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Texto 3 Psicologia da Educação

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ANA MERCÈS BAHIA BOCK 
ODAIR FURTADO 
MARIA DE LOURDES TRASSI TEIXEIRA 
PSICOLOGIAS 
UMA INTRODUÇÄO 
AO ESTUDO 
DE PSICOLOGIA 
13 edição reformulada e ampliada- 1999 
3 tiragem-2001 
Editora 
Saraiva 
CAPITULO 4 
A Gestalt 
A PSICOLOGIA DA FORMA 
A Psicologia da Gestalt é uma das tendências teóricas mais 
coerentes e coesas da história da Psicologia. Seus articuladores 
preocuparam-se em construir não só uma teoria consistente, mas 
tambén uma base metodológica forte, que garantisse a consistência 
teórica. 
Gestalt é um termo alemão de dificil tradução. O termo mais 
próximo em português seria forma ou configuração, que não é utlizado, 
por não corresponder exatamente ao seu real significado em Psicologia. 
Como Já vimos no capltulo 2, no final do século passado muitos 
estudiosos procuravam compreender o fenômeno psicológico em seus 
aspectos naturais (principalmente no sentido da mensurabilidade). A 
Psicofisica estava em voga. 
Ernst Mach (1838-1916), fisico, e Christian von Ehrenfels (1859- 
1932), filósofo e psicólogo, desenvolviam uma psicofisica com estudos 
sobre as sensações (o dado psicológico) de espaço-forma e tempo-formma 
(6 dado fisico) e podem ser considerados como os mais diretos 
antecessores da Psicologia da Gestalt. 
Max Wertheimer (1880-1943), Wolfgang Köhler (1887-1967) e Kurt 
Koffka (1886-1941), baseados nos estudos psicofisicos que relacionaram 
a forma e sua percepção, construiram a base de uma teoria 
eminentemente psicológica. 
Eles iniciaram seus estudos pela percepçãoe sensação do 
movimento. Os gestaltistas estavam preocupados em compreender quais 
os processos psicológicos envolvidos na ilusão de ótica, quando o 
estimulo fisico é percebido pelo sujeito como uma forma diferente da 
que ele tem na realidade. [pg. 59] 
E o caso do cinema. Quem já viu uma fita cinematográfica sabe 
que ela é composta de fotogramas estáticos. O movimento que vemos na 
tela é uma ilusão de ótica causada pela pós-imagem retiniana (a imagem 
demora um pouco para se "apagar" em nossa retina). Como as imagens 
vão-se sobrepondo em nossa retina, temos a sensação de movimento. 
Mas o que de fato está na tela é uma fotografla estática. 
APERCEPÇÃO 
A percepção é o ponto de partida e também um dos temas centrais 
dessa teoria. Os experimentos com a percepção levaram os teóricos da 
Gestalt ao questionamento de um principio implicito na teoria 
behaviorista- que há relação de causa e efeito entre o estimulo e a 
resposta porque, para os gestaltistas, entre o estimulo que o meio 
fornece e a resposta do individuo, encontra-se o processo de 
percepção. O que o individuo percebe e como percebe são dados 
importantes para a compreensão do comportamento humano. 
O confronto Gestalt/Behaviorismo pode ser resumido na posição 
que cada uma das teorias assume diante do objeto da Psicologia-o 
comportamento, pois tanto a Gestalt quanto o Behaviorismo definem a 
Psicologia como a ciência que estuda o comportamento. 
O Behaviorismo, dentro de sua preocupação cora a objetividade, 
estuda o comportamento através da relação estlmulo-resposta, 
procurando isolar o estimulo que corresponderia à resposta esperada e 
desprezando os conteúdos de "consciência", pela impossibilidade de 
controlar cientificamente essas variáveis. 
A Gestalt irá criticar essa abordagem, por considerar que o 
comportarmento, quando estudado de maneira isolada de um contexto 
mais amplo, pode perder seu significado (o seu entendimento) para o 
psicólogo. 
Na visão dos gestaltistas, o comportamento deverla 
estudado nos seus aspectos mais globais, levando em 
consideração as condições que alteram a percepção do estimulo. 
Para justificar essa postura, eles se baseavam na teoria do isomorfismo, 
que supunha uma unidade no universo, onde a parte está sempre 
relacionada ao todo. 
Quando eu vejo uma parte de um objeto, ocorre uma tendênciaà 
restauração do equilibrio da forma, garantindo o entendimento do que 
estou percebendo. 
