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UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA PRÁTICA II (PENAL) PROFESSOR MARCO ANTONIO EXERCÍCIOS PRÁTICOS (O QUESTIONÁRIO VALE ATÉ 10 HORAS) 1) Em uma ação de combate ao tráfico de drogas em determinada cidade, a polícia civil, por meio de departamento especializado em repressão ao narcotráfico, prendeu um homem que portava vinte quilos de entorpecentes, balança de precisão e certa quantia em dinheiro, em cédulas trocadas. Esse indivíduo foi encontrado em um bar de sua propriedade, oportunidade na qual foi algemado e conduzido à delegacia. A operação deflagrada foi possível após a prisão de outro traficante, que forneceu as informações em confissão extrajudicial realizada em sede inquisitorial após a utilização de meios de tortura. Considerando essa situação hipotética, disserte sobre o princípio da proibição à tortura, à luz da Constituição Federal de 1988, da doutrina e do entendimento do STF. Em seu texto, aborde, fundamentadamente, os seguintes aspectos: 1 proibição à tortura como direito fundamental e efeitos jurídicos de eventual violação a esse direito; 2 extensões, dos efeitos da violação ao princípio fundamental da proibição à tortura, no que se refere aos sujeitos; 3 limites para o uso de algemas em operações policiais. RESPOSTA 1. A proibição a tortura consagra o mandamento da dignidade da pessoa humana, previsto tanto na CF/88 quanto em tratados internacionais como a Convenção Interamericana de Direitos Humanos, quanto os Tratados de Prevenção e Repressão a Tortura, em que o Brasil é signatário. A tortura no ordenamento jurídico pátrio, é crime assemelhado a hediondo, insuscetível de anistia, graça ou indulto. A tortura-prova, narrada no enunciado, tem como objetivo obter provas do cometimento da infração. O efeito jurídico da violação desse princípio é tornar nula toda e qualquer prova obtida por meio da tortura. Não só as obtidas diretamente, como as obtidas indiretamente, o que a doutrina denomina de Teoria da Arvore dos Frutos envenenados. As provas derivadas das ilícitas devem também receber o mesmo tratamento, ser desentranhadas dos autos, portanto, nulas desde sua origem. 2. A responsabilidade penal, administrativa e civil dos agentes torturadores, restando comprovada, incidirá nos termos da lei n° 9455/97 (lei da tortura). Caso ocorra a condenação, no âmbito penal, é efeito automático desta, a perda do cargo, emprego ou função pública e a proibição do seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada. Interessante notar a possibilidade de utilizar a própria prova ilícita derivada da tortura, como prova de que a tortura fora praticada contra a pessoa. Essa exceção consta em Tratados Internacionais que vedam a tortura como obtenção de provas, mas permitem essa utilização como prova da prática do crime. 3. O uso de algemas deve ser tratado como uma excepcionalidade, fundamentada por escrito, em casos resistência, de perigo a integridade física dos agentes, da pessoa ou de terceiros e fundado receio de fuga do detido. O tratamento veio à luz da Súmula Vinculante n° 11, em que o STF condicionou o uso da algema. Atualmente disciplinada no Decreto 8858/16 2) Juliana compareceu a delegacia de polícia, onde alegou que sua filha Maria, adolescente de treze anos de idade, havia sido violentada, alguns dias atrás, por João, de trinta anos de idade. Realizado exame de corpo de delito em Maria, foi constatado que ela havia praticado conjunção carnal em data recente. Na presença do delegado, João afirmou que sabia a idade de Maria e que, de fato, havia praticado com ela conjunção carnal sob o consentimento dela, visto que eles haviam iniciado um relacionamento amoroso dias antes. Maria, também em depoimento ao delegado, afirmou que tinha praticado conjunção carnal com João de modo consentido, pois tiveram um breve romance, e que ela já possuía uma experiência sexual anterior. Acerca da situação hipotética acima descrita, responda ao questionamento do primeiro tópico abaixo e faça o que se pede nos tópicos subsequentes. 1 Houve prática de crime por parte de João? Se positiva sua resposta, esclareça qual foi o crime praticado. 