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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS TEXTO COMPLEMENTAR Sistemática e taxonomia vegetal Curso: Farmácia Disciplina: Farmacobotânica Prof. Ionaldo J. L. Diniz Basílio Data: Ano: 2019.1 O objetivo deste capítulo é demonstrar a aplicação da sistemática e taxonomia vegetal na disciplina de Farmacobotânica. Por que devemos estudar as plantas? A importância das plantas não pode ser desprezada. Sem as plantas, a maioria das espécies de animais e muitos outros grupos de organismos não poderiam sobreviver. Organismos fotossintetizantes, principalmente as plantas transformaram a vida na terra de duas maneiras principais. Em primeiro lugar, a oxidação de dióxido de carbono e a libertação de oxigênio molecular (fotossíntese) alterou a atmosfera da terra ao longo de bilhões de anos. Com o acumulo de oxigênio na atmosfera, a respiração passou a depender de oxigênio (via fosforilação oxidativa nas mitocôndrias). Este processo pode ter sido um precursor necessário na evolução de muitos organismos multicelulares, incluindo todos os animais. Além disso, uma atmosfera rica em oxigênio permitiu o estabelecimento da camada de ozônio na atmosfera superior, protegendo a vida da radiação ultravioleta. Estes organismos passaram a habitar locais expostas à luz solar, antes inacessíveis. Em segundo lugar, os compostos produzidos por espécies fotossintetizantes são utilizados direta ou indiretamente, por organismos heterotróficos. Praticamente todos os indivíduos terrestres e a maioria dos aquáticos. As plantas terrestres são a fonte primária na cadeia alimentar, compostos de alta energia, tais como: carboidratos, alguns aminoácidos e outros compostos essenciais ao metabolismo de alguns organismos heterotróficos. Assim, a maioria das espécies que habitam a terra atualmente, incluindo milhões de espécies de animais é absolutamente dependente das plantas para a sua sobrevivência. Como produtores primários, as plantas são os principais componentes de muitas comunidades e ecossistemas. A sobrevivência das plantas é essencial para a manutenção da saúde desses ecossistemas e sua perturbação pode ocasionar problemas, como mudanças bruscas do clima e falta d’água. Aos seres humanos, as plantas também são imprescindíveis (figuras a seguir). Plantas de interesse agrícola, a maioria dos quais são nossa principal fonte de alimento. Utilizamos todas as partes da planta como produtos alimentares: raízes (batata doce e cenouras); caules (inhame, mandioca e batata); folhas (repolho e alface); flores (brócolos); frutos e sementes, incluindo os grãos, como arroz, trigo, milho, centeio, cevada e aveia; leguminosas, como feijão e ervilhas; e uma infinidade de frutas, como bananas, tomates, pimentas, abacaxi, maçãs, cerejas, pêssegos, melões, kiwis e azeitonas. Diversas plantas são usadas como agentes flavorizantes (ervas e especiarias), bebidas estimulantes (chocolate, café, chá e cola) ou bebidas alcoólicas (cerveja, vinhos e licores). Plantas lenhosas são usadas na obtenção de madeira e produtos de celulose, como papel. Em regiões tropicais, bambus, palmeiras e uma variedade de outras espécies são utilizados na construção de habitações. Em muitas culturas, plantas ou produtos derivados de vegetais são utilizados como alucinógenos (legal ou ilegalmente), tais como: maconha, ópio, cocaína e uma grande variedade de espécies usadas em rituais indígenas. As plantas são importantes na Indústria de Cosmético e no cultivo de plantas ornamentais. Finalmente, as plantas têm grande importância medicinal, no tratamento de uma variedade de doenças. Na Indústria Farmacêutica seus compostos são usados como modelos na síntese novos fármacos. Muitos medicamentos modernos, como a aspirina (derivada originalmente da casca das árvores de salgueiro), vincristina e vinblastina, obtido a partir de Catharanthus roseus “bom-dia”, “boa-noite” (espécie nativo de Madagascar), usado no tratamento de leucemia em crianças. Além disso, partes de plantas integras, rasuradas ou trituradas são utilizadas pela população na forma de chás (alimentos) ou