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1 
 
CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GUARULHOS – SP 
2 
 
SUMÁRIO 
1 COMUNICAÇÃO: A ORIGEM DO TERMO .............................................................. 3 
1.1 Os fundamentos científicos da comunicação social .............................................. 6 
2 COMUNICAÇÃO E HISTÓRIA ................................................................................. 9 
3 VARIAÇÃO LINGUÍSTICA ..................................................................................... 16 
3.1 Modalidades da língua ........................................................................................ 18 
3.2 Adequação linguística ......................................................................................... 19 
4 MODALIDADES DE FALA E GRAU DE FORMALIDADE ...................................... 20 
4.1 Gêneros de cunho oral, textual e híbrido............................................................. 24 
4.2 Discurso................................................................................................................26 
4.3 Diálogo..................................................................................................................26 
4.4 Intencionalidade discursiva .................................................................................. 27 
4.5 Marcas de subjetividade ...................................................................................... 29 
4.6 O papel da subjetividade ..................................................................................... 32 
5 CONCEPÇÃO INTERACIONISTA E LINGUAGEM ................................................ 37 
6 TEXTO E INTERAÇÃO .......................................................................................... 41 
6.1 Intertextualidades implícita e explícita ................................................................. 43 
7 COMUNICAÇÃO ESCRITA .................................................................................... 45 
7.1 O surgimento da escrita ...................................................................................... 45 
8 GÊNEROS E TIPOS TEXTUAIS ............................................................................ 48 
8.1 Apontamentos iniciais ......................................................................................... 48 
8.2 Gêneros textuais ................................................................................................. 51 
8.3 Tipos textuais ...................................................................................................... 54 
8.4 Texto e Textualidade ........................................................................................... 59 
8.5 Intertextualidade .................................................................................................. 60 
8.6 Paródia.................................................................................................................61 
3 
 
8.7 Paráfrase..............................................................................................................64 
8.8 Estilização ........................................................................................................... 69 
8.9 Apropriação ......................................................................................................... 71 
9 O TEXTO ACADÊMICO ......................................................................................... 72 
9.1 Fichamento .......................................................................................................... 72 
9.2 Resumo................................................................................................................77 
9.3 A Resenha ........................................................................................................... 80 
9.4 Resenha Crítica ................................................................................................... 81 
9.5 Resenha Descritiva ............................................................................................. 82 
10 O TEXTO COMERCIAL ........................................................................................ 83 
10.1 As Cartas Comerciais ........................................................................................ 83 
11 E-MAILS ................................................................................................................ 86 
11.1 Internet................................................................................................................86 
11.2 O E-mail Propriamente Dito ............................................................................... 86 
11.3 E-mails Comerciais ........................................................................................... 88 
11.4 E-mails Pessoais ............................................................................................... 89 
11.5 Qualidades do Texto ......................................................................................... 90 
11.6 Unidade..............................................................................................................90 
11.7 Adequação ........................................................................................................ 91 
11.8 Concisão......... .................................................................................................. 91 
11.9 Clareza...............................................................................................................91 
11.10 Coerência ........................................................................................................ 92 
11.11 Ênfase e Vigor ................................................................................................. 94 
11.12 Elegância ......................................................................................................... 94 
11.13 Objetividade .................................................................................................... 95 
12 DOMÍNIO DA INFORMAÇÃO ............................................................................... 96 
13 FERRAMENTAS DO REDATOR .......................................................................... 97 
4 
 
13.1 Gramáticas ........................................................................................................ 97 
13.2 Dicionários ......................................................................................................... 98 
13.3 Livros de Redação e Estilo ................................................................................ 98 
13.4 Textos de Consulta da Área .............................................................................. 98 
14 ESTILO E ESTÉTICA ........................................................................................... 99 
14.1 Estilística e Eficácia Redacional ........................................................................ 99 
14.2 Estilística Fraseológica .................................................................................... 100 
15 ESTÉTICA .......................................................................................................... 102 
15.1 Tipos de Estética (Estilos) utilizados ............................................................... 103 
15.2 Correspondência Oficial .................................................................................. 103 
15.3 Outros Documentos Considerados Oficiais ..................................................... 108 
15.4 Correspondência Empresarial ......................................................................... 111 
15.5 Correspondências Particulares ....................................................................... 113 
15.6 Relatórios ........................................................................................................114 
16 NORMAS GERAIS PARA REDAÇÃO ................................................................ 114 
17 REDAÇÃO OFICIAL E REDAÇÃO EMPRESARIAL........................................... 115 
17.1 Redação Oficial ............................................................................................... 116 
17.2 Características Específicas ............................................................................. 118 
17.3 Pronomes de Tratamento ................................................................................ 118 
17.4 Fechos para Comunicações Oficiais ............................................................... 118 
17.5 Identificação do Signatário .............................................................................. 119 
18 ORATÓRIA, RETÓRICA E ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÕES .................. 120 
18.1 ORATÓRIA: ESTRATÉGIA PARA O DESENVOLVIMENTO PESSOAL E 
PROFISSIONAL....................................................................................................... 122 
18.2 FATORES QUE COLABORAM PARA UMA APRESENTAÇÃO BEM 
SUCEDIDA...............................................................................................................123 
18.3 Sugestões para Organizar uma Apresentação ................................................ 124 
5 
 
18.4 Exercite sua fala com vocabulário e estruturas de frases distintas ................. 127 
 
 
3 
 
1 COMUNICAÇÃO: A ORIGEM DO TERMO 
 
https://escolaeducacao.com.br 
Antes mesmo de você se interessar em estudar e pesquisar comunicação, o 
ato de comunicar já fazia parte da sua vida intensamente, não é mesmo? 
As tradicionais interações face a face e os antigos meios, como carta, jornal, 
telégrafo, telefone, rádio e televisão, têm dividido com ou cedido espaço para as 
interações via internet nos computadores e em seguida nos celulares smartphones. 
Hoje, você está conectado durante boa parte do seu dia. Interage com os amigos no 
WhatsApp, vê o que eles fazem no Facebook, no Instagram ou no Snapchat, certo? 
Então, mesmo que não fosse um estudante de comunicação, seria interessante 
conhecer mais sobre esse tema. Afinal, ele faz parte e interfere nas vivências diárias 
de cada um. Mas você sabe o que é, de fato, comunicação? 
Para começar uma discussão sobre o conceito de comunicação, é preciso 
recorrer à etimologia da palavra, ou seja, à sua origem. João Pedro Sousa (2006), em 
Elementos de Teoria e Pesquisa da Comunicação e dos Media, alerta para o fato de 
que esse não é um conceito simples de delimitar. Isso ocorre pela sua amplitude e 
também porque diversas formas de comunicação ocorrem a todo momento, 
intencionalmente ou não. 
Afinal, o mundo está cheio de significados, e as pessoas estão frequentemente 
interpretando os acontecimentos de diversas formas. 
 
4 
 
A raiz da palavra é latina: communicatione significa “ação comum” ou 
“participar”. Communicatione deriva de commune, que quer dizer “comum”. Assim, ao 
tornar algo comum, seja uma informação, uma emoção ou uma experiência, ocorre a 
comunicação. 
No contexto do cristianismo antigo, quando o isolamento era valorizado como 
um caminho para encontrar Deus, havia duas correntes que lidavam com essa 
questão de formas diferentes. 
Uma era a dos anacoretas. Eles acreditavam na importância da solidão radical 
e viviam de forma individual. 
A outra era a dos cenobitas. Eles apostavam na vida em comunidade, em 
conventos ou mosteiros, também chamados de cenóbios, palavra que significa “lugar 
onde se vive em comum”. No mosteiro, surgiu uma nova prática, chamada de 
communicatio, referente a “tomar a refeição da noite em comum”. 
Dessa forma, communicatio significava não simplesmente ir jantar, mas sim o 
momento da quebra do isolamento, de juntar o grupo para fazer algo em comum. Por 
isso, o sentido de communicatio era diferente da noção de comer de uma comunidade 
primitiva (MARTINO, 2013). 
Esse sentido original de comunicação implica alguns pontos que são úteis para 
o entendimento dos conceitos atuais. Um aspecto é o de que comunicação não 
significa toda e qualquer relação, mas aquelas que têm o isolamento como pano de 
fundo. 
Além disso, existe a intenção de quebrar o isolamento. A ideia de uma 
realização em comum também está presente. 
O que dizem os dicionários sobre o conceito de comunicação (MARTINO, 2013, 
p. 15)? 
 
1. Fato de comunicar, de estabelecer uma relação com alguém, com alguma 
coisa ou entre coisas. 
2. Transmissão de signos por meio de um código (natural ou convencional). 
3. Capacidade ou processo de troca de pensamentos, sentimentos, ideias ou 
informações por meio de fala, gestos, imagens, seja de forma direta ou 
pelos meios técnicos. 
4. Ação de utilizar meios tecnológicos (comunicação telefônica). 
 
5 
 
5. A mensagem, informação (a coisa que se comunica: anúncio, novidade, 
informação, aviso, etc.). 
6. Comunicação de espaços (passagem de um lugar a outro), circulação, 
transporte de coisas: “vias de comunicação – artérias, estradas, vias 
fluviais”. 
7. Disciplina, saber, ciência ou grupo de ciências. 
 
Os sentidos de comunicação dos dicionários são importantes para você ter uma 
ideia inicial sobre o tema, mas é preciso se aprofundar mais. 
De acordo com João Pedro Sousa (2006), é possível dissertar sobre 
comunicação sob duas grandes perspectivas. 
Uma seria a da comunicação como processo: comunicadores trocam, 
intencionalmente, gestos, palavras, imagens, ou seja, mensagens codificadas, por 
meio de um canal, gerando certos efeitos. 
A outra seria a da comunicação como uma atividade social. 
Portanto, os seres humanos, em uma dada cultura, vivem as suas realidades 
do dia a dia, criando e trocando significados. 
As duas colocações se complementam. Nesse sentido, as mensagens só têm 
efeitos porque ganham um significado em determinado contexto social e cultural. 
Por outro lado, também há diferença entre as duas posições. 
A primeira considera que só há comunicação se houver um emissor, um 
receptor e uma mensagem codificada. 
Já para a segunda, isso não é necessário. Assim, à medida que os seres 
humanos dão significado aos acontecimentos do mundo, a comunicação está 
ocorrendo. 
Ainda é possível complexificar mais os conceitos de comunicação. 
Para Muniz Sodré (1996), o termo se refere a pôr em comum os conteúdos que 
social, política ou existencialmente não devem permanecer isolados. 
De acordo com ele, o afastamento originário devido à diferença entre os seres 
humanos, à alteridade, é minimizado por causa de um laço formado pelo 
compartilhamento de recursos simbólicos. Já o termo “linguagem” se refere à “ordem 
de acolhimento das diferenças e de promoção da dinâmica mediadora entre os 
homens” (SODRÉ, 1996). 
 
6 
 
Nessa perspectiva, a comunicação é de extrema importância social, cultural e 
política. 
É por meio dela que as pessoas ultrapassam as diferenças e seguem em 
direção aos seus objetivos. 
1.1 Os fundamentos científicos da comunicação social 
 
https://www.unicentrofm.com.br 
Refletindo sobre a constituição do campo da comunicação, parte de duas 
noções. José Luiz Braga (2011) 
A primeira considera ocioso discutir sobre o estatuto acadêmico formal do 
campo. 
Assim, assume a sua existência enquanto campo social. Isso pois, quando se 
diz “comunicação social”, na atualidade, há um forte consenso sobre o assunto. A 
segunda não aceita uma explicação do campo com base em uma natureza 
interdisciplinar. 
Segundo Braga, a interdisciplinaridade pode ter diferentes sentidos. 
Um seria o de que um campo de estudos está sob influências de dados e 
conhecimentos desenvolvidos por outras disciplinas. 
Nesse caso, todos os campos do conhecimento são interdisciplinares. 
O segundo sentido seria uma referência a um espaço de interface. Neste, um 
dado conhecimento se forma na confluência de duas ou mais disciplinas, como na 
psicossociologiaou na bioquímica. 
 
7 
 
Nesse caso, seria preciso identificar e analisar um conjunto específico de 
disciplinas que estariam compondo a interface interdisciplinar da comunicação. O 
terceiro sentido indica que o terreno da comunicação é vazio e não existiria caso não 
fosse o fato de que todas as disciplinas humanas e sociais têm algo a dizer sobre essa 
temática. 
Contudo, essa perspectiva frouxa, na visão do autor, não explica o porquê do 
interesse generalizado no tema. Além disso, não esclarece por que ele não cabe nos 
espaços de cada campo particular, como acontece com outras temáticas, como 
violência, trabalho ou sexo. 
Com relação à caracterização de qual é o objeto de conhecimento que define 
a comunicação, José Luiz Braga apresenta duas primeiras alternativas. 
Ou a comunicação surge como uma questão bastante ampla e muito presente 
nas atividades humanas, a ponto de o objeto se tornar inapreensível (tudo seria 
comunicação: a política, a educação, a literatura, etc.), ou haveria ângulos e objetos 
específicos identificadores na área. 
O problema da primeira tendência é que a comunicação, estando em todo 
lugar, em todas as pautas, acaba estando em lugar nenhum, e o da segunda tendência 
é a possibilidade de se cair em um reducionismo lógico. 
Assim, preferências pessoais ou grupais de enfoque acabam pesando na 
escolha do que seria o campo. Outro problema é o de se evitar sobreposições em 
áreas de estudos mais tradicionais. 
Mas há também possibilidades menos radicais. Uma diz que o objeto da 
comunicação é qualquer “conversação” do espaço social (o que há de trocas 
simbólicas e de interações nas situações da vida social), e a outra enfoca naquilo que 
ocorre nos meios de comunicação social ou mídia. 
 “A definição da área pelos meios oferece o risco de segmentação do objeto em 
questões tecnológicas, ou jurídico-políticas, ou expressivo-interpretativas, ou outras 
[...]”, afirma Braga (2011). Portanto, o autor dá preferência à concepção de 
conversação. 
Por fim, Braga destaca que o objeto da comunicação não pode ser apreendido 
enquanto “coisas” nem “temas”, mas como certo tipo de processos caracterizados por 
uma perspectiva comunicacional. 
 
8 
 
O que importa é capturar os processos, seja nas mídias, nos signos ou em 
episódios interacionais. 
Sodré (2014), no mesmo sentido, aponta como objeto da comunicação os 
processos de vinculação. 
Ainda com relação à discussão sobre o objeto da comunicação, Vera França 
(2013) aponta para o fato de que uma reflexão rápida sobre o assunto, uma percepção 
pela vivência ou senso comum, levaria à ideia de que o objeto seria empírico – os 
meios de comunicação de massa. 
No entanto, ela lembra que os objetos do mundo são recortados, religados, pelo 
olhar dos que os estudam. 
Pois, ao se pensar em meios de comunicação de massa (televisão, rádio, etc.) 
como objeto, não se pode deixar de questionar sobre o que, exatamente, seria a 
reflexão: o desenvolvimento tecnológico dos aparelhos? A produção discursiva dentro 
do meio? A diversidade de produtos que foram aí gerados? A cultura profissional dos 
trabalhadores do veículo? 
Dessa forma, a comunicação tem ainda outra dimensão. Afinal, ela é também 
um conceito, uma forma de apreensão, uma representação de diferentes práticas – 
uma forma de conhecê-las e concebê-las. 
A partir disso, Vera França esclarece que o objeto da comunicação não são os 
objetos comunicativos do mundo, mas a forma de identificá-los e construí-los 
conceitualmente. 
Como resultado dos esforços para se saber mais sobre comunicação, surgiram 
os estudos e teorias da área. São o resultado de inúmeras iniciativas, com pretensão 
científica, de conhecer a comunicação. A constituição desse campo de estudo passou 
por tensões, contradições e dificuldades. Isso decorre, segundo a autora, da própria 
natureza do objeto ou da relação que se estabelece, às vezes de forma conflituosa, 
entre o campo da teoria e o da prática 
França lembra que o próprio espaço acadêmico da comunicação teve início por 
uma razão de ordem pragmática: os cursos profissionalizantes na área de 
comunicação, sobretudo de jornalismo. 
Então, os cursos surgiram antes da criação das teorias que apareceram logo 
depois, constituindo a formação técnica, mas também proporcionando uma dimensão 
humanista e social à formação. 
 
9 
 
Esse foco na prática trouxe algumas distorções, como a natureza instrumental 
da demanda. Assim, com certa frequência, o estudo da comunicação é realizado 
visando a determinado resultado. 
É, nesse sentido, guiado por finalidades específicas, comprometendo o 
distanciamento crítico que é preciso no âmbito científico. 
Por outro lado, a autora comenta que a crítica à identificação exagerada com a 
prática causou o efeito inverso: descolamento. 
Ela alerta que o foco na produção intelectual com desprezo pela empiria se 
transforma em pura abstração, não em produção científica. 
Assim, não faz sentido focar apenas na prática, nem só na teoria. 
Na visão de Vera França, os estudos da comunicação ainda não têm uma 
tradição estabelecida. O seu objeto ainda não foi constituído com clareza, nem a sua 
metodologia. 
Portanto, ela pensa que o campo da comunicação ainda está em constituição, 
como Sodré (2014). Diferente deste, entende que, por enquanto, trata-se de um 
domínio interdisciplinar. 
Aponta, no entanto, que “[...] a interdisciplinaridade é transitória: quando ela 
consegue se estabilizar, criar referências, fincar estacas – aí, sim, podemos falar do 
surgimento de um domínio novo” (FRANÇA, 2013) 
2 COMUNICAÇÃO E HISTÓRIA 
 
 
10 
 
A respeito do início da comunicação humana, ainda há muitas dúvidas e um 
território fértil para investigações. 
Não se sabe, de fato, se na Pré-história os seres humanos se comunicavam 
por gritos e grunhidos, assim como os animais, ou por gestos, ou ainda por uma 
mistura de tudo isso (DÍAZ BORDENAVE, 1982). 
 Sobre a origem da fala humana, se cogita que teve início com a imitação dos 
sons da natureza, como os das cachoeiras, rios e animais. 
Outra hipótese seria a de que os sons humanos começaram com as 
exclamações espontâneas, por exemplo, “ai” devido a uma dor, ou “ah” por admiração 
a algo. 
Além disso, especula-se que, nessa época, a comunicação também ocorria por 
sons emitidos por batidas das mãos e dos pés, bem como pelo uso de pedras e 
troncos ocos (DÍAZ BORDENAVE, 1982). 
O fato é que o ser humano passou a considerar alguns elementos como 
representantes dos significados de outros elementos, e assim surgiram os signos. 
Ou seja, as pessoas da Pré-história associaram sons e gestos a objetos ou 
ações. 
Os sons e gestos, nesse contexto, seriam então os signos, compartilhados 
socialmente, e o repertório dos signos, bem como as regras de combinações entre 
eles, necessárias para haver o entendimento do grupo social, deram origem à 
linguagem. 
Graças a essas regras de combinações, que você conhece como gramática, as 
intenções dos interlocutores ficam mais claras (DÍAZ BORDENAVE, 1982). 
Já imaginou se o seu amigo dissesse “o doce comeu ela” em vez de “ela comeu 
o doce”? A ordenação dos signos permite a eficiência da comunicação. 
Mais tarde, para manifestar as mais diferentes intenções dos interlocutores, os 
seres humanos passaram a usar a linguagem de diversos modos: indicativo, 
interrogativo, imperativo ou declarativo. 
Também se percebeu que na linguagem algumas palavras manifestavam uma 
ação ou o nome de algo, etc. 
Mas claro que ainda não havia as designações “verbo” ou “substantivo” (DÍAZ 
BORDENAVE, 1982) 
 
11 
 
A linguagem oral, apesar de sua eficiência, tinha duas grandes limitações: não 
era permanente e não tinha grande alcance. Diante desses desafios, os seres 
humanos começaram a pensar em formas de fixar os conteúdos comunicados e 
também de transmiti-los em distâncias maiores. 
Como você acha queo ser humano passou a fixar os signos então? 
Primeiramente por meio das pinturas primitivas, na Era Paleolítica (entre 35.000 e 
15.000 anos da Era Cristã). 
Seja com intenção ritualística, estética ou expressiva, as pessoas da época 
registraram cenas de caça em cavernas como as de Altamira, na Espanha, ou de 
Dordogne, na França. 
Ao longo da história, cada época teve as suas especificidades em relação aos 
processos comunicacionais. 
Dessa forma, em cada período a comunicação atendeu a objetivos diferentes. 
Em 3.500 a.C., os sumérios inventaram a escrita. 
Já pensou nas transformações que essa invenção causou? 
Depois, a escrita surgiu também entre os judeus e gregos. 
Com isso, várias versões de narrativas mitológicas passaram a ser registradas 
em documentos: a epopeia de Gilgamesh, o Antigo Testamento judaico-cristão, o 
Baghavad Gita hindu e o Corão árabe. 
Esses registros permitiram a continuidade das tradições a que se referiam 
(HOHLFELDT, 2013). 
A Grécia, no século V a.C., passou por profundas transformações. Atenas era 
uma aldeia rural com atividades agrícolas e pastoris, mas os seus acordos com 
Esparta, contra o imperador persa Xerxes, fizeram a localidade se desenvolver com 
as atividades comerciais. 
Esparta fornecia a madeira que Atenas utilizava para a construção de barcos e 
consequente intensificação do comércio. 
Esparta também oferecia segurança militar e Atenas, distribuição de suas 
riquezas. 
Com a urbanização de Atenas, a arquitetura e as artes plásticas ganharam 
importância. Uma nova etiqueta social também foi instituída: comer e beber iguarias 
de outros lugares em rituais complexos faziam parte disso. 
 
