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Modulo de Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química Universidade Pedagógica Departamento de Química Direitos do autor (copyright) Este módulo não pode ser reproduzido para fins comerciais. Caso haja necessidade de reprodução, deverá ser mantida a referência à Universidade Pedagógica e aos seus Autores. Universidade Pedagógica Rua Comandante Augusto Cardoso, nº 135 Telefone: 21-320860/2 Telefone: 21 – 306720 Fax: +258 21-322113 Agradecimentos À COMMONWEALTH of LEARNING (COL) pela disponibilização do Template usado na produção dos Módulos. Ao Instituto Nacional de Educação a Distância (INED) pela orientação e apoio prestados. Ao Magnífico Reitor, Directores de Faculdade e Chefes de Departamento pelo apoio prestado em todo o processo. Ficha Técnica Autor: Filomeno Inroga e Malaquias Tsambe Desenho instrucional: Nilsa Pondja Cherinda Revisão Linguística: Orlanda Gomane Maquetização : Aurélio Armando Pires Ribeiro Ilustração: Valdinácio Florêncio Paulo Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química i Índice Modulo de 1 Visão geral 1 Bem-vindo ao módulo de Química Básica ....................................................................... 1 Objectivos do módulo ....................................................................................................... 2 Quem deve estudar este módulo ....................................................................................... 2 Como está estruturado este módulo .................................................................................. 3 Ícones de actividade .......................................................................................................... 4 Acerca dos ícones .......................................................................................... 4 Habilidades de estudo ....................................................................................................... 5 Precisa de apoio? .............................................................................................................. 5 Auto-avaliação .................................................................................................................. 5 Avaliação .......................................................................................................................... 6 Tempo de estudo e outras actividades .............................................................................. 6 Unidade n° 01 7 Conceitos fundamentais .................................................................................................... 7 Introdução ................................................................................................................ 7 Lição no 01 8 Classificação e importância da Química ........................................................................... 8 Introdução ................................................................................................................ 8 O conceito de Química................................................................................... 8 O método científico........................................................................................ 9 Estudo da Química ......................................................................................... 9 Classificação da Química ............................................................................. 10 Química 10 Química e outras ciências ............................................................................ 11 Importância e áreas de investigação ............................................................ 11 Auto-avaliação ................................................................................................................ 12 Actividades ..................................................................................................................... 12 Lição no 02 13 Classificação da matéria ................................................................................................. 13 Introdução .............................................................................................................. 13 Matéria ......................................................................................................... 13 Classificação da matéria .............................................................................. 13 Propriedades da matéria ............................................................................... 15 Estados físicos da matéria ............................................................................ 17 ii Índice Auto-avaliação ................................................................................................................ 18 Lição no 03 19 Classificação e métodos de separação de misturas ......................................................... 19 Introdução .............................................................................................................. 19 Mistura ......................................................................................................... 19 Classificação das misturas ........................................................................... 20 Métodos de separação de misturas ............................................................... 20 Auto-avaliação ................................................................................................................ 23 Lição no 04 24 Linguagem química ........................................................................................................ 24 Introdução .............................................................................................................. 24 Métodos de ajustamento de equações .......................................................... 27 Auto-avaliação ................................................................................................................ 28 Respostas aos exercícios ................................................................................................. 28 Unidade n° 02 30 Estrutura da matéria e Classificação Periódica ............................................................... 30 Introdução .............................................................................................................. 30 Lição no 01 31 História da teoria atómica ............................................................................................... 31 Introdução .............................................................................................................. 31 Teoria atómica clássica ................................................................................ 31 Teoria atómica moderna .............................................................................. 32 Números Quânticos ...................................................................................... 35 Regras de Hund ou princípio de máxima multiplicidade............................. 35 Princípio de exclusão de Pauli ..................................................................... 35 Regra de energia mínima ............................................................................. 36 Auto-avaliação ................................................................................................................ 37 Lição no 02 38 Classificação Periódica ................................................................................................... 38 Introdução .............................................................................................................. 38 História da Tabela Periódica ........................................................................ 38 Variação das propriedades periódicas ..........................................................44 Auto-avaliação ................................................................................................................ 46 Lição no 03 47 Ligação química .............................................................................................................. 47 Introdução .............................................................................................................. 47 Ligação química ........................................................................................... 47 Electrões de valência.................................................................................... 48 Regra de Octeto............................................................................................ 48 Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química iii Tipos de ligação química ............................................................................. 48 Ligação iónica .............................................................................................. 48 Ligação covalente ........................................................................................ 49 Forças intermoleculares (Van Der Waals e Pontes de hidrogénio) ............. 51 Auto-avaliação ................................................................................................................ 52 Respostas dos exercícios ................................................................................................. 52 Unidade n° 03 54 Reacções químicas e relações quantitativas .................................................................... 54 Introdução .............................................................................................................. 54 Lição no 1 55 Reacções químicas. Caracterização e Classificação ....................................................... 55 Introdução .............................................................................................................. 55 Reacção química .......................................................................................... 55 Caracterização .............................................................................................. 56 Critérios de classificação ............................................................................. 56 Auto-avaliação ................................................................................................................ 59 Lição no 2 60 Relações Quantitativas .................................................................................................... 60 Introdução .............................................................................................................. 60 Relações quantitativas ou lei das combinações químicas ............................ 60 Leis ponderais .............................................................................................. 61 Leis volumétricas ......................................................................................... 61 Lição no 03 66 Bases da Estequiometria ................................................................................................. 66 Introdução .............................................................................................................. 66 Al2(SO4)3 71 Preparação de soluções ................................................................................ 73 Auto-avaliação ................................................................................................................ 75 Respostas dos exercícios ................................................................................................. 75 Unidade n° 04 77 Bases da Química Orgânica ............................................................................................ 77 Introdução .............................................................................................................. 77 Lição no 01 78 Breve Historial da Química Orgânica. ............................................................................ 78 Introdução .............................................................................................................. 78 iv Índice Introdução à Química Orgânica ................................................................... 78 Auto-avaliação ................................................................................................................ 80 L Erro! Indicador não definido. Compostos de Carbono. Estrutura e propriedades .......................................................... 81 Introdução .............................................................................................................. 81 Compostos de Carbono ................................................................................ 81 Diferenças entre Compostos orgânicos e inorgânicos ................................. 82 Propriedades particulares dos compostos orgânicos .................................... 83 Estrutura das Substâncias Orgânicas ........................................................... 83 Possibilidades de formação de ligações do átomo de carbono .................... 83 Auto-avaliação ................................................................................................................ 85 Lição no 03 86 Cadeias Carbónicas ......................................................................................................... 86 Introdução .............................................................................................................. 86 Cadeias carbónicas ....................................................................................... 86 Tipos de Carbono numa cadeia Carbónica .................................................. 88 Fórmulas Químicas dos Compostos Orgânicos ........................................... 88 Auto-avaliação ................................................................................................................ 90 Lição no 04 91 Isomeria dos Compostos Orgânicos ............................................................................. 91 Introdução .............................................................................................................. 91 Isomeria........................................................................................................ 91 Auto-avaliação ................................................................................................................ 94 Principais Reacções Químicas dos Compostos Orgânicas ............................................. 95 Introdução .............................................................................................................. 95 Auto-avaliação ................................................................................................................ 97 Lição no 06 98 Nomenclatura dos Compostos Orgânicos ....................................................................... 98 Introdução .............................................................................................................. 98 Nomenclatura dos compostos orgânicos ...................................................... 98 Estes prefixos indicam a quantidade de átomos de carbono existentes numa molécula. A tabela que se segue mostra a designação, em grego, dos números correspondentes. ............................................................................ 98 Radicais ........................................................................................................ 99 Nomenclatura Substitutiva ........................................................................... 99 Nomenclatura Radicofuncional ................................................................. 100 Nomenclatura Trivial ................................................................................. 101 Auto-avaliação ..............................................................................................................101 Lição no 07 102 Principais Funções dos Compostos Orgânicas ............................................................. 102 Introdução ............................................................................................................ 102 Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química v Auto-avaliação .............................................................................................................. 103 Respostas aos exercícios ............................................................................................... 104 Bibliografia ................................................................................................................... 106 Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 1 Visão geral Bem-vindo ao módulo de Química Básica Neste módulo você fará uma revisão geral dos princípios fundamentais da Química do Ensino Secundário Geral, dando particular ênfase ao tratamento de temas ligados às relações estruturais na ligação dos átomos e iões, em diferentes classes das substâncias químicas, bem como em relação às suas reacções. É importante estudar este módulo para criar as bases fundamentais para a compressão dos conteúdos dos próximos módulos, bem como, para a compreensão do conteúdo prático experimental. Assim, o módulo é constituído por 4 unidades: A primeira unidade, com 4 lições, em que você fará a classificação da Química e da matéria de forma mais abrangente, fará também a classificação dos métodos físicos de separação da matéria, incluindo a sua caracterização. A unidade termina com os aspectos mais gerais relacionados com a linguagem química. A segunda unidade, comporta 3 lições. Nesta está incluído o conteúdo sobre a estrutura da matéria, a classificação periódica e a ligação química. A terceira unidade, que também comporta 3 lições, traz-lhe a classificação das reacções químicas e as condições para a sua ocorrência, as leis fundamentais que constituem as relações entre as quantidades das substâncias e por fim os cálculos estequiométricos. A quarta e última unidade, comporta 7 lições. Nesta unidade você terá a oportunidade de recapitular todos os aspectos básicos e fundamentais da Química Orgânica: A história do seu surgimento, a classificação dos compostos orgânicos, as regras para a nomenclatura do compostos, os tipos de reacção característicos para cada função, etc. Objectivos do módulo Os objectivos gerais do curso de Licenciatura em Ensino de Química são a formação de quadros de nível superior com conhecimentos científicos adequados e domínio das técnicas especiais de pensamento e trabalhos nas áreas de Química e Ciências Pedagógicas. Objectivos Assim, com este manual pretende-se que você seja capaz de: Interpretar os conceitos básicos da Química; Aplicar os conceitos e relações fundamentais da Química em factos concretos; Efectuar cálculos estequiométricos; Descrever a relação entre estrutura e as propriedades das substâncias; Explicar a relação entre estrutura e propriedades das substâncias. Quem deve estudar este módulo Este Módulo foi concebido para todos aqueles que tenham concluído a 12a classe de ESG, grupo de ciências ou equivalente e estejam inscritos no Curso de Química à distância, fornecida pela Universidade Pedagógica. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 3 Como está estruturado este módulo Todos os módulos dos cursos produzidos pela Universidade Pedagógia- CEAD encontram-se estruturados da seguinte maneira: Páginas introdutórias Um índice completo. Uma visão geral detalhada do curso / módulo, resumindo os aspectos- chave que você precisa conhecer para completar o estudo. Recomendamos que leia esta secção com atenção antes de começar o seu estudo. Conteúdo do curso / módulo O curso está estruturado em unidades. Cada unidade incluirá uma introdução, objectivos, conteúdos e actividades de aprendizagem, um summario da unidade e uma ou mais actividades para auto-avaliação. Outros recursos Se você estiver interessado em aprender mais, propomos-lhe uma lista de recursos adicionais para explorar. Estes recursos podem incluir livros, artigos ou sites na internet. Tarefas de avaliação e/ou Auto-avaliação As tarefas de avaliação para este módulo encontram-se no final de cada unidade. Sempre que necessário, dão-se folhas individuais para desenvolver as tarefas, assim como instruções para as completar. Estes elementos encontram-se no final do módulo. Comentários e sugestões Esta é a sua oportunidade para nos dar sugestões e fazer comentários sobre a estrutura e o conteúdo do curso / módulo. Os seus comentários serão úteis para nos ajudar a avaliar e melhorar o curso / módulo. Ícones de actividade Ao longo deste módulo irá encontrar uma série de ícones nas margens das páginas. Estes ícones servem para identificar diferentes partes do processo de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de texto, uma nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc. Acerca dos ícones Neste módulo encontrará ícones que identificam as actividades, dicas, sumários e actividades de auto-avaliação. Pode ver o conjunto completo de ícones deste módulo já a seguir, cada um com uma descrição do seu significado e da forma como nós interpretámos esse significado para representar as várias actividades ao longo deste módulo. Comprometimento/ perseverança Actividade Resistência, perseverança Auto-avaliação “Qualidade do trabalho” (excelência/ autenticidade) Avaliação / Teste “Aprender através da experiência” Exemplo / Estudo de caso Confirmação / Correcção Resultados Horas / programação Tempo Vigilância / preocupação Tome Nota! “Eu mudo ou transformo a minha vida” Objectivos Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 5 “[Ajuda-me] deixa- me ajudar-te” Leitura “Pronto a enfrentar as vicissitudes da vida” (força / preparação) Resumo “Nó da sabedoria” Terminologia Apoio / encorajamento Dica Habilidades de estudo Este módulo foi concebido tendo-se em consideração que você vai estudar sozinho. É por isso que, no fim de cada unidade/lição há actividades que o ajudam a rever tudo o que nela aprendeu. Fazem parte deste conjunto de actividades: as experiências recomendadas, consulta e interpretação de tabelas, desenho e interpretação de gráficos e diagramas, etc., pois eles são preciosos para que possa conhecer o nível da sua aprendizagem. Precisa de apoio? Se você tiver dificuldades, existe o Centro de Recursos à sua espera, perto do local da sua residência. Não hesite em recorrer a esse centro, pois ele foi criado para si. Lá encontrará literatura e outros materiais de consulta. Auto-avaliação Ao longo de cada unidade deve resolver os exercícios, pois estes ajudar- lo-ão a consolidar a matéria. Recomendamos que resolva todos os exercícios indicados sem recorrer de imediato à chave de correcção que se encontra no fim de cada unidade. Avaliação Neste módulo você vai realizar 2 testes: O primeiro teste terá lugar depois de completar a unidade 2. e o segundo no fim o módulo. Cada teste tem a duração de 90 minutos e o exame durará 120 minutos. O seu tutor marcará a data do teste, bem como a do exame 15 a 20 dias antes. Tempo de estudo e outras actividades Quanto tempo? Este módulo compreende um semestre. Você deverá despender 80 horas de estudo para este módulo. Assim, deve estudar, em média, uma hora por dia consoante a sua disponibilidade, para completar as 5 horas semanais recomendadas pelo plano de estudos. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 7 Unidade n° 01 Conceitos fundamentaisIntrodução Bem-vindo a esta unidade didáctica. Nela você terá as noções básicas sobre a classificação da Química e da matéria, misturas e seus métodos de separação. Ao lhe propor esta unidade, pretendemos que você se envolva academicamente, de maneira mais activa em todas as actividades indicadas ao longo das lições. Neste sentido, achamos que devíamos proporcionar-lhe algumas informações básicas sobre a Química. Ao completar esta unidade, você será capaz de: Objectivos da unidade Explicar as subdivisões da Química como ciência da natureza e do quotidiano; Caracterizar a importância social das várias áreas que se relacionam com a Química; Classificar a matéria, tendo em consideração a definição dos conceitos com ela relacionados; Caracterizar os tipos de misturas; Caracterizar os métodos de separação de misturas; Lição no 01 Classificação e importância da Química Introdução O ser humano, movido pela sua curiosidade natural, tentou sempre conhecer cada vez mais e melhor o mundo em que vive e ao mesmo verificou também que podia aproveitar os mais diversos materiais para aumentar o seu bem-estar. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Definir o conceito de Química; Caracterizar o estudo da Química como ciência experimental; Classificar a Química e explicar a sua importância; Interpretar a relação entre a Química e as outras ciências, bem como a sua importância para o desenvolvimento económico e sustentável do país. O conceito de Química A Química é uma ciência que estuda os materiais, suas transformações e as variações de energia que acompanham essas transformações. Também se pode definir a Química como sendo uma ciência da natureza, que estuda o mundo que nos rodeia, riquezas naturais, suas formas e variedades de fenómenos que nela ocorrem. A Química estuda a composição e estrutura das substâncias, as suas propriedades, em função da sua composição e estrutura, das condições e dos meios de transformação de uma substância noutra. As definições do conceito de Química, anteriormente apresentadas, levá- lo-ão a compreender que a Química é uma ciência activa e em evolução Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 9 constante, sendo também de importância vital no nosso mundo, tanto no domínio natural como no social. Apesar de ter raízes muito antigas é uma ciência experimental e moderna em todos os seus aspectos. O método científico A Química como ciência da natureza é uma ciência experimental, portanto tem como método científico - a experimentação. Estudo da Química Ao estudar a Química como ciência experimental poderá perceber que ela ocorre como um processo subdividido em três fases sucessivas: observação, representação e interpretação. a) Observação. Nesta fase, o químico observa o que se passa durante a experiência: uma subida de temperatura, uma mudança de cor, a libertação de um gás, etc. b) Representação. Aqui, a experiência é descrita e representada em linguagem científica, recorrendo-se a símbolos e equações. Esta notação simbólica contribui para simplificar a descrição e proporciona uma base de comunicação comum a todos os químicos. c) Interpretação. Fase em que o químico procura explicar o fenómeno observado. Em cada uma destas fases, ocorre simultaneamente, uma abordagem a nível macro e microscópico: � Na abordagem da Química a nível macroscópico, são observadas directamente as coisas, tocando-as, pesando-as, etc., ou seja, os dados experimentais das observações provêm, sobretudo, dos fenómenos físicos; � Ao nível microscópico, faz-se uma abordagem sobre o comportamento dos átomos e moléculas constituintes das Descritiva Química Geral Química Especial Química Pura Química Orgânica Analítica Qualitativa Quantitativa Química mineral/ Inorgânica substâncias intervenientes; ou seja, as teorias explicativas baseiam-se normalmente no mundo dos átomos e moléculas. No estudo da Química também são considerados: � O método científico - como base da investigação em Química e qualquer outra ciência; � Os processos de medição usados no laboratório; � O tratamento dos dados numéricos resultantes de medições químicas e; � A resolução de problemas estequiométricos. Classificação da Química O esquema que se segue, ajudá-lo-á a conhecer as vá- rias ramificações da Ciência Química, bem como o posicionamento daquilo que esta a estudar, dentro da classificação da Química. Química Em seguida, tem a caracterização para cada uma das ramificações da Química: Química Pura. Subdivide-se em Química Geral e Química Especial. Química Geral. Estuda propriedades e leis aplicadas a todas as substâncias. Química aplicada Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 11 Química Especial. Estuda propriedades de uma determinada substância ou grupo de substâncias. Química Descritiva. Descreva as propriedades das substâncias ou grupo de substâncias. Química mineral ou Inorgânica. Estuda todos os demais elementos. Química Orgânica. Estuda compostos orgânicos ou compostos de carbono. Química Analítica. Estuda a caracterização da natureza da substância. Química Analítica Qualitativa. Determina a natureza dos elementos na substância. Química Analítica Quantitativa. Determina em que proporções estão presentes os elementos constituintes de uma determinada substância. Química aplicada. Está relacionada com a aplicação prática da Química na Agricultura, na Indústria, na Biologia, na Medicina, na Bioquímica, na Petroquímica, na Bromatologia (estudo dos alimentos), na Química Industrial (estudo dos processos de elaboração de substâncias necessárias à indústria e ao consumo), na Radioquímica (estudo e aplicação de substâncias radioactivas). Química e outras ciências Diz-se com frequência que a Química é a “ciência central”, pois são essenciais os conhecimentos básicos da mesma para o estudo da Biologia, Física, Geologia, Ecologia, e de muitas outras áreas científicas. Importância e áreas de investigação Embora a Química seja em grande medida uma ciência experimental, os químicos: � Estudam propriedades e estruturas das moléculas; � Analisam poluentes em emissão de escapes ou substâncias tóxicas em solos e água. A Química tem aplicação em inúmeras outras áreas de investigação como por exemplo: � Parte da investigação médica e biológica faz-se a nível atómico e molecular; � Desenvolvimento de novos medicamentos; � Investigação agrícola; � Procura de solução para a poluição ambiental; � Procura de fontes de energia alternativas; � A maioria das indústrias, independentemente do seu produto final, depende do trabalho químico (sintetização de polímeros) que são utilizados em vestuário, utensílios de cozinha, brinquedos, etc. Auto-avaliação Exercícios 1. Qual é o objecto de estuda da Química? 2. Qual é a base do método científico da Química? 3. Mencione duas áreas de investigação em que a Química é aplicada. 4. Como se caracteriza a abordagem Química a nível microscópico? Actividades 1. Faça um levantamento de todas as indústrias químicas que existem na sua Província. 2. Para as indústrias químicas mencionadas em 1), discuta a sua contribuição para o desenvolvimento da Província e do País em geral. Leitura Lei mais sobre a relação entre a Química e outras Ciências em: AICHINGER- MANGE. Química Básica-1 ”Orgânica”. E.P.U. São Paulo, 1992 e CHANG, Raymond, Química Geral - Conceitos essenciais. 4ª Edição. São Paulo, Editora Mc Graw-Hill, 2007. Química Básica Curso de Licenciaturaem Ensino de Química 13 Lição no 02 Classificação da matéria Introdução Todos os materiais que existem na natureza como os que são produzidos artificialmente têm os mais variados aspectos: podem ser sólidos, mais ou menos resistentes; podem ser líquidos, mais ou menos fluídos; e podem ser gasosos, com ou sem cor, com cheiro ou sem cheiro, etc. A classificação da matéria é o ponto de partida para a compreensão da constituição da matéria e sua transformação como objecto de estudo da Química. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Definir e classificar a matéria; Caracterizar os conceitos fundamentais da matéria; Indicar as propriedades gerais e específicas da matéria; Caracterizar as propriedades gerais e específicas da matéria; Caracterizar os estados de agregação das substâncias e suas variações. Matéria De forma simplificada pode-se definir a matéria como sendo tudo aquilo que tem massa, volume e ocupa espaço. Classificação da matéria A matéria classifica-se em: substâncias puras e misturas. As misturas subdividem-se em misturas homogéneas e heterogéneas. As substâncias puras subdividem-se em substância elementar simples e substância elementar composta; Os compostos subdividem-se em compostos inorgânicos e orgânicos. Substância é a forma isolada da matéria com composição definida e propriedades próprias. Ex.: água, amoníaco, açúcar (sacarose), oxigénio, etc. Corpo é a porção limitada da matéria que tem massa, ocupa lugar no espaço e tem uma certa forma. Matéria Corpo Objecto Madeira Tábua de madeira Massa de madeira Ferro (minério) Barra de ferro (depois da fundição) Grade de ferro Tabela 1: Exemplos de matéria, corpo e objecto Substância pura é qualquer substância simples ou composta, formada por átomos, moléculas ou aglomerados iónicos todos iguais entre si, com propriedades características bem definidas e composição química constante; é sempre homogénea. Substância composta é qualquer substância pura, cujos componentes (diferentes átomos) combinam-se em proporções fixas e não se mantêm as propriedades individuais das substâncias que a originaram. Molécula é um agregado de pelo menos dois átomos num dado arranjo, ligados uns aos outros por forças especiais. Substância elementar é uma substância pura, constituída pelo mesmo elemento químico, caracterizado por ser indecomponível noutras substâncias. Exemplo: Fe; N2; O3; S8; etc. Substância elementar composta é uma substância elementar constituída por pelo menos dois átomos do mesmo elemento químico. Exemplo: Cl2; N2; O2, etc. Substância elementar simples é uma substância constituída por um tipo de átomo do mesmo elemento químico. Exemplo: Cu; S; Si. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 15 Composto químico é uma substância constituída por átomos de dois ou mais elementos, unidos quimicamente em proporções bem definidas e constantes. Elemento químico é a substância que, por meios químicos, não pode ser decomposta em substâncias mais simples. É caracterizado exclusivamente pelo seu número de carga nuclear ou número atómico (Z). Elemento é um conceito sub microscópico. Na caracterização do elemento químico, na sua existência material, trata-se duma “ substância elementar simples”. Átomo é a partícula mais pequena da substância que mantêm as propriedades desta. É constituído por um núcleo (com p+ e no) e uma electrosfera com (electrões). Alotropia é o fenómeno a partir do qual um dado elemento químico existe sob a forma de diversas substâncias simples. Exemplo: Fósforo (P) P P4 O fenómeno da alotropia é condicionado pela existência de moléculas de diferentes formas alotrópicas e pela diferença a nível da estrutura dos seus cristais. As formas alotrópicas ou alótropos do elemento, geralmente diferem entre si na estrutura e nas propriedades físícas e químicas. Exemplo: Carbono, carbine, grafite. Ou Oxigénio e ozono. Propriedades da matéria a) Propriedades gerais Massa - grandeza dimensional, medida em grama (g). Volume - Grandeza dimensional, medida em litros (l) ou dm3. Impenetrabilidade - dois corpos não podem ocupar simultaneamente o mesmo lugar. Divisibilidade - pode-se dividir a matéria até ao átomo (partícula que conserva as propriedades da substância). Elasticidade - sob acção de forças externas ocorre a variação de volume. b) Propriedades específicas Propriedades físicas - quando não ocorre a alteração da estrutura interna da matéria, pois estão relacionadas aos fenómenos físicos: I. Ponto de fusão – é a temperatura a partir da qual uma determinada substância passa do estado sólido ao líquido; II. Ponto de ebulição - é a temperatura a partir da qual uma determinada substância passa do estado líquido ao gasoso; III. Densidade absoluta ou massa específica ρ = Ar/v IV. Densidade relativa ρ = Mr/v V. Densidade - densidade de uma substância é a relação entre a massa e a unidade de volume dessa substância; ρ = m/v; SI [g/cm3] VI. Calor específico (c) - quantidade de energia calorífica necessária para elevar de um grau Celsius a temperatura de um grama de substância; c = C/m SI [J/g · 0C]. VII. Coeficiente de solubilidade - é a quantidade de uma substância (em geral em gramas), necessária para saturar uma quantidade padrão de solvente em determinadas condições físicas de temperatura e pressão. Cada substância pura tem um coeficiente de solubilidade específico. VIII. Capacidade calorífica (C) - quantidade de energia calorífica necessária para elevar de um grau Celsius a temperatura de uma dada quantidade de substância; C = m · c; Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 17 Solidificação Sublimação Fusão Propriedades químicas - quando há alteração interna da matéria. São as que se relacionam com o comportamento das substâncias em reacções químicas. Propriedades organolépticas - são aquelas que influenciam os órgãos de sentido em função dos estados de agregação da mesma. Ex: cor, textura, estado de agregação, etc. c) Propriedades funcionais São aquelas que caracterizam um grupo de substâncias. Ex, todos os ácidos envermelhecem o papel azul de tornassol. Estados físicos da matéria A mudança de estado das substâncias depende de dois factores principais: temperatura e pressão. Vaporização (evaporação/ebulição) Condensação / liquefacção Figura 1: Mudanças de estado da matéria. Estado sólido - Neste, as forças de atracção entre as partículas são maiores que as forças de repulsão; o corpo apresenta forma e volume constante Estado líquido - Neste, as forças de atracção e de repulsão são equivalentes; o corpo apresenta forma variável e volume constante; Estado gasoso - Neste, as forças de repulsão entre as moléculas são maiores que as de atracão; o corpo apresenta forma e volume variável. LÍQUIDO GASOSO SÓLIDO Auto-avaliação Exercícios 1. Defina os seguintes conceitos: matéria e substância. 