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219 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Unidade II Os aparelhos são formados por grupos de dois ou mais sistemas com funções semelhantes. Assim, temos: o aparelho osteoarticular, formado pelos sistemas esquelético e articular; o aparelho locomotor, constituído pelos sistemas esquelético, articular e muscular; o aparelho da nutrição, composto pelos sistemas respiratório, digestório e endócrino; o aparelho urogenital, que compreende os sistemas urinário e genital masculino; o aparelho reprodutor, formado pelos sistemas genital masculino, genital feminino e tegumentar; o aparelho neuroendócrino, constituído pelo sistema nervoso e os órgãos endócrinos; o aparelho cardiorrespiratório, constituído pelos sistemas cardiovascular e respiratório; o aparelho gastropulmonar, formado pelos sistemas digestório e respiratório; o aparelho mastigador, composto pelos músculos, língua e dentes; o aparelho lacrimal, que compreende a glândula lacrimal, saco conjuntival palpebral, papila e os canalículos lacrimais, saco lacrimal e ducto nasolacrimal; o aparelho neurossensorial, formado pelo sistema nervoso e os órgãos dos sentidos. Assim, nesta unidade serão abordados aspectos morfofuncionais relacionadas ao aparelho cardiorrespiratório, além dos sistemas digestório e endócrino. Sabemos que o organismo vivo está em permanente comunicação química com o meio externo. Os nutrientes são absorvidos por meio do revestimento do trato digestório, gases se propagam de lado a lado do fino epitélio dos pulmões e detritos são eliminados nas fezes e na urina, bem como na saliva, na bile, no suor e em outras excretas exócrinas. As trocas químicas acontecem em locais ou órgãos especializados porque todas as partes do corpo estão unidas ao sistema cardiovascular. O sistema cardiovascular pode ser comparado ao sistema de resfriamento de um veículo. Seus elementos fundamentais abrangem o líquido circulante (o sangue), uma bomba (o coração) e uma diversidade de tubos condutores (uma rede de vasos de sangue). De tal modo, todos os papéis do sistema cardiovascular dependem necessariamente do coração, porque é ele que conserva o sangue em movimento. Esse órgão muscular bate aproximadamente 100 mil vezes por dia, empurrando o sangue por meio dos vasos de sangue. A cada ano, o coração ejeta mais de 1,5 milhões de galões de sangue, o suficiente para encher duzentos carros‑tanques. Para se ter uma ideia prática da capacidade de bombeamento do coração, sugere‑se abrir uma torneira em seu nível máximo. Para alcançar uma quantia de água igual ao volume de sangue ejetado pelo coração durante o tempo médio de vida, a torneira teria de ficar aberta por pelo menos 45 anos. De modo igualmente extraordinário, o volume de sangue impulsionado pode alterar vastamente, entre 5 e 30 litros por minuto. A performance do coração é firmemente monitorada e impecavelmente regulada pelo sistema nervoso para assegurar que os níveis de gases, nutrientes e resíduos nos tecidos periféricos continuem dentro dos limites normais, quer permanecemos dormindo serenamente, lendo um artigo científico, ou contidos em um enérgico jogo de futebol. Aqui serão estudados os aspectos estruturais que possibilitam ao coração uma atuação confiável, mesmo diante de demandas físicas largamente modificáveis. Ponderaremos, então, os mecanismos que regulam a atividade cardíaca para confrontar as permanentes variações das necessidades do corpo. 220 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II O sistema cardiovascular é um sistema fechado que faz com que o sangue circule por todo o corpo. Existem dois grupos de vasos de sangue: um provê os pulmões (a circulação pulmonar) e o outro nutre o restante do corpo (a circulação sistêmica). O sangue é ejetado a partir do coração, concomitantemente para o tronco pulmonar e a aorta. A circulação pulmonar, relativamente pequena, origina‑se na valva do tronco pulmonar (saída do ventrículo direito) e finaliza na entrada para o átrio esquerdo. Entre o átrio direito e o ventrículo direito no óstio atrioventricular direito há a presença da valva atrioventricular direita ou tricúspide, enquanto no átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo no óstio atrioventricular esquerdo há a presença da valva atrioventricular esquerda ou bicúspide. As artérias pulmonares que se ramificam a partir do tronco pulmonar levam sangue aos pulmões para as trocas gasosas. A circulação sistêmica inicia na valva da aorta (saída do ventrículo esquerdo) e conclui na entrada para o átrio direito. As artérias sistêmicas ramificam‑se a partir da aorta e propagam sangue a todos os outros órgãos para troca de nutrientes, gases e resíduos. A circulação pulmonar é também chamada de pequena circulação. Lembrete O coração apresenta quatro cavidades: dois átrios (direito e esquerdo) e dois ventrículos (direito e esquerdo). Após adentrar nos órgãos, as artérias prosseguem se ramificando, formando centenas de milhões de artérias pequenas que nutrem com sangue mais de bilhões de capilares, cujo diâmetro aproxima‑se ao de um único eritrócito. Esses capilares constituem amplas redes de ramificações, estima‑se que a extensão de todos os capilares do corpo ligados linearmente varia de aproximadamente 8 mil a 40 mil quilômetros. Isso mostra que os capilares em nosso corpo podem cruzar o território dos Estados Unidos e provavelmente dar a volta ao redor da Terra. Todas as trocas químicas e gasosas entre o sangue e o líquido intersticial são efetuadas por meio das paredes capilares. As células teciduais dependem da difusão capilar para conseguir oxigênio e nutrientes e para extrair produtos residuais. O sangue que deixa a rede de capilares adentra em uma rede de pequenas veias que pouco a pouco se juntam para compor vasos maiores que, enfim, desembocam nas veias pulmonares (circulação pulmonar), veia cava superior ou veia cava inferior (circulação sistêmica). Aqui também será discutida a organização histológica e anatômica de artérias, veias e capilares. Posteriormente, avançaremos para o reconhecimento dos principais vasos de sangue e das vias do sistema cardiovascular. O sistema linfático é composto de vasos e órgãos que estão estrutural e funcionalmente ligados ao sistema cardiovascular. O planeta não é sempre adepto à conservação das condições sadias do corpo humano. Acidentes gerados pela interação com objetos do meio ambiente podem ocasionar impactos, cortes e queimaduras. As decorrências de uma lesão podem ser potencializadas por uma sequência de vírus, bactérias e outros micróbios que proliferam em nosso ambiente. Alguns desses micróbios normalmente habitam na superfície e no interior do corpo humano, contudo, todos apresentam o potencial de causar grandes avarias. Ficar vivo e sadio abrange uma energia permanente e associada 221 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA que conglomera diferentes órgãos e sistemas. Nessa batalha sucessiva, o sistema linfático adota o papel primordial. O sistema respiratório possui células que adquirem energia especialmente por meio de metabolismo aeróbio, um processo que necessita de oxigênio e produz dióxido de carbono. Para sobreviver, as células devem ter uma maneira de conseguir oxigênio e eliminar dióxido de carbono. O sistema cardiovascular propõe uma união entre o líquido intersticial em torno das células e as superfícies de difusão gasosa dos pulmões. O sistema respiratório promove a difusão gasosa entre o ar e o sangue. Conforme circula, o sangue carrega oxigênio dos pulmões para os tecidos do corpo, além de receber o dióxido de carbono produzido por esses tecidos e o levar até os pulmões para a eliminação. Na discussão sobre o sistema respiratório serão descritas as estruturas anatômicas que conduzem o ar do meio externo até as superfícies de difusão gasosa nos pulmões. Osistema digestório é fundamental para a manutenção da vida. Dele provêm os nutrientes principais que o corpo humano não pode gerar para si próprio. O alimento é usado em nível celular e os nutrientes são preciosos para as reações químicas que compreendem a síntese de enzimas, divisão e crescimento celular, reparos e a geração de energia térmica. A maioria dos alimentos que ingerimos, contudo, não é suficiente para o uso celular até que seja mecânica e quimicamente diminuída as formas que possibilitem ser absorvidas por meio da parede intestinal e seja capaz de transportá‑las para as células pelo sangue. O alimento ingerido não está tecnicamente no interior do nosso corpo até que ele seja absorvido. Efetivamente, uma grande parte desses alimentos não é digerido e passa pelo corpo como material supérfluo. O alimento ingerido permanece especialmente na forma de macromoléculas, como, por exemplo, as proteínas e os carboidratos complexos. Nesse caso, o sistema digestório necessita secretar enzimas ricas para digerir o alimento produzindo moléculas que sejam pequenas o suficiente para serem absorvidas para o interior do corpo humano. Concomitantemente, todavia, essas enzimas não devem digerir as células do próprio canal alimentar (autodigestão). Outro desafio com o qual o sistema digestório se depara diariamente é o balanço de massa, ou seja, contrabalançar a entrada com a saída de líquido. Os indivíduos ingerem aproximadamente 2 litros de líquido por dia. Ademais, as glândulas e as células exócrinas secretam, aproximadamente, 7 litros de enzimas, muco, eletrólitos e água na luz do canal alimentar. Esse volume de líquido secretado é o mesmo a um sexto do volume total de água do corpo (42 litros), ou mais do dobro do volume do plasma (3 litros), e necessita ser absorvido, do contrário, o corpo desidrataria rapidamente. Em sua normalidade, a absorção é muito eficaz e apenas cerca de 100 mililitros de líquido é inutilizado nas fezes. Porém, vômitos e diarreia (fezes demasiadamente aquosas) podem tornar‑se uma emergência quando as secreções do canal alimentar, que comumente seriam absorvidas, são desperdiçadas para o meio externo. Em casos graves, esse líquido inutilizado pode reduzir o volume do líquido extracelular a ponto de o sistema cardiovascular ser impossibilitado de conservar a pressão do sangue apropriada. Um desafio final que o sistema digestório encara é afastar agressores externos. De maneira oposta do que se concebe, a maior área de contato entre o meio interno e o mundo exterior está na luz do sistema digestório. Por conseguinte, o canal alimentar, com sua área de superfície total do tamanho aproximado de uma quadra de tênis, abarba diariamente a agitação entre a necessidade de absorver 222 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II água e nutrientes e a necessidade de impedir que bactérias, vírus e outros patógenos adentrem no corpo. Para esse propósito, o epitélio transportador do canal alimentar é amparado por um conjunto de mecanismos fisiológicos de defesa, abrangendo muco, enzimas digestórias, ácido e a maior coletânea de tecido linfático do corpo humano, o tecido linfático agregado ao intestino. Cerca de 80% de todos os linfócitos do corpo estão localizados no intestino delgado. Os órgãos endócrinos também fazem parte desse sistema e a seguir conheceremos suas localizações, características morfológicas e funcionais, assim como seus hormônios, que são lançados na corrente sanguínea e atingem determinados tecidos‑alvos. Saiba mais Para saber mais sobre os temas apresentados anteriormente: CASTILHO, N.; DELIZOICOV, D. Trajeto do sangue no corpo humano: instauração‑extensão‑transformação de um estilo de pensamento. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS 2. Valinhos, 1999. Disponível em: <http://www.nutes.ufrj.br/abrapec/iienpec/ Dados/trabalhos/A43.pdf>. Acesso em: 15 mar. 2019. RAMOS, C. William Harvey: vida e obra (1ª parte). Acta Médica Portuguesa, Lisboa, v. 5, n. 9, p. 507‑512, 1992. Disponível em: <https://actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/ view/4505/3528>. Acesso em: 15 mar. 2019. RAMOS, C. William Harvey: vida e obra (2ª parte). Acta Médica Portuguesa, Lisboa, n. 5, p. 559‑563, 1992. Disponível: <http:// www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/ viewFile/3291/2617>. Acesso em: 15 mar. 2019. 5 APARELHO CARDIORRESPIRATÓRIO 5.1 Coração e vasos de sangue Sistema cardiovascular é a designação oficial da terminologia anatômica que substituiu o clássico aparelho circulatório ou sistema circulatório. A mudança se fez indispensável, pois aparelho indica um conjunto de dois ou mais sistemas, e circulatório remete ao local em que algo se movimenta e que retorna ao ponto de origem, sem carecer das estruturas e sua morfologia. Então, vale assinalar que circulator, em latim, tem a definição de charlatão, uma conduta ou propriedade não estimável para um digno e essencial sistema orgânico. A palavra “circulação” era utilizada pelos detratores do anatomista e médico William Harvey (1628) para recusar a relevância de sua descoberta. 223 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Através do sangue são carregados, além de nutrientes, como a glicose, O2 e CO2, os hormônios produzidos pelos órgãos endócrinos, localizados em regiões diversas do organismo. Já o sangue tem células especializadas na defesa do organismo, como contra as substâncias estranhas e os micro‑organismos, além de ser responsável pela manutenção da temperatura do corpo. Figura 214 – Relação do sistema cardiovascular com outros sistemas do organismo na manutenção da homeostasia Esse conjunto de órgãos consiste em um sistema fechado, sem comunicação com o exterior, formado por tubos no interior dos quais circulam humores. Os tubos são denominados vasos e os humores são o sangue e a linfa. O organismo de um indivíduo adulto apresenta em média 5 litros de sangue circulando ininterruptamente. Essa abundância equivale a aproximadamente um doze avos da massa corporal de um adulto. Observação As patologias do sistema cardiovascular estão entre as mais relevantes que atingem os seres humanos. O coração era considerado a sede da alma, do amor e das emoções, possivelmente porque essas são seguidas de palpitações, taquicardia, dor precordial, reações admiradas pelos poetas e pelos românticos. Porém, as atividades temperamentais estão mais relacionadas ao encéfalo do que com o coração. Os batimentos cardíacos já foram o sinal de vida, tanto que era aceitável sua interrupção para admitir o diagnóstico de morte. Hoje, entretanto, o indivíduo é considerado morto quando não existe atividade eletroencefalográfica, mesmo que haja atividade cardíaca. Em outras palavras, coração batendo não é sinal condicional de vida. 224 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II Órgão central do sistema cardiovascular, o coração é um músculo quadricavitário com a configuração de um cone truncado, do tamanho aproximado do punho do mesmo indivíduo, que em relação ao sangue exerce o papel de uma bomba aspirante e premente. Tronco pulmonar Veia cava superior Aurícula direita Ventrículo direito Sulco interventricular anterior Aurícula esquerda Aorta Figura 215 – Aspectos externos do coração O efeito de bomba muscular do coração baseia‑se na contração e no relaxamento do músculo estriado cardíaco. A fase de contração é denominada sístole e a fase de relaxamento, diástole. Essas terminologias são mencionadas normalmente em relação à contração e ao relaxamento do ventrículo direito e do ventrículo esquerdo, ainda que os átrios também contraiam e relaxem. A contração do átrio direito e do esquerdo antecede a contração dos ventrículos e colabora para o enchimento máximo dos ventrículos (volume diastólico final). A contração dosátrios acontece simultaneamente, bem como a contração dos dois ventrículos. Hoje é também reconhecido como órgão endócrino, por haver pelo menos nos átrios os grânulos atriais, nos cardiomiócitos, envolvidos com o fator natriurético atrial, o hormônio do coração. O fator natriurético atrial é secretado no sangue devido à distensão do átrio direito, como na insuficiência cardíaca, ou, ainda, devido à ativação do sistema nervoso autônomo simpático, promovendo nos rins uma diminuição na reabsorção de cloreto de sódio e, por conseguinte, de água. O resultado é a elevação da excreção de urina, ou seja, a diurese aumentada. Além de seu efeito diurético, o fator natriurético atrial gera relaxamento da musculatura lisa vascular e, com isso, a vasodilatação. Por meio desses dois mecanismos, a diminuição do volume de sangue e a redução da resistência vascular periférica induzem a uma diminuição do esforço do coração. 225 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA 5.1.1 Volumes e pesos do coração O volume do coração que corresponde ao seu volume médio é de aproximadamente 785 mililitros, sendo alterado conforme os fatores de variação anatômica, como a idade e o sexo. Seu peso em um adulto é de cerca de 5 gramas/quilo de peso, portanto, em um indivíduo de 60 quilos, pesa aproximadamente 300 gramas. Em primeiro lugar permanece o fator idade, de tal maneira que o coração de um recém‑nascido é proporcionalmente maior do que de um adulto, 7 gramas, ao antagônico de 5 gramas/quilo de peso, devido à resistência da circulação placentária que tem que vencer durante a vida fetal. Após o nascimento, seu peso reduz proporcionalmente, atingindo depois dos 5 anos de idade a proporção de 5 gramas/quilo de peso. A partir dessa idade são assinaladas desigualdades nos volumes do coração, o que é relacionado com a diferença entre os sexos, sendo que esse é um pouco menor nas mulheres do que nos homens. O coração do adulto mede aproximadamente 12 centímetros de comprimento por 8 a 9 centímetros de largura, em sua parte mais larga, e 6 centímetros de espessura. Seu peso no homem altera de 280 a 340 gramas; na mulher, de 230 a 280 gramas. À medida que o indivíduo envelhece, o coração reduz, pois existe uma diminuição na força de contração do músculo estriado esquelético. As valvas do coração tornam‑se menos flexíveis e o fechamento incompleto pode gerar um “sopro” audível. Em torno dos 60 anos de idade o débito cardíaco, ou seja, a quantidade de sangue que sai do ventrículo esquerdo a cada minuto pode reduzir em até 35%. O prejuízo do complexo estimulante do coração pode gerar ritmos cardíacos anormais, incluindo os batimentos cardíacos extras, os batimentos dos átrios acelerados e a redução do ritmo dos ventrículos. A insuficiência temporária do complexo estimulante do coração ou bloqueio cardíaco pode gerar perda periódica da consciência. Devido à redução na reserva de força do coração, os indivíduos senis são comumente limitados na sua capacidade de responder ao estresse físico ou emocional. Também há relação entre o peso do coração com o aumento da musculatura estriada esquelética, de tal forma que em indivíduos atletas seu peso é proporcionalmente maior. Nos indivíduos atletas esses parâmetros podem elevar para 500 gramas de peso e 1440 mililitros de volume médio. Na hipertrofia cardíaca, o volume do coração está alargado, contudo, ele todo é mais espesso e suas paredes são mais fortes, seguindo um processo geral de aumento muscular de todo o corpo. Porém, a dilatação do coração pode ser patológica e revela insuficiência cardíaca. Na dilatação o coração está expandido, mas suas paredes são delgadas, como se constituísse uma bola de borracha que contém mais ar. 5.1.2 Localização do coração O coração está contido em uma membrana especial, o pericárdio, preenchendo a região topográfica do tórax conhecida como mediastino médio. O mediastino, conforme ilustra a figura a seguir, é o espaço visceral da linha mediana ou cavidade torácica. 226 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II Mediastino posterior Mediastino médio Mediastino anterior Mediastino superior Figura 216 – Subdivisões do mediastino e o seu conteúdo O mediastino está dividido em mediastino superior e mediastino inferior pela presença do pericárdio. O mediastino superior não apresenta subdivisões, abrange o esôfago e a traqueia, posteriormente, o timo, anteriormente, e entre eles os grandes vasos da base do coração. O mediastino inferior está subdividido em mediastino anterior, mediastino médio e mediastino posterior. As estruturas anatômicas encontradas dentro do mediastino anterior abrangem os ligamentos esternopericárdicos e diversos linfonodos. O mediastino médio situa‑se ao nível de T4‑T8, no corpo do esterno e nas cartilagens costais. Está localizado entre o mediastino posterior e o mediastino anterior. O mediastino médio abrange o coração e o pericárdio, junto com o nervo frênico que corre no pericárdio fibroso, além dos brônquios principais e as estruturas das raízes dos pulmões. O mediastino posterior abrange, entre outras estruturas anatômicas, o esôfago e a parte torácica da aorta, que o atingem vindos do mediastino superior. Sua maior parte se encontra à esquerda do plano mediano, permanecendo um terço à direita e dois terços à esquerda do plano mediano, e não inteiramente do lado esquerdo da cavidade torácica, como usualmente se crê. Ainda que essa seja a posição mais comum, denominada levocárdica, há variações na posição do coração em relação à cavidade torácica. O coração pode ostentar a posição mesocárdica, quando a maior parte do seu volume se depara na parte mediana do tórax. O desdobramento anormal do coração embrionário pode causar inversão completa da posição do coração chamado posição dextrocárdica, quando grande parte de seu volume se encontra no hemitórax direito. Essa anomalia congênita é a anormalidade mais comum de posição do coração, embora ainda seja relativamente rara. 5.1.3 Limites do coração Na cavidade torácica o coração está situado entre os dois pulmões, os limites laterais, por trás do osso esterno, o limite anterior, repousando sobre o diafragma, o limite inferior, e por diante da coluna vertebral, entre a quarta e a oitava vértebras torácicas, as vértebras cardíacas de Giacomini, o limite posterior, e pela abertura torácica superior, o limite superior. 227 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Face pulmonar esquerda Costelas Base do coração Margem superior Margem direita Ápice do coração Margem inferior Figura 217 – Posição e orientação do coração 5.1.4 Configuração externa do coração O coração está disposto obliquamente, de tal maneira que sua base é medial e o seu ápice é lateral. O maior eixo do coração, eixo longitudinal, da base ao ápice é oblíquo e desenha um ângulo de aproximadamente 40° com o plano horizontal e com o plano mediano do corpo. O coração é composto de quatro cavidades, conforme ilustra a figura a seguir, os átrios direito e esquerdo, e os ventrículos direito e esquerdo. As duas cavidades superiores são os átrios e as duas inferiores são os ventrículos. Os ventrículos, com paredes musculares encorpadas, compõem a parte volumosa do órgão, enquanto os átrios têm paredes musculares finas. Laranja – Aurícula direita Rosa – Aurícula esquerda Branco – Ventrículo direito Amarelo – Ventrículo esquerdo Figura 218 – Morfologia externa do coração 228 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II A base do coração é constituída, sobretudo, pelo átrio esquerdo, com um menor reforço do átrio direito, conforme ilustra a figura a seguir. Corresponde à área preenchida pelas raízes dos grandes vasos da base do coração, isto é, vasos de sangue por meio dos quaiso sangue adentra ou sai do coração. No átrio direito dirigem a veia cava superior e a veia cava inferior. Veia cava superior Átrio esquerdo Septo interatrial Ventrículo esquerdo Septo interventricular Ventrículo direito Veia cava inferior Átrio direito Figura 219 – Esquema das cavidades do coração No átrio esquerdo dirigem as veias pulmonares, em número de quatro, sendo duas veias para cada pulmão. As veias são distribuídas perpendicularmente umas às outras, por um lado, a veia cava superior e a veia cava inferior, e, por outro lado, as veias pulmonares formam a cruz venosa. Veia cava superior Veia cava inferior Septo interatrial Veias pulmonares Figura 220 – Cruz venosa Do ventrículo direito emerge o tronco pulmonar, que após um pequeno percurso bifurca‑se em artérias pulmonares: a artéria pulmonar direita e a artéria pulmonar esquerda para os referentes pulmões. 