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CEDERJ - CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA 
DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
MATERIAL DIDÁTICO IMPRESSO 
 
CURSO: Administração DISCIPLINA: Orçamento, Estrutura e Custo de Capital 
 
CONTEÚDISTA: Kátia de Almeida e Marcelo Alvaro da Silva Macedo 
 
AULA 10 – Módulo 2 
Traçando a Política de Dividendos 
META DA AULA 
Explicar como as empresas decidem sobre a retenção ou a distribuição dos lucros, e 
explicar os procedimentos de pagamento de dividendos e os fatores que afetam esse 
pagamento. 
OBJETIVOS 
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: 
1. Entender os procedimentos para pagamentos de dividendos e o papel dos 
planos de reinvestimento de dividendos; 
2. Entender a distribuição de dividendos no Brasil, como funciona a legislação 
que a regulamenta; 
3. Discutir a influência da tributação na política de dividendos; 
4. Descrever a teoria residual dos dividendos e os principais argumentos ligados 
a sua relevância ou irrelevância; 
5. Discutir os principais fatores vinculados à formulação de uma política de 
dividendos e avaliar os três tipos básicos de políticas de dividendos; 
6. Explicar os desdobramentos, bonificações e recompra de ações, bem como a 
motivação da empresa para definir qual deles realizar. 
PRÉ-REQUISITOS 
Para que você encontre maior facilidade na compreensão dessa aula, é importante 
que faça uma revisão dos principais conceitos de Ações Ordinárias e Ações 
Preferenciais da disciplina Fundamentos de Finanças. 
 
INTRODUÇÃO 
O termo dividendo geralmente refere-se à distribuição de lucros em dinheiro. Se um 
pagamento for feito com outras fontes que não lucros correntes ou lucros retidos 
acumulados, será usado o termo distribuição. Entretanto, é aceitável falar de uma 
distribuição de lucros como sendo um dividendo, e de uma distribuição de capital 
como um dividendo de liquidação. Em termos gerais, qualquer pagamento direto pela 
empresa a seus acionistas pode ser considerado um dividendo, ou como parte de sua 
política de dividendos. 
As projeções de pagamento de dividendos são variáveis-chave de retorno, a partir do 
qual proprietários e investidores determinam o valor da ação. 
Os dividendos representam uma fonte de fluxo de caixa para o acionista e fornecem 
informações sobre o desempenho atual e futuro da empresa. Sendo os lucros retidos - 
lucros não distribuídos como dividendos - uma forma de financiamento interno, a 
decisão a respeito de dividendos pode afetar de forma significativa as exigências de 
financiamento externo da empresa. 
1. PROCEDIMENTO PARA PAGAMENTO DE DIVIDENDOS 
A decisão de pagamento de dividendos pertence ao Conselho de Administração da 
empresa. Os conselheiros normalmente se reúnem trimestralmente ou 
semestralmente para determinar se e em que montante os dividendos devem ser 
pagos. Ao ser declarado, um dividendo passa a ser um passivo da empresa, e não 
pode ser cancelado facilmente. Algum tempo após sua declaração, o dividendo é 
distribuído a todos os acionistas registrados numa data específica. 
• Montante de Dividendos – A maioria das empresas tem uma política estabelecida 
com respeito ao pagamento de dividendos, essa política é determinada pela 
diretoria, que avalia a posição financeira da empresa e suas necessidades de 
investimentos. A diretoria revê as projeções de lucros futuros e, baseada nessa e 
em outras considerações, declara um determinado montante de dividendos em 
dinheiro. De acordo com os lucros da empresa no período o Conselho de 
Administração da empresa pode mudar esse montante na reunião sobre 
dividendos. 
• Datas Relevantes – Além da determinação das datas de registro e a de ex-
dividendos, ela estabelece a data final de pagamento, como a seguir: 
 
¾ Data de Declaração – Data na qual a diretoria de uma empresa aprova uma 
resolução de pagar dividendo e emite uma declaração de distribuição de 
dividendos. 
¾ Data de Registro dos Proprietários – Estabelecida pelo Conselho de 
Administração da empresa, é a data limite para o registro de acionistas no livro 
de registro. Se a empresa lista um acionista como proprietário das ações nesta 
data, então esse acionista recebe o dividendo. 
¾ Data ex-dividendo – Data em que uma ação começará a ser negociada sem 
direito a dividendos na Bolsa de Valores, que acontece dois dias úteis antes da 
data de registro. Se o investidor comprar a ação antes dessa data, terá direito 
ao dividendo. Se comprar nesta data, ou mais tarde não terá direito ao 
dividendo, o titular anterior é que tem direito ao dividendo. Como o dividendo 
tem valor, no período ex-dividendos a ação é vendida subtraído do valor dos 
dividendos, quando estes são pagos, a ação volta a ser negociada pelo seu 
valor de mercado. 
¾ Data de pagamento A data em que a empresa remete, por cheque nominativo, 
o pagamento dos dividendos para os proprietários no registro. 
 
• Planos de Reinvestimento de Dividendos (PRD) – Planos que habilitam os 
acionistas a usar dividendos recebidos das ações da empresa na aquisição de 
ações adicionais inteiras ou fracionárias, a um custo de transação (corretagem) 
pequeno. Uma companhia pode lidar de duas formas com planos de 
reinvestimentos de dividendos, ambas permitem ao acionista optar em ter seus 
dividendos reinvestidos nas ações da empresa. 
1. É pago uma comissão a um agente fiduciário para comprar as ações em 
circulação da empresa no mercado aberto, em nome dos acionistas que 
querem reinvestir seus dividendos, permitindo que comprem as ações 
geralmente a um custo de transação menor do que eles pagariam de outra 
forma. 
2. Envolve comprar ações recentemente emitidas diretamente da empresa 
sem pagar quaisquer custos de transação, permitindo que a empresa 
levante novo capital. 
2. A Prática de Distribuição de Dividendos no Brasil 
É de se lembrar que, doutrinariamente, a sociedade por ações deve distribuir, em 
princípio, todo o lucro. (A reserva legal é uma prova disso, já que nasceu de uma 
intervenção do Estado para proteger os credores contra toda a distribuição do lucro 
das S.A.). O que deve ser justificado aos acionistas é a retenção de parte dos lucros. 
