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31
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
GRADUAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL
CLAUDIA MARINHO PEREIRA
A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER EM TEMPOS DE 
COVID-19
Nova Iguaçu
2021
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
CLAUDIA MARINHO PEREIRA
A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER EM TEMPOS DE 
COVID-19
Trabalho apresentado à Universidade Estácio de Sá como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Serviço Social.
Orientador: Professora Fatima de Oliveira Souza
Nova Iguaçu
2021
RESUMO
O presente Trabalho de Conclusão de Curso teve como inspiração minha experiência no campo de estágio. A escolha da temática surgiu a partir do convívio com mulheres violentadas pelos companheiros (marido, namorado, ex, tio, irmão, pai), atendidas pelo (CEAM), Centro Especializado de Atendimento à Mulher. A partir da dinâmica de atendimento, escuta, acolhimento, estudo de casos durante o meu período de estágio obrigatório foi possível observar e constatar a vulnerabilidade dessas mulheres. Mulheres, estas, que não tem cor, idade, classe social, religião, etnia, escolaridade, todas são protagonistas desse fenômeno chamado violência doméstica contra a mulher; seja ela menina, gorda, magra, negra, parda, analfabeta, pós-graduada. Elas são cortadas, mutiladas, quebradas, mortas pelo único fato: ser mulher. Com a chegada da pandemia do COVID-19, o mundo teve a necessidade de se resguardar. Em nosso país, tivemos a Lei da Quarentena, assim ficamos todos sob medidas de isolamento, visando impedir a disseminação do COVID-19. Esse confinamento resultou em uma explosão de maus tratos à mulher, que agora permanece ao lado do seu agressor 24h por dia. Com esse aumento de casos, surgiu a necessidade de ações e políticas públicas de enfrentamento a essa outra pandemia, violência doméstica e familiar, um mal que assola o mundo. O enfrentamento à violência doméstica é um dos fenômenos mais desafiadores para o desenvolvimento de políticas públicas. A lei Maria da Penha tratou o problema de forma integral, além de aumentar a pena para os agressores.
Palavras-chave: violência doméstica; pandemia; confinamento; políticas públicas.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 	 4
1. CONTEXTO DA PANDEMIA E A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA	 5
1.1 A violência e a desigualdade de gênero 	 6
1.2 A pandemia do vírus e a pandemia da violência contra a mulher 	 6
2. ANTECEDENTES À LEI MARIA DA PENHA 	 8
2.1 O caso Maria da Penha	 9
3. LEI MARIA DA PENHA: O DIVISOR DE ÁGUAS	 11
4. DEFINIÇÕES E FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA 	13
4.1 Violência Doméstica no período da pandemia 	14
5. MEDIDAS DE COMBATE À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA AGRAVADA PELO ISOLAMENTO SOCIAL 	 16
5.1	É obrigação do cidadão denunciar	 17
5.2 Lei Sinal Vermelho contra a violência doméstica 	 17
6. STALKING, UMA PERSEGUIÇÃO OBSESSIVA NA WEB AGORA É CRIME 	19
7. INICIATIVAS PÚBLICAS DE COMBATE À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER INSTITUÍDAS DURANTE A PANDEMIA 	20
 Cartilha de Orientação 	21
7.2 Capacitar para Salvar Vidas, capacitação online para Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica 	22
7.3 Salas lilás e Salas Violeta a cor do acolhimento 	22
CONSIDERAÇÕES FINAIS 	30
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS	32
INTRODUÇÃO
O tema “A Violência Contra a Mulher em Tempos de COVID 19” tem como proposta mostrar o que não é novidade para nossa sociedade, visto que, no decorrer dos séculos, a figura feminina é posta em pé de desigualdade frente aos homens.
Com a chegada da pandemia pela COVID-19, foram necessárias medidas de distanciamento social com o objetivo de impedir a propagação do novo coronavírus, de tal maneira que teve como consequência o aumento da violência doméstica contra as mulheres, pois ocorreu um agravamento no que tange à sua vulnerabilidade, com o maior tempo em relação à convivência com os agressores, bem como os reflexos da incerteza do presente período vivido pela pandemia. Em virtude dessas considerações, foram necessárias medidas (políticas públicas) voltadas para o enfrentamento à violência doméstica contra as mulheres, visando atenuá-la. 
O presente projeto trata-se de um estudo do tipo reflexivo com pesquisas bibliográficas. Vale ressaltar que não há finalidade de obter números como resultado de abordagem quantitativa, tendo em vista o notório aumento da violência doméstica no contexto da pandemia. Ao longo da pesquisa, foram coletados dados sobre os casos de maus tratos contra a mulher antes e durante o período da pandemia de COVID19 e medidas de enfretamento à violência doméstica contra as mulheres. Essas informações foram levantadas a partir de buscas e análises de sites, artigos, revistas, jornais, livros cujos referencias serão autores e artigos publicados que constarão nas referências deste trabalho. 
1. 
CONTEXTO DA PANDEMIA E A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
O cenário de pandemia e isolamento social causado pelo novo Coronavírus (COVID19) afetou diretamente a prevalência da violência doméstica contra a mulher no Brasil. Em janeiro de 2020, cientistas chineses conseguiram isolar um novo coronavírus (Sars-CoV-2) em pacientes de Wuhan e, em 11 de fevereiro de 2020, a OMS nomeou a doença causada pelo novo coronavírus de COVID-19, um acrônimo de “Doença do coronavírus 2019”. Os coronavírus (CoV) são uma grande família de vírus de RNA fita simples que causam doenças desde o resfriado comum até condições mais graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV). As manifestações provocadas por esse vírus podem variar de um quadro clínico assintomático, sintomático de sintomas leves (febre, cansaço e tosse), até um quadro de sintomas graves (febre, alta, pneumonia e dispneia). 
A violência contra a mulher pode ser compreendida como qualquer ação ou conduta baseada no gênero que ocasione a morte ou inflija dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, nos âmbitos público ou privado. A violência física manifesta-se ao ofender a integridade ou saúde corporal da mulher, com o uso de força física por parte do agressor; a violência psicológica compreende qualquer conduta que cause danos emocional ou diminuição da autoestima da mulher; a violência sexual envolve constranger a mulher a presenciar, manter ou participar de qualquer relação sexual não desejada; a violência patrimonial configura retenção, subtração, destruição parcial ou total de pertences da mulher, sendo estes de qualquer natureza; a violência moral configura-se em qualquer conduta que importe em calúnia, difamação ou injúria da mulher. 
Recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a melhor forma de conter a propagação da COVID-19, a permanência em casa pode potencializar fatores que contribuem para o aumento da violência contra as mulheres. Em virtude da quarentena, o número de abertura de boletins de ocorrência de violência doméstica reduziu drasticamente. Isso condiz com o fato de que as mulheres, em isolamento social, não conseguem acessar os locais de denúncia (tanto por medo do contágio do novo vírus, quanto por medo de realizar a denúncia em si, fato já sabido e refletido nas subnotificações). Entretanto, mesmo com o declínio de notificações por boletins de ocorrência, os casos de feminicídio aumentaram.
Segundo a organização, os casos de feminicídio cresceram 22,2% entre março e abril do ano de 2020, em 12 estados do país, comparativamente ao ano de 2019. Registros públicos ainda confirmam queda na abertura de boletins de ocorrência, evidenciando que, ao mesmo tempo em que as mulheres estão mais vulneráveis durante a pandemia, elas têm maior dificuldade para formalizar queixa contra os agressores.
1.1 A VIOLÊNCIA E A DESIGUALDADE DE GÊNERO 
No Brasil, o início dos debates para criação de uma lei que coibisse a violência as mulheres foi a necessidade de caracterizar a violência doméstica e familiar como uma violação dos direitos humanos das mulheres e a importância de garantir a proteção e atendimento humanizados para as vítimas, já que ficou notório que a mulher corria mais riscos de ser vítima dentro de sua própria casa. A violência contra as mulheres não é algo novo, existe desde a antiguidade,e por muito tempo esses maus tratos eram socialmente aceitos, acarretando a tolerância atual ao fenômeno. Durante décadas, a violência de gênero não foi considerada no Brasil. Dessa forma, quando o marido matava a esposa tendo como justificativa uma suposta traição da mesma, ele não era punido. Assim foi sendo construída a forma de perceber a violência, e a maneira de coibi-la, com base de desigualdade de sexo, classe social e cor (PITANGUY, 2003).
Por isso mesmo nos dias atuais a legislação reprovando a violência contra as mulheres a aceitação sociocultural está tão arraigada que as próprias mulheres em situação de violência ainda têm dificuldade de se perceber como vítimas, e não reconhecem as agressões sofridas como violência.
1.2 A PANDEMIA DO VÍRUS E A PANDEMIA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
Sabemos que o mundo vive há bastante tempo uma pandemia chamada violência doméstica contra as mulheres, sim chamamos de pandemia uma determinada doença que atinge todos os continentes do mundo. Então, podemos chamar a violência doméstica contra mulher de pandemia. Durante séculos, a violência doméstica contra a mulher foi banalizada, invisível aos olhos dos governantes e da sociedade. As raízes da violência contra as mulheres estão na discriminação sofrida pelas mulheres em que o papel na sociedade sempre foi visto como secundário. Hoje, a violência contra a mulher representa uma das principais violações do Direitos Humanos, pois, além de contribuir para desigualdade de gênero, afeta diretamente direitos fundamentais como o direito à saúde e a integridade física.
No Brasil, segundo a Agência Patrícia Galvão, uma mulher é estuprada a cada 8 minutos, sendo que em aproximadamente 84% dos casos o crime é cometido por pessoas próximas da vítima, familiares ou pessoas de confiança. A principal lei nacional no enfrentamento dessa violência é a Lei nº 11.340/2006, também conhecida como a Lei Maria da Penha, sendo considerada um divisor de águas na abordagem jurídica brasileira na luta contra a violência baseada em gênero. No decorrer do próximo capítulo, iremos abordar sobre a violência contra as mulheres e a Lei Maria da Penha, buscando entender a sua função e importância no cenário nacional/pandemia COVID -19.
2. ANTECEDENTES À LEI MARIA DA PENHA 
O processo de criação da Lei Maria da Penha exigiu tempo e luta dos movimentos de mulheres no Brasil. Sim, até a década de 80, não havia instrumentos jurídicos de proteção contra a violência a mulher no Brasil. Isso começou a mudar na década de 70, graças a um forte movimento de grupos de mulheres que tomaram as ruas com o slogan “QUEM AMA NÃO MATA”, denunciando a violência sofrida por elas, quando os primeiros passos começaram a ser dados. 
As primeiras ações governamentais no sentido de incluir a temática da violência ocorreram após a redemocratização do país, com a criação da primeira delegacia especializada no atendimento às mulheres, em 1985. Na década de 90, os movimentos sociais das mulheres voltaram a se manifestar, especialmente os movimentos feministas, exigindo métodos e medidas mais contundentes de combate à violência e a discriminação contra a mulher. 
Entre as conquistas legislativas desse período, temos:
LEI 8.930/1994 
A Lei 8.930/1994, que estabeleceu o estupro e o atentado violento ao pudor como crimes hediondos, ou seja, crimes considerados de extrema gravidade, sendo inafiançáveis e sem possibilidade de graça, anistia ou indulto. 
 
LEI 9.318/1996 
A Lei 9.318/1996 agravou a pena de crimes cometidos contra mulheres gravida, crianças, idosos ou enfermos. Apesar desses avanços, ainda não havia uma proteção específica para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. Isso representa que, para a sociedade da época, atos de violência praticados no âmbito privado e doméstico eram culturalmente vistos como um assunto interno, que não deveria sofrer interferência do estado, ou da própria sociedade. Apenas em 1997 foi revogado (perdeu a validade) o artigo 35 do código de processo penal que determina que mulheres casadas não podiam prestar queixa criminal sem o consentimento do marido, salvo quando estivesse separada ou a queixa fosse contra ele. Dessa forma, a violência contra as mulheres continuava sendo menosprezada. Mas um evento ocorrido ainda na década 80 e que teve seus desdobramentos apenas anos mais tarde, chamou a atenção da comunidade internacional e mudou o rumo da legislação brasileira em relação aos direitos das mulheres. Foi o caso de Maria da Penha Fernandes. A partir da tragédia sofrida por esta mulher, o Brasil possui uma das legislações mais eficazes do mundo: a Lei Maria da Penha.