12 
 
A filosofia e outras atividades culturais passaram a ser financiadas pelos mais 
ricos. 
Dessa forma, personalidades como Sócrates ou Platão eram hóspedes das 
pessoas abastadas. 
Foram justamente os gregos que refletiram inicialmente sobre a comunicação 
humana, a partir dos pré-socráticos. 
Eles exerciam a comunicação como prática de poder. Mas quando Atenas 
começou a ter problemas com os acordos estabelecidos com Esparta, esses filósofos 
passaram a ser vistos de forma negativa pela sociedade. Eram tidos como 
perniciosos, pessoas que submetem os homens pela mente. 
O maior dos sofistas, Sócrates, foi o responsável pelo desenvolvimento da 
prática filosófica da maiêutica. Segundo esta, o aprendizado acontece por meio do 
diálogo, de perguntas e respostas. 
Assim, o mestre guia o aluno ao conhecimento. Mas as principais contribuições 
gregas para os primeiros estudos da comunicação foram de Platão e Aristóteles. 
No livro VII da obra A República, Platão (427 – 327 a.C.) apresenta o Mito da 
Caverna. 
Trata-se da história de prisioneiros que viviam dentro de uma caverna. Tudo o 
que conheciam do mundo eram apenas as sombras do que se passava atrás deles, 
na entrada da “morada”. 
Assim, não conheciam a vida como quem estava livre e sob a luz. Um dia, um 
dos prisioneiros é liberto, vê o mundo fora da caverna, se impressiona e volta para 
contar aos amigos. 
Mas estes não o entendem e enxergam o ex-prisioneiro como mais uma 
sombra deformada (HOHLFELDT, 2013). 
Por meio do exemplo do Mito da Caverna, você pode perceber que Platão 
refletiu com profundidade sobre a comunicação, mas dentro de uma perspectiva 
negativa. Platão acreditava que havia um Mundo das Ideias, das essências, que 
antecedia a materialidade. Para ele, quando o ser humano recebia um corpo, 
guardava apenas um fragmento desse outro mundo. 
A caverna seria então uma referência ao corpo, e as sombras na parede seriam 
metáforas dos objetos materiais. De acordo com essa perspectiva, o acesso ao 
conhecimento seria dificílimo para a maioria das pessoas, com exceção dos filósofos 
 
13 
 
(estes, devido à sapiência extraordinária, deveriam inclusive administrar a sociedade). 
A partir daí, Platão pode levar você a refletir sobre a impossibilidade da comunicação. 
Já para Aristóteles (384 – 322 a.C.), que foi discípulo de Platão, a comunicação 
é, sim, possível. Em Retórica, ele aborda os discursos – aquilo que diz respeito a 
alguma coisa. 
Segundo Aristóteles, o ser humano é um animal social, um ser coletivo, e não 
uma individualidade. Vivendo socialmente, o ser humano usa a razão, traduzida em 
linguagem. 
Além disso, para viver bem e feliz no grupo, ele precisa da retórica. Esta é o 
conhecimento dos meios e estratégias para alcançar a persuasão. 
Na situação da retórica, três elementos estão presentes: o que fala, aquilo de 
que fala e aquele a quem fala. Assim, Aristóteles foi o primeiro a formular a situação 
comunicativa. 
Ele também aborda três gêneros de discursos oratórios: deliberativo, judiciário 
e demonstrativo. 
 No primeiro caso, que trata sobre o futuro, se aconselha ou se desaconselha 
algo. 
No segundo caso, voltado para o passado, uma ação judiciária comporta a 
acusação e a defesa. 
E o terceiro caso, referente ao presente, comporta duas partes, o elogio e a 
censura. 
O modelo pioneiro na contemporaneidade da Teoria da Comunicação, de 
Harold D. Lasswell, tem muito do trabalho de Aristóteles (HOHLFELDT, 2013). 
Observe: 
Aristóteles – a pessoa que fala → o assunto → a pessoa a quem fala 
H.D. Lasswell – emissor (fonte) → mensagem → receptor 
A diferença entre as duas teorias é que Lasswell acrescentou “em que canal e 
com que efeitos” ao processo comunicacional. 
Por outro lado, Aristóteles tratou da questão dialógica do processo ao refletir 
sobre os gêneros citados. 
Nesse sentido, a pessoa que fala espera uma resposta do outro ou quer 
convencê-lo de algo. 
 
14 
 
Partindo para o contexto de Roma, do século I a.C. ao século I d.C., o que havia 
eram medidas no âmbito da comunicação para controle social e garantia de poder. 
Os governos romanos se mantinham bem informados, se antecipavam às 
crises, garantiam informação e opinião consensual. 
O primeiro dos 12 imperadores romanos, Caio Júlio César (102 – 44 a.C.), 
costumava escrever sobre as suas façanhas, com interesse em documentar os 
acontecimentos para as gerações futuras. 
Ele inclusive inaugurou o estilo conhecido hoje como primeira pessoa enfática 
– em uma narrativa autobiográfica, em vez de se usar eu, usa-se a primeira pessoa 
do plural, nós. Júlio César também reformou as instituições romanas. 
Ele determinou que só a língua latina fosse usada no âmbito institucional, o que 
evitou a multiplicidade de informações (HOHLFELDT, 2013). 
Mais tarde, em consequência disso, a Igreja Católica adotou a língua latina 
como oficial. Além disso, fez a produção científica ser realizada em latim também para 
controle dos censores. 
Muitos dizem que a Idade Média foi um período de pouco desenvolvimento 
intelectual e investimento no conhecimento. 
Entretanto, vale ressaltar que na idade antiga foi construída a biblioteca de 
Alexandria pelo Alexandre Magno (356 – 323 a.C.), rei da Macedônia, a biblioteca era 
considerada centro da cultura, no ano de 48 a.C., sofreu com um grande incêndio 
quando o imperador Júlio César mandou atacar a cidade, posteriormente também com 
alguns saques. 
Na idade média os mercadores europeus levaram da China para a Europa 
invenções como a bússola, dando segurança às navegações, a pólvora, para as 
conquistas pela força, e o papel. 
Alguns trabalhos mostram que o alemão Otto Groth, em Estrasburgo, escreveu 
algo parecido com uma enciclopédia do jornalismo – a Teoria do Diário – nas primeiras 
décadas do século XX. 
Mas só a partir dos anos 1930 é que começaram as pesquisas voltadas para 
os efeitos e funções dos meios de comunicação de massa, com a mass 
communication research, nos Estados Unidos. 
 
15 
 
Nesse contexto, são considerados os fundadores da pesquisa em 
comunicação: Paul Lazarsfeld, Harold Lasswell, Kurt Lewin e Carl Hovland (FRANÇA, 
2013). 
As motivações dos estudos eram de ordem política e econômica.Com a expansão industrial, era preciso aumentar a venda dos novos produtos. 
Assim, havia muitas pesquisas focadas no comportamento das audiências e no 
aperfeiçoamento das técnicas de intervenção e persuasão. 
Na I Guerra Mundial, os meios de comunicação tiveram o papel de promover o 
fortalecimento do sentimento nacional, sustentar a economia e influenciar as vontades 
da população civil. 
Depois disso, com a crise de 1929 e a retomada da economia americana com 
o New Deal, a comunicação tinha o papel de racionalização da sociedade. 
Mas foi na II Guerra Mundial que o alcance da comunicação ficou claro, com os 
programas da Alemanha nazista orientados por Joseph Goebbels. 
Nessa época, a propaganda era utilizada para controle político-ideológico. 
Em relação à Europa e aos Estados Unidos, na segunda metade do século XX 
foi observado o surgimento de novas tecnologias, rápidas e eficientes, que afetaram 
profundamente o modo de vida das pessoas. 
A partir de 1930, o cinema teve grandes conquistas: primeiro o som, depois a 
cor, e, então, a ampliação dos quadros. 
Em relação à televisão, as primeiras experiências foram realizadas em 1929 na 
Inglaterra, na União Soviética e nos Estados Unidos. 
 E, com as descobertas da II Grande Guerra, surgiram o rádio transistorizado, 
em 1954, e o computador eletrônico, com a IBM, em 1959. 
Por fim, graças aos avanços tecnológicos, voltamos um pouco àquela noção 
clássica de comunidade grega. 
Afinal, apesar das dimensões da Terra, as distâncias diminuíram e o tempo de 
troca de mensagens também (HOHLFELDT, 2013). 
Hoje, em minutos você pode conversar com alguém que está no Japão, seja 
para fechar negócios ou por razões pessoais e afetivas. 
 
16 
 
3 VARIAÇÃO LINGUÍSTICA 
Uma língua viva sempre apresenta variações. Isso significa que, enquanto uma 
língua tiver falantes nativos, ela será dinâmica e heterogênea (FARACO, 2008). 
Com o passar do tempo, ela passará por mudanças e, se estas forem grandes 
demais, pode até se tornar uma outra língua, ou outras, como aconteceu, por exemplo, 
com o Latim e as línguas românicas que dele se originaram. 
 
 
 
Se você ler um texto de épocas passadas, poderá encontrar diferenças, tais 
como aquelas encontradas em palavras, expressões, até mesmo na estrutura (para 
exemplos ver textos de romances do período Realista ou Naturalista, como os de 
Machado de Assis e Aluísio de Azevedo). 
Essa diferença pode ser observada também entre falantes de diferentes 
gerações. A língua também é influenciada pelo espaço. Pense em um lago e em atingir 
sua superfície atirando várias pedras. Cada uma delas gerará ondulações e, em 
alguns pontos, irão se encontrar e se afetar umas às outras. 
Com a língua ocorre um fenômeno análogo, zonas próximas apresentam maior 
similaridade e são reconhecidas e diferenciadas, porém, conforme se afastam, as 
diferenças vão se tornando maiores, devido à experiência dos falantes, assim como a 
influência de outras comunidades linguísticas, de outras línguas. Nesse aspecto, o 
processo de colonização, imigração e migração, assim como a presença de diferentes 
tribos autóctones, tem fortes consequências. 
 
17 
 
É possível observar a distância entre as diferentes regiões do país, e, até 
mesmo, dentro dos estados. 
Outra grande variável que se pode elencar é quanto ao indivíduo. 
Nesta, é possível identificar a influência do lugar onde o indivíduo cresceu, seu 
grau de contato com a cultura letrada, seu círculo social (mais informal, menos 
informal, entre outros). 
Esse âmbito é o que permite a identificação de estilo de um indivíduo inserido 
em uma comunidade linguística, ou seja, o que o distingue linguisticamente (ainda que 
não exclusivamente). 
Qualquer língua que ainda seja natural (diferentemente de línguas artificiais, 
como Klingon e Dothraki) tem variação, isto é, varia no tempo e no espaço (objeto de 
estudo da sociolinguística variacionista) e também de um indivíduo para outro, 
modificando-se até quando utilizada por um mesmo indivíduo em diferentes situações 
(objeto de estudo da sociolinguística interacional). 
 Linguisticamente, não há uma variedade linguística melhor, mais bonita ou 
mais desenvolvida do que outra. Qualquer que seja a variedade, ela será igualmente 
válida, rica e desenvolvida. A valorização de uma em detrimento de outra é social, isto 
é, a sociedade (ou parte dela) que classifica uma variedade positiva ou 
negativamente. 
 Algumas variedades são estigmatizadas, como, por exemplo, as do interior dos 
estados em relação às das regiões metropolitanas, as de classes sociais menos 
prestigiadas e menos escolarizadas em relação às mais prestigiadas e mais 
escolarizadas (BAGNO, 1999; FARACO, 2008; GÖRSKI; COELHO, 2009). É comum, 
com essa postura, encontrar afirmações como: “eu não sei português”, “fala feio”, 
“antes de aprender inglês, francês, tinha que aprender português”, “matou a língua 
portuguesa”; todas com relação a falantes nativos. 
Ao dizer isso, a pessoa expõe desconhecimento sobre a realidade linguística e 
também sobre o preconceito linguístico. De acordo com Görski e Coelho (2009, p. 82), 
“[...] muitas pessoas acham que falar uma variedade diferente da variedade padrão é 
um problema sério para a sociedade, uma manifestação de inferioridade. Sempre que 
isso acontece, a língua se torna um veículo de preconceitos e exclusões. ” 
Segundo Faraco (2008), todas as variedades linguísticas têm uma própria 
norma, isto é, um conjunto de características que lhes são normais, envolvendo 
 
18 
 
aspectos fonéticos (identificados no sotaque), lexicais, semânticos, sintáticos 
Comunicação, expressão e diversidade linguística e, às vezes, até pragmáticos. 
Contudo, saindo do âmbito linguístico, norma é entendida como um conjunto 
de regras que normatizam a forma como os falantes deveriam utilizar a língua. 
Esse tipo é chamado pelo autor de norma padrão, um “ideal” artificial que, 
apesar de defendido, nenhum falante utiliza de fato (é aquela encontrada nas 
gramáticas mais tradicionais, normativas e não linguísticas). Para ele, a norma 
associada aos grupos mais escolarizados é a norma culta. 
Essa seria comum aos falantes de áreas urbanas em situações mais formais, 
principalmente na escrita, e seria balizada pela linguagem urbana comum. 
3.1 Modalidades da língua 
 Além da variação que as línguas apresentam, elas também podem ter mais de 
uma modalidade. A língua portuguesa, por exemplo, apresenta as modalidades oral e 
escrita, mas nem todas as línguas são assim. Algumas apresentam apenas a 
modalidade oral, sendo denominadas ágrafas. 
A modalidade oral, sempre primeira com relação à escrita, sofre e aceita 
mudanças muito mais rapidamente. 
Ela é mais dinâmica, seja por ser mais propensa à variação e à mudança, seja 
por causa do “jogo” comunicativo como palco e fonte. 
Ela influencia as mudanças na modalidade escrita, que, por sua vez, tem o 
poder de “frear” a modalidade oral. 
Com o advento da imprensa, esse poder foi intensificado. 
Entretanto, a modalidade escrita continua sendo uma representação da oral, 
dependendo de convenções para sua inteligibilidade (como ortografia e uso do mesmo 
alfabeto), bem como para questões políticas. (Marlise Buchweitz, 2018) 
Apesar de a modalidade oral ser mais identificada em registros mais informais, 
ela também ocorre em situações mais formais. 
Da mesma forma, a modalidade escrita, que é mais identificada em registros 
formais, ocorre em situações mais informais. 
Assim, uma conversa de texto por aplicativos e redes sociais irá se aproximar 
mais da oralidade, ao passo que uma palestra acadêmica, da escrita. 
 
19 
 
Essa identificação advém de a oralidade permitir a realização da comunicação 
linguística de modo mais natural, menos rígido e menos regrada quando comparada 
com a escrita, principalmente quando se desconsidera a mudança que a cultura digital 
trouxe.Antes, por exemplo, não era considerado diálogo uma conversa que não fosse 
feita pessoalmente ou por telefone, entretanto, com a mudança de paradigma causada 
pela cultura digital, é contrassenso não considerar como diálogo as conversas por 
aplicativos, como WhatsApp, Messenger, entre outros. 
Desconsiderando-se um pouco o paradigma da cultura digital, qualquer 
produção, seja oral ou escrita, tem uma audiência (um destinatário) real ou imaginário. 
Algumas manifestações permitem uma interação maior entre os envolvidos, 
que, então, intercalam-se no papel de locutor e interlocutor. 
Na modalidade oral, quanto mais informal for a situação, mais interrupções e 
sobreposições serão possíveis. Além disso, é comum mudanças de estilo estrutural, 
sentenças incompletas na oralidade, que, na escrita, tornam-se difíceis de 
compreender. (Marlise Buchweitz, 2018) 
A escrita, enquanto representação da fala, apresenta menor possibilidade de 
interferência, mas permite que se pense, planeje e revise o texto antes de liberá-lo. 
3.2 Adequação linguística 
No âmbito acadêmico e profissional, você terá de lidar com situações que 
exigirão uma ou outra modalidade (ou até as duas, em conjunto). 
Seja qual for a modalidade a ser usada e em qual situação, a adequação 
linguística será fundamental. O uso da língua por um falante é sempre influenciado 
por uma série de fatores, alguns dos quais foram mencionados anteriormente. 
Em certas situações, é esperado o uso de um nível de fala mais formal, assim 
como uma determinada norma, como a culta, ao passo que, em outras, ocorre o 
oposto. 
Essas escolhas seriam feitas tendo em vista um fim comunicativo, em outras 
palavras, como atingir da melhor forma um objetivo (ou uma série deles). Quanto a 
isso, até mesmo a escolha por não seguir o que se esperaria pode ser um meio de 
conseguir sucesso. 
 
20 
 
 
 
A experiência permite que o falante force os limites entre normas e entre níveis 
de fala, do mais formal ao mais coloquial. Entretanto, quando ainda não se tem essa 
experiência, algumas orientações se tornam úteis. (Marlise Buchweitz, 2018) 
Algumas são mais ou menos assumidas como instintivas, outras já seguem 
certos padrões estabelecidos (por exemplo, por gêneros textuais ou por contexto 
comunicativo). 
O meio acadêmico apresenta uma grande variação de contextos 
comunicativos, de conversas informais com amigos a produções formais, como tese 
de doutorado e respectiva defesa oral. Considerando-se os textos e discursos comuns 
a esse meio, alguns permitirão uma linguagem coloquial, enquanto outros, não, de 
uma linguagem urbana comum à norma culta. 
4 MODALIDADES DE FALA E GRAU DE FORMALIDADE 
As modalidades são as diferenças presentes entre fala e escrita. Isso porque 
na língua falada há, entre falante e ouvinte, uma interação direta. 
Já na língua escrita, a comunicação ocorre geralmente sem a presença de um 
dos sujeitos participantes. 
Estando próximos durante a troca, falante e ouvinte podem utilizar diversos 
outros elementos significativos que complementam o discurso verbal no processo de 
comunicação. 
Há, por exemplo, gestos, entonação, expressões faciais, entre outros. 
 
21 
 
Vistas como práticas sociais, já que o estudo da língua se funda em usos, as 
duas modalidades de fala da língua portuguesa são a oral e a escrita (MARCUSCHI, 
2001, p. 1). 
Como manifestação da prática oral, a fala é adquirida de modo natural em 
contextos informais do dia a dia. 
Também se desenvolve nas relações sociais que se estabelecem desde o 
momento em que uma criança nasce e tem os primeiros contatos com a mãe. Desse 
modo, o uso da língua natural e o aprendizado são formas de socialização e inserção 
cultural. 
É necessário identificar os elementos que fazem parte da situação 
comunicativa para compreender e analisar adequadamente um texto, seja ele falado 
ou escrito. Nesse caso, os componentes seriam falante – ouvinte/escritor – e leitor. 
Além disso, é importante considerar as condições em que cada texto foi produzido. 
São elas que possibilitam a ação social ou de interação que é estabelecida entre os 
sujeitos. 
Além disso, elas são distintas em cada modalidade. A fala, por exemplo, possui 
como características, entre outras tantas, o uso da palavra sonora e a interação face 
a face. Portanto, requer a presença dos interlocutores no mesmo espaço físico e de 
tempo; o planejamento simultâneo ou quase simultâneo à execução; a 
espontaneidade e o imediatismo. 
Além disso, pode ser repetitiva e redundante. 
Ela considera o contexto extralinguístico e possui recursos como signos 
acústicos e extralinguísticos, gestos, entorno físico e psíquico. 
No texto oral, você pode encontrar características inerentes à língua falada. Há, 
por exemplo, os marcadores conversacionais. 
Eles são elementos típicos da fala que não integram o conteúdo do texto, 
apresentando valor tipicamente interacional. 
Por exemplo: “bom”, “eu acho que”, “quer dizer”, “então”, “entende?” e “né?”). 
Há também as marcas prosódicas. 
Elas estão relacionadas à pronúncia. Um exemplo são os alongamentos, como 
nos termos “ouVIR::” e “faLAR::” (marcados com ::). 
Outros exemplos são a entonação enfática, assim como nas palavras do 
exemplo anterior, “ouVIR::” e “faLAR::” (marcado com ::); e as hesitações, como “na 
 
22 
 
medida em que... ahn” (uso do marcador “ahn” associado ao alongamento é uma 
marca prosódica). 
Outra característica é a repetição. Por exemplo: “O rádio de pilha, né? Quer 
dizer, o rádio de pilha”. 
A correção é outra das características, por exemplo: “O rádio eu acho que tem 
um papel até... numa certa medida... ele provocou pelo alCANce que tem uma 
revolução até maiOr do que a televisão...”. 
E há ainda a paráfrase. Ela é a relação de equivalência semântica: “através do 
rádio de pilha... ele pôde se ligar ao resto do mundo, saber que existem outros lugares, 
outras pessoas, que existe um governo...” (ANDRADE, 2011). 
Você deve observar também os graus de formalidade que se usam na fala. 
Geralmente, em uma situação formal, o indivíduo culto procura seguir as regras da 
língua e conversar usando a norma culta, procurando também não usar vocabulário 
vulgar. 
Há pelo menos dois níveis de língua falada: a culta ou padrão e a coloquial ou 
popular. Além dessas, a linguagem coloquial também é registrada quando há o uso 
de gírias, na linguagem familiar, na linguagem vulgar e nos regionalismos e dialetos. 
Com relação às nomenclaturas, Bagno (2001) questiona a que tipo de norma 
culta se referem aqueles que lidam direta ou indiretamente com a língua portuguesa, 
já que há dois sentidos para o termo: (1) o que é norma, frequente e habitual; ou (2) o 
que é normativo, elaborado, regra imposta. De acordo com o teórico, o primeiro 
conceito está ligado à linguagem que é empregada para designar formas linguísticas 
existentes na realidade social. Já o segundo sentido é o mais difundido. Ele tem 
circulação maior na sociedade e já se tornou senso comum, virando mais um 
preconceito do que um conceito. Isso pois trata a língua como única e estática, como 
se existisse apenas uma maneira certa de falar ou discorrer. Bagno propôs novas 
nomenclaturas, pois percebeu alguns impasses no uso da norma culta. Observe: 
 
 Norma-padrão: designa o modelo ideal de língua; algo que está fora e acima 
da atividade linguística dos falantes. 
 Variedades prestigiadas: indicam as variedades linguísticas faladas pelo 
cidadão com alta escolarização e vivência urbana. 
 
23 
 
 Variedades estigmatizadas: assinalam as variedades linguísticas que 
caracterizam os grupos sociais desprestigiados do Brasil. 
As influências de umas sobre as outras são intensas e constantes. 
Para Bagno (2001, p. 80), “Isso é mais do que natural numa sociedade 
complexa como a brasileira contemporânea, sobretudo por causa dos meios de 
comunicação de massa (principalmentea televisão e o rádio)”. 
A norma padrão fica no alto, na estratosfera da abstração, do virtual. 
Para o teórico, ela exerce uma influência muito forte sobre o imaginário de todos 
os brasileiros. Porém, essa influência diminui na medida em que se afasta das 
camadas sociais privilegiadas. 
Essa norma-padrão está ligada à escola, ao ensino formal. 
Só se aproximam dela os brasileiros que conseguiram passar pelo funil da 
educação formal, percorrendo até o fim o trajeto de formação escolar. Por outro lado, 
há autores que apontam três níveis de linguagem que colaboram para compreender 
como o indivíduo falante pode se manifestar em diferentes situações. 
De acordo com Preti (1994), é possível dividir os níveis de fala em espécies. 
Observe: 
 Formal (ou culto): usado em situações de formalidade, possui o 
predomínio de linguagem culta, ou seja, obedece à gramática normativa. 
Geralmente é usado em situações que exigem tal posicionamento do 
falante, como em discursos, sermões, apresentações de trabalhos 
científicos. 
 Coloquial (ou informal): é habitual em situações familiares ou de 
menor formalidade. 
Tem predomínio de linguagem popular, linguagem afetiva, expressões 
obscenas. É a manifestação espontânea da língua. Preti (1994) 
Nela, os falantes usam gírias, vocabulário às vezes pejorativo, formas 
subtraídas ou cortes das palavras e conjugação verbal inadequada. 
Também é pontuada por problemas de concordância verbal e nominal e outras 
marcas da oralidade, como “né”, “daí”, “a gente”, etc. 
Esse nível independe de regras e está presente nas conversas entre amigos e 
familiares, por exemplo. Na internet, é comum encontrar o nível coloquial em textos 
de diálogos, ou em redes sociais e em programas de mensagens instantâneas. 
 
