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2012 Finanças nas EmprEsas Prof. Amarildo Furtado de Pinho Copyright © UNIASSELVI 2012 Elaboração: Prof. Amarildo Furtado de Pinho Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. 658.1 P654f Pinho, Amarildo Furtado de Finanças nas empresas / Amarildo Furtado de Pinho. Indaial : Uniasselvi, 2012. 223 p. : il ISBN 978-85-7830- 632-8 1. Organização e finanças - Administração. I. Centro Universitário Leonardo da Vinci. Impresso por: III aprEsEntação Caro(a) acadêmico(a)! Durante a elaboração deste caderno houve a preocupação em estruturá-lo sob o enfoque de fácil entendimento, através do estabelecimento de conceitos e definições, utilizando-se de uma linguagem dialógica e uma metodologia de fácil compreensão. É claro que, em alguns momentos, o próprio vocabulário e a ética das finanças não nos permitiram inventar sinônimos. Havendo também a constante preocupação relacionada ao princípio básico das finanças, ou seja, gerenciar os recursos visando sempre à maximização do resultado econômico e financeiro. Entre outras vantagens, a educação a distância dispensa afastamentos prolongados, permitindo o estudo e a realização de tarefas de acordo com a determinação do participante, além de lhe proporcionar uma constante fonte de consulta. Este trabalho tem o objetivo de informar como são realizadas as atividades dentro das empresas relacionadas à estrutura de capital. Como é calculado o custo deste capital e como é feito o planejamento de alocação, visando a alternativas que resultem em agregar valor ao capital do investidor. Analisar os indicadores de retorno do investimento, verificando e demonstrando se o dinheiro investido no negócio está sendo bem gerenciado. Em resumo, podemos dizer que a área das finanças é um estudo econômico e financeiro detalhado de uma organização, bem como os fatores internos e externos que poderão influenciar na sua capacidade de gerar recursos. Os fatores internos estão relacionados à organização, capacidade gerencial e desenvolvimento tecnológico, são varáveis controláveis. Os fatores externos estão relacionados à economia, concorrência e fatores de ordem natural, também chamados de variáveis não controláveis. Porém, temos que utilizar as ferramentas adequadas para gerenciar os recursos, de forma que os riscos sejam minimizados. Dentre as que vamos estudar neste caderno, estão o demonstrativo de fluxo de caixa, o demonstrativo de resultado do exercício, os métodos de análise de investimentos, as decisões de financiamento de longo prazo, a necessidade de capital de giro. IV Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA Importante lembrar que, para a obtenção de um resultado satisfatório, cada participante deverá resolver os exercícios propostos, para adquirir maior conhecimento e buscar leitura complementar em livros, artigos e revistas da área de finanças. Lembrando também que você, como acadêmico, é formador de opinião, e as pessoas vão querer ouvir o que você tem a dizer. “Não basta saber, é preciso saber fazer.” Sucesso! Prof. Amarildo Furtado de Pinho V Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais que possuem o código QR Code, que é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar mais essa facilidade para aprimorar seus estudos! UNI VI VII UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS .............................................. 1 TÓPICO 1 – APRESENTANDO FINANÇAS NAS EMPRESAS .................................................... 3 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3 2 O QUE SÃO FINANÇAS? .................................................................................................................. 3 3 ÁREAS DE OPORTUNIDADE .......................................................................................................... 4 3.1 SERVIÇOS ......................................................................................................................................... 4 3.1.1 Analista financeiro .................................................................................................................. 5 3.1.2 Gerente de investimentos ...................................................................................................... 5 3.1.3 Gerente de financiamento ...................................................................................................... 5 3.1.4 Analista de crédito .................................................................................................................. 5 3.1.5 Gerente de fundo de pensão ................................................................................................. 5 3.1.6 Gerente de operações de câmbio .......................................................................................... 5 3.2 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA .............................................................................................. 6 3.2.1 Função ...................................................................................................................................... 6 3.2.2 Objetivo .................................................................................................................................... 7 3.2.3 Atividades empresariais ........................................................................................................ 10 3.2.3.1 Atividades operacionais ................................................................................................... 10 3.2.3.2 Atividades de investimentos ........................................................................................... 10 3.2.3.3 Atividades de financiamentos ......................................................................................... 11 3.2.3.4 Relação entre a demonstração de resultado e as atividades empresariais ............... 11 3.2.4 Sistema global da função financeira .....................................................................................12 3.2.4.1 Decisão de investimento .................................................................................................. 12 3.2.4.2 Decisão de distribuição de lucros ................................................................................... 13 3.2.4.3 Decisão de financiamento ................................................................................................ 13 3.2.5 Funções do administrador financeiro .................................................................................. 13 3.2.5.1 Análise de registro e informações contábeis ................................................................. 13 3.2.5.2 Projeção do movimento de fundos ................................................................................ 13 3.2.5.3 Aplicação dos fundos excedentes ................................................................................... 14 3.2.5.4 Fornecimento de informações à alta administração .................................................... 14 3.2.5.5 Elaboração de planos para fontes de uso de fundos a curto e a longo prazo .......... 14 3.2.6 Estrutura organizacional da administração financeira de uma empresa de grande porte ............................................................................................................................ 14 3.2.6.1 Diretoria financeira ........................................................................................................... 14 3.2.6.2 Auditoria ............................................................................................................................ 14 3.2.6.3 Gerência financeira ........................................................................................................... 15 3.2.6.4 Contabilidade .................................................................................................................... 15 3.2.7 Relações da administração financeira com a contabilidade ............................................. 16 3.2.7.1 Regime de competência ................................................................................................... 16 3.2.7.2 Regime de caixa ................................................................................................................ 16 3.2.8 Relações da administração financeira com a economia .................................................... 17 3.2.8.1 Análise marginal ............................................................................................................... 17 3.2.8.2 Aparelho circulatório do dinheiro.................................................................................. 18 3.2.8.3 Organização do movimento de fundos ......................................................................... 18 sumário VIII 3.2.8.4 Organização dos serviços de obtenção de recursos ........................................................ 18 3.2.8.4.1 Recursos próprios .......................................................................................................... 19 3.2.8.4.2 Recursos de terceiros ..................................................................................................... 19 3.2.9 Balanço patrimonial ................................................................................................................... 19 3.2.10 Demonstração do resultado do exercício .............................................................................. 19 3.2.11 Demonstrativo de fluxo de caixa ........................................................................................... 20 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 25 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 28 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 29 TÓPICO 2 – ESTRUTURA DE CAPITAL ........................................................................................... 31 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 31 2 CUSTO DE CAPITAL .......................................................................................................................... 32 2.1 CUSTO DE CAPITAL PRÓPRIO ................................................................................................... 33 2.2 CUSTO DE CAPITAL DE TERCEIROS ........................................................................................ 33 2.3 CUSTO DE OPORTUNIDADE .................................................................................................... 33 3 CUSTO MÉDIO PONDERADO DE CAPITAL - CMPC ............................................................... 34 3.1 CUSTO MÉDIO PONDERADO DE CAPITAL BRUTO ............................................................. 34 3.1.2 Cálculo do CMPC – BRUTO ................................................................................................. 35 3.2 CUSTO MÉDIO PONDERADO DE CAPITAL LÍQUIDO ......................................................... 35 3.2.1 Cálculo do CMPC – LÍQUIDO.............................................................................................. 36 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 37 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 39 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 40 TÓPICO 3 – GESTÃO BASEADA EM VALOR ................................................................................. 43 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 43 2 A CONTABILIDADE E A GESTÃO FINANCEIRA DAS EMPRESAS .................................. 43 3 CAPACIDADES DIFERENCIADORAS .......................................................................................... 44 4 ESTRATÉGIAS FINANCEIRAS ........................................................................................................ 46 4.1 VALOR ECONÔMICO AGREGADO – EVA ou VEA ................................................................ 47 5 CONFLITO VALOR VERSUS LUCRO ............................................................................................. 48 6 COMO DETERMINAR O EVA .......................................................................................................... 52 7 ESTRUTURA PATRIMONIAL .......................................................................................................... 54 7.1 ATIVO OPERACIONAL ................................................................................................................. 54 7.2 PASSIVO OPERACIONAL ............................................................................................................. 54 7.3 ATIVO OPERACIONAL LÍQUIDO .............................................................................................. 54 7.4 CAPITAIS DE TERCEIROS ............................................................................................................ 55 7.5 CAPITAIS PRÓPRIOS ..................................................................................................................... 55 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 57 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 64 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................65 UNIDADE 2 – ANÁLISE DE INVESTIMENTOS ............................................................................. 69 TÓPICO 1 – ANÁLISE DE INVESTIMENTOS ................................................................................. 71 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 71 2 PRINCÍPIOS DO PROCESSO DE DECISÃO ................................................................................ 71 3 DECISÃO DO INVESTIMENTO ...................................................................................................... 72 4 DEFINIÇÃO DO INVESTIMENTO ................................................................................................. 73 4.1 EXPANSÃO ...................................................................................................................................... 75 IX 4.2 SUBSTITUIÇÃO DE EQUIPAMENTOS ....................................................................................... 75 4.3 LANÇAMENTO DE NOVOS PRODUTOS ................................................................................. 76 4.4 PROJETOS AMBIENTAIS ............................................................................................................... 77 5 CRITÉRIOS DE DECISÃO E MEDIDAS DE DESEMPENHO ................................................... 77 6 TAXA MÍNIMA DE ATRATIVIDADE E EXPECTATIVA DE RETORNO DO CAPITAL ..... 77 7 PROJETOS INDEPENDENTES ......................................................................................................... 77 8 PROJETOS MUTUAMENTE EXCLUDENTES............................................................................... 78 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 79 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 82 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 83 TÓPICO 2 – MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS .................................................... 85 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 85 2 TIPOS DE MÉTODOS DE ANÁLISE ............................................................................................... 85 2.1 MÉTODO PAYBACK SIMPLES ...................................................................................................... 85 2.1.1 Cálculo do Payback Simples ................................................................................................... 86 2.2 MÉTODO PAYBACK DESCONTADO .......................................................................................... 90 2.2.1 Cálculo do Método Payback Descontado ............................................................................. 90 2.3 MÉTODO DO VALOR PRESENTE LÍQUIDO ............................................................................ 96 2.3.1 Cálculo do VPL ....................................................................................................................... 97 2.4 MÉTODO DA TAXA INTERNA DE RETORNO ......................................................................102 2.4.1 Cálculo da TIR .......................................................................................................................103 2.5 MÉTODO DA ANÁLISE INCREMENTAL - CONFLITO VPL X TIR ...................................106 2.5.1 Cálculo do conflito VPL X TIR ............................................................................................107 2.5.2 Regra do valor presente líquido e da taxa interna de retorno .......................................110 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................112 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................116 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................117 TÓPICO 3 – CONSTRUÇÃO DO FLUXO DE CAIXA ...................................................................121 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................121 2 FUNDAMENTADO FLUXO DE CAIXA ........................................................................................122 3 FATORES QUE AFETAM O FLUXO DE CAIXA ..........................................................................123 4 FATORES INTANGÍVEIS QUE INFLUENCIAM NO FLUXO DE CAIXA DE UM PROJETO ..............................................................................................................................................127 5 INVESTIMENTO ................................................................................................................................127 6 SITUAÇÕES ESPECIAIS QUE PODEM AFETAR O FLUXO DE CAIXA PROJETO ..........129 7 VALOR RESIDUAL CONTÁBIL OU DE MERCADO ................................................................130 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................132 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................140 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................141 UNIDADE 3 – FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO ..........................................................................................145 TÓPICO 1 – FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO ..............................................................................................147 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................147 2 ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ...................................................................147 2.1 BALANÇO PATRIMONIAL ........................................................................................................148 2.2 DEMONSTRATIVO DE RESULTADO .......................................................................................149 2.3 DEMONSTRATIVO DE FLUXO DE CAIXA .............................................................................150 X 2.3.1 Administração do caixa ......................................................................................................150 2.3.2 Administração de contas a receber....................................................................................151 2.3.3 Administração de contas a pagar ......................................................................................151 2.4 ANÁLISE POR INDICADORES .................................................................................................155 2.4.1 Indicadores liquidez ............................................................................................................155 2.4.1.1 Indicador de liquidez corrente ....................................................................................156 2.4.1.2 Indicador de liquidez seca ............................................................................................156 2.4.1.3 Indicador de liquidez imediata ...................................................................................157 2.4.1.4 Indicador de liquidez geral ..........................................................................................157 2.4.1.5 Folga financeira..............................................................................................................158 2.4.1.6 Giro do ativo ...................................................................................................................159 2.4.2 Indicadores de estrutura de capital ...................................................................................159 2.4.2.1 Endividamento de curto prazo ....................................................................................159 2.4.2.2 Endividamento do patrimônio líquido ou endividamento total ............................160 2.4.3 Indicadores de imobilização ..............................................................................................160 2.4.3.1 Imobilização do patrimônio líquido ............................................................................160 2.4.3.2 Imobilização dos recursos não circulantes .................................................................161 2.4.4 Indicadores de atividades ...................................................................................................164 2.4.4.1 Prazo médio de recebimento ........................................................................................165 2.4.4.2 Prazo médio de pagamento ..........................................................................................165 2.4.4.3 Prazo médio de estoque ................................................................................................166 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................167 RESUMO DO TÓPICO 1.....................................................................................................................170 AUTOATIVIDADE ..............................................................................................................................171 TÓPICO 2 – ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DE CURTO PRAZO .....................................175 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................175 2 CAPITAL DE GIRO OU CAPITAL CIRCULANTE ....................................................................175 3 CAPITAL DE GIRO LÍQUIDO .......................................................................................................178 4 CAPITAL DE GIRO PRÓPRIO .......................................................................................................178 5 CICLO OPERACIONAL ...................................................................................................................180 6 CICLO FINANCEIRO .......................................................................................................................180 6.1 CÁLCULO DOS CICLOS OPERACIONAL E DE CAIXA .....................................................181 7 CICLO ECONÔMICO ......................................................................................................................182 8 NECESSIDADE DE INVESTIMENTO EM CAPITAL DE GIRO ............................................184 9 GESTÃO DE TESOURARIA ...........................................................................................................187 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................190 RESUMO DO TÓPICO 2.....................................................................................................................193 AUTOATIVIDADE ..............................................................................................................................194 TÓPICO 3 – FONTES DE FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO ........................................197 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................197 2 OPERAÇÕES DE DESCONTO .......................................................................................................198 2.1 DESCONTO BANCÁRIO/COMERCIAL ..................................................................................198 2.2 IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES FINANCEIRAS ...................................................................201 2.3 GARANTIAS BANCÁRIAS ........................................................................................................202 2.3.1 Garantias pessoais ...............................................................................................................202 2.3.1.1 Avala ................................................................................................................................202 2.3.1.2 Fiança ...............................................................................................................................203 2.3.2 Garantias reais ......................................................................................................................204 2.3.2.1 Hipoteca ..........................................................................................................................204 XI 2.3.2.2 Alienação fiduciária ...................................................................................................... 204 2.3.2.3 Penhor ............................................................................................................................ 205 2.3.2.4 Caução de títulos .......................................................................................................... 205 2.3.2.5 Caução de ativos ........................................................................................................... 206 2.4 DESCONTO DE DUPLICATAS/CHEQUES ............................................................................ 206 2.4.1 Cobrança e pagamento de títulos ..................................................................................... 206 2.5 TAXA DE DESCONTO ............................................................................................................... 207 2.6 INFLUÊNCIA DO PRAZO SOBRE O CUSTO DO CAPITAL .............................................. 207 LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................................... 209 RESUMO DO TÓPICO 3.................................................................................................................... 216 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................. 217 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................................... 219 XII 1 UNIDADE 1 INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade, você será capaz de: • conhecer o conceito básico de finanças; • identificar o capital próprio, o capital de terceiros e os seus custos; • saber sobre as diversas atividades na área de finanças; • compreender o que é o ativo operacional líquido; • conhecer o que é o valor econômico agregado; • conhecer as relações entre as finanças e a contabilidade e economia; • compreender sobre o custo médio ponderado; • saber sobre a estrutura de capital. Esta primeira unidade está dividida em três tópicos. No final de cada tópico, você encontrará atividades que possibilitarão a apropriação de conhecimentos na área. TÓPICO 1 – APRESENTANDO FINANÇAS NAS EMPRESAS TÓPICO 2 – ESTRUTURA DE CAPITAL TÓPICO 3 – GESTÃO BASEADA EM VALOR 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 APRESENTANDO FINANÇAS NAS EMPRESAS 1 INTRODUÇÃO Caro(a) acadêmico(a)! Bem-vindo ao Tópico 1 da Unidade 1 deste Caderno de Estudos. Agora você será inserido no mundo das finanças, saberá como funciona, quem são seus principais agentes e como se relacionam com outras áreas do conhecimento, especificamente contabilidade e economia. Conhecer as técnicas básicas daadministração financeira não é suficiente para o gestor de finanças. Nesse mundo globalizado em que vivemos, tomar decisão é ponto determinante para obtenção de resultado, e tal ação envolve profundo conhecimento do ambiente mercadológico e suas variáveis. As empresas estão continuamente sujeitas a riscos, que poderão impactar negativamente ou positivamente sobre o resultado. A teoria das finanças fundamenta-se em dois conceitos, que são: risco e retorno. Existe o risco de não gerar receita suficiente para cobrir os custos operacionais, e o risco de utilização de capital de terceiros, não gerando receita suficiente para pagar os juros. 2 O QUE SÃO FINANÇAS? Finanças é a ciência que estuda a estrutura de capital das organizações, bem como os fatores internos e externos que poderão influenciar sobre a sua capacidade de investimento e geração de recursos. Podemos resumidamente dizer que finanças são a arte de gerenciar recursos, buscando sempre agregar valor ao capital do investidor, respeitando sempre os princípios da ética profissional. Ross, Westerfield e Jordan (2002, p. 23) afirmam que: “Na terminologia das finanças, ao se fazer investimento em ativos, tais como estoques, máquinas, instalações e mão de obra, o montante de dinheiro aplicado em ativos deve ser contrabalançado por um montante equivalente em termos de financiamento.” UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 4 Para Nikbakht e Groppelli (2005, p. 3-4): Finanças é a aplicação de uma série de princípios econômicos e financeiros para maximizar a riqueza ou o valor total de um negócio. Mais especificamente, ao usar o valor presente líquido (fluxo de caixa futuro, descontado o valor presente menos os custos originais) para medir a rentabilidade, uma empresa maximiza a riqueza investindo em projetos e adquirindo ativos cujos retornos combinados produzem os lucros mais altos possíveis com menores riscos. Na realidade, ninguém realmente sabe quando a riqueza máxima é atingida, embora ela seja entendida como a meta final de toda a empresa. Uma maneira de descobrir a riqueza de uma empresa é por intermédio do preço de sua ação ordinária. Já Ross et al. (2002, p. 23) exemplificam: Imaginemos que você decida montar uma empresa para fabricar bolas de tênis. Para esse fim, contrata gerentes para adquirir matéria-prima e organiza um grupo de empregados para produzir e vender as bolas de tênis. Na terminologia de finanças, faz investimento em ativos, tais como estoques, máquinas, instalações e mão de obra. O montante de dinheiro aplicado em ativos deve ser contrabalançado por um montante equivalente em termos de financiamento. Ao começar a vender bolas de tênis, sua empresa estará gerando caixa. Essa é a base da criação de valaor. A finalidade da empresa é criar valor para você, seu proprietário. O valor está refletido no arcabouço do modelo simples de balanço patrimonial da empresa. Você deve ter observado, nas citações dos autores, que eles foram objetivos quando conceituaram finanças, quando escreveram que a sua finalidade é criar valor para o dono do capital, utilizando-se de ferramentas específicas. 3 ÁREAS DE OPORTUNIDADE Dentro das finanças, as áreas de oportunidade são amplas. O profissional que se dedicar à área financeira, desde que bem preparado, poderá escolher o segmento de prestação de serviços, que é bastante diversificado, ou atuar dentro das organizações como gestor financeiro. Muitas vezes você poderá encontrar o mesmo profissional executando diversas funções neste contexto, por exemplo, executando tarefas de analista e de gerente financeiro. 3.1 SERVIÇOS O segmento de serviços é o que mais cresce dentro de uma economia globalizada, seja no setor de logística, no de comércio, de indústria e financeiro. A prestação de serviços na área financeira é bem diversificada, como discriminaremos a seguir: TÓPICO 1 | APRESENTANDO FINANÇAS NAS EMPRESAS 5 3.1.1 Analista financeiro O analista financeiro tem como principal função analisar indicadores financeiros e elaborar relatórios para um gerente financeiro que irá tomar a decisão. 3.1.2 Gerente de investimentos Gerentes de investimentos são agentes responsáveis em gerenciar principalmente fundos de investimentos, buscando sempre a melhor rentabilidade para o seu cliente. 3.1.3 Gerente de financiamento Gerentes de financiamentos são aqueles agentes responsáveis em buscar recursos para grandes empresas, com a finalidade específica de alocar em projetos de expansão, principalmente. 3.1.4 Analista de crédito O analista de crédito tem como principal função analisar condições de risco de tomadores de recursos, emitindo seu parecer mensurando a categoria de risco. Sua função é somente analisar, pois a decisão de concessão do crédito depende de um gerente. 3.1.5 Gerente de fundo de pensão Os fundos de pensão são recursos acumulados que vão complementar a aposentadoria de grupos de pessoas ou funcionários de grandes conglomerados. Como são grandes volumes de recursos, há necessidade de serem gerenciados de tal forma que rentabilizem no decorrer do tempo futuro, com a finalidade de gerar caixa para dar sustentabilidade à aposentadoria dos participantes. Para tal é contratado um agente para administrar. Muitas vezes, conforme o volume de recursos do fundo, é contratada uma instituição financeira especializada. 3.1.6 Gerente de operações de câmbio O gerente de operações de câmbio tem como função principal negociar contratos de câmbio em moeda estrangeira nas transações comerciais e financeiras entre países. Contratos estes que serão celebrados em moeda estrangeira a uma taxa diária, baseada na PTAX800 do Banco Central do Brasil. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 6 Esse agente poderá ocupar cargos em bancos comerciais, empresas exportadoras ou importadoras, corretoras de câmbio, trading, comercial exportadora etc. 3.2 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA A administração financeira trata de qualquer atividade financeira de fins lucrativos ou não. Compreende um conjunto de operações destinadas à formação de recursos monetários indispensáveis ao pagamento dos fatores de produção e sua distribuição, bem como o planejamento das transações comerciais e financiamentos. A formação de recursos destinados aos pagamentos dos fatores de produção e distribuição dos recursos compreende: • Planejar transações comerciais. • Financiamentos. A circulação de fluxo financeiro pode ser estruturada em três fases: a) Origem dos recursos: Os fundos de caixas são originários de vendas à vista e a prazo, descontos de duplicatas, empréstimos bancários ou de terceiros, aumento de capital, vendas do ativo fixo e outros rendimentos. b) Utilização dos recursos: o fundo de caixa é utilizado na sustentação e circulação dos diversos setores de atividades, como: • pagamento de fornecedores; • novos investimentos financeiros; • investimentos no ativo fixo. c) Consumo dos recursos, ou seja, recursos necessários para a atividade produtiva, que são: Salários, encargos, despesas financeiras, despesas administrativas, impostos, taxas, dividendos, débitos incobráveis, perdas de materiais, etc... 3.2.1 Função A função financeira tem como objetivo base a obtenção de fundos suficientes para manter o negócio em operação. Manter o negócio em operação significa usar da melhor forma os recursos obtidos. Basicamente, a função financeira se preocupa com todos os problemas que são associados com a origem e aplicação do capital, com eficiência e eficácia. TÓPICO 1 | APRESENTANDO FINANÇAS NAS EMPRESAS 7 IMPORTANT E A área financeira é o coração de uma organização, ou seja, a perpetuidade de uma empresa depende da distribuição de recursos financeiros de forma eficiente e eficaz. 3.2.2 Objetivo O objetivo da administração financeira é econômico, ou seja, gerar lucro ao sócio e acionista. Hoji (2004, p. 21) descreve que: “Para a administração financeira, o objetivo econômico das empresas é a maximizaçãode seu valor de mercado, pois dessa forma estará sendo aumentada a riqueza de seus proprietários” (acionistas de sociedades por ações ou sócios de outros tipos de sociedades). ADMNINISTRAÇÃO FINANCEIRA: a importância de se controlar as finanças de uma empresa. Helton Eduardo Cunha Vieira Introdução As mudanças percebidas pelas organizações acontecem cada vez mais rapidamente e a globalização as obriga a competir em um mercado cada vez mais global. Isso leva as empresas a repensarem seus processos e controles de recursos, a fim de garantir sua sobrevivência. Neste artigo far-se-á a análise da administração financeira, sua importância para as organizações e também o papel do administrador financeiro frente aos desafios do novo mercado. Verificar-se-á a importância dos controles financeiros para a geração de valor (lucro, caixa e saúde financeira), principalmente da ferramenta fluxo de caixa, que dote a empresa de informações importantes à tomada de decisão. A Administração Financeira Para que uma empresa sobreviva no mercado é importante que ela cuide bem de suas finanças. Tracy (2000) corrobora essa afirmação quando diz que, para sobreviver, uma organização deve gerar caixa suficiente para custear suas operações, ter ferramentas para manter a sua saúde financeira e ser lucrativa. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 8 Contudo, Ross, Westerfild e Jordan (1998) salientam que, antes de se apurar o lucro, é preciso obter o capital necessário ao custeio das operações e definir onde o mesmo será aplicado. Além disso, é necessário também acompanhar diariamente o fluxo financeiro da empresa. Assim, pode-se dizer que a administração financeira está diretamente relacionada com a maneira pela qual uma organização obtém, direciona e controla os seus recursos financeiros, a fim de alcançar os objetivos e metas organizacionais. (ZDANOWICZ, 2004). Diante do exposto, fica evidente a importância do administrador financeiro, pois é ele quem toma as decisões e promove o controle das finanças. Entretanto, esse gestor não pode ser responsabilizado integralmente pelo sucesso ou fracasso da organização, pois ele não a administra sozinho. De acordo com Tracy (2000, p. 19), os objetivos organizacionais “[...] dependem do bom desempenho de todas as funções gerenciais.” Zdanowicz (2004) acrescenta ainda que a administração geral da empresa, através de suas políticas, influencia decisivamente na forma como a organização cuida de suas finanças. Negligenciar a administração financeira significa assumir um enorme risco para as empresas. Um estudo realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE (2004) mostrou que 63% das empresas que fecharam suas portas entre os anos de 2000 e 2004 o fizeram por falta de capital de giro e problemas financeiros. Isso mostra que a inadequada gestão dos aspectos financeiros, por mais elementares que possam parecer ou por menores que sejam as empresas, traz impactos diretos no que diz respeito à longevidade das mesmas. É claro que o tamanho da organização pode interferir no tipo de controle utilizado, ou mesmo na importância dada pelos gestores aos aspectos financeiros. De acordo com Gitman (1997), o papel da administração financeira depende do porte ou tamanho da organização. Se essa for uma pequena empresa, a função financeira é em grande parte feita pelo departamento contábil. À medida que a empresa cresce, a necessidade de controles mais rígidos acaba levando à criação de um departamento financeiro. Ainda segundo esse autor, em grandes empresas ou corporações, a função financeira é extremamente importante e não são raros os casos de presidentes advindos dessa área da organização. Para cuidar das finanças de uma organização, a administração financeira dispõe de um vasto ferramental de controle dos fluxos de recursos que saem ou entram na empresa. Tais controles vão desde simples planilhas até programas de computador altamente customizados, que controlam vários parâmetros, como as contas bancárias, recebimentos e pagamentos feitos pela organização. São exemplos de controles financeiros as demonstrações financeiras, o fluxo de caixa, o controle de contas a pagar e a receber, entre outros. TÓPICO 1 | APRESENTANDO FINANÇAS NAS EMPRESAS 9 Dentre amplo arsenal de controles à disposição das empresas, destaca- se o fluxo de caixa, uma importante ferramenta de planejamento dos recursos financeiros. De acordo com Groppelli e Nikbakht (1999, p. 21), “fluxo de caixa é uma medida de liquidez da empresa que consiste no lucro líquido mais despesas não desembolsáveis (tais como despesas de depreciação).” Assaf Neto e Silva (1997, p. 38) dizem que o fluxo de caixa é um processo em que a organização gera e aplica os recursos financeiros, resultado de suas atividades operacionais. Já no entendimento de Zdanowicz (1998, p. 23), o fluxo de caixa pode ser descrito como: [...] O instrumento utilizado pelo administrador financeiro com o objetivo de apurar os somatórios de ingressos e desembolsos financeiros da empresa, em determinado momento, prognosticando assim se haverá excedentes ou escassez de caixa, em função do nível desejado pela empresa. Diante do exposto, pode-se dizer que o fluxo de caixa é a ferramenta que auxilia a empresa no planejamento de utilização dos recursos financeiros, através do controle das entradas e saídas de capital resultantes de suas operações. Utilizando o fluxo de caixa, a empresa poderá ter um controle mais eficiente tanto dos seus gastos como de seus recebimentos. Isso implica em uma oportunidade de planejamento financeiro de curto prazo, fazendo com que a mesma otimize seus recursos financeiros e programe sua aplicação. Conclusão A administração financeira é vital para a sobrevivência das empresas. Frente às ameaças do novo mercado, uma economia global e altamente competitiva, controlar eficientemente as finanças de uma organização representa o diferencial entre o sucesso e o fracasso para essa empresa. Seu gestor financeiro necessitará trabalhar de forma integrada com os gestores das outras funções administrativas, a fim de proporcionar à organização uma visão holística e possibilitar ações assertivas por parte da alta administração. Dentre os possíveis mecanismos de controle, desponta o fluxo de caixa como um mecanismo eficaz para a solução do problema de má gestão dos recursos financeiros. Essa ferramenta deverá ser utilizada pela organização para supri-la de informações e auxiliá-la no processo de tomada de decisão, bem como no planejamento estratégico. FONTE: Disponível em: <http://muitoalemdarazao.blogspot.com.br/2009/03/administracao- financeira.html>. Acesso em: 19 jun. 2012. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 10 3.2.3 Atividades empresariais Podemos dizer que há três tipos de atividades dentro de uma organização. Uma empresa, seja ela indústria, comércio ou serviços, tem suas operações de rotina, ou seja, compra, paga, produz, vende e recebe. Para manter essas operações, necessita de recursos, sejam esses próprios ou de terceiros, logo, precisa buscar financiamentos para poder alocar em seus projetos. De acordo com Hoji (2004, p. 22), “as atividades de uma empresa podem ser agrupadas, de acordo com a natureza, em: operações, investimentos e financiamentos”. 3.2.3.1 Atividades operacionais As atividades operacionais estão diretamente relacionadas ao negócio de uma organização, ou seja, são realizadas com a finalidade de proporcionar a expectativa de gerar retorno sobre o capital investido. Ainda Hoji (2001, p. 22) diz que: “as atividades operacionais são refletidas em contas integrantes da Demonstração do Resultado, que geram o lucro (ou prejuízo) operacional. Exemplos: compras de matérias-primas, vendas, salários, aluguel etc.” 3.2.3.2 Atividades de investimentos Os investimentos são recursos que são alocados em novos projetos, sejam elesde expansão, máquinas e equipamentos, produtos novos ou obrigatórios, que vão gerar recursos, principalmente, no longo prazo. Hoji (2004, p. 23) narra que: Nesse grupo são classificadas as atividades executadas em consequência das decisões de aplicações de recursos em caráter temporário ou permanente, para dar suporte a atividades operacionais. As atividades de investimentos correspondem às contas classificadas no balanço patrimonial, em investimentos temporários e em ativo permanente. Exemplos: compras de maquinaria, integralização de capital de empresas controladas, aplicações financeiras de curto e longo prazos etc. TÓPICO 1 | APRESENTANDO FINANÇAS NAS EMPRESAS 11 3.2.3.3 Atividades de financiamentos Os financiamentos são as fontes de recursos de uma organização, sejam esses próprios ou de terceiros, curto ou longo prazo. Recursos que se fazem necessários para dar sustentabilidade às atividades operacionais e de investimentos. Ainda Hoji (2004, p. 23) relata que: As atividades de financiamentos refletem os efeitos das decisões tomadas sobre a forma de financiamento das atividades de operações e de investimentos. As atividades classificadas nesse grupo correspondem às contas classificáveis no passivo financeiro e no patrimônio líquido. Exemplos: captação de empréstimos bancários, emissão de debêntures, integralização de capital da empresa etc. 3.2.3.4 Relação entre a demonstração de resultado e as atividades empresariais A demonstração de resultado está diretamente relacionada às atividades operacionais que influenciam no resultado. Atualmente a contabilidade reconhece que, qualquer que seja a receita ou despesa dentro de uma empresa, será considerada operacional. Veja o quadro a seguir, envolvendo as atividades e o Demonstrativo de Resultado. QUADRO 1 – ATIVIDADES E O DEMONSTRATIVO DE RESULTADO DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO RECEITA BRUTA DE VENDA Vendas de produtos Prestação de serviços (-) DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA Devoluções e abatimentos Impostos incidentes sobre vendas Impostos incidentes sobre serviços (=) RECEITA LÍQUIDA (-) CUSTO DOS PRODUTOS E SERVIÇOS Custo dos produtos vendidos Custo dos serviços prestados UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 12 (=) LUCRO BRUTO (-) DESPESAS OPERACIONAIS Despesas de vendas Despesas gerais e administrativas Outras receitas e despesas operacionais (=) LUCRO ANTES DO IR e CSLL (-) PROVISÃO P/IR e CSLL (=) LUCRO APÓS IR e CSLL (-)PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES (=) LUCRO (PREJUÍZO) LÍQUIDO FONTE: Hoji (2004) NOTA - Atividades operacionais são as atividades de rotina. - Atividade de investimentos são recursos que são alocados dentro de uma empresa com retorno no longo prazo. - Atividades de financiamento são os recursos que vão dar sustentabilidade às atividades operacionais e aos investimentos. 3.2.4 Sistema global da função financeira O Sistema Global da Função Financeira está baseado nas principais áreas de decisão financeira, das quais podemos identificar três: • A decisão do investimento • A decisão de distribuição de lucros • A decisão de financiamento. 3.2.4.1Decisão de investimento É provavelmente a mais importante das três decisões citadas. Em essência, consiste na alocação do capital a projetos de investimentos, cujos benefícios são auferidos no futuro. Como os lucros futuros não podem ser estimados com certeza, a decisão de alocar capital necessariamente envolve riscos, desta forma as decisões devem levar em conta não apenas os lucros esperados, mas também os riscos para a empresa. TÓPICO 1 | APRESENTANDO FINANÇAS NAS EMPRESAS 13 3.2.4.2 Decisão de distribuição de lucros Consiste na determinação da percentagem do lucro a ser distribuída aos acionistas em forma de dinheiro. 3.2.4.3 Decisão de financiamento O administrador financeiro deve determinar a melhor forma de financiar as operações da empresa. Em outras palavras, ele deve determinar qual a estrutura de capital mais adequada. 3.2.5 Funções do administrador financeiro Hoji (2004, p. 25) relata que: “A administração financeira dentro de uma empresa é exercida por pessoas ou grupo de pessoas que podem ter diferentes denominações, como: vice-presidente de finanças, diretor financeiro, controller e gerente financeiro”. Todas as funções apresentadas por Hoji (2004), acima, são sinônimos de administrador financeiro. São várias as atribuições do administrador financeiro, como as que veremos na sequência. 3.2.5.1 Análise de registro e informações contábeis Aqui está caracterizado o papel da contabilidade como principal fonte de dados internos para as tarefas a serem desempenhadas pela ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA. Outros fatores, no entanto, mesmo não contabilizáveis, devem também ser levados em consideração, particularmente porque toda e qualquer decisão é voltada para o futuro, ao passo que a contabilidade registra apenas fatores já ocorridos. 