Prévia do material em texto
CONTABILIDADE PÚBLICA Programa de Pós-Graduação EAD UNIASSELVI-PÓS Autoria: Carline Rakowski Savariz. CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Reitor: Prof. Hermínio Kloch Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Carlos Fabiano Fistarol Ilana Gunilda Gerber Cavichioli Jóice Gadotti Consatti Norberto Siegel Camila Roczanski Julia dos Santos Ariana Monique Dalri Marcelo Bucci Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Copyright © UNIASSELVI 2019 Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. SA265c Savariz, Carline Rakowski Contabilidade pública. / Carline Rakowski Savariz. – Indaial: UNIASSELVI, 2019. 123 p.; il. ISBN 978-85-7141-297-2 1.Finanças públicas – Contabilidade – Brasil. II. Centro Universi- tário Leonardo Da Vinci. CDD 351.72 Impresso por: Sumário APRESENTAÇÃO ..........................................................................05 CAPÍTULO 1 Contabilidade Pública .................................................................07 CAPÍTULO 2 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública ................................................................41 CAPÍTULO 3 Dívida Pública E Fundos Especiais ............................................95 APRESENTAÇÃO Caro acadêmico, o livro de Contabilidade Pública tem por objetivo apresentar alguns conceitos básicos sobre a contabilidade que é aplicada ao setor público. Ao longo deste material, você terá contato com aspectos iniciais da contabilidade pública, as demonstrações contábeis que o setor público é obrigado a apresentar e também algumas definições e funcionalidades da dívida pública e títulos especiais. Tais conteúdos estão divididos em três capítulos. No primeiro capítulo, você terá conhecimento sobre as informações dos detalhes da contabilidade aplicada ao setor público, as principais leis que regulam a contabilidade aplicada ao setor público, as normas contábeis e o que foi publicado até o momento atual, bem como o manual de contabilidade aplicada ao setor público, ainda serão demonstrados os sistemas de informações contábeis, ou seja, como as informações contábeis geradas no ente público são segregadas. Esta segregação existe para melhor controle e organização das contas públicas. O segundo capítulo tem por finalidade apresentar as demonstrações contábeis aplicadas ao setor público, tais como o Balanço Orçamentário, que trata da previsão de receitas e fixação de despesas. Serão mostrados os conceitos e os quadros que integram a demonstração. Após serão apresentados o Balanço Financeiro, o Balanço Patrimonial, a Demonstração das Variações Patrimoniais, as Demonstrações dos Fluxos de Caixa e, por último, as Demonstrações das Variações Patrimoniais. No terceiro capítulo serão apresentados os aspectos teóricos e práticos sobre a dívida pública, conceitos e alguns indicadores utilizados para demonstrar a situação da dívida pública. Há ainda alguns gráficos e análises para que se consiga entender os valores apresentados, além dos fundos especiais aplicados ao setor público. Nele serão expostos os conceitos e as leis que asseguram e normatizam estes fundos. Bons estudos! CAPÍTULO 1 Contabilidade Pública A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: � Saber: este capítulo tem como objetivos o contato com a contabilidade pública e conhecer os termos e as noções contábeis aplicadas à gestão pública. � Fazer: o aluno, ao final do capítulo, deverá saber os conceitos básicos contábeis, tais como: contabilidade aplicada à administração pública, sistemas de informações, exercício financeiro, regimes contábeis, plano e sistema de contas, escrituração e prestação de contas. O aluno deverá entender, também, que a contabilidade pública tem suas particularidades com relação à contabilidade aplicada às empresas. 8 Contabilidade Pública 9 Contabilidade Pública Capítulo 1 1 CONTEXTUALIZAÇÃO A contabilidade pública tem como objetivo o planejamento, a avaliação, o controle e a tomada de decisões por parte dos administradores e administrados. A contabilidade aplicada à administração pública tem suas particularidades que a diferem da contabilidade aplicada às empresas privadas. Para isso, compreender os conceitos básicos é importante para que o aluno possa entender os demonstrativos contábeis públicos e como eles são elaborados. Para tanto, estudar leis, normas, princípios, regimes de escrituração, entender o plano de contas e como é feita a prestação de contas das entidades públicas é importante não somente para futuros contadores, mas também para a sociedade em geral. Uma vez que entendermos os conceitos básicos, nós, como cidadãos, poderemos acompanhar mais incisivamente as contas públicas. Este livro tem esse objetivo, fazer o estudante entender melhor a contabilidade pública e como ela é elaborada até o momento de publicação dos demonstrativos contábeis. Portanto, neste capítulo, o aluno terá conhecimento sobre as informações da contabilidade aplicada ao setor público e perceberá que ela se difere da contabilidade aplicada às empresas privadas. Será capaz de adquirir conhecimento sobre sistemas de informações, exercício financeiro, regimes contábeis, plano e sistema de contas, escrituração e prestação de contas. O capítulo está dividido da seguinte forma: na primeira seção, veremos os detalhes da contabilidade aplicada ao setor público, as principais leis que regulam a contabilidade aplicada ao setor público, as normas contábeis e o que foi publicado até o momento atual, bem como o manual de contabilidade aplicada ao setor público. Na segunda seção, serão demonstrados os sistemas de informações contábeis, ou seja, como as informações contábeis geradas no ente público são segregadas, esta segregação existe para melhor controle e organização das contas públicas. Na terceira seção, serão apresentados o exercício financeiro e os regimes de escrituração contábil aplicados às contas públicas e as diferenças entre eles. Na quarta seção, serão evidenciados o plano de contas aplicado ao setor público (PCASP) e o objetivo de ter um plano de contas, serão também apresentados os níveis e como a escrituração deve obedecer aos desdobramentos do plano de contas. 10 Contabilidade Pública Na última seção, será apresentado como é feita a prestação de contas do setor público. Portanto, o capítulo está segregado em cinco seções e ao final serão apresentados alguns exercícios de fixação do que foi visto durante o capítulo. Bons estudos! 2 CONTABILIDADE PÚBLICA A contabilidade é uma ciência social que tem por objetivo o estudo e o controle do patrimônio, em sua essência geral esta é a definição de contabilidade. No entanto, a contabilidade atua em diversas subdivisões, entre elas a contabilidade pública. A contabilidade pública possui suas particularidades, isto é, leis e normas que conduzem as contas públicas. Além disso, a contabilidade aplicada ao setor público no Brasil tem passado por mudanças significativas, uma vez que as normas de convergência aos padrões internacionais de contabilidade estendem-se às demonstrações contábeis públicas. Diante dessas perspectivas, entender o contexto atual da contabilidade pública nos ajuda não somente como detentores do conhecimento, mas também como cidadãos no acompanhamento das contas públicas. 2.1 CONTABILIDADE APLICADA À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA A contabilidade aplicada à administração pública é uma das subdivisões da contabilidade aplicada aos diversos tipos de atividade e está voltada ao estudo e à análise dos fatos administrativosque ocorrem na administração pública. Visa fornecer à administração, informações sobre registro, controle e acompanhamento das variações do patrimônio do Estado, organização e execução de orçamentos, controle de custos e eficiência do setor público (SILVA, 2011). Entende-se por entidade do setor público os órgãos, os fundos e as pessoas jurídicas de direito público ou que, possuindo personalidade jurídica de direito privado, recebam, guardem, movimentem, gerenciem ou apliquem dinheiro, bens e valores públicos na execução de suas atividades. Além do mais, entende-se que a Contabilidade Aplicada ao Setor Público tem por objetivo fornecer aos usuários informações sobre os resultados alcançados e os aspectos de natureza orçamentária, econômica, financeira e física do 11 Contabilidade Pública Capítulo 1 patrimônio da entidade do setor público e suas mutações (BRASIL, 2008). Essas informações auxiliam o processo de tomada de decisões por parte dos agentes e administradores públicos, a adequada prestação de contas e o suporte necessário para a instrumentalização do controle social, este último, entendido como um compromisso ético profissional, que tem como pressuposto o fornecimento de informações compreensíveis e úteis aos usuários e o exercício da cidadania para controle sobre o uso desse patrimônio (ROSA, 2011). Quanto aos usuários dessas informações, Silva (2011) demonstra alguns grupos interessados na informação governamental: QUADRO 1 – USUÁRIOS DE INFORMAÇÕES Tipos de Usuários Usuários Usuários relacionados à regulação legislativa e à elaboração dos atos normativos pertinentes Poder Judiciário Poder Legislativo Poder Executivo Dirigentes de cada entidade e seus des- dobramentos técnicos e administrativos Usuários da Previdência Social Trabalhadores ativos Empresários Sindicatos Beneficiários de aposentadorias e pensões Usuários relacionados com a prestação de contas dos governantes Interesse no cumprimento da legalidade e utiliza- ção correta dos recursos públicos Poder Legislativo Tribunal de Contas Cidadãos em geral Interesse geral nas ações administrativas Contribuintes Empresários Trabalhadores Usuários relacionados aos aspectos econô- micos e financeiros do Estado Como financiadores Bancos públicos Bancos privados Entidades de crédito e financiamento em geral Como investidores Bancos em geral Agências de rating Cidadãos em geral 12 Contabilidade Pública Usuários relacionados ao controle interno e à auditoria Dirigentes da entidade de todos os níveis Representantes dos funcionários ou trabalhadores FONTE: Silva (2011) Os grupos dos cidadãos estão interessados nas demonstrações contábeis com o objetivo de avaliar as condições financeiras e a probabilidade de aumento de impostos. Nesses grupos podem ser encontradas diversas associações de defesa do cidadão com interesse nos relatórios para exigir o aumento da aplicação em determinadas funções, como educação, saúde e saneamento. Aos membros do Poder Legislativo, na condição de usuário, cumpre avaliar a condição financeira global, inclusive a estrutura da dívida e os recursos disponíveis, calculando a dívida consolidada líquida. O objetivo desse grupo é monitorar o resultado para assegurar o cumprimento das finanças públicas. Preocupam-se ainda com os níveis e as fontes de recursos e o nível e os tipos de gastos, principalmente nas funções em que estabeleceram aplicação mínima, como educação e saúde. Os investidores e os credores precisam da informação sobre recursos financeiros disponíveis e preocupam-se com a avaliação das responsabilidades atuais e contingentes, bem como a posição da dívida consolidada do governo com o objetivo de identificar sua habilidade para continuar arrecadando e comprometendo recursos, principalmente com relação à continuidade de certos gastos de natureza fixa. Para isso, precisam conhecer os resultados operacionais e os dados de fluxo monetário, com o objetivo de fazer análise das tendências e identificar pontos fortes e fracos na geração de recursos, principalmente na amortização da dívida. Conforme o Conselho Federal de Contabilidade, o objeto da Contabilidade Aplicada ao Setor Público é o patrimônio público e tem como função social refletir, sistematicamente, o ciclo da administração pública para evidenciar informações necessárias à tomada de decisões, à prestação de contas e à instrumentalização do controle social. Patrimônio Público é o conjunto de direitos e bens, tangíveis ou intangíveis, onerados ou não, adquiridos, formados, produzidos, recebidos, mantidos ou utilizados pelas entidades do setor público, que seja portador ou represente um fluxo de benefícios, presente ou futuro, inerente à prestação de serviços públicos ou à exploração econômica por entidades do setor público e suas obrigações (BRASIL, 2008). 13 Contabilidade Pública Capítulo 1 Dados os conceitos da contabilidade aplicada à administração pública, seu objetivo, objeto, função social e usuários, agora precisamos entender como ela é regulamentada. Temos as leis, as normas e os princípios que orientam a contabilidade aplicada ao setor público. Primeiramente, devemos saber que o campo de atuação da contabilidade pública são as pessoas jurídicas de Direito Público Interno, como a União, o Estado, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias, também algumas fundações públicas e algumas empresas públicas. As pessoas jurídicas de direito público externas que representam os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público. Também as empresas de direito privado, que são as associações, as sociedades, as fundações, as organizações religiosas e os partidos políticos. Agora vamos para a lei principal que orienta a contabilidade aplicada à administração pública, que é a Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Conforme Art. 1º, esta lei estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, de acordo com o disposto no art. 5º, inciso XV, letra b, da Constituição Federal. A Lei nº 4.320/1964 proporcionou melhor controle das finanças públicas e ajudou na construção de uma administração financeira e contábil sólida por meio do principal instrumento, que é o Orçamento Público. Conforme o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público - MCASP (BRASIL, 2017, p. 22): O orçamento público ganhou significativa importância no Brasil. Como consequência, as normas relativas a registros e demonstrações contábeis, vigentes até hoje, acabaram por dar enfoque sobretudo aos conceitos orçamentários, em detrimento da evidenciação dos aspectos patrimoniais. A Lei nº 4.320/1964 pode ser consultada pelo seguinte link: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4320.htm>. Aliada ao melhor controle das contas públicas, podemos salientar a Lei Complementar nº 101, de 4 de março de 2000, ou como é conhecida: Lei de Responsabilidade Fiscal. Essa lei tem por objetivo dispor sobre a responsabilidade na gestão fiscal. 14 Contabilidade Pública O que é a responsabilidade na gestão fiscal? Conforme § 1o do Art. 1º, a responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites e condições no que tange à renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da seguridade social e outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de garantia e inscrição em Restos a Pagar. A Lei de Responsabilidade é um marco na regulamentação das contas públicas, pois como foi demonstrado anteriormente, ela impõe limites para os gastos públicos. Desta forma, consegue controlare estipular sanções caso haja o descumprimento do que a lei impõe. A Lei de Responsabilidade Fiscal pode ser consultada pelo link: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp101.htm>. Conhecidas as principais leis que abrangem a contabilidade aplicada ao setor público, tem-se as normas contábeis aplicadas ao setor público. As normas contábeis que são aplicadas ao setor público atualmente são as chamadas Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público - NBC TSP. O que são normas contábeis? As Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) constituem-se num conjunto de regras e procedimentos de conduta que devem ser observados como requisitos para o exercício da profissão contábil, bem como os conceitos doutrinários, princípios, estrutura técnica e procedimentos a serem aplicados na realização dos trabalhos previstos nas normas aprovadas por resolução emitidas pelo CFC. No ano de 1998, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), considerando a necessidade da complementação da estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade voltadas à área pública, constituiu o Grupo de Estudos para atender tal finalidade. A partir de então, o CFC foi constituindo grupos de estudos e de trabalhos para atender às necessidades de normatização para a época e para responder às consultas que eram formuladas pelos profissionais do setor. 15 Contabilidade Pública Capítulo 1 Passados dez anos, o CFC decidiu dar um impulso nesse processo de normatização da contabilidade pública no Brasil. Por meio de parceria firmada com o Ministério da Fazenda e a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas, foi firmado o documento denominado “Orientações Estratégicas para a Contabilidade Aplicada ao Setor Público”, contendo as seguintes diretrizes: • Promover o desenvolvimento conceitual da Contabilidade aplicada ao setor público no Brasil. • Estimular a convergência aos padrões internacionais de Contabilidade aplicada ao setor público. • Fortalecer institucionalmente a Contabilidade aplicada ao setor público no seu papel de fonte de informação da situação patrimonial das entidades governamentais e similares. Assim, no exercício de 2008, foram editadas as primeiras normas contábeis brasileiras específicas para o setor público: as NBC T 16 (BRASIL, 2008). Estas normas foram muito importantes para a mudança no modelo contábil das entidades públicas brasileiras. As NBC T 16 utilizaram alguns conceitos das normas internacionais, promovendo inovações no setor público nacional. Após a edição das NBC T 16, a Secretaria do Tesouro Nacional, órgão central de contabilidade da União, foi incorporando gradativamente os ditames das normas nos entes públicos nacionais, iniciando pelo próprio Governo Federal, construindo um modelo contábil, cuja primeira fase de implementação terminou sendo concretizada no exercício de 2015 para a maioria dos entes públicos brasileiros. Apesar de toda a revolução ocorrida no modelo contábil governamental, foi observado que seria necessário avançar no processo de convergência às normas internacionais. Limitações conceituais das NBC T 16, necessidade de normas que tratem de casos específicos do setor público e conclusão da convergência das normas no setor privado são exemplos de fatores que voltaram a impulsionar o processo de convergência para o setor público. No ano de 2015, o CFC reformulou o GA NBC TSP com o objetivo de impulsionar o processo de convergência das normas contábeis do setor público aos padrões internacionais. Nesta nova fase, o trabalho do GA NBC TSP tem sido o de harmonizar as normas internacionais (International Public Sector Accounting Standards - IPSAS) à realidade brasileira. A harmonização exige não apenas a tradução das normas para a língua portuguesa, mas a análise sobre a aplicabilidade do contexto das normas internacionais à realidade dos entes públicos brasileiros. 16 Contabilidade Pública Em outubro de 2016, o CFC aprovou a Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Informação Contábil de Propósito Geral pelas Entidades do Setor Público (Estrutura Conceitual), que estabelece os conceitos que devem ser aplicados no desenvolvimento das demais Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBC TSP) do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), destinados às entidades do setor público. Além disso, tais conceitos são aplicáveis à elaboração e à divulgação formal dos Relatórios Contábeis de Propósito Geral das Entidades do Setor Público (RCPG). A referida estrutura conceitual teve seus efeitos aplicados a partir de 1º de janeiro de 2017 e revogou a partir desta data as resoluções e as normas a seguir: • a Resolução CFC nº 750/1993, que dispõe sobre os princípios de contabilidade; • a Resolução CFC nº 1.111/2007, que aprovou o Apêndice II da Resolução CFC nº 750/1993; • a Resolução CFC nº 1.128/2008, que aprovou a NBC T 16.1 - Conceituação, Objeto e Campo de Aplicação; • a Resolução CFC nº 1.129/2008, que aprovou a NBC T 16.2 - Patrimônio e Sistemas Contábeis; • a Resolução CFC nº 1.130/2008, que aprovou a NBC T 16.3 - Planejamento e seus Instrumentos sob o Enfoque Contábil; • a Resolução CFC nº 1.131/2008, que aprovou a NBC T 16.4 - Transações no Setor Público; • a Resolução CFC nº 1.132/2008, que aprovou a NBC T 16.5 - Registro Contábil; • os arts. 1º, 2º e 3º da Resolução CFC nº 1.268/2009, que alterou, incluiu e excluiu itens das NBC T 16.1, 16.2 e 16.6, que tratam das NBC T aplicadas ao setor público; • a Resolução CFC nº 1.282/2010, que atualizou e consolidou dispositivos da Resolução CFC nº 750/1993; • a Resolução CFC nº 1.367/2011, que alterou o Apêndice II da Resolução CFC nº 750/1993; • os arts. 1º e 2º da Resolução CFC nº 1.437/2013, que alterou, incluiu e excluiu itens das NBC T 16.1, 16.2, 16.4, 16.5, 16.6, 16.10 e 16.11, que tratam das NBC T aplicadas ao setor público; • os itens 12(a), 12(b), 12(c), 12(d), 27 e 28 da NBC T 16.6 (R1), que trata das demonstrações contábeis. Dessa forma, a partir de janeiro de 2017, temos 17 NBC TSP: 17 Contabilidade Pública Capítulo 1 QUADRO 2 – NBC TSP Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público NBCT Estrutura Conceitual Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Informação Contábil de Propósito Geral pelas Entidades do Setor Público NBCT SP 01 Receitas de Transação sem Contraprestação NBCT SP 02 Receitas de Transação com Contraprestação NBCT SP 03 Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes NBCT SP 04 Estoques NBCT SP 05 Contratos de Concessão de Serviços Públicos: Concedente. NBCT SP 06 Propriedade para Investimento NBCT SP 07 Ativo Imobilizado NBCT SP 08 Ativo Intangível NBCT SP 09 Redução ao Valor Recuperável de Ativo Não Gerador de Caixa NBCT SP 10 Redução ao Valor Recuperável de Ativo Gerador de Caixa NBCT 16.6 Demonstrações Contábeis NBCT 16.7 Consolidação das Demonstrações Contábeis NBCT 16.8 Controle Interno NBCT 16.9 Depreciação, amortização e exaustão NBCT 16.10 Avaliação e Mensuração de Ativos e Passivos NBCT 16.11 Sistema de Informação de Custos FONTE: A autora Deve ser dada atenção à extinção dos princípios contábeis e à entrada em vigor das Características Qualitativas, conforme consta na Estrutura Conceitual. As características qualitativas da informação incluída nos RCPG são atributos que tornam a informação útil para os usuários e dão suporte ao cumprimento dos objetivos da informação contábil. O objetivo da elaboração e divulgação da informação contábil é fornecer informação para fins de prestação de contas e responsabilização (accountability) e tomada de decisão. As características qualitativas da informação incluídas nos RCPG são a relevância, a representação fidedigna, a compreensibilidade, a tempestividade, a comparabilidade e a verificabilidade. Relevância: as informações financeiras e não financeiras são relevantes caso sejam capazes de influenciar significativamenteo cumprimento dos objetivos da elaboração e da divulgação da informação contábil. As informações financeiras e não financeiras são capazes de exercer essa influência quando têm valor confirmatório, preditivo ou ambos. A informação pode ser capaz de influenciar e, desse modo, ser relevante, mesmo se alguns usuários decidirem não a considerar ou já estiverem cientes dela. Representação Fidedigna: para ser útil como informação contábil, a informação deve corresponder à representação fidedigna dos fenômenos 18 Contabilidade Pública econômicos e outros que se pretenda representar. A representação fidedigna é alcançada quando a representação do fenômeno é completa, neutra e livre de erro material. A informação que representa fielmente um fenômeno econômico ou outro fenômeno retrata a substância da transação, a qual pode não corresponder, necessariamente, à sua forma jurídica. Compreensibilidade: a compreensibilidade é a qualidade da informação que permite que os usuários compreendam o seu significado. Os RCPG devem apresentar a informação de maneira que corresponda às necessidades e à base do conhecimento dos usuários, bem como a natureza da informação apresentada. Por exemplo, as explicações acerca das informações financeiras e não financeiras e as informações adicionais acerca da prestação de serviços e outros resultados durante o exercício, além das expectativas para os períodos futuros, devem ser escritas em linguagem simples e apresentadas de maneira que sejam prontamente compreensíveis pelos usuários. A compreensão é aprimorada quando a informação é classificada e apresentada de maneira clara e sucinta. A comparabilidade pode também aprimorar a compreensibilidade. Tempestividade: tempestividade significa ter informação disponível para os usuários antes que ela perca a sua capacidade de ser útil para fins de prestação de contas e responsabilização (accountability) e tomada de decisão. Ter informação disponível mais rapidamente pode aprimorar a sua utilidade como insumo para processos de avaliação da prestação de contas e responsabilização (accountability) e a sua capacidade de informar e influenciar os processos decisórios. A ausência de tempestividade pode tornar a informação menos útil. Comparabilidade: comparabilidade é a qualidade da informação que possibilita aos usuários identificar semelhanças e diferenças entre dois conjuntos de fenômenos. A comparabilidade não é uma qualidade de item individual de informação, mas, antes, a qualidade da relação entre dois ou mais itens de informação. Verificabilidade: a verificabilidade é a qualidade da informação que ajuda a assegurar aos usuários que a informação contida nos RCPG representa fielmente os fenômenos econômicos ou de outra natureza que se propõe a representar. A suportabilidade, ou seja, a qualidade referente àquilo que dá suporte a algo, algumas vezes é utilizada para descrever esta qualidade, quando aplicada em relação à informação explicativa e à informação quantitativa financeira e não financeira prospectiva divulgada nos RCPG. Quer referida como verificabilidade ou como suportabilidade, a característica implica que dois observadores esclarecidos e independentes podem chegar ao consenso geral, mas não necessariamente à concordância completa, em que: 19 Contabilidade Pública Capítulo 1 • a informação representa os fenômenos econômicos e de outra natureza, os quais se pretende representar sem erro material ou viés; ou • o reconhecimento apropriado, a mensuração ou o método de representação foi aplicado sem erro material ou viés. Todas as normas de contabilidade aplicadas ao setor público podem ser consultadas no link: <https://cfc.org.br/tecnica/normas- brasileiras-de-contabilidade/nbc-tsp-do-setor-publico/>. O que são as normas internacionais aplicadas ao setor público? As Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público - IPSAS - foram desenvolvidas com a finalidade de normatizar questões que dizem respeito a demonstrações contábeis para fins gerais de todas as entidades do setor público. As entidades do setor público incluem: governos nacionais, governos regionais (por exemplo, estadual, provincial, territorial), governos locais (por exemplo, municipal) e suas entidades componentes (por exemplo, departamentos, agências, conselhos, comissões, ministérios, secretarias, autarquias, fundações, fundos), a menos que de outra forma seja determinado. As Normas não se aplicam às Empresas Estatais (EEs). EEs aplicam as Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS) emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB). As IPSAS incluem uma definição de EEs. Além disso, com o intuito de colaborar com o processo de elaboração e execução do orçamento, além de contribuir para resgatar o objeto da contabilidade como ciência, que é o patrimônio, contamos com o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, que está na 7ª edição. Com isso, a contabilidade pode atender à demanda de informações requeridas por seus usuários, possibilitando a análise de demonstrações contábeis adequadas aos padrões internacionais, sob os enfoques orçamentário e patrimonial, com base em um Plano de Contas Nacional. 