229 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Do ventrículo esquerdo nasce a aorta, que se conduz primeiramente para cima e depois para trás e para a esquerda, concebendo, assim, o arco da aorta. O ápice do coração é constituído pela parte inferolateral do ventrículo esquerdo. Laranja – artéria subclávia esquerda Rosa – veia cava superior Branco – tronco braquiocefálico Verde – artéria carótida comum esquerda Azul – arco da aorta Vermelho – tronco pulmonar Figura 221 – Vasos da base As quatro faces do coração são: a face esternocostal (anterior), a face diafragmática (inferior), a face pulmonar direita e a face pulmonar esquerda. A face esternocostal é composta especialmente pelo ventrículo direito. A face diafragmática, achatada, é formada, sobretudo, pelo ventrículo esquerdo e parte do ventrículo direito, estando relacionada principalmente ao tendão central do diafragma. A face pulmonar direita é composta especialmente pelo átrio direito. A face pulmonar esquerda é formada principalmente pelo ventrículo esquerdo, compondo a incisura cardíaca do pulmão esquerdo. Figura 222 – Faces do coração 230 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II O coração parece trapezoide nas vistas anterior e posterior. A margem direita, ligeiramente convexa, é composta pelo átrio direito e expande‑se entre a veia cava superior e a veia cava inferior. A margem inferior, oblíqua, quase vertical, é formada especialmente pelo ventrículo direito e por uma pequena parte do ventrículo esquerdo. A margem superior, composta pelo átrio direito, pelo átrio esquerdo, pela aurícula direita e pela aurícula esquerda em vista anterior; a aorta ascendente e o tronco pulmonar surgem dessa margem; e a veia cava superior penetra no seu lado direito. À esquerda não há margem, pois existe a face pulmonar, formada especialmente pelo ventrículo esquerdo. 5.1.5 Configuração interna do coração Cada átrio tem um apêndice, o qual verificado na superfície externa do coração se assemelha à orelha de um animal e recebe por isso o nome de aurícula (do latim, auris, orelha). Quando as paredes do coração estão abertas, observa‑se que a cavidade cardíaca possui septos, subdividindo‑se em quatro cavidades. O septo horizontal é um septo atrioventricular que divide o coração em duas partes: superior e inferior. A parte superior tem um septo sagital, o septo interatrial, fino e muscular, que a divide em duas cavidades: o átrio direito e o átrio esquerdo. Uma anomalia congênita do septo interatrial, comumente pelo fechamento incompleto do forame oval, leva à comunicação interatrial. Porém, existe uma abertura do tamanho de uma sonda na parte superior da fossa oval em 15 a 25% dos indivíduos adultos. Essas pequenas aberturas, sozinhas, não geram anormalidades hemodinâmicas e, desse modo, não apresentam relevância clínica e não devem ser classificadas formas de comunicação interatrial. A comunicação interatrial clinicamente relevante modifica muito em tamanho e localização do coração e pode acontecer como parte de uma cardiopatia congênita mais complexa. Uma comunicação interatrial exacerbada permite que o sangue oxigenado oriundo dos pulmões seja desviado do átrio esquerdo por meio da comunicação interatrial para o átrio direito, gerando aumento do átrio direito, do ventrículo direito e dilatação do tronco pulmonar. Essa passagem de sangue do coração esquerdo para o coração direito sobrecarrega o sistema vascular pulmonar, resultando em hipertrofia do átrio direito, do ventrículo direito e das artérias pulmonares. A parte inferior também apresenta um septo sagital forte, o septo interventricular, composto pela parte membranácea e pela parte muscular que divide a parte inferior em duas cavidades: o ventrículo direito e o ventrículo esquerdo Branco – Músculo papilar (ventrículo esquerdo) Laranja – Músculo papilar (ventrículo direito) Azul – Miocárdio do ventrículo direito Verde – Miocárdio do ventrículo esquerdo Rosa – Septo interventricular Figura 223 – Morfologia interna do coração 231 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Observação Um defeito no septo interventricular é uma comunicação anormal de procedência congênita relativamente comum entre o ventrículo direito e o ventrículo esquerdo. A parte membranácea é comprometida com maior assiduidade em 70% dos casos, sendo, portanto, a parte muscular menos afetada. Nessa condição, o sangue oxigenado do ventrículo esquerdo não é enviado apenas para a aorta, mas, também, é desviado para o ventrículo direito, chamado desvio ou shunt esquerdo‑direita. Pelo defeito do septo interventricular o ventrículo esquerdo deve tentar contrabalançar essa falha no transporte por meio de elevação na força de contração, favorecendo, assim, uma sobrecarga do ventrículo esquerdo, com consequente hipertrofia do coração esquerdo. Para que isso seja impedido, grandes defeitos do septo interventricular devem ser retificados cirurgicamente. 5.1.6 Características morfofuncionais do átrio direito • Apresenta um formato triangular. • É maior do que o átrio esquerdo. • Sua parede é um pouco mais fina do que a do átrio esquerdo, com aproximadamente 2 milímetros de espessura. • Suas paredes finas são tonificadas na parte lateral por feixes musculares, dispostos em cristas paralelas, chamados de músculos pectíneos. • Capacidade de 57 mililitros de sangue. • Recebe sangue venoso da circulação sistêmica, a veia cava superior adentra na parte superior do átrio direito, e a veia cava inferior na parte inferior. • Entre a veia cava superior e a veia cava inferior, mais próximo da veia cava inferior depara‑se com uma saliência, chamada de tubérculo intervenoso, que se reserva a nortear os jatos de sangue que nascem da veia cava superior e da veia cava inferior para que não se encontrem frontalmente. • Anteriormente ao átrio direito há uma expansão piramidal chamada de aurícula direita, que serve para suavizar o impulso do sangue ao adentrar no átrio. • O óstio do seio coronário, que drena o sangue do coração, está localizado próximo da veia cava inferior. • O septo interatrial forma a parede dorsal do átrio direito. Contém estruturas elementares que tiveram grande valor no feto, a fossa oval, contornada por um relevo, o limbo da fossa oval. A fossa oval é uma depressão oval na parede septal, correspondendo ao forame oval do coração fetal. O forame oval do coração começa a fechar‑se no fim da vida fetal e o fechamento se 232 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II completa em seguida ao nascimento graças a uma prega, a válvula do forame oval que se solda ao limbo da fossa oval. O forame oval pode persistir aberto e estabelecer uma anomalia cardíaca. • O seio das veias cavas (sinus venarum) é localizado na parte posterior da cavidade do átrio direito, onde a veia cava superior e a veia cava inferior terminamseu trajeto. O seio das veias cavas possui paredes internas lisas e é derivado do seio venoso do embrião. Por dentro do átrio direito, o seio das veias cavas é limitado à direita pela crista terminal, uma estrutura muscular lisa que corresponde externamente ao sulco terminal do coração. Anterior ao seio das veias cavas, portanto dele separado pelo sulco terminal, encontra‑se o átrio direito propriamente dito, uma parte enrugada oriunda do próprio átrio do embrião e segue, anteriormente, com a aurícula direita. Em seguida, o átrio direito e a aurícula direita são separados do seio das veias cavas pela crista terminal, especialmente na parede lateral da base do coração. No embrião, o sulco terminal sinaliza a união do átrio direito com o seio venoso. Superiormente, a crista terminal amolda o nó sinoatrial; seu remanescente inclui a direção do trato internodal posterior. Ascende‑se no interior do seio das veias cavas vários vasos de sangue, como, por exemplo, a veia cava superior, a veia cava inferior e o seio coronário, abrindo‑se entre o óstio da veia cava inferior e o óstio atrioventricular, resguardado por uma fina válvula do seio coronário, semicircular, designada de valva de Tebésio, a qual dificulta a regurgitação de sangue para dentro do seio durante a contração do átrio direito, e os forames das veias cardíacas mínimas, que drenam uma pequena porção do sangue intramiocárdico diretamente para o seio das veias cavas. • O trígono do nó sinoatrial, o triângulo de Koch, consiste em uma zona triangular na parte inferior da parede septal da cavidade do átrio direito, entre a base da cúspide septal da valva atrioventricular esquerda, o óstio do seio coronário e o tendão da válvula da veia cava inferior, o tendão de Todaro. Esse último consiste em uma corda curva, colagenosa, redonda e palpável a partir do lado direito do esqueleto fibroso do coração até o extremo esquerdo do óstio da veia cava inferior. O trígono é uma estrutura de relevância cirúrgica, indicando o local onde se situa o nó atrioventricular e o começo do fascículo atrioventricular, sendo essas estruturas do complexo estimulante do coração. Músculos pectíneos Septo interatrial Fossa oval Óstio da veia cava inferior Óstio do seio coronário Válvula da valva atrioventricular esquerda Ventrículo direito Sulco interventricular Crista terminal Óstio da veia cava superior Válvula da valva atrioventricular direita Ventrículo esquerdo Figura 224 – Vista anterior direita da superfície interna do átrio direito. A parede anterior do átrio foi aberta e dobrada superiormente 233 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA 5.1.7 Características morfofuncionais do átrio esquerdo • Apresenta forma quadrilátera. • É menor do que o átrio direito. • Parede mais grossa do que a do átrio direito, aproximadamente 3 milímetros de espessura. • A maior parte encontra‑se atrás da aorta ascendente e do tronco pulmonar. • O septo interatrial possui, no local da fossa oval, uma pequena elevação, a válvula do forame oval, derivada do septo primário. • O átrio esquerdo, assim como o átrio direito, tem uma expansão piramidal que se aponta para adiante, que é a aurícula esquerda. • Os músculos pectíneos, poucos e menores do que no átrio direito, estão limitados à aurícula esquerda. • O átrio esquerdo apresenta cinco orifícios, por meio dos quais estão em comunicação com as veias pulmonares os quatro óstios das veias pulmonares e com o ventrículo esquerdo por meio do óstio atrioventricular esquerdo. Amarelo – Aurícula direita Branco – Aurícula esquerda Laranja – Parte ascendente da aorta Figura 225 – Aurículas e parte ascendente da aorta 5.1.8 Características morfofuncionais do ventrículo direito • Capacidade de 85 mililitros de sangue. • Em corte transversal exibe o aspecto de meia‑lua, sugerindo uma letra C. 234 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II • Os três músculos papilares no ventrículo direito correspondem às válvulas da valva atrioventricular direita, sendo eles: músculo papilar anterior, músculo papilar posterior e músculo papilar septal. • A valva do tronco pulmonar é formada por três pequenas lâminas chamadas de válvula semilunar anterior, válvula semilunar direita e válvula semilunar esquerda. • A trabécula septomarginal incide em uma estrutura anatômica em forma de coluna que se projeta por meio da cavidade da parede ventricular para o septo interventricular. Trata‑se da corda de Leonardo da Vinci, também admitida como fita moderadora, assim chamada porque preveniria a distensão excessiva do ventrículo direito. • Dois orifícios comunicam o ventrículo direito em sua entrada, o óstio atrioventricular direito e a valva atrioventricular direita, por meio do qual o ventrículo direito recebe sangue do átrio direito e o óstio do tronco pulmonar, que transporta o sangue ao tronco pulmonar. • A crista supraventricular consiste em uma estrutura anatômica em forma de arco muscular compacta entre o óstio atrioventricular direito e o óstio do tronco pulmonar. Ela é oblíqua, curvando‑se para frente e direita desde o septo interventricular até a parede anterolateral do ventrículo direito. O átrio direito se contrai quando o ventrículo direito está vazio e relaxado. Assim, o sangue é forçado a passar através do aparelho valvar do coração para o ventrículo direito, espaçando como cortinas a valva atrioventricular direita. A entrada de sangue no ventrículo direito, ou trato de influxo, acontece posteriormente. E quando o ventrículo se contrai a saída de sangue para o tronco pulmonar, ou trato de saída, acontece superiormente e para a esquerda. Logo, o sangue realiza um percurso em formato de U no ventrículo direito, alterando de direção em cerca de 140º. Essa mudança de direção é ajustada pela crista supraventricular, que direciona o fluxo de entrada para a cavidade principal do ventrículo direito e o fluxo de saída para o cone arterial em direção ao óstio do tronco pulmonar. O óstio de entrada, o óstio atrioventricular direito, o óstio de saída e o óstio do tronco pulmonar estão afastados aproximadamente em 2 centímetros. • A via de entrada apresenta paredes enrugadas pelas trabéculas cárneas, que são as cristas, as colunas, as faixas ou as protrusões musculares irregulares, revestidas por endocárdio, que se desenham na cavidade do ventrículo direito. • A via de saída, o cone arterial ou infundíbulo, continua‑se com o tronco pulmonar após a valva do tronco pulmonar. • O ventrículo direito produz cerca de 20 milímetros de pressão. 5.1.9 Características morfofuncionais do ventrículo esquerdo • Capacidade de 85 mililitros de sangue. • Maior e mais cônico do que o ventrículo direito. 235 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA • Em corte transversal aparece como um círculo, sugerindo uma letra O. • A valva da aorta é composta de três válvulas semilunares, chamadas de válvula semilunar direita, válvula semilunar esquerda e válvula semilunar posterior, análogas às da valva do tronco pulmonar, todavia maiores e mais densas. • Por estar incluída na circulação sistêmica, necessitando impulsionar o sangue para todo o corpo, sua parede muscular é três vezes mais grossa do que a do ventrículo direito, cuja ação se confina a incitar o sangue aos pulmões, que se deparam com a pequena distância do coração. Como o ventrículo esquerdo está diretamente ligado ao bombeamento do sangue para a circulação sistêmica, as modificações no seu funcionamento podem acarretar muitos problemas clínicos, por exemplo, a falta de ar, o cansaço aos esforços e a incapacidade para o trabalho. O infarto do miocárdio é o exemplo clássico disso, em que ocorre a oclusão de um vaso coronário, levando à perda de músculo do ventrículo esquerdo, naquela área correspondente, com coerente redução dacapacidade ventricular. • O ventrículo esquerdo apresenta apenas dois músculos papilares, sendo eles: músculo papilar anterior e o músculo papilar posterior, no entanto, são maiores que aqueles encontrados no ventrículo direito. • Dois orifícios se comunicam com o ventrículo esquerdo, o óstio atrioventricular esquerdo, pelo qual o sangue atinge o ventrículo esquerdo procedente do átrio esquerdo, e o óstio da aorta, pelo qual o sangue é transportado à aorta ascendente. • A valva atrioventricular esquerda é formada por duas cúspides, sendo elas: a válvula anterior e a válvula posterior. • As trabéculas cárneas são maiores e mais emaranhadas do que no ventrículo direito, compondo um labirinto muito denso. • O trato eferente do ventrículo esquerdo, ou vestíbulo da aorta, é liso e se encontra logo abaixo da valva da aorta, cujas margens se inserem na raiz da aorta. Bem mais forte, a valva da aorta equipara‑se à valva do tronco pulmonar, incidindo em um complexo anel fibroso com três válvulas semilunares inseridas em três dilatações da parede da aorta, chamados de seios da aorta, um correspondente a cada cúspide ou válvula. • Os seios da aorta são mais relevantes do que os seios do tronco pulmonar. O limite superior de cada seio abrange consideravelmente além do nível da margem livre da válvula, sendo bem definida a crista supravalvular da aorta. • O ventrículo esquerdo produz cerca de 120 milímetros de pressão. Em cortes do coração é fácil observar o ventrículo esquerdo, pois sua parede é três vezes mais espessa que a do ventrículo direito. 236 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II Septo interventricular Ventrículo direito Ventrículo esquerdo Figura 226 – Vista inferior da secção transversa mostrando as diferenças de espessura das paredes do ventrículo Quanto mais espessa for a parede da cavidade cardíaca, maior a força que ela pode gerar para expulsar o sangue. Como o ventrículo esquerdo deve ejetar sangue para todo o corpo contra uma pressão arterial mais elevada, e, dessa forma, fazer uma resistência ao fluxo do que aquela realizada pelo ventrículo direito, que ejeta sangue para a circulação pulmonar, o ventrículo esquerdo tem maior espessura de parede. Durante a atividade física, especialmente contra alta resistência, ou seja, força, a pressão arterial sistêmica eleva‑se. Com o passar do tempo, talvez semanas, a execução regular de treinamento físico gera um espessamento da parede do ventrículo esquerdo, possibilitando que ele extrapole com facilidade esse aumento da pressão arterial atingido durante a atividade. Mesmo que nem todos os estudos sustentem que a atividade física gere elevação da espessura da parede ventricular esquerda, essa é uma coroação provável do treinamento de arrancada, de peso e até de endurance. A espessura da parede ventricular esquerda também se eleva com a hipertensão crônica. Ainda que acréscimos na espessura da parede ventricular esquerda em razão de treinamento físico não extrapolem o limite máximo do que é avaliado como normal, aproximadamente 13 milímetros, o acréscimo da espessura da parede em virtude da hipertensão crônica pode elevar a espessura normal da parede. De tal modo, mesmo que tanto o treinamento físico quanto a hipertensão crônica gerem em acréscimos da espessura da parede ventricular esquerda, há uma discrepância na grandeza dessa resposta. 5.1.10 Tipos de circulação do sangue Conquanto a circulação do sangue seja contínua durante a vida através de todos os sistemas do corpo, ela apresenta diferenças no período intrauterino, ou circulação fetal, e no período extrauterino, a circulação da criança, do jovem, do adulto e do idoso. Do ponto de vista didático, divide‑se a circulação do indivíduo na vida extrauterina em quatro tipos principais de circulação, sendo elas: sistêmica, pulmonar, portal e cardíaca. 5.1.10.1 Circulação sistêmica e pulmonar Na circulação sistêmica, o coração esquerdo, formado pelo átrio esquerdo, pelo ventrículo esquerdo e pelos vasos de sangue são as partes representadas dessa circulação, por meio das quais o sangue passa para todos os tecidos do corpo, com a possível exceção das partes respiratórias dos pulmões. 237 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Durante a contração dos ventrículos, ou seja, a sístole ventricular, eles se esvaziam impulsionando o sangue para o tronco pulmonar e para a aorta. Nesse momento as valvas atrioventriculares estão fechadas, impedindo o refluxo de sangue para os átrios. Em seguida, ao finalizar a contração, os ventrículos relaxam e a valva da aorta e do tronco pulmonar se fecham; a valva atrioventricular direita e a valva atrioventricular esquerda se abrem para a passagem do sangue dos átrios para os ventrículos. A esse fenômeno dá‑se o nome de diástole ventricular. A veia cava superior e a veia cava inferior conduzem sangue venoso ao átrio direito. A veia cava superior drena o sangue da cabeça, do pescoço, do membro superior e do tórax. A veia cava inferior drena o sangue dos membros inferiores, da pelve e do abdome. Após passar para o ventrículo direito, o sangue é enviado ao tronco pulmonar, o qual se divide em artéria pulmonar direita e artéria pulmonar esquerda, que se encaminham para os respectivos pulmões. Lá se dividem continuamente até se capitalizarem para possibilitar a oxigenação do sangue. Em seguida, as vênulas e as pequenas veias vão se transformando em vasos de sangue maiores até deixarem cada pulmão por meio de duas veias pulmonares. As quatro veias pulmonares ejetam o sangue arterial no átrio esquerdo, que oferece ingresso ao ventrículo esquerdo, de onde é impulsionado para a aorta, e daí para todos os órgãos e os tecidos do corpo humano, por meio de seus abundantes ramos. Figura 227 – Percurso do fluxo sanguíneo ao longo das circulações sistêmica e pulmonar 238 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II Lembrete Pequena circulação – circulação pulmonar = coração – pulmão – coração. Grande circulação – circulação sistêmica = coração – tecidos – coração. 5.1.10.2 Circulação portal Na circulação portal, o sangue passa da rede capilar sanguínea da porção aboral ou distal do esôfago, do estômago, dos intestinos, do baço e do pâncreas para a veia porta, que acaba em uma segunda rede capilar do fígado. Depois de ser sujeitado à ação do fígado, o sangue passa para a circulação sistêmica. 5.1.10.3 Circulação cardíaca Já a circulação cardíaca, ou circulação coronária, se dá em virtude de as paredes do coração possuírem o seu próprio suprimento de vasos de sangue sistêmicos com a finalidade de satisfazer suas necessidades vitais. O miocárdio é suprido com sangue da artéria coronária direita e da artéria coronária esquerda. Esses dois vasos originam‑se da aorta ascendente, ao nível das válvulas semilunares da valva da aorta. As artérias coronárias circundam o coração no interior do sulco coronário, a reentrância entre os átrios e os ventrículos. Assim, dois ramos se derivam da artéria coronária direita e da artéria coronária esquerda para se difundir pelas paredes dos átrios e dos ventrículos. Artéria coronária direita Artéria coronária esquerda Figura 228 – Artérias coronárias 239 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA A artéria coronária esquerda fornece o ramo interventricular anterior, que se situa no sulco interventricular anterior para nutrir ambos os ventrículos e o ramo circunflexo, que supre com sangue oxigenado as paredes do átrio esquerdo e do ventrículo esquerdo. A artéria coronária direita dá o ramo marginal que nutre as paredes do átrio direito e do ventrículo direito, e o ramo interventricular posterior, que se situa ao longo do sulco interventricular posterior para atender os dois ventrículos. Dos capilares no miocárdioo sangue entra nas veias cardíacas, que apresentam paredes mais finas e são mais superficiais do que as artérias. As duas principais veias cardíacas são a veia interventricular anterior, que recolhe o sangue da parte anterior do coração e a veia interventricular posterior, que drena a parte posterior do coração. Essas veias convergem para formar o seio coronário na superfície posterior do coração. O sangue venoso coronário, em seguida, entra no átrio direito por meio do óstio do seio coronário. Tronco braquiocefálico Artéria subclávia esquerda Tronco pulmonar Valva do tronco pulmonar Ramo lateral Veia interventricular anterior Ramo interventricular anterior VENTRÍCULO ESQUERDO Parte ascendente da aorta Veia cava superior Aurícula direita Artéria coronária direita Veia cardíaca anterior ÁTRIO DIREITO Veia cardíaca parva Ramo marginal direito VENTRÍCULO DIREITO Arco da aorta Artéria carótida comum esquerda Figura 229 – Circulação coronária e grandes vasos Observação A oclusão de uma artéria coronária ou de um de seus ramos por uma placa de ateroma leva ao chamado infarto do miocárdio, ou ataque cardíaco ou coronário, sendo que o miocárdio fica sem nutrição e degenera. 240 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II Saiba mais Para saber mais sobre doença arterial coronária e angioplastia: MARTINI, F. H.; TIMMONS, M. J.; TALLISTSCH, R. B. Anatomia humana. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009, p. 560‑561. 5.1.10.4 Circulação fetal A circulação fetal apresenta a placenta, local onde se processam as trocas nutritivas materno‑fetais, que está ligada ao feto por meio de uma veia umbilical e de duas artérias umbilicais que fazem parte do cordão umbilical. Pela veia umbilical provém da placenta sangue com O2 que é lançado na veia cava inferior, quer indiretamente através do fígado, quer através do ducto venoso, comunicação direta entre veia porta e veia cava inferior. A veia cava inferior desemboca no átrio direito do coração, conduzindo sangue com O2 da placenta e sangue venoso da circulação de retorno. No átrio direito desemboca também a veia cava superior, conduzindo sangue venoso do seu território. Esse, junto com o proveniente da veia cava inferior, passa em parte ao ventrículo direito e em parte, por meio do amplo forame oval, ao átrio esquerdo. Aqui chega também sangue venoso da circulação pulmonar. Do átrio esquerdo, o sangue é lançado no ventrículo esquerdo, de onde passa para a aorta. O sangue do ventrículo direito sai pelo tronco pulmonar e, em sua maior parte, segue para a aorta, pelo ducto arterioso, curto vaso que comunica diretamente essas duas artérias no feto. O restante do sangue das artérias pulmonares atinge os pulmões, de onde volta ao coração pelas veias pulmonares para se misturar no átrio esquerdo com o sangue chegado pelo forame oval. Pela aorta, o sangue é distribuído à circulação geral, retorna à placenta pelas artérias umbilicais, ramos das artérias ilíacas internas. Durante a vida fetal a oxigenação é feita na placenta, função que, por ocasião do nascimento, quando se processam os primeiros movimentos respiratórios, é transferida aos pulmões. Por conseguinte, os canais de comunicação, o ducto venoso (ligamento venoso), o ducto arterioso (ligamento arterioso), a veia umbilical (ligamento redondo do fígado) e as artérias umbilicais (ligamentos umbilicais medianos) e o amplo forame oval (fossa oval) deixam de ter suas funções e sofrem um processo de oclusão lenta e gradual, que termina normalmente meses após o nascimento, conforme ilustra a figura a seguir. 