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História do Direito
©2012 Copyright Marcus Vinicius Ribeiro
Supervisão de Editoração/Capa
Alexandre Pires Vieira
 
Editoração / Formatação ePub
Montecristo Editora Ltda
 
ISBN:
978-1-61965-012-1 (Versão Digital)
 1468017594 (Versão em Papel)
 
Montecristo Editora Ltda
Av. Queiroz Filho, 1700
Jaguaré - São Paulo-SP - CEP 05319-000
Fone: (11) 3644-3420
e-mail: editora@montecristoeditora.com.br
 
 
 
mailto:editora%40montecristoeditora.com.br?subject=Livro%20Direito%20Autoral%20na%20Sociedade%20Digital
Para Roberto, Yara, Stéphanie, Caroline e Thaiz
INTRODUÇÃO
Este livro é fruto das anotações de aulas de História do Direito. Nele são
feitas observações com intuito didático e sem pretensão de aprofundamento
científico de cada assunto tratado. Trata-se de mero resumo do direito
vigente em cada época e em cada local, com algumas observações.
O objetivo da obra é apresentar uma introdução aos sistemas jurídicos da
sociedade no decorrer dos tempos. O direito é abordado como um
fenômeno histórico, que se modifica conforme as forças que atuam sobre
ele. Foi a forma encontrada pelo homem para a organização da sociedade.
Diante da síntese que esta obra se propõe, o aprofundamento dos assuntos
aqui tratados dependerá de pesquisas posteriores do leitor.
O estudo da história do direito é importante não só para a informação de
como a sociedade era organizada no passado, mas, principalmente, para dar
respostas aos problemas presentes e projetar as possibilidades do futuro.
Deve-se tomar o cuidado, entretanto, com a tendência evolucionista de
alguns historiadores do direito, que partem do pressuposto que o presente é
melhor do que o passado, ou seja: que o ordenamento jurídico atual é uma
evolução do anterior. Na verdade, o juízo do que é melhor ou pior é
altamente subjetivo. Além disto, conforme a opinião ou ideologia de cada
um, a história da humanidade pode passar por fases de “evolução” ou
“retrocesso”. Por fim, não é possível a comparação de épocas distintas, com
valores diferentes. O direito de cada época deve ser contextualizado e a
abordagem deve ser neutra.
Optou-se por um estudo, na medida do possível, contínuo por questões
meramente didáticas. Entretanto, salienta-se para o perigo da tendência
evolucionista nesta forma de narrativa. Isto porque, não se pode ser
esquecido que, muitas vezes, os fatos ocorreram simultaneamente em locais
distintos e um influenciando o outro.
A linguagem é, predominantemente, descritiva e a metodologia
selecionada foi a pesquisa bibliográfica de literatura nacional e estrangeira.
O principal livro utilizado foi a tradução portuguesa feita pela Fundação
Calouste Gulbenkian/Lisboa da obra de John GILISSEN: “Introduction
Historique au Droit”.
Ao final de cada item, sempre que possível, procurou-se transcrever
trechos da legislação da respectiva época e localidade para que o leitor
possa ter contato direto com o texto jurídico mencionado.
O livro está dividido em sete capítulos. O capítulo 1 inicia-se com uma
definição de direito. Em seguida, será feita uma breve introdução à História
do Direito. No capítulo 3, será estudado o direito na antiguidade. Por sua
vez, o capítulo 4 examina do direito medieval. No capítulo 5 é analisado o
direito na Idade Moderna, que se inicia com o Iluminismo e, no capítulo 6,
será visto o direito contemporâneo, após a Segunda Guerra mundial. Por
fim, antes da conclusão, será feita uma análise do direito na pós-
modernidade.
DIREITO
Direito é difícil de ser definido, até porque não é uma expressão unívoca,
possuindo várias acepções. Com efeito, em suas diversas significações, ora
a expressão é usada com sentido de norma, ora como faculdade, por vezes
como sinônimo de justo, como fato social ou, ainda, como ciência.1
Neste passo, enquanto lei ou norma, direito é o conjunto de preceitos e
regras, cuja observância pode se obrigar alguém mediante uma coerção
exterior ou física.2
Por sua vez, direito sob o aspecto de fato social é definido por Gurvitch
como “uma tentativa de realizar, num dado meio social, a ideia de justiça,
através de um sistema de normas imperativo-atributivas”.3
No sentido de justo, direito é empregado como aquilo que é devido ou que
está em conformidade com a justiça e, no sentido de faculdade, como o
poder moral de fazer, exigir ou possuir algo.
Para Miguel Reale, direito é o “conjunto de regras obrigatórias que
garante a convivência social graças ao estabelecimento de limites à ação de
cada um” dos membros da comunidade. 4
Conforme adverte Louis Assieer-Andieu5, “O direito é uma realidade
social. É um comportamento das atividades humanas marcado, como todas
as atividades humanas, pela cultura e pelas formas de organização de cada
sociedade. Mas é realidade singular. Ele é a um só tempo o reflexo de uma
sociedade e o projeto de atuar sobre ela, um dado básico do ordenamento
social e um meio de canalizar o desenrolar das relações entre os indivíduos
e os grupos”.
É bem verdade, frise-se, que o direito de cada Estado não foi criado de um
dia para o outro, pois é a conseqüência de uma evolução secular. “Costuma-
se distinguir, por um lado, os direitos romanistas e os que lhe são
aparentados, o common law e os direitos socialistas dos países de tendência
comunista; e por outro os numerosos sistemas jurídicos que existem noutros
lugares do mundo, sobretudo direito muçulmano, hindu, chinês e
africano”.6
Os direitos romanistas são os que sofreram forte influência do direito
romano. Quase a totalidade dos países europeus, salvo os países britânicos e
os da Europa Oriental de influência comunista, pertencem à família
romanista. Os países da América Latina e os demais colonizados pela
Espanha, Portugal ou França também possuem tal influência. Por seu turno
o sistema da commow law surgiu na Inglaterra cuja fonte principal é a
jurisprudência e o precedente judiciário (e não a lei escrita, como é o caso
do primeiro grupo mencionado).
De outra parte, no direito muçulmano e direito hindu a distinção entre
direito e religião é quase nula. O que muda em ambos é, principalmente, o
texto sagrado em que cada um se fundamenta. Por fim, o direito chinês
tradicional tinha apenas um papel secundário na sociedade, pois o essencial
eram as regras morais de convivência, decência e harmonia, apesar de
atualmente possuir certa influência do direito soviético e europeu.7
HISTÓRIA DO DIREITO
O Direito é mutável e provisório, pois depende da realidade social de cada
época e de cada lugar. Devido a isto ele está em constante alteração. Estudar
sua história, assim, faz com que se possa entender sua fase atual e projetar
futuras mudanças. As normas criadas em cada sociedade para regular as
relações interpessoais nascem de um conjunto complexo de fatos sociais e,
portanto, a ordem jurídica deve ser ponderada conforme a realidade social e
o histórico que deu origem a ela.
Ademais, conforme afirma Eloy Chinoy8, “o confronto sistemático de
diferentes sociedades passadas e presentes, proporciona não só a base de
hipóteses sugestivas senão também os elementos para comprová-las”.
Quando é aprofundado o exame de determinado instituto jurídico ou de
certa área do direito, algumas vezes, percebe-se que a história, mais do que
a lógica ou a teoria, é a única capaz de trazer a explicação buscada.
Neste caminho, a sociedade, de uma maneira ou de outra, sempre possuiu
alguma forma de organização: por meio de normas costumeiras ou por leis
escritas, sejam impostas pela força ou aceitas voluntariamente. O direito,
então, pode ser entendido como o meio de organização da sociedade.
Antes do aparecimento da escrita e, consequentemente, dos registros
históricos sabe-se muito pouco. No entanto, acredita-se que a muitas
instituições civis já existiam, especialmente o casamento, o poder familiar, a
propriedade (mobiliária), a sucessão e diversos contratos (a doação, o
empréstimo e a troca).9
O DIREITO NA ANTIGUIDADE
Considerações iniciais
Existe grande dificuldade dos historiadores para estudar o direito dos
povos sem escrita, pois nãoexistem registros confiáveis de como aquelas
sociedades se organizavam. Acredita-se que a sociedade se dividia em clãs
e cada família tinha suas próprias regras.
Com o surgimento das cidades, da escrita e do comércio, aparecem os
registros das primeiras civilizações. Os mais antigos documentos jurídicos
escritos aparecem no Egito e na Mesopotâmia, cerca de 3.000 anos antes de
Cristo.
Passa-se, assim, ao estudo do direito no Egito Antigo, na Mesopotâmia, o
direito hebreu e o direito romano.
DIREITO EGÍPCIO
A história do Egito faraônico compreende três grandes épocas, quais
sejam: Antigo Império (séculos XXXVIII a XXIII a. C.); o Médio Império
(primeiro quarto do II milênio antes de Cristo) e Novo Império (séculos
XVI-XI a.C.).10
No Egito faraônico todo o poder emanava do rei (faraó). As leis eram
escritas e baseavam-se no conceito de “Ma’at”. Caracterizava-se pela
tradição, pela retórica, pela igualdade social e pela imparcialidade Os
tribunais eram organizados pelo rei, o processo era escrito e o Direito Penal
não era tão severo, em comparação aos outros do mesmo período. Não são
encontrados registros de pena de morte. Em determinado período do direito
egípcio, a escravidão por dívidas é abolida, a mulher adquiriu capacidade
jurídica e houve igualdade entre os filhos e as filhas na sucessão. O Faraó
Amenófis III foi deposto e tido como louco por uma série de atos, em
especial a mudança dos deuses egípcios para um só – o Deus Sol; a
libertação dos escravos e a doação de terras aos pobres. Além disto,
dissolveu o exército e devolveu as terras aos seus antigos donos.
Porém, os egípcios não escreveram sobre o seu “direito”, nem deixaram
compilações das leis. Discute-se, até mesmo, se eles realmente tinham um
direito escrito ou não.
A ocupação persa e, mais tarde, romana fez com que o sistema jurídico
egípcio desaparecesse. Porém, ele exerceu influência importante no direito
grego e no romano.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ma%27at
DIREITO NA MESOPOTÂMIA
O conjunto de normas escritas, com certa ordenação, mais antigo que é
conhecido foi criado na Mesopotâmia, região entre o Rio Tigre e o Eufrates
(correspondentes aos atuais Irã e Iraque), pelo Rei Hamurabi, da primeira
dinastia babilônica.
Havia outras ordenações antes, em especial na Suméria, mas não existem
muitos registros confiáveis delas. O Código de Hamurabi data de 1800 a
1500 a. c. e é baseada na lei de talião: “olho por olho, dente por dente”.
Acredita-se que ele seja uma compilação das normas anteriores, porém mais
extenso, melhor ordenado e mais autoritário que a legislação que o
antecedeu.
As 281 normas contidas em tal legislação foram talhadas em uma rocha
escura, encontrada na cidade de Susa, atual Irã. O Código trata de vários
ramos do Direito: civil, comercial e criminal. A punição era diferente para
cada classe social e a pena de morte era a mais comum. Ninguém podia
alegar ignorância da lei como desculpa, mas poucos sabiam ler naquela
época. A hierarquia da sociedade dividia-se em 3 grupos: homens livres,
subalternos e os escravos. A vítima levava seu ofensor a um tribunal, que
poderia ser em um templo sagrado ou em suas proximidades.11 Quem
tivesse mais testemunhas e os testemunhos mais confiáveis “ganhava a
causa”. Além disto, as ordálias eram comuns (provas sobrenaturais,
normalmente dolorosas, em que acusados eram submetidos para que se
chegasse ao juízo divino. Ex. queimavam uma pessoa viva, se ela morresse
era porque era culpada e Deus quis) e a pena transcendia a pessoa do
infrator. Se alguém matasse o filho de outrem, seu filho seria morto. O que
hoje é considerado desumano, na época era um avanço, pois antes desta
legislação a vingança podia inclusive superar o mal causado. Com este
Código, o limite da punição passou a ser a mesma medida do mal.
O Código de Hamurabi estava organizado da seguinte forma: art. 1º. a 5º.
- Determinam as penas em alguns delitos praticados durante um processo
judicial (falso testemunho, etc); art. 6º. a 126 - dispõe sobre direito
patrimonial; art. 127 a 195 - regula o direito de família, filiação e herança;
art. 196 a 214 - determinam penas para lesões corporais; art. 215 a 240 -
direitos e obrigações a algumas classes de trabalhadores; art. 241 a 277 –
disposições sobre preços e salários e do art. 278 ao 282 há leis sobre
propriedade de escravos.
O texto conhecido é que segue: PRÓLOGO _ “Quando o alto Anu, Rei de
Anunaki e Bel, Senhor da Terra d dos Céus, determinador dos destinos do
mundo, entregou o governo de toda humanidade a Marduk... quando foi
pronunciado o alto nome da Babilônia; quando ele a fez famosa no mundo e
nela estabeleceu um duradouro reino cujos alicerces tinham a firmeza do
céu e da terra - por esse tempo de Anu e Bel me chamaram, a mim,
Hamurabi, o excelso príncipe, o adorador dos deuses, para implantar a
justiça na terra, para destruir os maus e o mal, para prevenir a opressão do
fraco pelo forte... para iluminar o mundo e propiciar o bem-estar do povo.
Hamurabi, governador escolhido por Bel, sou eu, eu o que trouxe a
abundância à terra; o que fez obra completa para Nippur e Durilu; o que deu
vida à cidade de Uruk; o que supriu água com abundância aos seus
habitantes;... o que tornou bela a cidade de Borsippa;... o que enceleirou
grãos para a poderosa Urash;... o que ajudou o povo em tempo de
necessidade; o que estabeleceu a segurança na Babilônia; o governador do
povo, o servo cujos feitos são agradáveis a Anunit”.
I - SORTILÉGIOS, JUÍZO DE DEUS, FALSO TESTEMUNHO, PREVARICAÇÃO DE
JUÍZES
1º - Se alguém acusa um outro, lhe imputa um sortilégio, mas não pode dar a prova disso,
aquele que acusou, deverá ser morto.
2º - Se alguém avança uma imputação de sortilégio contra um outro e não a pode provar e
aquele contra o qual a imputação de sortilégio foi feita, vai ao rio, salta no rio, se o rio o traga,
aquele que acusou deverá receber em posse à sua casa. Mas, se o rio o demonstra inocente e ele
fica ileso, aquele que avançou a imputação deverá ser morto, aquele que saltou no rio deverá
receber em posse a casa do seu acusador.
3º - Se alguém em um processo se apresenta como testemunha de acusação e, não prova o
que disse, se o processo importa perda de vida, ele deverá ser morto.
4º - Se alguém se apresenta como testemunha por grão e dinheiro, deverá suportar a pena
cominada no processo.
5º - Se um juiz dirige um processo e profere uma decisão e redige por escrito a sentença, se
mais tarde o seu processo se demonstra errado e aquele juiz, no processo que dirigiu, é
convencido de ser causa do erro, ele deverá então pagar doze vezes a pena que era estabelecida
naquele processo, e se deverá publicamente expulsá-lo de sua cadeira de juiz. Nem deverá ele
voltar a funcionar de novo como juiz em um processo.
II - CRIMES DE FURTO E DE ROUBO, REIVINDICAÇÃO DE MÓVEIS
6º - Se alguém furta bens do Deus ou da Corte deverá ser morto; e mais quem recebeu dele a
coisa furtada também deverá ser morto.
7º - Se alguém, sem testemunhas ou contrato, compra ou recebe em depósito ouro ou prata ou
um escravo ou uma escrava, ou um boi ou uma ovelha, ou um asno, ou outra coisa de um filho
alheio ou de um escravo, é considerado como um ladrão e morto.
8º - Se alguém rouba um boi ou uma ovelha ou um asno ou um porco ou um barco, se a coisa
pertence ao Deus ou a Corte, ele deverá dar trinta vezes tanto; se pertence a um liberto, deverá
dar dez vezes tanto; se o ladrão não tem nada para dar, deverá ser morto.
9º - Se alguém, a quem foi perdido um objeto, o acha com um outro, se aquele com o qual o
objeto perdido é achado, diz: - “um vendedor mo vendeu diante de testemunhas, eu o paguei” -
e o proprietário do objeto perdido diz: “eu trarei testemunhas que conhecem a minha coisa
perdida” - o comprador deverá trazer o vendedor que lhe transferiu o objeto com as
testemunhas perante às quais o comprou e o proprietário do objeto perdido deverá trazer
testemunhas que conhecem o objeto perdido. O juiz deverá examinar os seus depoimentos, as
testemunhas perante as quais o preço foi pagoe aquelas que conhecem o objeto perdido devem
atestar diante de Deus reconhecê-lo. O vendedor é então um ladrão e morrerá; o proprietário do
objeto perdido o recobrará, o comprador recebe da casa do vendedor o dinheiro que pagou.
10º - Se o comprador não apresenta o vendedor e as testemunhas perante as quais ele
comprou, mas, o proprietário do objeto perdido apresenta um testemunho que reconhece o
objeto, então o comprador é o ladrão e morrerá. O proprietário retoma o objeto perdido.
11º - Se o proprietário do objeto perdido não apresenta um testemunho que o reconheça, ele é
um malvado e caluniou; ele morrerá.
12º - Se o vendedor é morto, o comprador deverá receber da casa do vendedor o quíntuplo.
13º - Se as testemunhas do vendedor não estão presentes, o juiz deverá fixar-lhes um termo
de seis meses; se, em seis meses, as suas testemunhas não comparecerem, ele é um malvado e
suporta a pena desse processo.
14º - Se alguém rouba o filho impúbere de outro, ele é morto.
15º - Se alguém furta pela porta da cidade um escravo ou uma escrava da Corte ou um
escravo ou escrava de um liberto, deverá ser morto.
16º - Se alguém acolhe na sua casa, um escravo ou escrava fugidos da Corte ou de um liberto
e depois da proclamação pública do mordomo, não o apresenta, o dono da casa deverá ser
morto.
17º - Se alguém apreende em campo aberto um escravo ou uma escrava fugidos e os
reconduz ao dono, o dono do escravo deverá dar-lhe dois siclos.
18º - Se esse escravo não nomeia seu senhor, deverá ser levado a palácio; feitas todas as
indagações, deverá ser reconduzido ao seu senhor.
19º - Se ele retém esse escravo em sua casa e em seguida se descobre o escravo com ele,
deverá ser morto.
20º - Se o escravo foge àquele que o apreendeu, este deve jurar em nome de Deus ao dono do
escravo e ir livre.
21º - Se alguém faz um buraco em uma casa, deverá diante daquele buraco ser morto e
sepultado.
22º - Se alguém comete roubo e é preso, ele é morto.
23º - Se p salteador não é preso, o roubado deverá diante de Deus reclamar tudo que lhe foi
roubado; então a aldeia e o governador, em cuja terra e circunscrição o roubo teve lugar, devem
indenizar-lhe os bens roubados por quanto foi perdido.
24º - Se eram pessoas, a aldeia e o governador deverão pagar uma mina aos parentes.
25º - Se na casa de alguém aparecer um incêndio e aquele que vem apagar, lança os olhos
sobre a propriedade do dono da casa, e toma a propriedade do dono da casa, ele deverá ser
lançado no mesmo fogo.
III - DIREITOS E DEVERES DOS OFICIAIS, DOS GREGÁRIOS E DOS VASSALOS EM
GERAL, ORGANIZAÇÃO DO BENEFÍCIO
26º - Se um oficial ou um gregário que foi chamado às armas para ir no serviço do rei, não
vai e assolda um mercenário e o seu substituto parte, o oficial ou o gregário deverá ser morto,
aquele que o tiver substituído deverá tomar posse da sua casa.
27º - Se um oficial ou um gregário foi feito prisioneiro na derrota do rei, e em seguida o seu
campo e o seu horto foram dados a um outro e este deles se apossa, se volta a alcançar a sua
aldeia, se lhe deverá restituir o campo e o horto e ele deverá retomá-los.
28º - Se um oficial ou um gregário foi feito prisioneiro na derrota do rei, se depois o seu filho
pode ser investido disso, se lhe deverá dar o campo e horto e ele deverá assumir o benefício de
seu pai.
29º - Se o filho é ainda criança e não pode ser dele investido, um terço do campo e do horto
deverá ser dado à progenitora e esta deverá sustentá-lo.
30º - Se um oficial um ou gregário descura e abandona seu campo, o horto e a casa em vez de
gozá-los, e um outro toma posse do seu campo, do horto e da casa; se ele volta e pretende seu
campo, horto e casa, não lhe deverão ser dados, aquele que deles tomou posse e os gozou,
deverá continuar a gozá-los.
31º - Se ele abandona por um ano e volta, o campo, o horto e a casa lhe deverão ser
restituídos e ele deverá assumi-los de novo.
32º - Se um negociante resgata um oficial, ou um soldado que foi feito prisioneiro no serviço
do rei, e o conduz à sua aldeia, se na sua casa há com que resgatá-lo, ele deverá resgatar-se; se
na sua casa não há com que resgatá-lo, ele deverá ser libertado pelo templo de sua aldeia; se no
templo de sua aldeia não há com que resgatá-lo, deverá resgatá-lo a Corte. O seu campo, horto
e casa não deverão ser dados pelo seu resgate.
33º - Se um oficial superior foge ao serviço e coloca um mercenário em seu lugar no serviço
do rei e ele parte, aquele oficial deverá ser morto.
34º - Se um oficial superior furta a propriedade de um oficial inferior, prejudica o oficial, dá
o oficial a trabalhar por soldada, entrega o oficial em um processo a um poderoso, furta o
presente que o rei deu ao oficial, aquele deverá ser morto.
35º - Se alguém compra ao oficial bois ou ovelhas, que o rei deu a este, perde o seu dinheiro.
36º - O campo, o horto e a casa de um oficial, gregário ou vassalo não podem ser vendidos.
37º - Se alguém compra o campo, o horto e a casa de um oficial, de um gregário, de um
vassalo, a sua tábua do contrato de venda é quebrada e ele perde o seu dinheiro; o campo, o
horto e a casa voltam ao dono.
38º - Um oficial, gregário, ou vassalo não podem obrigar por escrito nem dar em pagamento
de obrigação à própria mulher ou à filha o campo, o horto e a casa do seu benefício.
39º - O campo, o horto e a casa, que eles compraram e possuem (como sua propriedade)
podem ser obrigados por escrito e dadas em pagamento de obrigação à própria mulher e à filha.
40º - Eles podem vender a um negociante ou outro funcionário do Estado, seu campo, horto e
casa. O comprador recebe em gozo e campo, o horto e a casa que comprou.
41º - Se alguém cercou de sebes o campo, o horto e a casa de um oficial, de um gregário ou
de um vassalo e forneceu as estacas necessárias, se o oficial, o gregário ou o vassalo voltam ao
campo, horto ou casa, deverão ter como sua propriedade as estacas que lhes foram dadas.
IV - LOCAÇÕES E REGIMEN GERAL DOS FUNDOS RÚSTICOS, MÚTUO, LOCAÇÃO
DE CASAS, DAÇÃO EM PAGAMENTO
42º - Se alguém tomou um campo para cultivar e no campo não fez crescer trigo, ele deverá
ser convencido que fez trabalhos no campo e deverá fornecer ao proprietário do campo quanto
trigo exista no do vizinho.
43º - Se ele não cultiva o campo e o deixa em abandono, deverá dar ao proprietário do campo
quanto trigo haja no campo vizinho e deverá cavar e destorroar o campo, que ele deixou ficar
inculto e restituí-lo ao proprietário.
44º - Se alguém se obriga a por em cultura, dentro de três anos, um campo que jaz inculto,
mas é preguiçoso e não cultiva o campo, deverá no quarto ano cavar, destorroar e cultivar o
campo inculto e restituí-lo ao proprietário e por cada dez gan pagar dez gur de trigo.
45º - Se alguém dá seu campo a cultivar mediante uma renda e recebe a renda do seu campo,
mas sobrevem uma tempestade e destrói a safra, o dano recai sobre o cultivador.