A legislação atual sobre distribuição de dividendos está contida, basicamente, na Lei 
nº 6.404, de 1976 (Lei das Sociedades por Ações) e na Lei nº 10.303 de 2001, que 
altera dispositivo da Lei nº 6.404. No caso das companhias abertas, que são as que 
possuem valores mobiliários (ações e/ou debêntures) normalmente, negociados nas 
bolsas de valores ou no mercado de balcão, há sobre elas também algumas 
determinações específicas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Já as 
companhias fechadas prendem-se apenas a essa lei (e a seus estatutos, conforme 
será visto a seguir). Para as demais sociedades (limitadas, por exemplo), praticamente 
não há disposição legal sobre esse assunto, a não ser no caso das firmas individuais, 
em que se considera sempre que o lucro é totalmente distribuído em cada exercício. 
2.1 Lei das Sociedades por Ações e dividendo preferencial 
A legislação societária no Brasil diz que as ações preferenciais podem ter direito à 
preferência a um dividendo mínimo ou a um dividendo fixo, que podem ser 
cumulativos ou não. Cumulativos são os que, se não pagos num exercício por falta de 
lucro, acumulam-se para pagamento futuro assim que houver resultado positivo 
suficiente. Os não cumulativos só são pagos nos exercícios em que há resultado 
suficiente. 
Dividendo preferencial fixo é uma figura difícil de ser encontrada na prática, não se 
convertendo em rotina no nosso país, ao contrário de outros países onde ele é usual. 
Esse dividendo implica que o acionista preferencial não tenha direito a participar nos 
lucros remanescentes após o pagamento desse dividendo fixo. É como se fosse um 
tipo de juro. 
Dividendo preferencial mínimo,forma já extremamente disseminada no Brasil, é um 
valor que pode, a critério da empresa, ser aumentado em cada ano. Enquanto o 
dividendo fixo seria normalmente definido em unidades monetárias por ação, 
automaticamente corrigível a cada ano, o mínimo pode ou não se determinado nesses 
valores. Pode ser fixado com base em um percentual sobre o valor nominal da ação, 
ou sobre o valor total do capital preferencial. 
Assim, existe o caso de empresa que determina como dividendo preferencial mínimo 
um determinado valor ($) por ação. Ou outra que reza ser ele um percentual do valor 
nominal da ação preferencial. Ou ainda “X%”, no seu valor total (a ser distribuído para 
cada acionista na proporção em que cada um participar nesse capital), do valor 
monetário do capital social preferencial. Nesses casos, o correto seria que a incidência 
fosse sobre o valor corrigido para a data do balanço. 
É comum, no Brasil, a figura do dividendo preferencial mínimo que, por omissão do 
estatuto, tem características de não cumulativo e de assumir valor maior do que o 
mínimo se às ações ordinárias for pago valor superior a esse mínimo. 
Pagamento do dividendo preferencial 
Deve-se salientar que a legislação societária determina que o pagamento do dividendo 
preferencial fixo ou mínimo é de uma exigibilidade violenta, desde que exista lucro. 
Somente a constituição da Reserva Legal pode impedir o pagamento. Jamais outras 
reservas, quer estatutárias, quer de lucros a realizar, para contingências ou para 
expansão, podem ser criadas em detrimento desses dividendos preferenciais. E não 
importa se o lucro é formado com ou sem a conseqüente disponibilidade de caixa! 
Pela atual legislação, a quantidade de ações preferenciais sem direito a voto não pode 
ultrapassar a 50% do total das ações emitidas pela companhia. 
Dividendo mínimo obrigatório 
A Lei das Sociedades por Ações traz uma figura no contexto que não se confunde com 
o dividendo preferencial: trata-se do dividendo mínimo obrigatório que se caracteriza 
como válido para todos os acionistas, ou seja, estende-se aos ordinários. 
Quem determina o quanto é o mínimo obrigatório 
A lei das Sociedades por Ações determina que o estatuto da própria sociedade por 
ações é quem estabelece qual a parcela do lucro que se converte em dividendo 
obrigatório. E diz que pode ser ele estabelecido pelo estatuto como porcentagem do 
próprio lucro, ou do capital social, “ou fixar outros critérios para determiná-lo, desde 
que sejam regulados com precisão e minúcia e não sujeitem os acionistas minoritários 
ao arbítrio dos órgãos de administração ou da maioria”. 
A lei, via esse mesmo artigo, determina que apenas se o estatuto for omisso (ou se ele 
não atender à precisão e minúcia dispostas na legislação) é que fica determinada a 
fórmula: metade do lucro líquido do exercício, após os seguintes ajustes: 
• menos a importância destinada à reserva legal; 
• menos a destinada às reservas para contingências; 
• menos a destinada à reserva de lucros a realizar; 
• mais a importância revertida de reservas para contingência para lucros ou 
prejuízos acumulados; e 
• mais a importância também revertida de reservas de lucros a realizar para 
lucros ou prejuízos acumulados. 
Por uma pressão da legislação sobre as sociedades anônimas (expressão sinônima a 
companhias ou sociedades por ações) que existiam à época em que essa lei foi 
introduzida, uma boa parte delas, hoje, tem em seu estatuto que o dividendo mínimo 
obrigatório é de 25% do lucro líquido ajustado, ou seja, metade do que seria no caso 
das empresas com estatuto omisso. 
Se o estatuto da companhia for omisso com relação à distribuição de dividendos e a 
assembléia de acionistas decidir disciplinar norma sobre a matéria, o dividendo 
obrigatório não poderá ser inferior a 25% do lucro líquido ajustado. 
Se o estatuto da empresa determinar que o dividendo obrigatório é de “25% de lucro 
líquido do exercício”, e não falar em “ajustado”, prevalece como dividendo obrigatório 
esse percentual sobre o lucro líquido do exercício (via demonstração do resultado), 
sem que seja possível efetuar algum ajustamento. 
Quando o dividendo obrigatório não é obrigatório 
Se por um lado a legislação instituiu a obrigatoriedade de um mínimo de dividendo em 
cada exercício social às sociedades por ações, por outro, a fim de não liquidá-las em 
nome desse dividendo, criou várias “válvulas”. Uma delas é a figura do próprio ajuste 
comentado, quando se pode postergar o pagamento desse dividendo, quando há 
lucros financeiramente por realizar ou quando há expectativas de perdas futuras (que 
podem originar as reservas para contingências). As outras são: 
Uma companhia fechada pode simplesmente não distribuir o dividendo obrigatório, ou 
distribuir um valor inferior ao mínimo estatuído, desde que todos os acionistas 
presentes à assembléia geral ordinária concordem com isso. E nesse caso o acionista 
ausente não poderá reclamar sua parcela. Um só que não concorde e todo o 
dividendo mínimo terá de ser colocado à disposição de todos os acionistas. 
