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Caderno de Obstetrícia Gabriel Bagarolo Petronilho MED - FAG TXVIII 2022/1 Pré - Natal Aula 04 Para iniciarmos o assunto de pré-natal, antes iremos revisar brevemente a fisiologia inicial da gestação e seus principais acontecimentos. Ovulação e Fecundação O ovário, mensalmente, gera um folículo dominante que contém um oócito. A liberação desse folículo recebe o nome de ovulação e ocorre, se a paciente possuir um ciclo de 28 dias, no 14º dia. A tuba uterina captará esse oócito e na região da ampola haverá o encontro dos gametas sexuais masculino e feminino, caracterizando a fecundação. A fecundação é a formação do ovo ou zigoto (óvulo + espermatozoide). Implantação A implantação ocorre na fase de blastocisto do zigoto (normalmente 6 dias após fecundação) e é definida pela implante do zigoto no endométrio. Gabriel Bagarolo Petronilho Acompanhamento Pré-natal As consultas de acompanhamento pré-natal foram instituídas para melhorar a qualidade de vida da paciente que pretende ou está gestando e também do feto. Gabriel Bagarolo Petronilho Em seu programa estão previstos cuidados pré-concepcionais, diagnóstico precoce da gestação, avaliação pré-natal inicial e consultas de acompanhamento pré-natal até o momento do parto. Objetivos do Pré-natal Nas consultas do pré-natal os principais objetivos são estratificar a gestação e identificar fatores de risco para desfechos desfavoráveis (gravidez de baixo ou alto risco), prevenir agravos mais comuns (transmissão vertical, por exemplo), tratar doenças intercorrentes (IST, ITU, vaginites), orientar a gestante para um estilo de vida mais saudável e preparar o casal para o momento do parto. A triagem de risco gestacional é de extrema importância para a paciente e o feto, devendo ser realizada durante todas a gestação. Indicadores de Risco Podem ser divididos em biológicos e clínicos. - Biológicos Idade materna < 16 ou 35 > anos Peso < 50 kg Altura < 1,50m HF de doença genética - Clínicos Hipertensão Nefropatia Diabetes DST Cardiopatia - Ambientais Falta saneamento Estilo de vida não saudável - Sociocultural Baixa escolaridade Gestante solteira Adolescência e não aceitação - Econômico Baixa renda - Obstétricos História de infertilidade Intercorrência anterior - Comportamental Tabagismo Etilismo Uso de drogas ilícitas Sedentarismo Trabalho braçal exclusivo - Condições Atuais Pré-natal ausente ou tardio Hemorragia anteparto Gestação múltipla HAS Ruprema Aloimunização Gestação prolongada RCIU Polidrâmnio Anemia Apresentação anômala E ¥ . . [ É [ É E Gabriel Bagarolo Petronilho Cuidados Pré-concepcional Ao contrário do que muitos paciente acreditam, as consultas também devem ser realizadas no momento em que a mulher decide gestar (‘está tentando engravidar’), para anamnese e exame físico detalhados na intenção de aconselhamento e avaliação de fatores de risco. O médico deve solicitar exames laboratoriais, como HIV, VRDL, HbsAg, Anti HBS, glicemia de jejum e hemograma - são importantes para considerações de risco durante a gestação tanto para a mãe quanto para o feto. Além disso, a coleta de exame de citologia oncológica do colo de útero. A paciente que possui planos para gestar devem iniciar a suplementação de ácido fólico, no mínimo 3 meses antes da gestação. Por último, a consulta pré-concepcional também possui objetivo de aconselhamento do casal e tirar possíveis dúvidas que possam surgir. Diagnóstico da Gestação O diagnóstico precoce da gestação é fundamental para que haja a assistência de qualidade à paciente. Além disso, quando diagnosticada precocemente, há maior precisão na identificação da idade gestacional, que em diversos momentos se faz muito necessária para tomada de decisões e condutas. A história típica para suspeitar do diagnóstico de gestação é: paciente na menacme (período fértil), vida sexual ativa, sem uso de contraceptivo ou ocasional descuido e atraso menstrual. O diagnóstico pode ser realizada de maneira: clínico, laboratorial e ultrassonográfico. Sinais e Sintomas de Presunção - Atraso menstrual de 10-14 dias - Alterações mamárias - Alterações vulvar e vaginal - Alterações no muco cervical - Alterações cutâneas - Náusea e vômito - Aumento da sensibilidade das mamas - Polaciúria e nictúria - Percepção de movimentação fetal - Fadiga - Tontura - Sialorreia - Constipação - Lombalgia Tubérculos de Montgomery Cloasma Linha Nigra Estrias Rede Venosa de HallerSinal de Hunter Sinais de Probabilidade - Alterações em forma e consistência do útero: Sinal de Hegar flexão do corpo sobre o colo uterino ao toque bimanual. Sinal de Nobile-budin preenchimento do fundo de saco vaginal pelo útero percebido ao toque vaginal. Sinal de Hegar - à esquerda flexão do corpo uterino sobre o colo Sinal de Nobile-budin Sinais de Certeza - Ausculta de BCF - Sinal de Puzos Rechaço fetal intrauterino (movimento ao impulsionar) - Percepção de movimentação fetal pelo examinador Sinal de Puzos Diagnóstico Laboratorial A detecção da fração beta de gonadotropina coriônica humana urinária ou sérica pode ser realizado para confirmação da gestação. O HCG é um hormônio produzido pelo trofoblasto e aparece na circulação materna pouco após a implantação trofoblástico, tornando-se detectável no plasma ou urina em 8-9 dias após a ovulação. Referência Nível plasmático menor que 5mUI/mL é negativo Nível plasmático maior que 25mUI/mL é positivo Gabriel Bagarolo Petronilho i → → → [ Diagnóstico Ultrassonográfico Em alguns casos, podemos realizar o diagnóstico por meio ultrassonográfico, em que a melhor visualização é via transvaginal. A visualização do saco gestacional acontecer com 4-5 semanas. Já, a partir de 6 semanas, deve ser visto o embrião com BCF. Para a datação da gestação o ideia é realizar o exame entre 6 e 12 semanas. Medida de CCN - USG O comprimento cabeça-nádegas (CCN) é uma medida que avalia a distância entre a cabeça e a nadega do feto na imagem de ultrassonografia. Essa medida é utilizada para estimar a idade gestacional com grande acurácia. Gabriel Bagarolo Petronilho Tabela - Medida CNN e relação com IG Cálculo da IG e DPP A identificação/determinação da idade gestacional (IG) é de extrema importância para a consulta do pré-natal, considerando que as condutas do médico e a assistência à paciente será guiada por meio desse dado. Para cada trimestre da gestação existem rotinas específicas que incluem exames complementares a serem realizados, vacinas a serem tomadas, entre outras. Além disso, a IG nos auxilia no cálculo da data provável do parto (DPP - estimada pela Regra de Näegele) para que seja possível identificação de pós-datismo, trabalho de parto pré- termo (TPP) , entre outros. Existem algumas maneiras clássicas de estimação da IG: baseado na data da última menstruação (DUM) e por meio de exame de imagem - ultrassonografia obstétrica. A USG de primeiro trimestre é a forma mais confiável de determinação da IG e DPP, considerado os desvios padrões. - Entre 7 e 10 semanas: +/- 3 dias - Entre 10 e 14 semanas: +/- 5 dias - Terceiro trimestre: +/- 3 a 4 semanas A IG é calculada pelo 1º ultrassom com embrião e BCF. Isso significa que um exame de USG muito cedo (3/4 semanas) também não é bom para a determinação da mesma. *Lembrando que existem calculadoras online em que pela data do primeiro USG pode ser calculado a IG e DPP - mas saber manualmente é importante. Gabriel Bagarolo Petronilho Regra de Näegele - DPP Essa regra é uma maneira padronizada do cálculo da DPP por meio da DUM quando, essa, disponível. Método: quando a DUM é de Jan, Fev ou Mar soma-se 7 dias e 9 meses e para todos os outros meses, soma-se 1 ano e 7 dias e subtrai-se 3 meses. Cálculo da IG A IG, como ditaanteriormente, pode ser calculada por meio do 1º USG com embrião e BCF para que possua uma boa acurácia. Entretanto, também podemos realizar o cálculo por meio da data da última menstruação (DUM), se conhecida e confiável e pela altura uterina. Método: Soma-se os dias transcorridos entre a DUM e a data da consulta e dividimos por 7 (isso transformará o valor em semanas), se a divisão não for exata, o número que sobrar (resto) são os dias. Exemplo: DUM - 15/04/2020 e consulta - 22/06/2020 1º - Somar dias até data da