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Anatomia e função Epiderme (camada externa da pele) Consiste em uma fina matriz de células. Nos seres humanos, a epiderme contém três principais populações celulares residentes: Queratinócitos: maior número. Capacidade de elevar suas taxas de proliferação e maturação até níveis bem superiores a esses quando estimulados em função de lesões ou inflamação, que definem a sua função de revestimento; Melanócitos: capacidade de elaborar o pigmento melânico absorvedor de luz, que exerce o papel mais importante de proteção da pele contra a radiação UV; Células de Langerhans: capacidade de metabolizar materiais antigênicos complexos e transformá-los em peptídeos, dos quais alguns são imunogênicos e Células de Merkel: Contêm peptídeos neuroendócrinos no interior de seus grânulos intracitoplasmáticos. São responsáveis pela sensação do toque, diferenciando as superfícies de objetos. A função mais evidente da epiderme encontra-se no estrato córneo, um agregado de superfície laminar semipermeável de células epiteliais escamosas (queratinizada) diferenciadas, que serve como barreira fisiológica à penetração química e à invasão microbiológica a partir do ambiente externo e também como uma barreira contra a perda de fluidos e solutos do meio interno. Derme Abaixo da epiderme, uma derme vascularizada fornece suporte nutricional e estrutural. Ela é composta por gel de mucopolissacarídeos sustentado por uma matriz fibrosa contendo colágeno e elastina. Estruturas vasculares, acompanhadas por nervos e mastócitos, intercalam-se pela derme com o intuito de fornecer nutrientes, células recirculantes e sensações cutâneas (dor, frio, calor, pressão, vibração, cócegas e prazer). É na derme que estão localizados os folículos pilosos, os nervos sensitivos, as glândulas sebáceas, responsáveis pela produção de sebo, e as glândulas sudoríparas, responsáveis pelo suor. Hipoderme Terceira e última camada da pele, formada basicamente por células de gordura. Sendo assim, sua espessura é bastante variável, conforme a constituição física de cada pessoa. Ela apoia e une a epiderme e a derme ao resto do seu corpo. Além disso, a hipoderme mantém a temperatura do seu corpo e acumula energia para o desempenho das funções biológicas. Lesões elementares Lesões por alteração de cor • Mancha ou mácula: São lesões que não possuem relevo. As variações de cor na superfície cutânea dependem do tipo e da profundidade do pigmento envolvido. Esse pigmento pode ser endógeno ou exógeno. - Pigmentar: Depende do pigmento envolvido. Se ocorre aumento de melanina, a mancha pode ser Hipercrômica (castanho-clara, escura, cinza, preta, a exemplo mancha café com leite, melasma, nevo melanocítico juncional); Figura 1 Mancha. Neurofibromatose tipo 1. Lesões acastanhadas ovaladas de tamanhos variados; quando em número maior do que seis, deve-se pesquisar neurofibromatose (manchas café com leite). Se ocorre diminuição de melanina, a mancha é chamada de Hipocrômica (Pitiríase alba, hanseníase indeterminada). Figura 2 Mancha. Pitiríase alba. Lesão hipocrômica, caracterizada pela diminuição da pigmentação, podendo exibir discreta descamação na superfície, centralizada ao redor dos folículos pilossebáceos (ceratose folicular), sem alteração da sensibilidade. Se ocorre ausência de melanina, temos a mancha Acrômica (Vitiligo, nevo acrômico). Figura 3 Mancha. Nevo acrômico (nevus despigmentosus). Lesão arredondada, existente desde o nascimento, com limites bem definidos Se a mancha acontece por bilirrubina, a lesão terá aspecto amarelado, como ocorre na icterícia. Figura 4 Alteração de cor da pele e mucosa pela impregnação de pigmento amarelado endógeno No caso de mácula por caroteno, a lesão apresenta-se de coloração alaranjada, com exemplo de palmas alaranjadas por hipercarotenemia. Figura 5 Hipercarotenemia. Mãos de duas diferentes pessoas, para comparação. A tonalidade amarelada da mão à esquerda ocorre por alimentação rica em betacaroteno (p. ex., cenoura) Em pigmentos artificiais, podemos citar como exemplo as tatuagens e impregnação por graxa. Figura 6 Tatuagem. Mancha por pigmento exógeno. Manchas vasculo-sanguíneas: Desaparecem a digito- pressão. Figura 7 Eritema