2.1 O CASO MARIA DA PENHA
Em 1983, Maria da Penha Fernandes, uma farmacêutica bioquímica brasileira, sofreu serias agressões de seu marido, Marco Antônio Heredia Viveros, um professor universitário colombiano. Ela foi vítima de duas tentativas de homicídio dentro da sua própria casa. Primeiro, seu marido disparou tiros de espingarda em suas costas enquanto ela dormia. O agressor foi quem pediu socorro, alegando que foram assaltados. Como resultado, o marido saiu impune e Maria ficou paraplégica aos 38 anos. A segunda tentativa ocorreu meses depois, durante o banho, ele a empurrou da cadeira de rodas e tentou eletrocutá-la. Além disso, ao longo de sua relação matrimonial, diversas agressões foram sofridas. A denúncia sobre o caso foi apresentada por ela apenas no ano seguinte ao Ministério Publico Estadual e o primeiro julgamento sobre os rimes ocorreu somente oito anos depois, em 1991.
Os advogados de Viveros (marido de Maria) conseguiram anular o primeiro julgamento e finalmente no ano de 1996, ele foi julgado culpado e condenado a dez anos de reclusão. Entretanto, conseguiu recorrer à decisão e até o ano de 1998, quinze anos depois do crime, o caso ainda não possuía desfecho, em vista de um cenário de inefetividade do sistema judicial brasileiro.
Com isso, em conjunto as entidades CEJIL-Brasil (Centro para a Justiça e o Direito Internacional) e CLADEM- Brasil (Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direito da Mulher), no ano de 1998, Maria da Penha conseguiu levar o caso para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA).
No ano de2001, em decisão inédita, a Corte Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, condenou o Estado brasileiro por negligência e omissão em relação à violência doméstica cometida contra Maria da Penha.
Entre as recomendações feitas pela Corte IDH, havia a necessidade de que o Brasil rompesse com a tolerância estatal em relação a à violência doméstica contra as mulheres no país. Como resultado, em 31 de outubro de 2002, Marco Antônio Viveros foi preso no estado da Paraíba. A partir desse momento nasce uma articulação de entidades da sociedade civil que pressionam o Poder Público por uma proposta de lei acerca da violência doméstica e familiar contra a mulher. Em 7 de agosto de 2006, a Lei 11.340/2006, conhecida como lei Maria da Penha, foi promulgada (tornou -se válida), no país. 
3. LEI MARIA DA PENHA: O DIVISOR DE ÁGUAS
Falar da Lei Maria da Penha é refletir como seria nos dias de hoje a mulher viver sem esta Lei de proteção e direto, em uma sociedade machista e desigual onde a mulher ainda é tratada como mercadoria, objeto de posse. Desde o início da quarentena no Brasil, muitas mulheres se tornaram mais vulneráveis à violência doméstica. Erroneamente estereotipada como uma realidade à classe social de baixa renda, a violência doméstica ocorre em todas as classes sociais, idades, etnias e raça é mais comum do que se imagina. Com o isolamento social, as dificuldades que sempre existiram para denúncia só aumentaram como medo do agressor, dependência financeira, preocupação com os filhos, vergonha, problema de acesso à justiça dentre outros. Apesar de a violência doméstica ser um problema (fenômeno) o qual lidamos diariamente, o confinamento deu mais visibilidade a ela no Brasil e no mundo. Daí a importância deconscientizar e informar tanto as mulheres (gênero), quanto toda a sociedade como identificar as situações de violência, quais os canais de denúncia, rede de apoio, leis e direitos.
A Lei Maria da Penha introduziu profundas inovações jurídicas na legislação nacional em relação à violência doméstica e familiar. Até então, casos de agressões contra mulheres eram julgados em juizados especiais criminais, responsáveis pelo julgamento de crimes de menor potencial ofensivo, conforme a Lei 9.099/95. Isto é, a violência contra as mulheres era considerada de menor gravidade, cuja pena máxima de reclusão para o agressor não era superior a dois anos e, em muitos casos alternativas à detenção, como o pagamento de cesta básicas ou trabalhos comunitários. 
Com o estabelecimento da Lei 11.304/2006, a violência contra as mulheres passa a ser definida como qualquer ação ou omissão baseada no gênero que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual, psicológico, dano moral ou patrimonial às mulheres. Dessa forma, são instauradas medidas mais rigorosas em relação aos agressores, não mais tipificando o crime como de menor potencial ofensivo.
 A Lei afirma em seu artigo 2º que:
“Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social”. 
Isso significa que houve uma mudança no processamento desses crimes e na relação entre as vítimas, que encontraram uma maior proteção no sistema de justiça, e os agressores, que não mais sairiam impunes, podendo até ter a sua prisão preventiva decretada. Segundo dados do IPEA (2015), a Lei Maria da Penha diminuiu em cerca de 10% a projeção de aumento da taxa de homicídios domésticos no país. Isso que dizer que se não fosse ela, os homicídios de mulheres teriam aumentado muito mais desde 2006.
A Lei Maria da Penha é um marco no reconhecimento dos direitos das mulheres como Direitos Humanos no Brasil, possuindo uma ampla concepção de direitos a partir da perspectiva de gênero. Ela foi pioneira no âmbito da violência doméstica e familiar contra as mulheres no país, sendo hoje o principal instrumento jurídico de proteção das mulheres em situação de violência. Importante lembrar que o problema da violência contra as mulheres envolve muitos outros fatores além da questão legislativa e judicial. Trata-se de um assunto complexo e delicado que engloba elementos históricos e culturais que influenciam no comportamento social e, muitas das vezes naturalizam práticas nocivas ao princípio da dignidade humana, como a violência e a discriminação.
 
4. DEFINIÇÕES E FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
De acordo com o art. 5º da Lei Maria da Penha, violência doméstica e familiar contra a mulher é “ qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”.
A Lei Maria da Penha não criou o crime de violência doméstica, mas ao definir e especificar as diversas formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, permitiu uma tipificação mais eficiente dos crimes já previstos na legislação. Além da violência física, sempre a face mais chocante da violência doméstica a lei estabeleceu a moldura normativa, possibilitando a incorporação na tipificação de outras formas de violência domestica e familiar em razão do gênero, as quais apesar de muito frequentes, eram pouco invocadas como instrumentos de proteção a mulher agredida. De acordo com o art. 7º, I da Lei 11.340/2006 (BRASIL, 2006) os tipos de violência podem ser:
· Física: conceituada como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal.
· Psicológica: aludida como a mais corriqueira nos casos, é qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularizarão, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.
· Sexual: qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos.
· Patrimonial: qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.
· Moral: qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.
