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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS “O homem é, de fato, um ser simbólico. Portanto, precisa de símbolos, de sinais naturais e convencionais. Estes falam do passado, marcam o presente e sinalizam para o futuro. Por isso, é preciso conhecê-los e estudá-los, pois comunicam melhor que a própria língua falada”. (Dom Carmo João Rhoden) 1 SUMÁRIO História da Língua de Sinais no mundo e no Brasil Sistema de Transcrição Sinal de nome Metodologia Parâmetros Tipos de movimentos Sinal de nome Metodologia Parâmetros Alfabeto Manual Tipos, causas e prevenção da perda auditiva Libras é linguagem ou língua Língua de sinais é mímica? Calendário e seus contextos Meses do ano Saudações Meses do ano Saudações Sistema pronominal Pronomes demonstrativos e advérbios de lugar Numerai Numerais Pronomes indefinidos e quantificadores O universal das línguas Família Genealogia da história da educação de surdos no Brasil Iconicidade e arbitrariedade na Libras Documentos Comunidade e cultura surda no Brasil Adjetivos na Libras Pronomes e expressões interrogativas Que-horas / Quantas horas A primeira escola para surdos no Brasil Expressões interrogativas e advérbios de frequência A forma condicional “S-I”(“SE”) Verbos relacionados a meios de comunicação e trabalho Adjetivos na Libras Sinais para cores e tonalidades Comparativo de igualdade, superioridade e inferioridade Pronomes indefinidos e quantificadores Adverbio de tempo (frequência) Contextualizando sinônimos Utilização dos numerais para valores monetários Sinais relacionados a transações comerciais, bancárias Sinais relacionados a pesos e medidas Sinais polissêmicos Tipos de verbos na Libras Exemplos de verbos de locomoção para meios de transportes Escolas e classes de surdos: uma opção política pedagógica 100 História da língua de sinais no mundo e no Brasil Como as pessoas surdas experimentam a vida hoje está diretamente relacionada à forma como eles foram tratados no passado. Não foi há muito tempo, quando os surdos foram duramente oprimidos e negados os direitos fundamentais. Aristóteles foi o primeiro a ter uma teoria registrada sobre o surdo. Sua teoria era que as pessoas só podem aprender através da linguagem falada. Nesse caso as pessoas surdas foram vistas como sendo incapazes de aprender ou serem educadas em tudo. Em alguns lugares, eles não eram autorizados a comprar um imóvel ou casar. Alguns foram mesmo forçados a ter tutores. A lei tinha-lhes rotulados como "não-pessoas". Embora a afirmação de Aristóteles teve reflexo negativo na Europa durante o Renascimento, muitos estudiosos estavam tentando educar as pessoas surdas pela primeira vez e provar que as crenças de 2.000 anos de idade estavam erradas. Os surdos foram marginalizados, pois eram mal compreendidos, portanto ficavam revoltados e frustrados. Por vezes eram tidos como loucos e afastados do convívio social. Quando adultos, eram forçados a fazer trabalhos desprezíveis, viviam isolados e eram considerados ineducáveis. Muitos surdos de famílias nobres eram forçados a ler e a falar para receber reconhecimento como pessoas perante a lei, conseguir títulos e herança, já que não havia escolas especializadas para surdos. Os primeiros seres humanos, conhecidos comumente como os homens das cavernas, não usavam palavras para transmitirem o que eles queriam externar. Eles usavam sinais e sons, a fim se fazerem entender. Da mesma forma, também era utilizada uma linguagem corporal. Assim, os antigos humanos comunicavam-se por algum tipo de linguagem de sinais. Devido ao fato de que a linguagem de sinais, como um mecanismo de comunicação, sempre esteve em uso desde a antiguidade, é altamente impossível atribuir um único inventor para a criação da língua de sinais. Portanto, a língua de sinais sempre foi usada como uma forma de comunicação, desde tempos imemoriais. No entanto, ao longo dos séculos, algumas pessoas têm desempenhado um papel significativo no desenvolvimento de regras, que formam a base da língua de sinais de hoje. Em 1620, Juan Pablo Bonet tornou-se a primeira pessoa a criar um livro sobre a linguagem de sinais. Ele gravou as formas de mão simbólicas que representavam sons diferentes. Mas, Pablo não é o inventor do alfabeto da língua de sinais, uma vez que já tinha sido usada desde há muito tempo, Pablo fez foi catalogá-las em um livro. Charles Michel de l'Épée, em 1771, abriu a primeira escola pública livre para surdos, onde ensinou a língua de sinais. Alegadamente, a maioria dos alunos da escola vieram de Martha Vineyard, uma ilha ao largo da costa de Massachusetts, que tinha uma alta incidência de surdez por cerca de 250 anos. L'Épée observava que as crianças surdas ao