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CEDERJ - CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO MATERIAL DIDÁTICO IMPRESSO CURSO: Administração DISCIPLINA: Orçamento, Estrutura e Custo de Capital CONTEÚDISTA: Kátia de Almeida e Marcelo Alvaro da Silva Macedo AULA 10 – Módulo 2 Traçando a Política de Dividendos META DA AULA Explicar como as empresas decidem sobre a retenção ou a distribuição dos lucros, e explicar os procedimentos de pagamento de dividendos e os fatores que afetam esse pagamento. OBJETIVOS Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: 1. Entender os procedimentos para pagamentos de dividendos e o papel dos planos de reinvestimento de dividendos; 2. Entender a distribuição de dividendos no Brasil, como funciona a legislação que a regulamenta; 3. Discutir a influência da tributação na política de dividendos; 4. Descrever a teoria residual dos dividendos e os principais argumentos ligados a sua relevância ou irrelevância; 5. Discutir os principais fatores vinculados à formulação de uma política de dividendos e avaliar os três tipos básicos de políticas de dividendos; 6. Explicar os desdobramentos, bonificações e recompra de ações, bem como a motivação da empresa para definir qual deles realizar. PRÉ-REQUISITOS Para que você encontre maior facilidade na compreensão dessa aula, é importante que faça uma revisão dos principais conceitos de Ações Ordinárias e Ações Preferenciais da disciplina Fundamentos de Finanças. INTRODUÇÃO O termo dividendo geralmente refere-se à distribuição de lucros em dinheiro. Se um pagamento for feito com outras fontes que não lucros correntes ou lucros retidos acumulados, será usado o termo distribuição. Entretanto, é aceitável falar de uma distribuição de lucros como sendo um dividendo, e de uma distribuição de capital como um dividendo de liquidação. Em termos gerais, qualquer pagamento direto pela empresa a seus acionistas pode ser considerado um dividendo, ou como parte de sua política de dividendos. As projeções de pagamento de dividendos são variáveis-chave de retorno, a partir do qual proprietários e investidores determinam o valor da ação. Os dividendos representam uma fonte de fluxo de caixa para o acionista e fornecem informações sobre o desempenho atual e futuro da empresa. Sendo os lucros retidos - lucros não distribuídos como dividendos - uma forma de financiamento interno, a decisão a respeito de dividendos pode afetar de forma significativa as exigências de financiamento externo da empresa. 1. PROCEDIMENTO PARA PAGAMENTO DE DIVIDENDOS A decisão de pagamento de dividendos pertence ao Conselho de Administração da empresa. Os conselheiros normalmente se reúnem trimestralmente ou semestralmente para determinar se e em que montante os dividendos devem ser pagos. Ao ser declarado, um dividendo passa a ser um passivo da empresa, e não pode ser cancelado facilmente. Algum tempo após sua declaração, o dividendo é distribuído a todos os acionistas registrados numa data específica. • Montante de Dividendos – A maioria das empresas tem uma política estabelecida com respeito ao pagamento de dividendos, essa política é determinada pela diretoria, que avalia a posição financeira da empresa e suas necessidades de investimentos. A diretoria revê as projeções de lucros futuros e, baseada nessa e em outras considerações, declara um determinado montante de dividendos em dinheiro. De acordo com os lucros da empresa no período o Conselho de Administração da empresa pode mudar esse montante na reunião sobre dividendos. • Datas Relevantes – Além da determinação das datas de registro e a de ex- dividendos, ela estabelece a data final de pagamento, como a seguir: ¾ Data de Declaração – Data na qual a diretoria de uma empresa aprova uma resolução de pagar dividendo e emite uma declaração de distribuição de dividendos. ¾ Data de Registro dos Proprietários – Estabelecida pelo Conselho de Administração da empresa, é a data limite para o registro de acionistas no livro de registro. Se a empresa lista um acionista como proprietário das ações nesta data, então esse acionista recebe o dividendo. ¾ Data ex-dividendo – Data em que uma ação começará a ser negociada sem direito a dividendos na Bolsa de Valores, que acontece dois dias úteis antes da data de registro. Se o investidor comprar a ação antes dessa data, terá direito ao dividendo. Se comprar nesta data, ou mais tarde não terá direito ao dividendo, o titular anterior é que tem direito ao dividendo. Como o dividendo tem valor, no período ex-dividendos a ação é vendida subtraído do valor dos dividendos, quando estes são pagos, a ação volta a ser negociada pelo seu valor de mercado. ¾ Data de pagamento A data em que a empresa remete, por cheque nominativo, o pagamento dos dividendos para os proprietários no registro. • Planos de Reinvestimento de Dividendos (PRD) – Planos que habilitam os acionistas a usar dividendos recebidos das ações da empresa na aquisição de ações adicionais inteiras ou fracionárias, a um custo de transação (corretagem) pequeno. Uma companhia pode lidar de duas formas com planos de reinvestimentos de dividendos, ambas permitem ao acionista optar em ter seus dividendos reinvestidos nas ações da empresa. 1. É pago uma comissão a um agente fiduciário para comprar as ações em circulação da empresa no mercado aberto, em nome dos acionistas que querem reinvestir seus dividendos, permitindo que comprem as ações geralmente a um custo de transação menor do que eles pagariam de outra forma. 2. Envolve comprar ações recentemente emitidas diretamente da empresa sem pagar quaisquer custos de transação, permitindo que a empresa levante novo capital. 2. A Prática de Distribuição de Dividendos no Brasil É de se lembrar que, doutrinariamente, a sociedade por ações deve distribuir, em princípio, todo o lucro. (A reserva legal é uma prova disso, já que nasceu de uma intervenção do Estado para proteger os credores contra toda a distribuição do lucro das S.A.). O que deve ser justificado aos acionistas é a retenção de parte dos lucros. A legislação atual sobre distribuição de dividendos está contida, basicamente, na Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das Sociedades por Ações) e na Lei nº 10.303 de 2001, que altera dispositivo da Lei nº 6.404. No caso das companhias abertas, que são as que possuem valores mobiliários (ações e/ou debêntures) normalmente, negociados nas bolsas de valores ou no mercado de balcão, há sobre elas também algumas determinações específicas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Já as companhias fechadas prendem-se apenas a essa lei (e a seus estatutos, conforme será visto a seguir). Para as demais sociedades (limitadas, por exemplo), praticamente não há disposição legal sobre esse assunto, a não ser no caso das firmas individuais, em que se considera sempre que o lucro é totalmente distribuído em cada exercício. 