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AS LEIS DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL (Definição, Origem, Manifestação, Prognóstico e Cura) Transcrições do JOURNAL OF MENTAL HEALTH © Número Dois NEUROTICS ANONYMOUS ® INTERNATIONAL LIAISON, INC. Little Rock, Arkansas, USA © NEUROTICS ANONYMOUS INTERNATIONAL LIAISON, INC. 1965-1970 11140 Bainbridge Drive Little Rock, Arkansas 72212, USA Publicado por NEUROTICS ANONYMOUS INTERNATIONAL LIAIS ON, INC., únicos editores para a Irmandade de NEURÓTICOS ANÔNIMOS. Aprovado pela Diretoria. Todos os direitos reservados. A matéria contida neste livro não poderá ser reproduzida sem permissão escrita dos editores. Registro na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos sob o número 76-102220. Publicado no Brasil por NEURÓTICOS ANÔNIMOS - Escritório de Serviços Gerais do Brasil - ENABRA, Rua Brigadeiro Tobias, 118 — 4° andar, sala 402, Caixa Postal 4161, CEP 01061-970, São Paulo SP, Telefone: (11)228-2042 - Fax: (11) 228- 5852 - Site: http://neuroticosanonimos.org.br e-mail: enabra@neuroticosanonimos.org.br O ENABRA é o único órgão devidamente autorizado a traduzir e publicar, no Brasil, a literatura de Neuróticos Anônimos editada por NEUROTICS ANONYMOUS INTERNATIONAL LIAISON, INC. ÍNDICE Artigo página Prefácio ................................................................................................................VII O que é Neuróticos Anônimos .............................................................................. IX Os Doze Passos sugeridos de Neuróticos Anônimos ............................................ X PRIMEIRA PARTE - FATOS A RESPEITO DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL (Definição) 1. As Leis da Doença Mental e Emocional .......................................................... 01 2. Alguns fatos que descobrimos a Respeito da Doença Mental e Emocional ... 08 3. A Doença Emocional E Doença espiritual ...................................................... 13 4. A Doença Mental e Emocional: A Enfermidade da Alma .............................. 18 http://neuroticosanonimos.org.br/ mailto:enabra@neuroticosanonimos.org.br 5. A Doença Se Origina em Nós Mesmos ......................................... ................ 21 6. A Doença Emocional E Sempre a Mesma em todas as pessoas ..................... 25 y 7. A Doença Mental e Emocional E Uma Coisa Só, Porém Não São Sempre os Mesmos Sintomas que se Manifestam ............................................................ 31 8. Doença Mental e Emocional: A Birra Glorificada. Suicídio: O Supremo Acesso de Birra ............................................................................................... ........... 34 9. Doença Mental e Emocional: A Doença por Excelência ................................ 38 SEGUNDA PARTE - ORIGEM (Causa) E MANIFESTAÇ Ã O DA DOENÇ A 10. A Causa da Doença Emocional: Egoísmo ...................................................... 42 11. A Preocupação Excessiva com a Própria Pessoa E Egoísmo, e o Egoísmo é a Causa da Doença Emocional ........................................................................... 47 12. Causa Presente e Causa Remota da Doença Emocional ................................. 50 13. Egocentrismo: O Caminho que Leva à Ruína................................................. 55 14. Emoção Violenta E Insanidade, e, Vice-Versa, Insanidade E Emoção Violenta 57 15. Cólera: Uma Emoção Destrutiva .................................................................. 64 16. Como Permanecer Emocionalmente doente ................................................... 71 TERCEIRA PARTE - PROGNÓSTICO E CURA DA DOENÇ A 17. A Resposta para a Doença Emocional: Amor .............................................. 74 18. As Curvas da Doença Emocional e da Recuperação - Explanação ............. 80 19. Traços de Caráter que Criam a Doença ou a Saúde ..................................... 84 20. Um Único Deus, Um Único Povo, Uma Única Doença, Uma Única Saúde86 21. Quanto Mais Perto estivermos das Pessoas, Mais Perto de Deus Nós Estaremos 91 22. Uma Afirmação que Sintetiza a Recuperação em N/A: "Agora Eu Amo as Pessoas" ........................................................................................................ 94 23. Precisamos das Pessoas e Podemos Encontra-las por Intermédio de N/A: O Milagre das Recuperações Proporcionadas por Neuróticos Anônimos ...... 96 24. Saúde Mental é Ter Amor e Carinho pelas Pessoas e Sentir-se Próximo Delas .................................................................................................................... 100 25. Objetivo: Saúde Mental ............................................................................. 102 26. Exis te Real Recuperaç ã o em Neurót icos Anônimos para a Pessoa que Passa a Ter Percepç ã o da Verdadei ra Natureza In te r ior de Seu Estado ...................................................................... 106 27. Se Você Pretende Continuar Doente, Isso E Problema Seu. Se Quiser Recuperar- se em Neuróticos Anônimos, Isso É Conosco ........................................... 108 28. Uma Oração para Todos os Momentos, Por Grover ................................. 112 Um Psiquiatra Fala sobre Neuróticos Anônimos ............................................. 113 Uma Associação de Sacerdotes Apoia Neuróticos Anônimos ........................ 116 As Doze Tradições de Neuróticos Anônimos .................................................. 118 Um Convite ....................................................................................................... 120 Oração da Serenidade ....................................................................................... 120 PREFÁCIO Este livro contém transcrições de artigos do JOURNAL OF MENTAL HEALTH, artigos esses que serviram de fundamento para a nossa explanação sobre AS LEIS DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL. Essas LEIS foram descobertas e analisadas, e suas afirmações foram sistematizadas ao longo dos anos, como os próprios artigos demonstram. A evolução verificada em sua interpretação torna-se evidente quando os artigos são examinados em ordem cronológica. A divisão do livro em três partes apresentou um problema difícil no tocante à inclusão dos artigos, pois quase todos eles tratavam de todos os aspectos da doença e da recuperação. Assim sendo, a solução encontrada foi a de colocar cada artigo na parte do livro com a qual ele mais se identificava. Qualquer artigo sobre a doença mental e emocional trata necessariamente da causa, manifestação, prognóstico e cura dessa enfermidade, e poderia, portanto, ser incluído em qualquer uma das partes deste livro. Todavia, como a inclusão dos artigos que aqui foram transcritos acabou sendo feita segundo o conteúdo predominante de cada um, solicitamos ao leitor que leve em consideração esse fato e sinta-se à vontade para procurar no livro os que se referem a todos os aspectos da doença. Ficamos bastante surpresos ao verificar que os primeiros artigos do JOURNAL já nos conduziam diretamente a essas LEIS, num processo que não sofreu interrupção. Fomos levados diretamente a elas, porém só conseguimos percebê-las com clareza quando vn determinada etapa foi alcançada. Sentimo-nos verdadeiramente agra- decidos e sinceramente acreditamos que elas nos foram reveladas por Deus à medida que julgava oportuno fazê-lo. Embora conduzidos por Ele, somente pudemos compreendê-las quando se formou um todo resultante das partes que se desenvolviam progressivamente. O que se mostrou extremamente admirável e nos levou a acreditar nessa revelação foi o desenvolvimento diretamente orientado e progressivo de sua manifestação. Jamais houve uma falha ou um artigo que não se enquadrasse nessa progressão. Foi como se tivéssemos sido colocados numa estrada por nós desconhecida, mas que nos conduzia ao belo destino que nos estava reservado. Acreditamosque foi exatamente isso o que aconteceu. Acreditamos que essas LEIS provêm de Deus, são absolutamente verdadeiras e nos foram reveladas para serem transmitidas a todos os que sofrem. Além de já terem sido experimentadas e comprovadas por um número muito grande de pessoas, elas também preenchem os requisitos científicos que toda LEÍ deve satisfazer. Sentimo-nos, portanto, profundamente agradecidos. Grover B. N.A.I.L vm Neuróticos Anônimos faz para a pessoa emocionalmente perturbada (neurótica) o que Alcoólicos Anônimos faz para o alcoólatra. Funciona da mesma maneira que A.A. N/A é uma Irmandade composta de grupos de pessoas que se reúnem, com a finalidade de solucionar seus problemas emocionais mediante a prática do Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos, adaptado para N/A. Neuróticos Anônimos existe com o único propósito de ajudar as pessoas emocionalmente perturbadas a se recuperarem de sua doença e a permanecerem recuperadas. Não são cobradas taxas nem mensalidades para se participar de N/A ou receber sua ajuda. As pessoas recuperadas ajudam as que ainda se encontram em sofrimento. Todas as pessoas são bem-vindas às reuniões abertas de Neuróticos Anônimos. As portadoras de problemas emocionais são bem-vindas às reuniões fechadas. —ooo— Alcoólicos Anônimos bondosamente concedeu permissão a N/A para usar seus Passos e seu Programa, como já tem feito em relação a outras irmandades Anônimas. Desejamos expressar nossa gratidão a Deus e a Alcoólicos Anônimos por nos terem proporcionado os instrumentos necessários à nossa recuperação, os quais recebemos d'Ele por intermédio deles. —ooo— 1. Admitimos que éramos impotentes perante nossas emoções - que havíamos perdido o domínio sobre nossas vidas. NEUROTÍCOS ANONIMOS 2. Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade. 3. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos. 4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos. 5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas. 6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter. 7. Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições. 8. Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados. 9. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá- las ou a outrem. 10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente. 11. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós se forças para realizar essa vontade. 12. Tendo experimentado um despertar espiritual graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos neuróticos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades. ooo — * Reprodução adaptada com permissão de Alcoholics Anonymous World Services, Inc., New York, NY, USA. PRIMEIRA PARIE FATOS A RESPEITO DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL (Definição) AS LEIS DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL (Definição, Origem, Manifestação, Prognóstico e Cura) (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de setembro de 1969) A doença mental e emocional é: 1. Uma única doença, uma coisa só. 2. Doença espiritual. 3. Sempre a mesma em todas as pessoas, variando apenas nos detalhes superficiais. 4. Caracterizada por sintomas penosos, NÃ O SENDO SEMPRE OS MESMOS, porém, OS QUE SE MANIFESTAM. 5. Progressiva se não for tratada. 6. De tratamento imediatamente aplicável. 7. Causada pelo egoísmo inato, que impede a aquisição da capacidade de amar. 8. Curada pela eliminação do egoísmo e aquisição da capacidade de amar. Com estas LEIS, apresentamos uma explanação completa, precisa e comprovada da doença mental e emocional que preenche todos os requisitos científicos que uma teoria ou explanação deve satisfazer. Recusamo-nos, entretanto, a chamar nossa explanação de teoria porque ela é verificável e diz respeito a fatos que se repetem, sendo, portanto, LEI. A Lei da Gravidade, por exemplo, não é considerada simples teoria porque é sempre verificável e passível de repetição. Nossas LEIS DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL também são passíveis de repetição e podem ser postas à prova por qual quer pessoa, onde quer que seja. Os resultados serão sempre os mesmos. E elas já foram comprovadas por inúmeras pessoas, nunca deixando dc produzir os mesmos e previsíveis resultados. Nossas LEIS satisfazem os seguintes requisitos científicos: 1. Explicam todos os fatos conhecidos a respeito da doença. 2. Sugerem novas áreas para a coleta de dados. 3. Predizem com exatidão o curso da doença. 4. Baseiam-se na observação e experiência de muitas pessoas. 5. São passíveis de repetição e podem ser postas à prova por qualquer pessoa, onde quer que seja e a qualquer tempo. 6. São práticas, aplicáveis e eficazes. 7. Têm aplicação universal. 8. Proporcionam tratamento eficaz, curam. 9. Podem ser aplicadas imediatamente; na realidade, já estão sendo aplicadas. A doença mental e emocional é tão velha quanto a humanidade. Tem se manifestado em todas as sociedades através dos tempos, deixando frustrados os pesquisadores até recentemente empenhados em encontrar um meio de curá-la. Ainda hoje é considerada o problema de saúde pública número um do país (nota do tradutor: o autor se refere aos Estados Unidos). Antes destas LEIS, não havia realmente esperança para as pessoas mental e emocionalmente doentes. Agora, porém, já sabemos o que é a doença mental e emocional. Deixou de ser um mistério. Uma vez bem compreendidos os princípios contidos nestas LEIS, o que antes era considerado um problema desconcertante passa a ser visto como tendo explicação muito simples, bem como solução. A chave para o esclarecimento, solução e eliminação do problema da doença mental e emocional é o reconhecimento de que ela é causada pelo egoísmo inato, que impede a aquisição da capacidade de amar, e de que a cura resulta da supressão desse s egoísmo. E de admirar que não tenha sido descoberta há mais tempo. Valendo-se dessa chave, Neuróticos Anônimos oferece, às pessoas mental e emocionalmente doentes, um método mediante o qual poderão realizar a mudança que se faz necessária para que se recuperem e permaneçam recuperadas: substituir o egoísmo pela capacidade de amar. Isso, porém, requer a ajuda de um Poder superior ao poder individual: Deus segundo a concepção de cada um. O intelecto apenas não consegue proporcionar tal mudança. Além de esclarecer a causa e a cura da doença mental e emocional, essa simples chave também explica tudo mais que se relaciona com a doença. Todo ser humano já nasce egoísta. Precisa adquirir a capacidade de amar senão continuará egoísta, e o seu egoísmo impedirá a aquisição dessa capacidade. Pode-se perfeitamente prever que qualquer criança com o egoísmo inato ainda presente terá dificuldades em seu relacionamento com os pais, irmãos e coleguinhas. E o mesmo irá acontecer mais tarde em seu relacionamento com chefes, amigos, parentes, em suma, com TODO O MUNDO e em QUALQUER SITUAÇ Ã O. É inevitável. Não há como impedir que isso aconteça se não aprender a amar. Passará depois a sentir grande solidão, rejeição, retraimento, depressão, ansiedade, sentimento de culpa, remorso, medo, e todas as demais torturantes emoções próprias da doença mental e emocional profunda. Continuará cada vez mais doente se não se tratar, podendo mesmo entrar em profunda psicose, tentar o suicídio ou voltar-se para as drogas, o crime, ou outro tipo qualquer de comportamentoanti-social. Não haverá esperança enquanto não superar o seu egoísmo e aprender a amar. O egoísmo inato impede que a pessoa tenha relações humanas afetuosas e satisfatórias. Ela não sabe como conseguir isso. Vê-se de todo tolhida para a convivência normal com os demais seres humanos. Sente-se, naturalmente, a pessoa mais solitária do mundo. Não encontra paz ou descanso em parte alguma. Irá à procura de amor, porém sem resultado. Tudo fará para receber atenção e louvor, pensando que se trata de amor. Procurará inutilmente encontrar amor em "aventuras amorosas". E se nada a impedir de continuar, sua fome de amor a levará a fazer qualquer coisa enquanto não aprender o segredo: PARA RECEBER AMOR, É PRECISO DÁ -LO PRIMEIRO. Essa é a CAUSA da doença mental e emocional. s Não há nenhuma outra. E o egoísmo inato, unicamente, que leva a pessoa a ficar mental e emocionalmente doente. Ela dirá mais tarde que tudo aconteceu por causa de uma "experiência traumática", ou que a culpa é do marido (ou da mulher), do chefe, dos pais, ou de qualquer outra pessoa ou coisa. Essas desculpas, entretanto, são CONSEQÜ ÊNCIAS e não CAUSAS da doença. Vimos assim que a pessoa, doente irá naturalmente ter dificuldades de relacionamento com os pais, o chefe, o marido (ou a mulher), enfim, com as demais pessoas de um modo geral. • ♦ ys Orientar o tratamento tendo em vista essas CONSEQUÊNCIAS não irá proporcionar-lhe a cura. POR QUE SERA QUE ELA TEM DIFICULDADES DE RELACIONAMENTO COM ESSA GENTE TODA, quando outras pessoas não apresentam esse problema? Isso acontece porque ela ESTA DOENTE, E TEM ESTADO DOENTE A VIDA TODA. A tal de "experiência traumática" também não faz sentido como causa. Foi traumática porque a pessoa já estava doente e por isso a encarou traumáticamente. Inúmeras pessoas normais passam muitas vezes por experiências que poderiam ser tidas como "traumáticas", porém não as consideram "traumáticas". E preciso deixar de mimar a pessoa doente, a fim de não contribuir para que continue doente. A LEI segundo a qual. a causa da doença mental e emocional é o egoísmo inato, que impede a aquisição da capacidade de amar, também explica, prediz e oferece solução para os seguintes problemas sociais, tão patentes e difíceis, e que são motivo de grande preocupação: Doença mental e emocional em geral Ações criminosas Tumultos Juventude rebelde Desordens em universidades Dependência de drogas inquietação decorrente do "abismo entre gerações" Síndrome da "criança espancada" Crianças abandonadas pelos pais Negligência dos pais Acidentes de trânsito em sua maioria Muitos casos de retardamento mental Divórcios . Todos os casos em que a imposição da própria vontade interfere nos direitos dos demais. E no que se refere a países: Guerras Desentendimentos Cobiça Corrupção Descontentamento entre facções Serviços deficientes Oportunidades desiguais Conflitos e tensões Não resta a menor dúvida de que o egoísmo e a resultante incapacidade de amar causam todas essas, coisas. É por puro egoísmo que a pessoa se rebela contra a "ordem estabelecida" ou qualquer outro tipo de ordem social, contra o chefe, o marido (ou a mulher), os amigos, pois o que ela realmente quer é que sua vontade sempre prevaleça. s E por puro egoísmo que a pessoa provoca acidentes de trânsito por insistir em ultrapassar outros veículos quando não há condições para isso. E as estatísticas demonstram que a MAIORIA desses acidentes é causada por pessoas que, egoisticamente, desobedecem as leis de trânsito que porventura lhes dificultem chegar a seus destinos. s E por puro egoísmo que muitos pais abandonam ou espancam seus filhos. Porque acham que ELES INTERFEREM NA REALIZAÇ Ã O DE SEUS DESEJOS EGOÍSTICOS. s E por puro egoísmo que muitas pessoas transgridem as leis para conseguir o que desejam, sem se esforçarem para isso e sem nenhuma consideração para com as demais pessoas, desejando inclusive, como delinqüentes, atrair a atenção geral para as "celebridades" em que tentam se transformar. E por puro egoísmo que muitas pessoas usam drogas na tentativa de se sentirem melhor. E por puro egoísmo que muitas pessoas procuram de todo jeito levar vantagem sobre as outras porque acham que elas se interpõem na consecução de seus objetivos. s E também por causa desse mesmo egoísmo que nações se lançam na aventura de invadir o território de outras, oprimir povos, buscar "glórias" para si mesmas. E nenhuma nação jamais será curada enquanto os que a governam não tratarem de se curar. Como podemos ver, estas LEIS oferecem uma explicação completa da doença mental e emocional. E a prova que temos para apresentar é esta: NÓS ESTIVEMOS MENTAL E EMOCIONALMENTE DOENTES, GRAVEMENTE DOENTES, NA REALIDADE, E CONSEGUIMOS RECUPERARMOS. FOIDESSA MANEIRA QUE DESCOBRIMOS QUE ESTAS LEIS SÃ O VERDADEIRAS. Sobrevivemos à doença, conseguimos recuperar-nos. Fazendo também uma recapitulação de nossas vidas, descobrimos o que havia de errado conosco. TÍNHAMOS SIDO EGOÍSTAS a vida toda, e o que ganhamos com isso foi a doença mental e emocional, da qual só conseguimos livrar-nos quando, aprendendo a eliminar o egoísmo, adquirimos a capacidade de amar. Agora que sabemos amar, sentimo-nos finalmente livres da doença e somos pessoas felizes, saudáveis e alegres. Sabemos o que havia de errado conosco e o que nos proporcionou a recuperação. Inúmeras outras pessoas que também passaram por essa experiência dizem a mesma coisa. Estas LEIS funcionam para todos os que se disponham a observá-las. ESTES SÃ O OS FATOS, AS LEIS DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL, QUE SERÃ O ACEITAS COMO TEMPO PORQUE EXPRESSAM A VERDADE. Esta é a única explicação da doença, c estas LEIS, conseqüentemente, serão as únicas a serem aplicadas. Estão sendo enunciadas agora para benefício dos seres humanos. Já existe cura para a doença mental e emocional. Nós a estamos oferecendo à humanidade sofredora. Nosso desejo é que seja aceita e haja recuperação. Com a apresentação destas LEIS, a verdade a respeito da doença mental e emocional foi finalmente revelada. Durante muitos anos, o JOURNAL OF MENTAL HEALTH publicou artigos que corroboram o que acima foi revelado. Esses artigos compõem agora este livro, cujo objetivo é oferecer um panorama abrangente das LEIS DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL. * ALGUNS FATOS QUE DESCOBRIMOS A RESPEITO DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de outubro de 1966) Nós que já sofremos da doença mental e emocional - profunda, grave, incapacitante - e conseguimos recuperar-nos, achamo-nos perfeitamente em condições de expor, tomando por base nossas experiências pessoais, alguns fatos relativos à causa e manifestação dessa enfermidade, bem como o que se torna necessário fazer para que se possa alcançar a recuperação. A pessoa que descobrisse a cura para o câncer muito certamente se tornaria a maior autoridade no assunto se a si mesma se curasse com a aplicação de sua descoberta. Todo o mundo naturalmente se apressaria a procurá-la para saber como foi que o conseguiu. Do mesmo modo, a pessoa que tenha descoberto o que havia de errado com ela quando se encontrava gravemente doente das emoções, e tenha conseguido recuperar-se, também está habilitada a revelar a. CciusE da doença emocional e como se pode conseguir a cura. Um caso apenas não serviria de prova, porém quando o processo se repete e muitas pessoas mais se recuperam, então temos aí uma grande revelação. Não é nossa intenção criticar outras autoridades no assunto ou campos do conhecimento humano. Sabemos que fazem um importante trabalho e geralmente ajudam muita gente. O que estamos querendo dizer, entretanto, é o seguinte: PERGUNTE A QUEM ESTEVE DOENTE E CONSEGUIU RECUPERAR-SE. Essa pessoa obviamente conhece o segredo. E se esse segredo dá certocom os outros, não tenha dúvida, use-o também. Ninguém poderá dizer-lhe, por exemplo, o que seja sentir dor de dente. E preciso tê-la sentido primeiro para saber exatamente o que é. O mesmo acontece com a depressão e a doença emocional em geral. / E preciso ter passado por essa experiência para saber o que isso de fato significa. Não há quem possa dizer-lhe o que seja realmente a depressão, porém se você chegar a senti-la, aí então ficará sabendo. A melhor maneira de se ter uma idéia do que seja a depressão é perguntar a quem já a tenha sentido. Mesmo assim, só se poderá fazer unia vaga idéia. Da mesma forma, para se saber como uma pessoa se recupera da depressão, ou da doença emocional em geral, necessário se faz perguntar a quem já tenha alcançado a recuperação. Ponha de lado as teorias e pergunte a quem já esteja recuperado e pode, portanto, dizer-lhe como foi que o conseguiu. Em outras palavras, procure saber diretamente de quem conhece o assunto por experiência própria. Tendo em vista sermos pessoas habilitadas a falar sobre a doença emocional, uma vez que já estivemos emocionalmente doentes e conseguimos recuperar-nos, além de termos ajudado outras pessoas a fazer o mesmo, apresentamos agora os seguintes FATOS A RESPEITO DA DOENÇ A EMOCIONAL, que descobrimos através de nossas experiências pessoais: 1. Fomos os autores de nossa própria doença. Ninguém mais deve ser responsabilizado. 2. Foi preciso reconhecermos o fato acima para que pudéssemos recuperar-nos. / 3. Éramos extremamente egocêntricos, arrogantes, exigentes, emocionalmente frios e interesseiros, cobiçosos, gananciosos e cheios de autopiedade. 