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ISCED- Modulo de GRA

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MANUAL DO CURSO DE LICENCIATURA EM 
GESTÃO AMBIENTAL 
 
 
2º Ano 
Disciplina: GESTÃO DE RISCOS AMBIENTAIS 
Código: ISCED21-ECOCFEO16 
Total Horas/1o Semestre: 
Créditos (6): 
Número de Temas: 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
INSTITUTO SUPER 
 
 
INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA- ISCED 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
i 
 
Direitos de autor (copyright) 
Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED), 
e contêm reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou 
total deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico, 
gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Instituto 
Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED). 
A não observância do acima estipulado o infractor é passível a aplicação de processos 
judiciais em vigor no País. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) 
Direcção Académica 
Rua Dr. Almeida Lacerda, No212 Ponta - Gêa 
Beira - Moçambique 
Telefone: +258 23 323501 
Cel: +258 823055839 
Fax: 23323501 
E-mail:isced@isced.ac.mz 
Website: www.isced.ac.mz 
 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
ii 
 
Agradecimentos 
O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) e o autor do presente manual 
agradecem a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste 
manual: 
Pela Coordenação 
Pelo design 
Direcção Académica do ISCED 
Direcção de Qualidade e Avaliação do ISCED 
Financiamento e Logística Instituto Africano de Promoção da Educação 
a Distancia (IAPED) 
Elaborado Por: Ermelinda Xavier Maquenze - Mestre e 
Planeamento e Desenvolvimento Regional 
 
 
. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
iii 
 
Índice 
Visão geral 1 
Bem vindo ao Módulo de Gestão de Riscos Ambientais ......................................................... 1 
Objectivos da Disciplina/Módulo ............................................................................................ 1 
Quem deveria estudar este módulo? ...................................................................................... 1 
Como está estruturado este módulo? ..................................................................................... 2 
Ícones de actividade ............................................................................................................... 3 
Habilidades de estudo ............................................................................................................ 3 
Precisa de apoio? ................................................................................................................... 5 
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ....................................................................................... 6 
Avaliação ................................................................................................................................ 7 
TEMA - I: HISTORICO, CONCEITO E DEFINIÇÕES DA ANÁLISE DE RISCO 8 
Unidade Temática 1.1: Historico, conceito e definiçoes de analise de riscos, risco e 
perigo, risco da operaçao normal e riscos ambientais ……………………………………………8 
 Introdução ………………………………………………………………………………….……………….…8 
 1.1.2 Conceito de Risco e Perigo …………………………………………………………………………....12 
 Sumario ………………………………………………………………………………………………………..15 
 Exercício de auto-avaliação …………………………………………………………………………..15 
 Exercícios de Avaliação. ………………………………………………………………………….……15 
 Unidade Temática 1.2: Classificação de riscos: riscos ambientais, riscos individuais e 
sociais ………………………………………………………………………………………………………….…17 
 Introdução ………………………………………………………………………………………………..…...17 
 1.2.1 Classificação de riscos ………………………………………………………………………....17 
 1.2.1.1 Riscos ambientais …………………………………………………………………….…20 
 Sumário ……………………………………………………………………………..……………………..…25 
 Exercícios de auto-avaliação ……………………………………………………………………..…25 
 Exercício de Avaliação …………………………………………………………………………..…….26 
 Unidade Temática 1.3: Introdução a análise qualitativa e quantitativa de Riscos …..…...26 
 Introdução ……………………………………………………………………………………………...….26 
 1.3.1 Análise de riscos …………………………………………………………………………..……27 
 1.3.2 Análise qualitativa e quantitativa do risco ……………………………………...…29 
 Sumário ……………………………………………………………………………………………………..35 
 Exercícios de auto-avaliação ………………………………………………………………..……35 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
iv 
 
 Exercício de Avaliação ……………………………………………………………………………..36 
TEMA - II: ANÁLISE DE RISCOS EM PROCESSOS INDUSTRIAIS 37 
Unidade Temática 2.1: Métodos de análise de riscos industriais características e 
estimativas de riscos …………………………………………………………………………………………………37 
 Introdução ……………………………………………………………………………………………....37 
 2.1.1 Métodos qualitativos Gerais, detalhados e de árvore……………………………….37 
 Sumario ………………………………….…………………………………………………………………39 
 Exercícios de auto-avaliação ………………………………………………………………….…39 
 Exercícios de avaliação ……………………………………………..………………………………40 
Unidade Temática 2.2 - Analise Preliminar de Riscos (APR) Categorias e frequências de 
probabilidades de riscos e Estudo de Perigo e Operabilidade (HAZOP)………………40 
 Introdução …………………………………………………………………………………….40 
2.2.1 Análise Preliminar de Riscos e Categoria e Frequência da Probabilidade 
de riscos………………………..……………………………………………………………….41 
2.2.2 Estudo de Identificação de perigos e Operabilidade (HAZOP)…………44 
 Sumário ……….……………………………………………………………………………....46 
 Exercícios de auto-avaliação ……………………………………………………………….…47 
 Exercícios de avaliação ……………………………………..…………………………………….47 
Unidade Temática 2.3: Aplicações e Estudos de Casos …………………………………………….48 
 Introdução ………………………………………………………………………………………….….48 
 2.3.1 Aplicação e estudo de casos sobre técnicas de analise de risco e em processos 
industriais ……………………………………………………………………….…………………….48 
 Exercício……………………………………………………………………………………………….48 
TEMA - III: GERENCIAMENTO DO RISCO 49 
 Introdução ……………………………………………….……………………………………50 
 Sumário ……….……………………………………………………………………………….54 
 Exercícios de auto-avaliação ………………………………………………………..…….…55 
 Exercícios de avaliação ……………………………………..……………………………………..…..56 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
v 
 
Unidade Temática 3.2 Elaboração de Mapa de Risco…………………………….……………………57 
 Introdução …………………………………………………………………………………….….57 
 Sumário ……….……………………………………………………………………………….....66 
 Exercícios de auto-avaliação ………………………………………………………………………66 
 Exercícios de avaliação ……………………………………..…………………………………….….67 
Unidade Temática 3.3 Programa de Condições e Meio Ambiente do Trabalho …………..68 
 Introdução ……………………………………………………………………………………..…68 
3.3.1 Conceito, Objectivo, benefícios e importância do PCMATs………………..69 
3.3.2 Elaboração e Implementação do PCMAT……………………………………………71 
 Sumário ……….…………………………………………………………………………………...71 
 Exercícios de auto-avaliação ……………………………………………………………………….72 
 Exercícios de avaliação ……………………………………..………………………………………...72Unidade Temática 3.4: Modelos de Gestão de Riscos ………………………………………………...73 
 Introdução …………………………………………………………………………………………….…...73 
 3.4.1 Gestão de riscos……….………………………………………………………………………………...74 
3.4.2 Normas sobre a gestão de riscos………………………………………………………………….77 
3.4.3 Modelos de Gestão de Riscos de SATA …………………………………………………….....79 
Sumário ……….……………………………………………………………………………........81 
 Exercícios de auto-avaliação ……………………………………………………………………...82 
 Exercícios de avaliação ……………………………………..………………………………………..82 
Unidade Temática 3.5: Plano de Emergência …………..…………………………………………….….83 
 Introdução ……………………………………………………………………………………………..….83 
 3.5.1 Conceito, Objectivos e Características ……….………………………………………….…..84 
3.4.3 Modelos de Gestão de Riscos de SATA ……………………………………………………....79 
Sumário ……….…………………………………………………………………………….......89 
 Exercícios de auto-avaliação ……………………………………………………………………..90 
 Exercícios de avaliação ……………………………………..……………………………………….90 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
vi 
 
 
 Exercício…………………………………………………………………………………………………90 
TEMA - IV: ESTUDO DE CASOS PRÁTICOS: ACIDENTES AMBIENTAIS E SUA RELAÇÃO COM 
ANÁLISE DE RISCO. CASOS TÍPICOS 91 
Unidade Temática 4.1: Projecto de analise de riscos através da APP, Mapeamento de 
Riscos ambientais e sobre o levantamento dos aspectos e impactos relacionados à 
probabilidade de ocorrência ……………………………………………………………………………………..91 
 Introdução ……………………………………………………………………………………………….91 
 4.1.1 Avaliação Preliminar de Perigo (APP) …………………… ……………………….……….91 
 4.1.2 Mapeamento de risco ambiental ………………………………………………….………..102 
 4.1.3Projecto de levantamento dos aspectos e impactos relacionado á 
probabilidade de ocorrência dos riscos ambientais ……………………………...107 
 Sumario ………………………………….………………………………………………………….…112 
 Exercícios de avaliação ……………………………………………..………………………….112 
 
V. EXERCICIOS DE CONSOLIDAÇÃO 114 
_________________________________________________________________________________ 
VI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 115 
__________________________________________________________________________________
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
1 
 
Visão geral 
Bem vindo à Disciplina/Módulo de Gestão de Riscos 
Ambientais 
Objectivos do Módulo 
Ao terminar o estudo deste módulo de Gestão de Riscos 
Ambientais deverá ser capaz de: compreender os conceitos de 
risco associados a acidentes ambientais, elaborar diagnósticos de 
análise de risco, propor sistemáticas e procedimentos para 
avaliação e tratamento de riscos ambientais e elaborar, 
sistematizar e operar Programas de Prevenção de Riscos 
Ambientais (PPRA), através de planos de emergência. 
 