2.1 Lei das Sociedades por Ações e dividendo preferencial A legislação societária no Brasil diz que as ações preferenciais podem ter direito à preferência a um dividendo mínimo ou a um dividendo fixo, que podem ser cumulativos ou não. Cumulativos são os que, se não pagos num exercício por falta de lucro, acumulam-se para pagamento futuro assim que houver resultado positivo suficiente. Os não cumulativos só são pagos nos exercícios em que há resultado suficiente. Dividendo preferencial fixo é uma figura difícil de ser encontrada na prática, não se convertendo em rotina no nosso país, ao contrário de outros países onde ele é usual. Esse dividendo implica que o acionista preferencial não tenha direito a participar nos lucros remanescentes após o pagamento desse dividendo fixo. É como se fosse um tipo de juro. Dividendo preferencial mínimo,forma já extremamente disseminada no Brasil, é um valor que pode, a critério da empresa, ser aumentado em cada ano. Enquanto o dividendo fixo seria normalmente definido em unidades monetárias por ação, automaticamente corrigível a cada ano, o mínimo pode ou não se determinado nesses valores. Pode ser fixado com base em um percentual sobre o valor nominal da ação, ou sobre o valor total do capital preferencial. Assim, existe o caso de empresa que determina como dividendo preferencial mínimo um determinado valor ($) por ação. Ou outra que reza ser ele um percentual do valor nominal da ação preferencial. Ou ainda “X%”, no seu valor total (a ser distribuído para cada acionista na proporção em que cada um participar nesse capital), do valor monetário do capital social preferencial. Nesses casos, o correto seria que a incidência fosse sobre o valor corrigido para a data do balanço. É comum, no Brasil, a figura do dividendo preferencial mínimo que, por omissão do estatuto, tem características de não cumulativo e de assumir valor maior do que o mínimo se às ações ordinárias for pago valor superior a esse mínimo. Pagamento do dividendo preferencial Deve-se salientar que a legislação societária determina que o pagamento do dividendo preferencial fixo ou mínimo é de uma exigibilidade violenta, desde que exista lucro. Somente a constituição da Reserva Legal pode impedir o pagamento. Jamais outras reservas, quer estatutárias, quer de lucros a realizar, para contingências ou para expansão, podem ser criadas em detrimento desses dividendos preferenciais. E não importa se o lucro é formado com ou sem a conseqüente disponibilidade de caixa! Pela atual legislação, a quantidade de ações preferenciais sem direito a voto não pode ultrapassar a 50% do total das ações emitidas pela companhia. Dividendo mínimo obrigatório A Lei das Sociedades por Ações traz uma figura no contexto que não se confunde com o dividendo preferencial: trata-se do dividendo mínimo obrigatório que se caracteriza como válido para todos os acionistas, ou seja, estende-se aos ordinários. Quem determina o quanto é o mínimo obrigatório A lei das Sociedades por Ações determina que o estatuto da própria sociedade por ações é quem estabelece qual a parcela do lucro que se converte em dividendo obrigatório. E diz que pode ser ele estabelecido pelo estatuto como porcentagem do próprio lucro, ou do capital social, “ou fixar outros critérios para determiná-lo, desde que sejam regulados com precisão e minúcia e não sujeitem os acionistas minoritários ao arbítrio dos órgãos de administração ou da maioria”. A lei, via esse mesmo artigo, determina que apenas se o estatuto for omisso (ou se ele não atender à precisão e minúcia dispostas na legislação) é que fica determinada a fórmula: metade do lucro líquido do exercício, após os seguintes ajustes: • menos a importância destinada à reserva legal; • menos a destinada às reservas para contingências; • menos a destinada à reserva de lucros a realizar; • mais a importância revertida de reservas para contingência para lucros ou prejuízos acumulados; e • mais a importância também revertida de reservas de lucros a realizar para lucros ou prejuízos acumulados. Por uma pressão da legislação sobre as sociedades anônimas (expressão sinônima a companhias ou sociedades por ações) que existiam à época em que essa lei foi introduzida, uma boa parte delas, hoje, tem em seu estatuto que o dividendo mínimo obrigatório é de 25% do lucro líquido ajustado, ou seja, metade do que seria no caso das empresas com estatuto omisso. Se o estatuto da companhia for omisso com relação à distribuição de dividendos e a assembléia de acionistas decidir disciplinar norma sobre a matéria, o dividendo obrigatório não poderá ser inferior a 25% do lucro líquido ajustado. Se o estatuto da empresa determinar que o dividendo obrigatório é de “25% de lucro líquido do exercício”, e não falar em “ajustado”, prevalece como dividendo obrigatório esse percentual sobre o lucro líquido do exercício (via demonstração do resultado), sem que seja possível efetuar algum ajustamento. Quando o dividendo obrigatório não é obrigatório Se por um lado a legislação instituiu a obrigatoriedade de um mínimo de dividendo em cada exercício social às sociedades por ações, por outro, a fim de não liquidá-las em nome desse dividendo, criou várias “válvulas”. Uma delas é a figura do próprio ajuste comentado, quando se pode postergar o pagamento desse dividendo, quando há lucros financeiramente por realizar ou quando há expectativas de perdas futuras (que podem originar as reservas para contingências). As outras são: Uma companhia fechada pode simplesmente não distribuir o dividendo obrigatório, ou distribuir um valor inferior ao mínimo estatuído, desde que todos os acionistas presentes à assembléia geral ordinária concordem com isso. E nesse caso o acionista ausente não poderá reclamar sua parcela. Um só que não concorde e todo o dividendo mínimo terá de ser colocado à disposição de todos os acionistas. Numa companhia, aberta ou fechada, pode deixar de ser obrigatório o dividendo, caso os órgãos da administração (diretoria e conselho de administração, se houver) informem à assembléia geral ordinária que ele (o dividendo mínimo) é “incompatível com a situação financeira da companhia”. Nesse caso, entre outras formalidades, exige-se que esse dividendo seja retido em conta especial para pagamento quando a situação financeira da companhia o permitir, caso não seja absorvido por prejuízo em exercícios futuros. Veja-se que na hipótese anterior (parágrafo anterior) o dividendo simplesmente não é pago e não precisa sê-lo no futuro, e que nesta há uma postergação. Reitere-se aqui que essa figura do dividendo obrigatório mínimo, que vale para todos os acionistas, basicamente os ordinários, não pode implicar o não-pagamento dos dividendos preferenciais. 