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CONTABILIDADE PÚBLICA
Programa de Pós-Graduação EAD
UNIASSELVI-PÓS
Autoria: Carline Rakowski Savariz.
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Reitor: Prof. Hermínio Kloch
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: 
Carlos Fabiano Fistarol
Ilana Gunilda Gerber Cavichioli
Jóice Gadotti Consatti
Norberto Siegel
Camila Roczanski
Julia dos Santos
Ariana Monique Dalri
Marcelo Bucci
Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais
Diagramação e Capa: 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Copyright © UNIASSELVI 2019
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
 UNIASSELVI – Indaial.
SA265c
 Savariz, Carline Rakowski
 Contabilidade pública. / Carline Rakowski Savariz. – Indaial: 
UNIASSELVI, 2019.
 123 p.; il.
 ISBN 978-85-7141-297-2
1.Finanças públicas – Contabilidade – Brasil. II. Centro Universi-
tário Leonardo Da Vinci.
CDD 351.72
Impresso por:
Sumário
APRESENTAÇÃO ..........................................................................05
CAPÍTULO 1
Contabilidade Pública .................................................................07
CAPÍTULO 2
Demonstrações Contábeis Aplicadas À
Administração Pública ................................................................41
CAPÍTULO 3
Dívida Pública E Fundos Especiais ............................................95
APRESENTAÇÃO
Caro acadêmico, o livro de Contabilidade Pública tem por objetivo apresentar 
alguns conceitos básicos sobre a contabilidade que é aplicada ao setor público. 
Ao longo deste material, você terá contato com aspectos iniciais da contabilidade 
pública, as demonstrações contábeis que o setor público é obrigado a apresentar 
e também algumas definições e funcionalidades da dívida pública e títulos 
especiais. Tais conteúdos estão divididos em três capítulos.
No primeiro capítulo, você terá conhecimento sobre as informações dos 
detalhes da contabilidade aplicada ao setor público, as principais leis que regulam 
a contabilidade aplicada ao setor público, as normas contábeis e o que foi 
publicado até o momento atual, bem como o manual de contabilidade aplicada ao 
setor público, ainda serão demonstrados os sistemas de informações contábeis, 
ou seja, como as informações contábeis geradas no ente público são segregadas. 
Esta segregação existe para melhor controle e organização das contas públicas.
O segundo capítulo tem por finalidade apresentar as demonstrações 
contábeis aplicadas ao setor público, tais como o Balanço Orçamentário, que trata 
da previsão de receitas e fixação de despesas. Serão mostrados os conceitos e 
os quadros que integram a demonstração. Após serão apresentados o Balanço 
Financeiro, o Balanço Patrimonial, a Demonstração das Variações Patrimoniais, 
as Demonstrações dos Fluxos de Caixa e, por último, as Demonstrações das 
Variações Patrimoniais.
No terceiro capítulo serão apresentados os aspectos teóricos e práticos 
sobre a dívida pública, conceitos e alguns indicadores utilizados para demonstrar 
a situação da dívida pública. Há ainda alguns gráficos e análises para que se 
consiga entender os valores apresentados, além dos fundos especiais aplicados 
ao setor público. Nele serão expostos os conceitos e as leis que asseguram e 
normatizam estes fundos. 
Bons estudos!
CAPÍTULO 1
Contabilidade Pública
A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Saber: este capítulo tem como objetivos o contato com a contabilidade pública 
e conhecer os termos e as noções contábeis aplicadas à gestão pública.
�	Fazer: o aluno, ao final do capítulo, deverá saber os conceitos básicos 
contábeis, tais como: contabilidade aplicada à administração pública, sistemas 
de informações, exercício financeiro, regimes contábeis, plano e sistema 
de contas, escrituração e prestação de contas. O aluno deverá entender, 
também, que a contabilidade pública tem suas particularidades com relação à 
contabilidade aplicada às empresas.
8
 Contabilidade Pública
9
Contabilidade Pública Capítulo 1 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
A contabilidade pública tem como objetivo o planejamento, a avaliação, o 
controle e a tomada de decisões por parte dos administradores e administrados. 
A contabilidade aplicada à administração pública tem suas particularidades 
que a diferem da contabilidade aplicada às empresas privadas. Para isso, 
compreender os conceitos básicos é importante para que o aluno possa entender 
os demonstrativos contábeis públicos e como eles são elaborados.
Para tanto, estudar leis, normas, princípios, regimes de escrituração, 
entender o plano de contas e como é feita a prestação de contas das entidades 
públicas é importante não somente para futuros contadores, mas também para a 
sociedade em geral.
Uma vez que entendermos os conceitos básicos, nós, como cidadãos, 
poderemos acompanhar mais incisivamente as contas públicas. Este livro tem 
esse objetivo, fazer o estudante entender melhor a contabilidade pública e como 
ela é elaborada até o momento de publicação dos demonstrativos contábeis. 
Portanto, neste capítulo, o aluno terá conhecimento sobre as informações 
da contabilidade aplicada ao setor público e perceberá que ela se difere da 
contabilidade aplicada às empresas privadas. Será capaz de adquirir conhecimento 
sobre sistemas de informações, exercício financeiro, regimes contábeis, plano e 
sistema de contas, escrituração e prestação de contas.
O capítulo está dividido da seguinte forma: na primeira seção, veremos 
os detalhes da contabilidade aplicada ao setor público, as principais leis que 
regulam a contabilidade aplicada ao setor público, as normas contábeis e o 
que foi publicado até o momento atual, bem como o manual de contabilidade 
aplicada ao setor público. Na segunda seção, serão demonstrados os sistemas 
de informações contábeis, ou seja, como as informações contábeis geradas no 
ente público são segregadas, esta segregação existe para melhor controle e 
organização das contas públicas.
Na terceira seção, serão apresentados o exercício financeiro e os regimes 
de escrituração contábil aplicados às contas públicas e as diferenças entre eles. 
Na quarta seção, serão evidenciados o plano de contas aplicado ao setor público 
(PCASP) e o objetivo de ter um plano de contas, serão também apresentados os 
níveis e como a escrituração deve obedecer aos desdobramentos do plano de 
contas.
10
 Contabilidade Pública
Na última seção, será apresentado como é feita a prestação de contas do 
setor público. Portanto, o capítulo está segregado em cinco seções e ao final serão 
apresentados alguns exercícios de fixação do que foi visto durante o capítulo. 
Bons estudos!
2 CONTABILIDADE PÚBLICA 
A contabilidade é uma ciência social que tem por objetivo o estudo e o controle 
do patrimônio, em sua essência geral esta é a definição de contabilidade. No 
entanto, a contabilidade atua em diversas subdivisões, entre elas a contabilidade 
pública. A contabilidade pública possui suas particularidades, isto é, leis e normas 
que conduzem as contas públicas. 
Além disso, a contabilidade aplicada ao setor público no Brasil tem 
passado por mudanças significativas, uma vez que as normas de convergência 
aos padrões internacionais de contabilidade estendem-se às demonstrações 
contábeis públicas. Diante dessas perspectivas, entender o contexto atual da 
contabilidade pública nos ajuda não somente como detentores do conhecimento, 
mas também como cidadãos no acompanhamento das contas públicas.
2.1 CONTABILIDADE APLICADA À 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
A contabilidade aplicada à administração pública é uma das subdivisões da 
contabilidade aplicada aos diversos tipos de atividade e está voltada ao estudo e 
à análise dos fatos administrativosque ocorrem na administração pública. Visa 
fornecer à administração, informações sobre registro, controle e acompanhamento 
das variações do patrimônio do Estado, organização e execução de orçamentos, 
controle de custos e eficiência do setor público (SILVA, 2011).
Entende-se por entidade do setor público os órgãos, os fundos e as pessoas 
jurídicas de direito público ou que, possuindo personalidade jurídica de direito 
privado, recebam, guardem, movimentem, gerenciem ou apliquem dinheiro, bens 
e valores públicos na execução de suas atividades. 
Além do mais, entende-se que a Contabilidade Aplicada ao Setor Público tem 
por objetivo fornecer aos usuários informações sobre os resultados alcançados 
e os aspectos de natureza orçamentária, econômica, financeira e física do 
11
Contabilidade Pública Capítulo 1 
patrimônio da entidade do setor público e suas mutações (BRASIL, 2008). Essas 
informações auxiliam o processo de tomada de decisões por parte dos agentes e 
administradores públicos, a adequada prestação de contas e o suporte necessário 
para a instrumentalização do controle social, este último, entendido como um 
compromisso ético profissional, que tem como pressuposto o fornecimento de 
informações compreensíveis e úteis aos usuários e o exercício da cidadania para 
controle sobre o uso desse patrimônio (ROSA, 2011).
Quanto aos usuários dessas informações, Silva (2011) demonstra alguns 
grupos interessados na informação governamental:
QUADRO 1 – USUÁRIOS DE INFORMAÇÕES
Tipos de Usuários Usuários
Usuários relacionados à regulação legislativa e à 
elaboração dos atos normativos pertinentes
Poder Judiciário
Poder Legislativo
Poder Executivo
Dirigentes de cada entidade e seus des-
dobramentos técnicos e administrativos
Usuários da Previdência Social
Trabalhadores ativos
Empresários
Sindicatos
Beneficiários de aposentadorias e 
pensões
Usuários relacionados 
com a prestação de 
contas dos governantes
Interesse no cumprimento 
da legalidade e utiliza-
ção correta dos recursos 
públicos
Poder Legislativo
Tribunal de Contas
Cidadãos em geral
Interesse geral nas ações 
administrativas
Contribuintes
Empresários
Trabalhadores
Usuários relacionados 
aos aspectos econô-
micos e financeiros do 
Estado
Como financiadores
Bancos públicos
Bancos privados
Entidades de crédito e financiamento 
em geral
Como investidores
Bancos em geral
Agências de rating
Cidadãos em geral
12
 Contabilidade Pública
Usuários relacionados ao controle interno e à auditoria
Dirigentes da entidade de todos os 
níveis
Representantes dos funcionários ou 
trabalhadores
FONTE: Silva (2011)
Os grupos dos cidadãos estão interessados nas demonstrações contábeis 
com o objetivo de avaliar as condições financeiras e a probabilidade de aumento 
de impostos. Nesses grupos podem ser encontradas diversas associações de 
defesa do cidadão com interesse nos relatórios para exigir o aumento da aplicação 
em determinadas funções, como educação, saúde e saneamento.
Aos membros do Poder Legislativo, na condição de usuário, cumpre avaliar 
a condição financeira global, inclusive a estrutura da dívida e os recursos 
disponíveis, calculando a dívida consolidada líquida. O objetivo desse grupo é 
monitorar o resultado para assegurar o cumprimento das finanças públicas. 
Preocupam-se ainda com os níveis e as fontes de recursos e o nível e os tipos 
de gastos, principalmente nas funções em que estabeleceram aplicação mínima, 
como educação e saúde.
Os investidores e os credores precisam da informação sobre recursos 
financeiros disponíveis e preocupam-se com a avaliação das responsabilidades 
atuais e contingentes, bem como a posição da dívida consolidada do governo 
com o objetivo de identificar sua habilidade para continuar arrecadando e 
comprometendo recursos, principalmente com relação à continuidade de certos 
gastos de natureza fixa. Para isso, precisam conhecer os resultados operacionais 
e os dados de fluxo monetário, com o objetivo de fazer análise das tendências 
e identificar pontos fortes e fracos na geração de recursos, principalmente na 
amortização da dívida.
Conforme o Conselho Federal de Contabilidade, o objeto da Contabilidade 
Aplicada ao Setor Público é o patrimônio público e tem como função social refletir, 
sistematicamente, o ciclo da administração pública para evidenciar informações 
necessárias à tomada de decisões, à prestação de contas e à instrumentalização 
do controle social.
Patrimônio Público é o conjunto de direitos e bens, tangíveis 
ou intangíveis, onerados ou não, adquiridos, formados, 
produzidos, recebidos, mantidos ou utilizados pelas entidades 
do setor público, que seja portador ou represente um fluxo 
de benefícios, presente ou futuro, inerente à prestação de 
serviços públicos ou à exploração econômica por entidades do 
setor público e suas obrigações (BRASIL, 2008).
13
Contabilidade Pública Capítulo 1 
Dados os conceitos da contabilidade aplicada à administração pública, 
seu objetivo, objeto, função social e usuários, agora precisamos entender como 
ela é regulamentada. Temos as leis, as normas e os princípios que orientam a 
contabilidade aplicada ao setor público. 
Primeiramente, devemos saber que o campo de atuação da contabilidade 
pública são as pessoas jurídicas de Direito Público Interno, como a União, 
o Estado, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias, também algumas 
fundações públicas e algumas empresas públicas. As pessoas jurídicas de 
direito público externas que representam os Estados estrangeiros e todas 
as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público. Também as 
empresas de direito privado, que são as associações, as sociedades, as 
fundações, as organizações religiosas e os partidos políticos.
Agora vamos para a lei principal que orienta a contabilidade aplicada à 
administração pública, que é a Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Conforme 
Art. 1º, esta lei estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e 
controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e 
do Distrito Federal, de acordo com o disposto no art. 5º, inciso XV, letra b, da 
Constituição Federal.
A Lei nº 4.320/1964 proporcionou melhor controle das finanças públicas e 
ajudou na construção de uma administração financeira e contábil sólida por meio 
do principal instrumento, que é o Orçamento Público. Conforme o Manual de 
Contabilidade Aplicada ao Setor Público - MCASP (BRASIL, 2017, p. 22):
O orçamento público ganhou significativa importância no 
Brasil. Como consequência, as normas relativas a registros 
e demonstrações contábeis, vigentes até hoje, acabaram 
por dar enfoque sobretudo aos conceitos orçamentários, em 
detrimento da evidenciação dos aspectos patrimoniais.
A Lei nº 4.320/1964 pode ser consultada pelo seguinte link: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4320.htm>.
Aliada ao melhor controle das contas públicas, podemos salientar a Lei 
Complementar nº 101, de 4 de março de 2000, ou como é conhecida: Lei de 
Responsabilidade Fiscal. Essa lei tem por objetivo dispor sobre a responsabilidade 
na gestão fiscal.
14
 Contabilidade Pública
O que é a responsabilidade na gestão fiscal? 
Conforme § 1o do Art. 1º, a responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a 
ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios 
capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento 
de metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites e 
condições no que tange à renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, 
da seguridade social e outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de 
crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de garantia e inscrição 
em Restos a Pagar.
A Lei de Responsabilidade é um marco na regulamentação das contas 
públicas, pois como foi demonstrado anteriormente, ela impõe limites para os 
gastos públicos. Desta forma, consegue controlare estipular sanções caso haja o 
descumprimento do que a lei impõe.
A Lei de Responsabilidade Fiscal pode ser consultada pelo link: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp101.htm>.
Conhecidas as principais leis que abrangem a contabilidade aplicada ao 
setor público, tem-se as normas contábeis aplicadas ao setor público. As normas 
contábeis que são aplicadas ao setor público atualmente são as chamadas 
Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público - NBC TSP.
O que são normas contábeis?
As Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) constituem-se num conjunto 
de regras e procedimentos de conduta que devem ser observados como requisitos 
para o exercício da profissão contábil, bem como os conceitos doutrinários, 
princípios, estrutura técnica e procedimentos a serem aplicados na realização dos 
trabalhos previstos nas normas aprovadas por resolução emitidas pelo CFC.
No ano de 1998, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), considerando 
a necessidade da complementação da estrutura das Normas Brasileiras de 
Contabilidade voltadas à área pública, constituiu o Grupo de Estudos para atender 
tal finalidade. A partir de então, o CFC foi constituindo grupos de estudos e de 
trabalhos para atender às necessidades de normatização para a época e para 
responder às consultas que eram formuladas pelos profissionais do setor.
15
Contabilidade Pública Capítulo 1 
Passados dez anos, o CFC decidiu dar um impulso nesse processo de 
normatização da contabilidade pública no Brasil. Por meio de parceria firmada 
com o Ministério da Fazenda e a Associação dos Membros dos Tribunais de 
Contas, foi firmado o documento denominado “Orientações Estratégicas para a 
Contabilidade Aplicada ao Setor Público”, contendo as seguintes diretrizes:
• Promover o desenvolvimento conceitual da Contabilidade aplicada ao 
setor público no Brasil.
• Estimular a convergência aos padrões internacionais de Contabilidade 
aplicada ao setor público.
• Fortalecer institucionalmente a Contabilidade aplicada ao setor público no 
seu papel de fonte de informação da situação patrimonial das entidades 
governamentais e similares.
Assim, no exercício de 2008, foram editadas as primeiras normas contábeis 
brasileiras específicas para o setor público: as NBC T 16 (BRASIL, 2008). 
Estas normas foram muito importantes para a mudança no modelo contábil das 
entidades públicas brasileiras. As NBC T 16 utilizaram alguns conceitos das 
normas internacionais, promovendo inovações no setor público nacional.
Após a edição das NBC T 16, a Secretaria do Tesouro Nacional, órgão 
central de contabilidade da União, foi incorporando gradativamente os ditames 
das normas nos entes públicos nacionais, iniciando pelo próprio Governo Federal, 
construindo um modelo contábil, cuja primeira fase de implementação terminou 
sendo concretizada no exercício de 2015 para a maioria dos entes públicos 
brasileiros. 
Apesar de toda a revolução ocorrida no modelo contábil governamental, foi 
observado que seria necessário avançar no processo de convergência às normas 
internacionais. Limitações conceituais das NBC T 16, necessidade de normas que 
tratem de casos específicos do setor público e conclusão da convergência das 
normas no setor privado são exemplos de fatores que voltaram a impulsionar o 
processo de convergência para o setor público.
No ano de 2015, o CFC reformulou o GA NBC TSP com o objetivo de 
impulsionar o processo de convergência das normas contábeis do setor público 
aos padrões internacionais. Nesta nova fase, o trabalho do GA NBC TSP tem 
sido o de harmonizar as normas internacionais (International Public Sector 
Accounting Standards - IPSAS) à realidade brasileira. A harmonização exige não 
apenas a tradução das normas para a língua portuguesa, mas a análise sobre 
a aplicabilidade do contexto das normas internacionais à realidade dos entes 
públicos brasileiros.
16
 Contabilidade Pública
Em outubro de 2016, o CFC aprovou a Estrutura Conceitual para Elaboração 
e Divulgação de Informação Contábil de Propósito Geral pelas Entidades do 
Setor Público (Estrutura Conceitual), que estabelece os conceitos que devem ser 
aplicados no desenvolvimento das demais Normas Brasileiras de Contabilidade 
Aplicadas ao Setor Público (NBC TSP) do Conselho Federal de Contabilidade 
(CFC), destinados às entidades do setor público. Além disso, tais conceitos 
são aplicáveis à elaboração e à divulgação formal dos Relatórios Contábeis de 
Propósito Geral das Entidades do Setor Público (RCPG).
A referida estrutura conceitual teve seus efeitos aplicados a partir de 1º de 
janeiro de 2017 e revogou a partir desta data as resoluções e as normas a 
seguir:
• a Resolução CFC nº 750/1993, que dispõe sobre os princípios de 
contabilidade;
• a Resolução CFC nº 1.111/2007, que aprovou o Apêndice II da Resolução 
CFC nº 750/1993;
• a Resolução CFC nº 1.128/2008, que aprovou a NBC T 16.1 - 
Conceituação, Objeto e Campo de Aplicação;
• a Resolução CFC nº 1.129/2008, que aprovou a NBC T 16.2 - Patrimônio 
e Sistemas Contábeis;
• a Resolução CFC nº 1.130/2008, que aprovou a NBC T 16.3 - 
Planejamento e seus Instrumentos sob o Enfoque Contábil;
• a Resolução CFC nº 1.131/2008, que aprovou a NBC T 16.4 - Transações 
no Setor Público;
• a Resolução CFC nº 1.132/2008, que aprovou a NBC T 16.5 - Registro 
Contábil;
• os arts. 1º, 2º e 3º da Resolução CFC nº 1.268/2009, que alterou, incluiu 
e excluiu itens das NBC T 16.1, 16.2 e 16.6, que tratam das NBC T 
aplicadas ao setor público;
• a Resolução CFC nº 1.282/2010, que atualizou e consolidou dispositivos 
da Resolução CFC nº 750/1993;
• a Resolução CFC nº 1.367/2011, que alterou o Apêndice II da Resolução 
CFC nº 750/1993;
• os arts. 1º e 2º da Resolução CFC nº 1.437/2013, que alterou, incluiu e 
excluiu itens das NBC T 16.1, 16.2, 16.4, 16.5, 16.6, 16.10 e 16.11, que 
tratam das NBC T aplicadas ao setor público;
• os itens 12(a), 12(b), 12(c), 12(d), 27 e 28 da NBC T 16.6 (R1), que trata 
das demonstrações contábeis.
Dessa forma, a partir de janeiro de 2017, temos 17 NBC TSP:
17
Contabilidade Pública Capítulo 1 
QUADRO 2 – NBC TSP
Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público
NBCT Estrutura Conceitual
Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Informação 
Contábil de Propósito Geral pelas Entidades do Setor Público
NBCT SP 01 Receitas de Transação sem Contraprestação
NBCT SP 02 Receitas de Transação com Contraprestação
NBCT SP 03 Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes
NBCT SP 04 Estoques
NBCT SP 05 Contratos de Concessão de Serviços Públicos: Concedente.
NBCT SP 06 Propriedade para Investimento
NBCT SP 07 Ativo Imobilizado
NBCT SP 08 Ativo Intangível
NBCT SP 09 Redução ao Valor Recuperável de Ativo Não Gerador de Caixa
NBCT SP 10 Redução ao Valor Recuperável de Ativo Gerador de Caixa
NBCT 16.6 Demonstrações Contábeis
NBCT 16.7 Consolidação das Demonstrações Contábeis
NBCT 16.8 Controle Interno
NBCT 16.9 Depreciação, amortização e exaustão
NBCT 16.10 Avaliação e Mensuração de Ativos e Passivos
NBCT 16.11 Sistema de Informação de Custos
FONTE: A autora
Deve ser dada atenção à extinção dos princípios contábeis e à entrada em 
vigor das Características Qualitativas, conforme consta na Estrutura Conceitual. 
As características qualitativas da informação incluída nos RCPG são atributos 
que tornam a informação útil para os usuários e dão suporte ao cumprimento 
dos objetivos da informação contábil. O objetivo da elaboração e divulgação da 
informação contábil é fornecer informação para fins de prestação de contas e 
responsabilização (accountability) e tomada de decisão.
As características qualitativas da informação incluídas nos RCPG são a 
relevância, a representação fidedigna, a compreensibilidade, a tempestividade, a 
comparabilidade e a verificabilidade.
Relevância: as informações financeiras e não financeiras são relevantes 
caso sejam capazes de influenciar significativamenteo cumprimento dos objetivos 
da elaboração e da divulgação da informação contábil. As informações financeiras 
e não financeiras são capazes de exercer essa influência quando têm valor 
confirmatório, preditivo ou ambos. A informação pode ser capaz de influenciar e, 
desse modo, ser relevante, mesmo se alguns usuários decidirem não a considerar 
ou já estiverem cientes dela.
Representação Fidedigna: para ser útil como informação contábil, a 
informação deve corresponder à representação fidedigna dos fenômenos 
18
 Contabilidade Pública
econômicos e outros que se pretenda representar. A representação fidedigna é 
alcançada quando a representação do fenômeno é completa, neutra e livre de 
erro material. A informação que representa fielmente um fenômeno econômico ou 
outro fenômeno retrata a substância da transação, a qual pode não corresponder, 
necessariamente, à sua forma jurídica.
Compreensibilidade: a compreensibilidade é a qualidade da informação 
que permite que os usuários compreendam o seu significado. Os RCPG 
devem apresentar a informação de maneira que corresponda às necessidades 
e à base do conhecimento dos usuários, bem como a natureza da informação 
apresentada. Por exemplo, as explicações acerca das informações financeiras 
e não financeiras e as informações adicionais acerca da prestação de serviços 
e outros resultados durante o exercício, além das expectativas para os períodos 
futuros, devem ser escritas em linguagem simples e apresentadas de maneira que 
sejam prontamente compreensíveis pelos usuários. A compreensão é aprimorada 
quando a informação é classificada e apresentada de maneira clara e sucinta. A 
comparabilidade pode também aprimorar a compreensibilidade.
Tempestividade: tempestividade significa ter informação disponível 
para os usuários antes que ela perca a sua capacidade de ser útil para fins de 
prestação de contas e responsabilização (accountability) e tomada de decisão. 
Ter informação disponível mais rapidamente pode aprimorar a sua utilidade como 
insumo para processos de avaliação da prestação de contas e responsabilização 
(accountability) e a sua capacidade de informar e influenciar os processos 
decisórios. A ausência de tempestividade pode tornar a informação menos útil.
Comparabilidade: comparabilidade é a qualidade da informação que 
possibilita aos usuários identificar semelhanças e diferenças entre dois conjuntos 
de fenômenos. A comparabilidade não é uma qualidade de item individual de 
informação, mas, antes, a qualidade da relação entre dois ou mais itens de 
informação.
Verificabilidade: a verificabilidade é a qualidade da informação que ajuda a 
assegurar aos usuários que a informação contida nos RCPG representa fielmente 
os fenômenos econômicos ou de outra natureza que se propõe a representar. 
A suportabilidade, ou seja, a qualidade referente àquilo que dá suporte a algo, 
algumas vezes é utilizada para descrever esta qualidade, quando aplicada em 
relação à informação explicativa e à informação quantitativa financeira e não 
financeira prospectiva divulgada nos RCPG. Quer referida como verificabilidade ou 
como suportabilidade, a característica implica que dois observadores esclarecidos 
e independentes podem chegar ao consenso geral, mas não necessariamente à 
concordância completa, em que:
19
Contabilidade Pública Capítulo 1 
• a informação representa os fenômenos econômicos e de outra natureza, 
os quais se pretende representar sem erro material ou viés; ou
• o reconhecimento apropriado, a mensuração ou o método de 
representação foi aplicado sem erro material ou viés.
Todas as normas de contabilidade aplicadas ao setor público 
podem ser consultadas no link: <https://cfc.org.br/tecnica/normas-
brasileiras-de-contabilidade/nbc-tsp-do-setor-publico/>.
O que são as normas internacionais aplicadas ao setor público?
As Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público - IPSAS - 
foram desenvolvidas com a finalidade de normatizar questões que dizem respeito 
a demonstrações contábeis para fins gerais de todas as entidades do setor 
público. 
As entidades do setor público incluem: governos nacionais, governos 
regionais (por exemplo, estadual, provincial, territorial), governos locais (por 
exemplo, municipal) e suas entidades componentes (por exemplo, departamentos, 
agências, conselhos, comissões, ministérios, secretarias, autarquias, fundações, 
fundos), a menos que de outra forma seja determinado. As Normas não se 
aplicam às Empresas Estatais (EEs). EEs aplicam as Normas Internacionais de 
Contabilidade (IFRS) emitidas pelo International Accounting Standards Board 
(IASB). As IPSAS incluem uma definição de EEs.
Além disso, com o intuito de colaborar com o processo de elaboração e 
execução do orçamento, além de contribuir para resgatar o objeto da contabilidade 
como ciência, que é o patrimônio, contamos com o Manual de Contabilidade 
Aplicada ao Setor Público, que está na 7ª edição. Com isso, a contabilidade pode 
atender à demanda de informações requeridas por seus usuários, possibilitando 
a análise de demonstrações contábeis adequadas aos padrões internacionais, 
sob os enfoques orçamentário e patrimonial, com base em um Plano de Contas 
Nacional.
20
 Contabilidade Pública
O Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público 
pode ser encontrado no link: <http://www.tesouro.fazenda.
gov.br /documents/10180/456785/MCASP+7%C2%AA%20
edi%C3%A7%C3%A3o+Vers%C3%A3o+Final.pdf/6e874adb-44d7-
490c-8967-b0acd3923f6d>.
Como demonstrado ao longo da seção, a contabilidade aplicada ao setor 
público obedece a leis, normas e características qualitativas. Resumidamente, 
ela é regulamentada pela Lei nº 4.320/64, Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de 
Responsabilidade Fiscal), Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor 
Público - NBC TSP - e dentro destas as características qualitativas e o Manual de 
Contabilidade Aplicada ao Setor Público.
2.2 SISTEMAS DE INFORMAÇÕES
Como já vimos, a contabilidade pública se difere das demais, uma vez que 
as entidades do setor público têm como objetivo prestar contas para a sociedade, 
diferentemente das empresas do setor privado, que buscam obter lucros. Além 
dessa característica primordial que difere as duas contabilidades, temos as 
seguintes particularidades:
• O orçamento público:
A Constituição brasileira exige a elaboração do orçamento anual, 
a sua aprovação pelo poder Legislativo e a sua disponibilização 
à sociedade. (...) a elaboração de demonstrativo que apresenta 
e compara a execução do orçamento com o orçamento previsto 
é o mecanismo normalmente utilizado para demonstrar a 
conformidade com os requisitos legais relativos às finanças 
públicas (BRASIL, 2017, p. 22).
• Programas e longevidade do setor público:
Muitos programas do setor público são de longo prazo, e a 
capacidade para cumprir os compromissos depende dos 
