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PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO 1 APOSTILA DE DIREITO CONSTITUCIONAL COMENTADA CAPÍTULO I DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: Comentário Principio da iqualdade formal : ou principio da isonomia, segundo o qual "todos são iguais perante a lei". Não significa ele que todas as pessoas terão tratamento absolutamente igual pelas leis brasileiras, mas que terão tratamento diferenciado na medida das suas diferenças o que leva a conclusão como Celso Bastos, de que o verdadeiro conteúdo do principioé da pessoa não ser desiqualada pela lei. O que a Constituição exige é que as diferenciações impostas sejam justificáveis pêlos objetivos que se pretende atingir pela lei. Assim, por exemplo, diferençar homem e mulher num concurso público será, em geral, inconstitucional, a não ser que o cargo seja de atendente ou carcereira de uma penitenciária de mulheres, quando, então, a proibição de inscrição a indivíduos do sexo masculino se justifica. A jurisprudência do STF aponta a tríplice destinação do princípio: limitar o legislador, o in- térprete (julgador) e o particular. Desdobramentos do princípio da igualdade: Uadi Lamêgo Bulos apresenta várias passagens constitucionais que consagram variáveis do princípio da isonomia. São: a) igualdade racial (art. 4°, VIII); b) igualdade entre os sexos (art. 5°, I); c) igualdade de credo religioso (art. 5°, VIII); d) igualdade jurisdicional (art. 5°, XXXVII); e) igualdade perante a discriminação de idade (art. 7°, XXX); f) igualdade trabalhista (art. 7°, XXXII); g) igualdade política (art. 14); h) igualdade tributária (art. 150, II). Exceções ao princípio da igualdade: Há exceções constitucionais à isonomia, como ocorre, dentre outros, em relação aos membros dos Legislativos, amparados pelas imunidades material, formal, testemunhal e de incorporação militar (art. 53); ao Presidente da República, que não pode ser preso sem sentença condenatória nem responsabilizado por ato estranho ao mandato, durante este (art. 86, §§ 3° e 4°); aos brasileiros natos, quanto a certos cargos (art. 12, § 3°). Ocorrência: O constituinte originário de 1988 consagrou a isonomia em diversas passagens, como em relações internacionais (CF, art. 4°, V); nas relações do trabalho (CF, art. 7°, XXX, XXXI, XXXII e XXXIV); na organização política (CF, art. 19, III); na administração pública (CF, art. 37,1). Direito à vida: Para Alexandre de Moraes, o direito à vida é o mais fundamental de todos os direitos, já que é requisito para a existência e exercício de todos os demais, ensinando que da Constituição extrai-se a proteção em duplo sentido, tanto o de continuar vivo quanto o de ter uma existência digna. Esse direito de nascer e o direito de sobreviver estão, inclusive, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, nos arts. 7° e 8°. O TJSP já proclamou que a Constituição protege todas as formas de vida, inclusive a uterina. Limites à proteção: As proteções firmadas pelo caput do artigo 5° sofrem, como se disse acima, relativizações constitucionais. Assim, o direito à vida não impede a adoção, entre nós, da pena de morte no caso de guerra (art. 5°, XLVII, a); o direitoa à liberdade não impede a prisão (art 5º LXI), o direito à propriedade não inpede a desapropriaçao (art 5º XXIV), o direito a iqualdade não inpede a desiqualaçoes (art 12 Par 3º, art 7º XX). I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; Comentário Igualação relativa: A previsão de igualdade entre homens e mulheres, veiculada por este inciso, é relativa, porque a parte final informa que ela será nos termos da Constituição, o que ue a Constituição, e somente ela poderá impor tratamento diferenciado entre os dois sexos. Desigualações por critério sexual da Constituição: A Carta Magna, em várias passagens, consagra o elemento sexo corno discriminador, corn vistas a atenuar desníveis físicos ou produzidos pela maternidade, principalmente, em favor da mulher. Isso é encontrado nos arts. 7 , XVIII, XIX e XX; 40, §1°; 143, §§ 1° e 2" e 201, §7°. Desigualação criada por legislação infraconstitucional: Alexandre de Moraes entende que o sistema constitucional admite a criação, por legislação ordinária, de novas hipóteses de desigualação fundadas no elemento discriminador sexo. II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 2 Comentário Sentido da palavra “lei” O princípio da legalidade, que aqui está previsto, determina que somente a "lei" poderá criar obrigação de fazer ou de não fazer. "Lei", aqui, está em sentido estrito, ou seja, refere-se às espécies normativas regular- mente produzidas pelo Poder Legislativo, com respeito ao processo legislativo constitucional, limitando-se, portanto, às leis ordinárias, leis complementares, leis delegadas (porque aqui o Congresso, com amparo constitucional - art. 68, § 2° - abriu mão de parcela de sua competência legislativa, operando a chamada delegação externa corporís) e, por assemelhação constitucional (art. 62), a medida provisória. Legalidade e Reserva Legal: Não se há de confudir o princípio da legalidade com o da reserva legal. O primeiro também chamado de princípio da legalidade estrita veicula uma ordem genérica, segundo a qual a criação ou a modificação de direitos ou obrigações depende de espécie jurídica regularmente produzida, na conformidade com o processo legislativo constitucional. O princípio da reserva legal, por seu turno, é de conteúdo específico, e ocorre sempre que a Constituição Federal refere-se a determinado tema e atribui a sua regulamentação aos "termos da lei" ou à "forma da lei", como nos casos dos arts. 7°, I, XI e XXI; 5°, LXI, LVIII e LI, dentre tantos outros. Decreto autónomo: A destinação institucional do decreto executivo exibe dois perfis: o detalhamento da lei, permitindo a sua "fiel aplicação" (art. 84, IV), e que configura o decreto regulamentar, também dito regulamento delegado; e a adoção de providência administrativa situada sob a competência do chefe do Executivo, sob a forma de decreto de execução, como nas hipóteses de decretação de intervenção federal, estado de defesa ou estado de sítio (arts. 34, 136 e 137, respectivamente) e na aplicação de tratado internacional no Brasil após a ratificação (art. 49,1) do Congresso Nacional. A criação ou modificação de direito ou obrigação por decreto configura decreto autônomo, ou regulamento autônomo, espé- cie já considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. (ADI 708, de 22/5/1992) Decreto autónomo na Emenda n" 32: A alteração imposta pela Emenda Constitucional 32 ao inciso VI do art. 84 erigiu uma espécie nova de decreto executivo que vem sendo classificado como autônomo, mas com aptidão restrita às elencadas no dispositivo, quais sejam a extinção de cargo público vago e reorganização interna da administraçao publica. Permanecem, portanto inconstitucionais os decretos executivos que tenham por objetivo a criação de obrigações sem base em lei formal. III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; Comentário Objetivo: A destinação constitucional deste dispositivo é a de proteger a dignidade da pessoa contra atos que poderiam atentar contra ela, em cumprimento, inclusive, do princípio enunciado no art. 1º, III. Tratamento degradante: É aquele que, aplicado, dimi-nui a condição de pessoa humana e sua dignidade. IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; Conteúdo: A liberdade de manifestação do pensamento é o direito que a pessoa tem de exprimir,por qualquer forma e meio, o que pensa a respeito de qualquer coisa. Em outras palavras, é o direito de uma pessoa dizer o que quer, de quem quiser, da maneira como quiser, no local em que quiser. A única exigência da Constituição é de que a pessoa que exerce esse direito se identifique, para impedir que ele seja fonte de leviandade ou que seja usado de maneira irresponsável. Sabendo quem é o autor do pensamento manifestado, o eventual prejudicado poderá usar o próximo inciso, o V, para defender-se. Fonte e limitação: Esse direito vem do art. 19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem, e a melhor doutrina entende que não há qualquer limitação de ordem formal à livre manifestação do pensamento. Alguns, como Paulo José da Costa Júnior, entendem que, no plano lógico, a livre manifestação de ideias deverá ser delimitada pela veracidade e, no plano da imprensa, também pelo interesse público. Valor da indiferença e valor da exigência: O sentido da liberdade de opinião é duplo: o valor da indiferença impõe que a opinião não deve ser tomada em consideração; e o valor da exigência impõe o respeito à opinião. Tutela do pensamento: O pensamento, em si, não é tutelado nem pela Constituição nem pelo Direito, e, obviamente nem poderia sê-lo. Apenas a sua manifestação o é. V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; Comentário Âmbito: Cuida-se, aqui, de proteger a pessoa eventualmente atingida pela manifestação do pensamento assegurada pelo inciso anterior. O atingido saberá contra quem agir graças à proibição de anonimato. Extensão: Os direitos do atingido são dados em duas linhas. A primeira é o direito de resposta proporcional à ofensa. Essa proporcionalidade deve ser observada no meio e no modo. Assim, se a pessoa foi atingida verbalmente, e somente ela própria ouviu a ofensa, a resposta deverá ser verbal e pessoal, não, por exemplo, escrita ou transmitida pela televisão. Além disso, se a ofensa foi por escrito, por escrito deverá ser a resposta, e não, por exemplo, através de agressão física. A segunda linha de defesa do ofendido ocorre através do pedido de indenização em juízo, pela ação cível própria. PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 3 Tipos de danos indenizáveis: Os danos indenizáveis são o material (representado pêlos danos causados, que geram uma efetiva diminuição patrimonial do ofendido, e pêlos lucros não obtidos por causa da ofensa, ou seja, da frustração de um ganho esperado), o moral (à intimidade da pessoa, independente de ter a ofensa sido conhecida por qualquer outra pessoa bastando que se sinta ofendido) e a imagem (dano produzido contra a pessoa em suas relações externas, ou seja, à maneira como ela aparece e é vista por outras pessoas). Acumulabilidade: as indenizações pedidas pelas três linhas são acumuláveis, o que significa dizer que podem ser pedidas na mesma ação e somadas para o pagamento final. Segundo o STJ, são cumuláveis as indenizações por dano material e por dano moral oriundas do mesmo fato (Súmula 37). VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; Comentário Âmbito: Este inciso trata de três direitos: o de ter liberdade de consciência e de crença (que não são a mesma coisa), o deter livre o exercício do culto religioso pelo qual tenha optado, e o de ter os locais onde esses cultos são realizados protegidos contra agressões de quem quer que seja. Diversidade religiosa: Para Canotilho, o fim da unidade religiosa propiciou o aparecimento de inúmeras religiões novas, minoritárias, defendendo, até para sobreviverem, o direito de cada urna à verdadeira fé. A tolerância religiosa, então, : desse movimento, que desaguaria no reconhecimento do direito de liberdade de crença. . Consciência e crença: São diferentes, porque a primeira é uma orientação filosófica, como o pacifismo e o naturismo (Budismo), além do que, uma consciência livre pode optar por não ter crença nenhuma, como no caso dos ateus e agnósticos. Estes também estão protegidos pela Constituição porque se trata de um direito individual. Segundo Pontes de Miranda, a liberdade de crença compreende a liberdade de ter uma crença e a de não ter crença. Os adeptos de ritos exóticos, agressivos ou tidos como danos os também estio protegidos pelo dispositivo, porque, mal ou bem, também é de crença que se trata, e, desde que respeitem os direitos de outras pessoas e as leis, poderão exercer os seus ritos sob proteção constitucional. Restrições: O livre exercício dos cultos não é amplo, devendo ser observadas as leis sobre repouso notumo e horários de silêncio, por exemplo, bem como áreas de restrição a barulhos, como proximidades de hospitais, podendo a lei, também, determinar outras restrições no interesse comum. VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; Comentário Entidades civis de internação coletiva: São os hospitais, presídios, asilos e estabelecimentos correlatos. Entidades militares de internação coletiva: São os quartéis, bases militares, embarcações militares, bases aéreas. Envolvimento do Poder Público: O Poder Público obrigado a permitir o atendimento espiritual em tais locais. Não poderá haver, contudo, amparo material ou financeiro do Estado para isso, porque o art. 19,1, proíbe que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios tenham qualquer envolvimento com religiões ou seus representantes, salvo excecões especiais, e esta não é uma delas. Essa assistência religiosa será prestada à conta da própria religião ou do interessado. VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; Comentário Âmbito: A regra geral é que não poderá ocorrer a privação de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, até porque acabamos de ver, acima, que a Constituição dá direito à liberdade de consciência e de crença, e não poderia haver punição de qualquer tipo para a pessoa que exerce um direito constitucional. Todavia, há possibilidade de ocorrer a privação de direitos se a pessoa, baseada em uma das liberdades citadas, recusar-se a cumprir obrigação legal a todos imposta e, também, recusar-se a cumprir uma obrigação fixada como alternativa ao não querer cumprir aquela. PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 4 Escusa de consciência: A Constituição, pelo dispositivo em análise, reconhece o direito de escusa, por imperativo de consciência, para amparar a negativa ao cumprimento de obrigação legal. Todavia, no mesmo passo, obriga que a pessoa que dele se valha submeta-se ao cumprimento de obrigação alternativa, fixada em lei ordinária federal. Reserva legal: Não tem amparo constitucional obrigação alternativa criada por opção da autoridade ou por ato administrativo, pois o princípio da legalidade (art, 5°, II) determina que somente a lei, em sentido estrito, pode criar obrigação, Neste inciso, temos a incidência do princípio da reserva legal. Privação de direitos: A privação de direitos a que se refere o inciso é necessariamente temporária, já que a privação permanente configura pena de caráter perpétuo, proibida pelo inciso XLVII, b, deste art. 5°. Extensão: O direito à escusa de consciência não está limitado simplesmente ao serviço militar, podendo abranger outras obrigações, como o alistamento eleitoral, o voto e a participação em tribunal do júri. IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística,científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; Comentário Âmbito: Não pode mais o Poder Público controlar a produção de filmes, peças de teatro, livros, músicas, artes plásticas, textos em jornais e dos