Numa companhia, aberta ou fechada, pode deixar de ser obrigatório o dividendo, caso 
os órgãos da administração (diretoria e conselho de administração, se houver) 
informem à assembléia geral ordinária que ele (o dividendo mínimo) é “incompatível 
com a situação financeira da companhia”. Nesse caso, entre outras formalidades, 
exige-se que esse dividendo seja retido em conta especial para pagamento quando a 
situação financeira da companhia o permitir, caso não seja absorvido por prejuízo em 
exercícios futuros. Veja-se que na hipótese anterior (parágrafo anterior) o dividendo 
simplesmente não é pago e não precisa sê-lo no futuro, e que nesta há uma 
postergação. 
Reitere-se aqui que essa figura do dividendo obrigatório mínimo, que vale para todos 
os acionistas, basicamente os ordinários, não pode implicar o não-pagamento dos 
dividendos preferenciais. 
3 ALGUMAS EVIDÊNCIAS DA INFLUÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO NA POLÍTICA DE 
DIVIDENDOS 
Vários estudos realizados na década de 1990 sobre as mudanças nas políticas de 
dividendos das companhias brasileiras, em decorrência das alterações tributárias 
ocorridas a partir de 1988, mostraram a influência da tributação sobre os dividendos e 
ganhos de capital. 
Mas restaram muitas controvérsias, pois alguns concluíram que as reformas tributárias 
não provocaram modificações significativas nas políticas de dividendos, ao passo que 
outros, apontam para um aumento no nível médio dos índices de distribuição de 
dividendos de todos os exercícios sociais após as modificações tributárias (1988-
1989), sugerindo que as mudanças ocorridas na legislação tributária provocaram uma 
modificação nas políticas de dividendos da maioria das empresas analisadas. 
3.1 Juros sobre o capital próprio 
Em 1996, foi abolida a correção monetária sobre valores do patrimônio líquido no 
Brasil, para atender aos objetivos de desindexação do Plano Real. Para reduzir os 
efeitos sobre patrimônios das empresas, decorrentes da extinção da correção 
monetária, a legislação determinou que para efeito de apuração do lucro real, a partir 
de 1/1/96, observado regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos a 
título de remuneração do capital próprio. 
A lei estabelece que o efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à 
existência de lucros computados antes da dedução dos juros ou lucros acumulados, 
ou reserva de lucros, em montante igualou superior a duas vezes os juros a serem 
pagos ou creditados. 
Até o final de 1996, os juros sobre o capital próprio eram dedutíveis apenas para o 
cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica. A partir de janeiro de 1997, a dedução 
foi estendida também para a contribuição social sobre o lucro líquido. Assim, as 
pessoas jurídicas passaram a se beneficiar de uma reduçãode até 100% da carga 
fiscal sobre os lucros, limitados a 50% do lucro efetivo. 
O artigo 9º da Lei nº 9.249/95 faculta que os juros sobre o capital próprio poderão ser 
imputados ao valor dos dividendos de que trata o artigo 202 da Lei nº 6.404/76, que 
disciplina o dividendo obrigatório e o dividendo anual mínimo. Assim, o juro sobre o 
capital próprio, ao se transformar em dividendo, pode beneficiar as empresas, na 
totalidade, ou pelo menos, em uma parcela, com um dividendo dedutível para fins de 
apuração do imposto de renda da pessoa jurídica. Entretanto, na pessoa física, os 
dividendos são isentos enquanto os JSCP sofrem a incidência do IRF de 15%. 
Não pretendemos nos alongar nessa análise aqui, e estamos recomendando apenas 
que qualquer política de dividendos a ser implementada no país deverá levar em 
consideração o tratamento fiscal dado ao pagamento de juros sobre o capital próprio. 
3.2 Juros sobre Capital Próprio na Legislação Brasileira 
Os juros sobre o capital próprio possuem certos privilégios fiscais: por essa figura, as 
empresas poderão reduzir de seu lucro real (tributável) os juros a titulo de 
remuneração do capital de seus acionistas, promovendo uma economia de imposto de 
renda. Para seu cálculo, segundo a legislação vigente, é aplicada a taxa de juros de 
longo prazo (TJLP) sobre o patrimônio líquido da empresa, e seu valor total máximo 
não poderá exceder 50% entre o maior dos seguintes valores: 
a) lucro líquido antes do IR do exercício, e calculado antes dos referidos juros; 
b) lucros acumulados de exercícios anteriores. 
Na definição do valor do patrimônio líquido para cálculo dessa remuneração não deve, 
ainda, ser incluído o saldo da conta de reservas de reavaliação. 
Pela legislação fiscal vigente, o valor desses juros é deduzido do resultado do 
exercício, e dedutível, por conseguinte, para cálculo do imposto de renda. 
A apuração desse juro sobre o capital próprio é opção de cada empresa, não se 
constituindo numa obrigação. Quando calculada e paga aos acionistas, essa 
remuneração é entendida como se fosse dividendos para efeitos de cálculo do 
dividendo mínimo obrigatório previsto na Lei das Sociedades por Ações. Em outras 
palavras, os juros sobre o capital próprio pago aos acionistas são descontados do 
montante de dividendos obrigatório devido pelas Sociedades por Ações. 
Por orientação da CVM, os juros, quando descontados do resultado do exercício, 
devem ser estornados para fins de publicação do Demonstrativo de Resultados. 
4. A RELEVÂNCIA DA POLÍTICA DE DIVIDENDOS 
A política de dividendos envolve a decisão de escolher entre distribuir os lucros ou 
retê-los. Exerce um importante papel na determinação do valor de uma empresa. Os 
acionistas visualizam os dividendos como um sinal da capacidade da empresa em 
gerar lucros. Um grande número de analistas emprega os dividendos para calcular o 
valor intrínseco das ações, uma vez que o modelo básico de precificação de ações, P0 
= D1/(ks – g), mostra que se a empresa adotar uma política de distribuir mais 
dividendos em dinheiro, D1 irá subir, o que tenderá a aumentar o preço da ação. No 
entanto, se forem aumentados os dividendos em dinheiro, então haverá menos fundos 
disponíveis para reinvestimento, a taxa de crescimento futura esperada será rebaixada 
e isso irá diminuir o preço da ação. Assim, a modificação do dividendo tem dois efeitos 
opostos. A política ótima de dividendos para uma empresa é aquela que atinge o 
equilíbrio entre dividendos correntes e crescimento futuro que maximiza o preço da 
ação. 