tributos e das contribuições a serem arrecadados no futuro. 
Consequentemente, as demonstrações que evidenciam a 
situação patrimonial e o desempenho não fornecem todas as 
informações que os usuários precisam conhecer a respeito dos 
programas de longo prazo (BRASIL, 2017, p. 22).
21
Contabilidade Pública Capítulo 1 
•Os ativos e os passivos públicos:
No setor público, a principal razão de se manterem ativos 
imobilizados e outros ativos é voltada para o potencial 
de serviços desses ativos e, não, para a sua capacidade 
de gerar fluxos de caixa. Em razão dos tipos de serviços 
prestados, uma parcela significativa dos ativos utilizados 
pelas entidades do setor público é especializada, como 
os ativos de infraestrutura e os ativos militares (BRASIL, 
2017, p. 23).
• O setor público como órgão regulador:
Muitos governos e outras entidades do setor público possuem 
poder de regulação de entidades que operam em determinados 
setores da economia, de forma direta ou por meio de agências 
reguladoras. A principal razão da regulação é assegurar 
o interesse públicode acordo com objetivos definidos nas 
políticas públicas ou quando existem falhas de mercados para 
determinados serviços (BRASIL, 2017, p. 23).
A contabilidade pública possui normas e conceitos próprios (como já visto) 
que a regem, portanto, apresenta algumas peculiaridades que a diferenciam dos 
outros ramos da contabilidade. Eis as principais diferenças:
QUADRO 3 – PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE AS 
CONTABILIDADES PÚBLICA E EMPRESARIAL
Contabilidade Pública Contabilidade Empresarial (Geral)
Possui caráter conservador - registro dos atos e 
fatos baseados em normas legais.
Possui maior liberdade - além das normas que a 
regem, baseia-se em consenso da classe contábil.
Não apura lucro, mas déficit ou superávit. Objetiva apurar lucro - exceção para as entida-
des sem fins lucrativos.
Acompanha e registra a elaboração e a execu-
ção orçamentária (art. 83, da Lei nº 4.320/64).
Não registra a execução dos orçamentos, pois 
são atos administrativos.
Na União possui sistema único, integrado, infor-
matizado e padronizado para fins de registro dos 
atos e fatos contábeis.
Os sistemas de controle e registros contábeis não 
são padronizados, geralmente são adquiridos no 
mercado ou elaborados pelas próprias empresas.
As receitas e as despesas passam por diversas 
fases ou estágios. Receitas (planejamento, exe-
cução, controle e avaliação) e despesas (plane-
jamento, execução, controle e avaliação).
As receitas e as despesas devem ser incluídas 
na apuração do resultado do período em que 
ocorreram, sempre simultaneamente quando se 
correlacionarem, independentemente de recebi-
mento ou pagamento.
Exercício financeiro - coincide com o ano civil e 
vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro.
O exercício social terá duração de 1 ano e a data 
do término será fixada no estatuto. Na constituição 
da companhia e nos casos de alteração estatutária 
o exercício social poderá ter duração diversa.
FONTE: Carvalho (2010)
22
 Contabilidade Pública
Conhecidos os conceitos das principais diferenças encontradas na 
contabilidade aplicada ao setor público, devemos saber que para acompanhar as 
contas públicas temos três sistemas de informações que objetivam fornecer as 
informações para este acompanhamento, são eles:
• Sistema Orçamentário: que tem como finalidade evidenciar as 
informações provenientes do orçamento público, desde a sua aprovação 
até a sua execução. As informações provenientes do sistema orçamentário 
são a base para a elaboração de relatórios e demonstrações contábeis 
(essas que serão vistas no próximo capítulo) como o Relatório Resumido 
da Execução Orçamentária (RREO) e para o Balanço Orçamentário e 
Financeiro.
• Sistema Patrimonial: que tem como finalidade fornecer informações 
relativas ao patrimônio das entidades públicas. O sistema patrimonial 
deve obedecer às normas que estejam alinhadas com o reconhecimento 
e a mensuração de ativos e passivos. As informações do sistema 
patrimonial são a base para a elaboração de algumas demonstrações 
contábeis, são elas: o Balanço Patrimonial e a Demonstração das 
Variações Patrimoniais. 
• Sistema Fiscal: que tem por objetivo fornecer informações relativas 
aos indicadores provenientes da Lei de Responsabilidade Fiscal. Como 
vimos anteriormente, a Lei de Responsabilidade Fiscal impõe limites e 
orientações acerca das despesas com pessoal, operações de crédito e 
da dívida consolidada, além da apuração da disponibilidade de caixa, do 
resultado primário e do resultado nominal. Estas informações provindas 
do aspecto fiscal têm por objetivo verificar o equilíbrio das contas 
públicas. 
Como vimos no decorrer desta seção, a contabilidade aplicada ao setor 
público é diferente da contabilidade aplicada às empresas privadas, pois não tem 
por objetivo lucros, mas, sim, prestar contas à sociedade. O orçamento público 
é importante para as entidades públicas, mantém caráter regulador, atuam com 
longevidade as ações e os órgãos públicos, além do uso diferenciado dos ativos 
e passivos públicos. Diante disso, os sistemas de informações contábeis são 
divididos em três e fornecem informações variadas, tanto para acompanhamento 
das contas públicas quanto para a elaboração de demonstrações contábeis.
23
Contabilidade Pública Capítulo 1 
2.3 EXERCÍCIO FINANCEIRO E 
REGIMES CONTÁBEIS
As operações contábeis são registradas de acordo com a sua ocorrência 
e período contábil. O período contábil em questão é o exercício financeiro, 
conforme o art. 34 da Lei nº 4.320/1964, o exercício financeiro coincidirá com o 
ano civil, ou seja, de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. Já o Art. 35 da 
Lei nº 4.320/1964 afirma que pertencem ao exercício financeiro: as receitas nele 
arrecadadas e as despesas nele legalmente empenhadas.
Os atos contábeis são os eventos que ocasionam variações patrimoniais, 
eles são classificados como aumentativos: aumentam o patrimônio da entidade; 
diminutivos: diminuem o patrimônio da entidade; e mistos: em que apenas há 
permuta entre os elementos patrimoniais, não alterando quantitativamente o 
patrimônio.
Estes fatos contábeis devem seguir um regime de escrituração, mas 
o que são os regimes de escrituração? O regime de escrituração é o sistema 
de escrituração contábil que a empresa (ou entidade pública) adota para 
reconhecimento de receitas e despesas.
Na contabilidade pública também são adotados regimes de escrituração, 
porém, diferentemente da forma como é adotado para as empresas privadas. 
Enquanto as empresas privadas adotam um sistema único, ou seja, ou adotam 
o regime de caixa ou de competência, na contabilidade pública são adotados os 
dois concomitantemente, sendo considerado um regime misto.
O Regime de Caixa é o regime no qual as receitas/despesas são registradas 
no momento do recebimento/pagamento mediante dinheiro ou equivalentes.
O Regime de Competência é o regime de escrituração, as receitas/despesas 
são registradas no momento da ocorrência, sem ter ocorrido o pagamento ou o 
recebimento, conforme quadro a seguir:
24
 Contabilidade Pública
QUADRO 4 – REGIMES DE ESCRITURAÇÃO DA CONTABILIDADE PÚBLICA
Contas de Natureza de informação
Orçamentária
Contas de Natureza de informação
Patrimonial
Evento Critério BaseNormativa Evento Critério
Base
Normativa
Receita
Orçamentária
Arrecadação
Lei n° 
4.320/1964 
art. 35
Variação 
Patrimonial 
Aumentativa
Competência
NBC TSP 
- Estrutra 
Conceitual
Despesa
Orçamentária
Empenho
Lei n° 
4.320/1964 
art. 35
Variação 
Patrimonial 
Diminutiva
Competência
NBC TSP 
- Estrutra 
Conceitual
FONTE: Brasil (2017)
Conforme visto nesta seção, existem dois regimes de escrituração, a 
contabilidade utiliza os dois. Vimos também que o exercício financeiro obedece 
ao mesmo período do exercício civil.
2.4 ESCRITURAÇÃO, PLANO E 
SISTEMAS DE CONTAS
O plano de contas aplicado ao setor público - PCASP - é essencial para 
a escrituração dos atos e fatos contábeis. Ele obedece a um padrão para que 
sejam escriturados de forma padronizada e sistemática pelo órgão público. 
Portanto, precisamos entender qual é o objetivo do plano de contas e como é a 
sua estrutura. 
Conforme o MCASP (BRASIL, 2017), que orienta os procedimentos contábeis 
aplicados ao setor público, o PCASP tem por objetivo:
• Padronizar os registros contábeis das entidades do setor público.
• Distinguir os registros de natureza patrimonial, orçamentária e de 
controle.
• Atender à administração direta e à administração indireta das três esferas 
de governo, inclusive quanto às peculiaridades das empresas estatais 
dependentes e dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS).
25
Contabilidade Pública Capítulo 1 
• Permitir o detalhamento das contas contábeis, a partir do nível 
mínimo estabelecido pela STN, de modo que possa ser adequado às 
peculiaridades de cada ente.
• Permitir a consolidação nacional das contas públicas.
• Permitir a elaboração das Demonstrações Contábeis Aplicadas ao 
Setor Público(DCASP) e dos demonstrativos do Relatório Resumido de 
Execução Orçamentária (RREO) e do Relatório de Gestão Fiscal (RGF).
• Permitir a adequada prestação de contas, o levantamento das estatísticas 
de finanças públicas, a elaboração de relatórios nos padrões adotados 
por organismos internacionais - a exemplo do Government Finance 
Statistics Manual (GFSM) do Fundo Monetário Internacional (FMI), bem 
como o levantamento de outros relatórios úteis à gestão.
• Contribuir para a adequada tomada de decisão e para a racionalização 
de custos no setor público.
• Contribuir para a transparência da gestão fiscal e para o controle social.
Conhecidos os objetivos do PCASP, vamos agora entender como é a sua 
estrutura. Como vimos na seção anterior, temos os sistemas de informações 
contábeis, que são segregados em patrimonial, orçamentário e fiscal. Então, são 
deles que as informações são originadas, chamadas de natureza da informação 
contábil, estas informações são organizadas de acordo com o plano de contas.
São separadas como natureza da informação contábil e vão registrar, 
processar e evidenciar as seguintes informações:
• Orçamentária: os atos e os fatos relacionados ao planejamento e à 
execução orçamentária.
• Patrimonial: os fatos financeiros e não financeiros relacionados com 
a composição do patrimônio público e suas variações qualitativas e 
quantitativas.
• De controle: os atos de gestão cujos efeitos possam produzir 
modificações no patrimônio da entidade do setor público, bem como 
aqueles com funções específicas de controle.
O plano de contas, buscando melhor detalhamento da natureza das 
informações, segue uma divisão de oito (8) classes, são elas: 
Classes da natureza patrimonial: elas são sempre acompanhadas 
primeiramente do número da primeira classe e o nome da conta em seguida, 
conforme:
1. ATIVO
26
 Contabilidade Pública
2. PASSIVO
3. VARIAÇÕES PATRIMONIAIS DIMINUTIVAS
4. VARIAÇÕES PATRIMONIAIS AUMENTATIVAS
Da mesma forma, as classes de natureza orçamentária, também 
acompanhadas de número e da primeira classe e o nome da conta em seguida:
5. CONTROLES DA APROVAÇÃO DO PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO
6. CONTROLES DA EXECUÇÃO DO PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO
Por último, temos as classes de natureza de controle:
7. CONTROLES DEVEDORES
8. CONTROLES CREDORES
Conhecida a primeira classe de contas, veremos como ocorrem os 
desdobramentos das demais contas, conforme mostrado na figura a seguir: 
FIGURA 1 – DESDOBRAMENTO DO PLANO DE CONTAS
FONTE: Brasil (2017)
Como vimos anteriormente, no primeiro nível tem-se as informações de 
natureza orçamentária, patrimonial e de controle. Na figura anterior vimos que 
temos obrigatoriamente desdobramento até o sétimo nível. Já no Quadro 5, a 
seguir, temos as informações relativas ao segundo nível, denominadas de Grupos.
27
Contabilidade Pública Capítulo 1 
QUADRO 5 – DESDOBRAMENTO PLANO DE CONTAS
Desdobramento plano de contas no segundo nível
1 – Ativo
1.1 - Ativo Circulante
1.2 - Ativo Não Circulante
2 – Passivo e Patrimônio Líquido
2.1 - Passivo Circulante
2.2 - Passivo Não Circulante
2.3 - Patrimônio Líquido
3 – Variação Patrimonial Diminutiva
3.1 - Pessoal e Encargos
3.2 - Benefícios Previdenciários e Assistenciais
3.3 - Uso de Bens, Serviços e Consumo de 
Capital Fixo
3.4 - Variações Patrimoniais Diminutivas
Financeiras
3.5 - Transferências e Delegações Concedidas
3.6 - Desvalorização e Perda de Ativos e
Incorporação de Passivos
3.7 - Tributárias
3.8 - Custo das Mercadorias Vendidas, dos
Produtos Vendidos e dos Serviços Prestados
3.9 - Outras Variações Patrimoniais Diminutivas
4 – Variação Patrimonial Aumentativa
4.1 - Impostos, Taxas e Contribuições de
Melhoria
4.2 - Contribuições
4.3 - Exploração e venda de bens, serviços e 
direitos
4.4 - Variações Patrimoniais Aumentativas
Financeiras
4.5 - Transferências e Delegações Recebidas
4.6 - Valorização e Ganhos com Ativos e
Desincorporação de Passivos
4.9 - Outras Variações Patrimoniais Aumentativas
5 – Controles da Aprovação do Planejamento e 
Orçamento
5.1 - Planejamento Aprovado
5.2 - Orçamento Aprovado
5.3 - Inscrição de Restos a Pagar
6 – Controles da Execução do Planejamento e 
Orçamento
6.1 - Execução do Planejamento
6.2 - Execução do Orçamento
6.3 - Execução de Restos a Pagar
7 – Controles Devedores
7.1 - Atos Potenciais
7.2 - Administração Financeira
7.3 - Dívida Ativa
7.4 - Riscos Fiscais
7.5 - Consórcios Públicos
7.8 - Custos
7.9 - Outros Controles
8 – Controles Credores
8.1 - Execução dos Atos Potenciais
8.2 - Execução da Administração Financeira
8.3 - Execução da Dívida Ativa
8.4 - Execução dos Riscos Fiscais
8.5 - Execução dos Consórcios Públicos
8.8 - Apuração de Custos
8.9 - Outros Controles
FONTE: Brasil (2017)
A partir destes níveis 1 e 2 apresentados no quadro anterior, o ente 
federativo detalhará as suas contas em seus devidos planos de contas. Os entes 
da federação só poderão ter autonomia para detalhar mais o plano de contas a 
partir do que foi publicado no PCASP. Por exemplo: se no PCASP está detalhado 
até o nível 6, então o ente da federação poderá, a partir do 7º nível, detalhar mais 
o plano de contas.
28
 Contabilidade Pública
Tem-se no nível 5 o código de consolidação das demonstrações contábeis, 
neste nível são detalhadas as contas que são ou não incluídas na consolidação 
das demonstrações contábeis. O quinto nível é detalhado em INTRA OFSS 
(Orçamento Fiscal e da Seguridade Social), INTER OFSS (Orçamento Fiscal e da 
Seguridade Social) e consolidado. No quadro a seguir tem-se o conceito:
QUADRO 6 – DETALHAMENTO DO NÍVEL 5
5º Nível (Subtítulo) – Consolidação
x.x.x.x.1.xx.xx CONSOLIDAÇÃO
Compreende os saldos que não serão excluídos 
nos demonstrativos consolidados do orçamento 
fiscal e da seguridade social (OFSS).
x.x.x.x.2.xx.xx INTRA OFSS
Compreende os saldos que serão excluídos nos 
demonstrativos consolidados do Orçamento Fiscal 
e da Seguridade Social (OFSS) do mesmo ente.
x.x.x.x.3.xx.xx INTER OFSS – UNIÃO
Compreende os saldos que serão excluídos nos 
demonstrativos consolidados do Orçamento Fiscal 
e da Seguridade Social (OFSS) de entes públicos 
distintos, resultantes das transações entre o ente 
e a União.
x.x.x.x.4.xx.xx INTER OFSS – ESTADO
Compreende os saldos que serão excluídos nos 
demonstrativos consolidados do Orçamento Fiscal 
e da Seguridade Social (OFSS) de entes públicos 
distintos, resultantes das transações entre o ente e 
um estado.
x.x.x.x.5.xx.xx INTER OFSS – MUNICÍPIO
Compreende os saldos que serão excluídos nos 
demonstrativos consolidados do Orçamento
Fiscal e da Seguridade Social (OFSS) de entes pú-
blicos distintos, resultantes das transações entre o 
ente e um município.
FONTE: Brasil (2017)
Como visto no quadro anterior, são utilizados os respectivos dígitos para 
segregar e detalhar o nível 5, a fim de auxiliar na consolidação das demonstrações 
contábeis dos entes públicos. No entanto, devemos saber quais são as operações 
que pertencem a cada grupo do nível 5. Vejamos o Quadro 7:
29
Contabilidade Pública Capítulo 1 
QUADRO 7 – OPERAÇÕES IDENTIFICADAS NO NÍVEL 5
Operações Identificadas no Nível 5
1 – Consolidação
Transações entre uma entidade que pertence ao OFSS de um ente público e 
uma entidade privada, por exemplo: pessoas físicas; empresas, associações e 
fundações privadas; organizações sociais; organismos internacionais. 
Transações entre uma entidade que pertence ao OFSS de um ente público e 
uma entidade pública que não pertence ao OFSS de qualquer ente público, 
por exemplo: empresas estatais independentes.
Alterações patrimoniais dentro de uma mesma entidade, por exemplo: depre-
ciação.
Registro e a baixa de ativos, no caso de transferência de ativos entre entida-
des públicas, por exemplo: doação de bens de um ente a outro, transferência 
dos créditos para inscrição em dívida ativa entre a unidade de origem e a 
unidade responsável por sua inscrição. 
Transações entre uma entidade que pertence ao OFSSde um ente público 
e uma entidade que não pertença a nenhum OFSS, porém, seja obrigada a 
utilizar o PCASP. Exemplo: conselhos profissionais.
Registros de uma entidade que utilize o PCASP por exigência normativa 
ou voluntariamente, porém, não faça parte do OFSS de nenhum dos entes. 
Exemplo: conselhos profissionais e empresas estatais independentes.
2 - Intra OFSS
Identificarão as operações decorrentes de transações entre entidades que 
pertencem ao OFSS do mesmo ente público.
3, 4 e 5 - Inter 
OFSS
Identificarão as operações decorrentes de transações entre entidades que 
pertencem a OFSS de entes públicos distintos, tais como:
a. Repartição dos créditos tributários do ente público federal para o ente esta-
dual ou municipal.
b. Alterações patrimoniais decorrentes da transferência de bens móveis ou 
imóveis entre entes públicos distintos que utilizam o PCASP.
FONTE: Brasil (2017)
Conhecidos os níveis do plano de contas, agora temos os elementos 
necessários para a escrituração ou lançamentos dos atos e fatos contábeis. Da 
mesma forma que ocorre nas empresas privadas, a contabilidade pública obedece 
ao método das partidas dobradas, que consiste em débitos e créditos relativos às 
operações. 
Vejamos como esses lançamentos ocorrem utilizando-se as oito classes 
pertencentes ao nível 1 (ativo, passivo e patrimônio líquido, variações patrimoniais 
aumentativas, variações patrimoniais diminutivas, controles da aprovação do 
planejamento e orçamento, controles de execução do planejamento e orçamento, 
controles devedores e controles credores). Os débitos e os créditos deverão 
ocorrer apenas entre elementos da mesma natureza das contas, ou seja:
30
 Contabilidade Pública
• Lançamentos de natureza patrimonial: apenas debitam e creditam contas 
das classes 1, 2, 3 e 4.
• Lançamentos de natureza orçamentária: apenas debitam e creditam 
contas das classes 5 e 6.
• Lançamentos de natureza de controle: apenas debitam e creditam contas 
das classes 7 e 8.
É incorreto creditar uma conta com elemento de natureza orçamentária 
de classe 5 e debitar elemento de natureza patrimonial de classe 2. O correto 
é que os lançamentos contábeis ocorram entre elementos da mesma natureza, 
ou seja: debitar conta de natureza orçamentária 5 e creditar conta de natureza 
orçamentária também (5). Vejamos um exemplo de lançamento contábil correto.
A fixação da despesa apenas poderá ser registrada por meio do seguinte 
lançamento:
Fixação de despesa
Natureza da informação: orçamentária
D 5.2.2.1.1.xx.xx Dotação Inicial
C 6.2.2.1.1.xx.xx Crédito Disponível
Veja que tanto o débito quanto o crédito são feitos entre elementos da mesma 
natureza. 
Então, como visto no decorrer da seção, o plano de contas aplicado ao 
setor público segue uma hierarquia de desdobramento e os entes da federação 
devem obedecer ao desdobramento até o sétimo nível, após isso poderá ser 
mais detalhado de forma autônoma pelo ente federativo. Vimos também que a 
escrituração das contas públicas deve ocorrer entre os elementos da mesma 
natureza. 
2.5 PRESTAÇÃO DE CONTAS
As empresas privadas são obrigadas a publicar demonstrativos contábeis 
do exercício financeiro anterior a fim de prestar contas aos seus investidores. 
Os órgãos públicos também têm a obrigação de publicação de demonstrativos 
e relatórios contábeis com o objetivo de prestar contas à sociedade. Para isso, 
todos os conteúdos apontados durante o capítulo orientam a elaboração dos 
demonstrativos contábeis para posteriormente ocorrer a prestação de contas.
31
Contabilidade Pública Capítulo 1 
Como vimos anteriormente, a contabilidade pública permite aos usuários das 
informações dela provenientes acompanhar a origem e a aplicação dos recursos 
públicos. Por isso a prestação de contas é importante para a sociedade. 
Como é feita essa prestação de contas?
Primeiramente, ela é feita por meio da publicação das demonstrações e 
dos relatórios contábeis. A Lei Complementar nº 101/2000 institui quais são as 
demonstrações contábeis aplicadas ao setor público, que são:
• Balanço Orçamentário.
• Balanço Financeiro.
• Balanço Patrimonial.
• Demonstração das Variações Patrimoniais.
• Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC).
• Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL).
A publicação da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, foi 
importante para o acompanhamento das contas públicas, 
pois conforme instituído pela lei:
Art. 1o Esta Lei dispõe sobre os procedimentos a serem 
observados pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, 
com o fim de garantir o acesso a informações previsto no inciso 
XXXIII do art. 5o, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 
216 da Constituição Federal. 
Parágrafo único. Subordinam-se ao regime desta Lei: 
I - os órgãos públicos integrantes da administração direta dos 
Poderes Executivo, Legislativo, incluindo as Cortes de Contas, 
e Judiciário e do Ministério Público; 
II - as autarquias, as fundações públicas, as empresas 
públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades 
controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, 
Distrito Federal e Municípios (BRASIL, 2011, s.p.). 
O Portal de Transparência do Governo é um dos canais de prestação de 
contas à sociedade, já que são neles que as informações estão presentes, desde 
os demonstrativos contábeis até informações mais detalhadas da origem de 
receitas e gastos públicos.
O Portal de Transparência pode ser acessado pelo seguinte link: 
<http://www.portaltransparencia.gov.br/>.
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 12.527-2011?OpenDocument
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art5xxxiii
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art5xxxiii
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art37%C2%A73ii
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art216%C2%A72
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art216%C2%A72
32
 Contabilidade Pública
1 Quais são as leis mais importantes aplicadas à contabilidade 
pública?
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
2 Como a Lei nº 101/2000 - Lei de Responsabilidade Fiscal - atua 
sobre as contas públicas?
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
3 Quais são os objetivos da entidade pública em manter um plano de 
contas?
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
Com relação a essa seção, vimos sobre a prestação de contas e como 
encontrar estas informações no site do governo. A prestação de contas é 
importante para o cidadão no acompanhamento dos gastospúblicos. 
33
Contabilidade Pública Capítulo 1 
4 O plano de contas possui uma série de desdobramentos com 
relação aos níveis hierárquicos. Como eles são estruturados? 
Qual é o mínimo de níveis obrigatórios nos PCASPs?
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
5 Do que trata o nível 5 do plano de contas? Qual a importância dele 
para os órgãos públicos?
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
6 Qual é o período do exercício financeiro?
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
7 Como os órgãos públicos prestam contas à sociedade?
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
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LEITURA COMPLEMENTAR
PROCESSO de Implantação do Plano de Contas Aplicado ao Setor 
Público (PCASP): Análise sobre a percepção de contadores públicos sobre 
o Sistema de Planejamento e Gestão Fiscal de Santa Catarina (SIGEF)
Autores: Ana Paula Theodoro e Fabrícia Silva da Rosa (2017).
Palavras-chave: Teoria Institucional. Normas Brasileiras de Contabilidade 
Aplicadas ao Setor Público (NBCASP). Plano de Contas Aplicado ao Setor Público 
(PCASP).
34
 Contabilidade Pública
As entidades públicas brasileiras estão passando por grandes mudanças 
nos últimos anos, caracterizadas pelo uso de ferramentas contábeis capazes de 
expressar informações que servirão de base para consolidação de relatórios no 
setor público. Conforme Silva (2011), com a edição das NBC TSP foi aberto o 
caminho para a uniformização dos procedimentos contábeis e o reconhecimento 
da contabilidade como ciência que estuda o patrimônio. 
Em 2008, o Ministério da Fazenda editou a Portaria nº 184, que trata sobre 
as diretrizes a serem observadas no Setor Público referente aos procedimentos, 
práticas, elaboração e divulgação das demonstrações contábeis, de forma a 
torná-las correspondentes com as Normas Internacionais de Contabilidade 
Aplicadas ao Setor Público (NBCASP), expressas pela International Public Sector 
Accounting Standards - IPSAS -, e elaboradas pelo International Federation of 
Accountants - IFAC -, entidade responsável por elaborar as normas internacionais 
de contabilidade. Neste sentido, as NBCASP, de acordo com Rosa (2013, p. 4), 
“além de serem consideradas um marco conceitual, constituem uma verdadeira 
revolução na Contabilidade do setor público brasileiro”.
Essas normas internacionais foram introduzidas no Brasil a partir de um 
cronograma de transição pelos entes subnacionais, como Estados e Municípios, 
além da própria União, respeitando-se um cronograma que ainda está em 
andamento no país, e o Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP), 
segundo Rosa (2013), seria adotado integralmente até o fim de 2014, conforme 
estabelecido no cronograma de ações constantes no anexo l da portaria/STN 439, 
de 12/07/2012. 
Segundo Feitosa (2012), o objetivo geral do PCASP orbita em torno 
da redução de divergências conceituais e procedimentais, em benefício da 
transparência da gestão fiscal, da racionalização de custos nos entes da 
Federação e do controle social. 
A forma de cumprimento dos objetivos estabelecidos no cronograma foi 
definida por cada ente subnacional, mantendo assim seus próprios controles para 
alcançar os objetivos, mas acredita-se que devem ter sido cumpridos, em maior ou 
menor grau. Partindo do pressuposto que as organizações acabaram por realizar 
as mudanças, uma das teorias que estão sendo utilizadas para compreendê-las é 
a teoria institucional (BURNS; SCAPENS, 2000). 
Essa teoria, segundo Frezatti et al. (2009), sob a vertente da Velha Economia 
Institucional, prevê que a contabilidade deve ser tratada como uma instituição, 
que conduz suas próprias características conceituais. 
35
Contabilidade Pública Capítulo 1 
De acordo com Scott (2004), ao verificar transformações em organizações, 
que abrangem características do comportamento humano, como a determinação 
de novas regras e a modificação de estruturas organizacionais, a teoria 
institucional age com eficácia para entender os resultados de tais mudanças. 
Cruz, Major e Scapens (2009) destacam que, de acordo com essa base teórica, 
regras são estabelecidas e devem tornar-se práticas para a organização. 
Neste artigo, especifica-se esse processo de mudança ocorrida no âmbito 
do Estado de Santa Catarina, entidade subnacional, obrigada a executar os 
procedimentos de adoção do PCASP, a partir das Normas Internacionais de 
Contabilidade Aplicada ao Setor Público - NBCASP -, inseridas pelo Manual de 
Contabilidade Aplicada ao Setor Público - MCASP - e isso precisava ser absorvido 
pelos sistemas de informação dos entes públicos e, no caso do Estado de Santa 
Catarina, pelo Sistema de Planejamento e Gestão Fiscal de Santa Catarina - 
SIGEF. 
Neste contexto, o referido artigo tem por objetivo analisar a percepção de 
contadores públicos no processo de implantação do plano de contas aplicado ao 
setor público - PCASP - no Estado de Santa Catarina. 
Para tanto, baseou-se na Teoria Institucional com ênfase na Velha Economia 
Institucional, as NBCASP, considerando a implantação do PCASP no SIGEF e o 
impacto de sua utilização com a mudança, buscando auferir resultados a partir de 
um questionário que foi direcionado às pessoas que colocaram em prática e às 
que foram impactadas com a sua utilização.
O estudo objetivou analisar a percepção de contadores públicos no processo 
de implantação do Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP) no Estado 
de Santa Catarina. Para tanto, foi elaborado um questionário visando identificar 
como este processo foi planejado pelos gestores, codificado, incorporado, 
reproduzido e institucionalizado no Estado, sob a percepção dos Contadores da 
Fazenda Estadual.
Assim, foram realizadas perguntas aos atores desse processo, quais sejam, 
a Diretoria de Contabilidade Geral, envolvendo a Direção e os Gerentes das 
Gerências de Contabilidade Centralizada e de Sistemas de Gestão Fiscal, e os 
Contadores da Fazenda Estadual, em uma população de 85 pessoas, tendo 
respondido 33 profissionais, caracterizando a amostra do estudo. 
Na análise de resultados, as respostas do gestor da DCOG nesse processo 
indicaram um planejamento para a implantação do PCASP dentro do cronograma 
estabelecido pelas normas, com a criação de um grupo de trabalho específico 
para esse fim, além de debate e sugestões entre os gerentes, coordenadores 
36
 Contabilidade Pública
e assessores, sintetizando que um dos princípios da diretoria é a inovação 
constante na busca da desburocratização e promoção da transparência. 
O papel dos sistemas de informação é imprescindível para a formulação de 
qualquer mudança dentro de um organismo complexo, como é o Estado, e as 
respostas do responsável por esse setor demonstraram que havia objetivos claros 
na mudança do processo, como o cumprimento do cronograma estabelecido e a 
minimização do impacto para os usuários do sistema, que segundo esse gestor, 
foram cumpridos.
 