2. Dê dois exemplos de mistura homogénea e dois de mistura heterogénea. 3. Quais são as propriedades comuns para qualquer substância? 4. Considere o esquema dos estados físicos da matéria. Defina, a partir dele os seguintes conceitos: fusão e solidificação. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 19 Lição no 03 Classificação e métodos de separação de misturas Introdução A maior parte dos materiais comuns são misturas de substâncias que podem ser separadas por processos físicos baseando-se nos conhecimentos das propriedades características das substâncias. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Caracterizar os diferentes tipos de misturas; Descrever os diferentes métodos de separação de misturas homogéneas e heterogéneas;Relacionar os métodos de separação de misturas com as praticas do quotidiano; Mistura Mistura é uma combinação de duas ou mais substâncias, em que elas mantêm a sua identidade própria. Os componentes da mistura podem intervir em proporções variáveis. Exemplo: Ar, refrigerante, cimento, etc. Misturas homogéneas são aquelas que apresentam um aspecto uniforme e nelas não se podem distinguir as partículas das substâncias que se encontram misturadas. Exemplo: água do mar, areia, etc. Misturas heterogénias são aquelas que não apresentam um aspecto uniforme, sendo possível distinguir as partículas dos diferentes materiais que a constituem. Exemplo: Granito (quartzo, feldspato e mica); água e areia, etc. Mistura coloidal é constituída por partículas menores que as das misturas heterogéneas e homogéneas e só são observadas ao microscópio. Exemplo: tintas, colas, gelatinas, queijo, manteiga, maionese, pasta dentífrica, etc. Classificação das misturas a) Misturas homogéneas As misturas homogéneas podem ser do tipo: Exemplo Gasoso - liquido. Água (aquecimento e agitação). Liquido - liquido. Líquidos miscíveis (destilação fraccionada). Sólido - liquido. Solução (evaporação, secagem, destilação). Gasoso - gasoso. Ar atmosférico (liquefacção fraccionada e absorção). b) Misturas heterogéneas As misturas heterogéneas podem ser do tipo: Exemplo Sólido - sólido. Limalha de ferro e areia (catação, ventilação, atracção magnética, flotação, peneiração, dissolução fraccionada, sublimação). Sólido - liquido. Areia e água (filtração). Sólido - gás. Poeira no ar (decantação, câmara de poeira, filtração). Liquido - gás. Gás carbónico em bebidas gaseificadas (aquecimento e agitação). Líquido - liquido. Vinagre com azeite (funil de separação). Métodos de separação de misturas Quando um Químico se depara com um material desconhecido, por exemplo, uma amostra de pedra lunar ou um meteórito ou ainda de um material encontrado numa caverna que está sendo explorada, ele procura, Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 21 através de diversas técnicas físicas e químicas, encontrar a composição desse material, ou seja, saber de que substâncias e elementos ele é formado. A primeira providência é fazer a análise imediata do material, isto é, separar através dos processos puramente físicos as diversas substâncias presentes na amostra. Esses processos baseiam-se no facto de que o conjunto de características físicas, como ponto de fusão, ponto de ebulição, densidade, solubilidade, é diferente para cada uma das substâncias e, manejando criteriosamente essas diferenças, consegue-se separá-las uma a uma. A separação dos compostos de uma mistura é realizada por meio de diversos processos e técnicas, que dependem de uma série de factores como estado físico e propriedades da mistura. Tais processos podem ser: 1. Catação. Consiste na escolha com base no tamanho das partículas. Este processo é manual (com ajuda de uma pinça). Exemplo: eliminação de corpos estranho n o arroz antes de cozinhar. 2. Peneiração. Tem como base o tamanho de granulação das partículas. Exemplo: Peneirar arroz ou milho. 3. Separação magnética. Tem como base as propriedades magnéticas. Este processo é aplicável a mistura de sólidos, quando um dos componentes é atraído pelo Íman. Exemplo: separação de limalhas de ferro na mistura de areia e ferro. 4. Ventilação. Tem como base a densidade dos componentes da mistura. Consiste na passagem da corrente de ar sobre a mistura. Esta arrasta os componentes menos densos. Exemplo: Processo que ocorre na máquina de descasque de arroz; Lavrador no cafezal (separação do grão da palha com ajuda do vento). 5. Flotação. Processo de separação de dois sólidos de densidades diferentes com o emprego de um líquido de densidade intermediária e que não dissolve nenhum dos sólidos. Exemplo: uso do mercúrio para retirada de Ouro do seu minério. 6. Dissolução fraccionada. Tem como base as diferentes solubilidades dos compostos, ou seja, visa separar solúveis de insolúveis, colocando a mistura em solvente apropriado. Exemplo: separação da mistura de sal e areia usando a água como solvente. 7. Fusão fraccionada. Consiste na separação de uma mistura de sólidos sub aquecimento, onde um deles passa para estado líquido antes do outro. Exemplo: separação dos componentes do bronze (mistura homogénea de metais). 8. Sublimação. Consiste na passagem directa de um dos componentes do estado sólido para gasoso ou vice-versa. Exemplo: Sublimação da cânfora. 9. Filtração. Consiste na separação de partículas sólidas em suspensão num líquido, fazendo este atravessar um material poroso (papel de filtro, cerâmica, etc.). Exemplo: filtração da água para beber. 10. Decantação. Consiste na separação de misturas com base na força gravitacional na qual uma das substâncias tem peso específico maior que a outra; ou seja, é a separação de um líquido sobre natante de outro líquido ou sólido. Exemplo: Separação de água e arroz; separação de água e azeite. 11. Centrifugação. Consiste na separação de materiais de uma mistura, pela aplicação de um movimento de rotação. Para fazer uma centrifugação é preciso uma centrifugadora. Esta máquina faz rodar a mistura (uma das partes tem que ser líquida) a alta velocidade, provocando a separação pela acção da força centrifuga, que é aplicada (do centro para fora). A separação dá-se devido às diferenças de densidades dos materiais. Normalmente uma centrifugação é seguida de uma decantação. Exemplo: Este processo é utilizado, no fabrico da manteiga (para separar a nata do leite), nos laboratórios de análise bioquímica (para separar os glóbulos vermelhos do plasma sanguíneo ou para conseguir um sedimento de urina). Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 23 12. Cristalização. Consiste na obtenção de cristais a partir de uma solução, por evaporação do solvente. Exemplo: obtenção do sal a partir da água do mar. 13. Destilação. Consiste em separar, por acção do calor, os componentes de uma mistura. Ela pode ser: a) Destilação simples. Quando os componentes da mistura apresentam pontos de ebulição afastados. Exemplo: separação do álcool e água no processo de produção de aguardente. b) Destilação fraccionada. Quando os componentes da mistura apresentam pontos de ebulição muito próximos. Exemplo: Separação dos componentes do petróleo. 14. Cromatografia. Processo de separação dos componentes de uma mistura corada através de um material poroso e de um solvente apropriado. A cromatografia é geralmente utilizada para pequenas quantidades de amostra. Exemplo: separação dos componentes da tinta de caneta pela cromatografia de papel. 15. Extracção por solvente. Consiste em separar um ou mais componentes de uma mistura usando um solvente apropriado que apenas dissolve parte da mistura. Exemplo: Extracção de substâncias vegetais usando água ou álcool; extracção da substância corante do chá, usando vapor de água. Auto-avaliação Exercícios 1. Como é que classificas as seguintes misturas: Coca-Cola, Água e óleo, Iogurte, água do mar e Ar atmosférico. 2. Por acidente o Alberto despejou na areia 10 gramas de sal que tinha em sua casa. Como é que você procederia para ajudá-lo a recuperar o sal? Lição no 04 Linguagem química Introdução Desde o tempo dos alquimistas os elementos químicos conhecidos já eram representados por símbolos. Por exemplo, o Ouro era identificado pelo símbolo do sol e a Prata pelo símbolo da lua. Como toda a língua a sua aprendizagem inicia pelo alfabeto. No caso da química, o alfabeto é composto pelos símbolos dos elementos químicos que compõem a tabela periódica, permitindo uma descrição da composição e das reacções químicas. Ao completar estalição, você será capaz de: Objectivos da lição Escrever correctamente os símbolos, fórmulas e equações químicas; Interpretar quantitativamente e qualitativamente a equação química; Descrever os métodos de ajustamento de equação química; Ajustar a equação química pelo método de conservação de massa. Símbolo Químico O símbolo químico representa uma linguagem própria que permite a descrição da composição das substâncias e das reacções químicas. Actualmente utiliza-se o método sugerido por J. J. Berzelius em 1811. Assim, um símbolo é formado por uma ou duas letras e representa um átomo do elemento, como pode ver alguns exemplos na tabela que se segue: Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 25 Nome do elemento em português Nome do elemento em Latim Símbolo químico Nitrogénio Nytrogenum N Carbono Carbo C Cobre Cuprum Cu Enxofre Sulphur S Estanho Stanum Sn Fósforo Phosfores P Chumbo Plumbum Pb Tabela 2: Nomes e símbolos químicos de alguns elementos Fórmula química A fórmula química de uma substância é a expressão da sua composição através de símbolos químicos. Ela dá-nos a distinção entre substâncias simples e compostas, que constituem e determinam a quantidade de átomos de um elemento que se relaciona com a quantidade de outro. Para substâncias elementares compostas, escreve-se o símbolo químico do elemento e acrescenta-se um índice (número que indica a quantidade de átomos). O índice é escrito à direita e em baixo do símbolo do elemento. Exemplo: O2; H2; N2. Para substâncias compostas, escreve-se os símbolos químicos dos elementos que constituem o composto e acrescenta-se os índices (que correspondem à troca de valências dos átomos). Exemplo: H2O; CaO; CO2. Fórmula molecular é aquela que indica o significado qualitativo (indica os elementos constituintes da substância) e quantitativo (indica o número de átimos de cada elemento existente na molécula). Exemplo: H2SO4 - a molécula apresenta dois (2) átomos de Hidrogénio, um (1) átomo de Enxofre e quatro (4) átomos de Oxigénio. Fórmula racional - expressa o tipo de ligação e os grupos de átomos participantes, indica também a composição qualitativa e quantitativa da substância. Exemplo: CH3 – CH2 – CH3 Fórmula estrutural - indica a quantidade e qualidade dos átomos. Também põe em evidência o tipo de ligação entre os átomos, bem como a sua disposição na molécula. Exemplo: H H H ׀ ׀ ׀ H – C – C – C – H ׀ ׀ ׀ H H H Fórmula iónica – é aquela que indica a carga dos iões, o significado qualitativo e quantitativo da substância. Exemplo: SO42- - a molécula tem carga negativa (2-), apresenta um (1) átomo de Enxofre e quatro (4) átomos de Oxigénio. Equação química A equação química é a representação gráfica da reacção química. Representa, simbolicamente, as substâncias que intervêm numa reacção química e as respectivas proporções. Para escrever correctamente a equação química você deve seguir os seguintes passos: 1˚ - Escrever as fórmulas químicas que traduzem correctamente as substâncias envolvidas (reagentes e produtos), indicando os estados físicos de cada uma delas. Exemplo: H2 (g) + O2 (g) H2O (l) 2˚ - Acertar a equação (tendo como base o número de átomos em cada um dos membros). Para tal utilizam-se os coeficientes estequiométricos. Exemplo: 2 H2 (g) + O2 (g) 2 H2O (l) Uma equação fica acertada quando o número de átomos de cada espécie é igual em cada um dos membros da equação. N.B: A fórmula estrutural pode ser simplificada, considerando cada traço livre correspondente a um átomo de hidrogénio. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 27 Aspectos qualitativos e quantitativos Uma vez separadas as diversas substâncias da amostra, a seguinte providencia é fazer uma análise elementar de cada uma delas. A análise elementar subdivide-se em qualitativa, cuja finalidade é descobrir os tipos de elementos que formam a substância, e quantitativa, que tem por finalidade descobrir a proporção em que esses elementos aparecem, ou seja, descobrir a fórmula da substância. As equações químicas apresentam significados qualitativos e quantitativos (a nível micro e macroscópico): Significado qualitativo – representa os reagentes e os produtos; Significado quantitativo a nível microscópico - indica o número relativo de átomos, iões e moléculas envolvidas na reacção; Exemplo: 2Na(s) + 2H2O(l) 2Na+(aq) + 2OH-(aq) + H2(g) Significado quantitativo a nível macroscópico - indica a quantidade de substância. Exemplo: 2 mol. de Sódio (Na) reagem com 2 mol de Água (H2O) para formar 2 mol. de ião sódio (Na+), 2 mol de ião hidroxilo e 1 mol. de Hidrogénio. Métodos de ajustamento de equações a) Método das tentativas - que consiste, basicamente, em contar os átomos nos reagentes e nos produtos, tornando-os iguais. Lei de Lavoisier (também conhecida como lei de conservação de massas), diz que: “Numa reacção química, a massa total dos reagentes que se transformam é igual à massa total dos produtos da reacção que se formam”. Lei de Proust (também conhecida como lei das proporções constantes), diz que: “São constantes as proporções ponderais em que se combinam entre si os elementos que formam um composto”. b) Método redox - que pode ser pela variação do nox ou pelas semi- equações (método do ião electrão). Auto-avaliação Exercícios 1. Quem foi o cientista que estabeleceu a regra para a escrita dos símbolos químicos? 2. Mencione as regras básicas para a determinação de nox dos elementos químicos? Leitura Leia mais sobre as reacções redox em: GLINKA, N. Química Geral 1, Editora Mir Moscovo. 1988 e CHANG, Raymond, Química Geral – Conceitos essenciais. 4ª Edição. São Paulo, Editora Mc Graw-Hill, 2007. Respostas aos exercícios Resultados Lição 1 1. R: O objecto de estudo da Química é a matéria e suas transformações. 2. R: A base do método científico é a experimentação. 3. R: Confira com o texto da página 10. 4. R: Ao nível microscópico faz-se abordagem sobre o comportamento dos átomos e moléculas que constituem as substâncias que se pretende analisar. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 29 Lição 2 1. R: matéria é tudo aquilo que tem massa e ocupa volume. E substância é a forma isolada da matéria com composição definida e propriedades próprias. 2. R: Misturas homogéneas devem possuir uma única fase. E misturas heterogéneas devem possuir mais de uma fase. 3. R: As propriedades comuns de qualquer substância são: massa, volume, impenetrabilidade, divisibilidade e elasticidade. 4. R: Fusão - passagem da substância do estado sólido para líquido e solidificação - passagem da substância do estado líquido para sólido. Lição 3 1. R: Misturas homogéneas: Coca-Cola, iogurte, e ar atmosférico. Misturas heterogéneas: água e óleo, e água do mar. 2. O sal pode ser recuperado seguindo os seguintes métodos de separação de misturas: adicionando água a mistura de sal e areia, seguido de decantação, filtração e evaporação. Lição 4 1. R: O cientista que estabeleceu a regra para escrita de símbolos químicos foi Berzelius. 2. R: Deve-se conhecer a valência do elemento, escrever em numeração árabe a quantidade de electrões cedidos ou ganhos. Unidade n° 02 Estrutura da matéria e Classificação Periódica Introdução Bem-vindo a esta unidade didáctica. Nela você terá as noções básicas sobre a teoria atómica, a estrutura da matéria, a classificação periódica e ligação química. Nesta unidade você deve desenvolver o sentido de imaginação na análise da estruturaatómica, uma vez que irá tratar de partículas sub- microscópicas. Neste sentido, propomos-lhe que comece com algumas informações sobre o historial da teoria atómica e tabela periódica, bem como sobre as ligações químicas. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da unidade Mencionar os antecedentes históricos da interpretação da estrutura atómica; Interpretar a estrutura atómica segundo a teoria de Bohr e a Mecânica Quântica; Representar geometricamente a ordem energética das orbitais atómicas; Explicar a variação das propriedades periódicas ao longo dos grupos e períodos; Identificar e caracterizar os diferentes tipos de ligações químicas; Prever a natureza duma ligação química e representar as estruturas cristalinas. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 31 Lição no 01 História da teoria atómica Introdução Desde os tempos mais remotos os Homens tem-se dedicado ao estudo de fenómenos naturais e procurando explicar a sua essência e constituição da matéria envolvida. Na antiguidade uma questão, que preocupou a humanidade era se a matéria seria divisível ou não. O conceito actual de elemento químico foi estabelecido a partir do conhecimento da constituição e estrutura dos átomos. Aqui vais caracterizar os elementos químicos sob o ponto de vista atómico. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Descrever a História da teoria atómica; Explicar as limitações de cada modelo atómico; Representar os diferentes modelos atómicos; Identificar os números quânticos; Determinar os números quânticos para cada electrão do átomo. Teoria atómica clássica Os filósofos gregos Demócrito e Lucrécio, por volta do sec. V a. c. suscitaram que toda a matéria era composta por partículas muito pequenas e indivisíveis a que chamaram de ÁTOMO (palavra grega que significa Indivisível; A = não; TOMOS = divisão). Embora a teoria de Demócrito e Leucipo não tenha sido aceite por outros filósofos da antiguidade como Platão e Aristóteles, nem por isso deixou de ser referida ao longo dos séculos. Modelo atómico de Dalton No início do sec. XIX, para explicar racionalmente as leis da combinação química (leis deduzidas através de resultados experimentais), Dalton criou a sua famosa teoria atómica, na qual foi dado o conceito químico de átomo, como partícula maciça e indivisível constituinte da matéria. Deste modo o primeiro modelo atómico foi criado pelo cientista inglês John Dalton em 1806, que segundo ele os átomos eram partículas muito pequenas, indestrutíveis, de forma esférica com dimensões e peso característicos de cada elemento. Dalton define átomo como a menor porção de um elemento que pode participar numa combinação química. Portanto, Dalton imaginava o átomo como muito pequeno e indivisível, veja a figura 2. Figura 2: Modelo atómico de Dalton Teoria atómica moderna Modelo atómico de Thomson Com a invenção do tubo de raios catódicos em 1890 (um precursor do tubo usado nos televisores), foi descoberto o electrão e as suas propriedades pelo cientista Inglês J. Thomson em 1897. Para explicar a existência de partículas com carga negativa (electrões) no átomo, Thomson propôs em 1904 um novo modelo para o átomo - modelo de bolo de passas. Segundo este modelo, Thomson visualizava o átomo como uma esfera como carga eléctrica positiva no interior da qual encontravam-se distribuídos os electrões, tal como passas de uva incrustadas num bolo, como pode ver na figura 3. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 33 Assim começava a admitir-se a divisibilidade do átomo e a reconhecer-se a natureza eléctrica da matéria. Portanto os átomos contem partículas negativas que (electrões) que provocam a neutralidade dos mesmos. As limitações deste modelo estão relacionadas com o facto de não fazer corresponder os átomos aos elementos, por não se saber o número de electrões em cada átomo. Figura 3: Modelo atómico de Thomson Modelo atómico de Rutherford O cientista New Zelandez Ernest Rutherfor, procurando descobrir, experimentalmente, as particularidades do átomo, realizou uma série de experiências com substâncias radioactivas e não só, tendo chegado, em 1911, a conclusão de que o átomo era formado por um núcleo pequeno, denso e electricamente positivo, com espaços vazios à sua volta onde se encontram girando os electrões (carga negativa) que contrabalançam a carga positiva do núcleo e garantem a neutralidade do átomo. Em resumo, o átomo seria semelhante ao sistema solar: o núcleo representando o Sol e os electrões seriam os planetas, girando em orbitas circulares e formando a chamada electrosfera, veja a figura 4. Figura 4: Modelo atómico de Rutherford Este modelo apresenta limitações pelo facto de admitir que os electrões giravam a volta do núcleo, mas de acordo com a mecânica clássica (teoria electromagnética de Maxwell) segundo a qual toda a partícula eléctrica em movimento emite energia na forma de ondas electromagnéticas, consequentemente o electrão em movimento perderia a sua energia e entraria em colisão com o núcleo - o que na prática não acontece. Esta contradição levou ao desenvolvimento de novos modelos atómicos. Modelo atómico de Bohr Niels Bohr, tentando explicar o modelo de Rutherford, inspirou-se na teoria quântica de radiação de Max Plank e propôs o seguinte: � Aos electrões são permitidos certos estágios de energia fixos e determinados - orbitas; � Nenhum electrão será encontrado entre dois estágios de energia; � Se um electrão recebe energia “alta” para o estagio superior, estágio de maior energia e se ele deixa de receber energia, devolve energia recebida e “salta” para o seu estágio de origem (estado fundamental). Assim ao “átomo de Rutherford”, corrigido pelas ponderações de Bohr foi dado o nome de Modelo atómico de Rutherford - Bohr. Bohr caracterizou cada nível energético (ou camada electrónica) por um número natural n que toma valores que vão de 1 a 7, aos quais atribuiu designações correspondentes às letras do alfabeto: Nível 1 2 3 4 5 6 7 Camada K L M N O P Q Stoner propôs que o número máximo de electrões para cada nível energético (ou camada electrónica) pode ser determinado pela relação 2n2, onde n é o nível de energia. Modelo atómico mecânico-ondulatório Neste modelo considera-se que o electrão apresenta um comportamento de partícula-onda. Em 1905 Einstein propôs que a luz seria formada por partículas-onda, isto é, algo “misto” que às vezes se comporta como partícula e outras vezes como onda. Novas observações e experiências levaram os cientistas a supor que também o electrão, ora comportava-se como partícula, ora como onda ou vibração. Em 1923 De Broglie passou a visualizar o electrão não mais como uma bolinha em movimento rápido, mas sim como tendo um comportamento duplo de partícula-onda. A partir de então o comportamento do electrão passou a ser estudado pela mecânica ondulatória. Principio de Heisemberg Não é possível calcular a posição e a velocidade de um electrão, num mesmo instante. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 35 Orbital atómica Devido a dificuldade de calcular a posição exacta de um electrão na electrosfera, o cientista Schrodinger em 1926 calculou a região onde haveria maior probabilidade de encontrar o electrão. Esta região do espaço foi denominada de orbital. Números Quânticos Numero quântico principal (n), indica o nível de energia ou camadas electrónicas. O n varia de 1 a 7. Numero quântico secundário ou azimutal (ℓ), indica o subnível ou subcamada onde se encontra o electrão. Estes são designados pelas letras: s (sharp); p (principal) d (difiuse) f (fundamental) Subnível : s,p, d, f Valor de ℓ: 0 1 2 3 Numero quântico magnético (m), está relacionado com a orientação espacial dos orbitais e indica o número dos mesmos em cada subnível energético. m: - ℓ.... o .... + ℓ Exemplo: seja, n = 2; ℓ = 1; m = -1; 0; +1 Numero quântico spin (s), indica o sentido de rotação do electrão em torno do seu eixo (spin) que pode tomar os valores: - 1/2 (↑) e +1/2 (↓) Obs. Para determinar podem ser utilizadas as fórmulas seguintes: � Número de orbitais por nível de energia: n2 � Número máximo de electrões por nível de energia (até ao 4˚ nível): 2n2 � Número de orbitais por subnível de energia: 2 ℓ + 1 � Número máximo de electrões por subnível de energia: 2(2 ℓ +1) Regras de Hund ou princípio de máxima multiplicidade Nenhuma orbital poderá receber o segundo electrão antes que todas as orbitais do mesmo subnível estejam preenchidas com 1 electrão. Princípio de exclusão de Pauli Um orbital comporta no máximo dois electrões, com spins contrários. Não existem dois electrões com os quatro números quânticos. ℓ = n - 1 Regra de energia mínima Os electrões vão se “encaixando” na electrosfera, partindo dos níveis e subníveis de menor energia para os de maior energia (isto é, “de baixo para cima”). Os subníveis do mesmo nível possuem energias diferentes. Para a sua determinação existem dois métodos: Processo analítico (regra de Klechkovsky e Slater). Ao aumentar a carga nuclear do átomo, o preenchimento sucessivo das orbitais electrónicas ocorre a partir das orbitais com o menor valor da soma dos números quânticos principais e secundários (ℓ + n), preenchendo-se seguidamente os orbitais para os quais o valor desta soma seja maior. Exemplo: Que subnível se preenche num átomo após o subnível 4s? O subnível que se segue ao 4s cuja soma n + 1 4 + 0 = 4. Deve ser um subnível em que a soma seja igual a 5; dentre eles 4p, 3d e 5s. Se os valores da soma (ℓ + n) forem iguais, o preenchimento das orbitais ocorre de modo sucessivo, no sentido do aumento do valor de número quântico principal n. O subnível 4p equivale a uma soma n + l igual a 5 (4+1=5). Os subníveis 3d (3+2=5) e 5s (5+0=5) têm o mesmo valor da soma. No entanto, o estado 3d corresponde a um valor inferior do número quântico principal (n=3) em relação ao estado 4p. Por essa razão o nível 3d deve ser preenchido antes do nível 4p; depois do preenchimento do nível 4p os electrões são distribuídos pelo subnível 5s. 5s: n = 5; ℓ = 0 (ℓ + n) = 5 4p: n = 4; ℓ = 1 (ℓ + n) = 5 A sequência é 3d; 4p; 5s 3d: n = 3; ℓ = 2 (ℓ + n) = 5 Processo gráfico (diagrama energético de Linus Pauling). Determina uma sequência de subníveis pelo seu conteúdo energético, veja tabela 3. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 37 Tabela 3: Diagrama de Linus Pauling Deste diagrama resulta a seguinte sequência: 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d 4p 5s 4d 5p 6s 4f 5d 6p 7s 5f 6d Indica a quantidade de electrões Indica o número quântico secundário Indica o número quântico Principal Auto-avaliação Exercícios 1. Quais foram as limitações do modelo atómico de Rutherfor? 2. O que entende por orbital atómica? 3. Com base na regra de Klechkovsky e Slater qual é o subnível que se preenche depois de 5p? 3 p 1 Lição no 02 Classificação Periódica Introdução Desde os tempos mais remotos que o homem procurou organizar tudo quanto havia ao seu redor, animais substâncias, etc. O resumo histórico torna-se fundamental para a compreensão de como se chegou ao actual quadro periódico, o qual resume as principais propriedades dos elementos químicos até então descobertos. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Identificar as primeiras classificações dos elementos e a tabela periódica de Mendelev; Caracterizar as propriedades dos elementos na tabela periódica; Interpretar a organização da tabela periódica actual (grupos e os períodos). História da Tabela Periódica A medida que a quantidade e a diversidade dos conhecimentos sobre os elementos químicos foram aumentando, sentiu-se a necessidade de sistematizar esses conhecimentos. A existência de analogias no comportamento de alguns elementos foi aproveitada para essa sistematização, permitindo fazer uma classificação onde coubessem os elementos conhecidos em determinada altura e os que viessem a ser descobertos. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 39 Os grupos de Lavoisier Em 1789 A. L. Lavoisier (1743-1794), francês, publicou um dos seus livros “Trité Élémentaire de Chimie”, onde apresentava uma lista de substâncias simples e não decomponíveis por nenhum processo de análise conhecido. Estas substâncias estavam organizadas em vários grupos; 1° Grupo: incluiu o oxigénio, Nitrogénio, Hidrogénio, a luz e o calor, como sendo substâncias simples que pertencem aos três reinos. 2° Colocou o S, P, C, Cl e o F. e chamou-lhes de substâncias simples não metálicas, oxidáveis e acidificáveis. 3° Incluiu a Prata, Arsénio, Bismuto, Cobalto, Cobre, Estanho, Chumbo, Tungsténio e Zinco. Chamou-lhes de substâncias simples metálicas, oxidáveis e acidificáveis. 4° Incluiu o Cal (Óxido de cálcio), Barite (Óxido de bário), Magnésia (Óxido de magnésio), Alumina (Óxido de alumínio), Sílica (Óxido de cilício). Chamou-lhes de substâncias terrosas e salificáveis. As tríadas de Dobereiner Em 1817, J. W. Dobereiner (1780-1849), alemão, nos seus estudos, verificou que o peso atómico do Estrôncio (Sr) - 88 era praticamente a média dos pesos atómicos do Cálcio (Ca) - 40 e do Bário (Ba) - 137. Chamou a este grupo de três (3) elementos de uma tríade. Posteriormente verificou que outras tríadas de elementos repetiam o mesmo modelo. Assim acontecia com o Cloro, Bromo e Iodo, e com o Lítio, Sódio e Potássio. Em qualquer das tríadas, não só as propriedades eram idênticas, como também o “peso atómico” do elemento do meio era próximo da média dos pesos atómicos dos outros dois. Lei das tríadas: “Organizando os elementos em grupos de três, na ordem crescente de seus pesos atómicos, o peso atómico do elemento central é a média dos pesos atómicos dos outros dois”. Tome Nota! Nesta época, os químicos referiam e determinavam “pesos atómicos” para os elementos. Só muito mais tarde vieram a adoptar a grandeza massa atómica para caracterizar o átomo. As oitavas de Newlands Seis anos depois, em 1863, J.A.R. Newlands (1837-1898) inglês, verificou que quando os elementos conhecidos eram dispostos segundo o seu peso atómico crescente, cada oitavo elemento tinha propriedades semelhantes ao primeiro. Lei das oitavas: “O oitavo elemento, contando a partir de qualquer um deles, é uma espécie de repetição do primeiro, tal como acontece com as notas musicais numa escala de música”. Esta espécie de repetição, com propriedades ocorrendo periodicamente, deu origem ao termo “classificação periódica”. Infelizmente, esta relação periódica mostrava-se boa nos primeiros 16 elementos, mas não funcionava para os seguintes. As curvas de Mayer Em 1864, J. Lother Meyer (1830-1895) alemão, determinou o volume ocupado por uma mole de átomos das várias substâncias elementares conhecidas no estado sólido e chamou-lhes “volume atómico”. Quando marcou, num gráfico, esse volume em função do peso atómico do elemento, verificou que havia alguma prioridade na forma da curva obtida. Portanto, os elementos que ocupavam pontos correspondentes na curva pertenciam a mesma família, isto é, apresentavam propriedades semelhantes. Por exemplo: o Lítio, Sódio, Potássio, Rubídio, e o Césio tinham propriedades idênticas e situavam-se, nacurva, nos pontos de maior variação do “volume atómico”. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 41 A tabela periódica de Mendeleev Em 1869, o químico russo Dimitri I. Mendeleev (1834-1907) publicou o seu trabalho sobre a classificação dos elementos numa tabela extensiva, baseada na repetição regular e periódica dos mesmos. Ele ordenou os elementos segundo os seus “pesos atómicos”, tal como fizera Newlands, mas com duas diferenças muito importantes: 1° Agrupou os elementos de uma forma mais exacta, de acordo com as suas propriedades. Portanto, separou alguns elementos pouco vulgares como por exemplo, o Cobalto e o Níquel, que apresentavam propriedades pouco diferentes da dos elementos dos grupos principais. 2° Previu propriedades de muitos elementos que ainda não tinham sido descobertos, por exemplo: EKA-Aluínio, que mais tarde veio a ser descoberto em seu lugar o Gálio. Este reagrupamento ajudou a remover o obstáculo apresentado pelo arranjo de Newlands. Apesar de Mendeleev ordenar apenas 63 elementos, a sua classificação periódica é idêntica a utilizada nos dias de hoje. Lei periódica de Mendeleev. “As propriedades periódicas dos elementos são uma função periódica de seus pesos atómicos”. Tabela Periódica actual A 1900, a organização dos elementos era feita tendo em conta o respectivo “peso atómico”. Após os trabalhos de Rutherford, comprovando a existência de uma parte central no átomo com carga eléctrica positiva, as ideias começaram a mudar. Assim, Henry Moseley (1887-1915), discípulo de Rutherford, verificou, por via experimental, que o valor da carga eléctrica do núcleo era bem definida, tal como acontecia com o “peso atómico”, e era diferente de elemento para elemento. A esta carga eléctrica positiva ele chamou de “número atómico”. Moseley verificou que, ordenando os elementos por ordem crescente do seu número atómico, a disposição era idêntica a obtida com a ordem crescente dos “pesos atómicos”. Esta ordenação era semelhante, mas não igual. Lei periódica moderna. “As propriedades periódicas dos elementos são uma função periódica dos seus números atómicos”. Os grupos e os períodos De acordo com a Lei da Classificação Periódica, a organização dos elementos na Tabela Periódica é feita, segundo a horizontal, por ordem crescente do seu número atómico. Assim, o número de ordem de cada elemento coincide com o respectivo número atómico. Os elementos na Tabela Periódica estão relacionados uns com os outros, de duas maneiras: - Horizontalmente, em filas - os períodos; - Verticalmente, em colunas - os grupos. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 43 Estabilidade electrónica a luz da teoria dos gases nobres Os químicos verificaram que os gases nobres (He, Ne, Ar, K, Xe e Rn) apresentam uma elevada estabilidade electrónica, isto é, os átomos desses elementos dificilmente se combinam com outros átomos para formar compostos químicos. Os gases nobres possuem 8 electrões na última camada com a excepção do Hélio que só tem 2 electrões. Esta característica electrónica leva a concluir que a estabilidade dos átomos destes elementos está relacionada com o número de electrões da última camada. Assim, todos os átomos de outros elementos para se tornarem estáveis tendem a perder ou ganhar electrões de modo a adquirirem a configuração electrónica do gás nobre mais próximo - quando isto acontece o átomo transforma-se num ião. Variação das propriedades periódicas De modo geral, muitas propriedades dos elementos químicos variam periodicamente com o aumento dos seus números atómicos, atingindo valores máximos e mínimos em colunas e períodos de classificação periódica, como por exemplo: raio atómico, volume atómico, etc. Esta periodicidade decorre da estrutura electrónica dos elementos, conferindo uma importância enorme a servir-nos na previsão das propriedades e no comportamento dos elementos. Carácter metálico. Um elemento será tanto mais metálico quanto maior for a sua capacidade de perder electrões. “Ao longo do grupo aumenta de cima para baixo e ao longo do período aumenta da direita para a esquerda.” Raio atómico. É a metade da distância internuclear mínima que dois átomos desse elemento podem apresentar, sem estarem ligados quimicamente. “Ao longo do grupo aumenta de cima para baixo e ao longo do período aumenta da direita para a esquerda”. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 45 Raio iónico. É a metade da distância internuclear mínima que dois átomos desse elemento podem apresentar estando ligados quimicamente. “Ao longo do grupo aumenta de cima para baixo e ao longo do período aumenta da esquerda para a direita”. Volume atómico. É o volume ocupado por 1 átomo grama (6,02 x 1023 átomos) do elemento no estado sólido. O volume atómico não é o volume de um átomo, mas sim, o volume de um conjunto de átomos (influenciam não só o volume individual de cada átomo como também o espaçamento existente entre os átomos). “Ao longo do grupo aumenta de cima para baixo e ao longo do período aumenta do centro da TP para as extremidades”. Densidade absoluta (ρ) ou massa específica. É o quociente entre a massa (m) e o seu volume (v). Portanto: Pela fórmula, quanto menor o volume, maior deverá ser a densidade. “Ao longo do grupo aumenta de cima para baixo e ao longo do período aumenta das extremidades para o centro da TP”. Consequentemente, os elementos mais densos encontram-se no centro e na parte inferior da tabela. Por exemplo, destacam-se os elementos Ósmio (ρ = 22,5 g/ml) e o Irídio (ρ = 22,4 g/ml). Electronegatividade. É a tendência que o átomo possui para atrair electrões. “Ao longo do grupo aumenta de baixo para cima e ao longo do período aumenta da esquerda para a direita”. Electropositividade. É a tendência que o átomo possui para perder electrões. “Ao longo do grupo aumenta de cima para baixo e ao longo do período aumenta da direita para a esquerda”. ρ = m/v Energia ou potencial de ionização. É a energia necessária para retirar um electrão de um átomo isolado no estado gasoso, formando um ião.Essa energia é, em geral, expressa em electrão-volt (eV) e corresponde a 23kcal/mol (ou 96,4kj/mol), sendo 1 mol de electrões = 6,02 x 1023 electrões. “Ao longo do grupo aumenta de baixo para cima e ao longo do período aumenta da esquerda para a direita”. Auto-avaliação Exercícios 1. Represente a estrutura electrónica do Enxofre e indique a posição na Tabela Periódica? 2. Um átomo de elemento X apresenta o electrão mais energético no subnível 4p5. a) Indique o período e a família a que pertence na Tabela Periódica. b) Indique os números atómicos dos elementos que antecedem e sucedem o elemento X na mesma família da Tabela Periódica. 3. O catião do átomo de certo elemento bivalente tem 18 electrões. a) Represente a estrutura electrónica do seu átomo. b) A que grupo ou família e a que período da Tabela periódica pertence esse elemento? Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 47 Lição no 03 Ligação química Introdução Na natureza, raramente ocorrem átomos isolados. As menores unidades de uma substância são constituídas pela união de dois ou mais átomos, formando moléculas. Hoje sabemos que em condições ambientais, só os gases nobres são formados por átomos isolados uns dos outros, ou seja, átomos que têm pouca “vontade” de se unir com outros átomos; estes são muito estáveis e pouco reactivos. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Definir a ligação química; Escrever as fórmulas de Lewis para átomos, substâncias simples e moléculas binárias; Identificar os diferentes tipos de ligações químicas; Caracterizar as redes e as propriedades das substâncias;Caracterizar as forças intermoleculares: Van Der Waals e Pontes de hidrogénio. Ligação química Os átomos dos demais elementos não só se atraem mutuamente, como também atraem átomos de outros elementos, formando agregados suficientemente estáveis que constituem as substâncias compostas. Assim, Ligação química é a união entre dois ou mais átomos, ou seja, é a força que mantém os átomos unidos. × × Electrões de valência • Os electrões da última camada, (electrões de valência) é que estão envolvidos nas reacções químicas, nas quais formam-se novas ligações químicas. • Os átomos ligam-se para adquirir a estrutura electrónica semelhante a de um gás nobre (2 ou 8 electrões de valência). Regra de Octeto “Um átomo adquire a estabilidade quando possui 8 electrões na camada electrónica mais externa, ou 2 electrões quando possui apenas a camada K “. Tipos de ligação química Ligação iónica É o tipo de ligação química que ocorre entre um metal e um ametal. Neste tipo de ligação o metal perde os electrões da sua última camada que são captados pelo ametal. Os compostos assim formados chamam-se compostos iónicos. Exemplos de substâncias que apresentam ligação iónica são: NaCl; MgO; CaF2; Na2SO4; etc. Estrutura de Lewis - representação dos electrões da camada mais externa. ×× Na — Cl Na · × Cl x x Rede iónica é a disposição regular das partículas no estado sólido Estrutura das substâncias com ligação iónica Os elementos metálicos cujos átomos possuem poucos electrões (1,2 e 3) de valência têm tendência a perdê-los, formando iões positivos. Enquanto os elementos ametálicos, cujos átomos possuem muitos electrões de Estrutura de Lewis (partilha de electrões) Fórmula estrutural da molécula de Cloreto de hidrogénio Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 49 valência (5, 6 e 7), têm tendência a captar electrões formando iões negativos. Os iões interagem formando um cristal cúbico. No exemplo ao lado pode- se observar o cristal de Cloreto de Sódio. Figura 5: Modelo da rede iónica de Cloreto de Sódio (a organização cristalina do Cloreto de Sódio é cúbica). Propriedades das substâncias que apresentam ligação iónica: - Os compostos formados por ligação iónica são sólidos a temperatura ambiente, são duros e quebradiços, apresentando elevados pontos de fusão e de ebulição e não conduzem a corrente eléctrica. - Quando dissolvidos em água ou quando fundidos, tornam-se bons condutores da corrente eléctrica porque os seus iões adquirem liberdade de movimento. Ligação covalente É a união entre Átomos que é estabelecida por meio de pares de electrões, de tal modo que cada par será formado por um electrão de cada Átomo. Chama-se Covalência, ao número de pares de electrões compartilhados. Tipos de ligação covalente: 1. Quanto ao modo de compartilhamento de electrões a) Ligação covalente Apolar - é aquela em que a ligação ocorre entre Átomos do mesmo ametal. Os electrões compartilhados são igualmente atraídos pelos núcleos dos dois Átomos. × × Fórmula estrutural da molécula de Cloreto de hidrogénio Fórmula estrutural (note a presença de setas que indicam a ccedência de electrões pelo átomo de átomo) · · · · · · · · · · · · · · Exemplo: H2 H · × H H — H b) Ligação covalente Polar - é aquela em que a ligação ocorre entre Átomos de ametais diferentes. Os electrões compartilhados são mais atraídos pelo núcleo de um dos Átomos. Exemplo: HCl ×× H · × Cl H — Cl x x c) Ligação covalente dativa - é aquela em que um par electrónico de um Átomo é fornecido a outro Átomo. Exemplo: H2SO4 : O : : O : ×× H × · O · × S × · O · × H H – O – S – O – H x x : O : : O : 2. Quanto ao número de pares de electrões compartilhados d) Ligação covalente simples - é aquela em que os Átomos compartilham um par de electrões. Ex: CH3 – CH3 e) Ligação covalente dupla - é aquela em que os Átomos compartilham dois pares de electrões. Ex: CH2 = CH2 f) Ligação covalente tripla - é aquela em que os Átomos compartilham três pares de electrões. Ex: CH ≡ CH Propriedades das substâncias que apresentam ligação covalente Os compostos formados por ligação covalente são líquidos ou gases a temperatura ambiente. Apresentam baixos pontos de fusão e de ebulição. No estado sólido formam molécula. Estrutura de Lewis Fórmula estrutural da molécula de Hidrogénio Estrutura de Lewis (partilha de electrões) Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 51 Ligação metálica É o tipo de ligação química caracterizada por forças de atracção entre catiões de metais e electrões livres Estrutura da rede metálica Como os átomos do metal são iguais e estão próximos uns dos outros, os electrões livres (electrões da última camada) são atraídos simultaneamente pelos núcleos dos átomos vizinhos, podendo assim deslocar-se de uns para outros. Os electrões de valência constituem uma nuvem electrónica que se estende a toda estrutura. Rede metálica é uma rede cristalina constituída pelos átomos neutros formando catiões, átomos e electrões móveis que passa de um catião para outro. Figure 6: Estrutura de rede metálica Propriedades das substâncias que apresentam ligação metálica As substâncias são constituídas por átomos e catiões (ligados electrões de condução). Apresentam condutibilidade eléctrica nos estados sólidos e líquidos. Têm ponto de fusão e ponto de ebulição relativamente altos. No estado sólido apresentam rede metálica. Forças intermoleculares (Van Der Waals e Pontes de hidrogénio) São de natureza eléctrica e variam consideravelmente conforme a própria natureza das partículas. Para substâncias moleculares ocorre uma interacção intermolecular (forças de Van der Waals). Tais forças são muito mais fracas que as que conduzem à formação de ligações covalentes. São típicas nas moléculas apolares. Pontes de hidrogénio As pontes de hidrogénio são interacções que ocorrem entre átomos de hidrogénio e outros átomos de elementos muito electronegativos (F,O,N). Entretanto, esta ligação é do tipo electrostático, não é muito firme. São as interacções intermoleculares mais intensas, medidas tanto sob o ponto de vista energético quanto sob o ponto de vista de distâncias interatómicas. Existem dois tipos de pontes de hidrogénio: a intramolecular (que ocorre na mesma molécula) e a intermolecular (que ocorre entre duas moléculas). Auto-avaliação Exercícios 1. Mencione duas características fundamentais da ligação iónica. 2. Indique quatro propriedades fundamentais para compostos que apresentam ligação covalente. 3. Caracterize as pontes de hidrogénio e dê dois exemplos. Leitura Lei mais sobre teoria atómica e ligação química em: MAHAN, B.H. Química um curso universitário, 4a edição, Editora Edgard Büchler Ltda., SP - Brasil, 1998; GLINKA, N. Química Geral 1, Editora Mir Moscovo. 1988 e CHANG, Raymond, Química Geral - Conceitos essenciais. 4ª Edição. São Paulo, Editora Mc Graw-Hill, 2007. Respostas dos exercícios Resultados Lição 1 1. R: O modelo não explicava porque razão os electrões girando à volta do núcleo não perdem a sua energia e entram em colisão com o núcleo. 2. R: A orbital atómica é a região onde é mais provável encontrar o electrão. 3. R: Segundo a regra de Klechkovsky e Slatero subnível que se preenche depois do subnível 5p é 4d . Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 53 6s: n = 6; ℓ = 0 (ℓ + n) = 6 5p: n = 5; ℓ = 1 (ℓ + n) = 6 4d: n = 4; ℓ = 2 (ℓ + n) = 6 Lição 2 1. R: 16Cl: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p4 Grupo: VI e Período: 3º 2. R: a) Grupo: VII e Período: 4º b) Z(antecede) = 17 e Z(sucede) = 53 3. R: a) Y2+ ; 20Y: 1s22s22p63s23p64s2 b) Grupo: II e Período: 4º Lição 3 1. R: Características (duas) fundamentais da ligação iónica: (1) ocorre entre um metal e um ametal e (2) o metal perde electrões da sua última camada e o ametal capta electrões. 2. R: Propriedades (quatro) dos compostos com ligações covalentes: são constituídos por átomos e/ou moléculas; apresentam pontos de fusão e de ebulição relativamente baixos; não conduzem a corrente eléctrica porque não possuem electrões livres; são na sua maioria solúveis em água; 3. R: As Pontes de Hidrogénio são caracterizadas por serem interacções entre átomos mais electronegativos de uma molécula, com o átomo de hidrogénio de outra molécula. Exemplo: H2O e C2H5OH Unidade n° 03 Reacções químicas e relações quantitativas Introdução Bem-vindo a esta unidade didáctica. Nela você terá as noções básicas sobre as reacções químicas. Lembre-se que você aprendeu durante o Ensino Secundário que as transformações químicas também são designadas reacções químicas. Nesta unidade você vai tratar das reacções químicas, começando por fazer uma revisão sobre estes conteúdos. O estudo das reacções químicas e suas relações quantitativas é sustentado por uma lei fundamental que as regula; a lei de conservação de massa, descoberta por Lavoisier. Ao completar esta unidade, você será capaz de: Objectivos da unidade Caracterizar as reacções químicas; Classificar as reacções químicas mais comuns de acordo com os vários critérios aprendidos; Escrever as equações das reacções químicas que traduzem os vários processos; Interpretar as leis de Charles, Boyle e de Dalton das pressões parciais; Interpretar a equação de estado de um gás ideal e os desvios dos gases reais do comportamento ideal. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 55 Lição no 1 Reacções químicas. Caracterização e Classificação Introdução As reacções químicas que se descrevem por equações químicas interpretam-se tendo em conta que há colisões entre as partículas, originando novas partículas, diferentes das anteriores. A velocidade com que ocorre uma certa reacção depende dos reagentes, da sua concentração, da temperatura e da acção dos catalisadores. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Caracterizar as reacções químicas; Identificar os diferentes tipos de reacções químicas; Classificar as reacções químicas mais comuns, de acordo com vários critérios. Reacção química Uma reacção química envolve mudanças relacionadas com os arranjos nas ligações entre os átomos ou iões, na geometria das moléculas das espécies reagentes ou ainda na interconversão entre dois tipos de isómeros. Outro aspecto importante sobre uma reacção química é a conservação da massa e o número de espécies químicas microscópicas (átomos e iões) presentes antes e depois da ocorrência da reacção. Essas leis de conservação manifestam-se macroscopicamente sob a forma das leis de Lvoisier, Proust e de Dalton. Os átomos apresentam valências bem definidas, assim como um conjunto de características e relações quantitativas do número de espécies químicas presentes numa reacção que pode ser vista mais adiante na estequiometria. Reacção química é o fenómeno no qual as moléculas reagem entre si para formar novas substâncias, diferentes daquelas que reagem. Também pode-se afirmar que uma reacção química é uma transformação da matéria em que pelo menos uma ligação química é criada, ou desfeita. Caracterização Numa reacção química ocorre: � Transformação das substâncias noutras com novas propriedades; � Alteração da constituição química da matéria; � Mudança do conteúdo energético. Critérios de classificação As reacções químicas podem ser classificadas segundo vários critérios, por exemplo, natureza da reacção, sentido em que se realiza, desenvolvimento de calor, presença de agentes estranhos, tempo de produção: I . Natureza da reacção a) Reacção de combinação (síntese, adição ou associação) - ocorre com a junção de duas substâncias simples para formar uma única: Exemplo: C(S) + O2 (g) CO2 (g) b) Reacção de decomposição (análise ou dissociação) - ocorre com a decomposição ou dissociação da substância inicial: � Decomposição térmica (ou pirólise) Exemplo: CaCO3 (s) tª CaO(s) + CO2↑ � Decomposição catalítica. Exemplo: H2O2 (l) MnO2 H2O(l) + O2 (g) � Decomposição electrolítica (ou electrolise) Exemplo: H2O2 (l) H2 (g) + O2 (g) � Decomposição termo/catalítica (Cracking). Exemplo: C10H22 tª/cat C4H10 + 2C2H4 + CH4 + C Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 57 O rd em d e re ac ti vi da de c) Reacção de deslocamento (ou simples troca) - ocorre com a substituição de um elemento num composto, libertando-o: � Deslocamento de Hidrogénio. Exemplo: Na(s) + 2H2O (l) NaOH (aq) + H2 ↑ Exemplo: Zn(s) + 2HCl2 (aq) ZnCl2 (aq) + H2 ↑ � Deslocamento de Metal. Exemplo: Zn(s) + CuSO4 (aq) ZnSO4 (aq) + Cu(s) � Deslocamento de halogéneos. Exemplo: Cl2 (g) + 2KBr (aq) 2HCl (aq) + Br2 (l) Um elemento precisa de ser mais reactivo que o outro, para deslocá-lo, isto é, o elemento pode deslocar de um composto qualquer elemento subsequente a ele dentro da fila. Assim, foram organizados os elementos na chamada “ordem de reactividade” na qual os elementos estão escritos em ordem decrescente de reactividade (de cima para baixo); veja as tabelas ao lado, a primeira para radicais positivos e a segunda para radicais negativas. d) Reacção de dupla troca - ocorre com a troca de elementos nos dois compostos, formando um precipitado ou uma molécula não dissociada. Estas reacções ocorrem geralmente em solução aquosa, isto é, com os reagentes dissolvidos em água. � Reacção de precipitação. Ocorre com a formação de um composto insolúvel em água. Exemplo: AgNO3 (aq) + HCl AgCl ↓ + H+(aq) + NO3-(aq) � Reacção de transferência de protões. Exemplo: HCl(aq) + NaOH(aq) NaCl(aq) + H2O(l) Cs K Ba Ca Na Mg Al Mn Zn Cr Fe Ni Sn Pb H As Cu Hg Ag Pt Au F O N Cl Br I S C P � Reacção de hidrolise. Exemplo: SiCl4 + 4H2O (l) Si(OH)4 (aq) + 4HCl(aq) e) Reacção de oxidação redução (ou de transferência de electrões ou redox). Ocorrem com a transferência de electrões entre os átomos: +2 -2 0 0 +1 -2 Exemplo: CuO (s) + H2(g) Cu (s) + H2O (l) II . Sentido em que se realizam a) Reacção reversível. Nestas reacções químicas, os reagentes combinam-se para formar produtos e estes reagem entre si para reporem as substâncias iniciais. Este tipo de reacções é representado por duas setas paralelas, sobrepostas e com sentido contrário, mostrando os dois sentidos: A + B C + D b) Reacção irreversível. Neste tipo de reacção química, os reagentes combinam-se para formar produtos e só termina quando um dos reagentes se esgota. Representa-se por uma única seta, numúnico sentido. A + B C + D III . A presença de agentes estranhos a) Reacções espontâneas - começa a ocorrer logo após a união dos reagentes. Exemplo: Cu (s) + 4NH3 (aq) Cu(NO3)2 (aq) + 2NO2 (g) + H2O(l) b) Reacções provocadas (não espontâneas) - para a sua ocorrência precisam de um agente exterior como: calor, luz, electricidade, etc. Estas reacções podem ser de síntese ou de decomposição: Exemplo: H2O2 (l) MnO2 H2O(l) + O2 (g) Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 59 Exemplo: 2 Mg (s) + O2 (g) 2MgO (g) IV . Desenvolvimento de calor a) Reacção exotérmica - ocorre com a libertação de calor. Portanto C (grafite) + O2 g) CO2 (g) + 394,5 Kj/mol b) Reacção endotérmica - ocorre com a absorção de calor CaCO3 + ∆H Kj/mol CaO + CO2 V . Tempo para se produzir a) Reacção instantânea - ocorre num período curto. Logo que os reagentes entram em contacto. Exemplo: Decomposição de sais de prata numa chapa fotográfica exposta a luz. b) Reacção lenta - ocorre num período muito longo. Exemplo: oxidação do ferro. c) Reacção moderada - ocorre entre a reacção lenta e a instantânea e é incensurável. Auto-avaliação Exercícios 1. Classifique as seguintes equações de reacções químicas quanto à sua natureza. a) H2O2 (l) MnO2 H2O(l) + O2 (g) b) 2 Mg (s) + O2 (g) 2MgO (g) 2. De entre os seguintes fenómenos, quais são os químicos? Escreva as equações que traduzem esses fenómenos químicos. a) Fervura da água b) Enferrujamento da palha-de-aço c) Derreter da vela d) Queima de gás de cozinha Lição no 2 Relações Quantitativas Introdução Na era da informação profissionais qualquer área necessita de analisar dados e resolver problemas, diariamente. Nos jornais, revistas e na nossa vida diária aparecem situações e notícias que dão origem a diversos problemas que envolvem, necessariamente, a análise de relações quantitativas, isto é, relações entre quantidades que podem ser contadas ou medidas. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Interpretar as relações quantitativas nas combinações químicas; Aplicar as leis ponderais na resolução de exercícios de relações quantitativas; Aplicar as leis volumétricas dos gases ideias para a resolução de exercícios de relações quantitativas; Escrever as expressões matemáticas para a determinação das relações quantitativas. Relações quantitativas ou lei das combinações químicas Na tentativa de explicar os fenómenos que ocorrem na natureza e estudar a matéria de que ela é composta, os cientistas formularam leis que permitem interpretar tais fenómenos. Chamam-se Relações Quantitativas às relações entre grandezas de medição no processo quantitativo de reacções químicas, seja pela medição de reagentes necessários para completar a reacção, seja pela determinação da quantidade de produto obtido da reacção. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 61 Leis ponderais São todas as leis que se relacionam com a massa. Lei da conservação da massa (Lavoisier). Numa reacção química, a soma das massas dos reagentes é igual a soma das massas dos produtos. Lei das proporções fixas (Joseph L. Proust). Numa reacção química, a proporção entre as massas das substâncias que reagem e as que são produzidas é fixa, constante e invariável. Lei das proporções múltiplas (J. Dalton). Quando duas substânciais simples reagem entre si para formar compostos diferentes, se a massa de uma delas permanecer fixa, a da outra irá variar numa relação de números inteiros e pequenos. Lei dos equivalentes químicos (J. B. Richter, K.Wenzel e J.J. Berzelius). Quando uma massa fixa de uma substância reage totalmente com determinadas massas de substâncias diferentes, se estas reagirem entre si, fá-lo-ão na mesma relação de massa com que reagem com a primeira ou, então, com valores múltiplos ou submúltiplos destes. Equivalente-grama. Equivalente-grama de uma substância é a massa da substância que se combina com 8 gramas de Oxigénio para formar um composto químico. Leis volumétricas Todas as leis que se relacionam com o volume. Lei das proporções volumétricas constantes. Os volumes das substâncias gasosas que reagem e que são produzidas nas mesmas condições de temperatura e pressão guardam entre si uma relação de números inteiros e simples. Leis das combinações volumétricas múltiplas. Quando duas substâncias gasosas reagem entre si para formar compostos diferentes, gasosos ou não, se o volume de uma delas permanecer fixo, o da outra irá variar numa relação de números inteiros e simples, quando medidos nas mesmas condições de temperatura e pressão. P1·V1 P2·V2 = T1 T2 Transformação Isotérmica (lei Boyl-Mariotte). A temperatura constante, uma determinada massa de gás ocupa o volume inversamente proporcional à sua pressão. T = constante; V ~ 1/P; PV = K1 Transformação isobárica (lei de Gay-Lussac). À pressão constante o volume ocupado por uma determinada massa de gás é directamente proporcional à sua temperatura absoluta “ P = constante; V ~ T; V ~ T · K2 V/T = K2 Transformação Isovolumétrica (lei de Charles). Para um volume constante, a pressão exercida por uma determinada massa de gás é directamente proporcional à sua temperatura absoluta “ V = constante; P ~ T; P ~ T · K3 P/T = K3 A partir destas leis: V ~ 1/P · K1 ; V ~ T · K2 e P ~ T · K3 ; então V ~ 1/P · T · K4 isto é, V = T /P · K4. então: V · P / T = K4. Considerando duas fases do gás, teremos: P1 · V1 = P2 · V2 V1/T1 = V2/T2 P1/T1 = P2/T2 Equação Específica para gás Ideal (lei dos gases) Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 63 n·T V ~ ·K P n·T V = ·K P Resolução P1·V1 P2·V2 = T1 T2 Exemplo Faz-se subir um balão que tem volume de 0,55 litros, partindo nível das águas do mar (a 1,0 atm) ate uma altitude de 6,5 km, onde a pressão é cerca de 0,40 atm. Admitindo que a temperatura permanece constante, qual é o volume final do gás? Lei de Avogadro. Volumes iguais de gases diferentes nas mesmas condições de temperatura e pressão contem o mesmo número de moléculas. P, T = constante; V ~ n · K5 Considerando todas as relações até então apresentadas pode-se chegar à chamada equação geral para o gás ideal. Ora vejamos: T = constante; V ~ 1/P · K P = constante; V ~ T · K P, T = constante; V ~ n · K Considerando que numa reacção química ocorre a variação da quantidade de substância e da temperatura, teremos: P ·V = n · K· T P ·V = ∆n · R· ∆T Equação Geral para o Gás Ideal Dados P1 = 1,0 atm V1 = 0,55 l P2 = 0,40 atm V2 – ? Porque a temperatura da equação apresentada é constante, retira-se a temperatura, ficando apenas a relação seguinte: P1 · V1 = P2 · V2 0,55 l · 1,0 atm = 0,40 atm · V2 1,4 l = V2 Onde: P - Pressão atmosférica [ Pa ] ~ [ N/m2 ] V - Volume molar (volume ocupado por uma mol de moléculas de qualquer gás), [ l·mol-1 ] ∆n - Variação da quantidade de substância [ mol ] R - Constante universal dos gases. Esta apresenta dois valores R = 8,31 J · K-1 · mol-1 ou 0,083·105 N · m2 · l · mol-1 · K-1 R = ∆T - Variação da temperatura absoluta [° K] ∆T = Σtª (produtos) - Σtª(reagentes) T = tª + 273,15 °K m - Massa da substância [ g ] M - Massamolar [ g · mol-1 ] Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 65 Auto-avaliação Exercícios 1. Faz-se subir um balão que tem volume de 0,25 litros, partindo do nível das águas do mar (a 1,0 atm) até uma altitude de 8,5 km, onde a pressão é de cerca de 0,60 atm. Admitindo que a temperatura permanece constante, qual é o volume final do gás? 2. Se 100 cm3 de um gás, inicialmente a 100kPa, são comprimidos a uma pressão de 125 kPa, a uma temperatura constante, qual é o seu volume final? 3. Uma amostra de um gás ocupa 250 cm3 a 27ºC. Que volume ocupará a 35ºC, se não existir variação da pressão? 4. Qual seria a pressão de um gás, inicialmente a 115kPa, se a temperatura fosse reduzida de 35ºC para 25ºC, a um volume constante? Lição no 03 Bases da Estequiometria Introdução A aplicação de cálculos é de extrema importância prática pois permite, por exemplo, que se preveja na teoria a quantidade de reagentes a ser usada para se obter determinada quantidade de produtos numa reacção química em condições pré-fixadas. Nesta lição faremos a interpretação e análise das várias formas de deduzir, através de cálculos estequiométricos, a quantidade de substâncias que se pretende produzir, ou consumir num processo químico. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Interpretar os conceitos relacionados com a estequiometria nas relações quantitativas; Aplicar as leis ponderais das relações quantitativas na resolução de problemas estequimétricos; Escrever as expressões matemáticas para a determinação das relações quantitativas; Realizar cálculos relacionados com os conceitos da estequiometria. Do grego Stoicheion (elemento) e métron (medida). Aplica-se aos cálculos matemáticos que evolvem os elementos químicos. Os cálculos estequiométricos baseiam-se nas análises quantitativa e qualitativa contidas nos símbolos, fórmulas e equações químicas. Evolvem as quantidades de massa, volume, números de átomos e moléculas ou iões das substâncias em geral. A aplicação desses cálculos é de extrema importância prática, pois permite por exemplo, que se preveja na teoria a quantidade de reagentes a Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 67 ser usada para se obter determinada quantidade dos produtos numa reacção química em condições prefixadas. A estequiometria não é somente usada para balancear equações químicas, mas também para conversões de unidades - por exemplo, de gramas a mols, ou gramas a mililitros. Por exemplo, se temos 2,00 g de NaCl, para achar o número de moles, pode-se fazer o seguinte: No exemplo acima, quando escrito em forma de fracção, a unidade grama cancela-se, deixando o valor convertido a mols (a unidade desejada) O estudo da estequiometria tem como ponto de partida os conceitos seguintes: Massa Atómica (MA). É o número que indica quantas vezes a massa de um átomo de determinado elemento é maior que a massa 1u (massa de 1/12 do carbono isótopo 12) igual a 1,660570 · 10 -24g. Ex: Massa do átomo de oxigénio = 2,67·10 -23g Massa atómica relativa (Ar). É a relação entre a massa do átomo do elemento em questão e 1/12 (1,66·10-24g) da massa do átomo de carbono 12. Esta unidade não tem dimensões. Se expressarmos as massas dos átomos através de unidades habituais (quilograma, grama, etc.) o seu valor será um número demasiado pequeno, como por exemplo: a massa do átomo de carbono é igual a: m (C) = 0,000 000 000 000 000 000 000 000 02g ou m (C) = 0,2 · 10-26g. Compreende-se pois que utilizar estes valores numéricos de massas atómicas e trabalhar com eles, reveste-se de dificuldades, por isso, para expressar a massa atómica foi adoptada uma unidade a unidade de massa atómica. Uma unidade de massa atómica (1 u.m.a) corresponde a 1/12 da massa do átomo de carbono, ou seja, 1,66·10-24g. Comparando as massas atómicas dos elementos com 1 u.m.a, encontra-se um valor numérico inteiro - massa atómica relativa. Ex: para o átomo de oxigénio (O): Massa molecular relativa (Mr). É a relação entre a massa da molécula da substância em questão e 1/12 (1,66·10-24g) da massa do átomo de carbono 12. Para determinar a massa molecular relativa deve-se adicionar as massas atómicas relativas. Exemplo Determinar a massa molecular das seguintes substâncias: Número de partículas (N). Grandeza que caracteriza quantas partículas (átomos, moléculas e iões) estão numa amostra de 1 mol de substância. Mol é a unidade da quantidade da substância. É o número largamente usado na Química para expressar quantidades: 1 mol 6,023.1023 unidades Número de Avogadro (NA). A massa atómica de qualquer elemento químico expressa em gramas é a massa de uma mol de átomos de elemento, ou seja, 6,023.1023 átomos, que é a quantidade de átomos 2,66·10-23g = 16 u.m.a 0,166·10-23g a) H2O; Mr (H2O) = 1 u.m.a x 2 + 16 u.m.a Mr (H2O) = 18 u.m.a b) Al(OH)3; Mr Al(OH)3 = (27 + 16 x 3 + 1 x 3)u.m.a Mr Al(OH)3 = (27 + 48 + 3) u.m.a Mr Al(OH)3 = 78 u.m.a c) MgCl2 · 6H2O; Mr (MgCl2 · 6H2O) = (24uma + 35,5uma x 2 + 1uma x 12 + 6 x 16uma) u.m.a Mr (MgCl2 · 6H2O) = (24 + 71 + 12 + 96) u.m.a Mr (MgCl2 · 6H2O) = 203 u.m.a Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 69 existentes num átomo-grama do elemento. Portando, relaciona o nº de partículas e a quantidade de substância: Átomo-grama (A1). Átomo-grama de um elemento é a quantidade de átomos desse elemento cuja massa, em gramas, é numericamente igual a sua massa atómica (A). Num átomo-grama de qualquer elemento químico temos sempre a quantidade de uma mol de átomos. Mólecula-grama. É a quantidade de moléculas de uma substância cuja massa, em gramas, é numericamente igual a sua massa molecular (Mr). Numa molécula-grama de qualquer substância existe um mol de moléculas. Equivalente-grama (E1). a) De um elemento - é o quociente do átomo-grama (A1) pela valência do elemento; Exemplo Determine o equivalente-grama para o átomo da sódio (Na) e para a molécula de cloro (Cl2). Resolução: O átomo de Na tem A = 23 g; assim, E1 = A/1; E1 = 23g/1; E1 = 23g/1. A molécula de Cl2 tem dois (2) átomos de cloro e cada um tem A = 35,5 g; assim, E1 = A x 2/2; E1 = 35,5 x 2g/2; E1 = 71g/2; E1 = 35,5 g N (nº de partículas) NA = n (quantidade da substância) 6,023.1023 NA = 1 mol NA = 6,023.1023 mol-1 b) De um ácido - é o quociente da molécula-grama do ácido pelo número total dos hidrogénios ionizáveis; Exemplo Determine o equivalente-grama para a molécula de Ácido sulfúrico (H2SO4). Resolução:A molécula de H2SO4 tem dois (2) átomos de hidrogénio ionizáveis e a massa molar é iguais a 98g; portanto: E1 = Mr/2; E1 = 98g/2; E1 = 49 g. c) De uma base - é o quociente da molécula-grama da base pelo número total de iões hidroxilos (OH-) ionizáveis; Exemplo Determine o equivalente-grama para a molécula de Hidróxido de cálcio, Ca(HO)2. Resolução:A molécula de Ca(HO)2 tem dois (2) iões hidroxilo ionizáveis e a massa molar do Hidróxido de cálcio é iguais a 74g; portanto: E1 = Mr/2; E1 = 74g/2; E1 = 37 g. d) De um sal - é o quociente da molécula-grama do sal pelo número total das cargas ou do anião, ou do catião; Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 71 Exemplo 1. Determine o equivalente-grama para a molécula de Cloreto de cálcio, CaCl2. Resolução:A molécula de CaCl2 tem dois (2) iões (o catião Ca2+, que tem duas cargas positiva e o anião Cl- que são dois, com uma carga negativa cada um) e a massa molar do Cloreto de cálcioé igual a 91g. Para determinar o equivalente-grama utiliza-se ou o catião ou o anião: Para o catião Ca2+, trata-se de um (1) catião com carga igual a dois (2); E1 = Mr/2; E1 = 91g/2; E1 = 45 g. Para o anião Cl-, trata-se de dois (2) aniões com carga igual a um (1); E1 = Mr/1x2; E1 = 91g/2; E1 = 45 g. 2. Determine o equivalente-grama para a molécula de Sulfato de Alumínio Al2(SO4)3 Resolução:A molécula de Al2(SO4)3 (Mr = 346g), tem dois (2) iões Al3+ e três iões SO42-. Al3+ (nº de cargas = 3; nº de catiões = 2; nº total de cargas = 6) E1 = Mr/2x3; E1 = 346g/6; E1 = 57 g. Al2(SO4)3 SO42- (nº de cargas = 2; nº de catiões = 3; nº total de cargas = 6) E1 = Mr/3x2; E1 = 346g/6; E1 = 57 g. e) De um oxidante - é o quociente da molécula-grama do oxidante pela variação total seu nox; Massa Molar (M). Corresponde a massa de um mol de agregados iónicos na proporção mínima entre os iões, indicada por uma fórmula de substância. È expressa em [g/mol-1] m (massa do elemento) M = n (quantidade da substância) Volume molar (V). É o volume ocupado por uma mol de substância gasosa em CNTP (25º C e 1 atm). O valor ocupado pelo volume de um gás nessas condições é 22,4 ℓ. Densidade (ρ): a densidade de um matéria pode determinar-se pelo quociente entre a massa de um dado volume de material e o volume do objecto constituído por esse material. É a quantidade de soluto dissolvido num volume fixo de solução. Concentração de uma solução A relação entre as proporções de um soluto e de um solvente pode exprimir-se através de diferentes formas: Concentração molar (C/M): é a quantidade de substância do soluto que se dissolve num determinado volume do solvente. C = [mol.ℓ-1] Concentração equivalente ou Normalidade (Ceq ou N): é o quociente do nº de equivalente-grama (E1) do soluto pelo volume (v) da solução. Concentração percentual (C% ou %): indica a massa de uma determinada substância existente em 100 gramas de produto. Por serem 100 gramas é que chamamos de percentagem. É comum encontrar a concentração expressa em percentagem nas embalagens de produtos de limpeza, cosméticos, alimentos, medicamentos e outros; conforme o exemplo seguinte: Exemplo O vinagre contém 4% de acidez. Isto significa que a solução possui 4 gramas de Ácido acético em 100 gramas de vinagre. A fórmula para determinar a concentração percentual é: m (massa do soluto) ρ = V (volume da solução) n (quantidade de substância do soluto) C = C = [mol.ℓ-1] v (volume da solução) neq (nº de equivalente-grama do soluto) Ceq ou N = N = [N] v (volume da solução) Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 73 Onde: m (solução) = m (soluto) + m (solvente) C% - é a concentração percentual; m - é a massa do soluto. Preparação de soluções A água é conhecida como solvente universal por ser capaz de dissolver uma grande diversidade de substâncias ou materiais e é o solvente mais abundante no nosso planeta. Os mares e oceanos são bons exemplos do grande poder de dissolução da água, eles formam soluções com cerca de 35 gramas de sólidos dissolvidos por litro de água. A facilidade com que a água dissolve diferentes tipos de substâncias deve-se à sua estrutura e à distribuição das cargas das suas moléculas. A dissolução de um soluto em líquido depende das possíveis interacções entre os constituintes das duas substâncias. Solução é a mistura homogénea de duas ou mais substâncias (solvente e soluto que constituem uma só fase). Solubilidade é a quantidade máxima de uma substância que se dissolve em 100 gramas de um solvente específico a uma determinada temperatura. A solubilidade de um material em determinado solvente depende da temperatura em que o sistema se encontra. De um modo geral a solubilidade das substâncias aumenta com o aumento da temperatura A solubilidade é muito utilizada pelos químicos na separação das substâncias que constituem os materiais. Por exemplo: na extracção de substâncias contidas em plantas; preparação de soluções, etc. A solubilidade das substâncias num mesmo solvente varia com a temperatura do sistema. m (soluto) C% = x 100% m (solução) Exemplo: Podemos facilmente perceber que o açúcar dissolve-se melhor em água quente do que em água fria. Solvente é a substância que dissolve o soluto e se encontra em maior quantidade. Exemplo: Água, Álcool, Acetona, etc. Soluto é a substância que se dissolve no solvente e se encontra em menor quantidade. Exemplo: Sal de cozinha, Açúcar, Javel, etc. Existem soluções nos três estados físicos, isto é, sólidas, líquidas e gasosas. Neste contexto abordaremos apenas as soluções líquidas (soluções aquosas) em que o solvente é a Água. Tome Nota! O soluto encontra-se, em geral, no estado sólido, mas pode igualmente apresentar-se no estado líquido ou no estado gasoso Diluição: Muitos produtos domésticos devem ser diluídos antes de serem usados. A forma de diluição vem expressa nos rótulos. É comum, por exemplo, ver nos sumos concentrados, produtos de limpeza, medicamentos, tintas, etc. a indicação da necessidade de diluir. O processo de diluição consiste no acréscimo do solvente à solução. Ao fazermos isso, a quantidade do soluto permanece constante, mas a concentração altera-se. No quadro que se segue estão representados alguns exemplos de soluções conhecidas que preparamos diariamente. Tabela 4: Exemplos de soluções preparadas diariamente. Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 75 Auto-avaliação Exercícios 1. Quantas moles de carbono são necessárias para se combinar com 4,87 moles de cloro para formar a substância C2Cl6. 2. Uma amostra de 2,0g de cristais de hidróxido de sódio, encontrado num recipiente de vidro foi dissolvida em água para produzir um volume total de 200cm3 de solução. Qual a concentração molar desta solução? 3. Quantos gramas de nitrato de prata são necessários para preparar 500cm3 de uma solução deste sal a 0,30M? Respostas dos exercícios Resultados Lição 1: 1. R: a) Reacção de decomposição (catalítica), b) Reacção de combinação e reacção de oxidação redução. 2. R: Os fenómenos químicos são os representados nas alternativas a) e b). a) Fe + O2 FeO b) C3H8 + O2 ∆ CO2 + H2O Lição 2: Soluto Solvente Estado físico da mistura Exemplo Líquido Líquido Líquido Álcool + Água Sólido Líquido Líquido NaCl + Água Sólido Líquido Líquido Açúcar + Água Gás Líquido Líquido CO2 em refrigerantes Gás Gás Gás Ar atmosférico Sólido Sólido Sólido Ligas metálicas Ex: bronze 1. R: Vf será de 0,41 litros 2. R: Vf será de 80,0 cm3 3. R: Vf será de 257 cm3 4. R: a pressão seria de 111kPa. Lição 3: 1. R: 1,62 mol de C 2. R: 0,250M de NaOH 3. R: 25,5g de AgNO3 Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 77 Unidade n° 04 Bases da Química Orgânica Introdução Bem-vindo a esta unidade didáctica. Nela você terá as noções básicas sobre a Química Orgânica, relacionando basicamente a estrutura, as propriedades, as reacções e as consequentesaplicações dos compostos orgânicos. Nesta unidade você deverá incrementar o seu conhecimento sobre as noções básicas da Química Orgânica. Neste sentido, propomos-lhe que comece por se apropriar de algumas informações sobre o historial da Química Orgânica. Ao completar esta unidade, você será capaz de: Objectivos da unidade Identificar os factores que estão por detrás do surgimento da Química Orgânica como ciência; Interpretar as diferentes fases históricas ligadas ao desenvolvimento da Química Orgânica; Aplicar os conhecimentos básicos da Química Orgânica na identificação dos compostos orgânicos; Explicar a relação entre a estrutura e propriedades das substâncias orgânicas; Caracterizar os métodos adequados no processo de análise dos compostos orgânicos; Aplicar os conhecimentos adquiridos sobre os tipos de compostos naturais e sintéticos no seu dia a dia; Interpretar as conexões existentes entre os compostos orgânicos e o desenvolvimento social das comunidades. Lição no 01 Breve Historial da Química Orgânica. Introdução Nesta lição, irá recapitular os conhecimentos sobre o estudo do historial da Química Orgânica, as fases que caracterizaram a evolução desta parte da Química como ciência. Esta lição permitirá desenvolver bases sobre os conteúdos que marcaram o desenvolvimento da Química Orgânica, considerando a síntese de Fredric Wöhler como um marco importante para a síntese de vários compostos orgânicos sintéticos e consequentemente um dos marcos históricos do desenvolvimento deste ramo da Química. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Identificar as diferentes fases da história da Química Orgânica; Identificar os principais intervenientes no desenvolvimento da Química Orgânica; Interpretar a importância da teoria da força vital no desenvolvimento da Química orgânica Interpretar os fundamentos que a síntese de Fredric Wöhler deu a Química orgânica; Caracterizar o objecto de estudado da Química Orgânica. Introdução à Química Orgânica Breve Historial A química, como todas outras ciências teve um contínuo desenvolvimento nas várias fases da história. A química orgânica, particularmente, existe desde os tempos pré-históricos, este facto é Química Básica Curso de Licenciatura em Ensino de Química 79 justificado pelos inúmeros processos relacionados com este ramo da química, pois os compostos orgânicos são conhecidos há já muito tempo, em virtude da sua vasta aplicação, muitos anos A.C.. Os povos da antiguidade fermentavam o suco da uva produzindo vinho, extraíam gorduras e azeite dos animais e plantas, corantes de plantas, entre outros. Estes não tinham a menor noção da natureza química desses processos. No sec. XVIII notou-se um desenvolvimento acentuado da ciência química, com as contribuições de Scheele (químico Sueco, 1769), sobre os métodos apropriados para a obtenção de compostos orgânicos em animais e vegetais (Ácido cítrico do limão, Ácido acético do leite, glicerol da gordura, etc.) e à medida que se aumentava o número de compostos produzidos, os químicos notavam diferenças acentuadas entre as propriedades destes e dos compostos minerais (por exemplo; P.F., P.E. etc.). Em 1776 Bergmann (químico Sueco), fez a primeira classificação dos compostos químicos, tendo-os dividido em: • Química Orgânica - ramo da química que estuda os compostos orgânicos, obtidos dos organismos vivos. • Química Inorgânica - ramo da química que estuda os compostos inorgânicos, obtidos do reino mineral. Em 1802 Jacob Berzelius (Químico Sueco) fundamentou a classificação de Bergmann, através da Teoria da força vital ou Vitalismo, segundo a qual “Os compostos orgânicos só poderiam ser obtidos dos seres vivos e sob influência duma força divina”. Esta teoria teve aceitação por parte dos químicos da época, até que Fredric Wöhler, discípulo de Berzelius, conseguiu obter um composto orgânico (a Ureia) a partir de um composto inorgânico (o Cianato de amónio), no laboratório. Esta síntese pode ser traduzida pela seguinte equação: NH4OCN ∆ NH2 – CO – NH2 Cianato de amónio Ureia A síntese aqui apresentada marcou o fim da teoria Vitalista, visto que após esta, um grande número de compostos orgânicos foi produzido a partir de matéria não viva. Assim, a Química Orgânica passou a ser definida como parte da química que estuda os compostos de Carbono, detalhando a estrutura, as reacções químicas e aplicações dos compostos de carbono. Tome Nota! Compostos como Carbono, Dióxido de carbono (CO2), Monóxido de carbono (CO), Ácido cianídrico (HCN), Ácido carbónico (H2CO3), Carbonatos (CO3 2-), Bicarbonatos (HCO3 -), etc., que são formados pelo elemento Carbono mas com propriedades mais semelhantes às dos compostos inorgânicos, não são considerados orgânicos, eles são inorgânicos e servem de intermediários ou compostos de transição entre a química inorgânica e orgânica. Auto-avaliação Exercícios 1. O que entende por Química Orgânica? E por compostos orgânicos? 2. No início do sec. XIX, Berzelius lançou uma teoria que mais tarde caiu em desuso. a) Como se chama essa teoria? Explique argumentando o pensamento desta teoria. b) O que é que esteve por detrás do desuso da teoria de Berzelius. Escreva a respectiva equação química da síntese que pôs em causa essa teoria. Lição no 02 Curso de Licenciatura em Ensino de Química 81 Lição no 02 Compostos de Carbono. Estrutura e propriedades Introdução Nesta lição, fará a identificação dos compostos de carbono (compostos orgânicos) dos compostos minerais (compostos inorgânicos). Nesta lição desenvolverá capacidades para a identificação da tetravalência do carbono nos compostos orgânicos. Com base nesta lição conhecerá as propriedades particulares dos compostos orgânicos bem como as principais características desses compostos. Representará, com base nos conhecimentos adquiridos, as formas e possibilidades de formação das diferentes ligações dos átomos de carbono nos compostos orgânicos. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Identificar as principais características dos compostos orgânicos; Diferenciar os compostos orgânicos dos inorgânicos; Identificar as propriedades particulares dos compostos orgânicos; Representar e caracterizar a estrutura básica dos compostos orgânicos; Interpretar as diferentes possibilidades de formação das ligações entre átomos de carbono. Compostos de Carbono Os compostos de carbono são também designados compostos orgânicos, definidos como grupos de compostos que apresentam o átomo de carbono ligado covalentemente entre si originando uma vasta gama de compostos de uma mesma família e estudados dentro da Química Orgânica. Diferenças entre Compostos orgânicos e inorgânicos Os compostos orgânicos são estruturalmente muito diferentes dos inorgânicos e isso faz com que estes apresentem consequentemente uma série de diferenças nas propriedades e consequentemente na aplicação. A tabela a seguir, mostra as diferenças entre as propriedades dos compostos orgânicos e inorgânicos. Compostos ORGÂNICOS Compostos INORGÂNICOS Ligações covalentes Ligações iónicas ou com carácter iónico Raramente solúveis em água e raramente formam electrólitos em solução. São muitas vezes electrólitos em solução: ácidos, bases e sais. Têm pontos de fusão e ebulição relativamente baixos, menor que 400oC. Muitos são líquidos a temperatura ambiente - carácter covalente. Pontos de fusão e ebulição elevados; muitos são sólidos cristalinos - carácter iónico. Baixa densidade, muitas vezes aproximadamente igual a 1 g/dm3. Densidades variáveis, em alguns casos (metais), muito elevadas. Facilmente decompõe-se pela acção do calor, são pouco resistentes a temperaturasmaiores que 500oC. Grande estabilidade térmica. A maior parte deles são bons combustíveis. Raramente são combustíveis. Têm fraco efeito térmico. A diferença entre a energia final e inicial é pequena. As reacções são raramente unívocas. Têm acentuado efeito térmico (exo ou endotérmicas). Tabela 5: Diferenças entre compostos orgânicos e inorgânicos Os compostos orgânicos são constituídos basicamente por Carbono, Hidrogénio, Oxigénio, Enxofre, Fósforo, Halogéneos (F, Cl, Br e I) e metais. Estes ocorrem na natureza tanto em organismos vegetais como animais, no petróleo bruto, gás natural, etc. Lição no 02 Curso de Licenciatura em Ensino de Química 83 Propriedades particulares dos compostos orgânicos • Quase todos formam-se por ligações covalentes (apolar e polar); • São menos densos que a água e na sua maioria insolúveis nela, mas solúveis em solventes orgânicos; • São inflamáveis. Ao aquecimento carbonizam-se - decompõe-se facilmente, libertando Dióxido de carbono (combustão completa), Monóxido de carbono ou carbono (combustão incompleta) e água; • Apresentam o fenómeno de isomeria. Estrutura das Substâncias Orgânicas As fórmulas moleculares planas dos compostos orgânicos foram estabelecidas por Butlerov, constituindo a chamada teoria estrutural dos compostos orgânicos: • O Carbono é tetravalente, isto é, tem valência IV. E todas as propriedades específicas dos compostos orgânicos são determinadas pela tetravalência do elemento Carbono - que provem do facto deste possuir 4 electrões de valência. * * C * * • Nas moléculas, os átomos de Carbono tem a propriedade de se ligarem (ligação atómica) entre si, formando cadeias carbónicas. • As ligações covalentes entre os átomos de carbono podem ser: simples, duplas ou triplas. As ligações no átomo de carbono são distribuídas no sentido de formar uma estrutura espacial “tetraédrica”. As quatro ligações estão distribuídas pelos vértices dum tetraedro imaginário. C C Com ângulos de 109o Figura 7: Estrutura tridimensional dos compostos de carbono Possibilidades de formação de ligações do átomo de carbono Como foi mencionado acima o átomo de carbono pode formar três tipos diferentes de ligações covalentes, a saber: Ligação simples, dupla e tripla. 6C : 1s2 2s2 2p2 sp3 sp3 sp3 sp3 * sp2 sp2 sp2 sp sp Estado fundamental Estado excitado Ligações triplas Exemplo: CH4 (Metano) C2H4 (Eteno) C2H2 (Etino) Estrutura tridimensional das moléculas - as várias formas como as moléculas se apresentam dispostas espacialmente. Hibridização - formação de orbitais relativamente mais estáveis em relação as orbitais não hibridizadas. Leitura Lei mais sobre a estrutura tridimensional das moléculas e Hibridização em: AICHINGER-MANGE. Química Básica-3 ”Orgânica”. E.P.U. São Paulo, 1992 e FELTRE, Ricardo. Química Orgânica. Vol. 3. S. Paulo, Editora Moderna, 1991. Lição no 02 Curso de Licenciatura em Ensino de Química 85 Auto-avaliação Exercícios 1. Qual é a valência do carbono nos compostos orgânicos? 2. Que tipo de ligações os átomos de Carbono apresentam nos compostos orgânicos? 3. Compare os compostos Orgânicos dos compostos e os Inorgânicos quanto à estrutura e a condutibilidade eléctrica. 4. Quais os principais tipos de Hibridização que os átomos de Carbono nos compostos Orgânicos apresentam? Lição no 03 Cadeias Carbónicas Introdução Nesta lição, fará a identificação das várias sequências que os átomos de carbono podem formar entre si (cadeias carbónicas), originando os diferentes tipos de cadeias. Nesta lição desenvolverá capacidades para classificar as cadeias carbónicas e os tipos de átomos de carbono numa determinada cadeia carbónica. Também aprenderá a escrever as diferentes fórmulas químicas dos compostos orgânicos. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Identificar os diferentes tipos de cadeias carbónicas; Classificar as cadeias carbónicas tendo em conta os diferentes âmbitos; Identificar os tipos de átomos de carbono numa cadeia carbónica; Escrever as diferentes fórmulas químicas dos compostos orgânicos; Definir o conceito de série homóloga. Cadeias carbónicas Define-se uma cadeia carbónica como uma sequência de átomos de carbono ligados entre si por ligações covalentes. Classificação: Lição no 02 Curso de Licenciatura em Ensino de Química 87 As cadeias carbónicas podem ser: - Homogéneas * Quanto a natureza - Heterogéneas - Saturada 1. Cadeias abertas * Quanto ao tipo de ligação (alifáticas ou - Insaturada acíclicas) * Quanto à disposição - Normal dos átomos de Carbono - Ramificada - Homociclica - Quanto à natureza - Heterociclica * Alicíclicas ou não Aromático - Saturada 2. Cadeias fechadas - Quanto à ligação (ou Cíclicos) - Insaturada - Mononuclear * Aromáticos - Condensados - Polinuclear - Isolados � As cadeias Homogéneas e Homocíclicas são caracterizadas por apresentarem apenas átomos de carbono e hidrogénio na sua constituição; � As cadeias Heterogéneas e Heterocíclica são caracterizadas por apresentarem um heteroátomo para além dos átomos de carbono e hidrogénio; � As cadeias Saturadas são aquelas que apresentam somente ligações simples entre os átomos de carbono, enquanto as cadeias Insaturadas apresentam uma ou mais ligações dupla ou tripla (insaturações) entre átomos de carbono. � As cadeias mononucleares são todas as cadeias (cíclicas aromáticas) que apresentam um só anel aromático. As polinucleares são todas as cadeias cíclicas aromáticas que apresentam mais do que um anel aromático. � As cadeias polinucleares condensadas são todas as cadeias que apresentam dois ou mais anéis aromáticos compartilhando um ou mais átomos de carbono. � As cadeias polinucleares isoladas são todas as cadeias que apresentam dois ou mais anéis aromáticos, em que estes se encontram ligados através de um átomo, isto é, eles não compartilham o mesmo átomo de carbono. Tipos de Carbono numa cadeia Carbónica Carbono primário - é aquele que encontra-se ligado a apenas 1 outro átomo de Carbono. Carbono secundário - é aquele que se encontra ligado a dois outros átomos de Carbono. Carbono terciário - é aquele que se encontra ligado a três outros átomos de Carbono. Carbono quaternário - é aquele que se encontra ligado a quatro outros átomos de Carbono. Exemplo quaternário Terciário │ │ ─ C ─ ─ C ─ │ │ ││ │ – C – C – C – C – C – │ │ │ │ │ ─ C─ │ Secundário Primário Fórmulas Químicas dos Compostos Orgânicos É uma representação gráfica através de símbolos de moléculas de uma determinada substância. a) Fórmula empírica (fórmula mínima) - indica a proporção mais simples de combinação de todos os elementos duma dada molécula. Exemplo: C6H12O6 → CH2O b) Fórmula molecular - indica a quantidade e qualidade de átomos de cada elemento que constitui a molécula. Exemplo: C3H8. Lição no 02 Curso de Licenciatura em Ensino de Química 89 c) Fórmula racional - expressa o tipo de ligação e os grupos de átomos participantes, indica também a composição qualitativa e quantitativa da substância. Exemplo: CH3 – CH2 – CH3 d) Fórmula estrutural - indica a quantidade e qualidade dos átomos. Também põe em evidência o tipo de ligação entre os átomos, bem como a sua disposição na molécula. H H H Exemplo: ׀ ׀ ׀ H – C – C – C – H ׀ ׀ ׀ H H H Tome Nota! A fórmula estrutural pode ser simplificada, considerando cada traço livre correspondente a um átomo de hidrogénio. Série homóloga - é o conjunto de compostos cujas moléculas diferem entre si por um número inteiro de grupos metiléno (–CH2–). Ex: CH4; CH3–CH3; CH3–CH2–CH3; CH3–CH2– CH2–CH3 Leitura Lei mais sobre a Série homóloga duma determinada família de compostos de carbono em: AICHINGER-MANGE. Química Básica-3 ”Orgânica”. E.P.U. São Paulo, 1992 e FELTRE, Ricardo. Química Orgânica. Vol. 3. S. Paulo, Editora Moderna, 1991. Auto-avaliação Exercícios 1. Classifique as cadeias carbónicas quanto a: A natureza, ao tipo de ligações e a disposição dos átomos de carbono. a) O ║ CH3 – C – CH2 – CH3 b) CH2 ─ CH2 │ │ CH2 ─ O 2. Dados os seguintes compostos: a) CH3 b) CH2 ─ CH2 │ │ │ CH3─ CH─CH3 CH2 ─ CH2 I- Identifique a cadeia carbónica que apresenta um átomo de carbono terciário. II- Classifique a cadeia carbónica b). 