3.2.5.2 Projeção do movimento de fundos O objetivo nesta atividade é aferir o grau de liquidez na empresa e verificar se a empresa terá condições de manter-se em funcionamento, cobrindo seus compromissos externos de pagamento e fornecendo os recursos para manter o nível de operações previstas. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 14 3.2.5.3 Aplicação dos fundos excedentes Aplicar com o maior rendimento possível e com velocidade de resgate suficientemente grande para recuperar o dinheiro caso surja a necessidade. 3.2.5.4 Fornecimento de informações à alta administração Informações sobre perspectivas financeiras futuras da empresa, baseadas principalmente nos relatórios contábeis e nos cenários econômicos. 3.2.5.5 Elaboração de planos para fontes de uso de fundos a curto e a longo prazo Planejamento do movimento de fundos, levando-se em conta os custos das fontes e os lucros possibilitados pelas aplicações. Neste caso, a principal diretriz de raciocínio é o conjunto dos objetivos gerais da empresa pela administração, com a finalidade de maximizar o lucro através da aplicação financeira. 3.2.6 Estrutura organizacional da administração financeira de uma empresa de grande porte Numa empresa de médio e grande porte, a estrutura financeira fica evidenciada, com uma diretoria financeira, auditoria, gerente financeiro e contador. 3.2.6.1 Diretoria financeira Órgão que conduzirá o financeiro, traçando sua política e coordenando as atividades dos órgãos a ele subordinados. 3.2.6.2 Auditoria Órgão essencialmente técnico, cuja subordinação é direta à Diretoria Financeira. Cabe à Auditoria a análise da escrituração de seu aspecto legal dentro das normas que já foram previamente estabelecidas, ou seja, verificar se nas demonstrações contábeis existe alguma evidência de fraude ou erro. TÓPICO 1 | APRESENTANDO FINANÇAS NAS EMPRESAS 15 3.2.6.3 Gerência financeira Encarregada dos pagamentos e recebimentos, subordinada à Diretoria Financeira. Manterá estreita relação com os setores de extrema: Administração, Auditoria e outros, dependendo da estrutura da empresa. Veja, a seguir, a estrutura organizacional, conforme conceituação anterior. FIGURA 1 – ESTRUTURA ORGANIZACIONAL Diretor Financeiro Financeiro Auditor Contador FONTE: O autor Você deve ter observado que o auditor é subordinado direto ao diretor financeiro, ou seja, ele está acima do financeiro e do contador, e, por último, esses dois estão numa mesma linha hierárquica. 3.2.6.4 Contabilidade Órgão encarregado da parte contábil da empresa, executando-a através de controles técnicos onde ficam retratados todos os movimentos financeiros da atividade. NOTA A contabilidade tem como principal função registrar todos os eventos contábeis que ocorrem dentro de uma organização. O papel da auditoria será de verificar se o que foi definido pela diretoria financeira está sendo executado. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 16 3.2.7 Relações da administração financeira com a contabilidade O fato de o administrador financeiroutilizar em suas análises informações extraídas de demonstrativos contábeis torna muito comum o equívoco de considerar que a administração financeira tem o mesmo campo de atuação da contabilidade. A contabilidade tem como finalidade registrar os fenômenos que afetam as situações patrimoniais, financeiras e econômicas das empresas, e para este propósito adota o REGIME DE COMPETÊNCIA. Groppelli e Nikbakht (2005, p. 13) são enfáticos quando afirmam: Administradores financeiros empregam os contadores para preparar os demonstrativos financeiros que fornecem informações sobre a lucratividade – Demonstrativo do Resultado do Exercício – e sobre a posição financeira da empresa – Balanço Patrimonial. Já o Demonstrativo de Fluxo de Caixa é um relatório que fornece uma análise detalhada da maneira como o caixa foi gerado e indica como foi utilizado na condução de cada fase do negócio. Como consequência, esse demonstrativo fornece outra ferramenta importante para os administradores que procuram controlar e entender os fatores externos e as políticas internas que influenciam os fluxos de caixa da empresa. Você observou que ficou evidente, no texto acima, que não é função do administrador financeiro elaborar relatórios contábeis, porém ele deverá saber interpretar essa ferramenta para traçar uma expectativa futura da organização. 3.2.7.1 Regime de competência O regime de competência reconhece as receitas no momento da venda e as despesas quando elas ocorrem. Já a administração financeira tem como funções básicas: o planejamento, o controle de entrada e saída de dinheiro, ou seja, os recursos necessários ao funcionamento das empresas. Para isso, adota o regime de caixa. 3.2.7.2 Regime de caixa O regime de caixa reconhece as receitas e as despesas somente quando acontecem as entradas e saídas de caixa (dinheiro). TÓPICO 1 | APRESENTANDO FINANÇAS NAS EMPRESAS 17 IMPORTANT E O regime de competência registra no período em que ocorre o evento, já o regime de caixa só vai registrar se estiver entrando ou saindo dinheiro de caixa. 3.2.8 Relações da administração financeira com a economia Em decorrência de que a teoria financeira é derivada da teoria econômica, finanças e economia estão estreitamente relacionadas. O administrador financeiro deve, portanto, usar os princípios da economia para nortear suas decisões. Ele precisa conhecer a teoria de preços, os aspectos envolvidos na oferta e demanda e outros conceitos que possam auxiliá-lo a gerenciar as finanças da empresa de forma eficaz. Além disso, deve estar atento a todas as mudanças ocorridas na conjuntura econômica e que possam afetar de alguma forma as atividades da empresa. O princípio econômico de fundamental importância do qual se vale o administrador financeiro para a tomada da maioria das decisões é o princípio da análise marginal, que consiste no estudo dos custos e benefícios adicionais gerados por uma determinada escolha de investimento. Um projeto de investimento somente será viável economicamente quando a soma dos benefícios marginais gerados for maior que a soma dos custos marginais ocorridos quando da implantação do projeto. Ou seja, quando a empresa ganha ou perde, quando faz a opção por uma determinada situação em detrimento de outra. 3.2.8.1 Análise marginal O agente financeiro deverá estar atento às atividades econômicas que estão ocorrendo, principalmente no segmento no qual está inserido. As organizações estão expostas a riscos, internos e externos. Os riscos internos são controláveis, mas os riscos externos são incontroláveis. O administrador financeiro deve, portanto, utilizar os demonstrativos contábeis que são as principais fontes de informação da empresa, porém com a preocupação de analisá-los sob o ponto de vista do fluxo de caixa. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 18 3.2.8.2 Aparelho circulatório do dinheiro A circulação dos recursos financeiros, ou seja, dinheiro, dentro de uma organização, no ativo e no passivo é chamada de giro. O passivo indica a origem dos recursos, que poderão ser fontes de curto ou longo prazo. O ativo vai nos dizer onde esses recursos foram alocados, que poderá ser no ativo circulante ou no ativo circulante. A ação de circular compreende o ato de comprar e vender. 3.2.8.3 Organização do movimento de fundos O departamento financeiro cuida dos movimentos do dinheiro. Quem pretende possuir uma organização financeira inicia por dar forma a esse serviço. São funções do tesoureiro: • Movimento do dinheiro. • Manejo do crédito. • Planejamento financeiro. • Assinatura em títulos financeiros, cheques, contratos, etc. • Custódia de fundos e documentos de valores. • O caixa é composto de recebimentos e pagamentos. • Todo pagamento e recebimento deve ter comprovação. • A movimentação pelos bancos oferece maiores garantias. • Os cheques devem ser emitidos com garantias. • Todo cheque pago pelo caixa deve ser nominal. • Pagamentos pelo caixa, somente pequenos valores. • O numerário requisitado necessita de controle contábil. • Não se deve admitir pagamento de vales pelo caixa. • Proibido descontar cheques de terceiros no caixa. • O caixa deve ter horários preestabelecidos. 3.2.8.4 Organização dos serviços de obtenção de recursos Este planejamento é muito importante, pois será vital para a perpetuidade da empresa. É importante determinar a origem de recursos de forma quantitativa e qualitativa, ou seja, valores e os custos envolvidos. TÓPICO 1 | APRESENTANDO FINANÇAS NAS EMPRESAS 19 3.2.8.4.1 Recursos próprios Recursos próprios pertencem aos sócios e acionistas, podem abranger os seguintes assuntos: • Subscrição de ações e integralização. • Transferência de ações. • Dividendos e desdobramentos de ações. 3.2.8.4.2 Recursos de terceiros Também conhecidos como recursos alheios. Para manter ativa a confiabilidade dos negócios entre a empresa e as instituições financeiras é necessário: a) Controlar o saldo das contas bancárias, independentemente dos registros contábeis. b) Controlar o movimento dos títulos com os bancos, de modo a saber sempre o que cada banco possui em cobrança, em caução ou descontado. c) Realizar com segurança o pagamento das obrigações. 3.2.9 Balanço patrimonial Consiste na simples relação dos recursos da firma, tais como: caixa, valores a receber, estoques, máquinas e equipamentos de um lado, e direitos sobre estes ativos, de outro lado, que compreende somas, dívidas a credores, investimentos da empresa. 3.2.10 Demonstração do resultado do exercício Esta demonstração visa avaliar as modificações ocorridas no saldo da conta de lucros ou prejuízos acumulados, defrontando dois exercícios. Exemplo: Saldo inicial de lucros ou prejuízos acumulados. A seguir você observará, conforme a legislação (Lei n◦ 6.404/76) das sociedades anônimas, a estrutura de demonstrativo de resultado. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 20 DEMONSTRATIVO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO RECEITA BRUTA (-) DEDUÇÕES DE VENDAS – ICMS, ISS, IR, DEVOLUÇÕES DE VENDAS, VENDAS CANCELADAS = RECEITA LÍQUIDA (-) CMV = LUCRO BRUTO (-) DESPESAS OPERACIONAIS (+) RECEITAS OPERACIONAIS (-) DEPRECIAÇÃO = LUCRO OPERACIONAL (-) DESPESAS NÃO OPERACIONAIS (+) RECEITAS NÃO OPERACIONAIS (+/-) RESULTADO CORREÇÃO MONETÁRIA = LUCRO DO EXERCÍCIO ANTES DO IR (-) PROVISÃO PARA IR = LUCRO DO EXERCÍCIO APÓS IR (-) PARTIPAÇÕES ESTATUTÁRIAS (-) CONTRIBUIÇÕES A FUNDOS OU INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA A EMPREGADOS = LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO R$ POR AÇÃO DO CAPITAL SOCIAL 3.2.11 Demonstrativo de fluxo de caixa O demonstrativo de fluxo de caixa é o principal instrumento de controle do gestor financeiro, que organiza os pagamentos e recebimentos de tal forma que não ocorra desencaixe, levando muitas vezes as empresas a processo de insolvência. Diferentemente das ferramentas de controle apresentadas, o fluxo de caixa projeta do presente para o futuro. Embora matematicamente seja simples de elaborar,pois envolve operações algébricas de subtração e adição, sua complexidade maior está em adequar o ciclo financeiro, ocasionando a falência. Silva (2005, p.11) diz que: Fluxo de caixa é o principal instrumento da gestão financeira, que planeja, controla e analisa as receitas e os investimentos, considerando determinado período projetado. Pode-se também dizer que consiste numa representação gráfica e cronológica de entradas e saídas de recursos monetários, o que permite às empresas executar suas programações financeiras e operacionais projetadas para certo período de tempo. Ainda Silva (2005, p. 11) esclarece que: O caixa de uma empresa gera lucro quando há disponibilidade de recursos para aplicação, que consequentemente receberá juros. Do mesmo modo, se não houver caixa, isso impactará no resultado, TÓPICO 1 | APRESENTANDO FINANÇAS NAS EMPRESAS 21 porque a empresa utilizará recursos de terceiros, pagando juros pela captação, para fazer frente aos compromissos assumidos, o que tornará o resultado menor. O orçamento de caixa é empregado para proteger as necessidades financeiras, identificar saldos excessivos de caixa e para fazer ressaltar pontos críticos que eventualmente possam surgir nos fluxos de entrada e saída de caixa. O fluxo de caixa é a previsão de entradas e saídas de recursos monetários, por um determinado período. Essa previsão deve ser feita com base nos dados levantados nas projeções econômico-financeiras atuais da empresa, porém levando em consideração a memória de dados que respaldará essa mesma previsão. O principal objetivo dessa previsão é fornecer informações para a tomada de decisões, tais como: prognosticar as necessidades de captação de recursos; aplicar os excedentes de caixa nas alternativas mais rentáveis para a empresa sem comprometer a liquidez. Resumidamente, podemos afirmar que o FLUXO DE CAIXA é a demonstração visual das receitas e despesas distribuídas pela linha do tempo futuro. Para a montagem da projeção do fluxo de caixa devemos considerar os seguintes dados: Entradas a) Contas a receber b) Empréstimos c) Dinheiro dos sócios Saídas a) Contas a pagar b) Despesas gerais de administração c) Pagamento de empréstimos d) Compras à vista O fluxo de caixa é considerado um dos principais instrumentos de análise e avaliação de uma empresa, proporcionando ao administrador uma visão futura dos recursos financeiros, integrando o caixa central às contas correntes em bancos, contas de aplicações, receitas, despesas e as previsões. FONTE: Disponível em: <http://www.ivansantos.com.br/fluxo.htm>. Acesso em: 13 set. 2012. Observe a seguir alguns importantes fatores a serem observados quando da elaboração do fluxo de caixa: • Faturar prontamente. • Criar incentivos para que o cliente pague mais rápido. • Evitar clientes inadimplentes. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 22 • Permutar produtos e serviços. • Organizar os estoques. Existem fatores internos e externos que afetam o fluxo de caixa, o que ocasiona diferenças acentuadas entre o previsto e o realizado, comprometendo a eficácia do sistema, bem como a sua liquidez. Vejamos primeiro os fatores internos: • aumento no prazo de vendas concedido como uma maneira de aumentar a competitividade ou a participação no mercado; • compras que não estão em linhas com projeções de vendas; • diferenças representativas nos prazos médios de recebimento e pagamento; • ciclos de produção muito longos, que não estão em consonância com o prazo médio dado pelos fornecedores; • política salarial incompatível com as receitas e demais despesas operacionais; • pequena ocupação do ativo fixo; • distribuição de lucros incompatíveis com a capacidade de geração de caixa; • custos financeiros altos originários do nível de endividamento. Fatores externos: • diminuição das vendas em decorrência de retração do mercado; • novos concorrentes; • mudanças na alíquota de impostos; • aumento do nível de inadimplência. FONTE: Disponível em: <http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/k211261.pdf>. Acesso em: 13 set. 2012. O quadro a seguir dá uma visão sobre a gestão de valor dentro de uma empresa. Enquanto a DRE visa resultado econômico, o DFC visa à liquidez, ou seja, pagar e receber à vista. QUADRO 2 – VISÃO DA GESTÃO DE VALOR DENTRO DA EMPRESA Demonstração de resultado Demonstração de resultado Visão contador (competência) Visão financeiro (caixa) RECEITA/DESPESA ENTRADA/SAÍDA Recebimentos Recebimentos a prazo/à vista somente à vista Pagamentos Pagamentos a prazo/à vista somente à vista LUCRO/PREJUÍZO POSITIVO/NEGATIVO FONTE: O autor TÓPICO 1 | APRESENTANDO FINANÇAS NAS EMPRESAS 23 UNI Não é necessário o gestor financeiro saber elaborar as demonstrações contábeis, para isto existe a contabilidade, porém o profissional de finanças deverá saber interpretar e analisar os dados fornecidos pela contabilidade para traçar as diretrizes da organização. Sugestão para previsão do fluxo de caixa QUADRO 3 – MODELO DO FLUXO DE CAIXA DESCRIÇÃO D IA , S EM A N A O U M ÊS D IA , S EM A N A O U M ÊS D IA , S EM A N A O U M ÊS TO TA L I) ITENS OPERACIONAIS A. Entradas - Venda à vista - Recebimento de duplicatas - Desconto de duplicatas B. Total das entradas operacionais C. Saídas - Compras - Pagamento de duplicatas - Pagamento de contratos de serviços - Pagamento de pessoal - Recolhimento de impostos - Recolhimento de encargos sociais - Outros (aluguéis, materiais diversos). D. Total de saídas operacionais E. Fluxo de saídas operacionais (B-D) UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 24 II) ITENS NÃO OPERACIONAIS F. Entradas - Empréstimos obtidos - Venda de ativos fixos - Outros (venda de título, etc). G. Total das entradas não operacionais H. Saídas - Amortização de empréstimos - Compra de ativos fixos - Outros (Juro, etc). I.. Total das saídas não oper. J.. Fluxo líquido não oper. (G-I) III) FLUXO LÍQUIDO GERAL (E + J) IV)SALDO INICIAL V)SALDO FINAL (III + IV) FONTE: Mariotto (2007) TÓPICO 1 | APRESENTANDO FINANÇAS NAS EMPRESAS 25 A CONTABILIDADE E A GESTÃO FINANCEIRA DAS EMPRESAS Geovani Quevedo Maciel * Um dos grandes desafios para qualquer empresa, independente do tamanho, segmento, grupo econômico ou espaço geográfico de atuação, corresponde à obtenção de lucratividade na medida adequada à manutenção de suas atividades operacionais, geração de recursos suficientes para pagamento dos seus compromissos e suporte às estratégias de crescimento. Independentemente do porte de cada organização, é necessário que as empresas desenvolvam controles financeiros adequados às suas necessidades, os quais devem fornecer aos seus gestores as informações mínimas necessárias para a mensuração dos resultados e avaliação das metas financeiras estabelecidas pela administração da companhia. Diante deste contexto de controle, avaliação de desempenho e gestão financeira, a Contabilidade constitui-se no principal meio de mensuração e avaliação de resultados. Por meio de demonstrações contábeis, os gestores de uma companhia conseguem obter um conjunto de informações capaz de auxiliá- los na avaliação do desempenho financeiro de suas organizações. Dentre estas demonstrações, destacam-se: (i) Balanço Patrimonial; (ii) Demonstração do Resultado do Exercício e (iii) Demonstração do Fluxo de Caixa.igos (novembro de 2006). Quando uma organização inicia sua operação, os primeiros registros financeiros de seu nascimento são contemplados no Balanço Patrimonial, por meio da constituição formal da empresa mediante capital social inicial com recursos ingressando no caixa ou outros ativos. É de extrema importância, nesta fase, o correto dimensionamento do capital de giro necessário para suportar os primeiros meses de operação, especialmente se a empresa atuar num segmento extremamente concorrido, tendo de conquistar sua participação de mercado. Segundo Iudícibus (1998, p. 29), o Balanço Patrimonial correspondea um dos mais importantes demonstrativos contábeis, destinado a demonstrar a situação patrimonial e financeira de uma entidade em determinado período. Na medida em que as empresas vão desempenhando suas atividades operacionais (compras e vendas), são geradas receitas, seja mediante vendas à vista ou a prazo, com a apuração dos respectivos custos de fabricação/comercialização e com a consequente alocação das despesas operacionais. Estas operações são refletidas, por competência, na Demonstração do Resultado do Exercício, podendo gerar entradas e saídas na Demonstração do Fluxo de Caixa no momento de sua ocorrência, dependendo da condição comercial de recebimento e pagamento. LEITURA COMPLEMENTAR UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 26 A Demonstração do Resultado do Exercício corresponde a um demonstrativo contábil elaborado de forma escalonada, que objetiva evidenciar o resultado apurado pela empresa (lucro ou prejuízo) em determinado período. Esta demonstração, quando elaborada simultaneamente com o Balanço Patrimonial, constituem-se em importantes e sucintos relatórios das operações realizadas pela empresa durante determinado período. Pela Demonstração do Resultado do Exercício podemos também avaliar a rentabilidade de uma empresa, sendo que caso esta esteja operando em situação deficitária (prejuízo), são necessárias ações imediatas por parte dos gestores da companhia, no sentido de reavaliar sua estratégia de precificação e mix de vendas, bem como rever sua estrutura de custos e despesas, objetivando adequá- la à realidade do mercado. Quanto à execução das ações necessárias durante este processo de reavaliação de estratégias de vendas e gastos, normalmente identificamos dois tipos de organizações: (a) aquelas que reagem com agilidade, identificando e corrigindo estratégias comerciais equivocadas ou atuando na redução de gastos desnecessários e identificação de oportunidades de melhorias em processos; e (b) organizações que simplesmente não acreditam que algo de errado possa estar acontecendo e não adotam medidas ágeis que possibilitem colocar a empresa em trajetória de lucratividade. Já a Demonstração do Fluxo de Caixa é uma demonstração financeira destinada a fornecer informações relevantes sobre os pagamentos e recebimentos, em dinheiro, ocorridos durante determinado período (Iudícibus, Martins, Gelbcke, 2000, p. 351). A referida demonstração possui ainda dois métodos de apresentação, que correspondem a: (a) direto: apresenta entradas e saídas de recursos dos principais componentes das atividades operacionais; e (b) indireto: que apresenta uma conciliação entre o resultado do exercício e o caixa gerado pelas operações da empresa. Tradicionalmente, empresas com prejuízos constantes tendem a apresentar sérios problemas de escassez de recursos no curto prazo, especialmente se não possuírem volume de caixa inicial suficiente (capital de giro) para suportar períodos de sucessivas perdas. Caso a empresa não possua um “estoque de recursos”, seus proprietários ou acionistas deverão aportar capital ou a empresa deverá recorrer à obtenção de empréstimos e financiamentos bancários para equilibrar seu déficit financeiro. É também de extrema importância destacar que, apesar de a empresa ter apurado bons volumes de lucro, é necessária uma adequada administração das políticas de crédito e cobrança, de forma a garantir o ingresso dos recursos nos prazos acordados com os clientes, especialmente no caso de grandes volumes de vendas a prazo (prática comum para a maioria das empresas). TÓPICO 1 | APRESENTANDO FINANÇAS NAS EMPRESAS 27 Cumpre destacar que as demonstrações Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício são elaboradas em atendimento aos Princípios Fundamentais de Contabilidade, observando o regime de competência de exercícios (receitas e despesas devem ser consideradas na apuração do resultado do período em que ocorreram, independentemente de seu recebimento ou pagamento) e na forma da legislação/doutrina vigente, ao passo que a Demonstração do Fluxo de Caixa (Modelo Direto) atende ao regime de caixa (entrada e saída de recursos). Na prática, podemos constatar que uma parcela considerável de pequenos empresários, donos ou gestores de empresas, desconhece a importância da gestão financeira mediante utilização e análise das Demonstrações Contábeis, especialmente do Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício. Estas demonstrações, além de representarem importante instrumento de gestão financeira e de mensuração do desempenho empresarial, correspondem a um dos principais instrumentos de interação com o mercado fornecedor de capital (investidores, instituições financeiras, mercado de capitais, etc.), sendo sua adequada elaboração importante à obtenção de financiamento para operações, seja de capital de giro, investimento em ativo imobilizado ou aquisições de outras empresas. Existe ainda uma parcela significativa de pequenos e inexperientes empreendedores que levam seus projetos empresariais à falência, pelo fato de não conhecerem alguns princípios fundamentais de Contabilidade e de gestão financeira, de vital importância para a sustentabilidade de qualquer empreendimento. Diante desse contexto, os profissionais de Contabilidade podem e devem desempenhar um importante papel no meio empresarial, contribuindo diretamente para a educação contábil/financeira dos empreendedores brasileiros, pois não existe dúvida de que estes profissionais possuem competência e conhecimento capaz na gestão financeira das empresas, uma vez que detêm o conhecimento capaz de identificar que uma empresa com sucessivos prejuízos (evidenciados pela Demonstração do Resultado do Exercício), com escassez de caixa (evidenciada pela Demonstração do Fluxo de Caixa), com elevado volume de endividamento de curto prazo e capital de giro negativo (evidenciado por meio do Balanço Patrimonial), não terá condições de sobreviver e prosperar num cenário extremamente competitivo e globalizado. * Contador – CRCRS nº 53.792, Professor de Contabilidade e Administração Financeira – FARGS – Faculdades Rio-Grandenses. Gerente financeiro, controller e analista financeiro, com atuação em empresas de pequeno, médio e grande porte, nacionais e multinacionais. FONTE: CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO RIO GRANDE DO SUL. Princípios Fundamentais de Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade. Porto Alegre: CRCRS, 2006. 28 Neste tópico, você viu que: • Agora que está dentro do mundo das finanças, seu papel principal será de dar um retorno à expectativa do acionista, ou seja, agregar valor ao capital daqueles que se expõem ao risco, sejam eles grandes ou pequenos investidores, mas que têm o gosto comum pelo risco. • Você recebeu um conhecimento conceitual sobre o mundo das finanças, áreas de oportunidade, funções e objetivos. • Conheceu as atividades empresariais, as relações com outras áreas do conhecimento, especificamente contabilidade e economia. Teve um contato com as principais ferramentas de controle de risco, que são: Demonstrativo do Fluxo de Caixa, Demonstrativo de Resultado do Exercício e Balanço Patrimonial. RESUMO DO TÓPICO 1 29 1 Defina finanças. 2 Descreva como estão classificadas as atividades empresariais, com suas principais características. 3 Qual é a função da administração financeira? 4 Cite duas funções do administrador financeiro. 5 Qual é o objetivo econômico das empresas? 6 Qual é a relação da administração financeira com a contabilidade? 7 Qual é a relação da administração financeira com a economia? 8 Quais são as atividades empresariais relacionadas às finanças? 9 Qual é a estrutura organizacional da administração financeira dentro de uma empresa de médio e grande porte? 10 Diferencie recursos próprios de recursos de terceiros. 11 Diversas atividades são executadas em uma empresa. Classifique as atividades a seguir relacionadas em: Operacional( O ), Investimento ( I ) e Financiamento ( F ), de acordo com a sua natureza. ( ) Captação de empréstimos ( ) Compra de mercadorias para revenda ( ) Compra de material de consumo ( ) Venda de itens do ativo fixo ( ) Venda de estoques de produtos acabados ( ) Recebimento de duplicatas ( ) Gasto com elaboração da produção ( ) Compra de máquinas ( ) Venda de ações ( ) Pagamento de segurança terceirizada 12 Qual é a diferença entre regime de caixa e regime de competência? 13 O que é análise marginal? 14 O que é o aparelho circulatório do dinheiro? 15 O que é a organização dos movimentos de fundo? AUTOATIVIDADE 30 31 TÓPICO 2 ESTRUTURA DE CAPITAL UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO A estrutura de capital de uma organização é formada por capital próprio e capital de terceiros, necessários para a perpetuidade do empreendimento, independente da área de atuação, ou seja, com ou sem finalidades lucrativas. Segundo Groppelli e Nikbakht (2005, p. 189): A estrutura de capital é a composição do financiamento de uma empresa. Relacionada do lado direito do balanço patrimonial, ela indica as principais fontes de fundos externos obtidos por meio de financiamento. A estrutura de capital da empresa consiste em dívidas de longo prazo, em ações preferenciais e ordinárias. De acordo com a citação acima, os autores se referem somente a capital próprio, mas também existem as fontes de recursos originados de terceiros, que são os bancos. Ross et al. (2002, p. 25) descrevem que: Os esquemas de financiamento determinam de que maneira é repartido o valor da empresa. As pessoas ou instituições que compram títulos de dívida da empresa são chamadas de credores. Os titulares de direitos de propriedade são chamados de acionistas. Às vezes, vale a pena imaginar a empresa como uma pizza. Inicialmente, o tamanho da pizza dependerá da qualidade de suas decisões de investimento. As decisões de investimento determinarão o valor de seus ativos (por exemplo, prédios, terrenos e estoques). Em seguida, a empresa poderá determinar sua estrutura de capital. Inicialmente, poderia ter obtido recursos para investir em ativos, recorrendo mais a capital de terceiros do que a capital próprio; agora, talvez possa considerar a modificação dessa estrutura, emitindo mais ações, usando o dinheiro assim obtido para resgatar parte de suas dívidas. Decisões de financiamento como essas podem ser tomadas independentemente das decisões originais de investimento. As decisões de obtenção de capital de terceiros e capital próprio determinam como a pizza é repartida. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 32 Você observou, na citação de Ross, que o autor é claro quando descreve que a estrutura de capital poderá variar a todo instante, conforme as necessidades da empresa. Veja a seguir, o modelo de balanço patrimonial. FIGURA 2 – MODELO DE BALANÇO PATRIMONIAL Valor total dos ativos Valor total da empresa para os investidores Ativos circulantes Passivos circulantes Capital de giro líquido Dívidas de longo prazo Pa t r i m ô n i o dos acionistas Ativos Permanentes -tangíveis -intangíveis FONTE: Ross et al. (2002) 2 CUSTO DE CAPITAL Denomina-se custo de capital a exigência mínima por parte dos acionistas que são os detentores do capital próprio, somada à exigência dos donos do capital alheio, ou de terceiros, que são os agentes financeiros. Logo os recursos são alocados no ativo, do qual vai se exigir uma taxa mínima de atratividade, que seria o ponto de equilíbrio, ou seja, o mínimo de retorno necessário para remunerar os credores e acionistas. Salientamos que é muito importante, por ocasião da formação da estrutura de capital de uma organização, o empreendedor mensurar o custo do capital próprio conjuntamente com o capital de terceiros, para saber o retorno do investimento, ou seja, a taxa de retorno. Assaf Neto (2005, p. 361) evidencia que: O custo de capital de uma empresa reflete, em essência, a remuneração mínima exigida pelos proprietários de suas fontes de recursos (credores e acionistas). É utilizado como taxa mínima de atratividade das decisões de investimentos, indicando criação de riqueza econômica TÓPICO 2 | ESTRUTURA DE CAPITAL 33 quando o retorno operacional auferido superar a taxa requerida de retorno determinada pela alocação de capital. Esse é o critério básico de aceitação de uma proposta de investimento, conforme discutido em capítulos anteriores, o qual leva ao incremento do valor de mercado da empresa e, em consequência, da riqueza de seus acionistas. 2.1 CUSTO DE CAPITAL PRÓPRIO Denominamos custo de capital próprio a expectativa de retorno por parte do acionista, por ocasião de um investimento. Segundo Assaf Neto (2005, p. 364), “[...] é o retorno desejado pelos acionistas de uma empresa em suas decisões de aplicação de capital próprio”. 2.2 CUSTO DE CAPITAL DE TERCEIROS O custo do capital de terceiros é a remuneração exigida pelos fornecedores de empréstimos e financiamentos, recursos estes que, conjuntamente com o capital próprio, serão alocados no ativo. É importante lembrar que sua remuneração é contratual, ou seja, é exigida em contrato prévio, portanto, se a empresa der uma rentabilidade acima das expectativas, o agente financeiro se contentará com o que foi previamente contratado. Ainda Assaf Neto (2005, p. 362) diz: “O custo do capital de terceiros é definido de acordo com os passivos onerosos identificados nos empréstimos e financiamentos mantidos pela empresa”. 2.3 CUSTO DE OPORTUNIDADE A bibliografia na área de finanças é vasta, você encontrara outras nomeclaturas, como, por exemplo, taxa mínima de atratividade, ou TMA, referenciando custo de oportunidade. Custo de oportunidade é quando um investidor está analisando a viabilidade de investimento em mais de um projeto, e ele terá que escolher um. Nesse momento, quando ele abandona uma alternativa e investe na outra, este abandono de rentabilidade será a sua TMA. Segundo Lapponi (1996, p. 15): O investidor tem mais de uma alternativa ou oportunidade de investir seu capital. Toda vez que ele decide por uma alternativa de investimento, deixa de lado outras alternativas, renunciando, portanto, ao lucro que teria recebido com uma dessas alternativas. Esse é o custo de oportunidade, cujo valor é definido pelo custo da melhor alternativa rejeitada, mantendo o mesmo nível de risco do investimento. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 34 Para Assaf Neto (2005, p. 171): Um custo de oportunidade retrata quanto uma pessoa (empresa) sacrificou de remuneração por ter tomado a decisão de aplicar seus recursos em determinado investimento alternativo, de risco semelhante. Por exemplo, uma empresa, ao avaliar um projeto de investimento, deve considerar como custo de oportunidade a taxa de retorno que deixa de receber por não ter aplicado os recursos em outra alternativa possível de investimento. O custo de oportunidade não é um conceito de valor absoluto, mas apurado mediante a comparação do retorno esperado de uma decisão com o que seria obtido de uma melhor proposta de investimento, alternativa rejeitada. Você observou que os dois autores citados acima descrevem similarmente sobre o conceito de custo de oportunidade. 3 CUSTO MÉDIO PONDERADO DE CAPITAL - CMPC O custo de capital é a taxa de juros requerida pela empresa de forma que consiga satisfazer os seus fornecedores de capital (capital próprio e capital de terceiros). É considerado médio, porque faz-se o somatório das fontes de financiamento de capital próprio e de terceiros, dividindo pelo total do capital que foi alocado na empresa. É considerado ponderado, porque cada capital tem um peso, ou seja, custo específico. 3.1 CUSTO MÉDIO PONDERADO DE CAPITAL BRUTO No custo médio ponderado de capital bruto não incide o percentual de Imposto de Renda sobre o capital de terceiros. Fórmula: CMPC = (CP x CCP) + (CT x CCT) Total de capitais Onde: CP→ capital próprio CCP → custo do capital próprio CT → capital de terceiros CCT → custo de capital de terceiros TÓPICO 2 | ESTRUTURA DE CAPITAL 35 DICAS Para a resolução dos cálculos de CMPC bruto e líquido, você pode simplificar o numerador e o denominador da equação dividindo por 1000. 3.1.2 Cálculo do CMPC – BRUTO Capital próprio = $ 10.000,00 com um custo de 10% ao ano Capital de terceiros = $ 15.000,00 com um custo de 15% ao ano CMPC(B) = (10 x 0,10) + (15 x 0,15) 25 CMPC(B) = (1) + (2,25) 25 CMPC(B) = 3,25 25 CMPC(B) = 0,13 => 0,13 x 100 = 13% a.a. 3.2 CUSTO MÉDIO PONDERADO DE CAPITAL LÍQUIDO O custo médio ponderado de capital líquido considera a mesma base de cálculo do bruto, porém, sobre o capital de terceiros incide a alíquota de Imposto de Renda. Fórmula: CMPC = [(CP x CCP) + (CT x CCT)] x (1 – Alíquota IR) Total de capitais Onde: CP → capital próprio CCP → custo do capital próprio CT → capital de terceiros CCT → custo de capital de terceiros IR → Imposto de Renda NOTA Para calcular o custo médio ponderado de capital líquido, o Imposto de Renda incidirá somente sobre o capital de terceiros. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 36 3.2.1 Cálculo do CMPC – LÍQUIDO Capital próprio = $ 10.000,00 com um custo de 10% ao ano Capital de terceiros = $ 15.000,00 com um custo de 15% ao ano Imposto de Renda = 30% IMPORTANT E Você tem que ficar atento, o benefício fiscal é somente sobre o capital de terceiros, para aquelas empresas que adotarem o sistema de tributação pelo lucro real. CMPC = [(CP x CCP) + ((CT x CCT) x (1 – IR))] Total de capitais CMPC = [(10 x 0,10) + ((15 x 0,15)] x (1 – 0,30))] 25 CMPC = [(1) + ((2,25)] x (0,70))] 25 CMPC = [(1) x (1,575)] 25 CMPC = 2,575 25 CMPC = 0,103 => 0,103 x 100 = 10,30% DICAS Quando você substituir o custo de capital próprio e o custo do capital de terceiros na fórmula, poderá deixar em forma percentual. Logo, no resultado não será necessário multiplicar por 100. Porém a alíquota do Imposto de Renda sempre deverá ser dividida por 100, quando substituir na fórmula. TÓPICO 2 | ESTRUTURA DE CAPITAL 37 LEITURA COMPLEMENTAR JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO Introduzido pela Lei nº 9249/95 e alterações da Lei nº 9430/96, faculta às empresas deduzir da base de cálculo do imposto sobre a renda, a título de remuneração do capital próprio, os juros pagos ou creditados a titular, sócio ou acionista, limitados à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). De acordo com a referida legislação e normas da RFB, o valor deve ser debitado ao resultado do exercício como despesa financeira em contrapartida à conta do Exigível (direito do sócio/acionista). Cabe mencionar que o registro desses juros como despesa (determinado pela RFB) prejudica a comparabilidade das demonstrações contábeis, bem como a forma de considerá-lo na totalidade. De acordo com o conceito de capital social segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP - FIPECAFI – Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (Sétima Edição, pg. 313), o investimento efetuado na companhia pelos acionistas é representado pelo Capital Social. Este abrange não só as parcelas entregues pelos acionistas, como também os valores obtidos pela sociedade e que, por decisões dos proprietários, se incorporam ao Capital Social, representando uma espécie de renúncia à sua distribuição na forma de dinheiro ou de outros bens. Trata-se o Capital Social, na verdade, de uma figura mais jurídica que econômica, já que, do ponto de vista econômico, também os lucros não distribuídos, mesmo que ainda na forma de reservas, representam uma espécie de investimento dos acionistas. Sua incorporação ao Capital Social é uma formalização em que os proprietários renunciam à sua distribuição; é como se os acionistas recebessem essas reservas e as reinvestissem na sociedade. Mesmo essa renúncia é também relativa, já que existe a possibilidade da devolução do capital aos acionistas. Com o advento da Lei nº 9.249/95, o Governo Federal, em linha com o programa de desindexação da economia brasileira, extinguiu toda e qualquer sistemática de correção monetária de demonstrações contábeis, inclusive para fins societários. Com a adoção dessa medida, o governo teria que criar um dispositivo na lei que remunerasse o acionista e/ou investidor, sem aumentar a carga tributária das empresas. Então foi instituída na lei a denominação de remuneração do capital investido pela pessoa física ou jurídica dos Juros sobre o Capital Próprio (JSCP). As pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, observado o regime de competência, que remunerarem pessoas físicas ou jurídicas a títulos de juros sobre o capital próprio, podem considerar tais valores como dedutíveis, desde que observem as condições fixadas na legislação vigente; tais juros pagos ou creditados individualmente serão calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro-rata dia, da taxa de juros de longo prazo – TJLP: UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 38 a) 50% do lucro líquido do período de apuração antes da dedução desses juros, após a dedução da contribuição social sobre o lucro líquido e antes da provisão para o Imposto de Renda IRPJ; b) 50% do somatório dos lucros acumulados e reservas de lucros. FONTE: Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis Atuariais e Financeiras – FIPECAFI. Manual de Contabilidade das Sociedades por ações. São Paulo: Editora Atlas, Sétima Edição. 39 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você conheceu: • Como é formada a estrutura de capital de uma empresa, sua origem e sua alocação. • Aprendeu a distinguir capital próprio e capital de terceiros, e como calcular o custo desses capitais. Portanto, você está preparado para fazer a autoatividade na sequência. IMPORTANT E Na resolução da autoatividade, utilizar conversão de taxas pelo sistema composto de capitalização. 40 Agora vamos aos exercícios práticos, que são muito importantes para você assimilar o conteúdo. 1 Calcular o Custo Médio Ponderado de Capital - CMPC bruto anual da empresa Santa Catarina, que possui a seguinte estrutura de capital: $ 900.000,00 de capitais próprios a um custo de 13% a. a. $ 400.000,00 de capitais de terceiros a um custo de 22% a. a. 2 Calcular o CMPC bruto anual da empresa Só Malhas, que possui a seguinte estrutura de capital: $ 190.000,00 de capitais de terceiros a um custo de 13% a. a. $ 120.000,00 de capitais próprios a um custo de 12,75% a. a. 3 Calcule o CMPC bruto e líquido anual do capital da empresa Cachaça Pura, a partir dos seguintes dados: Capital próprio $15.000,00, custo de 23% ao ano. Capital de terceiros $16.000,00, custo de 15% ao semestre. Alíquota do IR: 30% 4 A empresa Rio Verde comprou computadores no valor de R$ 500.000,00, sendo que utilizou recursos próprios no valor de R$ 50.000,00 e financiou o restante junto a um banco da nossa cidade. Considerando que o custo de capital próprio é de 1,3% ao mês e o custo do financiamento é de 18% ao ano, calcule o CMPC bruto ao ano. 5 Suponhamos que a empresa Aliança tome um empréstimo de R$ 200.000,00 no Banco Azul a uma taxa de 17% ao semestre. Calcule: a taxa de juros bruta e líquida, ao ano, considerando uma alíquota de Imposto de Renda de 34%. 6 A empresa Brasil tomou um empréstimo de R$ 400.000,00 no Banco XYZ a uma taxa de 4% ao mês. Calcule: a) A taxa de juros bruta anual paga neste empréstimo. b) A taxa de juros líquida, sabendo-se que as despesas financeiras possuem benefício fiscal no Imposto de Renda de 30%. 7 A Cia Portosestá analisando uma nova proposta de investimento, para isto necessitará de capital de $ 500.000.000,00. AUTOATIVIDADE 41 Para tal, pretende buscar recursos no exterior no valor de USD 100.000.000,00, sendo a uma taxa de conversão de $ 1,70, e juros de 2,5% a. a., sobre a moeda nacional. Também buscará junto ao BNDES um financiamento na ordem de $ 250.000.000,00, a juros de 6% a.a., o restante do valor utilizará recursos próprios, sendo que os acionistas estão exigindo retorno de 9% a.a. Considerando um Imposto de Renda de 30%, calcule o custo médio ponderado líquido da companhia. 8 Calcule o custo médio bruto e líquido conforme estrutura de capital a seguir: Capital próprio= $ 100.000,00 a um custo de 9.00% a.a. Capital de terceiros $ 400.000,00 a um custo de 6,00% a.a. Imposto de Renda= 30% 9 Uma empresa adquiriu novos equipamentos no valor de $ 1.800.000, sendo que utilizou recursos próprios no valor de $ 720.000 e financiou em um banco o valor de $ 1.080.000. Considerando que o custo de capital próprio é de 9% a.a., o custo do financiamento é de 6% a.a., e a alíquota do Imposto de Renda é de 30%, calcular o CMPC bruto e líquido. 10 Calcular o custo médio ponderado de capital (CMPC), bruto e líquido, de uma empresa com a seguinte estrutura de capital: - Total de capital: $ 2.500.000,00 - Capital próprio: 10% - Capital de terceiros: 90% - Custo do capital próprio: 9,00% a. a. - Custo do capital de terceiros: 6,00% a. a. - Alíquota de Imposto de Renda: 30%. 42 43 TÓPICO 3 GESTÃO BASEADA EM VALOR UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO A gestão baseada em valor consiste na ideia de maximizar o capital do acionista, demostrando a ele o quanto está ganhando, ou seja, que a rentabilidade do negócio superou a sua taxa mínima de atratividade. Assaf Neto (2005, p. 170) narra que: A gestão das empresas vem revelando importantes avanços em sua forma de atuação, saindo de uma postura convencional de busca do lucro e rentabilidade para um enfoque preferencialmente voltado à riqueza dos acionistas. No mundo globalizado torna-se cada vez mais difícil as organizações viabilizarem economicamente seus investimentos por meio de decisões direcionadas ao aumento dos preços e de participação no mercado, conforme consagradas por longo tempo no passado. Os consumidores em economias abertas sacrificam impiedosamente os produtos caros, exigindo preços cada vez mais competitivos. O crescimento da competitividade ainda costuma exigir vultuosos investimentos para ganhos adicionais de market share, avaliados muitas vezes como de difícil recuperação econômica. 2 A CONTABILIDADE E A GESTÃO FINANCEIRA DAS EMPRESAS Um dos grandes desafios para qualquer empresa, independente do tamanho, segmento, grupo econômico ou espaço geográfico de atuação, corresponde à obtenção de lucratividade na medida adequada à manutenção de suas atividades operacionais, geração de recursos suficientes para pagamento dos seus compromissos e suporte às estratégias de crescimento. Independentemente do porte de cada organização, é necessário que as empresas desenvolvam controles financeiros adequados às suas necessidades, os quais devem fornecer aos seus gestores as informações mínimas necessárias para a mensuração dos resultados e avaliação das metas financeiras estabelecidas pela administração da companhia. 44 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS Diante deste contexto de controle, avaliação de desempenho e gestão financeira, a Contabilidade constitui-se no principal meio de mensuração e avaliação de resultados. Por meio de demonstrações contábeis, os gestores de uma companhia conseguem obter um conjunto de informações capaz de auxiliá-los na avaliação do desempenho financeiro de suas organizações. Dentre estas demonstrações, destacam-se: (i) Balanço Patrimonial; (ii) Demonstração do Resultado do Exercício e (iii) Demonstração do Fluxo de Caixa. FONTE: Disponível em: <http://www.facet.br/artigos/index.php?artigo=7>. Acesso em: 13 set. 2012. 