Ao analisar as respostas do gestor da equipe do grupo de trabalho 
responsável pela implementação do PCASP, entende-se que a execução do 
planejamento foi bem-sucedida, pois o objetivo de minimizar o impacto junto aos 
usuários foi atendido, além de citar a sensibilizaçãoda mudança em razão de 
treinamentos realizados. 
Um dos aspectos importantes da pesquisa foi perceber que os respondentes 
têm uma boa experiência na função que exercem, em razão de estarem pelo 
menos há mais de seis anos no cargo, o que ajuda no processo de análise. Além 
disso, na percepção desses usuários, a imposição legal e a padronização foram 
determinantes para a mudança, e que mesmo depois de implementada, ainda 
existem situações a serem abordadas. 
Para o processo de codificação, notou-se uma predominância das respostas 
quanto à aceitação e à participação do processo de planejamento pelos usuários, 
além da percepção de sucesso na execução e acompanhamento das mudanças 
dentro do processo de incorporação. 
No processo de reprodução das mudanças, notou-se que não houve muitos 
questionamentos individuais ou de grupos quanto ao modelo de mudança em si, 
o que se conjuga com a visão de imposição legal tratada no item dos motivos. 
De outra forma, a maioria concordou que foi receptiva quanto à mudança e que 
ela ajudou a melhorar as rotinas contábeis, embora não houvesse monitoramento 
nessa etapa. 
A análise da percepção dos gestores de topo e dos contadores sobre 
o processo de institucionalização revelou que houve tempo suficiente para 
funcionamento do PCASP, confiabilidade das informações e salto de qualidade 
nas informações contábeis após esse processo. 
Em questões complementares, observou-se que as principais mudanças 
citadas foram em rotinas contábeis, o que melhora o funcionamento da 
máquina pública no enfoque no patrimônio, melhorando a gestão e o regime de 
37
Contabilidade Pública Capítulo 1 
competência, corolário da contabilidade. Também se identificou que a mudança 
foi aderente aos valores e às crenças da organização e que as dificuldades 
estiveram relacionadas à adaptação às novas rotinas e à quebra de paradigmas, 
o que pode ser considerado como hipótese da mudança conceitual. 
Claro que tudo isso foi vencido por cada pessoa ao longo do processo 
de maneira particular, mas as respostas indicaram um caminho universal, o 
conhecimento, e este foi adquirido nesse processo por estudo minucioso em razão 
de envolvimento com a mudança e capacitações e treinamentos disponibilizados. 
Por fim, o estudo foi limitado a usuários que são contadores por formação, 
mas não foram os únicos impactados, pois atualmente muitas pessoas inserem 
informações que são utilizadas pela contabilidade, já que o SIGEF é utilizado para 
registrar toda a execução orçamentária, financeira e patrimonial do Estado, além 
de módulos gerenciais integrados, como contratos administrativos, transferências 
e precatórios, entre outros e, assim, sugere-se um estudo com os demais usuários 
que inserem tais informações para perceber o real impacto da implantação do 
PCASP em Santa Catarina. 
Para a implantação de mudanças em processos semelhantes, sugere-
se a elaboração de um planejamento, com acompanhamento na execução e 
monitoramento de sua execução, com participação das pessoas impactadas 
pela mudança, práticas consideradas válidas pelos respondentes no processo de 
implantação do PCASP.
FONTE: <http://dvl.ccn.ufsc.br/8congresso/anais/7CCF/20170815150224.pdf>.
Acesso em: 19 jan. 2019.
3 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Como vimos, esse capítulo teve por objetivo fazer o aluno ter contato com 
a contabilidade pública e conhecer os termos e as noções contábeis aplicados 
à gestão pública. Para isso, foi apresentado ao aluno como a contabilidade é 
aplicada ao setor público por meio de leis (Lei nº 4.320/1964 e Lei nº 101/2000), 
que consistem nas leis mais importantes que regem a contabilidade pública e 
impõem limites aos gastos públicos, bem como das normas e manual.
Na segunda seção, o aluno pôde ver que as informações contábeis que têm 
sua origem na atuação dos entes públicos são segregadas em três (orçamentária, 
patrimonial e fiscal), tendo por objetivo organizar as contas públicas, permitindo 
38
 Contabilidade Pública
assim a elaboração dos demonstrativos e relatórios contábeis que servirão para a 
prestação de contas à comunidade.
Após isso, o aluno pôde aprender sobre o exercício financeiro que rege a 
elaboração das demonstrações contábeis, bem como os sistemas de escrituração 
contábil que as entidades públicas estão sujeitas. Após, foi apresentado o plano de 
contas e como deve ocorrer a escrituração dos atos e fatos contábeis, observando 
que as leis, as normas e os princípios, assim como os sistemas de informações 
e regimes contábeis estão presentes para organizar e elaborar o plano de contas 
dos lançamentos contábeis.
Por último, foi apresentado ao aluno como ocorre a prestação de contas dos 
órgãos públicos e o acesso à informação pública, fechando, desta forma, as cinco 
seções presentes nesse capítulo. 
Portanto, espera-se que ao final da leitura do capítulo o aluno seja capaz de 
entender as particularidades da contabilidade pública em relação à contabilidade 
das empresas privadas, bem como ter conhecimentos sobre esses elementos 
básicos apresentados.
Ao entender esses elementos, é garantido que o aluno terá conhecimento 
de como são elaboradas as demonstrações contábeis e como é a atuação do 
contador nos órgãos públicos. No próximo capítulo, o aluno terá conhecimento 
das demonstrações contábeis obrigatórias que a entidade pública deverá publicar, 
obedecendo o que foi visto até aqui. 
REFERÊNCIAS
BRASIL. Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público 
(MCASP): exercício 2017. 7. ed. Portaria Conjunta STN/SOF n. 2, de 
22 de dezembro de 2016. 2017. Disponível em: <http://www.tesouro.
fazenda.gov.br/documents/10180/456785/MCASP+7%C2%AA%20
edi%C3%A7%C3%A3o+Vers%C3%A3o+Final.pdf/6e874adb-44d7-490c-8967-
b0acd3923f6d>. Acesso em: 19 jan. 2019.
______. Lei n. 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a 
informações previsto no inciso XXXIII do art. 5o, no inciso II do § 3o do art. 37 
e no § 2o do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei no 8.112, de 11 de 
dezembro de 1990; revoga a Lei no 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos 
da Lei no 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá outras providências. Disponível 
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm>. 
Acesso em: 19 jan. 2019.
39
Contabilidade Pública Capítulo 1 
______. Resolução CFC n. 1.128. Aprova a NBC T 16.1 – Conceituação, 
Objeto e Campo de Aplicação. 2008. Disponível em: <https://internet.
sefaz.es.gov.br/contas/contabilidade/orientacaoContabil/arquivos/
normasbrasileirasdecontabilidadeaplicadasaosetorpublicoealteracoes.pdf>. 
Acesso em: 19 jan. 2019.
______. Lei Complementar n. 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas 
de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá 
outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/
LCP/Lcp101.htm>. Acesso em: 1 nov. 2018.
______. Lei n. 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito 
Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, 
dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Disponível em: <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4320.htm>. Acesso em: 20 out. 2018.
CARVALHO, D. Orçamento e contabilidade pública: teoria, prática e mais de 
800 exercícios. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. 
ROSA, M. B. Contabilidade do setor público. São Paulo: Atlas, 2011.
SILVA, L. M. da. Contabilidade governamental: um enfoque administrativo da 
nova contabilidade pública. São Paulo: Atlas, 2011. 
THEODORO, A. P.; ROSA, F. S. da. Processo de Implantação do Plano de 
Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP): análise sobre a percepção de 
contadores públicos sobre o Sistema de Planejamento e Gestão Fiscal de Santa 
Catarina (SIGEF), 2017.
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 4.320-1964?OpenDocument
40
 Contabilidade Pública
CAPÍTULO 2
Demonstrações Contábeis Aplicadas 
À Administração PúblicaA partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Saber: o objetivo do capítulo é apresentar aos alunos as demonstrações 
contábeis aplicadas à administração pública.
�	Fazer: ao final deste capítulo, o aluno deverá saber quais são as demonstrações 
contábeis aplicadas ao setor público e compreender suas particularidades e 
diferenças com relação à contabilidade de empresas.
42
 Contabilidade Pública
43
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
O Capítulo 2 tem por finalidade apresentar ao aluno as demonstrações 
contábeis aplicadas ao setor público, que possuem particularidades em relação 
às demonstrações contábeis aplicadas às empresas privadas.
Primeiramente será apresentado o Balanço Orçamentário, que trata da 
previsão de receitas e fixação de despesas, serão mostrados os conceitos e 
os quadros que integram a demonstração. Após serão apresentados o Balanço 
Financeiro, o Balanço Patrimonial, a Demonstração das Variações Patrimoniais, 
as Demonstrações dos Fluxos de Caixa e, por último, as Demonstrações das 
Variações Patrimoniais.
Neste capítulo também serão propostas duas leituras complementares que 
são adaptadas de artigos científicos. Estas leituras complementares, além de 
fazerem o aluno ter contato com a pesquisa científica, trará melhor compreensão 
dos conceitos apresentados. Ao final do capítulo será permitido ao aluno fazer 
exercícios de revisão para que possa memorizar e testar os seus conhecimentos. 
Bons estudos!
2 ELEMENTOS DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Para a elaboração das demonstrações contábeis aplicadas ao setor público 
são utilizados elementos contábeis patrimoniais, de resultado e orçamentário. De 
acordo com a NBC TSP -Estrutura Conceitual, tanto a estrutura de apresentação 
quanto os elementos “fornecem um ponto inicial para reconhecer, classificar 
e agregar dados e atividades econômicas de maneira a fornecer aos usuários 
informação que satisfaça aos objetivos e atinja as características qualitativas da 
informação contábil, levando em consideração as restrições sobre esta” (BRASIL, 
2017, p. 141).
Cabe destacar que neste livro serão apresentados os conceitos dos 
elementos contábeis que compõem as demonstrações e não seus critérios de 
reconhecimento, que são eles:
• Ativo.
• Passivo.
• Receitas.
44
 Contabilidade Pública
• Despesas.
• Contribuições dos proprietários.
• Distribuições dos proprietários.
2.1 ATIVO
O conceito de ativo é: um recurso controlado no presente pela entidade como 
resultado de evento passado. 
Se sabemos que o ativo é um recurso, o que é um recurso? 
Recurso é um item com potencial de serviços ou com a capacidade de gerar 
benefícios econômicos. A forma física não é uma condição necessária para um 
recurso. O potencial de serviços ou a capacidade de gerar benefícios econômicos 
pode surgir diretamente do próprio recurso ou dos direitos de sua utilização. 
Alguns recursos incluem os direitos da entidade a uma série de benefícios, 
inclusive, por exemplo, o direito a:
• Utilizar o recurso para a prestação de serviços (inclusive bens).
• Utilizar os recursos de terceiros para prestar serviços, como 
arrendamento mercantil.
• Converter o recurso em caixa por meio da sua alienação.
• Beneficiar-se da valorização do recurso. 
• Receber fluxos de caixa.
Então, o ativo é um recurso controlado no presente pela entidade. Ser 
controlado no presente é a capacidade de a empresa poder usar o recurso ou 
controlá-lo visando benefícios econômicos. Como forma de saber se a empresa 
controla o recurso no presente, podem ser observados os seguintes indicadores, 
conforme publicado no MCASP (BRASIL, 2017):
• Ser propriedade legal.
• Ter acesso ao recurso ou ter a capacidade de negar ou restringir o 
acesso ao recurso.
• Meios que assegurem que o recurso seja utilizado para alcançar os seus 
objetivos.
• A existência de direito legítimo ao potencial de serviços ou à capacidade 
para gerar os benefícios econômicos advindos do recurso.
Ainda, o ativo deve ser proveniente de evento passado, isto é, os ativos 
sempre são originados de alguma transação que ocorreu no passado, como 
45
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
compra de ativos por meio de uma transação comercial (com contrapartida) 
ou emissão de licenças para bandas de frequência de transmissões de 
telecomunicações (sem contraprestação).
Agora conseguimos identificar que um ativo é um recurso controlado no 
presente pela entidade como resultado de evento passado, mas os ativos podem 
ser classificados em Circulante e Não Circulante.
Os ativos circulantes são classificados como aqueles que estão disponíveis 
para a realização imediata ou até doze meses após a data da elaboração das 
demonstrações contábeis. Já o ativo não circulante é aquele que tem expectativa 
de realização além dos doze meses após a elaboração das demonstrações 
contábeis, além dos ativos financeiros, que são os valores e os créditos realizáveis 
que independem de autorização orçamentária e, por último, o ativo financeiro e 
não financeiro, que são os bens, os créditos e os valores, que para alienação ou 
mobilização, dependem de autorização legislativa.
2.2 PASSIVO
Passivo pode ser definido como: uma obrigação presente, derivada de 
evento passado, cuja extinção deva resultar na saída de recursos da entidade. 
Obrigação presente é aquela que ocorre por força de lei ou não, a qual não 
possa ser evitada pela entidade.
O passivo é classificado como Circulante e Não Circulante. De acordo com 
o MCASP (BRASIL, 2017), os passivos devem ser classificados como circulantes 
quando corresponderem a valores exigíveis até doze meses após a data das 
demonstrações contábeis. Os demais passivos devem ser classificados como não 
circulantes.
Os passivos financeiros são aquelas dívidas fundadas e outros pagamentos 
que independem de autorização orçamentária. Já o passivo permanente são as 
dívidas fundadas e outras que dependam de autorização legislativa.
46
 Contabilidade Pública
2.3 PATRIMÔNIO LÍQUIDO / 
SITUAÇÃO PATRIMONIAL LÍQUIDA
A situação patrimonial, seja de entidade privada ou pública, é entendida como 
a diferença entre o ativo e o passivo. Esta situação patrimonial é reconhecida no 
Balanço Patrimonial como Patrimônio Líquido. No entanto, a situação patrimonial 
líquida pode ser positiva ou negativa.
O patrimônio líquido é composto por: patrimônio ou capital social, reserva de 
capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros e demais reservas, 
ações em tesouraria, resultados acumulados e o resultado do período.
3 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
APLICADAS AO SETOR PÚBLICO
Assim como as empresas privadas, nas entidades públicas a publicação de 
demonstrações contábeis são de caráter obrigatório. De acordo com o Manual 
de Contabilidade Aplicado ao Setor Público (BRASIL, 2017), as demonstrações 
contábeis aplicadas ao setor público são:
• Balanço Orçamentário.
• Balanço Financeiro.
• Balanço Patrimonial.
• Demonstração das Variações Patrimoniais.
• Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC).
• Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL).
3.1 BALANÇO ORÇAMENTÁRIO
O Balanço Orçamentário é a demonstração contábil que evidenciará as 
receitas e as despesas previstas em confronto com as realizadas. Nele são 
apresentadas as receitas e as despesas por categoria econômica e sua origem. 
A previsão inicial é que exista equilíbrio entre as receitas previstas e as despesas 
fixadas, ou seja, os valores de despesas fixadas não poderiam ultrapassar os 
valores de receitas previstas. 
Pode ocorrer de a entidade pública abrir créditos adicionais para fixação 
de despesas com valores de superávit de anos anteriores, somente desta forma 
47
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
valores maiores de despesas fixadas nãocausam desequilíbrio das contas 
públicas. De acordo com o MCASP (BRASIL, 2017), recomenda-se a utilização 
de notas explicativas para esclarecimentos a respeito da utilização do superávit 
financeiro e de reabertura de créditos especiais e extraordinários, bem como 
suas influências no resultado orçamentário, de forma a possibilitar a correta 
interpretação das informações.
O Balanço Orçamentário é composto por:
• Quadro Principal.
• Quadro da Execução dos Restos a Pagar Não Processados.
• Quadro da Execução dos Restos a Pagar Processados.
QUADRO 1 – QUADRO PRINCIPAL
SUBTOTAL DAS RECEITAS (III) - (I+II)
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
BALANÇO ORÇAMENTÁRIO 
ORÇAMENTOS FISCAL E DA SEGURIDADE SOCIAL
Exercício: 2OXX
Receitas Correntes (I) 
 Receita Tributária 
 Receita de Contribuições 
 Receita Patrimonial 
 Receita Agropecuária 
 Receita Industrial 
 Receita de Serviços 
 Transferéncias Correntes 
 Outras Receitas Correntes
Receitas de Capital (II) 
 Operações de Crédito 
 Alienação de Bens 
 Amortizações de Empréstimos 
 Transferências de Capital 
 Outras Receitas de Capital
RECEITAS
ORÇAMENTARIAS
Previsão 
Inicial 
(a)
Previsão 
Atualizada 
(b)
Receitas 
Realizadas 
(c)
Saldo 
(d) =(c-b)
48
 Contabilidade Pública
Operações de Crédito/Refinanciamento (IV) 
Operações de Crédito Internas 
 Mobiliária 
 Contratual 
Operaçôes de Crédito externas 
 Mobiliária 
 Contratual
SUBTOTAL COM REFINANCIAM(NTO (v) = (III+IV)
Déficit (VI)
 