3 ALGUMAS EVIDÊNCIAS DA INFLUÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO NA POLÍTICA DE DIVIDENDOS Vários estudos realizados na década de 1990 sobre as mudanças nas políticas de dividendos das companhias brasileiras, em decorrência das alterações tributárias ocorridas a partir de 1988, mostraram a influência da tributação sobre os dividendos e ganhos de capital. Mas restaram muitas controvérsias, pois alguns concluíram que as reformas tributárias não provocaram modificações significativas nas políticas de dividendos, ao passo que outros, apontam para um aumento no nível médio dos índices de distribuição de dividendos de todos os exercícios sociais após as modificações tributárias (1988- 1989), sugerindo que as mudanças ocorridas na legislação tributária provocaram uma modificação nas políticas de dividendos da maioria das empresas analisadas. 3.1 Juros sobre o capital próprio Em 1996, foi abolida a correção monetária sobre valores do patrimônio líquido no Brasil, para atender aos objetivos de desindexação do Plano Real. Para reduzir os efeitos sobre patrimônios das empresas, decorrentes da extinção da correção monetária, a legislação determinou que para efeito de apuração do lucro real, a partir de 1/1/96, observado regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos a título de remuneração do capital próprio. A lei estabelece que o efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros computados antes da dedução dos juros ou lucros acumulados, ou reserva de lucros, em montante igualou superior a duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Até o final de 1996, os juros sobre o capital próprio eram dedutíveis apenas para o cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica. A partir de janeiro de 1997, a dedução foi estendida também para a contribuição social sobre o lucro líquido. Assim, as pessoas jurídicas passaram a se beneficiar de uma reduçãode até 100% da carga fiscal sobre os lucros, limitados a 50% do lucro efetivo. O artigo 9º da Lei nº 9.249/95 faculta que os juros sobre o capital próprio poderão ser imputados ao valor dos dividendos de que trata o artigo 202 da Lei nº 6.404/76, que disciplina o dividendo obrigatório e o dividendo anual mínimo. Assim, o juro sobre o capital próprio, ao se transformar em dividendo, pode beneficiar as empresas, na totalidade, ou pelo menos, em uma parcela, com um dividendo dedutível para fins de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica. Entretanto, na pessoa física, os dividendos são isentos enquanto os JSCP sofrem a incidência do IRF de 15%. Não pretendemos nos alongar nessa análise aqui, e estamos recomendando apenas que qualquer política de dividendos a ser implementada no país deverá levar em consideração o tratamento fiscal dado ao pagamento de juros sobre o capital próprio. 3.2 Juros sobre Capital Próprio na Legislação Brasileira Os juros sobre o capital próprio possuem certos privilégios fiscais: por essa figura, as empresas poderão reduzir de seu lucro real (tributável) os juros a titulo de remuneração do capital de seus acionistas, promovendo uma economia de imposto de renda. Para seu cálculo, segundo a legislação vigente, é aplicada a taxa de juros de longo prazo (TJLP) sobre o patrimônio líquido da empresa, e seu valor total máximo não poderá exceder 50% entre o maior dos seguintes valores: a) lucro líquido antes do IR do exercício, e calculado antes dos referidos juros; b) lucros acumulados de exercícios anteriores. Na definição do valor do patrimônio líquido para cálculo dessa remuneração não deve, ainda, ser incluído o saldo da conta de reservas de reavaliação. Pela legislação fiscal vigente, o valor desses juros é deduzido do resultado do exercício, e dedutível, por conseguinte, para cálculo do imposto de renda. A apuração desse juro sobre o capital próprio é opção de cada empresa, não se constituindo numa obrigação. Quando calculada e paga aos acionistas, essa remuneração é entendida como se fosse dividendos para efeitos de cálculo do dividendo mínimo obrigatório previsto na Lei das Sociedades por Ações. Em outras palavras, os juros sobre o capital próprio pago aos acionistas são descontados do montante de dividendos obrigatório devido pelas Sociedades por Ações. Por orientação da CVM, os juros, quando descontados do resultado do exercício, devem ser estornados para fins de publicação do Demonstrativo de Resultados. 4. A RELEVÂNCIA DA POLÍTICA DE DIVIDENDOS A política de dividendos envolve a decisão de escolher entre distribuir os lucros ou retê-los. Exerce um importante papel na determinação do valor de uma empresa. Os acionistas visualizam os dividendos como um sinal da capacidade da empresa em gerar lucros. Um grande número de analistas emprega os dividendos para calcular o valor intrínseco das ações, uma vez que o modelo básico de precificação de ações, P0 = D1/(ks – g), mostra que se a empresa adotar uma política de distribuir mais dividendos em dinheiro, D1 irá subir, o que tenderá a aumentar o preço da ação. No entanto, se forem aumentados os dividendos em dinheiro, então haverá menos fundos disponíveis para reinvestimento, a taxa de crescimento futura esperada será rebaixada e isso irá diminuir o preço da ação. Assim, a modificação do dividendo tem dois efeitos opostos. A política ótima de dividendos para uma empresa é aquela que atinge o equilíbrio entre dividendos correntes e crescimento futuro que maximiza o preço da ação. Apesar de alguns teóricos argumentarem que a decisão de pagar dividendos é independente das decisões de investimento, os dividendos podem indiretamente influenciar os planos de financiamento externo dos administradores financeiros. Por exemplo, uma decisão de pagar elevados dividendos deixará menos recursos gerados internamente para serem reinvestidos na empresa. Isso faz com que a empresa precise obter recursos através de emissão de novas ações e de títulos de dívida. O financiamento com capital de terceiros, por sua vez, pode alterar a estrutura de capital e o custo de capital da empresa. Por isso, os administradores financeiros tentam manter um equilíbrio entre pagar um dividendo razoável aos acionistas (para que mantenham sua lealdade) e reinvestir os lucros (para assegurar futuro crescimento e maximizar o preço das ações da empresa). Uma das teorias-chave a ser discutidas nesta aula estabelece que os dividendos devem ser pagos somente após todas as necessidades de financiamento e investimento estarem satisfeitas. Uma outra teoria alega que os dividendos não afetam os preços das ações. Ainda uma outra argumenta que os dividendos são importantes para a mensuração do valor da empresa. 