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Universidade Nove de Julho Maria Lívia Introdução: ✓ O sistema cardiovascular é o 1º sistema principal a funcionar no embrião; ✓ O coração primitivo e o sistema vascular aparecem no meio da 3ª semana - rápido crescimento embrionário não pode mais satisfazer exigências nutricionais e de oxigênio apenas por difusão; Divisão d Camp Cardíac: ✓ Campo Cardíaco Primário: • Originado pelas células mesodérmicas da linha primitiva que migram para formar cordões pareados bilaterais; • Origina o miocárdio ventricular e a parede miocárdica. ✓ Campo Cardíaco Secundário: • Originado por células progenitoras cardíacas do mesoderma faríngeo, localizado medialmente o campo primário; • Crescimento e alongamento do tubo cardíaco; • Deriva o miocárdio do ventrículo esquerdo e polo anterior do tubo cardíaco. Desenvolvimento inicial: ✓ Por volta do 18º dia, o mesoderma lateral possui componentes de somatopleura e esplancnopleura (origina quase todos os componentes do coração); ✓ Essas células endocárdicas se separam do mesoderma para criar tubos cardíacos pareados; ✓ Os tubos endocárdicos do coração se fundem e formam um único tubo cardíaco - crânio-caudal; ✓ Batimento do Coração - 22 a 23 dias; ✓ Início do Fluxo Sanguíneo - 4ª semana; ✓ Batimentos Cardíacos - vizualizados com Doppler. Tubo Endocardíco Único: ✓ Com o crescimento, o coração tubular começa a se transformar, desenvolvendo dilatações e constrições alternadas, originando as câmaras cardíacas primitivas: • Seio venoso, átrio primitivo ventricular e bulbo cardíaco; • Seio Venoso - representa a entrada de fluxo sanguíneo no coração (recebe das veias umbilical, vitelinas e cardinais); • Bulbo Cardíaco - última câmara cardíaca, saída do coração (composto de tronco arterioso, cone arterioso e cardíaco). Desenvolvimento de Veias primitivas: ✓ 3 veias drenam para o coração primitivo: • Veias Vitelinas - retornam sangue pobre em oxigênio da vesícula umbilical; • Veias Umbilicais - transportam o sangue bem oxigenado do saco coriônico; • Veias Cardinais Comuns - retornam sangue pobre em oxigênio do corpo do embrião para o coração. Vasos sanguíneos primitivos não podem ser diferenciados estruturalmente como artérias ou veias, entretanto, eles são nomeados de acordo com seus destinos futuros e com o relacionamento com o coração. Embriologia do coraçãoEmbriologia do Coracao Universidade Nove de Julho Maria Lívia Veias Vitelinas: ✓ Acompanham o ducto onfaloentérico (tubo estreito conectando vesícula umbilical com instetino médio) para dentro do embrião; ✓ Após a passagem do septo transverso, entram na extremidade venosa do coração - seio venoso; ✓ A veia vitelina esquerda regride e a direita forma a maior parte do sistema porta hepático, assim como uma porção da veia cava inferior; ✓ Conforme o fígado primitivo cresce no septo transverso, os cordões hepáticos sofrem anastomose ao redor dos espaços preexistentes revestidos por endotélio. Esses espaços, o início dos sinusoides hepáticos, posteriormente se conectam às veias vitelinas. Veias Umbilicais: ✓ Correm de cada lado do fígado e transportam sangue bem oxigenado da placenta para o seio venoso; ✓ Conforme o fígado se desenvolve, as veias umbilicais perdem suas conexões com o coração e se esvaziam no fígado; ✓ A veia umbilical direita desaparece durante a 7ª semana, deixando a veia umbilical esquerda como o único vaso transportando o sangue bem oxigenado da placenta para o embrião; ✓ A transformação das veias umbilicais pode ser resumida da seguinte forma: • A veia umbilical direita e a parte cranial da veia umbilical esquerda, entre o fígado e o seio venoso, degeneram; • A parte caudal persistente da veia umbilical esquerda se torna a veia umbilical, que transporta todo o sangue da placenta para o embrião; • Um grande desvio venoso, o ducto venoso, se desenvolve dentro do fígado e conecta a veia umbilical com a VCI. O ducto venoso forma um desvio através do fígado, permitindo que a maioria do sangue da placenta passe diretamente para o coração, sem passar pela rede de capilares do fígado Veias Cardinais Comuns: ✓ Constituem o principal