Apesar de alguns teóricos argumentarem que a decisão de pagar dividendos é 
independente das decisões de investimento, os dividendos podem indiretamente 
influenciar os planos de financiamento externo dos administradores financeiros. Por 
exemplo, uma decisão de pagar elevados dividendos deixará menos recursos gerados 
internamente para serem reinvestidos na empresa. Isso faz com que a empresa 
precise obter recursos através de emissão de novas ações e de títulos de dívida. O 
financiamento com capital de terceiros, por sua vez, pode alterar a estrutura de capital 
e o custo de capital da empresa. Por isso, os administradores financeiros tentam 
manter um equilíbrio entre pagar um dividendo razoável aos acionistas (para que 
mantenham sua lealdade) e reinvestir os lucros (para assegurar futuro crescimento e 
maximizar o preço das ações da empresa). 
Uma das teorias-chave a ser discutidas nesta aula estabelece que os dividendos 
devem ser pagos somente após todas as necessidades de financiamento e 
investimento estarem satisfeitas. Uma outra teoria alega que os dividendos não afetam 
os preços das ações. Ainda uma outra argumenta que os dividendos são importantes 
para a mensuração do valor da empresa. 
4.1 A TEORIA RESIDUAL DOS DIVIDENDOS 
Política na qual o dividendo pago é igualado aos lucros realizados menos a quantia de 
lucros retidos necessária para financiar o orçamento de capital ótimo da empresa. 
Como esta teoria sugere que os dividendos pagos pela empresa sejam encarados 
como um resíduo, ou seja, o montante que tenha sobrado após terem sido 
empreendidas todas as oportunidades aceitáveis de investimentos, a empresa trataria 
a decisão de dividendos de acordo com as etapas que se seguem: 
1- Determinar o orçamento de capital ótimo, o qual será o nível indicado pelo ponto de 
interseção do perfil de oportunidades de investimentos (POI) com a função do custo 
marginal ponderado de capital. 
2- Determinar a quantia de capital necessária para financiar aquele orçamento. 
3- Utilizar lucros retidos para fornecer o componente capital próprio, na quantia 
possível 
4- Pagar dividendos somente se estiverem disponíveis mais lucros do que os 
necessários para alimentar o orçamento de capital ótimo. 
Por essa abordagem, se as necessidades de capital excederem os lucros retidos, 
nenhum dividendo em dinheiro será pago. Caso ocorra um excesso de lucros retidos, 
o montante residual será então, distribuído. O argumento que sustenta essa 
abordagem é de que uma administração competente deveria certificar-se de que a 
empresa tem o dinheiro de que necessita para competir satisfatoriamente no mercado 
e, portanto, conseguir elevar o valor das suas ações. Essa visão dos dividendos 
sugere que a taxa exigida de retorno dos investidores, ks, não é influenciada pela 
política de dividendos da empresa – premissa essa que sugere, que a política de 
dividendos é irrelevante. 
4.2 Teoria da Irrelevância dos Dividendos 
Teoria desenvolvida por Miller e Modigliani segundo o qual, de acordo com uma série 
de premissas, o valor da empresa não é afetado pela distribuição de dividendos, mas 
apenas pela capacidade de geração de valor e risco de seus ativos. 
• Aumentos ou diminuição nos preços das ações com mudanças nos volumes de 
dividendos não são por causa do dividendos em si, mas ao seu conteúdo 
informacional 
Conteúdo informacional A sinalização fornecida pelos dividendos de uma empresa 
com respeito aos lucros futuros que motiva os investidores a elevar ou reduzir os 
preços das ações. 
Efeito clientela Aspecto da teoria de M&M, pela qual uma empresa atrairia acionistas 
cujas preferências com respeito ao pagamento e estabilidade de dividendos 
correspondam ao padrão de pagamento e estabilidade da própria empresa. 
Resumindo, M&M e outros proponentes da irrelevância dos dividendos argumentam 
que o retorno exigido por um investidor, ks e portanto o valor da empresa não são 
afetados pela política de dividendos porque: 
1. O valor da empresa depende apenas da capacidade de geração de ganhos e 
riscos de seus ativos 
2. Caso os dividendos afetem o valor, isso ocorre apenas devido ao conteúdo 
informacional que revela as expectativas dos administradores da empresa 
3. Ocorre um efeito clientela que leva os acionistas a receber os dividendosque eles 
próprios esperam. 
Esses pontos de vista de M&M com respeito à irrelevância dos dividendos são 
coerentes com a teoria residual, a qual enfatiza a necessidade de se empreender as 
melhores decisões de investimentos com o objetivo de maximizar o valor das ações. 
Naturalmente, tudo isso leva à conclusão de que a empresa não necessita de uma 
política de dividendos 
4.3 Teoria da Relevância dos Dividendos 
A mais antiga, defendida por Gordon e Lintner, é de que a política de dividendo é 
relevante para o valor da ação. O argumento central é o de que o custo do capital 
próprio, ks, cai à medida que aumenta o índice de “payout” (ou seja, o quociente entre 
dividendo por ação e lucro por ação). Isso ocorreria com o aumento de D1, e apesar da 
redução da taxa de crescimento, g, porque em sua maioria os acionistas prefeririam 
receber dividendos agora e esperar por ganhos de capital e dividendos, mesmo que 
maiores, num futuro distante. A retenção e o reinvestimento de lucros simplesmente 
adiariam o pagamento de dividendos, que por isso tenderiam a ter sua incerteza 
aumentada. 
Portanto, segundo Gordon e Lintner, subindo D1 (e caindo g), mas também caindo ks, 
o efeito líquido sobre o valor da ação, P0, seria positivo. 
Argumentos da relevância dos dividendos 
O grupo de acadêmicos que afirma que os dividendos contam na determinação do 
valor de uma empresa, indicam que existem três razões principais para que os 
investidores prefiram os dividendos e para que o valor da empresa seja afetado pelos 
seus pagamentos. 
Primeiro, existe o conceito de “pássaro na mão”. Os dividendos em dinheiro hoje 
valem mais do que o dinheiro futuro provenientes dos lucros retidos reinvestidos. 
Quando a empresa paga dividendos em dinheiro, ele reduz a incerteza do investidor. 
Isso torna o risco menor que, por sua vez, diminui a taxa de desconto ks. Ou seja, a 
taxa de desconto associada aos dividendos (k dividendos) é menor que a taxa de desconto 
associada aos lucros retidos futuros (k lucros retidos). 
(k dividendos) < (k lucros retidos) 
Se o valor de uma ação é determinado pela série de retornos futuros descontados, 
quanto menor a taxa de desconto associada aos dividendos, mais favoravelmente o 
valor das ações será influenciado. 