cianótico. Cianose No eritema rubro (rubor), a pele apresenta-se quente. É consequência da vasocongestão arterial. Figura 8 Eritema rubro. Rubor. O eritema agudo generalizado possui outra denominação: exantema. Este pode ser morbiliforme, com pele sã entre as lesões (sarampo viral) ou escarlatiniforme, sendo mais difuso e uniforme. Figura 9 Exantema morbiliforme. Sarampo. Figura 10 Exantema escarlatiniforme. Rash da escarlatina. Já o eritema localizado em mucosa é nomeado de enantema. Figura 11 Enantema. Eritema figurado: é uma mancha bem delimitada, formando um tipo de figura. Figura 12 Eritema figurado. Eritema anular centrífugo com áreas descamativas Mancha lívida: Eritema pálido ou azulado Figura 13 Mancha lívida. Eritema azulado de Temperatura fria Mancha angiomatosa, comum em bebês. Figura 14 Angioma Mancha anêmica: Mancha branca por agenesia vascular Figura 15 Mancha anêmica por agenesia vascular (evidenciada por ruborização perilesional) Púrpura: Ao pressionar, NÃO some. Consistem no extravasamento de hemácias na derme. São tipos de púrpuras: Petéquias: Até 1 cm Equimoses: >1cm Víbice: formato linear Formações sólidas Pápula: Lesão circunscrita de até 1 cm. Superfície plana ou curva/elevada. O processo patológico pode estar na epiderme, mostrando-se clinicamente com limites precisos; quando na derme, mostra limites menos definidos. Causa: leishmaniose, picada de inseto, blastomicose, verruga, acne, erupções medicamentosas, hanseníase, entre outros. Figura 16 Pápula. Verruga plana. Pápulas milimétricas, achatadas, da cor da pele, localizadas na face Placa: Lesão elevada e plana em sua superfície, individual ou aglomerada. Dimensões >1cm Figura 17 Placa de superfície descamativa. Psoríase. Nódulo: Corresponde a lesão sólida que mede de 1 a 3 cm de diâmetro. Pode variar na localização do processo patológico, que pode estar na epiderme (p. ex., ceratoacantoma), na derme (p. ex., neurofibroma, xantoma tuberoso, furúnculo, hansenoma, metástase cutânea) ou na hipoderme (p. ex., eritema nodoso), ou pode ter uma localização mista dermo-hipodérmica (p. ex., eritema nodoso hansênico). O nódulo de componentes epidérmico e dérmico pode ser facilmente identificado pela simples observação, já o hipodérmico pode requerer a palpação em sua avaliação. Figura 18 Nódulo. Furúnculo. Nódulo de natureza infecciosa, devido ao acometimento da unidade pilossebácea pelo Staphylococcus aureus. É lesão nodular eritematosa, dolorosa, de evolução aguda, com tendência à supuração central (carnegão). Nodosidade/tumor: Lesão acima de 3cm. Lipoma, neurofibroma, xantoma tendinoso e xantoma tuberoso podem ser exemplos de nodosidades. Nodosidade. Lipoma. Tumor de consistência macia, que não apresenta aderência à superfície da pele; de natureza benigna, é constituído por adipócitos maduros circundados por uma fina cápsula conjuntiva. Seu tamanho varia desde um nódulo a uma nodosidade. Goma: Nódulo ou nodosidade/tumor que sofre amolecimento (fase de necrose), eliminação (esvaziamento do material gomoso) e reparação (fase da cicatrização). São exemplos: esporotricose e sífilis terciária. Figura 19 Goma. Esporotricose cutaneolinfática. Lesões nodulares e gomosas ascendendo por trajeto linfático, a partir do ponto de inoculação, causadas pelo Sporothrix schenckii. Vegetação: Lesão exofítica causada por hipertrofia das papilas dérmicas (papilomatose). Pedunculadas e de aspecto couve-flor, sendo moles e agrupadas.Figura 20 Vegetação. Paracoccidioidomicose. Lesão vegetante, de superfície mamilonada e verrucosa Verrucosidade: Lesão sólida, áspera, elevada, dura e inelástica, formada por hiperqueratose. Figura 21 Verruga no dorso do quarto quirodáctilo Elevações edematosas Tratam-se de elevações circunscritas causadas por edema na derme ou hipoderme. Urtica: Lesão elevada, irregular, pruriginosa, com edema dérmico/extravasamento de plasma e podendo mudar de lugar. Angioedema: representa uma área de edema circunscrito, que pode ocorrer no subcutâneo, causando tumefação. Comum em alergias. Figura 22 Angioedema labial Lesões líquidas Vesículas: Até 1cm, com liquido hialino, turvo (bactérias) ou avermelhado (hemorrágico). Faz-se semelhante à pápula, mas a vesícula é uma coleção líquida, enquanto a pápula