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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA 
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE 
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS 
 
 
TEXTO COMPLEMENTAR 
Sistemática e taxonomia vegetal 
Curso: Farmácia Disciplina: Farmacobotânica Prof. Ionaldo J. L. Diniz Basílio 
Data: Ano: 2019.1 
O objetivo deste capítulo é demonstrar a aplicação da sistemática e taxonomia vegetal na disciplina de 
Farmacobotânica. 
Por que devemos estudar as plantas? 
A importância das plantas não pode ser desprezada. Sem as 
plantas, a maioria das espécies de animais e muitos outros 
grupos de organismos não poderiam sobreviver. Organismos 
fotossintetizantes, principalmente as plantas transformaram 
a vida na terra de duas maneiras principais. 
Em primeiro lugar, a oxidação de dióxido de carbono e a 
libertação de oxigênio molecular (fotossíntese) alterou a 
atmosfera da terra ao longo de bilhões de anos. Com o 
acumulo de oxigênio na atmosfera, a respiração passou a 
depender de oxigênio (via fosforilação oxidativa nas 
mitocôndrias). Este processo pode ter sido um precursor 
necessário na evolução de muitos organismos 
multicelulares, incluindo todos os animais. Além disso, uma 
atmosfera rica em oxigênio permitiu o estabelecimento da 
camada de ozônio na atmosfera superior, protegendo a vida 
da radiação ultravioleta. Estes organismos passaram a 
habitar locais expostas à luz solar, antes inacessíveis. 
Em segundo lugar, os compostos produzidos por espécies 
fotossintetizantes são utilizados direta ou indiretamente, por 
organismos heterotróficos. Praticamente todos os indivíduos 
terrestres e a maioria dos aquáticos. As plantas terrestres são 
a fonte primária na cadeia alimentar, compostos de alta 
energia, tais como: carboidratos, alguns aminoácidos e 
outros compostos essenciais ao metabolismo de alguns 
organismos heterotróficos. Assim, a maioria das espécies 
que habitam a terra atualmente, incluindo milhões de 
espécies de animais é absolutamente dependente das plantas 
para a sua sobrevivência. Como produtores primários, as 
plantas são os principais componentes de muitas 
comunidades e ecossistemas. A sobrevivência das plantas é 
essencial para a manutenção da saúde desses ecossistemas e 
sua perturbação pode ocasionar problemas, como mudanças 
bruscas do clima e falta d’água. 
Aos seres humanos, as plantas também são imprescindíveis 
(figuras a seguir). Plantas de interesse agrícola, a maioria 
dos quais são nossa principal fonte de alimento. Utilizamos 
todas as partes da planta como produtos alimentares: raízes 
(batata doce e cenouras); caules (inhame, mandioca e 
batata); folhas (repolho e alface); flores (brócolos); frutos e 
sementes, incluindo os grãos, como arroz, trigo, milho, 
centeio, cevada e aveia; leguminosas, como feijão e ervilhas; 
e uma infinidade de frutas, como bananas, tomates, 
pimentas, abacaxi, maçãs, cerejas, pêssegos, melões, kiwis e 
azeitonas. 
Diversas plantas são usadas como agentes flavorizantes 
(ervas e especiarias), bebidas estimulantes (chocolate, café, 
chá e cola) ou bebidas alcoólicas (cerveja, vinhos e licores). 
Plantas lenhosas são usadas na obtenção de madeira e 
produtos de celulose, como papel. Em regiões tropicais, 
bambus, palmeiras e uma variedade de outras espécies são 
utilizados na construção de habitações. 
Em muitas culturas, plantas ou produtos derivados de 
vegetais são utilizados como alucinógenos (legal ou 
ilegalmente), tais como: maconha, ópio, cocaína e uma 
grande variedade de espécies usadas em rituais indígenas. 
As plantas são importantes na Indústria de Cosmético e no 
cultivo de plantas ornamentais. Finalmente, as plantas têm 
grande importância medicinal, no tratamento de uma 
variedade de doenças. 
Na Indústria Farmacêutica seus compostos são usados como 
modelos na síntese novos fármacos. Muitos medicamentos 
modernos, como a aspirina (derivada originalmente da casca 
das árvores de salgueiro), vincristina e vinblastina, obtido a 
partir de Catharanthus roseus “bom-dia”, “boa-noite” 
(espécie nativo de Madagascar), usado no tratamento de 
leucemia em crianças. Além disso, partes de plantas 
integras, rasuradas ou trituradas são utilizadas pela 
população na forma de chás (alimentos) ou drogas vegetais. 
 