 
Objectivos 
Específicos 
 Analisar os padrões e critérios de avaliação de riscos; 
 Conhecer a necessidade de conhecimento detalhado das 
condicionantes de perigo; 
 Estudar a criação da estrutura organizacional e formação 
de equipes interdisciplinares para à avaliação dos riscos 
ambientais; 
 Analisar os erros e falhas visando a base de dados para a 
tomada de decisão; 
 
Quem deveria estudar este módulo 
Este Módulo foi concebido para estudantes do 2º ano do curso de 
licenciatura em Gestão Ambiental do ISCED. É extensivo a outros a 
que queiram saber mais, actualizar, ou consolidar os seus 
conhecimentos sobre a Gestão de Riscos Ambientais, não 
carecendo frequentar o curso., podendo apenas adquirir o 
manual. 
 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
2 
 
Como está estruturado este módulo 
O presente módulo de Gestão de Riscos Ambientais, para 
estudantes do 2º ano do curso de licenciatura em Gestão 
Ambiental, à semelhança dos restantes do ISCED, está estruturado 
como se segue: 
Páginas introdutórias 
 Um índice completo. 
 Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo, 
resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para 
melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia esta 
secção com atenção antes de começar o seu estudo, como 
componente de habilidades de estudos. 
 
Conteúdo desta Disciplina/módulo 
Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por sua vez 
comporta certo número de unidades temáticas ou simplesmente 
unidades. Cada unidade temática se caracteriza por conter uma 
introdução, objectivos, conteúdos. 
No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são 
incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação, só 
depois é que aparecem os exercícios de avaliação. 
Os exercícios de avaliação têm as seguintes características: puros 
exercícios teóricos/Práticos, Problemas não resolvidos e 
actividades práticas algumas incluído estudo de caso. 
 
Outros recursos 
A equipa dos académicos e pedagogos do ISCED, pensando em si, 
num cantinho, recôndito deste nosso vasto Moçambique e cheio 
de dúvidas e limitações no seu processo de aprendizagem, 
apresenta uma lista de recursos didácticos adicionais ao seu 
módulo para você explorar. Para tal o ISCED disponibiliza na 
biblioteca do seu centro de recursos mais material de estudos 
relacionado com o seu curso como: Livros e/ou módulos, CD, CD-
ROOM, DVD. Para além deste material físico ou electrónico 
disponível na biblioteca, pode ter acesso a Plataforma digital 
moodle para alargar mais ainda as possibilidades dos seus 
estudos. 
 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
3 
 
Auto-avaliação e Tarefas de avaliação 
Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se no final 
de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas dos 
exercícios de auto-avaliação apresentam duas características: 
primeiro apresentam exercícios resolvidos. Segundo, exercícios 
que mostram apenas respostas. 
Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-avaliação 
mas sem mostrar os passos e devem obedecer o grau crescente de 
dificuldades do processo de aprendizagem, umas a seguir a outras. 
Parte das tarefas de avaliação será objecto dos trabalhos de 
campo a serem entregues aos tutores/docentes para efeitos de 
correcção e subsequentemente nota. Também constará do exame 
do fim do módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os 
exercícios de avaliação é uma grande vantagem. 
Comentários e sugestões 
Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre determinados 
aspectos, quer de natureza científica, quer de natureza diadáctico-
Pedagógica, etc, sobre como deveriam ser ou estar apresentadas. 
Os seus comentários e sugestões serão úteis para nos ajudar a 
avaliar e melhorar este curso/módulo. 
 
Ícones de actividade 
Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas 
margens das folhas. Estes icones servem para identificar 
diferentes partes do processo de aprendizagem. Podem indicar 
uma parcela específica de texto, uma nova actividade ou tarefa, 
uma mudança de actividade, etc. 
Habilidades de estudo 
O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a 
aprender. Aprender aprende-se. 
Durante a formação e desenvolvimento de competências, para 
facilitar a aprendizagem e alcançar melhores resultados, implicará 
empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os bons 
resultados apenas se conseguem com estratégias eficientes e 
Eficazes. Por isso é importante saber como, onde e quando 
estudar. Apresentamos algumas sugestões com as quais esperamos 
 ISCED CURSO: GESTÃOAMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
4 
 
que caro estudante possa rentabilizar o tempo dedicado aos 
estudos, procedendo como se segue: 
1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de 
leitura. 
2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida). 
3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e 
assimilação crítica dos conteúdos (ESTUDAR). 
4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua 
aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o padrão. 
5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades práticas ou 
as de estudo de caso se existirem. 
IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo, 
respectivamente como, onde e quando...estudar,como foi referido 
no início deste item, antes de organizar os seus momentos de 
estudo reflicta sobre o ambiente de estudo que seria ideal para si: 
Estudo melhor em casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo 
melhor à noite/de manhã/de tarde/fins-de-semana/ao longo da 
semana? Estudo melhor com música/num sítio sossegado/num 
sítio barulhento!? Preciso de intervalo em cada 30 minutos, em 
cada hora, etc. 
É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido 
estudado durante um determinado período de tempo; deve 
estudar cada ponto da matéria em profundidade e passar só ao 
seguinte quando achar que já domina bem o anterior. 
Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que puder lêr 
e estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a melhor opção é 
juntar o útil ao agradável: Saber com profundidade todos 
conteúdos de cada tema, no módulo. 
Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por 
tempo superior a uma hora. Estudar por tempo de uma hora 
intercalado por 10 (dez) a 15 (quinze) minutos de descanso 
(chama-se descanso à mudança de actividades). Ou seja que 
durante o intervalo não se continuar a tratar dos mesmos assuntos 
das actividades obrigatórias. 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
5 
 
Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual 
obrigatório, pode conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento 
da aprendizagem. Por que o estudante acumula um elevado 
volume de trabalho, em termos de estudos, em pouco tempo, 
criando interferência entre os conhecimento, perde sequência 
lógica, por fim ao perceber que estuda tanto mas não aprende, cai 
em insegurança, depressão e desespero, por se achar injustamente 
incapaz! 
Não estude na última da hora; quando se trate de fazer alguma 
avaliação. Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda 
sistematicamente), não estudar apenas para responder a questões 
de alguma avaliação, mas sim estude para a vida, sobretudo, 
estude pensando na sua utilidade como futuro profissional, na área 
em que está a se formar. 
Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que 
matérias deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que 
resta, deve decidir como o utilizar produtivamente, decidindo 
quanto tempo será dedicado ao estudo e a outras actividades. 
É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será 
uma necessidade para o estudo das diversas matérias que 
compõem o curso: A colocação de notas nas margens pode ajudar 
a estruturar a matéria de modo que seja mais fácil identificar as 
partes que está a estudar e Pode escrever conclusões, exemplos, 
vantagens, definições, datas, nomes, pode também utilizar a 
margem para colocar comentários seus relacionados com o que 
está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir 
à compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura; 
Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo significado 
não conhece ou não lhe é familiar; 
Precisa de apoio? 
Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra razão, o 
material de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidas 
como falta de clareza, alguns erros de concordância, prováveis 
erros ortográficos, falta de clareza, fraca visibilidade, páginas 
trocadas ou invertidas, etc). Nestes casos, contacte os serviços de 
atendimento e apoio ao estudante do seu Centro de Recursos (CR), 
via telefone, sms, E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta 
participando a preocupação. 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
6 
 
Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes 
(Pedagógico e Administrativo), é a de monitorar e garantir a sua 
aprendizagem com qualidade e sucesso. Dai a relevância da 
comunicação no Ensino a Distância (EAD), onde o recurso as TIC se 
torna incontornável: entre estudantes, estudante – Tutor, 
estudante – CR, etc. 
As sessões presenciais são um momento em que você caro 
estudante, tem a oportunidade de interagir fisicamente com staff 
do seu CR, com tutores ou com parte da equipa central do ISCED 
indigitada para acompanhar as sua sessões presenciais. Neste 
período pode apresentar dúvidas, tratar assuntos de natureza 
pedagógica e/ou administrativa. 
O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30% 
do tempo de estudos a distância, é muita importância, na medida 
em que permite-lhe situar, em termos do grau de aprendizagem 
com relação aos outros colegas. Desta maneira ficará a saber se 
precisa de apoio ou precisa de apoiar aos colegas. Desenvolver 
hábito de debater assuntos relacionados com os conteúdos 
programáticos, constantes nos diferentes temas e unidade 
temática, no módulo. 
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) 
O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e 
autoavaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é 
importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues 
duas semanas antes das sessões presenciais seguintes. 
Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não 
cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do 
estudante. Tenha sempre presente que a nota dos trabalhos de 
campo conta e é decisiva para ser admitido ao exame final da 
disciplina/módulo. 
Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os 
mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente. 
Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, 
contudo os mesmos devem ser devidamente referenciados, 
respeitando os direitos do autor. 
O plágio1é uma violação do direito intelectual do(s) autor(es). Uma 
transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do testo de um 
autor, sem o citar é considerado plágio. A honestidade, humildade 
científica e o respeito pelos direitos autorias devem caracterizar a 
realização dos trabalhos e seu autor (estudante do ISCED). 
 
1Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade 
intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização. 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
7 
 
Avaliação 
Muitos perguntam: Com é possível avaliar estudantes à distância, 
estando eles fisicamente separados e muito distantes do 
docente/tutor? Nós dissemos: Sim é muito possível, talvez seja 
uma avaliação mais fiável e consistente. 
Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com 
um mínimo de 90% do total de tempo que precisa de estudar os 
conteúdos do seu módulo. Quando o tempo de contacto presencial 
conta com um máximo de 10% do total de tempo do módulo. A 
avaliação do estudante consta detalhada do regulamento de 
avaliação. 
Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e 
aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota de 
frequência para ir aos exames. 
Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou modulo e 
decorrem durante as sessões presenciais. Os exames pesam no 
mínimo 75%, o que adicionado aos 25% da média de frequência, 
determinam a nota final com a qualo estudante conclui a cadeira. 
A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da 
cadeira. 
Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois) 
trabalhos e 1 (um) (exame). 
Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizados 
como ferramentas de avaliação formativa. 
Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em 
consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de 
cientificidade. Esta é a sua oportunidade para nos dar sugestões e 
fazer comentários sobre a estrutura e o conteúdo do curso/ 
módulo. Os seus comentários serão úteis para nos ajudar a avaliar 
e melhorar este curso/módulo , a forma de conclusão dos assuntos, 
as recomendações, a identificação das referências bibliográficas 
utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros. 
Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de 
Avaliação. 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
9 
 
TEMA – I: HISTORICO, CONCEITO E DEFINIÇÕES DA ANALISE DE RISCO 
Unidade Tematica 1.1: Historico, conceito e definiçoes de analise de 
riscos, risco e perigo 
Unidade Temática 1.2: Riscos ambientais 
Unidade Temática 1.2: Classificação dos riscos - Riscos ambientais, 
individuais e sociais. 
Unidade Temática 1.3: Introdução à analise qualitativa e quantitativa 
de riscos 
Unidade Temática 1.4: EXRECÍCIOS deste tema 
UNIDADE Temática 1.1: Historico, conceito e definiçoes de analise de riscos, risco e perigo . 
 
Introdução 
De acordo com Ruppenthal (2013), as actividades inerentes ao ser 
humano, desde os primórdios, estão intrinsecamente ligadas com um 
potencial de riscos. E, com relativa frequência, elas resultaram em 
lesões físicas, perdas temporárias ou permanentes de capacidade para 
executar as tarefas e morte. 
 
Nesse contexto, as actividades de caça e pesca, cruciais à 
sobrevivência do homem primitivo, eram afectadas pelos acidentes 
que, muitas vezes, diminuíam a capacidade produtiva devido a lesões 
físicas. Quando o homem das cavernas se transformou em artesão, 
descobrindo o minério e os metais, ele pôde facilitar seu trabalho pela 
fabricação das primeiras ferramentas. E, dessa forma, surgiram as 
primeiras doenças do trabalho, provocadas pelos materiais utilizados 
para confecção de artefactos e ferramentas. (ROPPENTHAL; 2013, p. 
15) 
 
A informação mais antiga sobre a necessidade da segurança no 
trabalho, alusiva à preservação da saúde e da vida do trabalhador, está 
registrada num documento egípcio, o papiro Anastácius V, quando 
descreve as condições de trabalho de um pedreiro: “Se trabalhares 
sem vestimenta, teus braços se gastam e tu te devoras a ti mesmo, 
pois, não tens outro pão que os seus dedos”. (ROPPENTHAL; 2013, p. 
15) 
 
Assim, o homem evoluiu para a agricultura e o pastoreio, alcançou a 
fase do artesanato e atingiu a era industrial, sempre acompanhado de 
novos e diferentes riscos que afectam sua vida e saúde. 
 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
10 
 
Conhecer os perigos, encontrar maneiras de controlar as situações de 
risco, desenvolver técnicas de protecção, procurar produtos e 
materiais mais seguros, aplicar os conhecimentos adquiridos a uma 
filosofia de preservação, foram passos importantes que caracterizaram 
a evolução humana ao longo da sua existência. A princípio, a 
necessidade de protecção dominava as preocupações individuais. Só 
muito lentamente, em termos históricos, a noção de protecção 
individual foi sendo substituída pela da protecção da tribo, da nação, 
do país, do grupo étnico ou civilizacional e só muito mais tarde pela 
protecção da espécie. O conceito de prevenção evoluiu juntamente 
com a racionalidade e a capacidade de organização da espécie 
humana, desenvolvendo a habilidade da antecipação e 
reconhecimento dos riscos das suas actividades. (ROPPENTHAL; 2013, 
p. 16) 
 
Ainda de acordo com a mesma autora, a revolução industrial 
possibilitou um salto tecnológico para a humanidade, pois popularizou 
o acesso aos produtos que antes eram muito caros e, portanto, 
consumidos apenas pelas classes mais abastadas. Porém, esse 
aumento da produção também levou ao aumento da exposição 
ocupacional aos riscos. Dessa forma, os riscos tem evoluído 
juntamente com a humanidade e, devido a esta associação, a 
eliminação total deles é praticamente impossível. Da mesma forma, é 
totalmente possível gerir e controlar os riscos de maneira a reduzir as 
lesões, incapacidades, mortes e danos materiais e ambientais para 
níveis mínimos aceitáveis. (ROPPENTHAL; 2013, p. 16) 
 
Pedroso (2007), considera que os estudos de análise de risco como 
importantes “ferramentas” de gestão, tanto sob o ponto de vista 
ambiental, como de segurança de processo, uma vez que esses 
estudos fornecem, entre outros, os seguintes resultados: 
 
 Conhecimento detalhado da instalação e de seus perigos; 
 Avaliação dos possíveis danos às instalações, aos 
trabalhadores, à população externa e ao meio ambiente; e 
 Subsídios para a implementação de medidas para a redução e 
gestão dos riscos existentes na instalação. 
 
Adicionalmente Pedroso (2007), afirma que dentro de um contexto 
organizacional a gestão de riscos visa produzir mais, com o menor 
impacto ambiental possível, ou seja, reduzindo o consumo de recursos 
naturais e a geração de resíduos; e é uma forma de fazer com que as 
organizações evitem problemas com multas ambientais, pois 
preconiza o respeito a toda a legislação vigente. 
 
Uma das grandes razões para a adopção da prática de gestão de riscos 
são os ganhos financeiros envolvidos, pois se reduzem as perdas na 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
11 
 
cadeia produtiva, principalmente as perdas de matéria-prima. 
 
Royer (2000) diz que um dos factores mais criticos que promove o 
insucesso de um projecto é a falta de gestão dos riscos e a não 
mitigaçao dos mesmos. Sem mitigar os riscos, frequentemente um 
projecto caminha para ter serios problemas na sua gestão. 
 
“Se voce não tem tempo ou recurso para mitigar os riscos agora, tenha 
certeza absoluta de que voce deverá ter tempo ou recursos para 
ataca-los quando se tornarem problemas”(HALL; HULETT, 2002, P.3). 
Risco é um problema que ainda não ocorreu, portanto, ainda existe a 
chance de geri-lo. 
 
Até o início da década de 70, a questão da segurança na indústria 
química era tratada unicamente no âmbito das empresas, sem 
maiores interferências externas (do governo ou do público). 
 
Nos projectos industriais e de equipamentos em geral, o enfoque de 
segurança era essencialmente baseado nos factores de segurança 
embutidos nas normas e códigos de projecto. Na indústria havia uma 
ênfase exagerada na produção em comparação às prioridades dadas 
aos aspectos de saúde e segurança. A questão ambiental sequer era 
colocada na agenda das discussões de investimentos da indústria. Tão 
pouco havia da parte dos governos grandes exigências de controlo da 
poluição ambiental. 
 
Foi somente a partir do início da década de 70 que começaram a surgir 
os primeiros sinais de insatisfação de algumas parcelas da população, 
de autoridades governamentais e de alguns sectores da própria 
indústria. Alguns acidentes industriais de grande repercussão durante 
as décadas de 70/80 (Island, Flixborough, Bhopal, Cidade do México, 
Seveso) levaram ao aparecimento de importantes leis e 
regulamentações sobre segurança industrial e controle ambiental nos 
principais países industrializados. 
 
O estudo de risco ambiental apareceu como disciplina formal nos 
Estados Unidos de 1940 a 1950, paralelamente ao lançamento da 
indústria nuclear e também para a segurança de instalações de 
refinação de petróleo, indústria química e aeroespacial. No Brasil, o 
início ao uso institucional de estudo de risco verifica-se em 1983, 
especificamenteem Cubatão, com o Plano de Controle da Poluição de 
Cubatão, que tinha em vista garantir a boa operação e manutenção de 
processos e tubulações e terminais de petróleo e de produtos 
químicos das unidades industriais locais. Entretanto, face os riscos 
eminentes que estão sendo mostrados o seu interesse ao nível de 
toda a população do planeta tem aumentado. Contudo, é fundamental 
que a humanidade tome mais atenção e assuma atitudes responsáveis 
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12 
 
na sua maneira de interagir com o meio que o rodeia, contribuindo 
deste modo para a gestão dos riscos ambientais e permitindo que as 
valiosas reservas de recursos naturais ainda existentes, contribuam 
para o desenvolvimento económico das diferentes nações. 
Actualmente, são reportados muitos acidentes ou desastres 
resultantes da deficiente ou ausência da gestão dos riscos ambientais, 
que tem causado enormes perdas económicas. Por exemplo as cheias 
de 2000 ocorridas em Moçambique tiveram varias consequências, de 
entre elas: o prejuízo em 600 milhões de USD, a economia teve um 
recuo equivalente a 5 ano, mais de 800 pessoas perderam a vida, 
entre outras. (UEM, Faculdade de Ciências, 2012). 
 