20 Contabilidade Pública O Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público pode ser encontrado no link: <http://www.tesouro.fazenda. gov.br /documents/10180/456785/MCASP+7%C2%AA%20 edi%C3%A7%C3%A3o+Vers%C3%A3o+Final.pdf/6e874adb-44d7- 490c-8967-b0acd3923f6d>. Como demonstrado ao longo da seção, a contabilidade aplicada ao setor público obedece a leis, normas e características qualitativas. Resumidamente, ela é regulamentada pela Lei nº 4.320/64, Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público - NBC TSP - e dentro destas as características qualitativas e o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público. 2.2 SISTEMAS DE INFORMAÇÕES Como já vimos, a contabilidade pública se difere das demais, uma vez que as entidades do setor público têm como objetivo prestar contas para a sociedade, diferentemente das empresas do setor privado, que buscam obter lucros. Além dessa característica primordial que difere as duas contabilidades, temos as seguintes particularidades: • O orçamento público: A Constituição brasileira exige a elaboração do orçamento anual, a sua aprovação pelo poder Legislativo e a sua disponibilização à sociedade. (...) a elaboração de demonstrativo que apresenta e compara a execução do orçamento com o orçamento previsto é o mecanismo normalmente utilizado para demonstrar a conformidade com os requisitos legais relativos às finanças públicas (BRASIL, 2017, p. 22). • Programas e longevidade do setor público: Muitos programas do setor público são de longo prazo, e a capacidade para cumprir os compromissos depende dos tributos e das contribuições a serem arrecadados no futuro. Consequentemente, as demonstrações que evidenciam a situação patrimonial e o desempenho não fornecem todas as informações que os usuários precisam conhecer a respeito dos programas de longo prazo (BRASIL, 2017, p. 22). 21 Contabilidade Pública Capítulo 1 •Os ativos e os passivos públicos: No setor público, a principal razão de se manterem ativos imobilizados e outros ativos é voltada para o potencial de serviços desses ativos e, não, para a sua capacidade de gerar fluxos de caixa. Em razão dos tipos de serviços prestados, uma parcela significativa dos ativos utilizados pelas entidades do setor público é especializada, como os ativos de infraestrutura e os ativos militares (BRASIL, 2017, p. 23). • O setor público como órgão regulador: Muitos governos e outras entidades do setor público possuem poder de regulação de entidades que operam em determinados setores da economia, de forma direta ou por meio de agências reguladoras. A principal razão da regulação é assegurar o interesse públicode acordo com objetivos definidos nas políticas públicas ou quando existem falhas de mercados para determinados serviços (BRASIL, 2017, p. 23). A contabilidade pública possui normas e conceitos próprios (como já visto) que a regem, portanto, apresenta algumas peculiaridades que a diferenciam dos outros ramos da contabilidade. Eis as principais diferenças: QUADRO 3 – PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE AS CONTABILIDADES PÚBLICA E EMPRESARIAL Contabilidade Pública Contabilidade Empresarial (Geral) Possui caráter conservador - registro dos atos e fatos baseados em normas legais. Possui maior liberdade - além das normas que a regem, baseia-se em consenso da classe contábil. Não apura lucro, mas déficit ou superávit. Objetiva apurar lucro - exceção para as entida- des sem fins lucrativos. Acompanha e registra a elaboração e a execu- ção orçamentária (art. 83, da Lei nº 4.320/64). Não registra a execução dos orçamentos, pois são atos administrativos. Na União possui sistema único, integrado, infor- matizado e padronizado para fins de registro dos atos e fatos contábeis. Os sistemas de controle e registros contábeis não são padronizados, geralmente são adquiridos no mercado ou elaborados pelas próprias empresas. As receitas e as despesas passam por diversas fases ou estágios. Receitas (planejamento, exe- cução, controle e avaliação) e despesas (plane- jamento, execução, controle e avaliação). As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorreram, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebi- mento ou pagamento. Exercício financeiro - coincide com o ano civil e vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro. O exercício social terá duração de 1 ano e a data do término será fixada no estatuto. Na constituição da companhia e nos casos de alteração estatutária o exercício social poderá ter duração diversa. FONTE: Carvalho (2010) 22 Contabilidade Pública Conhecidos os conceitos das principais diferenças encontradas na contabilidade aplicada ao setor público, devemos saber que para acompanhar as contas públicas temos três sistemas de informações que objetivam fornecer as informações para este acompanhamento, são eles: • Sistema Orçamentário: que tem como finalidade evidenciar as informações provenientes do orçamento público, desde a sua aprovação até a sua execução. As informações provenientes do sistema orçamentário são a base para a elaboração de relatórios e demonstrações contábeis (essas que serão vistas no próximo capítulo) como o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) e para o Balanço Orçamentário e Financeiro. • Sistema Patrimonial: que tem como finalidade fornecer informações relativas ao patrimônio das entidades públicas. O sistema patrimonial deve obedecer às normas que estejam alinhadas com o reconhecimento e a mensuração de ativos e passivos. As informações do sistema patrimonial são a base para a elaboração de algumas demonstrações contábeis, são elas: o Balanço Patrimonial e a Demonstração das Variações Patrimoniais. • Sistema Fiscal: que tem por objetivo fornecer informações relativas aos indicadores provenientes da Lei de Responsabilidade Fiscal. Como vimos anteriormente, a Lei de Responsabilidade Fiscal impõe limites e orientações acerca das despesas com pessoal, operações de crédito e da dívida consolidada, além da apuração da disponibilidade de caixa, do resultado primário e do resultado nominal. Estas informações provindas do aspecto fiscal têm por objetivo verificar o equilíbrio das contas públicas. Como vimos no decorrer desta seção, a contabilidade aplicada ao setor público é diferente da contabilidade aplicada às empresas privadas, pois não tem por objetivo lucros, mas, sim, prestar contas à sociedade. O orçamento público é importante para as entidades públicas, mantém caráter regulador, atuam com longevidade as ações e os órgãos públicos, além do uso diferenciado dos ativos e passivos públicos. Diante disso, os sistemas de informações contábeis são divididos em três e fornecem informações variadas, tanto para acompanhamento das contas públicas quanto para a elaboração de demonstrações contábeis. 23 Contabilidade Pública Capítulo 1 2.3 EXERCÍCIO FINANCEIRO E REGIMES CONTÁBEIS As operações contábeis são registradas de acordo com a sua ocorrência e período contábil. O período contábil em questão é o exercício financeiro, conforme o art. 34 da Lei nº 4.320/1964, o exercício financeiro coincidirá com o ano civil, ou seja, de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. Já o Art. 35 da Lei nº 4.320/1964 afirma que pertencem ao exercício financeiro: as receitas nele arrecadadas e as despesas nele legalmente empenhadas. Os atos contábeis são os eventos que ocasionam variações patrimoniais, eles são classificados como aumentativos: aumentam o patrimônio da entidade; diminutivos: diminuem o patrimônio da entidade; e mistos: em que apenas há permuta entre os elementos patrimoniais, não alterando quantitativamente o patrimônio. Estes fatos contábeis devem seguir um regime de escrituração, mas o que são os regimes de escrituração? O regime de escrituração é o sistema de escrituração contábil que a empresa (ou entidade pública) adota para reconhecimento de receitas e despesas. Na contabilidade pública também são adotados regimes de escrituração, porém, diferentemente da forma como é adotado para as empresas privadas. Enquanto as empresas privadas adotam um sistema único, ou seja, ou adotam o regime de caixa ou de competência, na contabilidade pública são adotados os dois concomitantemente, sendo considerado um regime misto. O Regime de Caixa é o regime no qual as receitas/despesas são registradas no momento do recebimento/pagamento mediante dinheiro ou equivalentes. O Regime de Competência é o regime de escrituração, as receitas/despesas são registradas no momento da ocorrência, sem ter ocorrido o pagamento ou o recebimento, conforme quadro a seguir: 24 Contabilidade Pública QUADRO 4 – REGIMES DE ESCRITURAÇÃO DA CONTABILIDADE PÚBLICA Contas de Natureza de informação Orçamentária Contas de Natureza de informação Patrimonial Evento Critério BaseNormativa Evento Critério Base Normativa Receita Orçamentária Arrecadação Lei n° 4.320/1964 art. 35 Variação Patrimonial Aumentativa Competência NBC TSP - Estrutra Conceitual Despesa Orçamentária Empenho Lei n° 4.320/1964 art. 35 Variação Patrimonial Diminutiva Competência NBC TSP - Estrutra Conceitual FONTE: Brasil (2017) Conforme visto nesta seção, existem dois regimes de escrituração, a contabilidade utiliza os dois. Vimos também que o exercício financeiro obedece ao mesmo período do exercício civil. 2.4 ESCRITURAÇÃO, PLANO E SISTEMAS DE CONTAS O plano de contas aplicado ao setor público - PCASP - é essencial para a escrituração dos atos e fatos contábeis. Ele obedece a um padrão para que sejam escriturados de forma padronizada e sistemática pelo órgão público. Portanto, precisamos entender qual é o objetivo do plano de contas e como é a sua estrutura. Conforme o MCASP (BRASIL, 2017), que orienta os procedimentos contábeis aplicados ao setor público, o PCASP tem por objetivo: • Padronizar os registros contábeis das entidades do setor público. • Distinguir os registros de natureza patrimonial, orçamentária e de controle. • Atender à administração direta e à administração indireta das três esferas de governo, inclusive quanto às peculiaridades das empresas estatais dependentes e dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). 25 Contabilidade Pública Capítulo 1 • Permitir o detalhamento das contas contábeis, a partir do nível mínimo estabelecido pela STN, de modo que possa ser adequado às peculiaridades de cada ente. • Permitir a consolidação nacional das contas públicas. • Permitir a elaboração das Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público(DCASP) e dos demonstrativos do Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) e do Relatório de Gestão Fiscal (RGF). • Permitir a adequada prestação de contas, o levantamento das estatísticas de finanças públicas, a elaboração de relatórios nos padrões adotados por organismos internacionais - a exemplo do Government Finance Statistics Manual (GFSM) do Fundo Monetário Internacional (FMI), bem como o levantamento de outros relatórios úteis à gestão. • Contribuir para a adequada tomada de decisão e para a racionalização de custos no setor público. • Contribuir para a transparência da gestão fiscal e para o controle social. Conhecidos os objetivos do PCASP, vamos agora entender como é a sua estrutura. Como vimos na seção anterior, temos os sistemas de informações contábeis, que são segregados em patrimonial, orçamentário e fiscal. Então, são deles que as informações são originadas, chamadas de natureza da informação contábil, estas informações são organizadas de acordo com o plano de contas. São separadas como natureza da informação contábil e vão registrar, processar e evidenciar as seguintes informações: • Orçamentária: os atos e os fatos relacionados ao planejamento e à execução orçamentária. • Patrimonial: os fatos financeiros e não financeiros relacionados com a composição do patrimônio público e suas variações qualitativas e quantitativas. • De controle: os atos de gestão cujos efeitos possam produzir modificações no patrimônio da entidade do setor público, bem como aqueles com funções específicas de controle. O plano de contas, buscando melhor detalhamento da natureza das informações, segue uma divisão de oito (8) classes, são elas: Classes da natureza patrimonial: elas são sempre acompanhadas primeiramente do número da primeira classe e o nome da conta em seguida, conforme: 1. ATIVO 26 Contabilidade Pública 2. PASSIVO 3. VARIAÇÕES PATRIMONIAIS DIMINUTIVAS 4. VARIAÇÕES PATRIMONIAIS AUMENTATIVAS Da mesma forma, as classes de natureza orçamentária, também acompanhadas de número e da primeira classe e o nome da conta em seguida: 5. CONTROLES DA APROVAÇÃO DO PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO 6. CONTROLES DA EXECUÇÃO DO PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO Por último, temos as classes de natureza de controle: 7. CONTROLES DEVEDORES 8. CONTROLES CREDORES Conhecida a primeira classe de contas, veremos como ocorrem os desdobramentos das demais contas, conforme mostrado na figura a seguir: FIGURA 1 – DESDOBRAMENTO DO PLANO DE CONTAS FONTE: Brasil (2017) Como vimos anteriormente, no primeiro nível tem-se as informações de natureza orçamentária, patrimonial e de controle. Na figura anterior vimos que temos obrigatoriamente desdobramento até o sétimo nível. Já no Quadro 5, a seguir, temos as informações relativas ao segundo nível, denominadas de Grupos. 27 Contabilidade Pública Capítulo 1 QUADRO 5 – DESDOBRAMENTO PLANO DE CONTAS Desdobramento plano de contas no segundo nível 1 – Ativo 1.1 - Ativo Circulante 1.2 - Ativo Não Circulante 2 – Passivo e Patrimônio Líquido 2.1 - Passivo Circulante 2.2 - Passivo Não Circulante 2.3 - Patrimônio Líquido 3 – Variação Patrimonial Diminutiva 3.1 - Pessoal e Encargos 3.2 - Benefícios Previdenciários e Assistenciais 3.3 - Uso de Bens, Serviços e Consumo de Capital Fixo 3.4 - Variações Patrimoniais Diminutivas Financeiras 3.5 - Transferências e Delegações Concedidas 3.6 - Desvalorização e Perda de Ativos e Incorporação de Passivos 3.7 - Tributárias 3.8 - Custo das Mercadorias Vendidas, dos Produtos Vendidos e dos Serviços Prestados 3.9 - Outras Variações Patrimoniais Diminutivas 4 – Variação Patrimonial Aumentativa 4.1 - Impostos, Taxas e Contribuições de Melhoria 4.2 - Contribuições 4.3 - Exploração e venda de bens, serviços e direitos 4.4 - Variações Patrimoniais Aumentativas Financeiras 4.5 - Transferências e Delegações Recebidas 4.6 - Valorização e Ganhos com Ativos e Desincorporação de Passivos 4.9 - Outras Variações Patrimoniais Aumentativas 5 – Controles da Aprovação do Planejamento e Orçamento 5.1 - Planejamento Aprovado 5.2 - Orçamento Aprovado 5.3 - Inscrição de Restos a Pagar 6 – Controles da Execução do Planejamento e Orçamento 6.1 - Execução do Planejamento 6.2 - Execução do Orçamento 6.3 - Execução de Restos a Pagar 7 – Controles Devedores 7.1 - Atos Potenciais 7.2 - Administração Financeira 7.3 - Dívida Ativa 7.4 - Riscos Fiscais 7.5 - Consórcios Públicos 7.8 - Custos 7.9 - Outros Controles 8 – Controles Credores 8.1 - Execução dos Atos Potenciais 8.2 - Execução da Administração Financeira 8.3 - Execução da Dívida Ativa 8.4 - Execução dos Riscos Fiscais 8.5 - Execução dos Consórcios Públicos 8.8 - Apuração de Custos 8.9 - Outros Controles FONTE: Brasil (2017) A partir destes níveis 1 e 2 apresentados no quadro anterior, o ente federativo detalhará as suas contas em seus devidos planos de contas. Os entes da federação só poderão ter autonomia para detalhar mais o plano de contas a partir do que foi publicado no PCASP. Por exemplo: se no PCASP está detalhado até o nível 6, então o ente da federação poderá, a partir do 7º nível, detalhar mais o plano de contas. 28 Contabilidade Pública Tem-se no nível 5 o código de consolidação das demonstrações contábeis, neste nível são detalhadas as contas que são ou não incluídas na consolidação das demonstrações contábeis. O quinto nível é detalhado em INTRA OFSS (Orçamento Fiscal e da Seguridade Social), INTER OFSS (Orçamento Fiscal e da Seguridade Social) e consolidado. No quadro a seguir tem-se o conceito: QUADRO 6 – DETALHAMENTO DO NÍVEL 5 5º Nível (Subtítulo) – Consolidação x.x.x.x.1.xx.xx CONSOLIDAÇÃO Compreende os saldos que não serão excluídos nos demonstrativos consolidados do orçamento fiscal e da seguridade social (OFSS). x.x.x.x.2.xx.xx INTRA OFSS Compreende os saldos que serão excluídos nos demonstrativos consolidados do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social (OFSS) do mesmo ente. x.x.x.x.3.xx.xx INTER OFSS – UNIÃO Compreende os saldos que serão excluídos nos demonstrativos consolidados do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social (OFSS) de entes públicos distintos, resultantes das transações entre o ente e a União. x.x.x.x.4.xx.xx INTER OFSS – ESTADO Compreende os saldos que serão excluídos nos demonstrativos consolidados do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social (OFSS) de entes públicos distintos, resultantes das transações entre o ente e um estado. x.x.x.x.5.xx.xx INTER OFSS – MUNICÍPIO Compreende os saldos que serão excluídos nos demonstrativos consolidados do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social (OFSS) de entes pú- blicos distintos, resultantes das transações entre o ente e um município. FONTE: Brasil (2017) Como visto no quadro anterior, são utilizados os respectivos dígitos para segregar e detalhar o nível 5, a fim de auxiliar na consolidação das demonstrações contábeis dos entes públicos. No entanto, devemos saber quais são as operações que pertencem a cada grupo do nível 5. Vejamos o Quadro 7: 29 Contabilidade Pública Capítulo 1 QUADRO 7 – OPERAÇÕES IDENTIFICADAS NO NÍVEL 5 Operações Identificadas no Nível 5 1 – Consolidação Transações entre uma entidade que pertence ao OFSS de um ente público e uma entidade privada, por exemplo: pessoas físicas; empresas, associações e fundações privadas; organizações sociais; organismos internacionais. Transações entre uma entidade que pertence ao OFSS de um ente público e uma entidade pública que não pertence ao OFSS de qualquer ente público, por exemplo: empresas estatais independentes. Alterações patrimoniais dentro de uma mesma entidade, por exemplo: depre- ciação. Registro e a baixa de ativos, no caso de transferência de ativos entre entida- des públicas, por exemplo: doação de bens de um ente a outro, transferência dos créditos para inscrição em dívida ativa entre a unidade de origem e a unidade responsável por sua inscrição. Transações entre uma entidade que pertence ao OFSSde um ente público e uma entidade que não pertença a nenhum OFSS, porém, seja obrigada a utilizar o PCASP. Exemplo: conselhos profissionais. Registros de uma entidade que utilize o PCASP por exigência normativa ou voluntariamente, porém, não faça parte do OFSS de nenhum dos entes. Exemplo: conselhos profissionais e empresas estatais independentes. 2 - Intra OFSS Identificarão as operações decorrentes de transações entre entidades que pertencem ao OFSS do mesmo ente público. 3, 4 e 5 - Inter OFSS Identificarão as operações decorrentes de transações entre entidades que pertencem a OFSS de entes públicos distintos, tais como: a. Repartição dos créditos tributários do ente público federal para o ente esta- dual ou municipal. b. Alterações patrimoniais decorrentes da transferência de bens móveis ou imóveis entre entes públicos distintos que utilizam o PCASP. FONTE: Brasil (2017) Conhecidos os níveis do plano de contas, agora temos os elementos necessários para a escrituração ou lançamentos dos atos e fatos contábeis. Da mesma forma que ocorre nas empresas privadas, a contabilidade pública obedece ao método das partidas dobradas, que consiste em débitos e créditos relativos às operações. Vejamos como esses lançamentos ocorrem utilizando-se as oito classes pertencentes ao nível 1 (ativo, passivo e patrimônio líquido, variações patrimoniais aumentativas, variações patrimoniais diminutivas, controles da aprovação do planejamento e orçamento, controles de execução do planejamento e orçamento, controles devedores e controles credores). Os débitos e os créditos deverão ocorrer apenas entre elementos da mesma natureza das contas, ou seja: 30 Contabilidade Pública • Lançamentos de natureza patrimonial: apenas debitam e creditam contas das classes 1, 2, 3 e 4. • Lançamentos de natureza orçamentária: apenas debitam e creditam contas das classes 5 e 6. • Lançamentos de natureza de controle: apenas debitam e creditam contas das classes 7 e 8. É incorreto creditar uma conta com elemento de natureza orçamentária de classe 5 e debitar elemento de natureza patrimonial de classe 2. O correto é que os lançamentos contábeis ocorram entre elementos da mesma natureza, ou seja: debitar conta de natureza orçamentária 5 e creditar conta de natureza orçamentária também (5). Vejamos um exemplo de lançamento contábil correto. A fixação da despesa apenas poderá ser registrada por meio do seguinte lançamento: Fixação de despesa Natureza da informação: orçamentária D 5.2.2.1.1.xx.xx Dotação Inicial C 6.2.2.1.1.xx.xx Crédito Disponível Veja que tanto o débito quanto o crédito são feitos entre elementos da mesma natureza. Então, como visto no decorrer da seção, o plano de contas aplicado ao setor público segue uma hierarquia de desdobramento e os entes da federação devem obedecer ao desdobramento até o sétimo nível, após isso poderá ser mais detalhado de forma autônoma pelo ente federativo. Vimos também que a escrituração das contas públicas deve ocorrer entre os elementos da mesma natureza. 2.5 PRESTAÇÃO DE CONTAS As empresas privadas são obrigadas a publicar demonstrativos contábeis do exercício financeiro anterior a fim de prestar contas aos seus investidores. Os órgãos públicos também têm a obrigação de publicação de demonstrativos e relatórios contábeis com o objetivo de prestar contas à sociedade. Para isso, todos os conteúdos apontados durante o capítulo orientam a elaboração dos demonstrativos contábeis para posteriormente ocorrer a prestação de contas. 31 Contabilidade Pública Capítulo 1 Como vimos anteriormente, a contabilidade pública permite aos usuários das informações dela provenientes acompanhar a origem e a aplicação dos recursos públicos. Por isso a prestação de contas é importante para a sociedade. Como é feita essa prestação de contas? Primeiramente, ela é feita por meio da publicação das demonstrações e dos relatórios contábeis. A Lei Complementar nº 101/2000 institui quais são as demonstrações contábeis aplicadas ao setor público, que são: • Balanço Orçamentário. • Balanço Financeiro. • Balanço Patrimonial. • Demonstração das Variações Patrimoniais. • Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). • Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). A publicação da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, foi importante para o acompanhamento das contas públicas, pois conforme instituído pela lei: Art. 1o Esta Lei dispõe sobre os procedimentos a serem observados pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, com o fim de garantir o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5o, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal. Parágrafo único. Subordinam-se ao regime desta Lei: I - os órgãos públicos integrantes da administração direta dos Poderes Executivo, Legislativo, incluindo as Cortes de Contas, e Judiciário e do Ministério Público; II - as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios (BRASIL, 2011, s.p.). O Portal de Transparência do Governo é um dos canais de prestação de contas à sociedade, já que são neles que as informações estão presentes, desde os demonstrativos contábeis até informações mais detalhadas da origem de receitas e gastos públicos. O Portal de Transparência pode ser acessado pelo seguinte link: <http://www.portaltransparencia.gov.br/>. http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 12.527-2011?OpenDocument http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art5xxxiii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art5xxxiii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art37%C2%A73ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art216%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art216%C2%A72 32 Contabilidade Pública 1 Quais são as leis mais importantes aplicadas à contabilidade pública? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 2 Como a Lei nº 101/2000 - Lei de Responsabilidade Fiscal - atua sobre as contas públicas? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 3 Quais são os objetivos da entidade pública em manter um plano de contas? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ Com relação a essa seção, vimos sobre a prestação de contas e como encontrar estas informações no site do governo. A prestação de contas é importante para o cidadão no acompanhamento dos gastospúblicos. 33 Contabilidade Pública Capítulo 1 4 O plano de contas possui uma série de desdobramentos com relação aos níveis hierárquicos. Como eles são estruturados? Qual é o mínimo de níveis obrigatórios nos PCASPs? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 5 Do que trata o nível 5 do plano de contas? Qual a importância dele para os órgãos públicos? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 6 Qual é o período do exercício financeiro? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 7 Como os órgãos públicos prestam contas à sociedade? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ LEITURA COMPLEMENTAR PROCESSO de Implantação do Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP): Análise sobre a percepção de contadores públicos sobre o Sistema de Planejamento e Gestão Fiscal de Santa Catarina (SIGEF) Autores: Ana Paula Theodoro e Fabrícia Silva da Rosa (2017). Palavras-chave: Teoria Institucional. Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBCASP). Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP). 34 Contabilidade Pública As entidades públicas brasileiras estão passando por grandes mudanças nos últimos anos, caracterizadas pelo uso de ferramentas contábeis capazes de expressar informações que servirão de base para consolidação de relatórios no setor público. Conforme Silva (2011), com a edição das NBC TSP foi aberto o caminho para a uniformização dos procedimentos contábeis e o reconhecimento da contabilidade como ciência que estuda o patrimônio. Em 2008, o Ministério da Fazenda editou a Portaria nº 184, que trata sobre as diretrizes a serem observadas no Setor Público referente aos procedimentos, práticas, elaboração e divulgação das demonstrações contábeis, de forma a torná-las correspondentes com as Normas Internacionais de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBCASP), expressas pela International Public Sector Accounting Standards - IPSAS -, e elaboradas pelo International Federation of Accountants - IFAC -, entidade responsável por elaborar as normas internacionais de contabilidade. Neste sentido, as NBCASP, de acordo com Rosa (2013, p. 4), “além de serem consideradas um marco conceitual, constituem uma verdadeira revolução na Contabilidade do setor público brasileiro”. Essas normas internacionais foram introduzidas no Brasil a partir de um cronograma de transição pelos entes subnacionais, como Estados e Municípios, além da própria União, respeitando-se um cronograma que ainda está em andamento no país, e o Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP), segundo Rosa (2013), seria adotado integralmente até o fim de 2014, conforme estabelecido no cronograma de ações constantes no anexo l da portaria/STN 439, de 12/07/2012. Segundo Feitosa (2012), o objetivo geral do PCASP orbita em torno da redução de divergências conceituais e procedimentais, em benefício da transparência da gestão fiscal, da racionalização de custos nos entes da Federação e do controle social. A forma de cumprimento dos objetivos estabelecidos no cronograma foi definida por cada ente subnacional, mantendo assim seus próprios controles para alcançar os objetivos, mas acredita-se que devem ter sido cumpridos, em maior ou menor grau. Partindo do pressuposto que as organizações acabaram por realizar as mudanças, uma das teorias que estão sendo utilizadas para compreendê-las é a teoria institucional (BURNS; SCAPENS, 2000). Essa teoria, segundo Frezatti et al. (2009), sob a vertente da Velha Economia Institucional, prevê que a contabilidade deve ser tratada como uma instituição, que conduz suas próprias características conceituais. 35 Contabilidade Pública Capítulo 1 De acordo com Scott (2004), ao verificar transformações em organizações, que abrangem características do comportamento humano, como a determinação de novas regras e a modificação de estruturas organizacionais, a teoria institucional age com eficácia para entender os resultados de tais mudanças. Cruz, Major e Scapens (2009) destacam que, de acordo com essa base teórica, regras são estabelecidas e devem tornar-se práticas para a organização. Neste artigo, especifica-se esse processo de mudança ocorrida no âmbito do Estado de Santa Catarina, entidade subnacional, obrigada a executar os procedimentos de adoção do PCASP, a partir das Normas Internacionais de Contabilidade Aplicada ao Setor Público - NBCASP -, inseridas pelo Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público - MCASP - e isso precisava ser absorvido pelos sistemas de informação dos entes públicos e, no caso do Estado de Santa Catarina, pelo Sistema de Planejamento e Gestão Fiscal de Santa Catarina - SIGEF. Neste contexto, o referido artigo tem por objetivo analisar a percepção de contadores públicos no processo de implantação do plano de contas aplicado ao setor público - PCASP - no Estado de Santa Catarina. Para tanto, baseou-se na Teoria Institucional com ênfase na Velha Economia Institucional, as NBCASP, considerando a implantação do PCASP no SIGEF e o impacto de sua utilização com a mudança, buscando auferir resultados a partir de um questionário que foi direcionado às pessoas que colocaram em prática e às que foram impactadas com a sua utilização. O estudo objetivou analisar a percepção de contadores públicos no processo de implantação do Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP) no Estado de Santa Catarina. Para tanto, foi elaborado um questionário visando identificar como este processo foi planejado pelos gestores, codificado, incorporado, reproduzido e institucionalizado no Estado, sob a percepção dos Contadores da Fazenda Estadual. Assim, foram realizadas perguntas aos atores desse processo, quais sejam, a Diretoria de Contabilidade Geral, envolvendo a Direção e os Gerentes das Gerências de Contabilidade Centralizada e de Sistemas de Gestão Fiscal, e os Contadores da Fazenda Estadual, em uma população de 85 pessoas, tendo respondido 33 profissionais, caracterizando a amostra do estudo. Na análise de resultados, as respostas do gestor da DCOG nesse processo indicaram um planejamento para a implantação do PCASP dentro do cronograma estabelecido pelas normas, com a criação de um grupo de trabalho específico para esse fim, além de debate e sugestões entre os gerentes, coordenadores 36 Contabilidade Pública e assessores, sintetizando que um dos princípios da diretoria é a inovação constante na busca da desburocratização e promoção da transparência. O papel dos sistemas de informação é imprescindível para a formulação de qualquer mudança dentro de um organismo complexo, como é o Estado, e as respostas do responsável por esse setor demonstraram que havia objetivos claros na mudança do processo, como o cumprimento do cronograma estabelecido e a minimização do impacto para os usuários do sistema, que segundo esse gestor, foram cumpridos. Ao analisar as respostas do gestor da equipe do grupo de trabalho responsável pela implementação do PCASP, entende-se que a execução do planejamento foi bem-sucedida, pois o objetivo de minimizar o impacto junto aos usuários foi atendido, além de citar a sensibilizaçãoda mudança em razão de treinamentos realizados. Um dos aspectos importantes da pesquisa foi perceber que os respondentes têm uma boa experiência na função que exercem, em razão de estarem pelo menos há mais de seis anos no cargo, o que ajuda no processo de análise. Além disso, na percepção desses usuários, a imposição legal e a padronização foram determinantes para a mudança, e que mesmo depois de implementada, ainda existem situações a serem abordadas. Para o processo de codificação, notou-se uma predominância das respostas quanto à aceitação e à participação do processo de planejamento pelos usuários, além da percepção de sucesso na execução e acompanhamento das mudanças dentro do processo de incorporação. No processo de reprodução das mudanças, notou-se que não houve muitos questionamentos individuais ou de grupos quanto ao modelo de mudança em si, o que se conjuga com a visão de imposição legal tratada no item dos motivos. De outra forma, a maioria concordou que foi receptiva quanto à mudança e que ela ajudou a melhorar as rotinas contábeis, embora não houvesse monitoramento nessa etapa. A análise da percepção dos gestores de topo e dos contadores sobre o processo de institucionalização revelou que houve tempo suficiente para funcionamento do PCASP, confiabilidade das informações e salto de qualidade nas informações contábeis após esse processo. Em questões complementares, observou-se que as principais mudanças citadas foram em rotinas contábeis, o que melhora o funcionamento da máquina pública no enfoque no patrimônio, melhorando a gestão e o regime de 37 Contabilidade Pública Capítulo 1 competência, corolário da contabilidade. Também se identificou que a mudança foi aderente aos valores e às crenças da organização e que as dificuldades estiveram relacionadas à adaptação às novas rotinas e à quebra de paradigmas, o que pode ser considerado como hipótese da mudança conceitual. Claro que tudo isso foi vencido por cada pessoa ao longo do processo de maneira particular, mas as respostas indicaram um caminho universal, o conhecimento, e este foi adquirido nesse processo por estudo minucioso em razão de envolvimento com a mudança e capacitações e treinamentos disponibilizados. Por fim, o estudo foi limitado a usuários que são contadores por formação, mas não foram os únicos impactados, pois atualmente muitas pessoas inserem informações que são utilizadas pela contabilidade, já que o SIGEF é utilizado para registrar toda a execução orçamentária, financeira e patrimonial do Estado, além de módulos gerenciais integrados, como contratos administrativos, transferências e precatórios, entre outros e, assim, sugere-se um estudo com os demais usuários que inserem tais informações para perceber o real impacto da implantação do PCASP em Santa Catarina. Para a implantação de mudanças em processos semelhantes, sugere- se a elaboração de um planejamento, com acompanhamento na execução e monitoramento de sua execução, com participação das pessoas impactadas pela mudança, práticas consideradas válidas pelos respondentes no processo de implantação do PCASP. FONTE: <http://dvl.ccn.ufsc.br/8congresso/anais/7CCF/20170815150224.pdf>. Acesso em: 19 jan. 2019. 3 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Como vimos, esse capítulo teve por objetivo fazer o aluno ter contato com a contabilidade pública e conhecer os termos e as noções contábeis aplicados à gestão pública. Para isso, foi apresentado ao aluno como a contabilidade é aplicada ao setor público por meio de leis (Lei nº 4.320/1964 e Lei nº 101/2000), que consistem nas leis mais importantes que regem a contabilidade pública e impõem limites aos gastos públicos, bem como das normas e manual. Na segunda seção, o aluno pôde ver que as informações contábeis que têm sua origem na atuação dos entes públicos são segregadas em três (orçamentária, patrimonial e fiscal), tendo por objetivo organizar as contas públicas, permitindo 38 Contabilidade Pública assim a elaboração dos demonstrativos e relatórios contábeis que servirão para a prestação de contas à comunidade. Após isso, o aluno pôde aprender sobre o exercício financeiro que rege a elaboração das demonstrações contábeis, bem como os sistemas de escrituração contábil que as entidades públicas estão sujeitas. Após, foi apresentado o plano de contas e como deve ocorrer a escrituração dos atos e fatos contábeis, observando que as leis, as normas e os princípios, assim como os sistemas de informações e regimes contábeis estão presentes para organizar e elaborar o plano de contas dos lançamentos contábeis. Por último, foi apresentado ao aluno como ocorre a prestação de contas dos órgãos públicos e o acesso à informação pública, fechando, desta forma, as cinco seções presentes nesse capítulo. Portanto, espera-se que ao final da leitura do capítulo o aluno seja capaz de entender as particularidades da contabilidade pública em relação à contabilidade das empresas privadas, bem como ter conhecimentos sobre esses elementos básicos apresentados. Ao entender esses elementos, é garantido que o aluno terá conhecimento de como são elaboradas as demonstrações contábeis e como é a atuação do contador nos órgãos públicos. No próximo capítulo, o aluno terá conhecimento das demonstrações contábeis obrigatórias que a entidade pública deverá publicar, obedecendo o que foi visto até aqui. REFERÊNCIAS BRASIL. Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP): exercício 2017. 7. ed. Portaria Conjunta STN/SOF n. 2, de 22 de dezembro de 2016. 2017. Disponível em: <http://www.tesouro. fazenda.gov.br/documents/10180/456785/MCASP+7%C2%AA%20 edi%C3%A7%C3%A3o+Vers%C3%A3o+Final.pdf/6e874adb-44d7-490c-8967- b0acd3923f6d>. Acesso em: 19 jan. 2019. ______. Lei n. 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5o, no inciso II do § 3o do art. 37 e no § 2o do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei no 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei no 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm>. Acesso em: 19 jan. 2019. 39 Contabilidade Pública Capítulo 1 ______. Resolução CFC n. 1.128. Aprova a NBC T 16.1 – Conceituação, Objeto e Campo de Aplicação. 2008. Disponível em: <https://internet. sefaz.es.gov.br/contas/contabilidade/orientacaoContabil/arquivos/ normasbrasileirasdecontabilidadeaplicadasaosetorpublicoealteracoes.pdf>. Acesso em: 19 jan. 2019. ______. Lei Complementar n. 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/ LCP/Lcp101.htm>. Acesso em: 1 nov. 2018. ______. Lei n. 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Disponível em: <http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4320.htm>. Acesso em: 20 out. 2018. CARVALHO, D. Orçamento e contabilidade pública: teoria, prática e mais de 800 exercícios. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. ROSA, M. B. Contabilidade do setor público. São Paulo: Atlas, 2011. SILVA, L. M. da. Contabilidade governamental: um enfoque administrativo da nova contabilidade pública. São Paulo: Atlas, 2011. THEODORO, A. P.; ROSA, F. S. da. Processo de Implantação do Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP): análise sobre a percepção de contadores públicos sobre o Sistema de Planejamento e Gestão Fiscal de Santa Catarina (SIGEF), 2017. http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 4.320-1964?OpenDocument 40 Contabilidade Pública CAPÍTULO 2 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração PúblicaA partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: � Saber: o objetivo do capítulo é apresentar aos alunos as demonstrações contábeis aplicadas à administração pública. � Fazer: ao final deste capítulo, o aluno deverá saber quais são as demonstrações contábeis aplicadas ao setor público e compreender suas particularidades e diferenças com relação à contabilidade de empresas. 42 Contabilidade Pública 43 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 1 CONTEXTUALIZAÇÃO O Capítulo 2 tem por finalidade apresentar ao aluno as demonstrações contábeis aplicadas ao setor público, que possuem particularidades em relação às demonstrações contábeis aplicadas às empresas privadas. Primeiramente será apresentado o Balanço Orçamentário, que trata da previsão de receitas e fixação de despesas, serão mostrados os conceitos e os quadros que integram a demonstração. Após serão apresentados o Balanço Financeiro, o Balanço Patrimonial, a Demonstração das Variações Patrimoniais, as Demonstrações dos Fluxos de Caixa e, por último, as Demonstrações das Variações Patrimoniais. Neste capítulo também serão propostas duas leituras complementares que são adaptadas de artigos científicos. Estas leituras complementares, além de fazerem o aluno ter contato com a pesquisa científica, trará melhor compreensão dos conceitos apresentados. Ao final do capítulo será permitido ao aluno fazer exercícios de revisão para que possa memorizar e testar os seus conhecimentos. Bons estudos! 2 ELEMENTOS DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Para a elaboração das demonstrações contábeis aplicadas ao setor público são utilizados elementos contábeis patrimoniais, de resultado e orçamentário. De acordo com a NBC TSP -Estrutura Conceitual, tanto a estrutura de apresentação quanto os elementos “fornecem um ponto inicial para reconhecer, classificar e agregar dados e atividades econômicas de maneira a fornecer aos usuários informação que satisfaça aos objetivos e atinja as características qualitativas da informação contábil, levando em consideração as restrições sobre esta” (BRASIL, 2017, p. 141). Cabe destacar que neste livro serão apresentados os conceitos dos elementos contábeis que compõem as demonstrações e não seus critérios de reconhecimento, que são eles: • Ativo. • Passivo. • Receitas. 44 Contabilidade Pública • Despesas. • Contribuições dos proprietários. • Distribuições dos proprietários. 2.1 ATIVO O conceito de ativo é: um recurso controlado no presente pela entidade como resultado de evento passado. Se sabemos que o ativo é um recurso, o que é um recurso? Recurso é um item com potencial de serviços ou com a capacidade de gerar benefícios econômicos. A forma física não é uma condição necessária para um recurso. O potencial de serviços ou a capacidade de gerar benefícios econômicos pode surgir diretamente do próprio recurso ou dos direitos de sua utilização. Alguns recursos incluem os direitos da entidade a uma série de benefícios, inclusive, por exemplo, o direito a: • Utilizar o recurso para a prestação de serviços (inclusive bens). • Utilizar os recursos de terceiros para prestar serviços, como arrendamento mercantil. • Converter o recurso em caixa por meio da sua alienação. • Beneficiar-se da valorização do recurso. • Receber fluxos de caixa. Então, o ativo é um recurso controlado no presente pela entidade. Ser controlado no presente é a capacidade de a empresa poder usar o recurso ou controlá-lo visando benefícios econômicos. Como forma de saber se a empresa controla o recurso no presente, podem ser observados os seguintes indicadores, conforme publicado no MCASP (BRASIL, 2017): • Ser propriedade legal. • Ter acesso ao recurso ou ter a capacidade de negar ou restringir o acesso ao recurso. • Meios que assegurem que o recurso seja utilizado para alcançar os seus objetivos. • A existência de direito legítimo ao potencial de serviços ou à capacidade para gerar os benefícios econômicos advindos do recurso. Ainda, o ativo deve ser proveniente de evento passado, isto é, os ativos sempre são originados de alguma transação que ocorreu no passado, como 45 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 compra de ativos por meio de uma transação comercial (com contrapartida) ou emissão de licenças para bandas de frequência de transmissões de telecomunicações (sem contraprestação). Agora conseguimos identificar que um ativo é um recurso controlado no presente pela entidade como resultado de evento passado, mas os ativos podem ser classificados em Circulante e Não Circulante. Os ativos circulantes são classificados como aqueles que estão disponíveis para a realização imediata ou até doze meses após a data da elaboração das demonstrações contábeis. Já o ativo não circulante é aquele que tem expectativa de realização além dos doze meses após a elaboração das demonstrações contábeis, além dos ativos financeiros, que são os valores e os créditos realizáveis que independem de autorização orçamentária e, por último, o ativo financeiro e não financeiro, que são os bens, os créditos e os valores, que para alienação ou mobilização, dependem de autorização legislativa. 2.2 PASSIVO Passivo pode ser definido como: uma obrigação presente, derivada de evento passado, cuja extinção deva resultar na saída de recursos da entidade. Obrigação presente é aquela que ocorre por força de lei ou não, a qual não possa ser evitada pela entidade. O passivo é classificado como Circulante e Não Circulante. De acordo com o MCASP (BRASIL, 2017), os passivos devem ser classificados como circulantes quando corresponderem a valores exigíveis até doze meses após a data das demonstrações contábeis. Os demais passivos devem ser classificados como não circulantes. Os passivos financeiros são aquelas dívidas fundadas e outros pagamentos que independem de autorização orçamentária. Já o passivo permanente são as dívidas fundadas e outras que dependam de autorização legislativa. 46 Contabilidade Pública 2.3 PATRIMÔNIO LÍQUIDO / SITUAÇÃO PATRIMONIAL LÍQUIDA A situação patrimonial, seja de entidade privada ou pública, é entendida como a diferença entre o ativo e o passivo. Esta situação patrimonial é reconhecida no Balanço Patrimonial como Patrimônio Líquido. No entanto, a situação patrimonial líquida pode ser positiva ou negativa. O patrimônio líquido é composto por: patrimônio ou capital social, reserva de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros e demais reservas, ações em tesouraria, resultados acumulados e o resultado do período. 3 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS APLICADAS AO SETOR PÚBLICO Assim como as empresas privadas, nas entidades públicas a publicação de demonstrações contábeis são de caráter obrigatório. De acordo com o Manual de Contabilidade Aplicado ao Setor Público (BRASIL, 2017), as demonstrações contábeis aplicadas ao setor público são: • Balanço Orçamentário. • Balanço Financeiro. • Balanço Patrimonial. • Demonstração das Variações Patrimoniais. • Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). • Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). 3.1 BALANÇO ORÇAMENTÁRIO O Balanço Orçamentário é a demonstração contábil que evidenciará as receitas e as despesas previstas em confronto com as realizadas. Nele são apresentadas as receitas e as despesas por categoria econômica e sua origem. A previsão inicial é que exista equilíbrio entre as receitas previstas e as despesas fixadas, ou seja, os valores de despesas fixadas não poderiam ultrapassar os valores de receitas previstas. Pode ocorrer de a entidade pública abrir créditos adicionais para fixação de despesas com valores de superávit de anos anteriores, somente desta forma 47 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 valores maiores de despesas fixadas nãocausam desequilíbrio das contas públicas. De acordo com o MCASP (BRASIL, 2017), recomenda-se a utilização de notas explicativas para esclarecimentos a respeito da utilização do superávit financeiro e de reabertura de créditos especiais e extraordinários, bem como suas influências no resultado orçamentário, de forma a possibilitar a correta interpretação das informações. O Balanço Orçamentário é composto por: • Quadro Principal. • Quadro da Execução dos Restos a Pagar Não Processados. • Quadro da Execução dos Restos a Pagar Processados. QUADRO 1 – QUADRO PRINCIPAL SUBTOTAL DAS RECEITAS (III) - (I+II) <ENTE DA FEDERAÇÃO> BALANÇO ORÇAMENTÁRIO ORÇAMENTOS FISCAL E DA SEGURIDADE SOCIAL Exercício: 2OXX Receitas Correntes (I) Receita Tributária Receita de Contribuições Receita Patrimonial Receita Agropecuária Receita Industrial Receita de Serviços Transferéncias Correntes Outras Receitas Correntes Receitas de Capital (II) Operações de Crédito Alienação de Bens Amortizações de Empréstimos Transferências de Capital Outras Receitas de Capital RECEITAS ORÇAMENTARIAS Previsão Inicial (a) Previsão Atualizada (b) Receitas Realizadas (c) Saldo (d) =(c-b) 48 Contabilidade Pública Operações de Crédito/Refinanciamento (IV) Operações de Crédito Internas Mobiliária Contratual Operaçôes de Crédito externas Mobiliária Contratual SUBTOTAL COM REFINANCIAM(NTO (v) = (III+IV) Déficit (VI) TOTAL (VII) = (V+VI) Saldos de Exercícios Anteriores (Utilizados Para Créditos Adicionais) Recursos Arrecadados em Exercícios Anteriores Superávit Financeiro Reabertura de Créditos Adicionais DESPESAS ORÇAMENTÁRIAS Dotação inicial (e) Dotação Atualizada (f) Despesas Empenhadas (g) Despesas Liquidadas (h) Despesas Pagas (i) Saldo da Dotação (j)=(f-g) Despesas Correntes (VIII) Pessoal e encargos Sociais Juros e encargos da Dívida Outras Despesas Correntes Despesas de Capital (IX) Investimentos inversões Financeiras Amortizaço da Dívida Reserva de Contingência (X) SUBTOTAL DAS DESPESAS (Xl) = (VIl + lX + X) 49 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 Amortização da Dívida/Refinanciamento (XII) Amortização da Dívida Interna Divida mobihiria Outras Dividas Amortização da Divida externa Divida Mobiliária Outras Dividas SUBTOTAL COM REFINANCIAMENTO (XII) = (XI + XII) Superávit (XIII) TOTAL (XIV) = (XII + XIII) Reserva do RPPS FONTE: Brasil (2017) No quadro principal, na coluna das receitas, temos: Previsão Inicial Serão demonstrados os valores da previsão inicial de receitas previstas na Lei Orçamentária Anual - LOA - e seus valores permanecerão sem alterações durante todo o exercício, pois além de ter sido publicado em lei, ele serve para orientação de valores previstos para receita. Conforme o MCASP (BRASIL, 2017), cabe salientar que as atualizações monetárias autorizadas por lei, efetuadas antes da data da publicação da LOA, também integrarão os valores apresentados na coluna. Previsão Atualizada Nesta coluna será demonstrado o resultado de atualização dos valores das receitas. Essas alterações podem ser provenientes de: • registro de excesso de arrecadação ou contratação de operações de crédito, ambas podendo ser utilizadas para abertura de créditos adicionais; • criação de novas naturezas de receita não previstas na LOA; • remanejamento entre naturezas de receita; • atualizações monetárias autorizadas por lei, efetuadas após a data da publicação da LOA. 50 Contabilidade Pública Se não ocorrer nenhum evento que ocasione a reestimativa da receita, a coluna Previsão Atualizada apresentará os mesmos valores da coluna Previsão Inicial. Receitas Realizadas Nesta coluna são demonstradas as receitas de fato arrecadadas pelo órgão público. Elas podem ser segregadas em Receitas Correntes e Receitas de Capital, conforme visto no quadro principal anterior. Receitas Correntes De acordo com o MCASP (BRASIL, 2017, p. 38): Receitas Orçamentárias Correntes são arrecadadas dentro do exercício financeiro, aumentam as disponibilidades financeiras do Estado e constituem instrumento para financiar os objetivos definidos nos programas e ações orçamentários, com vistas a satisfazer finalidades públicas. Receitas de Capital As Receitas de Capital são aquelas que: São arrecadadas dentro do exercício financeiro, aumentam as disponibilidades financeiras do Estado e são instrumentos de financiamento dos programas e ações orçamentários, a fim de se atingirem as finalidades públicas. Porém, de forma diversa das receitas correntes, as receitas de capital em geral não provocam efeito sobre o patrimônio líquido (BRASIL, 2017, p. 38). Operações de Crédito / Refinanciamento Demonstra o valor da receita decorrente da emissão de títulos públicos e da obtenção de empréstimos, inclusive as destinadas ao refinanciamento da dívida pública. Déficit Demonstra a diferença negativa entre as receitas realizadas e as despesas empenhadas, se for o caso. O déficit é apresentado junto às receitas, a fim de demonstrar o equilíbrio do Balanço Orçamentário. 