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Unidade II
Os aparelhos são formados por grupos de dois ou mais sistemas com funções semelhantes. Assim, 
temos: o aparelho osteoarticular, formado pelos sistemas esquelético e articular; o aparelho locomotor, 
constituído pelos sistemas esquelético, articular e muscular; o aparelho da nutrição, composto pelos 
sistemas respiratório, digestório e endócrino; o aparelho urogenital, que compreende os sistemas urinário 
e genital masculino; o aparelho reprodutor, formado pelos sistemas genital masculino, genital feminino 
e tegumentar; o aparelho neuroendócrino, constituído pelo sistema nervoso e os órgãos endócrinos; 
o aparelho cardiorrespiratório, constituído pelos sistemas cardiovascular e respiratório; o aparelho 
gastropulmonar, formado pelos sistemas digestório e respiratório; o aparelho mastigador, composto pelos 
músculos, língua e dentes; o aparelho lacrimal, que compreende a glândula lacrimal, saco conjuntival 
palpebral, papila e os canalículos lacrimais, saco lacrimal e ducto nasolacrimal; o aparelho neurossensorial, 
formado pelo sistema nervoso e os órgãos dos sentidos. Assim, nesta unidade serão abordados aspectos 
morfofuncionais relacionadas ao aparelho cardiorrespiratório, além dos sistemas digestório e endócrino.
Sabemos que o organismo vivo está em permanente comunicação química com o meio externo. 
Os nutrientes são absorvidos por meio do revestimento do trato digestório, gases se propagam de 
lado a lado do fino epitélio dos pulmões e detritos são eliminados nas fezes e na urina, bem como 
na saliva, na bile, no suor e em outras excretas exócrinas. As trocas químicas acontecem em locais 
ou órgãos especializados porque todas as partes do corpo estão unidas ao sistema cardiovascular. 
O sistema cardiovascular pode ser comparado ao sistema de resfriamento de um veículo. Seus elementos 
fundamentais abrangem o líquido circulante (o sangue), uma bomba (o coração) e uma diversidade de 
tubos condutores (uma rede de vasos de sangue). De tal modo, todos os papéis do sistema cardiovascular 
dependem necessariamente do coração, porque é ele que conserva o sangue em movimento. Esse órgão 
muscular bate aproximadamente 100 mil vezes por dia, empurrando o sangue por meio dos vasos de 
sangue. A cada ano, o coração ejeta mais de 1,5 milhões de galões de sangue, o suficiente para encher 
duzentos carros‑tanques.
Para se ter uma ideia prática da capacidade de bombeamento do coração, sugere‑se abrir uma 
torneira em seu nível máximo. Para alcançar uma quantia de água igual ao volume de sangue ejetado 
pelo coração durante o tempo médio de vida, a torneira teria de ficar aberta por pelo menos 45 anos. 
De modo igualmente extraordinário, o volume de sangue impulsionado pode alterar vastamente, entre 
5 e 30 litros por minuto. A performance do coração é firmemente monitorada e impecavelmente 
regulada pelo sistema nervoso para assegurar que os níveis de gases, nutrientes e resíduos nos tecidos 
periféricos continuem dentro dos limites normais, quer permanecemos dormindo serenamente, lendo 
um artigo científico, ou contidos em um enérgico jogo de futebol.
Aqui serão estudados os aspectos estruturais que possibilitam ao coração uma atuação confiável, 
mesmo diante de demandas físicas largamente modificáveis. Ponderaremos, então, os mecanismos que 
regulam a atividade cardíaca para confrontar as permanentes variações das necessidades do corpo.
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Unidade II
O sistema cardiovascular é um sistema fechado que faz com que o sangue circule por todo o 
corpo. Existem dois grupos de vasos de sangue: um provê os pulmões (a circulação pulmonar) e o 
outro nutre o restante do corpo (a circulação sistêmica). O sangue é ejetado a partir do coração, 
concomitantemente para o tronco pulmonar e a aorta. A circulação pulmonar, relativamente pequena, 
origina‑se na valva do tronco pulmonar (saída do ventrículo direito) e finaliza na entrada para o átrio 
esquerdo. Entre o átrio direito e o ventrículo direito no óstio atrioventricular direito há a presença da 
valva atrioventricular direita ou tricúspide, enquanto no átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo no 
óstio atrioventricular esquerdo há a presença da valva atrioventricular esquerda ou bicúspide.
As artérias pulmonares que se ramificam a partir do tronco pulmonar levam sangue aos pulmões 
para as trocas gasosas. A circulação sistêmica inicia na valva da aorta (saída do ventrículo esquerdo) e 
conclui na entrada para o átrio direito. As artérias sistêmicas ramificam‑se a partir da aorta e propagam 
sangue a todos os outros órgãos para troca de nutrientes, gases e resíduos. A circulação pulmonar é 
também chamada de pequena circulação.
 Lembrete
O coração apresenta quatro cavidades: dois átrios (direito e esquerdo) e 
dois ventrículos (direito e esquerdo).
Após adentrar nos órgãos, as artérias prosseguem se ramificando, formando centenas de milhões 
de artérias pequenas que nutrem com sangue mais de bilhões de capilares, cujo diâmetro aproxima‑se 
ao de um único eritrócito. Esses capilares constituem amplas redes de ramificações, estima‑se que a 
extensão de todos os capilares do corpo ligados linearmente varia de aproximadamente 8 mil a 40 mil 
quilômetros. Isso mostra que os capilares em nosso corpo podem cruzar o território dos Estados Unidos 
e provavelmente dar a volta ao redor da Terra. Todas as trocas químicas e gasosas entre o sangue e 
o líquido intersticial são efetuadas por meio das paredes capilares. As células teciduais dependem da 
difusão capilar para conseguir oxigênio e nutrientes e para extrair produtos residuais. O sangue que 
deixa a rede de capilares adentra em uma rede de pequenas veias que pouco a pouco se juntam para 
compor vasos maiores que, enfim, desembocam nas veias pulmonares (circulação pulmonar), veia cava 
superior ou veia cava inferior (circulação sistêmica).
Aqui também será discutida a organização histológica e anatômica de artérias, veias e capilares. 
Posteriormente, avançaremos para o reconhecimento dos principais vasos de sangue e das vias do 
sistema cardiovascular.
O sistema linfático é composto de vasos e órgãos que estão estrutural e funcionalmente ligados ao 
sistema cardiovascular. O planeta não é sempre adepto à conservação das condições sadias do corpo 
humano. Acidentes gerados pela interação com objetos do meio ambiente podem ocasionar impactos, 
cortes e queimaduras. As decorrências de uma lesão podem ser potencializadas por uma sequência 
de vírus, bactérias e outros micróbios que proliferam em nosso ambiente. Alguns desses micróbios 
normalmente habitam na superfície e no interior do corpo humano, contudo, todos apresentam o 
potencial de causar grandes avarias. Ficar vivo e sadio abrange uma energia permanente e associada 
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que conglomera diferentes órgãos e sistemas. Nessa batalha sucessiva, o sistema linfático adota o 
papel primordial.
O sistema respiratório possui células que adquirem energia especialmente por meio de metabolismo 
aeróbio, um processo que necessita de oxigênio e produz dióxido de carbono. Para sobreviver, as células 
devem ter uma maneira de conseguir oxigênio e eliminar dióxido de carbono. O sistema cardiovascular 
propõe uma união entre o líquido intersticial em torno das células e as superfícies de difusão gasosa 
dos pulmões. O sistema respiratório promove a difusão gasosa entre o ar e o sangue. Conforme circula, 
o sangue carrega oxigênio dos pulmões para os tecidos do corpo, além de receber o dióxido de carbono 
produzido por esses tecidos e o levar até os pulmões para a eliminação. Na discussão sobre o sistema 
respiratório serão descritas as estruturas anatômicas que conduzem o ar do meio externo até as 
superfícies de difusão gasosa nos pulmões.
Osistema digestório é fundamental para a manutenção da vida. Dele provêm os nutrientes principais 
que o corpo humano não pode gerar para si próprio. O alimento é usado em nível celular e os nutrientes 
são preciosos para as reações químicas que compreendem a síntese de enzimas, divisão e crescimento 
celular, reparos e a geração de energia térmica. A maioria dos alimentos que ingerimos, contudo, não é 
suficiente para o uso celular até que seja mecânica e quimicamente diminuída as formas que possibilitem 
ser absorvidas por meio da parede intestinal e seja capaz de transportá‑las para as células pelo sangue. 
O alimento ingerido não está tecnicamente no interior do nosso corpo até que ele seja absorvido. Efetivamente, 
uma grande parte desses alimentos não é digerido e passa pelo corpo como material supérfluo.
O alimento ingerido permanece especialmente na forma de macromoléculas, como, por exemplo, 
as proteínas e os carboidratos complexos. Nesse caso, o sistema digestório necessita secretar enzimas 
ricas para digerir o alimento produzindo moléculas que sejam pequenas o suficiente para serem 
absorvidas para o interior do corpo humano. Concomitantemente, todavia, essas enzimas não devem 
digerir as células do próprio canal alimentar (autodigestão).
Outro desafio com o qual o sistema digestório se depara diariamente é o balanço de massa, ou seja, 
contrabalançar a entrada com a saída de líquido. Os indivíduos ingerem aproximadamente 2 litros de 
líquido por dia. Ademais, as glândulas e as células exócrinas secretam, aproximadamente, 7 litros 
de enzimas, muco, eletrólitos e água na luz do canal alimentar. Esse volume de líquido secretado é o 
mesmo a um sexto do volume total de água do corpo (42 litros), ou mais do dobro do volume do plasma 
(3 litros), e necessita ser absorvido, do contrário, o corpo desidrataria rapidamente. Em sua normalidade, a 
absorção é muito eficaz e apenas cerca de 100 mililitros de líquido é inutilizado nas fezes. Porém, vômitos e 
diarreia (fezes demasiadamente aquosas) podem tornar‑se uma emergência quando as secreções do canal 
alimentar, que comumente seriam absorvidas, são desperdiçadas para o meio externo. Em casos graves, 
esse líquido inutilizado pode reduzir o volume do líquido extracelular a ponto de o sistema cardiovascular 
ser impossibilitado de conservar a pressão do sangue apropriada.
Um desafio final que o sistema digestório encara é afastar agressores externos. De maneira oposta 
do que se concebe, a maior área de contato entre o meio interno e o mundo exterior está na luz do 
sistema digestório. Por conseguinte, o canal alimentar, com sua área de superfície total do tamanho 
aproximado de uma quadra de tênis, abarba diariamente a agitação entre a necessidade de absorver 
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água e nutrientes e a necessidade de impedir que bactérias, vírus e outros patógenos adentrem no 
corpo. Para esse propósito, o epitélio transportador do canal alimentar é amparado por um conjunto de 
mecanismos fisiológicos de defesa, abrangendo muco, enzimas digestórias, ácido e a maior coletânea 
de tecido linfático do corpo humano, o tecido linfático agregado ao intestino. Cerca de 80% de todos 
os linfócitos do corpo estão localizados no intestino delgado.
Os órgãos endócrinos também fazem parte desse sistema e a seguir conheceremos suas localizações, 
características morfológicas e funcionais, assim como seus hormônios, que são lançados na corrente 
sanguínea e atingem determinados tecidos‑alvos.
 Saiba mais
Para saber mais sobre os temas apresentados anteriormente:
CASTILHO, N.; DELIZOICOV, D. Trajeto do sangue no corpo humano: 
instauração‑extensão‑transformação de um estilo de pensamento. In: 
ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS 2. 
Valinhos, 1999. Disponível em: <http://www.nutes.ufrj.br/abrapec/iienpec/
Dados/trabalhos/A43.pdf>. Acesso em: 15 mar. 2019.
RAMOS, C. William Harvey: vida e obra (1ª parte). Acta Médica 
Portuguesa, Lisboa, v. 5, n. 9, p. 507‑512, 1992. Disponível em: 
<https://actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/
view/4505/3528>. Acesso em: 15 mar. 2019.
RAMOS, C. William Harvey: vida e obra (2ª parte). Acta Médica 
Portuguesa, Lisboa, n. 5, p. 559‑563, 1992. Disponível: <http://
www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/
viewFile/3291/2617>. Acesso em: 15 mar. 2019.
5 APARELHO CARDIORRESPIRATÓRIO
5.1 Coração e vasos de sangue
Sistema cardiovascular é a designação oficial da terminologia anatômica que substituiu o clássico 
aparelho circulatório ou sistema circulatório. A mudança se fez indispensável, pois aparelho indica 
um conjunto de dois ou mais sistemas, e circulatório remete ao local em que algo se movimenta e 
que retorna ao ponto de origem, sem carecer das estruturas e sua morfologia. Então, vale assinalar que 
circulator, em latim, tem a definição de charlatão, uma conduta ou propriedade não estimável para um 
digno e essencial sistema orgânico. A palavra “circulação” era utilizada pelos detratores do anatomista 
e médico William Harvey (1628) para recusar a relevância de sua descoberta.
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Através do sangue são carregados, além de nutrientes, como a glicose, O2 e CO2, os hormônios 
produzidos pelos órgãos endócrinos, localizados em regiões diversas do organismo. Já o sangue tem células 
especializadas na defesa do organismo, como contra as substâncias estranhas e os micro‑organismos, 
além de ser responsável pela manutenção da temperatura do corpo.
Figura 214 – Relação do sistema cardiovascular com outros sistemas do organismo na manutenção da homeostasia
Esse conjunto de órgãos consiste em um sistema fechado, sem comunicação com o exterior, formado 
por tubos no interior dos quais circulam humores. Os tubos são denominados vasos e os humores são o 
sangue e a linfa. O organismo de um indivíduo adulto apresenta em média 5 litros de sangue circulando 
ininterruptamente. Essa abundância equivale a aproximadamente um doze avos da massa corporal de 
um adulto.
 Observação
As patologias do sistema cardiovascular estão entre as mais relevantes 
que atingem os seres humanos.
O coração era considerado a sede da alma, do amor e das emoções, possivelmente porque essas são 
seguidas de palpitações, taquicardia, dor precordial, reações admiradas pelos poetas e pelos românticos. 
Porém, as atividades temperamentais estão mais relacionadas ao encéfalo do que com o coração. 
Os batimentos cardíacos já foram o sinal de vida, tanto que era aceitável sua interrupção para admitir 
o diagnóstico de morte. Hoje, entretanto, o indivíduo é considerado morto quando não existe atividade 
eletroencefalográfica, mesmo que haja atividade cardíaca. Em outras palavras, coração batendo não é 
sinal condicional de vida.
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Unidade II
Órgão central do sistema cardiovascular, o coração é um músculo quadricavitário com a configuração 
de um cone truncado, do tamanho aproximado do punho do mesmo indivíduo, que em relação ao 
sangue exerce o papel de uma bomba aspirante e premente.
Tronco 
pulmonar
Veia cava 
superior
Aurícula 
direita
Ventrículo 
direito
Sulco 
interventricular 
anterior
Aurícula 
esquerda
Aorta
Figura 215 – Aspectos externos do coração
O efeito de bomba muscular do coração baseia‑se na contração e no relaxamento do músculo 
estriado cardíaco. A fase de contração é denominada sístole e a fase de relaxamento, diástole. Essas 
terminologias são mencionadas normalmente em relação à contração e ao relaxamento do ventrículo 
direito e do ventrículo esquerdo, ainda que os átrios também contraiam e relaxem. A contração do 
átrio direito e do esquerdo antecede a contração dos ventrículos e colabora para o enchimento 
máximo dos ventrículos (volume diastólico final). A contração dosátrios acontece simultaneamente, 
bem como a contração dos dois ventrículos.
Hoje é também reconhecido como órgão endócrino, por haver pelo menos nos átrios os grânulos 
atriais, nos cardiomiócitos, envolvidos com o fator natriurético atrial, o hormônio do coração. O fator 
natriurético atrial é secretado no sangue devido à distensão do átrio direito, como na insuficiência 
cardíaca, ou, ainda, devido à ativação do sistema nervoso autônomo simpático, promovendo nos rins 
uma diminuição na reabsorção de cloreto de sódio e, por conseguinte, de água. O resultado é a elevação 
da excreção de urina, ou seja, a diurese aumentada. Além de seu efeito diurético, o fator natriurético 
atrial gera relaxamento da musculatura lisa vascular e, com isso, a vasodilatação. Por meio desses dois 
mecanismos, a diminuição do volume de sangue e a redução da resistência vascular periférica induzem 
a uma diminuição do esforço do coração.
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5.1.1 Volumes e pesos do coração
O volume do coração que corresponde ao seu volume médio é de aproximadamente 785 mililitros, 
sendo alterado conforme os fatores de variação anatômica, como a idade e o sexo. Seu peso em 
um adulto é de cerca de 5 gramas/quilo de peso, portanto, em um indivíduo de 60 quilos, pesa 
aproximadamente 300 gramas. Em primeiro lugar permanece o fator idade, de tal maneira que o coração 
de um recém‑nascido é proporcionalmente maior do que de um adulto, 7 gramas, ao antagônico de 5 
gramas/quilo de peso, devido à resistência da circulação placentária que tem que vencer durante a vida 
fetal. Após o nascimento, seu peso reduz proporcionalmente, atingindo depois dos 5 anos de idade a 
proporção de 5 gramas/quilo de peso. A partir dessa idade são assinaladas desigualdades nos volumes 
do coração, o que é relacionado com a diferença entre os sexos, sendo que esse é um pouco menor nas 
mulheres do que nos homens.
O coração do adulto mede aproximadamente 12 centímetros de comprimento por 8 a 9 centímetros 
de largura, em sua parte mais larga, e 6 centímetros de espessura. Seu peso no homem altera de 280 
a 340 gramas; na mulher, de 230 a 280 gramas. À medida que o indivíduo envelhece, o coração reduz, 
pois existe uma diminuição na força de contração do músculo estriado esquelético. As valvas do coração 
tornam‑se menos flexíveis e o fechamento incompleto pode gerar um “sopro” audível. Em torno dos 
60 anos de idade o débito cardíaco, ou seja, a quantidade de sangue que sai do ventrículo esquerdo 
a cada minuto pode reduzir em até 35%. O prejuízo do complexo estimulante do coração pode gerar 
ritmos cardíacos anormais, incluindo os batimentos cardíacos extras, os batimentos dos átrios acelerados 
e a redução do ritmo dos ventrículos. A insuficiência temporária do complexo estimulante do coração 
ou bloqueio cardíaco pode gerar perda periódica da consciência. Devido à redução na reserva de força 
do coração, os indivíduos senis são comumente limitados na sua capacidade de responder ao estresse 
físico ou emocional.
Também há relação entre o peso do coração com o aumento da musculatura estriada esquelética, 
de tal forma que em indivíduos atletas seu peso é proporcionalmente maior. Nos indivíduos atletas 
esses parâmetros podem elevar para 500 gramas de peso e 1440 mililitros de volume médio. 
Na hipertrofia cardíaca, o volume do coração está alargado, contudo, ele todo é mais espesso e 
suas paredes são mais fortes, seguindo um processo geral de aumento muscular de todo o corpo. 
Porém, a dilatação do coração pode ser patológica e revela insuficiência cardíaca. Na dilatação o 
coração está expandido, mas suas paredes são delgadas, como se constituísse uma bola de borracha 
que contém mais ar.
5.1.2 Localização do coração
O coração está contido em uma membrana especial, o pericárdio, preenchendo a região topográfica 
do tórax conhecida como mediastino médio. O mediastino, conforme ilustra a figura a seguir, é o espaço 
visceral da linha mediana ou cavidade torácica.
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Mediastino posterior
Mediastino médio
Mediastino anterior
Mediastino superior
Figura 216 – Subdivisões do mediastino e o seu conteúdo
O mediastino está dividido em mediastino superior e mediastino inferior pela presença do pericárdio. 
O mediastino superior não apresenta subdivisões, abrange o esôfago e a traqueia, posteriormente, 
o timo, anteriormente, e entre eles os grandes vasos da base do coração. O mediastino inferior está 
subdividido em mediastino anterior, mediastino médio e mediastino posterior. As estruturas anatômicas 
encontradas dentro do mediastino anterior abrangem os ligamentos esternopericárdicos e diversos 
linfonodos. O mediastino médio situa‑se ao nível de T4‑T8, no corpo do esterno e nas cartilagens costais. 
Está localizado entre o mediastino posterior e o mediastino anterior. O mediastino médio abrange o 
coração e o pericárdio, junto com o nervo frênico que corre no pericárdio fibroso, além dos brônquios 
principais e as estruturas das raízes dos pulmões. O mediastino posterior abrange, entre outras estruturas 
anatômicas, o esôfago e a parte torácica da aorta, que o atingem vindos do mediastino superior.
Sua maior parte se encontra à esquerda do plano mediano, permanecendo um terço à direita e dois 
terços à esquerda do plano mediano, e não inteiramente do lado esquerdo da cavidade torácica, como 
usualmente se crê. Ainda que essa seja a posição mais comum, denominada levocárdica, há variações 
na posição do coração em relação à cavidade torácica. O coração pode ostentar a posição mesocárdica, 
quando a maior parte do seu volume se depara na parte mediana do tórax. O desdobramento anormal 
do coração embrionário pode causar inversão completa da posição do coração chamado posição 
dextrocárdica, quando grande parte de seu volume se encontra no hemitórax direito. Essa anomalia 
congênita é a anormalidade mais comum de posição do coração, embora ainda seja relativamente rara.
5.1.3 Limites do coração
Na cavidade torácica o coração está situado entre os dois pulmões, os limites laterais, por trás do 
osso esterno, o limite anterior, repousando sobre o diafragma, o limite inferior, e por diante da coluna 
vertebral, entre a quarta e a oitava vértebras torácicas, as vértebras cardíacas de Giacomini, o limite 
posterior, e pela abertura torácica superior, o limite superior.
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Face 
pulmonar 
esquerda
Costelas
Base do 
coração
Margem 
superior
Margem 
direita
Ápice do 
coração
Margem inferior
Figura 217 – Posição e orientação do coração
5.1.4 Configuração externa do coração
O coração está disposto obliquamente, de tal maneira que sua base é medial e o seu ápice é 
lateral. O maior eixo do coração, eixo longitudinal, da base ao ápice é oblíquo e desenha um ângulo de 
aproximadamente 40° com o plano horizontal e com o plano mediano do corpo.
O coração é composto de quatro cavidades, conforme ilustra a figura a seguir, os átrios direito 
e esquerdo, e os ventrículos direito e esquerdo. As duas cavidades superiores são os átrios e as duas 
inferiores são os ventrículos. Os ventrículos, com paredes musculares encorpadas, compõem a parte 
volumosa do órgão, enquanto os átrios têm paredes musculares finas.
 
Laranja – Aurícula direita
Rosa – Aurícula esquerda
Branco – Ventrículo direito
Amarelo – Ventrículo esquerdo
Figura 218 – Morfologia externa do coração
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Unidade II
A base do coração é constituída, sobretudo, pelo átrio esquerdo, com um menor reforço do átrio 
direito, conforme ilustra a figura a seguir. Corresponde à área preenchida pelas raízes dos grandes vasos 
da base do coração, isto é, vasos de sangue por meio dos quaiso sangue adentra ou sai do coração. 
No átrio direito dirigem a veia cava superior e a veia cava inferior.
 
Veia cava superior
Átrio esquerdo
Septo interatrial
Ventrículo esquerdo
Septo interventricular
Ventrículo direito
Veia cava inferior
Átrio direito
Figura 219 – Esquema das cavidades do coração
No átrio esquerdo dirigem as veias pulmonares, em número de quatro, sendo duas veias para cada 
pulmão. As veias são distribuídas perpendicularmente umas às outras, por um lado, a veia cava superior 
e a veia cava inferior, e, por outro lado, as veias pulmonares formam a cruz venosa.
Veia cava superior
Veia cava inferior Septo interatrial
Veias pulmonares
Figura 220 – Cruz venosa
Do ventrículo direito emerge o tronco pulmonar, que após um pequeno percurso bifurca‑se em 
artérias pulmonares: a artéria pulmonar direita e a artéria pulmonar esquerda para os referentes pulmões. 
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Do ventrículo esquerdo nasce a aorta, que se conduz primeiramente para cima e depois para trás e para 
a esquerda, concebendo, assim, o arco da aorta. O ápice do coração é constituído pela parte inferolateral 
do ventrículo esquerdo.
 