4.1 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NO PERÍODO DA PANDEMIA
Sobre o ponto de vista da pandemia, em janeiro de 2020, cientistas chineses conseguiram isolar um novo coronavírus (Sars-CoV-2) em pacientes de Wuhan e, em 11 de fevereiro de 2020, a OMS nomeou a doença causada pelo novo coronavírus de COVID-19, um acrônimo de “Doença do coronavírus 2019”. Os coronavírus (CoV) são uma grande família de vírus de RNA fita simples que causam doenças desde o resfriado comum até condições mais graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV). As manifestações provocadas por esse vírus podem variar de um quadro clínico assintomático, sintomático de sintomas leves (febre, cansaço e tosse), até um quadro de sintomas graves (febre, alta, pneumonia e dispneia). 
De acordo com as exigências da OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil aprovou no dia 7 de fevereiro, a chamada Lei da Quarentena, nº 13.979/20. Esta lei visa a adoção de medidas buscando o combate da emergência de saúde publica de tamanho internacional em virtude do coronavírus causador pelo surto de 2019 (Brasil, LEI 13979,2020). 
Neste contexto de confinamento pela pandemia, são crescentes as tensões provocadas pelo isolamento forçado, o estresse, a irritabilidade advinda das incertezas, medos e preocupações de contaminação, as dificuldades em suprir necessidades básicas como alimento, lazer e saúde. As crianças não podem ir as escolas, muitos trabalhadores não podem ir para seus empregos ou tem que criar estratégias para trabalhar de casa., mesmos em recursos.
Também consideram que “o aumento do uso abusivo de álcool e outras drogas no ambiente familiar tende a aumentar a probabilidade de ocorrer violência, pois a capacidade de contenção dos próprios atos pode encontrar-se reduzida”. Sendo assim, as rotinas e expectativas de todos, claro que em intensidade e realidades diferentes entre famílias, foram alteradas. Todas essas realidades supracitadas que em intensidades e realidades diferentes entre as famílias, foram alteradas. Todas essas realidades supracitadas são fatores que podem contribuir no ciclo da violência doméstica ou despertar uma primeira ocorrência de ação violenta. Vale ressaltar que a própria Lei Maria da Penha, estabelece como fator de risco para violência doméstica, dentre outros, o isolamento social. Estar 24 horas por dia “ trancado” com seu agressor, certamente aumenta as chances de a violência ocorrer, não só com as mulheres, mas direcionada a qualquer pessoa da residência (Noal et.al, 2020).
5. MEDIDAS DE COMBATE À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA AGRAVADA PELO ISOLAMENTO SOCIAL
Sabemos que hoje no Brasil temos como referência e principal política pública de enfrentamento a violência doméstica contra a mulher a Lei Maria da Penha. Com o agravamento deste fenômeno devido o isolamento social, medidas e açõesforam criadas, aprovadas pelo governo federal, estadual municipal, rede de apoio, visando combater essa violência que aumentaram nos lares dos brasileiros. 
Em um ano marcado pelo aumento no índice da violência doméstica, agravada pela necessidade do isolamento social para conter o avanço do coronavírus o senado aprovou medidas visando combater este fato e punir de forma mais severa os agressores. Ainda no início da quarentena, em março do ano passado (2020), o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) registrou aumento de 17,9% no número de denúncias recebidas pelo canal 180 (para denúncias desse tipo de violência) em comparação ao mesmo período de 2019. 
Em junho (2020), os senadores aprovaram uma proposta que torna essências as medidas de enfrentamento à violência contra mulheres, crianças, adolescentes, idosos, e pessoas com deficiência durante o período de emergia pública causada pela COVID – 19. Além disso, torna essenciais os serviços e as atividades publicas de atendimento às ocorrências de qualquer tipo de ameaças e o atendimento presencial de ocorrência envolvendo casos de lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, ameaça praticada com uso de arma de fogo e corrupção de menores, estrupo e feminicídio. 
O texto aprovado foi o substitutivo da senadora Rose de Freitas (Podemos -ES), ao então projeto de Lei 1.291/2020, apresentado pela deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) e por outras 22 integrantes da bancada feminina no Congresso. A proposta, após a aprovação pela Câmara dos Deputados e sanção do presidente da República Jair Bolsonaro, tornou-se a Lei 14.022, de 2020, que modificou o Decreto 10.282, de 2020, que define serviços essenciais durante a pandemia, e altera a Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 2006).
Rose Freitas, na ocasião da aprovação da proposta, disse que o Senado havia dado um passo muito importante com aprovação da matéria. 
“Porque nós estamos, no tempo e na hora, tomando as atitudes necessárias. É a construção a favor de uma mulher presa dentro de um cenário, sofrendo as consequências da violência, da cultura machista que ainda perdura. Isso não é pouca coisa – avaliou a senadora” (SENADO NOTICIAS).
5.1 É OBRIGAÇÃO DO CIDADÃO DENUNCIAR
Em junho, os senadores aprovaram o substitutivo do projeto de lei (PL) 2.510/2020, que obriga síndicos, moradores e locatários a informarem casos de violência doméstica e familiar às autoridades competentes. Caso a medida seja descumprida, o síndico pode ser destituído da função e o condomínio ser penalizado com multa.
O projeto de autoria do senador Luiz do Carmo (MDB-GO) altera o Estatuto dos Condomínios (Lei 4.591, de 1964) e o Código Civil (Lei 10.406, 2002). Essas modificações são para punir quem omitir socorro às vítimas de violência familiar ou doméstica em áreas residenciais ou comerciais, de prédios ou casas.
5.2 LEI SINAL VERMELHO CONTRA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
A campanha de combate à violência contra a mulher lançada em junho, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) agora é uma política nacional. Foi publicada em 29/07, no Diário Oficial da União, a Lei nº. 14.188/2021, que institui o programa de cooperação Sinal Vermelho contra a violência doméstica. 
A campanha Sinal Vermelho foi criada para oferecer às mulheres vítimas de agressões familiares durante a pandemia do novo coronavírus (COVID-19) um canal de denúncia de maus-tratos e de violência doméstica. “ Não podemos ouvir calados que o Brasil é um dos piores lugar para uma mulher viver. Temos o dever de modificar essa situação”, ressalta o presidente do CNJ, ministro Luiz Fux.