Esse fenómeno da percepção norteado pela buscà de 
fechamento, simetria e regularidade dos pontos que compõem uma 
figura (objeto). 
Rudolf Arnheim dá um bom exemplo da tendência à restauração 
do equilibrio na relação parte-todo: "De que modo o sentido [pg. 60] da 
visão se apodera da forma? Nenhuma pessoa dotada de um sistema 
nervoso pefeito apreende a forma alinhavando os retalhos da cópia de 
Suas partes (.) o sentido normal da visão (.) apreende um padrão 
global 
'RArnheim Arte e percepção visual: uma psicologia da visão criadora. p.44-7. 
Os fenômenos deste tipo 
encontram sua explicação 
naquilo que os psicólogos da 
Gestalt descrevei como a lei 
básica da percepção visual: 
"qualquer padrão de estímulo 
tende a ser visto de tal modo 
F 
que a estrutura resultante é tão 
simples quanto as condiçðes 
dadas permitem". 
Fig3 
Nós percebemos a figura 1 como um quadrado, e n�o como uma 
figura inclinada ou um perfil (figura 2), apesar de essas últimas também 
conterem os quatro pontos. Se forem acrescentados mais quatro pontos 
figura 1, o padrão mudará, e perceberemos um circulo (figura 3). Na 
figura 4 é possível ver círculos brancos ou quadrados no centro das 
cruzes, mesmo não havendo vestigio dos seus contornos. 
A BOA-FORMA 
A Gestalt encontra nesses fenômenos da percepção as condições 
para a compreensão do comportamento humano. A maneira como 
percebemos um determinado estímulo irá desencadear nosso 
comportamento. [pg. 61] 
Muitas vezes, os nossos comportamentos guardam relação estreita 
com os estimulos fisicos, e outras, eles são completamente diferentes do 
esperado porque "entendemos" o ambiente de uma maneira diferente da 
sua realidade. Quantas vezes já nos aconteceu de cumprimentarmos a 
distância uma pessoa conhecida e, ao chegamos mais perto, 
depararmos com um atônito desconhecido. Um "ero' de percepção nos 
levou ao comportamento de cumprimentar o desconhecido. Ora, ocore 
que, no momento em que confundimos a pessoa, estávamos "de fato" 
Cumprimentando nosso amigo. Esta pequena confusão demonstra que a 
nossa percepção do estimulo (a pessoa desconhecida) naquelas 
condições ambientais dadas émediatizada pela forma com 
interpretamos o conteúdo percebido. 
Se nos elementos 
percebidos não há equilibrio, 
simetria, estabilidade 
simplicidade, não alcançaremos 
a boa-fomma. 
elemento que 
objetivamos compreender deve ser apresentado em aspectos básicos, 
que permitam a sua decodificação, ou seja, a percepção da boa-forma. 
O exemplo da figura 5 ilustra a noção de boa-foma. Geralmente 
percebemos o segmento de reta a maior que o segmento de retab, mas, 
na realidade, isso é uma ilusão de ótica, já que ambos são idênticos. 
A maneira como se distribuem os elementos que compõem as 
duas figuras não apresenta equilibrio, simetria, estabilidade e 
simplicidade suficientes para 
garantir a boa-forma, isto é, para 
superar a ilusão de ótica. 
A tendência da nossa 
percepção em buscar a boa- 
forma permitirá a relação figura- 
fundo. Quanto mais clara estiver 
a forma (boa-forma), mais clara 
será a separação entre a figura e 
Fi 6 o fundo. Quando isso não ocome, 
O que temos aqui? Uma taça ou dois perfis? A figura 
ambigua não oferece uma clara distinção figura- 
fundo. 
torna-sé dificil distinguir o queé 
figura e o que é fundo, como éo caso da figura 6. Nessa figura ambigua, 
fundo e figura substituem-se, dependendo da percepção de quem os 
olha. Faça o teste: é possível ver a taça e os perfis ao mesmo tempo? 
Pg. 62] 
MEIO GEOGRÁFICO 
E MEIO COMPORTAMENTAL 
O comportamento é determinado pela percepção do estimulo e, 
portanto, estará submetido à lei da boa-forma. O conjunto de estimulos 
determinantes do comportamento (lembre-se da visão global dos 
gestaltistas) é denominado melo ou melo amblental São conhecldos 
dois tipos de meio: o geográfico e o comporta mental. 
O meio geográfico é o meio enquanto tal, o meio fisico em termos 
objetivos.

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