Vamos agora em conjunto tentar definir o risco e perigo recorrendo a 
diferentes definições. 
Ao completar esta unidade você será capaz de: 
 
Objectivos 
 
 
 Compreender a relação do Homem com o risco e sua evolução 
da evolução; 
 Entender a importância da análise de risco; 
 Aprender os termos e conceitos utilizados em gestão de riscos; 
e 
 Identificar os factores conjugados ao risco. 
1.1 .2 Conceito de Risco e perigo 
Apesar de ser difícil a sua conceituação, o risco é inerente a nossa vida 
diária e em todas as decisões que tomamos. No tempo do homem da 
caverna, ele já tinha que levá-lo em conta cada vez que saía para caçar 
animais para o seu alimento. Também nos planos estratégicos de 
guerra são levados em conta até a humilhação das perdas das viúvas 
para os vencedores, há milhares de anos atrás. 
 
Estudo ou análise de riscos significa coisas diferentes para pessoas 
diferentes, por exemplo, o risco financeiro de se aplicar na bolsa de 
valores, o risco das empresas de seguro, as fatalidades de um acidente 
de uma planta de energia nuclear, o risco de câncer associado com as 
emissões poluidoras da indústria ou até de se fumar por 5 anos um 
determinado tipo de cigarro. Todos estes exemplos se mostram, 
apesar de muito diferentes uns dos outros, como noções mensuráveis 
do fenómeno chamado risco 
 
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13 
 
A palavra Risco está ligada ao termo latino riscu, ligado por sua vez a 
resecare, que significa “corte”. Como uma ruptura na continuidade, 
como um risco que se faz numa tela em branco. (Monteiro, 1991, 
p.10) 
Risco é a potencialidade de que ocorra um acidente, um desastre, um 
evento físico que resulte em perdas e danos sociais ou económicos. A 
geógrafa francesa Yvette Veyret (2007) define Risco, como a 
percepção do perigo ou da catástrofe possível. Considera que ele 
existe apenas em relação a uma sociedade que o apreende por meio 
de representações mentais e com ele convive por meio de práticas 
específicas. Não há riscos, portanto, sem uma população que o 
perceba e que poderia sofrer seus efeitos. Deste modo, o risco deve 
ser entendido como a possibilidade de ocorrência de um perigo, 
enquanto que Perigo, como sendo uma situação (incêndio, explosão 
ou vazamento de substâncias tóxicas) que ameaça a existência de uma 
pessoa ou a integridade física de instalações e edificações. 
O Perigo também pode ser entendido como sendo fonte ou situação 
(condição) com potencial para provocar danos em termos de lesão, 
doença, dano à propriedade, dano ao meio ambiente, ou uma 
combinação desses. Condições de uma variável com potencial para 
causar danos tais como: lesões pessoais, danos a equipamentos, 
instalações e meio ambiente, perda de material em processos ou 
redução da capacidade produtiva. (ROPPENTHAL; 2013, p. 23) 
De acordo com Nogueira (s/d), as populações mais pobres, mais 
vulneráveis e com baixa resiliência, geralmente ocupando vazios 
urbanos e periferias com pouca infra-estrutura ou de maior 
fragilidade ambiental, costumam ser as principais vítimas das 
tragédias resultantes da ausência ou deficiente gestão de riscos. A 
título de exemplo no Brasil não se conhecem estudos que abordem a 
quantificação dos impactos destes acidentes urbanos no Brasil, mas 
estudo feito na Colômbia (Hermelin, 2000) aponta que desastres 
ambientais causam perdas anuais da ordem de 4,4% do PIB. É possível 
afirmar que as perdas recorrentes por pequenos deslizamentos que 
sequer são noticiados pela média e pelas inundações frequentes das 
margens de córregos correspondam a uma importante causa da 
miséria dos moradores dos assentamentos precários, que anualmente 
se empenham em novas dívidas para repor os bens danificados. 
Para Dagnino e Júnior (2007), os conceitos de riscos têm sido 
utilizados em diversas ciências e ramos de conhecimento e adoptados 
segundo os casos em questão. Nessas situações frequentemente o 
termo risco é substituído ou associa-se a potencial, susceptibilidade, 
vulnerabilidade, sensibilidade ou dados potenciais. Segundo Amaro 
(2005), “o risco é, pois, função da natureza do perigo, acessibilidade 
ou via de contacto (potencial de exposição), características da 
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14 
 
população exposta (receptores), probabilidade de ocorrência e 
magnitude das consequências”. 
O risco é a probabilidade de que um evento esperado ou não se 
tornerealidade. (Pelleter, 2007). 
Segundo Lima e Silva et al. (199, p. 243) o risco esta associado a 
acidentes, isto é, a eventos inesperados que ocorrem no ambiente. O 
risco se apresenta em situações ou áreas em que existe a 
probabilidade, susceptibilidade, vulnerabilidade, de ocorrer algum tipo 
de ameaça, perigo, problema, impacto ou desastre. 
O risco é uma função que conjuga diversos factores: 
 Natureza ou tipo de perigo; 
 Acessibilidade/via de contacto (potencial de exposição); 
 Características da população exposta (receptores); 
 Probabilidade de ocorrência, e 
 Magnitude das consequências. 
Como pode verificar existem muitas definições de risco, contudo para 
este módulo podemos adoptar a definição proposta por DENIZ (2006), 
que segundo o mesmo: “O Risco de uma determinada actividade pode 
ser entendido como o potencial de ocorrência de consequências 
indesejadas decorrentes da realização da actividade”. 
Dois aspectos importantes desta definição: 
 
1) O potencial de ocorrência expressa o elemento de incerteza 
inerente ao conceito de risco. A sua expressão quantitativa 
pode ser feita com o conceito de probabilidade de ocorrência 
ou analogamente com a frequência esperada de ocorrência. 
 
2) As consequências indesejadas caracterizam o fato de que o 
conceito de risco está intimamente ligado a algum tipo de 
dano, seja para a saúde, para a vida, para o meio ambiente ou 
para as finanças individuais ou sociais. 
 
Quantitativamente, o risco tem sido expresso como algum tipo de 
combinação (uma função matemática) entre a frequência esperada de 
ocorrência do evento indesejado e a magnitude das suas 
consequências. 
 
 
 
 
 
 
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15 
 
Figura 1: Conceito de risco 
 
Sumário 
Embora as definições e interpretações sejam numerosas e variadas, 
não existe um conceito único que se pode dar ao risco, todos autores 
reconhecem no risco a incerteza ligada ao futuro, tempo em que o 
risco se revelará, com efeitos adversos (económicos sobre a saúde e 
segurançahumana, ou ainda ecológico). Nesta unidade foi também 
apresentada a relação existente entre o homem e o risco, bem com, 
termos e conceitos básicos utilizados em gestão do risco 
 
Exercícios de AUTO- AVALIAÇÃO 
1. Porque é que se diz que o risco esteve sempre presente na vida 
do homem? 
Resposta: Porque desde a sua existência e em todas as 
actividades por ele desenvolvidas sempre existiu um potencial 
de riscos, que muitas vezes resultavam em lesões físicas, 
perdas temporárias ou permanentes de capacidade para 
executar as tarefas e morte. 
 
2. Quais foram os passos importantes que caracterizaram a 
evolução humana ao longo da sua existência ligados ao risco? 
Resposta: os passos foram: conhecer os perigos, encontrar 
maneiras de controlar as situações de risco, desenvolver 
técnicas de protecção, procurar produtos e materiais mais 
seguros e aplicar os conhecimentos adquiridos a uma filosofia 
de preservação. 
 
3. Tendo em conta o conteúdo em abordagem que impacto 
negativo trouxe a revolução industrial ao homem? 
Resposta: A revolução industrial possibilitou um salto 
tecnológico para a humanidade, pois popularizou o acesso aos 
produtos que antes eram muito caros e, portanto, consumidos 
apenas pelas classes mais abastadas. Porém, esse aumento da 
produção também levou ao aumento da exposição ocupacional 
aos riscos. 
 
 
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16 
 
4. Que resultados fornecem os estudos da análise do risco 
segundo Pedroso (2007) 
Resposta: Fornecem os seguintes resultados: 
 Conhecimento detalhado da instalação e de seus 
perigos; 
 Avaliação dos possíveis danos às instalações, aos 
trabalhadores, à população externa e ao meio 
ambiente; e 
 Subsídios para a implementação de medidas para a 
redução e gestão dos riscos existentes na instalação. 
 
