mesma doença. 
Os neuróticos, alcoólatras, toxicômanos, jogadores compulsivos e 
todos os demais doentes emocionais têm uma linguagem em comum 
de perfeito entendimento e afinidade» APRENDEMOS QUE A 
DOENÇ A EM CADA CASO É A MESMA, VARIANDO APENAS 
NOS DETALHES SUPERFICIAIS DE SUA MANIFESTAÇ Ã O. SE 
NÃ O FOSSE A MESMA, ESSE ENTENDIMENTO E AFINIDADE 
NÃ O SERIAM POSSÍVEIS. Se fossem doenças diferentes, os doentes 
dessas di versas categorias não teriam o suficiente em comum para se 
identificarem uns com os outros. Não é isso, entretanto, o que 
acontece. DESCOBRIMOS QUE TODOS SÃ O IGUAIS NA 
DOENÇ A, EXCETO NOS DETALHES DA EXPERIÊNCIA DE 
CADA UM. 
Há mesmo pessoas entre nós que se enquadram em várias 
categorias e declaram que a doença c uma só. Conhecemos algumas 
que são ao mesmo tempo alcoólatras, toxicômanas e neuróticas, agora, 
porém, recuperadas e felizes; outras que são jogadoras compulsivas e 
neuróticas, agora também recuperadas e felizes; e outras ainda que são 
jogadoras compulsivas, alcoólatras e neuróticas, agora igualmente 
recuperadas e felizes. Todas elas e muitas outras confirmam o que 
estamos procurando enfatizar: A DOENÇ A EMOCIONAL É 
SEMPRE A MESMA EM TODAS AS PESSOAS. 
Essa é sem dúvida uma grande notícia. A pessoa doente não está 
mais sozinha. Faz parte do grande número das que têm em comum a 
mesma doença. Pode, portanto, criar ânimo, pois seu caminho já foi 
percorrido por muita gente e existe um meio de recuperar-se. Ela não é 
nenhuma aberração, nenhum pária. E apenas uma pessoa doente entre 
inúmeras outras, podendo recorrer a muitas delas em busca de ajuda 
para a sua recuperação. 
TEMOS CERTEZA DO QUE ESTAMOS FALANDO, POIS FOI 
EXATAMENTE ISSO O QUE FIZEMOS. E ENCONTRAMOS 
UMA VERDADEIRA IRMANDADE. AO DESCOBRIRMOS QUE, 
COMO PESSOAS DOENTES, ÉRAMOS TODOS IRMÃ OS, EQUE, 
COMO PESSOAS RECUPERADAS, CONTINUAMOS SENDO 
IGUALMENTE TODOS IRMÃ OS, AGORA TAMBÉM SABEMOS 
QUE SOMOS IRMÃ OS (E IRMÃ S) DE TODA A HUM ANIDADE. 
* 
A DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL É UMA COISA SÓ, 
PORÉM NÃ O SÃ O SEMPRE OS MESMOS OS SINTOMAS 
QUE SE MANIFESTAM. (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL 
HEALTH de fevereiro de 1969) 
Já tivemos ocasião de declarar em artigos do JOURNAL que a 
doença mental e emocional é sempre a mesma em todas as pessoas, 
variando apenas nos detalhes, e que ela tem uma só causa e uma só 
cura. Todas as pessoas mental e emocionalmente doentes, portanto, 
são portadoras de uma única enfermidade, que resulta de uma só causa 
e requer tratamento idêntico. Essas pessoas se diferenciam umas das 
outras apenas nos sintomas que apresentam. Assim sendo, afirmamos 
agora que 
NÃ O SÃ O SEMPRE OS MESMOS OS SINTOMAS QUE SE 
MANIFESTAM 
Alguns artigos anteriores do JOURNAL a respeito da unicidade, 
causa e cura da doença são os seguintes: 
1. A DOENÇ A EMOCIONAL É SEMPRE A MESMA EM TODAS 
AS PESSOAS, variando apenas nos detalhes - dezembro de 1966 - p.3 
2. A DOENÇ A EMOCIONAL É DOENÇ A ESPIRITUAL - março de 
1966-p.3 
3. A PREOCUPAÇ Ã O EXCESSIVA COM A PRÓPRIA PESSOA É 
EGOÍSMO, E O EGOÍSMO É A CAUSA DA DOENÇ A 
EMOCIONAL - março de 1968 - p.3 
4. EMOÇ Ã O VIOLENTA É INSANIDADE, E, VICE VERSA, 
INSANIDADE É EMOÇ Ã O VIOLENTA - novembro cie 1968 - p.3 
5. EGOCENTRISMO: O CAMINHO QUE LEVA À RUÍNA-janeiro 
de 1969 - p. 3 
No que nos diz respeito, começamos todos a ficar doentes 
movidos por uma preocupação excessiva com as nossas próprias 
pessoas, preocupação que nos impedia de aprender a amar. Foi essa a 
causa única que nos condenou a um inevitável sofrimento. Quando nos 
víamos em dificuldade, o que para nós significava não podermos 
impor nossa própria vontade, reagíamos empregando qualquer recurso 
de que nos pudéssemos valer: acessos de mau humor, gritos, brigas. E 
se isso não desse resultado, ficávamos então amuados, fazendo beiço, 
coisa que depois acabava se convertendo em depressão. 
Em nossas vidas de pessoas doentes, havia um grande vazio que 
/ 
tentávamos preencher. Éramos solitários, medrosos e infelizes. 
Estávamos assim prontos para nos entregarmos a qualquer tipo de fuga 
que se nos apresentasse. E uma naturalmente sempre se apresentava. 
Temos casos e mais casos de pessoas recuperadas que agora nos 
relatam ter sido para elas meramente casual a manifestação da 
depressão, asma, doenças psicossomáticas, bem como a recorrência ao 
álcool, drogas, jogatina ou excesso no comer. Se outra modalidade 
qualquer houvesse se apresentado primeiro, certamente teria sido essa 
a prevalecer. Isso não é uma simples teoria, mas fato comprovado pela 
experiência de um número muito grande de pessoas. 
O fundador cie Jogadores Compulsivos Anônimos, de 
Washington, D.C., falando numa reunião de N.A. contou-nos que, 
quando criança, ele já estava doente e à procura de alguma coisa que 
pudesse aliviar seu sofrimento. Encontrando por acaso alguns garotos 
que estavam jogando a dinheiro, começou a jogar com eles também. 
Descobriu então que, além de ser emocionante participar, ele era aceito 
pelo grupo e se esquecia de seus problemas enquanto durava a 
excitação do jogo. Tornou-se depois um jogador compulsivo. Vemos 
aí que não foi senão casualmente que ele descobriu um recurso que lhe 
parecia "preencher o vazio" de sua vida. 
Grover afirma que sua fuga para o álcool foi igualmente casual 
Poderia ter sido, sem dúvida nenhuma, qualquer outra coisa. E quando 
ele tinha apenas nove anos de idade, foi também casual sua descoberta 
de que a asma que nele se manifestou, também chamada "choro seco", 
podia ser usada para impor sua própria vontade. Foi quando as 
lágrimas cessaram e os soluços continuaram que Grover descobriu 
esse novo fenômeno (novo para ele), isto é, que esse soluçar, que 
acabou se transformando em asma, era um método muitíssimo 
eficiente de fazer com que sua vontade prevalecesse. 
Uma vez encontrada uma forma de fuga - álcool,drogas, jogatina, 
depressão - ela fica "gravada", tornando-se inconsciente e habitual, e 
um sintoma da pessoa. (Este artigo será ampliado posteriormente. 
Publicamo-lo aqui para que não deixe de ficar registrado). 
* 
DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL: A BIRRA GLORIFICADA. 
SUICÍDIO: O SUPREMO ACESSO DE BIRRA. 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de julho de 1969) 
Já declaramos anteriormente que a causa da doença mental e 
emocional é o egoísmo inato que a pessoa não aprendeu a superar. E 
unicamente por causa do egoísmo que ela não consegue ajustar-se ao 
mundo e se condena à frustração, uma vez que seus desejos não podem 
ser sempre satisfeitos. E é por causa do egoísmo que ela acha o mundo 
hostil e nada agradável. Sabemos que isso é verdade porque já 
estivemos doentes e conseguimos recuperar-nos. Pudemos então 
refletir sobre o assunto e descobrir a causa real da doença. 
A pessoa mental e emocionalmente doente preocupa-se apenas 
consigo mesma e com a influência que as outras pessoas e os 
acontecimentos possam ter sobre ela. Insiste em obter tudo o que seja 
de sua vontade e fazer com que as outras pessoas sempre lhe 
satisfaçam os desejos. E então inevitável que se sinta frustrada, porque 
exigências impossíveis como essas não podem mesmo ser satisfeitas. 
Quando não consegue impor sua própria vontade, ela passa a reagir, e 
muitas são as formas de sua reação. Recorre, por exemplo, a diversos 
mecanismos de fuga que se exteriorizam como sintomas da doença: 
retraimento, depressão, atribuição de culpa a outras pessoas, mau 
humor, alheamento, hostilidade, e toda a gama de manifestações 
peculiares à doença mental e emocional. 
Esses mecanismos de fuga a pessoa egoísta os aprende, e muito 
bem, no período da infância. Na idade adulta, eles nada mais são do 
que formas ampliadas da BIRRA infantil. Não há absolutamente 
nenhuma diferença entre os acessos de birra de uma criança, teimando 
para ganhar uma bola ou uma boneca, e a birra de um adulto que quer 
a todo custo um emprego diferente, um carro novo, uma outra casa, 
etc. Em ambas as situações, a pessoa se preocupa unicamente 
CONSIGO MESMA E COM OS SEUS PRÓPRIOS DESEJOS. 
QUANDO ESSES DESEJOS NÃ O SÃ O SATISFEITOS, ELA FICA 
MAL-HUMORADA OU ENTÃ O RECORRE A OUTROS 
SINTOMAS DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL. 
Éramos peritos no uso desses sintomas para tentar impor a nossa 
própria vontade. Passamos os primeiros 30,40,50 ou mais anos de 
nossas vidas usando e aperfeiçoando essa técnica. Temos certeza disso 
porque, estando agora recuperados, podemos compreender o que se 
passava conosco. Pensávamos, como muitas pessoas ainda pensam, 
inclusive profissionais, que éramos vítimas inocentes da doença mental 
e emocional, atingidos que havíamos sido por essa enfermidade, e que 
devíamos, portanto, ser lamentados e protegidos. Isso porém não é 
verdade, pois FOMOS NÓS MESMOS OS CAUSADORES, OS 
AUTORES DA NOSSA PRÓPRIA DOENÇ A. ESTÁ VAMOS, ISTO 
SIM, FAZENDO BIRRA EM ALTO GRAU, BIRRA ESSA QUE 
SABÍAMOS FAZER MUITO BEM. 
Se há uma coisa de que não temos nenhuma dúvida é que, como 
pessoas doentes, nós nos valíamos de todos os recursos de que 
dispúnhamos para procurar impor a nossa própria vontade. 
Procurávamos, por exemplo, ser agradáveis e, se não desse certo, 
ficávamos amuados; se o amuo também não desse certo, mostrávamo- 
nos hostis; e se a hostilidade da mesma forma não desse certo, 
ficávamos então deprimidos. A depressão geralmente nos ajudava a 
fazer com que a nossa vontade prevalecesse. É um recurso de fato 
espetacular. As pessoas normais quase sempre se deixavam 
impressionar e acabavam cedendo. Entretanto, se por alguma 
surpreendente circunstância elas não se deixassem levar pelas nossas 
depressões, então desmaiávamos, tínhamos câimbras, náuseas, etc. 
Podíamos ainda ficar pálidos, coisa que se mostrava extremamente 
eficaz para dobrar a mais forte, a mais determinada pessoa normal. 
Não se esgotava aí a nossa "sacola de truques". Podíamos ir ainda 
mais longe se fosse preciso, como, a exemplo do que acontece 
s 
com muita gente, entrar nas chamadas "psicoses". Éramos capazes de 
ficar sentados ou de pé, horas a fio, num estado de "transe" - o estado 
catatônico. E havia naturalmente o suicídio ou a tentativa de suicídio, 
recurso esse que, mais do que tudo, sem dúvida sempre atrai atenção 
para a pessoa egoísta. 
Temos plena certeza do que estamos falando. Alguns 
companheiros nossos anteriormente diagnosticados como psicóticos, 
porém livres agora da doença mental e emocional por se terem 
recuperado, também nos contam que se valiam do recurso de "pessoas 
doentes" com um único propósito: fazer prevalecer sua própria 
vontade. Devemos salientar, entretanto, que não tínhamos consciência 
de que estávamos usando esses recursos, embora fosse exatamente isso 
o que fazíamos. Foi preciso que nos déssemos conta desse fato para 
que pudéssemos recuperar-nos. E agora que estamos recuperados, 
podemos dizer com toda a segurança que se trata de uma verdade o que 
estamos dizendo. 
Tomando por base nossa própria experiência e a experiência de 
muitas pessoas mais, agora também recuperadas, afirmamos 
categoricamente que, QUANDO NOS ENCONTRÁ VAMOS 
MENTAL E EMOCIONALMENTE DOENTES, ESTÁ VAMOS NA 
VERDADE FAZENDO BIRRA EM ALTO GRAU, E QUE, 
QUANDO TENTÁ VAMOS O SUICÍDIO, COMO FIZEMOS 
MUITAS VEZES, ESTÁ VAMO-NOS ENTREGANDO AO 
SUPREMO ACESSO DE BIRRA. 
Não existe nenhum mistério em relação à doença mental e 
emocional e ao suicídio, que nada mais são do que manifestações de 
birra, porém ampliadas e levadas ao extremo. Como não podia deixar 
de ser, o suicídio é o supremo acesso de birra, desatino esse que 
algumas pessoas chegam mesmo a cometer. 
Quando o egoísmo ainda nos dominava e estávamos, portanto, 
mental e emocionalmente .doentes, costumávamos rebelar-nos quando 
não conseguíamos que nossa vontade prevalecesse. Nossa rebelião era 
total. Ficávamos enraivecidos com as pessoas, com os acontecimentos, 
com as coisas e até mesmo com Deus, o mundo e a própria vida. Se a 
frustração persistisse, púnhamo-nos então a pensar, em completo 
desafio e rebelião: "isso eu não vou tolerar, não vou aceitar mesmo, 
prefiro deixar de viver". Tentávamos assim desertai' da vida. 
O autor deste artigo chegou a tentar o suicídio cinco.vezes antes 
de atingir a idade de 21 anos, podendo por isso afirmar 
categoricamente que o fez em estado de desafio e revolta. Outras 
pessoas que também tentaram o suicídio dizem a mesma coisa quando 
se recuperam. Não resta dúvida de que desafio e revolta são na verdade 
acessos de birra. 
Podemos concluir, portanto, que a cura da doença mental e 
emocional e das tendências suicidas consiste em a pessoa deixar de ser 
egoísta, tomar-se capaz de amar e recuperar-se, aprendendo assim a 
aceitar o que não pode ser modificado, a dar e receber, a não se julgar 
tão importante quanto pensava que fosse, e a reconhecer que impor a 
própria vontade não é, de forma nenhuma, o objetivo da vida. 
Reafirmamos que A DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL É A 
BIRRA GLORIFICADA e que o SUICÍDIO É O SUPREMO 
ACESSO DE BIRRA. Apenas isso, nada mais. 
DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL: A DOENÇ A POR 
EXCELÊNCIA (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de 
maio de 1967) 
Uma vez que a doença mental e emocional é considerada como 
sendo o problema de saúde pública número om do país (nota do 
tradutor: o autor se refere aos Estados Unidos), bem que poderíamos 
chamá-la de A DOENÇ A POR EXCELÊNCIA. Há mais pessoas que 
sofrem dessa doença e por ela são incapacitadas do que as que têm 
qualquer outra enfermidade. Se fosse causada por um vírus, seria 
certamente considerada uma epidemia nacional. Um aspecto traiçoeiro 
dessa doença é o de que ela dura muito tempo, a não ser que se tenha a 
sorte de obter ajuda apropriada, coisa que a grande maioria das pessoas 
doentes ainda não consegue nos dias de hoje, muito embora essa ajudajá exista. É gratuita e está à disposição de todos, podendo ser obtida 
em qualquer lugar, nem que seja apenas por correspondência. 
Se você faz parte do grande número de pessoas que sofrem de A 
DOENÇ A POR EXCELÊNCIA, saiba que já lhe é possível recuperar-
se, pois, embora seja mais generalizada do que o resfriado comum, ela 
já tem cura, enquanto que o resfriado comum ainda não a tem. Essa 
cura está à disposição de qualquer pessoa. Assim sendo, as que sofrem 
desse mal podem perfeitamente recuperar-se, como muitas e muitas 
outras já o conseguiram, mediante a aplicação do Programa de 
NEURÓTICOS ANÔNIMOS. 
Em NEURÓTICOS ANÔNIMOS, elas terão oportunidade de ver, 
ouvir e falar com as que já se recuperaram, bem como aprender de que 
maneira poderão também recuperar-se. Esperança e ajuda lhes serão 
oferecidas através do Programa de Recuperação de N/A. 
Inúmeras pessoas que não tiveram resultado com a psiquiatria, a 
medicina e a religião conseguiram recuperar-se aplicando o Programa 
de N/A. Desde que a pessoa doente queira verdadeiramente recuperar-
se, ela não terá mais de suportar essa terrível enfermidade. 
A DOENÇ A POR EXCELÊNCIA pode perfeitamente ser 
transformada em A RECUPERAÇ Ã O POR EXCELÊNCIA. E 
Neuróticos Anônimos já tem proporcionado saúde e felicidade a muita 
gente que antes não havia reagido a nenhum outro tratamento. 
Temos, portanto, uma boa nova a transmitir: as pessoas doentes 
que sinceramente desejem recuperar-se e de fato se disponham a pôr 
em prática um programa simples de recuperação, poderão libertar-se 
de seu sofrimento. Nosso propósito aqui é oferecer esse programa a 
todas as pessoas que queiram recebê-lo, ajudando dessa 
forma a eliminar A DOENÇ A POR EXCELÊNCIA. 
*
A CAUSA DA DOENÇ A EMOCIONAL: EGOÍSMO (Transcrito do 
JOURNAL OF MENTAL HEALTH de janeiro de 1968) 
No JOURNAL OF MENTAL HEALTH de novembro de 1965, 
publicamos uma artigo intitulado: 
A RESPOSTA PARA A DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL: 
AMOR 
Examinando agora o outro lado do problema, podemos também 
afirmar que A CAUSA DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL É O 
EGOÍSMO. 
Descobrimos, valendo-nos de nossa experiência pessoal, da 
observação, estudo, trabalho em conjunto e comparação de 
experiências com outras pessoas, que a causa inequívoca da doença 
emocional é o EGOÍSMO. Não existe nenhuma outra. E do egoísmo 
que brotam todas as dificuldades. 
O egoísmo impede que a pessoa ame seus semelhantes. E não os 
amando, ela não encontra paz em parte alguma. A pessoa doente 
(egoísta) passa então a isolar-se e acaba ficando extremamente retraída, 
solitária, medrosa, totalmente desanimada. Pode até mesmo atentar 
contra a própria vida, procurando assim fugir da horrível prisão que 
ergueu para si mesma. 
A pessoa egoísta pensa unicamente em si mesma, em como 
dominar as pessoas e em assenhorear-se de tudo o que deseja. Esse 
objetivo obstinado, entretanto, está condenado ao fracasso. Em 
primeiro lugar, ela não conseguirá controlar indefinidamente as 
pessoas, e irá seguramente sentir-se frustrada. Em segundo lugar, 
mesmo que lhe fosse possível manipulá-las e ter tudo o que imaginasse 
querer, ainda assim iria sentir-se frustrada, solitária e isolada, porque 
nada disso seria, suficiente para satisfazê-la. Para ela, essas coisas 
sempre se mostrarão vazias e inúteis, tão insípidas quanto cinzas em 
sua boca. Nós o sabemos muito bem porque foi isso mesmo o que 
aconteceu conosco e com muitos de nossos amigos e companheiros. 
