Prévia do material em texto
Stephanny Teixeira - MEDICINA Conceito: são dermatites (lesão de pele inflamatória que gera eritema e prurido) pela presença de eritema, edema infiltração (eleva) vesículas secreção/exsudato crostas escamas e liquenificação. As lesões podem se suceder (podem aparecer numa sequência) ou se associar (pode ter um conjunto de lesões). TODO ECZEMA TEM PRURIDO MAS DE INTENSIDADE VARIÁVEL. SUBDIVISÃO DOS ECZEMAS AGUDO: eritema, edema, vesículas, secreção/exsudato. SUBAGUDO: eritema e edema são menos intensos, predominando secreção e crosta. CRÔNICO: liquenificação, evolução, prolongada. CLASSIFICAÇÃO ECZEMA OU DERMATITE DE CONTATO: resposta inflamatória a um contactante (substância externa a pele). Pode ser: - Dermatite de contato por irritante primário: não existe um componente alérgico. Substância entra em contato e rompe a barreira causando uma inflamação naquele local. Quanto maior a concentração e tempo de exposição e quanto menor a espessura da camada córnea, maior será o dano. Responde por cerca de 1/3 das doenças ocupacionais. Fatores facilitadores: oclusão (colocar em local fechado), sudorese, alta temperatura, solução de continuidade. Subdividida em: 1. Por irritante primário absoluto: reação ocorre no momento do contato. No primeiro contato já causa eczema. Ex: ácido nítrico fumegante, soda caustica. 2. Por irritante primário relativo: ocorre após múltiplas exposições sendo num tempo de semanas, meses ou anos. Ex: detergente, sabão, urina, fezes. É como se ultrapasse o limiar de tolerância. - Dermatite de contato alérgica (DCA): hipersensibilidade celular tardia (tipo IV), não ocorre em primeiro contato, é mais disseminada (no local em que houve contato e demais lugares) e grave que a dermatite de contato por irritante primário e pode apresentar lesões a distância. Precisa haver um primeiro contato primeiro para gerar uma reação depois. Dividida em fases: 1. Indução/sensibilização/aferente: ocorre quando entramos em contato pela primeira vez com a substância causadora da alergia. O hapteno (em contato com a pele de 18-24h) é uma parte antigênica da substância alergênica que vai causar alergia. Ele se liga a algumas proteínas que temos na pele e torna-se um antígeno. As células de Langherans vão capturar esses antígenos (atuando como células apresentadoras de antígenos) apresentando ao linfonodo mais próximo e ao linfócito T que vai se diferenciar em linfócito T efetivo, regulador ou de memória. Posteriormente esse LT migra para a pele (serão células efetoras). 2. Elicitação/evocação/eferente: ocorre nas exposições subsequentes a substância alergênica. As células de Langherans já estarão prontas para capturar o antígeno e apresentarão aos LT já sensibilizados. Isso causa liberação de citocinas (IFN-gama), gerando uma inflamação em 24-48h. Pode ocorrer então uma resolução espontânea, quando temos o término da inflamação por ação das citocinas reguladoras, caso haja remoção do contactante da pele. OU pode haver continuação do eczema se o contactante não for removido da pele. Para o diagnóstico, usar anamnese e teste de contato que vai gerar resultado em 48-72h e que, nele, vai apresentar no local pápulas e eczemas. Isso fecha critério diagnostico. Principais substâncias que causam a reação (geralmente usadas na bateria padrão do teste provocativo): sulfato de níquel (brincos e feixes de jeans), bicromato de potássio (cimento e couro), cormalina (cosméticos e esmaltes), parafenililenodiamina (tintura capilar), hidroquinona (borracha), timerosol (pomadas), balsamo de peru (perfume). IRRITANTE PRIMÁRIO ALÉRGICA Não há reconhecimento de antígeno Ocorre sensibilização Testes de contato - Testes de contato + Stephanny Teixeira - MEDICINA Substâncias muito ácidas ou muito básicas (ph da pele é de 5,4-5,6). Qualquer tipo de substância. Depende do indivíduo. Pode desenvolver no primeiro contato Não ocorre no primeiro contato Limitado ao local de contato Ocorre também a distância do local de contato. TRATAMENTO Corticoide tópico - Potência baixa: hidrocortisona creme/pomada, usado em locais mais sensíveis como rosto; - Média: betametasona, desonida, mometasona; - Alta: clobetazol e alobetazol uso vai depender do quadro clínico.) - Compressas com água boricada ou permanganato de exsudação. - Corticoide sistêmico se quadro grave ou extenso. - Remover causa. ECZEMA OU DERMATITE NUMULAR Forma de moeda, vesículas e pápulas confluentes em base eritemato-edematosa, involui sem cicatriz, mais comum na face dos membros. Causa desconhecida. Está relacionada com atopia e colonização estafilococica e quase nunca cronifica. É mais frequente em idosos ou um paciente que não controla bem a dermatite atópica. Tratamento: hidratar e aplicar corticoide. Pele fica muito ressecada. Eczema Disidrótico ou Disidrose Vesículas em mãos e pés (lateral dos dedos). Pode haver descamação redicivante e pruriginosa. Desencadeantes: atopia, estresse, substâncias contactantes. Tratamento: corticoide tópico e hidratante para melhorar barreira cutânea. Geralmente são vesículas que aparecem de vez em quando. São autolimitadas, com 5-7 dias melhora, mas quando trata melhora mais rápido. Tem relação com uso excessivo de álcool porque vai ressecar a pele. Eczema ou Dermatite de Estase Eczema varicoso, doença crônica por estase venosa na região do terço inferior da perna. Fase aguda: eritema, vesículas, secreção. Fase crônica: liquenificação. Pode ulcerar (úlcera de estase) e ser uma porta de entrada para infecções. Dermatite Ocre (quando sai da fase aguda): quadro residual. Manchas eritemato acastanhadas por deposição de hemossiderina. Tratamento: tratar varizes. Corticoide tópico pode ser colocado. Se muito prurido, pode adicionar anti- histamínico. Eczema ou Dermatite Atópica (DA) Doença crônica, com períodos de crise e remissão. Frequente associação com asma/rinite alérgica (30%) e urticária (15%). Etiopatogenia: fatores genéticos 70% possui antecedente familiar de atopia. Principal fator causal: mutações no gene da Filagrina (proteína essencial para a formação e manutenção da integridade da barreira cutânea). Defeitos na barreira cutânea levam à maior penetração de alérgenos, micro-organismos (Staphylococus aureus) e substâncias irritantes, que por sua vez estimulam a resposta imune Th2 (IL-4, IL-5, IL-13, e IL- 31). Aumento de IgE (principalmente nas crises); redução da imunidade celular. Limiar ao prurido mais baixo (causa desconhecida, citocinas inflamatórias?), sudorese (aumenta prurido). + Classificação e Quadro Clínico: - Eczema infantil: 3 meses (é mais um quadro de eczema agudo) aos 2 anos. Lesões vesico-secretante-crostosas em face (principalmente regiões malares, poupando o maciço médio facial), couro cabeludo e dobras. Pouca predisposição a liquenificação e o prurido é variável. - Eczema pré-puberal: Pode ser uma continuação do eczema infantil ou aparecer após anos. Dobras, face, punhos e dorso das mãos e pés. Comuns liquenificação e escoriações Stephanny Teixeira - MEDICINA devido ao prurido. Na fase de agudização tem-se eritema, vesiculação e secreção. - Eczema na idade adulta: Dobras e face (principalmente região periorbitária). Liquenificação, escoriações, prurido variável, xerose importante. Pode agudizar. CRITÉRIOS MAIORES (deve ter 3 ou mais) CRITÉRIOS MENORES (deve ter 3 ou mais) Prurido Xerose Palidez centro facial com escurecimento perioribitário Morfotopografia: face: 3 meses a 2 anos. Dobras: acima de 2 anos. Positividade dos testes cutâneos imediatos. Dupla prega infapalpebral (prega de Dennie Morgan). Tendência a cronicidade e/ou recidivas frequentes. Hiperlinearidade das linhas palmares. Sinal de Hertogue (madarose da caudadas sobrancelhas por prurido) História pessoal/familiar de atopia. Pitiriase alba (manchas brancas em peles muito ressecadas) Tendência a dermatoses crônicas recidivantes das mãos. Ceratose pilar Tendência a infecções cutâneas de repetição. Ceratose pilar A hidratação da pele ajuda a compor a filagrina da pele, diminuindo o prurido. Quanto mais hidratada, menos quadros de irritação. TRATAMENTO DERMATITE ATÓPICA • Banho rápido, morno, pouco sabonete e sem esponja • Hidratante: pilar principal • Corticoide tópico: uso moderado, nas crises; manutenção (2x semana. Mantém cuidados com hidratação, mas