é sólida. É frequentemente presente nos casos de varicela, herpes-zóster, queimaduras, pênfigo foliáceo, entre outros. Bolha: Acima de 1 cm. Exemplo: flictena de queimadura. Pústula: Até 1 cm, com conteúdo de pus. Pode ser encontrada na varicela-zóster, piodermites e acne pustulosa. Abcesso: Coleção purulenta grande, causada por infecções. Sinais flogísticos podem estar presentes: edema, dor, rubor, calor. Neste caso, são chamados abscessos quentes. Quando ausentes os sinais de inflamação, são abscessos frios. Estão presentes em casos de furunculose, hidradenite, blastomicose, abscesso tuberculoso, entre outros. Hematomas: Coleção sanguínea, superfície elevada. difere-se da equimose por haver alteração de espessura. O hematoma pode infectar e surgirem de sinais flogísticos, fazendo com que o conteúdo hemorrágico pode torne-se purulento. Alterações de espessura Hiperqueratose: Ocorre aumento da camada córnea tornando-se áspera, dura, inelástica e com a superfície amarelada. Pode ser mais facilmente encontrada nos calos das mãos (Queratose palmar) e dos pés (Queratose plantar). Figura 23 Queratose plantar Queratose actínica: Ceratoses ou queratoses actínicas são neoplasias benignas da pele com potencial de transformação para um tipo de câncer de pele (carcinoma de células escamosas ou carcinoma espinocelular). Desenvolvem-se nas áreas da pele expostas ao Sol, pois são induzidas principalmente pela radiação ultravioleta (UV) e constituem marcadores de exposição solar crônica. Comum em idosos. Figura 24 Queratose actínica em idoso Queratose seborreica: Semelhante à formação sólida do tipo verruga, porém com coloração. Liquenificação: Lesão caracterizada pelo espessamento da pele com acentuação dos sulcos e da cor própria, apresentando aspecto quadriculado em rede. Comumente a pele torna-se castanho-escura e pode ser vista em eczemas liquenificados ou em áreas de repetidas coçaduras. Esclerose: É a alteração da espessura com aumento da consistência da pele, tornando-a lardácea ou coriácea. A pele pode estar espessada ou adelgaçada, havendo hiper ou hipocromia associadas. Resulta de fibrose do colágeno. Seu exemplo mais característico é a esclerodermia. Edema: Trata-se do aumento de espessura, depressível, com a cor da própria pele ou róseo-avermelhada. Acontece pelo extravasamento de plasma no espaço intersticial. Infiltração: Aumento da consistência da pele, com menor evidência dos sulcos e limites imprecisos. Ocorre no lúpus, tínea. Atrofia: Lesão por diminuição da espessura da pele. Ocorre redução de número e volume dos constituintes teciduais, fazendo-a adquirir aspecto fino, liso, translúcido e pregueado. É comum na senilidade, situação em que é fisiológica. No entanto, pode acontecer em estrias atróficas. Pele de aspecto adelgaçado, pregueável (idoso). Perdas e reparos teciduais Escama: É a massa furfurácea (aspecto de farelo), micácea ou foliácea (em tiras) que se desprende da superfície cutânea por alteração de queratinização. Os exemplos mais comuns são: caspa, ptiríase versicolor, psoríase e queimaduras na pele por raios solares. Exulceração ou erosão: Lesão caracterizada pela perda superficial somente de epiderme. Figura 25 Exulceração. Pênfigo vulgar. Lesão exulcerada em paciente portador de pênfigo vulgar, acompanhada por crosta hemática. Escoriação: É um tipo de erosão, porém por trauma. Figura 26 Erosão. Escoriação traumática. Lesões lineares que comprometem apenas a camada superficial da epiderme. Ulceração: A ulceração pode atingir toda a derme, hipoderme e músculo, e mesmo chegar ao nível ósseo. Quando tende à cronicidade, denomina-se úlcera. Figura 27 Ulceração pós-infecciosa. Ulceração na região maleolar após erisipela Fissura ou rágade: Perda linear da derme (ex: pés “trincados”). Crostas: lesões caducas resultantes do dessecamento de lesões de conteúdo líquido, que pode ser seroso, seropurulento, purulento (crosta amarelada ou melicérica) ou hemático (crosta hemática). Por esse motivo, são consideradas lesões secundárias. Figura 28 Crosta. Impetigo estreptocócico. Piodermite causada por Streptococcus beta-hemolítico, com pústulas efêmeras e crosta melicérica espessa (cor de mel) causada por dessecamento da lesão purulenta. Escara: Area