próprios jornais, livros e revistas, pois a regra constitucional é a da liberdade de expressão. Expressamente se diz que não poderá haver censura ou licença. Classificação: O máximo que a Constituição permite é a classificação para efeito indicativo (art. 21, XVI), mas ela terá que ter característica informativa, não proibitiva, indicando o conteúdo da obra, o público a que se destina, as faixas de horário nas quais é aconselhável a exibição. A aceitação dessas limitações, por lei, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, a qual deverá "definir os locais e horários nos quais seja inadequada. (RE 169247, de 8/4/2002) Manifestação do pensamento artístico: Cuida-se, neste dispositivo, de variáveis de formas de manifestação do pensamento, já defendidas pelo inciso IV deste artigo, quando a expressão do pensamento assume forma de teatro, música, pintura, poesia, dentre outros. X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; Comentário Intimidade: Na definição de Uadi Lamêgo Bulos, é o modo de ser do indivíduo que consiste na exclusão do conhecimento alheio de tudo quanto se refere ao mesmo indivíduo. Revela a esfera secreta da pessoa física. Entendemos que, por isso, qualquer pessoa mantém a sua intimidade, em qualquer lugar onde se encontre, pois ela significa a esfera mais íntima, mais subjetiva e mais profunda do ser humano, com as suas concepções pessoais, seus gostos, seus problemas, seus desvios, suas taras. Vida privada: É uma forma de externar a intimidade, que acontece em lugares onde a pessoa esteja ou se sinta protegida da interferência de estranhos, como a casa onde mora. São as manifestações da esfera íntima da pessoa, conduzidas por atos comissivos ou omissivos, como forma de expressão. Honra: É um atributo pessoal da pessoa, é uma característica que reveste a imagem da pessoa dando-lhe respeitabilidade, bom nome e boa fama, além do sentimento íntimo, a consciência da própria dignidade pessoal. Em outras palavras, e na lição de Adriano De Cupis, honra é a dignidade pessoal refletida na consideração alheia e no sentimento da própria pessoa. Pode ser definida também como o sentimento de dignidade própria do homem (honra interna ou subjetiva), o apreço que goza na sociedade, sua reputação e boa fama (honra exterior ou subjetiva). Imagem: E a figura física e material da pessoa, não só pessoal mas também por pintura, por fotografia, por televisão, por caricatura, por charge ou por reprodução de partes do corpo da pessoa pelas quais se possa identificá-la. Segundo Bulos, a imagem, aqui, é a expressão formal, sensível, da personalidade. Dano estético: Na lição de Bulos, é o sofrimento moral decorrente de ofensas à integridade física. Trata-se de lesão permanente que atinge a beleza do ser humano, comprometendo a harmonia de suas formas externas, enfeiando-o e causando humilhação, desconforto, tristeza ou mal-estar. Admite reparação financeira, pela aplicação da Súmula n" 37 do Superior Tribunal de Justiça. XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; Comentário Primeira abordagem: A casa é o lugar onde a pessoa que nela mora tem total proteção à sua intimidade e vida privada. Por isso, com seu consentimento, qualquer pessoa pode entrar nessa casa, mas não sem consentimento, nem contra ele, a não ser nos PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 5 casos citados expressamente. Perceba-se que a proteção é dada ao morador, não ao proprietário, porque não importa, para esses fins, a que título a pessoa está morando no local. A proteção é dada a quem habita a casa (que abrange qualquer tipo de moradia, de barraca de camping e barracos até mansões e, em alguns casos, os locais de trabalho). Definição constitucional para "casa": O Supremo Tribunal Federal decidiu que, para fins de proteção constitucional, o conceito normativo de "casa" revela-se abrangente e, por estender-se a qualquer compartimento privado onde alguém exerce profissão ou atividade (CP, art. 150, § 4°, III), compreende inclusive consultórios profissionais. (RE 251445, de 21/6/2000) Ingresso sem consentimento: Uma casa pode ser penetrada a qualquer momento, durante o dia ou à noite, para prestação de socorro (como no caso de um acidente envolvendo o morador), em caso de desastre (incêndio, inundação, queda de árvore sobre a casa, terremoto) e em flagrante delito (em todos os quatro casos que o Código Penal prevê: quando o crime está sendo cometido; quando acabou de ser cometido; quando houver perseguição ao criminoso, logo após o crime; e quando o criminoso for encontrado, logo depois, com objetos ou instrumento que façam presumir ser aquela pessoa o autor do crime). Vale lembrar que qualquer pessoa pode prender quem quer que se encontre numa das quatro situações de flagrante delito. Determinação judicial: Por determinação judicial só é possível entrar em uma casa durante o "dia". Como não há uma definição de "dia" para efeitos penais, é adotada a definição do Direito Civil, em que dia é o período que vai das 6h às 20h (até dezembro de 1994 era das 6h às 18h). Parte da doutrina, contudo, prefere uma definição penalista, que define "dia" como sendo o período de duração da luz solar. Celso de Mello o define como o período entre a aurora e o crepúsculo. Autorização judicial: Ressalte-se, também, que a Constituição quer uma autorização judicial, não policial ou administrativa, que são inconstitucionais para esses fins. Titulares do direito: São titulares de tal direito quaisquer pessoas, brasileiros ou estrangeiros, e estende-se, também, à pessoa jurídica, como forma de proteção da pessoa física. Reserva judicial: A permissão de penetração em domicílio por determinação judicial é chamada de reserva jurisdicional, ou seja, somente por ordem de autoridade judiciária pode haver esse ingresso forçado, não sendo permitida, por exemplo, ordem dada por Comissão Parlamentar de Inquérito. XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; Comentário Proteção decorrente: A proteção aos sigilos referidos neste inciso é fundamentada na proteção da intimidade e da vida privada (art. 5°, X) da pessoa. Alcance da exceção: Apesar de a redação do dispositivo fazer referência à possibilidade de quebra do sigilo das comunicações telefónicas, apenas o STF entende ser possível a ínterceptação das correspondências e das comunicações telegráficas e de dados, respeitadas certas condições, já que os direitos, prerrogativas e garantias constitucionais não podem prestar à cobertura de práticas ilícitas. Vale, também, lembrar que nenhum direito ou garantia constitucionais são absolutos. Correspondência: É toda mensagem escrita, por via missiva, fax, e-mail, telegrama ou qualquer outra via correlata. Âmbito da proteção à correspondência: Compreende a proteção aos direitos de expressão, da intimidade e da vida privada e da comunicação, e, neste sentido, estão protegidas tanto as pessoas físicas quanto jurídicas. Hipóteses constitucionais de quebra do sigilo de correspondência: A Constituição admite, durante estado de defe-sa(art. 136, § 1°, I, ò) e estado de sítio (art. 139, III), restrições ao sigilo de correspondência, amparadaspela excepcionalidade das situações que justificam tais medidas. Sigilo de dados - extensão: O sigilo de dados desdobra-se em sigilo bancário e sigilo fiscal. Quebra do sigilo de dados: Pode ser operada por ordem judicial e por determinação de comissão parlamentar de inquérito, não estando sujeita, portanto, ao princípio da reserva judicial. A autoridade policial deve requerer tal quebra ao Poder Judiciário. A jurisprudência aceita, e recentemente, também, a legislação, a quebra de tais sigilos por requisição do Ministério Público. A doutrina aceita que os sigilos bancário e fiscal constituem parte da vida privada da pessoa física ou jurídica, quer a constante nas instituições financeiras, quer a de posse da receita federal. Sigilo bancário: Alexandre de Moraes elenca os requisitos necessários à quebra do sigilo bancário como sendo: a) autorização judicial, determinação de comissão parlamentar de inquérito ou requisição do Ministério Público; b) indispen-sabilidade dos dados constantes em determinada instituição financeira, e em regime de absoluta excepcionalidade; c) individualização do investigado e do objeto da investigação; d) obrigatoriedade da manutenção do sigilo em relação às pessoas estranhas à causa; e) utilização dos dados obtidos somente para a investigação que lhe deu causa. Sigilo fiscal: O mesmo Alexandre de Moraes aponta os requisitos necessários à quebra do sigilo fiscal: a) autorização judicial, determinação de comissão parlamentar de inquérito ou requisição do Ministério Público; b) indispensabilidade doe dados em poder da Receita Federal; c) individualização do investigado e do objeto da investigação; PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 6 d) obrigatoriedade d*manutenção do sigilo. O Ministério Público, segundo o STF, poderá dirigir a requisição diretamente à entidade que as detenha. ínterceptação telefónica: : É a captação e gravação de comunicação telefónica, por telefone móvel ou celular, no momento em que ela se realiza, por terceiro, sem conhecimento ou consentimento de qualquer dos interlocutores. Exige-se, segundo o dizerda constituiçao, ordem judicial escrita e fundamentada, prévia à degravação, dada nas hipoteses e na forma prevista em lei, pára instrução processual penal ou invertigação criminal, esclusivamente. XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado; XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; Comentário Reconhecimento do direito associativo: A liberdade de associação foi erguida a plano constitucional a partir da segunda metade do século passado. Segundo Eduardo Saad, até então, o pensamento de Jean-Jacques Rousseau, hostil à formação de órgãos intermediários entre o homem e o Estado, serviu de barreira à proteção ao direito de associação. Obrigatoriedade de associação: Tanto a doutrina estrangeira (Pierre Vigny) quanto a nacional (Jorge Reinaldo Vanossi) sustentam, como lembra Uadi Lamêgo Bulos, a existência de obrigatoriedade associativa em certos casos, como em relação a colegiados de representação, regulamentação ou controle de atividade profissional. É o caso da Ordem dos Advogados do Brasil e dos Conselhos de profissões. Extensão: Esse dispositivo se aplica, além das associações, às entidades sindicais. Assim é que o art. 8°, no seu caput, estabelece a liberdade de vinculação a entidades sindicais. XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 7 XXII - é garantido o direito de propriedade; XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; Comentário Noção preliminar: Função social da propriedade é um conceito que dá a esta um atributo coletivo, não apenas individual. Significa dizer que a propriedade não é um direito que se exerce apenas pelo dono de alguma coisa, mas também que esse dono exerce em relação a terceiros. Ou seja, a propriedade, além de direito da pessoa, é também um encargo contra essa, que fica constitucionalmente obrigada a retribuir, de alguma forma, ao grupo social, um benefício pela manutenção e uso da propriedade. Tratamento constitucional: A Constituição define o conceito de função social da propriedade em relação a dois dos seus tipos. Quanto à propriedade urbana, função social é aquela estabelecida no art. 182, § 2°. Quanto à propriedade rural, o conceito está no art. 186. Função social da propriedade urbana: O art. 182, § 2°, da Constituição vigente, determina que a propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade previstas no plano diretor. Plano diretor é uma lei ordinária municipal que estabelece o uso, a ocupação e a manutenção do solo urbano, e fixa a política de desenvolvimento e de expansão urbanas (art. 182, § 1°), sendo obrigatório a cidades com mais de vinte mil habitantes. Função social da propriedade rural: O art. 186 determina que a propriedade rural atende sua função social quando atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência fixados em lei, os seguintes requisitos: a) aproveitamento racional e adequado; b) utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; c) observância das disposições que regulam as relações de trabalho; d) exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores. Descumprimento da função social da propriedade: Pode levar à perda da propriedade, por desapropriação, inde-nizada em títulos e não em dinheiro, exceto, no caso de imóvel rural, as benfeitorias úteis e as necessárias. Essa desapropriação paga em títulos é chamada de desapropriação-sanção. Desapropriação-sanção: Implica a perda da propriedade urbana mediante indenização em títulos da dívida pública, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais. A emissão desses títulos depende de aprovação prévia do Senado Federal, tudo segundo o art. 182, § 4°, III. No caso de propriedade rural, a indenização será em títulos da dívida agraria, com clausula de preservaçao do valor real, resgataveis em ate vinte anos, apartir do segundo ano de sua emissão. A sansão aparece na imposiçao, contra o expropriado, de não ser indenisado imediatamente, mas ao longo de anos XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; Desapropriação: perda da propriedade mdt indenização. 