241 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Ducto arterioso Artéria pulmonar Aorta Artérias ilíacas comuns Veia cava inferior Veia umbilical Artérias umbilicais Ducto venoso Forame oval Veia cava superior Figura 230 – Circulação fetal 5.1.10.5 Circulação colateral A maior parte dos órgãos do corpo tem mais de uma fonte de irrigação sanguínea, a fonte de vasos sanguíneos principais e a fonte de vasos sanguíneos acessórios ou vasos sanguíneos colaterais. A circulação acessória ou circulação colateral é um suprimento sanguíneo alternativo de grande relevância funcional quando a fonte do suprimento principal está obstruída. 5.1.11 Aparelho valvar do coração William Harvey, em seu Tratado Exercitario de Motu Cordis et Sanguinis in Animalibus (Ensaio sobre o Movimento do Coração e do Sangue nos Animais), publicado em 1628, no qual ele descreve pela primeira vez a circulação contínua de sangue, fez referência especial à maneira pela qual a disposição das valvas do coração permitia o fluxo de sangue por meio desse órgão, desempenhando o papel de manter o fluxo de sangue em apenas um único sentido, ou seja, unidirecional e, por isso, agem como valvas de mão única. 242 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II As valvas do coração são, fundamentalmente, especializações do endocárdio que se organizam, durante o desenvolvimento, como regiões endocárdicas encorpadas, chamadas de coxins endocárdicos, na região da futura valva atrioventricular direita e da valva atrioventricular esquerda e, ainda, como cristas valvares, ou também como coxins endocárdicos, na região das futuras valvas semilunares. Podem ser distinguidos dois diferentes tipos de valvas do coração: as valvas atrioventriculares e as valvas semilunares. As atrioventriculares dificultam o refluxo de sangue dos ventrículos para os átrios, no momento da sístole ventricular. Já as semilunares evitam o refluxo de sangue da aorta e do tronco pulmonar para os ventrículos. Em sua superfície, as valvas do coração são envolvidas por endotélio, abaixo do qual se encontra uma camada de tecido conjuntivo. Esse endocárdio valvular tem uma estrutura análoga ao endocárdio parietal, que se arranja diretamente sobre o miocárdio. As patologias podem afetar as valvas do coração e, consequentemente, alterarem suas funções. Algumas causas comuns de endocardites são caracterizadas pela infecção bacteriana de uma valva, em geral, já antecipadamente lesionada, ou ainda sequela de uma patologia de causa imunológica, por exemplo, a febre reumática, após uma infecção estreptocócica do anel faríngeo, que leva a complicações no aparelho valvar do coração. Uma endocardite bacteriana pode afetar a valva atrioventricular direita, especialmente devido à introdução de cateteres intravenosos contaminados, ou após o uso de drogas injetáveis, com a injeção de materiais infectados, ou seja, a entrada de micro‑organismos no sistema venoso, com comprometimento preferencial das valvas do coração direito. Exceções em outras situações, pode haver predileção pelas valvas do coração esquerdo, na colonização de bactérias. As valvas atrioventriculares impedem a volta do sangue dos ventrículos para os átrios durante a sístole e as valvas semilunares dificultam o retorno do sangue da aorta e do tronco pulmonar para os ventrículos, durante a diástole. Todas essas valvas fecham‑se e abrem‑se passivamente, ou seja, fecham‑se quando o gradiente retrógrado de pressão empurra o sangue de volta e abrem‑se quando um gradiente de pressão, conduzido para adiante, força o sangue para frente. As membranas finas das valvas atrioventriculares precisam de um fluxo retrógrado muito pequeno para se fechar, enquanto as válvulas semilunares, bem mais densas, carecem de um fluxo retrógrado mais forte e veloz. Lembrete A valva atrioventricular direita, por possuir três válvulas, é designada de tricúspide; a esquerda é bicúspide, também designada como mitral. As valvas semilunares funcionam de maneira diferente das valvas atrioventriculares. Primeiro, as altas pressões diastólicas causam o fechamento íngreme das valvas semilunares, quando comparadas com o fechamento bem mais leve das valvas atrioventriculares na sístole. Segundo, em virtudede seus óstios menores, a velocidade de ejeção do sangue pelas valvas semilunares é maior. Terceiro, devido ao acelerado fechamento e à veloz ejeção, as margens da valva da aorta e da valva do tronco pulmonar estão submetidas à corrosão mecânica mais intensificada. Finalmente, as valvas atrioventriculares são amparadas pelas cordas tendíneas, o que não acontece com as valvas semilunares. É evidente, pela anatomia das valvas da aorta e da valva do tronco pulmonar, que elas são bem ajustadas para combater estresses físicos extras. 243 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA As valvas semilunares contrabalançam funcionalmente a falta de cordas tendíneas e dos músculos papilares, pela presença de membranas valvulares mais espessas. Ambos os óstios atrioventriculares suportam grandes alterações na forma, na posição e na área durante um ciclo de contração. A valva atrioventricular esquerda, por exemplo, diminui 40% do seu diâmetro durante a sístole. Valva do tronco pulmonar (fechada) Valva do tronco pulmonar (aberta) Valva da aorta (aberta) Valva atrioventricular direita (fechada) Valva atrioventricular direita (aberta) Valva atrioventricular esquerda (fechada) Valva atrioventricular esquerda (aberta) Artéria coronária esquerda Artéria coronária direita Valva da aorta (fechada) Figura 231 – As valvas do coração O conhecimento das valvas do coração auxiliará na parte clínica quando se realizam as auscultas cardíacas, conforme ilustra a figura a seguir. Figura 232 – Anatomia de superfície do coração. Os focos de ausculta para as valvas da aorta (A), do tronco pulmonar (T), atrioventricular esquerda (mitral – M) e atrioventricular direita (tricúspide – P) estão indicados pelas letras. Por si só, as valvas atrioventriculares não conseguem aguentar toda a carga da sístole sem se inverter. Por isso, são avigoradas pelos músculos papilares e pelas cordas tendíneas. Os músculos papilares, portanto, são grupos musculares de sustentação valvular, assim sendo destacam‑se como projeções cônicas ou arredondadas de músculos e cujos ápices se inserem as cordas tendíneas. 244 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II As cordas tendíneas são estruturas anatômicas fibrosas, delicadas, mas fortes. Apresentam‑se em número de vinte e têm tamanhos e espessura desiguais. A maioria depara‑se presa aos músculos papilares. Essas se fixam por um lado nas valvas e por outro nos músculos papilares, conforme ilustra a figura. Músculos papilares Cúspides Válvulas semilunares Cordas tendíneas Figura 233 – Complexo valvar (A) e atrioventricular (B) Os músculos papilares, ao se contraírem em conjunto com o miocárdio, reduzem a cavidade ventricular, apertam os óstios atrioventriculares e puxam as válvulas para baixo, prevenindo a inversão dessas e o natural refluxo de sangue. Caso as cordas tendíneas sejam rompidas, ou caso um dos músculos papilares permanecer inativo, a valva atrioventricular se abaúla muito e refluem profusamente, acarretando regurgitação de sangue para os átrios durante a sístole e, comumente, a sobrecarga e a falta de capacidade do coração de bombear toda a quantidade desse sangue refluído, conforme ilustra a figura a seguir. Valva da aorta Valva mitral Músculos papilares Cordas tendíneas Figura 234 – Sistema antirrefluxo Se a função de uma valva do coração sofre alguma modificação, seja ela congênita, seja ocasionada por um processo de reestruturação, após uma inflamação na valva, isso se distingue como uma deficiência da valva do coração ou valvulopatia. No início, a patologia em uma valva do coração pode se traduzir como estenose ou insuficiência e produzir modificações em cada um de seus respectivos espaços internos conectados em sequências. Caso tenham algum defeito irreparável, as valvas podem ser trocadas por valvas mecânicas ou por biovalvas, geralmente valvas de coração de porco. 245 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Lembrete Algumas patologias atingem as cúspides das valvas atrioventriculares, modificando a sua forma. Em algumas situações acontece a dificuldade de passagem do sangue dos átrios para os ventrículos. Em outras situações, acontece o refluxo de sangue para os átrios. 5.1.12 Microanatomia As camadas principais que constituem o coração são o epicárdio, a túnica serosa e externa; o miocárdio, a túnica muscular e média; e o endocárdio, a túnica íntima e interna, conforme ilustra a figura a seguir. O endocárdio é a túnica de revestimento mais interna da parede do coração, formada por um epitélio simples pavimentoso, o endotélio, e um tecido conjuntivo subjacente, com uma camada subendotelial e uma camada mioelástica. A tela subendocárdica, localizada abaixo do tecido subendotelial, abrange fibras do complexo estimulante do coração. O epicárdio corresponde à lâmina visceral do pericárdio seroso. Ele é constituído por um epitélio de revestimento simples pavimentoso, que forma sua superfície lisa, livre de atrito, e por tecido conjuntivo frouxo subjacente e, em seguida, uma tela subserosa. O miocárdio é a túnica mais grossa, formada pelo músculo estriado cardíaco. O miocárdio dos átrios é mais fino do que o miocárdio dos ventrículos, por conta de sua menor atividade de contração na função de bombear o sangue. Os feixes de fibras musculares são arranjados de maneira a resultar em um movimento de torção, ejetando eficazmente o sangue do coração durante a contração muscular. No miocárdio há especialmente dois diferentes tipos de fibras musculares cardíacas, sendo elas as fibras da musculatura de trabalho e as fibras do complexo estimulante do coração. As fibras da musculatura de trabalho localizadas nos ventrículos adotam um percurso espiralado, existindo uma organização em três camadas, formada por uma camada longitudinal externa, uma camada circular média e uma camada longitudinal interna. A camada longitudinal externa se origina do esqueleto fibroso do coração, em sua maior parte no trígono fibroso direito e no trígono fibroso esquerdo, e continua, em feixes espiralados, em sentido longitudinal até o vórtice do coração, que corresponde ao anel mais estreito da espiral, em cujas proximidades se arranjam o ápice do coração. As fibras circulares se inserem na camada circular. A camada circular é individualmente consistente no ventrículo esquerdo e é caracterizada como motor do coração, enquanto no ventrículo direito ela se depara bem menos desenvolvida e, portanto, mais fina. Da camada circular surgem fibras que continuam na camada interna do miocárdio em sentido longitudinal. Essa camada longitudinal induz à formação das trabéculas cárneas e dos músculos papilares. 246 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II 5.1.13 Pericárdio O coração está envolvido por um saco de parede dupla chamado de pericárdio. A parte superficial frouxamente acomodada desse saco é o pericárdio fibroso. Essa forte camada de tecido conjuntivo denso tem como papéis: proteger o coração, ancorar as estruturas que o rodeiam e impedir o enchimento excessivo do coração com sangue. Abaixo do pericárdio fibroso está o pericárdio seroso, uma membrana de duas camadas, fina, escorregadia e serosa. Sua lâmina parietal cobre a superfície interna do pericárdio fibroso. Na margem superior do coração a lâmina parietal se une aos grandes vasos da base que saem dele e se dobra inferiormente, prosseguindo até a superfície externa do coração como a lâmina visceral. Entre as camadas parietal e visceral está a cavidade do pericárdio, em forma de fenda, a qual abrange uma película de líquido seroso. As membranas serosas, lubrificadas pelo líquido do pericárdio, deslizam delicadamente umas sobre as outras durante os movimentos do coração, possibilitando que ele funcioneem um meio relativamente livre de atrito. Microanatomia Endocárdio Pericárdio fibroso Lâmina parietal do pericárdio seroso Vasos de sangue coronários Trabéculas cárneas Cavidade do pericárdio Miocárdio Lâmina visceral do pericárdio seroso (epicárdio) Epicárdio Miocárdio Endocárdio Pericárdio Pericárdio Figura 235 – Pericárdio Observação Pericardite é um processo inflamatório do pericárdio que pode intervir na produção de líquido pericárdico que lubrifica as superfícies das lâminas parietal e visceral do pericárdio. As aderências dolorosas podem interferir na contração do miocárdio. 5.1.14 Características morfofuncionais das artérias e das veias • Juntando as arteríolas, as vênulas e os capilares há cerca de 96.540 quilômetros de vasos de sangue. 247 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA • No cadáver as artérias têm secção transversal circular e as veias, elíptica. As artérias são vazias e as veias, comumente, cheias de sangue, por conta da rigidez cadavérica algumas horas após a morte, em que os músculos se contraem e dirigem seu sangue para as veias. • As paredes das artérias e das veias são formadas de três camadas, ou túnicas, conforme ilustra a figura a seguir. A túnica externa, ou adventícia, a camada mais externa, está constituída de tecido conjuntivo frouxo; a túnica média, a camada média, está composta de músculo liso; a túnica média das artérias apresenta quantidades inconstantes de fibras elásticas; a túnica interna, a camada interna, está constituída de epitélio simples pavimentoso e de fibras elásticas compostas de elastina. A camada de epitélio simples pavimentoso é chamada de endotélio e reveste a parede de todos os vasos de sangue. Os capilares consistem apenas em endotélio, apoiado em uma lâmina basal. Válvulas Endotélio Membrana basal Lâmina elástica interna TÚNICA MÉDIA TÚNICA EXTERNA Lâmina elástica externa Músculo liso TÚNICA ÍNTIMA Membrana basalEndotélio Figura 236 – As paredes dos vasos Saiba mais A aterosclerose é a patologia mais frequente das artérias, trata‑se da formação de placas de gordura na túnica interna, que oclui a luz das artérias. Saiba mais sobre o assunto: MARTINI, F. H.; TIMMONS, M. J.; TALLISTSCH, R. B. Anatomia humana. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009, p. 574. 248 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II • Ao fluir desde o coração até alcançar os capilares periféricos, o sangue passa por uma sequência de artérias de diâmetros cada vez menores: as artérias elásticas e as artérias musculares, conforme ilustra a figura a seguir. As artérias elásticas, ou artérias de condução, são vasos com grandes diâmetros, transportam grandes volumes de sangue para fora do coração, como, por exemplo, o tronco pulmonar e a aorta e seus ramos principais: as artérias carótidas comuns e as artérias subclávias. As artérias musculares, ou artérias de distribuição, conduzem sangue aos músculos esqueléticos e órgãos internos. As artérias carótidas externas no pescoço, as artérias braquiais nos braços, as artérias femorais nas coxas e as artérias mesentéricas no abdome são exemplos de artérias musculares. Figura 237 – Artérias elásticas e musculares • A adventícia também apresenta vasos de sangue destinados à nutrição dos tecidos que compõem as diversas túnicas do próprio vaso. São pequenas artérias e veias que podem existir na adventícia. Nas veias mais calibrosas estão presentes na túnica média. Esses vasos são chamados de vasa vasorum, conforme ilustra a figura a seguir, expressão em latim que significa “vasos dos vasos”. 249 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Figura 238 – Vasa vasorum • As artérias têm elasticidade a fim de manter o fluxo de sangue constante. Observação A diferença da pressão sanguínea entre as artérias e as veias é clara quando os vasos sanguíneos são seccionados. O sangue escorre suavemente e livremente de uma veia, porém, jorra com força quando é proveniente de uma artéria. • Muitas veias apresentam válvulas, conforme ilustra a figura a seguir, as pregas membranosas na camada interna da veia, em forma de bolso, que estão ausentes nas artérias. Estão ausentes as válvulas nas veias do cérebro e em algumas veias do tronco e do pescoço. Veia profunda Veia comunicante Veia superficial Válvula Figura 239 – Veias comunicantes e válvulas venosas da perna 250 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II • A veia cava superior tem sua abertura desprovida de válvula. A válvula da veia cava inferior no adulto é geralmente rudimentar e apresenta pouca ou nenhuma relevância funcional. A válvula do seio coronário inserida na borda direita e inferior do seio coronário não acarreta dificuldade no fechamento parcial do orifício durante a contração do átrio. • Em média, a pressão nas veias é de apenas 2 milímetros de Hg, comparada com a média muito mais elevada da pressão arterial, de cerca de 100 milímetros de Hg. Essas pressões simulam a pressão hidrostática, ou seja, a pressão que o sangue exerce sobre as paredes dos vasos de sangue. A baixa pressão venosa é insuficiente para fazer o sangue retornar ao coração, particularmente dos membros inferiores. Todavia, as veias passam entre grupos de músculos estriados esqueléticos, que proporcionam uma massagem quando se contraem. Quando as veias são comprimidas pela contração dos músculos estriados esqueléticos, o fluxo de sangue se direciona para o coração, o que é garantido pela presença das válvulas venosas. O efeito de massagem dos músculos estriados esqueléticos no fluxo de sangue venoso é usualmente descrito como bomba muscular esquelética, conforme ilustra a figura a seguir. A assiduidade do retorno venoso para o coração é dependente, em grande parte, da ação das bombas musculares estriadas esqueléticas. Quando essas bombas são menos ativas, por exemplo, quando uma pessoa fica parada ou está acamada, o sangue acumula nas veias dilatando‑as. Esse acúmulo de sangue nas veias das pernas por um período longo pode acarretar a distensão das veias nos pontos onde as válvulas venosas não se tornam mais eficientes. Isso pode gerar veias varicosas. Direção do fluxo de sangue Valva (aberta) Músculo estriado esquelético contraído Valva (fechada) Veia Figura 240 – A bomba muscular • O número de veias é maior do que o das artérias, conforme ilustra a figura a seguir, não só porque é muito habitual a existência de duas veias satélites acompanhando uma artéria, mas também pela existência de um sistema de veias superficiais às quais não correspondem as artérias. Em geral, há duas veias acompanhando uma artéria, porém, há exceções, por exemplo, no pênis e no cordão umbilical, onde há duas artérias e uma veia. 251 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Veia Veia Artéria Figura 241 – Número de veias e artérias • As artérias saem do coração e as veias chegam ao coração. • As artérias apresentam ramos, conforme ilustra a figura a seguir, e as veias afluentes. Ramo recorrente Ramo colateral Ramo terminal Ramo terminal Figura 242 – Esquema dos ramos de uma artéria • Para as artérias diz‑se em irrigação ou nutrição. Para as veias diz‑se em drenagem. • Nomenclatura das artérias: (a) situação: a. braquial; (b) direção: a. circunflexa da escápula; (c) órgão irrigado: a. renal. Lembrete Artérias: transportam sangue, irrigam os órgãos e levam sangue. Veias: recebem sangue dos órgãos e trazem o sangue. A artéria braquial é usada para mensurar a pressão arterial. • Calibre dos vasos de sangue: grande, médio e pequeno (arteríolas e vênulas). 252 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II • Situação das veias: asveias superficiais são subcutâneas, com frequência visível por transparência na pele, mais calibrosas nos membros e no pescoço. Devido a sua posição subcutânea, é nelas que se faz a aplicação de injeções endovenosas. Elas não acompanham as artérias. Veias profundas: podem ser solitárias, isto é, não acompanham artérias, por exemplo, a veia cava superior, a veia cava inferior, a veia ázigo, a veia porta ou as veias satélites das artérias. Numerosas veias comunicam veias superficiais com veias profundas e são nomeadas veias comunicantes. 5.1.15 Vasos linfáticos, linfonodos, ductos linfáticos e tonsilas O sistema linfático consiste em duas partes: uma ampla rede de vasos linfáticos e diversos tecidos e órgãos linfáticos distribuídos pelo organismo. Os órgãos linfáticos desempenham papéis essenciais nos mecanismos de defesa do organismo: via acessória para o líquido intersticial; transporte de substâncias dos espaços intercelulares que não podem ser retiradas pelos capilares sanguíneos, como, por exemplo, as proteínas; e barreira à propagação de bactérias, vírus e células cancerígenas. Ele é composto pelos vasos linfáticos, semelhantes às veias, portanto, vasos convergentes, incumbidos de levar a linfa dos tecidos para a corrente sanguínea. A linfa é um líquido semelhante ao plasma, desprovido de plaquetas, possui raras plaquetas e é rico em leucócitos e linfócitos. Em alguns órgãos a linfa apresenta características especiais. Por exemplo, nos vasos linfáticos do intestino delgado, a linfa é branca, leitosa e chamada de quilo. É rica em gordura emulsionada. Os capilares linfáticos são compostos de células endoteliais. A maioria deles não apresenta válvulas. A partir dos capilares saem os vasos linfáticos, os quais, geralmente, acompanham os vasos de sangue. Os linfonodos são estruturas anatômicas arredondadas que se agrupam ao longo dos vasos linfáticos. À medida que a linfa é transportada de volta para a corrente sanguínea, ela é filtrada por meio dos linfonodos. Podem estar isolados ou reunidos, formando grupamentos maiores de linfonodos. Estão presentes próximos à superfície corporal nas regiões: inguinal, axilar e cervical, locais onde os vasos linfáticos coletores convergem para compor troncos. Um papel essencial dos linfonodos é a proteção do organismo. A direção da corrente da linfa é mantida com o auxílio das válvulas. Então, a linfa recolhida pelos capilares alcança os vasos linfáticos e passa pelos linfonodos, é captada por novos coletores que chegam aos ductos linfáticos, que, por fim, lançam a linfa no sangue venoso. Nos membros superiores e inferiores ela segue em sentido à axila e à região inguinal, concomitantemente. Os dois grandes ductos linfáticos são: ducto torácico e ducto linfático direito. Observação É comum que células cancerígenas adentrem nos capilares linfáticos e atinjam o sangue, quando, então, são carregadas para outros tecidos, onde se fixam e desenvolvem um novo tumor. Esse novo tumor é chamado de metástase. 253 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA As tonsilas são os órgãos linfáticos mais simples, elas compõem um anel de tecido linfático em torno da entrada da faringe e são chamadas conforme sua situação. As tonsilas palatinas são pareadas e se localizam de cada lado na parte oral da faringe. Essas são as maiores e as mais comumente infectadas. Uma coleção irregular de folículos linfáticos na base da língua é chamada de tonsilas linguais. A tonsila faríngea está na parede posterior da parte nasal da faringe. As diminutas tonsilas tubárias circundam as aberturas das tubas auditivas na faringe. As tonsilas têm como função recolher e retirar patógenos que adentram na faringe pelo alimento ou pelo ar inalado. Observação A musculatura do períneo pode sofrer alterações em relação ao número de gestações. Isso pode influenciar situações futuras que acarretem desconfortos às mulheres, por exemplo, a incontinência urinária. Saiba mais Para saber mais sobre o sistema linfático: RODRIGUES, C. F. S. Anatomia aplicada do sistema linfático. In: PITTA, G. B. B; CASTRO, A. A.; BURIHAN, E. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Maceió: Uncisal/EcmaL/Lava, 2003, p. 1‑6. Disponível em: <http://sogab.com. br/sistemalinfaticoartigoderevisao.pdf>. Acesso em: 16 mar. 2019. YAMAMOTO, A. P. C. N. Sistema linfático: revisão de literatura. Interbio, Dourados, v. 1, n. 2, 2007, p. 13‑20. Disponível em: <http://www.unigran. br/interbio/paginas/ed_anteriores/vol1_num2/arquivos/artigo2.2.pdf>. Acesso em: 16 mar. 2019. 5.2 Sistema respiratório No corpo humano, assim como na maioria dos animais de vida terrestre, a aquisição de O2 requer trocas gasosas entre o corpo e o meio ambiente. Assim, o sistema respiratório possibilita a absorção de O2 pelo organismo e a eliminação de CO2 resultante da oxidação celular. As trocas gasosas ocorrem entre o sangue e o ar, processo chamado de respiração. A respiração acontece em três etapas principais: a ventilação pulmonar, ou respiração, que é o fluxo de ar para dentro e para fora dos pulmões; a respiração externa, que é a troca de gases entre os espaços aéreos ou alvéolos pulmonares, e o sangue, nos vasos capilares pulmonares; e a respiração interna, que é a troca de gases entre o sangue nos vasos capilares sistêmicos e as células dos tecidos. O sangue provê O2 e recebe CO2. 