“Com o feminicídio todos perdem. A família perdeu aquela mãe, as crianças ficarão órfãs e o agressor vai para cadeia. A sociedade perde”, afirma a conselheira do CNJ Tania Reckziegel. A iniciativa já era lei em 10 estados: Alagoas, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia e Sergipe. Avançamos em alguns municípios, em alguns estados. E tenho que vamos avançar mais e salvar muitas vidas.
A nova Lei define que o Executivo, o Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e órgãos de segurança pública poderão estabelecer parceria com estabelecimentos comerciais privados para o desenvolvimento do – agora – programa Sinal Vermelho. Com isso, a letra X escrita na mão da mulher, preferencialmente na cor vermelha, funcionará como um sinal de denúncia de situação de violência.
A identificação do sinal poderá ser feita pessoalmente em repartições púbicas e entidades privadas que participem do programa. E atendentes dessas organizações poderão encaminhar a vítima ao sistema de segurança pública. Será ainda realizada campanha de divulgação para informar a população sobre o significado do código do Sinal Vermelho, de maneira a torná-lo facialmente reconhecível por toda sociedade. 
Supervisora da Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Maria Ziouva reforça a importância da lei sancionada e destaca “ todos os integrantes do GT do CNJ, criado pela portaria nº. 259/2020, pelo excelente trabalho desenvolvido para o cumprimento dos objetivos traçados, que resultou na tipificação do crime de stalking, de violência psicológica contra a mulher e na formalização da campanha Sinal vermelho nacionalmente.
6. STALKING, UMA PERSEGUIÇÃO OBSESSIVA NA WEB AGORA É CRIME
O crime de Stalking é definido como perseguição reiterada por qualquer meio, como a internet (cyberstalking), que ameaça à integridade física e psicológica de alguém, interferindo na liberdade e na privacidade da vítima.
O presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou a lei que tipifica o crime de perseguição, prática também conhecida como stalking (Lei 14.132, de 2021). A norma altera o Código Penal (Decreto-Lei 3.914, de 1941) e prevê pena de reclusão de seis meses a dois anos e multa para esse tipo de conduta. O ato foi publicado no Diário Oficial da União de 01/04/2021. A nova lei é oriunda do PL1.369/2019, de autoria da Senadora Leila Barros (PSB-DF). A matéria foi aprovada em 9 de março como substitutivo da Câmara dos Deputados e teve relatoria do senador Rodrigo Cunha (PSDB-AL). Leila destaca que o avanço das tecnologias e o uso em massa das redes sociais trouxeram novas formas de crimes. Ela acredita que o aperfeiçoamento do Código Penal era necessário para dar mais segurança às vítimas de um crime que muitas das vezes começa on-line e migra para perseguição física.
“É um mal que deve ser combatido antes que a perseguição se transforme em algo ainda pior. Com a nova legislação, poderemos mensurar com precisão os casos que existem no Brasil e que os criminosos não fiquem impunes como estava ocorrendo”, afirmou a senadora após a sanção. 
Antes, a prática era enquadrada apenas como contravenção penal, que previa o crime de perturbação da tranquilidade alheia, punível de 15 a 2 meses de multa. De acordo com a nova lei, o crime de perseguição terá pena aumentada em 50% quando for praticado contra criança, adolescente, idoso ou contra mulher por razões de gênero. O acréscimo na punição também é previsto no caso do uso de armas ou da participação de duas ou mais pessoas. Por ter pena prevista menor que oito anos, porém, o crime não necessariamente provocará prisão em regime fechado. Os infratores poderão pegar de seis meses a dos anos de reclusão em regime fechado e multa.
7. INICIATIVAS PÚBLICAS DE COMBATE À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER INSTITUÍDAS DURANTE A PANDEMIA
Iniciativas de combate à violência doméstica são ampliadas na pandemia, conforme as implementadas e, em prática pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. A pandemia não arrefeceu o trabalho de combate à violência doméstica desenvolvido de Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Ao contrário.
O entendimento de que a quarentena poderia deixar as vítimas mais expostas a esse tipo de crime suscitou medidas para informar e criar canais de denúncias a fim de agilizar o atendimento.Para a juíza Adriana Ramos de Mello, titular do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, os números, ainda no início das medidas de isolamento social, já apontavam para um panorama preocupante.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgados ainda em maio já mostravam que havia um aumento de feminicídio em torno de 22,2%, com 143 mulheres mortas pelo fato de serem mulheres em 12 estados da Federação. Por outro lado, havia uma redução de 25% dos crimes nas delegacias, como registro de estrupo de vulnerável. Isso mostrava que se dirigir a uma delegacia presencialmente, que é a primeira porta de entrada para a Justiça, para relatar uma violência que a mulher já sofria passou a ser acompanhada do medo não só de morrer, ou de sofrer algum tipo de represália, mas também de contágio pela COVID-19. O confinamento, com a família toda em casa, com o agressor trabalhando remotamente, os filhos sem aula, criou um ambiente muito propício e fez com que muitas mulheres sofressem caladas – avalia a magistrada.
As medidas adotadas ao longo se mostram essenciais diante dos dados que indicaram a necessidade de maior prevenção e proteção. Para ser ter ideia, basta comparar, por exemplo, estatísticas de abril e julho. Em abril, o Observatório da Violência Doméstica do TJRJ registrou 2.731 Casos Novos de Conhecimento em Violência Doméstica Contra a Mulher (CnCVD). Em julho, esse número já tinha aumentado para 6.175 ocorrências. 
Ainda em abril, as medidas protetivas deferidas somavam 1.865, sendo que em julho foram 2.396. Os números relativos aos casos de lesão corporal levem decorrentes de violência doméstica também registraram alta – foram 137 em abril e 660 em julho. Para a juíza Katerine Jatahy, do VI Juizado de Violência Doméstica da Capital e integrante da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica (Coem) do TJRJ, era necessário encarar um enorme desafio.
Nesse contexto nunca imaginado, a rede de enfrentamento da violência contra a mulher, incluindo sistema de Justiça, órgãos da Segurança Pública, da Saúde da Assistência Social, teve que se reinventar. A Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desde o início da pandemia, passou a fazer reuniões semanais pelas plataformas virtuais com os integrantes dessa rede visando promover, operacionalizar, divulgar, fortalecer e implementar ações para diminuir os obstáculos adicionais que as mulheres enfrentavam para fugir de situações de risco em razão das restrições à locomoção durante o isolamento - conta a juíza.