4. Tentávamos iludir-nos, e aos outros também, procurando e fazendo acreditar que éramos pobres vítimas inocentes da doença emocional - ótimas pessoas sobre as quais pesava tamanho fardo. 5. Man tínhamos uma posição de antagonismo em relação a um Poder Superior, e era isso o que havia de realmente errado conosco. 6. Não aceitávamos ordens de ninguém. 7. Recusávamo-nos a encarar nossa própria maneira de ser, recalcando-a tão bem que nem nós mesmos realmente a conhecíamos. 8. Aparentávamos estar procurando ajuda, porém rejeitávamos a que nos fosse oferecida. Teimávamos em depender unicamente de nós mesmos. 9. Sentíamo-nos superiores às demais pessoas, quando, na realidade, estávamos era escondendo um profundo complexo de inferioridade, ou, mais precisamente, tentando escondê-lo. 10. Éramos incapazes de sentir emoções afetuosas devido ao nosso extremo egoísmo. 11. Não hayia nada de errado com nossas mentes. Elas estavam apenas dominadas pelas emoções. Revelaremos agora um segredo relacionado com esse fato. Nossas mentes nunca chegaram a se deteriorar, mesmo no curso de / alucinações. Éramos capazes de executai" trabalho mental complexo em estados paranóicos, em profunda depressão, em confusão emocional, se realmente tivéssemos de executá-lo- Somos muitos os que vimos nossas ações desculpadas porque as pessoas julgavam que estávamos "desvairados". Ora, o que podemos dizer é que estávamos na verdade perfeitamente cientes do que se passava. Estávamos, isto sim armando cenas infantis de birra, somente que bem aumentadas. Apressamo-nos a acrescentar, caso estejamos sendo mal interpretados, que a doença emocional é real, é extremamente penosa, é de fato uma enfermidade» A pessoa doente não consegue deixar de fazer o que faz, e naturalmente necessita de ajuda. O que queremos dizer, entretanto, é que ela não é "louca", pois sabe muito bem o que se passa, às vezes muito melhor do que as pessoas que a observam. E também de certa forma astuta, tudo fazendo para que sua própria vontade sempre prevaleça. 12. Desafiávamos, ou, melhor dizendo, tentávamos desafiar, qualquer lei que não nos fosse conveniente e poucas, se tanto, nos eram convenientes. Essas leis incluíam tanto as físicas como as espirituais. Como podíamos então ser felizes quando não aceitávamos acontecimentos naturais como a chuva, por exemplo, e muito menos leis espirituais como a que preceitua o amor ao próximo? 13. Procurávamos culpar as outras pessoas e as situações pela nossa doença, quase chegando a convencer-nos de que isso era verdade. 14. Sentíamos inveja das pessoas, ressentíamo-nos com elas, e também as detestávamos e menosprezávamos. E não venham dizer- nos que não é verdade, pois ERA EXATAMENTE ISSO O QUE ACONTECIA CONOSCO, O que acima foi apresentado são alguns FATOS a respeito da doença. O que apresentaremos a seguir são FATOS a respeito da recuperação. 1. Tivemos de admitir que estávamos errados que os .fatos acima eram reais, que a doença estava em nós, que éramos os autores cle nossa própria doença. 2. Tivemos de admitir a derrota e procurar ajuda espiritual, pois estávamos espiritualmente estéreis e mortos. Tivemos de recorrer a Deus, segundo O concebíamos, e humildemente rogar a Ele que nos curasse se fosse de Sua vontade. Como se pode ver, estávamos espiritualmente doentes. Sentíamos aversão pelas pessoas. Foi preciso então que recebêssemos ajuda espiritual para aprender a amá-las, antes que pudéssemos usufruir sua companhia e ser felizes. Sabemos que isso é um FATO porque estamos nos baseando em nossa própria A DOENÇ A EMOCIONAL É DOENÇ A ESPIRITUAL (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de março de 1966) Tomando por base nossa experiência e observação, afirmamos que a doença emocional é doença espiritual. Quando emocionalmente doentes, na realidade era espiritualmente doentes que estávamos. Para que você não interrompa a leitura e se afaste, pedimos que reflita um pouco sobre esta definição de "espiritual": relativo a "pensamentos e emoções". Quanto a nós, temos certeza de que estávamos realmente doentes em nossos pensamentos e emoções. Pedimos que não se considere "espiritual" como tendo aqui um significado de natureza sobrenatural, embora para muitos de nós tal significado tenha razão de ser. A sabedoria popular de há muito vem empregando a palavra "espiritual" ou "espírito" para descrever o estado de ânimo das pessoas. Os seguintes exemplos são bem elucidativos; "seu estado de espírito é precário", "seu estado de espírito é o melhor possível",, "seu estado de espírito nada deixa a desejar", "é uma pessoa de espírito ardente". Essas expressões se referem ao modo de sentir, de pensar, de encarar o mundo, bem como à maneira de uma pessoa se colocai" diante da vida. Conseqüentemente, "espírito" está sendo aí considerado a soma das emoções, pensamentos, atitudes, crenças, modo de sentir, tudo, enfim, que leva o ser humano a agir da maneira que o faz. Há, naturalmente, componentes físicos e mentais envolvidos, porém eles apenas contribuem para a composição do "espírito" total. Não foram poucos os médicos que a muitos de nós disseram, depois de nos submeterem a testes minuciosos, que nada havia de fisicamente errado conosco. Fomos então obrigados a concluir que nossa doença era mental e espiritual Depois de nos submetermos a outros testes, destinados a aferir nossa capacidade mental, consultar psiquiatras e constatar que nossas mentes estavam intactas, vimo-nos também forçados a concluir que nossa doença era essencialmente espiritual. Descobrimos que estávamos cheios de ódio, ressentimento, raiva, autopiedade, ganância, comodismo e outras emoções igualmente indesejáveis, as quais faziam parte da nossa natureza "espiritual" ou maneira de nos comportarmos diante da vida. Precisavam ser mudadas para que pudéssemos recuperar-nos. Ficar sabendo que tínhamos de mudar espiritualmente foi para nós um sério golpe, pois éramos muitos os que nos mostrávamos contrários a tudo que fosse considerado "espiritual". Você poderá usar uma palavra diferente se assim preferir. Acho, porém, que "mental" não seria o termo adequado. Nada havendo de errado com a mente, asatitudes e os sentimentos podem ser mudados sem que a mente deixe de manter intactas as suas qualidades. Nessa mudança, é o "espírito" que deverá passar por uma modificação. Portanto, não havendo nada de física e mentalmente errado conosco, afirmamos que a nossa doença era espiritual. A prova mais convincente de que a doença emocional é doença espiritual está no fato de que a pessoa doente pode recuperar-se mediante ajuda espiritual. Vimos isso acontecer em casos tão numerosos que não temos como duvidar. Presenciamos alguns em que as pessoas já haviam tentado todos os meios então conhecidos. Só conseguiram recuperar-se quando receberam ajuda espiritual. Em meu próprio caso, foi exatamente isso o que aconteceu. Eu havia tentado todos os métodos de cura criados pelo homem. Passei mais de cinco anos fazendo tratamento psiquiátrico, consultei muitos médicos, tomei milhares de tranqüilizantes e comprimidos para dormir, recorri à religião e até mesmo à quiromancia e ao hipnotismo. Não me recuperei enquanto não recebi ajuda espiritual, e essa ajuda eu a consegui cm um dos grupos Anônimos. Fiquei conhecendo muitas pessoas com histórias semelhantes, que também foram curadas mediante ajuda espiritual, coisa que nenhum outro método de cura havia sido capaz de fazer. Conseqüentemente, SE A AJUDA ESPIRITUAL RECUPERA UMA PESSOA EMOCIONALMENTE DOENTE, ENTÃ O A DOENÇ A EMOCIONAL É DE FATO DOENÇ A ESPIRITUAL. Muitos psiquiatras também enfatizam o lado espiritual, insistindo com seus pacientes para que procurem ajuda dessa natureza. O famoso psiquiatra suíço Carl Jung foi um dos que salientaram a importância de tal ajuda. Hoje em dia, são em grande número os psiquiatras que declaram ser preciso algo mais do que a análise. Para eles, a ajuda espiritual também é necessária. Até aqui, falei de "espiritual" no que se refere ao modo de sentir e à maneira de se portar diante da vida. Irei um pouco mais longe agora. Falarei de "espiritual" no que diz respeito a outros significados da palavra, isto é, aos que a relacionam com a "alma", significados esses que não são considerados do ponto de vista físico. Falarei a respeito de entrar em relação harmoniosa com um Poder superior a nós mesmos, que chamarei de Deus segundo a concepção de cada um. Para a pessoa doente, é unicamente necessário que ela creia nesse Poder, que poderá conceber como queira. Poderá concebê-Lo como sendo a força da gravidade, por exemplo, ou o movimento dos átomos, a evolução, o amor entre os seres / humanos, qualquer coisa enfim, não importa qual seja. E preciso apenas, como já dissemos, que admita a existência desse Poder, isto é, a existência de Algo superior a si mesma. Essa crença irá ajudá-la a eliminar o egocentrismo (tão acentuado nos doentes emocionais), a fim de que possa vir a se tornar um ser humano no exato sentido da / palavra. E dessa forma que podemos sair de nós mesmos. Esse Poder, qualquer que seja a forma em que venha a ser concebido, ajudará a pessoa doente a passar por uma mudança que lhe proporcionará a recuperação. Tomemos, por exemplo, o amor entre os seres humanos como sendo o Poder de que estamos falando. Não resta dúvida de que o simples fato de vir a amar seus semelhantes fará com que a pessoa doente se transforme. Deixará de nutrir aversão pelas demais pessoas e de manter-se retraída, passando a amá-las e a desejar estar em sua companhia. Isso é realmente mudança, e mudança que só se opera mediante ajuda "espiritual". Até mesmo a decisão de juntar-se à corrente da realidade, da vida, em vez de ficar lutando contra ela, fará com que as pessoas se transformem. Se observarmos uma pessoa que tenha passado por essa transformação, que se tenha recuperado, logo veremos que ela é feliz, afetuosa, procura ajudar seus semelhantes, e seu "estado de espírito" é muito bom. Antes da mudança, porém, ela era mal humorada, sujeita a zangas, incapaz de demonstrar afeto, irritadiça, e seu "estado de espírito" não era nada bom. Fisicamente, não houve alteração. Tampouco mentalmente, no que diz respeito à sua, capacidade intelectual. A mudança ocorreu em seus pensamentos e emoções, o que é o mesmo que dizer que foi em seu "espírito" que ela ocorreu. Qualquer pessoa que se disponha a ser honesta consigo mesma pode conseguir essa mudança cie espírito erecuperar-se da doença emocional. / E preciso, porém, que reconheça suas falhas, bem como o que a faz continuai- doente. E preciso também que passe a acreditar em um Poder superior a si mesma, e procure entrar em harmonia com Ele. Para que alguém se recupere de uma doença, física ou de qualquer outra natureza, é preciso naturalmente ficar sabendo de que doença se trata. Uma perna fraturada, por exemplo, tem de ser reconhecida como tal antes que possa ser devidamente tratada. A primeira coisa a ser feita, portanto, é o diagnóstico. Seria totalmente absurdo cuidar de um dente quando o problema é uma perna fraturada. No caso da doença emocional, contudo, muitas vezes se procura tratá-la com algo que não lhe diz respeito. Sejamos coerentes, portanto, e tratemos a doença emocional adequadamente, isto é, por meio da ajuda espiritual. Nunca vimos tal ajuda falhar com quem sinceramente dela se tenha valido. Também nunca vimos uma pessoa que tenha recorrido a essa ajuda deixar de se recuperar da doença emocional. i» Que todos, portanto, se recuperem, reconhecendo que a doença emocional é doença espiritual e procurando ajuda adequada. E assim que se pode mudar e descobrir uma vida fecunda e feliz. * DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL: A ENFERMIDADE DA ALMA (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de novembro de 1966) Nós que já estivemos nas profundezas do desespero emocional e do sofrimento, e conseguimos recuperar-nos, declaramos aqui que a nossa doença era uma enfermidade da alma. Agora que estamos recuperados, em condições, portanto, de fazer uma avaliação da doença, logo se nos torna evidente que era mesmo a nossa alma que estava enferma. Na verdade, nós já sabíamos disso quando estávamos doentes, pois muitas e muitas vezes dizíamos: "Minha alma está sofrendo". E ainda encontramos pessoas em sofrimento que nos dizem: "Minha alma está doente", "Minha alma sofre muito", "Tenho a alma torturada", etc. Por estranho que pareça, até mesmo ateus e agnósticos chegam a fazer afirmações como essas. Não importa a definição que se dê a "alma". Ninguém tampouco é obrigado a pressupor uma alma imortal. Acreditamos que o emprego da palavra "alma" pelas pessoas em sofrimento diz respeito àquela parte do ser humano que é a consciência de si mesmo, a percepção de sua existência, a sua essência mais íntima, a qual. não sendo sinônimo de "mente", se caracteriza por ser amplamente independente do corpo. É aquela parte do ser humano que "sabe que ele existe", conhecida por vários nomes, entre os quais "ego" e "personalidade". Essa "alma" não é propriamente a "mente". A "mente" compreende ou denota pensamento lógico e processos destinados a ajudar a pessoa a sobreviver e funcionar. Os sentimentos, emoções, e a consciência de si mesmo, expressos pela "alma", são coisas bem diferentes do ato de pensar e do uso da mente para fins de sobrevivência. Em um dos artigos precedentes, declaramos que éramos capazes de executar trabalhos mentais de natureza complexa, mesmo quando lios achávamos em estado de profunda depressão, se realmente tivéssemos de fazê-los. Nossas almas, porém, sofriam muito. Não havia nada de errado com nossas mentes, a não ser o fato de que estavam dominadas por emoções resultantes da alma em sofrimento. Afirmamos que a nossa doença era uma enfermidade da alma porque nossos sentimentos em relação a um Poder Superior, bem como em relação aos nossos semelhantes e à vida não se enquadravam na normalidade. Éramos totalmente egoístas, incapazes de amar. Essa era realmentea verdade. Não podíamos, portanto, ser felizes. Atribuímos esses sentimentos à "alma" porque são valores que dizem respeito à conduta moral, ao amor, ao bom relacionamento com nossos semelhantes. Sabíamos muito bem como comportar-nos em sociedade, pois conhecíamos as regras de boas maneiras. Elas, porém, não faziam parte de nossos sentimentos. Sentíamo-nos, isto sim, perdidos, isolados, mesmo quando na companhia de outras pessoas, muito embora nossas maneiras pudessem estar sendo impecáveis. Também não fomos capazes de recuperar-nos por meio do pensamento racional, que simplesmente não surtiu nenhum efeito sobre nossas emoções descontroladas. Dizíamos: "Sim, não resta dúvida de que amar os nossos semelhantes é ótimo". Na realidade, porém, não conseguíamos amá-los, Todas as tentativas que fizemos, dizendo a nós mesmos: "Você será muito feliz se aprender a amar as pessoas", não resultaram em mudança de nossa parte. Sabíamos que amá-las seria o caminho para a nossa felicidade. Não conseguíamos, entretanto, sentir esse amor. Éramos demasiadamente egoístas, tínhamos a alma doente. Mesmo doentes, nós tínhamos consciência de que estávamos errados, de que precisávamos encontrar um jeito de mudar, porém não sabíamos como. Continuávamos cometendo os mesmos erros e mantendo a mesma atitude de má-vontade em relação às pessoas. Sabíamos que a doença se localizava na parte mais profunda de nosso ser, na que poderíamos muito bem chamar de "alma". Muitos de nós chegavam mesmo apensar quando tomavam banho: "Ah! que alívio abençoado não seria se eu pudesse lavar minha alma como lavo meu corpo!" O que estamos procurando salientar é que a nossa doença resultava do egoísmo, manifestado na arrogância, má-vontade, falta de amor e outras coisas mais, geralmente consideradas como pertencentes à área moral e não ao pensamento deturpado, à desorientação ou à falta de consciência da realidade. A prova mais convincente de que a nossa doença era uma enfermidade da alma reside no fato de que, quando decidimos mudar e aceitar valores espirituais ou morais, conseguimos finalmente recuperar- nos. Inversamente, quando procurávamos submeter a mente a tratamento, não apenas permanecíamos doentes como ficávamos mais doentes ainda. Foi somente quando aprendemos a amar, a nos interessar pelas pessoas, procurando ser-lhes úteis em vez de ficar exigindo que nossa vontade fosse sempre satisfeita, que conseguimos progredir em nossa recuperação. Aqm estáo MILAGRE: NÃ O ESTAMOS MAIS DOENTES DA ALMA. NOSSAS ALMAS NÃ O SOFREM MAIS. CONSEGUIMOS MUDAR E NOS SENTIMOS AGRADECIDOS. ESTAMOS FINALMENTE RECUPERADOS PORQUE A DOENÇ A DE NOSSAS ALMAS FOI TRATADA E ELIMINADA. Reafirmamos, portanto, já que estivemos doentes e conseguimos recuperar-nos, que a nossa doença era, de fato, uma enfermidade da alma, e que a única maneira de se alcançar a recuperação é passar pela mudança que acima descrevemos, adquirindo-se assim a capacidade de amar e de ser útil aos semelhantes. Nosso lema "ACABEMOS COM A DOENÇ A EMOCIONAL", bem que poderia ser o seguinte: "ACABEMOS COM A DOENÇ A DA ALMA". * A DOENÇ A SE ORIGINA EM NÓS MESMOS (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL.HEALTH de abril de 1966) A doença emocional não resulta de nenhuma situação externa. Ela tem sua origem em cada um de nós mesmos. Precisamos reconhecer esse fato para que possa haver recuperação. São as nossas reações diante dos acontecimentos, e não os acontecimentos em si mesmos, que determinam o nosso modo de sentir. Embora muitas pessoas possam estar envolvidas em um mesmo acontecimento, a reação de cada uma delas pode ser diferente. É a interpretação individual dos acontecimentos e situações que resulta em saúde ou doença emocional. Um exemplo clássico freqüentemente citado é aquele em que dois homens participantes de uma guerra se protegem em um buraco cavado no solo. As mesmas balas passam sobre suas cabeças e as mesmas bombas caem para ambos. Um deles demonstra fortaleza e se torna um herói. O outro se deixa abater e acaba sendo considerado vítima de "esgotamento de guerra". O que é que distingue esses dois combatentes envolvidos na mesma situação? Na opinião de profissionais, o fator determinante foi o que cada um deles levou para a situação como característica de sua própria personalidade. O acontecimento foi apenas o agente precipitante do colapso emocional daquele que já se encontrava emocionalmente perturbado e, portanto, predisposto a sofrê-lo. Por outro lado o mesmo acontecimento contribuiu para revelar a fortaleza de caráter já existente em seu companheiro. Portanto, não seria correto afirmar que a "causa" do colapso emocional de um dos combatentes foi a penosa situação de guerra. Muito provavelmente, ele teria sido vítima de um colapso emocional em qualquer situação em que se visse sujeito a pressões. A mesma coisa acontece em relação a todas as situações externas. Quase todos os doentes emocionais costumam desfilar suas queixas contando longas histórias de como as outras pessoas e as situações lhes têm sido impiedosas. Queixas como essas, entretanto, precisam ser eliminadas, e a própria contribuição pessoal em cada situação precisa ser compreendida, antes que se possa alcctnçar a recuperação. Não é absolutamente verdade que uma esposa resmungona, um marido negligente, um chefe grosseiro, etc. sejam os "causadores" da doença emocional de uma pessoa. Em quase todos os casos, é a própria pessoa doente que, na realidade, ocasiona a situação desagradável em que se vê envolvida, ou no mínimo contribui para criá-la. Muito provavelmente, é o papel que ela mesma desempenha numa determinada situação que faz com que essa situação exista. Em outras palavras, assim como não se dança o tango, por exemplo, sem que haja a participação de duas pessoas, também não haverá briga, discussão, ou coisa semelhante para quem não contribua para isso. Mesmo que as outras pessoas estejam agindo de forma errada, / isso não serve de justificativa para se ficar doente. E possível suportar situações desfavoráveis sem se deixar transtornar, e "vida normal" pode perfeitamente ser definida como ajustamento, isto é, ajustamento às situações em que nos encontremos envolvidos. Ninguém é dotado do privilégio de ter uma vida em que a sorte sempre lhe favoreça, uma vida totalmente isenta de dificuldades. O nosso ajustamento é determinado pelo equilíbrio do nosso comportamento tanto nos momentos difíceis como nas circunstâncias felizes. Agora, se uma situação se mostra de todo intolerável, o que se deve fazer é sair dela. Nenhuma pessoa normal permaneceria em tal situação, deixando-se transtornar. Portanto, o papel de "vítima" que as pessoas doentes assumem nenhum benefício lhes proporciona. A doença, repetimos, se origina na própria pessoa ao permitir que a situação a mantenha transtornada. Se uma pessoa se mostra mesquinha ou grosseira com você, isso significa que ela se encontra mais doente do que você e deveria, portanto, merecer pena e compreensão de sua parte, pois, não tenha dúvida, essa pessoa está pagando seu preço em infelicidade. Quase sempre, porém, as situações são mal interpretadas pela pessoa doente, de forma que as outras pessoas não podem em absoluto ser responsabilizadas. Quando estávamos doentes, costumávamos culpar os outros por tudo. Não queríamos assumir a responsabilidade pelo que havia dentro de nós mesmos. Recusávamo- nos a encarar nossos defeitos de caráter, jogando a culpa em outras pessoas. Só conseguimos recuperar-nos quando, deixando finalmente de fugir da realidade, resolvemos olhar para onde as falhas realmente se encontravam: dentro de nós mesmos. Todas as pessoas recuperadas que conhecemos admitem que estavam erradas quando se encontravam doentes. Em nosso próprio caso, foi justamente o reconhecimento de que o erro estava em nósmesmos que nos possibilitou chegar à raiz do problema e dar início à recuperação. Passamos então a compreender que a doença tinha sua origem em nós mesmos e não em outras pessoas ou situações externas. Isso foi um importante passo à frente e o momento decisivo de nossas vidas. Sentimos um grande alívio ao ficarmos finalmente conhecendo a verdade. Foi como sair das trevas. Os outros sempre souberam que estávamos doentes, e agora nós também tínhamos certeza disso. E não chegou a causar-nos grande sofrimento. Na realidade, o que nos vinha mesmo atormentando era o medo de nos confrontarmos. Ao fazê-lo, porém, vimos que isso nada apresentava de ruim e ainda nos proporcionava alívio imediato. Não pudemos então compreender porque havíamos fugido por tanto tempo. Enquanto culpávamos os outros, não conseguimos nenhuma ajuda. E não havia mesmo ajuda que pudesse ser conseguida dessa forma. Estávamos errados e agindo de forma errada em relação ao problema. Quando afinal decidimos assumir a responsabilidade, acertamos em cheio e obtivemos ajuda. Segundo as palavras de um companheiro de Washington, "somos nós mesmos que criamos as nossas próprias situações". Somos de fato os causadores de todas as nossas situações, boas ou más. Costuma-se dar crédito à pessoa bem sucedida, porém já está na hora de se depositar confiança também na pessoa doente, na que fracassou. Embora não deva ser censurada por estar doente, é sua a responsabilidade de fazer alguma coisa a esse respeito. Como acontece, por exemplo, com uma pessoa tuberculosa. Embora não mereça censura por encontrar-se doente, cabe-lhe sem dúvida alguma a responsabilidade de procurar ajuda e fazer o que deve ser feito para sarar. Se recusar tratamento e piorar, a culpa será sua. Ela precisa decidir. E a pessoa emocionalmente doente também precisa tomar uma decisão: recuperar-se. O tormento por que passam as pessoas emocionalmente doentes não é causado por nenhuma situação externa em que estejam envolvidas. São as suas próprias interpretações dos acontecimentos que as martirizam. A DOENÇ A SE ORIGINA EM NÓS MESMOS. A recuperação, portanto, depende de tratarmos de nossas próprias pessoas. Se acharmos de orientar o tratamento para as situações externas, não conseguiremos recuperar-nos. Experimente. * -6- ■ • A DOENÇA EMOCIONAL É SEMPRE A MESMA EM TODAS AS PESSOAS (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de dezembro de 1966) Tomando por base nossa própria experiência e a experiência de muita gente mais, declaramos que a doença emocional é sempre a mesma em todas as pessoas, embora sua manifestação possa apresentar detalhes diferentes em casos individuais. Com isso queremos dizer que a causa, o sofrimento e os problemas resultantes são os mesmos para todas as pessoas, independentemente dos detalhes de sua manifestação na vida de cada uma delas. Uma pessoa, por exemplo, pode se mostrar malcriada e agressiva, enquanto que outra