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Amanda Lima Mutz – MedUFES 103 
Microbiota vaginal e colporréias 
 
 
 
 
 
 
A vagina tem um conteúdo e um fluxo fisiológico. 
A mulher no menacme, período fértil, tem um 
fluxo de transudato que umedece a vagina, além 
de descamação do endométrio, muco do 
epitélio tubário, epitélio glandular, que também 
compõem esse conteúdo. Além disso, existe 
ainda a microbiota normal, além das substâncias 
produzidas por essas bactérias. 
 
 
 
A cinética do epitélio muda ao longo da vida e do 
status hormonal. O estrogênio que estimula a maior 
produção do epitélio, trazendo um normotropismo. 
O epitélio fica mais hiperplasiado normalmente no 
menacne. 
 
 
 
 
 
 
 
Quantidade de fluxo em 24h 
 
 
 
Amanda Lima Mutz – MedUFES 103 
 
Quando tempos uma vulvovaginite, altera o 
aspecto, em relação a cor e textura e quantidade. 
Pode passar a ter um aspecto de queijo coalhado 
(anormal), diferente do normal, que se parece 
com um mingau mais liquido. 
Juntamente com o conteúdo, pode vir junto 
coceira e dor, dependendo da vaginite. 
 
Secreção vaginal não é bem o correto ase dizer. O 
que secreta é epitélio tubário, endométrio e 
endocervice. 
Obs.: colo epitelizado. Qual não é epitelizado? 
Cuidado com as nomenclaturas! O epitélio não é 
só o escamoso. Tudo é epitélio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em vermelho, temos a zona de transformação. 
Não é o epitélio cilíndrico normal. 
 
 
Colo evertido mostrando o epitélio escamoso por 
fora e o epitélio cilíndrico por dentro. Entre eles, 
tem a zona de transformação metaplásica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Temos uma diversidade absurda do meio vaginal. 
Eles mudam de acordo com a carga hormonal, 
ao longo da vida, e ao longo do mês pela 
variação do ciclo. 
 
 
 
 
 
 
 
Amanda Lima Mutz – MedUFES 103 
 
 
 
Alguns podem ser encontrados sem ser da forma 
normal, no caso, transmitidos sexualmente. Se a 
carga bacteriana de qualquer uma da microbiota 
modifica, a paciente pode entrar num quadro de 
vaginite. Mesma flora, mas com carga diferente 
 
 
 
 
 
 
 
 
- Microbioma seria a avaliação da carga 
bacteriana das pacientes. O mesmo pra viroma e 
micobioma. 
- Oncobioma: o quando atinge os genes 
oncogênicos 
- Metaboloma: avalia a função dessa microbiota 
e a relação com a saúde sexual 
 
O que desequilibra a balança? A interação entre 
os microorganismos entre si, entre eles e a 
hospedeira, a resposta imune, a carga hormonal 
etc. 
A resposta imune varia com o trauma. 
Consideramos as relações sexuais com um trauma, 
por ter atrito, pequenas fissuras, e além de outras 
substâncias envolvidas na relação. 
A responsividade da paciente se dá em relação às 
substancias potencialmente irritantes como 
lubrificantes, camisinhas saborizadas etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Estudo feito a partir de colheita de laminas 
vaginais mostrando as variações da flora ao 
longo dos dias. 
A lamina de um dia, não foi igual aos outros dias, 
mostrando que vários fatores influenciam. 
Nos estudos moleculares, mostraram que as 
modificações são extremamente rápidas 
 
 
 
Amanda Lima Mutz – MedUFES 103 
 
 
 
 
 
Desde o final do século 19, com os primeiros 
estudos, se aceitava que o predomínio de 
lactobacilos era normal. 
Eles de fato conferem uma imunidade vaginal 
boa e deixa o pH vaginal menor. Além de outros 
benefícios listados no slide. 
Porém, existem lactobacilos que são melhores: 
crispatus e jensenii. 
 
 
 
Os últimos dois se associam com as floras mais 
bagunçadas e podem causar vaginites 
 
 
 
 
As dinâmicas dessa ecologia são comparadas 
nesse estudo. De acordo com a flora, pode diferir 
os pHs vaginais 
 
 
 
 
Ter um menor pH é melhor para o paciente. Os 
outros tipos interagem mais com bactérias e 
podem deixar o pH aumentar, o que não é muito 
bom para as mulheres. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Não é uma flora patológica, mas é a flora normal 
dessas mulheres. Elas têm menos lactobacilos e 
maior diversidade. Ficam mais suscetíveis a risco 
de HIV e maior risco de prematuridade. 
Amanda Lima Mutz – MedUFES 103 
 
Quantidade de microbiota ao longo dos dias Etnias e a relação com a flora bacteriana. 
 Crispatus e jenseniis são os melhores lactobacilos para se ter. 
 