Ainda no início das medidas de distanciamento social adotadas pelo TJRJ através do Regime Diferenciado de Atendimento de Urgência (RDAU), a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (COEM) realizou reuniões internas e com a rede de enfrentamento à violência contra a mulher com o objetivo de manter o constante engajamento das instituições e garantir o aceso à Justiça e a proteção integral às mulheres vítimas de violência doméstica.
Uma das primeiras ações foi atender vítimas nos juizados de Violência Doméstica e Familiar da capital em regime especial de rodízio, com casos julgados por magistrados dedicados ao tema – com ênfase no trabalho com estatísticas do Observatório Judicial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que as informações da rede de atendimento à violência contra a mulher. Além disso, foi solicitado à Polícia Civil fluminense que os registros de ocorrência para pedidos de medidas protetivas pudessem ser feitos de modo online – diante de eventual impossibilidade de comparecimento da vítima à delegacia – ou seja: a disponibilização de um canal de atendimento adequado para que b, consequentemente, ocorresse a prestação jurisdicional. 
7.1 Cartilha de Orientação
A Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj) criou a cartilha “COVID-19: confinamento sem violência”, através de iniciativa do Núcleo de Pesquisa em Gênero, Raça e Etnia da Emerj (Nupegre). A publicação traz orientações de Organização das Nações Unidas (ONU) e oferece as principais informações para que a vítima possa se proteger e buscar ajuda em casos de violência de gênero. Em 24 páginas, foi possível destacar os tipos de violência doméstica ( física, psicológica, sexual, patrimonial e moral ) e a função dos juizados de violência doméstica e familiar contra a mulher.
7.2 Capacitar para Salvar Vidas, capacitação online para Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica
Foi necessário capacitar quem atuava na ponta do atendimento, para isso o painel “Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica: Resistências, Reexistências na Proteção da Mulher” colocou 350 policiais em contato com os magistrados que lidam com a questão diariamente. Já naquele momento, havia uma redução de 48,5% dos números de registros enquadrados na Lei Maria da Penha no estado. A iniciativa visava reforçar a campanha lançada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela Associação de Magistrados Brasileiros em farmácias e drogarias de todos o país para estes estabelecimentos se transformassem em mais um canal para as mulheres denunciarem os abusos e maus-tratos sofridos. Os trabalhadores foram capacitados para que soubessem como agir caso fossem abordados por uma mulher com o símbolo da campanha na mão (um X vermelho), com acionamento da polícia ou, caso não fosse possível, com o preenchimento de um formulário com os dados da vítima para posterior envio às autoridades – sem a necessidade do atendente ser configurado como uma testemunha (PJRJ, 2021).
7.3 Salas lilás e Salas Violeta a cor do acolhimento
Criadas para prestar atendimento especializado às vítimas de violência física e sexual, incluindo crianças (vítima de abuso sexuais), adolescentes e idosas, a Sala Lilás teve o atendimento ampliado durante a pandemia. A terceira e quarta unidade foram inauguradas junto ao Instituto Médico-legal de Petrópolis e de Niterói. Com equipamentos para exames periciais e com profissionais multidisciplinares como policiais, psicólogos, assistentes sociais, e enfermeiras, a integração dos serviços tem o objetivo de ajudar as vítimas mais à vontade para relatar a violência sofrida em um ambiente mais acolhedor e aconchegante. Atualmente , o projeto funciona nos Institutos Médico-Legal do Centro do Rio de Janeiro e de Campo Grande na zona Oeste, e surgiu através de uma parceria do TJRJ com a Polícia Civil, as secretarias Estadual e Municipal de Saúde, além da Secretaria Especial de Polícia para Mulheres e do Rio Solidário. Já a nova unidade da Sala Violeta passou a atender vítimas de violência doméstica em São Gonçalo no juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Fórum da comarca. Vencedor do prêmio Innovare de 2014 , o projeto consiste em um núcleo de atendimento às vítimas de violência, numa ação que conta com a participação de defensores públicos., promotores e assistentes sociais dentro da comarca. No mesmo dia sai a medida protetiva e o agressor não pode mais ficar no mesmo ambiente da mulher. Depois de registrar ocorrência na delegacia e solicitar as medidas protetivas de urgência, a vítima é encaminhada para o espaço Violeta, onde é ouvida e orientada por uma equipe multidisciplinar do juizado e sai com uma decisão judicial em mãos. 
No período foi realizada a revisão da Consolidação Normativa da Corregedoria Geral de Justiça (CGJ) a qual expandiu o protocolo Violeta-Laranja para todo o estado e tratou da uniformização das rotinas aplicadas nos Juizados de Violência contra a Mulher. Foram realizadas capacitações em violência doméstica para Magistrados pela Emerj, e para serventuários do cartório e equipes técnicas de todo estado com atuação em Varas com competências para crimes de violência contra a mulher pela Escola de Administração Judiciaria (ESAJ), inclusive com convocação da CGJ- observa a juíza Katerine Jatahy.
Confinamento sem Violência – Patrulha Maria da Penha
Locais públicos e de grande circulação de pessoas, como farmácias,supermercados e igrejas. Esses foram os alvos para a divulgação de cartazes da campanha “COVID-19 – Confinamento sem Violência, elaborada pela Coordenadoria estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar ( COEM) do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro ( TJRJ), pela Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ) e pelo Núcleo de Pesquisa em Gênero, Raça e Etnia (NUPEGRE).
A publicação trouxe as principais informações para que a mulher possa se proteger e buscar ajuda em casos de violência de gênero, além de fazer conhecer a função dos juizados de violência doméstica e familiar contra a mulher, traçando um plano de segurança para a vítima utilizar em emergências. O Objetivo era esclarecer e estimular as vítimas de maus-tratos para não se intimidarem durante o período de distanciamento social e denunciarem seus agressores.
A iniciativa teve o apoio da Patrulha Maria da Penha, uma parceria entre ao TJRJ e a Polícia Militar composta por um grupo motorizado especial que atende casos de violência contra a mulher em todo o Estado do Rio de Janeiro, fiscalizando o cumprimento de medidas protetivas. 
Desnaturalizar a Violência é preciso 
Previsto na Lei Maria da Penha, o grupo reflexivo Escola de Homens reformulou as atividades e foi retomado para atender a demanda que aumentou durante a pandemia. O objetivo é coibir o número de reincidência e estimular o rompimento do comportamento agressivo com o auxílio de uma equipe técnica composta por psicólogos e assistentes socias. Durante 2009, quando foi criada, mais de 1700 alunos foram acolhidos pela escola. 
