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Inquérito PolicialInquérito Policial
Órgão encarregado:Órgão encarregado:Órgão encarregado:
O inquérito é realizado pela polícia judiciária (art. 4º,
caput do CPP);
Porém, o inquérito não é necessariamente policial,
sendo possível que outra autoridade administrativa
realize a averiguação dos fatos e, com base nesses
dados, seja oferecida a denúncia pelo Ministério Público
(art. 4º, pár. único do CPP);
Também pode a investigação ser realizada por membros
do Poder Legislativo nas chamadas Comissões
Parlamentares de Inquérito (art. 58, §3º da CF).
Situa-se na fase pré-processual, constituindo o conjunto de atividades desenvolvidas concatenadamente por órgãos do Estado, a
partir de uma notícia-crime, com caráter prévio e de natureza preparatória com relação ao processo penal, e que pretende
averiguar a autoria e as circunstâncias de um fato aparentemente delituoso, com o fim de justificar o processo ou o não processo.
Configura-se como um procedimento administrativo pré-processual.
Inquérito Policial:Inquérito Policial:Inquérito Policial:
Trata-se de um modelo de investigação preliminar
policial, de modo que a polícia judiciária leva a cabo o
inquérito policial com autonomia e controle;
Contudo, depende da intervenção judicial para a adoção
de medidas restritivas de direitos fundamentais;
Polícia Judiciária: encarregada da investigação
preliminar, sendo desempenhada nos estados pela
Polícia Civil e, no âmbito federal, pela Polícia Federal;
Polícia Preventiva: não possuem atribuição (como
regra) para realizar a investigação preliminar - Polícia
Militar;
Em se tratando de inquérito policial, está ele a cargo da
polícia judiciária (não cabendo à polícia militar realizá-
lo, salvo nos crimes militares definidos no Código Penal
Militar).
Atuação do Ministério Público:Atuação do Ministério Público:Atuação do Ministério Público:
Está legalmente autorizado a requerer abertura, como
também acompanhar a atividade policial no curso do
inquérito;
Pode requisitar a instauração do inquérito e/ou
acompanhar a sua realização. Mas sua presença é
secundária, acessória e contingente, pois o órgão
encarregado de dirigir o inquérito policial é a polícia
judiciária.
Objeto:Objeto:Objeto:
O objeto da investigação preliminar é o fato constante na
notícia-crime que dá origem à investigação e sobre o qual
recai a totalidade dos atos desenvolvidos nessa fase.
Limitação Qualitativa:Limitação Qualitativa:Limitação Qualitativa:
O modelo brasileiro adota o chamado sistema misto,
estando o inquérito limitado qualitativamente e também
no tempo de duração;
Para a instauração do inquérito policial, basta a mera
possibilidade de que exista um fato punível. A própria
autoria não necessita ser conhecida no início da
investigação;
Para o exercício da ação penal e a sua admissibilidade,
deve existir um maior grau de conhecimento: exige-se a
probabilidade de que o acusado seja autor (coautor ou
partícipe) de um fato aparentemente punível;
Logo, o inquérito policial nasce da mera possibilidade,
mas almeja a probabilidade;
No plano horizontal, o IP está limitado a demonstrar a
probabilidade da existência do fato aparentemente
punível e a autoria, coautoria ou participação do sujeito
passivo. Essa restrição recai sobre o campo probatório,
isto é, os dados acerca da situação fática descrita na
notícia-crime. O que se busca é averiguar e comprovar o
fato em grau de probabilidade;
No plano vertical está o direito, isto é, os elementos
jurídicos referentes à existência do crime vistos a partir
do seu conceito formal (fato típico, ilícito e culpável). O
IP deve demonstrar a tipicidade, a ilicitude e a
culpabilidade aparente, também em grau de
probabilidade;
É por isso que o inquérito policial busca apenas a
verossimilhança do crime, não havendo possibilidade de
plena discussão das teses, pois a cognição plenária fica
reservada para a fase processual;
O inquérito policial não é obrigatório e poderá ser
dispensado sempre que a notícia-crime dirigida ao MP
disponha de suficientes elementos para a imediata
propositura da ação penal.