24 
 
 Comum: recebe contribuições de um e de outro. 
4.1 Gêneros de cunho oral, textual e híbrido 
Ao compreender como é a funcionalidade dos textos na interação dos 
indivíduos, você também investiga os diferentes textos utilizados para a comunicação 
na sociedade. Isso leva a uma discussão sobre gêneros, já que eles estão presentes 
em todas as circunstâncias e ações humanas. 
 Afinal, em qualquer lugar em que exista linguagem, há gêneros textuais ou 
discursivos, orais ou escritos. 
Como as esferas de produção da linguagem são diversas, também há uma 
multiplicidade de gêneros em diferentes situações e em formatos diversos. No 
supermercado, por exemplo, você encontra panfletos, placas, indicações de ofertas e 
a conta no caixa. 
Desse modo, cada esfera elabora seus gêneros. E faz isso conforme aspectos 
sociais próprios, finalidades comunicativas e especificidades das situações de 
interação em que os enunciados estão sendo produzidos. 
 A denominação de gênero discursivo foi apresentada pela primeira vez pelo 
autor russo Mikhail Bakhtin (1979). 
Ele caracterizou os gêneros como tipos relativamente estáveis de enunciados. 
De acordo com o teórico, os gêneros de que os interlocutores sociais fazem uso nas 
interações verbais são tão variados e heterogêneos quanto a diversidade de esferas 
de circulação social nas interações verbais e as diferentes atividades humanas. 
Para Bakhtin (1979), nas inúmeras esferas de circulação, o uso da língua 
ocorre ou em forma de enunciados ou pela heterogeneidade de gêneros que os 
constitui. 
Você pode encontrar uma diversidade de gêneros discursivos que se modificam 
e se ampliam, dependendo dos contextos social e histórico em que circulam, conforme 
as condições e finalidades de cada uma das esferas. 
De acordo com o teórico Marcuschi (2005), os gêneros surgem como formas 
da comunicação para atender a necessidades de expressão do ser humano. 
Eles são conformados por influência do contexto histórico e social das diversas 
esferas da comunicação humana. 
 
25 
 
Para o estudioso, os gêneros textuais são como “[...] entidades sociodiscursivas 
e formas de ação social incontornáveis de qualquer situação comunicativa [...]” 
(MARCUSCHI, 2005, p. 19). Isso quer dizer que os gêneros podem se modificar com 
o passar do tempo. 
Eles podem surgir e desaparecer, além de se diferenciar de uma cultura para 
outra. São dinâmicos e heterogêneos, variando de um diálogo informal até as teses 
de doutorado, por exemplo. 
Você pode encontrá-los nas formas oral, escrita e híbrida. 
Para Marcuschi (2008), não existe comunicação que não seja feita por meio de 
algum gênero. Mesmo um indivíduo falante que não possua saber técnico tem 
capacidade para se comunicar e ser compreendido por seu interlocutor. 
 Marcuschi (2002, p. 22-23) explica que: 
Usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga 
para referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que 
apresentam características sócio comunicativas definidas por conteúdos, 
propriedades funcionais, estilo e composição característica. 
Marcuschi (2008) explica que os gêneros orais e escritos estão relacionados, 
mas fala e escrita não são idênticas. O que dá tal classificação para cada uma é a 
forma em que se originou. Por exemplo, um texto jornalístico não deixa de ser um 
texto escrito por ter sido apresentado em um telejornal. 
Existem gêneros das culturas orais que nunca farão parte de culturas 
caracteristicamente escritas, e vice-versa. 
Também é importante você lembrar que a fala nem sempre reproduzirá a 
escrita, ou a escrita reproduzirá a fala. 
Elas podem caminhar juntas sem anular as peculiaridades de uma ou outra. 
Por outro lado, Marcuschi (2008) indica que os gêneros textuais não podem ser 
considerados estanques. 
Eles são como entidades dinâmicas da materialização de ações comunicativas. 
Podem ser híbridos, de modo a atingir determinados objetivos comunicativos. 
 
26 
 
4.2 Discurso 
 A comunicação é um fenômeno heterogêneo envolvendo elementos de 
natureza variada, tais como situação, intenção, conhecimento de mundo, meio, 
conhecimento linguístico, entre tantos outros. 
Ela, em sentido amplo, envolve qualquer forma de troca de informações, desde 
a comunicação entre máquinas até a comunicação humana. Esta pode ser 
comunicação não verbal (i.e., por meio de imagens, de sons, do corpo) ou verbal (i.e., 
por meio de palavras). 
É na comunicação verbal que se encontra o discurso. Em uma acepção ampla, 
o discurso é uma manifestação linguística em que se expõe de forma metódica 
determinado assunto. 
Discurso, entretanto, pode ser entendido não só como manifestação linguística 
para fins comunicativos, mas também como manifestação linguística que sustenta e 
é sustentada pela visão de mundo, ou ideologia, de um grupo ou de uma instituição 
(FOUCAULT, 1996). 
Nessa acepção, o discurso apresenta uma relação com poder social, 
permitindo que se diga discurso jurídico, discurso acadêmico, discurso religioso, 
discurso de direita, discurso de esquerda, etc. 
Por essa mesma razão, essa noção de discurso se liga a noções como 
subjetividade (ainda que esteja mais ligada à instituição, podendo ser representada 
por indivíduo) e intencionalidade. 
4.3 Diálogo 
Como todo e qualquer discurso é destinado a alguém, ele pode integrar um 
diálogo, isto é, uma troca comunicativa. De acordo com Walton (2008, p. 4), [...] um 
diálogo é sequência de mensagens ou atos de fala entre dois (ou mais) participantes”. 
Entendido dessa forma, será considerado diálogo não apenas aquele realizado 
face a face em tempo real (acepção tradicional), mas também aquele que ocorre por 
intermédio de outros meios (por exemplo, cartas, mensagens de textos, mensagens 
de voz, áudios, etc.), em tempo real ou com diferença temporal. 
 
27 
 
Ligada à noção de diálogo, há a enunciação. “A enunciação é vista como um 
processo, um ato pelo qual o locutor mobiliza a língua por sua própria conta” 
(BARBISAN, 2006, p. 28). 
Ao fazer isso, ele se introduz, enquanto aquele que fala (locutor), na sua fala, 
isto é, no enunciado(produto desse ato). 
Ainda de acordo com essa autora, as características linguísticas do enunciado 
serão estabelecidas pelas relações entre língua e locutor. Também é por meio desse 
processo que ele [...] enuncia sua posição com marcas linguísticas” (BARBISAN, 
2006, p. 28), implantando o outro (alocutário, interlocutor). 
Em cada enunciado, como centro de referência interna, “[...] emergem marcas 
de pessoa (relação eu-tu), de ostensão, de espaço e de tempo, em que eu é o centro 
da enunciação” (BARBISAN, 2006, p. 28), assim como o ele, a não- -pessoa, aquilo 
ou aquele sobre o que/quem se fala. 
Essas noções também estão presentes na escrita, seja pela enunciação, seja 
pelo estabelecimento de diálogo por meio dela, seja pelo discurso. 
Quando se pensa na comunicação escrita, há principalmente uma relação 
tríplice, conforme Koch e Elias (2006), autor, texto e leitor, envolvida na construção do 
sentido. 
O sentido, de acordo com as autoras, é construído na relação entre esses três, 
não dependendo apenas do autor (o que ele quis dizer), nem do texto (o que está 
codificado), nem do leitor (o que ele entendeu). 
Essa relação é a fundação da compreensão do texto, porém outros fatores são 
intervenientes, como contexto e qualidade do material (letra pequena ou ilegível, tinta 
muito fraca, etc.) 
Assim como o eu que fala se projeta no enunciado falado, também o faz na 
escrita, de modo mais ou menos intenso. Pode-se perceber essa projeção por meio 
de algumas marcas ou características, como será visto na próxima seção. 
4.4 Intencionalidade discursiva 
Toda produção oral ou textual tem uma intencionalidade por trás, que pode ser, 
por exemplo, de divulgar, informar a convencer, comover. 
 
28 
 
Devido a isso, a imparcialidade é impossível, assim como a objetividade e a 
neutralidade, “pois a linguagem é sempre carregada dos pontos de vista, da ideologia, 
das crenças de quem produz o texto” (FIORIN, 2015, p. 45). 
A parcialidade é uma questão de gradação, do declaradamente parcial ao de 
efeito praticamente nulo, isto é, aquele cuja parcialidade não é percebida facilmente. 
Esse é caso, por exemplo, de artigos científicos, em que, em uma situação 
ideal, a subjetividade será percebida na ordem como uma frase é estruturada, no uso 
de modalizadores, etc.; elementos que permitirão ao leitor perceber para quais 
informações se quis chamar mais atenção. Já nos declaradamente parciais, não só a 
opinião será expressa, como também emoções e sentimentos por meio de palavras 
que os expressem, como “amar/amor”, “odiar/ódio”, expressões pejorativas, entre 
outros. 
De acordo com Koch (2015, p. 51, grifo nosso), “[...] a intencionalidade refere-
se aos diversos modos como os sujeitos usam os textos para conseguir realizar suas 
intenções comunicativas, mobilizando, para tanto, os recursos adequados à 
concretização dos objetivos visados”. 
De modo mais restrito, pode ser entendida como o desejo (intenção) do locutor 
de se manifestar linguisticamente de modo coeso e coerente ou não para provocar 
certos efeitos sobre a audiência. 
Essa intenção está presente nos atos de fala, isto é, ações que são realizadas 
por meio das palavras (AUSTIN, 1975; SEARLE, 1976), tais como dar uma ordem, 
fazer um pedido, expressar emoções. 
Ela estará presente no que o locutor expressa ou deixa a entender, assim como 
no efeito que quer causar no outro. Veja o quadro “Exemplos”, a seguir, para maior 
compreensão. 
 
 
29 
 
 
 
Posteriormente, Searle (1976) estabeleceu outros atos de fala. O ato assertivo 
consiste em dizer a alguém como algo é (fazer uma asserção); o ato diretivo, na 
tentativa de levar o outro a fazer algo por meio de convite a ordens; o ato expressivo, 
em expressar emoções e atitudes; o ato comissivo, em provocar uma mudança ao 
agenciar outros; e, por fim, o ato declarativo consiste na possibilidade de causar uma 
mudança por meio da linguagem. 
 
 
4.5 Marcas de subjetividade 
Subjetividade é a forma como um sujeito experiência algo. Quando se fala em 
texto (oral ou escrito), é a forma como o locutor transparece sua atitude, sua opinião 
 
30 
 
sobre algo. Ela pode ser expressa de modos mais ou menos diretos, mais ou menos 
passionais. 
Para Bakhtin, “[...] a subjetividade é constituída pelo conjunto de relações 
sociais de que participa o sujeito” (FIORIN, 2016, p. 60), o que implica que, ao mesmo 
tempo que o locutor se constitui discursivamente, ele apreende [...] as vozes sociais 
que compõem a realidade em que está imerso, e, ao mesmo tempo, suas inter-
relações dialógicas”. 
São consideradas marcas de subjetividade expressões e palavras que 
permitem ao locutor expressar sua perspectiva sobre algo. Essas marcas podem ser 
mais ou menos discretas, dependendo do gênero textual e do contexto. 
É comum se associar à subjetividade o uso dos pronomes eu e nós, assim 
como verbos como achar, acreditar, crer, palavras pejorativas (palavrões e 
xingamentos), adjetivos qualitativos (fácil, difícil, furtivo); porém não são a única forma 
de se marcar a subjetividade. 
Em qualquer produção linguística, oral ou escrita, é possível fazer uso de 
indicadores modais, isto é, meios linguísticos para apresentar modalidade. 
“A modalização tem o papel de exprimir a posição do enunciador em relação a 
aquilo que diz” (FIORIN, 2000, p. 171, grifo nosso), aumentando ou diminuindo a força 
de um enunciado (em uma perspectiva mais lógica). 
De acordo com Koch (2010), os principais tipos modalizadores são: 
necessário/possível; certo/ incerto, duvidoso; obrigatório/facultativo. 
Há muitas formas de expressar a modalidade: algo é [modalizador adjetivo], é 
[modalizador adjetivo] algo; advérbios e locuções adverbiais, como talvez, 
provavelmente, possivelmente, certamente; verbos auxiliares modais, como poder, 
dever, precisar; construção de auxiliar + infinitivo (ter de + infinitivo, precisar + 
infinitivo); orações modalizadoras, como não tenho dúvida de que, todos sabem que 
(KOCH, 2010). 
No exemplo a seguir, foram destacados trechos em que ocorrem modalização. 
Nesses trechos, você perceberá que o autor usa modalizadores para dar mais 
força às afirmações e, consequentemente, expressa seu ponto de vista quando ao 
assunto. 
Tenha em mente que esse mesmo tipo de modalizadores podem aparecer em 
leis e manuais, e, nesses casos, não se trata de expressão de subjetividade. 
 
31 
 
O autor deste texto fala sobre as alterações no Art. 149º do Código Penal e 
argumenta sobre o seu ponto de vista acerca do assunto. 
 
Texto 1 
 As alterações do Art. 149º do Código Penal foram um importante passo para 
aprimorar a legislação, fechando o cerco à prática do trabalho escravo e das condutas 
que reduzem o trabalhador à condição de escravo. 
Mas, para alcançar essa boa finalidade, [1] é necessário que haja uma correta 
aplicação da lei, que não dê margens a abusos. 
Se é certo que toda a escravidão deve ser exemplarmente punida, não se pode 
equiparar à escravidão qualquer descumprimento da lei trabalhista. 
São coisas muito diferentes, com gravidades distintas, e que, portanto, [2] 
devem produzir efeitos jurídicos diversos. De outra forma, haveria uma criminalização 
das relações trabalhistas, que, em última análise, seria extremamente prejudicial ao 
trabalhador. Fonte: O Estado de São Paulo. 
 
No trecho do exemplo acima, foram destacados dois trechos que apresentam 
modalização. Em [1], algo é indicado como sendo necessário, ao passo que, em [2], 
como obrigatório. 
A modalização, como nesses casos, pode ser uma indicação de subjetividade, 
isto é, da atitude do sujeito (locutor) frente a algo (diferente de enunciados como “para 
ferver a água é necessário elevar sua temperatura até atingir 100°C”). 
Outra forma de se identificar/expressar a subjetividade é pelo uso dos 
chamados indicadores de atitude, ou estado psicológico do locutor frente a seu 
enunciado.Segundo Koch (2010, p. 53), “[...] a atitude subjetiva do locutor em face de seu 
enunciado pode traduzir-se também numa avaliação ou valoração dos fatos, estados 
ou qualidades atribuídas a um referente”, por meio, principalmente, de formas 
intensificadoras e adjetivos. Exemplo: 
 
Texto 2 
Em Bohemian Rhapsody, conhecemos não só a jornada de sucesso da banda 
Queen, mas toda a trajetória do grupo. 
 
32 
 
O filme nos retrata cada detalhe, a formação da banda, a composição das 
músicas mais famosas, as gravações de discos, e, claro, os altos e baixos do grupo, 
principalmente do vocalista, Freddie Mercury. 
Contar a história de uma banda que foi tão importante para o cenário mundial 
da música não é uma tarefa fácil, o diretor Bryan Singer conseguiu construir uma 
narrativa que envolve e emociona os fãs da banda que assistem ao filme. 
Além do filme como um todo ser excepcional, é preciso destacar a atuação de 
Rami Malek como Freddie Mercury, o ator se entregou completamente ao papel, 
sendo o verdadeiro destaque da história, assim como previsto, já que estava no papel 
de da banda. 
Apesar de “longo” (2h 15min), o filme não se torna cansativo em nenhum 
momento, você se envolve em cada segundo da narrativa, conhecer de perto e por 
outros ângulos a história do Queen foi uma experiência única e emocionante. 
 
Nessa crítica, foram destacados alguns trechos que deixam clara a opinião da 
expectadora sobre o filme. Entre estes, estão alguns exemplos de indicadores de 
atitude e opinião. 
A sua atitude com relação ao filme é positiva, isto é, aberta ao que o filme se 
propõe. É diferente do que seria uma crítica feita por alguém, por exemplo, homofóbico 
(que tenderia a ver como algo negativo). 
Os trechos destacam sua opinião sobre o filme, uma vez que enfoca sua 
recepção e visão sobre a obra. 
Observe que a autora da crítica não fez uso de primeira pessoa gramatical (eu 
e nós) e ainda se percebe que é a avaliação dela sobre o filme. 
Isso porque, para se indicar subjetividade, não é necessário usar eu ou nós, 
inclusive é possível escrever artigos científicos e acadêmicos usando essas pessoas 
gramaticais sem torná-los subjetivos. ( Daisy Batista Pail, 2018) 
4.6 O papel da subjetividade 
A subjetividade permite, do ponto de vista do locutor, expressar sua opinião, 
sua perspectiva sobre algo; ao passo que, do ponto de vista do interlocutor, possibilita 
a identificação e a compreensão destes, sem, no entanto, significar concordância. 
 
33 
 
Ela estará presente em diferentes tipos de produção textual, inclusive em 
respostas. 
Uma resposta subjetiva, por exemplo, se diferencia de uma objetiva. Respostas 
objetivas trazem informações pontuais ou factuais. 
Assim, ao citar uma lei (ou artigo desta, como no texto completo do exemplo) 
ou responder que horas são, quem é o presidente, quantos continentes há, se está 
fazendo uso de informações factuais e pontuais. 
Entretanto, ao se atribuir uma interpretação ou avaliação (que não quantitativa) 
a estas, passa-se para o âmbito subjetivo. 
Dependendo do objetivo da produção, certas formas de expressar a 
subjetividade serão mais produtivas que outras, pois demonstrarão mais domínio e 
preparo. Ao se pensar em respostas a questões subjetivas, é preciso ter em mente 
que não significa que qualquer resposta é válida. 
É importante apresentar argumentos que reforcem ou comprovem seu ponto 
de vista. 
Esse tipo de questão é comum em provas com questões dissertativas, 
lembrando que suas respostas terão de apresentar argumento (s) que suportem sua 
posição, perspectiva, tese. 
Para ajudá-lo a elaborar suas respostas, seguem a seguir dicas sobre como 
escrever um parágrafo, o que é esperado na resposta a partir do verbo usado na 
ordem da questão, links com dicas, ferramentas úteis e dispositivos retóricos. Um 
parágrafo é estabelecido por sua unidade e coerência entre as frases. 
Quando parte de um texto maior, cada parágrafo sustentará a ideia central. 
Dessa forma, é importante ter em mente qual é o seu argumento, sua tese, isto é, 
aquilo que você irá defender. (Daisy Batista Pail, 2018) 
Essa definição permite que você mantenha uma relação coerente entre as 
partes e não se perca escrevendo, seja um texto com múltiplos parágrafos ou apenas 
um. Há diferentes formas de se organizar um parágrafo: 
 
Forma de organização Dica de como fazer 
Narração Conte uma história, seguindo a ordem cronológica 
dos eventos 
 
34 
 
Descrição Dê detalhes específicos sobre a aparência de 
algo ou alguém, procure incluir informações, quando 
for o caso, que envolvam outros sentidos, como tato, 
paladar, audição e olfato. Organize essas informações 
por ordem de surgimento, pela disposição espacial ou 
por tópico 
Processual Explique como algo funciona, passo a passo 
Classificação Separe em grupos e explique as diferentes 
partes do tópico 
Ilustração Dê exemplos e explique como eles servem 
como suporte para o tópico 
Fonte: Adaptado de The Writing Center (2018). 
Um parágrafo bem organizado terá introdução, desenvolvimento e conclusão. 
Na introdução, você apresenta qual a ideia central, um tópico dele. Todas as 
sentenças do parágrafo devem estar relacionadas com o tópico. (Daisy Batista Pail, 
2018) 
No desenvolvimento, você expõe evidências e informações para dar suporte ao 
tópico. Por fim, há a conclusão, que pode ser para encerrar o tópico ou para introduzir 
o próximo parágrafo. 
 
Cinco passos para construir um parágrafo: 
Passo 1 — Defina sua tese e escreva a frase tópico, que ajudará a manter a 
coerência do parágrafo. Às vezes, pode ser necessário mais uma frase para 
estabelecer a tese. 
Passo 2 — Explique sua tese, fazendo uso de um operador lógico ou explanação. 
Passo 3 — Dê um exemplo (ou vários), isto é, apresente uma evidência que suporte 
o que disse nos passos anteriores. 
Passo 4 — Explique o (s) exemplo (s) dado (s) e a relevância deste (s) para o tópico 
do parágrafo. 
Passo 5 — Complete a ideia do parágrafo ou faça a transição para o próximo. Esse 
passo se trata de não deixar nós soltos e lembrar ao leitor a importância da (s) 
 
35 
 
informação (s) desse parágrafo. Ele também pode ser sobre introduzir o tópico do 
próximo. 
 
É comum em avaliações com questões dissertativas (aquelas em que se deve 
escrever um texto) que se peça a resposta em um único parágrafo. Também é comum 
que você tenha de expor seu ponto de vista sobre o assunto. 
Por ser subjetiva, há também um risco maior para não se apresentar 
argumentos, evidências que sejam válidas e sustentem sua tese. Outro risco, e este 
para qualquer questão ou atividade pedida, é a má interpretação. (Daisy Batista Pail, 
2018) 
Para poder elaborar uma boa resposta, é preciso primeiro entender o que está 
sendo pedido e, para tal, é fundamental ler atentamente. Logo abaixo que deve ser 
feito e exemplos. 
 