TOTAL (VII) = (V+VI)
 
Saldos de Exercícios Anteriores 
(Utilizados Para Créditos Adicionais) 
 Recursos Arrecadados em Exercícios Anteriores 
 Superávit Financeiro 
 Reabertura de Créditos Adicionais
DESPESAS
ORÇAMENTÁRIAS
Dotação 
inicial 
(e)
Dotação 
Atualizada 
(f)
Despesas 
Empenhadas
(g)
Despesas 
Liquidadas
(h)
Despesas 
Pagas 
(i)
Saldo da 
Dotação 
(j)=(f-g)
Despesas Correntes (VIII) 
 Pessoal e encargos Sociais 
 Juros e encargos da Dívida 
 Outras Despesas Correntes
Despesas de Capital (IX) 
 Investimentos 
 inversões Financeiras 
 Amortizaço da Dívida
Reserva de Contingência (X)
 
SUBTOTAL DAS DESPESAS (Xl) = (VIl + lX + X)
49
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
Amortização da Dívida/Refinanciamento (XII)
 Amortização da Dívida Interna 
 Divida mobihiria 
 Outras Dividas
 Amortização da Divida externa 
 Divida Mobiliária 
 Outras Dividas
 
SUBTOTAL COM REFINANCIAMENTO (XII) = (XI + XII)
 
Superávit (XIII)
 