drogas vegetais. UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS Figura. Exemplos de plantas economicamente importantes. A–E. Legumes. A. Ipomoea batatas, batata-doce (raiz). B. Daucus carota, cenoura (raiz). C. Solanum tuberosum, batata (caule). D. Lactuca sativa, alface (folhas). E. Brassica oleracea, brócolis (botões florais). F–I. Frutos, seco (grãos). F. Oryza sativa, arroz. G. Triticum aestivum, pão de trigo. H. Zea mays, milho. I. Semente (leguminosas), de cima, para a direita para o centro: Glycine max, soja; Lens culinaris, lentilha; Phaseolus aureus, Phaseolus vulgaris, feijão; Cicer areitinum, grão de bico; Vigna unguiculata; Phaseolus lunatus, feijão. J–M. frutos, frescos. J. Musa paradisiaca, banana. K. Ananas comosus, abacaxi. L. Malus pumila, maça. M. Olea europaea, azeitona. Figura. Exemplos de outras plantas economicamente importantes. A–D. Ervas. A. Petroselinum crispum, salsa. B. Salvia sp. .C. Rosmarinus sp., alecrim. D. Thymus vulgaris, tomilho. E. Espécies e ervas, superior esquerda: Cinnamomum cássia / C. zeylanicum, canela (casca); Baunilha planifolia; baunilha (fruta); Laurus nobilis, louro (folhas); Syzygium aromaticum, cravo; Myristica fragrans, noz-moscada (semente); Carum carvi, alcaravia (fruta); Anethum graveolens, endro (fruta); Pimenta dioica, pimenta da Jamaica (semente); Piper nigrum, pimenta (semente). F. Plantas condimentares, de superior à esquerda, no sentido horário. Theobroma cacau, chocolate (sementes); Coffea arabica, café (sementes); Thea sinensis, chá (folhas). G. Produtos da madeira: madeira e serrado (Sequoia sempervirens, Pau-Brasil), papel e derivados de celulose. H. Fibras. Gossypium sp., algodão (tricomas de sementes). I. Drogas alucinógenas. Cannibis sativa, maconha, contêm o tetrahidrocanabinol. J. Planta medicinal. Catharanthus roseus, da qual é derivada a vincristina e a vinblastina, usado no tratamento de leucemia em crianças. Para compreender em que partes das plantas, os compostos biologicamente ativos são produzidos e armazenados, é importante entender a morfologia da planta e alguns conceitos, tais como: sistemática e taxonomia. Nomenclatura botânica, classificação e identificação de plantas medicinais. Introdução Levando-se em conta o grande número de espécies de seres vivos existentes na natureza (cerca de 1,5 milhões de espécies, das quais 300 mil pertencem ao reino Plantae), tornou-se necessário à criação de um sistema de classificação desses seres. A dificuldade de criar um sistema desse porte fica claro ao se analisar os números acima. É difícil para os biólogos reconhecer todas as entidades (indivíduos) de seres vivos e classificá-las em sistemas que reflitam a sua real posição hierárquica na natureza. Sistemas de classificação Os gregos tentaram reunir e organizar o conhecimento empírico acumulado, porém basearam-se apenas nos caracteres mais facilmente observados. Ao longo do tempo, foram surgindo numerosos sistemas de classificação que consistiam em reunir um conjunto de unidades taxonômicas, nas quais as plantas eram ordenadas e, por ordem cronológica, esses sistemas costumam ser agrupados da seguinte forma: 1º Sistema baseado no hábito – primeiro que se tem conhecimento. Criado por Theophrastus entre 380-278 a.C., utilizou o hábito das plantas para classifica-las, ou seja, árvores, arbustos, ervas, cultivadas e selvagens. Também se destacam cientistas como Dioscórides, Albertus Magnus e Andrea Caesalpino (1519-1603), este último considerado o primeiro taxonomista vegetal. 2º Sistemas artificiais baseados em características numéricas– sistema sexual criado por Linnaeus em 1753 (Obra Species Plantarum), o qual evidência as características florais, como presença de flores e principalmente o número e a posição dos estames. Baseado nestes caracteres Linnaeus dividiu o Reino Vegetal em 24 classes. UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS 3º Sistemas Naturais – classificação por semelhanças, ou seja, por compartilhar caracteres em comum. Um dos principais sistemas publicados neste período foi o de Antoine de Jussieu (1686-1758), que reconheceu 15 classes e 100 ordens. Esse autor sugeriu a classificação em Acotiledônea, Monocotiledônea e Dicotiledônea, presença ou ausência de pétalas e a soldadura das pétalas. Destas reconheceu três grupos, denominando- os de Apetalae, Monopetalae e Polypetalae. Outro cientista importante foi Augustin P. de Candolle (1778-1841), que em seu sistema fez a distinção entre plantas vascularizadas e talófitas1, porém houve a inclusão de Pteridófitas2 como Monocotiledôneas. 