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Neo-Realismo em Portugal: poesia e prosa Corrente artística do século XX, com caráter ideológico marcadamente de contestação. Manifestações em várias formas de arte, mas atingiu seu expoente máximo no cinema. Corrente literária de influência italiana que anexou alguns componentes da literatura brasileira, nomeadamente a da denúncia das injustiças sociais do romance nordestino da década de 30. Quer na poesia, quer na prosa, o neo-realismo assume uma dimensão de intervenção social, firmada pelo pós-guerra e pela sedução dos sistemas socialistas que o clima português de ditadura mitifica. Sua matriz poética concentra-se no grupo do Novo Cancioneiro, coleção de poesia, com Sidónio Muralha, João José Cochofel, Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, Mário Dionísio, Fernando Namora e outros. No romance, Soeiro Pereira Gomes, com Esteiros, e Alves Redol, com Gaibéus, de 1940, inauguraram, na ficção, uma obra extensa e representativa, que também muitos dos outros poetas mencionados (sobretudo os quatro primeiros) contribuíram para enriquecer. O romance neo-realista reativa os mecanismos da representação narrativa, inspirando-se das categorias marxistas de consciência de classe e de luta de classes, fundando-se nos conflitos sociais que põem sobretudo em cena camponeses, operários, patrões e senhores da terra, mas os melhores dos seus textos analisam de forma aguda as facetas diversas dessas várias entidades, o que se pode verificar, nomeadamente, em Uma Abelha na Chuva, de Carlos de Oliveira, Seara de Vento, de Manuel da Fonseca, O Dia Cinzento, de Mário Dionísio e Domingo à Tarde, de Fernando Namora. Na confluência com o existencialismo e com certas componentes da modernidade, é necessário salientar as obras mais tardias de José Cardoso Pires, O Anjo Ancorado e O Hóspede de Job, de Urbano Tavares Rodrigues, Bastardos do Sol, de Alexandre Pinheiro Torres, A Nau de Quixibá, ou de Orlando da Costa, Podem Chamar-me Eurídice. Para entender com segurança a atividade de contestação social e política que marca o neorrealismo é preciso conhecer as determinações históricas subjacentes ao movimento. Contexto histórico português: a partir de 1926 engloba a ditadura salarazista e vai até 1974 quando ocorre a Revolução dos Cravos, que liberta o país da opressão. O Neorrealismo se posiciona contra o regime político e propõe uma literatura comprometida com os interesses sociais. É por essa atitude original, de defesa dos oprimidos e de denúncia da exploração das massas que o movimento se coloca como um neo, um novo realismo. Características gerais Literatura "engajada", antifascista, de denúncia social. Busca a conscientização do leitor, a realidade social e a miséria moral. Tensão dialética: literatura ativa - instrumento de transformação social. Reação contra a "alienação" e o evasionismo da Geração Presença. Negação da "arte pela arte", privilegiando o conteúdo e a função social da arte. Simplificando da expressão artística, aproximações com a técnica jornalística e com a linguagem cinematográfica, visando à comunicação com o grande público. Em seu limite inferior, o Neo-Realismo resvala no panfletário, na literatura "de comício", desvitalizando o propósito de denúncia pela dissociação entre o conteúdo e a forma artística. Influências Norte-Americanas (Steinbeck, Hemingway e John dos Passos), francesas (o Existencialismo e o "novo romance") e brasileiras (José Lins, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo e Jorge Amado). Na literatura, resgatou valores do realismo e do naturalismo do fim do século XIX, com forte influência do modernismo, marxismo e da psicanálise freudiana. O determinismo social e psicológico do naturalismo é mantido, assim como a analogia entre o homem e o bicho, a busca pela objetividade e neutralidade como formas de dar credibilidade à narração. Entretanto, se no naturalismo as mazelas da sociedade eram expostas pelos romancistas com algum pessimismo, sem perspectiva de solução a não ser o resgate ao passado, os escritores neorrealistas são sobretudo ativistas políticos e tomam posição na luta de classes, denunciando as desigualdades sociais e os desmandos das elites. A ficção neorrealista e pós-modernista sofre as influências do Modernismo, especialmente a liberdade linguística e o intimismo. Esses elementos se tornarão mais fortes num segundo momento do neorrealismo, culminando na prosa existencialista do meio do século XX. Em uma primeira fase do neorrealismo português há preocupação em se fazer uma literatura referencial que denunciasse injustiças sociais e econômicas que abatiam a classe