Éramos muitos os que achávamos de querer manipular 
determinadas pessoas, ter carros de luxo, televisão em cores, 
aparelhagem de som, tapetes orientais, casa para passar as férias, jóias, 
dinheiro, porém, mesmo quando o conseguíamos, continuávamos 
INFELIZES, E por quê? Porque havíamos colocado o valor de tais 
coisas em primeiro lugar, tomando-as um fim em si mesmas, na 
esperança de que nos trouxessem felicidade. 
Na ânsia de conseguir essas coisas, em toda a nossa vida 
SEMPRE PUSEMOS OS NOSSOS DESEJOS EM PRIMEIRO 
LUGAR. Não nos dávamos ao trabalho de amar as pessoas nem de 
procurar colocar o amor, a compreensão, a ajuda e a amizade em 
primeiro lugar. Tudo o que na verdade nos importava era conseguir o 
que fosse de nosso desejo, sempre preocupados com a influência que as 
pessoas e as coisas pudessem ter sobre nós. Costumávamos classificar 
as coisas como sendo "boas" ou "más", dependendo do efeito que em 
nós elas produzissem. Em outras palavras, "boas" eram aquelas que 
achávamos de querer e "más" as que não nos interessavam. Se outras 
pessoas, pôr exemplo, demonstrassem gostar de alguma coisa que não 
fosse do nosso agrado, nós a declarávamos "má", e isso encerrava o 
assunto. Nossa intolerância era total. 
Observe a pessoa emocionalmente doente. Preste atenção no que 
diz. Se as palavras eu, me, mim, meu, minha fossem retiradas de seu 
vocabulário, ela muito provavelmente não conseguiria falar. Toda a sua 
conversa gira em torno de si mesma, sempre decorrendo mais ou 
menos assim: "eu não consigo dormir; o jantar não me agradou; 
minfias compras eu as vou fazer na cidade; o que eu quero é um carro 
novo para mim; aquele filme (ou programa na TV, peça teatral, 
caminhada, concerto, passeio) não foi nada do meu gosto: eu estou com 
muito calor (ou frio); eu me sinto muito cansado (ou intranqüilo); o 
chefe me trata como se eu fosse um escravo; eu sou infeliz mesmo", e 
assim por diante, fastidiosamente. Quase nunca a ouvimos dizer: 
'"estou feliz por João ter comprado um carro novo; o bebê de Maria é 
um encanto, ela e o marido estão irradiando felicidade; levemos a tia 
para um passeio domingo que vem". Não, isso não é de seu hábito. A 
pessoa egoísta (doente) quase nunca fala sobre os outros ou por eles se 
interessa. 
Enquanto fomos egoístas, não só permanecíamos emocionalmente 
doentes como piorávamos ainda mais. Descobrimos então que viver 
apenas para nós mesmos não nos satisfazia. Sentíamo-nos infelizes 
quando não conseguíamos que nossa vontade prevalecesse. Porém 
descobrimos também, para nossa surpresa, que nos sentíamos 
igualmente infelizes quando o 
■s. 
conseguíamos. As vezes mais infelizes ainda. Nossa frustração não 
podia ser maior, pois tanto de um jeito como do outro estávamos na 
realidade "condenados ao sofrimento". 
Víamo-nos num verdadeiro dilema que se agravava porque não 
conhecíamos outra maneira de viver e de agir, e também porque não 
conseguíamos encontrar uma saída. TÍNHAMOS CAÍDO NUMA 
ARMADILHA, TORNANDO-NOS PRISIONEIROS DO NOSSO 
PRÓPRIO EGOÍSMO. 
Fomos à procura de ajuda em muitos lugares. As pessoas, porém, 
embora bem intencionadas, e foram muitas, não conseguiram ajudar- 
nos porque não sabiam o que havia de errado conosco. Não sabiam que 
estávamos presos na armadilha do nosso próprio egoísmo. E assim 
fomos indo, tropeçando em nossas dificuldades, até que pudéssemos 
um dia ter a sorte de descobrir como obter ajuda para sairmos dessa 
armadilha. 
Uma palavra agora a respeito de como surgiu o nosso egoísmo. 
Não é nenhum mistério, e pode ser facilmente explicado. 
Os bebezinhos vêm ao mundo trazendo muitas tendências, que podem 
se desenvolver à medida que eles crescem. Uma das mais importantes é 
a tendência egoística. O egoísmo aparece cedo, e cedo começa a ser 
exercitado. Os bebês são de fato egoístas, e isso naturalmente é 
necessário para que possam sobreviver. A ciência também já declarou 
que eles são egoístas, e pelo mesmo motivo: sobrevivência. Não 
significa, portanto, que o egoísmo seja um mal na criança de tenra 
idade, Porém se torna muitíssimo pernicioso no homem ou na mulher 
de 30,40, ou 50 anos, por exemplo, sendo igualmente nocivo na criança 
um pouco mais crescida. 
Como se pode ver, nosso egoísmo já estava presente em nossos 
primeiros dias de vida, e por um motivo muito justo. Esse egoísmo, 
porém, precisa ser logo substituído pelo amor para que possa haver um 
desenvolvimento normalda criança. O nenezinho é totalmente egoísta, 
necessariamente egoísta, porque precisa que lhe dêem água e alimento, 
precisa ser trocado, agasalhado, quer dizer, precisa sentir-se 
confortavelmente protegido para poder sobreviver. Sua única 
preocupação é a satisfação dessas necessidades físicas. Ele chora, 
portanto, morde, esperneia, grita, até que seja devidamente atendido em 
suas exigências. Sem dúvida, isso é egoísmo em alto grau, porém muito 
legítimo. 
Agora, se houver um desenvolvimento normal, que se verifica 
quando a criancinha recebe o atendimento necessário e amor materno, 
ela começa a perceber que é mais bem atendida e a tratam melhor 
quando corresponde com docilidade aos cuidados que recebe (da mãe 
comumente), e aceita o que lhe é oferecido em vez de tudo ficar 
exigindo. Aprende assim a demonstrar amor, sentimento esse que 
certamente a acompanhará ao longo de sua vida, impedindo que venha 
a se tornar uma pessoa emocionalmente doente. 
Nós, entretanto, que chegamos a ficar emocionalmente enfermos 
tivemos um desenvolvimento bem diferente. Não tendo aprendido a 
lição do amor, continuamos exigindo, gritando, chorando, esperneando 
toda vez que queríamos alguma coisa. Em outras palavras, NÃ O 
FOMOS TREINADOS A ELIMINAR O EGOÍSMO, 
NÃ O APRENDEMOS A AMAR. Fomos crescendo com o egoísmo 
infantil sempre presente e se tornando cada vez maior. 
/ 
E bom deixarmos logo bem claro que a culpa por essa situação 
NÃ O PODE SER ATRIBUÍDA ÀS MÃ ES. Nós também nos valíamos 
dessa desculpa, porém continuávamos doentes e piorando cada vez 
mais. Aconteceu apenas que não conseguimos aprender a amar, não 
importa quais possam ter sido os motivos. Precisamos aceitar esse fato 
e deixar de responsabilizar os outros. Uma vez que já éramos egoístas, 
não podemos culpar outras pessoas, as mães, por exemplo, por não nos 
terem livrado do egoísmo. Assim como é compreensivelmente 
justificável pensai" que as mães possam ter tido culpa, também é 
perfeitamente razoável supor termos sido mais egoístas do que outras 
crianças, e que mãe nenhuma teria sido capaz de ajudar-nos a aprender 
a amar. 
Quanto aos que duvidam, mesmo que suas mães tenham sido 
realmente culpadas, responsabilizá-las nada mais fará do que torná- los 
mais doentes ainda. Algum dia, seja lá onde for, terão certamente de 
aprender a amar para que possam recuperar-se. Seria melhor, portanto, 
que aprendessem desde já a perdoar e esquecer. 
Nós, que já estamos recuperados da incapacitante doença 
emocional, sabemos muito bem que fomos egoístas a vida toda. 
Podemos assim assegurar que o egoísmo foi a causa original da nossa 
s 
enfermidade. A medida, porém, que íamos conseguindo superá-lo, 
nossas vidas mudavam para melhor. Temos agora plena certeza de que 
NÃ O PODEMOS VIVER SÓ PARA NÓS MESMOS, VISANDO 
APENAS OS NOSSOS PRÓPRIOS INTERESSES. A verdadeira 
felicidade consiste no DESPRENDIMENTO E NO AMOR AO 
PRÓXIMO. ESSA É A CURA PARA A DOENÇ A EMOCIONAL E 
O SEGREDO DE UMA VIDA PLENA DE SATISFAÇ ÕES. 
Praticando os 12 Passos de Neuróticos Anônimos, você também pode 
encontrar essa vida. 
A PREOCUPAÇ Ã O EXCESSIVA COM A PRÓPRIA PESSOA É 
EGOÍSMO, E O EGOÍSMO É A CAUSA DA DOENÇ A 
EMOCIONAL (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de 
março de 1968) 
Declaramos anteriormente (veja o JOURNAL OF MENTAL 
HEALTH de janeiro de 1968, pag.3) que o egoísmo é a causa da 
doença emocional. Essa afirmação se baseia em nossas próprias 
experiências de doentes emocionais já recuperados, na observação, no 
trabalho junto a outras pessoas doentes e no estudo. Declaramos agora 
que a preocupação excessiva com a própria pessoa é egoísmo, e 
egoísmo no mais alto grau. 
Muita gente não se dá conta de que essa preocupação é egoísmo, 
porque se trata de um tipo de egoísmo que é traiçoeiro, sutil, 
geralmente difícil de ser reconhecido. Quando se pensa em egoísmo, é 
comum logo vir à mente aquele tipo que é óbvio, reconhecível, por 
meio do qual a pessoa tudo faz para que sua vontade sempre prevaleça, 
não se incomodando de passar por cima dos outros na ânsia de ver os 
seus próprios desejos realizados, além de fazer-lhes exigências 
absurdas. Esse tipo de egoísmo é muito fácil de ser reconhecido, de 
modo que as demais pessoas podem até se precaver contra quem o 
manifesta. 
O tipo realmente destruidor de egoísmo, entretanto, aquele que 
freqüentemente passa despercebido à própria pessoa doente ou às 
pessoas com as quais ela se relaciona, é a sua extrema preocupação 
consigo mesma em tudo que diz respeito à sua saúde, estado de ânimo, 
sentimentos, conforto, interesses, etc. Em geral, ela não admite que isso 
seja egoísmo. Chega até mesmo a exclamar: "Mas eu não prejudico 
ninguém. Não faço questão de nada, não me aproveito de ninguém. Até 
que sou uma pessoa acanhada, retraída. Sofro em silêncio". Embora 
isso possa ser verdade no que se refere a ações obvias, sua preocupação 
excessiva consigo mesma, chegando à 
/ 
exclusão de tudo mais, outra coisa não é senão puro EGOÍSMO. "Até 
que sou uma pessoa acanhada, retraída. Sofro em silêncio"; são 
afirmações inteiramente voltadas para si mesma e, portanto, egoísticas. 
A pessoa doente está sempre demasiadamente preocupada com o 
que possa estar sentindo e coisas semelhantes. No que lhe diz respeito, 
o mundo bem que podia ir para o inferno. Ela só se interessa mesmo 
pelo que esteja sentindo, por aquilo que deseja, pelo que consegue 
obter para si mesma, pela maneira como é tratada pelas outras pessoas, 
pelas vantagens que possa levar. Estamos certos disso, pois nós éramos 
assim mesmo, como assim também são todas as pessoas 
emocionalmente doentes. Se nada mais podemos provar, isso 
certamente nós conseguimos provar. Conseguimos provar também que 
esse egoísmo torna as pessoas doentes, e que a sua eliminação as 
recupera. 
Quando uma pessoa pensa ou fala unicamente a respeito de si 
mesma, ela está sendo egoísta no mais alto grau. Preste atenção no que 
diz a pessoa emocionalmente doente: "Não me sinto nada bem; não 
posso ir trabalhar hoje. Estou com depressão. Não dormi bem a noite 
passada. Estou com dor de cabeça. Meu estômago está todo 
embrulhado. O cansaço me domina. Aquele barulho está demais. Não 
gosto de João (ou Maria, Jaime, etc.). Estou com muito calor (ou frio)", 
e por aí afora. O fato é que essa PESSOA PENSA SOMENTE EM SI 
MESMA, E ISSO É EGOÍSMO ELEVADO À MAIS ALTA 
POTÊNCIA. 
Quando ingressam em N/A, as pessoas quase sempre negam que 
sejam egoístas, porque imaginam tratar-se daquela espécie tão comum 
e tão perceptível de egoísmo. Porém, quando compreendem que se 
trata, ao contrário, do tipo que é oculto, sutil, traiçoeiro, devastador, de 
que estamos falando aqui, elas geralmente logo se sentem aliviadas e se 
decidem a praticar o programa. 
Assim sendo, se você se preocupa em demasia com a sua própria 
pessoa, muito embora seja possível que jamais tenha se aproveitado de 
alguém em negócios ou no jogo, jamais tenha procurado obter coisas 
materiais de que não seja merecedor, ou feito quaisquer outras coisas 
clara e reconhecidamente egoísticas, temos algo a lhe dizer: VOCÊ É 
UMA PESSOA EGOÍSTA. 
Essa preocupação é de fato amais desprezível forma de egoísmo. 
Sendo "oculta", os outros dificilmente a reconhecem, e a pessoa 
s 
doente pode então deles se aproveitar sem que o percebam. E de se 
notar a compaixão que o doente consegue quando se queixa: "Não me 
sinto bem, estou muito deprimido". Isso, sem dúvida nenhuma, é 
abusar das outras pessoas e interferir indevidamente em seu bem- estar. 
Livre-se, portanto, da preocupação excessiva com a sua própria pessoa 
- PROCURE AJUDAR OS OUTROS. 
* 
A CAUSA PRESENTE E A CAUSA REMOTA DA DOENÇ A 
EMOCIONAL (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de 
fevereiro de 1968) 
Como tudo mais, a doença emocional também tem uma causa 
presente e uma causa remota. Embora ambas se confundam em uma só 
no caso da doençaemocional, como iremos demonstrar, torna-se 
necessário diferenciá-las para que possamos concentrar-nos na que tem 
relação direta com a cura da doença. 
Nós sabemos, e somos os primeiros a admitir, que a doença 
emocional tem uma causa que se origina no período da infância. 
Sabemos também que se concentrar nessa causa remota em nada 
ajudará na recuperação. Ao contrário, isso apenas fará com que se fique 
mais doente ainda. 
Não podemos fazer absolutamente nada a respeito do que 
aconteceu na infância. Reviver esse passado à procura do que foi que 
provocou a doença traz de volta a autopiedade, o ressentimento, a raiva 
e outros sentimentos igualmente negativos, levando a pessoa doente a 
exclamar: "A culpa não é minha, nada posso fazer; não é de admirar 
que eu esteja neste estado". Esse é um procedimento totalmente 
destrutivo, uma forma segura de fazer qualquer pessoa ficar 
gravemente doente. 
Em nossa infância, a causa remota nos fez viver um padrão de 
sentimentos, pensamentos e ações que cada vez 'mais se desajustavam à 
medida que íamos crescendo. Chegou um momento em que isso nos 
causava tantas dificuldades que ficamos, na verdade, muito doentes. 
Quando se atinge esse ponto, é a causa presente que provoca a 
doença. Não é verdade que as atuais aflições da pessoa doente resultem 
de certos acontecimentos da infância. A causa são os sentimentos 
negativos agora presentes, tais como ódio, ressentimento, autopiedade, 
medo. 
Não resta dúvida de que tudo isso começa na infância, porém são 
os defeitos de caráter agora presentes os responsáveis pelo 
problema atual. 
/ 
E perfeitamente possível deixar de relembrar o que aconteceu na 
infância e concentrar-se apenas nos sentimentos negativos agora 
presentes* Somente agindo dessa forma é que se pode alcançar a 
recuperação. 
Não podemos mudar o passado. O presente, porém, pode muito 
bem ser mudado. É preciso, portanto, cuidar do presente, isto é, da 
causa presente. 
Quem alimenta sentimento de culpa, raiva, ódio, ressentimento, 
má-vontade e outros sentimentos da mesma natureza é sem dúvida uma 
pessoa doente. Não importa como tenha começado a sentir essas coisas, 
o que importa é o fato de as estar sentindo agora. 
Quando acontece, por exemplo, de furar um pneu na estrada, ficar 
sabendo como foi que isso aconteceu não resolverá o problema. 
Explicação não é solução» O dono do carro precisa consertar o pneu ou 
mandar consertá-lo. Ele mesmo, ou o borracheiro, terá de se haver com 
a causa presente, vamos dizer, um prego no pneu, e fazer os reparos 
necessários. Descobrir que o prego tenha caído de um caminhão todo 
surrado dirigido por um velho lavrador tampouco será solução. Culpar 
o lavrador por isso, que foi naturalmente a causa remota, também de 
nada adiantará e só resultará em aborrecimentos. A causa real do dano 
é o prego que precisa ser retirado do pneu para que a viagem possa 
prosseguir. 
A mesma coisa se verifica com a doença emocional. Não importa 
que a pessoa, quando criança, tenha sido mimada em demasia ou 
desprezada, bem alimentada ou passado fome. É até possível que isso 
faça parte da causa remota, porém não pode mais ser mudado. O que 
realmente pode ser mudado, e essa é uma questão totalmente diferente, 
é o atual estado de desajuste em que a pessoa se encontra. 
Da mesma forma, se uma pessoa fratura uma perna, não importa 
como isso possa ter acontecido. O que importa, na verdade, é o fato 
de a perna estar fraturada e necessitar de tratamento adequado. 
/ 
E possível que o médico nem mesmo pergunte, enquanto não tenha 
terminado seu trabalho, como foi que tudo aconteceu. Assim que 
terminar, ele então talvez faça essa pergunta para satisfazer sua 
curiosidade. Não importa que a perna possa ter sido fraturada no campo 
de futebol, em conseqüência de uma queda da escada, ou por causa de 
um escorregão (causa remota). Importante no caso é o fato de a pessoa 
não estar podendo andar porque a fratura em sua perna a impede de 
manter-se de pé (causa presente). 
Não seria insensato e negativo ficar culpando alguém ou as 
circunstâncias pela fratura na perna? CONTUDO, É ISSO MESMO O 
QUE MUITAS PESSOAS FAZEM, sendo natural, portanto, que 
sofram emocionalmente. A mesma coisa é querer jogai- a culpa nos 
pais pelo que aconteceu quando se era criança, pois ainda que possam 
ter errado, culpa-los só fará com que a pessoa fique mais doente ainda. 
Não há dúvida de que o velho lavrador é responsável por ter 
deixado o prego cair do caminhão. A escada também, por assim dizer, 
pode ter tido sua parcela de culpa na queda. A solução, porém, só será 
encontrada quando se cuidar da causa presente em cada caso: o prego e 
a fratura na perna, respectivamente. Ir reclamar com o lavrador, por 
exemplo, não resolverá o problema. O passado não pode ser 
modificado. O que aconteceu, aconteceu. O que importa, na verdade, é 
o que se vai fazer a respeito do presente. 
Nem mesmo é preciso saber qual tenha sido a causa remota. 
/ 
E preciso, isto sim, cuidar do que está no presente e necessita ser 
corrigido. Os médicos sabem disso muito bem. Se uma pessoa contrai 
uma doença causada por um vírus, não importa onde isso possa ter 
acontecido. O que o médico vai fazer de imediato é combater o vírus 
que se encontra presente na pessoa doente. É claro que médicos e 
pesquisadores sempre procuram descobrir as causas remotas a fim de 
evitar as doenças. Entretanto, quando alguém está doente, sua doença 
precisa ser tratada na forma em que se manifesta hoje«, e não como se 
manifestava ontem ou irá se manifestar amanhã. E o estado ateai da 
doença que tem de ser levado em consideração. E esse mesmo 
procedimento também se aplica no que diz respeito à doença 
emocional. 