1. Grupo de vegetais que possuem tecido único, não diferenciado “TALO”. Ou seja, apresentam multicelularidade com interdependência. Este grupo compreende as algas. 2. Grupo de vegetais vasculares sem sementes, composto por raiz, caule e folhas. Incluem as samambaias e cavalinhas, entre outros. 4º Sistemas baseados em filogenia – baseados na teoria da evolução das espécies de Darwin (1859), relacionando-as com à ancestralidade e descendência. Os sistemas mais conhecidos dentro da filogenética são os trabalhos de Engler (1964), Cronquist (1968, 1981 e 1988) e Dahglgren (1985). Este último mostrou uma preocupação maior com as abordagens filogenéticas e construiu um tratamento cladístico para monocotiledôneas. Por outro lado, a sistemática filogenética criada por Willi Henning (1950) considera que a história evolutiva da relação ancestralidade- descendência dos organismos pode ser reconstruída e representada através de um cladograma e que para a construção deste diagrama hipotético deve ser levada em consideração, pelo menos uma característica monofilética3. A partir da década de 90, destacam-se os trabalhos produzidos por Walter Judd (1999), que utilizou também técnicas moleculares para a construção de cladogramas. 3. Característica monofilética: Termo que se refere a característica comum a um grupo de indivíduos cujos descendentes são de mesmo ancestral. Em cladística, um clado ou clade (do grego klados, ramo) é um grupo de organismos originados de um único ancestral comum, exclusivo (ver figura abaixo). Figura. Cladograma mostrando dois clados, azul e vermelho. O ramo verde não representam um clado, pois o ramo azul descendem do mesmo ramo. Nomenclatura botânica Desde a metade do século XVIII, os nomes das plantas eram formados por diversas palavras, porém em 1753, Linnaeus propôs o sistema Binominal no qual a primeira palavra seria usada para indicar o gênero e a segunda seria o epíteto específico. Todavia, com a descoberta de novas espécies tornou-se necessário a elaboração de algum documento que pudesse organizar de forma adequada os binomes e as categorias taxonômicas. Assim, em 1867, Alphonse de Candolle sugeriu algumas normas de organização da nomenclatura botânica. Após muitas revisões e discussões criou-se o “Código de Paris de 1867” e, desde então, periodicamente são realizados congressos internacionais com o objetivo de consolidar um Código Internacional de Nomenclatura Botânica, estabelecendo e universalizando os nomes referentes a cada categoria taxonômica. Este Código é organizado em Princípios, Recomendações e Regras (a seguir maiores detalhes). Classificação e identificação Antes de qualquer coisa é necessário estabelecer a diferença entre classificação e identificação. Classificação: processo de se agrupar um ser vivo, em uma categoria específica, dentro de uma hierarquia. Esse processo é feito apenas uma vez, exceto em caso de recolocação, devido ao surgimento de evidências que indicam erro na classificação anterior. Identificação: consiste em comparar dados de um espécime (indivíduo) a ser analisada, com uma espécie descrita previamente. Esta comparação é feita cada vez que se deseja conhecer o nome de um indivíduo coletado. Pode basear-se em dados de um espécime de uma coleção (no caso de plantas – um herbário), ou ainda com dados e ilustrações encontrados na literatura. Coleta, herborização e catalogação de amostras vegetais Uma das principiais preocupações de um cientista que trabalha com plantas é a reprodutibilidade do seu trabalho. Para tanto, o mesmo necessita que amostras do material coletado sejam guardadas, não apenas para identificação ou classificação correta, bem como para