sistema de drenagem venosa do embrião - anteriores e posteriores; • Anterior - drena a porção cranial do embrião; • Posterior - drena a porção caudal do embrião. ✓ Elas se unem às veias cardinais comuns, que entram no seio venoso; Universidade Nove de Julho Maria Lívia ✓ Veias Cardinais Anteriores: • Durante a 8ª semana são conectadas por anastomoses - desvia sangue da veia cardinal anterior esquerda para a direita; • Esse desvio anastomótico se torna a veia braquiocefálica esquerda quando a porção caudal da veia cardinal anterior esquerda se degenera; • A veia cava superior se forma a partir da veia cardinal anterior direita e da cardinal comum direita. ✓ Veias Cardinais Superiores: • Desenvolvem-se, primeiramente, como vasos mesonefros (rins provisórios) e a maioria desaparece com esses rins transitórios; • Os únicos derivados adultos dessas veias são a raiz da veia ázigo e as veias ilíacas comuns; • As veias subcardinal e supracardinal gradualmente se desenvolvem, substituem e complementam as veias cardinais posteriores. ✓ Veias Subcardinal e Supracardinal: • As subcardinais aparecem primeiro, elas estão conectadas a outra através da anastomose subcardinal, e com as veias cardinais posteriores através de sinusoides mesonéfricos; • As veias subcardinais formam o tronco da veia renal esquerda, as veias suprarrenais, as veias gonadais (testicular e ovariana) e um segmento da VCI e se interrompem na região dos rins; • Cranial a essa região, elas são unidas por uma anastomose que no adulto é representada pelas veias ázigo e hemiázigo; • Caudal aos rins, a veia supracardinal esquerda se degenera; entretanto, a veia supracardinal direita se torna a porção inferior da VCI. Desenvolvimento final do coração: ✓ A camada externa do tubo cardíaco embrionário, o miocárdio primitivo, é formada pelo mesoderma esplâncnico ao redor da cavidade pericárdica; ✓ Nesse estágio, o coração em desenvolvimento é composto por um tubo endotelial fino, separado de um miocárdio espesso por uma matriz gelatinosa de tecido conjuntivo, a geleia cardíaca; • O tubo endotelial se torna o revestimento endotelial interno do coração, ou endocárdio, e o miocárdio primitivo se torna a parede muscular do coração, ou miocárdio; • O pericárdio visceral, ou epicárdio, é derivado de células mesoteliais que surgem da superfície externa do seio venoso e se espalham sobre o miocárdio; ✓ Conforme ocorre o dobramento da região da cabeça, o coração e a cavidade pericárdica se tornam ventrais ao intestino anterior e caudais à membrana bucofaríngea • Simultaneamente, o coração tubular se alonga e desenvolve dilatações e constrições alternadas: o bulbo cardíaco (composto do tronco arterioso, do cone arterioso e do cone cardíaco), ventrículo, átrio e seio venoso; • O crescimento do tubo cardíaco é resultado da adição de células, cardiomiócitos, diferenciando-se do mesoderma da parede dorsal do pericárdio.; • Células progenitoras adicionadas aos polos rostral, e caudal do tubo cardíaco formam um conjunto de células mesodérmicas proliferativas localizadas na parede da cavidade pericárdica e dos arcos faríngeos; Universidade Nove de Julho Maria Lívia ✓ O tronco arterioso está cranialmente contínuo ao saco aórtico, do qual surgem as artérias dos arcos faríngeos; ✓ Células progenitoras do 2º campo cardíaco contribuem para a formação das extremidades arterial e venosa do coração em desenvolvimento; • O seio venoso recebe as veias umbilical, vitelina e cardinal comum do córion, vesícula umbilical e embrião, respectivamente; • As extremidades arterial e venosa do coração estão fixadaspelos arcos faríngeos e pelo septo transverso, respectivamente; • Antes da formação do tubo cardíaco, o fator de transcrição homeobox (Pitx2c) é expresso no campo cardíaco esquerdo em formação e tem um papel importante no padrão esquerda-direita do tubo cardíaco durante a formação da alça cardíaca; ✓ O coração tubular sofre um giro destro (mão direita) aproximadamente nos dias 23 a 28, formando uma alça D em forma de U (alça bulboventricular) que resulta em um coração com seu ápice voltado para a esquerda; ✓ Nesse estágio, o seio venoso