Se uma pessoa de 35 anos, por exemplo, está doente, a causa real 
de sua doença é o que há de errado com essa pessoa agora, na idade de 
35 anos, e não o que havia de errado com ela quando tinha apenas 6 ou 
7 anos. A doença, na idade de 6 ou 7 anos, poderá ajudar a explicar 
porque ainda existe algo de errado com essa pessoa na idade de 35 
anos, e esse algo de errado é a causa presente da doença no estado atual 
de sua manifestação. É exatamente essa causa presente, e não o que a 
originou, que precisa ser removida para que a pessoa possa sarar. 
Tendo mostrado a diferença entre a causa presente e a causa 
remota das doenças ou de qualquer outra coisa, afirmamos agora que, 
em se tratando da doença emocional, as duas causas se confundem em 
uma só. 
No JOURNAL OF MENTAL HEALTH de janeiro de 1968, 
publicamos um artigo intitulado "A CAUSA DA DOENÇ A 
EMOCIONAL: EGOÍSMO". 
No que diz respeito à nossa própria experiência, nosso egoísmo 
começou a se manifestar assim que nascemos, desenvolvendo-se depois 
através da infância, adolescência e idade adulta. 
Como não fomos capazes de superá-lo, ficamos emocionalmente 
doentes. Ele foi, de fato, a causa de nossa doença ao longo de nossas 
vidas, isto é, aos 3,6,15,21,35 anos, em todas as idades, provando assim 
ter sido tanto a causa presente como a causa remota de nossas 
dificuldades. 
A extensão do nosso egoísmo, entretanto, não foi sempre a 
mesma. Variava com a nossa idade, aumentando à medida que a idade 
avançava. Sua manifestação no início da infância foi na realidade bem 
diferente de sua manifestação quanto tínhamos, vamos dizer, 35 ou 40 
anos de idade, provando assim que, embora a causa presente e a causa 
remota da doença emocional venham a ser a mesma coisa, podemos 
distinguir a que pertence ao passado e a que se manifesta no presente. 
Nós que já nos recuperamos da incapacitante doença emocional 
aprendemos que se pode perfeitamente ignorar a causa remota e 
alcançar a recuperação trabalhando com a causa presente. 
Não interessa realmente saber como foi que se ficou doente. Isso 
não tem a menor importância. O que importa é descobrir o que está 
causando o problema AGORA, pois só se consegue recuperaragindo 
no presente. 
A nossa doença, por exemplo, se agravou seriamente pelo fato de 
ficarmos lamentando a vida que levávamos. Só conseguimos 
recuperai"-nos quando resolvemos enfrentar o presente e reconstruir 
nossas vidas. 
Uma vez que já nos libertamos do passado, não somos mais as 
crianças egoístas de antes. Deixamos de ser prisioneiros desse passado. 
O dia de hoje é tudo o que temos. Aprendemos a não nos preocupar 
com o de ontem nem com o de amanhã. E isso é saúde mental e 
emocional. 
Portanto, se você está se deixando perturbar por qualquer coisa, 
aqui está a nossa sugestão: descubra a CAUSA PRESENTE e procure 
removê-la. Recupere-se! 
EGOCENTRISMO: O CAMINHO QUE LEVA À RUÍNA 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de março de 1968) 
O "egocentrismo" - muitas vezes chamado egotismo, exaltação do 
ego, egoísmo - c sem dúvida nenhuma o caminho que leva à ruína, à 
destruição. A manifestação do egocentrismo em qualquer pessoa é 
garantia absoluta de ruína em sua vida. E não pode ser de outra forma. 
Absolutamente nada pode dar certo quando a pessoa pensa unicamente 
em si mesma e em como é afetada pelas outras pessoas e pelas 
situações. Condena-se a viver num inferno neste mundo. E se continuar 
egocêntrica, irá certamente acabar num hospital psiquiátrico ou na 
cadeia, podendo até morrer. 
Antes de mais nada, o egocentrismo não é motivo para se viver. A 
pessoa que se concentra em si mesma não consegue ver nenhum 
propósito na vida, nenhuma razão para viver. Para ela não existe 
mesmo nenhum propósito ou razão. Pode até realizar tudo o que deseja 
na vida, conseguir tudo o que almeja, porém não saberá usufruir nada 
disso nem a companhia das outras pessoas se continuar concentrada em 
si mesma. Irá sentir-se totalmente só, e seu tormento será quase 
insuportável. 
A pessoa egocêntrica não é capaz de amar seus semelhantes ou de 
se relacionar com eles de maneira cordial ou significativa. Vive num 
verdadeiro inferno, não encontra paz ou felicidade em parte alguma. 
Logo se convence de que "não é merecedora" nem de paz nem de 
felicidade, e de que a satisfação de seus próprios desejos não passa de 
uma "vitória" oca, vazia. O homem, como sabemos, é um ser social que 
precisa de seus semelhantes. Qualquer vida, portanto, baseada 
unicamente no ego é de todo vazia e inútil. E isso outra coisa não é 
senão doença mental e emocional, nada mais nada menos do que isso. 
Num artigo anterior do JOURNAL, afirmamos o seguinte: 
A CAUSA DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL: EGOÍSMO. 
Um membro de N/A do grupo de Brooklyn, New York, disse-nos então 
que, em sua opinião, o que estávamos realmente querendo dizer com 
"EGOÍSMO" era na verdade "EGOCENTRISMO", palavra esta que 
lhe parecia mais adequada. Concordamos plenamente com ele, pois 
entendemos que "Egocentrismo" inclui "Egoísmo". Assim sendo, 
substituindo 'Egoísmo" por "Egocentrismo", agora também podemos 
declarar que A CAUSA DA DOENÇ A NENTAL EEMOQONALÉ O 
EGOCENTRISMO, DO QUAL SE ORIGINA A INCAPACIDADE 
DE AMAR. 
O "Egocentrismo" acarreta uma longa lista de defeitos de caráter 
que tornam a pessoa doente. Alguns desses defeitos são: Autopiedade 
Autocondenação 
Interesse exclusivo por si mesmo 
Auto-engrandecimento 
Hipocrisia 
Presunção 
ódio de si mesmo 
Aütojustificação 
Autodecepção 
Comodismo 
E até mesmo Narcisismo (amor excessivo a si mesmo) 
Esses defeitos de caráter são na realidade uma descrição da 
doença mental e emocional. 
Nós que já nos recuperamos em N/A sabemos agora que 
estivemos doentes porque éramos pessoas egocêntricas, incapazes de 
amar. Essa era a causa da nossa doença. Agora, entretanto, nós nos 
interessamos pelas pessoas e as amamos. E nos sentimos muito bem e 
somos felizes. Concitamos a todos para que se empenhem no trabalho 
de eliminação do egocentrismo. Quando isso é feito, saúde, felicidade, 
paz de espírito, alegria, propósito e significado na vida surgem como 
resultado. Será que se poderia pedir mais? 
EMOÇ Ã O VIOLENTA E INSANIDADE, E, VICE-VERSA, 
INSANIDADE É EMOÇ Ã O VIOLENTA 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de novembro de 1968) 
Se mantivermos abertos os olhos, os ouvidos e a mente, podemos 
aprender muito em fontes as mais diversas, algumas das quais bem 
surpreendentes. Em. recente episódio da série "JORNADA NAS 
ESTRELAS", apresentada na televisão, a principal personagem 
feminina disse ao Sr. Spock: "Emoção violenta é insanidade". 
Nós que somos de Neuróticos Anônimos não podíamos deixar de 
concordar plenamente com essa afirmação. Ela quase nos fez saltar da 
cadeira, pois estava tudo resumido ali, EM QUATRO PALAVRAS 
APENAS. A afirmação de que "emoção violenta é insanidade" diz mais 
e encerra mais verdades do que muitos livros eruditos sobre a doença 
mental e emocional. 
EMOÇ Ã O VIOLENTA É, DE FATO, INSANIDADE. E, 
reciprocamente, INSANIDADE É EMOÇ Ã O VIOLENTA. Reflita 
sobre isso. Temos certeza de que vai concordar conosco. Procure 
lembrar-se de todas as emoções violentas que tenha sentido e verá que 
você estava de fato insano na medida exata da violência dessas 
emoções. Por outro lado, procure lembrar-se de todo ato "insano" que 
tenha praticado, ou momento de "insanidade" que tenha 
tido, e verá também que a causa foi emoção violenta. 
/ 
E multo importante ressaltar que pode ser qualquer emoção 
violenta. O resultado será sempre insanidade. Em nosso próprio caso, 
mesmo quando julgávamos estar arrebatadamente "apaixonados", isso 
também era insanidade. Reflitamos um pouco. Quando estávamos 
nesse arrebatamento de "paixão", fazíamos coisas realmente malucas. 
Éramos insanamcnte ciumentos c possessivos, exigentes, desconfiados, 
e nos sentíamos extremamente inquietos. Achávamos que só éramos 
"felizes" quando em companhia da "pessoa amada". Usávamos 
expressões tais como "o sofrimento de se estar apaixonado", "o misto 
de prazer e sofrimento de se deixar apaixonar", "a experiência do 
verdadeiro amor nunca foi suave". Bem, expressões como essas não 
passam de tolices. São afirmações resultantes de mentes perturbadas, 
de pessoas tomadas de emoção violenta, vale dizer, de insanidade. 
Uma vez que já estivemos em ambos os lados da fronteira entre a 
doença e a saúde mental e emocional, podemos afirmai" que o amor, o 
verdadeiro amor, nada cobra nem exige, ele é todo doação. Não tem 
nada a haver com o exigente egoísmo que manifestávamos quando 
doentes. Não é nenhum tormento, nenhum misto de prazer e dor, mas 
um sentimento crescente de generosidade e libertação, que proporciona 
bem-estar a quem ama, bem como às pessoas de suas relações. Além 
disso, também é muito importante compreender que o amor não é uma 
emoção violenta. Ao contrário, o amor é uma experiência doce, uma 
suave sensação de paz. 
O que chamávamos de amor quando nos deixávamos envolver 
por emoções violentas nada mais era do que puro egoísmo. / / 
E certo que desejávamos amai* alguém. Éramos, porém, ciumentos e 
desconfiados por causa da nossa grande preocupação de querermos a 
pessoa amada EXCLUSIVAMENTE PARA NOS MESMOS. Não era 
de nossa natureza dar-lhe liberdade de ação, desenvolver um 
sentimento recíproco de confiança. Além de exigentes, sempre 
tentávamos manipular, controlar tudo. E isso, na verdade, era 
insanidade em alto grau. 
Começamos falando da emoção violenta, que chamávamos de 
"amor" quando estávamos doentes, por que muitas pessoas não iriam 
reconhece-la como violenta e geradora de insanidade. 
Iriam certamente considerá-la uma emoção tranqüila, não incluída na 
classe das emoções violentas de que estamos tratando aqui. Todo o 
mundo naturalmente concorda que a raiva, o ódio, o ressentimento, etc. 
são emoções violentas, destrutivas. O que estamos querendo salientai; 
entretanto, é que qualquer emoção que se mostre violenta é insanidade. 
O sentimento exagerado de posse e a superproteçao também são, na 
realidade, demonstrações de insanidade. Qualquer "boa"ação levada 
longe demais torna-se violenta e, portanto, insana. Os cuidados que se 
dispensam a uma pessoa, por exemplo, podem sufocá-la quando se 
tomam exagerados. Assim sendo, nossa afirmação é de fato verdadeira: 
"Emoção violenta é insanidade". 
Qualquer pessoa que se encontre nas garras de emoções violentas 
perde o controle de si mesma. E isso é insanidade. Seu intelecto fica 
totalmente dominado por essas emoções. De certa maneira, ela "deixa 
de ser responsável por seus atos", uma vez que fica realmente "fora de 
seu juízo perfeito", sendo dirigida por emoções e não pela mente ou 
intelecto. Se você estiver duvidando, procure tirar a prova. Da próxima 
vez que ficar zangado, deprimido ou ressentido, veja se é capaz de usar 
normalmente seu intelecto, sua mente. Temos certeza de que não 
conseguirá. Suas emoções o estarão dominando e sua mente não será 
capaz de controlá-las. Se estiver zangado, continuará zangado a 
despeito de qualquer argumento intelectual em contrário que lhe possa 
ocorrer. 
Se por algum motivo você vier a ficar com raiva de um bom 
vizinho, por exemplo, argumentos intelectuais dificilmente lhe 
ajudarão a desfazer-se dessa emoção violenta. Passamos tantas vezes 
por experiências semelhantes que estamos convencidos de que 
podemos sentir raiva até de um bom vizinho, embora sabendo que não 
devíamos ficar enraivecidos, embora argumentando: "mas esse homem 
tem sido tão legal comigo, até me ajudou a fazer aquele serviço lá em 
casa; ele não faz questão cie me emprestar suas ferramentas nem de me 
dar carona em seu carro; além disso, sua mulher sempre toma conta das 
crianças quando precisamos". Muito provavelmente, porém, a 
conclusão será esta: 'Tudo isso é verdade, não nego, MAS MESMO 
ASSEM EU ESTOU COM RAIVA DELE". 
Freud estava certo quando disse que as emoções são irracionais. 
Elas não se submetem nem à razão nem ao bom senso. E as emoções 
violentas, então, não se submetem a lei alguma, apenas à compulsão de 
se manifestarem, de atingirem seu objetivo. A pessoa, portanto, não 
tem nenhum controle sobre as emoções que se tornam violentas - seu 
intelecto não é capaz de controlá-las. E isso é insanidade. 
Quando falamos de insanidade, estamos nos referindo 
especificamente à doença mental e emocional. Sabemos que a palavra 
"insanidade" não tem mais sentido fora da terminologia legal, tendo 
perdido, portanto, o significado que antigamente lhe era atribuído na 
terminologia médica profissional. Na prática jurídica, ela é empregada 
para indicar o estado de uma pessoa que "não é responsável pelos atos 
que praticou em determinado momento porque havia perdido o controle 
de si mesma e não podia discernir o certo do errado". Hoje em dia, as 
pessoas são consideradas mental e emocionalmente doentes, nunca 
"insanas". 
Todavia, como a palavra continua fazendo parte do vocabulário da 
linguagem cotidiana, significando doença mental e emocional, a 
afirmação "Emoção violenta é insanidade" faz sentido, sendo, 
s 
portanto, válida. E preciso não nos esquecermos de que "insanidade" 
também quer dizer "falta de senso, insensatez". E a nossa conduta sob 
emoção violenta em nada se mostrava sensata. Não era nada sensato 
quebrar móveis, insultar o chefe, brigar com a mulher ou com o 
marido, ficar emburrado, irritadiço, malcriado. 
Esperamos ter provado que EMOÇ Ã O VIOLENTA É 
INSANIDADE. Queremos demonstrar agora o inverso, isto é, que 
INSANIDADE É EMOÇ Ã O VIOLENTA. Se você examinai- bem as 
ocasiões em que perdeu o "controle", em que se mostrou mental e 
emocionalmente doente, agindo sem qualquer sensatez, verá que EM 
TODAS ESSAS OCASIÕES você estava dominado por emoção 
violenta. As pessoas mental c emocionalmente doentes se mostram 
cheias de raiva, ódio, ressentimento, autopiedade e outras emoções 
igualmente violentas. A doença mental e emocional é isso mesmo - 
emoção violenta. Quando a emoção violenta é removida, a pessoa ficá 
boa, recupera-se. Insanidade, portanto, nada mais é do que emoção 
violenta. 
A insanidade também é conhecida, muitas vezes de forma 
depreciativa, como sendo "perder a cabeça", "maluquice", "perder o 
controle" (de quê? - das emoções, é claro), "entrar em órbita", 
"birutice". Pessoas há que chegam a cometer assassinato em 
conseqüência de um "acesso de cólera", de um "acesso de paixão", etc., 
coisa que é descrita e aceita como insanidade. Podemos ver, portanto, 
que insanidade é de fato emoção violenta. 
Não há nada de errado com a mente, com o intelecto, na doença 
mental e emocional, na "insanidade". As pessoas que sofrem desse mal 
quase sempre têm um Q.L elevado. Mesmo em estado de profundo 
tormento mental e emocional, elas são capazes de realizar com precisão 
trabalhos intelectuais complicados QUANDO A ISSO SE VÊEM 
OBRIGADAS. Nós o sabemos muito bem, pois foi exatamente o que 
fizemos muitas vezes. 
Vamos então falar um pouco de nossas experiências pessoais a 
fim de esclarecer esse detalhe. Tivemos companheiros que haviam sido 
diagnosticados como psicóticos e considerados "loucos". Muitos 
haviam sido submetidos a tratamento po.r meio de choques e tomado 
medicamentos de todos os tipos. Entretanto, mesmo nas profundezas 
dessa "insanidade", eles conseguiam pagar suas contas, preencher o 
formulário do imposto de renda, cuidar de seus negócios e da 
correspondência, bem como dar conta de muitas outras tarefas SE 
REALMENTE TIVESSEM QUE FAZER ISSO. 
Grover conhece o caso de uma psiquiatra, diagnosticada por vários 
profissionais como alcoólatra e esquizofrênica, que vive embriagada, 
sempre doente. Quando chega a época de renovar sua licença para 
exercer a medicina, ela se reanima, consegue dominar- se, apresenta-se 
à Junta Examinadora e obtém a renovação. Volta depois para a doença 
e a garrafa. E não é só isso. Embora diagnosticada como alcoólatra e 
esquizofrênica-paranóica, recebendo tratamento há anos, ela consegue 
manter-se atualizada quanto à literatura e informações no campo da 
medicina e psiquiatria, bem como quanto a tudo que seja de seu 
interesse. O que queremos destacar aqui é o fato de que ela consegue 
fazer tudo isso no estado em que se encontra, evidenciando assim que 
NAO HA NADA DE ERRADO COM O SEU INTELECTO, APENAS 
COM AS SUAS 
A/ _ 
EMOÇ OES. Trata-se de um caso que pode ser averiguado porque é 
real e contemporâneo. 
Descobrimos que a eliminação das emoções violentas resulta em 
recuperação. Aprendemos através de duras experiências que EMOÇ Ã O 
VIOLENTA É INSANIDADE, e que, inversamente, INSANIDADE É 
EMOÇ Ã O VIOLENTA. Nosso desejo agora é viver de maneira 
tranqüila, sem emoções violentas de espécie alguma. E enquanto 
fizermos isso, estaremos bem e melhorando cada vez mais, pois é 
perfeitamente possível a gente sentir-se sempre "melhor do que 
simplesmente bem". 
Da próxima vez que você se sentir tentado a permitir que uma 
emoção violenta chegue ao extremo, lembre-se de que EMOÇ Ã O 
VIOLENTA É INSANIDADE. Até mesmo ficar entusiasmado demais 
com um acontecimento feliz é insanidade, é emoção violenta, e quem 
se recupera em N/A sabe disso. Essa EUFORIA - fase maníaca do 
estado maníaco-depressivo, logo seguida de depressão - é 
EMOÇ Ã O EM EXAGERO, MANIA, EMOÇ Ã O VIOLENTA, 
INSANIDADE. 
TODA E QUALQUER EMOÇ Ã O VIOLENTA É 
INSANIDADE. Se uma pessoa, por exemplo, "ama" seu cachorrinho 
em demasia, isso também é insanidade. Se "odeia" alguém, isso 
também é insanidade. Se leva ao exagero seu desejo de ter um carro, 
uma jóia, a afeição de determinada pessoa, isso também é insanidade. 