comprovação de que o trabalho se realizou com a espécie correta. Esse exemplar do material botânico é chamado de exsicata e será estudado com detalhes a seguir. Coleta Detalhes essenciais devem ser levados em conta ao se proceder a coleta de plantas. O primeiro cuidado é observar a quantidade de espécimes do vegetal em questão na região de coleta, isto para evitar que sejam coletados exemplares de uma espécie em risco de extinção. Um exemplo clássico de quase extinção, temos Tabebuia heptaphylla (Vell.) Toledo (= T. avellanedae Lorentz ex Griseb.), conhecido popularmente como Ipê-roxo. A casca da árvore passou a ser UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS coletada indiscriminadamente pela população, após publicação de resultados interessantes no tratamento de câncer. A coleta deve sempre contar com a presença de um botânico e/ou de um mateiro experiente (de preferência, os dois). Para coletas que visem simplesmente identificar um determinado vegetal, faz-se necessário pouco material (coletar exemplar com flores é essencial e, caso seja possível, frutos). Caso a coleta seja para estudos fitoquímicos devemos coletar em média 10 Kg de material para obter um rendimento final aproximado de 1 à 2 Kg de planta seca (estudos clássicos). Atualmente, com o desenvolvimento de técnicas avançadas de separação e identificação de compostos químicos, a abordagem fitoquímica necessita de quantidades mínimas no processo inicial (triagem química e farmacológica). Herborização Herborização é o processo de preparação de um exemplar vegetal para conservação em uma coleção de plantas denominada herbário. Ao exemplar devidamente preparado (herborizado) para fazer parte de um herbário, chama-se exsicata (do latim exsicco, significa secar). Normalmente, essas exsicatas são acondicionadas em pastas de papel. Os cuidados para a preparação de uma boa exsicata se iniciam na coleta, onde se deve ter o cuidado de coletar um exemplar que contenha seus órgãos reprodutivos (flores e/ou frutos), o que facilitará sobremaneira a identificação. Plantas com até 80 cm podem ser coletadas inteiras, já arbustos à árvores utilizam-se as porções terminais dos ramos (cerca de 30 cm), onde se encontram as flores e/ou frutos. A herborização é feita prensando-se o material coletado entre folhas de papel absorvente (jornal, por exemplo), seguidos de papelão e finalmente madeira. Todo esse material deve ser colocado em uma estufa com ar circulante, por um período que varia, com a umidade do vegetal. A etiquetação do material em estudo é outro fator de extrema importância para que sejam evitados enganos. Existe ainda uma regra para o tamanho de uma exsicata, a pasta deve ser do tamanho de um jornal tablóide. Na etiqueta de coleta deve constar o número de referência da coleta e dados da mesma, tais como: local, data, hora. Deve ainda constar nome popular, nome botânico, família botânica, nome do coletor e também o nome do botânico,que identificou a espécie, além dos dados que não mais serão percebidos após secagem do material, tais como: cor das flores, folhas e aroma. O número de referência de uma exsicata é de suma importância, pois, muitas revistas científicas exigem esse número, principalmente quando se deseja publicar um artigo cientifico na área de botânica, fitoquímica e farmacológica. Figura. Exemplo de etiqueta. Identificação de espécies Tanto a planta coletada recentemente, como uma exsicata pode ser usada para se proceder à identificação. A presença de flores e/ou frutos na amostra é quase indispensável na análise da amostra vegetal, pois, neles estão presentes caracteres específicos levados em conta no trabalho do botânico. A falta desses caracteres pode induzir erro na identificação. Quanto maior a biodiversidade do local onde a planta foi coletada, maior a dificuldade na sua identificação, sendo o inverso verdadeiro. A identificação correta de uma espécie implica na comparação com material previamente herborizado e extensa revisão bibliográfica. As monografias de cada gênero constituem a literatura mais confiável para este fim. Na ausência dessas, pode-se partir para