 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA 
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE 
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS 
 
 
 
Figura. Exemplos de plantas economicamente importantes. A–E. Legumes. 
A. Ipomoea batatas, batata-doce (raiz). B. Daucus carota, cenoura (raiz). 
C. Solanum tuberosum, batata (caule). D. Lactuca sativa, alface (folhas). E. 
Brassica oleracea, brócolis (botões florais). F–I. Frutos, seco (grãos). F. 
Oryza sativa, arroz. G. Triticum aestivum, pão de trigo. H. Zea mays, 
milho. I. Semente (leguminosas), de cima, para a direita para o centro: 
Glycine max, soja; Lens culinaris, lentilha; Phaseolus aureus, Phaseolus 
vulgaris, feijão; Cicer areitinum, grão de bico; Vigna unguiculata; 
Phaseolus lunatus, feijão. J–M. frutos, frescos. J. Musa paradisiaca, 
banana. K. Ananas comosus, abacaxi. L. Malus pumila, maça. M. Olea 
europaea, azeitona. 
 
 
Figura. Exemplos de outras plantas economicamente importantes. A–D. 
Ervas. A. Petroselinum crispum, salsa. B. Salvia sp. .C. Rosmarinus sp., 
alecrim. D. Thymus vulgaris, tomilho. E. Espécies e ervas, superior 
esquerda: Cinnamomum cássia / C. zeylanicum, canela (casca); Baunilha 
planifolia; baunilha (fruta); Laurus nobilis, louro (folhas); Syzygium 
aromaticum, cravo; Myristica fragrans, noz-moscada (semente); Carum 
carvi, alcaravia (fruta); Anethum graveolens, endro (fruta); Pimenta dioica, 
pimenta da Jamaica (semente); Piper nigrum, pimenta (semente). F. Plantas 
condimentares, de superior à esquerda, no sentido horário. Theobroma 
cacau, chocolate (sementes); Coffea arabica, café (sementes); Thea 
sinensis, chá (folhas). G. Produtos da madeira: madeira e serrado (Sequoia 
sempervirens, Pau-Brasil), papel e derivados de celulose. H. Fibras. 
Gossypium sp., algodão (tricomas de sementes). I. Drogas alucinógenas. 
Cannibis sativa, maconha, contêm o tetrahidrocanabinol. J. Planta 
medicinal. Catharanthus roseus, da qual é derivada a vincristina e a 
vinblastina, usado no tratamento de leucemia em crianças. 
 