pode demonstrar excessiva timidez. Ambas, porém, e todas as que se situam entre os extremos por elas representados, procedem superficialmente de forma diferente para conseguir a mesma coisa, e pelo mesmo motivo. Pessoas diferentes também podem se valer de recursos diferentes para tentar fugir de seus problemas ou conviver com eles. Algumas recorrem ao álcool, outras às drogas ou aos jogos de azar, havendo também as que desenvolvem um interesse exagerado pelo trabalho, passatempos e outras coisas mais. Há ainda as que se limitam a sofrer. Todavia, essas maneiras diferentes de lidar com a doença não devem deixar-nos cegos ao fato de que ela é a mesma em cada uma dessas pessoas e sempre responde ao mesmo tratamento. Categorias especiais para as pessoas doentes são, portanto, simples rótulos que servem apenas para classificá-las segundo determinados sintomas da doença, e não como portadoras de doenças diferentes. Afirmamos que os alcoólatras, toxicômanos, neuróticos, jogadores compulsivos, hipocondríacos, portadores de problemas sexuais, e, na verdade, todas as pessoas emocionalmente doentes sofrem da mesma doença e podem recuperar-se por meio do mesmo tratamento, com a condição de que as que se tornaram dependentes de alguma coisa se abstenham de seu uso. Depois de termos comparado observações sobre todos os tipos de doentes (alcoólatras, toxicômanos, etc., como mencionamos acima), chegamos à conclusão de que ÉRAMOS TODOS IGUAIS EM NOSSA DOENÇ A COMUM» Éramos vítimas da MESMA ENFERMIDADE, e todos nós RESPONDEMOS AO MESMO TRATAMENTO. Descobrimos assim que ÉRAMOS TODOS IRMÃ OS E IRMÃ S E QIJE NÃ O ESTÁ VAMOS SOZINHOS NA DOENÇ A: UMA DOENÇ A DA ALMA, como já descrevemos em um dos artigos anteriores. Nossos sentimentos, atitudes e ações eram absolutamente semelhantes. Quaisquer variações nos detalhes eram apenas superficiais. Havia, entre nós, alguns que eram casados, outros solteiros; alguns financeiramente prósperos, outros que lutavam arduamente para se manterem; alguns pertencentes à elite social, outros à classe mais modesta da população. Todos nós, porém, tínhamos uma coisa em comum: a mesma doença emocional. Nossa doença comum assumiu formas superficiais diferentes em nossas vidas. Alguns dentre nós tinham problemas no trabalho, enquanto outros os tinham em casa. Havia também alguns com problemas cm diversos setores. Esses problemas, entretanto, se originavam todos da mesma causa. A causa real de nossa doença era egoísmo absoluto e conseqüente falta de amor pelas pessoas, isso todos nós tínhamos em comum. Foi sobre essa base que os problemas e dificuldades começaram a surgir. Cada uma de nossas dificuldades resultava dessa causa original.Temos testemunhos de muitos alcoólatras, toxicômanos, neuróticos, etc. que confirmam esse fato. E nós sabemos disso muito bem, pois passamos pela mesma experiência. Não é verdade que a solução intelectual de problemas específicos nos tenha ajudado a recuperar-nos. Nada nos proporcionou a recuperação enquanto não admitimos o nosso egoísmo e falta de amor, e não fizemos o que devia ser feito para nos tornarmos pessoas desprendidas e capazes de amar. A prova está na experiência de inúmeras pessoas com diagnósticos diferentes que se uniram e se recuperaram, descobrindo assim o FATO de que A DOENÇ A EMOCIONAL É UMA SÓ, e não muitas enfermidades. Exemplos da vida cotidiana ajudam a demonstrai" a veracidade desse FATO. A dor de dente é sempre dor de dente, não importa onde se localize nem o que esteja afetando o nervo atingido, uma cárie, talvez, ou uma trinca no dente. O câncer também é sempre câncer, onde quer que esteja localizado e qualquer que seja a forma pela qual se manifeste. A mente humana tem capacidade para certas coisas apenas. Há um limite para o que possa fazer ou experimentar. Assim sendo, é sem dúvida razoável supor que ela somente seja capaz de certas reações, tanto normais quanto anormais. A doença emocional, portanto, não pode ser considerada única em uma pessoa só porque essa pessoa esteja doente até certo ponto apenas, mesmo porque muita gente por certo já deve ter experimentado as mesmas coisas antes. Já foi constatado que o desprendimento e o amor ao próximo fazem com que uma pessoa seja normal e feliz. E nós que já estivemos doentes e conseguimos recuperar-nos podemos afirmar que o inverso - egoísmo e falta de amor ao próximo - resulta em doença emocional e infelicidade. Foi isso exatamente o que aconteceu conosco. Quando estávamos doentes, cada um de nós pensava ser a única pessoa nessa situação, que a doença de que sofria não era igual à nenhuma outra. Muitas outras pessoas, inclusive profissionais com os quais nos tratávamos, também achavam que a doença de cada um dc nós não tinha similar e que se tornava necessário examinar minuciosamente as manifestações individuais dos problemas resultantes. Convencemo-nos, porem,de que esse exame minucioso de casos individuais não era necessário. Era apenas necessário reconhecer os fatores comuns da enfermidade que compartilhávamos com, todas as demais pessoas emocionalmente doentes e fazer alguma coisa a respeito. Não importava, por exemplo, que tivéssemos ou não dívidas a pagar, que tivéssemos ou não um emprego, um lar, etc., pois tudo isso não passava de detalhes superficiais. O que realmente importava era o fato de que tínhamos uma doença espiritual resultante do ódio, falta de amor ao próximo, comodismo, ganância, ressentimento, autopiedade, e outros sentimentos e atitudes igualmente destruidores que geram dificuldades em todos os quadrantes da vida. Era inevitável, portanto, que dificuldades ocorressem conosco. Com os sentimentos errados que abrigávamos, não nos era mesmo possível ter um aj u s tamento normal. Sentimentos errados como esses não são causados pelas dificuldades. As dificuldades, sim, é que são causadas por eles. Nós pensávamos, como muitas pessoas ainda pensam, que tudo ficaria bem se nossas dificuldades fossem removidas. ISSO SERIA, PORÉM, O MESMO QUE COLOCAR O CARRO ADIANTE DOS BOIS. Os sentimentos, sim, é que precisam ser corrigidos antes que qualquer problema possa ser solucionado. / E muito fácil culpar os problemas pelas complicações na vida das pessoas. Enquanto era exatamente isso o que fazíamos, não só continuávamos doentes como piorávamos ainda mais. Para recuperar- nos, tivemos de compreender que eram as nossas emoções doentias que estavam causando todos os problemas, e tivemos também de trabalhar no sentido de corrigi-las. Os problemas, então, ou desapareceram por completo ou puderam ser solucionados inteligentemente pela primeira vez em nossas vidas. Como doentes emocionais, todos nós fazíamos as mesmas coisas negativas, nutríamos os mesmos sentimentos errados, e nossas atitudes erradas eram as mesmas. A única diferença em nossos casos estava nos detalhes superficiais das complicações em que nos envolvíamos por causa da mesma doença. Os neuróticos, alcoólatras, toxicômanos, jogadores compulsivos e todos os demais doentes emocionais têm uma linguagem em comum de perfeito entendimento e afinidade» APRENDEMOS QUE A DOENÇ A EM CADA CASO É A MESMA, VARIANDO APENAS NOS DETALHES SUPERFICIAIS DE SUA MANIFESTAÇ Ã O. SE NÃ O FOSSE A MESMA, ESSE ENTENDIMENTO E AFINIDADE NÃ O SERIAM POSSÍVEIS. Se fossem doenças diferentes, os doentes dessas di versas categorias não teriam o suficiente em comum para se identificarem uns com os outros. Não é isso, entretanto, o que acontece. DESCOBRIMOS QUE TODOS SÃ O IGUAIS NA DOENÇ A, EXCETO NOS DETALHES DA EXPERIÊNCIA DE CADA UM. Há mesmo pessoas entre nós que se enquadram em várias categorias e declaram que a doença c uma só. Conhecemos algumas que são ao mesmo tempo alcoólatras, toxicômanas e neuróticas, agora, porém, recuperadas e felizes; outras que são jogadoras compulsivas e neuróticas, agora também recuperadas e felizes; e outras ainda que são jogadoras compulsivas, alcoólatras e neuróticas, agora igualmente recuperadas e felizes. Todas elas e muitas outras confirmam o que estamos procurando enfatizar: A DOENÇ A EMOCIONAL É SEMPRE A MESMA EM TODAS AS PESSOAS. Essa é sem dúvida uma grande notícia. A pessoa doente não está mais sozinha. Faz parte do grande número das que têm em comum a mesma doença. Pode, portanto, criar ânimo, pois seu caminho já foi percorrido por muita gente e existe um meio de recuperar-se. Ela não é nenhuma aberração, nenhum pária. E apenas uma pessoa doente entre inúmeras outras, podendo recorrer a muitas delas em busca de ajuda para a sua recuperação. TEMOS CERTEZA DO QUE ESTAMOS FALANDO, POIS FOI EXATAMENTE ISSO O QUE FIZEMOS. E ENCONTRAMOS UMA VERDADEIRA IRMANDADE. AO DESCOBRIRMOS QUE, COMO PESSOAS DOENTES, ÉRAMOS TODOS IRMÃ OS, EQUE, COMO PESSOAS RECUPERADAS, CONTINUAMOS SENDO IGUALMENTE TODOS IRMÃ OS, AGORA TAMBÉM SABEMOS QUE SOMOS IRMÃ OS (E IRMÃ S) DE TODA A HUM ANIDADE. * A DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL É UMA COISA SÓ, PORÉM NÃ O SÃ O SEMPRE OS MESMOS OS SINTOMAS QUE SE MANIFESTAM. (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de fevereiro de 1969) Já tivemos ocasião de declarar em artigos do JOURNAL que a doença mental e emocional é sempre a mesma em todas as pessoas, variando apenas nos detalhes, e que ela tem uma só causa e uma só cura. Todas as pessoas mental e emocionalmente doentes, portanto, são portadoras de uma única enfermidade, que resulta de uma só causa e requer tratamento idêntico. Essas pessoas se diferenciam umas das outras apenas nos sintomas que apresentam. Assim sendo, afirmamos agora que NÃ O SÃ O SEMPRE OS MESMOS OS SINTOMAS QUE SE MANIFESTAM Alguns artigos anteriores do JOURNAL a respeito da unicidade, causa e cura da doença são os seguintes: 1. A DOENÇ A EMOCIONAL É SEMPRE A MESMA EM TODAS AS PESSOAS, variando apenas nos detalhes - dezembro de 1966 - p.3 2. A DOENÇ A EMOCIONAL É DOENÇ A ESPIRITUAL - março de 1966-p.3 3. A PREOCUPAÇ Ã O EXCESSIVA COM A PRÓPRIA PESSOA É EGOÍSMO, E O EGOÍSMO É A CAUSA DA DOENÇ A EMOCIONAL - março de 1968 - p.3 4. EMOÇ Ã O VIOLENTA É INSANIDADE, E, VICE VERSA, INSANIDADE É EMOÇ Ã O VIOLENTA - novembro cie 1968 - p.3 5. EGOCENTRISMO: O CAMINHO QUE LEVA À RUÍNA-janeiro de 1969 - p. 3 No que nos diz respeito, começamos todos a ficar doentes movidos por uma preocupação excessiva com as nossas próprias pessoas, preocupação que nos impedia de aprender a amar. Foi essa a causa única que nos condenou a um inevitável sofrimento. Quando nos víamos em dificuldade, o que para nós significava não podermos impor nossa própria vontade, reagíamos empregando qualquer recurso de que nos pudéssemos valer: acessos de mau humor, gritos, brigas. E se isso não desse resultado, ficávamos então amuados, fazendo beiço, coisa que depois acabava se convertendo em depressão. Em nossas vidas de pessoas doentes, havia um grande vazio que / tentávamos preencher. Éramos solitários, medrosos e infelizes. Estávamos assim prontos para nos entregarmos a qualquer tipo de fuga que se nos apresentasse. E uma naturalmente sempre se apresentava. Temos casos e mais casos de pessoas recuperadas que agora nos relatam ter sido para elas meramente casual a manifestação da depressão, asma, doenças psicossomáticas, bem como a recorrência ao álcool, drogas, jogatina ou excesso no comer. Se outra modalidade qualquer houvesse se apresentado primeiro, certamente teria sido essa a prevalecer. Isso não é uma simples teoria, mas fato comprovado pela experiência de um número muito grande de pessoas. O fundador cie Jogadores Compulsivos Anônimos, de Washington, D.C., falando numa reunião de N.A. contou-nos que, quando criança, ele já estava doente e à procura de alguma coisa que pudesse aliviar seu sofrimento. Encontrando por acaso alguns garotos que estavam jogando a dinheiro, começou a jogar com eles também. Descobriu então que, além de ser emocionante participar, ele era aceito pelo grupo e se esquecia de seus problemas enquanto durava a excitação do jogo. Tornou-se depois um jogador compulsivo. Vemos aí que não foi senão casualmente que ele descobriu um recurso que lhe parecia "preencher o vazio" de sua vida. Grover afirma que sua fuga para o álcool foi igualmente casual Poderia ter sido, sem dúvida nenhuma, qualquer outra coisa. E quando ele tinha apenas nove anos de idade, foi também casual sua descoberta de que a asma que nele se manifestou, também chamada "choro seco", podia ser usada para impor sua própria vontade. Foi quando as lágrimas cessaram e os soluços continuaram que Grover descobriu esse novo fenômeno (novo para ele), isto é, que esse soluçar, que acabou se transformando em asma, era um método muitíssimo eficiente de fazer com que sua vontade prevalecesse. Uma vez encontrada uma forma de fuga - álcool,drogas, jogatina, depressão - ela fica "gravada", tornando-se inconsciente e habitual, e um sintoma da pessoa. (Este artigo será ampliado posteriormente. Publicamo-lo aqui para que não deixe de ficar registrado). * DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL: A BIRRA GLORIFICADA. SUICÍDIO: O SUPREMO ACESSO DE BIRRA. (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de julho de 1969) Já declaramos anteriormente que a causa da doença mental e emocional é o egoísmo inato que a pessoa não aprendeu a superar. E unicamente por causa do egoísmo que ela não consegue ajustar-se ao mundo e se condena à frustração, uma vez que seus desejos não podem ser sempre satisfeitos. E é por causa do egoísmo que ela acha o mundo hostil e nada agradável. Sabemos que isso é verdade porque já estivemos doentes e conseguimos recuperar-nos. Pudemos então refletir sobre o assunto e descobrir a causa real da doença. A pessoa mental e emocionalmente doente preocupa-se apenas consigo mesma e com a influência que as outras pessoas e os acontecimentos possam ter sobre ela. Insiste em obter tudo o que seja de sua vontade e fazer com que as outras pessoas sempre lhe satisfaçam os desejos. E então inevitável que se sinta frustrada, porque exigências impossíveis como essas não podem mesmo ser satisfeitas. Quando não consegue impor sua própria vontade, ela passa a reagir, e muitas são as formas de sua reação. Recorre, por exemplo, a diversos mecanismos de fuga que se exteriorizam como sintomas da doença: retraimento, depressão, atribuição de culpa a outras pessoas, mau humor, alheamento, hostilidade, e toda a gama de manifestações peculiares à doença mental e emocional. Esses mecanismos de fuga a pessoa egoísta os aprende, e muito bem, no período da infância. Na idade adulta, eles nada mais são do que formas ampliadas da BIRRA infantil. Não há absolutamente nenhuma diferença entre os acessos de birra de uma criança, teimando para ganhar uma bola ou uma boneca, e a birra de um adulto que quer a todo custo um emprego diferente, um carro novo, uma outra casa, etc. Em ambas as situações, a pessoa se preocupa unicamente CONSIGO MESMA E COM OS SEUS PRÓPRIOS DESEJOS. QUANDO ESSES DESEJOS NÃ O SÃ O SATISFEITOS, ELA FICA MAL-HUMORADA OU ENTÃ O RECORRE A OUTROS SINTOMAS DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL. Éramos peritos no uso desses sintomas para tentar impor a nossa própria vontade. Passamos os primeiros 30,40,50 ou mais anos de nossas vidas usando e aperfeiçoando essa técnica. Temos certeza disso porque, estando agora recuperados, podemos compreender o que se passava conosco. Pensávamos, como muitas pessoas ainda pensam, inclusive profissionais, que éramos vítimas inocentes da doença mental e emocional, atingidos que havíamos sido por essa enfermidade, e que devíamos, portanto, ser lamentados e protegidos. Isso porém não é verdade, pois FOMOS NÓS MESMOS OS CAUSADORES, OS AUTORES DA NOSSA PRÓPRIA DOENÇ A. ESTÁ VAMOS, ISTO SIM, FAZENDO BIRRA EM ALTO GRAU, BIRRA ESSA QUE SABÍAMOS FAZER MUITO BEM. Se há uma coisa de que não temos nenhuma dúvida é que, como pessoas doentes, nós nos valíamos de todos os recursos de que dispúnhamos para procurar impor a nossa própria vontade. Procurávamos, por exemplo, ser agradáveis e, se não desse certo, ficávamos amuados; se o amuo também não desse certo, mostrávamo- nos hostis; e se a hostilidade da mesma forma não desse certo, ficávamos então deprimidos. A depressão geralmente nos ajudava a fazer com que a nossa vontade prevalecesse. É um recurso de fato espetacular. As pessoas normais quase sempre se deixavam impressionar e acabavam cedendo. Entretanto, se por alguma surpreendente circunstância elas não se deixassem levar pelas nossas depressões, então desmaiávamos, tínhamos câimbras, náuseas, etc. Podíamos ainda ficar pálidos, coisa que se mostrava extremamente eficaz para dobrar a mais forte, a mais determinada pessoa normal. Não se esgotava aí a nossa "sacola de truques". Podíamos ir ainda mais longe se fosse preciso, como, a exemplo do que acontece s com muita gente, entrar nas chamadas "psicoses". Éramos capazes de ficar sentados ou de pé, horas a fio, num estado de "transe" - o estado catatônico. E havia naturalmente o suicídio ou a tentativa de suicídio, recurso esse que, mais do que tudo, sem dúvida sempre atrai atenção para a pessoa egoísta. Temos plena certeza do que estamos falando. Alguns companheiros nossos anteriormente diagnosticados como psicóticos, porém livres agora da doença mental e emocional por se terem recuperado, também nos contam que se valiam do recurso de "pessoas doentes" com um único propósito: fazer prevalecer sua própria vontade. Devemos salientar, entretanto, que não tínhamos consciência de que estávamos usando esses recursos, embora fosse exatamente isso o que fazíamos. Foi preciso que nos déssemos conta desse fato para que pudéssemos recuperar-nos. E agora que estamos recuperados, podemos dizer com toda a segurança que se trata de uma verdade o que estamos dizendo. Tomando por base nossa própria experiência e a experiência de muitas pessoas mais, agora também recuperadas, afirmamos categoricamente que, QUANDO NOS ENCONTRÁ VAMOS MENTAL E EMOCIONALMENTE DOENTES, ESTÁ VAMOS NA VERDADE FAZENDO BIRRA EM ALTO GRAU, E QUE, QUANDO TENTÁ VAMOS O SUICÍDIO, COMO FIZEMOS MUITAS VEZES, ESTÁ VAMO-NOS ENTREGANDO AO SUPREMO ACESSO DE BIRRA. Não existe nenhum mistério em relação à doença mental e emocional e ao suicídio, que nada mais são do que manifestações de birra, porém ampliadas e levadas ao extremo. Como não podia deixar de ser, o suicídio é o supremo acesso de birra, desatino esse que algumas pessoas chegam mesmo a cometer. Quando o egoísmo ainda nos dominava e estávamos, portanto, mental e emocionalmente .doentes, costumávamos rebelar-nos quando não conseguíamos que nossa vontade prevalecesse. Nossa rebelião era total. Ficávamos enraivecidos com as pessoas, com os acontecimentos, com as coisas e até mesmo com Deus, o mundo e a própria vida. Se a frustração persistisse, púnhamo-nos então a pensar, em completo desafio e rebelião: "isso eu não vou tolerar, não vou aceitar mesmo, prefiro deixar de viver". Tentávamos assim desertai' da vida. O autor deste artigo chegou a tentar o suicídio cinco.vezes antes de atingir a idade de 21 anos, podendo por isso afirmar categoricamente que o fez em estado de desafio e revolta. Outras pessoas que também tentaram o suicídio dizem a mesma coisa quando se recuperam. Não resta dúvida de que desafio e revolta são na verdade acessos de birra. Podemos concluir, portanto, que a cura da doença mental e emocional e das tendências suicidas consiste em a pessoa deixar de ser egoísta, tomar-se capaz de amar e recuperar-se, aprendendo assim a aceitar o que não pode ser modificado, a dar e receber, a não se julgar tão importante quanto pensava que fosse, e a reconhecer que impor a própria vontade não é, de forma nenhuma, o objetivo da vida. Reafirmamos que A DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL É A BIRRA GLORIFICADA e que o SUICÍDIO É O SUPREMO ACESSO DE BIRRA. Apenas isso, nada mais. DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL: A DOENÇ A POR EXCELÊNCIA (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de maio de 1967) Uma vez que a doença mental e emocional é considerada como sendo o problema de saúde pública número om do país (nota do tradutor: o autor se refere aos Estados Unidos), bem que poderíamos chamá-la de A DOENÇ A POR EXCELÊNCIA. Há mais pessoas que sofrem dessa doença e por ela são incapacitadas do que as que têm qualquer outra enfermidade. Se fosse causada por um vírus, seria certamente considerada uma epidemia nacional. Um aspecto traiçoeiro dessa doença é o de que ela dura muito tempo, a não ser que se tenha a sorte de obter ajuda apropriada, coisa que a grande maioria das pessoas doentes ainda não consegue nos dias de hoje, muito embora essa ajudajá exista. É gratuita e está à disposição de todos, podendo ser obtida em qualquer lugar, nem que seja apenas por correspondência. Se você faz parte do grande número de pessoas que sofrem de A DOENÇ A POR EXCELÊNCIA, saiba que já lhe é possível recuperar- se, pois, embora seja mais generalizada do que o resfriado comum, ela já tem cura, enquanto que o resfriado comum ainda não a tem. Essa cura está à disposição de qualquer pessoa. Assim sendo, as que sofrem desse mal podem perfeitamente recuperar-se, como muitas e muitas outras já o conseguiram, mediante a aplicação do Programa de NEURÓTICOS ANÔNIMOS. Em NEURÓTICOS ANÔNIMOS, elas terão oportunidade de ver, ouvir e falar com as que já se recuperaram, bem como aprender de que maneira poderão também recuperar-se. Esperança e ajuda lhes serão oferecidas através do Programa de Recuperação de N/A. Inúmeras pessoas que não tiveram resultado com a psiquiatria, a medicina e a religião conseguiram recuperar-se aplicando o Programa de N/A. Desde que a pessoa doente queira verdadeiramente recuperar- se, ela não terá mais de suportar essa terrível enfermidade. A DOENÇ A POR EXCELÊNCIA pode perfeitamente ser transformada em A RECUPERAÇ Ã O POR EXCELÊNCIA. E Neuróticos Anônimos já tem proporcionado saúde e felicidade a muita gente que antes não havia reagido a nenhum outro tratamento. Temos, portanto, uma boa nova a transmitir: as pessoas doentes que sinceramente desejem recuperar-se e de fato se disponham a pôr em prática um programa simples de recuperação, poderão libertar-se de seu sofrimento. Nosso propósito aqui é oferecer esse programa a todas as pessoas que queiram recebê-lo, ajudando dessa forma a eliminar A DOENÇ A POR EXCELÊNCIA. * A CAUSA DA DOENÇ A EMOCIONAL: EGOÍSMO (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de janeiro de 1968) No JOURNAL OF MENTAL HEALTH de novembro de 1965, publicamos uma artigo intitulado: A RESPOSTA PARA A DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL: AMOR Examinando agora o outro lado do problema, podemos também afirmar que A CAUSA DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL É O EGOÍSMO. Descobrimos, valendo-nos de nossa experiência pessoal, da observação, estudo, trabalho em conjunto e comparação de experiências com outras pessoas, que a causa inequívoca da doença emocional é o EGOÍSMO. Não existe nenhuma outra. E do egoísmo que brotam todas as dificuldades. O egoísmo impede que a pessoa ame seus semelhantes. E não os amando, ela não encontra paz em parte alguma. A pessoa doente (egoísta) passa então a isolar-se e acaba ficando extremamente retraída, solitária, medrosa, totalmente desanimada. Pode até mesmo atentar contra a própria vida, procurando assim fugir da horrível prisão que ergueu para si mesma. A pessoa egoísta pensa unicamente em si mesma, em como dominar as pessoas e em assenhorear-se de tudo o que deseja. Esse objetivo obstinado, entretanto, está condenado ao fracasso. Em primeiro lugar, ela não conseguirá controlar indefinidamente as pessoas, e irá seguramente sentir-se frustrada. Em segundo lugar, mesmo que lhe fosse possível manipulá-las e ter tudo o que imaginasse querer, ainda assim iria sentir-se frustrada, solitária e isolada, porque nada disso seria, suficiente para satisfazê-la. Para ela, essas coisas sempre se mostrarão vazias e inúteis, tão insípidas quanto cinzas em sua boca. Nós o sabemos muito bem porque foi isso mesmo o que aconteceu conosco e com muitos de nossos amigos e companheiros. Éramos muitos os que achávamos de querer manipular determinadas pessoas, ter carros de luxo, televisão em cores, aparelhagem de som, tapetes orientais, casa para passar as férias, jóias, dinheiro, porém, mesmo quando o conseguíamos, continuávamos INFELIZES, E por quê? Porque havíamos colocado o valor de tais coisas em primeiro lugar, tomando-as um fim em si mesmas, na esperança de que nos trouxessem felicidade. Na ânsia de conseguir essas coisas, em toda a nossa vida SEMPRE PUSEMOS OS NOSSOS DESEJOS EM PRIMEIRO LUGAR. Não nos dávamos ao trabalho de amar as pessoas nem de procurar colocar o amor, a compreensão, a ajuda e a