as floras da região, estado ou mesmo reserva biológica, onde foi feita a coleta. No Brasil é escasso o número de publicações dessa natureza, podendo-se consultar a Flora Neotrópica, onde se encontra dados de plantas brasileiras, além de teses e dissertações diversas que geralmente descrevem a flora de pequenas regiões. Essas publicações contêm normalmente as chaves de identificação das espécies, descrições e ilustrações que facilitam a determinação da identidade do material vegetal. Conceito de espécie O termo espécie denomina o grupo de indivíduos idênticos, diferindo de outros grupos populacionais de menor semelhança. Quando em uma espécie existirem dois ou mais grupos de plantas, com uma ou mais características constantes em cada grupo, a mesma pode ser dividida em subespécies. As espécies, principalmente aquelas de importância econômica, também podem ser divididas em variedades, cultivares e formas. Variedades São entidades infraespecíficas que ocorrem na natureza. Cultivares São produtos de cruzamentos entre plantas, com a finalidade de se obter descendências com determinadas características de interesse. Formas UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS As formas são populações dentro de uma espécie que diferem entre si em apenas um caráter constante. Nem sempre são consideradas por taxonomistas. Categorias taxonômicas Cada unidade taxonômica supragenérica tem um sufixo próprio que indica em que grau o grupo está incluído dentro do sistema. Na tabela a seguir, observa-se um exemplo baseado no sistema de classificação de Cronquist (1988), onde é apresentado a lista hierárquica das unidades taxonômicas de duas espécies bem conhecidas, a batata inglesa (Solanum tuberosum L.) e o milho (Zea mays L.). A batata inglesa pertence a um gênero que é formado por cerca de 1500 espécies e por isso é dividido em subgêneros e seções, enquanto que o milho pertence a um gênero monoespecífico, não necessitando, portanto, de divisões infragenéricas. Tabela. Classificação de Solanum tuberosum L. e Zea mays L. segundo Cronquist (1988). Categoria taxonômica Sufixo Batata inglesa Milho Divisão phyta Magnoliophyta Magnoliophyta Classe opsida Magnoliopsida Liliopsida Subclasse idae Asteridae Commelinidae Ordem ales Solanales Cyperales Família aceae Solanaceae Poaceae Subfamília oideae Solanoideae Panicoideae Tribo eae Solaneae Andropogoneae Subtribo inae Solaninae Tripsacinae Gênero Solanum Zea Subgênero Solanum Seção Petota Espécie Solanum tuberosum L. Zea mays L. Nomenclatura científica A espécie é a entidade base nos sistemas de classificação. Cada espécie tem um nome científico, formado por um binômio, que deve obedecer às regras do Código Internacional de Nomenclatura Botânica. Esse código sofre modificações por decisão do Comitê Permanente de Nomenclatura, em seções plenárias no Congresso Internacional de Botânica. A nomenclatura binominal foi estabelecida por Linnaeus em 1753 e as Principais regras são: 1 – O nome científico é sempre um binômio, escrito em latim ou nomes latinizados. 2 – A primeira palavra do binômio científico corresponde ao gênero e deve ser escrita com letra inicial maiúscula. A segunda palavra corresponde ao epíteto específico para uma determinada espécie, o qual deve concordar gramaticalmente com o nome do gênero e ser escrito com letra inicial minúscula. 3 – O binômio científico deve ser acompanhado do nome do autor do mesmo, ou seja, daquela pessoa que descreveu a espécie. Nomes de autores podem ser abreviados, sendo recomendado que as abreviaturas não sejam aleatórias. Seguir livro de autores botânicos. 4 – Sempre que houver mais de um epíteto específico para nominar uma espécie, vale o princípio da prioridade, devendo ser utilizado o nome mais antigo, sendo os demais considerados sinônimos. Essa regra vale pra todos os nomes publicados a partir de 1753. Estes dados podem ser confirmados no site http://www.tropicos.org/. 5 – O binômio científico deve ser grifado no texto (o grifo em itálico é o usual; quando manuscrito deve ser sublinhado). 