de necrose tecidual (anoxia do tecido). Se inicia com eritema. Figura 29 Escara. Tromboangiite obliterante. Doença vascular que provoca anoxia tecidual e deixa escara enegrecida, em processo de desprendimento. Cicatriz: Sequela decorrente da proliferação de tecido fibroso por reparação no local em que a pele perdeu suas características originais. Pode ser atrófica, cúbica (perfurações), hipertrófica ou queloidiana (ultrapassa limites da lesão). Alterações específicas Afta: Ulcera de mucosa Alopécia: Ausência de pelos. Pode ser areata ou por tínea captis. Eritrodermia: Eritema generalizado crônico com descamação. Calosidade: Hiperqueratose circunscrita em áreas de pressão ou fricção dos pés e mãos. Celulite: Inflamação bacteriana no tecido subcutâneo. Cisto: Formação elevada contendo dupla camada (fibrose + conteúdo seroso em seu interior). Comedo/comedão: Secreção presente no folículo piloso. Se branco= fechado; se preto = aberto (oxidado). Corno cutâneo: saliência formada por queratina (câncer) Millium: cisto de queratina Poiquiloderma: Colo queimado de sol (mancha, vasos) Sero-papula: vesícula no centro da urtica (picada de insetos) Sinal de Auspitz ou do orvalho sangrento: aparecimento de pontos hemorrágicos quando se raspam as escamas na psoríase, também conhecido como sinal da vela. Sinal de Koebner: Locais de trauma são novos locais para aparecimento de lesões de psoríase e liquen plano. Sinal de Zileri: Estica a pele e a mesma descama (pitiríase versicolor) Eczemas ou Dermatites Definição: São lesões causadas por inflamação, cursando com eritema, edema, infiltração, vesiculação, crostas, escamas, liquenificação Sintomatologia principal: Prurido, variando de leve a intenso + escoriações de coçaduras Aguda: Possui sinais flogísticos de eritema, edema, além de secreções e vesículas Crônica: Predomínio de secreções e crostas. Dermatite de contato Ocorre em indivíduos em contato com substâncias irritantes ou sensibilizantes. Ocorre em qualquer idade, mas é mais comum em adultos, principalmente quando relacionada com a atividade profissional do paciente. Dermatite de contato irritante: é o principal tipo de dermatite (80% dos casos). É desencadeada por substância capaz de lesionar a barreira cutânea, provocado dano direto na pele. O agente pode ser um irritante primário absoluto, como ácidos, álcalis, levando de imediato ao dano tecidual, ou ser um irritante primário relativo, em que a reaçãoinflamatória (interleucinas) ocorre de acordo com o tipo de substância irritante, o tempo de exposição ao agente e a periodicidade de exposição. Não é necessária sensibilização prévia. Exemplo de irritativos: Fraldas, detergentes, sabões, solventes. Figura 30 Dermatite de contato. Irritativa por saliva. Dermatite de contato alérgica: Substâncias de baixo peso molecular, com solubilidade lipídica e certa reatividade química, são capazes de penetrar na pele e provocar uma reação imunológica do tipo IV, com participação de linfócitos T e citoquinas. Se torna cada vez pior. Exemplo: alergia ao níquel de botões, brincos. Figura 31 Dermatite de contato. A. Reação ao níquel, presente no anel. B. Nickel spot test positivo (dimetilglioxima) comprova liberação do metal. C. Teste de contato positivo para níquel (2+) Diagnóstico: Anamnese (questionar profissão), exame físico e histopatológico, Patch Test (antígenos na pele) Tratamento: Evitar o contato. Orientar o paciente a utilizar produtos alternativos. Nos eczemas agudos e subagudos: loções emolientes e cremes de corticosteroides. Indicam-se corticosteroides sistêmicos (prednisona 20-80 mg com desmame posterior) e anti-histamínicos 2x ao dia, 5 dias, (hidroxizina e alegra para quem não consegue dormir e alektus e ebastel, para não sedar) em casos intensos com comprometimento expressivo de áreas corporais. Nos eczemas crônicos: pomadas de corticosteroides (cetobeta, clobetazol). Nos casos localizados em face, região genital e com longo período de evolução, indicam- se outros imunomoduladores tópicos, como pimecrolimo e tacrolimus. Sempre fortalecer a barreira cutânea com HIDRATAÇÃO: Cetaphil, Nivea milk, ceravae. Dermatite atópica Cerca de 45% dos casos ocorrem nos primeiros 6 meses de idade, 60% no primeiro ano e 80% nos