3 CAPACIDADES DIFERENCIADORAS De acordo com Assaf Neto (2005, p. 325): Capacidades diferenciadoras são entendidas como estratégias adotadas que permitem às empresas atuarem com um nível de diferenciação em relação a seus concorrentes de mercado, assumindo uma vantagem competitiva e maior agregação de valor a seus proprietários. O objetivo de uma capacidade diferenciadora é permitir que a empresa apure um retorno esperado que exceda ao custo de oportunidade do capital investido, elevando seu preço de mercado. O desempenho verificado no passado não garante o sucesso no futuro. Uma empresa somente demonstra continuidade se, por meio de estratégias diferenciadoras, for capaz de executar uma gestão mais eficaz de seus negócios, atuando com vantagem competitiva no mercado. Um importante direcionador de valor das capacidades diferenciadoras é a relação entre o valor de mercado e as receitas operacionais de vendas, indicando o sucesso esperado no negócio em relação a seu volume de atividade. Quanto maior se apresenta essa relação, mais otimista se evidencia o sucesso esperado da empresa, movido principalmente pelas capacidades diferenciadoras e estratégias financeiras implementadas. O direcionador é importante ainda para análises comparativas do potencial de agregação de riqueza entre diferentes empresas, ressaltando as oportunidades mais atraentes do investimento. TÓPICO 3 | GESTÃO BASEADA EM VALOR 45 QUADRO 4 – CAPACIDADES DIFERENCIADORAS E DIRECIONADORAS DE VALOR CAPACIDADES DIFERENCIADORAS OBJTIVO ESTRATÉGICO DIRECIONADORES DE VALOR Relações de negócio Conhecer a capacidade de relacionamento da empresa com o mercado financeiro, fornecedores, clientes e empregados, como fundamento diferenciador do sucesso empresarial. Fidelidade dos clientes Satisfação dos empregados Atendimento dos fornecedores Alternativas de financiamento. Conhecimento do negócio Ter a visão ampla da empresa, a sinergia do negócio. Visa ao efetivo conhecimento de suas oportunidades e mais eficientes estratégias de agregar valor. Necessidades dos clientes; Dimensão e potencial do mercado Ganhos de escala Ganhos de eficiência operacionais. Qualidade Desenvolver o produto que o consumidor deseja adquirir pelo preço que se mostra disposto a pagar. Preço de venda mais baixo Produtos com maior giro Medidas de redução de custos Satisfação dos clientes com novos produtos. Inovação Atuar com vantagem competitiva em mercado de forte concorrência, criando alternativas inovadoras no atendimento, distribuição, vendas, produção etc. Rapidez no atendimento Redução na falta de estoques Tempo de produção Valor da marca Tempo de lançamento de novos produtos. FONTE: Assaf Neto (2005) 46 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 4 ESTRATÉGIAS FINANCEIRAS Dentro da gestão em agregar valor ao acionista, a estratégia financeira é evidenciada em três níveis de atividades, que são: operacionais, financiamentos e investimentos. A relação da criação de valor e as atividades operacionais dá-se quando a empresa consegue girar mais rápido seus estoques, racionalizar mão de obra, cortar despesas administrativas, e maior eficiência na distribuição dos produtos. A criação de valor através de financiamento das atividades ocorre quando há a substituição de recursos próprios pelos de terceiros, acontecendo o benefício originário das despesas de juros. Novos investimentos também agregam valor, seja pelo lançamento de novos produtos, como na substituição de equipamentos. Muitas vezes, ao substituir equipamentos velhos por mais modernos, acontece uma redução de custos, tanto em mão de obra como em manutenção, assim como na eficiência e eficácia produtiva. QUADRO 5 – ESTRATÉGIAS FINANCEIRAS ESTRATÉGIAS FINANCEIRAS OBJETIVO ESTRATÉGICO DIRECIONADORES DE VALOR Operacionais Maximizar a eficiência das decisões operacionais, estabelecendo política de preços, compras, vendas e estoques etc., voltadasa criar valor. Crescimento das vendas Prazos operacionais de cobrança e pagamentos Giro de estoques Margem de lucro. Financiamento Por meio das decisões de financiamento, procura-se minimizar o custo de capital da empresa, promovendo o incremento de seu valor de mercado. Estrutura de capital Custo do capital próprio Custo do capital de terceiros Risco financeiro. Investimento Implementar estratégias de investimento voltadas a agregar valor aos acionistas, por meio da obtenção de uma taxa de retorno maior que o custo de capital. Investimento em capital de giro Investimento em capital fixo Oportunidades de investimentos Análise giro x margem Risco operacional. FONTE: Assaf Neto (2005) TÓPICO 3 | GESTÃO BASEADA EM VALOR 47 4.1 VALOR ECONÔMICO AGREGADO – EVA ou VEA A contabilidade financeira passou a reconhecer a rentabilidade sobre capitais próprios, a juros de TJLP, de acordo com a Lei nº 9249/95. O referido texto legislador está como leitura complementar no final do tópico. O objetivo do EVA é demonstrar ao acionista que o seu capital está agregando valor, ou seja, demonstrar que o retorno superou o custo do capital. Baseando-se no fato de que a estrutura de capital de uma organização é composta por capitais próprios e capitais de terceiros, o custo do capital de terceiros é facilmente evidenciado nas despesas financeiras, porém o custo do capital próprio fica omitido. O EVA foi uma ferramenta que surgiu para facilitar a evidenciação do custo do capital próprio, fazendo com que o EVA seja uma medida de desempenho, mensurando o quanto de valor está sendo criado ou destruído pela empresa. Para Assaf Neto (2005, p. 189): O conceito de gestão baseada em valor envolve a mensuração do valor econômico agregado (VEA) como a principal referência para se avaliar o desempenho da empresa. De posse dessa medida são definidos direcionadores de valor para seus diversos segmentos de atividades, de forma a fundamentar suas decisões com base nas metas de criação de riqueza previamente definidas e avaliar os respectivos desempenhos. O modelo de gestão enfocada no valor vincula responsabilidades e atuações explícitas das diversas áreas da administração da empresa a determinadas metas de riqueza, como elevar o preço de mercado das ações em certo percentual, gerar um VEA positivo anual aos acionistas, e assim por diante. A implantação da ferramenta EVA proporciona alguns benefícios para a organização, conseguindo deixar evidente o objetivo econômico, ou seja, gerar valor ao capital. O modelo EVA define claramente o retorno sobre os investimentos, tanto os atuais como os novos. Evidencia tanto o custo de capital de terceiros como o de capital próprio alocado na empresa. O EVA, além de mensurar o custo da estrutura de capital implantada, também consegue planejar formas de maximizar o capital no futuro, através de ações como as que demonstraremos a seguir: 48 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 1 Eficiência Operacional – Cortar custos para aumentar o resultado operacional líquido, operando de forma mais eficiente para garantir um retorno maior sobre o capital investido no negócio. 2 Eficiência Financeira – Efetivar investimentos nos quais o resultado operacional líquido seja maior do que o aumento de encargos de capital. Ou seja, empreender projetos cujo fluxo de caixa a valor presente seja positivo. 3 Crescimento Rentável – Não investir em ativos e atividades que não estejam gerando retornos iguais ou maiores do que o custo de capital. 4 Racionalização do Capital – Estruturar as finanças da empresa de forma tal que minimizem o custo de capital. FONTE: Disponível em: <nc-moodle.fgv.br/.../a_sua_empresa_esta_criando_destruindo_ valor....>. Acesso em: 13 set. 2012. O EVA é simplesmente o lucro após o Imposto de Renda (um número bastante utilizado), menos o custo total do capital. 5 CONFLITO VALOR VERSUS LUCRO Dentro da criação de valor, administrador é todo aquele profissional que tem a capacidade de tomar ou participar de decisões que impactem diretamente o fluxo de caixa e o lucro da empresa, estando permanentemente envolvido com a análise de projetos, no seu significado mais amplo. O objetivo desses administradores consiste em tomar decisões que elevem o valor de mercado das suas companhias. Caso a empresa tenha ações negociadas em bolsa de valores, a capacidade de seus gestores de gerar lucros crescentes se traduzirá na alta da cotação das ações nos pregões. Rappaport (2001, p. 19) afirma que: É importante reconhecer que os objetivos dos gestores podem, em certas situações, diferir daqueles dos acionistas da empresa. Os administradores, como outras pessoas, agem em interesse próprio. A teoria de uma economia de mercado é, afinal de contas, baseada em indivíduos que promovem seus próprios interesses via transações de mercado para alcançar uma alocação eficiente de recursos. Em um mundo em que os principais (por exemplo, acionistas) têm um controle imperfeito sobre seus agentes (por exemplo, gestores), esses agentes podem nem sempre se enganjar em transações que são de interesse exclusivo dos principais. Os agentes têm seus próprios objetivos e algumas vezes pode ser melhor para eles sacrificar os interesses dos principais. Há, entretanto, um número de fatores que induz os gestores a agir no melhor interesse dos acionistas. Esses fatores TÓPICO 3 | GESTÃO BASEADA EM VALOR 49 derivam da premissa fundamental de que quanto maior a expectativa de consequências desfavoráveis aos gestores que diminuem a riqueza do acionista, menos provável que a gestão irá agir contra os interesses do acionista. Resumidamente, baseado nas colocações de Rappaport (2001), concluímos que o acionista não tem controle sobre o gestor contratado, e que muitas vezes esse gestor poderá agir por interesse próprio, originando um conflito de agentes. Por este fato, as organizações evitam a segregação de funções, criando mecanismos de controle e contratando agentes externos, como os auditores independentes, para verificar se existe alguma evidência de fraude ou erro na administração. A tabela a seguir demonstra como é caracterizada a criação de valor dentro de uma empresa. Observamos que a administração financeira está dividida entre demonstrativo de fluxo de caixa e demonstrativo de resultado. Enquanto o DFC direciona a empresa no futuro e sua capacidade de geração de caixa, o DRE registra o passado, ou seja, o resultado econômico objetivando o lucro. TABELA 1 – CRIAÇÃO DE VALOPR DENTRO DA EMPRESA ÁREA FINANCEIRA ÁREA CONTÁBIL VALOR LUCRO FLUXOS DE CAIXA RECEITAS E DESPESAS MEDIDA FINANCEIRA RESULTADO ECONÔMICO PRESENTE/FUTURO PASSADO FONTE: Assaf Neto (2005) Considerando que uma empresa está avaliando a venda de um ativo avaliado em R$ 500.000,00, o lucro operacional decorrente desse investimento é de R$ 80.000,00, e o custo de capital (taxa de atratividade) identificado com essa unidade de negócio atinge 20%. Venda de um ativo (unidade de negócio) $ 500.000,00 Lucro Operacional desse investimento $ 80.000,00 Sob a ótica gerencial visando o lucro, a manutenção do ativo pode ser considerada atraente, contribuindo de forma positiva na formação do resultado operacional da empresa. No entanto, se o objetivo é agregar riqueza a seus acionistas, a manutenção do investimento é um indicativo de desvalorização do valor de mercado da empresa. Seu retorno (R$ 80/R$ 500 = 16%) é insuficiente para remunerar os proprietários de capital em sua rentabilidade mínima exigida de 20%, ou seja: Lucro Operacional R$ 80.000,00 Custo de Capital (20% de R$ 500.000,00) (R$ 100.000,00) Valor Criado (Destruído) (R$ 20.000,00) 50 UNIDADE 1| INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS Se o ativo estiver sendo financiado com recursos de terceiros, a destruição de valor será sentida em algum momento no caixa, porque o lucro de R$ 80.000,00 é inferior ao desembolso de juros de R$ 100.000,00. O resultado de caixa não é suficiente para pagar os juros, influenciando sobre a liquidez. A situação em desequilíbrio torna-se bastante visível. Assaf Neto (2005, p. 179) diz que: Para uma empresa que trabalha preferencialmente com capital próprio, no entanto, a destruição de valor não é tão evidente, exigindo controles financeiros mais apurados que os fornecidos tradicionalmente pela contabilidade. O custo de oportunidade não exige desembolsos periódicos obrigatórios de caixa, assim como não é registrado como despesa nos demonstrativos de resultados, permitindo que os resultados financeiros (liquidez) e econômicos (lucros) não sejam afetados mesmo diante de estratégias que destroem valor de seus proprietários. A empresa convive conflitantemente com medidas de lucros positivas e, ao mesmo tempo, tem seu preço de negociação desvalorizado pelo mercado. Logo, concluímos que a contabilidade não consegue perceber a perda de valor do capital próprio, sendo que no caso do capital de terceiros essa perda torna- se evidente, já que existem saídas periódicas de caixa para o pagamento de juros. E muitas vezes não conseguimos perceber que o capital próprio é muito mais caro que o capital de terceiros, devido ao grau de exigência do investidor, por isto que a ferramenta EVA torna-se importante, conseguindo mostrar esta evidência. A administração financeira considera que o lucro operacional é formado pelas operações da empresa, não importando quais fontes de recuros estão financiando as operações. O lucro operacional, por ser formado pelas operações da empresa, sem influência da maneira como são financiadas, deve relacionar-se com os ativos da empresa, determinando o retorno sobre o investimento total. De acordo com a legislação brasileira, o lucro operacional é calculado de forma equivocada após as despesas financeiras, sugerindo que os juros sobre passivos sejam entendidos como despesas operacionais da empresa. Adotaremos como critério a apuração do lucro operacional antes dos encargos financeiros, refletindo efetivamente o desempenho das operações da empresa. Em essência, esse lucro equivale à remuneração oferecida a seus acionistas (lucro líquido) e credores (despesas com juros). Ainda Assaf Neto (2005, p. 97) relata que: O lucro operacional trata-se de conceituação bastante incorreta e falsa. Por enquanto admita-se o conceito legal. Segundo ele, do lucro bruto são deduzidas as despesas de vendas, administrativas e gerais, dentro do Regime de Competência. São ainda deduzidas outras TÓPICO 3 | GESTÃO BASEADA EM VALOR 51 despesas e acrescidas outras receitas operacionais, entendendo-se como operacional tudo o que é principal ou acessório ao principal com relação às atividades que constituem o objeto da empresa (Decreto-lei nº 1.598/77, art. 11). Na realidade, praticamente tudo é considerado operacional. Assim, são enquadráveis como outras receitas e outras despesas operacionais os resultados de participações societárias em outras sociedades, mesmo que não se trate de holding ou de participações siginificativas. Dessa forma, a receita e a despesa de equivalência patrimonial para investimentos permanentes avaliados dessa maneira e as receitas de dividendos para os investimentos avaliados pelo custo e semelhantes são consideradas legalmente como operacionais. Exemplo: QUADRO 6 – MODELO TRADICIONAL E MODELO AJUSTADO Modelo Tradicional Modelo Ajustado Receitas operacionais 5.000,00 Receitas operacionais 5.000,00 -C P V 2.500,00 - Custo dos produtos vendidos 2.500,00 = Lucro Bruto 2.500,00 = Lucro Bruto 2.500,00 -Despesas com vendas 200,00 -Despesas com vendas 200,00 - Despesas gerais e administr. 500,00 -Despesas gerais e administr. 500,00 -Despesas financeiras 200,00 = Lucro operacional antes I.R. 1.800,00 = Lucro operacional antes I.R. 1.600,00 - Provisão para I. Renda – 30% (540,00) - Provisão para I. Renda – 30% (480,00) = Lucro operacional após I.R. 1.260,00 - Desp. financ. antes I.R (200) Economia de I. Renda 60,00 (140,00) = Lucro Líquido 1.120,00 = Lucro Líquido 1.120,00 FONTE: Assaf Neto (2005) O lucro operacional de $ 1.800,00 equivale ao resultado líquido dos acionistas da empresa (antes do Imposto de Renda), na hipótese de suas operações serem financiadas exclusivamente por capital próprio. Utilizando passivos onerosos (empréstimos e financiamentos) para financiar seus ativos, o resultado dos acionistas (lucro antes do Imposto de Renda) reduz-se para $ 1.600,00 pela presença de encargos financeiros cobrados sobre as dívidas. 52 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 6 COMO DETERMINAR O EVA O primeiro passo consiste em apurar o custo total do capital empregado. O custo de capital emprestado (capital de terceiros) aparece na demonstração do resultado como despesas financeiras. O custo de capital próprio não aparece nos resultados. O EVA pode ser calculado retrospectiva e prospectivamente. Para calcular o EVA com base em um resultado já realizado é necessário: • Ajustar a estrutura patrimonial pelos ativos não operacionais • Calcular o lucro operacional depois dos impostos • Calcular o CMPC • Determinar o EVA (lucro operacional menos o Custo de Capital de Terceiros (CCT) e o Custo de Capital Próprio (CCP). Já para calcular o EVA projetado é preciso: • Calcular o ativo operacional líquido • Calcular o CMPC • Calcular o lucro operacion'''al projetado • Calcular o EVA, subtraindo do Lucro Operacional Projetado o Custo de Capital Total. Resumidamente, podemos calcular o EVA utilizando a seguinte fórmula: EVA = ROL – CMPC% x CT, onde: ROL é o resultado líquido operacional; CMPC% é o custo médio ponderado de capital; CT é o capital total. A estrutura básica do cálculo do EVA apresenta-se da seguinte forma: QUADRO 7 – ESTRUTURA BÁSICA DO CÁLCULO DO EVA FONTE: Assaf Neto (2005) Para exemplificar, se uma organização tem um investimento em imobilizado em $ 3.000.000,00, destes, $ 2.400.000,00 foram tomados junto a bancos, a uma taxa de 6% a.a., a diferença são recursos próprios a um custo de 9% a. a. A empresa apresenta um resultado operacional líquido livre de impostos no valor de $ 450.000,00. Lucro Operacional após o Imposto de Renda R$ xxx (-) Custo Médio Ponderado de Capital – CMPC x Investimento R$ xxx (=) E.V.A. – Valor Econômico Agregado R$ xxx TÓPICO 3 | GESTÃO BASEADA EM VALOR 53 Resumindo, o cálculo do EVA poderá ser realizado deduzindo-se do resultado operacional o custo de cada fonte de capital classificada pela empresa, conforme quadro a seguir: QUADRO 8 – CÁLCULO DO EVA Resultado operacional líquido = $ 450.000,00 Custo capital de terceiros = ( $ 144.000,00) 6% ($2.400.000,00) Custo do capital próprio = ($ 54.000,00) 9% ($600.000,00) Valor econômico agregado = $ 252.000,00 FONTE: Assaf Neto (2005) Segundo Assaf (2005, p. 177): O cálculo do VEA pode também ser desenvolvido por meio do custo médio ponderado de capital (WACC), definido como retorno mínimo exigido por credores e acionistas. O WACC é determinado, conforme comentado, pela ponderação de cada fonte de financiamento com seu respectivo custo. Para a ilustração apresentada, tem-se o seguinte custo totalde capital da empresa: WACC =[9% x 20%] + [6% x 80%] = 6,60% Esta taxa representa, em essência, a remuneração média exigida por credores e acionistas em suas aplicações de capital, de maneira a remunerar o risco assumido no negócio. Como os proprietários de capital possuem $ 3.000.000,00 investidos em diferentes ativos da empresa, o retorno operacional mínimo que atende a suas expectativas de ganho atinge a $ 252.000,00 por ano. Qualquer resultado acima desse montante denota capacidade de agregar valor da empresa; ao contrário, desempenho abaixo desse patamar de lucro evidencia destruição de valor. O cálculo do EVA, usando-se as formações apresentadas, atinge: - EVA = Lucro operacional – [WACC x Investimento] - EVA = $ 450.000,00 – [6,60% x $ 3.000.000,00] - EVA = $ 252.000,00 54 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS Para você calcular o Retorno de Investimento – ROI basta dividir o resultado operacional pelo total de capitais investidos no projeto. Na situação em questão, você dividirá o resultado operacional no valor de $ 450.000,00 pelo total do investimento $ 3.000.000,00, resultando 15%. - EVA = [ROI – WACC] x Investimento - EVA = [15% - 6,60% ] x 3.000.000,00 - EVA = $ 252.000,00 7 ESTRUTURA PATRIMONIAL QUADRO 9 – INVESTIMENTOS - FINANCIAMENTOS ATIVO PASSIVO Ativo Operacional 20.000 Passivo Operacional 5.000 Capitais de Terceiros 5.000 Capitais Próprios 10.000 Total 20.000 Total 20.000 FONTE: Assaf Neto (2005) 7.1 ATIVO OPERACIONAL É onde são feitos os investimentos necessários para que a empresa consiga gerar receitas (caixa, duplicatas a receber, estoques, máquinas, equipamentos, veículos, construções etc.). 7.2 PASSIVO OPERACIONAL São os passivos tidos como não onerosos (passivos de funcionamento), que não provocam encargos financeiros se liquidados nos prazos concedidos (fornecedores, impostos a recolher, salários a pagar, encargos sociais a recolher etc). 7.3 ATIVO OPERACIONAL LÍQUIDO É a diferença entre Ativo Operacional e Passivo Operacional. É a parcela em que a empresa deve buscar financiamento fora da operação (com capitais próprios e/ou capitais de terceiros). TÓPICO 3 | GESTÃO BASEADA EM VALOR 55 7.4 CAPITAIS DE TERCEIROS São empréstimos de curto e longo prazo obtidos através de bancos, emissão de debêntures e outras formas. 7.5 CAPITAIS PRÓPRIOS Representam os “financiamentos” dos acionistas. É dinheiro integralizado pelos acionistas + lucros retidos + reservas (Patrimônio Líquido). QUADRO 10 – ESTRUTURA PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO Ativo Operacional Líquido $ 10.000 Capitais de Terceiros $ 5.000 Capitais Próprios $ 5.000 Total $ 10.000 Total $10.000 FONTE: Assaf Neto (2005) O Ativo Operacional Líquido é de $ 10.000, sendo $ 5.000 financiado por capitais de terceiros e $ 5.000 por capitais próprios. Assim, o retorno obtido pelo AOL deverá ser, no mínimo, igual ao custo do Capital Próprio, mais o custo do Capital de Terceiros (que é o Custo Médio Ponderado de Capital (CMPC). Exemplo: Considerando o Ativo Operacional Líquido (AOL) apresentado acima, calcular o retorno mínimo (lucro operacional) que este AOL deve gerar, sendo o custo de capital de terceiros de 6% a.a.; o custo de capital próprio de 9% a.a. e a alíquota de I.R. de 30%. NOTA Os valores dos capitais próprios e de terceiros aplicados na fórmula serão simplificados por 1000. Custo Médio Ponderado de Capital bruto: CCT - $ 5.000 a 6% a.a. (bruto ou antes do I.R. e Contribuição Social) CCP - $ 5.000 a 9% a.a. (bruto ou antes do I.R. e Contribuição Social) Alíquota do I.R. e Contribuição Social = 30%. 56 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS CMPC ( B ) = ( ) ( ) CPxCCP CTxCCT Total de capitais + CMPC( B ) = ( ) ( )5 9 5 6 10 x x + CMPC ( B ) = 7,5% ao ano Resolução pela HP 12c F clx 5 Enter 9 X 5 Enter 6 X + 10 : Resposta: 7,5% ao ano Custo Médio Ponderado de Capital líquido: CMPC ( L ) = ( ) ( ) ( )1 CPxCCP CTxCCT x R TOTAL DE CAPITAIS + − CMPC ( L ) = ( ) ( ) ( )5 9 5 6 1 0 30 10 ,x x x + − CMPC ( L ) = 6,60% ao ano Resolução pela HP 12c F clx 5 Enter 9 X 5 Enter 6 X 1 Enter 0,30 – X + 10 : Resposta: 6,60 % ao ano O que separa a taxa bruta (7,50%) da taxa líquida (6,60%) é a alíquota do Imposto de Renda. TÓPICO 3 | GESTÃO BASEADA EM VALOR 57 LEITURA COMPLEMENTAR O custo do capital pode ser representado pela taxa de juros que as empresas usam para calcular, descontando ou compondo, o valor do dinheiro no tempo (vide custo de oportunidade) (Atkinson et. al., 2000). É calculado considerando- se os custos dos recursos de todas as fontes, postos à disposição da empresa, e levando-se em conta a participação percentual de cada fonte (capital próprio e de terceiros). Assim, considerando-se os recursos empregados na entidade, sob a forma de investimentos dos proprietários, recursos captados no mercado financeiro sob a forma de investimento em títulos emitidos pela empresa (ver ações, debêntures) ou obtidos sob a forma de empréstimos, calcula-se o custo médio de obtenção do capital necessário às operações da entidade através da média do percentual de cada fonte desses recursos. O custo do capital tem efeito sobre as operações da empresa e, subsequentemente, afeta a sua lucratividade. Os proprietários ou terceiros, ao investir ou aplicar recursos em uma determinada empresa, exigem um retorno mínimo a título de remuneração do seu capital. A taxa de captação dos recursos entregues à administração da empresa, levado em conta o princípio contábil da entidade (ver princípios contábeis), denota o custo do capital, que representa a taxa de financiamento da empresa. O capital total à disposição da empresa corresponde à soma do capital próprio (patrimônio líquido) com o capital de terceiros (dívidas ou obrigações). O custo do capital de uma empresa é fator de fundamental importância para uma variedade de decisões a serem tomadas. Algumas delas são relacionadas por Easley e Maureen (2004) no paper “Information and the Cost of Capital, The Journal of Finance n° 4”, de 2004, por meio do qual demonstram que as diferenças na composição de informações entre públicas e privadas afetam o custo do capital, bem como que a taxa de obtenção de capitais para projetos de investimentos influencia a estrutura de capital da empresa. Custo Médio Ponderado de Capital O custo médio ponderado do capital (CMPC) é obtido pelo custo de cada fonte de capital, ponderado por sua respectiva participação na estrutura de financiamento da empresa. Davis e Pointon (1996, p. 171) exemplificam a forma de cálculo: Calcular o valor do CMPC da empresa, financiada pelo Patrimônio Líquido (PL) de $ 600.000 e dívidas de $ 400.000. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 58 Neste caso há 60% de capital próprio e 40% de capital de terceiros. A remuneração requerida pelos acionistas é de 20% e o custo da dívida é de 10%. CMPC = (20% x 0,6) + (10% x 0,4) = 16% O melhor entendimento do CMPC requer o entendimento das noções de estrutura de capital, custo do capital de terceiros, capital próprio, bem como dos conceitos de risco e retorno. A seguir é mostrado o clássico modelo de precificação de ativos, o CAPM. Estrutura de capital Estrutura de capital é a composição, segundo a origem, dos fundos de longo prazo que irão financiar o ativo permanente e parte do ativo circulante. Esses fundos podem ter como origem o capital próprio ou o capital de terceiros. Segundo Schroeder, Clark e Cathey (2005), estrutura de capital é o resultado de uma combinação (mix) entre capital de terceiros (dívidas) e o capital próprio de uma empresa. Os autores acrescentam que, ao longo dos anos, tem-se debatido consideravelmente seo custo de capital de uma firma varia conforme a composição da sua estrutura de capital. Modigliani e Miller (1958) concluíram que o custo do capital de uma empresa não é afetado por essa combinação entre dívida e capital próprio, porém eles próprios refutaram a tese e concluíram que, se há Imposto de Renda creditado no resultado sobre as despesas financeiras, a estrutura de capital ótima tende ao endividamento até ao ponto onde os custos do endividamento superem os benefícios do endividamento. Os custos do endividamento são: conflito de interesses entre acionistas e credores, custos (implícitos ou não) de falência, risco de subinvestimento e aumento da tendência ao risco. Os benefícios do endividamento são: redução da assimetria informacional entre o gestor e o acionista, o aumento da exigência sobre a qualidade da gestão (o que os teóricos chamam de “disciplina da dívida”), etc. Dado isso, surgiu a teoria da Pecking Order, que hierarquiza (sem a preocupação de procurar um ponto ótimo de estrutura de capital) as fontes de financimento do ponto de vista do gestor. Nessa teoria, o gestor prefere, primeiramente, financiar-se com recursos internos, depois com dívida e depois com emissões de capital. Custo do capital próprio (Cost of Equity) O custo do capital próprio (custo do patrimônio líquido) é dado pela expectativa de retorno sobre PL durante um determinado período (normalmente um ano), baseado em níveis de taxa de juros e retorno de mercado do PL no tempo. Para a obtenção do retorno de uma pasta diversificada, o risco de patrimônio líquido se aproxima do risco de mercado comum, considerando a teoria de que a diversificação possibilita a eliminação do risco não sistemático (risco intrínseco de cada investimento). TÓPICO 3 | GESTÃO BASEADA EM VALOR 59 Segundo Damodaran (1997, p. 59), “o custo do patrimônio líquido é a taxa de retorno que os investidores exigem para realizar um investimento patrimonial em uma empresa”. Existem duas abordagens para estimar o custo do patrimônio líquido: a primeira é através da utilização de um modelo de risco e retorno (CAPM), e a segunda é pela aplicação de um modelo de crescimento de dividendos. Optou- se por apresentar apenas as principais características dos modelos acima, por serem eles amplamente discutidos em literatura especializada sobre finanças corporativas e avaliação de empresas (valuation). CAPM (Capital Asset Price Model) Segundo Assaf Neto (2003, p. 271), “o CAPM encontra grandes aplicações no campo das finanças”. Preliminarmente, o modelo permite determinar, de maneira consciente com o retorno esperado, o risco de um ativo. De acordo com Damodaran (1997), o CAPM mede o risco em termos de variância não diversificável e relaciona os retornos esperados a essa medida de risco. O risco não diversificável para qualquer ativo é medido pelo seu beta, que pode ser utilizado para gerar um retorno esperado. O retorno que os investidores esperam ganhar sobre um investimento patrimonial, dado o risco a ele inerente, se torna o custo do patrimônio líquido para os gerentes da empresa. O CAPM é amplamente utilizado no processo de avaliação de tomada de decisões sob condições de risco, sendo possível, também, apurar-se a taxa de retorno exigida pelos investidores, bem como o coeficiente beta das empresas, que representa um incremento necessário no retorno de um ativo de forma a remunerar de forma satisfatória o seu risco sistemático (ASSAF NETO, 2005). Conforme Ross, Westerfield e Jaffe (1995), o CAPM é um dos modelos utilizados para avaliar o custo do capital próprio, assim como o Modelo de Gordon (abordagem dos dividendos) ou o Arbitrage Princing Model (APM). Pelo CAPM tem-se que a taxa de rendimento requerida por um investidor é igual ao retorno dos investimentos sem risco acrescido de um prêmio pelo risco. Calcula-se o coeficiente de volatilidade da ação, chamado b (beta), por assumir somente o risco sistemático. O CAPM decompõe o risco de uma pasta em risco sistemático e específico. De acordo com CAPM, o mercado compensa os investidores por correr risco sistemático, mas não por correr risco específico. Isto ocorre porque risco específico pode ser diversificado. O risco sistemático pode ser mensurado pelo uso do beta. De acordo com CAPM, o retorno esperado de uma ação iguala a taxa livre de risco mais o beta do portfólio multiplicado pelo retorno em excesso do mercado esperado da pasta. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS 60 O beta da empresa representa o excesso do custo de capital próprio em relação à taxa livre de risco, em razão do excesso do retorno do mercado em relação à mesma taxa livre de risco. Dessa forma, o beta nada mais é do que uma medida adimensional obtida pelo modelo CAPM, que representa um excesso (adição de valor) no retorno de um ativo de forma a remunerar o risco sistemático do mercado. Para concluir, se o beta de uma ação é igual a 1, diz-se que ela se movimenta na mesma direção do mercado, possuindo o mesmo risco sistemático do mercado; se o beta é maior que 1, qualquer valorização do mercado determina que a valorização da ação será a taxa do mercado mais o percentual do ß que exceder a 1. Em 1964, William Sharpe publicou o Capital Asset Princing Model (CAPM). Um trabalho paralelo também foi desenvolvido por Treynor (1961) e Lintner (1965). O CAPM foi estendido pela teoria do portfólio de Harry Markowitz para introduzir as noções de risco sistemático e específico. Pelo seu trabalho em relação ao CAPM, Sharpe compartilhou o Prêmio Nobel em Economia de 1990 com Harry Markowitz e Merton Miller. Modelo de Crescimento de Dividendos Esta abordagem para a estimativa de custo de patrimônio líquido se baseia num modelo de fluxo de caixa descontado a valor presente que pode ser usado para avaliar uma empresa em crescimento estável (DAMODARAN, 1997). Embora essa seja simples, seu uso se limita a empresas que se encontrem numa situação estável. Além do mais, é sensível à estimativa de crescimento de dividendos. Damodaran (1997) cita que como o preço em vigor (Pt) é um dado-chave para o modelo, não é adequado empregar esta abordagem para avaliar as ações de uma empresa. Há um forte elemento de raciocínio circular envolvido que levará o analista a concluir, ao usar este custo de patrimônio líquido, que o patrimônio líquido está justamente avaliado. Custo do capital de terceiros É a taxa de captação de capital de terceiros para fazer parte da estrutura de capital da empresa. O efeito do aumento do montante do capital de terceiros no custo de capital da empresa, de forma que a taxa de (capitalização) do patrimônio líquido cresce na medida da redução do custo do capital de terceiros. Uma das possibildades demonstrou que o valor de mercado total de qualquer companhia é independente da sua (estrutura de capital), e pode ser encontrado pela capitalização das expectativas de retorno futuras descontadas a uma taxa apropriada, considerado o risco do negócio. TÓPICO 3 | GESTÃO BASEADA EM VALOR 61 Damodaran (1997), por sua vez, destaca que o custo da dívida não é a taxa do cupom dos bônus que a empresa tem a pagar, nem é a taxa à qual a empresa conseguiu tomar dinheiro no passado. Embora essas possam ajudar a determinar o custo dos juros que a empresa terá que pagar no ano em questão, não determinam o custo da dívida após o pagamento de impostos. Dessa forma, uma empresa que contabilizou uma dívida contraída quando as taxas de juros estavam baixas, não pode alegar que tem um baixo custo de dívida se o nível geral das taxas de juros ou seu risco de inadimplência aumentou nesse período. Custo médio ponderado de capital Para Damodaran (1997, p. 77), o Custo Médio Ponderado de Capital – WACC – pode ser intuitivamente definido como “a média ponderada dos custos dos diversos componentes de financiamento, incluindo dívida, patrimônio líquido e títulos híbridos, utilizados por uma empresa para financiar suas necessidades financeiras”.Brealey e Myers (1984) afirmam que a ideia que está por trás da fórmula do WACC é simples e intuitiva. Para esses autores, se um novo projeto é lucrativo o suficiente para pagar os juros sobre a dívida contraída para financiá-lo e, também, para gerar uma taxa de retorno superior à esperada sobre o patrimônio investido, deve-se considerá-lo como um bom projeto. Essa taxa de retorno superior ao esperado nada mais é do que uma extrapolação da taxa de retorno exigida pelos investidores da companhia (acionistas). O conceito de custo médio ponderado do capital desenvolvido por Damodaran merece algum destaque quando aplicado ao mercado brasileiro, no tocante às ações preferenciais. Tais títulos, comuns ao mercado norte-americano, não se encontram aplicados e/ou difundidos no mercado nacional. As ações preferenciais brasileiras fazem parte da composição patrimonial (equity), devido às suas características intrínsecas de propriedade. As ações preferenciais, como no modelo de Damodaran, representam um título de dívida, com dividendos estipulados quando do contrato firmado. Os conceitos e aplicações de tais componentes encontram-se evidenciados no decorrer desse estudo, onde o leitor pode facilmente identificar as diferenças entre os títulos de dívida norte- americanos e as ações preferenciais brasileiras. Os tipos de capital incluídos na formulação de Damodaran não são exaustivos. Para Copeland, Koller e Murrin (2002, p. 206), “o esquema real de ponderação pode ser mais complexo, já que se faz necessária ponderação de valor de mercado separada para cada fonte de capital envolvendo pagamentos de caixa, presentes ou futuros”. Essas “novas” fontes de financiamento apresentariam custos próprios e, logo, deveriam aparecer como ponderações separadas na formulação do WACC. Para esses autores, outras possíveis fontes de financiamento seriam os leases (operacionais e financeiros), endividamentos subsidiados, títulos conversíveis em ações e avais e/ou opções de compra de ações por executivos (lista não exaustiva). 62 UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO ÀS FINANÇAS NAS EMPRESAS Cuidados na Utilização do WACC Um destaque a ser evidenciado quando da utilização do modelo WACC é sua vinculação às ponderações a valor de mercado. Damodaran (1997, p. 80) afirma que “os pesos atribuídos ao patrimônio líquido e à dívida no cálculo do custo médio ponderado do capital precisam ser baseados em valor de mercado, não em valor contábil”. O raciocínio se fundamenta no fato de o custo de capital medir o custo de emissão de títulos, tanto de ações quanto de bônus, para financiamento de projetos, e que esses títulos são emitidos a valor de mercado, não pelo valor contábil. Copeland, Koller e Murrin (2002) afirmam que existe um problema de circularidade envolvido na estimativa do WACC. Essa circularidade advém da utilização das ponderações a valor de mercado para determinar o WACC, mas não temos como fazê-las sem antes saber o valor de mercado – em especial o valor de mercado do patrimônio líquido, que é objetivo do processo de avaliação de empresas. Em essência, não podemos saber o valor do WACC sem ter em mãos o valor de mercado do patrimônio líquido e não podemos saber o valor do patrimônio líquido sem saber o WACC. Uma das formas de superar essa barreira é simplesmente iterar entre as ponderações usadas no WACC e o valor resultante do patrimônio líquido (COPELAND, KOLLER e MURRIN, 2002). Para tanto, utiliza-se o fluxo de caixa livre para determinar a nova composição (estrutura) patrimonial da companhia e determinar, também, novo WACC. Uma forma simples e intuitiva de determinar o valor de mercado da empresa é descontar o fluxo de caixa dos acionistas pelo custo do capital próprio. A partir da obtenção desses dados, podemos calcular um único WACC válido para a empresa como um todo. Para Damodaran (1997), existem três argumentos-padrão contra a utilização de valor de mercado. Primeiro, argumenta-se que o valor contábil é mais confiável do que o valor de mercado, por não ser tão volátil. Embora seja verdade que o valor contábil não muda tanto quanto o de mercado, tal fato é mais um reflexo de fraqueza do que de força, uma vez que o valor real da empresa muda ao longo do tempo, à medida que informações tanto específicas da empresa quanto de mercado são divulgadas. Argumentaríamos que o valor de mercado, com sua volatilidade, constitui um reflexo muito melhor de valor real do que o contábil. Segundo, sugere-se usar o valor contábil em vez do de mercado; é uma abordagem mais conservadora à estimativa dos índices de endividamento. Assume-se que os índices de endividamento baseados em valor de mercado são sempre mais baixos do que os baseados em valor contábil, uma suposição que não se apoia em fatos e, terceiro, alega-se que os credores não emprestarão com base em valor de mercado, mas esta alegação também parece ser baseada mais em percepção que em realidade. TÓPICO 3 | GESTÃO BASEADA EM VALOR 63 Há quase duas décadas, Mehra e Prescott (1985) observaram que o valor médio do prêmio de risco das ações norte-americanas, ao longo de quase um século de história, superou o valor que se esperaria levando-se em conta as teorias de ciclo econômico. Para justificar este elevado prêmio de risco, com base no modelo de Lucas (1978), que assume uma função de utilidade do tipo CRRA (constant relative risk aversion), o coeficiente de aversão relativa ao risco teria que ter um valor muito superior ao sugerido por estas teorias. Esse problema foi denominado de Equity Premium Puzzle. (Yoshino & CATALAO, 2006) Para Cochrane (2001), existe uma tarefa inacabada que é entender e mensurar as fontes de risco macroecômico que dirigem o preço dos ativos. Ele defende que as finanças devem retornar ao estudo da macroeconomia. Cochrane também cita erros comuns que financistas cometem ao supor que as séries possuem desvio-padrão e médias constantes. Esse erro se torna especialmente grave quando os mercados entram em crise, nesse caso os modelos CAPM e BLACK-SCHOLES têm de ser reformulados de acordo com princípios econômicos e estatísticos (da econometria). Ele diz que métodos como MQO (Mínimos Quadrados Ordinários) não são adequados quando as séries não possuem distribuição normal, muitos analistas de bancos e consultorias fazem de forma errônea. Nesse caso ele sugere o uso de GMM (método dos momentos generalizados), que não requer mercados completos (ou investidor representativo), não supõe que os retornos são normalmente distribuídos e também não assume que os mercados estão em equilíbrio. Apesar de propor melhoras ao modelo CAPM, Cochrane torna o estudo extremamente complexo, mesmo para economistas de destaque internacional. Essas considerações não exaurem as características e os cuidados na utilização do WACC como ferramenta para determinação do custo de capital de uma companhia. As informações aqui evidenciadas servem como um regramento simples quando da utilização desse ferramental no processo de avaliação de empresas. FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Custo_do_capital>. Acesso em: 19 jun. 2012. 64 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu: • Sobre gestão baseada em valor, sob a ótica da contabilidade, que adota o regime de competência; e a ótica do financeiro, que adota o regime de caixa. • Você conheceu o EVA e como se calcula. Aprendeu sobre o ativo operacional e o passivo operacional. Agora você está preparado para resolver a autoatividade na sequência. 65 1 Baseado no que você aprendeu no Caderno de Estudos, descreva com suas palavras o que você entendeu sobre o valor econômico agregado (EVA). 2 Baseando-se nos dados da seguinte estrutura patrimonial, calcule o custo médio ponderado de capital bruto e líquido e o ativo operacional líquido. AUTOATIVIDADE ATIVO PASSIVO Ativo Operacional $ 6.000 Passivo Operacional $ 2.000 Capital de Terceiros $ 1.000 Capital Próprio$ 3.000 Total $ 6.000 Total $ 6.000 - Custo dos Capitais de Terceiros (bruto): 6% a. a. - Custo dos Capitais Próprios (bruto): 9% a. a. - Alíquota do Imposto de Renda: 30%. 3 Uma empresa tem investimento em imobilizado em $ 100.000,00, destes, $ 60.000,00 foram tomados junto a bancos, a uma taxa de 6% a. a., a diferença são recursos próprios a um custo de 9% a.a. A empresa apresenta um resultado operacional líquido livre de impostos no valor de $ 50.000,00. Pede-se: Calcule o EVA pelos três métodos. Resultado operacional líquido = $ 50.000,00 Custo capital de terceiros = ($ 3.600,00) 6% ($ 60.000,00) Custo do capital próprio = ($ 3.600,00) 9% ($ 40.000,00) Valor econômico agregado = $ 42.800,00 4 Qual é o valor do Ativo Operacional Líquido? 5 Baseado nos dados a seguir, calcule a seguir o que se pede. - Ativo Operacional $ 50.000 - Passivo Operacional $ 20.000 - Capital de Terceiros $ 10.000 - Capital Próprio $ 20.000 - Custo do Capital de Terceiros 6% 66 - Custo do Capital Próprio 9% - Alíquota de Imposto de Renda 30% a) Montar a estrutura patrimonial. b) Qual o valor do ativo operacional líquido? c) Qual o custo médio ponderado de capital (CMPC)? 6 De acordo com os eventos a seguir, elabore o demonstrativo sob a ótica contábil e financeira, da empresa Brasil, tendo como data-base o primeiro trimestre de 20xx. a) Vendeu mercadorias à vista no valor de R$ 3000.000,00. b) Venda de mercadorias, no mês de março para recebimento em 90 dias, R$ 500.000,00. c) Pagou comissões para vendedores no valor de $ 45.000,00, do ano anterior. d) Pagou aluguel no valor de R$ 20.000,00. 7 A CIA XY realizou, no primeiro semestre de 20xx, as seguintes transações: a) Vendeu mercadorias no valor de R$ 5.000.000,00, à vista. b) Comprou um caminhão para uso da empresa no valor de R$ 250.000,00, com pagamento à vista, sendo que recebeu um desconto de R$ 10.000,00. c) Pagou salários no valor de R$ 350.000,00. d) Pagou comissões de vendedores no valor de R$ 35.000,00. e) Pagou juros sobre operações bancárias no valor de R$ 7.000,00. f) Pagou despesas de combustíveis no valor de R$ 35.000,00. g) Pagou serviços de vigilância no valor de R$ 30.000,00. Baseado nos eventos acima, elabore o demonstrativo contábil e financeiro. 8 A empresa Transporte 101 Ltda., teve durante o exercício social de 200X, a seguinte movimentação: a) Vendeu mercadorias no valor de R$ 7.000.000,00, sendo que recebeu 40% dentro do exercício social de 200x. b) Pagou salários no valor de R$ 385.000,00. c) Pagou aluguel no valor de R$ 44.000,00. d) Recebeu uma duplicata referente ao exercício anterior no valor de R$ 100.000,00. Com base nos dados apresentados, prepare um demonstrativo de resultado (visão do contador) em demonstrativo de fluxo de caixa (visão do administrador financeiro). 9 Calcular o Custo Médio Ponderado de Capital - CMPC bruto anual da empresa Costa Azul Ltda, que possui a seguinte estrutura de Capital: 67 R$ 850.000,00 de capitais próprios a um custo de 2% ao trimestre. R$ 150.000,00 de capitais de terceiros a um custo de 10% em 420 dias. 10 Calcule o CMPC líquido anual do capital da empresa Araçatuba Ltda, a partir dos seguintes dados: R$ Custo Capital próprio 200.000,00 13,5% em 270 dias. Capital de terceiros 200.000,00 6,5% ao ano. Alíquota do IR: 30% 11 A empresa Porto Belo comprou máquinas no valor de R$ 1000.000,00, sendo que utilizou recursos próprios no valor de R$ 500.000,00 e financiou o restante junto a um banco da nossa cidade. Considerando que o custo de capital próprio é de TJLP 6,0% a. a. e o custo do financiamento é de 3,5% ao bimestre, calcule o CMPC líquido anual, considerando para efeito de Imposto de Renda 30%. 12 A CIA Vale do Rio Vermelho, de acordo com o planejamento estratégico anual, necessita de capital de giro no valor de R$ 8.000.000,00, para movimentar suas atividades, sendo que deste, 40% são buscados nos bancos a um custo de 0,80% ao mês. Levando-se em consideração que o custo do capital próprio é de 6,5% a. a., e a alíquota do IR de 30%, calcule o custo líquido anual dos recursos alocados. 68 69 UNIDADE 2 ANÁLISE DE INVESTIMENTOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade, você será capaz de: • conhecer o conceito básico de investimento; • saber sobre os motivos de investir; • conhecer os métodos de análise de investimentos; • identificar taxa mínima de atratividade; • identificar taxa interna de retorno; • aplicar os métodos de análise para a tomada de decisão; • saber sobre a construção do fluxo de caixa incremental. Esta unidade está dividida em três tópicos e ao final de cada um deles, você encontrará atividades que o(a) ajudarão a desenvolver seu conhecimento cooperativo. TÓPICO 1 – ANÁLISE DE INVESTIMENTOS TÓPICO 2 – MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS TÓPICO 3 – CONSTRUÇÃO DO FLUXO DE CAIXA 70 71 TÓPICO 1 ANÁLISE DE INVESTIMENTOS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO A Análise de Investimentos busca, por meio de técnicas avançadas, utilizando-se da matemática financeira, estatística e informática, criar mecanismos que minimizem os riscos inerentes sobre o capital, que provoquem impactos tangíveis, ou seja, perdas financeiras. O homem sempre viveu envolvido pelo risco, e talvez seja isto o que o impulsiona para o futuro. Ao mesmo tempo em que nos apavora, o risco provoca uma força encorajadora em busca de algo novo. A Análise de Investimentos, através da identificação das alternativas, estudo e seleção preliminar de viabilidade e a consideração sobre riscos e incertezas, faz com que as empresas saiam em busca de crescimento, com o objetivo de maximização do capital investido. 2 PRINCÍPIOS DO PROCESSO DE DECISÃO Lapponi (1996, p. 158) afirma que: As fases do processo de decisão orientado para a avaliação de projetos de investimentos podem ser definidas conforme segue: 1. Reconhecimento da existência de uma oportunidade. O ponto de partida é o equacionamento de uma oportunidade. Definidos os resultados esperados e identificadas as limitações e possíveis condições especiais, se inicia o projeto de investimento de capital ou, simplesmente, projeto de investimento. 2. Procura e desenvolvimento de projetos diferentes. Para escolher um projeto devemos ter mais de uma alternativa que atenda às premissas estabelecidas, pois uma decisão somente poderá ser realizada entre alternativas. O desenvolvimento de projetos envolve criatividade e inovação, sem muitos cuidados de questionar o que vem sendo feito na obtenção dos resultados esperados. Sem entrar em maiores detalhes neste momento, o processo de procura e desenvolvimento de projetos deve ser realizado da seguinte maneira: UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 72 - Como ponto de partida, uma alternativa importante é a situação presente da empresa conhecida como projeto sem o novo investimento; isto é, deve ser conhecido o fluxo de caixa atual da empresa. - Os novos projetos devem incluir somente os valores futuros relevantes da empresa; isto é, as mudanças no fluxo de caixa da empresa. - A incerteza é inerente ao processo de estimativa dos resultados futuros dos fluxos de caixa dos projetos de investimento. 3. Análise de projetos selecionados. Nesta fase devemos ter: - Selecionado o critério a ser aplicado no julgamento de projetos. - Realizado todas as alternativas relevantes das receitas, custos diretos, custos fixos, dos projetos. - Construído osfluxos de caixa incrementais dos projetos. - Realizado os julgamentos individuais dos projetos, usando o critério adotado. - Selecionado os projetos que participarão da fase final da escolha do melhor projeto de investimento. 4. Escolha do melhor projeto. Analisando os projetos entre si, escolhemos o melhor projeto de acordo com o critério adotado. 