Os autores da violência doméstica são encaminhados por determinação judicial, passando por uma entrevista preliminar para traçar o perfil socioeconômico, as demandas e as necessidades para o encaminhamento final.
Com metodologia baseada em reflexões sobre assuntos que funcionam como gatilhos para a violência, são abordados temas como ausência de empatia e falta de diálogo, além de sentimentos como a raiva – com objetivo de desnaturalizar a violência doméstica e desconstruir a masculinidade tóxica. Há ainda espaço para discussões sobre conceito de gênero, orientação sexual identidade de gênero, homofobia e a violência de gênero. 
Aplicativo Maria da Penha para acelerar medidas protetivas 
A parceria entre o TJRJ e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fez surgir uma inovação para o mundo jurídico - o link Maria da Penha Virtual - https://maria-penha-virtual.tjrj.br. Ele permite que a mulher solicite à justiça uma medida protetiva de urgência sem que precise sair de casa. Para tanto, basta clicar no link usando um computador ou mesmo um celular. O dispositivo não precisa ser baixado e não ocupa espaço de memória no aparelho. O projeto Maria da Penha Virtual foi desenvolvido por um grupo de estudantes e pesquisadores do Centro de Estudos de Direito e Tecnologia da UFRJ. 
O TJRJ participa da iniciativa por meio da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj) e da Coordenadoria Estadual da Mulher Vítima de Violência Doméstica (Coem) (TJRJ, 2021).
Rede de enfrentamento a Violência doméstica contra a mulher
São órgão públicos (federais, estaduais, municipais, sociedade civil) especializados em atendimento à mulher. 
Centro Especializado de Atendimento à Mulher.
Os centros de referências são espaços de acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência, que devem proporcionar o atendimento e o acolhimento necessários à situação de violência, contribuindo para o fortalecimento da mulher e o resgate de sua cidadania, (CEAM).
Casas-Abrigo
As Casas-Abrigo são locais seguros que oferecem moradia protegida e atendimento integral a mulheres em risco de morte iminente em razão da violência doméstica. É um serviço de caráter sigiloso e temporário, no qual as usuárias permanecem por um período determinado, durante o qual deverão reunir condições necessárias para retornar o curso de suas vidas.
Casas de Acolhimento Provisório
Constituem serviços de abrigamento temporário de curta duração (até 15 dias), não-sigilosos, para mulheres em situação de violência, acompanhadas ou não de seus filhos, que não correm risco iminentes de morte. Vale destacar que as Casas de Acolhimento Provisório não se restringem ao atendimento de mulheres sem situação de violência doméstica e familiar, devendo acolher também mulheres que sofrem outros tipos de violência, em especial vítimas do tráfico de mulheres. O abrigamento provisório deve garantir a integridade física e emocional das mulheres, bem como realizar diagnostico da situação da mulher para encaminhamentos necessários.
Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs)
São unidades especializadas da Polícia Civil para atendimento às mulheres em situação de violência. As atividades das DEAMs têm caráter preventivo e repressivo, devendo realizar ações de prevenção, apuração, investigação e enquadramento legal, as quais devem ser pautadas no respeito pelos direitos humanos pelos princípios do Estado Democrático de Direito.Com a promulgação da Lei Maria da Penha, as DEAMs passam a desempenhar novas funções que incluem, medidas protetivas de urgência ao juiz no prazo máximo de 48 horas.
Núcleos ou Postos de Atendimento à Mulher nas Delegacias Comuns
Constituem espaços de atendimento à mulher em situação de violência (que em geral, constam com equipe própria), nas delegacias comuns.
Defensoria Pública e Defensoria da Mulher (Especializadas)
As defensorias da Mulher têm a finalidade de dar assistência jurídica, orientar as mulheres em situação de violência. É órgão do Estado, responsável pela defesa das cidadãs que não possuem condições econômicas de ter advogado contratado por seus próprios meios. Possibilitam a ampliação do acesso à Justiça, bem como, a garantia às mulheres de orientação jurídica e de acompanhamento de seus processos.
Juizados Especializados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher
Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher são órgãos da Justiça Ordinária com competência cível e criminal que poderão ser criados pela União. (no Distrito Federal e nos Territórios) e pelos Estados para processo, julgamento e a execução das causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher. Segundo a Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), que prevê criação dos juizados, esses poderão contar com a equipe de atendimento multidisciplinar a ser integrada por profissionais especializados nas áreas psicossocial, jurídica e da saúde.
Promotorias Especializadas
A Promotoria Especializada do Ministério Público promove a ação penal nos crimes de violência contra as mulheres. Atua também na fiscalização dos serviços da rede de atendimento.
Casa da Mulher Brasileira
A Casa da Mulher Brasileira integra no mesmo espaço serviços especializados para os mais diversos tipos de violência contra as mulheres: acolhimento e triagem, apoio psicossocial, delegacia; Juizado; Ministério Público, Defensoria Pública; promoção de autonomia econômica; cuidado das crianças – brinquedoteca; alojamento de passagem e central de transportes. 
Serviços de Saúde Geral e Serviços de Saúde voltados para o atendimento dos casos de violência sexual e doméstica
A área da saúde, por meio da Norma Técnica de Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes, tem prestado assistência médica, de enfermagem, psicológica e social às mulheres vítimas de violência sexual, inclusive quanto à interrupção da gravidez prevista em lei nos casos de estupro. A saúde também oferece serviços e programas especializados no atendimento dos casos de violência doméstica.
Meta a colher- denuncie 
Crescemos ouvindo a seguinte frase “Em briga de marido e mulher não se mete a colher”, se mete sim! Muitas mulheres por diversos motivos, medo, falta de informação, dependência financeiras, entre outros não denunciam os seus agressores, denunciar salva vidas. A presençada polícia no local inibi ações do agressor, podendo evitar o mal maio, o feminicídio .
A delegada de polícia Luana Davico destaca a importância de a vítima agir rápido, e lembra que a denuncia pode ser feita por terceiros, já que trata de ação pública incondicionada. Diante de um caso de agressão, a delegada de polícia e professora de Processo Penal Luana Davico, destaca a importância de a vítima agir rápido, ter coragem de denunciar e colaborar com a polícia, fatores fundamentais para tomada de providencias. Regras básicas para denunciar o agressor:
· Chame a polícia, ou procure qualquer socorro possível, 193,190,197,180 – ligue e denuncie de imediato a agressão. Se o agressor for capturado, será preso em flagrante, nos moldes da Lei Maria da Penha;
· Aja rápido. Vá até uma delegacia de polícia e registre a ocorrência. Algumas lesões podem desaparecer rápido. Quanto mais rápido agir, mais opções tem a polícia para protege lá;
· Colabore com a polícia: dê detalhes do caso, faça o exame de corpo de delito se necessário;
· Se possível, tenha imagem que comprovem o que aconteceu, e/ou testemunhas;
· Tenha coragem de denunciar. Este ato pode salvar vidas.