3. Escreva as fórmulas moleculares dos compostos das alíneas a), b) dos números 1 e 2. Lição no 02 Curso de Licenciatura em Ensino de Química 91 Lição no 04 Isomeria dos Compostos Orgânicos Introdução Nesta lição tratará da isomeria nos compostos orgânicos como o fenómeno de ocorrência de dois ou mais compostos de carbono com uma mesma fórmula molecular. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Identificar as fórmulas isoméricas nos compostos de orgânicos; Diferenciar as várias fórmulas isoméricas nos compostos orgânicos; Classificar os isómeros nos compostos orgânicos; Escrever as fórmulas dos isómeros através da sua fórmula molecular; Isomeria É o fenómeno em que dois ou mais compostos apresentam a mesma fórmula molecular mas com diferentes fórmulas estruturais. Isómero - São compostos com a mesma fórmula molecular mas com diferentes distribuição espacial dos seus átomos. Vários são os tipos de isomeria encontrada nos compostos orgânicos: 1. Isomeria Estrutural • Isomeria de Cadeia: Cadeias Normais e Cadeias Ramificadas Exemplo: C4H10; CH3–CH2–CH2–CH3; CH3 – CH – CH3 │ CH3 Ramificação Cadeia Normal Cadeia Ramificada • Isomeria de Posição. Têm se em conta a posição da insaturação (ligação dupla ou tripla) ou a posição de um determinado grupo funcional. Exemplo: C4H8 1 2 3 4 1 2 3 4 CH3 – CH = CH – CH3 CH2 = CH – CH2 – CH3 Posição 2 (carbono 2) Posição 1 (carbono 1) Exemplo: C3H7X; 3 2 1 1 2 3 CH3 – CH2 – CH2 – X; CH3 – CH – CH3 │ Grupo funcional X Posição 1 (carbono 1) Posição 2 (carbono 2) • Isomeria de Função. Têm-se em conta a função orgânica a que pertence. Quando dois compostos apresentam a mesma fórmula molecular, mas pertencem a funções orgânicas diferentes. Exemplo: C3H6O; O O ║ ║ CH3 – C – CH3 CH3 – CH2 – C – H Função orgânica: Cetona Função orgânica: Aldeído 2. Isomeria Espacial ou Estereoisomeria (Estes diferem na disposição espacial dos átomos) • Isomeria Geomátrica (CIS/TRANS) Exemplo: C4H6X2 X X X CH3 C = C C = C CH3 CH3 CH3 X Cis - isómero Trans – isómero onde X é um heteroátomo • Isomeria Óptica. Fenómeno de existência de um composto que se comporta com o outro como imagem e objecto para um Lição no 02 Curso de Licenciatura em Ensino de Química 93 espelho. Este tipo de isomeria só existe quando temos átomos centrais assimétricos (com quatro substituintes diferentes). O número de isómeros é determinado pela forma 2n, onde n é o número de átomos assimétricos existentes no composto. Exemplo: a a b C d d C b g g 3. Isomeria de Conformação Caracteriza-se pela diferença da posição dos átomos constituintes no espaço. � Pode-se ter um arranjo em que os átomos de hidrogénio encontram-se posicionados um atrás do outro - Conformação escalonada; � Pode-se ter um arranjo em que os átomos de hidrogénio não ficam exactamente um atrás doutro - Conformação ecliptica. Exemplo: C2H6 H H HH HH H HH H H H Ecliptica (Eclipsada) Escalonada (Alternada) 4. Tautomeria É um caso “especial” da isomeria, pois ocorre quando se tem compostos com a mesma fórmula molecular, mas diferente posição de um átomo de Hidrogénio. Exemplo: C3H6O; O H OH ║ │ │ │ CH3 – C – C – CH3 CH3 – C – C – CH3 │ │ │ Auto-avaliação Exercícios 1. Quantos isómeros o composto com fórmula molecular C4H8 pode formar? Indique os respectivos nomes. 2. Escreva os isómeros de função para o composto com a fórmula molecular C4H8O; 3. Qual a condição para a existência da isomeria óptica? 4. Os Isómeros estruturais têm: (assinale a afirmação correcta) a) A mesma fórmula empírica e molecular b) As mesmas propriedades físicas e químicas c) Fórmulas gerais diferentes d) O mesmo arranjo dos seus átomos. Lição no 05 Curso de Licenciatura em Ensino de Química 95 Lição no 05 Principais Reacções Químicas dos Compostos Orgânicas Introdução Nesta lição, identificará os diferentes tipos de reacções Químicas dos compostos orgânicos tendo em conta as estruturas desses diferentes compostos. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Identificar as principais reacções químicas dos compostos orgânicos; Escrever as reacções químicas nos compostos orgânicos; Interpretar as possibilidadesde formação dos diferentes produtos nas reacções químicas. AS REAÇÕES ORGÂNICAS Classificação das reacções orgânicas Quando uma reacção orgânica efectua-se em diversas etapas, a primeira etapa é a que irá classificar essa reacção, em relação ao tipo de reacção característica. As reacções orgânicas que traduzem as propriedades químicas das substâncias podem ser: • Reacções de Adição; • Reacções de Substituição; • Reacções de Eliminação; • Reacções de Polimerização; • Reacção de Combustão. Reacções de Adição São reacções em que dois reagentes originam um único produto, isto é, não há formação de um produto secundário. Exemplo: A + B C Reacções de Substituição: Nas reacções de substituição, o substrato tem um dos seus ligantes substituído por outro que pode ser; um radical ou um átomo. Exemplo: A – B + C A – C + B Reacções de Eliminação: Geralmente, nas reacções de eliminação, o substrato tem dois dos seus ligantes retirados, formando uma insaturação. Exemplo: B-A-A-C A=A + B + C Reacções de Substituição x Eliminação: Uma comparação importante pode ser feita entre a Substituição e a Eliminação, isto porque, sempre existirá durante uma substituição, uma eliminação, e as percentagens dos produtos da substituição e/ou eliminação, serão quantitativamente variadas. Tome como exemplo a reacção entre o 2- bromo butano com o ião hidróxido. Se o OH- atacar o carbono, a reacção será de substituição e o produto será um álcool; mas se atacar um hidrogénio, será de eliminação e o produto será um alceno. Tanto maior será a percentagem do produto de eliminação quanto mais ramificado for o alceno que puder ser formado, devido à estabilidade dos alcenos ramificados. Assim, no caso dos haletos, os haletos primários sofrerão mais rapidamente substituição e os haletos terciários (mais ramificados) sofrerão mais rapidamente eliminação. Exemplo: Reacções de Polimerização: Consiste na reacção de várias moléculas (monómeros) de um composto, formando uma molécula de peso molecular maior / o polímero. Lição no 05 Curso de Licenciatura em Ensino de Química 97 O polímero é caracterizado por ser uma substância com elevado peso molecular e com uma relativa estabilidade. Exemplo: n CH2 = CH2 + n CH2 = CH2 573 K/Cat – CH2 – CH2 – CH2 – nCH2 – Etileno (monómero) Polietileno (polímero) Reacções de Combustão: São reacções em que um composto orgânico é queimado no seio oxigénio (isto é, um dos reagentes é o oxigénio), formando como produtos principais o dióxido de oxigénio, monóxido de oxigénio, carbono e água. Dependendo da quantidade de oxigénio disponível, a combustão pode ser: 1. Completa Quando há quantidade suficiente de oxigénio. R – H + O2 CO2 + H2O 2. Incompleta Quando há défice de oxigénio, podendo-se formar o Monóxido de carbono ou Carbono e Água. R - H + O2 CO + H2O ou R - H + O2 C + H2O Auto-avaliação Exercícios 1. Apresente as equações das transformações que a seguir são indicadas. a) C2H6 + Br2 - HBr .......... + H2O ............. + .......... b) C3H6 + HBr .......... + H2O ............... + .............. 2. Qual é a diferença em relação ao número de produtos de uma reacção de adição e uma reacção de substituição. 3. Qual é o produto da combustão completa de C4H10? Lição no 06 Nomenclatura dos Compostos Orgânicos Introdução Nesta lição desenvolverá capacidade para dar nomes a compostos de carbono (compostos orgânicos), aplicando as regras de nomenclatura estabelecidas pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC, da língua inglesa, International Union of Pure and Applied Chemistry). E também escrever as fórmulas dos compostos orgânicos a partir do seu nome. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Interpretar as diferentes regras de nomenclatura estabelecidas pela IUPAC para nomear aos compostos orgânicos; Identificar os radicais orgânicos numa cadeia carbónica; Nomear os compostos orgânicos tendo em conta as regras de nomenclatura estabelecidas pela IUPAC; Escrever as fórmulas dos compostos orgânicos a partir dos seus nomes; Nomenclatura dos compostos orgânicos Em 1957 foi estabelecido pela IUPAC, um conjunto de regras que permite estabelecer uma sequência equívoca na nomenclatura dos demais compostos orgânicos. Prefixos Estes prefixos indicam a quantidade de átomos de carbono existentes numa molécula. A tabela que se segue mostra a designação, em grego, dos números correspondentes. No de átomos Carbono 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 20 Prefixo Met Et Prop But Pent Hex Hept Oct Non Dec Icos Lição no 05 Curso de Licenciatura em Ensino de Química 99 Tabela 6: Prefixos gregos Radicais Os radicais são considerados derivados dos alcanos, pela perda de um átomo de Hidrogénio de um Alcano, formando o respectivo radical. O nome do radical é indicado segundo a regra: A tabela apresenta os radicais mais frequentes tratados neste modulo. Radical Nome CH3 – Metil CH3– CH2 – C2H5 – Etil CH3– CH2 – CH2 – C3H7 – n-propil CH3 – CH – │ CH3 Isoproil CH3– CH2 – CH2– CH2 – C4H9 – n-butil CH3– CH2– CH – │ CH3 s-butil CH3 │ CH3 – C — │ CH3 t-butil CH3– CH– CH2 – │ CH3 Isobutil Tabela 7: Radicais mais frequentes Nomenclatura Substitutiva Regras: • Escolhe-se a cadeia mais longa que contenha maior número de átomos de carbono (compostos saturados) ou que contenha maior número de ligações múltiplas (compostos insaturados), ou ainda, que contenha o átomo de carbono com o grupo funcional (compostos orgânicos com grupos funcionais) e considera-se como cadeia matriz; as restantes porções considera-se radicais; Prefixo + terminação “il” • Enumera-se os átomos de carbono da cadeia matriz começando da extremidade que conduz a um resultado baixo na soma dos números indicadores dos radicais; • No caso em que um radical (grupo alquil ou aril) aparece mais do que uma vez como radical, usa-se os prefixos: di, tri, tetra, penta, etc. para indicar a existência de dois, três, quatro, cinco, etc. radicais respectivamente, indicado a posição (através dos números) de cada um dos radicais. • Se houver mais do que um radical indica-se na nomenclatura obedecendo a ordem alfabética ou a de complexidade dos radicais. • Os números são separados por vírgulas e o número e a letra por um ífen. Exemplo: CH3 C2H5 1 2│ 3 4│ 5 6 7 CH3 – C – CH2 – CH – CH – CH – CH3 │ │ │ CH3 C2H5 CH3 Ordem Alfabética dos radicais: 4,5-Dietil-2,2,6-Trimetil heptano Ordem de complexidade dos radicai: 2,2,6-Trimetil-4,5-dietil heptano Nomenclatura Radicofuncional Regras: Nesta nomenclatura considera-se duas situações; • Um substrato é considerado o grupo principal e dá-se nome a este (normalmente usa-se o nome trivial do primeiro composto da série) e considera-se o resto como sendo radicais; • Se houver mais do que um radical indica-se na nomenclatura obedecendo a ordem alfabética ou de complexidade dos radicais.Exemplo: CH3 │ CH3– C – CH = C – CH2 – CH3 │ │ CH3 CH3 Ordem de complexidade dos radicais: Metil etil t-butil etileno Ordem Alabética dos radicais: Etil metil t-butil etileno Lição no 05 Curso de Licenciatura em Ensino de Química 101 • Toma-se como base uma porção da cadeia que se pareça com o Metano e considera-se substituído um ou mais átomos de hidrogénio por radical(is) • Se houver mais do que um radical indica-se na nomenclatura, obedecendo a ordem alfabética ou de complexidade dos radicais. Exemplo: CH3 CH3 │ │ CH3– CH – CH2 – CH – CH – CH3 │ CH3 Ordem de complexidade dos radicai: Metil isopropil isobutil metano Ordem Alabética dos radicais: Metil isobutil isopropil metano Nomenclatura Trivial Esta nomenclatura não obedece uma regra fixa; geralmente atribue-se o nome ao composto tendo em conta a sua origem (ou fonte de obtenção). Exemplo: O O ║ ║ H – C – OH CH3 – C – OH Ácido fórmico (Formiga) Ácido Acético (Vinagre) O O ║ ║ CH3 – CH2 – C – OH CH3 – CH2 – CH2 – C – OH Ácido Propiónico (Resina da madeira) Ácido Butirico (Manteiga) Auto-avaliação Exercícios 1. Dê nomes aos seguintes compostos (Substitutiva e Radicofuncional/trivial): CH3 CH3 – CH – CH3 | | a) CH3 – C – CH2 – CH – CH3 b) CH3 – C = CH – CH3 | | CH3 CH3 c) CH3 – CH – C ≡ C – CH3 d) CH = C – CH2 – CH3 | | | CH3 CH2 – CH2 2. Escreva as fórmulas de constituição dos seguintes compostos: a) 2,3-Dimetil propano b) 2,3-Dimetil-3-etilhexano 3. Qual dos compostos do número 1. possui dois átomos de carbono terciário? Lição no 07 Principais Funções dos Compostos Orgânicas Introdução Nesta lição, conhecerá as principais funções (classes e/ou família) dos compostos orgânicos, a sua fórmula geral (a partir da qual se obtém todos os compostos da respectiva série homóloga) ou grupo funcional (a partir do qual se identifica a série) e as principais características dos compostos orgânicos. Ao completar esta lição, você será capaz de: Objectivos da lição Identificar as principais funções dos compostos orgânicos; Escrever as fórmulas gerais de cada classe dos compostos da família dos Hidrocarbonetos; Identificar cada grupo funcional de um composto orgânico; Identificar as características principais das funções e classes principais dos compostos orgânicos; Principais Funções Orgânicas FUNÇÃO CARACTERÍSTICAS H id ro ca rb on et os Alifáticos ou Acíclicos Alcanos: CnH2n + 2 n ≥ 1 Só ligações simples Alcenos: CnH2n n ≥ 2 Uma ligação dupla Alcinos: CnH2n – 2 n ≥ 2 Uma ligação tripla Dienos: CnH2n – 2 n ≥ 3 Duas ligações duplas Cíclicos Cicloalcanos: CnH2n n ≥ 3 Cadeia cíclica saturada Cicloalcenos: CnH2n -2 n ≥ 3 Cadeia cíclica com uma dupla ligação Aromáticos: CnH2n – 6 n ≥ 6 Apresentam o anel benzeno Lição no 05 Curso de Licenciatura em Ensino de Química 103 Auto-avaliação Exercícios 1. A classe de compostos orgânicos descrita como hidrocarboneto é constituída por (indique a opção correcta): a) Todos os compostos que contém ligações saturadas entre carbono- hidrogénio. b) Aqueles compostos que são exclusivamente formados pelos elementos carbono e hidrogénio e que não contém grupos cíclicos. c) Compostos formados por hidrogénio e carbono e que podem ou não conter um anel benzeno. d) Todos os compostos que contém carbono e hidrogénio 2. Qual das formulas representa um alceno? a) C2H6 b) C3H6 c) C4H8 d) C5H8 3. Escreva as fórmulas de constituição para os seguintes alcenos: a) 2,3-Dimetil-2-buteno b) 3-Bromopropeno Haletos ( Haletos de Alquil) CnH2n + 1 – X n ≥ 6 Apresentam um radical alquil ligado a um Halogénio Álcoois Grupo “OH” ligado a carbono saturado │ R – C – OH │ Fenóis Grupo “OH” ligado a um anel aromático - OH Aldeidos Grupo carbonilo ligado ao Hidrogénio: O ║ ─ C ─ O ║ R ─ C ─ H Cetonas Grupo carbonilo ligado à dois carbonos : O ║ ─ C ─ O ║ R ─ C ─ R1 Ácidos carboxílicos Grupo carboxílo: O ║ ─ C ─ OH O ║ R ─ C ─ OH Ésteres Grupo carboxíilo (a), com o Hidrogénio substituído por um radical. O ║ R ─ C ─ O ─ R1 Aminas Grupo amino (─NH2) ligado ao carbono. R─NH2 ; R2NH ; R3N Amidas Grupo carbonilo ligado a um grupo amino. O ║ R ─ C ─ ONH2 Respostas aos exercícios Resultados Lição 1 1. R: A Química orgânica é a parte da química que se dedica ao estudo dos compostos de carbono. Compostos orgânicos são todos aqueles compostos que estruturalmente apresentam átomos de carbono ligados covalentemente e caracterizados por possuírem propriedades covalentes acentuadas. 2. R: a) Teoria da força vital ou vitalismo. b) A síntese de Woller, traduzida pela equação: NH4OCN ∆ NH2 – CO – NH2 Cianato de amónio Ureia 3. R: Pelo facto de os compostos orgânicos terem sido por muito tempo considerados compostos obtidos exclusivamente de matéria viva, o termo compostos de carbono é abrangente aos compostos obtidos de matéria mineral com propriedades orgânicas. Lição 2 1. R: Nos compostos orgânicos o carbono apresenta valência IV 2. R: Os átomos de carbono podem apresentar ligações saturadas (simples) e ligações insaturadas (duplas ou triplas). 3. Os compostos orgânicos são caracterizados por apresentarem ligações covalentes e raramente serem solúveis em água (raramente formam electrólitos) enquanto os compostos inorgânicos apresentam maioritariamente ligações iónicas e são frequentemente solúveis em água (formam electrólitos). 4. R: Hibridização sp3, sp2 e sp. Lição 3 1. R: a) Heterogénea, Saturada, Normal b) Heterociclica e Saturada 2. R: I - Composto a) II- Todos os átomos de carbono dessa cadeia são secundários. 3. R: 1. a) C4H8O b) C3H6O 2. a) C4H10 b) C4H8 Lição 4 1. R: Pode formar dois isómeros; Buteno-1 e Buteno-2 2. R: CH3 – CH2 – CH2 – CHO e CH3 – CH2 – CO – CH3 Lição no 05 Curso de Licenciatura em Ensino de Química 105 3. R: A existência de isomeria óptica é condicionada pela existência de carbonos assimétricos. 4. R: alternativa a) Lição 5 1. R: a) C2H6 + Br2 - HBr C2H5Br + H2O C2H5OH + HBr b) C3H6 + HBr C3H7Br + H2O C3H7OH + HBr 2. R: Numa reacção de adição não há formação de um produto secundário, enquanto na reacção de substituição há sempre formação de um produto secundário. 3. R: C4H10 + O2 CO2(g) + H2O(g) + Energia Lição 6 1. R: a) 2,2,4-Trimetilpentano e Isobutiltrimetilmetano b) 3,4-Dimetilpenteno-2 e Isopropildimetiletilenoc) 4-Metilpentino-1 e Isopropilmetilacetileno d) 1-Etilciclobuteno-1 2. R: CH3 CH3 | | a) CH3 – C – CH3 b) CH3 – CH – CH – CH2 – CH2 – CH3 | | CH3 CH3 3. R: Composto b) Lição 7 1. R: alternativa c) 2. R: composto c) H3C CH3 CH3 | | | 3. R: a) CH3 – C = C – CH3 b) CH3 – C = CH2 Bibliografia AICHINGER-MANGE. Química Básica-1. E.P.U. São Paulo, 1992 AICHINGER-MANGE. Química Básica-3 ”Orgânica”. E.P.U. São Paulo, 1992 BARROS, J. Manual de Química Geral. Universidade pedagógica. Maputo, 2004. BRADY, J. & HUMISTON, G. Química Geral. Volume I. 2ª Edição. Livros técnicos e científicos editora S.A. Rio de Janeiro, 2006. CARVALHO, G.C. 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