254 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II Além das trocas gasosas, os papéis do sistema respiratório são: produzir o som ou a vocalização, quando o ar expirado passa por meio das pregas vocais; auxiliar na compressão abdominal durante a micção, defecação e parto; tornar possíveis os movimentos aéreos protetores e os reflexos, por exemplo, tosse e espirro, para manter limpa a passagem do ar; auxiliar na regulação do pH sanguíneo; e livrar o organismo de uma parte da água e do calor no ar expirado. Para que seja realizável, a respiração é imprescindível à participação de uma série de órgãos tubulares e alveolares, localizados na cabeça, no pescoço e na cavidade torácica. Esses órgãos são: nariz, cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios e pulmões. Os órgãos respiratórios podem ser subdivididos em órgãos do trato superior ou vias aéreas superiores e pulmões, conforme ilustra a figura a seguir. Ademais, podemos considerar como órgãos acessórios da respiração as pleuras, a caixa torácica e os músculos respiratórios. Toda a via aérea é recoberta internamente por uma mucosa. Faringe Laringe Traqueia Nariz Brônquio principal direito Pulmões Figura 243 – Vista anterior mostrando os órgãos da respiração Lembrete As vias aéreas superiores incluem o nariz, a cavidade nasal, a faringe, a laringe, a traqueia e os brônquios principais. 5.2.1 Nariz O nariz é a saliência mediana da face, composto de arcabouço ósseo e cartilagíneo, revestido de pele e com o formato de uma pirâmide triangular. A extremidade superior corresponde ao vértice da pirâmide, chamado de raiz e a extremidade inferior, chamada de base. Entre a raiz e a base encontra‑se de dorso. Na base deparam‑se duas aberturas em fenda, as narinas, separadas por um septo nasal. Elas comunicam o meio externo com a cavidade nasal. A partir da raiz uma ponte óssea se estende para baixo, ao longo do 255 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA dorso, para terminar na parte móvel chamada de ápice. A parte lateral é composta pela asa do nariz. A pele do nariz prossegue o contorno das narinas e continua na cavidade nasal por uma curta distância para compor a junção com a mucosa que reveste a cavidade nasal. Uma rede de pelos curtos e espessos, as vibrissas, sai da pele, que é rica em glândulas sebáceas cuja finalidade é conter as partículas pendentes no ar inspirado. O nariz tem como função: limpar, umidificar e aquecer o ar, recebersecreções dos seios paranasais e do ducto lacrimonasal e expulsar secreções. Há diversos tipos de perfil nasais relacionados às variações anatômicas características nos grandes grupos raciais. Os brancos, geralmente, têm nariz afilado, são leptorrinos; os negros apresentam‑no achatado, são camerrinos; os amarelos são mesorrinos. Além dos ossos nasais e as partes das duas maxilas, fazem parte do esqueleto do nariz várias cartilagens nasais, como: cartilagem do septo nasal, cartilagens alares maiores e menores, vomeronasal, e acessórias, conforme ilustra a figura a seguir. A cartilagem do septo divide a cavidade nasal em duas metades, direita e esquerda. A cartilagem lateral do nariz compõe uma parte do dorso do nariz. Um desvio do septo nasal pode intervir com a livre passagem do ar por meio da cavidade nasal. Isso poderia ser gerado por uma lesão congênita, entretanto, na maioria das vezes, o desvio acontece durante a adolescência e a vida adulta por traumatismo, por exemplo, durante uma luta de soco. Algumas vezes o desvio é tão acentuado que o septo nasal está em contato com a parede lateral da cavidade nasal, e repetitivamente acarreta bloqueio respiratório, ou acentua o ronco, porém, essa situação pode ser cirurgicamente retificada. Estrutura óssea: Frontal Frontal Maxila Cartilagens nasais acessórias Cartilagem do septo nasal Cartilagens alares Tecido conjuntivo fibroso denso e tecido adiposo Estruturas cartilagíneas: Figura 244 – Vista anterior do nariz mostrando as estruturas ósseas e cartilagíneas 5.2.2 Cavidade nasal A câmara interior do nariz é a cavidade nasal. Cada metade da cavidade apresenta duas aberturas anterior e posterior, sendo elas as narinas e os cóanos, concomitantemente. A cavidade nasal é dividida em duas partes: o vestíbulo e a cavidade própria do nariz limitada pelo limiar do nariz. Seus principais limites são: o assoalho, o teto e as paredes medial e lateral. 256 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II O assoalho é mais largo do que o teto e é composto pelo processo palatino da maxila, os três quartos anteriores; e pela lâmina horizontal do osso palatino, o um quarto posterior. O teto é curvo e estreito, exceto em sua extremidade posterior. A parede medial é formada pelo septo nasal mediano. Habitualmente, o septo nasal é desviado para um dos lados, limitando o tamanho da cavidade nasal daquele lado. Os principais ossos do septo nasal são: osso nasal, etmoide, vômer, esfenoide, palatino e maxila, conforme ilustra a figura a seguir. Figura 245 – Parede medial da cavidade nasal Os principais ossos da parede lateral da cavidade nasal são: maxila, osso nasal, etmoide, concha nasal inferior, palatino e esfenoide. Figura 246 – Lateral da cavidade nasal 257 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA A parede lateral possui três relevos chamados de conchas nasais: superior, média e inferior. Raramente há um quarto relevo ósseo, que é a concha nasal suprema, localizada superiormente. O espaço compreendido entre as conchas nasais e a parede lateral da cavidade nasal recebe o nome de meatos nasais, conforme ilustram as figuras a seguir. Concha nasal inferior Concha nasal superior Concha nasal média Figura 247 – Vista medial de um corte sagital da cabeça. O septo nasal foi removido para observação das conchas nasais 1. Vibrissas 2. Concha nasal inferior 3. Concha nasal média 4. Concha nasal superior 5. Meato nasal inferior 6. Meato nasal médio 7. Meato nasal superior 8. Óstio faríngeo da tuba auditiva 9. Seio frontal 10. Seio esfenoidal 11. Tonsila faríngea Figura 248 – Imagem com ênfase na cavidade nasal Nos meatos nasais deparam‑se orifícios de comunicação com os seios paranasais e as células etmoidais, que são cavidades cheias de ar, anexas à cavidade nasal, e situadas nos ossos pneumáticos do esqueleto cefálico. No recesso esfenoetmoidal, região estreitada localizada acima e posteriormente à concha nasal superior, abre‑se o seio esfenoidal. No meato nasal superior abrem‑se as células etmoidais posteriores. No meato nasal médio abrem‑se os seios: frontal e maxilar e as células etmoidais anteriores. No meato nasal inferior se abre o ducto nasolacrimal e a comunicação das cavidades orbital e nasal. O ducto nasolacrimal drena os fluidos, ou seja, as lágrimas da superfície dos olhos, que também drenam nas cavidades nasais. 258 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II Meato nasal superior – células etmoidais posterioresMeato nasal médio – células etmoidais anteriores e o seio frontal Recesso esfenoetmoidal – seio maxilar Meato nasal médio – seio maxilar Meato nasal inferior – ducto nasolacrimal Figura 249 – Orifícios de comunicação Observação No caso de fratura do etmoide, o líquido cerebrospinal pode adentrar na cavidade nasal e sair pelas narinas. Essa situação, conhecida como rinorreia do líquido cerebrospinal ou liquorreia, pode levar à meningite, com possíveis consequências letais. 5.2.3 Seios paranasais Os seios paranasais são espaços ocos preenchidos por ar, sendo a construção leve do crânio. Esses seios são chamados conforme os ossos que se deparam. De tal modo, existem os seios frontais, maxilares, esfenoidais e as células etmoidais. Seio frontal Células etmoidais Seio esfenoidal Seio maxilar Figura 250 – Os seios paranasais 259 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Admite‑se que os principais papéis dos seios paranasais sejam ajudar a aquecer o ar e umedecer o ar inspirado. Eles também são responsáveis pela ressonância do som, porém, vale mencionar que seja mais por conta que eles exerçam um papel na redução do peso do crânio. A capacidade de eles agirem como caixas de ressonância durante a fala é duvidosa, porque também estão presentes em outros animais que raramente vocalizam. Além do mais, nos seres humanos os seios paranasais obstruídos, ou cheios de líquido, não atrapalham de forma significativa a vocalização. O conhecimento da posição dos seios paranasais é relevante para o diagnóstico de uma doença, uma vez que as inflamações neles podem gerar dores acima do lugar atingido, por exemplo, a cefaleia frontal, no caso de uma inflamação no seio frontal. 5.2.3.1 Seio frontais O seio frontal em número de dois situa‑se profundamente à glabela do osso frontal. Suas medidas habituais são: 3 centímetros de altura; 2,5 centímetros de largura; 2,5 centímetros de profundidade. Ausentes no nascimento, os seios frontais, geralmente, estão bem desenvolvidos entre os 7 e 8 anos de idade, porém, só atingem seu tamanho completo após a puberdade. 5.2.3.2 Seios maxilares Os seios maxilares são os maiores seios paranasais e estão localizados na maxila. Seus tamanhos se alteram entre os diferentes crânios, de um lado para outro no mesmo indivíduo. As medidas de um seio maxilar médio são as seguintes: 3,75 centímetros de altura, em frente ao primeiro dente molar; 2,5 centímetros de largura; 3 centímetros de profundidade anteroposterior. As raízes do primeiro pré‑molar e do segundo pré‑molar e, algumas vezes, a raiz do canino se projeta para cima em direção ao seio maxilar. As raízes dos dentes estão envoltas em uma lâmina fina de osso compacto, ocasionalmente ausente, e em contato com a túnica mucosa do seio maxilar. O seio maxilar surge como um sulco raso na face medial do osso por volta do quarto mês da vida fetal, porém, só alcança seu total desenvolvimento após a segunda dentição. Observação A extração de um dente pode resultar em uma fístula ou um dente infectado pode originar uma sinusite. 5.2.3.3 Seios esfenoidais Os seios esfenoidais em número de dois estão incluídos dentro do corpo do esfenoide, alterando em forma e tamanho. Suas medidas habituais são: 2,2 centímetros de altura; 2 centímetrosde largura; 2,2 centímetros de profundidade. Na ocasião do nascimento, os seios esfenoidais deparam‑se como pequenas cavidades, porém, seu maior desenvolvimento acontece após a puberdade. 260 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II 5.2.3.4 Células etmoidais As células etmoidais fazem parte de numerosas pequenas cavidades de paredes finas que compõem o labirinto etmoidal e são completadas pelo frontal, maxila, lacrimal, esfenoide e palatino. Observação Pode‑se avaliar a cavidade nasal no indivíduo vivo por meio de um rinoscópio, que é colocado na narina. Por meio de um espelho colocado na boca, pode‑se avaliar os cóanos. Já os seios paranasais podem ser avaliados por meio de radiografias e tomografias. A inflamação da mucosa nasal chama‑se rinite, que fica edemaciada e inflamada durante as infecções respiratórias graves e as reações alérgicas. A rinite pode se espalhar para os seios paranasais e provocar sinusites. Já a sinusite é a inflamação da mucosa dos seios paranasais que leva à obstrução dos óstios dos seios. Esse processo acarreta um acúmulo de muco nos seios paranasais, resultando em elevação de pressão nas cavidades dos seios paranasais. Essa elevação de pressão ocasiona a dor de cabeça sinusal, de intensidade variável e, se não tratada, a infecção pode se difundir para a orelha média e interna, bem como para outras regiões. 5.2.4 Faringe A faringe possui aproximadamente 15 centímetros nos homens e 13 centímetros nas mulheres, com largura máxima de 3,5 centímetros até reduzir junto ao esôfago, e diâmetro de 1,5 centímetro. Estende‑se desde a base do crânio até a margem inferior da cartilagem cricoide, e adiante é a margem inferior de C6, por detrás. Sua parede é composta de músculo esquelético e é revestida com uma túnica mucosa. A faringe funciona como uma passagem para o ar e o alimento, portanto, pertence aos sistemas digestório e respiratório. Ela fornece uma câmara de ressonância para os sons da fala e alojam as tonsilas, que participam das respostas imunes aos invasores estranhos. As infecções desse órgão se manifestam em transtornos durante a deglutição, respiração e fala. 5.2.4.1 Dimensões Como visto anteriormente, quando a faringe está em repouso seu comprimento médio é de 15 centímetros. Quando ela se contrai, sua extremidade inferior se eleva e seu comprimento diminui cerca de 3 centímetros. Sua maior largura situa‑se imediatamente abaixo da base do crânio, onde se projeta lateralmente atrás do óstio faríngeo da tuba auditiva, formando o recesso faríngeo; seu ponto mais estreito está em sua terminação com o esôfago. 261 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA 5.2.4.2 Cavidades da faringe Sete cavidades se comunicam com a faringe, a saber: as duas cavidades timpânicas e nasais, a boca, a laringe e o esôfago. A cavidade da faringe pode ser subdividida em três partes: nasal, oral e laríngea. A parte nasal da faringe, ou nasofaringe, está posterior ao nariz e superior ao palato mole; a parte oral da faringe, ou orofaringe, está posterior à boca; a parte laríngea da faringe, ou laringofaringe, está posterior à laringe. 5.2.4.3 Parte nasal da faringe A parte nasal da faringe tem função respiratória e situa‑se posteriormente ao palato mole, sendo a extensão posterior das cavidades nasais. O nariz abre‑se para a parte nasal da faringe por meio de dois cóanos. O palato mole e a úvula palatina formam o assoalho da parte nasal da faringe. Nas suas paredes laterais, a parte nasal da faringe recebe as tubas auditivas que a conectam com a cavidade da orelha média. Quando aberta, ela equilibra a pressão no interior da orelha média com a que está na faringe e no meio ambiente. Observação A tuba auditiva é uma via potencial de disseminação de infecções da faringe para a orelha média. A otite média ou infecção da orelha média é mais prevalente em crianças muito jovens porque a tuba auditiva não se abre facilmente como a de um adulto. Saiba mais Para saber mais sobre a relação do aleitamento materno e a ocorrência de otite média em bebês: FOLTRAN, L. N.; FUJINAGA, C. I. Otite média posicional e sua relação com o aleitamento: revisão integrativa de literatura. In: XIX SEMANA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA UNICENTRO, 19, 2014, Guarapuava. Anais... Guarapuava: Unicentro, 2014, p. 1‑4. Disponível em: <http://anais. unicentro.br/proic/pdf/xixv2n1/124.pdf>. Acesso em: 17 mar. 2019. Em sua parede lateral, uma prega vertical da mucosa, a prega salpingofaríngea, estende‑se para baixo, a partir da tonsila tubária, e contém o músculo salpingofaríngeo. Uma segunda prega menor, a prega salpingopalatina, estende‑se da parte superior da tonsila tubária ao palato. Atrás do óstio faríngeo da tuba auditiva situa‑se um profundo recesso, o recesso faríngeo. 262 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II Na parte posterior encontra‑se uma saliência produzida por tecido linfático e conhecida como tonsila faríngea. De modo geral, a tonsila faríngea é mais volumosa na infância, regredindo e se atrofiando na idade adulta. Quando essas tonsilas se tornam aumentadas como respostas a uma infecção são chamadas de adenoides. Esse aumento pode ser crônico e interferir na respiração pelo nariz, sendo necessário respirar pela boca. 5.2.4.4 Parte oral da faringe A parte oral da faringe tem função digestiva e estende‑se do palato mole ao nível do osso hioide. Anteriormente, abre‑se na boca, por meio do istmo das fauces. Em sua parte lateral, entre os dois arcos, se encontram as tonsilas palatinas, chamadas de amígdalas. As tonsilas palatinas são duas massas de tecido linfoide localizado em ambos os lados da parte oral da faringe, entre os arcos palatoglosso (anterior) e palatofaríngeo (posterior). O espaço entre os arcos que lhe serve de leito é a fossa tonsilar. As tonsilas palatinas estão frequentemente inflamadas e, não raro, são removidas cirurgicamente. A remoção cirúrgica das tonsilas palatinas chama‑se tonsilectomia, enquanto a remoção das tonsilas faríngeas é designada de adenoidectomia. Saiba mais A amigdalectomia ou tonsilectomia é a cirurgia de maior frequência na prática otorrinolaringológica pediátrica, quando a maioria das crianças tem a sua primeira intervenção cirúrgica. Para saber mais sobre o assunto: RIBEIRO, F. A.; CARVALHO, R. Ocorrência de dor no período pós‑operatório imediato de crianças submetidas à amigdalectomia. Revista Dor, São Paulo, v. 11, n. 1, p. 50‑54, 2010. Disponível em: <http://files.bvs. br/upload/S/1806‑0013/2010/v11n1/a1499.pdf>. Acesso em: 17 mar. 2019. 5.2.4.5 Parte laríngea da faringe Parte inferior da faringe, serve como passagem de ar e de alimento. Situa‑se posterior à laringe e estende‑se inferiormente ao nível do osso hioide à laringe. A parte laríngea da faringe comunica‑se com a laringe por meio do ádito da laringe na sua parede anterior. No sistema digestório torna‑se contínua com o esôfago. Esse é um local frequente de choques de objetos pontudos, por exemplo, com ossos de aves ou de espinhas de peixes. A presença de material estranho nessa região gera um quadro de asfixia e o indivíduo fica inapto a retirar o objeto. 263 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA 5.2.4.6 Músculos da faringe Os músculos da faringe estão divididos em dois grupos: os músculos constritores e os músculos elevadores. Eles se relacionam com a fala, a deglutição e com as funções da orelha média. São eles: músculo constritor inferior, músculo constritor médio, músculo constritor superior, músculo estilofaríngeo, músculo salpingofaríngeo e músculo palatofaríngeo. Os principais são os constritores e elevadores. 1. Músculo constritor superior da faringe 2. Músculo constritor médio da faringe 3. Músculo constritor inferior da faringe 4. Rafeda faringe 5. Músculo estilofaríngeo 6. Glândula tireoide 7. Esôfago Figura 251 – Vista posterior dos músculos da faringe 5.2.5 Laringe A laringe ou órgão da voz é a parte das vias aéreas superiores que comunica a faringe com a traqueia. Trata‑se de uma estrutura semirrígida, com esqueleto cartilagíneo no qual as cartilagens se articulam em junturas sinoviais. Ela produz uma considerável saliência na linha mediana do pescoço chamada de pomo de Adão. Tem aproximadamente 5 centímetros e sua extensão vertical corresponde à C4 e C6, porém, está situado em um lugar um pouco mais alto na mulher, assim como ocorre na infância. Durante a puberdade, no homem, a laringe cresce rapidamente em tamanho e as pregas vocais tornam‑se 1 centímetro mais longas, fazendo com que o limite inferior da voz caia de uma oitava. Nas mulheres, essas alterações, inclusive no tom da voz, são menos acentuadas. De cada lado da laringe estão os grandes vasos do pescoço. Observação A laringite é uma inflamação da mucosa da laringe e pregas vocais que causa rouquidão da voz de um indivíduo ou a capacidade para falar além de um sussurro. Dentre os principais fatores causadores da laringite estão: utilização da voz em exagero, inalação de substâncias químicas irritantes e infecções bacterianas ou virais. 264 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II 5.2.5.1 Papéis da laringe A laringe tem dois papéis principais, impedir que o alimento ou líquidos entre na traqueia e nos pulmões durante a deglutição e permitir a passagem do ar durante a respiração; e a produção de sons. A fonação é a produção fisiológica da voz, cujo mecanismo é o seguinte: o ar expulso dos pulmões, ao atravessar a glote estreitada, entra em vibração; as vibrações do ar originam um som que será modelado, tomando as características da voz humana na faringe, boca e cavidade nasal; o estreitamento da glote é devido à ação dos músculos das cordas vocais, que se contraem; quando esses músculos não estão contraídos o ar expirado passa livremente pela glote, não produzindo som. Devido à influência dos hormônios sexuais masculinos, as pregas vocais usualmente são mais espessas e mais longas nos homens do que nas mulheres. Por isso, elas vibram mais lentamente, dando aos homens um tom mais baixo do que nas mulheres. Observação Processos infecciosos ou agentes irritantes no ar, por exemplo, a fumaça do cigarro, podem causar inflamação na mucosa da laringe, atingindo as pregas vocais. Elas reduzem a capacidade de vibrar normalmente e o indivíduo pode ter rouquidão ou até mesmo afonia completa. Em fumantes crônicos, a rouquidão pode ficar inalterável. 5.2.5.2 Esqueleto da laringe A laringe é formada por nove cartilagens, três ímpares e três pares: tireoide, epiglote, cricoide, aritenoides, corniculadas e cuneiformes. Essas cartilagens são mantidas juntas e unidas ao osso hioide acima e à traqueia abaixo, por ligamentos e músculos. Cartilagem tireoide Entre os povos egeus, nos primórdios da civilização grega, o thyreós, era uma grande pedra achatada colocada contra uma porta para mantê‑la fechada. Posteriormente, a palavra foi aplicada a um escudo pelos habitantes da ilha de Minos, feito de lâminas de madeira prensadas, amarradas com cipós e completado, nas bordas, com placas de metal (uma forma muito semelhante a uma porta, que em grego arcaico designava‑se thyra). Esse escudo, ao contrário da maioria dos escudos gregos, cobria o corpo até os pés e tinha duas chanfraduras ou entalhes, superior ou inferiormente, para encaixar o queixo e o joelho, respectivamente. A cartilagem tireoide recebeu esse nome por sua posição em relação à laringe, pois parece um escudo protetor. 265 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Cartilagem tireoide Figura 252 – Cartilagem tireoide A cartilagem tireoide é a maior cartilagem da laringe, ímpar, composta de duas placas quadriláteras, as lâminas direita e esquerda, que se juntam para compor a proeminência laríngea, o pomo de Adão do pescoço. O ângulo composto de essa união é mais agudo nos homens do que nas mulheres, correspondendo a um marcador de dimorfismo sexual. Cartilagem epiglote A cartilagem epiglote é ímpar, com a forma de uma folha, está localizada posterior à raiz da língua e ao hioide, e anterior ao ádito da laringe. Ela é revestida por uma mucosa contínua com a da raiz da língua e das partes laterais da faringe. A mucosa constitui‑se de três pregas entre a língua e a cartilagem epiglote: a prega glossoepiglótica mediana e as duas pregas glossoepiglóticas laterais. As depressões localizadas entre as pregas, de cada lado do plano mediano, são chamadas como valéculas da epiglote. Cartilagem epiglote Figura 253 – Cartilagem epiglote A laringe inteira se eleva durante a deglutição para fechar a glote contra a cartilagem epiglote. Esse movimento pode ser visto se colocarmos os dedos sobre a laringe e engolirmos em seguida. Caso a glote não permaneça fechada como deveria acontecer durante o ato de engolir, o alimento pode adentrar na glote. Observação Quando a cartilagem epiglote é retirada durante uma cirurgia tumoral o paciente deve aprender, com muito esforço, a engolir perfeitamente sem a cartilagem epiglote, pois há perigo de aspiração. 266 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II Cartilagem cricoide A cartilagem cricoide é ímpar, composta de um anel completo de cartilagem hialina, porém menor, mais grossa e robusta do que a cartilagem tireoide. Cartilagem cricoide Figura 254 – Cartilagem cricoide Entre as cartilagens tireoide e cricoide há o ligamento cricotireóideo, ponto de referência para realizar um procedimento de ventilação de emergência, uma cricotireoidostomia. Ligamento cricotireóideo Figura 255 – Ligamento cricotireóideo 267 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Cricotireoidostomia Figura 256 – Ligamento cricotireoide Observação O termo krykos é claramente uma variação do grego kyrkos, círculo, e deu nome à cartilagem laríngea pela sua forma em anel sinete. Esse tipo de anel, muito comum nas classes nobres da Antiguidade e da Idade Média, possuía um símbolo ou inscrição que identificava seu portador e servia para assinar documentos, colocando o anel sobre o lacre derretido, já que a maioria desses indivíduos era inculto. Cartilagens pares da laringe As cartilagens aritenoides, pares, em forma de pirâmide, são localizadas no dorso da laringe e formadas por cartilagem hialina. As cartilagens corniculadas e cuneiformes são pequenas peças de cartilagem elástica. A primeira se articula com as cartilagens aritenoides, enquanto a última está fixada anteriormente às cartilagens corniculadas. Compartimentos da laringe No interior da laringe podem ser distinguidos três andares: o vestíbulo da laringe, o ventrículo da laringe e a cavidade infraglótica. O vestíbulo da laringe se estende do ádito da laringe, a abertura superior da laringe, até a rima da glote, que corresponde ao espaço localizado entre as duas pregas vocais e as cartilagens aritenoides. O fechamento do ádito da laringe protege as vias aéreas superiores contra a penetração de alimentos e corpos estranhos. 