TOTAL (XIV) = (XII + XIII) 
Reserva do RPPS
 FONTE: Brasil (2017)
No quadro principal, na coluna das receitas, temos:
Previsão Inicial
Serão demonstrados os valores da previsão inicial de receitas previstas na 
Lei Orçamentária Anual - LOA - e seus valores permanecerão sem alterações 
durante todo o exercício, pois além de ter sido publicado em lei, ele serve para 
orientação de valores previstos para receita. Conforme o MCASP (BRASIL, 2017), 
cabe salientar que as atualizações monetárias autorizadas por lei, efetuadas 
antes da data da publicação da LOA, também integrarão os valores apresentados 
na coluna.
Previsão Atualizada
Nesta coluna será demonstrado o resultado de atualização dos valores das 
receitas. Essas alterações podem ser provenientes de:
• registro de excesso de arrecadação ou contratação de operações 
de crédito, ambas podendo ser utilizadas para abertura de créditos 
adicionais;
• criação de novas naturezas de receita não previstas na LOA;
• remanejamento entre naturezas de receita;
• atualizações monetárias autorizadas por lei, efetuadas após a data da 
publicação da LOA.
50
 Contabilidade Pública
Se não ocorrer nenhum evento que ocasione a reestimativa da receita, a 
coluna Previsão Atualizada apresentará os mesmos valores da coluna Previsão 
Inicial.
Receitas Realizadas
Nesta coluna são demonstradas as receitas de fato arrecadadas pelo órgão 
público. 
Elas podem ser segregadas em Receitas Correntes e Receitas de Capital, 
conforme visto no quadro principal anterior. 
Receitas Correntes
De acordo com o MCASP (BRASIL, 2017, p. 38):
Receitas Orçamentárias Correntes são arrecadadas dentro do 
exercício financeiro, aumentam as disponibilidades financeiras 
do Estado e constituem instrumento para financiar os objetivos 
definidos nos programas e ações orçamentários, com vistas a 
satisfazer finalidades públicas.
Receitas de Capital 
As Receitas de Capital são aquelas que:
São arrecadadas dentro do exercício financeiro, aumentam as 
disponibilidades financeiras do Estado e são instrumentos de 
financiamento dos programas e ações orçamentários, a fim de 
se atingirem as finalidades públicas. Porém, de forma diversa 
das receitas correntes, as receitas de capital em geral não 
provocam efeito sobre o patrimônio líquido (BRASIL, 2017, p. 
38).
Operações de Crédito / Refinanciamento
Demonstra o valor da receita decorrente da emissão de títulos públicos e da 
obtenção de empréstimos, inclusive as destinadas ao refinanciamento da dívida 
pública.
Déficit
Demonstra a diferença negativa entre as receitas realizadas e as despesas 
empenhadas, se for o caso. O déficit é apresentado junto às receitas, a fim de 
demonstrar o equilíbrio do Balanço Orçamentário.
51
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
Saldos de Exercícios Anteriores (utilizados para Créditos Adicionais)
Mostra o valor dos recursos provenientes de superávit financeiro de 
exercícios anteriores que está sendo utilizado como fonte para abertura de 
créditos adicionais. É neste item que estão demonstrados os valores referentes 
aos créditos adicionais autorizados nos últimos quatro meses do exercício anterior 
ao de referência e reabertos no exercício de referência.
O MCASP (BRASIL, 2017, p. 371), “apresenta valores somente nas colunas 
Previsão Atualizada e Receita Realizada e deverá corresponder ao valor utilizado 
para a abertura de créditos adicionais e valor efetivamente utilizado para o 
empenhamento de despesas, respectivamente”.
Tais valores são para elaboração do cálculo do déficit ou superávit 
orçamentário, visto que são provenientes de exercícios anteriores.
Recursos Arrecadados em Exercícios Anteriores
São recursos de exercícios anteriores que serão utilizados para custear 
despesas do exercício corrente, permitindo o equilíbrio na aprovação da Lei 
Orçamentária.
Despesas Orçamentárias 
São os valores de despesas a serem despendidas durante o ano corrente.
Dotação Inicial da Despesa
São os valores dos créditos iniciais publicados na Lei Orçamentária Anual 
(LOA). Estes valores são inalteráveis durante todo o exercício, pois os valores 
previstos na LOA.
Dotação Atualizada da Despesa
São os valores da dotação inicial com soma de créditos adicionais abertos 
ou reabertos durante o exercício de referência, são somadas juntamente quando 
necessárias as atualizações monetárias efetuadas após a data da publicação 
da LOA, deduzidos das respectivas anulações e cancelamentos. Caso não haja 
alterações nos valores das despesas, esta coluna permanecerá com o mesmo 
valor da coluna de dotação inicial.
52
 Contabilidade Pública
Despesas Empenhadas
São os valores das despesas empenhadas no exercício, inclusive 
das despesas em liquidação, liquidadas ou pagas. Considera-se despesa 
orçamentária executada a despesa empenhada.
Despesas Liquidadas
São os valores das despesas liquidadas no exercício de referência, inclusive 
das despesas pagas. Não inclui os valores referentes à liquidação de restos a 
pagar não processados.
Despesas Pagas
São os valores das despesas pagas no exercício de referência. Não inclui 
os valores referentes ao pagamento de restos a pagar, processados ou não 
processados.
Despesas Correntes
Conforme o MCASP (BRASIL, 2017, p. 373), as “Despesas Correntes são as 
despesas que não contribuem, diretamente, para a formação ou aquisição de um 
bem de capital”.
Despesas de Capital
Conforme o MCASP (BRASIL, 2017, p. 373) as “Despesas de Capital sãoas 
despesas que contribuem, diretamente, para a formação ou aquisição de um bem 
de capital”.
Reserva de Contingência
Neste item do Balanço Orçamentário são evidenciados os valores da Reserva 
de Contingência, esta que é a destinação de parte das receitas orçamentárias 
para o atendimento de passivos contingentes e outros riscos, bem como eventos 
fiscais imprevistos, inclusive para a abertura de créditos adicionais.
Reserva do RPPS
A Reserva do RPPS é o item que mostra os valores da destinação de parte 
das receitas orçamentárias do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) para 
o pagamento de aposentadorias e pensões futuras.
53
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
Amortização da Dívida / Refinanciamento
Neste item do Balanço Orçamentário será demonstrado o valor da despesa 
orçamentária decorrente do pagamento ou da transferência de outros ativos para 
a quitação do valor principal da dívida, inclusive os de refinanciamento da dívida.
Superávit
Demonstra a diferença positiva entre as receitas realizadas e as despesas 
empenhadas, se for o caso.
FIGURA 2 – QUADRO DA EXECUÇÃO DOS RESTOS A PAGAR NÃO PROCESSADOS
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
EXECUÇÃO DE RESTOS A PAGAR NÃO PROCESSADOS
Inscritos
Em Exercícios 
Anteriores
(a)
Em 31 de Dezembro 
do Exercício Anterior
(b)
Liquidados
(c)
Pagos
(d)
Cancelados
(e)
Saldo
(f)=(a+b-d-e)
Exercício: 20XX
Despesas Correntes 
 Pessoal e Encargos Sociais 
 Juros e Encargos da Dívida 
 Outras Despesas Correntes
Despesas de Capital 
 Investimentos 
 Inversões Financeiras 
 Amortização da Dívida
TOTAL
FONTE: Brasil (2017)
54
 Contabilidade Pública
O quadro da Execução de Restos a Pagar Não Processados é composto 
pelos seguintes elementos:
Inscritos em Exercícios Anteriores
São os valores de restos a pagar não processados relativos aos exercícios 
anteriores, exceto os relativos ao exercício imediatamente anterior, que não foram 
cancelados porque tiveram seu prazo de validade prorrogado.
Inscritos em 31 de Dezembro do Exercício Anterior
São os valores de restos a pagar não processados relativos ao exercício 
anterior que não foram cancelados porque tiveram seu prazo de validade 
prorrogado.
Liquidados
Compreende o valor dos restos a pagar não processados, liquidados após 
sua inscrição e ainda não pagos.
Pagos
Compreende o valor dos restos a pagar não processados, liquidados após 
sua inscrição e pagos.
Cancelados
Compreende o cancelamento de restos a pagar não processados por 
insuficiência de recursos, pela inscrição indevida ou para atender dispositivo legal.
55
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
FIGURA 3 – QUADRO DA EXECUÇÃO DOS RESTOS A PAGAR PROCESSADOS
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
EXECUÇÃO DE RESTOS A PAGAR NÃO PROCESSADOS E NÃO 
PROCESSADOS LIQUIDADOS
Inscritos
Em Exercícios 
Anteriores
(a)
Em 31 de Dezembro 
do Exercício Anterior
(b)
Pagos
(c)
Cancelados
(d)
Saldo
(e)=(a+b-c-d)
Exercício: 20XX
Despesas Correntes 
 Pessoal e Encargos Sociais 
 Juros e Encargos da Dívida 
 Outras Despesas Correntes
Despesas de Capital 
 Investimentos 
 Inversões Financeiras 
 Amortização da Dívida
TOTAL
FONTE: Brasil (2017)
Por último, tem-se o Quadro da Execução de Restos a Pagar Processados e 
Restos a Pagar Não Processados Liquidados.
Inscritos em Exercícios Anteriores
Neste item são evidenciados os valores de restos a pagar processados 
relativos aos exercícios anteriores, exceto os relativos ao exercício imediatamente 
anterior, que não foram cancelados porque tiveram seu prazo de validade 
prorrogado.
56
 Contabilidade Pública
Inscritos em 31 de dezembro do Exercício Anterior
São os valores de restos a pagar processados relativos ao exercício 
imediatamente anterior que não foram cancelados porque tiveram seu prazo de 
validade prorrogado.
Pagos
Compreende o valor dos restos a pagar processados pagos.
Cancelados
São os cancelamentos dos restos a pagar processados por insuficiência de 
recursos, pela inscrição indevida ou para atender dispositivo legal.
3.2 BALANÇO FINANCEIRO
Neste demonstrativo contábil aplicado ao setor público denominado Balanço 
Financeiro (BF) são evidenciadas as receitas e as despesas orçamentárias, 
bem como os ingressos e os dispêndios extraorçamentários, conjugados com 
os saldos de caixa do exercício anterior e os que se transferem para o início do 
exercício seguinte. Esta demonstração contábil tem sua estrutura reduzida a um 
único quadro, que contém as seguintes segregações:
• A receita orçamentária realizada e a despesa orçamentária executada, 
por fonte/destinação de recurso, discriminando as ordinárias e as 
vinculadas.
• Os recebimentos e os pagamentos extraorçamentários.
• As transferências financeiras recebidas e concedidas, decorrentes ou 
independentes da execução orçamentária, destacando os aportes de 
recursos para o RPPS.
• O saldo em espécie do exercício anterior e para o exercício seguinte.
Esta demonstração contábil permite apurar o resultado financeiro do 
exercício. Esse cálculo pode ser efetuado de dois modos:
1) Saldo em espécie para o exercício seguinte
(-) Saldo em espécie do exercício anterior
(=) Resultado Financeiro do exercício
57
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
2) Receitas Orçamentárias
(+) Transferências Financeiras Recebidas
(+) Recebimentos Extraorçamentários
(-) Receita Orçamentária
(-) Transferências Financeiras Concedidas
(-) Pagamentos Extraorçamentários
(=) Resultado Financeiro do Período
Destaca-se que o resultado financeiro do período não deve ser confundido 
com o déficit ou o superávit do exercício. O Balanço Financeiro tem a seguinte 
estrutura:
FIGURA 4 – BALANÇO FINANCEIRO
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
BALANÇO FINANCEIRO
INGRESSOS
Nota Exercício Anterior
Exercício: 20XX
Exercício Atual
Receita Orçamentária (I) 
 Ordinária 
 Vinculada 
Recursos Vinculados à Educação 
Recursos Vinculados à Saúde 
Recursos Vinculados à Previdência Social — RPPS 
Recursos Vinculados à Previdência Social — RGPS 
Recursos Vinculados à Assistência Social 
(...) 
Outras Destinações de Recursos
 
Transferências Financeiras Recebidas (II) 
Transferências Recebidas para a Execução Orçamentária 
Transferências Recebidas independentes de Execução Orçamentária 
Transferências Recebidas para Aportes de recursos para o RPPS 
Transferências Recebidas para Aportes de recursos para o RGPS
58
 Contabilidade Pública
Recebimentos Extraorçamentários (Ill) 
Inscrição de Restos a Pagar Não Processados 
Inscrição de Restos a Pagar Processados 
Depósitos Restituíveis e Valores Vinculados 
Outros Recebimentos Orçamentários
 
Saldo do Exercício Anterior (lV) 
Caixa e Equivalentes de Caixa 
Depósitos Restituíveis e Valores Vinculados
 
TOTAL (V) = (I + II + III + lV)
DISPÊNDIOS
Nota Exercício Anterior
Exercício: 20XX
Exercício Atual
Despesas Orçamentária (VI) 
 Ordinária 
 Vinculada 
Recursos Vinculados à Educação 
Recursos Vinculados à Saúde 
Recursos Vinculados à Previdência Social — RPPS 
Recursos Vinculados à Previdência Social — RGPS 
Recursos Vinculados à Assistência Social 
(...) 
Outras Destinações de Recursos
 
Transferências Financeiras Recebidas (VII) 
Transferências Recebidas para a Execução Orçamentária 
Transferências Recebidas independentes de Execução Orçamentária 
Transferências Recebidas para Aportes de recursos para o RPPS 
Transferências Recebidas para Aportes de recursos para o RGPS
Pagamentos Extraorçamentários (VIll) 
Pagamentos de Restos a Pagar Não Processados 
Pagamentos de Restos a Pagar Processados 
59
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
Depósitos Restituíveis e Valores Vinculados 
Outros Pagamentos Orçamentários
 
Saldo do Exercício Seguinte (lX) 
Caixa e Equivalentes de Caixa 
Depósitos Restituíveis e Valores Vinculados
 
TOTAL (X) = (VI + VII + VIII + lX)
FONTE: Brasil (2017)Para melhor entender o Balanço Financeiro, veremos o que cada item 
integrante dele define:
Receitas e Despesas Orçamentárias Ordinárias
São as receitas orçamentárias, líquidas das deduções, e despesas 
orçamentárias de livre alocação entre a origem e a aplicação de recursos, para 
atender a quaisquer finalidades.
Receitas e Despesas Orçamentárias Vinculadas
São as receitas orçamentárias, líquidas das deduções, e despesas 
orçamentárias, aquelas cuja a aplicação dos recursos é definida por lei, de acordo 
com sua origem.
Transferências Financeiras Recebidas e Concedidas
São as movimentações de recursos financeiros entre órgãos e entidades da 
administração direta e indireta. Podem ser orçamentárias ou extraorçamentárias. 
Recebimentos Extraorçamentários
São os ingressos não previstos no orçamento, por exemplo, ingressos de 
recursos relativos a consignações em folha de pagamento, fianças, cauções, 
inscrição de restos a pagar, entre outros.
Pagamentos Extraorçamentários
São os valores que condizem aos pagamentos que não precisam se submeter 
ao processo de execução orçamentária, tais quais, obrigações que representaram 
60
 Contabilidade Pública
ingressos extraorçamentários, como devolução de depósitos e os restos a pagar 
inscritos em exercícios anteriores e pagos no exercício.
Saldo do Exercício Anterior e Saldo para o Exercício Seguinte
São os recursos financeiros e o valor das entradas compensatórias no ativo 
e passivo financeiros, que serão demonstradas na linha Depósitos Restituíveis e 
Valores Vinculados.
3.3 BALANÇO PATRIMONIAL
Essa é a demonstração contábil que tem por finalidade evidenciar qualitativa 
e quantitativamente, a situação patrimonial da entidade pública por meio de contas 
representativas do patrimônio público, bem como os atos potenciais, que são 
registrados em contas de compensação (BRASIL, 2017). Com esta demonstração 
contábil é possível fazer análises diversas acerca da situação patrimonial da 
entidade, como sua liquidez e seu endividamento, entre outros.
O Balanço Patrimonial tem sua estrutura composta por:
• Quadro Principal.
• Quadro dos Ativos e Passivos Financeiros e Permanentes.
• Quadro das Contas de Compensação (controle).
• Quadro do Superávit / Déficit Financeiro.
ATIVO
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
BALANÇO PATRIMONIAL
Exercício: 20XX
Nota Exercício AnteriorExercício Atual
Ativo Circulante 
 Caixa e Equivalentes de Caixa 
 Créditos a Curto Prazo 
FIGURA 5 – BALANÇO PATRIMONIAL QUADRO PRINCIPAL
61
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
 Investimentos e Aplicações Temporárias a Curto Prazo 
 Estoques 
 VPD Pagas Antecipadamente 
Total do Ativo Circulante 
Ativo Não Circulante 
 Realizável a Longo Prazo 
 Créditos a Longo Prazo 
 Investimentos Temporários a Longo Prazo 
 Estoques 
 VPD pagas antecipadamente 
 Investimentos 
 Imobilizado 
 Intangível 
Total do Ativo Não Circulante
TOTAI DO ATIVO
 
PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
Passivo Circulante 
 Obrigações Trab., Prey, e Assistenciais a Pagar a Curto Prazo 
 Empréstimos e Financiamentos a Curto Prazo 
 Fornecedores e Contas a Pagar a Curto Prazo 
 Obrigações Fiscais a Curto Prazo 
 Obrigações de Repartições a Outros Entes 
 Provisões a Curto Prazo 
 Demais Obrigações a Curto Prazo 
Total do Passivo Circulante 
Passivo Não Circulante 
 Obrigações Trab., Prey, e Assistenciais a Pagar a Longo Prazo 
 Empréstimos e Financiamentos a Longo Prazo 
 Fornecedores e Contas a Pagar a Longo Prazo 
 Obrigações Fiscais a Longo Prazo 
 Provisões a Longo Prazo 
 Demais Obrigações a Longo Prazo 
 Resultado Diferido 
Total do Passivo Não Circulante
FONTE: Brasil (2017)
62
 Contabilidade Pública
FIGURA 6 – QUADRO DOS ATIVOS E PASSIVOS FINANCEIROS PERMANENTES
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
QUADRO DOS ATIVOS E PASSIVOS FINANCEIROS E PERMANENTES 
(Lei n° 4.320/1964)
Exercício: 20XX
Exercício AnteriorExercício Atual
Ativo (I) 
 Ativo Financeiro 
 Ativo Permanente 
Total do Ativo
Passivo (II) 
 Passivo Financeiro 
 Passivo Permanente 
Total do Passivo 
Saldo Patrimonial (Ill) = (I-II)
FONTE: Brasil (2017)
FIGURA 7 – QUADRO DAS CONTAS DE COMPENSAÇÃO
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
QUADRO DAS CONTAS DE COMPENSAÇÃO 
(Lei n° 4.320/1964)
Exercício: 20XX
Exercício AnteriorExercício Atual
Atos Potenciais Ativos 
 Garantias e Contragarantias recebidas 
 Direítos Conveniados e outros instrumentos congêneres 
 Direitos Contratuais 
 Outros atos potenciais ativos 
Total dos Atos Potenciais Ativos
63
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
FONTE: Brasil (2017)
Atos Potenciais Passivos 
 Garantias e Contragarantias concedidas 
 Obrigações conveniadas e outros instrumentos congêneres 
 Obrigações contratuais 
 Outros atos potenciais passivos 
Total dos Atos Potenciais Passivos
FIGURA 8 – QUADRO DO DÉFICIT / SUPERÁVIT FINANCEIRO
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
QUADRO DO SUPERÁVIT/DÉFICT FINANCEIRO 
(Lei n° 4.320/1964)
Exercício: 20XX
Exercício AnteriorExercício Atual
FONTES DE RECURSOS
 
<Código da fonte> <Descrição da fonte> 
<Código da fonte> <Descrição da fonte> 
<Código da fonte> <Descrição da fonte> 
(...) (...) 
Total dos Fontes de Recursos
FONTE: Brasil (2017)
Apresentados os quadros que compõem o Balanço Patrimonial do setor 
público, agora veremos as definições dos itens que compõem esses quadros.
Ativo Circulante
São os valores de ativos que compreendam um dos dois seguintes critérios: 
estarem disponíveis para realização imediata, ou terem expectativa de realização 
até doze meses da data das demonstrações contábeis.
Caixa e Equivalentes de Caixa
São valores integrantes do ativo circulante, este item compreende o somatório 
64
 Contabilidade Pública
dos valores em caixa e em bancos, bem como equivalentes, que representam 
recursos com livre movimentação para aplicação nas operações da entidade e 
para os quais não haja restrições para uso imediato. 
Créditos a Curto Prazo
São valores integrantes do ativo circulante, compreendem os valores a 
receber por fornecimento de bens, serviços, créditos tributários, dívida ativa, 
transferências e empréstimos e financiamentos concedidos realizáveis até doze 
meses da data das demonstrações contábeis.
Investimentos e Aplicações Temporárias a Curto Prazo
São valores integrantes do ativo circulante que compreendem as aplicações 
de recursos em títulos e valores mobiliários, não destinadas à negociação e que 
não façam parte das atividades operacionais da entidade, resgatáveis no curto 
prazo, além das aplicações temporárias em metais preciosos.
Estoques
São valores integrantes do ativo circulante que compreendem os valores dos 
bens adquiridos, produzidos ou em processo de elaboração pela entidade com o 
objetivo de venda ou utilização própria no curso normal das atividades.
Variações Patrimoniais Diminutivas (VPD) Pagas Antecipadamente
São valores integrantes do ativo circulante que compreendem pagamentos 
de variações patrimoniais diminutivas (VPD) de forma antecipada, cujos benefícios 
ou prestação de serviço à entidade ocorrerão no futuro.
Ativo Não Circulante
O ativo não circulante são os ativos que serão realizados após doze meses 
da data das demonstrações contábeis. 
Realizável a Longo Prazo
São valores integrantes do ativo não circulante que compreendem os bens, 
os direitos e as despesas (VPD) antecipadas realizáveis no longo prazo.
Investimentos
São valores integrantes do ativo não circulante que compreendem as 
65
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
participações permanentes em outras sociedades, bem como os bens e os 
direitos não classificáveis no ativo circulante nem no ativo realizável a longo prazo 
e que não se destinem à manutenção da atividade da entidade.
Imobilizado
São valores integrantes do ativo não circulante que compreendem os direitos 
que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades 
da entidadeou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de 
operações que transfiram a ela os benefícios, os riscos e o controle desses bens.
Intangível
São valores integrantes do ativo não circulante que compreendem os direitos 
que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da entidade 
ou exercidos com essa finalidade.
Passivo Circulante
São os valores que são exigíveis até doze meses da data das demonstrações 
contábeis. Estes valores, para serem considerados passivos, as obrigações são 
estimadas e devem obedecer a algum dos seguintes critérios: ter prazos estabelecidos 
ou esperados dentro do ciclo operacional da entidade, ser primariamente para 
negociação, ter prazos estabelecidos ou esperados no curto prazo, devem ser valores 
de terceiros ou retenções em nome deles, quando a entidade do setor público for fiel 
depositária, independentemente do prazo de exigibilidade.
Obrigações Trabalhistas, Previdenciárias e Assistenciais a Pagar a 
Curto Prazo
São os valores referentes a salários ou remunerações, bem como benefícios 
aos quais o empregado ou servidor tenha direito, aposentadorias, reformas, 
pensões e encargos a pagar, benefícios assistenciais, inclusive os precatórios 
decorrentes dessas obrigações, com vencimento no curto prazo.
Empréstimos e Financiamentos a Curto Prazo
São valores de obrigações financeiras externas e internas da entidade a 
título de empréstimos, bem como as aquisições efetuadas diretamente com o 
fornecedor, com vencimentos no curto prazo.
Fornecedores e Contas a Pagar a Curto Prazo
São valores das obrigações com fornecedores de matérias-primas, 
66
 Contabilidade Pública
mercadorias e outros materiais utilizados nas atividades da entidade, bem 
como as obrigações decorrentes do fornecimento de utilidades e da prestação 
de serviços, tais como de energia elétrica, água, telefone, propaganda, aluguéis 
e todas as outras contas a pagar, inclusive os precatórios decorrentes dessas 
obrigações, com vencimento no curto prazo.
Obrigações Fiscais a Curto Prazo
São aquelas obrigações que a entidade pública tem com o governo relativas 
a impostos, taxas e contribuições com vencimento no curto prazo (até doze meses 
após a elaboração da demonstração contábil).
Obrigações de Repartições a Outros Entes
São as obrigações de impostos e outras receitas a serem repartidos aos 
estados, Distrito Federal e municípios.
Provisões a Curto Prazo
São as obrigações de prazo ou de valor incertos, com probabilidade de 
ocorrerem no curto prazo.
Demais Obrigações a Curto Prazo
São as obrigações da entidade junto a terceiros não inclusas nos subgrupos 
anteriores, com vencimento no curto prazo.
Passivo Não Circulante
São as obrigações que serão pagas após doze meses da data das 
demonstrações contábeis. 
Obrigações Trabalhistas, Previdenciárias e Assistenciais a Pagar a 
Longo Prazo
São as obrigações com salários ou remunerações, bem como benefícios aos 
quais o empregado ou servidor tenha direito, aposentadorias, reformas, pensões 
e encargos a pagar, benefícios assistenciais, inclusive os precatórios decorrentes 
dessas obrigações, com vencimento no longo prazo.
Empréstimos e Financiamentos a Longo Prazo
São as obrigações financeiras da entidade a título de empréstimos, bem 
67
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
como as aquisições efetuadas diretamente com o fornecedor, com vencimentos 
no longo prazo.
Fornecedores e Contas a Pagar a Longo Prazo
São as obrigações com fornecedores de matérias-primas, mercadorias e 
outros materiais utilizados nas atividades operacionais da entidade, inclusive os 
precatórios decorrentes dessas obrigações, com vencimento no longo prazo.
Obrigações Fiscais a Longo Prazo
São as obrigações das entidades com o governo relativas a impostos, taxas 
e contribuições com vencimento no longo prazo.
Provisões a Longo Prazo
São aqueles passivos de prazo ou de valor incertos, com probabilidade de 
ocorrerem no longo prazo.
Demais Obrigações a Longo Prazo
São as obrigações da entidade junto a terceiros que não se enquadram nas 
definições anteriores.
Resultado Diferido
São os valores de variações patrimoniais aumentativas já recebidas que 
efetivamente devem ser reconhecidas em resultados em anos futuros e que não 
haja qualquer tipo de obrigação de devolução por parte da entidade. 
Patrimônio Líquido
São os valores residuais dos ativos depois de deduzidos todos os passivos.
Patrimônio Social e Capital Social
São os valores do patrimônio social das autarquias, fundações e fundos e o 
capital social das demais entidades da administração indireta.
Adiantamento para Futuro Aumento de Capital
São valores de recursos recebidos pela entidade de seus acionistas ou 
68
 Contabilidade Pública
quotistas destinados a serem utilizados para aumento de capital, quando não haja 
a possibilidade de devolução destes recursos. 
Reservas de Capital
São valores somados ao patrimônio que não transitaram pelo resultado como 
variações patrimoniais aumentativas (VPA).
Ajustes de Avaliação Patrimonial
São os valores das contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor 
atribuídos a elementos do ativo e do passivo em decorrência da sua avaliação 
a valor justo, nos casos previstos pela Lei nº 6.404/76 ou em normas expedidas 
pela comissão de valores mobiliários, enquanto não computadas no resultado do 
exercício em obediência ao regime de competência.
Reservas de Lucros
São os valores de reservas constituídas com parcelas do lucro líquido das 
entidades para finalidades específicas.
Demais Reservas
São os valores de demais reservas que não são classificadas como reservas 
de capital ou de lucro, inclusive aquelas que terão seus saldos realizados por 
terem sido extintas pela legislação.
Resultados Acumulados
São aqueles valores remanescentes dos lucros ou prejuízos líquidos 
das empresas e os superávits ou déficits acumulados da administração direta, 
autarquias, fundações e fundos.
Ações / Cotas em Tesouraria
São as ações ou as cotas da entidade que foram adquiridas pela própria 
entidade.
Contas de Compensação
São aqueles valores de contas representativas dos atos potenciais ativos e 
passivos.
69
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
Atos Potenciais
Os atos a executar que podem alterar o patrimônio, imediata ou indiretamente, 
por exemplo: direitos e obrigações conveniadas ou contratadas; responsabilidade 
por valores, títulos e bens de terceiros; garantias e contragarantias recebidas 
e concedidas. A definição é orientada pelo fluxo de caixa a ser envolvido na 
execução futura do ato potencial.
Atos Potenciais Ativos
São os atos a executar que podem vir a afetar positivamente o patrimônio, 
imediata ou indiretamente.
Atos Potenciais Passivos
São aqueles que afetam negativamente o patrimônio, imediata ou 
indiretamente.
Superávit Financeiro
É a diferença positiva entre o ativo financeiro e o passivo financeiro. 
Déficit Financeiro
É a diferença negativa entre o ativo financeiro e o passivo financeiro.
3.4 DEMONSTRAÇÃO DAS 
VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
Nesta demonstração contábil, a entidade pública demonstrará as 
alterações verificadas no patrimônio, resultantes ou independentes da 
execução orçamentária, e indicará o resultado patrimonial do exercício. É nesta 
demonstração contábil que é apurado o resultado do período, esta demonstração 
contábil é semelhante à Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) aplicado 
nas empresas privadas. O valor apurado nesta demonstração irá compor o 
resultado do exercício no Balanço Patrimonial.
70
 Contabilidade Pública
A Demonstração das Variações Patrimoniais pode ser elaborada de duas 
formas:
I. Modelo Sintético: esse modelo facilita a visualização dos grandes 
grupos de variações patrimoniais que compõem o resultado patrimonial. 
II. Modelo Analítico: esse modelo auxilia o recebimento das contas anuaispor meio do SICONFI para fins de consolidação. 
O Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público 
Brasileiro - SICONFI é uma ferramenta destinada ao recebimento de 
informações contábeis, financeiras e de estatísticas fiscais oriundas 
de um universo que compreende todos os entes federados, ou seja, 
Municípios, Estados, o Distrito Federal e a União.
FIGURA 9 – MODELO SINTÉTICO
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
DEMONSTRAÇÃO DAS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
Exercício: 20XX
Nota Exercício AnteriorExercício Atual
Variações Patrimonials Aumentativas 
 Impostos, Taxas e Contribuições de Melhoria 
 Contribuições 
 Exploração e Venda de Bens, Serviços e Direitos 
 Variações Patrimonias Aumentativas Financeiras 
 Transferências e Delegações Recebidas 
 Valorização e Ganhos com Ativos e
Desincorporação de Passivos 
 Outras variações Patrimoniais Aumentativas 
Total dos Variações Patrimonio is Aumentativas (I) 
71
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
Variações Patrimonials Diminutivas 
 Pessoal e Encargos 
 Benefícios Previdenciários e Assistenciais 
 Uso de Bens, Serviços e Consumo de Capital Fixo
 Variações Patrimoniais Diminutivas Financeiras 
 Transferências e Delegações Concedidas 
 DesvaIorização e Perdas de Ativos e Incorporação 
de Passivos 
 Tributárias 
 Custo das Mercadorias e Produtos Vendidos, e dos 
Serviços Prestados 
 Outras Variações Patrimoniais Diminutivas 
Total dos Variações Potrimoniais Diminutivas (II) 
RESULTADO PATRIMONIAL DO PERÍODO (III) = (I-II)
FONTE: Brasil (2017)
FIGURA 10 – MODELO ANALÍTICO
Exercício: 20XX
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
DEMONSTRAÇÃO DAS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS
Nota Exercício AnteriorExercício AtualVARIAÇÕES PATRIMONIALS 
AUMENTATIVAS
Impostos, Taxas e Contribuições de Melhoria 
 Impostos 
 Taxas 
 Contribuições de Melhoria 
Contribuições
 Contribuições Sociais 
 Contribuições de intervenção no Domínio 
Econômico 
 Contribuição de iluminação PúbIica 
 Contribuições de Interesse das Categorias 
Profissionais
72
 Contabilidade Pública
ExpIoração e Venda de Bens, Serviços e Direitos 
 Vendas de Mercadorias 
 Vendas de Produtos 
 Exploração de Bens, Direitos e Prestação de Serviços
Variações Patrimoniais Aumentativas Financeiras 
 Juros e Encargos de Emprestimos e
Financiamentos Concedidos 
 Juros e Encargos de Mora 
 Variações Monetárias e Cambiais 
 Descontos Financeiros Obtidos 
 Remuneração de Depósitos Bancários e
Aplicações Financeiras
 Outras Variações Patrimoniais Aumentativas - 
Financeiras 
Transferências e Delegações Recebidas 
 Transferências Intragovernamentais 
 Transferências Intergovernamentais 
 Transferências das instituições Privadas 
 Transferências das instituições Multigovernamentais 
 Transferências de Consórcios Públicos 
 Transferências do Exterior 
 Execução Orçamentária Delegada de Entes 
 Transferências de Pessoas Físicas 
 Outras Transferências e Delegações Recebidas 
Valorização e Ganhos com Ativos e Desincorporação de Passivos 
 Reavaliação de Ativos 
 Ganhos com Alienação 
 Ganhos com incorporação de Ativos 
 Desincorporação de Passivos 
 Reversão de Redução ao Valor Recuperável
Outras variações Patrimonlais Aumentativas 
 VPA a classificar 
 Resultado Positivo de Participações 
 Reversão de Provsões e Ajustes para Perdas 
 Diversas Variações Patrimoniais Aumentativas
 