46º - Se ele não recebe a renda do seu campo, mas o dá pela terça ou quarta parte, o trigo que
está no campo deverá ser dividido segundo as partes entre o cultivador e o proprietário.
47º - Se o cultivador, porque no primeiro ano não plantou a sua estância, deu a cultivar o
campo, o proprietário não deverá culpá-lo; o seu campo foi cultivado e, pela colheita, ele
receberá o trigo segundo o seu contrato.
48º - Se alguém tem um débito a juros, e uma tempestade devasta o seu campo ou destrói a
colheita, ou por falta d’água não cresce o trigo no campo, ele não deverá nesse ano dar trigo ao
credor, deverá modificar sua tábua de contrato e não pagar juros por esse ano.
49º - Se alguém toma dinheiro a um negociante e lhe concede um terreno cultivável de trigo
ou de sésamo, incumbindo-o de cultivar o campo, colher o trigo ou o sésamo que aí crescerem e
tomá-los para si, se em seguida o cultivador semeia no campo trigo ou sésamo, por ocasião da
colheita o proprietário do campo deverá receber o trigo ou o sésamo que estão no campo e dar
ao negociante trigo pelo dinheiro que do negociante recebeu, pelos juros e moradia do
cultivador.50º - Se ele dá um campo cultivável (de trigo) ou um campo cultivável de sésamo, o
proprietário do campo deverá receber o trigo ou o sésamo que estão no campo e restituir ao
negociante o dinheiro com os juros.
51º - Se não tem dinheiro para entregar, deverá dar ao negociante trigo ou sésamo pela
importância do dinheiro, que recebeu do negociante e os juros conforme a taxa real.
52º - Se o cultivador não semeou no campo trigo ou sésamo, o seu contrato não fica
invalidado.
53º - Se alguém é preguiçoso no ter em boa ordem o próprio dique e não o tem em
conseqüência se produz uma fenda no mesmo dique e os campos da aldeia são inundados
d’água, aquele, em cujo dique se produziu a fenda, deverá ressarcir o trigo que ele fez perder.
54º - Se ele não pode ressarcir o trigo, deverá ser vendido por dinheiro juntamente com os
seus bens e os agricultores de quem o trigo foi destruído, dividirão entre si.
55º - Se alguém abre o seu reservatório d’água para irrigar, mas é negligente e a água inunda
o campo de seu vizinho, ele deverá restituir o trigo conforme o produzido pelo vizinho.
56º - Se alguém deixa passar a água e a água inunda as culturas do vizinho, ele deverá pagar-
lhe por cada dez gan dez gur de trigo.
57º - Se um pastor não pede licença ao proprietário do campo para fazer pastar a erva às
ovelhas e sem o consentimento dele faz pastarem as ovelhas no campo, o proprietário deverá
ceifar os seus campos e o pastor que sem licença do proprietário fez pastarem as ovelhas no
campo, deverá pagar por junto ao proprietário vinte gur de trigo por cada dez gan.
58º - Se depois que as ovelhas tiverem deixado o campo da aldeia e ocupado o recinto geral à
porta da cidade, um pastor deixa ainda as ovelhas no campo e as faz pastarem no campo, este
pastor deverá conservar o campo em que faz pastar e por ocasião da colheita deverá responder
ao proprietário do campo, por cada dez gan sessenta gur.
59º - Se alguém, sem ciência do proprietário do horto, corta lenha no horto alheio, deverá
pagar uma meia mina.
60º - Se alguém entrega a um hortelão um campo para plantá-lo em horto e este o planta e o
cultiva por quatro anos, no quinto, proprietário e hortelão deverão dividir entre si e o
proprietário do horto tomará a sua parte.
61º - Se o hortelão não leva a termo a plantação do campo e deixa uma parte inculta, dever-
se-á consignar esta no seu quinhão.
62º - Se ele não reduz a horto o campo que lhe foi confiado, se é campo de espigas, o
hortelão deverá pagar ao proprietário o produto do campo pelos anos em que ele fica inculto na
medida da herdade do vizinho, plantar o campo cultivável e restituí-lo ao proprietário.
63º - Se ele transforma uma terra inculta num campo cultivado e o restitui ao proprietário, ele
deverá pagar em cada ano dez gur de trigo por cada dez gan.
64º - Se alguém dá o horto a lavrar a um hortelão pelo tempo que tem em aluguel o horto,
deverá dar ao proprietário duas partes do produto do horto e conservar para si a terça parte.
65º - Se o hortelão não lavra o horto e o produto diminui, o hortelão deverá calcular o
produto pela parte do fundo vizinho.
*
LACUNAS DE CINCO COLUNAS; CALCULA-SE 35 PARÁGRAFOS
Pertencem à lacuna os seguintes parágrafos deduzidos da biblioteca de Assurbanipal: 1 - Se
alguém toma dinheiro a um negociante e lhe dá um horto de tâmaras e lhe diz: - “as tâmaras
que estão no meu horto tomei-as por dinheiro”: e o negociante não aceita, então o proprietário
deverá tomar as tâmaras que estão no horto, entregar ao negociante o dinheiro e juros, segundo
o teor de sua obrigação; as tâmaras excedentes que estão no jardim deverá tomá-las o
proprietário.
2 - Se um inquilino paga ao dono da casa a inteira soma do seu aluguel por um ano e o
proprietário, antes de decorrido o termo do aluguel, ordena ao inquilino de mudar-se de sua
casa antes de passado o prazo, deverá restituir uma quota proporcional à soma que o inquilino
lhe deu.
3 - Se alguém deve trigo ou dinheiro e não tem trigo ou dinheiro com que pagar, mas, possui
outros bens, deverá levar diante dos anciãos o que está à sua disposição e dá-lo ao negociante.
Este deve aceitar sem exceção.
V - RELAÇÕES ENTRE COMERCIANTES E COMISSIONÁRIOS
100º - Com os juros do dinheiro na medida da soma recebida, deverá entregar uma obrigação
por escrito e pagar o negociante no dia do vencimento.
101º - Se no lugar onde foi não fechou negócio o comissionário, deverá deixar intato o
dinheiro que recebeu e restituí-lo ao negociante.
102º - Se um negociante emprestou dinheiro a um comissionário para suas empresas e ele, no
lugar para onde se conduz, sofre um dano, deverá indenizar o capital ao negociante.
103º - Se, durante a viagem, o inimigo lhe leva alguma coisa do que ele conduz consigo, o
comissionário deverá jurar em nome de Deus e ir livre.
104º - Se um negociante confia a um comissionário, para venda, trigo, lã, azeite, ou outras
mercadorias, o comissionário deverá fazer uma escritura da importância e reembolsar o
negociante. Ele deverá então receber a quitação do dinheiro que dá ao mercador.
105º - Se o comissionário é negligente e não retira a quitação da soma que ele deu ao
negociante, não poderá receber a soma que não é quitada.
106º - Se o comissionário toma dinheiro ao negociante e tem questão com o seu negociante,
este deverá perante Deus e os anciãos convencer o comissionário do dinheiro levado e este
deverá dar três vezes o dinheiro que recebeu.
107º - Se o negociante engana o comissionário pois que este restituiu tudo que o negociante
lhe dera, mas, o negociante contesta o que o comissionário lhe restituiu, o comissionário diante
de Deus e dos anciãos deverá convencer o negociante e este, por ter negado ao comissionário o
que recebeu, deverá dar seis vezes tanto.
VI - REGULAMENTO DAS TABERNAS (TABERNEIROS PREPOSTOS, POLÍCIA,
PENAS E TARIFAS) 108º - Se uma taberneira não aceita trigo por preço das bebidas a peso,
mas toma dinheiro e o preço da bebida é menor do que o do trigo, deverá ser convencida disto e
lançada nágua.
109º - Se na casa de uma taberneira se reúnem conjurados e esses conjurados não são detidos
e levados à Corte, a taberneira deverá ser morta.
110º - Se uma irmã de Deus, que não habita com as crianças (mulher consagrada que não se
pode casar) abre uma taberna ou entra em uma taberna para beber, esta mulher deverá ser
queimada.
111º - Se uma taberneira fornece sessenta já de bebida usakami deverá receber ao tempo da
colheita cinqüenta ka de trigo.
VII - OBRIGAÇÕES (CONTRATOS DE TRANSPORTE, MÚTUO) PROCESSO
EXECUTIVO E SERVIDÃO POR DÍVIDAS
112º - Se alguém está em viagem e confia a um outro prata, ouro, pedras preciosas ou outros
bens móveis e os faz transportar por ele e este não conduz ao lugar do destino tudo que deve
transportar, mas se apropria deles, dever-se-á convencer esse homem que ele não entregou o
que devia transportar e ele deverá dar ao proprietário da expedição cinco vezes o que recebeu.
113º - Se alguém tem para com um outro um crédito de grãos ou dinheiro e, sem ciência do
proprietário, tira grãos do armazém ou do celeiro, ele deverá ser convencido em juízo de ter
tirado sem ciência do proprietário grãos do armazém ou do celeiro e deverá restituir os grãos
que tiver tirado e tudo que ele de qualquer modo deu, é perdido para ele.
114º - Se alguém não tem que exigir grãos e dinheiro de um outro e fez a execução, deverá
pagar-lhe um terço de mina por cada execução.
115º - Se alguém tem para com outro um crédito de grãos ou dinheiro e faz a execução, e o
detido na casa de detenção morre de morte natural, não há lugar a pena.
116º - Se o detido na casa de detenção morre de pancadas ou maus tratamentos, o protetor do
prisioneiro deverá convencer o seu negociante perante o tribunal; se ele era um nascido livre, se
deverá matar o filho do negociante, se era um escravo, deverá pagar o negociante um terço de
mina e perder tudo que deu.
117º - Se alguém tem um débito vencido e vende por dinheiro a mulher, o filho e a filha, ou
lhe concedem descontar com trabalho o débito,aqueles deverão trabalhar três anos na casa do
comprador ou do senhor, no quarto ano este deverá libertá-los.
118º - Se ele concede um escravo ou escrava para trabalhar pelo débito e o negociante os
concede por sua vez, os vende por dinheiro, não há lugar para oposição.
119º - Se alguém tem um débito vencido, e vende por dinheiro a sua escrava que lhe tem
dado filhos, o senhor da escrava deverá restituir o dinheiro que o negociante pagou e resgatar a
sua escrava.
VIII - CONTRATOS DE DEPÓSITO
120º - Se alguém deposita o seu trigo na casa de outro e no monte de trigo se produz um dano
ou o proprietário da casa abre o celeiro e subtrai o trigo ou nega, enfim, que na sua casa tenha
sido depositado o trigo, o dono do trigo deverá perante Deus reclamar o seu trigo e o
proprietário da casa deverá restituir o trigo que tomou, sem diminuição, ao seu dono.
121º - Se alguém deposita o trigo na casa de outro, deverá dar-lhe, como aluguel do
armazém, cinco ka de trigo por cada gur de trigo ao ano.
122º - Se alguém dá em depósito a outro prata, ouro ou outros objetos, deverá mostrar a uma
testemunha tudo o que dá, fechar o seu contrato e em seguida consignar em depósito.
123º - Se alguém dá em depósito sem testemunhas ou contrato e no lugar em que se fez a
consignação se nega, não há ação.
124º - Se alguém entrega a outro em depósito prata, ouro ou outros objetos perante
testemunhas e aquele o nega, ele deverá ser convencido em juízo e restituir sem diminuição
tudo o que negou.
125º - Se alguém dá em depósito os seus bens e aí por infração ou roubo os seus bens se
perdem com os do proprietário da casa, o dono desta, que suporta o peso da negligência, deverá
indenizar tudo que lhe foi consignado em depósito e que ele deixou perder. Mas, o dono da casa
poderá procurar os seus bens perdidos e retomá-los do ladrão.
126º - Se alguém, que não perdeu seus bens, diz tê-los perdido e sustenta falsamente seu
dano, se ele intenta ação pelos seus bens, ainda que não tenham sido perdidos e pelo dano
sofrido perante Deus, deverá ser indenizado de tudo que pretende pelo seu dano.
IX - INJÚRIA E DIFAMAÇÃO
127º - Se alguém difama uma mulher consagrada ou a mulher de um homem livre e não pode
provar se deverá arrastar esse homem perante o juiz e tosquiar-lhe a fronte.
X - MATRIMÔNIO E FAMÍLIA, DELITOS CONTRA A ORDEM DA FAMÍLIA.
CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES NUPCIAIS
SUCESSÃO
128º - Se alguém toma uma mulher, mas não conclui um contrato com ela, esta mulher não é
esposa.
129º - Se a esposa de alguém é encontrada em contato sexual com um outro, se deverá
amarrá-los e lança-los nágua, salvo se o marido perdoar à sua mulher e o rei a seu escravo.
130º - Se alguém viola a mulher que ainda não conheceu homem e vive na casa paterna e tem
contato com ela e é surpreendido, este homem deverá ser morto, a mulher irá livre.
131º - Se a mulher de um homem livre é acusada pelo próprio marido, mas não surpreendida
em contato com outro, ela deverá jurar em nome de Deus e voltar à sua casa.
132º - Se contra a mulher de um homem livre é proferida difamação por causa de um outro
homem, mas não é ela encontrada em contato com outro, ela deverá saltar no rio por seu
marido.
133º - Se alguém é feito prisioneiro e na sua casa há com que sustentar-se, mas a mulher
abandona sua casa e vai a outra casa; porque esta mulher não guardou sua casa e foi a outra,
deverá ser judicialmente convencida e lançada nágua.
134º - Se alguém é feito prisioneiro de guerra e na sua casa não há com que sustenta-se e sua
mulher vai a outra casa, essa mulher deverá ser absolvida.
135º - Se alguém é feito prisioneiro de guerra e na sua casa não há de que sustenta-se e sua
mulher vai a outra casa e tem filhos, se mais tarde o marido volta e entra na pátria, esta mulher
deverá voltar ao marido, mas os filhos deverão seguir o pai deles.
136º - Se alguém abandona a pátria e foge e depois a mulher vai a outra casa, se aquele
regressa e quer retomar a mulher, porque ele se separou da pátria e fugiu, a mulher do fugitivo
não deverá voltar ao marido.
137º - Se alguém se propõe a repudiar uma concubina que lhe deu filhos ou uma mulher que
lhe deu filhos, ele deverá restituir àquela mulher o seu donativo e dar-lhe uma quota em
usufruto no campo, horto e seus bens, para que ela crie os filhos. Se ela criou os seus filhos, lhe
deverá ser dado, sobre todos os bens que seus filhos recebam, uma quota igual a de um dos
filhos. Ela pode esposar o homem do seu coração.
138º - Se alguém repudia a mulher que não lhe deu filhos, deverá dar-lhe a importância do
presente nupcial e restituir-lhe o donativo que ela trouxe consigo da casa de seu pai e assim
mandá-la embora.
139º - Se não houve presente nupcial, ele deverá dar-lhe uma mina, como donativo de
repúdio.
140º - Se ele é um liberto, deverá dar-lhe um terço de mina.
141º - Se a mulher de alguém, que habita na casa do marido, se propõe a abandoná-la e se
conduz com leviandade, dissipa sua casa, descura do marido e é convencida em juízo, se o
marido pronuncia o seu repúdio, ele a mandará embora, nem deverá dar-lhe nada como
donativo de repúdio. Se o marido não quer repudiá-la e toma outra mulher, aquela deverá ficar
como serva na casa de seu marido.
142º - Se uma mulher discute com o marido e declara: “tu não tens comércio comigo”,
deverão ser produzidas as provas do seu prejuízo, se ela é inocente e não há defeito de sua parte
e o marido se ausenta e a descura muito, essa mulher não está em culpa, ela deverá tomar o seu
donativo e voltar à casa de seu pai.
143º - Se ela não é inocente, se ausenta, dissipa sua casa, descura seu marido, dever-se-á
lançar essa mulher nágua.
144º - Se alguém toma uma mulher e esta dá ao marido uma serva e tem filhos, mas o marido
pensa em tomar uma concubina, não se lhe deverá conceder e ele não deverá tomar uma
concubina.
145º - Se alguém toma uma mulher e essa não lhe dá filhos e ele pensa em tomar uma
concubina, se ele toma uma concubina e a leva para sua casa, esta concubina não deverá ser
igual à esposa.
146º - Se alguém toma uma esposa e essa esposa dá ao marido uma serva por mulher e essa
lhe dá filhos, mas, depois, essa serva rivaliza com a sua senhora, porque ela produziu filhos,
não deverá sua senhora vendê-la por dinheiro, ela deverá reduzi-la à escravidão e enumerá-la
ente as servas.
147º - Se ela não produziu filhos, sua senhora poderá vendê-la por dinheiro.
148º - Se alguém toma uma mulher e esta é colhida pela moléstia, se ele então pensa em
tomar uma segunda, não deverá repudiar a mulher que foi presa da moléstia, mas deverá
conservá-la na casa que ele construiu e sustentá-la enquanto viver.
149º - Se esta mulher não quer continuar a habitar na casa de seu marido, ele deverá entregar-
lhe o donativo que ela trouxe da casa paterna e deixá-la ir se embora.
150º - Se alguém dá à mulher campo, horto, casa e bens e lhe deixa um ato escrito, depois da
morte do marido, seus filhos não deverão levantar contestação: a mãe pode legar o que lhe foi
deixado a um de seus filhos que ela prefira, nem deverá dar coisa alguma aos irmãos.
151º - Se uma mulher que vive na casa de um homem, empenhou seu marido a não permitir a
execução de um credor contra ela, e se fez lavrar um ato; se aquele homem antes de tomar
mulher tinha um débito, o credor não se pode dirigir contra a mulher. Mas, se a mulher, antes de
entrar na casa do marido, tinha um débito, o credor não pode fazer atos executivos contra o
marido.
152º - Se depois que a mulher entra na casa do marido, ambos têm um débito, deverão ambos
pagar ao negociante.
153º - Se a mulher de um homem livre tem feito matar seu marido por coisa de um outro, se
deverá cravá-la em uma estaca.
154º - Se alguém conhece a própria filha, deverá ser expulso da terra.
155º - Se alguém promete uma menina a seu filho e seu filho tem comércio com ela, mas
aquele depois tem contato com ela e é colhido, deverá ser amarrado e lançado na água.
156º - Se alguém promete uma menina a seu filho e seu filho não a conhece, se depois ele
tem contato comela, deverá pagar-lhe uma meia mina e indenizar-lhe tudo que ela trouxe da
casa paterna. Ela poderá desposar o homem de seu coração.
157º - Se alguém, na ausência de seu pai, tem contato com sua progenitora, dever-se-á
queimá-la ambos.
158º - Se alguém, na ausência de seu pai, é surpreendido com a sua mulher principal, a qual
produziu filhos, deverá ser expulso da casa de seu pai.
159º - Se alguém, que mandou levar bens móveis à casa de seu sogro e deu o presente
nupcial, volve o olhar para outra mulher e diz ao sogro: “eu não quero mais tomar tua filha”, o
pai da rapariga poderá reter tudo quanto ele mandou levar.
160º - Se alguém mandou levar bens móveis à casa de seu sogro e pagou o donativo nupcial,
se depois o pai da rapariga diz: “eu não quero mais dar-te minha filha”, ele deverá restituir sem
diminuição tudo que lhe foi entregue.
161º - Se alguém mandou levar bens móveis à casa de seu sogro e pagou o donativo nupcial,
se depois o seu amigo o calunia e o sogro diz ao jovem esposo: “tu não desposarás minha
filha”. ele deverá restituir sem diminuição tudo que lhe foi entregue e o amigo não deverá
desposar a sua noiva.
162º - Se alguém toma uma mulher e ela lhe dá filhos, se depois essa mulher morre, seu pai
não deverá intentar ação sobre seu donativo; este pertence aos filhos.
163º - Se alguém toma uma mulher e essa não lhe dá filhos, se depois essa mulher morre, e o
sogro lhe restitui o presente nupcial que ele pagou à casa do sogro, o marido não deverá
levantar ação sobre o donativo daquela mulher, este pertence à casa paterna.
164º - Se o sogro não lhe restitui o presente nupcial, ele deverá deduzir do donativo a
importância do presente nupcial e restituir em seguida o donativo à casa paterna dela.
165º - Se alguém doa ao filho predileto campo, horto e casa e lavra sobre isso um ato, se mais
tarde o pai morre e os irmãos dividem, eles deverão entregar-lhe a doação do pai e ele poderá
tomá-la; fora disso se deverão dividir entre si os bens paternos.
166º - Se alguém procura mulher para os filhos que tem, mas não procura mulher ao filho
impúbere e depois o pai morre, se os irmãos dividem, deverão destinar ao seu irmão impúbere,
que ainda não teve mulher, além da sua quota o dinheiro para a doação nupcial e procurar-lhe
uma mulher.
167º - Se alguém toma uma mulher e esta lhe dá filhos, se esta mulher morre e ele depois
dela toma uma segunda mulher e esta dá filhos, se depois o pai morre, os filhos não deverão
dividir segundo as mães; eles deverão tomar o donativo de suas mães mas dividir os bens
paternos ente si.
168º - Se alguém quer renegar seu filho e declara ao juiz: “eu quero renegar meu filho”, o
juiz deverá examinar as suas razões e se o filho não tem uma culpa grave pela qual se justifique
que lhe seja renegado o estado de filho, o pai não deverá renegá-lo.
169º - Se ele cometeu uma falta grave, pela qual se justifique que lhe seja renegada a
qualidade de filho, ele deverá na primeira vez ser perdoado, e, se comete falta grave segunda
vez, o pai poderá renegar-lhe o estado de filho.
170º - Se a alguém sua mulher ou sua serva deu filhos e o pai, enquanto vive diz aos filhos
que a serva lhe deu: “filhos meus”, e os conta entre os filhos de sua esposa; se depois o pai
morre, os filhos da serva e da esposa deverão dividir conjuntamente a propriedade paterna. O
filho da esposa tem a faculdade de fazer os quinhões e de escolher.
171º - Se, porém, o pai não disse em vida aos filhos que a serva lhe deu: “filhos meus”, e o
pai morre, então os filhos da serva não deverão dividir com os da esposa, mas se deverá
conceder a liberdade à serva e aos filhos, os filhos da esposa não deverão fazer valer nenhuma
ação de escravidão contra os da serva; a esposa poderá tomar o seu donativo e a doação que o
marido lhe fez e lavrou por escrito em um ato e ficar na habitação de seu marido; enquanto ela
vive, deverá gozá-la, mas deverá vendê-la por dinheiro. A sua herança pertence aos seus filhos.
172º - Se o marido não lhe fez uma doação, se deverá entregar-lhe o seu donativo e, da
propriedade de seu marido, ela deverá receber uma quota como um filho. Se seus filhos a
oprimem para expulsá-la da casa, o juiz deverá examinar a sua posição e se os filhos estão em
culpa, a mulher não deverá deixar a casa de seu marido.
172º - Se a mulher quer deixá-la, ela deverá abandonar aos seus filhos a doação que o marido
lhe fez, mas tomar o donativo de sua casa paterna. Ela pode desposar em seguida o homem de
seu coração.
173º - Se esta mulher lá para onde se transporta, tem filhos do segundo marido e em seguida
morre, o seu donativo deverá ser dividido entre os filhos anteriores e sucessivos.
174º - Se ela não pare de segundo marido, deverão receber o seu donativo os filhos do seu
primeiro esposo.
175º - Se um escravo da Corte ou o escravo de um liberto desposa a mulher de um homem
livre e gera filhos, o senhor do escravo não pode propor ação de escravidão contra os filhos da
mulher livre.
