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FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ DE SÃO LUIS DIREITO 
 DIREITO
 
NORMA SUELI MARQUES ROCHA 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFORMA PROTESTANTE: Como o trabalho dignifica o homem 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho para obtenção de nota apresentado à disciplina de Filosofia Professor: Gabriel Nava Lima. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
São Luis 
2022 
REFORMA PROTESTANTE: Como o trabalho dignifica o homem 
 
INTRODUÇÃO 
 
Em meio a um cenário turbulento, surgem grupos cléricos insatisfeitos com os rumos morais que a igreja católica estava tomando. Novas ideias e orientações a serem tomadas pela igreja estavam surgindo, assim como defensores de de reformas urgentes que trouxessem de volta a moral e a reputação dos seus primórdios. Além disso a preocupacão de uma reforma de caráter econômico visando uma melhor adaptação da igreja ao mundo moderno para sair das antigas e improdutivas amarras feudais. 
 
“Em pouco tempo, o movimento luterano ganhou corpo na Alemanha, chegando mesmo a o utros países. Novas religiões foram criadas como o calvinismo e o Anglicanismo.Assim o protestantismo expandia-se rapidamente e provavelmente teria sido maior ainda sua expansão, se a igreja católica não tomasse uma posição no sentido de ‘frear’ a onda protestante” (Marques, Beirutte e Faria, 2005. p. 103) 
 
Com o intuito de conter o crescimento de vários levantes protestantes espalhados por toda a Europa, a igreja católica adotou medidas dutrinárias para evitar que suas práticas fossem criticadas pelos reformadores. A origem do movimento é muito discutida, entre as várias escolas de pensamento destacam-se as teorias de cunho marxista obedecendo à lógica da explicação dos fenômenos sociais pelo víeis econômico, pois Karl Marx defendia a economia como "a mãe universal de todas as sociedades humanas". Engels em 1850 escrevera: 
 
“Inclusive as chamadas guerras de religião do século XVII aconteceram, antes de tudo por interesses materiais de classes muito concretas. Estas guerras foram lutas de classes, da mesma forma que os conflitos internos que mais tarde se produziram na França e na Inglaterra. Que estas lutas tivessem certas características religiosas, que os interesses, necessidades e reivindicações de cada uma das classes tenham sido dissimulados com uma capa religiosa, não modifica a situação em nada e se explica pelas condições da época” (Engels, apud Marques, Beirutt e e Faria, 2005 p. 104). 
 
 A Reforma quando vista de acordo com os pensamentos de Karl Marx e Engels, traduz a importância da economia nas mudanças sociais, e extrai todas as explicações não econômicas ou releva-se a segundo plano. O historiador Óscar A. Marti fala sobre as raízes da reforma protestante: 
 
“(...) As raízes da Reforma se encontram num sub solo constituído por questões de dinheiro e pelas transformações econômicas fundamentais que estavam a ponto de produzir-se. Somente sob esta nova luz é que tais fatos podem ser compreendidos com claridade.” (Óscar A. Marit, apud, Engels, apud Marques, Beirutte e Faria, 2 005. p. 105). 
 
 Já outros estudiosos como Henri Hauser mostram arigem do protestantismo como um emaranhado de fatores economicos, sociais e religiosos: 
“A reforma do século XVI teve um duplo caráter de revolução social e revolução religiosa. As classes populares não se sub levaram somente contra a corrupção dos dogmas e os abusos do clero. Também o fizeram contra a miséria e a injustiça. Na bíblia não buscaram somente a salvação pela fé, mas também a prova da igualdade original de todos os homens” (Henri Heuser, apud, Engels, apud Marques, Beirutte e Faria, 2005. p. 105). 
A partir da ascensão burguesa e da Reforma Protestante a mentalidade humana mudou rapidamente, Lutero se forma defensor do trabalho como virtude e salvação e o ócio como perdição. Para ele, sem trabalho não há vida. As pessoas que não trabalham são excluídas, punidas e rotuladas. Não tem status, não tem lugar na sociedade, não tem pertencimento, não tem identidade. Não tem que ter ócio, pois ele é perigoso, Calvino diz cabeça vazia oficina do diabo. A religião protestante constitui a grande ancora do capitalismo. Instalam-se as bases do capitalismo pela religião. A salvação vem com a labuta, a dedicação ao trabalho é vontade de Deus para que o outro não cobice fruto do trabalho alheio de acordo com Calvino. Seguindo esse ponto de vista Mills nos faz lembrar que: 
Foi Lutero quem estabeleceu o trabalho como “a base e a chave da vida”. Embora continue a afirmar que o trabalho era uma consequência da queda do homem, Lutero, repetindo São Paulo, acrescentava que todo aquele capacitado para trabalhar deveria fazê-lo. O ócio era uma evasão antinatural e perniciosa. Manter-se pelo trabalho é um modo de servir a Deus. Assim resolve-se o grave conflito entre piedade religiosa e atividade profana; a profissão torna-se uma “vocação”, e o trabalho é o caminho religioso para a salvação. (MILLS, 1969, p. 234). 
De acordo com Bendassolli (2003, p. 110) Marx, ao lado de outros pensadores como Adam Smith e Max Weber foi quem mais contribui para toda a construção ideológica do sentido de trabalho que conhecemos. Para Adam Smith o trabalho passou a ser visto como elemento regulador das riquezas das nações. Ao longo da história foram se construindo no imaginário popular representações do trabalhador e do vadio ou do trabalho e do ócio. No momento em que as revoluções burguesas quebram os paradigmas do Antigo Regime, subjugando a nobreza e o clero, a nova ordem se solidifica. 
 