268 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II Cavidade da laringe Ventrículo da laringe Cavidade infraglótica Figura 257 – Compartimentos da laringe O ventrículo da laringe é uma depressão, em forma de cunha, localizado entre as pregas vestibulares e vocais de cada lado. A fenda entre as duas pregas vocais, direita e esquerda, é a rima da glote. As pregas vestibulares são também chamadas de falsas cordas vocais e tem papel protetor e de produção de som durante o canto e a fala. Rima da glote Prega vestibular Prega vocal Cartilagemepiglote Prega ariepliglótica Figura 258 – Cartilagens laríngeas. Na imagem estão as estruturas observadas durante a inspeção das cordas vocais com um espelho laríngeo A cavidade infraglótica é um espaço localizado entre a rima da glote e o começo da traqueia. Na linguagem clínica, ela é chamada de subglote ou espaço subglótico. 269 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Observação Um edema de glote pode aparecer após reações alérgicas e outros fatores, provocando um estreitamento das vias aéreas superiores e consequente falta de ar. Músculos da laringe Existem dois grupos de músculos da laringe, os extrínsecos e os intrínsecos. Os músculos extrínsecos são aqueles que se estendem da laringe aos órgãos vizinhos. Eles abrangem os seguintes músculos: o tireo‑hióideo, estilo‑hióideo, milo‑hióideo, digástrico, estilofaríngeo e palatofaríngeo, que são levantadores da laringe; o omo‑hióideo, esterno‑hióideo e esternotireóideo, que são abaixadores da laringe. Já os músculos intrínsecos da laringe são: o cricotireóideo, cricoaritenóideo lateral, cricoaritenóideo posterior, tireoaritenóideo, vocal, aritenóideo transverso e aritenóideo oblíquo. Pode‑se dizer que os papéis dos músculos intrínsecos da laringe são os seguintes: tensionar ou relaxar o ligamento vocal, aumentando ou reduzindo a distância que separa as cartilagens aritenoides e tireoide; aduzir ou abduzir os ligamentos vocais, o que afasta ou aproxima do plano mediano os ligamentos vocais, logo aumenta ou reduz a rima da glote; e ocluir o ádito da laringe, ou seja, fechar a entrada da laringe. 5.2.6 Traqueia Abaixo da laringe, as vias aéreas superiores prosseguem com a traqueia e os brônquios principais. A traqueia é formada por um tubo de aproximadamente 2,5 centímetros de diâmetro e 11 centímetros de comprimento, e é sempre maior na mulher do que no homem. Na criança a traqueia é menor, mais profundamente localizada e mais móvel do que no adulto. Ela é a continuação da laringe, penetra no tórax, no mediastino e acaba bifurcando‑se nos dois brônquios principais, estendendo‑se até ao nível de T6. Se localiza medianamente, por diante do esôfago e tão somente na sua terminação, desviando‑se para a direita. Durante a inspiração profunda a traqueia pode se alongar por aproximadamente 5 centímetros. Observação Diversas circunstâncias podem bloquear o fluxo de ar pela obstrução da traqueia, por exemplo, um objeto grande pode ser aspirado ou um tumor canceroso pode protrair‑se para dentro da via respiratória. Dois métodos são usados para restabelecer o fluxo de ar em caso de obstrução traqueal, a traqueostomia e a intubação. Em conformidade com as suas relações topográficas, a traqueia é dividida em duas partes: cervical e torácica. Na superfície interna do local de bifurcação encontra‑se, comumente, uma projeção de mucosa, reforçada por cartilagem para o interior da luz, a carina da traqueia. 270 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II Pelo fato de apresentar ar, a traqueia comumente é perceptível em radiografias como uma mancha escura. A carina da traqueia é um detalhe anatômico relevante de referência quando se realiza a chamada broncoscopia. O caminho do ar da traqueia está rodeado por uma sequência de 16 a 20 anéis de cartilagem hialina em forma de C, que apresentam por finalidade impedir que as paredes desse tubo se colapsem, da mesma maneira que os anéis completos no tubo de um aspirador de pó. Os anéis sobrepostos estão unidos entre si pelos ligamentos anulares. Lembrete Diferentemente da faringe e do esôfago, as cartilagens da traqueia possibilitam que ela se mantenha sempre aberta ou desobstruída para a passagem do ar, e nunca colabada. A mucosa da superfície que reveste a luz da traqueia consiste em tecido epitelial pseudoestratificado colunar ciliado e proporciona a mesma proteção contra pó e outras partículas como a membrana que reveste a cavidade nasal, parte nasal da faringe e a laringe. A abertura posterior nos anéis traqueais é transposta pelo músculo liso, o músculo traqueal, involuntário, que une as suas extremidades. Portanto, a parede posterior da traqueia é plana. A parte incompleta desses anéis está em contato com o esôfago. Isso possibilita que durante a passagem do bolo alimentar o esôfago se expanda às custas dessa parede posterior distensível da traqueia. Observação As células de Goblet produzem muco que prendem partículas transportadas pelo ar e micro‑organismos, e os cílios empurram o muco para cima, de maneira que ele é engolido ou expelido. A irritação constante por fumaça de cigarro ou outros poluentes destroem os cílios e o muco com as partículas presas não é retirada. Vários micro‑organismos desenvolvem nesse muco amontoado, o que gera infecções respiratórias, além disso a irritação e inflamação da mucosa estimulam o reflexo da tosse. A figura a seguir resume algumas estruturas anatômicas das vias aéreas superiores. 271 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA 1. Vestíbulo do nariz 2. Cóanos 3. Faringe 4. Seio frontal 5. Seio esfenoidal 6. Tonsila palatina 7. Óstio faríngeo da tuba auditiva 8. Laringe 9. Ádito da laringe 10. Cartilagem epiglote 11. Pregas vocais 12. Pregas vestibulares 13. Traqueia 14. Tonsila faríngea 15. Cartilagem tireoide Figura 259 – Vias áreas superiores 5.2.7 Brônquios No mediastino, ao nível da T6, a traqueia bifurca‑se nos brônquios principais, direito e esquerdo. Neles os anéis cartilagíneos da traqueia são substituídos por placas irregulares de cartilagem. Os brônquios principais direito e esquerdo dão origem aos brônquios lobares, que ventilam os lobos dos pulmões. Esses, por sua vez, dividem‑se em brônquios segmentares, que encontram‑se com os segmentos broncopulmonares. Os brônquios segmentares sofrem ainda sucessivas divisões antes de acabarem nos alvéolos pulmonares. Observa‑se, dessa forma, que cada brônquio principal dá origem no pulmão a uma sequência de ramificações chamadas, em conjunto, como árvore brônquica. Os brônquios principais direito e esquerdo diferem um do outro, por sua direção, comprimento e calibre. O brônquio principal direito é sempre mais largo (14 milímetros) que o esquerdo (12 milímetros). O brônquio direito é fortemente verticalizado, enquanto o esquerdo é menor, e o comprimento do esquerdo é quase o dobro, 4 a 5 centímetros, do direito, 1 a 2,5 centímetro. O brônquio principal esquerdo passa sob o arco aórtico e anteriormente à parte descendente da aorta para atingir o hilo pulmonar esquerdo. Ele cruza à frente do esôfago e nesse ponto pode impedir a deglutição de um objeto maior. Essas disposições tornam‑se relevantes nos casos de penetração de corpos estranhos na traqueia, os quais comumente encontram mais facilidade para alcançar o pulmão direito. Na medida em que se ramificam, os brônquios vão perdendo a cartilagem de sua estrutura e ganhando mais musculatura lisa. Suas paredes podem, então, se contrair e reduzir a luz dos brônquios, prejudicando a respiração, como acontece na asma. 272 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II 1. Traqueia 2. Ligamentos anulares 3. Brônquio principal 4. Carina 5. Brônquio lobar 6. Pulmão 7. Base do pulmão 8. Ápice do pulmão 9. Fissura horizontal 10. Fissura oblíqua 11. Lobo superior 12. Lobo médio 13. Lobo inferior Figura 260 – Vias aéreas superiores e pulmões 5.2.8 Pulmões Consiste em um órgão da respiração, local onde o sangue venoso se transforma em sangue arterial. A superfície externa dos pulmões é lisa e brilhante e sua coloração roxo‑escuro antes do nascimento, rosado no neonato e depois azulado no adulto. À medida que o indivíduo avança a idade, se formam na superfície dos pulmões alguns depósitos de pigmentos, dispostosem forma de pontos, manchas ou linhas. Estes pigmentos provêm de uma matéria negra encontrada nas partículas de poeira atmosférica e são arrastados pela respiração. Nos indivíduos expostos por longos períodos a esse tipo de ar essa matéria negra pode acumular‑se em quantidades tão consideráveis que invadem as paredes dos alvéolos pulmonares. Sua ampla e permanente comunicação com o exterior carrega normalmente numerosos micro‑organismos pelo ar inspirado, que em certos momentos podem causar patologias. Os pulmões têm a forma de um cone, medem aproximadamente 25 centímetros de altura por 16 centímetros de diâmetro. Situados na cavidade torácica são mais leves que a água, de consistência mole e elástica como uma esponja. Possuem um ápice superior, uma base inferior e duas faces: costal (em relação com as costelas) e medial (voltada para o mediastino). A base descansa sobre o diafragma, músculo que separa, internamente, o tórax do abdome, e por essa razão é chamada também de face diafragmática. Na sua face medial, cada um dos pulmões possui uma fenda em forma de raquete, o hilo do pulmão, pelo qual entram ou saem brônquios, vasos e nervos pulmonares. 273 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Artéria pulmonar Brônquio Veia pulmonar Linfonodo Margem de corte da pleura Ligamento pulmonar Figura 261 – Principais estruturas presentes no hilo pulmonar Nos seres humanos, assim como na maioria dos mamíferos, os pulmões possuem sulcos profundos, as fissuras que dividem parcialmente esse órgão em lobos, conforme ilustra a figura a seguir. Figura 262 – Pulmões direito e esquerdo e coração O pulmão direito é mais curto que o esquerdo, pois a cúpula diafragmática está mais elevada à direita. É mais largo porque o coração se desloca para a esquerda. Possui um volume maior, aproximadamente 2 litros de ar, enquanto o esquerdo, aproximadamente 1,6 litro de ar. O pulmão direito nos homens pesa, em média, 700 gramas e nas mulheres, em média, 550 gramas; o pulmão esquerdo nos homens pesa, em média, 600 gramas e nas mulheres, em média, 450 gramas. O pulmão direito é dividido pelas fissuras oblíqua e horizontal em três lobos: superior, intermédio e inferior; o esquerdo é dividido pela fissura oblíqua em dois lobos: superior e inferior. Ele apresenta uma chanfradura, a incisura cardíaca, local onde o coração está situado. O lobo superior do pulmão esquerdo apresenta uma ponta logo abaixo da incisura cardíaca, chamada de língula, que corresponderia ao lobo médio. As fissuras estão ausentes comumente ou são incompletas, principalmente a horizontal. Às vezes existe uma fissura a mais (fissura extranumerária), compondo um lobo extranumerário. 274 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II 5.2.9 Segmentação broncopulmonar Ao alcançarem os pulmões correspondentes, os brônquios principais subdividem‑se nos brônquios lobares. No pulmão direito há três lobos e no esquerdo apenas dois. Por isso os brônquios lobares resultantes da divisão do brônquio principal direito são classificados em brônquios lobares superior, médio e inferior. O brônquio principal esquerdo se divide nos brônquios lobares: superior e inferior. Os brônquios lobares subdividem‑se em brônquios segmentares, cada um desses distribuindo‑se a um segmento pulmonar. O pulmão é composto de dez segmentos e o esquerdo de nove. Os nomes dos brônquios segmentares direito são os seguintes: no lobo superior direito existem três segmentos, um apical, um posterior e um anterior. No lobo médio há um segmento superior, um lateral e um medial. No lobo inferior direito quatro segmentos basais: o basilar medial, basilar anterior, basilar lateral e basilar posterior. No pulmão esquerdo, o lobo superior esquerdo possui um segmento ápico posterior, um anterior, um lingular superior e um lingular inferior. O lobo inferior esquerdo tem um segmento superior e quatro segmentos basais: o basilar medial, basilar anterior, basilar lateral e basilar posterior. A árvore bronquial continua se ramificando em túbulos cada vez menores chamados bronquíolos. Dentro do lobo, os bronquíolos se dividem e formam os bronquíolos terminais. Numerosos bronquíolos terminais se conectam com bronquíolos respiratórios que se dirigem aos ductos alveolares e em seguida aos sacos alveolares. 5.2.10 Pleura Os pulmões e a parede da cavidade torácica são recobertos por uma membrana serosa chamada de pleura. Entre a pleura que envolve o pulmão, a pleura visceral e a pleura que reveste a cavidade torácica, na pleura parietal forma‑se uma cavidade muito fina, a cavidade pleural, preenchida por um líquido lubrificante que facilita a movimentação pulmonar durante os movimentos respiratórios. Observação A pleurite é uma inflamação da pleura que costuma ser dolorosa porque a inervação sensorial da pleura parietal fica irritada. Sempre que a situação avança, a permeabilidade da membrana se altera, o que gera um acúmulo de fluido na cavidade pleural, fazendo com que a respiração fique complicada. 275 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA 6 SISTEMAS DIGESTÓRIO E ENDÓCRINO 6.1 Sistemas digestório 6.1.1 Parte supradiafragmática O sistema digestório consiste de um canal alimentar ligado em níveis contínuos com um conjunto de órgãos anexos. O papel fundamental do sistema digestório é conseguir, a partir dos alimentos, as moléculas imprescindíveis para a manutenção, o crescimento e outras necessidades energéticas do corpo humano. Esse sistema pode ser dividido em duas partes principais: supradiafragmática e infradiafragmática. A parte supradiafragmática do sistema digestório corresponde às estruturas anatômicas situadas acima do diafragma, enquanto em sua parte infradiafragmática encontram‑se as estruturas anatômicas localizadas abaixo do diafragma. O canal alimentar, cujo comprimento medido no cadáver é de aproximadamente 9 metros de extensão, é composto de um tubo oco, que se estende da boca ao ânus. As estruturas anatômicas do canal alimentar abrangem: a boca, a faringe, o esôfago, o estômago, o intestino delgado, o intestino grosso, o reto e o ânus. Já os órgãos anexos compreendem os dentes, a língua, as glândulas da boca, o fígado, a vesícula biliar e o pâncreas. Para que possamos ter o bom emprego das substâncias alimentares, o sistema digestório deve processar várias ações que incidem em processos mecânicos e químicos da digestão. De tal modo, nesses processos envolvidos na digestão há a mastigação, a deglutição, o peristaltismo, a digestão, a absorção, o armazenamento e a eliminação dos resíduos. A mastigação, (do grego, mastichan, ranger os dentes) destina‑se à desintegração parcial dos alimentos que se executa na boca. Os movimentos mastigatórios reduzem o tamanho dos alimentos e mistura‑os com a saliva. A deglutição, (do latim, deglutire, engolir) incide no transporte dos alimentos por meio da faringe para o esôfago, o que requer a participação de vários movimentos musculares, e dos quais enfatiza em relevância a ascensão da laringe, impossibilitando, assim, que substâncias nutritivas se encaminhem para as vias aéreas e de maneira oposta, permanentemente abertas ao trânsito do ar. O peristaltismo, (do grego, peri, em torno; stellein, comprimir) consiste em contrações rítmicas semelhantes às ondas que movem o alimento por meio do canal alimentar. No estômago e duodeno acontecerá a digestão, momento em que há o desdobramento das substâncias alimentares em moléculas mais simples. Por fim, ocorre a absorção que se processa especialmente no restante do intestino delgado, enquanto o intestino grosso serve de receptáculo passageiro aos resíduos não aproveitáveis, até o momento de serem excluídos pela defecação. 276 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II 6.1.1.1 A bocae os anexos A boca, também referida como cavidade oral, representa a porta de entrada do sistema digestório. Além da função mastigatória, participa ativamente da fonação, da sensação do paladar e como via aérea acessória. Do ponto de vista anatômico, a cavidade oral é delimitada anteriormente pelos lábios, lateralmente pelas bochechas, superiormente pelo palato, inferiormente pela língua e assoalho da boca e posteriormente pelo istmo das fauces e parte do palato mole. A mucosa que reveste a cavidade oral pode ser de três tipos: revestimento, mastigatória e especializada. A mucosa de revestimento se distribui em toda a região que não é sujeitada a um grande empenho durante a mastigação. É vista na bochecha, nos lábios, no assoalho da boca, no palato mole, em parte do osso alveolar e na face inferior da língua. Já a mucosa mastigatória é espessada por uma camada de queratina e apresenta uma coloração menos intensa que a mucosa de revestimento. Está simbolizada pela gengiva e pelo revestimento do palato duro. Enfim, a mucosa especializada é a que forra o dorso da língua. O forramento dos dois terços anteriores possui papilas com papéis gustativos. No terço posterior se deparam nódulos linfáticos que desempenham a defesa contra agentes patogênicos. Para finalidades descritivas, a cavidade oral é subdividida em duas partes principais: a parte externa, o vestíbulo da boca; e a parte interna, a cavidade própria da boca. Lembrete O vestíbulo da boca é o espaço composto entre os lábios, as bochechas e os dentes em oclusão. Os lábios da boca, superior e inferior, de natureza muscular, são ricamente irrigados e guardam a entrada da cavidade oral. São formados por quatro camadas sobrepostas intimamente relacionadas. A mais externa é composta de pele, onde são encontrados numerosos folículos pilosos e glândulas sudoríparas. Profundo a ela, há uma camada muscular formada em sua maior parte pelo músculo orbicular da boca. Em seguida, observa‑se uma camada submucosa, abrangendo glândulas salivares menores, como as glândulas labiais em toda a sua extensão, cujos ductos de excreção abrem‑se na mucosa labial. A camada mais interna é representada pelo tecido mucoso que forra os lábios. A parte vermelha dos lábios, cuja coloração se deve ao rico leito vascular, é chamada de margem vermelha. Os dois lábios da boca se unem lateralmente ao nível do ângulo da boca. Nesse local, observa‑se uma discreta depressão chamada de comissura dos lábios. A rima da boca é uma zona localizada entre o lábio superior e o lábio inferior, que pode permanecer aberta ou fechada, quando os dois lábios estão em contato. A comissura dos lábios pode ter modificações, relacionadas com hipovitaminoses e com a redução da dimensão vertical da oclusão, chamada de queilite angular. 277 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA A fenda labial, unilateral ou bilateral, é uma malformação congênita que afeta o lábio superior. Pode ser uma pequena fissura da margem livre do lábio, ou envolvê‑lo totalmente até o nariz. Às vezes, estende‑se intensamente e continua‑se com fendas do palato, chamada de fissura labiopalatal. Uma doença grave, mas que não atinge o lábio muito ocasionalmente, especialmente o inferior de indivíduos do sexo masculino, é o carcinoma, causado principalmente por exposição exagerada ao sol. Observação O limite lateral do lábio superior é composto pelo sulco nasolabial, que se estende desde a comissura dos lábios até a asa do nariz. Uma ligeira depressão vertical rasa, situada na linha mediana do lábio superior, e inferiormente ao septo do nariz, é chamada de filtro. Logo após do filtro encontra‑se o tubérculo, uma saliência volumosa de tamanho variável na margem vermelha. O lábio inferior é separado do mento pelo sulco labiomentual. Outro sulco, o labiomarginal, é uma ruga característica dos adultos que vai do ângulo da boca à base da mandíbula. A figura a seguir mostra estruturas anatômicas localizadas na boca. Filtro Margem vermelha Comissura dos lábios Zona vermelha Margem vermelha Lábio inferior Tubérculo Lábio superior Figura 263 – Detalhes do lábio na região oral A glândula parótida lança suas secreções salivares no vestíbulo da boca por meio de uma pequena abertura em frente ao segundo molar maxilar. Essa abertura apresenta uma elevação da mucosa e é chamada de ducto parotídeo ou ducto de Stenon. Quando ferida inadvertidamente pela oclusão dos dentes molares, inflama‑se e incha. Diversas outras glândulas salivares menores têm nomes regionais, por exemplo, as glândulas da bochecha e as labiais, que também lançam suas secreções no vestíbulo da boca por meio de aberturas microscópicas. Na maior parte dos indivíduos existem pequenas glândulas sebáceas, não funcionais, de coloração amarelada, que ficaram presas na mucosa durante o desenvolvimento, portanto, não apresentam qualquer patologia associada. São chamadas de grânulos de Fordyce, considerados variações anatômicas, sendo também encontrados na mucosa da bochecha. 