176º - Mas, se um escravo da Corte ou o escravo de um liberto desposa a filha de um homem
livre e depois de tê-la desposado, esta, com um donativo da casa paterna, se transporta para a
casa dele, se ele tem posto sua casa, adquirido bens e em seguida aquele escravo morre, a
mulher nascida livre poderá tomar o seu donativo e tudo que o marido e ela, desde a data do
casamento, adquiriram deverá ser dividido em duas partes: uma metade deverá tomá-la o
senhor do escravo, a outra metade a mulher livre para os seus filhos. Se a mulher livre não tinha
um donativo, deverá dividir tudo que o marido e ela desde a data do casamento adquiriram em
duas partes: metade deverá tomá-la e senhor do escravo, a outra a mulher livre para os seus
filhos.
177º - Se uma viúva, cujos filhos são ainda crianças, quer entrar em uma outra casa, ela
deverá entrar sem ciência do juiz. Se ela entra em uma outra casa, o juiz deverá verificar a
herança da casa do seu precedente marido. Depois se deverá confiar a casa do seu precedente
marido ao segundo marido e à mulher mesma, em administração, e fazer lavrar um ato sobre
isto. Eles deverão ter a casa em ordem e criar os filhos e não vender os utensílios domésticos. O
comprador que compra os utensílios domésticos dos filhos da viúva perde seu dinheiro e os
bens voltam de novo ao seu proprietário.
178º - Se uma mulher consagrada ou uma meretriz, às quais seu pai fez um donativo e lavrou
um ato sobre isso, mas no ato não ajuntou que elas poderiam legar o patrimônio a quem
quisessem e não lhe deixou livre disposição, se depois o pai morre, os seus irmãos deverão
receber o seu campo e horto e na medida da sua quota dar-lhe o trigo, azeite e leite e de modo a
contentá-las. Se seus irmãos não lhes dão trigo, azeite e leite na medida de sua quota e a seu
contento, dever-se-á confiar o campo e horto a um feitor que lhes agrade e esse feitor deverá
mantê-las. O campo, o horto e tudo que deriva de seu pai deverá ser conservado por elas em
usufruto enquanto viverem, mas não deverão vender e ceder a nenhum outro. As suas quotas de
filhas pertencem a seus irmãos.
179º - Se uma mulher consagrada ou uma meretriz, às quais seu pai fez um donativo e lavrou
um ato e acrescentou que elas poderiam alienar a quem lhes aprouvesse o seu patrimônio e lhes
deixou livre disposição; se depois o pai morre, então elas podem legar sua sucessão a quem lhe
aprouver. Os seus irmãos não podem levantar nenhuma ação.
180º - Se um pai não faz um donativo a sua filha núbil ou meretriz e depois morre, ela deverá
tomar dos bens paternos uma quota como filha e gozar dela enquanto viver. A sua herança
pertence a seus irmãos.
181º - Se um pai consagra a Deus uma serva do templo ou uma virgem e não lhes faz
donativo, morto o pai, aquelas receberão da herança paterna um terço de sua quota de filha e
fruirão enquanto viverem. A herança pertence aos irmãos.
182º - Se um pai não faz um donativo e não lavra um ato para sua filha, mulher consagrada a
Marduk de Babilônia, se depois o pai morre, ela deverá ter designada por seus irmãos sobrea
herança de sua casa paterna um terço da sua quota de filha, mas não poderá ter a administração.
A mulher de Marduk pode legar sua sucessão a quem quiser.
183º - Se alguém faz um donativo à sua filha nascida de uma concubina e a casa, e lavra um
ato, se depois o pai morre, ela não deverá receber parte nenhuma da herança paterna.
184º - Se alguém não faz um donativo a sua filha nascida de uma concubina, e não lhe dá
marido, se depois o pai morre, os seus irmãos deverão, segundo a importância do patrimônio
paterno, fazer um presente e dar-lhe marido.
XI - ADOÇÃO, OFENSAS AOS PAIS, SUBSTITUIÇÃO DE CRIANÇA 185º - Se alguém
dá seu nome a uma criança e a cria como filho, este adotado não poderá mais ser reclamado.
186º - Se alguém adota como filho um menino e depois que o adotou ele se revolta contra seu
pai adotivo e sua mãe, este adotado deverá voltar à sua casa paterna.
187º - O filho de um dissoluto a serviço da Corte ou de uma meretriz não pode ser
reclamado.
188º - Se o membro de uma corporação operária, (operário) toma para criar um menino e lhe
ensina o seu ofício, este não pode mais ser reclamado.
189º - Se ele não lhe ensinou o seu ofício, o adotado pode voltar à sua casa paterna.
190º - Se alguém não considera entre seus filhos aquele que tomou e criou como filho, o
adotado pode voltar à sua casa paterna.
191º - Se alguém que tomou e criou um menino como seu filho, põe sua casa e tem filhos e
quer renegar o adotado, o filho adotivo não deverá ir-se embora. O pai adotivo lhe deverá dar
do próximo patrimônio um terço da sua quota de filho e então ele deverá afasta-se. Do campo,
do horto e da casa não deverá dar-lhe nada.
192º - Se o filho de um dissoluto ou de uma meretriz diz a seu pai adotivo ou a sua mãe
adotiva: “tu não és meu pai ou minha mãe”, dever-se-á cortar-lhe a língua.
193º - Se o filho de um dissoluto ou de uma meretriz aspira voltar à casa paterna, se afasta do
pai adotivo e da mãe adotiva e volta à sua casa paterna, se lhe deverão arrancar os olhos.
194º - Se alguém dá seu filho a ama de leite e o filho morre nas mãos dela, mas a ama sem
ciência do pai e da mãe aleita um outro menino, se lhe deverá convencê-la de que ela sem
ciência do pai e da mãe aleitou um outro menino e cortar-lhe o seio.
195º - Se um filho espanca seu pai se lhe deverão decepar as mãos.
XII - DELITOS E PENAS (LESÕES CORPORAIS, TALIÃO, INDENIZAÇÃO E
COMPOSIÇÃO) 196º - Se alguém arranca o olho a um outro, se lhe deverá arrancar o olho.
197º - Se ele quebra o osso a um outro, se lhe deverá quebrar o osso.
198º - Se ele arranca o olho de um liberto, deverá pagar uma mina.
199º - Se ele arranca um olho de um escravo alheio, ou quebra um osso ao escravo alheio,
deverá pagar a metade de seu preço.
200º - Se alguém parte os dentes de um outro, de igual condição, deverá ter partidos os seus
dentes.
201º - Se ele partiu os dentes de um liberto deverá pagar um terço de mina.
202º - Se alguém espanca um outro mais elevado que ele, deverá ser espancado em público
sessenta vezes, com o chicote de couro de boi.
203º - Se um nascido livre espanca um nascido livre de igual condição, deverá pagar uma
mina.
204º - Se um liberto espanca um liberto, deverá pagar dez siclos.
205º - Se o escravo de um homem livre espanca um homem livre, se lhe deverá cortar a
orelha.
206º - Se alguém bate um outro em rixa e lhe faz uma ferida, ele deverá jurar : “eu não o bati
de propósito”, e pagar o médico.
207º - Se ele morre por suas pancadas, aquele deverá igualmente jurar e, se era um nascido
livre, deverá pagar uma meia mina.
208º - Se era um liberto, deverá pagar um terço de mina.
209º - Se alguém bate numa mulher livre e a faz abortar, deverá pagar dez siclos pelo feto.
210º - Se essa mulher morre, se deverá matar o filho dele.
211º - Se a filha de um liberto aborta por pancada de alguém, este deverá pagar cinco siclos.
212º - Se essa mulher morre, ele deverá pagar meia mina.
213º - Se ele espanca a serva de alguém e esta aborta, ele deverá pagar dois siclos.
214º - Se esta serva morre, ele deverá pagar um terço de mina.
XIII - MÉDICOS E VETERINÁRIOS; ARQUITETOS E BATELEIROS
(SALÁRIOS, HONORÁRIOS E RESPONSABILIDADE)
CHOQUE DE EMBARCAÇÕES
215º - Se um médico trata alguém de uma grave ferida com a lanceta de bronze e o cura ou se
ele abre a alguém uma incisão com a lanceta de bronze e o olho é salvo, deverá receber dez
siclos.
216º - Se é um liberto, ele receberá cinco siclos.
217º - Se é o escravo de alguém, o seu proprietário deverá dar ao médico dois siclos.
218º - Se um médico trata alguém de uma grave ferida com a lanceta de bronze e o mata ou
lhe abre uma incisão com a lanceta de bronze e o olho fica perdido, se lhe deverão cortar as
mãos.
219º - Se o médico trata o escravo de um liberto de uma ferida grave com a lanceta de bronze
e o mata, deverá dar escravo por escravo.
220º - Se ele abriu a sua incisão com a lanceta de bronze o olho fica perdido, deverá pagar
metade de seu preço.
221º - Se um médico restabelece o osso quebrado de alguém ou as partes moles doentes, o
doente deverá dar ao médico cinco siclos.
222º - Se é um liberto, deverá dar três siclos.
223º - Se é um escravo, o dono deverá dar ao médico dois siclos.
224º - Se o médico dos bois e dos burros trata um boi ou um burro de uma grave ferida e o
animal se restabelece, o proprietário deverá dar ao médico, em pagamento, um sexto de siclo.
225º - Se ele trata um boi ou burro de uma grave ferida e o mata, deverá dar um quarto de seu
preço ao proprietário.
226º - Se o tosquiador, sem ciência do senhor de um escravo, lhe imprime a marca de escravo
inalienável, dever-se-á cortar as mãos desse tosquiador.
227º - Se alguém engana um tosquiador e o faz imprimir a marca de um escravo inalienável,
se deverá matá-lo e sepultá-lo em sua casa. O tosquiador deverá jurar : “eu não o assinalei de
propósito”, e irá livre.
228º - Se um arquiteto constrói uma casa para alguém e a leva a execução, deverá receber em
paga dois siclos, por cada sar de superfície edificada.
229º - Se um arquiteto constrói para alguém e não o faz solidamente e a casa que ele
construiu cai e fere de morte o proprietário, esse arquiteto deverá ser morto.
230º - Se fere de morte o filho do proprietário, deverá ser morto o filho do arquiteto.
231º - Se mata um escravo do proprietário ele deverá dar ao proprietário da casa escravo por
escravo.
232º - Se destrói bens, deverá indenizar tudo que destruiu e porque não executou solidamente
a casa por ele construída, assim que essa é abatida, ele deverá refazer à sua custa a casa abatida.
233º - Se um arquiteto constrói para alguém uma casa e não a leva ao fim, se as paredes são
viciosas, o arquiteto deverá à sua custa consolidar as paredes.
234º - Se um bateleiro constrói para alguém um barco de sessenta gur, se lhe deverá dar em
paga dois siclos.
235º - Se um bateleiro constrói para alguém um barco e não o faz solidamente, se no mesmo
ano o barco é expedido e sofre avaria, o bateleiro deverá desfazer o barco e refazê-lo
solidamente à sua custa; o barco sólido ele deverá dá-lo ao proprietário.
236º - Se alguém freta o seu barco a um bateleiro e este e negligente, mete a pique ou faz que
se perca o barco, o bateleiro deverá ao proprietário barco por barco.
237º - Se alguém freta um bateleiro e o barco e o prevê de trigo, lã, azeite, tâmaras e qualquer
outra coisa que forma a sua carga, se o tabeleiro é negligente, mete a pique o barco e faz que se
perca o carregamento, deverá indenizar o barco que fez ir a pique e tudo de que ele causou a
perda.
238º - Se um bateleiro mete a pique o barco de alguém mas o salva, deverá pagar a metade
do seu preço.
239º - Se alguém freta um bateleiro, deverá dar-lhe seis gur de trigo por ano.
240º - Se um barco a remos investe contra um barco de vela e o põe a pique, o patrão do
barco que foi posto a pique deverá pedir justiça diante de Deus, o patrão do barco a remos, que
meteu a fundo o barco a vela, deverá indenizar o seu barco e tudo quanto se perdeu.
XIV - SEQUESTRO, LOCAÇÕES DE ANIMAIS,LAVRADORES DE CAMPO,
PASTORES, OPERÁRIOS. DANOS, FURTOS DE ARNEZES, DÁGUA, DE ESCRAVOS
(AÇÃO REDIBITÓRIA, RESPONSABILIDADE POR EVICÇÃO, DISCIPLINA) 241º - Se
alguém seqüestra e faz trabalhar um boi, deverá pagar um terço de mina.
242º - Se alguém aluga por um ano um boi para lavrar, deverá dar como paga, quatro gur de
trigo.
243º - Como paga do boi de carga três gur de trigo ao proprietário.
244º - Se alguém aluga um boi e um burro e no campo um leão os mata, isto prejudica o seu
proprietário.
245º - Se alguém aluga um boi e o faz morrer por maus tratamentos ou pancadas, deverá
indenizar ao proprietário boi por boi.
246º - Se alguém aluga um boi e lhe quebra uma perna, lhe corta a pele cervical, deverá
indenizar ao proprietário boi por boi.
247º - Se alguém aluga um boi e lhe arranca um olho, deverá dar ao proprietário uma metade
do seu preço.
248º - Se alguém aluga um boi e lhe parte um chifre, lhe corta a cauda, e lhe danifica o
focinho, deverá pagar um quarto de seu preço.
249º - Se alguém aluga um boi e Deus o fere e ele morre, o locatário deverá jurar em nome
de Deus e ir livre.
250º - Se um boi, indo pela estrada, investe contra alguém e o mata, não há motivo para
indenização.
251º - Se o boi de alguém dá chifradas e se tem denunciado seu vício de dar chifradas, e, não
obstante, não se tem cortado os chifres e prendido o boi, e o boi investe contra um homem e o
mata, seu dono deverá pagar uma meia mina.
252º - Se ele mata um escravo de alguém, dever-se-á pagar um terço de mina.
253º - Se alguém aluga um outro para cuidar do seu campo, lhe fornece a semente, lhe confia
os bois, o obriga a cultivar o campo, se esse rouba e tira para si trigo ou plantas, se lhe deverão
cortar aos mãos.
254º - Se ele tira para si a semente, não emprega os bois, deverá indenizar a soma do trigo e
cultivar.
255º - Se ele deu em locação os bois do homem ou rouba os grãos da semente, não cultiva
absolutamente o campo, deverá ser convencido e pagar por cento de gan, sessenta gur de trigo.
256º - Se a sua comunidade não paga por ele, dever-se-á deixá-lo naquele campo, ao pé dos
animais.
257º - Se alguém aluga um lavrador de campo lhe deverá dar anualmente oito gur de trigo.
258º - Se alguém aluga um guarda de bois, seis gur de trigo por ano.
259º - Se alguém rouba do campo uma roda d’água, deverá dar ao proprietário cinco siclos.
260º - Se alguém rouba um balde para tirar água ou um arado deverá dar três siclos.
261º - Se alguém aluga um pastor para apascentar bois e ovelhas, lhe deverá dar oito gur de
trigo por ano.
262º - Se alguém aluga um boi ou uma ovelha para ...
263º - Se ele é causa da perda de um boi ou de uma ovelha, que lhe foram dados, deverá
indenizar o proprietário boi por boi, ovelha por ovelha.
264º - Se um pastor a quem são confiados bois e ovelhas para apascentar, o qual recebeu sua
paga, segundo o pacto e fica satisfeito, reduz os bois e as ovelhas, diminui o acréscimo natural,
deverá restituir as acessões e o produto segundo o teor de sua convenção.
265º - Se um pastor a quem foram confiados bois e ovelhas para apascentar, tece fraude,
falseia o acréscimo natural do rebanho e o vende por dinheiro, deverá ser convencido e
indenizar o proprietário dez vezes bois e ovelhas.
266º - Se no rebanho se verifica um golpe de Deus ou um leão os mata, o pastor deverá
purgar-se diante de Deus e o acidente do rebanho deverá ser suportado pelo proprietário.
267º - Se o pastor foi negligente e se verifica um dano no rebanho, o pastor deverá indenizar
o dano, que ele ocasionou no rebanho em bois ou ovelhas e dar ao proprietário.
268º - Se alguém aluga um boi para debulhar, a paga é vinte ka de trigo.
269º - Se alguém aluga um burro para debulhar, a paga e vinte ka de trigo.
270º - Se alguém aluga um animal jovem para debulhar, a paga é dez ka de trigo.
271º - Se alguém aluga bois, carros, e guardas, deverá dar cento e oitenta ka de trigo por dia.
272º - Se alguém aluga um carro apenas, deverá dar quarenta ka de trigo por dia.
273º - Se alguém aluga um lavrador mercenário, lhe deverá dar do novo ano ao quinto mês
seis se por dia; do sexto mês até o fim do ano lhe deverá dar cinco se por dia.
274º - Se alguém aluga um operário, lhe deverá dar cada dia: cinco se, de paga, pelo ...
cinco se, pelo tijoleiro.
cinco se, pelo alfaiate.
cinco se, pelo canteiro.
cinco se, pelo ...
cinco se, pelo ...
cinco se, pelo ...
quatro se, pelo carpinteiro.
quatro se, pelo cordoeiro.
quatro se, pelo ...
quatro se, pelo pedreiro.
275º - Se alguém aluga um barco a vela deverá dar seis se por dia como paga.
276º - Se ele aluga um barco a remos, dois se e meio por dia.
277º - Se alguém aluga um barco de sessenta gur, deverá dar um sexto de siclo, por dia em
paga.
278º - Se alguém compra um escravo ou uma escrava e, antes que decorra um mês, eles são
feridos do mal benu, ele deverá restituí-los ao vendedor e o comprador receberá em seguida o
dinheiro que pagou.
279º - Se alguém compra um escravo ou uma escrava e outro propõe ação sobre eles, o
vendedor é responsável pela ação.
280º - Se alguém em país estrangeiro compra um escravo ou uma escrava, se volta à terra e o
proprietário reconhece o seu escravo ou a sua escrava, se o escravo ou escrava, são naturais do
país, ele deverá restituí-los sem indenização.
281º - Se são nascidos em outro país, o comprador deverá declarar perante Deus o preço que
ele pagou e o proprietário deverá dar ao negociante o dinheiro pago e receber o escravo ou a
escrava.
282º - Se um escravo diz ao seu senhor : “tu não és meu senhor”, será convencido disso e o
senhor lhe cortará a orelha.
EPÍLOGO
“As justas leis que Hamurabi, o sábio rei, estabeleceu e (com as quais) deu base estável ao
governo ... Eu sou o governador guardião ... Em meu seio trago o povo das terras de Sumer e
Acad; ... em minha sabedoria eu os refreio, para que o forte não oprima o fraco e para que seja
feita justiça à viúva e ao órfão ... Que cada homem oprimido compareça diante de mim, como
rei que sou da justiça. Deixai-o ler a inscrição do meu monumento. Deixai-o atentar nas minhas
ponderadas palavras. E possa o meu monumento iluminá-lo quanto à causa que traz, e possa ele
compreender o seu caso. Possa ele folgar o coração (exclamando) “Hamurabi é na verdade
como um pai para o seu povo; ... estabeleceu a prosperidade para sempre e deu um governo
puro à terra. Quando Anu e Enlil (os deuses de Uruk e Nippur) deram-me a governar as terras
de Sumer e Acad, e confiaram a mim este cetro, eu abri o canal. Hammurabi-nukhush-nish
(Hamurabi-a-abundância-do-povo) que traz água copiosa para as terras de Sumer e Acad. Suas
margens de ambos os lados eu as transformei em campos de cultura; amontoei montes de grãos,
provi todas as terras de água que não falha ... O povo disperso se reuniu; dei-lhe pastagens em
abundância e o estabeleci em pacíficas moradias”.
DIREITO HEBRAICO
O direito do povo hebraico era um direito religioso. O direito foi “dado”
por Deus ao “povo escolhido” e revelado por Moisés. A Bíblia diz que
durante a travessia do deserto, Moisés recebeu os “Dez Mandamentos”
diretamente de Javé (ou Jeová), no Monte Sinai, e estabeleceu os
fundamentos jurídicos, religiosos e morais da civilização hebraica.
O direito hebreu, como outros de índole religiosa, mistura o crime com o
pecado e o direito com a própria religião. O direito é imutável, só Deus
pode modificar. Os intérpretes, especialmente os rabinos, só podem
interpretá-lo para adaptar à evolução social, mas não modificá-lo.
A interpretação apoia-se, sempre, em um versículo da Bíblia pré-cristã.
Para os judeus, o PENTATEUCO (parte principal do velho testamento) tem
o nome de THORA.
A Thora compreende cinco livros: - Gênesis – livro das origens - Êxodo –
que foi a saída do Egito - Levítico – que possui as regras religiosas sobre
cultos e rituais.
- Números – que fala da permanência dos hebreus no deserto.
- Deuteronômio – que é um livro religioso e jurídico.
O Deuteronômio possui disposições sobre a Justiça, descanso no trabalho,
poder familiar, casamento,adultério, etc.
A religião hebraica, que exerceu grande influência no ocidente através do
Cristianismo, que dela deriva, é monoteísta. Assim sendo, se distinguia
profundamente das religiões da antiguidade, que eram politeístas.
A principal diferença é que o cristianismo pretende se impor para todas as
pessoas, vez que considera todos filhos do mesmo Deus, enquanto o
judaísmo pretende ser seguido apenas pelo povo escolhido por Deus.
Abaixo, seguem os 10 mandamentos: “ Os 10 Mandamentos
ENTÃO falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei
da terra do Egito, da casa da servidão.
Não terás outros deuses diante de mim.
Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus,
nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso,
que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me
odeiam.
E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos.
Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente
o que tomar o seu nome em vão.
Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.
Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra.
Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem
teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu
estrangeiro, que está dentro das tuas portas.
Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo
dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou.
Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR teu
Deus te dá.
Não matarás.
Não adulterarás.
Não furtarás.
Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu
servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.”
DIREITO GREGO
O sistema jurídico da Grécia antiga parece derivar mais de uma noção de
justiça, que estaria difusa na consciência coletiva do que em textos
legislativos. Os Gregos não foram grandes juristas e a principal
contribuição deles foi para a filosofia e para a ciência política. 12
Cada cidade grega tinha seu próprio direito. Assim sendo, com exceção
do período em que a Grécia ficou sob a dominação de Alexandre, o Grande,
e houve certa homogeneidade na legislação, em cada local existiam certas
peculiaridades na ordem jurídica.
Na Grécia Antiga já havia ideias de cidadania, mas não se percebia a
noção de ser individual. A respeito, não se indagou, concretamente, sobre a
existência de direitos fundamentais do indivíduo em face do Estado e de
seus agentes. Ao contrário, os filósofos gregos acreditavam que a
personalidade humana somente poderia se desenvolver se estivesse
integrada e subordinada à comunidade e, consequentemente, ao Poder
Público. Platão e Aristóteles entendiam que o homem deveria viver em
função do Estado.
A evolução jurídica da Grécia pode ser dividida em diversos períodos,
com as seguintes características: 621 a.C – legislação de Dracon – leis
severas – aristocracia – 51 juízes. Neste período se põe fim à solidariedade
familiar e obriga-se o ingresso nos tribunais para solução das controvérsias;
594 a.C – legislação de Sólon – novo conselho – 400 membros (alguns da
classe média). Nesta fase do direito grego é feita uma divisão das pessoas
em classes de renda; a classe média e inferiores tornaram-se elegíveis para a
Assembleia; Além disto, limitou-se a quantidade de terras que uma só
pessoa podia possuir (suprime-se a propriedade dos clãs), foi determinado o
ensino obrigatório de um ofício para os menores e estabelecidas multas
pesadas para os ociosos. Por fim, limitou o poder paterno, pois os filhos (do
sexo masculino) maiores se tornaram autônomos. Porém, as mulheres
permaneciam sempre sob alguma tutela (ou do pai, ou do marido). O
governo continuava com os nobres e ricos.
510 a.C. – Clistenes – reforçou a legislação reformadora de Sólon. Foi
ampliado o sistema representativo e a divisão territorial dos distritos.
461 a.C. – Péricles – Nesta fase foi atingida a democracia grega.
São características gerais do direito grego: - existência de juízes leigos.
Para crimes de interesse público, o julgamento era feito por grandes
tribunais. Em casos menos importantes, por um magistrado ou juiz singular.