Limitação Temporal - Prazo Razoável:Limitação Temporal - Prazo Razoável:Limitação Temporal - Prazo Razoável:
O inquérito deverá ser concluído com a maior brevidade
possível e, em todo caso, dentro do prazo legal;
Assim, como regra geral, o inquérito policial deve ser
concluído no prazo de 10 dias – indiciado preso – ou 30
dias no caso de não existir prisão cautelar (art. 10 do
CPP);
O pacote anticrime de 2019 inovou nesse sentido,
através das disposições trazidas no art. 3º-B, inciso VIII
e §2º do CPP. O inquérito, estando o imputado preso,
deve ser concluído em 10 dias, mas a prorrogação poderá
ser por mais 15 dias. A prorrogação do inquérito estando
o investigado em liberdade (ou mesmo quando não
definido ainda) se dará de forma direta entre polícia e
MP, sem intervenção do juiz das garantias, que somente
será chamado para decidir quando o investigado estiver
preso.
Atos de Iniciação:Atos de Iniciação:Atos de Iniciação:
Formalmente, o IP inicia com um ato administrativo do
delegado de polícia, que determina a sua instauração
através de uma portaria;
De ofício pela própria autoridade policial (art. 5º, I,
CPP): A própria autoridade policial, em cuja jurisdição
territorial ocorreu o delito que lhe compete averiguar
em razão da matéria, tem o dever de agir de ofício,
instaurando o inquérito policial. A chamada cognição
direta pode surgir: por informação reservada; em
virtude da situação de flagrância; por meio da voz
pública; ou através da notoriedade do fato;
Requisição do Ministério Público (art. 5º, II, CPP):
Quando chega ao conhecimento de algum desses
órgãos a prática de um delito de ação penal de
iniciativa pública ou se depreende dos autos de um
processo em andamento a existência de indícios da
prática de uma infração penal de natureza pública, a
autoridade deverá diligenciar para sua apuração. Em
sendo o possuidor da informação um órgão
jurisdicional, deverá enviar os autos ou papéis
diretamente ao Ministério Público (art. 40) para que
decida se exerce imediatamente a ação penal, requisite
a instauração do IP ou mesmo solicite o arquivamento
(art. 28).
Em definitivo, não cabe ao juiz requisitar a
instauração do IP, em nenhum caso, pois viola a
matriz constitucional do sistema acusatório e o art.
3º-A do CPP.
Requerimento do ofendido (Delitos de Ação Penal de
Iniciativa Pública Incondicionada - art. 5º, II, CPP):
É uma notícia-crime qualificada, pois exige uma
especial condição do sujeito (ser o ofendido), que,
ademais de comunicar a ocorrência de um fato
aparentemente punível, requer que a autoridade
policial diligencie no sentido de apurá-lo. Sem
embargo, cabe à vítima atuar em caso de inércia dos
órgãos oficiais, da seguinte forma: requerendo a
abertura do IP se a autoridade policial não o
instaurar de ofício ou mediante a comunicação de
qualquer pessoa; exercer a ação penal privada
subsidiária da pública em caso de inércia do
Ministério Público (art. 5º, LIX, da CF c/c art. 29
do CPP).
Ao lado desses mecanismos de impulso em caso de
inércia, a vítima poderá acompanhar a atividade dos
órgãos públicos da seguinte forma: solicitando
diligências no curso do inquérito (art. 14), que
poderão ser realizadas ou não a juízo da autoridade
policial, bem como facilitando dados, documentos e
objetos que possam contribuir para o êxito da
investigação; no processo, habilitando-se como
assistente da acusação e dessa forma propondo
meios de prova, requerendo perguntas às
testemunhas, participando do debate oral e
arrazoando os recursos interpostos pelo MP ou por
ele próprio, nos termos dos arts. 268 e seguintes do
CPP.
Comunicação Oral ou Escrita de Delito de Ação Penal
de Iniciativa Pública (art. 5º, §3º do CPP): É a
típica notícia-crime, em que qualquer pessoa, sem
um interesse jurídico específico, comunica à autori-
dade policial a ocorrência de um fato aparentemente
punível. Inclusive a vítima poderá fazer essa notícia-
crime simples, quando comunica o fato sem formalizar
um requerimento.
OIP somente poderá formalmente ser instaurado se
for um delito de ação penal de iniciativa pública e a
autoridade policial verificar a procedência das
informações.
No Brasil, como regra, a notícia-crime é facultativa.
Em sentido oposto está a notícia-crime obrigatória,
que no nosso sistema é uma exceção.
Representação do Ofendido nos Delitos de Ação Penal
de Iniciativa Pública Condicionada (art. 5º, §4º do
CPP): Sequer pode ser iniciado o IP sem a
representação da vítima. É, na verdade, uma notícia-
crime qualificada. Isso porque exige uma especial
qualidade do sujeito que a realiza. Ademais, ao
mesmo tempo que dá notícia de ter sido ofendido por
um delito, demonstra a intenção de que o Estado
inicie a perseguição.