2 Comente sobre o consentimento da vítima. 3 Disserte sobre a existência de relacionamento amoroso entre João e Maria e a experiência sexual anterior de Maria. RESPOSTA 1) João praticou o crime de estupro de vulnerável, visto ter praticado conjunção carnal com pessoa menor de 14 anos. 2) O crime de estupro de vulnerável adota um critério etário e objetivo, inexistindo a necessidade de grave ameaça ou qualquer constrangimento para a consumação do delito. Assim, possuindo a vítima idade menor que 14 anos, restará configurado o delito, independentemente de consentimento ou não. Tal tipo legal foi criado pelo legislador de modo a proteger a dignidade sexual da pessoa vulnerável, que, em razão de seu desenvolvimento incompleto, seja físico ou mental, não possui o discernimento necessário para consentir com a prática do ato. Assim, o consentimento do vulnerável é irrelevante para o direito penal. 3) O crime de estupro de vulnerável estará configurado ainda que exista relacionamento amoroso entre o maior autor do delito e a vítima vulnerável, porquanto, conforme já mencionado, o critério adotado foi o etário e de caráter objetivo, bastando a verificação da idade menor de 14 anos. Não há espaço para a análise de elementos subjetivos a fim de descaracterizar o tipo penal. O mesmo pode ser dito em relação à experiência sexual anterior pela vítima. Inclusive, encontra-se positivada no Código Penal a irrelevância da existência de relacionamento amoroso, bem como da experiência sexual anterior, para fins de análise da consumação do delito de estupro de vulnerável. Afinal, o sistema jurídico brasileiro não adotou neste caso a teoria denominada Romeu e Julieta, a qual é aplicada em outros ordenamentos jurídicos, à exemplo, do americano (EUA), não importando o relacionamento amoroso entre o autor e a vítima. 4) Haverá erro de proibição quando inexistir um dos elementos da culpabilidade, qual seja, a potencial consciência da ilicitude. A ocorrência dessa excludente será analisada à luz do caso concreto, averiguando-se se o erro era escusável ou inescusável. Caso o erro seja inescusável, isto é, havia possibilidade no caso concreto de o autor do delito vislumbrar que a conduta era ilícita, haverá mera redução da pena. De outro lado, verificando-se ser o erro escusável, não sendo possível ao autor do delito verificar na situação concreta que aquela conduta era ilícita, restara configurada uma excludente da culpabilidade. No caso em análise, poderia ser alegada a ausência de potencial consciência da ilicitude pelo autor do delito em razão de a vítima já possuir um desenvolvimento sexual anterior e em razão do relacionamento detido por eles, devendo ser analisados o contexto social e educacional no qual se insere. 3) A Lei n.º 11.340/2006, também conhecida como Lei Maria da Penha, criou mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, estabelecendo, entre outras, medidas de proteção às mulheres em situações de abuso e de agressões. Considerando as disposições da lei em referência e o entendimento dos tribunais superiores, discorra sobre os seguintes tópicos. 1 Procedimento a ser instaurado pela autoridade policial nos crimes de lesão corporal leve, de ameaça e de injúria cometidos contra a mulher em situação de violência doméstica, levando-se em consideração a natureza da ação penal nos respectivos crimes. 2 Possibilidade de retratação da vítima, no âmbito policial, quanto aos crimes indicados. 3 Possibilidade de aplicação da Lei n.º 9.099/1995 e de seus institutos despenalizados nos casos dos referidos crimes cometidos em âmbito doméstico contra a mulher. RESPOSTA 1. Independentemente do crime em questão, quando envolver violência doméstica ou familiar contra a mulher, a autoridade policial deverá instaurar inquérito policial. Obviamente, os crimes que exigem a representação por parte da vítima, sem esta não poderá ser instaurado o referidoprocedimento administrativo. O Crime de Lesão Corporal Leve em situação de violência doméstica contra a mulher (art.129, §9º CP c/c art. 7, I, 11.340/06) deverá ser investigado por meio de inquérito policial, sem a necessidade de representação da vítima. (Entende o STF que o crime de lesão leve e culposa contra a mulher é de ação penal pública incondicionada). O crime de ameaça exige representação por parte da vítima para a instauração do inquérito policial. Já o crime de injúria só poderá ser investigado, também por meio de inquérito, caso haja requerimento por parte da vítima. 