Poderia haver apelo para a Assembleia; - não tinha um órgão público para
acusar, a ação era exclusivamente privada; - havia uma confusão de leis e
era preciso provar os fatos e o direito; - não haviam juristas. Os sofistas
(pessoas cobravam para preparar discursos e defesas) dominavam a
argumentação, os raciocínios lógicos e a retórica. Porém, eram mal vistos
na sociedade por cobrarem por tal atividade; - a pena de morte era
amplamente aplicada, mas o mais temido era ser expulso da cidade; - no
início do ano era votado se haveria, ou não, o ostracismo, que era retirada
compulsória de determinada pessoa da sociedade. Colocava-se o nome de
alguém dentro de uma concha de ostra e o “escolhido” era obrigado a sair
da polis. Para muitos, era considerado pior que a morte.
DIREITO ROMANO
O Direito Romano que costuma ser estudado compreende o conjunto de
normas que regeram a sociedade do antigo Império Romano, de 754 a. C.
até 564 d.C., quando ocorreu a morte do Imperador Justiniano. Durante
estes períodos, o Direito Romano passou por 3 fases: a do direito antigo, a
do direito clássico e a do direito do baixo império (pós-clássico).
Os juristas romanos tinham formação filosófica e conheciam os
pensadores gregos, mas a preocupação deles foi eminentemente prática e
menos filosófica. Com efeito, os romanos foram grandes aplicadores da
filosofia grega nas relações humanas. Eles reconheciam o fato de que nem
sempre o justo coincide com o lícito.
O veto do tribuno da plebe contra ações injustas dos patrícios, a lei de
Valério Publícola, que proibia penas corporais contra cidadãos em certas
situações, a Lex Julia de Adulteris, origem da prescrição penal e o
Interdicto de Homine Libero Exhibendo, remoto antecedente do habeas
corpus, são algumas das disposições de tal período, que influenciaram o
direito moderno.
Roma passou por diferentes formas de governo, o que refletiu em seu
ordenamento jurídico. Neste caminho, costuma-se dividir estes períodos
em: realeza, república, principado e dominato.
1º. Período real (da origem de Roma até a queda da realeza em 510 a.C.)
Não se sabe ao certo como surgiu Roma. Vários autores defendem que os
foram etruscos que a fundaram. Outros, entretanto, entendem que já existia
uma população na região do Lazio, quando os etruscos a dominaram.
No período da Realeza a organização do Estado romano se resumia ao rei,
ao Senado e aos comícios. O rei tinha o comando do exército, o poder de
polícia, além das funções de juiz e de sacerdote. Era vitalício, mas sua
sucessão não se fazia pela hereditariedade, mas pela indicação do
antecessor ou escolha do Senado na ausência dela. Por sua vez, o Senado
era o conselho do rei. Seus membros eram escolhidos pelo próprio rei, entre
os membros das diferentes gentes (agrupamento de várias famílias –
gentiles e clientela). O Senado era convocado pelo rei e se subordinava a
ele. Por fim, os comícios eram Assembleias que não deliberavam, apenas
aprovavam ou rejeitavam a proposta de quem lhe presidia.13
2º. Período republicano (de 510 a.C. até 27 a.c.) Na república, o Senado
tornou-se o verdadeiro centro do governo. Nesta época, dois magistrados
eleitos anualmente substituíram o rei na tomada de decisões. Os juízes eram
eleitos anualmente e os censores a cada 5 anos. Os magistrados não eram
remunerados, mas eram invioláveis durante a investidura do cargo. Porém,
eles poderiam ser chamados para prestar contas depois de seu mandato.
Todos os magistrados tinham potestas (poder de expressar a vontade doEstado), mas nem todos tinham imperium (poder de deter e punir os
cidadãos, além de apresentar propostas aos comícios).
As fontes do direito eram o costume (principal fonte do direito privado),
leis (propostas pelos magistrados) e os éditos dos magistrados. Era comum
a existência de jurisconsultos, que faziam estudos do direito vigente em
cada caso concreto.
A plebe (pessoas que não eram gentiles nem clientes e habitavam a
cidade, sem fazer parte dela) não tinha acesso à magistratura. Em certo
momento, revoltados com o arbítrio dos magistrados patrícios, o plebeus
resolveram sair de Roma para criar uma outra cidade. Os patrícios, então,
transigiram e, além de criar Assembleias de plebeus (plebicito), editaram
leis escritas, que culminaram na Lei das XII Tábuas.
A Lei das XII Tábuas ainda consagrava a diferenciação entre patrícios e
plebeus, mas já foi um avanço. Isto porque, por maior que fosse o
tratamento díspar, era melhor que o subjetivismo e casuísmo da ausência de
qualquer previsão. Com um ordenamento, pelo menos, era possível saber
qual seria a diferença entre as classes sociais.
Na referida legislação, a Tábua I previa o chamamento a juízo; a Tábua II,
julgamentos e furtos; a Tábua III, direitos de crédito e sanções aos
devedores; a Tábua IV dispunha sobre o casamento e pátrio poder; a Tábua
V cuidava da herança e da tutela; na Tábua VI havia disposições sobre a
propriedade e posse; na Tábua VII previsão de delitos; a Tábua VIII trazia
direitos prediais; na Tábua IX havia dispositivos de Direito Público; na
Tábua X cotinha direito sacro e as Tábuas XI e XII complementam matérias
das Tábuas precedentes, conforme segue: LEI DAS XII TÀBUAS
TÁBUA PRIMEIRA
Do chamamento a Juízo
1. Se alguém e chamado a Juízo, compareça.
2. Se não comparece, aquele que o citou tome testemunhas e o prenda.
3. Se procurar enganar ou fugir, o que o citou pode lançar mão sobre (segurar) o citado.
4. Se uma doença ou a velhice o impede de andar, o que o citou, lhe forneça um cavalo.
5. Se não aceitá-lo, que forneça um carro, sem a obrigação de dá-lo coberto.
6. Se se apresenta alguém para defender o citado, que este seja solto.
7. O rico será fiador do rico; para o pobre qualquer um poderá servir de fiador.
8. Se as partes entram em acordo em caminho, a causa está encerrada.
9. Se não entram em acordo, que o pretor as ouça no comitium ou no forum e conheça da
causa antes do meio-dia, ambas as partes presentes.
10. Depois do meio-dia, se apenas uma parte comparece, o Pretor decida a favor da que está
presente.
11. O pôr do sol será o termo final da audiência.
TÁBUA SEGUNDA
Dos julgamentos e dos furtos 1. ... cauções... subcauções ... a não ser que uma doença grave
... um voto ..., uma ausência a serviço da república, ou uma citação por parte de estrangeiro,
dêem margem ao impedimento; pois se o citado, o juiz ou o árbitro, sofre qualquer desses
impedimentos, que seja adiado o julgamento.
2. Aquele que não tiver testemunhas irá, por três dias de feira, para a porta da casa da parte
contrária, anunciar a sua causa em altas vozes injuriosas, para que ela se defenda.
 3. Se alguém comete furto à noite e é morto em flagrante, o que matou não será punido.
4. Se o furto ocorre durante o dia e o ladrão é flagrado, que seja fustigado e entregue como
escravo à vítima. Se é escravo, que seja fustigado e precipitado do alto da rocha Tarpéia.
5. Se ainda não atingiu a puberdade, que seja fustigado com varas a critério do pretor, e que
indenize o dano.
6. Se o ladrão durante o dia defende-se com arma, que a vítima peça socorro em altas vozes e
se, depois disso, mata o ladrão, que fique impune.
7. Se, pela procura cum lance licioque, a coisa furtada é encontrada na casa de alguém, que
seja punido como se fora um furto manifesto.
8. Se alguém intenta ação por furto não manifesto, que o ladrão seja condenado no do-bro.
 9. Se alguém, sem razão, cortou árvore de outrem, que seja condenado a indenizar à razão de 25
asses por árvore cortada.
10. Se transigiu com um furto, que a ação seja considerada, extinta.
11. A coisa furtada nunca poderá ser adquirida por usucapião.
TÁBUA TERCEIRA
Dos direitos de crédito 1. Se o depositário, de má fé, pratica alguma falta com relação ao
depósito, que seja condenado em dobro.
2. Se alguém coloca o seu dinheiro a juros superiores a um por cento ao ano, que seja
condenado a devolver o quádruplo.
3. O estrangeiro jamais poderá adquirir bem algum por usucapião.
4. Aquele que confessa dívida perante o magistrado ou é condenado, terá 30 dias para pagar.
5. Esgotados os 30 dias e não tendo pago, que seja agarrado e levado à presença do
magistrado.
 6. Se não paga e ninguém se apresenta como fiador, que o devedor seja levado pelo seu credor e
amarrado pelo pescoço e pés com cadeias com peso até o máximo de 15 libras, ou menos, se
assim o quiser o credor.
7. O devedor preso viverá à sua custa, se quiser; se não quiser o credor que o mantém preso
dar-lhe-á por dia uma libra de pão ou mais, a seu critério.
 8. Se não há conciliação, que o devedor fique preso por 60 dias, durante os quais será
conduzido em 3 dias, de feira ao comitium, onde só proclamará em altas vozes, o valor da
divida.
9. Se são muitos os credores, é permitido, depois do terceiro dia de feira, dividir o corpo do
devedor em tantos pedaços quantos sejam os credores, não importando cortar mais ou menos;
se os credores preferirem, poderão vender o devedor a um estrangeiro, além do Tibre.
TÁBUA QUARTA
Do pátrio poder e do casamento 1. É permitido ao pai matar o filho que nasce disforme,
mediante o julgamento de cinco vizinhos.
2. O pai terá sobre os filhos nascidos de casamento legítimo o direito de vida e de morte e o
poder de vendê-los.
3. Se o pai vendeu o filho 3 vezes, que esse filho não recaia mais sob o poder paterno.
 4. Se um filho póstumo nasceu até o décimo mês após a dissolução do matrimônio, que esse
filho seja reputado legitimo.
TÁBUA QUINTA
Das heranças e tutelas
1. As disposições testamentárias de um pai de família sobre os seus bens ou a tutela dos
filhos terão a força de lei.
2. Se o pai de família morre intestado, não deixando herdeiro seu (necessário), que o agnado
mais próximo seja o herdeiro.
3. Se não há agnados, que a herança seja entregue aos gentis.
4. Se um liberto morre intestado, sem deixar herdeiros seus, mas o patrono ou os filhos do
patrono a ele sobrevivem, que a sucessão desse liberto transfira ao parente mais próximo na
família do patrono.
5. Que as dividas ativas e passivas sejam divididas entre os herdeiros, segundo o quinhão de
cada um.
6. Quanto aos demais bens da sucessão indivisa, os herdeiros, poderão parilhá-los, se assim o
desejarem; para esse fim o pretor poderá indicar 3 árbitros.
 7 Se o pai de família morre sem deixar testamento, ficando um herdeiro seu impúbere, que o
agnado mais próximo seja o seu tutor.
8. Se alguém torna-se louco ou pródigo e nato tem tutor, que a sua pessoa e seus bens, sejam
confiados à curatela dos aguados e, se não há agnados, à dos gentis.
TÁBUA SEXTA
Do direito de propriedade e da posse 1. Se alguém empenha a sua coisa ou vende em
presença de testemunhas, o que prometeu tem força de lei.
2. Se não cumpre o que prometeu, que seja condenado em dobro.
3. O escravo a quem foi concedida a liberdade por testamento, sob a condição de pagar uma
certa quantia, e que é vendido em seguida, tornar-se-á livre se pagar a mesma quantia ao
comprador.
4. A coisa vendida, embora entregue, só será adquirida pelo comprador depois de pago o
preço.
5. As terras serão adquiridas por usucapião depois de dois anos de posse, as coisas móveis
depois de um ano.
6. A mulher que residiu durante um ano em casa de um homem, como se fora sua esposa, é
adquirida por esse homem e cai sob o seu poder, salvo se se ausentar da casa por 3 noites.
7. Se uma coisa é litigiosa, que o pretor a entregue provisoriamente àquele que detém a
posse; mas se se tratar da liberdade de um homem que está em escravidão, que o pretor lhe
conceda a liberdade provisória.
8. Quea madeira utilizada para a construção de uma casa, ou para amparar videira, não seja
retirada só porque o proprietário a reivindica; mas aquele que utilizou a madeira que não lhe
pertencia, seja condenado a pagar o dobro do valor; e se a madeira é destacada da construção ou
do vinhedo, que seja permitido ao proprietário reivindicá-la.
9. Se alguém quer repudiar a sua mulher, que apresente as razões desse repúdio.
TÁBUA SÉTIMA
Dos delitos
1. Se um quadrúpede causa qualquer dano, que o seu proprietário indenize o valor desse dano
ou abandone o animal ao prejudicado.
2. Se alguém causa um dano premeditadamente, que o repare.
3. Aquele que fez encantamentos contra a colheita de outrem; 4. ou a colheu furtivamente à
noite antes de amadurecer ou a cortou depois de madura, será sacrificado a Ceres.
5. Se o autor do dano é impúbere, que seja fustigado a critério do pretor e indenize o prejuízo
em dobro.
6. Aquele que fez pastar o seu rebanho em terreno alheio; 7. E o que intencionalmente
incendiou uma casa ou um monte de trigo perto de uma casa, seja fustigado com varas e em
seguida lançado ao fogo; 8. Mas se assim agiu por imprudência, que repare o dano; se não tem
recursos para isso, que seja punido menos severamente do que se tivesse agido
intencionalmente.
9. Aquele que causar dano leve indenizará 25 asses.
10. Se alguém difama outrem com palavras ou cânticos, que seja fustigado.
11. Se alguém fere a outrem, que sofra a pena de Talião, salvo se houver acordo.
12. Aquele que arrancar ou quebrar um osso a outrem deve ser condenado a uma multa de
300 asses, se o ofendido é um homem livre; e de 150 asses, se o ofendido é um escravo.
13. Se o tutor administra com dolo, que seja destituído como suspeito e com infâmia; se
causou algum prejuízo ao tutelado; que seja condenado a pagar o dobro ao fim da gestão.
14. Se um patrono causa dano a seu cliente, que seja declarado sacer (podendo ser morto
como vítima devotada aos deuses).
15. Se alguém participou de uma ato como testemunha ou desempenhou nesse ato as funções
de libripende, e recusa dar o seu testemunho, que recaia sobre ele a infâmia e ninguém lhe sirva
de testemunha.
16. Se alguém profere um falso testemunho, que seja precipitado da rocha Tarpéia.
17. Se alguém matou um homem livre e empregou feitiçaria e veneno, que seja sacrificado
como o último suplício.
18. Se alguém matou o pai ou a mãe, que se lhe envolva a cabeça e seja colocado em um saco
costurado e lançado ao rio.
TÁBUA OITAVA
Dos direitos prediais
1. A distância entre as construções vizinhas deve ser de dois pés e meio.
2. Que os sodales (sócios) façam para si os regulamentos que entenderem, contando que não
prejudiquem o público.
3. A área de cinco pés deixada livre entre os campos limítrofes não pode ser adquirida por
usucapião.
4. Se surgem divergências entre possuidores de campos vizinhos, que o pretor nomeie três
árbitros para estabelecerem os limites respectivos.
5. Lei incerta sobre limites
6. ... jardim ...
7. ... herdade ...
8. ... choupana ...
9. Se uma árvore se inclina sobre o terreno alheio, que os seus galhos sejam podados à altura
de mais de 15 pés.
10. Se caem frutos sobre o terreno vizinho, o proprietário da árvore tem o direito de colher
esses frutos.
11. Se a água da chuva retida ou dirigida por trabalho humano, causa prejuízo ao vizinho, que
o pretor nomeie 3 árbitros, e que estes exijam, do dono da obra, garantias contra o dano
iminente.
12. Que o caminho em reta tenha oito pés de largura e o em curva tenha dezesseis.
 13. Se aqueles que possuem terrenos vizinhos a estrada não. os cercam, que seja permitido
deixar pastar o rebanho à vontade. (Nesses terrenos).
TÁBUA NONA
Do direito público
1. Que não se estabeleçam privilégios em leis. (Ou: que não se façam leis contra indivíduos).
2. Aqueles que foram presos por dívidas e as pagaram, gozam dos mesmos direitos como se
não tivessem sido presos; os povos que foram sempre fiéis e aqueles cuja defecção foi apenas
momentânea gozarão de igual direito.
3. Se um juiz ou um árbitro indicado pelo magistrado recebeu dinheiro para julgar a favor de
uma das partes em prejuízo de outrem, que seja morto.
4. Que os comícios por centúrias sejam os únicos a decidir sobre o estado de um cidadão
(vida, liberdade, cidadania, família).
5. Os questores de homicídio ...
6. Se alguém promove em Roma Assembleias noturnas, que seja morto.
 7. Se alguém insuflou o inimigo contra a sua Pátria ou entregou um concidadão ao inimigo, que
seja morto.
TÁBUA DÉCIMA
Do direito sacro
1. .... do juramento.
2. Não é permitido sepultar nem incinerar um homem morto na cidade.
3. Moderai as despesas com os funerais.
4. Fazei apenas o que é permitido.
5. Não deveis polir a madeira que vai servir à incineração.
6. Que o cadáver seja vestido com três roupas e o enterro se faça acompanhar de dez
tocadores de instrumentos.
7. Que as mulheres não arranhem as faces nem soltem gritos imoderados.
8. Não retireis da pira os restos dos 05505 e um morto, para lhe dar segundos funerais, a
menos que tenha morrido na guerra ou em país estrangeiro.
9. Que os corpos dos escravos não sejam embalsamados e que seja abolido dos seus funerais
o uso de bebida em tomo do cadáver.
10. Que não se lancem licores sobre a pira de incineração nem sobre as cinzas do morto.
11. Que não se usem longas coroas nem turíbulos nos funerais.
12. Que aquele que mereceu uma coroa pelo próprio esforço ou a quem seus escravos ou seus
cavalos fizeram sobressair nos jogos, traga a coroa como prova do seu valor, assim como os
seus parentes, enquanto o cadáver está em casa e durante o cortejo.
13. Não é permitido fazer muitas exéquias nem muitos leitos fúnebres para o mesmo morto.
 14. Não é permitido enterrar ouro com o cadáver; mas se seus dentes são presos com ouro,
pode-se enterrar ou incinerar com esse ouro.
15. Não é permitido, sem o consentimento do proprietário levantar uma pira ou cavar novo
sepulcro, a menos de sessenta pés de distância da casa.
16. Que o vestíbulo de um túmulo jamais possa ser adquirido por usucapião, assim o próprio
túmulo.
TÁBUA DÉCIMA PRIMEIRA
1. Que a última vontade do povo tenha força de lei.
2. Não é permitido o casamento entre patrícios e plebeus.
3. .... Da declaração pública de novas consecrações.
TÁBUA DÉCIMA SEGUNDA
1. .... do penhor .....
2. Se alguém fez consagrar uma coisa litigiosa, que pague o dobro do valor da coisa
consagrada.
3. Se alguém obtém de má fé a posse provisória de uma coisa, que o pretor, para pôr fim ao
litígio, nomeie três árbitros, e que estes condenem o possuidor de má fé a restituir o dobro dos
frutos.
4. Se um escravo comete um furto, ou causa algum dano, sabendo-o o patrono, que seja
obrigado esse patrono a entregar o escravo, como indenização, ao prejudicado.
Fragmentos não classificados extraídos de Hotomano 1. Que os sacrifícios religiosos
domésticos sejam perpétuos. (Cic. de leg., lib. 2) 2. Que o mês de fevereiro, que era o último do
ano segundo o calendário de numa, passe a ser o segundo. Que se intercale neste mês, depois
das festas ao deus Término, os dias que faltarão a cada ano, para completar o ciclo solar.
3. Que ninguém se arrogue o direito de matar um homem que não foi condenado, nem de
conduzir arma com esse intento. (Salvianus, lib. 8, de jud. et provid. - Cic., pro Milone, n. 11).
4. Que a filha e outros descendentes saiam do poder paterno por uma única emancipação.
 5. Aquele que adotou como filho um filho que o pai lhe vendeu tenha sobre ele o poder de vida
e de morte e que esse filho adotivo seja considerado como se fosse nascido do adotante e sua
mulher.
6. Que os filhos e filhas famílias herdem de seu pai como herdeiros seus (necessários).
7. Se um dos herdeiros seus, do sexo masculino, renuncia os direitos hereditários, que seus
filhos e outros descendentes, na mesma qualidade, o sucedam; mas por estirpes e não por
cabeças.
8. Que a mulher sob o poder do marido seja a mãe de família (materfamilias); que ela se
associe às propriedades e aos sacrifícios religiosos; que setorne herdeira sua (necessária), e ele,
herdeiros seu.
9. Se uma mulher bebe vinho ou comete um ato vergonhoso com homem estrangeiro, que o
marido e a família dessa mulher a julguem e a punam; e se é surpreendida em adultério, que o
marido tenha o direito de matá-la.
10. Que as mulheres órfãs e solteiras fiquem sob a tutela de seu irmão ou do agnado mais
próximo.
11. Que o pretor possa interditar o pródigo tomando conhecimento dos motivos e coloque a
sua pessoa e seus bens sob o poder de seus agnados ou de seus gentis.
12. Que o pai de família (Paterfamilias), que fizesse legado de seus bens, os empenhasse ou
os vendesse pelo bronze e balança (per aes et libram) o testemunhasse com pelo menos cinco
pessoas, cidadãos romanos púberes, além do libripende.
13. Que aquele que vendesse as coisas manicipi, as empenhasse e as alienasse, não o fizesse
se não pelo bronze e balança, na presença de cinco testemunhas, cidadãos romanos e púberes.
14. Que o escravo causador de um dano e em seguida liberto indenize ele próprio o dano que
causou.
Extraídos de Marcílio
1. Quando duas pessoas litigam em juízo, disputando uma posse, que seja feita a conces-são
provisória da posse, presentes as testemunhas.
2. Declaro que esta coisa é minha pelo direito dos cidadãos romanos e que eu a comprei com
este dinheiro (bronze) e esta balança ... Tocai a balança com o dinheiro (bronze).
3. Do muro comum.
4. Que se puna aquele que procura informar-se sobre o nome de uma mãe de família
(Materfamilias).
5. Do direito dos feciais.
3º. Período do principado (de 27 a.C., quando o Senado investe
Octaviano, futuro Augusto, no Poder Supremo - princeps, até 285 d.C.) Os
generais podiam, livremente, recrutar soldados, que prestavam juramento e
tinham subordinação direta a eles. Isto fez com que os generais tivessem
muito poder.
Julio César e Pompeo disputaram o comando de Roma. Em seguida,
Octaviano, sobrinho e filho adotivo de Julio César, chegou ao Poder após a
morte do tio e o dividiu com Marco Antonio. Octaviano conseguiu
centralizar todo o Poder em suas mãos e recebeu do Senado o título de
Augusto, que significava que ele não estava subordinado a nada, nem
mesmo à lei. Tal período foi uma transição entre a república e a monarquia
absoluta.
4º. Período do dominato (285 a 565 d.C., data em que morre Justiniano) O
Imperador governava e administrava o vasto território com ajuda de
funcionários por ele nomeados e livremente demitidos.
No século III, houve uma crise que provocou mudanças profundas na
estrutura política do Império Romano. Constantino reorganizou o império e
reconheceu o cristianismo como religião oficial. Além disto, fundou uma
nova capital, Constantinopla, na antiga Bizâncio (atual Turquia). O Império
Romano foi dividido. Roma passou a ser capital do “Império Romano do
Ocidente”, enquanto Constantinopla (Bizâncio) a capital do “Império
Romano do Oriente”.
No início deste período não havia grandes juristas, apenas práticos. A
citação de juristas antigos chegou a ser proibida por Constantino. Mas,
depois surgiram escolas de Direito. Quando Justiniano chegou ao poder
começou uma reforma militar e legislativa. A obra legislativa de Justiniano
até hoje é a principal fonte do direito privado moderno. Ela contém quatro
partes: Institutas (manual escolar), Digesto (compilação de julgados),
Código (compilação das leis) e Novelas. Este conjunto é chamado de
“corpus iuris ciuilis” (corpo do direito civil).