usa também o corticoide para prevenir, diminuindo possibilidade de entrar em crise). ORIENTAR que se melhorar deve parar o uso. Usar o mínimo de tempo possível. • Inibidor da calcineurina: manutenção; face. Tópico, só usados acima de 2 anos, mas na pratica pode usar com menos que isso. Tem efeito parecido com corticoide não causando nenhum efeito colateral. • Antibiótico: impetiginização • Anti-histamínico sedante se prurido; • Fototerapia; • Imunossupressores (ciclosporina, micofenolatomofetila): casos graves/refratários • Dupilumabe (anticorpo monoclonal que atua no receptor na IL-4 e IL-13). Reservado para casos graves. • Controle do ambiente: poeira, ácaro e mofo, etc. Líquen Simples Crônico ou Neurodermite Placa liquenificada crônica e progressiva. Vários estímulos iniciais: picada de inseto, xerose, substâncias irritantes. Sempre relacionado a alteração emocional (observar sintomas psíquicos). Tratamento: igual aos outros eczemas. Provocado pela unha do paciente que fica coçando. PIODERMITES DEFINIÇÃO: Infecções cutâneas causadas por bactérias piogênicas, como estreptococo B-hemolítico do grupo A (Streptococcus pyogenes) ou Staphylococcus aureus. Subdivisão: Impetigo, Foliculite, Furúnculo, Ectima, Erisipela, Celulite, Abscesso. IMPETIGO Piodermite mais comum (60%). Acomete principalmente crianças em idade pré-escolar e escolar. Pode ser classificado como impetigo primário (invasão bacteriana direta da pele anteriormente normal) ou impetigo secundário (infecção em locais de traumatismo cutâneo menor, como abrasões, trauma leve e picadas de insetos, ou condições subjacentes, como eczema. - Fatores predisponentes: falta de higiene, doença cutânea pré-existente (Ex dermatite atópica). Etiopatogenia: colonização da pele + solução de continuidade. A colonização da pele por streptococcus pyogenes precede o surgimento das lesões em 10 dias. Quando causado por staphylococcus aureus os patógenos são procedentes do nariz. O principal patógeno é o S. aureus. Os estreptococos beta-hemolíticos (principalmente o grupo A, mas ocasionalmente outros sorogrupos como C e G) são responsáveis por uma minoria de casos, isoladamente ou em combinação com S. aureus + Não – bolhoso ou CROSTOSO (+ comum - 70%): Estreptococos e/ou estafilococos. Vesícula/pústula, base eritematosa; rompimento; exsudato purulento; crosta amarelada (melicérica). Frequente em face e extremidades. + Bolhoso: estafilococos aureus. Vesículas/bolhas (toxinas); rompimento; crostas. Frequentemente localizada mais no tronco. - Atinge apenas epiderme→ não deixa cicatriz. - Autoinoculação (ao coçar um local não levar no local que esta acometido porque pode piorar). Stephanny Teixeira - MEDICINA - Impetigo estreptocócico: possibilidade de GNDA (glomerulonefrite difusa aguda). - Diagnóstico: de acordo com o quadro clínico - Diagnóstico diferencial: Herpes simples, herpes-zoster, eczemas, varicela, escabiose, pênfigo. Tratamento: Higiene, compressas com antisséptico → Permaganato de potássio, agua boricada. Antibiótico tópico → Mupirocina (3x ao dia), ácido fusídico, neomicina + bacitracina, gentamicina. Antibiótico oral (7-10 dias) → Cefalexina, amoxicilina + clavulanato, cefadroxila, eritromicina, macrolideos, penicilina. FOLICULITE - Infecção do folículo piloso pelo S. Aureus. - Fatores predisponentes: diabetes, roupas justas (jeans), depilação, obstrução folicular. - Diagnóstico: clínico, Gram e culturas. -Tratamento: Medidas locais antisséptico de antibióticos locais (mupirocina, ácido fusídico). ATB sistêmica: drogas antiestafilocócicas (cefalexina, oxacilina). FURÚNCULO Infecção do folículo piloso e glândulas sebácea pelo S. aureus MSSA ou MRSA. Pode ocorrer em qualquer lugar, sendo mais comum em pescoço, face, axilas e nádegas. Quadro clínico: nódulo endurecido, eritematoso, com calor e dor evolui para flutuação e drenagem de secreção purulenta (pele abre e ocorre secreção purulenta). - Fatores predisponentes: Obesidade, imunossupressão, DM, fricção, oclusão. DDX: cisto pilonidal (lesões que faz um cisto para dentro) hidranenite (a gladula sudorípara também estará infeccionada). - Tratamento: Medidas