Se fica demasiadamente preocupada consigo mesma, isso também é 
insanidade. As pessoas normais têm emoções normais, isto é, sem 
nenhum exagero. Excessos de qualquer natureza são desvios da 
normalidade. Sendo assim, a pessoa que deseja ter saúde normal e 
sentir-se bem deve procurar ser normal em todas as áreas de sua vida. 
Sem exceções. E para atingir essa normalidade, aprimeira coisa a fazer 
é tornar-se emocionalmente normal. 
Chegamos por fim à conclusão de que a expressão "EMOÇ Ã O 
VIOLENTA É INSANIDADE" descreve em poucas palavras o que 
seja a DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL. Assim sendo, à pergunta 
"O QUE VEM A SER, AFINAL, A DOENÇ A MENTAL E 
EMOCIONAL, isto é INSANIDADE?", podemos em poucas palavras 
responder: É EMOÇ Ã O VIOLENTA. 
Podemos resumir tudo o que dissemos no seguinte: 
EMOÇ Ã O VIOLENTA = INSANIDADE 
INSANIDADE=EMOÇ Ã O VIOLENTA 
E, logicamente, 
SAÚDE MENTAL E EMOCIONAL, isto é, SANIDADE = 
EMOÇ ÕES SERENAS, TRANQÜ ILAS, PACÍFICAS. 
* 
CÓLERA: UMA EMOÇ Ã O DESTRUTIVA (Transcrito 
do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de setembro de 1968) 
Descobrimos e firmemente acreditamos que a cólera é uma 
emoção totalmente destrutiva, na qual jamais vimos algo de bom. A 
cólera prejudica quem a sente e geralmente fere as pessoas às quais ela 
é dirigida. Alguém sempre sai prejudicado, isso nunca falha. Essa 
faceta da cólera - a de ferir, prejudicai" por si só já a caracteriza como 
uma emoção destrutiva, negativa, que precisa ser evitada a todo custo. 
Quando afirmamos essas coisas, é comum ouvirmos contestações: 
"Ah, mas a cólera às vezes não é boa?" "Não é ela que faz com que as 
pessoas ajam positivamente quando necessário, para que injustiças 
sejam reparadas?" "Não é a cólera uma emoção necessária, cuja 
finalidade é boa quando usada adequadamente?" "Ela não é necessária 
para a nossa sobrevivência?" "O simples fato de a cólera existir não é 
prova suficiente de que tem uma boa finalidade?" "Não seríamos todos 
uns grandes covardes sem a cólera?" A todas essas perguntas e a muitas 
outras no mesmo sentido 
/V / / 
podemos responder com um sonoro NAO! A CÓLERA NUNCA E 
BOA. ALÉM DE SEMPRE PREJUDICAR A PESSOA QUE A 
SENTE, ELA GERALMENTE ACABA PREJUDICANDO OUTRAS 
PESSOAS TAMBÉM. E NÃ O É ÚTIL EM. NENHUMA SITUAÇ Ã O. 
Muita gente erroneamente acredita que a cólera é necessária para 
que possamos agir positivamente no sentido de reparar injustiças. Não 
é verdade. Podemos perfeitamente agir de forma positiva SEM 
CÓLERA. Na realidade, toda ação correta é praticada sem cólera. Não 
temos dúvida quanto a isso. Já passamos pelas duas situações e 
conhecemos perfeitamente os aspectos destrutivos da cólera. Sabemos 
que ela faz a pessoa "perder a cabeça", dizer coisas cie que vai se 
arrepender mais tarde ou que poderão causar danos irreparáveis a si 
mesma e a outras pessoas, provocar sentimento de culpa e remorso, 
podendo ainda arruinar uma situação de tal modo que chegue a ponto 
de destruir tudo o que de bom possa existir nessa situação. 
Procure refletir sobre as ocasiões em que você esteve 
encolerizado. Não poderá deixar de admitir, sendo sincero, que as 
coisas poderiam ter sido resolvidas de maneira mais adequada se você 
não tivesse ficado com tanta raiva. Se alguma situação foi resolvida a 
contento, isso aconteceu a despeito da cólera, e não por causa dela. 
A pessoa que se encoleriza perde o controle de si mesma. Faz e 
diz coisas que não faria ou diria se não estivesse sendo movida pela 
cólera. E deplorável não saber controlar-se. Na verdade, a pessoa 
dominada pela cólera não pode ser considerada realmente responsável 
por seus atos, embora o seja, é claro, sob o ponto de vista moral. O que 
estamos querendo frisar é que essa pessoa deixa de ser ela mesma, uma 
vez que faz e diz coisas que não faria ou diria se estivesse em seu 
estado normal. 
Ao saber que poderá ser despedido e ficar em apuros para 
conseguir emprego em outro lugar, um funcionário pode, por exemplo, 
chegar a insultar o chefe num acesso de cólera. Sem dúvida nenhuma, 
isso é não saber controlar-se, é insanidade. Se o seu descontentamento 
é legítimo, ele bem que pode, ao contrário, procurai- o chefe para expor 
o seu caso, SEM CÓLERA naturalmente. Qual dessas duas atitudes é a 
recomendável? Obviamente a segunda, uma vez que poderá resultar 
numa solução satisfatória. Não há nenhum exagero neste exemplo. 
Toda situação em que haja manifestação de cólera é de extrema 
gravidade, dado o aspecto violento dessa emoção. Por si só, entretanto, 
nenhuma situação provoca a cólera. O que a provoca, na verdade, é a 
reação da própria pessoa às situações em que se vê envolvida. 
/ 
E comum as pessoas apresentarem exemplos de situações que, 
segundo acreditam, inevitavelmente provocam a cólera. E usam 
expressões tais como "justa indignação", "cólera justificável", etc. 
Afirmamos categoricamente, entretanto, que não existe nenhuma 
situação que justifique a cólera, como também não existe o que 
classificam eomo "justa indignação". 
Qualquer situação pode ser enfrentada de maneira satisfatória sem 
cólera, que não é absolutamente necessária para que se faça o que deve 
ser feito. Pelo intelecto e com calma, pode-se muito bem perceber 
quando uma situação é prejudicial e precisa ser corrigida, ponderar em 
seguida sobre o que deve ser feito, e pôr em prática o que for decidido. 
Tudo sem cólera, naturalmente. Sabemos que isso é possível e que 
funciona, pois nós mesmos, embora já não o façamos mais, éramos dos 
que costumavam ficar encolerizados. Descobrimos, porém, que as 
situações podem ser mais eficaz e adequadamente controladas sem 
cólera. Somos capazes agora de agir e conseguir reparações de erros ou 
injustiças sem nos deixarmos dominar por essa emoção. Realmente, 
não deixa de ser um verdadeiro milagre essa nossa transformação! 
Também achávamos que era legítimo sentir cólera. Tínhamos 
muitas histórias e exemplos para tentar "provar que a nossa cólera era 
justificada". Acabamos, porém, nos convencendo do contrário. Somos 
capazes agora de reagir com serenidade a situações que antes nos 
serviam de desculpa para justificar nossos acessos de cólera. Como já 
passamos pela experiência de sentir e de não sentir cólera, podemos 
enfaticamente assegurar que ela é sempre nociva. Quando refletimos 
sobre as situações nas quais nos deixávamos encolerizar, podemos 
perceber claramente que estávamos errados em cada uma dessas 
situações. 
Agora que já não sentimos cólera, nossa vida é muito boa e feliz. 
Era angustiante e infeliz quando nos deixávamos levar por essa 
emoção, por mais ligeira que fosse. A cólera também provoca o 
surgimento de outras emoções torturantes. Quem se encoleriza 
geralmente planeja vingança, sente autopiedade, joga a culpa em outras 
pessoas, e acaba sendo vítima da depressão. 
O fato de a cólera poder ser sentida pelos seres humanos não é 
razão suficiente para que seja usada ou justificada. A sua inclusão no 
rol das emoções humanas não quer dizer que ela seja benéfica. 
Qualquer pessoa também é potencialmente capaz de cometer um 
assassinato. Isso, entretanto, não significa que o desejo de matar deva 
ser realizado só porque ele existe. Argumentar nesse sentido é um / 
absurdo. E até possível que não haja nenhum ser humano que não tenha 
alguma vez, em algum lugar, por uma fração de segundo que fosse, 
sentido o desejo de matar. Cremos, porém, que todo o mundo concorda 
que não devemos absolutamente dar vazão a esse desejo. Podemos, 
portanto, rejeitar definitivamente esse argumento de que uma emoção 
deve ser considerada boa simplesmente porque ela existe. 
Sabemos que todos os seres humanos estão sujeitos a sentir cólera, 
e que também não se consegue eliminá-la completamente. Mesmo com 
a melhor das intenções e gozando de saúde mental, a pessoa pode às 
vezes ficar irritada, enraivecida, seriamente zangada. Entretanto, 
quando se dá conta do poder destrutivo da cólera e procura viver sem 
ela, em espírito de amor e cooperação, essa emoção pode ser reduzida e 
controlada até chegar a não lhe causar mais nenhum distúrbio. Sua vida 
será então plenamente feliz. 
A pessoa que alimenta sua cólera COM TODA A CERTEZA 
FICARÁ MENTAL E EMOCIONALMENTE DOENTE. 
s 
E só experimentar para ver. A cólera gera doença, enquanto que o amorresulta em felicidade. Se você estiver emocionalmente equilibrado, por 
certo vai concordar conosco. Se estiver dominado pela cólera e doente, 
provavelmente vai discordar. Neste caso, seja sincero e tente viver sem 
cólera antes de chegar a uma opinião definitiva. 
E se ainda continuar sentindo cólera e com a vida transtornada, muito 
dificilmente estará em condições de argumentar conosco. Só poderá 
falar com real conhecimento de causa quando tiver experimentado as 
duas coisas: a vida com cólera e a vida sem cólera. Como já temos 
experiência de ambas, sabemos muito bem o que estamos dizendo. 
Agora, se você conseguir realmente viver sem cólera e mesmo assim 
achar que ela é boa, venha discutir o assunto conosco. SEM CÓLERA, 
é claro. Tendo então passado por essa experiência, estamos certos de 
que você vai concordar conosco a respeito dessa emoção. 
Não estamos absolutamente pregando um pacifismo indiferente. 
Achamos que as decisões que se façam necessárias devem ser tomadas 
- mas que sejam tomadas sem cólera. Resultados muito mais 
satisfatórios são conseguidos quando agimos sem cólera. 
/ 
E claro que sempre há situações que precisam ser corrigidas, às vezes 
encontramos pessoas que nos ofendem, nos maltratam. A cólera, 
porém, não pode ser considerada a reação inevitável. Quem ofende, 
quem maltrata, demonstra encontrar-se mais doente do que a vítima de 
suas agressões. Só merece compaixão. Não se deve querer pagá-la na 
mesma moeda. Medidas podem ser tomadas, naturalmente, para que 
desista de suas afrontas, porém sem que se queira pagar na mesma 
moeda. Quem se vinga outro resultado não consegue senão prejudicar-
se seriamente. 
Há emoções que têm aspectos positivos e aspectos negativos. A 
cólera não é uma delas, uma vez que se mostra totalmente negativa, 
nada tem de positivo. O medo, por exemplo, apresenta ambos os 
aspectos. Quando não se desvia da normalidade, ele é necessário para a 
sobrevivência, ajuda-nos a evitar o perigo. Esse aspecto é positivo. 
Entretanto, aquele medo nebuloso e penetrante da doença emocional, é 
o medo em seu aspecto negativo e destruidor, que pode chegar a ser 
totalmente incapacitante. E isso qualquer neurótico pode confirmar. 
Quem sente esse tipo de medo muitas vezes nem sabe do que é que 
realmente tem, medo. Havia muitos entre nós que tinham medo de sair 
de casa e até mesmo de atender o telefone. E não sabiam por quê. Era 
medo com M maiúsculo. No caso da cólera, não conseguimos descobrir 
nenhum aspecto positivo. Ela nunca nos ajudou, como acontecia e 
ainda acontece com o medo positivo. Só serviu para prejudicar-nos. 
Sempre que a ela recorríamos, saíamos perdendo, sofrendo amargas 
conseqüências. 
"CÓLERA: A EMOÇ Ã O DESTRUTIVA" era o título que 
estivemos propensos a dar a este artigo. A cólera, entretanto, não é a 
única emoção destrutiva, sendo até bem possível que não seja a mais 
importante de todas, mas apenas uma entre muitas. Dentre elas, 
podemos mencionar o medo em seu aspecto negativo, a autopiedade, o 
ressentimento, o ódio, a inveja, o ciúme, a impaciência, a intolerância. 
Um inventário dos defeitos de caráter certamente revelará muitas outras 
emoções dessa natureza, as quais podem prejudicar seriamente quem as 
alimenta. 
Lançamos aqui um desafio: se você acha que pode sentir cólera e 
ser feliz, vá em frente, tire o máximo proveito disso e depois venha 
contar-nos o resultado. Aí, então, se estiver verdadeiramente feliz com 
sua cólera, retiraremos tudo o que dissemos neste artigo. Ainda 
estamos para ver uma pessoa que se deixe ficar encolerizada e seja 
feliz. Não foi fácil escrever as palavras "encolerizada" e "feliz" 
associadas uma à outra. E coisa que parece fora do normal. 
Experimente. Pegue papel e lápis e tente escrever, por exemplo, "uma 
pessoa encolerizada e feliz". Nossas mentes simplesmente se rebelam. 
"Encolerizada" e "feliz" não se harmonizam. Seria o mesmo que 
escrever "uma pessoa rancorosa, muito afetuosa". Verdadeiro absurdo! 
Agora, se você continua achando que pode sentir cólera e ser feliz, 
seria melhor que verificasse seus conhecimentos da língua antes de 
querer convencer-nos dos "bons" aspectos dessa emoção. 
Não estamos nos fundamentando em princípios morais para 
declarai' que a cólera é nociva e destrutiva. Afirmamos isso porque ela 
causa sérios danos às pessoas que a sentem, e esse é um motivo de 
ordem prática, fundamentado na experiência. As teorias podem ser 
postas de lado. A verdade é que a cólera realmente prejudica, e por isso 
ela é nociva e destrutiva. 
Se você deseja, tanto quanto nós, ter paz de espírito e felicidade, 
ponha a CÓLERA na categoria dos venenos. Destrutiva como é, ela 
pode até mesmo matar. Pessoas há que acabam com a própria vida ou 
cometem assassinato movidas pela cólera. Ela é de fato venenosa. 
Muitas emoções são venenosas, e seu veneno pode espalhar-se por todo 
o organismo e devastá-lo. Até a morte, repetimos, pode causar. Embora 
possivelmente mais fraco que o arsênico ou a estrienina, não deixa de 
ser tão nocivo quanto eles. Precisamos colocar um rótulo com a caveira 
e os dois ossos cruzados na cólera se quisermos garantir o nosso bem-
estar. Outro título que também serviria para este artigo podia muito 
bem ser o seguinte: 
"CÓLERA: UMA EMOÇ Ã O VENENOSA" 
COMO PERMANECER EMOCIONALMENTE DOENTE 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de setembro de 1967) 
Apresentamos aqui um programa de ação que requer tempo integral 
de aplicação. Se você se decidir a segui-lo e não quiser fracassar, terá 
de se dedicar a ele de corpo e alma, porque a doença emocional em 
toda a sua plenitude não é algo que se consiga facilmente. Disponha-se, 
portanto, a trabalhar de verdade para alcançar seu objetivo. Se de fato 
você almeja usufruir todos os "benefícios" que a doença emocional 
proporciona - ser alvo de compaixão, digno de piedade, ser mimado, 
dispensado de suas obrigações, etc. prepare-se para fazer o máximo, 
todos os dias, a todo momento. Este guia parcial lhe ajudará a começar, 
porém é preciso continuar trabalhando sem esmorecimento: 
1. Culpe sempre as outras pessoas, NUNCA admita que possa ter 
sido responsável por algo. 
2. Cultive aversão, ódio e ressentimento em relação às pessoas 
e às situações. 
3. Continue sendo EGOÍSTA. 
4. Mencione constantemente os problemas da vida, afirmando que 
o mundo e as pessoas não valem grande coisa. 
5. Jamais se disponha a ajudar alguém. Diga a si mesmo: "Ora, ele 
também não me ajudaria se eu precisasse". 
6. Diga a si mesmo que você é bom demais para este mundo. 
/ 
E até possível que acabe acreditando nisso. 
7. Repita com freqüência: "Se todas as pessoas fossem como eu, 
o mundo seria maravilhoso". 
8. Odeie as pessoas investidas de autoridade. Procure convencer- 
se de que elas só querem persegui-lo. 
9. Cultive a autopiedade, faça o papel de mártir.Repita para você 
mesmo, e sempre que puder para os outros também: "Ah! que 
sofrimento! Por que será que isso tinha de acontecer justamente 
comigo?" 
10. Qualquer que seja a situação, mantenha sempre uma expressão 
de desagrado, de amargura. Não sorria nunca. 
COMO RECUPERAR-SE 
Para recuperar-se e sentir-se bem, é preciso pôr em prática o 
programa de Neuróticos Anônimos e participar de suas reuniões. Este é 
também um programa de ação, um programa que realmente dá certo. 
Depois que você escolher qual dos dois programas deseja aplicar, 
entregue-se a ele de corpo e alma, disposto a trabalhar sem desânimo 
para conseguir o resultado que deseja. Esperamos, porém, que você 
escolha o segundo programa - "Como Recuperar-se" para que possa vir 
a fazer parte do rol das pessoas sadias e felizes.
PROGNOSTICO E CURA DE DOENÇ A
A RESPOSTA PARA A DOENÇ A EMOCIONAL: AMOR 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de novembro de 1965) 
CAPACIDADE DE AMAR 
INCAPACIDADE DE AMAR 
AQUISIÇ Ã O DA 
CAPACIDADE DE 
AMAR 
A incapacidade de amar gera adoença emocional. A aquisição 
dessa capacidade proporciona a sua cura, sendo, portanto, o caminho 
para uma vida feliz, na qual predomina a alegria. Não estamos nos 
referindo aqui à paixão sexual, mas àquele profundo e duradouro amor 
que o ser humano deve sentir por todos os seus semelhantes, por um 
Poder Superior, por si mesmo - o que nada tem a ver com "narcisismo" 
- e por tudo o que há de bom na vida. 
Essas afirmações não resultam de simples teoria, uma vez que 
podem ser perfeitamente comprovadas. A psiquiatria, a medicina, a 
religião e a sabedoria popular de há muito reconhecem que as pessoas 
que são amadas e aprendem a amar bem cedo na infância jamais se 
tornam emocionalmente doentes. Em todos os casos da doença, pode- 
se demonstrar que a pessoa enferma carece desse sentimento positivo - 
o amor - em relação aos seus semelhantes, e que essa carência tem 
início no período de sua infância. 
= Saúde Emocional = Felicidade 
_ i = Tristeza, 
Doença Emocional ^ 
Depressão, etc, 
Saúde Emocional = Felicidade 
Quando uma pessoa é desprovida da capacidade de amar, surgem 
para ela dificuldades patológicas de toda ordem, problemas em todas as 
áreas de sua vida, onde quer que se encontre e independentemente do 
que lhe suceda. Podemos até lançar mão da terminologia psiquiátrica 
para classificar essa pessoa. A falta da capacidade de amar pode 
provocar-lhe retraimento, alucinações, depressão, projeção, 
racionalização, paranóia, bem como sentimento de culpa, remorso, 
autopiedade, ódio de si mesma e isolamento, isso para citar apenas 
alguns exemplos. 
Sendo incapaz de amar, ela não se harmoniza consigo mesma, nem 
com seus semelhantes, nem com o Poder Superior e a - vida em geral. 
Sente-se deslocada neste mundo e, não tendo outro para ir, vê-se presa 
a um lugar que lhe é estranho e hostil. 