operária portuguesa. Enfrentou a ditadura de António Oliveira Salazar. A segunda fase é pós Segunda Guerra Mundial. O Neo-Realismo contribuiu para um conhecimento aprofundado das realidades sócio-econômicas portuguesas e para a sua divulgação junto ao público do romance. O Novo realismo se coloca diferente em relação ao Realismo do Século XIX porque se baseia na concepção marxista da arte e de sociedade. As raízes ideológicas e as preferências temáticas entre o Realismo de Eça de Queirós e o novo Realismo são distintas. Os autores posicionam-se abertamente contra a pobreza do país, contra o atraso, contra a exploração do trabalhador, contra a situação fundiária da nação portuguesa, caracterizada pela concentração da propriedade e da renda. Por isso, os teóricos do movimento elaboram uma proposta de arte como engajamento social do escritor. A literatura é concebida como uma arma contra as injustiças sociais. Arte engajada, literatura engajada refere-se ao compromisso do artista com as causas sociais. O escritor neorrealista posiciona-se contra a ditadura fascista e escreve para denunciar, elucidar e conscientizar a sociedade. Pela primeira vez na história da literatura portuguesa a arte passa a ter um objetivo político bem específico, ligado a uma concepção de literatura segundo a qual ela seria capaz de transformar as estruturas sociais. O movimento é ideologicamente contrário à concepção de arte-pela-arte e propõe a sintonia da obra com os problemas sociais, políticos e econômicos do momento histórico. É o resgate da dimensão ideológica da literatura, concebida agora como uma forma de consciência social, capaz de intervir e alterar o rumo dos fatos históricos. Os temas mais frequentes são aqueles ligados à situação do homem do campo, ao proletariado, ao conflito social, à alienação, à opressão social. Por tudo isso, por sua especificidade como movimento literário de intervenção social, o neorrealismo é contra a literatura intimista e a favor do homem social, concreto. Atuação de jornais e revistas através dos quais divulgam-se as manifestações antipresencistas. Predomínio do gênero romance. A produção poética neorrealista é pequena e não chega a constituir um corpus de poesia social. PRINCIPAIS REPRESENTANTES DO MOVIMENTO NEORREALISTA EM PORTUGAL FERREIRA DE CASTRO José Maria Ferreira de Castro nasceu em Salgueiros, Portugal, mas aos oito anos vem para o Brasil indo residir na cidade de Belém do Pará. Vai trabalhar em um seringal em plena selva amazônica de onde extrai a matéria ficcional para seu romance A Selva (1930), um dos mais conceituados. Mas é com o romance Emigrantes (1928), que Ferreira de Castro adquire prestígio. Escreveu também Eternidade (1933), Terra fria (1934), A tempestade (1940), A lã e a neve (1947), A curva da estrada (1950), A missão (1957). Sua obra caracteriza-se basicamente pela problemática social. Seus romances podem se classificar em três tipos: a) o realístico, centrado no drama do emigrante espoliado por agenciadores (Emigrantes, A selva; que se passam no Brasil) ou centrado no drama dos camponeses condenados a uma vida de privações (A lã e a neve); b) o psicológico que trata de um conflito íntimo, causado por uma tragédia amorosa, (A tempestade); c) o ideológico, que gira em torno de questões políticas, (Amissão e, sobretudo, A curva da estrada). Em consonância com as diretrizes da estética neorrealista, nos três tipos apresentados predomina a consciência social, a preocupação com o sofrimento dos humildes tão duramente massacrados pela ditadura salazarista. FERNANDO NAMORA Fernando Namora, que nasceu em 1919 e morreu em 1989, é um dos mais populares escritores do neorrealismo. Foi médico. Sua obra é muito vasta; no início, com a infuência presencista, para logo depois enveredar pelo realismo social que aparece marcante em Fogo na noite escura (1943) e Casa da Malta (1945). Presencismo foi um movimento artístico literário que marca a segunda fase do modernismo português. Caracteriza-se pela emoção estética de suas obras, pelo predomínio da literatura psicológica. Outras obras: O trigo e o joio (1954), Os clandestinos (1972) e Retalhos da vida de um médico (duas séries, 1948 a 1963) que tem sido obra de referência para produções de televisão, cinema e música. ALVES REDOL Gaibéus, publicado em 1939, romance que põe em prática toda a caracterização do movimento neorrealista. Considerado a obra-prima do movimento neorrealista. Alves Redol, falecido em 1969, foi o principal escritor e militante com participação ativa e contundente na nova corrente literária. Além de Gaibéus, o autor publicou: Marés (1941), Avieiros (1942), Fanga (1943), Horizonte