278 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II No fórnice do vestíbulo, região no plano mediano do vestíbulo da boca, há a presença de duas pregas da mucosa: os frênulos do lábio superior e inferior. Na região da bochecha essas pregas chamam‑se de frênulo lateral ou bridas. A estratigrafia da bochecha possui quatro camadas caracterizadas sobrepostas entre si. Externamente existe uma camada delgada de pele ricamente irrigada. Essa característica anatômica explica a mudança para uma cor avermelhada relativamente rápida da região, especialmente durante as atividades físicas, em temperaturas ambientais baixas, e em modificações emocionais instantâneas, por exemplo, quando o indivíduo fica encabulado. Sobreposta à camada cutânea está localizado o estrato formado por tecido celular subcutâneo, que possui quantidade alterável de tecido adiposo conforme a morfologia de cada indivíduo. Nas crianças e em indivíduos obesos a quantidade de gordura subcutânea é mais vultosa. Um acúmulo específico de tecido adiposo dessa camada é o corpo adiposo da bochecha, ou corpo adiposo de Bichat. Essencialmente, apresenta a função de preenchimento dos tecidos, contudo, também exerce papel funcional durante os movimentos de sucção do recém‑nascido. Subjacente ao plano subcutâneo está uma camada de tecido muscular recoberta por sua fáscia. Essa camada é representada pelo músculo estriado esquelético, chamado de músculo bucinador. A ação do músculo bucinador é tracionar o ângulo da boca em sentido posterior, apertando a bochecha contra os arcos dentais. É por isso que um músculo auxilia os músculos da mastigação, pois ele ajuda na mistura dos alimentos para imediata deglutição. Igualmente, age ainda no sopro e no movimento de sucção. Por fim, a camada mais interna da bochecha é forrada por tecido mucoso. A cavidade própria da boca é a parte da cavidade oral que se localiza internamente ao arco dental da maxila e da mandíbula, abrangendo a gengiva que os compreende. O limite anterolateral da cavidade própria da boca é composto pela superfície dos dentes e a gengiva. Seu limite póstero‑superior é composto pela parte vertical do palato mole e pelo pilar anterior das fauces, chamado de arco palatoglosso. Esse arco abrange o músculo palatoglosso e a mucosa oral que a forra, e se estende do palato mole até os lados da base da língua. Por fim, seu limite superior é composto pelo palato duro, enquanto o inferior é a parte muscular da língua. Dentes maxilares Palatino Lingual Labial Cavidade prórpia da boca Bucal Dentes mandibulares Figura 264 – Cavidade própria da boca 279 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA A cavidade oral comunica‑se com a parte oral da faringe por meio do istmo das fauces. É limitado superiormente pelo palato mole, inferiormentepela raiz da língua e lateralmente pelos arcos palatoglosso e palatofaríngeo. Esses arcos delimitam de cada lado um espaço de formato triangular com base inferior, chamada de fossa tonsilar. Nela é encontrada uma estrutura anatômica composta de tecido linfático chamada de tonsila palatina, conforme ilustra a figura a seguir. Fauces Túber Prega pterigomandibular Arco palatofaríngeo Tonsila palatina Arco palatoglosso Papila retromolar Dorso da língua Parte oral da faringe Úvula Palato mole Palato duro Figura 265 – Cavidade oral e parte oral da faringe As tonsilas palatinas apresentam aspecto ovoide e diversas vezes podem alterar de tamanho. Sua superfície tem formato granuloso com inúmeras invaginações que correspondem às criptas da tonsila. Em companhia das tonsilas linguais, as tonsilas faríngeas e outros pequenos nódulos linfáticos que se juntam compõem o anel linfático da faringe, anteriormente relatado como anel linfático de Waldeyer. Essas estruturas anatômicas funcionam como o primeiro obstáculo de defesa do corpo humano contra os agentes patogênicos que adentram pelas cavidades nasal e oral. O palato compõe o teto da cavidade oral, separando as duas cavidades, nasal e oral. É formado pelo palato duro, ósseo e anterior e pelo palato mole, muscular e posterior. As pregas palatinas encontradas no palato são estruturas anatômicas remanescentes nos seres humanos, porém, em alguns animais inferiores desempenham papéis acessórios de mastigação e sensitivas especiais. No palato mole depara‑se com uma saliência cônica e mediana, a úvula palatina. Observação A parte posterior do palato mole é sensível ao toque e vômitos podem ser motivados por estimulação nessa área. O assoalho da boca está coberto por uma mucosa de revestimento e subjacente, a mucosa de revestimento depara‑se com relevantes estruturas anatômicas: a glândula sublingual, os ductos 280 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II de excreção salivar das glândulas submandibular e sublingual, a artéria sublingual, a veia sublingual, o nervo lingual, e o nervo hipoglosso. Superficialmente no assoalho da boca vê‑se na linha mediana uma prega fina que se estende até a face inferior da língua, chamada de frênulo da língua, conforme ilustra a figura a seguir. Quando o frênulo da língua é muito curto, ou sua inserção se faz próximo ao ápice da língua, tem‑se uma condição chamada como anquiloglossia, vulgarmente conhecida como língua presa. Esse quadro clínico restringe espantosamente a movimentação da língua, trazendo muitas vezes dificuldades fonéticas. Frênulo da língua Prega sublingual Carúncula sublingual Dentes anteriores da mandíbula Figura 266 – Detalhes do assoalho da cavidade oral Lateralmente, de cada lado do frênulo da língua, existe uma pequena papila, designada de carúncula sublingual, onde se abre o ducto submandibular, ou ducto de Wharton, e o ducto sublingual. O órgão mais notável no assoalho da boca é a língua. Ela é a mais evidente das estruturas anatômicas da cavidade oral e está relacionada à fonação, à mastigação, à deglutição, à gustação à própria articulação das palavras. A língua ocupa quase todo o espaço da cavidade própria da boca, quando os dentes estão em oclusão. É composta essencialmente por tecido muscular esquelético que lhe concede extraordinária mobilidade. Possui um corpo, um ápice, uma raiz, duas margens, além de uma face superior e uma face inferior. A extremidade anterior do corpo da língua é o ápice. A parte lateral da língua representa a sua margem. A face superior da língua corresponde ao seu dorso. Papilas folhadas Corpo da língua Raiz da língua Margem da língua Dorso da língua Lábio superior Figura 267 – Detalhes da língua em vista lateral 281 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA O dorso da língua tem seus dois terços anteriores separados do posterior pelo sulco terminal, que apresenta o formato de V, de abertura anterior e vértice mediano, coincidindo com o forame cego. Todas as estruturas anatômicas anteriormente localizadas a essa linha situam‑se na cavidade oral e todas as estruturas anatômicas posteriores, na faringe. O um terço posterior, que é a raiz da língua, é vertical e volta‑se para a faringe. A sua mucosa cobre massas de tecido linfoide que constituem relevos superficiais. Ao seu conjunto dá‑se o nome de tonsila lingual. A mucosa cobre também as pequenas glândulas linguais. A base da língua une‑se à epiglote por três pregas mucosas, uma mediana e duas laterais. Cada prega glossoepiglótica lateral restringe, com a prega glossoepiglótica mediana, uma depressão chamada de valécula epiglótica. Os dois terços anteriores do dorso da língua possuem uma mucosa rugosa em virtude da presença das papilas linguais. As papilas linguais podem ser divididas em: papilas circunvaladas, filiformes, fungiformes e folhadas. Anteriormente e ao longo do sulco terminal há uma cadeia de 7 a 14 papilas circunvaladas. As circunvaladas apresentam corpúsculos gustativos e acolhem os ductos das glândulas serosas de von Ebner, um dos poucos grupos de glândulas salivares menores acessórias que tem denominação. As papilas filiformes são as mais numerosas e conferem à mucosa do dorso da língua um aspecto de veludo. São as únicas papilas linguais que não possuem receptores gustativos, porém, possuem corpúsculos do tato. As papilas fungiformes estão dispostas entre as papilas filiformes, surgindo em número muito menor do que as papilas filiformes. Devem seu nome ao aspecto de cogumelo que adquirem. São encontradas, especialmente, no ápice e nos lados dorso da língua. Nos indivíduos vivos podem ser distinguidas como pontos vermelhos luminosos. A margem posterolateral dos dois terços anteriores da língua apresenta sulcos verticais chamados de papilas folhadas, cujos corpúsculos gustativos sofrem degeneração após alguns anos de vida. Observação A língua saburrosa pode acontecer em indivíduos fumantes e também por conta de infecções respiratórias, bucais e febre. A higienização da língua é muito importante e previne, dentre outros fatores, a halitose. O câncer de língua é o câncer mais frequente da cavidade oral. Aproximadamente 95% dos casos de cânceres situados na língua e no assoalho da boca são carcinomas de células escamosas e estão correlacionados com uma longa história de utilização de álcool e de tabaco. A figura a seguir mostra estruturas anatômicas encontradas na língua. 282 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II Epiglote Tonsila palatina Forame cego Sulco terminal Papilas fungiformes Ápice da língua Papilas filiformes Papilas circunvaladas Tonsila lingual Sulco mediano da língua Figura 268 – Detalhes do corpo e raiz da língua Os dentes são órgãos mineralizados, resistentes, esbranquiçados e implantados nos arcos dentais da maxila e da mandíbula, que exercem os seguintes papéis: • Preensão das substâncias alimentares conseguida pela ação conjunta dos dentes incisivos e dos lábios. • Incisão dos alimentos, corte deles em partículas menores. • Dilaceração dos alimentos, rasgo e diminuição das substâncias alimentares em partículas menos compactas. • Trituração e moeção dos alimentos. • Articulação das palavras ou da fala. Conforme os tipos de dentes e o número de dentições, o ser humano é classificado como um mamífero heterodonte, por apresentar dentes de formas distintas, possibilitando a realização de papéis distintos para cada dente ou grupo de dentes. Sob esse aspecto, os dentes são divididos em: • Incisivos: do latim, incidire, cortar, são os que seccionam o alimento. • Caninos: têm por finalidade dilacerar os alimentos. • Pré‑molares: esmagam os alimentos como se fossem prensas. • Molares: trituram as substâncias mastigadas. Os dentes do ser humano são decíduos e permanentes e, ainda, é consideradoum animal difiodonte, ou seja, habitualmente apresenta dois conjuntos de dentes que se desenvolvem ao longo da vida de um indivíduo. 283 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Os dentes decíduos são pouco calcificados em relação aos dentes permanentes e, como tais, são brancos como o leite. Os dentes permanentes, com maior índice de sais calcários, são brancos puxados para o amarelo. É a dentina que atribui a cor ao dente, já que o esmalte é praticamente incolor e transparente. Do ponto de vista puramente descritivo, o dente apresenta uma parte visível e funcional na mastigação, a coroa do dente. O dente não é um órgão compacto, em seu interior há uma cavidade que reproduz sua morfologia exterior. Essa é a cavidade pulpar, a qual possui duas partes: a cavidade da coroa e o canal da raiz do dente. Nenhum dente está presente funcionalmente na cavidade oral no nascimento. A primeira série de dentes compõe a dentição decídua. Esses dentes surgem nos primeiros dois anos e aproximadamente na seguinte ordem: incisivos inferiores (6 a 7 meses de idade); incisivos superiores (7 a 9 meses de idade); caninos (16 a 18 meses de idade); molares, primeiro (12 a 24 meses de idade) e segundo (20 a 24 meses de idade). Dessa forma, os dentes decíduos são em número de 20. A segunda série de dentes compõe a dentição permanente. Os dentes permanentes fazem a sua erupção entre os 6 e 13 anos de idade, com exceção do terceiro molar. Os dentes permanentes realizam a sua erupção aproximadamente na seguinte ordem: incisivos (6 a 9 anos de idade); caninos (9 a 12 anos de idade); pré‑molares, primeiro (10 a 12 anos de idade) e segundo (11 a 12 anos de idade); molares, primeiro (6 a 7 anos de idade), segundo (11 a 13 anos de idade) e terceiro (18 a 21 anos de idade). Popularmente é reconhecido que a partir dos 18 anos os indivíduos tornam‑se mais ajuizados, daí o nome popular para os terceiros molares “dente do juízo”. Os dentes permanentes são em número de 32. O termo dentição mista é utilizado para se referir ao período no qual, ao mesmo tempo, permanecem os dentes decíduos e permanentes na cavidade oral. O verme do dente como demônio do inferno é uma escultura do século XVIII, com pouco mais de 10 centímetros e esculpida em marfim. Ela retrata o tormento infernal de uma dor de dente, provocada pela batalha entre o homem e o verme. Figura 269 – Verme dos dentes 284 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II As glândulas da boca liberam uma secreção chamada saliva na cavidade oral. Comumente, é secretada apenas uma quantidade satisfatória de saliva para manter as túnicas mucosas da boca e da faringe umedecidas e para limpar a boca e os dentes. Quando o alimento adentra na boca, conquanto, a secreção de saliva eleva e o lubrifica, dissolvendo‑o e começando a decomposição química do alimento. A glândula parótida, conforme ilustra a figura a seguir, é a mais volumosa dentre as glândulas salivares maiores (parótida, submandibular e sublingual). Ela está localizada na região lateral da face, no leito parotídeo. Como a glândula é acomodada no interior de um espaço irregular, ela também possui uma forma irregular. A parte superficial da glândula estende‑se superiormente sobre o principal músculo da mastigação, em que uma parte acessória da glândula pode ser independente da estrutura principal. Glândula salivar parótida M. masseter Glândula salivar submandibular M. bucinador Ducto parotídeo Figura 270 – Glândula parótida e sua relação anatômica Emergindo da parte anterior da parte mais superficial da glândula está localizado o ducto parotídeo ou ducto de Stenon, que prossegue anteriormente passando superficialmente ao músculo masseter em seu percurso em direção ao vestíbulo da boca. Ele libera a secreção salivar na papila do ducto parotídeo ao nível do segundo dente molar maxilar. Observação A caxumba, uma infecção viral que causa inflamação aguda e aumento do volume da glândula parótida, comprime a inervação local e produz muita dor à medida que a glândula é pressionada durante a mastigação. Em algumas condições, pode acontecer otite, inflamação dos testículos, pancreatite e encefalite. Felizmente, essa situação foi quase completamente erradicada como resultado da vacinação. As glândulas submandibulares estão situadas no assoalho da boca. Seus ductos, os submandibulares, passam sob a túnica mucosa em ambos os lados da linha média do assoalho da boca e adentram na cavidade própria da boca lateralmente ao frênulo da língua. As glândulas sublinguais estão abaixo da língua e superiormente às glândulas submandibulares. Seus ductos, os sublinguais menores, se abrem no assoalho da boca na cavidade própria da boca. 285 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA 6.1.1.2 Faringe A faringe é uma víscera composta de um tubo fibromuscular, situado atrás das cavidades oral, nasal e laríngea. Representa o extremo superior dos tubos respiratório e digestório, e se comunica inferiormente com o esôfago. Ela transporta os alimentos ao esôfago e o ar à laringe. Como visto no sistema respiratório, anatomicamente a faringe é dividida em três partes: nasal da faringe, oral da faringe e laríngea da faringe. A figura a seguir mostra estruturas anatômicas da região da cabeça e do pescoço. Canal medular Parte oral da farínge Epiglote Disco intervertebral Corpo da vértebra cervival Esôfago Laringe Parte laríngea da faringe Mandíbula Língua Cavidade oral Parte nasal da faringe Cavidade nasal Seio esfenoidal Seio frontal Figura 271 – Vista medial da cabeça e do pescoço com plano de secção sagital 6.1.1.3 O esôfago O esôfago é, funcionalmente, o segmento mais simples do canal alimentar. Sua única finalidade é o transporte de materiais líquidos ou sólidos da faringe para o estômago. Seu comprimento alcança no ser humano adulto aproximadamente 25 centímetros e, se considerada a distância entre os dentes incisivos e o estômago, há, aproximadamente, 40 centímetros antes do alimento adentrar nessa víscera do sistema digestório. O esôfago é dividido em três partes: parte cervical, no adulto tem cerca de 8 centímetros de comprimento; parte torácica, no adulto com cerca de 16 centímetros; e parte abdominal, no adulto com cerca de 1 a 3 centímetros. No ser humano, um terço do esôfago é constituído de músculo estriado esquelético e dois terços inferiores são constituídos por músculos lisos. Lembrete Uma parte do sistema digestório está localizada acima do diafragma. É a parte supradiafragmática, que compreende a boca e os anexos, a faringe e a maior parte do esôfago. 286 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II Os estreitamentos esofágicos são causados por suas relações sintópicas. O primeiro estreitamento é observado na transição entre a faringe e o esôfago, ao nível da margem inferior da cartilagem cricoide, o estreitamento cricoide, e compõe o esfíncter esofágico superior. O segundo e o terceiro são observados quando o esôfago é cruzado pela aorta, o estreitamento aórtico, e pelo brônquio principal esquerdo, o estreitamento brônquico, sendo que sua esqueletopia corresponde a T5. Seu quarto estreitamento é observado próximo a 3 centímetros de sua terminação na cárdia do estômago, o estreitamento cárdico. Esse estreitamento é dado pela contração das fibras musculares lisas do órgão, não sendo originado de sua relação com o diafragma, ainda que alguns autores o denominem estreitamento diafragmático. A deglutição, ou ato de engolir, é o complexo ato mecânico e fisiológico de mover o alimento ou o líquido da cavidade oral para o estômago. A primeira fase da deglutição é voluntária e vem após a mastigação, se existir alimento envolvido. Durante essa primeira fase, a boca está fechada e a respiração é cessada provisoriamente.O bolo alimentar é formado quando a língua é erguida contra as pregas palatinas transversas, ou as pregas rugosas do palato duro. A segunda fase da deglutição é a passagem do bolo alimentar para a faringe. Os episódios dessa segunda fase são involuntários e ocorrem por estimulação dos receptores sensitivos situados na abertura da parte oral da faringe. A pressão da língua contra as pregas palatinas transversas fecha a parte nasal da faringe em relação à cavidade oral, gera uma pressão e força o bolo alimentar para o interior da parte oral da faringe. O palato mole e a úvula palatina são erguidos para fechar a parte nasal da faringe, quando o bolo alimentar passa. O osso hioide e a laringe também são erguidos. A elevação da laringe contra a epiglote fecha a glote de maneira que seja menos provável que o alimento ou o líquido possam adentrar na traqueia. A imediata contração dos músculos constritores da faringe desloca o bolo alimentar da faringe para o esôfago. A segunda fase é terminada em menos de um segundo ou menos. A terceira fase da deglutição, a entrada e a passagem do alimento pelo esôfago também é involuntária. O bolo alimentar é movido pelo esôfago por meio de ondas peristálticas. No caso de líquidos, o processo inteiro da deglutição se executa em pouco mais do que um segundo. Para um bolo alimentar típico, o tempo varia de 5 a 8 segundos. No contexto de uma incompetência do esfíncter inferior do esôfago, acontece refluxo de suco gástrico para o esôfago. Isso pode gerar a inflamação do esôfago em virtude da presença nociva de ácido clorídrico no suco gástrico. Tal esofagite de refluxo pode gerar dores, azia ou queimação que, comumente, depende da postura do paciente, ocorrendo, especialmente, quando o paciente está deitado. Sob o ponto de vista terapêutico, em casos leves de refluxos, são tomadas as medidas gerais, por exemplo, a eliminação de alimentos desencadeadores e a redução de peso. Na esofagite de refluxo os medicamentos antiácidos são imprescindíveis. Saiba mais Se o esfíncter do esôfago inferior não se fecha satisfatoriamente após o alimento ter adentrado no estômago, o conteúdo do estômago pode voltar para a parte inferior do esôfago, causando refluxo. Saiba mais sobre o assunto em: TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia. 14. ed. São Paulo: Guanabara‑Koogan, 2016, p. 908. 287 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA 6.1.2 Parte infradiafragmática 6.1.2.1 Estômago O estômago está localizado no abdome, logo abaixo do diafragma, anteriormente ao pâncreas, superiormente ao duodeno e à esquerda do fígado. É moderadamente coberto pelas costelas e está situado no quadrante superior esquerdo do abdome, na região do hipocôndrio esquerdo. Ele apresenta o formato de J, sendo o segmento mais dilatado do canal alimentar, em virtude de o alimento ficar nele por algum tempo, por isso trata‑se de um reservatório entre o esôfago e o intestino delgado. O estômago é divido anatomicamente em quatro regiões principais: a cárdia, o fundo gástrico, o corpo gástrico e a parte pilórica do estômago. A cárdia recebe a parte final do esôfago e contorna o óstio cárdico do estômago, o qual tem como papel controlar a passagem do alimento e impedir o refluxo. Esôfago – parte cervical Esôfago – parte torácica Esôfago – parte abdominal Estômago – cardia Estômago – canal pilórico Estômago – antro pilórico Estômago – corpo gástrico Estômago – fundo gástrico Figura 272 – Vista anterior do estômago e do esôfago Apesar do nome, o fundo gástrico localiza‑se no alto, acima do ponto onde se realiza a união do esôfago com o estômago. Essa parte está comumente dilatada por ar, tornando‑se responsável pelo som timpânico na realização de exames clínicos e complementares, por exemplo, a percussão dessa região, e também visível em radiografias, como uma área escura acima da sombra clara da substância de contraste ingerida. Observação As úlceras e os tumores modificam a morfologia normal da mucosa do estômago, o que pode ser observado em radiografias e endoscopias. 288 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II O corpo gástrico representa aproximadamente dois terços do volume total, localizando‑se entre o fundo gástrico e o antro pilórico, que contém as glândulas gástricas propriamente ditas. É constituído da parte pilórica e da região afunilada de saída do estômago; e uma parte larga, o antro pilórico, que leva ao canal pilórico, sua parte estreita terminal. Para evitar que o quimo alimentar passe ao intestino delgado inoportunamente, o estômago é beneficiado de uma poderosa válvula muscular, um esfíncter chamado piloro, sendo o seu orifício de saída do estômago, o óstio pilórico. O piloro é um adensamento proeminente da lâmina circular de músculo liso. O estômago possui ainda duas curvaturas: a curvatura maior do estômago (convexa) e a curvatura menor do estômago (côncava). A incisura angular é uma depressão na parte inferior da curvatura menor que sugere a união do corpo do estômago e a parte pilórica do estômago. As relações do estômago são variáveis porque a posição do órgão se altera com a fase fisiológica, com a postura do indivíduo e com os fatores gerais de variação anatômica. As relações anteriores incluem as que se observam com o diafragma, o fígado, a parede anterior do abdome, o colo transverso e a cavidade peritoneal. As relações posteriores se fazem com o diafragma, a glândula adrenal esquerda, o pâncreas, parte do rim esquerdo e o mesocolo transverso. Estômago Intestino delgado Intestino grosso colo descendente Intestino grosso colo ascendente Intestino grosso colo transverso Vesícula biliar Fígado Figura 273 – Vista anterior do esôfago e do estômago Do ponto de vista fisiológico, o estômago está dividido em parte digestória e parte egestória, a primeira para a digestão e a segunda representada, especialmente, pela região do antro piloro, para a propulsão do conteúdo para o intestino delgado. 6.1.2.2 Intestino delgado A principal parte da digestão acontece no intestino delgado, que se estende da união gastroduodenal, ou seja, do piloro até a união ileocecal, que se liga com o intestino grosso, conforme ilustra a figura a seguir. O intestino delgado é um órgão imprescindível à vida. Os essenciais episódios da digestão e da absorção acontecem no intestino delgado, desse modo, sua estrutura é harmonizada de maneira 289 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA especial para esse papel. Sua extensão proporciona uma grande área de superfície para a digestão e a absorção, sendo ainda muito elevada por suas pregas circulares, vilosidades e microvilosidades. Jejuno Colo descendente Colo sigmoide RetoCeco Íleo Colo ascendente Colo transverso Figura 274 – Vista anterior dos intestinos O intestino delgado extraído possui aproximadamente 7 metros, podendo variar entre 5 e 8 metros. Ele apresenta três partes: duodeno, jejuno e íleo. O duodeno é a primeira parte do intestino delgado, a mais curta (25 centímetros) e a mais larga. É a única parte do intestino delgado que é fixa, pois é quase completamente retroperitoneal. A parte pilórica despeja‑se no duodeno, sendo a aceitação duodenal controlada pelo piloro. No duodeno não se apresenta o mesentério, com exceção nos 2 centímetros iniciais. Ele forma uma letra C em torno da cabeça do pâncreas, inicia‑se no piloro e acaba na junção duodenojejunal, que adquire a forma de um ângulo agudo, a flexura duodenojejunal. A mucosa duodenal tem pregas circulares de mucosa, as válvulas de Kerckring, com exceção no bulbo duodenal, cuja mucosa é lisa. O duodeno é dividido em quatro partes: a superior (primeira parte, com aproximadamente 5 centímetros); a descendente (segunda parte, que varia de 7 a 10 centímetros); a horizontal (terceira parte, que variade 6 a 8 centímetros); a ascendente (quarta parte, com aproximadamente 5 centímetros). A parte superior do duodeno origina‑se no piloro e estende‑se até a vesícula biliar. Seus primeiros 2 centímetros, chamado de bulbo ou ampola do duodeno, são móveis porque estão fixados por mesentério; o remanente é fixo, pois é retroperitoneal. As principais relações da parte superior do duodeno são: anterior (vesícula biliar e lobo quadrado do fígado) e posterior (ducto colédoco, pâncreas e veia porta). A parte descendente do duodeno curva‑se em torno da cabeça do pâncreas. Os ductos, colédoco e pancreático principal, se juntam para compor a ampola hepatopancreática, ou ampola de Vater, que se abre na parede posteromedial da segunda parte do duodeno, no alto de uma eminência, chamada papila maior do duodeno. 