1)comum art5 XXIV 2)sanção 182/184 3) confisco ou expropriaçã o 243 4) indireta Necessidad e Utilidade Int social Propriedad e improdutiv a. Produtos pisicotropic os Indenização justa e previa em dinheiro Indenizaçã o em títulos da divida agrária Sem indenização Apossamento ilegal pelo poder publico 20 anos Necessidade publica – catástrofe, enchente. Utilidade publica – construções. PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 8 Interesse social – terreno vazio. Justa: Ex: casa de valor sentimental XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano; XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento; Comentário Noção: Este inciso abre uma exceção à regra da penhora-bilidade dos bens dados em garantia de financiamentos. Como o pequeno proprietário subsiste do que colhe e produz em sua terra, tolerar a penhora desta para o pagamento de dívidas seria o mesmo que condenar o pequeno colono à fome ou à marginalizàção das favelas nas cidades. Para isso, o constituinte fixou que a pequena propriedade rural não é penhorável. Outras garantias: Para impedir que a ausência de garantias tivesse como efeito uma impossibilidade prática e real de tomada de financiamento agrícola para o pequeno produtor, a Constituição, na parte final deste inciso XXVI, determina que a lei vai dispor sobre os meios de cessão de crédito rural nessas condições. Essa lei é ordinária e federal, nos termos do art. 22, VII. Requisitos: São requisitos constitucionais para o desfrute do benefício da impenhorabilidade: a) a propriedade deve ser classificada como pequena nos termos da lei - essa lei, hoje, é o Estatuto da Terra (Lei n° 4.504/64), combinada com a Lei n" 8.629/93; b) deve ser produtiva; c) deve produzir a partir do trabalho familiar, exclusivamente; d) finalmente, a origem da dívida deve ter sido financiamento da atividade produtiva da propriedade. XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar; Comentário Direito autoral: O direito autoral é uma das formas de propriedade imaterial garantidas pela Constituição. O resultado material da exploração da obra do autor é auferido por ele vitaliciamente. Direitos do autor: Ensina Uadi Lamêgo Bulos que os direitos do autor são: a) os direitos morais, intransmissíveis, como a paternidade da obra e seu ineditismo; e b) os direitos patrimoniais, que são transmissíveis, sendo sua transferência facultada aos herdeiros. Os direitos patrimoniais do autor são vitalícios, transmitindo-se aos filhos, pais, cônjuges e herdeiros quando de sua morte. O restante dos sucessores, a título universal, desfrutarão de tais direitos pelo prazo de sessenta anos, contados a partir de 1° de janeiro do ano seguinte ao da morte do titular. Ultrapassado esse prazo, a obra cai no domínio público. XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas; b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas; XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País; Comentário Intuito da proteção temporária: Como o progresso tecnológico e sua importância para a humanidade dependem, em grande medida, de se conhecer determinados inventos e, partindo deles, obter-se inventos melhores, pela utilização da tecnologia, o constituinte resolveu impor uma proteção apenas temporária, para que o inventor, através do recebimento de royalties, seja remunerado pelo seu PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 9 talento e atividade intelectual empregados na invenção. Depois desse prazo, contudo, o invento cai no domínio comum, para acesso de qualquer pessoa. Marca de comércio: É o signo distintivo aposto pelo comerciante a produtos que expõe a venda. Marca de indústria: É o símbolo aposto pelo fabricante a produtos de sua produção. Marca de serviço: É a marca utilizada pelo profissional autónomo, empresa ou entidade, para estabelecer distinção dos serviços que presta. Criação industrial: É a combinação, ou recombinação, de processos de produção. Proteção perene: A criação industrial, a propriedade de marcas, o nome de empresa ou nome de fantasia têm proteção permanente, já que se valorizam e agregam a sua valorização ao proprietário, constituindo-se património empresarial. XXX - é garantido o direito de herança; XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus"; Comentário 'us domicUii; Reconhecimento da aplicação da lei nacional do país de naturalidade do interessado. Fórum rei sitae: Reconhecimento da possibilidade de utilização, pelo estrangeiro, da legislação do pais de situação do bem. Exceção à soberania jurídica: A soberania jurídica de um Estado se revela, na definição clássica, na possibilidade e na prerrogativa de apenas aplicar a sua própria legislação no seu território. O reconhecimento da possibilidade de aplicação, em território brasileiro, de legislação estrangeira, configura exceção a esse postulado. Escolha: Da leitura do dispositivo tem-se claramente que a regra é a aplicação da legislação brasileira, embora se reconheça a opção, ao cônjuge supérstite e/ou aos filhos brasileiros, da possibilidade de aplicar a legislação estrangeira, se mais favorável quanto às regras de sucessão. Sucessão: Segundo Maria Helena Diniz, o termo sucessão indica o fato de uma pessoa inserir-se na titularidade de uma relação jurídica que lhe advém de uma outra pessoa, ou, de outra forma, fazer-se titular de direitos e obrigações que não eram seus. XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor; Comentário Disposição não transitória: A localização deste dispositivo indica que a ação estatal em favor do consumidor não se concluiu com a elaboração do Código de Defesa do Consumidor (Lei n° 8.078/90). Na realidade, este inciso obriga a uma ação permanente de proteção estatal ao tomador de bens ou serviços, já que se cuida, aqui, de prescrição permanente, e não transitória. Competência legislativa: O art. 24, VIII, mostra qne m competência legislativa para a produção das normas relathrai à proteção do consumidor contra danos é concorrente, sanado, então, na União a competência para a elaboração de leg»-lação sobre normas gerais, e nos Estados e no Distrito Fe a competência para a legislação específica. XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidadeou abuso de poder; b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal; Comentário Extensão: A doutrina entende que o direito de petição é extensível a qualquer pessoa, brasileiro ou estrangeiro, residente ou não. Direito de petição: Uadi Lamêgo Bulos o define como o poder de dirigir à autoridade um pedido de providências, ou de intervenção, em prol de interesses individuais ou coletivos, próprios ou de terceiros, de pessoa física ou jurídica, que estejam sendo violados por ato ilegal ou abusivo de poder. Wolgran Junqueira Ferreira o entende como um direito autónomo, que pode ser exercido em nome de interesse individual ou coleti-vo, constituindo-se no recurso cabível para apresentar queixas, pretensões, PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 10 sugestões e pedidos de correção de abusos ou erros. Manoel Gonçalves Ferreira Filho o entende corno o direito pelo qual qualquer um pode fazer valer junto à autoridade a defesa de direito próprios ou coletivos. Formas de expressão: O direito de qiátidão é de expressão ampla, podendo ser apresentado sob a forma de queixas, petições, recursos não contenciosos, informações, rogos, pedidos, representações e pedidos de correção, dentre outros ins- trumentos. Requisito formal: O direito de petição deve ser exercido por escrito, devendo primar pelo respeito e não podendo conter expressões injuriosas ou impróprias. Remédio constitucional: A negativa de atendimento, a omissão no atendimento ou o atendimento incompleto da petição são sanáveis, na via judiciária, pelo mandado de segurança (art. 5°, LXIX). Gratuidade: A dicção constitucional revela que o direito de petição não pode estar dependente ou vinculado ao pagamento de taxas ou emolumentos, independentemente da condição de fortuna pessoal do peticionário. Noção do instituto: Toda e qualquer pessoa, inclusive estrangeiros, pode requerer informações para defender seus direitos, ou obter certidão em repartiçao publica para defesa de direitos ou esclarecimentos de situaçao pessoal. A locuçao “ em defesa de direitos” permite que o dereito de petiçao seja usado para defeder tantos direitos individuais quanto coletivo ou gerais. O direito de petiçao, que este inciso consagra, também identifica um instrumento de partisipaçao individual na vida do Estado, pois posibilita o exercicio das prerrogativas de cidadania. XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; Comentário 10 o monopólio da jurisdição, e é garantido à pessoa o direto de ter acesso a esse Poder, para obter decisão judicial que acautele o direito contra lesão esperada e iminente (poder geral de cautela) ou que recomponha o direito efetivamente lesado. De outra forma, o princípio assegura a qualquer pessoa o direito de acesso ao Judiciário para obter tutela preventiva ou reparatória. Escopo do princípio: Está assentado no direito reconhecido de que todo homem, independentemente de raça, credo, condição ou outro fator, tem direito de ser ouvido por um tribunal imparcial e independente. Essa declaração está contida, entre outros documentos, na Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão e na Convenção Americana sobre Direitos Humanos. XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; PCP da segurança jurídica PCP da irretroatividade da lei Direito adquirido-quando dentro da vigência da lei foram preenchidos todos os requisitos. EX: aposentadoria EC n 41 n Ref da Prev Ato jurídico perfeito: ato revestido de todas as formalidades legais e já consumadas pela lei vigente – Agente capaz, > 18 - Objeto licito - forma prevista em lei. EX: Contrato de compra de imóvel, financiamento em 12X, nova lei passa para 3X, prejudica o contrato, não pode. Coisa julgada – não cabe mais recurso, irrecorrível, transitada em julgado. Efeito EX-TUNC (retroage) Comentário Direito adquirido: Direito adquirido é aquele que já se incorporou ao património e à personalidade de seu titular, pelo aperfeiçoamento de algum ato que o confere, e do domínio dessa pessoa não pode ser retirado. Ou, é um direito exercitável pela pessoa no momento ameaçado de privação. A ordem jurídica brasileira não define o que seja direito adquirido com precisão, ficando a referência mais utilizada situada no § 2° do art. 6° da Lei de Introdução ao Código Civil (segundo a qual, são direitos adquiridos os que já podiam ser exercidos por seu titular, ou já teriam começo de exercício prefixado em termo inalterável, ou em condição imutável, ao arbítrio de outrem), segundo o próprio Supremo Tribunal Federal. A falta de uma definição satisfatória faz voltar a competência para dispor sobre a matéria ao próprio Poder Legislativo. Para o mesmo STF, a noção de direito adquirido é da alçada do próprio legislador ordinário, a quem assiste a prerrogativa de definir, normativa-mente, o conteúdo evidenciador da ideia de situação jurídica definitivamente consolidada. Direito adquirido e Constituição: A jurisprudência do STF assenta que inexiste direito adquirido contra a Constituição. Essa lição pretoriana exige dupla leitura. A primeira é relativa ao direito pré-constitucional. A segunda, ao direito contemporâneo à nova PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 11 Constituição. A primeira, para deixar claro que o poder constituinte originário, por ser ilimitado, não está forçado a respeitar situações que já se tenham consolidado sob a legislação pré-constitucional, podendo dar, mesmo a tais situações, tratamento jurídico- constitucional diverso, e até desfazê-las. A segunda, para que se entenda que, sob a Constituição vigente, a interpretação literal da expressão jurispru-dencial é equivocada. Na verdade, o que se deve pregar é que não se adquire direito contra a Constituição, já que este inciso XXXVI assegura a proteção ao direito adquirido. Direito adquirido e Emenda à Constituição: É assente na doutrina que o direito adquirido prevalece mesmo contra emenda à Constituição, pois, como se viu acima, "lei", neste inciso XXXVI, por estar em sentido amplo, engloba, também, esse tipo normativo. Ato jurídico perfeito: Ato jurídico perfeito é aquele que reúne sujeito capaz (com capacidade civil plena, ou seja, aos 21 anos, ou emancipado, e, partir do início de vigência do novo Código Civil, a partir dos dezoito anos), objeto lícito (o que se está fazendo deve ser expressamente permitido por lei ou não expressamente proibido por ela) e forma prescrita ou não defesa em lei (o revestimento externo do ato deve ser aquele que a lei obriga ou, não obrigando, um que a lei não proíba). Ou, em outra linha, é o ato que já se aperfeiçoou sob a lei vigente à época de sua formação. Coisa julgada: Segundo a Lei de Introdução ao Código Civil é a decisão judicial que não cabe mais recurso. Ou, em outra linha, é o objeto sobre o qual versava determinada demanda judicial, o qual, com o fim do processo, torna-se imodificável. Na primeira definição, temos a coisa julgada formal. Na segunda, a coisa julgada material. Celso Bastos opina que a Constituição, neste dispositivo, protege tanto a coisa julgada material quanto a formal. XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; Comentário Jufzo ou tribunal de excecão: Admite duas definições. Na primeira, é juízo ou tribunal não previsto na Constituição, ou seja, não elencado dentre os componentes da estrutura judiciária assentada no art. 92. O Poder Judiciário não admite novidade na sua estrutura. Qualquer juízo não previsto, qualquer tribunal especial, será dado como de excecão e, por isso, terá a sua existência, o seu funcionamento e as suas decisões declarados inconstitucionais pêlos meios próprios. A segunda definição emerge da jurisprudência do SupremoTribunal Federal, que, em acórdão vencedor de autoria do Ministro Celso de Mello, já afirmou que a supressão, contra o réu, de quaisquer direitos processuais, garantias ou prerrogativas, com violação do devido processo legal, equivale a transformar qualquer juízo em juízo de excecão. (EXT 524, de 31/10/1990) Juiz Natural: As regras referentes a este inciso são complementadas pelas do inciso LIII, onde se cuida do princípio do juiz natural. Celso de Mello e Alexandre de Moraes, dentre outros, entendem que esse princípio, do Juiz Natural, já está contido neste inciso XXXVII. O Ministro do STF o define como sendo o órgão abstratamente considerado, cujo poder jurisdicional emana da Constituição. Consequências da adoção do princípio do juiz natural: São: a) ficam vedados os juízos extraordinários, constituídos após os fatos, para o julgamento de determinados casos ou pessoas, ficando proscritos os tribunais ad hoc e os tribunais de excecão; b) fica subtraído ao controle do Poder Executivo o mecanismo de substituição, convocação e designação de juizes, que passa a ser exercido exclusivamente pelo Poder Judiciário; c) a independência e a imparcialidade dos juizes e tribunais decorre desse princípio; d) somente podem prestar jurisdição os órgãos dotados de poder jurisdicional a partir de previsão da própria Constituição. Foro por prerrogativa de função: Não configura excecão ao princípio do juiz natural, já que a competência especial para processo e julgamento de determinadas autoridades e agentes públicos deflui da própria Constituição. XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; a) plenitude das defesas: Contraditório e ampla defesa, todas as provas licitas. b) o sigilo das votações: não sabe quem votou só interessa o resultado c) soberania dos veredictos: prevalece a decisão do júri. (composição 7/ de 21) (qq pessoa leiga em direito) (não é o juiz quem decide) PCP da soberania dos veredictos, não excluem os recursos. IPC - cabe recurso, juiz nomeia outros jurados. PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 12 d) Julgar crimes dolosos contra a vida: Infração penal, é gênero, se divide em: 1)Contravenção: Dec Lei 2848/40 Infra Legal 2)Crime: Culpa em sentido latu-sensu (amplo), é o dolo, quis o resultado. Culpa em sentido extrito-sensu (restrito) é a culpa comum (imperícia, imprudência, negligencia). Lei 9503 CTB não julga Dolosos contra a vida parte especial do CP -121 homicídio. - 122 suicídio. - 123 infanticio - 124-128 aborto IPC – Latrocínio, contra patrimônio. COMENTARIO Noção: O tribunal do júri é uma especialização da justiça criminal de primeira instância. Crimes geralmente são julgados por juizes chamados singulares porque sentenciam sozinhos. Todavia, se tratar-se de crime doloso contra a vida, esse juiz não mais poderá prosseguir no processo, devendo remetê-lo para um órgão chamado Tribunal do Júri, onde o julgamento será feito por sete pessoas comuns do povo, em geral não