Verbos O que é esperado Exemplo de questão 
Redigir (elaborar, 
escrever, 
discorrer 
Significa expor por 
escrito, e por si só é 
muito vago. 
É importante que se 
observe outras 
informações, como 
tema e textos 
motivadores. 
É possível que seja, 
nesse caso, pedido 
que se aborde um ou 
mais aspectos e 
conceitos. 
Nesse caso, atente 
se é pedido para que 
se faça isso com um 
dos tópicos ou se 
com o conjunto deles. 
(BRASIL, 2017a) A partir das 
informações apresentadas, REDIJA 
um texto acerca do tema: Epidemia 
de sífilis congênita no Brasil e 
relações de gênero. Em seu texto 
ABORDE OS SEGUINTES 
ASPECTOS: - a vulnerabilidade das 
mulheres às DSTs e o papel social 
dos homens em relação à 
prevenção dessas doenças; - duas 
ações especificamente voltadas 
para o público masculino a serem 
adotadas no âmbito das políticas 
públicas de saúde ou de educação, 
para reduzir o problema. 
(Questão 1 de formação geral da 
prova do ENADE do curso de 
Arquitetura eurbanismo) 
 
36 
 
Leia a questão completa em: 
https://bit.ly/2zbxhAS 
Explicar Significa que você 
deverá dizer o que 
algo é, como algo 
funciona, ou como 
ocorre, ou por que 
ocorre(organização 
processual). 
(BRASIL, 2017a) Considerando os 
dois modelos apresentados, elabore 
um texto que EXPLIQUE duas 
consequências relacionadas à 
qualidade do espaço urbano ou à 
infraestrutura urbana. 
(Questão 3 de componente 
específico da prova do ENADE do 
curso de Arquitetura e urbanismo) 
Leia a questão completa em: 
https://bit.ly/2zbxhAS 
Descrever Significa que você 
deve dar detalhes 
específicos sobre 
algo, alguém ou 
algum fenômeno, 
evento. 
(BRASIL, 2017b) Considerando a 
temática presentada nos textos, 
faça o que se pede nos itens a 
seguir. 
 - Descreva dois possíveis efeitos 
da ampliação das unidades de 
conservação sobre a 
biodiversidade. - Apresente três 
exemplos de ações que integrem o 
reconhecimento e a valorização do 
contexto sociocultural com a 
conservação da biodiversidade. 
(Questão 3 de componente 
específico da prova do ENADE do 
curso de Ciências biológicas) 
Leia a questão completa em: 
https://bit.ly/2K8TxQ8 
 
 
 
37 
 
No primeiro exemplo, é especificado nos tópicos o que se espera da questão. 
Uma resposta bem elaborada teria na primeira frase a tese relacionada ao tema 
(incluindo o primeiro aspecto). 
No desenvolvimento, seriam defendidos argumentos ou evidências que 
sustentem a tese. Já na conclusão, seria possível fazer a proposta de duas soluções 
em vista ao problema do tema. Uma resposta ao segundo teria uma organização 
diferente, o que não significa que são dispensáveis introdução, desenvolvimento e 
conclusão. (Daisy Batista Pail, 2018) 
Na primeira frase, seria importante declarar o tema e/ou a tese (as duas 
consequências sobre as quais se falará) na introdução, de modo a ser o fio condutor 
do desenvolvimento em que explicará duas consequências. 
Ao final, retomar o tema e apresentar a relevância ou potencial do que abordou. 
O exemplo 3 pode ser respondido seguindo os 5 passos. Deveria ser dito sobre o que 
irá se falar, seguido da descrição dos efeitos. O ideal seria que os exemplos dados 
estivessem ligados com os efeitos descritos e que isso fosse explicado. 
São importantes na escrita coesão e coerência. 
A coesão permite as ligações entre as partes de uma frase, entre frases e entre 
parágrafos. Nela, entra o uso de pronomes para retomar o que já foi dito e conjunções 
que estabelecem relações lógicas e de dependência entre si, entre outros. 
Já a coerência garante que o interlocutor poderá interpretar o que foi dito ou 
está escrito. Entretanto, não são as únicas características importantes. Também o são 
as figuras de retórica. 
Figuras de retórica são estratégias que o locutor ou escritor emprega para 
convencer seu interlocutor. 
Como visto, há diferentes formas de se expressar subjetividade, do pessoal à 
argumentação para defender seu ponto de vista. 
No âmbito acadêmico e profissional, somente o segundo é válido. 
5 CONCEPÇÃO INTERACIONISTA E LINGUAGEM 
A linguagem, compreendida como um lugar de interação humana, possui 
caráter interlocutivo e é construída socialmente. Nesse sentido, ela é um instrumento 
de comunicação e também uma forma de expressar pensamentos. 
 
38 
 
Assim, você não deve conceber a linguagem apenas como um código que 
transmite informações. Precisa compreendê-la como modo de interagir: uma pessoa 
atua sobre a outra, influencia e é influenciada durante a troca comunicativa 
(ANDRADE, 2008). 
De acordo com Andrade (2008), ao se estabelecer um paralelo entre essas 
concepções, é possível encontrar as correntes dos estudos linguísticos da gramática 
tradicional. São elas o estruturalismo e a linguística da enunciação, que é o foco aqui. 
Nela, a linguagem se dá pelo caráter dialógico, pois vários discursos estão presentes 
e são permitidos. 
 A corrente teórica de concepção interacionista da linguagem surgiu como 
categoria de análise nos anos 1960. 
Contudo, ganhou força no âmbito da filosofia e da sociologia apenas no final 
dos anos 1970 e início dos anos 1980, a partir da obra de Mikhail Bakhtin no campo 
da linguística. 
O teórico estuda a linguagem enquanto fenômeno de interlocução viva, que se 
pauta na relação indissociável entre o ser humano, a sociedade e a linguagem. Nesse 
contexto, as pessoas trocam enunciados constituídos com a ajuda das unidades da 
língua, e não trocam orações, palavras ou combinações de palavras. 
A utilização da língua efetua-se em forma de enunciados (orais e escritos), 
concretos e únicos, que emanam dos integrantes duma ou outra esfera da atividade 
humana. 
 [...] Qualquer enunciado considerado isoladamente é, claro, individual, mas 
cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de 
enunciados, sendo isso que denominamos gêneros do discurso (BAKHTIN, 1997, p. 
280). 
Para o teórico, não existe interação sem língua. Se ela não ocorrer, não há 
qualquer tipo de relação social. Afinal, todas as esferas da atividade humana estão 
sempre relacionadas com o uso da língua, por mais variadas que sejam. Essa corrente 
teórica se sustenta, de acordo com Morato (2004), como linguística interacional. Ela 
se trata de outra maneira de compreender a linguagem, interpretada por correntes de 
estudos da língua. 
De acordo com o teórico, essa ideia se acentua “[...] com a introdução de uma 
concepção histórico-discursiva de sujeito e da afirmação de uma ordem social na qual 
 
39 
 
se inscreve a linguagem, vista a partir de uma perspectiva dialógica.” (MORATO, 
2004, p. 330). 
Em seu livro Desvendando os segredos do texto, Koch (2002) aborda 
questões relativas às concepções de língua, sujeito, texto, sentido, contexto e 
gêneros discursivos. 
Essas questões, para a autora, estão entrelaçadas. Por isso, é complicado 
isolá-las para definir conceitos. 
Para a teórica, na concepção sociointeracional da linguagem, há a interação 
dos sujeitos ativos com as ações linguísticas, cognitivas e sociais. Isso ocorre de modo 
dialógico, com o texto, o contexto e a língua. 
Nessa perspectiva linguística, os textos permitem a organização do mundo, 
bem como a produção, a preservação e a transmissão de saber pelo homem. Nessa 
ideia, Koch explica que a concepção de sujeito de linguagem vai variar conforme a 
concepção adotada de língua. 
Quer dizer, língua e sujeito são indissociáveis, é impossível não pensar em 
ambos. Dessa forma, a teórica propõe três posições clássicas acerca de língua, texto 
e sentido. São elas (KOCH, 2002): 
 
1. Predomínio, ou exclusividade, da consciência individual no uso da 
linguagem; 
2. Assujeitamento; 
3. Lugar de interação. 
 
A primeira traz a ideia de que o responsável pelo sentido é o sujeito da ação. 
Além disso, compreende a língua como uma representação de pensamento. 
Assim, o texto, que seria um produto do pensamento, é entendido como uma 
representação mental do autor. Quem deve captar a mensagem, portanto, é o 
leitor/ouvinte. 
Aqui há um sujeito ativo, consciente, que constrói a sua história; ele é ativo e 
responsável pelo sentido. Há, assim, o predomínio da consciência individual no uso 
da linguagem. 
No caso do assujeitamento, perspectiva ligada à análise do discurso, entra em 
jogo a desconstrução do sujeito. É como se ele não fosse mais dono do seu próprio 
 
40 
 
discurso, mas apenas resultado do seu inconsciente e de uma ideologia, sendo 
determinado pelo sistema. 
Um dos teóricos que trabalha essa concepção é Possenti (apud KOCH, 2002), 
que diz que o indivíduo não é dono de seu discurso e de sua vontade. 
Na verdade, sua consciência, quando existe, é produzida de fora, e ele pode 
não saber o que faz e o que diz. O teórico afirma que, para a compreensão de textos, 
é necessário ter conhecimento linguístico, além de outros conhecimentose 
experiências: 
 “Penso que a A. D. ganharia se propusesse uma teoria psicológica, na qual o 
sujeito fosse ‘clivado pelo inconsciente’, mas não fosse reduzido a uma peça que 
apenas sofre efeitos. Certamente, há domínios em que os sujeitos só sofrem efeitos, 
mas há outros em que sua atuação é demandada e verificável.” (POSSENTI apud 
KOCH, 2002). 
A terceira proposta, o lugar de interação, possui sujeitos como atores/ 
construtores, e o texto é o lugar de interação. Nesse caso, uma decodificação de 
mensagem ou uma representação mental não concebe a compreensão e a produção 
de sentidos. 
Quer dizer, o sentido do texto se constrói na interação entre texto e sujeitos. 
Assim, há uma atividade interativa muito complexa de produção de sentidos “[...] que 
requer um vasto conjunto de saberes (enciclopédia) e sua reconstrução no interior do 
evento comunicativo.” (KOCH, 2002, p. 17). 
Desse modo, a teórica defende a concepção sociointeracional de linguagem, 
para sujeito, língua, texto e sentido, como um local de interação para os sujeitos ativos, 
comprometidos em uma atividade sociocomunicativa. 
Esta corresponde, no caso do produtor do texto, a dizer. 
E, no caso do interpretador, a uma participação ativa na construção de sentido 
do texto. Vista como forma de interação, essa forma de entender a linguagem está 
sustentada no objetivo de desenvolver, no aluno, maior proficiência em práticas de 
oralidade, de leitura e de escrita. 
Sobre isso, Gonçalves (2004) afirma que trabalhar a língua numa perspectiva 
sociointeracionista possibilita ao estudante refletir sobre a própria fala e escrita, bem 
como sobre outras situações em que interage cotidianamente. Nas palavras do autor 
(GONÇALVES, 2004, p. 2): 
 
41 
 
A interação tende a provocar mudanças tanto no sujeito quanto no destinatário, 
porque agimos sobre os outros e os outros sobre nós. 
A língua não se separa do indivíduo. 
Aprendê-la significa, a nosso ver, criar situações sociais idênticas às que 
vivenciamos no cotidiano. 
Em outros termos, o ato interlocutivo não deve se isolar das atividades 
cotidianas, visto que a linguagem não está dissociada de nossas ações e, portanto, 
aprender uma língua significa participar de situações concretas de comunicação. 
Para Duran (2009), na concepção interacionista, é importante que o processo 
de leitura não enfatize apenas o papel do leitor ou do texto, mas aceite o sentido da 
leitura como produto da relação entre ambos. 
Ou seja, a interação entre leitor e texto se dá de modo que se retoma em certo 
momento a perspectiva do leitor e, em outro momento, a do texto. Isso de acordo com 
a necessidade para cada situação de leitura. 
Nesse sentido, as concepções interacionistas consideram a leitura como um 
processo cognitivo e perceptivo. 
A prática de leitura condensa tanto as informações presentes no texto como as 
informações que o leitor traz consigo. 
 A construção dos sentidos, por sua vez, ocorre pela interação entre leitor e 
texto. 
6 TEXTO E INTERAÇÃO 
Para Bronckart (2012, p. 137), texto é “[...] toda unidade de produção verbal 
que veicula uma mensagem linguisticamente organizada e que tende a produzir um 
efeito de coerência em seu destinatário... é a unidade comunicativa de nível superior.”. 
Para o autor, o agir é verbal e não verbal. 
Desse modo, a definição se aplica para a produção escrita e também para a 
produção oral. 
Ainda conforme o teórico, ao interagirem, os indivíduos mobilizam recursos de 
uma língua e consideram o modelo de organizações textuais da mesma língua. 
Assim, a ação da linguagem nas formações sociais resulta nos textos. 
 
42 
 
Estes são produzidos conforme os objetivos, interesses e questões 
particulares, que podem determinar qual texto será usado em certa situação. 
Depois do uso, podem servir como exemplo para produção de outros textos 
(BRONCKART, 2012). Sobre texto, Marcuschi (1996, p. 61) afirma que [...] não sendo 
um produto acabado, objetivo, como uma espécie de depósito de informações, mas 
sendo um processo, o texto se acha em permanente elaboração e reelaboração ao 
longo de sua história e ao longo das recepções pelos diversos leitores. 
 Em suma, um texto é uma proposta de sentido e ele se acha aberto a várias 
alternativas de compreensão. Mas todo cuidado é pouco, pois o texto também não é 
uma caixinha de surpresas ou algum tipo de caixa preta. 
Se assim fosse, ninguém se entenderia e viveríamos em eterna confusão. 
Assim, você pode entender a língua como atividade de interação verbal que 
ocorre entre dois ou mais interlocutores. 
A materialidade linguística usada para produzir interação é o texto, e a 
linguagem é a interação, a troca. Quando se percebe o texto como evento de 
interação, é possível identificar os sujeitos envolvidos no processo de comunicação. 
A definição por Beaugrande (apud KOCH, 2002) diz que texto é um “[...] evento 
comunicativo no qual convergem ações linguísticas, cognitivas e sociais.”. 
A concepção da autora é de um evento dialógico de interação entre os sujeitos 
sociais. 
Para Koch, nesse processo de interação há um jogo de linguagem. Primeiro, o 
produtor/planejador recorre a uma série de estratégias de organização textual, 
viabiliza seu projeto, que é “o dizer”. Posteriormente, se organiza estrategicamente de 
dada forma. 
A partir das escolhas feitas, estabelece limites quanto às leituras, viabiliza o 
texto. Então, finalmente, o leitor/ouvinte lhe oferece a interpretação, procedendo a 
construção dos sentidos, a partir do modo como o texto se encontra. 
Nessa perspectiva interacionista, há uma concepção funcional e 
contextualizada para fundamentar um ensino de língua individual e socialmente 
produtivo e relevante. 
A língua só se atualiza a serviço da comunicação intersubjetiva, em situações 
de atuação social e por meio das práticas discursivas, materializadas em textos orais 
e escritos. 
 
43 
 
6.1 Intertextualidades implícita e explícita 
 
 Fonte: www.escolakids.uol.com.br 
A comunicação na perspectiva sociointeracionista permite que você amplie sua visão 
da interação. 
Considerando essa concepção, você pode verificar quais são as 
intertextualidades implícitas ou explícitas do texto, de modo que possa realizar leituras 
mais aprofundadas. 
Antes disso, é necessário compreender do que se trata a intertextualidade, 
termo que ficou conhecido por meio dos estudos da crítica literária Julia Kristeva. 
De acordo com a teórica, todo texto é um intertexto numa sucessão de textos 
pré-existentes ou que ainda serão produzidos (KRISTEVA, 1969). 
Antes de Kristeva, Mikhail Bakhtin alegou, ainda na década de 1920, que cada 
texto retoma outros que lhe antecedem (BAKHTIN, 2000). 
Isso faz com que os textos se reafirmem, se neguem ou provoquem a 
elaboração de novos textos. Bakhtin não aborda o termo “intertextualidade”, mas suas 
ideias se encontram às de Kristeva no tocante de que ambos compreendem que um 
texto sempre mantém relação com outros. 
Todo texto se constrói pelo que é dito explicitamente – como o que está em 
frases, palavras, períodos – e também por aquilo que não é explícito – no caso, os 
http://www.escolakids.uol.com.br/
 
44 
 
elementos implícitos, mas que têm importância significativa na construção de sentido 
do texto. 
 Com isso em vista, é importante você compreender que em um só texto há 
textualidades diferentes. Sobre isso, Platão e Fiorin (2000, p. 241) explicam que: 
Um dos aspectos mais intrigantes da leitura de um texto é a verificação de que 
ele pode dizer coisas que parece não estar dizendo: além das informações 
explicitamente enunciadas, existem outras que ficam subentendidas ou pressupostas. 
Para realizar uma leitura eficiente, o leitor deve captar tanto os dados explícitos quanto 
os implícitos. 
Para Platão e Fiorin (2000), a diferença entre os pressupostos e os 
subentendidos está no fato de que o pressupostoé um dado posto como indiscutível, 
tanto para o falante quanto para o ouvinte; é algo que não será contestado. 
No caso do subentendido, é de responsabilidade do ouvinte compreender a 
mensagem, considerando que, ao subentender algo, o falante tende a se esconde por 
trás do sentido literal das palavras. 
Assim, pode afirmar que aquilo que o ouvinte entendeu não era exatamente o 
que queria dizer. Sobre essa questão, Machado, Rosa e Prado (2010, p. 134) dizem 
que: 
No pressuposto reside uma informação indiscutível para o falante e/ou ouvinte 
e nesse âmbito o locutor partilha com o ouvinte a responsabilidade, sendo, portanto, 
coextensivo no interior do diálogo. 
Já o conteúdo subentendido para Ducrot (1987) não está marcado na frase e 
se explica no processo interpretativo. 
 
45 
 
7 COMUNICAÇÃO ESCRITA 
7.1 O surgimento da escrita 
 
https://pt.dreamstime.com 
Homens e mulheres sentiram a necessidade, durante milhares de anos, de 
registrar visualmente informações. Assim, a escrita foi desenvolvida originalmente 
para guardar os registros de contas e trocas comerciais. 
A escrita se trata do uso de sinais para exprimir as ideias humanas. De acordo 
com Barbosa (2013, p. 34), é considerada um marco entre a pré-história e a história: 
O homem, através dos tempos, vem buscando comunicar-se com gestos, 
expressões e a fala. A escrita tem origem no momento em que o homem aprende a 
comunicar seus pensamentos e sentimentos por meio de signos. Signos que sejam 
compreensíveis por outros homens que possuem ideias sobre como funciona esse 
sistema de comunicação. 
Desse modo, a invenção da escrita está ligada ao modo de viver que fixou o 
homem em determinados territórios há mais ou menos 6,5 mil anos: a agricultura e a 
domesticação de animais. 
Com o tempo, houve a necessidade de registrar mais cuidadosamente 
informações referentes à delimitação de espaços e ao direito de propriedade, bem 
como à produção e à circulação de bens. 
Sobre isso, Lévy (1993, p. 87) afirma que o nascimento da escrita se relaciona 
aos “[...] primeiros estados burocráticos de uma hierarquia piramidal e as primeiras 
formas de administração econômica centralizada em impostos e gestão de grandes 
 
46 
 
domínios [...]”. Assim, a fixação de homens e mulheres em territórios determinados, 
que foi o começo do processo de urbanização da vida, tem a ver com a escrita. 
Além disso, as formas de inscrição gráfica se originaram da necessidade dos 
homens de se comunicar e registrar suas impressões sobre as suas vidas, culturas, 
acontecimentos, histórias. 
Para escrever, homens e mulheres usaram inicialmente pedra, osso, marfim e 
madeira. Depois, o barro, o papiro, o pergaminho, até chegarem ao papel como 
suporte dos signos. A escrita pode ser considerada uma maneira nova de desenhar. 
Assim, você pode perceber que ocorreu uma evolução nos modos escritos de se 
comunicar. 
As inovações foram chegando e o homem se adaptando às novas descobertas. 
Cagliari (1988, p. 13) afirma que a escrita foi inventada pela leitura: 
[...] um dia numa caverna, o homem começou a desenhar e encheu as paredes 
com figuras, representando animais, pessoas, objetos e cenas do cotidiano... A 
humanidade descobria assim que quando uma forma gráfica representa o mundo, é 
apenas um desenho, quando representa uma palavra, passa a ser uma forma de 
escrita 
A escrita que mais se usa atualmente é a alfabética. Ela foi inventada pelos 
gregos antigos por volta de 800 anos a.C. 
Homens e mulheres levaram de 3 a 5 mil anos para chegar à forma atual da 
linguagem escrita. Mais tarde, já com a escrita impressa, ocorreu um aumento na 
produção de documentos escritos como livros e periódicos. 
Também houve a criação e a ampliação de bibliotecas, assim como a invenção 
de outros meios de comunicação, como os cartazes, anúncios oficiais e panfletos. 
Surgiu ainda a alfabetização e o acesso a informações e entretenimento literário, como 
a publicação de romances nos jornais. Escrever é um recurso que necessita de um 
processo de aprendizagem. 
Afinal, é necessário escolher as ideias, esquematizar e planejar o que será 
transmitido, de modo que a comunicação ocorra com qualidade e se efetive. De 
acordo com Marcuschi (2003), a escrita é usada em contextos sociais básicos da vida 
cotidiana, como o trabalho, a escola, em família, em situações que exigem burocracia 
e atividades intelectuais, em paralelo direto com a oralidade. 
 
47 
 
De acordo com Pimenta (2006), há diferença entre o modo que um povo fala e 
a maneira com que escreve. Ao contrário da falada, a linguagem escrita possui regras 
específicas. 
Estas têm o intuito de facilitar sua compreensão, tendo em vista que ela é 
registrada e permanece na sociedade. A intenção da escrita, na maioria das vezes, 
está relacionada à produção de textos, que serão utilizados para a leitura. 
De acordo com Charaudeau (2010), para organizar o conteúdo e a matéria 
linguística, é possível contar com os modos de compreensão do discurso, que 
constituem os princípios de organização da matéria linguística. 
Esses princípios dependem da finalidade comunicativa do indivíduo. Os quatro 
modos de organização são: enunciar, descrever, narrar e argumentar. Para diferenciá-
los, é necessário saber sua função-base. 
Além disso, o teórico explica que os modos de organização não são 
completamente separados, mas se misturam no desenvolvimento dos textos. Por 
exemplo, um texto narrativo pode conter descrições. 
De acordo com Charaudeau (2010), as características das formas de organizar 
os textos são: 
 
 Enunciativo: possui como função de base a relação de influência, o 
ponto de vista do sujeito e a retomada do que já foi dito. 
 Descritivo: identificar e qualificar seres de maneira objetiva/subjetiva 
são a função-base desse modo. 
 Narrativo: sua função-base é construir a sucessão das ações de uma 
história no tempo, com a finalidade de relatar algo. 
 Argumentativo: expor e provar casualidades numa visada racionalizante 
para influenciar o interlocutor são as suas funções-base. 
 
A partir disso, Charaudeau (2010) propõe que os gêneros textuais podem 
coincidir com um modo de discurso que constitui sua organização dominante. 
Eles também podem resultar da combinação de vários modos. 
 
48 
 
8 GÊNEROS E TIPOS TEXTUAIS 
8.1 Apontamentos iniciais 
O conhecimento dos gêneros textuais que fazem parte das interações sociais 
diárias favorece, de acordo com Marcuschi (2003), tanto a leitura como a 
compreensão de textos. 
Para o autor, os gêneros textuais são grandes aliados em atividades como 
leitura crítica, produção textual significativa, desenvolvimento da oralidade, 
conscientização de que a leitura e a escrita estão presentes em tudo que se faz, etc. 
Nesse sentido, você vai conhecer as características do gênero textual. 
Também vai compreender a diferença entre ele e os tipos/tipologias textuais e 
como estes ocorrem na prática social diária. Para Marcuschi (2003), é importante 
distinguir o que se convencionou chamar de tipo textual, de um lado, e gênero textual, 
de outro lado. 
Essas são duas noções nem sempre analisadas de modo claro na bibliografia 
pertinente. 
O autor parte do pressuposto básico de que não se pode comunicar 
verbalmente a não ser por algum gênero. Da mesma forma, não é possível se 
comunicar verbalmente a não ser por algum texto. 
Isso significa que a comunicação verbal só é possível por algum gênero textual. 
Essa posição, conforme Marcuschi (2003), é defendida por Bakhtin e também por 
Bronckart (1999). 
 Ela é adotada pela maioria dos autores que tratam a língua em seus aspectos 
discursivos e enunciativos, e não em suas peculiaridades formais. Essa visão segue 
uma noção de língua como atividade social, histórica e cognitiva. 
Privilegia a natureza funcional e interativa, e não o aspecto formal e estrutural 
da língua. 
Afirma o caráterde indeterminação e ao mesmo tempo de atividade constitutiva 
da língua. Isso equivale a dizer que a língua não é vista como um espelho da 
realidade, nem como um instrumento de representação dos fatos. 
Marcuschi (2003) apresenta uma definição que permite entender as diferenças 
entre gêneros e tipos textuais com certa facilidade. 
 