4.1 A TEORIA RESIDUAL DOS DIVIDENDOS Política na qual o dividendo pago é igualado aos lucros realizados menos a quantia de lucros retidos necessária para financiar o orçamento de capital ótimo da empresa. Como esta teoria sugere que os dividendos pagos pela empresa sejam encarados como um resíduo, ou seja, o montante que tenha sobrado após terem sido empreendidas todas as oportunidades aceitáveis de investimentos, a empresa trataria a decisão de dividendos de acordo com as etapas que se seguem: 1- Determinar o orçamento de capital ótimo, o qual será o nível indicado pelo ponto de interseção do perfil de oportunidades de investimentos (POI) com a função do custo marginal ponderado de capital. 2- Determinar a quantia de capital necessária para financiar aquele orçamento. 3- Utilizar lucros retidos para fornecer o componente capital próprio, na quantia possível 4- Pagar dividendos somente se estiverem disponíveis mais lucros do que os necessários para alimentar o orçamento de capital ótimo. Por essa abordagem, se as necessidades de capital excederem os lucros retidos, nenhum dividendo em dinheiro será pago. Caso ocorra um excesso de lucros retidos, o montante residual será então, distribuído. O argumento que sustenta essa abordagem é de que uma administração competente deveria certificar-se de que a empresa tem o dinheiro de que necessita para competir satisfatoriamente no mercado e, portanto, conseguir elevar o valor das suas ações. Essa visão dos dividendos sugere que a taxa exigida de retorno dos investidores, ks, não é influenciada pela política de dividendos da empresa – premissa essa que sugere, que a política de dividendos é irrelevante. 4.2 Teoria da Irrelevância dos Dividendos Teoria desenvolvida por Miller e Modigliani segundo o qual, de acordo com uma série de premissas, o valor da empresa não é afetado pela distribuição de dividendos, mas apenas pela capacidade de geração de valor e risco de seus ativos. • Aumentos ou diminuição nos preços das ações com mudanças nos volumes de dividendos não são por causa do dividendos em si, mas ao seu conteúdo informacional Conteúdo informacional A sinalização fornecida pelos dividendos de uma empresa com respeito aos lucros futuros que motiva os investidores a elevar ou reduzir os preços das ações. Efeito clientela Aspecto da teoria de M&M, pela qual uma empresa atrairia acionistas cujas preferências com respeito ao pagamento e estabilidade de dividendos correspondam ao padrão de pagamento e estabilidade da própria empresa. Resumindo, M&M e outros proponentes da irrelevância dos dividendos argumentam que o retorno exigido por um investidor, ks e portanto o valor da empresa não são afetados pela política de dividendos porque: 1. O valor da empresa depende apenas da capacidade de geração de ganhos e riscos de seus ativos 2. Caso os dividendos afetem o valor, isso ocorre apenas devido ao conteúdo informacional que revela as expectativas dos administradores da empresa 3. Ocorre um efeito clientela que leva os acionistas a receber os dividendosque eles próprios esperam. Esses pontos de vista de M&M com respeito à irrelevância dos dividendos são coerentes com a teoria residual, a qual enfatiza a necessidade de se empreender as melhores decisões de investimentos com o objetivo de maximizar o valor das ações. Naturalmente, tudo isso leva à conclusão de que a empresa não necessita de uma política de dividendos 4.3 Teoria da Relevância dos Dividendos A mais antiga, defendida por Gordon e Lintner, é de que a política de dividendo é relevante para o valor da ação. O argumento central é o de que o custo do capital próprio, ks, cai à medida que aumenta o índice de “payout” (ou seja, o quociente entre dividendo por ação e lucro por ação). Isso ocorreria com o aumento de D1, e apesar da redução da taxa de crescimento, g, porque em sua maioria os acionistas prefeririam receber dividendos agora e esperar por ganhos de capital e dividendos, mesmo que maiores, num futuro distante. A retenção e o reinvestimento de lucros simplesmente adiariam o pagamento de dividendos, que por isso tenderiam a ter sua incerteza aumentada. Portanto, segundo Gordon e Lintner, subindo D1 (e caindo g), mas também caindo ks, o efeito líquido sobre o valor da ação, P0, seria positivo. Argumentos da relevância dos dividendos O grupo de acadêmicos que afirma que os dividendos contam na determinação do valor de uma empresa, indicam que existem três razões principais para que os investidores prefiram os dividendos e para que o valor da empresa seja afetado pelos seus pagamentos. Primeiro, existe o conceito de “pássaro na mão”. Os dividendos em dinheiro hoje valem mais do que o dinheiro futuro provenientes dos lucros retidos reinvestidos. Quando a empresa paga dividendos em dinheiro, ele reduz a incerteza do investidor. Isso torna o risco menor que, por sua vez, diminui a taxa de desconto ks. Ou seja, a taxa de desconto associada aos dividendos (k dividendos) é menor que a taxa de desconto associada aos lucros retidos futuros (k lucros retidos). (k dividendos) < (k lucros retidos) Se o valor de uma ação é determinado pela série de retornos futuros descontados, quanto menor a taxa de desconto associada aos dividendos, mais favoravelmente o valor das ações será influenciado. Segundo, o conteúdo informacional é o outro fator importante que faz os dividendos serem relevantes no processo de valorização das ações. Através do pagamento de dividendos, uma empresa sinaliza aos investidores que ela espera gerar lucros para pagar esses dividendos no futuro. Ao contrário, quando uma empresa pára de pagar dividendos, ela está deixando os investidores saberem que alguma coisa está errada. Alterações na política de dividendos influencia as atitudes dos investidores em relação à empresa, que por sua vez afetará o preço de mercado das ações. Por isso a empresa deve informar o porque de mudanças na política de dividendos caso essas ocorram. Terceiro, o efeito clientela implica que alguns investidores precisam ou preferem o lucro hoje a tê-lo no futuro. Especialmente, aqueles investidores de baixa renda que estão mais interessados no recebimento da remuneração do capital mais cedo em detrimento de maiores retornos que podem ser pagos em uma data futura. Esse tipo de investidor tendem a investir em ações que pagam dividendos constantes e, de preferência, que ofereçam elevados rendimentos. Por isso eles procuram por ações que tenham retornos próximos aos dos outros ativos. Por isso, se a empresa reduz seus dividendos, eles tendem a ficar apreensivos e propensos a se desfazerem das ações, caso valor das mesmas caia como conseqüência de tal decisão. 5. POLÍTICAS DE DIVIDENDOS A política de dividendos é uma das principais decisões da administração financeira e diz respeito à tomada de decisão quanto a reter ou distribuir lucros. Pode a administração influenciar no preço da ação da empresa através da política de dividendos? Pode a política de dividendos da empresa maximizar a riqueza de seus acionistas? Pode determinada política de dividendos assegurar o financiamento suficiente à empresa? Para tentarmos responder essas questões, vamos avaliar a seguir alguns aspectos fundamentais da decisão de dividendos. Política de dividendos é o procedimento adotado pela empresa nas decisões de reter ou distribuir lucros. Política ótima de dividendos é a que atinge o equilíbrio entre dividendos correntes e crescimento futuro, maximizando o preço das ações da empresa. 5.1 FATORES QUE AFETAM A POLÍTICA DE DIVIDENDOS Um fator importante em relação à política de distribuição de dividendos diz respeito ao seu valor informativo. Os dividendos proporcionam os melhores e mais confiáveis sinais. Um aumento nos dividendos demonstra confiança, por parte da administração, de que os lucros futuros serão suficientes para sustentar esse novo e mais alto dividendo, enquanto um corte no dividendo indica que a administração está preocupada com o nível dos lucros futuros. Além do conteúdo de informação dos dividendos que pode influenciar a procura pelas ações de determinada empresa, existe ainda o chamado "efeito clientela" / definido como a tendência de uma empresa a atrair o tipo de investidor que aprecia sua política de dividendos. Por exemplo, alguns acionistas preferem rentabilidade corrente a ganhos de capitais futuros. Esses procurarão empresas que distribuam uma porcentagem mais alta de seus lucros. Outros acionistas não têm necessidade de rentabilidade corrente de investimento. Provavelmente iriam reinvestir qualquer receita de dividendos que recebessem. Esse segundo grupo/ então, preferirá um índice de distribuição de dividendos mais baixo. Os principais fatores que influenciam a política de dividendos são: liquidez, perspectivas de crescimento, considerações dos proprietários, restrições legais em contratos de obrigações ou de empréstimos e avaliação do mercado. Vamos descrever, a seguir, cada um desses fatores. Liquidez – A liquidez de uma empresa é consideração fundamental nas decisões de dividendos, pois como eles representam uma saída de caixa, quanto maior a posição de caixa e a liquidez geral da empresa, maior sua capacidade de pagar dividendos. Perspectivas de crescimento – Inicialmente é preciso fazer uma avaliação das necessidades de recursos para expansão de ativos, e para isso são usados os orçamentos de capital e os demonstrativos projetados de origens e aplicações de recursos. É fundamental a determinação das projeções dos fluxos de caixa e da posição de caixa da empresa, do risco de negócios e financeiro, e como isso tudo poderá influenciar no estabelecimento da política de dividendos. Sob esse aspecto, a empresa deve verificar sua situação com muitos anos de antecedência para evitar mudanças na política de dividendos, que poderá resultar em queda no valor das ações. Considerações dos proprietários – A principal preocupação da empresa deveria ser maximizar a riqueza dos acionistas. Pode ser; no entanto, que os acionistas às vezes se preocupem demasiadamente com a manutenção do controle acionário. Se uma empresa pagar bons dividendos e de forma regular, poderá precisar de capital mais tarde e consegui-lo através da venda de ações. Nessas circunstâncias, o controle da empresa poderá se diluir se os acionistas controladores não puderem subscrever mais ações. Esses acionistas podem preferir dividendos baixos e o financiamento das necessidades de investimento da empresa por meio de lucros retidos. Essa política de dividendos pode não maximizar a riqueza dos acionistas, mas, mesmo assim, ainda promoverá os interesses dos acionistas controladores. Restrições legais em contratos de obrigações ou de empréstimos – As cláusulas de proteção num contrato de obrigações ou de empréstimo muitas vezes incluem uma restrição ao pagamento de dividendos.Essa restrição é imposta pelos financiadores para preservar a capacidade da empresa de arcar com as obrigações de suas dívidas. Quase sempre é expressa como uma porcentagem máxima de lucros acumulados. Quando essa restrição está em vigor, é claro que influencia a política de dividendos da empresa. Avaliação do mercado – A administração da empresa deve procurar conhecer todas as informações relevantes para a política de dividendos que maximize a riqueza dos acionistas. O conhecimento da forma como o mercado valoriza certas políticas de dividendos, da preferência de determinados segmentos e do perfil de seus acionistas pode se tornar um fator determinante para o sucesso de uma política de dividendos. De modo geral, os acionistas apreciam políticas de pagamentos de dividendos fixos e contínuos. Essa política passa aos investidores uma segurança maior, quanto à rentabilidade e à saúde econômico-financeira da empresa, reduzindo o custo de captação de recursos, aumentando o preço das ações e conseqüentemente maximizando a riqueza dos acionistas. 