51 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 Saldos de Exercícios Anteriores (utilizados para Créditos Adicionais) Mostra o valor dos recursos provenientes de superávit financeiro de exercícios anteriores que está sendo utilizado como fonte para abertura de créditos adicionais. É neste item que estão demonstrados os valores referentes aos créditos adicionais autorizados nos últimos quatro meses do exercício anterior ao de referência e reabertos no exercício de referência. O MCASP (BRASIL, 2017, p. 371), “apresenta valores somente nas colunas Previsão Atualizada e Receita Realizada e deverá corresponder ao valor utilizado para a abertura de créditos adicionais e valor efetivamente utilizado para o empenhamento de despesas, respectivamente”. Tais valores são para elaboração do cálculo do déficit ou superávit orçamentário, visto que são provenientes de exercícios anteriores. Recursos Arrecadados em Exercícios Anteriores São recursos de exercícios anteriores que serão utilizados para custear despesas do exercício corrente, permitindo o equilíbrio na aprovação da Lei Orçamentária. Despesas Orçamentárias São os valores de despesas a serem despendidas durante o ano corrente. Dotação Inicial da Despesa São os valores dos créditos iniciais publicados na Lei Orçamentária Anual (LOA). Estes valores são inalteráveis durante todo o exercício, pois os valores previstos na LOA. Dotação Atualizada da Despesa São os valores da dotação inicial com soma de créditos adicionais abertos ou reabertos durante o exercício de referência, são somadas juntamente quando necessárias as atualizações monetárias efetuadas após a data da publicação da LOA, deduzidos das respectivas anulações e cancelamentos. Caso não haja alterações nos valores das despesas, esta coluna permanecerá com o mesmo valor da coluna de dotação inicial. 52 Contabilidade Pública Despesas Empenhadas São os valores das despesas empenhadas no exercício, inclusive das despesas em liquidação, liquidadas ou pagas. Considera-se despesa orçamentária executada a despesa empenhada. Despesas Liquidadas São os valores das despesas liquidadas no exercício de referência, inclusive das despesas pagas. Não inclui os valores referentes à liquidação de restos a pagar não processados. Despesas Pagas São os valores das despesas pagas no exercício de referência. Não inclui os valores referentes ao pagamento de restos a pagar, processados ou não processados. Despesas Correntes Conforme o MCASP (BRASIL, 2017, p. 373), as “Despesas Correntes são as despesas que não contribuem, diretamente, para a formação ou aquisição de um bem de capital”. Despesas de Capital Conforme o MCASP (BRASIL, 2017, p. 373) as “Despesas de Capital sãoas despesas que contribuem, diretamente, para a formação ou aquisição de um bem de capital”. Reserva de Contingência Neste item do Balanço Orçamentário são evidenciados os valores da Reserva de Contingência, esta que é a destinação de parte das receitas orçamentárias para o atendimento de passivos contingentes e outros riscos, bem como eventos fiscais imprevistos, inclusive para a abertura de créditos adicionais. Reserva do RPPS A Reserva do RPPS é o item que mostra os valores da destinação de parte das receitas orçamentárias do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) para o pagamento de aposentadorias e pensões futuras. 53 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 Amortização da Dívida / Refinanciamento Neste item do Balanço Orçamentário será demonstrado o valor da despesa orçamentária decorrente do pagamento ou da transferência de outros ativos para a quitação do valor principal da dívida, inclusive os de refinanciamento da dívida. Superávit Demonstra a diferença positiva entre as receitas realizadas e as despesas empenhadas, se for o caso. FIGURA 2 – QUADRO DA EXECUÇÃO DOS RESTOS A PAGAR NÃO PROCESSADOS <ENTE DA FEDERAÇÃO> EXECUÇÃO DE RESTOS A PAGAR NÃO PROCESSADOS Inscritos Em Exercícios Anteriores (a) Em 31 de Dezembro do Exercício Anterior (b) Liquidados (c) Pagos (d) Cancelados (e) Saldo (f)=(a+b-d-e) Exercício: 20XX Despesas Correntes Pessoal e Encargos Sociais Juros e Encargos da Dívida Outras Despesas Correntes Despesas de Capital Investimentos Inversões Financeiras Amortização da Dívida TOTAL FONTE: Brasil (2017) 54 Contabilidade Pública O quadro da Execução de Restos a Pagar Não Processados é composto pelos seguintes elementos: Inscritos em Exercícios Anteriores São os valores de restos a pagar não processados relativos aos exercícios anteriores, exceto os relativos ao exercício imediatamente anterior, que não foram cancelados porque tiveram seu prazo de validade prorrogado. Inscritos em 31 de Dezembro do Exercício Anterior São os valores de restos a pagar não processados relativos ao exercício anterior que não foram cancelados porque tiveram seu prazo de validade prorrogado. Liquidados Compreende o valor dos restos a pagar não processados, liquidados após sua inscrição e ainda não pagos. Pagos Compreende o valor dos restos a pagar não processados, liquidados após sua inscrição e pagos. Cancelados Compreende o cancelamento de restos a pagar não processados por insuficiência de recursos, pela inscrição indevida ou para atender dispositivo legal. 55 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 FIGURA 3 – QUADRO DA EXECUÇÃO DOS RESTOS A PAGAR PROCESSADOS <ENTE DA FEDERAÇÃO> EXECUÇÃO DE RESTOS A PAGAR NÃO PROCESSADOS E NÃO PROCESSADOS LIQUIDADOS Inscritos Em Exercícios Anteriores (a) Em 31 de Dezembro do Exercício Anterior (b) Pagos (c) Cancelados (d) Saldo (e)=(a+b-c-d) Exercício: 20XX Despesas Correntes Pessoal e Encargos Sociais Juros e Encargos da Dívida Outras Despesas Correntes Despesas de Capital Investimentos Inversões Financeiras Amortização da Dívida TOTAL FONTE: Brasil (2017) Por último, tem-se o Quadro da Execução de Restos a Pagar Processados e Restos a Pagar Não Processados Liquidados. Inscritos em Exercícios Anteriores Neste item são evidenciados os valores de restos a pagar processados relativos aos exercícios anteriores, exceto os relativos ao exercício imediatamente anterior, que não foram cancelados porque tiveram seu prazo de validade prorrogado. 56 Contabilidade Pública Inscritos em 31 de dezembro do Exercício Anterior São os valores de restos a pagar processados relativos ao exercício imediatamente anterior que não foram cancelados porque tiveram seu prazo de validade prorrogado. Pagos Compreende o valor dos restos a pagar processados pagos. Cancelados São os cancelamentos dos restos a pagar processados por insuficiência de recursos, pela inscrição indevida ou para atender dispositivo legal. 3.2 BALANÇO FINANCEIRO Neste demonstrativo contábil aplicado ao setor público denominado Balanço Financeiro (BF) são evidenciadas as receitas e as despesas orçamentárias, bem como os ingressos e os dispêndios extraorçamentários, conjugados com os saldos de caixa do exercício anterior e os que se transferem para o início do exercício seguinte. Esta demonstração contábil tem sua estrutura reduzida a um único quadro, que contém as seguintes segregações: • A receita orçamentária realizada e a despesa orçamentária executada, por fonte/destinação de recurso, discriminando as ordinárias e as vinculadas. • Os recebimentos e os pagamentos extraorçamentários. • As transferências financeiras recebidas e concedidas, decorrentes ou independentes da execução orçamentária, destacando os aportes de recursos para o RPPS. • O saldo em espécie do exercício anterior e para o exercício seguinte. Esta demonstração contábil permite apurar o resultado financeiro do exercício. Esse cálculo pode ser efetuado de dois modos: 1) Saldo em espécie para o exercício seguinte (-) Saldo em espécie do exercício anterior (=) Resultado Financeiro do exercício 57 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 2) Receitas Orçamentárias (+) Transferências Financeiras Recebidas (+) Recebimentos Extraorçamentários (-) Receita Orçamentária (-) Transferências Financeiras Concedidas (-) Pagamentos Extraorçamentários (=) Resultado Financeiro do Período Destaca-se que o resultado financeiro do período não deve ser confundido com o déficit ou o superávit do exercício. O Balanço Financeiro tem a seguinte estrutura: FIGURA 4 – BALANÇO FINANCEIRO <ENTE DA FEDERAÇÃO> BALANÇO FINANCEIRO INGRESSOS Nota Exercício Anterior Exercício: 20XX Exercício Atual Receita Orçamentária (I) Ordinária Vinculada Recursos Vinculados à Educação Recursos Vinculados à Saúde Recursos Vinculados à Previdência Social — RPPS Recursos Vinculados à Previdência Social — RGPS Recursos Vinculados à Assistência Social (...) Outras Destinações de Recursos Transferências Financeiras Recebidas (II) Transferências Recebidas para a Execução Orçamentária Transferências Recebidas independentes de Execução Orçamentária Transferências Recebidas para Aportes de recursos para o RPPS Transferências Recebidas para Aportes de recursos para o RGPS 58 Contabilidade Pública Recebimentos Extraorçamentários (Ill) Inscrição de Restos a Pagar Não Processados Inscrição de Restos a Pagar Processados Depósitos Restituíveis e Valores Vinculados Outros Recebimentos Orçamentários Saldo do Exercício Anterior (lV) Caixa e Equivalentes de Caixa Depósitos Restituíveis e Valores Vinculados TOTAL (V) = (I + II + III + lV) DISPÊNDIOS Nota Exercício Anterior Exercício: 20XX Exercício Atual Despesas Orçamentária (VI) Ordinária Vinculada Recursos Vinculados à Educação Recursos Vinculados à Saúde Recursos Vinculados à Previdência Social — RPPS Recursos Vinculados à Previdência Social — RGPS Recursos Vinculados à Assistência Social (...) Outras Destinações de Recursos Transferências Financeiras Recebidas (VII) Transferências Recebidas para a Execução Orçamentária Transferências Recebidas independentes de Execução Orçamentária Transferências Recebidas para Aportes de recursos para o RPPS Transferências Recebidas para Aportes de recursos para o RGPS Pagamentos Extraorçamentários (VIll) Pagamentos de Restos a Pagar Não Processados Pagamentos de Restos a Pagar Processados 59 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 Depósitos Restituíveis e Valores Vinculados Outros Pagamentos Orçamentários Saldo do Exercício Seguinte (lX) Caixa e Equivalentes de Caixa Depósitos Restituíveis e Valores Vinculados TOTAL (X) = (VI + VII + VIII + lX) FONTE: Brasil (2017)Para melhor entender o Balanço Financeiro, veremos o que cada item integrante dele define: Receitas e Despesas Orçamentárias Ordinárias São as receitas orçamentárias, líquidas das deduções, e despesas orçamentárias de livre alocação entre a origem e a aplicação de recursos, para atender a quaisquer finalidades. Receitas e Despesas Orçamentárias Vinculadas São as receitas orçamentárias, líquidas das deduções, e despesas orçamentárias, aquelas cuja a aplicação dos recursos é definida por lei, de acordo com sua origem. Transferências Financeiras Recebidas e Concedidas São as movimentações de recursos financeiros entre órgãos e entidades da administração direta e indireta. Podem ser orçamentárias ou extraorçamentárias. Recebimentos Extraorçamentários São os ingressos não previstos no orçamento, por exemplo, ingressos de recursos relativos a consignações em folha de pagamento, fianças, cauções, inscrição de restos a pagar, entre outros. Pagamentos Extraorçamentários São os valores que condizem aos pagamentos que não precisam se submeter ao processo de execução orçamentária, tais quais, obrigações que representaram 60 Contabilidade Pública ingressos extraorçamentários, como devolução de depósitos e os restos a pagar inscritos em exercícios anteriores e pagos no exercício. Saldo do Exercício Anterior e Saldo para o Exercício Seguinte São os recursos financeiros e o valor das entradas compensatórias no ativo e passivo financeiros, que serão demonstradas na linha Depósitos Restituíveis e Valores Vinculados. 3.3 BALANÇO PATRIMONIAL Essa é a demonstração contábil que tem por finalidade evidenciar qualitativa e quantitativamente, a situação patrimonial da entidade pública por meio de contas representativas do patrimônio público, bem como os atos potenciais, que são registrados em contas de compensação (BRASIL, 2017). Com esta demonstração contábil é possível fazer análises diversas acerca da situação patrimonial da entidade, como sua liquidez e seu endividamento, entre outros. O Balanço Patrimonial tem sua estrutura composta por: • Quadro Principal. • Quadro dos Ativos e Passivos Financeiros e Permanentes. • Quadro das Contas de Compensação (controle). • Quadro do Superávit / Déficit Financeiro. ATIVO <ENTE DA FEDERAÇÃO> BALANÇO PATRIMONIAL Exercício: 20XX Nota Exercício AnteriorExercício Atual Ativo Circulante Caixa e Equivalentes de Caixa Créditos a Curto Prazo FIGURA 5 – BALANÇO PATRIMONIAL QUADRO PRINCIPAL 61 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 Investimentos e Aplicações Temporárias a Curto Prazo Estoques VPD Pagas Antecipadamente Total do Ativo Circulante Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo Créditos a Longo Prazo Investimentos Temporários a Longo Prazo Estoques VPD pagas antecipadamente Investimentos Imobilizado Intangível Total do Ativo Não Circulante TOTAI DO ATIVO PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO Passivo Circulante Obrigações Trab., Prey, e Assistenciais a Pagar a Curto Prazo Empréstimos e Financiamentos a Curto Prazo Fornecedores e Contas a Pagar a Curto Prazo Obrigações Fiscais a Curto Prazo Obrigações de Repartições a Outros Entes Provisões a Curto Prazo Demais Obrigações a Curto Prazo Total do Passivo Circulante Passivo Não Circulante Obrigações Trab., Prey, e Assistenciais a Pagar a Longo Prazo Empréstimos e Financiamentos a Longo Prazo Fornecedores e Contas a Pagar a Longo Prazo Obrigações Fiscais a Longo Prazo Provisões a Longo Prazo Demais Obrigações a Longo Prazo Resultado Diferido Total do Passivo Não Circulante FONTE: Brasil (2017) 62 Contabilidade Pública FIGURA 6 – QUADRO DOS ATIVOS E PASSIVOS FINANCEIROS PERMANENTES <ENTE DA FEDERAÇÃO> QUADRO DOS ATIVOS E PASSIVOS FINANCEIROS E PERMANENTES (Lei n° 4.320/1964) Exercício: 20XX Exercício AnteriorExercício Atual Ativo (I) Ativo Financeiro Ativo Permanente Total do Ativo Passivo (II) Passivo Financeiro Passivo Permanente Total do Passivo Saldo Patrimonial (Ill) = (I-II) FONTE: Brasil (2017) FIGURA 7 – QUADRO DAS CONTAS DE COMPENSAÇÃO <ENTE DA FEDERAÇÃO> QUADRO DAS CONTAS DE COMPENSAÇÃO (Lei n° 4.320/1964) Exercício: 20XX Exercício AnteriorExercício Atual Atos Potenciais Ativos Garantias e Contragarantias recebidas Direítos Conveniados e outros instrumentos congêneres Direitos Contratuais Outros atos potenciais ativos Total dos Atos Potenciais Ativos 63 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 FONTE: Brasil (2017) Atos Potenciais Passivos Garantias e Contragarantias concedidas Obrigações conveniadas e outros instrumentos congêneres Obrigações contratuais Outros atos potenciais passivos Total dos Atos Potenciais Passivos FIGURA 8 – QUADRO DO DÉFICIT / SUPERÁVIT FINANCEIRO <ENTE DA FEDERAÇÃO> QUADRO DO SUPERÁVIT/DÉFICT FINANCEIRO (Lei n° 4.320/1964) Exercício: 20XX Exercício AnteriorExercício Atual FONTES DE RECURSOS <Código da fonte> <Descrição da fonte> <Código da fonte> <Descrição da fonte> <Código da fonte> <Descrição da fonte> (...) (...) Total dos Fontes de Recursos FONTE: Brasil (2017) Apresentados os quadros que compõem o Balanço Patrimonial do setor público, agora veremos as definições dos itens que compõem esses quadros. Ativo Circulante São os valores de ativos que compreendam um dos dois seguintes critérios: estarem disponíveis para realização imediata, ou terem expectativa de realização até doze meses da data das demonstrações contábeis. Caixa e Equivalentes de Caixa São valores integrantes do ativo circulante, este item compreende o somatório 64 Contabilidade Pública dos valores em caixa e em bancos, bem como equivalentes, que representam recursos com livre movimentação para aplicação nas operações da entidade e para os quais não haja restrições para uso imediato. Créditos a Curto Prazo São valores integrantes do ativo circulante, compreendem os valores a receber por fornecimento de bens, serviços, créditos tributários, dívida ativa, transferências e empréstimos e financiamentos concedidos realizáveis até doze meses da data das demonstrações contábeis. Investimentos e Aplicações Temporárias a Curto Prazo São valores integrantes do ativo circulante que compreendem as aplicações de recursos em títulos e valores mobiliários, não destinadas à negociação e que não façam parte das atividades operacionais da entidade, resgatáveis no curto prazo, além das aplicações temporárias em metais preciosos. Estoques São valores integrantes do ativo circulante que compreendem os valores dos bens adquiridos, produzidos ou em processo de elaboração pela entidade com o objetivo de venda ou utilização própria no curso normal das atividades. Variações Patrimoniais Diminutivas (VPD) Pagas Antecipadamente São valores integrantes do ativo circulante que compreendem pagamentos de variações patrimoniais diminutivas (VPD) de forma antecipada, cujos benefícios ou prestação de serviço à entidade ocorrerão no futuro. Ativo Não Circulante O ativo não circulante são os ativos que serão realizados após doze meses da data das demonstrações contábeis. Realizável a Longo Prazo São valores integrantes do ativo não circulante que compreendem os bens, os direitos e as despesas (VPD) antecipadas realizáveis no longo prazo. Investimentos São valores integrantes do ativo não circulante que compreendem as 65 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 participações permanentes em outras sociedades, bem como os bens e os direitos não classificáveis no ativo circulante nem no ativo realizável a longo prazo e que não se destinem à manutenção da atividade da entidade. Imobilizado São valores integrantes do ativo não circulante que compreendem os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da entidadeou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram a ela os benefícios, os riscos e o controle desses bens. Intangível São valores integrantes do ativo não circulante que compreendem os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da entidade ou exercidos com essa finalidade. Passivo Circulante São os valores que são exigíveis até doze meses da data das demonstrações contábeis. Estes valores, para serem considerados passivos, as obrigações são estimadas e devem obedecer a algum dos seguintes critérios: ter prazos estabelecidos ou esperados dentro do ciclo operacional da entidade, ser primariamente para negociação, ter prazos estabelecidos ou esperados no curto prazo, devem ser valores de terceiros ou retenções em nome deles, quando a entidade do setor público for fiel depositária, independentemente do prazo de exigibilidade. Obrigações Trabalhistas, Previdenciárias e Assistenciais a Pagar a Curto Prazo São os valores referentes a salários ou remunerações, bem como benefícios aos quais o empregado ou servidor tenha direito, aposentadorias, reformas, pensões e encargos a pagar, benefícios assistenciais, inclusive os precatórios decorrentes dessas obrigações, com vencimento no curto prazo. Empréstimos e Financiamentos a Curto Prazo São valores de obrigações financeiras externas e internas da entidade a título de empréstimos, bem como as aquisições efetuadas diretamente com o fornecedor, com vencimentos no curto prazo. Fornecedores e Contas a Pagar a Curto Prazo São valores das obrigações com fornecedores de matérias-primas, 66 Contabilidade Pública mercadorias e outros materiais utilizados nas atividades da entidade, bem como as obrigações decorrentes do fornecimento de utilidades e da prestação de serviços, tais como de energia elétrica, água, telefone, propaganda, aluguéis e todas as outras contas a pagar, inclusive os precatórios decorrentes dessas obrigações, com vencimento no curto prazo. Obrigações Fiscais a Curto Prazo São aquelas obrigações que a entidade pública tem com o governo relativas a impostos, taxas e contribuições com vencimento no curto prazo (até doze meses após a elaboração da demonstração contábil). Obrigações de Repartições a Outros Entes São as obrigações de impostos e outras receitas a serem repartidos aos estados, Distrito Federal e municípios. Provisões a Curto Prazo São as obrigações de prazo ou de valor incertos, com probabilidade de ocorrerem no curto prazo. Demais Obrigações a Curto Prazo São as obrigações da entidade junto a terceiros não inclusas nos subgrupos anteriores, com vencimento no curto prazo. Passivo Não Circulante São as obrigações que serão pagas após doze meses da data das demonstrações contábeis. Obrigações Trabalhistas, Previdenciárias e Assistenciais a Pagar a Longo Prazo São as obrigações com salários ou remunerações, bem como benefícios aos quais o empregado ou servidor tenha direito, aposentadorias, reformas, pensões e encargos a pagar, benefícios assistenciais, inclusive os precatórios decorrentes dessas obrigações, com vencimento no longo prazo. Empréstimos e Financiamentos a Longo Prazo São as obrigações financeiras da entidade a título de empréstimos, bem 67 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 como as aquisições efetuadas diretamente com o fornecedor, com vencimentos no longo prazo. Fornecedores e Contas a Pagar a Longo Prazo São as obrigações com fornecedores de matérias-primas, mercadorias e outros materiais utilizados nas atividades operacionais da entidade, inclusive os precatórios decorrentes dessas obrigações, com vencimento no longo prazo. Obrigações Fiscais a Longo Prazo São as obrigações das entidades com o governo relativas a impostos, taxas e contribuições com vencimento no longo prazo. Provisões a Longo Prazo São aqueles passivos de prazo ou de valor incertos, com probabilidade de ocorrerem no longo prazo. Demais Obrigações a Longo Prazo São as obrigações da entidade junto a terceiros que não se enquadram nas definições anteriores. Resultado Diferido São os valores de variações patrimoniais aumentativas já recebidas que efetivamente devem ser reconhecidas em resultados em anos futuros e que não haja qualquer tipo de obrigação de devolução por parte da entidade. Patrimônio Líquido São os valores residuais dos ativos depois de deduzidos todos os passivos. Patrimônio Social e Capital Social São os valores do patrimônio social das autarquias, fundações e fundos e o capital social das demais entidades da administração indireta. Adiantamento para Futuro Aumento de Capital São valores de recursos recebidos pela entidade de seus acionistas ou 68 Contabilidade Pública quotistas destinados a serem utilizados para aumento de capital, quando não haja a possibilidade de devolução destes recursos. Reservas de Capital São valores somados ao patrimônio que não transitaram pelo resultado como variações patrimoniais aumentativas (VPA). Ajustes de Avaliação Patrimonial São os valores das contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuídos a elementos do ativo e do passivo em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos pela Lei nº 6.404/76 ou em normas expedidas pela comissão de valores mobiliários, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência. Reservas de Lucros São os valores de reservas constituídas com parcelas do lucro líquido das entidades para finalidades específicas. Demais Reservas São os valores de demais reservas que não são classificadas como reservas de capital ou de lucro, inclusive aquelas que terão seus saldos realizados por terem sido extintas pela legislação. Resultados Acumulados São aqueles valores remanescentes dos lucros ou prejuízos líquidos das empresas e os superávits ou déficits acumulados da administração direta, autarquias, fundações e fundos. Ações / Cotas em Tesouraria São as ações ou as cotas da entidade que foram adquiridas pela própria entidade. Contas de Compensação São aqueles valores de contas representativas dos atos potenciais ativos e passivos. 69 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 Atos Potenciais Os atos a executar que podem alterar o patrimônio, imediata ou indiretamente, por exemplo: direitos e obrigações conveniadas ou contratadas; responsabilidade por valores, títulos e bens de terceiros; garantias e contragarantias recebidas e concedidas. A definição é orientada pelo fluxo de caixa a ser envolvido na execução futura do ato potencial. Atos Potenciais Ativos São os atos a executar que podem vir a afetar positivamente o patrimônio, imediata ou indiretamente. Atos Potenciais Passivos São aqueles que afetam negativamente o patrimônio, imediata ou indiretamente. Superávit Financeiro É a diferença positiva entre o ativo financeiro e o passivo financeiro. Déficit Financeiro É a diferença negativa entre o ativo financeiro e o passivo financeiro. 