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Classificação das Sentenças quanto ao Mérito: 485 e 487 
 a) Quanto à resolução do mérito: 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
I - indeferir a petição inicial; 
Trata-se do não preenchimento dos requisitos da petição inicial. Se o vício é sanável, antes 
de extinguir o juiz manda emendar em 15 dias. Se o vício é insanável, extingue o processo, 
mas deve dar à parte o direito de se manifestar. Na sentença de indeferimento da inicial o 
juiz nem sequer determinou a citação do réu. 
 Obs.: O juiz pode indeferir a petição inicial em razão de prescrição e decadência, mas nestes 
casos a extinção é com resolução do mérito. 
II - o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes; 
A hipótese é rara, pois devido ao princípio do impulso oficial, dificilmente o juiz deixará o 
processo parado por mais de 1 ano. É necessário que o processo não possa seguir, que 
exista omissão da prática de um ato indispensável e que o autor, conforme o §1º, seja 
intimado a dar andamento ao feito em 5 dias sob pena de extinção (vide §2º deste artigo 
quanto às custas). 
III - por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a causa 
por mais de 30 (trinta) dias; 
É necessário que o processo não possa seguir, que exista omissão da prática de um ato 
indispensável pelo autor e, conforme §1º, que ele seja intimado pessoalmente a dar 
andamento ao feito em 5 dias sob pena de extinção (vide §2º deste artigo quanto às custas). 
Nos termos da súmula 240 do STJ, o processo não será extinto nestes termos sem que tenha 
havido prévio requerimento do réu. Neste sentido, o §6º do artigo no novo CPC: “Oferecida 
a contestação, a extinção do processo por abandono da causa pelo autor depende de 
requerimento do réu”. 
IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e 
regular do processo; 
Há pressupostos processuais cuja ausência é insanável e levará irremediavelmente à 
extinção do processo. Por exemplo, capacidade para ser parte. Se a inicial for recebida e, 
após citação do réu, se verificar que ela estava irregular, entende-se que deixou de haver 
pressuposto processual de desenvolvimento válido do processo, aplicando-se este inciso. 
Por vezes, a ausência de um pressuposto gerará nulidade não extinção do processo. Por 
exemplo, juízo competente (declara-se nulidade e remete-se ao juízo competente). A falta 
de um pressuposto processual é matéria de ordem pública, devendo ser declarada de ofício 
pelo juiz a qualquer tempo e grau de jurisdição, salvo em sede de recurso especial e 
extraordinário. 
V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; 
Abrange o inciso anterior, pois são todos pressupostos processuais negativos. Perempção é 
quando por 3 vezes o juiz extingue a causa do autor por abandono, não se permitindo 
ajuizar uma quarta vez (perda do direito de ação). 
VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; 
Estas matérias não se sujeitam à preclusão. Alterada a redação, excluindo-se a possibilidade 
jurídica do pedido, conforme doutrina mais moderna sobre as condições da ação. 
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo 
arbitral reconhecer sua competência; 
Se já foi resolvido em arbitragem, não pode ser resolvido pelo Estado. O STF ainda discute a 
constitucionalidade desta hipótese. 
VIII - homologar a desistência da ação; 
A desistência pode ser proferida a qualquer momento, desde que não proferida a sentença 
de mérito. Desistência não é o mesmo que renúncia porque possui caráter processual, não 
material. 
O réu não pode se opor à desistência de maneira injustificada, deve fundamentar sua 
oposição. 
 IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição 
legal; e; 
Certas ações possuem cunho personalíssimo, como separação e divórcio, anulação de 
casamento, interdição. 
X - nos demais casos prescritos neste Código. 
Art. 486. O pronunciamento judicial que não resolve o mérito não obsta a que a parte 
proponha de novo a ação. 
§ 1º No caso de extinção em razão de litispendência e nos casos dos incisos I, IV, VI e 
VII do art. 485 , a propositura da nova ação depende da correção do vício que levou à 
sentença sem resolução do mérito. 
§ 2º A petição inicial, todavia, não será despachada sem a prova do pagamento ou do 
depósito das custas e dos honorários de advogado. 
§ 3º Se o autor der causa, por 3 (três) vezes, a sentença fundada em abandono da 
causa, não poderá propor nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficando-lhe 
ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito. 
Nota-se que a principal diferença entre a extinção sem julgamento do mérito em relação à 
extinção com julgamento do mérito é que nada obsta que a ação seja proposta novamente.. 
Afinal, as decisões são terminativas, apenas encerram aquele processo, não colocam fim ao 
litígio que surgiu entre as partes. A única exceção é o inciso V, pois uma vez que ocorrer 
perempção, litispendência ou coisa julgada torna-se impossível sanar o vício. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art485i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art485i
Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: 
I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção; 
Somente esta é a verdadeira sentença de mérito, na qual o pedido é apreciado. Trata-se da 
sentença de mérito típica. 
II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou 
prescrição; 
A rigor seria meramente terminativa, mas como jamais deixará de decair ou de estar prescrita, 
faz sentido ser com resolução do mérito. Podem ser alegadas em qualquer tempo ou grau de 
jurisdição. 
III - homologar: 
a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na reconvenção; 
b) a transação; 
É o acordo celebrado entre as partes, mesmo que extrajudicial. Não pode haver desistência 
unilateral, no máximo, arrependimento bilateral (distrato, que nada mais é que outra 
transação). Dispensa-se a participação de advogados. 
c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção. 
A renúncia unilateral, diferente da desistência, atinge o próprio direito material em discussão. 
Dispensa a anuência da outra parte. 
Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do § 1º do art. 332 , a prescrição e a decadência 
não serão reconhecidas sem que antes seja dada às partes oportunidade de manifestar-se. 
 Art. 488. Desde que possível, o juiz resolverá o mérito sempre que a decisão for 
favorável à parte a quem aproveitaria eventual pronunciamento nos termos do art. 485 . 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art332%C2%A71
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art485

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