Total dos variações Patrimoniais Aumentativas (I) 
73
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
VARIAÇÕES PATRIMONIAIS DIMINUTIVAS
 
Pessoal e Encargos 
 Remuneração a Pessoal 
 Encargos Patronais 
 Benefícios a Pessoal
 Outras variações Patrimoniais Diminutivas - Pessoal e Encargos 
Benefícios Previdenciários e Assistenciais 
 Aposentadorias e Reformas 
 Pensões 
 Benefícios de Prestação Continuada 
 Benefícios Eventuais 
 Políticas Públicas de Transferencia de Renda 
 Outros Benefícios Previdenciários e Assistenciais 
Uso de Bens, Serviços e Consumo de Capital Fixo 
 Uso de Material de Consumo 
 Serviços 
 Depreciação, Amortização e Exaustão
 
Variações Patrimoniais Diminutivas Financeiras 
 Juros e Encargos de Empréstimos e Financiamentos Obtidos 
 Juros e Encargos de Mora 
 Variações Monetárias e Cambiais 
 Descontos Financeiros concedidos 
 Outras Variações Patrimoniats Diminutivas - Financeiras 
Transferências e Delegações Concedidas 
 Transferências Intragovernamentais 
 Transferências Intergovernamentais 
 Transferências a instituições Privadas 
 Transferências a instituições Multigovernamentais 
 Transferências a Consórcios Públicos 
 Transferências ao Exterior 
 Execução Orçamentária Delegada de Entes 
 Outras Transferências e Delegações Concedidas
DesvaIorizaço e Perdas de Ativos e lncorporação de Passivos 
 Redução a Valor Recuperável e Ajuste para Perdas 
 Perdas com Alienação 
 Perdas involuntárias 
 Incorporação de Passivos 
74
 Contabilidade Pública
 Desincorporação de Ativos
Tributárias 
 Impostos, Taxas e Contribuições de Melhoria 
 Contribuições 
Custo das Mercadorias e Produtos Vendidos, e dos Serviços Prestados 
 Custos das Mercadorias Vendidas 
 Custos dos Produtos Vendidos 
 Custos dos Serviços Prestados 
Outras Variações Patrimoniais Diminutivas
 Premiações 
 Resultado Negativo de Participações 
 Incentivos 
 Subvenções Econômicas 
 Participações e Contribuições 
 Constituição de Provisões 
 Diversas Variações Patrimoniais Diminutivas
 
Total das variações Patrimoniais Diminutivas (II)
 
RESULTADO PATRIMONIAL DO PERÍODO (III) = (I-II)
FONTE: Brasil (2017)
Na Demonstração das Variações Patrimoniais temos as variações 
patrimoniais aumentativas e diminutivas, que irão compor o resultado financeiro 
da entidade pública.
I. VARIAÇÕES PATRIMONIAIS AUMENTATIVAS
São aquelas movimentações que aumentam as disponibilidades do órgão 
público. São eles, de acordo com o MCASP (BRASIL, 2017): 
Impostos, Taxas e Contribuições de Melhoria
Compreendem toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo 
valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em 
lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.
75
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
Contribuições
Compreende as contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico 
e de iluminação pública.
Exploração e Venda de Bens, Serviços e Direitos
Compreende as variações patrimoniais auferidas com a venda de 
bens, serviços e direitos, que resultem em aumento do patrimônio líquido, 
independentemente de ingresso, incluindo-se a venda bruta e deduzindo-se as 
devoluções, os abatimentos e os descontos comerciais concedidos.
Variações Patrimoniais Aumentativas Financeiras
São os descontos obtidos, juros auferidos, prêmio de resgate de títulos e 
debêntures, entre outros.
Transferências e Delegações Recebidas
São as transferências intergovernamentais, transferências intragovernamentais, 
transferências de instituições multigovernamentais, transferências de instituições 
privadas com ou sem fins lucrativos, transferências de convênios e transferências 
do exterior.
Valorização e Ganhos com Ativos e Desincorporação de Passivos
São valores de reavaliação e ganhos de ativos ou com a desincorporação de 
passivos.
Outras Variações Patrimoniais Aumentativas
Compreende o somatório das demais variações patrimoniais aumentativas 
não incluídas nos grupos anteriores, tais como: resultado positivo da equivalência 
patrimonial, dividendos etc.
II.VARIAÇÕES PATRIMONIAIS DIMINUTIVAS
São aquelas movimentações que diminuem as disponibilidades do órgão 
público. São elas, de acordo com o MCASP (BRASIL, 2017): 
Pessoal e Encargos
Remuneração do pessoal ativo civil ou militar, vencimentos, saldos e 
76
 Contabilidade Pública
vantagens pecuniárias fixas ou variáveis estabelecidas em lei decorrentes do 
pagamento pelo efetivo exercício do cargo, emprego ou função de confiança 
no setor público, contratos de terceirização de mãode obra que se refiram à 
substituição de servidores e empregados públicos, obrigações trabalhistas de 
responsabilidade do empregador, incidentes sobre a folha de pagamento dos 
órgãos e demais entidades do setor público, contribuições a entidades fechadas 
de previdência e benefícios eventuais a pessoal civil e militar, destacados os 
custos de pessoal e encargos inerentes às mercadorias e produtos vendidos e 
serviços prestados.
Benefícios Previdenciários e Assistenciais
Aposentadorias, pensões, reformas, reserva remunerada e outros benefícios 
previdenciários de caráter contributivo, do Regime Próprio da Previdência Social 
(RPPS) e do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), ações de assistência 
social, que são políticas de seguridade social não contributiva, visando ao 
enfrentamento da pobreza, à garantia dos mínimos sociais, ao provimento de 
condições para atender às contingências sociais e à universalização dos direitos 
sociais.
Uso de Bens, Serviços e Consumo de Capital Fixo
São valores com manutenção e operação da máquina pública, exceto 
despesas com pessoal e encargos que serão registradas em grupo específico 
(Despesas de Pessoal e Encargos), compreende: diárias, material de consumo, 
depreciação, amortização etc.
Variações Patrimoniais Diminutivas Financeiras
São valores de juros incorridos, descontos concedidos, comissões, despesas 
bancárias e correções monetárias.
Transferências e Delegações Concedidas
Valores de transferências intergovernamentais, transferências 
intragovernamentais, transferências a instituições multigovernamentais, 
transferências a instituições privadas com ou sem fins lucrativos, transferências a 
convênios e transferências ao exterior.
Desvalorização e Perda de Ativos e Incorporação de Passivos
São a desvalorização e perdas de ativos, com redução a valor recuperável, 
perdas com alienação e perdas involuntárias ou com a incorporação de passivos.
77
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
Tributárias
Impostos, taxas, contribuições de melhoria, contribuições sociais, 
contribuições econômicas e contribuições especiais.
Custo das Mercadorias e Produtos Vendidos e dos Serviços Prestados
Compreende as variações patrimoniais diminutivas relativas aos custos das 
mercadorias vendidas, dos produtos vendidos e dos serviços prestados.
Outras Variações Patrimoniais Diminutivas
Compreende o somatório das variações patrimoniais diminutivas não 
incluídas nos grupos anteriores, tais como premiações, incentivos, equalizações 
de preços e taxas, participações e contribuições, resultado negativo com 
participações, entre outros.
3.5 DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS
DE CAIXA
Essa demonstração contábil aplicada ao setor público tem por função 
demonstrar as saídas e as entradas de caixa e as classificar em fluxos de caixa 
operacional, fluxos de caixa de investimento e fluxos de caixa de financiamento. 
Conforme o MCASP (BRASIL, 2017), a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) 
identificará as fontes que geram os fluxos de entrada de caixa, os itens de 
consumo de caixa e o saldo de caixa na data de elaboração.
Além do mais, a DFC permite ao gestor público analisar a entidade pública 
sob a perspectiva de capacidade de geração de fluxo de caixa e da utilização dos 
recursos próprios e de terceiros. Permite comparação do caixa com o resultado 
do período e com o passivo, desta forma, podendo identificar a quantidade de 
recursos utilizados para pagamento de dívidas, para investimentos e para 
atividades operacionais do setor público. 
A DFC pode ser elaborada de duas formas distintas, pelo método direto e 
método indireto, porém, as entidades públicas devem elaborá-las pelo método 
direto. A DFC é composta pelos seguintes quadros: 
• Quadro Principal.
• Quadro de Receitas Derivadas e Originárias.
78
 Contabilidade Pública
• Quadro de Transferências Recebidas e Concedidas.
• Quadro de Desembolsos de Pessoal e Demais Despesas por Função.
• Quadro de Juros e Encargos da Dívida.
FIGURA 11 – QUADRO PRINCIPAL
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA
Nota Exercício AnteriorExercício AtualFLUXOS DE CAIXA DAS 
ATIVIDADES OPERACIONAIS
Exercício: 20XX
Ingressos 
 Receitas derivadas e originárias 
 Transferências correntes recebidas 
Desembolsos 
 Pessoal e demais despesas 
 Juros e encargos da dívida 
 Transferências concedidas 
Fluxo de caixa líquido das atividades operacionais (I) 
FLUXOS DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTO 
Ingressos 
 AIienaço de bens 
 Amortizaçao de empréstimos e financiamentos concedidos 
Desembolsos 
Aquisição de ativo nšo circulante 
Concessão de empréstimos e financiamentos 
Outros desembolsos de investimentos
 
Fluxo de caixa líquido dos atividades de investimento (II)
 
FLUXOS DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO
 
79
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
Ingressos 
 Operações de crédito 
 Integralização do capital social de empresas dependentes 
 Transferências de capital recebidas 
 Outros ingressos de financiamento
Desembolsos 
 Amortização /Refinanciamento da dívida 
 Outros desembolsos de financiamentos 
Fluxo de caixa líquido dos atividades de financiamento (Ill)
FONTE: Brasil (2017)
FIGURA 12 – QUADRO DE RECEITAS DERIVADAS E ORIGINÁRIAS
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
QUADRO DE RECEITAS DERIVADAS E ORIGINÁRIAS
Exercício AnteriorExercício AtualRECEITAS DERIVADAS E 
ORIGINÁRIAS
Exercício: 20XX
Receita Tributária 
Receita de Contribuições 
Receita Patrimonial 
Receita Agropecuária 
Receita Industrial 
Receita de Serviços 
Remuneração das Disponibilidades 
Outras Receitas Derivadas e Originárias
 
Total das Receitas Derivadas e Originárias
FONTE: Brasil (2017)
80
 Contabilidade Pública
FIGURA 13 – QUADRO DE TRANSFERÊNCIAS RECEBIDAS E CONCEDIDAS
FONTE: Brasil (2017)
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
QUADRO DE TRANSFERÊNCIAS RECEBIDAS E CONCEDIDAS
Exercício AnteriorExercício AtualTRANSFERÊNCIAS 
CORRENTES RECEBIDAS
Exercício: 20XX
Intergovernamentais 
 da União 
 de Estados e Distrito Federal 
 de Municípios 
Intragovernamentals 
Outras transferências correntes recebidas 
Total das Transferências Correntes Recebidas 
TRANSFERNCIAS CONCEDIDAS 
Intergovernamentais 
 a União 
 a Estados e Distrito Federal 
 a Municípios
Intragovernamentals 
Outras transferências correntes recebidas 
Total das Transferências Concedidas
81
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
FIGURA 14 – QUADRO DE DESEMBOLSOS DE PESSOAL E DEMAIS
DESPESAS POR FUNÇÃO
FONTE: Brasil (2017)
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
QUADRO DE DESEMBOLSOS DE PESSOAL E DEMAIS
DESPESAS POR FUNÇÃO
Exercício AnteriorExercício Atual
Exercício: 20XX
Legislativa 
Judiciária 
Essencial à Justiça 
Administração 
Defesa Nacional 
Segurança Pública 
Relações Exteriores 
Assistência Social 
Previdência Social 
Saúde 
Trabalho 
Educação 
Cultura 
Direitos da Cidadania 
Urbanismo 
Habitação 
Saneamento 
Gestão Ambiental 
Ciência e Tecnologia 
Agricultura 
Organização Agrária 
Indústria 
Comércio e Serviços 
Comunicações 
Energia 
Transporte 
Desporto e Lazer 
Encargos Especiais
 