5.2 CARACTERÍSTICAS DAS POLÍTICAS DE DIVIDENDOS A política de dividendos deve levar em consideração dois objetivos fundamentais: maximizar a riqueza dos acionistas e propiciar um financiamento adequado à empresa. Vamos analisar a seguir três das políticas de dividendos mais utilizadas. Política de dividendos com índice de distribuição constante Através dessa política, a empresa adota um índice de distribuição de dividendos fixos. Esse índice pode ser representado também pela divisão entre os dividendos pagos em dinheiro por seus lucros por ação. De uma certa forma, ao adotar essa política, a empresa tem de assegurar aos seus acionistas um repasse imediato dos resultados obtidos. A desvantagem dessa política é que, se os lucros são instáveis, os dividendos vão variar continuamente passando aos acionistas uma impressão de que a empresa é muito arriscada, ou mal administrada. Política de dividendos regulares1 A política de distribuição de dividendos regulares se baseia no pagamento de um dividendo em dinheiro fixo por período, podendo ser mensal ou anual. Essa política quase sempre transmite ao acionista uma impressão positiva sobre o desempenho da empresa. Ao longo do tempo a empresa pode reajustar esse dividendo fixo para cima, à medida que vão se observando novos patamares de lucros. Essa política tem sido mais utilizada que a política de dividendos com índices constantes exatamente por cumprir melhor os objetivos de uma boa política de dividendos, que são o de maximizar a riqueza dos acionistas e propiciar um financiamento adequado à empresa. Sempre poderá haver grandes oscilações nos lucros; no entanto, com essa política, a empresa procura não repassar todas as oscilações aos acionistas. Política de dividendos regulares mais extra A política de dividendos regulares mais a distribuição de um dividendo extra por ocasião de bons resultados proporciona aos acionistas uma renda estável que lhe dá segurança e uma renda extra que o mantém como participante dos períodos de bons lucros da empresa. É uma política mais conservadora que a política de dividendos regulares, pois toma o cuidado de distribuir um pouco menos de dividendos regulares e só distribuindo mais dividendos segundo sua capacidade de gerar caixa. Essa política tem o cuidado de não criar falsas expectativas nos acionistas, chamando de dividendo extra tudo aquilo que o acionista não deve incorporar a seu fluxo de caixa normal. É uma política adequada para aqueles investidores cujo perfil exige uma remuneração estável para cumprir seus compromissos, e também àqueles investidores que estão dispostos a assumir um pouco mais de risco. Essa política traz a vantagem de assegurar um adequado fluxo de financiamento para a empresa e melhor preço da ação. ATIVIDADE – Objetivo 5 Discuta os prós e contras de cada uma das políticas de dividendos: RESPOSTA: Política de dividendos constante (com quociente de distribuição constante), onde o valor dos dividendos pagos anualmente é baseado numa percentagem pré-fixado do 1 O Brasil é um dos únicos países do mundo que estabelece em sua legislação das Sociedades Anônimas um índice de distribuição de dividendos obrigatório de 25% sobre o lucro anual. lucro por ação. Com isto, mudanças no lucro por ação são normalmente acompanhadas de alterações correspondentes nos dividendos por ação. Este ajuste nos dividendos por ação, em função de oscilações no lucro por ação, implica numa política de dividendos com taxa estável. Vantagens: Essa política é ideal para empresas cujo lucro tende a oscilar de um ano para o outro. Se a empresa tem grande potencial de crescimento e lucratividade ao longo dos anos, com essa política, os dividendos tendem a ser crescentes ao longo dos anos. Como os dividendos de uma empresa é uma fonte de informação, esta política reduz a incerteza com respeito ao futuro da empresa, dando aos seus acionistas a certeza do contínuo sucesso. Desvantagens: Empresas com potencial de crescimento muito grande, tem normalmente projetos de investimentos atraentes. Ao utilizar uma política de dividendos com taxa estável, o que ocorre é que esta empresa poderá ter proporcionalmente menos recursos próprios aplicados nela. Com isso, ela pode ficar sem financiamento suficiente para implementar projetos aceitáveis, o que afeta o processo de maximização da riqueza do proprietário. Outra desvantagem é o montante de recursos que a empresa deverá dispor para fazer pagamentos de dividendos em dinheiro. Política de dividendos regulares; aumentando o dividendo regular, após ter ocorrido um aumento comprovado nos lucros. Esta política não fornece aos proprietários nem boas, nem más informações, em vez disso, minimiza a sua incerteza. Vantagens: • Como os acionistas dão valor a retornos estáveis em detrimento de retornos que oscilam, é possível que o valor de mercado da ação ordinária aumente. • Um aumento de dividendo, numa política de dividendos de valor estável é um sinal positivo para os acionistas. Aumentando os dividendos, a empresa está demonstrando sua confiança na capacidade de sustentá-los em níveis mais elevado. • Atrai investidores institucionais, que só podem participar no capital de empresas que estejam na relação aprovada legalmente, e entre outras condições para ser incluída na relação, a empresa deve apresentar uma tradição histórica de pagamento de dividendos. • Ter liquidez suficiente para paga dividendos. • Os grupos controladores não correm perigo de perder o controle, já que as necessidades de capital serão atendidas com recursos gerados internamente. Desvantagens: • Insatisfação dos acionistas atuais pela redução de seus investimentos. Com isso poderão se desfazer de suas ações o que terá como conseqüência, num primeiro momento, a redução do preço de mercado da ação. Política de dividendo regular-baixo-mais-extra – As empresa estabelecem uma política de dividendos regulares baixos acompanhada por dividendo adicional garantido pelos lucros obtidos. Se o lucro for maior do que o normal num dado período, a empresa poderá pagar um dividendo adicional, que será designado de dividendo extra. Vantagens: • A empresa disporá de mais recursos para aplicá-los em investimentos rentáveis. E, se no próximo período os lucros forem altos paga-se dividendos extras. • Essa política deve ser adotada por empresas que já atingiram a maturidade e são capazes de manter um lucro normal ao longo dos anos. Desvantagens: • Insatisfação, devido a redução de rendimentos. • Impressão de continuidade quando a empresa paga dividendos extras por longos períodos (Empresas devem aumentar o nível de dividendos regulares quandofor comprovado o aumento nos lucros). 