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CONTABILIDADE INTERMEDIÁRIA PROFESSORES Me. Adriana Casavechia Fragalli Me. Claudinei de Lima Nascimento ACESSE AQUI O SEU LIVRO NA VERSÃO DIGITAL! https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3355 EXPEDIENTE C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância. FRAGALLI, Adriana Casavechia. NASCIMENTO, Claudinei de Lima. Contabilidade Intermediária. Adriana Casavechia Fragalli. Claudinei de Lima Nascimento. Maringá - PR.: UniCesumar, 2021. 224 p. “Graduação - EaD”. 1. Contabilidade 2. Intermediária 3. Estoque. EaD. I. Título. FICHA CATALOGRÁFICA NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Coordenador(a) de Conteúdo Juliana Moraes da Silva Projeto Gráfico e Capa Arthur Cantareli, Jhonny Coelho e Thayla Guimarães Editoração Sabrina Novaes Design Educacional Amanda Peçanha Revisão Textual Nágela Neves da Costa e Ariane Andrade Fabreti Ilustração Bruno Cesar Pardinho Fotos Shutterstock CDD - 22 ed. 657 CIP - NBR 12899 - AACR/2 ISBN 978-65-5615-276-9 Impresso por: Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 DIREÇÃO UNICESUMAR NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Design Educacional Débora Leite Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Cursos Híbridos Fabricio Ricardo Lazilha Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima Head de Produção de Conteúdo Franklin Portela Correia Gerência de Contratos e Operações Jislaine Cristina da Silva Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Supervisora de Projetos Especiais Yasminn Talyta Tavares Zagonel Supervisora de Produção de Conteúdo Daniele C. Correia Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi BOAS-VINDAS Neste mundo globalizado e dinâmico, nós tra- balhamos com princípios éticos e profissiona- lismo, não somente para oferecer educação de qualidade, como, acima de tudo, gerar a con- versão integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: intelectual, profis- sional, emocional e espiritual. Assim, iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil, nos quatro campi presenciais (Maringá, Londrina, Curitiba e Ponta Grossa) e em mais de 500 polos de educação a distância espalhados por todos os estados do Brasil e, também, no exterior, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Por ano, pro- duzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares. Somos reconhe- cidos pelo MEC como uma instituição de exce- lência, com IGC 4 por sete anos consecutivos e estamos entre os 10 maiores grupos educa- cionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos edu- cadores soluções inteligentes para as neces- sidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter, pelo menos, três virtudes: inovação, coragem e compromis- so com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ati- vas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Reitor Wilson de Matos Silva Tudo isso para honrarmos a nossa mis- são, que é promover a educação de qua- lidade nas diferentes áreas do conheci- mento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. P R O F I S S I O N A LT R A J E T Ó R I A Me. Claudinei de Lima Nascimento Doutorando em Controladoria e Contabilidade, na Universidade de São Paulo, no programa PPGCC-USP. Possui mestrado em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2005) e graduação em Ciências Contábeis pelo Centro Universitário de Maringá (2002). Atualmente, é professor com dedicação exclusiva no curso de Ciências Contábeis da Universidade Estadual de Maringá. Tem experiência profissional, há mais de 26 anos, na área de contabilidade em empresas comerciais e industriais. Atua na área de Administração, com ênfase em Ciências Contábeis, atuando principalmente nos seguintes temas: contabilidade gerencial, contabilida- de tributária, métodos de custeio, custos, qualidade, decisões e profissão contábil. http://lattes.cnpq.br/4951288835363597 Me. Adriana Casavechia Fragalli Mestrado em Contabilidade pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Pós- -graduanda em Docência no Ensino Superior pelo Centro Universitário de Ma- ringá (Unicesumar). Possui graduação em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Atua como conteudista e professor formador em cursos a distância da Unicesumar. http://lattes.cnpq.br/8193667547216940 A P R E S E N TA Ç Ã O D A D I S C I P L I N A CONTABILIDADE INTERMEDIÁRIA Olá, prezado(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) ao livro de Contabilidade Intermediária. Este livro foi organizado, especialmente, para seus estudos intermediários na área contábil. Assim, escolhemos conteúdos que deverão, naturalmente, servir de base para todos os outros com- ponentes curriculares do curso que virão, a seguir, em outros módulos, e que têm como base estudos básicos já apreendidos em componentes curriculares anteriores. Na Unidade 1, apresentamos as operações com mercadorias que ocorrem no ambiente organizacional: as compras, as vendas, os adiantamentos, o custo de aquisição, os critérios de avaliação dos estoques, entre outros assuntos. Na Unidade 2, estudamos o Imobilizado. Importante ativo empresarial, visto que nele se en- contram os investimentos em bens operacionais utilizados pela empresa. A necessidade de avaliação do custo de aquisição dos bens, os métodos de depreciação e de reconhecimento do desgaste dos bens são importantes para o contador fazer os registros e os reportes de informação corretos. Na Unidade 3, elencamos temas diversos de contabilidade de nível intermediário. As ope- rações financeiras e as antecipações foram tratadas para discorrer sobre transações que, normalmente, acontecem no ambiente empresarial. A Unidade 4, por sua vez, apresenta as principais demonstrações contábeis: Balanço Patri- monial e Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Suas estruturas trazem importantes informações sobre a empresa e seu desempenho. A Unidade 5 demonstra, de forma prática, como ocorre o processo contábil. Por meio dos dados de uma empresa fictícia, exemplificamos como a contabilidade registra os fatos con- tábeis e processa os dados até chegar às demonstrações contábeis. Esperamos que os estudos deste material tragam a você conhecimento técnico, prático e teórico a respeito da contabilidade, e que eles possam contribuir com o avanço dos seus estudos, no curso, e no seu desenvolvimento pessoal e profissional. ÍCONES Sabe aquela palavra ou aquele termo que você não conhece? Este ele- mento ajudará você a conceituá-la(o) melhor da maneira mais simples. conceituando No fim da unidade, o tema em estudo aparecerá de forma resumida para ajudar você a fixar e a memorizar melhor os conceitos aprendidos. quadro-resumo Neste elemento, você fará uma pausa para conhecer um pouco mais sobre o assunto em estudo e aprenderá novos conceitos. explorando ideias Ao longo do livro, você será convidado(a) a refletir, questionar e transformar. Aproveite este momento! pensando juntos Enquanto estuda, você encontrará conteúdos relevantes online e aprenderá de maneira interativa usando a tecno- logia a seu favor. conecte-se Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos online.O download do aplicativo está disponível nas plataformas: Google Play App Store CONTEÚDO PROGRAMÁTICO UNIDADE 01 UNIDADE 02 UNIDADE 03 UNIDADE 05 UNIDADE 04 FECHAMENTO OPERAÇÕES COM ESTOQUE 8 ATIVO IMOBILIZADO 48 87 OPERAÇÕES FINANCEIRAS E ANTECIPAÇÕES 118 BALANÇO PATRIMONIAL E DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 156 EXEMPLO PRÁTICO 203 CONCLUSÃO GERAL 1 OPERAÇÕES COM ESTOQUE PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Estoques • Custo de aquisição • Crité- rios de avaliação de estoque • Livro de registo de inventário • Contabilização das operações com estoque. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Conceituar os estoques • Compreender a formação do custo de aquisição dos estoques • Conhecer os métodos de avaliação dos estoques • Aprender os diferentes livros de registro de inventário • Conhecer os principais lançamentos contábeis relacionados ao estoque. PROFESSORES Me. Adriana Casavechia Fragalli Me. Claudinei de Lima Nascimento INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! Iniciaremos nosso estudo de Contabilidade Inter- mediária falando sobre o estoque. O estoque é um dos ativos mais im- portantes de uma empresa, afinal de contas, na grande maioria dos casos, ele faz parte do negócio principal e está, diretamente, envolvido com a atividade geradora de resultados. Como esses resultados necessitam ser positivos, fica evidente sua tamanha importância. Iniciamos a unidade, desse modo, conceituando estoques em seus diversos tipos e utilidades nas empresas industriais, comerciais e de serviços. A valorização dos estoques será estudada, a seguir, quando discutirmos os conceitos e os cálculos dos custos de aquisição de estoques. Passaremos, a partir do entendimento dos custos de aquisição, à com- preensão dos métodos de avaliação de estoques. Isso porque o custo de aquisição costuma variar, ou seja, você não compra um determinado item, sempre, pelo mesmo valor. Assim, devido ao fato de um mesmo tipo de item ter sido adquirido a valores diferentes, é necessário optar por um dos critérios de avaliação, de forma que haja consistência nos cálculos do custo dos estoques. Para tanto, conheceremos os diferentes critérios existentes e os seus respectivos mecanismos de elaboração. Na sequência, estudaremos o Livro de Registro de Inventário aplicado tanto às empresas com sistemas simples instalados quanto às empresas com sistemas mais complexos, uma vez que se trata de um documento fiscal obrigatório para todas as empresas comerciais e industriais. Encerramos a unidade, por fim, estudando a contabilização das opera- ções de estoques, que vão desde as operações de compras até as operações de vendas de estoques, passando pelas operações normais que ocorrem nas empresas referentes a devoluções de compras e de vendas, abatimentos, entre outros. Desta forma, compreenderemos como a gestão dos estoques em uma empresa pode fazer parte das funções da contabilidade no am- biente organizacional. Ótimo estudo! U N ID A D E 1 10 1 ESTOQUES Contabilmente falando, os estoques são regulamentados pela Norma Brasileira de Contabilidade, NBC TG 16 (R2) - Estoques, de 24 de novembro de 2017 (CFC, 2017, on-line). Segundo esta norma, os estoques são ativos: “ (a) mantidos para venda no curso normal dos negócios;(b) em processo de produção para venda; ou(c) na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos ou transformados no processo de produção ou na prestação de serviços (CFC, 2017, on-line). Em empresas comerciais, chamamos os estoques mantidos para vendas de esto- ques de mercadorias. Em empresas industriais, os estoques podem ser classifica- dos da seguinte forma: ■ Estoque de matéria-prima: é o material que será transformado em pro- duto acabado com a aplicação de tecnologia e mão de obra. ■ Estoque de produtos em processo: é o material que já entrou no pro- cesso de transformação pela tecnologia e mão de obra, porém, ainda não se transformou, definitivamente, em produto acabado. ■ Estoque de produtos acabados: é o produto pronto para ser vendido pela indústria. U N IC ES U M A R 11 Nas empresas de prestação de serviços, os estoques são de valores menos ex- pressivos e representam materiais que são aplicados no processo de execução dos serviços. Na medida em que são consumidos, são considerados custos na determinação do resultado. São considerados, também, estoques os materiais de consumo utilizados pela empresa em suas atividades operacionais internas. São exemplos desses materiais: materiais de escritório, materiais de limpeza, entre outros. É comum tais materiais levarem a denominação materiais de expediente. A demonstração dos estoques no Balanço Patrimonial pode ser feita como no Quadro 1: BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO ATIVO CIRCULANTE ESTOQUES Estoques de Mercadorias Estoques de Matéria-Prima Estoques de Produtos em Processo Estoques de Produtos Acabados Estoque de Materiais Quadro 1 - Posicionamento dos estoques no Balanço Patrimonial / Fonte: os autores. Embora o exemplo demonstre os estoques como parte do Ativo Circulante, pode ocorrer de serem demonstrados no Ativo Não Circulante também. Isso depende do tempo de realização dos estoques, que, na verdade, depende do ciclo operacio- nal da empresa. Isso pode ocorrer, por exemplo, em empresas de construção civil, em função do tempo necessário que se leva em suas edificações para venda. Na Demonstração do Resultado do Exercício de uma empresa comercial, os estoques vendidos são demonstrados como Custo das Mercadorias Vendidas (CMV). Em uma empresa industrial, são demonstrados como Custos dos Produtos Vendidos (CPV). Em uma empresa prestadora de serviços, são demonstrados como Custo dos Serviços Prestados (CSP). Tal demonstração dos estoques na Demonstração do Resultado do Exercício pode ser feita como no Quadro 2: U N ID A D E 1 12 O que se pode expressar em um livro ou em qualquer material impresso são ideias, nor- mas, regras, exemplos, entre outros, porém a criatividade do contador é um diferencial individual que as empresas buscam em seus profissionais. pensando juntos DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO Receita Bruta (-) Deduções da Receita Bruta Receita Líquida (-) Custo das Mercadorias Vendidas (-) Custo dos Produtos Vendidos (-) Custo dos Serviços Prestados (=) Lucro Bruto Quadro 2 - Posicionamento dos estoques vendidos na DRE / Fonte: os autores. Como regra geral, os estoques vendidos, independentemente do tipo de empre- sa, são apresentados na Demonstração do Resultado para formação do Lucro Bruto da empresa. Os estoques são itens importantes, também, para elaboração do Fluxo de Caixa e da Demonstração do Valor Adicionado. No Fluxo de Caixa, eles influenciam a movimentação do caixa referente às atividades operacionais da empresa. Na Demonstração do Valor Adicionado, compõem o custo dos insumos adquiridos para geração da riqueza a ser distribuída. U N IC ES U M A R 13 O princípio contábil do registro pelo valor original determina que os compo- nentes do patrimônio devem ser registrados, inicialmente, pelo custo histórico. Assim, os ativos devem ser registrados em função dos valores pagos para adquiri- -los. No caso do custo de aquisição dos estoques, a NBC TG 16 (R2) (CFC, 2017, on-line) apresenta a seguinte descrição: “ O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperá-veis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. 2 CUSTO DE AQUISIÇÃO U N ID A D E 1 14 O preço de compra é o valor negociado com o fornecedor. Os impostos são aqueles embutidos no preço de venda ou decorrentes da operação de compra que não forem re- cuperáveis pela empresa adquirente. Os custosde transportes são os fretes de transportes das mercadorias e os seguros são os gastos necessários para realização desses transportes. Em outras palavras, incluem-se todos os gastos que ocorrem e que são neces- sários para colocar os estoques dentro da empresa, em condições de serem ven- didos ou transformados no processo de produção. Quando o fornecedor concede descontos ou abatimentos, estes devem ser deduzidos dos referidos custos por re- presentarem um benefício para a empresa. O custo de aquisição é calculado para a operação como um todo, porém é necessário conhecer o custo de cada unidade adquirida. Isso atende às necessidades gerenciais, fiscais e societárias da empresa. Gerenciais Facilita a formação do preço de venda e a mensuração da lucratividade de cada produto. Fiscais O regulamento do imposto de renda determina a mensu- ração do custo unitário para fins de elaboração do Livro de Registro de Inventário. Societárias O controle do estoque pelos valores unitários de seus com- ponentes facilita a elaboração das demonstrações contábeis e, consequentemente, as decisões institucionais da empresa. Quadro 3 - Necessidades de calcular o custo de aquisição / Fonte: os autores. O custo total de aquisição deve ser calculado da seguinte forma: Figura 1 - Cálculo do custo total de aquisição / Fonte: os autores. Impostos Recuperáveis Fretes Seguros Outros Gastos Custo Total de Aquisição Valor pago ao fornecedor Descontos e Abatimentos U N IC ES U M A R 15 O custo unitário de aquisição deve ser calculado dividindo-se o custo total de aquisição pela quantidade adquirida, da seguinte forma: Figura 2 - Cálculo do custo unitário de aquisição / Fonte: os autores. Para facilitar a compreensão, acompanhe o exemplo a seguir. Exemplo: Imagine uma empresa comercial que revende instrumentos musicais. Ela rea- lizou uma compra, a prazo, de 20 violões elétricos ao preço unitário de R$400,00. O total da compra é de R$8.000,00. Os impostos inclusos no preço somam um total de R$900,00 e são recuperáveis. Para o transporte, a empresa pagou com che- que um valor de R$500,00 referente ao frete e, também, com cheque, um valor de R$200,00 referente ao seguro do frete. Considerando estas informações, o custo total e o custo unitário de aquisição são calculados conforme o quadro a seguir: COMPRA 8.000,00 (-) Impostos Recuperáveis 900,00 (+) Fretes 500,00 (+) Seguros 200,00 (+) Outros Gastos 0,00 (=) Custo Total de Aquisição 7.800,00 (/) Quantidade Adquirida 20 (=) Custo Unitário de Aquisição 390,00 Quadro 4 - Cálculo do custo de aquisição total e unitário / Fonte: os autores. Quantidade Adquirida Custo Unitário de Aquisição Custo Total de Aquisição U N ID A D E 1 16 Embora o preço de cada violão negociado com o fornecedor tenha sido de R$400,00, o custo de aquisição de cada um deles é de R$390,00. Isso porque a empresa adquiriu crédito de impostos para recuperar em períodos subsequen- tes e tais créditos não devem fazer parte do custo de aquisição, por isso, foram deduzidos. Além disso, somam-se os gastos extras que foram necessários para viabilizar a compra e colocar os estoques em condições de serem vendidos, que são, no exemplo dado, o frete e o seguro. O valor do custo de aquisição unitário servirá de base para decisões gerenciais, como mencionado anteriormente, por exemplo, para formação do preço de venda. Também servirá para constar no livro de Registro de Inventário e no Balanço Patrimonial da empresa até ser vendido, quando, então, alimentará a Demonstração de Resultado do Exercício. Consi- derando o exemplo apresentado, seriam realizadas as seguintes contabilizações: Contabilização da compra Considerando que a compra foi a prazo, a empresa precisa contabilizar a entrada de mercadorias no estoque e reconhecer a dívida adquirida: Débito – Mercadorias (Ativo) 8.000,00 Crédito – Fornecedores (Passivo) 8.000,00 Contabilização dos impostos recuperáveis Os impostos recuperáveis reduzem o custo de aquisição pelas razões já men- cionadas, por isso, devem reduzir o saldo de estoques de mercadorias que re- presentam esse custo. Ao mesmo tempo, este crédito tributário deve ser reco- nhecido na contabilidade e, como se trata de um direito, deve ser reconhecido numa conta de ativo: Débito – Impostos a recuperar (Ativo) 900,00 Crédito – Mercadorias (Ativo) 900,00 U N IC ES U M A R 17 Contabilização do frete O frete deve ser reconhecido contabilmente, aumentando o valor do estoque, pois este compõe o custo de aquisição das mercadorias. Em contrapartida, como o paga- mento foi realizado com cheque, deve-se reconhecer a redução do valor no banco: Débito – Mercadorias (Ativo) 500,00 Crédito – Banco (Ativo) 500,00 Contabilização do seguro Assim como o frete, o seguro também agrega valor ao estoque. E como o seguro, também, foi pago com cheque, deve-se reconhecer a diminuição do valor no banco: Débito – Mercadorias (Ativo) 200,00 Crédito – Banco (Ativo) 200,00 Após todos os lançamentos contábeis efetuados, a movimentação da conta Mer- cadorias deve apresentar, justamente, o valor do custo total de aquisição da refe- rida compra, conforme demonstrado no razonete, a seguir. Figura 3 - Razão da conta Mercadorias / Fonte: os autores. O saldo final do razão será levado ao Balanço Patrimonial da empresa. Para saber a composição deste estoque, porém, o livro de registro de inventário é a melhor fonte, pois lá terá a seguinte informação: Descrição Quantidade Custo Unitário Custo Total Violão Elétrico 20 390,00 7.800,00 Quadro 5 - Livro de Registro de Inventário / Fonte: os autores. Mercadorias Compra Frete Seguro 8.000,00 500,00 200,00 900,00 7.800,00 D C Impostos recuperáveis U N ID A D E 1 18 3 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUE O cerne da discussão a respeito da mensuração do estoque está no fato de que o custo de aquisição quase nunca se repete de uma operação para outra, mesmo adquirindo estoques de um mesmo fornecedor, em curto espaço de tempo. Os preços mudam, assim como as condições de negociação. Supondo que, em uma nova compra, o custo de aquisição unitário do violão seja de R$410,00. Qual será o custo a ser considerado pela empresa, na elaboração das demonstrações contábeis? Na formação do preço de venda? A ser demonstrado para as autoridades fiscais? Devido a essa variação no custo de aquisição, é necessário, portanto, adotar critérios para avaliar os estoques de forma contínua, permanente. Tais critérios serão estudados adiante. De acordo com a NBC TG 16 (R2) (CFC, 2017, on-line), os critérios de avaliação de estoques são: ■ Identificação específica ou custo específico. ■ Primeiro a entrar, primeiro a sair (PEPS). ■ Custo médio ponderado. Há, ainda, segundo a literatura contábil, o: ■ Último a entrar, primeiro a sair (UEPS). U N IC ES U M A R 19 Os critérios são importantes para a contabilidade empresarial, em função de que determinam quais custos irão compor o resultado da empresa, na demonstração de resultado do exercício, ou seja, na composição do CMV, do CPV ou, ainda, do CSP. O custo específico utiliza o custo individual do bem, especificamente, o valor do custo de aquisição da entrada de cada item no estoque da empresa. O PEPS consiste em utilizar o custo mais antigo do estoque. O UEPS consiste em utilizar o custo mais recente. O custo médio ponderado utiliza um custo médio, considerando as entradas de diversos custos de aquisição diferentes. Para os estoques que tenham a mesma natureza ou formas de uso semelhantes, a empresa deve usar, sempre, o mesmo critério de avaliação. Contudo não descarta o uso de critérios diferentes, quando os estoques tenham naturezas diferentes. Apesar dos quatro critérios existentes, é importante lembrar que o regulamento do imposto de renda permite a utilização, apenas, do PEPS, do Custo Médio Ponderado e do Custo Específico. O UEPS não é um critério aceito para fins de apuração do lucro tributável do imposto de renda e da contribuiçãosocial das pessoas jurídicas. No Art. 307 do referido regulamento, está, assim, expresso: “o valor dos bens existentes no encerramento do período poderá ser o custo médio ou o dos bens adquiridos ou produzidos mais recentemente, admitida, ainda a avaliação com base no preço de venda, subtraída a margem de lucro” (BRASIL, 2018, on-line). Quando se refere ao valor dos bens existentes no encerramento, o artigo se refe- re aos bens em estoques no encerramento do Balanço Patrimonial, ou seja, aqueles que, ainda, não foram vendidos nem consumidos, por isso, permanecem registrados no Ativo. A estes, a empresa deve usar uma média ou um custo mais recente para valoração. O custo mais recente é o último que entrou. Assim, o último que entrou não pode ir para a Demonstração do Resultado, apenas, o primeiro (PEPS) ou a média. É esta interpretação feita para se afirmar, então, a não possibilidade de uso do UEPS como mencionado. Assim, tem-se o seguinte contexto: ■ A norma contábil sugere a utilização do PEPS, do custo médio ponderado ou do custo específico. ■ A literatura contábil inclui, além dos critérios mencionados, o UEPS como critério válido. ■ A legislação tributária do imposto de renda das pessoas jurídicas admite todos os critérios anteriores, com exceção do UEPS. A sistemática de utilização de cada critério será estudada a seguir, quando abor- darmos os Livros de Registro de Inventário. U N ID A D E 1 20 O inventário dos estoques é uma necessidade gerencial. O conhecimento do volume de estoque atual permite ao tomador de decisão escolher o que com- prar e quando comprar. Isso é muito importante, em um contexto de mercado, altamente competitivo, em que é necessário manter mercadorias à disposição dos clientes e, ao mesmo tempo, diminuir custos com estocagem. Além de uma necessidade de gestão, o inventário atende à necessidade societária, no momento em que permite o levantamento das demonstrações contábeis e fiscais, pois o regulamento do imposto de renda das pessoas jurídicas exige de todas as em- presas a elaboração do Livro de Registro de Inventário. As empresas enquadradas no Simples Nacional e no Lucro Presumido devem elaborar o Livro de Registro de Inventário com a posição do estoque no último dia do ano, ou seja, em 31 de dezembro. Da mesma forma, são obrigadas as em- presas enquadradas no Lucro Real Anual. As empresas enquadradas no Lucro Real Trimestral, por sua vez, devem elaborar o Livro de Registro de Inventário com a posição do estoque no último dia de apuração do imposto de renda, ou seja, em 31 de março, em 30 de junho, em 30 de setembro e em 31 de dezembro. Não existe um modelo específico determinado pela legislação tributária para o Livro de Registro de Inventário. O Art. 276 do Regulamento do Imposto de Renda expressa o seguinte sobre as características do referido livro: 4 LIVRO DE REGISTRO DE INVENTÁRIO U N IC ES U M A R 21 “ No livro de inventário deverão ser arrolados, com especificações que facilitem a sua identificação, as mercadorias, os produtos manufatu-rados, as matérias-primas, os produtos em fabricação e os bens em almoxarifado existentes na data do balanço patrimonial levantado ao fim de cada período de apuração (BRASIL, 2018, on-line). Isso permite afirmar que os principais itens que devem compor o inventário são: ■ Data do levantamento do livro. ■ Descrição dos estoques separada por linhas, sublinhas, modelos, séries, entre outras subclassificações. ■ Quantidade existente no fim do período de apuração. ■ Custo unitário e total de cada item do estoque calculado pelos critérios de avaliação aceitos, já mencionados anteriormente. O Livro de Registro de Inventário é, na verdade, um controle de estoque que ajuda a compreender a composição do patrimônio e do resultado do patrimônio de uma empresa. Existem dois sistemas de controle de estoques: controle periódico e controle permanente. Assim, podemos ter tipos de Livro de Registro de Inventário: ■ Livro de Registro de Inventário Periódico. ■ Livro de Registro de Inventário Permanente. Livro de Registro de Inventário Periódico O inventário periódico permite a empresa levantar sua composição de es- toques, no último dia do período de encerramento das demonstrações con- tábeis. Se uma empresa encerra o período em 31 de dezembro, então, nesta data, os estoques precisam ser contados fisicamente e valorados. O valor de cada item dos estoques, neste caso, será, como já mencionado anteriormente, o custo médio de aquisição ou o custo mais recente desses estoques. Imagine que, no último dia do período de apuração do inventário, a empresa tenha feito a seguinte contagem nos seus estoques: U N ID A D E 1 22 Descrição da Mercadoria Quantidade Física Existente em 31 de Dezembro Mercadoria A 40 Mercadoria B 80 Mercadoria C 120 Tabela 1 - Inventário Físico / Fonte: os autores. Para atribuir valor ao estoque contado, a empresa pode determiná-lo com base nas notas fiscais de compra, realizadas durante o ano, calculando o custo médio de aquisição desse estoque, ou atribuir o custo de aquisição da compra feita mais recentemente. Supondo que a empresa tenha feito a opção em atribuir o último custo de aquisição, ou seja, o custo de aquisição mais recente calculado com base na última compra efetuada, esta escolha pode derivar da maior facilidade opera- cional em encontrar este custo. Fazendo isso, o Livro de Registro de Inventário seria completado de acordo com a Tabela 2 adiante: Descrição da Mercadoria Quantidade Física Existente em 31 de Dezembro Custo Unitário Custo Total Mercadoria A 40 30,00 1.200,00 Mercadoria B 80 82,00 6.560,00 Mercadoria C 120 90,00 10.800,00 Total 240 18.560,00 Tabela 2 - Inventário Físico e Monetário / Fonte: os autores. No Balanço Patrimonial, o valor dos estoques será de R$18.560,00. Porém o le- vantamento do CMV é mais complicado no inventário periódico, pois tem-se conhecimento da quantidade vendida durante o ano, mas não a do valor do custo a ser apresentado na Demonstração de Resultado do Exercício. Nesse tipo de inventário, o CMV deve ser calculado desta forma: CMV = EI + C - EF U N IC ES U M A R 23 ■ Legenda CMV = Custo das Mercadorias Vendidas. EI = Estoque Inicial. C = Compras. EF = Estoque Final. No caso do exemplo apresentado, o valor de R$18.560,00 é o valor do estoque final do exercício. Considerando que, no início do período, ou seja, em 1º de janeiro, a empresa tinha um estoque total avaliado em R$15.650,00 e, durante o ano, realizou compras com custo total de aquisição no valor de R$120.000,00, pode-se encontrar o CMV da empresa da seguinte forma: CMV = EI + C - EF CMV = CMV = 15 650 00 120 000 00 18 560 00. , . , . ,� � 117 090 00. , Dessa forma, o valor que irá para a Demonstração de Resultado do Exercício como CMV será de R$117.090,00. Para dar suporte contábil a estas operações, o plano de contas da empresa deve estar estruturado com as seguintes contas contábeis no seu grupo de estoques: Grupo de contas Descrição da conta Conta de grupo (Sintética) Estoques Conta de subgrupo (Sintética) Mercadorias para revenda Conta Analítica Estoque inicial Conta Analítica Compras Quadro 6 - Estrutura das Contas de Estoques no Plano de Contas / Fonte: os autores. Seguindo o exemplo dado, os lançamentos contábeis, no encerramento da apu- ração contábil do período, poderiam ser feitos da seguinte forma: U N ID A D E 1 24 Lançamento das compras Vamos supor que, durante o ano, as compras foram realizadas a prazo, então, reco- nhecemos a compra e, em contrapartida, o aumento da dívida com fornecedores: Débito – Compras (Ativo) 120.000,00 Crédito – Fornecedores (Passivo) 120.000,00 É obvio que, durante o ano, foram realizadas várias compras de mercadorias que to- talizaram R$120.000,00, mas, para simplificar, demonstramos um único lançamento. Ajuste do saldo em estoque O saldo anterior da conta de Estoque Inicial era de R$15.650,00. Como a conta- gemrealizada demonstrou um estoque final de R$18.560,00, conclui-se que hou- ve um aumento de R$2.910,00 no saldo do estoque. Então, devemos reconhecer esse aumento na conta Estoque Inicial. Em contrapartida, diminuímos a conta Compras para que esta apresente o saldo exato a ser transferido para conta CMV: Débito – Estoque inicial (Ativo) 2.910,00 Crédito – Compras (Ativo) 2.910,00 Como o saldo final de um período é o saldo inicial do próximo período, não há necessidade de transferir o valor da conta Estoque Inicial. Assim, no próximo período, é só contabilizar as compras e o ajuste, conforme já demonstrado. Transferência para CMV Agora que a conta Compras apresenta o valor correto do CMV do período, basta contabilizar a transferência: Débito – CMV (Despesa) 117.090,00 Crédito – Compras (Ativo) 117.090,00 U N IC ES U M A R 25 Para compreender melhor como foram encontrados os saldos das contas, assista ao vídeo explicativo. conecte-se O balancete de verificação apresentará os saldos das contas envolvidas nestas operações da seguinte forma: Conta Saldo inicial (01/01) Movimento do período Saldo final (31/12)Débito Crédito Estoque Inicial 15.650,00 2.910,00 0,00 18.560,00 Compras 0,00 120.000,00 120.000,00 0,00 CMV 0,00 117.090,00 0,00 117.090,00 Tabela 3 - Saldo das contas no balancete de verificação / Fonte: os autores. É importante deixar claro que o valor das compras utilizado na fórmula deve ser das compras líquidas, ou seja, o custo de aquisição descontado e acrescido dos gastos que impactam este valor. Como exemplo, suponha que uma empresa tenha apresentado os seguintes dados referentes a um período contábil: Estoque inicial R$ 5.000,00 Compras R$ 18.000,00 Impostos recuperáveis R$ 3.780,00 Frete referente à compra R$ 2.000,00 Seguro sobre frete referente à compra R$ 800,00 Descontos sobre a compra R$ 1.800,00 Devolução de compras R$ 500,00 Estoque final R$ 6.300,00 Tabela 4 - Dados para cálculo do CMV / Fonte: os autores. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3356 U N ID A D E 1 26 A partir desses dados, é necessário, primeiramente, calcular as compras líquidas para, em seguida, aplicar a fórmula: Compras (+) R$ 18.000,00 Impostos recuperáveis (-) R$ 3.780,00 Frete referente à compra (+) R$ 2.000,00 Seguro sobre frete referente à compra (+) R$ 800,00 Descontos sobre a compra (-) R$ 1.800,00 Devolução de compras (-) R$ 500,00 Compras líquidas R$ 14.720,00 Tabela 5 - Cálculo das compras líquidas / Fonte: os autores. Agora sim, basta aplicar a fórmula: CMV = EI + C - EF CMV = CMV = 5 000 00 14 720 00 6 300 00 13 . , . , . ,� � .. ,420 00 Assim, considerando os dados informados, descobrimos que o custo das mer- cadorias vendidas, no período, foi de R$13.420,00. Para tanto, a conta analítica Compras pode ser utilizada para registrar todos os valores envolvidos, como os impostos recuperáveis, o frete, o seguro, os descontos e as devoluções de compras. Porém, caso a empresa prefira, é possível, também, criar contas separadas para cada um dos gastos envolvidos. O tratamento dado às matérias-primas e a outros materiais em empresas industriais é o mesmo. Todavia, ao invés de se chegar ao CMV, chega-se ao custo da matéria-prima consumida no processo de produção para compor o custo dos produtos acabados. Da mesma forma, a conta de estoque de produtos acabados pode seguir os mesmos procedimentos, considerando que, ao invés da conta de compras, existirá uma conta de produção, que receberá não só os lançamentos das ma- térias-primas consumidas, no processo de produção, como também da mão de obra e outros custos de produção. U N IC ES U M A R 27 É importante esclarecer que, mesmo sendo prático, o Livro de Registro de Inventário Periódico é recomendado, somente, para empresas de pequeno porte que não necessitam de controles mais precisos. Um controle permanente de es- toque é sempre mais eficiente, isso, porém, pode aumentar os gastos da empresa. Livro de Registro de Inventário Permanente O inventário permanente tem por base o registro das entradas e saídas de estoque, cada vez que elas ocorrem dentro da empresa. Os dados monetários e físicos de cada entrada e cada saída são registrados de forma que, ao final do período de apuração, os saldos físicos, o custo unitário e o custo total dos estoques já são demonstrados. Assim, não é necessário fazer a contagem física para conhecer a quantidade que se tem no estoque. O que se pode proceder é a conferência física, uma vez que a quantidade já está demonstrada no livro. O custo unitário e total dos estoques, neste caso, depende do critério de avaliação escolhido pela empresa. Como mencionado anteriormente, os critérios de avaliação de estoques acei- tos pelas normas contábeis e pela legislação tributária são: PEPS, Custo Médio Ponderado e Custo Específico. Desta forma, no registro permanente, o custo unitário e total de cada item dos estoques estará baseado em um destes critérios. A utilização do registro permanente do inventário, portanto, simplifica a conta- bilização, pois toda vez que há uma compra, o custo de aquisição é lançado em estoques e, toda vez que há uma venda, o custo do estoque é transferido para o CMV, de forma que, no final do período, o saldo do inventário é o valor do estoque no Balanço Patrimonial e o CMV já está lançado na Demonstração de Resultado do Exercício. É necessário compreender, todavia, a dinâmica do funcionamento dos regis- tros de entradas e saídas, no inventário e na contabilidade, em cada critério de avaliação de estoques, pois muda-se o critério e terá mudado o valor das demons- trações contábeis. Cada tipo de estoque deve ter um controle que demonstre as entradas e saídas que ocorreram dentro de um período. Tradicionalmente, este controle é feito por meio de uma Ficha Kardex, que é uma Ficha de Controle de Estoques. Para cada tipo de estoque, uma ficha individual; e já faz algum tempo que esta ficha foi sistematizada nos sistemas de informática das empresas. U N ID A D E 1 28 Mercadoria: _____________________ Critério:__________________ Data Descrição Entrada Saída Saldo Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total - - - - - - - - - - - Quadro 7 - Modelo de ficha de controle de estoque / Fonte: os autores. Como a ficha é preenchida a cada movimentação ocorrida no estoque, os usuá- rios da informação contábil conseguem obter, a qualquer momento, informações referentes às compras, às saídas (sejam para produção ou venda) e o saldo rema- nescente de cada item do estoque, tudo isso em quantidade e valor. Para compreender melhor a sistemática dos critérios de avaliação, será dado um exemplo de movimentação de estoques e, depois, estes serão avaliados por cada um dos métodos. Imagine que uma empresa comercial vendeu um deter- minado produto e, durante um mês, teve a seguinte movimentação: Data Histórico Custo Total de Aquisição 02 de janeiro Compra de 100 unidades 2.000,00 04 de janeiro Venda de 70 unidades 08 de janeiro Compra de 100 unidades 2.200,00 12 de janeiro Venda de 80 unidades 18 de janeiro Compra de 100 unidades 2.300,00 31 de janeiro Venda de 140 unidades Tabela 6 - Movimentação simulada de uma empresa / Fonte: os autores. No exemplo dado, o período começa em 1º de janeiro com saldo de estoque inicial zerado. Isso para facilitar o entendimento da sistemática de elaboração da Ficha de Estoque. Os valores correspondem aos custos de aquisição, tanto nas colunas de entradas quanto das saídas. Os valores pelos quais as mercadorias foram vendidas não devem aparecer no controle de estoques. U N IC ES U M A R 29 Mercadoria: XXXXXXX Critério: PEPS Data Descri- ção Entrada Saída Saldo Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total 01/01 Saldo inicial - - - - - - 0 0,00 0,00 02/01 Compra 100 20,00 2.000,00 - - - 100 20,00 2.000,00 04/01 Venda - - - 70 20,00 1.400,00 30 20,00 600,00 08/01 Compra 10022,00 2.200,00 - - - 30 100 130 20,00 22,00 600,00 2.200,00 2.800,00 12/01 Venda - - - 30 50 80 20,00 22,00 600,00 1.100,00 1.700,00 50 22,00 1.100,00 18/01 Compra 100 23,00 2.300,00 - - - 50 100 150 22,00 23,00 1.100,00 2.300,00 3.400,00 31/01 Venda - - - 50 90 140 23,00 23,00 1.100,00 2.070,00 3.170,00 10 23,00 230,00 Total