desenvolveu expansões laterais, cornos dos seios direito e esquerdo; ✓ Conforme o coração se alonga e se inclina, ele gradualmente se invagina na cavidade pericárdica; ✓ Inicialmente o coração está suspenso da parede dorsal por um mesentério (camada dupla de peritônio), o mesocárdio dorsal; ✓ A porção central do mesentério logo se degenera, formando uma comunicação, o seio pericárdico transverso, entre os lados direito e esquerdo da cavidade pericárdica Agora o coração está aderido somente às suas extremidades cranial e caudal. Circulação através do Coração Primitivo: ✓ As contrações iniciais do coração são miogênicas; ✓ As camadas musculares são contínuas e as contrações ocorrem como ondas peristálticas que começam no seio venoso; ✓ Inicialmente a circulação é do tipo fluxo e refluxo, mas no final da 4ª semana, contrações coordenadas resultam em um fluxo unidirecional; ✓ O sangue entra no seio venoso de: • Embrião através das veias cardinais comuns; • Placenta em desenvolvimento através das veias umbilicais; • Vesícula umbilical através das veias vitelinas. ✓ O sangue do seio venoso entra no átrio primitivo; seu fluxo é controlado por válvulas sinoatriais (SA), então passa através do canal atrioventricular (AV) para o ventrículo primitivo; ✓ Quando o ventrículo contrai, o sangue é bombeado através do bulbo cardíaco e do tronco arterioso para o saco aórtico, do qual é distribuído para as artérias do arco faríngeo no arco faríngeo; Universidade Nove de Julho Maria Lívia ✓ O sangue então passa para a aorta dorsal para distribuição ao embrião, vesícula umbilical e placenta Septação do Canal Atrioventricular: ✓ Ao final da 4ª semana, se formam os coxins endocárdicos AV na parede dorsal e ventral do canal AV; ✓ Esses coxins se desenvolvem da geleia cardíaca, assim como as células da crista neural; ✓ Durante a 5ª semana esses coxins são invadidos por células mesenquimais, se aproximando e se fundindo, dividindo o canal AV em canais direito e esquerdo; ✓ Esses canais separam parcialmente o átrio primitivo do ventrículo primitivo, e os coxins endocárdicos funcionam como valvas AV; ✓ As valvas septais são derivadas dos coxins endocárdicos superior e inferior fundidos. As válvulas murais (camadas finas, chatas da parede) são de origem mesênquimal; ✓ Os coxins AV transformados contribuem para a formação das valvas e do septo membranoso do coração. Septacão do Átrio Primitivo: ✓ Iniciando o final da 4ª semana, o átrio primitivo é dividido em átrio direito e esquerdo pela formação de dois septos - septum primum e septum secundum; ✓ Septum Primum - fina membrana em forma crescente: • Cresce em direção aos coxins endocardíacos que estão se fundindo, a partir do assoalho do átrio primitivo; • Conforme a musculatura do septum primum cresce, uma grande abertura, ou foramen primum, está localizado entre suas margens crescentes livres e os coxins endocárdicos; • Esse forame (perfuração) serve como um desvio, possibilitando o sangue oxigenado passar do átrio direito para o esquerdo; • O forame se torna progressivamente menor e desaparece conforme a dobra mesenquimal do septum primum se funde com os coxins endocárdicos AV fusionados, para formar o septo AV primitivo. • Antes do foramen primum desaparecer, perfurações produzidas por apoptose aparecem na parte central do septum primum; • Conforme o septo se funde com os coxins endocárdicos fusionados, essas perfurações se unem para formar outra abertura no septum primum, o forame secundum (garante o desvio continuado do sangue oxigenação do átrio direito para o átrio esquerdo); • Simultaneamente, a margem livre do septum primum se funde com o lado esquerdo dos coxins endocárdicos fusionados, obstruindo o foramen primum O foramen secundum garante o desvio continuado. ✓ Septum Secundum - dobra muscular espessa crescente: • Cresce a partir da parede muscular ventrocranial do AD, adjacente ao septum primum; • Conforme esse septo espesso cresce durante a 5ª e a 6ª semanas, ele geralmente sobrepõe o foramen secundum no septum primum; Universidade Nove de Julho Maria Lívia • O septum secundum forma uma divisão incompleta entre o átrio; formando