conhecedoras de Direito. Esse tribunal é presidido por um juiz de carreira, chamado Juiz-Presidente, a quem incumbe transformar a decisão dos jurados em sentença, e por vinte e um jurados, dos quais sete, sorteados, formarão o Conselho de Sentença. A escolha dos membros do Tribunal do Júri é feita por sorteio, dentre as pessoas que constem do alistamento eleitora] do Município. É, na definição de Alexandre de Moraes, um tribunal popular, de essência e obrigatoriedade constitucionais, regulamentado pela legislação infraconstitucional, hoje o Có- digo de Processo Penal. Plenitude de defesa: é a garantia que o acusado tem de usar todos os meios legais para tentar provar a sua inocência, desde que a prova lhe aproveite. É nula a decisão de um tribunal de júri em que o Juiz-Presidente não permita ao acusado produzir determinada prova lícita que lhe era necessária. Além disso, é determinado pela doutrina que se insere nesse princípio constitucional a defesa técnica do réu, ou seja, que este seja defendido por profissional habilitado e preparado, mesmo que esse réu seja revel (ausente). Nessa mesma linha, se o advogado escolhido pelo réu, ou proporcionado a esse, fizer uma defesa tecnicamente fraca, desidiosa, insuficiente ou tendenciosa, o juiz deverá anular o feito e nomear novo defensor. Isso é especialmente importante quando se lembra da lição de Walter Ceneviva, para quem a prática mostra que os réus de melhores condições financeiras - e que podem, portanto, escolher os melhores advogados - conseguem melhores resultados no Júri. A doutrina também aponta como especificação deste princípio o fato de os jurados deverem ser escolhidos em variadas classes sociais, não sendo aceitável que o Conselho de Sentença seja formado por apenas um extrato social. Sigilo das votações: Impõe que os jurados, ao decidirem sobre os quesitos (perguntas encaminhadas pelo Juiz-Presidente), terão que fazê-las sozinhos, com base no que entenderam de tudo o que foi dito pela acusação, pela defesa e pelas testemunhas. Não poderão se comunicar com ninguém enquanto fazem isso, nem quebrar o sigilo de sua decisão. A utilização de sala secreta e de cédulas para que sejam colhidas as decisões dos jurados é instrumentadora dessa proteção constitucional da convicção própria do jurado. Esse comando também impede que os membros do Conselho de Sentença manifeste-se de público sobre o processo. Soberania dos veredictos: Seu conteúdo impõe dizer que o Juiz-Presidente, ao fixar a sentença do acusado, deverá respeitar tudo o quanto decidido pêlos jurados. Se, por exemplo, o júri negar a tese da legítima defesa, o juiz não poderá reconhecê-la na sentença. José Frederico Marques ressalta que o Juiz-Presidente não pode substituir o Conselho de Sentença. Os recursos contra as decisões do Júri serão julgados sempre por novo Júri, e não pelo juiz togado. Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que, se a denúncia imputa ao réu homicídio qualificado, o juiz não pode excluir do julgamento a circunstância qualificante, pois esse é tema reservado ao Conselho de Sentença. Crimes dolosos contra a vida: São o homicídio, o aborto, o infanticídio e o induzimento, a instigação ou o auxílio a suicídio. Tais crimes, tentados ou consumados, serão, como regra, submetidos a processo e julgamento perante o Tribunal do Júri. Exceções à competência do Júri: Além dos membros do Congresso Nacional, outros agentes políticos há que, mesmo no caso de crime doloso contra a vida, não serão julgados pelo Júri. São, dentre outros, o Presidente da República, o Vice-Presidente da República, Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, Procurador-Geral da República, Ministros do Tribunal de Contas da União, Chefes de Missão diplomática permanente, membros do Ministério Público, Prefeito Municipal, Governadores de Estado e membros dos Tribunais de segundo grau, todos detentores, nos termos da Constituição vigente, de foro especial por prerrogativa de função. PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 13 Dolo: O dolo pode ser direto ou indireto. Diz-se direto quando o agente quis o resultado criminoso, agiu para isso, para produzi-lo. Diz indireto quando, apesar de não querer expressamente produzir o crime, agiu sabendo da possibilidade de cometê-lo e assumiu, dessa forma, o risco de produzir tal resultado (dolo indireto eventual) ou agiu querendo produzir um ou outro resultado criminoso, por exemplo, matar ou ferir (dolo indireto alternativo). Consumação e tentativa: Diz-se que o crime é consumado quando o resultado criminoso é produzido, no caso, a morte da vítima. Ocrime é tentado quando, apesar de o agente ter feito tudo para produzir o resultado, este não se produziu, ou, em outras palavras, o evento morte não ocorreu por circunstâncias alheias à vontade do agente criminoso. XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; PCP) da reserva legal (lei) ou anterioridade da lei penal. EX: - Lei CP – DL2848/40 infra constitucional - 121, matar alguém (conduta) Pena, reclusão de 06 – 20 anos, (cominação legal) IPC para se definir uma conduta como crime somente a Lei em sentido formal, (processos legislativos, criados pelos deputados e senadores, sancionada pelo presidente, promulgada e publicada). Lei art 62, §1, II, b., MDD PROVISORIA, não tem a forma de uma lei. Comentário Antecedentes do princípio: A previsão da anterioridade da lei penal encontra registro histórico já em 1215, na Magna Carta. A Declaração dos Direitos do Homem, de 1789, veiculou que "ninguém poderá ser punido senão em virtude de uma lei estabelecida e promulgada anteriormente ao delito e legalmente aplicada". Identificação do princípio: Trata-se aqui do Princípio da Anterioridade da Lei Penal, que em muitos livros e tribunais é também chamado de Princípio da Legalidade ou Princípio da Reserva Legal. Parece-nos mais adequado o uso da primeira designação, em face do que expusemos nos comentários ao art. 5°, II. Noção preliminar de conteúdo: Como o crime nada mais é do que uma conduta humana punível, nenhuma conduta humana será considerada crime sem uma lei anterior ao fato (e não ao julgamento) que o preveja como crime. Essa lei anterior também precisa fixar a pena. Logo, antes da data em que o fato aconteceu, é preciso que haja uma lei estabelecendo que aquela conduta é punível e como é punível, sem o que não se poderá falar em crime. Esse entendimento encontra exceção no inciso XL deste art. 5°, quando à retroatividade da lei penal mais benigna. Formalmente, então, crime é a descrição de uma conduta acompanhada de sanção, pelo que o delinquente não viola a lei penal, mas, ao contrário, a realiza, incorrendo por isso na sanção a ela imposta. XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; PCP da irretroatividade da lei penal, mais benéfica. REGRA: não retroagira EXCEÇÃO: para beneficiar o Réu. EX : furto 1 a 4 anos, nova lei 1 a 2, mais benéfica. EX : furto 1 a 4 anos, nova lei 1 a , menos benéfica. EX : adultério, abolitiu-criminis, Excludente da culpabilidade. EX: Quilherme de Pádua: -Homicídio qualificado -Iniciativa popular, pela Gloria Perez, 1% do eleitorado nacional, alterou a lei 8072. Comentário Conteúdos: Esse dispositivo constitucional consagra três princípios: o Princípio da Retroatividade da Lei mais Benigna, segundo o qual a lei penal retroage para beneficiar o réu; o Princípio da Irretroatividade da Lei mais Gravosa, segundo o qual a lei mais prejudicial ao réu não retroage; e o Princípio da Ultra-Atividade da Lei mais Benigna, que estabelece que a lei mais benéfica ao réu age mesmo após a sua revogação, para amparar o processo e julgamento de réu que tenha cometido ilícito sob sua égide. Lei penal: É conveniente frisar que esses três princípios valem para a lei penal, e não para qualquer lei. Não se cogita a sua extensão à legislação civil, trabalhista ou tributária, em relação às quais valem outros princípios (no caso da lei civil, PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 14 principalmente a proteção do ato jurídico perfeito e do direito a conduta não mais é considerada como criminosa, ou por qualquer outro beneficio (lex mitior), como a redução da pena em abstraio e as penas alternativas. Tempus regit actum: Em razão do princípio da reserva legal, visto acima, a relação jurídica no campo penal é definida pela lei vigente à época do fato, sendo esse o conteúdo do brocardo latino tempus regit actum. Essa é a regra. Enquanto não desconstituída a relação jurídica penal, contudo, a lei que Aplicação do princípio ao livramento condicional: O STF, aqui também, responde afirmativamente para reconhecer a aplicabilidade dos princípios ao livramento condicional. (HC 81879, de 6/8/2002) XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; (pensamento etc.) Comentário Conteúdo: O que se pretende neste inciso é que a lei venha a estabelecer punições para toda e qualquer conduta com fundamento discriminatório, quer cometida por particular, quer pelo Estado. O dispositivo é, na verdade, um reforço da garantia de igualdade perante a lei. Discriminações positivas e negativas: Logicamente, o preceito não se estende às chamadas discriminações positivas, cujo objetivo é o de fornecer ou assegurar tutela jurídica aos hipossuficientes (deficientes, menores, minorias étnicas). XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; RACISMO - INAFIANÇÁVEL – não admite fiança, Liberdade provisória. - IMPRESCRITÍVEL – Perda do direito de punir (Estado), não há extinção da punibilidade pelo decurso do tempo. - Sujeito a pena de RECLUSÃO. O que é racismo? Nem o STF definiu, nunca houve no Brasil. ≠ Injuria qualificada pela cor.(jogadores). Comentário Intensidade da ofensa: A doutrina tem reconhecido que somente configura delito racista o ato ou palavra que ofenda o sentimento médio de raça, não se cogitando a punibilidade de hipersensibilidades. Crime inafiançável: É crime que não admite fiança, e fiança é um pagamento, em dinheiro ou em equivalente monetário, que a pessoa faz ao Poder Judiciário para poder responder ao processo em liberdade provisória. A condição de inafiançável do crime de racismo, assim, impõe que, se quem o praticou estiver preso, preso vai ficar até o final do processo, Crime imprescritível: É crime que não sofre prescrição, e prescrição é um prazo dentro do qual o Estado tem poder para encontrar, processar, punir e executar a pena do criminoso. Findo esse prazo, nada mais a Justiça pode fazer contra o criminoso. Crime imprescritível, pois, é crime em relação ao qual a Justiça jamais perde o poder de punir o seu autor. Em outros termos, o decurso do tempo não opera qualquer efeito sobre a punibilidade do crime imprescritível. Reclusão: A pena de reclusão, tanto quanto a de detenção, é privativa de liberdade. A de reclusão, contudo, é mais severa, pois é a única que pode levar o preso ao regime fechado de cumprimento de pena, em penitenciária. Alcance da expressão "racismo": Segundo o Supremo Tribunal Federal, em rumoroso julgamento, o racismo é antes de tudo uma realidade social e política, sem nenhuma referência à raça enquanto caracterização física ou biológica, refle-tindo, na verdade, reprovável comportamento que decorre da convicção de que há hierarquia entre os grupos humanos, suficiente para justificar atos de segregação, inferiorização e até de eliminação de pessoas. (HC 82424, de 17/9/2003) XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; Comentário Crime inafiançável: É crime que não admite fiança, e fiança é um pagamento, em dinheiro ou em equivalente monetário, que a pessoa faz ao Poder Judiciário para poder responder ao processo em liberdade provisória. tia são dois tipos de benefí- e são genéricas. A graça, então, considera as condições pessoais do preso, como bom comportamento, e a anistia parte de um pressuposto objetivo, como um determinado limite de pena (poderiam ser anistiados todos os condenados a penas inferiores a 6 meses de PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 15reclusão, por exemplo). A anistia, assim, é um ato de clemência, por meio do qual os delitos cometidos pelo apenado são desconsiderados, e vem prevista em lei, a qual deverá determinar o arquivamento dos processo pendentes e a suspensão das execuções penais relativas aos delitos anistiados. A anistia, por isso, é vista como lei penal de efeito retroa-tivo. A concessão da graça é competência do Presidente da República (art. 84, XII); a da anistia, pelo Poder Legislativo, antes, durante ou após o processo e a condenação. Tráfico ilícito de entorpecentes ou drogas afins: O tráfico de drogas encontra definição infraconstitucional e abrange diversas condutas, dentre elas comprar, vender, expor, guardar em depósito, produzir, conduzir ou portar entorpecentes ou drogas afins. Drogas, para esses fins, são definidas por ato executivo, geralmente do Ministério da Saúde, e incluem todos os psicotrópicos e estupefacientes, os hipnóticos e os hipossedantes, com a óbvia exclusão dos produtos médico-hospitalares e farmacêuticos, os quais têm importação, exportação, comércio e fabricação controlados. Terrorismo: Conceito de difícil extração, já que permeado com elementos políticos e legais complexos. Numa aproximação poder-se-ia falar em atos de pessoas ou grupos, de fundo violento, contra pessoas ou bens, sob motivação política ou religiosa, Crimes hediondos: A Lei n° 8.072/90 elencou os crimes chamados de hediondos, embora tal lei não forneça uma conceituação e esteja contaminada por inúmeras imperfeições, apontadas por Júlio Fabrini Mirabete. Dentre os crimes hediondos, que pela sua contundência social tiveram a pena aumentada e o tratamento penal tornado mais rigoroso, estão o latrocínio, a extorsão mediante sequestro, a extorsão qualificada pela morte, o estupro, o atentado violento ao pudor, a epidemia com resultado morte e o envenenamento de água potável. XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; Comentário Crime inafiançável: É crime que não admite fiança, e fiança é um pagamento, em dinheiro ou em equivalente monetário, que a pessoa faz ao Poder Judiciário para poder responder ao processo em liberdade provisória. Crime imprescritível: É crime que não sofre prescrição, e prescrição é um prazo dentro do qual o Estado tem poder para encontrar, processar, punir e executar a pena do criminoso. Findo esse prazo, nada mais a Justiça pode fazer contra o criminoso. Crime imprescritível, pois, é crime em relação ao qual a Justiça jamais perde o poder de punir o seu autor. Em outros termos, ao decurso do tempo não opera qualquer efeito sobre a punibilidade do crime imprescritível. Grupos armados: Já se viu, nesta obra, que o direito de associação é livre e amplo, mas que é inconstitucional a finalidade ilícita e a característica paramilitar, e que o direito de reunião proíbe que seus integrantes estejam portando armas (incisos XVI e XVII deste art. 5°). A combinação desses dois dispositivos torna inconstitucional a existência de grupos armados. Objetivo do dispositivo: Não é, pois, a existência de