5. Implantação e acompanhamento do melhor projeto. Deve-se preparar o plano de implantação incluindo o acompanhamento para medição e comparação dos resultados reais com os resultados previstos. Esse processo de análise e comparação dos resultados reais com os resultados previstos. Esse processo de análise e comparação dos resultados ajuda na elaboração das estimativas de futuros projetos. 3 DECISÃO DO INVESTIMENTO A decisão a ser tomada após a análise de viabilidade de um investimento não é tarefa fácil, embora os cálculos demonstrem retorno positivo. Porém, existem variáveis incontroláveis, aquelas sobre as quais o administrador não exerce controle, como, por exemplo, o mercado, o clima, a legislação, entre outras. Lapponi (1996, p.161) é contundente quando afirma que: Na proposta de um projeto de investimento está implícito que tudo o que pode acontecer no futuro está previsto nas estimativas do fluxo de caixa e que, ainda, tudo acontecerá de forma prevista. Ou seja, é uma proposta sob condições de certeza, onde todos os elementos que participam do projeto são quantificáveis. Existem, entretanto, situações que são de difícil quantificação, por exemplo: qual será a disponibilidade dos futuros recursos enegéticos? Qual será o comportamento futuro dos sindicatos, da legislação trabalhista, da legislação tributária etc? Como a evolução tecnológica poderá afetar TÓPICO 1 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 73 os negócios atuais? De preferência, deve-se tentar quantificar esses fatores intangíveis ou avaliar o grau de risco ou incerteza de cada fator, verificando os impactos desses fatores no fluxo de caixa do projeto. Caso não seja possível quantificar os fatores intangíveis, pode- se incluir essas dúvidas de uma maneira não quantitativa no projeto; por exemplo, listando todos os fatores intangíveis, com comentários adequados sobre as razões da inclusão e possíveis consequências. Lapponi (1996) é específico quando relata que o analista deverá ser detalhista nas informações, principalmente no que se refere aos fatores intangíveis. O porquê dessa preocupação é justamente para deixar os acionsitas bem informados sobre os riscos da proposta, somente dessa forma haverá credibilidade e transparência na tomada de decisão. O acionista, na maioria dos casos, não conhece os riscos da ação, então cabe ao administrador contratado para maximizar o valor do capital esclarecer detalhadamente, principalmente em organizações de capital aberto. Pilão e Hummel (2003, p. 79) esclarecem: Vale ressaltar que a correta tomada de decisão é, sem dúvida, o que se espera sempre de qualquer administrador, mas é igualmente evidente que, na realidade, as decisões só poderão ser avaliadas, quanto à sua eficácia e eficência, no futuro, uma vez que toda decisão diz respeito às ações futuras, ao caminho que as empresas irão seguir. O objetivo de todo administrador, ao optar por uma alternativa de ação, é apontar à empresa o caminho a ser seguido e que poderá possibilitar-lhe, a curto, médio ou longo prazos, a maximização dos lucros. Vale lembrar que, muitas vezes, na busca de melhores resultados a longo prazo, faz-se necessário o sacrifício de benefícios mais imediatos, o que traz à tona um impasse: Como é possível saber se é compensador esse sacrifício presente na busca de um resultado melhor no futuro? 4 DEFINIÇÃO DO INVESTIMENTO É o processo de avaliar e selecionar investimentos de longo prazo mediante detalhamento dos fluxos de caixa projetados, ou, podemos dizer que é o processo de elaboração de um projeto. Motta e Calôba (2002, p. 23) narram que: O desafio da engenharia econômica consiste em definir, tão precisamente quanto possível, alternativas de investimentos e prever suas consequências, reduzidas a termos monetários, elegendo-se um instante de referência temporal e considerando o valor do dinheiro no tempo. Os investimentos mais comuns são no ativo permanente, que incluem imóveis, instalações e equipamentos. Esses ativos, chamados de ativos imobilizados, são necessários para dar sequência à atividade produtiva. UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 74 As decisões de investimento são sempre de longo prazo, envolvendo grandes impactos na vida financeira de uma empresa, onde os desembolsos financeiros e os riscos estão diretamente relacionados. As dúvidas quanto à viabilidade do projeto sempre vão existir. O administrador vai sempre se perguntar: Será que a decisão tomada é a correta? Porém, as respostas estão no futuro, através do fluxo de caixa e a taxa mínima de atratividade da organização. É justamente a taxa mínima de atratividade ou custo de oportunidade que terá de ser bem mensurada. Uma TMA avaliada com negligência poderá trazer insatisfação aos acionistas. Já uma TMA superavaliada poderá ocasionar o abandono de um bom projeto. Pilão e Hummel (2003, p. 89) afirmam que: Ainda acerca da composição da TMA, podemos afirmar que o denominado Custo de Oportunidade é o seu ponto de partida, já que ele representa a remuneração que teríamos pelo nosso capital caso não o aplicássemos em nenhuma das alternativas de ação analisadas. Ele pode ser, por exemplo, a remuneração paga pela caderneta de poupança, ou por um fundo de investimentos, ou pelo ganho que poderemos obter com determinado processo produtivo já existente em nossa empresa, etc. Portanto, em função de onde aplicaríamos nosso dinheiro, se não o colocássemos no novo negócio analisado, começaríamos a montar nossa expectativa de ganho mínimo, ou de pagamento máximo na hipótese de financiamentos a serem analisados. Você notou, no posicionamento dos autores, que os recursos financeiros sempre estarão alocados numa atividade do mercado financeiro. Esses capitais sempre procurarão alternativas que lhes proporcionem a maior rentabilidade possível, com o menor risco. Pilão e Hummel (2003, p. 90) relatam: O risco do negócio passa a ser, portanto, o segundo componente da TMA, já que o ganho tem que remunerar o risco inerente à adoção de uma nova ação. Por exemplo, se investirmos nosso dinheiro em uma caderneta de poupança, o risco associado será extremamente pequeno, praticamente nenhum, uma vez que no Brasil ela é garantida tanto pelo nosso banco, como pelo Governo Federal. Entretanto, é importante notarmos que sua remuneração é condizente com os riscos que iremos correr no mercado em que passarmos a operar. Motta e Calôba (2002, p. 246) manifestam sua opinião sobre risco quando dizem: Todos sabem que o “risco” afeta o jogador ao rolar os dados, o explorador de petróleo na hora de perfurar um poço ou o equilibrista na corda bamba, na hora de dar o primeiro passo. O conceito de risco aparece intuitivamente devido à nossa percepção de uma incerteza futura – nossa capacidade de saber o que nos reserva TÓPICO 1 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 75 o futuro em resposta a uma decisão tomada no presente. O risco implica a existência de mais de um resultado possível para dada ação. Nesse simples sentido, toda ação é “arriscada”, desde cruzar uma rua até construir uma represa. O termo é reservado, usualmente, para situações em que a gama de possíveis resultados futuros para dada ação presente é, de alguma forma, significativa. Ao compararem o risco da simples ação de atravessar uma rua com um risco mais complexo de contrução de uma represa, os autores passaram a ideia de que a análise de risco é subjetiva, ou seja, uma pessoa poderá entender que atravessar uma avenida é um grande risco, porém outra pessoa distinta poderá entender que a construção de uma represa não oferece grandes riscos, desde que exista um prévio estudode viabilidade e qual empresa está envolvida no projeto. Os motivos que levam uma organização a sair de uma zona de conforto e se colocar numa posição de risco são apontados a seguir: 4.1 EXPANSÃO A empresa em crescimento, expandindo o nível de operações, precisa aumentar a produção para conquistar mercado, necessita investimentos em máquinas, equipamentos e instalações, ou ainda, na aquisição de outra empresa sempre que o fluxo de caixa com a expansão for maior que o atual. Segundo Lapponi (1996, p. 160): “Projetos para expansão são projetos orientados para aumento de vendas das linhas existentes de produtos. É o caso de iniciar as vendas de um produto existente em áreas ainda não atendidas dentro e fora do país.” 4.2 SUBSTITUIÇÃO DE EQUIPAMENTOS A substituição de equipamentos, ou seja, ativo fixo, é a troca de máquinas e equipamentos por outros mais modernos, com maior capacidade de produção e menores despesas de manutenção. Assaf Neto (2005, p. 283) descreve que “essa modalidade de decisão de investimento costuma ocorrer em empresas que já tenham atingido certo grau de crescimento e amadurecimento em suas atividades, demandando, por isso, substituição de ativos fixos obsoletos ou desgastados pelo uso”. Motta e Calôba (2002, p. 171) relatam que: A vida econômica tende para sua vida física à medida que: - aumenta a taxa de desvalorização do equipamento; - aumenta o custo de instalação do equipamento; UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 76 - diminui o incremento da função de custo; e - aumenta a taxa mínima de atratividade (custo de capital). Lapponi (1996, p. 160) afirma que: “São projetos orientados para a substituição de equipamentos, sistemas etc. Algumas vezes, essas substituições podem se tornar obrigatórias para a empresa continuar no negócio”. O problema da determinação da vida econômica de um equipamento, para efeito de troca, aparece em quatro tipos de situação: • O bem existente é inadequado para a tarefa, em caso em que é necessário maior sacrifício. • O bem já atingiu seu limite de vida econômica, está desgastado ou tem sua capacidade física prejudicada, causando manutenção excessiva ou declínio de eficiência, o que torna mais interessante, do ponto de vista econômico, substituí-lo. • O bem existente é obsoleto, em termos técnicos, isto é, equipamentos aperfeiçoados estão disponíveis no mercado, os quais realizam a mesma tarefa mais eficientemente, tornando antieconômico o uso do bem. • Vantagens exógenas – Um fator conjuntural pode determinar a substiuição de um equipamento, mesmo que ele apresente boas condições para seu uso. Em geral, são fatores de natureza financeira, e vão tornar momentaneamente antieconômica a continuação do uso daquele bem, como, por exemplo: - crédito facilitado e baixa taxa de juros nos empréstimos; - subsídios para compra, como isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados; - isenção de Imposto de Importação; - oferecimento de equipamentos em regime de escambo, por exemplo, troca de produtos primários, como minérios ou produtos agrícolas, exportados para outro país, por equipamentos. 4.3 LANÇAMENTO DE NOVOS PRODUTOS Investimentos em novos produtos acontecem quando uma organização lança um novo produto para preencher uma lacuna no mercado em que atua, ou para fazer alavancagem operacional em novos mercados. Ainda Lapponi (1996, p. 160) narra que: “São projetos orientados para o lançamento de um novo produto, seja no mercado regularmente atendido ou em novos mercados”. TÓPICO 1 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 77 4.4 PROJETOS AMBIENTAIS São investimentos em projetos obrigatórios, por exemplo, controle do meio ambiente, para atender à legislação. Segundo Lapponi (1996, p. 160): “São projetos orientados para atender a exigências legais. Por exemplo, exigências derivadas de novas regras de controle ambiental, como é o caso de poluição sonora, do ar, das águas etc”. 5 CRITÉRIOS DE DECISÃO E MEDIDAS DE DESEMPENHO A decisão de escolha pelo projeto A ou B deverá ser detalhista, fazendo com que a opção de investimento selecionada no presente tenha sucesso, não comprometendo o futuro de uma organização. Lapponi (1996, p. 15) define que: “[...] os critérios de decisão tentam antecipar bons resultados no futuro, fazendo com que os investimentos selecionados no presente sejam consistentes com o objetivo de aumentar o valor da empresa”. 6 TAXA MÍNIMA DE ATRATIVIDADE E EXPECTATIVA DE RETORNO DO CAPITAL O investidor tem mais de uma alternativa ou oportunidade de investir seu capital. Toda vez que ele decide por uma alternativa de investimento, abandona outra alternativa, renunciando a seu valor. Nesse momento de abandono, aquele lucro que ele dispensou passará a ser um custo adicional na alternativa escolhida, tendo que ser descontado do caixa projetado. 7 PROJETOS INDEPENDENTES Os projetos são independentes quando a decisão de aceitar ou rejeitar um projeto não afeta a decisão de aceitar ou rejeitar nenhum outro projeto. Por exemplo, comprar um novo veículo ou comprar uma nova máquina para aumentar a produção. Segundo Lapponi (1996, p.140): “Como a aceitação de um projeto não depende da aceitação ou rejeição de outros projetos de investimento, a aplicação direta dos critérios do método do VPL e do método da TIR dará a mesma recomendação.” UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 78 8 PROJETOS MUTUAMENTE EXCLUDENTES São aqueles que possuem a mesma função e, por isso, competem uns com os outros, de forma que a aceitação de um elimina a aceitação de outros. Por exemplo, em um terreno de esquina, onde há um grande fluxo de veículos, podemos construir uma loja ou um posto de gasolina. Lapponi (1996, p. 140) afirma que: Como a aceitação/rejeição de um projeto dependerá da rejeição/ aceitação de outros projetos de investimento, a aplicação direta do método VPL e do método da TIR poderá dar recomendações diferentes. Os critérios são: • Método do VPL: O melhor projeto de investimento é o projeto que tiver maior VPL. • Método da TIR: O melhor projeto de investimento pode não ser o projeto que tiver maior TIR. TÓPICO 1 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 79 LEITURA COMPLEMENTAR ANÁLISE DE RISCO: O QUE SE DIZ, O QUE SE FAZ, E O QUE REALMENTE É? É perceptível o crescente interesse das organizações brasileiras por saber qual seu grau de exposição frente às ameaças capazes de comprometer a estabilidade da sua operação. São ameaças que nos fazem suar frio: concorrentes, hackers, funcionários insatisfeitos, que, somadas ao grande número de vulnerabilidades nos sistemas tecnológicos, materializam o nível de risco de uma organização. Arriscar faz parte da estratégia, conhecer e gerenciar os riscos é administrar o futuro. Antes de detalhar o que representa uma Análise de Risco, vamos sincronizar nossos termos. Por segurança entende-se ‘certeza’. Garantir que as suas estratégias retornarão no nível desejado significa identificar e entender os riscos, para então administrá-los. Estar vivo, por exemplo, significa “arriscar diariamente”. Atravessar a rua, ir ao jogo de futebol ou dirigir são exemplos de situações que envolvem fatores de risco; mas como já estamos acostumados a enfrentá-los, formamos um instinto natural para o cálculo de energia utilizada para minimizar e controlar os riscos. Podemos utilizar a mesma analogia para o mundo corporativo, onde o “estilo de vida” é a operação da empresa, a exposição é o alcance da sua operação, e a energia investida para minimizar os riscos é o investimento despendido para conhecer e controlar a situação. Como analisar riscos sem estudar minuciosamente os processos de negócio que sustentam sua organização? Como classificar o risco destes processos sem antes avaliar as vulnerabilidades dos componentes de tecnologia relacionados a cada processo? Quais são os seus processos críticos? Aqueles que sustentam a área comercial, a área financeira ou a produção? Você saberia avaliar quantitativamente qual a importância do seu servidorde web? Para cada pergunta, uma mesma resposta: conhecer para proteger. A Análise de Risco se divide em cinco partes de igual importância: isoladas, estas partes representam muito pouco ou quase nada. Alinhados e geridos de forma adequada, estes componentes da análise de risco podem apontar caminhos seguros na busca ao nível adequado de segurança de uma organização. Os cinco pontos são: • Identificação e Classificação dos Processos de Negócio. • Identificação e Classificação dos Ativos. • Análise de Ameaças e Danos. • Análise de Vulnerabilidades. • Análise de Risco. UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 80 Utilizam-se como métrica as melhores práticas de segurança da informação do mercado, apontadas na norma ISO/IEC 17799. A partir destas informações faz-se possível a elaboração do perfil de risco, que segue a fórmula: (Ameaça) x (Vulnerabilidade) x (Valor do Ativo) = RISCO. Atenção: a ISO/IEC 17799 não ensina a analisar o risco, serve apenas como referência normativa. O que mais incomoda aos consultores exigentes é o crescente número de empresas “de segurança da informação” que dizem preparar a “análise de risco”, mas na verdade fazem, quando muito, uma “análise de vulnerabilidades”. Coisa muito sem sentido, mas que até engana, afinal de contas, os conceitos de Análise de Risco são ainda pouco conhecidos. Analisar riscos, definitivamente, não significa passar um scanner automático na rede. Desconfie quando propuserem analisar o “risco” sem mencionar como será avaliada a ameaça e como serão valorados os ativos (tecnológicos, humanos e processuais). São muitas as dúvidas sobre o assunto. Reuni neste artigo apenas algumas, representando de maneira bastante objetiva, o que acredito ser de interesse dos gestores de tecnologia. A) Por que fazer uma análise de risco? Durante o planejamento do futuro da empresa, a alta administração deve garantir que todos os cuidados foram tomados para que seus planos se concretizem. A formalização de uma Análise de Risco provê um documento indicador de que este cuidado foi observado. O resultado da Análise de Risco dá à organização o controle sobre seu próprio destino – através do relatório final pode- se identificar quais controles devem ser implementados em curto, médio e longo prazo. Há então uma relação de valor; ativos serão protegidos com investimentos adequados ao seu valor e ao seu risco. B) Quando fazer uma análise de riscos? Uma análise de riscos deve ser realizada — sempre — antecedendo um investimento. Antes de a organização iniciar um projeto, um novo processo de negócio, o desenvolvimento de uma ferramenta ou até mesmo uma relação de parceria, deve-se mapear, identificar e assegurar os requisitos do negócio. Em situações onde a organização nunca realizou uma Análise de Risco, recomendamos uma validação de toda a estrutura. C) Quem deve participar da análise de riscos? O processo de análise de riscos deve envolver especialistas em análise de riscos e especialistas no negócio da empresa — esta sinergia possibilita o foco e a qualidade do projeto. Um projeto de Análise de Riscos sem o envolvimento da equipe da empresa, muito dificilmente retratará a real situação da operação. TÓPICO 1 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 81 D) Quanto tempo o projeto deve levar? A execução do projeto deve ser realizada em tempo mínimo. Em ambientes dinâmicos a tecnologia muda muito rapidamente. Um projeto com mais de um mês — em determinados ambientes —, ao final, pode estar desatualizado e não corresponder ao estado atual da organização. Conhecer o risco é ganhar mobilidade. Alguns riscos — como o choque de um avião contra o nosso prédio — só poderemos evitar a um alto custo; não é isso o que queremos. Esse diagnóstico, que até bem pouco tempo ocultava-se sobre pequenas e isoladas iniciativas do grupo de tecnologia da informação, quase sempre relacionado a aspectos técnicos da famosa “análise de vulnerabilidades tecnológicas”, já é reconhecido como ferramenta de suporte estratégico. O conceito de análise de risco está intimamente relacionado à figura de Competitive Intelligence (Inteligência Competitiva), uma vez que agrega “solidez” à informação corporativa. Quem sabe, com a condição de controlar as ameaças, não poderemos derivar desta ferramenta o conceito de “administração de cenários”? A escolha é sua: quem dá as cartas? F. F. Ramos é consultor da Axur Information Security FONTE: Disponível em: <http://www.malima.com.br/article_read.asp?id=339>. Acesso em: 18 jun. 2012. 82 RESUMO DO TÓPICO 1 Caro(a) acadêmico(a), neste tópico você viu que: • O que é análise de investimentos, seus princípios, quando tomar a decisão, para que tomar a decisão. Também conheceu os tipos de projeto de investimento. Os critérios adotados na tomada de decisão. • Conheceu a relação entre taxa mínima de atratividade e retorno de capital. • Aprendeu a identificar a diferença entre um projeto independente e mutuamente excludente. • Agora você está pronto para as autoatividades do tópico. 83 AUTOATIVIDADE 1 O que você entende por análise de investimentos? 2 Defina investimento. 3 Quais são os tipos de decisões para a escolha de novos projetos? 4 O que são projetos mutuamente excludentes? 5 O que são projetos independentes? 84 85 TÓPICO 2 MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO A necessidade de analisar a viabilidade econômica de um investimento gera problema de engenharia econômica, logo, ela utiliza métodos de análise específicos que possibilitam a escolha da melhor alternativa de investimento, com consequente otimização de recursos. 2 TIPOS DE MÉTODOS DE ANÁLISE Os métodos de análise que vamos estudar são praticamente quatro, que apresentaremos na sequência desse tópico. 2.1 MÉTODO PAYBACK SIMPLES É um método de avaliação que mede o prazo necessário para recuperar o investimento realizado. Este método não leva em consideração o custo de capital da empresa. Baseado neste fato, Motta e Calôba (2002, p. 97) explicam: O Payback, ou payout, é utilizado como referência para julgar a atratividade relativa das opções de investimento. Deve ser encarado com reservas, apenas como um indicador, não servindo para seleção entre alternativas de investimento. Por exemplo, imagine-se uma empresa transnacional tendo que decidir entre dois possíveis investimentos em projetos distintos, em um mesmo país, localizados em áreas geográficas diferentes de sua sede. Imagine-se que tal país ofereça boas oportunidades de negócios, mas também apresente riscos de ordem política, que poderão acarretar violenta desvalorização cambial ou inflação galopante, o que, por sua vez, na hora da remessa de lucros para o exterior, diminuirá os resultados em uma moeda forte. Nesse caso hipotético, a empresa transnacional poderá optar por alternativas de investimento, nesse país em questão, que tenham menor prazo de repagamento, vale dizer, menor payback. UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 86 2.1.1 Cálculo do Payback Simples Exemplo: Uma determinada companhia deseja saber a viabilidade de um projeto de investimento. E para isto pretende investir $ 100.000,00, exigindo retornos anuais de $ 30.000,00 durante cinco anos. Pede-se realizar uma avaliação do projeto de investimento, considerando que o critério da empresa é aceitar projetos de investimento que tenham um prazo de recuperação do valor total do investimento menor que quatro anos. Anos Capitais Acumulado 0 ($100.000) ($100.000) 1 $30.000 ($70.000) 2 $30.000 ($40.000) 3 $30.000 ($10.000) 4 $30.000 $20.000 5 $30.000 $50.000 Na coluna “Acumulado” da tabela, podemos ver que o capital investido será recuperado entre o terceiro e o quarto ano, isto é, PBS = 3 anos e 4 meses o projeto deverá ser aceito. PBS = 3 + 10000 30000 = 3,33 anos ou 3 anos e 4 meses Portanto, o investimento será recuperado em 3,33 anos, ou três anos e quatro meses,aproximadamente. Assim, a direção da empresa deverá aceitar este projeto de investimento, pois o valor do PBS = 3,33 é menor que o valor de quatro anos estabelecido pela direção. Concluindo: • Se PBS do projeto < 4 anos, deve ser aceito. • Se PBS do projeto = 4 anos, não deve ser aceito. • Se PBS do projeto > 4 anos, não deve ser aceito. IMPORTANT E Você observou que, por não levar em consideração o custo do capital na linha de tempo futuro, ou seja, custo de capital igual a zero, o método payback simples não deverá ser utilizado para grandes projetos de investimentos. TÓPICO 2 | MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 87 Agora que você entendeu o método PBS, vamos para as autoatividades. AUTOATIVIDADE PAYBACK SIMPLES 1 A empresa está interessada em investir $ 600.000 em um projeto que apresenta o fluxo de caixa registrado na tabela seguinte: Anos Capitais Acumulado 00 - 600.000 01 120.000 02 150.000 03 200.000 04 220.000 05 150.000 06 180.000 07 80.000 Considerando que o critério da empresa é aceitar projetos de investimento de capital que tenham PBS menor que quatro anos, verificar se esse projeto deve ser aceito aplicando o método do payback. 2 A tabela seguinte apresenta o fluxo de caixa anual de um novo projeto de investimento. Calcular o payback simples. Anos Capitais Acumulado 00 - 110.000 01 45.000 02 50.000 03 50.000 04 60.000 3 Com base no fluxo de caixa apresentado na tabela abaixo, verificar se o projeto deve ser aceito, aplicando o método do payback simples, sabendo que a empresa rejeita projetos com PBS maior que três anos. UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 88 Anos Capitais Acumulado 00 - 15.000 01 2.500 02 3.500 03 4.250 04 5.000 05 5.800 4 O fluxo de caixa anual de um novo projeto de investimento está apresentado na tabela seguinte. Sabendo que a empresa aceita projetos com PBS menores que três anos, verificar se esse projeto deve ser aceito aplicando o método do PBS. Anos Capitais Acumulado 00 - 225.000 01 85.000 02 90.000 03 105.000 04 120.000 05 135.000 06 150.000 5 Qual o payback do projeto que apresenta o fluxo de caixa a seguir? 0 1 2 3 4 5 - 10.000 3.000 4.000 1.000 7.000 8.000 6 Uma empresa está tentando avaliar a viabilidade de investir $ 95.000 em um equipamento cuja vida útil é de cinco anos. A empresa estimou as receitas líquidas conforme a tabela abaixo. Calcular o período de payback para o investimento proposto e apurar qual o valor do fluxo de caixa no quinto ano. Anos Capitais Acumulado 0 (95.000) 1 20.000 2 25.000 3 30.000 4 35.000 5 40.000 TÓPICO 2 | MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 89 7 Considere-se investimento de r$ 150.000,00 que gere retornos líquidos anuais de r$ 45.000,00, a partir do final do primeiro ano, durante cinco anos. Levando-se em consideração que a empresa não aceita projetos com prazo de retorno superior a cinco anos, analise de acordo com o método PBS se o projeto deverá ser aceito, ou não. Ano Capital acumulado 00 -150.000 01 45.000 02 45.000 03 45.000 04 45.000 05 45.000 8 Considere-se um projeto com investimento conforme fluxo de caixa abaixo: Ano 00 01 02 03 04 Fluxo -$310.000 $85.000 $90.000 $102.000 $119.000 Levando-se em consideração que a empresa aceita projetos com PBS menor que quatro anos, analise se o projeto deverá ser aceito. Ano Capital Acumulado 00 -310.000 01 85.000 02 90.000 03 102.000 04 119.000 9 Uma empresa está analisando a alternativa de um novo investimento no valor de r$ 250.000,00. Estima uma receita anual de r$45.000,00 durante cinco anos. Levando-se em consideração que a empresa não aceita projetos com tempo de maturação superior a quatro anos, calcule o payback, sem incidência de juros. Comente o resultado. Ano Capital Acumulado 00 -250.000 01 45.000 02 45.000 03 45.000 04 45.000 05 45.000 UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 90 10 Calcule o valor do payback simples: ano 0 1 2 3 4 5 Fluxo -$350.000. $85.000 $100.000 $105.000 $110.000 $112.000 (valores em reais) Analise o projeto, levando-se em consideração que a empresa não aceita projetos superiores a cinco anos. Ano Capital Acumulado 00 -350.000 01 85.000 02 100.000 03 105.000 04 110.000 05 112.000 2.2 MÉTODO PAYBACK DESCONTADO Como os recursos alocados no investimento não são gratuitos, devemos incluir seus custos ao longo do prazo de análise do projeto de investimento. Há duas maneiras de incluir os custos: - Acumulação do Valor Presente em cada ano do projeto; - Saldo do Projeto com carregamento anual dos juros. Lapponi (1996, p. 17) explica que: Para contornar a deficiência de não considerar o valor do dinheiro no tempo, no método payback simples foi adicionado o custo do capital da empresa. Este novo procedimento é denominado como método do payback descontado, denominado como método do PBD, que mede o valor do prazo de recuperação do capital investido. 2.2.1 Cálculo do Método Payback Descontado Exemplo: calcular o payback descontado, considerando que o custo de capital da empresa é de 12% a.a. e o prazo máximo aceito para retorno do investimento é quatro anos: TÓPICO 2 | MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 91 Anos Capitais Valor Presente (t=0) Acumulado (t=0) 00 (600.000) (600.000) (600.000) 01 120.000 107.143 (492.857) 02 150.000 119.579 (373.278) 03 200.000 142.356 (230.922) 04 220.000 139.814 (91.108) 05 150.000 85.114 (5.994) 06 180.000 91.194 85.200 07 80.000 36.188 121.388 Fórmula matemática para calcular o valor presente: Valor Presente: FC0 + FC1 + FC2 + FC3 + FC4 + ...... + FCn (1+k) (1+k)2 (1+k)3 (1+k)4 (1+k)n VPL= VPL=-600000 + (107.142,86 + 119.579,08 + 142.356,05 + 139.813,98 + 85.114,03 + 91.193,60 + 36.187,94) Valor Presente Líquido = - 600.000 + 721.387,54 Valor Presente Líquido = $ 121.387,54 00,388.121$≅ Cálculo pela HP 12: F REG 120.000 ENTER CHS FV 12 i 1 n PV = $107.143 Para calcular os demais valores, basta inserir o novo valor em PV e o novo período em “n”. A taxa permanece a mesma. Pergunta-se o novo PV. Exemplo: continuando o exercício, para saber o valor presente de $ 150.000 do ano 2: 150.000 ENTER CHS FV 2 n PV = $119.579 PBD = 5 + 5.994 = 5 + 0,7 = 5,07 anos (0,07 de 12 meses = 0,84 de 1 mês, 91.194 0.84 x 30 = 25 dias. UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 92 Critério do método do Payback Descontado: o procedimento para aplicar o método do payback descontado é equivalente ao procedimento realizado no caso do PBS. Começamos por estabelecer o prazo máximo tolerado pela empresa para recuperar o capital investido. Por exemplo, se o prazo tolerado for igual a 3,5 anos, para que um projeto seja aceito deve apresentar um valor de PBD menor ou igual a 3,5 anos. Resumindo: • Se PBD do projeto < PBD máximo, deve-se aceitar o projeto. • Se PBD do projeto = PBD máximo, deve-se aceitar o projeto. • Se PBD do projeto > PBD máximo, deve-se rejeitar o projeto. ANÁLISE DO MÉTODO DO PBD: A vantagem do método do PBD é considerar o valor do dinheiro no tempo, pois o cálculo do PBD é realizado considerando o custo de capital da empresa. Esse resultado tem os seguintes significados: • O valor do PBD pode ser interpretado como o prazo de recuperação do investimento remunerado no valor da taxa de juros que representa o custo de capital. • O método do PBD continua tendo as desvantagens denão considerar todos os capitais do fluxo de caixa, de ter que definir de forma subjetiva o prazo máximo tolerado e, ainda, a empresa continuará com a tendência de aceitar projetos de curta maturação e baixa rentabilidade e rejeitar projetos de maior maturação e alta rentabilidade. AUTOATIVIDADE 1 Calcular o payback descontado, considerando o custo de capital igual a 9% a.a. Dizer se o projeto deve ou não ser aceito, considerando o prazo máximo tolerado pela empresa de 2,5 anos, e interpretar o resultado final do projeto. Anos Capitais Valor Presente Acumulado 00 - 110.000 01 45.000 02 50.000 03 50.000 04 60.000 2 Calcular o PBD considerando o custo de capital igual a 9% a.a. e que a empresa rejeita projetos com PBD superiores a três anos. Comentar sobre a aceitação ou não do projeto e o seu resultado final. TÓPICO 2 | MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 93 Anos Capitais Valor Presente Acumulado 00 - 15.000 01 2.500 02 3.500 03 4.250 04 5.000 05 5.800 3 Para um investimento foram desenvolvidas duas alternativas que têm o mesmo valor de investimento, porém com retornos diferentes, conforme registrado abaixo: Anos Capitais Vlr. Presente Acumulado Capitais Vlr. Presente Acumulado 00 (450.000) (450.000) 01 150.000 100.000 02 150.000 100.000 03 150.000 100.000 04 120.000 100.000 05 80.000 100.000 Analisar as duas alternativas aplicando o método do PBD, considerando que a empresa aceita projetos de investimento que tenham PBD de até três anos e que o custo de capital da empresa é de 9% a.a. 4 A empresa Aves e Ovos tem um payback descontado de três anos. Caso a empresa tenha que decidir se deve aceitar algum deles, qual seria o escolhido considerando um custo de capital de 6%? Anos Capital Vlr. Presente Acumulado Capital Vlr. Presente Acumulado 00 (50.000) (120.000) 01 32.000 65.000 02 32.000 65.000 03 20.000 65.000 04 20.000 65.000 05 20.000 50.000 5 O fluxo de caixa anual de um novo projeto de investimento está apresentado na tabela seguinte. Sabendo que a empresa aceita projetos com PBD máximo de quatro anos e que o custo de capital da empresa é de 9% a.a., verificar se esse projeto deve ser aceito. UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 94 t = 0 t = 0 Anos Capitais Vlr. Presente Acumulado 00 - 225.000 01 85.000 02 90.000 03 105.000 04 120.000 05 135.000 06 150.000 6 Considere um investimento de r$ 150.000,00 que gere retornos líquidos anuais de r$ 45.000,00, a partir do final do primeiro ano, durante cinco anos. Levando-se em consideração que a empresa não aceita projetos com prazo de retorno superior a cinco anos, analise de acordo com o método PBD se o projeto deverá ser aceito, considerando uma TMA de 8% aa. Ano Capital Valor Presente Acumulado 00 -150.000 01 45.000 02 45.000 03 45.000 04 45.000 05 45.000 7 Considere-se um projeto com investimento conforme fluxo de caixa abaixo: Ano 00 01 02 03 04 Fluxo -$310.000 $85.000 $90.000 $102.000 $119.000 Levando-se em consideração que a empresa aceita projetos com PBD menor que quatro anos, analise se o projeto deverá ser aceito, a uma TMA de 8,5% aa. Ano Capital Valor Presente Acumulado 00 -310.000 01 85.000 02 90.000 03 102.000 04 119.000 TÓPICO 2 | MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 95 8 Uma empresa está analisando a alternativa de um novo investimento no valor de r$ 250.000,00. Estima uma receita anual de r$45.000,00 durante cinco anos. Levando- se em consideração que a empresa não aceita projetos com tempo de maturação superior a cinco anos, calcule o payback, levando-se em consideração um custo de oportunidade de 1,7532% am. Comente o resultado. Ano Capital Valor Presente Acumulado 00 -250.000 01 45.000 02 45.000 03 45.000 04 45.000 05 45.000 9 Calcule o valor do payback descontado do fluxo de caixa a seguir, considerando uma TMA de 2,0174% ao mês. Analise o projeto, levando-se em consideração que a empresa não aceita projetos superiores a sete anos. Ano Capital Valor Presente Acumulado 00 -350.000 01 85.000 02 100.000 03 105.000 04 130.000 05 180.000 06 200.000 07 220.000 10 Determine o PBD do seguinte fluxo de caixa: a) ano 0 ano 1 ano 2 ano 3 ano 4 ano 5 -$150.000 $90.000 $91.000 $105.000 $150.000 $150.000 TMA = 1,1203% a.m. UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 96 Ano Capital Valor Presente Acumulado 00 -150.000 -150.000 -150.000 01 90.000 78.737,63 -71.262,37 02 91.000 69.649,98 -1.612,39 03 105.000 70.308,64 68.696,25 04 150.000 87.871,99 156.568,25 05 150.000 76.875,91 233.444,16 2.3 MÉTODO DO VALOR PRESENTE LÍQUIDO O método VPL compara todas as entradas e saídas de dinheiro na data inicial do projeto, descontando todos os valores futuros do fluxo de caixa a uma taxa de juros que mede o custo de capital. É o mesmo que dizer que: VPL = valor presente dos fluxos de entradas de caixa – investimento inicial. Assaf Neto (2005, p. 319) descreve que: “A medida do valor presente líquido é obtida pela diferença entre o valor presente dos benefícios líquidos de caixa, previstos para cada período do horizonte de duração do projeto, e o valor presente do investimento (desembolso de caixa). Formalmente, costuma-se adotar a seguinte expressão de cálculo do NPV: 0 1 11 1 NPV ( ) ( ) n n t t t t t t FC I I k k= = = − + + + ∑ ∑ Se o valor do VPL é positivo - VPL > 0 -, então a soma da data 0 de todo o fluxo de caixa é maior que o valor investido. Como estamos trabalhando com estimativas futuras de um projeto, podemos dizer que o capital investido será: 1) recuperado; 2) remunerado na taxa de juros que mede o custo de capital da empresa; 3) o projeto gerará um lucro extra, na data 0, igual ao VPL. Portanto, o critério do método do VPL estabelece que enquanto o valor presente das entradas for maior que o valor presente das saídas, calculados com a taxa de juros que mede o custo de capital, o projeto deve ser aceito. Resumindo, sempre que: • VPL > 0, o projeto deve ser aceito. • VPL = 0, o projeto deve ser aceito. • VPL < 0, o projeto não deve ser aceito. TÓPICO 2 | MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 97 O método do VPL pressupõe, implicitamente, que todos os retornos gerados pelo projeto serão reinvestidos na taxa de juros que define o custo de capital. 2.3.1 Cálculo do VPL Exemplo 1: Utilizando os mesmos dados do exemplo do PBD, isto é, para um investimento inicial de $ 600.000 e fluxos líquidos de caixa conforme demonstrado abaixo, verificar se esse projeto deve ser aceito, sabendo que a taxa de custo de capital é de 12% a.a. Fórmula: VPL = FC0 + FC1 + FC2 + FC3 + FC4 + ...... + FCn (1+k) (1+k)2 (1+k)3 (1+k)4 (1+k)n VPL = VPL = -600000 +(107.14 + 119.58 + 142.36 + 139.81 + 85.11 + 91.19 + 36.19) Valor Presente Líquido = -600 + 721.38 Valor Presente Líquido = $ 121.38 Cálculo pela HP 12C: F REG 600 CHS g Cfo 120 g CFj 150 g CFj 200 g CFj 220 g CFj 150 g CFj 180 g CFj 80 g CFj 12 i f NPV → $121.388,00. UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 98 Interpretação: VPL > 0. O capital de $ 600 remunerado à taxa de juros de 12% a.a. foi recuperado e o projeto gerará um lucro extra, na data 0, de $ 121.388,00, correspondente ao VPL. Pode-se afirmar que o retorno que este projeto está trazendo para a empresa é maior que 12%. A interpretação deste resultado é que, ao aceitar o projeto, a empresa estará aumentando sua riqueza em $ 121.388,00. Dessa forma, utilizar o VPL para tomada de decisões facilita o alcance do administrador financeiro, que é o de maximizar a riqueza do acionista ou do proprietário. Exemplo 2: Estima-se que o lançamento de um novo produto apresentará um fluxode caixa da seguinte forma: 350 450 500 750 750 800 1.000 ______↑ _____↑______↑______↑_______↑_______↑_______↑____ ↓ 2.500 i = 10% Verificar se este projeto deve ser aceito aplicando o método do VPL, considerando um custo de capital igual a 10% a.a. HP12C f REG 2500 CHS g CFo 350 g CFJ 450 g CFJ 500 g CFJ 750 g CFJ 750 g CFJ 800 g CFJ 1000 g CFJ 10 i f NPV → 508.43. Interpretação: VPL > 0. O capital de $ 2.500 remunerado à taxa de juros de 10% a.a. foi recuperado e o projeto gerará um lucro extra, da data 0, de $ 508.43 correspondente ao VPL. Pode-se afirmar que o retorno que este projeto está trazendo para a empresa é maior que 10%. O método anterior, PBD, se aproxima do método do Valor Presente Líquido, pois o valor acumulado na data terminal (final) do fluxo de caixa do projeto é o próprio VPL. Se um projeto de investimento é aceito pelo método do PBD, então nesse projeto o valor do VPL deverá ser positivo, isto é, VPL > 0. Os pontos fortes do método são a inclusão na análise de todo o fluxo de caixa e o custo de capital. Como no valor da taxa de juros que mede o custo de capital está considerado o risco, nas estimativas futuras do fluxo de caixa também está considerado o risco. TÓPICO 2 | MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 99 As desvantagens do método do VPL são relacionadas com: - necessidade de conhecer a taxa de juros que mede o custo de capital. Como a taxa deve incluir o risco do projeto, a tarefa de definir o valor da taxa nem sempre é fácil de realizar. - resposta em valor monetário no lugar de ser em percentagem. AUTOATIVIDADE 1 Uma empresa está fazendo um projeto para o lançamento de um novo tipo de panelas. O analista estabeleceu os seguintes dados do projeto: t = 0 t = 0 Data Capitais Vlr. Presente Acumulado 00 (400) 01 100 02 100 03 100 04 100 05 190 Com esses dados, verificar se o projeto deve ser aceito, aplicando o método do valor presente líquido, considerando o custo de capital da empresa de 10% a.a. 2 Um projeto de investimento apresenta o fluxo líquido registrado na tabela abaixo. Se o custo de capital é de 9% ao ano, verificar se este projeto deve ser implantado aplicando o método do VPL. Anos Capitais 00 (1000) 01 250 02 300 03 350 04 400 05 550 3 Seja o fluxo de caixa anual após os impostos registrado na tabela seguinte: UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 100 Anos Capitais 00 (30.000) 01 7.000 02 7.500 03 8.200 04 9.000 05 12.000 Se o custo de capital da empresa é igual a 16% a.a., determinar se esse projeto de investimento deve ser aceito aplicando o método do VPL. 4 A construção de um laboratório levará dois anos e custará $ 50.000, distribuídos da seguinte maneira: $ 30.000 na data 0 e $ 20.000 na data 1, e os retornos começarão no final do terceiro ano. O fluxo de caixa após os impostos é o seguinte: Anos Capitais 00 (30.000) 01 (20.000) 02 0 03 10.000 04 14.000 05 18.000 06 22.000 07 26.000 Verificar se o projeto deve ser aceito pelo método VPL, sendo o custo de capital de 10% ao ano. 5 Comparar as seguintes alternativas de investimento para um custo de capital de 8% ao ano. Alternativa Investimento Inicial Receita Líquida/Ano Vida Útil A $ 50.000 $ 15.000 05 anos B $ 80.000 $ 23.000 05 anos 6 Com as informações do exercício 5, calcular o VPL considerando como taxas de custo de capital 0%, 5%, 10%, 15% e 20%. TÓPICO 2 | MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 101 I VPL “A” VPL “B “ 0% 5% 10% 15% 20% 7 A fábrica de tecidos Maré Mansa está em dúvida sobre qual é a melhor alternativa de investimento, conforme demonstrado na planilha a seguir: Ano Capital A Capital B 00 ($500.000,00) ($350.000,00) 01 $180.600,00 $170.000,00 02 $ 185.780,00 $175.100,00 03 $182.640,00 $175.200,00 04 $165.800,00 $185.200,00 05 $117.300,00 $170.300,00 Sabendo-se que o custo de oportunidade do referido investimento é de 1,035% ao mês, calcule as alternativas pelo método VPL, analisando qual das alternativas deverá ser aceita. 8 Determine o Valor Presente Líquido (VPL) do seguinte fluxo de caixa: a) ano 0 ano 1 ano 2 ano 3 ano 4 ano 5 -$250.000 $80.000 $90.000 $100.000 $120.000 $150.000 i = TMA = 1,5% a.m. 9 Calcule o valor do payback descontado: ano 0 1 2 3 4 5 Fluxo -$300.000 $80.000 $80.000 $90.000 $100.000 $150.000 (valores em reais) TMA = 2,10% ao mês. Análise o projeto, levando-se em consideração que a empresa não aceita projetos superiores a cinco anos. 10 Uma empresa está analisando a melhor alternativa de investimento, conforme demonstrado na planilha abaixo: Ano Capital A Capital B 00 ($700.000,00) ($600.000,00) 01 $180.600,00 $170.000,00 02 $ 185.780,00 $185.100,00 03 $182.640,00 $175.200,00 04 $185.800,00 $185.200,00 05 $177.300,00 $170.500,00 UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 102 Sabendo-se que o custo de oportunidade do referido investimento é de 0,75% ao mês, calcule as alternativas pelo método VPL, analisando qual das alternativas deverá ser aceita. 11 O Sr. Valério emprestou R$ 5.000,00 hoje (momento zero), ao Sr. Manoel Joaquim, que lhe prometeu pagar R$ 3.000,00 daqui a 30 dias e R$ 3.750,00 daqui a 60 dias. Sabendo que a TMA é de 1% ao mês, calcule o valor presente líquido. 2.4 MÉTODO DA TAXA INTERNA DE RETORNO A Taxa Interna de Retorno (TIR) está intimamente relacionada com o VPL. Tentamos com a TIR obter uma taxa de retorno para sintetizar os méritos de um projeto. Além disso, desejamos que essa taxa seja “interna”, no sentido de que dependa unicamente dos fluxos de caixa de determinado investimento, e não de taxas oferecidas por outros investimentos. De acordo com Assaf Neto (2005, p. 309): O método da taxa interna de retorno (IRR) representa a taxa de desconto que iguala, em determinado momento (geralmente usa-se a data de início do investimento – momento zero), as entradas e saídas previstas de caixa. Para avaliação de propostas de investimento, o cálculo da IRR requer, basicamente, o conhecimento dos montantes de dispêndio de capital (ou dispêndios, se o investimento prevê mais de um desembolso de caixa), e dos fluxos de caixa líquidos incrementais gerados pela decisão. Considerando que esses valores ocorrem em diferentes momentos, pode-se afirmar que a IRR, ao levar em conta o valor do dinheiro no tempo, representa a rentabilidade do projeto expressa em termos de taxa de juros composta equivalente periódica. A formulação da taxa interna de retorno pode ser representada, supondo-se a atualização de todos os movimentos de caixa para o momento zero, da forma seguinte: 0 1 11 1( ) ( ) n n t t t t t t I FC I k k= = + = + +∑ ∑ O critério do método da taxa interna de retorno estabelece que enquanto o valor da TIR for maior que o valor do custo de capital (k), o projeto deve ser aceito. Isto é, sempre que: • TIR > k, o projeto deve ser aceito; • TIR = k, o projeto deve ser aceito; • TIR < k, o projeto não deve ser aceito. TÓPICO 2 | MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 103 Em outras palavras: Com base na regra da TIR, um investimento é aceito se a TIR é maior do que o retorno exigido. Caso contrário, deve ser rejeitado. O método da TIR pressupõe, implicitamente, que todos os retornos gerados pelo projeto serão reinvestidos em alternativas que rendam, pelo menos, a taxa interna de retorno. 2.4.1 Cálculo da TIR Cálculo da taxa interna de retorno de um investimento sem o uso da calculadora ou Excel, mas sim por regra de três, conforme a seguir: Ano 0 1 2 3 4 Total cumulativo Fluxo de caixa(R$ milhões) - 50 30 30 30 30 70 Dividindo-se o somatório dos fluxos (R$ 70 milhões) pelo investimento (R$ 50 milhões), obtém-se 140%. Dividindo-se este valor por quatro anos, obtém- se i = 35% ao ano, o valor inicial tentativo para o cálculo da taxa interna de retorno. Descontando-se os fluxos a essa taxa, encontra-se VPL (i=35%) = R$ 9,91 milhões. Obviamente, necessita-se de uma taxa maior. Utilizando-se i = 50%, encontra-se VPL (i=50%) = R$ - 1,85 milhão. Uma vez encontrados um valor presente positivo e outro negativo, é possível fazer as aproximações para calcular a taxa interna de retorno. Como, em milhão de reais, o VPL (35%) foi de R$ 9,91 milhões e o 50% foi de R$ - 1,85 milhões, pode-se dizer que, a partir de 50%, um aumento de R$ 11,75 milhões no valor presente foi obtido descendo em 15% a taxa interna de retorno. Deseja-se encontrar a percentagem que o fluxo total descontado, ou seja, que aumenta R$ 1,85 milhão a partir de 50%. A seguinte relação pode ser feita: 11,76......................................15% a.a. 1,85.......................................... Δ X Δ X = 15% x (1,85) / 11,76 = 2,36% I= 50% - Δ x = 50% - 2,36% = 47,65% a.p. A relação que está sendo feita aqui é exatamente a mesma semelhança de triângulo retângulo empregada no cálculo do payback. Se você calcular o VPL com um custo de 47,65% a.a., verá que o VPL será praticamente zero, resultará algum valor residual, devido ao cálculo manual. UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 104 Cálculo pela calculadora HP 12c 50 ch g cfo; 30 g cfj; 4 gnj; F IRR = 47,23% a.p. Você observou que gerou uma diferença entre o resultado pela calculadora (47,23% a.p.) e pelo método da aproximação (47,65% a.p.), diferença essa irrelevante. DICAS Quando você substituir o custo de capital próprio e o custo do capital de terceiros na fórmula, poderá deixar em forma percentual. Logo, no resultado não será necessário multiplicar por 100. Porém a alíquota do Imposto de Renda sempre deverá ser dividida por 100, quando substituir na fórmula. Exemplo 2: Dado o fluxo de caixa abaixo, verificar se o projeto deve ser aceito pelo método da TIR, considerando um custo de capital de 13%. Anos Capitais 00 (85.000) 01 12.500 02 22.300 03 25.000 04 25.000 05 30.000 85000 chs g cfo; 12500 g cfj;22.300 g cfj; 25.000 g cfj; 25000 g cfj; 30000 g cfj; F IRR = 9,70% a.p. Resposta: TIR = 9,70%. Como TIR é menor que a taxa de custo de capital, o projeto não deve ser aceito. ANÁLISE DO SIGNIFICADO DA TIR: - Todos os retornos gerados pelo projeto serão reinvestidos no valor da taxa interna de retorno calculado; - Quando calculamos com a Taxa Interna de Retorno (TIR), o valor presente de todas as entradas do fluxo de caixa será igual ao valor presente do investimento; - A maior vantagem do método da TIR é dar o resultado em forma de porcentagem em vez de valor monetário. TÓPICO 2 | MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 105 AUTOATIVIDADE TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR) 1 Verificar se o projeto abaixo deve ser aplicado, analisando pelo método da TIR e considerando que o custo de capital é de 20% a.a. Datas Capitais 00 (1.000) 01 250 02 300 03 350 04 400 05 550 2 Verificar se o projeto deve ou não ser aceito, aplicando o método da TIR, considerando o custo de capital de 16% a.a. Datas Capitais 00 (30.000) 01 7.000 02 7.500 03 8.200 04 9.000 05 12.000 3 Analisar se o projeto para a instalação de um laboratório que apresenta o fluxo de caixa abaixo deve ser recomendado pelo método da TIR, sabendo- se que o custo de capital da empresa é de 11% ao ano. Data Capitais 00 (30.000) 01 (20.000) 02 0 03 10.000 04 14.000 05 18.000 06 22.000 07 26.000 UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 106 4 Um projeto tem um custo inicial de $ 3500. Seus fluxos de caixa são: $ 500 no primeiro ano, $ 1500 no segundo, $ 2500 no terceiro. Qual é a TIR? Sendo o custo de capital da empresa de 9%, deveríamos fazer este investimento? 