Cerrado (1949), Os homens e as sombras (1951), Vindima de Sangue (1953), Olhos de Água (1954), A barca dos sete lemes (1958), Uma fenda na muralha (1959), O cavalo espantado (1960) e Barranco de Cegos (1961). O termo “gaibéus” indica os trabalhadores rurais da região da Lezíria, em Portugal, que trabalham na colheita do arroz. Significa também trabalhadores alugados, o que corresponde a uma carga semântica pejorativa. Ser alugado significa ser mal-pago, explorado, vilipendiado. Os Gaibéus, na Lezíria, eram repudiados pelos “rabezanos”, nativos da região, e que também trabalhavam na colheita do arroz. Ambos explorados pelos capatazes. Nunca unidos. O tema da desunião entre os trabalhadores é bem comum em Alves Redol, marxista de formação, propondo nas entrelinhas o lema trabalhadores, uni-vos. Gaibéus é o primeiro romance neorrealista português e põe em prática toda a orientação doutrinária do movimento. Gaibéus não conta propriamente uma estória. Descreve uma situação – a do trabalho árduo dos ceifeiros (trabalhadores da ceifa, colheita do arroz). Possui três seqüências narrativas: a inicial que relata a chegada dos alugados à Lezíria, a intermediária, que descreve o sofrimento dos trabalhadores na ceifa, e a final, quenarra a partida dos Gaibéus, com o fim da colheita. A temática central do livro é a desumana exploração de que são vítimas os alugados. Se por um lado há o sofrimento causado pela exploração do patrão que não pára de observar a colheita, por outro há a adversidade da natureza: é o sol, é o calor, a água para beber que é pouca; os ceifeiros gritam por água o tempo todo. “... mas o trabalho não pode parar. Não pode parar, porque lá em baixo, no aposento, o patrão está a fazer contas à colheita, que correu em boa maré. Parece que dos braços as carnes caíram e só ficaram os ossos, como tomados de reumático, e os tendões retesados, como correias de debrulhadoras em movimento. Os peitos arfam – as pernas derreiam-se. A malta trabalha em silêncio e só as foices e as espigas falam. As tosses, de quando em quando, dizem que ali vai gente – isso a distingue das máquinas, que não têm pulmões. - Auga!... Auga! A água é barrenta e salobra – sabe melhor agora que quantos caudais saltitam claros e saborosos pelas vertentes dos montes. - Auga!... Auga! - Vem aqui, cachopo, que eu também sou filho de Nosso Senhor...” (REDOL, s. d., p. 37-38) Em Gaibéus o protagonista é o grupo. Poucos são individualizados como a Ti Maria do Rosário, a Rosa, a Gaibéua do olho azul, o gaibéu que deve ao seu Emílio e, por fim, o ceifeiro rebelde, que pensa, reflete, porque tem consciência daquela exploração. É o único que percebe tudo e, por isso, se diferencia dos demais, que só trabalham como máquinas, como animais: “Os homens tornam-se máquinas também; não raciocinam nem têm querer. E os homens não guardam pensamentos porque são máquinas a que os volantes imprimem movimentos, por intermédio das correias”. (REDOL, s.d., p.128). “As angústias do ceifeiro rebelde tornam-se maiores do que as dos camaradas – ele sente os pesares de toda malta que ali moireja. No seu peito todas as dores encostam a cabeça e ali deixam um vínculo de amargura. O ceifeiro rebelde tem bússola – bússola que marca um norte. Por isso ele olha a terra com olhos diferentes, onde o oiro das searas se reflete”. (Ibidem, p. 44) “Gostaria de dar a todos os homens o seu amor de irmão, mas homens havia que lhe pediam ódio. Fazia lhes a vontade: odiava-os tanto como amava os outros. Que bom seria, se todos pudessem dar as mãos e compreender-se. Mas os outros não querem”. (Ibidem, p. 88) “O ceifeiro rebelde pensava que estavam a tirar o pão a eles próprios; se todos percebessem, nunca ninguém pegaria numa maçaroca”. (Ibidem, p. 110) “... Ele não podia compreender o ódio surdo dos rabezanos pelos gaibéus, mas naquele momento sentia também por eles uma aversão instintiva. Aversão que logo depois se fazia lamento, lamento que era depois confiança. Ele confiava ainda naqueles irmãos que tiravam o pão a eles próprios. Doía-lhe a alma, mas uma esperança iluminava-o. Os outros olhavam-no pensando que aquele ceifeiro maltês não se dava bem com o trabalho e pertencia à raça dos que só pegam na foice quando a fome aperta. Sentiu-se mal ali. Não era rabezano nem gaibéu. Andava de terra para terra, de profissão em profissão, arrastando consigo um sonho e a desgraça. Não tinha até amigos, nem ambições próprias – guardava um sonho para todos. No seu sonho, todos os homens cabiamrabezanos, gaibéus e vagabundos. Depois o barulho do trabalho abafou tudo e ficou só com as suas angústias e suas esperanças”. (Ibidem, p. 110-111) Um aspecto