Para compreender em que partes das plantas, os compostos 
biologicamente ativos são produzidos e armazenados, é 
importante entender a morfologia da planta e alguns 
conceitos, tais como: sistemática e taxonomia. 
Nomenclatura botânica, classificação e identificação de 
plantas medicinais. 
Introdução 
 Levando-se em conta o grande número de espécies 
de seres vivos existentes na natureza (cerca de 1,5 milhões 
de espécies, das quais 300 mil pertencem ao reino Plantae), 
tornou-se necessário à criação de um sistema de 
classificação desses seres. A dificuldade de criar um sistema 
desse porte fica claro ao se analisar os números acima. É 
difícil para os biólogos reconhecer todas as entidades 
(indivíduos) de seres vivos e classificá-las em sistemas que 
reflitam a sua real posição hierárquica na natureza. 
Sistemas de classificação 
Os gregos tentaram reunir e organizar o conhecimento 
empírico acumulado, porém basearam-se apenas nos 
caracteres mais facilmente observados. Ao longo do tempo, 
foram surgindo numerosos sistemas de classificação que 
consistiam em reunir um conjunto de unidades taxonômicas, 
nas quais as plantas eram ordenadas e, por ordem 
cronológica, esses sistemas costumam ser agrupados da 
seguinte forma: 
1º Sistema baseado no hábito – primeiro que se 
tem conhecimento. Criado por Theophrastus 
entre 380-278 a.C., utilizou o hábito das 
plantas para classifica-las, ou seja, árvores, 
arbustos, ervas, cultivadas e selvagens. 
Também se destacam cientistas como 
Dioscórides, Albertus Magnus e Andrea 
Caesalpino (1519-1603), este último 
considerado o primeiro taxonomista vegetal. 
2º Sistemas artificiais baseados em características 
numéricas– sistema sexual criado por 
Linnaeus em 1753 (Obra Species Plantarum), 
o qual evidência as características florais, 
como presença de flores e principalmente o 
número e a posição dos estames. Baseado 
nestes caracteres Linnaeus dividiu o Reino 
Vegetal em 24 classes. 
 
 
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CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE 
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS 
 
 
3º Sistemas Naturais – classificação por 
semelhanças, ou seja, por compartilhar 
caracteres em comum. Um dos principais 
sistemas publicados neste período foi o de 
Antoine de Jussieu (1686-1758), que 
reconheceu 15 classes e 100 ordens. Esse autor 
sugeriu a classificação em Acotiledônea, 
Monocotiledônea e Dicotiledônea, presença ou 
ausência de pétalas e a soldadura das pétalas. 
Destas reconheceu três grupos, denominando-
os de Apetalae, Monopetalae e Polypetalae. 
Outro cientista importante foi Augustin P. de 
Candolle (1778-1841), que em seu sistema fez 
a distinção entre plantas vascularizadas e 
talófitas1, porém houve a inclusão de 
Pteridófitas2 como Monocotiledôneas. 
1. Grupo de vegetais que possuem tecido único, não diferenciado 
“TALO”. Ou seja, apresentam multicelularidade com interdependência. 
Este grupo compreende as algas. 
2. Grupo de vegetais vasculares sem sementes, composto por raiz, caule e 
folhas. Incluem as samambaias e cavalinhas, entre outros. 
 
4º Sistemas baseados em filogenia – baseados na 
teoria da evolução das espécies de Darwin 
(1859), relacionando-as com à ancestralidade e 
descendência. Os sistemas mais conhecidos 
dentro da filogenética são os trabalhos de 
Engler (1964), Cronquist (1968, 1981 e 1988) 
e Dahglgren (1985). Este último mostrou uma 
preocupação maior com as abordagens 
filogenéticas e construiu um tratamento 
cladístico para monocotiledôneas. Por outro 
lado, a sistemática filogenética criada por Willi 
Henning (1950) considera que a história 
evolutiva da relação ancestralidade-
descendência dos organismos pode ser 
reconstruída e representada através de um 
cladograma e que para a construção deste 
diagrama hipotético deve ser levada em 
consideração, pelo menos uma característica 
monofilética3. A partir da década de 90, 
destacam-se os trabalhos produzidos por 
Walter Judd (1999), que utilizou também 
técnicas moleculares para a construção de 
cladogramas. 
3. Característica monofilética: Termo que se refere a característica comum 
a um grupo de indivíduos cujos descendentes são de mesmo ancestral. 
Em cladística, um clado ou clade (do grego klados, ramo) é 
um grupo de organismos originados de um único ancestral 
comum, exclusivo (ver figura abaixo). 
 