do período 300 6.500,00 290 6.270,00 10 230,00 Tabela 7 - Ficha de Controle de Estoque pelo Critério PEPS / Fonte: os autores. Você pode observar que as movimentações de compra são registradas na coluna Entrada enquanto as movimentações de venda são registradas na coluna Saída ambas indicando a quantidade, o valor unitário e o valor total da transação. Na coluna Saldo ficam registrados os itens que permanecem em estoque. É impor- tante esclarecer que, nesta coluna, na sistemática do PEPS, é necessário separar os lotes, de forma que seja possível identificar quantidade, valor unitário e valor total de cada lote. Assim, conforme ocorrem as vendas, é possível identificar o valor do lote mais antigo, o qual é o primeiro a ser baixado. Sistemática do PEPS Com base nos dados apresentados, conheceremos, primeiramente, o método PEPS. U N ID A D E 1 30 Na compra do dia 2 de janeiro, o custo unitário, o custo total e a quantidade com- prada são demonstrados na linha correspondente ao dia 02/01. O registro é feito na coluna das entradas e, como neste dia não há nenhuma saída e o saldo anterior era zero, a coluna de saldo do dia 02/01 apresenta os mesmos valores e quantidades da compra. No dia 04/01, há a venda de 70 unidades. A questão é: com qual custo esta venda será registrada na ficha de estoque? Como no saldo de estoque, anterior a essa venda, o custo unitário de cada mercadoria era de R$20,00, o custo que deve ser registrado para a venda das 70 unidades é de R$1.400,00 (70*20,00). No dia 08/01, há uma nova compra, desta vez, com custo de aquisição unitário de R$22,00. Com isso, o estoque da empresa, neste dia, passa a ser composto por dois lotes: um lote com 30 unidades ao custo unitário de R$20,00, relativos à compra do dia 02/01; e outro lote com 100 unidades ao custo unitário de R$22,00, relativos à compra do dia 08/01. No total, são 130 unidades ao custo total de R$2.800,00. No dia 12/01, houve venda de 80 unidades. Agora, a questão é: com qual custo de aquisição cada unidade vendida será registrada na ficha de estoque? O PEPS determina que o primeiro que entrou deve ser o primeiro a sair. Assim, das 80 unidades vendidas, 30 serão registradas pelo custo de R$20,00 cada, referentes ao valor do lote mais antigo que havia no estoque, e as outras 50 unidades serão registradas pelo custo da última entrada, ou seja, pelo valor de R$22,00 cada. No dia 18/01, houve, novamente, uma compra, agora, pelo custo unitário de R$23,00. Assim, o saldo em estoque ficou composto por um lote com 50 unidades ao custo de R$22,00 cada, e outro lote com 100 unidades ao custo de R$23,00 cada. No dia 31/01, há uma nova venda, agora, de 140 unidades. Para tanto, pri- meiramente, foi registrada a saída de 50 unidades ao custo de R$22,00 cada, referente ao lote mais antigo em estoque nesta data. As outras 90 unidades foram registradas por R$23,00 cada. O saldo final do dia 31/01 da ficha de estoque vai alimentar o Livro de Re- gistro de Inventário. Nele, constarão 10 unidades ao custo unitário de R$23,00, totalizando R$230,00. Este valor será apresentado na conta de Mercadorias no Balanço Patrimonial. A soma de todos os custos das saídas pelas vendas, que é de R$6.270,00, será levada para a Demonstração de Resultado do Exercício da empresa na linha referente ao CMV. U N IC ES U M A R 31 A sistemática do UEPS é muito semelhante ao PEPS, ou seja, é necessário registrar, sepa- radamente, o saldo em estoque dos lotes diferentes, de forma a identificar o valor dos lo- tes mais antigos e dos lotes mais recentes. A única diferença é que, ao contrário do PEPS, em que são baixados, primeiramente, os lotes mais antigos, no UEPS, no momento da saída do estoque, são baixados, primeiramente, os lotes mais recentes, ou seja, o último a entrar é o primeiro a sair. explorando Ideias Sistemática do Custo Médio Ponderado Pelo critério do Custo Médio Ponderado, ou simplesmente, custo médio, os cus- tos das saídas são relativos ao custo atual do estoque. Este custo atual de cada unidade é encontrado, dividindo-se o custo total pela quantidade. Considerando a mesma movimentação apresentada anteriormente, a Ficha de Estoque ficaria como demonstrada adiante: Mercadoria: XXXXXXX Critério: Custo Médio Ponderado Data Descri- ção Entrada Saída Saldo Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total 01/01 Saldo inicial - - - - - - 0 0,00 0,00 02/01 Compra 100 20,00 2.000,00 - - - 100 20,00 2.000,00 04/01 Venda - - - 70 20,00 1.400,00 30 20,00 600,00 08/01 Compra 100 22,00 2.200,00 - - - 130 21,54 2.800,00 12/01 Venda - - - 80 21,54 1.723,20 50 21,54 1.076,80 18/01 Compra 100 23,00 2.300,00 - - - 150 22,51 3.376,80 31/01 Venda - - - 140 22,51 3.151,40 10 22,51 225,40 Total do período 300 6.500,00 290 6.274,60 10 225,40 Tabela 8 - Ficha de Controle de Estoque pelo Critério do Custo Médio / Fonte: os autores. U N ID A D E 1 32 Como você pode observar, no custo médio, não há necessidade de separar os lotes, justamente, porque, agora, é calculado um valor médio. Percebe-se que cada unidade vendida recebe o custo unitário médio, imediatamente, anterior à data da saída. As 70 unidades vendidas, no dia 04/01, receberam o custo unitário de R$20,00, pois este era o custo unitário, atual, no momento da realização da venda. Já as 80 unidades vendidas, no dia 12/01, receberam o custo de R$21,54 cada, pois, após a compra do dia 08/01, esse passou a ser o custo unitário médio. Por fim, as 140 unidades vendidas no dia 31/01 receberam o custo unitário de R$22,51. O custo médio unitário de cada unidade muda a cada nova compra rea- lizada pela empresa. Como imaginamos, em tese, o custo de aquisição de uma compra nunca será exatamente igual a de outra compra, pode-se afir- mar que o custo unitário de aquisição, sempre, mudará com novas entradas por compras. Considerando o exemplo apresentado, se a empresa utilizar o critério PEPS, o saldo final dos estoques será de R$230,00, que, como já men- cionado, será levado ao Balanço Patrimonial. Pelo Custo Médio, o saldo final dos estoques será de R$225,40. Desta forma, repete-se a afirmação já feita anteriormente, muda-se o critério de avaliação de um elemento patrimonial e terá mudado seu montante. Da mesma forma, ocorre na Demonstração de Resultado do Exercício. Pelo PEPS, o CMV apurado será de R$6.270,00. Já pelo Custo Médio, o CMV apurado será de R$6.274,00 Custo Específico Por este critério, cada item do estoque tem seu próprio custo individual e es- pecífico e, quando da saída por venda, o custo a ser registrado nas saídas na ficha de estoques é exatamente o custo da entrada daquele item. Imagine uma concessionária de veículos novos. A empresa pode ter diversas unidades de um determinado modelo de carro, inclusive com custos de aquisição diferentes. Porém, quando há a venda de um veículo, o custo a ser registrado é justamente daquele chassi que foi vendido. Em nada mais muda este critério dos outros que foram estudados, no que se refere à alimentação dos saldos no Balanço Patrimonial e no Livro de Registro de Inventário bem como na alimentação do CMV na Demonstração de Resultado do Exercício. U N IC ES U M A R 33 As principais operações com estoque envolvem compras e vendas. Adiante, serão tratadas tais operações, seus detalhes e contabilização. As operações de compras são as primeiras a serem discutidas. Operações de Compras É normal que as compras de mercadorias ou de matérias-primas sejam feitas a prazo. O aumento nos estoques em função das compras tem como contrapartida o reconhecimento da obrigação a pagar com fornecedores.O lançamento das compras pode ser feito da seguinte forma: Débito – Mercadorias (Ativo) Crédito – Fornecedores (Passivo) Caso a compra seja efetuada à vista, a conta Fornecedores é substituída pela forma de pagamento, ou seja, pelo Caixa ou pelo Banco. Uma compra em dinheiro, por exemplo, seria registrada da seguinte forma: Débito – Mercadorias (Ativo) Crédito – Caixa (Ativo) 5 CONTABILIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES COM ESTOQUE U N ID A D E 1 34 Os impostos recuperáveis são direitos da empresa. Tais direitos, uma vez adqui- ridos em função das compras, devem ser reconhecidos como ativos. Em contra- partida, esse direito diminui o custo de aquisição das mercadorias. O lançamento contábil dos impostos recuperáveis é o que segue: Débito – Impostos a recuperar (Ativo) Crédito – Mercadorias (Ativo) Ao invés de efetuar um lançamento para a compra de mercadorias e um para os impostos recuperáveis, é possível efetuar um único lançamento composto. Neste caso, o valor a ser registrado na conta Mercadorias já deve estar des- contado do valor dos impostos. Por exemplo: imagine uma compra a prazo, no valor de R$800,00, cujos impostos recuperáveis totalizam R$120,00, o lançamento composto seria: Débito – Mercadorias (Ativo) 680,00 Débito – Impostos a recuperar (Ativo) 120,00 Crédito – Fornecedores (Passivo) 800,00 O termo “impostos” deve representar o tributo que será compensado no futuro. É saudável para a contabilidade que tenha contas individuais para cada tipo de tributo a que tenha o referido direito. Assim, a conta de Impostos a recuperar deve ser subdivida, dentre outras, da seguinte forma: ■ ICMS a recuperar. ■ PIS a recuperar. ■ COFINS a recuperar. ■ IPI a recuperar. ■ ISS a recuperar. Vale reforçar que, se houver gastos com frete, seguro de frete, transbordo, entre outros, estes deverão ser lançados de forma a aumentar o custo das mercadorias adquiridas, conforme apresentado anteriormente em “Custo de aquisição”. U N IC ES U M A R 35 Devoluções de Compras Pode ocorrer de a empresa realizar uma compra de mercadorias ou matéria- -prima e, por algum motivo, devolver os estoques comprados ao fornecedor. A devolução pode ser total ou parcial e implica a saída de estoques e a diminuição da obrigação com os fornecedores, caso a compra tenha sido feita a prazo: Débito – Fornecedores (Passivo) Crédito – Mercadorias (Ativo) Quando a compra for realizada à vista e paga com dinheiro, com cheque ou com cartão de crédito/débito, no momento da devolução, o fornecedor deverá reembolsar a empresa. Assim, a conta a débito deverá ser o Caixa ou o Banco, isso dependerá da forma de reembolso. Vamos supor um reembolso em dinheiro: Débito – Caixa (Ativo) Crédito – Mercadorias (Ativo) São comuns, também, situações em que o fornecedor, no momento da devolução, aplica um crédito para a empresa para ser utilizado nas próximas compras que ela realizar. Neste caso, a empresa tem um direito a realizar contra o seu fornecedor. Desse modo, o lançamento seria: Débito – Outros créditos (Ativo) Crédito – Mercadorias (Ativo) Independentemente da forma de devolução, se foram registrados impostos a recuperar no momento da compra, no momento da devolução, também, é ne- cessário reconhecer o estorno desses impostos: Débito – Mercadorias (Ativo) Crédito – Impostos a recuperar (Ativo) U N ID A D E 1 36 Operações de Vendas Muitas podem ser as modalidades de vendas que uma empresa pode adotar. O mercado exige que a empresa esteja preparada para suas exigências, tam- bém, em relação a propiciar as melhores condições para seus clientes. Assim, a contabilidade cria meios de dar suporte às diversas transações de vendas que podem ocorrer, inclusive, com a finalidade de bem informar seus usuários. Algumas dessas transações são apresentadas adiante. Vendas à vista em dinheiro A venda à vista em dinheiro implica o aumento do saldo de caixa da empresa e no consequente aumento de suas receitas com vendas. O lançamento contábil da venda à vista é: Débito – Caixa (Ativo) Crédito – Receita de vendas (Receita) Os lançamentos dos tributos sobre as vendas e dos custos sobre as vendas serão tratados mais adiante. Vendas à vista com depósito bancário Pode ocorrer que o cliente, ao invés de pagar em dinheiro, faça um depósito bancário na conta da empresa. Neste caso, o aumento não é no saldo de caixa, e sim, no saldo bancário. O lançamento ficaria assim: Débito – Banco (Ativo) Crédito – Receita de vendas (Receita) U N IC ES U M A R 37 Vendas com cheque Pode acontecer, também, de cliente pagar pela compra com cheque e, ainda, so- licitar um prazo para a empresa descontar este cheque. É a venda com cheque pré-datado. Assim, a empresa pode vender com cheque e este ser descontado ime- diatamente ou ser descontado após um prazo. Independentemente se o cheque é para compensação imediata ou posterior, a contabilidade da empresa pode criar uma conta no ativo que represente os cheques recebidos em função das vendas realizadas. Esta conta contábil pode ser descrita como Cheques a Receber. O lançamento contábil ficaria da seguinte forma: Débito – Cheques a receber (Ativo) Crédito – Receita de vendas (Receita) Vendas com cartão de crédito As vendas com cartão de crédito são comuns, principalmente, em empresas de varejo. Nesse caso, uma vez que a operação de venda foi autorizada pela admi- nistradora de cartões, o direito da empresa que está efetuando a venda é com a referida administradora e não mais com o cliente. Não se trata de uma duplicata a receber, e sim, de um crédito representado por uma operação autorizada. A con- tabilidade deve criar uma conta específica para registrar este crédito. Essa conta pode ser descrita como Operações com Cartão de Crédito/Débito a Receber e deve estar no grupo do ativo. Se a empresa, porém, opera com diversas administradoras diferentes de car- tão, pode criar uma conta para cada administradora dentro da conta de Opera- ções com Cartão de Crédito/Débito a Receber. Isso facilita o controle dos valores a receber destas referidas administradoras. Outro detalhe é que, como a admi- nistradora garante o pagamento em nome do cliente, assumindo o risco pela inadimplência, ela cobra da empresa que vende produtos e serviços com cartão uma taxa. Este valor já vem descontado, quando a empresa recebe o crédito da U N ID A D E 1 38 administradora. Esta taxa representa, na verdade, uma despesa para a empresa que vende, em função da segurança que tem, nessa modalidade de venda. Em obediência ao regime de competência, essa despesa deve ser reconhecida na con- tabilidade no mesmo momento da venda. Assim, o lançamento contábil seria: Débito – Operações com cartão de crédito/débito a receber (Ativo) Débito – Despesas com vendas (Despesa) Crédito – Receita de vendas (Receita) Percebe-se que a receita é reconhecida pelo valor total da venda. No mesmo momento, é reconhecida a despesa com a referida taxa. O valor a receber da administradora é o valor que, efetivamente, será recebido, descontando o valor da taxa. Quando a empresa receber o valor do crédito, a contabilização do recebimento será: Débito – Banco (Ativo) Crédito – Operações com cartão de crédito/débito a receber (Ativo) Vendas a prazo A venda a prazo é aquela que gera a duplicata a receber, ou seja, a empresa fica com o direito de receber do cliente futuramente. O lançamento contábil da venda a prazo é feito da seguinte maneira: Débito – Duplicatas a receber (Ativo) Crédito – Receita de vendas (Receita) Sistemas de contas a receber informatizados são comuns no mercado de soft- ware. Tais sistemas controlam as duplicatas a receber por cliente, contribuindo com a gestão financeira da empresa. Nesse caso, a conta contábil de Duplicatas a Receber pode englobar todos os clientes da empresa. Caso, porém, a empresa não tenha um sistema que ajude nesse controle, a última alternativa é criar uma conta contábil de Duplicatas a Receber para cada cliente.A conta de Receita de Vendas pode ser subdividida em Receita de Vendas à Vista e Receita de Vendas a Prazo. Isso pode melhorar o nível de informação contábil aos seus usuários. U N IC ES U M A R 39 Baixa do estoque em função da venda Independentemente das condições em que as vendas são efetuadas, a conta- bilidade deve registrar o custo da mercadoria que foi vendida. O raciocínio é que, enquanto a mercadoria permanece em estoque, ela representa um bem para a empresa, devendo compor o Ativo. Quando a empresa vende essa mercadoria, ela deixa de compor o estoque e se transforma em uma despesa, denominada CMV, no caso de empresa comercial, CPV, no caso de indústria, ou ainda, CSP, em prestadoras de serviço. O valor dessa despesa será influen- ciado pelo critério de avalição de estoque utilizado pela empresa. Conforme apresentado anteriormente, esses critérios podem ser o custo específico, o custo médio ou o PEPS. Independentemente, contudo, do critério, a conta- bilização é feita da seguinte forma: Débito – CMV/CPV/CSP (Despesa) Crédito – Mercadorias (Ativo) O crédito na conta de Mercadorias é feito para reduzir seu saldo, uma vez que o estoque, por ter sido vendido, não faz mais parte do ativo da empresa. Tributos sobre vendas Por força da legislação tributária, quando a empresa vende mercadorias, ela assume uma obrigação com o governo referente aos impostos incidentes sobre as vendas. O reconhecimento de tais impostos na contabilidade deve aconte- cer no mesmo momento do reconhecimento da venda. Os impostos sobre as vendas representam uma despesa, sendo assim, são registrados em conta de resultado que pode ser denominada Impostos sobre vendas. Em contrapartida, assume-se o compromisso de recolher tais impostos para o governo, sendo re- gistrado um passivo. O lançamento contábil para os impostos sobre as vendas pode ser feito da seguinte forma: Débito – Impostos sobre vendas (Despesa) Crédito – Impostos a recolher (Passivo) U N ID A D E 1 40 A conta de Impostos sobre vendas deve ser, ainda, subdividida por tipo de tributo, da seguinte forma: ■ IPI sobre Vendas. ■ ICMS sobre Vendas. ■ COFINS sobre Vendas. ■ PIS sobre Vendas. ■ ISS sobre Vendas. A conta de Impostos a recolher deve também ser subdividida, dentre outras, por tipo de tributo, da seguinte forma: ■ IPI a Recolher. ■ ICMS a Recolher. ■ COFINS a Recolher. ■ PIS a Recolher. ■ ISS a Recolher. Devolução de vendas Da mesma forma que uma empresa pode devolver para seus fornecedores as mercadorias compradas, ela também pode receber de seus clientes as mercado- rias vendidas. As devoluções de vendas, assim como os impostos sobre vendas, representam deduções da receita bruta e devem ser registradas em conta contábil específica na contabilidade, dentro das contas de resultado. Se a venda foi à vista e, no momento da devolução, a empresa reembolsar o cliente, é necessário reconhe- cer uma conta de despesa, denominada Devolução de Vendas, em contrapartida, a saída de recursos, seja por meio do caixa, seja da conta bancária da empresa. U N IC ES U M A R 41 Débito – Devolução de vendas (Despesa) Crédito – Caixa/Banco (Ativo) Se a venda, contudo, foi a prazo, a devolução diminuirá o valor a receber dos clientes, então, o lançamento será: Débito – Devolução de vendas (Despesa) Crédito – Duplicatas a receber (Ativo) Se houve devolução de venda, a mercadoria recebida volta a compor o estoque, sendo assim, é preciso efetuar o seguinte lançamento: Débito – Mercadorias (Ativo) Crédito – CMV/CPV/CSP (Despesa) Perceba que este lançamento é o inverso do lançamento efetuado no momento da venda, em função da baixa do estoque. Por fim, se, na venda, houve o reconhecimen- to dos impostos a recolher, ou seja, gerou uma obrigação, a devolução de venda dimi- nui essa obrigação, sendo necessário contabilizar também o estorno dos impostos: Débito – Impostos a recolher (Passivo) Crédito – Impostos sobre vendas (Despesa) Só lembrando que o correto é reconhecer o tipo de imposto envolvido em contas específicas (ICMS, PIS, COFINS, IPI, ISS). U N ID A D E 1 42 CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a)! Nesta unidade, tratamos das diversas operações que envol- vem o item estoques, dentro do Balanço Patrimonial, e os itens que compõem o resultado bruto na Demonstração de Resultado, tais como: receitas com vendas, deduções de vendas e custo das vendas de produtos e mercadorias. Tais operações são, na realidade, as principais operações da grande maioria das empresas que se dedicam a comprar, produzir e vender produtos, mercadorias e serviços. Estas atividades ocorrem nas empresas industriais, comerciais e de serviços. Assim, justifica-se uma unidade inteira dedicada a tais operações, uma vez que elas de- terminam de forma relevante, como consequência, a situação patrimonial e de rentabilidade de uma empresa. Vimos, também, nesta unidade, muito sobre o importante Livro de Registro de Inventário de estoques, que tem como função cumprir com a legislação tribu- tária, mas que, como visto ao longo da unidade, cumpre uma importante função gerencial de controle e informação dos estoques, sem a qual uma empresa pode ter relevantes perdas em suas atividades operacionais. A composição correta do custo de aquisição é um desafio para os profissionais contábeis e exige de todos, independentemente do foco de sua atuação, conheci- mentos técnicos importantes sobre tributação na compra e venda, formação de custos e critérios de avaliação de estoques. Além disso, para fins gerenciais, é neces- sário também o conhecimento a respeito de novas formas de avaliação que serão estudadas em outras disciplinas e que partem da base estudada nesta unidade. Sendo assim, conseguimos visualizar a tamanha importância que o estoque, seja ele de matérias-primas, produtos acabados, mercadorias, seja de outros, pos- sui para a empresa. Esperamos que tenha gostado e aproveitado, ao máximo possível, o conteúdo. Seguimos, assim, então, para a nossa próxima unidade. 43 na prática 1. As contas contábeis funcionam como um nome para os elementos de uma empre- sa, eles sofrem alterações conforme os fatos contábeis ocorrem. Por esse motivo, é importante que a conta busque retratar corretamente os elementos, de forma a facilitar a compreensão dos usuários. Nesse sentido, quais denominações se dão aos estoques, nos diversos tipos de empresas, no momento em que passam a compor a Demonstração de Resultado do Exercício? 2. As mercadorias, as matérias-primas, os produtos, entre outros itens, são registrados no Ativo da empresa. Para tanto, eles precisam representar um bem à disposição da empresa. Quando este bem é vendido ou consumido, ele deixa de compor o estoque. Assinale a alternativa que represente um bem em estoque. a) Mercadorias vendidas a clientes. b) Materiais a serem consumidos no processo de produção. c) Produtos acabados vendidos a clientes. d) Materiais consumidos na prestação de serviços. e) Adiantamentos pagos a fornecedores. 3. Uma empresa comercial realizou uma compra a prazo de 120 unidades de uma mercadoria ao preço unitário de R$35,00, totalizando R$4.200,00. Os impostos in- clusos no preço somam um total de R$756,00 e são recuperáveis. Para o transporte, a empresa pagou com cheque um valor de R$180,00 de frete e, também com che- que, um valor de R$100,00 de seguros. Qual é o custo de aquisição total e unitário dessa compra? 4. A empresa Alfa atua no comércio de produtos eletrônicos há cinco anos. No dia 10 de julho de 20X0, a empresa adquiriu 15 aparelhos headset para revenda. A compra a prazo totalizou R$1.800,00 e será pago ao fornecedor após 30 dias. Sobre o valor total da compra, devem-se calcular os seguintes impostos recuperáveis: 12% de ICMS, 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS. Com base nos dados apresentados, efetue os lançamentos contábeis destas operações. 44 na prática 5. Uma empresa iniciou o mês de janeiro com 30 unidades, em estoque, no valor de R$60,00cada. Em janeiro, ocorreram as seguintes operações: Data Transação Valor unitário 05/01 Compra de 40 unidades 62,00 10/01 Venda de 50 unidades 90,00 12/01 Venda de 10 unidades 95,00 20/01 Compra de 40 unidades 65,00 31/01 Venda de 30 unidades 92,00 Tabela 1 - Fatos contábeis do mês de janeiro/ Fonte: os autores. Utilizando os dados apresentados, elabore a Ficha de Estoques pelo critério PEPS. 6. A empresa Beta iniciou o mês de janeiro com estoque zero. Contudo, durante o mês, ocorreram as seguintes operações: Data Transação Valor unitário 10/01 Compra de 200 unidades 20,00 14/01 Venda de 180 unidades 60,00 20/01 Compra de 200 unidades 22,00 31/01 Venda de 160 unidades 65,00 Tabela 2 - Fatos contábeis do mês de janeiro / Fonte: os autores. Com base nestes dados, elabore a Ficha de Estoques pelo critério do Custo Médio Ponderado. 45 aprimore-se A norma contábil utiliza termos importantes que devem ser utilizados e com- preendidos pelos profissionais de contabilidade. A norma contábil emanada pelo Conselho Federal de Contabilidade que trata dos estoques possuem as seguintes definições. 6. Os seguintes termos são usados nesta Norma, com os significados especifi- cados: Estoques são ativos: a) mantidos para venda no curso normal dos negócios; b) em processo de produção para venda; ou c) na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos ou transforma- dos no processo de produção ou na prestação de serviços. Valor realizável líquido é o preço de venda estimado no curso normal dos negócios deduzido dos custos estimados para sua conclusão e dos gastos estimados neces- sários para se concretizar a venda. Valor justo é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração. 46 aprimore-se 7. O valor realizável líquido refere-se à quantia líquida que a entidade espera realizar com a venda do estoque no curso normal dos negócios. O valor justo reflete o preço pelo qual uma transação ordenada para a venda do mesmo estoque no mercado principal (ou mais vantajoso) para esse estoque ocorre- ria entre participantes do mercado na data de mensuração. O primeiro é um valor específico para a entidade, ao passo que o segundo já não é. Por isso, o valor realizável líquido dos estoques pode não ser equivalente ao valor justo deduzido dos gastos necessários para a respectiva venda. 8. Os estoques compreendem bens adquiridos e destinados à venda, incluin- do, por exemplo, mercadorias compradas por varejista para revenda ou terrenos e outros imóveis para revenda. Os estoques também compreen- dem produtos acabados e produtos em processo de produção pela en- tidade e incluem matérias-primas e materiais, aguardando utilização no processo de produção, tais como: componentes, embalagens e material de consumo. Os custos incorridos para cumprir o contrato com o cliente, que não resultam em estoques (ou ativos dentro do alcance de outro pronun- ciamento), devem ser contabilizados de acordo com a NBC TG 47 – Receita de Contrato com Cliente. Fonte: CFC (2017, on-line). 47 eu recomendo! Contabilidade Introdutória Autores: Equipe de Professores da USP Editora: Atlas Sinopse: os livros que integram o conjunto Contabilidade Intro- dutória (livro-texto, livro de exercícios e manual do professor) inovam o ensino da Contabilidade no Brasil. Permanentemente, revistos e atualizados, têm em vista não só sua adaptação aos modernos padrões de ensino da Contabilidade, como, ainda, as frequentes modi- ficações introduzidas na legislação fiscal e societária do país. O conjunto originou- -se de cursos desenvolvidos no Departamento de Contabilidade da FEA/USP, sob a preocupação básica de clareza e de didática na exposição da matéria. Quanto ao conteúdo e ao enfoque operacional, a diretriz central tem sido a de apresentar a Contabilidade como poderoso instrumento de administração. livro 2 ATIVO IMOBILIZADO PROFESSORES Me. Adriana Casavechia Fragalli Me. Claudinei de Lima Nascimento PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Conceitos do Ativo Imobilizado • Custo de aquisição • Métodos de depreciação • Alienação de bens do Ativo Imobilizado. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Conceituar Ativo Imobilizado • Compreender a formação do custo de aquisição dos imobilizados • Conhecer os diferentes métodos de depreciação • Conhecer os procedimentos contábeis relacionados à alienação de bens do Ativo Imobilizado.. INTRODUÇÃO Prezado(a) aluno(a)! O ativo imobilizado abrange todos os bens tangíveis que atuam nas atividades produtivas e operacionais de uma empresa, os quais serão utilizados por mais de um período. São investimentos que, de alguma forma e, em algum momento, trarão benefícios para a empresa, sejam eles operacionais, sejam financeiros. Os imobilizados caracterizam-se por não serem objetos de alienação da empresa, e sim, serem utilizados como suporte para suas atividades. Contudo, dependendo das estratégias da empresa, os imobilizados podem ser vendidos no intuito de serem repostos por itens mais novos e mais eficientes. Este grupo do ativo, também, envolve uma série de discussões fundamentais em contabilidade, em função da mensuração quantitativa do seu custo de aquisição e do reconhecimento contábil de sua perda de utilidade e de valor em função do seu desgaste pelo uso. Os imobilizados, também, são alvos de uma série de regras fiscais. Isso porque o valor elevado em que são adquiridos e o referido reconhecimento do seu desgaste influenciam, diretamente, o lucro tributável das empresas e, consequentemente, o recolhimento de tributos. Apesar de não ser o intuito deste material tratar de questões tributárias, o correto reconhecimento dos ativos imobilizados é imprescindível para a atividade contábil. Sendo assim, nesta unidade, discutiremos, ainda, os critérios de mensu- ração do custo de aquisição do ativo imobilizado; os métodos de deprecia- ção do ativo imobilizado e a contabilização do registro do ativo imobilizado e da sua depreciação. Abordaremos este conteúdo levando em considera- ção, como fator fundamental, a base das normas brasileiras de contabilida- de emanadas pelo Conselho Federal de Contabilidade. Esperamos que você tenha um bom aproveitamento desse conteúdo, afinal, ele será muito útil na continuidade dos seus estudos e na sua carreira profissional. Boa leitura! U N ID A D E 2 50 1 CONCEITOS DO ATIVO IMOBILIZADO A norma contábil brasileira que trata do ativo imobilizado é a NBC TG 27 (R4) – Ativo Imobilizado. Segundo esta norma: “ Ativo imobilizado é o item tangível que:a. é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e b. se espera utilizar por mais de um período (CFC, 2017, on-line). Esse conceito explica a razão de um bem adquirido nessas condições não poder ser considerado como uma despesa de imediato. Isso é derivado do princípio da competência, que determina que as receitas e as despesas precisam ser reco- nhecidas no momento em que ocorrem. Sendo assim, a compra de um bem que beneficiará as atividades da empresa por mais de um período, ou seja, por mais de um ano, é um investimento e, como tal, deve ser registrado no ativo imobi- lizado da empresa. No momento da aquisição, não houve, ainda, o desgaste do bem, porém, à medida que ele é utilizado, esse desgaste é reconhecido e, aí, sim, contabilizado como despesa da empresa. U N IC ES U M A R 51 O desgaste pelo uso do bem, nas atividades da empresa, é representado, na contabilidade, pela depreciação, que consiste, segundo a referida norma, na alo- cação do valor do bem à despesa ou ao custo da empresa, ao longo da sua vida útil. Em outras palavras, o valor do investimento se transfere do ativo imobilizado da empresa para o resultado, à medida que o bem é utilizado.A vida útil de um bem, segundo a referida norma, é: “ a. o período de tempo durante o qual a entidade espera utilizar o ativo; oub. o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes que a entidade espera obter pela utilização do ativo (CFC, 2017, on-line). Assim, quando um bem é adquirido, seu valor é ativado (registrado no ativo) por se tratar de um investimento. À medida que este bem é utilizado, parte do seu valor é transferido para despesa ou custo e isso ocorre durante a duração da vida útil deste bem. O valor de aquisição do bem do ativo imobilizado, deduzido de seu valor depreciado até um determinado momento, resulta no valor contábil do bem. Este valor é base para avaliação patrimonial de uma entidade e, conse- quentemente, para consideração e apuração dos tributos envolvidos com tais bens. Para o correto tratamento contábil dos ativos imobilizados, é necessário, primeiramente, conhecer alguns termos: ■ Custos de aquisição são o valor gasto para adquirir o bem. ■ Valor residual é o valor estimado que a empresa espera recuperar com a venda do bem, após totalmente depreciado. ■ Valor depreciável é o custo de aquisição do bem menos o seu valor residual. ■ Depreciação é o reconhecimento sistemático do valor depreciável do bem, ao longo da sua vida útil. ■ Valor contábil é o custo de aquisição do bem deduzido da sua depre- ciação acumulada. As principais questões contábeis relativas ao ativo imobilizado referem-se, então, à mensuração do seu custo de aquisição, quando o investimento é feito, ao cálculo e à contabilização da depreciação dos bens, ao longo da sua vida útil, e ao correto reconhecimento da sua baixa. U N ID A D E 2 52 Não basta compreender os termos contábeis, é preciso analisar a realidade de cada em- presa de forma a não reconhecer, equivocadamente, o bem. Por exemplo, será que um carro ou imóvel, deve ser sempre reconhecido como ativo imobilizado? pensando juntos O ramo de atividade da empresa, assim como a utilidade do bem, influencia di- retamente o reconhecimento contábil desse. Isso porque um determinado bem pode caracterizar um estoque para uma empresa, enquanto para outra representa um imobilizado. Como exemplo, podemos citar o carro. Quando ele for objeto de venda, como em uma concessionária, deve ser reconhecido como estoque, quando, porém, ele for utilizado para mobilidade, como no caso de veículos uti- lizados para entrega de mercadorias, deve ser reconhecido como imobilizado. De qualquer forma, é comum observar a composição das contas de imobilizado, conforme demonstramos a seguir. ATIVO Ativo Não Circulante Ativo Imobilizado Bens em operação Terrenos Edificações Instalações Computadores e periféricos Máquinas e equipamentos Móveis e utensílios Veículos (-) Depreciação acumulada (-) Terrenos U N IC ES U M A R 53 ATIVO (-) Edificações (-) Instalações (-) Computadores e periféricos (-) Máquinas e equipamentos (-) Móveis e utensílios (-) Veículos (-) Exaustão acumulada (-) Terrenos Imobilizados em andamento Edificações Instalações Equipamentos Quadro 1 - Composição das Contas do Imobilizado / Fonte: adaptado de CFC (2019, p. 29). As contas contábeis de depreciação e exaustão acumulada são contas de natureza credora, pois são redutoras das contas contábeis do ativo imobilizado. Podemos dizer, então, que o imobilizado é composto por quatro grupos de contas. O pri- meiro grupo (Bens em operação) é o de contas que representam diretamente os bens por seus custos de aquisição. O segundo e terceiro grupo são de contas redu- toras denominadas depreciação e exaustão acumulada, que representam o valor da depreciação dos bens em função do tempo em que são utilizados. Por fim, o quarto grupo (Imobilizados em andamento) são contas de ativos imobilizados que estão em processo de construção, assim que finalizados, são transferidos para o primeiro grupo e começam a sofrer depreciação. U N ID A D E 2 54 No Balanço Patrimonial, as contas do imobilizado são demonstradas de for- ma sintética, constando, apenas, a conta que representa os custos de aquisição e a conta que representa a depreciação acumulada, ou simplesmente, uma única conta, evidenciando o valor resultante do custo de aquisição menos a depreciação acumulada, que é o valor contábil dos bens. A imagem, a seguir, foi retirada do Balanço Patrimonial da empresa WEG S.A. e demonstra a evidenciação do Ativo Imobilizado de forma sintética. Figura 1 - Ativo da empresa WEG S.A. / Fonte: WEG S.A. (2020, p.11). U N IC ES U M A R 55 Isso está de acordo com o que prescreve o item V do Art. 183 da Lei nº 6.404/76, quando determina que: os direitos são classificados no imobilizado pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão. Em notas explicativas, a empresa deve detalhar a composição das contas que pertencem ao ativo imobilizado da empresa; inclusive, mencionar as aqui- sições e vendas feitas no período a que se referem as demonstrações contábeis. Figura 2 - Nota Explicativa do Ativo Imobilizado da empresa WEG S.A. Fonte: WEG S.A. (2020, p. 32). As figuras são, apenas, para exemplificar como as informações sobre o ativo imo- bilizado, normalmente, são evidenciadas nas demonstrações contábeis. De qual- quer forma, para gerá-las, a contabilidade precisa manter registros detalhados sobre cada item do imobilizado. Estes registros começam pelo reconhecimento do custo de aquisição, que veremos a seguir. U N ID A D E 2 56 Um ativo, para ser considerado como tal, deve atender ao requisito de propiciar benefícios futuros para a empresa, em termos de fluxo de caixa. Este conceito é, amplamente, discorrido na literatura contábil e já prescrito nas normas brasi- leiras de contabilidade. Segundo a NBC TG 27 (R4) (CFC, 2017, on-line), um bem deve ser reconhecido como ativo imobilizado de uma empresa quando ele, efetivamente, trouxer para ela benefícios econômicos e quando seu valor puder ser mensurado, objetivamente. No momento da aquisição do bem, essa men- suração se refere ao custo de aquisição do ativo imobilizado que, assim como o estoque, envolve outros fatores além do preço pago pela compra. Assim, o custo de aquisição pode ser, assim, calculado: Preço de Compra (-) Tributos Recuperáveis (-) Descontos comerciais e Abatimentos (+) Custos necessários de instalação e implantação (+) Outros gastos 2 CUSTO DE AQUISIÇÃO U N IC ES U M A R 57 Considere a seguinte situação: em 31 de janeiro, uma empresa adquiriu a prazo uma máquina no valor de R$ 125.000,00 para ser utilizada no seu setor de pro- dução. Devido ao regime tributário da empresa, é permitida a ela a recuperação de 12% de ICMS sobre o valor das compras de bens utilizados no processo pro- dutivo. É importante esclarecer que esse percentual pode variar, já que o ICMS é definido pela legislação tributária de cada estado. O transporte da máquina foi pago à vista, com cheque no valor de R$ 3.000,00. Os gastos com a instalação física da máquina foram pagos a terceiros com cheque no valor de R$ 10.000,00. Custo de aquisição (em R$) Preço de compra 125.000,00 (-) Tributos recuperáveis (125.000 x 12%) 15.000,00 (+) Transporte 3.000,00 (+) Instalação 10.000,00 Total 123.000,00 Tabela 1 - Cálculo do Custo de Aquisição / Fonte: os autores. O cálculo do custo de aquisição de um bem do ativo imobilizado é muito parecido com o cálculo do custo de aquisição de estoques para revenda ou de matéria-prima. Em síntese, todos os gastos necessários para colocar o bem em condições de uso pela empresa devem compor seu custo de aquisição. As contabilizações necessárias para registrar as aquisições podem ser feitas como demonstradas adiante: ■ Lançamento Contábil da Compra Débito – Máquinas e equipamentos (Ativo) 125.000,00 Crédito – Outras contas a pagar (Passivo) 125.000,00 