chegar na escola, traziam consigo alguns sinais padronizados de mãos, gestos e grafias de dedos. Estes sinais, mais tarde, tornaram-se oficialmente reconhecidos como uma língua para surdos na França, assim como na Europa. A língua de sinais chegou à América com os esforços de dois homens. Laurent Clerc e Thomas Hopkins Gallaudet que abriu a primeira escola americana para o surdo, em 1817, depois de 45 anos de escola de L'Epee em Paris. As crianças que frequentavam a escola de Clerc vinham de todo o país. Além do método francês já padronizado, muitos outros métodos foram integrados no programa da escola. Isso ajudou na criação da língua de sinais americana. No entanto, muitos argumentam que o alfabeto da língua de sinais americana fora grandemente influenciado pelo Vineyard Martha, como Clerc levaram o sistema da Europa para a América. Língua de Sinais Brasileira (Libras) No Brasil, durante o Império de D. Pedro II, o professor Hernest Huet fundou o Imperial Instituto para Surdos-Mudos no Rio de Janeiro em 1857, e utilizava o Método Combinado. Na época, o Instituto funcionava como asilo, no qual só eram aceitas pessoas do sexo masculino que vinham de todos os lugares do país, muitas delas abandonadas pelas famílias. Os surdos brasileiros passaram a contar com uma escola especializada para sua educação e tiveram a oportunidade de criar a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), mistura da Língua de Sinais Francesa com os sistemas de comunicação já usados pelos surdos das mais diversas localidades. Em 1957, o nome de Imperial Instituto foi mudado para Instituto Nacional de Educação para Surdos (INES). Hoje é um órgão do Ministério da Educação. Durante as décadas de 70 e 80, iniciou-se um serviço de estimulação precoce para atendimento de bebês de 0 a 3 anos, houve especialização para professores na área da surdez e foi criado a Federação Nacional de Educação e Integração dos Deficientes Auditivos (FENEIDA), mas que em 1986 mudou-se o nome para FENEIS (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos) e também que o ensino de LIBRAS passa a ser exigido pelos surdos que passam a ser responsáveis pela instituição e por suas decisões. A língua de sinais brasileira é uma língua usada pela maioria dos surdos brasileiros, é reconhecida pela Lei 10436/2002 e regulamentada pelo Decreto 5626/2005. Essa língua é visual-espacial, ou seja, se realiza no espaço com articuladores visuais: as mãos, o corpo, os movimentos e o espaço de sinalização. É uma língua usada entre os surdos, a partir do momento em que acontece o encontro surdo-surdo. As escolas, as associações dos surdos, os pontos de encontros são locais em que a comunidade surda se encontra e usa a sua língua. Existem diferentes línguas de sinais pelo mundo afora, onde existem surdos há alguém sinalizando. Elas não são universais, cada país possui a sua. Como já foi mencionado, existe a língua de sinais americana que é usada por surdos dos Estados Unidos, há a língua de sinais brasileira que é usada pelos surdos dos grandes centros urbanos do Brasil e assim por diante. As línguas de sinais são de modalidade gestual-visual, e o espaço é o canal de comunicação. Nele, frases, textos e discursos são produzidos e articulados através dos sinais. São consideradaslínguas naturais, pois surgiram da interação espontânea entre indivíduos. Elas possuem gramática própria, além dos níveis linguísticos, fonológico, morfológico, semântico, sintático e pragmático, o que possibilita aos seus usuários expressarem diferentes tipos de significados, dependendo da necessidade comunicativa e expressiva do indivíduo. Além disso, as línguas de sinais não descendem e nem dependem das línguas orais. A Libras possui estrutura gramatical própria. Os sinais são formados por meio da combinação de formas e de movimentos das mãos e de pontos de referência no corpo no espaço. FENEIS – Federação Nacional de Educação e Integração História A FENEIS é filiada à Federação Mundial de Surdos (FMS/WFD), que tem sede e administração na Finlândia. Esta última tem como meta básica a defesa dos direitos dos surdos, possuindo relações intrínsecas com a ONU, UNESCO, OEA e OIT, no sentido de juntas garantirem os direitos culturais, sociais e linguísticos dessa população em todos os continentes e com a qual a FENEIS mantém intercâmbio constante, recebendo informações científicas de todas as áreas envolvidas. SISTEMA DE TRANSCRIÇÃO A Libras é uma língua viso-espacial, logo o melhor meio de reproduzi-la tem sido pelo registro de imagem (vídeo), a escrita da língua de sinais está ainda em fase de pesquisas e aceitação, no decorrer do curso você saberá mais sobre esta escrita. Sendo assim, para transcrever a libras utilizaremos um sistema