Figura. Cladograma mostrando dois clados, azul e vermelho. O ramo 
verde não representam um clado, pois o ramo azul descendem do mesmo 
ramo. 
Nomenclatura botânica 
Desde a metade do século XVIII, os nomes das plantas eram 
formados por diversas palavras, porém em 1753, Linnaeus 
propôs o sistema Binominal no qual a primeira palavra 
seria usada para indicar o gênero e a segunda seria o 
epíteto específico. Todavia, com a descoberta de novas 
espécies tornou-se necessário a elaboração de algum 
documento que pudesse organizar de forma adequada os 
binomes e as categorias taxonômicas. Assim, em 1867, 
Alphonse de Candolle sugeriu algumas normas de 
organização da nomenclatura botânica. Após muitas 
revisões e discussões criou-se o “Código de Paris de 1867” 
e, desde então, periodicamente são realizados congressos 
internacionais com o objetivo de consolidar um Código 
Internacional de Nomenclatura Botânica, estabelecendo e 
universalizando os nomes referentes a cada categoria 
taxonômica. Este Código é organizado em Princípios, 
Recomendações e Regras (a seguir maiores detalhes). 
Classificação e identificação 
Antes de qualquer coisa é necessário estabelecer a diferença 
entre classificação e identificação. 
Classificação: processo de se agrupar um ser vivo, em uma 
categoria específica, dentro de uma hierarquia. Esse 
processo é feito apenas uma vez, exceto em caso de 
recolocação, devido ao surgimento de evidências que 
indicam erro na classificação anterior. 
Identificação: consiste em comparar dados de um espécime 
(indivíduo) a ser analisada, com uma espécie descrita 
previamente. Esta comparação é feita cada vez que se deseja 
conhecer o nome de um indivíduo coletado. Pode basear-se 
em dados de um espécime de uma coleção (no caso de 
plantas – um herbário), ou ainda com dados e ilustrações 
encontrados na literatura. 
Coleta, herborização e catalogação de amostras vegetais 
Uma das principiais preocupações de um cientista que 
trabalha com plantas é a reprodutibilidade do seu trabalho. 
Para tanto, o mesmo necessita que amostras do material 
coletado sejam guardadas, não apenas para identificação ou 
classificação correta, bem como para comprovação de que o 
trabalho se realizou com a espécie correta. Esse exemplar do 
material botânico é chamado de exsicata e será estudado 
com detalhes a seguir. 
Coleta 
Detalhes essenciais devem ser levados em conta ao se 
proceder a coleta de plantas. O primeiro cuidado é observar 
a quantidade de espécimes do vegetal em questão na região 
de coleta, isto para evitar que sejam coletados exemplares de 
uma espécie em risco de extinção. Um exemplo clássico de 
quase extinção, temos Tabebuia heptaphylla (Vell.) Toledo 
(= T. avellanedae Lorentz ex Griseb.), conhecido 
popularmente como Ipê-roxo. A casca da árvore passou a ser 
 