A delegada explica que a Lei Maria da Penha trouxe uma modificação no que tange à ação por lesão corporal, que antes dependia da representação pela própria vítima. Agora, é possível seguir com o processo penal mesmo que a vítima não dê queixa – trata-se de uma ação incondicionada.
Portanto, se você conhece uma mulher que foi agredida, ajude esta mulher, acionando a polícia. 
“Como delegada de polícia posso afirmar com absoluta certeza que muitas vezes a colher que meteram na briga do marido e da mulher salvou a vida da mulher”. A delegada explica que é na delegacia que começa o poder da vítima de pedir ajuda e requerer medidas protetivas, que podem ser afastamento do agressor do lar, proibição de comunicação, a mulher pode ser acompanhada pela polícia para retirar os bens de casa, entre outras possibilidades, inclusive o pedido de divórcio.
Luana Davico ressalta que o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) entende que, em situações de violência doméstica, é a palavra da vítima que vai prevalecer. Ela pontua que não é necessário que a mulher vá acompanhada de advogado. Mas, se a vítima não tiver compreensão de todos os seus direitos é for possível, a presença de um defensor poderá garantir que a mulher não seja lesada em nenhum de sus direitos. Por fim, Luana Davico lembra que a Lei Maria da Penha dá preferência para que a agredida seja assistida por uma policial feminina. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A violência contra a mulher é um fenômeno que, infelizmente, acompanha a sociedade desde sempre. Contudo, isso não significa dizer que as agressões sempre foram da mesma forma, pois até o grau de crueldade se modernizou. A figura feminina, por diversas vezes ao longo dos anos, foi interpretada e reinventada de diversas maneiras. 
Na Grécia Antiga, a mulher era vista como fruto de pecado, contrário à virtude, até chegar aos dias atuais em que, ainda assim, a figura feminina é vista de forma subjugada e inferiorizada. Porquanto, ainda no contexto da sociedade atual, os debates a respeito da violência sobre o gênero têm sido cada vez mais ampliados, vindo a tornar-se luta política, fazendo com que tais violências sejam desnaturalizadas no âmbito familiar. 
Com a implantação da Lei n. 11.340 do ano de 2006, mesmo que tardiamente, tornou-se um marco no combate à violência contra a mulher, ao passo em que estabeleceu conceito fundamental sobre a violência no âmbito familiar, bem como estabeleceu sanções para aqueles que a praticam. O que se precisa ressaltar é que a violência doméstica contra a mulher não é apenas a física, mas podendo ser vista também através outras formas, como sexual, a psicológica, a moral e a patrimonial. 
Transformando a violência doméstica em dados, tem-se um apanhado de dados preocupantes, ao passo em que a cada 3 (três) mulheres, ao menos 1 (uma) passam por violência sexual por um parceiro ou por um não parceiro. E quanto à mortalidade feminina, denota-se que entre os anos de 1980 a 2010, foram assassinadas próximo de 92 mil mulheres no país. Como se não fosse suficiente à expressão numérica, escancara-se também o aumento ao longo dos anos sobre tais dados, colocando o Brasil no quinto lugar em países que mais matam mulheres. 
Logo, com a chegada da pandemia pelo novo coronavírus em território mundial, a situação não se demonstrou diferente, sendo agravada mais ainda pelo estado de isolamento social em que a sociedade brasileira se viu necessária passar, instituída pela Lei da Quarentena (Lei n. 13.979/2020), adotando medidas de isolamento com o intuito de combater a proliferação da doença.
Trazendo esta situação calamitosa para o contexto da violência doméstica, indubitavelmente, as vítimas se viram forçadas, reiteradas vezes, a conviverem maior disponibilidade de seu tempo com seus agressores, o que ocasionou em um aumento na violência contra a mulher no âmbito doméstico, atingindo, portanto, diferentes grupos e de diferentes maneiras, aprofundando ainda mais as relações desiguais daqueles que são postos em condição de maior vulnerabilidade.
Em alguns locais, a violência contra a mulher aumentou em cerca de 50% com o avanço da pandemia. O feminicídio, igualmente, avançou de forma preocupante, de modo que em alguns lugares no país aumentaram até quase a metade durante esse período de isolamento social. Não diferente, houve o aumento também de denúncias de práticas violentas, não tanto quanto o aumento no número de assassinatos e de pedidos de medidas protetivas. 
Diante desse cenário foram criados, implementados projetos de leis protetivas, programas, ações diretas de combate à violência doméstica contra a mulher no período de isolamento social. Neste cenário, a mídia também se mostra uma importante ferramenta no combate a essas práticas esdrúxulas presentes em nossa sociedade e no mundo, em que através dela, mídia são veiculadas informações que poderão vir a cooperar para a diminuição da violência doméstica contra a mulher, lembrando que estamos falando de um fenômeno onde é dever de todos os canais de informação prestar essa utilidade pública, chamada informação, esclarecimento, o que colabora na contribuição de uma sociedade mais justa, mais humana e igualitária, onde as mulheres poderão viver em paz consigo mesmas e com os outros. 
Além disso, não somente a mídia cumpre este papel tão importante, mas cabendo fundamentalmente ao Estado a implementação, normatização, práticas, vigilância das políticas públicas bem como ao combate e prevenção das práticas costumeiras de violência contra a mulher no espaço doméstico e em razão do seu gênero, vez que diante desse cenário estão cada vez mais expostas a esse problema que pode ser tido como estrutural e que não pode mais ser naturalizado. Por fim, nós, como cidadãos, precisamos assumir esse mal como pertencente a cada um. Todos somos vítimas da violência contra a mulher, você que é homem é vítima do seu gênero, quando a sua mãe, sua filha, sua irmã são mortas pelo simples fato de ser mulher. Aquele ditado que diz “a pedra não cai no meu telhado” não serve para o fenômeno, chamado Violência Doméstica Contra a Mulher.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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