de transcrição, que também é usado por pesquisadores, baseado numa forma de glosa com palavras da língua portuguesa para representar aproximadamente enunciados da Libras. Aqui selecionamos algumas das convenções apresentadas por Felipe (2001), para maiores informações consulte a bibliografia: 1) Os sinais em Libras serão representados por uma glosa (sistema de anotação) da Língua Portuguesa em letras maiúsculas. Exemplos: TRABALHAR, QUERER, NÃO-TER 2) A datilologia (alfabeto manual) que é usada para expressar nome de pessoas, de localidades e outras palavras que não possuem um sinal, está representada pela palavra separada, letra por letra, por hífen. Exemplos: HOTEL A-L-V-O-R-A-D-A 3) Na Libras não há desinências para gênero(masculino e feminino). O sinal, representado por palavra da língua portuguesa que possui marcas de gênero, está terminado com o símbolo @ para reforçar a ideia de ausência e não haver confusão. Exemplos: EL@ (ela, ele), AMIG@S (amigos ou amigas). 4 - Um sinal, que é traduzido por duas ou mais palavras em língua portuguesa, será representa do pelas palavras correspondentes separadas por hífen. Exemplo: 5 – Um sinal composto, formado por dois ou mais sinais, que será representado por duas ou mais palavras, mas com a ideia de uma única coisa, serão separados pelo símbolo ^. Exemplos: 6 - O sinal soletrado, ou seja, uma palavra da língua portuguesa que, por empréstimo, passou a pertencer à Libras por ser expressa pelo alfabeto manual com uma incorporação de movimento próprio desta língua, está sendo representado pela soletração ou parte da soletração do sinal em itálico. Exemplos: 7 – Os traços não-manuais: as expressões facial e corporal, que são feitas simultaneamente com um sinal, estão representadas acima do sinal ao qual está acrescentando alguma ideia, que pode ser em relação ao: a) – tipo de frase: interrogativa ou ...i ... , negativa ou ... neg ... Exemplos: Para simplificação, serão utilizados também, para a representação de frases nas formas exclamativas e interrogativas, os sinais de pontuação utilizados na escrita das línguas orais-auditivas, ou seja: !, ? e ?! b) – advérbio de modo ou um intensificador: Exemplos: muito; rapidamente; exp.f "espantado"; 8- Os verbos que possuem concordância de gênero (pessoa, coisa, animal, veículo), através de classificadores, estão sendo representados com o tipo de classificador em subscrito. Exemplos: 09 – Os verbos que possuem concordância de lugar ou número-pessoal, através do movimento direcionado, estão representados pela palavra correspondente com uma letra em subscrito que indicará: a - a variável para o lugar: i = ponto próximo à 1a pessoa, j = ponto próximo à 2a pessoa, K e k' = pontos próximos à 3a pessoas, e = esquerda, d = direita; b - as pessoas gramaticais: 1s, 2s, 3s = 1a, 2a e 3a pessoas do singular; 1d, 2d, 3d = 1a, 2a e 3a pessoas do dual; 1p, 2p, 3p = 1a, 2a e 3a pessoas do plural; Exemplos: 1sDAR2s "eu dou para você", 2sPERGUNTAR3p "você pergunta para eles/elas", kdANDARk'e "andar da direita (d) para à esquerda (e)". 10 - Às vezes há uma marca de plural pela repetição ou alongamento do sinal. Esta marca será representada por uma cruz no lado direto acima do sinal que está sendo repetido: Exemplo: 10- Quando um sinal, que geralmente é feito somente com uma das mãos, ou dois sinais estão sendo feitos pelas duas mãos simultaneamente, serão representados um abaixo do outro com indicação das mãos: direita (md) e esquerda (me). Exemplos: SINAL DE NOME O sinal pessoal é o nome próprio, o “nome de batismo” de uma pessoa que é membro de uma comunidade Surda1. Esse sinal geralmente pode: a) Representar iconicamente uma característica da pessoa. b) Representar a profissão de uma pessoa e uma característica. Por exemplo: PROFESSORA MAGRA; CABELOS-ONDULADOS: c) Representar um número, que a pessoa passou a ter na caderneta de uma turma de escola, ou a primeira letra do nome da pessoa. O sinal pessoal pode ser, portanto, uma representação visual de uma pessoa ou um atributo. Responda rápido em Libras: Quem está sentado a sua direita? Quem está sentado a sua esquerda? Quem está sentado a sua frente? Quem está sentado atrás de você? 1 A palavra surd@ vem grafada com “S” maiúscula quando indicar que se trata de uma pessoa que luta por seus direitos políticos, linguísticos e culturais, ou seja, pessoa que faz parte de uma comunidade surda. PARÂMETROS Libras e seus parâmetros Os sinais são formados a partir da combinação do movimento das mãos com um determinado formato em um determinado lugar, podendo este lugar ser uma parte do corpo ou um espaço em frente ao corpo. Estas articulações das mãos, que podem ser comparadas aos fonemas e às vezes aos morfemas, são chamadas de