Prévia do material em texto
Trabalho de Processo Penal (ARA1053) Nome: Karla Miranda de Almeida e Silva, matrícula nº 201808404599 A prisão em flagrante e o estado de flagrância em tempos de cólera por CÉZAR ROBERTO BITTENCOURT Sobre os temas acima expostos, o autor traz considerações sobre a prisão em flagrante e os crimes cujas classificações a autorizam, em meio a um momento traduzido por ele como de cólera. Nas suas considerações preliminares, apresenta os artigos 301, 302 e 303 do Código do Processo Penal, que trazem, respectivamente, quem pode prender em flagrante; as suas espécies e as hipóteses no caso de infrações permanentes. A partir de então, CEZAR ROBERTO passa a classificar e definir uma quantidade variada de crimes, de acordo com o Código Penal, para ao final chegar a conclusão de quem pode ou não ser objeto de prisão em flagrante. A primeira classificação diferencia os crimes comissivos dos omissivos. O primeiros são aqueles que se caracterizam por uma ação proibida e os últimos por um deixar de fazer o que lei obriga. Os omissivos podem ser classificados como próprios, que são aqueles que se configuram por uma simples abstenção da conduta devida, quando podia e devia realizá-la e os impróprios ou omissivos qualificados, que se configuram como um meio através do qual o agente produz um resultado. Em seguida, os crimes são distinguidos em instantâneos e permanentes. O primeiro é aquele que se esgota com a ocorrência do resultado, aquele que se completa num determinado instante, sem continuidade temporal. Permanente, por sua vez, á aquele crime cuja consumação alonga-se no tempo, dependente da atividade do agente, que poderá cessar quando este quiser. Estes também são diferenciados, pelo autor dos crimes instantâneos de efeitos permanentes, que são aqueles cuja permanência não depende da continuidade da ação do agente. Neste particular, o autor apresenta diversos julgados dos Tribunais Superiores, inclusive do STF, que considerou o crime de estelionato previdenciário como instantâneo de efeitos permanentes, tendo seu momento consumativo no primeiro recebimento do agente. Os crimes também são classificados como materiais, formais e de mera conduta. O primeiro descreve a conduta cujo resultado integra o próprio tipo penal , isto é, para sua consumação é indispensável a produção de um resultado separado do comportamento que o precede. Os formais também descrevem um resultado, que, contudo, não precisa verificar-se para ocorrer a consumação. O crime de mera conduta é aquele no qual o legislador descreve somente o comportamento do agente, sem se preocupar com o resultado. CÉZAR ROBERTO também divide os crimes em de dano, que á aquele que para a consumação é necessária a superveniência de um resultado material que consiste na efetiva lesão ao bem jurídico tutelado. O de perigo é aquele que se consuma com a superveniência de um resultado material que consiste na simples criação de perigo real para o bem protegido , sem produzir um dano efetivo. Os de perigo, segue o autor, pode ser concreto ou abstrato. Concreto é aquele que precisa ser comprovado, isto é, deve ser demonstrada a situação efetiva de um dano para o bem jurídico tutelado. Os abstratos podem ser entendidos como aqueles que o perigo e presumido juris et de jure. Em conclusão o autor ressalta que em todas essas classificações será admissível a prisão em flagrante, sendo a única diferença saber até onde, quando e como pode ocorrer esta espécie de prisão cautelar , a luz do disposto no artigo 302 do Código de Processo Penal.