3.4 DEMONSTRAÇÃO DAS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS Nesta demonstração contábil, a entidade pública demonstrará as alterações verificadas no patrimônio, resultantes ou independentes da execução orçamentária, e indicará o resultado patrimonial do exercício. É nesta demonstração contábil que é apurado o resultado do período, esta demonstração contábil é semelhante à Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) aplicado nas empresas privadas. O valor apurado nesta demonstração irá compor o resultado do exercício no Balanço Patrimonial. 70 Contabilidade Pública A Demonstração das Variações Patrimoniais pode ser elaborada de duas formas: I. Modelo Sintético: esse modelo facilita a visualização dos grandes grupos de variações patrimoniais que compõem o resultado patrimonial. II. Modelo Analítico: esse modelo auxilia o recebimento das contas anuaispor meio do SICONFI para fins de consolidação. O Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro - SICONFI é uma ferramenta destinada ao recebimento de informações contábeis, financeiras e de estatísticas fiscais oriundas de um universo que compreende todos os entes federados, ou seja, Municípios, Estados, o Distrito Federal e a União. FIGURA 9 – MODELO SINTÉTICO <ENTE DA FEDERAÇÃO> DEMONSTRAÇÃO DAS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS Exercício: 20XX Nota Exercício AnteriorExercício Atual Variações Patrimonials Aumentativas Impostos, Taxas e Contribuições de Melhoria Contribuições Exploração e Venda de Bens, Serviços e Direitos Variações Patrimonias Aumentativas Financeiras Transferências e Delegações Recebidas Valorização e Ganhos com Ativos e Desincorporação de Passivos Outras variações Patrimoniais Aumentativas Total dos Variações Patrimonio is Aumentativas (I) 71 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 Variações Patrimonials Diminutivas Pessoal e Encargos Benefícios Previdenciários e Assistenciais Uso de Bens, Serviços e Consumo de Capital Fixo Variações Patrimoniais Diminutivas Financeiras Transferências e Delegações Concedidas DesvaIorização e Perdas de Ativos e Incorporação de Passivos Tributárias Custo das Mercadorias e Produtos Vendidos, e dos Serviços Prestados Outras Variações Patrimoniais Diminutivas Total dos Variações Potrimoniais Diminutivas (II) RESULTADO PATRIMONIAL DO PERÍODO (III) = (I-II) FONTE: Brasil (2017) FIGURA 10 – MODELO ANALÍTICO Exercício: 20XX <ENTE DA FEDERAÇÃO> DEMONSTRAÇÃO DAS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS Nota Exercício AnteriorExercício AtualVARIAÇÕES PATRIMONIALS AUMENTATIVAS Impostos, Taxas e Contribuições de Melhoria Impostos Taxas Contribuições de Melhoria Contribuições Contribuições Sociais Contribuições de intervenção no Domínio Econômico Contribuição de iluminação PúbIica Contribuições de Interesse das Categorias Profissionais 72 Contabilidade Pública ExpIoração e Venda de Bens, Serviços e Direitos Vendas de Mercadorias Vendas de Produtos Exploração de Bens, Direitos e Prestação de Serviços Variações Patrimoniais Aumentativas Financeiras Juros e Encargos de Emprestimos e Financiamentos Concedidos Juros e Encargos de Mora Variações Monetárias e Cambiais Descontos Financeiros Obtidos Remuneração de Depósitos Bancários e Aplicações Financeiras Outras Variações Patrimoniais Aumentativas - Financeiras Transferências e Delegações Recebidas Transferências Intragovernamentais Transferências Intergovernamentais Transferências das instituições Privadas Transferências das instituições Multigovernamentais Transferências de Consórcios Públicos Transferências do Exterior Execução Orçamentária Delegada de Entes Transferências de Pessoas Físicas Outras Transferências e Delegações Recebidas Valorização e Ganhos com Ativos e Desincorporação de Passivos Reavaliação de Ativos Ganhos com Alienação Ganhos com incorporação de Ativos Desincorporação de Passivos Reversão de Redução ao Valor Recuperável Outras variações Patrimonlais Aumentativas VPA a classificar Resultado Positivo de Participações Reversão de Provsões e Ajustes para Perdas Diversas Variações Patrimoniais Aumentativas Total dos variações Patrimoniais Aumentativas (I) 73 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 VARIAÇÕES PATRIMONIAIS DIMINUTIVAS Pessoal e Encargos Remuneração a Pessoal Encargos Patronais Benefícios a Pessoal Outras variações Patrimoniais Diminutivas - Pessoal e Encargos Benefícios Previdenciários e Assistenciais Aposentadorias e Reformas Pensões Benefícios de Prestação Continuada Benefícios Eventuais Políticas Públicas de Transferencia de Renda Outros Benefícios Previdenciários e Assistenciais Uso de Bens, Serviços e Consumo de Capital Fixo Uso de Material de Consumo Serviços Depreciação, Amortização e Exaustão Variações Patrimoniais Diminutivas Financeiras Juros e Encargos de Empréstimos e Financiamentos Obtidos Juros e Encargos de Mora Variações Monetárias e Cambiais Descontos Financeiros concedidos Outras Variações Patrimoniats Diminutivas - Financeiras Transferências e Delegações Concedidas Transferências Intragovernamentais Transferências Intergovernamentais Transferências a instituições Privadas Transferências a instituições Multigovernamentais Transferências a Consórcios Públicos Transferências ao Exterior Execução Orçamentária Delegada de Entes Outras Transferências e Delegações Concedidas DesvaIorizaço e Perdas de Ativos e lncorporação de Passivos Redução a Valor Recuperável e Ajuste para Perdas Perdas com Alienação Perdas involuntárias Incorporação de Passivos 74 Contabilidade Pública Desincorporação de Ativos Tributárias Impostos, Taxas e Contribuições de Melhoria Contribuições Custo das Mercadorias e Produtos Vendidos, e dos Serviços Prestados Custos das Mercadorias Vendidas Custos dos Produtos Vendidos Custos dos Serviços Prestados Outras Variações Patrimoniais Diminutivas Premiações Resultado Negativo de Participações Incentivos Subvenções Econômicas Participações e Contribuições Constituição de Provisões Diversas Variações Patrimoniais Diminutivas Total das variações Patrimoniais Diminutivas (II) RESULTADO PATRIMONIAL DO PERÍODO (III) = (I-II) FONTE: Brasil (2017) Na Demonstração das Variações Patrimoniais temos as variações patrimoniais aumentativas e diminutivas, que irão compor o resultado financeiro da entidade pública. I. VARIAÇÕES PATRIMONIAIS AUMENTATIVAS São aquelas movimentações que aumentam as disponibilidades do órgão público. São eles, de acordo com o MCASP (BRASIL, 2017): Impostos, Taxas e Contribuições de Melhoria Compreendem toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. 75 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 Contribuições Compreende as contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de iluminação pública. Exploração e Venda de Bens, Serviços e Direitos Compreende as variações patrimoniais auferidas com a venda de bens, serviços e direitos, que resultem em aumento do patrimônio líquido, independentemente de ingresso, incluindo-se a venda bruta e deduzindo-se as devoluções, os abatimentos e os descontos comerciais concedidos. Variações Patrimoniais Aumentativas Financeiras São os descontos obtidos, juros auferidos, prêmio de resgate de títulos e debêntures, entre outros. Transferências e Delegações Recebidas São as transferências intergovernamentais, transferências intragovernamentais, transferências de instituições multigovernamentais, transferências de instituições privadas com ou sem fins lucrativos, transferências de convênios e transferências do exterior. Valorização e Ganhos com Ativos e Desincorporação de Passivos São valores de reavaliação e ganhos de ativos ou com a desincorporação de passivos. Outras Variações Patrimoniais Aumentativas Compreende o somatório das demais variações patrimoniais aumentativas não incluídas nos grupos anteriores, tais como: resultado positivo da equivalência patrimonial, dividendos etc. II.VARIAÇÕES PATRIMONIAIS DIMINUTIVAS São aquelas movimentações que diminuem as disponibilidades do órgão público. São elas, de acordo com o MCASP (BRASIL, 2017): Pessoal e Encargos Remuneração do pessoal ativo civil ou militar, vencimentos, saldos e 76 Contabilidade Pública vantagens pecuniárias fixas ou variáveis estabelecidas em lei decorrentes do pagamento pelo efetivo exercício do cargo, emprego ou função de confiança no setor público, contratos de terceirização de mãode obra que se refiram à substituição de servidores e empregados públicos, obrigações trabalhistas de responsabilidade do empregador, incidentes sobre a folha de pagamento dos órgãos e demais entidades do setor público, contribuições a entidades fechadas de previdência e benefícios eventuais a pessoal civil e militar, destacados os custos de pessoal e encargos inerentes às mercadorias e produtos vendidos e serviços prestados. Benefícios Previdenciários e Assistenciais Aposentadorias, pensões, reformas, reserva remunerada e outros benefícios previdenciários de caráter contributivo, do Regime Próprio da Previdência Social (RPPS) e do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), ações de assistência social, que são políticas de seguridade social não contributiva, visando ao enfrentamento da pobreza, à garantia dos mínimos sociais, ao provimento de condições para atender às contingências sociais e à universalização dos direitos sociais. Uso de Bens, Serviços e Consumo de Capital Fixo São valores com manutenção e operação da máquina pública, exceto despesas com pessoal e encargos que serão registradas em grupo específico (Despesas de Pessoal e Encargos), compreende: diárias, material de consumo, depreciação, amortização etc. Variações Patrimoniais Diminutivas Financeiras São valores de juros incorridos, descontos concedidos, comissões, despesas bancárias e correções monetárias. Transferências e Delegações Concedidas Valores de transferências intergovernamentais, transferências intragovernamentais, transferências a instituições multigovernamentais, transferências a instituições privadas com ou sem fins lucrativos, transferências a convênios e transferências ao exterior. Desvalorização e Perda de Ativos e Incorporação de Passivos São a desvalorização e perdas de ativos, com redução a valor recuperável, perdas com alienação e perdas involuntárias ou com a incorporação de passivos. 77 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 Tributárias Impostos, taxas, contribuições de melhoria, contribuições sociais, contribuições econômicas e contribuições especiais. Custo das Mercadorias e Produtos Vendidos e dos Serviços Prestados Compreende as variações patrimoniais diminutivas relativas aos custos das mercadorias vendidas, dos produtos vendidos e dos serviços prestados. Outras Variações Patrimoniais Diminutivas Compreende o somatório das variações patrimoniais diminutivas não incluídas nos grupos anteriores, tais como premiações, incentivos, equalizações de preços e taxas, participações e contribuições, resultado negativo com participações, entre outros. 3.5 DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA Essa demonstração contábil aplicada ao setor público tem por função demonstrar as saídas e as entradas de caixa e as classificar em fluxos de caixa operacional, fluxos de caixa de investimento e fluxos de caixa de financiamento. Conforme o MCASP (BRASIL, 2017), a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) identificará as fontes que geram os fluxos de entrada de caixa, os itens de consumo de caixa e o saldo de caixa na data de elaboração. Além do mais, a DFC permite ao gestor público analisar a entidade pública sob a perspectiva de capacidade de geração de fluxo de caixa e da utilização dos recursos próprios e de terceiros. Permite comparação do caixa com o resultado do período e com o passivo, desta forma, podendo identificar a quantidade de recursos utilizados para pagamento de dívidas, para investimentos e para atividades operacionais do setor público. A DFC pode ser elaborada de duas formas distintas, pelo método direto e método indireto, porém, as entidades públicas devem elaborá-las pelo método direto. A DFC é composta pelos seguintes quadros: • Quadro Principal. • Quadro de Receitas Derivadas e Originárias. 78 Contabilidade Pública • Quadro de Transferências Recebidas e Concedidas. • Quadro de Desembolsos de Pessoal e Demais Despesas por Função. • Quadro de Juros e Encargos da Dívida. FIGURA 11 – QUADRO PRINCIPAL <ENTE DA FEDERAÇÃO> DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA Nota Exercício AnteriorExercício AtualFLUXOS DE CAIXA DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS Exercício: 20XX Ingressos Receitas derivadas e originárias Transferências correntes recebidas Desembolsos Pessoal e demais despesas Juros e encargos da dívida Transferências concedidas Fluxo de caixa líquido das atividades operacionais (I) FLUXOS DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTO Ingressos AIienaço de bens Amortizaçao de empréstimos e financiamentos concedidos Desembolsos Aquisição de ativo nšo circulante Concessão de empréstimos e financiamentos Outros desembolsos de investimentos Fluxo de caixa líquido dos atividades de investimento (II) FLUXOS DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO 79 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 Ingressos Operações de crédito Integralização do capital social de empresas dependentes Transferências de capital recebidas Outros ingressos de financiamento Desembolsos Amortização /Refinanciamento da dívida Outros desembolsos de financiamentos Fluxo de caixa líquido dos atividades de financiamento (Ill) FONTE: Brasil (2017) FIGURA 12 – QUADRO DE RECEITAS DERIVADAS E ORIGINÁRIAS <ENTE DA FEDERAÇÃO> QUADRO DE RECEITAS DERIVADAS E ORIGINÁRIAS Exercício AnteriorExercício AtualRECEITAS DERIVADAS E ORIGINÁRIAS Exercício: 20XX Receita Tributária Receita de Contribuições Receita Patrimonial Receita Agropecuária Receita Industrial Receita de Serviços Remuneração das Disponibilidades Outras Receitas Derivadas e Originárias Total das Receitas Derivadas e Originárias FONTE: Brasil (2017) 80 Contabilidade Pública FIGURA 13 – QUADRO DE TRANSFERÊNCIAS RECEBIDAS E CONCEDIDAS FONTE: Brasil (2017) <ENTE DA FEDERAÇÃO> QUADRO DE TRANSFERÊNCIAS RECEBIDAS E CONCEDIDAS Exercício AnteriorExercício AtualTRANSFERÊNCIAS CORRENTES RECEBIDAS Exercício: 20XX Intergovernamentais da União de Estados e Distrito Federal de Municípios Intragovernamentals Outras transferências correntes recebidas Total das Transferências Correntes Recebidas TRANSFERNCIAS CONCEDIDAS Intergovernamentais a União a Estados e Distrito Federal a Municípios Intragovernamentals Outras transferências correntes recebidas Total das Transferências Concedidas 81 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 FIGURA 14 – QUADRO DE DESEMBOLSOS DE PESSOAL E DEMAIS DESPESAS POR FUNÇÃO FONTE: Brasil (2017) <ENTE DA FEDERAÇÃO> QUADRO DE DESEMBOLSOS DE PESSOAL E DEMAIS DESPESAS POR FUNÇÃO Exercício AnteriorExercício Atual Exercício: 20XX Legislativa Judiciária Essencial à Justiça Administração Defesa Nacional Segurança Pública Relações Exteriores Assistência Social Previdência Social Saúde Trabalho Educação Cultura Direitos da Cidadania Urbanismo Habitação Saneamento Gestão Ambiental Ciência e Tecnologia Agricultura Organização Agrária Indústria Comércio e Serviços Comunicações Energia Transporte Desporto e Lazer Encargos Especiais Total dos Desembolsos de Pessoal e Demais Despesas por Função 82 Contabilidade Pública FIGURA 15 – QUADRO DE JUROS E ENCARGOS DA DÍVIDA FONTE: Brasil (2017) <ENTE DA FEDERAÇÃO> QUADRO DE JUROS E ENCARGOS DA DÍVIDA Exercício AnteriorExercício Atual Exercício: 20XX Juros e Correção Monetária da Dívida Interna Juros e Correção Monetária da Dívida Externa Total dos Juros e Encargos da Dívida O quadro principal é composto pelos Fluxos de Caixa com Atividades Operacionais, de Financiamentos e Investimentos. • Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais Ingressos das Operações São as receitas relativas às atividades operacionais líquidas das respectivas deduções e as transferências correntes recebidas. Desembolsos das Operações São as despesas relativas às atividades operacionais, demonstrando-seos desembolsos de pessoal, os juros e os encargos sobre a dívida, as transferências concedidas e demais desembolsos das operações. • Fluxo de Caixa das Atividades de Investimento Ingressos de Investimento São as despesas referentes à aquisição de ativos não circulantes e as concessões de empréstimos e financiamentos. • Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamento 83 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 Ingressos de Financiamento São as obtenções de empréstimos, financiamentos e demais operações de crédito, inclusive o refinanciamento da dívida. Compreendem também a integralização do capital social de empresas dependentes. Desembolsos de Financiamento São as despesas com amortização e refinanciamento da dívida. Receitas Derivadas São valores de imposição constitucional ou legal e, por exemplo, as receitas tributárias e as de contribuições especiais. Receitas Originárias São as receitas arrecadadas por meio da exploração de atividades econômicas, tais como de rendas do patrimônio mobiliário e imobiliário do Estado (receita de aluguel), de preços públicos, de prestação de serviços comerciais e de venda de produtos industriais ou agropecuários. Transferências Intergovernamentais São as transferências de recursos entre entes da Federação distintos. Transferências Intragovernamentais São as transferências de recursos no âmbito de um mesmo ente da Federação. 3.6 DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) tem por finalidade demonstrar a evolução do patrimônio da entidade pública. Essas mutações podem ser, segundo o MCASP (BRASIL, 2017): • os ajustes de exercícios anteriores; 84 Contabilidade Pública • as transações de capital com os sócios, por exemplo: o aumento de capital, a aquisição ou venda de ações em tesouraria e os juros sobre capital próprio; • o superávit ou déficit patrimonial; • a destinação do resultado, por exemplo: transferências para reservas e a distribuição de dividendos; • outras mutações do patrimônio líquido. A DMPL é obrigatória apenas para as empresas estatais dependentes, desde que constituídas sob a forma de sociedades anônimas (S/A), e facultativa para os demais órgãos e entidades dos entes da Federação. Diferente das demais demonstrações, a DMPL é constituída apenas por seu quadro principal, não existindo outros quadros adicionais. FIGURA 16 – DEMONSTRAÇÃO DAS VARIAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO FONTE: Brasil (2017) <ENTE DA FEDERAÇÃO> DEMONSTRAÇÃO DAS VARIAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO Exercício: 20XX Pat.Social/ Capital Social Adiant. para Futuro Aumento de Capital (AFAC) Reserva de Capital Ajustes de Avaliação Patrimonial Reservar de Lucro Demais Reservas Resultados Acumulados Ações/ Cotas em Tesouraria Total ESPECIFICAÇÃO Saldos iniciais Ajustes de exercícios anteriores Aumento de capital Resgate/Reemissão de Ações e Cotas Juros sobre capital próprio Resultado do exercício Ajustes de avaliação patrimonial Constituição/Reversão de reservas Dividendos a distribuição (R$ ... por ação) Saldos finais Compõem a DMPL os seguintes itens, conforme o Manual de Contabilidade Pública Aplicada ao Setor Público (BRASIL, 2017): 85 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 Patrimônio Social / Capital Social É o patrimônio social das autarquias, fundações e fundos e o capital social das demais entidades da administração indireta. Adiantamento para Futuro Aumento de Capital São os recursos recebidos pela entidade de seus acionistas ou quotistas destinados a serem utilizados para aumento de capital, quando não haja a possibilidade de devolução destes recursos. Reservas de Capital São os valores acrescidos ao patrimônio que não transitaram pelo resultado como variações patrimoniais aumentativas (VPA). Ajustes de Avaliação Patrimonial São as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuídos a elementos do ativo e do passivo em decorrência da sua avaliação a valor justo. Reservas de Lucros São as reservas constituídas com parcelas do lucro líquido das entidades para finalidades específicas. Demais Reservas São as demais reservas que não podem ser classificadas como reservas de capital ou de lucro, inclusive aquelas que terão seus saldos realizados por terem sido extintas pela legislação. Resultados Acumulados É o saldo remanescente dos lucros ou prejuízos líquidos das empresas e os superávits ou déficits acumulados da administração direta, autarquias, fundações e fundos. Ações / Cotas em Tesouraria São os valores das ações ou cotas da entidade que foram adquiridas pela própria entidade. 86 Contabilidade Pública 3.7 NOTAS EXPLICATIVAS As notas acompanham todas as demonstrações contábeis quando se faz necessário explicar informações que não são passíveis de publicação nas demonstrações. Elas têm por finalidade facilitar a compreensão das demonstrações contábeis, consideradas parte integrante das demonstrações. Seu objetivo é facilitar a compreensão das demonstrações contábeis a seus diversos usuários. Segundo orientações do MCASP (BRASIL, 2017) elas devem ser claras, sintéticas e objetivas. Mais informações gerais que podem estar presentes são: I. Jurídica da entidade. II. Domicílio da entidade. III. Natureza das operações e principais atividades da entidade. IV. Declaração de conformidade com a legislação e com as normas de contabilidade aplicáveis. V. Bases de mensuração utilizadas, por exemplo: custo histórico, valor realizável, líquido, valor justo ou valor recuperável. VI. Novas normas e políticas contábeis alteradas. VII. Julgamentos pela aplicação das políticas contábeis. VIII. Passivos contingentes e compromissos contratuais não reconhecidos. IX. Divulgações não financeiras, tais como: os objetivos e políticas de gestão do risco financeiro da entidade; pressupostos das estimativas. X. Reconhecimento de inconformidades que podem afetar a compreensão do usuário sobre o desempenho e o direcionamento das operações da entidade no futuro. XI. Ajustes decorrentes de omissões e erros de registro. 3.8 CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Ao final do período, as entidades públicas devem consolidar as demonstrações contábeis. Este é o processo de agregação dos saldos das contas de mais de uma entidade. Essa consolidação é feita em cada ente da federação ou de forma consolidada nacionalmente. Destaca-se que a consolidação nacional é de competência da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e abrange todas as entidades incluídas no orçamento fiscal e da seguridade social (OFSS), ou seja, União, estados, Distrito Federal, municípios, Executivo, Legislativo, Judiciário, além da administração pública direta, indireta, fundos, autarquias e estatais. 87 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 1 O total de recursos controlados por uma entidade que sejam resultado de eventos passados, cujo prazo estimado para a realização ultrapasse o término do exercício seguinte, e dos quais se espera que resultem benefícios econômicos futuros, é classificado como: ( ) Capital social. ( ) Ativo circulante. ( ) Ativo não circulante. ( ) Patrimônio líquido. ( ) Passivo não circulante. 2 Evidencia, qualitativa e quantitativamente, a situação patrimonial da entidade pública por meio de contas representativas do patrimônio público, bem como os atos potenciais, que são registrados em contas de compensação (natureza de informação de controle). Esse conceito está se referindo a qual demonstração contábil aplicada ao setor público? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ 3 Compreende o somatório dos valores em caixa e em bancos, bem como equivalentes, que representam recursos com livre movimentação para aplicação nas operações da entidadee para os quais não haja restrições para uso imediato. A que se refere essa afirmação? a) ( ) Ativo circulante. b) ( ) Ativo não circulante. c) ( ) Caixa e equivalente de caixa. d) ( ) Passivo não circulante. e) ( ) Patrimônio líquido. 4 As contas integrantes do ativo circulante do balanço patrimonial aplicado ao setor público compreendem: R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 88 Contabilidade Pública 5 O ativo realizável a longo prazo, os investimentos, o imobilizado, o intangível e eventual saldo a amortizar do ativo diferido são evidenciados em qual demonstração contábil aplicada ao setor público? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ 6 A previsão da receita e a fixação das despesas, bem como as alterações decorrentes dos Créditos Adicionais, são registradas: ( ) No sistema financeiro. ( ) No sistema patrimonial. ( ) No sistema de compensação. ( ) No sistema patrimonial ou de compensação, conforme o caso. ( ) No sistema orçamentário. 