parâmetros, portanto, nas línguas de sinais podem ser encontrados os seguintes parâmetros: I) Configuração de Mãos: São formas das mãos que podem ser da datilologia (alfabeto manual) ou outras formas feitas pela mão predominante (mão direita para os destros ou esquerda para os canhotos), ou pelas duas mãos. Os sinais FEI@ (L), ADAPTAR (A) e ENCONTRAR (D), por exemplo, possuem configuração de mãos diferentes. A diferença é que cada uma é produzida em um ponto diferente no corpo. FEI@ ADAPTAR ENCONTRAR II) ponto de articulação(PA): é o local onde incide a mão predominante configurada, podendo tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro. IGNORAR ACONSELHAR INGLÊS III) movimento (M): os sinais podem ter um movimento ou não. Os exemplos abaixo são sinais que têm movimento, portanto este parâmetro é o deslocamento da mão no espaço durante a realização do sinal. RECLAMAR ECONOMIZAR RIR IV) expressão facial e/ou corporal (ENM): a expressão facial e corporal são de fundamentais importância para o entendimento real do sinal, podendo traduzir alegria, tristeza, raiva, amor, encantamento, entre outros sentimentos, dando mais sentido à Libras e, em alguns casos, determina o significado de um sinal. Exemplo: V) a orientação/direcionalidade (Or): os sinais têm uma direção com relação aos parâmetros acima. Assim, os verbos ir e vir se opõem em relação à direcionalidade, como os verbos IR, LIMPAR, ACENDER e APAGAR. Na combinação destes parâmetros tem-se o sinal. Falar com as mãos é, portanto, combinar estes elementos para formarem as palavras e estas formarem as frases em um contexto. Para conversar, em qualquer língua, não basta conhecer as palavras, é preciso aprender as regras gramaticais de combinação destas palavras em frases e serão estas regras gramaticais que iremos ver aos poucos em cadaunidade desta apostila. AVÔ ALFABETO MANUAL O alfabeto manual é parte integrante da Libras e tem a função de soletrar as palavras. Muitos objetos, palavras, lugares, situações etc. não possuem sinais ou a pessoa não conhece o sinal, sendo neste caso usado o alfabeto para sua nomeação. Cabe salientar que, dependendo do nível de habilidade e rapidez da pessoa que o utiliza, sua compreensão pode tornar-se complexa. Por isso se recomenda que a soletração das palavras ocorra devagar, utilizando-se uma pausa curta entre elas ou movendo a mão para o lado informando que esta palavra já foi soletrada. Tipos, causas e prevenção da perda auditiva Para o cálculo do grau de deficiência auditiva, uma das classificações mais utilizadas é a da Organização Mundial da Saúde (OMS, 1997), que considera a média das frequências de 500Hz, 1000Hz, 2000Hz e 4000Hz: · 0 – 25: decibel nível de audição (dBNA2) – limiares auditivos normais · 26 – 40 dBNA: perda auditiva leve · 41 – 60 dBNA: perda auditiva moderada · 61 – 80 dBNA: perda auditiva severa • + 80 – dBNA: perda auditiva profunda A surdez é uma condição que se manifesta com diferentes graus, desde perdas auditivas mais leves até a surdez profunda e, pode ocorrer em apenas um ouvido ou nos dois. Normalmente, a diminuição da audição, conhecida por hipoacusia, pode surgir devido a lesões nas diferentes partes do ouvido, podendo ser provocada pela presença de cera, após um AVC ou ser consequência de algumas doenças, como meningite, por exemplo. A surdez congênita, é aquela que é mais comum em recém-nascidos, podendo ser hereditária, causada pela mãe se esta tiver durante a gravidez doenças como rubéola ou toxoplasmose ou mesmo ser provocada por algum trauma no parto por exemplo e, normalmente leva a problemas no desenvolvimento da fala. Já a surdez adquirida é aquela que é provocada por algum fator, como otite ou ruído muito alto, por exemplo e, pode surgir em qualquer idade. Além disso, a surdez neurosensorial, ocorre quando a perda de audição acontece devido a problemas na parte interna do ouvido ou no nervo auditivo, que liga o ouvido ao cérebro. Com maior frequência a perda auditiva desenvolve-se em pessoas com mais de 65 anos de idade devido ao processo natural de envelhecimento, porém, existem outros fatores que agravam a perda de audição nos idosos como a presença de hipertensão, diabetes, dislipidemia, insuficiência renal e o uso de alguns remédios. CAUSAS DA SURDEZ Existem dois tipos: a congênita e a adquirida. Na surdez congênita encontram-se aqueles que nascem surdos, e existem três grupos principais: 2 dBNA: significa decibéis em nível de audição. Hereditárias: Causadas por influências genéticas, por exemplo as síndromes geneticamente determinadas. Pré-natais: Causadas por influência nocivas sobre o embrião durante o desenvolvimento, por exemplo: a mãe adquirir rubéola; citomegavírus; toxoplasmose; sífilis; sofrer