Laranja – artéria subclávia esquerda
Rosa – veia cava superior
Branco – tronco braquiocefálico
Verde – artéria carótida comum esquerda
Azul – arco da aorta
Vermelho – tronco pulmonar
Figura 221 – Vasos da base
As quatro faces do coração são: a face esternocostal (anterior), a face diafragmática (inferior), a 
face pulmonar direita e a face pulmonar esquerda. A face esternocostal é composta especialmente pelo 
ventrículo direito. A face diafragmática, achatada, é formada, sobretudo, pelo ventrículo esquerdo e parte 
do ventrículo direito, estando relacionada principalmente ao tendão central do diafragma. A face pulmonar 
direita é composta especialmente pelo átrio direito. A face pulmonar esquerda é formada principalmente 
pelo ventrículo esquerdo, compondo a incisura cardíaca do pulmão esquerdo.
Figura 222 – Faces do coração
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Unidade II
O coração parece trapezoide nas vistas anterior e posterior. A margem direita, ligeiramente convexa, 
é composta pelo átrio direito e expande‑se entre a veia cava superior e a veia cava inferior. A margem 
inferior, oblíqua, quase vertical, é formada especialmente pelo ventrículo direito e por uma pequena 
parte do ventrículo esquerdo. A margem superior, composta pelo átrio direito, pelo átrio esquerdo, pela 
aurícula direita e pela aurícula esquerda em vista anterior; a aorta ascendente e o tronco pulmonar 
surgem dessa margem; e a veia cava superior penetra no seu lado direito. À esquerda não há margem, 
pois existe a face pulmonar, formada especialmente pelo ventrículo esquerdo.
5.1.5 Configuração interna do coração
Cada átrio tem um apêndice, o qual verificado na superfície externa do coração se assemelha à orelha 
de um animal e recebe por isso o nome de aurícula (do latim, auris, orelha). Quando as paredes do coração 
estão abertas, observa‑se que a cavidade cardíaca possui septos, subdividindo‑se em quatro cavidades. 
O septo horizontal é um septo atrioventricular que divide o coração em duas partes: superior e inferior.
A parte superior tem um septo sagital, o septo interatrial, fino e muscular, que a divide em duas 
cavidades: o átrio direito e o átrio esquerdo. Uma anomalia congênita do septo interatrial, comumente 
pelo fechamento incompleto do forame oval, leva à comunicação interatrial.
Porém, existe uma abertura do tamanho de uma sonda na parte superior da fossa oval em 
15 a 25% dos indivíduos adultos. Essas pequenas aberturas, sozinhas, não geram anormalidades 
hemodinâmicas e, desse modo, não apresentam relevância clínica e não devem ser classificadas 
formas de comunicação interatrial. A comunicação interatrial clinicamente relevante modifica muito 
em tamanho e localização do coração e pode acontecer como parte de uma cardiopatia congênita 
mais complexa. Uma comunicação interatrial exacerbada permite que o sangue oxigenado oriundo 
dos pulmões seja desviado do átrio esquerdo por meio da comunicação interatrial para o átrio 
direito, gerando aumento do átrio direito, do ventrículo direito e dilatação do tronco pulmonar. Essa 
passagem de sangue do coração esquerdo para o coração direito sobrecarrega o sistema vascular 
pulmonar, resultando em hipertrofia do átrio direito, do ventrículo direito e das artérias pulmonares.
A parte inferior também apresenta um septo sagital forte, o septo interventricular, composto pela 
parte membranácea e pela parte muscular que divide a parte inferior em duas cavidades: o ventrículo 
direito e o ventrículo esquerdo
 
Branco – Músculo papilar (ventrículo esquerdo)
Laranja – Músculo papilar (ventrículo direito)
Azul – Miocárdio do ventrículo direito
Verde – Miocárdio do ventrículo esquerdo
Rosa – Septo interventricular
Figura 223 – Morfologia interna do coração
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ANATOMIA HUMANA
 Observação
Um defeito no septo interventricular é uma comunicação anormal de 
procedência congênita relativamente comum entre o ventrículo direito e 
o ventrículo esquerdo. A parte membranácea é comprometida com maior 
assiduidade em 70% dos casos, sendo, portanto, a parte muscular menos 
afetada. Nessa condição, o sangue oxigenado do ventrículo esquerdo não 
é enviado apenas para a aorta, mas, também, é desviado para o ventrículo 
direito, chamado desvio ou shunt esquerdo‑direita. Pelo defeito do septo 
interventricular o ventrículo esquerdo deve tentar contrabalançar essa falha 
no transporte por meio de elevação na força de contração, favorecendo, 
assim, uma sobrecarga do ventrículo esquerdo, com consequente hipertrofia 
do coração esquerdo. Para que isso seja impedido, grandes defeitos do septo 
interventricular devem ser retificados cirurgicamente.
5.1.6 Características morfofuncionais do átrio direito
• Apresenta um formato triangular.
• É maior do que o átrio esquerdo.
• Sua parede é um pouco mais fina do que a do átrio esquerdo, com aproximadamente 2 milímetros 
de espessura.
• Suas paredes finas são tonificadas na parte lateral por feixes musculares, dispostos em cristas 
paralelas, chamados de músculos pectíneos.
• Capacidade de 57 mililitros de sangue.
• Recebe sangue venoso da circulação sistêmica, a veia cava superior adentra na parte superior do 
átrio direito, e a veia cava inferior na parte inferior.
• Entre a veia cava superior e a veia cava inferior, mais próximo da veia cava inferior depara‑se com 
uma saliência, chamada de tubérculo intervenoso, que se reserva a nortear os jatos de sangue que 
nascem da veia cava superior e da veia cava inferior para que não se encontrem frontalmente.
• Anteriormente ao átrio direito há uma expansão piramidal chamada de aurícula direita, que serve 
para suavizar o impulso do sangue ao adentrar no átrio.
• O óstio do seio coronário, que drena o sangue do coração, está localizado próximo da veia cava inferior.
• O septo interatrial forma a parede dorsal do átrio direito. Contém estruturas elementares que 
tiveram grande valor no feto, a fossa oval, contornada por um relevo, o limbo da fossa oval. 
A fossa oval é uma depressão oval na parede septal, correspondendo ao forame oval do coração 
fetal. O forame oval do coração começa a fechar‑se no fim da vida fetal e o fechamento se 
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Unidade II
completa em seguida ao nascimento graças a uma prega, a válvula do forame oval que se solda 
ao limbo da fossa oval. O forame oval pode persistir aberto e estabelecer uma anomalia cardíaca.
• O seio das veias cavas (sinus venarum) é localizado na parte posterior da cavidade do átrio 
direito, onde a veia cava superior e a veia cava inferior terminamseu trajeto. O seio das veias 
cavas possui paredes internas lisas e é derivado do seio venoso do embrião. Por dentro do átrio 
direito, o seio das veias cavas é limitado à direita pela crista terminal, uma estrutura muscular lisa 
que corresponde externamente ao sulco terminal do coração. Anterior ao seio das veias cavas, 
portanto dele separado pelo sulco terminal, encontra‑se o átrio direito propriamente dito, uma 
parte enrugada oriunda do próprio átrio do embrião e segue, anteriormente, com a aurícula 
direita. Em seguida, o átrio direito e a aurícula direita são separados do seio das veias cavas pela 
crista terminal, especialmente na parede lateral da base do coração. No embrião, o sulco terminal 
sinaliza a união do átrio direito com o seio venoso. Superiormente, a crista terminal amolda o 
nó sinoatrial; seu remanescente inclui a direção do trato internodal posterior. Ascende‑se no 
interior do seio das veias cavas vários vasos de sangue, como, por exemplo, a veia cava superior, 
a veia cava inferior e o seio coronário, abrindo‑se entre o óstio da veia cava inferior e o óstio 
atrioventricular, resguardado por uma fina válvula do seio coronário, semicircular, designada de 
valva de Tebésio, a qual dificulta a regurgitação de sangue para dentro do seio durante a contração 
do átrio direito, e os forames das veias cardíacas mínimas, que drenam uma pequena porção do 
sangue intramiocárdico diretamente para o seio das veias cavas.
• O trígono do nó sinoatrial, o triângulo de Koch, consiste em uma zona triangular na parte inferior 
da parede septal da cavidade do átrio direito, entre a base da cúspide septal da valva atrioventricular 
esquerda, o óstio do seio coronário e o tendão da válvula da veia cava inferior, o tendão de Todaro. 
Esse último consiste em uma corda curva, colagenosa, redonda e palpável a partir do lado direito do 
esqueleto fibroso do coração até o extremo esquerdo do óstio da veia cava inferior. O trígono é uma 
estrutura de relevância cirúrgica, indicando o local onde se situa o nó atrioventricular e o começo 
do fascículo atrioventricular, sendo essas estruturas do complexo estimulante do coração.
Músculos pectíneos
Septo interatrial
Fossa oval
Óstio da veia 
cava inferior
Óstio do seio 
coronário
Válvula da valva 
atrioventricular esquerda
Ventrículo direito
Sulco 
interventricular
Crista terminal
Óstio da veia cava 
superior
Válvula da valva 
atrioventricular direita
Ventrículo 
esquerdo
 
Figura 224 – Vista anterior direita da superfície interna do átrio direito. 
A parede anterior do átrio foi aberta e dobrada superiormente
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ANATOMIA HUMANA
5.1.7 Características morfofuncionais do átrio esquerdo
• Apresenta forma quadrilátera.
• É menor do que o átrio direito.
• Parede mais grossa do que a do átrio direito, aproximadamente 3 milímetros de espessura.
• A maior parte encontra‑se atrás da aorta ascendente e do tronco pulmonar.
• O septo interatrial possui, no local da fossa oval, uma pequena elevação, a válvula do forame oval, 
derivada do septo primário.
• O átrio esquerdo, assim como o átrio direito, tem uma expansão piramidal que se aponta para 
adiante, que é a aurícula esquerda.
• Os músculos pectíneos, poucos e menores do que no átrio direito, estão limitados à aurícula esquerda.
• O átrio esquerdo apresenta cinco orifícios, por meio dos quais estão em comunicação com as veias 
pulmonares os quatro óstios das veias pulmonares e com o ventrículo esquerdo por meio do óstio 
atrioventricular esquerdo.
 
Amarelo – Aurícula direita
Branco – Aurícula esquerda
Laranja – Parte ascendente da aorta
Figura 225 – Aurículas e parte ascendente da aorta
5.1.8 Características morfofuncionais do ventrículo direito
• Capacidade de 85 mililitros de sangue.
• Em corte transversal exibe o aspecto de meia‑lua, sugerindo uma letra C.
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Unidade II
• Os três músculos papilares no ventrículo direito correspondem às válvulas da valva atrioventricular 
direita, sendo eles: músculo papilar anterior, músculo papilar posterior e músculo papilar septal.
• A valva do tronco pulmonar é formada por três pequenas lâminas chamadas de válvula semilunar 
anterior, válvula semilunar direita e válvula semilunar esquerda.
• A trabécula septomarginal incide em uma estrutura anatômica em forma de coluna que se projeta 
por meio da cavidade da parede ventricular para o septo interventricular. Trata‑se da corda de 
Leonardo da Vinci, também admitida como fita moderadora, assim chamada porque preveniria a 
distensão excessiva do ventrículo direito.
• Dois orifícios comunicam o ventrículo direito em sua entrada, o óstio atrioventricular direito e a 
valva atrioventricular direita, por meio do qual o ventrículo direito recebe sangue do átrio direito 
e o óstio do tronco pulmonar, que transporta o sangue ao tronco pulmonar.
• A crista supraventricular consiste em uma estrutura anatômica em forma de arco muscular compacta 
entre o óstio atrioventricular direito e o óstio do tronco pulmonar. Ela é oblíqua, curvando‑se para 
frente e direita desde o septo interventricular até a parede anterolateral do ventrículo direito. 
O átrio direito se contrai quando o ventrículo direito está vazio e relaxado. Assim, o sangue é forçado 
a passar através do aparelho valvar do coração para o ventrículo direito, espaçando como cortinas a 
valva atrioventricular direita. A entrada de sangue no ventrículo direito, ou trato de influxo, acontece 
posteriormente. E quando o ventrículo se contrai a saída de sangue para o tronco pulmonar, ou trato 
de saída, acontece superiormente e para a esquerda. Logo, o sangue realiza um percurso em formato de 
U no ventrículo direito, alterando de direção em cerca de 140º. Essa mudança de direção é 
ajustada pela crista supraventricular, que direciona o fluxo de entrada para a cavidade principal 
do ventrículo direito e o fluxo de saída para o cone arterial em direção ao óstio do tronco pulmonar. 
O óstio de entrada, o óstio atrioventricular direito, o óstio de saída e o óstio do tronco 
pulmonar estão afastados aproximadamente em 2 centímetros.
• A via de entrada apresenta paredes enrugadas pelas trabéculas cárneas, que são as cristas, as 
colunas, as faixas ou as protrusões musculares irregulares, revestidas por endocárdio, que se 
desenham na cavidade do ventrículo direito.
• A via de saída, o cone arterial ou infundíbulo, continua‑se com o tronco pulmonar após a valva 
do tronco pulmonar.
• O ventrículo direito produz cerca de 20 milímetros de pressão.
5.1.9 Características morfofuncionais do ventrículo esquerdo
• Capacidade de 85 mililitros de sangue.
• Maior e mais cônico do que o ventrículo direito.
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ANATOMIA HUMANA
• Em corte transversal aparece como um círculo, sugerindo uma letra O.
• A valva da aorta é composta de três válvulas semilunares, chamadas de válvula semilunar direita, 
válvula semilunar esquerda e válvula semilunar posterior, análogas às da valva do tronco pulmonar, 
todavia maiores e mais densas.
• Por estar incluída na circulação sistêmica, necessitando impulsionar o sangue para todo o corpo, 
sua parede muscular é três vezes mais grossa do que a do ventrículo direito, cuja ação se confina 
a incitar o sangue aos pulmões, que se deparam com a pequena distância do coração. Como 
o ventrículo esquerdo está diretamente ligado ao bombeamento do sangue para a circulação 
sistêmica, as modificações no seu funcionamento podem acarretar muitos problemas clínicos, 
por exemplo, a falta de ar, o cansaço aos esforços e a incapacidade para o trabalho. O infarto do 
miocárdio é o exemplo clássico disso, em que ocorre a oclusão de um vaso coronário, levando à 
perda de músculo do ventrículo esquerdo, naquela área correspondente, com coerente redução 
dacapacidade ventricular.
• O ventrículo esquerdo apresenta apenas dois músculos papilares, sendo eles: músculo papilar 
anterior e o músculo papilar posterior, no entanto, são maiores que aqueles encontrados no 
ventrículo direito.
• Dois orifícios se comunicam com o ventrículo esquerdo, o óstio atrioventricular esquerdo, pelo qual 
o sangue atinge o ventrículo esquerdo procedente do átrio esquerdo, e o óstio da aorta, pelo 
qual o sangue é transportado à aorta ascendente.
• A valva atrioventricular esquerda é formada por duas cúspides, sendo elas: a válvula anterior e a 
válvula posterior.
• As trabéculas cárneas são maiores e mais emaranhadas do que no ventrículo direito, compondo 
um labirinto muito denso.
• O trato eferente do ventrículo esquerdo, ou vestíbulo da aorta, é liso e se encontra logo abaixo 
da valva da aorta, cujas margens se inserem na raiz da aorta. Bem mais forte, a valva da aorta 
equipara‑se à valva do tronco pulmonar, incidindo em um complexo anel fibroso com três válvulas 
semilunares inseridas em três dilatações da parede da aorta, chamados de seios da aorta, um 
correspondente a cada cúspide ou válvula.
• Os seios da aorta são mais relevantes do que os seios do tronco pulmonar. O limite superior 
de cada seio abrange consideravelmente além do nível da margem livre da válvula, sendo bem 
definida a crista supravalvular da aorta.
• O ventrículo esquerdo produz cerca de 120 milímetros de pressão.
Em cortes do coração é fácil observar o ventrículo esquerdo, pois sua parede é três vezes mais 
espessa que a do ventrículo direito.
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Unidade II
Septo interventricular
Ventrículo direito
Ventrículo esquerdo
Figura 226 – Vista inferior da secção transversa mostrando as diferenças de espessura das paredes do ventrículo
Quanto mais espessa for a parede da cavidade cardíaca, maior a força que ela pode gerar para 
expulsar o sangue. Como o ventrículo esquerdo deve ejetar sangue para todo o corpo contra uma 
pressão arterial mais elevada, e, dessa forma, fazer uma resistência ao fluxo do que aquela realizada 
pelo ventrículo direito, que ejeta sangue para a circulação pulmonar, o ventrículo esquerdo tem maior 
espessura de parede. Durante a atividade física, especialmente contra alta resistência, ou seja, força, a 
pressão arterial sistêmica eleva‑se.
Com o passar do tempo, talvez semanas, a execução regular de treinamento físico gera um 
espessamento da parede do ventrículo esquerdo, possibilitando que ele extrapole com facilidade 
esse aumento da pressão arterial atingido durante a atividade. Mesmo que nem todos os estudos 
sustentem que a atividade física gere elevação da espessura da parede ventricular esquerda, essa é uma 
coroação provável do treinamento de arrancada, de peso e até de endurance. A espessura da parede 
ventricular esquerda também se eleva com a hipertensão crônica. Ainda que acréscimos na espessura 
da parede ventricular esquerda em razão de treinamento físico não extrapolem o limite máximo do 
que é avaliado como normal, aproximadamente 13 milímetros, o acréscimo da espessura da parede em 
virtude da hipertensão crônica pode elevar a espessura normal da parede. De tal modo, mesmo que 
tanto o treinamento físico quanto a hipertensão crônica gerem em acréscimos da espessura da parede 
ventricular esquerda, há uma discrepância na grandeza dessa resposta.
5.1.10 Tipos de circulação do sangue
Conquanto a circulação do sangue seja contínua durante a vida através de todos os sistemas do 
corpo, ela apresenta diferenças no período intrauterino, ou circulação fetal, e no período extrauterino, a 
circulação da criança, do jovem, do adulto e do idoso. Do ponto de vista didático, divide‑se a circulação 
do indivíduo na vida extrauterina em quatro tipos principais de circulação, sendo elas: sistêmica, 
pulmonar, portal e cardíaca.
5.1.10.1 Circulação sistêmica e pulmonar
Na circulação sistêmica, o coração esquerdo, formado pelo átrio esquerdo, pelo ventrículo esquerdo 
e pelos vasos de sangue são as partes representadas dessa circulação, por meio das quais o sangue passa 
para todos os tecidos do corpo, com a possível exceção das partes respiratórias dos pulmões.
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ANATOMIA HUMANA
Durante a contração dos ventrículos, ou seja, a sístole ventricular, eles se esvaziam impulsionando 
o sangue para o tronco pulmonar e para a aorta. Nesse momento as valvas atrioventriculares estão 
fechadas, impedindo o refluxo de sangue para os átrios. Em seguida, ao finalizar a contração, os 
ventrículos relaxam e a valva da aorta e do tronco pulmonar se fecham; a valva atrioventricular direita 
e a valva atrioventricular esquerda se abrem para a passagem do sangue dos átrios para os ventrículos. 
A esse fenômeno dá‑se o nome de diástole ventricular. A veia cava superior e a veia cava inferior 
conduzem sangue venoso ao átrio direito. A veia cava superior drena o sangue da cabeça, do pescoço, 
do membro superior e do tórax. A veia cava inferior drena o sangue dos membros inferiores, da pelve 
e do abdome. Após passar para o ventrículo direito, o sangue é enviado ao tronco pulmonar, o qual se 
divide em artéria pulmonar direita e artéria pulmonar esquerda, que se encaminham para os respectivos 
pulmões. Lá se dividem continuamente até se capitalizarem para possibilitar a oxigenação do sangue. 
Em seguida, as vênulas e as pequenas veias vão se transformando em vasos de sangue maiores até 
deixarem cada pulmão por meio de duas veias pulmonares. As quatro veias pulmonares ejetam o sangue 
arterial no átrio esquerdo, que oferece ingresso ao ventrículo esquerdo, de onde é impulsionado para a 
aorta, e daí para todos os órgãos e os tecidos do corpo humano, por meio de seus abundantes ramos.
Figura 227 – Percurso do fluxo sanguíneo ao longo das circulações sistêmica e pulmonar
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Unidade II
 Lembrete
Pequena circulação – circulação pulmonar = coração – pulmão – coração.
Grande circulação – circulação sistêmica = coração – tecidos – coração.
5.1.10.2 Circulação portal
Na circulação portal, o sangue passa da rede capilar sanguínea da porção aboral ou distal do esôfago, 
do estômago, dos intestinos, do baço e do pâncreas para a veia porta, que acaba em uma segunda rede 
capilar do fígado. Depois de ser sujeitado à ação do fígado, o sangue passa para a circulação sistêmica.
5.1.10.3 Circulação cardíaca
Já a circulação cardíaca, ou circulação coronária, se dá em virtude de as paredes do coração 
possuírem o seu próprio suprimento de vasos de sangue sistêmicos com a finalidade de satisfazer suas 
necessidades vitais. O miocárdio é suprido com sangue da artéria coronária direita e da artéria coronária 
esquerda. Esses dois vasos originam‑se da aorta ascendente, ao nível das válvulas semilunares da valva 
da aorta. As artérias coronárias circundam o coração no interior do sulco coronário, a reentrância entre 
os átrios e os ventrículos. Assim, dois ramos se derivam da artéria coronária direita e da artéria coronária 
esquerda para se difundir pelas paredes dos átrios e dos ventrículos.
 
Artéria coronária direita Artéria coronária esquerda
Figura 228 – Artérias coronárias
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ANATOMIA HUMANA
A artéria coronária esquerda fornece o ramo interventricular anterior, que se situa no sulco 
interventricular anterior para nutrir ambos os ventrículos e o ramo circunflexo, que supre com sangue 
oxigenado as paredes do átrio esquerdo e do ventrículo esquerdo. A artéria coronária direita dá o ramo 
marginal que nutre as paredes do átrio direito e do ventrículo direito, e o ramo interventricular posterior, 
que se situa ao longo do sulco interventricular posterior para atender os dois ventrículos. Dos capilares no 
miocárdioo sangue entra nas veias cardíacas, que apresentam paredes mais finas e são mais superficiais 
do que as artérias. As duas principais veias cardíacas são a veia interventricular anterior, que recolhe 
o sangue da parte anterior do coração e a veia interventricular posterior, que drena a parte posterior 
do coração. Essas veias convergem para formar o seio coronário na superfície posterior do coração. 
O sangue venoso coronário, em seguida, entra no átrio direito por meio do óstio do seio coronário.
 