 
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coletada indiscriminadamente pela população, após 
publicação de resultados interessantes no tratamento de 
câncer. 
A coleta deve sempre contar com a presença de um botânico 
e/ou de um mateiro experiente (de preferência, os dois). Para 
coletas que visem simplesmente identificar um determinado 
vegetal, faz-se necessário pouco material (coletar exemplar 
com flores é essencial e, caso seja possível, frutos). Caso a 
coleta seja para estudos fitoquímicos devemos coletar em 
média 10 Kg de material para obter um rendimento final 
aproximado de 1 à 2 Kg de planta seca (estudos clássicos). 
Atualmente, com o desenvolvimento de técnicas avançadas 
de separação e identificação de compostos químicos, a 
abordagem fitoquímica necessita de quantidades mínimas no 
processo inicial (triagem química e farmacológica). 
Herborização 
Herborização é o processo de preparação de um exemplar 
vegetal para conservação em uma coleção de plantas 
denominada herbário. Ao exemplar devidamente preparado 
(herborizado) para fazer parte de um herbário, chama-se 
exsicata (do latim exsicco, significa secar). Normalmente, 
essas exsicatas são acondicionadas em pastas de papel. 
Os cuidados para a preparação de uma boa exsicata se 
iniciam na coleta, onde se deve ter o cuidado de coletar um 
exemplar que contenha seus órgãos reprodutivos (flores e/ou 
frutos), o que facilitará sobremaneira a identificação. Plantas 
com até 80 cm podem ser coletadas inteiras, já arbustos à 
árvores utilizam-se as porções terminais dos ramos (cerca de 
30 cm), onde se encontram as flores e/ou frutos. 
A herborização é feita prensando-se o material coletado 
entre folhas de papel absorvente (jornal, por exemplo), 
seguidos de papelão e finalmente madeira. Todo esse 
material deve ser colocado em uma estufa com ar circulante, 
por um período que varia, com a umidade do vegetal. 
A etiquetação do material em estudo é outro fator de 
extrema importância para que sejam evitados enganos. 
Existe ainda uma regra para o tamanho de uma exsicata, a 
pasta deve ser do tamanho de um jornal tablóide. Na 
etiqueta de coleta deve constar o número de referência da 
coleta e dados da mesma, tais como: local, data, hora. Deve 
ainda constar nome popular, nome botânico, família 
botânica, nome do coletor e também o nome do botânico,que identificou a espécie, além dos dados que não mais 
serão percebidos após secagem do material, tais como: cor 
das flores, folhas e aroma. 
O número de referência de uma exsicata é de suma 
importância, pois, muitas revistas científicas exigem esse 
número, principalmente quando se deseja publicar um artigo 
cientifico na área de botânica, fitoquímica e farmacológica. 
 
Figura. Exemplo de etiqueta. 
Identificação de espécies 
Tanto a planta coletada recentemente, como uma exsicata 
pode ser usada para se proceder à identificação. A presença 
de flores e/ou frutos na amostra é quase indispensável na 
análise da amostra vegetal, pois, neles estão presentes 
caracteres específicos levados em conta no trabalho do 
botânico. A falta desses caracteres pode induzir erro na 
identificação. Quanto maior a biodiversidade do local onde a 
planta foi coletada, maior a dificuldade na sua identificação, 
sendo o inverso verdadeiro. 
A identificação correta de uma espécie implica na 
comparação com material previamente herborizado e 
extensa revisão bibliográfica. As monografias de cada 
gênero constituem a literatura mais confiável para este fim. 
Na ausência dessas, pode-se partir para as floras da região, 
estado ou mesmo reserva biológica, onde foi feita a coleta. 
No Brasil é escasso o número de publicações dessa natureza, 
podendo-se consultar a Flora Neotrópica, onde se encontra 
dados de plantas brasileiras, além de teses e dissertações 
diversas que geralmente descrevem a flora de pequenas 
regiões. Essas publicações contêm normalmente as chaves 
de identificação das espécies, descrições e ilustrações que 
facilitam a determinação da identidade do material vegetal. 
Conceito de espécie 
O termo espécie denomina o grupo de indivíduos idênticos, 
diferindo de outros grupos populacionais de menor 
semelhança. Quando em uma espécie existirem dois ou mais 
grupos de plantas, com uma ou mais características 
constantes em cada grupo, a mesma pode ser dividida em 
subespécies. 
As espécies, principalmente aquelas de importância 
econômica, também podem ser divididas em variedades, 
cultivares e formas. 
Variedades 
São entidades infraespecíficas que ocorrem na natureza. 
Cultivares 
São produtos de cruzamentos entre plantas, com a finalidade 
de se obter descendências com determinadas características 
de interesse. 
Formas 
 
