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Apostila de Direito do Trabalho

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desde que presentes os requisitos legais, ainda que sofra a punição disciplinar prevista no Estatuto do Policial Militar. 
EXAME DE ORDEM XIII – FGV – 1ª FASE
A empresa Infohoje Ltda. firmou contrato com Paulo, pelo qual ele prestaria consultoria e suporte de serviços técnicos de informática a clientes da empresa. Para tanto, Paulo receberia 20% do valor de cada atendimento, sendo certo que trabalharia em sua própria residência, realizando os contratos e trabalhos por via remota ou telefônica. Paulo deveria estar conectado durante o horário comercial de segunda a sexta-feira, sendo exigida sua assinatura digital pessoal e intransferível para cada trabalho, bem como exclusividade na área de informática. Sobre o caso sugerido, assinale a afirmativa correta.
A) Paulo é prestador de serviços autônomo, não tendo vínculo de emprego, pois ausente a subordinação, já que inexistente fiscalização efetiva física.
B) Paulo é prestador de serviços autônomo, não tendo vínculo de emprego, pois ausente o pagamento de salário fixo.
C) Paulo é prestador de serviços autônomo, não tendo vínculo de emprego, pois ausente o requisito da pessoalidade, já que impossível saber se era Paulo quem efetivamente estaria trabalhando.
D) Paulo é empregado da empresa, pois presentes todos os requisitos caracterizadores da relação de emprego. 
EXAME DE ORDEM XIV – FGV – 1ª FASE
Em 2012, Maria Júlia foi contratada como estagiária de direito em uma empresa pública federal, que explora atividade bancária. Sua tarefa consistia em permanecer parte do tempo em um caixa para receber o pagamento de contas de água, luz e telefone e, na outra parte, no auxílio de pessoas com dificuldade no uso dos caixas eletrônicos. Com base na hipótese, assinale a opção correta.
A) Trata-se de estágio desvirtuado que, assim, gerará como consequência o reconhecimento do vínculo empregatício com a empresa, com anotação da CTPS e pagamento de todos os direitos devidos.
B) Diante da situação, o Juiz do Trabalho poderá determinar que o administrador responsável pelo desvirtuamento do estágio pague diretamente uma indenização a Maria Júlia, haja vista o princípio constitucional da moralidade.
C) Não há desvirtuamento de estágio porque, tratando-se a concedente de uma instituição bancária, a atividade de recebimento de contas e auxílio a clientes está inserida na atividade do estagiário.
D) Não é possível o reconhecimento do vínculo empregatício, haja vista a natureza jurídica daquele que concedeu o estágio, que exige a prévia aprovação em concurso público.
EXAME DE ORDEM XV – FGV – 1ª FASE
Marlene trabalhou em uma residência como cozinheira de 5 de maio de 2013 a 6 de julho de 2014. Assinale a opção que contempla o direito inerente à categoria profissional de Marlene, no período indicado, podendo ser exigido seu cumprimento de imediato pelo empregador.
A) Adicional noturno.
B) Horas extras.
C) FGTS obrigatório.
D) Seguro-desemprego obrigatório.
EXAME DE ORDEM XV – FGV – 1ª FASE
Luiz Henrique é professor de Direito Constitucional e, durante o período letivo, precisará se afastar por dois meses para submeter-se a uma delicada cirurgia de emergência. Em razão disso, a faculdade contratou um professor substituto por esse período, valendo-se de uma empresa de contrato temporário. Diante da situação apresentada, considerando a jurisprudência consolidada do TST, assinale a afirmativa correta.
A) Caso se admitisse a validade dessa contratação, o professor contratado a título temporário não teria assegurado direito ao mesmo valor da hora-aula do professor afastado.
B) A contratação é válida, pois, por exceção, o contrato temporário pode ser usado para substituição de pessoal relacionado à atividade-fim.
C) A contratação somente seria válida se o professor afastado concordasse com ela, de forma expressa, sob pena de ser maléfica a alteração contratual.
D) Inválida a contratação, pois a faculdade não poderia terceirizar sua atividade-fim, como é o caso da educação.