radiação; apresentar anemia severa; distúrbios metabólicos durante a gestação. Peri-natais: Causadas por influências que podem ocorrer no momento do nascimento, algumas horas, ou até nos primeiro dias de vida, por exemplo: falta de oxigenação no cérebro (anóxia), hipóxia, prematuridade, baixo peso, traumas de parto, Kerniktures (depósito de bilirubina no sistema nervoso central e eristroblastose fetal (incompatibilidade do fator RH). Na surdez adquirida encontram-se aqueles que nascem com a audição normal, mas por algum fator patológico ou acidental perdem a audição. Encontramos diversos fatores como: infecção viral, lesões e toxicidade farmacológica. Podemos citar alguns exemplos Otites: Infecções na orelha média ou externa; Ototoxidade: Uso prolongado de antibióticos: neomicina gentamicina, estreoptomicina, e também uso prolongado de diurético analgésicos e antipirético. Pair ou Pairo: Perda auditiva induzida pelo ruído (ocupacional), como nos casos de indivíduos que trabalham como motoristas e que trabalham em indústrias. Trauma Acústico: Pancada na região da orelha, estouro de uma bomba ou tiro próximo ao ouvido. Paralisia Facial: Doenças viróticas: caxumba, sarampo, catapora. A deficiência auditiva pode ser prevenida das seguintes formas: · vacinação contra rubéola durante a gestação; · vacinação das crianças contra sarampo, meningite, caxumba etc.; · não fazer uso de medicamentos e nem medicar crianças sem prescrição médica; · gestantes realizarem o pré-natal; · gestante não ficar exposta a raios-X; · evitar que crianças insiram objetos no ouvido etc. Libras é linguagem ou língua? LINGUAGEM Brasileira de Sinais ou LÍNGUA Brasileira de Sinais? Conforme a LEI Nº 10.436, de 24 de abril de 2002, a segunda opção é a correta: Art. 1º É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados. E por quê? Linguagem diz respeito à capacidade ou faculdade de exercer a comunicação. E pode ser recebida através de qualquer órgão dos sentidos. Pode-se usar linguagem visual, auditiva, tátil, etc. Língua (ou Idioma) refere-se a um conjunto de palavras e expressões usadas por um povo, por uma nação, munido de regras próprias: Ex.: Língua Portuguesa, Língua Inglesa, etc. LIBRAS, portanto, é uma língua, pois possui as mesmas propriedades características de qualquer outro idioma, como: regras de gramática e sintaxe. Linguagem é a capacidade que os seres humanos têm para produzir, desenvolver e compreender a língua e outras manifestações, como a pintura, a música e a dança. Língua ⮑é um conjunto organizado de elementos (sons e gestos) que possibilitam a comunicação. Ela surge em sociedade, e todos os grupos humanos desenvolvem sistemas com esse fim. As línguas podem se manifestar de forma oral ou gestual, como a Língua Brasileira de Sinais (Libras). ⮑é o tipo de código formado por palavras e leis combinatórias por meio do qual as pessoas se comunicam e interagem entre si. Espaço de Sinalização A figura abaixo mostra os limites do espaço de sinalização. Importante que se perceba que há uma área específica onde os sinais podem ser realizados, ou seja, não podemos fazer um sinal esticando demais os braços e o corpo para frente ou para baixo chegando aos pés, e nem para os lados. AMANHÃ HOJE ONTEM DIAS DA SEMANA DOMINGO SEGUNDA-FEIRA TERÇA-FEIRA QUARTA-FEIRA QUINTA-FEIRA MESES ANO (Desenhos de Telasco Pereira) SAUDAÇÕES Para todas as situações há formas de expressões diferenciadas mais formais e informais. Por exemplo, o cumprimento e saudações de duas pessoas que são amigas são diferentes do de pessoas que são apenas conhecidas e diferentes ainda de pessoas que estão sendo apresentadas pela primeira vez. O surdo ao cumprimentar um outro surdo, normalmente usa uma expressão corporal(dar as mãos, beijar, abraçar). SISTEMA PRONOMINAL · Segunda pessoa (singular, dual, trial, quatrial e plural): VOCÊ, VOCÊ-2, VOCÊ-3, VOCÊ-4, VOCÊ-GRUPO, VOCÊS/VOCÊS-TOD@S; · Segunda Pessoa do Singular: VOCÊ Apontar para o interlocutor ( a pessoa com quem se fala ) 🖙PRONOMES DEMONSTRATIVOS E ADVÉRBIOS DE LUGAR Na Libras os pronomes demonstrativos e os advérbios de lugar têm o mesmo sinal, somente o contexto os diferencia pelo sentido da frase acompanhada de expressão facial. Este tipo de pronome e de advérbio estão relacionados às pessoas do discurso e representam, na perspectiva do emissor, o que está bem próximo, perto e distante. Sendo que estes pronomes ou advérbios têm a mesma configuração de mãos dos pronomes pessoais (mão em d), mas os pontos de articulação e as orientações do olhar são diferentes. 