Registra-se o bem no ativo, mais especificamente, no ativo imobilizado, em con- trapartida, como a comprafoi a prazo, reconhece a obrigação. Perceba que não utilizamos a conta Fornecedores, pois esta conta é específica para compra de mercadorias ou matéria-prima. U N ID A D E 2 58 ■ Lançamento Contábil dos Tributos Débito – ICMS a recuperar (Ativo) 15.000,00 Crédito – Máquinas e equipamentos (Ativo) 15.000,00 Como o imposto a recuperar será compensado, futuramente, com os impostos a recolher da empresa, ele reduz o custo de aquisição da máquina. ■ Lançamento Contábil do Frete Débito – Máquinas e equipamentos (Ativo) 3.000,00 Crédito – Banco (Ativo) 3.000,00 Como o gasto com o transporte compõe o custo de aquisição da máquina, seu valor é registrado na conta do ativo imobilizado. Em contrapartida, o pagamento efetuado com cheque provoca a diminuição da conta Banco. ■ Lançamento Contábil da Instalação Débito – Máquinas e equipamentos (Ativo) 10.000,00 Crédito – Banco (Ativo) 10.000,00 Assim como o transporte, o gasto para instalar a máquina compõe o custo de aquisição. O saldo final da conta contábil de Máquinas, aparelhos e equipamentos, por sua vez, deve corresponder ao custo de aquisição calculado, anteriormente, que resultou em um valor de R$ 123.000,00. A movimentação da conta e o seu saldo final podem ser demonstrados na razão contábil demonstrada adiante. Figura 3 - Razão da conta Máquinas, aparelhos e equipamentos / Fonte: os autores. Máquinas e equipamentos Compra Frete Instalações 125.000,00 3.000,00 10.000,00 15.000,00 123.000,00 D C Impostos recuperáveis U N IC ES U M A R 59 O Art. 313 do Decreto nº 9.580/2018, que regulamenta o Imposto de Renda, de- termina que a compra de um bem pelo valor unitário maior que R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais) e com vida útil superior a um ano, deverá ser classificado como bem do ativo não circulante. Em outras palavras, bens com estas características não podem ser lançados como despesas do período. Do ponto de vista da teoria da contabilidade, não parece ser correta a classi- ficação de um bem com um valor relevante, diretamente, em despesa de um pe- ríodo, quando, na verdade, esse bem beneficiaria outros períodos posteriores, em função de sua vida útil. Dessa forma, a prática de imobilizar esses gastos com bens, nessas condições, atende aos preceitos tributários e da teoria da contabilidade. Aquisição por consórcio de bens Uma empresa pode adquirir um bem para seu ativo imobilizado, por meio de consórcio de bens. Conceitualmente, o consórcio pode ser considerado uma modalidade de compra de bens. A empresa, na verdade, adquire uma quota de consórcio, isso lhe dá o direito de participar de um sorteio mensalmente. Caso seja sorteada, a empresa recebe o bem objeto do consórcio. Assim, a empresa poderá adquirir quotas de consórcio para garantir o referido direito. Depois de pagar algumas parcelas, ela recebe o bem efetivamente, caso seja sorteado. Desta forma, devemos considerar: ■ A compra das quotas de consórcio. ■ A aquisição do bem após a contemplação. Na compra das quotas de consórcio, a empresa deve registrar na contabilidade o direito que é adquirido, na medida em que realiza os pagamentos das parcelas. Imagine que uma empresa adquiriu quotas de consórcio de um veículo. O prazo de duração é de 120 meses e o valor da parcela é de R$ 800,00, já inclusos taxas de administração e fundo de reserva. A contabilização dos pagamentos das par- celas deve ser reconhecida em uma conta do realizável em longo prazo, dentro do grupo do ativo não circulante, em função do prazo em que este direito irá se realizar, que é mais de um ano. Assim, o registro contábil dos pagamentos das parcelas ficaria da seguinte forma: U N ID A D E 2 60 Débito – Direitos de consórcio (Ativo) 800,00 Crédito – Banco (Ativo) 800,00 A contabilização na conta Direitos de consórcio representa um direito conquis- tado pela empresa a cada parcela paga. Em contrapartida, a empresa precisa de- sembolsar o valor da parcela, que, no caso, consideramos ser paga com cheque. Considere que a empresa foi contemplada com o veículo depois de ter pago a quinquagésima parcela no mês de dezembro. O bem chegou à empresa com o valor de R$ 96.000,00, sendo que, deste total, R$ 40.000,00 (800,00 x 50) já foi pago e está acumulado na conta de Direitos de Consórcio. O restante do valor de R$ 56.000,00 será pago em mais 70 parcelas, sendo que 12 parcelas vencem no curto prazo e, o restante, no longo prazo. De posse da nota fiscal de aquisição do veículo, a contabilização será feita da seguinte forma: Débito – Veículos (Ativo) 96.000,00 Crédito – Direitos de consórcio (Ativo) 40.000,00 Crédito – Consórcios a pagar – CP (Passivo) 9.600,00 Crédito – Consórcios a pagar – LP (Passivo) 46.400,00 Antes da contemplação, a empresa tinha um direito de consórcio registrado no seu ativo. A contemplação cumpriu esse direito. Restou, no entanto, a obrigação da empresa em continuar pagando as parcelas restantes do consórcio. Dessa forma, a conta do ativo de Direitos de Consórcio foi zerada. Foram criadas, no passivo da empresa, duas contas contábeis chamadas de Consórcios a Pagar, uma em curto e outra em longo prazo, para representarem a referida obrigação. U N IC ES U M A R 61 Aquisição por Arrendamento Mercantil O arrendamento mercantil é uma operação em que o proprietário de um deter- minado bem o aluga (ou arrenda) a um terceiro que usufruirá, economicamente, desse bem e, para tanto, pagará uma espécie de aluguel pelo direito dessa utiliza- ção. O proprietário jurídico do bem é chamado de arrendador e a entidade que empresta o bem é chamada de arrendatário. O arrendamento mercantil é dividido em arrendamento mercantil financeiro e arrendamento mercantil operacional. No arrendamento mercantil financeiro, o arrendador transfere os riscos e os benefícios pelo uso do bem ao arrendatário, podendo também transferir sua propriedade ou não. No arrendamento mercantil operacional, por sua vez, não há essa transferência de riscos e benefícios. O inciso IV do Art. 179 da Lei 6.404/76 determina que devem compor o ativo imobilizado: “ Os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manuten-ção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à compa- nhia os benefícios, riscos e controle desses bens (BRASIL, 1976, on-line). Assim, quando uma empresa adquire um bem por meio de um arrendamento mercantil financeiro, embora, juridicamente, esse bem não seja de propriedade dela, ela deve registrar esse bem como ativo imobilizado. Essa determinação está em consonância com as normas internacionais de contabilidade. Considerando isso, o valor pelo qual o arrendamento mercantil financeiro foi acordado entre as partes é o custo de aquisição do bem mais outros gastos, desde que este valor seja menor do que o valor justo do referido bem, objeto deste arrendamento. Para ilustrar, imagine que uma empresa tenha feito, em janeiro, um contrato de arrendamento financeiro de um veículo com essas características: U N ID A D E 2 62 Bem: Veículo. Prazo do arrendamento: 60 meses. Valor do bem: R$ 120.000,00. Valor dos juros totais do contrato: R$ 30.000,00. Valor total do arrendamento: R$ 150.000,00 (120.000,00 + 30.000,00). Valor da parcela com juros: R$ 2.500,00 (150.000,00/60). Valor da parcela sem juros: R$ 2.000,00 (120.000,00/60). O valor a ser contabilizado como ativo imobilizado é o valor do bem, ou seja, o valor de R$ 120.000,00. Como a dívida é de 60 meses e o contrato é de janeiro, 12 parcelas devem compor o passivo circulante e as 48 restantes, o passivo não circulante. O registro contábil ficaria da seguinte forma: Débito – Veículos (Ativo) 120.000,00 Crédito – Arrendamento mercantil a pagar - CP (Passivo) 24.000,00 Crédito – Arrendamento mercantil a pagar - LP (Passivo) 96.000,00 Este lançamento, porém, não reconhece o montante total da dívida, afinal, ainda existem mais R$ 30.000,00 de juros. Como ovalor dos juros já fixado, deve-se efetuar a seguinte contabilização: Débito – Encargos financeiros a transcorrer - CP (Passivo) 6.000,00 Débito – Encargos financeiros a transcorrer - LP (Passivo) 24.000,00 Crédito – Arrendamento mercantil a pagar - CP (Passivo) 6.000,00 Crédito – Arrendamento mercantil a pagar - LP (Passivo) 24.000,00 Agora sim, a dívida reconhecida nas contas de arrendamento mercantil a pa- gar, somando as de curto e longo prazo, totalizam o valor da dívida, ou seja, R$ 150.000,00. À medida que os pagamentos são feitos, a contabilidade reconhece a diminuição do valor da dívida: U N IC ES U M A R 63 Débito – Arrendamento mercantil a pagar – CP (Passivo) 2.500,00 Crédito – Banco (Ativo) 2.500,00 Ao reconhecer o pagamento, a empresa deve, também, apropriar parte dos juros como despesa. Essa apropriação segregada dos juros atende ao regime de competência. Débito – Despesas financeiras (Resultado) 500,00 Crédito – Encargos financeiros a transcorrer - CP (Passivo) 500,00 A aquisição de um bem, por meio de um financiamento de curto ou de longo prazo, deve resultar nas mesmas práticas de registro contábil vistas com o arren- damento mercantil financeiro. A diferença, neste caso, é que: ■ No arrendamento mercantil financeiro, a nota fiscal de compra está em nome do banco (ou outra entidade) que é, juridicamente, o proprietário do bem. ■ No financiamento comum, a nota fiscal de compra está em nome da em- presa que, efetivamente, adquiriu o bem, e que, além de ter o controle do bem, é, também, juridicamente, a sua proprietária. De qualquer forma, o registro contábil envolve as mesmas contabilizações já apresentadas. Bens Usados Adquiridos para o Ativo Imobilizado Quando uma empresa adquire um bem usado para seu ativo imobilizado, o va- lor do custo de aquisição é o valor da operação de compra. Neste caso, como se trata de um bem que já foi depreciado em tempos anteriores por seu proprietário anterior, a dúvida é: qual a vida útil a ser considerada para este bem para fins de depreciação? Isto está apresentado mais adiante. U N ID A D E 2 64 Segundo o § 2º do Art. 183 da Lei nº 6.404/76, a diminuição do valor dos elemen- tos do ativo imobilizado e intangível deve ser registrada nas contas de: ■ Depreciação, quando se referir aos bens físicos que se desgastam com o uso. ■ Amortização, quando se referir à perda do valor do ativo investido (in- tangível) que possua duração limitada. ■ Exaustão, quando se referir à perda de valor de recursos naturais em função de sua exploração. Segundo a NBC TG 27 (R4) (CFC, 2017, on-line), “o valor depreciável de um ativo deve ser apropriado de forma sistemática ao longo da sua vida útil estimada”. Sendo assim, cabe a cada empresa estimar a vida útil de cada elemento do ativo imobilizado, considerando as características do bem e sua forma de utilização. Imagine um veículo, em uma empresa, ele pode ser utilizado de vez em quando, apenas quando os gestores ou representantes da empresa participam de eventos ou reuniões. Já em outra empresa, um veículo pode ser utilizado, constantemente, para entregar produtos. Sendo assim, a forma de utilização do bem vai impactar a sua vida útil estimada. Contudo, enquanto as normas contábeis determinam a depreciação com base na vida útil, o que varia de empresa para empresa, a Receita Federal define taxas anuais específicas para os itens do ativo imobilizado. 3 MÉTODOS DE DEPRECIAÇÃO U N IC ES U M A R 65 BEM VIDA ÚTIL TAXA ANUAL Móveis e utensílios 10 anos 10% ao ano Computadores e periféricos 5 anos 20% ao ano Tratores 4 anos 25% ao ano Edificações 25 anos 4% ao ano Veículos 5 anos 20% ao ano Instalações 10 anos 10% ao ano Máquinas e equipamentos 10 anos 10% ao ano Tabela 2 - Taxas anuais de depreciação / Fonte: adaptada de Receita Federal (2017, on-line). O Art. 323 do Regulamento do Imposto de Renda (BRASIL, 2018, on-line) permi- te a adoção da depreciação acelerada para bens móveis, quando a empresa traba- lha em mais de um turno de 8 horas. Assim, as taxas serão acrescidas, aplicando-se a elas os coeficientes correspondentes a seguir, de acordo com a quantidade de turnos que a empresa emprega: ■ Dois turnos de 8 horas: 1,5. ■ Três turnos de 8 horas: 2,0. Exemplificando, em uma empresa que trabalha em dois turnos de 8 horas, suas taxas anuais de depreciação serão as seguintes: BEM TAXA ANUAL COEFICIENTE TAXA ANUAL ACELERADA Máquinas e equipamentos 10% 1,5 15% Tratores 25% 1,5 37,50% Tabela 3 - Taxas anuais de bens que trabalham dois turnos de 8 horas / Fonte: os autores. Utilizando as taxas de depreciação acelerada, os bens serão totalmente deprecia- dos antes de suas vidas úteis normais. A vida útil de um bem é determinada em condições de uso normal e, quando este uso ultrapassa a normalidade, como no caso dos turnos duplicados ou triplicados, ocorre o desgaste mais rapidamente e é justo que, na contabilidade, esse desgaste mais rápido seja reconhecido. U N ID A D E 2 66 Terrenos e edifícios, mesmo quando adquiridos de forma conjunta, devem ser contabili- zados, separadamente. Com exceção dos casos em que o terreno tem vida útil limitada, como em pedreiras e aterros, normalmente, os terrenos têm vida útil ilimitada, sendo as- sim, não sofrem depreciação. As obras de arte, como têm valorização, ao longo do tempo, também, não sofrem depreciação. explorando Ideias A vida útil de um bem adquirido já usado, para efeito do cumprimento do Art. 322 do Regulamento do Imposto de Renda (BRASIL, 2018, on-line), deve ser o maior entre: “a metade da vida útil admissível para o bem adquirido novo; ou o restante da vida útil, considerada essa em relação à primeira instalação para utilização do bem”. Considere que uma empresa comprou uma máquina usada. A máquina tem 4 anos de uso e a vida útil de uma máquina nova, da mesma natureza, é de 10 anos. Considerando o que determina o Regulamento, as possibilidades de vida útil da máquina seriam: ■ Metade da vida útil do bem novo: 5 anos (10 anos/2). ■ Restante da vida útil do bem usado adquirido: 6 anos (10 anos – 4 anos). Como a vida útil desse bem deve ser o maior entre as duas opções anteriores, então, a empresa que adquiriu esse bem deverá depreciá-lo por mais 6 anos a uma taxa anual de 16,667% (100%/6 anos) sobre o valor pelo qual foi adquirido. O Regulamento do Imposto de Renda das pessoas jurídicas, em seus Art. de 317 a 329, trata da depreciação dos itens do ativo imobilizado e aborda os mé- todos de depreciação que podem ser utilizados pelas empresas. A NBC TG 27 (R4) (2017) também aborda os métodos de depreciação, por meio do item 62. A literatura contábil também aborda os métodos de depreciação. Os principais métodos utilizados são: ■ Método das quotas constantes. ■ Método da soma dos dígitos. ■ Método de unidades produzidas. ■ Método das horas de trabalho. Vamos conhecer cada um destes métodos de depreciação nos tópicos a seguir. U N IC ES U M A R 67 Método das Quotas Constantes No método das quotas constantes, conhecido também como método de deprecia- ção linear, o valor da depreciação anual ou mensal é, sempre, o mesmo. A premissa é a de que o bem se desgasta de maneira uniforme ao longo de sua vida útil. É o método mais utilizado pelas empresas em função da facilidade de seu cálculo. É, também, o único método aceito pela legislação tributária do imposto de renda. Imagine uma empresa que tenha adquirido uma máquina, para ser utilizada no seu processo de produção, com custo de aquisição total de R$ 160.000,00. Esta máquina será utilizada em apenas um turno de 8 horas. Esta simples operação de investimento resulta em uma série de questões que a contabilidade deve estar preparada para resolver: Qual é sua vida útil? Qual o valor residual? Qual é a taxa anual e mensal de depreciação? Qual é o valor anual e mensal de depreciação? O valor da depreciação é custo ou é despesa? Como contabilizar esta depreciação ao longo da vidaútil do bem? Como visto anteriormente, os investimentos feitos em bens do ativo imobiliza- do são contabilizados em contas do ativo imobilizado. Portanto, o custo de R$ 160.000,00 deve ser registrado em uma conta de ativo imobilizado, que pode ser denominada Máquinas e equipamentos. A vida útil das máquinas, como de- monstrado anteriormente, é de 10 anos. Isso resulta em uma taxa anual de 10% ao ano (100%/10 anos). Como a empresa irá utilizar a máquina em um turno de 8 horas, não há aumento de taxa em função de depreciação acelerada. O valor residual desta máquina, ou seja, o valor que a empresa espera vender a máquina, ao final da sua vida útil, é de R$ 10.000,00. Considerando estas informações, primeiramente, é necessário definir o valor depreciável da máquina: ■ Valor depreciável = Custo - Valor residual. ■ Valor depreciável = 160.000,00 - 10.000,00 = 150.000,00. Em seguida, calcula-se o valor da depreciação anual: U N ID A D E 2 68 ■ Depreciação anual = Valor depreciável x Taxa anual. ■ Depreciação anual = 150.000,00 - 10% = 15.000,00. Para calcular a depreciação mensal, utiliza-se a taxa de 0,833% (10%/12). Assim, o valor da depreciação mensal é calculado da seguinte forma: ■ Depreciação mensal = Valor depreciável x Taxa mensal. ■ Depreciação mensal = 150.000,00 x 0,833% = 1.250,00. Se preferir, ao invés de utilizar a taxa, você pode calcular a depreciação, conside- rando a vida útil do bem e chegará aos mesmos valores: • • A questão sobre se o valor da depreciação, seja anual, seja mensal, deve ser regis- trado como custo ou despesa, tem importância para fins de apuração de resultado e, consequentemente, para elaboração das demonstrações contábeis. Além disso, tem utilidade para fins gerenciais no processo de avaliação de desempenho. Martins (2018) considera custos e despesas como gastos que ocorrem dentro de uma empresa. Porém os custos são gastos com bens ou serviços consumidos no processo de produção de outros bens ou serviços. Despesas são gastos consu- midos nas atividades de administração e vendas de uma empresa. Como estamos utilizando um exemplo em que a máquina adquirida irá ser utilizada no processo de produção de bens ou serviços da empresa, então, o valor anual ou mensal da depreciação deve ser considerado pela contabilidade com custo de produção. A contabilização da depreciação mensal deve ser realizada da seguinte forma: Débito – Produtos em elaboração (Ativo) 1.250,00 Crédito – Depreciação acumulada (Ativo) 1.250,00 A conta a débito é de estoque e serve para registrar desde todos os custos do processo de produção até o produto a ser finalizado. A conta a crédito, como já veDepreciação anual = Valor realizá l Vida útil � � 150 000 10 15. ..000 Depreciação mensal = Depreciação anual meses12 15 000 00 12 � . , ��1 250 00. , U N IC ES U M A R 69 mencionado anteriormente, é uma conta redutora da conta do ativo imobilizado. Caso a máquina fosse adquirida para ser utilizada no setor administrativo (admi- nistração, faturamento, vendas, financeiro etc.), a contabilização da depreciação seria realizada em uma despesa e não como custo de produção: Débito – Despesas administrativas (Resultado) 1.250,00 Crédito – Depreciação acumulada (Ativo) 1.250,00 De qualquer forma, considerando que a empresa tenha, apenas, esta máquina registrada no ativo imobilizado, os saldos das contas ficariam da seguinte forma: ATIVO Ativo Não Circulante Ativo Imobilizado 158.750,00 Bens em operação 160.000,00 (-) Depreciação acumulada (1.250,00) Tabela 4 - Demonstração do Valor do Imobilizado / Fonte: os autores. Dessa forma, considerando um bem no valor de R$ 160.000,00 e uma depre- ciação acumulada de R$ 1.250,00, o valor contábil do imobilizado seria de R$ 158.750,00. Perceba que o valor residual não interfere na apresentação das infor- mações do Ativo Imobilizado. Na verdade, o valor residual não é contabilizado, ele simplesmente interfere no cálculo da depreciação, ao ser deduzido do custo para encontrar o valor depreciável. Esse método de depreciação atende às regras da legislação tributária e, tam- bém, às normas contábeis. A discussão maior que se faz, porém, é quanto às taxas de depreciação derivadas da vida útil, predeterminada pela Receita Federal. Afinal, seria possível realmente determinar, de forma objetiva, que este ou aquele bem irá se desgastar em um determinado período? A resposta é não. Qualquer que seja a forma como se determina essa vida útil, incorre-se em uma arbitrarie- dade, em função da subjetividade desta determinação. O item 56 da NBC TG 27 (R4) (2017, on-line) não determina a vida útil dos bens. Isso cabe à administração da empresa. Os seguintes fatores, contudo, devem ser considerados: U N ID A D E 2 70 “ a. uso esperado do ativo que é avaliado com base na capacidade ou produção física esperadas do ativo;b. desgaste físico normal esperado, que depende de fatores ope- racionais tais como o número de turnos durante os quais o ativo será usado, o programa de reparos e manutenção e o cuidado e a manutenção do ativo enquanto estiver ocioso; c. obsolescência técnica ou comercial proveniente de mudanças ou melhorias na produção, ou de mudança na demanda do mercado para o produto ou serviço derivado do ativo. Reduções futuras espe- radas no preço de venda de item que foi produzido usando um ativo podem indicar expectativa de obsolescência técnica ou comercial do bem, que, por sua vez, pode refletir uma redução dos benefícios econômicos futuros incorporados no ativo; d. limites legais ou semelhantes no uso do ativo, tais como as datas de término dos contratos de arrendamento mercantil relativos ao ativo (CFC, 2017, on-line). Segundo o item 57 da referida norma, a estimativa da vida útil de um bem do ativo imobilizado envolve julgamentos que são baseados na experiência que a entidade possui com ativos semelhantes. Assim, podemos afirmar que: ■ A empresa é quem determina a vida útil dos bens com base nos fatores elencados. ■ A empresa define o melhor método de depreciação que deseja utilizar. ■ A legislação tributária exige que, caso o gasto levado a resultado com depreciação for maior do que aquela que seria apurada, utilizando o método de quotas constantes, ela deve fazer ajustes para atender às exigências tributárias. A vida útil e os métodos de depreciação definidos e utilizados pela empresa devem ser adotados de forma constante pela empresa, sendo exigida, por força da legislação societária, a avaliação anual dos métodos utilizados. A empresa deve informar os critérios e métodos utilizados, principalmente, quando há mudanças na utilização deles. U N IC ES U M A R 71 Método da Soma dos Dígitos Enquanto no método linear (quotas constantes) considera-se que o bem se desgasta de forma uniforme e, assim, o valor da depreciação é constante, no método da soma dos dígitos, também conhecido como método dos saldos decrescentes, pressupõe-se que o bem se desgasta mais no início de sua vida útil do que no final. Assim, o valor da depreciação é maior no início e diminui, ao longo da sua vida útil. Neste método, primeiramente, é necessário calcular a soma dos dígitos, para tanto, define-se a vida útil do bem e, em seguida, somam-se os algarismos dessa vida útil. Supondo um bem com vida útil de 10 anos, a soma dos dígitos seria feita da seguinte forma: Soma dos dígitos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 55 Em seguida, para calcular a depreciação, divide-se a vida útil restante do bem pela soma dos dígitos e multiplica-se pelo valor depreciável do bem: Vida útil restante Soma dos dígitos Valor depreciável Por exemplo, no primeiro ano de depreciação, ainda, é necessário depreciar os 10 anos, então, divide-se 10 por 55; já no segundo ano de uso, restam 9 anos a serem depreciados, então, divide-se 9 por 55 e assim por diante. Para exemplificar, considere os seguintes dados referentes a um bem do ativo imobilizado: Custo de aquisição R$ 120.000,00 Valor residualR$ 8.000,00 Valor depreciável R$ 112.000,00 Vida útil 10 anos Tabela 5 - Dados para cálculo da depreciação pelo método da soma dos dígitos / Fonte: os autores. Como demonstrado anteriormente, a soma dos dígitos para uma vida útil de 10 anos é de 55. Assim, aplicando a fórmula, teríamos os seguintes valores de depreciação a cada ano: U N ID A D E 2 72 ANO CÁLCULO DEPRECIAÇÃO ANUAL (R$) 1º Ano . 10 55 112000,00 20363,64. 2º Ano .9 55 112000,00 . ,18 32727 3º Ano 000,.8 55 112 00 .16290,91 4º Ano 7 55 112000,00. 14254,54. 5º Ano 6 55 112000,00. 12218,18. 6º Ano 5 55 112000,00. 1018182. , 7º Ano 4 55 112000,00. . ,814545 8º Ano .3 55 112000,00 610909. , 9º Ano 000,. 2 55 112 00 4072,73. 10º Ano 1 55 112000,00. 2036,36. TOTAL: 112000,00. Tabela 6 - Depreciação pelo Método da Soma dos Dígitos / Fonte: os autores. U N IC ES U M A R 73 Para se conhecer o valor da depreciação mensal, basta dividir o valor da de- preciação anual por 12 meses. No primeiro ano, este valor seria de R$1.696,67 (20.363,64/12 meses). A contabilização da depreciação mensal seria feita da seguinte forma: Débito – Custos ou Despesa 1.696,67 Crédito – Depreciação acumulada (Ativo) 1.696,67 Lembrando que a conta a ser debitada depende da forma de utilização do bem, se ele for utilizado na área produtiva, a depreciação irá compor o custo de pro- dução. Se o bem, porém, for utilizado na área administrativa, a depreciação será reconhecida como despesa. Método das Unidades Produzidas Neste método, a depreciação é calculada não com base no tempo, mas na capaci- dade produtiva do bem ao longo de sua vida útil, ou seja, baseia-se na estimativa de unidades que podem ser produzidas pelo bem, durante toda sua vida útil. Para exemplificar, imagine uma máquina de corte de tecido que foi adquirida por R$ 30.000,00 e que possui capacidade para cortar 180.000 peças de roupa. Ao longo da sua vida útil, a máquina cortou as seguintes quantidades: ANO QUANTIDADE DE PEÇAS DE ROUPA CORTADAS 1º Ano 40.000 peças 2º Ano 35.000 peças 3º Ano 45.000 peças 4º Ano 35.000 peças 5º Ano 25.000 peças Total 180.000 peças Tabela 7 - Dados para cálculo da depreciação pelo método das unidades produzidas / Fonte: os autores. U N ID A D E 2 74 Para calcular a depreciação, basta dividir o valor depreciável do bem pela sua capacidade produtiva total, em seguida, multiplicar pela quantidade produzida no período. Assim, considerando que o bem não possui valor residual, o cálculo da depreciação em cada período referente à máquina de corte seria: ANO CÁLCULO DEPRECIAÇÃO DO PERÍODO (R$) 1º Ano 30000 180000 40000. . . 666,6. 67 2º Ano 30000 180000 35000. . . 5833,33. 3º Ano 30000 180000 45000. . . 7500,00. 4º Ano 30000 180000 35000. . . 5833,33. 5º Ano 30000 180000 25000. . . 4166,67. Total: 30000,00. Tabela 8 - Depreciação pelo método das unidades produzidas / Fonte: os autores. Para calcular a depreciação mensal, é correto considerar a produção de cada mês e não, simplesmente, dividir a depreciação anual por 12, como nos cálculos anteriores. Assim, supondo que, no primeiro mês de uso da máquina de corte, ela tenha cortado 3.500 peças, a depreciação seria de: MÊS CÁLCULO DEPRECIAÇÃO DO PERÍODO (R$) 1º Mês 30000 180000 3500. . . 58333, Tabela 9 - Depreciação do primeiro mês pelo método das unidades produzidas Fonte: os autores. U N IC ES U M A R 75 A contabilização da depreciação deste primeiro mês seria feita da seguinte forma: Débito – Custos ou Despesa 583,33 Crédito – Depreciação acumulada (Ativo) 583,33 Método das Horas de Trabalho O método das horas de trabalho segue o mesmo raciocínio do método das uni- dades produzidas, mas, agora, ao invés de calcular a depreciação com base na capacidade produtiva em unidades, utilizamos a capacidade de horas de trabalho do bem. Dessa forma, esse método pode ser útil para bens que trabalham em períodos sazonais, já que, quando o bem não está em uso, também não sofre de- preciação. Como exemplo, imagine um equipamento adquirido por R$70.000,00 que possui uma capacidade de 30.000 horas de trabalho. Ao longo da sua vida útil, o equipamento trabalhou as seguintes horas: ANO QUANTIDADE DE HORAS DE TRABALHO 1º Ano 8.500 horas 2º Ano 7.000 horas 3º Ano 7.800 horas 4º Ano 6.700 horas Total 30.000 horas Tabela 10 - Dados para cálculo da depreciação pelo método das horas de trabalho Fonte: os autores. Para calcular, basta dividir o valor depreciável do bem pela sua capacidade total de horas de trabalho, em seguida, multiplicar pelas horas de trabalho do período: U N ID A D E 2 76 ANO CÁLCULO DEPRECIAÇÃO DO PERÍODO (R$) 1º Ano 70000 30000 8500. . . 19833,33. 2º Ano 70000 30000 7000. . . 16333,33. 3º Ano 70000 30000 7800. . . 18200,00. 4º Ano 70000 30000 6700. . . 15633,33. Total 70000,00. Tabela 11 - Depreciação pelo método das horas trabalhadas / Fonte: os autores. No que se refere à depreciação mensal, o correto é considerar as horas de trabalho do mês, e não apenas dividir a depreciação do ano por 12. Considerando que, no primeiro mês, o equipamento tenha trabalhado 900 horas, o cálculo seria: MÊS CÁLCULO DEPRECIAÇÃO DO PERÍODO (R$) 1º Mês 70000 30000 900. . 210000. , Tabela 12 - Depreciação do primeiro mês pelo método das horas trabalhadas / Fonte: os autores. A contabilização da depreciação do primeiro mês seria feita da seguinte forma: Débito – Custos ou Despesa 2.100,00 Crédito – Depreciação acumulada (Ativo) 2.100,00 Nesta aula, conhecemos os principais métodos de depreciação: quotas constantes (linear), soma dos dígitos (saldos decrescentes), quantidade produzida e horas de trabalho. A definição de qual método utilizar deve levar em consideração as características e forma de utilização do bem. O método linear, contudo, é o único aceito pela legislação tributária. U N IC ES U M A R 77 Quando um bem não tem mais utilidade para a empresa, ou seja, não propicia mais ne- nhum benefício para ela, deve ser baixado do ativo imobilizado. Esta baixa pode ocorrer com bens totalmente depreciados ou com algum saldo, ainda, a depreciar. Quando o bem, inutilizado, tiver sido totalmente depreciado, como no exemplo a seguir: ATIVO Ativo Não Circulante Ativo Imobilizado 0,00 Instalações 160.000,00 (-) Depreciação acumulada de instalações (160.000,00) Tabela 13 - Bem totalmente depreciado / Fonte: os autores. A contabilização é feita confrontando a conta contábil do bem com sua respectiva depreciação acumulada: Débito – Depreciação acumulada de instalações (Ativo) 160.000,00 Crédito – Instalações (Ativo) 160.000,00 Este lançamento elimina o saldo do custo de aquisição do bem pelo qual ele foi contabilizado quando da sua aquisição e, também, elimina o saldo da depreciação acumulada, uma vez que, como o bem está totalmente depreciado, este valor é igual 4 ALIENAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO U N ID A D E 2 78 ao valor do custo de aquisição. Quando o bem inutilizado não tiver sido totalmente depreciado, ou quando possuir um valor residual, como no exemplo a seguir: ATIVO Ativo Não Circulante Ativo Imobilizado 0,00 Instalações 160.000,00 (-) Depreciação acumulada de instalações (120.000,00) Tabela 14 - Bem parcialmente depreciado / Fonte: os autores. No momento da contabilização o saldo não depreciado é reconhecido como perda, tendo em vista que a empresa não “consumiu” o bem completamente. Débito – Depreciação acumulada de instalações (Ativo) 120.000,00 Débito – Perdas com baixa de imobilizado (Resultado) 40.000,00 Crédito – Instalações (Ativo) 160.000,00 Nestes dois exemplos, consideramos que a empresa simplesmente deu baixa no bem do seu imobilizado porque não tinha mais utilidade. A baixa de item do ativo imobilizado, contudo, pode ocorrer em função de venda. No caso de baixa pela venda de bens do ativo imobilizado, deve levar em consideração o valor contá- bil do bem que, como já mencionado anteriormente, é o resultantedo custo de aquisição, menos o valor da depreciação acumulada. Esta transação pode resultar em ganhos, quando o valor da venda for maior que o valor contábil, ou em perda, quando o valor da venda for menor que o valor contábil. Quando uma empresa obtém ganhos de capital, deve apurar o imposto de renda e a contribuição social sobre o referido ganho. É considerado um resultado não ope- racional. O Art. 501 do Regulamento do Imposto de Renda tem a seguinte redação: “ Serão classificados como ganhos ou perdas de capital e computados, para fins de determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, na extinção, no des- gaste, na obsolescência ou na exaustão, ou na liquidação de bens do ativo não circulante, classificados como investimentos, imobilizado ou intangível (BRASIL, 2018, on-line). U N IC ES U M A R 79 Assim, é necessário apurar o ganho ou perda de capital e fazer as contabilizações necessá- rias para que este resultado seja inserido nas demonstrações contábeis da empresa. Consi- dere uma empresa que tenha feito a venda de um veículo com as seguintes características: ■ Venda a prazo do veículo: R$ 15.000,00. ■ Custo de aquisição do veículo: R$ 32.000,00. ■ Depreciação acumulada do veículo: R$ 25.000,00. O valor do ganho de capital desta venda é apresentado a seguir: Receita com a venda do imobilizado R$ 15.000,00 (-) Valor contábil do bem (32.000 – 25.000) R$ 7.000,00 (=) Ganho de capital R$ 8.000,00 Tabela 15 - Cálculo do Ganho de Capital / Fonte: os autores. Com estes dados, a contabilização pode ser feita em duas etapas, conforme a seguir: ■ Contabilização da Venda Débito – Duplicatas a receber (Ativo) 15.000,00 Crédito – Receita de venda de imobilizado (Resultado) 15.000,00 ■ Contabilização da Baixa do Bem Débito – Depreciação acumulada de veículos (Ativo) 25.000,00 Débito – Custo de venda de imobilizado (Resultado) 7.000,00 Crédito – Veículos (Ativo) 32.000,00 As contas contábeis de Receita com Venda de Imobilizado e Custo com Venda de Imobilizado fazem parte do grupo de contas de Ganho de Capital. Essa conta pode estar dentro do grupo de contas de Resultado das Operações Descontinua- das. O ordenamento das contas pode ser demonstrado da seguinte forma: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Operações Descontinuadas Ganhos/Perdas de Capital 8.000,00 U N ID A D E 2 80 Para compreender melhor o processo de contabilização da venda de imobi- lizado, assista ao vídeo explicativo. conecte-se DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Receita de venda de imobilizado 15.000,00 (-) Custo de venda de imobilizado (7.000,00) Tabela 16 - Ganho de Capital na Demonstração de Resultado / Fonte: os autores. Os tributos sobre o ganho de capital devem ser calculados por operação e, caso tenha havido ganho, deve ser contabilizado de forma a reduzir o valor do ganho. Supondo que sobre este ganho de R$ 8.000,00 tenha incidido um tributo de Imposto de Renda mais Contribuição Social no valor de R$ 1.200,00, a contabi- lização dos tributos pode ser feita da seguinte forma: Débito – Tributos sobre ganho de capital (Resultado) 1.200,00 Crédito – Tributos a recolher (Passivo) 1.200,00 Neste caso, o ordenamento das contas pode ser demonstrado da seguinte forma, pela contabilidade: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Operações Descontinuadas Ganhos/Perdas de Capital 6.800,00 Receita de venda de imobilizado 15.000,00 (-) Custo de venda de imobilizado (7.000,00) (-) Tributos sobre ganho de capital (1.200,00) Tabela 17 - Demonstração do Resultado das Operações Descontinuadas / Fonte: os autores. Caso a venda de item do ativo imobilizado resulte em perda, a contabilização da venda e baixa do bem serão as mesmas, contudo, não haverá necessidade de contabilização dos tributos. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3357 U N IC ES U M A R 81 CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a)! Nesta unidade, buscamos discorrer, de forma clara e sim- ples, sobre os conceitos de ativo imobilizado. Isto porque os investimentos que as empresas fazem em bens do ativo imobilizado, em muitos casos, formam um montante relevante em relação ao seu ativo total e, por isso, é muito importante compreender os aspectos que envolvem esse tipo de elemento patrimonial. Desta forma, abordamos, nesta unidade, o cálculo do custo de aquisição de tais inves- timentos, a sua manutenção na contabilidade da empresa, os vários métodos de depreciação de tais bens e os resultados apurados quando os mesmos são baixa- dos por inutilização ou por venda. O método de depreciação definido e aceito pela legislação tributária determi- na taxas de depreciação aceitas para a finalidade de apuração do lucro tributável. A norma contábil, porém, permite, para fins do atendimento à legislação socie- tária, a utilização de taxas baseadas na realidade e experiência de cada empresa. Assim, o contador deve atender tanto às necessidades da legislação tributária quanto à legislação societária que visa ao atendimento das necessidades dos usuá- rios externos. É responsabilidade técnica do profissional contador compreender todas as características que envolvem o ativo imobilizado de forma que a contabilidade da empresa possa cumprir com suas funções de auxílio ao controle patrimonial e à geração de informações acerca do mesmo para tomada de decisões, inclusive de reinvestimentos. Esperamos que, com os estudos desta unidade, você tenha a possibilidade de apreender as técnicas e práticas, aqui, apresentadas. Ocorrendo isto, certamente, estará preparado(a) para avançar em assuntos mais complexos sobre o mesmo tema e, evidentemente, estará mais bem preparado(a) para alcançar um nível profissional mais adequado às exigências que o mercado faz da profissão contábil. 82 na prática 1. A empresa Mais Produção Ltda. adquiriu um equipamento à vista no valor de R$ 52.000,00. Como o equipamento será utilizado no setor de fabricação da empresa, a legislação tributária estadual permite a recuperação de 12% de ICMS sobre o valor deste bem. Para receber o equipamento, a empresa também pagou à vista o valor de R$ 2.000,00 referentes ao transporte. Com base nestes dados, apure o custo de aquisição desta compra e faça as contabilizações necessárias. 2. A empresa Investir Ltda. adquiriu quotas de consórcio de um veículo. O prazo de duração é de 60 meses e o valor da parcela é de R$ 1.500,00, já inclusos taxas de administração e fundo de reserva. A empresa foi contemplada com o veículo, depois de ter pago a trigésima parcela no mês de dezembro. O bem chegou à empresa com o valor de R$ 90.000,00, sendo que, deste total, R$ 45.000,00 (1.500,00 x 30) já haviam sido pagos. O restante do valor será pago em mais 30 parcelas, sendo 12 parcelas com vencimento no curto prazo, e o restante, no longo prazo. Considerando estas informações, demonstre a contabilização do pagamento da primeira parcela do consórcio e da contemplação do veículo. 3. A empresa Renovar Ltda. adquiriu um bem para seu ativo imobilizado no valor de R$ 500.000,00, com vida útil estimada de 5 anos. Ao final da vida útil do bem, a empresa espera vendê-lo por R$ 20.000,00. Utilizando o método da soma dos dígitos, calcule a depreciação dos 4 anos de vida útil do bem. Em seguida, calcule a depreciação do primeiro mês e realize a contabilização, considerando que o bem é utilizado pelo setor produtivo. 