Ela tenta criar seu próprio mundo, porém fracassa porque isso é 
/ 
algo que não se ajusta à realidade. E possível que tente encontrar 
refúgio em ocupações intelectuais ou artísticas, ou em passatempos 
como a caça e a pesca, por exemplo, porém irá sentir-se só e 
abandonada onde quer que se encontre porque não é capaz de 
demonstrar estima pelas outras pessoas. Embora tente encontrar 
pessoas com mentes que se afinem com a sua, nisso também ela 
fracassa. Não lhe ocorre fazer o contrário, isto é, procurar harmonizar a 
sua mente com as dos outros. E, mesmo que o tentasse, não saberia 
como fazê-lo. 
Muitos campos da ciência já revelaram que o homem é um animal 
social. A psiquiatria já foi também definida como sendo o "estudo das 
relações interpessoais". E a sabedoria popular de há muito vem 
afirmando que uma pessoa emocionalmente doente não consegue dar-
se bem com as demais pessoas. 
Todas essas afirmações demonstram que o homem depende de 
seus semelhantes e precisa de sua companhia. Para ser sadio e feliz ele 
precisa aprender a viver com os outros seres humanos, sentir prazer em 
sua companhia e respeitá-los, isto é, precisa sentir amor por eles. Se 
uma pessoa não se sente bem junto às outras pessoas, tem aversão por 
elas, ódio até, ou as considera de nível inferior ao seu, essa pessoa está 
doente e a culpa é sua. Falta-lhe a capacidade de amar. 
A que ama seus semelhantes, que ama um Poder Superior e tudo o 
que existe de bom, essa é uma pessoa verdadeiramente feliz. Sobra-lhe 
amor para dar, e isso já define o que seja felicidade. 
O milagre que se opera é que qualquer pessoa pode adquirir a 
capacidade de amar, não importa quais tenham sido as circunstâncias 
do passado. E existe um meio de consegui-la. Embora a psiquiatria e a 
psicologia tenham declarado que há um tipo de pessoa - a psicopata - 
que não consegue aprender a amar, e que não existe nenhum meio de 
ensina-la, nós não concordamos com isso, pois temos presenciado 
casos reais de pessoas assim diagnosticadas que aprenderam a amar. 
Voltamos, portanto, a afirmar: qualquer pessoa pode aprender a amar, 
recuperar-se e ser feliz. 
Milagre também é o seguinte: quando uma pessoa 
emocionalmente doente adquire a capacidade de amar, todas as suas 
dificuldades emocionais desaparecem com o exercício dessa 
capacidade, e desaparecem em pouco tempo. Temos provas de que isso 
é verdade. Outro milagre ainda, relacionado com este, é que não há 
necessidade de ela saber como foi que ficou doente, como também não 
há necessidade de saber por que deixou de aprender a amar. Basta 
reconhecer essa falha e fazer o que for preciso para corrigi-la. Não é 
necessário nenhum longo histórico de sua vida, nenhum longo processo 
de revivescimento das experiências da infância em busca de alguma 
explicação para a doença. 
Como já afirmamos anteriormente, existe um meio de se adquirir a 
capacidade de amar, recuperar-se e ser feliz, inúmeras pessoas têm 
dado provas disso através dos anos. É um processo, contudo, que 
requer esforço por parte da pessoa, um tipo de esforço que 
provavelmente ela nunca tenha feito antes: um esforço de fé. Antes de 
falarmos sobre a fé, como a entendemos, permita-nos dizer o seguinte: 
é provável que a pessoa doente, depois de haver por muito tempo 
depositado fé em inúmeras instituições criadas pelo homem, tenha se 
desiludido com elas. Pode ter depositado fé na psiquiatria, na medicina, 
na religião, sem conseguir ser feliz. Muitas pessoas devem mesmo ter 
depositado fé na hipnose, na leitura de livros eruditos, na astrologia, na 
quiromancia, em toda sorte de "sistemas". O que agora sugerimos, 
entretanto, é que se tenha uma nova experiência de fé, a verdadeira 
experiência de fé, a que realmente vai dar certo, uma vez que se trata 
de ter fé em um Poder Superior, ou Deus segundo a concepção de cada 
um. 
Cremos que qualquer pessoa é capaz de aceitar um Poder Superior 
assim definido: "Deus segundo a concepção de cada um". Essa fé tem 
dado resultado e proporcionado a aquisição da capacidade de amar a 
um número muito grande de pessoas, e pode certamente fazer o mesmo 
com quem quer que seja. Não importa a concepção que se possa ter 
desse Poder Superior. Muita gente tem aprendido a amar definindo esse 
Poder como sendo o amor, o amor entre os seres humanos, e a 
expressão "Deus é amor" até já se tornou bastante comum. 
Pode-se também conceber esse Poder Superior como sendo o 
processo evolutivo cm sua marcha progressiva, ou a ordem reinante no 
universo, nem que entendida apenas como a manifestação da força da 
gravidade ou do movimento dos átomos e moléculas. Pode-se ainda 
concebê-LO como sendo o bem que existe no mundo. Enfim, pode-se 
concebê-LO como sendo qualquer coisa, desde que realmente Superior 
ao ser humano. Não podemos nos esquecer de que a força da gravidade 
e o movimento dos átomos são de fato um poder maior do que o ser 
humano. E na pessoa emocionalmente doente, suas emoções são da 
mesma forma um poder que lhe é superior, porque ela simplesmente 
não consegue c©ntroIá~!as? mesmo que tente. É bom que se reflita 
sobre isso, pois se trata de uma verdade. 
As pessoas emocionalmente doentes são muito egoístas porque, 
além de lhes faltar amor por seus semelhantes, elas se recusam a 
admitir a existência de um Poder Superior. Embora muitas acreditem 
que esse Poder existe, não querem absolutamente nada com Ele, pois o 
que desejam é que a sua vontade, e não a d' Ele, sempre prevaleça. Um 
exemplo comum é o da pessoa doente que fica toda Irritada porque 
começa a chover no dia em que havia planejado dar uma festa ao ar 
livre. Põe então a culpa no Poder Superior e se zanga com Ele porque 
não fez as coisas acontecerem como ela queria. Há pessoas ainda que 
se julgam tão intelectualizadas, tão inteligentes, que se recusam a 
admitir a existência de Algo ou de Alguém que lhes seja superior. E 
põem à mostra sua patologia criando "sistemas", para elas perfeitos, 
tentando assim demonstrar que não existe nenhum Poder Superior. 
Qualquer pessoa, porém, que se disponha a pensarum pouco, com 
o mínimo que seja de honestidade, por certo terá de admitir que existe 
realmente um ou mais Poderes superiores à criatura humana. Já 
tivemos oportunidade de mencionar a força da gravidade e o 
movimento dos átomos. Para citar outro exemplo, o processo evolutivo 
é indubitavelmente um Poder superior ao homem, uma vez que a ele 
não está sujeito, obedecendo apenas a leis naturais, dentre as quais a da 
sobrevivência dos mais aptos. Mesmo que se acredite que a vida tenha 
surgido por si mesma e por acaso, isso certamente também demonstra a 
existência de um Poder superior ao ser humano. E ainda que o homem 
consiga criar vida em laboratório, ele nada mais estará fazendo do que 
manipular componentes físicos de acordo com leis que lhe são 
superiores. Estará simplesmente reproduzindo o que já foi feito pelo 
Poder Superior. 
Não estamos tentando escrever aqui um ensaio filosófico. Nosso 
propósito é ajudar as pessoas emocionalmente doentes a adquirir a 
capacidade de amar, a fim de que se recuperem e sejam felizes, 
capacidade essa que é proporcionada a quem se fundamenta na fé em 
um Poder Superior. E existe um meio de se conseguir isso. Como já 
dissemos, não se trata de simples teoria, mas de um programa - o 
Programa de Neuróticos Anônimos - que realmente funciona. Jamais 
soubemos de alguém que o tenha praticado, integralmente e com o 
maior empenho possível, e não tenha sido bem sucedido. Podemos 
dizer com toda a segurança que ele funciona para qualquer pessoa que 
se disponha a praticá-lo com honestidade. Se realmente o fizer, não lhe 
faltará o amparo de Deus, na forma em que O conceba, para que possa 
sentir-se cheia de amor e recuperar- se plenamente. Temos absoluta 
certeza de que esse é um Programa que dá certo. Portanto, se você 
deseja recuperar-se, aceite-o. Nós o estamos oferecendo. 
T 
AS CURVAS DA DOENÇ A EMOCIONAL E DA RECUPERAÇ Ã O - 
EXPLANAÇ Ã O (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de novembro 
de 1967) 
Essas curvas mostram a descida na doença até o "fundo do poço" 
emocional e, depois, a subida na conquista da recuperação. 
Confessamo-nos imensamente gratos pelo fato de elas não terem o 
mesmo grau de inclinação. Isso quer dizer que, embora tenhamos 
levado muitos e muitos anos para ficarmos seriamente doentes e 
atingirmos o "fundo do poço", quando então tivemos de admitir a 
derrota e tomar a decisão de ouvir o que os outros tinham a nos dizer, 
bem como de procurar e aceitar ajuda, não foi preciso tanto tempo, 
graças a Deus, para nos recuperarmos. A curva da "Recuperação", 
estando mais próxima da vertical, demonstra que, desde que se trabalhe 
sinceramente nesse sentido, é possível recuperar-se em muito menos 
tempo do que se leva para ficar doente. 
Nossa descida na doença emocional e a subida na recuperação não 
foram um suave deslizar como as linhas contínuas das curvas poderiam 
sugerir. Foram, ao contrário, uma série irregular de altos e baixos à 
medida que íamos ficando cada vez mais doentes, e de muito progresso 
seguido de quedas na conquista da recuperação, como bem indica o 
ziguezague que corta as linhas contínuas. Tanto num caso como no 
outro, ocorreram platôs quando as coisas pareciam ter ficado 
estacionárias. Esses platôs, entretanto, foram apenas períodos de 
descanso, como acontece em todo processo de aprendizado, e não 
paralisações. 
À medida que nos afundávamos na doença, embora estivéssemos 
sempre descendo, havia ocasiões em que nos sentíamos reanimados 
(pontos altos do ziguezague). O que nos reanimava eram coisas assim 
como o nascimento de um filho, a compra de um carro novo,
 
AS CURVAS DA DOENÇ A EMOCIONAL E DA RECUPERAÇ ÃO COM 
TEXTO EXPLÀNATÓRIO
 
Pequenas dificuldades 
Problemas se 
avolumam 
Futuro radioífo, ascensão 
a níveis jamafcj 
alcançados "
 
Preocupações 
(Flato) 
u. Sentimento de 
culpa 
(Carro novo) Surge a 
depressão 
Perda de interesse 
Uso de- drogas receitadas 
A gratidão substitui! o 
u « . • , , medo e a ansiedade > Atribuição de culpa aos » 
outros e às situações (Alívio Inicial quando 
Sentimento aceita) 
de fracasso Surge a maneira 
e de inferioridade correta de pensar * 
A depressão aprofunda, 
torna-se crônica Fé em um Poder Pensamentos o« 
Superior atos suicidai» Incapacidade 
Profunda solid ao> prèo^upação consigo 
mesmo e com problemas 
de trabalhar Nasce o 
otimismo 
Incapacidade de 
concentração 
A tensa© diminui Medo de viver, medo de morrer 
Nasce a esperança- 
Pavor 
"Fundo de poço" emocional 
Esgotados todos os recursos
 
Alegria 
de viver 
Melancolia 
 
Descuido de $1 mesmo e das obrigações 
invenção de desculpas Tentativas <ge 
"curas* geográficas - 
Percepção de que a 
vida é boa 
Retraimento, fuga 
Alguma decepção 
Dependência de drogas 
receitadas não 
Novas atitudes, novos 
sentimentos, valores 
Benefícios resultantes de 
ajuda de pessoas 
recuperadas 
Encontro com pessoas 
qwe ™ foram doentes» 
Tentativas desesperadas, porém, insinceras, de obter ajuda 
agora normais e felizes 
Compreensão de que a 
doença emociona! é curável 
Aceitação da ajuda, 
alívio imediato O 
caminho da recuperação è 
encontrado. Desejo sincero 
de ser ajudado 
Medo irracional de tudo e de todos, 
depressão profunda, desespero 
Biscussões com a família, 
colegas e amigos 
A vida torna-se fácil, tranquila 
"Recuperação instantânea" que todo Aumenta 
a 
coragem 
neurótico» deseja, mas que não pode ter 
Sensação ae bem-estar 
Infelicidade, irritabilidade 
Amor a todos 
^Aumentsi a 
felicidade 
Recuperação da 
auto-estima 
(Plaíô) 
Devaneio 
Sintomas 
psicossomáticos 
Cuidado consigo mesmo, atençâò e obrigações 
A realidade ébncarada 
I I 
Abuso de drogas, receitadas ou não 
Colapso do sistema de desculpas 
admissão do fracasso total 
ou algo inesperado que nos causasse alegria. Tornávamos, porém, a 
cair (pontos baixos do ziguezague), e para níveis cada vez mais 
baixos. 
Merece destaque o fato de que a nossa descida na doença 
representou, por assim dizer, um acidentado percurso. Foi um "tatear 
no escuro", um avançar a esmo, e isso ajuda a explicar por que 
levamos tanto tempo para ficarmos tão neuróticos. Podemos mesmo 
dizer que fomos ficando cada vez mais doentes "aos trancos e 
barrancos". 
Para nos livrarmos da doença, entretanto, pudemos contar com 
orientação, um programa a seguir e a ajuda de inúmeras pessoas que já 
haviam se recuperado, ajuda essa que nos incentivava a continuar 
trabalhando para melhorar cada vez mais. 
Nas curvas estão indicados, progressivamente, os sintomas da 
doença bem como os benefícios da recuperação, que surgiam à medida 
que íamos adoecendo ou nos curando. O percurso foi longo. Para 
baixo primeiro, e depois para cima. Qualquer pessoa doente, porém, 
realmente desejosa de ser ajudada, pode criar ânimo e manter- se 
esperançosa, pois poderá recuperar-se em muito menos tempo do que 
levou para ficar doente. 
Em geral, as pessoas emocionalmente doentes desejam recuperar-se 
imediatamente, esperam uma "RECUPERAÇ Ã O INSTANTÂNEA", 
coisa que na realidade é impossível. Essa pretensão está indicada pela 
parte pontilhada da linha que sobe verticalmente do fundo do poço 
emocional. "RECUPERAÇ Ã O INSTANTÂNEA" não se consegue em 
nenhuma doença. Ninguém se recupera "instantaneamente" de uma 
fratura na perna, por exemplo, cujo tratamento requer tempo e 
cuidados especiais. Todavia, como a curva da RECUPERAÇ AO está 
mais próxima da linha vertical, indicando que a cura pode ser 
alcançada em prazo relativamente curto, a pessoa doente tem aí 
motivo suficiente para sentir-se animada e agradecida. 
No processo de recuperação, muitas pessoas se deixam perturbar 
por causa dos platôs e "recaídas" temporários. 
Algumas chegam mesmo a entrar em pânico. Entretanto, desde que 
compreendam como a recuperação se processa, deixa de haver razão 
para perturbações. Há quase sempre uma grande subida inicial quando 
a pessoa aceitaa ajuda que lhe é oferecida (parte contínua da linha 
vertical). É o seu primeiro grande alívio. Já deve ter aprendido 
bastante, porém falta muito ainda para aprender. Irá provavelmente 
sofrer uma "queda" desse ponto elevado, mas essa "queda" não será 
nem de longe uma volta à situação em que se encontrava 
anteriormente. Como já havia conseguido um bom avanço, sentir- se-á 
disposta a subir novamente. Vai dessa forma construindo, à medida 
que sobe, o alicerce de sua recuperação. Sabemos que todo 
aprendizado se realiza por etapas, com avanços, alguns retrocessos e 
platôs. E o processo de recuperação da doença emocional não foge a 
essa regra. 
As curvas mostram como tantas pessoas, entre as quais nos 
incluímos, foram ficando doentes, chegaram ao fundo do poço 
emocional e conseguiram depois recuperar-se. Elas são a 
representação da nossa experiência, como também o serão da 
experiência de qualquer pessoa que se disponha a fazer o mesmo que 
nós fizemos. 
*
TRAÇ OS DE CAMATER QUE CEIAM DOENÇ A OU SAÚDE 
(transcrito do Journal of Mental Health de agosto de 1967) 
ESTES DEFEITOS DE CARATER=DOENÇ A ESTAS QUALIDADES DE CARATER=SAUDE
 
Autopiedade Ressentimento 
Raiva Rebeldia Intolerância 
Falso orgulho, soberba 
Comodismo Ganância 
Atribuição cie culpa aos outros 
Indiferença 
Insatisfação 
Impaciência 
Medo 
Ódio de si mesmo Inveja 
Desdem 
Depressão 
Ansiedade 
Sentimento de culpa 
Remorso 
Doenças 
psicossomáticas 
Insónia 
Irritabilidade 
Tensão 
Tendências suicidas 
ou homicidas 
Abuso dos entes 
queridos Solidão 
Retraimento 
Despreendimento 
Benevolência 
Compreensão 
Aceitação da 
realidade 
Tolerância 
Humildade 
Disposição de servir 
Generosidade 
Honestidade 
Compaixão 
Satisfação 
Paciência 
Fé 
Abandono da autocondenação 
Admiração 
Reconhecimento, consideração\ 
Felicidade Vida plen-a de 
satisfações Alegria de vivei- 
Energia 
Ausência de sofrimento 
emocional 
Riso 
Amizade 
Cordialidade 
Afeição 
Mente em paz 
Otimismo 
Préstimo 
Ajustamento 
Propósito na vida
 
= 
Traços de caráter podem criar, e realmente criam, a doença ou a 
saúde. Assim como há defeitos que fazem as pessoas ficar doentes, há 
qualidades que as recuperam. 
O diagrama que apresentamos deve ser lido da seguinte maneira: 
Qualquer um dos defeitos de caráter sob o título "ESTES 
DEFEITOS DE CARÁ TER" (coluna 1), ou todos eles, dá ou dão origem 
a qualquer um dos sintomas sob o título "DOENÇ A" (coluna 2), ou a 
todos eles. 
Qualquer uma das qualidades de caráter sob o título "ESTAS 
QUALIDADES DE CARÁ TER" (coluna 3), ou todas elas, dá ou dão 
s 
origem a qualquer uma das recompensas sob o título "SAÚDE" (coluna 
4), ou a todas elas. 
Os defeitos e as qualidades de caráter que aparecem numa mesma 
linha, que vai da coluna 1 à coluna 3, são traços de caráter 
essencialmente opostos entre si. Por exemplo, a autopiedade tem como 
seu oposto o desprendimento, e isso significa que o desprendimento é a 
cura para a autopledadeo 
Os sintomas da doença da coluna 2 e as recompensas da saúde da 
coluna 4 não estão, entretanto, alinhados entre si. Estão apenas 
relacionados nessas colunas, não tendo também nenhuma relação de 
alinhamento com o conteúdo das outras duas colunas. Repetindo o que 
dissemos acima, qualquer um dos defeitos de caráter relacionados na 
coluna 1, ou todos eles, dá ou dão origem a qualquer um dos sintomas da 
doença relacionados na coluna 2, ou a todos eles. Da mesma forma, 
qualquer uma das qualidades de caráter relacionadas na coluna 3, ou 
todas elas, dá ou dão origem a qualquer uma das recompensas da saúde 
relacionadas na coluna 4, ou a todas elas. No que nos diz respeito, nós 
nos decidimos pelas QUALIDADES 
DE CARÁ TER e, conseqüentemente, pela SAÚDE. 