grupos armados que é proibida neste inciso XLIV, mas a sua atua-ção contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. A imprecisão do conceito não impede que se reconheça que atentados contra os direitos e garantias fundamentais, contra as instituições, contra os Poderes ou agentes públicos estejam inseridas na proibição. Note-se, também, que, em determinadas ações, haverá uma aproximação muito grande com o terrorismo. XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; PCP da incontangibilidade da pessoa ou personificação da pena Nenhuma pena passara da pessoa do CONDENADO... ...nos termos da lei (CC) ...sucessores, pai mãe avó. ... até o limite do valor do patrimônio deixado R$ 0, R$ 10.000 EX: Sócio, 50 % EX: cônjuge, 50 % Comentário Princípio: Trata-se aqui do Princípio da Personalização da Pena ou da Responsabilidade Pessoal, segundo o qual a única pessoa que pode sofrer a condenação criminal é o próprio criminoso, o agente do crime, não podendo a punição criminal ser estendida a terceiros, a qualquer título. A execução penal, portanto, seja de que pena aplicada for, restringir-se-á ao condenado. Não afasta esse princípio da personalização, portanto, o ser a pena privativa de liberdade (reclusão ou detenção), multas, penas restritivas de direito e quaisquer outras penas alternativas. XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 16 a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; (Exemplificativa ≠ taxativa) a) Privação, (prisão, regime fechado), ou restrição de liberdade, (condicional). b) Perda de bens c) Multa, lei 8137, crimes contra a Ordem tributaria, lei 9503 CTB d) Prestação social alternativa, cesta básica, serviço a comunidade. e) Suspensão ou interdição de direitos, CNH. Ctb 9503 Comentário Pena e direito de punir: A Constituição exige que a cominação, a aplicação e a execução da pena sejam antecedidas de previsão legal expressa. A norma penal, no entender de Wolgran Junqueira Ferreira, confere ao Estado o direito subje- tivo de punir (jtts puniendi), que é a faculdade de agir na conformidade da lei (direito penal em sentido objetivo). O direi» de punir constituiria, assim, direito subjetivo público, baseado na supremacia do Estado (status subjectionis), como sujeito do direito de punir. O objeto do direito de punir seria o indnrl-duo que se torna réu, isto é, autor da violação de um ptecuta jurídico penal (servitus poenaé). Princípio: Esse dispositivo veicula o principio da individualização da pena. Segundo o Superior Tribunal de Justiça, ao proceder a individualização da pena, o juiz, após aferir um leque de circunstâncias de natureza subjetiva - culpahA-dade, antecedentes, conduta social e personalidade do ageMe - e de natureza objetiva - motivos, circunstâncias e conseqlte-cias do crime - fixará aquela aplicável dentre as comnãte. em quantidade que for necessária e suficiente à reprovaçtoeà prevenção do delito, definindo, a seguir, o regime iniciai de cumprimento da pena, a qual não deve ser excessiva, mi de- masiadamente branda, mas justa, adequada e idónea, eaa^av lidade e quantidade suficientes para reprimir a prática da m- fração e promover a tutela da sociedade. Personalização da pena e individualização da pena: Não se confundem os dois princípios (incisos XLV e XLVI deste artigo 5 º). O principio da personalização da pena empoe que apenas o responsável ou responsáveis pelo ato delitivo sejam criminalmente apenados. O principio da individualização da pena determina que essa seja ajustada ao réu, consideradas as suas condições individuais, como histórico penal, periculosidade, circunstâncias agravantes e atenuantes, dentre outros elementos. Relação numerus apertas: A dicção constitucional é bastante clara ao indicar que a relação das penas possíveis no direito brasileiro não é taxativa, admitindo expressamente a cominação de outras e novas penas pela legislação infracons-titucional. A locução "entre outras" bem o indica. Privação e restrição de uberdade: A privação é a perda total da liberdade, pela reclusão ou pela detençao. Arestriçao de liberdade e apenas um cerceamento, uma diminuiçao dela , e ocorre no SURSIS, nos regimes aberto e semi-aberto de prisão e no livramento condicional, por exemplo. Perda de bens: Significa tê-los retirados pelo Estado, para reparar à vitima ou a sipróprio. Também ocorre perda de bens com a tomada, pelo Poder Público, de objetos utilizados no crime, de bens que constituam ameaça pública, e de bens pessoais que hajam sido adquiridos por enriquecimento ilícito, por atividade criminosa ou por improbidade administrativa. Multa: É a imposição de uma penalidade pecuniária, de um valor a ser pago pelo preso. Prestação social alternativa: É a condenação do condenado a fazer alguma coisa em benefício da sociedade, como forma de reparar todo ou parte de seu crime, como pintar as paredes de uma associação comunitária, auxiliar no atendimento em creche ou orfanatos, ministrar aulas gratuitas, fornecer ces-tas-básicas e outros. Corresponde às penas restritivas de direitos, autónomas e substitutivas das penas privativas de liberdade, indicadas no Código Penal, art. 44. Suspensão ou interdição de direitos: É a supressão temporária dele, como no caso do motorista que atropela e mata um pedestre, sendo que dirigia embriagado. São interdição de direitos a proibição de exercício de cargo, função ou atividade pública e de mandato eletivo, a proibição de exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do serviço público, a suspensão da autorização para dirigir veículos e a proibição de frequentar determinados lugares. XLVII - não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 17 d) de banimento; e) cruéis; a) MORTE - (art 60/4, Deputados querendo a pena de morte). SALVO -em caso de querra declarada a outro País, art 84 XIX, CPPM prevê o fuzilamento. EX: não obstante a proteção jurídica do direito a vida (CF), é admissível que atos de terrorismo possam ser apenados com a pane de morte pela legislação infraconstitucional (CPPM), em determinados casos. (C). (querra declarada). b) CARTER PERPETUO -art 137, lei 8112 o STF esta julgado o mérito de inconstitucionalidade. (crimes contra a Adm Pub, Improbidade Adm 9429, aplicação irregular das verbas publicas, lesão aos cofres corrupção). c) TRABALHOS FORÇADOS (desgaste físico), IPC a lei 7210 prevê a obrigação do trabalho, mas não forçados (desgaste físico), não é inconstitucional. d) BANIMENTO – estudaremos junto ao art LI e) CRUEIS – (tortura) Comentário Relação terminaíiva: A relação das penas proibidas no direito brasileiro é terminativa, final, e nenhuma outra pena poderá assim ser considerada. Trata-se de listagem numerus clausus. Pena de morte: A pena de morte é, como se sabe, punir o criminoso condenado, tirando-lhe a vida. A discussão sobre a justiça que se faz a partir desse tipo de punição é profunda, controvertida e de correntes inconciliáveis. A nosso estudo basta, contudo, saber que a pena de morte é constitucional nos casos em que o Brasil esteja oficialmente em guerra com outro país, por ter sido agredido e tendo respondido a essa agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou por ele referendado (art. 5", XLVII combinado com o art. 84, XIX). São crimes puníveis com essa pena drástica a deserção, a espionagem e a traição. Somente nesses casos de guerra é que se admite a pena de morte. A tradição brasileira informa que, antes da execução da pena de morte, seja ouvido o Presidente da República, que poderá utilizar-se da clementia principis para impedir a morte do condenado e transformar essa pena em outra, como a prisão perpétua. Pena de caráter perpétuo: Não é a mesma coisa que pena de prisão perpétua. O caráter perpétuo de uma pena aparece quando o cumprimento de qualquer uma se alonga por toda a vida do condenado. A condenação de um servidor público por corrupção a nunca mais poder ocupar cargo público é inconstitucional por ter caráter perpétuo. Importante se ver que o sistema penal brasileiro possibilita penas centenárias em algumas ocasiões, podendo o condenado pegar 100, 150, 200 anos de prisão. Essa é, contudo, a pena imposta. O Código Penal deixa claro que nenhuma pena, tenha a duração que tiver, poderá ser executada por mais de 30 anos, justamente para afastar um caráter de perpetuidade. Trabalhos forçados: A pena de trabalhos forçados pode ser entendida de duas formas diferentes. Na primeira, seria a proibição de ser o preso obrigado a trabalhar, muito embora se reconheça os efeitos positivos de sua ocupação durante o cum- primento da pena, a chamada laborterapia. Na segunda, seria a proibição de sujeição do preso a um trabalho para cuja execução se exija excepcional esforço físico ou mental. A melhor interpretação é a segunda. O trabalho do preso, nesses casos, deverá ser sempre remunerado, hoje à razão de 3/4 do salário mínimo, nos termos da Lei de Execução Penal (art. 29), e o valor pago será usado para reparar o dano causado à vítima, se ainda pendente, a assistir à família e a ressarcir o Estado pelas despesas com a manutenção do preso, além de custear pequenas despesas pessoais do mesmo. Banimento: É a expulsão de brasileiro do Brasil, ou seja, condenar um brasileiro a viver fora do nosso País por um prazo (porque se fosse_para sempre seria, também, uma pena de caráter perpétuo). É bom ressaltar que a expulsão de estrangeiro é legal e constitucional. Não o é apenas a expulsão de brasileiro, que toma o nome de banimento. O Código Criminal do Império definia o banimento como pena que privava para sempre os réus dos direitos de cidadão brasileiro e os impedia perpetuamente de habitar o território do Império. Tornava-os párias, apátridas. As versões mais modernas do instituto, pêlos AI-13 e AI-14, de 1968, limitaram esses efeitos ao tempo de duração da pena. Penas cruéis: Dependem ainda de definição, muito embora a crueldade já exista no Código Penal, como agravante, e na Lei de Contravenções Penais, como delito autónomo. A lei deverá dizer quais são tais penas e se serão considerados também sofrimentos mentais, além de físicos. Cernicchiaro enten-éc que essa futirra legislação deverá tratar a pena de forma que na execução, não ofenda a dignidade do homem, submetendo o condenado a tratamento degradante, física ou moralmente, que nio os normais oa execução das penas constitucionaisd e legais. XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 18 - Natureza do delito – reclusão ou detenção, (Max, Med, Min) - Idade – maior (desipe) - menor (degase) Dep Gerais de Edu. Soc. Edu. - Sexo – masculino ou feminino. Comentário Conteúdo: É uma espécie de desdobramento do princípio da individualização da pena, pelo qual o preso deverá ter regime carcerário diferente em razão do seu sexo e idade e, também, do tipo de crime cometido, para impedir, por exemplo, a convivência de presos e presas, de jovens com criminosos experimentados e de autores de pequenos furtos com criminosos contumazes e perigosos. XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; Integridade física. Abul Graid Comentário Noção: Tem-se no Código Penal que o preso conserva todos os seus direitos não atingidos pela perda da liberdade. Assim, o fato de estar preso não autoriza um tratamento violento, depravado ou subumano, nem ordens que o submetam a atitudes ou situaçoes cosntrangedoras. È de se notar quer a costituiçao fala em “ presos” e , por tanto, não refere-se apenas aos defitivamente presos por sentença final, mas tambem aos presos tmpr, palas chamadas prisos processuais. L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação; Lei 7210 6 meses creche e pré-escolar Comentário Noção: Pretende-se aqui não infligir dano aos filhosde presidiárias pelo fato de essas estarem com sua liberdade cerceada. É um dispositivo de conteúdo humano e, também, pode ser confor-tavelmente situado sob o princípio da personalização da pena, impedindo que a execução desta atinja a pessoa em formação. LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; EXTRADIÇAO * DEPORTAÇAO * EXPULSAO * BANIMENTO CONCEITOS: Deportação: REGRA: NÃO SE APLICA AO BRASILEIRO (nato / naturalizado) Quando o estrangeiro entra ou permanece ilegal no país. Ex do Grego, brasileiro Nato, logo após os pilotos aero porto Tom Jobim.Cabe indenização. Expulsão: REGRA: NÃO SE APLICA AO BRASILEIRO quando o estrangeiro pratica uma atividade nociva ao interesse nacional ou uma infração penal no território nacional Ex: traição sabotagem É decidido pelo executivo por ato adm, sem processo judicial Banimento: REGRA: NÃO SE APLICA AO BRASILEIRO PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 19 expulsão do nocional quando o naturalizado quando comete um crime nocivo ao interesse nacional, perdera a nacionalidade e se convertera em estrangeiro. Extradição: é a devolução do individuo, para que ele seja julgado pelo crime que cometeu. REGRA: nenhum brasileiro será extraditado (NATO), Fernadinho Beira Mar. Nato SALVO: o naturalizado 1- crime COMUM (121,122) antes da naturalização 2- COMPROVADO envolvimento em Trafico ilícito de entorpecentes na forma da lei, 6368/66. EX: cometeu o crime nos EUA, local do crime e fugiu para Brasil. Solicita a extradição. Em Nenhuma hipótese poderá o nato ser extraditado. Obs: o nato poderá ser na forma passiva Ex 2 James holliwod, estrangeiro, tratados internacionais, processo de extradição. Ato complexo, STF julga Executivo decide Comentário Extradição: Extradição é a transferência de uma pessoa de um país para outro, a pedido deste, para que nele seja processada e punida por algum crime. É um ato de soberania do Estado, que a defere se quiser, e depende da existência de tratados de extradição ou compromissos de reciprocidade. Hildebrando Accioly a define como o ato pelo qual um Estado entrega um indivíduo, acusado de um delito ou já condenado como criminoso, à justiça de outro, que o reclama, e que é competente para julgá-lo e puni-lo. Para o Supremo Tribunal Federal, a extradição é uma ação de índole especial, de caráter constitutivo, que objetiva a formação de um título jurídico apto a legitimar o Poder Executivo da União a efetivar, com fundamento em tratado internacional ou em compromisso de reciprocidade, a entrega de súdito estrangeiro reclamado. Conteúdo do dispositivo: A regra do atual sistema brasileiro é de não-extradição do brasileiro, quer o nato, quer o naturalizado. O brasileiro naturalizado, contudo, é extraditável, por exceção, no caso de crime comum cometido antes da naturalização, quando ainda estrangeiro, portanto, ou por comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes ou drogas afins, neste caso quer antes, quer após a naturalização. Requisitos para a concessão da extradição: O pedido extradicional só pode ser atendido quando o Estado estrangeiro requerente se fundamentar em tratado internacional ou quando, inexistente este, promete reciprocidade de tratamento ao Brasil. Requisito da dupla incriminação: De acordo com o Supremo Tribunal Federal, revela-se essencial, para a exata aferição do respeito ao postulado da dupla