locais antissépticos, antibióticos tópicos (mupirocina, ácido fusídico), compressa morna (3x ao dia, o pus vai ficando cada vez mais superficial, ajudando a drenar). ATB sistêmica: drogas antiestafilocócicas (cefalexina 500 mg 6/6h, bactrim 800+160mg 12/12h, oxacilina1-2 g 4/4h ou 6/6h), drenagem (apenas quando não está mais endurecido). A Descolonização do S. aureus é indicada em quadros de repetição usa mupirocina nas narinas 2x/dia 5 dias/mês por 3 meses–reduz recorrência em 50% atrás das orelhas, axilas, umbigo, etc e ácido fusídico2x/dia por 5 dias/mês por 3 meses. CARBÚNCULO Infecção de vários folículos adjacentes. - Massa inflamatória coalescente. Pus drenando de múltiplos orifícios foliculares. Aparecem mais na região cervical posterior. Mais comuns em diabéticos. - Tratamento: O carbúnculo cutâneo é tratado com ciprofloxacino, levofloxacino ou doxiciclina administrada por via oral durante 7-10 dias. O carbúnculo por inalação, gastrointestinal ou cutâneo grave é tratado com uma combinação de dois ou três antibióticos, incluindo ciprofloxacino ou doxiciclina por via intravenosa em combinação com outro antibiótico, como ampicilina, clindamicina, rifampicina ou outros. Stephanny Teixeira - MEDICINA ECTIMA - Agentes: S. aureus, estreptococos do grupo A, P. aeruginosa (raro). - Ocorre em crianças, idosos, diabéticos, desnutridos. - Quadro clínico: vesícula ou pústula (semelhante ao impetigo), que rompe, se alarga e se aprofunda, formando úlcera de base necrótica, com halo eritematoso ou violáceo e recoberta por crosta de difícil retirada. É uma forma ulcerativa de impetigo - Ddx: Leishmaniose tegumentar, úlcera venosa. Muitas vezes precisa biopsiar. Diagnóstico: clínico, Gram e culturas, biópsia. - Tratamento: Cuidados locais: limpeza com água e sabão, ATB tópicos (mupirocina, ácido fusídico, bacitracina). Melhora do quadro nutricional. Antibióticos anti- estafilocócicos por 2 a 3 semanas. ERISEPELA - Infecção cutânea aguda de etiologia principalmente estreptocócica do grupo A (pyogenes), por vezes recidivante. Staphylococcus aureus– 10-17%. Bacilos Gram negativos que também pode causar: Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter calcoaceticus, Hemophilus influenzae, enterobacteriáceas, Pé diabético e úlceras de decúbito. - Epidemiologia: sexo feminino, adultos entre 40 e 60 anos, membros inferiores (85%), face (10%). - Fatores de risco: Fatores locais Linfedema crônico, Solução de continuidade (lesão traumática), Intertrigo interdigital, Úlcera crônica, Lesão traumática. Fatores gerais Obesidade. - Quadro Clínico: Início súbito, placa eritematosa, edematosa, quente e dolorosa, de limites BEM definidos, geralmente em membro inferior. Febre (38,5 –40º C) com calafrios. Adenopatia dolorosa, erisipela bolhosa. Tratamento: Antibioticoterapia com Penicilina G Cristalina 16 a 24 milhões UI/dia –4/4h ou 6/6h, ceftriaxone 1-2 g/dia, oxacilina 1-2g 4/4h ou 6/6h, cefalexina(em quadros leves). Medidas gerais: Repouso com elevação do membro afetados, punção das bolhas, antimicrobianos tópicos – bolhas. Indica profilaxia em idosos acamados, erisipela de repetição com Penicilina Benzatina 120000 1x a cada 3 semanas por 6 meses. CELULITE Infecção aguda cutânea que se estende até tecido celular subcutâneo. Insidiosa, febre, calafrios, fadiga e dor local, linfadenopatia. Transição entre pele acometida e pele normal não é tão evidente. Os agentes mais comuns: estreptococos do grupo A e o S. aureus. Fatores desencadeantes: traumas, furúnculos, micoses, úlceras cutâneas e ferida cirúrgica. Quadro clínico: Placa eritematosa, SEM limites precisos, com bordas não totalmente demarcadas ou elevadas. Febre, calafrios, fadiga, dor local. Linfadenopatia regional e bacteremia. Tratamento: precisa internar com oxacilina EV (tratamento empírico de escolha), cefalexina oral quando não está tão grave. ABSCESSO Não tem história de nódulo endurecido. Coleções de pus na derme e tecidos profundos. São polimicrobianos. Tratamento: Drenagem do pus, exploração da cavidade, recobrir ferimento com gaze. Antibióticos sistêmicos (cefalexina, amoxicilina- clavulanato, bactrim, oxacilina, ect).