Requerimento do Ofendido nos Delitos de Ação Penal
de Iniciativa Privada (art. 5º, §5º do CPP): Nos
casos em que o ofendido não possuir o mínimo de
prova necessário para justificar o exercício da ação
penal (queixa), o CPP permite-lhe recorrer à
estrutura estatal investigatória, através do
requerimento de abertura do inquérito policial. O
requerimento pode ser classificado como uma notícia-
crime qualificada pelo especial interesse jurídico que
possui o ofendido e pelo claro caráter postulatório.
Não existe uma forma rígida, mas deverá ser escrito,
dirigido à autoridade policial competente (razão da
matéria e lugar) e firmado pelo próprio ofendido, seu
representante legal (arts. 31 e 33) ou por procurador
com poderes especiais.
Atos de Desenvolvimento:Atos de Desenvolvimento:Atos de Desenvolvimento:
Para realizar o IP, praticará a polícia judiciária uma
série de atos – arts. 6º e seguintes do CPP –, que de
forma concatenada pretendem proporcionar elementos
de convicção para a formação da opinio delicti do
acusador;
Na tarefa de apurar as circunstâncias do fato delitivo e
da autoria, determina o art. 6º que a polícia judiciária
deverá: I. Dirigir-se ao local, providenciando para que
não se alterem o estado e conservação das coisas, até a
chegada dos peritos criminais; II. Apreender os objetos
que tiverem relação com o fato, após liberados pelos
peritos criminais; III. Colher todas as provas que
servirem para o esclarecimento do fato e suas
circunstâncias; IV. Ouvir o ofendido; V. Ouvir o
indiciado, com observância, no que for aplicável, do
disposto no Capítulo III do Título VII, deste Livro,
devendo o respectivo termo ser assinado por 2 (duas)
testemunhas que lhe tenham ouvido a leitura; VI.
Proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a
acareações; VII. Determinar, se for caso, que se
proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer
outras perícias; VIII. Ordenar a identificação do
indiciado pelo processo datiloscópico (e também coleta
de DNA, se for o caso), se possível, e fazer juntar aos
autos sua folha de antecedentes; IX. Averiguar a vida
pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual,
familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e
estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele,
e quaisquer outros elementos que contribuírem para a
apreciação do seu temperamento e caráter; X. Colher
informações sobre a existência de filhos, respectivas
idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o
contato de eventual responsável pelos cuidados dos
filhos, indicado pela pessoa presa;
Passando para a análise do art. 7º, a polícia poderá
ainda recorrer à reprodução simulada dos fatos, para
melhor instruir a investigação. Mas a reconstituição
possui dois limites normativos: • não contrariar a
moralidade ou a ordem pública; • respeitar o direito de
defesa do sujeito passivo.
Estrutura dos Atos do InquéritoEstrutura dos Atos do InquéritoEstrutura dos Atos do Inquérito
Policial:Policial:Policial:
Lugar: As atividades da polícia judiciária serão
exercidas no território de suas respectivas
circunscrições (art. 4º, CPP). No inquérito policial, o
critério para definir a competência (atribuição
policial) faz-se em razão da matéria ou pelo critério
territorial. Em razão da matéria, deve-se considerar
que a polícia judiciária é exercida pela polícia federal e
pela polícia civil, conforme a situação que se
apresente. Dessa maneira, se se tratar de um crime de
competência da Justiça Federal (art. 109 da CF),
quem deve investigar é a polícia federal. A polícia civil
dos estados atua com caráter residual, isto é, a ela
incumbe a apuração das infrações penais que não
sejam de competência da polícia federal e que não
sejam consideradas crimes militares (situação em que
o inquérito policial militar será conduzido pela
respectiva autoridade militar). Por exclusão, às
polícias civis dos estados corresponde a apuração de
todos os demais delitos.
Quanto à competência territorial, os atos são
praticados nas dependências policiais, mas,
atendendo às peculiaridades da instrução preliminar,
muitos são praticados no local do delito, na residência
do suspeito e em outros lugares que possam oferecer
elementos que permitam esclarecer o fato. Por fim,
nas comarcas em que houver mais de uma
circunscrição policial, a autoridade que preside o
inquérito poderá ordenar diligências em circunscrição
de outra, independentemente de precatórias ou
requisições (art. 22 do CPP).