Segundo, o conteúdo informacional é o outro fator importante que faz os dividendos 
serem relevantes no processo de valorização das ações. Através do pagamento de 
dividendos, uma empresa sinaliza aos investidores que ela espera gerar lucros para 
pagar esses dividendos no futuro. Ao contrário, quando uma empresa pára de pagar 
dividendos, ela está deixando os investidores saberem que alguma coisa está errada. 
Alterações na política de dividendos influencia as atitudes dos investidores em relação 
à empresa, que por sua vez afetará o preço de mercado das ações. Por isso a 
empresa deve informar o porque de mudanças na política de dividendos caso essas 
ocorram. 
Terceiro, o efeito clientela implica que alguns investidores precisam ou preferem o 
lucro hoje a tê-lo no futuro. Especialmente, aqueles investidores de baixa renda que 
estão mais interessados no recebimento da remuneração do capital mais cedo em 
detrimento de maiores retornos que podem ser pagos em uma data futura. Esse tipo 
de investidor tendem a investir em ações que pagam dividendos constantes e, de 
preferência, que ofereçam elevados rendimentos. Por isso eles procuram por ações 
que tenham retornos próximos aos dos outros ativos. Por isso, se a empresa reduz 
seus dividendos, eles tendem a ficar apreensivos e propensos a se desfazerem das 
ações, caso valor das mesmas caia como conseqüência de tal decisão. 
5. POLÍTICAS DE DIVIDENDOS 
A política de dividendos é uma das principais decisões da administração financeira e 
diz respeito à tomada de decisão quanto a reter ou distribuir lucros. Pode a 
administração influenciar no preço da ação da empresa através da política de 
dividendos? Pode a política de dividendos da empresa maximizar a riqueza de seus 
acionistas? Pode determinada política de dividendos assegurar o financiamento 
suficiente à empresa? Para tentarmos responder essas questões, vamos avaliar a 
seguir alguns aspectos fundamentais da decisão de dividendos. 
Política de dividendos é o procedimento adotado pela empresa nas decisões de reter 
ou distribuir lucros. 
Política ótima de dividendos é a que atinge o equilíbrio entre dividendos correntes e 
crescimento futuro, maximizando o preço das ações da empresa. 
5.1 FATORES QUE AFETAM A POLÍTICA DE DIVIDENDOS 
Um fator importante em relação à política de distribuição de dividendos diz respeito ao 
seu valor informativo. Os dividendos proporcionam os melhores e mais confiáveis 
sinais. Um aumento nos dividendos demonstra confiança, por parte da administração, 
de que os lucros futuros serão suficientes para sustentar esse novo e mais alto 
dividendo, enquanto um corte no dividendo indica que a administração está 
preocupada com o nível dos lucros futuros. 
Além do conteúdo de informação dos dividendos que pode influenciar a procura pelas 
ações de determinada empresa, existe ainda o chamado "efeito clientela" / definido 
como a tendência de uma empresa a atrair o tipo de investidor que aprecia sua política 
de dividendos. 
Por exemplo, alguns acionistas preferem rentabilidade corrente a ganhos de capitais 
futuros. Esses procurarão empresas que distribuam uma porcentagem mais alta de 
seus lucros. Outros acionistas não têm necessidade de rentabilidade corrente de 
investimento. Provavelmente iriam reinvestir qualquer receita de dividendos que 
recebessem. Esse segundo grupo/ então, preferirá um índice de distribuição de 
dividendos mais baixo. 
Os principais fatores que influenciam a política de dividendos são: liquidez, 
perspectivas de crescimento, considerações dos proprietários, restrições legais em 
contratos de obrigações ou de empréstimos e avaliação do mercado. Vamos 
descrever, a seguir, cada um desses fatores. 
Liquidez – A liquidez de uma empresa é consideração fundamental nas decisões de 
dividendos, pois como eles representam uma saída de caixa, quanto maior a posição 
de caixa e a liquidez geral da empresa, maior sua capacidade de pagar dividendos. 
Perspectivas de crescimento – Inicialmente é preciso fazer uma avaliação das 
necessidades de recursos para expansão de ativos, e para isso são usados os 
orçamentos de capital e os demonstrativos projetados de origens e aplicações de 
recursos. É fundamental a determinação das projeções dos fluxos de caixa e da 
posição de caixa da empresa, do risco de negócios e financeiro, e como isso tudo 
poderá influenciar no estabelecimento da política de dividendos. Sob esse aspecto, a 
empresa deve verificar sua situação com muitos anos de antecedência para evitar 
mudanças na política de dividendos, que poderá resultar em queda no valor das 
ações. 
Considerações dos proprietários – A principal preocupação da empresa deveria ser 
maximizar a riqueza dos acionistas. Pode ser; no entanto, que os acionistas às vezes 
se preocupem demasiadamente com a manutenção do controle acionário. Se uma 
empresa pagar bons dividendos e de forma regular, poderá precisar de capital mais 
tarde e consegui-lo através da venda de ações. Nessas circunstâncias, o controle da 
empresa poderá se diluir se os acionistas controladores não puderem subscrever mais 
ações. Esses acionistas podem preferir dividendos baixos e o financiamento das 
necessidades de investimento da empresa por meio de lucros retidos. Essa política de 
dividendos pode não maximizar a riqueza dos acionistas, mas, mesmo assim, ainda 
promoverá os interesses dos acionistas controladores. 
Restrições legais em contratos de obrigações ou de empréstimos – As cláusulas 
de proteção num contrato de obrigações ou de empréstimo muitas vezes incluem uma 
restrição ao pagamento de dividendos.Essa restrição é imposta pelos financiadores 
para preservar a capacidade da empresa de arcar com as obrigações de suas dívidas. 
Quase sempre é expressa como uma porcentagem máxima de lucros acumulados. 
Quando essa restrição está em vigor, é claro que influencia a política de dividendos da 
empresa. 
Avaliação do mercado – A administração da empresa deve procurar conhecer todas 
as informações relevantes para a política de dividendos que maximize a riqueza dos 
acionistas. O conhecimento da forma como o mercado valoriza certas políticas de 
dividendos, da preferência de determinados segmentos e do perfil de seus acionistas 
pode se tornar um fator determinante para o sucesso de uma política de dividendos. 
De modo geral, os acionistas apreciam políticas de pagamentos de dividendos fixos e 
contínuos. Essa política passa aos investidores uma segurança maior, quanto à 
rentabilidade e à saúde econômico-financeira da empresa, reduzindo o custo de 
captação de recursos, aumentando o preço das ações e conseqüentemente 
maximizando a riqueza dos acionistas. 
5.2 CARACTERÍSTICAS DAS POLÍTICAS DE DIVIDENDOS 
A política de dividendos deve levar em consideração dois objetivos fundamentais: 
maximizar a riqueza dos acionistas e propiciar um financiamento adequado à 
empresa. Vamos analisar a seguir três das políticas de dividendos mais utilizadas. 