Exercícios de AVALIAÇÃO 
1º Grupo de Perguntas 
 
1. A revolução industrial aumentou a exposição ocupacional do 
homem aos riscos. Argumente a afirmação? 
2. Refira-se a importância da análise e gestão do risco. 
3. Diferencie risco e perigo. 
4. Das definições apresentadas pelos diferentes autores sobre 
risco, identifica os aspectos chaves e comuns. 
5. Qual das definições apresentadas lhe parece mais ideal ou 
completa? Justifica a sua posição. 
6. O risco é uma função que conjuga diversos factores. Comente a 
afirmação. 
7. Que factor contribuiu para o aparecimento de importantes leis 
e regulamentos sobre segurança industrial e controle 
ambiental nos principais países industrializados? 
 
1º Grupo de Perguntas (escolha a alternativa correcta) 
1. Em que década começou a surgir os primeiros sinais de 
insatisfação da população, de autoridades governamentais e de 
alguns sectores da própria indústria sobre práticas não 
sustentáveis e que colocavam-lhe em situações de risco? 
 
a) 70 b) 80 c) 90 
2. Quando é que o estudo do risco apareceu como disciplina 
formal? 
a) 1940-1950 b) 1840-1850 c) 1740-1750 
 
3. Onde é que o estudo do risco ambiental apareceu como 
disciplina formal? 
a) Brasil b) EUA c) Inglaterra 
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17 
 
UNIDADE Temática 1.2: Classificação dos Riscos: Riscos Ambientas, Riscos Individuais e Sociais. 
 
Introdução 
A primeira unidade forneceu elementos de compreensão do conceito 
de risco, tendo-se concluído que o risco tem a haver, com algo 
inesperado mais que pode ser controlado. Para melhor definição de 
acções que tem em vista a gestão do risco é importante que se 
conheça de forma particularizada os diferentes tipos de riscos e suas 
características. 
Esta unidade permitirá compreender a diferença entre os diferentes 
tipos de riscos, particularmente o risco ambiental, individual e social, 
bem como, as suas classificações e características. 
 
Ao completar esta unidade, você será capaz de: 
 
 
Objectivos 
 
 
Compreender a diferença entre o risco ambiental, individual e social, e 
bem como os aspectos que caracterizam os diferentes tipos de riscos. 
1.2.1 Classificação de riscos 
 
Para RUPPNTHAL (2013), os riscos apresentam características 
diferenciadas em função do ambiente de actuação da empresa e das 
suas próprias características operacionais. Novos riscos surgem em 
novos tipos de estruturas corporativas e mudanças na tecnologia da 
informação. Os riscos podem ser classificados em: riscos especulativos 
(ou dinâmicos) e riscos puros (ou estáticos), conforme Figura abaixo. 
 
Figura 2: Classificação dos riscos 
 
 
 
 
 Fonte: CTISM, adaptado de De CiccoeFantazzini, 2003 
Os riscos especulativos envolvem uma possibilidade de ganho ou de 
perda. Enquanto que os riscos puros envolvem somente possibilidade 
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18 
 
de perda, não existindo nenhuma possibilidade de ganho ou de lucro. 
 
a) Riscos especulativos 
Os riscos especulativos subdividem-se em riscos administrativos, 
políticos e de inovação. 
 
Os riscos administrativos estão relacionados ao processo de tomada 
de decisão. Uma decisão correcta leva aos lucros, em contrapartida, 
uma decisão errada pode levar ao colapso empresarial. Com relação a 
esse tipo de risco, há uma dificuldade em prever antecipadamente e 
com precisão o resultado de uma decisão. A incerteza quanto ao 
resultado é uma das definições de risco. Os riscos administrativos 
podem ser diferenciados em riscos de mercado, riscos financeiros e 
riscos de produção. 
 
Os riscos de mercado são relativos à incerteza quanto ao resultado 
positivo das vendas e lucros resultantes de determinado produto ou 
serviço em relação ao capital investido. Os riscos financeiros referem-
se às incertezas quanto às decisões económicas e financeiras da 
organização. E os riscos de produção são relativos às incertezas quanto 
ao processo produtivo das empresas, na fabricação de produtos ou 
prestação de serviços, na utilização de materiais e equipamentos, 
mão-de-obra e tecnologia (ALBERTON, 1996; CASTRO, 2011). 
 
b) Riscos puros 
A materialização dos riscos puros resultará em perdas. Os riscos puros 
são classificados em riscos às propriedades, riscos às pessoas e 
materiais e riscos de responsabilidade. 
 Os riscos à propriedade - consideram as perdas oriundas de 
incêndios, explosões, vandalismo, roubo, sabotagem, acidentes 
naturais e danos a equipamentos e bens em geral. 
 Os riscos relativos às pessoas - referem-se a doenças 
ocupacionais ou acidentes de trabalho que levam à 
incapacidade temporária, invalidez ou morte de colaboradores, 
 Os riscos por responsabilidade - referem-se às perdas causadas 
pelo pagamento de indemnizações a terceiros, 
responsabilidade ambiental, assim como pela qualidade e 
segurança do produto ou serviço prestado. 
 
As organizações possuem bens tangíveis e intangíveis expostos à 
perda. As perdas podem ser tangíveis, quando se referem a prejuízos 
mensuráveis, ou intangíveis, quando se referem a elementos de difícil 
mensuração como a imagem da empresa. 
 
De acordo com DINIZ (2006), existem várias formas de se classificar os 
riscos encontrados na indústria moderna. Uma delas consiste na 
divisão entre os riscos que são decorrentes da operação normal de 
uma instalação e aqueles originários de acidentes. Esses últimos ainda 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
19 
 
podem ser classificados conforme o acidente seja ou não 
directamente relacionado ao processo produtivo. Essa classificação 
está mostrada no quadro abaixo, juntamente com a indicação das 
principais técnicas de análise utilizadas em cada caso. Na indústria 
química, taisacidentes estão geralmente relacionados a algum tipo de 
perda de contenção dos produtos manuseados na produção, seja por 
vazamento ou ruptura de equipamentos e tubulações ou mesmo por 
explosões confinadas que em última instância acabam por causar 
liberações súbitas de produtos perigosos ou de grande quantidade de 
energia armazenada no processo 
 
Figura 3: Tipos de Risco e Técnicas de Análise 
Tipos de Risco 
Operação normal 
Como são tratados?
Acidentes 
relacionados ao 
processo
Acidentes não 
relacionados ao 
processo
Onde são mais aplicados?
Siderúrgica,
Mineração, Metalúrgica, 
Vidraria, Construção e 
Montagem 
Óleo, Gás , Petroquímica, 
Química, Celulose, Nuclear, 
Transporte, Produtos 
perigosos 
Todas as 
industrias 
Higiene industrial, 
programas de controlo 
ambiental
Ana. de riscos de processos 
, APP, HAZOP, LOPA,SIL. Ana. 
de vulnerabilidade AQR
Analise de riscos de 
tarefas.
APP de serviços
 
Fonte: (DINIZ, 2006, P.4) 
 
Para a Organização das Nações Unidas para a Protecção Ambiental 
(United Nations Environmental Proteccion - UNEP), O risco pode ser 
classificado como: 
 Risco directo - probabilidade de que um determinado evento 
ocorra, multiplicada pelos danos causados por seus efeitos. 
 
 Risco de acidentes de grande porte (catástrofe) - caso especial 
de risco directo em que a probabilidade de ocorrência do 
evento é baixa, mas suas consequências são muito prejudiciais. 
 
 Risco percebido pelo público - a percepção social do risco 
depende em grande parte de quem é responsável pela decisão 
sobre aceitá-lo ou não. A facilidade de compreensão e de 
aceitação do risco que se corre depende das informações 
fornecidas, dos dispositivos de segurança existentes, do 
retrospectivo da actividade e dos meios de informação. Nas 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
20 
 
actividades industriais, podemos encontrar, ainda, dois tipos 
de riscos: Risco com características crónicas - aquele que 
apresenta uma acção contínua por longo período. Por 
exemplo, os efeitos sobre os recursos hídricos, a vegetação, o 
solo e a saúde e o Risco agudo - decorrente de emissões de 
energia ou matéria em grandes concentrações, em um curto 
espaço de tempo. 
 
 Riscos tecnológicos ambientais (RTAs) - todos os problemas 
relativos aos contaminantes ambientais estão, de uma maneira 
ou de outra, associados ao crescente processo de 
industrialização verificado desde o final do século passado, em 
que ao lado do incremento da pesquisa, do desenvolvimento e 
da difusão de novas tecnologias, os processos de produção e 
seus produtos têm contribuído para pôr em perigo ou causar 
prejuízos à saúde do homem e dos ecossistemas. Esses 
contaminantes ambientais são, na actualidade, denominados 
de riscos tecnológicos ambientais classificam-se em dois 
grupos: 
 Riscos tecnológicos - os decorrentes das actividades 
desenvolvidas pelo homem. 
 Riscos naturais - os decorrentes de distúrbios da 
natureza. 
 
 
1.2.1.1: Riscos Ambientais 
 
Riscos ambientais são todos aqueles que têm potencial de causar 
danos ao Meio Ambiente. Segundo a classificação proposta por Cerri e 
Amaral (1998), os riscos ambientais subdividem-se em 4 grupos: (i) 
Riscos naturais, (ii) Riscos tecnológicos, (iii) Riscos sociais e (iv) Riscos 
ambientais. 
 