amizade em primeiro lugar. Tudo o que na verdade nos importava era conseguir o que fosse de nosso desejo, sempre preocupados com a influência que as pessoas e as coisas pudessem ter sobre nós. Costumávamos classificar as coisas como sendo "boas" ou "más", dependendo do efeito que em nós elas produzissem. Em outras palavras, "boas" eram aquelas que achávamos de querer e "más" as que não nos interessavam. Se outras pessoas, pôr exemplo, demonstrassem gostar de alguma coisa que não fosse do nosso agrado, nós a declarávamos "má", e isso encerrava o assunto. Nossa intolerância era total. Observe a pessoa emocionalmente doente. Preste atenção no que diz. Se as palavras eu, me, mim, meu, minha fossem retiradas de seu vocabulário, ela muito provavelmente não conseguiria falar. Toda a sua conversa gira em torno de si mesma, sempre decorrendo mais ou menos assim: "eu não consigo dormir; o jantar não me agradou; minfias compras eu as vou fazer na cidade; o que eu quero é um carro novo para mim; aquele filme (ou programa na TV, peça teatral, caminhada, concerto, passeio) não foi nada do meu gosto: eu estou com muito calor (ou frio); eu me sinto muito cansado (ou intranqüilo); o chefe me trata como se eu fosse um escravo; eu sou infeliz mesmo", e assim por diante, fastidiosamente. Quase nunca a ouvimos dizer: '"estou feliz por João ter comprado um carro novo; o bebê de Maria é um encanto, ela e o marido estão irradiando felicidade; levemos a tia para um passeio domingo que vem". Não, isso não é de seu hábito. A pessoa egoísta (doente) quase nunca fala sobre os outros ou por eles se interessa. Enquanto fomos egoístas, não só permanecíamos emocionalmente doentes como piorávamos ainda mais. Descobrimos então que viver apenas para nós mesmos não nos satisfazia. Sentíamo-nos infelizes quando não conseguíamos que nossa vontade prevalecesse. Porém descobrimos também, para nossa surpresa, que nos sentíamos igualmente infelizes quando o ■s. conseguíamos. As vezes mais infelizes ainda. Nossa frustração não podia ser maior, pois tanto de um jeito como do outro estávamos na realidade "condenados ao sofrimento". Víamo-nos num verdadeiro dilema que se agravava porque não conhecíamos outra maneira de viver e de agir, e também porque não conseguíamos encontrar uma saída. TÍNHAMOS CAÍDO NUMA ARMADILHA, TORNANDO-NOS PRISIONEIROS DO NOSSO PRÓPRIO EGOÍSMO. Fomos à procura de ajuda em muitos lugares. As pessoas, porém, embora bem intencionadas, e foram muitas, não conseguiram ajudar- nos porque não sabiam o que havia de errado conosco. Não sabiam que estávamos presos na armadilha do nosso próprio egoísmo. E assim fomos indo, tropeçando em nossas dificuldades, até que pudéssemos um dia ter a sorte de descobrir como obter ajuda para sairmos dessa armadilha. Uma palavra agora a respeito de como surgiu o nosso egoísmo. Não é nenhum mistério, e pode ser facilmente explicado. Os bebezinhos vêm ao mundo trazendo muitas tendências, que podem se desenvolver à medida que eles crescem. Uma das mais importantes é a tendência egoística. O egoísmo aparece cedo, e cedo começa a ser exercitado. Os bebês são de fato egoístas, e isso naturalmente é necessário para que possam sobreviver. A ciência também já declarou que eles são egoístas, e pelo mesmo motivo: sobrevivência. Não significa, portanto, que o egoísmo seja um mal na criança de tenra idade, Porém se torna muitíssimo pernicioso no homem ou na mulher de 30,40, ou 50 anos, por exemplo, sendo igualmente nocivo na criança um pouco mais crescida. Como se pode ver, nosso egoísmo já estava presente em nossos primeiros dias de vida, e por um motivo muito justo. Esse egoísmo, porém, precisa ser logo substituído pelo amor para que possa haver um desenvolvimento normalda criança. O nenezinho é totalmente egoísta, necessariamente egoísta, porque precisa que lhe dêem água e alimento, precisa ser trocado, agasalhado, quer dizer, precisa sentir-se confortavelmente protegido para poder sobreviver. Sua única preocupação é a satisfação dessas necessidades físicas. Ele chora, portanto, morde, esperneia, grita, até que seja devidamente atendido em suas exigências. Sem dúvida, isso é egoísmo em alto grau, porém muito legítimo. Agora, se houver um desenvolvimento normal, que se verifica quando a criancinha recebe o atendimento necessário e amor materno, ela começa a perceber que é mais bem atendida e a tratam melhor quando corresponde com docilidade aos cuidados que recebe (da mãe comumente), e aceita o que lhe é oferecido em vez de tudo ficar exigindo. Aprende assim a demonstrar amor, sentimento esse que certamente a acompanhará ao longo de sua vida, impedindo que venha a se tornar uma pessoa emocionalmente doente. Nós, entretanto, que chegamos a ficar emocionalmente enfermos tivemos um desenvolvimento bem diferente. Não tendo aprendido a lição do amor, continuamos exigindo, gritando, chorando, esperneando toda vez que queríamos alguma coisa. Em outras palavras, NÃ O FOMOS TREINADOS A ELIMINAR O EGOÍSMO, NÃ O APRENDEMOS A AMAR. Fomos crescendo com o egoísmo infantil sempre presente e se tornando cada vez maior. / E bom deixarmos logo bem claro que a culpa por essa situação NÃ O PODE SER ATRIBUÍDA ÀS MÃ ES. Nós também nos valíamos dessa desculpa, porém continuávamos doentes e piorando cada vez mais. Aconteceu apenas que não conseguimos aprender a amar, não importa quais possam ter sido os motivos. Precisamos aceitar esse fato e deixar de responsabilizar os outros. Uma vez que já éramos egoístas, não podemos culpar outras pessoas, as mães, por exemplo, por não nos terem livrado do egoísmo. Assim como é compreensivelmente justificável pensai" que as mães possam ter tido culpa, também é perfeitamente razoável supor termos sido mais egoístas do que outras crianças, e que mãe nenhuma teria sido capaz de ajudar-nos a aprender a amar. Quanto aos que duvidam, mesmo que suas mães tenham sido realmente culpadas, responsabilizá-las nada mais fará do que torná- los mais doentes ainda. Algum dia, seja lá onde for, terão certamente de aprender a amar para que possam recuperar-se. Seria melhor, portanto, que aprendessem desde já a perdoar e esquecer. Nós, que já estamos recuperados da incapacitante doença emocional, sabemos muito bem que fomos egoístas a vida toda. Podemos assim assegurar que o egoísmo foi a causa original da nossa s enfermidade. A medida, porém, que íamos conseguindo superá-lo, nossas vidas mudavam para melhor. Temos agora plena certeza de que NÃ O PODEMOS VIVER SÓ PARA NÓS MESMOS, VISANDO APENAS OS NOSSOS PRÓPRIOS INTERESSES. A verdadeira felicidade consiste no DESPRENDIMENTO E NO AMOR AO PRÓXIMO. ESSA É A CURA PARA A DOENÇ A EMOCIONAL E O SEGREDO DE UMA VIDA PLENA DE SATISFAÇ ÕES. Praticando os 12 Passos de Neuróticos Anônimos, você também pode encontrar essa vida. A PREOCUPAÇ Ã O EXCESSIVA COM A PRÓPRIA PESSOA É EGOÍSMO, E O EGOÍSMO É A CAUSA DA DOENÇ A EMOCIONAL (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de março de 1968) Declaramos anteriormente (veja o JOURNAL OF MENTAL HEALTH de janeiro de 1968, pag.3) que o egoísmo é a causa da doença emocional. Essa afirmação se baseia em nossas próprias experiências de doentes emocionais já recuperados, na observação, no trabalho junto a outras pessoas doentes e no estudo. Declaramos agora que a preocupação excessiva com a própria pessoa é egoísmo, e egoísmo no mais alto grau. Muita gente não se dá conta de que essa preocupação é egoísmo, porque se trata de um tipo de egoísmo que é traiçoeiro, sutil, geralmente difícil de ser reconhecido. Quando se pensa em egoísmo, é comum logo vir à mente aquele tipo que é óbvio, reconhecível, por meio do qual a pessoa tudo faz para que sua vontade sempre prevaleça, não se incomodando de passar por cima dos outros na ânsia de ver os seus próprios desejos realizados, além de fazer-lhes exigências absurdas. Esse tipo de egoísmo é muito fácil de ser reconhecido, de modo que as demais pessoas podem até se precaver contra quem o manifesta. O tipo realmente destruidor de egoísmo, entretanto, aquele que freqüentemente passa despercebido à própria pessoa doente ou às pessoas com as quais ela se relaciona, é a sua extrema preocupação consigo mesma em tudo que diz respeito à sua saúde, estado de ânimo, sentimentos, conforto, interesses, etc. Em geral, ela não admite que isso seja egoísmo. Chega até mesmo a exclamar: "Mas eu não prejudico ninguém. Não faço questão de nada, não me aproveito de ninguém. Até que sou uma pessoa acanhada, retraída. Sofro em silêncio". Embora isso possa ser verdade no que se refere a ações obvias, sua preocupação excessiva consigo mesma, chegando à / exclusão de tudo mais, outra coisa não é senão puro EGOÍSMO. "Até que sou uma pessoa acanhada, retraída. Sofro em silêncio"; são afirmações inteiramente voltadas para si mesma e, portanto, egoísticas. A pessoa doente está sempre demasiadamente preocupada com o que possa estar sentindo e coisas semelhantes. No que lhe diz respeito, o mundo bem que podia ir para o inferno. Ela só se interessa mesmo pelo que esteja sentindo, por aquilo que deseja, pelo que consegue obter para si mesma, pela maneira como é tratada pelas outras pessoas, pelas vantagens que possa levar. Estamos certos disso, pois nós éramos assim mesmo, como assim também são todas as pessoas emocionalmente doentes. Se nada mais podemos provar, isso certamente nós conseguimos provar. Conseguimos provar também que esse egoísmo torna as pessoas doentes, e que a sua eliminação as recupera. Quando uma pessoa pensa ou fala unicamente a respeito de si mesma, ela está sendo egoísta no mais alto grau. Preste atenção no que diz a pessoa emocionalmente doente: "Não me sinto nada bem; não posso ir trabalhar hoje. Estou com depressão. Não dormi bem a noite passada. Estou com dor de cabeça. Meu estômago está todo embrulhado. O cansaço me domina. Aquele barulho está demais. Não gosto de João (ou Maria, Jaime, etc.). Estou com muito calor (ou frio)", e por aí afora. O fato é que essa PESSOA PENSA SOMENTE EM SI MESMA, E ISSO É EGOÍSMO ELEVADO À MAIS ALTA POTÊNCIA. Quando ingressam em N/A, as pessoas quase sempre negam que sejam egoístas, porque imaginam tratar-se daquela espécie tão comum e tão perceptível de egoísmo. Porém, quando compreendem que se trata, ao contrário, do tipo que é oculto, sutil, traiçoeiro, devastador, de que estamos falando aqui, elas geralmente logo se sentem aliviadas e se decidem a praticar o programa. Assim sendo, se você se preocupa em demasia com a sua própria pessoa, muito embora seja possível que jamais tenha se aproveitado de alguém em negócios ou no jogo, jamais tenha procurado obter coisas materiais de que não seja merecedor, ou feito quaisquer outras coisas clara e reconhecidamente egoísticas, temos algo a lhe dizer: VOCÊ É UMA PESSOA EGOÍSTA. Essa preocupação é de fato amais desprezível forma de egoísmo. Sendo "oculta", os outros dificilmente a reconhecem, e a pessoa s doente pode então deles se aproveitar sem que o percebam. E de se notar a compaixão que o doente consegue quando se queixa: "Não me sinto bem, estou muito deprimido". Isso, sem dúvida nenhuma, é abusar das outras pessoas e interferir indevidamente em seu bem- estar. Livre-se, portanto, da preocupação excessiva com a sua própria pessoa - PROCURE AJUDAR OS OUTROS. * A CAUSA PRESENTE E A CAUSA REMOTA DA DOENÇ A EMOCIONAL (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de fevereiro de 1968) Como tudo mais, a doença emocional também tem uma causa presente e uma causa remota. Embora ambas se confundam em uma só no caso da doençaemocional, como iremos demonstrar, torna-se necessário diferenciá-las para que possamos concentrar-nos na que tem relação direta com a cura da doença. Nós sabemos, e somos os primeiros a admitir, que a doença emocional tem uma causa que se origina no período da infância. Sabemos também que se concentrar nessa causa remota em nada ajudará na recuperação. Ao contrário, isso apenas fará com que se fique mais doente ainda. Não podemos fazer absolutamente nada a respeito do que aconteceu na infância. Reviver esse passado à procura do que foi que provocou a doença traz de volta a autopiedade, o ressentimento, a raiva e outros sentimentos igualmente negativos, levando a pessoa doente a exclamar: "A culpa não é minha, nada posso fazer; não é de admirar que eu esteja neste estado". Esse é um procedimento totalmente destrutivo, uma forma segura de fazer qualquer pessoa ficar gravemente doente. Em nossa infância, a causa remota nos fez viver um padrão de sentimentos, pensamentos e ações que cada vez 'mais se desajustavam à medida que íamos crescendo. Chegou um momento em que isso nos causava tantas dificuldades que ficamos, na verdade, muito doentes. Quando se atinge esse ponto, é a causa presente que provoca a doença. Não é verdade que as atuais aflições da pessoa doente resultem de certos acontecimentos da infância. A causa são os sentimentos negativos agora presentes, tais como ódio, ressentimento, autopiedade, medo. Não resta dúvida de que tudo isso começa na infância, porém são os defeitos de caráter agora presentes os responsáveis pelo problema atual. / E perfeitamente possível deixar de relembrar o que aconteceu na infância e concentrar-se apenas nos sentimentos negativos agora presentes* Somente agindo dessa forma é que se pode alcançar a recuperação. Não podemos mudar o passado. O presente, porém, pode muito bem ser mudado. É preciso, portanto, cuidar do presente, isto é, da causa presente. Quem alimenta sentimento de culpa, raiva, ódio, ressentimento, má-vontade e outros sentimentos da mesma natureza é sem dúvida uma pessoa doente. Não importa como tenha começado a sentir essas coisas, o que importa é o fato de as estar sentindo agora. Quando acontece, por exemplo, de furar um pneu na estrada, ficar sabendo como foi que isso aconteceu não resolverá o problema. Explicação não é solução» O dono do carro precisa consertar o pneu ou mandar consertá-lo. Ele mesmo, ou o borracheiro, terá de se haver com a causa presente, vamos dizer, um prego no pneu, e fazer os reparos necessários. Descobrir que o prego tenha caído de um caminhão todo surrado dirigido por um velho lavrador tampouco será solução. Culpar o lavrador por isso, que foi naturalmente a causa remota, também de nada adiantará e só resultará em aborrecimentos. A causa real do dano é o prego que precisa ser retirado do pneu para que a viagem possa prosseguir. A mesma coisa se verifica com a doença emocional. Não importa que a pessoa, quando criança, tenha sido mimada em demasia ou desprezada, bem alimentada ou passado fome. É até possível que isso faça parte da causa remota, porém não pode mais ser mudado. O que realmente pode ser mudado, e essa é uma questão totalmente diferente, é o atual estado de desajuste em que a pessoa se encontra. Da mesma forma, se uma pessoa fratura uma perna, não importa como isso possa ter acontecido. O que importa, na verdade, é o fato de a perna estar fraturada e necessitar de tratamento adequado. / E possível que o médico nem mesmo pergunte, enquanto não tenha terminado seu trabalho, como foi que tudo aconteceu. Assim que terminar, ele então talvez faça essa pergunta para satisfazer sua curiosidade. Não importa que a perna possa ter sido fraturada no campo de futebol, em conseqüência de uma queda da escada, ou por causa de um escorregão (causa remota). Importante no caso é o fato de a pessoa não estar podendo andar porque a fratura em sua perna a impede de manter-se de pé (causa presente). Não seria insensato e negativo ficar culpando alguém ou as circunstâncias pela fratura na perna? CONTUDO, É ISSO MESMO O QUE MUITAS PESSOAS FAZEM, sendo natural, portanto, que sofram emocionalmente. A mesma coisa é querer jogai- a culpa nos pais pelo que aconteceu quando se era criança, pois ainda que possam ter errado, culpa-los só fará com que a pessoa fique mais doente ainda. Não há dúvida de que o velho lavrador é responsável por ter deixado o prego cair do caminhão. A escada também, por assim dizer, pode ter tido sua parcela de culpa na queda. A solução, porém, só será encontrada quando se cuidar da causa presente em cada caso: o prego e a fratura na perna, respectivamente. Ir reclamar com o lavrador, por exemplo, não resolverá o problema. O passado não pode ser modificado. O que aconteceu, aconteceu. O que importa, na verdade, é o que se vai fazer a respeito do presente. Nem mesmo é preciso saber qual tenha sido a causa remota. / E preciso, isto sim, cuidar do que está no presente e necessita ser corrigido. Os médicos sabem disso muito bem. Se uma pessoa contrai uma doença causada por um vírus, não importa onde isso possa ter acontecido. O que o médico vai fazer de imediato é combater o vírus que se encontra presente na pessoa doente. É claro que médicos e pesquisadores sempre procuram descobrir as causas remotas a fim de evitar as doenças. Entretanto, quando alguém está doente, sua doença precisa ser tratada na forma em que se manifesta hoje«, e não como se manifestava ontem ou irá se manifestar amanhã. E o estado ateai da doença que tem de ser levado em consideração. E esse mesmo procedimento também se aplica no que diz respeito à doença emocional. Se uma pessoa de 35 anos, por exemplo, está doente, a causa real de sua doença é o que há de errado com essa pessoa agora, na idade de 35 anos, e não o que havia de errado com ela quando tinha apenas 6 ou 7 anos. A doença, na idade de 6 ou 7 anos, poderá ajudar a explicar porque ainda existe algo de errado com essa pessoa na idade de 35 anos, e esse algo de errado é a causa presente da doença no estado atual de sua manifestação. É exatamente essa causa presente, e não o que a originou, que precisa ser removida para que a pessoa possa sarar. Tendo mostrado a diferença entre a causa presente e a causa remota das doenças ou de qualquer outra coisa, afirmamos agora que, em se tratando da doença emocional, as duas causas se confundem em uma só. No JOURNAL OF MENTAL HEALTH de janeiro de 1968, publicamos um artigo intitulado "A CAUSA DA DOENÇ A EMOCIONAL: EGOÍSMO". No que diz respeito à nossa própria experiência, nosso egoísmo começou a se manifestar assim que nascemos, desenvolvendo-se depois através da infância, adolescência e idade adulta. Como não fomos capazes de superá-lo, ficamos emocionalmente doentes. Ele foi, de fato, a causa de nossa doença ao longo de nossas vidas, isto é, aos 3,6,15,21,35 anos, em todas as idades, provando assim ter sido tanto a causa presente como a causa remota de nossas dificuldades. A extensão do nosso egoísmo, entretanto, não foi sempre a mesma. Variava com a nossa idade, aumentando à medida que a idade avançava. Sua manifestação no início da infância foi na realidade bem diferente de sua manifestação quanto tínhamos, vamos dizer, 35 ou 40 anos de idade, provando assim que, embora a causa presente e a causa remota da doença emocional venham a ser a mesma coisa, podemos distinguir a que pertence ao passado e a que se manifesta no presente. Nós que já nos recuperamos da incapacitante doença emocional aprendemos que se pode perfeitamente ignorar a causa remota e alcançar a recuperação trabalhando com a causa presente. Não interessa realmente saber como foi que se ficou doente. Isso não tem a menor importância. O que importa é descobrir o que está causando o problema AGORA, pois só se consegue recuperaragindo no presente. A nossa doença, por exemplo, se agravou seriamente pelo fato de ficarmos lamentando a vida que levávamos. Só conseguimos recuperai"-nos quando resolvemos enfrentar o presente e reconstruir nossas vidas. Uma vez que já nos libertamos do passado, não somos mais as crianças egoístas de antes. Deixamos de ser prisioneiros desse passado. O dia de hoje é tudo o que temos. Aprendemos a não nos preocupar com o de ontem nem com o de amanhã. E isso é saúde mental e emocional. Portanto, se você está se deixando perturbar por qualquer coisa, aqui está a nossa sugestão: descubra a CAUSA PRESENTE e procure removê-la. Recupere-se! EGOCENTRISMO: O CAMINHO QUE LEVA À RUÍNA (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de março de 1968) O "egocentrismo" - muitas vezes chamado egotismo, exaltação do ego, egoísmo - c sem dúvida nenhuma o caminho que leva à ruína, à destruição. A manifestação do egocentrismo em qualquer pessoa é garantia absoluta de ruína em sua vida. E não pode ser de outra forma. Absolutamente nada pode dar certo quando a pessoa pensa unicamente em si mesma e em como é afetada pelas outras pessoas e pelas situações. Condena-se a viver num inferno neste mundo. E se continuar egocêntrica, irá certamente acabar num hospital psiquiátrico ou na cadeia, podendo até morrer. Antes de mais nada, o egocentrismo não é motivo para se viver. A pessoa que se concentra em si mesma não consegue ver nenhum propósito na vida, nenhuma razão para viver. Para ela não existe mesmo nenhum propósito ou razão. Pode até realizar tudo o que deseja na vida, conseguir tudo o que almeja, porém não saberá usufruir nada disso nem a companhia das outras pessoas se continuar concentrada em si mesma. Irá sentir-se totalmente só, e seu tormento será quase insuportável. A pessoa egocêntrica não é capaz de amar seus semelhantes ou de se relacionar com eles de maneira cordial ou significativa. Vive num verdadeiro inferno, não encontra paz ou felicidade em parte alguma. Logo se convence de que "não é merecedora" nem de paz nem de felicidade, e de que a satisfação de seus próprios desejos não passa de uma "vitória" oca, vazia. O homem, como sabemos, é um ser social que precisa de seus semelhantes. Qualquer vida, portanto, baseada unicamente no ego é de todo vazia e inútil. E isso outra coisa não é senão doença mental e emocional, nada mais nada menos do que isso. Num artigo anterior do JOURNAL, afirmamos o seguinte: A CAUSA DA DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL: EGOÍSMO. Um membro de N/A do grupo de Brooklyn, New York, disse-nos então que, em sua opinião, o que estávamos realmente querendo dizer com "EGOÍSMO" era na verdade "EGOCENTRISMO", palavra esta que lhe parecia mais adequada. Concordamos plenamente com ele, pois entendemos que "Egocentrismo" inclui "Egoísmo". Assim sendo, substituindo 'Egoísmo" por "Egocentrismo", agora também podemos declarar que A CAUSA DA DOENÇ A NENTAL EEMOQONALÉ O EGOCENTRISMO, DO QUAL SE ORIGINA A INCAPACIDADE DE AMAR. O "Egocentrismo" acarreta uma longa lista de defeitos de caráter que tornam a pessoa doente. Alguns desses defeitos são: Autopiedade Autocondenação Interesse exclusivo por si mesmo Auto-engrandecimento Hipocrisia Presunção ódio de si mesmo Aütojustificação Autodecepção Comodismo E até mesmo Narcisismo (amor excessivo a si mesmo) Esses defeitos de caráter são na realidade uma descrição da doença mental e emocional. Nós que já nos recuperamos em N/A sabemos agora que estivemos doentes porque éramos pessoas egocêntricas, incapazes de amar. Essa era a causa da nossa doença. Agora, entretanto, nós nos interessamos pelas pessoas e as amamos. E nos sentimos muito bem e somos felizes. Concitamos a todos para que se empenhem no trabalho de eliminação do egocentrismo. Quando isso é feito, saúde, felicidade, paz de espírito, alegria, propósito e significado na vida surgem como resultado. Será que se poderia pedir mais? EMOÇ Ã O VIOLENTA E INSANIDADE, E, VICE-VERSA, INSANIDADE É EMOÇ Ã O VIOLENTA (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de novembro de 1968) Se mantivermos abertos os olhos, os ouvidos e a mente, podemos aprender muito em fontes as mais diversas, algumas das quais bem surpreendentes. Em. recente episódio da série "JORNADA NAS ESTRELAS", apresentada na televisão, a principal personagem feminina disse ao Sr. Spock: "Emoção violenta é insanidade". Nós que somos de Neuróticos Anônimos não podíamos deixar de concordar plenamente com essa afirmação. Ela quase nos fez saltar da cadeira, pois estava tudo resumido ali, EM QUATRO PALAVRAS APENAS. A afirmação de que "emoção violenta é insanidade" diz mais e encerra mais verdades do que muitos livros eruditos sobre a doença mental e emocional. EMOÇ Ã O VIOLENTA É, DE FATO, INSANIDADE. E, reciprocamente, INSANIDADE É EMOÇ Ã O VIOLENTA. Reflita sobre isso. Temos certeza de que vai concordar conosco. Procure lembrar-se de todas as emoções violentas que tenha sentido e verá que você estava de fato insano na medida exata da violência dessas emoções. Por outro lado, procure lembrar-se de todo ato "insano" que tenha praticado, ou momento de "insanidade" que tenha tido, e verá também que a causa foi emoção violenta. / E multo importante ressaltar que pode ser qualquer emoção violenta. O resultado será sempre insanidade. Em nosso próprio caso, mesmo quando julgávamos estar arrebatadamente "apaixonados", isso também era insanidade. Reflitamos um pouco. Quando estávamos nesse arrebatamento de "paixão", fazíamos coisas realmente malucas. Éramos insanamcnte ciumentos c possessivos, exigentes, desconfiados, e nos sentíamos extremamente inquietos. Achávamos que só éramos "felizes" quando em companhia da "pessoa amada". Usávamos expressões tais como "o sofrimento de se estar apaixonado", "o misto de prazer e sofrimento de se deixar apaixonar", "a experiência do verdadeiro amor nunca foi suave". Bem, expressões como essas não passam de tolices. São afirmações resultantes de mentes perturbadas, de pessoas tomadas de emoção violenta, vale dizer, de insanidade. Uma vez que já estivemos em ambos os lados da fronteira entre a doença e a saúde mental e emocional, podemos afirmai" que o amor, o verdadeiro amor, nada cobra nem exige, ele é todo doação. Não tem nada a haver com o exigente egoísmo que manifestávamos quando doentes. Não é nenhum tormento, nenhum misto de prazer e dor, mas um sentimento crescente de generosidade e libertação, que proporciona bem-estar a quem ama, bem como às pessoas de suas relações. Além disso, também é muito importante compreender que o amor não é uma emoção violenta. Ao contrário, o amor é uma experiência doce, uma suave sensação de paz. O que chamávamos de amor quando nos deixávamos envolver por emoções violentas nada mais era do que puro egoísmo. / / E certo que desejávamos amai* alguém. Éramos, porém, ciumentos e desconfiados por causa da nossa grande preocupação de querermos a pessoa amada EXCLUSIVAMENTE PARA NOS MESMOS. Não era de nossa natureza dar-lhe liberdade de ação, desenvolver um sentimento recíproco de confiança. Além de exigentes, sempre tentávamos manipular, controlar tudo. E isso, na verdade, era insanidade em alto grau. Começamos falando da emoção violenta, que chamávamos de "amor" quando estávamos doentes, por que muitas pessoas não iriam reconhece-la como violenta e geradora de insanidade. Iriam certamente considerá-la uma emoção tranqüila, não incluída na classe das emoções violentas de que estamos tratando aqui. Todo o mundo naturalmente concorda que a raiva, o ódio, o ressentimento, etc. são emoções violentas, destrutivas. O que estamos querendo salientai; entretanto, é que qualquer emoção que se mostre violenta é insanidade. O sentimento exagerado de posse e a superproteçao também são, na realidade, demonstrações de insanidade. Qualquer "boa"ação levada longe demais torna-se violenta e, portanto, insana. Os cuidados que se dispensam a uma pessoa, por exemplo, podem sufocá-la quando se tomam exagerados. Assim sendo, nossa afirmação é de fato verdadeira: "Emoção violenta é insanidade". Qualquer pessoa que se encontre nas garras de emoções violentas perde o controle de si mesma. E isso é insanidade. Seu intelecto fica totalmente dominado por essas emoções. De certa maneira, ela "deixa de ser responsável por seus atos", uma vez que fica realmente "fora de seu juízo perfeito", sendo dirigida por emoções e não pela mente ou intelecto. Se você estiver duvidando, procure tirar a prova. Da próxima vez que ficar zangado, deprimido ou ressentido, veja se é capaz de usar normalmente seu intelecto, sua mente. Temos certeza de que não conseguirá. Suas emoções o estarão dominando e sua mente não será capaz de controlá-las. Se estiver zangado, continuará zangado a despeito de qualquer argumento intelectual em contrário que lhe possa ocorrer. Se por algum motivo você vier a ficar com raiva de um bom vizinho, por exemplo, argumentos intelectuais dificilmente lhe ajudarão a desfazer-se dessa emoção violenta. Passamos tantas vezes por experiências semelhantes que estamos convencidos de que podemos sentir raiva até de um bom vizinho, embora sabendo que não devíamos ficar enraivecidos, embora argumentando: "mas esse homem tem sido tão legal comigo, até me ajudou a fazer aquele serviço lá em casa; ele não faz questão cie me emprestar suas ferramentas nem de me dar carona em seu carro; além disso, sua mulher sempre toma conta das crianças quando precisamos". Muito provavelmente, porém, a conclusão será esta: 'Tudo isso é verdade, não nego, MAS MESMO ASSEM EU ESTOU COM RAIVA DELE". Freud estava certo quando disse que as emoções são irracionais. Elas não se submetem nem à razão nem ao bom senso. E as emoções violentas, então, não se submetem a lei alguma, apenas à compulsão de se manifestarem, de atingirem seu objetivo. A pessoa, portanto, não tem nenhum controle sobre as emoções que se tornam violentas - seu intelecto não é capaz de controlá-las. E isso é insanidade. Quando falamos de insanidade, estamos nos referindo especificamente à doença mental e emocional. Sabemos que a palavra "insanidade" não tem mais sentido fora da terminologia legal, tendo perdido, portanto, o significado que antigamente lhe era atribuído na terminologia médica profissional. Na prática jurídica, ela é empregada para indicar o estado de uma pessoa que "não é responsável pelos atos que praticou em determinado momento porque havia perdido o controle de si mesma e não podia discernir o certo do errado". Hoje em dia, as pessoas são consideradas mental e emocionalmente doentes, nunca "insanas". Todavia, como a palavra continua fazendo parte do vocabulário da linguagem cotidiana, significando doença mental e emocional, a afirmação "Emoção violenta é insanidade" faz sentido, sendo, s portanto, válida. E preciso não nos esquecermos de que "insanidade" também quer dizer "falta de senso, insensatez". E a nossa conduta sob emoção violenta em nada se mostrava sensata. Não era nada sensato quebrar móveis, insultar o chefe, brigar com a mulher ou com o marido, ficar emburrado, irritadiço, malcriado. Esperamos ter provado que EMOÇ Ã O VIOLENTA É INSANIDADE. Queremos demonstrar agora o inverso, isto é, que INSANIDADE É EMOÇ Ã O VIOLENTA. Se você examinai- bem as ocasiões em que perdeu o "controle", em que se mostrou mental e emocionalmente doente, agindo sem qualquer sensatez, verá que EM TODAS ESSAS OCASIÕES você estava dominado por emoção violenta. As pessoas mental c emocionalmente doentes se mostram cheias de raiva, ódio, ressentimento, autopiedade e outras emoções igualmente violentas. A doença mental e emocional é isso mesmo - emoção violenta. Quando a emoção violenta é removida, a pessoa ficá boa, recupera-se. Insanidade, portanto, nada mais é do que emoção violenta. A insanidade também é conhecida, muitas vezes de forma depreciativa, como sendo "perder a cabeça", "maluquice", "perder o controle" (de quê? - das emoções, é claro), "entrar em órbita", "birutice". Pessoas há que chegam a cometer assassinato em conseqüência de um "acesso de cólera", de um "acesso de paixão", etc., coisa que é descrita e aceita como insanidade. Podemos ver, portanto, que insanidade é de fato emoção violenta. Não há nada de errado com a mente, com o intelecto, na doença mental e emocional, na "insanidade". As pessoas que sofrem desse mal quase sempre têm um Q.L elevado. Mesmo em estado de profundo tormento mental e emocional, elas são capazes de realizar com precisão trabalhos intelectuais complicados QUANDO A ISSO SE VÊEM OBRIGADAS. Nós o sabemos muito bem, pois foi exatamente o que fizemos muitas vezes. Vamos então falar um pouco de nossas experiências pessoais a fim de esclarecer esse detalhe. Tivemos companheiros que haviam sido diagnosticados como psicóticos e considerados "loucos". Muitos haviam sido submetidos a tratamento po.r meio de choques e tomado medicamentos de todos os tipos. Entretanto, mesmo nas profundezas dessa "insanidade", eles conseguiam pagar suas contas, preencher o formulário do imposto de renda, cuidar de seus negócios e da correspondência, bem como dar conta de muitas outras tarefas SE REALMENTE TIVESSEM QUE FAZER ISSO. Grover conhece o caso de uma psiquiatra, diagnosticada por vários profissionais como alcoólatra e esquizofrênica, que vive embriagada, sempre doente. Quando chega a época de renovar sua licença para exercer a medicina, ela se reanima, consegue dominar- se, apresenta-se à Junta Examinadora e obtém a renovação. Volta depois para a doença e a garrafa. E não é só isso. Embora diagnosticada como alcoólatra e esquizofrênica-paranóica, recebendo tratamento há anos, ela consegue manter-se atualizada quanto à literatura e informações no campo da medicina e psiquiatria, bem como quanto a tudo que seja de seu interesse. O que queremos destacar aqui é o fato de que ela consegue fazer tudo isso no estado em que se encontra, evidenciando assim que NAO HA NADA DE ERRADO COM O SEU INTELECTO, APENAS COM AS SUAS A/ _ EMOÇ OES. Trata-se de um caso que pode ser averiguado porque é real e contemporâneo. Descobrimos que a eliminação das emoções violentas resulta em recuperação. Aprendemos através de duras experiências que EMOÇ Ã O VIOLENTA É INSANIDADE, e que, inversamente, INSANIDADE É EMOÇ Ã O VIOLENTA. Nosso desejo agora é viver de maneira tranqüila, sem emoções violentas de espécie alguma. E enquanto fizermos isso, estaremos bem e melhorando cada vez mais, pois é perfeitamente possível a gente sentir-se sempre "melhor do que simplesmente bem". Da próxima vez que você se sentir tentado a permitir que uma emoção violenta chegue ao extremo, lembre-se de que EMOÇ Ã O VIOLENTA É INSANIDADE. Até mesmo ficar entusiasmado demais com um acontecimento feliz é insanidade, é emoção violenta, e quem se recupera em N/A sabe disso. Essa EUFORIA - fase maníaca do estado maníaco-depressivo, logo seguida de depressão - é EMOÇ Ã O EM EXAGERO, MANIA, EMOÇ Ã O VIOLENTA, INSANIDADE. TODA E QUALQUER EMOÇ Ã O VIOLENTA É INSANIDADE. Se uma pessoa, por exemplo, "ama" seu cachorrinho em demasia, isso também é insanidade. Se "odeia" alguém, isso também é insanidade. Se leva ao exagero seu desejo de ter um carro, uma jóia, a afeição de determinada pessoa, isso também é insanidade. Se fica demasiadamente preocupada consigo mesma, isso também é insanidade. As pessoas normais têm emoções normais, isto é, sem nenhum exagero. Excessos de qualquer natureza são desvios da normalidade. Sendo assim, a pessoa que deseja ter saúde normal e sentir-se bem deve procurar ser normal em todas as áreas de sua vida. Sem exceções. E para atingir essa normalidade, aprimeira coisa a fazer é tornar-se emocionalmente normal. Chegamos por fim à conclusão de que a expressão "EMOÇ Ã O VIOLENTA É INSANIDADE" descreve em poucas palavras o que seja a DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL. Assim sendo, à pergunta "O QUE VEM A SER, AFINAL, A DOENÇ A MENTAL E EMOCIONAL, isto é INSANIDADE?", podemos em poucas palavras responder: É EMOÇ Ã O VIOLENTA. Podemos resumir tudo o que dissemos no seguinte: EMOÇ Ã O VIOLENTA = INSANIDADE INSANIDADE=EMOÇ Ã O VIOLENTA E, logicamente, SAÚDE MENTAL E EMOCIONAL, isto é, SANIDADE = EMOÇ ÕES SERENAS, TRANQÜ ILAS, PACÍFICAS. * CÓLERA: UMA EMOÇ Ã O DESTRUTIVA (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de setembro de 1968) Descobrimos e firmemente acreditamos que a cólera é uma emoção totalmente destrutiva, na qual jamais vimos algo de bom. A cólera prejudica quem a sente e geralmente fere as pessoas às quais ela é dirigida. Alguém sempre sai prejudicado, isso nunca falha. Essa faceta da cólera - a de ferir, prejudicai" por si só já a caracteriza como uma emoção destrutiva, negativa, que precisa ser evitada a todo custo. Quando afirmamos essas coisas, é comum ouvirmos contestações: "Ah, mas a cólera às vezes não é boa?" "Não é ela que faz com que as pessoas ajam positivamente quando necessário, para que injustiças sejam reparadas?" "Não é a cólera uma emoção necessária, cuja finalidade é boa quando usada adequadamente?" "Ela não é necessária para a nossa sobrevivência?" "O simples fato de a cólera existir não é prova suficiente de que tem uma boa finalidade?" "Não seríamos todos uns grandes covardes sem a cólera?" A todas essas perguntas e a muitas outras no mesmo sentido /V / / podemos responder com um sonoro NAO! A CÓLERA NUNCA E BOA. ALÉM DE SEMPRE PREJUDICAR A PESSOA QUE A SENTE, ELA GERALMENTE ACABA PREJUDICANDO OUTRAS PESSOAS TAMBÉM. E NÃ O É ÚTIL EM. NENHUMA SITUAÇ Ã O. Muita gente erroneamente acredita que a cólera é necessária para que possamos agir positivamente no sentido de reparar injustiças. Não é verdade. Podemos perfeitamente agir de forma positiva SEM CÓLERA. Na realidade, toda ação correta é praticada sem cólera. Não temos dúvida quanto a isso. Já passamos pelas duas situações e conhecemos perfeitamente os aspectos destrutivos da cólera. Sabemos que ela faz a pessoa "perder a cabeça", dizer coisas cie que vai se arrepender mais tarde ou que poderão causar danos irreparáveis a si mesma e a outras pessoas, provocar sentimento de culpa e remorso, podendo ainda arruinar uma situação de tal modo que chegue a ponto de destruir tudo o que de bom possa existir nessa situação. Procure refletir sobre as ocasiões em que você esteve encolerizado. Não poderá deixar de admitir, sendo sincero, que as coisas poderiam ter sido resolvidas de maneira mais adequada se você não tivesse ficado com tanta raiva. Se alguma situação foi resolvida a contento, isso aconteceu a despeito da cólera, e não por causa dela. A pessoa que se encoleriza perde o controle de si mesma. Faz e diz coisas que não faria ou diria se não estivesse sendo movida pela cólera. E deplorável não saber controlar-se. Na verdade, a pessoa dominada pela cólera não pode ser considerada realmente responsável por seus atos, embora o seja, é claro, sob o ponto de vista moral. O que estamos querendo frisar é que essa pessoa deixa de ser ela mesma, uma vez que faz e diz coisas que não faria ou diria se estivesse em seu estado normal. Ao saber que poderá ser despedido e ficar em apuros para conseguir emprego em outro lugar, um funcionário pode, por exemplo, chegar a insultar o chefe num acesso de cólera. Sem dúvida nenhuma, isso é não saber controlar-se, é insanidade. Se o seu descontentamento é legítimo, ele bem que pode, ao contrário, procurai- o chefe para expor o seu caso, SEM CÓLERA naturalmente. Qual dessas duas atitudes é a recomendável? Obviamente a segunda, uma vez que poderá resultar numa solução satisfatória. Não há nenhum exagero neste exemplo. Toda situação em que haja manifestação de cólera é de extrema gravidade, dado o aspecto violento dessa emoção. Por si só, entretanto, nenhuma situação provoca a cólera. O que a provoca, na verdade, é a reação da própria pessoa às situações em que se vê envolvida. / E comum as pessoas apresentarem exemplos de situações que, segundo acreditam, inevitavelmente provocam a cólera. E usam expressões tais como "justa indignação", "cólera justificável", etc. Afirmamos categoricamente, entretanto, que não existe nenhuma situação que justifique a cólera, como também não existe o que classificam eomo "justa indignação". Qualquer situação pode ser enfrentada de maneira satisfatória sem cólera, que não é absolutamente necessária para que se faça o que deve ser feito. Pelo intelecto e com calma, pode-se muito bem perceber quando uma situação é prejudicial e precisa ser corrigida, ponderar em seguida sobre o que deve ser feito, e pôr em prática o que for decidido. Tudo sem cólera, naturalmente. Sabemos que isso é possível e que funciona, pois nós mesmos, embora já não o façamos mais, éramos dos que costumavam ficar encolerizados. Descobrimos, porém, que as situações podem ser mais eficaz e adequadamente controladas sem cólera. Somos capazes agora de agir e conseguir reparações de erros ou injustiças sem nos deixarmos dominar por essa emoção. Realmente, não deixa de ser um verdadeiro milagre essa nossa transformação! Também achávamos que era legítimo sentir cólera. Tínhamos muitas histórias e exemplos para tentar "provar que a nossa cólera era justificada". Acabamos, porém, nos convencendo do contrário. Somos capazes agora de reagir com serenidade a situações que antes nos serviam de desculpa para justificar nossos acessos de cólera. Como já passamos pela experiência de sentir e de não sentir cólera, podemos enfaticamente assegurar que ela é sempre nociva. Quando refletimos sobre as situações nas quais nos deixávamos encolerizar, podemos perceber claramente que estávamos errados em cada uma dessas situações. Agora que já não sentimos cólera, nossa vida é muito boa e feliz. Era angustiante e infeliz quando nos deixávamos levar por essa emoção, por mais ligeira que fosse. A cólera também provoca o surgimento de outras emoções torturantes. Quem se encoleriza geralmente planeja vingança, sente autopiedade, joga a culpa em outras pessoas, e acaba sendo vítima da depressão. O fato de a cólera poder ser sentida pelos seres humanos não é razão suficiente para que seja usada ou justificada. A sua inclusão no rol das emoções humanas não quer dizer que ela seja benéfica. Qualquer pessoa também é potencialmente capaz de cometer um assassinato. Isso, entretanto, não significa que o desejo de matar deva ser realizado só porque ele existe. Argumentar nesse sentido é um / absurdo. E até possível que não haja nenhum ser humano que não tenha alguma vez, em algum lugar, por uma fração de segundo que fosse, sentido o desejo de matar. Cremos, porém, que todo o mundo concorda que não devemos absolutamente dar vazão a esse desejo. Podemos, portanto, rejeitar definitivamente esse argumento de que uma emoção deve ser considerada boa simplesmente porque ela existe. Sabemos que todos os seres humanos estão sujeitos a sentir cólera, e que também não se consegue eliminá-la completamente. Mesmo com a melhor das intenções e gozando de saúde mental, a pessoa pode às vezes ficar irritada, enraivecida, seriamente zangada. Entretanto, quando se dá conta do poder destrutivo da cólera e procura viver sem ela, em espírito de amor e cooperação, essa emoção pode ser reduzida e controlada até chegar a não lhe causar mais nenhum distúrbio. Sua vida será então plenamente feliz. A pessoa que alimenta sua cólera COM TODA A CERTEZA FICARÁ MENTAL E EMOCIONALMENTE DOENTE. s E só experimentar para ver. A cólera gera doença, enquanto que o amorresulta em felicidade. Se você estiver emocionalmente equilibrado, por certo vai concordar conosco. Se estiver dominado pela cólera e doente, provavelmente vai discordar. Neste caso, seja sincero e tente viver sem cólera antes de chegar a uma opinião definitiva. E se ainda continuar sentindo cólera e com a vida transtornada, muito dificilmente estará em condições de argumentar conosco. Só poderá falar com real conhecimento de causa quando tiver experimentado as duas coisas: a vida com cólera e a vida sem cólera. Como já temos experiência de ambas, sabemos muito bem o que estamos dizendo. Agora, se você conseguir realmente viver sem cólera e mesmo assim achar que ela é boa, venha discutir o assunto conosco. SEM CÓLERA, é claro. Tendo então passado por essa experiência, estamos certos de que você vai concordar conosco a respeito dessa emoção. Não estamos absolutamente pregando um pacifismo indiferente. Achamos que as decisões que se façam necessárias devem ser tomadas - mas que sejam tomadas sem cólera. Resultados muito mais satisfatórios são conseguidos quando agimos sem cólera. / E claro que sempre há situações que precisam ser corrigidas, às vezes encontramos pessoas que nos ofendem, nos maltratam. A cólera, porém, não pode ser considerada a reação inevitável. Quem ofende, quem maltrata, demonstra encontrar-se mais doente do que a vítima de suas agressões. Só merece compaixão. Não se deve querer pagá-la na mesma moeda. Medidas podem ser tomadas, naturalmente, para que desista de suas afrontas, porém sem que se queira pagar na mesma moeda. Quem se vinga outro resultado não consegue senão prejudicar- se seriamente. Há emoções que têm aspectos positivos e aspectos negativos. A cólera não é uma delas, uma vez que se mostra totalmente negativa, nada tem de positivo. O medo, por exemplo, apresenta ambos os aspectos. Quando não se desvia da normalidade, ele é necessário para a sobrevivência, ajuda-nos a evitar o perigo. Esse aspecto é positivo. Entretanto, aquele medo nebuloso e penetrante da doença emocional, é o medo em seu aspecto negativo e destruidor, que pode chegar a ser totalmente incapacitante. E isso qualquer neurótico pode confirmar. Quem sente esse tipo de medo muitas vezes nem sabe do que é que realmente tem, medo. Havia muitos entre nós que tinham medo de sair de casa e até mesmo de atender o telefone. E não sabiam por quê. Era medo com M maiúsculo. No caso da cólera, não conseguimos descobrir nenhum aspecto positivo. Ela nunca nos ajudou, como acontecia e ainda acontece com o medo positivo. Só serviu para prejudicar-nos. Sempre que a ela recorríamos, saíamos perdendo, sofrendo amargas conseqüências. "CÓLERA: A EMOÇ Ã O DESTRUTIVA" era o título que estivemos propensos a dar a este artigo. A cólera, entretanto, não é a única emoção destrutiva, sendo até bem possível que não seja a mais importante de todas, mas apenas uma entre muitas. Dentre elas, podemos mencionar o medo em seu aspecto negativo, a autopiedade, o ressentimento, o ódio, a inveja, o ciúme, a impaciência, a intolerância. Um inventário dos defeitos de caráter certamente revelará muitas outras emoções dessa natureza, as quais podem prejudicar seriamente quem as alimenta. Lançamos aqui um desafio: se você acha que pode sentir cólera e ser feliz, vá em frente, tire o máximo proveito disso e depois venha contar-nos o resultado. Aí, então, se estiver verdadeiramente feliz com sua cólera, retiraremos tudo o que dissemos neste artigo. Ainda estamos para ver uma pessoa que se deixe ficar encolerizada e seja feliz. Não foi fácil escrever as palavras "encolerizada" e "feliz" associadas uma à outra. E coisa que parece fora do normal. Experimente. Pegue papel e lápis e tente escrever, por exemplo, "uma pessoa encolerizada e feliz". Nossas mentes simplesmente se rebelam. "Encolerizada" e "feliz" não se harmonizam. Seria o mesmo que escrever "uma pessoa rancorosa, muito afetuosa". Verdadeiro absurdo! Agora, se você continua achando que pode sentir cólera e ser feliz, seria melhor que verificasse seus conhecimentos da língua antes de querer convencer-nos dos "bons" aspectos dessa emoção. Não estamos nos fundamentando em princípios morais para declarai' que a cólera é nociva e destrutiva. Afirmamos isso porque ela causa sérios danos às pessoas que a sentem, e esse é um motivo de ordem prática, fundamentado na experiência. As teorias podem ser postas de lado. A verdade é que a cólera realmente prejudica, e por isso ela é nociva e destrutiva. Se você deseja, tanto quanto nós, ter paz de espírito e felicidade, ponha a CÓLERA na categoria dos venenos. Destrutiva como é, ela pode até mesmo matar. Pessoas há que acabam com a própria vida ou cometem assassinato movidas pela cólera. Ela é de fato venenosa. Muitas emoções são venenosas, e seu veneno pode espalhar-se por todo o organismo e devastá-lo. Até a morte, repetimos, pode causar. Embora possivelmente mais fraco que o arsênico ou a estrienina, não deixa de ser tão nocivo quanto eles. Precisamos colocar um rótulo com a caveira e os dois ossos cruzados na cólera se quisermos garantir o nosso bem- estar. Outro título que também serviria para este artigo podia muito bem ser o seguinte: "CÓLERA: UMA EMOÇ Ã O VENENOSA" COMO PERMANECER EMOCIONALMENTE DOENTE (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de setembro de 1967) Apresentamos aqui um programa de ação que requer tempo integral de aplicação. Se você se decidir a segui-lo e não quiser fracassar, terá de se dedicar a ele de corpo e alma, porque a doença emocional em toda a sua plenitude não é algo que se consiga facilmente. Disponha-se, portanto, a trabalhar de verdade para alcançar seu objetivo. Se de fato você almeja usufruir todos os "benefícios" que a doença emocional proporciona - ser alvo de compaixão, digno de piedade, ser mimado, dispensado de suas obrigações, etc. prepare-se para fazer o máximo, todos os dias, a todo momento. Este guia parcial lhe ajudará a começar, porém é preciso continuar trabalhando sem esmorecimento: 1. Culpe sempre as outras pessoas, NUNCA admita que possa ter sido responsável por algo. 2. Cultive aversão, ódio e ressentimento em relação às pessoas e às situações. 3. Continue sendo EGOÍSTA. 4. Mencione constantemente os problemas da vida, afirmando que o mundo e as pessoas não valem grande coisa. 5. Jamais se disponha a ajudar alguém. Diga a si mesmo: "Ora, ele também não me ajudaria se eu precisasse". 6. Diga a si mesmo que você é bom demais para este mundo. / E até possível que acabe acreditando nisso. 7. Repita com freqüência: "Se todas as pessoas fossem como eu, o mundo seria maravilhoso". 