7 (ENADE) Os pressupostos da Teoria da Agência de Jensen e Meckling, estão embasados em uma relação contratual, na qual o principal encarrega o agente de desenvolver alguma atividade de seu interesse, podendo surgir os seguintes conflitos nessa relação: i) divergência de objetivos entre principal e agente; ii) dificuldade de monitoramento das atividades do agente e iii) divergência de posicionamento, entre principal e agente, em relação ao risco envolvido no gerenciamento da atividade. Percebe-se que o problema de agência se fundamenta, principalmente, na questão da informação incompleta (assimétrica), que remete à posse, pelo agente de um conjunto privilegiado de informações sobre as atividades desenvolvidas no relacionamento com o principal. FONTE: BAIRRAL, M. A. C.; SILVA, A. H. C.; ALVES, F. J. S. Transparência no setor público: uma análise dos relatórios de gestão anuais de entidades públicas federais no ano de 2010. Revista de Administração Pública-RAP, v. 49, n. 3, 2015. Considerando o texto anterior e a sua inter-relação com a avaliação de políticas públicas, analise as sentenças a seguir: I. A criação da Lei de Responsabilidade Fiscal inviabiliza a aplicação da teoria da agência na administração pública, pois o cidadão (agente) possui informações completas acerca das atividades desenvolvidas pelo gestor público (principal), inexistindo conflito de agência. II. Na prestação de contas públicas, a divulgação de informações incompletas pelo gestor público (agente) ao cidadão (principal), 89 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 prejudica o monitoramento de políticas públicas implementadas. III. A transparência na divulgação da informação pública serve como uma forma de aproximação entre o cidadão (principal) e o gestor público (agente), o que facilita a avaliação de políticas públicas. É correto o que se afirma em: ( ) I, apenas. ( ) II, apenas. ( ) I e III, apenas. ( ) II e III, apenas. ( ) I, II e III. LEITURA COMPLEMENTAR 1 Demonstrações contábeis segundo a Lei nº 4.320/64 e alterações posteriores à Lei nº 4.320/64 estabelecem as demonstrações e os relatórios contábeis que devem ser elaborados pelo setor público, dentre as quais se destacam: o Balanço Orçamentário, o Balanço Financeiro, o Balanço Patrimonial e a Demonstração das Variações Patrimoniais. O Balanço Orçamentário, conforme anexo 12 da Lei nº 4.320/64, objetiva demonstrar as receitas e as despesas previstas em confronto com as realizadas, ou seja, evidenciar o resultado orçamentário (BRASIL, 1964). Essa demonstração também é exigida pela LRF, a qual prevê, no art. 52, que todos os Poderes e o Ministério Público devem publicá-lo até 30 dias após o encerramento de cada bimestre, contendo receitas por fonte, realizadas e a realizar, bem como a previsão atualizada e as despesas por grupo de natureza, discriminando a dotação para o exercício, a despesa liquidada e o saldo (BRASIL, 2000). Segundo Kohama (2006), o Balanço Orçamentário é o instrumento que busca demonstrar o cumprimento das determinações e especificações constantes na Lei de Orçamento, ou seja, essa demonstração indica o grau de eficiência entre o planejamento e a execução orçamentária. Corroborando com essa afirmação, para Carvalho e Ceccato (2011), as informações prestadas sobre o orçamento público pelo Balanço Orçamentário permitem analisar, por meio de indicadores, o desempenho da gestão orçamentária. O art. 103 da Lei nº 4.320/64 estabelece que o Balanço Financeiro deverá demonstrar as receitas e as despesas orçamentárias, bem como os recebimentos e os pagamentos de natureza extraorçamentária conjugados com os saldos em espécie provenientes do exercício anterior, e os que se transferem para o 90 Contabilidade Pública exercício seguinte. O parágrafo único deste artigo ressalta que os restos a pagar do exercício serão computados na receita extraorçamentária para compensar sua inclusão na despesa orçamentária (BRASIL, 1964). O anexo 13 da Lei nº 4.320/64 retrata que, por meio do Balanço Financeiro, os entes públicos evidenciam as despesas por função, em confronto com as receitas arrecadadas, apurando as disponibilidades para o período seguinte e o resultado financeiro do exercício (BRASIL, 1964). Em resumo, essa demonstração permite verificar os fluxos financeiros, tornando-se relevante para o planejamento dos dispêndios do setor público. A LRF, no seu art. 55, trata do conteúdo do Relatório de Gestão Fiscal a ser entregue até 30 dias após o encerramento de cada quadrimestre, estabelecendo que no último quadrimestre deve ser elaborado o demonstrativo da disponibilidade de caixa com data-base de 31 de dezembro, na qual essas disponibilidades serão apresentadas, separando-se as receitas vinculadas das não vinculadas (BRASIL, 2000). Esse relatório tem como finalidade evidenciar se o ente público possui caixa suficiente para arcar com os compromissos assumidos no exercício corrente e que só serão pagos no exercício seguinte. A Demonstração das Variações Patrimoniais (DVP), definida no art. 104 da Lei nº 4.320/64, pretende evidenciar as alterações verificadas no patrimônio, resultantes ou independentes da execução orçamentária, indicando o resultado patrimonial. O resultado patrimonial do período é apurado pelo confronto entre as variações patrimoniais quantitativas aumentativas e diminutivas (NASCIMENTO; BOTELHO; LIMA, 2011). O Balanço Patrimonial para as entidades públicas está estabelecido pelo art. 105 da Lei nº 4.320/64 e deve demonstrar os ativos e os passivos financeiros, os ativos e os passivos permanentes, o saldo patrimonial e as contas de compensação (ativo e passivo não financeiro) (BRASIL, 1964). A separação do Balanço Patrimonial em itens financeiros e não financeiros atribui-lhe um enfoque orçamentário, pois aqueles não dependem da execução orçamentária, enquanto que estes dependem. Para Klein (2013), o arcabouço conceitual trazido pela Lei nº 4.320/64 carrega um intenso enfoque voltado para o controle orçamentário, o que leva a Contabilidade Pública brasileira a ser conhecida como uma Contabilidade essencialmente orçamentária. No entanto, segundo Soares et al. (2011), atualmente as demonstrações contábeis estão passando por um processo de convergência das normas internacionais do setor público, visando suprir uma carência existente na elaboração dessas demonstrações, que até então tinham utilizado, por analogia, alguns métodos utilizados pelo setor privado. FONTE: JUNIOR, A. E. X.; PAULO, E.;SILVA, J. D. G. da. Estudo sobre a capacidade informacional das novas estruturas das demonstrações contábeis aplicadas ao setor público. Registro Contábil, v. 5, n. 1, p. 19, 2014. 91 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 LEITURA COMPLEMENTAR 2 O início do estudo da convergência da contabilidade pública no Brasil aos padrões internacionais ocorreu logo após a edição da Lei nº 11.638/2007. Essa lei contribuiu para padronizar a contabilidade privada brasileira aos padrões internacionais, no entanto, cada processo de convergência, seja no setor público ou no privado, tem suas particularidades funcionais. Na visão de Zarth (2010), a convergência das normas contábeis do setor público aos padrões internacionais se deu devido ao processo de harmonização das normas do setor privado. Até então, o Brasil não apresentava suas Demonstrações Contábeis do Setor Público de acordo com as normas internacionais emitidas pela IFAC (International Federation of Accountants). Segundo Niyama (2005), a harmonização pode ser considerada como um processo que busca preservar as particularidades inerentes a cada país, mas que permita reconciliar os sistemas contábeis com outros países. Para Weffort (2005), a harmonização pode ser entendida como um processo por meio do qual as diferenças nas práticas contábeis entre os países são diminuídas. Após a edição da Lei 11.638/2007, que alterou a Lei 6.404/76, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) criou, através da Resolução 1.107/07, o Comitê Gestor da Convergência no Brasil, composto por órgãos como o CFC, o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banco Central do Brasil (BACEN), a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para desenvolverem ações que promovessem a convergência das normas brasileiras de contabilidade aos padrões internacionais emitidas pelo próprio CFC, que são as NBC TSP e pelo IFAC (International Federation of Accountants), que são as IPSAS (International Public Sector Accounting Standards). Nesse processo, a STN, por meio da Portaria do Ministério da Fazenda (MF) 184/2008, recebeu a responsabilidade de identificar as necessidades de convergência aos normativos emitidos pelo CFC e pela IFAC (VENDRUSCOLO; SALLABERRY, 2011). Assim, a STN, por intermédio desta portaria, ficou responsável pela edição de manuais, normativos e instruções sobre os procedimentos contábeis e o desenvolvimento de um plano de contas único aplicado no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e Municípios. De acordo com o MF (2008), a implantação de um Novo Modelo de Contabilidade Aplicada ao Setor Público tem como objetivo convergir as práticas de contabilidade vigentes aos padrões estabelecidos nas Normas Internacionais de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público. Para auxiliar a STN, em 21/11/2008, foram aprovadas em plenária do CFC as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicada ao Setor Público (NBCASP), que são 11 normas, da NBC TSP 16.1 a 92 Contabilidade Pública 16.11. A NBC TSP 16.11 que trata das normas de custos foi aprovada em 2011. Segundo Azevedo (2009), as primeiras normas de contabilidade aplicadas ao setor público vêm trazer profundos impactos, não só na escrituração contábil dos fatos contábeis próprios do setor público, mas também trarão reflexos comportamentais no cotidiano dos contabilistas. A STN, observando as NBC TSP emitidas pelo CFC, aprovou através da Portaria 467/09, o MCASP (Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público). Cabe salientar que esse manual já está em sua 6ª edição, conforme publicação no mês de dezembro de 2014. O MCASP, elaborado pela STN, contém uma série de capítulos, dentre os quais: (a) os Procedimentos Contábeis Orçamentários; (b) Procedimentos Contábeis Patrimoniais; (c) Procedimentos Contábeis Específicos; (d) Plano de Contas Aplicado ao Setor Público; e (e) Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público, para auxiliar os Entes Federados no processo de convergência da contabilidade pública. Dentre esses manuais, o PCASP apresentará uma estrutura básica de escrituração contábil, possibilitando assim a padronização de procedimentos contábeis, visto que será exigido dos entes da Federação a partir de 2015. Para Moura, Lima e Ferreira (2009), um plano nacionalmente padronizado gerará bases de dados consistentes, propiciando informações contábeis que possam ser compreendidas por todos os usuários. Para a STN (2009, p. 11), “os objetivos gerais do PCASP correspondem ao estabelecimento de normas e procedimentos para o registro contábil das entidades do setor público e a viabilizar a consolidação das contas públicas”. Em 14 de dezembro de 2011, a STN através da Portaria nº 828/2011, alterou o prazo para adoção do PCASP e dos demais capítulos que compõem o MCASP. O Plano de Contas Aplicado ao Setor Público e às Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público deverão ser adotados pelos entes, de forma facultativa, a partir de 2012 e, de forma obrigatória, a partir de 2015. Essa portaria auxiliará os entes que possuem pouca estrutura na área contábil, como as prefeituras de cidades pequenas, pois dará um prazo maior de adaptação às novas regras, visto que a adoção dos Procedimentos Contábeis Patrimoniais ocorrerá de forma gradual. FONTE: COSTA, A. de J. B.; NUNES, M. V.; ALMEIDA, A. P. de. A aplicação do manual de contabilidade ao setor público em municípios brasileiros: o caso do município de Cristópolis no estado da Bahia. Revista de Gestão e Contabilidade da UFPI, v. 3, n. 2, 2017. 93 Demonstrações Contábeis Aplicadas À Administração Pública Capítulo 2 4 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Nesse capítulo, o aluno pôde conhecer os elementos que compõem o orçamento público, as demonstrações contábeis aplicadas ao setor público e as diferenças com relação às demonstrações contábeis aplicadas às empresas privadas. Conhecer as demonstrações e sua estrutura permite o acompanhamento das finanças dos órgãos públicos. Em um primeiro momento foi apresentado o Balanço Orçamentário, que trata da previsão de receitas e fixação de despesas, e também foram mostrados os conceitos e os quadros que integram a demonstração. O Balanço Financeiro, o Balanço Patrimonial, a Demonstração das Variações Patrimoniais, as Demonstrações dos Fluxos de Caixa e, por último, as Demonstrações das Variações Patrimoniais. Nesse capítulo o aluno também teve contato com leituras complementares adaptadas de artigos científicos. Essas leituras complementares permitiram ao aluno ter contato com a pesquisa científica e melhor compreensão dos conceitos apresentados. REFERÊNCIAS BRASIL. Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP): exercício 2017. 7. ed. Portaria Conjunta STN/SOF n. 2, de 22 de dezembro de 2016. 2017. Disponível em: <http://www.tesouro. fazenda.gov.br/documents/10180/456785/MCASP+7%C2%AA%20 edi%C3%A7%C3%A3o+Vers%C3%A3o+Final.pdf/6e874adb-44d7-490c-8967- b0acd3923f6d>. Acesso em: 19 jan. 2019. ______. Lei n. 12.527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5o, no inciso II do § 3o do art. 37 e no § 2o do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei no 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei no 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm>. Acesso em: 19 jan. 2019. 94 Contabilidade Pública ______. Resolução CFC n. 1.128. Aprova a NBC T 16.1 – Conceituação, Objeto e Campo de Aplicação. 2008. Disponível em: <https://internet. sefaz.es.gov.br/contas/contabilidade/orientacaoContabil/arquivos/ normasbrasileirasdecontabilidadeaplicadasaosetorpublicoealteracoes.pdf>. Acessoem: 19 jan. 2019. ______. Lei Complementar n. 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/ LCP/Lcp101.htm>. Acesso em: 1 nov. 2018. ______. Lei n. 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Disponível em: <http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4320.htm>. Acesso em: 20 out. 2018. COSTA, A. de J. B.; NUNES, M. V.; ALMEIDA, A. P. de. A aplicação do manual de contabilidade aplicado ao setor público em municípios brasileiros: o caso do município de Cristópolis no estado da Bahia. Revista de Gestão e Contabilidade da UFPI, v. 3, n. 2, 2017. JÚNIOR, A. E. X.; PAULO, E.; SILVA, J. D. G. da. Estudo sobre a capacidade informacional das novas estruturas das demonstrações contábeis aplicadas ao setor público. Registro Contábil, v. 5, n. 1, p. 19, 2014. http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 4.320-1964?OpenDocument CAPÍTULO 3 Dívida Pública E Fundos Especiais A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: � O objetivo do capítulo é apresentar os conceitos de Dívida Pública e dos Fundos Especiais. � Ao final do capítulo, você deverá saber os conceitos de Dívida Pública e suas variações e entender os conceitos de Fundos Especiais e como a administração pública atua sobre eles. 96 Contabilidade Pública 97 Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Neste capítulo serão apresentados os aspectos teóricos e práticos sobre a dívida pública, conceitos e alguns indicadores utilizados para demonstrar a situação da dívida pública. Há ainda alguns gráficos e análises para que se consiga entender os valores apresentados, além dos fundos especiais aplicados ao setor público. Nele serão expostos os conceitos e as leis que asseguram e normatizam estes fundos, além de estar à disposição do aluno as leituras complementares, com o objetivo de complementar o que foi exposto durante o capítulo. Por último, é possível o aluno fazer algumas atividades que têm por objetivo fixar o conteúdo e também testar o conhecimento adquirido neste material sobre Dívida Pública e Fundos Especiais. Bons estudos! 2 DÍVIDA PÚBLICA Conforme o TCU - Tribunal de Contas da União, a dívida pública pode ser conceituada como: Dívida pública é o conjunto de obrigações financeiras do setor público contraídas junto a terceiros para cobrir déficits, ou seja, quando as receitas de um determinado ente público não são suficientes para arcar com todas as despesas. Em outras palavras, a dívida pública representa numericamente uma relação na qual figura de um lado um devedor, ente público (União, estados, DF ou municípios), e de outro lado vários credores, que podem ser bancos, fundos de pensão ou mesmo pessoas físicas (TCU, 2018, p. 48). A dívida pública pode ser classificada de acordo com os instrumentos usados para a captação de recursos e pela moeda na qual ocorre o pagamento dos seus fluxos. Essa captação de recursos pode ser por emissão de títulos públicos ou por contratos firmados com organismos multilaterais. Veremos mais sobre títulos públicos e contratos no decorrer do capítulo. Podemos classificar também a moeda utilizada para realizar os pagamentos da dívida, isto é, quando a dívida pública é paga com moeda nacional, denomina- se dívida pública interna. A dívida externa é aquela quando o seu pagamento é feito em moeda estrangeira, geralmente feito com dólar. 98 Contabilidade Pública O Ministério da Fazenda, por intermédio da Secretaria do Tesouro Nacional - STN -, é o órgão responsável pela administração da Dívida Pública Federal. A administração da Dívida Pública tem por objetivo atuar na gestão da dívida, concentrando seus esforços na redução do custo de financiamento, desta forma mantendo os níveis de riscos de endividamento da administração pública sob controle. Existe uma estrutura para que o Tesouro Nacional consiga administrar a dívida pública, vejamos: A Secretaria do Tesouro Nacional é o órgão do Ministério da Fazenda responsável pela gestão da Dívida Pública Federal (doméstica e externa). Dentre os motivos para a manutenção das atribuições de gestão da dívida no Ministério da Fazenda, destaca-se a importância de se manter um relacionamento estreito com outros entes do governo responsáveis, por exemplo, pela execução orçamentária e da política fiscal. Os diagramas apresentam a estrutura institucional da Secretaria do Tesouro Nacional e da Subsecretaria da Dívida Pública - SUDIP, responsável pela gestão da Dívida Pública Federal: Internacionalmente, a centralização das funções de gerenciamento da dívida pública em uma única entidade governamental é considerada uma prática eficiente. Isso porque tal concentração, ao permitir uma estratégia coordenada da política de endividamento público, independente da forma de captação ou da destinação dos recursos, aumenta a eficiência do gerenciamento da dívida pública como um todo. Nos países onde a responsabilidade pela administração da dívida pública é dividida entre diversas instituições, podem-se observar inconsistências nos processos e nas estratégias, bem como duplicidade de funções. Diversos países têm procurado centralizar e aprimorar sua administração de dívida pública, constituindo um departamento de gerenciamento de dívida que pode estar localizado fora ou dentro da estrutura do Ministério da Fazenda. Esse “Departamento de Administração da Dívida” preconiza a separação de suas atribuições por funções, usualmente distribuídas em três unidades conhecidas por back, middle e front offices, dados os diferentes objetivos e responsabilidades dos gestores de dívida pública, tal como descrito (TESOURO NACIONAL, 2018). A dívida pública, conforme já visto anteriormente, é consequência da superioridade de valores de despesas em relação às receitas arrecadas pelo órgão público, ou seja, quando tem-se déficit público. Quando o órgão público apresenta déficits públicos, não existem recursos suficientes para pagamento das despesas fixadas no orçamento, seja para investimentos, seja para manutenção do patrimônio público, precisando, desta forma, recorrer à dívida pública. 99 Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 Os títulos públicos são uma das formas de o órgão público angariar fundos para cumprimento de suas obrigações, como a dívida pública. Na sugestão de leitura a seguir, será apresentada a chamada sustentabilidade da dívida pública. Uma política macroeconômica keynesiana não objetiva colocar a trajetória da dívida pública numa rota de solvência para tão somente sinalizar aos investidores de portfólio, externos e domésticos, que o Brasil é um país seguro. Isto é tão óbvio quanto pouco. O objetivo é muito maior: recuperar a capacidade do governo de realizar políticas de gastos fiscais contracíclicas para tornar viável a construção de um contexto macroeconômico de crescimento em busca do pleno emprego. Considera-se, em uma estratégia dessa natureza, que um contexto de crescimento com estabilidade de preços é um robusto fundamento (tão ou mais importante que a simples retomada do controle sobre as finanças públicas), que transmite segurança e estimula decisões domésticas de investimento em capital fixo, assim como atrai investimentos diretos do exterior. Portanto, o crescimento em busca do pleno emprego é a meta, e um dos instrumentos básicos para o seu alcance é a política fiscal de gastos. A sustentabilidade da dívida pública é, dessa forma, apenas uma das condições necessárias para a viabilização dos objetivos de política, já que possibilita a utilização do instrumento de políticafiscal de gastos. Logo, a redução de déficits nominais e, consequentemente, a redução da relação dívida pública/PIB não são as metas finais. Tampouco se aceita a ideia de que basta ter um governo permanentemente bem comportado, isto é, que procure, ao mesmo tempo, cortar despesas e arrecadar muito, visando um orçamento equilibrado, pois, só assim, os agentes econômicos realizarão investimentos produtivos e a economia crescerá. Tal hipótese é muito forte e representa na prática uma crença cega no crescimento econômico meramente espontâneo: a velha crença pré-keynesiana de que as forças de mercado, isentas das ameaças de intervenção do governo, movem a economia na direção do pleno emprego. Essa é a visão daqueles que consideram a sustentabilidade da dívida pública como uma das condições necessárias e suficientes para a economia crescer, visto que o governo, sob essa condição, mostra que pode honrar seus compromissos financeiros (portanto, o setor privado tem garantido o retorno de sua aplicação). Além disso, 100 Contabilidade Pública dependendo da estratégia utilizada para manter a sustentabilidade/ redução da dívida, o governo não realizará políticas tributárias agressivas contra a sociedade e nem realizará uma política fiscal intervencionista de gastos que ocupam o lugar do setor privado (o que provocaria o conhecido efeito crowding-out). Cabe ser destacado, no entanto, que um governo bem comportado, ou seja, que não pode realizar gastos em infraestrutura nem em programas sociais abrangentes, tem predominado no Brasil nos últimos anos, dado que a trajetória da dívida pública e as decisões da equipe econômica têm impedido que o governo tenha um bem estruturado programa de gastos. Essa visão “espontaneísta” do crescimento econômico não guarda, entretanto, qualquer nexo com a racionalidade dos potenciais investidores em ativos de capital. As expectativas empresariais devem ser estimuladas para que decisões de investimento em capital fixo sejam tomadas. Esse papel é do governo, já que, diante de um cenário esperado em que os investimentos produtivos podem ter rendimento negativo ou inferior ao rendimento de ativos financeiros, os potenciais investidores decidem sempre pela não realização dos primeiros em favor da retenção dos últimos. Em outras palavras, potenciais investidores possuem um comportamento hedge, preferindo a liquidez dos ativos financeiros diante de possibilidades muito incertas de lucro. Quando os potenciais investidores agem racionalmente fazendo o que é o melhor para si, não necessariamente fazem o que é o melhor para a sociedade, ou seja, investir em capital fixo e reduzir o desemprego. Quando racionalmente tentam proteger suas riquezas na forma líquida, geram desemprego. Quando não investem em capital produtivo, o futuro confirma suas expectativas negativas. Então, repetem a decisão de não investir - agora fortalecidos pela decisão individual acertada que tomaram no passado - e assim ampliam o custo social de suas decisões individuais. Portanto, um governo dominado pela visão “espontaneísta” pode deixar a economia estagnada ou apresentar taxas medíocres de crescimento, como fez o governo FHC. Se a racionalidade espontânea dos agentes não induz às decisões de investimento, o governo deve fazer uso de políticas macroeconômicas que necessariamente devem ser contracíclicas, isto é, devem estimular as expectativas de lucros empresariais. Essa é exatamente a mensagem de Keynes no último capítulo de sua obra mais importante, a Teoria geral, para justificar que o pleno emprego não poderia ser sustentado somente pela iniciativa privada. Os agentes econômicos, que são intrinsecamente hedge numa economia com um governo ausente, tendem a transformar uma situação de reduzido crescimento em uma situação de estagnação e esta, por sua vez, em 101 Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 uma situação de recessão. Este é um jogo de expectativa perverso, embora racional, porque é pró-cíclico e causador do desemprego. É tarefa de um governo responsável criar um ambiente seguro. Todavia, segurança no sentido keynesiano possui um significado mais amplo do que aquele atribuído pelos investidores de portfólio e/ou pelas conhecidas agências internacionais de ratings. A segurança necessária, nessa perspectiva, não é simplesmente aquela referente à capacidade do setor público de honrar seus compromissos financeiros, mas é também e, principalmente, a constituição de um ambiente com menos incertezas para os investimentos em capital fixo: é a segurança necessária para reduzir os riscos do investimento produtivo. Em um ambiente mais seguro, os potenciais investidores poderiam se arriscar em projetos com menor grau de liquidez, pois, apesar disso, eles rendem lucro e geram empregos. O governo, ao realizar investimentos, estimula a demanda agregada, reduz as incertezas de realização de lucros e anima as expectativas do setor privado empreendedor. Para tanto, o governo não deve implementar projetos que concorram com a livre iniciativa, mas apenas que compensem as quedas de gastos privados para sustentar uma trajetória de crescimento em busca do pleno emprego. As ações das políticas macroeconômicas devem ser complementares, e não concorrentes nem substitutas da iniciativa privada. Logo, a sustentabilidade da dívida pública é uma condição extremamente necessária, porém não é suficiente para a construção de uma trajetória sustentável de crescimento com pleno emprego, já que possibilita ao governo ter capacidade para realizar