Tronco braquiocefálico
Artéria subclávia esquerda
Tronco pulmonar
Valva do tronco 
pulmonar
Ramo lateral
Veia interventricular 
anterior
Ramo interventricular 
anterior
VENTRÍCULO 
ESQUERDO
Parte ascendente da aorta
Veia cava superior
Aurícula direita
Artéria coronária direita
Veia cardíaca anterior
ÁTRIO 
DIREITO
Veia cardíaca parva
Ramo marginal direito
VENTRÍCULO 
DIREITO
Arco da aorta
Artéria carótida comum esquerda
Figura 229 – Circulação coronária e grandes vasos
 Observação
A oclusão de uma artéria coronária ou de um de seus ramos por uma 
placa de ateroma leva ao chamado infarto do miocárdio, ou ataque cardíaco 
ou coronário, sendo que o miocárdio fica sem nutrição e degenera.
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Unidade II
 Saiba mais
Para saber mais sobre doença arterial coronária e angioplastia:
MARTINI, F. H.; TIMMONS, M. J.; TALLISTSCH, R. B. Anatomia humana. 
6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009, p. 560‑561.
5.1.10.4 Circulação fetal
A circulação fetal apresenta a placenta, local onde se processam as trocas nutritivas materno‑fetais, 
que está ligada ao feto por meio de uma veia umbilical e de duas artérias umbilicais que fazem parte 
do cordão umbilical. Pela veia umbilical provém da placenta sangue com O2 que é lançado na veia cava 
inferior, quer indiretamente através do fígado, quer através do ducto venoso, comunicação direta entre 
veia porta e veia cava inferior. A veia cava inferior desemboca no átrio direito do coração, conduzindo 
sangue com O2 da placenta e sangue venoso da circulação de retorno.
No átrio direito desemboca também a veia cava superior, conduzindo sangue venoso do seu 
território. Esse, junto com o proveniente da veia cava inferior, passa em parte ao ventrículo 
direito e em parte, por meio do amplo forame oval, ao átrio esquerdo. Aqui chega também sangue 
venoso da circulação pulmonar. Do átrio esquerdo, o sangue é lançado no ventrículo esquerdo, 
de onde passa para a aorta. O sangue do ventrículo direito sai pelo tronco pulmonar e, em sua 
maior parte, segue para a aorta, pelo ducto arterioso, curto vaso que comunica diretamente 
essas duas artérias no feto. O restante do sangue das artérias pulmonares atinge os pulmões, 
de onde volta ao coração pelas veias pulmonares para se misturar no átrio esquerdo com o 
sangue chegado pelo forame oval. Pela aorta, o sangue é distribuído à circulação geral, retorna 
à placenta pelas artérias umbilicais, ramos das artérias ilíacas internas.
Durante a vida fetal a oxigenação é feita na placenta, função que, por ocasião do nascimento, 
quando se processam os primeiros movimentos respiratórios, é transferida aos pulmões. 
Por conseguinte, os canais de comunicação, o ducto venoso (ligamento venoso), o ducto arterioso 
(ligamento arterioso), a veia umbilical (ligamento redondo do fígado) e as artérias umbilicais (ligamentos 
umbilicais medianos) e o amplo forame oval (fossa oval) deixam de ter suas funções e sofrem um 
processo de oclusão lenta e gradual, que termina normalmente meses após o nascimento, conforme 
ilustra a figura a seguir.
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ANATOMIA HUMANA
Ducto arterioso
Artéria pulmonar
Aorta
Artérias ilíacas 
comuns
Veia cava 
inferior
Veia umbilical
Artérias 
umbilicais
Ducto venoso
Forame oval
Veia cava 
superior
Figura 230 – Circulação fetal
5.1.10.5 Circulação colateral
A maior parte dos órgãos do corpo tem mais de uma fonte de irrigação sanguínea, a fonte de 
vasos sanguíneos principais e a fonte de vasos sanguíneos acessórios ou vasos sanguíneos colaterais. 
A circulação acessória ou circulação colateral é um suprimento sanguíneo alternativo de grande 
relevância funcional quando a fonte do suprimento principal está obstruída.
5.1.11 Aparelho valvar do coração
William Harvey, em seu Tratado Exercitario de Motu Cordis et Sanguinis in Animalibus (Ensaio 
sobre o Movimento do Coração e do Sangue nos Animais), publicado em 1628, no qual ele descreve 
pela primeira vez a circulação contínua de sangue, fez referência especial à maneira pela qual a 
disposição das valvas do coração permitia o fluxo de sangue por meio desse órgão, desempenhando 
o papel de manter o fluxo de sangue em apenas um único sentido, ou seja, unidirecional e, por isso, 
agem como valvas de mão única.
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Unidade II
As valvas do coração são, fundamentalmente, especializações do endocárdio que se organizam, 
durante o desenvolvimento, como regiões endocárdicas encorpadas, chamadas de coxins endocárdicos, 
na região da futura valva atrioventricular direita e da valva atrioventricular esquerda e, ainda, como 
cristas valvares, ou também como coxins endocárdicos, na região das futuras valvas semilunares.
Podem ser distinguidos dois diferentes tipos de valvas do coração: as valvas atrioventriculares e as 
valvas semilunares. As atrioventriculares dificultam o refluxo de sangue dos ventrículos para os átrios, 
no momento da sístole ventricular. Já as semilunares evitam o refluxo de sangue da aorta e do tronco 
pulmonar para os ventrículos. Em sua superfície, as valvas do coração são envolvidas por endotélio, 
abaixo do qual se encontra uma camada de tecido conjuntivo. Esse endocárdio valvular tem uma 
estrutura análoga ao endocárdio parietal, que se arranja diretamente sobre o miocárdio.
As patologias podem afetar as valvas do coração e, consequentemente, alterarem suas funções. 
Algumas causas comuns de endocardites são caracterizadas pela infecção bacteriana de uma valva, 
em geral, já antecipadamente lesionada, ou ainda sequela de uma patologia de causa imunológica, por 
exemplo, a febre reumática, após uma infecção estreptocócica do anel faríngeo, que leva a complicações 
no aparelho valvar do coração. Uma endocardite bacteriana pode afetar a valva atrioventricular direita, 
especialmente devido à introdução de cateteres intravenosos contaminados, ou após o uso de drogas 
injetáveis, com a injeção de materiais infectados, ou seja, a entrada de micro‑organismos no sistema 
venoso, com comprometimento preferencial das valvas do coração direito. Exceções em outras situações, 
pode haver predileção pelas valvas do coração esquerdo, na colonização de bactérias.
As valvas atrioventriculares impedem a volta do sangue dos ventrículos para os átrios durante a 
sístole e as valvas semilunares dificultam o retorno do sangue da aorta e do tronco pulmonar para 
os ventrículos, durante a diástole. Todas essas valvas fecham‑se e abrem‑se passivamente, ou seja, 
fecham‑se quando o gradiente retrógrado de pressão empurra o sangue de volta e abrem‑se quando 
um gradiente de pressão, conduzido para adiante, força o sangue para frente. As membranas finas das 
valvas atrioventriculares precisam de um fluxo retrógrado muito pequeno para se fechar, enquanto 
as válvulas semilunares, bem mais densas, carecem de um fluxo retrógrado mais forte e veloz.
 Lembrete
A valva atrioventricular direita, por possuir três válvulas, é designada de 
tricúspide; a esquerda é bicúspide, também designada como mitral.
As valvas semilunares funcionam de maneira diferente das valvas atrioventriculares. Primeiro, as altas 
pressões diastólicas causam o fechamento íngreme das valvas semilunares, quando comparadas com o 
fechamento bem mais leve das valvas atrioventriculares na sístole. Segundo, em virtudede seus óstios 
menores, a velocidade de ejeção do sangue pelas valvas semilunares é maior. Terceiro, devido ao acelerado 
fechamento e à veloz ejeção, as margens da valva da aorta e da valva do tronco pulmonar estão submetidas 
à corrosão mecânica mais intensificada. Finalmente, as valvas atrioventriculares são amparadas pelas 
cordas tendíneas, o que não acontece com as valvas semilunares. É evidente, pela anatomia das valvas da 
aorta e da valva do tronco pulmonar, que elas são bem ajustadas para combater estresses físicos extras.
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ANATOMIA HUMANA
As valvas semilunares contrabalançam funcionalmente a falta de cordas tendíneas e dos músculos 
papilares, pela presença de membranas valvulares mais espessas. Ambos os óstios atrioventriculares 
suportam grandes alterações na forma, na posição e na área durante um ciclo de contração. A valva 
atrioventricular esquerda, por exemplo, diminui 40% do seu diâmetro durante a sístole.
Valva do 
tronco 
pulmonar 
(fechada)
Valva do 
tronco 
pulmonar 
(aberta)
Valva da aorta 
(aberta)
Valva 
atrioventricular 
direita (fechada)
Valva 
atrioventricular 
direita (aberta)
Valva 
atrioventricular 
esquerda (fechada)
Valva atrioventricular 
esquerda (aberta)
Artéria coronária 
esquerda
Artéria 
coronária 
direita
Valva da aorta 
(fechada)
Figura 231 – As valvas do coração
O conhecimento das valvas do coração auxiliará na parte clínica quando se realizam as auscultas 
cardíacas, conforme ilustra a figura a seguir.
Figura 232 – Anatomia de superfície do coração. Os focos de ausculta para as valvas da aorta (A), do tronco pulmonar (T), 
atrioventricular esquerda (mitral – M) e atrioventricular direita (tricúspide – P) estão indicados pelas letras.
Por si só, as valvas atrioventriculares não conseguem aguentar toda a carga da sístole sem se inverter. 
Por isso, são avigoradas pelos músculos papilares e pelas cordas tendíneas. Os músculos papilares, 
portanto, são grupos musculares de sustentação valvular, assim sendo destacam‑se como projeções 
cônicas ou arredondadas de músculos e cujos ápices se inserem as cordas tendíneas.
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Unidade II
As cordas tendíneas são estruturas anatômicas fibrosas, delicadas, mas fortes. Apresentam‑se em 
número de vinte e têm tamanhos e espessura desiguais. A maioria depara‑se presa aos músculos papilares. 
Essas se fixam por um lado nas valvas e por outro nos músculos papilares, conforme ilustra a figura.
Músculos papilares
Cúspides
Válvulas semilunares
Cordas tendíneas
Figura 233 – Complexo valvar (A) e atrioventricular (B)
Os músculos papilares, ao se contraírem em conjunto com o miocárdio, reduzem a cavidade ventricular, 
apertam os óstios atrioventriculares e puxam as válvulas para baixo, prevenindo a inversão dessas e o 
natural refluxo de sangue. Caso as cordas tendíneas sejam rompidas, ou caso um dos músculos papilares 
permanecer inativo, a valva atrioventricular se abaúla muito e refluem profusamente, acarretando 
regurgitação de sangue para os átrios durante a sístole e, comumente, a sobrecarga e a falta de capacidade 
do coração de bombear toda a quantidade desse sangue refluído, conforme ilustra a figura a seguir.
 
Valva da aorta
Valva mitral
Músculos papilares
Cordas tendíneas
Figura 234 – Sistema antirrefluxo
Se a função de uma valva do coração sofre alguma modificação, seja ela congênita, seja ocasionada 
por um processo de reestruturação, após uma inflamação na valva, isso se distingue como uma 
deficiência da valva do coração ou valvulopatia. No início, a patologia em uma valva do coração pode 
se traduzir como estenose ou insuficiência e produzir modificações em cada um de seus respectivos 
espaços internos conectados em sequências. Caso tenham algum defeito irreparável, as valvas podem 
ser trocadas por valvas mecânicas ou por biovalvas, geralmente valvas de coração de porco.
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ANATOMIA HUMANA
 Lembrete
Algumas patologias atingem as cúspides das valvas atrioventriculares, 
modificando a sua forma. Em algumas situações acontece a dificuldade de 
passagem do sangue dos átrios para os ventrículos. Em outras situações, 
acontece o refluxo de sangue para os átrios.
5.1.12 Microanatomia
As camadas principais que constituem o coração são o epicárdio, a túnica serosa e externa; o miocárdio, 
a túnica muscular e média; e o endocárdio, a túnica íntima e interna, conforme ilustra a figura a seguir. 
O endocárdio é a túnica de revestimento mais interna da parede do coração, formada por um epitélio 
simples pavimentoso, o endotélio, e um tecido conjuntivo subjacente, com uma camada subendotelial 
e uma camada mioelástica. A tela subendocárdica, localizada abaixo do tecido subendotelial, abrange 
fibras do complexo estimulante do coração. O epicárdio corresponde à lâmina visceral do pericárdio 
seroso. Ele é constituído por um epitélio de revestimento simples pavimentoso, que forma sua superfície 
lisa, livre de atrito, e por tecido conjuntivo frouxo subjacente e, em seguida, uma tela subserosa.
O miocárdio é a túnica mais grossa, formada pelo músculo estriado cardíaco. O miocárdio dos átrios 
é mais fino do que o miocárdio dos ventrículos, por conta de sua menor atividade de contração na 
função de bombear o sangue. Os feixes de fibras musculares são arranjados de maneira a resultar em 
um movimento de torção, ejetando eficazmente o sangue do coração durante a contração muscular.
No miocárdio há especialmente dois diferentes tipos de fibras musculares cardíacas, sendo elas 
as fibras da musculatura de trabalho e as fibras do complexo estimulante do coração. As fibras da 
musculatura de trabalho localizadas nos ventrículos adotam um percurso espiralado, existindo uma 
organização em três camadas, formada por uma camada longitudinal externa, uma camada circular 
média e uma camada longitudinal interna.
A camada longitudinal externa se origina do esqueleto fibroso do coração, em sua maior parte no 
trígono fibroso direito e no trígono fibroso esquerdo, e continua, em feixes espiralados, em sentido 
longitudinal até o vórtice do coração, que corresponde ao anel mais estreito da espiral, em cujas 
proximidades se arranjam o ápice do coração. As fibras circulares se inserem na camada circular.
A camada circular é individualmente consistente no ventrículo esquerdo e é caracterizada como 
motor do coração, enquanto no ventrículo direito ela se depara bem menos desenvolvida e, portanto, 
mais fina.
Da camada circular surgem fibras que continuam na camada interna do miocárdio em sentido 
longitudinal. Essa camada longitudinal induz à formação das trabéculas cárneas e dos músculos papilares.
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5.1.13 Pericárdio
O coração está envolvido por um saco de parede dupla chamado de pericárdio. A parte superficial 
frouxamente acomodada desse saco é o pericárdio fibroso. Essa forte camada de tecido conjuntivo denso 
tem como papéis: proteger o coração, ancorar as estruturas que o rodeiam e impedir o enchimento 
excessivo do coração com sangue.
Abaixo do pericárdio fibroso está o pericárdio seroso, uma membrana de duas camadas, fina, 
escorregadia e serosa. Sua lâmina parietal cobre a superfície interna do pericárdio fibroso. Na margem 
superior do coração a lâmina parietal se une aos grandes vasos da base que saem dele e se dobra 
inferiormente, prosseguindo até a superfície externa do coração como a lâmina visceral.
Entre as camadas parietal e visceral está a cavidade do pericárdio, em forma de fenda, a qual abrange 
uma película de líquido seroso. As membranas serosas, lubrificadas pelo líquido do pericárdio, deslizam 
delicadamente umas sobre as outras durante os movimentos do coração, possibilitando que ele funcioneem um meio relativamente livre de atrito.
 
Microanatomia
Endocárdio
Pericárdio fibroso
Lâmina parietal do 
pericárdio seroso
Vasos de sangue coronários
Trabéculas cárneas
Cavidade do 
pericárdio
Miocárdio
Lâmina visceral do pericárdio 
seroso (epicárdio)
Epicárdio
Miocárdio
Endocárdio
Pericárdio
Pericárdio
Figura 235 – Pericárdio
 Observação
Pericardite é um processo inflamatório do pericárdio que pode intervir 
na produção de líquido pericárdico que lubrifica as superfícies das lâminas 
parietal e visceral do pericárdio. As aderências dolorosas podem interferir 
na contração do miocárdio.
5.1.14 Características morfofuncionais das artérias e das veias
• Juntando as arteríolas, as vênulas e os capilares há cerca de 96.540 quilômetros de vasos de sangue.
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• No cadáver as artérias têm secção transversal circular e as veias, elíptica. As artérias são vazias e as 
veias, comumente, cheias de sangue, por conta da rigidez cadavérica algumas horas após a morte, 
em que os músculos se contraem e dirigem seu sangue para as veias.
• As paredes das artérias e das veias são formadas de três camadas, ou túnicas, conforme ilustra a 
figura a seguir. A túnica externa, ou adventícia, a camada mais externa, está constituída de tecido 
conjuntivo frouxo; a túnica média, a camada média, está composta de músculo liso; a túnica média 
das artérias apresenta quantidades inconstantes de fibras elásticas; a túnica interna, a camada 
interna, está constituída de epitélio simples pavimentoso e de fibras elásticas compostas de elastina. 
A camada de epitélio simples pavimentoso é chamada de endotélio e reveste a parede de todos os 
vasos de sangue. Os capilares consistem apenas em endotélio, apoiado em uma lâmina basal.
 
Válvulas
Endotélio 
Membrana basal 
Lâmina elástica 
interna 
TÚNICA MÉDIA
TÚNICA EXTERNA
Lâmina elástica 
externa 
Músculo liso
TÚNICA ÍNTIMA
Membrana basalEndotélio
Figura 236 – As paredes dos vasos
 Saiba mais
A aterosclerose é a patologia mais frequente das artérias, trata‑se 
da formação de placas de gordura na túnica interna, que oclui a luz das 
artérias. Saiba mais sobre o assunto:
MARTINI, F. H.; TIMMONS, M. J.; TALLISTSCH, R. B. Anatomia humana. 
6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009, p. 574.
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Unidade II
• Ao fluir desde o coração até alcançar os capilares periféricos, o sangue passa por uma sequência 
de artérias de diâmetros cada vez menores: as artérias elásticas e as artérias musculares, conforme 
ilustra a figura a seguir. As artérias elásticas, ou artérias de condução, são vasos com grandes 
diâmetros, transportam grandes volumes de sangue para fora do coração, como, por exemplo, 
o tronco pulmonar e a aorta e seus ramos principais: as artérias carótidas comuns e as artérias 
subclávias. As artérias musculares, ou artérias de distribuição, conduzem sangue aos músculos 
esqueléticos e órgãos internos. As artérias carótidas externas no pescoço, as artérias braquiais 
nos braços, as artérias femorais nas coxas e as artérias mesentéricas no abdome são exemplos de 
artérias musculares.
Figura 237 – Artérias elásticas e musculares
• A adventícia também apresenta vasos de sangue destinados à nutrição dos tecidos que compõem 
as diversas túnicas do próprio vaso. São pequenas artérias e veias que podem existir na adventícia. 
Nas veias mais calibrosas estão presentes na túnica média. Esses vasos são chamados de vasa 
vasorum, conforme ilustra a figura a seguir, expressão em latim que significa “vasos dos vasos”.
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ANATOMIA HUMANA
Figura 238 – Vasa vasorum
• As artérias têm elasticidade a fim de manter o fluxo de sangue constante.
 Observação
A diferença da pressão sanguínea entre as artérias e as veias é clara 
quando os vasos sanguíneos são seccionados. O sangue escorre suavemente 
e livremente de uma veia, porém, jorra com força quando é proveniente de 
uma artéria.
• Muitas veias apresentam válvulas, conforme ilustra a figura a seguir, as pregas membranosas na 
camada interna da veia, em forma de bolso, que estão ausentes nas artérias. Estão ausentes as 
válvulas nas veias do cérebro e em algumas veias do tronco e do pescoço.
 
Veia profunda
Veia comunicante
Veia superficial
Válvula
Figura 239 – Veias comunicantes e válvulas venosas da perna
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Unidade II
• A veia cava superior tem sua abertura desprovida de válvula. A válvula da veia cava inferior no 
adulto é geralmente rudimentar e apresenta pouca ou nenhuma relevância funcional. A válvula 
do seio coronário inserida na borda direita e inferior do seio coronário não acarreta dificuldade 
no fechamento parcial do orifício durante a contração do átrio.
• Em média, a pressão nas veias é de apenas 2 milímetros de Hg, comparada com a média muito 
mais elevada da pressão arterial, de cerca de 100 milímetros de Hg. Essas pressões simulam a 
pressão hidrostática, ou seja, a pressão que o sangue exerce sobre as paredes dos vasos de sangue. 
A baixa pressão venosa é insuficiente para fazer o sangue retornar ao coração, particularmente 
dos membros inferiores. Todavia, as veias passam entre grupos de músculos estriados esqueléticos, 
que proporcionam uma massagem quando se contraem. Quando as veias são comprimidas pela 
contração dos músculos estriados esqueléticos, o fluxo de sangue se direciona para o coração, o 
que é garantido pela presença das válvulas venosas. O efeito de massagem dos músculos estriados 
esqueléticos no fluxo de sangue venoso é usualmente descrito como bomba muscular esquelética, 
conforme ilustra a figura a seguir. A assiduidade do retorno venoso para o coração é dependente, 
em grande parte, da ação das bombas musculares estriadas esqueléticas. Quando essas bombas 
são menos ativas, por exemplo, quando uma pessoa fica parada ou está acamada, o sangue 
acumula nas veias dilatando‑as. Esse acúmulo de sangue nas veias das pernas por um período 
longo pode acarretar a distensão das veias nos pontos onde as válvulas venosas não se tornam 
mais eficientes. Isso pode gerar veias varicosas.
 
Direção do fluxo 
de sangue
Valva (aberta)
Músculo estriado 
esquelético contraído
Valva (fechada)
Veia
Figura 240 – A bomba muscular
• O número de veias é maior do que o das artérias, conforme ilustra a figura a seguir, não só 
porque é muito habitual a existência de duas veias satélites acompanhando uma artéria, mas 
também pela existência de um sistema de veias superficiais às quais não correspondem as artérias. 
Em geral, há duas veias acompanhando uma artéria, porém, há exceções, por exemplo, no pênis e 
no cordão umbilical, onde há duas artérias e uma veia.
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ANATOMIA HUMANA
Veia
Veia
Artéria
Figura 241 – Número de veias e artérias
• As artérias saem do coração e as veias chegam ao coração.
• As artérias apresentam ramos, conforme ilustra a figura a seguir, e as veias afluentes.
Ramo recorrente
Ramo colateral
Ramo terminal
Ramo terminal
Figura 242 – Esquema dos ramos de uma artéria
• Para as artérias diz‑se em irrigação ou nutrição. Para as veias diz‑se em drenagem.
• Nomenclatura das artérias: (a) situação: a. braquial; (b) direção: a. circunflexa da escápula; (c) 
órgão irrigado: a. renal.
 Lembrete
Artérias: transportam sangue, irrigam os órgãos e levam sangue.
Veias: recebem sangue dos órgãos e trazem o sangue.
A artéria braquial é usada para mensurar a pressão arterial.
• Calibre dos vasos de sangue: grande, médio e pequeno (arteríolas e vênulas).
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Unidade II
• Situação das veias: asveias superficiais são subcutâneas, com frequência visível por transparência 
na pele, mais calibrosas nos membros e no pescoço. Devido a sua posição subcutânea, é nelas que 
se faz a aplicação de injeções endovenosas. Elas não acompanham as artérias. Veias profundas: 
podem ser solitárias, isto é, não acompanham artérias, por exemplo, a veia cava superior, a 
veia cava inferior, a veia ázigo, a veia porta ou as veias satélites das artérias. Numerosas veias 
comunicam veias superficiais com veias profundas e são nomeadas veias comunicantes.
5.1.15 Vasos linfáticos, linfonodos, ductos linfáticos e tonsilas
O sistema linfático consiste em duas partes: uma ampla rede de vasos linfáticos e diversos tecidos e 
órgãos linfáticos distribuídos pelo organismo. Os órgãos linfáticos desempenham papéis essenciais nos 
mecanismos de defesa do organismo: via acessória para o líquido intersticial; transporte de substâncias 
dos espaços intercelulares que não podem ser retiradas pelos capilares sanguíneos, como, por exemplo, 
as proteínas; e barreira à propagação de bactérias, vírus e células cancerígenas. Ele é composto pelos 
vasos linfáticos, semelhantes às veias, portanto, vasos convergentes, incumbidos de levar a linfa dos 
tecidos para a corrente sanguínea.
A linfa é um líquido semelhante ao plasma, desprovido de plaquetas, possui raras plaquetas 
e é rico em leucócitos e linfócitos. Em alguns órgãos a linfa apresenta características especiais. 
Por exemplo, nos vasos linfáticos do intestino delgado, a linfa é branca, leitosa e chamada de quilo. 
É rica em gordura emulsionada.
Os capilares linfáticos são compostos de células endoteliais. A maioria deles não apresenta válvulas. 
A partir dos capilares saem os vasos linfáticos, os quais, geralmente, acompanham os vasos de sangue.
Os linfonodos são estruturas anatômicas arredondadas que se agrupam ao longo dos vasos linfáticos. 
À medida que a linfa é transportada de volta para a corrente sanguínea, ela é filtrada por meio dos linfonodos. 
Podem estar isolados ou reunidos, formando grupamentos maiores de linfonodos. Estão presentes próximos à 
superfície corporal nas regiões: inguinal, axilar e cervical, locais onde os vasos linfáticos coletores convergem 
para compor troncos. Um papel essencial dos linfonodos é a proteção do organismo.
A direção da corrente da linfa é mantida com o auxílio das válvulas. Então, a linfa recolhida pelos 
capilares alcança os vasos linfáticos e passa pelos linfonodos, é captada por novos coletores que chegam 
aos ductos linfáticos, que, por fim, lançam a linfa no sangue venoso. Nos membros superiores e inferiores 
ela segue em sentido à axila e à região inguinal, concomitantemente. Os dois grandes ductos linfáticos 
são: ducto torácico e ducto linfático direito.
 Observação
É comum que células cancerígenas adentrem nos capilares linfáticos 
e atinjam o sangue, quando, então, são carregadas para outros tecidos, 
onde se fixam e desenvolvem um novo tumor. Esse novo tumor é chamado 
de metástase.
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ANATOMIA HUMANA
As tonsilas são os órgãos linfáticos mais simples, elas compõem um anel de tecido linfático em torno 
da entrada da faringe e são chamadas conforme sua situação. As tonsilas palatinas são pareadas e se 
localizam de cada lado na parte oral da faringe. Essas são as maiores e as mais comumente infectadas. 
Uma coleção irregular de folículos linfáticos na base da língua é chamada de tonsilas linguais. A tonsila 
faríngea está na parede posterior da parte nasal da faringe. As diminutas tonsilas tubárias circundam as 
aberturas das tubas auditivas na faringe. As tonsilas têm como função recolher e retirar patógenos que 
adentram na faringe pelo alimento ou pelo ar inalado.
 Observação
A musculatura do períneo pode sofrer alterações em relação ao número 
de gestações. Isso pode influenciar situações futuras que acarretem 
desconfortos às mulheres, por exemplo, a incontinência urinária.
 Saiba mais
Para saber mais sobre o sistema linfático:
RODRIGUES, C. F. S. Anatomia aplicada do sistema linfático. In: PITTA, G. 
B. B; CASTRO, A. A.; BURIHAN, E. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. 
Maceió: Uncisal/EcmaL/Lava, 2003, p. 1‑6. Disponível em: <http://sogab.com.
br/sistemalinfaticoartigoderevisao.pdf>. Acesso em: 16 mar. 2019.
YAMAMOTO, A. P. C. N. Sistema linfático: revisão de literatura. Interbio, 
Dourados, v. 1, n. 2, 2007, p. 13‑20. Disponível em: <http://www.unigran.
br/interbio/paginas/ed_anteriores/vol1_num2/arquivos/artigo2.2.pdf>. 
Acesso em: 16 mar. 2019.
5.2 Sistema respiratório
No corpo humano, assim como na maioria dos animais de vida terrestre, a aquisição de O2 requer 
trocas gasosas entre o corpo e o meio ambiente. Assim, o sistema respiratório possibilita a absorção de 
O2 pelo organismo e a eliminação de CO2 resultante da oxidação celular. As trocas gasosas ocorrem entre 
o sangue e o ar, processo chamado de respiração.
A respiração acontece em três etapas principais: a ventilação pulmonar, ou respiração, que é o fluxo 
de ar para dentro e para fora dos pulmões; a respiração externa, que é a troca de gases entre os espaços 
aéreos ou alvéolos pulmonares, e o sangue, nos vasos capilares pulmonares; e a respiração interna, que 
é a troca de gases entre o sangue nos vasos capilares sistêmicos e as células dos tecidos. O sangue provê 
O2 e recebe CO2.
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Unidade II
Além das trocas gasosas, os papéis do sistema respiratório são: produzir o som ou a vocalização, 
quando o ar expirado passa por meio das pregas vocais; auxiliar na compressão abdominal durante a 
micção, defecação e parto; tornar possíveis os movimentos aéreos protetores e os reflexos, por exemplo, 
tosse e espirro, para manter limpa a passagem do ar; auxiliar na regulação do pH sanguíneo; e livrar o 
organismo de uma parte da água e do calor no ar expirado.
Para que seja realizável, a respiração é imprescindível à participação de uma série de órgãos tubulares 
e alveolares, localizados na cabeça, no pescoço e na cavidade torácica. Esses órgãos são: nariz, cavidade 
nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios e pulmões. Os órgãos respiratórios podem ser subdivididos 
em órgãos do trato superior ou vias aéreas superiores e pulmões, conforme ilustra a figura a seguir. 
Ademais, podemos considerar como órgãos acessórios da respiração as pleuras, a caixa torácica e os 
músculos respiratórios. Toda a via aérea é recoberta internamente por uma mucosa.
 