Total dos Desembolsos de Pessoal e Demais
Despesas por Função
82
 Contabilidade Pública
FIGURA 15 – QUADRO DE JUROS E ENCARGOS DA DÍVIDA
FONTE: Brasil (2017)
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
QUADRO DE JUROS E ENCARGOS DA DÍVIDA
Exercício AnteriorExercício Atual
Exercício: 20XX
Juros e Correção Monetária da Dívida Interna
Juros e Correção Monetária da Dívida Externa 
Total dos Juros e Encargos da Dívida
O quadro principal é composto pelos Fluxos de Caixa com Atividades 
Operacionais, de Financiamentos e Investimentos. 
• Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais 
Ingressos das Operações
São as receitas relativas às atividades operacionais líquidas das respectivas 
deduções e as transferências correntes recebidas.
Desembolsos das Operações
São as despesas relativas às atividades operacionais, demonstrando-seos 
desembolsos de pessoal, os juros e os encargos sobre a dívida, as transferências 
concedidas e demais desembolsos das operações.
• Fluxo de Caixa das Atividades de Investimento
Ingressos de Investimento
São as despesas referentes à aquisição de ativos não circulantes e as 
concessões de empréstimos e financiamentos.
• Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamento
83
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
Ingressos de Financiamento
São as obtenções de empréstimos, financiamentos e demais operações 
de crédito, inclusive o refinanciamento da dívida. Compreendem também a 
integralização do capital social de empresas dependentes.
Desembolsos de Financiamento
São as despesas com amortização e refinanciamento da dívida.
Receitas Derivadas
São valores de imposição constitucional ou legal e, por exemplo, as receitas 
tributárias e as de contribuições especiais.
Receitas Originárias
São as receitas arrecadadas por meio da exploração de atividades 
econômicas, tais como de rendas do patrimônio mobiliário e imobiliário do Estado 
(receita de aluguel), de preços públicos, de prestação de serviços comerciais e de 
venda de produtos industriais ou agropecuários.
Transferências Intergovernamentais
São as transferências de recursos entre entes da Federação distintos.
Transferências Intragovernamentais
São as transferências de recursos no âmbito de um mesmo ente da 
Federação.
3.6 DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES 
DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO
A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) tem por 
finalidade demonstrar a evolução do patrimônio da entidade pública. Essas 
mutações podem ser, segundo o MCASP (BRASIL, 2017):
• os ajustes de exercícios anteriores;
84
 Contabilidade Pública
• as transações de capital com os sócios, por exemplo: o aumento de 
capital, a aquisição ou venda de ações em tesouraria e os juros sobre 
capital próprio;
• o superávit ou déficit patrimonial;
• a destinação do resultado, por exemplo: transferências para reservas e a 
distribuição de dividendos; 
• outras mutações do patrimônio líquido.
A DMPL é obrigatória apenas para as empresas estatais dependentes, desde 
que constituídas sob a forma de sociedades anônimas (S/A), e facultativa para 
os demais órgãos e entidades dos entes da Federação. Diferente das demais 
demonstrações, a DMPL é constituída apenas por seu quadro principal, não 
existindo outros quadros adicionais. 
FIGURA 16 – DEMONSTRAÇÃO DAS VARIAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO
FONTE: Brasil (2017)
<ENTE DA FEDERAÇÃO> 
DEMONSTRAÇÃO DAS VARIAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Exercício: 20XX
Pat.Social/
Capital 
Social
Adiant. 
para Futuro 
Aumento 
de Capital 
(AFAC)
Reserva 
de 
Capital
Ajustes de 
Avaliação 
Patrimonial
Reservar 
de Lucro
Demais 
Reservas
Resultados 
Acumulados
Ações/
Cotas em 
Tesouraria
Total
ESPECIFICAÇÃO
Saldos iniciais 
Ajustes de exercícios anteriores 
Aumento de capital 
Resgate/Reemissão de Ações e Cotas 
Juros sobre capital próprio 
Resultado do exercício 
Ajustes de avaliação patrimonial 
Constituição/Reversão de reservas 
Dividendos a distribuição (R$ ... por ação) 
Saldos finais
Compõem a DMPL os seguintes itens, conforme o Manual de Contabilidade 
Pública Aplicada ao Setor Público (BRASIL, 2017): 
85
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
Patrimônio Social / Capital Social
É o patrimônio social das autarquias, fundações e fundos e o capital social 
das demais entidades da administração indireta.
Adiantamento para Futuro Aumento de Capital
São os recursos recebidos pela entidade de seus acionistas ou quotistas 
destinados a serem utilizados para aumento de capital, quando não haja a 
possibilidade de devolução destes recursos.
Reservas de Capital
São os valores acrescidos ao patrimônio que não transitaram pelo resultado 
como variações patrimoniais aumentativas (VPA).
Ajustes de Avaliação Patrimonial
São as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuídos a 
elementos do ativo e do passivo em decorrência da sua avaliação a valor justo.
Reservas de Lucros
São as reservas constituídas com parcelas do lucro líquido das entidades 
para finalidades específicas.
Demais Reservas
São as demais reservas que não podem ser classificadas como reservas de 
capital ou de lucro, inclusive aquelas que terão seus saldos realizados por terem 
sido extintas pela legislação.
Resultados Acumulados
É o saldo remanescente dos lucros ou prejuízos líquidos das empresas e os 
superávits ou déficits acumulados da administração direta, autarquias, fundações 
e fundos.
Ações / Cotas em Tesouraria
São os valores das ações ou cotas da entidade que foram adquiridas pela 
própria entidade.
86
 Contabilidade Pública
3.7 NOTAS EXPLICATIVAS
As notas acompanham todas as demonstrações contábeis quando se 
faz necessário explicar informações que não são passíveis de publicação 
nas demonstrações. Elas têm por finalidade facilitar a compreensão das 
demonstrações contábeis, consideradas parte integrante das demonstrações.
Seu objetivo é facilitar a compreensão das demonstrações contábeis a seus 
diversos usuários. Segundo orientações do MCASP (BRASIL, 2017) elas devem 
ser claras, sintéticas e objetivas.
Mais informações gerais que podem estar presentes são:
I. Jurídica da entidade.
II. Domicílio da entidade.
III. Natureza das operações e principais atividades da entidade. 
IV. Declaração de conformidade com a legislação e com as normas de 
contabilidade aplicáveis.
V. Bases de mensuração utilizadas, por exemplo: custo histórico, valor 
realizável, líquido, valor justo ou valor recuperável.
VI. Novas normas e políticas contábeis alteradas.
VII. Julgamentos pela aplicação das políticas contábeis.
VIII. Passivos contingentes e compromissos contratuais não reconhecidos.
IX. Divulgações não financeiras, tais como: os objetivos e políticas de 
gestão do risco financeiro da entidade; pressupostos das estimativas.
X. Reconhecimento de inconformidades que podem afetar a compreensão 
do usuário sobre o desempenho e o direcionamento das operações da 
entidade no futuro.
XI. Ajustes decorrentes de omissões e erros de registro.
3.8 CONSOLIDAÇÃO DAS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Ao final do período, as entidades públicas devem consolidar as 
demonstrações contábeis. Este é o processo de agregação dos saldos das contas 
de mais de uma entidade. Essa consolidação é feita em cada ente da federação 
ou de forma consolidada nacionalmente. Destaca-se que a consolidação nacional 
é de competência da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e abrange todas as 
entidades incluídas no orçamento fiscal e da seguridade social (OFSS), ou seja, 
União, estados, Distrito Federal, municípios, Executivo, Legislativo, Judiciário, 
além da administração pública direta, indireta, fundos, autarquias e estatais. 
87
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
1 O total de recursos controlados por uma entidade que sejam 
resultado de eventos passados, cujo prazo estimado para a 
realização ultrapasse o término do exercício seguinte, e dos 
quais se espera que resultem benefícios econômicos futuros, é 
classificado como:
 ( ) Capital social.
 ( ) Ativo circulante.
 ( ) Ativo não circulante.
 ( ) Patrimônio líquido.
 ( ) Passivo não circulante.
2 Evidencia, qualitativa e quantitativamente, a situação patrimonial da 
entidade pública por meio de contas representativas do patrimônio 
público, bem como os atos potenciais, que são registrados em 
contas de compensação (natureza de informação de controle). 
Esse conceito está se referindo a qual demonstração contábil 
aplicada ao setor público?
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
3 Compreende o somatório dos valores em caixa e em bancos, 
bem como equivalentes, que representam recursos com livre 
movimentação para aplicação nas operações da entidadee para 
os quais não haja restrições para uso imediato. A que se refere 
essa afirmação? 
 a) ( ) Ativo circulante.
 b) ( ) Ativo não circulante.
 c) ( ) Caixa e equivalente de caixa.
 d) ( ) Passivo não circulante.
 e) ( ) Patrimônio líquido.
4 As contas integrantes do ativo circulante do balanço patrimonial 
aplicado ao setor público compreendem:
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
88
 Contabilidade Pública
5 O ativo realizável a longo prazo, os investimentos, o imobilizado, 
o intangível e eventual saldo a amortizar do ativo diferido são 
evidenciados em qual demonstração contábil aplicada ao setor 
público?
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
6 A previsão da receita e a fixação das despesas, bem como as 
alterações decorrentes dos Créditos Adicionais, são registradas:
 ( ) No sistema financeiro.
 ( ) No sistema patrimonial.
 ( ) No sistema de compensação.
 ( ) No sistema patrimonial ou de compensação, conforme o caso.
 ( ) No sistema orçamentário.
7 (ENADE) Os pressupostos da Teoria da Agência de Jensen e 
Meckling, estão embasados em uma relação contratual, na qual o 
principal encarrega o agente de desenvolver alguma atividade de 
seu interesse, podendo surgir os seguintes conflitos nessa relação: 
i) divergência de objetivos entre principal e agente; ii) dificuldade 
de monitoramento das atividades do agente e iii) divergência de 
posicionamento, entre principal e agente, em relação ao risco 
envolvido no gerenciamento da atividade. Percebe-se que o 
problema de agência se fundamenta, principalmente, na questão 
da informação incompleta (assimétrica), que remete à posse, 
pelo agente de um conjunto privilegiado de informações sobre as 
atividades desenvolvidas no relacionamento com o principal. 
 FONTE: BAIRRAL, M. A. C.; SILVA, A. H. C.; ALVES, F. J. S. 
Transparência no setor público: uma análise dos relatórios 
de gestão anuais de entidades públicas federais no ano de 
2010. Revista de Administração Pública-RAP, v. 49, n. 3, 2015.
Considerando o texto anterior e a sua inter-relação com a avaliação 
de políticas públicas, analise as sentenças a seguir:
I. A criação da Lei de Responsabilidade Fiscal inviabiliza a aplicação 
da teoria da agência na administração pública, pois o cidadão 
(agente) possui informações completas acerca das atividades 
desenvolvidas pelo gestor público (principal), inexistindo conflito 
de agência.
II. Na prestação de contas públicas, a divulgação de informações 
incompletas pelo gestor público (agente) ao cidadão (principal), 
89
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
prejudica o monitoramento de políticas públicas implementadas. 
III. A transparência na divulgação da informação pública serve como 
uma forma de aproximação entre o cidadão (principal) e o gestor 
público (agente), o que facilita a avaliação de políticas públicas.
É correto o que se afirma em:
 ( ) I, apenas.
 ( ) II, apenas.
 ( ) I e III, apenas.
 ( ) II e III, apenas.
 ( ) I, II e III.
LEITURA COMPLEMENTAR 1
Demonstrações contábeis segundo a Lei nº 4.320/64 e alterações posteriores 
à Lei nº 4.320/64 estabelecem as demonstrações e os relatórios contábeis que 
devem ser elaborados pelo setor público, dentre as quais se destacam: o Balanço 
Orçamentário, o Balanço Financeiro, o Balanço Patrimonial e a Demonstração 
das Variações Patrimoniais. 
O Balanço Orçamentário, conforme anexo 12 da Lei nº 4.320/64, objetiva 
demonstrar as receitas e as despesas previstas em confronto com as realizadas, 
ou seja, evidenciar o resultado orçamentário (BRASIL, 1964). Essa demonstração 
também é exigida pela LRF, a qual prevê, no art. 52, que todos os Poderes e o 
Ministério Público devem publicá-lo até 30 dias após o encerramento de cada 
bimestre, contendo receitas por fonte, realizadas e a realizar, bem como a previsão 
atualizada e as despesas por grupo de natureza, discriminando a dotação para o 
exercício, a despesa liquidada e o saldo (BRASIL, 2000).
Segundo Kohama (2006), o Balanço Orçamentário é o instrumento que busca 
demonstrar o cumprimento das determinações e especificações constantes na 
Lei de Orçamento, ou seja, essa demonstração indica o grau de eficiência entre 
o planejamento e a execução orçamentária. Corroborando com essa afirmação, 
para Carvalho e Ceccato (2011), as informações prestadas sobre o orçamento 
público pelo Balanço Orçamentário permitem analisar, por meio de indicadores, o 
desempenho da gestão orçamentária.
O art. 103 da Lei nº 4.320/64 estabelece que o Balanço Financeiro deverá 
demonstrar as receitas e as despesas orçamentárias, bem como os recebimentos 
e os pagamentos de natureza extraorçamentária conjugados com os saldos 
em espécie provenientes do exercício anterior, e os que se transferem para o 
90
 Contabilidade Pública
exercício seguinte. O parágrafo único deste artigo ressalta que os restos a pagar 
do exercício serão computados na receita extraorçamentária para compensar sua 
inclusão na despesa orçamentária (BRASIL, 1964). O anexo 13 da Lei nº 4.320/64 
retrata que, por meio do Balanço Financeiro, os entes públicos evidenciam as 
despesas por função, em confronto com as receitas arrecadadas, apurando as 
disponibilidades para o período seguinte e o resultado financeiro do exercício 
(BRASIL, 1964). Em resumo, essa demonstração permite verificar os fluxos 
financeiros, tornando-se relevante para o planejamento dos dispêndios do setor 
público.
A LRF, no seu art. 55, trata do conteúdo do Relatório de Gestão Fiscal a ser 
entregue até 30 dias após o encerramento de cada quadrimestre, estabelecendo 
que no último quadrimestre deve ser elaborado o demonstrativo da disponibilidade 
de caixa com data-base de 31 de dezembro, na qual essas disponibilidades 
serão apresentadas, separando-se as receitas vinculadas das não vinculadas 
(BRASIL, 2000). Esse relatório tem como finalidade evidenciar se o ente público 
possui caixa suficiente para arcar com os compromissos assumidos no exercício 
corrente e que só serão pagos no exercício seguinte. A Demonstração das 
Variações Patrimoniais (DVP), definida no art. 104 da Lei nº 4.320/64, pretende 
evidenciar as alterações verificadas no patrimônio, resultantes ou independentes 
da execução orçamentária, indicando o resultado patrimonial. 
O resultado patrimonial do período é apurado pelo confronto entre as 
variações patrimoniais quantitativas aumentativas e diminutivas (NASCIMENTO; 
BOTELHO; LIMA, 2011). O Balanço Patrimonial para as entidades públicas está 
estabelecido pelo art. 105 da Lei nº 4.320/64 e deve demonstrar os ativos e os 
passivos financeiros, os ativos e os passivos permanentes, o saldo patrimonial 
e as contas de compensação (ativo e passivo não financeiro) (BRASIL, 1964). 
A separação do Balanço Patrimonial em itens financeiros e não financeiros 
atribui-lhe um enfoque orçamentário, pois aqueles não dependem da execução 
orçamentária, enquanto que estes dependem. Para Klein (2013), o arcabouço 
conceitual trazido pela Lei nº 4.320/64 carrega um intenso enfoque voltado 
para o controle orçamentário, o que leva a Contabilidade Pública brasileira 
a ser conhecida como uma Contabilidade essencialmente orçamentária. No 
entanto, segundo Soares et al. (2011), atualmente as demonstrações contábeis 
estão passando por um processo de convergência das normas internacionais 
do setor público, visando suprir uma carência existente na elaboração dessas 
demonstrações, que até então tinham utilizado, por analogia, alguns métodos 
utilizados pelo setor privado.
FONTE: JUNIOR, A. E. X.; PAULO, E.;SILVA, J. D. G. da. Estudo sobre a 
capacidade informacional das novas estruturas das demonstrações contábeis 
aplicadas ao setor público. Registro Contábil, v. 5, n. 1, p. 19, 2014.
91
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
LEITURA COMPLEMENTAR 2
O início do estudo da convergência da contabilidade pública no Brasil aos 
padrões internacionais ocorreu logo após a edição da Lei nº 11.638/2007. Essa 
lei contribuiu para padronizar a contabilidade privada brasileira aos padrões 
internacionais, no entanto, cada processo de convergência, seja no setor público 
ou no privado, tem suas particularidades funcionais. Na visão de Zarth (2010), a 
convergência das normas contábeis do setor público aos padrões internacionais 
se deu devido ao processo de harmonização das normas do setor privado. 
Até então, o Brasil não apresentava suas Demonstrações Contábeis do Setor 
Público de acordo com as normas internacionais emitidas pela IFAC (International 
Federation of Accountants). Segundo Niyama (2005), a harmonização pode ser 
considerada como um processo que busca preservar as particularidades inerentes 
a cada país, mas que permita reconciliar os sistemas contábeis com outros países. 
Para Weffort (2005), a harmonização pode ser entendida como um processo por 
meio do qual as diferenças nas práticas contábeis entre os países são diminuídas. 
Após a edição da Lei 11.638/2007, que alterou a Lei 6.404/76, o Conselho Federal 
de Contabilidade (CFC) criou, através da Resolução 1.107/07, o Comitê Gestor 
da Convergência no Brasil, composto por órgãos como o CFC, o Instituto dos 
Auditores Independentes do Brasil (IBRACON), a Comissão de Valores Mobiliários 
(CVM), o Banco Central do Brasil (BACEN), a Superintendência de Seguros 
Privados (SUSEP), a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e o Banco Nacional 
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para desenvolverem ações 
que promovessem a convergência das normas brasileiras de contabilidade aos 
padrões internacionais emitidas pelo próprio CFC, que são as NBC TSP e pelo 
IFAC (International Federation of Accountants), que são as IPSAS (International 
Public Sector Accounting Standards).
Nesse processo, a STN, por meio da Portaria do Ministério da Fazenda 
(MF) 184/2008, recebeu a responsabilidade de identificar as necessidades de 
convergência aos normativos emitidos pelo CFC e pela IFAC (VENDRUSCOLO; 
SALLABERRY, 2011). Assim, a STN, por intermédio desta portaria, ficou 
responsável pela edição de manuais, normativos e instruções sobre os 
procedimentos contábeis e o desenvolvimento de um plano de contas único 
aplicado no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e Municípios. 
De acordo com o MF (2008), a implantação de um Novo Modelo de 
Contabilidade Aplicada ao Setor Público tem como objetivo convergir as práticas 
de contabilidade vigentes aos padrões estabelecidos nas Normas Internacionais 
de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público. Para auxiliar a STN, em 21/11/2008, 
foram aprovadas em plenária do CFC as Normas Brasileiras de Contabilidade 
aplicada ao Setor Público (NBCASP), que são 11 normas, da NBC TSP 16.1 a 
92
 Contabilidade Pública
16.11. A NBC TSP 16.11 que trata das normas de custos foi aprovada em 2011. 
Segundo Azevedo (2009), as primeiras normas de contabilidade aplicadas ao setor 
público vêm trazer profundos impactos, não só na escrituração contábil dos fatos 
contábeis próprios do setor público, mas também trarão reflexos comportamentais 
no cotidiano dos contabilistas.
A STN, observando as NBC TSP emitidas pelo CFC, aprovou através da 
Portaria 467/09, o MCASP (Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público). 
Cabe salientar que esse manual já está em sua 6ª edição, conforme publicação 
no mês de dezembro de 2014. O MCASP, elaborado pela STN, contém uma série 
de capítulos, dentre os quais: (a) os Procedimentos Contábeis Orçamentários; (b) 
Procedimentos Contábeis Patrimoniais; (c) Procedimentos Contábeis Específicos; 
(d) Plano de Contas Aplicado ao Setor Público; e (e) Demonstrações Contábeis 
Aplicadas ao Setor Público, para auxiliar os Entes Federados no processo 
de convergência da contabilidade pública. Dentre esses manuais, o PCASP 
apresentará uma estrutura básica de escrituração contábil, possibilitando assim 
a padronização de procedimentos contábeis, visto que será exigido dos entes 
da Federação a partir de 2015. Para Moura, Lima e Ferreira (2009), um plano 
nacionalmente padronizado gerará bases de dados consistentes, propiciando 
informações contábeis que possam ser compreendidas por todos os usuários. 
Para a STN (2009, p. 11), “os objetivos gerais do PCASP correspondem ao 
estabelecimento de normas e procedimentos para o registro contábil das 
entidades do setor público e a viabilizar a consolidação das contas públicas”.
 
Em 14 de dezembro de 2011, a STN através da Portaria nº 828/2011, 
alterou o prazo para adoção do PCASP e dos demais capítulos que compõem 
o MCASP. O Plano de Contas Aplicado ao Setor Público e às Demonstrações 
Contábeis Aplicadas ao Setor Público deverão ser adotados pelos entes, de 
forma facultativa, a partir de 2012 e, de forma obrigatória, a partir de 2015. Essa 
portaria auxiliará os entes que possuem pouca estrutura na área contábil, como 
as prefeituras de cidades pequenas, pois dará um prazo maior de adaptação às 
novas regras, visto que a adoção dos Procedimentos Contábeis Patrimoniais 
ocorrerá de forma gradual.
FONTE: COSTA, A. de J. B.; NUNES, M. V.; ALMEIDA, A. P. de. A aplicação 
do manual de contabilidade ao setor público em municípios brasileiros: o caso do 
município de Cristópolis no estado da Bahia. Revista de Gestão e Contabilidade 
da UFPI, v. 3, n. 2, 2017.
93
Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 
4 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Nesse capítulo, o aluno pôde conhecer os elementos que compõem o 
orçamento público, as demonstrações contábeis aplicadas ao setor público e 
as diferenças com relação às demonstrações contábeis aplicadas às empresas 
privadas. Conhecer as demonstrações e sua estrutura permite o acompanhamento 
das finanças dos órgãos públicos.
Em um primeiro momento foi apresentado o Balanço Orçamentário, 
que trata da previsão de receitas e fixação de despesas, e também foram 
mostrados os conceitos e os quadros que integram a demonstração. O Balanço 
Financeiro, o Balanço Patrimonial, a Demonstração das Variações Patrimoniais, 
as Demonstrações dos Fluxos de Caixa e, por último, as Demonstrações das 
Variações Patrimoniais.
Nesse capítulo o aluno também teve contato com leituras complementares 
adaptadas de artigos científicos. Essas leituras complementares permitiram ao 
aluno ter contato com a pesquisa científica e melhor compreensão dos conceitos 
apresentados.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público 
(MCASP): exercício 2017. 7. ed. Portaria Conjunta STN/SOF n. 2, de 
22 de dezembro de 2016. 2017. Disponível em: <http://www.tesouro.
fazenda.gov.br/documents/10180/456785/MCASP+7%C2%AA%20
edi%C3%A7%C3%A3o+Vers%C3%A3o+Final.pdf/6e874adb-44d7-490c-8967-
b0acd3923f6d>. Acesso em: 19 jan. 2019.
______. Lei n. 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a 
informações previsto no inciso XXXIII do art. 5o, no inciso II do § 3o do art. 37 
e no § 2o do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei no 8.112, de 11 de 
dezembro de 1990; revoga a Lei no 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos 
da Lei no 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá outras providências. Disponível 
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm>. 
Acesso em: 19 jan. 2019.
94
 Contabilidade Pública
______. Resolução CFC n. 1.128. Aprova a NBC T 16.1 – Conceituação, 
Objeto e Campo de Aplicação. 2008. Disponível em: <https://internet.
sefaz.es.gov.br/contas/contabilidade/orientacaoContabil/arquivos/
normasbrasileirasdecontabilidadeaplicadasaosetorpublicoealteracoes.pdf>. 
Acessoem: 19 jan. 2019.
______. Lei Complementar n. 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas 
de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá 
outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/
LCP/Lcp101.htm>. Acesso em: 1 nov. 2018.
______. Lei n. 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito 
Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, 
dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Disponível em: <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4320.htm>. Acesso em: 20 out. 2018.
COSTA, A. de J. B.; NUNES, M. V.; ALMEIDA, A. P. de. A aplicação do 
manual de contabilidade aplicado ao setor público em municípios brasileiros: 
o caso do município de Cristópolis no estado da Bahia. Revista de Gestão e 
Contabilidade da UFPI, v. 3, n. 2, 2017.
JÚNIOR, A. E. X.; PAULO, E.; SILVA, J. D. G. da. Estudo sobre a capacidade 
informacional das novas estruturas das demonstrações contábeis aplicadas ao 
setor público. Registro Contábil, v. 5, n. 1, p. 19, 2014.
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 4.320-1964?OpenDocument
CAPÍTULO 3
Dívida Pública E Fundos Especiais
A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� O objetivo do capítulo é apresentar os conceitos de Dívida Pública e dos 
Fundos Especiais. 
�	Ao final do capítulo, você deverá saber os conceitos de Dívida Pública e suas 
variações e entender os conceitos de Fundos Especiais e como a administração 
pública atua sobre eles.
96
 Contabilidade Pública
97
Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Neste capítulo serão apresentados os aspectos teóricos e práticos sobre 
a dívida pública, conceitos e alguns indicadores utilizados para demonstrar 
a situação da dívida pública. Há ainda alguns gráficos e análises para que se 
consiga entender os valores apresentados, além dos fundos especiais aplicados 
ao setor público.
Nele serão expostos os conceitos e as leis que asseguram e normatizam 
estes fundos, além de estar à disposição do aluno as leituras complementares, 
com o objetivo de complementar o que foi exposto durante o capítulo. 
Por último, é possível o aluno fazer algumas atividades que têm por objetivo 
fixar o conteúdo e também testar o conhecimento adquirido neste material sobre 
Dívida Pública e Fundos Especiais. 
Bons estudos!
2 DÍVIDA PÚBLICA
Conforme o TCU - Tribunal de Contas da União, a dívida pública pode ser 
conceituada como:
Dívida pública é o conjunto de obrigações financeiras do 
setor público contraídas junto a terceiros para cobrir déficits, 
ou seja, quando as receitas de um determinado ente público 
não são suficientes para arcar com todas as despesas. Em 
outras palavras, a dívida pública representa numericamente 
uma relação na qual figura de um lado um devedor, ente 
público (União, estados, DF ou municípios), e de outro lado 
vários credores, que podem ser bancos, fundos de pensão ou 
mesmo pessoas físicas (TCU, 2018, p. 48).
A dívida pública pode ser classificada de acordo com os instrumentos usados 
para a captação de recursos e pela moeda na qual ocorre o pagamento dos seus 
fluxos. Essa captação de recursos pode ser por emissão de títulos públicos ou 
por contratos firmados com organismos multilaterais. Veremos mais sobre títulos 
públicos e contratos no decorrer do capítulo.
Podemos classificar também a moeda utilizada para realizar os pagamentos 
da dívida, isto é, quando a dívida pública é paga com moeda nacional, denomina-
se dívida pública interna. A dívida externa é aquela quando o seu pagamento é 
feito em moeda estrangeira, geralmente feito com dólar. 
98
 Contabilidade Pública
O Ministério da Fazenda, por intermédio da Secretaria do Tesouro Nacional 
- STN -, é o órgão responsável pela administração da Dívida Pública Federal. 
A administração da Dívida Pública tem por objetivo atuar na gestão da dívida, 
concentrando seus esforços na redução do custo de financiamento, desta forma 
mantendo os níveis de riscos de endividamento da administração pública sob 
controle. 
Existe uma estrutura para que o Tesouro Nacional consiga administrar a 
dívida pública, vejamos:
A Secretaria do Tesouro Nacional é o órgão do Ministério da 
Fazenda responsável pela gestão da Dívida Pública Federal 
(doméstica e externa). Dentre os motivos para a manutenção 
das atribuições de gestão da dívida no Ministério da Fazenda, 
destaca-se a importância de se manter um relacionamento 
estreito com outros entes do governo responsáveis, por 
exemplo, pela execução orçamentária e da política fiscal.
Os diagramas apresentam a estrutura institucional da 
Secretaria do Tesouro Nacional e da Subsecretaria da Dívida 
Pública - SUDIP, responsável pela gestão da Dívida Pública 
Federal:
Internacionalmente, a centralização das funções de 
gerenciamento da dívida pública em uma única entidade 
governamental é considerada uma prática eficiente. Isso porque 
tal concentração, ao permitir uma estratégia coordenada da 
política de endividamento público, independente da forma de 
captação ou da destinação dos recursos, aumenta a eficiência 
do gerenciamento da dívida pública como um todo. Nos países 
onde a responsabilidade pela administração da dívida pública 
é dividida entre diversas instituições, podem-se observar 
inconsistências nos processos e nas estratégias, bem como 
duplicidade de funções. Diversos países têm procurado 
centralizar e aprimorar sua administração de dívida pública, 
constituindo um departamento de gerenciamento de dívida 
que pode estar localizado fora ou dentro da estrutura do 
Ministério da Fazenda. Esse “Departamento de Administração 
da Dívida” preconiza a separação de suas atribuições por 
funções, usualmente distribuídas em três unidades conhecidas 
por back, middle e front offices, dados os diferentes objetivos 
e responsabilidades dos gestores de dívida pública, tal como 
descrito (TESOURO NACIONAL, 2018).
A dívida pública, conforme já visto anteriormente, é consequência da 
superioridade de valores de despesas em relação às receitas arrecadas pelo 
órgão público, ou seja, quando tem-se déficit público. 
Quando o órgão público apresenta déficits públicos, não existem recursos 
suficientes para pagamento das despesas fixadas no orçamento, seja para 
investimentos, seja para manutenção do patrimônio público, precisando, desta 
forma, recorrer à dívida pública.
99
Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 
Os títulos públicos são uma das formas de o órgão público angariar fundos 
para cumprimento de suas obrigações, como a dívida pública. 
Na sugestão de leitura a seguir, será apresentada a chamada sustentabilidade 
da dívida pública.
Uma política macroeconômica keynesiana não objetiva colocar 
a trajetória da dívida pública numa rota de solvência para tão somente 
sinalizar aos investidores de portfólio, externos e domésticos, que o 
Brasil é um país seguro. Isto é tão óbvio quanto pouco. O objetivo é 
muito maior: recuperar a capacidade do governo de realizar políticas 
de gastos fiscais contracíclicas para tornar viável a construção de um 
contexto macroeconômico de crescimento em busca do pleno 
emprego. Considera-se, em uma estratégia dessa natureza, que um 
contexto de crescimento com estabilidade de preços é um robusto 
fundamento (tão ou mais importante que a simples retomada do 
controle sobre as finanças públicas), que transmite segurança e 
estimula decisões domésticas de investimento em capital fixo, assim 
como atrai investimentos diretos do exterior. Portanto, o crescimento 
em busca do pleno emprego é a meta, e um dos instrumentos básicos 
para o seu alcance é a política fiscal de gastos. A sustentabilidade da 
dívida pública é, dessa forma, apenas uma das condições 
necessárias para a viabilização dos objetivos de política, já que 
possibilita a utilização do instrumento de políticafiscal de gastos. 
Logo, a redução de déficits nominais e, consequentemente, a 
redução da relação dívida pública/PIB não são as metas finais. 
Tampouco se aceita a ideia de que basta ter um governo 
permanentemente bem comportado, isto é, que procure, ao mesmo 
tempo, cortar despesas e arrecadar muito, visando um orçamento 
equilibrado, pois, só assim, os agentes econômicos realizarão 
investimentos produtivos e a economia crescerá. Tal hipótese é muito 
forte e representa na prática uma crença cega no crescimento 
econômico meramente espontâneo: a velha crença pré-keynesiana 
de que as forças de mercado, isentas das ameaças de intervenção 
do governo, movem a economia na direção do pleno emprego. Essa 
é a visão daqueles que consideram a sustentabilidade da dívida 
pública como uma das condições necessárias e suficientes para a 
economia crescer, visto que o governo, sob essa condição, mostra 
que pode honrar seus compromissos financeiros (portanto, o setor 
privado tem garantido o retorno de sua aplicação). Além disso, 
100
 Contabilidade Pública
dependendo da estratégia utilizada para manter a sustentabilidade/
redução da dívida, o governo não realizará políticas tributárias 
agressivas contra a sociedade e nem realizará uma política fiscal 
intervencionista de gastos que ocupam o lugar do setor privado (o 
que provocaria o conhecido efeito crowding-out). Cabe ser destacado, 
no entanto, que um governo bem comportado, ou seja, que não pode 
realizar gastos em infraestrutura nem em programas sociais 
abrangentes, tem predominado no Brasil nos últimos anos, dado que 
a trajetória da dívida pública e as decisões da equipe econômica têm 
impedido que o governo tenha um bem estruturado programa de 
gastos. Essa visão “espontaneísta” do crescimento econômico não 
guarda, entretanto, qualquer nexo com a racionalidade dos potenciais 
investidores em ativos de capital. As expectativas empresariais 
devem ser estimuladas para que decisões de investimento em capital 
fixo sejam tomadas. Esse papel é do governo, já que, diante de um 
cenário esperado em que os investimentos produtivos podem ter 
rendimento negativo ou inferior ao rendimento de ativos financeiros, 
os potenciais investidores decidem sempre pela não realização dos 
primeiros em favor da retenção dos últimos. Em outras palavras, 
potenciais investidores possuem um comportamento hedge, 
preferindo a liquidez dos ativos financeiros diante de possibilidades 
muito incertas de lucro. Quando os potenciais investidores agem 
racionalmente fazendo o que é o melhor para si, não necessariamente 
fazem o que é o melhor para a sociedade, ou seja, investir em capital 
fixo e reduzir o desemprego. Quando racionalmente tentam proteger 
suas riquezas na forma líquida, geram desemprego. Quando não 
investem em capital produtivo, o futuro confirma suas expectativas 
negativas. Então, repetem a decisão de não investir - agora 
fortalecidos pela decisão individual acertada que tomaram no 
passado - e assim ampliam o custo social de suas decisões 
individuais. Portanto, um governo dominado pela visão 
“espontaneísta” pode deixar a economia estagnada ou apresentar 
taxas medíocres de crescimento, como fez o governo FHC. Se a 
racionalidade espontânea dos agentes não induz às decisões de 
investimento, o governo deve fazer uso de políticas macroeconômicas 
que necessariamente devem ser contracíclicas, isto é, devem 
estimular as expectativas de lucros empresariais. Essa é exatamente 
a mensagem de Keynes no último capítulo de sua obra mais 
importante, a Teoria geral, para justificar que o pleno emprego não 
poderia ser sustentado somente pela iniciativa privada. Os agentes 
econômicos, que são intrinsecamente hedge numa economia com 
um governo ausente, tendem a transformar uma situação de reduzido 
crescimento em uma situação de estagnação e esta, por sua vez, em 
101
Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 
uma situação de recessão. Este é um jogo de expectativa perverso, 
embora racional, porque é pró-cíclico e causador do desemprego. É 
tarefa de um governo responsável criar um ambiente seguro. Todavia, 
segurança no sentido keynesiano possui um significado mais amplo 
do que aquele atribuído pelos investidores de portfólio e/ou pelas 
conhecidas agências internacionais de ratings. A segurança 
necessária, nessa perspectiva, não é simplesmente aquela referente 
à capacidade do setor público de honrar seus compromissos 
financeiros, mas é também e, principalmente, a constituição de um 
ambiente com menos incertezas para os investimentos em capital 
fixo: é a segurança necessária para reduzir os riscos do investimento 
produtivo. Em um ambiente mais seguro, os potenciais investidores 
poderiam se arriscar em projetos com menor grau de liquidez, pois, 
apesar disso, eles rendem lucro e geram empregos. O governo, ao 
realizar investimentos, estimula a demanda agregada, reduz as 
incertezas de realização de lucros e anima as expectativas do setor 
privado empreendedor. Para tanto, o governo não deve implementar 
projetos que concorram com a livre iniciativa, mas apenas que 
compensem as quedas de gastos privados para sustentar uma 
trajetória de crescimento em busca do pleno emprego. As ações das 
políticas macroeconômicas devem ser complementares, e não 
concorrentes nem substitutas da iniciativa privada. Logo, a 
sustentabilidade da dívida pública é uma condição extremamente 
necessária, porém não é suficiente para a construção de uma 
trajetória sustentável de crescimento com pleno emprego, já que 
possibilita ao governo ter capacidade para realizar gastos. A ação 
das políticas macroeconômicas, em especial da política fiscal, deve 
ser complementar às decisões privadas e deve ser implementada 
quando os investimentos privados são insuficientes. Os gastos 
públicos não devem ser concorrentes nem substitutos da livre 
iniciativa empreendedora. Na visão de Keynes, o governo deveria 
possuir um orçamento muito bem organizado para ter condições de 
implementar uma política fiscal contracíclica. O orçamento deve ser 
organizado em duas partes: uma que contemple as despesas 
correntes e outra que contenha as despesas de capital. A manutenção 
da economia na trajetória de crescimento visando ao pleno emprego 
deveria ser sustentada, principalmente, pelos gastos de capital. Em 
outras palavras, Keynes sugeriu um orçamento voltado para as 
necessidades correntes e outro destinado à estabilização do nível de 
emprego. Além disso, ele recomendou que o primeiro tipo de 
orçamento estivesse equilibrado no longo termo, mas poderia 
apresentar eventualmente déficits ou superávits. O orçamento 
corrente deveria idealmente, portanto, estar ceteris paribus 
102
 Contabilidade Pública
equilibrado; somente em situações excepcionais deveria apresentar 
desequilíbrios. A lição é a seguinte: déficits devem ser evitados, 
porém o mais importante é evitar o desemprego, que pode ser 
atenuado utilizando-se até mesmo do orçamento voltado para 
atender as despesas correntes. Embora Keynes admitisse que o 
orçamento de capital pudesse ser deficitário, muito mais importante 
que a geração de déficits seria o efeito positivo dos gastos públicos. 
O esperado seria que as políticas de gastos fossem bem-sucedidas 
em criar um ambiente seguro para o investimento em capital fixo, 
com renda crescente, visto que isso geraria arrecadação tributária 
suficiente para financiar a política fiscal contracíclica de investimentos 
públicos. Keynes via os déficits orçamentários como necessários em 
função das falhas no objetivo de alcançar uma trajetória estável de 
crescimento com pleno emprego. Assim, tentativas de equilibrar o 
orçamento em uma recessão podem não reduzir o desemprego nem 
ser capazes de alcançar seu objetivo equilibrista. Nesses casos, 
déficits públicos seriam aceitos. Contudo, para Keynes, a tarefa 
principal deveria impedir grandes flutuações do nível de emprego 
com um programa de estabilização de longo termo baseadonos 
gastos do orçamento de capital. Se este fosse bem-sucedido não 
deveria ser difícil amainar pequenas flutuações aumentando ou 
reduzindo gastos com alguns itens desse programa de longo termo. 
Portanto, déficits eram considerados o último recurso e indicavam a 
fraqueza do governo em manter uma trajetória de crescimento com 
pleno emprego. As palavras de Kregel são ilustrativas sobre esse 
ponto: “se o pleno emprego (de 3 a 5% de desempregados) é 
mantido, o orçamento deveria estar equilibrado e a dívida pública 
deveria normalmente tornar-se declinante como proporção da renda 
nacional líquida”.
FONTE: OREIRO, J. L.; SICSÚ, J.; PAULA, L. F. de. Controle 
da dívida pública e política fiscal: uma alternativa para um 
crescimento autossustentado da economia brasileira. Agenda Brasil: 
políticas econômicas para o crescimento com estabilidade de preços. 
Barueri/SP: Manole, 2003. Disponível em: <http://joseluisoreiro.com.
br/site/link/d38af31e3a2f0b7a38e00805a26effd78675961f.pdf>. 
Acesso em: 22 jan. 2019.
http://joseluisoreiro.com.br/site/link/d38af31e3a2f0b7a38e00805a26effd78675961f.pdf
http://joseluisoreiro.com.br/site/link/d38af31e3a2f0b7a38e00805a26effd78675961f.pdf
103
Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 
2.1 TÍTULOS PÚBLICOS
Os títulos públicos são ativos de renda fixa que têm por objetivo angariar 
fundos para financiar a dívida pública e demais atividades do Governo Federal. 
Os títulos públicos estão disponíveis para qualquer cidadão investir. Então, além 
de ser uma fonte de recursos para o governo, o cidadão pode ter rendimentos ao 
investir nessa modalidade. 
Para o investidor em títulos públicos, uma das grandes vantagens é o baixo 
risco do investimento. 
Conforme a Secretaria do Tesouro Nacional (2018), o primeiro risco é o 
governo não honrar a dívida, embora essa possibilidade seja pouco provável. 
Outro risco presente é o de liquidez, que é a capacidade de transformar o título 
em dinheiro antes do vencimento, porém, como forma de evitar isso, o Tesouro 
Nacional garante a recompra semanal de títulos todas as quartas-feiras. Por fim, 
tem-se o risco de mercado, que está diretamente relacionado com a variação do 
preço do título público (TESOURO NACIONAL, 2018).
2.1.1 Indicadores do endividamento 
do setor público
Com relação à dívida pública brasileira, tem-se dois indicadores que ajudam 
no controle das contas públicas, são eles: a Dívida Bruta do Governo Geral 
(DBGG) e a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP).
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG):
Abrange o total dos débitos de responsabilidade do Governo 
Federal, dos governos estaduais e dos governos municipais, 
junto ao setor privado, ao setor público financeiro, ao Banco 
Central e ao resto do mundo. Os débitos de responsabilidade 
das empresas estatais das três esferas de governo não são 
abrangidos pelo conceito. Os débitos são considerados pelos 
valores brutos, sendo as obrigações vinculadas à área externa 
convertidas para reais pela taxa de câmbio de final de período 
(compra). No caso do Banco Central, são incluídas apenas as 
operações compromissadas realizadas com títulos públicos. 
Essas operações são incluídas porque apresentam estreita 
relação com a dívida do Tesouro Nacional, e sua inclusão 
na DBGG permite melhor acompanhar a situação fiscal do 
governo (TESOURO NACIONAL, 2015, p. 50). 
104
 Contabilidade Pública
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) é:
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) é definida como o 
balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público 
não financeiro e do Banco Central, junto ao sistema financeiro 
(público e privado), setor privado não financeiro e resto do 
mundo. A DLSP é utilizada como base para o cálculo do déficit 
público “abaixo da linha”. Diferentemente de outros países, 
o conceito de dívida líquida utilizado no Brasil considera os 
ativos e passivos financeiros do Banco Central, incluindo, 
dessa forma, a base monetária como componente da dívida, 
principalmente, pelo fato de constituir forma de financiamento 
(TESOURO NACIONAL, 2015, p. 51).
As duas diferenças básicas entre elas são indicadas na própria denominação, 
conforme Pellegrini (2017):
A DBGG não é deduzida dos ativos públicos, enquanto a DLSP 
sofre a dedução. A DBGG abrange apenas os três níveis de 
governo (federal, estadual e municipal), formando o governo 
geral, enquanto a DLSP inclui, além do governo geral, o Bacen 
e as estatais, compondo o setor público não financeiro. Os dois 
indicadores devem ser considerados para melhor compreensão 
da realidade, até porque ambos apresentam vantagens e 
desvantagens. A DLSP está integrada aos dados de fluxo 
das contas públicas (juros e superávit primário). Já a DBGG 
está mais próxima do padrão internacional de mensuração da 
dívida pública. Além de optar pela versão bruta, e não líquida, 
esse padrão exclui o banco central (PELLEGRINI, 2017, p. 12).
A Dívida Pública não é estática, porém, vemos desde 2013 até 2018 a 
evolução desses valores. No gráfico a seguir são apontados os indicadores da 
dívida pública pelos dois indicadores supracitados, a DBGG e a DLSP.
GRÁFICO 1 – EVOLUÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA
FONTE: Senado (2018)
105
Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 
Percebe-se que a dívida tem subido consideravelmente, chegando, em 
fevereiro de 2018, aos 75,1% do PIB (R$ 5 trilhões) e aos 52% do PIB (R$ 3,4 
trilhões), em relação a DBGG e da DLSP. Pellegrini (2017, p. 2) enfatiza que “os 
dois indicadores devem ser considerados para melhor compreensão da realidade, 
até porque ambos apresentam vantagens e desvantagens”. Nas palavras do autor, 
a DLSP está ligada aos dados de fluxo das contas públicas (juros e superávit 
primário) por outro lado, a DBGG é o indicador que está mais próximo do padrão 
internacional de mensuração da dívida pública.
2.2 COMPOSIÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA
 