gastos. A ação das políticas macroeconômicas, em especial da política fiscal, deve ser complementar às decisões privadas e deve ser implementada quando os investimentos privados são insuficientes. Os gastos públicos não devem ser concorrentes nem substitutos da livre iniciativa empreendedora. Na visão de Keynes, o governo deveria possuir um orçamento muito bem organizado para ter condições de implementar uma política fiscal contracíclica. O orçamento deve ser organizado em duas partes: uma que contemple as despesas correntes e outra que contenha as despesas de capital. A manutenção da economia na trajetória de crescimento visando ao pleno emprego deveria ser sustentada, principalmente, pelos gastos de capital. Em outras palavras, Keynes sugeriu um orçamento voltado para as necessidades correntes e outro destinado à estabilização do nível de emprego. Além disso, ele recomendou que o primeiro tipo de orçamento estivesse equilibrado no longo termo, mas poderia apresentar eventualmente déficits ou superávits. O orçamento corrente deveria idealmente, portanto, estar ceteris paribus 102 Contabilidade Pública equilibrado; somente em situações excepcionais deveria apresentar desequilíbrios. A lição é a seguinte: déficits devem ser evitados, porém o mais importante é evitar o desemprego, que pode ser atenuado utilizando-se até mesmo do orçamento voltado para atender as despesas correntes. Embora Keynes admitisse que o orçamento de capital pudesse ser deficitário, muito mais importante que a geração de déficits seria o efeito positivo dos gastos públicos. O esperado seria que as políticas de gastos fossem bem-sucedidas em criar um ambiente seguro para o investimento em capital fixo, com renda crescente, visto que isso geraria arrecadação tributária suficiente para financiar a política fiscal contracíclica de investimentos públicos. Keynes via os déficits orçamentários como necessários em função das falhas no objetivo de alcançar uma trajetória estável de crescimento com pleno emprego. Assim, tentativas de equilibrar o orçamento em uma recessão podem não reduzir o desemprego nem ser capazes de alcançar seu objetivo equilibrista. Nesses casos, déficits públicos seriam aceitos. Contudo, para Keynes, a tarefa principal deveria impedir grandes flutuações do nível de emprego com um programa de estabilização de longo termo baseadonos gastos do orçamento de capital. Se este fosse bem-sucedido não deveria ser difícil amainar pequenas flutuações aumentando ou reduzindo gastos com alguns itens desse programa de longo termo. Portanto, déficits eram considerados o último recurso e indicavam a fraqueza do governo em manter uma trajetória de crescimento com pleno emprego. As palavras de Kregel são ilustrativas sobre esse ponto: “se o pleno emprego (de 3 a 5% de desempregados) é mantido, o orçamento deveria estar equilibrado e a dívida pública deveria normalmente tornar-se declinante como proporção da renda nacional líquida”. FONTE: OREIRO, J. L.; SICSÚ, J.; PAULA, L. F. de. Controle da dívida pública e política fiscal: uma alternativa para um crescimento autossustentado da economia brasileira. Agenda Brasil: políticas econômicas para o crescimento com estabilidade de preços. Barueri/SP: Manole, 2003. Disponível em: <http://joseluisoreiro.com. br/site/link/d38af31e3a2f0b7a38e00805a26effd78675961f.pdf>. Acesso em: 22 jan. 2019. http://joseluisoreiro.com.br/site/link/d38af31e3a2f0b7a38e00805a26effd78675961f.pdf http://joseluisoreiro.com.br/site/link/d38af31e3a2f0b7a38e00805a26effd78675961f.pdf 103 Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 2.1 TÍTULOS PÚBLICOS Os títulos públicos são ativos de renda fixa que têm por objetivo angariar fundos para financiar a dívida pública e demais atividades do Governo Federal. Os títulos públicos estão disponíveis para qualquer cidadão investir. Então, além de ser uma fonte de recursos para o governo, o cidadão pode ter rendimentos ao investir nessa modalidade. Para o investidor em títulos públicos, uma das grandes vantagens é o baixo risco do investimento. Conforme a Secretaria do Tesouro Nacional (2018), o primeiro risco é o governo não honrar a dívida, embora essa possibilidade seja pouco provável. Outro risco presente é o de liquidez, que é a capacidade de transformar o título em dinheiro antes do vencimento, porém, como forma de evitar isso, o Tesouro Nacional garante a recompra semanal de títulos todas as quartas-feiras. Por fim, tem-se o risco de mercado, que está diretamente relacionado com a variação do preço do título público (TESOURO NACIONAL, 2018). 2.1.1 Indicadores do endividamento do setor público Com relação à dívida pública brasileira, tem-se dois indicadores que ajudam no controle das contas públicas, são eles: a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) e a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP). A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG): Abrange o total dos débitos de responsabilidade do Governo Federal, dos governos estaduais e dos governos municipais, junto ao setor privado, ao setor público financeiro, ao Banco Central e ao resto do mundo. Os débitos de responsabilidade das empresas estatais das três esferas de governo não são abrangidos pelo conceito. Os débitos são considerados pelos valores brutos, sendo as obrigações vinculadas à área externa convertidas para reais pela taxa de câmbio de final de período (compra). No caso do Banco Central, são incluídas apenas as operações compromissadas realizadas com títulos públicos. Essas operações são incluídas porque apresentam estreita relação com a dívida do Tesouro Nacional, e sua inclusão na DBGG permite melhor acompanhar a situação fiscal do governo (TESOURO NACIONAL, 2015, p. 50). 104 Contabilidade Pública A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) é: A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) é definida como o balanceamento entre as dívidas e os créditos do setor público não financeiro e do Banco Central, junto ao sistema financeiro (público e privado), setor privado não financeiro e resto do mundo. A DLSP é utilizada como base para o cálculo do déficit público “abaixo da linha”. Diferentemente de outros países, o conceito de dívida líquida utilizado no Brasil considera os ativos e passivos financeiros do Banco Central, incluindo, dessa forma, a base monetária como componente da dívida, principalmente, pelo fato de constituir forma de financiamento (TESOURO NACIONAL, 2015, p. 51). As duas diferenças básicas entre elas são indicadas na própria denominação, conforme Pellegrini (2017): A DBGG não é deduzida dos ativos públicos, enquanto a DLSP sofre a dedução. A DBGG abrange apenas os três níveis de governo (federal, estadual e municipal), formando o governo geral, enquanto a DLSP inclui, além do governo geral, o Bacen e as estatais, compondo o setor público não financeiro. Os dois indicadores devem ser considerados para melhor compreensão da realidade, até porque ambos apresentam vantagens e desvantagens. A DLSP está integrada aos dados de fluxo das contas públicas (juros e superávit primário). Já a DBGG está mais próxima do padrão internacional de mensuração da dívida pública. Além de optar pela versão bruta, e não líquida, esse padrão exclui o banco central (PELLEGRINI, 2017, p. 12). A Dívida Pública não é estática, porém, vemos desde 2013 até 2018 a evolução desses valores. No gráfico a seguir são apontados os indicadores da dívida pública pelos dois indicadores supracitados, a DBGG e a DLSP. GRÁFICO 1 – EVOLUÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA FONTE: Senado (2018) 105 Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 Percebe-se que a dívida tem subido consideravelmente, chegando, em fevereiro de 2018, aos 75,1% do PIB (R$ 5 trilhões) e aos 52% do PIB (R$ 3,4 trilhões), em relação a DBGG e da DLSP. Pellegrini (2017, p. 2) enfatiza que “os dois indicadores devem ser considerados para melhor compreensão da realidade, até porque ambos apresentam vantagens e desvantagens”. Nas palavras do autor, a DLSP está ligada aos dados de fluxo das contas públicas (juros e superávit primário) por outro lado, a DBGG é o indicador que está mais próximo do padrão internacional de mensuração da dívida pública. 2.2 COMPOSIÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA Conforme Pellegrini (2017, p. 7), “os potenciais problemas gerados pela dívida pública derivam do seu tamanho, mas também das condições que regem esse passivo, a exemplo de prazo de vencimento, custos e riscos subjacentes”. Portanto, saber das fragilidades que o Estado está sujeito é importante para conseguir avaliar melhor a situação da dívida pública. Conforme será apresentado a seguir, tem-se o que compõe a dívida pública. Veremos agora o que compõe o indicador bruto da dívida (DBGG): TABELA 1 – PRINCIPAIS COMPONENTES DA DBGG FONTE: Senado (2018) Como os dados apresentados anteriormente são de fonte do Senado, a análise desses indicadores também cabe ao Senado. Esta análise apresentada a seguir é importante para o leitor deste material conseguir interpretar os valores apresentados pelas entidades públicas. Vamos à análise demonstrada pelo Senado: 106 Contabilidade Pública Percebe-se que há ampla predominância de dívida interna (95,4%), em relação à externa (4,6%). Ademais, há forte concentração do passivo (91,9% da DBGG) em apenas dois itens, ambos de responsabilidade do governo central: dívida mobiliária interna (68,8%), que corresponde aos títulos públicos de emissão do Tesouro Nacional em poder do público, no mercado doméstico, e operações compromissadas do Banco Central (23,1%), espécie de empréstimo tomado junto ao mercado, com garantia dos títulos públicos da carteira da autoridade monetária. Enquanto o primeiro item supre a necessidade de financiamento e refinanciamento do governo central, o segundo resulta do controle da liquidez da economia, embora, ao ter alcançado a atual dimensão, acabou por assumir também caráter de endividamento público. As variações da dívida púbica se devem a três fatores: a) déficits primários do setor público, em particular do governo central; b) juros que incidem sobre a dívida pública; e c) gestão dos passivos e ativos públicos. [...] a evolução desde dezembro de 2013 do déficit primário, dos juros líquidos devidos, sem perdas e ganhos com os swaps cambiais, e da soma desses dois itens,o chamado déficit nominal, todos relativos ao setor público, no acumulado dos últimos doze meses e em relação ao PIB. A partir de 2014, o déficit primário e os juros assumiram valores crescentes e elevados, até o pico, em setembro de 2016, quando o déficit nominal alcançou 10,9% do PIB. Daí em diante, os juros vêm caindo, enquanto o déficit primário mostrou-se mais inflexível, com quedas apenas a partir de novembro de 2017. Como resultado da evolução dessas duas variáveis, o déficit nominal caiu para 7,4%, em fevereiro de 2018. Cabe comentar o desempenho recente dessas duas variáveis decisivas para a evolução da dívida pública (SENADO, 2018, p. 10). Para mais informações sobre a composição da dívida pública ao longo dos anos, acesse: <http://www2.senado.leg.br>. LEITURA COMPLEMENTAR 1 O que é dívida pública? Qual é o seu papel? A dívida surge e aumenta sempre que o governo gasta mais do que arrecada. Assim, quando os impostos e demais receitas não são suficientes para cobrir as despesas, o governo é financiado por seus credores (pessoas físicas, empresas, bancos etc.), dando origem à dívida pública. Assim como o bom uso do crédito por um cidadão facilita o alcance de grandes conquistas (a compra da sua casa http://www2.senado.leg.br 107 Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 própria, por exemplo), o endividamento público, se bem administrado, permite ampliar o bem-estar da sociedade e favorece o bom funcionamento da economia. Especialistas costumam destacar a importante função que o endividamento público exerce ao garantir níveis adequados de investimento e de prestação de serviços pelo governo à sociedade, ao mesmo tempo em que propicia maior equidade entre gerações. As receitas e as despesas de um governo passam por ciclos e sofrem choques frequentes. Em momentos de crise, por exemplo, a economia produz menos e a arrecadação de impostos cai. Ao mesmo tempo o número de desempregados sobe e os gastos do governo com seguro desemprego aumentam. Com isso, a conta do governo fica mais apertada. Na ausência do crédito público, esses choques teriam de ser absorvidos por aumento na carga tributária ou por cortes em outros gastos, penalizando, demasiadamente, em ambos os casos, a geração atual. Além da suavização, ao longo do tempo, do padrão de gastos de consumo e investimento do governo, o acesso ao endividamento público permite atender a despesas emergenciais (tais como as relacionadas a calamidades públicas, desastres naturais e guerras) e assegurar o financiamento tempestivo de grandes projetos com horizonte de retorno no médio e no longo prazos (na área de infraestrutura, por exemplo). A história está repleta de exemplos nesse sentido, não sendo surpreendente o uso disseminado do endividamento por praticamente todos os países do mundo. Um exemplo de projeto com alto custo, mas com benefícios de longo prazo, é a construção de um hospital. Um hospital vai durar muitos anos e será utilizado por muito tempo, inclusive por pessoas que ainda nem nasceram. Nesse caso, é justo (e eficiente) que o custo de construção do hospital seja dividido por todas as gerações que vão utilizá-lo. Por isso, ao invés de cobrar uma grande quantidade de impostos extras dos cidadãos que estão vivos durante a construção do hospital (geração atual), o governo pode financiar a obra e pagá-la em várias parcelas, dividindo, assim, o seu custo com as gerações futuras, também beneficiadas. Por meio do endividamento público, o governo poderá utilizar apenas parte da arrecadação atual e parte da arrecadação futura para pagar as parcelas relativas ao custo de construção do hospital. Assim, a dívida pública permite dividir os custos de um investimento com todas as gerações que se beneficiarão dele. O endividamento público pode exercer funções ainda mais amplas para o bom funcionamento da economia, auxiliando a condução da política monetária e favorecendo a consolidação do sistema financeiro. Títulos de dívida pública são instrumentos essenciais na atuação diária 108 Contabilidade Pública do Banco Central para o alcance de seu objetivo de garantir a estabilidade da moeda, servindo de lastro para as operações típicas de política monetária, além de representarem referencial importante para emissões de títulos privados. O desenvolvimento do mercado de títulos, público e privado, pode ampliar a eficiência do sistema financeiro na alocação de recursos e fortalecer a estabilidade financeira e macroeconômica de um país. A lição fundamental dessa discussão recai na relevância de se zelar pela qualidade do crédito público. Só assim se pode valer do endividamento e de suas funções de forma eficiente. Aqui, mais uma vez, a analogia ao cidadão comum se faz válida, o qual deve manter um bom crédito para garantir permanentemente melhores condições de financiamento (por exemplo, via menores custos e maiores prazos para pagamento). No caso do governo, o mesmo ocorre, embora não de maneira tão simples. Suas condições de financiamento estão intimamente relacionadas a sua credibilidade, a sua capacidade de pagamento e à qualidade de gestão da dívida. Por isso, a utilização responsável e consciente do endividamento público é importante para o bom desenvolvimento do país. A gestão eficiente da dívida pública brasileira é um dos deveres do Tesouro Nacional. FONTE: <http://www.tesouro.gov.br/documents/10180/0/O+que+%C3%A9%20 a+D%C3%ADvida+P%C3%BAblica/e6a2f1f3-b5b5-478f-b844-3c8771a61dc5>. Acesso em: 13 dez. 2018. 2.3 GESTÃO FISCAL E A DÍVIDA PÚBLICA O Tesouro Nacional é o órgão que dentre as suas atribuições podemos mencionar a gestão da dívida pública. De acordo com o Tesouro Nacional (2018), a política fiscal é o reflexo de uma conjuntura de medidas relativas à arrecadação de receitas e realização de despesas que tem por objetivo cumprir três funções: a estabilização macroeconômica, a redistribuição da renda e a alocação de recursos. Vejamos no que consiste cada função: • A função estabilizadora está centrada na promoção do crescimento econômico sustentado, com baixo desemprego e estabilidade de preços. • A função redistributiva tem por objetivo garantir a distribuição igualitária da renda. 109 Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 • A função alocativa centra-se no fornecimento eficiente de bens e serviços públicos, compensando as falhas de mercado. Os resultados da política fiscal podem ser avaliados sob diferentes ângulos, que podem focar na mensuração da qualidade do gasto público bem como identificar os impactos da política fiscal no bem-estar dos cidadãos. Para tanto podem ser utilizados diversos indicadores para análise fiscal, em particular os de fluxos (resultados primário e nominal) e estoques (dívidas líquida e bruta). A saber, estes indicadores se relacionam entre si, pois os estoques são formados por meio dos fluxos. Assim, por exemplo, o resultado nominal apurado em certo período afeta o estoque de dívida bruta. Resultado fiscal primário é a diferença entre as receitas primárias e as despesas primárias durante um determinado período. O resultado fiscal nominal, por sua vez, é o resultado primário acrescido do pagamento líquido de juros. Assim, fala-se que o Governo obtém superávit fiscal quando as receitas excedem as despesas em dado período; por outro lado, há déficit quando as receitas são menores do que as despesas. No Brasil, a política fiscal é conduzida com alto grau de responsabilidade fiscal. O uso equilibrado dos recursos públicos visa à redução gradual da dívida líquida como percentual do PIB, de forma a contribuir com a estabilidade, o crescimento e o desenvolvimento econômico do país. Mais especificamente, a política fiscal busca a criação de empregos, o aumento dos investimentos públicos e a ampliação da rede de seguridade social, com ênfase na redução da pobreza e da desigualdade (TESOURO NACIONAL, 2018). Como vistoanteriormente, a Lei de Responsabilidade Fiscal tem como suas premissas atuar sobre as contas públicas, remetendo a responsabilidade em relação aos gastos públicos. De acordo com o Tesouro Nacional (2018): Com a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, considerada a pedra fundamental do ajuste fiscal brasileiro, o Governo Federal passou a dispor de mais instrumentos para controlar os gastos de seus entes subnacionais e também das empresas estatais, com importantes mecanismos de monitoramento da evolução das receitas e despesas a cada momento, além de controlar o endividamento dos três níveis de governo: federal, estadual e municipal, além de suas empresas. Ainda de acordo com o Tesouro Nacional (2018): Tendo em vista o histórico de endividamento do setor público, o governo estabeleceu metas de superávits primários (em percentual do PIB e, posteriormente, em valores nominais) logrando cumpri-las consistentemente há 12 anos. Quando o governo cumpre suas metas fiscais, ele contribui com a queda do endividamento público e com a formação da poupança nacional, além de auxiliar o Banco Central na execução da 110 Contabilidade Pública política monetária. Parte importante dos recursos oriundos do resultado primário é dedicada para o serviço da Dívida Pública Federal. Conforme o PAF de 2010, por exemplo, cerca de R$ 80 bilhões em recursos orçamentários foram disponibilizados para a DPF, contribuindo para reduzir a necessidade de financiamento líquido do Tesouro Nacional. Os recursos, enquanto não utilizados para pagamento da DPF, são alocados na Conta Única do Tesouro Nacional, no Banco Central, recebendo remuneração equivalente à taxa Selic. 2.4 FUNDOS ESPECIAIS Os fundos especiais estão presentes na administração púbica há muito tempo, a Lei 4.320/1964 estabelece: “constitui fundo especial o produto de receitas especificadas que, por lei, se vinculam à realização de determinados objetivos ou serviços, facultada a adoção de normas peculiares de aplicação”. Ademais, os artigos seguintes dispõem ainda sobre os fundos: Art. 72. A aplicação das receitas orçamentárias vinculadas a turnos especiais far-se-á através de dotação consignada na Lei de Orçamento ou em créditos adicionais. Art. 73. Salvo determinação em contrário da lei que o instituiu, o saldo positivo do fundo especial apurado em balanço será transferido para o exercício seguinte, a crédito do mesmo fundo. Art. 74. A lei que instituir fundo especial poderá determinar normas peculiares de controle, prestação e tomada de contas, sem, de qualquer modo, elidir a competência específica do Tribunal de Contas ou órgão equivalente (BRASIL, 1964). De acordo com Sanches (2002, p. 643), os fundos especiais são “um tipo especial de gestão financeira dos recursos vinculados à realização de certos objetivos por determinação legal, cujos atos de execução de receitas e despesas devem ser particularizados no sistema de contabilidade do órgão a que se vincula”. Ainda, conforme o autor, os fundos especiais não são uma entidade jurídica nem órgão orçamentário. Os fundos especiais, conforme Sanches (2002, p. 641): Tiveram sua primeira caracterização legal estabelecida pelo Código de Contabilidade Pública, cujo art. 83, definiu FUNDO ESPECIAL como “o produto das fontes de renda a que, em virtude de preceitos de lei e de estipulações contratuais, houver sido determinada aplicação especial”. Curiosamente, o Decreto nº 20.923, de 8/1/32, que instituiu o Fundo Naval, não se reportou a esse fundamento legal, mas sim a um ato do próprio Governo Provisório (o Decreto nº 19.398), baixado 111 Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 no mês de novembro de 1930. Essa definição do Código de Contabilidade foi aprimorada pela Lei nº 4.320, de 17/3/64, cujo art. 71 estabelece: “Constitui fundo especial o produto de receitas especificadas que, por lei, se vinculam à realização de determinados objetivos ou serviços, facultada a adoção de normas peculiares de aplicação”. Tal conceito legal, como afirmado em vários textos técnicos e jurídicos, continua sendo a principal norma legal sobre este meio especial de execução orçamentária, sendo utilizado, inclusive no glossário de termos do Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI). Os fundos públicos podem se confundir com autarquias, porém, vamos diferenciá-los, veja no Quadro 1 a seguir: QUADRO 1 – DIFERENÇAS ENTRE AUTARQUIAS E FUNDOS Autarquia Fundos Art. 5º. Para os fins desta lei, considera-se: I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e recei- ta próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. A autarquia, por ser pessoa jurídica da administração indireta, é ti- tular de direitos e obrigações próprios, distintos daqueles pertencentes ao ente que a instituiu e, por ser pública, se submete ao regime de direito público quanto à criação, à extinção, aos pode- res, às prerrogativas, aos privilégios e às sujei- ções. A capacidade de autoadministração de matérias específicas lhe é conferida pela pessoa pública política que a instituiu. Como última ca- racterística, submete-se ao controle administrati- vo ou tutela, que é indispensável para assegurar que a autarquia não se desvie de seus fins insti- tucionais. A autarquia é pessoa jurídica de direito público, o que lhe confere autonomia para tratar e contratar em nome próprio. O fundo é a unidade de natureza contábil, ou unidade orçamentária, destinada à realização de determinados objetivos ou serviços que, embora seja caracterizada por manter contabilidade des- tacada do ente público ao qual está vinculado, do ponto de vista administrativo, se submete aos ditames desse mesmo ente, até porque qualquer ato administrativo a ser realizado com recursos do fundo é feito em nome do ente público, tendo em vista que o fundo não se constitui em pessoa jurídica. Diferentemente da autarquia, o fundo especial deve ser analisado à luz do Direito Financeiro, estando, portanto, definido na Lei nº 4.320, de 1964, que estatui normas gerais de Direito Fi- nanceiro para elaboração e controle dos orça- mentos e balanços da União, dos Estados, dos municípios e do Distrito Federal. FONTE: Brasil (1967) Operacionalização do fundo, sem dúvida alguma, é a parte mais complexa e tem gerado muita polêmica entre os gestores. 112 Contabilidade Pública Diversas formas de operacionalizar os fundos públicos se instalaram no país, justamente por falta de um instrumento que orientasse essa prática. Complementada por informações desencontradas, persuasivas e incompletas, os municípios correram para regularizar os fundos especiais, sobretudo o de saúde, sob ameaça de terem as transferências financeiras da União suspensas. Em alguns casos, os municípios já estão pagando pela falta ainda não cometida, pois, até então, não existia um instrumento que orientasse a correta criação, o cadastramento, a organização e a operacionalização dos fundos públicos. Somente a Nota RFB 114/2010, que delineia alguns passos. Mesmo assim, as áreas técnicas do Ministério da Saúde em conjunto ao Fundo Nacional de Saúde (FNS) definiram suspender as transferências de recursos novos para municípios sem a considerada regularidade dos fundos, prejudicando não somente a gestão municipal do SUS, mas, principalmente, a população brasileira, que ficou sem a oferta de novos serviços de saúde. As transferências financeiras para a construção de unidades básicas de saúde, aquisição de equipamentos, complexo regulador e unidade de pronto- atendimento, assim como os recursos financeiros destinados aos novos programas e às estratégias de saúde lançados no último ano pelo Governo Federal, foram condicionadas à apresentação de CNPJ próprio do fundo municipal de saúde. É importante destacar que o Ministérioda Saúde deva cobrar a criação do fundo municipal de saúde e sua regularidade, cabendo à Receita Federal definir as regras quanto ao cadastro, modalidade e obrigações acessórias dos fundos. De acordo com o item “C - Orientações Gerais” da Portaria GM/MS nº 2.485/2009, “para dar cumprimento ao que estabelece o art. 4º da Lei nº 8.142, 28 de dezembro de 1990, o Gestor local deverá informar ao Fundo Nacional de Saúde o número de inscrição do seu Fundo de Saúde, no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica - CNPJ”. Já com relação à operacionalização, à forma de organização e à estruturação, é uma atribuição da administração municipal, respeitadas e observadas as normas do Direito Financeiro e da Contabilidade Pública. Não cabendo, portanto, aos ministérios ou fundos nacionais a definição de regras para tais competências. Dessa maneira, com base na legislação vigente, a CNM apresenta orientações aos gestores municipais sobre a operacionalização dos fundos públicos municipais na modalidade meramente contábil ou financeira, não dotada de personalidade jurídica. • Receitas: os fundos públicos meramente contábeis ou financeiros têm a atribuição de gerir recursos vinculados, pertencentes ao município. 