Faringe
Laringe
Traqueia
Nariz
Brônquio principal direito
Pulmões
Figura 243 – Vista anterior mostrando os órgãos da respiração
 Lembrete
As vias aéreas superiores incluem o nariz, a cavidade nasal, a faringe, a 
laringe, a traqueia e os brônquios principais.
5.2.1 Nariz
O nariz é a saliência mediana da face, composto de arcabouço ósseo e cartilagíneo, revestido de pele 
e com o formato de uma pirâmide triangular. A extremidade superior corresponde ao vértice da pirâmide, 
chamado de raiz e a extremidade inferior, chamada de base. Entre a raiz e a base encontra‑se de dorso. 
Na base deparam‑se duas aberturas em fenda, as narinas, separadas por um septo nasal. Elas comunicam 
o meio externo com a cavidade nasal. A partir da raiz uma ponte óssea se estende para baixo, ao longo do 
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dorso, para terminar na parte móvel chamada de ápice. A parte lateral é composta pela asa do nariz. A pele do 
nariz prossegue o contorno das narinas e continua na cavidade nasal por uma curta distância para compor a 
junção com a mucosa que reveste a cavidade nasal. Uma rede de pelos curtos e espessos, as vibrissas, sai da 
pele, que é rica em glândulas sebáceas cuja finalidade é conter as partículas pendentes no ar inspirado.
O nariz tem como função: limpar, umidificar e aquecer o ar, recebersecreções dos seios paranasais e 
do ducto lacrimonasal e expulsar secreções. Há diversos tipos de perfil nasais relacionados às variações 
anatômicas características nos grandes grupos raciais. Os brancos, geralmente, têm nariz afilado, são 
leptorrinos; os negros apresentam‑no achatado, são camerrinos; os amarelos são mesorrinos.
Além dos ossos nasais e as partes das duas maxilas, fazem parte do esqueleto do nariz várias 
cartilagens nasais, como: cartilagem do septo nasal, cartilagens alares maiores e menores, vomeronasal, 
e acessórias, conforme ilustra a figura a seguir.
A cartilagem do septo divide a cavidade nasal em duas metades, direita e esquerda. A cartilagem 
lateral do nariz compõe uma parte do dorso do nariz. Um desvio do septo nasal pode intervir com a livre 
passagem do ar por meio da cavidade nasal. Isso poderia ser gerado por uma lesão congênita, entretanto, 
na maioria das vezes, o desvio acontece durante a adolescência e a vida adulta por traumatismo, por 
exemplo, durante uma luta de soco.
Algumas vezes o desvio é tão acentuado que o septo nasal está em contato com a parede lateral 
da cavidade nasal, e repetitivamente acarreta bloqueio respiratório, ou acentua o ronco, porém, essa 
situação pode ser cirurgicamente retificada.
Estrutura óssea:
Frontal
Frontal
Maxila
Cartilagens nasais acessórias
Cartilagem do septo nasal
Cartilagens alares
Tecido conjuntivo fibroso 
denso e tecido adiposo
Estruturas cartilagíneas:
Figura 244 – Vista anterior do nariz mostrando as estruturas ósseas e cartilagíneas
5.2.2 Cavidade nasal
A câmara interior do nariz é a cavidade nasal. Cada metade da cavidade apresenta duas aberturas 
anterior e posterior, sendo elas as narinas e os cóanos, concomitantemente. A cavidade nasal é dividida 
em duas partes: o vestíbulo e a cavidade própria do nariz limitada pelo limiar do nariz. Seus principais 
limites são: o assoalho, o teto e as paredes medial e lateral.
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O assoalho é mais largo do que o teto e é composto pelo processo palatino da maxila, os três quartos 
anteriores; e pela lâmina horizontal do osso palatino, o um quarto posterior. O teto é curvo e estreito, 
exceto em sua extremidade posterior.
A parede medial é formada pelo septo nasal mediano. Habitualmente, o septo nasal é desviado para 
um dos lados, limitando o tamanho da cavidade nasal daquele lado. Os principais ossos do septo nasal 
são: osso nasal, etmoide, vômer, esfenoide, palatino e maxila, conforme ilustra a figura a seguir.
Figura 245 – Parede medial da cavidade nasal
Os principais ossos da parede lateral da cavidade nasal são: maxila, osso nasal, etmoide, concha nasal 
inferior, palatino e esfenoide.
Figura 246 – Lateral da cavidade nasal
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A parede lateral possui três relevos chamados de conchas nasais: superior, média e inferior. 
Raramente há um quarto relevo ósseo, que é a concha nasal suprema, localizada superiormente. 
O espaço compreendido entre as conchas nasais e a parede lateral da cavidade nasal recebe o nome de 
meatos nasais, conforme ilustram as figuras a seguir.
 
Concha nasal inferior
Concha nasal superior
Concha nasal média
Figura 247 – Vista medial de um corte sagital da cabeça. O septo nasal foi removido para observação das conchas nasais
 
1. Vibrissas
2. Concha nasal inferior
3. Concha nasal média
4. Concha nasal superior
5. Meato nasal inferior
6. Meato nasal médio
7. Meato nasal superior
8. Óstio faríngeo da tuba auditiva
9. Seio frontal
10. Seio esfenoidal
11. Tonsila faríngea
Figura 248 – Imagem com ênfase na cavidade nasal
Nos meatos nasais deparam‑se orifícios de comunicação com os seios paranasais e as células etmoidais, 
que são cavidades cheias de ar, anexas à cavidade nasal, e situadas nos ossos pneumáticos do esqueleto 
cefálico. No recesso esfenoetmoidal, região estreitada localizada acima e posteriormente à concha nasal 
superior, abre‑se o seio esfenoidal. No meato nasal superior abrem‑se as células etmoidais posteriores. 
No meato nasal médio abrem‑se os seios: frontal e maxilar e as células etmoidais anteriores. No meato nasal 
inferior se abre o ducto nasolacrimal e a comunicação das cavidades orbital e nasal. O ducto nasolacrimal 
drena os fluidos, ou seja, as lágrimas da superfície dos olhos, que também drenam nas cavidades nasais.
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Meato nasal superior – células 
etmoidais posterioresMeato nasal médio – células 
etmoidais anteriores e o seio frontal
Recesso esfenoetmoidal – 
seio maxilar
Meato nasal médio – 
seio maxilar
Meato nasal inferior – 
ducto nasolacrimal 
Figura 249 – Orifícios de comunicação
 Observação
No caso de fratura do etmoide, o líquido cerebrospinal pode adentrar 
na cavidade nasal e sair pelas narinas. Essa situação, conhecida como 
rinorreia do líquido cerebrospinal ou liquorreia, pode levar à meningite, 
com possíveis consequências letais.
5.2.3 Seios paranasais
Os seios paranasais são espaços ocos preenchidos por ar, sendo a construção leve do crânio. Esses 
seios são chamados conforme os ossos que se deparam. De tal modo, existem os seios frontais, maxilares, 
esfenoidais e as células etmoidais.
 
Seio frontal
Células etmoidais
Seio esfenoidal
Seio maxilar
Figura 250 – Os seios paranasais
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Admite‑se que os principais papéis dos seios paranasais sejam ajudar a aquecer o ar e umedecer o ar 
inspirado. Eles também são responsáveis pela ressonância do som, porém, vale mencionar que seja mais 
por conta que eles exerçam um papel na redução do peso do crânio. A capacidade de eles agirem como 
caixas de ressonância durante a fala é duvidosa, porque também estão presentes em outros animais que 
raramente vocalizam. Além do mais, nos seres humanos os seios paranasais obstruídos, ou cheios de 
líquido, não atrapalham de forma significativa a vocalização.
O conhecimento da posição dos seios paranasais é relevante para o diagnóstico de uma doença, uma 
vez que as inflamações neles podem gerar dores acima do lugar atingido, por exemplo, a cefaleia frontal, 
no caso de uma inflamação no seio frontal.
5.2.3.1 Seio frontais
O seio frontal em número de dois situa‑se profundamente à glabela do osso frontal. Suas medidas 
habituais são: 3 centímetros de altura; 2,5 centímetros de largura; 2,5 centímetros de profundidade. 
Ausentes no nascimento, os seios frontais, geralmente, estão bem desenvolvidos entre os 7 e 8 anos de 
idade, porém, só atingem seu tamanho completo após a puberdade.
5.2.3.2 Seios maxilares
Os seios maxilares são os maiores seios paranasais e estão localizados na maxila. Seus tamanhos 
se alteram entre os diferentes crânios, de um lado para outro no mesmo indivíduo. As medidas de um 
seio maxilar médio são as seguintes: 3,75 centímetros de altura, em frente ao primeiro dente molar; 
2,5 centímetros de largura; 3 centímetros de profundidade anteroposterior. As raízes do primeiro 
pré‑molar e do segundo pré‑molar e, algumas vezes, a raiz do canino se projeta para cima em direção ao 
seio maxilar. As raízes dos dentes estão envoltas em uma lâmina fina de osso compacto, ocasionalmente 
ausente, e em contato com a túnica mucosa do seio maxilar. O seio maxilar surge como um sulco raso na 
face medial do osso por volta do quarto mês da vida fetal, porém, só alcança seu total desenvolvimento 
após a segunda dentição.
 Observação
A extração de um dente pode resultar em uma fístula ou um dente 
infectado pode originar uma sinusite.
5.2.3.3 Seios esfenoidais
Os seios esfenoidais em número de dois estão incluídos dentro do corpo do esfenoide, alterando 
em forma e tamanho. Suas medidas habituais são: 2,2 centímetros de altura; 2 centímetrosde largura; 
2,2 centímetros de profundidade. Na ocasião do nascimento, os seios esfenoidais deparam‑se como 
pequenas cavidades, porém, seu maior desenvolvimento acontece após a puberdade.
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5.2.3.4 Células etmoidais
As células etmoidais fazem parte de numerosas pequenas cavidades de paredes finas que compõem 
o labirinto etmoidal e são completadas pelo frontal, maxila, lacrimal, esfenoide e palatino.
 Observação
Pode‑se avaliar a cavidade nasal no indivíduo vivo por meio de um 
rinoscópio, que é colocado na narina. Por meio de um espelho colocado na 
boca, pode‑se avaliar os cóanos. Já os seios paranasais podem ser avaliados 
por meio de radiografias e tomografias. A inflamação da mucosa nasal 
chama‑se rinite, que fica edemaciada e inflamada durante as infecções 
respiratórias graves e as reações alérgicas. A rinite pode se espalhar para 
os seios paranasais e provocar sinusites. Já a sinusite é a inflamação da 
mucosa dos seios paranasais que leva à obstrução dos óstios dos seios. Esse 
processo acarreta um acúmulo de muco nos seios paranasais, resultando 
em elevação de pressão nas cavidades dos seios paranasais. Essa elevação 
de pressão ocasiona a dor de cabeça sinusal, de intensidade variável e, se 
não tratada, a infecção pode se difundir para a orelha média e interna, bem 
como para outras regiões.
5.2.4 Faringe
A faringe possui aproximadamente 15 centímetros nos homens e 13 centímetros nas 
mulheres, com largura máxima de 3,5 centímetros até reduzir junto ao esôfago, e diâmetro de 
1,5 centímetro. Estende‑se desde a base do crânio até a margem inferior da cartilagem cricoide, 
e adiante é a margem inferior de C6, por detrás. Sua parede é composta de músculo esquelético 
e é revestida com uma túnica mucosa. A faringe funciona como uma passagem para o ar e o 
alimento, portanto, pertence aos sistemas digestório e respiratório. Ela fornece uma câmara 
de ressonância para os sons da fala e alojam as tonsilas, que participam das respostas imunes 
aos invasores estranhos. As infecções desse órgão se manifestam em transtornos durante a 
deglutição, respiração e fala.
5.2.4.1 Dimensões
Como visto anteriormente, quando a faringe está em repouso seu comprimento médio é de 
15 centímetros. Quando ela se contrai, sua extremidade inferior se eleva e seu comprimento diminui 
cerca de 3 centímetros. Sua maior largura situa‑se imediatamente abaixo da base do crânio, onde se 
projeta lateralmente atrás do óstio faríngeo da tuba auditiva, formando o recesso faríngeo; seu ponto 
mais estreito está em sua terminação com o esôfago.
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5.2.4.2 Cavidades da faringe
Sete cavidades se comunicam com a faringe, a saber: as duas cavidades timpânicas e nasais, a boca, 
a laringe e o esôfago. A cavidade da faringe pode ser subdividida em três partes: nasal, oral e laríngea. 
A parte nasal da faringe, ou nasofaringe, está posterior ao nariz e superior ao palato mole; a parte oral 
da faringe, ou orofaringe, está posterior à boca; a parte laríngea da faringe, ou laringofaringe, está 
posterior à laringe.
5.2.4.3 Parte nasal da faringe
A parte nasal da faringe tem função respiratória e situa‑se posteriormente ao palato mole, sendo a 
extensão posterior das cavidades nasais. O nariz abre‑se para a parte nasal da faringe por meio de dois cóanos. 
O palato mole e a úvula palatina formam o assoalho da parte nasal da faringe.
Nas suas paredes laterais, a parte nasal da faringe recebe as tubas auditivas que a conectam com a 
cavidade da orelha média. Quando aberta, ela equilibra a pressão no interior da orelha média com a que 
está na faringe e no meio ambiente.
 Observação
A tuba auditiva é uma via potencial de disseminação de infecções da 
faringe para a orelha média. A otite média ou infecção da orelha média é 
mais prevalente em crianças muito jovens porque a tuba auditiva não se 
abre facilmente como a de um adulto.
 Saiba mais
Para saber mais sobre a relação do aleitamento materno e a ocorrência 
de otite média em bebês:
FOLTRAN, L. N.; FUJINAGA, C. I. Otite média posicional e sua relação 
com o aleitamento: revisão integrativa de literatura. In: XIX SEMANA 
DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA UNICENTRO, 19, 2014, Guarapuava. Anais... 
Guarapuava: Unicentro, 2014, p. 1‑4. Disponível em: <http://anais.
unicentro.br/proic/pdf/xixv2n1/124.pdf>. Acesso em: 17 mar. 2019.
Em sua parede lateral, uma prega vertical da mucosa, a prega salpingofaríngea, estende‑se para 
baixo, a partir da tonsila tubária, e contém o músculo salpingofaríngeo. Uma segunda prega menor, 
a prega salpingopalatina, estende‑se da parte superior da tonsila tubária ao palato. Atrás do óstio 
faríngeo da tuba auditiva situa‑se um profundo recesso, o recesso faríngeo.
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Na parte posterior encontra‑se uma saliência produzida por tecido linfático e conhecida como 
tonsila faríngea. De modo geral, a tonsila faríngea é mais volumosa na infância, regredindo e se 
atrofiando na idade adulta. Quando essas tonsilas se tornam aumentadas como respostas a uma infecção 
são chamadas de adenoides. Esse aumento pode ser crônico e interferir na respiração pelo nariz, sendo 
necessário respirar pela boca.
5.2.4.4 Parte oral da faringe
A parte oral da faringe tem função digestiva e estende‑se do palato mole ao nível do osso 
hioide. Anteriormente, abre‑se na boca, por meio do istmo das fauces. Em sua parte lateral, entre 
os dois arcos, se encontram as tonsilas palatinas, chamadas de amígdalas. As tonsilas palatinas 
são duas massas de tecido linfoide localizado em ambos os lados da parte oral da faringe, entre os 
arcos palatoglosso (anterior) e palatofaríngeo (posterior). O espaço entre os arcos que lhe serve de 
leito é a fossa tonsilar.
As tonsilas palatinas estão frequentemente inflamadas e, não raro, são removidas cirurgicamente. 
A remoção cirúrgica das tonsilas palatinas chama‑se tonsilectomia, enquanto a remoção das tonsilas 
faríngeas é designada de adenoidectomia.
 Saiba mais
A amigdalectomia ou tonsilectomia é a cirurgia de maior frequência 
na prática otorrinolaringológica pediátrica, quando a maioria das crianças 
tem a sua primeira intervenção cirúrgica. Para saber mais sobre o assunto:
RIBEIRO, F. A.; CARVALHO, R. Ocorrência de dor no período 
pós‑operatório imediato de crianças submetidas à amigdalectomia. Revista 
Dor, São Paulo, v. 11, n. 1, p. 50‑54, 2010. Disponível em: <http://files.bvs.
br/upload/S/1806‑0013/2010/v11n1/a1499.pdf>. Acesso em: 17 mar. 2019.
5.2.4.5 Parte laríngea da faringe
Parte inferior da faringe, serve como passagem de ar e de alimento. Situa‑se posterior à laringe e 
estende‑se inferiormente ao nível do osso hioide à laringe. A parte laríngea da faringe comunica‑se com 
a laringe por meio do ádito da laringe na sua parede anterior. No sistema digestório torna‑se contínua 
com o esôfago.
Esse é um local frequente de choques de objetos pontudos, por exemplo, com ossos de aves ou 
de espinhas de peixes. A presença de material estranho nessa região gera um quadro de asfixia e o 
indivíduo fica inapto a retirar o objeto.
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5.2.4.6 Músculos da faringe
Os músculos da faringe estão divididos em dois grupos: os músculos constritores e os músculos 
elevadores. Eles se relacionam com a fala, a deglutição e com as funções da orelha média. São eles: músculo 
constritor inferior, músculo constritor médio, músculo constritor superior, músculo estilofaríngeo, 
músculo salpingofaríngeo e músculo palatofaríngeo. Os principais são os constritores e elevadores.
 
1. Músculo constritor superior da faringe
2. Músculo constritor médio da faringe
3. Músculo constritor inferior da faringe
4. Rafeda faringe
5. Músculo estilofaríngeo
6. Glândula tireoide
7. Esôfago
Figura 251 – Vista posterior dos músculos da faringe
5.2.5 Laringe
A laringe ou órgão da voz é a parte das vias aéreas superiores que comunica a faringe com a 
traqueia. Trata‑se de uma estrutura semirrígida, com esqueleto cartilagíneo no qual as cartilagens se 
articulam em junturas sinoviais. Ela produz uma considerável saliência na linha mediana do pescoço 
chamada de pomo de Adão.
Tem aproximadamente 5 centímetros e sua extensão vertical corresponde à C4 e C6, porém, está situado 
em um lugar um pouco mais alto na mulher, assim como ocorre na infância. Durante a puberdade, no 
homem, a laringe cresce rapidamente em tamanho e as pregas vocais tornam‑se 1 centímetro mais longas, 
fazendo com que o limite inferior da voz caia de uma oitava. Nas mulheres, essas alterações, inclusive no 
tom da voz, são menos acentuadas. De cada lado da laringe estão os grandes vasos do pescoço.
 Observação
A laringite é uma inflamação da mucosa da laringe e pregas vocais que 
causa rouquidão da voz de um indivíduo ou a capacidade para falar além 
de um sussurro. Dentre os principais fatores causadores da laringite estão: 
utilização da voz em exagero, inalação de substâncias químicas irritantes e 
infecções bacterianas ou virais.
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Unidade II
5.2.5.1 Papéis da laringe
A laringe tem dois papéis principais, impedir que o alimento ou líquidos entre na traqueia e nos 
pulmões durante a deglutição e permitir a passagem do ar durante a respiração; e a produção de sons. 
A fonação é a produção fisiológica da voz, cujo mecanismo é o seguinte: o ar expulso dos pulmões, ao 
atravessar a glote estreitada, entra em vibração; as vibrações do ar originam um som que será modelado, 
tomando as características da voz humana na faringe, boca e cavidade nasal; o estreitamento da glote 
é devido à ação dos músculos das cordas vocais, que se contraem; quando esses músculos não estão 
contraídos o ar expirado passa livremente pela glote, não produzindo som.
Devido à influência dos hormônios sexuais masculinos, as pregas vocais usualmente são mais 
espessas e mais longas nos homens do que nas mulheres. Por isso, elas vibram mais lentamente, dando 
aos homens um tom mais baixo do que nas mulheres.
 Observação
Processos infecciosos ou agentes irritantes no ar, por exemplo, a fumaça 
do cigarro, podem causar inflamação na mucosa da laringe, atingindo 
as pregas vocais. Elas reduzem a capacidade de vibrar normalmente e o 
indivíduo pode ter rouquidão ou até mesmo afonia completa. Em fumantes 
crônicos, a rouquidão pode ficar inalterável.
5.2.5.2 Esqueleto da laringe
A laringe é formada por nove cartilagens, três ímpares e três pares: tireoide, epiglote, cricoide, 
aritenoides, corniculadas e cuneiformes. Essas cartilagens são mantidas juntas e unidas ao osso hioide 
acima e à traqueia abaixo, por ligamentos e músculos.
Cartilagem tireoide
Entre os povos egeus, nos primórdios da civilização grega, o thyreós, era uma grande pedra 
achatada colocada contra uma porta para mantê‑la fechada. Posteriormente, a palavra foi aplicada 
a um escudo pelos habitantes da ilha de Minos, feito de lâminas de madeira prensadas, amarradas 
com cipós e completado, nas bordas, com placas de metal (uma forma muito semelhante a uma 
porta, que em grego arcaico designava‑se thyra). Esse escudo, ao contrário da maioria dos escudos 
gregos, cobria o corpo até os pés e tinha duas chanfraduras ou entalhes, superior ou inferiormente, 
para encaixar o queixo e o joelho, respectivamente. A cartilagem tireoide recebeu esse nome por sua 
posição em relação à laringe, pois parece um escudo protetor.
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Cartilagem 
tireoide
Figura 252 – Cartilagem tireoide
A cartilagem tireoide é a maior cartilagem da laringe, ímpar, composta de duas placas quadriláteras, 
as lâminas direita e esquerda, que se juntam para compor a proeminência laríngea, o pomo de Adão 
do pescoço. O ângulo composto de essa união é mais agudo nos homens do que nas mulheres, 
correspondendo a um marcador de dimorfismo sexual.
Cartilagem epiglote
A cartilagem epiglote é ímpar, com a forma de uma folha, está localizada posterior à raiz da língua 
e ao hioide, e anterior ao ádito da laringe. Ela é revestida por uma mucosa contínua com a da raiz da 
língua e das partes laterais da faringe. A mucosa constitui‑se de três pregas entre a língua e a cartilagem 
epiglote: a prega glossoepiglótica mediana e as duas pregas glossoepiglóticas laterais. As depressões 
localizadas entre as pregas, de cada lado do plano mediano, são chamadas como valéculas da epiglote.
Cartilagem 
epiglote
Figura 253 – Cartilagem epiglote
A laringe inteira se eleva durante a deglutição para fechar a glote contra a cartilagem epiglote. Esse 
movimento pode ser visto se colocarmos os dedos sobre a laringe e engolirmos em seguida. Caso a glote não 
permaneça fechada como deveria acontecer durante o ato de engolir, o alimento pode adentrar na glote.
 Observação
Quando a cartilagem epiglote é retirada durante uma cirurgia tumoral 
o paciente deve aprender, com muito esforço, a engolir perfeitamente sem 
a cartilagem epiglote, pois há perigo de aspiração.
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Unidade II
Cartilagem cricoide
A cartilagem cricoide é ímpar, composta de um anel completo de cartilagem hialina, porém menor, 
mais grossa e robusta do que a cartilagem tireoide.
 
Cartilagem 
cricoide
Figura 254 – Cartilagem cricoide
Entre as cartilagens tireoide e cricoide há o ligamento cricotireóideo, ponto de referência para 
realizar um procedimento de ventilação de emergência, uma cricotireoidostomia.
Ligamento 
cricotireóideo
Figura 255 – Ligamento cricotireóideo
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ANATOMIA HUMANA
Cricotireoidostomia
Figura 256 – Ligamento cricotireoide
 Observação
O termo krykos é claramente uma variação do grego kyrkos, círculo, e 
deu nome à cartilagem laríngea pela sua forma em anel sinete. Esse tipo de 
anel, muito comum nas classes nobres da Antiguidade e da Idade Média, 
possuía um símbolo ou inscrição que identificava seu portador e servia 
para assinar documentos, colocando o anel sobre o lacre derretido, já que a 
maioria desses indivíduos era inculto.
Cartilagens pares da laringe
As cartilagens aritenoides, pares, em forma de pirâmide, são localizadas no dorso da laringe e 
formadas por cartilagem hialina. As cartilagens corniculadas e cuneiformes são pequenas peças de 
cartilagem elástica. A primeira se articula com as cartilagens aritenoides, enquanto a última está fixada 
anteriormente às cartilagens corniculadas.
Compartimentos da laringe
No interior da laringe podem ser distinguidos três andares: o vestíbulo da laringe, o ventrículo 
da laringe e a cavidade infraglótica. O vestíbulo da laringe se estende do ádito da laringe, a abertura 
superior da laringe, até a rima da glote, que corresponde ao espaço localizado entre as duas pregas 
vocais e as cartilagens aritenoides. O fechamento do ádito da laringe protege as vias aéreas superiores 
contra a penetração de alimentos e corpos estranhos.
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Unidade II
Cavidade da laringe
Ventrículo da laringe
Cavidade infraglótica
Figura 257 – Compartimentos da laringe
O ventrículo da laringe é uma depressão, em forma de cunha, localizado entre as pregas vestibulares 
e vocais de cada lado. A fenda entre as duas pregas vocais, direita e esquerda, é a rima da glote. 
As pregas vestibulares são também chamadas de falsas cordas vocais e tem papel protetor e de produção 
de som durante o canto e a fala.
 