* 
UM ÚNICO DEUS, UM ÚNICO POVO, UMA ÚNICA DOENÇ A, 
UMA ÚNICA SAÚDE 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de junho de 1968) 
O mistério que aparentemente envolve muitas coisas acaba 
desaparecendo quando nos damos conta da semelhança, da unicidade dos 
fatos a elas relacionados. Devido à nossa falta de conhecimento a esse 
respeito, não percebemos a relação, os elementos comuns e a identidade 
existentes entre coisas que, superficialmente, aparentam nada ter a ver 
umas com as outras. Nosso propósito aqui é demonstrar como chegamos 
à compreensão de que muitos fatos, por muita gente considerados tão 
diferentes que parecem não ter praticamente nenhuma relação entre si, 
podem, na verdade, ser agrupados da seguinte forma: Um único Deus, 
Um único Povo, Uma única Doença, Uma única Saúde. 
Não temos dúvida de que existe UM ÚNICO DEUS, não importa 
como venha a ser definido. Ainda que se possa concebê-LO como sendo, 
por exemplo, a lei natural, a lei moral, tudo, ou nada, Deus não deixará 
de ser Uma Só Entidade. A lei natural é seguramente Uma Coisa Só. Não 
se divide em partes qualitativamente diferentes. A força da gravidade, o 
movimento dos átomos, o processo evolutivo, etc. são exemplos de 
algumas de suas manifestações e fazem parte, portanto, da sua unicidade. 
No que nos diz respeito, concebemos Deus como sendo um Poder 
superior ao ser humano. Existem, é claro, muitas forças que são 
superiores ao ser humano, tais como ciclones, tufões, terremotos, a força 
da gravidade, etc. Essas forças, entretanto, são na realidade parte da 
natureza, fazem parte de Deus, integrando-se, por conseguinte, em Um 
Só Todo, e representando fenômenos mais poderosos do que o ser 
humano. 
O mesmo raciocínio se aplica à lei espiritual ou moral. Há coisas 
que nos fazem bem, tais como honestidade, amor, interesse pelas pessoas 
e outras emoções semelhantes. São qualidades de caráter que 
proporcionam benefícios a quem as possue. Como bem diz a sabedoria 
popular, "A virtude traz em si mesma a recompensa". Essas emoções, 
humanas e positivas, podem ser entendidas como manifestações de Deus, 
formando todas elas um Todo, Uma Coisa Só. São mais fortes do que o 
ser humano e pertencem à categoria das coisas que constituem o "bem" 
que existe na vida, ou Deus. Quando Deus é concebido como um Poder 
superior ao ser humano, como todo o Bem que existe na vida, isto é, as 
qualidades de caráter, a lei natural, a matéria, etc., Ele passa então a 
representar essa classe de fenômenos, e esses fenômenos e Deus resultam 
em Uma Coisa Só. 
A ciência já declarou que os seres humanos formam Um Só Todo, e 
isso também tem sido afirmado pela religião. Segundo a ciência, os 
atuais seres humanos são membros da espécie homo sapiens. 
Pertencemos todos à raça humana. As pessoas de pele vermelha, amarela, 
parda, negra, ou branca na verdade não diferem entre si, pois são todas 
elas homo sapiens, membros de Uma Só Classe, participantes, portanto, 
de Um Só Todo. Assim sendo, não se pode dizer que um oriental seja 
diferente de um ocidental, porquanto ambos pertencem à mesma espécie, 
são ambos integrantes de Uma Coisa Só. E não podem mesmo ser 
considerados diferentes porque as variações que ocorrem na espécie 
homo sapiens têm limites bem fixados. Em outras palavras, uma pessoa 
não apresenta variações suficientes em relação às demais para que possa 
ser considerada um. ser à parte. 
s 
Afirmamos agora que a doença mental e emocional é UMA SO 
doença, e o fazemos com base no fato de termos sido vítimas dessa 
enfermidade e trabalhado com inúmeras pessoas que, tendo estado 
igualmente doentes, também encontraram uma saída. A doença de cada 
um de nós era absolutamente idêntica à dos demais companheiros, 
mesmo que alguns pudessem estar recebendo tratamentos de choque, 
tendo alucinações, delírios, depressão, etc. A manifestação da doença 
varia dentro de certos limites apenas. Assim sendo, cada uma das pessoas 
mental e emocionalmente enfermas se encontra tão doente quanto as 
demais. Nenhuma delas pode ser considerada um caso único. A doença 
atinge seu limite máximo com alucinações, delírios, depressões,hostilidade, agressões, ímpetos destrutivos, tendências suicidas e 
homicidas, estados catatônicos e outras manifestações negativas 
semelhantes. Não vai além, e quem apresenta sintomas como esses é 
apenas um entre os inúmeros seres humanos em que eles também se 
manifestam. 
Como já sofremos da doença mental e emocional, desde a sua fase 
mais moderada até a mais profunda, podemos assegurar que se trata de 
Uma Só enfermidade. Manifesta-se, contudo, de forma progressiva. 
Quando atinge maior gravidade, ela é apenas mais intensa do que quando 
era moderada, nada apresentando de "diferente". A depressão, seja ela 
moderada ou profunda, é sempre depressão, não importa como ou 
quando se manifeste. Parece até que só pode ser sentida até certo ponto 
de cada vez, porém quando ataca pela primeira vez, geralmente em uma 
pessoa ainda jovem, ela não deixa de ser proporcionalmente tão dolorosa 
quanto a profunda depressão que venha a se manifestar anos mais tarde. 
Na realidade, a pessoa doente acaba desenvolvendo o que podemos 
chamar de tolerância à depressão. A primeira manifestação da depressão, 
a que denominamos moderada, é praticamente tudo o que a pessoa pode 
então suportar. Mais tarde, porém, já tendo desenvolvido a tolerância de 
que falamos, a pessoa passa a suportar manifestações muito mais 
intensas. Em qualquer estágio, porém, o sofrimento resultante é o 
máximo que ela pode então suportar. O processo é muito semelhante ao 
que acontece com a dependência em relação ao álcool ou às drogas. 
Nós começamos bem cedo a culpar as outras pessoas pelas nossas 
dificuldades, "moderadamente" no início, e, porque não dizer, até mesmo 
um tanto "astuciosamente". Com o passar dos anos, porém, esse 
"moderado" processo de culpar os outros foi se convertendo em uma 
profunda e arraigada paranóia, que nos fazia realmente acreditar que 
"estávamos sendo vítimas da perseguição de todo o mundo". Contudo, 
tanto nos estágios iniciais como na profunda paranóia, o que todos 
fazíamos era simplesmente "jogar a culpa de nossas dificuldades nas 
costas dos outros". 
Não é certo estabelecer diferença entre uma pessoa "moderadamente 
neurótica" e outra "profundamente psicótica", pois ambas apenas 
manifestam graus diferentes da mesma enfermidade, estando, portanto, 
igualmente doentes. E se a doença não for tratada, a primeira irá 
progressivamente atingir a fase de maior gravidade em que a segunda se 
encontra. Não há nenhum mistério a respeito disso. O exemplo que 
demos do processo de culpar as outras pessoas, desde a forma mais 
moderada até a paranóia psicótica intensa, é de fácil entendimento e pode 
ser aqui aplicado também. 
Somos muitos os que já passamos pela experiência de começar bem 
cedo a culpar os outros - nossos pais, colegas de escola, professores - e 
chegar depois a acreditar que "éramos vítimas da perseguição" de nossos 
chefes, amigos e pessoas com as quais nos reiacionávamos mais de perto. 
Temos certeza do que dizemos, pois foi isso exatamente o que aconteceu 
conosco. Estamos certos também de que a nossa cura se deveu ao fato de 
termos resolvido enfrentar o problema e aplicar um programa de 
recuperação. Somos agora capazes de compreender e saber o que há de 
errado com qualquer pessoa mental e emocionalmente doente que 
encontramos. E preciso na verdade ter passado pela mesma coisa para 
saber o que acontece com os outros. Compreendemos nossos 
companheiros doentes e sabemos como ajudá-los porque já fomos 
vítimas da mesma doença, a doença que é Uma Só, e da qual 
encontramos uma saída. E essa saída a eles também é oferecida. 
Cremos que todos concordarão que a Saúde é Uma Só se entendida 
como sendo o "funcionamento normal do organismo como um todo", 
condição essa que permite à pessoa tirar o máximo proveito de suas 
aptidões e usar plenamente, pela ausência de impedimentos de natureza 
física, mental ou espiritual, todo o potencial de sua capacidade. Não há 
graus de saúde, há somente graus de doença. Por exemplo, se uma pessoa 
se considera saudável, porém é muito gorda, o fato de ser muito gorda 
diz respeito a certo grau de doença e não de saúde. Sendo um estorvo, a 
obesidade lhe causa um "prejuízo", não podendo, portanto, ser 
considerada parte de sua saúde. Na realidade, essa pessoa está doente na 
medida exata do "excesso de sua gordura". Da mesma forma, uma pessoa 
que não esteja fisicamente "em boas condições", sentindo-se fraca, 
debilitada, também se encontra doente na medida exata de sua fraqueza, 
de sua debilidade. A Saúde é Uma Coisa Só, e ela pode estai- se 
manifestando ou não. 
Estamos convencidos de que a nossa concepção de "UM ÚNICO 
DEUS, UM ÚNICO POVO, UMA ÚNICA DOENÇ A, UMA ÚNICA 
SAÚDE" explica todos os fatos a ela relacionados, funciona e nos 
possibilita usufruir uma vida plena, rica e feliz. Será que poderíamos 
pedir mais? Segundo a ciência, uma teoria ou explanação deve esclarecer 
todos os fatos a que diga respeito. Nossa concepção não só atende a esse 
requisito como também reúne, em um todo coerente, acontecimentos 
aparentemente não relacionados entre si. O que fizemos foi expor um 
método que funciona, que explica todos esses acontecimentos, e que 
pode ser experimentado e comprovado, sendo, portanto, cientificamente 
válido. 
Essa concepção não só possibilitou a nossa recuperação como tem 
permitido que nos mantenhamos recuperados. E inúmeras outras pessoas 
estão da mesma forma se recuperando e permanecendo recuperadas. 
Fazemos agora um convite; venha você também juntar-se a nós. 
QUANTO MAIS PERTO ESTIVERMOS DAS PESSOAS, MAIS 
PERTO DE DEUS NÓS ESTAREMOS 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de abril de 1969) 
Ouvimos recentemente um companheiro dizer em uma reunião: 
"Quanto mais perto das pessoas procuro estar, mais perto de Deus eu me 
sinto". Temos aí uma afirmação absolutamente verdadeira e que serve 
para todos. Ela expressa, de fato, uma verdade universal. Não tivemos 
dúvida em adotá-la imediatamente, achando mesmo que deveria ser 
desenvolvida e levada ao conhecimento de toda a Irmandade. 
Nossa EXPERIÊNCIA comprova a veracidade dessa afirmação. 
Quando estávamos mental e emocionalmente doentes, éramos Incapazes 
de aproximar-nos das pessoas, de amá-las ou sentir prazer em sua 
companhia. Distanciávamo-nos assim de Deus por força dessa maneira 
de proceder, e não nos sentíamos bem, não éramos felizes. Quando 
aprendemos a aproximar-nos das pessoas, entretanto, a amá-las, a sentir 
prazer em sua companhia, passamos então a sentir- nos perto de Deus, e 
nossos problemas mentais e emocionais acabaram desaparecendo» 
Devemos essa mudança à aplicação dos Doze Passos do Programa. 
Qualquer pessoa que também se disponha a fazer o mesmo poderá 
igualmente recuperar-se e encontrar uma vida plena de alegria e 
felicidade. 
Conforme afirma a ciência, o homem é um animal social que tem 
absoluta necessidade de manter relações cordiais, prazerosas, com seus 
semelhantes. Se o relacionamento social de uma pessoa apresenta algo de 
errado, essa pessoa está mental e emocionalmente doente. Não é sem 
razão que a psiquiatria tem sido muitas vezes definida como sendo o 
estudo e tratamento das relações interpessoais. A religião vem há séculos 
afirmando a mesma coisa, embora com palavras diferentes, como nos 
seguintes exemplos: "Ama a teu próximo como a ti mesmo", "Faze aos 
outros o que gostarias que eles te fizessem", "Amor", "Serviço", "Ajudai-
vos uns aos outros", etc. E Neuróticos Anônimos também diz exatamente 
o mesmo, oferecendo-nos ainda, graças a Deus, um meio de 
conseguirmos sentir amor, proximidade e harmonia em relação aos 
nossos semelhantes, a Deus, e à humanidade em geral. 
No que nos diz respeito, não conseguimos encontrar nenhum outro 
meio de alcançar a recuperação e permanecermos recuperados. 
Acreditamos mesmo que não exista nenhum outro meio. Embora quase 
todos nós tenhamos tentado os sistemas conhecidosde proporcionar 
ajuda para sair da neurose, foi somente quando viemos para este 
Programa que aprendemos a amar os nossos companheiros e 
descobrimos Deus segundo o nosso entendimento, Esse amor foi depois 
crescendo até abranger todas as pessoas, a humanidade toda. Foi assim 
que conseguimos recuperar-nos, e é nisso exatamente que consiste a 
recuperação. 
Tivemos de passar por duras experiências antes de descobrirmos que 
Deus é amor e se manifesta através das pessoas. Asseguramos que isso 
não é uma simples teoria ou resultado de uma fé cega. É uma VERDADE 
ABSOLUTA. FOI REALMENTE QUANDO APRENDEMOS A 
AMAR E A NOS APROXIMAR DAS PESSOAS QUE 
DESCOBRIMOS DEUS SEGUNDO O NOSSO ENTENDIMENTO E 
COMEÇ AMOS A NOS SENTIR BEM PRÓXIMOS DELE. Depois de 
tudo mais haver fracassado, foi assim que conseguimos recuperar-nos, o 
que para nós é prova suficiente de que estamos, de fato, diante de uma 
verdade. 
Quando ainda estávamos doentes, receosos das pessoas e delas nos 
mantendo afastados, nós nos sentíamos infelizes, não víamos nenhum 
propósito em nossas vidas e nada nos parecia fazer sentido. Foi somente 
quando aprendemos a amar e a nos aproximar das pessoas que nossas 
vidas passaram a ter propósito, a fazer sentido. 
Vimo-nos, então, tomados de energia e felicidade. Somos, portanto, 
prova viva de que essa é realmente a maneira de as pessoas se 
recuperarem e permanecerem recuperadas. 
Embora já estejamos recuperados e usufruindo a companhia das 
pessoas e de Deus, procuramos sempre progredir e intensificar essa 
proximidade, bem como a alegria e felicidade dela resultantes, o que 
significa, sem dúvida nenhuma, crescimento espiritual. A medida que 
avançamos nesse crescimento, verificamos que vamos nos sentindo, na 
verdade, cada vez "melhor do que simplesmente bem". 
Fazemos aqui um convite, a todos em geral, para que façam um teste 
muito simples. Trata-se de um teste tão válido quanto qualquer 
experiência no campo da química ou da física. É prático, perfeitamente 
comprovável e FUNCIONA SEMPRE, nunca falha. Consiste no 
seguinte: apliquem o Programa para que aprendam a aproximar-se das 
pessoas e de Deus. Irão com toda a certeza verificar que estarão se 
sentindo muito bem. 
Acreditem nas palavras daqueles que por muitos anos se 
mantiveram isolados e, portanto, doentes, mas que aprenderam a 
aproximar-se das pessoas e de Deus, quando afirmam: "QUANTO MAIS 
PERTO ESTIVERMOS DAS PESSOAS, MAIS 
PERTO DE DEUS NÓS ESTAREMOS". 
* 
UMA AFIRMAÇ Ã O QUE SINTETIZA A RECUPERAÇ Ã O EM N/A: 
"AGORA EU AMO AS PESSOAS" 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de abril de 1968) 
Agradecemos a Deus por ter acontecido conosco também. 
Freqüentemente ouvimos muitos companheiros afirmarem a mesma 
coisa: "Agora eu amo as pessoas". Essa é a marca da recuperação em 
Neuróticos Anônimos. Quando um companheiro nos diz isso, sabemos 
que ele está bem. Estas palavras apenas: "Agora eu amo as pessoas". 
Assim afirmando, ele demonstra ter aderido firmemente ao Programa de 
N/A e descoberto uma vida nova, encontrando-se, portanto, a caminho de 
um futuro mais promissor do que nunca. 
Quando é um companheiro novo que nos faz essa revelação, 
sabemos que ele já está preparado para dar seu depoimento, coordenar 
reuniões e dedicar-se ao trabalho sugerido no Décimo-Segundo Passo. 
Ouvimos com prazer sua história de recuperação. Alegramo-nos e nos 
sentimos profundamente gratos, pois é outra vida que se salva, outro 
doente que se recupera. Testemunhamos assim, mais uma vez, o milagre 
de uma vida que se liberta da doença emocional e se torna saudável, 
plena de satisfações. Ao afirmar "Agora eu amo as pessoas", um novo 
brilho aparece no rosto do companheiro, do qual ele geralmente nem se 
dá conta, mostrando-se mesmo surpreso quando fica sabendo. E comum 
ele acrescentar, como que em segredo, irradiando a saúde recém- 
adquirida: "Estou amando as pessoas pela primeira vez na minha vida". 
Começa então a falai-, demonstrando já ter adquirido moderação e 
sensatez. Nós o ouvimos com atenção. Sua vida se abre toda como uma 
flor que desabrocha. Para trás ficaram a depressão, a ansiedade, a 
insónia, os temores e todas as demais emoções torturantes que, por 
muitos e muitos anos, a ele, como a todos nós, tanto sofrimento 
causaram. E para trás tudo isso ficará enquanto continuarmos vi vendo 
como pessoas que aprenderam a amai". 
Dois amigos nossos, ambos psicólogos com grau de doutoramento, 
afirmaram-nos que a "saúde mental consiste no interesse e no amor pelas 
pessoas, bem como no desejo de ajudá- las". Em N/A, alcançamos a 
recuperação aprendendo justamente a nos interessar pelos nossos 
semelhantes, bem como a amá-los e ajudá-los. N/A é de fato uma forma 
de se alcançar a saúde mental, como bem expressa o enunciado do 
Décimo-Segundo Passo: 'Tendo experimentado um despertar espiritual, 
graças a estes Passos, ............................................................................. 
Aprender a amar os semelhantes é A CURA para a doença mental e 
emocional. Quando uma pessoa aprende a amar as outras, seus problemas 
ou acabam desaparecendo ou passam a ser inteligentemente enfrentados. 
O retraimento e a solidão desaparecem completamente, pois agora ela 
ama seus semelhantes e sente prazer em sua companhia. Procura-os e 
nunca se sente solitária, mesmo estando só, porque esse magnífico 
sentimento - o amor - ela o tem sempre presente, e não apenas quando se 
encontra junto a outras pessoas. 
Quando abrange toda a humanidade, o amor confere propósito e um 
profundo significado à vida. Tudo adquire grande valor. O tédio e a falta 
de interesse desaparecem. E passam a ter sentido coisas tais como cuidar 
do jardim, por exemplo, remover o lixo, lavar a louça, tirar o pó dos 
móveis, e outras tarefas mais da mesma natureza, as quais, quando ainda 
doentes, nós achávamos que eram uma tremenda amolação. 
Fazemos agora um convite a todos os que acham que sua vida 
poderia ser melhor para que aprendam a "amar as pessoas". PODEMOS 
ASSEGURAR QUE NUNCA VIMOS UMA PESSOA QUE TENHA 
APRENDIDO A AMAR SEUS SEMELHANTES DEIXAR DE 
ALCANÇ AR A RECUPERAÇ Ã O. 
PRECISAMOS DAS PESSOAS E PODEMOS ENCONTRÁ -LAS POR 
INTENÉDIO DE N/A: O MILAGRE DAS RECUPERAÇ ÕES 
PROPORCIONADAS POR NEURÓTICOS ANÔNIMOS (Transcrito do 
JOURNAL OF MENTAL HEALTH de janeiro de 1967) 
Campos do conhecimento humano têm afirmado que o homem é um 
animal social que precisa de seus semelhantes de muitas maneiras e por 
vários motivos, tais como sociabilidade, compreensão, amor, 
companheirismo, cooperação, encorajamento, deles também dependendo, 
naturalmente, para que não lhe falte o necessário para viver: alimentação, 
moradia, trabalho, etc. 