2. No crime de lesão corporal leve praticada contra a mulher no contexto doméstico (art.129, §9º CP c/c art. 7, I, 11.340/06), não há hipótese de retratação por parte da vítima, uma vez que se trata crime de ação penal pública incondicionada. A retratação da vítima nos crimes de ameaça (art.147 CP c/c art.7, II, 11.340/06) exige audiência especifica para este ato ANTES DO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA, na presença do juiz e ouvido o Ministério Público. Já no crime de Injúria (art. 140 CP c/c art.7, V, 11.340/06) basta que a vítima não ofereça a queixa crime ou renuncie a este direito, ou se no decurso da ação perdoe o réu. 3.O art.41 da Lei 11.340/06 prevê expressamente que não se aplicará as disposições da lei 9.099/95 nos crimes que envolvam violência doméstica contra a mulher. Com isso, torna-se inaplicável todos os institutos despenalizados previstos na lei 9099/95 nos crimes que envolvam violência doméstica contra a mulher. O STF entendeu por constitucional tal previsão do artigo, e partindo desse entendimento, afastou o art. 88 da lei 9099/95 nos casos de violência contra a mulher. Com isso, entende-se por incondicionada os crimes de lesão corporal leve e culposa contra a mulher. 4) Quais são as hipótese de modificação da competência dos Juizados Especiais Criminais previstas na Lei 9.099/95? Relacione-as com os seus princípios informadores. RESPOSTA LEI 9.099/95: LEI DOS JUIZADOS ESPECIAIS A Lei 9.099/95 foi sancionada no dia 26 de setembro de 1995, com princípios e objetivos dos Juizados Especais Criminais (JECRIM) previstos no artigo 62 da referida lei, sendo eles: Oralidade, Simplicidade, Informalidade, Economia Processual e Celeridade Processual. Trata-se de uma lei que trouxe ao ordenamento jurídico, uma série de medidas despenalizadoras que inibem a deflagração criminal ou suspendem o prosseguimento da ação penal. Princípio da oralidade De acordo com Piske a oralidade «é um princípio que desencadeia uma maior vicinalidade entre o magistrado e o jurisdicionado, possibilitando uma resolução ágil para o litígio, sendo considerada uma renovação no âmbito jurídico tradicional, contando com princípios correspondentes ao da imediatidade, da irrecorribilidade das decisões interlocutórias e o da identidade física do juiz, seja na esfera especial cível, ou na especial criminal». Através do princípio do imediatismo o juiz deve desencadear diretamente à coleta de todas as provas, com contato imediato das partes, apresentando a conciliação, demonstrando as questões controversas do litígio, entre outros. O princípio da identidade física do juiz, ou da imutabilidade do juiz, decorrente e complementar do princípio do imediatismo do julgar, determina que o magistrado deve acompanhar pessoalmente o processo da abertura até sua finalização, com a pronunciação da sentença. Esse princípio não é exercido pelo Código de Processo Penal, porém, estabelece-se sua aplicação, do critério da oralidade, considerando-se o artigo 132 do Código Processo Civil. A oralidade representa um princípio explicativo do processo, onde se prepondera a palavra «falada». A irrecorribilidade das decisões interlocutórias também sucede da aplicação do princípio da oralidade, favorecendo o adequado desenvolvimento do processo. A Lei n° 9.099/95 estabelece o acolhimento da forma oral no tratamento da causa, sem que se exclua por completo, a utilização da escrita, indispensável na documentação de todo o processo. O legislador ao sobrepor esse método teve a intenção de reportar não à exclusão do procedimento escrito, mas à superioridade da forma oral à escrita na condução do processo . O uso de tal método tem apontado que o processo oral é o melhor e o mais consoante com a natureza da contemporaneidade, assegurando melhor decisão, gerada com maior economia, prontidão e simplicidade. De