49 
 
A partir dela, você pode compreender melhor o problema dessa distinção sem 
grande complicação técnica. Essas diferenças são fundamentais em todo o trabalho 
com a produção e a compreensão textual. 
Observe a seguir uma breve definição das duas noções feitas por Marcuschi 
(2003): 
 
 A expressão tipo textual é usada para designar uma espécie de 
construção teórica definida pela natureza linguística de sua composição, 
como aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais e relações lógicas. 
Em geral, os tipos textuais abrangem categorias conhecidas como: 
narração, argumentação, exposição, descrição, injunção. 
 Já a expressão gênero textual é usada como uma noção 
propositalmente vaga para referir os textos materializados que se 
encontram diariamente e que apresentam características 
sociocomunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, 
estilo e composição característica. 
 Se os tipos textuais são apenas meia dúzia, os gêneros são inúmeros. 
Alguns exemplos de gêneros textuais seriam: telefonema, sermão, carta 
comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem jornalística, aula 
expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, 
receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de 
restaurante, instruções de uso, outdoor, inquérito policial, resenha, edital 
de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, carta 
eletrônica, bate-papo por computador, aulas virtuais e assim por diante. 
 
Antes de fazer a análise dos gêneros textuais e de questões relativas aos tipos, 
Marcuschi (2003) entende ser necessário definir mais uma noção. 
É a expressão domínio discursivo, que vem sendo usada de maneira um tanto 
vaga. A expressão domínio discursivo é usada para designar uma esfera ou instância 
de produção discursiva ou de atividade humana. 
Esses domínios propiciam o surgimento de discursos bastante específicos, mas 
não são textos nem discursos. Do ponto de vista dos domínios, se fala, por exemplo, 
em discurso jurídico, discurso jornalístico, discurso religioso, etc. Isso ocorre, pois, as 
 
50 
 
atividades jurídica, jornalística ou religiosa não abrangem um gênero em particular, 
mas dão origem a vários deles. 
Constituem práticas discursivas dentro das quais se pode identificar um 
conjunto de gêneros textuais que às vezes lhe são próprios (em certos casos 
exclusivos), como práticas ou rotinas comunicativas institucionalizadas 
(MARCUSCHI, 2003). 
Um dos exemplos usados pelo pesquisador é o caso das jaculatórias, novenas 
e ladainhas. Elas são gêneros exclusivos do domínio religioso, não aparecendo em 
outros domínios. 
 
 
 
De acordo com Marcuschi (2003), a jaculatória é um gênero textual que se 
caracteriza por um conteúdo de grande fervor religioso. 
Possui um estilo laudatório e invocatório, unindo duas sequências injuntivas 
ligadas na sua formulação imperativa. 
Além disso, possui composição curta com poucos enunciados, voltada para a 
obtenção de graças ou perdão, dependendo da circunstância. 
O teórico chama atenção para o cuidado que se deve ter para não confundir 
texto e discurso. Conforme o autor, há muitas discussões sobre o assunto. Contudo, 
se pode dizer que texto é uma entidade concreta realizada materialmente e 
corporificada em algum gênero textual. 
Já o discurso é aquilo que um texto produz ao se manifestar em alguma 
instância discursiva. O que significa que o discurso se realiza nos textos. “Em outros 
termos os textos realizam discursos em situações institucionais, históricas, sociais e 
ideológicas. 
Os textos são acontecimentos discursivos para os quais convergem ações 
linguísticas, sociais e cognitivas, segundo Robert de Beaugrande (1997). ” 
 
51 
 
Marcuschi (2003) aponta para o fato de que a definição dada aos termos 
utilizados em seu texto é muito mais operacional do que formal. 
Desse modo, conforme o estudioso, para a noção de tipo textual há a 
predominância da identificação de sequências linguísticas típicas como norteadoras. 
Mas, no que tange à noção de gênero textual, predominam os critérios de ação 
prática, circulação sócio histórica, funcionalidade, conteúdo temático, estilo e 
composicionalidade. 
Os domínios discursivos são as grandes esferas da atividade humana, nas 
quais os textos circulam. Marcuschi (2003) ainda enfatiza a importância de perceber 
que os gêneros são entidades comunicativas, e não entidades formais. 
Para o autor, “Gêneros são formas verbais de ação social relativamente 
estáveis realizadas em textos situados em comunidades de práticas sociais e em 
domínios discursivos específicos. ” (MARCUSCHI, 2003). 
8.2 Gêneros textuais 
 
https://www.gestaoeducacional.com.br 
Dinâmicos, os gêneros são entidades sociodiscursivas que surgem, se situam e se 
integram funcionalmente nas culturas em que se desenvolvem. 
 
52 
 
Eles servem para orientar o autor durante a produção e o leitor quando 
interpreta o texto. Bakhtin (2000) foi um dos primeiros estudiosos a teorizar os gêneros 
do discurso. 
Para ele, todas as atividades humanas estão relacionadas ao uso da língua. 
Isso configura a diversidade nesse uso e uma variedade de gêneros incalculável. Para 
o teórico, toda essa atividade se concretiza em forma de enunciados, orais e escritos, 
concretos e únicos, que emanam dos integrantes de alguma esfera da atividade 
humana. 
O teórico russo compreende os gêneros como resultado de um uso 
comunicativo da língua em sua realização dialógica. Assim, quando os indivíduos se 
comunicam, não trocam orações ou palavras. 
Eles trocam enunciados constituídos com os recursos formais da língua, como 
a gramática e o léxico. Para Baltar (2004), o gênero textual é uma unidade triádica. 
Ou seja, é formado de três elementos: unidade composicional, unidade temática e 
estilo. 
Ele, portanto, pode ser dividido em três para análise e classificação. A 
classificação, porém, não deve ser fechada. 
Afinal, os gêneros surgem de acordo com as necessidades e práticas sociais. 
Sobre isso, Bakhtin (2000) explica que as três dimensões essenciais à caracterização 
dos gêneros são: o tema, que trata do conteúdo; o estilo, que são as configurações 
específicas das unidades de linguagem; e a composição, estrutura particular do texto. 
Esta se relaciona com a finalidade extralinguística do texto: didática, publicitária, 
jornalística, entre outras. 
Marcuschi (2003) diz que é possível classificar os gêneros conforme a atividade 
sociodiscursiva a que servem. 
Segundo ele, quando se domina um gênero, se domina “[...] uma forma de 
realizar linguisticamente objetivos específicos em situações sociais particulares. ” 
(MARCUSCHI, 2003, p. 29). 
Nesse sentido, o estudo dos gêneros diversificados se faz importante, tendo 
em vista o fato de que nas diferentes práticas cotidianas de comunicação se realizam 
interações sociais. 
 
53 
 
O termo “gênero”, na tradição ocidental, sempre esteve ligado aos gêneros 
literários. Atualmente, é usado para aludir a uma categoria de discurso, seja ele falado 
ou escrito, tendo ou não aspirações literárias. 
Conforme Marcuschi (2003), essa noção é usada na etnografia, na sociologia, 
na antropologia, no folclore, na retórica e, evidentemente, na linguística. 
 
Domínios sociais Aspectos 
tipológicos 
Capacidades de 
linguagem 
Exemplos de 
gêneros 
Cultura literária 
ficcional 
Narrar Mimésis de ação por 
meio da criação da intriga 
no domínio do verossímil 
HQ Fábula Novela 
Documentação e 
memorização das 
ações humanas 
Relatar Representação do 
discurso deexperiências 
vividas 
Notícia Relatório 
Autobiografia Diário 
Discussão de 
problemas sociais 
controversos 
Argumentar Sustentação, refutação, 
negociação de tomadas 
de posição 
Anúncio publicitário 
Debate Discussão 
Resenha crítica Artigo 
opinativo 
Transmissão e 
construção de saberes 
Expor Apresentação textual de 
diferentes formas de 
saberes 
Texto informativo Aula 
expositiva Tomada de 
notas 
Regulação das ações Prescrever e instruir Regulação mútua de 
comportamentos por 
meio da orientação – 
enunciados (normativos, 
prescritivos ou 
descritivos) para a ação 
Receita culinária Regras 
de jogos Exercícios Bula 
Fonte: Bronckart (1999) e Schneuwly et al. (2004). 
Veja, na próxima seção, os tipos textuais e a que gêneros eles se apropriam. 
 
Exemplo: 
O gênero notícia, por exemplo, está no domínio discursivo jornalístico. 
Relata fatos de interesse público, comunicando informações sobre os fatos que 
já ocorreram, estão acontecendo ou ainda podem vir a acontecer. 
A narração é feita por meio de uma linguagem objetiva, clara e impessoal. 
Contudo, há redatores que expressam suas ideologias políticas, indo além do apenas 
informar, com o objetivo de formar opiniões. 
 
54 
 
A notícia apresenta, comumente, uma estrutura padrão, composta de duas 
partes: o lead e o corpo. O lead se trata das respostas para as seguintes perguntas: 
o quê; quem?; quando?; onde?; como?; por quê? Ele objetiva conceder informações 
detalhadas ao leitor já no início do texto. Depois, se acrescentam informações 
complementares. 
8.3 Tipos textuais 
 
https://www.educamaisbrasil.com.br 
A expressão tipo de texto é muitas vezes equivocadamente empregada no cotidiano 
e também em livros didáticos. 
Ela é comumente usada para designar não um tipo, mas sim um gênero de 
texto. Um exemplo desse fato é quando alguém diz “a carta pessoal é um tipo de texto 
informal”. Nesse caso, o termo “tipo de texto” não está sendo empregado de maneira 
correta e essa forma de falar deveria ser evitada (MARCUSCHI, 2003). 
De acordo com o autor, a carta pessoal escrita para alguém íntimo, como um 
familiar, é um gênero textual. 
Assim, se assemelha a editoriais, horóscopos, receita médica, bula de remédio, 
poema, piada, conversação casual, entrevista jornalística, artigo científico, resumo de 
 
55 
 
artigo, prefácio de livro. Marcuschi (2003) afirma que em todos esses gêneros também 
se estão realizando tipos textuais. 
É possível que o mesmo gênero realize dois ou mais tipos, sendo um texto 
tipologicamente variado, heterogêneo. 
A carta pessoal, por exemplo, pode conter uma sequência narrativa, uma 
argumentação, uma descrição e assim por diante. Portanto, possui uma variedade 
grande de sequências tipológicas. 
 Desse modo, Marcuschi (2003) explica que entre as características básicas 
dos tipos textuais está o fato de eles serem definidos por seus traços linguísticos 
predominantes. 
Assim, um tipo textual é dado por um conjunto de traços que formam uma 
sequência e não um texto. 
Ao nomear determinado texto como narrativo, descritivo ou argumentativo, se 
está nomeando o predomínio de um tipo de sequência de base, e não o gênero em 
si. 
Veja exemplos de tipos textuais e gêneros: 
 
 Descritivo 
Os textos de tipologia descritiva têm por objetivo descrever coisas, pessoas ou 
situações. Ao se descreverem personagens, por exemplo, a descrição pode ser 
de dois tipos: física ou psicológica. 
A primeira trata de características externas: altura, pelo, cor da pele, cabelos, 
olhos, idade. Já a segunda se ocupa do comportamento, caráter, 
personalidade. 
Quando se faz uma descrição física, ela pode ser objetiva. 
Nesse caso, o que é descrito se apresenta de forma direta, simples, concreta, 
como realmente é. 
Por outro lado, ela pode ser subjetiva, que envolve os sentimentos do descritor. 
Já a psicológica é sempre marcada por subjetividade. 
Os gêneros que se apropriam da estrutura descritiva são: laudo, relatório, ata, 
guia de viagem, textos literários. 
 
56 
 
Observe o exemplo, retirado do livro Dom Casmurro, de Machado de Assis 
(1977, p. 259): Não podia tirar os olhos daquela criatura de quatorze anos, alta, 
forte e cheia, apertada em um vestido de chita meio desbotado. 
Os cabelos grossos, feitos em duas tranças, com as pontas atadas uma à outra, 
à moda do tempo, desciam-lhe pelas costas. Morena, olhos claros e grandes, 
nariz reto e comprido, tinha a boca fina e o queixo largo. 
 
 Narrativo 
 A narração tem como principal característica contar uma história, ficcional ou 
não, ocorrida num determinado tempo e lugar, envolvendo personagens. 
O tempo verbal predominante é o passado. Ela é escrita geralmente em prosa, 
buscando comunicar qualquer acontecimento ou situação. 
A narração em primeira pessoa pressupõe a participação do narrador, que é o 
chamado narrador- -personagem. 
Já em terceira pessoa há um narrador-observador, que mostra o que ele viu ou 
ouviu. 
Os gêneros que se apropriam da estrutura narrativa são: conto, crônica, fábula, 
romance, biografia, lenda, narrativa de aventura, narrativa de ficção científica, 
narrativa de enigma, narrativa mítica, sketch ou história engraçada, biografia 
romanceada, romance, romance histórico, novela fantástica, adivinha, piada, entre 
outros. 
 
Como exemplo, considere o trecho do conto “Pausa”, de Moacyr Scliar (1977, p. 
275): Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o 
banheiro. Fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na 
cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando: — Vais 
sair de novo, Samuel? Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte 
calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava 
ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura. — Todos 
os domingos tu sais cedo – observou a mulher com azedume na voz. — Temos 
muito trabalho no escritório – disse o marido, secamente. Ela olhou os sanduíches: 
— Por que não vens almoçar? — Já te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo 
 
57 
 
um lanche. A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse à carga, Samuel 
pegou o chapéu: — Volto de noite. 
 
 Argumentativo 
O texto argumentativo, geralmente dissertativo, é um texto opinativo, em que 
ideias são desenvolvidas por meio de estratégias argumentativas que têm por 
finalidade convencer o interlocutor. 
Nesse tipo de texto, há posicionamentos pessoais, exposição de ideias e 
defesa de um ponto de vista. 
 Sua estrutura se dá em três partes: 
1. Ideia principal (introdução). 
2. Desenvolvimento (argumentos e aspectos que o tema envolve). 
 3. Conclusão (síntese da posição assumida). 
Os gêneros que se apropriam da estrutura dissertativa são: ensaio, carta 
argumentativa, dissertação argumentativa, editorial, texto de opinião, diálogo 
argumentativo, carta de leitor, carta de reclamação, carta de solicitação, debate 
regrado, assembleia, discurso de defesa (advocacia), resenha crítica, artigos de 
opinião ou assinados, editorial, ensaio. 
 
Exemplo: 
Considere este exemplo (MINO CARTA, 2013): A súbita louvação do nosso 
Judiciário serve para encobrir a verdade factual, a começar pelo emprego de pesos e 
medidas opostos no julgamento dos mais diversos gêneros de corrupção política. Até 
o mundo mineral sabe desta singular situação, pela qual a casa-grande goza da 
leniência da Justiça, em todos os níveis de atividade [...] 
 
 Expositivo 
O texto expositivo é também de natureza dissertativa. Trata-se da 
apresentação, explicação ou constatação, de maneira impessoal, sem 
julgamento de valor e sem o propósito de convencer o leitor. 
Tem por finalidade apresentar informações sobre um objeto ou fato específico, 
enumerando suas características por meio de uma linguagem clara e concisa. 
Os gêneros que se apropriam da estrutura expositivasão: reportagem, resumo, 
 
58 
 
fichamento, artigo científico, seminário, texto expositivo em livro didático, 
conferência, palestra, entrevista com especialista, texto explicativo, tomada de 
notas, resumo de textos, resenha, relatório científico, relatório oral de 
experiências. 
As exposições orais ou escritas entre professores e alunos numa sala de aula, 
os livros e as fontes de consulta também são exemplos dessa modalidade. 
 
Veja o exemplo a seguir, retirado da reportagem “Uma pena, duas medidas”, 
da Agência Pública (DIP, 2017). 
Na planilha de processos da Lava Jato atualizada em 4 de julho, fornecida à 
Pública pela assessoria de imprensa da Justiça Federal do Paraná, constam 
apenas sete pessoas em prisão domiciliar, 17 com tornozeleira eletrônica e 
duas com tornozeleira em prisão domiciliar (veja box com os nomes no fim 
da reportagem). 
Mas esses também são números confusos já que os processos gerados pela 
operação se desdobraram em centenas de outros, que mudam a cada 
minuto. 
 
 Injuntivo 
Os textos injuntivos têm por finalidade instruir o interlocutor, orientar como 
realizar uma determinada ação. 
Utilizam verbos no imperativo para atingir seu intuito. Eles normalmente pedem, 
mandam ou aconselham. 
Os gêneros que se apropriam da estrutura injuntiva são: manuais de instruções, 
receitas culinárias, bulas, regulamentos, editais, instruções de montagem, 
receitas médicas, regras de jogo, instruções de uso, comandos diversos, textos 
prescritivos. 
 
Observe o exemplo a seguir, retirado do manual de instruções de um 
computador (CCE, c2017): 
Não instale nem use o computador em locais muito quentes, frios, 
empoeirados, úmidos ou que estejam sujeitos a vibrações. Não exponha o 
 
59 
 
computador a choques, pancadas ou vibrações adversas, e evite que ele 
caia, para não prejudicar as peças interna. 
 
Os gêneros textuais podem ser híbridos. Isto é, podem ser compostos com 
características de diferentes gêneros ou conter variados tipos textuais. 
Por exemplo: a crônica, que é um texto tanto jornalístico quanto literário, une 
características de ambos. 
A reportagem é um texto que pode possuir tipos narrativos, expositivos e 
descritivos, sendo também híbrido. (MARCUSCHI, 2003) 
As cartas, que com a evolução tecnológica acabaram sendo substituídas por e-
mails, podem conter todos os tipos textuais dentro do texto. Para saber mais sobre 
esse assunto, leia o texto “Gêneros textuais: definição e funcionalidade” 
(MARCUSCHI, 2003). 
8.4 Texto e Textualidade 
Como vimos, texto, etimologicamente, quer dizer tecido, ou seja, trata-se de 
uma trama na qual se devem enredar as palavras. Já a Linguística do Discurso 
procura estudar os textos como “manifestações linguísticas produzidas por indivíduos 
concretos em situações concretas, sob determinadas condições de produção” (KOCK, 
1997, p. 11), entendendo-os numa situação interacionista. 
Para Val (1999, p. 3), texto (escrito ou falado) é a “unidade linguística 
comunicativa básica” utilizada pelos falantes de uma língua para se comunicar e será 
bem compreendido quando comportar três aspectos fundamentais: o pragmático 
(atuação informacional e comunicativa), o semântico-conceitual (relacionado à 
compreensão, à cognição, portanto, da coerência) e o formal (de sua organização, ou 
seja, de sua coesão). 
Por outro lado, discurso é mais abrangente e, de acordo com a Análise do 
Discurso de linha francesa, ele é entendido como o espaço em que emergem as 
significações (BRANDÃO, 2002). Mas, o que comporta essa significação? 
Primeiramente, temos de entender que o discurso de que tratamos se faz na e pela 
língua, ou seja, as significações serão observadas em sua formação discursiva, 
somada às suas condições de produção, norteadas pela sua formação ideológica. 
 