Política de dividendos com índice de distribuição constante 
Através dessa política, a empresa adota um índice de distribuição de dividendos fixos. 
Esse índice pode ser representado também pela divisão entre os dividendos pagos em 
dinheiro por seus lucros por ação. De uma certa forma, ao adotar essa política, a 
empresa tem de assegurar aos seus acionistas um repasse imediato dos resultados 
obtidos. 
A desvantagem dessa política é que, se os lucros são instáveis, os dividendos vão 
variar continuamente passando aos acionistas uma impressão de que a empresa é 
muito arriscada, ou mal administrada. 
Política de dividendos regulares1 
A política de distribuição de dividendos regulares se baseia no pagamento de um 
dividendo em dinheiro fixo por período, podendo ser mensal ou anual. Essa política 
quase sempre transmite ao acionista uma impressão positiva sobre o desempenho da 
empresa. Ao longo do tempo a empresa pode reajustar esse dividendo fixo para cima, 
à medida que vão se observando novos patamares de lucros. 
Essa política tem sido mais utilizada que a política de dividendos com índices 
constantes exatamente por cumprir melhor os objetivos de uma boa política de 
dividendos, que são o de maximizar a riqueza dos acionistas e propiciar um 
financiamento adequado à empresa. Sempre poderá haver grandes oscilações nos 
lucros; no entanto, com essa política, a empresa procura não repassar todas as 
oscilações aos acionistas. 
Política de dividendos regulares mais extra 
A política de dividendos regulares mais a distribuição de um dividendo extra por 
ocasião de bons resultados proporciona aos acionistas uma renda estável que lhe dá 
segurança e uma renda extra que o mantém como participante dos períodos de bons 
lucros da empresa. É uma política mais conservadora que a política de dividendos 
regulares, pois toma o cuidado de distribuir um pouco menos de dividendos regulares 
e só distribuindo mais dividendos segundo sua capacidade de gerar caixa. Essa 
política tem o cuidado de não criar falsas expectativas nos acionistas, chamando de 
dividendo extra tudo aquilo que o acionista não deve incorporar a seu fluxo de caixa 
normal. 
É uma política adequada para aqueles investidores cujo perfil exige uma remuneração 
estável para cumprir seus compromissos, e também àqueles investidores que estão 
dispostos a assumir um pouco mais de risco. 
Essa política traz a vantagem de assegurar um adequado fluxo de financiamento para 
a empresa e melhor preço da ação. 
ATIVIDADE – Objetivo 5 
Discuta os prós e contras de cada uma das políticas de dividendos: 
RESPOSTA: 
Política de dividendos constante (com quociente de distribuição constante), onde o 
valor dos dividendos pagos anualmente é baseado numa percentagem pré-fixado do 
 
1 O Brasil é um dos únicos países do mundo que estabelece em sua legislação das Sociedades Anônimas 
um índice de distribuição de dividendos obrigatório de 25% sobre o lucro anual. 
 
lucro por ação. Com isto, mudanças no lucro por ação são normalmente 
acompanhadas de alterações correspondentes nos dividendos por ação. Este ajuste 
nos dividendos por ação, em função de oscilações no lucro por ação, implica numa 
política de dividendos com taxa estável. 
Vantagens: Essa política é ideal para empresas cujo lucro tende a oscilar de um ano 
para o outro. 
Se a empresa tem grande potencial de crescimento e lucratividade ao longo dos anos, 
com essa política, os dividendos tendem a ser crescentes ao longo dos anos. Como os 
dividendos de uma empresa é uma fonte de informação, esta política reduz a incerteza 
com respeito ao futuro da empresa, dando aos seus acionistas a certeza do contínuo 
sucesso. 
Desvantagens: Empresas com potencial de crescimento muito grande, tem 
normalmente projetos de investimentos atraentes. Ao utilizar uma política de 
dividendos com taxa estável, o que ocorre é que esta empresa poderá ter 
proporcionalmente menos recursos próprios aplicados nela. Com isso, ela pode ficar 
sem financiamento suficiente para implementar projetos aceitáveis, o que afeta o 
processo de maximização da riqueza do proprietário. 
Outra desvantagem é o montante de recursos que a empresa deverá dispor para fazer 
pagamentos de dividendos em dinheiro. 
Política de dividendos regulares; aumentando o dividendo regular, após ter ocorrido 
um aumento comprovado nos lucros. 
Esta política não fornece aos proprietários nem boas, nem más informações, em vez 
disso, minimiza a sua incerteza. 
Vantagens: 
• Como os acionistas dão valor a retornos estáveis em detrimento de retornos que 
oscilam, é possível que o valor de mercado da ação ordinária aumente. 
• Um aumento de dividendo, numa política de dividendos de valor estável é um sinal 
positivo para os acionistas. Aumentando os dividendos, a empresa está 
demonstrando sua confiança na capacidade de sustentá-los em níveis mais 
elevado. 
• Atrai investidores institucionais, que só podem participar no capital de empresas 
que estejam na relação aprovada legalmente, e entre outras condições para ser 
incluída na relação, a empresa deve apresentar uma tradição histórica de 
pagamento de dividendos. 
• Ter liquidez suficiente para paga dividendos. 
• Os grupos controladores não correm perigo de perder o controle, já que as 
necessidades de capital serão atendidas com recursos gerados internamente. 
Desvantagens: 
• Insatisfação dos acionistas atuais pela redução de seus investimentos. Com isso 
poderão se desfazer de suas ações o que terá como conseqüência, num primeiro 
momento, a redução do preço de mercado da ação. 
Política de dividendo regular-baixo-mais-extra – As empresa estabelecem uma 
política de dividendos regulares baixos acompanhada por dividendo adicional 
garantido pelos lucros obtidos. Se o lucro for maior do que o normal num dado 
período, a empresa poderá pagar um dividendo adicional, que será designado de 
dividendo extra. 
Vantagens: 
• A empresa disporá de mais recursos para aplicá-los em investimentos rentáveis. E, 
se no próximo período os lucros forem altos paga-se dividendos extras. 
• Essa política deve ser adotada por empresas que já atingiram a maturidade e são 
capazes de manter um lucro normal ao longo dos anos. 
Desvantagens: 
• Insatisfação, devido a redução de rendimentos. 
• Impressão de continuidade quando a empresa paga dividendos extras por longos 
períodos (Empresas devem aumentar o nível de dividendos regulares quandofor 
comprovado o aumento nos lucros). 