8. Odeie as pessoas investidas de autoridade. Procure convencer- se de que elas só querem persegui-lo. 9. Cultive a autopiedade, faça o papel de mártir.Repita para você mesmo, e sempre que puder para os outros também: "Ah! que sofrimento! Por que será que isso tinha de acontecer justamente comigo?" 10. Qualquer que seja a situação, mantenha sempre uma expressão de desagrado, de amargura. Não sorria nunca. COMO RECUPERAR-SE Para recuperar-se e sentir-se bem, é preciso pôr em prática o programa de Neuróticos Anônimos e participar de suas reuniões. Este é também um programa de ação, um programa que realmente dá certo. Depois que você escolher qual dos dois programas deseja aplicar, entregue-se a ele de corpo e alma, disposto a trabalhar sem desânimo para conseguir o resultado que deseja. Esperamos, porém, que você escolha o segundo programa - "Como Recuperar-se" para que possa vir a fazer parte do rol das pessoas sadias e felizes. PROGNOSTICO E CURA DE DOENÇ A A RESPOSTA PARA A DOENÇ A EMOCIONAL: AMOR (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de novembro de 1965) CAPACIDADE DE AMAR INCAPACIDADE DE AMAR AQUISIÇ Ã O DA CAPACIDADE DE AMAR A incapacidade de amar gera adoença emocional. A aquisição dessa capacidade proporciona a sua cura, sendo, portanto, o caminho para uma vida feliz, na qual predomina a alegria. Não estamos nos referindo aqui à paixão sexual, mas àquele profundo e duradouro amor que o ser humano deve sentir por todos os seus semelhantes, por um Poder Superior, por si mesmo - o que nada tem a ver com "narcisismo" - e por tudo o que há de bom na vida. Essas afirmações não resultam de simples teoria, uma vez que podem ser perfeitamente comprovadas. A psiquiatria, a medicina, a religião e a sabedoria popular de há muito reconhecem que as pessoas que são amadas e aprendem a amar bem cedo na infância jamais se tornam emocionalmente doentes. Em todos os casos da doença, pode- se demonstrar que a pessoa enferma carece desse sentimento positivo - o amor - em relação aos seus semelhantes, e que essa carência tem início no período de sua infância. = Saúde Emocional = Felicidade _ i = Tristeza, Doença Emocional ^ Depressão, etc, Saúde Emocional = Felicidade Quando uma pessoa é desprovida da capacidade de amar, surgem para ela dificuldades patológicas de toda ordem, problemas em todas as áreas de sua vida, onde quer que se encontre e independentemente do que lhe suceda. Podemos até lançar mão da terminologia psiquiátrica para classificar essa pessoa. A falta da capacidade de amar pode provocar-lhe retraimento, alucinações, depressão, projeção, racionalização, paranóia, bem como sentimento de culpa, remorso, autopiedade, ódio de si mesma e isolamento, isso para citar apenas alguns exemplos. Sendo incapaz de amar, ela não se harmoniza consigo mesma, nem com seus semelhantes, nem com o Poder Superior e a - vida em geral. Sente-se deslocada neste mundo e, não tendo outro para ir, vê-se presa a um lugar que lhe é estranho e hostil. Ela tenta criar seu próprio mundo, porém fracassa porque isso é / algo que não se ajusta à realidade. E possível que tente encontrar refúgio em ocupações intelectuais ou artísticas, ou em passatempos como a caça e a pesca, por exemplo, porém irá sentir-se só e abandonada onde quer que se encontre porque não é capaz de demonstrar estima pelas outras pessoas. Embora tente encontrar pessoas com mentes que se afinem com a sua, nisso também ela fracassa. Não lhe ocorre fazer o contrário, isto é, procurar harmonizar a sua mente com as dos outros. E, mesmo que o tentasse, não saberia como fazê-lo. Muitos campos da ciência já revelaram que o homem é um animal social. A psiquiatria já foi também definida como sendo o "estudo das relações interpessoais". E a sabedoria popular de há muito vem afirmando que uma pessoa emocionalmente doente não consegue dar- se bem com as demais pessoas. Todas essas afirmações demonstram que o homem depende de seus semelhantes e precisa de sua companhia. Para ser sadio e feliz ele precisa aprender a viver com os outros seres humanos, sentir prazer em sua companhia e respeitá-los, isto é, precisa sentir amor por eles. Se uma pessoa não se sente bem junto às outras pessoas, tem aversão por elas, ódio até, ou as considera de nível inferior ao seu, essa pessoa está doente e a culpa é sua. Falta-lhe a capacidade de amar. A que ama seus semelhantes, que ama um Poder Superior e tudo o que existe de bom, essa é uma pessoa verdadeiramente feliz. Sobra-lhe amor para dar, e isso já define o que seja felicidade. O milagre que se opera é que qualquer pessoa pode adquirir a capacidade de amar, não importa quais tenham sido as circunstâncias do passado. E existe um meio de consegui-la. Embora a psiquiatria e a psicologia tenham declarado que há um tipo de pessoa - a psicopata - que não consegue aprender a amar, e que não existe nenhum meio de ensina-la, nós não concordamos com isso, pois temos presenciado casos reais de pessoas assim diagnosticadas que aprenderam a amar. Voltamos, portanto, a afirmar: qualquer pessoa pode aprender a amar, recuperar-se e ser feliz. Milagre também é o seguinte: quando uma pessoa emocionalmente doente adquire a capacidade de amar, todas as suas dificuldades emocionais desaparecem com o exercício dessa capacidade, e desaparecem em pouco tempo. Temos provas de que isso é verdade. Outro milagre ainda, relacionado com este, é que não há necessidade de ela saber como foi que ficou doente, como também não há necessidade de saber por que deixou de aprender a amar. Basta reconhecer essa falha e fazer o que for preciso para corrigi-la. Não é necessário nenhum longo histórico de sua vida, nenhum longo processo de revivescimento das experiências da infância em busca de alguma explicação para a doença. Como já afirmamos anteriormente, existe um meio de se adquirir a capacidade de amar, recuperar-se e ser feliz, inúmeras pessoas têm dado provas disso através dos anos. É um processo, contudo, que requer esforço por parte da pessoa, um tipo de esforço que provavelmente ela nunca tenha feito antes: um esforço de fé. Antes de falarmos sobre a fé, como a entendemos, permita-nos dizer o seguinte: é provável que a pessoa doente, depois de haver por muito tempo depositado fé em inúmeras instituições criadas pelo homem, tenha se desiludido com elas. Pode ter depositado fé na psiquiatria, na medicina, na religião, sem conseguir ser feliz. Muitas pessoas devem mesmo ter depositado fé na hipnose, na leitura de livros eruditos, na astrologia, na quiromancia, em toda sorte de "sistemas". O que agora sugerimos, entretanto, é que se tenha uma nova experiência de fé, a verdadeira experiência de fé, a que realmente vai dar certo, uma vez que se trata de ter fé em um Poder Superior, ou Deus segundo a concepção de cada um. Cremos que qualquer pessoa é capaz de aceitar um Poder Superior assim definido: "Deus segundo a concepção de cada um". Essa fé tem dado resultado e proporcionado a aquisição da capacidade de amar a um número muito grande de pessoas, e pode certamente fazer o mesmo com quem quer que seja. Não importa a concepção que se possa ter desse Poder Superior. Muita gente tem aprendido a amar definindo esse Poder como sendo o amor, o amor entre os seres humanos, e a expressão "Deus é amor" até já se tornou bastante comum. Pode-se também conceber esse Poder Superior como sendo o processo evolutivo cm sua marcha progressiva, ou a ordem reinante no universo, nem que entendida apenas como a manifestação da força da gravidade ou do movimento dos átomos e moléculas. Pode-se ainda concebê-LO como sendo o bem que existe no mundo. Enfim, pode-se concebê-LO como sendo qualquer coisa, desde que realmente Superior ao ser humano. Não podemos nos esquecer de que a força da gravidade e o movimento dos átomos são de fato um poder maior do que o ser humano. E na pessoa emocionalmente doente, suas emoções são da mesma forma um poder que lhe é superior, porque ela simplesmente não consegue c©ntroIá~!as? mesmo que tente. É bom que se reflita sobre isso, pois se trata de uma verdade. As pessoas emocionalmente doentes são muito egoístas porque, além de lhes faltar amor por seus semelhantes, elas se recusam a admitir a existência de um Poder Superior. Embora muitas acreditem que esse Poder existe, não querem absolutamente nada com Ele, pois o que desejam é que a sua vontade, e não a d' Ele, sempre prevaleça. Um exemplo comum é o da pessoa doente que fica toda Irritada porque começa a chover no dia em que havia planejado dar uma festa ao ar livre. Põe então a culpa no Poder Superior e se zanga com Ele porque não fez as coisas acontecerem como ela queria. Há pessoas ainda que se julgam tão intelectualizadas, tão inteligentes, que se recusam a admitir a existência de Algo ou de Alguém que lhes seja superior. E põem à mostra sua patologia criando "sistemas", para elas perfeitos, tentando assim demonstrar que não existe nenhum Poder Superior. Qualquer pessoa, porém, que se disponha a pensarum pouco, com o mínimo que seja de honestidade, por certo terá de admitir que existe realmente um ou mais Poderes superiores à criatura humana. Já tivemos oportunidade de mencionar a força da gravidade e o movimento dos átomos. Para citar outro exemplo, o processo evolutivo é indubitavelmente um Poder superior ao homem, uma vez que a ele não está sujeito, obedecendo apenas a leis naturais, dentre as quais a da sobrevivência dos mais aptos. Mesmo que se acredite que a vida tenha surgido por si mesma e por acaso, isso certamente também demonstra a existência de um Poder superior ao ser humano. E ainda que o homem consiga criar vida em laboratório, ele nada mais estará fazendo do que manipular componentes físicos de acordo com leis que lhe são superiores. Estará simplesmente reproduzindo o que já foi feito pelo Poder Superior. Não estamos tentando escrever aqui um ensaio filosófico. Nosso propósito é ajudar as pessoas emocionalmente doentes a adquirir a capacidade de amar, a fim de que se recuperem e sejam felizes, capacidade essa que é proporcionada a quem se fundamenta na fé em um Poder Superior. E existe um meio de se conseguir isso. Como já dissemos, não se trata de simples teoria, mas de um programa - o Programa de Neuróticos Anônimos - que realmente funciona. Jamais soubemos de alguém que o tenha praticado, integralmente e com o maior empenho possível, e não tenha sido bem sucedido. Podemos dizer com toda a segurança que ele funciona para qualquer pessoa que se disponha a praticá-lo com honestidade. Se realmente o fizer, não lhe faltará o amparo de Deus, na forma em que O conceba, para que possa sentir-se cheia de amor e recuperar- se plenamente. Temos absoluta certeza de que esse é um Programa que dá certo. Portanto, se você deseja recuperar-se, aceite-o. Nós o estamos oferecendo. T AS CURVAS DA DOENÇ A EMOCIONAL E DA RECUPERAÇ Ã O - EXPLANAÇ Ã O (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de novembro de 1967) Essas curvas mostram a descida na doença até o "fundo do poço" emocional e, depois, a subida na conquista da recuperação. Confessamo-nos imensamente gratos pelo fato de elas não terem o mesmo grau de inclinação. Isso quer dizer que, embora tenhamos levado muitos e muitos anos para ficarmos seriamente doentes e atingirmos o "fundo do poço", quando então tivemos de admitir a derrota e tomar a decisão de ouvir o que os outros tinham a nos dizer, bem como de procurar e aceitar ajuda, não foi preciso tanto tempo, graças a Deus, para nos recuperarmos. A curva da "Recuperação", estando mais próxima da vertical, demonstra que, desde que se trabalhe sinceramente nesse sentido, é possível recuperar-se em muito menos tempo do que se leva para ficar doente. Nossa descida na doença emocional e a subida na recuperação não foram um suave deslizar como as linhas contínuas das curvas poderiam sugerir. Foram, ao contrário, uma série irregular de altos e baixos à medida que íamos ficando cada vez mais doentes, e de muito progresso seguido de quedas na conquista da recuperação, como bem indica o ziguezague que corta as linhas contínuas. Tanto num caso como no outro, ocorreram platôs quando as coisas pareciam ter ficado estacionárias. Esses platôs, entretanto, foram apenas períodos de descanso, como acontece em todo processo de aprendizado, e não paralisações. À medida que nos afundávamos na doença, embora estivéssemos sempre descendo, havia ocasiões em que nos sentíamos reanimados (pontos altos do ziguezague). O que nos reanimava eram coisas assim como o nascimento de um filho, a compra de um carro novo, AS CURVAS DA DOENÇ A EMOCIONAL E DA RECUPERAÇ ÃO COM TEXTO EXPLÀNATÓRIO Pequenas dificuldades Problemas se avolumam Futuro radioífo, ascensão a níveis jamafcj alcançados " Preocupações (Flato) u. Sentimento de culpa (Carro novo) Surge a depressão Perda de interesse Uso de- drogas receitadas A gratidão substitui! o u « . • , , medo e a ansiedade > Atribuição de culpa aos » outros e às situações (Alívio Inicial quando Sentimento aceita) de fracasso Surge a maneira e de inferioridade correta de pensar * A depressão aprofunda, torna-se crônica Fé em um Poder Pensamentos o« Superior atos suicidai» Incapacidade Profunda solid ao> prèo^upação consigo mesmo e com problemas de trabalhar Nasce o otimismo Incapacidade de concentração A tensa© diminui Medo de viver, medo de morrer Nasce a esperança- Pavor "Fundo de poço" emocional Esgotados todos os recursos Alegria de viver Melancolia Descuido de $1 mesmo e das obrigações invenção de desculpas Tentativas <ge "curas* geográficas - Percepção de que a vida é boa Retraimento, fuga Alguma decepção Dependência de drogas receitadas não Novas atitudes, novos sentimentos, valores Benefícios resultantes de ajuda de pessoas recuperadas Encontro com pessoas qwe ™ foram doentes» Tentativas desesperadas, porém, insinceras, de obter ajuda agora normais e felizes Compreensão de que a doença emociona! é curável Aceitação da ajuda, alívio imediato O caminho da recuperação è encontrado. Desejo sincero de ser ajudado Medo irracional de tudo e de todos, depressão profunda, desespero Biscussões com a família, colegas e amigos A vida torna-se fácil, tranquila "Recuperação instantânea" que todo Aumenta a coragem neurótico» deseja, mas que não pode ter Sensação ae bem-estar Infelicidade, irritabilidade Amor a todos ^Aumentsi a felicidade Recuperação da auto-estima (Plaíô) Devaneio Sintomas psicossomáticos Cuidado consigo mesmo, atençâò e obrigações A realidade ébncarada I I Abuso de drogas, receitadas ou não Colapso do sistema de desculpas admissão do fracasso total ou algo inesperado que nos causasse alegria. Tornávamos, porém, a cair (pontos baixos do ziguezague), e para níveis cada vez mais baixos. Merece destaque o fato de que a nossa descida na doença representou, por assim dizer, um acidentado percurso. Foi um "tatear no escuro", um avançar a esmo, e isso ajuda a explicar por que levamos tanto tempo para ficarmos tão neuróticos. Podemos mesmo dizer que fomos ficando cada vez mais doentes "aos trancos e barrancos". Para nos livrarmos da doença, entretanto, pudemos contar com orientação, um programa a seguir e a ajuda de inúmeras pessoas que já haviam se recuperado, ajuda essa que nos incentivava a continuar trabalhando para melhorar cada vez mais. Nas curvas estão indicados, progressivamente, os sintomas da doença bem como os benefícios da recuperação, que surgiam à medida que íamos adoecendo ou nos curando. O percurso foi longo. Para baixo primeiro, e depois para cima. Qualquer pessoa doente, porém, realmente desejosa de ser ajudada, pode criar ânimo e manter- se esperançosa, pois poderá recuperar-se em muito menos tempo do que levou para ficar doente. Em geral, as pessoas emocionalmente doentes desejam recuperar-se imediatamente, esperam uma "RECUPERAÇ Ã O INSTANTÂNEA", coisa que na realidade é impossível. Essa pretensão está indicada pela parte pontilhada da linha que sobe verticalmente do fundo do poço emocional. "RECUPERAÇ Ã O INSTANTÂNEA" não se consegue em nenhuma doença. Ninguém se recupera "instantaneamente" de uma fratura na perna, por exemplo, cujo tratamento requer tempo e cuidados especiais. Todavia, como a curva da RECUPERAÇ AO está mais próxima da linha vertical, indicando que a cura pode ser alcançada em prazo relativamente curto, a pessoa doente tem aí motivo suficiente para sentir-se animada e agradecida. No processo de recuperação, muitas pessoas se deixam perturbar por causa dos platôs e "recaídas" temporários. Algumas chegam mesmo a entrar em pânico. Entretanto, desde que compreendam como a recuperação se processa, deixa de haver razão para perturbações. Há quase sempre uma grande subida inicial quando a pessoa aceitaa ajuda que lhe é oferecida (parte contínua da linha vertical). É o seu primeiro grande alívio. Já deve ter aprendido bastante, porém falta muito ainda para aprender. Irá provavelmente sofrer uma "queda" desse ponto elevado, mas essa "queda" não será nem de longe uma volta à situação em que se encontrava anteriormente. Como já havia conseguido um bom avanço, sentir- se-á disposta a subir novamente. Vai dessa forma construindo, à medida que sobe, o alicerce de sua recuperação. Sabemos que todo aprendizado se realiza por etapas, com avanços, alguns retrocessos e platôs. E o processo de recuperação da doença emocional não foge a essa regra. As curvas mostram como tantas pessoas, entre as quais nos incluímos, foram ficando doentes, chegaram ao fundo do poço emocional e conseguiram depois recuperar-se. Elas são a representação da nossa experiência, como também o serão da experiência de qualquer pessoa que se disponha a fazer o mesmo que nós fizemos. * TRAÇ OS DE CAMATER QUE CEIAM DOENÇ A OU SAÚDE (transcrito do Journal of Mental Health de agosto de 1967) ESTES DEFEITOS DE CARATER=DOENÇ A ESTAS QUALIDADES DE CARATER=SAUDE Autopiedade Ressentimento Raiva Rebeldia Intolerância Falso orgulho, soberba Comodismo Ganância Atribuição cie culpa aos outros Indiferença Insatisfação Impaciência Medo Ódio de si mesmo Inveja Desdem Depressão Ansiedade Sentimento de culpa Remorso Doenças psicossomáticas Insónia Irritabilidade Tensão Tendências suicidas ou homicidas Abuso dos entes queridos Solidão Retraimento Despreendimento Benevolência Compreensão Aceitação da realidade Tolerância Humildade Disposição de servir Generosidade Honestidade Compaixão Satisfação Paciência Fé Abandono da autocondenação Admiração Reconhecimento, consideração\ Felicidade Vida plen-a de satisfações Alegria de vivei- Energia Ausência de sofrimento emocional Riso Amizade Cordialidade Afeição Mente em paz Otimismo Préstimo Ajustamento Propósito na vida = Traços de caráter podem criar, e realmente criam, a doença ou a saúde. Assim como há defeitos que fazem as pessoas ficar doentes, há qualidades que as recuperam. O diagrama que apresentamos deve ser lido da seguinte maneira: Qualquer um dos defeitos de caráter sob o título "ESTES DEFEITOS DE CARÁ TER" (coluna 1), ou todos eles, dá ou dão origem a qualquer um dos sintomas sob o título "DOENÇ A" (coluna 2), ou a todos eles. Qualquer uma das qualidades de caráter sob o título "ESTAS QUALIDADES DE CARÁ TER" (coluna 3), ou todas elas, dá ou dão s origem a qualquer uma das recompensas sob o título "SAÚDE" (coluna 4), ou a todas elas. Os defeitos e as qualidades de caráter que aparecem numa mesma linha, que vai da coluna 1 à coluna 3, são traços de caráter essencialmente opostos entre si. Por exemplo, a autopiedade tem como seu oposto o desprendimento, e isso significa que o desprendimento é a cura para a autopledadeo Os sintomas da doença da coluna 2 e as recompensas da saúde da coluna 4 não estão, entretanto, alinhados entre si. Estão apenas relacionados nessas colunas, não tendo também nenhuma relação de alinhamento com o conteúdo das outras duas colunas. Repetindo o que dissemos acima, qualquer um dos defeitos de caráter relacionados na coluna 1, ou todos eles, dá ou dão origem a qualquer um dos sintomas da doença relacionados na coluna 2, ou a todos eles. Da mesma forma, qualquer uma das qualidades de caráter relacionadas na coluna 3, ou todas elas, dá ou dão origem a qualquer uma das recompensas da saúde relacionadas na coluna 4, ou a todas elas. No que nos diz respeito, nós nos decidimos pelas QUALIDADES DE CARÁ TER e, conseqüentemente, pela SAÚDE. * UM ÚNICO DEUS, UM ÚNICO POVO, UMA ÚNICA DOENÇ A, UMA ÚNICA SAÚDE (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de junho de 1968) O mistério que aparentemente envolve muitas coisas acaba desaparecendo quando nos damos conta da semelhança, da unicidade dos fatos a elas relacionados. Devido à nossa falta de conhecimento a esse respeito, não percebemos a relação, os elementos comuns e a identidade existentes entre coisas que, superficialmente, aparentam nada ter a ver umas com as outras. Nosso propósito aqui é demonstrar como chegamos à compreensão de que muitos fatos, por muita gente considerados tão diferentes que parecem não ter praticamente nenhuma relação entre si, podem, na verdade, ser agrupados da seguinte forma: Um único Deus, Um único Povo, Uma única Doença, Uma única Saúde. Não temos dúvida de que existe UM ÚNICO DEUS, não importa como venha a ser definido. Ainda que se possa concebê-LO como sendo, por exemplo, a lei natural, a lei moral, tudo, ou nada, Deus não deixará de ser Uma Só Entidade. A lei natural é seguramente Uma Coisa Só. Não se divide em partes qualitativamente diferentes. A força da gravidade, o movimento dos átomos, o processo evolutivo, etc. são exemplos de algumas de suas manifestações e fazem parte, portanto, da sua unicidade. No que nos diz respeito, concebemos Deus como sendo um Poder superior ao ser humano. Existem, é claro, muitas forças que são superiores ao ser humano, tais como ciclones, tufões, terremotos, a força da gravidade, etc. Essas forças, entretanto, são na realidade parte da natureza, fazem parte de Deus, integrando-se, por conseguinte, em Um Só Todo, e representando fenômenos mais poderosos do que o ser humano. O mesmo raciocínio se aplica à lei espiritual ou moral. Há coisas que nos fazem bem, tais como honestidade, amor, interesse pelas pessoas e outras emoções semelhantes. São qualidades de caráter que proporcionam benefícios a quem as possue. Como bem diz a sabedoria popular, "A virtude traz em si mesma a recompensa". Essas emoções, humanas e positivas, podem ser entendidas como manifestações de Deus, formando todas elas um Todo, Uma Coisa Só. São mais fortes do que o ser humano e pertencem à categoria das coisas que constituem o "bem" que existe na vida, ou Deus. Quando Deus é concebido como um Poder superior ao ser humano, como todo o Bem que existe na vida, isto é, as qualidades de caráter, a lei natural, a matéria, etc., Ele passa então a representar essa classe de fenômenos, e esses fenômenos e Deus resultam em Uma Coisa Só. A ciência já declarou que os seres humanos formam Um Só Todo, e isso também tem sido afirmado pela religião. Segundo a ciência, os atuais seres humanos são membros da espécie homo sapiens. Pertencemos todos à raça humana. As pessoas de pele vermelha, amarela, parda, negra, ou branca na verdade não diferem entre si, pois são todas elas homo sapiens, membros de Uma Só Classe, participantes, portanto, de Um Só Todo. Assim sendo, não se pode dizer que um oriental seja diferente de um ocidental, porquanto ambos pertencem à mesma espécie, são ambos integrantes de Uma Coisa Só. E não podem mesmo ser considerados diferentes porque as variações que ocorrem na espécie homo sapiens têm limites bem fixados. Em outras palavras, uma pessoa não apresenta variações suficientes em relação às demais para que possa ser considerada um. ser à parte. s Afirmamos agora que a doença mental e emocional é UMA SO doença, e o fazemos com base no fato de termos sido vítimas dessa enfermidade e trabalhado com inúmeras pessoas que, tendo estado igualmente doentes, também encontraram uma saída. A doença de cada um de nós era absolutamente idêntica à dos demais companheiros, mesmo que alguns pudessem estar recebendo tratamentos de choque, tendo alucinações, delírios, depressão, etc. A manifestação da doença varia dentro de certos limites apenas. Assim sendo, cada uma das pessoas mental e emocionalmente enfermas se encontra tão doente quanto as demais. Nenhuma delas pode ser considerada um caso único. A doença atinge seu limite máximo com alucinações, delírios, depressões,hostilidade, agressões, ímpetos destrutivos, tendências suicidas e homicidas, estados catatônicos e outras manifestações negativas semelhantes. Não vai além, e quem apresenta sintomas como esses é apenas um entre os inúmeros seres humanos em que eles também se manifestam. Como já sofremos da doença mental e emocional, desde a sua fase mais moderada até a mais