5.3 OUTRAS MODALIDADES DE DIVIDENDOS (Que não envolvem desembolso) Ocasionalmente, as empresa não podem pagar dividendos em dinheiro ou podem pagar apenas pequenos dividendos em dinheiro. A fim de dar aos proprietários alguma indicação de que estão indo bem, elas poderão pagar bonificações. a. Dividendos em ações (Bonificações) Uma bonificação é o pagamento atual aos acionistas atuais de um dividendo na forma de ações. Embora as bonificações não tenham um valor real, os acionistas podem considerá-las como algo que eles não possuíam antes e que, portanto, tem valor. Do ponto de vista contábil, os lucros retidos são capitalizados quando se pagam dividendos em ações; por isso bonificação é antes uma troca de fundos entre contas do patrimônio líquido do que uma aplicação de fundos. Quando uma empresa declara uma bonificação, os procedimentos gerais referentes ao seu anúncio e distribuição são idênticos aos descritos anteriormente para um dividendo em dinheiro. Porém, o que o proprietário recebe são ações adicionais, que na realidade representa algo que ele já possui. Isso não altera sua propriedade proporcional, nem aumenta os ativos da empresa. Ponto de vista dos acionistas O acionista, ao receber uma bonificação, não recebe nada de valor. Depois que a bonificação for paga, o preço da ação decrescerá em proporção à bonificação, de tal maneira que o valor de mercado de sua participação total na empresa permaneça idêntico. A participação proporcional do acionista também não se altera, e desde que os lucros da empresa não variem, o mesmo acontece com a sua participação nos lucros totais.(Entretanto, se os lucros e os dividendos em dinheiro aumentarem quando o dividendo em ações é declarado, tenderá a ocorrer um aumento do valor da ação). Ponto de vista da empresa Fica mais dispendioso emitir ações bonificadas do que pagar dividendos em dinheiro, mas as vantagens de usar as primeiras geralmente superam estes custos. As empresas acham que a bonificação é um meio de dar algo aos proprietários sem contudo usar caixa. Em geral, quando a empresa está crescendo rapidamente e precisa manter caixa para financiar esse crescimento, usa-se a bonificação. b . Splits de ações (ou Desdobramento de ações) Método pelo qual aumenta-se o número de ações existentes, ao mesmo tempo em que o preço da ação cai. A finalidade disto é estimular a atividade das negociações. Um split de ações não afeta a estrutura financeira da empresa. Geralmente aumenta o número de ações existentes e reduz o valor nominal da ação. Em outras palavras, quando uma ação é “dividida”, troca-se determinado número de novas ações por um dado número de ações existentes. Num split de 2 por 1, cada ação antiga é trocada por 2 ações novas, num split de 3 por 2 trocam-se três novas ações por duas ações antigas. c. Splits reverso de ações (ou Desdobramentos reversos de ações) Reduzem o número de ações em circulação. Método usado para elevar o preço de mercado da ação de uma empresa, por meio da troca de um certo número de ações por uma nova ação. d. Recompras de ações A recompra por parte de uma empresa de suas ações no mercado. Uma empresa pode recomprar suas ações por diversas razões. Por exemplo, ações podem ser recompradas para serem utilizadas para adquirir outra empresa. Outra razão é o de aumentar o valor das ações para os acionistas e/ou desincentivar possível aquisição por grupos externos. Em outros casos, porém, as ações poderão ser readquiridas simplesmente para serem retiradas do mercado. Nestas circunstâncias, a reaquisição de ações poderá ser considerada como parte da política de dividendos da empresa. A recompra como dividendo em dinheiro O motivo da recompra da ação é distribuir o excesso de caixa aos proprietários da empresa, já que resgatar ações significa que os proprietários recebem caixa por suas ações. Se o lucro permanecer constante, a recompra de ações tem os seguintes efeitos: 1. Reduz o número de ações em circulação 2. Eleva o LPA 3. Eleva o preço de mercado da ação A recompra de ação ordinária resulta em um tipo reverso da diluição, já que o LPA e preço de mercado da ação são aumentados pela redução do número de ações em circulação. Teoricamente, o ganho de capital proveniente da recompra deve ser igual aos dividendos que teriam sido pagos. Processo de Recompra Os dois métodos mais comuns de recompra são a oferta pública e a compra das ações no mercado. Com uma oferta pública, a empresa propõe aos acionistas a compra de um determinado número de ações, em geral a um preço estabelecido. Este preço de oferta é acima do preço de mercado; os acionistas podem optar entre vender suas ações ao preço especificado ou ficar com elas. Em geral os custos que a empresa tem que incorrer numa oferta pública são mais altos que na compra de ações no mercado. Os principais custos são a taxa paga ao banco de investimento que administra a recompra e as taxas pagas aos distribuidores. Nas compras no mercado, a empresa compra suas ações como qualquer outro investidor – através de uma corretora. Via de regra, a taxa de corretagem é negociada. Antes da empresa recomprar suas ações, os acionistas têm que ser avisados das intenções da empresa. Numa oferta pública esta intenção é anunciada pela própria oferta. Mesmo assim, a empresa não pode esconder outras informações. Em compras no mercado, em especial, é preciso levar a público as intenções de recompra da empresa. Caso contrário, os acionistas podem vender suas ações sem tomar conhecimento de um programa de recompra que aumentará o lucro por ação. Quando o volume de ações recompradas for é muito grande, o ideal é uma oferta pública, pois ela dá igual a tratamento todos os acionistas. ATIVIDADE – Objetivo 6 Discuta o efeito, se houver, que o pagamento de bonificações terá sobre a participação do acionista sobre a propriedade e os lucros da empresa. RESPOSTA Pagamento de bonificações (ou dividendos em bonificações) não criam nem representam ganhos para o acionista. Na realidade, pode ocorrer uma série de benefícios, pois bonificações podem transmitir para os investidores as expectativas positivas da empresa. Além disso, a queda no preço de mercado da ação via bonificação pode deslocá-la para uma faixa mais popular. Bonificações podem resultar em dividendos maiores para os acionistas. Por exemplo, uma empresa