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PROFESSOR WAGNER ALVARENGA - @wagalvarenga MATERIAL GRATUITO – PROFESSOR WAGNER ALVARENGA LEI 9.455/97 – TORTURA MATERIAL GRATUITO! Art. 5º - CONSTITUIÇÃO FEDERAL - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; (NÃO HÁ EXCEÇÃO!) XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; QUESTÃO DE CONCURSO - Por suas características mais definidoras, a Constituição Federal de 1988 (CF) foi chamada de Constituição Cidadã. Com relação aos direitos humanos e aos direitos fundamentais consagrados na Carta Magna brasileira, julgue o item a seguir. Ninguém pode ser submetido a tortura ou a tratamento desumano ou degradante, salvo em situação de guerra externa ou em caso de traição nacional. GABARITO: ERRADO Art. 1º Constitui crime de tortura: I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental: a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa; PROFESSOR WAGNER ALVARENGA - @wagalvarenga MATERIAL GRATUITO – PROFESSOR WAGNER ALVARENGA Tortura confissão ou tortura prova – a finalidade específica do agente é obter confissão, informação ou declaração. b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; Tortura ao crime – a finalidade específica do agente consiste em provocar ação ou omissão criminosa, por exemplo, torturar alguém obrigando que esta pessoa roube um banco. c) em razão de discriminação racial ou religiosa; Tortura discriminatória – a motivação do agente consiste em preconceito de raça ou religião, por exemplo, torturar judeus por sua preferência religiosa. Essa tipificação do crime de tortura fica condicionada ao preenchimento cumulativo de três elementos: o meio empregado, as consequências sofridas pela vítima e a finalidade ou motivo. QUESTÃO DE CONCURSO - A prática do crime de tortura torna-se atípica se ocorrer em razão de discriminação religiosa, pois, sendo laico o Estado, este não pode se imiscuir em assuntos religiosos dos cidadãos. GABARITO: ERRADO! II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. Tortura castigo – o sujeito ativo detém uma relação de autoridade (o carcereiro em relação ao preso; o professor em relação ao aluno), poder (uma situação de subordinação de fato, hierarquia de fato, por exemplo, o bandido em relação à vítima) ou guarda (é o caso do pai em relação aos filhos; do tutor em relação ao tutelado, etc.) em relação ao sujeito passivo. Aqui além de exigir o sofrimento físico ou mental, este deve ser intenso. Pena - reclusão, de dois a oito anos. PROFESSOR WAGNER ALVARENGA - @wagalvarenga MATERIAL GRATUITO – PROFESSOR WAGNER ALVARENGA QUESTÃO DE CONCURSO - É considerado crime de tortura submeter alguém, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar-lhe castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. GABARITO: CERTO! § 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal. Tortura de preso ou pessoa sujeita a medida de segurança – nesta modalidade temos o sujeito ativo como sendo aquela pessoa que tem a custódia do preso ou pessoa sujeita a medida de segurança, por exemplo, um carcereiro, um médico que tenha sob custódia o inimputável submetido a medida de segurança. O sujeito passivo é o preso ou pessoa submetida à medida de segurança. Como elemento normativo do tipo esta é a única modalidade de tortura que não exige emprego de violência ou grave ameaça, esta tortura é praticada por ato não previsto em lei ou por ato não resultante de medida legal, por exemplo, o carcereiro que coloca o preso nu na cela em um dia de frio intenso (a lei não faz essa determinação); o médico que coloca o inimputável dentro de um quarto escuro a noite inteira ouvindo música sertaneja (medida não prevista em lei, nem decorrente de medida legal). QUESTÃO DE CONCURSO - Um agente penitenciário federal determinou que José, preso sob sua custódia, permanecesse de pé por dez horas ininterruptas, sem que pudesse beber água ou alimentar-se, como forma de castigo, já que José havia cometido, comprovadamente, grave falta disciplinar. Nessa situação, esse agente cometeu crime de tortura, ainda que não tenha utilizado de violência ou grave ameaça contra José. GABARITO: CERTO! PROFESSOR WAGNER ALVARENGA - @wagalvarenga MATERIAL GRATUITO – PROFESSOR WAGNER ALVARENGA § 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos. Este crime está previsto na lei de tortura, mas não é uma modalidade de tortura propriamente dito, com pena de detenção de 1 a 4 anos. Estabelece esse crime que quem tomando conhecimento de tortura, nada faz para evitá-la ou apurá-la, responde com as penas de detenção de 1 a 4 anos. Na verdade o que o legislador quis fazer foi criar uma espécie de prevaricação especial, elevando as penas daquela pessoa que tem o dever legal de apurar a tortura e não faz nada. QUESTÃO DE CONCURSO - O agente carcerário X dirigiu-se ao escrivão de polícia Y para informar que, naquele instante, o