5 Quais são as TIR dos fluxos de caixa abaixo? Qual o projeto que seria aceito se o custo de capital da empresa fosse de 20% a.a.? Anos Fluxo de Caixa “A” Fluxo de Caixa “B” 00 (3.000) (5.000) 01 1.500 4.500 02 1.200 1.100 03 800 800 04 300 300 05 100 1.000 06 200 500 6 Um projeto que gera fluxo de caixa conforme tabela a seguir vale a pena ser implantado se a taxa de retorno exigida é de 15%? E se for exigido retorno de 22%? Anos Capitais 00 (1.500) 01 400 02 400 03 400 04 400 05 400 06 400 07 400 2.5 MÉTODO DA ANÁLISE INCREMENTAL - CONFLITO VPL X TIR Em projetos mutuamente excludentes, deveremos determinar um fluxo de caixa incremental e aplicar a regra do VPL, já que o projeto que gerar maior valor em unidades monetárias sempre será o aceito. O método da taxa interna de retorno serve para dar maior consistência na escolha. TÓPICO 2 | MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 107 2.5.1 Cálculo do conflito VPL X TIR Ano Investimento A Investimento B 00 (100) (100) 01 50 20 02 40 40 03 40 50 04 30 60 Exemplo 1: A TIR de A é igual a 24% e a TIR de B é igual a 21%. Como esses investimentos são mutuamente excludentes, podemos aceitar apenas um deles. A intuição nos sugere que o investimento A é melhor, devido a seu maior retorno. Para verificar se está correta esta análise, calcularemos o VPL desses investimentos para diferentes taxas de retorno exigidas: Taxa VPL - A VPL - B 0% 60,00 70,00 5% 43,13 47,88 10% 29,06 29,79 15% 17,18 14,82 20% 7,06 2,31 25% (1,63) (8,22) Se formos comparar os VPLs, veremos que um projeto é superior ao outro dependendo da taxa de retorno exigida. Em nosso exemplo, as classificações por VPL e TIR são conflitantes para algumas taxas de desconto. Se, por exemplo, a taxa de retorno exigida for igual a 10%, o projeto B tem maior VPL, e, portanto, será o escolhido, embora a melhor TIR seja do projeto A. Se a taxa de retorno exigida for igual a 15% não haverá conflito de classificação: o projeto A é melhor tanto pelo método do VPL como pela TIR. Sempre que tivermos projetos mutuamente excludentes, não devemos classificá-los com base na TIR, que pode levar a conclusões erradas. Em lugar disso, precisamos examinar os VPLs para evitar a possibilidade de fazer a escolha errada. Lembrar que estamos interessados em criar valor para os acionistas, e, portanto, a opção que possui maior VPL é a preferida, independentemente dos retornos relativos. UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 108 Pensar dessa maneira parece contrariar a intuição. Suponha que você dispõe de duas alternativas de investimento. Um deles tem um retorno de 10% e o torna imediatamente $ 100 mais rico. O outro tem 20% de retorno e o torna $ 50 mais rico. Qual deles você preferiria? Preferiríamos ter $100 em vez de $ 50, independentemente dos retornos, e, portanto, optamos pelo primeiro investimento. Aplicando o mesmo raciocínio no exemplo abaixo, verificamos que nem sempre o projeto com maior TIR deve ser aceito. Exemplo 2: Considerando que os projetos X e Y são mutuamente excludentes, isto é, podemos escolher apenas um dos projetos rejeitando o outro, escolher o projeto que devemos aceitar, sendo o custo de capital igual a 6%: Anos PROJETO X PROJETO Y 0 (1.000) (10.000) 1 1.500 11.500 VPL 415 849 TIR 50% 15% O VPL espelha a magnitude em valores monetários dos ganhos dos projetos, o que não pode ser obtido através da TIR. Como as empresas estão mais interessadas em ganhos absolutos do que em saber taxas de lucros, é preferível avaliar o projeto com base no VPL. O VPL está associado ao conceito de maximização da riqueza. A TIR está associada à ideia de maximização da lucratividade. Em projetos mutuamente excludentes: • O método do VPL permite escolher o melhor dos projetos, comparando simplesmente os valores dos VPLs dos projetos; • O método da TIR não permite selecionar o melhor dos projetos por simples comparação dos valores das TIRs, porque o melhor projeto pode não ser o projetoque tiver maior TIR. Exemplo 3: A empresa tem dois projetos de implantação de uma nova unidade operacional, cujos fluxos de caixa estão registrados na tabela seguinte. Os investimentos acontecem na data 0 e os retornos são iguais desde a data 1 até a data 10. PROJETOS A B INVESTIMENTOS (100.000) (150.000) RETORNOS (1-10) 16.000 23.000 TÓPICO 2 | MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 109 Se o custo de capital é igual a 8% a.a., escolher o melhor projeto aplicando os métodos do VPL e da TIR. Resposta: PROJETOS A B VPL-8% $ 7.361 $ 4.332 TIR 9,61% 8,64% Pelo método do VPL escolhemos o projeto A, que apresenta maior VPL. Entretanto, não devemos aplicar o método da TIR para escolher o melhor projeto. Exemplo 04: Continuando o exemplo 3 e considerando agora o custo de capital de 2% a.a., pede-se: 1) escolher o melhor projeto aplicando os métodos VPL e TIR. 2) comparar os resultados com o exemplo 3. 1) PROJETOS A B VPL-2% $ 43.721 $ 56.599 TIR 9,61% 8,64% Aplicando as regras do VPL, considerando o custo de capital de 2% a.a., escolhemos o projeto B, que apresenta maior VPL. Entretanto, não devemos aplicar o método da TIR para escolher o melhor projeto, apesar do projeto A apresentar maior TIR que o projeto B. 2) Comparando os resultados dos exemplos 2 e 3, temos: VPL – 8% $ 7.361 $ 4.332 VPL – 2% $ 43.721 $ 56.599 TIR 9,61% 8,64% Aplicando o método do VPL devemos escolher: - o projeto A, quando o custo de capital é igual a 8%; - o projeto B, quando o custo de capital é igual a 2%. Quando forem projetos mutuamente excludentes, não devemos fazer a escolha utilizando o método da TIR, a menos que façamos o procedimento descrito no item abaixo (2.6 TIR / Análise incremental). Analisando os resultados dos VPLs, podemos ver que, ao mudar o valor do custo de capital, a decisão da escolha mudou; entretanto, o valor da TIR permaneceu inalterado, pois não depende do custo de capital; isto é, o valor da TIR depende somente dos valores dos capitais e sua distribuição no tempo. UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 110 2.5.2 Regra do valor presente líquido e da taxa interna de retorno Quando os projetos são mutuamente excludentes, para escolher o melhor projeto aplicando o método da TIR será necessário realizar outro procedimento. Devemos aplicar, obrigatoriamente, o método denominado Análise Incremental. Exemplo 1: A empresa está fazendo uma análise para escolher o melhor dentre dois projetos, para expandir sua capacidade de produção. Os projetos são mutuamente excludentes (apenas um projeto pode ser escolhido). Os fluxos de caixa dos projetos são apresentados abaixo e, sabendo que o custo de capital é de 15% a.a., qual dos dois projetos seria o escolhido? Desafiante Desafiado Desafiado - Desafiante Anos Projeto A Projeto B Análise Incremental (B-A) 00 (325.000) (500.000) (175.000) 01 140.000 100.000 (40.000) 02 120.000 120.000 0 03 95.000 150.000 55.000 04 70.000 190.000 120.000 05 50.000 250.000 200.000 TIR 17,3% 15,7% 14,3% VPL 14.822 9.250 (5.572) • Se TIR (B-A) > Custo de Capital → o projeto B é melhor que o projeto A. • Se TIR (B-A) < Custo de Capital → o projeto A é melhor que o projeto B. Ou: • Se VPL (B-A) > 0, → o projeto B é melhor que o projeto A. • Se VPL (B-A) < 0, → o projeto A é melhor que o projeto B. Portanto, a análise incremental mostra que o projeto A deve ser o escolhido porque o VPL do fluxo incremental é negativo e a TIR de 14,3% é menor do que o custo de capital, de 15%. Exemplo 2: Decidir sobre os projetos 1 e 2 com custo de capital de 15% a.a. TÓPICO 2 | MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 111 Desafiante Desafiado Desafiado - Desafiante Períodos Projeto 1 Projeto 2 Análise Incremental (2 – 1 ) 00 (100.000) (1.000.000) (900.000) 01 50.000 400.000 350.000 02 50.000 400.000 350.000 03 60.000 500.000 440.000 04 70.000 600.000 530.000 05 80.000 700.000 620.000 TIR 48,6% 37,8% 36,54% VPL 100.533 670.117 569.584 A análise incremental mostra que o projeto escolhido seria o projeto 2, porque o VPL é maior do que zero, ou seja, no valor de $569.584,00, e a TIR 36,54% é maior do que o custo de capital de 15%. UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 112 LEITURA COMPLEMENTAR OS MÉTODOS OUANTITATIVOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS Alexandre Assaf Neto* O estudo de avaliação de investimentos se refere basicamente às decisões de aplicações de capital em projetos que prometem retornos por vários períodos consecutivos. O tema se insere no âmbito da administração financeira em longo prazo, promovendo repercussões importantes sobre o desempenho futuro da empresa e, ainda em termos agregados, sobre o crescimento da economia. Uma empresa, em determinado instante, pode ser vista como um conjunto de projetos de investimento em diferentes momentos de execução. O seu objetivo financeiro, ao avaliar alternativas de investimento, é o de maximizar a contribuição marginal desses recursos de capital, promovendo o incremento de sua riqueza líquida. É importante ressaltar que o investimento de capital se apresenta geralmente como uma parte (algumas vezes pequena) do processo de tomada de decisões empresariais. Frequentemente, objetivos estratégicos se apresentam como fatores decisoriais relevantes na seleção de projetos de investimentos. Esta realidade frusta, em diversos momentos, posições mais teóricas de se identificar as melhores alternativas a partir unicamente dos métodos quantitativos de avaliação de investimentos. Outros fatores de importância são também considerados na avaliação, permitindo incorporar um estudo de natureza qualitativa. O segmento de investimento de capital é bastante complexo e amplo, envolvendo inúmeros critérios e métodos de análise. O presente trabalho não tem o intuito de abordar todas as suas partes. O objetivo básico é o de avaliar, dentro de um posicionamento mais crítico, os principais aspectos dos métodos quantitativos mais utilizados pelas empresas para análise de investimentos. INFORMAÇÕES MÍNIMAS PARA AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS O processo de avaliação de investimentos demanda uma série de informações financeiras, enunciadas segundo diversos critérios. Da mesma forma, diferentes estados de mercado e da economia interferem nos critérios de análise de investimentos. As informações mínimas necessárias são descritas, em seus aspectos essenciais, a seguir. TÓPICO 2 | MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 113 a) Fluxo de Caixa Líquido A avaliação de investimento é executada a partir de fluxo líquido de caixa, medido, para cada período do intervalo de tempo, pela diferença entre os fluxos de entrada e os de saída de caixa. Nestes fluxos são computados somente os movimentos efetivos de recursos, com reflexos financeiros sobre o caixa, desprezando-se receitas e despesas de natureza eminentemente contábil (depreciação, amortização, reavaliação patrimonial, entre outros resultados que não são pagos ou recebidos em termos de caixa). A análise de investimento é processada com base em fluxos de caixa, sendo o dimensionamento desses valores considerado como o aspecto mais importante da decisão. A representatividade dos resultados de um investimento é bastante dependente do rigor e confiabilidade com que os fluxos de caixa foram estimados. A decisão de se avaliar projetos de investimento com base nos resultados de caixa, e não a partir do lucro, é devida a uma necessidade econômica, revelando a efetiva capacidade da empresa em remunerar o capital aplicado e reinvestir os benefícios gerados. b) Valores Incrementais Os fluxos de caixa são computados em seus valores incrementais, ou seja, pelos fluxos de entrada e saída de caixa que se originam da decisão de investimento em consideração. Isto equivale a concluir que, inexistindo o investimento, os fluxos de caixa atribuíveis à proposta deixam de existir. O fluxo de caixa incremental adotadocomo modelo básico na análise de investimento apresenta-se genericamente com a seguinte estrutura: FC = [ Δ ROP - IR (Δ ROP)] + Δ DND FC = Δ ROP x (1 - IR) + Δ DND onde: Δ FC = Fluxo de caixa incremental; Δ ROP = resultado operacional incremental; IR = alíquota de Imposto de Renda aplicável sobre o resultado operacional incremental; Δ DND = despesas não desembolsáveis incrementais (depreciação, basicamente) c) Taxa Mínima de Atratividade Na seleção de investimento é necessária a definição prévia da taxa de retorno exigida, isto é, a taxa de atratividade econômica do projeto. Ao se trabalhar com métodos de fluxo de caixa descontado, a taxa de atratividade constitui-se no parâmetro de avaliação dos projetos, a meta econômica mínima a ser alcançada. UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 114 No método do valor presente líquido, a taxa de atratividade é o percentual de desconto dos fluxos de caixa. Sendo o valor presente das entradas menos o das saídas de caixa positivo, há indicação técnica de aceitação do investimento. Em caso contrário, deve ser rejeitado. No método da taxa interna de retorno, a taxa de atratividade é comparada com o retorno calculado, indicando aceitação quando esta última for, pelo menos, igual à taxa de desconto utilizada. d) Outras Informações Outras informações a respeito do processo de investimento devem ser levadas em consideração na análise. • Origens das Propostas: expansão, lançamento de novos produtos, modernização, instalação, relocalização. • Tipos de Investimentos: independentes, economicamente dependentes, mutuamente excludentes, restrições orçamentárias. É preciso levar em conta, ainda, os aspectos de risco inerentes a todo projeto. Como os investimentos são decisões tomadas fundamentalmente em relação ao futuro, é sempre necessário que se inclua uma avaliação do risco no estudo da viabilidade econômica. Por exemplo, os fluxos de caixa definidos para as decisões de investimento são valores previstos de ocorrer ao longo de determinado período de tempo futuro, estando associados, evidentemente, às incertezas inerentes às previsões. Existem diversos métodos de Matemática e Estatística usados para se avaliar o risco de um investimento, buscando todos eles conhecer a probabilidade de ocorrência de determinado estado de natureza e seus resultados. Algumas técnicas e métodos bastante adotados são: Medidas Estatísticas de Dispersão, Distribuição de Probabilidades, Método de Monte Carlo, Árvores de Decisão (adotada em decisões sequenciais), Simulação etc. Muitas vezes, a unidade decisorial adota, de maneira mais simplificada, o incremento da taxa de retorno exigida do investimento como critério de avaliação de risco. Dependendo de certas circunstâncias, esta medida nem sempre é adequada. A moderna teoria de Finanças vem incorporando, nas decisões de investimento em condições de risco, o método do CAPM -”Capital Asset Pricing Model”, ou Modelo de Precificacão de Ativos. O CAPM, em essência, define a remuneração pelo risco através da taxa adotada pelo mercado. TÓPICO 2 | MÉTODOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 115 Tratando-se principalmente da economia brasileira, é necessário incluir- se a inflação nas decisões de investimento como um fator de maior risco. Os problemas mais relevantes da inflação são a dificuldade em prever os seus valores e maior complexidade em considerá-la tecnicamente no processo de análise. Dentro da influência da inflação sobre a análise de investimento, a sua inclusão é tratada na definição da taxa de desconto a ser utilizada na avaliação dos benefícios e, mais intensamente, sobre os resultados de caixa gerados no tempo. Diante do exposto, os fluxos de caixa das alternativas de investimento podem se apresentar expressos sob diferentes formas: Fluxos de Caixa Nominais - encontram-se expressos em valores correntes da época de sua ocorrência; Fluxos de Caixa Constantes - os valores apresentam o mesmo poder de compra, ou seja, estão referenciados em moeda de mesma capacidade aquisitiva; Fluxos de Caixa Descontados - Os valores encontram-se todos atualizados para a data presente através de uma taxa de desconto definida para o investimento. *Professor - Doutor do Departamento de Contabilidade e Atuária da FEA/ USP FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S141392511992000300001&script= sci_ arttext>. Acesso em: 18 jun. 2012. 116 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você conheceu: • Os métodos de análise de investimento, tendo compreendido como calcular e interpretar os resultados para a tomada de decisão, comparando a TMA com a TIR. • Conheceu o método para escolha de projetos mutuamente excludentes, aplicando a regra do VPL e da TIR. Também aprendeu a aplicar e interpretar os resultados referentes à regra. Agora, vamos praticar o que você aprendeu. 117 AUTOATIVIDADE ANÁLISE INCREMENTAL 1 Fazer a análise incremental dos projetos abaixo, mutuamente excludentes, considerando que a taxa de retorno requerida para esses investimentos é de 20% ao período, e definir qual projeto deverá ser escolhido utilizando o método da TIR. Desafiante Desafiado Desafiado - Desafiante Períodos Projeto A Projeto B Análise Incremental (B- A) 00 (100.000) (200.000) 01 60.000 30.000 02 50.000 40.000 03 40.000 180.000 04 40.000 200.000 TIR VPL 2 Uma empresa tem dois projetos para modernizar a sua linha de produção, sendo que são projetos mutuamente excludentes, ou seja, a aceitação de um projeto elimina o outro. Avaliar os projetos pela análise incremental, considerando duas hipóteses de custo de capital: 8% e 12%, e definir a escolha pelo método da TIR. ANOS PROJETO A PROJETO B B - A 0 (50.000) (80.000) 1 15.000 23.000 2 15.000 23.000 3 15.000 23.000 4 15.000 23.000 5 15.000 23.000 TIR VPL-8% VPL-12% 3 A empresa Perfil S/A está analisando dois projetos mutuamente excludentes. O seu custo de capital é de 12%, e os seus fluxos de caixa foram estimados conforme demonstrado na tabela abaixo. Calcular o VPL e a TIR de cada projeto. Efetuar a análise incremental e avaliar qual projeto deverá ser aceito, baseando-se exclusivamente pelo método da TIR. 118 Períodos Projeto Alfa Projeto Beta Beta - Alfa 0 (85.000) (130.000) 1 40.000 25.000 2 35.000 35.000 3 30.000 45.000 4 10.000 50.000 5 5.000 55.000 VPL TIR VPL incremental - - TIR incremental - - 4 Analisar os investimentos abaixo, que são mutuamente excludentes, considerando o custo de capital de 15%. Qual projeto deverá ser escolhido utilizando o método da TIR? Períodos Projeto C Projeto D D – C 0 (100.000) (100.000) 1 60.000 15.000 2 50.000 20.000 3 40.000 90.000 4 40.000 110.000 TIR 5 Fazer a análise incremental dos projetos a seguir, mutuamente excludentes, considerando que a taxa de retorno requerida para esses investimentos é de 16% ao período, e definir qual projeto deverá ser escolhido utilizando o método da VPL, e o porquê da escolha. Desafiante Desafiado Desafiado - Desafiante Períodos Projeto A Projeto B Análise Incremental (B- A) 00 (150.000) (200.000) 01 60.000 30.000 02 50.000 20.000 03 50.000 130.000 04 40.000 200.000 VPL 119 6 Fazer a análise incremental dos projetos a seguir, mutuamente excludentes, considerando que a taxa de retorno requerida para esses investimentos é de 10% ao período, e definir qual projeto deverá ser escolhido utilizando o método da TIR ou VPL, e o porquê da escolha. Desafiante Desafiado Desafiado - Desafiante Períodos Projeto A Projeto B Análise Incremental (B- A) 00 (100.000) (200.000) 01 60.000 30.000 02 50.000 40.000 03 40.000 180.000 04 40.000 200.000 TIR VPL 120 121 TÓPICO 3 CONSTRUÇÃO DO FLUXO DE CAIXA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Até o presente foram apresentados os métodos de avaliação de projetos de investimentos. Com a intenção de destacá-los, nos exemplos desenvolvidos foram realizadas algumas simplificações; por exemplo, o fluxo de caixa após osimpostos foi sempre um dado do problema, sem a preocupação em obter os valores da geração de caixa. Ao investir em um novo projeto, a empresa espera que seus resultados futuros sejam melhores que os resultados que conseguiria sem o novo investimento. Esse é o ponto de partida para desenvolver o fluxo de caixa de um projeto. Nesse caminho são apresentados os conceitos de depreciação, ganho de capital, capital de giro, etc... Os investimentos são concentrados em um único valor na época inicial do projeto, entretanto, o investimento de capital pode ser realizado através de desembolsos parciais ao longo de um certo tempo, muitas vezes, maior que um ano; da mesma maneira, a inclusão da data real do pagamento da tributação, em geral posterior à data de seu cálculo. Portanto, incluir os desembolsos conforme realmente acontecem pode contribuir na obtenção de resultados mais próximos da realidade. Na construção do fluxo de caixa participam todos os departamentos da empresa diretamente envolvidos no projeto. A determinação das estimativas das variáveis do projeto é realizada por diversas pessoas das áreas de marketing, vendas, produção, contabilidade, engenharia, etc... 122 UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS 2 FUNDAMENTADO FLUXO DE CAIXA O Fluxo de Caixa é uma peça fundamental do planejamento e controle financeiro, apresentando-se como instrumento imprescindível na gestão empresarial. Seu valor é evidenciado de forma informativa como fluxo de caixa na demonstração contábil, visando atender às necessidades de usuários internos e externos. Planejar é uma tarefa do gestor financeiro, que deverá fazê-la de forma eficaz. O planejamento financeiro determina as diretrizes de mudanças em uma empresa. Isto é necessário porque faz com que sejam estabelecidas as metas da empresa para motivar a organização e gerar marcos de referência para avaliação de desempenho. As decisões de investimento e financiamento da empresa não são independentes, sendo necessário identificar sua interação. E em um mundo incerto como o atual, a empresa deve estar preparada para assumir algumas condições e, também, poder lidar com as surpresas. Conceitos – O Fluxo de Caixa é um documento de uso interno, com o objetivo de controlar as entradas e saídas de recursos da empresa. O administrador financeiro deve demonstrar tanta ou mais preocupação com o Fluxo de Caixa do que com o lucro líquido apresentado na DRE (Demonstração dos Resultados do Exercício), pois com o Fluxo de Caixa consegue-se identificar especificamente os pontos fracos de sua administração financeira, quais os pontos em que foi eficiente e quais os que precisa melhorar. É também chamado de Demonstração do Fluxo de Caixa. Silva (2005, p. 12) afirma que: É o principal instrumento da gestão financeira que planeja, controla e analisa as receitas, as despesas e os investimentos, considerando determinado período projetado. Pode-se também dizer que consiste em uma representação gráfica (planilha) e cronológica de entrada (ingressos) e saídas (desembolsos) de recursos monetários, o que permite às empresas executar suas programações financeiras e operacionais projetadas para certo período de tempo. • Entradas e Saídas de Caixa Projetadas, neste caso os valores previstos para um determinado período de atividade. • Entradas e Saídas de Caixa Realizadas, neste caso os valores de fato ocorreram, ou seja, foram realizados em termos de entradas e saídas de recursos financeiros. A partir da elaboração do Fluxo de Caixa é possível verificar e planejar eventuais excedentes e escassez de caixa, provocando medidas que venham a sanar tais situações. O caixa é o centro dos resultados para tomada de decisões financeiras, representando a disponibilidade imediata, diferenciando-se do lucro, que é o resultado econômico contábil. Isto quer dizer que existe diferença entre lucro e caixa. Alguns aspectos que podem gerar estas diferenças: TÓPICO 3 | CONSTRUÇÃO DO FLUXO DE CAIXA 123 1. A não pontualidade das receitas e o não reconhecimento como perda. 2. A depreciação e a amortização de valores. 3. O capital de giro também sofre impacto, pois os tempos de recebimentos e pagamentos são diferentes. 4. Quaisquer tipos de provisões afetam a demonstração de resultados, porém não afetam o fluxo de caixa. 5. Receitas geradas e não recebidas. O Fluxo de Caixa é conhecido também como Cash-flow, que é uma expressão inglesa muito conhecida no meio financeiro. O Fluxo de Caixa projetado e real da empresa representa uma importante informação gerencial. Através dessas demonstrações do fluxo de caixa podem-se analisar as alternativas de investimento, verificar quais motivos ocasionaram tais mudanças da situação financeira da empresa, onde foi aplicado o lucro gerado e as eventuais reduções do capital de giro. 3 FATORES QUE AFETAM O FLUXO DE CAIXA Existem fatores que afetam o fluxo de caixa, ocasionando diferenças entre o previsto e o realizado, de forma a comprometer a eficácia do processo. 1 – Fatores Internos • Aumento do prazo de vendas. • Compras que não estão em linha com as projeções de vendas. • Diferenças entre prazo médio de recebimento e pagamento. • Ciclos de produção muito longos, afetando o prazo repassado pelo fornecedor. • Política salarial incompatível com as receitas e despesas. • Distribuição de lucros. • Custos financeiros altos. 2 – Fatores Externos • Diminuição das vendas por retração do mercado. • Novos concorrentes. • Mudança de alíquota de impostos. • Aumento da inadimplência. Para que serve o relatório de Fluxo de Caixa? • Planejar e controlar as entradas e saídas de caixa num período de tempo determinado. • Auxiliar o empresário a tomar decisões antecipadas sobre a falta ou sobra de dinheiro na empresa. • Verificar se a empresa está trabalhando com aperto ou folga financeira no período avaliado. 124 UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS • Verificar se os recursos financeiros são suficientes para tocar o negócio em determinado período ou se há necessidade de obtenção de capital de giro. • Planejar melhores políticas de prazos de pagamentos e recebimentos. • Avaliar a capacidade de pagamentos antes de assumir compromissos. • Conhecer previamente (planejamento estratégico) os grandes números do negócio e sua real importância no período considerado. • Avaliar se o recebimento das vendas é suficiente para cobrir os gastos assumidos e previstos no período considerado. • Avaliar o melhor momento para efetuar as reposições de estoque em função dos prazos de pagamento e da disponibilidade de caixa. • Avaliar o momento mais favorável para realizar promoções de vendas visando melhorar o caixa do negócio. Funções de Administração de Caixa 1. Controlar os recursos financeiros que se encontram disponíveis nos bancos e em caixa; 2. Elaborar e verificar a demonstração do fluxo de caixa realizado 3. Prover recursos para atender a escassez de caixa 4. Aplicar os recursos excedentes do caixa 5. Verificar alternativas de financiamento de capital de giro 6. Analisar antecipações de recebimentos e pagamentos. QUADRO 11 – PRINCIPAIS INGRESSOS E DESEMBOLSOS DE CAIXA Ingressos • Vendas à vista • Recebimentos parcelados • Inadimplência • Vendas de ativo permanente • Receitas financeiras • Aluguéis • Empréstimos bancários • Empréstimos de coligadas e controladas • Desconto de títulos • Aumento de capital de giro • Aporte de capital. Desembolsos • Compras de matéria-prima • Pagamentos de salários • Despesas de vendas • Despesas administrativas • Despesas com empréstimos (principal, juros) • Despesas tributárias • Resgates de títulos • Pagamento de dividendos • Ampliação da empresa • Compra de ativo fixo. FONTE: Silva (2005) TÓPICO 3 | CONSTRUÇÃO DO FLUXO DE CAIXA 125 Funções do Planejamento Financeiro 1. Elaborar projeções de fluxo de caixa 2. Planejar, controlar e analisar as despesas financeiras 3. Fixar política de aplicação financeira 4. Verificar os aspectos tributários e financeiros das aplicaçõesfinanceiras 5. Negociar e controlar as aplicações financeiras 6. Fixar limite de crédito para instituições financeiras 7. Controlar e analisar a rentabilidade das aplicações financeiras 8. Fixar política de empréstimos e financiamentos 9. Verificar os aspectos tributários e financeiros dos empréstimos e financiamentos 10. Negociar linhas de crédito com instituições financeiras 11. Negociar e controlar empréstimos e financiamentos bancários 12. Negociar e controlar operações de leasing 13. Administrar riscos de flutuação de preços e taxas (hedge) 14. Analisar investimentos em ativos permanentes. Funções do Crédito e Contas a Receber 1. Levantar e analisar os cadastros de clientes e fixar limites de crédito 2. Proceder à cobrança e recebimento das duplicatas nos vencimentos estabelecidos 3. Proceder à cobrança e recebimento de saques de exportação 4. Controlar as duplicatas em carteira e em cobrança bancária 5. Providenciar cobrança dos inadimplentes 6. Negociar renovação de crédito 7. Controlar cobrança, caso seja terceirizada. Funções do Contas a Pagar 1. Fixar políticas de pagamentos; 2. Controlar adiantamentos a fornecedores 3. Controlar abatimentos e devoluções de mercadorias 4. Controlar e liberar pagamentos a fornecedores. Alguns modelos de fluxo de caixa foram criados para determinadas necessidades das empresas. Temos por exemplo o FC diário, FC projetado, FC descontado, FC modelo direto e indireto, entre outros. Abaixo serão apresentados os modelos direto e indireto, por terem relação com a DOAR. Para efetuar uma Demonstração de Fluxo de Caixa, trabalhamos com a Demonstração de Resultados do Exercício e com Balanço Patrimonial. A DFC prioriza a visualização dos recursos que a empresa efetivamente possui, divididos em três fluxos básicos: 126 UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS - Fluxo Operacional – relaciona-se com a atividade da empresa, e inclui todas as contas relacionadas à sua operação. Estoques, duplicatas a pagar e a receber, salários e tributos estão neste fluxo. - Fluxo de Investimentos – relaciona-se com o Ativo Permanente da empresa, ou seja, com os bens relacionados ao desempenho de sua atividade, como: terrenos, móveis, máquinas e equipamentos, etc. - Fluxo de Financiamento – relaciona-se aos valores captados no mercado em instituições financeiras ou através dos próprios sócios da empresa para financiar as suas atividades. Deve-se inicialmente fazer a distinção entre as contas que representam ingresso de recursos no caixa (ORIGEM) das que representam saída de recursos (APLICAÇÃO). Observe que aplicação aqui não é aplicação financeira, mas o ato de gastar (aplicar) recursos. E aqui ressaltamos: • Todo aumento de Ativo é uma aplicação. Como exemplo, imagine-se um aumento de estoques. A empresa precisou tirar recursos de caixa para adquirir este estoque, portanto, houve aplicação de recursos. Consequentemente, toda redução de Ativos é uma Origem; • Toda redução de Passivo é uma aplicação. Tome como base a conta empréstimos financeiros (ou títulos a pagar). Se você passou a dever menos, isto significa que desembolsou recursos para o banco para reduzir esta dívida. Por consequência, todo aumento de Passivos é uma origem; • Lucro é origem, prejuízo é aplicação; • Venda de ações é origem, pois, apesar de poder ser vista como perda de poder, representa entrada de recursos pagos por acionistas pelas ações adquiridas. • Pagamento de dividendos é aplicação, por representar óbvio dispêndio de caixa para remunerar os acionistas; • Despesa com Depreciação é origem. A despesa de depreciação é uma despesa lançada na DRE com o objetivo de proteger a empresa dos impostos, ao diminuir o Lucro tributável. Por ser despesa não financeira, mas representar ganho de capital, é aqui definida como uma fonte de origem de recursos. QUADRO 12 – DISTINÇÃO ENTRE AS CONTAS ORIGEM (+) APLICAÇÃO (-) Redução de Ativos Aumento de Ativos Aumento de Passivos Redução de Passivos Lucro Líquido Prejuízo Depreciação Dividendos pagos Venda de Ações Recompra de ações FONTE: O autor TÓPICO 3 | CONSTRUÇÃO DO FLUXO DE CAIXA 127 4 FATORES INTANGÍVEIS QUE INFLUENCIAM NO FLUXO DE CAIXA DE UM PROJETO Na proposta de um projeto de investimento está implícito que tudo que pode acontecer no futuro está previsto nas estimativas do fluxo de caixa e que, ainda, tudo acontecerá de forma prevista. Ou seja, é uma proposta sob condições de certeza, onde todos os elementos que participam do projeto são quantificáveis. Existem, entretanto, situações que são de difícil quantificação; por exemplo: qual será a disponibilidade dos futuros recursos energéticos? Qual será o comportamento futuro dos sindicatos, da legislação trabalhista, da legislação tributária etc? Como a evolução tecnológica poderá afetar os negócios atuais? De preferência, deve-se tentar quantificar esses fatores intangíveis ou avaliar o grau de risco ou incerteza de cada fator, verificando os impactos desses fatores no fluxo de caixa do projeto. Caso não seja possível quantificar os fatores intangíveis, pode-se incluir essas dúvidas de uma maneira não quantitativa no projeto; por exemplo, listando todos os fatores intangíveis, com comentários adequados sobre as razões da inclusão e possíveis consequências. 5 INVESTIMENTO A implantação de um projeto de investimento com a intenção de aumento do lucro de uma organização demandará um capital inicial para compra de equipamentos ou outros ativos, incluindo despesas de frete, seguro e instalação. Em alguns casos será necessário incluir outras despesas, por exemplo: as despesas de treinamento do pessoal de operação e manutenção etc. Portanto, o investimento relevante estará formado pela soma de todos os pagamentos que serão realizados para deixar o equipamento em condições corretas de começar a produzir. (-) Valor dos novos ativos, incluindo: frete, seguro, etc... (-) Instalação (materiais, mão de obra etc...) (-) Despesas de treinamento etc... (+) Venda dos equipamentos substituídos. (-/+) Tributação da venda dos equipamentos substituídos. (=) Investimento relevante na data (0). Se investimento se refere à substituição de um equipamento, o valor recebido pela venda do equipamento substituído ajudará na formação do capital necessário para o investimento inicial. Em alguns casos, será necessário incluir as despesas para deixar o equipamento substituído em condições de venda (desmontagens, consertos etc.). Também deve-se ter presente que todo equipamento substituído tem um valor contábil e um valor de mercado, seja para continuar realizando o mesmo serviço ou simples sucata. Do ponto de vista de tributação, a diferença monetária entre o valor líquido da venda e o valor contábil de um equipamento define o ganho de capital. Se o ganho de capital for 128 UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS positivo, então essa venda será tributada, diminuindo o valor ganho pela venda; caso contrário, se o ganho de capital for negativo, e empresa poderá lançar esse prejuízo como despesa. Exemplo 1: Um projeto de investimento exige que sejam realizados investimentos em diversos equipamentos no valor total igual a $ 1.500.000,00. Para a instalação desses ativos será necessário desembolsar em materiais e mão de obra os valores de $ 250.000,00 e $ 100.000,00, respectivamente. Por se tratar de uma instalação que inclui tecnologia de ponta, o pessoal de operação e manutenção deverá receber treinamento especial no valor total de $ 85.000,00. Considerando que todas essas atividades acontecem na data “0” do fluxo de caixa, pede-se obter o valor do investimento relevante na data “0”. SOLUÇÃO Com os dados do problema, vamos obter o valor do investimento relevante de $ 1.935.000,00. (-) Valor novos ativos (-) Instalação – materiais (-) Instalação – mão de obra (-) despesas de treinamento $ 1.500.000,00 $ 250.000,00 $ 100.000,00 $ 85.000,00 (-) Investimento relevante na data ‘0’ $ 1.935.000,00 Exemplo 2: Continuando com o Exemplo 1, pede-se obter o valordo investimento relevante na data “0”, considerando que com a venda de um grupo de equipamentos será recebido o valor de $ 150.000,00. O valor contábil desses ativos é igual a $ 125.000,00, e a alíquota do Imposto de Renda é 35%. SOLUÇÃO Com os dados do problema, o quadro a seguir demonstra um investimento relevante no valor de $ 1.793.750,00. Pode-se ver que com o resultado da venda será necessário pagar imposto sobre o ganho de capital igual, observe o cálculo a seguir: Venda do equipamento = $ 150.000,00 Valor contábil = ($ 125.000,00) Ganho de capital = $ 25.000,00 Imposto de Renda (35%) = $ 8.750,00 TÓPICO 3 | CONSTRUÇÃO DO FLUXO DE CAIXA 129 (-) Valor novos ativos (-) Instalação (-) Despesas de treinamento $ 1.500.000,00 $ 350.000,00 $ 85.000,00 (-) Valor total dos novos ativos $ 1.935.000,00 (+)Valor líquido da venda (-) Tributação da venda $ 150.000,00 $ 8.750,00 (-) Investimento relevante na data “0” $ 1.793.750,00 6 SITUAÇÕES ESPECIAIS QUE PODEM AFETAR O FLUXO DE CAIXA PROJETO A seguir apresentaremos algumas situações que podem gerar dúvidas quanto à sua classificação como fluxo de caixa relevante: - Uma empresa contratou um especialista para realizar o projeto de viabilidade do lançamento de um novo produto. Finalizado o projeto, o especialista cobrou $ 50.000,00 de honorários. Apesar do projeto demonstrar forte viabilidade, a empresa considerou que deveria aguardar mais um ano para lançar o novo produto. Passado um ano, a empresa decidiu lançar esse produto e, na preparação dos fluxos de caixa relevante, lançou os honorários do consultor no valor de $ 50.000,00. Certo ou errado? ERRADO! Os honorários do consultor não são relevantes para o projeto, pois não afetam o fluxo de caixa futuro da empresa. Como extensão devemos entender que, se a empresa tivesse decidido defender o novo produto logo após a finalização do projeto, os honorários do consultor também seriam um custo irrecuperável e, portanto, não deveriam ser incluídos no fluxo de caixa relevante do investimento. - Outro exemplo: imagine que num passado recente o dono da empresa comprou um terreno no valor de $ 500.000,00, pois, na ocasião, considerou que seria um bom negócio. Hoje, esse terreno pode ser vendido pelo valor de $ 680.000,00. A venda do terreno não entusiasma muito o dono da empresa; entretanto, ele imagina que nesse terreno poderia ser construído um anexo de sua fábrica, para a fabricação de peças para a indústria automobilística. Pela avaliação feita pelo gerente de projetos, o projeto deverá ser aceito. Entretanto, o dono da empresa devolveu o projeto sob críticas, levando em consideração que fora incluído como investimento no fluxo de caixa o valor de $ 500.000,00, alegando que esse dispêndio tinha acontecido no passado. Certo ou errado? Errado duas vezes! Primeiro: embora não exista um desembolso na data “0”, o valor do terreno afetará o fluxo de caixa futuro da empresa e, portanto, deverá ser tratado como se fosse um desembolso na data “0”. Segundo: pelo fato de ser possível vender o terreno, devemos considerar o terreno no valor de $ 680.000,00 como parte do investimento na data “0”, pois é um custo de oportunidade. O valor da compra do terreno igual a $ 500.000,00 deve ser considerado um custo irrecuperável. 130 UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS Como regra, podemos dizer que os recursos disponíveis na empresa nunca são gratuitos, eles sempre têm um custo de oportunidade; portanto, se um ativo disponível na empresa for alocado num projeto, e esse ativo poderia ser vendido por um certo valor, então esse valor deve ser incluído no fluxo de caixa relevante do projeto. Para reforçar o conceito de custo de oportunidade, imagine que o terreno estivesse sendo alugado por $ 50.000,00 ao ano. Ao implantar o novo projeto haveria uma redução de receitas no valor de $ 50.000,00, portanto esse valor deverá ser subtraído das receitas do projeto. 7 VALOR RESIDUAL CONTÁBIL OU DE MERCADO Durante a duração do projeto, ou de sua vida útil, todo equipamento ou instalação tem um determinado valor monetário. Esse valor monetário pode ser seu valor contábil ou seu valor de mercado para continuar realizando o mesmo serviço, ou de simples sucata. Portanto, na data terminal do projeto, o valor residual de toda a instalação, ou de apenas um equipamento, terá sempre um valor contábil e um valor de mercado diferente de “0”. Nem sempre o valor recebido pela venda é o valor líquido recebido pela empresa. Em alguns casos, será preciso incluir as despesas necessárias para deixar o equipamento substituído em condições de venda (desmontagem, consertos etc...), diminuindo, portanto, o valor realmente conseguido pela venda. Temos também o impacto tributário da venda de um ativo da empresa. Definindo como ganho de capital a diferença monetária entre o valor de mercado e o valor contábil de um equipamento, pode-se entender que o ganho de capital pode ser positivo ou negativo. - Se o ganho de capital for positivo, a empresa deverá pagar imposto sobre esse ganho, portanto o valor recebido pela venda será menor. - Se o ganho de capital for negativo, a empresa poderá lançar esse prejuízo como despesa. Se a empresa tiver imposto a pagar, poderá diminuir desse imposto a pagar o valor do imposto devido ao prejuízo pela venda do ativo. Dessa maneira, esse benefício tributário deverá ser acrescido ao projeto como valor residual relevante. O valor residual relevante de um ativo na data terminal do projeto será igual ao preço de venda desse ativo menos todos os custos decorrentes da venda, e o imposto decorrente dessa transação pode ser positivo ou negativo, conforme o modelo a seguir: TÓPICO 3 | CONSTRUÇÃO DO FLUXO DE CAIXA 131 VALOR CONTÁBIL DOS ATIVOS (+) Venda dos equipamentos (-) Despesas da venda (=) Ganho de capital (-) Tributação da venda (=) Valor residual na data terminal Exemplo 3: O valor do total do investimento em equipamentos foi igual a $ 900.000,00. Se na data terminal do projeto toda a instalação é vendida pelo valor de $ 155.000,00, pede-se obter o valor residual do investimento, considerando que o valor contábil desses ativos é igual a $ 100.000,00, a alíquota do IR de 35% e as despesas para entregar os ativos vendidos são iguais a $ 5.000,00. SOLUÇÃO Comparando com o exemplo 2, neste caso somente teremos receitas, salvo a tributação. O quadro a seguir mostra um valor residual de $ 137.500,00. Valor Contábil dos Ativos $ 100.000,00 (+) Venda dos equipamentos (-) Despesas da venda (=) Ganho de capital Alíquota de IR (-) tributação $ 155.000,00 $ 5.000,00 $ 50.000,00 35% $ 17.500,00 (+) Valor residual na data terminal $ 132.500,00 Exemplo 4: Repetir o exemplo 3, considerando que toda a instalação foi vendida pelo valor igual a $ 85.000,00; pede-se obter o valor residual do investimento, considerando que os restantes dados permanecem inalterados. SOLUÇÃO Comparando com o exemplo 3, neste caso o ganho de capital será negativo, igual a $ 20.000,00, e a tributação originará um crédito do IR no valor de $ 7.000,00. O quadro a seguir apresenta um valor residual de $ 87.500,00. Valor contábil dos ativos $ 100.000,00 (+) Venda dos equipamentos (-) Despesas de vendas (=) Ganho de capital Alíquota IR (+) Tributação da venda $ 85.000,00 $ 5.000,00 ($20.000,00) 35% $ 7.000,00 (+) Valor residual na data terminal $ 87.000,00 132 UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS LEITURA COMPLEMENTAR O FLUXO DE CAIXA E AS RELAÇÕES COM AS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Lucro e o Fluxo de Caixa Os rendimentos de uma empresa reportados nas suas demonstrações de resultados podem indicar uma condição saudável de toda a posição financeira. Em consonância a esse fato, as análises dos coeficientes também podem indicar uma condição igual, mesmo assim, essa empresa poderá estar perto de uma falência. E um profissional de finanças menos experiente pode até perguntar como ocorre essa situação de total incompatibilidade. A resposta é simples e objetiva:somente a leitura do fluxo de caixa poderá identificar realmente o porquê de a empresa estar neste aspecto. Vitalidades ou fraquezas financeiras não são identificáveis pela análise de coeficientes de uma demonstração de resultados ou de um balanço patrimonial. Para analisar uma situação financeira de uma empresa e medir sua solvência, temos de separar os conceitos de receitas e despesas dos conceitos de recebimentos e pagamentos em caixa, pois isso permitirá ir ao âmago dos fluxos. Apesar de o caixa e o rendimento estarem intimamente ligados, eles não são, em hipótese alguma, a mesma coisa, haja vista que o rendimento tem a ver com o excedente aos custos incorridos, e muitos eventos poderão ocorrer durante a transferência dos rendimentos em caixa. Um desses eventos poderá ser o aumento do papel, do capital em lucros não distribuídos de uma subsidiária à sua matriz. Sob a ótica do método indireto da demonstração de fluxo de caixa, esse aumento seria adicionado à receita líquida da matriz, como caixa de atividade operacional; quando, na realidade, o fluxo da matriz inclui somente os dividendos pagos em caixa para a matriz pela subsidiária. No mundo econômico, o denominador final e comum a todas as operações é o dinheiro; e a longo prazo, o conceito volta exatamente a uma diferença de riqueza medida em dinheiro. No caso extremo, qual o lucro de uma empresa a longo prazo? É a diferença entre o valor de sua liquidação e os investimentos feitos pelos sócios. Assim, o conceito tradicional de lucro está vinculado, em sua última consequência, ao fluxo financeiro de ponta a ponta entre a empresa e seu proprietário. No caso de inflação, é necessário colocar todos os componentes do fluxo em uma única moeda, corrigindo-se cada investimento feito pelos proprietários e cada lucro distribuído a eles ao longo do tempo. A necessidade de se conhecer continuamente o andamento da vida da entidade exige a elaboração das demonstrações contábeis periódicas. Para isso, o regime de competência produz TÓPICO 3 | CONSTRUÇÃO DO FLUXO DE CAIXA 133 realocações do fluxo financeiro de forma a ter as confrontações necessárias a uma boa análise da evolução da efetiva rentabilidade e da correta posição financeira de qualquer entidade. O prof. Martins, ainda em seu artigo, conclui: “A demonstração de resultado possui receitas que foram ou serão recebidas na forma de dinheiro, e despesas que foram ou serão pagas da mesma forma. Assim, o lucro obrigatoriamente transita pelo caixa da empresa (...) (...), por exemplo, a aquisição de mercadorias a prazo produz o registro do ativo antes do seu desembolso e pode acontecer de esses bens serem baixados antes mesmo do seu respectivo pagamento. Assim, há, sempre, uma diferença no tempo entre o momento em que se registra o lucro com a transação e o efetivo aparecimento, no caixa, do respectivo montante. Ainda mais que as vendas podem também ter essa diferença temporal. Mas, inexoravelmente, o lucro bruto transita pelo caixa. E a diferença em termos de tempo, normalmente, é pequena”. Conforme a Norma Internacional de Contabilidade – 7, os fluxos de caixa referentes a juros e dividendos recebidos e pagos devem ser divulgados separadamente. Cada um deles deve ser classificado de uma maneira uniforme de período a período como decorrentes de atividades operacionais, de investimento ou financeiras. Análise do capital de giro Para começar nossa análise de caixa e identificarmos o fluxo de caixa, mais precisamente em uma empresa, devemos visualizar as mudanças do balanço patrimonial, e, mais intimamente, nas contas do ativo e passivo circulante para verificação dos efeitos. Esse componente da análise do fluxo de caixa mede mudança em cada conta dos circulantes, e poderemos conferir a realização de ativos, entre esses: as contas de bancos, contas a receber e estoques; o aumento de capital próprio pode ser usado para aumentar a conta de estoques. A análise do capital de giro identifica a inclusão de recursos de giro adicionais de empréstimos a curto prazo, de lucros líquidos ou de novos investimentos de capital. As mudanças no capital de giro ocorrem pelo movimento das estruturas do balanço patrimonial da empresa. O ciclo de caixa do negócio influencia em grande parte as contas de giro e caixa em bancos. Todos os negociantes começam seu fluxo de caixa pelos ciclos operacionais de um determinado ponto. Enquanto o fluxo de caixa progride, os serviços, os produtos da empresa são vendidos, geralmente, a crédito. E essas vendas aumentam o ativo circulante, mas só será por algum tempo e, com sorte, é que realmente aumentará seu fluxo; efetivamente cobradas então, essas vendas a crédito aumentarão a conta do caixa, que é chamada de contas a receber. 