60 
 
Dessa forma, a noção de discurso pode ser vista como múltipla e analisá-lo é, 
de acordo com Foucault (1990, p. 187), “fazer desaparecer e reaparecer as 
contradições é mostrar o jogo que jogam entre si; é manifestar como pode exprimi-
las, dar- -lhes corpo, ou emprestar-lhes uma fugidia aparência. ” Isso quer dizer que 
analisar um discurso é buscar esses elementos de dispersão, os diversos discursos 
que comporta, os textos que com ele dialogam. E há várias maneiras de os textos 
conversarem entre si e com os discursos, como veremos a seguir. 
8.5 Intertextualidade 
De acordo com Kristeva (1974, p. 64) “todo texto se constrói como um mosaico 
de citações. Todo texto é absorção e transformação de um outro texto”, ou seja, como 
fala Bakhtin (1988), nenhum discurso é neutro, mas sempre formado por outros que 
lhe foram anteriores no tempo, pois é produzido por um sujeito descentrado, 
assumindo diferentes vozes sociais, que o tornam um sujeito histórico e ideológico. 
Fiorin (2003, p. 32) ensina que “a intertextualidade é o processo de 
incorporação de um texto em outro, seja para reproduzir o sentido incorporado, seja 
para transformá-lo. ” Já Brandão (2002, p. 76) aponta dois tipos de intertextualidade: 
uma interna, na qual um “discurso se define por sua relação com o discurso do mesmo 
campo, podendo divergir ou apresentar enunciados semanticamente vizinhos aos que 
autoriza sua formação discursiva”; e uma externa, “na qual o discurso define uma certa 
relação com outros campos” 
Kock (1986) também aponta a possibilidade de se observar a intertextualidade 
de duas maneiras: em sentido amplo, que ocorre implicitamente, ou seja, a 
identificação dos textos em diálogo é conseguida por meio de atenta observação por 
parte do leitor, porque o novo texto mantém alguns aspectos, tanto formais quanto de 
sentido, dos originais; em sentido estrito, que pode aparecer tanto implicitamente – 
por meio da divulgação de sua ideologia e retórica – quanto explicitamente – por meio 
da revelação direta do texto do qual se origina. 
Paulino, Walty e Cury (1997) indicam oito possibilidades de a intertextualidade 
se revelar, isto é, por meio de epígrafe, citação, referência, alusão, paráfrase, paródia, 
pastiche e tradução. Esses autores entendem a sociedade como uma grande rede 
 
61 
 
intertextual e dão ao espaço cultural um lugar de relevância, pois cada produção 
dialoga necessariamente com outras. 
Fiorin (2003) e Sant’Anna (1988) apontam diferentes maneiras de a 
intertextualidade ocorrer. O primeiro identifica três processos: a citação, a alusão e a 
estilização; o segundo, quatro: a paródia, a paráfrase, a estilização e a apropriação. 
Como é a proposta de Sant’Anna que mais atende aos nossos propósitos, estudá-la-
emos pormenorizadamente a seguir. 
8.6 Paródia 
 Fávero (2003, p. 49) vai à etimologia para conceituar o termo: 
 “Paródia significa canto paralelo (de para = ao lado de e ode = canto), 
incorporando a ideia de uma canção, cantada ao lado de outra, como uma espécie de 
contracanto. ” 
Sant’Anna (1988) completa, asseverando que ela tem uma função catártica, 
funcionando como contraponto com os momentos de muita dramaticidade. 
Além disso, a paródia faz uma reapresentação daquilo que havia sido recalcado, 
sendo uma nova e diferente maneira de ler o convencional, ou seja, é um processo 
de liberação do discurso, uma tomada de consciência crítica. 
Parodia-se um texto para negá-lo, já que a linguagem, nesse tipo de produção, 
é dupla: as vozes que dialogam nos dois discursos se cruzam tanto horizontal 
(produtor x receptor) quanto verticalmente (texto x contexto) (FÁVERO, 1999). Temos, 
em nossa literatura, muitos exemplos de paródia. 
Jô Soares, na época de cassação do então presidente Fernando Collor de Melo, 
utilizando-se da mesma estrutura da nossa Canção do exílio, escreveu: 
 
 
 Fonte: www.alunosonline.uol.com.br 
 
62 
 
 
 
63 
 
Recordemo-nos do original, de Gonçalves Dias: 
 
 
 
O dialogismo entre os textos é inquestionável, revelando, também, a 
característicaprimordial da paródia: temos aqui cantos paralelos aos de Gonçalves 
Dias, mas, ao mesmo tempo em que fazem com que nossa memória textual retome o 
 
64 
 
original, seu lado humorístico faz com que eles nunca se encontrem, como imagens 
invertidas num espelho (SANT’ANNA, 1988). 
Num texto acadêmico, podemos fazer uso da paródia quando, especialmente, 
partindo de um texto original, inauguramos outro paradigma, uma evolução do 
primeiro, numa oposição, numa crítica tecida com humor e ironia, expondo sua contra 
ideologia. Exemplo: 
 
(1) Texto fonte: Salários têm melhores reajustes em 10 anos Balanço divulgado 
pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) 
mostra que, em 2005, 72% dos reajustes salariais foram maiores do que a inflação, 
melhor desempenho já constatado. Fonte: Adaptado de www.pt.org.br 
 
(2) Texto derivado: Eles conseguem fazer com que seus salários tenham 
melhores reajustes em 10 anos. Balanço divulgado pelo Dieese (Departamento de 
Infâmias, Enrolação e Embuste Sem Escrúpulos) mostra que, em 2005, 72% dos 
reajustes salariais dos políticos foram maiores do que a inflação, maior roubalheira e 
sem-vergonhice já constatada. Fonte: Adaptado de www.pt.org.br 
 
Como se pode perceber, embora os dois textos mantenham um diálogo entre 
si, a paródia subverte o sentido do primeiro, retoma-o para o negar, para o ironizar, 
caminhando ao seu lado como se fosse sua imagem invertida. Diferente é a paráfrase, 
como veremos a seguir. 
8.7 Paráfrase 
Sant’Anna (1988) afirma que o termo ‘para- -phrasis’ (que já no grego significava 
continuidade ou repetição de uma sentença) pode ser considerado, grosso modo, uma 
reafirmação, por meio de outras palavras, do mesmo sentido de uma obra escrita, ou 
seja, pode-se considerar a paráfrase a tradução ou a transcrição de um texto primitivo. 
Nesse sentido, Derrida (2002) ensina que o tradutor deve resgatar, absolver, 
resolver o texto original e quando “cria” é como um pintor que “copia” seu “modelo”. 
Por sua vez, Benjamin (1996, p. 108) diz que “a natureza engendra semelhanças”, 
bastando, para entender isso, pensar-se na mímica. 
http://www.pt.org.br/
http://www.pt.org.br/
 
65 
 
Portanto, diferentemente da paródia, a paráfrase é a frase paralela, ou seja, 
uma releitura do original. Se, na primeira, temos a ruptura, a crítica sutil; na segunda, 
ficamos à frente de uma releitura, de uma reprodução. 
Para que possamos compreendê-la melhor, tomemos como exemplo a mesma 
Canção do exílio e vamos ver algumas paráfrases elaboradas a partir dela: 
 
66 
 
 
 
67 
 
 
 
68 
 
 
André (1988) assevera que muitas são as formas como utilizamos a paráfrase 
no texto acadêmico: 
 
a) Podemos reproduzir, com outras palavras, o mesmo pensamento do 
texto, seguindo a ordem do discurso original; 
b) Podemos reproduzir o texto, com outras palavras, mas buscando 
esclarecer, para os leitores de outro nível (nesse caso, portanto, 
motivado pelos objetivos), vocábulos ou expressões que julgamos 
importante elucidar; 
c) Podemos, ao reproduzir o texto, ampliar as informações sobre ele, seu 
autor, a obra, o estilo etc., na medida em que essas informações sejam 
cabíveis e relevantes para sua melhor compreensão; 
d) Podemos, finalmente, fazer um decalque, ou seja, seguindo a estrutura 
do texto original, substituir a ideia inicial por outra que com ela esteja 
associada. 
 
 
69 
 
Assim, podem ser produzidos diversos tipos de textos acadêmicos, como 
fichamentos, resumos e resenhas de textos, como veremos adiante. Vamos agora 
para outra forma como pode se dar a intertextualidade. 
8.8 Estilização 
A palavra ‘estilização’ deriva de estilo que, de acordo com Houaiss (2001, p. 
1254) significa “o modo pelo qual um indivíduo usa os recursos da língua para 
expressar, verbalmente ou por escrito, pensamentos, sentimentos, ou para fazer 
declarações, pronunciamentos etc.” Então, Sant’Anna (1988) define estilização como 
uma forma de tomar aquele estilo de outrem, estabelecendo um desvio tolerável e 
produzindo um meio do caminho entre a paródia e a paráfrase. Já para Fiorin (2003), 
A estilização é a reprodução do conjunto dos procedimentos do ‘discurso de 
outrem’, isto é, do estilo de outrem. Estilos devem ser entendidos aqui como 
o conjunto das recorrências formais tanto no plano da expressão quanto no 
plano do conteúdo (manifestado, é claro) que produzem um efeito de sentido 
de individualização. 
Esclarece, ainda, Fiorin que a estilização pode ser polêmica ou contratual. 
Entendemos que a estilização, em sentido estrito, pode ser uma forma de alusão, já 
que, ao citar, temos uma menção ao discurso de outrem, de maneira indireta, ou seja, 
por meio da utilização do estilo do texto de origem. Vamos ver, agora, a estilização 
que Murilo Mendes elaborou a partir da Canção de Exílio de Gonçalves Dias: 
 
 
70 
 
 
 
Quais elementos, no texto acima, nos indicam tratar-se de uma estilização? Ao 
aludir ao texto de Gonçalves Dias, o autor manteve, em vários momentos, a mesma 
construção sintática do texto de origem. Ex.: sujeito + verbo transitivo direto + objeto 
direto (oração principal): 
 
Minha terra tem palmeiras 
Minha terra tem macieiras da Califórnia. 
 
Oração subordinada adjetiva: 
 
Onde canta o sabiá 
Onde cantam gaturamos de Veneza. 
 
Além disso, é mantido o presente do indicativo e, quanto ao léxico, observamos 
que o texto de Murilo Mendes insere o cotidiano no esquema da nostalgia e que o 
efeito poético de distanciamento do modelo que obtém não elide, contudo, a 
reverência – irônica é verdade – à matriz da saudade nacional, tornando-se, ao 
mesmo tempo, polêmico e contratual. 
 
71 
 
8.9 Apropriação 
Sant’Anna (1988) ensina que essa forma de intertexto é bastante recente na 
crítica literária e chegou à Literatura por meio das Artes Plásticas, especialmente pelas 
experiências dadaístas. 
Também conhecida como assemplage (reunião, agrupamento), é muito 
próxima da colagem, ou seja, trata-se da reunião de materiais diversos para a 
composição de algo. 
 Embora recente seu estudo, essa técnica é, de acordo com o autor, 
antiquíssima, pois usa de um artifício muito conhecido na elaboração artística: o 
deslocamento, que, por meio do desvio, provoca um estranhamento. 
A apropriação pode ser de dois tipos: 
 
a) De primeiro grau: quando é o próprio objeto que entra em cena; 
b) De segundo grau: quando ele é representado, traduzido para outro 
código. O chargista e humorista Caulus fez o sabiá voar dos versos 
saudosistas para a denúncia ecológica, no grafismo leve e tocante do 
exílio de sua própria palmeira: 
 
 
 
72 
 
Em outras palavras, o artista apropriou-se do original e o transpôs para outro 
código, fazendo surgir, como disse Maserani (1995) um novo texto. 
Nesse sentido, podemos dizer que, ao fazer uso da apropriação, “o artista está 
querendo desarrumar, inverter, interromper a normalidade cotidiana e chamar a 
atenção para alguma coisa. ” (SANT’ANNA, 1988, p. 45). 
José Paulo Paes, no melhor estilo do sintetismo antidiscursivo das grandes 
vanguardas modernistas, fez o resumo da poesia, despojando-a de acessórios: 
 
 
9 O TEXTO ACADÊMICO 
9.1 Fichamento 
Observe: Para que fichemos qualquer obra, é necessária, antes de tudo, uma 
leitura atenta daquilo que se deseja fichar. Ruiz (1980, p. 70) aconselha: 
 
 
73 
 
 
 
Então, para que façamos um bom fichamento, é preciso seguir algumas etapas: 
 
a) Ler atentamente uma primeira vez o texto na íntegra, grifando as palavras 
desconhecidas e procurando-as no dicionário; 
b) Ler uma segunda vez, munidos com lápis, para sublinhar os trechos mais 
importantes. 
 
Andrade e Henriques (1992) informam que é importante sublinhar um texto, para: 
 
a) Assimilá-lo melhor; 
b) Memorizá-lo; 
c) Preparar uma revisão rápida do assunto; 
d) Aplicar em citações; 
e) Resumir, esquematizarou fichar. 
 
De acordo com esses autores, a técnica de sublinhar compreende, depois das 
leituras sugeridas: 
 
a) Identificação da ideia-núcleo de cada parágrafo; 
b) Indicação, com uma linha vertical colocada à margem, dos tópicos mais 
importantes; 
c) Colocação de um ponto de interrogação à margem do texto, para indicar 
casos de discordância e passagens obscuras; 
d) Leitura do que foi sublinhado para ver se há sentido; 
 
74 
 
e) Reconstrução do texto, tomando os trechos sublinhados como base 
 
Os autores também recomendam que: [...] há de se sublinhar o estritamente 
necessário, evitando-se argumentações, exemplificações, citações etc. (ANDRADE; 
HENRIQUES, 1992). 
Depois desse primeiro passo, procede-se, então, ao fichamento. 
Hoje, com a facilidade do computador, podemos utilizar uma pasta 
especialmente aberta para salvar esse tipo de documento. 
Quem não dispõe desse recurso, deve usar fichas, vendidas em papelaria em 
três formatos: 7,5 x 12,5; 10,5 x 15,5 e 12,5 x 20,5. 
A de tamanho médio, no nosso ponto de vista, é a ideal, porque cabe numa caixa 
de sapatos, por exemplo, se a quisermos arquivar. 
Devemos utilizar uma ficha (ou uma página de computador) para cada tópico ou 
assunto, cuidadosamente anotado. 
Deve-se, também, evitar escrever no verso das fichas, por uma questão de 
praticidade. 
A estrutura da ficha deve ser a seguinte: 
 
a) Cabeçalho, com a identificação do assunto (título geral, título específico, 
número do título etc.); 
b) Indicação da fonte da qual se extrai o fichamento, de acordo com as 
normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); 
c) Corpo da ficha, compreendendo anotações ou comentários. 
 
 
75 
 
 
 
 
 
2. de citação: 
A que contém a transcrição fiel de trechos ou frases da obra consultada, 
normalmente, aquelas grifadas como as mais importantes na instância da leitura. Na 
citação, deve-se observar: 
 
a) O uso de aspas; 
b) A referência da página da qual foi retirada a citação; 
 
76 
 
c) O uso de [...] para marcar que o trecho foi recortado. 
 
 
 
3. de resumo: 
É a que contém uma paráfrase do trecho lido. O resumo pode ser apresentado 
como esboço ou como sumário: 
 
a) Como esboço: apresenta a mesma estrutura do texto citado, com as 
palavras-chave, títulos e subtítulos, procedendo-se a um resumo dele; 
b) Como sumário: topicalizam-se os itens julgados mais relevantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
77 
 
Exemplos: 
 
 
 
 
9.2 Resumo 
Resumir um texto ensina a relacionar as ideias, entender com clareza o assunto 
e perceber o sentido próprio do figurado que os vocábulos podem adquirir numa 
produção textual. 
 
78 
 
Para se realizar um resumo, seguem-se os mesmos passos do fichamento, isto 
é, antes de tudo: 
 
a) Ler atentamente uma primeira vez o texto na íntegra, grifando as palavras 
desconhecidas e procurando-as no dicionário; 
b) Ler uma segunda vez, munidos com lápis, para sublinhar os trechos mais 
importantes. 
 
E mais: 
 
c) Ficar atento para as palavras de ligação que organizam de forma lógica o 
raciocínio, tais como: assim sendo, além do mais, pois, em decorrência 
etc.; e as que modificam os ficar atento enunciados: mais que tudo, não, 
nunca etc. 
 
Quando temos de resumir um texto, por exemplo, o ideal é que o façamos por 
partes, ou seja, que elaboremos o resumo de cada capítulo. 
O bom resumo deve, de acordo com André (1988, p. 106), “conservar os traços 
do estilo do texto original, como por exemplo, nível de linguagem, ironia, humor, 
vivacidade, etc.” Por outro lado, não devemos opinar ou criticar: o procedimento é de 
resumo e não de resenha ou de interpretação. 
Quanto à extensão, normalmente esta é estabelecida por quem o faz ou por 
quem o solicita, dependendo dos objetivos visados, mas, normalmente, um bom 
resumo contém de 10 a 15 por cento do texto original. 
Exemplo de resumo: 
 
 
79 
 
 
 
Vamos agora, proceder ao resumo, seguindo as etapas especificadas: 
 
1. Leitura atenta e a técnica de sublinhar as palavras-chave: 
A finalidade da escola é educar e ensinar. Ensinar é ministrar conhecimento e 
experiências. 
“A educação é ação formadora da personalidade humana, que faculta ao 
indivíduo alcançar, com sua atividade, a meta de sua vida”. 
 A educação e o ensino devem ter um escopo: formar integralmente o homem 
(no espírito e no corpo) a fim de que consiga, na luta de todos os dias, viver feliz e 
satisfeito por saber que trilha o melhor caminho com os melhores recursos, dentro do 
bem-estar da comunidade. 
Embora a função específica da escola seja ensinar, cumpre-lhe também, e por 
lei, educar. 
A escola que não educa é perniciosa. 
 
2. Resumo por parágrafos: 
1º a finalidade da escola é educar: auxiliar o indivíduo a alcançar seus objetivos; 
e ensinar: ministrar conhecimento e experiências; 
2º a educação e o ensino: formar integralmente o homem; 
 
80 
 
3º embora a função da escola seja, antes de tudo, ensinar, tem também (por 
lei), de educar. A escola que assim não age é perniciosa. 
 
3. Redação final: 
A finalidade da escola é educar, ou seja, auxiliar o indivíduo a alcançar seus 
objetivos; e ensinar, isto é, ministrar conhecimentos e experiências. 
A educação e o ensino devem formar integralmente o homem. 
Embora a função da escola seja, antes de tudo, ensinar, tem ela também, e por 
lei, de educar. 
A escola que assim não age é perniciosa. 
Quem desejar, pode colocar introduções no resumo: 
 No texto A escola e sua finalidade, de Hildebrando A. André (1988), publicado 
no livro Curso de redação, o autor discute a finalidade da escola. Nele, o autor afirma 
que... 
9.3 A Resenha 
Várias são as definições dadas a essa atividade: 
“É uma síntese geral, informativa e avaliativa sobre livros, capítulos, artigos das 
mais diferentes áreas do conhecimento e que serve, por conseguinte, para orientar as 
opções e o interesse do leitor [...].” (BARROS; LEHFELD, 2000, p. 22); “[...] é uma 
descrição minuciosa que compreende certo número de fatos: é a apresentação do 
conteúdo de uma obra. 
Consiste na leitura, no resumo, na crítica e na formulação de um conceito de 
valor do livro feitos pelo resenhista.” (LAKATOS; MARCONI, 1992, p. 89); “[...] é uma 
síntese ou um comentário dos livros publicados feitos em revistas especializadas das 
várias áreas da ciência, das artes e da filosofia.” (SEVERINO, 2001, p. 131). 
Entre as citadas, depreendemos em comum o fato de esse tipo de trabalho tratar-
se de uma síntese, ou resumo avaliativo, não importando o nome que se dê a ela: 
resenha crítica (que nos parece redundante), resenha descritiva ou, simplesmente, 
resenha. 
 
81 
 
Saiba, prezado (a) aluno(a), que saber fazer uma boa resenha é bastante 
importante na vida acadêmica, pois é através dela que se tem o primeiro contato com 
um livro, um texto, um filme etc. 
Uma resenha bem elaborada pode fazer o leitor comprar uma determinada obra 
ou assistir a um filme específico. 
Severino (2001) informa que há dois tipos de resenha: a informativa, aquela que 
apenas expõe o conteúdo do texto; e a crítica, aquela por meio da qual manifestamos 
nosso critério de valor. Já mencionamos alhures que, em vista do que foi conceituado 
relativamente ao termo, julgamos ser a resenha eminentemente crítica, podendo, isso 
sim, somar-se uma descrição, resultando a resenha descritiva. 
 Vamos ver uma de cada vez. 
9.4 Resenha Crítica 
Como também já mencionamos, não julgamos ser necessário o uso de crítica à 
resenha, pois lhe cabe por definição esse papel, chamemo-la simplesmente resenha. 
Então, vejamos. 
Sua organização é lógica: começa-se com um cabeçalho, no qual são transcritos 
os dados bibliográficos da obra; segue-se um parágrafo com uma breve informação 
sobre o autor do texto; na sequência, deve-se introduzir o texto, com um parágrafo 
que sintetize a obra, escritode forma bastante objetiva e contendo seus pontos 
principais e forma de organização. 
Nos parágrafos subsequentes, far-se-á uma síntese de cada capítulo da obra 
(ou parágrafo do texto), parte por parte, destacando-se “o assunto, os objetivos, a 
ideia central, os principais passos do raciocínio do autor.” (SEVERINO, 2001, p. 132). 
O texto deve ser finalizado com um comentário crítico elaborado pelo resenhista, 
contendo os aspectos positivos e negativos do objeto resenhado. 
Também é possível que, durante a apresentação da síntese, já se façam 
comentários críticos. 
Como o objetivo da resenha é apontar, de maneira direta e cortês, o assunto 
discutido no texto, como assunto, forma de abordagem, teoria, profundidade teórica 
etc., mostrando qualidades e falhas de informação, não se deve tecer comentários 
sobre o autor do texto. 
 
82 
 
Para um estudante de curso superior, a elaboração de resenhas favorece uma 
melhor compreensão da matéria e é um exercício de síntese de muito valor, por isso, 
exercite-se!!! 
9.5 Resenha Descritiva 
Além do já visto, na resenha descritiva, deve-se somar um parágrafo descritivo 
da obra, informando, por exemplo: 
 
a) Editora; 
b) Número de edição; 
c) Páginas; 
d) Se obra traduzida, o nome dos tradutores; 
e) Organização. 
 
Requisitos básicos para se resenhar para a elaboração de um texto valoroso, 
deve-se: 
 
a) Ter conhecimento da obra; 
b) Ter poder de síntese; 
c) Imprimir um olhar crítico sobre ele; 
d) Manter-se fiel ao pensamento do autor. (SEVERINO, 2001) 
 
83 
 
10 O TEXTO COMERCIAL 
 
 Fonte: www.formacaolinguasc.blogspot.com.br 
10.1 As Cartas Comerciais 
Apesar do grande desenvolvimento tecnológico que temos assistido 
recentemente, a carta comercial continua sendo um importante veículo de 
comunicação entre empresas. 
A carta surtirá grande efeito a quem se dirigir, se ela, 
Sem desprezar os seus aspectos imediatistas, for vazada em linguagem 
precisa e adequada, dotada de ritmo frasal, isenta dos bolorentos lugares-
comuns, criativa, distante de estereótipos ou dos modelos pré-fabricados, 
dispostas suas frases de modo tal que o clímax da mensagem se coloque 
dentro do ângulo de visão do leitor. (MARTINS DE BARROS, 1977, p. 17). 
Uma carta comercial estará bem escrita, se: 
 
a) Não for verborrágica; 
b) Não for rastejante; 
c) Não for vazada em vocabulário difícil ou frases arrevesadas; 
d) Não estiver em linguagem descuidada; 
e) Não estiver com aspecto descuidado 
http://www.formacaolinguasc.blogspot.com.br/
 
84 
 
 
 
Martins de Barros (1977, p. 25) ensina que “o bom redator de empresa tem de 
fixar esses aspectos [...] Uma carta bem escrita, bem apresentada, inovada, não é só 
testemunho de finesse, mas (também e sobretudo) um extraordinário agente de 
fixação da imagem da empresa emissora. ” 
A composição da Carta Comercial são as seguintes as partes que compõem, 
normalmente, uma carta comercial: 
 
a) Data; 
b) Destinatário (completo: nome, endereço, CEP, cidade, estado); 
c) Evocação; 
d) Assunto; 
e) Despedida; 
f) Assinatura. 
 
85 
 
 
 
86 
 
11 E-MAILS 
 
 Fonte:www.focusmarketing.com.br 
11.1 Internet 
Lembrando: quando falamos em internet, estamos nos referindo à maior rede de 
computadores do mundo. 
Melhor, não só uma rede, de uma das redes, a responsável pela troca de 
mensagens, aulas virtuais, comércio, informações diversas etc. 
 Para que possamos acessá-la, são necessários os provedores, isto é, o meio 
que permite a comunicação entre computadores do mundo todo. (MOLINA,2019) 
Entre eles, há os gratuitos (iG, Yahoo etc.) e os pagos (UOL, Globo, Terra etc.). 
Entra-se na rede por meio de login e senha, sendo que cada usuário cria os seus. 
Entre os serviços oferecidos por esses provedores, há o correio eletrônico (electronic-
mail e-mail). 
11.2 O E-mail Propriamente Dito 
O e-mail é um texto que une características tanto do escrito quanto do oral. Como 
texto escrito, pode apresentar as seguintes características: 
 
 
87 
 
 Ser descontextualizado; 
 Autônomo; 
 Explícito; 
 Condensado; 
 Planejado; 
 Preciso; 
 Normatizado; 
 Completo. 
 
Devido à rapidez com que ocorre a comunicação, pode apresentar, em algumas 
circunstâncias, as seguintes características do texto oral: 
 
 Ser contextualizado; 
 Dependente; 
 Implícito 
 Redundante; 
 Não planejado; 
 Impreciso; 
 Não normatizado; 
 Fragmentado. 
 
Então, como dissemos, embora pareça um texto oral, trata-se de um texto 
escrito, ou seja, há sempre nele a possibilidade de planejamento e de refazimento. 
(Guedes, 2015) 
Devemos nos lembrar sempre de que, como qualquer texto, traça a imagem de quem 
o produz, portanto, ao escrever e-mails, garanta: 
 
 Que o interlocutor entenda a mensagem da maneira como você 
deseja; 
 Evite uso não convencional de abreviaturas; 
 Evite uso de letras maiúsculas, a não ser que deseje expressar gritos. 
 
