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Radiobiologia e Dosimetria Aula 6: Monitoração da radioproteção e a ICRU Apresentação Começaremos a estudar alguns conceitos básicos das grandezas operacionais, importantes para a veri�cação dos níveis de dose através de detectores de radiação. Abordaremos conceitos básicos sobre monitoração de área bem como as grandezas pertinentes ao assunto. Demonstraremos o conceito de campo alinhado e expandido e de esfera da ICRU além da apresentação de seu signi�cado, bem como sua funcionalidade, mostrando suas indicações para monitoração de área e condições de medição. Objetivos Identi�car o conceito das grandezas radiológicas operacionais mais relevantes; Examinar a importância da ICRU e dos conceitos que caracterizam as grandezas de monitoração de área e individual. Grandezas As grandezas limitantes relacionadas com o corpo, dose equivalente e dose efetiva, não são mensuráveis diretamente ou de fácil estimativa na prática. Portanto, são usadas grandezas operacionais para a avaliação da dose efetiva ou dose equivalente média para tecidos ou órgãos. Estas grandezas foram idealizadas com o propósito de fornecer uma estimativa para o valor das grandezas limitantes de modo conservativo relacionadas com uma exposição, ou exposição potencial, de pessoas sob várias condições de irradiação. Frequentemente são usadas em regulamentos ou orientações práticas. Existem instituições internacionais somente para cuidar da de�nição das grandezas, relações entre elas e suas respectivas unidades. A International Commission on Radiation Units and Measurements, ICRU, fundada em 1925, cuida especialmente das grandezas básicas e operacionais. Esfera ICRU Em 1980, a ICRU, em sua publicação 33, propôs uma esfera de 30cm de diâmetro, feita de material tecido-equivalente e densidade de 1 g/cm3, como um simulador do tronco humano, baseado no fato de que quase todos os órgãos sensíveis à radiação poderiam ser nela englobados. A sua composição química, em massa, é de 76,2% de oxigênio, 11,1% de carbono, 10,1% de hidrogênio e 2,6% de nitrogênio. Assim, todos os valores utilizados como referência para as grandezas radiológicas deveriam ter como corpo de prova de medição a esfera da ICRU. Isto signi�ca que um valor obtido por medição na esfera ICRU deve ser considerado como se fora medido no corpo humano. Para tornar coerente a de�nição das grandezas, que precisavam ser aditivas e de�nidas num ponto de interesse, foi necessário introduzir também as características do campo de radiação a que a esfera estaria submetida. Assim, surgiram os conceitos de campo expandido e campo alinhado de radiação. (THAUATA,2008) 1 Campo expandido Campo expandido é um campo de radiação homogêneo, no qual a esfera da ICRU �ca exposta com �uência, distribuição de energia e distribuição direcional iguais ao do ponto de referência P de um campo de radiação real. 2 Campo alinhado No campo expandido e alinhado a �uência e a distribuição de energia são iguais às do campo expandido, mas a distribuição angular da �uência é unidirecional. Neste campo, o valor do equivalente de dose em um ponto da esfera ICRU independe da distribuição direcional da radiação de um campo real. Atenção! Aqui existe uma videoaula, acesso pelo conteúdo online Grandezas operacionais Na proteção radiológica operacional, é necessário quanti�car a exposição dos indivíduos e comparar esses valores com os limites de dose �xados na legislação e com níveis de restrição estabelecidos no processo de otimização. As grandezas de proteção, dose equivalente e dose efetiva são grandezas não mensuráveis. Portanto, são usadas grandezas operacionais para a avaliação da dose efetiva ou dose equivalente média para tecidos ou órgãos. As grandezas operacionais visam providenciar uma estimativa ou um limite superior para o valor das grandezas de proteção relacionadas com uma exposição, ou potencial exposição, de pessoas sob muitas condições de irradiação. Estas grandezas são de�nidas para medidas práticas em monitorização de área e individual, e sua de�nição baseia-se no equivalente de dose, num ponto, de um fantoma ou tecido, para o tipo de radiação e energia existentes naquele ponto. O equivalente de dose num ponto do tecido é de�nido como o produto, 𝐻=𝑄.𝐷, em que 𝐷 é a dose absorvida num dado ponto e 𝑄 é o fator de qualidade da radiação incidente. A unidade S.I. é o J.kg-1, ou Sievert (Sv) (ICRU 51). Monitoração das radiações A monitoração das radiações externas visa obter informações sobre as condições de radiação associadas com as operações que estão sendo executadas. Ela pode ser de dois tipos: Monitoração individual, que corresponde à monitoração do indivíduo ao longo de suas atividades no ambiente de trabalho; e monitoração de área, que é a monitoração do ambiente de trabalho e tem por objetivo garantir que as condições operacionais sejam satisfatórias. (ICRU, 1988) É uma medida preventiva, uma vez que possibilita a tomada de ações corretivas em casos de risco existente no ambiente de trabalho. Na monitoração de área nas novas grandezas operacionais, leva-se em conta o efeito de dois tipos de radiação: Radiação penetrante e radiação pouco penetrante. Para radiação penetrante, procura-se estimar a dose efetiva, sendo a grandeza utilizada o Equivalente de dose ambiente. Para a monitoração de área, devido às radiações pouco penetrantes, a grandeza introduzida pela ICRU é o Equivalente de dose direcional. Na monitoração de área são utilizados diversos tipos de detectores, tais como: Detectores Geiger Muller (GM), câmaras de ionização, cintiladores etc. Dentre estes, os detectores GM são os mais utilizados, pois, apesar de não fornecerem informações sobre tipo e energia da radiação, possuem a grande vantagem de serem portáteis, de simples construção, resistentes às condições adversas de temperatura e pressão e de baixo custo. Atenção! Aqui existe uma videoaula, acesso pelo conteúdo online Clique nos botões para ver as informações. Para que uma grandeza seja considerada operacional, deve haver uma forma de mensuração, baseada no valor obtido da dose equivalente no ponto do simulador, para irradiações com feixes externos. As grandezas operacionais para monitoração de área e individual para exposições externas foram de�nidas pela ICRU 84 (ICRU,1962), e são demonstradas na tabela 1. As grandezas operacionais para monitoração de área são o equivalente de dose ambiente, e o equivalente de dose direcional. Grandezas operacionais para monitoração de área Equivalente de dose ambiente (h*(10)) O equivalente de dose ambiente, de�nido pela ICRU (2001) para monitoração de área ou de locais de trabalho, é utilizado na avaliação da dose efetiva para radiações fortemente penetrantes. O equivalente de dose ambiente num ponto do campo de radiação é o equivalente de dose que seria produzido pelo correspondente campo expandido e alinhado, na esfera do ICRU, a profundidade de 10mm sobre o vetor radial que se opõe à direção do campo alinhado. A unidade no S.I. é o J.Kg-1, ou Sievert (Sv). A Figura 1 demonstra a imagem da esfera ICRU para o cálculo do Equivalente de Dose Ambiente. Equivalente de dose direcional Para monitorização de área da radiação fracamente penetrante, é utilizada a grandeza equivalente de dose direcional. O equivalente de dose direcional, num ponto do campo de radiação, é o equivalente de dose a ser produzido pelo correspondente campo expandido, na esfera ICRU, à profundidade d sobre um raio numa direção especi�cada, Ω. A unidade S.I. é o J.kg-1, ou Sievert (Sv). A Figura 2 demonstra o comportamento do campo de radiação interagindo com a esfera do ICRU, para o cálculo do Equivalente de Dose Direcional. A profundidade d deve ser especi�cada para os diversos tipos de radiação. Para radiações fracamente penetrantes, d = 0,07 mm para a pele, e para o cristalino d = 3 mm. A notação utilizada tem a forma H(0,07,Ω) e H´(3,Ω), respectivamente. Para radiações fortemente penetrantes, a profundidade recomendadaé de d = 10 mm, isto é, H(10,Ω) (THAUATA, 2008). Grandezas operacionais para monitoração individual As grandezas operacionais para monitoração individual são grandezas de�nidas no indivíduo, em um campo de radiação real, e devem ser medidas diretamente sobre ele. Como os valores podem variar de pessoa para pessoa e com o local do corpo em que são feitas as medições, é necessário se obter valores que sirvam de referência. Como os dosímetros individuais não podem ser calibrados diretamente sobre o corpo humano, eles são expostos sobre simuladores. Devido à di�culdade de fabricação da esfera ICRU, são utilizados simuladores alternativos, por exemplo, em forma de paralelepípedo, feitos de polimetilmetacrilato (PMMA), de dimensões 30cm x 30cm x 15cm, maciços ou cheios de água. (ICRU, 1962) Equivalente de dose individual É o equivalente de dose no tecido mole, à profundidade d, no corpo humano, na posição em que o dosímetro é usado. A unidade S.I. é o J.kg-1, ou Sievert (Sv). Para radiação penetrante, é recomendada a profundidade d=10mm, enquanto para radiação pouco penetrante é proposto d=0,07 mm. No caso especial de monitorização da dose no cristalino, a profundidade apropriada é de d=3mm. O objetivo do uso do Hp(d) é o de proporcionar uma estimativa da dose efetiva para todas as condições de irradiação. No entanto, isto nem sempre é possível; basta considerar o caso em que a radiação incide nas costas e o dosímetro é usado no peito. Um requisito adicional, em monitorização individual, é que o dosímetro seja usado numa posição representativa da exposição de todo o corpo. A tabela 1 sintetiza o uso adequado das grandezas operacionais conforme o tipo de radiação, alvo de monitoração, profundidade de avaliação d (em mm), e direção Ω de medição. Tabela 1 - Grandezas operacionais de acordo com o tipo de radiação monitorada (ICRU, 1962) Atenção! Aqui existe uma videoaula, acesso pelo conteúdo online Fatores de conversão e condições de medição Nem sempre o modo de operação dos detectores, o material de que são constituídos e os parâmetros que eles medem correspondem às grandezas radiológicas anteriormente mencionadas. Assim, é preciso introduzir fatores de conversão que levam em conta as diferenças de interação da radiação com um gás, o ar, um semicondutor, uma emulsão, o tecido humano ou um órgão. Além disso, deve-se observar as condições de medição: Se foram realizadas no ar, num fantoma, em campos alinhados ou expandidos, nas condições de temperatura e pressão padronizadas. Por exemplo, quando se deseja medir o Equivalente de Dose Pessoal Hp(d) para radiações fortemente penetrantes em que d =10 mm, usando um �lme dosimétrico, utiliza-se um fator de conversão de kerma no ar e Hp(10) fornecido pela tabela ISO 40-37-3. Estes fatores de conversão foram obtidos irradiando-se uma câmara de ionização padrão em feixe de 60Co no ar, no ponto de interesse, e um �lme dosimétrico nas mesmas condições de medição. Se o �lme foi exposto sobre um fantoma de água, usa-se o fator de conversão de kerma no ar para kerma na água. Atividades 1. Uma pesquisadora pipetou com a boca uma solução contendo estrôncio – 90 e acabou ingerindo uma certa quantidade dessa solução. Após o ocorrido, ela imediatamente foi encaminhada ao departamento de descontaminação, e todos os procedimentos adequados foram realizados. Dentre eles, a monitoração individual da pesquisadora por meio do monitor individual. Considerando a radiação incidente como fortemente penetrante, a grandeza utilizada nesse procedimento será o: a) Equivalente de dose individual HP (10) b) Equivalente de dose ambiental H*(10) c) Equivalente de dose individual HP (0,07) d) Equivalente de dose individual HP (0,03) e) Equivalente de dose individual H*(10) 2. A imagem abaixo mostra a esfera ICRU, utilizada para a de�nição de grandezas operacionais. Podemos a�rmar que a grandeza equivalente de dose ambiente, de�nida através da interação de um campo de radiação com a esfera do ICRU, é: a) O equivalente de dose no tecido mole, à profundidade d, no corpo humano, na posição em que o dosímetro é usado. b) O equivalente de dose utilizado na monitorização de área da radiação fracamente penetrante. c) O equivalente de dose que seria produzido pelo correspondente campo expandido e alinhado, na esfera do ICRU, à profundidade de 10mm sobre o vetor radial que se opõe à direção do campo alinhado. d) O equivalente de dose que seria produzido pelo correspondente campo expandido e alinhado, na esfera do ICRP, à profundidade de 50mm sobre o vetor radial que se opõe à direção do campo alinhado. e) O equivalente de dose no tecido mole, que seria produzido pelo correspondente campo expandido e alinhado, na esfera do ICRU, à profundidade de 10mm sobre o vetor radial que se opõe à direção do campo alinhado. 3. A grandeza dosimétrica que possui por objetivo proporcionar uma estimativa da dose efetiva para todas as condições de irradiação, avaliando a radiação que incide num indivíduo de fora para dentro do corpo, é: a) Equivalente de dose ambiente. b) Equivalente de dose pessoal. c) Equivalente de dose efetiva. d) Equivalente de dose direcional. e) Equivalente de dose. 4. Leia o texto abaixo: “Essa grandeza operacional é recomendada pela Comissão Internacional de Unidades e Medidas da Radiação (ICRU) para a monitoração de área. Com base na sua de�nição, as medidas em termos de H*(10) devem ser efetuadas com um instrumento com resposta isotrópica e com um volume sensível pequeno, a �m de não perturbar o campo de radiação. Na prática, no entanto, os monitores de área geralmente encontrados são projetados para medidas de exposição ou de Kerma no ar. Por essa razão, alguns equipamentos que apresentam excelente resposta em termos de exposição são inadequados para medidas em termos de H*(10). O objetivo desse trabalho é de avaliar a resposta em termos de H*(10) de diversas marcas de monitores de radiação usados no país, caracterizando a dependência energética e angular da sua resposta para medições na nova grandeza, para feixes de raios-X qualidade ISO (feixe estreito) e feixes gama do 137Cs e 60Co. Os resultados mostraram que nenhum dentre os monitores de área testados atende simultaneamente a todos os requisitos estabelecidos pela Norma IEC 60846 com relação à dependência energética e angular quando utilizados em termos de H*(10). Através dos resultados, também pôde-se veri�car que há a necessidade de uma caracterização dos monitores de área disponíveis no país, antes da implementação das novas grandezas operacionais do ICRU.” O texto acima foi retirado do resumo de uma tese de doutorado defendida na Universidade Federal de Pernambuco (UFPB). Neste fragmento está faltando a de�nição do campo de radiação alinhado, expandido e incidente, na esfera ICRU. O campo alinhado e expandido signi�ca que: a) O campo de radiação é uniforme em todas as direções perpendiculares à esfera ICRU, mantendo a fluência de fótons constante em todas as direções. b) A fluência de fótons é a mesma em todas direções. c) O campo de radiação é não homogêneo, e a fluência de energia é unidirecional. d) NO campo de radiação é homogêneo, e a fluência de energia é unidirecional. e) Fluência de radiação é homogênea. 5. As grandezas operacionais podem ser divididas em: a) Grandeza operacional de monitoração de área e de monitoração interpessoal. b) Grandeza operacional de monitoração individual e de monitoração interpessoal. c) Grandeza operacional de monitoração de área e de monitoração efetiva. d) Grandeza operacional de monitoração de ambiente e de monitoração efetiva. e) Grandeza operacional de monitoração de área e de monitoração individual. Notas Título modal 1 Lorem Ipsum é simplesmente uma simulação de texto da indústria tipográ�ca e de impressos. 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Próxima aula Efeitos biológicos causados pela interação da radiação com a matéria. Explore mais Assista ao vídeo Limites de doses individuais - Radiologia javascript:void(0); javascript:void(0);