O “corpus iuris ciuilis” está assim dividido: Institutas – 4 livros, Digesto –
50 livros e Código – 12 livros.
Em 476 d.C caiu o Império Romano do Ocidente, com a deposição de
Rômulo Augusto pelos bárbaros, que proclamaram Odroaco como rei da
Itália. Os hérulos (bárbaros) foram derrotados pelo exército bizantino de
Justiniano, que desejava reunificar os 2 impérios. Três anos após a morte de
Justiniano, os bizantinos perderam o domínio da península ibérica e, no
final do século IX, do restante do império.
Em 565 d. c. faleceu o imperador. Tal fato é considerado termo final do
direito romano. Começa, então, o direito bizantino – uma evolução do
direito de Justiniano com influências orientais. O direito romano deixou de
ser aplicado em Bizâncio, porque a língua latina deixou de ser falada no
Oriente, cuja língua mais fluente era o grego. Além disto, houve desuso de
alguns costumes vigentes em Roma.
Os imperadores bizantinos elaboraram compilações para facilitar a
aplicação do direito. Dentre elas destacam-se as Basílicas, iniciadas por
Basílio, o Macedônio e concluídas por Leão, o filósofo. (escritas em grego e
divididas em 60 livros) No século XI surgiu, em Bolonha, a “Escola dos
Glossadores” que retomou os Estudos do Direito Romano. Os glossadores
receberam este nome por seu meio de estudo através de “glossas” (notas
entre as linhas ou na margem dos textos). O fundador da Escola foi Irnério.
Graças aos glossadores, o direito romano pôde ser decifrado.
Várias Escolas posteriores também contribuíram para o estudo do Direito
Romano: (Pós-glossadores, Escola culta – no renascimento –
principalmente na França, Escola Elegante – na Holanda, Escola Histórica
Alemã).
Cada fase do Império Romano possuía certas características e o direito foi
sendo modificado. Entretanto, existem algumas linhas gerais, em especial
do direito de Justiniano, quais sejam: As “pessoas” não eram sujeitos de
direito, eram objeto de direitos. Pessoas físicas eram os homens (ser
masculino). Mas apenas os homens livres, pois os escravos eram
equiparados às coisas. A escravidão podia ocorrer pela captura do inimigo
ou pelo nascimento de origem escrava.
O feto era considerado apenas vísceras da mulher, mas tinha expectativa
de direito. Assim, do ponto de vista patrimonial podia ser protegido.
O parentesco ocorria quando o nascimento fosse oriundo de “justa
núpcia”, ou seja: em um casamento com “manus”. Com efeito, “manus” era
um poder marital pelo qual a mulher ingressava na família do marido e
devia se submeter totalmente a ela. O divórcio extinguia o casamento, mas
não o “manu”, ou seja: a mulher continuava se submetendo à família do ex-
marido. Apenas se ocorresse uma “venda por três vezes” é que se extinguia
o “manu”. A “venda por três vezes” era uma formalidade em que havia uma
simulação de venda para outra pessoa e a devolução, pelo mesmo valor,
para, em seguida, uma nova venda sem devolução para a “venda”
finalmente ser concretizada.
O poder familiar, ou “pater potestas” era do ascendente masculino mais
remoto. Em Roma, ao contrário da Grécia, o “pater potestas” não se
extinguia com a maioridade.
Podia haver legitimação dos filhos nascidos em concubinato, que
adquiriam a condição de filhos legítimos. A adoção também podia ocorrer,
desde que o adotado se libertasse da família de origem com a “venda por
três vezes”.
A idade civil se dividia em púbere ou impúbere. Para as mulheres, a
puberdade ocorria aos 12 anos. Por sua vez, os homens deveriam se
submeter a exames físicos que verificavam sua capacidade de procriação.
A prova da morte incumbia a quem alegasse e não havia obrigação dos
parentes de informar o falecimento. Se não pudesse ser determinado quem
morreu primeiro, presumir-se-ia que morreram simultaneamente.
(comoriência). No tempo de Justiniano, foi acrescentada uma regra que,
tratando-se de pai e filho, se este fosse púbere se presumia que faleceu
depois daquele; se fosse impúbere, antes.
Havia pessoas jurídicas: corporações ou fundações. As corporações
possuíam patrimônio distinto das pessoas que as compunham. Devia haver,
pelo menos, 3 (três) pessoas e um estatuto, com finalidade lícita. Além
disto, era exigido autorização do Estado. As fundações eram bens
destinados a uma finalidade.
As coisas, assim como no direito civil moderno, eram divididas em:
corpóreas ou incorpóreas, móveis ou imóveis; fungíveis ou infungíveis;
consumíveis ou inconsumíveis, divisíveis ou indivisíveis, principais ou
acessórias, “in comercium” ou “extra comercium”, etc.
Havia diferenciação entre o ato jurídico (que depende da vontade humana)e o fato jurídico (que não depende). Porém, os romanos não conheciam o
instituto do negócio jurídico, que foi criação moderna, De qualquer forma,
este instituto teve inspiração romana.
Em Roma não se diferenciava direito real ou pessoal, mas se conhecia o
direito de propriedade, o direito de uso e o de garantia. Os romanos já
distinguiam a posse da propriedade.
O furto era considerado ilícito civil e a injúria abrangia também a lesão
corporal.
O processo romano atingiu alto grau de evolução ainda hoje é admirado.
Era oral e com muito formalismo. Podia-se perder uma causa se não fosse
usada a palavra certa.
DIREITO HINDU
De início, adverte-se que “direito hindu” e direito indiano são expressões
com significados diferentes. Com efeito, direito indiano é o direito vigente
na Índia (país). Por sua vez, direito hindú é um sistema jurídico que
influenciou não só a Índia, mas toda uma região.
O direito hindu também é um sistema jurídico fortemente influenciado
pela religião. Neste caso, o hinduísmo (ou bramanismo). É uma religião
politeísta (33 Deuses – 11 no céu, 11 na terra e 11 intermediários). Não há
serviços públicos religiosos, nem sacerdotes. Os rituais são individuais e
são freqüentes os “sacrifícios”.
Na verdade, a palavra “direito” não existe nesta forma de organização da
sociedade. O que existe são “dharmas”. Neste caminho, “dharma” é o
conjunto de regras (morais, religiosas) que a pessoa deve seguir. Foram
reveladas pelas “divindades” e estão escritas nos livros sagrados.
É consagrada a desigualdade social. Cada um tem o seu lugar na
sociedade. (castas). Existem quatro castas: Bramanes – encarregados do
ensino e sacrifícios Ksatriyas – guerreiros, encarregados de proteção da
sociedade com armas Varsyas – encarregados dos negócios Sudras -
encarregados de cultivar os campos Quem não pertencer a nenhuma casta é
considerado “chandala”. Cada casta tem desprezo pelas outras inferiores.
O “rajá” é o chefe ou senhor da aldeia. Ele recebe os impostos e tem o
direito de punir.
As fontes do direito hindu são os costumes e o “Manusmrti”, que é uma
literatura tradicional sobre as regras de condutas (dharmas). Tais regras,
equivocadamente, são chamadas pela doutrina como “Código de Manú”. Na
verdade, o “Manusmrti” não é um “Código”. A tradução literal seria
“Memória de Manu”. Os dharmas são expostos de maneira clara e, de certa
forma, sistematizada. É composto por 5.400 versículos, em 12 livros e foi
revelado entre 200 a. C e 200 d. C..
Os livros do “Código de Manú”, contém: 14
“Livro Primeiro - Descreve a apresentação e o pedido das leis compiladas
pelos Maharqui (os dez santos eminentes) dirigido a Manu; a criação do
mundo; a hierarquia celeste e humana; a divisão do tempo; o alternar-se da
vida e da morte, em cada ser criado; e, a explicação das regras para que
possam ser difundidas.
Livro Segundo - Institui quais sejam os deveres que devem cumprir os
homens virtuosos, os quais são inatacáveis tanto pelo ódio quanto pelo
amor, e as obrigações e a vida prescrita para o noviciado e a assunção dos
sacramentos para os Brâmanes, sacerdotes, membros da mais alta casta
hindu.
Livro Terceiro - Estipula normas sobre o matrimônio e os deveres do
chefe da família; trazendo descrições minuciosas sobre os inúmeros
costumes nupciais; o comportamento do bom pai frente à mulher e aos
filhos; a obrigação de uma vida virtuosa; a necessidade de excluir pessoas
indesejáveis, como, por exemplo, os portadores de doenças infecciosas, os
ateus, os que blasfemam, os vagabundos, os parasitas, os dançarinos de
profissão, etc. do meio familiar; as oblações que devem ser feitas aos
deuses, etc.
Livro quarto - Ratifica, como de fundamental importância, o princípio de
que qualquer meio de subsistência é bom se não prejudica, ou prejudica o
menos possível, os outros seres humanos, e ensina de que maneira, honesta
e honrosa, se pode procurar como e do que viver.
Livro Quinto - Indica quais os alimentos que devem ser preferencialmente
consumidos para ter uma vida longa e quais normas de existência devem ser
seguidas para a purificação do corpo e do espírito; eleva simbolicamente a
função do trabalho e determina normas de conduta para as mulheres, que
devem estar sempre submetidas ao homem (pai, marido, filho ou parente e,
na falta, ao soberano).
Livro Sexto - Regula a vida dos anacoretas (religioso contemplativo) e
dos ascetas (praticantes); de como tornarem-se, conhecendo as escrituras,
cumprindo sacrifícios e abandonando as paixões humanas.
Livro Sétimo - Determina os deveres dos reis e confirma as normas de sua
conduta, que deve ter como objetivo proteger com justiça todos aqueles que
estão submetidos ao seu poder. O Código se ocupa não só das relações
internas, como também das externas, e dita regras de diplomacia para os
embaixadores do rei e da arte da guerra quando for preciso recorrer às
armas. O princípio romano “se queres a paz prepara-te para a guerra” (si vis
pacem para bellum), já é aplicado aqui, quando diz que o rei, cuja armada
mantém-se eficiente e constantemente em exercício, é temido e respeitado
pelo mundo inteiro.
Livro Oitavo e Nono - São os que mais interesse trazem aos jornais, pois
contêm normas de direito substancial e processual, como também as normas
de organização judiciária. A justiça vem do rei, que deve decidir
pessoalmente as controvérsias que podem ser resumidas nos dezoito títulos
do Livro Oitavo e nos três do Livro Nono.
Livro Oitavo: Parte Geral: I – Da Administração da Justiça – Dos Ofícios
dos Juízes; II – Dos Meios de Provas; III – Das Moedas; Parte Especial: IV
– Das Dívidas; V – Dos Depósitos; VI – Da Venda de Coisa Alheia; VII –
Das Empresas Comerciais; VIII – Da Reivindicação da Coisa Doada; IX –
Do não Pagamento por Parte do Fiador; X – Do Inadimplemento em Geral
das Obrigações; XI – Da Anulação de uma Compra e Venda; XII –
Questões entre Patrão e Servo; XIII – Regulamento dos Confins; XIV – Das
Injúrias; XV – Das Ofensas Físicas; XVI – Dos Furtos; XVII – Do Roubo;
XVIII – Do Adultério.
Livro Nono: XIX – Dos Deveres do Marido e da Mulher; XX – Da
Sucessão Hereditária; XXI – Dos Jogos e dos Combates de Animais;
Disposições Finais.
Livro Décimo - Regula a hierarquia das classes sociais, a possibilidade do
matrimônio e os direitos que têm os filhos nascidos durante sua vigência e
estabelece normas de conduta para aqueles que não conseguem, por
contingências adversas, viver segundo as prescrições e as exigências de sua
própria casta.
Livro Décimo Primeiro – Enumera uma longa série de pecados e faltas e
estabelece as penitências e os meios para se redimir.
Livro Décimo Segundo - Enfoca a recompensa suprema das ações
humanas. Aquele que faz o bem terá o bem eterno nas várias
transmigrações de sua alma; o que faz o mal receberá a devida punição nas
futuras encarnações. As transmigrações da alma são detalhadamente
previstas e descritas. Tanto em bem quanto em mal, até que a alma chegue à
perfeita purificação e, em consequência, possa ser reabsorvida por
Brahma.”
Abaixo alguns trechos do “Código de Manú”: Art. 17º A justiça é o único
amigo que acompanha os homens depois da morte; porque qualquer outro
afeto é submetido à mesma destruição que o corpo.
Art. 18º Um quarto da justiça de um julgamento, recai sobre aquele dos dois contestantes,
que está em causa; um quarto, sobre a testemunha falsa, um quarto, sobre todos os juízes, um
quarto, sobre o rei.
Art. 19º Mas quando o culpado é condenado, o rei é inocente, os juízes são isentos de censura
e a culpa cabe àquele que nela incorreu.
Art. 20º Que o príncipe escolha, se tal a sua vontade, para intérprete da lei, um homem da
classe sacerdotal, que não cumpriu os respectivos deveres, e que não tem outra recomendação
que seu nascimento ou mesmo um homem que passe por Brâmane, um Ksatriya 3 ou um Vaisya
4, mas, nunca um homem da classe serviu.
Art. 21º Quando um rei tolera que um Sudra 5 pronuncie julgamento à sua vista, seu reino
está em um perigo igual ao de uma vaca em um atoleiro.
Art. 49. Devem-se escolhercomo testemunhas, para as causas, em todas as classes, homens
dignos de confiança, conhecendo todos os seus deveres, isentos de cobiça, e rejeitar aqueles
cujo caráter é o oposto a isso.
Art. 51º Não se pode tomar para testemunha nem o rei, nem um artista de baixa classe, como
um cozinheiro, nem um ator, nem um hábil teólogo, nem um estudante, nem um ascético
afastado de todas as relações mundanas.
Art. 124º Um credor, para forçar seu devedor a satisfazê-lo, pode recorrer aos diferentes
meios em uso na cobrança de uma dívida.
Art. 125º Por meios conforme ao dever moral 20, por demanda, pela astúcia 21, pela ameaça
22 e, enfim, pelas medidas violentas 23, pode um credor se fazer pagar da soma que lhe devem.
Art. 126º O credor que força seu devedor a lhe restituir o que lhe emprestou, não deve ser
censurado pelo rei por haver retomado o seu bem.
Art. 127º Quando um homem nega uma dívida, que o rei lhe faça pagar a soma de que o
credor fornecer prova e o puna com uma ligeira multa proporcional às suas faculdades.
Art. 128º Sobre a recusa de um devedor citado diante do Tribunal para parar, que o autor
invoque em testemunho uma pessoa presente no momento do empréstimo, ou produza uma
outra prova, como um bilhete.
Art. 157º Mas, um filho não é obrigado a pagar as somas devidas por seu pai, por ter prestado
caução ou prometido por si, sem razão, a cortesãs ou a músicos, nem o dinheiro perdido no jogo
ou devido por licores alcoólicos, nem o resto do pagamento de uma multa ou de um imposto.
Art. 201º Não se deve vender nenhuma mercadoria de má qualidade como boa, nem uma
mercadoria de um peso mais fraco que o convencionado, nem uma coisa afastada, nem uma
coisa de que se tem escondido os defeitos.
Art. 202º Se depois de haver mostrado ao pretendente uma rapariga, cuja mão lhe é
concedida mediante uma gratificação, se lhe dá uma outra por esposa, ele se torna marido de
ambas pelo mesmo preço.
Art. 203º Aquele que dá uma rapariga em casamento e faz antecipadamente conhecer seus
defeitos declarando que ela é louca ou atacada de elefantíase ou que ela já teve comércio com
um homem, não é passível de nenhuma pena.
Art. 223º Mas, aquele que por maldade chega a dizer: essa rapariga não é virgem, deve sofrer
uma multa de cem panas, se não puder provar que ela foi poluída.
Art. 224º As orações nupciais são destinadas somente ás virgens e nunca, neste mundo,
àquelas que perderam a virgindade; porque tais mulheres são excluídas das cerimônias legais.
Art. 225º As cerimônias nupciais são as sanções necessárias ao casamento; e os homens
instruídos devem saber que o pacto consagrado por essas orações é completo e irrevogável, no
sétimo passo feito pela nubente, quando ela caminha dando a mão a seu marido.
Art. 264. Um Ksatriya, por ter injuriado um Brâmane, merece uma multa de cem panas; um
Vaisya, uma multa de cento e cinqüenta ou de duzentos, um Sudra, uma pena corporal.
Art. 267. Um homem da última classe que insulta um Dvija por invectivas afrontosas, merece
ter a língua cortada; porque ele foi produzido pela parte inferior de Brahma.
Art. 268º Se ele os designa por seus nomes e por suas classes de uma maneira ultrajante, um
estilete de ferro, de dez dedos de comprimento, será enterrado fervendo em sua boca.
Art. 269º Que o rei lhe faça derramar óleo fervendo na boca e na orelha se ele tiver a
imprudência de dar conselhos aos brâmanes relativamente ao seu dever.
Art. 270º Aquele que nega sem razão, por orgulho, os conhecimentos sagrados, o país natal, a
classe, a iniciação e os outros sacramentos de um homem que lhe é igual em classe, deve ser
constrangido a pagar duzentos panas de multa.
Art. 271º Se um homem censura a outro ser zarolho, coxo ou ter uma enfermidade
humilhante, ainda que diga a verdade, deve pagar a fraca multa de um karkapana.
Art. 276. De qualquer membro que se sirva um homem de baixo nascimento para ferir um
superior, esse membro deve ser mutilado.
Art. 277. Se ele levantou a mão ou um bastão sobre o superior, deve ter a mão cortada; se em
um movimento de cólera lhe deu um pontapé, que seu pé seja cortado.
Art. 279. Se ele escarra com insolência sobre um Brâmane, que o rei lhe faça mutilar os dois
lábios; se ele urina sobre um Brâmane, a uretra; se ele larga um peido na presença deste, o ânus.
Art. 281. Se um homem arranha a pele de uma pessoa da mesma classe que ele e faz correr
sangue, deve ser condenado a cem panas de multa; por um ferimento que penetrou na carne, a
seis mikkas; pela fratura de um osso, ao banimento.
Art. 293º Por um homem morto, uma multa 32 igual à que se paga pelo furto deve ser logo
imposta; ela é de metade para animais grandes, como vacas, elefantes, camelos e cavalos.
Art. 294º Para animais de pouco valor, a multa é de duzentos panas e de cinqüenta para
animais selvagens como o corvo e a gazela, e para as aves agradáveis, como o cisne e o
papagaio.
Art. 295º Por um asno, um bode, um carneiro, a multa deve ser de cinco mashas 33 de prata e
de um só masha por haver morto um cão ou um porco.
Art. 296º Uma mulher, 34 um menino, um criado, um aluno, um irmão ou mesmo leito,
porém mais moço, podem ser castigados quando cometem qualquer falta, com uma corda ou
uma haste de bambu.
Art. 297º Mas, sempre sobre a parte posterior do corpo, e nunca sobre as partes nobres;
aquele que bate de uma outra maneira é passível da mesma pena Art. 314º O autor da morte de
um feto comunica a sua culpa à pessoa que comeu do alimento que ele preparou; uma mulher
adúltera a seu marido que tolera suas desordens; um aluno que despreza seus deveres piedosos,
a seu diretor, que não o vigia; aquele que oferece um sacrifício e não observa as cerimônias ao
sacrificador negligente; um ladrão, ao rei que o perdoa.
Art. 315º Mas, os homens que cometem crimes e aos quais o rei infligiu castigos, vão direto
ao céu, isentos de pecados, tão puros como as pessoas que fizeram boas ações.
Art. 319. Por um furto de mais de cinqüenta palas dos objetos mencionados (= objetos
preciosos), deve-se ter a mão cortada; por menos de cinqüenta, o rei deve aplicar uma multa de
onze vezes o valor do objeto.
Art. 329. A ação de tirar uma coisa com violência, à vista do proprietário, é um roubo; em
sua ausência é furto, do mesmo modo que o que se nega ter recebido.
Art. 347º Um homem deve matar, sem hesitação, a quem se atire sobre ele para assassiná-lo,
se não tem nenhum meio de escapar, quando, mesmo, fosse seu direito, ou uma criança ou um
ancião; ou ainda um Brâmane muito versado na Escritura Santa.
Art. 348º Matar um homem que faz uma tentativa de assassinato em público ou em particular,
não faz ninguém culpado de assassinato: é o furor nas presas do furor.
Art. 349º Que o rei bane, depois de havê-los punidos com mutilações infamantes, aqueles que
se aprazem em seduzir as mulheres dos outros.
Art. 353º Aquele que fala à mulher do outro em um lugar de peregrinação, em uma floresta
ou em um bosque, ou na confluência de dois rios, isto é, em um lugar afastado, incorre na pena
de adultério.
Art. 354º Ter pequenos cuidados com uma mulher, mandar-lhe flores e perfumes, gracejar
com ela, tocar nos seus enfeites ou nas suas vestes, sentar-se com ela no mesmo leito, são
considerados pelos sábios, como as provas de um adultério.
Art. 355º Tocar o seio de uma mulher casada ou outras partes do seu corpo de uma maneira
indecente, deixar-se tocar assim por ela, são ações resultantes do adultério, com consentimento
mútuo.
Art. 420º Uma mulher está sob a guarda de seu pai, durante a infância, sob a guarda de seu
marido durante a juventude, sob a guarda de seus filhos em sua velhice; ela não deve jamais se
conduzir à sua vontade.
Art. 430º Beber licores inebriantes, freqüentar má companhia, separar-se de seu esposo,
correr de um lado e de outro, entregar-se ao sono em hora indevida e ficar em casa de outra, são
seis ações desonrosas para mulheres casadas.
Art. 431º Tais mulheres não examinam a beleza, não consultam a idade; que seu amante seja
belo ou feio, pouco importa; é um homem e elas o gozam.DIREITO CHINÊS
O direito chinês teve origem há mais de quatro mil anos e permaneceu
imutável durante quase dois milênios. Até o século XIX, a ideia central na
resolução de conflitos sociais era a de “conciliação”, procurando sempre o
bom senso. Este modo de encarar os conflitos sociais relegou menor
relevância ao direito.
Também há uma concepção religiosa-filosófica. Principalmente dos
ensinamentos de Confúcio, Lao –Tsé e Mencio.
Os chineses são tolerantes com a religião. As três principais são:
Confucionismo (dos letrados), Taoísmo (do povo) e Budismo (do povo).
Confúcio viveu entre 550-479 a. C e deixou cinco livros sagrados,
chamados de KING. Esta religião é monoteísta (grande espírito). Existem
sacrifícios e oferendas aos céus. Os antepassados estão sempre “presentes”
e as pessoas procuram agir com regras de etiqueta, de forma que honrem
aos antepassados. Todos os homens devem cultivar os espíritos
desenvolvendo as virtudes essenciais (humanidade e retidão).
O taoísmo se funda em Lao-Tsé (que viveu antes de Confúcio). A razão
governa o mundo, que deve ser descoberta pelos homens através da
meditação e do êxtase.
O budismo veio da Índia com influências dos costumes chineses.
Os soberanos tentaram impor um sistema jurídico à base de leis na China,
especialmente penais, mas os costumes sempre foram a principal fonte.
No direito tradicional chinês existe diferenciação entre classes sociais e
cada uma delas possui um estatuto moral e jurídico próprio. A família é a
base da sociedade. As classes privilegiadas possuem um “código de honra”.
Para o povo existe um direito penal severo.
A história da China é milenar. Acredita-se que povos vindos da Mongólia
instalaram-se no Vale do Rio Amarelo e deu origem à China. Eles passaram
a viver sob o regime feudal, que desenvolveu uma sociedade dividida em
classes, das quais as privilegiadas eram compostas de guerreiros e letrados.
Pode ser feita a seguinte distinção na sociedade chinesa: Século III a. C.