6 – As principais categorias dos taxa em sequência descendente são: Reino, Divisão, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie; 7 – As categorias secundárias em sequência descendente são: tribo (entre família e gênero), seção e série (entre gênero e espécie) e variedade e forma (abaixo de espécie); 8 – Caso um maior número de categorias de taxa seja necessário, basta acrescentar o prefixo sub aos termos que indicam as categorias principais ou secundárias: subclasse, subfamília, subgênero e subespécie; 9 – Nomes de híbridos o epíteto específico é precedido pelo “x”. Por exemplo: Mentha x piperita L. 10 – Quando uma espécie muda de gênero, o nome do autor do basiônimo (primeiro nome dado a uma espécie) deve ser citado entre parênteses, seguido pelo nome do autor que fez a nova combinação e o epíteto original deve ser mantido, exceto em casos que o mesmo já tenha sido utilizado para outra espécie do gênero. 11 – Epítetos descritivos: Relacionados com a cor: albus, aureus, luteus, niger, virens (verde), viridis (verde). Relacionados com a origem: australis, borealis, meridionalis, orientalis. Relacionados com a distribuição geográfica: africanus, alpinus, alpestris (Alpes), hispanicus, ibericus. Relacionados com o hábito: arborescens. Relacionados com o hábitat: arvensis, campestris, lacustris. Relacionados com o tamanho: minor, major, robustus. Tipos de Citação do autor 1. Lilium superbum L. “L” faz referência a Linnaeus e é o autor. 2. Didymopanax gleasonii Britton et Wilson dois autores usa-se et ou &. 3. Tillandsia tomentelli De Luca et al. Mais de dois autores. http://www.tropicos.org/ UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS 4. Capparis lasiantha R. Br ex DC. Ex.: Robert Brown (abreviatura: R. Br) - denominou um espécime de herbário Capparis lasiantha, reconhecendo a nova espécie, mas não publicou a descrição, apenas escreveu o novo nome na folha do herbário. Mais tarde, De Candole (abreviatura: DC.), concordando com Brown, publicou a nova espécie utilizando o nome dado por Brown. Nomes populares Nomes populares, vulgares ou vernaculares são regionais e não recebem importância, de modo geral, em um trabalho científico. Por outro lado, são úteis e importantes em trabalhos etnobotânicos, como fonte de informação sobre a cultura ou vocabulário de uma população, podendo darindícios sobre a utilização popular de uma espécie. Questionário 1. Considerando a indissociabilidade dos termos sistemática e taxonomia, o que compreende as etapas de descrição, classificação, nomenclatura biológica e identificação? 2. Os nomes científicos, Mentha spicata L., Mentha crispa L. e Mentha aquatica L., aplicam-se as espécies de plantas popularmente conhecidas como “hortelã” e estão grifados de acordo com o Código Internacional de Nomenclatura Botânica, estabelecido por Linnaeus. a. A que gênero pertencem todos as espécies mencionadas? b. Identifique o epíteto específico de cada espécie. c. Uma vez que estes nomes necessitem ser escritos à mão, como deve se proceder? 3. A respeito dos princípios do Código Internacional de Nomenclatura Botânica, assinale a alternativa CORRETA: a. A aplicação de nomes não se baseia por tipos nomenclaturais. b. A nomenclatura de um grupo taxonômico desconsidera a prioridade de publicação; c. Cada táxon poderá apresentar mais de um nome válido. d. Os nomes dos táxons são grifados nos textos como nomes latinos, em itálico ou sublinhados. e. As regras de nomenclatura são retroativas, sem exceções. 4. Considerando o princípio da prioridade, indique os nomes válidos e, consequentemente, o seu sinônimo: a. Aristolochia gardens Lineu (1856) Aristolochia glabra Benton (1873) b. Gaudinia hispanica Stace & Tutin (1967) Gaudinia holosica Moore (1952) c. Omphalobium ovatifolius Martius (1817) Omphalobium glabratum A. DC. (1978) e. Viburnum fragrans Bunge (1831) Viburnum fragrans Lorsel. (1824) 5. Análise a nomenclatura empregada para as espécies, indicando: gênero, epíteto, autor(es) do nome(s) e características que o nome está evidenciando. a. Vulpia ciliata Dumort. b. Gaudinia hispanica Stace & Tutin, sp. nov. c. Cordia hermanniifolia var. calycina Cham. d. Silene dioica subsp. zetlandia var. alba