Conforme Pellegrini (2017, p. 7), “os potenciais problemas gerados pela 
dívida pública derivam do seu tamanho, mas também das condições que regem 
esse passivo, a exemplo de prazo de vencimento, custos e riscos subjacentes”. 
Portanto, saber das fragilidades que o Estado está sujeito é importante para 
conseguir avaliar melhor a situação da dívida pública. Conforme será apresentado 
a seguir, tem-se o que compõe a dívida pública.
Veremos agora o que compõe o indicador bruto da dívida (DBGG):
TABELA 1 – PRINCIPAIS COMPONENTES DA DBGG
FONTE: Senado (2018)
Como os dados apresentados anteriormente são de fonte do Senado, a 
análise desses indicadores também cabe ao Senado. Esta análise apresentada 
a seguir é importante para o leitor deste material conseguir interpretar os valores 
apresentados pelas entidades públicas. Vamos à análise demonstrada pelo 
Senado:
106
 Contabilidade Pública
Percebe-se que há ampla predominância de dívida interna 
(95,4%), em relação à externa (4,6%). Ademais, há forte 
concentração do passivo (91,9% da DBGG) em apenas dois 
itens, ambos de responsabilidade do governo central: dívida 
mobiliária interna (68,8%), que corresponde aos títulos 
públicos de emissão do Tesouro Nacional em poder do 
público, no mercado doméstico, e operações compromissadas 
do Banco Central (23,1%), espécie de empréstimo tomado 
junto ao mercado, com garantia dos títulos públicos da 
carteira da autoridade monetária. Enquanto o primeiro item 
supre a necessidade de financiamento e refinanciamento do 
governo central, o segundo resulta do controle da liquidez da 
economia, embora, ao ter alcançado a atual dimensão, acabou 
por assumir também caráter de endividamento público. As 
variações da dívida púbica se devem a três fatores: a) déficits 
primários do setor público, em particular do governo central; 
b) juros que incidem sobre a dívida pública; e c) gestão dos 
passivos e ativos públicos. [...] a evolução desde dezembro 
de 2013 do déficit primário, dos juros líquidos devidos, sem 
perdas e ganhos com os swaps cambiais, e da soma desses 
dois itens,o chamado déficit nominal, todos relativos ao setor 
público, no acumulado dos últimos doze meses e em relação 
ao PIB. A partir de 2014, o déficit primário e os juros assumiram 
valores crescentes e elevados, até o pico, em setembro de 
2016, quando o déficit nominal alcançou 10,9% do PIB. Daí 
em diante, os juros vêm caindo, enquanto o déficit primário 
mostrou-se mais inflexível, com quedas apenas a partir de 
novembro de 2017. Como resultado da evolução dessas 
duas variáveis, o déficit nominal caiu para 7,4%, em fevereiro 
de 2018. Cabe comentar o desempenho recente dessas 
duas variáveis decisivas para a evolução da dívida pública 
(SENADO, 2018, p. 10).
Para mais informações sobre a composição da dívida pública ao 
longo dos anos, acesse: <http://www2.senado.leg.br>.
LEITURA COMPLEMENTAR 1
O que é dívida pública? Qual é o seu papel? 
A dívida surge e aumenta sempre que o governo gasta mais do que arrecada. 
Assim, quando os impostos e demais receitas não são suficientes para cobrir as 
despesas, o governo é financiado por seus credores (pessoas físicas, empresas, 
bancos etc.), dando origem à dívida pública. Assim como o bom uso do crédito 
por um cidadão facilita o alcance de grandes conquistas (a compra da sua casa 
http://www2.senado.leg.br
107
Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 
própria, por exemplo), o endividamento público, se bem administrado, permite 
ampliar o bem-estar da sociedade e favorece o bom funcionamento da economia. 
Especialistas costumam destacar a importante função que o endividamento 
público exerce ao garantir níveis adequados de investimento e de prestação de 
serviços pelo governo à sociedade, ao mesmo tempo em que propicia maior 
equidade entre gerações. As receitas e as despesas de um governo passam 
por ciclos e sofrem choques frequentes. Em momentos de crise, por exemplo, a 
economia produz menos e a arrecadação de impostos cai. Ao mesmo tempo o 
número de desempregados sobe e os gastos do governo com seguro desemprego 
aumentam. 
Com isso, a conta do governo fica mais apertada. Na ausência do crédito 
público, esses choques teriam de ser absorvidos por aumento na carga tributária 
ou por cortes em outros gastos, penalizando, demasiadamente, em ambos 
os casos, a geração atual. Além da suavização, ao longo do tempo, do padrão 
de gastos de consumo e investimento do governo, o acesso ao endividamento 
público permite atender a despesas emergenciais (tais como as relacionadas a 
calamidades públicas, desastres naturais e guerras) e assegurar o financiamento 
tempestivo de grandes projetos com horizonte de retorno no médio e no longo 
prazos (na área de infraestrutura, por exemplo).
A história está repleta de exemplos nesse sentido, não sendo surpreendente 
o uso disseminado do endividamento por praticamente todos os países do mundo. 
Um exemplo de projeto com alto custo, mas com benefícios de longo prazo, é 
a construção de um hospital. Um hospital vai durar muitos anos e será utilizado 
por muito tempo, inclusive por pessoas que ainda nem nasceram. Nesse caso, é 
justo (e eficiente) que o custo de construção do hospital seja dividido por todas as 
gerações que vão utilizá-lo. Por isso, ao invés de cobrar uma grande quantidade 
de impostos extras dos cidadãos que estão vivos durante a construção do hospital 
(geração atual), o governo pode financiar a obra e pagá-la em várias parcelas, 
dividindo, assim, o seu custo com as gerações futuras, também beneficiadas. 
Por meio do endividamento público, o governo poderá utilizar apenas parte 
da arrecadação atual e parte da arrecadação futura para pagar as parcelas 
relativas ao custo de construção do hospital. Assim, a dívida pública permite dividir 
os custos de um investimento com todas as gerações que se beneficiarão dele. 
O endividamento público pode exercer funções ainda mais amplas para o 
bom funcionamento da economia, auxiliando a condução da política monetária e 
favorecendo a consolidação do sistema financeiro. 
Títulos de dívida pública são instrumentos essenciais na atuação diária 
108
 Contabilidade Pública
do Banco Central para o alcance de seu objetivo de garantir a estabilidade da 
moeda, servindo de lastro para as operações típicas de política monetária, além 
de representarem referencial importante para emissões de títulos privados. 
O desenvolvimento do mercado de títulos, público e privado, pode ampliar a 
eficiência do sistema financeiro na alocação de recursos e fortalecer a estabilidade 
financeira e macroeconômica de um país. 
A lição fundamental dessa discussão recai na relevância de se zelar pela 
qualidade do crédito público. Só assim se pode valer do endividamento e de suas 
funções de forma eficiente. Aqui, mais uma vez, a analogia ao cidadão comum se 
faz válida, o qual deve manter um bom crédito para garantir permanentemente 
melhores condições de financiamento (por exemplo, via menores custos e maiores 
prazos para pagamento). No caso do governo, o mesmo ocorre, embora não de 
maneira tão simples. 
Suas condições de financiamento estão intimamente relacionadas a sua 
credibilidade, a sua capacidade de pagamento e à qualidade de gestão da 
dívida. Por isso, a utilização responsável e consciente do endividamento público 
é importante para o bom desenvolvimento do país. A gestão eficiente da dívida 
pública brasileira é um dos deveres do Tesouro Nacional. 
FONTE: <http://www.tesouro.gov.br/documents/10180/0/O+que+%C3%A9%20
a+D%C3%ADvida+P%C3%BAblica/e6a2f1f3-b5b5-478f-b844-3c8771a61dc5>. 
Acesso em: 13 dez. 2018.
2.3 GESTÃO FISCAL E A DÍVIDA 
PÚBLICA
O Tesouro Nacional é o órgão que dentre as suas atribuições podemos 
mencionar a gestão da dívida pública. De acordo com o Tesouro Nacional (2018), 
a política fiscal é o reflexo de uma conjuntura de medidas relativas à arrecadação 
de receitas e realização de despesas que tem por objetivo cumprir três funções: 
a estabilização macroeconômica, a redistribuição da renda e a alocação de 
recursos. 
Vejamos no que consiste cada função:
• A função estabilizadora está centrada na promoção do crescimento 
econômico sustentado, com baixo desemprego e estabilidade de preços. 
• A função redistributiva tem por objetivo garantir a distribuição igualitária 
da renda.
109
Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 
• A função alocativa centra-se no fornecimento eficiente de bens e serviços 
públicos, compensando as falhas de mercado.
Os resultados da política fiscal podem ser avaliados sob 
diferentes ângulos, que podem focar na mensuração da 
qualidade do gasto público bem como identificar os impactos 
da política fiscal no bem-estar dos cidadãos. Para tanto 
podem ser utilizados diversos indicadores para análise fiscal, 
em particular os de fluxos (resultados primário e nominal) e 
estoques (dívidas líquida e bruta). A saber, estes indicadores 
se relacionam entre si, pois os estoques são formados por meio 
dos fluxos. Assim, por exemplo, o resultado nominal apurado 
em certo período afeta o estoque de dívida bruta. Resultado 
fiscal primário é a diferença entre as receitas primárias e as 
despesas primárias durante um determinado período. O 
resultado fiscal nominal, por sua vez, é o resultado primário 
acrescido do pagamento líquido de juros. Assim, fala-se que o 
Governo obtém superávit fiscal quando as receitas excedem as 
despesas em dado período; por outro lado, há déficit quando as 
receitas são menores do que as despesas. No Brasil, a política 
fiscal é conduzida com alto grau de responsabilidade fiscal. O 
uso equilibrado dos recursos públicos visa à redução gradual 
da dívida líquida como percentual do PIB, de forma a contribuir 
com a estabilidade, o crescimento e o desenvolvimento 
econômico do país. Mais especificamente, a política fiscal 
busca a criação de empregos, o aumento dos investimentos 
públicos e a ampliação da rede de seguridade social, com 
ênfase na redução da pobreza e da desigualdade (TESOURO 
NACIONAL, 2018).
Como vistoanteriormente, a Lei de Responsabilidade Fiscal tem como suas 
premissas atuar sobre as contas públicas, remetendo a responsabilidade em 
relação aos gastos públicos. De acordo com o Tesouro Nacional (2018):
Com a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, 
considerada a pedra fundamental do ajuste fiscal brasileiro, o 
Governo Federal passou a dispor de mais instrumentos para 
controlar os gastos de seus entes subnacionais e também 
das empresas estatais, com importantes mecanismos de 
monitoramento da evolução das receitas e despesas a cada 
momento, além de controlar o endividamento dos três níveis de 
governo: federal, estadual e municipal, além de suas empresas.
Ainda de acordo com o Tesouro Nacional (2018):
Tendo em vista o histórico de endividamento do setor público, 
o governo estabeleceu metas de superávits primários (em 
percentual do PIB e, posteriormente, em valores nominais) 
logrando cumpri-las consistentemente há 12 anos. Quando o 
governo cumpre suas metas fiscais, ele contribui com a queda 
do endividamento público e com a formação da poupança 
nacional, além de auxiliar o Banco Central na execução da 
110
 Contabilidade Pública
política monetária. Parte importante dos recursos oriundos do 
resultado primário é dedicada para o serviço da Dívida Pública 
Federal. Conforme o PAF de 2010, por exemplo, cerca de R$ 
80 bilhões em recursos orçamentários foram disponibilizados 
para a DPF, contribuindo para reduzir a necessidade de 
financiamento líquido do Tesouro Nacional. Os recursos, 
enquanto não utilizados para pagamento da DPF, são alocados 
na Conta Única do Tesouro Nacional, no Banco Central, 
recebendo remuneração equivalente à taxa Selic.
2.4 FUNDOS ESPECIAIS
Os fundos especiais estão presentes na administração púbica há muito 
tempo, a Lei 4.320/1964 estabelece: “constitui fundo especial o produto de receitas 
especificadas que, por lei, se vinculam à realização de determinados objetivos ou 
serviços, facultada a adoção de normas peculiares de aplicação”. 
Ademais, os artigos seguintes dispõem ainda sobre os fundos:
Art. 72. A aplicação das receitas orçamentárias vinculadas a 
turnos especiais far-se-á através de dotação consignada na Lei 
de Orçamento ou em créditos adicionais. 
Art. 73. Salvo determinação em contrário da lei que o instituiu, 
o saldo positivo do fundo especial apurado em balanço será 
transferido para o exercício seguinte, a crédito do mesmo 
fundo.
Art. 74. A lei que instituir fundo especial poderá determinar 
normas peculiares de controle, prestação e tomada de contas, 
sem, de qualquer modo, elidir a competência específica do 
Tribunal de Contas ou órgão equivalente (BRASIL, 1964).
De acordo com Sanches (2002, p. 643), os fundos especiais são “um tipo 
especial de gestão financeira dos recursos vinculados à realização de certos 
objetivos por determinação legal, cujos atos de execução de receitas e despesas 
devem ser particularizados no sistema de contabilidade do órgão a que se vincula”. 
Ainda, conforme o autor, os fundos especiais não são uma entidade jurídica nem 
órgão orçamentário.
Os fundos especiais, conforme Sanches (2002, p. 641):
Tiveram sua primeira caracterização legal estabelecida pelo 
Código de Contabilidade Pública, cujo art. 83, definiu FUNDO 
ESPECIAL como “o produto das fontes de renda a que, em 
virtude de preceitos de lei e de estipulações contratuais, 
houver sido determinada aplicação especial”. Curiosamente, 
o Decreto nº 20.923, de 8/1/32, que instituiu o Fundo Naval, 
não se reportou a esse fundamento legal, mas sim a um ato 
do próprio Governo Provisório (o Decreto nº 19.398), baixado 
111
Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 
no mês de novembro de 1930. Essa definição do Código de 
Contabilidade foi aprimorada pela Lei nº 4.320, de 17/3/64, 
cujo art. 71 estabelece: “Constitui fundo especial o produto de 
receitas especificadas que, por lei, se vinculam à realização 
de determinados objetivos ou serviços, facultada a adoção 
de normas peculiares de aplicação”. Tal conceito legal, como 
afirmado em vários textos técnicos e jurídicos, continua sendo 
a principal norma legal sobre este meio especial de execução 
orçamentária, sendo utilizado, inclusive no glossário de termos 
do Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI).
Os fundos públicos podem se confundir com autarquias, porém, vamos 
diferenciá-los, veja no Quadro 1 a seguir:
QUADRO 1 – DIFERENÇAS ENTRE AUTARQUIAS E FUNDOS
Autarquia Fundos
Art. 5º. Para os fins desta lei, considera-se: I - 
Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, 
com personalidade jurídica, patrimônio e recei-
ta próprios, para executar atividades típicas da 
Administração Pública, que requeiram, para seu 
melhor funcionamento, gestão administrativa e 
financeira descentralizada. A autarquia, por ser 
pessoa jurídica da administração indireta, é ti-
tular de direitos e obrigações próprios, distintos 
daqueles pertencentes ao ente que a instituiu e, 
por ser pública, se submete ao regime de direito 
público quanto à criação, à extinção, aos pode-
res, às prerrogativas, aos privilégios e às sujei-
ções. A capacidade de autoadministração de 
matérias específicas lhe é conferida pela pessoa 
pública política que a instituiu. Como última ca-
racterística, submete-se ao controle administrati-
vo ou tutela, que é indispensável para assegurar 
que a autarquia não se desvie de seus fins insti-
tucionais. A autarquia é pessoa jurídica de direito 
público, o que lhe confere autonomia para tratar 
e contratar em nome próprio.
O fundo é a unidade de natureza contábil, ou 
unidade orçamentária, destinada à realização de 
determinados objetivos ou serviços que, embora 
seja caracterizada por manter contabilidade des-
tacada do ente público ao qual está vinculado, 
do ponto de vista administrativo, se submete aos 
ditames desse mesmo ente, até porque qualquer 
ato administrativo a ser realizado com recursos 
do fundo é feito em nome do ente público, tendo 
em vista que o fundo não se constitui em pessoa 
jurídica. 
Diferentemente da autarquia, o fundo especial 
deve ser analisado à luz do Direito Financeiro, 
estando, portanto, definido na Lei nº 4.320, de 
1964, que estatui normas gerais de Direito Fi-
nanceiro para elaboração e controle dos orça-
mentos e balanços da União, dos Estados, dos 
municípios e do Distrito Federal. 
FONTE: Brasil (1967)
Operacionalização do fundo, sem dúvida alguma, é a parte mais complexa e 
tem gerado muita polêmica entre os gestores. 
112
 Contabilidade Pública
Diversas formas de operacionalizar os fundos públicos se instalaram 
no país, justamente por falta de um instrumento que orientasse essa prática. 
Complementada por informações desencontradas, persuasivas e incompletas, os 
municípios correram para regularizar os fundos especiais, sobretudo o de saúde, 
sob ameaça de terem as transferências financeiras da União suspensas. 
Em alguns casos, os municípios já estão pagando pela falta ainda não 
cometida, pois, até então, não existia um instrumento que orientasse a correta 
criação, o cadastramento, a organização e a operacionalização dos fundos 
públicos. Somente a Nota RFB 114/2010, que delineia alguns passos. Mesmo 
assim, as áreas técnicas do Ministério da Saúde em conjunto ao Fundo Nacional 
de Saúde (FNS) definiram suspender as transferências de recursos novos 
para municípios sem a considerada regularidade dos fundos, prejudicando não 
somente a gestão municipal do SUS, mas, principalmente, a população brasileira, 
que ficou sem a oferta de novos serviços de saúde. 
As transferências financeiras para a construção de unidades básicas de 
saúde, aquisição de equipamentos, complexo regulador e unidade de pronto-
atendimento, assim como os recursos financeiros destinados aos novos programas 
e às estratégias de saúde lançados no último ano pelo Governo Federal, foram 
condicionadas à apresentação de CNPJ próprio do fundo municipal de saúde. 
É importante destacar que o Ministérioda Saúde deva cobrar a criação do 
fundo municipal de saúde e sua regularidade, cabendo à Receita Federal definir 
as regras quanto ao cadastro, modalidade e obrigações acessórias dos fundos.
De acordo com o item “C - Orientações Gerais” da Portaria GM/MS nº 
2.485/2009, “para dar cumprimento ao que estabelece o art. 4º da Lei nº 8.142, 
28 de dezembro de 1990, o Gestor local deverá informar ao Fundo Nacional de 
Saúde o número de inscrição do seu Fundo de Saúde, no Cadastro Nacional de 
Pessoa Jurídica - CNPJ”. 
Já com relação à operacionalização, à forma de organização e à estruturação, 
é uma atribuição da administração municipal, respeitadas e observadas as 
normas do Direito Financeiro e da Contabilidade Pública. Não cabendo, portanto, 
aos ministérios ou fundos nacionais a definição de regras para tais competências. 
Dessa maneira, com base na legislação vigente, a CNM apresenta orientações 
aos gestores municipais sobre a operacionalização dos fundos públicos municipais 
na modalidade meramente contábil ou financeira, não dotada de personalidade 
jurídica.
• Receitas: os fundos públicos meramente contábeis ou financeiros têm 
a atribuição de gerir recursos vinculados, pertencentes ao município. 
113
Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 
Tomando novamente o setor saúde como exemplo, o fundo municipal 
de saúde tem a atribuição de gerir condições financeiras para que 
o município execute as ações e os serviços de saúde pública sob 
sua responsabilidade, seja por intermédio da prefeitura ou de órgão 
específico (secretaria, departamento, diretoria ou assessoria de saúde). 
O fundo municipal de saúde receberá todas as transferências federais, 
estaduais e municipais (15%), em contas específicas por bloco de gestão, 
conforme definido nos instrumentos infralegais publicados pelo Ministério 
da Saúde. O município deverá disponibilizar nas contas do fundo 
municipal de saúde o valor mínimo de investimento em saúde, definido 
pela Constituição em 15% de sua receita de impostos e transferências 
constitucionais. Essas transferências poderão se dar mensalmente até o 
alcance do valor estabelecido. O fundo municipal deverá manter todas as 
informações de receitas disponíveis e atualizadas à disposição do gestor 
municipal.
• Despesas: em razão da vinculação das receitas, o fundo público 
meramente contábil ou financeiro providenciará a alocação dos recursos 
para as despesas especificamente na área a que se destina, de acordo 
com o Plano Plurianual (PPA) e Lei Orçamentária Anual (LOA). Se as 
receitas forem do setor Saúde, as despesas deverão ser específicas do 
Setor, não sendo possível investimento em outras áreas da administração 
municipal. As despesas deverão ser realizadas pela prefeitura ou pelo 
órgão específico destinado a esse fim, respeitando a programação 
orçamentária anual. No caso da Saúde, as despesas deverão obedecer 
ainda ao Plano Municipal de Saúde (Lei Complementar nº 141/2012) e 
à Programação Anual de Ações e Serviços de Saúde do Município. As 
despesas deverão ser organizadas e realizadas por bloco de gestão, 
conforme definido pelo Ministério da Saúde.
Os fundos públicos também são fiscalizados. É de competência das Cortes 
de Contas fazer o acompanhamento e a análise técnica e o controle dos atos 
praticados pelos agentes públicos relativos à arrecadação de receitas, a realização 
de despesas, controlar o patrimônio público e a adequação das medidas tomadas 
pelos gestores, abrangendo, inclusive, os gastos realizados por meio de fundos 
especiais.
Sanches (2002, p. 642-643) afirma também que para a criação de fundos 
especiais, deve-se considerar alguns atributos, são eles:
I - receitas especificadas, ou seja, o fundo especial deve 
ser instituído com base em receitas específicas (tributos, 
contribuições ou outras receitas), determinadas em lei; 
II - gastos vinculados à realização de determinados objetivos, 
ou seja, a aplicação das receitas deve vincular-se à realização 
114
 Contabilidade Pública
de investimentos, serviços ou ações claramente conexos com 
os programas de interesse da Administração que levaram à 
instituição do Fundo; 
III - vinculação a órgão da administração direta de um dos 
Poderes, ou seja, não há razão para se criar fundo vinculado 
ou gerido por autarquia, fundação ou empresa pública; 
IV - aplicação dos recursos por meio de dotações consignadas 
na Lei Orçamentária (por alocação originária ou mediante 
créditos adicionais), ou seja, os fundos constituem meios para 
a execução orçamentária de despesas e não para gastos 
extraorçamentários; 
V - utilização de contabilidade particularizada no âmbito do 
sistema contábil setorial, ou seja, esta não existe em separado, 
mas como parte da contabilidade do órgão orçamentário a cuja 
programação o Fundo se integra na Lei Orçamentária; 
VI - normas peculiares de aplicação, ou seja, a lei que instituir 
o fundo especial poderá estabelecer ou dispor sobre condições 
e exigências para a aplicação dos recursos; 
VII - emprego de meios adicionais de controle, ou seja, os 
fundos requerem orçamentos detalhados, contabilidade 
particularizada e prestações de contas específicas;
VIII - preservação dos saldos do exercício, ou seja, salvo 
disposição em contrário na lei que instituir o Fundo, os saldos 
apurados no Balanço de final de exercício se convertem em 
disponibilidades deste para gastos futuros.
Os fundos especiais podem vir a executar as receitas orçamentárias. 
Segundo Sanches (2002, p. 655-656), a execução orçamentária por meio de 
fundos especiais tem suas vantagens, vejamos elas:
a) garantir que certa receita ou conjunto de receitas seja 
destinada a um setor, entidade, área geográfica ou ramo de 
atividades, para a execução de uma determinada programação 
ou para viabilizar a realização de objetivos preestabelecidos 
(resultado que geralmente pode ser obtido com a simples 
vinculação de receitas, sem a necessidade da criação de 
fundos); 
b) descentralizar a execução de um programa de trabalho 
para um determinado gestor, com a correspondente 
descentralização das responsabilidades pela execução dos 
gastos, já que o gestor do fundo é legalmente responsável 
pelos atos de gestão que praticar (embora sem prejuízo da 
responsabilidade solidária do ordenador setorial de despesas); 
c) viabilizar melhores avaliações dos resultados obtidos 
com a execução da programação, bem como dos custos 
das atividades (serviços, obras, empreendimentos etc.) 
que lhe são relacionadas, pela possibilidade de adoção de 
normas peculiares de programação e controle (embora o 
melhor controle dependa mais de vontade política do que de 
instrumental);
d) possibilitar um controle mais sistemático e efetivo sobre as 
receitas geradas com a prestação de determinados serviços, 
realização de certas atividades ou produção de bens em 
contraste com os seus principais custos (quando os recursos 
115
Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 
são vinculados a um fundo o seu gestor tende a se interessar 
mais pela eficácia da arrecadação e racionalidade dos gastos); 
e) assegurar que os recursos financeiros destinados às 
finalidades do fundo e não utilizados num exercício sejam 
preservados para uso no exercício seguinte (o que evita 
desperdício de recursos pelo atabalhoado comprometimento 
dos saldos nos finais de exercício, embora tal resultado 
possa ser obtido pela simples adoção de boas práticas de 
administração).
No entanto, existem também desvantagens que são apontadas pelo autor, 
vejamos elas:
a) criar áreas de rigidez no processo de definição do programa 
de trabalho do Governo, na medida em que as vinculações de 
receitas a fundos representam uma limitação às decisões sobre 
o conteúdo da lei orçamentária anual, bem como à definição de 
prioridades nas LDOs; 
b) possibilitar a constituição de feudos de poder, na medida em 
que a nomeação do gestor do fundo se dê por indicação política, 
pois isso pode conduzir à adoção de linhasindependentes de 
atuação e de critérios de prioridade distintos dos fixados pelo 
titular do órgão setorial; 
c) elevar os custos operacionais da administração pública, ao 
impor a realização de registros individualizados da execução 
orçamentária, financeira e patrimonial de cada fundo, em 
duplicidade com os atos regulares de registro no sistema geral 
de contabilidade; 
d) transferir para a tecnoburocracia do Poder Executivo a 
tomada de decisões alocativas que caberiam ao Parlamento, 
na medida em que a programação dos fundos tende a ocorrer 
sob a forma de dotações genéricas cujo detalhamento por 
ações e localidades específicas ocorre no decorrer do exercício 
segundo prioridades e critérios definidos pelos seus gestores; 
e) ensejar duplicidade de intervenção sobre um mesmo 
problema, dado que os objetivos e áreas de atuação dos 
fundos tendem a ser fixados em termos muito gerais e seus 
programas de trabalho a serem pouco detalhados (problema 
que ocorre com todas as dotações genéricas);
f) viabilizar ações ou práticas que reduzam a eficácia 
dos processos de controle ou dificultem o seu exercício - 
sobretudo no plano da administração financeira -, como a 
sistemática de transferências/repasses entre fundos (como é 
possível no Fundo Naval e fundos vinculados) e entidades da 
administração direta e indireta (do mesmo ou outro nível de 
governo) (SANCHES, 2002, p. 656-657).
116
 Contabilidade Pública
Saiba mais sobre o Orçamento da União, acessando: <http://
www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao>.
Saiba mais sobre os fundos municipais, acessando: <https://
www.cnm.org.br/>.
Saiba mais sobre a Dívida Pública, acessando: <https://portal.
tcu.gov.br/comunidades/macroavaliacao-governamental/areas-
de-atuacao/divida-publica/>.<http://www.tesouro.fazenda.gov.br/
conceitos-basicos-faq>.
Saiba mais sobre o controle e a fiscalização das contas públicas, 
acessando: <https://portal.tcu.gov.br/comunidades/macroavaliacao-
governamental/areas-de-atuacao/divida-publica/>.
LEITURA COMPLEMENTAR 2
Os fundos especiais podem ainda ser segregados por suas diferentes 
naturezas, são elas os Fundos Especiais Contábeis e os Fundos Especiais 
Financeiros. Essa diferenciação é originada do Decreto nº 93.872/86 - único ato 
regulamentar citado no relatório e parecer prévio sobre as contas do governo, 
de 1997 (p. 124) cujo art. 71 estabelece: “constitui Fundo Especial de natureza 
contábil ou financeira, para fins deste Decreto, a modalidade de gestão de parcela 
de recursos do Tesouro Nacional, vinculados por lei à realização de determinados 
objetivos de política econômica, social ou administrativa do Governo”.
De acordo com Sanches (2002, p. 645), o decreto mencionado situa como 
fundos de natureza contábil “os constituídos por disponibilidades financeiras 
evidenciadas em registros contábeis [recursos pertencentes ao patrimônio do 
próprio fundo], destinados a atender saques a serem efetuados contra o caixa 
do tesouro nacional” e, como fundos de natureza financeira “os constituídos 
mediante a movimentação de recursos do caixa do Tesouro Nacional para 
depósitos em estabelecimentos oficiais de crédito, segundo cronograma aprovado, 
destinados a atender aos saques previstos em programação específica [cobertura 
de gastos na execução de programas de trabalho do Governo]”. Como se pode 
perceber, tais caracterizações padecem de vários problemas. 
117
Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 
O primeiro destes é serem de difícil compreensão, por se referirem a 
conceitos e práticas que não são de uso comum no dia a dia da administração 
pública (afinal, qual a diferença entre “saques contra o caixa do Tesouro” 
e “saques previstos em programação específica”). O segundo, é a ótica 
eminentemente financeira das caracterizações, que dificulta uma percepção mais 
clara dessas espécies para efeitos de programação orçamentária. O terceiro, 
e mais importante, é a articulação de uma dicotomia que não se sustenta na 
prática, visto que a maior parte dos fundos “de natureza financeira”, com base em 
disposição constante de seu ato de instituição ou na faculdade estatuída pelo art. 
73 da Lei nº 4.320, tem direito de se apropriar dos saldos apurados nos balanços 
dos anos anteriores, tornando-se credores de “disponibilidades financeiras 
evidenciadas em demonstrativos contábeis”. 
Além disso, qualquer movimentação de recursos (disponibilidades ou 
créditos) tende a demandar prévia programação específica e a movimentação 
de recursos a ocorrer, em quaisquer casos, salvo poucas exceções, por meio 
de estabelecimentos oficiais de crédito. Em razão disso, entendemos que tal 
distinção não é suficiente, sobretudo para os fins de tipificação dos fundos a partir 
da natureza programática de suas operações. 
Como alternativa, propomos, até que surjam caracterizações legais melhor 
acabadas, o seguinte entendimento: que os fundos especiais sejam tidos como 
de natureza contábil quando operarem com ativos (moeda, títulos, direitos e/ou 
assemelhados) destacados das disponibilidades do caixa do Tesouro Nacional 
(embora possam até permanecer custodiados neste) para a realização de ações 
ou operações que representem essencialmente imobilizações temporárias 
(empréstimos, aquisição de títulos e outras inversões financeiras e/ou prestação 
de garantias), e de natureza financeira quando operarem apenas com dotações 
e recursos (moeda) do caixa único do Tesouro, individualizados em seu nome 
por meio de contas bancárias em estabelecimentos oficiais de crédito, para a 
realização de investimentos e/ou custeio de programações típicas do setor público 
detalhadas nas LOAs. 
Entretanto, tendo em vista que esta é uma caracterização nova (ex-post 
à criação de muitos fundos) cumpre observar que vários dos fundos ora ativos 
realizam ações de ambas naturezas (combinam ações de inversões financeiras, 
ou seja, aplicações com retorno ao patrimônio do fundo, com ações de caráter 
programático ligadas aos objetivos do fundo, sem retorno ao patrimônio do fundo), 
como o Fundo de Amparo ao Trabalhador, o Fundo de Defesa da Economia 
Cafeeira e o Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações 
- FUNTTEL.
118
 Contabilidade Pública
Embora alguns autores, como Sella e Arruda (1996), caracterizem os 
fundos contábeis como “técnica de contabilidade que tem o propósito de 
fornecer informações de caráter gerencial e financeiro de uma determinada 
área de responsabilidade, possibilitando a aferição de resultados setorizados ou 
priorizados, sendo apenas um mecanismo administrativo opcional da entidade”, 
no âmbito federal, os fundos dessa natureza, criados nos últimos anos, têm 
características e objetivos bem mais amplos. Dentre os instituídos na vigência 
da atual Constituição, são declaradamente “de natureza contábil” os fundos: de 
Garantia para a Promoção da Competitividade - FGPC (Lei nº 9.531/97); Nacional 
de Desestatização (Lei nº 8.031/90); de Garantia à Exportação - FGE (Lei nº 
9.818/99); de Aval para a Geração de Emprego e Renda - FUNPROGER (Lei nº 
9.872/99); de Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações - FUNTTEL 
(Lei nº 10.052/00); e de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior - FIES 
(Medida Provisória nº 2.094/99). Tais fundos, com suas operações realizadas 
por intermédio de instituições financeiras oficiais - sobretudo BNDES e Banco do 
Brasil -, embora mobilizando recursos do Tesouro (por vinculações de receitas, 
destinações de ativos ou transferências orçamentárias) não vinham sendo 
incluídos nas Leis Orçamentárias dos últimos anos, em violação ao disposto no 
art. 165, § 5º da Constituição, ou seja, que os fundos - sem distinção - devem 
constar dos orçamentos fiscais e da seguridade social. Essa irregularidade, 
porém, ao que parece, deverá ser corrigida a partir do próximo orçamento, já que 
o MTO/2-2002, editado pela SOF, passou a incluir tais fundos como unidades 
orçamentárias. 
Com relação aos fundos assim caracterizados, cumpreobservar que, 
embora a maior parte deles se destine a realizar inversões financeiras ou a 
prestar garantias a certas operações, parte destes tem dupla natureza, como 
ocorre com o FUNTTEL (que além de aplicar recursos no processo de inovação 
tecnológica, na capacitação de pessoal e no fomento à geração de empregos, 
destinará, a partir de agosto de 2001, 20% de seus recursos à Fundação CPQd) 
e com o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (que além da concessão de 
financiamentos realiza um programa de trabalho peculiar).
FONTE: SANCHES, Osvaldo Maldonado. Fundos federais: origens, evolução 
e situação atual na administração federal. Revista de Administração Pública, 
v. 36, n. 4, p. 627-670, 2002. <http://www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao/
estudos/artigos/antes-de-2005/Artigo130.pdf>. Acesso em: 10 dez. 2018.
Uma das marcas da elevada concentração de renda e das desigualdades 
sociais no Brasil é o caráter regressivo da carga tributária. O sistema tributário 
brasileiro tem sido um instrumento a favor da concentração de renda, agravando 
o ônus fiscal dos mais pobres e aliviando o das classes mais ricas. 
119
Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 
A correlação das forças sociais é importante para compreender a composição 
do fundo público no Brasil. Nessa perspectiva, O’Connor (1977, p. 203 apud 
SALVADOR, 2012, p. 10-11) considera as finanças tributárias como uma forma 
de exploração econômica que requer, por isso, análise de classe: “cada mudança 
importante no equilíbrio das forças políticas e classistas é registrada pela estrutura 
tributária. Dizendo-o de outro modo, os sistemas tributários são apenas formas 
particulares dos sistemas de classes”. 
A defesa do imposto fortemente progressivo foi feita por Marx e Engels (1982 
apud SALVADOR, 2012), em 1848, no Manifesto Comunista, como forma de 
redistribuição da renda da burguesia. 
No Brasil engendrou-se a partir do governo do presidente Fernando 
Henrique Cardoso (FHC) uma perversa concentração de renda via financiamento 
do orçamento público. Essa situação permaneceu inalterada no governo do 
presidente Lula. O último projeto de “reforma” tributária que se encontra na 
Câmara dos Deputados não altera a regressividade do sistema tributário e acaba 
com as fontes exclusivas de financiamento das políticas sociais, pois altera 
de forma substancial a vinculação das fontes de financiamento exclusivas das 
políticas da seguridade social (previdência, saúde e assistência social), educação 
e trabalho. 
1 Com base no gráfico a seguir, descreva como está a evolução da 
Dívida Pública desde o ano de 2013 até o início de 2018.
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 Contabilidade Pública
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2 Com base na leitura a seguir, aponte de forma simplificada as 
condições para a instituição dos fundos.
 “Com relação às “condições para a instituição e funcionamento 
de fundos, na forma da lei complementar”, uma das novidades 
da Lei Maior, no campo dos fundos, cumpre observar que pouco 
se avançou na viabilização do que determina a Constituição em 
seu art. 165, § 9º, II (“cabe à lei complementar ... estabelecer ... 
condições para a instituição e funcionamento dos fundos”). O pior 
é que, além de tais normas ainda não terem sido produzidas, 
mesmo nos projetos mais articulados sobre a matéria - o PLC 
nº 222/90, de autoria do Deputado José Serra e o PLC nº 
135/96, de autoria da Comissão Mista de Planos, Orçamentos 
Públicos e Fiscalização -, a matéria relativa a “Fundos” se acha 
insuficientemente regulada. Não obstante, no texto do substitutivo 
aprovado pela Comissão de Finanças e Tributação, da Câmara 
dos Deputados, na apreciação do PLC nº 135, foram incluídas 
três promissoras normas sobre os fundos, quais sejam eles 
passam a ter prazo limitado de vigência, o qual, ressalvado no 
caso dos fundos Constitucionais, não poderá exceder o período 
de vigência do PPA. Cada fundo terá de ser avaliado ao final do 
prazo de vigência como condição para a sua renovação por novo 
período. Não será permitida a criação de fundo ou a renovação 
de sua vigência em três situações: I - quando seu programa 
de trabalho puder ser executado diretamente pelo órgão a que 
se vincula; ou II - quando suas receitas próprias não atingirem 
cinquenta por cento de sua receita total; ou III - quando suas 
finalidades puderem ser alcançadas pela simples vinculação de 
receitas a objetivos ou serviços específicos”.
 FONTE: Adaptado de: SANCHES, Osvaldo Maldonado. Fundos 
federais: origens, evolução e situação atual na administração 
federal. Revista de Administração Pública, v. 36, n. 4, p. 627-670, 
2000.
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Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 
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3 Qual é o conceito principal de Dívida Bruta do Governo Geral 
(DBGG) e Dívida Líquida do Setor Público (DLSP)?
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4 O que é a Dívida Pública?
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5 O que são os Fundos Especiais?
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3 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
No presente capítulo, tivemos acesso aos conceitos de dívida pública, aos 
principais indicadores de mensuração e também ao panorama atual da dívida 
pública, obedecendo uma série temporal. Além disso, tivemos contato com a 
análise apontada pelo Senado Federal em relação a esses valores da dívida. 
Entendemos o que são os fundos especiais e como eles se diferenciam das 
autarquias. Foram apresentadas as vantagens e as desvantagens do uso dos 
122
 Contabilidade Pública
Fundos Especiais para execução orçamentária. Além de nos familiarizarmos com 
os Fundos de Natureza Contábil e Fundos de Natureza Financeira.
Nesse capítulo também foi proposto uma série de links úteis para consulta 
do aluno às leis e dados sobre os assuntos apresentados.
Como proposto no início do capítulo, no qual o objetivo era apresentar os 
conceitos de Dívida Pública e dos Fundos Especiais, o capítulo atendeu a esse 
objetivo, proporcionando, desta forma, o devido conhecimento ao estudante. 
É esperado que o aluno seja devidamente participativo com relação às 
questões e fóruns propostos sobre o tema, bem como é esperado que o aluno 
saiba interpretar e buscar maiores informações sobre os temas. 
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei complementar n. 141, de 13 de janeiro de 2012. Regulamenta o 
§ 3o do art. 198 da ConstituiçãoFederal para dispor sobre os valores mínimos a 
serem aplicados anualmente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios 
em ações e serviços públicos de saúde; estabelece os critérios de rateio dos 
recursos de transferências para a saúde e as normas de fiscalização, avaliação 
e controle das despesas com saúde nas 3 (três) esferas de governo; revoga 
dispositivos das Leis nos 8.080, de 19 de setembro de 1990, e 8.689, de 27 de 
julho de 1993; e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp141.htm>. Acesso em: 22 jan. 2019.
______. Portaria n. 2485, de 21 de outubro de 2009. Organiza as 
nomenclaturas das contas correntes referentes aos recursos federais a serem 
transferidos na modalidade, fundo a fundo, aos Estados, aos Municípios e ao 
Distrito Federal em conta específica por bloco de financiamento. Disponível em: 
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2009/prt2485_21_10_2009_comp.
html>. Acesso em: 22 jan. 2019.
______. Lei n. 200, de 25 de fevereiro de 1967. Dispõe sobre a organização 
da Administração Federal, estabelece diretrizes para a Reforma Administrativa 
e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
decreto-lei/Del0200compilado.htm>. Acesso em: 22 jan. 2019.
______. Lei n. 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de 
Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da 
União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4320.htm>. Acesso em: 20 out. 2018.
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 4.320-1964?OpenDocument
123
Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 
OREIRO, J. L.; SICSÚ, J.; PAULA, L. F. de. Controle da dívida pública e 
política fiscal: uma alternativa para um crescimento autossustentado da 
economia brasileira. Agenda Brasil: políticas econômicas para o crescimento com 
estabilidade de preços. Barueri/SP: Manole, 2003.
PELLEGRINI, J. A. Dívida Pública Brasileira: mensuração, composição, 
evolução e sustentabilidade. Brasília: Núcleo de Estudos e Pesquisas/CONLEG/
Senado, Fevereiro/2017 (Texto para Discussão nº 226). Disponível em: <https://
www12.senado.leg.br/publicacoes/estudos-legislativos/homeestudoslegislativos>. 
Acesso em: 13 dez. 2018.
SALVADOR, E. Fundo público e o financiamento das Políticas Sociais no 
Brasil. 2012. Disponível em: <http://www.uel.br/eventos/orcamentopublico/
pages/arquivos/I%20Simposio/Fundo%20Publico%20e%20o%20financiamento.
pdf>. Acesso em: 22 jan. 2019.
SANCHES, O. M. Fundos federais: origens, evolução e situação atual na 
administração federal. Revista de Administração Pública, v. 36, n. 4, p. 627-
670, 2002.
SENADO. Relatório de acompanhamento fiscal. 2018. Disponível em: <https://
www12.senado.leg.br/ifi/relatorio-de-acompanhamento-fiscal>. Acesso em: 22 
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TCU. Macroavaliação governamental. 2018. Disponível em: <https://portal.tcu.
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TESOURO NACIONAL. O que é a Dívida Pública Federal? 2018. <http://www.
tesouro.fazenda.gov.br/conceitos-basicos-faq>. Acesso em: 10 dez. 2018.
______. Estatística de finanças públicas. 2015. Disponível em: <http://www.
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______. Política fiscal. [s.d.]. Disponível em: <http://www.tesouro.fazenda.gov.
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______. Como é a estrutura do Tesouro Nacional para administrar a Dívida 
Pública Federal? [s.d.]. Disponível em: <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/
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