83 na prática 4. Considere que uma empresa tenha comprado uma máquina usada. Segundo o antigo dono, a máquina já havia sido utilizada por 6 anos. A vida útil de uma má- quina nova, contudo, da mesma natureza, é de 10 anos. Quanto tempo de vida útil a empresa deve considerar para efetuar o cálculo de depreciação dessa máquina? Assinale a alternativa correta. a) 3 anos. b) 4 anos. c) 5 anos. d) 6 anos. e) 10 anos. 5. Ao longo desta unidade, estudamos vários termos relacionados à contabilização de ativos imobilizados, como valor contábil, valor residual, custo de aquisição,valor depreciável, depreciação, entre outros. O correto emprego destes termos faz toda a diferença na geração das informações contábeis. Desta forma, como se chega ao valor contábil de um bem do ativo imobilizado? a) Valor pago menos tributos recuperáveis. b) Valor pago menos o valor residual do bem. c) Valor do custo de aquisição menos o valor residual do bem. d) Valor do custo de aquisição menos o valor da depreciação do mês. e) Valor do custo de aquisição menos o valor da depreciação acumulada. 84 aprimore-se A NBC TG 27 (R4) – Ativo Imobilizado traz a seguinte redação sobre o reconhecimen- to contábil dos elementos deste grupo: RECONHECIMENTO 7. O custo de um item de ativo imobilizado deve ser reconhecido como ativo se, e apenas se: a. for provável que futuros benefícios econômicos associados ao item fluirão para a entidade; e b. o custo do item puder ser mensurado confiavelmente. 8. Sobressalentes, peças de reposição, ferramentas e equipamentos de uso interno são classificados como ativo imobilizado quando a entidade espera usá-los por mais de um período. Da mesma forma, se puderem ser utilizados somente em conexão com itens do ativo imobilizado, também são contabilizados como ativo imobilizado. 9. Esta Norma não prescreve a unidade de medida para o reconhecimento, ou seja, aquilo que constitui um item do ativo imobilizado. Assim, é necessário exercer julga- mento ao aplicar os critérios de reconhecimento às circunstâncias específicas da en- tidade. Pode ser apropriado agregar itens individualmente insignificantes, tais como moldes, ferramentas e bases, e aplicar os critérios ao valor do conjunto. 10. A entidade deve avaliar, segundo esse princípio de reconhecimento, todos os seus custos com ativos imobilizados no momento em que eles são incorridos. Esses custos incluem custos incorridos inicialmente para adquirir ou construir item do ati- vo imobilizado e os custos incorridos posteriormente para renová-lo, substituir suas partes, ou dar manutenção a ele. O custo de item de imobilizado pode incluir custos incorridos, relativos aos contratos de arrendamento de ativo, que são usados para construir, adicionar a, substituir parte ou serviço a item do imobilizado, tais como a depreciação de ativo de direito de uso. Fonte: CFC (2017, on-line). 85 eu recomendo! Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades Autores: Ernesto Rubens Gelbcke, Ariovaldo dos Santos, Sérgio de Iudícibus e Eliseu Martins Editora: Atlas Sinopse: tudo o que você precisa saber sobre contabilidade so- cietária. Atualizado com os novos pronunciamentos, este manual manteve a essência e continua sendo a melhor referência e fonte segura de con- sulta para contadores, técnicos e estudantes de Contabilidade. Desenvolvido pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI) e pela Editora Atlas, o Manual de Contabilidade Societária — Aplicável a Todas as So- ciedades está ainda melhor. Além de apresentar projeto gráfico inovador, está to- talmente de acordo com os pronunciamentos, as interpretações e as orientações do CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis) e com as normas internacionais de Contabilidade emitidas pelo IASB (International Accounting Standards Board), incluindo o CPC 47 — Receita de Contrato com Cliente (IFRS 15) e o CPC 48 — Ins- trumentos Financeiros (IFRS 9). livro anotações 3 OPERAÇÕES FINANCEIRAS E ANTECIPAÇÕES PROFESSORES Me. Adriana Casavechia Fragalli Me. Claudinei de Lima Nascimento PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Aplicações financeiras • Emprés- timos e financiamentos • Desconto de duplicatas • Adiantamentos • Despesas antecipadas. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Conhecer como são registradas as aplicações financeiras • Contabilizar empréstimos e financiamentos • Reconhecer contabilmente o desconto de duplicatas • Conhecer os registros contábeis relacionados aos adiantamentos • Contabilizar as despesas antecipadas. INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), nesta unidade, discutiremos alguns tipos de fatos contá- beis que, mesmo não sendo tão recorrentes para algumas empresas, quando ocorrem, exigem registros contábeis condizentes com a sua natureza, sob pena de distorcer o controle das contas contábeis e, por consequência, as informações da contabilidade. Inicialmente, trataremos, então, das operações financeiras. Estas se re- lacionam, basicamente, aos processos de aplicação ou obtenção de recursos financeiros. Quando uma empresa possui dinheiro suficiente para manter suas atividades e, ainda, apresenta uma sobra, não é interessante que essa sobra fique parada no Caixa ou na conta corrente bancária. Assim, a em- presa realiza aplicação financeira no intuito de fazer seu dinheiro render mais. Nesse sentido, estudaremos como registrar a aplicação financeira, seus rendimentos e seu resgate. Por outro lado, quando uma empresa precisa de dinheiro, é comum buscar recursos junto a instituições financeiras, na forma de empréstimos, financiamentos ou desconto de duplicatas. De qualquer forma, o controle destas obrigações, assim como o reconhecimento dos juros ou encargos envolvidos, demanda registros contábeis específicos. Além das operações financeiras, estudaremos as antecipações que podem ocorrer, por meio de adiantamentos ou em função de despesas antecipadas. Os adiantamentos podem gerar direitos ou obrigações para a empresa. Sendo assim, é necessário observar se a empresa é que concede ou que recebe o adiantamento. A contabilização correta e o controle dos saldos destas contas contábeis são condições básicas para a boa prática contábil. Da mesma forma, as despesas antecipadas precisam ser entendidas e con- troladas de forma a não distorcerem os resultados contábeis do período, considerando o regime de competência. Também têm importância sua contabilização correta e o controle dos seus saldos para manter a qualidade das informações contábeis. Bons estudos! U N IC ES U M A R 89 1 APLICAÇÕES FINANCEIRAS As aplicações financeiras realizadas derivam das disponibilidades que uma em- presa possui, de acordo com a administração do seu capital de giro. Evidente- mente, uma empresa comercial, por exemplo, tem a preferência de investir seu dinheiro em mercadorias, pois, em tese, trazem-lhe maior rendimento. Entretan- to, quando é possível ou necessário, podem aplicar dinheiro nas modalidades de investimentos. Quanto à sua natureza, podem ser classificadas em aplicações de renda fixa ou variável. Quanto ao tempo de realização, elas podem ser classifi- cadas em aplicações de curto e de longo prazo. As aplicações financeiras podem ser, assim, observadas no Balanço Patrimonial: ATIVO Ativo Circulante Disponibilidades Aplicação Financeira de Liquidez Imediata Aplicação Financeira Aplicação Financeira 1 2 U N ID A D E 3 90 Não se deve confundir as contas de aplicação financeira com o grupo Investimento do Ativo Não Circulante. Esse grupo se refere a investimentos dos quais a empresa não tem prazo para se desfazer, por exemplo, a participação em outras empresas. explorando Ideias ATIVO Ativo não Circulante Realizável em Longo Prazo Aplicação Financeira Quadro 1 - Aplicações financeiras no Balanço Patrimonial / Fonte: os autores. Como se observa, podemos visualizar três formas de aplicações financeiras no Balanço Patrimonial: 1. Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata: este tipo de aplicação permite que o investidor resgate o dinheiro aplicado, em qualquer mo- mento, por isso, fica no grupo das disponibilidades, em que se encontram também as contas Caixa e Banco. 2. Aplicações financeiras de curto prazo: diferentemente das aplicações de liquidez imediata, essas possuem prazo determinado para resgate, que, no caso, vence no curto prazo. 3. Aplicações financeiras de longo prazo: esta também possui prazo pararesgate, mas este vencimento acontece no longo prazo. Para explicar o processo contábil, consideraremos a aplicação financeira de liquidez imediata. Contudo os exemplos apresentados servem de base para a contabilização das outras formas de aplicação financeira. As aplicações de liquidez imediata po- dem ser feitas e resgatadas, em qualquer momento, pela empresa. Tendo o montante em sua conta corrente bancária, a empresa pode, então, efetuar a aplicação. Esta decisão faz com que o saldo bancário seja reduzido e o saldo de aplicação, aumen- tado. Considerando uma aplicação financeira de liquidez imediata, no valor de R$ 15.000,00, o lançamento contábil pode ser feito da seguinte maneira: 3 U N IC ES U M A R 91 Débito – Aplicação Financeira de Liquidez Imediata (Ativo) 15.000,00 Crédito – Banco (Ativo) 15.000,00 Conforme determina o regime de competência, os rendimentos das aplica- ções financeiras devem ser reconhecidos no período em que ocorrem, ou seja, não é necessário esperar o momento do resgate para reconhecer o ganho. Contabilmente, os rendimentos provocam aumento no saldo da conta de apli- cações. Em contrapartida, registra-se o reconhecimento da receita financeira decorrente do rendimento. Supondo um rendimento no valor de R$ 200,00, a contabilização pelo valor bruto, sem retenção do imposto de renda retido, pode ser feita da seguinte maneira: Débito – Aplicação Financeira de Liquidez Imediata (Ativo) 200,00 Crédito – Receitas Financeiras (Resultado) 200,00 A receita com aplicação financeira obtida pela empresa implica o pagamento do tributo do imposto de renda, retido na fonte. No caso das aplicações feitas em renda fixa, classificadas como de longo prazo, a Receita Federal, em seu Art. 6º da Instrução Normativa RFB nº 1585, define as seguintes alíquotas: “ I - 22,5% (vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento), em apli-cações com prazo de até 180 (cento e oitenta) dias;II - 20% (vinte por cento), em aplicações com prazo de 181 (cento e oitenta e um) dias até 360 (trezentos e sessenta) dias; III - 17,5% (dezessete inteiros e cinco décimos por cento), em apli- cações com prazo de 361 (trezentos e sessenta e um) dias até 720 (setecentos e vinte) dias; IV - 15% (quinze por cento), em aplicações com prazo acima de 720 (setecentos e vinte) dias (BRASIL, 2015, on-line). Para as aplicações feitas em renda fixa, porém, classificadas como de curto prazo, o Art. 8º da referida norma define as seguintes alíquotas: U N ID A D E 3 92 “ I - 22,5% (vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento), em apli-cações com prazo de até 180 (cento e oitenta) dias;II - 20% (vinte por cento), em aplicações com prazo acima de 180 (cento e oitenta) dias (BRASIL, 2015, on-line). Segundo a norma da Receita Federal, as aplicações financeiras estão sujeitas à incidência do imposto retido na fonte, conforme as alíquotas apresentadas, por ocasião do resgate. Isso significa que, no momento do resgate, é descontado do valor a ser recebido o montante referente ao imposto retido na fonte. Contudo as normas contábeis determinam o reconhecimento da receita pelo regime de competência. Sendo assim, deve ser feito, também, o reconhecimento do imposto de renda retido incidente sobre a receita (rendimento do período), embora ele só seja, realmente, pago, no momento do resgate da aplicação. Considerando o nosso exemplo, na aplicação financeira de liquidez ime- diata, existe a incidência de R$ 45,00 (R$ 200,00 x 22,5%) referente a imposto de renda retido na fonte. Sendo assim, o lançamento contábil desta retenção deve ser feito da seguinte forma: Débito – Impostos sobre aplicação financeira (Resultado) 45,00 Crédito – Aplicação financeira de liquidez imediata (Ativo) 45,00 Supondo que, após estes fatos, a empresa tenha decidido efetuar o resgate da aplicação financeira, sendo o valor depositado, na conta corrente da empresa, o lançamento a ser realizado deve ser o seguinte: Débito – Banco (Ativo) 15.155,00 Crédito – Aplicação financeira de liquidez imediata (Ativo) 15.155,00 Como o imposto de renda retido na fonte já havia sido contabilizado, no mo- mento do resgate, basta reconhecer o aumento na conta corrente bancária e a diminuição do valor da conta aplicação financeira de liquidez imediata. O re- conhecimento deste imposto como despesa se dá em função de que, no caso mencionado, não poderá ser compensado no ajuste anual, porque reduz o valor do rendimento obtido pela empresa. Da mesma forma que a receita com rendi- mento não é inclusa na base de cálculo do imposto devido da pessoa jurídica, essa despesa também deve ser adicionada para se chegar ao lucro tributável. U N IC ES U M A R 93 2 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS De acordo com Gelbcke et al. (2018, p. 327), “as operações de empréstimos e financiamentos estão atreladas às necessidades de caixa das empresas para a ma- nutenção ou expansão de suas atividades”. Sendo assim, os empréstimos e finan- ciamentos são operações que permitem à empresa administrar seu capital de giro bem como ampliar ou modernizar suas atividades. Para exemplificar o processo de contabilização, utilizaremos o empréstimo bancário. A contabilização de um financiamento, contudo, segue, basicamente, as mesmas etapas. Quando uma empresa realiza um empréstimo, ela o faz por meio de tran- sação bancária. O valor do empréstimo aumenta o saldo bancário da empresa, que passa a ter a obrigação de pagar o empréstimo. Quando todas as parcelas do empréstimo vencerem no curto prazo, o valor total da dívida é reconhecido no Passivo Circulante. Por outro lado, se o empréstimo for de longo prazo, deve-se reconhecer as parcelas que vencerão no curto prazo, no Passivo Circulante, e as parcelas que vencerão no longo prazo, no Passivo Não Circulante. Um emprésti- mo de curto prazo pode ser contabilizado da seguinte maneira: Débito – Banco (Ativo Circulante) Crédito – Empréstimos a pagar (Passivo Circulante) U N ID A D E 3 94 Um fator importante na contabilização dos empréstimos e dos financiamentos são os juros envolvidos na transação. Caso o valor dos juros seja conhecido, no momento da contratação do empréstimo, este deve ser contabilizado no Passivo, de forma a evidenciar o montante total da dívida. Assim, a contabilização dos juros aumenta o valor da dívida e se conhecem os juros a serem apropriados em conta redutora do Passivo: Débito – Encargos financeiros a transcorrer (Passivo Circulante) Crédito – Empréstimos a pagar (Passivo Circulante) Conforme ocorre o pagamento das parcelas, os juros são apropriados, sistemati- camente, para uma conta de despesa, seguindo, assim, o regime de competência. O pagamento de uma parcela pode ser contabilizado conforme segue: Débito – Juros sobre empréstimos bancários (Resultado) Crédito – Encargos financeiros a transcorrer (Passivo Circulante) Se o valor dos juros, porém, variar em função de taxa ou câmbio de moeda, como no caso de empréstimo em dólar, deve-se aguardar o pagamento da parcela para reconhecer os juros, diretamente, em conta de despesa. Para exemplificar todo o processo contábil, considere uma empresa que tenha feito, em dezembro, um empréstimo de R$ 540.000,00 para ser pago em 36 parcelas, a partir do mês de janeiro. Sobre o valor contratado, o banco cobrará R$ 45.000,00 de juros, assim, o total da dívida é de R$ 585.000,00. O valor de cada parcela é de R$ 16.250,00 (R$ 585.000,00/36), sendo que R$ 15.000,00 (R$ 540.000,00/36) refere-se à amorti- zação do empréstimo e R$ 1.250,00 (R$ 45.000,00/36) à amortização dos juros. A parcela será fixa até o final do empréstimo. ■ Contabilização do empréstimo: registra-se o aumento na conta banco e, em contrapartida, a dívida assumida, sendo que 12 parcelas (R$ 15.000,00 x 12 = 180.000,00) são reconhecidas no Passivo Circulante e as outras 24 parcelas (R$ 15.000,00 x 24 = 360.000,00), no Passivo Não Circulante: Débito – Banco (Ativo Circulante) 540.000,00 Crédito – Empréstimos a pagar (PassivoCirculante) 180.000,00 Crédito – Empréstimos a pagar (Passivo Não Circulante) 360.000,00 U N IC ES U M A R 95 ■ Contabilização dos juros: registra-se o aumento da dívida em função dos juros e, em contrapartida, os juros a serem apropriados. Isso consi- derando as parcelas de curto (R$ 1.250,00 x 12 = 15.000,00) e as parcelas de longo prazo (R$ 1.250,00 x 24 = 30.000,00): Débito – Encargos financeiros a transcorrer (Passivo Circulante) 15.000,00 Débito – Encargos financeiros a transcorrer (Passivo Não Circulante) 30.000,00 Crédito – Empréstimos a pagar (Passivo Circulante) 15.000,00 Crédito – Empréstimos a pagar (Passivo Não Circulante) 30.000,00 ■ Pagamento das parcelas: registra-se a diminuição da conta Banco e, em contrapartida, a diminuição da obrigação: Débito – Empréstimos a pagar (Passivo Circulante) 16.250,00 Crédito – Banco (Ativo Circulante) 16.250,00 ■ Apropriação dos juros: registra-se a despesa financeira referente aos juros e, em contrapartida, apropria-se uma parcela dos juros a apropriar: Débito – Juros sobre empréstimos bancários (Resultado) 1.250,00 Crédito – Encargos financeiros a transcorrer (Passivo Circulante) 1.250,00 A baixa do empréstimo, sempre, é feita na conta do Passivo Circulante. No final do ano, 12 parcelas terão sido pagas pela empresa; o saldo da conta contábil Em- préstimos a Pagar do Passivo Circulante estará zerado e o saldo da conta contábil Empréstimos a Pagar do Passivo não Circulante será de R$ 360.000,00. A contabilidade deve, no fim do ano, transferir os valores que serão pagos, nos próximos 12 meses, da conta do Passivo Não Circulante para a conta do Passivo Circulante. A contabilização desta transferência deve ser feita da seguinte forma: Débito – Empréstimos a pagar (Passivo Não Circulante) 180.000,00 Crédito – Empréstimos a pagar (Passivo Circulante) 180.000,00 U N ID A D E 3 96 Assista ao vídeo explicativo para compreender melhor a contabilização de um empréstimo bancário. conecte-se Conforme demonstrado, a contabilização dos empréstimos, assim como dos fi- nanciamentos, registra o montante total da dívida que vence no curto e no longo prazo. Para auxiliar a compreensão dos usuários, é importante evidenciar, em notas explicativas, a quantidade de parcelas, o prazo previsto para o encerramento, a taxa de juros aplicada, entre outras informações importantes relacionadas à transação. 3 DESCONTO DE DUPLICATAS Além dos empréstimos e financiamentos, outra forma de adquirir recursos é por meio de desconto de duplicata. Quando a empresa vende mercadorias a prazo, ela tem direito de receber do cliente, este direito gera uma duplicata, no caso, duplicatas a receber. Caso a empresa necessite de dinheiro, mas não queria realizar um em- préstimo ou um financiamento, ela pode antecipar o recebimento de uma duplicata, decorrente de uma venda a prazo, junto a uma instituição financeira. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3358 U N IC ES U M A R 97 “ Nas operações de desconto de duplicatas, notas promissórias ou ou-tros títulos, a empresa procura uma instituição financeira para an-tecipar o recebimento desses títulos. Como contrapartida, o banco cobra uma taxa e a empresa recebe um valor menor pelo título. Di- ferentemente da operação de risco sacado, no caso de descontos de duplicatas, caso o cliente não cumpra a obrigação, a empresa deverá pagar ao banco o valor da duplicata (GELBCKE et al., 2018, p. 340). Dessa forma, devemos considerar o desconto de duplicatas como se fosse um empréstimo, o qual a empresa entrega a duplicata à instituição financeira como garantia. Assim, ao descontar uma duplicata, a empresa assume um compro- misso com o banco, tendo em vista que, caso o cliente não pague a duplicata no vencimento, a própria empresa deverá efetuar o pagamento. Para exemplificar, imagine que uma empresa tenha uma duplicata a receber no valor de R$ 8.000,00. Contudo, como está precisando de dinheiro, decide descontá-la no banco dois meses antes do seu vencimento. Para tanto, o banco reteve o montante de R$ 640,00 referentes à taxa de despesa bancária e de juros, depositando o montante de R$ 7.360,00 na conta corrente da empresa. Este fato gera o seguinte lançamento contábil: Débito – Banco (Ativo) 7.360,00 Crédito – Encargos financeiros a transcorrer (Passivo) 640,00 Crédito – Duplicatas descontadas (Passivo) 8.000,00 O valor reconhecido no banco se refere ao montante líquido depositado na conta corrente da empresa. Como o desconto da duplicata foi feito dois meses antes do seu vencimento, é necessário apropriar os encargos financeiros pelo regime de competência, ou seja, ao longo dos dois meses. Por fim, o valor da duplicata descontada é reconhecido no passivo, tendo em vista o compromisso que a em- presa assumiu com o banco, já que, se o cliente não pagar, ela terá que honrar o compromisso. Desse modo, após 30 dias, a empresa deverá apropriar parte dos encargos financeiros. O lançamento contábil é feito conforme a seguir: Débito – Despesas financeiras (Resultado) 320,00 Crédito – Encargos financeiros a transcorrer (Passivo) 320,00 U N ID A D E 3 98 Este lançamento deverá ser repetido, após mais 30 dias, ou seja, ao término do prazo de dois meses. Quando chegar o vencimento da duplicata, se o cliente efe- tuar o pagamento, o banco informa o recebimento para a empresa, que deverá efetuar o seguinte lançamento contábil: Débito – Duplicatas descontadas (Passivo) 8.000,00 Crédito – Duplicatas a receber (Ativo) 8.000,00 Perceba que, somente quando o cliente efetivamente pagar, a empresa registrará a baixa na conta duplicatas a receber. E, no caso do desconto de duplicatas, a contrapartida é, justamente, o compromisso assumido com o banco. No entanto, caso o cliente não efetue o pagamento da duplicata até seu vencimento, a empresa é que deverá quitar a dívida com o banco. Nesse caso, o lançamento contábil seria conforme a seguir: Débito – Duplicatas descontadas (Passivo) 8.000,00 Crédito – Banco (Ativo) 8.000,00 Então, como você pôde compreender, nesta aula, o desconto de duplicatas é uma importante opção para as empresas que necessitam de capital, mas não querem efetuar um empréstimo ou um financiamento. Contudo é preciso tomar cuidado, afinal, a empresa fica na dependência de o cliente honrar seu compromisso. U N IC ES U M A R 99 4 ADIANTAMENTOS Os adiantamentos podem ser registrados como Ativo ou como Passivo, depen- dendo do fato ocorrido. Assim, é necessário observar se o adiantamento gerou um direito ou uma obrigação para a empresa. Os adiantamentos mais comuns que ocorrem nas atividades empresariais são: ■ Adiantamento de clientes. ■ Adiantamento a fornecedores. ■ Adiantamento de viagens. ■ Adiantamento a empregados. ■ Adiantamento de férias. ■ Adiantamento de décimo terceiro. ■ Adiantamento a diretores. Compreenderemos, a seguir, cada um desses fatos e como eles devem ser contabilizados. U N ID A D E 3 100 Adiantamento de Clientes Os clientes podem optar por realizar um adiantamento com a intenção de garan- tir a compra, ou até mesmo para aproveitar preços promocionais, sendo a venda efetivada futuramente no momento da emissão da nota fiscal. Quando a empresa recebe um adiantamento de um cliente, ela, na verdade, passa a ter uma obrigação com ele. Esta obrigação consiste em realizar efetiva- mente a venda, transferindo o produto, a mercadoria ou o serviço para seu cliente em um momento futuro. Caso essa venda não se realize, por qualquer motivo, a empresa tem a obrigação de devolver o dinheiro ao cliente. Portanto, o registro contábil de adiantamento de clientes deve ser feito numa conta do passivo em contrapartida a uma conta de caixa ou de banco, depen- dendo como se deu a entrada do recurso. O lançamento contábil ficaria assim: Débito – Caixa ou Banco (Ativo) Crédito – Adiantamento de clientes (Passivo) Quando a venda for concretizada, com a emissão da nota fiscal de venda, aí então seráreconhecida a receita de venda. Em contrapartida será dado baixa no com- promisso assumido com o cliente, efetuando o seguinte lançamento: Débito – Adiantamento de clientes (Passivo) Crédito – Receita de vendas (Receita) Ao reconhecer a receita de venda, também deve-se efetuar a contabilização da baixa do estoque e dos impostos sobre vendas, conforme demonstrado anteriormente. Adiantamento a Fornecedores As empresas podem fazer adiantamentos de pagamentos a seus fornecedores de estoques, antes que estes sejam recebidos. Isso pode ocorrer quando um forne- cedor exigir alguma entrada para liberar a entrega do estoque, em uma situação promocional, ou, ainda, em situações em que o contrato de fornecimento de es- toques exigir tal adiantamento. Significa, portanto, que o pagamento ocorre antes mesmo de o estoque chegar à empresa. Por este motivo, não é possível contabilizar U N IC ES U M A R 101 o valor do adiantamento em estoque, já que ele, ainda, não existe. Sendo assim, o adiantamento a fornecedores gera um direito para a empresa, no caso, o direito de receber a mercadoria ou o produto futuramente. Dessa maneira, a empresa deve registrar o direito em uma conta do Ativo, dentro do grupo de estoque, evidenciando o valor a ser recebido em mercado- rias. Em contrapartida, é dado baixa na conta de caixa ou de banco, dependendo da maneira como o recurso foi entregue ao fornecedor. O lançamento contábil, assim, ficaria da seguinte forma: Débito – Adiantamento a fornecedores (Ativo) Crédito – Caixa ou Banco (Ativo) Quando o fornecedor emitir a nota fiscal de venda, concretizando a compra na qual a empresa efetuou o adiantamento, a empresa deverá registrar a entrada das mer- cadorias no estoque. Em contrapartida, dará baixa no direito adquirido em função do valor adiantado. O lançamento contábil, portanto, ficaria da seguinte forma: Débito – Mercadorias (Ativo) Crédito – Adiantamento a fornecedores (Ativo) Adiantamento de Viagens O adiantamento de viagens ocorre, normalmente, quando funcionários da em- presa realizam viagens a trabalho, e a responsabilidade deste gasto é da empresa. O empregado recebe dinheiro do caixa da empresa para pagar os gastos e, na volta da viagem, faz o acerto de contas. O adiantamento, desse modo, deve ser reconhecido pela contabilidade no momento da saída de dinheiro do caixa da empresa. Nesse momento, os gastos ainda não se realizaram, mas, como já houve a saída do dinheiro, é necessário (e obrigatório) que a contabilidade registre. As principais despesas relativas a essas viagens dizem respeito a: ■ Gastos com combustíveis. ■ Gastos com hotéis. ■ Gastos com refeições. ■ Gastos com passagens. ■ Gastos com pedágios e estacionamento. U N ID A D E 3 102 Como mencionado, os gastos relacionados à viagem caracterizam despesas para a empresa. Contudo, no momento do adiantamento, não há como saber o valor que será gasto com cada tipo de despesa. Na verdade, o dinheiro da empresa está de posse do empregado. Este, ao retornar de viagem, deverá prestar contas desse dinheiro, apresentando documentos que comprovem os gastos realizados, ou devolvê-lo para o caixa da empresa. Assim, no momento da entrega do dinheiro ao funcionário, a empresa entrega um ativo, o dinheiro, e adquire outro ativo, que é o direito de cobrar do empregado a prestação de contas. O registro contábil de um adiantamento de viagens pode ser feito da seguinte forma: Débito – Adiantamento de viagens (Ativo) Crédito – Caixa ou Banco (Ativo) A conta contábil Adiantamento de Viagens pode estar dentro do grupo Outros Créditos e representar o direito que a empresa tem de cobrar do empregado a prestação de contas. A conta Caixa deve ser usada se o adiantamento for feito em dinheiro. Se for com cheque ou débito bancário, transferindo dinheiro para o empregado, a conta em crédito deve ser a de Bancos. No momento da prestação de contas, o empregado deverá apresentar docu- mentos que comprovem os pagamentos feitos. A contabilidade deverá registrar a baixa da conta de adiantamento e usar como contrapartida às despesas especí- ficas, relativas à sua natureza. O lançamento ficaria da seguinte forma: Débito – Despesas operacionais (Resultado) Crédito – Adiantamento de viagens (Ativo) Imagine que uma empresa tenha feito um adiantamento, em dinheiro, a um de seus gerentes, no valor de R$ 500,00, para que ele pudesse realizar uma viagem de visita a clientes, em uma região distante. No seu retorno, o gerente apresentou documentos, comprovando os seguintes gastos: ■ Pedágios: R$ 20,00. ■ Diária de hotel: R$ 150,00. ■ Refeições: R$ 50,00. ■ Combustível: R$ 80,00. U N IC ES U M A R 103 A seguir, apresentamos as contabilizações relacionadas ao exemplo proposto: ■ Contabilização do adiantamento: Débito – Adiantamento de viagens (Ativo) 500,00 Crédito – Caixa (Ativo) 500,00 ■ A contabilização da prestação de contas: Débito – Despesa com pedágios (Resultado) 20,00 Débito – Despesa com hospedagens (Resultado) 150,00 Débito – Despesa com refeições (Resultado) 50,00 Débito – Despesa com combustíveis (Resultado) 80,00 Crédito – Adiantamento de viagens (Ativo) 300,00 Como o gerente não utilizou todo o valor de R$ 500,00, devolveu a diferença para a empresa, ou seja, o valor de R$ 200,00. Este dinheiro deve voltar para o caixa, e o adiantamento, baixado na contabilidade. O registro dessa devolução deve ser feito da seguinte maneira: Débito – Caixa (Ativo) 200,00 Crédito – Adiantamento de viagens (Ativo) 200,00 Adiantamento a Empregados O adiantamento a empregados, segundo Schmidt, Santos e Gomes (2011), ocorre quando um empregado, por motivos pessoais, solicita à empresa que lhe adiante o pagamento de seus salários. Não se trata de um adiantamento comum que ocorre, mensalmente, mas sim, de um caso esporádico. A concessão deste adiantamento im- plica o direito da empresa em descontar do empregado, no futuro, o valor adiantado. O lançamento contábil do adiantamento a empregados deve levar em con- sideração o direito adquirido pela empresa e a forma como o valor foi pago, em dinheiro ou débito na conta da empresa, transferindo o valor para crédito na conta do empregado. Deve ser feito da seguinte forma: U N ID A D E 3 104 Débito – Adiantamento a empregados (Ativo) Crédito – Caixa ou Banco (Ativo) O desconto deste adiantamento é feito na folha de pagamento. As obrigações da empresa com salários ficam registradas na conta Salários a Pagar. Desse modo, o valor do adiantamento será descontado do valor do salário e o lançamento contá- bil correto deverá ser feito com base na folha de pagamento, da seguinte maneira: Débito – Salários a pagar (Passivo) Crédito – Adiantamento a empregados (Ativo) Adiantamento de Férias A legislação trabalhista determina que, quando um empregado irá gozar de suas férias, o pagamento dela deve ser feito com dois dias de antecedência do primei- ro dia de férias. Ocorre que, neste momento, a empresa, ainda, não elaborou o fechamento da folha de pagamento. Desse modo, para não envolver as contas relativas à folha de pagamento no passivo, como férias a pagar, a empresa pode registrar o pagamento em uma conta de adiantamento de férias, constituindo um direito a ela de descontar do valor de provisão de férias ou férias a pagar, quando da contabilização da folha de pagamento. O lançamento contábil do pagamento de férias pode ser feito da seguinte maneira: Débito – Adiantamento de férias (Ativo) Crédito – Caixa ou Banco (Ativo) Quando ocorrer o fechamento da folha de pagamento, o valor provisionado de férias for, definitivamente, calculado, e os ajustes feitos, a empresa poderá des- contar o valor já pago de férias, e a contabilização desse desconto poderá ser feita da seguinte forma: Débito – Férias a pagar (Passivo) Crédito – Adiantamento de férias (Ativo) U N IC ES U M A R 105 Adiantamento de Décimo Terceiro A legislação trabalhista permite que uma parcela do décimo terceiro seja pagade forma adiantada ao empregado, antes do mês de dezembro, que é o mês em que esta obrigação deve ser cumprida. Na verdade, este adiantamento ocorre antes que a folha de pagamento relativa ao décimo terceiro seja elaborada, o que é feito no mês de dezembro. Para não envolver as contas relativas à folha de pagamento no passivo, como décimo terceiro a pagar, a empresa pode registrar o pagamento em uma conta de adiantamento de décimo terceiro, constituindo um direito de ela descontar do valor de décimo terceiro a pagar, quando da contabilização da folha de pagamen- to. O lançamento contábil do pagamento do adiantamento de décimo terceiro pode ser feito da seguinte maneira: Débito – Adiantamento de décimo terceiro (Ativo) Crédito – Caixa ou Banco (Ativo) Quando ocorrer o fechamento da folha de pagamento específica de décimo ter- ceiro, o valor provisionado for definitivamente calculado e os ajustes feitos, a empresa poderá descontar o valor já pago de décimo terceiro, e a contabilização deste desconto poderá ser feita da seguinte forma: Débito – Décimo terceiro a pagar (Passivo) Crédito – Adiantamento de décimo terceiro (Ativo) Adiantamento a Diretores O adiantamento a diretores pode ocorrer nas mesmas circunstâncias em que ocorre a um empregado, ou seja, por motivos pessoais. Também não se trata de um adiantamento comum que ocorre, mensalmente, e sim, de um caso esporádi- co. A concessão deste adiantamento implica o direito de a empresa descontar do diretor, no futuro, o valor adiantado, mas também pode ocorrer com o pagamento efetivo feito para a empresa. U N ID A D E 3 106 Controlar é não perder de vista. Por mais difícil que seja manter o controle, o contador não pode abrir mão dele nas contas contábeis, por menos relevantes que elas sejam no contexto empresarial, sob pena de ser julgado por aquilo que não fez. pensando juntos Atendendo à Lei nº 6.404/76, independentemente do prazo concedido, o adian- tamento de diretores deve ser reconhecido no Ativo Não Circulante, no grupo Realizável a Longo Prazo. O lançamento contábil do adiantamento a diretores, dessa forma, deve levar em consideração o direito adquirido pela empresa e a forma como o valor foi pago, em dinheiro, cheque ou débito na conta da empresa, transferindo o valor para crédito na conta do diretor. Deve ser feito da seguinte forma: Débito – Adiantamento a diretores (Ativo Não Circulante) Crédito – Caixa ou Banco (Ativo Circulante) Quando ocorrer o pagamento deste adiantamento, o lançamento contábil correto deverá ser feito da seguinte maneira: Débito – Caixa ou Banco (Ativo Circulante) Crédito – Adiantamento a diretores (Ativo Não Circulante) Também pode ocorrer o desconto deste adiantamento em folha de pagamento, quando o diretor receber pró-labore. Neste caso, o lançamento contábil correto deverá ser feito da seguinte maneira: Débito – Pró-labore a pagar (Passivo Circulante) Crédito – Adiantamento a diretores (Ativo Não Circulante) U N IC ES U M A R 107 5 DESPESAS ANTECIPADAS Segundo Gelbcke et al. (2018, p. 87), as despesas antecipadas “representam paga- mentos antecipados, cujos benefícios ou prestação de serviços à empresa ocor- rerão em momento posterior”. Como a empresa se beneficiará destes pagamen- tos antecipados em períodos futuros, para atender ao regime de competência, a empresa deve reconhecer o direito adquirido pelo pagamento antecipado e, conforme usufruir dos benefícios, reconhecerá sistematicamente a despesa. Sobre as despesas antecipadas, Gelbcke et al. (2018, p. 88) orientam que “sua forma de realização não será normalmente, em dinheiro, mas pelo uso do bene- fício adquirido, que será apropriado ao resultado do período correspondente”. As despesas antecipadas podem ocorrer nas seguintes situações: ■ Pagamento antecipado de seguros. ■ Pagamento antecipado de assinaturas de jornais e periódicos. ■ Pagamentos antecipados de aluguel. U N ID A D E 3 108 Em todos esses casos, a empresa se beneficiará dos serviços pagos em períodos posteriores ao do pagamento. A contabilidade, porém, não deve registrar a despe- sa inteira no período do pagamento, pois isto faria com que o resultado contábil dela ficasse distorcido. A apropriação correta das despesas deve obedecer ao regime de competência. Em outras palavras, a saída do recurso para pagamento do serviço deve ser feita quando ocorrer o pagamento, mas o reconhecimento da despesa deve ser feito no período em que ela, a despesa, é incorrida. Pagamento Antecipado de Seguros Os seguros são, normalmente, contratados para um período de vigência que, ainda, acontecerá. Uma empresa pode contratar seguros empresariais, seguros de veículos, seguros de bens móveis e assim por diante. Existem três momentos a serem considerados para o tratamento contábil dos seguros, são eles: ■ Momento da contratação dos seguros. ■ Momento do pagamento dos seguros. ■ Momento do reconhecimento da despesa. No momento da contratação do seguro, pode ou não ocorrer o efetivo pagamento. O contrato pode ser assinado sem que haja sequer uma entrada. Assinando o contrato de seguro, este passa a ter validade legal a partir do primeiro dia de sua vigência. Por outro lado, a empresa passa também a ter a obrigação de pagar o valor do seguro. O registro contábil do direito e da obrigação da empresa, relativo ao seguro contratado, pode ser feito da seguinte maneira: Débito – Seguros a apropriar (Ativo) Crédito – Seguros a pagar (Passivo) A conta contábil de Seguros a Apropriar é uma conta do grupo de Despesas Antecipadas dentro do Ativo Circulante. Representa o direito da empresa com os seguros que foram por ela contratados e que serão transferidos para despesa ou custo, à medida que tais direitos forem se realizando, o que ocorre com o U N IC ES U M A R 109 passar do período de vigência do seguro. Além disso, este lançamento contábil registra a obrigação da empresa em pagar os seguros contratados, por meio da conta de Seguros a Pagar. No momento do pagamento do seguro, há a saída de recursos do caixa ou do banco para pagar a dívida que a empresa possui com a seguradora. O lançamento contábil para registrar esse pagamento deve ser feito da seguinte maneira: Débito – Seguros a pagar (Passivo) Crédito – Caixa ou Banco (Ativo) O momento do reconhecimento da despesa com seguros deve ser feito à medida que a vigência se esgota. Se a vigência for de 12 meses, é necessário que se divida o valor total do prêmio de seguro contratado por 12 e, a partir daí, a contabilidade reconhecerá na despesa 1/12 avos por mês, até o fim da vigência