inovador no romance de Alves Redol é que o trabalho ficcional central se situa na questão espacial: tudo está ligado ao espaço do rancho, do local de trabalho. Isso caracteriza uma novidade porque a tendência tradicional seria o foco na narrativa, no enredo. Além disso, não segue um padrão convencional na estrutura do conflito, pois já parte de um clima de desequilíbrio. Com isso, provoca indiretamente um sentido de real, mas tendo a consciência de sua condição ficcional. Alves Redol sobre Gaibéus Propus-me com Gaibéus criar um romance antiassunto, ou melhor, anti-história, sem personagens principais que só pedissem comparsaria às outras: o tema nasce no colectivo de um rancho de ceifeiros migradores, acompanha-lhes os passos desde a chegada à partida da lezíria ribatejana, no drama simples e directo da sua condição, destaca um ou outro para apontar certos fios mais individualizados, mas logo os faz regressar à trama do grupo. O trabalho produtivo, a exploração descarnada do homem pelo homem, tomados nos seus aspectos mais crus, na lâmina viva do dia-a-dia, dominam o livro. Os fios pessoais para a superação do drama desenrolam-se em dois sentidos: um deles pela fuga dos ceifeiros ansiosos por emigrar, cujo inteiro significado só agora se avalia; o outro pela confiança ainda elementar do ceifeiro rebelde, personagem sem rosto e sem nome, um tanto eu próprio com a minha experiência africana; ou ainda pela camaradagem entre os jovens rabezanos e gaibéus que esboça o fim da hostilidade absurda dos adultos, cujas consequências, deveriam levar à concretização de um colectivo mais amplo e dinâmico, quando uns e outros compreendessem qual o inimigo comum, se a mensagem do ceifeiro rebelde tivesse voz ampla para lhes dar unidade. (REDOL, s. d., p. 16) CARLOS DE OLIVEIRA Uma abelha na chuva (1953) quebra a ortodoxia neorrealista e constitui um avanço para iniciar o processo de transformaçãoda narrativa de ficção portuguesa. É considerado uma evolução do neorrealismo. Pertence ao que se convencionou chamar de geração de 50. Ao contrário de Gaibéus, o romance de Carlos de Oliveira conta uma estória. Os personagens são individualizados e têm vida íntima apresentada pelo narrador. Já não é mais o romance – documentário, retrato de uma situação, com predomínio da realidade exterior. Agora, o romance se abre para a representação da opressão psíquica, além da social. Uma abelha na chuva São duas estórias que se cruzam: na primeira narram-se os fatos que envolvem a relação conjugal de Álvaro com D. Maria. O tema da opressão já aparece aí porque D. Maria não casou com Álvaro por amor. Foi opressão familiar sobre ela. Desse fato decorre um comportamento vingativo e ela passa a exercer a opressão sobre Álvaro; jamais lhe concede o amor de esposa. Ela sente afeto pelo cocheiro, Jacinto. A segunda estória envolve a relação amorosa de Jacinto – o cocheiro, com Clara, filha do lavrador Antônio. Vem de novo o tema da vingança: sabendo do desejo de sua mulher pelo cocheiro, Álvaro exerce a tirania sobre Jacinto, denunciando ao pai de Clara o amor clandestino dos dois. No final, Jacinto é assassinado pelo pai de Clara e esta suicida-se. Uma revolta popular é esboçada contra a tirania exercida. O romance de Carlos de Oliveira rompe as fronteiras do neorrealismo e envereda pelo campo do simbólico. Há um conjunto de símbolos fundamentais na narrativa que podem ser estudados como substitutos dos conceitos reais. A abelha, a chuva, a água, o poço, o rio, a fonte perspassam a estória dando-lhe uma dimensão poética e simbólica. Há a presença constante da chuva, marcando os mais relevantes momentos da ação. Referências ABDALA JÚNIOR, Benjamin. História social da literatura portuguesa. São Paulo: Ática, 1982. DE OLIVEIRA, Carlos. Uma abelha na chuva. Lisboa: Sá da Costa, 1984. GOMES, Álvaro Cardoso. A literatura portuguesa em perspectiva. São Paulo: Atlas, 1994, Vol. IV. MOISÉS, Massaud. Presença da literatura portuguesa / modernismo. 6. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. PAULO NETTO, José. Portugal: do fascismo à revolução. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1986. REDOL, Alves. Gaibéus. Sintra: Europa-América, s.d. REIS, Carlos. Textos teóricos do neorrealismo português. Lisboa: Seara Nova, 1981. __________. Introdução à leitura de uma abelha na chuva. Coimbra: Almedina, 1980. REMÉDIOS, Maria Luiza Ritzel. Gaibéus: narrativa metafórica de estruturação metonímica. Porto Alegre: Metacomunicação, 1976. _______. O romance português contemporâneo. Santa Maria: Edições. UFSM, 1986. RODRIGUES, Urbano Tavares. Um novo olhar sobre o neorrealismo. Lisboa: Moraes Editores, 1981.