fato, pelo princípio da oralidade o que se observa é o predomínio da palavra falada sobre a escrita, sem que esta seja excluída. Princípio da simplicidade Talon retratou a inclusão da simplicidade como «princípio orientador» dos processos nos Juizados Especiais Criminais. A simplicidade facilita a aplicação da lei, através de elucidações práticas que não atravanquem o trâmite processual, auxiliando para a celeridade. Algo pode ser simples, no entanto, relevante, como é o caso do processo penal, referente a infrações penais de menor potencial ofensivo. Não se deve supor que a simplicidade respalde a tão habitual execução de audiências preliminares estabelecidas com intervalos de apenas 5 minutos, onde os Juízes ou conciliadores buscam somente respostas prontas, sem qualquer dispersão do roteiro idealizado para uma audiência padronizada . Portanto, a simplicidade não pode prevalecer em detrimento dos direitos fundamentais. Contraditório, ampla defesa, devido processo legal, presunção de inocência e outros direitos ou princípios devem existir em qualquer processo penal. Princípio da informalidade Os atos realizados nos procedimentos dos juizados especiais desprovidos de forma consistem em atos que possuem um certo desapego de formalidade. É importante esclarecer que a informalidade não pode ser razão para nulidade dos atos, sendo considerada como uma simplificação, objetivando uma ágil resolução do litígio e para consecução célere da intenção autoral. Os atos processuais serão válidos sempre que preencherem as finalidades para as quais forem realizados, atendidos os critérios indicados no art. 2 A prática de atos processuais em outras comarcas poderá ser solicitada por qualquer meio idôneo de comunicação. 3 Apenas os atos considerados essenciais serão registrados resumidamente, em notas manuscritas, datilografadas, taquigrafadas ou estenotipadas. Os demais atos poderão ser gravados em fita magnética ou equivalente, que será inutilizada após o trânsito em julgado da decisão. De acordo com esse preceito, os atos processuais devem ser aplicados com o mínimo de formalidade possível. É fato que o ato se torna mais simples, acessível e efetivo quando destituído de formas, como por exemplo, na situação em que a própria parte pode sugerir sua reclamação de forma oral, sem a assistência de um advogado nas causas que compreendem até 20 salários mínimos, ou ainda no que se refere a permissão dos juízes aprendizes para presidir as audiências de conciliação. A informalidade não pode ser entendida como uma justiça de «segunda classe», um desprestígio ou diminuição da prestação jurisdicional, mas como uma instrumentalidade mais rápida na resolução dos conflitos sociais . Princípio da economia processual Reinaldo Filho explica que tal princípio objetiva a melhor conclusão no processo revertendo na redução das custas processuais. É um princípio que está direcionado para a gratuidade processual aos indivíduos que necessitam deste benefício para darem prosseguimento a algum litígio que estejam envolvidos. Tal princípio desenha a modernização do direito processual civil, além da rapidez dos processos nos Juizados Cíveis, onde o período processual deve ser mais rápido. O princípio da economia processual intenciona a aquisição do máximo rendimento da lei com o mínimo de atos processuais. Já o princípio da gratuidade determina que, da propositura da ação até o julgamento pelo juiz singular, em regra as partes estão liberadas do pagamento de custos, taxas ou despesas. Princípio da celeridade processual A Emenda Constitucional n. 45 de 08, de dezembro de 2004 adicionou ao inciso LXXVIII,no art. Desta forma, a celeridade representa um princípio que não orienta somente os processos nos Juizados Especiais, mas todo o processo judicial ou administrativo, ao qual se obedece às partes . São exemplos da concretização do princípio da celeridade a concentração dos atos processuais, imediatismo da audiência de conciliação, impedimento de intervenção de terceiros, irrecorribilidade das decisões interlocutórias. 