5.3 OUTRAS MODALIDADES DE DIVIDENDOS (Que não envolvem desembolso) 
Ocasionalmente, as empresa não podem pagar dividendos em dinheiro ou podem 
pagar apenas pequenos dividendos em dinheiro. A fim de dar aos proprietários alguma 
indicação de que estão indo bem, elas poderão pagar bonificações. 
a. Dividendos em ações (Bonificações) 
Uma bonificação é o pagamento atual aos acionistas atuais de um dividendo na forma 
de ações. Embora as bonificações não tenham um valor real, os acionistas podem 
considerá-las como algo que eles não possuíam antes e que, portanto, tem valor. 
Do ponto de vista contábil, os lucros retidos são capitalizados quando se pagam 
dividendos em ações; por isso bonificação é antes uma troca de fundos entre contas 
do patrimônio líquido do que uma aplicação de fundos. Quando uma empresa declara 
uma bonificação, os procedimentos gerais referentes ao seu anúncio e distribuição são 
idênticos aos descritos anteriormente para um dividendo em dinheiro. Porém, o que o 
proprietário recebe são ações adicionais, que na realidade representa algo que ele já 
possui. Isso não altera sua propriedade proporcional, nem aumenta os ativos da 
empresa. 
Ponto de vista dos acionistas 
O acionista, ao receber uma bonificação, não recebe nada de valor. Depois que a 
bonificação for paga, o preço da ação decrescerá em proporção à bonificação, de tal 
maneira que o valor de mercado de sua participação total na empresa permaneça 
idêntico. A participação proporcional do acionista também não se altera, e desde que 
os lucros da empresa não variem, o mesmo acontece com a sua participação nos 
lucros totais.(Entretanto, se os lucros e os dividendos em dinheiro aumentarem 
quando o dividendo em ações é declarado, tenderá a ocorrer um aumento do valor da 
ação). 
Ponto de vista da empresa 
Fica mais dispendioso emitir ações bonificadas do que pagar dividendos em dinheiro, 
mas as vantagens de usar as primeiras geralmente superam estes custos. As 
empresas acham que a bonificação é um meio de dar algo aos proprietários sem 
contudo usar caixa. Em geral, quando a empresa está crescendo rapidamente e 
precisa manter caixa para financiar esse crescimento, usa-se a bonificação. 
b . Splits de ações (ou Desdobramento de ações) 
Método pelo qual aumenta-se o número de ações existentes, ao mesmo tempo em 
que o preço da ação cai. A finalidade disto é estimular a atividade das negociações. 
Um split de ações não afeta a estrutura financeira da empresa. Geralmente aumenta o 
número de ações existentes e reduz o valor nominal da ação. Em outras palavras, 
quando uma ação é “dividida”, troca-se determinado número de novas ações por um 
dado número de ações existentes. Num split de 2 por 1, cada ação antiga é trocada 
por 2 ações novas, num split de 3 por 2 trocam-se três novas ações por duas ações 
antigas. 
c. Splits reverso de ações (ou Desdobramentos reversos de ações) 
Reduzem o número de ações em circulação. Método usado para elevar o preço de 
mercado da ação de uma empresa, por meio da troca de um certo número de ações 
por uma nova ação. 
d. Recompras de ações 
A recompra por parte de uma empresa de suas ações no mercado. Uma empresa 
pode recomprar suas ações por diversas razões. Por exemplo, ações podem ser 
recompradas para serem utilizadas para adquirir outra empresa. Outra razão é o de 
aumentar o valor das ações para os acionistas e/ou desincentivar possível aquisição 
por grupos externos. Em outros casos, porém, as ações poderão ser readquiridas 
simplesmente para serem retiradas do mercado. Nestas circunstâncias, a reaquisição 
de ações poderá ser considerada como parte da política de dividendos da empresa. 
A recompra como dividendo em dinheiro 
O motivo da recompra da ação é distribuir o excesso de caixa aos proprietários da 
empresa, já que resgatar ações significa que os proprietários recebem caixa por suas 
ações. 
Se o lucro permanecer constante, a recompra de ações tem os seguintes efeitos: 
1. Reduz o número de ações em circulação 
2. Eleva o LPA 
3. Eleva o preço de mercado da ação 
A recompra de ação ordinária resulta em um tipo reverso da diluição, já que o LPA e 
preço de mercado da ação são aumentados pela redução do número de ações em 
circulação. Teoricamente, o ganho de capital proveniente da recompra deve ser igual 
aos dividendos que teriam sido pagos. 
 
Processo de Recompra 
Os dois métodos mais comuns de recompra são a oferta pública e a compra das 
ações no mercado. Com uma oferta pública, a empresa propõe aos acionistas a 
compra de um determinado número de ações, em geral a um preço estabelecido. Este 
preço de oferta é acima do preço de mercado; os acionistas podem optar entre vender 
suas ações ao preço especificado ou ficar com elas. Em geral os custos que a 
empresa tem que incorrer numa oferta pública são mais altos que na compra de ações 
no mercado. Os principais custos são a taxa paga ao banco de investimento que 
administra a recompra e as taxas pagas aos distribuidores. 
Nas compras no mercado, a empresa compra suas ações como qualquer outro 
investidor – através de uma corretora. Via de regra, a taxa de corretagem é negociada. 
Antes da empresa recomprar suas ações, os acionistas têm que ser avisados das 
intenções da empresa. Numa oferta pública esta intenção é anunciada pela própria 
oferta. Mesmo assim, a empresa não pode esconder outras informações. 
Em compras no mercado, em especial, é preciso levar a público as intenções de 
recompra da empresa. Caso contrário, os acionistas podem vender suas ações sem 
tomar conhecimento de um programa de recompra que aumentará o lucro por ação. 
Quando o volume de ações recompradas for é muito grande, o ideal é uma oferta 
pública, pois ela dá igual a tratamento todos os acionistas. 
ATIVIDADE – Objetivo 6 
Discuta o efeito, se houver, que o pagamento de bonificações terá sobre a 
participação do acionista sobre a propriedade e os lucros da empresa. 
RESPOSTA 
Pagamento de bonificações (ou dividendos em bonificações) não criam nem 
representam ganhos para o acionista. Na realidade, pode ocorrer uma série de 
benefícios, pois bonificações podem transmitir para os investidores as expectativas 
positivas da empresa. Além disso, a queda no preço de mercado da ação via 
bonificação pode deslocá-la para uma faixa mais popular. Bonificações podem resultar 
em dividendos maiores para os acionistas. Por exemplo, uma empresa que paga 5% 
de dividendos em ações e mantém inalterado o valor de seus dividendos por ação, 
efetivamente aumentou seus dividendos em 5%. Todos esses fatores podem contribuir 
para elevar o preço de mercado da ação. A participação dos acionistas sobre a 
propriedade e sobre os lucros da empresa permanece inalterada, uma vez que o lucro 
da empresa permanece constante. 