14. TIPOS ESPECIAIS DE CONTRATOS DE TRABALHO E EMPREGO COM PROTEÇÃO ESPECÍFICA: APRENDIZ, TRABALHO DA MULHER. LICENÇA GESTANTE. SALÁRIO MATERNIDADE. PROTEÇÃO CONTRA A DISCRIMINAÇÃO. TRABALHO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. CONDIÇÕES LEGAIS. RESTRIÇÕES. COMBATE AO TRABALHO INFANTIL. 
14.1. Trabalho da Mulher.
14.1.1. Referência no Direito Positivo: 
A Constituição Federal contém preceitos relativos ao trabalho da mulher:
“Art. 5º ...
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição.
...
Art. 7º São direitos dos trabalhadores, além de outros...
XXX – proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critérios de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil.”
Também a Consolidação das Leis do Trabalho trata do assunto nos artigos 372 a 401.
14.1.2. Fundamentos da Proteção Especial: 
“A natureza não fez homens e mulheres iguais”. Por isto, em todos os ordenamentos jurídicos o trabalho da mulher conta com regras particulares, relativas a condições mínimas de trabalho, diferentes e mais vantajosas daquelas estabelecidas em relação aos homens. Isto em razão da maternidade, da amamentação, da criação dos filhos e de outras condições físicas peculiares ao sexo feminino. 
14.1.3. Capacidade Para Contratar Trabalho: 
Havia na CLT um artigo que autorizava o marido a requisitar a rescisão do contrato de trabalho se suscetível de causar ameaça aos vínculos da família ou perigo manifesto. Este artigo da Consolidação das Leis do Trabalho era reflexo da posição do Código Civil, que até 1962 considerava a mulher relativamente incapaz. O Estatuto da Mulher Casada (Lei nº 4.121/62) tornou a mulher plenamente capaz. O artigo 446 da Consolidação das Leis do Trabalho, por sua vez, foi revogado expressamente pela Lei nº 7.855/89, mas já estava superado antes disso pela Constituição Federal de 1988, que igualou homens e mulheres em direitos e obrigações. 
14.1.4. Princípio da Igualdade Salarial. 
Homens e mulheres são iguais, ou seja, o ordenamento jurídico impede a discriminação salarial da mulher. Para igual trabalho, igual salário. 
14.1.5. A Mulher e o Trabalho Noturno, em Subterrâneos, Mineração, Pedreiras, Obras de Construção Civil, Atividades Insalubres e Perigosas: 
Atualmente não há qualquer restrição legal ao trabalho da mulher nas atividades citadas. Havia na Consolidação das Leis do Trabalho artigos de lei que vedavam esse tipo de trabalho para a mulher, mas tais artigos foram revogados pela Lei nº 7.855/90. 
14.1.6. A Mulher e as Horas Extraordinárias: 
De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho, artigo 376, somente em casos excepcionais, por motivo de força maior, poderia a duração do trabalho da mulher elevar-se além do limite legal ou convencionado, até o máximo de 12 horas. Todavia, o art. 376 foi expressamente revogado em 2001 pela Lei nº 10.244/2001. Hoje não há mais diferenças no regime de horas extraordinárias entre homens e mulheres. 
Em caso de prorrogação normal da jornada deverá a trabalhadora usufruir intervalo de, no mínimo, 15 minutos, antes do início da jornada extraordinária de trabalho (artigo 384 da CLT). 
Observação: atualmente os empregados do sexo masculino têm postulado na Justiça do Trabalho 15 minutos como horas extras e reflexos por analogia ao contido no artigo 384 da Consolidação das Leis do Trabalho, sob o argumento de que homens e mulheres são iguais perante a lei, nos termos do artigo 5º, caput, da Constituição Federal de 1988. A matéria ainda gera polêmica nos meios judiciários não havendo posicionamento uniforme dos Tribunais do Trabalho.
Sobre o tema veja-se a notícia abaixo:
STF, 27 de novembro de 2014
Intervalo de 15 minutos para mulheres antes de hora extra é compatível com a Constituição.
Por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) negou provimento ao Recurso Extraordinário (RE) 658312, com repercussão geral reconhecida,