290 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II A ampola hepatopancreática regula a entrada de bile e de suco pancreático por meio de um dispositivo muscular esfinctérico que circunda a ampola na sua parte final, chamado esfíncter da ampola hepatopancreática, ou esfíncter de Oddi. O ducto pancreático acessório, quando há, desemboca na papila menor do duodeno, localizada superiormente (cerca de 2 centímetros) à papila maior do duodeno. Essa parte é totalmente retroperitoneal. As principais relações da parte descendente do duodeno são: anterior (colo transverso e alças do intestino delgado) e posterior (rim direito, ureter direito e músculo psoas maior). A parte inferior ou horizontal do duodeno passa sobre a veia cava inferior e a parte abdominal da aorta. As principais relações da parte horizontal do duodeno são: anterior (vasos mesentéricos superiores e alças intestinais), posterior (músculo psoas maior direito, veia cava inferior, parte abdominal da aorta e ureter direito) e superior pâncreas e vasos mesentéricos superiores. A parte ascendente do duodeno atinge a margem inferior do pâncreas e ali se curva anteriormente para se conectar ao jejuno na junção duodenojejunal, sustentada pela fixação do músculo suspensor do duodeno ou ligamento de Treitz, o qual alarga o ângulo da flexura duodenojejunal, promovendo a movimentação do conteúdo intestinal. As principais relações da parte horizontal do duodeno são: anterior (alças do duodeno), posterior (músculo psoas maior esquerdo e margem esquerda da parede abdominal da aorta), medial e superior (pâncreas). O jejuno e o íleo são as duas últimas partes do intestino delgado. Elas compõem um tubo longo e torcido, constituindo as alças intestinais, que são excessivamente móveis, pois estão envolvidas por pregas de peritônio, chamada de mesentério. É difícil distinguir o jejuno do íleo no ponto de transição, todavia, existem algumas características particulares a cada um. Juntos, o jejuno e o íleo medem de 6 a 7 metros de comprimento, sendo o jejuno os dois quintos proximais e o íleo os três quintos distais. A maior parte do jejuno localiza‑se no quadrante superior esquerdo, enquanto a maior parte no quadrante inferior direito. O jejuno começa na flexura duodenojejunal e o íleo acaba na papila ileal. Os dois se prendem à parede posterior do abdome pelo mesentério. Nessa região se deparam com muitas vilosidades intestinais, daí deduz‑se que em tal localidade ocorrerá a maior quantidade de absorção dos nutrientes. As massas de tecido linfoide são numerosas no íleo. Portanto, há absorção de água dos detritos indigeríveis do quimo líquido, transformando‑o em fezes semissólidas que são transitoriamente contidas até que aconteça a defecação. O quadro a seguir mostra algumas características peculiares ao jejuno e ao íleo. Quadro 4 – Características distintivas entre o jejuno e o íleo no corpo vivo Característica Jejuno Íleo Cor Vermelho‑vivo Rosa‑claro Calibre 2‑4 centímetros 2‑3 centímetros Parede Espessa e pesada Fina e leve Vascularização Maior Menor 291 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Gordura do mesentério Menor Maior Pregas circulares Grandes, altas e bem próximas Baixas e esparsas, ausentes na parte distal Tecido linfoide Poucas Muitas Adaptado de: Moore (2007, p. 455). 6.1.2.3 Intestino grosso O intestino grosso absorve água com tanta agilidade que, aproximadamente em 14 horas, o conteúdo alimentar assume a firmeza característica do bolo fecal. Mede aproximadamente 6,5 centímetros de diâmetro e 1,5 metro de comprimento. Se expande do íleo até o reto e está preso à parede posterior do abdome por meio do mesocolo. O intestino grosso possui algumas características próprias em relação ao intestino delgado, por exemplo, o calibre (maior), o comprimento (menor), as tênias do colo, as saculações do colo, os sulcos paracólicos, as pregas semilunares e os apêndices omentais do colo. As tênias do colo consistem no resultado de um condensamento da musculatura longitudinal da parede do intestino grosso em três faixas. Elas começam no ponto de implantação do apêndice vermiforme, no ceco, e percorrem todo o colo até a parte proximal do reto, momento em que deixam de existir. São três os tipos de tênias do colo: a tênia livre, a tênia omental e a tênia mesocólica. As saculações do colo são encurvaturas ampulares separadas por sulcos transversais. Os apêndices omentais do colo são pequenos pêndulos de cor amarela formados por tecido conjuntivo farto em gordura. Surgem especialmente no colo sigmoide. Anatomicamente, o intestino grosso é dividido em: ceco e o apêndice vermiforme, colo ascendente, colo transverso, colo descendente e colo sigmoide, conforme ilustra a figura a seguir. Colo transverso Mesentério Colo descendente Apêndice vermiformeCeco Colo ascendente Intestino delgado Figura 275 – Vista anterior do intestino grosso 292 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II O ceco é a primeira parte do intestino grosso, localizado inferiormente à sua junção com o íleo. Ele está quase completamente envolvido pelo peritônio, proporcionando‑lhe a autonomia de movimentação, no entanto, não apresenta mesentério. Comumente, o ceco está fixo à parede lateral do abdome por uma ou mais pregas cecais do peritônio. A entrada do íleo no ceco produz os lábios ileocólico (superior) e ileocecal (inferior) no óstio ileal, que compõem a papila ileal. As pregas deparam‑se lateralmente, constituindo o frênulo do óstio ileal. Assim, os dois lábios formam a válvula íleo‑cólico‑cecal, que impossibilita e/ou restringe o refluxo do material oriundo do intestino delgado (mecanismo de um esfíncter ineficiente). Mesentério Íleo Apêndice vermiforme Ceco Colo ascendente Figura 276 – Vista anterior dos intestinos No fundo do ceco, encontra‑se o apêndice vermiforme, que consiste em um divertículo intestinal cego, que mede aproximadamente 6 a 10 centímetros de comprimento. Ele apresenta massas de tecido linfoide. O apêndice vermiforme origina‑se na parede posteromedial do ceco, inferiormente à junção ileocecal. Apresenta um mesentério triangular curto, o mesoapêndice, que se alarga entre o apêndice e o ceco. A posição do apêndice vermiforme é inconstante, contudo, em geral, é retrocecal. A melhor forma de encontrá‑lo é seguir uma das tênias do colo, uma vez que está fixado no ceco em um ponto de convergências das tênias. O colo ascendente é a segunda parte do intestino grosso, sendo a continuação do ceco. Expande‑se desde a junção ileocecal até a flexura direita do colo, anteriormente ao rim direito e em contato com o lobo direito do fígado. Está revestido por peritônio anteriormente e nas suas laterais, ficando, assim, praticamente imóvel. Está localizado posteriormente ao omento maior, portanto, é uma parte retroperitoneal. Entre o contorno lateral do colo ascendente e a parede abdominal, situa‑se um sulco vertical profundo coberto por peritônio parietal, o sulco paracólico direito. 293 Re vi sã o: Ju liana - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA O colo transverso é a terceira do intestino grosso, mais longa (cerca de 45 centímetros) e com maior mobilidade das partes encontradas no intestino grosso. Ele cruza o abdome a partir da flexura direita do colo até a flexura esquerda do colo, onde se curva inferiormente para tornar‑se colo descendente. A flexura esquerda do colo, habitualmente mais superior, é mais aguda e com menor mobilidade do que a flexura do colo direita. Assim, possui relações excessivamente alteráveis. Uma ampla prega peritoneal, o mesocolo transverso, concede ao colo transverso extraordinária movimentação. Sua parte superior está livre ou fundida com o omento maior. O colo descendente passa retroperitonealmente a partir da flexura do colo esquerda para a fossa ilíaca esquerda, onde é sucessiva com o colo sigmoide. O sulco paracólico esquerdo localiza‑se entre o seu contorno lateral e a parede abdominal. Passa anteriormente à margem lateral do rim esquerdo. O colo sigmoide é a quarta parte do intestino grosso, distinto por sua alça longa em forma de S, de comprimento variável (em média 40 centímetros). O colo sigmoide é conduzido ao plano sagital mediano, de tal forma que junta o colo descendente ao reto. A terminação das tênias do colo, aproximadamente a 15 centímetros do ânus, sugere a junção retossigmoide. Ele é muito móvel, em razão de um messosigmoide. Seus apêndices omentais são longos. 6.1.2.4 Reto e o ânus O reto recebe esse nome por ser quase retilíneo. Ao perfurar o diafragma pélvico (músculos levantadores do ânus) passa a ser chamado de canal anal. A parte mais dilatada do reto, a ampola do reto, é prontamente superior ao diafragma pélvico. As principais relações do reto são: • anterior, no sexo feminino (alças intestinais, útero e vagina); • anterior, no sexo masculino (alças intestinais, bexiga urinária, glândulas seminais, próstata, ureteres e ductos deferentes); • posterior, ambos os sexos (artérias glúteas: superior e inferior, plexo sacral, músculos: piriforme e coccígeo); • laterais, ambos os sexos (tecido adiposo). Observação Na região do reto, o peritônio compõe as escavações retovesical, no sexo masculino; e retouterina ou fundo de saco de Douglas, no feminino. 294 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II O canal anal se expande do diafragma pélvico até o ânus (limite real: linha pectínea, internamente) e possui pregas cutâneas. A mucosa na parte superior é idêntica à do reto, enquanto na parte inferior é revestido por pele, pois elas têm origens embriológicas distintas. Na junção desses dois tipos de revestimento vê‑se a base de cinco a dez pregas verticais da mucosa, as colunas anais ou de Morgagni, que abrange ramos terminais dos vasos retais superiores. As extremidades inferiores das colunas agrupam‑se por uma prega da mucosa em formato de pente, chamadas de válvulas anais. Entre as bases das colunas ligadas pelas válvulas estão pequenas bolsas, os chamados seios anais, nos quais se ascendem os ductos de glândulas rudimentares, que liberam um muco que auxilia na defecação. O limite inferior das válvulas, idênticos a um pente, forma a linha pectínea, que sugere a junção da parte superior com a parte inferior do canal anal. Embora bastante curto, cerca de 3 centímetros de comprimento, é relevante por ter algumas formações eficazes para o funcionamento intestinal, das quais mencionam‑se os esfíncteres anais. O esfíncter anal interno é o mais profundo e deriva de um adensamento de fibras musculares lisas circulares, sendo, por conseguinte, involuntário. O esfíncter anal externo é formado por fibras musculares estriadas que se dispõem circularmente em torno do esfíncter anal interno, sendo esse voluntário. Apresenta duas partes: a subcutânea, superficial e a profunda, todavia elas são indistinguíveis. A alça do músculo puborretal também desempenha alguma atividade esfinctérica sobre o canal anal. Ambos os esfíncteres devem relaxar antes que a evacuação possa acontecer. A figura a seguir mostra as imagens do reto e ânus. Colunas anais Seio anal Válvulas anais Músculo esfíncter interno do ânus Músculo esfíncter externo do ânus Figura 277 – Reto e ânus Os principais papéis do intestino grosso são: • absorção de água e de determinados eletrólitos; • produção de certas vitaminas pelas bactérias intestinais; 295 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA • armazenamento provisório dos detritos (fezes); • eliminação de detritos do corpo. 6.1.2.5 Fígado O fígado é a maior glândula do corpo humano e também a mais vultosa víscera abdominal. Está localizado na região superior do abdome, logo abaixo do diafragma, sendo que a maior parte ocupa o hipocôndrio direito e o epigástrio. Pesa aproximadamente 1,5 quilo e responde por aproximadamente 2,5% da massa corporal do adulto. É uma víscera friável (por ter pouco tecido conjuntivo) e regenerativa. Um terço do fígado é autossuficiente para manter o papel hepático normal, portanto, ele tem elevada margem de confiabilidade. Todos os nutrientes, com exceção aos lipídeos absorvidos pelo canal alimentar, são primeiramente conduzidos para o fígado pelo sistema porta‑hepático. O fígado armazena o glicogênio e secreta a bile ininterruptamente, que é armazenada na vesícula biliar. Portanto, as vias bilíferas extra‑hepáticas são compostas pelos ductos hepáticos, pela vesícula biliar, pelo ducto cístico e pelo ducto colédoco. O fígado possui duas faces: a diafragmática e a visceral, separadas pela margem inferior do fígado, conforme ilustra a figura a seguir. A face diafragmática é convexa e lisa, relacionando‑se com a cúpula diafragmática. O fígado é dividido em lobos. A face diafragmática contém um lobo direito do fígado e um lobo esquerdo do fígado, sendo o direito pelo menos duas vezes maior que o esquerdo. A divisão dos lobos é organizada pelo ligamento falciforme do fígado. Na margem livre desse ligamento há um cordão fibroso resquício da obliteração da veia umbilical, chamado de ligamento redondo do fígado. Lobo esquerdo do fígado Estômago Ligamento redondo do fígado Lobo direito do fígado Diafragma Figura 278 – Vista anterior do fígado Os lobos hepáticos estão unidos superiormente ao diafragma pelos ligamentos coronário e triangulares, direito e esquerdo. Os dois últimos são compostos lateralmente pela fusão das duas 296 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II lâminas do ligamento coronário. A área entre as reflexões das lâminas anterior e posterior do ligamento coronário é chamada de área nua do fígado, deposta de peritônio. A face visceral é desigualmente côncava pela vista de impressões viscerais, conforme ilustra a figura a seguir. Ela é subdividida em quatro lobos: o lobo direito, lobo esquerdo, lobo quadrado e o lobo caudado pela presença de depressões em sua área central, que no conjunto formam um H, chamado de hilo do fígado. Entre o lobo quadrado e o lobo direito do fígado há uma depressão, chamada de fossa da vesícula biliar, que aloja a vesícula biliar. Veia cava inferior Lobo direito do fígado Vesícula biliar Lobo hepático quadrado Lobo esquerdo do fígado Lobo hepático caudado Figura 279 – Vista visceral do fígado Pelo hilo do fígado adentram ou saem estruturas anatômicas vasculares, como, por exemplo, a veia porta, a artéria própria do fígado e os vasos linfáticos; estruturas anatômicas nervosas, como o plexo nervoso do fígado e os ductos hepáticos. Observação Entre a lobo caudado e o lobo direito do fígado há um sulco que aloja a veia cava inferior. De tal forma, recomenda‑se que a aferição da pressão arterial em gestantes, especialmente no último trimestre, seja realizada em decúbito lateral esquerdo. As principais relações anatômicas do fígado são: • Face visceral dofígado em contato com diversos órgãos: — Lobo esquerdo do fígado: parte abdominal do esôfago, estômago e omento menor. — Lobo quadrado: parte superior do duodeno. — Lobo direito do fígado: rim direito e a flexura do colo direita. 297 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA • Relações peritoneais com o omento menor por meio dos: — Ligamentos: hapatoduodenal e o ligamento hepatogástrico. As principais funções do fígado são: • Secreção da bile que ajuda na digestão e absorção dos lipídios; por conseguinte, a bile quebra moléculas de gordura. • Produção de proteínas. • Metabolismo intermediário dos carboidratos, lipídios e proteínas. • Desintoxicação de fármacos e hormônios, por exemplo. • Armazenagem de micronutrientes como ferro, cobre e vitaminas. • Ativação da vitamina D. • Hematocitopoiese em fetos. 6.1.2.6 Vesícula biliar O papel digestivo do fígado é produzir a bile que atuará no duodeno. Entretanto, a bile é armazenada na vesícula biliar, que a concentra por meio da absorção de água e sais minerais. A vesícula biliar secreta a bile quando os lipídios adentram no duodeno, pois os lipídios incentivam o duodeno a liberar a enzima colecistoquinina, a qual incita a contração da vesícula biliar. A vesícula biliar possui aproximadamente 7 a 10 centímetros de comprimento. Sua relação com o duodeno é tão forte que a parte superior do duodeno comumente é marcada por bile no cadáver. Anatomicamente, a vesícula biliar é dividida em três partes: fundo, corpo e colo. Ela apresenta a capacidade para até 50 mililitros de bile. 6.1.2.7 Ductos extra‑hepáticos Os ductos extra‑hepáticos levam a bile do fígado para o duodeno. O ducto cístico, com aproximadamente 4 centímetros de comprimento, liga a vesícula biliar ao ducto hepático comum, constituindo o ducto colédoco, com aproximadamente 5 a 15 centímetros, que transporta a bile para o duodeno. O ducto colédoco encontra e se junta ao ducto pancreático principal para constituir a ampola hepatopancreática ou de Vater. A extremidade distal dessa ampola ascende‑se na parte descendente do duodeno por meio da papila maior do duodeno. 298 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II 6.1.2.8 Pâncreas O pâncreas produz por meio de uma secreção exócrina o suco pancreático que adentra no duodeno por meio dos ductos pancreáticos principal e acessório. Em média, o pâncreas forma diariamente 1200 a 1500 mililitros deste suco. A secreção endócrina produz o glucagon e a insulina. Esses hormônios chegam à corrente sanguínea e atingem determinados tecidos‑alvo. O comprimento do pâncreas varia de 12 a 15 centímetros e o seu peso na mulher é de 15 gramas, já no homem é de 16 gramas. Anatomicamente, é dividido em três partes: cabeça, corpo e cauda. Lembrete O pâncreas é uma glândula mista, pois é exócrina e endócrina. Os principais papéis do pâncreas são: • Dissolver carboidrato por meio da enzima amilase pancreática. • Dissolver proteínas por meio das enzimas tripsina, quimotripsina, carboxipeptidase e elastase. • Dissolver triglicerídeos nos adultos por meio da enzima lipase pancreática. • Dissolver ácidos nucleicos por meio das enzimas ribonuclease e desoxirribonuclease. 6.1.2.9 Baço O baço, embora seja um órgão linfoide, é descrito com o sistema digestório por algumas razões: • Se desenvolve no mesogástrico dorsal. • Seu sangue venoso é drenado para a veia porta. • É um órgão visceral abdominal, topograficamente relacionado com diversos órgãos digestórios. Baço Pâncreas Figura 280 – Pâncreas e baço 299 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA O baço não é palpável pelo exame físico e está localizado na região do hipocôndrio esquerdo, entre o fundo do estômago e o diafragma, onde recebe a proteção das costelas falsas propriamente ditas (9º e 10º pares) e da costela flutuante (11º par). Ele é macio, de consistência muito friável, altamente vascularizado e de uma coloração púrpura escura. O tamanho e peso do baço alteram muito, no adulto possui aproximadamente 12 centímetros de comprimento, 7 centímetros de largura e 3 centímetros de espessura. Pesa cerca de 150 gramas. 6.1.2.10 Peritônio O peritônio é uma dupla membrana serosa e transparente (parietal e visceral). A cavidade peritoneal é um espaço virtual com espessura capilar, localizado entre as duas membranas do peritônio. Os mesos são pregas de peritônio que ligam o órgão à parede abdominal. Já os omentos são pregas de peritônio que ligam os órgãos a outros órgãos. 6.2 Sistema endócrino Ao entrar na puberdade, meninos e meninas começam a desenvolver diferenças evidentes no aspecto físico e na conduta. Talvez em nenhuma outra etapa da vida seja tão clara o impacto do sistema endócrino na condução do desenvolvimento e regulação dos papéis corporais. Nas meninas, os estrogênios provocam o acúmulo de tecido adiposo nas mamas e nos quadris, modelando a forma feminina. Do mesmo modo ou um pouco depois, níveis cada vez mais altos de testosterona nos meninos começam a produzir massa muscular e a aumentar as pregas vocais, resultando em uma voz mais grave. Essas modificações são apenas alguns exemplos da forte relevância das secreções endócrinas. De maneira menos drástica, inúmeros hormônios auxiliam a manter a homeostasia diariamente. Eles ajustam a atividade dos músculos lisos, do músculo estriado cardíaco e de algumas glândulas; modificam o metabolismo; estimulam o crescimento e o desenvolvimento; influenciam os processos reprodutivos e participam dos ritmos circadianos estabelecidos pelo núcleo supraquiasmático do hipotálamo. O sistema endócrino é formado pelas glândulas endócrinas ou glândulas sem ducto. Uma glândula é um grupo organizado de células que funciona como um órgão secretando substâncias químicas. Cada hormônio liberado por uma glândula é direcionado especificamente a um receptor em um tipo específico de célula ou grupo de tipos de células. Desse modo, o termo receptor‑alvo está relacionado com um conjunto específico de destinos celulares do hormônio para o sinal enviado pela glândula. Um hormônio pode afetar muitas células diferentes, porém, apenas aquelas que apresentam seu receptor. 300 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II Lembrete Os hormônios são substâncias químicas secretadas pelas glândulas endócrinas, consideradas moléculas endógenas responsáveis pela comunicação celular ou extracelular. Eles viajam a partir de sua fonte secretora pela corrente sanguínea a locais específicos chamados tecidos‑alvo, ou efetores, onde produzem uma resposta coordenada desses tecidos. As glândulas endócrinas não devem ser confundidas com glândulas exócrinas. As glândulas exócrinas apresentam ductos que transportam suas secreções para o lado de fora do corpo, ou para um órgão vazio como o estômago e os intestinos. São exemplos de secreções exócrinas: a saliva, o suor, o leite materno e as enzimas digestivas. As glândulas endócrinas são as que não apresentam ducto secretor e que liberam os produtos por elas sintetizados diretamente no sangue. Embora existam diversos hormônios secretados por um ou outro tipo celular, neste livro serão abordadas apenas as principais estruturas classificadas como glândulas endócrinas, conforme o quadro a seguir: Quadro 5 Glândula pineal Órgão subcomissural Glândula hipófise Glândula hipófise faríngea Glândula tireoide Glândulas paratireoides Timo Coração Glândulas suprarrenais Placenta Pâncreas (ilhotas pancreáticas) Gônadas (ovários e testículos) Estômago Intestino Rim 301 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Glândula pineal Glândula hipófise Glândula tireoide Timo PâncreasSuprarrenal Ovário Testículo Figura 281 – Principais glândulas endócrinasdo corpo O coração, o estômago, o intestino delgado, o pâncreas, os rins e as gônadas (os ovários e os testículos) serão tratados depois, conforme sua morfologia. A classificação topográfica das glândulas endócrinas é a que se segue no quadro a seguir: Quadro 6 Cefálicas Glândula pineal, órgão subcomissural, hipófise Cervicais Hipófise laríngea, glândula tireoide, glândulas paratireoides Cervicotorácica Timo Torácica Coração Abdominais Glândulas suprarrenais, pâncreas (ilhotas pancreáticas), estômago, intestino delgado, rim Abdominopélvica Placenta Pélvicas Ovários Escrotais Testículos 302 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II 6.2.1 Glândulas cefálicas 6.2.1.1 Glândula pineal A glândula pineal era antes chamada canarium, epífise cerebral, ou corpo pineal. Está localizada na parte superior do III ventrículo do encéfalo na linha mediana. É parte do epitálamo, está posicionada entre os dois colículos superiores, apresenta massa de 0,1 a 0,2 grama e está coberta por uma cápsula formada pela pia‑máter. A glândula é composta de massas de neuróglia e células secretoras chamadas de pinealócitos. Nos seres humanos não são completamente compreendidas, porém, parecem estar relacionadas à modulação do ciclo sono‑vigília e outros ritmos biológicos. Saiba mais Para saber mais sobre a glândula pineal: PACHECO, M. B. et al. Propriedades da melatonina como fator de neuroproteção em doenças neurodegenerativas. In: XIII SAFETY, HEALTH AND ENVIRONMENT WORLD CONGRESS. 13, 2013, Porto. Anais... Santos: Copec, 2013. Disponível em: <http://copec.eu/congresses/shewc2013/proc/ works/19.pdf>. Acesso em: 22 maio 2019. A glândula pineal secreta hormônios que agem sobre o hipotálamo e as gônadas para inibir funções reprodutivas, inibindo a secreção de certos hormônios da reprodução. Duas substâncias têm sido propostas como produtos da secreção: melatonina e arginina vasotocina. A melatonina da glândula pineal também está fortemente ligada à ciclagem claro‑escuro: a melatonina é, por vezes, chamada de hormônio do escuro, pois sua secreção aumenta à noite. O núcleo supraquiasmático tem receptores de melatonina, apoiando a hipótese de que a melatonina pode modular a ciclagem do relógio. A arginina vasotocina, cujo tecido‑alvo é possivelmente o hipotálamo, provavelmente atua na inibição da secreção do hormônio liberador de gonadotrofinas. Saiba mais Para saber mais sobre a regulação da secreção de melatonina pela glândula pineal: VANPUTTE, C. L. et al. Anatomia e fisiologia de Seeley. 10. ed. Porto Alegre: AMGH, 2016. 