Rima da glote
Prega vestibular
Prega vocal
Cartilagemepiglote
Prega ariepliglótica
Figura 258 – Cartilagens laríngeas. Na imagem estão as estruturas observadas 
durante a inspeção das cordas vocais com um espelho laríngeo
A cavidade infraglótica é um espaço localizado entre a rima da glote e o começo da traqueia. 
Na linguagem clínica, ela é chamada de subglote ou espaço subglótico.
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ANATOMIA HUMANA
 Observação
Um edema de glote pode aparecer após reações alérgicas e outros 
fatores, provocando um estreitamento das vias aéreas superiores e 
consequente falta de ar.
Músculos da laringe
Existem dois grupos de músculos da laringe, os extrínsecos e os intrínsecos. Os músculos extrínsecos 
são aqueles que se estendem da laringe aos órgãos vizinhos. Eles abrangem os seguintes músculos: o 
tireo‑hióideo, estilo‑hióideo, milo‑hióideo, digástrico, estilofaríngeo e palatofaríngeo, que são levantadores 
da laringe; o omo‑hióideo, esterno‑hióideo e esternotireóideo, que são abaixadores da laringe.
Já os músculos intrínsecos da laringe são: o cricotireóideo, cricoaritenóideo lateral, cricoaritenóideo 
posterior, tireoaritenóideo, vocal, aritenóideo transverso e aritenóideo oblíquo. Pode‑se dizer que os 
papéis dos músculos intrínsecos da laringe são os seguintes: tensionar ou relaxar o ligamento vocal, 
aumentando ou reduzindo a distância que separa as cartilagens aritenoides e tireoide; aduzir ou abduzir 
os ligamentos vocais, o que afasta ou aproxima do plano mediano os ligamentos vocais, logo aumenta 
ou reduz a rima da glote; e ocluir o ádito da laringe, ou seja, fechar a entrada da laringe.
5.2.6 Traqueia
Abaixo da laringe, as vias aéreas superiores prosseguem com a traqueia e os brônquios principais. 
A traqueia é formada por um tubo de aproximadamente 2,5 centímetros de diâmetro e 11 centímetros 
de comprimento, e é sempre maior na mulher do que no homem. Na criança a traqueia é menor, mais 
profundamente localizada e mais móvel do que no adulto. Ela é a continuação da laringe, penetra no 
tórax, no mediastino e acaba bifurcando‑se nos dois brônquios principais, estendendo‑se até ao nível de T6. 
Se localiza medianamente, por diante do esôfago e tão somente na sua terminação, desviando‑se para a 
direita. Durante a inspiração profunda a traqueia pode se alongar por aproximadamente 5 centímetros.
 Observação
Diversas circunstâncias podem bloquear o fluxo de ar pela obstrução da 
traqueia, por exemplo, um objeto grande pode ser aspirado ou um tumor 
canceroso pode protrair‑se para dentro da via respiratória. Dois métodos 
são usados para restabelecer o fluxo de ar em caso de obstrução traqueal, 
a traqueostomia e a intubação.
Em conformidade com as suas relações topográficas, a traqueia é dividida em duas partes: cervical 
e torácica. Na superfície interna do local de bifurcação encontra‑se, comumente, uma projeção de 
mucosa, reforçada por cartilagem para o interior da luz, a carina da traqueia.
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Unidade II
Pelo fato de apresentar ar, a traqueia comumente é perceptível em radiografias como uma mancha 
escura. A carina da traqueia é um detalhe anatômico relevante de referência quando se realiza a 
chamada broncoscopia.
O caminho do ar da traqueia está rodeado por uma sequência de 16 a 20 anéis de cartilagem 
hialina em forma de C, que apresentam por finalidade impedir que as paredes desse tubo se colapsem, 
da mesma maneira que os anéis completos no tubo de um aspirador de pó. Os anéis sobrepostos estão 
unidos entre si pelos ligamentos anulares.
 Lembrete
Diferentemente da faringe e do esôfago, as cartilagens da traqueia 
possibilitam que ela se mantenha sempre aberta ou desobstruída para a 
passagem do ar, e nunca colabada.
A mucosa da superfície que reveste a luz da traqueia consiste em tecido epitelial pseudoestratificado 
colunar ciliado e proporciona a mesma proteção contra pó e outras partículas como a membrana que 
reveste a cavidade nasal, parte nasal da faringe e a laringe.
A abertura posterior nos anéis traqueais é transposta pelo músculo liso, o músculo traqueal, 
involuntário, que une as suas extremidades. Portanto, a parede posterior da traqueia é plana. 
A parte incompleta desses anéis está em contato com o esôfago. Isso possibilita que durante a 
passagem do bolo alimentar o esôfago se expanda às custas dessa parede posterior distensível 
da traqueia.
 Observação
As células de Goblet produzem muco que prendem partículas 
transportadas pelo ar e micro‑organismos, e os cílios empurram o 
muco para cima, de maneira que ele é engolido ou expelido. A irritação 
constante por fumaça de cigarro ou outros poluentes destroem 
os cílios e o muco com as partículas presas não é retirada. Vários 
micro‑organismos desenvolvem nesse muco amontoado, o que gera 
infecções respiratórias, além disso a irritação e inflamação da mucosa 
estimulam o reflexo da tosse.
A figura a seguir resume algumas estruturas anatômicas das vias aéreas superiores.
 
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ANATOMIA HUMANA
1. Vestíbulo do nariz
2. Cóanos
3. Faringe
4. Seio frontal
5. Seio esfenoidal
6. Tonsila palatina
7. Óstio faríngeo da tuba auditiva
8. Laringe
9. Ádito da laringe
10. Cartilagem epiglote
11. Pregas vocais
12. Pregas vestibulares
13. Traqueia
14. Tonsila faríngea
15. Cartilagem tireoide
Figura 259 – Vias áreas superiores
5.2.7 Brônquios
No mediastino, ao nível da T6, a traqueia bifurca‑se nos brônquios principais, direito e esquerdo. 
Neles os anéis cartilagíneos da traqueia são substituídos por placas irregulares de cartilagem. 
Os brônquios principais direito e esquerdo dão origem aos brônquios lobares, que ventilam os lobos 
dos pulmões. Esses, por sua vez, dividem‑se em brônquios segmentares, que encontram‑se com os 
segmentos broncopulmonares. Os brônquios segmentares sofrem ainda sucessivas divisões antes de 
acabarem nos alvéolos pulmonares. Observa‑se, dessa forma, que cada brônquio principal dá origem 
no pulmão a uma sequência de ramificações chamadas, em conjunto, como árvore brônquica.
Os brônquios principais direito e esquerdo diferem um do outro, por sua direção, comprimento e 
calibre. O brônquio principal direito é sempre mais largo (14 milímetros) que o esquerdo (12 milímetros). 
O brônquio direito é fortemente verticalizado, enquanto o esquerdo é menor, e o comprimento do 
esquerdo é quase o dobro, 4 a 5 centímetros, do direito, 1 a 2,5 centímetro.
O brônquio principal esquerdo passa sob o arco aórtico e anteriormente à parte descendente da 
aorta para atingir o hilo pulmonar esquerdo. Ele cruza à frente do esôfago e nesse ponto pode impedir 
a deglutição de um objeto maior.
Essas disposições tornam‑se relevantes nos casos de penetração de corpos estranhos na traqueia, os 
quais comumente encontram mais facilidade para alcançar o pulmão direito.
Na medida em que se ramificam, os brônquios vão perdendo a cartilagem de sua estrutura e 
ganhando mais musculatura lisa. Suas paredes podem, então, se contrair e reduzir a luz dos brônquios, 
prejudicando a respiração, como acontece na asma.
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Unidade II
 