(249-207 a.C). Império Antigo (Centralizado). Dinastia Ch´in Século II a.
C. Dinastia Han – divisão do país em feudos Século VII d. C. Império
médio – dinastia T´ang - restauração da unidade. Século - Dinastia Ming
Dianstia T´sing – estagnação
1912 – decadência do regime imperial 1949 – república comunista
Em suma, conforme exposto, tradicionalmente, o direito possui papel
secundário na sociedade chinesa, pois o essencial são as regras morais de
convivência, decência e harmonia. Porém, atualmente já existe certa
influência do direito ocidental, especialmente no que se refere aos direitos
econômicos.
Direito japonês
A religião predominante no Japão é o budismo, que foi trazido da China.
Houve, então, grande influência do sistema jurídico chinês. A história do
direito japonês pode ser dividida em três grandes períodos: De 660 a 850 d.
C o direito japonês se inspirou no direito chinês De 850 a 1868 d. C ocorre
um feudalismo (Shogum), com certa semelhança com o da Idade Média
européia.
Depois de 1868 o direito japonês ocidentalizou-se O direito japonês
caracteriza-se pela existência de regras de comportamento – “giri”. As
pessoas temem a censura e o desprezo social. Assim sendo, o controle
social é mais moral do que jurídico. Existem poucos juízes e pequena
organização judiciária.
Modernamente, entretanto, foram elaborados códigos, alguns com
influência francesa, outros alemãs. A partir de 1945 há grande influência
americana no processo de democratização do Japão.
O DIREITO NA ÉPOCA MEDIEVAL
4.1. Considerações iniciais
Com a queda do Império Romano desaparece o Poder centralizador e, em
um primeiro momento, ocorre certa anarquia na Europa. Desse modo, cada
região começa a aplicar regras próprias. A sociedade medieval era
concentrada em pequenos espaços entre vastas regiões pouco povoadas.
Estas regiões ficaram conhecidas como feudos.
No feudalismo, cada feudo tinha suas próprias regras e cada povo seus
costumes. Havia, também, disputa pelo Poder entre a Igreja Católica e as
monarquias que se formavam com a reunião de vários feudos.
O direito na sociedade feudal, na verdade, era uma adaptação da
sociedade da época ao declínio de um poder centralizador e as sucessivas
invasões bárbaras (muçulmana, húngara e escandinava).
Ordens religiosas fortaleceram os mosteiros que resultaram na Inquisição,
que foi criada pela Igreja Católica para julgar todos aqueles que ameaçavam
sua doutrina. Os que a questionavam eram perseguidos e, aos condenados,
aplicavam-se penas cruéis (inclusive a morte na fogueira em praça pública).
O Direito aplicado na Idade Média, então, era o direito canônico (da
Igreja Católica Romana) e o direito da monarquia de cada região (com
variações em cada feudo e grande número de “leis privadas”). Entre estes
sistemas jurídicos, destacam-se: o direito bizantino no sudeste da Europa; o
direito muçulmano, em especial no sudoeste do continente e o “common
law” inglês.
4.2. DIREITO BIZANTINO
Conforme visto, o Império Romano foi dividido em Império Romano do
Ocidente, com sede em Roma e Império Romano do Oriente. O imperador
Constantino fundou a cidade de Constantinopla no local onde viviam
colônias gregas em Bizâncio. Com a queda do Império Romano na Idade
Média, o direito então existente continuou sendo aplicado, mas foi adaptado
aos costumes locais.
O Direito Bizantino, então, é a continuação do Direito Romano. É o
“corpus iuris civilis” de Justiniano interpretado segundo os costumes de
Bizâncio (Constantinopla).
Conforme visto, os imperadores bizantinos elaboraram compilações para
facilitar a aplicação do direito. Dentre elas destacam-se as Basílicas,
iniciadas por Basílio, o Macedônio e concluídas por Leão, o filósofo.
(escritas em grego e divididas em 60 livros).
Assim, surgiram compilações oficiais, em língua grega, adaptáveis à nova
realidade jurídica. Entre elas: a Égloga legum compendiaria, a Lex Rhodia
e o Prochiron Legum.
DIREITO MUÇULMANO
O direito muçulmano não é o direito de um povo específico de
determinado país. Ao contrário, é o ordenamento que toda a comunidade
islâmica deve obedecer onde quer que se encontrem.
A religião islâmica surgiu na região da Arábia, no século VIII d. C..
Atualmente possui mais de 400.000.000 de fiéis. É monoteísta (Deus - Al
Jlah). O Islã é a submissão a Deus. Maomé é o principal profeta e deu início
à era muçulmana quando reconquistou Meca pela “Guerra Santa”. Esta
religião foi influenciada pelo judaísmo e pelo cristianismo. Há poucas
obrigações rituais como: cinco orações por dia e um mês de jejum, desde o
nascimento até o por do Sol (Ramadã). Não há clero, mas diretores de
orações (imã), pregadores de serviço religioso (khaib) e arautos, que
anunciam a hora da oração (almuadem).15
O direito muçulmano não é uma ciência autônoma, mas um das faces da
religião. A “Char’ia” é a lei revelada, obrigações que o crente deve
obedecer espontaneamente e está sujeito às sanções e recompensas
espirituais. As quatro fontes de “Char’ia” são: o Alcorão (livro sagrado
transmitido por Maomé); a Sunna (conjunto de atos e comportamentos de
Maomé – a título de comparação, é como se fosse o “evangelho” para os
cristãos. É uma doutrina escrita, datada de 110 a 300 anos depois de Maomé
– 922 da era cristã); o Idjmâ (acordo unânime da comunidade muçulmana –
interpretação do Alcorão) e a analogia.16
A “lei”, no sentido ocidental, também existe e são válidas, mas desde que
não contrarie a lei revelada por Al Lah. Por ser um “direito religioso”, a
principal sanção no direito muçulmano é o “estado de pecado”.
DIREITO CANÔNICO
O direito canônico é o direito da Igreja Católica, que teve grande
influência na sociedade medieval. É um direito escrito com grande
influência do direito romano. Busca disciplinar a atuação da Igreja com
seus subordinados pela fé. Suas principais fontes são a Bíblia e a legislação
canônica (composta de decisões das autoridades eclesiásticas e decretos dos
Concílios Papais).
A Igreja Católica é uma entidade autônoma que se proclama a instituição
de Deus sobre a Terra. Nãose entende subordinada a nenhuma sociedade do
mundo material. Embora o objetivo da Igreja seja estritamente religioso, é
natural que existam conflitos que tenham repercussão em interesses
materiais.
A religião católica crê nos ensinamentos de Jesus Cristo, filho que Deus
enviou para a Terra para divulgar a fé. O cristianismo, ao contrário de
outras religiões que pretendem ser aplicadas apenas a seus fiéis (aos
“escolhidos”), colocou-se como religião única e verdadeira para toda a
humanidade. É universalista por entender que todas as pessoas são filhas do
mesmo Deus.
Na Idade Média, a Igreja procurou impor sua doutrina, até mesmo com o
uso de força física e castigos corporais. Seus preceitos se fundam em
dogmas, ou seja: crenças estabelecidas sobre as quais não admite discussão.
Os dogmas da Igreja constituem normas de conduta que todos os fiéis
devem obedecer para a “salvação da alma”. O direito canônico possui um
conteúdo espiritual e sobrenatural que incide sobre as manifestações
externas dos fiéis. O “estado de pecado” e a “censura pública” da
comunidade católica são as principais sanções.
Costuma-se dividir o direito canônico em quatro períodos: o inicial, com
as primeiras manifestações do cristianismo (séculos I a XI); o segundo
período, em que existe uma estabilização (séculos XI e XII); o terceiro
período, em que há a consolidação do ordenamento jurídico canônico
(séculos XIII a XV) e o quarto período, com a renovação do direito
canônico (a partir do século XVI).
As fontes do direito canônico podem ser de origem divina (Bíblia e
Tradição da Igreja) ou humana. (Escritos dos apóstolos - Evangelho,
concílios, decretos papais, decisões episcopais, coleções canônicas e
escritos eclesiásticos - obras de São Basílio ou Santo Agostinho, por
exemplo).
Na Idade Média o direito canônico influenciou vários ordenamentos
jurídicos e, algumas vezes, até se confundia com eles. Atualmente, está
praticamente todo condensado no Código de Direito Canônico, que contém
regras de direito material e processual.
“COMMON LAW” INGLÊS
Na Inglaterra medieval, a partir do século XII, os juízes reais começaram
a desenvolver um conjunto de precedentes que viriam a formar o “Common
Law” (direito comum).
Tal sistema jurídico é baseado na jurisprudência, nos precedentes
judiciários e não é codificado. O juiz não cria o direito, apenas declara o
direito existente, o que seria a vontade real. Para isto, ele se baseia nos
casos já julgados – precedentes (“cases”) e na equidade (“equity”).
O processo é acusatório e pode ser iniciado por qualquer cidadão através
dos “writs”.
Brancton, juiz real no reinado de Henrique III, escreveu uma obra com
base no estudo de casos que influenciou bastante o direito da Inglaterra.
Outra obra importante foi a de Blacktone.
O “statute law” (lei escrita) possui papel secundário no direito inglês.
Paradoxalmente, um dos documentos históricos mais importantes foi
escrito na Inglaterra. Neste caminho, com a decadência do Absolutismo,
reis, já sem o mesmo poder que seus antecessores, pactuaram acordos com
seus súditos, pelos quais era confirmada a supremacia monárquica mediante
concessões a certas classes sociais privilegiadas. A mais conhecida destas
cartas de direitos foi a Magna Carta Libertatum, firmada na Inglaterra, em
1215, pelo Rei João Sem Terra, quando este se apresentava enfraquecido
por derrotas militares que havia sofrido.
Deve ser advertido, entretanto, que quando os barões obrigaram o rei João
Sem Terra, sob a força das armas, assinar tal documento, as modernas ideias
dos direitos humanos sequer tinham sido cogitadas. Lembra-se, outrossim,
conforme fez José Afonso da Silva17, “que a Magna Carta, assinada em
1215, mas tornada definitiva só em 1225, não é de natureza constitucional,
longe de ser a Carta das liberdades nacionais, é sobretudo, uma carta feudal,
feita para proteger os privilégios dos barões e os direitos dos homens
livres”. Ora, homens livres, naquele tempo, eram tão poucos que podiam ser
contados, sendo que nada de novo se fez em favor dos que não eram livres.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Common_Law
Além disso, após firmar a “Magna Carta Libertatum”, o Rei João Sem
Terra tentou livrar-se dela, solicitando ao Papa que suspendesse seu
cumprimento. Vários séculos se passaram para que os princípios nela
contidos (e que influenciaram quase todas as Constituições modernas)
fossem, de fato, respeitados. De qualquer forma, a Magna Carta foi um
marco decisivo entre o sistema de arbítrio do Poder Estatal e a nova era dos
direitos fundamentais. Com efeito, a Carta serviu para que as gerações
posteriores tomassem conhecimento de seu texto, extraísse seus princípios e
percebesse a existência de direitos da comunidade, que o próprio Estado
deveria respeitar, além de fazer valer tais disposições.
De qualquer forma, conforme mencionado, vários direitos que hoje são
reconhecidos já estavam previstos em tal documento, como o direito do
cidadão obter habeas corpus, os princípios da legalidade, do devido
processo legal (due process of law) e do juiz natural, além da instituição do
julgamento popular pelo Tribunal de Júri.
A Inglaterra permanece sem Constituição escrita e sem códigos.
Segue “Magna Carta Libertatum”, escrita em latim bárbaro perante o alto
clero e barões do reino: “João, pela graça de Deus rei da Inglaterra, senhor
da Irlanda, duque da Normandia e da Aquitânia e conde de Anjou, aos
arcebispos, bispos, abades, barões, juízes, couteiros, xerifes, prebostes,
ministros, bailios e a todos os seus fiéis súditos.
Sabei que, sob a inspiração de Deus, para a salvação da nossa alma e das almas dos nossos
antecessores e dos nossos herdeiros, para a honra de Deus e exaltação da Santa Igreja e para o
bem do reino, e a conselho dos veneráveis padres Estevão, arcebispo de Cantuária, primaz de
Inglaterra e cardeal da Santa Igreja Romana... e dos nobres senhores Guilherme Marshall,
conde de Pembroke ..., oferecemos a Deus e confirmamos pela presente Carta, por nós e pelos
nossos sucessores, para todo o sempre, o seguinte: A Igreja de Inglaterra será livre e serão
invioláveis todos os seus direitos e liberdades: e queremos que assim seja observado em tudo e,
por isso, de novo asseguramos a liberdade de eleição, principal e indispensável liberdade da
Igreja de Inglaterra, a qual já tínhamos reconhecido antes da desavença entre nós e os nossos
barões [...].
Concedemos também a todos os homens livres do reino, por nós e por nossos herdeiros, para
todo o sempre, todas as liberdades abaixo remuneradas, para serem gozadas e usufruídas por
eles e seus herdeiros, para todo o sempre [...].
Não lançaremos taxas ou tributos sem o consentimento do conselho geral do reino (commue
concilium regni), a não ser para resgate da nossa pessoa, para armar cavaleiro nosso filho mais
velho e para celebrar, mas uma única vez, o casamento da nossa filha mais velha; e esses
tributos não excederão limites razoáveis. De igual maneira se procederá quanto aos impostos da
cidade de Londres, E a cidade de Londres conservará todas as suas antigas liberdades e usos
próprios, tanto por terra como por água; e também as outras cidades e burgos, vilas e portos
conservarão todas as suas liberdades e usos próprios.
E, quando o conselho geral do reino tiver de reunir para se ocupar do lançamento dos
impostos, exceto nos três casos indicados, e do lançamento de taxas, convocaremos por carta,
individualmente, os arcebispos, abades, condes e os principais barões do reino; além disso,
convocaremos para dia e lugar determinados, com a antecedência, pelo menos, de quarenta
dias, por meio dos nossos xerifes e bailios, todas as outras pessoas que nos têm por suserano; e
em todas as cartas de convocatória exporemos a causa da convocação; e proceder-se-á à
deliberação do dia designado em conformidade com o conselho dos que não tenham
comparecido todos os convocados.
Ninguém será obrigado a prestar algum serviço além do que for devido pelo seu feudo de
cavaleiro ou pela sua terra livre.
A multa a pagar por um homemlivre, pela prática de um pequeno delito, será proporcionada
à gravidade do delito; e pela prática de um crime será proporcionada ao horror deste, sem,
prejuízo do necessário à subsistência e posição do infrator (contenementum); a mesma regra
valerá para as multas a aplicar a um comerciante e a um vilão, ressalvando-se para aquele a sua
mercadoria e para este a sua lavoura; e, em todos os casos, as multas serão fixadas por um júri
de vizinhos honestos.
Não serão aplicadas multas aos condes e barões senão pelos pares e de harmonia com a
gravidade do delito.
Nenhuma cidade e nenhum homem livre serão obrigados a construir pontes e diques, salvo se
isso constar de um uso antigo e de direito.
Os xerifes e bailios só poderão adquirir colheitas e quaisquer outras coisas mediante
pagamento imediato, exceto se o vendedor voluntariamente oferecer crédito.
Nenhum xerife ou bailio poderá servir-se dos cavalos ou dos carros de algum homem livre
sem o seu consentimento., Nem nós nem os nossos bailios nos apoderaremos das bolsas de
alguém para serviço dos nossos castelos, contra a vontade do respectivo dono.
A ordem (Writ) de investigação da vida e dos membros será, para futuro, concedida
gratuitamente e, em caso algum, negada.
Nenhum homem livre será detido ou sujeito à prisão, ou privado dos seus bens, ou colocado
fora da lei, ou exilado, ou de qualquer modo molestado, e nós não procederemos nem
mandaremos proceder contra ele senão mediante um julgamento regular pelos seus pares ou de
harmonia com a lei do país.
Não venderemos, nem recusaremos, nem protelaremos o direito de qualquer pessoa a obter
justiça.
Os mercadores terão plena liberdade para sair e entrar em Inglaterra, e para nela residir e a
percorrer tanto por terra como por mar, comparando e vendendo quaisquer coisas, de acordo
com os costumes antigos e consagrados, e sem terem de pagar tributos injustos, exceto em
tempo de guerra ou quando pertencerem a alguma nação em guerra contra nós. E, se no começo
da guerra, houver mercadores no nosso país, eles ficarão presos, embora sem dano para os seus
corpos e os seus bens, até ser conhecida por nós ou pelas nossas autoridades judiciais, como são
tratados os nossos mercadores na nação em guerra conosco; e, se os nossos não correrem
perigo, também os outros não correrão perigo.
Daqui para diante será lícito a qualquer pessoa sair do reino e a ele voltar, em paz e
segurança, por terra e por mar, sem prejuízo do dever de fidelidade para conosco; excetuam-se
as situações de tempo de guerra, em que tal direito poderá ser restringido, por um curto período,
para o bem geral do reino, e ainda prisioneiros e criminosos, à face da lei do país, e pessoas de
países em guerra conosco e mercadores, sendo estes tratados conforme acima prescrevemos.
Só serão nomeados juízes, oficiais de justiça, xerifes ou bailios os que conheçam a lei do
reino e se disponham a observá-la fielmente.
Todos os direitos e liberdades, que concedemos e que reconhecemos enquanto for nosso o
reino, serão igualmente reconhecidos por todos, clérigos e leigos, àqueles que deles
dependerem.
Considerando que foi para honra de Deus e bem do reino e para melhor aplanar o dissídio
surgido entre nós e os nossos barões que outorgamos todas as coisas acabadas de referir; e
querendo torná-las sólidas e duradouras, concedemos e aceitamos, para sua garantia, que os
barões elejam livremente um conselho de vinte e cinco barões do reino, incumbidos de
defender e observar e mandar observar a paz e as liberdades por nós reconhecidas e
confirmadas pela presente Carta; e se nós, a nossa justiça, os nossos bailios ou algum dos
nossos oficiais, em qualquer circunstância, deixarmos de respeitar essas liberdades em relação a
qualquer pessoa ou violarmos alguma destas cláusulas de paz e segurança, e da ofensa for dada
notícia a quatro barões escolhidos de entre os vinte e cinco para de tais fatos conhecerem, estes
apelarão para nós ou, se estivermos ausentes do reino, para a nossa justiça, apontando as razões
de queixa, e à petição será dada satisfação sem demora; e se por nós ou pela nossa justiça, no
caso de estarmos fora do reino, a petição não for satisfeita dentro de quarenta dias, a contar do
tempo em que foi exposta a ofensa, os mesmos quatro barões apresentarão o pleito aos restantes
barões; e os vinte e cinco barões, juntamente com a comunidade de todo o reino (comuna totiu
terrae), poderão embargar-nos e incomodar-nos, apoderando-se de nossos castelos, terras e
propriedades e utilizando quaisquer outros meios ao seu alcance, até ser atendida a sua
pretensão, mas sem ofenderem a nossa pessoa e as pessoa da nossa rainha e dos nossos filhos,
e, logo que tenha havido reparação, eles obedecer-nos-ão como antes. E qualquer pessoa neste
reino poderá jurar obedecer às ordens dos vinte e cinco barões e juntar-se a eles para nos atacar;
e nós damos pública e plena liberdade a quem quer que seja para assim agir, e não impediremos
ninguém de fazer idêntico juramento”.
ESLAVOS, GERMÂNICOS E CELTAS.
Os Celtas que habitavam, principalmente, regiões da França, Irlanda e
Espanha não conheciam a escrita. Era um povo unido pela cultura, mas que
não constituíam um Estado independente. Cada povo tinha um chefe e
certas variações nos costumes.
Por sua vez, os eslavos (Rússia e leste europeu) sofreram influência do
Direito Bizantino e adaptaram aos seus costumes. Assim sendo, por via
indireta, também foram influenciados pelo Direito Romano.
Os germânicos (bárbaros que habitavam regiões da Alemanha e da
Escandinávia e viviam em constante guerra privada) possuíam um direito
consuetudinário (costumes). Muitos reis bárbaros ordenaram os usos e
costumes das tribos na forma escrita, também com influência de princípios
do direito romano.
ILUMINISMO E DECLARAÇÕES DE DIREITOS
O fim da Idade Média está relacionado às grandes transformações tais
como: a queda de Constantinopla e o fim do Império Romano do Oriente,
em 1453; a ascensão das monarquias nacionais europeias; o início da
recuperação demográfica e econômica após a Peste Negra; os
Descobrimentos Marítimos; o movimento de redescoberta da cultura
clássica (por volta do século XV); e a Reforma Protestante, a partir de 1517.
No final da idade Média o uso da terra perdeu a força, houve grandes
migrações para as cidades e o comércio se fortaleceu. Assim surgiu o
capitalismo e houve luta de classes entre a burguesia e os nobres do
absolutismo europeu.
A doutrina de filósofos como Rousseau, Voltaire e Montesquieu era útil à
burguesia na busca pelo Poder e foi amplamente divulgada ao povo. A
principal obra desta época foi “O Contrato Social” de Jean Jaques
Rousseau. Devido a ela, esta fase também é conhecida como
“Contratualismo”. Tal doutrina possui uma concepção individualista da
sociedade, ou seja: primeiro existe o indivíduo (que nasce livre, com suas
carências e interesses) e depois a sociedade, sendo que ela foi criada para
facilitar a existência humana.18
Desse modo, o Contratualismo representou “verdadeira reviravolta” na
história do pensamento político, na medida em que entendeu que o Estado
surgiu pela própria vontade dos indivíduos, exatamente para suprir suas
carências e satisfazer suas necessidades. Assim sendo, o Estado deixou de
ser considerado um fato natural, que existia independentemente da vontade
humana, e passou a ser entendido como um “corpo artificial”, criado para
facilitar a existência do ser humano.19
Surge a doutrina do direito natural, uma gama de direitos que todos os
indivíduos possuíam, independentemente de previsão legal. Com a luta de
classes existente na Europa, a burguesia aproveitou-se de tal pensamento
para insuflar a população a reivindicá-los contra o Poder absolutista.
Posteriormente, com a tomada do Poder político, irá descartar tal teoria, e
http://pt.wikipedia.org/wiki/Queda_de_Constantinopla
http://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Bizantino
http://pt.wikipedia.org/wiki/1453
http://pt.wikipedia.org/wiki/Monarquia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Peste_Negra
http://pt.wikipedia.org/wiki/Descobrimentoshttp://pt.wikipedia.org/wiki/Renascimento
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XV
http://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_Protestante
http://pt.wikipedia.org/wiki/1517
basear-se na doutrina positivista, ou seja: só existe o direito que está
previsto na lei.
No século XVII, com base no pensamento contratualista, foram feitas
várias conquistas no tocante ao reconhecimento das liberdades do homem,
seja com a elaboração da ‘Magna Charta’, da ‘Petition of Rights’, do
‘Habeas Corpus Amendment Act’ e do ‘Bill of Rights’. Posteriormente,
ultrapassadas estas fases de declarações formais dos direitos do homem,
passou-se ao reconhecimento em textos constitucionais. É a fase que se
convencionou chamar de constitucionalismo, sendo que cada Estado passou
a elaborar textos em que eram previstas a organização do Estado, o modo de
aquisição e exercício do Poder, os limites do Poder estatal e as garantias ao
indivíduo.
Com efeito, José Afonso da Silva20 ressalta que, em sentido moderno, a
primeira declaração de direitos do indivíduo foi a Declaração de Direitos do
Bom Povo de Virgínia, que era uma das treze colônias inglesas na América
do Norte. Tal declaração é datada de 12 de janeiro de 1776, anterior,
portanto, à Declaração de Independência dos EUA. Ambas foram inspiradas
nas teorias de John Locke, Jean Jaques Rousseau e Montesquieu e versadas,
especialmente, nos escritos de Jefferson e Adams. Foram postas em prática
por James Madison, George Mason, entre outros. Na Declaração de Virgínia
preocupou-se com a limitação do poder estatal e com a estrutura de um
governo democrático.