consulta 15 dias de maio + 31 dias de abril + 22 dias de junho = 68 dias. 2º - Transformar para semanas dividir 68 por 7 = 9 (semanas) + 5 (dias) = IG é de 9 semanas e 5 dias. A medida ada altura uterina é utilizada para estimar a IG, é importante realizar a medição a cada consulta do pré-natal para que possamos comparar a altura uterina com a IG calculada por meio de USG ou DUM. Rotinas das Consulta Todas as consulta de pré-natal devem possuir um roteiro padrão de anamnese, exame físico, determinação de risco da gestação, avaliação de aspectos emocionais, incentivo a hábitos saudáveis, solicitação de exames e por fim, registro de todas as informações em prontuário e carteirinha da gestante. Gabriel Bagarolo Petronilho → → Primeira Consulta Pré-natal Na primeira consulta do pré-natal, devemos estratificar a gestante de acordo com o risco da sua gravidez e definir quantas consultas serão necessárias. O número de consultas varia de acordo com o risco: Baixo risco mínimo 6 consultas; 1 no 1º trimestre, 2 no 2º trimestre e 3 no 3º trimestre. O intervalo das consultas não devem ultrapassar 8 semanas. O Ministério da Saúde, orienta que até 28 sem as consultas sejam mensalmente, de 28-36 semanas quinzenalmente e no último trimestre (36-41 semanas) seja mais frequente, semanalmente. Além disso, cabe ao médico orientar a paciente sobre os sinais de trabalho de parto e também a procurar atendimento se não houver trabalho de parto até 7 dias após a DPP (41 semanas). Anamnese A anamnese na primeira consulta deve ser completa, atentando-se para questões epidemiológicas, familiares, antecedentes pessoais, ginecológicos e obstétricos. Essas informações fazem total diferença na condução da gestação. O médico deve realizar triagem também sobre abuso de drogas, violência doméstica, situação socioeconômica, entre outros fatores determinantes para a boa evolução da gestação. Nas próximas consultas a anamnese poderá ser dirigidas aos aspectos específicos da gestação e sua progressão. Exame Físico Geral Na realização do exame físico da paciente, devemos checar: - Altura e peso IMC - PA técnica correta - Inspeção de pele e mucosas lesões, estrias, linha negra, cloasma, etc. - Palpação tireoide, pescoço, cervical e axilar - Ausculta cardiopulmonar - Exame do abdome - Exame de MMII varizes, etc - Pesquisa de edema Exame Físico Específico - Exame clínico das mamas - Palpação obstétrica e identificação da apresentação fetal - Medida da altura uterina - Ausculta de BCF com sonar Doppler (após 11/12 semanas) - Inspeção de genitais externas - Exame especular e toque vaginal obrigatórios para avaliação da condição do colo uterino e coleta de material para exame colpocitológico. Gabriel Bagarolo Petronilho e → → → → → → Na anamnese e exame físico gestacional, não podemos esquecer de que existem alterações fisiológicas da gestação que podem ser queixas da paciente ou se apresentarem por meio de sinais no exame físico. Essas alterações acometem a maioria dos sistemas e podem gerar sintomas de desconforto, sendo muito frequente queixas nas consultas de pré-natal. Por isso, é importante ouvir a paciente e saber orientá-la, tratá-la e tranquilizá-la sobre essas alterações. Além disso, uma ponto muito importante da consulta é a avaliação do estado nutricional e ganho de peso da paciente. Esse ganho deve ser controlado, sendo prejudicial tanto a ausência de ganho, como o ganho excessivo. O ganho de peso súbito (700g ou mais semanal) deve apontar para possível retenção de líquido ou edema relacionados à pré-eclâmpsia. Para o acompanhamento desse ganho podemos utilizar o peso estimado antes de engravidas e considerar um ganho normal de 400g/semanal no 2º trimestre e 300g/semanal no 3º trimestre. A suplementação de vitaminas não é necessário, já que a alimentação saudável é o suficiente para suprir as necessidades diárias, com excessão na presença de outras patologias e do ferro e folato que é de suplementação universal. A aferição da PA deve ser realizada em todas as consultas de pré-natal para possível diagnóstico precoce de pré-eclâmpsia ou alterações hipertensivas na gestação. Ela deve ser realizada com a paciente sentada. Posição Fetal - Manobra de Leopold A manobra de Leopold é o método utilizado para a palpação e determinação da posição fetal intrauterina. A avaliação da posição fetal também nos indica a localização da posição do sonar Doppler para ausculta dos batimentos cardíacos fetais. A manobra é dividia em 4 tempos, como representada na imagem a seguir. 