 
DESENVOLVIMENTO 
 
Após a Reforma, o povo: homens, mulheres e crianças em pouco tempo foram treinados para o trabalho nas fábricas a principalmente na Inglaterra. A ruptura com os costumes das pequenas manufaturas familiares levou famílias inteiras para fábricas onde os donos dos meios de produção ditavam normas e condutas de como ser um operário, praticas que alicerçam o domínio patrãoempregado. 
Neste novo modelo de trabalho o tempo é cronometrado para as tarefas, o relógio como guia das atividades, hora para dormir, acordar, trabalhar, hora do almoço, hora extra, hora de ir ao banheiro. Ao ritmo das transformações da antiguidade greco-romana, Idade Média, Renascença e contemporaneidade perceberemos grandes mudanças na História e seus modos de trabalho, ritmo acelerando de mudanças especialmente nos dois últimos séculos. 
Nos estudos de Max Weber A ética protestante e o Espírito do Capitalismo (1864-1920), o trabalho é uma condição humana, sem ele a vida não tem honra, não tem dignidade. Desocupado, inútil, não ter uma profissão aos moldes capitalista o excluí da dialética capitalista. 
O trabalho é toda atividade humana que permite exprimir a individualidade daquele que a exerce. Mas exprimir-se para o outro, portanto, de mostrar ao outro ao mesmo tempo sua singularidade e seu pertencimento ao gênero humano – Méda. 
Na constituição da sociedade industrial, está ainda a introdução de novas tecnologias responsáveis pela redivisão social e técnica do trabalho. Uma das conseqüências mais evidentes da sociedade industrial é o estabelecimento de relações sociais de forte vínculo entre os trabalhadores, que se expressam nas lutas operárias e na criação de sindicatos. Os trabalhadores adquirem consciência histórica de sua condição assalariada e organizam-se como classe social, que entra em conflito com os interesses do capital, classe social como aquela que estabelece “a relação direta entre os proprietários das condições de produção e os produtores diretos que revela o segredo mais íntimo, o fundamento oculto, de todo o edifício social” (MARX, 1983 – vol. III: 251). 
O homem deve trabalhar. O mais feliz dos homens é aquele que trabalha. A família mais feliz é aquela na qual todos os seus membros empregam utilmente o seu tempo. A nação mais feliz é aquela na qual há menos desocupados. A humanidade gozariatoda a felicidade a que pode pretender se não houvesse ociosos (SAINT-SIMON apud GUYADER, 2005: 150). 
Não trabalhar significa não prestar homenagem a Deus. Somente razões imperativas como a doença podem impedir alguém de trabalhar, mas optar por não trabalhar ou não fazer de tudo para encontrar um trabalho, é moralmente condenável. O ócio, assim como a preguiça, não são desejados por Deus e “o mais importante é que o trabalho constitui, antes de mais nada, a própria finalidade da vida” (WEBER, 1967: 113). 
“A essência do homem é o trabalho. O homem só pode existir trabalhando [...] o homem não é plenamente homem, segundo Marx, se não imprimir em todas as coisas a marca de sua humanidade” (MÉDA, 1995: 103). O trabalho, como questão ontológica, marca a modernidade que trouxe consigo “a glorificação teórica do trabalho, e resultou na transformação efetiva de toda a sociedade em uma sociedade operária” (ARENDT, 2002: 12). 
CNONCLUSÃO 
A visão protestante, para além de uma valorização religiosa do trabalho, contribui para criar um “espírito” motivacional para o empreendedorismo. A contribuição de Weber é mostrar que o capitalismo ensejado pela Revolução Industrial tinha, em sua base, uma concepção de trabalho vinculada ao ascetismo secular do protestantismo. Foi essa concepção de trabalho, que liberou moral e eticamente os homens – os capitalistas – à aquisição de bens, à obtenção do lucro, à cobrança de juros e à acumulação de capital. Esse ethos – conjunto de valores culturais – exortava que a acumulação do capital deveria ser reinvestida em novos empreendimentos que gerassem mais empregos. Esse círculo virtuoso – trabalhar, acumular e reinvestir – permitia o estabelecimento da harmonia social. Será esse ethos que fomentará a atividade capitalista. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIGRÁFICAS 
ARENDT, Hannah. A Condição Humana. 10. ed. São Paulo: Ed. Forense Universitária, 2002. 
BENDASSOLLI, Pedro Fernando. Trabalho e Identidade em tempos sombrios: insegurança ontológica na experiência atual com o trabalho. Aparecida, SP: Ideias e Letras, 2007 (Texto Individualismo, consumo e ética do trabalho) 
GUYADER, Alain Le. Claude-Henri de Saint-Simon: nascimento do intelectual orgânico da sociedade industrial. In: MERCURE, D.; SPURK, J. (Orgs.). O trabalho na história do pensamento ocidental. Petrópolis (RJ): Vozes, 2005, p. 137-166. 
MARQUES, Adhemar Martins; BER UTTI, Flavio costa, FARIA, Ricardo de Souza. História Moderna Através de Textos – 11 ed. São Paulo: Contex to, 2005 (coleção textos e documentos); 3. 
MARX, Karl. O Capital - vol. III, São Paulo, Abril Cultural, 1983. 
MÉDA, Dominique. Le travail: une valeur en voie de disparition. Paris: Aubier, 1995. 
MILLS, Wright. O trabalho. In: A nova classe média (white Collar). III parte. Cap. 10. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1969 
WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. 11 ed. São Paulo: Pioneira, 1996 (Filiação religiosa e Estratificação social) 
WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Pioneira, 1967.

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