um forame oval; • A porção cranial do septum primum, inicialmente aderido ao assoalho do átrio esquerdo, desaparece gradualmente; • A parte remanescente do septum, aderida aos coxins endocárdicos fundidos, forma a valva do forame oval em formato de aba.. Septação do Ventrículo Primitivo: ✓ A divisão do ventrículo é indicada por uma crista mediana, o septo interventricular muscular (separa o bulbo e o ventrículo primitivo), no assoalho do ventrículo próximo de seu ápice; ✓ Miócitos (músculos) dos ventrículos primitivos esquerdo e direito contribuem para a formação da porção muscular do septo interventricular; ✓ O septo possui uma margem côncava livre: • Até a 7ª semana, há um forame interventricular em formato crescente entre a margem livre do septo interventricular e os coxins endocárdicos fusionados; • O forame permite a comunicação entre os ventrículos direito e esquerdo e geralmente se fecha ao final da 7ª semana conforme as cristas bulbares se fundem com os coxins endocárdicos; ✓ O fechamento do forame interventricular e a formação da porção membranosa do septo interventricular resultam da fusão de tecidos de três fontes: a crista bulbar direita, esquerda e o coxim endocárdico; Antes do nascimento, o forame oval permite que a maior parte do sangue oxigenado que entra no átrio direito a partir da VCI, passe para o átrio esquerdo. Ele também previne a passagem de sangue na direção oposta, pois o septum primum se fecha contra o septum secundum relativamente rígido; Após o nascimento, o forame oval se fecha funcionalmente, pois a pressão no átrio esquerdo é maior que àquela no átrio direito. Com aproximadamente 3 meses, a valva do forame oval se funde com o septum secundum, formando a fossa oval. Como resultado, o septo interatrial se torna uma divisão completa entre os átrios. Universidade Nove de Julho Maria Lívia • A porção membranosa do septo interventricular é derivada de uma extensão tecidual do lado direito do coxim endocárdico até a porção muscular do septo, assim como as células da crista neural; • Esse tecido se une ao septo aorticopulmonar e à porção muscular espessa do septo interventricular; ✓ Após o fechamento do forame interventricular e a formação da porção membranosa do septo interventricular, o tronco pulmonar está em comunicação com o ventrículo direito e a aorta se comunica com o ventrículo esquerdo. Septação do Bulbo Cardíaco e Tronco Arterio: ✓ Durante a 5ª semana, a proliferação ativa de células mesenquimais nas paredes do bulbo cardíaco resulta na formação das cristas bulbares; ✓ Cristas similares que são contínuas às cristas bulbares formam o tronco arterioso; ✓ As cristas bulbares e troncais são derivadas principalmente do mesênquima da crista neural; ✓ Células da crista neural migram através da faringe primitiva e dos arcos faríngeos para atingir as cristas. Conforme isso ocorre, as cristas bulbar e troncal sofrem uma rotação de 180º em espiral; • A orientação espiral das cristas, causada em parte pelo fluxo sanguíneo dos ventrículos, resulta na formação de um septo aorticopulmonar espiral quando as cristas se fundem; • Esse septo divide o bulbo cardíacoe o tronco arterioso em dois canais arteriais, a aorta ascendente e o tronco pulmonar; • Devido à espiralização do septo aorticopulmonar, o tronco pulmonar gira ao redor da aorta ascendente; ✓ O bulbo cardíaco é incorporado às paredes dos ventrículos definitivos: • No ventrículo direito, o bulbo cardíaco está representado pelo cone arterioso (infundíbulo), que é a origem do tronco pulmonar; • No ventrículo esquerdo, o bulbo cardíaco forma as paredes do vestíbulo aórtico, a porção da cavidade ventricular logo abaixo da valva aórtica. Quando a divisão do tronco arterioso está quase completa, as valvas semilunares começam a se desenvolver a partir de 3 brotamentos do tecido subendocárdico ao redor dos orifícios da aorta e do tronco pulmonar. Esses brotamentos sofrem cavitação e são remodelados para formar três cúspides de parede delgada. As valvas atrioventriculares (tricúspide e mitral) se desenvolvem de forma similar a partir de proliferações localizadas de tecidos ao redor dos canais AV.