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O rato com mania de limpeza. O rato da cidade com mania de limpeza, limpa as patas, as orelhas, o pelo e o rabo. Das patas, as orelhas, o pelo e o rabo, as entranhas. Ele pega a escova e a enfia na garganta e a escova por dentro; sua língua, os dentes, seu estômago e as entranhas. Só para ficar limpinho depois de comer. O rato limpo demais ainda estava insatisfeito. E quando seu bueiro já não entupia e brilhava, quando já não tinha mais o que limpar, jogou fora o que não lhe servia. Porque tudo que o rato fazia não parecia funcionar. Jogou as tralhas que não usava e as que não o distraía mais, mandando tudo para o lixão. Passou a ver sujeira onde não tinha, a começar por seu pelo cinza. O arrancou fora pois cinza não brilha. Depois sua pele, cor de pele de rato que não brilhava, esfregou e esfregou, não saiu sujeira alguma. Então arrancou sua pele e a jogou fora também. Quando só restaram os ossos esbranquiçados e as vísceras, os jogou fora também. E o rato? Limpou e jogou tudo fora, mas por ser rato, tudo que tocava “virava rato” igual ele.