 
 
88 
 
 Atente para: 
 
a) Que tipo de e-mail estou passando? 
b) Para quem o estou enviando? 
c) Que variante linguística utilizar? 
 
 Veja um exemplo de e-mail pessoal de difícil leitura (embora emissor e receptor 
conheçam o assunto de que estão tratando, a falta de acentos e a não utilização de 
pontuação, dificulta a decodificação da mensagem): 
E aiii Nana ohhh aki ta o trabalho antes que eu me esqueça sinceramente 
não manda pra aquelas folgadas hahahah ok?1 tão folgando muito agora em 
relação ao outro folgado coloca o nome dele so mais desta vez mas nem fala 
deixa ele pq ele viu qdo eu e o Thiago estavamos fazendo ok?! e vai ficar 
chato pro meu lado pq ele até disse que tava no trabalho lembra que ele até 
ia digitar mas a gente que não confia entao hahaha entao os integrantes do 
grupo sao eu vc thi, lu, roger, e o mansa as demais tem o jorge q e bobao e 
faz pra elas!!!! hahaha ok?! bjokas se cuida T+ vê se melhora ta?! 
(Guedes2015) 
11.3 E-mails Comerciais 
Ao escrever esse tipo de e-mail, deve-se atentar para as seguintes questões: 
 
 Quem sou eu (qual posição ocupo na empresa)? 
 Quem é meu interlocutor (qual posição ocupada por ele)? 
 Que tipo de correspondência esse e-mail veiculará (carta, relatório, 
informativo etc.)? 
 
Sempre, nesse caso, deverá se primar pela: 
 
 Formalidade; 
 Correção gramatical; 
 Padrão culto; 
 Seguir o modelo do gênero específico (ou seja, as propriedades do 
relatório, da carta, do informativo etc.). 
 
 
89 
 
Por exemplo, se se tratar de uma carta comercial, o e-mail terá as mesmas 
partes de que ela se compõe: evocação, desenvolvimento, conclusão e assinatura. 
 
 
 
Para garantir o envio e a recepção do e-mail, é sempre prudente salvar uma 
cópia em Itens Enviados, pedir Confirmação de Leitura e mandar cópias a quem de 
direito. 
11.4 E-mails Pessoais 
Ao escrevermos e-mails pessoais, devemos nos lembrar sempre de que, por 
mais amigos que sejamos do destinatário, as palavras são frias, por isso, podem ser 
mal compreendidas. (Guedes, 2015) 
Cuidado, então, ao escrever; o texto sempre traça nossa imagem, como já 
dissemos anteriormente, assim, usar uma linguagem clara, com correção gramatical 
e abreviações convencionais, é o mais prudente. 
A formatação agora não é tão rígida. 
Exemplo de troca de correspondência entre dois amigos: 
 
 
90 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11.5 Qualidades do Texto 
Um texto de qualidade é aquele bem estruturado. 
Com relação aos detalhes, quando se fala em qualidades do texto, são 
necessárias: clareza, concisão e coerência. 
Mas será que todos os textos bons são claros, concisos e coerentes? 
Dois textos, um literário e outro técnico, podem ser considerados ótimos, sem, 
contudo, haver qualquer ponto em comum entre eles. 
Então, é preciso alargar o leque das qualidades textuais para chegarmos àscaracterísticas universais da boa redação. (Antônia Guedes,2019) 
Os requisitos mencionados a seguir foram tirados de vários autores, procurando 
dar uma ideia bastante ampla do que se espera de um texto de qualidade. 
11.6 Unidade 
Do ponto de vista da unidade, o texto deve apresentar uma ideia e um objetivo 
único a alcançar. 
Ela pode ser desenvolvida através de definições, apresentação de exemplos, 
pormenores, comparações e contrastes, provas, ou pela apresentação de causas e 
consequências. 
 
91 
 
11.7 Adequação 
Para alguns autores, a adequação é a regra primordial a ser buscada pelo 
redator. 
É ela que vai orientar quando utilizar as outras qualidades do texto, de modo a 
atingir os objetivos que a mensagem propõe. 
Se, por exemplo, você vai tratar de um assunto desagradável com um cliente, a 
escolha de expressões que suavizem o significado do que é preciso informar será 
melhor aceita que uma frase “nua e crua”. 
11.8 Concisão 
Dizemos que um texto é conciso quando ele é breve, resumido, sucinto. 
Entre um texto longo e cheio de detalhes e outro conciso, destinatários com 
pouco tempo disponível preferirão os últimos, obviamente. 
Em vista disso, sempre que for possível, é melhor ir direto ao assunto e não ficar 
dando voltas intermináveis para dizer o que realmente importa. 
11.9 Clareza 
No mundo repleto de informações em que vivemos, nem sempre é fácil 
apresentar nossos argumentos de forma clara. 
Antes de mais nada, é preciso estar consciente de que nem sempre o que é claro 
para você será claro para o seu destinatário, porque as pessoas não encaram as 
situações pelo mesmo ângulo. (Antônia Guedes,2019) 
Da mesma forma que a concisão, a clareza é antes de tudo uma questão de 
atitude. 
É preciso querer ser claro. 
 É preciso “entrar na pele” do outro, sentir como ele sente, ver como ele vê. 
Se formos capazes disso, conseguiremos uma comunicação eficaz. 
O segredo é raciocinar como o destinatário: se ele for uma criança, raciocine 
como uma criança; se ele for um adolescente, a mesma coisa. 
Se ele for um cliente, ponha-se no lugar dele! Sempre é bom observar algumas 
regras práticas: 
 
92 
 
 Escolha bem as palavras. Evite demonstrar erudição, utilizando termos tirados 
direto do dicionário. 
 Além disso, convém afastar-se dos estrangeirismos, das palavras de sentido 
ambíguo, vago e dos termos técnicos fora do conhecimento do seu leitor. 
[Erudição - instrução vasta e variada, adquirida sobre tudo pela leitura.] 
 Evite o uso de adjetivos e advérbios (quando usados com valor qualificativo), 
termos que afetam a precisão da frase, já que podem refletir um julgamento 
pessoal a respeito dos fatos, objetos ou pessoas. 
 Utilize o método de desenvolver passo a passo o seu raciocínio para que o 
leitor possa assimilar cada etapa. Nestes casos é preferível abrir mão da 
concisão em benefício da clareza para atingir o objetivo desejado 
 Ligue adequadamente as ideias para não correr o risco de apresentar as 
informações como peças independentes. As palavras de ligação (conjunções, 
advérbios) são instrumentos eficazes para isso. 
 Opte pela linguagem acessível para a maioria dos leitores. O redator habilidoso 
é aquele capaz de dizer coisas profundas de modo fácil, e não coisas fáceis e 
simples de modo complicado. 
11.10 Coerência 
Quando se diz que uma pessoa é incoerente, quer dizer que ela fala uma coisa 
e faz outra. Este é o exemplo mais comum. (Antônia Guedes,2019) 
No texto escrito, incoerência consiste em um texto confuso, contraditório ou sem 
um sequenciamento apropriado de ideias. 
Há vários pontos em que o texto precisa apresentar coerência: 
 
 Coerência interna do texto, o mesmo de evitar contradições flagrantes, como é 
o caso do funcionário que diz que não está buscando outro emprego, mas se 
aparecer uma oferta vantajosa... O certo seria dizer que, no caso de aparecer 
uma oferta vantajosa, ele pensaria em mudar de emprego. 
 Coerência com a realidade, de modo a transmitir a informação que realmente 
conta. É como o caso da pequena empresa que divulga entre seus clientes uma 
 
93 
 
capacidade de produção que ela não está aparelhada para suportar. Coitados 
daqueles que acreditarem e coitados daqueles que mentirem... 
 Coerência com a realidade, de modo a transmitir a informação que realmente 
conta. É como o caso da pequena empresa que divulga entre seus clientes uma 
capacidade de produção que ela não está aparelhada para suportar. Coitados 
daqueles que acreditarem e coitados daqueles que mentirem... 
 Uniformidade de tratamento. A credibilidade do redator será afetada se ele se 
propõe a falar, por exemplo, das regiões do Brasil e só trata de algumas delas. 
É preciso dar pesos iguais aos fatos de igual relevância. Por outro lado, se o 
leitor se propõe a tratar de um assunto polêmico, ele deve apresentar os prós 
e os contras, ajudando o leitor a formar o seu próprio julgamento sobre a 
questão. 
 Uniformidade de tratamento. A credibilidade do redator será afetada se ele se 
propõe a falar, por exemplo, das regiões do Brasil e só trata de algumas delas. 
É preciso dar pesos iguais aos fatos de igual relevância. Por outro lado, se o 
leitor se propõe a tratar de um assunto polêmico, ele deve apresentar os prós 
e os contras, ajudando o leitor a formar o seu próprio julgamento sobre a 
questão. (Antônia Guedes,2019) 
 Fundamento das conclusões. Se você apresenta uma conclusão, em que se 
baseia? Em dados concretos ou na sua própria impressão pessoal? Não é 
coerente formular conclusões baseando-se em premissas não apresentadas 
ou falsas, e em informações que o leitor desconhece. 
 Fatos e opiniões. Apresentar um fato é informar sobre algo que realmente 
aconteceu, cuja descrição esteja coerente com a realidade. Apresentar uma 
opinião é interpretar os fatos da nossa maneira, segundo as nossas 
impressões. Misturar as duas coisas pode levar o leitor a uma impressão 
ambígua quanto ao que é fato e ao que é opinião. Podemos apresentar nossas 
opiniões sem, contudo, deixar de apresentar os fatos. O segredo é informar o 
leitor qual é o fato (acontecimento) e qual é a nossa opinião sobre ele. 
 
94 
 
11.11 Ênfase e Vigor 
Por ênfase entende-se a capacidade que um tópico textual tem de sobressair-se 
entre vários, de forma a atingir os objetivos do redator. (Antônia Guedes,2019) 
 Vigor é a capacidade do texto de atrair e captar a atenção do leitor, provocar 
nele o que se pretende. Vejamos algumas regras práticas para prender a atenção do 
leitor: 
 
 Por ênfase entende-se a capacidade que um tópico textual tem de sobressair-
se entre vários, de forma a atingir os objetivos do redator. Vigor é a capacidade 
do texto de atrair e captar a atenção do leitor, provocar nele o que se pretende. 
Vejamos algumas regras práticas para prender a atenção do leitor: 
 Direcionar o assunto ao interesse do leitor. Como todos os seres humanos são 
dotados de necessidades e desejos básicos – afeto, segurança, bem-estar 
físico etc., – um bom texto é aquele capaz de associar o assunto a um destes 
interesses do leitor, aumentando muito a probabilidade de envolvê-lo. 
 Dialogar com o leitor. Não é muito mais envolvente ler um texto que parece ter 
sido escrito para nós? Se o leitor se sente parte do texto, sentirá também 
necessidade de reagir a isso, respondendo, opinando, refletindo. 
 Dialogar com o leitor. Não é muito mais envolvente ler um texto que parece ter 
sido escrito para nós? Se o leitor se sente parte do texto, sentirá também 
necessidade de reagir a isso, respondendo, opinando, refletindo. (Antônia 
Guedes,2019) 
11.12 Elegância 
Um texto elegante não é aquele construído com palavras difíceis ou lances 
geniais de criatividade. 
Um texto elegante é o que não é desagradável. 
Evite o sensacionalismo, as piadas de mau gosto, o sarcasmo, o tratamento 
desrespeitoso contra membros de um grupo socialqualquer, estereótipos 
preconceituosos etc. 
Fuja das gírias, dos trocadilhos pobres e das conclusões óbvias. 
 
95 
 
Repare se a sequência das palavras utilizadas não produz aquele som 
desagradável, chamado de cacófato, tais como: a boca dela, a fé de Paulo, eu vi ela 
etc., ou ecos, tais como: Meu patrão ganha um dinheirão vendendo sabão. 
11.13 Objetividade 
Como o nosso interesse é tratar de técnicas redacionais voltadas para a 
produção de documentos empresariais, essas qualidades são particularmente 
exigidas em textos técnicos, jornalísticos, científicos, nos relatórios, ou em quaisquer 
outros, em que o redator deva expressar-se sem projetar suas opiniões pessoais. 
Você já deve estar sentindo falta de uma qualidade fundamental, não é? 
É isso mesmo, a tão indispensável correção gramatical. 
Sem ela qualquer texto estaria comprometido, descartado. 
 É por isso que vamos dedicar toda a lição 4 aos pontos gramaticais mais 
necessários para a prática da redação, seja ela literária ou técnica. (Antônia 
Guedes,2019) 
Concluindo o nosso estudo sobre as qualidades do texto, uma certeza deve ficar: 
texto de qualidade é aquele que cumpre bem a sua missão. 
Trocando em miúdos, o destinatário é quem vai dar a palavra final: o texto 
convence ou não convence, e isso é o que importa 
 
96 
 
12 DOMÍNIO DA INFORMAÇÃO 
 
 Fonte: www.annelisegripp.com.br 
Todo bom redator é aquele que tem o que dizer quando escreve. 
Não há como redigir sobre um determinado assunto sem conhecê-lo, senão o 
texto resultante será fraco e superficial. 
As melhores fontes de informação são: leitura constante e variada, conversas 
com pessoas bem informadas, participação em eventos culturais, pesquisa etc. 
Se você não faz isso ainda, comece já. 
Quanto mais o fizer, mais o seu leque de interesses será ampliado, facilitando 
muito na elaboração de textos. 
Um conselho bastante útil é registrar em fichas tudo o que for considerado 
relevante em termos de informação. 
Ao ler um livro, anote frases significativas, ou registre coisas interessantes ditas 
por pessoas em eventos, entrevistas, reportagens. 
Nunca tenha preguiça de buscar as informações, seja em qualquer área, 
porque elas se complementam e nos dão um conhecimento variado, que 
aprofundaremos quando precisarmos de um tópico mais técnico e específico. 
Ainda no que diz respeito à leitura, Richard Steele (1986), um grande escritor 
irlandês, disse que ela “é para a mente o que o exercício é para o corpo”. 
http://www.annelisegripp.com.br/
 
97 
 
13 FERRAMENTAS DO REDATOR 
Ninguém pode afirmar que já está pronto para fazer uma boa redação se apenas 
acumulou conhecimentos teóricos, regras, dicas ou orientações, porque, na verdade, 
é impossível guardar tudo na memória para usar quando preciso. 
Além do estudo teórico sobre a redação, o redator deve ter outros trunfos, que 
são as suas ferramentas, um outro arsenal de informações de que ele vai lançar mão 
à medida que vai necessitando. (Equipe Técnico-Pedagógica, Mediação, 2019) 
Por isso é bom levantar quais são as maiores dificuldades que o redator encontra 
na hora de fazer uma redação. 
 
Veja esta lista: 
 
 Domínio superficial do assunto que vai tratar; 
 Domínio superficial do assunto que vai tratar; 
 Desconhecimento da gramática; 
 Falta de leitura; 
 Pontuação inadequada; 
 Falta de ideias para enriquecer o texto 
 
Onde buscar o que falta? 
Vamos discutir a seguir cada uma das ferramentas que você deve ter sempre à 
mão para um bom texto. 
 Procure nas Referências Bibliográficas as obras que foram fundamentais para a 
confecção deste módulo; certamente elas serão ótimas ferramentas para a redação. 
13.1 Gramáticas 
Estudar gramática aleatoriamente é cansativo. (Equipe Técnico-Pedagógica, 
Mediação, 2019) 
Experimente consultá-la com uma dúvida específica a partir de uma 
necessidade. 
O estudo vai ter outro sabor, será muito mais proveitoso. 
 
98 
 
Quem de nós já não teve dúvida sobre o uso da crase, colocação pronominal, 
flexão do infinitivo? 
É nesta hora que a gramática vem em socorro da nossa falta de conhecimento. 
Não é necessário ser um profundo conhecedor da gramática para se tornar um bom 
redator. 
O que é preciso é saber onde procurar o quê. 
Para isso deve-se estar familiarizado com a sua estrutura para facilitar a 
consulta. 
É claro que quanto mais adquirirmos o hábito de folhear a gramática, mais 
estaremos aprendendo sobre a língua portuguesa. 
13.2 Dicionários 
Alguma vez você já ouviu alguém dizer que o dicionário é o “pai dos burros”? 
Muito pelo contrário, ele é o pai dos inteligentes, daqueles que não querem errar. 
No dicionário você encontra o sinônimo mais adequado, a grafia correta das 
palavras, a regência dos verbos. 
Lá está a classe gramatical a que a palavra pertence, se é substantivo, adjetivo 
ou advérbio, além de exemplos de emprego das palavras em frases ilustrativas. 
13.3 Livros de Redação e Estilo 
Como já foi dito, ninguém é capaz de guardar tudo na memória para sempre. 
Mesmo que você tenha feito um bom curso na área de redação, tenha sempre à mão 
livros sobre o assunto, porque no futuro será preciso relembrar uma orientação 
importante, mas que já foi esquecida por falta de uso. (Equipe Técnico-Pedagógica, 
Mediação, 2019) 
13.4 Textos de Consulta da Área 
Um redator cuidadoso sempre procura consultar livros específicos da área em 
que atua. 
 
99 
 
Procure sempre os melhores autores, aqueles mais reconhecidos, cujas obras 
sejam marcantes e que tenham mais abrangência quanto aos assuntos e à 
bibliografia. 
14 ESTILO E ESTÉTICA 
Você já deve ter percebido que estilo não é sempre uma ferramenta favorável ao 
ato de falar ou escrever. 
É preciso então buscar o domínio dos estilos que são úteis e conhecer os que 
devem ser evitados para não comprometer a eficácia redacional. 
Para uma pessoa comum, estilo é a maneira própria de expressar seus 
sentimentos ou os acontecimentos presenciados. 
Para o redator, estilo deve ser um trunfo, que deve variar de acordo com a 
circunstância e o receptor. 
É a capacidade de dizer a mesma frase de modo diferente, é a habilidade de 
tornar novo o que antes estava desgastado. 
14.1 Estilística e Eficácia Redacional 
Você já ouviu falar de eficiência e eficácia? 
Eficiência é realizar a tarefa corretamente, e eficácia é a capacidade de alcançar 
o objetivo, realizando a tarefa certa no momento certo. 
Neste contexto podemos aplicar os conceitos de estilística e eficácia redacional. 
Porque a eficácia da mensagem vai depender da sua criatividade, da escolha de um 
estilo capaz de produzir no leitor a resposta que você espera. 
A esta altura você já deve estar se perguntando: o que mais é preciso para um 
bom texto empresarial? 
Acredite, você já tem praticamente em mãos tudo para fazer excelentes 
redações. 
Você já sabe que precisa escolher qual o tipo de texto mais adequado ao seu 
leitor, que esse texto deverá ter qualidades (concisão, clareza, correção, objetividade), 
que você precisa dominar a informação e as ferramentas necessárias etc. (Equipe 
Técnico-Pedagógica, Mediação, 2019) 
 
100 
 
O que lhe falta agora é conhecer os vários estilos de redação, cuja utilização 
criativa favorece muito a eficácia do seu texto. 
14.2 Estilística Fraseológica 
Este tópico foi chamado de “estilística fraseológica” porque os vários estilos que 
serão apresentados a seguir estão relacionados com a estrutura da frase. 
 
a) Estilo monótono: é aquele em que o redator demonstra imaturidade na 
expressão escrita, fazendo uso exagerado das palavras e, mas, aí, então. 
Neste estilo os fatos são apresentados em ordem cronológica, denunciando 
ausência de esforço na elaboração da frase. 
 
 
 
b) Estilo lacônico: é o texto parecido com um telegrama, de frases curtas e 
rápidas. Não há uso de orações subordinadas, porque as frasessão breves e 
bem marcadas por vírgulas e pontos finais. (Equipe Técnico-Pedagógica, 
Mediação, 2019) 
Este modo de escrever pode facilitar a compreensão do texto, porque as ideias 
ficam mais claras e inteligíveis. 
 
 
 
 
101 
 
c) Estilo ladainha: é um modo de expressão que lembra os textos da Bíblia. Há 
frases encadeadas pela conjunção coordenativa e, tornando a linguagem um 
tanto familiar, facilitando a compreensão das ideias. 
 
 
 
d) Estilo complexo e obscuro: é o preferido das pessoas prolixas, retóricas, que 
gostam de impressionar pelo excesso de pormenores, de adjetivos, de 
advérbios, de frases longas, nas quais há excesso de quês e porquês. 
 
 
 
e) Estilo truncado: é aquele em que o redator opta por separar orações 
subordinadas entre si através de pontos finais. Este é um estilo mais de acordo 
com a linguagem popular, em que a utilização das conjunções subordinativas 
se torna inviável. Compare as frases do exemplo. 
 
 
 
f) Estilo desdobrado: é a característica de autores que iniciam uma frase, mas 
não sabem como terminá-la. Tornam-se escravos de explicações sem fim, em 
que sempre há motivo para outras frases adicionais, excesso de vírgulas, 
parênteses, travessões. (Equipe Técnico-Pedagógica, Mediação, 2019) 
 
 
102 
 
 
 
g) Estilo dinâmico: neste estilo, o redator utiliza frases curtas, incisivas e 
agradáveis, em que muitas vezes o verbo é dispensado. É um estilo cuja 
estrutura da frase aproxima-se das máximas e provérbios. 
 
 
15 ESTÉTICA 
Quando se trata de documentos técnicos, é a estética que vai dispor os vários 
elementos ao longo do papel, transformando a peça escrita em algo agradável de se 
ler. (Equipe Técnico-Pedagógica, Mediação, 2019) 
A estética vai além da mera distribuição dos parágrafos em uma folha de papel: é 
a escolha do espaçamento entre parágrafos, o tamanho das margens, onde colocar 
data, assinatura, número de referência...; é preciso levar em conta, além disso, que 
alguns tipos de documentos têm sua própria estética. 
 Quem dispõe de computador não fica isento do cuidado com a estética. 
Este equipamento facilita muito o trabalho porque a tela já mostra como o 
documento vai sendo criado até estar pronto para ser impresso em sua forma final. 
 E antes da impressão final é o momento em que as devidas correções ou 
melhoria de distribuição de texto precisam ser feitas, para que se obtenha um 
documento perfeito. (Equipe Técnico-Pedagógica, Mediação, 2019) 
Se o documento for impresso antes disso, algo pode estar errado e o resultado 
será um desperdício de tempo, papel e tinta de impressão. Um documento bem 
elaborado e com estética impecável representa a empresa e as pessoas que o 
redigiram e assinaram. Observe estas dicas: 
 
 
103 
 
 
 
15.1 Tipos de Estética (Estilos) utilizados 
Quando se fala em estética também se fala em estilo. Neste caso, estilo estético 
é o formato da correspondência, a distribuição do texto pelo papel e as margens e 
espaçamentos adotados. 
Então, quando falarmos em estilo bloco, ou semibloco, estamos nos referindo à 
estética, e não à linguagem. (Equipe Técnico-Pedagógica, Mediação, 2019) 
15.2 Correspondência Oficial 
A correspondência oficial costuma ter seus próprios padrões estéticos, definidos 
em documentos especificamente publicados para orientar não apenas nesse aspecto, 
mas em outros, tais como a finalidade, a forma e a estrutura dos documentos, a sua 
origem e destinação. 
 