134 UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS Finalmente, outro ciclo é iniciado – a cobrança do contas a receber –, às quais retornam documentos de débito em caixa. Enquanto isso, esse ciclo não líquido continua, a empresa requer saldo para pagamento pronto de suas contas. Essa parte do ciclo do fluxo de caixa são os salários, os impostos, os benefícios e outros. Dessa forma, o que podemos chamar de características da saída são muito mais curtas em relação às entradas. Ao analisar demonstração de fluxo de caixa no capital de giro, o analista deverá pesquisar os sinais de vitalidade do fluxo, tanto quanto os sinalizadores de sua fragilidade. A análise de coeficiente poderá ser muito útil para determinar esses sinais, a saber: • Saldos de caixa que têm aumentado em taxas mais rápidas que o crescimento das receitas de vendas, contas a receber, estoques ou contas a pagar do último balanço patrimonial corrente. • Saldos de contas a receber e estoques que não têm crescido tanto quanto as taxas de crescimento das vendas. • Gastos com capital em ativos permanentes e outros ativos, que estão fundeados por débitos a longo prazo ou capital próprio. • Pagamento de dividendos em caixa de lucros (lucros retidos) e não de empréstimos ou vendas ativas. • Empréstimos reduzidos a pagamentos de débitos pelo fluxo de caixa internamente gerado. Se esses são bons sinais de que as contas operacionais estão em ordem, e as contrapartidas conseguem se manter em nível satisfatório, também temos o inverso: os alertas aos quais devemos estar atentos para uma variação possivelmente perigosa, que são: • Empréstimos excessivos com linhas de crédito bancárias para financiar estoques e contas a receber com atraso. • Agudos decréscimos nas contas de caixa enquanto vendas estão crescendo rapidamente, e as contas a pagar continuam em tendência crescente. • Decréscimos líquidos no capital de giro de uma empresa, que está crescendo rapidamente, com aumentos consideráveis no investimento de ativo permanente. • Venda de ativos ou empréstimos para efetuar pagamentos de dividendos. • Usar o fluxo de caixa da economia de impostos e de depreciação para financiar dividendos mais que a reposição de equipamento de capital. • Refinanciamento contínuo de débitos de longo prazo durante períodos de perda. Análise de origem e aplicação de recursos Com as mudanças do capital de giro analisadas, torna-se necessário verificar o saldo das contas patrimoniais da empresa e a estrutura permanente, que consiste em seus ativos permanentes e suas obrigações a longo prazo, sem esquecer as contas de capitais dos sócios. TÓPICO 3 | CONSTRUÇÃO DO FLUXO DE CAIXA 135 A análise do fluxo de caixa pode ser feita por meio das técnicas de origens e aplicações de recursos para medir as mudanças em cada ativo da estrutura permanente. Este tipo de análise identifica o movimento de fonte, pelo balanço patrimonial. Essa ferramenta financeira põe à tona o fluxo de caixa das contas acrescidas de depreciação. Ele mostra como é feito o financiamento de ativo permanente ou empréstimo a longo prazo. O analista financeiro pode determinar se os pagamentos de dividendos são custeados pelos lucros. Também identificará se a empresaestá aumentando seu capital de giro disponível pelas mudanças de recursos obtidos da porção permanente de seu balanço patrimonial. Altos níveis, nesse caso, melhoram os fundos operacionais, mas aumentam a intensidade com que o capital de giro é alcançado pela redução dos recursos de longo prazo. Fluxo de caixa suficiente não é somente para as necessidades de contas a receber ou a pagar, mas também para serviços de dívidas a longo prazo. O fluxo de caixa é para aquisição de equipamentos ou para modernização de instalações obsoletas, que precisam ser financiadas, enquanto marcas e patentes ou pesquisas devem ser pagas pelo fluxo de caixa da própria empresa. A análise das fontes e uso identifica os montantes e as direções das mudanças e tipos dos recursos que, anteriormente, foram citados em um balanço patrimonial em sua parte permanente. Ao preparar a demonstração de fontes e usos, devemos dar respostas aos seguintes indicadores de fluxo de caixa na condição financeira a longo prazo da empresa. Os profissionais de Ciências Contábeis, no intuito de melhorar a definição e mensuração do fluxo de caixa, que é a própria demonstração, estão utilizando as formas mais claras e objetivas para evidenciar quanto o caixa aumentou ou diminuiu do período reportado para o outro. • A empresa está gerando caixa basicamente das atividades operacionais? • A empresa tem fluxo de caixa operacional negativo e está resolvendo a situação com fluxos de caixa de financiamento (empréstimos, etc.)? • O fluxo de caixa mostra a atividade de investimento financiada por fluxo de caixa operacional, ou são atividades de financiamento, ou são usadas para fundear os investimentos? • Que tipos de fontes são utilizados para pagar dividendos? Lucros operacionais? Depreciação? Empréstimos? Vendas de ativos? Mudanças do fluxo de caixa devem ser demonstradas como fontes e usos em três áreas: • atividades operacionais; • atividades de investimentos; • atividades de financiamentos. Apresentaremos, a seguir, as definições do Iasc, traduzidas pelo Ibracon pelo NIC – 7 (Normas Internacionais de Contabilidade n. 7), dessas atividades. 136 UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS Atividades operacionais O montante dos fluxos de caixa decorrente das atividades operacionais é o indicador-chave da extensão em que as operações da empresa têm gerado suficientes fluxos de caixa para amortizar empréstimos, manter a capacidade operacional da empresa, pagar dividendos e fazer novos investimentos sem recorrer a fontes externas de financiamento. As informações sobre os componentes específicos dos fluxos de caixa operacionais históricos são úteis, com outras informações, na projeção de futuros fluxos de caixa operacionais. Os fluxos de caixa decorrentes das atividades operacionais são basicamente derivados das principais atividades geradoras de receita da empresa. Portanto, eles podem resultar das transações e outros eventos que entram na apuração do lucro líquido ou prejuízo. Exemplos de fluxos de caixa que decorrem das atividades operacionais: 1. recebimentos em dinheiro pela venda de mercadorias e a prestação de serviços; 2. recebimentos em dinheiro decorrentes de royalties, honorários, comissões e outras receitas; 3. pagamentos em dinheiro a fornecedores por mercadorias e serviços; 4. pagamentos em dinheiro a empregados ou por conta de empregados; 5. recebimentos e pagamentos em dinheiro de uma seguradora por prêmios e sinistros, anuidades e outros benefícios da apólice; 6. pagamentos em dinheiro ou restituição de impostos, a menos que possam ser especificamente identificados com as atividades financeiras ou de investimento; 7. recebimentos e pagamentos em dinheiro com referência a contratos de intermediação (dealing) ou para transações próprias de venda (trading). Algumas transações, como a venda de um ativo da fábrica, podem resultar em lucro ou prejuízo, que é incluído na determinação do lucro líquido ou prejuízo. Entretanto, os fluxos de caixa relativos a tais transações são fluxos de caixa provenientes de atividades de investimento. Uma empresa pode ter títulos de renda e empréstimos para fins de intermediação ou negociação própria, em cujo caso eles são semelhantes a estoques adquiridos especificamente para revenda. Portanto, os fluxos de caixa decorrentes da compra e venda de valores como intermediação ou transação própria são classificados como atividades operacionais. Da mesma forma, os adiantamentos de caixa e empréstimos feitos por instituições financeiras são usualmente classificados como atividades operacionais, uma vez que se referem à principal atividade geradora de receita daquela empresa. Atividades de investimentos A divulgação em separado dos fluxos de caixa decorrentes das atividades de investimento é importante, porque tais fluxos de caixa representam a extensão em que dispêndios foram feitos com recursos destinados a gerar futura receita e fluxos de caixa. Exemplos de fluxos de caixa decorrentes de atividades de investimento: TÓPICO 3 | CONSTRUÇÃO DO FLUXO DE CAIXA 137 1. desembolsos para aquisição de ativo imobilizado, intangíveis e outros ativos a longo prazo. Esses desembolsos incluem os referentes a custos de desenvolvimento capitalizados e ativos imobilizados de construção própria; 2. recebimentos resultantes da venda de ativo imobilizado, intangíveis e outros ativos a longo prazo; 3. desembolsos para aquisição de ações ou instrumentos de dívida de outras empresas e interesses em joint ventures (exceto desembolsos referentes a títulos considerados como equivalentes a caixa ou mantidos para intermediação ou transação própria); 4. recebimentos provenientes da venda de ações ou instrumentos de dívida de outras empresas e interesses em joint ventures (exceto recebimentos referentes a títulos considerados como equivalentes a caixa e os mantidos para intermediação ou transação própria); 5. adiantamentos de caixa e empréstimos feitos a terceiros (exceto adiantamentos e empréstimos feitos por uma instituição financeira); 6. recebimentos por liquidação de adiantamentos ou amortização de empréstimos feitos a terceiros (exceto adiantamentos e empréstimos de uma instituição financeira); 7. desembolsos por contratos de futuros, contratos a termo, contratos de opção e swaps, exceto quando os contratos destinam-se a intermediação, ou transação própria, ou os pagamentos são classificados como atividades financeiras; 8. recebimentos por contratos de futuros, contratos a termo, contratos de opção e swaps, exceto quando os contratos são mantidos para intermediação ou transação própria, ou os recebimentos são classificados como atividades financeiras. Quando um contrato é contabilizado como proteção (hedge) de uma posição identificável, os fluxos de caixa do contrato são classificados do mesmo modo como os fluxos de caixa da posição que é protegida. Atividades financeiras A divulgação separada dos fluxos de caixa decorrentes das atividades financeiras é importante, porque é útil para predizer as exigências impostas a futuros fluxos de caixa pelos fornecedores de capital à empresa. Exemplos de fluxos de caixa derivados de atividades financeiras: 1. numerário recebido proveniente da emissão de ações ou outros instrumentos de capital: 2. pagamentos a investidores para adquirir ou resgatar ações da empresa; 3. numerário recebido proveniente da emissão de debêntures, empréstimos, títulos e valores, hipotecas e outras modalidades de captação de empréstimos a curto e longo prazo; 4. amortização de empréstimos a pagar; 5. pagamentos por um arrendatário (lessee) pela redução do passivo pendente relativo a um arrendamento (lease) financeiro. Uma empresa poderá usar o formato direto e indireto via demonstração de fluxo de caixa. 138 UNIDADE 2 | ANÁLISE DE INVESTIMENTOS O formato direto está embasado no regime de caixa, ou seja, tanto para os recebimentos quanto para os pagamentos. No formato indireto, é realizada uma reconciliação dorendimento líquido para o caixa líquido, e as mudanças, aumento ou diminuição são medidos nas contas de capital de giro como contas a receber, estoques etc., que serão ajustados para rendimentos líquidos e mensuração de caixa. Para que essa demonstração seja eficazmente utilizada, precisamos ter alguns cuidados no momento de sua análise. - A empresa está ganhando seu fluxo de caixa basicamente das atividades operacionais? - Ou a empresa está com o fluxo de caixa negativo e está resolvendo essa situação com fluxos de caixa de financiamento (empréstimos etc.), além de se tornar um maior risco de crédito? - O fluxo de caixa mostra atividades de investimento financiadas por operações de fluxo de caixa, ou são atividades de financiamento que são utilizadas para fundear os investimentos? - Que tipos de fontes são usados para pagar dividendos em caixa? Lucros operacionais? Depreciação? Empréstimos? Vendas de ativos? Saber que se cumprem os seguintes objetivos: • As necessidades de caixa do capital de giro da empresa. • Ser capaz de servir, com caixa, às suas obrigações para impostos, contas a pagar, leasing, principal e juros de débitos e outras obrigações. • Pagar novos investimentos de capital fixo e substituição de equipamentos. • Cumprir suas necessidades de caixa para amortizar suas ações próprias, quando necessário pelo prazo dessas ações e condições. • Então gerar fundos para pagar dividendos em caixa para proprietários. Ao cumprirmos tais objetivos, teremos condições de responder às seguintes questões: • Que quantia de caixa foi gerada e usada pelas operações? • Qual foi a fonte de caixa investida em novos ativos permanentes? • Como foi levantado o caixa? • Por que, a despeito de uma entrada líquida saudável, o saldo de caixa foi menor que o do último período? • Como a empresa pôde pagar dividendos? Os fluxos de caixa são provenientes de atividades operacionais do dia a dia, pois elas incluem atividades que não estão nas categorias de investimento e financeira. É importante a participação da gestão financeira na questão estratégica da empresa, pois não deve apenas se limitar às situações de aplicação financeira, mas também deve influir na adequação de prazos e níveis de estoques, que, outrora, ficaram atrelados à gestão mercadológica. TÓPICO 3 | CONSTRUÇÃO DO FLUXO DE CAIXA 139 Conclusão Sabe-se que todas as contas patrimoniais e de resultados necessariamente transitam pelo caixa, de forma direta, pelos pagamentos e recebimentos, como de forma indireta, tendo-se como exemplo a depreciação que, no transcorrer da vida útil do bem, é reconhecida no resultado, partindo-se do pressuposto de que não representam desembolso. Porém, quando compramos um bem, temos um desembolso de caixa à vista ou a prazo, que reconheceremos ao longo do tempo pela depreciação. Outro aspecto importante a ser considerado é o efeito da correção monetária do balanço, extinta desde janeiro de 1996. O fato de não reconhecermos os efeitos dessa inflação nas demonstrações financeiras poderá afetar o equilíbrio financeiro da empresa, uma vez que estaremos computando uma inflação como ganho real. No caso das aplicações financeiras e pagando-se impostos sobre esses “ganhos”, geraria uma visão distorcida da real rentabilidade da empresa. Citamos dois exemplos de fatos contábeis, em que, aparentemente, não havia envolvimento do caixa, mostrando que podem afetar até mesmo as decisões a serem tomadas. Porém, essas decisões somente poderão acontecer se baseadas em informações e fatos indiscutíveis. O fluxo de caixa poderá proporcionar visão, porém devemos ter em mente o melhor modelo a ser utilizado, não deixando de considerar que as demais demonstrações não perdem seu valor, como propõe o anteprojeto da Lei das SAs, que substitui a Doar pelo fluxo de caixa. Como ponto final e definitivo, deve-se optar pelos dois modelos propostos, Fasb ou Iasc. Não se pretende dizer, neste trabalho, qual modelo é o melhor, ambos têm pontos fortes e fracos. Porém, se a necessidade da empresa é captar no mercado americano, não há opção – o modelo a ser usado é o Fasb. Devemos, no entanto, como profissionais e estudiosos, buscar o modelo que melhor reflita a boa técnica contábil e represente com fidedignidade aquela praticada em nosso país. FONTE: Disponível em: <http://www.metodista.br/ppc/revista-ecco/revista-ecco-01/apresentacao /fluxo-de-caixa/>. Acesso em: 18 jun. 2012. 140 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu sobre a construção do fluxo de caixa: • Conheceu as variáveis que poderão influenciar no fluxo de caixa de um projeto de investimento. Assim com a interferência do valor residual para o sucesso ou não de um projeto de investimento. • Agora que você já sabe como é construído o fluxo de caixa, ponha em teste seu conhecimento, vamos para as autoatividades. 141 1 A empresa detectou uma boa oportunidade de investir $ 3.500.000 em novos equipamentos e instalações para lançar uma nova linha de produtos com o objetivo de aumentar sua participação no mercado de refrigerantes. O pessoal da empresa responsável pela elaboração de projetos preparou o fluxo de capitais das vendas e custos anuais apresentados na tabela seguinte, onde todos os dados reais foram divididos por 1.000. Se a duração do projeto é de seis anos, o valor residual é nulo, a depreciação é linear durante os anos do projeto e a alíquota do Imposto de Renda igual a 35%. Se o custo de capital da empresa é 12% ao ano, pede-se verificar se este projeto deve ser aceito. AUTOATIVIDADE Ano V. Líquidas Materiais MOD Energia Outros Total de custos 1 $2.550 $ 950 $ 350 $ 110 $ 50 $ 1.460 2 $2.650 $1.000 $ 365 $ 120 $ 65 $ 1.550 3 $2.800 $1.100 $ 385 $ 130 $ 75 $ 1.690 4 $2.850 $1.150 $ 400 $ 135 $ 80 $ 1.765 5 $3.000 $1.300 $ 450 $ 145 $ 95 $ 1.990 6 $3.000 $1.300 $460 $150 $100 $2.010 Solucione com os dados da tabela acima construindo o fluxo de caixa. 2 Continuando o exercício anterior, vamos considerar que no final do sexto ano, toda a instalação é vendida e a empresa recebe o valor líquido de $ 550.000. Sendo que os demais dados se manterão inalterados. 3 Continuando o exercício, vamos incluir o capital de giro, no valor de $ 650.000,00, a ser recuperado no sexto ano, sem incidência de tributação, também sem valor residual. 4 Agora vamos fazer uma outra simulação de viabilidade do investimento, considerando um valor contábil igual a zero, com equipamentos totalmente depreciados, porém, no sexto ano haverá a venda por $ 550.000,00. Manisfeste sua opinião em relação à aceitação ou rejeição do investimento. 5 As receitas e os custos de um projeto de investimentos estão apresentadas na tabela seguinte. O valor do investimento em novos equipamentos é igual a $ 1.000.000,00. Considerando que a duração do projeto é de cinco anos, a depreciação é total e linear durante os cinco anos do projeto, o valor residual é nulo e a alíquota de Imposto de Renda igual a 35%, pede-se verificar se o projeto deve ser aceito aplicando, após os impostos, um custo de capital igual a 10% ao ano. 142 1 2 3 4 5 + RECEITAS $1.200.000 $1.450.000 $1.600.000 $1.890.000 $1.950.000 - CUSTOS $750.000 $850.000 $950.000 $1.150.000 $1.320.000 6 Os analistas de investimentos de uma empresa multinacional, tradicionalmente operando no ramo de aditivos para óleos lubrificantes, obtiveram os valores das receitas e custos do projeto de investimento para a produção de um novo aditivo, conforme indicado na tabela a seguir. O valor do investimento necessário em novos equipamentos e instalações é de $ 5.000.000,00. Considerando que a vida útil do projeto é de cinco anos, o valor residual é nulo, a depreciação é total e linear durante os cinco anos do projeto e a alíquota de IR é 35%, pede-se verificar se este projeto deve ser aceito, considerando uma TMA de 12% ao ano. 1 2 3 4 5 + RECEITAS $7.000.000 $7.500.000 $8.000.000 $8.200.00 $8.400.000 - CUSTOS $5.200.000 $5.400.000 $5.800.000 $6.100.000 $6.350.0007 Continuando o projeto fluxo anterior. Quando o diretor de Novos Investimentos recebeu a proposta do projeto, criticou, pois considerou injusta a falta de capital de giro. O analista argumentou não ser necessário incluir capital de giro, devido às características do novo investimento quando comparado com as linhas de aditivos existentes. Entretanto, verificaria a real necessidade do investimento para o capital de giro. Após estudos, o analista chegou à conclusão de que seria necessário investir $ 1.500.000,00 em capital de giro. Mantendo inalterados os demais dados, pede-se: - Verificar se o projeto continua sendo aceito - Comparar os dois VPL’s. 1 2 3 4 5 + RECEITAS $7.000.000 $7.500.000 $8.000.000 $8.200.00 $8.400.000 - CUSTOS $5.200.000 $5.400.000 $5.800.000 $6.100.000 $6.350.000 8 Continuando a discussão sobre o fluxo de caixa do projeto. Quando o diretor de Novos Investimentos observou a previsão de capital de giro, pediu para incluir no fluxo de caixa incremental a expectativa de um valor residual de 15% do investimento. Mantendo os demais dados inalterados, pede-se: - Verificar a nova proposta de VPL - Comparar e analisar a diferença entre os valores dos VPL’s. 1 2 3 4 5 + RECEITAS $7.000.000 $7.500.000 $8.000.000 $8.200.00 $8.400.000 - CUSTOS $5.200.000 $5.400.000 $5.800.000 $6.100.000 $6.350.000 143 9 Determinada companhia contratou uma consultoria para analisar a viabilidade de um projeto de investimento, cujo valor inicial será de $ 20.000.000,00, somente em máquinas e equipamentos. Para a instalação desses ativos será necessário desembolsar em materiais e mão de obra os valores de $ 600.000,00 e $ 200.000,00, respectivamente. Por se tratar de tecnologia importada, haverá um treinamento de pessoal no valor total de $ 200.000,00. Considerar que todas essas atividades acontecem na data “0” do fluxo de caixa, lembrando também que a consultoria cobrou $ 150.000,00 de honorários e após o estudo a equipe consultora demonstrou um fluxo de receitas e custos conforme a seguir: Dados adicionais: IR 35%; TMA 9% a.a.; depreciação linear durante cinco anos; considerar valores divididos por 1.000. (-) Valor novos ativos (-) Instalação – materiais (-) Instalação – mão de obra (-) despesas de treinamento (-) Investimento relevante na data ‘0’ 1 2 3 4 5 + RECEITAS $10.000 $12.000 $13.000 $14.000 $16.000 - CUSTOS $5.000 $6.000 $6.500 $6.000 $7.000 10 Seguindo a análise do projeto anterior. Ao tomar conhecimento do resultado, a diretoria considerou um retorno muito baixo, levando-se em consideração os valores do investimento. Entretanto, solicitou um novo teste, alimentando uma expectativa de venda no valor de $ 5.000.000,00 no final do quinto ano, por considerar que tais equipamentos são tecnologia de ponta. Demais dados continuam inalterados. 11 Com a substituição de uma máquina importante no processo produtivo da empresa será obtida uma redução de custos, conforme fluxo a seguir. O valor da nova máquina, incluídas todas as despesas de instalação, é igual a $ 325.000,00 e será depreciada de forma linear e total no prazo de cinco anos, sendo que valores residuais do novo equipamento e do equipamento substituído são iguais a zero. Se o custo de capital da empresa é 10% a.a. e a alíquota de IR é 35%, pede-se verificar se a substituição deve ser aceita. 1 2 3 4 5 Redução de custos $ 85.000 $ 95.000 $ 100.000 $ 105.000 $ 105.000 144 12 Continuando com o problema 11, como o VPL é baixo, próximo a zero, o analista considera prudente repetir a análise incluindo a venda do equipamento novo. Pede-se verificar se a substituição deve ser aceita, considerando que a empresa receberá o valor de $ 80.000,00 pela venda da máquina totalmente depreciada, considerando que a alíquota do Imposto de Renda é de 35%. 13 O gerente de produção da empresa MEGA considera que a máquina enfardadeira, embora esteja operando bem, com custos anuais de $ 25.000,00, deverá ser substituída em dois anos. Para tanto, solicitou orçamento junto ao vendedor de uma máquina nova, moderna, que custará $ 28.000,00, com custos anuais de $ 18.000,00. Considerando uma TMA de 6% a.a., uma depreciação linear de cinco anos e valor residual igual a ZERO, verifique se a substituição deverá ser recomendada. 14 Ao perceber que a operação poderia não se concretizar, o vendedor sugeriu comprar a máquina antiga por $ 3.500,00. Mantendo demais premissas inalteradas, verifique se a operação deverá ser aceita na nova proposta. 145 UNIDADE 3 FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade, você será capaz de: • conhecer as ferramentas da administração financeira para a tomada de decisão; • saber sobre as fontes de recursos de financiamento de curto prazo; • identificar as necessidades de capital de giro; • aplicar as ferramentas da administração financeira; • identificar o custo dos financiamentos de curto prazo; • saber interpretar os indicadores de liquidez para tomada de decisão; • saber diferenciar ciclo operacional, financeiro e econômico. Esta unidade está dividida em três tópicos, ao final de cada um deles, você encontrará atividades para serem desenvolvidas, que o(a) ajudarão a desen- volver seu conhecimento cooperativo. TÓPICO 1 – FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO TÓPICO 2 – ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DE CURTO PRAZO TÓPICO 3 – FONTES DE FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO 146 147 TÓPICO 1 FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO O administrador financeiro é o agente responsável em maximizar o capital do acionista, porém, para planejar suas decisões, necessita analisar tendências que vão lhe possibilitar o norteamento de suas ações, de forma a minimizar os riscos do negócio. Para isso se dispõe de algumas ferramentas como as que veremos nesta unidade. 2 ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS A análise das demonstrações contábeis é uma importante ferramenta de tomada de decisão dentro de uma organização, ou seja, através da leitura dos indicadores econômicos financeiros, o gestor financeiro poderá nortear o seu planejamento de fluxo de caixa. Também possibilita que pessoas interessadas no assunto, no caso os acionistas, investidores em potencial e os credores, possam tomar conhecimento de como está a saúde financeira da empresa em determinado período, em relação a sua capacidade de gerar recursos e pagar suas obrigações. Matarazzo (2006, p. 13) metaforiza, exemplificando: Na Medicina, por exemplo, em qualquer exame preliminar, o médico tira a temperatura, pressão, pulsação, etc. Esses são indicadores. O médico compara então cada indicador com um padrão próprio desenvolvido e aprimorado e, em seguida, ponderando conjuntamente seus indicadores, elabora suas conclusões, mental ou formalmente, transmitindo-as ou não ao paciente de alguma forma que faz parte de sua técnica de trabalho. Em seguida, toma uma decisão, como internar o paciente, encaminhá-lo a outro especialista, receitar medicamentos ou simplesmente dizer que está tudo “OK”. Na sequência de nossos estudos apresentaremos os principais demonstrativos contábeis, como ferramenta de tomada de decisão. UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 148 2.1 BALANÇO PATRIMONIAL O balanço patrimonial é um importante demonstrativo de resultado, pois nele estão inscritos todos os eventos que se realizam dentro uma organização. É do balanço patrimonial que serão extraídos os dados que demonstraram a realidade de uma empresa dentro de um exercício social. Generalizando, Groppelli e Nikbakht (2005, p. 349) dizem que: De maneira geral, entretanto, o balanço patrimonial é um demonstrativo dos ativos, passivos e do patrimônio líquido. O lado esquerdo desse demonstrativo, como para certos dados, mostra a composição dos ativos em circulantes e não circulantes. Os ativos circulantesestão na forma de caixa e de outros ativos que constituem o capital de giro da empresa. Os ativos fixos são, principalmente, investimentos de longo prazo, incluindo instalações e equipamento. O lado direito do balanço patrimonial mostra o passivo circulante, composto por contas a pagar, notas a pagar e outros passivos de curto prazo. A partir desse ponto se encontra o exigível a longo prazo, que tem duração superior a um ano. Nessa parte, podem ser incluídas as contas do valor capitalizado e do arrendamento financeiro. Após deduzir do ativo o passivo exigível, encontramos o patrimônio líquido, que representa o capital próprio da empresa. Este é composto pelo capital acionário com valor ao par, reservas de capital e de lucros ou prejuízos acumulados gerados pela empresa após a dedução dos dividendos pagos. Se a empresa fosse liquidada e todos os direitos dos credores atendidos, o que sobrasse seria distribuído entre os acionistas. Como o demonstrativo de ativos e passivos, o balanço patrimonial permite que os investidores observem a composição desses componentes e verifiquem se a alocação é sólida. Deduzindo os passivos circulantes dos ativos circulantes, encontramos indicações sobre a liquidez da empresa, e, confrontando os lucros com os ativos investidos pela empresa, podemos ter uma ideia de seu grau de eficiência para empregar seus ativos de modo a gerar lucro. TÓPICO 1 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 149 QUADRO 13 – MODELO DE BALANÇO PATRIMONIAL ATIVOS PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO Caixa $ 40.000 Títulos negociáveis $ 50.000 Contas a receber $320.000 Estoques $250.000 Total do ativo circulante $660.000 Ativo imobilizado líquido $550.000 Total do ativo $1.210.000 Contas a pagar $150.000 Notas a pagar $ 50.000 Outros passivos circulantes $ 20.000 Total do passivo circulante $220.000 Exigível a longo prazo $ 440.000 Capital acionário $ 350.000 Lucros acumulados $ 200.000 Total do passivo e do patrimônio líquido $1.210.000 FONTE: Groppelli; Nikbakht (2005) 2.2 DEMONSTRATIVO DE RESULTADO O demonstrativo de resultado visa mostrar o resultado econômico de um exercício social, comparando as receitas e as despesas, ocasionando lucro ou prejuízo. Igualmente, Groppelli, Nikbakht (2005, p. 348) dizem que: “A demonstração do resultado do exercício relaciona os fluxos de recebimentos gerados por uma empresa e os fluxos das despesas incorridas para produzir e financiar as suas operações.” QUADRO 14 – MODELO DE DEMONSTRATIVO DE RESULTADO →Receita bruta de venda (-) Deduções Impostos (PIS, COFINS, ICMS) Comissões Devoluções Abatimentos (=) Receita líquida de venda (-) Custo das mercadorias vendidas (=) Lucro bruto (-) Despesas operacionais e outras despesas (=) Lucro operacional (LAJIR) (-) Provisão para imposto de renda (=) Lucro após imposto de renda (-) Dividendos (=) Lucro líquido do exercício FONTE: O autor UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 150 2.3 DEMONSTRATIVO DE FLUXO DE CAIXA O demonstrativo de fluxo de caixa é a ferramenta financeira que compara as entradas e saídas de dinheiro de uma organização, numa linha do tempo futuro. Da Silva (2005, p. 11) diz que: “É o principal instrumento de gestão financeira que planeja, controla e analisa as receitas, as despesas e os investimentos, considerando determinado período projetado.” Já, Assaf Neto e Tibúrcio Silva (2002, p. 40) narram que: “Conceitualmente, o fluxo de caixa é um instrumento que relaciona os ingressos e saídas (desembolsos) de recursos monetários no âmbito de uma empresa em determinado intervalo de tempo.” 2.3.1 Administração do caixa A administração do fluxo de caixa é bastante complexa, embora consista somente em adicionar e subtrair valores, porém o grande dilema é fazer com que estas entradas e saídas de recursos apresentem um equilíbrio, ou seja, ajustar o ciclo financeiro. Ainda, Assaf Neto e Tibúrcio Silva (2002, p. 40) contextualizam: O fluxo de caixa é de fundamental importância para as empresas, constituindo-se numa indispensável sinalização dos rumos financeiros dos negócios. Para se manterem em operação, as empresas devem liquidar corretamente seus vários compromissos, devendo como condição básica apresentar o respectivo saldo em seu caixa nos momentos dos vencimentos. A insuficiência de caixa pode determinar cortes nos créditos, suspensão de entregas de materiais e mercadorias, e ser causa de uma séria descontinuidade em suas operações. O fluxo de caixa não deve ser preocupação exclusiva da área financeira, ou seja, todos os setores de uma organização deverão estar envolvidos para o equilíbrio do ciclo financeiro. Para que tal alinhamento aconteça é importante evidenciarmos algumas condições, como segue: • a área de produção, ao alterar o ciclo de produção, provocará mudanças nos custos dos produtos; • o setor de compras deverá informar os prazos de pagamento, para que haja uma sincronia com os prazos de recebimento; • o setor de cobrança deverá agir com eficácia e eficiência, para colocar o mais rápido possível recursos na empresa; • o setor de vendas deverá consultar o setor financeiro, para que não conceda prazos muito elásticos para clientes, prejudicando assim o fluxo de caixa; TÓPICO 1 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 151 • o setor financeiro deverá estar alerta ao seu fluxo de caixa projetado, verificando constantemente se a empresa está gerando caixa suficiente, proporcional ao desencaixe. Generalizando, o fluxo de caixa é a alocação e geração de novos recursos, resultado do processo comprar, produzir e vender. 2.3.2 Administração de contas a receber A administração de contas a receber corresponde às vendas à vista e a prazo pela empresa. A venda a prazo é um atrativo para alavancar vendas, haja vista, que grande parte das vendas de uma organização é no crediário. Por outro lado o grande volume de vendas a prazo originará aumento de custos, levando-se em consideração as tarifas de cobrança, taxas de juros e inadimplência. Para evitar situações negativas no fluxo de caixa o setor financeiro deverá estar atento na execução de uma política de crédito criteriosa, ou seja, evitando vender a prazo para clientes inadimplentes, repassar os custos nas vendas a prazo. Procurando adequar o prazo médio de recebimento com o prazo médio de pagamento, existindo uma pressão negativa sobre o caixa, ocorrerá maior necessidade de capital de giro para dar sustentabilidade a essa defasagem. 2.3.3 Administração de contas a pagar A administração de contas a pagar deverá ser administrada com o mesmo critério das contas a receber, haja vista, que deverá existir um equilibrio entre ambas. O prazo médio de pagamento não poderá ser inferior ao prazo médio de recebimento. Para evitar um desacasamento no fluxo caixa, o gestor financeiro poderá agir de duas formas, ou prorrogar os pagamentos ou acelerar os recebimentos, porém, nem sempre é fácil agir dessa forma. Na maioria das vezes, o cliente e/ou fornecedor não aceitam e, caso aceitando vão exigir uma compensação financeira. UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 152 O QUE SÃO OS CONTROLES FINANCEIROS FERRAMENTAS INDISPENSÁVEIS PARA O PLANEJAMENTO DOS NEGÓCIOS Os controles financeiros são os instrumentos que permitem ao administrador planejar, organizar, coordenar, dirigir e controlar os recursos financeiros de sua empresa em determinado período. Conheça, a seguir, alguns controles financeiros. Controle de caixa De vital importância. Por meio dos registros realizados, pode-seconhecer a origem e o destino de todo o dinheiro movimentado pela empresa diariamente, ou seja, sua própria história. Controle de bancos Sua finalidade é registrar as entradas e saídas de valores na conta bancária da empresa, permitindo o controle atualizado do seu saldo. Controle de contas a receber Possibilita o conhecimento dos seguintes pontos: – montante dos valores a receber; – contas vencidas e a vencer; – clientes que não pagam em dia; – como programar suas cobranças. Controle de contas a pagar Possibilita que o empresário fique permanentemente informado sobre: – vencimento dos compromissos; – como estabelecer prioridades de pagamento; – montante dos valores a pagar. Fluxo de caixa Projeção das entradas e saídas de recursos financeiros para determinado período, visando prever a necessidade de captar empréstimos ou aplicar excedentes de caixa nas operações mais rentáveis. TÓPICO 1 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 153 Objetivos: – proporcionar o levantamento de recursos financeiros necessários às operações econômico-financeiras da empresa; – utilizar, da melhor forma possível, os recursos financeiros disponíveis na empresa, para que não fiquem ociosos, estudando, antecipadamente, a melhor aplicação, o tempo e a segurança dos mesmos; – saldar as obrigações da empresa nas datas de vencimento; – analisar as fontes de crédito que proporcionam empréstimos menos onerosos, em caso de a empresa necessitar de recursos; – desenvolver, na empresa, o controle dos saldos de caixa e dos créditos a receber; – buscar o perfeito equilíbrio entre ingressos e desembolsos de caixa da empresa; – manter a empresa em permanente situação de solvência. Os custos de uma empresa Todas as empresas, independentemente da área de atuação (comércio, indústria ou serviços), possuem gastos. Esses gastos se subdividem genericamente em custos, despesas variáveis e despesas fixas. Sua análise se faz necessária para a apuração correta da lucratividade e para o gerenciamento financeiro mais eficiente. – Custos do produto – Os custos referem-se aos gastos efetuados com materiais e insumos (na produção do bem, no caso da indústria), aquisição do produto (no caso do comércio) ou realização dos serviços. – Despesas variáveis – São aquelas que variam proporcionalmente ao volume produzido ou ao volume vendido, ou seja, só haverá despesa, se houver venda ou unidades produzidas. Exemplo: comissões sobre vendas, impostos. – Despesas fixas – São aquelas cujo total não varia proporcionalmente ao volume produzido (na indústria) ou ao volume de vendas (comércio e serviço), ou seja, há despesas a serem pagas independentemente da quantidade produzida ou do valor de vendas. Exemplo: aluguel, honorários de contador, seguro da empresa, salário dos funcionários, entre outros. Estrutura de resultados Trata-se de uma ferramenta utilizada para realizar a análise econômica da empresa e apurar o lucro operacional por determinado período. A Estrutura de Resultados é composta pelas vendas totais, custos, despesas variáveis e despesas fixas, permitindo determinar a margem de contribuição, o ponto de equilíbrio e o lucro operacional. – Margem de contribuição – É a diferença entre a Receita Total (vendas) da empresa e seus Custos e Despesas Variáveis. Pode-se entender que a UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 154 margem de contribuição é a parcela da receita total que ultrapassa os custos e despesas variáveis e que contribuirá para cobrir as despesas fixas e, ainda, formar o lucro. MC = RT – (C + DV) Onde: MC= margem de contribuição; RT = receita total; C = custos; DV = despesas variáveis. – Ponto de equilíbrio – É o valor das vendas que permite a cobertura dos gastos totais (custos, despesas fixas e despesas variáveis). Nesse ponto, os gastos são iguais à receita total da empresa, ou seja, a empresa não apresenta lucro nem prejuízo. As perguntas mais frequentes são: Quanto terei de faturar para conseguir pagar os meus custos, despesas fixas e variáveis? Quais as quantidades que terei de produzir/vender para ter lucro? O ponto de equilíbrio é que define e esclarece essas dúvidas. Há duas formas de determiná-lo: 1 – Por meio do volume de vendas PE = (DF/MC)X VT Onde: VT = Vendas totais; PE = Ponto de equilíbrio; DF = Despesas fixas; MC = Margem de contribuição. 2 – Ponto de Equilíbrio Unidades Produzidas PE = (DF x VT)/[PV unit - (Cunit+DV unit)] Onde: VT = Vendas totais; PE = Ponto de equilíbrio; DF = Despesas fixas; PV unit = Preço de venda unitário do produto; C unit = Custo unitário do produto; DV unit = Despesa variável unitária. FONTE: Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/momento/quero-melhorar-minha-empresa/ utilize-as-ferramentas/controles-financeiros/integra_bia/ident_unico/338>. Acesso em: 19 jul. 2012. TÓPICO 1 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 155 2.4 ANÁLISE POR INDICADORES A análise por indicadores tem o objetivo de demonstrar como são calculados os indicadores econômicos e financeiros de uma empresa e partindo desse cálculo, buscar uma interpretação coerente, relatando a partir de relatórios, como será o comportamento de determinada entidade num futuro próximo, em relação a sua capacidade de honrar seus compromissos de curto e longo prazo. Mostrar a quantidade de recursos próprios e de terceiros investidos na organização. Analisar os indicadores de retorno do investimento, verificando e demonstrando se o dinheiro investido no negócio está sendo bem gerenciado e gerando lucro. Em resumo, podemos dizer que a análise das demonstrações contábeis é um estudo financeiro, detalhado de uma empresa, bem como os fatores internos e externos que poderão afetar sua capacidade de gerar recursos. Os fatores internos estão relacionados à organização, capacidade gerencial e desenvolvimento tecnológico. Os fatores externos estão relacionados à economia, concorrência e fatores de ordem natural. Porém, o que nos interessa são as demonstrações contábeis. Dentre as que vamos estudar neste caderno estão o balanço patrimonial, o demonstrativo de resultado do exercício, o demonstrativo de origem e aplicação de recursos e o demonstrativo das mutações do patrimônio líquido. É importante salientar que para um relatório de análise ter credibilidade, tem que estar calcado em demonstrações de boa qualidade e sua escrita tem que ser em linguagem simples, de forma que uma pessoa, interessada no assunto, consiga entender. Para a obtenção de um resultado satisfatório, cada participante deverá resolver os exercícios propostos, para adquirir maior conhecimento. 2.4.1 Indicadores liquidez Veremos agora o que significa a análise por indicadores. A análise por indicadores é a relação entre contas ou grupos de contas das demonstrações financeiras, que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma empresa. UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 156 O importante não é o cálculo de grande número de indicadores, mas de um conjunto que permita conhecer a situação da empresa, segundo o grau de profundidade desejada da análise. Primeiramente, vamos agrupar os indicadores de liquidez, conceituá-los, efetuarmos os cálculos de acordo com o balanço da empresa teste e interpretarmos o resultado dos cálculos. Segundo Olinquevitch e Santi (2004, p. 30): Sob a óptica da análise financeira tradicional – que trabalha principalmente com os indicadores de análise de balanços – o estudo dos demonstrativos contábeis, que tem como foco o Ativo e o Passivo Circulantes, consagra os indicadores de liquidez como alguns dos principais indicadores de análise. 2.4.1.1 Indicador de liquidez corrente O indicador de liquidez corrente mede a relação existente entre o ativo circulante e o passivo circulante, ou seja, quanto que a empresa possui no ativo circulantepara cada unidade de dívida no passivo circulante, medindo assim sua capacidade em honrar seus compromissos de curto prazo. Fórmula de cálculo ↔ Liquidez corrente = 1,00ACPC ≥ Onde: AC = ativo circulante PC = passivo circulante Interpretação: quanto maior que a unidade melhor. 2.4.1.2 Indicador de liquidez seca O indicador de liquidez seca mede a relação existente entre o ativo circulante deduzindo a conta estoques para cada unidade do passivo circulante. É o próprio indicador de liquidez corrente menos os estoques. Este indicador é o mais importante dentre os indicadores de liquidez, pois visa demonstrar o grau de dependência de uma empresa, em relação aos estoques para pagar seus compromissos, ou seja, capacidade de pagar suas obrigações no curto prazo, caso venha a ter problemas com as vendas, então se pergunta: Será que mesmo não vendendo mercadorias, a empresa tem dinheiro suficiente para pagar suas dívidas? Principalmente, salários de funcionários e fornecedores. TÓPICO 1 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 157 Levando-se em consideração também que a conta estoques é de difícil mensuração, pois engloba estoques de matéria-prima, produto em elaboração e produtos prontos para venda. Fórmula de cálculo ↔ Liquidez seca = 1,00 Onde: AC = ativo circulante PC = Passivo circulante Interpretação: quanto maior que uma unidade melhor. AC- Estoques PC ≥ 2.4.1.3 Indicador de liquidez imediata O indicador de liquidez imediata mede a relação existente entre o dinheiro disponível no ativo circulante, ou seja, na conta caixa e na conta bancos e as obrigações do passivo circulante. Segundo Assaf Neto (2005, p.114), este indicador tem pouco significado para os analistas externos, ou seja, pessoas que têm interesse em investirem ou negociarem com a empresa. Fórmula de cálculo ↔ Liquidez imediata = Disponibilidade Passivo Circulante Interpretação: quanto maior que uma unidade melhor. 1 0,≥ 2.4.1.4 Indicador de liquidez geral O indicador de liquidez geral mede a relação existente entre ativo circulante, mais ativo realizável a longo prazo para cada unidade do passivo circulante, mais o passivo exigível a longo prazo. Este indicador visa medir a capacidade de uma empresa em honrar seus compromissos de curto prazo e longo prazo. Fórmula de cálculo ↔ Liquidez geral = 1,00 Onde: AC = ativo circulante, PC = passivo circulante ARLP = ativo realizável a longo prazo PELP = passivo exigível a longo prazo Interpretação: quanto maior que uma unidade melhor. AC+ ARLP PC + PELP ≥ UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 158 IMPORTANT E Os indicadores de liquidez não devem ser utilizados de forma individual, isto é, se uma empresa não tem plena capacidade de pagamento em relação as suas obrigações, isto não conta toda a história. Devemos analisar conjuntamente outros indicadores que serão apresentados na sequência dos estudos. 2.4.1.5 Folga financeira É a relação do Capital Circulante Líquido com as Vendas. FF = CCL / VENDAS Para uma avaliação que visa ao estudo da capacidade econômico- financeira de enfrentar um período de desenvolvimento ou uma política econômica recessiva, ou seja, OLHANDO PARA O FUTURO DA EMPRESA, é necessário estudar a composição do Ativo e do Passivo Circulantes, relacionando os saldos contábeis com as atividades da empresa sob a ótica financeira. Se pensarmos na ATIVIDADE OPERACIONAL, podemos observar aspectos diferentes de acordo com os negócios realizados pela empresa. Numa empresa de serviços, a atividade operacional é a VENDA de serviços; numa empresa comercial, as atividades operacionais são a COMPRA e a VENDA DE MERCADORIAS; numa empresa industrial, as atividades operacionais são a COMPRA de insumos, a FABRICACÃO e a VENDA de produtos. Assim, quando falamos de atividade operacional, estamos pensando em compra, fabricação e venda. Se uma empresa industrial compra, fabrica e vende e realiza todas essas operações à vista, coordenadas em termos de caixa e sem a manutenção de estoques, seus impactos sobre o Ativo e o Passivo Circulantes são praticamente nulos, limitando-se aos efeitos sobre o saldo da conta Caixa. Por outro lado, se as atividades operacionais são realizadas a prazo, com a manutenção de níveis de estoques, teremos uma série de inúmeros impactos sobre o Ativo e o Passivo Circulantes. FONTE: Olinquevicht; Santi Filho (2004: 32-33) TÓPICO 1 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 159 2.4.1.6 Giro do ativo Este indicador mostra a situação operacional da empresa, relacionando as vendas e os investimentos de determinado período. Matarazzo (2003, p. 176) apresenta a fórmula para cálculo conforme segue: Giro do Ativo = Vendas Líquidas Ativo 2.4.2 Indicadores de estrutura de capital Os indicadores de estrutura de capital são utilizados para medir a composição das fontes passivas de recursos de uma empresa. Fornecem, ainda, elementos para se avaliar o grau de dependência de capitais de terceiros a que a empresa está submetida. 