5) Policial Civil - PCGO - Ano: 2016 - Banca: CESPE - Disciplina: Direito Processual Penal - Assunto: Busca e Apreensão - No curso de uma investigação policial, atendendo a representação da autoridade policial, foi autorizada judicialmente medida de busca e apreensão de bens e documentos, a ser realizada em endereço determinado, conforme descrito no competente mandado. De posse do mandado, os agentes de polícia, acompanhados da autoridade policial, chegaram ao sobredito imóvel somente no período noturno, devido a vários contratempos havidos no decorrer das diligências. Confirmado o endereço, constatou-se a presença de várias pessoas no interior do imóvel, entre elas, o proprietário da casa, indiciado no inquérito policial que originou o mandado de busca e apreensão. Adicionalmente, constatou-se a existência de três veículos na garagem do imóvel. Considerando a situação hipotética acima apresentada, redija um texto dissertativo acerca do instituto da busca e apreensão no processo penal. Ao elaborar seu texto, aborde, fundamentadamente, os seguintes tópicos. 1- Natureza jurídica da busca e apreensão, seus objetivos e suas características e normas gerais. [valor: 7,00 pontos] 2- Requisitos para o cumprimento da busca e apreensão em suas modalidades domiciliar e pessoal. [valor: 6,00 pontos] 3- Relativamente à situação hipotética apresentada: possibilidade jurídica de realização da diligência no horário noturno. [valor: 3,00 pontos] 4- Relativamente à situação hipotética apresentada: possibilidade jurídica de realização de busca pessoal nas pessoas encontradas no interior do imóvel, bem como no interior dos veículos estacionados na garagem. [valor: 3,00 pontos] (30 LINHAS) Resposta: 1- O instituto da busca e apreensão no processo penal é procedimento de natureza eminentemente cautelar, com previsão na Constituição Federal e no Código de Processo Penal, sendo medida restritiva de direitos individuais com o objetivo de acautelamento: i) de material probatório necessário à prova da infração ou à defesa do réu; ii) de coisa, de animais e até de pessoas que não estejam ao alcance espontâneo da justiça. A doutrina ainda considera a natureza jurídica da busca e apreensão como meio de prova, por constar no Título VII, Capítulo XI, do CPP, motivo pelo qual alguns também a consideram o instituto de natureza jurídica mista. É medida excepcional por implicar tanto a quebra da inviolabilidade do domicílio, quanto a inviolabilidade pessoal, em face das garantias constitucionais previstas no art. 5.º, incisos e X e XI, da Constituição Federal. (Art. 5.º, X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial). Tal característica, ou seja, a excepcionalidade, em face das garantias constitucionais em comento, traz em consequência a jurisdicionalidade, que impõe seja a medida analisada previamente pelo Poder Judiciário, podendo ser realizada em fase inquisitorial, antes ou durante o inquérito e em fase processual, ou seja, durante a instrução do processo. Nos termos do art. 240 e seguintes do Código de Processo Penal, a busca poderá ser domiciliar ou pessoal, entendendo-se a primeira como aquela realizada em residência, bem como em qualquer compartimento habitado, ou aposento ocupado de habitação coletiva ou em compartimento não aberto ao público, no qual alguém exerça profissão ou atividade. A busca pessoal é aquela realizada na própria pessoa, em contato direto com o corpo humano ou pertences íntimos ou exclusivos do indivíduo, como bolsas, malas e veículos. 2 Os requisitos indispensáveis para a execução da busca domiciliar são: a) Ordem judicial escrita e fundamentada; b) Indicação precisa do local, dos motivos e da finalidade da diligência; c) Cumprimento da diligência durante o dia, salvo se o morador consentir que seja realizada à noite; d) A qualquer hora do dia ou da noite, independentemente de mandado judicial ou consentimento do morador, por ocasião de flagrante delito. Já a busca pessoal não depende de autorização judicial para o seu cumprimento, mas apresenta como requisito essencial e indispensável a fundada suspeita de que o indivíduo porte consigo ou em seus pertences armas, instrumentos do crime, objetos necessários à prova do fato delituoso, entre outros. É também legalmente autorizada quando determinada no curso da busca domiciliar (art. 244 do CPP). 