Pessoa feliz é aquela que sabe manter um relacionamento cordial e 
afetuoso com seus semelhantes. Infeliz é a que se mantém afastada deles, 
que não é capaz de ser cordial, afetuosa, compreensiva, e que, por isso 
mesmo, acaba se sentindo abandonada, sozinha. A vida da pessoa que 
ama seus semelhantes é plena de satisfações, repleta de sentido e de 
propósito. A vida da que não tem amor para dar, vale dizer, da que se 
encontra emocionalmente doente, pela falta de proximidade com seus 
semelhantes, essa vida é insípida, angustiada, infeliz, e nela a pessoa não 
consegue ver nenhum propósito, nenhum sentido. Seu sofrimento e 
isolamento, portanto, só tendem a piorar. 
Pelo que vimos acima, podemos claramente perceber que 
PRECISAMOS MESMO DAS PESSOAS. O doente emocional não sabe 
o que é usufruir os benefícios resultantes de contatos humanos cordiais, 
afetuosos. Ele não aprendeu a amar seus semelhantes. A psiquiatria tem 
sido muitas vezes definida como sendo o "estudo das relações 
interpessoais". A religião também enfatiza a aproximação e o amor entre 
as pessoas, como, por exemplo, quando diz "Ama a teu próximo". E não 
há alternativa. Se o nosso propósito é viver felizes, PRECISAMOS 
realmenteamar os nossos semelhantes. Quem se isola, qualquer que seja 
sua condição financeira ou posição social, irá sem dúvida sofrer. Falta-
lhe a capacidade de aproximar-se das pessoas. A EXPERIÊNCIA VEM 
CONPRO VANDO QUE AMAR OS NOSSOS SEMELHANTES É, 
SEM SOMBRA DE DÚVIDA, UMA LEI ABSOLUTA DA VIDA. 
Qualquer desvio dessa LEI acarreta um inevitável e terrível sofrimento 
emocional ou coisa ainda pior, como a morte pelo suicídio por exemplo. 
A pessoa desprovida da capacidade de amar, entretanto, tem uma 
saída. Ela poderá modificar-se e APRENDER A AMAR, DESDE QUE 
ASSIM O DESEJE. Existe um meio de se aprender a amar, recuperar-se 
e ser feliz. Muita gente já o conseguiu por intermédio de Neuróticos 
Anônimos, dessa forma descobrindo uma vida nova e plenamente feliz. 
Qualquer pessoa que também almeje essa nova vida poderá fazer a 
mesma coisa. 
Para aprender a amar, é preciso passar primeiro por uma experiência 
de amor, uma vez que esse sentimento não pode ser criado por um ato da 
vontade ou pelo intelecto. Se você não acredita, tente obrigar-se a amar 
uma pessoa com quem não se simpatize ou que lhe desperte raiva e 
hostilidade. Você não conseguirá. 
Como se pode ter uma primeira experiência de amor? Neuróticos 
Anônimos não somente tem a resposta, como também proporciona essa 
primeira experiência aos que a desejam. Como se trata de um despertar 
ou de um novo despertar de amor, essa experiência é algo de suma 
importância que N/A oferece ao recém-chegado, a primeira coisa, 
provavelmente, que ele vivência em nossa Irmandade. 
Tudo se passa mais ou menos da seguinte maneira: o recém- 
chegado, bem doente quase sempre, sente-se temeroso das pessoas, coisa 
aliás que já deve vir sentindo há muito tempo, embora procure 
racionalizar dizendo que não gosta mesmo das pessoas e que nelas não vê 
"nada de bom". Mas ao participar da reunião, ele percebe que muitas 
pessoas o acolhem, sorrindo e demonstrando alegria, sinceramente 
interessadas em ajudá-lo. Elas relatam suas experiências com a doença, 
francamente e sem nenhum acanhamento, e se esforçam para fazê-lo 
sentir-se à vontade. E o que é mais importante ainda, elas o tratam com 
amor e lhe oferecem ajuda sem qualquer preocupação de ganho pessoal. 
Em geral, ele logo reage favoravelmente ao amor e ajuda com que 
se vê envolvido, passando a sentir em si mesmo o nascimento, ou 
renascimento, dessa emoção positiva que é o amor. Muitos chegam 
mesmo a dizer: "Existe Algo aqui. Não sei bem o que é, mas Alguma 
Coisa certamente existe, pois nunca me senti tão bem assim". Para nós, 
em N/A, esse Algo sempre presente em nossas reuniões é DEUS segundo 
o nosso entendimento. 
E praticamente impossível a quem procura N/A não perceber que os 
companheiros procuram prestar-lhe ajuda, como também praticamente 
impossível lhe será sentir raiva ou alimentar suspeita ou má vontade em 
relação a eles. Não pode deixar de gostar de quem lhe diz: "Compreendo 
perfeitamente como você se sente. Eu também me sentia assim. Sofria de 
depressão e até cheguei a tentai" o suicídio. Recorri a psiquiatras e tomei 
muitos remédios. Embora não tivesse a menor esperança e me sentisse 
abandonado, encontrei ajuda e um meio de livrar-me do sofrimento 
emocional. Você também pode libertar-se de seu sofrimento e recuperar-
se como eu. Se me permite, vou mostrar-lhe como foi que o consegui". 
Essa demonstração de amor e companheirismo em N/A é irresistível. 
O que Neuróticos Anônimos oferece, portanto, é algo realmente 
extraordinário, pois se trata de amor, companheirismo e orientação por 
parte de pessoas que já estiveram doentes e se recuperaram. Isso, 
juntamente com Deus segundo O concebemos, os Doze Passos e as 
nossas reuniões, resultam em uma combinação imbatível oferecida ao 
recém-chegado desejoso de recuperar-se. N/A também apresenta provas 
reais, que são as pessoas que se recuperaram, de que é perfeitamente 
possível curar-se da doença emocional em nossa Irmandade. Onde mais 
se apresentam provas de que um determinado sistema realmente 
funciona? 
Em Neuróticos Anônimos, aprendemos a amar as pessoas, pois o 
amor recupera, acaba de vez com o isolamento neurótico, proporciona 
felicidade e dá propósito e sentido à vida. Pergunte a um membro de N/A 
o que significa "sentido e propósito" na vida. Suaresposta certamente 
será: "AMOR E SERVIÇ O AO PRÓXIMO". De fato, AMOR E 
SERVIÇ O AO PRÓXIMO CONSTITUEM A NORMA DE UMA VIDA 
PLENA DE FELICIDADE, BEM COMO, SEM DÚVIDA NENHUMA, 
A CURA DA DOENÇ A EMOCIONAL. 
Está aí, portanto, o MILAGRE DAS RECUPERAÇ ÕES 
PROPORCIONADAS POR NEURÓTICOS ANÔNIMOS. Trata-se 
fundamentalmente de um método de aprender a amar e servir ao 
próximo, uma lição que se assimila com a ajuda da experiência de outras 
pessoas e pela GRAÇ A DE DEUS, segundo O entendemos» 
AGRADECEMOS A DEUS POR NEURÓTICOS ANÔNIMOS, 
ASSIM COMO AGRADECEMOS A NEURÓTICOS ANÔNIMOS 
POR DEUS. Tendo aprendido a amar e a ser úteis aos nossos 
semelhantes, CONSEGUIMOS LIBERTAR-NOS DA DOENÇ A 
EMOCIONAL E FOMOS AQUINHOADOS COM UMA VIDA 
PLENAMENTE FELIZ. Mais não poderíamos pedir. RECEBEMOS EM 
ABUNDÂNCIA, e nossa gratidão será imorredoura. 
SAÚDE MENTAL É TER AMOR E CARINHO PELAS PESSOAS E 
SENTIR-SE PRÓXIMO DELAS 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de setembro de 1967) 
Essa afirmação de que "Saúde mental é ter amor e carinho pelas 
pessoas e sentir-se próximo delas", feita pelo Dr. Dennis 0'Donovan em 
uma entrevista sobre Neuróticos Anônimos transmitida pela televisão 
americana, expressa o que de há muito vimos repetindo nas páginas do 
JOURNAL. Temos sempre sustentado que saúde mental é amar as 
pessoas, ter consideração por elas e procurar servi- las. (Ver "A Resposta 
para a Doença Emocional: AMOR", no JOURNAL de novembro de 
1965). 
O que havia de errado conosco - e o que há de errado com todas as 
pessoas emocionalmente doentes - era a incapacidade de amar. 
Incapacidade de amar as pessoas, a nós mesmos, a Deus. Incapacidade de 
amar a natureza, a vida, a humanidade. Essa era a causa incontestável de 
nossa doença, não havia outra. E possível que pensássemos, e de fato 
chegamos mesmo a pensar, que nossa doença era causada por certos 
problemas. Na verdade, porém, esses problemas eram apenas 
conseqüências do nosso egoísmo e incapacidade de amar. 
A prova infalível do que estamos dizendo está no fato de que 
conseguimos curar-nos aprendendo a amar. Aprender a amar, nada mais 
do que isso, garante a cura. Quando se aprende a amar, a doença mental e 
emocional desaparece e os problemas passam a ser encarados sem 
distorção. 
A incapacidade de amar leva ao isolamento e à infelicidade, impede 
o bom relacionamento com as pessoas, inclusive com a própria família, e 
causa todas as demais dificuldades. Quem não sente amor não consegue 
ter paz em parte alguma. Quem ama encontra paz em qualquer lugar. 
"O amor faz o mundo girar", "O amor tudo pode" são expressões 
que já temos ouvido. O que elas na verdade querem dizer é que amar as 
pessoas significa saúde mental. 
Estamos felizes pelo fato de essa verdade haver sido expressa por 
um profissional no campo da saúde mental, ao afirmar que "Saúde 
mental é ter amor e carinho pelas pessoas e sentir-se próximo delas". 
Concordamos plenamente, e podemos mesmo resumir tudo o que aqui foi 
declarado na seguinte e breve expressão: 
AMAR Á S PESSOAS É SAÚDE MENTAL 
-25- 
OBJETIVO: SAÚDE MENTAL 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de maio de 1968) 
A pessoa que deseja ter saúde mental, ser feliz, usufruir uma vida 
plena de satisfações, sem dúvida nenhuma poderá conseguir tudo isso. 
Não há desculpa para que não o consiga, pois existe um meio de adquirir 
saúde mental, emocional, espiritual e física. Sabemos que existe, porque 
NÓS JÁ O ENCONTRAMOS. E queremos agora colocá-lo à disposição 
de todos. 
E preciso apenas que a pessoa tome a decisão de querer ficar boa 
e se entregue à prática diária deum programa simples de recuperação, a 
fim de que possa adquirir e conservar a saúde mental. Estamos falando 
do PROGRAMA DE RECUPERAÇ Ã O DE NEURÓTICOS 
ANÔNIMOS, que realmente funciona, como já tem sido comprovado por 
muita gente. 
Ela deve fazer da recuperação a sua meta, ter como objetivo a saúde 
mental. E não deixar que nada se interponha em seu caminho. Se dedicar 
ao trabalho de recuperar-se e manter-se recuperada uma fração do 
esforço que lhe tem custado viver mental e emocionalmente doente, 
podemos assegurai' que irá alcançai" esse objetivo. 
É de fato necessário que ponha a recuperação em primeiro lugar. 
Seu objetivo, como já dissemos, deve ser a saúde mental. Se refletir um 
pouco, ela compreenderá que sem saúde mental, não conseguirá as coisas 
que possa estar almejando. Sem saúde mental, não conseguirá manter-se 
num emprego, por exemplo, dar-se bem com a família e os amigos, pagar 
o carro, enfim, não conseguirá usufruir a vida nem sentir-se bem junto às 
outras pessoas. Não encontrará alegria em parte alguma e nada lhe 
proporcionará satisfação. Antes de mais nada, é preciso ter saúde mental, 
uma vez que essa saúde é o alicerce sobre o qual se pode construir uma 
vida realmente digna de ser vivida. 
Todo o seu empenho deve ser empregado no sentido de recuperar-se 
e manter-se recuperada. E a única maneira de poder usufruir uma vida 
útil e compensadora. Assim como a doença provoca mais doença, a 
saúde também proporciona mais saúde. A realidade é essa, não podemos 
mudá-la. Se continuar doente, a pessoa irá perder tudo. Se recuperar-se, 
conseguirá e lhe será proporcionado tudo o que lhe seja necessário. O 
único objetivo, portanto, que realmente deve ser atingido é a saúde em 
sua totalidade, isto é, saúde mental, emocional, espiritual e física. E tudo 
isso pode ser conseguido em Neuróticos Anônimos. Será que vale a pena 
contentar-se com menos? 
Sabemos que algumas pessoas poderão a esta altura argumentar: 
"Muito bem, mas não podemos nos esquecer de que existem doenças 
/ 
físicas para as quais ainda não há cura". E verdade. Podemos, porém, 
afirmar que todo aquele que tiver a saúde de que estamos falando saberá 
suportar as limitações impostas por uma doença física a respeito da qual 
nada ainda possa ser feito. Por contraditório que de certa forma possa 
parecer, quando uma pessoa se sente bem e feliz interiormente, ela é 
capaz de aceitar as coisas que não podem ser modificadas. E quando se 
está bem e feliz, que mais se pode desejar? 
Sabemos de pessoas que morreram de doenças tais como o câncer 
com um sorriso nos lábios. Estavam realmente bem e felizes. Mostraram-
se animadas, cheias de vida e alegria de viver até o último momento. 
QUE VIDA ADMIRÁ VEL ELAS TIVERAM. Foram, na verdade, seres 
humanos corajosos e felizes. 
Quando uma pessoa adquire a saúde de que estamos falando, seu 
corpo físico passa a funcionar adequadamente, como aliás foi destinado a 
funcionar, e somente uma causa exterior - um ferimento ou um 
microorganismo causador de doença orgânica - poderá prejudicá-lo. 
Desaparecerão as dores e sofrimentos psicossomáticos, que hoje são 
responsáveis por bem mais da metade das enfermidades e visitas aos 
consultórios médicos. Em quase todos os casos, quem se recupera 
mental, emocional e espiritualmente, passa a sentir-se bem fisicamente 
também . Mesmo que já exista uma doença orgânica, ela será por certo 
aliviada com a remoção dos agravantes emocionais. Pode até ser que 
desapareça por completo. 
Temos companheiros em N/A que se libertaram de doenças que por 
muito tempo foram consideradas orgânicas, tais como reações alérgicas, 
artrite, asma, úlceras, gagueira. Lemos recentemente num jornal que uma 
equipe de pesquisas médicas descobriu indícios de uma ligação da 
doença emocional com o câncer e a tuberculose. É até bem possível que 
essas duas enfermidades também acabem sendo consideradas 
psicossomáticas. Se isso ficar provado, Neuróticos Anônimos irá por 
certo curá-las, porque até agora N/A tem dado resultado em tudo que lhe 
diz respeito. 
Se enfermidades tais como o câncer e a tuberculose não forem na 
realidade psicossomáticas, mas se manifestam, isto é, encontram 
condições para se manifestar por causa da doença emocional, então N/A 
também terá efeito sobre elas. Milagres acontecem quando alguém se 
recupera emocionalmente. Essas enfermidades podem até desaparecer. 
Sabemos que os germes do resfriado estão sempre presentes, porém não 
é sempre que ficamos resfriados. Eles só atacam quando a defesa 
orgânica está enfraquecida. Portanto, é quando o corpo se ressente de 
problemas emocionais que os resfriados podem surgir. Existem indícios 
de que é isso mesmo o que acontece. 
Há companheiros que nos afirmam não terem ficado resfriados desde 
/ 
que ingressaram em Neuróticos Anônimos. E até bem possível que os 
demais germes e vírus se comportem da mesma forma. Nesse caso, os 
bacilos da tuberculose, por exemplo, que podem estar sempre presentes, 
só conseguiriam um ponto de apoio para atacar quando a pessoa se 
encontrasse emocionalmente doente. 
Uma vez que a mente exerce controle sobre o corpo, é razoável 
supor que a saúde física resulte de uma mente sadia, e, a doença física, 
de uma mente enferma. Como isso está no campo das possibilidades, 
pode até ser que todas as doenças humanas sejam causadas por distúrbios 
mentais e emocionais. Não podemos negar que saúde gera saúde, da 
mesma forma que doença gera doença. 
Os chamados milagres que a história registra, quando curas foram 
realizadas, basearam-se todos eles na fé e em uma mudança na 
personalidade dos doentes. Os milagres de Lourdes, bem como os 
atribuídos ao ministério de Jesus Cristo, também tiveram por base, além 
dessa mudança, a recuperação que os enfermos conseguiram como 
resultado de terem aprendido a amar. 
Sugerimos que você também experimente o nosso método de 
recuperação, se for de sua vontade, e constate a veracidade do que lhe 
dizemos: você poderá recuperar-se e ser feliz. Não pedimos que acredite 
sem que tenha uma prova. Faça um teste. Aplique o nosso método e veja 
os resultados positivos, miraculosos mesmo. Se você é uma pessoa 
"analítica", "científica", experimente N/A para recuperar-se. Irá 
certamente verificai" que se trata de um método tão comprovável e 
científico quanto qualquer experiência no campo da física. 
De nossa parte, nosso objetivo será sempre a saúde mental. 
Envidaremos, portanto, todos os esforços no sentido de mantê-la e 
ampliá-la, procurando alcançar situações ainda mais promissoras. 
Convidamo-lo a fazer-nos companhia a fim de que, juntos, possamos 
compartilhai- esse mesmo OBJETIVO: SAÚDE MENTAL. 
* 
EXISTE REAL RECUPERAÇ AO EM NEUROTÍCOS ANONIMOS 
PARA A PESSOA QUE PASSA A TER PERCEPÇ Ã O DA 
VERDADEIRA NATUREZA INTERIOR DE SEU ESTADO 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de abril de 1967) 
Psiquiatras, médicos, psicólogos e religiosos já demonstraram 
estar de acordo com a nossa experiência de que EXISTE REAL 
RECUPER AÇ Ã O EM NEURÓTICOS ANÔNIMOS PARA A PESSOA 
QUE PASSA A TER PERCEPÇ Ã O DA VERDADEIRA NATUREZA 
INTERIOR DE SEU ESTADO. Muitos desses profissionais nos 
afirmaram que se trata realmente de uma verdade. O que aqui 
entendemos por esse tipo de percepção é chegar a pessoa a conhecer-se 
como realmente é, admitindo seus defeitos de caráter e a parte ativa que 
ela própria desempenha em sua enfermidade. Quando adquire esse 
conhecimento honesto de si mesma, a pessoa já está dando início ao seu 
processo de recuperação. Contrariamente, não haverá recuperação para 
ela se não houver esse autoconhecimento. 
O autoconhecimento de que estamos falando se obtém mediante a 
prática do Programa de N/A. Muitas pessoas já o conseguiram, provando 
assim a veracidade de nossa afirmativa. Um autoconhecimento honesto é 
parte indispensável do Programa de N/ A, razão pela qual procuramos 
salientar a grandeimportância do Quarto Passo, o Passo do Inventário 
Moral. 
A pessoa que evita esse autoconhecimento está na verdade se 
condenando ao fracasso. Não conseguirá recuperar-se enquanto não se 
encarar com toda a honestidade. Poderá conseguir algum alívio 
temporário com a prática de alguns Passos, porém não conseguirá 
recuperar-se enquanto não praticar todos cies da melhor maneira 
possível, inclusive o que sugere o inventário moral. 
Quando a percepção de que estamos falando é obtida, a pessoa 
passa a sentir-se outra, quer dizer, ela fica sabendo de coisas a respeito de 
si mesma, das quais nem suspeitava, podendo então cuidar de corrigir 
seus defeitos de caráter. 