2.4.2.1 Endividamento de curto prazo É a relação entre o capital de terceiros em curto prazo e o patrimônio líquido. Este quociente mede o quanto o capital de terceiros, em curto prazo participa no total de recursos próprios, ou seja, para cada cem unidades monetárias de recursos próprios, quanto provém de fontes de financiamento de terceiros no curto prazo. Com as aplicações feitas no ativo são financiados por recursos do passivo, essa medida ilustra, também, a proporção dos ativos que está sendo financiada por capital de terceiros em curto prazo. Interpretação é quanto menor de 100% melhor. Fórmula de cálculo a seguir: Endividamento de curto prazo = PCPL x 100 ≤ 100%Onde: PC → passivo circulante PL → patrimônio líquido UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 160 2.4.2.2 Endividamento do patrimônio líquido ou endividamento total Possui objetivo semelhante ao índice anterior. Corresponde ao endividamento do capital de terceiros em relação ao patrimônio líquido. A relação indica quanto a empresa possui de recursos de terceiros para cada cem unidades monetárias de capital próprio. Interpretação é quanto menor de 100% melhor. Fórmula de cálculo a seguir: Endividamento do patrimônio líquido = PC+ PELP PC x 100 ≤ 100% Onde: PC → passivo circulante PELP → passivo exigível a longo prazo PL → patrimônio líquido 2.4.3 Indicadores de imobilização Vamos conhecer os indicadores de imobilização. O indicador de imobilização identifica o quanto de recursos foi aplicado no ativo permanente da empresa e quais suas fontes de financiamento. 2.4.3.1 Imobilização do patrimônio líquido O indicador de imobilização do patrimônio líquido mostra a proporção de cada cem unidades monetárias de recursos próprios que estão financiando o ativo permanente. Interpretação é quanto menor de 100% melhor. Fórmula de cálculo a seguir: Imobilização do patrimônio líquido = AP PL x 100% ≤ 100% Onde: AP ↔ ativo permanente PL↔ patrimônio líquido TÓPICO 1 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 161 2.4.3.2 Imobilização dos recursos não circulantes O indicador de imobilização dos recursos não circulantes visa demonstrar o quanto dos recursos próprios e de terceiros de longo prazo se encontram imobilizados no ativo permanente. Este indicador somente tem sentido quando a imobilização do patrimônio líquido for superior a 100%, ou seja, os recursos contidos no patrimônio líquido são insuficientes para atender aos investimentos feitos no ativo permanente. É claro que não podemos estabelecer uma regra, em que a situação está tranquila, mas se o resultado desseindicador for superior a 100%, indica que a empresa está se utilizando de recursos de curto prazo para financiar o ativo permanente, consequentemente comprometendo a saúde financeira. Interpretação é quanto menor de 100% melhor. Fórmula de cálculo a seguir: Imobilização de recursos não circulantes = AP PELP + PL x 100 ≤ 100% Onde: AP ↔ ativo permanente PELP ↔ passivo exigível a longo prazo PL ↔ patrimônio líquido A seguir, apresentaremos o quadro resumido das relações dos indicadores financeiros, que vão facilitar o seu entendimento em relação ao cálculo e interpretação. QUADRO 15 – RELAÇÕES DOS INDICADORES FINANCEIROS Índices Cálculo dos índices. Objetivo dos índices. Avaliação dos índices. Estrutura de capital. Participação capital de terceiros. Relação dos capitais de terceiros de curto prazo para cada 100 de capital próprio. Quanto menor melhor. PC PL x 100 UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 162 FONTE: Adaptado de: Matarazzo (2006) Agora que você conheceu os indicadores econômicos e financeiros, vamos pôr em prática o conhecimento adquirido através do cáculo e interpretação, e saber se nossa empresa “FANTASIA” está com boa saúde financeira. Composição do endividamento total. Percentual de endivida mento total para cada 100 de capital próprio. Quanto menor melhor. Imobilzação do PL. Relação do imobilizado em relação a cada 100 de capital próprio. Quanto menor melhor. Imobilização recursos não circulantes. Relação do imobilizado em relação a cada 100 do passivo total. Quanto menor melhor. LIQUIDEZ Liquidez corrente. Relação entre o AC e O PC. Quanto maior que 1,00 Melhor. Liquidez seca Relação entre o AC e o PC com dedução de estoques. Quanto maior que 1,00 melhor. Liquidez Imediata Relação dos recursos disponíveis com o PC. Quanto maior que 1,00 melhor. Liquidez geral Relação da soma do AC + ARLP, com o PC Mais o PELP. Quanto maior que 1,00 melhor. AP PL x 100 AP PELP + PL x 100 AC PC ≥ 1,00 AC - Est. PC ≥ 1,00 Disp. PC ≥ 1,00 AC + ARLP PC + PELP ≥ 1,00 PC + PELP PL x 100 TÓPICO 1 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 163 AUTOATIVIDADE Empresa Fantasia S/A ATIVO Descrição da Conta 31/12/2011 31/12/2010 31/12/2009 Ativo Total 160.931.966 116.328.355 93.027.149 Ativo Circulante 122.834.821 89.842.036 71.919.689 Disponibilidades 34.221.443 23.690.043 9.940.880 Caixa e bancos 829.855 2.011.944 1.346.459 Aplicações financeiras 33.391.588 21.678.099 8.594.421 Clientes 36.369.416 24.757.207 29.438.034 Estoques 36.289.417 21.707.744 19.756.493 Outros 15.954.545 19.687.042 12.784.282 Títulos valores mobiliários 4.766.133 5.753.172 1.527.771 Impostos a recuperar 5.114.277 5.320.274 4.452.684 Outras contas a receber 5.963.481 8.551.451 6.754.176 Despesas antecipadas 110.654 62.145 49.651 Ativo não circulante 38.097.145 26.486.319 21.107.460 Ativo realizável a longo prazo 1.863.951 1.855.128 522.253 Créditos diversos 1.863.951 1.855.128 522.253 Depósitos judiciais 1.507.043 1.498.220 165.345 Incentivos fiscais 260.013 260.013 260.013 Empréstimos compulsórios 96.895 96.895 96.895 Ativo permanente 36.233.194 24.631.191 20.585.207 Investimentos 160.000 213.580 169.711 Imobilizado 36.073.194 24.417.611 20.415.496 PASSIVO Descrição da conta 31/12/2011 31/12/2010 31/12/2009 Passivo total 160.931.966 116.328.355 93.027.149 Passivo circulante 65.888.331 35.010.719 22.213.479 Empréstimos bancários 30.618.482 14.305.799 6.331.047 Fornecedores 7.062.038 2.536.854 1.560.084 Impostos, taxas e contribuições 6.787.674 2.086.866 1.841.626 Dividendos a pagar 6.952.919 4.535.171 3.596.774 UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 164 Juros sobre o capital próprio 4.161.168 3.477.296 3.596.774 Dividendos 2.791.751 1.057.875 0 Provisão férias e encargos sociais 1.685.315 1.765.753 1.748.200 Outros 12.781.903 9.780.276 7.135.748 Salários e encargos sociais 3.734.158 2.804.373 1.919.215 Participação dos empregados 2.288.699 1.777.397 1.258.053 Participação dos administradores 3.171.872 1.925.683 1.300.927 Comissões e fretes sobre vendas 2.363.576 1.998.096 2.067.862 Outras contas a pagar 1.223.598 1.274.727 589.691 Passivo não circulante 3.207.656 4.917.722 6.594.876 Passivo exigível a longo prazo 3.207.656 4.917.722 6.594.876 Empréstimos bancários 1.034.409 4.750.158 6.463.866 Provisões 2.173.247 167.564 131.010 Provisão para contingências 2.173.247 167.564 131.010 Patrimônio líquido 91.835.979 76.399.914 64.218.794 Capital social realizado 55.000.000 55.000.000 33.000.000 Reservas de capital 0 0 103.216 Reservas de lucro 36.835.979 21.399.914 31.115.578 Legal 4.466.686 3.034.513 3.786.386 Retenção de lucros 32.369.293 18.365.401 27.329.192 Baseado nos demonstrativos acima, calcule o que se pede, dos três exercícios: a) Liquidez Corrente. b) Liquidez Imediata. c) Liquidez Seca. d) Liquidez Geral. e) Endividamento de curto prazo. f) Endividamento do patrimônio Líquido. g) Imobilização do patrimônio Líquido. h)Imobilização dos recursos não circulante. 2.4.4 Indicadores de atividades Os indicadores de atividades visam estabelecer a rapidez com que uma empresa pode gerar caixa, caso seja necessário. TÓPICO 1 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 165 Eles também fornecem dados para determinar o ciclo operacional e o ciclo financeiro dentro de uma empresa, ou seja, o tempo consumido desde a entrada de matéria-prima na linha de produção, a elaboração do produto e a sua venda final, o pagamento da matéria-prima e o recebimento dos produtos vendidos. O ciclo operacional é medido pelo prazo médio de estoques acrescido do prazo médio de recebimento dos produtos vendidos. O ciclo financeiro é medido pelo ciclo operacional deduzido do prazo médio de pagamento. Na sequência estudaremos os tipos de indicadores por atividade. 2.4.4.1 Prazo médio de recebimento O prazo médio de recebimento visa demonstrar o tempo médio que a empresa leva para receber suas vendas. Sob visão interpretativa, quanto menor esse tempo melhor. Apresentamos a fórmula de cálculo a seguir: Prazo médio de recebimento = ClientesReceita Operacional Bruta x 365 dias 2.4.4.2 Prazo médio de pagamento O prazo médio de pagamento determina o prazo médio que a empresa leva para pagar suas contas. Saber qual o prazo médio de pagamento é muito importante para uma empresa determinar o seu prazo médio de recebimento, que para efeito de fluxo de caixa, de preferência não seja superior ao prazo médio de pagamento. Caso isto ocorra, com certeza, a empresa deverá buscar dinheiro em bancos para compensar esta diferença de prazo. Numa interpretação contrária ao prazo médio de recebimento de quanto menor melhor, no caso do prazo médio de pagamento, quanto maior o prazo melhor. A seguir apresentamos a fórmula: Prazo médio de pagamento = FornecedoresEstoques x 365 dias UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 166 2.4.4.3 Prazo médio de estoque O prazo médio dos estoques determina o tempo que os estoques levam para se renovarem. Segundo Gropelli e Nikbakht (2005, p. 360), ”O giro dos estoques é importante para uma empresa porque os estoques são os ativos circulantes menos líquidos.” Para entendermos a frase citada acima, os estoques compreendem matéria- prima, produtos em elaboração e produtos acabados, e partindo do princípio que os produtos prontos necessitam serem vendidos, portanto, nos estoques sempre tem um grande volume de dinheiro parado. Devido este fato, quanto mais rápido os produtos prontos forem vendidos, maior será a rapidez da empresa em gerar caixa para atender a outros fins. Numa linha de interpretação, quanto menor o tempo das mercadorias em estoques melhor. A seguir apresentamos a fórmula: Prazo médio de estoques = EstoquesCusto Mercadorias Vendidas x 365dias TÓPICO 1 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 167 LEITURA COMPLEMENTAR A IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS NAS TOMADAS DE DECISÕES NA EMPRESA MÓVEIS GAZIN DOURADINA-PR Olegário de Queiroz Muniz1 Maria Marta Fernandes2 ÍNDICES FINANCEIROS E SUA IMPORTÂNCIA PARA O GESTOR Para o gestor financeiro, a análise dos índices é uma ferramenta indispensável, pois com ela há facilidade de gerenciar a empresa, pois através dos índices que são propostas as informações que orientarão os gestores à tomada de decisões, sabendo que essas informações são geradas a partir de demonstrações de períodos passados, ou seja, anos anteriores que o gestor tomou decisões para o andamento do processo da atividade da empresa. Esses índices servem como base para comparar a empresa na atualidade se a empresa vem progredindo em relação aos anos passados. A vista disto, os planejamentos devem ser acompanhados para ver se o resultado esperado está sendo atingido. Como as estratégias da empresa devem ser bem elaboradas, há uma responsabilidade muito grande por parte dos administradores que fazem essas gestões na organização, e os índices possibilitam formas de diagnosticar e comprovar a situação financeira econômica da empresa, saber se está tendo expansão no mercado em que atua, sendo interno ou externo. Iudícibus nos diz que a análise das Demonstrações: “[...] é a arte de saber extrair relações úteis, para o objetivo econômico que tivermos em mente, dos relatórios contábeis tradicionais e de suas extensões e detalhamento, se for o caso.” (IUDÍCIBUS, 1998, p. 20). Devido sua importância, as finanças devem ser bem compreendidas e estudadas profundamente, porém, para se ter uma total certeza dos resultados, o analista deve ter um ótimo conhecimento de como calcular esses índices e principalmente de como analisar os indicadores, pois o mesmo trará ao administrador e a organização maior credibilidade e segurança para as tomadas de decisões, no que refere às estratégias utilizadas em anos anteriores, bem como base para projeções em anos futuros. UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 168 Lei 6404/76A Exemplo: Balanço Patrimonial Ativo Passivo Ativo Circulante Passivo Circulante Ativo realizável a Longo Prazo Passivo exigível a Longo Prazo Ativo Permanente Resultados de Exercicios Futuros Investimentos Imobilizado Patrimônio Líquido Diferido Capital Social Reservas de Capital Reservas de reavaliação Reservas de lucros Lucros ou prejuizos acumulados Lei 6.404/76 após lei 11638/07A - Exemplo: Balanço Patrimonial Ativo Passivo Ativo Circulante Passivo Circulante Ativo realizável a Longo Prazo Passivo exigível a Longo Prazo Ativo Permanente Resultados deExercicios Futuros Investimentos Imobilizado Patrimônio Líquido Intangível Capital Social Diferido Reservas de Capital Ajustes de avaliação patrimônial Reservas de lucros Ações em tesouraria Prejuizos acumulados Lei 11638/07 após MP 449/08 - Exemplo: Balanço Patrimonial Ativo Passivo Ativo Circulante Passivo Circulante Ativo não circulante Passivo não circulante Ativos realizável a Longo Prazo Passivo exigivel a Longo Prazo Investimentos Resultados deExercicios Futuros Imobilizado Intangível Patrimônio Líquido Capital Social Reservas de Capital Ajustes de avaliação patrimonial Reservas de Lucro Prejuizos acumulados Quadro 1 – Modelo de Balanço patrimonial na lei 6.604/1976 Quadro 2 – Comparação entre balanços Fonte: Oliveira, 2008 Fonte: Oliveira, 2008 Os quadros em destaque representam o balanço patrimonial, em três estruturas, sendo uma conforme a Lei n◦ 6.404/76 e a 11.638/07 e outra, a lei n◦ 11.638/07, após medida provisória. A seguir informaremos algumas mudanças que ocorreram nos grupos de conta que compõem o balanço patrimonial. TÓPICO 1 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 169 Segundo Oliveira (2009): Com a nova Lei n◦ 11.638/07, grandes grupos tiveram alteração, apenas no ativo circulante e patrimônio líquido, apresentando no ativo os grupos: ativos circulante, ativo realizável em longo prazo, ativo permanente, dividido em investimentos, ativo imobilizado, ativo intangível e ativo diferido, e o passivo, com passivo circulante, passivo exigível em longo prazo, Resultado dos exercícios futuros e patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria, e prejuízo acumulados. No primeiro momento de alteração da Lei n◦ 11.638/07, as alterações foram apenas no passivo e patrimônio líquido, sendo acrescentado no grupo ativo permanente o intangível, e no grupo patrimônio líquido as contas ajustes de avaliação patrimonial e ações em tesouraria. Já após a medida provisória MP n◦ 449/08, ele figura alterando várias contas e criando novas nomenclaturas de grupo definindo-se assim a nova estrutura patrimonial. Segundo Oliveira (2009): Assim mais precisamente os grupos do ativo e passivo que assim são: grande grupo do ativo e grupo ativos circulantes e ativo não circulante, contendo nesse grupo as contas: o ativo realizável em longo prazo. Investimentos, imobilizado e intangível, desaparecendo as figuras do ativo realizável em longo prazo e o ativo permanente como grupo, sendo agora subgrupo do ativo não circulante, sendo que o ativo o que o termo ativo permanente não figurará no balanço patrimonial. Além disso, o subgrupo ativo diferido de fato desaparece deste relatório, porém vale ressaltar que a medida provisória n◦ 449/08 informa que poderá amortizar o saldo do mesmo até seu findar. Já que o grande grupo passivo, também teve modificações em sua estética conforme determina a medida provisória n◦ 449/08, sendo o grupo passivo circulante e passivo não circulante, desaparecendo os grupos exigível a longo prazo, resultado do exercício futuros, pois todos os citados foram incorporados pelo passivo não circulante. No lado do ativo, o grupo ativo permanente não é mais destacado, ficando substituído pelo novo grupo ativo não circulante. Houve também o desaparecimento do grupo ativo diferido e ativo realizável em longo prazo, passando a ser ativo não circulante. No lado do passivo foi criado o grupo passivo não circulante e em seguida o desaparecimento do grupo exigível em longo prazo. 1Bacharel em Ciências Contábeis e Especialista em Recursos Humanos 2Bacharel em Ciências Contábeis e Professora Universitária Especialista - EDUVALE FONTE: Disponível em: <http://www.eduvalesl.edu.br/site/edicao/edicao-15.pdf>. Acesso em: 19 jun. 2012. 170 Neste tópico você viu que: • Quatro categorias de indicadores, que são os indicadores de liquidez, indicadores de endividamento, indicadores de imobilizaçao e indicadores de atividade e a fórmula de como calculá-los. Também verificamos o grau de importância de cada um, principalmente para os credores e acionistas, pois eles medem a capacidade das empresas em honrar os compromissos de curto e longo prazo. • Os indicadores de liquidez visam mostrar o grau de facilidade ou dificuldade que as empresas têm em pagar suas contas. • Os indicadores de endividamento servem para demonstrar a qualidade das dívidas em relação ao capital de terceiros, isto é, com bancos, fornecedores de matéria-prima, os funcionários e o próprio governo. • Os indicadores de imobilização nos mostram quanto que o capital próprio e de terceiros de curto e longo prazo foram aplicados no ativo permanente. • Finalmente os indicadores de atividade indicam a velocidade com que a empresa recebe seu dinheiro dos clientes, paga suas contas aos fornecedores e vende suas mercadorias. RESUMO DO TÓPICO 1 171 1. Os indicadores de liquidez têm por finalidade visar: a. ( ) A capacidade de pagamento de uma empresa no curto prazo. b. ( ) A capacidade de pagamento de uma empresa no longo prazo. c. ( ) A capacidade de pagamento de uma empresa no curto e nolongo prazo. d. ( ) A capacidade de pagamento de uma empresa no médio e no longo prazo. 2. É o indicador de liquidez que mede a capacidade de pagamento de uma empresa no curto prazo. a. ( ) Indicador de liquidez corrente. b. ( ) Indicador de liquidez seca. c. ( ) Indicador de liquidez geral. d. ( ) Indicador de liquidez imediata. 3. É o indicador de liquidez que mede a disponibilidade de dinheiro em caixa. a. ( ) Indicador de liquidez corrente. b. ( ) Indicador de liquidez seca. c. ( ) Indicador de liquidez geral. d. ( ) Indicador de liquidez imediata. 4. É o indicador de liquidez que mede a capacidade de pagamento de uma empresa, sem que haja a necessidade de vender seus estoques. a. ( ) Indicador de liquidez corrente. b. ( ) Indicador de liquidez seca. d. ( ) Indicador de liquidez geral. e. ( ) Indicador de liquidez imediata. 5. É o indicador de liquidez que mede a capacidade de pagamento de uma empresa no curto e longo prazo, calculando a relação entre os ativos realizáveis no curto e longo prazo com os passivos exigíveis. a. ( ) Indicador de liquidez corrente. b. ( ) Indicador de liquidez seca. c. ( ) Indicador de liquidez geral. d. ( ) Indicador de liquidez imediata. 6. Os indicadores de endividamento servem para: a. ( ) Medir as fontes passivas de recursos de uma empresa. b. ( ) Medir as fontes ativas de recursos de uma empresa. c. ( ) Medir as fontes de recursos ativas e passivas de uma empresa. d. ( ) Medir os ativos líquidos que compõem o patrimônio liquido. AUTOATIVIDADE 172 7. O indicador de endividamento de curto prazo é a relação entre: a. ( ) Os capitais de terceiros de curto prazo e o patrimônio líquido. b. ( ) Os capitais de terceiros de curto e longo prazo e o patrimônio líquido. c. ( ) Os capitais de terceiros de longo prazo e o patrimônio líquido. d. ( ) Os capitais de terceiros de curto prazo e os capitais de terceiros de longo prazo. 8. O indicador de endividamento total é a relação entre: a. ( ) Os capitais de terceiros de curto prazo e o patrimônio líquido. b. ( ) Os capitais de terceiros de curto e longo prazo e o patrimônio líquido. c. ( ) Os capitais de terceiros de longo prazo e o patrimônio líquido. d. ( ) Os capitais de terceiros de curto prazo e os capitais de terceiros de longo prazo. 9. São os indicadores que identificam o quanto de recursos foram aplicados no ativo permanente da empresa e quais são suas fontes de financiamento. Estamos falando dos: a. ( ) Indicadores de imobilização. b. ( ) Indicadores de endividamento. c. ( ) Indicadores de liquidez. d. ( ) Indicadores econômicos. 10. Os indicadores de recursos não circulantes a. ( ) Mostram quanto dos recursos próprios e de terceiros de longo prazo se encontram imobilizados no ativo fixo. b. ( ) Mostram quanto dos recursos próprios e de terceiros de curto prazo se encontram imobilizados no ativo fixo. c. ( ) Mostram quanto dos recursos próprios e de terceiros de curto prazo se encontram imobilizados no ativo circulante. d. ( ) Mostram quanto dos recursos próprios e de terceiros de curto prazo se encontram imobilizados no ativo realizável a longo prazo. 11. É o indicador que mostra a proporção de cada cem unidades monetárias de recursos próprios que estão financiando o ativo permanente. Estamos falando do: a. ( ) Indicador imobilização do ativo circulante. b. ( ) Indicador imobilização do ativo permanente. c. ( ) Indicador imobilização do patrimônio líquido. d. ( ) Indicador imobilização do passivo exigível a longo prazo. 12. Os indicadores de atividade são importantes para: a. ( ) Determinar o ciclo operacional. b. ( ) Medir a liquidez de uma empresa. c. ( ) Determinar o grau de endividamento. d. ( ) Determinar o grau de imobilização. 173 13. Determina o prazo médio que uma empresa leva para pagar suas contas. Estamos falando de: a. ( ) Prazo médio de pagamento. b. ( ) Prazo médio de recebimento. c. ( ) Prazo médio de estoques. d. ( ) Ciclo financeiro. 14. Determina o prazo médio que uma empresa leva para receber suas contas. Estamos falando de: a. ( ) Prazo médio de pagamento. b. ( ) Prazo médio de recebimento. c. ( ) Prazo médio de estoques. d. ( ) Ciclo financeiro. 15. Determina o prazo médio que uma empresa leva para vender suas mercadorias. Estamos falando de: a. ( ) Prazo médio de pagamento. b. ( ) Prazo médio de recebimento. c. ( ) Prazo médio de estoques. d. ( ) Ciclo financeiro. 174 175 TÓPICO 2 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DE CURTO PRAZO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO A administração financeira de curto prazo abrange as contas do ativo e passivo circulante. Independente do tamanho de uma organização, ela necessita manter um nível sustentável de capital de giro, ou seja, os valores do ativo circulante deverão ser no mínimo igual ao passivo circulante, para que a organização apresente uma saúde financeira satisfatória no curto prazo. 2 CAPITAL DE GIRO OU CAPITAL CIRCULANTE A administração do capital de giro (ou Capital Circulante Líquido) está relacionada à administração dos itens relacionados aos ativos circulantes (caixa, aplicações financeiras, duplicatas a receber, estoques) e passivos circulantes (duplicatas a pagar, contas a pagar, empréstimos bancários a pagar). A empresa compra mercadorias, estoca, vende e recebe. Repetindo esse ciclo permanentemente, ela mantém o giro dos negócios. Portanto, num sentido mais amplo, o capital de giro representa os recursos que uma empresa necessita desde a aquisição da matéria-prima (ou mercadoria), até o recebimento pela venda do produto acabado. Em outras palavras, corresponde a uma parcela de capital aplicada pela empresa em seu ciclo operacional. Capital de giro (CDG) ou Capital Circulante Líquido (CCL) = Ativo Circulante – Passivo Circulante O capital circulante líquido (CCL) é a parcela do ativo circulante financiada por fundos permanentes. (Exigível a longo prazo e patrimônio líquido). Quando o ativo circulante exceder o passivo circulante, a empresa tem um capital de giro líquido positivo: 176 UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO Empresa com capital de giro líquido positivo C.C.L = $ 35 - $ 20 = $ 15, ou: C.C.L = ($ 50 +$ 30) - $ 65 = $ 15 Do total de $ 35 aplicados no ativo circulante, $ 20 são financiados por créditos de curto prazo (passivo circulante), e os $ 15 restantes, que representam o capital de giro líquido da empresa, são oriundos de recursos de longo prazo (exigível de longo prazo e patrimônio líquido). Em outras palavras, dos $ 80 captados a longo prazo (que são as fontes permanentes de financiamento), $ 65 estão aplicados em ativos também de longo prazo (ativo permanente) e os $ 15 excedentes são direcionados para financiar o capital de giro da empresa, mostrando certa folga financeira. Quando o ativo circulante é menor do que o passivo circulante, a empresa tem um capital de giro líquido negativo: Empresa com capital de giro líquido negativo A folga financeira é negativa porque as exigibilidades de curto prazo (passivo circulante), estão financiando aplicações com prazos de retorno maiores (ativo permanente). Na figura acima, o C.C.L. é de ($ 30), indicando que $ 30 dos $ 65 aplicados em ativo permanente são financiados por dívidas de curto prazo. De outra maneira, observa-se que a empresa tem levantado $ 80 de recursos de longo prazo (exigível a longo prazo e patrimônio líquido). No entanto, esse montante não é suficiente para cobrir suas aplicações no permanente de $ 65, sendo a diferença de $ 30 coberta por obrigações de curto prazo (passivo circulante). TÓPICO 2 | ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DE CURTO PRAZO 177 Existe uma opção entre risco (liquidez) e retorno (lucratividade) no que tange à proporção entre ativo e passivo circulante mantido pela empresa. Se a empresa direcionar seus recursos para ativos de elevada liquidez (caixa, bancos e aplicações financeiras) emrelação ao total de seu Ativo, maior será a sua liquidez imediata e, portanto, menor será o risco que ela estará assumindo. Assim, o administrador financeiro da companhia estará realizando uma administração conservadora. Por outro lado, se direcionar os investimentos para os ativos com giro mais longo (estoques, duplicatas a receber) o risco será maior, a liquidez imediata será menor e o pagamento pontual das dívidas no curto prazo dependerá da capacidade de geração de recursos operacionais e novos financiamentos obtidos pela empresa. Trata-se, portanto, de uma administração financeira mais agressiva. Numa empresa industrial, o ativo circulante é tido como ativo de proteção e o ativo permanente, como ativo gerador de lucros. Isto é, espera-se que numa empresa industrial os ativos fixos gerem a produção e consequentemente as vendas com lucros. Se os investimentos forem direcionados para o ativo permanente, maior será o retorno alcançado pela empresa, mas maior ainda será o risco envolvido. Assim, a administração da liquidez, associa-se a uma escolha entre risco e lucratividade. Assim, espera-se que se (AC/AT), tanto a lucratividade como o risco decrescerão. E se (AC/AT), espera-se que tanto a lucratividade como o risco se elevem. Essa taxa indica a percentagem do total de ativos que é circulante. Capital de giro permanente refere-se ao volume mínimo de ativo circulante para manter a empresa em condições normais de funcionamento. Capital de giro variável é definido pelas necessidades adicionais de recursos verificadas em determinados períodos e motivadas, principalmente, por compras antecipadas de estoques, maior morosidade no recebimento de clientes, maior volume de vendas em certos meses do ano etc. Uma boa administração do capital de giro busca imprimir alta rotação (giro) ao circulante, tornando mais dinâmico o seu fluxo de operação. Essa maior velocidade no capital de giro proporciona menor necessidade de aplicação de capital no ativo circulante e consequentemente há um aumento da rentabilidade. 178 UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 3 CAPITAL DE GIRO LÍQUIDO Podemos afirmar que capital de giro líquido é a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante. Quando o ativo circulante for maior que o passivo circulante, dizemos que o capital circulante líquido é positivo. Porém, quando ocorre o contrário, logo, o capital circulante líquido será negativo. Caso forem iguais, será nulo. Hoji (2004, p. 119) confirma: “A diferença entre o ativo corrente (ativo circulante) e o passivo corrente (passivo circulante) é o capital circulante líquido (CCL), ou capital de giro líquido (CGL).” O fluxo a seguir representa o movimento dentro do ativo circulante que influenciará diretamente a dinâmica do caixa. FIGURA 3 – FLUXO DO MOVIMENTO ATIVO CIRCULANTE QUE INFLUENCIA NA DINÂMICA DE CAIXA Duplicatas a Receber Duplicatas a Pagar Estoque de produtos Acabados FLUXO DE CAIXA FONTE: O autor 4 CAPITAL DE GIRO PRÓPRIO O capital de giro próprio considera os recursos próprios pertencentes à organização que estão financiando suas atividades no ativo circulante. Segundo Assaf Neto e Silva (2002, p. 18), “É um indicador limitado, notadamente por pretender identificar a natureza (origem) dos recursos de longo prazo – próprios ou de terceiros – que se encontram financiando as atividades circulantes.” Capital de Giro Próprio = Patrimônio Líquido – (Ativo Permanente + Realizável a longo prazo) TÓPICO 2 | ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DE CURTO PRAZO 179 A IMPORTÂNCIA DO CAPITAL DE GIRO Daniel Duarte Jevaux Um dos investimentos mais importantes a ser feito numa empresa, e mesmo assim, muitas vezes, subestimado, é o investimento em capital de giro. Não é incomum os empreendedores estimarem os investimentos em materiais de escritório, móveis, salas, máquinas, matéria-prima etc., e se esquecerem de colocar em suas planilhas o investimento que será necessário para pagar as contas e adquirir novos insumos, à medida que estes serão consumidos. Aí, então, a empresa começa a se endividar e, muitas vezes, quebra mesmo antes de chegar em seu período de maturação. O capital de giro é o montante de recursos necessário para que a empresa possa desempenhar suas atividades do dia a dia, ou seja, girar. A quantidade exigida para o capital de giro dependerá de diversos fatores, como o tamanho da empresa, o setor em que atua, a sazonalidade do negócio etc. Contabilmente, pode-se definir o capital de giro como a diferença entre o passivo circulante e o ativo circulante, ou seja, é a diferença entre as dívidas de curto prazo – como pagamento a fornecedores, salários a pagar, impostos – e as receitas de curto prazo – dinheiro em caixa, aplicações financeiras de curto prazo, recebimento de vendas a prazo. Em suma, o capital de giro é a parcela de recursos de longo prazo (endividamento, capital de sócios) que financiam as atividades de curto prazo da empresa. O administrador financeiro, que pode ser o próprio dono da empresa, uma pessoa especificamente designada para a função ou uma consultoria especializada, passa grande parte do seu tempo a analisar e gerenciar o capital de giro da empresa, através do gerenciamento de contas a pagar e receber, financiamento de estoques, e administração de déficits de caixa. Através do acompanhamento do fluxo de caixa, importantes decisões, como melhor momento para compra e os prazos que poderão ser dados para venda são tomadas e procuram evitar que exista um desencaixe nos pagamentos e recebimentos da empresa. Diversas são as causas dos problemas relacionados ao capital de giro, como a queda nas vendas, aumento da inadimplência, aumento de despesas financeiras e operacionais. Entretanto, as soluções para resolvê-las também são inúmeras, como o desenvolvimento de um planejamento estratégico, manter uma reserva financeira, reduzir o ciclo econômico da empresa, maior controle da inadimplência, procurar a melhor forma de endividamento, combinando taxas reduzidas e prazo alongado, e a redução dos custos. FONTE: Disponível: <http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/a-importancia-do- capital-de-giro/33799/>. Acesso em: 19 jun. 2012. 180 UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 5 CICLO OPERACIONAL O ciclo operacional de uma empresa é definido como o montante de tempo que vai desde a aquisição da matéria-prima (ou mercadoria), até o recebimento pela venda do produto final. O ciclo é formado por dois componentes: o prazo médio do estoque e o prazo médio de cobrança das vendas. Para Silva (2005, p. 15): Um ciclo operacional adequado refletirá de maneira positiva o comportamento e o uso do capital de giro investido. A otimização dos prazos médios de permanência de estoques, contas a receber e contas a pagar deve ser um propósito permanente por parte do administrador financeiro. Você observou que Silva (2005) foi enfático no texto, em relação à responsabilidade do administrador financeiro no controle do ciclo operacional. Segundo o autor, ele deverá estar atento no fluxo do capital investido na empresa, ou seja, as ações preventivas do financeiro, na utilização dos recursos, estarão diretamente relacionadas ao sucesso de uma organização. Apresentamos a seguir a fórmula básica para cálculo do ciclo operacional: CO = PME + PMR Onde ↔ CO = Ciclo Operacional PME = Prazo Médio de Estoques PMR = Prazo Médio de Duplicatas a Receber IMPORTANT E Considerar para cálculo dos prazos médios o ano civil, ou seja, 365 dias, embora você possa encontrar autores trabalhando com ano comercial, ou seja, 360 dias. 6 CICLO FINANCEIRO É o período que vai desde o pagamento dos fornecedores de matérias- primas até o recebimento da sua venda. A fórmula básica para o cálculo do ciclo financeiro é discriminada a seguir: CF = PME + PMR - PMP TÓPICO 2 | ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DE CURTO PRAZO 181 Onde → CF = Ciclo FinanceiroPME = Prazo Médio de Estoques PMR = Prazo Médio de Duplicatas a Receber PMP = Prazo Médio de Pagamento A seguir apresentamos as fórmulas para acharmos os prazos médios que compõem o ciclo financeiro, sendo que utilizaremos o ano civil, ou seja, 365 dias, por enterdermos que os prazos para emissão de duplicatas são formados em dias corridos. → Prazo médio de estoque = Custo Produtos Vendidos Estoques → Prazo médio de contas a receber = Vendas Prazo Duplicatas Receber → Prazo médio pagamento fornecedores = Custo Mercadoria Vendida Duplicatas Pagar Quanto menor for o ciclo de caixa, menor será o investimento da empresa em estoques e contas a receber. Veja a seguir maneiras para melhorar o caixa, usando o ciclo operacional e de caixa dentro de uma organização: - girar o estoque o mais rápido possível; - cobrar as duplicatas a receber o mais rápido possível; - efetuar o pagamento das duplicatas a pagar o mais tarde possível sem causar dano ao crédito da empresa. 6.1 CÁLCULO DOS CICLOS OPERACIONAL E DE CAIXA Para calcular o ciclo operacional e de caixa, partindo das demonstrações financeiras, é necessário extrair algumas informações do balanço, como as seguintes: Item Valor inicial Valor final Média Estoques $ 5.000 $ 6.000 $ 5.500 Contas a receber $ 3.000 $5.000 $ 4.000 Contas a pagar $1.000 $1.500 $ 1.250 Vendas líquidas: $ 15.000 C.M.V.: $ 9.000 Ciclo Operacional: período de estoque + período de contas a receber. 182 UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 1) Período de estoque: cmv Estoques = 9000 5500 = 1,63 vezes (giro de estoques), logo, dividindo o ano civil, ou seja, 365 dias por 1,63 vezes, temos 223 dias, isto significa o tempo que os estoques ficam parados. 2) Contas a receber: vendasduplicatasEstoques ∗ = 15000 4000 = 3,75 vezes 365 3,75 = 97,33 dias IMPORTANT E Considerar que todas as vendas são realizadas a prazo. Ciclo Operacional: Período de estoque (223) + Período de contas a receber (97) = 320 dias. Ciclo de Caixa: Ciclo Operacional – período de contas a pagar. 3) Período de contas a pagar = CMV Duplicatas Pagar = 9000 1250 9000/1250 = 7,2 = 3657,2 = 50,69 DIAS Ciclo de Caixa: Ciclo Operacional (320) – Período de contas a pagar (50) = 270 dias. 7 CICLO ECONÔMICO O ciclo econômico compreende o período da entrada da matéria-prima em estoque até a venda do produto acabado. Este ciclo vai demonstrar o resultado econômico da empresa, adotando o regime de competência, diferente do ciclo financeiro, que demonstra a movimentação de caixa. A figura a seguir ilustra os três ciclos: operacional, financeiro e econômico. TÓPICO 2 | ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DE CURTO PRAZO 183 FIGURA 4 – CICLOS: OPERACIONAL, FINANCEIRO E ECONÔMICO Mês 0 1 2 3 4 Compra Venda Venda Pagamento Pagamento Recebimento MP MPOutros custos Início de Fabricação Término de fabricação Despesa comissão Pagamento comissão Prazo de Fabricação (PF) Prazo de estocageem produtos acabados (PEPA) Prazo de rotação dos estoques (PRE) Prazo de recebimento das vendas (PRV) Prazo de pagamento da compra (PPC) Ciclo Econômico (CE) Ciclo Financeiro (CF) Ciclo Operacional (CO) FONTE: Hoji (2004) 184 UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 8 NECESSIDADE DE INVESTIMENTO EM CAPITAL DE GIRO O ativo circulante operacional representa a alocação de recursos no curto prazo, representados por caixa, bancos, aplicações financeiras, duplicatas a receber, estoques, esses recursos confrontados com suas fontes de origens, ou seja, empréstimos bancários, fornecedores, salários, impostos a recolher, vão resultar na necessidade de capital de giro – NCG. Segundo Assaf Neto e Tibúrcio Silva (2002, p. 63): Os ativos circulantes operacionais representam, em essência, os investimentos que a empresa deve efetuar em itens operacionais de giro, ou seja, em valores a receber (motivados por vendas a prazo, estoques e despesas operacionais incorridas, porém de competência do exercício seguinte). Subtraindo-se desse total os respectivos financiamentos operacionais, como fornecedores, salários e respectivos encargos sociais, impostos indiretos e taxas a pagar, obrigações que fundamentalmente compõem o passivo circulante operacional, chega-se ao valor do ativo circulante operacional líquido, que representa a efetiva necessidade de investimento em capital de giro – NIG – da empresa. Resumindo, a necessidade de capital de giro (NIG) poderá ser identificada quando o fluxo de saída for mais rápido que o de entrada, mostrando a real necessidade de investimento em capital de giro. O ativo circulante cíclico ou operacional compreende as aplicações de recursos em contas que estejam relacionadas com a atividade de compra, transformação e venda, que se repetem constantemente. Está relacionado com o ciclo operacional da empresa (clientes/duplicatas a receber, estoques, adiantamento a fornecedores etc.). O passivo circulante financeiro engloba as contas representativas de dívidas a curto prazo que não fazem parte das atividades diárias da empresa. Normalmente estão sujeitas a juros (empréstimos bancários, duplicatas descontadas, impostos etc.). O passivo circulante cíclico corresponde às contas de financiamentos espontâneos recebidos pela empresa, diretamente relacionadas com a atividade operacional e que têm uma característica de renovação (fornecedores, salários e encargos a pagar, comissões a pagar, impostos a pagar, água, luz, telefone e aluguel a pagar etc.). Também as contas do ativo e passivo de longo prazo são classificadas em dois grupos: ativo permanente e passivo permanente. O ativo permanente inclui os direitos a receber da empresa a longo prazo e o ativo permanente propriamente dito. São valores inscritos tipicamente como de longo prazo (não circulantes). TÓPICO 2 | ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DE CURTO PRAZO 185 O passivo permanente compõe-se das fontes de financiamento a longo prazo próprias (patrimônio líquido) e de terceiros (exigibilidades), cuja importância no equilíbrio financeiro de uma empresa é financiar necessidades permanentes de recursos. A seguir apresentaremos o quadro demonstrativo da origem e aplicações de recursos, de curto e longo prazo. QUADRO 16 – DEMONSTRATIVO DA ORIGEM E APLICAÇÕES DE RECURSOS APLICAÇÃO DOS RECURSOS ORIGEM DOS RECURSOS ATIVO TOTAL PASSIVO TOTAL Ativo Circulante Passivo Circulante FINANCEIRO - Caixa - Bancos (conta corrente, aplicações) OPERACIONAL - Duplicatas a receber - Estoques - Impostos a recuperar FINANCEIRO - Empréstimos bancários - Duplicatas descontadas - Dividendos e IR OPERACIONAL - Fornecedores - Salários a pagar - Impostos a recolher - Adiantamentos de clientes Ativo Não Circulante Passivo Não Circulante Realizável a longo prazo - Participações em outras empresas Exigível a longo prazo - Empréstimos bancários Permanente - Veículos - Edificações - Máquinas e equipamentos Diferido Patrimônio líquido - Capital social - Reservas - Lucros acumulados FONTE: Adaptado de: Assaf Neto e Silva (2002) A Necessidade de Capital de Giro (NCG) é a diferença entre as aplicações cíclicas (Ativo Circulante Cíclico - ACC) e as fontes cíclicas (Passivo Circulante Cíclico – PCC), que se renovam automaticamente no dia a dia. O ideal seria que a empresa utilizasse os financiamentos de terceiros para cobrir suas aplicações; contudo, quando isso não acontece, ou seja, quando a atividade operacional criar um fluxo de saída de caixa mais rápido que o da entrada (os pagamentos ocorrem antes do recebimento), identifica-se claramente uma necessidade de se recorrer a fontes não diretamente ligadas à atividade. Necessidade de Capital de Giro = Ativo Circulante Cíclico –Passivo Circulante Cíclico. 186 UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO A necessidade de capital de giro pode ser: - POSITIVA: significa que a empresa apresenta Necessidade de Capital de Giro, que deverá ser obtido com recursos próprios ou de terceiros (onerosos) para complementar seu capital de giro. - NEGATIVA: significa que a empresa dispõe de sobra de recursos para o giro, que poderá ser destinada a aplicações no mercado financeiro. O nível necessário de investimento em capital de giro é influenciado pelo ciclo financeiro da empresa, havendo maior demanda de recursos quanto mais longos forem os seus prazos. Em contrapartida, empresas com ciclos financeiros mais curtos, exigem menos investimentos em ativos circulantes operacionais, demandando menor necessidade de investimento em capital de giro. A Necessidade de Capital de Giro (NCG) é influenciada pelos seguintes fatores: 1º) Vendas: a NCG aumenta quando as vendas aumentam, permanece constante quando as vendas não oscilam e reduz quando as vendas decrescem. 2º) Prazos concedidos: a NCG aumenta quando a empresa concede um prazo maior e vice-versa. 3º) Prazos recebidos: a NCG aumenta quando há uma redução dos prazos concedidos por fornecedores e vice-versa. 4º) Política de estoques: a NCG aumenta quando a empresa aumenta o seu volume de estoques e vice-versa. Em suma, a necessidade de investimento em capital de giro depende fundamentalmente do volume de atividade (produção e vendas) da empresa e de seu ciclo financeiro. O índice (NCG/vendas) x 360 indica NCG em dias de venda, em média. Tendência crescente neste indicador, período após período, pode revelar alguma anormalidade financeira que merece ser analisada. No mesmo sentido, a necessidade de capital de giro pode ser representada pela fórmula a seguir, que indica o volume de recursos necessários para financiar o capital de giro: NGC = ciclo financeiro x vendas dias do período A adequada administração da evolução da NCG é muito importante para a manutenção do equilíbrio e da estabilidade financeira da empresa porque o financiamento da NCG envolve, em geral, um montante significativo de recursos que acarretam custos para a empresa. A NCG está diretamente ligada ao volume de vendas e ao ciclo financeiro. Os efeitos causados em variáveis no volume de vendas e no ciclo financeiro sobre a NCG podem ser visualizados através da construção de uma matriz de impactos sobre a NCG: TÓPICO 2 | ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DE CURTO PRAZO 187 QUADRO 17 – VOLUME DE VENDAS E CICLO FINANCEIRO DIRECIONADOR AUMENTO DIMINUIÇÃO OBJETIVO GERENCIAL Volume de vendas Ciclo financeiro Ativo cíclico ou operacional Prazo de estoques Prazo de recebimento Passivo cíclico ou operacional Prazo de fornecedores Prazo de salários e encargos a pagar Prazo de impostos a pagar ↑ ↑ ↑ ↓ ↓ ↓ ↓ ↑ ↓ ↑ ↑ ↑ Compatibilizar Diminuir Aumentar FONTE: Adaptado de: Assaf Neto (2005) 9 GESTÃO DE TESOURARIA De acordo com Silva (2005, p. 20): “A tesouraria é a área da empresa que administra os fluxos financeiros e é uma das mais importantes, pois praticamente todos os recursos financeiros passam por ela.” O saldo de tesouraria é dado pela diferença entre as contas do Ativo Circulante Financeiro (ACF) e do Passivo Circulante Financeiro (PCF) que não guardam relação com a atividade operacional da empresa, como demonstrado na equação a seguir: Saldo de Tesouraria (ST) = ACF – PCF ou ST = CDG – NCG Quando o Saldo de Tesouraria for positivo, significa que a empresa tem disponibilidade de recursos, que poderão ser utilizados para financiamento do Ativo Permanente ou simplesmente ficar aplicado no mercado financeiro. Se negativo, demonstra dependência de fontes onerosas de recursos de curto prazo. 