303 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA 6.2.1.2 Órgão subcomissural O órgão ou glândula subcomissural é assim chamado porque está situado abaixo da comissura posterior do cérebro. Ele é um dos órgãos circunventriculares, para os quais falta a barreira hemo‑cerebral e, assim, pode servir para a interação neuroendócrina. O órgão subcomissural interfere na homeostase hídrica e no equilíbrio salino, tendo sido regulador da sede. 6.2.1.3 Hipófise A hipófise é uma glândula intracranial, relativamente pequena, cujo tamanho aproximado é de uma ervilha grande, situada na sela túrcica do osso esfenoide. Ela está ligada ao hipotálamo por meio de uma haste, o infundíbulo, que atravessa uma pequena abertura no diafragma da sela, uma lâmina da dura‑máter que forma o teto da sela túrcica. Ela é revestida pela dura‑máter, mas não pela aracnoide ou pia‑máter. A hipófise está dividida em adeno‑hipófise (lobo anterior) e neuro‑hipófise (lobo posterior). A neuro‑hipófise está ligada diretamente ao hipotálamo por meio do infundíbulo. No caso da hipófise anterior, a liberação hormonal é regulada, especialmente, por agentes químicos, nesse caso, hormônios ou fatores liberadores que apresentam origem em neurônios situados no hipotálamo. Esses hormônios liberadores estimulam ou inibem a liberação de hormônios específicos da hipófise anterior. A hipófise posterior recebe seus hormônios de neurônios especiais originados no hipotálamo. Os hormônios da hipófise anterior são: hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), hormônio folículo‑estimulante (FSH), hormônio luteinizante (LH), hormônio estimulante de melanócitos (MSH), hormônio estimulador da tireoide (TSH), hormônio do crescimento (GH) e prolactina. Ainda que a prolactina estimule diretamente a mama para produzir leite, a maioria dos hormônios secretados pela hipófise anterior controla a liberação de outros hormônios. O TSH controla a velocidade de formação dos hormônios tireoidianos e a secreção de cortisol no córtex suprarrenal; o LH estimula a produção de testosterona nos testículos e de estrogênio nos ovários; e o GH estimula a liberação de fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGF) pelo fígado e por outros tecidos. Todavia, os IGF podem ser produzidos por vários outros meios. Com efeito, o IGF‑1 sintetizado no músculo em decorrência da contração muscular está associado à hipertrofia muscular. É sabido que o GH desempenha papéis relevantes no metabolismo das proteínas, gorduras e carboidratos. A hipófise posterior propicia um local de armazenamento para dois hormônios, a ocitocina e o hormônio antidiurético (ADH, também chamado vasopressina), que são produzidos no hipotálamo, ao qual está conectada a hipófise posterior. A ocitocina é um estimulante poderoso da musculatura lisa, principalmente no momento do parto, estando também relacionada na resposta da descida do leite, fenômeno imprescindível para a liberação do leite da mama. [...] durante muitos anos, o tratamento clínico para o nanismo hipofisário consistia na administração do hormônio do crescimento humano (hGH), hormônio secretado pela glândula hipófise anterior. Antes de 1985, esse hormônio era obtido a partir de extratos da hipófise de cadáveres, 304 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II e seus estoques eram limitados. Desde a introdução do hGH obtido por engenharia genética, em meados dos anos 1980, sua disponibilidade não é mais um problema, embora seu custo ainda seja alto. Na década de 1980, percebendo as variadas funções desse hormônio, os atletas começaram a experimentar o hGH como um possível substituto ou complemento ao uso de esteroides anabólicos. Na época, diante da maior sofisticação dos testes farmacológicos para a detecção de esteroides anabólicos, os atletas procuravam uma alternativa para a qual ainda não houvesse teste. O hormônio do crescimento parecia, então, a droga perfeita para atletas que desejavam aumentar a força e a massa muscular (KENNEY, 2013, p. 40). As tabelas a seguir resumem os principais papéis dos hormônios produzidos pela hipófise: Quadro 7 – Hormônios da adeno‑hipófise Glândula endócrina Hormônio Órgão‑alvo Principais papéis Hipófise anterior GH Todas as células do corpo Facilita o desenvolvimento e o crescimento de todos os tecidos do corpo até a maturação; eleva a velocidade da síntese proteica; eleva a mobilização de lipídeos bem como a sua utilização como fonte de energia; reduz a velocidade de uso dos carboidratos Hipófise anterior TSH Tireoide Controla a quantidade de tiroxina e T3 produzidas e liberadas pela tireoide Hipófise anterior ACTH Córtex suprarrenal Controla a secreção de hormônios do córtex suprarrenal Hipófise anterior Prolactina Mamas Estimula a produção de leite pelas mamas Hipófise anterior FSH Ovários, testículos Inicia o crescimento de folículos nos ovários e promove a secreção de estrogênio pelos ovários; promove o desenvolvimento dos espermatozoides nos testículos Hipófise anterior LH Ovários, testículos Promove a secreção de estrogênio e progesterona e faz que haja ruptura do folículo, com liberação do ovócito; faz que os testículos secretem testosterona Quadro 8 – Hormônios da neuro‑hipófise Glândula endócrina Hormônio Órgão‑alvo Principaispapéis Hipófise posterior ADH ou vasopressina Rins Auxilia no controle da excreção de água pelos rins; eleva a pressão arterial, ao promover constrição dos vasos de sangue Hipófise posterior Ocitocina Útero, mamas Controla a contração do útero; secreção do leite 305 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Saiba mais Para saber mais sobre o hGH, o hormônio do crescimento humano: KENNEY, W. L. Fisiologia do esporte e do exercício. 5. ed. Barueri: Manole, 2013, p. 410‑411. 6.2.2 Glândulas cervicais 6.2.2.1 Glândula hipófise faríngea A glândula hipófise faríngea é representada por uma pequena estrutura mediana localizada no teto da parte nasal da faringe. Essa estrutura anatômica é uma coletânea de tecido glandular da adeno‑hipófise residual, no mucoperióstio. Após 28 semanas de vida intrauterina, a glândula hipófise faríngea é bem vascularizada, irrigada por vasos de circulação sistêmica da parede posterior da parte nasal da faringe e apta a secretar. Ela poderia ser uma reserva de tecido adenohipofisário, capaz de ser estimulado, especialmente no sexo feminino, cujo intuito é sintetizar e secretar hormônios. Essa capacidade poderia ser aproveitada quando a adeno‑hipófise começa a reduzir a quantidade de secreção. 6.2.2.2 Glândula tireoide A glândula tireoide é uma estrutura anatômica com formato de U, ímpar, quase simétrica, que se localiza em ambos os lados da laringe e da traqueia. Ela consiste em dois lobos, unidos por um istmo que cruza o segundo, terceiro e quarto anéis traqueais, conforme ilustra a figura a seguir. Lobo direito Istmo Lobo esquerdo Figura 282 – Vista anterior da glândula tireoide Ela evolui com a idade, sendo relativamente maior na criança. Na mulher, aumenta durante as menstruações e a gestação. O istmo às vezes pode estar ausente ou ser muito pequeno ou, ainda, hipertrofiar‑se em um verdadeiro lobo médio. 306 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II A glândula tireoide mantém as seguintes relações anatômicas: • Anteriormente: pele, fáscia de revestimento, músculos esternocleidomastóideo, esterno hióideo, esterno tireóideo e omo‑hióideo com as suas fáscias e a fáscia pré‑traqueal. • Póstero‑medialmente: laringe, traqueia, esôfago, nervo laríngeo recorrente e glândulas paratireoides. • Póstero‑lateralmente: bainha da carótida, seu conteúdo e a cadeia simpática. [...] a glândula tireoide, muito vascularizada, é irrigada pelas artérias tireoides superior, inferior e ima. As veias da tireoide compõem um plexo na superfície da glândula e na frente da traqueia. A drenagem venosa é realizada pelas veias tireoides superior, média e inferior que se originam dos plexos venosos, as duas primeiras são afluentes da veia jugular interna, enquanto a veia tireoide inferior acaba na veia braquiocefálica esquerda [...] os vasos linfáticos deparam‑se no tecido conjuntivo interlobular, afluem para uma rede capsular e os vasos coletores resultantes desembocam nos linfonodos paratraqueais (em ambos os lados da traqueia) que drenam a glândula tireoide. Os linfonodos cervicais profundos estão localizados inferiormente ao músculo omo‑hióideo e ao longo da veia jugular interna. Os vasos eferentes terminam nos ductos torácico e linfático direito [...] a glândula tireoide é inervada por ramos dos gânglios cervicais superior, médio e inferior da cadeia simpática, como também por ramos do nervo vago, cuja função é vasomotora (DI DIO, 1998, p. 593‑594). A glândula tireoide produz dois hormônios: a tiroxina, também chamada de tetraiodotironina (T4) e a triiodotironina (T3). O T3 e T4 juntos também são chamados de hormônios da tireoide. Outro hormônio produzido pela glândula tireoide é a calcitonina. O papel primordial do hormônio tireoidiano (T3 produzida a partir da T4) é elevar o consumo de oxigênio e a produção de calor nas células (termogênese). A calcitonina reduz o nível sanguíneo de cálcio por meio da inibição da ação dos osteoclastos, células que degradam a matriz celular óssea. 6.2.2.3 Glândulas paratireoides As glândulas paratireoides são dois pares de pequenas estruturas castanho‑camurça, ovoides, com 5 milímetros de comprimento por 3 milímetros de largura e 2 milímetros de espessura, pesando 50 microgramas. Elas se encontram nas margens laterais da face profunda dos lobos da glândula tireoide 307 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA e de sua cápsula. É difícil a sua visualização em cadáver, pois podem se localizar em qualquer lugar desde a faringe até o mediastino superior. As artérias são volumosas se comparadas às pequenas dimensões dessas glândulas. Cada uma delas recebe o ramo arterial próprio: oriundos das artérias tireoides superior e inferior. As veias são afluentes das veias tireoides correspondentes e os vasos linfáticos as acompanham. Os nervos acompanham as artérias. Microscopicamente, as glândulas paratireoides abrangem dois tipos de células epiteliais. As células mais numerosas, chamadas de células principais, produzem o paratormônio (PTH). A função do outro tipo de célula, chamado de célula oxifílica, não é conhecida na glândula paratireoide normal. Contudo, sua presença auxilia a identificar com nitidez a glândula paratireoide do ponto de vista histológico em virtude de suas características exclusivas de coloração. Além disso, no câncer de glândulas paratireoides as células oxifílicas secretam PTH em excesso. Uma das ações do PTH é ativar a enzima 1‑α‑hidroxilase nos rins. Dessa maneira, é produzido mais calcitriol e, assim, eleva a absorção intestinal de cálcio e fósforo. O PTH também age no osso, ampliando muito a atividade dos osteoclastos. Com isso, o cálcio e o fósforo caem na corrente sanguínea. 6.2.3 Glândula cervicotorácica 6.2.3.1 Timo O timo é um órgão cervicotorácico, ímpar, mediano, localizado no pescoço e superiormente ao coração no mediastino superior, encontra‑se bem desenvolvido até a adolescência. Nos recém‑nascidos, pesa cerca de 13 gramas e possui dimensões aproximadas de 5 centímetros de comprimento, 3 centímetros de largura e 1 centímetro de espessura. No período dos 11 aos 15 anos de idade, seu peso alcança o valor absoluto máximo de 35 gramas. Entretanto, a partir da adolescência o timo começa a regredir para ser representado, no adulto, por vestígios fibroadiposos. Seu formato alongado de cima para baixo e achatado em sentido anteroposterior descreve‑se como: um corpo, que representa a maior parte do órgão, com dois lobos, direito e esquerdo, unidos, entre os quais existe um plano conjuntivo de obliquidade posterolateral esquerda; uma extremidade superior, com dois cornos que ascendem até as proximidades da face anterior dos polos inferiores da glândula tireoide, sendo recoberta pelas fáscias cervicais superficial e profunda e os músculos esterno hióideo e esterno tireóideo; uma extremidade inferior, ou base, bastante grande e às vezes bífidas, que está relacionada posteriormente com a traqueia, o pericárdio fibroso e os grandes vasos da base do coração, entre as lâminas mediastinais anteriores da pleura. Corresponde anteriormente ao manúbrio e à parte superior do corpo do esterno. 308 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II Figura 283 – Timo, face anterior in situ A irrigação do timo é realizada por meios dos ramos tímicos das artérias tireoides inferiores, torácicas internas e intercostais anteriores, enquanto a drenagem venosa é efetuada por veias tímicas, afluentes das veias braquiocefálica esquerda, torácica interna e tireoide inferior. A drenagem linfática é feita para os capilares trabeculares que conduzem para os vasos coletores. Esses acabam nos linfonodos mediastinais anteriores, esternais e peritraqueais. A inervação é realizada por fibras amielínicas que compõem os plexosperitrabeculares e perivascular. O timo recebe ramos do X par de nervos cranianos, o nervo vago, de nervos cardíacos e da alça cervical. Os papéis do timo são complexos, assim como os dos linfócitos T, cuja formação depende desse órgão. Também age sobre o funcionamento neuromuscular e, por isso, a timectomia pode melhorar a miastenia. Sabe‑se que o timo secreta hormônios chamados timosina e timopoietina. Tanto o timo como a timosina possuem papel relevante no desenvolvimento e maturação do sistema imune. Ele possui grande importância na infância e é sede de produção de linfócitos T, cuja maturação é regulada pelos hormônios produzidos pelas células epiteliais tímicas. 309 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA 6.2.4 Glândula abdominal 6.2.4.1 Glândulas suprarrenais As glândulas suprarrenais, antes chamadas de glândulas adrenais, são um par de corpos marrom‑amarelados relativamente pequenos, retroperitoneais e que se localizam na extremidade superior de cada rim. A glândula suprarrenal direita tem formato triangular, sendo achatada no sentido anteroposterior; enquanto a suprarrenal esquerda é mais espessa, cujo formato é semilunar. Ambas possuem uma superfície côncava aplicada ao rim. Cada glândula suprarrenal mede, aproximadamente, 30 milímetros de altura, 25 milímetros de largura e 7 a 8 milímetros de espessura. Seu peso varia de 12 gramas no estado normal. A irrigação desses órgãos se dá por três grupos de artérias principais, chamadas de artérias suprarrenais: superiores, médias e inferiores, além dessas, são irrigadas por artérias acessórias. As veias originam‑se dos vasos corticais e dos seios corticomedulares. Há linfáticos superficiais e profundos, entretanto, todos convergem para a margem medial da glândula para dirigirem‑se aos linfonodos do pedículo renal, ou da região aorto‑cava (à direita), justa‑aórtica (à esquerda) ou até mediastinais. As glândulas suprarrenais são vastamente inervadas por filetes finos e muito numerosos, cuja origem é dupla, por meio dos ramos oriundos do nervo esplânico maior e dos ramos oriundos do plexo celíaco. Morfofuncionalmente, cada glândula suprarrenal está dividida em duas partes distintas: um córtex externo, correspondente a 10% e uma medula interna, correspondente a 90%. O córtex secreta hormônios esteroides derivados do colesterol, por exemplo, o cortisol, a córtico‑esterona e a aldosterona. O cortisol e a córtico‑esterona regulam o metabolismo dos glicídios. A córtico‑esterona é ativa na resposta inflamatória, na reação imunitária e no crescimento do corpo. A aldosterona regula o equilíbrio eletrolítico e hídrico do corpo. A medula secreta as catecolaminas, norepinefrina e epinefrina. 6.2.5 Glândula abdominopélvica 6.2.5.1 Placenta Embora os hormônios ováricos e hipofisários sejam relevantes na manutenção da gestação, deve ser observado que, nos seres humanos, a placenta libera também hormônios que ajudam nessa importante missão, como a gonadotrofina coriônica humana, o estrogênio e a progesterona. Resumo Vimos que o sistema cardiovascular transporta O2 e glicose para as células e CO2 e outros resíduos para fora das células, assim como conduz hormônios e auxilia na manutenção da temperatura corporal. Os elementos do sistema cardiovascular são o coração, os vasos de sangue e o sistema linfático. O coração está contido no interior do pericárdio. A microanatomia do coração consiste no epicárdio, miocárdio e endocárdio. 310 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II No átrio direito chega sangue oriundo do corpo pelas veias cavas superior e inferior, e o ventrículo direito expulsa o sangue por meio do tronco pulmonar para as artérias pulmonares até os pulmões. No átrio esquerdo chega sangue oriundo dos pulmões pelas veias pulmonares, e o ventrículo esquerdo envia o sangue pela parte ascendente da aorta para as células do corpo. O coração contém um conjunto de válvulas que formam as valvas atrioventriculares (direita e esquerda) e as valvas semilunares (do tronco pulmonar e da aorta). Os átrios direito e esquerdo são separados pelo septo interatrial e os ventrículos direito e esquerdo pelo septo interventricular. Os átrios têm dois apêndices: as aurículas direita e esquerda. Internamente, o átrio direito possui relevos musculares, chamados músculos pectíneos e a fossa oval. O ventrículo direito apresenta três músculos papilares, que possuem em suas extremidades as cordas tendíneas. Essas, por sua vez, inserem‑se nas cúspides. Já o ventrículo esquerdo possui dois músculos papilares. O ventrículo esquerdo apresenta o miocárdio mais espesso do que o ventrículo direito, pois participa da circulação sistêmica. Os tipos de circulação de sangue são: a sistêmica, a pulmonar, a cardíaca, a fetal, a portal e a colateral. As artérias e as veias possuem três camadas ou túnicas: a externa, a média e a interna. Elas saem do coração e as veias chegam ao coração. As veias apresentam válvulas que direcionam o sangue para o coração quando são pressionadas pelas bombas dos músculos estriados esqueléticos. As artérias são classificadas em artérias de grande calibre, ou elásticas, de médio calibre, ou musculares, e artérias de pequeno calibre, ou arteríolas. Os capilares são formados apenas por células endoteliais. Os capilares linfáticos drenam o líquido intersticial, que é constituído a partir do plasma sanguíneo. Quando esse líquido adentra nos capilares linfáticos, ele é chamado de linfa, que retorna ao sistema venoso através de dois ductos linfáticos maiores: o ducto torácico e ducto linfático direito. Compõem ainda o sistema linfático as tonsilas, o timo e o baço. O conjunto de órgãos envolvidos na respiração forma o sistema respiratório. Esses órgãos são: o nariz, a faringe, a laringe, a traqueia, os brônquios, que correspondem às vias aéreas superiores, e os pulmões. O nariz é sustentado pelos ossos nasais e por cartilagens. Suas principais funções são: aquecer, umedecer, limpar o ar inspirado e o olfato. Os seios paranasais encontram‑se nos ossos chamados de pneumáticos, como a 311 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA maxila, o etmoide, o esfenoide e o frontal. A faringe se comunica com sete cavidades: nasais, oral, timpânica, esôfago, laringe. Apresenta três partes: a parte nasal, a oral e a laríngea da faringe. A laringe possui cartilagens ímpares e pares que mantêm a passagem para a traqueia aberta durante a respiração e fecham a passagem respiratória durante o ato de engolir. A traqueia é um órgão tubular formada por anéis incompletos cartilagíneos. Os brônquios são divididos em principais, ou primários, lobares, ou secundários, segmentares ou terciários. O brônquio principal direito é mais curto, largo e verticalizado do que o brônquio principal esquerdo. O pulmão direito é subdividido por duas fissuras, apresentando três lobos: o superior, o médio e o inferior. O pulmão esquerdo é subdividido em uma única fissura, possuindo dois lobos: o superior e o inferior. Os pulmões são envolvidos pela pleura visceral e a cavidade torácica, recoberta pela pleura parietal. O espaço entre essas duas membranas pleurais é chamado cavidade pleural e contém o líquido pleural. O sistema digestório consiste em um canal alimentar e órgãos digestórios anexos. A boca á a primeira parte do canal alimentar, a cavidade oral é composta de bochechas, lábios, palato duro e palato mole. O palato duro e o palato mole formam o teto da cavidade oral. A língua e os dentes estão contidos na cavidade oral. A língua ajuda no processamento mecânico e na movimentação do alimento, sendo responsável também pela análise sensitiva do alimento. O dorso e o corpo da língua são recobertos com papilas. Existem quatro tipos de dentes, cada um com papéis específicos, sendo eles os incisivos, os caninos,os pré‑molares e os molares. As glândulas da boca são divididas em glândulas salivares maiores, por exemplo, as glândulas parótidas, as glândulas submandibulares e as glândulas sublinguais; e glândulas salivares menores, como as glândulas labiais. A faringe é uma estrutura anatômica que pertence aos sistemas respiratório e digestório. O esôfago é um tubo muscular oco que conduz alimentos sólidos e líquidos para o estômago. A deglutição acontece em três fases e envolve estruturas da cavidade oral, da faringe e do esôfago. O estômago consiste em: cárdia, fundo, corpo e região pilórica. Possui as curvaturas maior e menor e apresenta o esfíncter pilórico na sua união com o duodeno. O intestino delgado inclui as seguintes partes: duodeno, jejuno e íleo. O intestino grosso é dividido em ceco e colos. O ceco recebe e armazena materiais oriundos do íleo. O apêndice vermiforme é um divertículo do ceco. O colo possui diâmetro maior e paredes mais delgadas em relação ao 312 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II intestino delgado. Tem bolsas chamadas de saculações do colo, as tênias do colo e os apêndices omentais. O colo é subdividido em quatro regiões: o colo ascendente, transverso, descendente e sigmoide. A parte final do canal alimentar é o reto, que continua‑se com o canal anal, que termina no ânus. O músculo esfíncter interno do ânus e o músculo esfíncter externo do ânus controlam a passagem das fezes através do ânus. O fígado desempenha papéis de regulação metabólica e hematológica, além de produzir a bile. Ele é dividido em lobos direito, esquerdo, quadrado e caudado. A artéria hepática própria e a veia porta do fígado realizam o suprimento sanguíneo ao fígado. As veias hepáticas drenam sangue do fígado e realizam o retorno do sangue à circulação sistêmica por meio da veia cava inferior. A vesícula biliar armazena e concentra bile, mas a libera por meio do duodeno, pelos ductos cístico e colédoco. O pâncreas é uma glândula mista, ou seja, exócrina e endócrina. Ele é dividido em três partes: cabeça, corpo e cauda do pâncreas. O ducto pancreático acessório (se presente) e o ducto pancreático atravessam a parede do duodeno e liberam suco pancreático na papila menor do duodeno e na papila maior do duodeno, concomitantemente. Os principais papéis regulatórios do sistema endócrino são: metabolismo, controle da ingestão de alimento e digestão, maturação dos tecidos, regulação de íons, balanço de água, controle da função reprodutiva, da contração uterina e da ejeção de leite, além da regulação do sistema imune. A hipófise, localizada na sela túrcica do osso esfenoide, secreta pelo menos nove hormônios que regulam numerosos papéis do corpo, bem como de outras glândulas endócrinas. A tireoide está situada inferiormente à laringe e produz T3, T4 e calcitonina. As glândulas paratireoides estão embutidas na tireoide e secretam o paratormônio. As glândulas suprarrenais estão localizadas nos polos superiores dos rins e produzem hormônios como, por exemplo, o cortisol, catecolaminas, a norepinefrina e a epinefrina. A placenta, a glândula pineal, o timo, a glândula hipófise faríngea e o órgão subcomissural também são exemplos de glândulas endócrinas. 313 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 ANATOMIA HUMANA Exercícios Questão 1. (NC‑UFPR 2013, adaptada) Com relação à anatomia e fisiologia cardíaca, numere os itens de acordo com sua correspondência. 1 – Valva tricúspide. 2– Valva mitral. 3 – Parte do sistema de condução do impulso elétrico cardíaco. 4 – Artéria pulmonar. 5 – Veia pulmonar. ( ) Sangue arterial. ( ) Sangue venoso. ( ) Localizada entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. ( ) Localizada entre o átrio direito e o ventrículo direito. ( ) Feixe de His e fibras de Purkinje. Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta de cima para baixo. A) 5 – 4 – 2 – 1 – 3. B) 5 – 4 – 3 – 1 – 2. C) 5 – 4 – 1 – 2 – 3. D) 4 – 5 – 2 – 1 – 3 E) 4 – 5 – 1 – 2 – 3. Resposta correta: alternativa A. Análise das afirmativas 1 – A valva tricúspide é localizada entre o átrio direito e o ventrículo direito. 2 – A valva mitral é localizada entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. 314 Re vi sã o: Ju lia na - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 05 /1 9 Unidade II 3 – Parte do sistema de condução do impulso elétrico cardíaco são o feixe de His e as fibras de Purkinje. 4 – A artéria pulmonar leva sangue venoso do coração para os pulmões. 5 – A veia pulmonar traz sangue arterial dos pulmões para o coração. Questão 2. (Vunesp 2008, adaptada) Os esportes radicais são atividades muito difundidas entre os jovens e têm recebido crescente atenção da mídia, inclusive com veiculação pela televisão. Uma característica deles, utilizada na sua propaganda, é a capacidade de induzir um aumento na produção de adrenalina nos participantes. Indique a alternativa que descreve corretamente o local de produção e a ação da adrenalina. A) Pâncreas: vasoconstrição, sudorese e elevação do nível de açúcar no sangue. B) Hipófise: vasodilatação, aumento na frequência dos batimentos cardíacos e dilatação de pupilas e brônquios. C) Suprarrenais: vasodilatação, sudorese e dilatação das pupilas. D) Hipófise: redução no volume sanguíneo, redução na pressão sanguínea sistêmica e elevação do nível de açúcar no sangue. E) Suprarrenais: vasoconstrição, aumento na frequência dos batimentos cardíacos e elevação do nível de açúcar no sangue. Resolução desta questão na plataforma.