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O Problema da Escala - Iná Elias

Texto acadêmico sobre O Problema da Escala, de Iná Elias de Castro: analisa a escala além da analogia cartográfica, em três partes — escala na geografia, problema metodológico e escala como estratégia de representação — debatendo autores como Lacoste, Grataloup, Racine, Raffestin, Ruffy, Isnard e Reymond.

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O Problema da Escala. Iná Elias de Castro
A autora propõe analisar e discutir a respeito do conceito de escala por um viés que ultrapasse os limites da analogia geográfica-cartográfica e que vise a possibilidade de novos níveis de abstração e objetivação.
A autora (CASTRO, 1995) divide a discussão da problemática da escala em três partes: a primeira analisa o problema da escala a partir da própria geografia; a segunda apresenta a escala como um problema metodológico; e a terceira, que é conclusiva, visa discutir a escala como estratégia de apreensão da realidade como representação.
Na primeira parte do texto O problema da escala na geografia, Iná Elias de Castro discute sobre a abordagem dos fenômenos espaciais na escala, onde ressalta que quando se observa estes fenômenos por uma visão analógica entre as escalas geográfica e cartográfica, a conceitualização tende a ser dificultada, pois a escala cartográfica parte de um raciocínio matemático. Este, vem a resultar em uma confusão entre os raciocínios espacial e matemático, bem como a autora cita BRUNET (1992) ao falar que toma-se o mapa pelo território.
Dentro da Geografia, o problema epistemológico e metodológico da escala vem sendo debatido frequentemente entre os geógrafos, embora em número menor do que o esperado, visto que é de grande importância para a compreensão das questões com as quais os estudiosos da organização espacial se deparam, destaca a autora. Nessa problemática da escala na geografia, Iná cita alguns autores para à devida discussão.
LACOSTE (1976) é um dos autores citados pela professora. A proposta de Lacoste é observar os fenômenos a partir da perspectiva dos níveis de análise, em que a visibilidade dos fenômenos depende da escala cartográfica de representação adequada. Segundo Iná Elias de Castro, embora o autor ressalte que a escala é um dos problemas epistemológicos primordiais na geografia, a proposta de Lacoste limita o conceito de escala às medidas de representação cartográfica. A professora discorda de Lacoste ao falar que “a escala é, na realidade, a medida que confere visibilidade ao fenômeno. Ela não define, portanto, o nível de análise, nem pode ser confundida com ele [...]” (p. 123), sendo assim, a proposta do autor foi importante para à discussão do problema da escala, porém não soluciona-o.
GRATALOUP (1979) é outro autor levantado pela autora para o debate. Este autor investiga o espaço social e considera-o uma hierarquia de níveis, em sua análise, o autor contrapõe uma “escala lógica” à escala espacial. Para libertar a noção de escala da cartografia o autor vai argumentar que o mapa não é estrito à geografia e que a disciplina não se reduz ao estudo das localizações. Grataloup ao definir a escala geográfica como uma hierarquia de níveis de análise do espaço social que pode ser concebido como um encaixamento de estruturas, esclarecendo, porém, que nem toda área é uma estrutura, abre espaço para uma problemática, pois essa afirmação permitiu-lhe atestar que áreas homogêneas não constituem um nível de análise. Ou seja, ele apontou uma contradição mas não a solucionou, entretanto, serviu para sacudir o uso acomodado de determinados termos.
Para RACINE, RAFFESTIN e RUFFY (1983) o problema da analogia entre as escalas cartográfica e geográfica existe porque a geografia não dispõe de um conceito próprio de escala, adotando desta maneira o conceito cartográfico. A professora (CASTRO, 1995) acredita que os autores ao demonstrar que a escala é um “processo de esquecimento coerente”, eles acrescentam uma noção fundamental sobre a escala enquanto mediadora entre intenção e ação, entretanto, quando os autores se propõem a ir além nesta reflexão associando o conceito de escala ao conceito de dimensão de um fenômeno, aprisionam o fenômeno à medida, resolvendo assim o problema fenomenal no dimensional.
Em se tratando das questões metodológicas da geografia, ISNARD, RACINE, e REYMOND (1981) retomam a ideia de mediação entre intenção e ação, como componente de poder no domínio da escala, e segundo Iná Elias de Castro, vão além dos autores anteriores quando destacam a sua importância para a compreensão dos papéis desempenhados pelos diferentes agentes de produção do espaço. CASTRO (1995) ressalta que a colaboração desses autores foi de grande importância ao trazer para à agenda geográfica as diferentes escalas de possibilidades de consequências no processo decisório. Segundo a professora Iná, os autores não esgotam a discussão sobre um conceito operatório de escala, mas levantam questionamentos e preocupações conceituais e metodológicas mais consistentes sobre o tema.
Na segunda parte do texto A escala como problema epistemológico, antes de iniciar à discussão, a autora (CASTRO, 1995) comenta que é necessário ultrapassar a ideia de que escala estringe-se à projeção gráfica e que deve-se pensar a escala como uma aproximação do real, com todas as dificuldades que esta proposição contém.
Iná Elias de Castro frisa que é cada vez mais evidente que a escala não é apenas um problema dimensional, mas também, fenomenal; ela deixa claro que a escala é um problema colocado para o pensamento científico moderno. Além da geografia, a reflexão sobre o problema da escala também foi discutido na filosofia (com Merleau-Ponty) e na arquitetura.
CASTRO (1995) destaca nessa parte do texto, que a escala possui quatro campos fundadores: o referente, a percepção, a concepção e a representação. A findar a discussão da escala como problema epistemológico, a autora propõe algumas conceituações sobre o que seria a escala, dentre elas o seguinte conceito: “As escalas, portanto, definem modelos espaciais de totalidades sucessivas e classificadoras e não uma progressão linear de medidas de aproximação sucessivas.” (p.136).
Na terceira parte do texto A escala como estratégia de apreensão da realidade como representação, Iná Elias de Castro salienta que o título desta parte do texto insere duas complicações, sendo a primeira, o fato de ter que colocar a cartografia no seu devido lugar, e a segunda, é o desafio de trabalhar empiricamente com um conceito de escala liberto da analogia cartográfica, embora não abandonando a cartografia como um instrumento de análise espacial.
A autora (CASTRO, 1995) acentua que os autores HARVEY (1973) e DAVIDOVICH (1978) trazem contribuições significativas para a problemática operacional da escala na geografia, pois, libertam um ponto de vista fortemente cartográfico e observam a urbanização como um fenômeno social complexo, onde as escalas de observação/concepção mudam o conteúdo e o sentido de acordo com o próprio fenômeno, ou seja, quando o tamanho muda, as coisas mudam. Outro autor apontado para essa discussão é LEPETIT (1990). Para Iná Elias de Castro, essa é uma problemática essencial na geografia.
CASTRO (1995) conclui sua obra O problema da escala afirmando que no campo de pesquisa da geografia não há recortes territoriais sem significado explicativo, ressalta também, que a recente reinvenção do lugar na geografia e a sempre atual discussão sobre a região “nos obriga a refletir sobre a adequação permanente de nossa estrutura conceitual às possibilidades heurísticas de todas as escalas”

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