 
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CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE 
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As formas são populações dentro de uma espécie que 
diferem entre si em apenas um caráter constante. Nem 
sempre são consideradas por taxonomistas. 
Categorias taxonômicas 
Cada unidade taxonômica supragenérica tem um sufixo 
próprio que indica em que grau o grupo está incluído dentro 
do sistema. Na tabela a seguir, observa-se um exemplo 
baseado no sistema de classificação de Cronquist (1988), 
onde é apresentado a lista hierárquica das unidades 
taxonômicas de duas espécies bem conhecidas, a batata 
inglesa (Solanum tuberosum L.) e o milho (Zea mays L.). A 
batata inglesa pertence a um gênero que é formado por cerca 
de 1500 espécies e por isso é dividido em subgêneros e 
seções, enquanto que o milho pertence a um gênero 
monoespecífico, não necessitando, portanto, de divisões 
infragenéricas. 
Tabela. Classificação de Solanum tuberosum L. e Zea mays 
L. segundo Cronquist (1988). 
 
Categoria 
taxonômica 
 
 
Sufixo Batata inglesa Milho 
Divisão phyta Magnoliophyta Magnoliophyta 
Classe opsida Magnoliopsida Liliopsida 
Subclasse idae Asteridae Commelinidae 
Ordem ales Solanales Cyperales 
Família aceae Solanaceae Poaceae 
Subfamília oideae Solanoideae Panicoideae 
Tribo eae Solaneae Andropogoneae 
Subtribo inae Solaninae Tripsacinae 
Gênero Solanum Zea 
Subgênero Solanum 
Seção Petota 
Espécie Solanum tuberosum L. Zea mays L. 
 
Nomenclatura científica 
A espécie é a entidade base nos sistemas de classificação. 
Cada espécie tem um nome científico, formado por um 
binômio, que deve obedecer às regras do Código 
Internacional de Nomenclatura Botânica. Esse código sofre 
modificações por decisão do Comitê Permanente de 
Nomenclatura, em seções plenárias no Congresso 
Internacional de Botânica. A nomenclatura binominal foi 
estabelecida por Linnaeus em 1753 e as Principais regras 
são: 
1 – O nome científico é sempre um binômio, escrito em 
latim ou nomes latinizados. 
2 – A primeira palavra do binômio científico corresponde 
ao gênero e deve ser escrita com letra inicial maiúscula. A 
segunda palavra corresponde ao epíteto específico para 
uma determinada espécie, o qual deve concordar 
gramaticalmente com o nome do gênero e ser escrito com 
letra inicial minúscula. 
3 – O binômio científico deve ser acompanhado do nome do 
autor do mesmo, ou seja, daquela pessoa que descreveu a 
espécie. Nomes de autores podem ser abreviados, sendo 
recomendado que as abreviaturas não sejam aleatórias. 
Seguir livro de autores botânicos. 
4 – Sempre que houver mais de um epíteto específico para 
nominar uma espécie, vale o princípio da prioridade, 
devendo ser utilizado o nome mais antigo, sendo os demais 
considerados sinônimos. Essa regra vale pra todos os nomes 
publicados a partir de 1753. Estes dados podem ser 
confirmados no site http://www.tropicos.org/. 
5 – O binômio científico deve ser grifado no texto (o grifo 
em itálico é o usual; quando manuscrito deve ser 
sublinhado). 
6 – As principais categorias dos taxa em sequência 
descendente são: Reino, Divisão, Classe, Ordem, Família, 
Gênero e Espécie; 
7 – As categorias secundárias em sequência descendente 
são: tribo (entre família e gênero), seção e série (entre 
gênero e espécie) e variedade e forma (abaixo de espécie); 
8 – Caso um maior número de categorias de taxa seja 
necessário, basta acrescentar o prefixo sub aos termos que 
indicam as categorias principais ou secundárias: subclasse, 
subfamília, subgênero e subespécie; 
9 – Nomes de híbridos o epíteto específico é precedido pelo 
“x”. Por exemplo: Mentha x piperita L. 
10 – Quando uma espécie muda de gênero, o nome do autor 
do basiônimo (primeiro nome dado a uma espécie) deve ser 
citado entre parênteses, seguido pelo nome do autor que fez 
a nova combinação e o epíteto original deve ser mantido, 
exceto em casos que o mesmo já tenha sido utilizado para 
outra espécie do gênero. 
11 – Epítetos descritivos: 
 Relacionados com a cor: albus, aureus, luteus, 
niger, virens (verde), viridis (verde). 
 Relacionados com a origem: australis, borealis, 
meridionalis, orientalis. 
 Relacionados com a distribuição geográfica: 
africanus, alpinus, alpestris (Alpes), hispanicus, 
ibericus. 
 Relacionados com o hábito: arborescens. 
 Relacionados com o hábitat: arvensis, campestris, 
lacustris. 
 Relacionados com o tamanho: minor, major, 
robustus. 
Tipos de Citação do autor 
1. Lilium superbum L.  “L” faz referência a Linnaeus e é 
o autor. 
2. Didymopanax gleasonii Britton et Wilson  dois 
autores usa-se et ou &. 
3. Tillandsia tomentelli De Luca et al.  Mais de dois 
autores. 
http://www.tropicos.org/
 