113 Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 Tomando novamente o setor saúde como exemplo, o fundo municipal de saúde tem a atribuição de gerir condições financeiras para que o município execute as ações e os serviços de saúde pública sob sua responsabilidade, seja por intermédio da prefeitura ou de órgão específico (secretaria, departamento, diretoria ou assessoria de saúde). O fundo municipal de saúde receberá todas as transferências federais, estaduais e municipais (15%), em contas específicas por bloco de gestão, conforme definido nos instrumentos infralegais publicados pelo Ministério da Saúde. O município deverá disponibilizar nas contas do fundo municipal de saúde o valor mínimo de investimento em saúde, definido pela Constituição em 15% de sua receita de impostos e transferências constitucionais. Essas transferências poderão se dar mensalmente até o alcance do valor estabelecido. O fundo municipal deverá manter todas as informações de receitas disponíveis e atualizadas à disposição do gestor municipal. • Despesas: em razão da vinculação das receitas, o fundo público meramente contábil ou financeiro providenciará a alocação dos recursos para as despesas especificamente na área a que se destina, de acordo com o Plano Plurianual (PPA) e Lei Orçamentária Anual (LOA). Se as receitas forem do setor Saúde, as despesas deverão ser específicas do Setor, não sendo possível investimento em outras áreas da administração municipal. As despesas deverão ser realizadas pela prefeitura ou pelo órgão específico destinado a esse fim, respeitando a programação orçamentária anual. No caso da Saúde, as despesas deverão obedecer ainda ao Plano Municipal de Saúde (Lei Complementar nº 141/2012) e à Programação Anual de Ações e Serviços de Saúde do Município. As despesas deverão ser organizadas e realizadas por bloco de gestão, conforme definido pelo Ministério da Saúde. Os fundos públicos também são fiscalizados. É de competência das Cortes de Contas fazer o acompanhamento e a análise técnica e o controle dos atos praticados pelos agentes públicos relativos à arrecadação de receitas, a realização de despesas, controlar o patrimônio público e a adequação das medidas tomadas pelos gestores, abrangendo, inclusive, os gastos realizados por meio de fundos especiais. Sanches (2002, p. 642-643) afirma também que para a criação de fundos especiais, deve-se considerar alguns atributos, são eles: I - receitas especificadas, ou seja, o fundo especial deve ser instituído com base em receitas específicas (tributos, contribuições ou outras receitas), determinadas em lei; II - gastos vinculados à realização de determinados objetivos, ou seja, a aplicação das receitas deve vincular-se à realização 114 Contabilidade Pública de investimentos, serviços ou ações claramente conexos com os programas de interesse da Administração que levaram à instituição do Fundo; III - vinculação a órgão da administração direta de um dos Poderes, ou seja, não há razão para se criar fundo vinculado ou gerido por autarquia, fundação ou empresa pública; IV - aplicação dos recursos por meio de dotações consignadas na Lei Orçamentária (por alocação originária ou mediante créditos adicionais), ou seja, os fundos constituem meios para a execução orçamentária de despesas e não para gastos extraorçamentários; V - utilização de contabilidade particularizada no âmbito do sistema contábil setorial, ou seja, esta não existe em separado, mas como parte da contabilidade do órgão orçamentário a cuja programação o Fundo se integra na Lei Orçamentária; VI - normas peculiares de aplicação, ou seja, a lei que instituir o fundo especial poderá estabelecer ou dispor sobre condições e exigências para a aplicação dos recursos; VII - emprego de meios adicionais de controle, ou seja, os fundos requerem orçamentos detalhados, contabilidade particularizada e prestações de contas específicas; VIII - preservação dos saldos do exercício, ou seja, salvo disposição em contrário na lei que instituir o Fundo, os saldos apurados no Balanço de final de exercício se convertem em disponibilidades deste para gastos futuros. Os fundos especiais podem vir a executar as receitas orçamentárias. Segundo Sanches (2002, p. 655-656), a execução orçamentária por meio de fundos especiais tem suas vantagens, vejamos elas: a) garantir que certa receita ou conjunto de receitas seja destinada a um setor, entidade, área geográfica ou ramo de atividades, para a execução de uma determinada programação ou para viabilizar a realização de objetivos preestabelecidos (resultado que geralmente pode ser obtido com a simples vinculação de receitas, sem a necessidade da criação de fundos); b) descentralizar a execução de um programa de trabalho para um determinado gestor, com a correspondente descentralização das responsabilidades pela execução dos gastos, já que o gestor do fundo é legalmente responsável pelos atos de gestão que praticar (embora sem prejuízo da responsabilidade solidária do ordenador setorial de despesas); c) viabilizar melhores avaliações dos resultados obtidos com a execução da programação, bem como dos custos das atividades (serviços, obras, empreendimentos etc.) que lhe são relacionadas, pela possibilidade de adoção de normas peculiares de programação e controle (embora o melhor controle dependa mais de vontade política do que de instrumental); d) possibilitar um controle mais sistemático e efetivo sobre as receitas geradas com a prestação de determinados serviços, realização de certas atividades ou produção de bens em contraste com os seus principais custos (quando os recursos 115 Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 são vinculados a um fundo o seu gestor tende a se interessar mais pela eficácia da arrecadação e racionalidade dos gastos); e) assegurar que os recursos financeiros destinados às finalidades do fundo e não utilizados num exercício sejam preservados para uso no exercício seguinte (o que evita desperdício de recursos pelo atabalhoado comprometimento dos saldos nos finais de exercício, embora tal resultado possa ser obtido pela simples adoção de boas práticas de administração). No entanto, existem também desvantagens que são apontadas pelo autor, vejamos elas: a) criar áreas de rigidez no processo de definição do programa de trabalho do Governo, na medida em que as vinculações de receitas a fundos representam uma limitação às decisões sobre o conteúdo da lei orçamentária anual, bem como à definição de prioridades nas LDOs; b) possibilitar a constituição de feudos de poder, na medida em que a nomeação do gestor do fundo se dê por indicação política, pois isso pode conduzir à adoção de linhasindependentes de atuação e de critérios de prioridade distintos dos fixados pelo titular do órgão setorial; c) elevar os custos operacionais da administração pública, ao impor a realização de registros individualizados da execução orçamentária, financeira e patrimonial de cada fundo, em duplicidade com os atos regulares de registro no sistema geral de contabilidade; d) transferir para a tecnoburocracia do Poder Executivo a tomada de decisões alocativas que caberiam ao Parlamento, na medida em que a programação dos fundos tende a ocorrer sob a forma de dotações genéricas cujo detalhamento por ações e localidades específicas ocorre no decorrer do exercício segundo prioridades e critérios definidos pelos seus gestores; e) ensejar duplicidade de intervenção sobre um mesmo problema, dado que os objetivos e áreas de atuação dos fundos tendem a ser fixados em termos muito gerais e seus programas de trabalho a serem pouco detalhados (problema que ocorre com todas as dotações genéricas); f) viabilizar ações ou práticas que reduzam a eficácia dos processos de controle ou dificultem o seu exercício - sobretudo no plano da administração financeira -, como a sistemática de transferências/repasses entre fundos (como é possível no Fundo Naval e fundos vinculados) e entidades da administração direta e indireta (do mesmo ou outro nível de governo) (SANCHES, 2002, p. 656-657). 116 Contabilidade Pública Saiba mais sobre o Orçamento da União, acessando: <http:// www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao>. Saiba mais sobre os fundos municipais, acessando: <https:// www.cnm.org.br/>. Saiba mais sobre a Dívida Pública, acessando: <https://portal. tcu.gov.br/comunidades/macroavaliacao-governamental/areas- de-atuacao/divida-publica/>.<http://www.tesouro.fazenda.gov.br/ conceitos-basicos-faq>. Saiba mais sobre o controle e a fiscalização das contas públicas, acessando: <https://portal.tcu.gov.br/comunidades/macroavaliacao- governamental/areas-de-atuacao/divida-publica/>. LEITURA COMPLEMENTAR 2 Os fundos especiais podem ainda ser segregados por suas diferentes naturezas, são elas os Fundos Especiais Contábeis e os Fundos Especiais Financeiros. Essa diferenciação é originada do Decreto nº 93.872/86 - único ato regulamentar citado no relatório e parecer prévio sobre as contas do governo, de 1997 (p. 124) cujo art. 71 estabelece: “constitui Fundo Especial de natureza contábil ou financeira, para fins deste Decreto, a modalidade de gestão de parcela de recursos do Tesouro Nacional, vinculados por lei à realização de determinados objetivos de política econômica, social ou administrativa do Governo”. De acordo com Sanches (2002, p. 645), o decreto mencionado situa como fundos de natureza contábil “os constituídos por disponibilidades financeiras evidenciadas em registros contábeis [recursos pertencentes ao patrimônio do próprio fundo], destinados a atender saques a serem efetuados contra o caixa do tesouro nacional” e, como fundos de natureza financeira “os constituídos mediante a movimentação de recursos do caixa do Tesouro Nacional para depósitos em estabelecimentos oficiais de crédito, segundo cronograma aprovado, destinados a atender aos saques previstos em programação específica [cobertura de gastos na execução de programas de trabalho do Governo]”. Como se pode perceber, tais caracterizações padecem de vários problemas. 117 Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 O primeiro destes é serem de difícil compreensão, por se referirem a conceitos e práticas que não são de uso comum no dia a dia da administração pública (afinal, qual a diferença entre “saques contra o caixa do Tesouro” e “saques previstos em programação específica”). O segundo, é a ótica eminentemente financeira das caracterizações, que dificulta uma percepção mais clara dessas espécies para efeitos de programação orçamentária. O terceiro, e mais importante, é a articulação de uma dicotomia que não se sustenta na prática, visto que a maior parte dos fundos “de natureza financeira”, com base em disposição constante de seu ato de instituição ou na faculdade estatuída pelo art. 73 da Lei nº 4.320, tem direito de se apropriar dos saldos apurados nos balanços dos anos anteriores, tornando-se credores de “disponibilidades financeiras evidenciadas em demonstrativos contábeis”. Além disso, qualquer movimentação de recursos (disponibilidades ou créditos) tende a demandar prévia programação específica e a movimentação de recursos a ocorrer, em quaisquer casos, salvo poucas exceções, por meio de estabelecimentos oficiais de crédito. Em razão disso, entendemos que tal distinção não é suficiente, sobretudo para os fins de tipificação dos fundos a partir da natureza programática de suas operações. Como alternativa, propomos, até que surjam caracterizações legais melhor acabadas, o seguinte entendimento: que os fundos especiais sejam tidos como de natureza contábil quando operarem com ativos (moeda, títulos, direitos e/ou assemelhados) destacados das disponibilidades do caixa do Tesouro Nacional (embora possam até permanecer custodiados neste) para a realização de ações ou operações que representem essencialmente imobilizações temporárias (empréstimos, aquisição de títulos e outras inversões financeiras e/ou prestação de garantias), e de natureza financeira quando operarem apenas com dotações e recursos (moeda) do caixa único do Tesouro, individualizados em seu nome por meio de contas bancárias em estabelecimentos oficiais de crédito, para a realização de investimentos e/ou custeio de programações típicas do setor público detalhadas nas LOAs. Entretanto, tendo em vista que esta é uma caracterização nova (ex-post à criação de muitos fundos) cumpre observar que vários dos fundos ora ativos realizam ações de ambas naturezas (combinam ações de inversões financeiras, ou seja, aplicações com retorno ao patrimônio do fundo, com ações de caráter programático ligadas aos objetivos do fundo, sem retorno ao patrimônio do fundo), como o Fundo de Amparo ao Trabalhador, o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira e o Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações - FUNTTEL. 118 Contabilidade Pública Embora alguns autores, como Sella e Arruda (1996), caracterizem os fundos contábeis como “técnica de contabilidade que tem o propósito de fornecer informações de caráter gerencial e financeiro de uma determinada área de responsabilidade, possibilitando a aferição de resultados setorizados ou priorizados, sendo apenas um mecanismo administrativo opcional da entidade”, no âmbito federal, os fundos dessa natureza, criados nos últimos anos, têm características e objetivos bem mais amplos. Dentre os instituídos na vigência da atual Constituição, são declaradamente “de natureza contábil” os fundos: de Garantia para a Promoção da Competitividade - FGPC (Lei nº 9.531/97); Nacional de Desestatização (Lei nº 8.031/90); de Garantia à Exportação - FGE (Lei nº 9.818/99); de Aval para a Geração de Emprego e Renda - FUNPROGER (Lei nº 9.872/99); de Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações - FUNTTEL (Lei nº 10.052/00); e de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior - FIES (Medida Provisória nº 2.094/99). Tais fundos, com suas operações realizadas por intermédio de instituições financeiras oficiais - sobretudo BNDES e Banco do Brasil -, embora mobilizando recursos do Tesouro (por vinculações de receitas, destinações de ativos ou transferências orçamentárias) não vinham sendo incluídos nas Leis Orçamentárias dos últimos anos, em violação ao disposto no art. 165, § 5º da Constituição, ou seja, que os fundos - sem distinção - devem constar dos orçamentos fiscais e da seguridade social. Essa irregularidade, porém, ao que parece, deverá ser corrigida a partir do próximo orçamento, já que o MTO/2-2002, editado pela SOF, passou a incluir tais fundos como unidades orçamentárias. Com relação aos fundos assim caracterizados, cumpreobservar que, embora a maior parte deles se destine a realizar inversões financeiras ou a prestar garantias a certas operações, parte destes tem dupla natureza, como ocorre com o FUNTTEL (que além de aplicar recursos no processo de inovação tecnológica, na capacitação de pessoal e no fomento à geração de empregos, destinará, a partir de agosto de 2001, 20% de seus recursos à Fundação CPQd) e com o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (que além da concessão de financiamentos realiza um programa de trabalho peculiar). FONTE: SANCHES, Osvaldo Maldonado. Fundos federais: origens, evolução e situação atual na administração federal. Revista de Administração Pública, v. 36, n. 4, p. 627-670, 2002. <http://www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao/ estudos/artigos/antes-de-2005/Artigo130.pdf>. Acesso em: 10 dez. 2018. Uma das marcas da elevada concentração de renda e das desigualdades sociais no Brasil é o caráter regressivo da carga tributária. O sistema tributário brasileiro tem sido um instrumento a favor da concentração de renda, agravando o ônus fiscal dos mais pobres e aliviando o das classes mais ricas. 119 Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 A correlação das forças sociais é importante para compreender a composição do fundo público no Brasil. Nessa perspectiva, O’Connor (1977, p. 203 apud SALVADOR, 2012, p. 10-11) considera as finanças tributárias como uma forma de exploração econômica que requer, por isso, análise de classe: “cada mudança importante no equilíbrio das forças políticas e classistas é registrada pela estrutura tributária. Dizendo-o de outro modo, os sistemas tributários são apenas formas particulares dos sistemas de classes”. A defesa do imposto fortemente progressivo foi feita por Marx e Engels (1982 apud SALVADOR, 2012), em 1848, no Manifesto Comunista, como forma de redistribuição da renda da burguesia. No Brasil engendrou-se a partir do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) uma perversa concentração de renda via financiamento do orçamento público. Essa situação permaneceu inalterada no governo do presidente Lula. O último projeto de “reforma” tributária que se encontra na Câmara dos Deputados não altera a regressividade do sistema tributário e acaba com as fontes exclusivas de financiamento das políticas sociais, pois altera de forma substancial a vinculação das fontes de financiamento exclusivas das políticas da seguridade social (previdência, saúde e assistência social), educação e trabalho. 1 Com base no gráfico a seguir, descreva como está a evolução da Dívida Pública desde o ano de 2013 até o início de 2018. R.:____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 120 Contabilidade Pública ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ________________________________________________ 2 Com base na leitura a seguir, aponte de forma simplificada as condições para a instituição dos fundos. “Com relação às “condições para a instituição e funcionamento de fundos, na forma da lei complementar”, uma das novidades da Lei Maior, no campo dos fundos, cumpre observar que pouco se avançou na viabilização do que determina a Constituição em seu art. 165, § 9º, II (“cabe à lei complementar ... estabelecer ... condições para a instituição e funcionamento dos fundos”). O pior é que, além de tais normas ainda não terem sido produzidas, mesmo nos projetos mais articulados sobre a matéria - o PLC nº 222/90, de autoria do Deputado José Serra e o PLC nº 135/96, de autoria da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização -, a matéria relativa a “Fundos” se acha insuficientemente regulada. Não obstante, no texto do substitutivo aprovado pela Comissão de Finanças e Tributação, da Câmara dos Deputados, na apreciação do PLC nº 135, foram incluídas três promissoras normas sobre os fundos, quais sejam eles passam a ter prazo limitado de vigência, o qual, ressalvado no caso dos fundos Constitucionais, não poderá exceder o período de vigência do PPA. Cada fundo terá de ser avaliado ao final do prazo de vigência como condição para a sua renovação por novo período. Não será permitida a criação de fundo ou a renovação de sua vigência em três situações: I - quando seu programa de trabalho puder ser executado diretamente pelo órgão a que se vincula; ou II - quando suas receitas próprias não atingirem cinquenta por cento de sua receita total; ou III - quando suas finalidades puderem ser alcançadas pela simples vinculação de receitas a objetivos ou serviços específicos”. FONTE: Adaptado de: SANCHES, Osvaldo Maldonado. Fundos federais: origens, evolução e situação atual na administração federal. Revista de Administração Pública, v. 36, n. 4, p. 627-670, 2000. R.:____________________________________________________ ___________________________________________________ ____________________________________________________ 121 Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 3 Qual é o conceito principal de Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) e Dívida Líquida do Setor Público (DLSP)? R.:____________________________________________________ ___________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 4 O que é a Dívida Pública? R.:____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 5 O que são os Fundos Especiais? R.:____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 3 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES No presente capítulo, tivemos acesso aos conceitos de dívida pública, aos principais indicadores de mensuração e também ao panorama atual da dívida pública, obedecendo uma série temporal. Além disso, tivemos contato com a análise apontada pelo Senado Federal em relação a esses valores da dívida. Entendemos o que são os fundos especiais e como eles se diferenciam das autarquias. Foram apresentadas as vantagens e as desvantagens do uso dos 122 Contabilidade Pública Fundos Especiais para execução orçamentária. Além de nos familiarizarmos com os Fundos de Natureza Contábil e Fundos de Natureza Financeira. Nesse capítulo também foi proposto uma série de links úteis para consulta do aluno às leis e dados sobre os assuntos apresentados. Como proposto no início do capítulo, no qual o objetivo era apresentar os conceitos de Dívida Pública e dos Fundos Especiais, o capítulo atendeu a esse objetivo, proporcionando, desta forma, o devido conhecimento ao estudante. É esperado que o aluno seja devidamente participativo com relação às questões e fóruns propostos sobre o tema, bem como é esperado que o aluno saiba interpretar e buscar maiores informações sobre os temas. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei complementar n. 141, de 13 de janeiro de 2012. Regulamenta o § 3o do art. 198 da ConstituiçãoFederal para dispor sobre os valores mínimos a serem aplicados anualmente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios em ações e serviços públicos de saúde; estabelece os critérios de rateio dos recursos de transferências para a saúde e as normas de fiscalização, avaliação e controle das despesas com saúde nas 3 (três) esferas de governo; revoga dispositivos das Leis nos 8.080, de 19 de setembro de 1990, e 8.689, de 27 de julho de 1993; e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp141.htm>. Acesso em: 22 jan. 2019. ______. Portaria n. 2485, de 21 de outubro de 2009. Organiza as nomenclaturas das contas correntes referentes aos recursos federais a serem transferidos na modalidade, fundo a fundo, aos Estados, aos Municípios e ao Distrito Federal em conta específica por bloco de financiamento. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2009/prt2485_21_10_2009_comp. html>. Acesso em: 22 jan. 2019. ______. Lei n. 200, de 25 de fevereiro de 1967. Dispõe sobre a organização da Administração Federal, estabelece diretrizes para a Reforma Administrativa e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ decreto-lei/Del0200compilado.htm>. Acesso em: 22 jan. 2019. ______. Lei n. 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Disponível em: <http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4320.htm>. Acesso em: 20 out. 2018. http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 4.320-1964?OpenDocument 123 Dívida Pública E Fundos Especiais Capítulo 3 OREIRO, J. L.; SICSÚ, J.; PAULA, L. F. de. Controle da dívida pública e política fiscal: uma alternativa para um crescimento autossustentado da economia brasileira. Agenda Brasil: políticas econômicas para o crescimento com estabilidade de preços. Barueri/SP: Manole, 2003. PELLEGRINI, J. A. Dívida Pública Brasileira: mensuração, composição, evolução e sustentabilidade. Brasília: Núcleo de Estudos e Pesquisas/CONLEG/ Senado, Fevereiro/2017 (Texto para Discussão nº 226). Disponível em: <https:// www12.senado.leg.br/publicacoes/estudos-legislativos/homeestudoslegislativos>. Acesso em: 13 dez. 2018. SALVADOR, E. Fundo público e o financiamento das Políticas Sociais no Brasil. 2012. Disponível em: <http://www.uel.br/eventos/orcamentopublico/ pages/arquivos/I%20Simposio/Fundo%20Publico%20e%20o%20financiamento. pdf>. Acesso em: 22 jan. 2019. SANCHES, O. M. Fundos federais: origens, evolução e situação atual na administração federal. Revista de Administração Pública, v. 36, n. 4, p. 627- 670, 2002. SENADO. Relatório de acompanhamento fiscal. 2018. Disponível em: <https:// www12.senado.leg.br/ifi/relatorio-de-acompanhamento-fiscal>. Acesso em: 22 jan. 2019. TCU. Macroavaliação governamental. 2018. Disponível em: <https://portal.tcu. gov.br/comunidades/macroavaliacao-governamental/areas-de-atuacao/divida- publica/>. Acesso em: 22 jan. 2019. TESOURO NACIONAL. O que é a Dívida Pública Federal? 2018. <http://www. tesouro.fazenda.gov.br/conceitos-basicos-faq>. Acesso em: 10 dez. 2018. ______. Estatística de finanças públicas. 2015. Disponível em: <http://www. tesouro.fazenda.gov.br/-/estatisticas-de-financas-publicas>. Acesso em: 22 jan. 2019. ______. Política fiscal. [s.d.]. Disponível em: <http://www.tesouro.fazenda.gov. br/sobre-politica-fiscal>. Acesso em: 22 jan. 2019. ______. Como é a estrutura do Tesouro Nacional para administrar a Dívida Pública Federal? [s.d.]. Disponível em: <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/ pt_BR/web/stn/gestao-da-divida-publica-faq>. Acesso em: 22 jan. 2019. http://www.tesouro.fazenda.gov.br/conceitos-basicos-faq http://www.tesouro.fazenda.gov.br/conceitos-basicos-faq http://www.tesouro.fazenda.gov.br/pt_BR/web/stn/gestao-da-divida-publica-faq http://www.tesouro.fazenda.gov.br/pt_BR/web/stn/gestao-da-divida-publica-faq