Portanto, nesta unidade para além dos riscos acima iremos também 
falar do risco individual, que não faz parte da classificação 
referenciada no parágrafo acima. 
 
a) Riscos Naturais 
REBELO (2003) considera o risco natural como sendo a dominação 
preferencial para fazer referencia aqueles riscos que não podem ser 
facilmente atribuídos ou relacionados à acção humana, embora nos 
dias de hoje essa seja uma tarefa cada vez mais difícil. Por outro lado, 
Oliveira (2003), defini riscos naturais como todos aqueles eventos da 
natureza que afectam directamente o globo, provenientes de 
fenómenos da dinâmica externa e/ou interna. 
 ISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo: Gestão de Riscos Ambientais 
21 
 
 Os fenómenos da dinâmica externa são essencialmente os de 
ordem atmosférica desencadeados por ventos, chuvas e 
tornados, além da participação antrópica. 
 Os agentes internos são todos aqueles decorrentes da 
dinâmica geológica (terramotos, vulcanismo, tectonismo), 
onde o homem detém uma participação substancial, 
interferindo directamente na dinâmica externa através de 
diversas formas de intervenção. 
Os riscos naturais podem ser subdivididos em: 
 Riscos tectónicos e magmáticos (p.ex., vulcões); 
 Riscos climáticos (tempestades, furacões); 
 Riscos geomorfológicos (deslizamentos/desabamentos, 
ravinamento); e 
 Riscos hidrológicos (alagamentos/inundações) 
O grau de risco é determinado a partir da combinação de duas 
informações: 
 O grau de susceptibilidade (envolve as condições naturais 
do terreno, quer sejam elas geológicas, hidrológicas, 
climáticas e morfológicas, pex: o facto de Moçambique 
localizar-se a jusante fica vulnerável a cheias), e 
 Vulnerabilidade (é determinada mediante a expansão 
urbana por meio da densidade populacional, tipologia das 
edificações, condições de infra-estrutura e equipamentos 
públicos, Pex: a existência de casas construídas com base 
em material precário, torna as famílias vulneráveis a 
ciclones) 
O termo susceptibilidade, segundo a classificação de Reckziegel e 
Robaina (2005) só pode ser empregado em situações onde o evento 
não ofereça nenhum risco a populações locais, atribuído-o somente a 
eventos naturais. 
De acordo com Veyret (2007) o grau de risco pode variar nos seguintes 
níveis: muito baixo – baixo – médio – alto – muito alto. Em diversos 
levantamentos e mapeamentos geológicos realizados por Oliveira 
(2003) foi estabelecida outra proposta de classificação, propondo os 
seguintes níveis: alto risco – risco moderado – baixo risco – risco 
inexistente. 
 
 
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22 
 
a) Risco Tecnológico 
De acordo com Sevá Filho (1988, p.81) a abordagem desse tipo risco 
deve levar em conta três factores indissociáveis: 
 O processo de produção (recursos, técnicas, equipamentos, 
maquinaria); 
 O processo de trabalho (relações entre direcções empresariais 
e estatais e assalariados); e 
 Condição humana (existência individual e colectiva) 
Equivale dizer que onde pelo menos um desses factores for 
encontrado, haverá risco tecnológico ou a probabilidade de um 
problema causado por ele. 
Ε Fundamental ressaltar que os riscos de carácter tecnológico podem 
ser controlados tanto na probabilidade de ocorrência quanto nas 
consequências. Já os riscos de carate natural, em geral, somente 
podem ser controlados no que se refere a suas consequências (Awazu, 
1990). 
 
b) Risco Social 
Segundo Vieillard-Baron (2007), devido à polissemia da expressão 
social, pode-se qualificar como Risco Social a maior parte dos riscos, 
“quer nos a tenhamos às suas causas sociais, quer atentemos para 
suas consequências humanas”. O autor (VIEILLARD-BARON, 2007) 
distingue dois tipos de riscos principais que podem afectar ou ser 
afectados pelos riscos sociais e a sociedade humana: 
 Riscos endógenos - relacionados aos elementos naturais e às 
ameaças externas (terramotos, epidemias, secas e 
inundações); 
 Riscos exógenos, relacionados directamente ao produto das 
sociedades e às formas de política e administração adoptadas, 
como (o crescimento urbano e a industrialização, a formação 
de povoamentos e a densidade excessiva de alguns bairros). 
 
Os riscos sociais carecem sempre de uma abordagem inter-
multidisciplinar pois implicam uma pluralidade de actores e resultam 
da combinação de um grande número de variáveis, particularmente 
difíceis de serem consideradas ao mesmo tempo. Para entender esses 
riscos e contribuir para a formação depolíticas de prevenção, é 
necessária a integração de diversos campos do saber. Desde as 
geociências, a história, as ciências políticas, o direito, a 
psicossociologia, a ciências exactas, etc. 
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23 
 
 
O risco é um objecto social, como afirma Veyret (2007, p. 11): “Não há 
risco sem uma população ou indivíduo que o perceba e que poderia 
sofrer seus efeitos. O risco é a tradução de uma ameaça, de um perigo 
para aquele que está sujeito a ele e o percebe como tal.” 
Actualmente nas camadas superficiais do nosso planeta não existem 
locais que já não tenham sofrido modificações e ou estejam imunes de 
sofrer algum tipo de risco originado pela acção humana, seja em 
função das mudanças globais estimuladas pelo homem, seja através 
das diversas outras acções e reacções motivadas pela sua pressinta. O 
ambiente habitual para a nossa espécie que nada mais é do que uma 
estreita camada de alguns quilómetros de espessura na crosta 
terrestre, esta cada vez mais abalada pelos riscos provocados pela 
própria espécie. 
O risco social diz respeito aos acidentes que podem causar danos a um 
número razoavelmente grande de pessoas. Nesse sentido o risco social 
procura responder a perguntas tais como: 
 Quantas pessoas estão sob risco? 
 Quantas pessoas podem ser afectadas em caso de um 
acidente? 
 Quais os efeitos globais sobre a comunidade? 
 
Assim os riscos sociais são de grande valia quando a população 
exposta é alta. Nesse caso, os indicadores de risco social são aqueles 
que conseguem distinguir a significância do risco de diferentes 
acidentes (os de grande número de vítimas daqueles de baixo número 
de vítimas e respectivas frequências de ocorrência). 
c) Riscos Ambientais 
 A noção de risco ambiental engloba outras noções que foram 
abordadas antes e trata das situações de risco que estão ligadas ao 
que ocorre à nossa volta, seja o ambiente natural (risco natural), seja o 
ambiente construído pelo homem (riscos social e tecnológico). 
Riscos ambientais "resultam da associação entre os riscos naturais e os 
riscos decorrentes de processos naturais agravados pela actividade 
humana e pela ocupação do território.” Veyret e Meschinet de 
Richemond (2007, p. 63). Para Lyra (1997, p. 49), o risco ambiental 
pode ser entendido como “toda e qualquer forma de degradação que 
afecte o equilíbrio do meio ambiente”. 
Castro, Peixoto e Rio (2005, p. 12) desenvolvem longo levantamento 
bibliográfico sobre o conceito de risco ambiental e concluem que o 
risco ambiental é objecto de avaliação sistemática da ciência, podendo 
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24 
 
ser associado “às noções de incerteza, exposição ao perigo, perda e 
prejuízos materiais, económicos e humanos”, tanto para processos 
naturais quanto antrópicos. 
 
Risco Ambiental, está relacionado “à incerteza e ao desconhecimento 
das verdadeiras dimensões do problema ambiental” (EGLER, 1996, p. 
31). 
Os Riscos ambientais fazem-se sentir na: 
 Hidrosfera: através de inundações, enchentes, salinização e 
contaminação de mananciais, e 
 Litosfera: por meio de deslizamentos, erosão hídrica, 
assoreamento e subsistência 
O meio ambiente é tudo aquilo que está ao nosso redor. Portanto, 
Riscos Ambientais (RA), são riscos que nos cercam, dentro de um 
contexto de segurança no trabalho, são eles, riscos físicos, químicos, 
biológicos e acidente. Os RA nascem de actos ou factores externos, 
contudo são identificáveis, controláveis podendo até serem 
eliminados. Os mesmos podem trazer ou ocasionar danos à saúde do 
trabalhador nos ambientes de trabalho, em função de sua natureza, 
concentração, intensidade e tempo de exposição ao agente. 
Exemplos de agentes: 
Agentes Características 
Físicos Diversas formas de energia que possam estar expostas as populações, tais 
como ruído, vibrações, pressões, temperaturas, radiações ionizantes e não 
ionizantes, bem como o infra-som e ultra-som. 
Químicos As substâncias que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas 
formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que 
possam ter contacto ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou 
por ingestão. 
Biológicos Ocorrem por meio de microrganismos que, em contacto com o homem, 
podem provocar inúmeras doenças. Muitas actividades profissionais 
favorecem o contacto com tais riscos. É o caso das indústrias de 
alimentação, hospitais, limpeza pública (colecta de lixo), laboratórios, etc. 
Bactérias, fungos, parasita, fungos e vírus 
 
d) Riscos Individuais 
Risco individual é a frequência anual esperada de morte devido a 
acidentes com origem em uma instalação para uma pessoa situada em 
um determinado ponto nas proximidades da mesma. Os riscos 
individuais expressam a preocupação com os riscos para cada um dos 
membros da população exposta e visam responder a perguntas tais 
como: 
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25 
 