 
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4. Capparis lasiantha R. Br ex DC. 
Ex.: Robert Brown (abreviatura: R. Br) - denominou um 
espécime de herbário Capparis lasiantha, reconhecendo a 
nova espécie, mas não publicou a descrição, apenas escreveu 
o novo nome na folha do herbário. Mais tarde, De Candole 
(abreviatura: DC.), concordando com Brown, publicou a 
nova espécie utilizando o nome dado por Brown. 
Nomes populares 
Nomes populares, vulgares ou vernaculares são regionais e 
não recebem importância, de modo geral, em um trabalho 
científico. Por outro lado, são úteis e importantes em 
trabalhos etnobotânicos, como fonte de informação sobre a 
cultura ou vocabulário de uma população, podendo darindícios sobre a utilização popular de uma espécie. 
Questionário 
1. Considerando a indissociabilidade dos termos 
sistemática e taxonomia, o que compreende as etapas de 
descrição, classificação, nomenclatura biológica e 
identificação? 
 
2. Os nomes científicos, Mentha spicata L., Mentha 
crispa L. e Mentha aquatica L., aplicam-se as espécies de 
plantas popularmente conhecidas como “hortelã” e estão 
grifados de acordo com o Código Internacional de 
Nomenclatura Botânica, estabelecido por Linnaeus. 
a. A que gênero pertencem todos as espécies mencionadas? 
b. Identifique o epíteto específico de cada espécie. 
c. Uma vez que estes nomes necessitem ser escritos à mão, 
como deve se proceder? 
 
3. A respeito dos princípios do Código Internacional 
de Nomenclatura Botânica, assinale a alternativa 
CORRETA: 
a. A aplicação de nomes não se baseia por tipos 
nomenclaturais. 
b. A nomenclatura de um grupo taxonômico desconsidera 
a prioridade de publicação; 
c. Cada táxon poderá apresentar mais de um nome válido. 
d. Os nomes dos táxons são grifados nos textos como 
nomes latinos, em itálico ou sublinhados. 
e. As regras de nomenclatura são retroativas, sem 
exceções. 
 
4. Considerando o princípio da prioridade, indique os 
nomes válidos e, consequentemente, o seu sinônimo: 
a. Aristolochia gardens Lineu (1856) 
Aristolochia glabra Benton (1873) 
b. Gaudinia hispanica Stace & Tutin (1967) 
Gaudinia holosica Moore (1952) 
c. Omphalobium ovatifolius Martius (1817) 
Omphalobium glabratum A. DC. (1978) 
e. Viburnum fragrans Bunge (1831) 
Viburnum fragrans Lorsel. (1824) 
 
5. Análise a nomenclatura empregada para as 
espécies, indicando: gênero, epíteto, autor(es) do nome(s) e 
características que o nome está evidenciando. 
a. Vulpia ciliata Dumort. 
b. Gaudinia hispanica Stace & Tutin, sp. nov. 
c. Cordia hermanniifolia var. calycina Cham. 
d. Silene dioica subsp. zetlandia var. alba

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