que paga 5% de dividendos em ações e mantém inalterado o valor de seus dividendos por ação, efetivamente aumentou seus dividendos em 5%. Todos esses fatores podem contribuir para elevar o preço de mercado da ação. A participação dos acionistas sobre a propriedade e sobre os lucros da empresa permanece inalterada, uma vez que o lucro da empresa permanece constante. ATIVIDADE – Objetivo 6 Quais as diferenças entre bonificações e split de ações? RESPOSTA: Bonificações As empresas ocasionalmente não podem pagar dividendos em dinheiro ou podem pagar apenas pequenos dividendos em dinheiro. A fim de dar aos proprietários alguma indicação de que estão indo bem, elas poderão pagar bonificações. Estas resultam de capitalização de lucros retidos, e na realidade não tem nenhum valor para o recebedor. Contudo o efeito psicológico dos dividendos em ações sobre os proprietários geralmente é favorável. Split: o desdobramento é uma forma de reduzir o preço de mercado da ação mediante alterações em seu valor nominal e na quantidade física emitida. Os splits de ação são usados para aumentar a negociabilidade das ações da empresa. O objetivo do split é melhorar a liquidez de uma ação para torná-la mais acessível a uma faixa maior de investidores. Split de ação causa um aumento no número de ações em circulação e reduz o valor nominal da ação sem alteração na estrutura decapital da empresa. Entretanto, bonificações (dividendos em ações) causam um aumento no número de ações em circulação sem qualquer redução em seu valor nominal. Bonificações há a transferência de recursos da conta lucros retidos para as contas ações ordinárias (capital próprio) e ágio na venda de ações ordinárias. ATIVIDADE – Objetivo 6 Qual o impacto da recompra de ações sobre o preço das ações? RESPOSTA O preço de mercado antes da recompra é diferente do preço de mercado depois da recompra pela quantia de dividendos pago em dinheiro. O preço de mercado pós recompra é mais alto por que há menos ações em circulação. CONCLUSÃO Na política de dividendos, a empresa analisa os fatores descritos anteriormente e estabelece o percentual de lucros retidos a ser pago. Quando as empresas distribuem dividendos, retendo lucros inferiores às oportunidades de investimentos existentes, isso significa que a administração julga que o pagamento desses dividendos terá um efeito favorável no preço das ações. O que é frustrante é que não podemos fazer muitas generalizações claras com base em provas empíricas. A falta de uma base sólida para prever o efeito de longo prazo de uma política de dividendos sobre o preço da ação, toma a decisão mais difícil que as decisões de investimento ou de financiamento. Uma política ativa de dividendos envolve um ato de fé, já que exige que parte dos lucros distribuídos seja reposta por novas emissões de ações. Essa estratégia pode aumentar a riqueza dos acionistas, mas traz incerteza sobre a previsão dos resultados. Testes empíricos sugerem que cada uma das teorias poderia estar correta ou que todas estão incorretas, porque: a. Não é possível encontrar um conjunto de empresas que difiram apenas em suas políticas de dividendos; b. Não podemos obter estimativas precisas sobre o custo de capital próprio; c. Ainda não se sabe de que modo a política de dividendos afeta os preços das ações e o custo de capital. RESUMO O capítulo chama a atenção para a importância da empresa ter uma política de dividendos que considere as diferentes teorias existentes. A política de dividendos afeta o preço das ações? A política de dividendos é irrelevante? Altos dividendos elevam o valor das ações? São algumas questões apresentadas em seu início. MODIGLIANI e MILLER (MM) defendiam que num mundo perfeito, sem risco, sem impostos, sem custo de transação e sem outras imperfeições do mercado, a política de dividendos não afetava o valor da empresa. Toda a Teoria de Dividendos é baseada nas proposições desses autores. A teoria da irrelevância dos dividendos, defendida por MM afirma que a política de dividendos não afeta o valor da empresa. A teoria da relevância defende que, quanto mais dividendos forem distribuídos pela empresa, maior será o preço de suas ações e menor será o custo do seu capital próprio. A teoria residual já defende que os dividendos pagos pela empresa deveriam ser apenas o que tenha sobrado após todas as oportunidades de investimentos aceitáveis terem sido aproveitadas. Baseados nessas teorias, os estudiosos desenvolveram o conceito de política ótima de dividendos. Existem vários fatores que influenciam uma política de dividendos: liquidez, perspectiva de crescimento, considerações dos proprietários, restrições legais em contratos de obrigações ou de empréstimos e avaliação do mercado. Há três políticas de dividendos: a política de dividendos com índice de distribuição constante; a política de dividendos regulares e a política de dividendos regulares mais extra. Não há uma que seja a mais indicada, sendo suas utilizações dependem de cada caso e das estratégias globais da empresa. As empresas utilizam vários instrumentos na condução de suas políticas de dividendos, sendo as mais comuns: distribuição de dividendos; desdobramentos de ações; recompra de ações; reinvestimento de lucros e reinvestimento de dividendos. Aspectos tributários afetam as políticas de dividendos, e um dos casos marcantes foi a adoção no Brasil da legislação que implantou o juro sobre o capital próprio. INFORMAÇÕES SOBRE A PRÓXIMA AULA Na próxima aula vamos aprender os conceitos fundamentais de fusões e aquisições, ou seja, sobre operações de “junção” de empresas, ressaltando os principais aspectos econômico-financeiros, jurídicos, contábeis-tributários e culturais do processo de negociação de uma fusão ou aquisição. REFERÊNCIAS Gitman, Lawrence Jeffrey. Princípios de Administração Financeira. 10ª Edição. São Paulo: Pearson Education, 2004. 745 páginas. Ross, Stephen A.; Westerfield, Randolph W.; Jaffe, Jeffrey F. Administração Financeira - Corporate Finance. 2ª Edição. São Paulo:Atlas, 2002. 699 páginas. Brigham, Eugene F.; Ehrhardt, Michael C. Administração Financeira - Teoria e Prática. 10ª Edição. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006. 1044 páginas. Lemes Jr., Antonio Barbosa; Rigo, Claudio Miessa; Cherobim, Ana Paula Mussi Szabo. Administração Financeira - Princípios, Fundamentos e Práticas Brasileiras . 2ª Edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. 547 páginas.