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Caso Tuskegee Ética e Bioética

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E a bioética naquela época? 
Um grande marco para o avanço da bioética e para problematização da ciência, em 
relação à pesquisa com seres humanos (pode ou não fazer mal?), é estreado nos Estados 
Unidos da América (EUA) em 22 de fevereiro de 1997, cujo título original é “Miss Evers’ 
Boys”, dirigido por Joseph Sargent, com duração de 118 minutos, a ambientação é no 
Alabama, mais precisamente no Condado de Macon, entre os anos de 1932 a 1972, com a 
participação de Alfre Woodard, Laurence Fishburne, Craig Sheffer, Joe Morton, Obba 
Babatunde e Von Coulter. O filme aborda questões sociais, morais, éticas e se passa por 
flashbacks. Essa pesquisa foi conduzida pelo Serviço de Saúde Pública dos EUA e toma 
como base o “Estudo Tuskegee”, que estudava a doença Sífilis - não era tratada em homens 
negros e pobres, mais precisamente 400 portadores e 200 saudáveis, que serviam de 
“cobaias”, após a falta de recursos, os médicos resolveram dar seguimento ao tratamento a 
esse grupo de paciente, entretanto, era oferecido apenas placebo, ou seja, era estudado a 
evolução dessa doença baseada na falta de medicamento, mesmo após o surgimento do 
antibiótico do grupo betalactâmico, à penicilina, o que reafirma a falta de princípios éticos 
pelos então pesquisadores e sobretudo, pelo próprio governo da época, o qual patrocinou 
tamanha atrocidade. É válido ressaltar, que se tratava de um contexto pós crise (Grande 
Depressão de 1929) no qual o país enfrentava dificuldades financeiras e, paralelamente, a 
situação epidemiológica da sífilis se mostrava preocupante, bem como o racismo estrutural 
que ainda era evidente. 
 
Diante dos inúmeros erros que se sucederam nesse evento, tais como omissão de 
informações, envolvimento afetivo, quebra de sigilo, falta de esclarecimento por parte dos 
médicos, dentre outras negligências, pode-se apontar alguns princípios que foram 
alanceados, como a Não-maleficiência a qual versa sobre não causar danos intencionalmente, 
- e na obra em questão ainda que nem todos tivessem consciência do mal que estavam 
causando (como no caso da enfermeira, que tinha boas intenções), no decorrer da pesquisa 
fica nítido que toda a equipe de pesquisadores sabiam dos danos causados, ao deixar de tratá-
los - outro fundamento não seguido foi a Beneficiência, ou seja, não apenas evitar danos, mas 
proporcionar satisfação aos participantes (CASTILHO e KALIL, 2005). O documentário é 
emocionante em várias partes, principalmente no momento que a enfermeira Eunice descobre 
que infelizmente os “cobaias” nunca vão ser medicados, e que a verdadeira função/intenção 
do estudo é estudar o corpo a partir da autópia, fazendo análise cadavérica para comparar 
como a doença se comporta em “voluntários” brancos e “voluntários” negros. Em vários 
momentos do longa, a pesquisa é comparada com os trágicos acontecimentos dos 
experimentos utilizados com prisioneiros de guerras na Segunda Guerra Mundial (1939 a 
1945), em que esses indivíduos eram submetidos a muitas situações como: administração de 
venenos. Ao longo dos anos, houve uma busca pelas instituições de elevar e dar dignidade ao 
ser humano que está submetido às pesquisas, através de padrões éticos, através de Normas e 
Diretrizes. Após o julgamento dos crimes que os nazistas cometeram, houve o início de uma 
regulamentação das pesquisas médicas que submergem os seres humanos, com o Código de 
Nuremberg, que foi proposto por Juízes dos EUA em 1947, correspondendo à dez princípios 
para por exemplo normatizar o experimento e defender o benefício dos participantes desses 
experimentos, bem como a Declaração de Helsinque, aprovada em 1964, reafirmando o 
Código anterior, sobre a regulamentação de pesquisas com seres humanos (ARAUJO, 2003). 
A nível de Brasil, existe desde o Conselho Nacional de Saúde estimulou a formação de uma 
Comissão Nacional de Ética em Pesquisa que é vinculada ao CNS, mas ao mesmo tempo 
independente, e desde então, criou-se os Comitês de Ética em Pesquisa, sendo assim, orgãos 
importantes para proteger a sociedade de possíveis males científicos (CASTILHO e KALIL, 
2005). A partir da Resolução CNS 466/12, o Comitê de Ética em Pesquisa, deve analisar 
todas as pesquisas com seres humanos, com a priorização do respeito e a dignidade humana, 
seguindo as referências dos indivíduos e a coletividade, visando garantir a autonomia, justiça 
e direitos e deveres dos participantes (BRASIL, 1996; CASTILHO e KALIL, 2005). Código 
de Ética Médica, Constituição Federal, dentre outros documentos e Resoluções a nível 
nacional e internacional .. Não há dúvidas dos crimes cometidos nessa experimentação e, 
com os protocolos que existem hoje, muito bem estabelecidos, fica mais alicerçado as críticas 
que se fazem. Sabe-se por exemplo, que atualmente, toda pesquisa biomédica que envolve 
seres humanos, precisa, essencialmente, do Consentimento Livre e Esclarecido, em que os 
sujeitos devem estar a par de toda a natureza da pesquisa, esse Termo de Consentimento 
Livre e Esclarecido(TCLE) é um documento que resguarda tanto o pesquisador, quanto e 
sobretudo, o participante, que tem natureza Ética e Legal (ARAÚJO, 2003) 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
 
● BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução n. 196/96, de 
10 de outubro de 1996. Estabelece as diretrizes e normas regulamentadoras de 
pesquisas envolvendo seres humanos. Brasília, 1996. 
 
● Castilho, Euclides Ayres de e Kalil, JorgeÉtica e pesquisa médica: princípios, 
diretrizes e regulamentações. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 
[online]. 2005, v. 38, n. 4 [Acessado 3 Abril 2022] , pp. 344-347. Disponível em: 
<https://doi.org/10.1590/S0037-86822005000400013>. Epub 03 Ago 2005. ISSN 
1678-9849. https://doi.org/10.1590/S0037-86822005000400013. 
● Araújo, Laís Záu Serpa deAspectos éticos da pesquisa científica. Pesquisa Odontológica 
Brasileira [online]. 2003, v. 17, suppl 1 [Acessado 4 Abril 2022] , pp. 57-63. Disponível 
em: <https://doi.org/10.1590/S1517-74912003000500009>. Epub 21 Ago 2003. ISSN 
1517-7491. https://doi.org/10.1590/S1517-74912003000500009. 
 
 
 
 
Pensamentos 
 
Macon, estado do Alabama nos EUA. Tem esse nome devido ao Hospital Tuskegee, local 
onde ocorreram a maioria dos fatos. 
 
Toda polêmica aconteceu devido ao estudo realizado em uma comunidade de negros pobres, 
seiscentos no total, sendo 399 portadores de sífilis e 201 saudáveis (grupo controle) sobre os 
efeitos da Sífilis. O objetivo era "provar" que os negros não tinham "sangue ruim" como lhes 
era dito durante o consentimento para participarem da pesquisa. 
 
Datas que devem ser lembradas: 
(1928) Descoberta da Penicilina; 
(1932) Início do estudo; 
(Final da década de 1930 e início da década de 1940) Comercialização da Penicilina, 
medicamento que curava a sífilis; 
(1972) Término do estudo. 
 
Após quarenta anos, a maior parte dos indivíduos da pesquisa estava morta por complicações 
da doença, além de terem seu diagnóstico omitido e o tratamento negado. Este fato abriu um 
grande debate sobre "Pesquisa em Humanos" 
 
de 1940 a 1972, no Tuskegee Study, em Alabama, EUA, cerca de 400 negros, a maioria 
analfabeta, com sífilis foram seguidos sem qualquer tratamento, visando a estabelecer a 
história natural da sífilis, apesar do surgimento em larga escala da penicilina, em 1945. Esse 
fato só foi descoberto em 19723. 
 
https://doi.org/10.1590/S0037-86822005000400013
https://doi.org/10.1590/S0037-86822005000400013
https://doi.org/10.1590/S1517-74912003000500009
● Procurar ficha técnica do filme 
● Falar um pouco da sífilis 
● Contexto social e econômico da época 
● Artigos sobre o filme 
 
Pontos relevantes: 
● Caso Tuskegee - pesquisa com seres humanos. 
● Em 1932, acreditava-se que a alta mortalidade e a incidência de doenças entre agro-
americanos eram prova de que eles eram "biologicamente inferiores" aos brancos.
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