Tempo: O sistema brasileiro não prevê limitação de
hora ou dia para a prática dos atos, até porque os
principais atos de investigação são realizados logo
após o descobrimento do delito (seja sábado,
domingo, feriado, noite, madrugada etc.).
O fator tempo também está relacionado com a
duração do inquérito e os instrumentos de limitação
da cognição. Essa matéria deve ser pensada à luz do
direito de ser julgado em um prazo razoável.
Forma: Vige a forma escrita, e, nos termos do art.
9º, CPP, todos os atos do IP devem ser reduzidos a
escrito e documentados.
O inquérito é secreto no plano externo e assim
dispõe o art. 20 do CPP, devendo a polícia judiciária
assegurar o sigilo necessário para esclarecer o fato.
No plano interno, pode ser determinado o segredo
interno parcial, impedindo que o sujeito passivo
presencie determinados atos.
Art. 12 do CPP:Art. 12 do CPP:Art. 12 do CPP:
"O inquérito policial acompanhará a denúncia ou
queixa, sempre que servir de base a uma ou outra.";
Por servir de base para a ação penal, o IP deverá
acompanhá-la para permitir o juízo de pré-
admissibilidade da acusação. Nada mais do que isso.
Servirá para que o juiz decida pelo processo ou não
processo, pois na fase processual será formada a prova
sobre a qual será proferida a sentença.
Produção Antecipada de Provas:Produção Antecipada de Provas:Produção Antecipada de Provas:
É uma forma de jurisdicionalizar a atividade probatória
no curso do inquérito, através da prática do ato ante
uma autoridade jurisdicional (o juiz das garantias) e
com plena observância do contraditório e do direito de
defesa;
Excepcionalmente, frente ao risco de perecimento e o
grave prejuízo que significa a perda irreparável de algum
dos elementos recolhidos no inquérito policial, o
processo penal instrumentaliza uma forma de colher
antecipadamente essa prova, através de um incidente:
produção antecipada de prova;
Significa que aquele elemento que normalmente seria
produzido como mero ato de investigação e
posteriormente repetido em juízo para ter valor de prova
poderá ser realizado uma só vez, na fase pré-processual,
e com tais requisitos formais que lhe permitam ter o
status de ato de prova; é dizer, valorável na sentença
ainda que não colhido na fase processual;
São requisitos básicos: a) relevância e
imprescindibilidade do seu conteúdo para a sentença; b)
impossibilidade de sua repetição na fase processual,
amparado por indícios razoáveis do provável perecimento
da prova; c) ser autorizada pelo juiz das garantias e
produzida perante ele, assegurados o contraditório e a
ampla defesa em audiência pública e oral.
Conclusão do Inquérito Policial:Conclusão do Inquérito Policial:Conclusão do Inquérito Policial:
O procedimento finalizará por meio de um relatório (art.
10, §§1º e 2º do CPP), através do qual o delegado de
polícia fará uma exposição – objetiva e impessoal –do
que foi investigado, remetendo-o ao foro para ser
distribuído;
Acompanharão o IP os instrumentos utilizados para
cometer o delito e todos os demais objetos que possam
servir para a instrução definitiva (processual) e o
julgamento;
Recebendo o IP, o promotor poderá: oferecer a denúncia;
determinar o arquivamento; solicitar diligências ou
realizar diligências.
Arquivamento do IP:Arquivamento do IP:Arquivamento do IP:
Segundo a nova redação do art. 28 do CPP, trazida pela
lei 13.964/19, o arquivamento somente será ordenado
pelo Ministério Público (sem necessidade de submeter
ao juiz), com a possibilidade de recurso da vítima e a
necessidade de reexame pelo órgão superior
encarregado do MP;
Então, o arquivamento deve se dar em duas fases: 
 a) primeira fase: O representante do Ministério
Público emite manifestação pelo arquivamento,
comunica formalmente vítima e investigados, quando
existentes, advertindo expressamente da possibilidade
recursal em 30 dias (prazo que se conta da respectiva
intimação e não da juntada ao autos, na linha do art.
798, do CPP); b) segunda fase: Efetivadas as
comunicações formais, ausente pedido voluntário de
revisão da vítima (ou seu representante), investigado
ou autoridade investigadora, devidamente certificado o
prazo, sobem os autos para homologação do
arquivamento pelo órgão competente da Instituição do
Ministério Público que pode confirmar ou divergir, total
ou parcialmente, caso em que será designado novo
membro do Ministério Público para o exercício da ação
penal.

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