primeiros 5 anos. A forma leve predomina em 80% das crianças, e 70% apresentam melhora na adolescência, porém cerca de 40% continuarão apresentando os sintomas por toda a vida. Portanto, embora predomine na infância, pode ocorrer em qualquer faixa etária. Acomete ambos os sexos. Em 85% dos casos é mediada pela imunoglobulina E (IgE), que ocorre nos indivíduos atópicos, ou seja, naqueles em que há predisposição hereditária para desenvolver resposta de hipersensibilidade imediata mediada pela IgE, que será específica para diversos antígenos. São pacientes que apresentam dosagem de IgE total elevada, testes cutâneos de leitura imediata positivos (prick test) e dosagens de IgE específicas positivas, em especial para os aeroalergênios. A associação com alergia alimentar tem crescido nos últimos anos, principalmente nos pacientes mais refratários ao tratamento. Nem todos os pacientes com DA apresentarão alergia respiratória, mas alguns trabalhos mostram que, quanto mais precoce o eczema, maior a capacidade de sensibilização a alergênios, maior tendência à sibilância precoce e, por fim, maior tendência à asma na infância. Além da asma, outras manifestações de atopia são rinite e conjuntivite. Atopia: Dupla prega de Mormon, pele seca, nariz vermelho. Períodos de crise e melhora. Genética: Pais atópicos (79%); um dos pais atópicos (58%) Fisiopatologia: Os defeitos na barreira cutânea têm sido cada vez mais envolvidos na etiologia da DA. A xerose, característica da doença, parece ser a expressão clínica das anormalidades nesta barreira, as quais incluem redução dos níveis de ceramida e dos níveis de produção de profilagrina. A profilagrina é convertida em filagrina, por ação de peptidases; a filagrina é responsável por agregar a queratina e outras proteínas nas camadas superficiais da epiderme, formando o estrato córneo. Quanto menor a quantidade de ceramidas e de filagrinas, maior a xerose e maior a alteração do estrato córneo (predispõe a infecções). Fase aguda: Th2 Fase crônica: Th1 Sinais e sintomas: Prurido (surtos noturnos- anti- histaminicos sedativos), redução da sudorese, disfunção da barreira cutânea (Xerose), marcha atópica no bebê chiador (asma, rinite e dermatite). Criança: Face (poupa região centro-facial/ acomete bochechas) Adulto: Fossa poplítea, braço, perna (liquenificações) Tratamento: Cuidados gerais: orientar sobre o que é a dermatite e sua evolução. Orientar quanto à necessidade do controle do ambiente. Banhos mornos com sabonetes suaves, hidratantes ou mesmo sem sabonetes nas fases muito agudas, deixando-os restritos às axilas e genitália. Durante o dia e principalmente após o banho, usar cremes hidratantes (de preferência hipoalergênicos) e emolientes (vaselina líquida, óleo de amêndoas ou cold cream), pois a pele do atópico é xerótica. Nas fases agudas, utilizar cremes de corticosteroides (dexametasona/mometasona) com potência adequada para a região a ser tratada, que devem ser substituídos por corticosteroides de potência proporcionalmente menor ao longo da evolução do quadro. Anti-histaminicos (sedativos ou não), imunomoduladores (tacrolimus) Quando houver infecções associadas, acrescentam-se cremes de antibióticos. À mínima evidência de infecção, devem ser administrados antibióticos sistêmicos que tenham boa ação sobre a pele (p. ex., macrolídios e cefalosporinas). Eczema numular Dermatite numular, eczema discoide. Causa desconhecida Os homens são mais afetados do que as mulheres. O pico de incidência ocorre entre 55 e 65 anos, tanto nos homens como nas mulheres; entretanto, nas mulheres há outro pico entre 15 e 25 anos, sendo raro na criança. Sinais e sintomas: lesão pruriginosa, em forma de moeda daí o nome numular, com bordas bem regulares e limites nítidos, eritematosas, apresentando discreto edema, podendo surgir vesículas e crostas, dependendo do estágio, acometendo principalmente os membros inferiores (pernas), o dorso das mãos ou a superfície extensora dos braços. Uma única lesão frequentemente precede a erupção. As placas variam de 1 a 5 cm de diâmetro. Na fase aguda, as placas são de coloração vermelho vivo, com vesículas e exsudação, progredindo posteriormente para um estágio mais descamativo, com clareamento central e crescimento