1. Traqueia
2. Ligamentos anulares
3. Brônquio principal
4. Carina
5. Brônquio lobar
6. Pulmão
7. Base do pulmão
8. Ápice do pulmão
9. Fissura horizontal
10. Fissura oblíqua
11. Lobo superior
12. Lobo médio
13. Lobo inferior
Figura 260 – Vias aéreas superiores e pulmões
5.2.8 Pulmões
Consiste em um órgão da respiração, local onde o sangue venoso se transforma em sangue 
arterial. A superfície externa dos pulmões é lisa e brilhante e sua coloração roxo‑escuro antes do 
nascimento, rosado no neonato e depois azulado no adulto. À medida que o indivíduo avança a 
idade, se formam na superfície dos pulmões alguns depósitos de pigmentos, dispostosem forma 
de pontos, manchas ou linhas. Estes pigmentos provêm de uma matéria negra encontrada nas 
partículas de poeira atmosférica e são arrastados pela respiração. Nos indivíduos expostos por longos 
períodos a esse tipo de ar essa matéria negra pode acumular‑se em quantidades tão consideráveis 
que invadem as paredes dos alvéolos pulmonares. Sua ampla e permanente comunicação com 
o exterior carrega normalmente numerosos micro‑organismos pelo ar inspirado, que em certos 
momentos podem causar patologias.
Os pulmões têm a forma de um cone, medem aproximadamente 25 centímetros de altura 
por 16 centímetros de diâmetro. Situados na cavidade torácica são mais leves que a água, de 
consistência mole e elástica como uma esponja. Possuem um ápice superior, uma base inferior 
e duas faces: costal (em relação com as costelas) e medial (voltada para o mediastino). A base 
descansa sobre o diafragma, músculo que separa, internamente, o tórax do abdome, e por essa 
razão é chamada também de face diafragmática. Na sua face medial, cada um dos pulmões possui 
uma fenda em forma de raquete, o hilo do pulmão, pelo qual entram ou saem brônquios, vasos e 
nervos pulmonares.
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ANATOMIA HUMANA
Artéria pulmonar
Brônquio
Veia pulmonar
Linfonodo
Margem de corte da pleura
Ligamento pulmonar
Figura 261 – Principais estruturas presentes no hilo pulmonar
Nos seres humanos, assim como na maioria dos mamíferos, os pulmões possuem sulcos profundos, 
as fissuras que dividem parcialmente esse órgão em lobos, conforme ilustra a figura a seguir.
Figura 262 – Pulmões direito e esquerdo e coração
O pulmão direito é mais curto que o esquerdo, pois a cúpula diafragmática está mais elevada à direita. 
É mais largo porque o coração se desloca para a esquerda. Possui um volume maior, aproximadamente 
2 litros de ar, enquanto o esquerdo, aproximadamente 1,6 litro de ar.
O pulmão direito nos homens pesa, em média, 700 gramas e nas mulheres, em média, 550 gramas; 
o pulmão esquerdo nos homens pesa, em média, 600 gramas e nas mulheres, em média, 450 gramas.
O pulmão direito é dividido pelas fissuras oblíqua e horizontal em três lobos: superior, intermédio e 
inferior; o esquerdo é dividido pela fissura oblíqua em dois lobos: superior e inferior. Ele apresenta uma 
chanfradura, a incisura cardíaca, local onde o coração está situado. O lobo superior do pulmão esquerdo 
apresenta uma ponta logo abaixo da incisura cardíaca, chamada de língula, que corresponderia ao lobo 
médio. As fissuras estão ausentes comumente ou são incompletas, principalmente a horizontal. Às vezes 
existe uma fissura a mais (fissura extranumerária), compondo um lobo extranumerário.
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Unidade II
5.2.9 Segmentação broncopulmonar
Ao alcançarem os pulmões correspondentes, os brônquios principais subdividem‑se nos brônquios 
lobares. No pulmão direito há três lobos e no esquerdo apenas dois. Por isso os brônquios lobares 
resultantes da divisão do brônquio principal direito são classificados em brônquios lobares superior, 
médio e inferior. O brônquio principal esquerdo se divide nos brônquios lobares: superior e inferior. 
Os brônquios lobares subdividem‑se em brônquios segmentares, cada um desses distribuindo‑se a um 
segmento pulmonar. O pulmão é composto de dez segmentos e o esquerdo de nove. Os nomes dos 
brônquios segmentares direito são os seguintes: no lobo superior direito existem três segmentos, um 
apical, um posterior e um anterior. No lobo médio há um segmento superior, um lateral e um medial. 
No lobo inferior direito quatro segmentos basais: o basilar medial, basilar anterior, basilar lateral e 
basilar posterior.
No pulmão esquerdo, o lobo superior esquerdo possui um segmento ápico posterior, um anterior, 
um lingular superior e um lingular inferior. O lobo inferior esquerdo tem um segmento superior e quatro 
segmentos basais: o basilar medial, basilar anterior, basilar lateral e basilar posterior.
A árvore bronquial continua se ramificando em túbulos cada vez menores chamados bronquíolos. 
Dentro do lobo, os bronquíolos se dividem e formam os bronquíolos terminais. Numerosos 
bronquíolos terminais se conectam com bronquíolos respiratórios que se dirigem aos ductos 
alveolares e em seguida aos sacos alveolares.
5.2.10 Pleura
Os pulmões e a parede da cavidade torácica são recobertos por uma membrana serosa 
chamada de pleura. Entre a pleura que envolve o pulmão, a pleura visceral e a pleura que reveste 
a cavidade torácica, na pleura parietal forma‑se uma cavidade muito fina, a cavidade pleural, 
preenchida por um líquido lubrificante que facilita a movimentação pulmonar durante os 
movimentos respiratórios.
 Observação
A pleurite é uma inflamação da pleura que costuma ser dolorosa 
porque a inervação sensorial da pleura parietal fica irritada. Sempre que 
a situação avança, a permeabilidade da membrana se altera, o que gera 
um acúmulo de fluido na cavidade pleural, fazendo com que a respiração 
fique complicada.
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ANATOMIA HUMANA
6 SISTEMAS DIGESTÓRIO E ENDÓCRINO
6.1 Sistemas digestório
6.1.1 Parte supradiafragmática
O sistema digestório consiste de um canal alimentar ligado em níveis contínuos com um conjunto de 
órgãos anexos. O papel fundamental do sistema digestório é conseguir, a partir dos alimentos, as moléculas 
imprescindíveis para a manutenção, o crescimento e outras necessidades energéticas do corpo humano. 
Esse sistema pode ser dividido em duas partes principais: supradiafragmática e infradiafragmática. 
A parte supradiafragmática do sistema digestório corresponde às estruturas anatômicas situadas acima 
do diafragma, enquanto em sua parte infradiafragmática encontram‑se as estruturas anatômicas 
localizadas abaixo do diafragma.
O canal alimentar, cujo comprimento medido no cadáver é de aproximadamente 9 metros de 
extensão, é composto de um tubo oco, que se estende da boca ao ânus. As estruturas anatômicas do 
canal alimentar abrangem: a boca, a faringe, o esôfago, o estômago, o intestino delgado, o intestino 
grosso, o reto e o ânus. Já os órgãos anexos compreendem os dentes, a língua, as glândulas da boca, o 
fígado, a vesícula biliar e o pâncreas.
Para que possamos ter o bom emprego das substâncias alimentares, o sistema digestório deve 
processar várias ações que incidem em processos mecânicos e químicos da digestão. De tal modo, 
nesses processos envolvidos na digestão há a mastigação, a deglutição, o peristaltismo, a digestão, a 
absorção, o armazenamento e a eliminação dos resíduos.
A mastigação, (do grego, mastichan, ranger os dentes) destina‑se à desintegração parcial dos 
alimentos que se executa na boca. Os movimentos mastigatórios reduzem o tamanho dos alimentos e 
mistura‑os com a saliva.
A deglutição, (do latim, deglutire, engolir) incide no transporte dos alimentos por meio da faringe 
para o esôfago, o que requer a participação de vários movimentos musculares, e dos quais enfatiza em 
relevância a ascensão da laringe, impossibilitando, assim, que substâncias nutritivas se encaminhem 
para as vias aéreas e de maneira oposta, permanentemente abertas ao trânsito do ar.
O peristaltismo, (do grego, peri, em torno; stellein, comprimir) consiste em contrações rítmicas 
semelhantes às ondas que movem o alimento por meio do canal alimentar.
No estômago e duodeno acontecerá a digestão, momento em que há o desdobramento das 
substâncias alimentares em moléculas mais simples.
Por fim, ocorre a absorção que se processa especialmente no restante do intestino delgado, enquanto 
o intestino grosso serve de receptáculo passageiro aos resíduos não aproveitáveis, até o momento de 
serem excluídos pela defecação.
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Unidade II
6.1.1.1 A bocae os anexos
A boca, também referida como cavidade oral, representa a porta de entrada do sistema digestório. 
Além da função mastigatória, participa ativamente da fonação, da sensação do paladar e como via 
aérea acessória.
Do ponto de vista anatômico, a cavidade oral é delimitada anteriormente pelos lábios, lateralmente 
pelas bochechas, superiormente pelo palato, inferiormente pela língua e assoalho da boca e 
posteriormente pelo istmo das fauces e parte do palato mole.
A mucosa que reveste a cavidade oral pode ser de três tipos: revestimento, mastigatória e especializada. 
A mucosa de revestimento se distribui em toda a região que não é sujeitada a um grande empenho 
durante a mastigação. É vista na bochecha, nos lábios, no assoalho da boca, no palato mole, em parte 
do osso alveolar e na face inferior da língua. Já a mucosa mastigatória é espessada por uma camada de 
queratina e apresenta uma coloração menos intensa que a mucosa de revestimento. Está simbolizada 
pela gengiva e pelo revestimento do palato duro. Enfim, a mucosa especializada é a que forra o dorso da 
língua. O forramento dos dois terços anteriores possui papilas com papéis gustativos. No terço posterior 
se deparam nódulos linfáticos que desempenham a defesa contra agentes patogênicos.
Para finalidades descritivas, a cavidade oral é subdividida em duas partes principais: a parte externa, 
o vestíbulo da boca; e a parte interna, a cavidade própria da boca.
 Lembrete
O vestíbulo da boca é o espaço composto entre os lábios, as bochechas 
e os dentes em oclusão.
Os lábios da boca, superior e inferior, de natureza muscular, são ricamente irrigados e guardam a 
entrada da cavidade oral. São formados por quatro camadas sobrepostas intimamente relacionadas. 
A mais externa é composta de pele, onde são encontrados numerosos folículos pilosos e glândulas 
sudoríparas. Profundo a ela, há uma camada muscular formada em sua maior parte pelo músculo 
orbicular da boca. Em seguida, observa‑se uma camada submucosa, abrangendo glândulas salivares 
menores, como as glândulas labiais em toda a sua extensão, cujos ductos de excreção abrem‑se na 
mucosa labial. A camada mais interna é representada pelo tecido mucoso que forra os lábios.
A parte vermelha dos lábios, cuja coloração se deve ao rico leito vascular, é chamada de margem 
vermelha. Os dois lábios da boca se unem lateralmente ao nível do ângulo da boca. Nesse local, observa‑se 
uma discreta depressão chamada de comissura dos lábios. A rima da boca é uma zona localizada entre 
o lábio superior e o lábio inferior, que pode permanecer aberta ou fechada, quando os dois lábios estão 
em contato.
A comissura dos lábios pode ter modificações, relacionadas com hipovitaminoses e com a redução 
da dimensão vertical da oclusão, chamada de queilite angular.
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ANATOMIA HUMANA
A fenda labial, unilateral ou bilateral, é uma malformação congênita que afeta o lábio superior. 
Pode ser uma pequena fissura da margem livre do lábio, ou envolvê‑lo totalmente até o nariz. Às vezes, 
estende‑se intensamente e continua‑se com fendas do palato, chamada de fissura labiopalatal.
Uma doença grave, mas que não atinge o lábio muito ocasionalmente, especialmente o inferior de 
indivíduos do sexo masculino, é o carcinoma, causado principalmente por exposição exagerada ao sol.
 Observação
O limite lateral do lábio superior é composto pelo sulco nasolabial, que 
se estende desde a comissura dos lábios até a asa do nariz. Uma ligeira 
depressão vertical rasa, situada na linha mediana do lábio superior, e 
inferiormente ao septo do nariz, é chamada de filtro. Logo após do filtro 
encontra‑se o tubérculo, uma saliência volumosa de tamanho variável 
na margem vermelha. O lábio inferior é separado do mento pelo sulco 
labiomentual. Outro sulco, o labiomarginal, é uma ruga característica dos 
adultos que vai do ângulo da boca à base da mandíbula.
A figura a seguir mostra estruturas anatômicas localizadas na boca.
Filtro
Margem vermelha
Comissura dos lábios
Zona vermelha
Margem vermelha
Lábio inferior
Tubérculo
Lábio superior
Figura 263 – Detalhes do lábio na região oral
A glândula parótida lança suas secreções salivares no vestíbulo da boca por meio de uma pequena 
abertura em frente ao segundo molar maxilar. Essa abertura apresenta uma elevação da mucosa e é 
chamada de ducto parotídeo ou ducto de Stenon. Quando ferida inadvertidamente pela oclusão dos 
dentes molares, inflama‑se e incha. Diversas outras glândulas salivares menores têm nomes regionais, 
por exemplo, as glândulas da bochecha e as labiais, que também lançam suas secreções no vestíbulo da 
boca por meio de aberturas microscópicas.
Na maior parte dos indivíduos existem pequenas glândulas sebáceas, não funcionais, de coloração 
amarelada, que ficaram presas na mucosa durante o desenvolvimento, portanto, não apresentam 
qualquer patologia associada. São chamadas de grânulos de Fordyce, considerados variações anatômicas, 
sendo também encontrados na mucosa da bochecha.
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Unidade II
No fórnice do vestíbulo, região no plano mediano do vestíbulo da boca, há a presença de duas pregas 
da mucosa: os frênulos do lábio superior e inferior. Na região da bochecha essas pregas chamam‑se de 
frênulo lateral ou bridas.
A estratigrafia da bochecha possui quatro camadas caracterizadas sobrepostas entre si. Externamente 
existe uma camada delgada de pele ricamente irrigada. Essa característica anatômica explica a mudança 
para uma cor avermelhada relativamente rápida da região, especialmente durante as atividades físicas, 
em temperaturas ambientais baixas, e em modificações emocionais instantâneas, por exemplo, quando 
o indivíduo fica encabulado.
Sobreposta à camada cutânea está localizado o estrato formado por tecido celular subcutâneo, que 
possui quantidade alterável de tecido adiposo conforme a morfologia de cada indivíduo. Nas crianças e 
em indivíduos obesos a quantidade de gordura subcutânea é mais vultosa.
Um acúmulo específico de tecido adiposo dessa camada é o corpo adiposo da bochecha, ou corpo 
adiposo de Bichat. Essencialmente, apresenta a função de preenchimento dos tecidos, contudo, também 
exerce papel funcional durante os movimentos de sucção do recém‑nascido.
Subjacente ao plano subcutâneo está uma camada de tecido muscular recoberta por sua fáscia. 
Essa camada é representada pelo músculo estriado esquelético, chamado de músculo bucinador. A ação 
do músculo bucinador é tracionar o ângulo da boca em sentido posterior, apertando a bochecha contra 
os arcos dentais. É por isso que um músculo auxilia os músculos da mastigação, pois ele ajuda na mistura 
dos alimentos para imediata deglutição. Igualmente, age ainda no sopro e no movimento de sucção. 
Por fim, a camada mais interna da bochecha é forrada por tecido mucoso.
A cavidade própria da boca é a parte da cavidade oral que se localiza internamente ao arco dental 
da maxila e da mandíbula, abrangendo a gengiva que os compreende.
O limite anterolateral da cavidade própria da boca é composto pela superfície dos dentes e a gengiva. 
Seu limite póstero‑superior é composto pela parte vertical do palato mole e pelo pilar anterior das 
fauces, chamado de arco palatoglosso. Esse arco abrange o músculo palatoglosso e a mucosa oral que a 
forra, e se estende do palato mole até os lados da base da língua. Por fim, seu limite superior é composto 
pelo palato duro, enquanto o inferior é a parte muscular da língua.
Dentes maxilares
Palatino
Lingual
Labial
Cavidade prórpia da boca
Bucal
Dentes mandibulares
Figura 264 – Cavidade própria da boca
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ANATOMIA HUMANA
A cavidade oral comunica‑se com a parte oral da faringe por meio do istmo das fauces. É limitado 
superiormente pelo palato mole, inferiormentepela raiz da língua e lateralmente pelos arcos 
palatoglosso e palatofaríngeo. Esses arcos delimitam de cada lado um espaço de formato triangular 
com base inferior, chamada de fossa tonsilar. Nela é encontrada uma estrutura anatômica composta 
de tecido linfático chamada de tonsila palatina, conforme ilustra a figura a seguir.
Fauces
Túber
Prega pterigomandibular
Arco palatofaríngeo
Tonsila palatina
Arco palatoglosso
Papila retromolar
Dorso da língua
Parte oral da faringe
Úvula
Palato mole
Palato duro
Figura 265 – Cavidade oral e parte oral da faringe
As tonsilas palatinas apresentam aspecto ovoide e diversas vezes podem alterar de tamanho. 
Sua superfície tem formato granuloso com inúmeras invaginações que correspondem às criptas da tonsila.
Em companhia das tonsilas linguais, as tonsilas faríngeas e outros pequenos nódulos linfáticos que 
se juntam compõem o anel linfático da faringe, anteriormente relatado como anel linfático de Waldeyer. 
Essas estruturas anatômicas funcionam como o primeiro obstáculo de defesa do corpo humano contra 
os agentes patogênicos que adentram pelas cavidades nasal e oral.
O palato compõe o teto da cavidade oral, separando as duas cavidades, nasal e oral. É formado pelo 
palato duro, ósseo e anterior e pelo palato mole, muscular e posterior.
As pregas palatinas encontradas no palato são estruturas anatômicas remanescentes nos seres 
humanos, porém, em alguns animais inferiores desempenham papéis acessórios de mastigação e 
sensitivas especiais. No palato mole depara‑se com uma saliência cônica e mediana, a úvula palatina.
 Observação
A parte posterior do palato mole é sensível ao toque e vômitos podem 
ser motivados por estimulação nessa área.
O assoalho da boca está coberto por uma mucosa de revestimento e subjacente, a mucosa de 
revestimento depara‑se com relevantes estruturas anatômicas: a glândula sublingual, os ductos 
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de excreção salivar das glândulas submandibular e sublingual, a artéria sublingual, a veia sublingual, o 
nervo lingual, e o nervo hipoglosso.
Superficialmente no assoalho da boca vê‑se na linha mediana uma prega fina que se estende até 
a face inferior da língua, chamada de frênulo da língua, conforme ilustra a figura a seguir. Quando 
o frênulo da língua é muito curto, ou sua inserção se faz próximo ao ápice da língua, tem‑se uma 
condição chamada como anquiloglossia, vulgarmente conhecida como língua presa. Esse quadro clínico 
restringe espantosamente a movimentação da língua, trazendo muitas vezes dificuldades fonéticas.
Frênulo da língua
Prega sublingual
Carúncula sublingual
Dentes anteriores 
da mandíbula
Figura 266 – Detalhes do assoalho da cavidade oral
Lateralmente, de cada lado do frênulo da língua, existe uma pequena papila, designada de carúncula 
sublingual, onde se abre o ducto submandibular, ou ducto de Wharton, e o ducto sublingual.
O órgão mais notável no assoalho da boca é a língua. Ela é a mais evidente das estruturas anatômicas 
da cavidade oral e está relacionada à fonação, à mastigação, à deglutição, à gustação à própria articulação 
das palavras. A língua ocupa quase todo o espaço da cavidade própria da boca, quando os dentes estão 
em oclusão. É composta essencialmente por tecido muscular esquelético que lhe concede extraordinária 
mobilidade. Possui um corpo, um ápice, uma raiz, duas margens, além de uma face superior e uma face 
inferior. A extremidade anterior do corpo da língua é o ápice. A parte lateral da língua representa a sua 
margem. A face superior da língua corresponde ao seu dorso.
Papilas 
folhadas
Corpo da 
língua
Raiz da 
língua
Margem da 
língua
Dorso da 
língua
Lábio 
superior
Figura 267 – Detalhes da língua em vista lateral
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O dorso da língua tem seus dois terços anteriores separados do posterior pelo sulco terminal, que 
apresenta o formato de V, de abertura anterior e vértice mediano, coincidindo com o forame cego. Todas 
as estruturas anatômicas anteriormente localizadas a essa linha situam‑se na cavidade oral e todas as 
estruturas anatômicas posteriores, na faringe.
O um terço posterior, que é a raiz da língua, é vertical e volta‑se para a faringe. A sua mucosa cobre 
massas de tecido linfoide que constituem relevos superficiais. Ao seu conjunto dá‑se o nome de tonsila 
lingual. A mucosa cobre também as pequenas glândulas linguais. A base da língua une‑se à epiglote por 
três pregas mucosas, uma mediana e duas laterais. Cada prega glossoepiglótica lateral restringe, com a 
prega glossoepiglótica mediana, uma depressão chamada de valécula epiglótica.
Os dois terços anteriores do dorso da língua possuem uma mucosa rugosa em virtude da presença 
das papilas linguais. As papilas linguais podem ser divididas em: papilas circunvaladas, filiformes, 
fungiformes e folhadas.
Anteriormente e ao longo do sulco terminal há uma cadeia de 7 a 14 papilas circunvaladas. 
As circunvaladas apresentam corpúsculos gustativos e acolhem os ductos das glândulas serosas de von 
Ebner, um dos poucos grupos de glândulas salivares menores acessórias que tem denominação.
As papilas filiformes são as mais numerosas e conferem à mucosa do dorso da língua um aspecto 
de veludo. São as únicas papilas linguais que não possuem receptores gustativos, porém, possuem 
corpúsculos do tato.
As papilas fungiformes estão dispostas entre as papilas filiformes, surgindo em número muito menor 
do que as papilas filiformes. Devem seu nome ao aspecto de cogumelo que adquirem. São encontradas, 
especialmente, no ápice e nos lados dorso da língua. Nos indivíduos vivos podem ser distinguidas como 
pontos vermelhos luminosos.
A margem posterolateral dos dois terços anteriores da língua apresenta sulcos verticais chamados de 
papilas folhadas, cujos corpúsculos gustativos sofrem degeneração após alguns anos de vida.
 Observação
A língua saburrosa pode acontecer em indivíduos fumantes e também 
por conta de infecções respiratórias, bucais e febre. A higienização da língua 
é muito importante e previne, dentre outros fatores, a halitose.
O câncer de língua é o câncer mais frequente da cavidade oral. Aproximadamente 95% dos casos 
de cânceres situados na língua e no assoalho da boca são carcinomas de células escamosas e estão 
correlacionados com uma longa história de utilização de álcool e de tabaco.
A figura a seguir mostra estruturas anatômicas encontradas na língua.
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Epiglote
Tonsila palatina
Forame cego
Sulco terminal
Papilas fungiformes
Ápice da língua
Papilas filiformes
Papilas circunvaladas
Tonsila lingual
Sulco mediano da língua
Figura 268 – Detalhes do corpo e raiz da língua
Os dentes são órgãos mineralizados, resistentes, esbranquiçados e implantados nos arcos dentais da 
maxila e da mandíbula, que exercem os seguintes papéis:
• Preensão das substâncias alimentares conseguida pela ação conjunta dos dentes incisivos e 
dos lábios.
• Incisão dos alimentos, corte deles em partículas menores.
• Dilaceração dos alimentos, rasgo e diminuição das substâncias alimentares em partículas 
menos compactas.
• Trituração e moeção dos alimentos.
• Articulação das palavras ou da fala.
Conforme os tipos de dentes e o número de dentições, o ser humano é classificado como um 
mamífero heterodonte, por apresentar dentes de formas distintas, possibilitando a realização de papéis 
distintos para cada dente ou grupo de dentes. Sob esse aspecto, os dentes são divididos em:
• Incisivos: do latim, incidire, cortar, são os que seccionam o alimento.
• Caninos: têm por finalidade dilacerar os alimentos.
• Pré‑molares: esmagam os alimentos como se fossem prensas.
• Molares: trituram as substâncias mastigadas.
Os dentes do ser humano são decíduos e permanentes e, ainda, é consideradoum animal 
difiodonte, ou seja, habitualmente apresenta dois conjuntos de dentes que se desenvolvem ao longo 
da vida de um indivíduo.
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Os dentes decíduos são pouco calcificados em relação aos dentes permanentes e, como tais, são 
brancos como o leite. Os dentes permanentes, com maior índice de sais calcários, são brancos puxados para 
o amarelo. É a dentina que atribui a cor ao dente, já que o esmalte é praticamente incolor e transparente.
Do ponto de vista puramente descritivo, o dente apresenta uma parte visível e funcional na 
mastigação, a coroa do dente. O dente não é um órgão compacto, em seu interior há uma cavidade 
que reproduz sua morfologia exterior. Essa é a cavidade pulpar, a qual possui duas partes: a cavidade da 
coroa e o canal da raiz do dente.
Nenhum dente está presente funcionalmente na cavidade oral no nascimento. A primeira série de 
dentes compõe a dentição decídua. Esses dentes surgem nos primeiros dois anos e aproximadamente na 
seguinte ordem: incisivos inferiores (6 a 7 meses de idade); incisivos superiores (7 a 9 meses de idade); 
caninos (16 a 18 meses de idade); molares, primeiro (12 a 24 meses de idade) e segundo (20 a 24 meses 
de idade). Dessa forma, os dentes decíduos são em número de 20.
A segunda série de dentes compõe a dentição permanente. Os dentes permanentes fazem a sua 
erupção entre os 6 e 13 anos de idade, com exceção do terceiro molar. Os dentes permanentes realizam 
a sua erupção aproximadamente na seguinte ordem: incisivos (6 a 9 anos de idade); caninos (9 a 12 anos 
de idade); pré‑molares, primeiro (10 a 12 anos de idade) e segundo (11 a 12 anos de idade); molares, 
primeiro (6 a 7 anos de idade), segundo (11 a 13 anos de idade) e terceiro (18 a 21 anos de idade). 
Popularmente é reconhecido que a partir dos 18 anos os indivíduos tornam‑se mais ajuizados, daí o 
nome popular para os terceiros molares “dente do juízo”. Os dentes permanentes são em número de 32.
O termo dentição mista é utilizado para se referir ao período no qual, ao mesmo tempo, permanecem 
os dentes decíduos e permanentes na cavidade oral.
O verme do dente como demônio do inferno é uma escultura do século XVIII, com pouco mais de 
10 centímetros e esculpida em marfim. Ela retrata o tormento infernal de uma dor de dente, provocada 
pela batalha entre o homem e o verme.
Figura 269 – Verme dos dentes
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As glândulas da boca liberam uma secreção chamada saliva na cavidade oral. Comumente, é 
secretada apenas uma quantidade satisfatória de saliva para manter as túnicas mucosas da boca e da 
faringe umedecidas e para limpar a boca e os dentes. Quando o alimento adentra na boca, conquanto, a 
secreção de saliva eleva e o lubrifica, dissolvendo‑o e começando a decomposição química do alimento.
A glândula parótida, conforme ilustra a figura a seguir, é a mais volumosa dentre as glândulas salivares 
maiores (parótida, submandibular e sublingual). Ela está localizada na região lateral da face, no leito 
parotídeo. Como a glândula é acomodada no interior de um espaço irregular, ela também possui uma 
forma irregular. A parte superficial da glândula estende‑se superiormente sobre o principal músculo da 
mastigação, em que uma parte acessória da glândula pode ser independente da estrutura principal.
Glândula salivar parótida
M. masseter
Glândula salivar submandibular
M. bucinador
Ducto parotídeo
Figura 270 – Glândula parótida e sua relação anatômica
Emergindo da parte anterior da parte mais superficial da glândula está localizado o ducto parotídeo 
ou ducto de Stenon, que prossegue anteriormente passando superficialmente ao músculo masseter em 
seu percurso em direção ao vestíbulo da boca. Ele libera a secreção salivar na papila do ducto parotídeo 
ao nível do segundo dente molar maxilar.
 Observação
A caxumba, uma infecção viral que causa inflamação aguda e aumento 
do volume da glândula parótida, comprime a inervação local e produz 
muita dor à medida que a glândula é pressionada durante a mastigação. 
Em algumas condições, pode acontecer otite, inflamação dos testículos, 
pancreatite e encefalite. Felizmente, essa situação foi quase completamente 
erradicada como resultado da vacinação.
As glândulas submandibulares estão situadas no assoalho da boca. Seus ductos, os submandibulares, 
passam sob a túnica mucosa em ambos os lados da linha média do assoalho da boca e adentram na 
cavidade própria da boca lateralmente ao frênulo da língua. As glândulas sublinguais estão abaixo da 
língua e superiormente às glândulas submandibulares. Seus ductos, os sublinguais menores, se abrem 
no assoalho da boca na cavidade própria da boca.
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6.1.1.2 Faringe
A faringe é uma víscera composta de um tubo fibromuscular, situado atrás das cavidades oral, 
nasal e laríngea. Representa o extremo superior dos tubos respiratório e digestório, e se comunica 
inferiormente com o esôfago. Ela transporta os alimentos ao esôfago e o ar à laringe. Como visto no 
sistema respiratório, anatomicamente a faringe é dividida em três partes: nasal da faringe, oral da 
faringe e laríngea da faringe.
A figura a seguir mostra estruturas anatômicas da região da cabeça e do pescoço.
Canal medular
Parte oral da farínge
Epiglote
Disco intervertebral
Corpo da vértebra cervival
Esôfago Laringe
Parte laríngea da faringe
Mandíbula
Língua
Cavidade oral
Parte nasal da faringe
Cavidade nasal
Seio esfenoidal
Seio frontal
Figura 271 – Vista medial da cabeça e do pescoço com plano de secção sagital
6.1.1.3 O esôfago
O esôfago é, funcionalmente, o segmento mais simples do canal alimentar. Sua única finalidade é 
o transporte de materiais líquidos ou sólidos da faringe para o estômago. Seu comprimento alcança 
no ser humano adulto aproximadamente 25 centímetros e, se considerada a distância entre os dentes 
incisivos e o estômago, há, aproximadamente, 40 centímetros antes do alimento adentrar nessa víscera 
do sistema digestório. O esôfago é dividido em três partes: parte cervical, no adulto tem cerca de 
8 centímetros de comprimento; parte torácica, no adulto com cerca de 16 centímetros; e parte abdominal, 
no adulto com cerca de 1 a 3 centímetros. No ser humano, um terço do esôfago é constituído de 
músculo estriado esquelético e dois terços inferiores são constituídos por músculos lisos.
 Lembrete
Uma parte do sistema digestório está localizada acima do diafragma. 
É a parte supradiafragmática, que compreende a boca e os anexos, a faringe 