1 Palpação do fundo uterino e determinação da sua ocupação pelo feto. 2 Palpação das laterais do abdome materno para determinar qual lado corresponde à coluna fetal e qual as extremidades. 3 Palpação acima da sínfise púbica para determinar a apresentação, se o feto desce e está encaixado. 4 Palpação com as extremidades dos dedos na região da pelve para confirmar a apresentação do feto - cefálico ou pélvico. Gabriel Bagarolo Petronilho I ) : Altura Uterina e Crescimento Fetal A medida da AU também deve ser realizada em todas as consultas do pré-natal para que possa ser feito a comparação da mesma com a idade gestacional. Ela é realizada da seguinte maneira: 1 Com a paciente deitada, palpamos a borda superior da sínfise púbica da paciente e nesse local colocamos a fita métrica com a extremidade do 0 2 Subimos até o fundo uterino com a fita entre os dedos e encontramos o local de ‘término’ do mesmo. Nesse local e onde encontraremos o número correspondente à AU. Ausculta dos Batimentos Cardiofetais A ausculta do BCF deve fazer parte do exame físico da gestante em todas as consultas de pré-natal. Podemos identificar o BCF na USG a partir da 5ª/6ª semanas, no sonar Doppler a partir da 10ª/11ª semanas e no Pinar a partir da 20ª semana. No exame observamos a frequência dos batimentos durante 1 minuto, que deve estar entre 110-160bpm. Gabriel Bagarolo Petronilho : Rotina Trimestral de Exames Na rotina de pré-natal, solicitamos alguns exames essenciais para todas as pacientes na primeira consulta e após, exames específicos de cada trimestre de acordo com o recomendado. 5 e 6 Semanas ou 1 Consulta USG obstétrica para determinar IG Rotina lab. Hemograma, parcial de urina, urocultura, glicemia de jejum, HbsAg, Anti- HBS, toxoplasmose IgG e IgM, VDRL, anti-HIV e TR HIV, tipagem sanguínea + fator Rh, Coombs indireto (se pacienta fator Rh -) e EPF (se necessário). Eletroforese de Hb Coletar colpocitológico de colo uterino (se necessário). 11-14 Semanas USG Morfológico de 1º Trimestre medida de translucência nucal, presença de osso nasal, etc. 20-24 Semanas USG Morfológico de 2º Trimestre 24-28 Semanas TOTG 75g de glicose em 3 curvas jejum, 1h e 2h 28-30 Semanas Hemograma, parcial de urina, glicemia em jejum, HBsAg, toxomplasmose IgG e IgM, VDRL, anti-HIV USG opcional 35-37 Semanas Coleta de Swab para pesquisa de Streptococcus do grupo B Gabriel Bagarolo Petronilho e a → : a → s e f e i Alguns exames podem ser solicitados em casos especiais de acordo com a necessidade avaliada em consulta. São eles: TSH, EPF, Coombs indireto, anti-HCV e exame de secreção vaginal. Suplementação Como dito anteriormente, a suplementação por meio de vitaminas não é recomendada. Isso devido ao fato de que uma dieta saudável e correta é suficiente parasuprir todas as necessidades da gestante e do feto. Portanto, cabe ao médico incentivar a paciente a se alimentar de maneira adequada para que a evolução da gestação ocorra de maneira adequada. A excessão é a suplementação de ácido fólico, pelo menos 30 dias antes da concepção até a 12ª semanas, e de sulfato ferroso, da 20ª semana até 30 dias após o parto. Vacinação Existem vacinas durante a gestação que são indicadas e contraindicadas. Vacinas Indicadas Influenza durante a campanha dTpa todas as gestações a partir da 20 semana, de preferência no máx. 36 semanas. dT pode ser feito a partir do 2º trimestre, se esquema incompleto Hepatite B Vacinar: se anti-HBS <100 e esquema incompleto. O esquema de 3 doses pode ser iniciado desde o primeiro trimestre. Vacinas Contraindicadas Febre amarela pode ser feita se paciente mora em área endêmica Tríplice viral sarampo, caxumba e rubéola HPV Varicela Dengue Gabriel Bagarolo Petronilho → → → → → →