104 
 
Dentre os documentos oficiais mais conhecidos destaca-se o ofício, cujo padrão 
estético apresenta normas rígidas em sua forma e em sua estrutura. 
Apenas para ilustrar (porque a correspondência oficial vai ser apresentada com 
maiores detalhes na lição 3), apresentaremos nas páginas seguintes os estilos 
estéticos do ofício, do memorando e do fax. 
 
 
 
 
105 
 
Esta é a folha nº 1 do ofício (observe como a estética do documento oficial é 
detalhada); sua continuação está na página seguinte. 
 
 
 
A seguir apresentamos o modelo estético de memorando segundo as normas 
da redação oficial. 
Na redação empresarial a estética do memorando é bem mais flexível. 
 
106 
 
 
 
Abaixo damos um modelo de formulário para fax, de acordo com as regras dos 
documentos oficiais. 
Este formato também pode ser aproveitado para a correspondência empresarial. 
 
107 
 
 
 
108 
 
15.3 Outros Documentos Considerados Oficiais 
Existe uma série de documentos cuja classificação como oficial ou empresarial 
é polêmica. (Equipe Técnico-Pedagógica, Mediação, 2019) 
Dada sua finalidade, optamos por chamá-los de “outros documentos 
considerados oficiais”, porque são documentos cuja origem ou destino é um órgão 
público. 
Por exemplo, se você precisa de um atestado, dependendo do tipo, ele vai ser 
fornecido (ou solicitado) por órgão público: segurança pública, escola pública, área da 
saúde pública. 
Da mesma forma, outros documentos, como o requerimento ou a declaração, 
podem ou não ser considerados documentos oficiais. 
Veja um modelo de atestado. 
 
 
 
109 
 
Veja agora um modelo de estética própria da declaração. 
 
 
 
O requerimento também é um documento cuja estética é bem definida. Observe 
o modelo: 
 
110 
 
 
 
111 
 
15.4 Correspondência Empresarial 
Os tipos estéticos mais utilizados são aqueles que facilitam o trabalho: sem 
entrada de parágrafos, sem divisão silábica no fim da linha, com todas as frases 
alinhadas na margem esquerda. (Equipe Técnico-Pedagógica, Mediação, 2019) 
Os outros tipos devem ser mostrados porque as pessoas podem preferi-los e 
porque nas correspondências oficiais ainda se usa o parágrafo recuado e outros 
detalhes específicos. 
Na lição 3, quando mostrarmos os vários modelos de documentos, deixaremos 
clara a visualização da sua estética. 
Veja a seguir três tipos de estilo estético, utilizados para as cartas. 
 
a) Estilo endentado ou Semibloco 
 
 
 
112 
 
b) Estilo Bloco 
 
 
 
c) Tipo Bloco Compacto 
 
 
113 
 
 
15.5 Correspondências Particulares 
Não precisa necessariamente obedecer a qualquer padrão, porque o que vale é 
a informalidade, a liberdade de expressão. (Equipe Técnico-Pedagógica, Mediação, 
2019) 
 
114 
 
Se as pessoas que se correspondem são íntimas, a carta pode ser manuscrita. 
Se for social ou cerimoniosa, deve ser digitada. 
Este último tipo engloba as cartas de apresentação, as de candidatos a emprego 
e as de demissão. 
Neles encaixam-se perfeitamente a carta-bilhete, o cartão postal, os cartões 
comemorativos de datas, os bilhetes. (Equipe Técnico-Pedagógica, Mediação, 2019) 
15.6 Relatórios 
Os relatórios têm sua estética semelhante à dos textos longos, seguindo as 
margens de 3 cm acima e à esquerda e de 2 cm abaixo e à direita. 
Os parágrafos são separados por espaços duplos e iniciam na margem 
esquerda, sem recuo. 
Pode-se optar ou não por uma margem alinhada à direita. O título principal deve 
vir centralizado no topo da página e com letras maiúsculas. 
Os demais títulos e subtítulos podem ser numerados, seguindo uma hierarquia 
para facilitar a montagem do índice. 
No final, o relatório deve ser datado e assinado pela pessoa que o redigiu. 
Embaixo e à esquerda, por último, colocam-se as iniciais de quem o redigiu, em letras 
maiúsculas, seguidas de barra, e as iniciais de quem o digitou, em letras minúsculas. 
16 NORMAS GERAIS PARA REDAÇÃO 
Depois de tudo o que foi falado sobre o ato de redigir, os estilos, o que é favorável 
e o que não é para a redação, a estética a ser adotada, achamos útil estabelecer 
passos para o momento em que você se prepara para escrever o seu documento. 
Esteja sempre certo de que: 
 
 Sabe qual é o objetivo do documento; 
 Sabe que tipo de documento deve utilizar; 
 Colocou-se no lugar do destinatário para sentir-se como ele; 
 Dispõe de informações precisas sobre o fato que motiva à redação;115 
 
 Domina todas as palavras necessárias e já escolheu o vocabulário 
adequado; 
 Domina todas as palavras necessárias e já escolheu o vocabulário 
adequado; 
 Calculou o tamanho do texto para saber como distribuir na folha de papel; 
 Sabe como iniciar, desenvolver e concluir a correspondência. 
17 REDAÇÃO OFICIAL E REDAÇÃO EMPRESARIAL 
 
 Fonte: www.esquemaria.com.br 
Com a preocupação de evitar ambiguidades (incertezas, mais de um sentido), 
achamos importante fazer um comentário sobre as terminologias utilizadas neste 
módulo. (Equipe Técnico-Pedagógica, Mediação, 2019) 
Como vamos colocar a nossa atenção principalmente na redação da 
correspondência, é importante ressaltar que ao consultar vários autores que tratavam 
da elaboração deste tipo de documento, percebia-se diferentes distinções entre o que 
se entende por correspondência oficial e empresarial. 
Alguns só tratam da correspondência como sendo a comercial, outros dividem 
a correspondência entre particular e oficial. 
Em geral, no particular relacionam-se cartas, cartões, bilhetes, convites, 
manuscritos ou não. 
http://www.esquemaria.com.br/
 
116 
 
Como correspondência oficial entendem-se a profissional, que são aquelas 
trocadas entre empresas, indústrias, bancos, órgãos oficiais, e são dirigidas a várias 
autoridades, tais como diretores, chefes, gerentes, reitores, professores, engenheiros 
etc. 
Ao passo em que há autores que preferem dividir a correspondência entre 
oficial e comercial. (Equipe Técnico-Pedagógica, Mediação, 2019) 
Optamos por esta divisão porque percebemos diferenças marcantes entre os 
dois tipos, dadas as suas naturezas e exigências. 
Decidimos, no entanto, não utilizar o nome “comercial” e sim “empresarial”, 
visto que o primeiro pode restringir a ideia, fazendo crer que estamos falando apenas 
das empresas que produzem e/ou comercializam bens. 
O termo empresarial é mais abrangente, porque as empresas podem ser 
bancárias, industriais, comerciais, prestadoras de serviços, de pesquisa científica nos 
vários campos do conhecimento, de ensino etc. Antes de falar sobre a 
correspondência oficial e empresarial, achamos oportuno definir o que é 
“correspondência”. 
Correspondência é um meio de comunicação escrita entre pessoas. É o ato ou 
estado de corresponder, adaptar, relatar ou o acordo de uma pessoa com outra. 
É uma comunicação efetiva através de papéis, cartas ou documentos. 
Por ampliação de sentido, passou a designar todo o conjunto de instrumentos 
de comunicação escrita: bilhetes, cartas, circulares, memorandos, ofícios, 
requerimentos, telegramas e e-mails. 
17.1 Redação Oficial 
O conceito de texto oficial refere-se aos documentos gerados em órgãos 
públicos e à correspondência que é trocada entre esses órgãos e pessoas ou 
empresas e vice-versa. Segundo o Manual de Redação da Presidência da República, 
“redação oficial é a maneira pela qual o Poder Público redige atos normativos e 
comunicações”. Por essa definição, vê-se que a redação oficial não trata só de 
correspondências, que chamam de “comunicações”, mas também de outros 
documentos que são chamados de “atos normativos”. 
Dentre os documentos classificados como “comunicações” estão: 
 
117 
 
 
 O padrão ofício, que se divide entre: exposição de motivos, aviso e ofício; 
 A mensagem; 
 O memorando; 
 O fax; 
 O e-mail. 
 
Dentre os chamados de “atos normativos” destacam-se: 
 
 As Leis Ordinárias; 
 As Leis Complementares; 
 As Medidas Provisórias; 
 Os Decretos; 
 As Medidas Provisórias; 
 As Portarias; etc. 
 
O Manual de Redação da Presidência da República, que serviu de base para 
esta consulta, vê a redação oficial apenas do ponto de vista do poder executivo. 
Entretanto, nas outras obras que consultamos, percebemos que os autores tratavam 
como correspondência oficial outros tipos de documentos, como atestados, 
declarações, certificados, acordos, diplomas, procurações e uma infinidade de outros 
documentos. (Equipe Técnico-Pedagógica, Mediação, 2019) 
Concluímos então que é uma questão de ponto de vista dos autores: o 
documento é público se é emitido ou exigido por órgão público, não necessariamente 
o poder executivo, mas também escolas, delegacias, órgãos setoriais da Receita 
Federal, coletorias etc. 
Os documentos oficiais caracterizam-se pela impessoalidade, pelo uso do 
padrão culto de linguagem e também pela clareza, concisão, formalidade e 
uniformidade. Como a administração pública tem como princípios fundamentais a 
publicidade e a impessoalidade, também a elaboração de atos e comunicações 
oficiais devem ser norteados por esses princípios. (Equipe Técnico-Pedagógica, 
Mediação, 2019) 
 
118 
 
Os atos normativos de qualquer natureza devem ser prontamente entendidos 
pelos cidadãos, como é de direito e, em vista dessa publicidade, não se concebe que 
um documento oficial seja redigido de forma obscura. (Equipe Técnico-Pedagógica, 
Mediação, 2019) 
17.2 Características Específicas 
Além das características gerais definidas no item 2, cada tipo de documento 
oficial tem suas características específicas, que serão apresentadas na sequência. 
Estas características prendem-se a sua finalidade, forma e estrutura. 
Além disso, não se pode deixar de observar que as comunicações oficiais 
exigem observância do uso dos pronomes de tratamento, na maneira de fazer os 
fechos para as comunicações e na identificação do signatário. 
17.3 Pronomes de Tratamento 
A utilização dos pronomes de tratamento encontra, na redação oficial, seu uso 
mais próprio e tradicional. 
Desde o século XVI, este modo de tratamento indireto (ver lição 4) já era utilizado 
também para os ocupantes de determinados cargos públicos. 
Com a evolução de alguns pronomes de tratamento e a queda de uso de outros, 
as formas de tratamento chegaram aos dias de hoje e são, na redação oficial, o modo 
mais adequado de nos dirigirmos às autoridades civis, militares e eclesiásticas. 
17.4 Fechos para Comunicações Oficiais 
Nas comunicações oficiais, o fecho tem dupla finalidade: concluir o texto e 
saudar o destinatário. 
O Manual de Redação da Presidência da República estabelece o emprego de 
somente dois fechos para todo tipo de documento da redação oficial: 
 
 
119 
 
 
17.5 Identificação do Signatário 
Todas as demais comunicações oficiais, exceto a assinada pelo Presidente da 
República, devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as expede, impressos 
abaixo do local da assinatura. (Equipe Técnico-Pedagógica, Mediação, 2019) 
A finalidade é identificar rapidamente a origem das comunicações. 
 
 
 
Evite isolar a assinatura em folha de continuação. 
Se o espaço for insuficiente para a assinatura, passe para a folha de 
continuação ao menos a última frase anterior do fecho (na redação empresarial a 
estética manda que as duas últimas linhas sejam deixadas para a folha de 
continuação). 
 
120 
 
18 ORATÓRIA, RETÓRICA E ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÕES 
 
www.palermo.edu 
A oratória teve origem na Sicília, no século V a.C., graças ao siracusano Corax 
e o discípulo Tísias. (Equipe Técnico-Pedagógica, Mediação, 2019) 
Os ensinamentos deixados por esses dois sábios guiaram pensadores como 
Aristóteles e orientaram advogados com dicas práticas, restringindo-se à aplicação 
nos tribunais. 
Tanto que uma das grandes obras deixadas pelo filósofo, Arte Retórica, é um 
dos registros mais antigos que temos sobre o estudo da compreensão de quem fala. 
A palavra “oratória” vem do vocábulo latim oratória, que significa “arte de falar com 
eloquência”. 
Vale atentar para um detalhe: embora pertençam ao campo da comunicação, 
oratória e retórica têm significados diferentes. 
A primeira se relaciona às técnicas que desenvolvem a qualidade da fala, da 
dicção e da postura corporal. Já a retórica está ligada à capacidade mental do orador, 
e se preocupa essencialmente com o conteúdopara persuadir o interlocutor. 
Falar e persuadir o público pode melhorar enormemente o desempenho 
profissional em qualquer cargo. 
Afinal, quem sabe expressar seus pensamentos com mais propriedade acaba 
tornando-se uma pessoa mais segura e transmitindo maior confiança. 
 
121 
 
Pessoas que dominam a oratória também pensam mais rápido, com fluidez e 
segurança. 
Além de dar maior confiança, a oratória auxilia o profissional a alcançar cargos 
de liderança, já que esses postos demandam uma boa capacidade de se comunicar 
e inspirar pessoas. 
Uma das grandes consequências de transmitir maior confiança e segurança é 
que você se torna uma referência no assunto. 
E isso é extremamente importante para profissionais autônomos e 
empreendedores que precisem trazer novas ideias ao mercado. 
Além disso, todo profissional que precisa fortalecer a sua rede de contatos tem 
de conquistar as pessoas, tornando-se memorável positivamente. 
Afinal, somos também reconhecidos por nossas habilidades de marcar as 
pessoas! 
Uma boa oratória não só ajuda a aumentar a visibilidade, como também auxilia 
na manutenção do círculo social. (Martin Luther King Jr, 1963) 
Realizou um discurso defendendo a realização dos direitos civis e a igualdade 
dos negros nos Estados Unidos. 
O apelo dos ativistas políticos é conhecido mundialmente como “Eu tenho um 
sonho”. 
Tem uma longa história e tem inspirado pessoas que buscam direitos iguais 
hoje e se tornou um dos melhores modelos de falar em público. 
Portanto, falar em público pode ser definido como a capacidade de falar em 
público. 
Mas isto não é o suficiente. Como Luther King, você precisa ser confiante, 
persuasivo e envolvido. 
 
122 
 
 
dicas de oratória: martin luther king 
18.1 ORATÓRIA: ESTRATÉGIA PARA O DESENVOLVIMENTO PESSOAL E 
PROFISSIONAL 
As pessoas são criaturas únicas feitas de valores. 
Acredita-se que eles afetem suas vidas. 
Portanto, quando conhecimento e pretensão de apresentá-lo, o maior desejo é 
ter credibilidade e atenção e suas palavras despertarão uma atitude positiva do 
público. 
Mas pelo é vital que isso aconteça, você deve ter conhecimento sobre o assunto 
e ser capaz de Renderize corretamente. 
Segundo Maria Alzira Pimenta (2010) “à arte de falar em público, deu-se o 
nome de Oratória. 
Apesar de haver dúvidas quanto à sua origem, atribui-se a Corax e Tísias a 
fundamentação de seus princípios, na Sicília, no século V a.C.” 
Na Grécia é que a arte da Oratória foi divulgada. 
Os filósofos contemporâneos de Sócrates a exercitavam praticando leituras, 
apresentações e debates. 
A partir daí é preciso dizer listado. 
Diante disso, por conveniência, existem algumas técnicas para melhorar esta 
habilidade. 
Para Maria Alzira Pimenta (2010), “Qualquer tecnologia aprendida deve Integre, 
internalize para que possa ser usado naturalmente. 
 
123 
 
O jeito de ser e o estilo de todos ". 
Portanto, a postura mais viável é a esperança continue aprendendo. 
18.2 FATORES QUE COLABORAM PARA UMA APRESENTAÇÃO BEM 
SUCEDIDA 
Falar em público é uma técnica aprendida. 
Ao contrário do que se acredita que atualmente apenas 7% das pessoas têm a 
habilidade. 
 Falar em público é natural e 93% é uma habilidade adquirida. 
Segundo Romero Machado, “a capacidade de falar bem é o fator determinante 
sucesso no mundo dos negócios. 
O oratório não é simplesmente um presente de alguns privilegiado e sim, 
praticando técnicas, estratégia e persuasão ". 
Por isso, vale relembrar a história do campeão mundial no Oratório, Lena 
Souza. 
Ela passou por muitas situações embaraçosas e tomou uma decisão uma 
atitude ousada torna-se referência mundial na arte de falar em público. 
Com o objetivo de contribuir para o aprimoramento desta técnica, alguns fatores 
que precisam ser considerados para possibilitar um novo aprendizado. Estes fatores 
serão analisados ao longo do texto. (Equipe Técnico-Pedagógica, Mediação, 2019) 
 
 
124 
 
 
Imagem 1 – F atores que colaboram para uma apresentação bem-sucedida 
18.3 Sugestões para Organizar uma Apresentação 
A organização da apresentação envolve várias etapas. Em primeiro lugar, 
lembre-se do que Amyr Klink (2013) disse "Cursos e destinos A diferença em qualquer 
situação " 
Inicialmente, as pessoas têm que pensar em planos, é uma estratégia. 
 É essencial para o sucesso da apresentação. 
 Planejar é realizar tarefas E especifique como proceder. 
Para tanto, alguns elementos devem Organizado ou detalhado. Portanto, o 
plano deve incluir: 
 
125 
 
 
Figura 2 – Elementos que serão analisados ou elaborados ao longo do planejamento. 
O objetivo expressa o resultado da atividade. A carga de trabalho é a hora de 
realizar a atividade. 
O tema é o problema a ser resolvido ao longo da apresentação e seu 
desenvolvimento. 
O processo é a operação que vai manter as pessoas em contato com o assunto. 
Os recursos são uma parte importante que será usada no planejamento, execução e 
avaliação das apresentações. 
 As referências são materiais bibliográficos nos quais se baseia a introdução. 
O público é formado pelos participantes do evento. 
A avaliação é uma forma de verificar os resultados de uma atividade, 
independentemente de os resultados poderem ser escritos. 
Esses elementos constituem o plano de trabalho, que deve ser registrado para 
facilitar a execução da tarefa. 
Outro passo indispensável é preparar a apresentação explicitando como fazer 
a abertura, o desenvolvimento e o fechamento. (ROMANO,2017) 
Você ainda pode praticar, ou seja, ensaiar, se apresentar a alguém ou a você 
mesmo. 
 
126 
 
Alguns autores dizem que essa operação é apenas para iniciantes, mas 
observe que as celebridades da indústria musical continuam ensaiando suas 
apresentações para garantir a qualidade de suas apresentações. 
Na introdução, você terá outra oportunidade de aprender e repensar sua 
postura. 
Nesse momento, os níveis de adrenalina sobem e aparecem emoções e 
sentimentos, como o medo. 
Maria Alzira Pimenta tem uma sensação positiva de medo. 
Para melhorar seu desempenho busque pensar nas várias dimensões que 
integram seu ser e invista em todas elas para garantir melhores resultados. 
O importante é cuidar do seu corpo, beber bastante água para hidratar as 
cordas vocais e pensar na dieta. 
A maçã ajuda a limpar as cordas vocais. Agora é hora de considerar a 
aparência. Maria Alzira Pimenta, (2016) nos leva a refletir sobre esse elemento 
amplamente observado pelo público. 
 “A aparência de uma pessoa muitas vezes mostra seus conhecimentos, 
hábitos, preocupações e valores. ” 
 A enfermagem básica exerce grande influência nas características que todos 
já possuem. 
A roupa é Escolha de acordo com a situação geral e lembre-se de que esse 
não deve ser o centro das atenções. 
Discrição e elegância agora podem ser palavras-chave! Ainda deve manter a 
postura adequada para transmitir mensagens positivas. 
Aprenda como iniciar a apresentação. Segundo Mário Viana, “desde que o 
palestrante agrade ao palestrante no primeiro minuto, desde que sua introdução ao 
tema não seja totalmente desajeitada e incômoda, ele pode ter sucesso” 
Quanto ao vocabulário, sua relevância para o público é um fator importante 
para possibilitar a comunicação. 
 Evite o vício em linguagem e gírias. 
Vale ressaltar que uma comunicação eficaz requer conhecimento do tema, pois 
garante a segurança do palestrante e a atenção do público. 
 
127 
 
"O desenvolvimento do oratório aproveita melhor a miríade de situações 
organizacionais, sociais e profissionais em que a divulgação pública é necessária." 
para o científico. 
Para chamar a atenção das pessoas, a estratégia é fazer perguntas, fazer 
perguntas, evitar a monotonia, dar sugestões e repensar valores. 
Você ainda pode fazer algumas pausas para destacar ideias, palavras ou 
frases. 
Ao falar, dê prioridade a todo o públicoe olhe para o outro lado, e aproveite 
para observar como eles recebem sua mensagem. 
Além disso, gesticule moderadamente. 
Ao final da apresentação, resgate as principais ideias do tema proposto e faça 
as considerações finais. 
As pessoas ainda podem aproveitar esta oportunidade para dizer algo 
esquecido. 
A conclusão deve ser relevante para o tópico. Mário Viana disse: 
“É possível manter algumas expressões mais belas e impressionantes no final 
do discurso para despertar emoções ativas e aplausos sinceros”. 
No entanto, observe que pode impressionar as pessoas de uma forma clara e 
simples. 
18.4 Exercite sua fala com vocabulário e estruturas de frases distintas 
A oratória exige exercícios diários. Pequenos gestos, como iniciar uma conversa 
de elevador sobre seu novo projeto, buscar parcerias, apresentar ideias para seus 
colegas de trabalho ou trazer novas lições para seus alunos, devem ser 
constantemente avaliados e aprimorados. 
Não deixe, contudo, que a autocrítica bloqueie a sua vontade de aprender. 
Temos dois sistemas fisiológicos distintos: o go (siga em frente) e o stop (pare). 
A autora de O Poder dos Quietos, (Susan Cain 2012), explica que o sistema go 
faz com que fiquemos animados. Já o sistema stop faz com que desaceleremos e 
fiquemos mais cautelosos. 
Cain sugere que a ansiedade é uma emoção intensa e difícil de ser aniquilada 
diante de incertezas. 
 
128 
 
É mais fácil convertê-la em uma emoção forte, como a excitação. Por isso, 
quando você estiver amedrontado pelo medo de falar em público, não tente lutar 
contra a vontade de parar. (Susan Cain 2012) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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