e a maior parte do esôfago.
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Os estreitamentos esofágicos são causados por suas relações sintópicas. O primeiro estreitamento é 
observado na transição entre a faringe e o esôfago, ao nível da margem inferior da cartilagem cricoide, o 
estreitamento cricoide, e compõe o esfíncter esofágico superior. O segundo e o terceiro são observados 
quando o esôfago é cruzado pela aorta, o estreitamento aórtico, e pelo brônquio principal esquerdo, 
o estreitamento brônquico, sendo que sua esqueletopia corresponde a T5. Seu quarto estreitamento é 
observado próximo a 3 centímetros de sua terminação na cárdia do estômago, o estreitamento cárdico. 
Esse estreitamento é dado pela contração das fibras musculares lisas do órgão, não sendo originado de 
sua relação com o diafragma, ainda que alguns autores o denominem estreitamento diafragmático.
A deglutição, ou ato de engolir, é o complexo ato mecânico e fisiológico de mover o alimento ou o líquido 
da cavidade oral para o estômago. A primeira fase da deglutição é voluntária e vem após a mastigação, se existir 
alimento envolvido. Durante essa primeira fase, a boca está fechada e a respiração é cessada provisoriamente.O bolo alimentar é formado quando a língua é erguida contra as pregas palatinas transversas, ou as pregas 
rugosas do palato duro. A segunda fase da deglutição é a passagem do bolo alimentar para a faringe. 
Os episódios dessa segunda fase são involuntários e ocorrem por estimulação dos receptores sensitivos 
situados na abertura da parte oral da faringe. A pressão da língua contra as pregas palatinas transversas fecha 
a parte nasal da faringe em relação à cavidade oral, gera uma pressão e força o bolo alimentar para o interior 
da parte oral da faringe. O palato mole e a úvula palatina são erguidos para fechar a parte nasal da faringe, 
quando o bolo alimentar passa. O osso hioide e a laringe também são erguidos. A elevação da laringe contra 
a epiglote fecha a glote de maneira que seja menos provável que o alimento ou o líquido possam adentrar na 
traqueia. A imediata contração dos músculos constritores da faringe desloca o bolo alimentar da faringe para 
o esôfago. A segunda fase é terminada em menos de um segundo ou menos. A terceira fase da deglutição, 
a entrada e a passagem do alimento pelo esôfago também é involuntária. O bolo alimentar é movido pelo 
esôfago por meio de ondas peristálticas. No caso de líquidos, o processo inteiro da deglutição se executa em 
pouco mais do que um segundo. Para um bolo alimentar típico, o tempo varia de 5 a 8 segundos.
No contexto de uma incompetência do esfíncter inferior do esôfago, acontece refluxo de suco 
gástrico para o esôfago. Isso pode gerar a inflamação do esôfago em virtude da presença nociva de 
ácido clorídrico no suco gástrico. Tal esofagite de refluxo pode gerar dores, azia ou queimação que, 
comumente, depende da postura do paciente, ocorrendo, especialmente, quando o paciente está 
deitado. Sob o ponto de vista terapêutico, em casos leves de refluxos, são tomadas as medidas gerais, 
por exemplo, a eliminação de alimentos desencadeadores e a redução de peso. Na esofagite de refluxo 
os medicamentos antiácidos são imprescindíveis.
 Saiba mais
Se o esfíncter do esôfago inferior não se fecha satisfatoriamente após o 
alimento ter adentrado no estômago, o conteúdo do estômago pode voltar para 
a parte inferior do esôfago, causando refluxo. Saiba mais sobre o assunto em:
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia. 
14. ed. São Paulo: Guanabara‑Koogan, 2016, p. 908.
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6.1.2 Parte infradiafragmática
6.1.2.1 Estômago
O estômago está localizado no abdome, logo abaixo do diafragma, anteriormente ao pâncreas, 
superiormente ao duodeno e à esquerda do fígado. É moderadamente coberto pelas costelas e está 
situado no quadrante superior esquerdo do abdome, na região do hipocôndrio esquerdo.
Ele apresenta o formato de J, sendo o segmento mais dilatado do canal alimentar, em virtude de o alimento 
ficar nele por algum tempo, por isso trata‑se de um reservatório entre o esôfago e o intestino delgado.
O estômago é divido anatomicamente em quatro regiões principais: a cárdia, o fundo gástrico, o 
corpo gástrico e a parte pilórica do estômago. A cárdia recebe a parte final do esôfago e contorna o óstio 
cárdico do estômago, o qual tem como papel controlar a passagem do alimento e impedir o refluxo.
Esôfago – parte cervical
Esôfago – parte torácica
Esôfago – parte abdominal
Estômago – cardia
Estômago – canal pilórico
Estômago – antro pilórico
Estômago – corpo gástrico
Estômago – fundo gástrico
Figura 272 – Vista anterior do estômago e do esôfago
Apesar do nome, o fundo gástrico localiza‑se no alto, acima do ponto onde se realiza a união do 
esôfago com o estômago. Essa parte está comumente dilatada por ar, tornando‑se responsável pelo 
som timpânico na realização de exames clínicos e complementares, por exemplo, a percussão dessa 
região, e também visível em radiografias, como uma área escura acima da sombra clara da substância 
de contraste ingerida.
 Observação
As úlceras e os tumores modificam a morfologia normal da mucosa do 
estômago, o que pode ser observado em radiografias e endoscopias.
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Unidade II
O corpo gástrico representa aproximadamente dois terços do volume total, localizando‑se entre o 
fundo gástrico e o antro pilórico, que contém as glândulas gástricas propriamente ditas. É constituído 
da parte pilórica e da região afunilada de saída do estômago; e uma parte larga, o antro pilórico, que 
leva ao canal pilórico, sua parte estreita terminal. Para evitar que o quimo alimentar passe ao intestino 
delgado inoportunamente, o estômago é beneficiado de uma poderosa válvula muscular, um esfíncter 
chamado piloro, sendo o seu orifício de saída do estômago, o óstio pilórico. O piloro é um adensamento 
proeminente da lâmina circular de músculo liso.
O estômago possui ainda duas curvaturas: a curvatura maior do estômago (convexa) e a curvatura 
menor do estômago (côncava). A incisura angular é uma depressão na parte inferior da curvatura menor 
que sugere a união do corpo do estômago e a parte pilórica do estômago.
As relações do estômago são variáveis porque a posição do órgão se altera com a fase fisiológica, 
com a postura do indivíduo e com os fatores gerais de variação anatômica. As relações anteriores 
incluem as que se observam com o diafragma, o fígado, a parede anterior do abdome, o colo transverso 
e a cavidade peritoneal. As relações posteriores se fazem com o diafragma, a glândula adrenal esquerda, 
o pâncreas, parte do rim esquerdo e o mesocolo transverso.
Estômago
Intestino delgado
Intestino grosso colo 
descendente
Intestino grosso colo 
ascendente
Intestino grosso colo 
transverso
Vesícula biliar
Fígado
Figura 273 – Vista anterior do esôfago e do estômago
Do ponto de vista fisiológico, o estômago está dividido em parte digestória e parte egestória, a 
primeira para a digestão e a segunda representada, especialmente, pela região do antro piloro, para 
a propulsão do conteúdo para o intestino delgado.
6.1.2.2 Intestino delgado
A principal parte da digestão acontece no intestino delgado, que se estende da união gastroduodenal, 
ou seja, do piloro até a união ileocecal, que se liga com o intestino grosso, conforme ilustra a figura 
a seguir. O intestino delgado é um órgão imprescindível à vida. Os essenciais episódios da digestão e 
da absorção acontecem no intestino delgado, desse modo, sua estrutura é harmonizada de maneira 
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ANATOMIA HUMANA
especial para esse papel. Sua extensão proporciona uma grande área de superfície para a digestão e a 
absorção, sendo ainda muito elevada por suas pregas circulares, vilosidades e microvilosidades.
Jejuno
Colo descendente
Colo sigmoide
RetoCeco
Íleo
Colo ascendente
Colo transverso
Figura 274 – Vista anterior dos intestinos
O intestino delgado extraído possui aproximadamente 7 metros, podendo variar entre 5 e 8 metros. 
Ele apresenta três partes: duodeno, jejuno e íleo.
O duodeno é a primeira parte do intestino delgado, a mais curta (25 centímetros) e a mais larga. 
É a única parte do intestino delgado que é fixa, pois é quase completamente retroperitoneal. A parte 
pilórica despeja‑se no duodeno, sendo a aceitação duodenal controlada pelo piloro. No duodeno não se 
apresenta o mesentério, com exceção nos 2 centímetros iniciais.
Ele forma uma letra C em torno da cabeça do pâncreas, inicia‑se no piloro e acaba na junção 
duodenojejunal, que adquire a forma de um ângulo agudo, a flexura duodenojejunal.
A mucosa duodenal tem pregas circulares de mucosa, as válvulas de Kerckring, com exceção no 
bulbo duodenal, cuja mucosa é lisa. O duodeno é dividido em quatro partes: a superior (primeira 
parte, com aproximadamente 5 centímetros); a descendente (segunda parte, que varia de 7 a 10 
centímetros); a horizontal (terceira parte, que variade 6 a 8 centímetros); a ascendente (quarta parte, 
com aproximadamente 5 centímetros).
A parte superior do duodeno origina‑se no piloro e estende‑se até a vesícula biliar. Seus primeiros 
2 centímetros, chamado de bulbo ou ampola do duodeno, são móveis porque estão fixados por mesentério; 
o remanente é fixo, pois é retroperitoneal. As principais relações da parte superior do duodeno são: anterior 
(vesícula biliar e lobo quadrado do fígado) e posterior (ducto colédoco, pâncreas e veia porta).
A parte descendente do duodeno curva‑se em torno da cabeça do pâncreas. Os ductos, colédoco e 
pancreático principal, se juntam para compor a ampola hepatopancreática, ou ampola de Vater, que se 
abre na parede posteromedial da segunda parte do duodeno, no alto de uma eminência, chamada papila 
maior do duodeno.
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A ampola hepatopancreática regula a entrada de bile e de suco pancreático por meio de um 
dispositivo muscular esfinctérico que circunda a ampola na sua parte final, chamado esfíncter da ampola 
hepatopancreática, ou esfíncter de Oddi.
O ducto pancreático acessório, quando há, desemboca na papila menor do duodeno, localizada 
superiormente (cerca de 2 centímetros) à papila maior do duodeno. Essa parte é totalmente 
retroperitoneal. As principais relações da parte descendente do duodeno são: anterior (colo transverso e 
alças do intestino delgado) e posterior (rim direito, ureter direito e músculo psoas maior).
A parte inferior ou horizontal do duodeno passa sobre a veia cava inferior e a parte abdominal da 
aorta. As principais relações da parte horizontal do duodeno são: anterior (vasos mesentéricos superiores 
e alças intestinais), posterior (músculo psoas maior direito, veia cava inferior, parte abdominal da aorta e 
ureter direito) e superior pâncreas e vasos mesentéricos superiores.
A parte ascendente do duodeno atinge a margem inferior do pâncreas e ali se curva anteriormente 
para se conectar ao jejuno na junção duodenojejunal, sustentada pela fixação do músculo suspensor 
do duodeno ou ligamento de Treitz, o qual alarga o ângulo da flexura duodenojejunal, promovendo 
a movimentação do conteúdo intestinal. As principais relações da parte horizontal do duodeno são: 
anterior (alças do duodeno), posterior (músculo psoas maior esquerdo e margem esquerda da parede 
abdominal da aorta), medial e superior (pâncreas).
O jejuno e o íleo são as duas últimas partes do intestino delgado. Elas compõem um tubo longo 
e torcido, constituindo as alças intestinais, que são excessivamente móveis, pois estão envolvidas por 
pregas de peritônio, chamada de mesentério. É difícil distinguir o jejuno do íleo no ponto de transição, 
todavia, existem algumas características particulares a cada um.
Juntos, o jejuno e o íleo medem de 6 a 7 metros de comprimento, sendo o jejuno os dois quintos 
proximais e o íleo os três quintos distais. A maior parte do jejuno localiza‑se no quadrante superior 
esquerdo, enquanto a maior parte no quadrante inferior direito.
O jejuno começa na flexura duodenojejunal e o íleo acaba na papila ileal. Os dois se prendem à parede 
posterior do abdome pelo mesentério. Nessa região se deparam com muitas vilosidades intestinais, daí 
deduz‑se que em tal localidade ocorrerá a maior quantidade de absorção dos nutrientes. As massas de tecido 
linfoide são numerosas no íleo. Portanto, há absorção de água dos detritos indigeríveis do quimo líquido, 
transformando‑o em fezes semissólidas que são transitoriamente contidas até que aconteça a defecação.
O quadro a seguir mostra algumas características peculiares ao jejuno e ao íleo.
Quadro 4 – Características distintivas entre o jejuno e o íleo no corpo vivo
Característica Jejuno Íleo
Cor Vermelho‑vivo Rosa‑claro
Calibre 2‑4 centímetros 2‑3 centímetros
Parede Espessa e pesada Fina e leve
Vascularização Maior Menor
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Gordura do mesentério Menor Maior
Pregas circulares Grandes, altas e bem próximas Baixas e esparsas, ausentes na parte distal
Tecido linfoide Poucas Muitas
Adaptado de: Moore (2007, p. 455).
6.1.2.3 Intestino grosso
O intestino grosso absorve água com tanta agilidade que, aproximadamente em 14 horas, o conteúdo 
alimentar assume a firmeza característica do bolo fecal. Mede aproximadamente 6,5 centímetros de 
diâmetro e 1,5 metro de comprimento. Se expande do íleo até o reto e está preso à parede posterior do 
abdome por meio do mesocolo.
O intestino grosso possui algumas características próprias em relação ao intestino delgado, por 
exemplo, o calibre (maior), o comprimento (menor), as tênias do colo, as saculações do colo, os sulcos 
paracólicos, as pregas semilunares e os apêndices omentais do colo.
As tênias do colo consistem no resultado de um condensamento da musculatura longitudinal 
da parede do intestino grosso em três faixas. Elas começam no ponto de implantação do apêndice 
vermiforme, no ceco, e percorrem todo o colo até a parte proximal do reto, momento em que deixam de 
existir. São três os tipos de tênias do colo: a tênia livre, a tênia omental e a tênia mesocólica.
As saculações do colo são encurvaturas ampulares separadas por sulcos transversais. Os apêndices 
omentais do colo são pequenos pêndulos de cor amarela formados por tecido conjuntivo farto em 
gordura. Surgem especialmente no colo sigmoide.
Anatomicamente, o intestino grosso é dividido em: ceco e o apêndice vermiforme, colo ascendente, 
colo transverso, colo descendente e colo sigmoide, conforme ilustra a figura a seguir.
Colo transverso
Mesentério
Colo descendente
Apêndice vermiformeCeco
Colo ascendente
Intestino delgado
Figura 275 – Vista anterior do intestino grosso
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O ceco é a primeira parte do intestino grosso, localizado inferiormente à sua junção com o íleo. 
Ele está quase completamente envolvido pelo peritônio, proporcionando‑lhe a autonomia de 
movimentação, no entanto, não apresenta mesentério. Comumente, o ceco está fixo à parede 
lateral do abdome por uma ou mais pregas cecais do peritônio. A entrada do íleo no ceco produz os 
lábios ileocólico (superior) e ileocecal (inferior) no óstio ileal, que compõem a papila ileal. As pregas 
deparam‑se lateralmente, constituindo o frênulo do óstio ileal. Assim, os dois lábios formam a válvula 
íleo‑cólico‑cecal, que impossibilita e/ou restringe o refluxo do material oriundo do intestino delgado 
(mecanismo de um esfíncter ineficiente).
Mesentério
Íleo
Apêndice vermiforme
Ceco
Colo ascendente
Figura 276 – Vista anterior dos intestinos
No fundo do ceco, encontra‑se o apêndice vermiforme, que consiste em um divertículo intestinal cego, 
que mede aproximadamente 6 a 10 centímetros de comprimento. Ele apresenta massas de tecido linfoide.
O apêndice vermiforme origina‑se na parede posteromedial do ceco, inferiormente à junção ileocecal. 
Apresenta um mesentério triangular curto, o mesoapêndice, que se alarga entre o apêndice e o ceco.
A posição do apêndice vermiforme é inconstante, contudo, em geral, é retrocecal. A melhor forma 
de encontrá‑lo é seguir uma das tênias do colo, uma vez que está fixado no ceco em um ponto de 
convergências das tênias.
O colo ascendente é a segunda parte do intestino grosso, sendo a continuação do ceco. Expande‑se 
desde a junção ileocecal até a flexura direita do colo, anteriormente ao rim direito e em contato com o 
lobo direito do fígado.
Está revestido por peritônio anteriormente e nas suas laterais, ficando, assim, praticamente imóvel. 
Está localizado posteriormente ao omento maior, portanto, é uma parte retroperitoneal. Entre o 
contorno lateral do colo ascendente e a parede abdominal, situa‑se um sulco vertical profundo coberto 
por peritônio parietal, o sulco paracólico direito.
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O colo transverso é a terceira do intestino grosso, mais longa (cerca de 45 centímetros) e com maior 
mobilidade das partes encontradas no intestino grosso. Ele cruza o abdome a partir da flexura direita 
do colo até a flexura esquerda do colo, onde se curva inferiormente para tornar‑se colo descendente. 
A flexura esquerda do colo, habitualmente mais superior, é mais aguda e com menor mobilidade do 
que a flexura do colo direita. Assim, possui relações excessivamente alteráveis.
Uma ampla prega peritoneal, o mesocolo transverso, concede ao colo transverso extraordinária 
movimentação. Sua parte superior está livre ou fundida com o omento maior.
O colo descendente passa retroperitonealmente a partir da flexura do colo esquerda para a fossa 
ilíaca esquerda, onde é sucessiva com o colo sigmoide. O sulco paracólico esquerdo localiza‑se entre o 
seu contorno lateral e a parede abdominal. Passa anteriormente à margem lateral do rim esquerdo.
O colo sigmoide é a quarta parte do intestino grosso, distinto por sua alça longa em forma de S, 
de comprimento variável (em média 40 centímetros). O colo sigmoide é conduzido ao plano sagital 
mediano, de tal forma que junta o colo descendente ao reto. A terminação das tênias do colo, 
aproximadamente a 15 centímetros do ânus, sugere a junção retossigmoide. Ele é muito móvel, em 
razão de um messosigmoide. Seus apêndices omentais são longos.
6.1.2.4 Reto e o ânus
O reto recebe esse nome por ser quase retilíneo. Ao perfurar o diafragma pélvico (músculos 
levantadores do ânus) passa a ser chamado de canal anal. A parte mais dilatada do reto, a ampola do 
reto, é prontamente superior ao diafragma pélvico.
As principais relações do reto são:
• anterior, no sexo feminino (alças intestinais, útero e vagina);
• anterior, no sexo masculino (alças intestinais, bexiga urinária, glândulas seminais, próstata, 
ureteres e ductos deferentes);
• posterior, ambos os sexos (artérias glúteas: superior e inferior, plexo sacral, músculos: piriforme 
e coccígeo);
• laterais, ambos os sexos (tecido adiposo).
 Observação
Na região do reto, o peritônio compõe as escavações retovesical, no 
sexo masculino; e retouterina ou fundo de saco de Douglas, no feminino.
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O canal anal se expande do diafragma pélvico até o ânus (limite real: linha pectínea, internamente) 
e possui pregas cutâneas. A mucosa na parte superior é idêntica à do reto, enquanto na parte inferior 
é revestido por pele, pois elas têm origens embriológicas distintas. Na junção desses dois tipos de 
revestimento vê‑se a base de cinco a dez pregas verticais da mucosa, as colunas anais ou de Morgagni, 
que abrange ramos terminais dos vasos retais superiores. As extremidades inferiores das colunas 
agrupam‑se por uma prega da mucosa em formato de pente, chamadas de válvulas anais.
Entre as bases das colunas ligadas pelas válvulas estão pequenas bolsas, os chamados seios anais, nos 
quais se ascendem os ductos de glândulas rudimentares, que liberam um muco que auxilia na defecação.
O limite inferior das válvulas, idênticos a um pente, forma a linha pectínea, que sugere a junção da 
parte superior com a parte inferior do canal anal.
Embora bastante curto, cerca de 3 centímetros de comprimento, é relevante por ter algumas 
formações eficazes para o funcionamento intestinal, das quais mencionam‑se os esfíncteres anais.
O esfíncter anal interno é o mais profundo e deriva de um adensamento de fibras musculares lisas 
circulares, sendo, por conseguinte, involuntário. O esfíncter anal externo é formado por fibras musculares 
estriadas que se dispõem circularmente em torno do esfíncter anal interno, sendo esse voluntário. 
Apresenta duas partes: a subcutânea, superficial e a profunda, todavia elas são indistinguíveis. A alça do 
músculo puborretal também desempenha alguma atividade esfinctérica sobre o canal anal. Ambos os 
esfíncteres devem relaxar antes que a evacuação possa acontecer.
A figura a seguir mostra as imagens do reto e ânus.
Colunas anais
Seio anal
Válvulas anais
Músculo esfíncter 
interno do ânus
Músculo esfíncter 
externo do ânus
Figura 277 – Reto e ânus
Os principais papéis do intestino grosso são:
• absorção de água e de determinados eletrólitos;
• produção de certas vitaminas pelas bactérias intestinais;
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• armazenamento provisório dos detritos (fezes);
• eliminação de detritos do corpo.
6.1.2.5 Fígado
O fígado é a maior glândula do corpo humano e também a mais vultosa víscera abdominal. Está 
localizado na região superior do abdome, logo abaixo do diafragma, sendo que a maior parte ocupa o 
hipocôndrio direito e o epigástrio. Pesa aproximadamente 1,5 quilo e responde por aproximadamente 
2,5% da massa corporal do adulto. É uma víscera friável (por ter pouco tecido conjuntivo) e regenerativa. 
Um terço do fígado é autossuficiente para manter o papel hepático normal, portanto, ele tem elevada 
margem de confiabilidade.
Todos os nutrientes, com exceção aos lipídeos absorvidos pelo canal alimentar, são primeiramente 
conduzidos para o fígado pelo sistema porta‑hepático.
O fígado armazena o glicogênio e secreta a bile ininterruptamente, que é armazenada na vesícula 
biliar. Portanto, as vias bilíferas extra‑hepáticas são compostas pelos ductos hepáticos, pela vesícula 
biliar, pelo ducto cístico e pelo ducto colédoco.
O fígado possui duas faces: a diafragmática e a visceral, separadas pela margem inferior do 
fígado, conforme ilustra a figura a seguir. A face diafragmática é convexa e lisa, relacionando‑se 
com a cúpula diafragmática.
O fígado é dividido em lobos. A face diafragmática contém um lobo direito do fígado e um lobo 
esquerdo do fígado, sendo o direito pelo menos duas vezes maior que o esquerdo. A divisão dos lobos é 
organizada pelo ligamento falciforme do fígado. Na margem livre desse ligamento há um cordão fibroso 
resquício da obliteração da veia umbilical, chamado de ligamento redondo do fígado.
Lobo esquerdo do fígado
Estômago
Ligamento redondo do fígado
Lobo direito do fígado
Diafragma
Figura 278 – Vista anterior do fígado
Os lobos hepáticos estão unidos superiormente ao diafragma pelos ligamentos coronário e 
triangulares, direito e esquerdo. Os dois últimos são compostos lateralmente pela fusão das duas 
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lâminas do ligamento coronário. A área entre as reflexões das lâminas anterior e posterior do ligamento 
coronário é chamada de área nua do fígado, deposta de peritônio.
A face visceral é desigualmente côncava pela vista de impressões viscerais, conforme ilustra a figura 
a seguir. Ela é subdividida em quatro lobos: o lobo direito, lobo esquerdo, lobo quadrado e o lobo 
caudado pela presença de depressões em sua área central, que no conjunto formam um H, chamado de 
hilo do fígado. Entre o lobo quadrado e o lobo direito do fígado há uma depressão, chamada de fossa da 
vesícula biliar, que aloja a vesícula biliar.
Veia cava inferior
Lobo direito do fígado
Vesícula biliar
Lobo hepático quadrado
Lobo esquerdo do fígado
Lobo hepático caudado
Figura 279 – Vista visceral do fígado
Pelo hilo do fígado adentram ou saem estruturas anatômicas vasculares, como, por exemplo, a veia 
porta, a artéria própria do fígado e os vasos linfáticos; estruturas anatômicas nervosas, como o plexo 
nervoso do fígado e os ductos hepáticos.
 Observação
Entre a lobo caudado e o lobo direito do fígado há um sulco que aloja 
a veia cava inferior. De tal forma, recomenda‑se que a aferição da pressão 
arterial em gestantes, especialmente no último trimestre, seja realizada em 
decúbito lateral esquerdo.
As principais relações anatômicas do fígado são:
• Face visceral dofígado em contato com diversos órgãos:
— Lobo esquerdo do fígado: parte abdominal do esôfago, estômago e omento menor.
— Lobo quadrado: parte superior do duodeno.
— Lobo direito do fígado: rim direito e a flexura do colo direita.
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• Relações peritoneais com o omento menor por meio dos:
— Ligamentos: hapatoduodenal e o ligamento hepatogástrico.
As principais funções do fígado são:
• Secreção da bile que ajuda na digestão e absorção dos lipídios; por conseguinte, a bile quebra 
moléculas de gordura.
• Produção de proteínas.
• Metabolismo intermediário dos carboidratos, lipídios e proteínas.
• Desintoxicação de fármacos e hormônios, por exemplo.
• Armazenagem de micronutrientes como ferro, cobre e vitaminas.
• Ativação da vitamina D.
• Hematocitopoiese em fetos.
6.1.2.6 Vesícula biliar
O papel digestivo do fígado é produzir a bile que atuará no duodeno. Entretanto, a bile 
é armazenada na vesícula biliar, que a concentra por meio da absorção de água e sais minerais. 
A vesícula biliar secreta a bile quando os lipídios adentram no duodeno, pois os lipídios incentivam o 
duodeno a liberar a enzima colecistoquinina, a qual incita a contração da vesícula biliar.
A vesícula biliar possui aproximadamente 7 a 10 centímetros de comprimento. Sua relação com 
o duodeno é tão forte que a parte superior do duodeno comumente é marcada por bile no cadáver. 
Anatomicamente, a vesícula biliar é dividida em três partes: fundo, corpo e colo. Ela apresenta a 
capacidade para até 50 mililitros de bile.
6.1.2.7 Ductos extra‑hepáticos
Os ductos extra‑hepáticos levam a bile do fígado para o duodeno. O ducto cístico, com 
aproximadamente 4 centímetros de comprimento, liga a vesícula biliar ao ducto hepático comum, 
constituindo o ducto colédoco, com aproximadamente 5 a 15 centímetros, que transporta a bile 
para o duodeno.
O ducto colédoco encontra e se junta ao ducto pancreático principal para constituir a ampola 
hepatopancreática ou de Vater. A extremidade distal dessa ampola ascende‑se na parte descendente do 
duodeno por meio da papila maior do duodeno.
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6.1.2.8 Pâncreas
O pâncreas produz por meio de uma secreção exócrina o suco pancreático que adentra no duodeno 
por meio dos ductos pancreáticos principal e acessório. Em média, o pâncreas forma diariamente 1200 a 
1500 mililitros deste suco. A secreção endócrina produz o glucagon e a insulina. Esses hormônios chegam 
à corrente sanguínea e atingem determinados tecidos‑alvo. O comprimento do pâncreas varia de 12 a 
15 centímetros e o seu peso na mulher é de 15 gramas, já no homem é de 16 gramas. Anatomicamente, 
é dividido em três partes: cabeça, corpo e cauda.
 Lembrete
O pâncreas é uma glândula mista, pois é exócrina e endócrina.
Os principais papéis do pâncreas são:
• Dissolver carboidrato por meio da enzima amilase pancreática.
• Dissolver proteínas por meio das enzimas tripsina, quimotripsina, carboxipeptidase e elastase.
• Dissolver triglicerídeos nos adultos por meio da enzima lipase pancreática.
• Dissolver ácidos nucleicos por meio das enzimas ribonuclease e desoxirribonuclease.
6.1.2.9 Baço
O baço, embora seja um órgão linfoide, é descrito com o sistema digestório por algumas razões:
• Se desenvolve no mesogástrico dorsal.
• Seu sangue venoso é drenado para a veia porta.
• É um órgão visceral abdominal, topograficamente relacionado com diversos órgãos digestórios.
Baço
Pâncreas
Figura 280 – Pâncreas e baço
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ANATOMIA HUMANA
O baço não é palpável pelo exame físico e está localizado na região do hipocôndrio esquerdo, entre 
o fundo do estômago e o diafragma, onde recebe a proteção das costelas falsas propriamente ditas 
(9º e 10º pares) e da costela flutuante (11º par). Ele é macio, de consistência muito friável, altamente 
vascularizado e de uma coloração púrpura escura. O tamanho e peso do baço alteram muito, no adulto 
possui aproximadamente 12 centímetros de comprimento, 7 centímetros de largura e 3 centímetros de 
espessura. Pesa cerca de 150 gramas.
6.1.2.10 Peritônio
O peritônio é uma dupla membrana serosa e transparente (parietal e visceral). A cavidade peritoneal 
é um espaço virtual com espessura capilar, localizado entre as duas membranas do peritônio.
Os mesos são pregas de peritônio que ligam o órgão à parede abdominal. Já os omentos são pregas 
de peritônio que ligam os órgãos a outros órgãos.
6.2 Sistema endócrino
Ao entrar na puberdade, meninos e meninas começam a desenvolver diferenças evidentes no 
aspecto físico e na conduta. Talvez em nenhuma outra etapa da vida seja tão clara o impacto do sistema 
endócrino na condução do desenvolvimento e regulação dos papéis corporais.
Nas meninas, os estrogênios provocam o acúmulo de tecido adiposo nas mamas e nos quadris, 
modelando a forma feminina. Do mesmo modo ou um pouco depois, níveis cada vez mais altos 
de testosterona nos meninos começam a produzir massa muscular e a aumentar as pregas vocais, 
resultando em uma voz mais grave. Essas modificações são apenas alguns exemplos da forte relevância 
das secreções endócrinas.
De maneira menos drástica, inúmeros hormônios auxiliam a manter a homeostasia 
diariamente. Eles ajustam a atividade dos músculos lisos, do músculo estriado cardíaco e de 
algumas glândulas; modificam o metabolismo; estimulam o crescimento e o desenvolvimento; 
influenciam os processos reprodutivos e participam dos ritmos circadianos estabelecidos pelo 
núcleo supraquiasmático do hipotálamo.
O sistema endócrino é formado pelas glândulas endócrinas ou glândulas sem ducto. 
Uma glândula é um grupo organizado de células que funciona como um órgão secretando 
substâncias químicas. Cada hormônio liberado por uma glândula é direcionado especificamente 
a um receptor em um tipo específico de célula ou grupo de tipos de células. Desse modo, o termo 
receptor‑alvo está relacionado com um conjunto específico de destinos celulares do hormônio 