3 Em se tratando de busca pessoal e havendo fundadas razões para a execução da diligência, esta poderá ser realizada a qualquer hora do dia ou da noite, porquanto independe de autorização judicial nesse sentido; todavia, tratando-se de busca domiciliar, esta somente se dará no horário noturno se for consentida pelo morador. Não havendo consentimento deste, a diligência somente poderá ser executada durante o dia. 4 Conforme dito alhures, no decorrer da busca e apreensão domiciliar, a legislação processual penal autoriza a busca pessoal, independentemente de ordem judicial, o que se estende aos objetos pertencentes à pessoa, a exemplo de bolsas e veículos (automóvel, bicicleta, motocicleta etc.). Se a medida mais gravosa, que é a violação do domicílio, conta com a ordem judicial, seria de todo improcedente que o exequente da ordem não pudesse revistar as pessoas e os seus pertences encontrados no local. Obs. Artigos de lei ou do CPP não citados neste padrão de resposta poderão ser considerados para fins argumentativos da questão, desde que não contrariem o quanto exigido pela Banca Examinadora. 6) DISCORRA sobre o crime culposo e a possibilidade de tentativa e concurso de agentes. RESPOSTA: É perfeitamente admissível, segundo o entendimento doutrinário e jurisprudencial, a possibilidade de concurso de pessoas em crime culposo, que ocorre quando há um vínculo psicológico na cooperação consciente de alguém na conduta culposa de outrem. O que não se admite nos tipos culposos, ressalve-se, é a participação. 7) Caso seja injustificadamente negado ao defensor do investigado o acesso ao inquérito policial, QUAIS MEDIDAS JUDICIAIS são cabíveis, visando à obtenção de acesso aos autos da investigação? Mesmo sem procuração nos autos, os Advogados podem acessar os autos de inquéritos findos ou em andamento, prisões em flagrante ou demais investigações. ... Dessa forma, também é cabível uma reclamação constitucional ao STF em caso de negativa de acesso do Advogado ao inquérito policial. 8) O interrogatório do réu como sendo o último ato probatório se relaciona com algum princípio norteador da reforma? Fundamente sua resposta assim como explique o princípio norteador, caso exista RESPOSTA Trata-se do PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA, pois o INETRROGATÓRIO após a INSTRUÇÃO faz que com que DEFESA DO RÉU seja mais consistente, diversamente da forma que ocorria antes de 2008 que o INTERROGATÓRIO era o PRIMEIRO ATO. 9) Uma das consequência da reforma foi no sentido de que o mesmo Juiz que colhe provas, profere sentença. Especifique qual o princípio se encontra na assertiva acima assim como se poderíamos excepcionar esta regra. Fundamente sua resposta RESPOSTA PRINCÍPIO DA IDENTIDADE FÍSICA DO JUIZ, podemos excepcionar em hipóteses de férias, morte, afastamento, aposentadoria do Juiz, etc. 10) Creonte, policial militar, foi denunciado pela suposta prática de homicídio tentado, visto que disparara sua arma contraum civil, lesionando-o, em operação que objetivara a ocupação de uma favela na periferia. Devidamente pronunciado, foi levado a julgamento perante o Tribunal do Júri. A defesa sustentou a tese da desclassificação para lesão corporal, já que Creonte não possuíra o dolo de retirada da vida da vítima. Indaga-se: a) Qual a diferença entre desclassificação própria e imprópria? b) Acolhendo a tese defensiva, o Conselho de Sentença desclassificou a conduta para lesão corporal. Nesse sentido, qual o órgão jurisdicional competente para proferir a sentença definitiva? RESPOSTA A- “A desclassificação imprópria ocorre quando os jurados reconhecem a sua incompetência para julgar o crime, indicando qual teria sido o crime praticado. Por outro lado, a desclassificação própria ocorre quando os jurados consideram que o crime não é da competência do tribunal do júri, sem especificar qual é o crime.” B- Compete à justiça comum o julgamento de homicídio cometido entre militares fora de serviço. Resumo: Compete à Justiça comum (Tribunal do Júri) o julgamento de homicídio praticado por militar contra outro quando ambos estejam fora do serviço ou da função no momento do crime.