agente carcerário Z estava cometendo crime de tortura contra um dos presos e que Z disse que só pararia com a tortura depois de obter a informação desejada. Nessa situação hipotética, se nada fizer, o escrivão Y responderá culposamente pelo crime de tortura. GABARITO: ERRADO! § 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos. É importante salientar que este caso de tortura qualificada pelo resultado, somente se caracteriza quando for preterdolosa, assim, a tortura qualificada com resulta morte, esta morte será sempre a título de culpa, porque se a morte for desejada pelo agente não teremos tortura qualificada, mas sim homicídio qualificado pela tortura. PROFESSOR WAGNER ALVARENGA - @wagalvarenga MATERIAL GRATUITO – PROFESSOR WAGNER ALVARENGA TABELA DAS PENAS TORTURA OMISSÃO RESULTA LESÃO CORPORAL GRAVE OU GRAVÍSSIMA RESULTA MORTE Reclusão 2 a 8 anos. Detenção 1 a 4 anos. Reclusão 4 a 10 anos. Reclusão 8 a 16 anos. § 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço: (BIZU DO “DICAGÁS” – Deficiente, Idoso, Criança, Adolescente, Gestante, Agente Público, Sequestro.) I - se o crime é cometido por agente público; Lembrando que o crime de tortura é em regra um crime comum (pode ser praticado por qualquer um). Se a condição de agente público já for elementar do crime, logicamente que não poderá ocorrer o aumento da pena, caso contrário ocorrerá o bis in idem. QUESTÃO DE CONCURSO - O crime de tortura é crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa, não sendo próprio de agente público, circunstância esta que, acaso demonstrada, determinará a incidência de aumento da pena. GABARITO: CERTO! II – se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de deficiência, adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos;Atenção: o idoso é toda pessoa com idade igual ou superior a 60 anos, neste caso houve um erro do legislador quando diz “maior de 60 (sessenta) anos”, o certo seria “pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. III - se o crime é cometido mediante seqüestro. PROFESSOR WAGNER ALVARENGA - @wagalvarenga MATERIAL GRATUITO – PROFESSOR WAGNER ALVARENGA Aqui o sequestro aumenta a pena quando ele for meio para tortura, por exemplo, o agente sequestra alguém, pendura num pau de arará e tortura (neste caso a pena será aumentada). § 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada. É efeito da condenação a perda do cargo, emprego ou função pública, e terá duração do dobro do prazo da pena privativa de liberdade fixada. QUESTÃO DE CONCURSO - A condenação por crime de tortura acarretará a perda do cargo, da função ou do emprego público e a interdição, para seu exercício, pelo triplo do prazo da pena aplicada. GABARITO: ERRADO! § 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. QUESTÃO DE CONCURSO - Um agente penitenciário submeteu a intenso sofrimento físico um preso que estava sob sua autoridade, com o objetivo de castigá-lo por ter incitado os outros detentos a se mobilizarem para reclamar da qualidade da comida servida na penitenciária. Nessa situação, o referido agente cometeu crime inafiançável. GABARITO: CERTO! § 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em regime fechado. A única exceção é o condenado pela “omissão”. Na prática, portanto, o STF tem considerado o § 7º do art. 1º inconstitucional, e por isso os condenados por Tortura não precisam iniciar necessariamente o cumprimento da pena em regime fechado. Lembre-se, porém, de que o dispositivo nunca foi alterado e nem revogado, e por isso ele pode vir a ser cobrado em prova, especialmente em questões que exigem a literalidade da lei. PROFESSOR WAGNER ALVARENGA - @wagalvarenga MATERIAL GRATUITO – PROFESSOR WAGNER ALVARENGA Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando- se o agente em local sob jurisdição brasileira. A lei prevê que se a vítima da tortura for brasileira, pouco importa se o crime foi praticado fora do território nacional, neste caso, a competência será da Justiça Brasileira, no sentido de ser aplicada a Lei. 9.455/97. A Lei de Tortura também será aplicada quando o crime for praticado em local sobre a jurisdição da lei brasileira. QUESTÃO DE CONCURSO - Pela lei que define os crimes de tortura, o legislador incluiu, no ordenamento jurídico brasileiro, mais uma hipótese de extraterritorialidade da lei penal brasileira, qual seja, a de o delito não ter sido praticado no território e a vítima ser brasileira, ou encontrar-se o agente em local sob a jurisdição nacional. GABARITO: CERTO! Art. 4º Revoga-se o art. 233 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente. A Lei de Tortura revogou o crime que antes era descrito no Art. 233 do ECA: Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a tortura. “Fazer algo sem esperar nada em troca e receber o que o dinheiro não pode comprar, isso realmente não tem preço, mas tem muito valor.” BONS ESTUDOS!