periférico. O quadro tende a recorrer, sendo característica a reativação de lesões antigas, principalmente se o tratamento for descontinuado prematuramente. Tratamento: Hidratação, corticoides tópicos/sistêmicos. Fenômeno de super antígeno Dermatite de estase/Eczema de estase Provocada por estase, consequente a hipertensão venosa por insuficiência valvular, tromboflebite, obesidade ou gravidez. A estase implica diminuição do fornecimento de oxigênio aos tecidos e sequestro de leucócitos com liberação de enzimas proteolíticas e radicais livres, causando lesão tecidual e reação inflamatória com edema e extravasamento de hemácias, com pigmentação hemossiderótica residual. A prevalência aumenta com a idade e é mais frequente no sexo feminino. Quadro clínico: Localiza-se geralmente no terço inferior interno da perna, sendo: Aguda: caracterizada por placa eritematosa, vesicocrostosa, secretante, muito pruriginosa, que pode estar associada a infecção bacteriana (ERISIPELA). Subaguda: caracterizada por placa acastanhada (pelo depósito de hemossiderina), xerótica, descamativa, com prurido constante; nesta fase, o uso de medicamentos tópicos com potenciais sensibilizantes (p. ex., neomicina) exacerba e prolonga a inflamação. Crônica: os ataques recorrentes provocam fibrose e aumento da estase venosa e linfática, que se traduz em placa eritematoviolácea, descamativa, com espessamento da pele e bordas acastanhadas. Tratamento: Repouso, elevação das pernas, corticóides tópicos, antibióticos, meias compressivas, acompanhamento com angiologista. Figura 32 Dermatite de estase. Placa eritematoacastanhada de bordas bem delimitadas no terço inferior da perna. Eczemapústulas espongiformes de Kogoj (psoríase pustulosa). Índices de Gravidade • DLQI: “dermatology life quality index”: avalia qualidade de vida • BSA: “body surface area”: avalia superfície corporal • PASI: “psoriasis area and severity index”: utiliza parâmetros clínicos: eritema, infiltração,descamação e área corporal acometida • Psoríase grave: PASI > 10 ou BSA > 10 ou DLQI > 10 Dica: 1 mão=1% de área corporal Tratamento • Corticóides tópicos: betametasona (mais fraca) propionato de clobetasol (+ forte). Usar na pele e couro cabeludo • Coaltar 2 a 5% (Método de Goeckerman: coaltar + UVB) • Antralina (Reduz resp. inflamatória). Uso tópico. • Análogos da vitamina D: calcipotriol • Imunomoduladores: tacrolimus e pemicrolimus (pacientes mais crônicos) • PUVA (Psoralen Ultra Violet A): 8-MOP + UVA (Imunosupressores, casos mais graves) • Metrotexato: 15mg/sem – 5mg 12/12h 3 tomadas (Faz Rc para descartar possibilidade de tuberculose- reativa) • Acitretina (Neotigason): 0,5 a 1mg/kg/dia • Ciclosporina: gestantes graves, psoríase eritrodérmica (resgate/tira da crise) • Imunobiológicos: etanercept, infliximab, adalimumab Dermatoviroses Infecções virais que causam lesões na pele HERPES-VIRUS • Família Herpesviridae – subfamíla alphaherpesviridae • Subtipos - HSV1 herpesvírus 1 – 80-90% não genitais/ faciais - HSV2 hespesvírus 2 – 80-90% genitais - HSV3 herpesvírus 3 ou varicellovirus – herpes zoster e varicela Ambos tem lesões indistiguíveis • Infecção por contato pessoal pela solução de continuidade cutânea pelas partículas virais presents nas vesiculas. • Primoinfecção em indivíduos que nunca tiveram contato prévio (São mais intensas. Ex.: Na criança surge como estomatite gingival) Quadro clínico variável • O vírus replica no local da infecção e percorre fluxo axonal retrógrado até o gânglio da raiz dorsal ou de nervos cranianos, onde permanece latente até a reativação • Cerca de 90% de adultos tem sorologia para HSV1. • HSV-1 ocorre mais frequente nas crianças; • HSV-2 ocorre mais frequente depois da puberdade. Gengivoestomatite herpética primária – primoinfecção • Mais comum em criança • Período incubação até aparecimento de sintomas: 3 a 10 dias • Lesões vésico-erosivas e subfebril até quadros de febre alta e adenopatia • A faringe pode estar comprometida Herpes simples não genital • Lesões precedidas de ardor ou prurido local • Lesões caracteríticas: vesículas agrupadas sobre a base eritematosa, que se tornam pústulas e ulceram • Pode ter infecção bacteriana secundária ao romper (pústula)→ DD: Acne→ “expreme”→ Brocotoma • Mais frequente em lábios • Fatores desencadeantes: traumas, exposição solar, tensão emocional, menstruação e infecções respiratórias Vulvovaginite herpética • Primoinfecção – vesículas que coalescem podendo formar uma única bolha • Adenopatia e febre eventualmente • Após cura ocorrem recidivas acompanhadas de linfoadenopatia • A frequências das recidivas está relacionada com a severidade da infecção primária • HSV 2 recorre mais que HSV 1 • Surge 5 a 10 dias pós inoculação • Vesículas agrupadas dolorosas em pênis, vulva ou ânus que se ulceram • Costuma ser acompanhada de linfadenopatia e sintomatologia geral • Na mulher pode acompanhar uretrite (por proximidade) • Perdura lesões por 5 a 10 dias DD das ulceras genitais: donovanose, sífilis. Herpes simples congênito • Infecção pelo HSV 2 pode ser responsável por alterações na embriologia – se no início da gestação • Primoinfecção (HSV2) pode causar abortamentos • Uma das causas da síndrome de TORCH (toxo, outras infecções, rubéola CMV, herpes simples), no qual o agente cruza a barreira tranplacentária causando sintomas na criança. Outros tipos de infecção herpética • Herpes simples neonatal – contaminação no parto do neonato, com risco fatal e dos sobreviventes 50 % tem sequelas neurológicas e/ou oculares • Meningoencefalite herpética: 1 – 2 % dos pacientes com primoinfecção • Eritema polimorfo herpético • Panarício herpético (infecção herpética em quirodáctilos)- ppm HSV-1 • No HIV – lesões mais exuberantes, podendo comprometer outros órgãos e evoluir para encefalite herpética Erupção variceliforme de Kaposi • Quadro de disseminação viral pelo virus herpes • Maioria dos casos tem dermatose prévia: eczema, ictiose vulgar, Darier, linfomas, pênfigo, grandes queimados • Vesículas disseminadas em áreas de pele comprometidas • Lesões evoluem para pústulas e posteriormente crostas • Principal causa de morte: sepse bacteriana DD: Candida, aftose, herpangina (coxsakie vírus), erupção por drogas, infecções bacterianas→ Sorologia, PCR, exame clínico. TRATAMENTO • Aciclovir vo 200 mg 5x ao dia por 5 dias (4/4h, exceto noite) • Profilaxia de recorrências – aciclovir 400 mg 1 a 2x ao dia por 4 a 6 meses. Alternativa Valaciclovir = tomada unica (mais caro) • Casos graves – aciclovir 5 mg / kg a cada 8 h • Também pode se usar fanciclovir e valaciclovir • Tópico: aciclovir, fanciclovir e antissépticos locais • Resist (lisina)→ Profilaxia para recorrencia (investigar imunossupressão). Varicela • Primo-infecção pelo VZV • Febre, mal-estar e manchas eritematosas, em seguida o surgimento de vesículas em pele (altamente contagiosas) e mucosas • Evolução para pústulas e crostas → Polimorfismo (multiplicidade de lesões) • Lesões encontradas em 3 fases de evolução concomitantemente (polimorfismo) • Período de incubação: 2 semanas • Transmissão aérea • Altamente contagiosa Diagnóstico clinic Citodiagnóstico de Tzanc: raspado da lesão com células gigantes TRATAMENTO Antihistamínico • Não pode usar AAS pelo risco de Síndrome de Reye (hepatite, insuficiência hepática e encefalite grave) • Antissépticos • O aciclovir tem utilidade na diminuição da duração da severidade da varicela quando iniciado 24-72h depois do inicio da erupção cutânea. Herpes Zoster • Hesper zoster ou HHV 3 • Infecta na infância causando varicela • Latência pode ocorrer por toda vida • Pode ocorrer reativação com herpes zoster • Dores nevrálgicas precedendo lesões cutâneas na maioria dos casos • Erupção unilateral, raramente ultrapassando a linha mediana seguindo trajeto de nervo • Pode evoluir para infecção secundária • Nevralgia pode persistir meses depois da resolução da infecção • Pode acometer nervo facial com paralisia • Diagnóstico laboratorial: Citodiagnose de Tzank TRATAMENTO • Aciclovir 800 mg 5 x dia por 7 dias • Ou Fanciclovir 500 mg 8 em 8h • Analgésicos Neuralgia pós herpética – Carbamazepina 100 a 20 mg 2x ao dia; Amitriptilina 25 mg dia ou Gabapentina 300 a 400mg dia 2x ao dia Molusco contagioso • Causado por parapoxvírus • Atinge apenas pele ASSINTOMÁTICO. • Mais comum em crianças • Contato individual • Pápula semi esférica, geralmente umbilicada de tom da pele • Toda pele acometida • Diagnóstico clínico TRATAMENTO Curetagem (sai pus