As pessoas que se mostram realmente recuperadas tiveram todas 
elas uma honesta percepção da verdadeira natureza interior de seu 
próprio estado. Depois de conseguir esse autoconhecimento e da prática 
dos outros onze Passos, elas agora se sentem pessoas diferentes, 
recuperadas de verdade. Não somos os únicos a constatar isso, uma vez 
que profissionais no campo da saúde mental também as consideram de 
fato recuperadas. 
Como não é de hoje que vimos afirmando o que acima foi relatado, é 
muito bom ficar sabendo que não são poucos os profissionais que 
concordam conosco e também declaram que EXISTE REAL 
RECUPERAÇ Ã O EM NEURÓTICOS ANÔNIMOS PARA A PESSOA 
QUE PASSA A TER PERCEPÇ Ã O DA VERDADEIRA NATUREZA 
INTERIOR DE SEU ESTADO. Não poderíamos pedir mais. 
* 
SE VOCÊ PRETENDE CONTINUAR POENTE, ISSO É 
PROBLEMA SEU. SE QUISER RECUPERAR-SE EM 
NEURÓTICOS ANÔNIMOS, ISSO ENTÃ O É CONOSCO 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de agosto de 
1969) 
Qualquer pessoa poderá curar-se da doença mental e emocional, 
desde que seja esse realmente o seu desejo e sinceramente se disponha a 
pôr em prática um programa que proporciona saúde mental e emocional e 
uma vida plena de satisfações. Estamos nos referindo ao Programa de 
Neuróticos Anônimos, que é na verdade um processo mediante o qual a 
pessoa não somente se recupera como se mantém recuperada. Sabemos 
disso porque em N/A conseguimos recuperar- nos e manter-nos 
recuperados, e porque vemos que sempre há novas pessoas também se 
recuperando como nós. 
s 
E preciso, porém, que a pessoa doente esteja preparada para 
recuperar-se e manter-se recuperada, o que significa que ela já deve ter 
sofrido o bastante para sentir-se "farta de estai' doente". É preciso que ela 
queira curar-se acima de tudo neste mundo, e esteja realmente disposta a 
ouvir, aprender e aplicar o nosso método de recuperação. Se achar de 
fazer restrições e não quiser abrir mão de alguns dos seus hábitos 
nocivos, irá certamente continuar doente e infeliz. E preciso que ela 
queira mudar seu temperamento, adotar um novo modo de vida de sadias 
compensações. 
Se quiser reservar-se o "direito" de se encolerizar, ficar ressentida, 
viver cheia de autopiedade, achar que as outras pessoas é que são a causa 
de suas dificuldades, o que ela está pretendendo mesmo é permanecer 
doente, e isso é problema seu. O que faz de sua vida é coisa que somente 
a ela diz respeito. Poderá persistir na doença e até levá-la consigo para o 
túmulo se assim o desejai-. Irá por certo magoar ou prejudicar muita 
gente, mas isso também é problema seu. 
Quanto às pessoas que por ela se sentem prejudicadas, achamos que 
deveriam ter o bom senso de não se deixarem atingir. 
Enquanto a pessoa teimar em apegar-se à sua doença, o que para ela 
pode até se mostrar muito conveniente, não haverá força humana capaz 
de ajudá-la. Quando realmente desejar recuperar-se, ajuda não lhe faltará. 
Muita gente estará à sua espera, pronta para ajuda-la. E por isso que 
dizemos: Se você pretende continuar doente, isso é problema seu. Trata-
se da sua vida, e dela você pode fazer o que bem entender. 
Agora, se ela demonstra estar realmente desejosa de recuperar- se e 
manter-se recuperada, isso passa a nos interessar também, porque 
sabemos que existe um meio de alcançar a cura. E por esse motivo que 
acrescentamos: Se você quiser recuperar-se, isso então é conosco. A 
pessoa poderá vir para N/A, libertar-se de sua enfermidade e encontrar a 
saúde desejada. Precisa, entretanto, estar buscando exatamente isso, nada 
mais do que isso. 
A pessoa que vive se lamentando, choramingando, narrando suas 
dificuldades, está na verdade se entregando à doença, preferindo 
continuar doente, e isso é problema unicamente seu. Em N/A, não 
permitimos que nos use para alimentai" sua doença, dar vazão à sua 
autopiedade e ao hábito de culpar e criticar as outras pessoas, demonstrar 
menosprezo à vida e ao mundo, procurar ser o alvo da atenção geral, 
merecedora de compaixão. Se deseja continuai" desse jeito, que o faça 
em qualquer outro lugar, não precisa vir tomar o nosso tempo. N/A é 
construtivo. Nosso propósito é prestar ajuda às pessoas doentes para que 
se recuperem e sejam capazes de encontrar solução para os seus 
problemas, e não para que continuem doentes, alimentando esses 
mesmos problemas. EM N/A, NÃ O NOS DEIXAMOS ENVOLVER 
COM PROBLEMAS. CUIDAMOS, ISTO SIM, DE SOLUÇ ÕES. 
Para a pessoa que de fato esteja disposta a curar-se, realmente 
desejosa de recuperar-se e manter-se recuperada, N/A é o lugar certo. 
Essa pessoa vai certamente assimilar o que ouve nas reuniões, estudar a 
literatura de N/A e dedicar-se a pratica dos 12 Passos sugeridos pelo 
Programa. Conseguirá recuperar-se sem dúvida nenhuma. Sua aplicação 
ao Programa será logo generosamente recompensada. Não podemos nos 
esquecer de que só se colhe o que se planta. A pessoa que se entrega a 
lamentações, que vive se queixando, não consegue nenhuma melhora. A 
que se esforça para recuperar-se e manter- se recuperada, que se dedica 
de verdade à prática do Programa, essa logo estará se sentindo saudável, 
feliz, livre da angústia mental e emocional. 
Sugerimos à pessoa que se entrega a lamúrias e só deseja contar 
detalhes dolorosos de suas dificuldades, que se compenetre de que, se 
suas queixas e a "triste" história de sua vida nada lhe proporcionaram a 
não ser infelicidade, então já está mais do que na hora de mudar. Essa 
maneira de proceder fracassou. O que deve fazer é procurar outra, pois 
nada pior do que a presente situação. Queixas e histórias de sofrimentos 
obviamente só servirão para deixá-la mais doente ainda. Entretanto, se 
ela sente prazer em ser assim, isso é problema unicamente Seu. 
No que nos diz respeito, somos pessoas que se cansaram de ser 
doentes e de viver se queixando, desfiando um rosário de sofrimentos. 
Não queríamos mais ficar entregues a lamentações, ficar falando da 
nossa "fossa". O que queríamos na verdade era recuperar-nos e entrar 
para o rol das pessoas sadias. Tínhamos estado o tempo todo mental e 
emocionalmente doentes, e o nosso desejo 
era acabar com esse sofrimento. Tínhamos chorado muito nos ombros 
/ 
dos outros, inclusive de profissionais, e ESTA VAMOS FARTOS disso. 
Queríamos sarar e deixai" que os outros pudessem desabafar um pouco 
conosco também. Achávamos justo procurar retribuir o que havíamos 
recebido. E dizíamos para nós mesmos: "Chega de doença. 
Queremos recuperar-nos a qualquer preço, libertar-nos de uma vez dessa 
mania de mendigar compaixão, ser alvo de preocupações, impor a nossa 
própria vontade. Vamos recuperar-nos sim, é isso mesmo o que vamos 
fazer". 
Para quem já esteja realmente disposto a recuperar-se, temos boas 
notícias: há um milagre à sua espera em N/A, onde poderá libertar-se de 
seu sofrimento. E isso nos diz respeito também. Vamos apresentar-lhe 
o Programa de N/A e tudo o que ele lhe pode 
s 
proporcionar. E sua, porém, a escolha: 
SE VOCÊ PRETENDE CONTINUAR DOENTE, ISSO É PROBLEMA 
SEU. SE QUISER RECUPERAR-SE, EM NEURÓTICOS ANÔNIMOS, 
ISSO ENTÃ O É CONOSCO. 
* 
UMA ORAÇ Ã O PARA TODOS OS MOMENTOS, POR GROVER. 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de dezembro de 1966) 
Agradeço a Deus, segundoo meu entendimento, por me haver 
concedido a capacidade de amar e removido meu desmedido egoísmo. 
Peço-Lhe humildemente que continue dando-me força e discernimento 
para que eu não deixe de me conduzir, todos os dias, um dia de cada vez, 
segundo o novo modo de vida que me foi proporcionado, e que jamais eu 
volte a ser aquela criatura tão estranha que era, se isso for de Sua 
vontade. 
Sei agora que, quando doente, eu estava cheio de egoísmo e me 
faltava a capacidade de amar. Era essa a minha doença, e aí estava 
também a sua causa. Eu queria de todo modo receber amor das pessoas, 
embora não tivesse amor para lhes dar. Egoisticamente, procurava como 
que arrancá-lo dos outros. E só me interessava pelo que fosse do meu 
desejo, só me preocupava com a influência que as coisas pudessem 
exercer sobre mim. 
Agora cu amo as pessoas e me interesso por elas. Já não me 
preocupo tanto comigo mesmo. E pelo fato de amá-las e por elas me 
interessar, tenho recebido amor em abundância - um amor que ultrapassa 
os limites da compreensão humana. Além de receber amor, tenho sido 
beneficiado também com a capacidade de ser feliz, de usufruir uma vida 
plena de satisfações. E tudo isso porque Deus, segundo o meu 
entendimento, me ensinou a amar meus semelhantes e a lutar contra o 
meu egoísmo. Descobri assim que o amor que se recebe e uma vida de 
abundante felicidade resultam do desprendimento e da capacidade de dar 
amor, e que, inversamente, a doença emocional é conseqüência do 
egoísmo e da falta de amor ao próximo. Essa compreensão me foi 
concedida por Deus, segundo o meu entendimento, não resultou de 
nenhum processo mental. 
Essa mesma dádiva pode ser concedida a quem quer que se prepare 
para recebê-la. Todo ser humano pode ser sadio, feliz, cheio de vida e 
alegria de viver, desde que se decida a fazer a sua parte. Essa é a bênção - 
o milagre - que NUNCA falha. Sinto-me, portanto, profundamente 
agradecido. 
* 
UM PSIQUIATRA FALA SOBRE NEUROTICOS ANONIMOS 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de junho de 1968) 
O seguinte artigo sobre Neuróticos Anônimos foi escrito pelo 
médico psiquiatra Dr. Waither H. Lechler, Facharzt für Neurologie li. 
Psychiatrie, 7614 Gengenbach, Am Amselberg 46, Alemanha, e 
publicado inicialmente em alemão no boletim INFORMATION, dos 
grupos de Alcoólicos Anônimos da Alemanha. A tradução para o inglês 
foi feita por Ingrid, do nosso escritório em Washington, D.C. 
DA CRÔNICA DA FAMÍLIA (AUS DER FAMILIENCHRONIK) pelo 
Dr.Waither H. Lechler 
"Em N/A, eles encontraram uma vida nova e plena. Como em A. 
A., eles descobriram na terapia de grupo uma força que os conduzia à 
saúde, força essa aparentemente capaz de remover montanhas de infinito 
sofrimento". 
A História de "Neuróticos Anônimos", também chamada "A 
História de Grover", ainda não se tornou folha amarelada da volumosa 
crônica da família de Alcoólicos Anônimos. Muita gente talvez ainda 
desconheça que o movimento de Alcoólicos Anônimos tem estimulado a 
criação de várias associações irmãs, tais como "Jogadores Anônimos", 
"Comedores Compulsivos Anônimos", "Toxicômanos Anônimos", 
"Ajuda Anônima", "Esquizofrênicos Anônimos". A essa série também 
pertence "Neuróticos Anônimos", fundada nos Estados Unidos por um 
membro de Alcoólicos Anônimos, Grover B., no dia 3 de fevereiro de 
1964. Neuróticos Anônimos (N/A) adotou o mesmo programa de saúde 
de A.A., com a ajuda do qual seus membros finalmente têm se libertado 
do sofrimento psíquico que havia tornado insuportáveis as suas vidas. Os 
Doze Passos e as Doze Tradições representam, em sua correspondente 
forma adaptada, o fundamento do trabalho de Neuróticos Anônimos. 
Seu primeiro boletim, o "Journal of Mental Health", foi 
publicado em Washington, D.C., em setembro de 1965. Em todas as 
histórias que ali aparecem, os doentes descrevem como, através de N/A, 
eles experimentaram alívio e diminuição da depressão, tensão, ansiedade, 
nervosismo, irritabilidade, sensação de insegurança, desnorteamento, 
desamparo, bem como de muitas outras condições mentais igualmente 
penosas. Na procura de ajuda, a maioria dessas pessoas havia inutilmente 
recorrido à medicina, psiquiatria, curandeirismo, ou à orientação 
religiosa. Passaram muitos meses de suas vidas em hospitais. 
Submeteram-se a exames e tratamentos intensivos, tomaram milhares de 
tranqüilizantes, comprimidos para dormir e vitaminas. Pouca coisa, 
porém, mudou para eles. Muitos passaram a ver no suicídio a sua única 
saída. 
Em N/A, porém, eles encontraram uma vida nova e plena. Como em 
A. A., eles descobriram na terapia de grupo uma força que os conduzia à 
saúde, força essa aparentemente capaz de remover montanhas de infinito 
sofrimento. Não é de admirar que essa associação, como aconteceu com 
Alcoólicos Anônimos, está passando por um crescimento muito grande, 
difundindo-se pelo mundo todo. Já se formaram grupos no Canadá, 
Inglaterra, Finlândia, Dinamarca, Israel, Brasil, Uruguai e índia. No dia 5 
de agosto de 1967, realizou-se a primeira reunião alemã no Hospital St. 
Johannes em Hagen-Boele, com neuróticos que já' haviam participado de 
reuniões de A.A. em Hagen. Com sua experiência, Alcoólicos Anônimos 
continua prestando ajuda a esse novo grupo dê N/A. Os doentes que 
participam de ambos os movimentos sentem-se mutuamente 
beneficiados, uma vez que seus problemas se originam de uma fonte 
neurótica comum. 
Fazemos agora uma sugestão: sempre que alguém em sofrimento lhe 
peça ajuda, mostre-lhe o caminho que você encontrou para recuperar-se. 
* 
UMA ASSOCIAÇ Ã O DE SACERDOTES APOIA NEURÓTICOS 
ANÔNIMOS 
(Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de junho de 1969) 
O que apresentamos a seguir foi transcrito da gravação de uma 
palestra feita pelo Padre William MacGrade, da Igreja de St. Anne, em 
Le Sueur, Minnesota, Estados Unidos, na Reunião Aberta de N/A 
realizada naquela cidade, no dia 24 de maio de 1969.0 Padre MacGrade 
estava representando a Associação de Sacerdotes daquela região. 
Eu não sabia que teria de representar a nossa associação. Pensava 
que poderia falar apenas em meu nome. Devo então dizer que estamos 
realmente apoiando Neuróticos Anônimos, pois é de nosso desejo apoiar 
tudo o que, a nosso ver, demonstre funcionar e apresente resultados. 
Cabe-me de certa forma uma dupla responsabilidade, uma vez que, 
embora eu seja o pároco aqui em Le Suer, também exerço a função de 
conselheiro matrimonial do Bem-Estar Católico cm Minneapolis. Após 
ouvir estes testemunhos, porém, acho que o que vou fazer agora, em vez 
de procurar orientar as pessoas com conselhos, é simplesmente 
encaminhá-las a Neuróticos Anônimos para que eles as "endireitem". E 
eu que não sabia que isso podia ser feito! 
Estou dizendo isso em tom de brincadeira, é claro. Na verdade, 
para nós que somos sacerdotes, isto aqui é uma coisa maravilhosa. 
/ 
E um recurso a mais de que podemos lançar mão no exercício do nosso 
sacerdócio para tentar ajudar as pessoas. Temos de nos valer de recursos 
externos porque, segundo penso, não podemos fazer tudo sozinhos. 
Precisamos da ajuda de outros setores no que se refere a muitos dos 
problemas a respeito dos quais nos solicitam orientação. 
Valemo-nos de associações, como a de A. A. por exemplo. 
Reconhecemos a importante ajuda que temos recebido de A A. nesses 
anos todos, primeiro para trazer as pessoas de volta à sobriedade, e, 
depois de terem readquirido a sobriedade, traze-las de volta a Deus. 
Estou certo de que, embora N/A seja uma associação mais nova, sua 
ajuda também será uma realidade para nós, uma vez que surgiu nos 
mesmos moldes de A. A. e tem um programa idêntico. As pessoas com 
problemas emocionais se preocupam tanto com tantas coisas que não 
conseguem relacionar-se com Deus como deviam. E não adianta nada 
sentarmo-nos com elas para falar de Deus e simplesmente dizer-lhes: 
"Bem, reze e verá que todos os seus problemas irão desaparecer",e 
outras coisas mais do mesmo tipo. Isso simplesmente não funciona. Os 
problemas dessas pessoas são bem mais profundos. Elas precisam 
restabelecer o equilíbrio emocional antes que possam voltar ao equilíbrio 
espiritual. 
Estamos, portanto, muito felizes pelo fato de termos um grupo de 
Neuróticos Anônimos aqui em Le Sueur. Ele vai certamente nos ajudar 
bastante em nosso trabalho. Quando tivermos de atender pessoas com 
problemas emocionais, vamos poder encaminhá-las àquelas que, assim o 
sentimos, saberão como ajuda-las. Tenho certeza de que é isso mesmo o 
que vai acontecer, e de que, com o passar do tempo, muitas pessoas serão 
ajudadas por intermédio desta associação. 
AS DOZE TRADIÇ ÕES DE NEURÓTICOS ANÔNIMOS* 
1. Nosso bem comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação 
individual depende da unidade de N/A. 
2. Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso 
propósito comum - um. Deus amantíssimo que se manifesta em nossa 
consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de 
confiança; não têm poderes para governai-. 
3. Para ser membro de N/A, o único requisito é o desejo de recuperar- se 
da doença emocional. 
4. Cada grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito 
a outros grupos ou a N/A em seu conjunto. 
5. Cada grupo é animado de um único propósito primordial - o de 
transmitir sua mensagem ao neurótico que ainda sofre. 
ó. Nenhum grupo de N/A deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar 
o nome de N/A a qualquer sociedade parecida ou empreendimento 
alheio à Irmandade, a fim de que problemas de dinheiro, propriedade e 
prestígio não nos afastem do nosso objetivo primordial. 
7. Todos os grupos de N/A deverão ser absolutamente auto- suficientes, 
rejeitando quaisquer doações de fora. 
8. Neuróticos Anônimos deverá manter-se sempre não-profissional, 
embora nossos centros de serviço possam contratar funcionários 
especializados. 
9. N/A jamais deverá organizar-se como tal; podemos porém criar juntas 
ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a 
quem prestam serviços. 
10. Neuróticos Anônimos não opina sobre questões alheias à Irmandade; 
portanto, o nome de N/A jamais deverá aparecer em controvérsias 
públicas. 
11. Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da 
promoção; cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na 
imprensa, no rádio e em filmes. 
12. O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições lembrando-
nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das 
personalidades. 
Reprodução adaptada com permissão de Alcoholics Anonymous World 
Services, Inc., New York, NY, USA 
CONVITE 
Convidamos todos os que estejam interessados neste Programa a 
entrar em contato com Neuróticos Anônimos. Teremos muito prazer 
em responder às suas perguntas e em prestar ajuda aos que desejem 
recuperar-se da doença emocional. 
VOCÊ SERÁ SENPRE BEM-VINDO EM NEURÓTICOS 
ANÔNIMOS 
00O00 
Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas 
que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que 
podemos e sabedoria para distinguir umas das outras. 
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Impressão e Acabamento Graf-Ceníer Fone: (19) 3608-4807 São José do Rio Pardo - SP . 
13720-000 e-mail: grafcenter@dglnet,com,br

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