 Qual a chance de eu vir a ser afectado? 
 Qual a chance de danos a um pequeno grupo de pessoas 
situadas em determinada posição? 
Pode haver casos em que os riscos sociais são baixos porque a 
população exposta não é grande, no entanto, alguns membros da 
população estão expostos a riscos individuais inaceitavelmente altos. 
Os indicadores de risco individual são os que poderiam indicar tal 
situação. Da mesma forma, poderia acontecer a situação inversa, ou 
seja, cada indivíduo de uma população está exposto a um nível de 
risco baixo, mas devido ao grande número de pessoas expostas, o 
risco social poderia estar acima do critério de aceitabilidade 
correspondente. Assim, de um modo geral, os dois tipos de 
indicadores são necessários para se ter um quadro completo dos 
riscos. (DINIZ, et al; p. 8; 2006) 
Sumário 
Da abordagem feita nesta unidade constatou-se os autores classificam 
de forma diferenciadas os riscos. Riscos ambientais são todos aqueles 
que têm potencial de causar danos ao meio ambiente, e que de 
acordo com os mesmos subdividem-se em: Riscos naturais, Riscos 
tecnológicos, Riscos sociais e Riscos ambientais. Este último, resulta da 
associação entre os riscos naturais, decorrentes de processos naturais 
agravados pela actividade humana e pela ocupação do território. 
O risco é sempre um objecto social, seja quando uma comunidade ou 
indivíduo específico são atingidos, vivenciam ou sofre com o risco 
natural ou tecnológico que de certa forma impede suas acções 
directas seja quando um determinado grupo industrial polui um rio à 
montante e uma comunidade de pescadores sofre com isso à jusante, 
assim o Homem é centro do nosso interesse. 
Nesta unidade foi possível analisamos e compreender os diferentes 
tipos de riscos e suas características, bem como, a forma como os 
mesmos se manifestam. 
Exercícios de AUTO- AVALIAÇÃO 
1. Classifique os riscos da indústria moderna de acordo com DINIZ 
(2006) 
Resposta: De acordo com o autor existem riscos decorrentes 
da operação normal de uma instalação e aqueles originários de 
acidentes. 
2. Que tipo de riscos existem de acordo com a UNEP? 
Resposta: existem riscos Directo, Risco de acidentes de grande 
porte (catástrofe), Risco percebido pelo público e Riscos 
tecnológicos ambientais (RTAs). 
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26 
 
3. Defina riscos ambientais e diga como se classificam segundo 
CERRI & AMARAL (1998). 
Respostas: são todos aqueles que têm potencial de causar 
danos ao Meio Ambiente. E classificam-se em: Riscos naturais, 
Riscos tecnológicos, Riscos sociais e Riscos ambientais. 
4. O risco social diz respeito aos acidentes que podem causar 
danos: (escolha alternativa correcta) 
 Ao ambiente, 
 A Unidade fabril, A um número razoavelmente grande de pessoas. 
 
5. Explique porque os riscos sociais carecem sempre de uma 
abordagem inter-multidisciplinar? 
Resposta: é porque implicam uma pluralidade de actores e 
resultam da combinação de um grande número de variáveis. 
Exercícios de AVALIAÇÃO 
1. Defina o risco natural. 
2. Observe atentamente a sua área de residência e identifique 
dois exemplos para cada tipo riscos que aprendeste: natural, 
individual, social, tecnológico e ambiental, explicando os 
factores que estão por detrás da sua ocorrência. 
 
 
UNIDADE Temática 1.3: Introdução a análise qualitativa e quantitativa de riscos 
 
Introdução 
A segunda unidade forneceu elementos de compreensão dos 
diferentes tipos de risco existente tendo-se concluído que os riscos 
apresentam diferentes clarificações e diferentes elementos que 
condicionam tais classificações. Para além de conhecermos o tipo de 
risco e suas características e com vista a garantir uma melhor gestão 
do mesmo é importante que o risco seja analisado de forma 
qualitativa e quantitativa. 
Esta unidade permitirá compreender a essência da análise qualitativa 
e quantitativa do risco. 
 
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27 
 
Ao completar esta unidade, você será capaz de: 
 
 
Objectivos 
 
 
 
 Compreender o conceito da análise de risco; 
 Compreender a essência e os objectivos da análise qualitativa 
e quantitativa do risco; e 
 Compreender os métodos e técnicas usadas na análise 
quantitativa e qualitativa dos riscos. 
 
 
1.3.1 Análise de risco 
 
Análise – deve ser entendida como um procedimento técnico baseado 
em uma determinada metodologia cujos resultados podem vir a ser 
comparados com padrões estabelecidos. As análises de riscos 
constituem um principal elemento de gestão de riscos, pois são elas 
que indicarão os riscos a serem de fato geridos. (FEPAM, p 2, s/d) 
 
A análise que determina a introdução de técnicas mais sofisticadas 
para a gestão de riscos e o controle de perdas, pode ser realizada por 
meio de factores tecnológicos, económicos e sociais. 
 
 Os factores tecnológicos estão relacionados ao 
desenvolvimento de processos mais complexos, como o uso de 
novos materiais e substâncias e de condições operacionais, 
como pressão e temperatura, consideravelmente mais severas. 
 Os factores económicos relacionam-se com o aumento da 
escala das plantas industriais, o aumento da produtividade e a 
permanente redução dos custos do processo. A 
competitividade induz uma constante preocupação com a 
redução de custos dos processos, que pode ser possibilitada 
através de técnicas de gestão de riscos. 
 A relevância dos factores sociais está relacionada à 
proximidade de concentrações demográficas, assim como com 
uma organização comunitária fortemente preocupada com 
questões ambientais e de segurança. 
 
a) Quando devemos efectuar uma análise? 
 
SOUSA (s/d, p. 55) afirma que uma análise deve ser realizada quando 
os riscos de uma actividade industrial são desconhecidos ou quando 
podem ser antecipados problemas potenciais que podem resultar em 
severas consequências em uma operação. Quando, repetitivamente 
são detectados problemas envolvendo acidentes com vítimas, com 
lesões graves ou não, com danos às instalações, ou danos ao meio 
ambiente. Ou quando regras de segurança devem ser estabelecidas 
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28 
 
antes do início de uma actividade. Ou, ainda, quando informações 
sobre os riscos devam ser obtidos acuradamente. (SOUSA, s/d, p. 55) 
 
SOUSA, também diz que podem ser citados factores determinantes do 
tipo de análise, tais como: 
 Qualidade e profundidade de informação desejada, 
 Disponibilidade de informações actualizadas, 
 Custos da análise, 
 Disponibilidade de tempo anterior às decisões e as acções qu 
devam ser tomadas, e 
 Disponibilidade de pessoal devidamente qualificado para 
assistir o processo. 
 
Não existe um método óptimo para se identificar riscos. Visando-se a 
evitar ameaças por perdas decorrentes de acidentes, sugere-se obter 
uma grande quantidade de informações sobre riscos, por meio da 
combinação de várias técnicas e métodos existentes. 
 
A análise e avaliação de risco é um exercício orientado para a 
quantificação da perda máxima provável que dele possa decorrer, ou 
seja, da quantificação da probabilidade de ocorrência desse risco e de 
suas consequências e/ou gravidades. (SOUSA, s/d, 56) 
 
b) Etapas do Estudo de Análise de Riscos 
Genericamente são determinadas quatro etapas básicas no 
desenvolvimento dos estudos de análise de riscos: (i) Identificação dos 
perigos; (ii) Estimativa de frequências e probabilidades; (iii) Análise de 
Consequências e Vulnerabilidade e (iv) Avaliação e gestão dos riscos. 
a) Identificação dos Perigos - nesta etapa são explorados os riscos 
inerentes e relacionados com as praticas e que afectam o meio 
ambiente por um lado, e por outro os relacionados com à 
operação da planta industrial (caso se trate de uma empresa), 
bem como as práticas e procedimentos existentes. 
b) Estimativa de Frequências e Probabilidades - esta fase envolve 
a estimativa das probabilidades de ocorrência dos eventos e 
situações identificadas na etapa anterior. Existem organizações 
nacionais e internacionais que disponibilizam para consulta, 
bancos de dados de falhas de componentes dos processos 
industriais. Entretanto, tais informações podem ser 
complementadas, às vezes, por extrapolação de dados reais 
provenientes da própria indústria e experiência da equipe 
responsável. 
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29 
 
c) Análise de Consequências e Vulnerabilidade - tomando-se por 
base as hipóteses acidentais definidas na fase de identificação, 
cada uma delas deverá ser estudada em termo das possíveis 
consequências que podem ser ocasionadas por esses eventos, 
mensurando-se, também, os impactos e danos causados. Desta 
forma, a análise de consequências pode ser dividida em cinco 
actividades, a saber: 
 Caracterização da quantidade, forma e taxa de emissão 
do material e energia para o meio ambiente; 
 Estimativa, através de medições e/ou modelagem, do 
transporte de materiais e propagação de energia, na 
direcção dos receptores de interesse; 
 Estudar os efeitos quanto a saúde e segurança 
relacionados com os níveis de exposição projectados, 
especialmente no que se refere às concentrações 
atmosféricas; 
 Identificação dos impactos ambientais; 
 Estimativa de perdas (danos materiais) e outros 
impactos económicos. 
1.3.2 Análise qualitativa e quantitativa do risco 
 
A análise qualitativa e quantitativa dos riscos, constituem uma das 
fases a ser tomada em consideração na gestão de riscos. 
 
a) Análise qualitativa do risco. 
 