profunda, podemos assegurar que se trata de Uma Só enfermidade. Manifesta-se, contudo, de forma progressiva. Quando atinge maior gravidade, ela é apenas mais intensa do que quando era moderada, nada apresentando de "diferente". A depressão, seja ela moderada ou profunda, é sempre depressão, não importa como ou quando se manifeste. Parece até que só pode ser sentida até certo ponto de cada vez, porém quando ataca pela primeira vez, geralmente em uma pessoa ainda jovem, ela não deixa de ser proporcionalmente tão dolorosa quanto a profunda depressão que venha a se manifestar anos mais tarde. Na realidade, a pessoa doente acaba desenvolvendo o que podemos chamar de tolerância à depressão. A primeira manifestação da depressão, a que denominamos moderada, é praticamente tudo o que a pessoa pode então suportar. Mais tarde, porém, já tendo desenvolvido a tolerância de que falamos, a pessoa passa a suportar manifestações muito mais intensas. Em qualquer estágio, porém, o sofrimento resultante é o máximo que ela pode então suportar. O processo é muito semelhante ao que acontece com a dependência em relação ao álcool ou às drogas. Nós começamos bem cedo a culpar as outras pessoas pelas nossas dificuldades, "moderadamente" no início, e, porque não dizer, até mesmo um tanto "astuciosamente". Com o passar dos anos, porém, esse "moderado" processo de culpar os outros foi se convertendo em uma profunda e arraigada paranóia, que nos fazia realmente acreditar que "estávamos sendo vítimas da perseguição de todo o mundo". Contudo, tanto nos estágios iniciais como na profunda paranóia, o que todos fazíamos era simplesmente "jogar a culpa de nossas dificuldades nas costas dos outros". Não é certo estabelecer diferença entre uma pessoa "moderadamente neurótica" e outra "profundamente psicótica", pois ambas apenas manifestam graus diferentes da mesma enfermidade, estando, portanto, igualmente doentes. E se a doença não for tratada, a primeira irá progressivamente atingir a fase de maior gravidade em que a segunda se encontra. Não há nenhum mistério a respeito disso. O exemplo que demos do processo de culpar as outras pessoas, desde a forma mais moderada até a paranóia psicótica intensa, é de fácil entendimento e pode ser aqui aplicado também. Somos muitos os que já passamos pela experiência de começar bem cedo a culpar os outros - nossos pais, colegas de escola, professores - e chegar depois a acreditar que "éramos vítimas da perseguição" de nossos chefes, amigos e pessoas com as quais nos reiacionávamos mais de perto. Temos certeza do que dizemos, pois foi isso exatamente o que aconteceu conosco. Estamos certos também de que a nossa cura se deveu ao fato de termos resolvido enfrentar o problema e aplicar um programa de recuperação. Somos agora capazes de compreender e saber o que há de errado com qualquer pessoa mental e emocionalmente doente que encontramos. E preciso na verdade ter passado pela mesma coisa para saber o que acontece com os outros. Compreendemos nossos companheiros doentes e sabemos como ajudá-los porque já fomos vítimas da mesma doença, a doença que é Uma Só, e da qual encontramos uma saída. E essa saída a eles também é oferecida. Cremos que todos concordarão que a Saúde é Uma Só se entendida como sendo o "funcionamento normal do organismo como um todo", condição essa que permite à pessoa tirar o máximo proveito de suas aptidões e usar plenamente, pela ausência de impedimentos de natureza física, mental ou espiritual, todo o potencial de sua capacidade. Não há graus de saúde, há somente graus de doença. Por exemplo, se uma pessoa se considera saudável, porém é muito gorda, o fato de ser muito gorda diz respeito a certo grau de doença e não de saúde. Sendo um estorvo, a obesidade lhe causa um "prejuízo", não podendo, portanto, ser considerada parte de sua saúde. Na realidade, essa pessoa está doente na medida exata do "excesso de sua gordura". Da mesma forma, uma pessoa que não esteja fisicamente "em boas condições", sentindo-se fraca, debilitada, também se encontra doente na medida exata de sua fraqueza, de sua debilidade. A Saúde é Uma Coisa Só, e ela pode estai- se manifestando ou não. Estamos convencidos de que a nossa concepção de "UM ÚNICO DEUS, UM ÚNICO POVO, UMA ÚNICA DOENÇ A, UMA ÚNICA SAÚDE" explica todos os fatos a ela relacionados, funciona e nos possibilita usufruir uma vida plena, rica e feliz. Será que poderíamos pedir mais? Segundo a ciência, uma teoria ou explanação deve esclarecer todos os fatos a que diga respeito. Nossa concepção não só atende a esse requisito como também reúne, em um todo coerente, acontecimentos aparentemente não relacionados entre si. O que fizemos foi expor um método que funciona, que explica todos esses acontecimentos, e que pode ser experimentado e comprovado, sendo, portanto, cientificamente válido. Essa concepção não só possibilitou a nossa recuperação como tem permitido que nos mantenhamos recuperados. E inúmeras outras pessoas estão da mesma forma se recuperando e permanecendo recuperadas. Fazemos agora um convite; venha você também juntar-se a nós. QUANTO MAIS PERTO ESTIVERMOS DAS PESSOAS, MAIS PERTO DE DEUS NÓS ESTAREMOS (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de abril de 1969) Ouvimos recentemente um companheiro dizer em uma reunião: "Quanto mais perto das pessoas procuro estar, mais perto de Deus eu me sinto". Temos aí uma afirmação absolutamente verdadeira e que serve para todos. Ela expressa, de fato, uma verdade universal. Não tivemos dúvida em adotá-la imediatamente, achando mesmo que deveria ser desenvolvida e levada ao conhecimento de toda a Irmandade. Nossa EXPERIÊNCIA comprova a veracidade dessa afirmação. Quando estávamos mental e emocionalmente doentes, éramos Incapazes de aproximar-nos das pessoas, de amá-las ou sentir prazer em sua companhia. Distanciávamo-nos assim de Deus por força dessa maneira de proceder, e não nos sentíamos bem, não éramos felizes. Quando aprendemos a aproximar-nos das pessoas, entretanto, a amá-las, a sentir prazer em sua companhia, passamos então a sentir- nos perto de Deus, e nossos problemas mentais e emocionais acabaram desaparecendo» Devemos essa mudança à aplicação dos Doze Passos do Programa. Qualquer pessoa que também se disponha a fazer o mesmo poderá igualmente recuperar-se e encontrar uma vida plena de alegria e felicidade. Conforme afirma a ciência, o homem é um animal social que tem absoluta necessidade de manter relações cordiais, prazerosas, com seus semelhantes. Se o relacionamento social de uma pessoa apresenta algo de errado, essa pessoa está mental e emocionalmente doente. Não é sem razão que a psiquiatria tem sido muitas vezes definida como sendo o estudo e tratamento das relações interpessoais. A religião vem há séculos afirmando a mesma coisa, embora com palavras diferentes, como nos seguintes exemplos: "Ama a teu próximo como a ti mesmo", "Faze aos outros o que gostarias que eles te fizessem", "Amor", "Serviço", "Ajudai- vos uns aos outros", etc. E Neuróticos Anônimos também diz exatamente o mesmo, oferecendo-nos ainda, graças a Deus, um meio de conseguirmos sentir amor, proximidade e harmonia em relação aos nossos semelhantes, a Deus, e à humanidade em geral. No que nos diz respeito, não conseguimos encontrar nenhum outro meio de alcançar a recuperação e permanecermos recuperados. Acreditamos mesmo que não exista nenhum outro meio. Embora quase todos nós tenhamos tentado os sistemas conhecidosde proporcionar ajuda para sair da neurose, foi somente quando viemos para este Programa que aprendemos a amar os nossos companheiros e descobrimos Deus segundo o nosso entendimento, Esse amor foi depois crescendo até abranger todas as pessoas, a humanidade toda. Foi assim que conseguimos recuperar-nos, e é nisso exatamente que consiste a recuperação. Tivemos de passar por duras experiências antes de descobrirmos que Deus é amor e se manifesta através das pessoas. Asseguramos que isso não é uma simples teoria ou resultado de uma fé cega. É uma VERDADE ABSOLUTA. FOI REALMENTE QUANDO APRENDEMOS A AMAR E A NOS APROXIMAR DAS PESSOAS QUE DESCOBRIMOS DEUS SEGUNDO O NOSSO ENTENDIMENTO E COMEÇ AMOS A NOS SENTIR BEM PRÓXIMOS DELE. Depois de tudo mais haver fracassado, foi assim que conseguimos recuperar-nos, o que para nós é prova suficiente de que estamos, de fato, diante de uma verdade. Quando ainda estávamos doentes, receosos das pessoas e delas nos mantendo afastados, nós nos sentíamos infelizes, não víamos nenhum propósito em nossas vidas e nada nos parecia fazer sentido. Foi somente quando aprendemos a amar e a nos aproximar das pessoas que nossas vidas passaram a ter propósito, a fazer sentido. Vimo-nos, então, tomados de energia e felicidade. Somos, portanto, prova viva de que essa é realmente a maneira de as pessoas se recuperarem e permanecerem recuperadas. Embora já estejamos recuperados e usufruindo a companhia das pessoas e de Deus, procuramos sempre progredir e intensificar essa proximidade, bem como a alegria e felicidade dela resultantes, o que significa, sem dúvida nenhuma, crescimento espiritual. A medida que avançamos nesse crescimento, verificamos que vamos nos sentindo, na verdade, cada vez "melhor do que simplesmente bem". Fazemos aqui um convite, a todos em geral, para que façam um teste muito simples. Trata-se de um teste tão válido quanto qualquer experiência no campo da química ou da física. É prático, perfeitamente comprovável e FUNCIONA SEMPRE, nunca falha. Consiste no seguinte: apliquem o Programa para que aprendam a aproximar-se das pessoas e de Deus. Irão com toda a certeza verificar que estarão se sentindo muito bem. Acreditem nas palavras daqueles que por muitos anos se mantiveram isolados e, portanto, doentes, mas que aprenderam a aproximar-se das pessoas e de Deus, quando afirmam: "QUANTO MAIS PERTO ESTIVERMOS DAS PESSOAS, MAIS PERTO DE DEUS NÓS ESTAREMOS". * UMA AFIRMAÇ Ã O QUE SINTETIZA A RECUPERAÇ Ã O EM N/A: "AGORA EU AMO AS PESSOAS" (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de abril de 1968) Agradecemos a Deus por ter acontecido conosco também. Freqüentemente ouvimos muitos companheiros afirmarem a mesma coisa: "Agora eu amo as pessoas". Essa é a marca da recuperação em Neuróticos Anônimos. Quando um companheiro nos diz isso, sabemos que ele está bem. Estas palavras apenas: "Agora eu amo as pessoas". Assim afirmando, ele demonstra ter aderido firmemente ao Programa de N/A e descoberto uma vida nova, encontrando-se, portanto, a caminho de um futuro mais promissor do que nunca. Quando é um companheiro novo que nos faz essa revelação, sabemos que ele já está preparado para dar seu depoimento, coordenar reuniões e dedicar-se ao trabalho sugerido no Décimo-Segundo Passo. Ouvimos com prazer sua história de recuperação. Alegramo-nos e nos sentimos profundamente gratos, pois é outra vida que se salva, outro doente que se recupera. Testemunhamos assim, mais uma vez, o milagre de uma vida que se liberta da doença emocional e se torna saudável, plena de satisfações. Ao afirmar "Agora eu amo as pessoas", um novo brilho aparece no rosto do companheiro, do qual ele geralmente nem se dá conta, mostrando-se mesmo surpreso quando fica sabendo. E comum ele acrescentar, como que em segredo, irradiando a saúde recém- adquirida: "Estou amando as pessoas pela primeira vez na minha vida". Começa então a falai-, demonstrando já ter adquirido moderação e sensatez. Nós o ouvimos com atenção. Sua vida se abre toda como uma flor que desabrocha. Para trás ficaram a depressão, a ansiedade, a insónia, os temores e todas as demais emoções torturantes que, por muitos e muitos anos, a ele, como a todos nós, tanto sofrimento causaram. E para trás tudo isso ficará enquanto continuarmos vi vendo como pessoas que aprenderam a amai". Dois amigos nossos, ambos psicólogos com grau de doutoramento, afirmaram-nos que a "saúde mental consiste no interesse e no amor pelas pessoas, bem como no desejo de ajudá- las". Em N/A, alcançamos a recuperação aprendendo justamente a nos interessar pelos nossos semelhantes, bem como a amá-los e ajudá-los. N/A é de fato uma forma de se alcançar a saúde mental, como bem expressa o enunciado do Décimo-Segundo Passo: 'Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, ............................................................................. Aprender a amar os semelhantes é A CURA para a doença mental e emocional. Quando uma pessoa aprende a amar as outras, seus problemas ou acabam desaparecendo ou passam a ser inteligentemente enfrentados. O retraimento e a solidão desaparecem completamente, pois agora ela ama seus semelhantes e sente prazer em sua companhia. Procura-os e nunca se sente solitária, mesmo estando só, porque esse magnífico sentimento - o amor - ela o tem sempre presente, e não apenas quando se encontra junto a outras pessoas. Quando abrange toda a humanidade, o amor confere propósito e um profundo significado à vida. Tudo adquire grande valor. O tédio e a falta de interesse desaparecem. E passam a ter sentido coisas tais como cuidar do jardim, por exemplo, remover o lixo, lavar a louça, tirar o pó dos móveis, e outras tarefas mais da mesma natureza, as quais, quando ainda doentes, nós achávamos que eram uma tremenda amolação. Fazemos agora um convite a todos os que acham que sua vida poderia ser melhor para que aprendam a "amar as pessoas". PODEMOS ASSEGURAR QUE NUNCA VIMOS UMA PESSOA QUE TENHA APRENDIDO A AMAR SEUS SEMELHANTES DEIXAR DE ALCANÇ AR A RECUPERAÇ Ã O. PRECISAMOS DAS PESSOAS E PODEMOS ENCONTRÁ -LAS POR INTENÉDIO DE N/A: O MILAGRE DAS RECUPERAÇ ÕES PROPORCIONADAS POR NEURÓTICOS ANÔNIMOS (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de janeiro de 1967) Campos do conhecimento humano têm afirmado que o homem é um animal social que precisa de seus semelhantes de muitas maneiras e por vários motivos, tais como sociabilidade, compreensão, amor, companheirismo, cooperação, encorajamento, deles também dependendo, naturalmente, para que não lhe falte o necessário para viver: alimentação, moradia, trabalho, etc. Pessoa feliz é aquela que sabe manter um relacionamento cordial e afetuoso com seus semelhantes. Infeliz é a que se mantém afastada deles, que não é capaz de ser cordial, afetuosa, compreensiva, e que, por isso mesmo, acaba se sentindo abandonada, sozinha. A vida da pessoa que ama seus semelhantes é plena de satisfações, repleta de sentido e de propósito. A vida da que não tem amor para dar, vale dizer, da que se encontra emocionalmente doente, pela falta de proximidade com seus semelhantes, essa vida é insípida, angustiada, infeliz, e nela a pessoa não consegue ver nenhum propósito, nenhum sentido. Seu sofrimento e isolamento, portanto, só tendem a piorar. Pelo que vimos acima, podemos claramente perceber que PRECISAMOS MESMO DAS PESSOAS. O doente emocional não sabe o que é usufruir os benefícios resultantes de contatos humanos cordiais, afetuosos. Ele não aprendeu a amar seus semelhantes. A psiquiatria tem sido muitas vezes definida como sendo o "estudo das relações interpessoais". A religião também enfatiza a aproximação e o amor entre as pessoas, como, por exemplo, quando diz "Ama a teu próximo". E não há alternativa. Se o nosso propósito é viver felizes, PRECISAMOS realmenteamar os nossos semelhantes. Quem se isola, qualquer que seja sua condição financeira ou posição social, irá sem dúvida sofrer. Falta- lhe a capacidade de aproximar-se das pessoas. A EXPERIÊNCIA VEM CONPRO VANDO QUE AMAR OS NOSSOS SEMELHANTES É, SEM SOMBRA DE DÚVIDA, UMA LEI ABSOLUTA DA VIDA. Qualquer desvio dessa LEI acarreta um inevitável e terrível sofrimento emocional ou coisa ainda pior, como a morte pelo suicídio por exemplo. A pessoa desprovida da capacidade de amar, entretanto, tem uma saída. Ela poderá modificar-se e APRENDER A AMAR, DESDE QUE ASSIM O DESEJE. Existe um meio de se aprender a amar, recuperar-se e ser feliz. Muita gente já o conseguiu por intermédio de Neuróticos Anônimos, dessa forma descobrindo uma vida nova e plenamente feliz. Qualquer pessoa que também almeje essa nova vida poderá fazer a mesma coisa. Para aprender a amar, é preciso passar primeiro por uma experiência de amor, uma vez que esse sentimento não pode ser criado por um ato da vontade ou pelo intelecto. Se você não acredita, tente obrigar-se a amar uma pessoa com quem não se simpatize ou que lhe desperte raiva e hostilidade. Você não conseguirá. Como se pode ter uma primeira experiência de amor? Neuróticos Anônimos não somente tem a resposta, como também proporciona essa primeira experiência aos que a desejam. Como se trata de um despertar ou de um novo despertar de amor, essa experiência é algo de suma importância que N/A oferece ao recém-chegado, a primeira coisa, provavelmente, que ele vivência em nossa Irmandade. Tudo se passa mais ou menos da seguinte maneira: o recém- chegado, bem doente quase sempre, sente-se temeroso das pessoas, coisa aliás que já deve vir sentindo há muito tempo, embora procure racionalizar dizendo que não gosta mesmo das pessoas e que nelas não vê "nada de bom". Mas ao participar da reunião, ele percebe que muitas pessoas o acolhem, sorrindo e demonstrando alegria, sinceramente interessadas em ajudá-lo. Elas relatam suas experiências com a doença, francamente e sem nenhum acanhamento, e se esforçam para fazê-lo sentir-se à vontade. E o que é mais importante ainda, elas o tratam com amor e lhe oferecem ajuda sem qualquer preocupação de ganho pessoal. Em geral, ele logo reage favoravelmente ao amor e ajuda com que se vê envolvido, passando a sentir em si mesmo o nascimento, ou renascimento, dessa emoção positiva que é o amor. Muitos chegam mesmo a dizer: "Existe Algo aqui. Não sei bem o que é, mas Alguma Coisa certamente existe, pois nunca me senti tão bem assim". Para nós, em N/A, esse Algo sempre presente em nossas reuniões é DEUS segundo o nosso entendimento. E praticamente impossível a quem procura N/A não perceber que os companheiros procuram prestar-lhe ajuda, como também praticamente impossível lhe será sentir raiva ou alimentar suspeita ou má vontade em relação a eles. Não pode deixar de gostar de quem lhe diz: "Compreendo perfeitamente como você se sente. Eu também me sentia assim. Sofria de depressão e até cheguei a tentai" o suicídio. Recorri a psiquiatras e tomei muitos remédios. Embora não tivesse a menor esperança e me sentisse abandonado, encontrei ajuda e um meio de livrar-me do sofrimento emocional. Você também pode libertar-se de seu sofrimento e recuperar- se como eu. Se me permite, vou mostrar-lhe como foi que o consegui". Essa demonstração de amor e companheirismo em N/A é irresistível. O que Neuróticos Anônimos oferece, portanto, é algo realmente extraordinário, pois se trata de amor, companheirismo e orientação por parte de pessoas que já estiveram doentes e se recuperaram. Isso, juntamente com Deus segundo O concebemos, os Doze Passos e as nossas reuniões, resultam em uma combinação imbatível oferecida ao recém-chegado desejoso de recuperar-se. N/A também apresenta provas reais, que são as pessoas que se recuperaram, de que é perfeitamente possível curar-se da doença emocional em nossa Irmandade. Onde mais se apresentam provas de que um determinado sistema realmente funciona? Em Neuróticos Anônimos, aprendemos a amar as pessoas, pois o amor recupera, acaba de vez com o isolamento neurótico, proporciona felicidade e dá propósito e sentido à vida. Pergunte a um membro de N/A o que significa "sentido e propósito" na vida. Suaresposta certamente será: "AMOR E SERVIÇ O AO PRÓXIMO". De fato, AMOR E SERVIÇ O AO PRÓXIMO CONSTITUEM A NORMA DE UMA VIDA PLENA DE FELICIDADE, BEM COMO, SEM DÚVIDA NENHUMA, A CURA DA DOENÇ A EMOCIONAL. Está aí, portanto, o MILAGRE DAS RECUPERAÇ ÕES PROPORCIONADAS POR NEURÓTICOS ANÔNIMOS. Trata-se fundamentalmente de um método de aprender a amar e servir ao próximo, uma lição que se assimila com a ajuda da experiência de outras pessoas e pela GRAÇ A DE DEUS, segundo O entendemos» AGRADECEMOS A DEUS POR NEURÓTICOS ANÔNIMOS, ASSIM COMO AGRADECEMOS A NEURÓTICOS ANÔNIMOS POR DEUS. Tendo aprendido a amar e a ser úteis aos nossos semelhantes, CONSEGUIMOS LIBERTAR-NOS DA DOENÇ A EMOCIONAL E FOMOS AQUINHOADOS COM UMA VIDA PLENAMENTE FELIZ. Mais não poderíamos pedir. RECEBEMOS EM ABUNDÂNCIA, e nossa gratidão será imorredoura. SAÚDE MENTAL É TER AMOR E CARINHO PELAS PESSOAS E SENTIR-SE PRÓXIMO DELAS (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de setembro de 1967) Essa afirmação de que "Saúde mental é ter amor e carinho pelas pessoas e sentir-se próximo delas", feita pelo Dr. Dennis 0'Donovan em uma entrevista sobre Neuróticos Anônimos transmitida pela televisão americana, expressa o que de há muito vimos repetindo nas páginas do JOURNAL. Temos sempre sustentado que saúde mental é amar as pessoas, ter consideração por elas e procurar servi- las. (Ver "A Resposta para a Doença Emocional: AMOR", no JOURNAL de novembro de 1965). O que havia de errado conosco - e o que há de errado com todas as pessoas emocionalmente doentes - era a incapacidade de amar. Incapacidade de amar as pessoas, a nós mesmos, a Deus. Incapacidade de amar a natureza, a vida, a humanidade. Essa era a causa incontestável de nossa doença, não havia outra. E possível que pensássemos, e de fato chegamos mesmo a pensar, que nossa doença era causada por certos problemas. Na verdade, porém, esses problemas eram apenas conseqüências do nosso egoísmo e incapacidade de amar. A prova infalível do que estamos dizendo está no fato de que conseguimos curar-nos aprendendo a amar. Aprender a amar, nada mais do que isso, garante a cura. Quando se aprende a amar, a doença mental e emocional desaparece e os problemas passam a ser encarados sem distorção. A incapacidade de amar leva ao isolamento e à infelicidade, impede o bom relacionamento com as pessoas, inclusive com a própria família, e causa todas as demais dificuldades. Quem não sente amor não consegue ter paz em parte alguma. Quem ama encontra paz em qualquer lugar. "O amor faz o mundo girar", "O amor tudo pode" são expressões que já temos ouvido. O que elas na verdade querem dizer é que amar as pessoas significa saúde mental. Estamos felizes pelo fato de essa verdade haver sido expressa por um profissional no campo da saúde mental, ao afirmar que "Saúde mental é ter amor e carinho pelas pessoas e sentir-se próximo delas". Concordamos plenamente, e podemos mesmo resumir tudo o que aqui foi declarado na seguinte e breve expressão: AMAR Á S PESSOAS É SAÚDE MENTAL -25- OBJETIVO: SAÚDE MENTAL (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de maio de 1968) A pessoa que deseja ter saúde mental, ser feliz, usufruir uma vida plena de satisfações, sem dúvida nenhuma poderá conseguir tudo isso. Não há desculpa para que não o consiga, pois existe um meio de adquirir saúde mental, emocional, espiritual e física. Sabemos que existe, porque NÓS JÁ O ENCONTRAMOS. E queremos agora colocá-lo à disposição de todos. E preciso apenas que a pessoa tome a decisão de querer ficar boa e se entregue à prática diária deum programa simples de recuperação, a fim de que possa adquirir e conservar a saúde mental. Estamos falando do PROGRAMA DE RECUPERAÇ Ã O DE NEURÓTICOS ANÔNIMOS, que realmente funciona, como já tem sido comprovado por muita gente. Ela deve fazer da recuperação a sua meta, ter como objetivo a saúde mental. E não deixar que nada se interponha em seu caminho. Se dedicar ao trabalho de recuperar-se e manter-se recuperada uma fração do esforço que lhe tem custado viver mental e emocionalmente doente, podemos assegurai' que irá alcançai" esse objetivo. É de fato necessário que ponha a recuperação em primeiro lugar. Seu objetivo, como já dissemos, deve ser a saúde mental. Se refletir um pouco, ela compreenderá que sem saúde mental, não conseguirá as coisas que possa estar almejando. Sem saúde mental, não conseguirá manter-se num emprego, por exemplo, dar-se bem com a família e os amigos, pagar o carro, enfim, não conseguirá usufruir a vida nem sentir-se bem junto às outras pessoas. Não encontrará alegria em parte alguma e nada lhe proporcionará satisfação. Antes de mais nada, é preciso ter saúde mental, uma vez que essa saúde é o alicerce sobre o qual se pode construir uma vida realmente digna de ser vivida. Todo o seu empenho deve ser empregado no sentido de recuperar-se e manter-se recuperada. E a única maneira de poder usufruir uma vida útil e compensadora. Assim como a doença provoca mais doença, a saúde também proporciona mais saúde. A realidade é essa, não podemos mudá-la. Se continuar doente, a pessoa irá perder tudo. Se recuperar-se, conseguirá e lhe será proporcionado tudo o que lhe seja necessário. O único objetivo, portanto, que