incriminação, que os fatos atribuídos ao extraditando - não obstante a incidência de sua designação formal - revistam-se de tipicidade penal e sejam igualmente puníveis tanto pelo ordenamento jurídico doméstico quanto pelo sistema de direito positivo do Estado requerente. (EXT 669, de 2/9/1996) Exceções ao princípio da dupla incrimação: Não é possível a extradição se o fato for definido como crime pelo Direito estrangeiro, mas apenas como contravenção pelo sistema brasileiro. Também não se extradita, no Brasil, acusado pelo cometimento de crime punido com pena inferior a um ano de prisão. Tipos de extradição: Pode ser ativa (quando requerida pelo Brasil a Estado estrangeiro), ou passiva (quando requerida por Estado estrangeiro ao Brasil). Extradição, expulsão, banimento e deportação: Não se confundem a extradição, a expulsão, o banimento e a deporta- ção. A expulsão é ato soberano de um Estado (país), que retira do seu território determinada pessoa que haja, nele, cometido fato tido como criminoso pelas leis locais, ou, ainda, que nele esteja irregularmente, O banimento é a expulsão de natural do Estado que expulsa. A deportação é a devolução do estrangeiro ao exterior, e ocorre geralmente na área de fronteira, portos e aeroportos. Seu fundamento é o ingresso, ou tentativa de ingresso, irregular no território nacional. Prisão do extraditando: Não poderá ser superior a noventa dias, ressalvada disposição convencional em contrário, dada a existência de tratado regulando a extradição, o qual prevalece inclusive sobre a lei. Princípio da especialidade: Construção doutrinária segundo a qual o extraditando somente poderá ser processado e julgado pelo delito objeto do pedido de extradição. Pedido de extensão: Consiste na permissão, solicitada pelo país estrangeiro, de processar pessoa já extraditada por qualquer delito praticado antes da extradição e diverso daquele que motivou o pedido extradicional. Para que isso ocorra, é necessário que o Estado que autorizou a extradição expressamente concorde com a extensão. Doublejeopardy: Segundo o Supremo Tribunal Federal, a extradição não será concedida, se, pelo mesmo fato em que se fundar o pedido extradicional, o súdito reclamado estiver sendo submetido a procedimento penal no Brasil, ou já houver sido EUA Brasil Cabo frio PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 20 condenado ou absolvido pelas autoridades judiciárias brasileiras. Ninguém pode expor-se, em tema de liberdade individual, à situação de duplo risco. Essa é a razão pela qual a existência de situação confïguradora de doublejeopardy atua como insuperável causa obstativa do atendimento do pedido extradicional. Trata-se de garantia que tem por objetivo conferir efetividade ao postulado que veda o bis In idem, (EXT 688, de 9/10/1996) LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião; REGRA: ESTRANGEIRO não será extraditado por crime: art 4 X CF. político – (asilo político) ou de opinião - STF não definiu. Comentário Dupla tipicidade: O Supremo Tribunal Federal deferiu pedido de extradição formulada pela Alemanha, para entrega de nacional daquele país acusado dos crimes de fraude, de abuso de confiança e de bancarrota, entendendo que os crimes de "fraude" correspondem ao crime de estelionato, e de "abuso de confiança", ao delito de gestão fraudulenta de instituição financeira, na legislação brasileira. A Corte indeferiu o pedido relativamente ao crime de "bancarrota", correspondente a delito falimentar, pela ocorrência da prescrição da pretensão punitiva segundo a legislação brasileira. (EXT 841, de 23/10/2003) Extradição de estrangeiro: O estrangeiro é, de regra, extraditável, sempre dependendo de decisão soberana do Supremo Tribunal Federal e do Presidente da República. Não é possível a extradição, contudo, se o fato pelo qual o país que pretende a extradição e punição do estrangeiro seja, para a lei brasileira, crime político ou de opinião, caso em que esse estrangeiro será protegido pelo asilo político previsto no art. 4°, X, e uma eventual concessão de extradição seria inconstitucional. Crime político: É todo ato ilícito motivado por razões de natureza política. Pode ser próprio, quando investe contra a organização política do Estado, ou impróprios, quandoatingem direitos políticos do cidadão. Como não há definição constitucional ou legal do que seja crime político, incumbe ao Supremo Tribunal Federal, em cada caso, julgar o caráter político do fato criminoso, segundo lição de Alexandre de Moraes. (EXT 615, de 19/10/1994) Crime de opinião: Ocorre crime de opinião, na lição de Uadi Lamêgo Bulos, quando o agente extrapola os limites da manifestação do pensamento, ofendendo ou atacando desmotivadamente pessoas e órgãos. Parece-nos que a esses elementos deve se somar, necessariamente, um outro, qual seja o componente político na manifestação da opinião, e a condição estatal da pessoa, autoridade ou órgão atingido, Prisão preventiva: O Supremo Tribunal Federal decidiu que a prisão preventiva é pressuposto do processamento do pedido de extradição. (HC 71402, RTJ 118/126) Extradição e prisão perpétua: O Supremo Tribuna] F< deral não exige do Estado requerente da extradição, para o sei deferimento, compromisso de comutação da pena de pnsà perpétua aplicada ou aplicável ao extraditando na pena rrá» ma de trinta anos. (EXT 793, de 17/10/2001) Condenação anterior do extraditando pelo mesmo crime: O Supremo Tribunal Federal decidiu indeferir pedido extradicional por ter em conta que o extraditando, pelo mesrao fato delituoso, fora condenado por Justiça estrangeira e já cim-prira integralmente a pena. (Ext 871, de 17/12/2003) LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; Comentário Princípio: Este dispositivo consagra o princípio do Devido Processo Legal, ou, na raiz inglesa, do Due Process ofLaw. Abrangência do princípio: Para Nelson Nery Júnior, é deste princípio que decorrem todos os demais, afirmando a doutrina que são manifestações do Due Process ofLaw o princípio da publicidade dos atos processuais, a impossibilidade de utilizar-se em juízo prova obtida por meio ilícito, o postulado do juiz natural, do contraditório e do procedimento regular. Origem: Este princípio tem suas raízes na Magna Carta de João Sem Terra, de 1215 (art. 39), prosseguiu aparecendo, nos termos hoje consagrados, no Statute ofWestminster ofthe Liberties ofLondon, de 1354, e foi também repetida em diversas constituições estaduais norte- americanas, antes de incorporar-se ao texto da Constituição Americana de 1787. A primeira menção expressa ao trinômio consagrado, segundo Nelson Nery Júnior, foi feita na Declaração dos Direitos de Maryland, em 3/11/1776. Conteúdo do princípio: Para Luiz Alberto David Araújo, esse princípio assegura: a) direito à prévia citação; b) direito a juiz imparcial; c) direito ao arrolamento de testemunhas; d) direito ao contraditório; e) direito à defesa técnica; PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 21 f) direito à igualdade entre acusação e defesa; g) direito ao não-uso de provas ilícitas; h) privilégio contra auto-incriminação. LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Comentário Princípio: Aqui é encontrado o Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa. Contraditório: É o poder que tem cada parte no processo de resistir ao que pretende a outra parte, ou seja, de resistir à pretensão do outro, de discordar e de trazer as suas razões aos autos. Ou, na definição de Nelson Nery Júnior, é, de um lado, a necessidade de dar-se conhecimento da existência da ação e de todos os atos do processo às partes, e, de outro, a possibilidade de as partes reagirem aos atos que lhes sejam desfavoráveis. Segundo Joaquim Mendes de Almeida, são elementos necessários ao contraditório a bilateralidade e a possibilidade de reação. Ou seja, que cada parte seja cientificada dos movimentos processuais da outra, e que dessa ciência decorra a possibilidade de reagir ao quanto feito pela outra parte. Ampla defesa: É a garantia constitucional que a parte tem de usar de todos os meios legais de fazer prova para tentar provar a sua inocência ou para defender as suas alegações e o seu direito. Relação entre os dois princípios: Luigi Paolo Comoglio afirma que há uma relação íntima, necessária e insuperável entre o contraditório e a ampla defesa, de forma que um decorre do outro. Indeferimento de prova ou diligência: Não ofende nem o contraditório nem a ampla defesa o indeferimento, pelo juiz, de diligência tida por desnecessária, impertinente ou protelatória. Extensão: É importante notar que qualquer litigante (partes numa lide, num processo) tem esses direitos, tanto em processo judicial quanto administrativo, o que significa dizer que a sindicância e o processo administrativo terão que respeitar esses princípios. O contraditório assume diferentes feições nos processos penal, civil e administrativo. Defesa técnica; É a exercida por profissional habilitado, advogado, e se traduz como um direito e uma garantia das partes em juízo, já que apenas ela pode propiciar a ampla defesa e o contraditório efetivos. LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; Teoria do fruto da arvore envenenada, (se arvore esta envenenada o fruto também estará). EX: interceptação telefônica. LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; PCP da presunção da inocência ou não culpabilidade, (presume-se que todos são inocentes ate o transito em julgado da sentença penal condenatória). IPC - cabe prisão cautelar - Flagrante 301 CPP (tipos) - Temporária Lei 7960 - Preventiva (requisitos) - Pronuncia Ambas com decisão judicial recorrível. Rol dos culpados depois do transito em julgado IPC – na duvida indubui - pro –réu (a favor do réu) Comentário Conteúdo do princípio: Trata-se aqui do Princípio da Presunção da Inocência, também chamado de Princípio daNão- Culpabilidade, e não existia nas Constituições anteriores do Pais. Por ele, é inconstitucional qualquer ação no sentido de se apontar qualquer pessoa como culpada de qualquer fato ou ato ilícito até que o competente processo penal esteja concluído sem mais possibilidade de recursos. Assim, durante uma investigação ou durante o próprio processo, enquanto ele ainda estiver tramitando, o réu é apenas acusado, não culpado. Inversão do ónus da prova: A teoria processual brasileira impõe que o ónus de prova é de quem alega, e, no processo penal, de quem acusa. Em matéria penal, entende-se que não é admissível a inversão do ónus da prova ou de qualquer outra providência que force a uma situação de presunção de culpa. Ou seja: não se prova inocência, e sim culpabilidade. Status de condenado: A doutrina reconhece sob o nome de "status de condenado" a situação do réu declarado culpado por sentença final. PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 22 Doutrina estrangeira para o princípio: Giuseppe Sabatini preleciona que a presunção de inocência representa o consagrado ditame constitucional do favor libertatís, e a situação de dúvida, originária do processo, não se desfaz senão com a sentença transitada em julgado. Essa situação, no âmbito do processo penal, faz persistir a presunção de inocência até qnai do a dúvida seja desfeita pelo juiz. LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei; REGRA - que não será identificado quando apresentar documento civil. SALVO – Lei 10054/00(fundada suspeita, duvida não de adulteração de doc de Idt ) 48 h prazo. 10054/00 art 3º homicídio doloso Patrimônio mdt vio/ Grav am Receptação qualifica Liberdade sexual Falsificação de doc publica Comentário Identificação civil: É aquela feita a partir de quabjacrdocumento civil apto para provar que a pessoa é quem diz ta. como a carteira de identidade, a carteira de trabalho, o pa«a-porte e a carteira nacional de habilitação com fotografia. Identificação criminal: É a dactiloscópica, ou seja, o<av calque das impressões digitais em papel. Para o Superior Tribunal de Justiça, também a fotografia policial seria i cão criminal. (RESP 16994, de 13/5/1992). Conteúdo do princípio: Desdobramento do princípio da presunção da inocência (inciso LVII deste art. 5") da obrigatoriedade de fé pública de documento público (inciso III do art. 19); este princípio determina que apenas está protegido contra a obrigatoriedade de identificação criminal a pessoa já identificada positivamente por documento civil. Desta forma, se a pessoa não tiver documento de identidade, ou ido o portar, ou, portando-o, recusar-se a apresentá-lo à autoridade que o exige, ou, apresentando-o, não o tiver aceito pela autoridade, estará, em todos os casos, obrigado à identificação criminal. Somente na hipótese de o documento de identificação civil ter sido apresentado e aceito é que a autoridade estará, como regra, proibida de conduzir a pessoa à identificação criminal. A dicção do dispositivo mostra, contudo, que a Constituição autoriza a lei ordinária federal a criar situação nas qons o já identificado civilmente pode vir a ser submetido também à identificação criminal, ocorrendo a dupla identificação. Constrangimento ilegal: A jurisprudência do STF qualifica como constrangimento ilegal a sujeição à identifica;!: criminal de pessoa já identificada civilmente, fora dos cacos de dupla identificação autorizados por lei. (RHC 6688, de 7/10/1988) LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal; Tipos de ação penal: PUBLICA – APPI – juiz de oficio - APPC – a representação ou requisição. Titular da ação MP – denuncia em 5/15 dias PRIVADA – personalíssima - exclusiva - SUBSIDIARIA DA PUBLICA – o mp fica inerte e não oferece no prazo, o particular oferece, mas o MP e o fiscal da lei e pode retomar a titularidade a qualquer tempo. Comentário Ação penal pública: É a ação penal provocada pela ação do Ministério Público, que dela tem a titularidade absoluta (art. 129,1). Pode ser incondicionada, quando o Ministério Pú-büco pode agir sem ser provocado, ou condicionada, quando a ação desse órgão exige provocação do Ministro da Justiça ou do ofendido ou seu representante. Ação penal privada: Mais corretamente definida como ação penal pública de iniciativa privada, é a ação penal provocada pela própria vítima ou seu representante legal. É uma ação facultativa, da conveniência do ofendido. Na lição do Ministro Luiz Vicente Cernicchiaro, a ação pública de iniciativa privada é facultativa, remetida à oportunidade e conveniência do seu titular, que pode preferir o silêncio e o esquecimento em lugar da publicidade processual. PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 23 Crimes de ação pública e de ação penal de iniciativa privada: Como regra, os crimes previstos no Código Penal e na legislação penal extravagante são de ação penal pública. Quando tal Código ou leis o disserem em contrário, serão de ação penal de iniciativa privada. Ação do Ministério Público nos crimes de ação penal pública: Concluído o inquérito policial, os autos são encaminhados ao Ministério Público, que poderá: a) oferecer a denúncia, iniciando a ação penal; b) requerer o arquivamento