ATIVIDADE – Objetivo 6 
Quais as diferenças entre bonificações e split de ações? 
RESPOSTA: 
Bonificações As empresas ocasionalmente não podem pagar dividendos em dinheiro 
ou podem pagar apenas pequenos dividendos em dinheiro. A fim de dar aos 
proprietários alguma indicação de que estão indo bem, elas poderão pagar 
bonificações. Estas resultam de capitalização de lucros retidos, e na realidade não tem 
nenhum valor para o recebedor. Contudo o efeito psicológico dos dividendos em ações 
sobre os proprietários geralmente é favorável. 
Split: o desdobramento é uma forma de reduzir o preço de mercado da ação mediante 
alterações em seu valor nominal e na quantidade física emitida. Os splits de ação são 
usados para aumentar a negociabilidade das ações da empresa. O objetivo do split é 
melhorar a liquidez de uma ação para torná-la mais acessível a uma faixa maior de 
investidores. 
Split de ação causa um aumento no número de ações em circulação e reduz o valor 
nominal da ação sem alteração na estrutura decapital da empresa. Entretanto, 
bonificações (dividendos em ações) causam um aumento no número de ações em 
circulação sem qualquer redução em seu valor nominal. Bonificações há a 
transferência de recursos da conta lucros retidos para as contas ações ordinárias 
(capital próprio) e ágio na venda de ações ordinárias. 
ATIVIDADE – Objetivo 6 
Qual o impacto da recompra de ações sobre o preço das ações? 
RESPOSTA 
O preço de mercado antes da recompra é diferente do preço de mercado depois da 
recompra pela quantia de dividendos pago em dinheiro. O preço de mercado pós 
recompra é mais alto por que há menos ações em circulação. 
CONCLUSÃO 
Na política de dividendos, a empresa analisa os fatores descritos anteriormente e 
estabelece o percentual de lucros retidos a ser pago. Quando as empresas distribuem 
dividendos, retendo lucros inferiores às oportunidades de investimentos existentes, 
isso significa que a administração julga que o pagamento desses dividendos terá um 
efeito favorável no preço das ações. O que é frustrante é que não podemos fazer 
muitas generalizações claras com base em provas empíricas. A falta de uma base 
sólida para prever o efeito de longo prazo de uma política de dividendos sobre o preço 
da ação, toma a decisão mais difícil que as decisões de investimento ou de 
financiamento. Uma política ativa de dividendos envolve um ato de fé, já que exige que 
parte dos lucros distribuídos seja reposta por novas emissões de ações. Essa 
estratégia pode aumentar a riqueza dos acionistas, mas traz incerteza sobre a 
previsão dos resultados. 
Testes empíricos sugerem que cada uma das teorias poderia estar correta ou que 
todas estão incorretas, porque: 
a. Não é possível encontrar um conjunto de empresas que difiram apenas 
em suas políticas de dividendos; 
b. Não podemos obter estimativas precisas sobre o custo de capital próprio; 
c. Ainda não se sabe de que modo a política de dividendos afeta os preços 
das ações e o custo de capital. 
RESUMO 
O capítulo chama a atenção para a importância da empresa ter uma política de 
dividendos que considere as diferentes teorias existentes. A política de dividendos 
afeta o preço das ações? A política de dividendos é irrelevante? Altos dividendos 
elevam o valor das ações? São algumas questões apresentadas em seu início. 
MODIGLIANI e MILLER (MM) defendiam que num mundo perfeito, sem risco, sem 
impostos, sem custo de transação e sem outras imperfeições do mercado, a política 
de dividendos não afetava o valor da empresa. Toda a Teoria de Dividendos é 
baseada nas proposições desses autores. 
A teoria da irrelevância dos dividendos, defendida por MM afirma que a política de 
dividendos não afeta o valor da empresa. A teoria da relevância defende que, quanto 
mais dividendos forem distribuídos pela empresa, maior será o preço de suas ações e 
menor será o custo do seu capital próprio. A teoria residual já defende que os 
dividendos pagos pela empresa deveriam ser apenas o que tenha sobrado após todas 
as oportunidades de investimentos aceitáveis terem sido aproveitadas. Baseados 
nessas teorias, os estudiosos desenvolveram o conceito de política ótima de 
dividendos. 
Existem vários fatores que influenciam uma política de dividendos: liquidez, 
perspectiva de crescimento, considerações dos proprietários, restrições legais em 
contratos de obrigações ou de empréstimos e avaliação do mercado. 
Há três políticas de dividendos: a política de dividendos com índice de distribuição 
constante; a política de dividendos regulares e a política de dividendos regulares mais 
extra. Não há uma que seja a mais indicada, sendo suas utilizações dependem de 
cada caso e das estratégias globais da empresa. 
As empresas utilizam vários instrumentos na condução de suas políticas de 
dividendos, sendo as mais comuns: distribuição de dividendos; desdobramentos de 
ações; recompra de ações; reinvestimento de lucros e reinvestimento de dividendos. 
Aspectos tributários afetam as políticas de dividendos, e um dos casos marcantes foi a 
adoção no Brasil da legislação que implantou o juro sobre o capital próprio. 
INFORMAÇÕES SOBRE A PRÓXIMA AULA 
Na próxima aula vamos aprender os conceitos fundamentais de fusões e aquisições, 
ou seja, sobre operações de “junção” de empresas, ressaltando os principais aspectos 
econômico-financeiros, jurídicos, contábeis-tributários e culturais do processo de 
negociação de uma fusão ou aquisição. 
REFERÊNCIAS 
Gitman, Lawrence Jeffrey. Princípios de Administração Financeira. 10ª Edição. São 
Paulo: Pearson Education, 2004. 745 páginas. 
Ross, Stephen A.; Westerfield, Randolph W.; Jaffe, Jeffrey F. Administração 
Financeira - Corporate Finance. 2ª Edição. São Paulo:Atlas, 2002. 699 páginas. 
 Brigham, Eugene F.; Ehrhardt, Michael C. Administração Financeira - Teoria e Prática. 
10ª Edição. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006. 1044 páginas. 
Lemes Jr., Antonio Barbosa; Rigo, Claudio Miessa; Cherobim, Ana Paula Mussi 
Szabo. Administração Financeira - Princípios, Fundamentos e Práticas Brasileiras . 2ª 
Edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. 547 páginas.

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