Os processos mais importantes para a efectiva gestão de riscos são: a 
Identificação dos Riscos e Analise Qualitativa de Riscos. O primeiro 
fornece ferramentas para uma eficiente identificação e o outro 
fornece ferramentas para ranquear os riscos, determinando assim, as 
prioridades de acção. (PEDROSO, 2007, P. 63) 
 
No processo de gestão de risco, quanto mais forem identificados, 
completamente analisados e monitorados, maior será o custo da 
gestão. Para que isso não se torne uma prática inviável, após a 
identificação dos riscos utilizam-se as técnicas da Analise Qualitativa 
dos riscos com objectivo de prioriza-los e de se determinar o conjunto 
de riscos que merecem atenção naquele momento. (PEDROSO, 2007, 
P. 40) 
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30 
 
 
Segundo Royer (2000), no mundo real da gestão de projectos, não 
existe dinheiro, tempo ou recursos para tratar todos riscos. Dai que, é 
necessário escolherquais riscos merecem atenção para permitir que 
isso aconteça, é importante desenvolver uma forma objectiva de 
classificação dos riscos e estabelecimento de prioridades. 
 
Para o PMI (2004, p.249), “ A analise qualitativa dos riscos avalia a 
prioridade dos riscos identificados usando a probabilidade deles 
ocorrerem, o impacto correspondente nos objectivos do projecto 
[….]”. 
 
O risco é caracterizado por três factores: 
 Um evento (o que poderá acontecer e afectará um ou mais 
objectivos do projecto), 
 A probabilidade de ocorrência do evento, e 
 A consequência ou montante arriscado, que é o valor envolvido 
se o risco ocorrer. 
 
A probabilidade de ocorrência do risco e o montante arriscado estão 
intimamente relacionados com as causas dos riscos. O montante 
arriscado será o somatório dos vários impactos produzidos pelas 
causas e a ocorrência do risco dependerá das possibilidades de 
ocorrência das várias causas. 
 
Quando se fala de probabilidade e montante arriscado, é necessária 
uma distinção entre valores qualitativos e quantitativos. A análise 
Qualitativa é baseada em uma escala nominal para a probabilidade e 
o montante arriscado, enquanto que a Analise Quantitativa utiliza 
escalas numéricas e de valor para este fim. A figura abaixo esclarece a 
diferença entre estas abordagens. 
 
Figura 1: Formas quantitativas e qualitativas de mensuração dos riscos 
 
 Fonte: PEDROSO, 2007, P. 41 
 
Grey (2003) os métodos existentes para efectuar a analise qualitativa, 
normalmente estão dentre um destes grupos: 
 Método baseado em problemas potenciais, o conhecido 
método do “E, Se ….”. Através desse questionamento, gera-se 
uma lista sobre o que poderá dar errado no projecto em 
termos técnicos, comerciais, gerências, etc; 
Forma Probabilidade Montante arriscado 
Quantitativa 10% ou 30% ou 70% 100 kg ou 500 kg ou 900kg 
Qualitativa Baixa ou Média ou Alta Baixo ou Médio ou Alto 
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31 
 
 Método baseado na ponderação sobre um questionário – 
consiste em verificar se determinado factor é aplicável ao 
projecto e assinala-se uma pontuação de modo a determinar o 
quanto de negativo será sua influencia sobre os objectivos do 
projecto. O somatório de todos os pontos será pontuação total 
de riscos do projecto. 
 Método mensurável – ajuda a representar a probabilidade e o 
impacto dos riscos sobre os objectivos do projecto. 
 
Seja qual for o método utilizado como observou Wideman (1992), o 
processo de análise qualitativa tem como objectivos: 
 Melhorar o entendimento do projecto como um todo através 
do questionamento do que poderá acontecer, com cada 
entrega, seu impacto nos objectivos do projecto; 
 Identificar alternativas viáveis para a execução do projecto; 
 Fazer com que as incertezas e os riscos sejam adequadamente 
considerados e sistematicamente revistos; 
 Através dessa análise estabelecer as implicações sobre os 
objectivos do projecto. 
 
A execução do processo de analise qualitativa traz ao seu final uma 
serie de benefícios para o projecto, dentre os quais: 
 Uma grande quantidade de informação estará disponível, 
durante a planificação do projecto, para a tomada de decisão, 
pex: estimativas de incertezas sobre o desempenho do 
projecto; 
 Os objectivos do projecto poderão ser revistos e melhorados; 
 Melhoria na comunicação entre membros do projecto e os 
interessados; 
 Confiança de que as implicações das incertezas e riscos foram 
analisadas e incorporadas nos planos do projecto; 
 Redução da probabilidade que o projecto tenha um 
desempenho baixo seja pela identificação das fraquezas ou por 
uma actuação forte durante a planificação; e 
 Aumento nas chances de sucessos do projecto. 
 
Uma das ferramentas utilizadas para executar esta priorização dos 
riscos de projecto é a Matriz de Impacto dos Riscos, ou Matriz de 
Exposição ao Risco. Miguel (2002,p.85) escreve que “ a conjugação dos 
atributos de probabilidade de ocorrência e montante arriscado em 
uma matriz dá origem à denominada Matriz de Exposição ao Risco, 
instrumento utilizado na gestão dos riscos, pela simplicidade e visão 
de conjunto que propicia. 
 
Kendrick (2003) considera que a análise qualitativa dos riscos, com 
base na categorização de probabilidades e do impacto proporciona 
uma grande visão do que é a severidade absoluta do risco. Abaixo 
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32 
 
ilustra-se um exemplo da ferramenta, documentando o que poderá 
acontecer (impacto) com alguns objectivos do projecto se um 
determinado risco ocorrer em um item de WBS (Working Breakdown 
Structure) ou EAP (Estrutura Analítica do Projecto. 
 
 Figura 2: Exemplo do impacto de um risco sobre os objectivos 
EVOLUÇÃO DO IMPACTO DOS RISCOS NOS OBJECTIVOS DO PROJECTO 
Objectivos do 
projecto 
Muito baixo 
0,05 
Baixo 0,1 Moderado 
0,2 
Alto 0,4 Muito alto 
0,8 
Custo Incremento 
Insignificante 
< 5% de 
Incremento 
5-10% de 
Incremento 
10-20% de 
incremento 
>20% de 
incremento 
Prazos atraso 
insignificante 
Atraso 
 < 5% 
Atraso no 
projecto 
 < 5 - 10% 
Atraso no 
projecto 
< 10 - 20% 
Atraso no 
projecto 
>20% 
Funcionamento Decréscimo 
não 
perceptível 
Afecta 
algumas 
áreas 
Afecta 
muitas 
áreas 
Redução não 
aceita para 
cliente 
Rejeição 
pelo cliente 
Fonte: Adaptado de PMI (2004) 
 
Como subproduto da análise qualitativa dos riscos, obtêm-se uma 
medida de chance de sucesso do projecto conhecida como Nível de 
Confiança ou Risco do Projecto (diferente de risco de Projecto, que é 
um evento futuro, este risco é uma medida das chances de sucesso do 
projecto). A mesma é expressa da seguinte forma: 
 Baixo Risco ou Alta Confiança – significa que existe uma alta 
chance de sucesso de projecto com o plano elaborado; 
 Risco Moderado ou Média Confiança – significa que existe um 
potencial médio de ocorrência de problemas que causarão 
impactos nos objectivos do projecto, mas, com esforço 
adicional, os problemas serão ultrapassados; 
 Risco Alto ou Baixa Confiança – significa que mesmo com 
esforço adicional ocorrerão impactos importantes nos 
objectivos de Escopo, Prazos, Custos e Qualidade. 
 
 
b) Análise quantitativa dos riscos 
 
O PMI no PMBOK. 3 ed. Define Analise Quantitativa de Risco como: o 
processo de analisar numericamente o efeito dos riscos identificados 
nos objectivos gerais do projecto. A análise quantitativa de riscos é 
realizada nos riscos que foram priorizados pelo processo de análise 
qualitativa de risco por afectarem potencial e significativamente as 
demandas conflitantes do projecto. 
 
Kerzner (1998, p. 885) afirma: “O final da gestão de riso é a mitigação 
dos riscos…..” A mitigação requer que seja executada uma 
quantificação dos riscos identificados para se conhecer o impacto de 
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33 
 
cada um sobre os objectivos do projecto. Somente com o custo do 
impacto dos riscos frente ao custo do plano de resposta é que uma 
decisão poderá ser tomada. 
 
O principal resultado da execução da Analise Qualitativa é a obtenção 
de uma lista de riscos dentro dos critérios que foram estabelecidos 
para o processo que será a entrada do processo de análise 
quantitativa. 
 
Kendrick (2003) considera que as técnicas para analise quantitativa 
que utilizam mais rigor estatístico tais como: valor esperado, árvore 
de decisão e simulação fazem mais do que apenas olhar para os riscos 
dentro do projecto, elas podem ser utilizadas para providenciar uma 
avaliação total desses riscos. 
 
Quando os riscos identificados passam pelo processo de análise 
qualitativa e determina-se quais são prioritários, está-se informando 
que existem algumas “Causas – factores de riscos” que poderão 
ocorrer e isto

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