🖙PRONOMES POSSESSIVOS PRONOMES INTERROGATIVOS a) QUE, QUEM, ONDE b) QUAL, COMO, PARA-QUÊ, POR-QUÊ e POR QUÊ? · PRONOMES INDEFINIDOS NUMERAIS Vejamos os numerais: a) cardinais: Usado como código representativo. Exemplo: número do telefone, da casa, da conta do banco, etc. b) cardinais quantitativos: usados para quantidades, também são sinalizados sem a utilização de movimento, mas há diferença na configuraçãode mão e no posicionamento dos números de 1 a 4: Exemplo: quantidades de borracha, quantidades de alunos na sala de aula, etc. c) ordinais: do primeiro até o nono têm a mesma forma dos cardinais, mas os ordinais possuem movimento, enquanto os cardinais não possuem. Os ordinais do 1º ao 4º têm movimentos para cima e para baixo e os ordinais, do 5º até o 9º, têm movimentos para os lados. A partir do numeral dez não há diferenças. Pronomes indefinidos e quantificadores: FAMÍLIA ICONICIDADE E ARBITRARIEDADE NA LIBRAS SINAIS ICÔNICOS A modalidade gestual-visual-espacial pela qual a LIBRAS é produzida e percebida pelos surdos leva, muitas vezes, as pessoas a pensarem que todos os sinais são o “desenho” no ar do referente que representam. É claro que, por decorrência de sua natureza linguística, a realização de um sinal pode ser motivada pelas características do dado da realidade a que se refere, mas isso não é uma regra. A grande maioria dos sinais da LIBRAS são arbitrários, não mantendo relação de semelhança alguma com seu referente. A ARBITRARIEDADE NA LIBRAS Na visão saussuriana, uma unidade linguística, chamada também de signo, é formada de duas partes: um conceito, que ele chamará de “significado”, e uma imagem acústica, que será denominada de “significante”. Além disso, para o linguista, a relação entre essas duas partes é arbitrária. ESTRUTURA GRAMATICAL DA LIBRAS A Língua Brasileira de Sinais - Libras é uma língua de modalidade gestual-visual: possui uma estrutura linguística semelhante a das diversas línguas de modalidade oral auditiva; Como todas as línguas orais-auditivas possui uma gramática própria, definida pelos sistemas: A) FONOLÓGICO (Línguas Orais-Auditivas) ou QUIROLÓGICO (Línguas de Sinais - arte de conversar por meio de sinais feitos com as mãos.) B) MORFOLÓGICO ►PALAVRA/SINAL OU ITEM LEXICAL C) SINTÁTICO ►FRASE D) SEMÂNTICO ►SIGNIFICADO E) PRAGMÁTICO ► USO DO SIGNIFICADO–SENTIDO EXPRESSÕES NÃO MANUAIS DA LIBRAS Há sinais somente com a bochecha. Ex.: ATO SEXUAL, LADRÃO/ROUBAR UMUNIDADE E CULTURA SURDA DO BRASIL As comunidades surdas estão espalhadas pelo país, e como o Brasil é muito grande e diversificado, estas comunidades possuem diferenças regionais em relação a hábitos alimentares, vestuários e situação socioeconômica, entre outras. Estes fatores geraram também algumas variações linguísticas regionais. As escolas são fatores de integração ou desintegração das comunidades surdas, e dependendo da proposta adotada, se uma escola rejeita a Libras e quer transformar a criança surda em ouvinte deficiente, esta criança não vai conhecer sua comunidade e não aprenderá a língua de sinais. As escolas de surdos, mesmo ainda sem uma proposta bilíngue, propiciam o encontro do surdo com outro surdo, favorecendo que as crianças, adolescentes e jovens possam adquirir e usar a Libras. Em muitas escolas de surdos há vários professores que já sabem ou estão aprendendo com “professores surdos” a língua de sinais, além de oferecer cursos também para os pais destas crianças. Por outro lado, algumas escolas trabalham ainda somente com uma metodologia oralista, e as crianças surdas não tem contato com outros surdos ou desenvolvem um dialeto local em sinais, conhecido também como sinais caseiros. Assim que encontram um outro surdo ou um grupo de pessoas surdas, começam a ter acesso a uma língua de sinais. Devido à tradição oralista, há surdos que só querem falar, usando sempre o português, como também, muitos surdos que usam um bimodalismo, ou seja, falam português enquanto sinalizam, como os ouvintes quando começam a aprender alguma língua de sinais. Cultura surda é o jeito de o sujeito surdo entender o mundo e de modificá-lo a fim de se torná-lo acessível e habitável ajustando-os com as suas percepções visuais, que contribuem para a definição das identidades surdas e das “almas” das comunidades surdas. Isto significa que abrange a língua, as ideias, as crenças, os costumes e os hábitos de povo surdo. Então entendermos que a comunidade surda de fato não é só de sujeitos surdos, há também sujeitos ouvintes – membros de família, intérpretes, professores, amigos e outros – que participam em compartilham os mesmos interesses em comuns em uma determinada localização. Fonte: STROBEL, Karin. As imagens do outro sobre a cultura surda. Florianópolis. Editora UFSC. 2008. (p.31) A Fita Azul Tornou-se parte da cultura surda usar uma fita azul. Sentimento azul? Celebrem! Com todas as fitas, alfinetes, pulseiras e Camisetas. - Uma conhecida