dos autos ao juiz; c) determinar novas diligências à autoridade policial. Em face de qualquer dessas ações, não é lícito ao ofendido ou ao seu representante legal utilizarem a ação penal privada subsidiária. Isso somente poderá ser feito se o Ministério Público não adotar nenhuma das três atitudes no prazo legal de que dispõe. Esse entendimento é firmado pela jurisprudência do STF, para quem a admissibilidade da ação penal privada, subsidiária da pública, pressupõe a inércia do Ministério Público em adotar, no prazo legal, uma das três providências: oferecer a denúncia, requerer o arquivamento ou requisitar diligências. LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem; Intimidade – costumes Social – menor LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; Preso duas formas: - Flagrante delito - Ordem judicial – escrito e fundamentada IPC - não existe prisão para averiguação (inconstitucional) SALVO: transgressão militar EX; bombeiro Galã (Luma de oliveira). Comentário Conteúdo do princípio: A regra geral veiculada por esse dispositivo impõe que a prisão somente poderá ocorrer sob dois argumentos. Ou a pessoa está em flagrante delito (cometendo o crime, acabando de cometê-lo, sendo perseguida logo após o crime ou sendo encontrada logo depois com objetos ou instrumentos dos quais se presuma a autoria do crime), ou, obrigatoriamente, a prisão terá que ser executada em cumprimento de ordem judicial escrita e fundamentada. Note que a Constituição quer ordem judicial, não podendo mais ser uma ordem de autoridade policial (como está na Lei de Contravenções Penais) ou autoridade executiva (como no caso da prisão para extradição por ordem do Ministro da Justiça). Exceções: Na esfera militar, as prisões obedecem ao que consta no Código Penal Militar, e não estão sujeitas às regras gerais estabelecidas para o caso no campo das relações civis. Assim, um soldado que se recuse a obedecer a uma ordem de um superior ou o desrespeite pode ser preso (transgressão militar), e um militar que use arma de serviço para atirar em latas, aves ou para intimidar um transeunte pacífico ou para matar um desafeto também poderá sê-lo (crime militar próprio), sem que esteja em flagrante e sem ordem judicial. Prisão em flagrante: Nos termos do Código de Processo Penal, qualquer pessoa do povo pode, e a autoridade policial deve, prender quem quer que se encontre em flagrante delito. A permissão da realização de prisão em flagrante por qualquer pessoa encontra exceções quanto aos representantes diplomáticos, juizes e membros de Tribunais, membros do Ministério Público e detentores de mandato eletivo, cuja prisão em flagrante é disciplinada em legislação especial. LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada; Duas pessoas – Juiz (imediatamente) E A família ou a pessoa por ele indicada. 24 h determinado pele Doutrina Comentário PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 24 Conteúdo do preceito: São obrigatórias duas comunicações a partir da prisão. Uma, ao juiz competente, o qual vai justamente avaliar a legalidade da prisão, considerando o que consta no inciso anterior, Outra, à pessoa que o preso indicar. Não havendo essa indicação, será comunicado a um membro da família do preso. Conteúdo da comunicação: O que se comunicará é o fato da prisão e o local onde está detido o preso, para que essas pessoas possam verificar o estado físico e psíquico do encarcerado, e ajudá-lo. Omissão da comunicação: O Superior Tribunal de Justiça decidiu que a omissão da comunicação, por si só, não exclui a legalidade da prisão. (RHC 4274/95) LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; Ser informado de seus direitos - Formalidade essencial prevista na CF, a não formalidade constitui nulidade, passiva de relaxamento. LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisãoou por seu interrogatório policial; Prisão e interrogatório (dever do estado de se identificar) - para no caso de abuso, poder-se-á identificar o responsável, e representar contra o mesmo. Comentário Conteúdo do preceito: O dispositivo tem finalidade nitidamente preventiva. Sabendo que o preso tem direito constitucional de identificá- lo, o policial que realizar a prisão ou o interrogatório do preso saberá usar apenas a força necessária para um e outro ato, não podendo cometer excessos, pêlos quais poderá vir a ser processado por abuso de autoridade. As autoridades policiais ficam obrigadas a oferecer ao preso todas as alternativas necessárias à identificação do policial ou da equipe que o prendeu ou interrogou. LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária; Autoridade judiciária – Juiz jurisdição. Autoridade policial – delegado circunscrição Comentário Prisão ilegal: É aquela que não obedece aos parâmetros legais, como, por exemplo, a da pessoa que não estiver em flagrante, presa sem ordem judicial escrita e fundamentada. Tal prisão, por mais que se tenha certeza de que o preso é o culpado, deverá ser relaxada (liberação do preso) por ordem de autoridade judiciária. LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança; Ex: Jecrim- 9099 - Estadual Termo de compr, liberado. - 10259 - federal Comentário Fiança: É pagamento que o preso realiza ao Judiciário para ser solto e poder responder ao processo em liberdade. Mais tecnicamente, a fiança consiste em garantir, por caução real, que presta o acusado, ou alguém por ele, perante autoridade policial ou judiciária, a fim de poder defender-se em liberdade, nos casos em que a lei permite, comprometendo-se a estar em juízo e presente em todos os atos do processo, na lição de Pedro Nunes. Afiànçabilidade: Há crimes inafiançáveis, dois dos quais já vimos nos incisos anteriores, os quais não admitem a soltura do preso mediante fiança. Há crimes afiançáveis, pêlos quais se possibilita ao preso pagar uma quantia arbitrada por autoridade policial ou judicial (dependendo do crime) e, a partir desse pagamento, obter liberdade provisória. E há crimes levíssimos, cujos autores, mesmo presos em flagrante, deverão ser libertados provisoriamente sem precisar pagar qualquer quantia como fiança. No vocabulário jurídico, são ditos crimes de cuja prisão o preso livra-se solto. PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 25 Conteúdo do princípio: Nos crimes em que o preso livra-se solto e naqueles em que caiba a fiança, a regra é que o preso tem direito à liberdade provisória, o que leva à conclusão de que só ficará preso o autor de crime inafiançável, embora isso também ocorra com aquele que não quer ou não pode pagar fiança. Liberdade provisória: A liberdade obtida é provisória; primeiro, porque a prisão preventiva ou cautelar do acusado poderá ser pedida a qualquer momento, se assim entender a autoridade policial ou judiciária. E, segundo, porque ele poderá ser preso novamente se condenado ao final do processo à pena restritiva ou privativa de liberdade. LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel; REGRA: não haverá prisão civil por divida. SALVO – RESPONSÁVEL pelo inadimplemento (falta de pagamento) VOLUNTARIO INESCUSÁVEL (motivo justo) De obrigação alimentícia e o - DEPOSITÁRIO INFIEL – quando não devolve um bem que não era de sua propriedade, mas que estava sobre seu deposito. IPC: pacto de São José da Costa Rica – não recepcionou, mas não prevalece sobre a CF STF – cabe contrato de alienação fiduciária (LISING) Para de pagar a prestação e não devolve o bem Comentário Prisão civil e prisão criminal: A prisão civil difere da prisão criminal. A prisão criminal tem natureza punitiva, ou seja, a pessoa está presa como punição por ter cometido um crime. Já na prisão civil, a natureza é coercitiva, ou, em outras palavras, a pessoa é presa para ser pressionada a fazer alguma coisa, a cumprir uma obrigação que deveria ter cumprido e não o fez, Regra geral de descabimento de prisão civil: A regra está no início do inciso: não haverá prisão civil por dívida. Traduz-se que ninguém pode ser preso por ser devedor de ou-trem (o que não é a mesma coisa de pagar com cheque sem fundo, pois isso é crime de estelionato e sujeito, portanto, a prisão criminal). Exceções: Há duas exceções à regra. Na primeira, poderá ser presa a pessoa que for devedora de pensão alimentícia e, podendo pagar, decide parar de fazê-lo. Quem recebia a pensão pode pedir a prisão civil do devedor, que ficará preso até que pague ou volte a pagar essa dívida alimentar. A segunda exceção é a prisão do depositário infiel, que é quem recebe um bem para guardar em depósito, de particular ou da Justiça, e, na hora de devolver esse bem, não mais o tem, sem uma justificativa aceitável para tanto. Descumprimento de prestação alimentar: A prisão civil, nesse caso, cabe tanto em caso de alimentos provisionais quanto definitivos. O tempo máximo de prisão do devedor é de sessenta dias, no caso de devedor de alimentos definitivos, e de três meses, no caso de devedor de alimentos provisórios. Reincidência do inadimplemento: Voltando o devedor de alimentos a suspender os pagamentos, sem justo motivo, novas prisões poderão ser pedidas e deferidas. REMÉDIOS COSTITUCIONAIS LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; HABEAS CORPUS. Objetivo - proteger o direito liquido e certo de locomoção. Art 5º XV HC Preventivo - ameaça de locomoção (salvo conduto) HC Repressivo ou liberatório – Violação de direito a locomoção Legitimado Ativo – (impetrante) titular da ação QQ pessoa física ou jurídica, nacional, ou estrangeira. (exceto o juiz, concede de oficio) PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 26 Legitimado Passivo – (impetrado) autoridade publica ou particular (medico), Autoridade coatora. Beneficiário QQ pessoa física, latu Sensu (Amplo) Legitimação – Ordinária ou extraordinária. Obs - Exceto Militar (disciplinar) 142 2º CF - Gratuito - Não necessita de advogado, dispensa formalidade (ÚNICO) Comentário Natureza jurídica: O habeas corpus tem dupla natureza jurídica. De recurso, quando interposto contra uma decisão, ou de ação tutelar, quando impetrado contra possível ?mf*r» de constrangimento ilegal. Há fundada divergência doutrinária quanto a essa natureza jurídica. Paulo Lúcio Nogueira a reconhece com a natureza híbrida, de ação e de recurso judicial. Para Alexandre de Moraes, é ação constitucional de caráter penal e procedimento especial. Objeto: De origem inglesa (1215, sob o Rei João Sem Terra, sucessor de Ricardo Coração de Leão), o habeas corpus é uma ação que tem por objeto tutelar a liberdade física de locomoção do indivíduo, expressa pela sua liberdade de ir, vir e ficar, compreendida nesta também a liberdade de fixar residência. A jurisprudência brasileira o aceita apenas para prote-ção ao direito de locomoção, não podendo ser usado para qualquer outra ilegalidade. Alexandre de Moraes anota que o habeas corpus cabe contra atos lesivos ao direito de locomoção, contra atos de tribunais (exceto do Supremo Tribunal Federal), contra atos ilegais de promotor de justiça e atos de juizes e órgãos colegiados e para a defesa de todos os direitos do acusado relacionados com a liberdade de locomoção. Legitimação ativa: É, atualmente, a única ação que pode ser impetrada por qualquer pessoa, independentérnente~dé advogado. Pode ser usada por qualquer pessoa,em benefício próprio ou de outrem, e até o Ministério Público pode dela fazer uso em favor de quem quer que esteja preso ou ameaçado de prisão ilegal ou abusiva. Por "qualquer pessoa" entenda-se inclusive estrangeiros, com ou sem capacidade jurídica (art. 654 do CPP), independentemente de idade, profissão, condição social ou nacionalidade. Na prática, surgem problemas, como reconhece Celso Delmanto, quando o habeas corpus é pedido por delegado de polícia, por promotor ou por juiz. Alexandre de Moraes anota que esse remédio constitucional pode ser usado por qualquer pessoa física, nacional ou estrangeira, indepen- dente de estado mental, sexo, idade, profissão ou capacidade civil, em benefício próprio ou de terceiro. Pessoa jurídica pode ajuizar em benefício de pessoa física. Promotor de Justiça pode utilizar essa ação, mas juiz não, já que deverá, no caso, conceder a ordem de ofício. Legitimação passiva: O coator ou quem ameaça o ato de coação contra a liberdade de locomoção, podendo ser autoridade pública ou particular. No caso de autoridade pública, os fundamentos são a ilegalidade e abuso de poder. No caso de particular, apenas ilegalidade. Ainda quanto ao particular, o STJ decidiu que não cabe o habeas corpus quando a restrição à locomoção tem fundo eminentemente civil, como restrição à locação. Ilegalidade da prisão: Finalmente, é necessário que a violência ou coação contra a liberdade de locomoção tenha por fundamento um ato abusivo ou ilegal. Uma prisão legal, apesar de quebrar a liberdade de locomoção do preso, não pode ser desfeita por habeas corpus, Tipos: Essa ação pode ser repressiva ou liberatória. É repressiva, dito habeas corpus liberatório, quando alguém estiver sofrendo violência ou coação contra o seu direito de locomoção. É preventiva, dita salvo conduto, quando alguém ain-~da não sofreu, mas está ameaçado de sofrer tais ilegalidades. Punições militares: As Constituições anteriores, no Bra- ilegalidade da punição for flagrante. Para o Superior Tribunal de Justiça, é aceitável o uso do habeas corpus para o exame dos vícios de legalidade do ato punitivo militar, entre os quais se incluem a competência do agente, a oportunidade de ampla defesa e a análise das razões nas quais se apoiou a autoridade para exercer a discricionariedade. (RHC 1375, de 24/9/1991) Cabimento de liminar: A liminar em habeas corpus não só é cabível como absolutamente necessária. A doutrina aceita a liminar tanto no caso de habeas corpus liberatório quanto no de salvo conduto. Fundamentos do pedido: O juiz ou tribunal competente para o julgamento não está vinculado à causa do pedido, podendo deferir a ordem por motivo diverso do alegado. Locomoção como direito-meio: O Ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, entende cabível o uso do habeas corpus para a defesa do direito de locomoção mesmo quando a locomoção se configure como simples direito-meio, afetado de modo reflexo ou oblíquo. (HC 80800, Informativo 237) Reexame de prova: O habeas corpus não é meio adequado para o reexame das provas ou da análise probatória, também não se prestando para a dilação probatória, em face do seu caráter sumariíssimo. (STF, AG 350074, de 9/4/2002) Desistência; O Supremo Tribunal Federal aceita a hipótese de o impetrante do habeas corpus desistir da impetração. (HC 76967, 23/6/1998) Excesso de prazo de prisão: Preleciona Alexandre de Moraes que o habeas corpus pode ser utilizado como meio processual adequado para cessar constrangimento ilegal à liberdade de locomoção do acusado-preso, decorrente de abusivo excesso de prazo para o encerramento da instrução processual penal. PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 27 Intimação para depor em CPI: O Supremo Tribunal Federal acatou a impetração de habeas corpus de pessoa