 
 
 
 
 
 
Quando temos um predomínio dos lactobacilos 
estáveis, a paciente tem maior imunidade e 
menos processos inflamatórios. 
No outro caso, com células mais inflamatórias, ela 
fica com os linfócitos mais expostos e mais 
susceptíveis ao HIV. 
 
Esse artigo fala da microbiota e saúde reprodutiva. 
No primeiro caso, os lactobacilos estão formando 
uma barreira protetora com o muco, com os 
linfócitos e com o igA. 
No outro, sem barreiras de bactérias ideais, 
citocinas infamatórias, e sem o muco. Existem 
quebras do igA e ácidos graxos de cadeia curta, 
dando secreção com cheiro ruim. Um cenário 
vaginal ruim no geral. 
 
 
 
 
 
 
 
Vaginose é a substituição da população. A maior 
pare dos casos ocorrem pelo desequilíbrio da 
G. vaginalis e bacterióides. 
As aminas volatizadas produzidas por essas 
bactérias é que dão o cheiro característico de 
peixe podre. 
A vaginose pode trazer complicações: maior risco 
de HIV, complicações pós-operatórias, trabalho 
de parto prematuro, já que estimulam as 
infecções amnióticas. 
Amanda Lima Mutz – MedUFES 103 
 
 
 
Se interrogava o motivo por trás da diminuição dos 
lactobacilos, mas é normal para certos perfis que 
geralmente não tenha. O pH é maior sem os 
lactobacilos, e isso estimula o crescimento de 
outras bactérias que produzem as aminas. As 
gardnerellas aumentam esfoliação celular, 
fazendo com que elas se agarrem nas paredes 
vaginais. São chamadas de células guias quando 
as encontramos nas lâminas. Ajudam a aumentar 
fluxo e odor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Antigamente era dx por exclusão, se não via 
gardinerella na lâmina, já descartava e deixava o 
dx como vaginite inespecífica. 
Os critérios de Amsel descreve já os aspectos e 
teste das aminas, onde fazemos com que essas 
aminas volatizem, dando um cheiro ruim. 2 ou 
mais desses critérios, fecha um dx de vaginose. 
Ao longo do tempo, descobriram que não era só 
a gardinerella que causava as vaginoses, e sim 
que existiam vários outros anaeróbios. 
Hoje, avaliamos com todos os parâmetros 
descritos no slide: clue cells, coloração de gram, 
métodos moleculares e etc. 
No preventivo, se tiver 20% de clue cells, já vem 
com o dx de gardinerella. 
Cultura não é usada para dx. 
 
 
Critérios de Amstel 
1. Aspecto: fluxo homogêneo como um glacê 
recobrindo a vagina. Não faz diferença a 
quantidade e cor. 
2. clue cells com aspecto rendilhado, parecem 
rendas. São gardinerellas aderidas no epitélio. 
3. Ao jogar hidróxido de potássio, vai subir o 
cheirinho 
4. Teste de pH vaginal 
 
 
 
 
 
Clue cell em aumento na microscopia 
 
 
 
 
Amanda Lima Mutz – MedUFES 103 
 
A vaginose bacteriana não é uma IST, mas tem 
uma associação epidemiológica muito associada 
com essas doenças sexualmente transmissíveis. 
É mais comum vaginose em mulheres portadoras 
de HIV. 
Existe um percentual com vaginose recorrente de 
mais de 4x ao ano. Pode ser por resistência ao 
antibiótico ou formação de biofilme, que é um 
fator forte para a recorrência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Como tratar? 
- Trataremos basicamente os anaeróbios. 
- Metronidazol dose única, ou 2cp por 7 dias. 
- Pode ser por gel vaginal. 
- Não se indica tratamento de parceiro por ainda 
não ser considerado uma IST. Apesar de alguns 
estudos apontarem para a formação de biofilmes 
em parceiros. 
- Colporreias estão nos manuais de DST 
- Na recorrência, podemos tratar mais 
prolongadamente e fazer manutenção com 
metronidazol. 
- Ácidobórico pode ser aplicado e impede a 
formação de biofilmes, ajuda quando nada 
resolve. 
 
 
Vários estudos falam do uso de pro bióticos, e do 
tratamento das vaginoses. 
Em termos de perspectivas, quando aumentam 
doses e se associam com antibióticos, tem 
mostrado um resultado melhor. Interromper a 
produção de biofilmes também é uma boa. Pro 
bióticos tem sido muito bom para o intestino, mas 
ainda não há nada muito conclusivo, por não 
sabermos as cepas ideais nem a quantidade de 
cada uma delas. 
Obs.: óleo de côco: Está na moda indicar por 
blogueiras, mas não há estudos que indicam 
eficácia. Sem respaldo médico. 
 