denso), imiquimode, crioterapia Pode evoluir para cura espontânea Adultos: investigar imunossupressão Mão-pé-boca • Coxsackievírus A16, echovírus e enterovírus 71 (casos mais graves) • Transmissão fecal-oral e respiratória • Mais comum menores de 5 anos • Gengivoestomatite com acometimento concomitante da mão e pé • Vésiculas fusiformes • Tratamento sintomático: antisséptico bucal, analgésico, alimentação pastosa Papiloma vírus humano (HPV) • Há mais de 100 tipos de HPV • Tropismo pela pele e mucosas • Lesões genitais: contato íntimo • Lesões cutâneas: contato direto ou fômites • Autoinoculação é frequente • HPV 16, 18, 31 e 45 são mais oncogênicos: câncer de colo de útero • HPV 6 e 11: condilomas VERRUGASVULGARES • São as mais comuns • Pápula ou nódulo de consistência firme • Mais comuns em mãos e pés • HPV 1 (verruga palmoplantar)-2 (verruga comum)- 4-26-27-28-29-37-41-57-60-63-65 TRATAMENTO • TCA 70-90% (cauterização), crioterapia, 5-fluoracil creme, imiquimod, cimetidina (em crianças com múltiplas lesões) Preferir métodos ablativos que não causem vaporização Rubéola • Togavírus • Rash cutâneo antecede ou não de pródromo (febre, dor de garganta). • Sinal de Forscheimer: ENANTEMA no palato mole do pródomo até o primeiro dia do rash • Linfadenopatia cervical, pré- auricular e suboccipital antecedendo o rash • Rubéola congênita: aborto, catarata, glaucoma e surdez • Tratamento: sintomáticos, calamina • Vacinação Sarampo • Paramixovírus • Crianças e adolescentes • Transmissão: contato ou inalação de partículas virais eliminadas pelo doente 2 dias antes e até 4 dias após o exantema • Período de incubação: 1-2 semanas • Erupção cutânea: exantema morbiliforme • Sinal de KopliK: pequenos pontos brancos na mucosa oral • Tratamento: sintomático • Vacinação Epstein Barr vírus • Agente etiológico da mononucleose infecciosa • Transmissão pela saliva, secreção ou contato oral (“doença do beijo”) • Primoinfecção ocorre na infância ou adolescência: assintomática ou faringite • Síndrome da mononucleose infecciosa: faringite exudativa, petéquias no palato, linfadenopatia e hepatoesplenomegalia • Úlceras de Lipchutz: úlceras genitais dolorosas: primoinfecção • HIV: leucoplasia pilosa oral e linfoma • Causa mais comum da Síndrome de Gianotti- Crosti: acrodermatite papulosa na infância TRATAMENTO • regressão espontânea, aciclovir/valaciclovir (graves e imunodeficientes), prednisona, repouso Figura 35 Leucoplasia pilosa oral Figura 36 Guianotti CrostVULGARES • São as mais comuns • Pápula ou nódulo de consistência firme • Mais comuns em mãos e pés • HPV 1 (verruga palmoplantar)-2 (verruga comum)- 4-26-27-28-29-37-41-57-60-63-65 TRATAMENTO • TCA 70-90% (cauterização), crioterapia, 5-fluoracil creme, imiquimod, cimetidina (em crianças com múltiplas lesões) Preferir métodos ablativos que não causem vaporização Rubéola • Togavírus • Rash cutâneo antecede ou não de pródromo (febre, dor de garganta). • Sinal de Forscheimer: ENANTEMA no palato mole do pródomo até o primeiro dia do rash • Linfadenopatia cervical, pré- auricular e suboccipital antecedendo o rash • Rubéola congênita: aborto, catarata, glaucoma e surdez • Tratamento: sintomáticos, calamina • Vacinação Sarampo • Paramixovírus • Crianças e adolescentes • Transmissão: contato ou inalação de partículas virais eliminadas pelo doente 2 dias antes e até 4 dias após o exantema • Período de incubação: 1-2 semanas • Erupção cutânea: exantema morbiliforme • Sinal de KopliK: pequenos pontos brancos na mucosa oral • Tratamento: sintomático • Vacinação Epstein Barr vírus • Agente etiológico da mononucleose infecciosa • Transmissão pela saliva, secreção ou contato oral (“doença do beijo”) • Primoinfecção ocorre na infância ou adolescência: assintomática ou faringite • Síndrome da mononucleose infecciosa: faringite exudativa, petéquias no palato, linfadenopatia e hepatoesplenomegalia • Úlceras de Lipchutz: úlceras genitais dolorosas: primoinfecção • HIV: leucoplasia pilosa oral e linfoma • Causa mais comum da Síndrome de Gianotti- Crosti: acrodermatite papulosa na infância TRATAMENTO • regressão espontânea, aciclovir/valaciclovir (graves e imunodeficientes), prednisona, repouso Figura 35 Leucoplasia pilosa oral Figura 36 Guianotti Crost