realmente deve ser atingido é a saúde em sua totalidade, isto é, saúde mental, emocional, espiritual e física. E tudo isso pode ser conseguido em Neuróticos Anônimos. Será que vale a pena contentar-se com menos? Sabemos que algumas pessoas poderão a esta altura argumentar: "Muito bem, mas não podemos nos esquecer de que existem doenças / físicas para as quais ainda não há cura". E verdade. Podemos, porém, afirmar que todo aquele que tiver a saúde de que estamos falando saberá suportar as limitações impostas por uma doença física a respeito da qual nada ainda possa ser feito. Por contraditório que de certa forma possa parecer, quando uma pessoa se sente bem e feliz interiormente, ela é capaz de aceitar as coisas que não podem ser modificadas. E quando se está bem e feliz, que mais se pode desejar? Sabemos de pessoas que morreram de doenças tais como o câncer com um sorriso nos lábios. Estavam realmente bem e felizes. Mostraram- se animadas, cheias de vida e alegria de viver até o último momento. QUE VIDA ADMIRÁ VEL ELAS TIVERAM. Foram, na verdade, seres humanos corajosos e felizes. Quando uma pessoa adquire a saúde de que estamos falando, seu corpo físico passa a funcionar adequadamente, como aliás foi destinado a funcionar, e somente uma causa exterior - um ferimento ou um microorganismo causador de doença orgânica - poderá prejudicá-lo. Desaparecerão as dores e sofrimentos psicossomáticos, que hoje são responsáveis por bem mais da metade das enfermidades e visitas aos consultórios médicos. Em quase todos os casos, quem se recupera mental, emocional e espiritualmente, passa a sentir-se bem fisicamente também . Mesmo que já exista uma doença orgânica, ela será por certo aliviada com a remoção dos agravantes emocionais. Pode até ser que desapareça por completo. Temos companheiros em N/A que se libertaram de doenças que por muito tempo foram consideradas orgânicas, tais como reações alérgicas, artrite, asma, úlceras, gagueira. Lemos recentemente num jornal que uma equipe de pesquisas médicas descobriu indícios de uma ligação da doença emocional com o câncer e a tuberculose. É até bem possível que essas duas enfermidades também acabem sendo consideradas psicossomáticas. Se isso ficar provado, Neuróticos Anônimos irá por certo curá-las, porque até agora N/A tem dado resultado em tudo que lhe diz respeito. Se enfermidades tais como o câncer e a tuberculose não forem na realidade psicossomáticas, mas se manifestam, isto é, encontram condições para se manifestar por causa da doença emocional, então N/A também terá efeito sobre elas. Milagres acontecem quando alguém se recupera emocionalmente. Essas enfermidades podem até desaparecer. Sabemos que os germes do resfriado estão sempre presentes, porém não é sempre que ficamos resfriados. Eles só atacam quando a defesa orgânica está enfraquecida. Portanto, é quando o corpo se ressente de problemas emocionais que os resfriados podem surgir. Existem indícios de que é isso mesmo o que acontece. Há companheiros que nos afirmam não terem ficado resfriados desde / que ingressaram em Neuróticos Anônimos. E até bem possível que os demais germes e vírus se comportem da mesma forma. Nesse caso, os bacilos da tuberculose, por exemplo, que podem estar sempre presentes, só conseguiriam um ponto de apoio para atacar quando a pessoa se encontrasse emocionalmente doente. Uma vez que a mente exerce controle sobre o corpo, é razoável supor que a saúde física resulte de uma mente sadia, e, a doença física, de uma mente enferma. Como isso está no campo das possibilidades, pode até ser que todas as doenças humanas sejam causadas por distúrbios mentais e emocionais. Não podemos negar que saúde gera saúde, da mesma forma que doença gera doença. Os chamados milagres que a história registra, quando curas foram realizadas, basearam-se todos eles na fé e em uma mudança na personalidade dos doentes. Os milagres de Lourdes, bem como os atribuídos ao ministério de Jesus Cristo, também tiveram por base, além dessa mudança, a recuperação que os enfermos conseguiram como resultado de terem aprendido a amar. Sugerimos que você também experimente o nosso método de recuperação, se for de sua vontade, e constate a veracidade do que lhe dizemos: você poderá recuperar-se e ser feliz. Não pedimos que acredite sem que tenha uma prova. Faça um teste. Aplique o nosso método e veja os resultados positivos, miraculosos mesmo. Se você é uma pessoa "analítica", "científica", experimente N/A para recuperar-se. Irá certamente verificai" que se trata de um método tão comprovável e científico quanto qualquer experiência no campo da física. De nossa parte, nosso objetivo será sempre a saúde mental. Envidaremos, portanto, todos os esforços no sentido de mantê-la e ampliá-la, procurando alcançar situações ainda mais promissoras. Convidamo-lo a fazer-nos companhia a fim de que, juntos, possamos compartilhai- esse mesmo OBJETIVO: SAÚDE MENTAL. * EXISTE REAL RECUPERAÇ AO EM NEUROTÍCOS ANONIMOS PARA A PESSOA QUE PASSA A TER PERCEPÇ Ã O DA VERDADEIRA NATUREZA INTERIOR DE SEU ESTADO (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de abril de 1967) Psiquiatras, médicos, psicólogos e religiosos já demonstraram estar de acordo com a nossa experiência de que EXISTE REAL RECUPER AÇ Ã O EM NEURÓTICOS ANÔNIMOS PARA A PESSOA QUE PASSA A TER PERCEPÇ Ã O DA VERDADEIRA NATUREZA INTERIOR DE SEU ESTADO. Muitos desses profissionais nos afirmaram que se trata realmente de uma verdade. O que aqui entendemos por esse tipo de percepção é chegar a pessoa a conhecer-se como realmente é, admitindo seus defeitos de caráter e a parte ativa que ela própria desempenha em sua enfermidade. Quando adquire esse conhecimento honesto de si mesma, a pessoa já está dando início ao seu processo de recuperação. Contrariamente, não haverá recuperação para ela se não houver esse autoconhecimento. O autoconhecimento de que estamos falando se obtém mediante a prática do Programa de N/A. Muitas pessoas já o conseguiram, provando assim a veracidade de nossa afirmativa. Um autoconhecimento honesto é parte indispensável do Programa de N/ A, razão pela qual procuramos salientar a grandeimportância do Quarto Passo, o Passo do Inventário Moral. A pessoa que evita esse autoconhecimento está na verdade se condenando ao fracasso. Não conseguirá recuperar-se enquanto não se encarar com toda a honestidade. Poderá conseguir algum alívio temporário com a prática de alguns Passos, porém não conseguirá recuperar-se enquanto não praticar todos cies da melhor maneira possível, inclusive o que sugere o inventário moral. Quando a percepção de que estamos falando é obtida, a pessoa passa a sentir-se outra, quer dizer, ela fica sabendo de coisas a respeito de si mesma, das quais nem suspeitava, podendo então cuidar de corrigir seus defeitos de caráter. As pessoas que se mostram realmente recuperadas tiveram todas elas uma honesta percepção da verdadeira natureza interior de seu próprio estado. Depois de conseguir esse autoconhecimento e da prática dos outros onze Passos, elas agora se sentem pessoas diferentes, recuperadas de verdade. Não somos os únicos a constatar isso, uma vez que profissionais no campo da saúde mental também as consideram de fato recuperadas. Como não é de hoje que vimos afirmando o que acima foi relatado, é muito bom ficar sabendo que não são poucos os profissionais que concordam conosco e também declaram que EXISTE REAL RECUPERAÇ Ã O EM NEURÓTICOS ANÔNIMOS PARA A PESSOA QUE PASSA A TER PERCEPÇ Ã O DA VERDADEIRA NATUREZA INTERIOR DE SEU ESTADO. Não poderíamos pedir mais. * SE VOCÊ PRETENDE CONTINUAR POENTE, ISSO É PROBLEMA SEU. SE QUISER RECUPERAR-SE EM NEURÓTICOS ANÔNIMOS, ISSO ENTÃ O É CONOSCO (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de agosto de 1969) Qualquer pessoa poderá curar-se da doença mental e emocional, desde que seja esse realmente o seu desejo e sinceramente se disponha a pôr em prática um programa que proporciona saúde mental e emocional e uma vida plena de satisfações. Estamos nos referindo ao Programa de Neuróticos Anônimos, que é na verdade um processo mediante o qual a pessoa não somente se recupera como se mantém recuperada. Sabemos disso porque em N/A conseguimos recuperar- nos e manter-nos recuperados, e porque vemos que sempre há novas pessoas também se recuperando como nós. s E preciso, porém, que a pessoa doente esteja preparada para recuperar-se e manter-se recuperada, o que significa que ela já deve ter sofrido o bastante para sentir-se "farta de estai' doente". É preciso que ela queira curar-se acima de tudo neste mundo, e esteja realmente disposta a ouvir, aprender e aplicar o nosso método de recuperação. Se achar de fazer restrições e não quiser abrir mão de alguns dos seus hábitos nocivos, irá certamente continuar doente e infeliz. E preciso que ela queira mudar seu temperamento, adotar um novo modo de vida de sadias compensações. Se quiser reservar-se o "direito" de se encolerizar, ficar ressentida, viver cheia de autopiedade, achar que as outras pessoas é que são a causa de suas dificuldades, o que ela está pretendendo mesmo é permanecer doente, e isso é problema seu. O que faz de sua vida é coisa que somente a ela diz respeito. Poderá persistir na doença e até levá-la consigo para o túmulo se assim o desejai-. Irá por certo magoar ou prejudicar muita gente, mas isso também é problema seu. Quanto às pessoas que por ela se sentem prejudicadas, achamos que deveriam ter o bom senso de não se deixarem atingir. Enquanto a pessoa teimar em apegar-se à sua doença, o que para ela pode até se mostrar muito conveniente, não haverá força humana capaz de ajudá-la. Quando realmente desejar recuperar-se, ajuda não lhe faltará. Muita gente estará à sua espera, pronta para ajuda-la. E por isso que dizemos: Se você pretende continuar doente, isso é problema seu. Trata- se da sua vida, e dela você pode fazer o que bem entender. Agora, se ela demonstra estar realmente desejosa de recuperar- se e manter-se recuperada, isso passa a nos interessar também, porque sabemos que existe um meio de alcançar a cura. E por esse motivo que acrescentamos: Se você quiser recuperar-se, isso então é conosco. A pessoa poderá vir para N/A, libertar-se de sua enfermidade e encontrar a saúde desejada. Precisa, entretanto, estar buscando exatamente isso, nada mais do que isso. A pessoa que vive se lamentando, choramingando, narrando suas dificuldades, está na verdade se entregando à doença, preferindo continuar doente, e isso é problema unicamente seu. Em N/A, não permitimos que nos use para alimentai" sua doença, dar vazão à sua autopiedade e ao hábito de culpar e criticar as outras pessoas, demonstrar menosprezo à vida e ao mundo, procurar ser o alvo da atenção geral, merecedora de compaixão. Se deseja continuai" desse jeito, que o faça em qualquer outro lugar, não precisa vir tomar o nosso tempo. N/A é construtivo. Nosso propósito é prestar ajuda às pessoas doentes para que se recuperem e sejam capazes de encontrar solução para os seus problemas, e não para que continuem doentes, alimentando esses mesmos problemas. EM N/A, NÃ O NOS DEIXAMOS ENVOLVER COM PROBLEMAS. CUIDAMOS, ISTO SIM, DE SOLUÇ ÕES. Para a pessoa que de fato esteja disposta a curar-se, realmente desejosa de recuperar-se e manter-se recuperada, N/A é o lugar certo. Essa pessoa vai certamente assimilar o que ouve nas reuniões, estudar a literatura de N/A e dedicar-se a pratica dos 12 Passos sugeridos pelo Programa. Conseguirá recuperar-se sem dúvida nenhuma. Sua aplicação ao Programa será logo generosamente recompensada. Não podemos nos esquecer de que só se colhe o que se planta. A pessoa que se entrega a lamentações, que vive se queixando, não consegue nenhuma melhora. A que se esforça para recuperar-se e manter- se recuperada, que se dedica de verdade à prática do Programa, essa logo estará se sentindo saudável, feliz, livre da angústia mental e emocional. Sugerimos à pessoa que se entrega a lamúrias e só deseja contar detalhes dolorosos de suas dificuldades, que se compenetre de que, se suas queixas e a "triste" história de sua vida nada lhe proporcionaram a não ser infelicidade, então já está mais do que na hora de mudar. Essa maneira de proceder fracassou. O que deve fazer é procurar outra, pois nada pior do que a presente situação. Queixas e histórias de sofrimentos obviamente só servirão para deixá-la mais doente ainda. Entretanto, se ela sente prazer em ser assim, isso é problema unicamente Seu. No que nos diz respeito, somos pessoas que se cansaram de ser doentes e de viver se queixando, desfiando um rosário de sofrimentos. Não queríamos mais ficar entregues a lamentações, ficar falando da nossa "fossa". O que queríamos na verdade era recuperar-nos e entrar para o rol das pessoas sadias. Tínhamos estado o tempo todo mental e emocionalmente doentes, e o nosso desejo era acabar com esse sofrimento. Tínhamos chorado muito nos ombros / dos outros, inclusive de profissionais, e ESTA VAMOS FARTOS disso. Queríamos sarar e deixai" que os outros pudessem desabafar um pouco conosco também. Achávamos justo procurar retribuir o que havíamos recebido. E dizíamos para nós mesmos: "Chega de doença. Queremos recuperar-nos a qualquer preço, libertar-nos de uma vez dessa mania de mendigar compaixão, ser alvo de preocupações, impor a nossa própria vontade. Vamos recuperar-nos sim, é isso mesmo o que vamos fazer". Para quem já esteja realmente disposto a recuperar-se, temos boas notícias: há um milagre à sua espera em N/A, onde poderá libertar-se de seu sofrimento. E isso nos diz respeito também. Vamos apresentar-lhe o Programa de N/A e tudo o que ele lhe pode s proporcionar. E sua, porém, a escolha: SE VOCÊ PRETENDE CONTINUAR DOENTE, ISSO É PROBLEMA SEU. SE QUISER RECUPERAR-SE, EM NEURÓTICOS ANÔNIMOS, ISSO ENTÃ O É CONOSCO. * UMA ORAÇ Ã O PARA TODOS OS MOMENTOS, POR GROVER. (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de dezembro de 1966) Agradeço a Deus, segundoo meu entendimento, por me haver concedido a capacidade de amar e removido meu desmedido egoísmo. Peço-Lhe humildemente que continue dando-me força e discernimento para que eu não deixe de me conduzir, todos os dias, um dia de cada vez, segundo o novo modo de vida que me foi proporcionado, e que jamais eu volte a ser aquela criatura tão estranha que era, se isso for de Sua vontade. Sei agora que, quando doente, eu estava cheio de egoísmo e me faltava a capacidade de amar. Era essa a minha doença, e aí estava também a sua causa. Eu queria de todo modo receber amor das pessoas, embora não tivesse amor para lhes dar. Egoisticamente, procurava como que arrancá-lo dos outros. E só me interessava pelo que fosse do meu desejo, só me preocupava com a influência que as coisas pudessem exercer sobre mim. Agora cu amo as pessoas e me interesso por elas. Já não me preocupo tanto comigo mesmo. E pelo fato de amá-las e por elas me interessar, tenho recebido amor em abundância - um amor que ultrapassa os limites da compreensão humana. Além de receber amor, tenho sido beneficiado também com a capacidade de ser feliz, de usufruir uma vida plena de satisfações. E tudo isso porque Deus, segundo o meu entendimento, me ensinou a amar meus semelhantes e a lutar contra o meu egoísmo. Descobri assim que o amor que se recebe e uma vida de abundante felicidade resultam do desprendimento e da capacidade de dar amor, e que, inversamente, a doença emocional é conseqüência do egoísmo e da falta de amor ao próximo. Essa compreensão me foi concedida por Deus, segundo o meu entendimento, não resultou de nenhum processo mental. Essa mesma dádiva pode ser concedida a quem quer que se prepare para recebê-la. Todo ser humano pode ser sadio, feliz, cheio de vida e alegria de viver, desde que se decida a fazer a sua parte. Essa é a bênção - o milagre - que NUNCA falha. Sinto-me, portanto, profundamente agradecido. * UM PSIQUIATRA FALA SOBRE NEUROTICOS ANONIMOS (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de junho de 1968) O seguinte artigo sobre Neuróticos Anônimos foi escrito pelo médico psiquiatra Dr. Waither H. Lechler, Facharzt für Neurologie li. Psychiatrie, 7614 Gengenbach, Am Amselberg 46, Alemanha, e publicado inicialmente em alemão no boletim INFORMATION, dos grupos de Alcoólicos Anônimos da Alemanha. A tradução para o inglês foi feita por Ingrid, do nosso escritório em Washington, D.C. DA CRÔNICA DA FAMÍLIA (AUS DER FAMILIENCHRONIK) pelo Dr.Waither H. Lechler "Em N/A, eles encontraram uma vida nova e plena. Como em A. A., eles descobriram na terapia de grupo uma força que os conduzia à saúde, força essa aparentemente capaz de remover montanhas de infinito sofrimento". A História de "Neuróticos Anônimos", também chamada "A História de Grover", ainda não se tornou folha amarelada da volumosa crônica da família de Alcoólicos Anônimos. Muita gente talvez ainda desconheça que o movimento de Alcoólicos Anônimos tem estimulado a criação de várias associações irmãs, tais como "Jogadores Anônimos", "Comedores Compulsivos Anônimos", "Toxicômanos Anônimos", "Ajuda Anônima", "Esquizofrênicos Anônimos". A essa série também pertence "Neuróticos Anônimos", fundada nos Estados Unidos por um membro de Alcoólicos Anônimos, Grover B., no dia 3 de fevereiro de 1964. Neuróticos Anônimos (N/A) adotou o mesmo programa de saúde de A.A., com a ajuda do qual seus membros finalmente têm se libertado do sofrimento psíquico que havia tornado insuportáveis as suas vidas. Os Doze Passos e as Doze Tradições representam, em sua correspondente forma adaptada, o fundamento do trabalho de Neuróticos Anônimos. Seu primeiro boletim, o "Journal of Mental Health", foi publicado em Washington, D.C., em setembro de 1965. Em todas as histórias que ali aparecem, os doentes descrevem como, através de N/A, eles experimentaram alívio e diminuição da depressão, tensão, ansiedade, nervosismo, irritabilidade, sensação de insegurança, desnorteamento, desamparo, bem como de muitas outras condições mentais igualmente penosas. Na procura de ajuda, a maioria dessas pessoas havia inutilmente recorrido à medicina, psiquiatria, curandeirismo, ou à orientação religiosa. Passaram muitos meses de suas vidas em hospitais. Submeteram-se a exames e tratamentos intensivos, tomaram milhares de tranqüilizantes, comprimidos para dormir e vitaminas. Pouca coisa, porém, mudou para eles. Muitos passaram a ver no suicídio a sua única saída. Em N/A, porém, eles encontraram uma vida nova e plena. Como em A. A., eles descobriram na terapia de grupo uma força que os conduzia à saúde, força essa aparentemente capaz de remover montanhas de infinito sofrimento. Não é de admirar que essa associação, como aconteceu com Alcoólicos Anônimos, está passando por um crescimento muito grande, difundindo-se pelo mundo todo. Já se formaram grupos no Canadá, Inglaterra, Finlândia, Dinamarca, Israel, Brasil, Uruguai e índia. No dia 5 de agosto de 1967, realizou-se a primeira reunião alemã no Hospital St. Johannes em Hagen-Boele, com neuróticos que já' haviam participado de reuniões de A.A. em Hagen. Com sua experiência, Alcoólicos Anônimos continua prestando ajuda a esse novo grupo dê N/A. Os doentes que participam de ambos os movimentos sentem-se mutuamente beneficiados, uma vez que seus problemas se originam de uma fonte neurótica comum. Fazemos agora uma sugestão: sempre que alguém em sofrimento lhe peça ajuda, mostre-lhe o caminho que você encontrou para recuperar-se. * UMA ASSOCIAÇ Ã O DE SACERDOTES APOIA NEURÓTICOS ANÔNIMOS (Transcrito do JOURNAL OF MENTAL HEALTH de junho de 1969) O que apresentamos a seguir foi transcrito da gravação de uma palestra feita pelo Padre William MacGrade, da Igreja de St. Anne, em Le Sueur, Minnesota, Estados Unidos, na Reunião Aberta de N/A realizada naquela cidade, no dia 24 de maio de 1969.0 Padre MacGrade estava representando a Associação de Sacerdotes daquela região. Eu não sabia que teria de representar a nossa associação. Pensava que poderia falar apenas em meu nome. Devo então dizer que estamos realmente apoiando Neuróticos Anônimos, pois é de nosso desejo apoiar tudo o que, a nosso ver, demonstre funcionar e apresente resultados. Cabe-me de certa forma uma dupla responsabilidade, uma vez que, embora eu seja o pároco aqui em Le Suer, também exerço a função de conselheiro matrimonial do Bem-Estar Católico cm Minneapolis. Após ouvir estes testemunhos, porém, acho que o que vou fazer agora, em vez de procurar orientar as pessoas com conselhos, é simplesmente encaminhá-las a Neuróticos Anônimos para que eles as "endireitem". E eu que não sabia que isso podia ser feito! Estou dizendo isso em tom de brincadeira, é claro. Na verdade, para nós que somos sacerdotes, isto aqui é uma coisa maravilhosa. / E um recurso a mais de que podemos lançar mão no exercício do nosso sacerdócio para tentar ajudar as pessoas. Temos de nos valer de recursos externos porque, segundo penso, não podemos fazer tudo sozinhos. Precisamos da ajuda de outros setores no que se refere a muitos dos problemas a respeito dos quais nos solicitam orientação. Valemo-nos de associações, como a de A. A. por exemplo. Reconhecemos a importante ajuda que temos recebido de A A. nesses anos todos, primeiro para trazer as pessoas de volta à sobriedade, e, depois de terem readquirido a sobriedade, traze-las de volta a Deus. Estou certo de que, embora N/A seja uma associação mais nova, sua ajuda também será uma realidade para nós, uma vez que surgiu nos mesmos moldes de A. A. e tem um programa idêntico. As pessoas com problemas emocionais se preocupam tanto com tantas coisas que não conseguem relacionar-se com Deus como deviam. E não adianta nada sentarmo-nos com elas para falar de Deus e simplesmente dizer-lhes: "Bem, reze e verá que todos os seus problemas irão desaparecer",e outras coisas mais do mesmo tipo. Isso simplesmente não funciona. Os problemas dessas pessoas são bem mais profundos. Elas precisam restabelecer o equilíbrio emocional antes que possam voltar ao equilíbrio espiritual. Estamos, portanto, muito felizes pelo fato de termos um grupo de Neuróticos Anônimos aqui em Le Sueur. Ele vai certamente nos ajudar bastante em nosso trabalho. Quando tivermos de atender pessoas com problemas emocionais, vamos poder encaminhá-las àquelas que, assim o sentimos, saberão como ajuda-las. Tenho certeza de que é isso mesmo o que vai acontecer, e de que, com o passar do tempo, muitas pessoas serão ajudadas por intermédio desta associação. AS DOZE TRADIÇ ÕES DE NEURÓTICOS ANÔNIMOS* 1. Nosso bem comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação individual depende da unidade de N/A. 2. Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum - um. Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governai-. 3. Para ser membro de N/A, o único requisito é o desejo de recuperar- se da doença emocional. 4. Cada grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros grupos ou a N/A em seu conjunto. 5. Cada grupo é animado de um único propósito primordial - o de transmitir sua mensagem ao neurótico que ainda sofre. ó. Nenhum grupo de N/A deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de N/A a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à Irmandade, a fim de que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos afastem do nosso objetivo primordial. 7. Todos os grupos de N/A deverão ser absolutamente auto- suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora. 8. Neuróticos Anônimos deverá manter-se sempre não-profissional, embora nossos centros de serviço possam contratar funcionários especializados. 9. N/A jamais deverá organizar-se como tal; podemos porém criar juntas ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a quem prestam serviços. 10. Neuróticos Anônimos não opina sobre questões alheias à Irmandade; portanto, o nome de N/A jamais deverá aparecer em controvérsias públicas. 11. Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção; cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes. 12. O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições lembrando- nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades. Reprodução adaptada com permissão de Alcoholics Anonymous World Services, Inc., New York, NY, USA CONVITE Convidamos todos os que estejam interessados neste Programa a entrar em contato com Neuróticos Anônimos. Teremos muito prazer em responder às suas perguntas e em prestar ajuda aos que desejem recuperar-se da doença emocional. VOCÊ SERÁ SENPRE BEM-VINDO EM NEURÓTICOS ANÔNIMOS 00O00 Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir umas das outras. iMífljwM ïhtMÊRm msBm Impressão e Acabamento Graf-Ceníer Fone: (19) 3608-4807 São José do Rio Pardo - SP . 13720-000 e-mail: grafcenter@dglnet,com,br