intimada a depor em comissão parlamentar de inquérito, já que tal intimação, em razão dos poderes de que dispõe a CPI, contém em si a possibilidade de condução coercitiva de testemunha que se recuse a comparecer. (HC 71261, de 11/5/1994) Impetração contra ato de particular: O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu que, desde que a Constituição não faça distinção entre a coação exercida por autoridade pública e por particular, não seria lícito fazê-lo jurisprudencialmente, sob pena de restrição indevida de direito fundamental da pessoa. (RHC 137873, de 1/3/1993) Pena pecuniária: O STF não aceita a impetração de habeas corpus quando imposta exclusivamente a pena de multa ao condenado e quando não houver risco de conversão da sanção pecuniária em pena privativa de liberdade. (HC 69380, RTJ 152/140) Impetração por estrangeiro: O STF decidiu que é inquestionável o direito de súditos estrangeiros ajuizarem, em causa própria, a ação de habeas corpus. Bis que esse remédio constitucional pode ser utilizado por qualquer pessoa, independentemente da condição jurídica resultante de sua origem nacional. A petição do habeas corpus deve ser redigida em português, sob pena de não conhecimento do wrií constitucional. Eis que o conteúdo dessa peça deve ser acessível a todos, sendo irrelevante que o juiz da causa conheça, eventualmente, o idioma estrangeiro utilizado pelo impetrante. (HCQO 72391, de 8/3/1995) Habeas corpus e sigilo bancário: O Supremo Tribunal Federal decidiu que o habeas corpus é instrumento idóneo para impugnar a validade da decisão que decreta a quebra de sigilo_ bancário, uma vez que de tal procedimento poderá advir medida restritiva de liberdade. (HC 81294, de 20/11/01) iescabimento de habeas corpus em favor de menor, para que esse pudesse ficar sob a guarda de um dos genitores e, com ele, sair do país. (HC 816 81, de 23/4/2002) Impugnação de prova ilícita: Segundo o Supremo Tribunal Federal, é cabível o habeas corpus para impugnar a inserção de prova ilícita em procedimento penal, uma vez que, de tal procedimento, pode advir condenação a pena privativa de liberdade. (HC 80949, de 30/10/2001) Menor: O Supremo Tribunal Federal decidiu pelo descabimento de habeas corpus em favor de menor, para que esse pudesse ficar sob a guarda de um dos genitores e, com ele, sair do país. (HC 81681, de 23/4/2002) LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por "habeas- corpus" ou "habeas-data", quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; MANDATO DE SEGURANÇA. Proteger direito liquido e certo, não amparado por HC, HD. Legitimado Ativo – (impetrante) titular da ação QQ pessoa física ou jurídica, nacional, ou estrangeira. Legitimado Passivo – (impetrado) Autoridade publica ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do poder publico. Aut Coatora. Legitimaçao ordinaria OBS: Tem caráter subsidiário, somente caberá MS, quando não couber HD, HC. Não cabe contra lei em tese, é aquela que não atinge diretamente a mim, Ex Collor com as cadernetas. LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados; MANDATO DE SEGURANÇA COLETIVO. Proteger direito liquido e certo, não amparado por HC, HD. Em defesa do interesse de seus membros ou associados. Legitimado Ativo – (impetrante). PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 28 1) Partido político. Requisitos: Com representação no Congresso Nacional. 2) Organização Sindical, Entidade de Classe e Associação. Requisitos: Legalmente constituída E Funcionamento a pelo menos um ano Legitimado Passivo – (impetrado) Autoridade publica ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuiçõesdo poder publico. Aut Coatora. Legitimação: Extraordinária. (única diferença entre MSI) Substituto processual: Não precisa de procuração Representante processual: Precisa de procuração. OBS: Tem caráter subsidiário, somente caberá MS, quando não couber HD, HC. Tutela de direito coletivo ou geral, não cabendo aqui, tutela de direito do partido político ou da organização sindical, entidade de classe ou associação. Prazo 120 dias. LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; Legitimado Ativo – (impetrante) titular da ação QQ pessoa física ou jurídica, nacional, ou estrangeira. (exceto o juiz, concede de oficio) Legitimado Passivo – (impetrado) agente ou órgão publico. Legitimação: extraordinária. OBS: somente se refere a omissão de regulamentação Constitucional. Ex: Art 5º, VII/ art 7º XI e XXVII. Unico remedio que nao cabe liminar. Comentário Noção preliminar: Presta-se o mandado de injunção, ideologicamente, a suprir a falta de norma regulamentadora de direito, liberdade ou prerrogativa constitucional, sem a qual tais direitos não podem ser exercidos. Em outras palavras: a Constituição Federal, em várias passagens (por exemplo, arts, 37, VII, e 7°, XXI), estabeleceu direitos cujo exercício foi condicionado à elaboração de uma lei posterior que viesse a dizer em que termos isso iria ocorrer. Sem essa lei, o direito garantido pela Constituição fica letra morta, fica regra sem efeito nenhum. Para impedir isso, o constituinte criou o mandado de injunção, ação pela qual o interessado no exercício do direito que depende de norma para ser desfrutado vai ao Judiciário buscar o regramento, para o seu caso concreto, e, assim, ganhar, finalmente, as condições de exercitar o direito constitucional que tem. PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 29 Pressupostos: O mandado de injunção pressupõe uma norma constitucional de eficácia limitada. Por outra via, para que caiba essa ação, é preciso: a) que haja direito, garantia ou prerrogativa assegurados na Constituição (e não na lei); b) que esse direito, garantia ou prerrogativa exija regulamentação; c) que essa regulamentação ainda não haja sido feita; e d) que, sem essa regulamentação, não seja possível exercitar a garantia constitucional. LXXII - conceder-se-á "habeas-data": a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; (HD a) informações sobre a pessoa do impetrante, caráter personalíssimo. (HD b) retificação de dados. 15 dias de demora. Legitimado Ativo – (impetrante) titular da ação QQ pessoa física ou jurídica, nacional, ou estrangeira. Legitimado Passivo – (impetrado) entidades governamentais ou pessoas jurídicas de caráter publico que tenham registro ou bancos de dados. Legitimação – Ordinária. OBS: - Gratuito - STF - deve ser primeiramente e obrigatoriamente ter havido a recusa ou demora admistrativa. - Somente informações sobre a pessoa do impetrante (NUNCA DE TERCEIROS). LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; AÇÃO POPULAR (PMPM) Proteção ao: 1- Patrimônio Publico ou dec entidade de que o Estado participe. 2- A moralidade Administrativa 3- Ao patrimônio Histórico e Cultural. 4- Ao meio Ambiente Legitimado Ativo – (impetrante) QQ Cidadão. (aquele que tenha pleno gozo dos direitos políticos). Legitimado Passivo – (impetrado) pessoas publicas ou privadas, autoridades, funcionários ou administradores. Legitimação: extraordinária. # Ação civil publica PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 30 # Iniciativa popular OBS: 1- REGRA: o autor fica isento de custas e do ônus da sucumbência EXCEÇÃO, COMPROVADA a má fé. 2- Não pode impetrar AP: - Pessoa Jurídica - Estrangeiro (Art 14 2º CF) Perda ou Suspensão dos direitos Políticos ( Art 15 da CF (PCP DA FUNGIBILIDADE EM SEDE DE REMEDIO COSTITUCIONAL) Comentário Fundamento: A nossa Constituição prevê a ação popular civil, mas não a ação popular penal. Seu fundamento está na natureza substancial do regime democrático, como salienta non brasileiro, a ação popular tem uma natureza civil, com um ca-ráter corretivo, que pode também ter caráter preventivo, visando à nulidade dos atos lesivos ao património público ou ao interesse público, mediante a responsabilidade do autor do ato e de seus beneficiários e mediante o pagamento de perdas e danos decorrentes da irregularidade cometida. Objetivo da ação: O objetivo da ação popular não é outro senão o de anular um ato lesivo a bem constitucionalmente protegido, sendo este o património histórico e cultural, o património público, o meio ambiente e a moralidade pública, esta última com um conceito muito amplo que dá extraordinário alcance à ação popular. Legitimação ativa: Pode propor essa ação somente o "cidadão", o que implica dizer que não é qualquer brasileiro que pode fazê-lo, mas apenas aquele ou aqueles detentores de direitos políticos, de capacidade eleitoral ativa, ou, ainda, de poder de voto. Segundo já sumulado pelo STF (Súmula 365), pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular. Pessoa jurídica: Pessoa jurídica não é detentora de legitimação ativa para a ação popular. Portugueses: Somente podem propor ação popular amparados pelo certificado de equiparação e devem estar no exercício dos direitos civis e políticos no Brasil, munidos de titulo de eleitor. Património público: Património público, vê-se pela re-dação, abrange o económico, o histórico, o artístico, o cultural, o cívico, o comunitário. Isenção de custas: Lê-se no inciso que, como regra, o autor da ação popular não será obrigado a pagar nem custas nem ónus da sucumbência. Custas são todos os valores geralmente cobrados no curso de um processo judicial, como custas iniciais para autuação, honorários de peritos, tradutores e our tros, porte de remessa e retorno de recurso e assim por diante. Ónus da sucumbência: É o dever que a parte perdedora tem de pagar o advogado da parte vencedora. Perceba que isso não será imposto ao autor da ação popular sempre que ele for derrotado, mas apenas quando, derrotado, ficar evidenciado que usou da ação popular de má-fé, para fins não escusáveis, pessoais, vis ou baixos. Tipo da decisão: A decisão da ação popular é constitutiva negativa, na medida em que visa a desconstituir os atos, im- pugnados em termos de anulação ou nulidade, na lição de Péricles Prade. Interesse de agir: O interesse de agir advém do prejuízo ao património público decorrente do ato lesivo. Legitimação passiva: A legitimação passiva é da autoridade ou preposto de autoridade pública responsável pelo ato lesivo. Pressupostos da ação: Os pressupostos são a ilegalidade do ato e a sua lesividade. Liminar: A liminar é admissível. Intervenção do Ministério Público: A intervenção do Ministério Público, depois de 1965, foi reconhecida como obrigatória, sob pena de nulidade. Processo: o processamento é regulado pela lei nº 4717/65. Competência para julgamento: è determidada em razão da pessoa (ratiole pernali) e pelo critério territorial (ratioli loci). Átuação do Ministério rúblico: Julgou o TJSP que, não obstante consigne o inciso LXXIII doart. 5° da Constituição da República que "qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao património público...", tal não quer significar que não possa o Ministério Público, por meio de ação civil pública, buscar o mesmo obje-tivo, sem provocação de populares ou de outros servidores pú- Comentário Noção do preceito: A assistência jurídica integral e gratuita é prestada por um órgão criado pela própria Constituição, a Defensoria Pública, prevista no art. 134, e cuja finalidade é propor e tocar as ações judiciais de interesse de pessoas que tenham insuficiência de recursos. PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 31 Insuficiência de recursos: Para os fins deste inciso, não é a situação de miserabilidade, mas, sim, a daquela pessoa que tem renda suficiente para manter-se, mas não pode desviar nenhum dinheiro dessa renda para custear um advogado e manter uma batalha judicial. Obviamente também os miseráveis estão amparados. É para esses a Defensoria Pública, Advogado: Essa garantia, de acordo com Uadi Lamêgo Bulos, não exclui a necessidade de representação por advogado. LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos; STF – PF/PJ Quem comprovar a insuficiência de recursos. Para processos criminais ou civis. LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença; X troca por Y Um dia a mais preso. Comentário Ato judicial típico: Trata-se aqui da indenização de ato judicial típico, e não de ato administrativo realizado por autoridade judicial. O ato judicial típico são as decisões interlo-cutórias, as sentenças e os acórdãos. Fundamentos da responsabilidade estatal: Existem somente dois fundamentos possíveis pêlos quais se pode pedir indenização ao Estado por ato judicial. O primeiro é no caso de condenação por erro judiciário (por exemplo, de um irmão gémeo, ou de um homónimo). O segundo é o da prisão para além do tempo fixado na sentença. Ocorrendo qualquer dos dois casos, o prejudicado entrará com uma ação cível de reparação de danos morais, materiais e à imagem contra o Poder Público. LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: a) o registro civil de nascimento; b) a certidão de óbito; Benevolência da CF Nascer e morrer Comentário Noção do preceito: Trata-se aqui de dois favores estatais, não a todos os que tenham insuficiência de recursos, mas apenas aos reconhecidamente pobres, aqueles em situação de miserabilidade. A estes o Estado dará, gratuitamente, o registro civil de nascimento e a certidão de óbito. Reconhecidamente pobre: É aquele que não tem renda suficiente sequer para prover a própria subsistência. É o que se encontra em estado de miserabilidade. LXXVII - são gratuitas as ações de "habeas-corpus" e "habeas-data", e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. Exercício da cidadania – Titulo de eleitor e votar LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. PROFESSOR ALEXANDRE CAMELO Email: professoralexandrecamelo@hotmail.com 32 § 2º - Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) PCP da celeridade processual (EC 45/2004) A todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam celeridade de sua tramitação. § 1º as normais definidoras de direitos e garantias fundamentais tem aplicabilidade imediata (art 5) Eficácia e Aplicabilidade REGRA: Eficácia Todas (3) Aplicabilidade não (2) IPC – Todas as normais constitucionais tem EFICACIA, mas nem todas tem APLICABILIDADE IMEDIATA, (SÓ AS DEFINIDORAS DE DIREITO) CLASSIFICAÇÃO DA EFICACIA E APLICABILIDADE 1 – Normais de Eficácia PLENA, aplicação imediata. Ex: 5º III Tortura 2 – Normais de Eficácia CONTIDA/ REDUTIVEL, aplicação imediata Ex: 5º XV. 3 – Normais de eficácia LIMITADA, e deferida não é imediata Ex: XXI Aviso Prévio. § 2º Os direitos e garantias expressos nesta constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a Republica Federativa d o Brasil seja parte. (DUDH, ECA) § 3º os tratados e convenções internacionais.. EC... REGRA – tratado internacional equivale a Lei Ordinária. Excepcionalmente - TRATADO INTERNACIONAL, com “ Status Quo” de emenda constitucional requer: Requisitos: 1º – Matéria de Dir Humanos 2º - Aprovado em 2 Turnos em cada casa (Câmara, 1º e 2º turno. Senado 1º e 2º turno) com 3/5 dos votos. Equivalem a EC. § 4º O Brasil se submete a jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestação e adesão Ex: crimes contra a humanidade. EC...