do contrato. O lançamento contábil da despesa, em cada mês do período de vigência, deve ser feito da seguinte maneira: Débito – Despesa com seguros (Resultado) Crédito – Seguros a apropriar (Ativo) Consideramos que o seguro esteja relacionado com o setor administrativo da empresa, por isso, a conta a débito é de despesa. Se o seguro, porém, estiver re- lacionado ao processo produtivo, a conta a débito deve representar o custo de produção. A conta de Seguros a Apropriar do Ativo Circulante será baixada e, no fim do período de vigência, será totalmente zerada na contabilidade. Imagine que uma empresa tenha contratado, em dezembro, seguros de bens uti- lizados na sua administração, com vigência de janeiro a dezembro do ano seguinte. O valor total do prêmio do seguro contratado é de R$ 12.000,00. A empresa pagará o prêmio em três parcelas que vencerão em janeiro, fevereiro e março do próximo ano. Quais são as contabilizações necessárias que devem ser feitas em dezembro e no mês de janeiro, em relação ao contrato de seguro, ao seu pagamento e ao reconhecimento da despesa? Em dezembro, o lançamento contábil deve ser feito no sentido de reconhecer o direito e a obrigação com o seguro, uma vez que o contrato já está assinado. O lançamento contábil é o seguinte: U N ID A D E 3 110 Débito – Seguros a apropriar (Ativo) 12.000,00 Crédito – Seguros a pagar(Passivo) 12.000,00 Em janeiro, o lançamento contábil pelo pagamento e reconhecimento da despesa deve ser feito da seguinte forma: ■ Pelo pagamento Débito – Seguros a pagar (Passivo) 4.000,00 Crédito – Caixa ou Banco (Ativo) 4.000,00 ■ Pelo reconhecimento da despesa do mês Débito – Despesa com seguros (Resultado) 1.000,00 Crédito – Seguros a apropriar (Ativo) 1.000,00 O valor do lançamento do pagamento do seguro é de R$ 4.000,00 (R$12.000,00/3), pois o contrato foi feito no valor de R$ 12.000,00 para ser pago em três parcelas. Este lançamento se repetirá da mesma forma como apresentado por mais dois meses, fevereiro e março. O valor do lançamento do reconhecimento da despesa com seguro é de R$ 1.000,00 (R$ 12.000,00/12), tendo em vista que a vigência do contrato é de 12 meses. Este lançamento se repetirá da mesma forma como apresentado até o mês de dezembro, quando encerra o período de vigência do contrato de seguro. Pagamento Antecipado de Assinaturas de Jornais e Periódicos Normalmente, as assinaturas de jornais ou revistas periódicas exigem um con- trato em que, entre outros, é determinado o período de vigência do contrato. A empresa assina o contrato e passa a ter o direito de receber o jornal ou a revista pelo tempo que durar a vigência. Da mesma forma que nos contratos de seguros, a empresa também deve reconhecer os direitos e obrigações advindos dos contratos de assinatura de jornais e revistas. O direito pode ser represen- tado por uma conta do ativo circulante, denominado Assinaturas de Jornais e Revistas a Apropriar, dentro do grupo Despesas Antecipadas. A obrigação U N IC ES U M A R 111 da empresa perante a entidade que irá fornecer os jornais ou as revistas pode ser feita criando-se uma conta específica no Passivo Circulante, que pode ser denominada Assinaturas de Jornais e Revistas a Pagar ou em uma genérica Outras Contas a Pagar, caso o valor não seja relevante. O lançamento contábil na assinatura do contrato ficaria da seguinte forma: Débito – Assinatura de jornais e revistas a apropriar (Ativo) Crédito – Outras contas a pagar (Passivo) O pagamento efetivo do contrato pode ser feito à vista ou de forma parcelada. Sua contabilização deve ser feita conforme segue: Débito – Outras contas a pagar (Passivo) Crédito – Caixa ou Banco (Ativo) As despesas, porém, deverão ser reconhecidas na contabilidade, durante o prazo de vigência do contrato. Se o contrato for de 12 meses, divide-se o valor do con- trato por 12 e apropria-se 1/12 avos por mês na conta de despesa. Em contrapar- tida, a conta contábil Assinatura de Jornais e Revistas a Apropriar apresenta-se da seguinte forma: Débito – Despesa com jornais e revistas (Resultado) Crédito – Assinatura de jornais e revistas a apropriar (Ativo) Pagamentos Antecipados de Aluguel É comum que o pagamento de aluguel seja mensal. Assim, a apropriação da despesa com aluguel ocorre sempre quando há o pagamento do mesmo. Uma empresa, po- rém, pode pagar aluguel antecipadamente por força de contrato. Quando isso ocorre, não é boa prática contábil contabilizar as despesas destes aluguéis antecipadas, todas em um só período. Na verdade, o pagamento antecipado do aluguel dá à empresa que pagou o direito de utilizar o imóvel pelo período pago. Esse direito deve ter seu reconhecimento feito no ativo da empresa. À medida que os períodos com aluguéis já pagos passarem, a despesa será reconhecida na contabilidade. O lançamento contábil do pagamento antecipado do aluguel deve ser feito da seguinte maneira: U N ID A D E 3 112 Débito – Aluguéis a apropriar (Ativo) Crédito – Caixa ou Banco (Ativo) As despesas com aluguel devem ser contabilizadas nos períodos relativos aos meses já pagos, da seguinte forma: Débito – Despesa com aluguel (Resultado) Crédito – Aluguéis a apropriar (Ativo) Imagine que uma empresa tenha feito, no mês de janeiro, pagamento com cheque, no valor de R$ 60.000,00, referente ao aluguel de forma antecipada dos meses de janeiro a junho. Qual é a contabilização do pagamento e a contabilização do reconhecimento da despesa com aluguel em cada mês? ■ Contabilização do pagamento Débito – Aluguéis a apropriar (Ativo) 60.000,00 Crédito – Banco (Ativo) 60.000,00 ■ Contabilização da despesa Débito – Despesa com aluguel (Resultado) 10.000,00 Crédito – Aluguéis a apropriar (Ativo) 10.000,00 Este último lançamento, referente à despesa com aluguel, deverá ser efetuado to- dos os meses, de janeiro a junho, até apropriar todo o valor pago antecipadamente. Nesta aula, buscamos trazer diversos exemplos de fatos contábeis relaciona- dos a operações financeiras e antecipações. Outras formas destes eventos, porém, podem ocorrer na empresa. De qualquer forma, para efetuar o registro, basta compreender o fato, ou seja, verificar se ele gera um direito ou uma obrigação para a empresa. Além disso, é necessário lembrar-se do regime de competência, de forma a reconhecer, ou melhor dizendo, a apropriar o montante de despesa referente a cada período, assim como a receita gerada em cada período. U N IC ES U M A R 113 CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a), nesta unidade, buscamos discorrer sobre assuntos diversos da área de contabilidade, no nível intermediário. Foram escolhidas questões do cotidiano das empresas brasileiras que exigem do profissional de contabilidade discernimento para avaliar, com qualidade, os fatos e registrá-los, observando as normas contábeis emanadas pelo Conselho Federal de Contabilidade, a legislação societária e tributária e, também, as diretrizes internas da empresa. Tratou-se das operações financeiras relativas às aplicações financeiras, aos empréstimos e financiamentos bancários e aos descontos de duplicatas, tão comuns e dinâmicos na rotina empresarial, principalmente quando a prin- cipal fonte de recursos da empresa vem de terceiros. Tratou-se, ainda, da sua forma de contabilização nos aspectos da aquisição dos direitos, obrigações e registro das contas de resultado. Também foram tratados assuntos relacionados com os adiantamentos de despesas que ocorrem, cotidianamente, nas empresas, e que possuem relação com despesas de viagens, salários, entre outros. Da mesma forma, despendemos esforços para a discussão do registro das despesas antecipadas relativas a prêmios de seguros, pagamentos de aluguel e assinaturas de jornais e revistas. Tais assuntos importam pela necessidade de bem informar da contabilidade, mas, principalmente, pelo controle contábil que essas operações exigem. A falta desse controle pode fazer a empresa incorrer em um conjunto de pequenas per- das, estas, no cômputo geral, podem trazer sérias dificuldades à gestão empresa- rial. Também, torna-se importante tal controle pelo fato de dar transparência à gestão, bastante importante nas relações entre sócios. Esperamos que você tenha compreendido os diversos enfoques que damos aos temas escolhidos, nesta unidade, para serem abordados, estudados e analisados, e que possam contribuir com o desenvolvimento dos seus estudos em contabilidade. 114 na prática 1. Uma empresa investiu R$ 250.000,00 em aplicação financeira de liquidez imediata. No primeiro mês de aplicação, o rendimento bruto foi de R$ 1.250,00 e, sobre este rendimento, incidiu imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 260,00. Consi- derando estes fatos, apresente as contabilizações da aplicação financeira realizada, do rendimento obtido e do imposto de renda retido na fonte. 2. Um funcionário da empresa Crescer Ltda. foi participar de um treinamento em outra cidade. Para tanto, a empresa lhe concedeu um adiantamento em dinheiro, no valor de R$ 200,00 para cobrir os gastos com a viagem. No seu retorno, o funcionário apresentou documentos comprovando os seguintes gastos: • Diária de hotel: R$ 90,00. • Refeições: R$ 30,00. • Combustível: R$ 40,00. Com base nestas informações, realize os lançamentos contábeis do adiantamento e da prestação de contas feita pelo funcionário. 3. Imagineque, no mês de janeiro, uma empresa tenha assinado um contrato de seguro de um veículo com vigência para 12 meses, ou seja, de janeiro a dezembro. Caso o contador decida contabilizar toda a despesa com seguro no mês de janeiro, qual seria o impacto na contabilidade da empresa? Assinale a alternativa correta. a) O resultado ficará correto, pois os seguros devem ser, realmente, lançados em despesas. b) O resultado ficará distorcido, porque, neste caso, a despesa deve ser distribuída ao longo dos 12 meses de vigência do contrato. c) Caso o pagamento tenha sido à vista, o resultado ficará correto. d) Caso o pagamento do seguro seja realizado em 4 parcelas, o resultado, então, ficará distorcido, porque a despesa com seguros deve ser reconhecida no mo- mento do pagamento das parcelas. e) O resultado ficará incorreto, porque os seguros só se tornam despesa caso ocor- ra alguma situação que obrigue a empresa a acionar o seguro em função de roubos, extravios ou acidente com o bem segurado. 115 na prática 4. Você é contador(a) da empresa Alfa Ltda., que fez uma assinatura de jornal cujo contrato foi celebrado da seguinte forma: • Valor: R$ 1.200,00. • Vigência: de 1º de janeiro a 31 de dezembro. • Pagamento: 6 parcelas de R$ 200,00. • Vencimento das parcelas: todo dia 10, a partir do mês de janeiro. De posse dos dados da transação, você precisa realizar as contabilizações relaciona- das a este contrato. Sendo assim, apresente os lançamentos contábeis da assinatura do contrato, do pagamento e do reconhecimento da despesa do mês de janeiro. 5. Uma empresa realizou, em dezembro, um empréstimo de R$ 180.000,00 para ser pago em 12 parcelas, a partir do mês de janeiro. Sobre o valor adquirido, o banco cobrará R$ 12.000,00 de juros, ou seja, o total da dívida é de R$ 192.000,00. O valor de cada parcela é de R$ 16.000,00, sendo que R$ 15.000,00 se referem à amortiza- ção do empréstimo e R$ 1.000,00, à amortização dos juros. A parcela será fixa até o final do empréstimo. Considerando estas informações, apresente as seguintes contabilizações: (1) contratação do empréstimo; (2) reconhecimento dos juros; (3) pagamento da primeira parcela; (4) apropriação dos juros da primeira parcela. 116 aprimore-se A variação do poder aquisitivo da moeda faz com que a contabilidade busque ajus- tar o valor dos elementos patrimoniais de forma a trazer a informação contábil mais fiel possível, em relação à realidade da empresa. Sobre este assunto, Gelbcke et al. (2018) comentam o impacto nas despesas antecipadas. DESPESAS ANTECIPADAS – CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO Os exemplos mais comuns de despesas pagas antecipadamente, como prêmios de seguros, assinaturas anuais de publicações técnicas, comissões, IPVA a apro- priar, IPTU apropriar etc. devem ser apresentados no Balanço pelas importân- cias aplicadas menos as apropriações efetuadas até a data do Balanço, de forma a obedecer adequadamente ao regime de competência. Isto é, a apropriação das despesas deve ser feita aos resultados do período a que correspondem e não ao período em que foram pagas. A forma de apropriação de algumas dessas despesas aos resultados deve ser em quotas proporcionais, durante o prazo do evento, normalmente com a utilização de controles auxiliares que contenha, no mínimo, informações relativas ao valor do pagamento antecipado e às parcelas mensais a serem apropriadas. É preciso também observar que a aplicação do Pronunciamento Técnico CPC 12 – Ajuste a Valor Presente, poderá requerer modificação nos saldos originais das despesas antecipadas. Por exemplo, se for contratado um seguro por valor fixo e com previsão de pagamento de longo prazo, esse exigível deverá ser trazido a valor presente e a contrapartida desse ajuste registrada na conta de despesa antecipada e não no resultado do exercício. É preciso atentar que esses ajustes não se aplicam exclusivamente às transações de longo prazo, mas também àquelas de curto prazo cujo efeito seja relevante (art. 184 da Lei nº 6.404/76). Fonte: Gelbcke et al. (2018, p. 89). 117 eu recomendo! Contabilidade intermediária: ensino e decisão Autores: Osni Hoss, Luiz Fernando Casagrande, Delci Grapégia Dal Vesco, Claudio Marcos Metzner. Editora: Atlas Sinopse: este livro aborda a contabilidade de forma inovadora, evidenciando os procedimentos requeridos, segundo os pronun- ciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, tais como critérios de valoração de estoque e enquadramento de provisão como passivo. Os autores constroem exemplificações de contabilização e atividades de fixação com suporte em planilhas eletrônicas, de forma a facilitar ao professor o ensinar, e ao aluno, o apreender. livro 4 BALANÇO PATRIMONIAL E DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO PROFESSORES Me. Adriana Casavechia Fragalli Me. Claudinei de Lima Nascimento PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Elementos patrimoniais • Estrutura do Balanço Patrimonial • Receitas e despesas • Regimes contábeis de reconhecimento de receitas e despesas • Estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Conhecer os elementos patrimoniais, seus conceitos e terminologias • Estudar a estrutura do Balanço Patrimonial e como as informações a respeito do patrimônio podem ser entendidas • Compreender o que são receitas e o que são despesas • Conhecer os possíveis momentos para reconhecer a receita e a despesa • Estudar a estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício e como as informações a respeito da variação da riqueza do patrimônio podem ser entendidas. INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), é comum encontrarmos na literatura a afirmação de que a contabilidade é a linguagem dos negócios. É justamente por isso que ela exerce um papel muito importante para o desempenho das ativi- dades econômicas. Para cumprir esse papel, no entanto, a contabilidade precisa gerar relatórios que são úteis aos usuários da informação contábil. Dentre esses relatórios, ou demonstrações contábeis, por assim dizer, estão o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exer- cício (DRE). Juntos, eles conseguem apresentar a situação econômica, financeira e patrimonial de uma entidade, informações extremamente importantes para o andamento dos negócios. Podemos imaginar o Balanço Patrimonial como se fosse uma foto da empresa em um determinado momento. Essa “foto” evidencia todos os bens, direitos e obrigações que a empresa possui. Mas não pense que basta listar todos estes itens para já formar um Balanço Patrimonial, é necessário clas- sificá-los, organizá-los e apresentá-los, segundo uma estrutura específica. Ao apresentar os elementos patrimoniais, o balanço já evidencia o saldo de lucro ou prejuízo da empresa, ou, no caso de empresas públicas, o supe- rávit ou déficit, ou ainda, no caso de empresas sem finalidade lucrativa, as sobras ou perdas. Contudo o resultado de uma entidade é uma informação tão importante que merece um relatório exclusivo, no caso, a DRE. Enquanto o balanço é como se fosse uma foto, a Demonstração do Re- sultado do Exercício é como se fosse um filme que busca contar a história de como a empresa apurou o seu resultado em um determinado período. Sendo assim, a estrutura da DRE apresenta importantes dados que possi- bilitam identificar quais fatores impactaram o resultado da empresa. Acho que você já compreendeu o quão importante são essas duas de- monstrações, não é mesmo? Agora, então, vamos estudar os elementos que as compõem e suas estruturas. Bons estudos! U N ID A D E 4 120 1 ELEMENTOS PATRIMONIAIS Reafirmando que os bens, direitos e obrigações (exigíveis e não exigíveis) com- preendem o patrimônio de uma entidade, o que se pergunta é: como represen- tá-lo graficamente? Isso é um item importante, porque se o objetivo da contabi- lidade é gerar informações para tomada de decisões, essas informações precisam ser compreendidas pelos usuários. A forma como o patrimônioé representado ou demonstrado deve ser clara. Para tanto, a NBC TG 26 (R5) – Apresentação das Demonstrações Contá- beis tem como objetivo “definir a base para a apresentação das demonstrações contábeis” (CFC, 2017, on-line), sendo assim, a norma define como o Balanço Patrimonial deve ser apresentado. Antes, porém, de estudarmos a estrutura do Balanço Patrimonial, conheceremos os elementos que a compõem, os quais são organizados de forma específica nesta demonstração. Conheceremos, também, alguns conceitos e terminologias utilizados pela contabilidade para se referir a dados encontrados no balanço. Os bens e direitos apresentados no lado esquerdo do balanço são denomi- nados “Ativo”. As obrigações exigíveis apresentadas no lado direito do balanço são denominadas “Passivo”. As obrigações não exigíveis, também apresentadas no lado direito, são denominadas “Patrimônio Líquido”. O total do Ativo deve sempre ser igual à soma total do Passivo mais Patrimônio Líquido. U N IC ES U M A R 121 ATIVO PASSIVO Bens e direitos Obrigações exigíveis PATRIMÔNIO LÍQUIDO Obrigações não exigíveis Total do Ativo = Total do Passivo + PL Quadro 1 - Elementos que compõem o Balanço Patrimonial / Fonte: os autores. Dessa forma, podemos afirmar que os elementos que compõem o Balanço Pa- trimonial são Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. Ativo é o conjunto de bens e direitos de uma entidade e possui potencialidade de geração de fluxo de caixa futuro. É registrado, normalmente, por seu preço de aquisição ou fabricação, ou seja, pelo custo histórico ou valor original. Tem-se como exemplo de ativos: saldos bancários, duplicatas a receber, estoques, imóveis, máquinas, entre outros. Passivo é o conjunto de obrigações exigíveis de uma entidade. É registrado por seu valor original e deve ser apresentado no balanço por seu valor corrigido. Tem-se como exemplo de passivos: fornecedores a pagar, contas a pagar, salários a pagar, impostos a pagar, entre outros. Patrimônio Líquido é o compromisso que a empresa possui com seus só- cios. Quando os sócios investem seu capital em uma empresa, esta fica com uma obrigação com eles, é justamente, por isso, que se considera uma obrigação não exigível. O Patrimônio Líquido, também, representa o valor residual da empresa, ou seja, a diferença entre Ativo e Passivo. Além dos elementos patrimoniais, Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, o Balanço Patrimonial permite identificar dados que são fundamentais no mundo dos negócios. Para tanto, a contabilidade se utiliza de termos específicos para identificá-los. Estes termos são: • Capital • Capital de terceiros • Capital próprio • Origens de recursos • Aplicações de recursos • Curto prazo e longo prazo Quadro 2 - Terminologias contábeis / Fonte: os autores. U N ID A D E 4 122 Capital significa recursos financeiros e materiais. Capital de terceiros significa recursos de outras pessoas (físicas ou jurídicas) aplicados na entidade. Capital próprio significa recursos dos proprietários aplicados na entidade (MARION, 2018). O lado direito do balanço, composto por Passivo e Patrimônio Líquido, apresenta a origem do capital da empresa. Este capital, por sua vez, é dividido em capital de terceiros, representado pelo passivo exigível, e capital próprio, representado pelo patrimônio líquido. Segundo Marion (2018, p. 43), “todos os recursos que entram em uma empresa passam inicialmente pelo Passivo e Patrimônio Líquido”. Com os recursos disponí- veis, o administrador decide aplicá-los. Essa decisão corresponde às necessidades e estratégias da entidade. Um administrador não aplicará todo o dinheiro no banco se o negócio da empresa é revender mercadorias. Um administrador não aplicará todo o dinheiro em mercadorias se o negócio da empresa é, apenas, prestar serviços. As decisões de aplicações de recursos são demonstradas pelo balanço patrimo- nial. Os ativos, segundo Marion (2018), representam as aplicações dos recursos. Se o ativo representa os bens e direitos da entidade, infere-se que o capital próprio e de terceiros (origens) são, sempre, utilizados para adquirir bens e direitos (aplicações). Figura 1 - Origens e aplicações no Balanço Patrimonial / Fonte: Marion (2018, p. 43). O Balanço Patrimonial apresenta a situação financeira e econômica de uma entidade, em um determinado momento, no enfoque de curto e longo prazo, ou seja, pode-se inferir o futuro de uma entidade no curto e no longo prazo. Segundo Marion (2018), o curto prazo corresponde a um período de até um ano da data de encerramento do balanço, e o longo prazo, a um período superior a um ano, após a mesma data. Suponhamos que um balanço patrimonial seja apresentado com data de en- cerramento do período de 31 de dezembro de 20x1. Nele, todos os ativos e passivos com vencimentos (exigibilidades) até 31 de dezembro de 20x2 serão considerados e apresentados como ativos e passivos de curto prazo. De outra forma, todos os ativos e passivos com vencimentos (exigibilidades) após a data de 01 de janeiro de 20x3 serão considerados e apresentados como ativos e passivos de longo prazo. BALANÇO PATRIMONIAL Ativo (aplicações) P e PL (origens) Aplicações De terceiros e próprio $$$$$$$$ Origens de recursos $$$$ $$ $ $$$$$$$$$$ U N IC ES U M A R 123 De acordo com a NBC TG 26 (R5), “o ciclo operacional da entidade é o tempo entre a aquisição de ativos para processamento e sua realização em caixa ou seus equivalentes” (CFC, 2017, on-line), ou seja, é o tempo que leva para empresa comprar matéria-prima ou mercadoria, vender e receber pelas suas vendas. conceituando Quando o ciclo operacional de um negócio corresponde a um período maior do que um ano, este período deve ser o considerado, ao invés do conceito de curto prazo. Isso ocorre em empresas que fabricam navios, por exemplo. Como a em- presa levará mais de um ano para construir um único navio, o ciclo operacional deve ser o considerado como curto prazo. Se o balanço patrimonial apresenta a situação financeira e econômica de uma enti- dade, ao fazer sua leitura, a situação mais visível que se pode perceber é sua situação geral. Pela equação patrimonial, é possível identificar as seguintes situações: a) Entidade com Patrimônio Líquido Positivo: isso ocorre quando o total do ativo é maior do que o passivo. Demonstra que: se a entidade vender todos os seus bens e direitos, será capaz de pagar todas suas dívidas com terceiros e, ainda, sobra recursos para devolver aos proprietários. Ativo > Passivo = Patrimônio Líquido Positivo b) Entidade com Patrimônio Líquido Zero: isso ocorre quando o total do ativo é igual ao total do passivo. Demonstra que: se a entidade vender todos os seus bens e direitos, será capaz de pagar todas suas dívidas com terceiros, porém sem nada a devolver aos proprietários. Ativo = Passivo = Patrimônio Líquido Zero c) Entidade com Patrimônio Líquido Negativo: isso ocorre quando o total do ativo é menor do que o total do passivo. Demonstra que: se a entidade vender todos os seus bens e direitos, não será capaz de pagar suas dívidas com terceiros, tampouco devolver capital aos proprietários. Ativo < Passivo = Patrimônio Líquido Negativo U N ID A D E 4 124 2 ESTRUTURA DO BALANÇO PATRIMONIAL Agora que você conheceu os elementos que compõem o Balanço Patrimonial e como eles se interagem, estudaremos sua estrutura, a qual segue regras específicas de organização e apresentação. A forma como os elementos são organizados, no Balanço Patrimonial, diz muito sobre a empresa. É possível identificar se a empresa tem recursos suficientes para pagar suas dívidas; se a empresa capta mais recursos próprios ou de terceiros; se a empresa aplica seus recursos em bens de curto ou longo prazo, enfim, uma séria de informações que auxiliam os usuários em seu processo de decisão. Contudo, para que seja possível identificar essas e outras informações, o Balan- ço Patrimonial precisa ser estruturadode forma específica. Neste sentido, o Art. 178 da Lei 6.404 de 1976 determina que as contas do ativo devem ser apresentadas em ordem decrescente de grau de liquidez, por meio dos seguintes grupos: U N IC ES U M A R 125 ■ Ativo Circulante: compreende contas que girão constantemente. Sua con- versão em dinheiro se dará no prazo de 1 ano da data do balanço. Fazem parte desse grupo as contas de ativos de curto prazo. ■ Ativo não Circulante: compreende as contas que se realizarão após 1 ano da data do balanço. Fazem parte desse grupo de contas o ativo realizável em longo prazo, os investimentos, o imobilizado e o intangível. Grau de liquidez: é o prazo de transformação dos bens e direitos em dinheiro, assim, quanto mais rápido um ativo for “transformado” em dinheiro, mais líquido ele é. É justamente por isso que o balanço inicia com a conta Caixa, pois ela já é dinheiro, sendo assim, é a conta mais líquida da empresa. É por isso, também, que o balanço encerra com os intangíveis, pois não existe uma previsão de quando esses ativos serão transformados em dinheiro. Do lado direito do balanço, que reporta as obrigações da empresa, a apresentação deve levar em conta o grau de exigibilidade e, segundo o Art. 178 da Lei 6.404 de 1976, deve ser dividido nos seguintes grupos: ■ Passivo Circulante: compreende obrigações exigíveis que serão liquidadas em até 1 ano da data do Balanço. ■ Passivo Não Circulante: compreende obrigações exigíveis que serão li- quidadas a partir de 1 ano, após a data do balanço. ■ Patrimônio Líquido: são recursos dos proprietários aplicados na empresa. Grau de exigibilidade: é o prazo para pagamento das obrigações exigíveis. Obriga- ções que vencem em menor prazo (curto prazo) são mais exigíveis do que as obriga- ções que vencem em um prazo maior (longo prazo). Assim, podemos demonstrar a estrutura do Balanço Patrimonial com a figura a seguir. O balanço é dividido em ativo de um lado e em obrigações (passivo e patrimônio líquido) de outro. O ativo é dividido em ativos de curto prazo, apresentados anteriormente, e ativo de longo prazo, apresentado na sequência. Do lado esquerdo, é apresentado o passivo dividido por passivo de curto prazo, seguido de passivo de longo prazo, e, por fim, o patrimônio líquido. U N ID A D E 4 126 Figura 2 - Estrutura do Balanço Patrimonial / Fonte: os autores. Imagine que a empresa LS e Cia Ltda. fechará seu balanço patrimonial em 31 de dezembro de 20x1. Ela possui os seguintes elementos patrimoniais: Elemento Patrimonial Valor (RS) Irá se realizar em: Contas a receber 10.000,00 20x2 Estoques 8.000,00 20x2 Veículos 20.000,00 Sem previsão Imóveis 50.000,00 Sem previsão Salários a pagar 12.000,00 20x2 Empréstimos a pagar 40.000,00 20x3 Impostos a pagar 8.000,00 20x2 Quadro 3 - Composição do Patrimônio LS e Cia Ltda. / Fonte: os autores. Com base nos dados apresentados, qual seria a composição patrimonial e como se poderia fazer a leitura do patrimônio desta entidade? Vejamos a seguir: Primeiramente, precisamos identificar quais elementos são ativos e quais são passivos: Balanço Patrimonial Ativo Ativo circulante Ativo não circulante Realizável em longo prazo Investimentos Imobilizado Intangível Passivo e patrimônio líquido Passivo circulante Passivo não circulante Patrimônio líquido U N IC ES U M A R 127 ■ Contas a receber: referem-se a direitos que a empresa tem a receber, normalmente, vinculados a títulos ou duplicatas originadas de operações de vendas, a prazo, feitas a clientes. Estas contas serão recebidas em 20x2, ou seja, em um período menor do que um ano da data do balanço, que é de 31/12/20x1. Portanto, “contas a receber” é um ativo de curto prazo e deve ser incluído no ativo circulante. ■ Estoques: são bens que a empresa tem para revender a seus clientes. A in- formação é de que essas vendas ocorrerão em 20x2, ou seja, em um período menor do que um ano da data do balanço, que é de 31/12/20x1. Portanto, “estoques” é um ativo de curto prazo e deve ser incluído no ativo circulante. ■ Veículos: considerando que a empresa não é uma revendedora de veí- culos, são bens que a empresa possui para dar suporte às suas operações de transporte. Não há previsão de realização, porque, normalmente, este tipo de ativo é adquirido para ficar de posse na empresa, durante um prazo longo, de muitos anos. Dessa forma, essa conta será realizada, pro- vavelmente, após o ano de 20x2, período maior do que um ano da data do balanço, que é 31/12/20x1. Portanto, “veículos” é um ativo de longo prazo e deve ser incluído no ativo não circulante. ■ Imóveis: considerando que este imóvel é onde a sede da empresa está loca- lizada, da mesma forma que veículos, este é um bem adquirido para ficar de posse na empresa, durante um prazo longo, isto é, muitos anos. Dessa forma, essa conta será realizada provavelmente após o ano de 20x2, período maior do que um ano da data do balanço, que é 31/12/20x1. Portanto, imóveis é são um ativo de longo prazo e devem ser incluídos no ativo não circulante. ■ Salários a pagar: são obrigações da empresa com seus funcionários e serão quitadas no ano de 20x2, período menor do que um ano da data do balanço, que é 31/12/20x1. Assim, “salários a pagar” é uma conta do passivo de curto prazo e deve ser incluído no passivo circulante. ■ Empréstimos a pagar: são obrigações da empresa com instituições finan- ceiras e serão quitadas no ano de 20x3, período maior do que um ano da data do balanço, que é 31/12/20x1. Assim, “empréstimos a pagar” é uma con- ta do passivo de longo prazo e deve ser incluído no passivo não circulante. ■ Impostos a pagar: são obrigações da empresa com o governo e serão qui- tadas no ano de 20x2, período menor do que um ano da data do balanço, que é 31/12/20x1. Assim, “impostos a pagar” é uma conta do passivo de curto prazo e deve ser incluído no passivo circulante. U N ID A D E 4 128 Depois dessas classificações, podemos apresentar, de forma resumida, o qua- dro a seguir: Elemento Patrimonial Valor (R$) Irá se realizar em: Classificação Contas a receber 10.000,00 20x2 Ativo Circulante Estoques 8.000,00 20x2 Ativo Circulante Veículos 20.000,00 Sem previsão Ativo Não Circulante Imóveis 50.000,00 Sem previsão Ativo Não Circulante Salários a pagar 12.000,00 20x2 Passivo Circulante Empréstimos a Pagar 40.000,00 20x3 Passivo Não Circulante Impostos a pagar 8.000,00 20x2 Passivo Circulante Quadro 4 - Elementos de Curto e Longo Prazo da LS e Cia Ltda. / Fonte: os autores. Assim, o Balanço Patrimonial da empresa LS e Cia Ltda. deve ser apresentado na seguinte estrutura: BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO E PL Ativo Circulante 18.000 Passivo Circulante 20.000 Contas a receber 10.000 Salários a pagar 12.000 Estoque 8.000 Impostos a pagar 8.000 Ativo Não Circulante 70.000 Passivo Não Circulante 40.000 Veículos 20.000 Empréstimos a pagar 40.000 Imóveis 50.000 Patrimônio Líquido 28.000 Total do Ativo 88.000 Total do Passivo + PL 88.000 Quadro 5 - Balanço Patrimonial / Fonte: os autores. Embora a empresa tenha um patrimônio líquido de R$ 28.000,00 calculado, uti- lizando-se a equação já apresentada anteriormente, pode-se afirmar que esta empresa, no curto prazo, deve mais do que tem a receber, pois tem um passivo circulante de R$ 20.000,00 e um ativo circulante de R$ 18.000,00. Assim, ela pode ter problemas de capital de giro. O capital de giro é importante para as empre- U N IC ES U M A R 129 sas manterem suas atividades de curto prazo. O que faz a empresa, no entanto, possuir um patrimônio líquido positivo é o fato de que seus bens de longo prazo (veículos e imóveis) formam um valor maior do que suas obrigações no longo prazo, que é de R$ 40.000,00. Este foi, apenas, um exemplo para que você compreenda como o Balanço Pa- trimonial, por meio de sua estrutura, apresenta importantes informações sobre a situação financeira de uma entidade contábil. Mas, para que você possa se aprofun- dar nestaestrutura, conheceremos os principais grupos que compõem o balanço. A NBC TG 26 (R5) do CFC determina o mínimo de contas a serem apresen- tadas no balanço patrimonial. Também determina que o balanço deve permitir a visualização dos ativos e passivos de curto e longo prazo. Não prescreve, porém, a ordem ou o formato da apresentação do balanço. Com base no que determina a referida norma e considerando a prática e a literatura contábil brasileira, a seguir, apresentamos as principais contas do balanço. No Ativo Circulante, encontramos as seguintes contas: ■ Caixa e equivalentes de caixa: são recursos financeiros que se en- contram à disposição imediata da entidade, também podem receber o nome de Disponível. ■ Aplicações financeiras: são investimentos temporários que vencerão no curto prazo. ■ Contas a receber e outros créditos: são valores a receber de clientes em função de vendas a prazo e outros direitos a receber ou a descontar, como adiantamento a funcionários e impostos a recuperar. ■ Estoques: são inerentes às atividades fins da empresa, como produtos acabados, produtos em processo e mercadorias para revenda. ■ Despesas antecipadas: são direitos adquiridos ou contratados cujo valor será apropriado sistematicamente pelo regime de competência. O Ativo Não Circulante deve ser organizado com as seguintes contas: ■ Realizável em longo prazo: podem ser os mesmos bens e direitos do ativo circulante, porém deverão ser realizados no longo prazo. ■ Investimentos: são os bens e direitos que a empresa possui e que não possuem relação com as atividades fins da empresa. ■ Imobilizado: são bens tangíveis que se destinam às atividades fins da empresa. ■ Intangível: são bens intangíveis adquiridos relacionados com as ativida- des fins da empresa. U N ID A D E 4 130 No Passivo Circulante, encontramos as seguintes contas: ■ Fornecedores: são dívidas que a empresa assume por comprar a prazo, como estoques e diversos itens de consumo. ■ Salários e encargos sociais: representam as remunerações devidas a funcionários e administradores, assim como seus respectivos encargos sociais a serem pagos ao governo. ■ Obrigações fiscais: são tributos sobre faturamento e rendas, além de outros devidos ao governo. ■ Empréstimos e financiamentos: são dívidas geradas por empréstimos ou financiamentos que a empresa capta no mercado financeiro. ■ Outros valores a pagar: representam dívidas geradas por operações pouco frequentes na empresa ou de valores pequenos. O passivo não circulante pode conter todas as contas do passivo circulante, mas que se realizarão em longo prazo. O patrimônio líquido deve ser subdividido da seguinte forma: ■ Capital Social: representa o investimento feito pelos sócios, conforme determinado pelo contrato social. ■ Reservas: representam recursos não distribuídos entre os sócios, muitas vezes, por força legal ou estatutária. ■ Ajustes de Avaliação Patrimonial: representam os ajustes feitos nas contas do ativo e passivo, resultados de mudanças nas suas avaliações. ■ Prejuízos Acumulados: representam o prejuízo acumulado da entidade, este reduz o valor do patrimônio líquido. Algumas contas do ativo, do passivo e do patrimônio líquido são redutoras, ou seja, reduzem os valores totais em virtude de operações comerciais ou de apro- priações pelo reconhecimento econômico dos impactos delas. No Ativo Circulante, podemos identificar a seguinte conta redutora: ■ Provisão para devedores duvidosos: representa a parcela da conta de duplicatas a receber que uma empresa prevê que não será recebida em função de inadimplência. Essa informação é importante para medir o grau correto de liquidez da empresa. U N IC ES U M A R 131 No Ativo Não Circulante, encontramos a seguinte conta redutora: ■ Depreciação acumulada: representa o desgaste dos bens tangíveis da empresa em função do uso. Em outras palavras, representa o quanto os bens imobilizados já perderam de capacidade em função de seu uso. A prática de reconhecer essa depreciação na contabilidade ajuda a adminis- tração a planejar novos investimentos de longo prazo. A informação dessa conta no balanço é importante para medir o imobilizado em termos de benefícios futuros de geração de caixa para a empresa. No Passivo, seja circulante, seja não circulante, encontramos a seguinte conta redutora: ■ Encargos financeiros a transcorrer: representa o valor a ser pago à instituição financeira decorrente de juros e taxas bancárias sobre transações como empréstimos e financiamentos. Este valor deve ser reconhecido como despesa de forma sistemática ao longo do período definido no contrato. Por fim, as contas redutoras encontradas no Patrimônio Líquido são: ■ Capital a integralizar: representa o montante do capital social que, ain- da, não foi integralizado pelos sócios. ■ Prejuízo Acumulado: representa os prejuízos que a empresa vem ob- tendo em seus negócios. Diminui a parte que cabe aos sócios no valor do patrimônio líquido. Pode-se dizer que as deduções de ativos e passivos possuem a finalidade para a contabilidade de transmitir informações mais corretas no que diz respeito à avaliação dos mesmos. Permite aos usuários verificar com maior segurança a situação econômica e financeira de uma empresa. Por fim, melhores decisões podem ser tomadas quando tais finalidades são alcançadas. Tomando como base as contas contábeis descritas, podemos estruturar um Balanço Patrimonial da seguinte maneira: U N ID A D E 4 132 BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO E PL Ativo Circulante Passivo Circulante Caixa e equivalentes de caixa Fornecedores Caixa Fornecedores Banco Salários e encargos sociais Aplicações Financeiras de liq. Imediata Salários a pagar Aplicações financeiras INSS a recolher Aplicações financeiras Obrigações fiscais Contas a receber e outros créditos IR a recolher Duplicatas a receber CSLL a recolher (-) Provisão para dev. duvidosos Empréstimos e financiamentos Impostos a recuperar Empréstimos a pagar Estoques (-) Encargos financeiros a transcorrer Mercadorias Outros valores a pagar Materiais de consumo Contas a pagar Despesas antecipadas Passivo Não Circulante Seguros a apropriar Ativo Não Circulante Patrimônio Líquido Realizável em longo prazo Capital social Duplicatas a receber Capital social Investimentos (-) Capital a integralizar Ações de outras companhias Reservas Imobilizado Reserva de lucro Equipamentos Ajustes de avaliação patrimonial (-) Depreciação acumulada Ajustes de avaliação patrimonial Intangível (-) Prejuízo acumulado Patentes (-) Prejuízo acumulado Total do Ativo Total do Passivo + PL Quadro 6 - Balanço Patrimonial: Ativo Circulante / Fonte: os autores. U N IC ES U M A R 133 Será que a estrutura das contas contábeis é igual para todas as empresas? Por exemplo, a empresa que não possui Ativo Intangível precisa evidenciar este grupo de contas em seu Balanço Patrimonial? pensando juntos É importante deixar claro que o nível de detalhamento das contas contábeis deve levar em consideração as características e necessidades informacionais da empresa. Para finalizar nosso estudo sobre Balanço Patrimonial, observe o seguinte resumo: ATIVO PASSIVO Circulante Compreende contas que estão constantemente em giro – em movimento –, sua conversão em dinheiro ocorrerá em, no máximo, um ano da data do balanço. Não Circulante Compreende todas as contas do Ativo que não tenham seus recebimentos marcados para até um ano da data do balanço ou que não estão à venda. • Realizável em longo prazo: incluem-se nes- sa conta bens e direitos que se transforma-rão em dinheiro, após o exercício seguinte. • Investimentos: são as aplicações de caráter permanente que geram rendimen- tos não relacionados à manutenção da atividade principal da empresa. • Imobilizado: abarca itens (bens corpó- reos) de natureza permanente que serão utilizados para a manutenção da atividade básica da empresa e as decorrentes de operações. Estas transferem à empresa os benefícios, riscos e controle desses bens. • Intangível: abarca direitos que têm por objeto bens incorpóreos, isto é, que não se podem locar, destinados à manutenção da empresa ou exercidos com essa finalidade. Circulante Compreende obrigações exigíveis que serão liquidadas no próximo exercício social, ou seja, até um ano da data do balanço. Não Circulante Compreende todas as obrigações exigíveis que serão liquidadas com prazo superior a um ano da data do balanço, isto é, são dívidas de longo prazo. Patrimônio Líquido Compreende os recursos dos pro- prietários aplicados na empresa. Os recursos significam o capital mais o seu rendimento – lucros e reservas. Se houver prejuízo, o total dos investimentos dos pro- prietários será reduzido. Quadro 7 - Balanço Patrimonial: Resumo / Fonte: adaptado de Marion (2018). U N ID A D E 4 134 3 RECEITAS E DESPESAS Vale reforçar que a estrutura do Balanço Patrimonial deve refletir a verdadeira realidade da empresa. Nesse sentido, o contador precisa estar atento às caracte- rísticas e particularidades de cada entidade, de forma a organizar os elementos da maneira correta e, assim, contribuir para uma efetiva análise por parte dos usuários das informações contábeis. O resultado de um negócio é dado pelo lucro ou prejuízo obtido, pelo menos em termos financeiros e econômicos. Parte-se do pressuposto que quem analisa o resultado e se interessa por ele se apoie nos números para medir o sucesso. Portanto, como ensinam Hendriksen e Van Breda (1999), o lucro e o prejuízo precisam ser definidos sob a ótica do usuário da contabilidade. U N IC ES U M A R 135 A ótica, aqui, é a de que o lucro ou o prejuízo econômico e financeiro é o obje- tivo do usuário da Contabilidade, portanto, é este o resultado que ela deve demons- trar. A equação simples que mensura o resultado de um negócio se dá da seguinte forma: das receitas são subtraídas as despesas, o que resulta no lucro ou prejuízo. Receitas (-) Despesas (=) Resultado (lucro ou prejuízo) Quadro 8 - Formação do Resultado Contábil / Fonte: os autores. O resultado, portanto, é determinado pela ocorrência ou pelo fluxo de receitas e despesas. Isso ajuda na compreensão de que, como afirmam Hendriksen e Van Breda (1999), elas (as receitas e as despesas) deveriam ser definidas sob o enfoque do resultado e não das variações de ativos e passivos. Fundamentalmente, segundo Hendriksen e Van Breda (1999), a receita aumenta o lucro por um lado e a despesa o reduz por outro. As duas coisas acontecem ao mesmo tempo e, ao fim de um determinado período, decorrem de lucro ou prejuízo. Teoricamente, a receita corresponde à venda de produtos ou à prestação de serviços, porém pode ser obtida de outras formas, como aluguéis recebidos, juros de aplicação financeira, entre outras. A despesa representa o esforço da empresa em obter receita. Todo o consumo de bens ou serviços com o objetivo de obter receita é um sacrifício, um esforço para a empresa (MARION, 2018). Os ativos, passivos e patrimônio líquido são elementos patrimoniais, como visto na unidade anterior, que se referem à posição financeira da entidade. Já as receitas e despesas são elementos de mensuração do desempenho da entidade. Estas definições são dadas pela NBC TG Estrutura Conceitual para relatório financeiro (CFC, 2019, on-line). U N ID A D E 4 136 4 REGIMES CONTÁBEIS DE RECONHECIMENTO DE RECEITAS E DESPESAS Uma das questões fundamentais em contabilidade é saber o momento de reco- nhecer uma receita e uma despesa. Se o resultado é derivado do fluxo de receitas e despesas, não reconhecer uma receita em um determinado período significa reconhecer o resultado por um valor menor. Isto influencia diretamente o com- portamento do usuário da contabilidade, o que influencia os negócios. Em contabilidade, portanto, existem dois regimes de reconhecimento de re- ceitas e despesas: ■ Regime de Competência. ■ Regime de Caixa. Segundo Marion (2018), o regime de competência é, universalmente, adotado e aceito e recomendado pela legislação do imposto de renda. Por este regime, a receita é reconhecida no período em que foi gerada, independentemente de ter sido ou não recebida, e a despesa é reconhecida no momento em que foi consu- mida, independentemente de ter sido ou não paga. Imaginemos uma situação que possa ilustrar a aplicação prática do regime de competência. A empresa X emitiu uma nota fiscal de venda a prazo no mês de janeiro. Em fevereiro, entregou as mercadorias vendidas ao seu cliente e, em março, recebeu o valor da venda. Ilustramos isso no quadro a seguir: U N IC ES U M A R 137 Mês da Venda a Prazo Mês da Entrega da Mercadoria Mês do Recebimento da Venda em Dinheiro Janeiro Fevereiro Março Quadro 9 - Fatos contábeis decorrentes de venda a prazo / Fonte: os autores. Repetindo o conceito anteriormente expresso, a receita é reconhecida no período em que foi gerada, independentemente de ter sido ou não recebida. A venda ocor- reu no mês de janeiro, portanto, este é o mês em que a receita foi gerada. Dessa forma, a contabilidade deve reconhecer (contabilizar) a receita no mês de janeiro. Isso criará uma duplicata a receber contra o seu cliente que ficará registrada no ativo da empresa como um direito a receber. Essa duplicata será baixada da contabilidade da empresa no mês de março, quando do recebimento em dinheiro. Imaginemos, agora, outra situação que possa ilustrar a aplicação prática do regime de competência. A mesma empresa X recebeu uma fatura de energia elé- trica no mês de fevereiro em relação ao consumo ocorrido no mês de janeiro. O vencimento dessa fatura é em março, quando, finalmente, a empresa pagará a fatura. Ilustramos isso no quadro a seguir: Mês do Consumo Mês do Recebimento da Fatura Mês do Pagamento da Fatura em Dinheiro Janeiro Fevereiro Março Quadro 10 - Fatos contábeis relacionados à conta de energia elétrica / Fonte: os autores. Novamente, repetindo o conceito já anteriormente expresso, a despesa é reco- nhecida no momento em que foi consumida, independentemente de ter sido ou não paga. O consumo ocorreu no mês de janeiro, portanto, este é o mês em que a despesa foi gerada. Dessa forma, a contabilidade deve reconhecer (contabilizar) a despesa no mês de janeiro. Isso criará um título de contas a pagar em favor do fornecedor de energia e ficará registrado no passivo da empresa como uma obrigação exigível. Esse título será baixado da contabilidade da empresa no mês de março, quando do pagamento em dinheiro. O que justifica a utilização do regime de competência é a possibilidade da mensuração do resultado. No caso da empresa X, se houvesse só estes dois fatos na empresa, a receita com a venda seria confrontada com a despesa de energia no mês de janeiro, período em que esses fatos aconteceram. U N ID A D E 4 138 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DE JANEIRO Receita de venda (-) Despesa com energia (=) Resultado (lucro ou prejuízo) Quadro 11 - Resultado pelo regime de competência / Fonte: os autores. Isso dá ao resultado uma característica mais econômica do que financeira. Segundo Hendriksen e Van Breda (1999), do ponto de vista econômico, a receita deveria ser reconhecida em cada etapa do processo necessário para gerá-la. Por não atender a critérios objetivos de mensuração dessa receita, isso não é adotado pela contabilidade. No regime de caixa, porém, segundo Marion (2018), a receita é reconhecida no momento do seu recebimento, e a despesa, no momento do seu pagamento. Aprovei- tando o exemplo da empresa X, caso utilizássemos oregime de caixa, aquela receita de venda deveria ser reconhecida (contabilizada) na contabilidade no mês de março, pois é o mês em que houve o efetivo recebimento em dinheiro da venda. Aquela des- pesa com energia deveria ser reconhecida (contabilizada) na contabilidade, também no mês de março, pois é o mês em que houve o efetivo pagamento em dinheiro da fatura. O resultado, portanto, seria o mesmo, porém seria reportado no mês de março. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DE MARÇO Receita de venda (-) Despesa com energia (=) Resultado (lucro ou prejuízo) Quadro 12 - Resultado pelo regime de caixa / Fonte: os autores. Isso dá ao resultado, apurado pelo regime de caixa, uma natureza mais financeira. Pelas normas contábeis, a apuração do resultado deve seguir o regime de competência, pois apresenta uma avaliação mais correta do desempenho da entidade. Sendo assim, o regime de caixa é utilizado para a elaboração da Demonstração dos Fluxos de Caixa. O entendimento sobre os regimes de caixa e de competência é de extrema importância para o contador. Com esses conceitos, o profissional compreende o porquê de a empresa apurar um lucro e não ter saldo em caixa, assim como pode apurar um prejuízo e ter uma grande quantia em caixa. Isso ocorre porque o resultado, apresentado na DRE, é apurado pelo regime de competência, enquanto o saldo em Caixa é apurado pelo regime de caixa. Nesse sentido, podemos afirmar que, para o gestor ter uma correta visão sobre a empresa, é preciso estar atento a estas duas informações: resultado e movimentação do caixa. U N IC ES U M A R 139 5 ESTRUTURA DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Independentemente da terminologia que se dê ao resultado, isto é, lucro ou pre- juízo, superávit ou déficit, sobra ou perda, este é evidenciado pela DRE - De- monstração do Resultado do Exercício. A DRE é a representação gráfica do re- sultado contábil. Segundo a NBC TG 26 (R5) (CFC, 2017, on-line), é destinada a evidenciar a composição do resultado formado em um determinado período de operações da entidade. Neste material, a discussão a respeito deste tema tem foco em entidades empresariais com fins lucrativos. O estudo das demonstrações para entidades privadas sem fins lucrativos e para entidades públicas será realizado em outro componente curricular do curso. A DRE é apresentada no sentido vertical de forma dedutiva. A forma dedutiva é explicada pelo fato de que a apuração do resultado começa com a receita total da empresa e, após isso, deduzem-se todos os gastos ocorridos até resumir-se o lucro ou prejuízo líquido. Os itens que compõem a DRE abrangem toda a movimentação econômica e financeira. O lucro ou o prejuízo líquido, como se pode observar, é o resultado final do fluxo de receitas e despesas ocorrido em um determinado período. Cada item tem a seguinte conceituação: ■ Receita Bruta: é o total bruto vendido. Representa o somatório dos va- lores das notas fiscais. Decorre das vendas que as empresas fazem de seus produtos, de suas mercadorias e de seus serviços. U N ID A D E 4 140 ■ Deduções da Receita: representam despesas que estão vinculadas à gera- ção de receita, isto é, se não houver receita, também não haverá dedução. Existem três itens considerados como dedução da receita: ■ Tributos sobre vendas ou serviços. ■ Devoluções de vendas. ■ Abatimentos sobre vendas ou serviços. ■ Receita Líquida: é a diferença entre a receita bruta e as deduções. ■ Custo das Vendas: refere-se ao custo dos itens vendidos ou utilizados na prestação de serviços. Divide-se em: ■ Custo das mercadorias vendidas. ■ Custo dos produtos vendidos. ■ Custo dos serviços prestados. ■ Lucro Bruto: é a diferença entre a receita líquida e o custo das vendas. ■ Despesas Operacionais: representam os esforços de vendas e de admi- nistração relativos às operações da empresa. ■ Lucro antes do Resultado Financeiro: é a diferença entre o lucro bruto e as despesas operacionais. ■ Despesas Financeiras: representam a remuneração na forma de paga- mento de juros e taxas pela utilização do capital de terceiros. ■ Receitas Financeiras: representam o recebimento de juros de terceiros pela utilização do capital da empresa. ■ Resultado antes dos Tributos sobre o Lucro: é a diferença entre o lucro antes do resultado financeiro e as despesas e receitas financeiras. ■ Tributos sobre o Lucro: representam os valores do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, calculados de acordo com as regras fiscais vigentes. ■ Resultado das Operações Continuadas: é a diferença entre o resultado antes dos tributos sobre o lucro e os tributos sobre o lucro. ■ Despesas não Operacionais: representam despesas não relacionadas, diretamente, ao negócio da empresa. ■ Receitas não Operacionais: representam receitas não relacionadas, di- retamente, ao negócio da empresa. ■ Lucro ou Prejuízo Líquido: é a diferença entre o resultado das opera- ções continuadas e as despesas e receitas não operacionais. U N IC ES U M A R 141 Os tributos sobre as vendas são considerados deduções da receita bruta e não despesas da empresa. Para Marion (2018, p. 88): “ Na verdade, os impostos sobre as vendas não pertencem à empresa, mas ao governo. Ela é uma mera intermediária (veículo de arrecada-ção) que arrecada impostos junto ao consumidor e recolhe ao governo; por isso, não devem ser considerados como receita real da empresa. Os tributos incidentes sobre as vendas são os seguintes: ■ IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados. Imposto federal. Incide sobre a venda de produtos feita pela indústria. ■ ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Imposto Estadual. Incide sobre a venda de produtos e mercadorias feita pela in- dústria e pelo comércio. ■ ISS – Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Imposto Municipal. Incide sobre a venda de serviços feita por empresas prestadoras de serviços. ■ PIS – Programa de Integração Social. Contribuição federal. Incide sobre o faturamento das empresas em geral. No caso de empresas sem fins lu- crativos, incide sobre a folha de pagamento. ■ COFINS – Contribuição para a Seguridade Social. Contribuição federal. Incide sobre o faturamento das empresas em geral. Para ilustrar o fato de que os tributos mencionados não devem ser considerados como despesas, e sim, deduções de vendas, considere a seguinte situação: uma em- presa vende seu produto por R$ 100,00. Esse produto custou R$ 90,00. Porém, o governo irá cobrar 20% sobre o valor da venda. Assim, ela terá o seguinte resultado: Conta Valor (R$) Receita Bruta 100,00 (-) Deduções (-) Tributos Sobre as Vendas (100,00x20%) (20,00) (=) Receita Líquida 80,00 (-) Custo das Vendas (90,00) (=) Lucro Bruto (10,00) Quadro 13 - Lucro bruto da empresa / Fonte: os autores. U N ID A D E 4 142 Veja que o lucro bruto é negativo. Na verdade, a venda foi feita com prejuízo de R$ 10,00 porque a empresa não cobrou os impostos do seu cliente. Como incluir, porém, os impostos no preço de venda? Embora este assunto seja tratado em outros módulos, vale a pena considerar que boa parte dos tributos são incluídos no preço de venda por dentro, utilizando uma fórmula básica. Aplicando a fórmula apresentada, chegamos ao preço de venda com tributos inclusos no valor de R$ 112,50. Caso a empresa venda por este preço, alcançará o seguinte resultado: Conta Valor (R$) Receita Bruta 112,50 (-) Deduções (-) Tributos Sobre as Vendas (100,00x20%) (22,50) (=) Receita Líquida 90,00 (-) Custo das Vendas (90,00) (=) Lucro Bruto 0,00 Quadro 14 - Lucro Bruto da empresa após cálculo do preço de venda / Fonte: os autores. Desta vez, a empresa não teve prejuízo, pois conseguiu cobrar do cliente os tribu- tos incidentes sobre sua venda. O fato de não ter tido lucro ocorre em função de que precisa incluir, na fórmula vista, um percentual de lucro a ser incorporado também no preço de venda. O exemplo ressalta, no entanto,o que foi concei- tuado anteriormente, de que os tributos não são receitas da empresa e, por isso, eles devem compor o resultado como deduções da receita. A receita líquida, sim, representa a receita da empresa. Os custos das vendas representam os gastos de “produção” apropriados aos produtos ou serviços vendidos. Em empresas comerciais, o custo das vendas é denominado CMV – Custo das Mercadorias Vendidas e representa o custo de aquisição das mercadorias adquiridas para revenda. Em empresas industriais, o Preço de Venda = ------------------------------------=> -------------------- => ------------- => 112,50 Custo da Mercadoria 90,00 90,00 1 - (% de impostos/100) 1 - 0,20 0,80 U N IC ES U M A R 143 custo das vendas é denominado CPV – Custo dos Produtos Vendidos e repre- senta o custo de produção dos produtos. Em empresas de serviços, o custo das vendas é denominado CSP – Custo dos Serviços Prestados e representa o custo incorrido e necessário para a efetiva prestação do serviço. De acordo com Marion (2018), as despesas operacionais podem ser classifi- cadas da seguinte forma: ■ Despesas com Vendas: estão relacionadas à comercialização e distri- buição dos produtos e serviços vendidos. Incluem-se as remunerações do pessoal da área comercial, a propaganda e publicidade, marketing, estimativa de perdas com duplicatas de vendas a prazo, entre outros. ■ Despesas Administrativas: relacionam-se com a administração da em- presa, desde as remunerações do pessoal da área administrativa até as despesas necessárias que proporcionam as condições de trabalho neces- sárias à administração. Despesas e receitas não operacionais são variações registradas na demonstração de resultado que não fazem parte diretamente do objeto social da empresa, ou seja, do seu negócio. Os melhores exemplos são os ganhos ou as perdas ocorridas com a venda de ações de outras companhias e venda de imobilizados. Para exemplificar, imagine que uma empresa possui os seguintes elementos de mensuração de desempenho ocorrido no mês de janeiro. Contas Valor (R$) Receita com Vendas (tributos inclusos) 300.000,00 PIS sobre as Vendas 4.950,00 Cofins sobre as Vendas 22.800,00 ICMS sobre as Vendas 36.000,00 Devoluções de Vendas 1.000,00 Abatimentos sobre as Vendas 500,00 Custo das Mercadorias Vendidas 180.000,00 Despesas com Vendas 25.000,00 Despesas Administrativas 10.000,00 U N ID A D E 4 144 Contas Valor (R$) Receitas Financeiras 1.500,00 Despesas financeiras 2.000,00 Receitas não Operacionais 500,00 Despesas não Operacionais 2.800,00 Imposto de Renda sobre o Lucro 2.887,50 Contribuição Social sobre o Lucro 1.732,50 Quadro 15 - Contas de receita e despesa da empresa / Fonte: os autores. A relação demonstra o saldo das contas de resultado, porém, por ela, não é pos- sível, visualmente, conhecer os indicadores de desempenho da empresa como o lucro bruto, o lucro antes do resultado financeiro, o lucro líquido, entre outros. A DRE – Demonstração do Resultado do Exercício destina-se a isso mesmo, ou seja, demonstrar o resultado e o desempenho da empresa em um determinado período para que os usuários possam fazer suas avaliações. Sendo assim, a seguir, é demons- trado como o resultado desta empresa deve ser evidenciado pela contabilidade. Demonstração de Resultado do Exercício Janeiro Valor (R$) Receita Bruta 300.000,00 (-) Deduções (65.250,00) (-) Tributos sobre as Vendas (63.750,00) PIS sobre as Vendas 4.950,00 Cofins sobre as Vendas 22.800,00 ICMS sobre as Vendas 36.000,00 (-) Devoluções de Vendas (1.000,00) (-) Abatimentos sobre as Vendas (500,00) (=) Receita Líquida 234.750,00 (-) Custo das Vendas (180.000,00) U N IC ES U M A R 145 Demonstração de Resultado do Exercício Janeiro Valor (R$) (=) Lucro Bruto 54.750,00 (-) Despesas Operacionais (35.000,00) (-) Despesas com Vendas (25.000,00) (-) Despesas Administrativas (10.000,00) (=) Lucro Antes do Resultado Financeiro 19.750,00 (-) Despesas Financeiras (2.000,00) (+) Receitas Financeiras 1.500,00 (=) Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro 19.250,00 (-) Tributos sobre o Lucro (4.620,00) (-) Imposto de Renda sobre o Lucro (2.887,50) (-) Contribuição Social sobre o Lucro (1.732,50) (=) Resultado das Operações Continuadas 14.630,00 (-) Despesas não Operacionais (2.800,00) (+) Receitas não Operacionais 500,00 (=) Lucro Líquido 12.330,00 Quadro 16 - Demonstração do Resultado do Exercício da Empresa / Fonte: os autores. A importância da Demonstração de Resultado do Exercício está no fato de ela mostrar ao usuário da informação contábil o desempenho da empresa em relação: ■ Ao negócio principal da empresa. ■ À estrutura que dá suporte ao negócio da empresa. ■ À política da empresa em sua gestão financeira. ■ Às operações de descontinuidade que afetam o resultado final da empresa. A seguir, apresentamos como observar estas informações na DRE. U N ID A D E 4 146 Negócio Principal da Empresa O lucro bruto espelha como a empresa ganha dinheiro com seu negócio principal. Sobre o negócio principal de uma empresa, podemos afirmar que é, basicamente, vender produtos e serviços com lucratividade suficiente para sustentar sua estrutura. Assim, para chegar ao lucro bruto, são considerados os fatores ligados dire- tamente à atividade principal da empresa: partindo da receita bruta, derivada da venda de mercadorias ou prestação de serviços, temos as deduções, que são despesas relacionadas diretamente à receita bruta, ou seja, não existe tributo sobre vendas, abatimentos ou devoluções, se não houver a venda primeiro. Por fim, para realizar a venda ou o serviço, é necessário comprar a mercadoria a ser revendida ou os materiais a serem utilizados no serviço, assim, diminuímos o custo para então chegar ao lucro bruto. Podemos afirmar que o lucro bruto representa a lucratividade do negócio prin- cipal da empresa. O negócio principal de cada tipo de empresa é expresso a seguir. Tipo de Empresa Negócio Principal Empresas comerciais Compra e venda de mercadorias Empresas industriais Compra de insumos, produção e venda de produtos Empresas de serviços Compra de insumos, produção e venda de serviços Quadro 17 - Tipos de empresas / Fonte: os autores. Dessa forma, o lucro bruto é um indicador de desempenho das atividades principais da empresa. Em nosso exemplo, o lucro bruto é de R$ 54.750,00. Isso significa que parte dos R$ 300.000,00 de receita ficou com tributos, devoluções e abatimentos, e outra parte, para os fornecedores que venderam suas mercadorias à empresa. Podemos dizer que a empresa gerou um lucro bruto de 18,25% sobre a receita bruta, se dividirmos R$ 54.750,00 por R$ 300.000,00, que é a receita bruta, e um lucro bruto de 23,32% sobre a receita líquida, se dividirmos R$ 54.750,00 por R$ 234.750,00, que é a receita líquida. U N IC ES U M A R 147 Estes indicadores percentuais facilitam a análise do desempenho da em- presa e sua utilização será vista em outros módulos em contextos de contabi- lidade gerencial e análise das demonstrações contábeis. O que importa neste momento é saber que essa lucratividade bruta deve ser suficiente para cobrir os gastos de estrutura da empresa. Estrutura que dá Suporte à Empresa Uma empresa, seja de que tipo for, industrial, comercial ou de serviços, não con- seguiria executar suas atividades principais se não houvesse um suporte, uma estrutura que propiciasse isso. A estrutura de vendas é importante para colocar os produtos e serviços da empresa no mercado no qual ela atua. A estrutura admi- nistrativa é importante para o controle diretivo da empresa, na sua organização e nas suas relações com o mercado. Tais estruturas, no entanto, envolvem estruturas físicas propriamente ditas e pessoas, as quais geram gastos para a empresa. Em nosso exemplo, tais estruturas, ou seja, suas despesas operacionais, custaram R$ 35.000,00. O lucro bruto deve ser suficiente para pagar essas estruturas. Política da Empresa em sua Gestão FinanceiraQualquer empresa, de forma mais intensa ou menos intensa, está propícia a pagar juros pela utilização de capital de terceiros e receber juros por terceiros utilizarem seu capital. As decisões de aplicar quantias disponíveis em operações que lhe renderão juros, assim como as decisões de emprestar quantias em operações que lhe exigirão o pagamento de juros, definem a política da empresa em sua gestão financeira. Essas decisões estão refletidas nos valores que a empresa recebe de receitas financeiras e nos valores que a empresa paga de despesas financeiras. O resultado financeiro pode aumentar ou reduzir o lucro de uma empresa. U N ID A D E 4 148 Operações de Descontinuidade que Afetam o Re- sultado da Empresa Finalmente, uma empresa pode obter resultados em operações de descontinuidade. Por exemplo, quando ela vende um bem de seu ativo imobilizado, ela pode incorrer em ganhos ou perdas nessa venda. Como a venda de um imobilizado não é a ativi- dade principal de uma empresa, diz-se que ela teve um resultado não operacional, ou seja, fora de suas atividades operacionais. O usuário deve saber, todavia, que este resultado, positivo ou negativo, não ocorrerá de forma constante, porque uma empresa não teria estas operações praticadas periodicamente, e sim, eventualmente. O balanço reflete a situação patrimonial de uma entidade em um dado instante; a demonstração do resultado do exercício demonstra a riqueza cria- da por este patrimônio em um dado período. Tais demonstrações pretendem responder às questões como: 1. Se a empresa vender seus bens e direitos, conseguirá pagar suas dívidas? 2. A empresa consegue pagar suas dívidas de curto prazo? 3. A empresa é lucrativa em suas atividades principais? 4. A empresa possui estrutura adequada às suas atividades principais? 5. A empresa consegue suportar sua carga tributária? Essas e outras perguntas podem ser feitas pelos usuários da contabilidade, sejam eles internos, sejam externos. As respostas podem ser dadas pela contabilidade, por meio de suas demonstrações contábeis. Vimos que tanto a demonstração de resultado do exercício quanto o balanço patrimonial foram elaborados com base na relação dos elementos patrimoniais e dos elementos de desempenho do patrimônio. Se a partir dessa relação entende- mos bem como elaborar as duas principais demonstrações contábeis, o desafio é compreender como chegar a essa relação dentro do processo contábil. Isso será visto na próxima unidade. U N IC ES U M A R 149 CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a)! Nesta unidade, procuramos apresentar o Balanço Patri- monial e a Demonstração do Resultado do Exercício em seus aspectos legais, conceituais, normativos e estruturais. O patrimônio de uma entidade é capaz de gerar resultado negativo ou positivo para seus sócios. Este resultado compõe o Balanço Patrimonial como uma obrigação não exigível da entidade com seus sócios, sendo ela demonstrada no Patrimônio Líquido. Ao observar, entretanto, o patrimônio de uma entidade, por meio do Balanço Patrimonial, e conhecer, entre outras coisas, a riqueza que está sendo gerada pela empresa, o usuário da informação, seja ele interno, seja externo, pode necessitar conhecer como essa riqueza gerada acontece no âmbito dos negócios das ativi- dades empresariais. Então, este item do Patrimônio Líquido chamado de reserva de lucros, que é composto pelos lucros gerados, é expandido pela demonstração de resultado. Nessa demonstração, o usuário da contabilidade pode compreender de forma clara a capacidade operacional com que a empresa desenvolve as suas atividades de compra, produção e vendas, por meio do lucro bruto. O usuário também pode conhecer qual é o gasto da estrutura que dá suporte para tais atividades, por meio das despesas operacionais. Os resultados finan- ceiros de suas políticas de estrutura de capital são refletidos nos montantes de despesas e receitas financeiras geradas pelas atividades. Por fim, atividades não comuns da empresa, mas que também geram resulta- dos, são mostradas pelas receitas e despesas não operacionais, atualmente, com- preendidas como receitas ou despesas de atividades descontinuadas. Por meio da demonstração de resultado, é possível compreender, então, a rentabilidade com que a empresa exerce suas atividades e fornece aos usuários a segurança necessária para suas tomadas de decisões. Agora que você conheceu as estruturas das duas principais demonstrações contábeis, compreenderá como a contabilidade gera estas informações a partir do processo contábil. 150 na prática 1. Os termos capital, capital próprio, capital de terceiros, origens e aplicações de re- cursos são utilizados na linguagem contábil para desenvolver uma leitura mais com- preensível das informações do balanço patrimonial. Dentre as alternativas a seguir, assinale aquela que representa, respectivamente, um item do capital próprio e um item do capital de terceiros. a) Capital Social e Reserva de Lucros. b) Fornecedores e Capital Social. c) Fornecedores e Impostos a Pagar. d) Impostos a Pagar e Capital Social. e) Capital Social e Fornecedores. 2. A empresa Mandacaru Ltda. possui, em 31/12/X1, os elementos patrimoniais relacio- nados a seguir. Faça a análise de tais elementos, classifique-os em ativos e passivos de curto e de longo prazo e elabore um balanço patrimonial para a empresa. Conta Valor (R$) A realizar-se em: Salários a Pagar 20.000,00 20X2 Caixa 1.000,00 20X2 Estoques 100.000,00 20X2 Veículos 30.000,00 Sem Previsão Impostos a Pagar 20.000,00 20X2 Empréstimos a Pagar 80.000,00 20X2 Contas a Receber 40.000,00 20X2 Móveis e Utensílios 15.000,00 Sem Previsão Contas a Receber 5.000,00 20X3 Financiamentos a Pagar 40.000,00 20X3 Bancos c/ Movimento 20.000,00 20X3 Capital Social 31.000,00 Sem Previsão Reserva de Lucros 20.000,00 Sem Previsão 151 na prática 3. Uma empresa fez vendas no valor total de R$ 140.000,00. Tais vendas geraram im- postos sobre vendas no valor de R$ 18.000,00. Os custos das vendas formam um total de R$ 102.000,00. As despesas operacionais da empresa foram de R$ 20.000,00 e as despesas financeiras foram de R$ 4.000,00. Considerando estes dados, o Lucro Bruto da empresa será de: a) R$ 4.000,00 de prejuízo. b) R$ 0,00. c) R$ 4.000,00 de lucro. d) R$ 20.000,00 de lucro. e) R$ 122.000,00 de lucro. 4. Para elaborar corretamente as demonstrações contábeis, além de conhecer a es- trutura, é preciso compreender os termos utilizados e a que se referem, só assim é possível classificar corretamente os elementos contábeis. Considerando os ele- mentos que compõem a Demonstração do Resultado do Exercício, relacione as colunas a seguir: (1) Deduções da Receita ( ) Custo das mercadorias que foram vendidas pela empresa. (2) Despesas Financeiras ( ) Recebimento de juros de terceiros pela utiliza- ção do capital da empresa. (3) Despesas Operacionais ( ) Representam a soma dos tributos sobre as vendas, das devoluções de vendas e dos aba- timentos sobre as vendas. (4) Receitas Financeiras ( ) Remuneração na forma de pagamento de ju- ros pela utilização do capital de terceiros. (5) Custos das Vendas ( ) Esforços de vendas e de administração relati- vos às operações da empresa. 152 na prática A sequência correta é: a) 1, 2, 3, 4 e 5. b) 2, 1, 3, 5 e 4. c) 3, 4, 1, 2 e 5. d) 4, 3, 5, 1 e 2. e) 5, 4, 1, 2 e 3. 5. A empresa Rende Mais Ltda. quer compreender a composição do seu resultado referente ao período de 20X0. Sendo assim, elabore a Demonstração do Resultado do Exercício da empresa Rende Mais Ltda., considerando as seguintes informações: Conta Valor (R$) Receita total de vendas com tributos inclusos 380.000,00 Tributos sobre as vendas 81.750,00 Devolução de vendas 5.000,00 Abatimentos sobre as vendas 2.000,00 Custo das vendas 150.000,00 Despesas com vendas 10.000,00 Despesas administrativas 35.000,00 Despesas financeiras 2.000,00 Receitas financeiras 3.500,00 Venda de imobilizado com prejuízo 25.000,00 Impostode renda sobre o lucro 3.600,00 Contribuição social sobre o lucro 2.100,00 153 aprimore-se A NBC TG Estrutura Conceitual, em seu Capítulo 7, apresenta as demonstrações con- tábeis como ferramentas de comunicação. Sendo assim, vamos ver o que a norma descreve em seus tópicos 7.1 a 7.6: APRESENTAÇÃO E DIVULGAÇÃO COMO FERRAMENTAS DE COMUNICAÇÃO 7.1 A entidade que reporta comunica informações sobre seus ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas e despesas apresentando e divulgando informações em suas demonstrações contábeis. 7.2 A comunicação efetiva de informações nas demonstrações contábeis tor- na essas informações mais relevantes e contribui para uma representação fide- digna de ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas e despesas da entidade. Também aprimora a compreensibilidade e comparabilidade das informações nas demonstrações contábeis. A comunicação efetiva de informações nas de- monstrações contábeis requer: a) concentrar-se em princípios e objetivos de divulgação e apresentação em vez de concentrar-se em regras; b) classificar informações de maneira a agrupar itens similares e separar itens diferentes; e c) agregar informações de tal modo que não sejam obscurecidas por detalhes desnecessários ou por agregação excessiva. 7.3 Assim como custo restringe outras decisões de relatório financeiro, também restringe decisões sobre apresentação e divulgação. Portanto, ao tomar decisões sobre apresentação e divulgação, é importante considerar se é provável que os benefícios fornecidos aos usuários das demonstrações contábeis ao apresentar ou divulgar informações específicas justifiquem os custos de fornecer e utilizar essas informações. 154 aprimore-se OBJETIVOS E PRINCÍPIOS DE APRESENTAÇÃO E DIVULGAÇÃO 7.4 Para facilitar a comunicação efetiva de informações nas demonstrações contábeis, ao desenvolver requisitos de apresentação e divulgação nas normas, é necessário um equilíbrio entre: a) dar às entidades a flexibilidade para fornecer informações relevantes que representem fidedignamente os ativos, passivos, patrimônio líquido, recei- tas e despesas da entidade; e b) exigir informações que sejam comparáveis, tanto de período a período para a entidade que reporta como em um único período de relatório para dife- rentes entidades. 7.5 Incluir objetivos de apresentação e divulgação em normas dá suporte à co- municação efetiva nas demonstrações contábeis porque esses objetivos ajudam as entidades a identificar informações úteis e a decidir como comunicar essas informações da forma mais eficiente. 7.6 A comunicação efetiva nas demonstrações contábeis também é suportada, considerando-se os seguintes princípios: a) as informações específicas da entidade são mais úteis do que descrições padronizadas, algumas vezes referidas como “padrão”; e b) duplicação de informações em diferentes partes das demonstrações contá- beis geralmente é desnecessária e pode tornar as demonstrações contábeis menos compreensíveis. Fonte: CFC (2019, on-line). 155 eu recomendo! Contabilidade Básica Autor: José Carlos Marion Editora: Atlas Sinopse: para além do ensino inicial da Contabilidade, José Carlos Marion, referência na área, traz uma visão conjunta dos relató- rios contábeis. Com metodologia moderna e dinâmica, ele apre- senta o conteúdo de modo gradativo para despertar o interesse do estudante. Contabilidade Básica oferece embasamento legal e tributário e está atualizada de acordo com as Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS) por meio dos pronunciamentos do CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis) e das Resoluções e Normas do CFC (Conselho Federal de Contabilidade). O autor propõe, ao final de cada capítulo, tarefas práticas que ajudam e estimulam o de- senvolvimento fora da sala de aula. Assim, é possível estudar de maneira mais assertiva, sempre treinando e resolvendo cálculos necessários para um aprendi- zado efetivo. Além disso, o livro contém material suplementar com vídeos, trilha de aprendizagem e livro de exercícios. livro 5EXEMPLO PRÁTICO PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Dados da empresa modelo • Lan- çamentos contábeis: livro diário e livro razão • Compensação de impostos • Encerramento das contas de resultado • Elaboração das demonstrações contábeis. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Conhecer a empresa utilizada como modelo para o exemplo prático e identificar os fatos contábeis ocorridos no período • Efetuar os lançamentos contábeis da empresa modelo no livro diário e no livro razão • Compensar os impostos da empresa modelo • Encerrar as contas de receita e de despesa da empresa modelo • Elaborar o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício da empresa modelo. PROFESSORES Me. Adriana Casavechia Fragalli Me. Claudinei de Lima Nascimento INTRODUÇÃO Prezado(a) aluno(a), chegamos à última unidade do nosso material. A pro- posta, agora, é apresentar todos os conceitos estudados, ao longo da disci- plina, por meio de um exemplo prático, de forma que você identifique que os fatos contábeis não ocorrem de forma isolada. Pelo contrário, a rotina de uma empresa é muito dinâmica. Para que a contabilidade consiga acompanhar as movimentações ocorridas no patrimônio de uma entidade contábil, é necessário seguir todo um processo de registro. Hoje em dia, este processo é realizado por sistemas eletrônicos que alimentam diversos relatórios com um único registro. Contudo você, enquanto futuro(a) contador(a), precisa com- preender todas as etapas deste processo contábil. Quando falamos que a Contabilidade gera informação para o con- trole e a tomada de decisão, saiba que não é de qualquer maneira que a informação é gerada. Na verdade, a Contabilidade se utiliza de mecanis- mos próprios, desenvolvidos a partir de métodos científicos, e que dão credibilidade à informação gerada. Inicialmente, todos os fatos ocorridos na empresa precisam ser re- gistrados no livro diário, por meio do mecanismo de débito e crédito. O livro diário é registrado por fato contábil, evidenciando data do fato, conta devedora e conta credora, valor e histórico. Em conjunto com o livro diário, a empresa utiliza a ficha de controle de estoque para registrar as movimentações dos itens de estoque. Em seguida, todos os fatos registrados no livro diário são transcritos para o livro razão. Este, por sua vez, é preenchido por conta contábil, per- mitindo apurar o saldo final de cada conta. Ao final de cada período contábil, é preciso efetuar a compensação dos impostos e encerrar as contas de resultado. Por fim, após o levantamento do ba- lancete de verificação, que analisa se os valores a débito conferem com os valores a crédito, a empresa pode, finalmente, elaborar suas demonstrações contábeis. Todo este processo será exemplificado por meio da empresa modelo Estilo Ltda. Bons estudos! U N ID A D E 5 158 1 DADOS DA EMPRESA MODELO Para compreender o processo contábil, desde a escrituração até a elaboração das demonstrações contábeis, utilizaremos como modelo a empresa Estilo Ltda. A em- presa Estilo Ltda. acaba de ser constituída por três sócios que decidiram ingressar no ramo do comércio de roupas. Conforme o contrato social assinado pelos sócios, os três terão a mesma participação na empresa, ou seja, cada um terá uma partici- pação de 33,33% no capital. Para tanto, cada sócio investirá R$ 100.000,00. Em conversa com o contador que será responsável pela contabilidade da em- presa Estilo Ltda., ao analisar o plano de negócios, em que estão definidos o ramo de atividade, o porte da empresa, a área de atuação, enfim, todo o planejamento operacional e estratégico, os sócios decidiram optar pelo regime tributário do lucro real. Sendo assim, a empresa deverá reconhecer o direito de recuperar os impostos referentes à compra de mercadorias, assim como deverá reconhecer a obrigação de recolher os impostos referentes à venda. Comoo objetivo deste exemplo prático é demonstrar a você, aluno(a), o pro- cesso contábil, e não, necessariamente, a diversidade de fatos que ocorrem dia- riamente em uma empresa, optamos por considerar que a empresa Estilo Ltda. movimentou, apenas, um único tipo de mercadoria, no período analisado. Isso para evitar o preenchimento de várias fichas de controle de estoque, tendo em U N IC ES U M A R 159 vista que é necessária uma ficha para cada item do estoque. O contador, junta- mente com os sócios da empresa, definiu o custo médio ponderado móvel como critério para avaliação do estoque. Agora que você já conhece a nossa empresa modelo, Estilo Ltda., a seguir, estão relacionados os fatos contábeis ocorridos no mês de janeiro de 20X1, os quais serão considerados para a realização do processo contábil. Fato 1: 02/01/X1 Subscrição do Capital Social no valor de R$ 300.000,00. Fato 2: 02/01/X1 Integralização de 70% do Capital Social subscrito, sendo R$ 100.000,00 em instalações, R$ 95.000,00 em depósito bancário e R$ 15.000,00 em dinheiro. Fato 3: 03/01/X1 Compra de expositores (móveis e utensílios) à vista, no valor de R$ 40.000,00. O pagamento foi feito com cartão de débito. Fato 4: 04/01/X1 Compra a prazo de 400 peças de roupas para revenda no valor de R$ 125,00 cada, totalizando R$ 50.000,00. Impostos incidentes sobre a compra: 12% de ICMS, 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS. Fato 5: 04/01/X1 Pagamento em dinheiro de frete no valor de R$ 1.000,00, referente à compra de peças de roupas realizada no dia 04/01. Incidência de 12% de ICMS. Fato 6: 05/01/X1 Pagamento antecipado referente a três meses de aluguel da loja, no valor de R$ 24.000,00. O pagamento foi efetuado com cartão de débito. U N ID A D E 5 160 Fato 7: 06/01/X1 Compra de um veículo no valor R$ 30.000,00 para entrega de mercadorias. A compra foi feita por meio de um financiamento a ser pago em 24 parcelas de R$ 1.600,00, totalizando R$ 38.400,00, sendo assim, R$ 8.400,00 correspondem a encargos financeiros. Fato 8: 07/01/X1 Venda à vista de 150 peças de roupas no valor de R$ 220,00 cada, totalizando R$ 33.000,00. O valor foi recebido por meio de transferência bancária. Impostos incidentes sobre a venda: 18% de ICMS, 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS. Fato 9: 08/01/X1 Recebimento em devolução de 5 peças de roupas que foram vendidas no dia 07/01. O cliente foi reembolsado por meio de transferência bancária. Fato 10: 10/01/X1 Transferência de R$ 15.000,00 da conta corrente bancária da empresa para uma conta de aplicação financeira de liquidez imediata. Fato 11: 12/01/X1 Adiantamento ao fornecedor no valor de R$ 20.000,00. Paga- mento efetuado com cartão de débito. Fato 12: 18/01/X1 Compra de 160 peças de roupas no valor de R$ 125,00 cada, totalizando R$ 20.000,00. O valor havia sido pago, antecipada- mente, ao fornecedor, no dia 12/01. Impostos incidentes sobre a compra: 12% de ICMS, 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS. Fato 13: 19/01/X1 Devolução de 10 peças de roupas adquiridas no dia 18/01. O fornecedor reembolsou a empresa em dinheiro. U N IC ES U M A R 161 Fato 14: 22/01/X1 Venda a prazo de 50 peças de roupas no valor de R$ 230,00 cada, totalizando R$ 11.500,00. Impostos incidentes sobre a venda: 18% de ICMS, 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS. Fato 15: 23/01/X1 Desconto de duplicata referente à venda do dia 22/01. O banco descontou R$ 500,00 referentes a encargos financeiros, deposi- tando R$ 11.000,00 na conta corrente da empresa. Fato 16: 25/01/X1 Pagamento de boleto referente à primeira parcela da compra de peças de roupas efetuada no dia 04/01. A empresa utilizou a conta corrente bancária para efetuar o pagamento do boleto no valor de R$ 25.000,00. Fato 17: 30/01/X1 Pagamento da primeira parcela do financiamento do veículo, no valor de R$ 1.600,00. O pagamento foi efetuado em dinheiro. Fato 18: 31/01/X1 Apropriação da despesa com aluguel referente ao mês de janeiro, no valor de R$ 8.000,00. Fato 19: 31/01/X1 Reconhecimento do rendimento da aplicação financeira de liqui- dez imediata no valor de R$ 150,00. Sobre esta aplicação, existe a incidência de 22,5% de imposto de renda retido na fonte. Fato 20: 31/01/X1 Contabilização da depreciação mensal das instalações, dos móveis e do veículo. As instalações e os móveis possuem vida útil de 10 anos, já o veículo, de 5 anos. Quadro 1 - Fatos contábeis ocorridos no mês de janeiro de 20X1 / Fonte: os autores. U N ID A D E 5 162 2 LANÇAMENTOS CONTÁBEIS: LIVRO DIÁRIO E LIVRO RAZÃO Considerando estes fatos, vamos agora efetuar o processo contábil, que segue as seguintes etapas: 1. Livro diário. 2. Livro razão. 3. Compensação dos impostos. 4. Encerramento das contas de resultado. 5. Balancete de verificação. 6. Balanço Patrimonial. 7. Demonstração do Resultado do Exercício. Como você pôde perceber, o processo contábil é extenso, o que garante um efetivo controle e avaliação financeira, econômica e patrimonial da entidade contábil. Hoje, os livros de escrituração contábil são preenchidos por sistemas eletrônicos que estão parametrizados para alimentar todas as informações contábeis, isto é, ao registrar uma nota fiscal, o sistema já preenche o livro diário, o livro razão, a ficha de controle de estoque, entre outros relatórios ou controles contábeis. Contudo você, como futuro(a) contador(a), precisa compreender como regis- trar os fatos contábeis, como aplicar o mecanismo das partidas dobradas, como U N IC ES U M A R 163 Na prática, o histórico deve evidenciar o número da nota fiscal ou documento que com- prove o fato registrado, assim como outras informações relevantes. explorando Ideias preencher a ficha de controle de estoque, enfim, todo o processo contábil. Assim, utilizando os fatos ocorridos na nossa empresa modelo, vamos preencher, pri- meiramente, o livro diário e, em seguida, o livro razão. Livro diário O livro diário é preenchido por fato contábil, assim, o registro deve evidenciar data do fato, conta devedora, conta credora, valor e histórico. O histórico nada mais é que a descrição do fato contábil, assim, no nosso exemplo prático, a própria descrição do fato será utilizada como histórico. O livro diário é preenchido em conjunto com a ficha de controle de estoque, assim, todos os fatos que movimentarem a conta “Mercadorias para revenda” exigirão registro na ficha. Exceto a constituição da empresa, todos os outros fatos se baseiam no conteúdo estudado, ao longo deste material. Sendo assim, serão apresentados apenas os registros e algumas explicações que se fizerem neces- sárias. Caso você queira detalhes sobre o lançamento, pesquise nas unidades anteriores. A seguir, apresentamos os registros no livro diário da empresa Estilo Ltda. referentes aos fatos ocorridos em janeiro de 20X1. Fato 1: Data: 02/01/X1 Histórico: subscrição do Capital Social no valor de R$ 300.000,00. Débito - (-) Capital a integralizar 300.000,00 Crédito - Capital subscrito 300.000,00 A conta Capital subscrito representa o valor definido do contrato social re- ferente à participação dos sócios na empresa, é ela que representa o compro- U N ID A D E 5 164 misso (obrigação) da empresa com os sócios. Enquanto não houver alteração do contrato social, este valor permanece registrado no Patrimônio Líquido. Já o Capital a integralizar, que é uma conta redutora, representa o valor que os sócios, ainda, não integralizaram. Conforme os sócios forem integralizando, essa conta vai sendo baixada. Fato 2: Data: 02/01/X1 Histórico: integralização de 70% do Capital Social subscrito, sendo R$100.000,00 em instalações, R$ 95.000,00 em depósito bancário e R$15.000,00 em dinheiro. Débito - Caixa 15.000,00 Débito - Banco A 95.000,00 Débito - Instalações 100.000,00 Crédito - (-) Capital a integralizar 210.000,00 No mesmo dia da assinatura do contrato social, os sócios já integralizaram 70% do capital social, assim, surgem três Ativos na empresa,Caixa, Banco A e Insta- lações, e diminui o valor a ser integralizado pelos sócios. Fato 3: Data: 03/01/X1 Histórico: compra de expositores (móveis e utensílios) à vista no valor de R$ 40.000,00. O pagamento foi feito com cartão de débito. Débito - Móveis e utensílios 40.000,00 Crédito - Banco A 40.000,00 Por considerar irrelevante, a empresa não reconheceu o valor residual dos móveis adquiridos, algo comum nas empresas. Também não foram contabilizados impostos a recuperar, tendo em vista que esta prática, tratando-se de imobilizado, é característica de empresas industriais quando adquirem imobilizados para o processo produtivo. U N IC ES U M A R 165 Fato 4: Data: 04/01X1 Histórico: compra a prazo de 400 peças de roupas para revenda no valor de R$ 125,00 cada, totalizando R$ 50.000,00. Impostos incidentes sobre a compra: 12% de ICMS, 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS. Débito - Mercadorias para revenda 39.375,00 Débito - ICMS a recuperar 6.000,00 Débito - PIS a recuperar 825,00 Débito - COFINS a recuperar 3.800,00 Crédito - Fornecedores nacionais 50.000,00 Como mencionado, sempre que houver registro na conta “Mercadorias para re- venda”, a ficha de controle de estoque deverá ser preenchida. É importante frisar que o valor a ser registrado na ficha é sempre o valor da compra líquida: Ficha de Controle de Estoque Mercadorias: Peças de roupa Critério: MPM Data Descrição das Ope- rações Entrada Saída Saldo Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total 04/jan Compra 400 98,44 39.375,00 400 98,44 39.375,00 Total: 400 39.375,00 - - 400 39.375,00 U N ID A D E 5 166 Fato 5: Data: 04/01/X1 Histórico: pagamento em dinheiro de frete no valor de R$ 1.000,00, referente à compra de peças de roupas realizada no dia 04/jan. Incidência de 12% de ICMS. Débito - Mercadorias para revenda 880,00 Débito - ICMS a recuperar 120,00 Crédito - Caixa 1.000,00 O frete compõe o custo de aquisição das mercadorias, sendo assim, seu valor líquido também deve ser registrado na ficha de controle de estoque. Ficha de Controle de Estoque Mercadorias: Peças de roupa Critério: MPM Data Descrição das Ope- rações Entrada Saída Saldo Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total 04/jan Compra 400 98,44 39.375,00 400 98,44 39.375,00 04/jan Frete 880,00 400 100,64 40.255,00 Total: 400 40.255,00 - - 400 40.255,00 U N IC ES U M A R 167 Fato 6: Data: 05/01/X1 Histórico: pagamento antecipado referente a três meses de aluguel da loja, no valor de R$ 24.000,00. O pagamento foi efetuado com cartão de débito. Débito - Aluguel pago antecipadamente 24.000,00 Crédito - Banco A 24.000,00 Ao final de cada mês, pelo período de três meses, esse valor deve ser apro- priado como despesa. Fato 7: Data: 06/01/X1 Histórico: compra de um veículo no valor de R$ 30.000,00 para entrega de mercadorias. A compra foi feita por meio de um financiamento a ser pago em 24 parcelas de R$1.600,00, totalizando R$ 38.400,00, sendo assim, R$8.400,00 correspondem a encargos financeiros. Débito - Veículos 30.000,00 Crédito - Financiamentos a pagar (CP) 15.000,00 Crédito - Financiamentos a pagar (LP) 15.000,00 Débito - (-) Encargos financeiros a transcorrer (CP) 4.200,00 Débito - (-) Encargos financeiros a transcorrer (LP) 4.200,00 Crédito - Financiamentos a pagar (CP) 4.200,00 Crédito - Financiamentos a pagar (LP) 4.200,00 Considerando o levantamento do Balanço Patrimonial, já no mês de janeiro, das 24 parcelas do financiamento, 12 vencerão no curto prazo e 12 vencerão no longo prazo. Os encargos também devem ser apropriados considerando o mesmo período do financiamento. U N ID A D E 5 168 Fato 8: Data: 07/01/20X1 Histórico: venda à vista de 150 peças de roupas no valor de R$ 220,00 cada, totalizando R$ 33.000,00. O valor foi recebido por meio de transferên- cia bancária. Impostos incidentes sobre a venda: 18% de ICMS, 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS. Débito - Banco A 33.000,00 Crédito - Receita de vendas 33.000,00 Débito - ICMS sobre vendas 5.940,00 Crédito - ICMS a recolher 5.940,00 Débito - PIS sobre faturamento 544,50 Crédito - PIS a recolher 544,50 Débito - COFINS sobre faturamento 2.508,00 Crédito - COFINS a recolher 2.508,00 Débito - Custo das mercadorias vendidas 15.096,00 Crédito - Mercadorias para revenda 15.096,00 Enquanto, na compra, o valor do lançamento é utilizado para registrar na ficha de controle de estoque; na venda, deve-se utilizar os dados da ficha para registrar o lançamento, isto é, deve-se verificar o custo das mercadorias, considerando o critério de avaliação de estoque, para, então, registrar o valor no lançamento. U N IC ES U M A R 169 Ficha de Controle de Estoque Mercadorias: Peças de roupa Critério: MPM Data Descrição das Ope- rações Entrada Saída Saldo Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total 04/jan Compra 400 98,44 39.375,00 400 98,44 39.375,00 04/jan Frete 880,00 400 100,64 40.255,00 07/jan Venda 150 100,64 15.096,00 250 100,64 25.159,00 Total: 400 40.255,00 150 15.096,00 250 25.159,00 Fato 9: Data: 08/01/X1 Histórico: recebimento em devolução de 5 peças de roupas que foram vendidas no dia 07/01. O cliente foi reembolsado por meio de transferência bancária. Débito - Devoluções de venda 1.100,00 Crédito - Banco A 1.100,00 Débito - ICMS a recolher 198,00 Crédito - ICMS sobre vendas 198,00 Débito - PIS a recolher 18,15 Crédito - PIS sobre faturamento 18,15 Débito - COFINS a recolher 83,60 Crédito - COFINS sobre faturamento 83,60 Débito - Mercadorias para revenda 503,20 Crédito - Custo das mercadorias vendidas 503,20 U N ID A D E 5 170 Na devolução, também deve-se verificar o custo das mercadorias na ficha de controle de estoque para, então, registrar o lançamento. Ficha de Controle de Estoque Mercadorias: Peças de roupa Critério: MPM Data Descrição das Ope- rações Entrada Saída Saldo Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total 04/jan Compra 400 98,44 39.375,00 400 98,44 39.375,00 04/jan Frete 880,00 400 100,64 40.255,00 07/jan Venda 150 100,64 15.096,00 250 100,64 25.159,00 08/jan Devolução de venda -5 100,64 - 503,20 255 100,64 25.662,20 Total: 400 40.255,00 145 14.592,80 255 25.662,20 Fato 10: Data: 10/01/X1 Histórico: transferência de R$ 15.000,00 da conta corrente bancária da em- presa para uma conta de aplicação financeira de liquidez imediata. Débito - Aplicações financeiras de liquidez imediata 15.000,00 Crédito - Banco A 15.000,00 Fato 11: Data: 12/01/X1 Histórico: adiantamento a fornecedor no valor de R$ 20.000,00. Pagamento efetuado com cartão de débito. Débito - Adiantamentos a fornecedores 20.000,00 Crédito - Banco A 20.000,00 U N IC ES U M A R 171 Ficha de Controle de Estoque Mercadorias: Peças de roupa Critério: MPM Data Descrição das Ope- rações Entrada Saída Saldo Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total 04/jan Compra 400 98,44 39.375,00 400 98,44 39.375,00 04/jan Frete 880,00 400 100,64 40.255,00 07/jan Venda 150 100,64 15.096,00 250 100,64 25.159,00 08/jan Devolução de venda -5 100,64 - 503,20 255 100,64 25.662,20 18/jan Compra 160 98,44 15.750,00 415 99,79 41.412,20 Total: 560 56.005,00 145 14.592,80 415 25.662,20 Fato 12: Data: 18/01/X1 Histórico: compra de 160 peças de roupa no valor de R$ 125,00 cada, totali- zando R$ 20.000,00. O valor havia sido pago antecipadamente ao fornecedor no dia 12/01. Impostos incidentes sobre a compra: 12% de ICMS, 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS. Débito - Mercadorias para revenda 15.750,00 Débito - ICMS a recuperar 2.400,00 Débito - PIS a recuperar 330,00 Débito - COFINS a recuperar 1.520,00 Crédito - Adiantamentos a fornecedores 20.000,00 Como houve compra de mercadorias, é preciso registrar na ficha de con- trole de estoque: U N ID A D E 5 172 Fato 13: Data: 19/01/X1Histórico: devolução de 10 peças de roupas adquiridas no dia 18/01. O for- necedor reembolsou a empresa em dinheiro. Débito - Caixa 1.250,00 Crédito - Mercadorias para revenda 984,37 Crédito - ICMS a recuperar 150,00 Crédito - PIS a recuperar 20,63 Crédito - COFINS a recuperar 95,00 Assim como na compra, a devolução deve ser registrada na ficha de controle de estoque: Ficha de Controle de Estoque Mercadorias: Peças de roupa Critério: MPM Data Descrição das Ope- rações Entrada Saída Saldo Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total 04/jan Compra 400 98,44 39.375,00 400 98,44 39.375,00 04/jan Frete 880,00 400 100,64 40.255,00 07/jan Venda 150 100,64 15.096,00 250 100,64 25.159,00 08/jan Devolução de venda -5 100,64 - 503,20 255 100,64 25.662,20 18/jan Compra 160 98,44 15.750,00 415 99,79 41.412,20 19/jan Devolução de compra - 10 98,44 - 984,37 405 99,82 40.427,83 Total: 550 55.020,63 145 14.592,80 405 25.662,20 U N IC ES U M A R 173 Fato 14: Data: 22/01/X1 Histórico: venda a prazo de 50 peças de roupas no valor de R$ 230,00 cada, totalizando R$ 11.500,00. Impostos incidentes sobre a venda: 18% de ICMS, 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS. Débito - Duplicatas a receber 11.500,00 Crédito - Receita de vendas 11.500,00 Débito - ICMS sobre vendas 2.070,00 Crédito - ICMS a recolher 2.070,00 Débito - PIS sobre faturamento 189,75 Crédito - PIS a recolher 189,75 Débito - COFINS sobre faturamento 874,00 Crédito - COFINS a recolher 874,00 Débito - Custo das mercadorias vendidas 4.991,00 Crédito - Mercadorias para revenda 4.991,00 Assim como na venda anterior, o custo das mercadorias vendidas deve ser en- contrado na ficha de controle de estoque: U N ID A D E 5 174 Fato 15: Data: 23/01/X1 Histórico: desconto de duplicata referente à venda do dia 22/01. O ban- co descontou R$500,00 referentes a encargos financeiros, depositando R$11.000,00 na conta corrente da empresa. Débito - Banco A 11.000,00 Débito - Despesas financeiras 500,00 Crédito - Duplicatas descontadas 11.500,00 A duplicata descontada é referente à venda a prazo do dia 22 de janeiro. Como o prazo concedido ao cliente foi de 15 dias, não foi necessário apropriar os encargos financeiros em mais de um período. Ficha de Controle de Estoque Mercadorias: Peças de roupa Critério: MPM Data Descrição das Ope- rações Entrada Saída Saldo Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total 04/jan Compra 400 98,44 39.375,00 400 98,44 39.375,00 04/jan Frete 880,00 400 100,64 40.255,00 07/jan Venda 150 100,64 15.096,00 250 100,64 25.159,00 08/jan Devolução de venda -5 100,64 - 503,20 255 100,64 25.662,20 18/jan Compra 160 98,44 15.750,00 415 99,79 41.412,20 19/jan Devolução de compra - 10 98,44 - 984,37 405 99,82 40.427,83 22/jan Venda 50 99,82 4.991,00 355 99,82 35.436,83 Total: 550 55.020,63 195 19.583,80 355 35.436,83 U N IC ES U M A R 175 Fato 16: Data: 25/01/X1 Histórico: pagamento de boleto referente à primeira parcela da compra de peças de roupas efetuada no dia 04/01. A empresa utilizou a conta corrente bancária para efetuar o pagamento do boleto no valor de R$ 25.000,00. Débito - Fornecedores nacionais 25.000,00 Crédito - Banco A 25.000,00 Fato 17: Data: 30/01X1 Histórico: pagamento da primeira parcela do financiamento do veículo no valor de R$ 1.600,00. O pagamento foi efetuado em dinheiro. Débito - Financiamentos a pagar (CP) 1.600,00 Crédito - Caixa 1.600,00 Débito - Despesas financeiras 350,00 Crédito - (-) Encargos financeiros a transcorrer (CP) 350,00 Para calcular o valor dos encargos financeiros a ser reconhecido como despesa no mês de janeiro, basta dividir o valor dos juros (R$ 8.400,00) pelo número de parcelas, assim, chegamos ao valor de R$ 350,00 (R$ 8.400,00/24). Fato 18: Data: 31/01/X1 Histórico: apropriação da despesa com aluguel referente ao mês de janeiro, no valor de R$ 8.000,00. Débito - Aluguel de móveis e imóveis/condomínio 8.000,00 Crédito - Aluguel pago antecipadamente 8.000,00 U N ID A D E 5 176 Fato 19: Data: 31/01/X1 Histórico: reconhecimento do rendimento da aplicação financeira de liqui- dez imediata no valor de R$ 150,00. Sobre esta aplicação, existe a incidência de 22,5% de imposto de renda retido na fonte. Débito - Aplicações financeiras de liquidez imediata 150,00 Crédito - Receitas financeiras 150,00 Débito - Imposto sobre aplicações financeiras 33,75 Crédito - Aplicações financeiras de liquidez imediata 33,75 O valor do imposto de renda retido na fonte é calculado sobre o valor do rendi- mento (R$ 150,00 * 22,5% = 33,75). Fato 20: Data: 31/01/X1 Histórico: contabilização da depreciação mensal das instalações, dos móveis e do veículo. As instalações e os móveis possuem vida útil de 10 anos, já o veículo, de 5 anos. Débito - Depreciação e amortização 1.666,66 Crédito - (-) Instalações 833,33 Crédito - (-) Móveis e utensílios 333,33 Crédito - (-) Veículos 500,00 Apesar de o histórico mencionar a vida útil dos bens do ativo imobilizado em anos, foi registrado, apenas, um mês de depreciação, isso porque estamos conta- bilizando o mês de janeiro. Para tanto, basta dividir a depreciação anual por 12: U N IC ES U M A R 177 Valor depreciável Vida útil Depreciação anual Depreciação mensal Instalações 100.000,00 10 anos 10.000,00 833,33 Móveis e utensílios 40.000,00 10 anos 4.000,00 333,33 Veículos 30.000,00 5 anos 6.000,00 500,00 Quadro 2 - Cálculo da depreciação mensal dos ativos imobilizados / Fonte: os autores. Assim finalizamos os lançamentos dos fatos contábeis no livro diário. Estes mes- mos fatos, agora, serão utilizados para preenchimento do livro razão. Livro razão Enquanto o livro diário é registrado por fato, o livro razão é registrado por conta contábil. Ao evidenciar todas as movimentações de uma conta contábil, seja a débito, seja a crédito, o livro razão apura o saldo da conta. Este valor é utilizado para elaboração das demonstrações contábeis. Neste material, vamos utilizar o livro razão simplificado, ou melhor dizendo, o razonete. Assim, para cada conta contábil é aberto um razonete, onde são regis- tradas todas as movimentações ocorridas na conta. No lado esquerdo, são regis- tradas as movimentações a débito e, no lado direito, as movimentações a crédito: Figura 1 - Razonete / Fonte: os autores. Conta contábilD C U N ID A D E 5 178 Podemos dizer que todos os fatos já registrados no livro diário, agora, serão trans- critos para o livro razão. Para que você identifique a qual lançamento se refere cada registro do razonete, ao lado do valor estará o número do fato. Para exem- plificar, vamos relembrar o primeiro fato registrado no livro diário. Fato 1: Data: 02/01/X1 Histórico: subscrição do Capital Social no valor de R$ 300.000,00. Débito - (-) Capital a integralizar 300.000,00 Crédito - Capital subscrito 300.000,00 Se considerarmos, apenas, este lançamento, teríamos que abrir dois razontes, um para cada conta, e o registro seria o seguinte: Capital subscrito 300.000,00 (-) Capital a integralizar 300.000,001 1 5 2 3 10 10 17.1 8.1 6 11 15 9.1 9.1 19.2 16 Perceba que, ao lado dos valores registrados nos razonete, aparece o número 1, indicando que se referem ao lançamento do Fato 1. A seguir, estão os razontes refe- rentes a todas as contas movimentadas pela empresa Estilo Ltda. no mês de janeiro. Contas do Ativo Caixa 15.000,00 1.250,00 1.000,00 1.600,00 16.250,00 2.600,00 13.650,00 Banco A 95.000,00 33.000,00 11.000,00 40.000,00 24.000,00 1.100,00 15.000,00 20.000,00 25.000,00 139.000,00 125.100,00 13.900,00 Aplicações finan- ceiras de liquidez imediata 15.000,00 150,00 33,75 15.150,00 33,75 15.116,25 2 13 U N IC ES U M A R 179 Duplicatas a receber 11.500,00 11.500,00 - 11.500,00 5 12 5 12 2 12 12 4 4 6 7.1 4 11 3 9.5 4 14.1 13 13 18 20 8.5 12 20 13 14.5 20 13 ICMS a recuperar 6.000,00120,00 2.400,00 150,00 8.520,00 150,00 8.370,00 PIS a recuperar 825,00 330,00 20,63 1.155,00 20,63 1.134,37 COFINS a recuperar 3.800,00 1.520,00 95,00 5.320,00 95,00 5.225,00 Mercadorias para revenda 39.375,00 880,00 503,20 15.750,00 15.096,00 984,37 4.991,00 56.508,20 21.071,37 35.436,83 Adiantamentos a fornecedores 20.000,00 20.000,00 20.000,00 20.000,00 - - Aluguel pago antecipadamente 24.000,00 8.000,00 24.000,00 8.000,00 16.000,00 Instalações 100.000,00 100.000,00 - 100.000,00 Móveis e utensílios 40.000,00 40.000,00 - 40.000,00 Veículos 30.000,00 30.000,00 - 30.000,00 (-) Instalações 833,33 - 833,33 833,33 (-) Móveis e utensílios 333,33 - 333,33 333,33 (-) Veículos 500,00 - 500,00 500,00 U N ID A D E 5 180 Contas do Passivo Fornecedores nacionais 25.000,00 50.000,00 25.000,00 50.000,00 25.000,00 ICMS a recolher 198,00 5.940,00 2.070,00 198,00 8.010,00 7.812,00 PIS a recolher 18,15 544,50 189,75 18,15 734,25 716,10 4 8.4 17.2 1 1 2 14.4 14.3 8.2 7.1 7.1 9.2 17.1 14.2 7.2 7.2 9.3 7.2 8.3 15 16 9.4 7.2 COFINS a recolher 83,60 2.508,00 874,00 83,60 3.382,00 3.298,40 Financiamentos a pagar (CP) 1.600,00 15.00,00 4.200,00 1.600,00 19.200,00 17.600,00 Duplicatas descontadas 11.500,00 - 11.500,00 11.500,00 (-) Encargos financei- ros a transcorrer (CP) 4.200,00 350,00 4.200,00 350,00 3.850,00 Financiamentos a pagar (LP) 15.000,00 4.200,00 - 19.200,00 19.200,00 (-) Encargos financei- ros a transcorrer (LP) 4.200,00 4.200,00 - 4.200,00 Contas do Patrimônio Líquido Capital subscrito 300.000,00 - 300.000,00 300.000,00 (-) Capital a integralizar 300.000,00 210.000,00 300.000,00 210.000,00 90.000,00 U N IC ES U M A R 181 Contas de receita 8.1 8.2 9.1 20 8.3 8.5 19.2 8.4 18 15 17.2 9.2 9.3 9.5 9.4 14.1 14.2 14.3 14.5 14.4 19.1 (-) Capital a integralizar 33.000,00 11.500,00 - 44.500,00 44.500,00 (-) Capital a integralizar 150,00 1,00 150,00 150,00 Contas de despesa ICMS sobre vendas 5.940,00 2.070,00 198,00 8.010,00 198,00 7.812,00 PIS sobre faturamento 544,50 189,75 18,15 734,25 18,15 716,10 COFINS sobre faturamento 2.508,00 874,00 83,60 3.382,00 83,60 3.298,40 Devolução de vendas 1.100,00 1.100,00 - 1.100,00 Custo das merca- dorias vendidas 15.096,00 4.991,00 503,20 20.087,00 503,20 19.583,80 Aluguel de mó- veis e imóveis/ condomínio 8.000,00 8.000,00 - 8.000,00 Depreciação e amortização 1.666,66 1.666,66 - 1.666,66 Imposto so- bre aplicações financeiras 33,75 33,75 - 33,75 Despesas financeiras 500,00 350,00 850,00 - 850,00 Antes de elaborar as demonstrações contábeis, é preciso efetuar a compensação dos impostos e o encerramento das contas de resultado (receitas e despesas). U N ID A D E 5 182 3 COMPENSAÇÃO DE IMPOSTOS Como já foi descrito, nossa empresa modelo Estilo Ltda. é optante pelo regime tributário do lucro real, sendo assim, ela tem o direito de recuperar os impostos incidentes sobre a compra de mercadorias. Esse direito deve ser confrontado com a obrigação de recolher os impostos incidentes sobre a venda de mercado- rias. Desta forma, a compensação de impostos é, justamente, a confrontação dos impostos a recolher com os impostos a recuperar. Ao efetuar a compensação, uma das contas é zerada, de forma que reste saldo ou no imposto a recolher ou no imposto a recuperar. Imagine que uma empresa tenha R$ 1.000,00 de ICMS a recolher e R$ 400,00 de ICMS a recuperar, então, se ela pegar o valor a recolher e deduzir do valor a recuperar, a empresa terá um saldo de R$ 600,00 de ICMS a recolher. Não é tão complicado, não é mesmo?! Na contabilidade, no entanto, tudo deve ser registrado, sendo assim, não bas- ta efetuar o cálculo, confrontando o valor a recolher com o valor a recuperar, é necessário registrar esta confrontação no livro diário e no livro razão. Se estamos querendo confrontar os dois impostos, a recolher e a recuperar, um vai abater o outro. Para tanto, os impostos a recolher, que têm natureza cre- dora, precisam receber um lançamento a débito. Já os impostos a recuperar, que têm natureza devedora, precisam receber um lançamento a crédito. No caso do ICMS, o lançamento ficaria assim: U N IC ES U M A R 183 Débito – ICMS a recolher Crédito – ICMS a recuperar Quanto ao valor, será sempre o menor entre os dois saldos, tendo em vista que o imposto de menor valor será zerado, sobrando saldo apenas no que apresenta valor maior. Considerando nossa empresa modelo, ao final do mês de janeiro, os impostos a serem confrontados apresentavam os seguintes saldos: ICMS a recuerar 6.000,00 120,00 2.400,00 150,00 8.520,00 150,00 8.370,00 PIS a recuperar 825,00 330,00 20,63 1.155,00 20,63 1.134,00 COFINS a recuperar 3.800,00 1.520,00 95,00 5.320,00 95,00 5.225,00 ICMS a recolher 198,00 5.940,00 2.070,00 198,00 8.010,00 7.812,00 PIS a recolher 18,15 544,50 189,75 18,15 734,25 716,10 COFINS a recolher 83,60 2.508,00 874,00 83,60 3.382,00 3.298,40 Considerando estas informações, agora, podemos efetuar a compensação dos im- postos. Para tanto, vamos confrontar ICMS a recuperar com ICMS a recolher, PIS a recuperar com PIS a recolher e COFINS a recuperar com COFINS a recolher. Para identificar o valor do lançamento, basta observar o saldo final das duas contas e utilizar o menor valor. No caso do ICMS, temos R$ 8.370,00 de ICMS a recuperar e R$ 7.812,00 de ICMS a recolher, então, o valor do lançamento será de R$ 7.812,00. No caso do PIS, o lançamento será no valor de R$ 716,10, e da COFINS, de R$ 3.298,40. Os lançamentos de compensação de impostos no livro diário são feitos da seguinte maneira: 4 9.2 4 9.3 4 9.4 13 8.2 14.2 13 8.3 14.3 13 8.4 14.4 5 12 12 12 U N ID A D E 5 184 Fato 21: Data: 31/01/X1 Histórico: compensação dos impostos Débito - ICMS a recolher 7.812,00 Crédito - ICMS a recuperar 7.812,00 Débito - PIS a recolher 716,10 Crédito - PIS a recuperar 716,10 Débito - COFINS a recolher 3.298,40 Crédito - COFINS a recuperar 3.298,40 Além de registrar no livro diário, a compensação dos impostos também precisa ser registrada no livro razão: ICMS a recolher 6.000,00 120,00 2.400,00 150,00 7.812,00 8.520,00 7.962,00 558,00 PIS a recuperar 825,00 330,00 20,63 716,10 1.155,00 736,00 418,27 COFINS a recuperar 3.800,00 1.520,00 95,00 3.298,40 5.320,00 3.393,40 1.926,60 ICMS a recolher 198,00 7.812,00 5.940,00 2.070,00 8.010,00 8.010,00 - - ICMS a recolher 18,15 716,10 544,50 189,75 734,25 734,25 - - ICMS a recolher 83,60 3.298,40 2.508,00 874,00 3.382,00 3.382,00 - - 4 9.2 9.3 9.4 4 413 8.2 8.3 8.4 13 13 5 21.1 21.2 21.3 12 1221.1 14.2 14.3 14.4 21.2 21.3 12 Como você pode perceber, após contabilizar a compensação dos impostos, o ICMS, o PIS e a COFINS a recolher foram zerados, restando saldo apenas nos impostos a recuperar, assim, apenas estes irão compor o Balanço Patrimonial. U N IC ES U M A R 185 Será que os impostos a recolher são sempre zerados e os impostos a recuperar sempre ficam com saldo? Será que pode acontecer de um imposto ficar com saldo a recolher e outro imposto, com saldo a recuperar? pensando juntos 4 ENCERRAMENTO DAS CONTAS DE RESULTADO O encerramento das contas de resultado consiste em zerar todas as contas de receita e todas as contas de despesa ao final do período contábil. Imagine só, se no último dia do mês, você tiver R$ 500,00 na sua conta bancária, no dia seguinte, ou seja, no primeiro dia do próximo mês, este valor ainda vai estar lá, ou seja, não zerou. Isso acontece com todas as contas patrimoniais, por este motivo, as contas de ativo, passivo e patrimônio líquido não são zeradas. Agora imagine que, em um mês, você teve R$ 10.000,00 de receitas e R$ 8.000,00 de despesas, ou seja, um lucro de R$ 2.000,00. Se no próximo mês, você já iniciar com um saldo de R$ 10.000,00 de receitas e de R$ 8.000,00 de despesas, você não conseguirá identificar corretamente o resultadodo próximo período. Para que possamos identificar corretamente o resultado de cada período, é necessário encerrar, ou melhor dizendo, zerar as contas de receita e as contas de despesa, ao final de cada período. U N ID A D E 5 186 O raciocínio é parecido com a compensação dos impostos: as contas de des- pesa que têm natureza devedora precisam receber um lançamento a crédito e as contas de receita que têm natureza credora precisam receber um lançamento a débito. Mas agora este lançamento terá como contrapartida uma conta tran- sitória chamada “Encerramento do exercício”. Para zerar as contas de receita, o lançamento é o seguinte: Débito – Contas de receita Crédito – Encerramento do exercício Já para zerar as contas de despesa, o lançamento é o seguinte: Débito – Encerramento do exercício Crédito – Contas de despesa Depois de apurado o saldo da conta Encerramento do exercício, é possível iden- tificar se a empresa teve lucro ou prejuízo: se o saldo for credor, a empresa teve lucro, se o saldo for devedor, a empresa teve prejuízo. Com esta informação, a empresa transfere o resultado para o Patrimônio Líquido. Encerramento das contas de receita Os saldos das contas de receita da empresa Estilo Ltda., ao final de janeiro, eram: Receita de vendas 33.000,00 11.500,00 - 44.500,00 44.500,00 Receitas financeiras 150,00 150,00 150,00 A contabilização do encerramento das contas de receita no livro diário deve ser feita da seguinte forma: 8.1 19.1 14.1 U N IC ES U M A R 187 Fato 22 Data: 31/01/X1 Histórico: encerramento das contas de resultado – Contas de receita Débito - Receita de vendas 44.500,00 Débito - Receitas Financeiras 150,00 Crédito - Encerramento do exercício 44.650,00 Após contabilizar no livro diário, o encerramento das contas de receita também deve ser registrado no livro razão: Receita de vendas 44.500,00 33.000,00 11.500,00 44.500,00 44.500,00 - - Receitas financeiras 150,00 150,00 150,00 150,00 - - Encerramento do exercício 44.650,00 Agora que as contas de receita estão zeradas, devemos encerrar também as contas de despesa. Encerramento das contas de despesa As contas de despesa da empresa Estilo Ltda. apresentavam os seguintes saldos ao final de janeiro de 20X1: ICMS sobre vendas 5.940,00 2.070,00 198,00 8.010,00 198,00 7.812,00 PIS sobre faturamento 544,50 189,75 18,15 734,25 18,15 716,10 COFINS sobre faturamento 2.508,00 874,00 83,60 3.382,00 83,60 3.298,40 22 8.2 8.3 8.49.2 9.3 9.4 14.2 14.3 14.4 8.1 14.1 22 19.1 22 U N ID A D E 5 188 Devolução de vendas 1.100,00 1.100,00 - 1.100,00 Custo das merca- dorias vendidas 15.096,00 4.991,00 503,20 20.087,00 503,20 19.583,80 Aluguel de mó- veis e imóveis/ condomínio 8.000,00 8.000,00 - 8.000,00 Depreciação e amortização 1.666,66 1.666,66 - 1.666,66 Imposto so- bre aplicações financeiras 33,75 33,75 - 33,75 Despesas financeiras 500,00 350,00 850,00 - 850,00 A contabilização do encerramento das contas de despesa no livro diário deve ser feita da seguinte maneira: Fato 23 Data: 31/01/X1 Histórico: encerramento das Contas de Resultado – Contas de despesa Débito - Encerramento do exercício 43.060,71 Crédito - ICMS sobre vendas 7.812,00 Crédito - PIS sobre faturamento 716,10 Crédito - COFINS sobre faturamento 3.298,40 Crédito - Devolução de vendas 1.100,00 Crédito - Custo das mercadorias vendidas 19.583,80 Crédito - Aluguel de móveis e imóveis/condomínio 8.000,00 Crédito - Depreciação e amortização 1.666,66 Crédito - Imposto sobre aplicações financeiras 33,75 Crédito - Despesas financeiras 850,00 9.1 20 19.2 15 17.2 8.3 9.5 1814.3 U N IC ES U M A R 189 Ao transcrever o lançamento de encerramento das contas de despesa para o livro razão, teremos a seguinte situação: ICMS sobre vendas 5.940,00 2.070,00 198,00 7.812,00 8.010,00 8.010,00 - - PIS sobre faturamento 544,50 189,75 18,15 716,10 734,25 734,25 - - COFINS sobre faturamento 2.508,00 874,00 83,60 3.298,40 3.382,00 3.382,00 - - Devolução de vendas 1.100,00 1.100,00 1.100,00 1.100,00 - - Custo das merca- dorias vendidas 15.096,00 4.991,00 503,20 19.583,80 20.087,00 20.087,00 - - Aluguel de mó- veis e imóveis/ condomínio 8.000,00 8.000,00 8.000,00 8.000,00 - - Depreciação e amortização 1.666,66 1.666,66 1.666,66 1.666,66 - - Imposto so- bre aplicações financeiras 33,75 33,75 33,75 33,75 - - Despesas financeiras 500,00 350,00 850,00 850,00 850,00 - - Encerramento do Exercício 43.060,71 44.650,00 43.060,71 44.650,00 - 1.5589,29 Agora todas as contas de resultado encontram-se zeradas, ficando um saldo credor na conta Encer- ramento do exercício. Transferência do resultado para o Patrimônio Líquido Conforme mencionado, a conta Encerramento do exercício é uma conta tran- sitória, isto é, uma conta utilizada, apenas, para apuração do resultado. Agora que já identificamos que o resultado do mês de janeiro da empresa Estilo Ltda. foi positivo, isto é, um lucro (o saldo da conta transitória ficou credor), devemos 8.2 8.3 8.4 9.2 9.3 9.414.2 9.1 14.3 14.4 23 23 8.5 9.5 1814.5 23 23 23 23 2320 23 22 19.2 17.2 15 23 23 U N ID A D E 5 190 transferi-lo para o Patrimônio Líquido. A contabilização da transferência do re- sultado para o Patrimônio Líquido é feita da seguinte maneira: ■ Quando apurado lucro Débito – Encerramento do exercício Crédito – Lucros acumulados ■ Quando apurado prejuízo Débito – Prejuízos acumulados Crédito – Encerramento do exercício Como a empresa Estilo Ltda. apurou lucro no mês de janeiro, o lançamento no livro diário referente à transferência do resultado para o Patrimônio Líquido deve ser feita da seguinte forma: Fato 24 Data: 31/01/X1 Histórico: encerramento das Contas de Resultado Débito - Encerramento do exercício 1.589,29 Crédito - Lucros acumulados 1.589,29 Assim como em todos os lançamentos, é necessário registrar também no livro razão: Encerramento do exercício 43.060,71 1.589,29 44.650,00 44.650,00 44.650,00 - - Lucros acumulados 1.589,29 - 1.589,29 1.589,29 Agora que todas as contas de resultado já foram encerradas, que o resultado do período já foi apurado e transferido para o Patrimônio Líquido, podemos, então, elaborar as demonstrações contábeis. 23 22 24 24 U N IC ES U M A R 191 5 ELABORAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Todo o processo contábil finaliza na geração de informação por meio das demonstrações contábeis. Neste material, apresentaremos, apenas, o Balanço Patrimonial e a Demons- tração do Resultado do Exercício, mas existem outros relatórios como a Demonstração dos Fluxos de Caixa e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. Antes de elaborar as demonstrações, é comum as empresas gerarem o ba- lancete de verificação. O balancete serve para conferir se o mecanismo de débito e crédito (partidas dobradas) foi aplicado corretamente, isto é, ele verifica se os valores a débito conferem com os valores a crédito. Isso, contudo, não garante que todos os lançamentos estejam corretos, pois pode haver lançamentos efetuados com contas contábeis erradas, mas, se os valores de débito e crédito estiverem iguais, o Balanço Patrimonial ficará em equilíbrio. O balancete de verificação pode ser feito com duas, quatro ou seis colunas. Utilizaremos o de seis colunas, tendo em vista que o de quatro e o de duas são uma simplificação. Balancete de Verificação Levantado em 30/01/20x1 Conta Saldo Inicial Movimento do Período Saldo Final Débito Crédito Débito Crédito Débito Crédito Quadro 3 - Balancete de verificação / Fonte: os autores. U N ID A D E 5 192 Na primeira coluna, identifica-se a conta contábil. Em seguida, registra-se o saldo inicial da conta, identificando se é devedor ou credor. No caso da nossa empresa Estilo Ltda., como acabou de ser constituída, nenhuma conta contábil possui saldo inicial (o saldo inicial de um período é o saldo final do período anterior). Depois, registra-seo valor a débito e o valor a crédito que cada con- ta movimentou durante o período. Por fim, registra-se o saldo final da conta, também identificando se é devedor ou credor. Para preencher o balancete, basta observar os dados do livro razão. No livro ra- zão da empresa Estilo Ltda., já deixamos destacado, em azul, o valor do movimento do período e, em vermelho, o saldo final de cada conta. Como as contas de resultado já foram encerradas e o resultado já foi transferido para o Patrimônio Líquido, não há necessidade de considerá-las no balancete. Assim, o balancete de verificação da empresa Estilo Ltda., referente ao mês de janeiro, é apresentado a seguir: Empresa Estilo Ltda Balancete de Verificação Levantado em 31/01/20x1 Conta Saldo Inicial Movimento do Período Saldo Final Débito Crédito Débito Crédito Débito Crédito Caixa 16.250,00 2.600,00 13.650,00 Banco A 139.000,00 125.100,00 13.900,00 Aplicações finan- ceiras de liquidez imediata 15.150,00 33,75 15.116,25 Duplicatas a receber 11.500,00 - 11.500,00 ICMS a recuperar 8.520,00 7.962,00 558,00 PIS a recuperar 1.155,00 736,73 418,27 COFINS a recuperar 5.320,00 3.393,40 1.926,60 Mercadorias para revenda 56.508,20 21.071,37 35.436,83 Adiantamentos a fornecedores 20.000,00 20.000,00 - Aluguel pago an- tecipadamente 24.000,00 8.000,00 16.000,00 U N IC ES U M A R 193 Empresa Estilo Ltda Balancete de Verificação Levantado em 31/01/20x1 Instalações 100.000,00 - 100.000,00 Móveis e utensílios 40.000,00 - 40.000,00 Veículos 30.000,00 - 30.000,00 (-) Instalações - 833,33 833,33 (-) Móveis e utensílios - 333,33 333,33 (-) Veículos - 500,00 500,00 Fornecedores nacionais 25.000,00 50.000,00 25.000,00 ICMS a recolher 8.010,00 8.010,00 PIS a recolher 734,25 734,25 COFINS a recolher 3.382,00 3.382,00 Financiamentos a pagar (CP) 1.600,00 19.200,00 17.600,00 Duplicatas descontadas - 11.500,00 11.500,00 (-) Encargos financeiros a transcorrer (CP) 4.200,00 350,00 3.850,00 Financiamentos a pagar (LP) - 19.200,00 19.200,00 (-) Encargos financeiros a transcorrer (LP) 4.200,00 - 4.200,00 Capital subscrito - 300.000,00 300.000,00 (-) Capital a integralizar 300.000,00 210.000,00 90.000,00 Lucros acumulados - 1.589,29 1.589,29 Total: - - 814.529,45 814.529,45 376.555,95 376.555,95 Quadro 4 - Balancete de verificação empresa Estilo Ltda. / Fonte: os autores. Como você pode perceber, os valores a débito e a crédito referentes ao movimento do período fecharam em R$ 814.529,45, e os valores a débito e a crédito referentes ao saldo final fecharam em R$ 376.555,95. Assim, podemos elaborar o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício. U N ID A D E 5 194 Balanço Patrimonial O Balanço Patrimonial, conforme apresentado na Unidade 4, demonstra, de for- ma ordenada, o conjunto dos elementos patrimoniais: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. Para elaborar o balanço, você pode utilizar o saldo final de conta contábil apresentado no balancete de verificação ou no livro razão. O Balanço Patrimonial da empresa Estilo Ltda., encerrado em janeiro de 20X1, é apresentado a seguir: Empresa Estilo Ltda Balanço Patrimonial Encerrado em 31/01/20x1 Ativo Passivo Ativo Circulante Caixa e equivalentes de caixa Caixa Banco A Aplicações financ. de liq. Iimed. Contas a receber e outros créditos Duplicatas a receber ICMS a recuperar PIS a recuperar COFINS a recuperar Estoques Mercadorias para revenda Despesas pagas antecipadamente Aluguel pago antecipadamente Ativo Não Circulante Imobilizado Instalações Móveis e utensílios Veículos (-) Instalações (-) Móveis e utensílios (-) Veículos 13.650,00 13.900,00 15.116,25 11.500,00 558,00 418,27 1.926,60 35.436,83 16.000,00 100.000,00 40.000,00 30.000,00 (833,33) (333,33) (500,00) Passivo Circulante Fornecedores Fornecedores nacionais Empréstimos e financiamentos Financiamentos a pagar Duplicatas descontadas (-) Encargos finan. a transcorrer Passivo Não Circulante Empréstimos e financiamentos Financiamentos a pagar (-) Encargos finan. a transcorrer Patrimônio Líquido Capital Social Capital subscrito (-) Capital a integralizar Lucros/prejuízos acumulados Lucros acumulados 25.000,00 17.600,00 11.500,00 (3.850,00) 19.200,00 (4.200,00) 300.000,00 (90.000,00) 1.589,29 Total: 276.839,29 Total: 276.839,29 Quadro 5 - Balanço Patrimonial empresa Estilo Ltda. / Fonte: os autores. Perceba que o valor do balanço não é o mesmo que o apresentado no saldo final do balancete, isto porque, no balancete, as contas são identificas por seu saldo devedor ou credor, já no balanço, as contas com saldo oposto ao seu grupo, as chamadas contas redutoras, ficam negativas. U N IC ES U M A R 195 Demonstração do resultado do exercício O resultado apurado pela empresa já está evidenciado no Balanço Patrimonial, contudo este dado é tão importante que merece um relatório que apresente como a empresa chegou a este resultado. Assim, a Demonstração do Resultado do Exer- cício da empresa Estilo Ltda. é apresentada conforme a seguir: Empresa Estilo Ltda Demonstração do Resultado do Exercício Período de 01/01/20x1 a 31/01/20x1 Receita Operacional Bruta Receita de vendas (-) Deduções da Receita Bruta ICMS sobre vendas PIS sobre faturamento COFINS sobre faturamento Devolução de vendas (=) Receita Operacional Líquida (-) Custos da mercadoria vendida (=) Lucro Bruto (-) Despesas Operacionais Despesas Administrativas Aluguel de móveis e imóveis/condomínio Depreciação e amortização Despesas tributárias Imposto sobre aplicações financeiras (=) Resultado Antes do Resultado Financeiro (-) Despesas Financeiras Despesas financeiras (+) Receitas Financeiras Receitas financeiras (=) Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro (=) Lucro Líquido do Exercício 44.500,00 (7.812,00) (716,10) (3.298,40) (1.100,00) 31.573,50 (19.583,80) 11.989,70 (8.000,00) (1.666,66) (33,75) 2.289,29 (850,00) 150,00 1.589,29 1.589,29 Quadro 6 - Demonstração do Resultado do Exercício da empresa Estilo Ltda / Fonte: os autores. Não foi nossa intenção calcular e registrar os tributos sobre o lucro, por isso, o resultado antes dos tributos sobre o lucro ficou igual ao lucro líquido do exercí- cio. Assim, finalizamos o processo contábil da empresa Estilo Ltda. referente ao período de janeiro de 20X1. Pois é, caro(a) aluno(a), o processo contábil é extenso, por isso, você precisa se dedicar para ser um profissional qualificado, mas tenha certeza de que seus esforços serão recompensados. U N ID A D E 5 196 CONSIDERAÇÕES FINAIS E, então, caro(a) aluno(a), percebeu a importância de um contador para o contro- le patrimonial das entidades contábeis? Pois é, o processo contábil é extenso, pois tem a responsabilidade de registrar, controlar e avaliar a situação financeira, eco- nômica e patrimonial de uma entidade. Tudo isso de forma eficiente e confiável. Acho que ficou claro o porquê de a tecnologia ser uma grande aliada da conta- bilidade. Neste exemplo, contabilizamos apenas 20 fatos contábeis e os processos de compensação dos impostos e encerramento das contas de resultado, o que já pareceu extenso. Agora, imagine uma empresa real, com dezenas ou até centenas de fatos a serem registrados diariamente, seria praticamente impossível registrar tudo de forma manual. Contudo, mesmo com os avanços tecnológicos, o conta- dor, sempre, será a "cabeça pensante" do processo contábil. Sempre haverá fatos inéditos a serem registrados, situações incomuns que precisarão do seu raciocínio para que haja um correto reconhecimento do fato. Nesta unidade, vimos que o processo contábil se inicia com o registro de todos os fatos contábeis no livro diário, o qual evidencia a data do fato, a conta devedora e a conta credora, o valor e o histórico. O livro diário é preenchido em conjunto com a ficha de controle de estoque, necessária para acompanhar os valores referentes às transações que envolvem itensde estoque. Em seguida, o livro razão é preenchido por conta contábil, possibilitando a apuração do saldo final de cada conta, o qual é utilizado para elaborar as demons- trações contábeis ao final do período. Após todo este processo, a empresa, ainda, pode conferir se o método das partidas dobradas foi aplicado corretamente, por meio do balancete de verificação. Se estiver tudo certo, elaboram-se as demons- trações contábeis, conforme fizemos na empresa Estilo Ltda. Se o balancete, po- rém, apresentar inconsistência nos valores, inicia-se um processo de verificação de todos os registros anteriores até encontrar o erro. 197 na prática Considerando os dados a seguir, realize as atividades 1, 2 e 3. A empresa Controlar Ltda. atua no comércio de eletrodomésticos. Ao iniciar o mês de outubro de 20X1, a empresa possuía em seu estoque 10 unidades de ar-condicionado ao custo de R$ 1.100,00 cada. Ao longo do mês, ocorreram os seguintes fatos envolvendo esta mercadoria: 10/10 - Compra a prazo de 8 ares-condicionados no valor de R$ 1.300,00 cada. Impostos incidentes sobre a compra: 12% de ICMS, 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS. 11/10 - Devolução de 2 ares-condicionados que foram adquiridos no dia. 10/10 - O fornecedor descontou do valor que tem a receber da empresa. 15/10 - Venda a prazo de 12 ares-condicionados no valor de R$ 1.800,00 cada. Impostos incidentes sobre a venda: 18% de ICMS, 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS. 17/10 - Recebimento em devolução de 1 ar-condicionado vendido no dia. 15/10 - A empresa descontou do valor a receber do cliente. 1. Considerando estes dados, realize a contabilização dos fatos ocorridos na empresa Controlar Ltda. no mês de outubro, no livro diário, e preencha a ficha de controle de estoque pelo método do custo médio ponderado móvel. 2. Considerando que não havia saldo nas contas de impostos a recuperar e de impos- tos a recolher, apure o saldo destas contas e efetue a compensação dos impostos no livro diário e no livro razão. 3. Considerando, apenas, os fatos apresentados, efetue o encerramento das contas de resultado, registrando no livro diário e no livro razão. 198 na prática 4. O livro diário e a ficha de controle de estoque são registrados em conjunto, isto é, um depende do outro. Sobre a interação entre o livro diário e a ficha de controle de estoque, analise as asserções, a seguir, e a relação proposta entre elas. I - Há momentos em que as informações do livro diário são utilizadas para preen- cher a ficha de controle de estoque, assim como há momentos em que os da- dos da ficha de controle de estoque são utilizados para registrar o lançamento contábil no livro diário. PORQUE II - Quando a empresa efetua compra de itens para o estoque, o registro no livro diário é utilizado como base para preenchimento da ficha de controle de esto- que. Já quando a empresa efetua venda ou consumo de algum item do estoque, é necessário observar os dados da ficha de controle de estoque para saber o custo a ser registrado no lançamento do livro diário. A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta. a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 5. Ao final do período contábil, a empresa WXW Ltda. apresentava os seguintes saldos em suas contas contábeis: Conta contábil Valor $ Caixa 3.200,00 Banco 19.750,00 199 na prática Conta contábil Valor $ Duplicatas a receber 47.820,00 Mercadorias para revenda 88.100,00 Adiantamentos a fornecedores 7.900,00 Seguros a apropriar 21.360,00 Instalações 180.500,00 Máquinas e equipamentos 77.300,00 Veículos 84.000,00 (-) Instalações 4.630,00 (-) Máquinas e equipamentos 1.870,00 (-) Veículos 2.050,00 Fornecedores 62.300,00 ICMS a recolher 8.710,00 Financiamentos a pagar 25.800,00 Salários a pagar 15.480,00 (-) Encargos financeiros a transcorrer 1.500,00 Capital subscrito 380.000,00 (-) Capital a integralizar 30.000,00 Lucros acumulados 60.590,00 Utilizando os dados apresentados pela empresa WXW Ltda., identifique as contas devedoras e credoras e elabore o balancete de verificação. 200 aprimore-se Para efetuar o controle patrimonial e, assim, gerar informação, a contabilidade rea- liza um processo minucioso de registros. Além deste processo, as demonstrações contábeis também são elaboradas seguindo critérios específicos. A NBC TG 26 (R5) – Apresentação das demonstrações contábeis, trata deste assunto: OBJETIVO 1. O objetivo desta Norma é definir a base para a apresentação das demons- trações contábeis, para assegurar a comparabilidade tanto com as demons- trações contábeis de períodos anteriores da mesma entidade quanto com as demonstrações contábeis de outras entidades. Nesse cenário, esta Nor- ma estabelece requisitos gerais para a apresentação das demonstrações contábeis, diretrizes para a sua estrutura e os requisitos mínimos para seu conteúdo. FINALIDADE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 9. As demonstrações contábeis são uma representação estruturada da posi- ção patrimonial e financeira e do desempenho da entidade. O objetivo das demonstrações contábeis é o de proporcionar informação acerca da posi- ção patrimonial e financeira, do desempenho e dos fluxos de caixa da en- tidade que seja útil a um grande número de usuários em suas avaliações e tomada de decisões econômicas. As demonstrações contábeis também objetivam apresentar os resultados da atuação da administração, em face de seus deveres e responsabilidades na gestão diligente dos recursos que lhe foram confiados. Para satisfazer a esse objetivo, as demonstrações con- tábeis proporcionam informação da entidade acerca do seguinte: (Redação alterada pela Resolução CFC n.º 1.376/11) 201 aprimore-se a) ativos; b) passivos; c) patrimônio líquido; d) receitas e despesas, incluindo ganhos e perdas; e) alterações no capital próprio mediante integralizações dos proprietários e dis- tribuições a eles; e f) fluxos de caixa. Essas informações, juntamente com outras informações constantes das notas expli- cativas, ajudam os usuários das demonstrações contábeis na previsão dos futuros flu- xos de caixa da entidade e, em particular, a época e o grau de certeza de sua geração. Fonte: CFC (2017, on-line). 202 eu recomendo! Contabilidade intermediária Autor: Osni Moura Ribeiro Editora: Saraiva Sinopse: o livro integra uma série em quatro volumes, especial- mente dirigida a estudantes do curso superior de Ciências Contá- beis. Este terceiro volume apresenta temas contábeis envolven- do operações típicas aplicadas às empresas, em geral, trazendo atividades práticas e testes de exame de suficiência bem como de concursos públicos. Trata-se de um importante instrumento de consulta e de orientação profissional, útil não somente na fase acadêmica, como também por ocasião do exercício das atividades profissionais do contador, do técnico em contabilidade e do administrador de empresas. livro 203 conclusão geral conclusão geral Prezado(a) aluno(a)! Chegamos ao fim deste livro e eu espero que ele lhe tenha sido útil para seus estudos na disciplina de contabilidade intermediária e, também, que possa lhe ser bastante útil em suas futuras e importantes pesquisas, quando sentir necessidade em suas atividades acadêmicas e profissionais. Estudamos, neste material, assuntos pertinentes ao conhecimento intermediário em contabilidade. Conhecimento esse que se utiliza dos fundamentos básicos dos procedimentos contábeis vistos nas disciplinas anteriores e que servirão como co- nhecimentos necessários aos desafios que, certamente, virão em conteúdos mais avançados ao longo do curso. Durante o livro, passamos pelosconhecimentos teórico e prático do tratamento dado aos estoques de uma entidade empresarial. Consideramos este um dos ativos mais im- portantes e relevantes de uma empresa. Os produtos satisfazem às necessidades hu- manas e, por isso, são importantes e, obviamente, são importantes para as empresas. Estudamos, também, conteúdos relativos ao ativo imobilizado, seu processo de mensuração de custos de aquisição e depreciação por meio dos métodos de de- preciação aceitos pela legislação tributária e definidos pela empresa, com base na liberdade dada pela legislação societária. A contabilização das operações financeiras, geradas pelas relações das empre- sas com instituições financeiras, e, também, a contabilização das operações de adiantamentos operacionais e comuns são estudadas com o objetivo de oferecer alternativas do tratamento contábil, o qual é dado a tais operações. Estudamos, ainda, as duas principais demonstrações contábeis: o Balanço Patrimo- nial e a Demonstração de Resultado do Exercício. Demonstrações estas tradicionais e importantes para permitir informações relevantes para tomada de decisões. Certamen- te, este livro apresenta um pequeno conteúdo do vasto arcabouço teórico e prático da Ciência Contábil, porém relevante para a formação plena dos profissionais da área. referências 204 BRASIL. Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018. Regulamenta a tributação, a fiscaliza- ção, a arrecadação e a administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Na- tureza. Disponível em: http://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/con- tent/id/51525535/do1-2018-11-23-decreto-n-9-580-de-22-de-novembro-de-2018-51525026. Acesso em: 16 set. 2020. BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Dispo- nível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm. Acesso em: 16 out. 2020. BRASIL. Receita Federal. Instrução Normativa RFB nº 1585, de 31 de agosto de 2015. Dispõe sobre o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos e ganhos líquidos auferidos nos mercados financeiro e de capitais. Disponível em: http://normas.receita.fazenda.gov.br/ sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=67494. Acesso em: 1 out. 2020. BRASIL. Receita Federal. Instrução Normativa RFB n° 1700, de 14 de março de 2017. Dispõe sobre a determinação e o pagamento do imposto sobre a renda e da contribuição social so- bre o lucro líquido das pessoas jurídicas e disciplina o tratamento tributário da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no que se refere às alterações introduzidas pela Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014. Disponível em: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link. action?visao=anotado&idAto=81268#1706802. Acesso em: 17 set. 2020. CFC. Edital do exame de suficiência edição n° 01/19. Centenário do Sul: CFC, 2019. Disponí- vel em: https://d3du0p87blxrg0.cloudfront.net/concursos/1506/1_888782.pdf. Acesso em: 17 set. 2020. CFC. NBC TG Estrutura Conceitual, de 21 novembro de 2019. Dá nova redação à NBC TG Estrutura Conceitual, que dispõe sobre a estrutura conceitual para relatório financeiro. Dispo- nível em: https://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2019/NBCTGEC&ar- quivo=NBCTGEC.doc. Acesso em: 15 out. 2020. http://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/51525535/do1-2018-11-23-decreto-n-9-580-de-22-de-novembro-de-2018-51525026 http://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/51525535/do1-2018-11-23-decreto-n-9-580-de-22-de-novembro-de-2018-51525026 https://d3du0p87blxrg0.cloudfront.net/concursos/1506/1_888782.pdf referências 205 CFC. NBC TG 16 (R2), de 24 de novembro de 2017. Altera a NBC TG 16 (R1) que dispõe so- bre estoques. Disponível em: https://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codi- go=2017/NBCTG16(R2)&arquivo=NBCTG16(R2).doc. Acesso em: 16 set. 2020. CFC. NBC TG 26 (R5) – Apresentação das Demonstrações Contábeis, de 24 de novembro de 2017. Altera a NBC TG 26 (R4) que dispõe sobre apresentação das demonstrações con- tábeis. Disponível em: https://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2017/ NBCTG26(R5)&arquivo=NBCTG26(R5).doc. Acesso em: 16 out. 2020. CFC. NBC TG 27 (R4), de 24 de novembro de 2017. Altera a NBC TG 27 (R3) que dispõe sobre ativo imobilizado. Disponível em: https://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codi- go=2017/NBCTG27(R4)&arquivo=NBCTG27(R4).doc. Acesso em: 17 set. 2020. GELBCKE, E. R. et al. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades: de acordo com as normas internacionais e do CPC. São Paulo: Atlas, 2018. HENDRIKSEN, E. S.; VAN BREDA, M. F. Teoria da contabilidade. Tradução de Antonio Zoratto Sanvicente. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999. MARION, J. C. Contabilidade básica. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2018. MARTINS, E. Contabilidade de custos. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2018. SCHMIDT, P.; SANTOS, J. L.; GOMES, J. M. M. Contabilidade Intermediária. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011. WEG S. A. Demonstrações financeiras: 31 de dezembro de 2019 e 2018. Jaraguá do Sul: WEG S.A., 2020. Disponível em: https://mz-filemanager.s3.amazonaws.com/50c1bd3e-8a- c6-42d9-884f-b9d69f690602/central-de-resultadoscentral-de-downloads/9154ba6859e6a- 545be2675163d7579eda5176df10c8810b83b5584ce87f112ea/demonstracoes_financeiras_ anuais_completas_de_2019.pdf. Acesso em: 17 set. 2020. https://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2017/NBCTG16(R2)&arquivo=NBCTG16(R2).doc https://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2017/NBCTG16(R2)&arquivo=NBCTG16(R2).doc https://mz-filemanager.s3.amazonaws.com/50c1bd3e-8ac6-42d9-884f-b9d69f690602/central-de-resultadoscentral-de-downloads/9154ba6859e6a545be2675163d7579eda5176df10c8810b83b5584ce87f112ea/demonstracoes_financeiras_anuais_completas_de_2019.pdf https://mz-filemanager.s3.amazonaws.com/50c1bd3e-8ac6-42d9-884f-b9d69f690602/central-de-resultadoscentral-de-downloads/9154ba6859e6a545be2675163d7579eda5176df10c8810b83b5584ce87f112ea/demonstracoes_financeiras_anuais_completas_de_2019.pdf https://mz-filemanager.s3.amazonaws.com/50c1bd3e-8ac6-42d9-884f-b9d69f690602/central-de-resultadoscentral-de-downloads/9154ba6859e6a545be2675163d7579eda5176df10c8810b83b5584ce87f112ea/demonstracoes_financeiras_anuais_completas_de_2019.pdf https://mz-filemanager.s3.amazonaws.com/50c1bd3e-8ac6-42d9-884f-b9d69f690602/central-de-resultadoscentral-de-downloads/9154ba6859e6a545be2675163d7579eda5176df10c8810b83b5584ce87f112ea/demonstracoes_financeiras_anuais_completas_de_2019.pdf gabarito 206 UNIDADE 1 1. Na demonstração do resultado do exercício de uma empresa comercial, os estoques vendidos são demonstrados como CMV - Custos das Mercadorias Vendidas. Em uma empresa industrial, são demonstrados como CPV – Custos dos Produtos Vendidos. Em uma empresa de serviços, são demonstrados como CSP – Custo dos Serviços Prestados. 2. B. 3. (+) Compra 4.200,00 (-) Impostos recuperáveis 756,00 (+) Frete 180,00 (+) Seguro 100,00 (=) Custo total de aquisição 3.724,00 (/) Quantidade adquirida 120 (=) Custo unitário de aquisição 31,03 4. Pelo lançamento da compra Débito – Mercadorias (Ativo) 1.800,00 Crédito – Fornecedores (Passivo) 1.800,00 • Pelo reconhecimento dos impostos a recuperar Débito – ICMS a recuperar (Ativo) 216,00 Débito – PIS a recuperar (Ativo) 29,70 Débito – COFINS a recuperar (Ativo) 136,80 Crédito – Mercadorias (Ativo) 382,50 gabarito 207 5. Mercadoria: XXXXXXX Critério: PEPS Data Descri- ção Entrada Saída Saldo Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total 01/01 Saldo inicial - - - - - - 30 60,00 1.800,00 05/01 Compra 40 62,00 2.480,00 - - - 30 40 70 60,00 62,00 1.800,00 2.480,00 4.280,00 10/01 Venda - - - 30 20 50 60,00 62,00 1.800,00 1.240,00 3.040,00 20 62,00 1.240,00 12/01 Venda - - - 10 62,00 620,00 10 62,00 620,00 20/01 Compra 40 65,00 2.600,00 - - - 10 40 50 62,00 65,00 620,00 2.600,00 3.220,00 31/01 Venda- - - 10 20 30 62,00 65,00 620,00 1.300,00 1.920,00 20 65,00 1.300,00 Total do período 80 5.080,00 90 5.580,00 20 1.300,00 6. Mercadoria: XXXXXXX Critério: PEPS Data Descri- ção Entrada Saída Saldo Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total 01/01 Saldo inicial - - - - - - 0 0,00 0,00 10/01 Compra 200 20,00 4.000,00 - - - 200 20,00 4.000,00 14/01 Venda - - - 180 20,00 3.600,00 20 20,00 400,00 20/01 Compra 200 22,00 4.000,00 - - - 220 21,82 4.800,00 31/01 Venda - - - 160 21,82 3.491,20 60 21,82 1.308,80 Total do período 400 8.400,00 340 7.091,20 60 1.308,80 gabarito 208 UNIDADE 2 1. Custo de aquisição de aquisição Preço de compra 52.000,00 (-) Tributos recuperáveis (125.000 x 12%) 6.240,00 (+) Transporte 2.000,00 Total 47.760,00 • Contabilização da compra Débito – Equipamentos (Ativo) 52.000,00 Crédito – Caixa (Ativo) 52.000,00 • Contabilização dos tributos recuperáveis Débito – ICMS a recuperar (Ativo) 6.240,00 Crédito – Equipamentos (Ativo) 6.240,00 • Contabilização do transporte Débito – Equipamentos (Ativo) 2.000,00 Crédito – Caixa (Ativo) 2.000,00 2. Pagamento da primeira parcela do consórcio Débito – Direitos de consórcio (Ativo) 1.500,00 Crédito – Banco (Ativo) 1.500,00 • Contemplação do veículo Débito – Veículos (Ativo) 90.000,00 Crédito – Direitos de consórcio (Ativo) 45.000,00 Crédito – Consórcios a pagar – CP (Passivo) 18.000,00 Crédito – Consórcios a pagar – LP (Passivo) 27.000,00 gabarito 209 3. Valor depreciável = 500.000 – 20.000 = 480.000 Soma dos dígitos = 1+2+3+4+5 = 15 ANO CÁLCULO DEPRECIAÇÃO ANUAL (R$) 1º Ano 5 15 480 000 00� � � � � �� . , 160 000 00. , 2º Ano 4 15 480 000 00� � � � � �� . , 128 000 00. , 3º Ano 3 15 480 000 00� � � � � �� . , 96 000 00. , 4º Ano 2 15 480 000 00� � � � � �� . , 64 000 00. , 5º Ano 1 15 480 000 00� � � � � �� . , 32 000 00. , Total 480 000 00. , Depreciação do primeiro mês = 160.000 / 12 = 13.333,33 Débito – Produtos em elaboração (Ativo) 13.333,33 Crédito – Depreciação acumulada (Ativo) 13.333,00 4. C. 5. E. gabarito 210 UNIDADE 3 1. Aplicação financeira: Débito – Aplicação financeira de liquidez imediata (Ativo) 250.000,00 Crédito – Banco (Ativo) 250.000,00 Rendimento obtido: Débito – Aplicação Financeira de Liquidez Imediata (Ativo) 1.250,00 Crédito – Receitas Financeiras (Resultado) 1.250,00 Imposto de renda retido na fonte: Débito – Impostos sobre aplicação financeira (Resultado) 260,00 Crédito – Aplicação financeira de liquidez imediata (Ativo) 260,00 2. Adiantamento de viagem Débito – Adiantamento de viagens (Ativo) 200,00 Crédito – Caixa (Ativo) 200,00 Prestação de contas Débito – Despesa com hospedagens (Resultado) 90,00 Débito – Despesa com refeições (Resultado) 30,00 Débito – Despesa com combustíveis (Resultado) 40,00 Crédito – Adiantamento de viagens (Ativo) 160,00 Débito – Caixa (Ativo) 40,00 Crédito – Adiantamento de viagens (Ativo) 40,00 3. B. gabarito 211 4. Assinatura do contrato Débito – Assinatura de jornais e revistas a apropriar (Ativo) 1.200,00 Crédito – Outras contas a pagar (Passivo) 1.200,00 Pagamento da parcela do mês janeiro Débito – Outras contas a pagar (Passivo) 200,00 Crédito – Caixa ou Banco (Ativo) 200,00 Reconhecimento da despesa do mês de janeiro Débito – Despesa com jornais e revistas (Resultado) 100,00 Crédito – Assinatura de jornais e revistas a apropriar (Ativo) 100,00 5. (1) Contratação do empréstimo Débito – Banco (Ativo Circulante) 180.000,00 Crédito – Empréstimos a pagar (Passivo Circulante) 180.000,00 (2) Reconhecimento dos juros Débito – Encargos financeiros a transcorrer (Passivo Circulante) 12.000,00 Crédito – Empréstimos a pagar (Passivo Circulante) 12.000,00 (3) Pagamento da primeira parcela Débito – Empréstimos a pagar (Passivo Circulante) 16.000,00 Crédito – Banco (Ativo Circulante) 16.000,00 (4) Apropriação dos juros da primeira parcela Débito – Juros sobre empréstimos bancários (Resultado) 1.000,00 Crédito – Encargos financeiros a transcorrer (Passivo Circulante) 1.000,00 gabarito 212 UNIDADE 4 1. E. 2. Conta Valor (R$) A realizar-se em: Classificação Salários a Pagar 20.000,00 20X2 Passivo Circulante Caixa 1.000,00 20X2 Ativo Circulante Estoques 100.000,00 20X2 Ativo Circulante Veículos 30.000,00 Sem Previsão Ativo Não Circulante Impostos a Pagar 20.000,00 20X2 Passivo Circulante Empréstimos a Pagar 80.000,00 20X2 Passivo Circulante Contas a Receber 40.000,00 20X2 Ativo Circulante Móveis e Utensílios 15.000,00 Sem Previsão Ativo Não Circulante Contas a Receber 5.000,00 20X3 Ativo Não Circulante Financiamentos a Pagar 40.000,00 20X3 Passivo Não Circu- lante Banco 20.000,00 20X2 Ativo Circulante Capital Social 31.000,00 Sem Previsão Patrimônio Líquido Reserva de Lucros 20.000,00 Sem Previsão Patrimônio Líquido BALANÇO PATRIMONIAL ENCERRADO EM 20X1 ATIVO PASSIVO ATIVO CIRCULANTE 161.000,00 PASSIVO CIRCULANTE 120.000,00 Caixa 1.000,00 Salários a Pagar 20.000,00 Banco 20.000,00 Impostos a Pagar 20.000,00 Contas a Receber 40.000,00 Empréstimos a Pagar 80.000,00 gabarito 213 BALANÇO PATRIMONIAL ENCERRADO EM 20X1 ATIVO PASSIVO Estoques 100.000,00 PASSIVO NÃO CIRCULANTE 40.000,00 ATIVO NÃO CIRCULANTE 50.000,00 Financiamentos a Pagar 40.000,00 Realizável a longo prazo 5.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 51.000,00 Imobilizado 45.000,00 Capital Social 31.000,00 Reserva de Lucros 20.000,00 Total do Ativo: 211.000,00 Total do Passivo + PL 211.000,00 3. D. Demonstração de Resultado do Exercício Receita Bruta 140.000,00 (-) Deduções (18.000,00) (-) Tributos sobre as Vendas (18.000,00) (=) Receita Líquida 122.000,00 (-) Custo das Vendas (102.000,00) (=) Lucro Bruto 20.000,00 (-) Despesas Operacionais (20.000,00) (=) Lucro Antes do Resultado Financeiro 0,00 (-) Despesas Financeiras (4.000,00) (=) Lucro Líquido (4.000,00) gabarito 214 4. E. 5. Demonstração de Resultado do Exercício Receita Bruta 380.000,00 (-) Deduções (88.750,00) (-) Tributos sobre as Vendas (81.750,00) (-) Devoluções de vendas (5.000,00) (-) Abatimentos sobre as vendas (2.000,00) (=) Receita Líquida 291.250,00 (-) Custo das Vendas (150.000,00) (=) Lucro Bruto 141.250,00 (-) Despesas Operacionais (45.000,00) (-) Despesas com Vendas (10.000,00) (-) Despesas Administrativas (35.000,00) (=) Lucro Antes do Resultado Financeiro 96.250,00 (-) Despesas Financeiras (2.000,00) (+) Receitas Financeiras 3.500,00 (=) Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro 97.750,00 (-) Tributos sobre o Lucro (5.700,00) (-) Imposto de Renda sobre o Lucro (3.600,00) (-) Contribuição Social sobre o Lucro (2.100,00) (=) Resultado das Operações Continuadas 92.050,00 (-) Despesas não Operacionais (25.000,00) (=) Lucro Líquido 67.050,00 gabarito 215 UNIDADE 5 1. Data: 10/10/X1 Histórico: compra a prazo de 8 ares-condicionados no valor de R$ 1.300,00 cada. Impostos incidentes sobre a compra: 12% de ICMS, 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS. Débito - Mercadorias para revenda 8.190,00 Débito - ICMS a recuperar 1.248,00 Débito - PIS a recuperar 171,60 Débito - COFINS a recuperar 790,40 Crédito - Fornecedores nacionais 10.400,00 Data: 11/10/X1 Histórico: devolução de 2 ares-condicionados que foram adquiridos no dia 10/10. O fornecedor descontou do valor que tem a receber da empresa. Débito - Fornecedores nacionais 2.600,00 Crédito - Mercadorias para revenda 2.047,50 Crédito - ICMS a recuperar 312,00 Crédito - PIS a recuperar 42,90 Crédito - COFINS a recuperar 197,60 gabarito 216 Data: 15/10/X1 Histórico: venda a prazo de 12 ares-condicionados no valor de R$ 1.800,00 cada. Impostos incidentes sobre a venda: 18% de ICMS, 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS. Débito - Duplicatas a receber 21.600,00 Crédito - Receita de vendas 21.600,00 Débito - ICMS sobre vendas 3.888,00 Crédito - ICMS a recolher 3.888,00 Débito - PIS sobre faturamento 356,40 Crédito - PIS a recolher 356,40 Débito - COFINS sobrefaturamento 1.641,60 Crédito - COFINS a recolher 1.641,60 Débito - Custo das mercadorias vendidas 12.856,92 Crédito - Mercadorias para revenda 12.856,92 gabarito 217 Data: 17/10/X1 Histórico: recebimento em devolução de 1 ar-condicionado vendido no dia 15/10. A empresa descontou do valor a receber do cliente. Débito - Devoluções de venda 1.800,00 Crédito - Duplicatas a receber 1.800,00 Débito - ICMS a recolher 324,00 Crédito - ICMS sobre vendas 324,00 Débito - PIS a recolher 29,70 Crédito - PIS sobre faturamento 29,70 Débito - COFINS a recolher 136,80 Crédito - COFINS sobre faturamento 136,80 Débito - Mercadorias para revenda 1.071,41 Crédito - Custo das mercadorias vendidas 1.071,41 gabarito 218 Ficha de Controle de Estoque Mercadorias: Ar-condicionado Critério: MPM Data Descri- ção das Opera- ções Entrada Saída Saldo Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total Quant. Valor Unit. Total 01/ out Saldo inicial 10 1.100,00 11.000,00 10/ out Compra 8 1.023,75 8.190,00 18 1.066,11 19.190,00 11/ out Devolu- ção de compra -2 1.023,75 -2.047,50 16 1.071,41 17.142,50 15/ out Venda 12 1.071,41 12.856,92 4 1.071,40 4.285,58 17/ out Devolu- ção de venda -1 1.071,41 -1.071,41 5 1.071,40 5.356,99 Total: 6 6.142,50 11 11.785,51 5 5.356,99 2. Saldo das contas de impostos ICMS a recuperar 1.248,00 312,00 1.248,00 312,00 936,00 I PIS a recuperar 171,60 42,90 171,60 42,90 128,70 COFINS a recuperar 790,40 197,60 790,40 197,60 592,80 ICMS a recolher 324,00 3.888,00 324,00 3.888,00 3.564,00 PIS a recolher 29,70 356,40 29,70 356,40 326,70 COFINS a recolher 136,80 1.641,60 136,80 1.641,60 1.504,80 gabarito 219 Compensação dos impostos – Livro diário Data: 31/10/X1 Histórico: compensação dos impostos Débito - ICMS a recolher 936,00 Crédito - ICMS a recuperar 936,00 Débito - PIS a recolher 128,70 Crédito - PIS a recuperar 128,70 Débito - COFINS a recolher 592,80 Crédito - COFINS a recuperar 592,80 Compensação dos impostos – Livro razão ICMS a recuperar 1.248,00 312,00 936,00 1.248,00 1.248,00 - - PIS a recuperar 171,60 42,90 128,70 171,60 171,60 - - COFINS a recuperar 790,40 197,60 592,80 790,40 790,40 - 0 ICMS a recolher 324,00 936,00 3.888,00 1.260,00 3.888,00 2.628,00 PIS a recolher 29,70 128,70 356,40 158,40 356,40 198,00 COFINS a recolher 136,80 592,80 1.641,60 729,60 1.641,60 912,00 gabarito 220 3. Saldo das contas de resultado Receita de vendas 21.600,00 21.600,00 21.600,00 ICMS sobre vendas 3.888,00 324,00 3.888,00 324,00 3.564,00 PIS sobre faturamento 356,40 29,70 356,40 29,70 326,70 COFINS sobre faturamento 1.641,60 136,80 1.641,60 136,80 1.504,80 Custo das mercadorias vendidas 12.856,92 1.071,41 12.856,92 1.071,41 11.785,51 Devolução de vendas 1.800,00 1.800,00 1.800,00 Encerramento das contas de resultado – Livro diário Data: 31/10/X1 Histórico: compensação dos impostos Débito - Receita de vendas 21.600,00 Crédito - Encerramento do exercício 21.600,00 Débito - Encerramento do exercício 18.981,01 Crédito - ICMS sobre vendas 3.564,00 Crédito - PIS sobre faturamento 326,70 Crédito - COFINS sobre faturamento 1.504,80 Crédito - Devolução de vendas 1.800,00 gabarito 221 Crédito - Custo das mercadorias vendidas 11.785,51 Débito – Encerramento do exercício 2.618,99 Crédito – Lucros acumulados 2.618,99 Encerramento das contas de resultado – Livro razão Receita de vendas 21.600,00 21.600,00 21.600,00 21.600,00 - - ICMS sobre vendas 3.888,00 324,00 3.564,00 3.888,00 3.888,00 - - PIS sobre faturamento 356,40 29,70 326,70 356,40 356,40 - - COFINS sobre faturamento 1.641,60 136,80 1.504,80 1.641,60 1.641,60 - - Custo das mercadorias vendidas 12.856,92 1.071,41 11.785,51 12.856,92 12.856,92 - - Devolução de vendas 1.800,00 1.800,00 1.800,00 1.800,00 - - Encerramento do exercício 18.981,01 2.618,99 21.600,00 21.600,00 21.600,00 - - Lucros acumulados 2.618,99 2.618,99 2.618,99 gabarito 222 4. A. 5. Balancete de Verificação Conta Saldo Final Débito Crédito Caixa 3.200,00 Banco 19.750,00 Duplicatas a receber 47.820,00 Mercadorias para revenda 88.100,00 Adiantamentos a fornecedores 7.900,00 Seguros a apropriar 21.360,00 Instalações 180.500,00 Máquinas e equipamentos 77.300,00 Veículos 84.000,00 (-) Instalações 4.630,00 (-) Máquinas e equipamentos 1.870,00 (-) Veículos 2.050,00 Fornecedores 62.300,00 ICMS a recolher 8.710,00 Financiamentos a pagar 25.800,00 Salários a pagar 15.480,00 (-) Encargos financeiros a transcorrer 1.500,00 Capital subscrito 380.000,00 (-) Capital a integralizar 30.000,00 Lucros acumulados 60.590,00 Total: 561.430,00 561.430,00 anotações anotações OPERAÇÕES COM ESTOQUE ATIVO IMOBILIZADO OPERAÇÕES FINANCEIRAS E ANTECIPAÇÕES BALANÇO PATRIMONIAL E DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO EXEMPLO PRÁTICO conclusão geral 2et92p0 tyjcwt _GoBack F72787200 F72787201 F72787204 F72787206 F72787208 F72787210 F72787213 F72787216 F72787218 F72787219 F72787220 F72787223 F72787225 _gjdgxs Botão 2: Botão 4: Botão 1: