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Questões - Ministério Público Estadual (Promotor)

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Questões: Direito Administrativo
MINISTÉRIO PÚBLICO (PROMOTOR)
SUMÁRIO
1. Regime Jurídico Administrativo e Regime Jurídico da Administração ........................3
2. Poderes e Deveres Administrativos ....................................................................................5
3. Agentes Públicos ......................................................................................................................8
4. Controle da Administração ..................................................................................................10
5. Domínio Público .......................................................................................................................11
6. Serviços Públicos .................................................................................................................... 12
7. Contratos Administrativos – Lei n. 8.666/1993 ..............................................................14
8. Improbidade Administrativa – Lei n. 8.429/1992 .......................................................... 15
9. Intervenção do Estado na Propriedade Privada ............................................................ 19
10. Acesso à Informação ........................................................................................................... 21
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MINISTÉRIO PÚBLICO (PROMOTOR)
Renato Borelli
Juiz Federal Substituto do TRF 1. Foi Juiz Federal Substituto do TRF 5. Exerceu a advocacia privada e 
público. Foi servidor público e assessorou Desembargador Federal (TRF1) e Ministro (STJ). Atuou no 
CARF/Ministério da Fazenda como Conselheiro (antigo Conselho de Contribuintes). É formado em Direito 
e Economia, com especialização em Direito Público, Direito Tributário e Sociologia Jurídica. 
1. REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO E REGIME JURÍDICO DA ADMINISTRAÇÃO
1.1. Princípios Implícitos, Reconhecidos e Infraconstitucionais
1. (MPE-RO/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2017/FMP) A dificuldade doutrinária em se definir 
interesse público, por se tratar de conceito jurídico aberto ou indeterminado em seu conte-
údo, não impede que se possa cogitar alguns parâmetros ou contornos negativos a partir 
dos quais se pode elaborar um conceito excludente de interesse público, ou seja, daquilo 
que não pode ser confundido com ele. Nesses termos, assinale a opção INCORRETA, que 
deixa de preservar adequadamente o juízo negativo de um interesse ao qual o interesse 
público não pode ser reduzido.
a. Interesse do Estado.
b. Interesse da totalidade dos sujeitos privados.
c. Interesse da maioria dos sujeitos privados.
d. Interesse do aparato administrativo.
e. Interesse indisponível.
COMENTÁRIO
Letra e.
Várias são as teorias, as concepções filosóficas e os autores que buscam definir o conceito 
de interesse público.
Na doutrina italiana, por exemplo, Renato Alessi, ao tratar da atuação da Administração 
Pública, propôs a divisão do termo em duas acepções: a) interesse público primário; e b) 
interesse público secundário.
Tem-se que o interesse público primário é o interesse público propriamente dito enquanto 
“conjunto de interesses individuais preponderantes em uma determinada organização 
da coletividade”, ao passo que o interesse público secundário é o interesse patrimonial da 
Administração Pública enquanto aparato administrativo, ou melhor, é o interesse privado 
da Administração Pública enquanto pessoa jurídica e que está relacionado às receitas e à 
defesa do patrimônio público com o aumento de riquezas e a diminuição de despesas.
Nas palavras do autor:
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“Estes interesses públicos, coletivos, cuja satisfação está a cargo da Administração, não são sim-
plesmente o interesse da Administração entendida como ‘aparato organizativo’, mas o que se cha-
mou de interesse coletivo primário, formado pelo conjunto de interesses individuais preponderantes 
em uma determinada organização da coletividade, enquanto o interesse do aparelhamento (se é 
que se pode conceber um interesse do aparelhamento unitariamente considerado) seria simples-
mente um dos interesses secundários que se fazem sentir na coletividade, e que podem ser realiza-
dos somente em caso de coincidência com o interesse coletivo primário e dentro dos limites de dita 
coincidência. A peculiaridade da posição da Administração Pública reside precisamente nisto, em 
que sua função consiste na realização do interesse coletivo público, primário.”
Hely Lopes Meireles explica que o Estado, por ser o representante da coletividade, e a própria 
coletividade são os titulares do interesse público primário, de modo que é exatamente por isso 
que a Administração Pública deve observância ao princípio da indisponibilidade do interesse 
público, pois, não sendo ela a titular dos interesses que administra, deles não pode dispor.
“(...) a Administração Pública não pode dispor desse interesse geral, da coletividade, nem renunciar 
a poderes que a lei lhe deu para tal tutela, mesmo porque ela não é titular do interesse público, cujo 
titular é o Estado como representante da coletividade, e, por isso, só ela, pelos seus represen-
tantes eleitos, mediante lei, poderá autorizar a disponibilidade ou a renúncia.”
(Meirelles, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro / Hely Lopes Meirelles, José Emmanuel Burle 
Filho. – 42. ed. / atual. até a Emenda Constitucional 90, de 15.9.2015. – São Paulo: Malheiros, 2016. 
P 114-115)
Daí, já podemos concluir que o interesse público pode ser definido como:
a) o interesse do Estado;
c) o interesse da maioria dos sujeitos privados; e
d) o interesse do aparato administrativo.
Quanto à letra b, teoricamente, também é possível associar o interesse público como o 
interesse da totalidade dos sujeitos privados. Isso porque o termo “público”, se consideramos 
puramente a etimologia da palavra, diz respeito a tudo aquilo que pertence ou interessa 
ao povo, aos vizinhos, à comunidade, ao Estado.
Conforme a juíza federal Danielle Souza de Andrade e Silva Cavalcanti:
 
“Assim, o interesse, portanto, passa a ser público quando não é exclusivo ou próprio de uma ou 
poucas pessoas, mas quando dele participam um número tal de pessoas de uma comunidade de-
terminada que podemos chegar a identificá-lo como de todo o grupo, inclusive daqueles que não 
compartilham desse interesse.
(CAVALCANTI, Danielle Souza de Andrade e Silva. Interesse público: necessidade e possibilidade 
de sua definição no direito administrativo. P. 7. Artigo publicado em: Estudantes: Caderno Acadêmi-
co. Recife: Faculdade de Direito do Recife, ano 4, n. 6, p. 129-145, jan./jun. 2000; e Direito Constitu-
cional, Administrativo, Tributário e Filosofia do Direito. Coleção Bureau Jurídico, v. II. Brasília: ESAF, 
p. 21-31, 2000)
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Evidentemente, levando em consideração os valores plurais que as sociedades modernas 
tutelam, seria inconcebível tal concepção.
Por isso, a magistrada destaca que:
“Também parece claro que o interesse público não corresponda ao interesse da totalidade dos cida-
dãos que compõem determinada comunidade, os quais, em regra, colidem, pela própria caracterís-
tica de uma sociedade pluralista, como é a brasileira. Cumprir o interesse público não é atender ao 
interesse comum de todos os cidadãos – o que seria impossível –, mas beneficiar uma coletividade 
de pessoas que tenham interesses comuns, ainda que estes não correspondam à soma dos inte-
resses individuais. O interesse público é despersonalizado.” (p. 10)
Por fim, quanto à letra e, compreenda que nem todo interesse indisponível é um interesse 
público e que nem todo interesse público é um interesse indisponível.
Explico melhor: os interesses

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