para o sinal enviado pela glândula. Um hormônio pode afetar muitas células diferentes, porém, 
apenas aquelas que apresentam seu receptor.
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 Lembrete
Os hormônios são substâncias químicas secretadas pelas glândulas 
endócrinas, consideradas moléculas endógenas responsáveis pela 
comunicação celular ou extracelular. Eles viajam a partir de sua fonte 
secretora pela corrente sanguínea a locais específicos chamados tecidos‑alvo, 
ou efetores, onde produzem uma resposta coordenada desses tecidos.
As glândulas endócrinas não devem ser confundidas com glândulas exócrinas. As glândulas 
exócrinas apresentam ductos que transportam suas secreções para o lado de fora do corpo, ou para 
um órgão vazio como o estômago e os intestinos. São exemplos de secreções exócrinas: a saliva, o 
suor, o leite materno e as enzimas digestivas.
As glândulas endócrinas são as que não apresentam ducto secretor e que liberam os produtos por elas 
sintetizados diretamente no sangue. Embora existam diversos hormônios secretados por um ou outro 
tipo celular, neste livro serão abordadas apenas as principais estruturas classificadas como glândulas 
endócrinas, conforme o quadro a seguir: 
Quadro 5 
Glândula pineal
Órgão subcomissural
Glândula hipófise
Glândula hipófise faríngea
Glândula tireoide
Glândulas paratireoides
Timo
Coração 
Glândulas suprarrenais
Placenta
Pâncreas (ilhotas pancreáticas)
Gônadas (ovários e testículos)
Estômago
Intestino
Rim
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Glândula pineal
Glândula hipófise
Glândula tireoide
Timo
PâncreasSuprarrenal
Ovário
Testículo
Figura 281 – Principais glândulas endócrinasdo corpo
O coração, o estômago, o intestino delgado, o pâncreas, os rins e as gônadas (os ovários e os testículos) 
serão tratados depois, conforme sua morfologia. A classificação topográfica das glândulas endócrinas é 
a que se segue no quadro a seguir:
Quadro 6 
Cefálicas Glândula pineal, órgão subcomissural, hipófise
Cervicais Hipófise laríngea, glândula tireoide, glândulas paratireoides
Cervicotorácica Timo
Torácica Coração
Abdominais Glândulas suprarrenais, pâncreas (ilhotas pancreáticas), estômago, intestino delgado, rim
Abdominopélvica Placenta
Pélvicas Ovários
Escrotais Testículos
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6.2.1 Glândulas cefálicas
6.2.1.1 Glândula pineal
A glândula pineal era antes chamada canarium, epífise cerebral, ou corpo pineal. Está localizada na 
parte superior do III ventrículo do encéfalo na linha mediana. É parte do epitálamo, está posicionada 
entre os dois colículos superiores, apresenta massa de 0,1 a 0,2 grama e está coberta por uma cápsula 
formada pela pia‑máter. A glândula é composta de massas de neuróglia e células secretoras chamadas 
de pinealócitos. Nos seres humanos não são completamente compreendidas, porém, parecem estar 
relacionadas à modulação do ciclo sono‑vigília e outros ritmos biológicos.
 Saiba mais
Para saber mais sobre a glândula pineal:
PACHECO, M. B. et al. Propriedades da melatonina como fator de 
neuroproteção em doenças neurodegenerativas. In: XIII SAFETY, HEALTH 
AND ENVIRONMENT WORLD CONGRESS. 13, 2013, Porto. Anais... Santos: 
Copec, 2013. Disponível em: <http://copec.eu/congresses/shewc2013/proc/
works/19.pdf>. Acesso em: 22 maio 2019.
A glândula pineal secreta hormônios que agem sobre o hipotálamo e as gônadas para inibir funções 
reprodutivas, inibindo a secreção de certos hormônios da reprodução. Duas substâncias têm sido 
propostas como produtos da secreção: melatonina e arginina vasotocina.
A melatonina da glândula pineal também está fortemente ligada à ciclagem claro‑escuro: a 
melatonina é, por vezes, chamada de hormônio do escuro, pois sua secreção aumenta à noite. O núcleo 
supraquiasmático tem receptores de melatonina, apoiando a hipótese de que a melatonina pode 
modular a ciclagem do relógio.
A arginina vasotocina, cujo tecido‑alvo é possivelmente o hipotálamo, provavelmente atua na 
inibição da secreção do hormônio liberador de gonadotrofinas.
 Saiba mais
Para saber mais sobre a regulação da secreção de melatonina pela 
glândula pineal:
VANPUTTE, C. L. et al. Anatomia e fisiologia de Seeley. 10. ed. Porto 
Alegre: AMGH, 2016.
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ANATOMIA HUMANA
6.2.1.2 Órgão subcomissural
O órgão ou glândula subcomissural é assim chamado porque está situado abaixo da comissura 
posterior do cérebro. Ele é um dos órgãos circunventriculares, para os quais falta a barreira hemo‑cerebral 
e, assim, pode servir para a interação neuroendócrina. O órgão subcomissural interfere na homeostase 
hídrica e no equilíbrio salino, tendo sido regulador da sede.
6.2.1.3 Hipófise
A hipófise é uma glândula intracranial, relativamente pequena, cujo tamanho aproximado é de uma 
ervilha grande, situada na sela túrcica do osso esfenoide. Ela está ligada ao hipotálamo por meio de 
uma haste, o infundíbulo, que atravessa uma pequena abertura no diafragma da sela, uma lâmina da 
dura‑máter que forma o teto da sela túrcica. Ela é revestida pela dura‑máter, mas não pela aracnoide 
ou pia‑máter.
A hipófise está dividida em adeno‑hipófise (lobo anterior) e neuro‑hipófise (lobo posterior). 
A neuro‑hipófise está ligada diretamente ao hipotálamo por meio do infundíbulo. No caso da hipófise anterior, 
a liberação hormonal é regulada, especialmente, por agentes químicos, nesse caso, hormônios ou fatores 
liberadores que apresentam origem em neurônios situados no hipotálamo. Esses hormônios liberadores 
estimulam ou inibem a liberação de hormônios específicos da hipófise anterior. A hipófise posterior recebe 
seus hormônios de neurônios especiais originados no hipotálamo.
Os hormônios da hipófise anterior são: hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), hormônio 
folículo‑estimulante (FSH), hormônio luteinizante (LH), hormônio estimulante de melanócitos (MSH), 
hormônio estimulador da tireoide (TSH), hormônio do crescimento (GH) e prolactina. Ainda que a 
prolactina estimule diretamente a mama para produzir leite, a maioria dos hormônios secretados pela 
hipófise anterior controla a liberação de outros hormônios. O TSH controla a velocidade de formação 
dos hormônios tireoidianos e a secreção de cortisol no córtex suprarrenal; o LH estimula a produção 
de testosterona nos testículos e de estrogênio nos ovários; e o GH estimula a liberação de fatores de 
crescimento semelhantes à insulina (IGF) pelo fígado e por outros tecidos. Todavia, os IGF podem ser 
produzidos por vários outros meios. Com efeito, o IGF‑1 sintetizado no músculo em decorrência da 
contração muscular está associado à hipertrofia muscular. É sabido que o GH desempenha papéis 
relevantes no metabolismo das proteínas, gorduras e carboidratos.
A hipófise posterior propicia um local de armazenamento para dois hormônios, a ocitocina e o 
hormônio antidiurético (ADH, também chamado vasopressina), que são produzidos no hipotálamo, ao 
qual está conectada a hipófise posterior. A ocitocina é um estimulante poderoso da musculatura lisa, 
principalmente no momento do parto, estando também relacionada na resposta da descida do leite, 
fenômeno imprescindível para a liberação do leite da mama.
[...] durante muitos anos, o tratamento clínico para o nanismo hipofisário 
consistia na administração do hormônio do crescimento humano (hGH), 
hormônio secretado pela glândula hipófise anterior. Antes de 1985, 
esse hormônio era obtido a partir de extratos da hipófise de cadáveres, 
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e seus estoques eram limitados. Desde a introdução do hGH obtido por 
engenharia genética, em meados dos anos 1980, sua disponibilidade não é 
mais um problema, embora seu custo ainda seja alto. Na década de 1980, 
percebendo as variadas funções desse hormônio, os atletas começaram 
a experimentar o hGH como um possível substituto ou complemento ao 
uso de esteroides anabólicos. Na época, diante da maior sofisticação dos 
testes farmacológicos para a detecção de esteroides anabólicos, os atletas 
procuravam uma alternativa para a qual ainda não houvesse teste. O 
hormônio do crescimento parecia, então, a droga perfeita para atletas que 
desejavam aumentar a força e a massa muscular (KENNEY, 2013, p. 40).
As tabelas a seguir resumem os principais papéis dos hormônios produzidos pela hipófise:
Quadro 7 – Hormônios da adeno‑hipófise
Glândula endócrina Hormônio Órgão‑alvo Principais papéis
Hipófise anterior GH
Todas as células 
do corpo
Facilita o desenvolvimento e o crescimento de 
todos os tecidos do corpo até a maturação; 
eleva a velocidade da síntese proteica; eleva 
a mobilização de lipídeos bem como a sua 
utilização como fonte de energia; reduz a 
velocidade de uso dos carboidratos
Hipófise anterior TSH Tireoide Controla a quantidade de tiroxina e T3 produzidas e liberadas pela tireoide
Hipófise anterior ACTH Córtex suprarrenal Controla a secreção de hormônios do córtex suprarrenal
Hipófise anterior Prolactina Mamas Estimula a produção de leite pelas mamas
Hipófise anterior FSH Ovários, testículos
Inicia o crescimento de folículos nos ovários 
e promove a secreção de estrogênio pelos 
ovários; promove o desenvolvimento dos 
espermatozoides nos testículos
Hipófise anterior LH Ovários, testículos
Promove a secreção de estrogênio e 
progesterona e faz que haja ruptura do folículo, 
com liberação do ovócito; faz que os testículos 
secretem testosterona
Quadro 8 – Hormônios da neuro‑hipófise
Glândula endócrina Hormônio Órgão‑alvo Principaispapéis
Hipófise posterior ADH ou vasopressina Rins
Auxilia no controle da excreção de água 
pelos rins; eleva a pressão arterial, ao 
promover constrição dos vasos de sangue
Hipófise posterior Ocitocina Útero, mamas Controla a contração do útero; secreção do leite
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 Saiba mais
Para saber mais sobre o hGH, o hormônio do crescimento humano:
KENNEY, W. L. Fisiologia do esporte e do exercício. 5. ed. Barueri: Manole, 
2013, p. 410‑411.
6.2.2 Glândulas cervicais
6.2.2.1 Glândula hipófise faríngea
A glândula hipófise faríngea é representada por uma pequena estrutura mediana localizada no 
teto da parte nasal da faringe. Essa estrutura anatômica é uma coletânea de tecido glandular da 
adeno‑hipófise residual, no mucoperióstio.
Após 28 semanas de vida intrauterina, a glândula hipófise faríngea é bem vascularizada, irrigada 
por vasos de circulação sistêmica da parede posterior da parte nasal da faringe e apta a secretar. 
Ela poderia ser uma reserva de tecido adenohipofisário, capaz de ser estimulado, especialmente no 
sexo feminino, cujo intuito é sintetizar e secretar hormônios. Essa capacidade poderia ser aproveitada 
quando a adeno‑hipófise começa a reduzir a quantidade de secreção.
6.2.2.2 Glândula tireoide
A glândula tireoide é uma estrutura anatômica com formato de U, ímpar, quase simétrica, que se 
localiza em ambos os lados da laringe e da traqueia. Ela consiste em dois lobos, unidos por um istmo que 
cruza o segundo, terceiro e quarto anéis traqueais, conforme ilustra a figura a seguir.
Lobo direito
Istmo
Lobo esquerdo
Figura 282 – Vista anterior da glândula tireoide
Ela evolui com a idade, sendo relativamente maior na criança. Na mulher, aumenta durante as 
menstruações e a gestação. O istmo às vezes pode estar ausente ou ser muito pequeno ou, ainda, 
hipertrofiar‑se em um verdadeiro lobo médio.
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A glândula tireoide mantém as seguintes relações anatômicas:
• Anteriormente: pele, fáscia de revestimento, músculos esternocleidomastóideo, esterno hióideo, 
esterno tireóideo e omo‑hióideo com as suas fáscias e a fáscia pré‑traqueal.
• Póstero‑medialmente: laringe, traqueia, esôfago, nervo laríngeo recorrente e glândulas 
paratireoides.
• Póstero‑lateralmente: bainha da carótida, seu conteúdo e a cadeia simpática.
[...] a glândula tireoide, muito vascularizada, é irrigada pelas artérias tireoides 
superior, inferior e ima. As veias da tireoide compõem um plexo na superfície 
da glândula e na frente da traqueia. A drenagem venosa é realizada pelas 
veias tireoides superior, média e inferior que se originam dos plexos venosos, 
as duas primeiras são afluentes da veia jugular interna, enquanto a veia 
tireoide inferior acaba na veia braquiocefálica esquerda
[...]
os vasos linfáticos deparam‑se no tecido conjuntivo interlobular, afluem 
para uma rede capsular e os vasos coletores resultantes desembocam nos 
linfonodos paratraqueais (em ambos os lados da traqueia) que drenam a 
glândula tireoide. Os linfonodos cervicais profundos estão localizados 
inferiormente ao músculo omo‑hióideo e ao longo da veia jugular interna. 
Os vasos eferentes terminam nos ductos torácico e linfático direito
[...]
a glândula tireoide é inervada por ramos dos gânglios cervicais superior, 
médio e inferior da cadeia simpática, como também por ramos do nervo 
vago, cuja função é vasomotora (DI DIO, 1998, p. 593‑594).
A glândula tireoide produz dois hormônios: a tiroxina, também chamada de tetraiodotironina 
(T4) e a triiodotironina (T3). O T3 e T4 juntos também são chamados de hormônios da tireoide. Outro 
hormônio produzido pela glândula tireoide é a calcitonina. O papel primordial do hormônio tireoidiano 
(T3 produzida a partir da T4) é elevar o consumo de oxigênio e a produção de calor nas células (termogênese). 
A calcitonina reduz o nível sanguíneo de cálcio por meio da inibição da ação dos osteoclastos, células 
que degradam a matriz celular óssea.
6.2.2.3 Glândulas paratireoides
As glândulas paratireoides são dois pares de pequenas estruturas castanho‑camurça, ovoides, 
com 5 milímetros de comprimento por 3 milímetros de largura e 2 milímetros de espessura, pesando 
50 microgramas. Elas se encontram nas margens laterais da face profunda dos lobos da glândula tireoide 
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ANATOMIA HUMANA
e de sua cápsula. É difícil a sua visualização em cadáver, pois podem se localizar em qualquer lugar 
desde a faringe até o mediastino superior.
As artérias são volumosas se comparadas às pequenas dimensões dessas glândulas. Cada uma 
delas recebe o ramo arterial próprio: oriundos das artérias tireoides superior e inferior. As veias 
são afluentes das veias tireoides correspondentes e os vasos linfáticos as acompanham. Os nervos 
acompanham as artérias.
Microscopicamente, as glândulas paratireoides abrangem dois tipos de células epiteliais. As células 
mais numerosas, chamadas de células principais, produzem o paratormônio (PTH). A função do outro 
tipo de célula, chamado de célula oxifílica, não é conhecida na glândula paratireoide normal. Contudo, 
sua presença auxilia a identificar com nitidez a glândula paratireoide do ponto de vista histológico em 
virtude de suas características exclusivas de coloração. Além disso, no câncer de glândulas paratireoides 
as células oxifílicas secretam PTH em excesso.
Uma das ações do PTH é ativar a enzima 1‑α‑hidroxilase nos rins. Dessa maneira, é produzido mais 
calcitriol e, assim, eleva a absorção intestinal de cálcio e fósforo. O PTH também age no osso, ampliando 
muito a atividade dos osteoclastos. Com isso, o cálcio e o fósforo caem na corrente sanguínea.
6.2.3 Glândula cervicotorácica
6.2.3.1 Timo
O timo é um órgão cervicotorácico, ímpar, mediano, localizado no pescoço e superiormente ao coração 
no mediastino superior, encontra‑se bem desenvolvido até a adolescência. Nos recém‑nascidos, pesa 
cerca de 13 gramas e possui dimensões aproximadas de 5 centímetros de comprimento, 3 centímetros 
de largura e 1 centímetro de espessura. No período dos 11 aos 15 anos de idade, seu peso alcança o valor 
absoluto máximo de 35 gramas. Entretanto, a partir da adolescência o timo começa a regredir para ser 
representado, no adulto, por vestígios fibroadiposos.
Seu formato alongado de cima para baixo e achatado em sentido anteroposterior descreve‑se como: 
um corpo, que representa a maior parte do órgão, com dois lobos, direito e esquerdo, unidos, entre os 
quais existe um plano conjuntivo de obliquidade posterolateral esquerda; uma extremidade superior, 
com dois cornos que ascendem até as proximidades da face anterior dos polos inferiores da glândula 
tireoide, sendo recoberta pelas fáscias cervicais superficial e profunda e os músculos esterno hióideo 
e esterno tireóideo; uma extremidade inferior, ou base, bastante grande e às vezes bífidas, que está 
relacionada posteriormente com a traqueia, o pericárdio fibroso e os grandes vasos da base do coração, 
entre as lâminas mediastinais anteriores da pleura. Corresponde anteriormente ao manúbrio e à parte 
superior do corpo do esterno.
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Figura 283 – Timo, face anterior in situ
A irrigação do timo é realizada por meios dos ramos tímicos das artérias tireoides inferiores, torácicas 
internas e intercostais anteriores, enquanto a drenagem venosa é efetuada por veias tímicas, afluentes 
das veias braquiocefálica esquerda, torácica interna e tireoide inferior. A drenagem linfática é feita 
para os capilares trabeculares que conduzem para os vasos coletores. Esses acabam nos linfonodos 
mediastinais anteriores, esternais e peritraqueais.
A inervação é realizada por fibras amielínicas que compõem os plexosperitrabeculares e perivascular. 
O timo recebe ramos do X par de nervos cranianos, o nervo vago, de nervos cardíacos e da alça cervical.
Os papéis do timo são complexos, assim como os dos linfócitos T, cuja formação depende desse 
órgão. Também age sobre o funcionamento neuromuscular e, por isso, a timectomia pode melhorar 
a miastenia. Sabe‑se que o timo secreta hormônios chamados timosina e timopoietina. Tanto o 
timo como a timosina possuem papel relevante no desenvolvimento e maturação do sistema imune. 
Ele possui grande importância na infância e é sede de produção de linfócitos T, cuja maturação é regulada 
pelos hormônios produzidos pelas células epiteliais tímicas.
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6.2.4 Glândula abdominal
6.2.4.1 Glândulas suprarrenais
As glândulas suprarrenais, antes chamadas de glândulas adrenais, são um par de corpos marrom‑amarelados 
relativamente pequenos, retroperitoneais e que se localizam na extremidade superior de cada rim. A glândula 
suprarrenal direita tem formato triangular, sendo achatada no sentido anteroposterior; enquanto a suprarrenal 
esquerda é mais espessa, cujo formato é semilunar. Ambas possuem uma superfície côncava aplicada ao rim. 
Cada glândula suprarrenal mede, aproximadamente, 30 milímetros de altura, 25 milímetros de largura e 
7 a 8 milímetros de espessura. Seu peso varia de 12 gramas no estado normal.
A irrigação desses órgãos se dá por três grupos de artérias principais, chamadas de artérias 
suprarrenais: superiores, médias e inferiores, além dessas, são irrigadas por artérias acessórias. As veias 
originam‑se dos vasos corticais e dos seios corticomedulares. Há linfáticos superficiais e profundos, 
entretanto, todos convergem para a margem medial da glândula para dirigirem‑se aos linfonodos do 
pedículo renal, ou da região aorto‑cava (à direita), justa‑aórtica (à esquerda) ou até mediastinais.
As glândulas suprarrenais são vastamente inervadas por filetes finos e muito numerosos, cuja origem 
é dupla, por meio dos ramos oriundos do nervo esplânico maior e dos ramos oriundos do plexo celíaco.
Morfofuncionalmente, cada glândula suprarrenal está dividida em duas partes distintas: um 
córtex externo, correspondente a 10% e uma medula interna, correspondente a 90%. O córtex secreta 
hormônios esteroides derivados do colesterol, por exemplo, o cortisol, a córtico‑esterona e a aldosterona. 
O cortisol e a córtico‑esterona regulam o metabolismo dos glicídios. A córtico‑esterona é ativa na 
resposta inflamatória, na reação imunitária e no crescimento do corpo. A aldosterona regula o equilíbrio 
eletrolítico e hídrico do corpo. A medula secreta as catecolaminas, norepinefrina e epinefrina.
6.2.5 Glândula abdominopélvica
6.2.5.1 Placenta
Embora os hormônios ováricos e hipofisários sejam relevantes na manutenção da gestação, deve ser 
observado que, nos seres humanos, a placenta libera também hormônios que ajudam nessa importante 
missão, como a gonadotrofina coriônica humana, o estrogênio e a progesterona.
 Resumo
Vimos que o sistema cardiovascular transporta O2 e glicose para as 
células e CO2 e outros resíduos para fora das células, assim como conduz 
hormônios e auxilia na manutenção da temperatura corporal. Os elementos 
do sistema cardiovascular são o coração, os vasos de sangue e o sistema 
linfático. O coração está contido no interior do pericárdio. A microanatomia 
do coração consiste no epicárdio, miocárdio e endocárdio.
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No átrio direito chega sangue oriundo do corpo pelas veias cavas 
superior e inferior, e o ventrículo direito expulsa o sangue por meio do 
tronco pulmonar para as artérias pulmonares até os pulmões. No átrio 
esquerdo chega sangue oriundo dos pulmões pelas veias pulmonares, e o 
ventrículo esquerdo envia o sangue pela parte ascendente da aorta para as 
células do corpo.
O coração contém um conjunto de válvulas que formam as valvas 
atrioventriculares (direita e esquerda) e as valvas semilunares (do tronco 
pulmonar e da aorta). Os átrios direito e esquerdo são separados pelo septo 
interatrial e os ventrículos direito e esquerdo pelo septo interventricular. 
Os átrios têm dois apêndices: as aurículas direita e esquerda. Internamente, 
o átrio direito possui relevos musculares, chamados músculos pectíneos 
e a fossa oval.
O ventrículo direito apresenta três músculos papilares, que possuem 
em suas extremidades as cordas tendíneas. Essas, por sua vez, inserem‑se 
nas cúspides. Já o ventrículo esquerdo possui dois músculos papilares. 
O ventrículo esquerdo apresenta o miocárdio mais espesso do que o 
ventrículo direito, pois participa da circulação sistêmica.
Os tipos de circulação de sangue são: a sistêmica, a pulmonar, a cardíaca, 
a fetal, a portal e a colateral.
As artérias e as veias possuem três camadas ou túnicas: a externa, a 
média e a interna. Elas saem do coração e as veias chegam ao coração. 
As veias apresentam válvulas que direcionam o sangue para o coração 
quando são pressionadas pelas bombas dos músculos estriados esqueléticos. 
As artérias são classificadas em artérias de grande calibre, ou elásticas, de 
médio calibre, ou musculares, e artérias de pequeno calibre, ou arteríolas. 
Os capilares são formados apenas por células endoteliais.
Os capilares linfáticos drenam o líquido intersticial, que é constituído 
a partir do plasma sanguíneo. Quando esse líquido adentra nos capilares 
linfáticos, ele é chamado de linfa, que retorna ao sistema venoso através 
de dois ductos linfáticos maiores: o ducto torácico e ducto linfático direito. 
Compõem ainda o sistema linfático as tonsilas, o timo e o baço.
O conjunto de órgãos envolvidos na respiração forma o sistema 
respiratório. Esses órgãos são: o nariz, a faringe, a laringe, a traqueia, os 
brônquios, que correspondem às vias aéreas superiores, e os pulmões. 
O nariz é sustentado pelos ossos nasais e por cartilagens. Suas principais 
funções são: aquecer, umedecer, limpar o ar inspirado e o olfato. Os seios 
paranasais encontram‑se nos ossos chamados de pneumáticos, como a 
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ANATOMIA HUMANA
maxila, o etmoide, o esfenoide e o frontal. A faringe se comunica com sete 
cavidades: nasais, oral, timpânica, esôfago, laringe. Apresenta três partes: a 
parte nasal, a oral e a laríngea da faringe.
A laringe possui cartilagens ímpares e pares que mantêm a passagem 
para a traqueia aberta durante a respiração e fecham a passagem respiratória 
durante o ato de engolir. A traqueia é um órgão tubular formada por anéis 
incompletos cartilagíneos. Os brônquios são divididos em principais, ou 
primários, lobares, ou secundários, segmentares ou terciários. O brônquio 
principal direito é mais curto, largo e verticalizado do que o brônquio principal 
esquerdo. O pulmão direito é subdividido por duas fissuras, apresentando três 
lobos: o superior, o médio e o inferior. O pulmão esquerdo é subdividido em 
uma única fissura, possuindo dois lobos: o superior e o inferior. Os pulmões 
são envolvidos pela pleura visceral e a cavidade torácica, recoberta pela 
pleura parietal. O espaço entre essas duas membranas pleurais é chamado 
cavidade pleural e contém o líquido pleural.
O sistema digestório consiste em um canal alimentar e órgãos 
digestórios anexos. A boca á a primeira parte do canal alimentar, a 
cavidade oral é composta de bochechas, lábios, palato duro e palato 
mole. O palato duro e o palato mole formam o teto da cavidade oral. 
A língua e os dentes estão contidos na cavidade oral. A língua ajuda 
no processamento mecânico e na movimentação do alimento, sendo 
responsável também pela análise sensitiva do alimento. O dorso e o corpo 
da língua são recobertos com papilas.
Existem quatro tipos de dentes, cada um com papéis específicos, sendo 
eles os incisivos, os caninos,os pré‑molares e os molares. As glândulas da 
boca são divididas em glândulas salivares maiores, por exemplo, as glândulas 
parótidas, as glândulas submandibulares e as glândulas sublinguais; e 
glândulas salivares menores, como as glândulas labiais.
A faringe é uma estrutura anatômica que pertence aos sistemas 
respiratório e digestório. O esôfago é um tubo muscular oco que conduz 
alimentos sólidos e líquidos para o estômago. A deglutição acontece em 
três fases e envolve estruturas da cavidade oral, da faringe e do esôfago. 
O estômago consiste em: cárdia, fundo, corpo e região pilórica. Possui as 
curvaturas maior e menor e apresenta o esfíncter pilórico na sua união 
com o duodeno.
O intestino delgado inclui as seguintes partes: duodeno, jejuno e íleo. 
O intestino grosso é dividido em ceco e colos. O ceco recebe e armazena 
materiais oriundos do íleo. O apêndice vermiforme é um divertículo do 
ceco. O colo possui diâmetro maior e paredes mais delgadas em relação ao 
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intestino delgado. Tem bolsas chamadas de saculações do colo, as tênias 
do colo e os apêndices omentais. O colo é subdividido em quatro regiões: o 
colo ascendente, transverso, descendente e sigmoide. A parte final do canal 
alimentar é o reto, que continua‑se com o canal anal, que termina no ânus. 
O músculo esfíncter interno do ânus e o músculo esfíncter externo do ânus 
controlam a passagem das fezes através do ânus.
O fígado desempenha papéis de regulação metabólica e hematológica, 
além de produzir a bile. Ele é dividido em lobos direito, esquerdo, quadrado 
e caudado. A artéria hepática própria e a veia porta do fígado realizam 
o suprimento sanguíneo ao fígado. As veias hepáticas drenam sangue do 
fígado e realizam o retorno do sangue à circulação sistêmica por meio da 
veia cava inferior. A vesícula biliar armazena e concentra bile, mas a libera 
por meio do duodeno, pelos ductos cístico e colédoco.
O pâncreas é uma glândula mista, ou seja, exócrina e endócrina. 
Ele é dividido em três partes: cabeça, corpo e cauda do pâncreas. O ducto 
pancreático acessório (se presente) e o ducto pancreático atravessam 
a parede do duodeno e liberam suco pancreático na papila menor do 
duodeno e na papila maior do duodeno, concomitantemente.
Os principais papéis regulatórios do sistema endócrino são: metabolismo, 
controle da ingestão de alimento e digestão, maturação dos tecidos, 
regulação de íons, balanço de água, controle da função reprodutiva, da 
contração uterina e da ejeção de leite, além da regulação do sistema imune.
A hipófise, localizada na sela túrcica do osso esfenoide, secreta pelo 
menos nove hormônios que regulam numerosos papéis do corpo, bem 
como de outras glândulas endócrinas. A tireoide está situada inferiormente 
à laringe e produz T3, T4 e calcitonina. As glândulas paratireoides estão 
embutidas na tireoide e secretam o paratormônio. As glândulas suprarrenais 
estão localizadas nos polos superiores dos rins e produzem hormônios 
como, por exemplo, o cortisol, catecolaminas, a norepinefrina e a epinefrina. 
A placenta, a glândula pineal, o timo, a glândula hipófise faríngea e o órgão 
subcomissural também são exemplos de glândulas endócrinas.
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 Exercícios
Questão 1. (NC‑UFPR 2013, adaptada) Com relação à anatomia e fisiologia cardíaca, numere 
os itens de acordo com sua correspondência. 
1 – Valva tricúspide. 
2– Valva mitral. 
3 – Parte do sistema de condução do impulso elétrico cardíaco. 
4 – Artéria pulmonar. 
5 – Veia pulmonar. 
( ) Sangue arterial. 
( ) Sangue venoso. 
( ) Localizada entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. 
( ) Localizada entre o átrio direito e o ventrículo direito. 
( ) Feixe de His e fibras de Purkinje. 
Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta de cima para baixo.
A) 5 – 4 – 2 – 1 – 3.
B) 5 – 4 – 3 – 1 – 2.
C) 5 – 4 – 1 – 2 – 3.
D) 4 – 5 – 2 – 1 – 3
E) 4 – 5 – 1 – 2 – 3.
Resposta correta: alternativa A.
Análise das afirmativas
1 – A valva tricúspide é localizada entre o átrio direito e o ventrículo direito. 
2 – A valva mitral é localizada entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. 
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Unidade II
3 – Parte do sistema de condução do impulso elétrico cardíaco são o feixe de His e as fibras 
de Purkinje.
4 – A artéria pulmonar leva sangue venoso do coração para os pulmões. 
5 – A veia pulmonar traz sangue arterial dos pulmões para o coração.
Questão 2. (Vunesp 2008, adaptada) Os esportes radicais são atividades muito difundidas 
entre os jovens e têm recebido crescente atenção da mídia, inclusive com veiculação pela televisão. 
Uma característica deles, utilizada na sua propaganda, é a capacidade de induzir um aumento na 
produção de adrenalina nos participantes. Indique a alternativa que descreve corretamente o local 
de produção e a ação da adrenalina.
A) Pâncreas: vasoconstrição, sudorese e elevação do nível de açúcar no sangue.
B) Hipófise: vasodilatação, aumento na frequência dos batimentos cardíacos e dilatação de pupilas 
e brônquios.
C) Suprarrenais: vasodilatação, sudorese e dilatação das pupilas.
D) Hipófise: redução no volume sanguíneo, redução na pressão sanguínea sistêmica e elevação do 
nível de açúcar no sangue.
E) Suprarrenais: vasoconstrição, aumento na frequência dos batimentos cardíacos e elevação do 
nível de açúcar no sangue.
Resolução desta questão na plataforma.

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