 
 
 
 
 
 
Amanda Lima Mutz – MedUFES 103 
 
 
 
 
 
 
 
Pode ser confundida com vaginose mas não tem 
predominância de anaeróbicos. Te processo 
inflamatório evidente na mucosa. 
 
 
 
 
Fluxo amarelo citrino, pelo turnover celular ser 
muito intenso. PH está mais alto que a anaeróbica. 
Atrofia é um fator muito influenciador. 
 
 
 
 
 
 
 
Candidíase vaginal é a segunda doença vaginal 
mais estudada. Pode ser causada por outros 
gêneros de fungos, mas a maioria por cândida. 
Inflamação exsudativa pela invasão do tecido e 
pelas toxinas que o fungo produz. 
Tem 2 formas: esporos e leveduras ou 
pseudohifas. 
O fluxo fica grumoso parecendo um queijo 
cotage, e com sinais flogísticos. Parceiros podem 
apresentar os mesmos sintomas, porém mais 
limitados a fissuras na glande. 
 
Edema na vulva e dos pequenos lábios. Secreção 
branca e grumosa. Pode ficar amarelo 
esverdeado pelo processo inflamatório intenso. Dx 
diferencial com processo alérgico e vaginose 
citolítica. 
Por questões hormonais, e maior glicogênio, pode 
aumentar na gravidez. 
Diagnosticamos com esfregaço na lamina a seco, 
onde vemos o fungo (primeira imagem). Na 
segunda imagem, coloração Papanicolau. 
Se achar que não é albicans, fazer cultura. 
 
 
 
Amanda Lima Mutz – MedUFES 103 
 
 
 
 
 
- Nostatina tinha no sus 
- Depois vieram os azólicos, que são melhores e 
tratamos por menos tempo 
- Corticoides tópicos para aliviar a inflamação da 
vulva. 
- Tratar parceiro apenas em casos sintomáticos. 
 - Questionamos se não tratar o parceiro pode 
influenciar na recorrência. 
 
 
 
- Cetoconazol caiu em desuso por 
hepatotoxicidade 
- Fluconazol ou itraconazol são os mais utilizados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Estudo de novos tratamentos em teste. 
 
 
 
 
 
 
- Na recorrência pode fazer 1 fluconazol a cada 3 
dias. 
- Depois, fazer semanal 1 a 2 por semana, por 6 a 
12 meses. 
- Atentar pela questão hepática. 
- Pode usar também antifúngico vaginal 2x 
semana 
- Ou ácido bórico manipulado diário. 
 
 
 
 
 
Amanda Lima Mutz – MedUFES 103 
 
 
 
Candidíase recorrente requer tratamento 
supressivo prolongado. É considerado crônico. 
Pode controlar, mas cura está sendo um pouco 
mais complicado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dx diferencial e situações que podem estimular o 
crescimento fúngico. 
 
 
 
 
Vaginose citolítica é um dx diferencial com a 
candidíase. 
Tem uma citólise aumentada e maior 
descamação. Não tem fungos, então não vejo 
leucocitose na lamina. Pelo pH mais ácido e 
descamação, o fluxo branco fica grumoso, 
porém mais esfarelado. Pode apresentar prurido 
pela variação do pH. 
 
 
 
 
 
Lamina com muitos lactobacilos com restos 
citoplasmáticos 
 
 
 
Ficam só os núcleos, com o citoplasma já lisados 
e cheios de lactobacilos 
 
Amanda Lima Mutz – MedUFES 103 
 
 
 
 
Única DST de fato dessa aula. 
As portadoras geralmente têm aquela flora ruim de 
vaginose. Essa flora provavelmente pode facilitar a 
transmissão e aquisição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O sinergismo é comum entre outras doenças. Um 
piora o outro. Traz complicações reprodutivas 
também. 
 
 
Mais exacerbado ao se infectar. Com o tempo de 
infecção, vai ficando mais assintomático. O 
corrimento amarelo esverdeado pode ser bolhoso 
e o colo em framboesa é bem clássico. É o tecido 
conjuntivo exposto que está mais vermelho. 
Ao jogar o iodo, onde perde epitélio e glicogênio, 
ele não cora, e fica um colo de iodo tigróide. 
 
 
 
 
 
 
 
Amanda Lima Mutz – MedUFES 103 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pode ter foco em bexiga, em reto e precisa tratar 
de forma sistêmica, então oralmente. É uma DST 
e precisa tratar também o parceiro. Rastrear 
outras DSTs, já que pode ter aquela sinergia.

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