188 UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO Quando o saldo de tesouraria, período após período, se revelar crescentemente negativo é forte sinal que a empresa caminha para a insolvência. Exemplo 1: Ano 1 Ano 2 Ano 3 CDG 200 300 400 NCG 250 600 1.200 ST -50 - 300 - 800 ST = CDG – NCG ST ano 1 = 200 – 250 = (50) ST ano 2 = 300 – 600 = (300) ST ano 3 = 400 – 1.200 = (800) Exemplo 2: Ano 1 Ano 2 Ano 3 CDG -200 - 300 - 400 NCG 250 600 1.200 ST - 450 - 900 - 1.600 Podem determinar dificuldades financeiras: - crescimento real das vendas a prazo a percentuais muito elevados; - imobilizações com recursos onerosos de curto prazo; - prejuízos; - ciclo financeiro crescente. Exemplo 3: com ST positivo e crescente: Ano 1 Ano 2 Ano 3 CDG 200 300 400 NCG - 250 - 600 - 1.200 ST 450 900 1.600 Exemplo 4: com ST positivo e crescente: Ano 1 Ano 2 Ano 3 CDG - 200 - 300 - 400 NCG - 250 - 600 - 1.200 ST 50 300 800 De acordo com Silva (2005, p. 21), uma empresa que pretende se manter no mercado de maneira saudável e crescer de maneira sustentável, necessita observar alguns aspectos como: TÓPICO 2 | ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DE CURTO PRAZO 189 » coordenar integralmente o fluxo de caixa, de modo a atingir os resultados programados; » buscar as melhores oportunidades de aplicação de recursos nas atividades operacionais; » verificar as ações tomadas por todas as áreas da empresa e analisar seus aspectos nos resultados financeiros e econômicos; » manter o nível de liquidez em consonância com os objetivos da Diretoria; » manter o foco econômico-financeiro nas decisões operacionais ou estratégicas e não apenas nas financeiras; » considerar o fluxo de caixa como instrumento de gestão, buscando o comprometimento da alta direção do processo; » fixar parâmetros do desempenho financeiro para a empresa de forma geral; » fazer cumprir os interesses globais da empresa em detrimento das necessidades setoriais. IMPORTANT E Na administração da tesouraria não poderá haver segregação de funções, ou seja, as pessoas que executam, não devem ser as mesmas que controlam. A seguir, apresentamos representação gráfica do sistema de tesouraria: FIGURA 5 – REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO SISTEMA DE TESOURARIA SISTEMA DE TESOURARIA Contas a pagar Contas a receber Controle de Fluxo de Caixa Controle de investimentos financeiros Previsão do fluxo de caixa Controle de financiamentos Sistema de contabilidade e orçamentos FONTE: Hoji (2004) 190 UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO LEITURA COMPLEMENTAR O Capital de Giro (CDG) é o recurso utilizado para sustentar as operações do dia a dia da empresa, ou seja, é o capital disponível para condução normal dos negócios da empresa. Alguns pontos importantes da administração eficiente do capital de giro é seu impacto no fluxo de caixa da empresa. O volume de capital de giro utilizado por uma empresa depende de seu volume de venda, política de crédito e do nível de estoque mantido. O CDG necessita de recursos para seu financiamento, ou seja, quanto maior for seu valor, maior a necessidade de financiamento, seja com recursos próprios, seja com recursos de terceiros. As dificuldades relativas ao CDG numa empresa são devidas, principalmente, à ocorrência dos seguintes fatores: • Redução de vendas • Crescimento da inadimplência • Aumento das despesas financeiras • Aumento de custos • Desperdícios de natureza operacional O CDG também é um conceito econômico-financeiro e não uma definição legal, constituindo uma fonte de fundos permanente utilizada para financiar a ‘Necessidade de Capital de Giro’. Capital de Giro Líquido O Capital de Giro Líquido (CGL) é um indicador de liquidez utilizado pelas empresas para refletir a capacidade de gerenciar as relações com fornecedores e clientes. O Capital de Giro Líquido (CGL) é calculado com a subtração do Ativo Circulante (AC) e do Passivo Circulante (PC) CGL = AC − PC Ativo Circulante: representa os recursos disponíveis a curto prazo (caixa, bancos, aplicações financeiras, contas a receber, estoquesetc.). Passivo Circulante: representa os financiamentos a curto prazo da empresa (fornecedores, contas a pagar, empréstimos etc.). TÓPICO 2 | ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DE CURTO PRAZO 191 O objetivo da administração financeira é gerenciar os bens da empresa de forma a se encontrar o equilíbrio entre lucratividade e risco de forma a aumentar o valor da empresa. • CGL positivo: Neste caso, identificamos que a empresa está com superávit de capital de giro. • CGL negativo: Neste caso, identificamos que a empresa está com deficiência em seu capital de giro, significando que parte de seu ativo circulante não está sendo financiada com seus passivos a curto prazo, denotando um quadro de risco. Quanto maior for o CGL da empresa, menor será seu risco de insolvência, porém, um CGL muito alto significa que expressivos fundos de longo prazo estão financiando parte dos ativos circulantes, como os custos destes recursos são sempre mais elevados, isto pode se tornar um problema financeiro para a instituição. Necessidade de Capital de Giro A Necessidade de Capital de Giro (NCG) tem uma grande importância pelo fato de fornecer informações das atividades operacionais, decisões tomadas pela alta gerência e a forma de financiamento das aplicações de recursos. O NCG está diretamente ligado ao ciclo de caixa da empresa. Quando o ciclo de caixa é longo, a necessidade de capital de giro é maior e vice-versa. Assim, a redução do ciclo de caixa - em resumo, significa receber mais cedo e pagar mais tarde - deve ser uma meta da administração financeira. Entretanto, a redução do ciclo de caixa requer a adoção de medidas de natureza operacional, envolvendo o encurtamento dos prazos de estocagem, produção, operação e vendas. O correto dimensionamento da necessidade de capital de giro é um dos maiores desafios do administrador financeiro. Elevado volume de capital de giro irá desviar recursos financeiros que poderiam ser aplicados nos ativos permanentes da empresa. Todavia, capital de giro muito reduzido restringirá a capacidade de operação e de vendas da empresa. A necessidade de capital de giro pode ser estimada de dois modos: • com base no ciclo financeiro ou • com utilização dos demonstrativos contábeis (balanço patrimonial). Exemplo: Como exemplo, um mercado consumidor absorve, mensalmente, o valor de $ 100mil em um determinado produto. Uma empresa “XYZ Ltda” compra este produto mensalmente ao preço de custo de $ 50mil e as revende por $ 100mil. 192 UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO Com o lucro de $ 50mil, a empresa readquire novas peças pelo mesmo preço de custo e as revende pelo mesmo preço de revenda. Caso este seja um mundo ideal sem variações, o capital de giro desta empresa será de $50mil. ANÁLISE DINÂMICA DO CAPITAL DE GIRO O professor e pesquisador francês Michel Fleuriet introduziu na década de 1970 um novo modelo de análise do capital de giro, que ficou associado ao seu nome, o modelo Fleuriet, sendo também conhecido como Análise Dinâmica do Capital de Giro. Inicialmente, o modelo propõe uma nova classificação gerencial para as contas de ativo e passivo circulante, segundo sua natureza financeira ou operacional, sendo essa segregação essencial para o processo de avaliação das necessidades de capital de giro. O ativo (passivo) circulante se subdivide em Ativo Circulante Cíclico (Passivo Circulante Cíclico) e Ativo Circulante Errático (Passivo Circulante Errático). O Ativo (Passivo) Cíclico é composto pelas contas relacionadas às atividades operacionais da empresa, sendo influenciados pelo volume de negócios ou por características das fases do ciclo operacional. O Ativo Cíclico é composto pelas contas como estoques, duplicatas a receber e provisão para créditos de liquidação duvidosa, com as características das fases do ciclo operacional, como prazos de estocagem ou política de prazos de venda. Da mesma forma, o Passivo Cíclico é formado pelas obrigações de curto prazo da empresa, diretamente identificáveis com seu ciclo operacional (fornecedores, salários e encargos e impostos e taxas). FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Capital_de_giro>. Acesso em: 19 jun. 2012. 193 Chegamos ao final do tópico, esperamos que você tenha assimilado bem os conteúdos. Neste tópico, você aprendeu sobre a administração de curto prazo. • Entendeu sobre a importância do capital de giro no dia a dia de uma organização, seja ela, com ou sem fins lucrativos. • Você verificou as diferenças existentes entre ciclo operacional, financeiro e econômico. • Entendeu também sobre a importância da gestão de tesouraria. • Agora, você está apto para solucionar as autoatividades do tópico. RESUMO DO TÓPICO 2 194 AUTOATIVIDADE Resolva os exercícios a seguir sobre Ciclo Operacional e Ciclo Financeiro. 1 Dados: Item Valor inicial Valor final Média Estoque 10.000 5.000 7.500 Dupl. a receber 3.000 2.000 2.500 Dupl. a pagar 4.000 4.000 4.000 Total de vendas: 80.000 C.M.V: 40.000 - Prazo Médio de Recebimento (PMR) = vendas prazoDR - Prazo Médio de Estoques (PME)= CMVESTOQUES - Prazo Médio de Pagamento (PMP) = CMVDP - Ciclo operacional: PME + PMR = - Ciclo financeiro: Ciclo operacional – PMP = 2 Calcular o ciclo operacional e o ciclo financeiro e fazer o gráfico: Estoques $ 60.000 Dupls. a receber (clientes) $ 80.000 Dupls. a Pagar (fornecedores) $ 90.000 Vendas a prazo $ 200.000 C.M.V. $ 120.000 - Prazo Médio de Recebimento (PMR) = vendas prazoDR = 146 dias - Prazo Médio de Estoques (PME) = CMV ESTOQUES - Prazo Médio de Pagamento (PMP) = CMVDP - Ciclo operacional: PME + PMR = 182 DIAS + 146 DIAS = 328 DIAS - Ciclo financeiro: Ciclo operacional – PMP = 3 Calcular o ciclo operacional e o ciclo financeiro e fazer o gráfico: Item Valor inicial Valor final Média Estoque 4.000 6.000 5.000 Clientes 7.000 11.000 9.000 Fornecedores 5.000 7.000 6.000 195 Total de vendas: 70.000 C.M.V: 35.000 - Prazo Médio de Recebimento (PMR) = vendas prazoDR - Prazo Médio de Estoques (PME) = CMVESTOQUES - Prazo Médio de Pagamento (PMP) = CMV DP - Ciclo Operacional: PME + PMR = 47 DIAS + 52 DIAS = - Ciclo Financeiro: Ciclo Operacional – PMP = 4 Assinale V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas. 1) ( ) Quanto mais longo for o ciclo de caixa, mais financiamento será necessário. 2) ( ) O ciclo de caixa diminui à medida que a empresa é capaz de aumentar o período de contas a pagar. 3) ( ) Quanto menor for o ciclo de caixa, menor será o investimento da empresa em estoques e/ou contas a receber. 4) ( ) Ciclo de caixa negativo significa que o período médio de pagamento (PMP) é maior que o ciclo operacional. 5) ( ) O ciclo de caixa de uma empresa pode ser mais longo do que o seu ciclo operacional. 196 197 TÓPICO 3 FONTES DE FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Neste tópico, você entenderá as fontes de financiamento de curto prazo, recursos que vão girar entre o ativo circulante e o passivo circulante, compondo o capital de giro. Por serem de mais facíl acesso, seu custo também é mais elevado que os recursos de longo prazo. Levando-se em consideração que os recursos de longo prazo têm uma finalidade específica, ou seja, financiar principalmente o ativo permanente. Os recursos de curto prazo preenchem temporariamete janelas de escassez, no fluxo de caixa, principalmente, em períodos de sazonalidade no mercado, em relação às vendas, ou também excesso de desencaixe extraodinários, como pagamento de férias, décimo terceiro salário e indenizações. Nas citadas situações é importante que a empresa tenha um limite rotativo junto a umainstituição financeira para manter saudável o caixa. Groppelli e Nikbakht (2005, p. 294) corroboram quando descrevem: O objetivo do financiamento de curto prazo é evitar o de longo prazo, o qual resultaria em excesso de fundos ociosos. O empréstimo de curto prazo, portanto, preenche temporariamente uma lacuna das necessidades de financiamento de uma empresa. Dessa maneira, as despesas para suportar fundos ociosos são evitadas. As empresas podem obter empréstimos de curto prazo de duas maneiras: - empenhando-se na captação de recursos a curto prazo com a emissão de seu próprio título. - captando recursos externamente por meio de intermediários financeiros. UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 198 2 OPERAÇÕES DE DESCONTO As operações de desconto são empréstimos bancários de curto prazo com caução de garantias reais, no caso duplicatas ou cheques, resultantes de suas vendas a prazo. A empresa portadora de duplicatas ou cheques negocia-os junto a um banco, pagando um custo financeiro pela antecipação dos recursos, lógico, caso não havendo a liquidação do título de crédito, na data futura, a empresa terá que reembolsar a instituição financeira. Para Tosi (2004, p. 92), “O desconto é a diferença entre o valor futuro de um título (duplicata, nota promissória, letra de câmbio, cheque pré-datado etc.) e seu respectivo valor atual. O valor do desconto será obtido pela aplicação de uma taxa de desconto sobre o valor nominal do título.” Existem dois tipos de operações de descontos, ou seja, simples e composto. Nas operações de curto prazo é praticado o desconto simples, sendo o desconto composto para as operações de longo prazo. Para nós interessam as operações desconto simples, também conhecidas como desconto comercial ou bancário, que veremos na sequência. 2.1 DESCONTO BANCÁRIO/COMERCIAL O desconto simples também é conhecido como desconto comercial ou bancário. Este tipo de desconto à taxa incide sobre o valor nominal do título, ou seja, seu valor futuro. A modalidade de desconto bancário ou comercial é a modalidade de desconto mais praticada no país. Tosi (2004, p. 93) corrobora de forma contundente dizendo: “Na prática brasileira, apenas o desconto comercial ou bancário é amplamente utilizado.” As empresas executam suas vendas a prazo através da emissão de duplicatas contra seus clientes. Tal instrumento traduz-se numa espécie de financiamento concedido aos seus clientes, com liquidação futura, por ocasião do pagamento por parte do sacado. Como essas duplicatas, na maioria dos casos, são emitidas fracionadas e com prazos alongados por questões comerciais, existe a necessidade da antecipação dos recursos para suprir possíveis carências de caixa. Existe, então, a necessidade de desconto junto a um banco, mediante pagamento de taxa de juro, impostos e tarifas. TÓPICO 3 | FONTES DE FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO 199 FIGURA 6 – FLUXO OPERACIONAL DE UMA OPERAÇÃO DE DESCONTO CEDENTE Empresa Vendedora SACADO Empresa Compradora BANCO 2 1 3 FONTE: Tosi (2004) 1 – Venda a prazo com emissão da duplicata pela empresa vendedora. 2 – Negociação e desconto do título com o banco. A empresa vendedora (cedente) recebe os recursos liberados em sua conta corrente. 3 – Cobrança do sacado no vencimento da duplicata. O comprador (sacado) recebe o aviso de cobrança bancária. No vencimento, o sacado liquida a duplicata por meio de seu pagamento ao banco. Para realização do desconto de um título de crédito existem fórmulas de cálculo, como demonstraremos na sequência. D = VN x i x n D = valor do desconto i = taxa de juros (forma unitária, ou seja, dividida por 100) n = prazo da antecipação VA = VN - D VA = Valor atual VN = Valor nominal D = Valor do desconto VA = VN (1- i.n) VA = Valor atual VN = Valor nominal I = taxa de juros N = prazo Exemplificando: UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 200 Uma duplicata no valor de $ 10.000,00 foi descontada junto a um banco três meses antes de seu vencimento, a uma taxa de juros de 1,5% ao mês. Pede-se: a) Calcule o valor de desconto. D = VN x i x n D 10.000,00 x 0,015 x 3 D = $ 450,00 b) Calcule o valor atual do título. VA = VN ( 1 – i.n) VA = 10.000 ( 1 – 0,015 x 3) VA = $ 9.550,00 AUTOATIVIDADE 1 Um borderô de duplicatas no valor de $ 15.000,00 foi descontado junto a uma instituição financeira, a uma taxa de 2,5% am. Sabendo-se que o prazo médio dos títulos foi de 75 dias, calcule o valor líquido creditado para a empresa. 2 Determine qual foi a taxa mensal cobrada de um cliente, que recebeu a importância de $ 6.534,00 de um agente financeiro, ao descontar uma duplicata no valor de $ 6.850,00 pelo prazo de 35 dias. 3 Uma duplicata de $ 7.500,00 foi descontada junto a uma instituição financeira gerando um valor líquido de $7.342,00. Sabendo-se que a taxa cobrada foi de 12,50% aa, determine qual foi o prazo de antecipação. 4 Uma duplicata gerou uma quantia líquida de 3.858,00, sendo descontada a uma taxa de 1,80% am, faltando 62 dias para o seu vencimento. Calcule o valor nominal da duplicata. 5 Uma nota promissória de $ 9.000,00 foi antecipada em 45 dias, junto a uma instituição financeira a uma taxa de 1,25% am. Qual foi o valor do desconto? 6 Uma empresa descontou 10 títulos junto a um agente financeiro, no valor de $ 125.500,00, sendo que recebeu líquido a importância de $ 122.345,00. Sabendo-se que o prazo médio do borderô foi de 45 dias, determine a taxa mensal do desconto. 7 Um cheque no valor de $ 3.850,00 foi descontado junto a um banco, 60 dias antes do vencimento, sendo que o sacador da referida ordem recebeu líquido $ 3.500,00. Qual foi a taxa mensal de desconto? TÓPICO 3 | FONTES DE FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO 201 8 Um título de crédito no valor de $ 5.650,00 foi descontado 70 dias antes do seu vencimento, resultando num valor líquido de $ 4.956,00. Qual foi a taxa mensal da operação? 9 Um borderô de 25 títulos totalizando $ 18.890,00, com prazo médio de 38 dias, resultou num crédito na conta da empresa no valor de $ 16.768,00. Qual foi a taxa mensal do desconto? 10 Uma empresa antecipou uma duplicata de $ 10.500,00 junto a um agente financeiro, pelo prazo de 33 dias, recebendo líquido a importância de $9.859,00. Calcule a taxa mensal da operação. 2.2 IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES FINANCEIRAS Na sequência estudaremos o IOF. O que é? Qual sua função específica em relação às movimentações financeiras. O Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF – tem como base de sua regulamentação e aplicação o decreto n◦ 4.494, de 03/12/02 e a Instrução Normativa n◦ 46, de 02/05/01, ambos da Secretaria da Receita Federal. O IOF incide sobre as operações de crédito realizadas: • por instituições financeiras (Lei n◦ 5.143, de 20/10/66, artigo 1.0); • por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de, serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços - factoring (Lei n◦ 9.249, de 26/12/95, artigo 15, parágrafo 1.0, inciso III, alínea “d”, e lei n◦ 9.532, de 10/12/97, artigo 58); e • entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei n◦ 9.779, de 19/01/99, artigo 13). Esse mesmo tipo de imposto também é cobrado sobre: • as operações de câmbio (Lei n◦ 8.894, de 21/06/94, artigo 5.0); • as operações de seguro realizadas por seguradoras (Lei n◦ 5.143/66, artigo 1.0); • as operações relativas a títulos e valores mobiliários (Lei n◦ 8.894/94, artigo 1.0); • as operações com outro ativo financeiro ou instrumento cambial (Lei n◦ 7.766, de 11/05/89, artigo 4.0). Principais situações em que a alíquota do IOF fica reduzida a zero: • a que figure como tomadora do crédito uma cooperativa; • a realizada entreuma cooperativa de crédito e seus associados; • o crédito à exportação, bem como de amparo à produção ou estímulo à exportação; UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 202 • o crédito rural, destinado a investimento, custeio e comercialização; • a realizada pela Caixa Econômica Federal, sob garantia de penhor civil de joias, de pedras preciosas e de outros objetos; • a efetuada pelo BNDES ou por seus agentes financeiros, com recursos daquele banco ou de fundos por ele administrados; • relativas sobre adiantamento contrato de câmbio – ACC. 2.3 GARANTIAS BANCÁRIAS Toda e qualquer operação de crédito deverá ter uma garantia de pagamento por parte da pessoa que pegou o dinheiro emprestado. Essas garantias poderão ser pessoais como um simples aval, ou seja, uma assinatura num contrato de crédito ou real, como por exemplo, a hipoteca de uma casa. As operações de empréstimos feitas pelos bancos normalmente exigem garantias que asseguram o reembolso das instituições financeiras em caso de inadimplência dos tomadores de empréstimos. As garantias podem ser prestadas por pessoas físicas ou jurídicas ou por bens e direitos. Podemos classificá-las, portanto, em PESSOAIS e REIAS. As garantias pessoais ou fidejussórias correspondem à interveniência de terceiras pessoas em operações de crédito. São garantias obrigacionais que envolvem o patrimônio pessoal dos garantidores e não um bem específico. A seguir, estudaremos as principais modalidades de garantias: 2.3.1 Garantias pessoais 2.3.1.1 Avala É uma garantia dada em títulos de crédito ou assemelhados: nota promissória, letra de câmbio, duplicata, notas de crédito, cédulas rurais etc.. O avalista é solidário na obrigação, contida no título de crédito. Isto corresponde, na prática, que o avalista se constitui em principal devedor da obrigação. Ou seja, o avalista responde pelo valor consignado no título de crédito da mesma forma que o avalizado. Desta maneira, o credor TÓPICO 3 | FONTES DE FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO 203 poderá exercer a cobrança do débito, tato do devedor principal como dos avalistas, indistintamente. Na hipótese de mais de um avalista, a ordem em que comparecem no título de crédito não exerce nenhuma prioridade ou benefício. A obrigação do avalista é limitada ao valor registrado no título de crédito, acrescido de encargos legais. Se o título de crédito estiver vinculado a um contrato, o avalista responderá igualmente pelos encargos pactuados como juros, multas e outros acessórios. Neste caso, o avalista deverá formalizar sua concordância no título e no contrato de crédito. Cabe ao avalista, que honrar a obrigação, direito de ação regressiva contra o avalizado e outros avalistas, se houver. 2.3.1.2 Fiança Enquanto o aval é uma garantia dada em títulos de crédito, a fiança é formalizada em contratos. Trata-se de uma garantia pessoal que tem caráter subsidiário. Isto significa que somente poderá ser executada na falta de cumprimento da obrigação por parte do devedor principal. Ao fiador é reservado o beneficio de ordem. Ao fiador cabe ainda o benefício de divisão que corresponde à divisão de responsabilidade com outros fiadores que compareçam no mesmo ato. Os benefícios de ordem e de divisão são renunciáveis e muitos credores somente aceitam a fiança com essa condição. A inclusão da claúsula de solidariedade no contrato torna o fiador em principal devedor, assemelhando-se, neste aspecto, ao aval. No caso de fiança prestada por pessoa casada, há a necessidade de outorga marital, que corresponde à necessidade do(a) cônjuge de também firmar a fiança no contrato. A ausência desse procedimento poderá tornar nula, de pleno direito, a garantia prestada. Em se tratando de fiança prestada por pessoa jurídica, há a necessidade de se examinar seus documentos constitutivos, assegurar-se de sua competência legal para o ato. Da mesma forma que o aval, cabe ao fiador que honrar a obrigação direito de ação regressiva contra o afiançado e outros fiadores, se houver. UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 204 2.3.2 Garantias reais As garantias reais correspondem à vinculação de um bem específico em uma operação de crédito. Os titulares dos bens, garantidores da operação de crédito, não poderão aliená-los enquanto vigorar o contato, embora permaneçam, na maioria dos casos, com sua posse. 2.3.2.1 Hipoteca É uma garantia real que recai sobre imóveis. O bem hipotecado permanece na posse de seu proprietário (hipotecante) e ao credor cabe o direito de ajuizar ação judicial para ressarcimento do valor de obrigação creditícia e não paga. Embora menos comum podem também ser objeto de hipoteca outros bens como aeronaves, navios e minas. A formalização da hipoteca dá-se através de escritura que conterá o detalhamento do imóvel dado em garantia e as clausulas pactuadas na operação de crédito. A hipoteca se completa com averbação no Registro de Imóveis respectivo. Os financiamentos vinculados ao SBPE – Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo são dispensados de formalização por instrumento público. São pactuados através de instrumento particular por adesão à escritura padrão previamente lavrada e averbada no Registro de Imóveis. Os contratos particulares são igualmente validados por averbação na matrícula referente ao imóvel. Sobre um mesmo imóvel poderão ser feitas mais hipotecas, desde que o valor do imóvel comporte. Diz-se hipoteca de 1º grau, 2º grau etc. Uma segunda ou mais hipotecas, de uma forma geral, somente são aceitas pelos credores, quando as anteriores também são a seu favor. A concorrência de outros credores sobre um mesmo imóvel fragiliza a garantia. 2.3.2.2 Alienação fiduciária Este tipo de garantia é o instrumento jurídico mais novo na legislação brasileira. Foi criado em 1965 pela Lei n◦ 472814, de 14/07/65. Para garantir uma dívida, o devedor transfere o domínio (propriedade) de um bem para o credor, permanecendo, entretanto, com sua posse. O não cumprimento pelo devedor (devedor fiduciante) permitirá ao credor (credor fiduciário) promover ação de busca e apreensão. TÓPICO 3 | FONTES DE FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO 205 Poderão ser objeto de alienação fiduciária todos os bens móveis que possam ser identificados detalhadamente no contrato. Saldada a dívida, o credor fornece ao devedor um termo de quitação para que seja levantado o gravame e reassume a propriedade do bem alienado. A alienação fiduciária sedará através de contrato que contenha, entre outras cláusulas, o detalhamento do bem, objeto da alienação. O contrato deverá ser registrado no Cartório de Registro de Títulos e Documentos para que tenha validade. No caso de financiamento de veículos deverá ser feito, também, o registro no DETRAN. 2.3.2.3 Penhor O penhor mercantil, segundo o Código Comercial, “é a dação de um bem móvel ou imobilizável, suscetível de alienação para garantia de um débito”. Pode ser dado em penhor, entre outros, bens móveis como máquinas, equipamentos, mercadorias e títulos de crédito. O penhor de títulos de crédito é conhecido como caução de títulos. A operação de penhor é celebrada através de contrato e deve ser registrada no Cartório de Registro de Títulos e Documentos para ter validade. O penhor se configura pela entrega do bem ao credo (tradição). Por praticidade, no caso de penhor de bens físicos, o bem é dado à guarda de um depositário (fiel depositário) que, na maioria das vezes, é o próprio vendedor. 2.3.2.4 Caução de títulos Trata-se de um caso particular de penhor. Consagrar-se no mercado caracterizando um tipo especial de operação de crédito. O conhecido desconto de títulos não é outra coisa, senão a concessão de um crédito concedido com caução de títulos. UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 206 2.3.2.5 Caução de ativos Também se trata de um caso particular de penhor em que ativos financeiros são vinculadosa uma operação de crédito a título de garantia. É comum a utilização de títulos públicos em operações dessa natureza. Em contratos de prestação de serviços, especialmente os formulados com órgãos públicos, a caução de títulos tem sido bastante utilizada. DICAS Além dos bens imóveis, como prédios e terrenos, também são sujeitos à hipoteca os navios, locomotivas, aeronaves e estradas de ferro. 2.4 DESCONTO DE DUPLICATAS/CHEQUES É o adiantamento de recursos aos clientes, feito pelo banco, sobre valores referenciados em duplicatas de cobrança ou notas promissórias, de forma a antecipar o fluxo de caixa do cliente. Normalmente, o desconto de duplicatas é feito sobre títulos com prazo máximo de 60 dias e prazo médio de 30 dias. A operação de desconto dá direito de regresso, ou seja, no vencimento, caso o título não seja pago pelo sacado, o cedente assume a responsabilidade do pagamento, incluindo multa e/ou juros de mora pelo atraso. FONTE: Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/16065419/Trabalho-Financiamento>. Acesso em: 20 set. 2012. 2.4.1 Cobrança e pagamento de títulos A cobrança de títulos foi o produto mais importante desenvolvido pelas instituições nos últimos 10 anos. Serve para aumentar o relacionamento entre a instituição financeira e a empresa. A cobrança é feita através de bloquetos, que podem circular pela câmara de compensação 16 (câmara de integração regional) o que permite que os bancos cobrem títulos de clientes em qualquer praça (desde que pagos até o vencimento – após o vencimento, o pagamento somente poderá ser feito na agência emissora do bloqueto). TÓPICO 3 | FONTES DE FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO 207 Os valores resultantes da operação de cobrança são automaticamente creditados na conta corrente da empresa cliente no prazo estipulado entre o banco e o cliente. Vantagens da cobrança de títulos. Para o banco: • aumento dos depósitos à vista, pelos créditos das liquidações; • aumento das receitas pela cobrança de tarifas sobre serviços; • consolidação do relacionamento com o cliente; • inexistência do risco de crédito. Para o cliente: • crédito imediato dos títulos cobrados; • consolidação do relacionamento com o banco; • garantia do processo de cobrança (quando necessário o protesto). Processo de cobrança bancária: • os títulos a serem cobrados (ou modernamente apenas seus dados, via computador) são passados ao banco; • o banco emite os bloquetos aos sacados (aquele que deverá pagar o valor do bloqueto); • o sacado paga; • o banco credita o valor na conta do cliente. FONTE: Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/3248004/CONHECIMENTOS-ESPECIFICOS- SERVICOS-BANCARIOS>. Acesso em: 20 set. 2012. 2.5 TAXA DE DESCONTO Esse assunto foi estudado anteriormente, quando vimos o cálculo sobre desconto bancário. Repetindo, a taxa de desconto é os juros cobrados sobre o valor nominal de uma duplicata, no momento do fechamento da operação contratual. 2.6 INFLUÊNCIA DO PRAZO SOBRE O CUSTO DO CAPITAL A matemática financeira estuda a evolução do capital na linha do tempo futuro, com um custo efetivo, ou seja, taxa de juros. Logo o prazo é muito importante UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 208 para determinar o custo de uma operação financeira, porque ele está diretamente relacionado ao risco, ou seja, quanto maior for o prazo de indisponibilidade do capital, maior será o risco atuante sobre este capital. Geralmente nos fluxos financeiros envolvendo desconto de duplicatas, o mercado trabalha com prazo médio ponderado, como demonstraremos a seguir: Fórmula: 1 1 2 2 3 3 1 2 3 ( ) ( ) ( ) ( )Prazo médio FV xn FV xn FV xn FVxn FV FV FV FV ⊕ ⊕ = = ⊕ ⊕ ∑ Exemplo: Calcular o prazo médio do seguinte borderô de duplicatas: Duplicata $ n A 80.000 45 B 50.000 60 C 45.000 90 Resolução pela aplicação da fórmula. (80.000 x 45) + (50.000 x 60) + (45.000 x 90) 80.000 + 50.000 + 45.000 Resolução pela calculadora financeira HP 12c. F Reg 45 Enter 80000 +Σ 60 Enter 50000 +Σ 90 Enter 45000 +Σ g 6 = 60,85 dias ≅ TÓPICO 3 | FONTES DE FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO 209 LEITURA COMPLEMENTAR CONTEXTO HISTÓRICO E A EVOLUÇÃO DO INSTITUTO Instituições Financeiras e a Concessão de Crédito As instituições financeiras exercem função de grande importância, relacionada com o crescimento e com o desenvolvimento econômico, em especial ao atuar na captação de recursos e na concessão de créditos, com o respectivo spread bancário, além dos demais serviços prestados. Portanto, são os agentes econômicos que propiciam o fomento à produção de riquezas, ao financiar atividades produtivas. Por tal motivo, é inimaginável concebermos uma economia de mercado, nos moldes atuais, sem a presença de instituições financeiras fortalecidas. No Brasil, a primeira instituição bancária foi o Banco do Brasil, criado por D. João VI em 1808. Em 1836, foi criado o primeiro banco privado, o Banco do Ceará e, em 1838, foi criado o Banco Comercial do Rio de Janeiro, sendo seguido pelo surgimento de bancos comerciais na Bahia, Maranhão e Pernambuco. Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá, fundador do Banco Mauá, em 1854, afirmou a importância do Banco do Brasil, que tinha como missão tornar conhecido o uso do mais poderoso instrumento da civilização moderna no tocante à criação da riqueza: o crédito. O crédito é um instrumento indispensável para a criação e a circulação de riquezas. Conforme Túlio Ascarelli, “se não existisse o crédito e o comerciante tivesse que usar somente capital próprio, certamente o seu negócio teria um vulto muito menor”. No cenário mundial, vale registrar que em 1811, os Estados Unidos da América possuíam 90 (noventa) bancos desenvolvendo atividades e, em 1813, já totalizavam duzentos e oito, conforme registra Jason Goodwin. Goodwin, que ressalta ser a riqueza a medida de valor na sociedade norte- americana, citando em sua obra Charles Tocqueville, francês, escritor político, entende que “a característica nacional mais marcante da América é a sua obsessão por dinheiro. Ele é a medida da existência naquela democracia”. Desde os primórdios, os Estados Unidos da América utilizam o crédito como instrumento para alavancar a produção e o consumo. Atualmente, continuam os maiores tomadores de recursos do mundo: captam cerca de US$ 500 (quinhentos) bilhões ao ano, acumulando uma dívida interna de 5 (cinco) trilhões de dólares. UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 210 A importância da concessão de crédito é apontada por Keynes e Kalecki, os dois fundadores do estudo da macroeconomia, os quais entendem que, em uma economia de mercado desenvolvida, empresários e consumidores podem gastar conjuntamente acima de suas receitas correntes, desde que haja um sistema de crédito. Até então, a crença dominante era que o crescimento da renda da comunidade e dos lucros empresariais dependia da disposição de um grupo social, especialmente dos empresários (mas também dos consumidores, do governo ou dos estrangeiros) de gastar acima de sua renda corrente, isto é, de colocar mais dinheiro na economia do que as receitas auferidas. Nos primórdios do capitalismo a atividade principal dos bancos era o financiamento da dívida pública (garantida por impostos) e do comércio de longa distância. Com a revolução industrial, com a aceleração dos negócios, não só cresceram as operações de desconto mercantil como se expandiu o avanço de crédito aos produtores privados. O crédito assumiu então sua função de antecipação de capital monetário: uma aposta sujeita a perdas, no acréscimo de valor a ser criado no processo de produção, “entendido como a utilização da força de trabalho assalariada e dos elementos do capital fixo e circulante na transformação de bens com o propósito de gerar mais dinheiro nas vendas das mercadorias produzidas”. Em decorrência, “os empresários em conjunto podem gastar valores superiores às suas receitas correntes por contada existência do sistema de crédito, compreendendo os bancos e os demais intermediários financeiros.” O sistema financeiro caracteriza-se como ferramenta indispensável para o progresso de uma economia de mercado, sendo certo que a existência de um sistema de crédito estruturado e eficiente é premissa indispensável para o desenvolvimento econômico e, por consequência, social. O crédito bancário movimenta a economia, garante o comércio e a fluidez dos mecanismos de troca. “A confiança subsistente entre homens de comércio nas suas relações mercantis é o crédito, conforme definiu Henry Thornton no século XIX [...] Haverá pouca confiança e crédito e, igualmente, pouco comércio, numa sociedade na qual a lei e o senso moral são fracos e, em consequência, o direito de propriedade privada é inseguro”. A certeza e o amparo jurídico às relações é pressuposto indispensável ao desenvolvimento econômico, em especial para a universalização de acesso ao crédito com redução da taxa de juros. À evidência, o objeto da atividade dos bancos, o dinheiro, é um bem escasso e precioso, mas caracteriza elemento imprescindível para o desenvolvimento econômico, premissa já apontada. É primordial que as operações financeiras que envolvam a concessão de crédito sejam formalizadas com a devida segurança, a fim de dotar o instrumento constituído de liquidez e certeza, circunstância que eleva a possibilidade de recuperação dos valores envolvidos. TÓPICO 3 | FONTES DE FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO 211 Os direitos reais de garantia ganham destaque, pois com a vinculação de um bem ao cumprimento de uma obrigação, ocorre a elevação do nível de garantia. No entanto, devem-se levar em consideração as formalidades envolvidas para a regular constituição do gravame, ou seja, o custo-benefício em relação ao montante da operação objetivada. Com efeito, a constituição de garantias reais sempre envolve formalidades e custo elevado, além de hipóteses nas quais resta evidente a incompatibilidade em relação à celeridade que o mercado financeiro exige, inviabilizando assim a consecução de algumas transações. A criação da Cédula de Crédito Bancário evidencia a intenção de o legislador assegurar o exercício da atividade bancária, bem como criar condições para aumentar a disponibilidade de recursos (liquidez) no mercado, para fomentar a atividade econômica, inclusive por meio de capital de giro, financiamentos e empréstimos aos micro e pequenos empresários, com redução de custos. GARANTIAS DA CÉDULA DE CRÉDITO Em toda a operação de crédito, o risco está relacionado à capacidade de pagamento dos pretensos tomadores, seu patrimônio e à valoração de eventuais garantias oferecidas e constituídas. A partir da avaliação global de tais elementos, associada ao custo de captação dos recursos, será fixado o spread bancário incidente, em relação às diversas modalidades de operações bancárias. A Cédula de Crédito Bancário, dada sua natureza, representa garantia ao credor quanto à existência de uma obrigação a ser cumprida pelo devedor, líquida, certa e exigível, de acordo com as condições pactuadas, na forma emitida pelo tomador, de especial importância nas operações de crédito rotativo. A critério das partes e, especialmente, a depender dos interesses do credor (face ao grau de risco avaliado), podem ser inseridas garantias adicionais, inclusive com a natureza real, a fim de destacar a condição do credor em relação a eventuais bens do devedor, dando-lhe preferência quanto demais credores quirografários, se for o caso de inadimplemento. Mediante tal procedimento, em tese seria lícito falar-se na minimização do risco e, por consequência, na criação de condições para que a operação ocorra sob encargos mais favoráveis ao tomador. E, mais uma vez, estamos falando em condições adstritas à função social dos institutos envolvidos. Os direitos reais e pessoais de garantia representam instrumentos que viabilizam a conversão e o acesso ao valor pecuniário por parte dos interessados na obtenção de crédito. Assim, tornam-se palpáveis os aspectos comuns entre os direitos reais e os direitos pessoais, considerados estes como meios de universalização de acesso ao crédito. UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 212 A garantia é elemento assecuratório de cumprimento da obrigação assumida pelo tomador, introduzida mediante a inserção de cláusula expressa na cártula emitida, pressupondo acordo entre as partes. A existência de garantia, em sentido amplo, é um dos aspectos que determinará a aferição do fator risco. De outra, avaliada a condição patrimonial e demais aspectos cadastrais do pretenso tomador, será detectada menor ou maior possibilidade de inadimplemento. Em consequência, menor ou maior será a exigência quanto à constituição de garantias cedulares, em sentido estrito. Mediante previsão expressa, poderá ainda ser exigida a complementação e/ou a substituição da coisa dada em garantia, na hipótese de qualquer acontecimento que ao mínimo a deteriore ou a deprecie, bem como a constituição de seguro sobre a coisa dada em garantia. A seleção da garantia é momento crucial, no qual poderá ser definida toda a perspectiva de êxito da operação para o credor, bem como o risco envolvido, o que repercutirá na qualidade da carteira de crédito a partir de então formada. Isto porque, em muitos casos há a constituição de garantia que se reflete meramente formal, como, por exemplo, estoque de mercadorias ou bens de produção, cujo valor de mercado é questionável, ou seja, são garantias de difícil realização, no sentido de serem convertidas em recursos suficientes para amortização do débito, ao mínimo. A garantia da Cédula de Crédito Bancário poderá ser fidejussória ou real, neste último caso constituída por bem patrimonial de qualquer espécie, disponível e alienável, móvel ou imóvel, material ou imaterial, presente ou futuro, fungível ou infungível, consumível ou não, cuja titularidade pertença ao próprio emitente ou a terceiro garantidor da obrigação principal. O tema é regido pela legislação específica, bem como, em caráter supletivo, pelas disposições contidas no Código Civil. Assim, teceremos considerações acerca das principais modalidades de garantia exigidas e prestadas em operações de crédito bancário. A CCB pode ser emitida com ou sem garantia real ou fidejussória, sendo um título executivo extrajudicial, representando dívida em dinheiro certa, líquida e exigível, seja pelo valor nela indicado ou pelo saldo devedor demonstrado em planilha de cálculo ou extrato de conta corrente. (FORTUNA, 2005, p. 176-177). Garantias Fidejussórias As garantias pessoais ou fidejussórias são representadas por obrigação acessória que um terceiro assume perante o credor, responsabilizando-se pelo pagamento da dívida, caso o devedor não pague ou não possa cumprir com a obrigação então assumida, total ou parcialmente. TÓPICO 3 | FONTES DE FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO 213 Consoante previsão expressa no já mencionado artigo 31 da Lei nº 10.931/2004, a Cédula de Crédito Bancário comporta a constituição de garantias fidejussórias. As garantias pessoais, por não destacarem e não vincularem nenhum bem material do outorgante, são respaldadas na confiança, probidade e caráter de quem a está prestando. No direito brasileiro temos dois tipos de garantias pessoais aplicáveis às operações de crédito: fiança e aval. Fiança A fiança, como ensina Beviláqua, é uma espécie do gênero garantia. A fiança é a garantia pessoal dada pelo fiador (quem afiançou) e que se responsabiliza em nome do afiançado (o abonado). Assim, o fiador é pessoa física ou jurídica que se obriga pelo afiançado (devedor), assumindo, total ou parcialmente, obrigação pecuniária contraída e não paga pelo afiançado. O Código Civil estabelece, em seu artigo 818 e seguintes, que, pelo contrato de fiança, uma pessoa garante satisfazer ao credor uma obrigação assumida pelo devedor, caso este nãoa cumpra, sendo a fiança dada somente por escrito, não sendo permitida interpretação extensiva. Trata-se de negócio feito diretamente entre o fiador e o credor, que prescinde não só da presença do devedor, como pode mesmo ser efetuado sem sua ciência ou sem seu consentimento e mesmo contra sua vontade. Inclusive dívidas futuras podem ser objeto de fiança. Neste caso, o fiador não será demandado senão depois que se fizer certa e líquida a obrigação do principal devedor. A fiança compreenderá todos os acessórios da dívida principal, inclusive as despesas judiciais, desde a citação do fiador. A fiança pode ser de valor inferior ao da obrigação principal e contraída em condições menos onerosas, e, quando exceder o valor da dívida, ou for mais onerosa que ela, não valerá senão até ao limite da obrigação afiançada. Aval Aval é instituto de Direito Comercial e Cambiário, e corresponde à garantia que é dada por terceiro estranho ao título de crédito, pela qual se prende à obrigação cambial, isto é, fica solidariamente vinculado ao título avalizado, pelo compromisso que assume de pagar a importância que nele se contém, quando não a pague o devedor, que é por ele garantido. Nos termos do artigo 30 da Lei Uniforme e do artigo 897 do Código Civil, “o pagamento de título de crédito, que contenha obrigação de pagar soma determinada, pode ser garantido por aval”. UNIDADE 3 | FERRAMENTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA PARA A TOMADA DE DECISÃO 214 O aval corresponde a uma garantia cambial, firmada por terceiro – o avalista – ao avalizado, garantindo o pagamento do título. O avalista pode ser um terceiro estranho ao título ou alguém que já seja obrigado. O avalista assume uma obrigação igual à de seu avalizado, tanto quanto aos efeitos, como no que tange às consequências. A Lei Uniforme, em seu artigo 31, é expressa: “o aval deve indicar por quem se dá. Na falta de indicação, entender-se-á pelo sacador”, ou seja, em prol deste. Duas são as características principais do aval: de um lado, a autonomia; de outro, a equivalência. O avalista assume, perante o credor do título, uma obrigação autônoma, mas equivalente à do avalizado. Ou, para dizer o mesmo, por termos diversos, o aval é dotado de autonomia substancial e acessoriedade formal. Conforme Fábio Ulhoa Coelho, a existência, a validade e a eficácia do aval não estão condicionadas à operação avalizada, motivo pelo qual a obrigação do avalista não fica prejudicada pela impossibilidade de exercício do direito do credor. Por exemplo: se o devedor em favor de quem o aval é prestado era incapaz (e não foi devidamente representado ou assistido no momento da assunção da obrigação cambial), ou se a assinatura dele no título era falsificada, esses fatos não desconstituem nem alteram a extensão da obrigação do avalista. Eventuais direitos que beneficiam o avalizado não se estendem ao avalista, conforme menciona o apontado doutrinador. Com efeito, “se o primeiro obtém, numa recuperação judicial, o direito de postergar o pagamento da letra de câmbio, o seu avalista não pode se furtar ao cumprimento da obrigação, no vencimento constante do título. O avalista, em eventual execução, não pode valer- se das exceções pessoais do avalizado, mas apenas as suas próprias exceções” 42 (por exemplo: pagamento parcial do título de crédito). A obrigação do avalista é autônoma em relação à do avalizado. Assim, ainda que a obrigação do avalizado seja nula ou falsa (salvo se a nulidade decorrer de vício de forma, hipótese em que não haverá, sequer, título de crédito), permanece, na íntegra, a obrigação do avalista, que a ela se vinculou pela sua assinatura no anverso do título, com ou sem a expressão “bom para aval” ou outra equivalente (se aposta no anverso, a expressão necessariamente deverá constar). O avalista não pode arguir exceção própria do avalizado, tendo em vista que a obrigação assumida é autônoma em relação à do avalizado, não fazendo parte, portanto, da relação casual entre o avalizado e o credor deste. O avalista somente pode opor exceção pessoal a quem lhe exigir o pagamento do título. Como exemplo e exceções pessoais, temos a alegação de coação a prestar aval ou de falsificação de assinatura; de outra, restam ainda as exceções comuns a todos os devedores, tais como vícios formais, prescrição, decadência, pagamento etc. TÓPICO 3 | FONTES DE FINANCIAMENTO DE CURTO PRAZO 215 Garantias Reais As garantias reais são representadas pela obrigação acessória que uma pessoa assume perante o credor, vinculando um bem ao cumprimento da obrigação principal, caso o devedor não pague ou não possa cumprir com o pactuado. Consoante previsão expressa (artigo 31 da Lei nº 10.931/2004), a Cédula de Crédito Bancário comporta a constituição de garantias reais. As garantias reais, por destacarem e vincularem determinado bem do outorgante, devem ser devidamente registradas, a fim de serem providas de eficácia erga omnes. As garantias reais são dotadas de “realidade”, conforme preleciona Pontes de Miranda, pois conferem ao seu titular, credor da obrigação, um poder particular e dependente, suficiente para apreender o bem outorgado, “se estiver em poder de terceiro para fazer valer aquela razão creditória e aqueles direitos de preferência a qualquer outro credor”. Para Martin Wolff, a essência real dos gravames é indiscutível, diante dos poderes conferidos ao seu titular, inclusive quanto à iniciativa para satisfação do débito mediante a realização da garantia então tratada. No direito comparado, ressaltamos a previsão constante do Código Civil argentino, artigo 3.939 a 3.946 quanto ao direito de retenção. Nos termos do artigo 3.939 e seguintes, o direito de retenção é a faculdade concedida ao possuidor de um bem, na condição de credor de uma obrigação ao mesmo relacionada, para manter a posse enquanto não satisfeita a obrigação pelo devedor, proprietário do bem. É considerado um recurso eficaz para assegurar o cumprimento de obrigações. O instituto causa controvérsia na doutrina local quanto à natureza jurídica. Para alguns autores, é um direito real (pois pode ser oposto perante terceiros). Outros o consideram um direito pessoal acessório. E ainda, há os que o classificam como um direito sui generis, posto que sem ser real pode ser oposto perante terceiros. Para Guillermo Borda, trata-se de uma exceção processual, que permite a retenção do bem (corpóreo ou incorpóreo) relacionado ao crédito, enquanto não houver o devido pagamento pelo obrigado devedor. FONTE: Disponível: <http://www.fadisp.com.br/download/turma_m3/SILVIO_COSTA_DA_ SILVA_PEREIRA _2.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2012. 216 Chegamos ao final do último tópico do nosso caderno. Nesse tópico, você estudou: • As fontes de financiamentos de curto prazo, entendendo sua finalidade e os custos inerentes nas operações. • Aprendeu sobre o desconto bancário e sua metodologia de cálculo. • Conheceu os tipos de garantias e suas distinções, assim como o imposto sobre as operações financeiras e as normativas que o amparam. • É importante que você leia a leitura complementar, ela vai lhe ajudar no seu autoaprendizado. RESUMO DO TÓPICO 3 217 AUTOATIVIDADE 1 São bens sujeitos à hipoteca: a) ( ) Prédios, veículos e navios. b) ( ) Prédios, navios e locomotivas. c) ( ) Somente prédios. d) ( ) Somente veículos. 2 São garantias sobre empréstimos: a) ( ) Hipoteca. b) ( ) Aval. c) ( ) Alienação fiduciária. d) ( ) Todas estão corretas. 3 Duplicatas são: a) ( ) Recursos oriundos de vendas a prazo. b) ( ) Recursos oriundos de vendas à vista. c) ( ) Recursos oriundos de previsão de vendas. d) ( ) Recursos oriundos de recebimento antecipado. 4 O desconto de duplicatas é uma operação: a) ( ) Em que o cliente antecipa o dinheiro junto ao banco. b) ( ) Que beneficia o fluxo de caixa. c) ( ) Quando o sacado não paga o cedente assume a responsabilidade. d) ( ) Todas as alternativas estão corretas. 5 Vantagens da cobrança de títulos.