A Declaração de Independência dos EUA, de início, não continha uma
declaração de direitos fundamentais. Mas, para ser ratificada por, pelo
menos, nove dos treze Estados recém-independentes, foi acrescentada uma
“Carta de Direitos” que assegurava, entre outras coisas: a liberdade de culto
e de religião, a inviolabilidade de domicílio, o direito de defesa, o princípio
do juiz natural, o devido processo legal, o direito à propriedade, o princípio
da igualdade, a proibição da escravidão e o direito ao sufrágio.
Mas se a Declaração norte-americana foi a primeira, os princípios da
Revolução Francesa foram ainda mais importantes, vez que se constituiu na
libertação do povo dos soberanos que o oprimia. A Declaração francesa é
ainda mais individualista que a americana.21
Com efeito, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada
na Assembleia Nacional Francesa de 26 de agosto de 1789, ao contrário da
americana, visava o bem comum da sociedade como um todo e pretendeu
afirmar e declarar os direitos do indivíduo em face do Estado.
O núcleo da Declaração francesa se encontra em seus três primeiros
artigos. No primeiro é estabelecido que “todos os homens nascem livres e
iguais em dignidade e direitos”. No artigo 2º são assegurados os direitos à
liberdade, à propriedade, à segurança e de resistência à opressão. Por fim,
no artigo 3º é contemplado o direito à liberdade, sendo que é previsto o
direito de se fazer tudo o que não prejudique os demais e que ninguém é
obrigado a fazer o que a lei não ordena ou a só ter que fazer o determinado
pela lei.22
Neste passo, o referido texto proclama, entre outros, os princípios da
liberdade, da igualdade, da propriedade, da legalidade, da anterioridade, da
presunção de inocência e da separação dos poderes. Meirelles Teixeira23
nota como outra característica de tal declaração o fato dela ser
“universalista”, pois é dirigida não só aos franceses daquela época, mas a
todos os cidadãos de qualquer país ou região e em todos os tempos.
Este direito à liberdade do indivíduo, tão valorizado pela Declaração, foi
defendido por John Stwuart Mill que, com uma concepção de Estado
liberal, defendeu que os indivíduos ou grupos de indivíduos deveriam poder
agir sem encontrar limites por parte do Poder Público. Por seu turno, Alexis
de Tocqueville, igualmente liberal, também defendia, acima de tudo, as
liberdades individuais, que os Estados Democráticos tendem a relativizar
em nome do interesse coletivo, como a liberdade de imprensa, de
associação, etc. Desse modo, defendia formas que garantissem mais a
liberdade do que a igualdade. Criticou a democracia por entender que um
democrata tem uma paixão ardorosa pela igualdade (embora desejem a
‘igualdade na liberdade’ são capazes de suportar a ‘igualdade na
escravidão’, aceitam a pobreza não a aristocracia).24
Por outro lado, Francesco de Sanctis25 acreditava que “onde existe
desigualdade, a liberdade pode estar escrita nas leis, no estatuto, mas não é
coisa real: não é livre o camponês que depende do proprietário, não é livre o
empregado que permanece submetido ao patrão, não é livre o homem da
gleba sujeito ao trabalho incessante dos campos”.
Na verdade, conforme expôs Norberto Bobbio26, existe uma antítese
entre a liberdade e a igualdade, no sentido em que não se pode realizar
plenamente uma sem limitar fortemente a outra. A única forma de
igualdade compatível com a liberdade da doutrina liberal é a igualdade na
liberdade.
Porém, nas declarações dos séculos XVIII e XIX o cidadão era uma
abstração, vale dizer: o homem era considerado sem levar-se em conta sua
inserção em grupos, família ou vida econômica.27 Apesar das declarações e
da consagração das liberdades, mesmo após o reconhecimento destes
direitos, na prática, pouca coisa mudou. Desde a Primeira Guerra Mundial,
e mais intensamente após a Segunda, vários países se viram em regimes
autoritários, com a conseqüente supressão de direitos fundamentais. Com
efeito, fascismo e o comunismo, sob ideologias antagônicas, mas com
métodos semelhantes, impediram liberdades individuais para garantir a
supremacia dos detentores do Poder.
Conforme já mencionado, em um período inicial, a doutrina
jusnaturalista ao defender que os direitos básicos do indivíduo
independem de leis escritas era útil à burguesia, pois seria o meio de fazer o
povo reivindicá-los em face do poder absolutista.
Posteriormente, com a tomada do poder, tal doutrina passou a ser perigosa
e foi desenvolvido o positivismo, com a ideia de que só existem os direitos
previstos na lei.
O povo ao perceber que com a queda do absolutismo sua situação não
melhorou, às vezes até piorou, com a doutrina liberal implantada (fome,
jornada de trabalho excessiva, ausência de normas assistenciais e
previdenciárias, etc.) passou a protestar e reivindicar direitos sociais.
A intensa luta de classes gerou grande tensão na Europa e contribuiu para
a ocorrência de duas grandes guerras mundiais e resultou no surgimento do
modo de produção socialista.
 
DIREITO CONTEMPORÂNEO
A ONU e a Declaração Universal dos Direitos do
Homem
Com o fim da Segunda Guerra Mundial foi criada a ONU (Organização
das Nações Unidas) com o objetivo de zelar pela paz mundial, melhorar a
relação entre as nações e defender os direitos humanos. Na Assembleia
Geral da ONU, de 10 de dezembro de 1.948, foi proclamada a Declaração
Universal dos Direitos do Homem. Tal documento procurou garantir os
direitos do indivíduo em face da opressão estatal, sendo que, em seu
conteúdo, estão presentes várias conquistas do homem como o direito à
vida, à liberdade, à propriedade, à segurança, à plena igualdade, à
presunção de inocência, ao lazer, à saúde, do acesso à justiça, entre tantos
outros.
A Declaração Universal não é um tratado. É uma resolução da Assembleia
Geral da ONU, que procura interpretar o que minimamente deve se
entender por direitos humanos. Quando um Estado se torna membro da
ONU, automaticamente, se compromete com a obediência de suas
previsões. Atualmente a Declaração é parte do direito costumeiro das
nações.
Além de referida resolução, no âmbito da ONU foram redigidos vários
Tratados sobre direitos humanos. Os dois principais são a Declaração dos
Direitos Civis e Políticos e a Declaração dos Direitos Econômicos Sociais e
Culturais.
Entretanto, a mera enumeração e declaração formal dos direitos
fundamentais do homem, por si só, não basta, pois depende de cada país sua
obediênciaou não. Por isto que, no âmbito do Direito Internacional, criou-
se uma ordem jurídica supranacional em que, quando um país celebra um
acordo com outras nações, assinando um tratado, convenção, pacto,
protocolo ou convênio, se obriga a os obedecer e se vincula às previsões
vinculantes dos mesmos, sendo que pode ser responsabilizado por seu
descumprimento.28
A Declaração Universal dos Direitos do Homem, adotada e proclamada
pela resolução 217 A (III) da Assembleia Geral das Nações Unidas em 10
de dezembro de 1948, é a que segue: “Preâmbulo
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família
humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz
no mundo, Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em
atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em
que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do
temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,
 Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito, para
que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra tirania e a opressão,
Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,
 Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos
humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos
dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições
de vida em uma liberdade mais ampla,
 Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver, em cooperação com
as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a
observância desses direitos e liberdades, Considerando que uma compreensão comum desses
direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,
A Assembleia Geral proclama A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o
ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada
indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce,
através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela
adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu
reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios
Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.
Artigo I
Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e
consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Artigo II
Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta
Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião
política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra
condição.
Artigo III
Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo IV
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a escravidão e o tráfico de escravos serão
proibidos em todas as suas formas.
Artigo V
Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou
degradante.
Artigo VI
Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.
Artigo VII
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei.
Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente
Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo VIII
Toda pessoa tem direito a receber dos tributos nacionais competentes remédio efetivo para os
atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela
lei.
Artigo IX
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo X
Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um
tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de
qualquer acusação criminal contra ele.
Artigo XI
1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a
sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe
tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
 2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não
constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta pena
mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
Artigo XII
Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua
correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da
lei contra tais interferências ou ataques.
Artigo XIII
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de
cada Estado.
2. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.
Artigo XIV
1.Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros
países.
2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por
crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XV
1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de
nacionalidade.
Artigo XVI
1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou
religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos
em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.
Artigo XVII
1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
 2.Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.
Artigo XVIII
Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui
a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença,
pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público
ou em particular.
Artigo XIX
Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de,
sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por
quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
Artigo XX
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.
 2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo XXI
1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país, diretamente ou por
intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
 3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em
eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente
que assegure a liberdade de voto.
Artigo XXII
Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo
esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de
cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao
livre desenvolvimento da sua personalidade.
Artigo XXIII
1.Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e
favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
 3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneraçãojusta e satisfatória, que lhe
assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a
que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus
interesses.
Artigo XXIV
Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de
trabalho e férias periódicas remuneradas.
Artigo XXV
1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e
bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais
indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice
ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças
nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.
Artigo XXVI
1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus
elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-
profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana
e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A
instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos
raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da
paz.
3. Os pais têm prioridade de direito n escolha do gênero de instrução que será ministrada a
seus filhos.
Artigo XXVII
1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir
as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
 2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer
produção científica, literária ou artística da qual seja autor.
Artigo XVIII
Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades
estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.
Artigo XXIV
1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno desenvolvimento
de sua personalidade é possível.
2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações
determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e
respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da
ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
 3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos
propósitos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XXX
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a
qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer
ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos”.
O mundo pós-guerra foi dividido em dois grandes blocos: um capitalista,
liderado pelos EUA e outro socialista, pela ex-URSS (União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas).
O direito dos países socialistas
No início do Século XX a Rússia era um país agrícola e os trabalhadores
rurais viviam em extrema miséria. O czar governava a Rússia de forma
absolutista e mesmo as ideias liberais da Revolução Francesa demoraram
para lá penetrar.
Começou a formação de sovietes (organização de trabalhadores russos),
sob a liderança de Lênin e começou a se delinear uma revolução socialista
buscando a queda do absolutismo e a implantação de um sistema político
comunista com base filosófica no marxismo. Concebido por Karl Marx e
Engels, tal doutrina, muito resumidamente, busca cessar a exploração de
uma classe social por outra, abolindo a propriedade privada dos meios de
produção, sendo que cada pessoa trabalhasse para a comunidade segundo
suas possibilidades e dispusesse dos bens segundo suas necessidades. Em
tal sociedade utópica, o Direito e o Estado teriam desaparecido, pois
nenhuma coação seria necessária.
Em outubro de 1917, o partido bolchevique, liderado por Lênin chegou ao
poder e foi implantada uma sociedade socialista, buscando a transição para
a implantação do comunismo integral. Após um breve período de guerra
civil, forma-se a URSS, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que
abrangia a Rússia, Ucrânia, Estônia, Letônia e Lituânia, entre outras
repúblicas.
Na fase transitória, o direito e o Estado subsistem com a finalidade de
criar condições para uma sociedade comunista em que não seriam mais
necessários. Afirma-se, que o direito é a vontade da classe burguesa erigida
em lei, o conjunto de regras impostas pelos dominantes para impor seu
poder aos explorados. Para cessar a exploração de uma classe pela outra,
deve haver a supressão das classes sociais. Qualquer doutrina que não seja
marxista-leninista é proibida e considerada subversiva. 29
Com a revolução socialista, desistindo temporariamente da ideia de
desaparecimento do direito e do Estado, surge um Estado forte para
implantar a “ditadura do proletariado”, exercida em nome dos trabalhadores
por uma minoria ativa de revolucionários reunidos no partido comunista.
O direito soviético não está fundado na ideia moral de um direito natural
das pessoas (ideia considerada burguesa), mas ao fim político a ser
perseguido (implantação da sociedade comunista). Os sistemas jurídicos de
tendência comunista possuem certos traços de semelhança com os sistemas
jurídicos europeus (primazia da lei, direito sob a forma de codificação e
influência do direito romano). Porém, há várias diferenças. Com efeito, não
há direito privado, pois a preocupação é coletiva e não com interesses
particulares. Assim, todo direito é público. Além disto, há concentração de
poderes, monismo ideológico e monopólio político.
Desse modo, não há separação de poderes, não se reconhece os direitos
individuais e o papel dos juristas é secundário, pois a posição que ocupam
não permite trilhar por caminhos distintos dos detentores do poder político.
A lei ocupa um papel ideológico e pedagógico. A opinião distinta da
ideologia oficial é severamente punida. Os juízes são eleitos (ou escolhidos
pelo partido) e não precisam necessariamente ser juristas.
Depois da Segunda Guerra Mundial, outros países entraram na via do
comunismo, a saber: Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Alemanha
Oriental, Romênia, Bulgária, Albânia, Iugoslávia, China, Coréia do Norte,
Vietnã, Cambodja, Cuba, Argélia, Etiópia, Angola, Moçambique, etc.
Grande intervenção estatal na sociedade. Nestes outros países, há grande
influência do direito soviético, mas adaptado à realidade de cada um.
Em 1985, com a chegada ao poder de Mikhail Gorbatchev, a União
Soviética passou por profundas mudanças políticas, econômicas e sociais.
Foram implantados dois planos: a perestroika (reestruturação) e a glasnost
(transparência). A perestroika autorizou a existência de empresas privadas,
a entrada gradual de multinacionais e a concorrência entre empresas. Por
sua vez, a glasnost trouxe a diminuição da atuação do Estado na vida do
cidadão e foram permitidos direitos individuais como a liberdade de
expressão e direitos políticos.
Além disto, repúblicas que faziam parte da URSS começaram a exigir
autonomia e em 1991, quase todos os países já eram independentes. O fim
da URSS foi oficializado em dezembro de 1991, com a criação da
Comunidade dos Estados Independentes (CEI), organização supranacional
formada por Rússia, Ucrânia, Bielo-Rússia, Cazaquistão e Uzbequistão.
O DIREITO NA PÓS-MODERNIDADE
Considerações iniciais
A pós-modernidade é marcada pela revolução tecnológica e dos meios de
comunicação. Além disto, surge a doutrina neoliberal, que se baseia nas
antigas ideias liberais e defende o enfraquecimento do Estado.
Houve aqueda da quase totalidade dos regimes comunistas e das
ditaduras militares na América Latina. Desaparecem as ditaduras
comunistas do leste europeu é há um processo de mudança geopolítico. A
ex-URSS é desintegrada, com a divisão em novos Estados independentes, a
Alemanha é unificada e surgem processos de integração, como a União
Europeia.
Recentemente, no movimento que ficou conhecido como “Primavera
Árabe”, ocorreu uma Revolução na organização de países do norte da
África e da região do Oriente Médio.
A China, com um “Capitalismo de Estado” surge como grande potência
mundial, uma crise econômica atinge os EUA e grande parte da Europa.
Esta nova fase geopolítica mundial teve início como o movimento que ficou
conhecido como globalização.
GLOBALIZAÇÃO E NEOLIBERALISMO
A globalização, para Rubens Bayardo e Monica Lacarrieu30, em sentido
estrito, corresponde a uma etapa do capitalismo que visou maior
acumulação e centralização do capital. Ela levou ao surgimento de Estados
supranacionais, que buscaram constituir-se em novos polos de poder
econômico e político.
Eugenio Raúl Zaffaroni31 advertiu que a expressão globalização é
ambígua, pois foi empregada tanto para designar o poder em si mesmo,
quanto para referir-se à ideologia que o pretende legitimar. Como poder,
designava um novo momento do poder planetário, cujas principais
características foram: a revolução tecnológica, especialmente
comunicacional; redução do poder regulador estatal, que invocou a
necessidade de favorecer o mercado mundial; concentração de capital;
surgimento de empresas transnacionais, detentoras dessa concentração de
capital, que procuraram maiores rendimentos com redução de custos e corte
de pessoal; redução do poder político dos Estados, especialmente nos países
periféricos; uso do emprego e do salário na tentativa de auferir maiores
lucros, gerando desemprego e arrocho salarial; perda da capacidade dos
Estados em mediar capital e trabalho; fragilização dos sindicatos;
especulação financeira com formas cada vez mais limítrofes entre o lícito e
o ilícito; existência de “paraísos fiscais” e ausência de medidas no sentido
de extingui-los ou controlá-los; criação de incentivos fiscais pelos Estados
na tentativa de atrair capitais, que enfraquecem o Poder Público e faz a
carga tributária cair sobre a população de menor renda.
Com o fortalecimento da iniciativa privada e maior concentração de poder
por particulares detentores de capital, o Poder Público perdeu,
substancialmente, sua força, seja para elaborar as normas de conduta, para
executá-las e mesmo para evitar e pacificar conflitos.
Conforme notou José Eduardo Faria32, a globalização relativizou alguns
dos conceitos e das premissas mais importantes do Direito, como: a
soberania, legalidade, hierarquia das leis, igualdade formal, cidadania,
equilíbrio dos Poderes, segurança e certeza das relações individuais e
direitos subjetivos. Integrando mercados em grande velocidade e
aumentando a circulação de bens, serviços, capitais, tecnologias e
informações, gerou uma nova realidade social. Além disso, “exigiu novos
padrões de responsabilidade, controle e segurança”; “mudou o perfil na
escala de conflitos”; “tornou crescentemente ineficazes as normas e os
mecanismos processuais tradicionalmente utilizados pelo direito positivo
para reprimi-los”; “generalizou e acentuou os contrastes de pobreza e
riqueza, miséria e opulência, centro e periferia. Enfraqueceu e subverteu os
marcos de referência social até então prevalecentes, baseados na família, no
trabalho e na comunidade”.
Isso tudo gerou um grande dilema para o Direito, já que se permanecesse
fiel à integridade lógica e racional, não acompanharia a dinâmica dos fatos
e, caso deixasse de tentar controlar e disciplinar todos os setores do
convívio social, poderia sacrificar sua identidade ou desfigurar-se.33
Além disso, a globalização apagou da sociedade os espaços geográficos
com políticas estatais, em tese, soberanas. O capital ficou concentrado em
empresas transnacionais que ganharam grande mobilidade na busca de
lucros fáceis, cada vez maiores e imediatos. O Estado ficou fragilizado e
incapacitado para garantir os direitos sociais e minimizar as desigualdades
econômicas.
Ulrich Beck34 defende que a globalização “significa também: ausência de
Estado mundial; mais concretamente: sociedade mundial sem Estado
mundial e sem governo mundial”.
Ignácio Ramonet35 advertiu que, em uma economia global, o papel do
Estado não era confortável, já que esse não controlava o câmbio, nem os
fluxos de capital, de informação ou mercadorias, e, apesar de tudo,
continuava “a ser responsabilizado pela formação dos cidadãos e pela
ordem pública interna, duas missões muito dependentes da situação geral da
economia”.
Para alcançar o almejado lucro, cada vez mais fácil e cada vez mais
rápido, grupos transnacionais privados, detentores do capital e do poder
econômico, utilizaram-se do progresso tecnológico e da velocidade na
circulação das informações (basicamente, em três setores: a informática, a
telefonia e os meios de comunicações de massa).
A globalização implicou, então, a emergência de novos poderes, entre
eles, os meios de comunicação de massa, que apareceram como um dos
mais temíveis. Por meio deles, grupos mais poderosos que os Estados
nacionais apoderaram-se do bem mais precioso da Democracia: a
informação. Foram criadas a “doutrina do pensamento único” e a “polícia
da opinião pública”.36
Esta realidade da sociedade globalizada fez surgir novas situações: de um
lado, um aumento na chamada criminalidade de rua por diversos fatores,
tais como: a incapacidade do Estado, por sua fragilidade, em conter a
violência; o surgimento de enorme população excluída na sociedade que,
não tendo o que perder, parte para a criminalidade, e o descrédito das
instituições. Por outro lado, se fortaleceu uma criminalidade dita organizada
que, para sua ação ilícita, aproveitou-se dos mesmos meios facilitadores que
os detentores do poder econômico usaram para alcançar seus lucros. Aliás,
grande número de condutas anteriormente consideradas ilícitas passou a ser
entendidas como política de mercado aceitas para estas grandes
corporações. Além disto, certas operações financeiras que não interessam a
elas (ou que elas pretendem exclusividade) foram criminalizadas. Grandes
empresas fraudam lucros contábeis visando à valorização de suas ações na
Bolsa de Valores. Empresas são criadas em “paraísos fiscais”, com o
objetivo de “lavar dinheiro” ou ao não-recolhimento de tributos etc.
Outras consequências também podem ser notadas. O “meio ambiente” foi
e é cada vez mais afetado e observa-se “o incremento de bolsões de
marginalidade nas sociedades ocidentais, os movimentos migratórios e a
conformação daquelas como sociedades crescentemente multiculturais; a
globalização das comunicações e, com ela, em ampla medida, também da
cultura; (...)”.37
É importante frisar, como fez Pierre Bourdieu38, que o neoliberalismo fez
voltar, “sob as aparências de uma mensagem muito chique e muito
moderna, as ideias mais arcaicas do patronato mais arcaico”.
Grandes fusões em empresas ocorreram e várias garantias individuais e
sociais que foram lentamente conquistadas, ao longo dos tempos, acabaram
esquecidas ou combatidas sob os pretextos mais diversos, sempre com
discursos que pregam modernidade, competitividade, flexibilidade,
confiança dos mercados e adaptação à nova realidade do mundo
globalizado.
A globalização, na verdade, não foi apenas a extensão do domínio de um
pequeno número de nações dominantes, mas especialmente de suas
instituições financeiras privadas mais fortes, sobre o conjunto dos mercados
internacionais. Com isso, conseguiram diminuir salários, garantias e direitos
trabalhistas, bem como os demais direitos individuais, coletivos e
especialmente os sociais, arduamente conquistados pelo cidadão.
Isso tudo, evidentemente, trouxe como consequência o aumento da
criminalidade e da violência urbana, interferindo, diretamente, em algumas
das principais causas doproblema: a miséria, a desesperança e a injustiça
social.
As privatizações, outra consequência das ideias neoliberais, também
acarretaram a perda das conquistas coletivas, visto que, muitas vezes,
geraram desperdício do patrimônio público, quando entregam à iniciativa
privada apenas aquilo que dá lucro e subordinou o bem-estar social do
cidadão aos interesses capitalistas.
Com o modelo de estado neoliberal, criou-se o mito que o modelo de
Estado de Bem-Estar de alguns países da Europa, caracterizado por
políticas sociais fortes e altos índices de proteção do cidadão, não poderia
ser “exportado”. O modelo a ser seguido seria o modelo liberal norte-
americano.39
Recentemente, a crise do capital e das bolsas de valores, falências e
concordatas de grandes corporações, fez ressurgir a ideia do Estado como
meio de proteção social. É evidente que grandes capitalistas podem até
lucrar com a situação, mas o Estado ressurge como garantidor de índices
mínimos de segurança dos indivíduos.
“O neoliberalismo revelou suas debilidades. Não garantiu o crescimento,
aumentou as desigualdades sociais e vulnerabilidade, a insegurança e a
incerteza na vida das classes populares”, e, além disso, fomentou uma
cultura consumista, de indiferença com o outro e com a degradação
ecológica.40
As consequências pós-globalização podem ser percebidas no direito com
um novo conceito de soberania nacional (agora relativizado), tendência à
universalidade de conceitos jurídicos nos mais diversos sistemas e
necessidade de regulação pública nos diversos setores da sociedade.
A evolução tecnológica, entre outras, na indústria química, nuclear,
microeletrônica e manipulação genética criou também novas formas de
perigo que resultou em uma “sociedade de risco”.
Essa situação provoca a necessidade de o Estado regular a atuação
empresarial industrial e comercial, seja na produção de atos normativos ou
com a fiscalização destas atividades.
TENDÊNCIAS DO DIREITO ATUAL
Na atualidade podem ser percebidas algumas tendências. Com efeito,
houve uma aproximação do Direito com outras áreas do saber, em especial
com a filosofia, sociologia, ética e ciência política. Além, disto, ocorreu
uma constitucionalização do Direito, em que a Constituição passou a
incorporar valores, conceitos e princípios de todo o ordenamento jurídico,
que antes eram deixados para outros ramos do direito.
Além disto, há menor apego ao formalismo e a dignidade humana passou
a ser o cerne do Direito moderno.
Neste caminho, em uma visão pós-positivista, metodologicamente, o
direito deve ser visto como um sistema normativo aberto que contém
princípios e regras. Tais normas se completam no momento da respectiva
interpretação e aplicação.41
Com efeito, o termo “princípio” tem mais de um significado: pode ser o
início de algo ou os valores em alguma coisa se funda. No Direito, os
princípios tanto são os valores superiores que o ordenamento jurídico se
baseia, quanto o ponto de partida do mesmo, ou seja, as regras devem ser
fundadas nos princípios e eles, paradoxalmente, são extraídos da repetição
das ideias contidas nas próprias regras de todo o ordenamento jurídico.
Princípios, então, “são ordenações que irradiam e emanam os sistemas de
normas”.42 Por isto, os princípios constituem-se critérios objetivos no
processo de interpretação e aplicação do direito, além de sua utilidade no
processo de suprimento das lacunas legais.
Eles repercutem em todo ordenamento positivo. São identificados pela
doutrina quando esta se propõe a estudar e organizar e o ordenamento
jurídico. Neste passo, ao identificar os valores principais que o Direito
busca proteger, são formulados conceitos e identificados princípios, ou seja,
os valores superiores que se repetem e que as regras de proteção partem e se
fundamentam.
O legislador, ao editar novas leis, baseia-se nos conceitos formulados pela
doutrina e os princípios retornam à legislação, às vezes de forma expressa,
em outras de maneira implícita. A lei, assim, incorpora os princípios
enquanto que a jurisprudência e o costume fazem deles seus argumentos
principais. Assim sendo, forma-se uma verdadeira microfísica em que os
valores fundamentais, expressados nos princípios, são ao mesmo tempo, a
fonte e o ideal a ser atingido pelo sistema jurídico.
Os princípios formam-se quando a doutrina, ao estudar o sistema jurídico,
identifica certos valores cuja proteção se repetem com certa frequência.
Pode-se afirmar que, remotamente, todos os princípios decorrem de um
valor fundamental: a dignidade da pessoa humana. Isto porque, o direito só
existe em função do homem e para que o ser humano possa viver em paz na
sociedade. Em decorrência deste valor fundamental surgem outros
princípios básicos como os da liberdade, igualdade e justiça. Os demais
podem ser considerados decorrência destes.
Na complexa subdivisão de princípios identificados ou identificáveis
percebem-se casos em que eles somente possuem ligação de forma remota e
alguns chegam a ser contraditórios. Somente com cessões mútuas é que se
chega ao verdadeiro objetivo do ordenamento jurídico, que é o da proteção
da dignidade da pessoa humana. Desse modo, remotamente, todos os
princípios tem a mesma origem e meta a ser atingida.
Conforme expõe Walter Claudius Rotenburg, “os princípios são dotados
de alto grau de abstração o que não significa impossibilidade de
determinação”.43
Os princípios são dotados de ampla carga valorativa e, por serem mais
abstratos, se aplicam a um número indeterminado de situações. Ao
contrário, nas regras, em que pese também possuírem certa carga de
valores, ela não é tão intensa. Isto porque a regras são mais específicas e as
hipóteses de aplicação são mais facilmente identificáveis.
Existem princípios expressos na legislação (especialmente na
Constituição) e outros implícitos, que são extraídos de todo contexto do
ordenamento. Quanto à eficácia, é irrelevante se eles são expressos ou
implícitos.
Nas regras ocorre a lógica do “tudo ou nada”, ou seja: ou a regra é
aplicável ou não. Não podem existir regras contraditórias. Neste caso,
ocorrerá uma antinomia e uma delas será considerada inválida.
Ao contrário, a convivência dos princípios é necessariamente conflituosa,
eles coexistem e, no conflito aparente entre eles, deve ser examinada a
importância de cada bem jurídico posto em jogo para ser determinado até
onde cada um irá ceder, sem descaracterizar totalmente o outro.
Destarte, a proporcionalidade aparece como um método para solucionar
aparentes conflitos entre princípios. Em princípios não ocorrem antinomias.
Não se discute a validade deles, mas seu peso no caso concreto. Alguns
autores identificam a proporcionalidade como um princípio implícito no
sistema jurídico. Porém, a entendê-la como princípio implicaria aceitar
também sua relativização, pois não existem princípios absolutos. Destarte,
melhor considerá-la como método de aplicação do direito. Assim, ela não
sofrerá restrições.
Alguns autores pretendem diferenciar valores fundamentais e princípios
gerais do direito. Sem embargo, Florez-Valdez, identifica ambas as
expressões como sinônimas e as utiliza indistintamente.44
Isto porque, princípios são os valores superiores (meta, fim) e ponto de
partida de onde se origina o ordenamento jurídico. Princípios gerais do
direito são as ideias fundamentais em que este se baseia. No passado, com
posicionamentos extremamente positivistas, defendia-se que os princípios
gerais do direito eram fonte subsidiária do ordenamento jurídico e, por isto,
havia razão em uma diferenciação. Porém, com uma visão intermediária
entre o jusnaturalismo e positivismo, os princípios, mesmo nem sempre
apresentando estrutura de normas jurídicas, ao mesmo tempo que
identificam os valores fundamentais que a legislação deve se fundar e
obedecer, também servem como instrumento e diretriz na interpretação e
orientação dos casos duvidosos.
O que se busca, ao determinar os princípios gerais do direito, é localizar
aquelas ideias fundamentais e informadoras da organização jurídica.A
respeito, tais valores, conforme já inferido, são: a liberdade, a igualdade, a
justiça e a dignidade da pessoa humana. Dentre estes, a dignidade da pessoa
humana ocupa posição principal sendo os demais decorrência dela. A
dignidade da pessoa humana não é mera consequência ou reflexo do
ordenamento jurídico, tem uma existência prévia a ele.45
Frise-se: Todos os princípios e valores protegidos pelo direito, ao menos
remotamente, derivam da dignidade da pessoa humana, que é a ideia
principal e informadora de toda organização jurídica. Isto porque o direito
só existe para o homem e em função dele, sendo que este o criou para
possibilitar o convívio harmônico dos indivíduos em sociedade.
No Direito não existem valores absolutos e mesmo os mais importantes,
às vezes, devem ceder para não atingir outros igualmente protegidos. Neste
passo, em determinadas situações liberdade de uns deve ser restringida para
que não afete à dos demais. Por sua vez, em certos casos, pessoas desiguais
devem ser tratadas desigualmente para garantir maior equilíbrio. Assim
sendo, a justiça pode ser considerada o meio termo, o ponto de equilíbrio
entre a igualdade e a liberdade.
A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA COMO FUNDAMENTO DO
DIREITO
Imanuel Kant já considerava o homem como um fim e si mesmo. Isto
porque, o ser humano é dotado de racionalidade e “os seres cuja existência
depende não em verdade da nossa vontade, mas da natureza, têm contudo,
se são seres irracionais, apenas um valor relativo como meios e por isso se
chamam coisas, ao passo que os seres racionais se chamam pessoas, porque
sua natureza os distingue já como fins em si mesmo, quer dizer, como algo
que não pode ser empregado como simples meio e que, por conseguinte,
limita nessa medida todo o arbítrio (e é um objeto de respeito)”.46
Assim, dignidade é uma “qualidade intrínseca e indissociável de todo e
qualquer ser humano e certos de que a destruição de um implicaria a
destruição do outro, é que o respeito e a proteção da dignidade da pessoa
(de cada uma e de todas as pessoas) constituem-se (ou, ao menos, assim
deveriam) em meta permanente da humanidade e do Estado de Direito”.47
O princípio da dignidade da pessoa humana é difícil de ser definido, pois
o conteúdo de sua noção é vago, aberto e reclama constante concretização.
Embora todos tenham uma ideia implícita do que é considerado dignidade
para uma pessoa, ainda assim, persiste a dificuldade de explicitar tal
noção.48
Ana Paula de Barcelos desenvolve uma teoria que compreende o
estabelecimento do “consenso mínimo” do conteúdo de tal princípio. Com
efeito, o “mínimo existencial” de tal princípio “compreende quatro
elementos, três materiais e um instrumental, a saber: a educação
fundamental, a saúde básica, a assistência aos desamparados e o acesso à
justiça”.49
A dignidade da pessoa humana deve ser considerada atingida sempre que
o homem for rebaixado a condição de objeto, tratado como uma coisa,
sendo desconsiderado como sujeito de direitos.
CONCLUSÃO
Ao final deste estudo, ressalta-se que as conclusões parciais não serão
retomadas. Outrossim, certamente, o leitor pode ter chegado a outras que
aqui não estão expressas.
De qualquer forma, impõe-se observar que o estudo da história do direito
é importante para conhecer a organização da sociedade e entender como se
chegou à situação atual. Aliás, a história do direito, é a própria história da
sociedade.
Além disto, é possível projetar futuras possibilidades de mudanças e
entender que a situação atual não será eterna, nem o fim da história. A
sociedade está em constante modificação. Os acontecimentos sociais vão
influenciar a forma de organização da sociedade, vale dizer: o Direito.
Assim sendo, para ele ser entendido deve ser feito um estudo dos valores
existentes em cada época e contextualizar a legislação existente com um
estudo histórico.
Na atualidade, não basta um estudo puro da lei e do ordenamento jurídico.
O Direito se aproximou da filosofia, da sociologia, da ética, da ciência
política e da história.
Na sociedade pós-globalização, o Estado ocupa o papel de regular as
atividades privadas, seja proibindo certas atividades danosas à sociedade,
seja estabelecendo limites à atuação particular.
Com a Constituição incorporando valores do direito privado e o direito
privado sendo influenciado pelo direito público, houve diminuição na
importância da divisão estanque entre os ramos jurídicos. O estudo do
Direito na pós-modernidade deve se desapegar do formalismo, considerar
outras áreas do saber para formular suas conclusões e, acima de tudo, ter na
dignidade da pessoa humana a verdadeira razão do direito existir.
 
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ANEXO - HISTÓRIA DA LEGISLAÇÃO PENAL
BRASILEIRA
O Brasil foi “descoberto” pelos Portugueses em 1.500, tornando-se,
assim, uma colônia daquele pais ibérico. Então, de início, aqui vigoram as
Ordenações do Reino de Portugal. Com efeito, as Ordenações Afonsinas,
publicadas por D. Afonso em 1446, tiveram vigência desde o
descobrimento até o ano de 1.520.
De 1.521 até 1.603, no reinado de D. Manuel, passou a valer as
Ordenações Manuelinas que era um diploma semelhante ao anterior. Porém,
estes dois diplomas legais não tiveram muita aplicação concreta em nosso
território, pois, até então, o Brasil era pouco habitado, e sofria resistência
por parte dos silvículas.
Com a morte do rei de Portugal sem deixar descendente, o trono
português passou a ser ocupado pelo rei da Espanha D. Felipe II, e de 1.603
a 1830 vigoraram as Ordenações Filipinas.
As Ordenações Filipinas traziam no mesmo diploma normas de direito
público e privado. Em seu livro V haviam disposições de direito penal e
processual penal. Era um ordenamento extremamente severo que refletia o
Direito Penal da época. Nele a pena de morte era amplamente aplicada de
várias maneiras (morte para sempre, morte natural, morte pelo fogo, etc.),
sendo a pena de prisão pouco utilizada, havendo em seu lugar, castigos
corporais, mutilações e demais penas infamantes (açoite, marca de fogo,
etc.).
As Ordenações Filipinas, assim como suas antecessoras, eram inspiradas
em falsas ideias religiosas e políticas, que invadiam as fronteiras da
jurisdição divina, confundindo o crime com o pecado. 50
Quanto ao Processo Penal, o estatuto quase que ignorava o direito de
defesa e estimulava a justiça privada.
Com a independência do Brasil em 1822, e a consequente promulgação da
primeira constituição brasileira, em 1824, houve a necessidade do Brasil
elaborar sua própria legislação, até para confirmar sua soberania.
Na época, as ideias liberais do Iluminismo se propagavam na Europa e
influenciaram a maioria das legislações. Nosso primeiro diploma penal
surgiu em 1830, o Código Criminal do Império, que acolheu amplamente
tais ideias.
O Código Criminal do Império era um texto muito avançado para a época
e influenciou o Código espanhol de 1870 e a maioria dos Códigos da
América Latina. É certo, outrossim, que impressionou penalistas
estrangeiros que chegaram a aprender português para lê-lo no próprio texto.
(Haus, Mittermayer). 51
“O Código, como todos, não era perfeito, o que originou uma série de
críticas, principalmente por parte de Tobias Barreto. Não definia a culpa,
referindo-se tão somente ao dolo”. 52
Além disto, contra suas disposições nitidamente liberais, passou a receber
fortes críticas que atribuíam o aumento da criminalidade a suas disposições
benignas.
Por sua vez, nossa primeira legislação processual penal codificada foi o
Código de Processo Penal de Primeira Instância de 1832.
Proclamada a República em 1889, intensificou-se a tendência de reforma
da legislação criminal. O Código Penal da República foi promulgado em
1.890. Com efeito, tal diploma normativo foi menos feliz que seu
antecessor. “A pressa com que foi concluído prejudicou-o em mais de um
ponto, e nele a crítica pode assinalar, fundadamente, graves defeitos,
embora muitas vezes com excesso de severidade”. 53
Assim, não demorou a surgir, novamente movimentos defendendo a
reforma da legislação penal. Tentando corrigir algumas falhas do
ordenamento jurídico, foram baixadas várias leis alterando disposições do
Código Penal da República.
Desse modo, o presente codex tornou-se totalmente desfigurado ficando
difícil determinar qual lei era vigente em cada caso. Nesse passo, o
Desembargador Vicente Piragibe escreveu uma obra doutrinária
(Consolidação das Lei Penais) que buscava determinar qual era a norma que
estava em vigor em determinada hipótese.
Tamanha foi a contribuição desta obra que solucionou uma série de
dúvidas existentes na época, que decidiu-se transformar esta obra em lei.
Destarte, A Consolidação das Leis Penais de Vicente Piragibe, passou a ser
o novo estatuto penal brasileiro em 1932, através do decreto n. 22.213 de
14/12/32. 54
Em meados da década de 30, na época do “Estado Novo”, vários projetos
surgiram buscando a alteração da lei penal. Assim, o Ministro da Justiça da
época, Francisco Campos, entregou ao Professor paulista Alcântara
Machado, a missão de escrever um anteprojeto de reforma do Código Penal.
Tal anteprojeto foi submetido a uma comissão revisora composta por
Nelson Hungria, Roberto Lyra, Viera Braga e Narcélio de Queiróz, com a
colaboração também de Costa e Silva. Assim sendo, deste anteprojeto de
Alcântara Machado com os reparos da comissão revisora, surgiu, então,
nosso atual Código Penal em 1940, entrando em vigor em 1º de janeiro de
1942.
Por fim, o Código Penal de 1940, teve sua Parte Geral totalmente
reformada em 1984, além de outras alterações posteriores,sendo esta nossa
legislação penal atualmente em vigor. Existe ainda, atualmente, uma
Comissão de vários juristas estudando a reforma da Parte Especial do
Código Penal.
Nosso atual Código de Processo Penal foi promulgado em 1941 e, mesmo
em sua época, foi criticado por não ter sido elaborado um estatuto moderno.
Ademais, apesar de prever certos postulados do sistema acusatório, que
separa o órgão da acusação e o responsável pelo julgamento da causa, “não
deixou de sentir os influxos autoritários do Estado-Novo”.55
Com a Constituição Federal de 1988 foi necessária uma releitura do
processo penal brasileira. Foram feitas várias mudanças pontuais na
legislação penal. Atualmente, existem comissões em andamento para
reforma do Código Penal e do Código de Processo Penal.
 
SOBRE O AUTOR
MARCUS VINICIUS RIBEIRO é Defensor Público do Estado de São 
Paulo. Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São 
Paulo - PUC/SP (turma de 1993), Doutor e Mestre em Direito das Relações 
Sociais (Direito Processual Penal), também pela PUC/SP. Concluiu o 
mestrado em 1999 obtendo o título com a defesa da dissertação: “A 
suspensão condicional do processo na ação penal privada”. Obteve o título 
de Doutor em 2003 com a tese: “O processo penal e a imprensa no Estado 
democrático de Direito”.
Foi Diretor do Centro de Ciências Jurídicas (curso de Direito) da Unicsul 
de janeiro de 2002 a dezembro de 2003 e Coordenador do curso de Direito 
da UniABC de 2005 a 2006.
É professor de Direito Processual Penal em cursos de pós-graduação do 
UniAnchieta-SP, da Universidade Gama Filho-RJ (em convênio com a 
Bioecol-BA e Sociedade Impar– RJ) e da Escola Paulista de Direito.
É pesquisador cadastrado no CNPQ, Professor Doutor Titular do 
Programa de Mestrado em Direito da Universidade Ibirapuera e foi 
pesquisador da Universidade Bandeirante. Professor de Direito Penal, 
Direito Constitucional e Direito Processual Penal desde 1997 em diversas 
instituições, a saber: Universidade Cruzeiro do Sul – Unicsul (até 2003), 
Universidade Cidade de São Paulo - Unicid (até 2005), UMC – Campus 
Villa Lobos (até 2006), Uninove, CEUNSP e UniANCHIETA (atual) e foi 
professor de Direitos Humanos, aprovado em concurso de provas e títulos, 
da Academia de Polícia do Barro Branco. Foi paraninfo dos formandos de 
Direito da Unicsul de 1999, professor homenageado dos formandos de 
Direito da Unicid de 2001 e dos formandos da UniAnchieta de 2006.
Autor de diversos artigos jurídicos publicados em revistas científicas e 
dos livros “a suspensão condicional do processo na ação penal privada”, 
publicado pela Editora Síntese, em 2000, Crimes de Imprensa, publicado 
pela Editora BH em 2003, Direitos Humanos e direitos fundamentais, 
publicado pela Editora Russell em 2007 (2ª. Edição, revista e ampliada – 
2009) e Direitos Humanos, publicado pela Montecristo Editora em 2011. 
Foi membro do Conselho Estadual do Idoso, indicado pelo Governador do 
Estado como representante da Defensoria Pública, do Conselho da Escola 
da Defensoria Pública do Estado de São Paulo e do Conselho Editorial da 
Revista da EDEPE.
 
NOTAS
1 cf. André Franco MONTORO, Introdução à ciência do direito, p. 33-34.
2 Cf. V. AUBY e C. RAU, “Cours de Droit Civil Français” apud André
Franco Montoro, Introdução à Ciência do Direito, 1995, p. 34.
3 Apud André Franco MONTORO, ob. cit. p. 40.
4 Miguel REALE, Lições Preliminares de Direito, 1988, p. 1.
5 Ob. cit., p. XI.
6 John GILISSEN. Introdução Histórica ao Direito, p. 19
7 idem, p. 19-24.
8 Ensaios de Sociologia, pg 172, apud Aloísio Gavazzoni, “História do
Direito, pg. 24.
9 Cf. John GILISSEN. Introdução Histórica ao Direito, p .31.
10 John GILISSEN. Introdução Histórica do Direito, p. 53.
11 Cf. Aluisio Gavazzoni, História do Direito, pg. 41.
12 Cf. John GILISSEN. Introdução Histórica ao Direito, p. 73 e ss.
13 Cf. José Carlos Moreira Alves in Direito Romano, Vol. 1, p. 8.
14 http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_de_Manu, acesso em 01/06/11.
15 John GILSSEN, ob. cit., p. 118.
16 John GILSSEN, ob. cit,. P. 117-124.
17 Curso de Direito Constitucional Positivo, p. 136.
18 Cf. Norberto BOBBIO, Liberalismo e Democracia, p. 15.
19 Idem, ibidem.
20 ob. cit., p. 137.
21 Cf. Norberto BOBBIO, A era dos Direitos, p. 90 e ss..
22 cf. Norberto BOBBIO, ob. cit., p. 118 e ss..
23 ob. cit. p. 687. Além disto, o autor entende que a Declaração dos direitos
do homem é abstrata, pois não organiza as liberdades, limitando-se a
proclamá-las; otimista, quando acreditava provirem todos os males sociais
de uma causa única, fácil de suprimir-se e profundamente individualista, em
todos os sentidos da expressão.
24 Cf. Norberto BOBBIO, Liberalismo e Democracia, p. 65 e 58.
25 Manzini e la Scuola Democratica, 1951, p. 6, apud Norberto BOBBIO,
Liberalismo e Democracia, p.75.
26 Liberalismo e democracia, p. 39.
http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_de_Manu
27 Cf. José Afonso da SILVA, ob. cit., p. 142.
28 cf. Flávia PIOVESAN, Direitos Humanos e os tratados internacionais,
p. 73-81.
29 John Gilissen, ob. cit., p. 221-225.
30 Globalizacion y identidad cultural, apud Luiz Gonzaga Silva ADOLFO,
Globalização e Estado Contemporâneo, p. 47.
31 La globalizacion y las actuales orientaciones de la politica criminal in
“Direito Criminal”, org. J.H. PIERANGELI, p.12.
32 O Direito na economia globalizada, p. 7-9.
33 Ibid.
34 Que és la Globalizacion? Apud Alberto Silva FRANCO, RBCCrim
31/108.
35 Geopolítica do Caos, p. 57.
36 Cf. Ignácio RAMONET, Geopolítica do Caos, p. 71-73.
37 Cf. Jesus-Maria SILVA SANCHES, A expansão do Direito Penal, p .98.
38 Contrafogos – táticas para evitar a invasão neoliberal, p. 49.
39 Cf. Boaventura de Sousa Santos, Para uma revolução democrática da
Justiça, p. 16.
40 Boaventura de Sousa Santos, ob. cit,, p. 23
41 Teoria da Norma Jurídica, p. 72/73.
42 José Afonso da SILVA, Curso de Direito Constitucional Positivo, p. 85.
43 Princípios Constitucionais, p. 17.
44 Joaquim Arce FLOREZ-VALDEZ. “Los Princípios generales del
Derecho y su formulacion constitucional”, p. 93 e ss.
45 idem, ibidem.
46 Apud Ingo Wofgang SARLET, “A dignidade da pessoa humana e
direitos fundamentais”, p .33.
47 idem, p. 27.
48 Idem, p. 40
49 “A eficácia Jurídica dos princípios fundamentais - O princípio da
dignidade da pessoa humana”, p. 258 e ss.
50 José Henrrique Pierangelli, Códigos Penais do Brasil, p. 7).
51 Cf. Aníbal Bruno, Direito Penal, tomo I, p. 178.
52 José Henrique Pierangeli, Códigos Penais do Brasil, p. 9.
53 Cf. Aníbal Bruno, ob. cit., p. 180.
54 Cf. Basileu Garcia, ob. cit. p. 126.
55 Cf. José Frederico MARQUES, Elementos de Direito Processual Penal,
vol. 1, p. 108.
 
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	Introdução
	Direito
	História do Direito
	O Direito na antiguidade
	Considerações iniciais
	Direito egípcio
	Direito na Mesopotâmia
	Direito Hebraico
	Direito Grego
	Direito Romano
	Direito hindu
	Direito chinês
	Direito japonês
	O Direito na época medieval
	4.1. Considerações iniciais
	4.2. Direito Bizantino
	Direito muçulmano
	Direito Canônico
	“Common Law” inglês
	Eslavos, germânicos e celtas.
	Iluminismo e Declarações de Direitos
	Direito Contemporâneo
	A ONU e a Declaração Universal dos Direitos do Homem
	O direito dos países socialistas
	O direito na pós-modernidade
	Considerações iniciais
	Globalização e neoliberalismo
	Tendências do direito atual
	A dignidade da pessoa humana como fundamento do direito
	Conclusão
	Bibliografia
	Anexo - História da legislação penal brasileira
	Sobre o Autor
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