fita azul representa um motivo: ela engloba uma história, uma cultura, uma língua, um povo. - A fita azul representa a opressão enfrentada pelas pessoas surdas ao longo da história. - Hoje em dia ela representa as suas silenciosas vozes em um mar de línguas faladas. · A fita azul foi introduzida em Brisbane, na Austrália, em julho de 1999, no Congresso Mundial da Federação Mundial de Surdos. Durante o evento foi feita a sensibilização da luta dos Surdos e suas famílias ouvintes, através dos tempos. - A cor azul foi escolhida para representar "O Orgulho Surdo", para homenagear todos os que morreram depois de serem classificados como "surdo" durante o reinado da Alemanha nazista. -Ao recordarmos a opressão dos Surdos no passado e hoje, está se tornando claro para um número maior de pessoas que os Surdos podem fazer qualquer coisa, exceto ouvir. - Aqueles que usam a fita azul têm orgulho em mostrar um pouco de sua própria cultura: A Cultura surda. Surdez não é uma deficiência, mas uma cultura. Outra orgulhosa conquista feita pelo povo surdo é a comemoração de seu dia, o “Dia do Surdo”. Esta data é comemorada em muitos países, na maioria no mês de setembro com variação de dias. Aqui no Brasil comemoramos o Dia do Surdo em 26 de setembro, porque nesta data foi um marco histórico importante – foi fundada a primeira escola de surdos no Brasil. Nesta data o povo surdo comemora com muito orgulho tendo sua cidadania reconhecida sem precisar se esconder embaixo de braços de sujeitos ouvintistas, assim como reforça a Maura (2000, p.11): O dia do Surdo tem um significado simbólico muito importante. Ele representa o reconhecimento de todo um movimento que teve inicio há poucos anos no Brasil quando o Surdo passou a lutar pelo direito de ter sua língua e sua cultura reconhecidas como uma língua e uma cultura de um grupo minoritário e não de um grupo de “deficientes”. Fonte: STROBEL, Karin. As imagens do outro sobre a cultura surda. Florianópolis. Editora UFSC. TIPOS DE FRASES As línguas de sinais utilizam as expressões faciais e corporais para estabelecer tipos de frases, como as entonações na língua portuguesa, por isso para perceber se uma frase em Libras está na forma afirmativa, exclamativa, interrogativa, negativa ou imperativa, precisa-se estar atento às expressões faciais e corporal que são feitas simultaneamente com certos sinais ou com toda a frase, exemplos: 🖙FORMA AFIRMATIVA: a expressão é neutra. NOME ME@ T-I-N-A. EL@ PROFESSOR. 🖙FORMA NEGATIVA: a negação pode ser feita através de três processos: a) com acréscimo do sinal NÃO à frase afirmativa: BOLSA FEI@ COMPRAR NÃO. EU OUVIR NÃO. b) com a incorporação de um movimento contrário ao sinal negado: negação GOSTAR-NÃO CARNE, PREFERIR FRANGO, PEIXE. c) com um aceno de cabeça que pode ser feito simultaneamente com a ação que está sendo negada ou juntamente com os processos acima. não EU BRINCAR PODER 🖙FORMA EXCLAMATIVA: sobrancelhas levantadas e um ligeiro movimento da cabeça inclinando-se para cima e para baixo. Pode ainda vir também com um intensificador representado pela boca fechada com um movimento para baixo. EU VIAJAR BARREIRINHAS, BOM! BONIT@ LÁ! CONHECER MUITO SURDO INTELIGENTE! ADVERBIO DE TEMPO Na Libras não há marca de tempo nas formas verbais, é como se os verbos ficassem na frase quase sempre no infinitivo. O tempo é marcado sintaticamente através de advérbios de tempo que indicam se a ação está ocorrendo no presente: HOJE, AGORA; ocorreu no passado: ONTEM, ANTEONTEM; ou iráocorrer no futuro: AMANHÃ. Por isso os advérbios geralmente vêm no começo da frase, mas podem ser usados também no final. Quando não há, na frase, um adverbio de tempo específico, geralmente a frase no presente não é marcada, ou seja, não há nenhuma especificação temporal; já para a frase no passado, pode-se utilizar o sinal PASSADO ou o sinal JÁ, e para o futuro, pode-se utilizar o sinal FUTURO: 🖙nenhuma marca – traz a ideia de tempo presente; 🖙PASSADO – traz a ideia de ação/evento que foi realizado; 🖙FUTURO – traz a ideia de ação/evento que será realizado Estações do ano A Libras no contexto da Legislação Educacional O que são Leis? Aparatos jurídicos cuja função é orientar a coletividade e evitar as atitudes individuais, o que representaria uma ameaça ao convívio entre as pessoas. As leis controlam e regulam a vida em sociedade. São instrumentos passíveis de alterações, moldadas conforme o contexto econômico, político e social. ACESSIBILIDADE Lei Federal 10.098/00 Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Decreto Federal 5.296/04 Regulamenta as Leis nº 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que específica, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Lei Federal 10.436/02 Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências. Decreto Federal 5.626/05 Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Projeto de Lei do Senado nº 06/03 Estatuto da Pessoa com Deficiência Portaria MEC Nº 976/06 Dispõe sobre os critérios de acessibilidade aos eventos do Ministério da Educação e os demais que por ele é apoiado, conforme Decreto 5296/04. Aviso Nº 675 – GM / MEC – 2007 Adequação do Cargo de Tradutor e Intérprete de Libras ao Plano de Carreira dos Cargos Técnicos em Educação. Lei Estadual Nº 8.564 de 11 de janeiro de 2007 Estabelece normas de uso e difusão de Libras para o acesso das pessoas surdas e com deficiência auditiva à Educação no Sistema Estadual de Ensino no Maranhão. Lei Nº 4.625 de 14 de julho de 2006 Institui o programa de saúde auditiva para crianças no município de São Luís, com o objetivo de desenvolver ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde auditiva das crianças no Município. Em Libras para se representar os valores monetários de um até nove reais, usa-se o sinal do numeral correspondente ao valor, incorporando a este o sinal VÍRGULA. Por isso o numeral para valor monetário terá pequenos movimentos rotativos. Pode ser usado também para estes valores acima os sinais dos numerais correspondentes seguido dos sinais soletrados R-L "real" ou R "real/reais". CONDIÇÕES CLIMÁTICAS Tipos de verbo Verbos simples ou sem concordância: São verbos que, independente da construção frasal, o sinal nunca varia, permanece sempre igual, ou seja, mesma configuração de mão, mesma locação e mesmo movimento ainda que seja para referir-se a outras pessoas. Este tipo de verbo pode ser ancorado ao corpo ou produzido no espaço neutro. O verbo “BRINCAR” é um exemplo de verbo simples produzido no espaço neutro. EU BRINCAR ― “Eu brinco”; EL@ BRINCAR ― “Ela brinca”; NÓS BRINCAR ― “Nós brincamos”. Verbos com concordância ou direcionais: São verbos que apresentam a possibilidades de direção de acordo com as pessoas do discurso. AVISAR, por exemplo, é um verbo com concordância, visto que o sinal parte da pessoa que dá o aviso em direção à pessoa que recebe o aviso. Exemplo: EU AVISAR - “Eu aviso você”. AVISAR EU – “Você me avisa”. EL@ AVISAR AMIG@. “Ela avisa à amiga”. O verbo IR e suas variações Na Libras, o verbo "IR" possui uma forma neutra, como a maioria dos verbos da Libras, mas possui também formas que marcam flexões pessoais que podem ser empréstimos da forma verbal em português, representadas através de sinais soletrados ou do uso do parâmetro - direcionalidade para: Adjetivos na Libras Os adjetivos são sinais que formam uma classe específica na Libras e sempre estão na forma neutra, não havendo, portanto, nem marca para gênero (masculino e feminino), nem para número (singular e plural). Muitos adjetivos, por serem descritivos, apresentam iconicamente uma qualidade do objeto, desenhando-a no ar ou mostrando-a a partir do objeto ou do corpo do emissor. Em português, quando uma pessoa se refere a um objeto como sendo arredondado, quadrado, listrado, entre outros, está também descrevendo mas, na Libras, esse processo é mais "transparente" porque o formato ou textura são traçados no espaço ou no corpo do emissor, em uma tridimensionalidade permitida pela modalidade da língua. Em relação à colocação dos adjetivos na frase, eles geralmente vêm após o substantivo que qualifica. Seguem, abaixo, alguns exemplos de adjetivos na Libras: Comparativo de igualdade, superioridade e inferioridade Em Libras, também, pode ser comparada uma qualidade ou uma ação a partir de três situações: superioridade, inferioridade e igualdade. Para expressões comparativas de superioridade e inferioridade, usa-se os sinais MAIS e MENOS antes do adjetivo comparado, seguido da conjunção comparativa DO-QUE, ou seja: •comparativo de superioridade: X MAIS ---ADJ.--- DO-QUE Y; •comparativo de inferioridade: X MENOS ---ADJ.--- DO-QUE Y. Para ações, as expressões comparativas vêm após o verbo, ou seja: •comparativo de superioridade: X VERBO MAIS DO-QUE Y; •comparativo de inferioridade: X VERBO MENOS DO-QUE Y; Essa expressão comparativa "do que" tem flexão para as pessoas do discurso e, por isso, a orientação para aonde o sinal aponta indicará a segunda pessoa/objeto/animal comparados. Para o comparativo de igualdade, podem ser usados dois sinais: IGUAL (dedos indicadores e médios das duas mãos roçando um no outro) e IGUAL (duas mãos em B, viradas para frente encostadas lado a lado), geralmente no final da frase. Exemplos: (1) VOCÊ MAIS VELH@ DO-QUE EL@ (2) VOCÊ MENOS VELH@ DO-QUE EL@ (3) VOCÊ-2 BONIT@ IGUAL (me) IGUAL (md) (4) VOCÊ COMER MAIS 2SDO-QUE1S EU (5) ELE FUMAR MENOS 3SDO-QUE2S VOCÊ GRAU COMPARATIVO Advérbios de tempo (frequência) Transporte: