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g o v e r n o d o e s ta d o d e s ã o pa u l o 1 Garçom 1 Garçom emprego Turismo e hospiTalidade GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO Geraldo Alckmin Governador SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA Rodrigo Garcia Secretário Nelson Baeta Neves Filho Secretário-Adjunto Maria Cristina Lopes Victorino Chefe de Gabinete Ernesto Masselani Neto Coordenador de Ensino Técnico, Tecnológico e Profissionalizante GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO Geraldo Alckmin Governador SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA Rodrigo Garcia Secretário Nelson Baeta Neves Filho Secretário-Adjunto Maria Cristina Lopes Victorino Chefe de Gabinete Ernesto Masselani Neto Coordenador de Ensino Técnico, Tecnológico e Profissionalizante Concepção do programa e elaboração de conteúdos Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia Coordenação do Projeto Equipe Técnica Juan Carlos Dans Sanchez Cibele Rodrigues Silva, João Mota Jr. e Raphael Lebsa do Prado Fundação do Desenvolvimento Administrativo – Fundap Gestão do processo de produção editorial Fundação Carlos Alberto Vanzolini CTP, Impressão e Acabamento Imprensa Oficial do Estado de São Paulo Wanderley Messias da Costa Diretor Executivo Márgara Raquel Cunha Diretora de Políticas Sociais Coordenação Executiva do Projeto José Lucas Cordeiro Equipe Técnica Ana Paula Alves de Lavos, Emily Hozokawa Dias e Laís Schalch Textos de Referência Selma Venco, Clélia La Laina, Dilma Fabri Marão Pichoneri e Paula Marcia Ciacco da Silva Dias Antonio Rafael Namur Muscat Presidente da Diretoria Executiva Alberto Wunderler Ramos Vice-presidente da Diretoria Executiva Gestão de Tecnologias aplicadas à Educação Direção da Área Guilherme Ary Plonski Coordenação Executiva do Projeto Angela Sprenger e Beatriz Scavazza Gestão do Portal Luiz Carlos Gonçalves, Sonia Akimoto e Wilder Rogério de Oliveira Gestão de Comunicação Ane do Valle Gestão Editorial Denise Blanes Equipe de Produção Assessoria pedagógica: Ghisleine Trigo Silveira Editorial: Adriana Ayami Takimoto, Airton Dantas de Araújo, Amanda Bonuccelli Voivodic, Beatriz Chaves, Beatriz Ramos Bevilacqua, Bruno de Pontes Barrio, Camila De Pieri Fernandes, Carolina Pedro Soares, Cláudia Letícia Vendrame Santos, Lívia Andersen França, Lucas Puntel Carrasco, Mainã Greeb Vicente, Patrícia Pinheiro de Sant’Ana, Paulo Mendes e Tatiana Pavanelli Valsi Direitos autorais e iconografia: Aparecido Francisco, Beatriz Blay, Fernanda Catalão, Juliana Prado, Olívia Vieira da Silva Villa de Lima, Priscila Garofalo, Rita De Luca e Roberto Polacov Apoio à produção: Luiz Roberto Vital Pinto, Maria Regina Xavier de Brito, Valéria Aranha e Vanessa Leite Rios Diagramação e arte: Jairo Souza Design Gráfico Agradecemos aos seguintes profissionais e instituições que colaboraram na produção deste material: Apolo Utensílios Profissionais, Arnaldo Borges Filho, Della Bruna, Di Pratos Multinox Equipamentos para Restaurantes, Gerson Bonilha Junior, Linson Hotel, Marcel Restaurant, Melissa Galdino de Souza, Morumbi Grill, Pandolfi Restaurante e Rotisseria, Requinte, Tramontina S/A, Robson Alexandre Divino e Vico d’o Scugnizzo Caro(a) Trabalhador(a) Estamos felizes com a sua participação em um dos nossos cursos do Programa Via Rápida Emprego. Sabemos o quanto é importante a capacitação profissional para quem busca uma oportunidade de trabalho ou pretende abrir o seu próprio negócio. Hoje, a falta de qualificação é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo desempregado. Até os que estão trabalhando precisam de capacitação para se manter atualizados ou quem sabe exercer novas profissões com salários mais atraentes. Foi pensando em você que o Governo do Estado criou o Via Rápida Emprego. O Programa é coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, em parceria com instituições conceituadas na área da educação profis- sional. Os nossos cursos contam com um material didático especialmente criado para facilitar o aprendizado de maneira rápida e eficiente. Com a ajuda de educadores experientes, pretendemos formar bons profissionais para o mercado de trabalho e excelentes cidadãos para a sociedade. Temos certeza de que iremos lhe proporcionar muito mais que uma formação profissional de qualidade. O curso, sem dúvida, será o seu passaporte para a realização de sonhos ainda maiores. Boa sorte e um ótimo curso! Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia Caro(a) Trabalhador(a) Vamos começar uma etapa de muitas aprendizagens! Neste Caderno, teremos a oportunidade de tratar da ocupação de garçom. Um garçom precisa desenvolver uma série de qualidades que vão facilitar muito o exercício dessa ocupação, pois, além de saber anotar um pedido, precisa dominar diversas práticas relativas à atividade, como manter boa comunicação, conhecer técnicas e serviços utilizados em restaurantes, entre outros aspectos importantes que possam contribuir para uma formação profissional mais sólida. O Programa Via Rápida Emprego parte do princípio de que, para iniciar sua carreira ou aperfeiçoar aquilo que você já sabe fazer em uma ocupação, é preciso informar-se melhor sobre as etapas da atividade. Isso dará mais chances de obter um emprego estável ou ser bem sucedido em caso de trabalho autônomo, possibi- litando cada vez mais se aperfeiçoar. Na Unidade 1, você vai conhecer um pouco da história da ocupação de garçom e a origem de um de seus principais locais de trabalho: o restaurante. Em seguida, na Unidade 2, você se informará sobre as várias atividades da ocupação de garçom e o que se espera desse profissional nos dias de hoje. Na Unidade 3, você será convidado a conhecer os diversos ambientes de trabalho em que encontramos os profissionais desse ramo e, na Unidade 4, serão apresenta- dos os procedimentos e a rotina que os garçons precisam dominar para exercer essa ocupação. Também é importante conhecer os materiais e equipamentos utilizados no cotidia- no de um garçom, que é o tema da Unidade 5. A Unidade 6 abordará as boas práticas de higiene dos alimentos em geral, algo es- sencial para a manutenção da limpeza e para garantir que nenhum ingrediente seja contaminado. Bons estudos! Sum á ri o Unidade 1 9 A históriA do turismo e dA ocupAção de gArçom Unidade 2 37 Quem é o gArçom hoje? Unidade 3 65 o gArçom e seu Ambiente de trAbAlho Unidade 4 77 rotinA e procedimentos do gArçom Unidade 5 93 o mAteriAl do gArçom Unidade 6 117 boAs práticAs de higiene FICHA CATALOGRÁFICA Tatiane Silva Massucato Arias - CRB-8/7262 São Paulo (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia. Via Rápida Emprego: turismo e hospitalidade: garçom, v.1. São Paulo: SDECT, 2013. il. - - (Série Arco Ocupacional Turismo e Hospitalidade) ISBN: 978-85-65278-98-0 (Impresso) 978-85-8312-006-3 (Digital) 1. Ensino Profissionalizante 2. Turismo e Hospitalidade – Qualificação Técnica 3. Garçom – Mercado de Trabalho I. Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia II. Título III. Série. CDD: 647.2 gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 9 unida d e 1 A história do turismo e da ocupação de garçom A história do turismo: viagens e hotelaria Você é capaz de imaginar quando, pela primeira vez, um ser humano deixou sua habitação e, deslocando-se no que seria sua primeira “viagem”, necessitou de condições favoráveis para des- cansar, alimentar-se, proteger-se ou apenas passar a noite, por exemplo, em outro lugar que não a sua própria casa? Maurice Bonvoisin (Mars). Tomando refresco no terraço de um café parisiense, c. 1890. Litogravura integrante da obra Paris Brillant. Paris, França. © U ni ve rs al H is to ry A rc hi ve /U IG /B ri dg em an A rt L ib ra ry /K ey st on e 10 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gAr ç o m 1 Ou talvez, em lugar de casa, fosse melhor falarmos em caverna? Para termos uma ideia de quando isso aconteceu, é preciso pensar na própria his- tória da humanidade, pois se acredita, atualmente, que o ser humano surgiu pri- meiro em um continente e de lá migrou em várias direções, vindo a se espalhar por todos os cantos do planeta. Depois, ao criar as primeiras e rudimentares embarcações, veio a ocupar também ilhas em pleno mar. Em épocas remotas, o homem era nômade – isto é, não tinha moradia fixa –, deslocando-se de um lugar para outro em busca de alimento. Tanto que, se con- siderarmos o continente americano, por exemplo, a teoria mais difundida sobre sua ocupação é a de que o homem habitou primeiro o norte da América e continuou o trânsito migratório descendo em direção ao sul, alcançando a América Central e a América do Sul, e, desta, partindo rumo ao extremo sul do continente. Tribos nômades: homem puxa um animal capturado. Ao fundo, um grupo no lago remando numa canoa. Anônimo. Diorama da Children’s Gallery, c. 1993. Museu de Ciência de Londres, Inglaterra. © S ci en ce & S oc ie ty P ic tu re L ib ra ry /G et ty Im ag es gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 11 Em meio a essa trajetória pelo planeta, o homem foi se “hospedando”, em caráter temporário, em locais cujas condições lhe permitissem satisfazer sua necessidade de segurança, alimentação e repouso, buscando, possivelmente, situações mais confor- táveis para si em tais ocasiões. Milhares de anos mais tarde, o homem, já considerado moderno, perceberia ser possível preestabelecer locais e instalações, assim como serviços, que garantiriam condições cada vez mais confortáveis para si em seus deslocamentos, para os quais haveria cada vez mais motivações diferentes daquelas da primeira “viagem” humana. Segundo se acredita, o Homo erectus teria colonizado a atual África, sendo depois superado pelo Homo sapiens. Este, cerca de 100 a 130 mil anos atrás, teria se espalhado pelo resto do planeta, colonizando-o, com exceção da Antártida. Antropólogos estrangeiros em geral concordam ao afirmar que nas Américas essa colonização teria ocorrido entre 18 e 20 mil anos atrás – o homem de origem mongol, oriundo da Ásia, teria alcançado as Américas pela Beríngia – região que hoje abrange o Estreito de Bering e as Ilhas Aleutas, entre o noroeste da América do Norte e o nordeste da Ásia –, que, na época, não estava sub- mersa pelo oceano. Entretanto, Niède Guidon (1933- ), renomada arqueóloga brasileira, encontrou vestígios de fogueiras cuja análise indicou terem cerca de 60 mil anos e, além de revelarem indícios de o fogo ter sido provocado e controlado pelo homem, ainda apresentam vestígios de pedras trabalhadas que, segundo a arqueóloga, seriam de indivíduos de origem australoide-negroide, oriundos da África. Homo erectus. Homo sapiens. Ilu st ra çõ es : © E nc yc lo pa ed ia B ri ta nn ic a/ U IG /B ri dg em an A rt L ib ra ry /K ey st on e 12 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Tem um lugarzinho aí? – o surgimento da hospedagem Quando se fala em viagem, logo associamos, quase in- voluntariamente, ideias de turismo e hospitalidade. Para historiadores, a hospedagem, como hoje a entende- mos – atividade econômica do setor terciário de comércio e serviços –, teria se iniciado a partir do século VII (7) a.C. (antes de Cristo), em razão da realização de um even- to que então ocorria a cada quatro anos na história con- temporânea: as Olimpíadas. Mapa de parte da Europa com destaque para a Grécia. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Atlas geográfico escolar. 5. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009, p. 43. [Mantida a grafia original.] Surgidas na Grécia antiga, as Olimpíadas motivavam pes- soas a se deslocarem pelo país até a cidade de Olímpia, fosse para participar dos jogos ou para assisti-los. Evidentemente, essas pessoas necessitavam de hospedagem, alimentação e outros serviços, tanto em Olímpia quanto em outros locais ao longo do percurso. Os que viajavam com o objetivo de assistir aos jogos certamente estavam praticando turismo. Em Olímpia, na época, teriam sido edificados balneários e uma enorme estalagem, algo com área aproximada de 10 mil quilômetros quadrados. Balneário: Estabelecimento para banho. © IB G E gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 13 Dessa maneira, foram sendo criadas estruturas próprias para atender à demanda desses visitantes, o mesmo ocorrendo séculos depois, no Império Romano. Um bom exemplo para se compreender formas mais antigas e rudimentares de abrigar os viajantes e as mercadorias que transportavam são os caravançarás, como mostra a pintura a seguir. Ruínas da cidade de Olímpia, Grécia. Richard Dadd. Caravançará em Mylasa, Turquia, 1845. Óleo sobre painel, 21,3 cm x 30,5 cm. Centro de Arte Britânica, Yale, EUA. © W al te r Z er la /E as yp ix © B ri dg em an A rt L ib ra ry /K ey st on e © B ri dg em an A rt L ib ra ry /K ey st on e 14 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 A expansão do Império Romano levou à criação de inú- meras vias de interligação entre os locais conquistados, permitindo o transporte e o comércio entre eles, além de ter tornado necessária a criação de estruturas de apoio a viajantes, mercadores, militares etc. Assistir a circos e lutas de gladiadores ou frequentar bal- neários também motivavam inúmeras viagens. A rede de vias construída foi se estendendo por todo o Império, e provavelmente se deve a esse fato o surgimento da frase “Todos os caminhos levam a Roma”. Com a propagação do cristianismo, houve aumento das peregrinações, muitas em direção à Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, erguida em 326 d.C. (depois de Cristo) pelo imperador Constantino (280-337 d.C. [depois de Cristo]). No século VI (6), os peregrinos passaram a se dirigir também a Roma – daí o termo romeiro. As ordens religiosas mantinham, na época, abrigos para viajantes, pobres e doentes, os chamados hospitais. Com o aumento das viagens, esses locais, muitas vezes junto a mosteiros, tornavam-se incapazes de atender a todos os necessitados e terminavam por se dividir em abrigos para os enfermos, hospitais, e os abrigos para os demais, os albergues. A hospedagem, que era gratuita e feita por caridade, só futuramente passaria a ser cobrada. Antiga Via Appia. Você sabia? O termo hospitalidade surgiu no Império Roma- no e deriva de hospitali- tatis, palavra em latim que pode ser traduzida como “ato de acolher, de hospedar”. Hospitium era o lugar, à margem das antigas estradas roma- nas, em que os viajantes encontravam abrigo, ali- mentação e até mesmo tratamento médico; era também chamado de “hospedagens” ou “pou- sadas”. Hóspede deriva de hospitus; estábulo, de stabulum, lugar onde se acomodavam as monta- rias; taberna, de taber- nae, estabelecimento situado à beira da estra- da, fora dos povoados, em que se vendiam pro- dutos locais, comidas e bebidas em geral. Fonte: Confederação Nacional do Comércio (CNC). Breve história do turismo e da hotelaria. Rio de Janeiro: CNC, 2005. Disponível em: <http://www.cnc.org.br/sites/ default /f iles/arquivos/breve historicodoturismoedahotelaria. pdf>. Acesso em: 12 jun. 2013. © M ar co S ca ta gl in i/ E as yp ix gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 15 No século XIII (13), mais especificamente em 1282, em Florença (Itália), foi cria- da a primeira instituição que reuniria proprietários de estabelecimentos de hospe- dagem. Tratava-se de um grêmio de donos de pousadas. Ruínas do antigo Hospital del Rey, fundado por Afonso VIII (8o), em 1195. Atualmente faz parte do campus da Universidade de Burgos, Espanha. Mapa de parte da Europa com destaque para a Itália. Instituto Brasileirode Geografia e Estatística (IBGE). Atlas geográfico escolar. 5. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009, p. 43. Antes disso, entretanto, em 1254, já vigoravam leis que regulamentavam os serviços de hospedagem na França. Dois séculos mais tarde, em 1446, o mesmo se daria na Inglater- ra. Nesse país, no século XVI (16), os hospedeiros passariam a ser considerados hoteleiros. © X av ie r F lo re ns a/ E as yp ix © IB G E 16 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Embora as primeiras viagens tivessem ocorrido, como vimos, em função de sobre- vivência, negócios, lazer, desejo de ir a espetáculos e fé, outras motivações surgiram no decorrer do tempo, como as trazidas pelo Renascimento, no século XVI (16), que introduziria o conceito de viagem com objetivo artístico-cultural, uma vez que, no período, as manifestações artísticas tinham se multiplicado na Europa. Roma e Florença passaram a ser destinos privilegiados pelas elites. Atividade 1 Renascimento Em dupla, no laboratório de informática, façam uma pesquisa sobre o Renascimen- to e respondam às questões a seguir. 1. O que foi o Renascimento? 2. Quando e onde surgiu? 3. Por que foi assim denominado? 4. O que e quais artistas se destacaram no período? Surge um novo conceito: hotelaria O desenvolvimento das ferrovias na Europa, no início do século XIX (19), bem como o surgimento das embarcações movidas a vapor, na segunda metade do século, fi- zeram com que a estrutura de hospedagem, boa parte concentrada à beira de gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 17 estradas, se transferisse para os arredores de estações e portos. Um novo conceito de hotelaria surgiu, primeiro na Europa e, depois, nos Estados Unidos da América (EUA), deixando de ser privilégio dos nobres aristocratas e passando a atender todos os que pudessem pagar por ela. Esse novo conceito – um local de conforto acessível a todos os que tivessem dinhei- ro – foi bem representado pelo hotel Tremont House, inaugurado em 1829, em Boston (EUA), que apresentava, como diferencial, quartos privativos, com portas e fechaduras, para solteiros e casais (até o momento, o comum eram quartos coletivos), além de ser o primeiro hotel a fornecer sabonetes de cortesia aos hóspedes, inaugu- rando, assim, o conceito de amenities (fala-se “amênitis”), ou seja, a oferta de um diferencial aos que lá se instalavam. Hotel Tremont House, demolido em 1895. Boston, EUA. As mudanças na hotelaria, porém, não se restringiram a alterações físicas em hotéis; primaram por um novo diferencial e novos padrões de atendimento, com dignida- de, respeito e prezando a privacidade. Nos anos 1920, nos Estados Unidos da América, Henry Ford (1863-1947) partiu do princípio de que a produção em massa deveria vir acompanhada do consumo em massa. Assim, criou um modelo de carro popular e, com o apoio de estratégias de marketing, passou a associar ideias de bem-estar ao lazer. A criação de mais estradas para automóveis deu espaço, ainda, ao surgimento de vários hotéis e a viagens que ficaram conhecidas como “Stop go Stop” (fala-se “estope gou’stope”) – ao pé da letra, significa: “pare, vá, pare”. B os to n P ub lic L ib ra ry 18 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Após as duas Grandes Guerras, na década de 1950, o desenvolvimento hoteleiro atingiu seu ápice com o esta- belecimento de grandes redes hoteleiras em todo o mundo. Surgimento da hotelaria no Brasil Em nosso País, a ação das bandeiras, que perdurou do fim do século XVI (16) até o início do século XVIII (18), o comércio de escravos e as descobertas de ouro e pedras preciosas contribuíram para a criação de locais para hos- pedagem no interior do País, ao redor dos quais, com o decorrer do tempo, foram surgindo povoamentos que se desenvolveram, tornando-se cidades. Mapa das rotas percorridas pelas bandeiras. ARRUDA, José Jobson de A. Atlas histórico básico. 17. ed. São Paulo: Ática, 2008, p. 39. Se você não se lembra dessa parte da nossa história – quem foram os Bandeirantes –, reveja o Caderno do Trabalhador 5 – Conteúdos Gerais – “Repassando a história”, que trata dessa questão. Disponível em: <http://www.viarapida.sp.gov. br>. Acesso em: 12 jun. 2013. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 19 No Brasil, em 1808, a transferência da corte portu- guesa para o Rio de Janeiro (RJ) e a Abertura dos Portos provocaram grandes alterações na estrutura de hospedagem das estalagens ou casas de pasto do século anterior. Até então valores da cultura portu- guesa eram sinônimo de prestígio social, e um deles era o dever cristão e a tradição de receber os hóspedes com regalias nos próprios domicílios. Inúmeras re- sidências possuíam, assim, quartos de hóspedes, tor- nando a hospedagem uma atividade comercialmente pouco rentável. Pobres e viajantes sem contato com moradores, bem como religiosos em viagem, eram acolhidos em instituições religiosas. Com a chegada da corte, no entanto, a cidade do Rio de Janeiro se tornou a capital e o centro da vida política e econômica do País, com grande movimentação de pes- soas e mercadorias em seu porto, devido ao desenvolvi- mento de atividades comerciais, políticas, científicas, Jean-Baptiste Debret. Mercado da rua do Valongo, 1835. Litogravura, prancha 23 do segundo volume do álbum Viagem Pitoresca ao Brasil. F un da çã o B ib lio te ca N ac io na l. R io d e Ja ne ir o, R J Você sabia? O príncipe regente, ao che- gar ao Brasil, expulsou da própria casa os proprietá- rios das melhores residên- cias para abrigar pessoas de sua comitiva. Esses imó- veis foram sinalizados com as letras P e R na porta, o que, para o povo, significa- va: “prédio roubado” ou “ponha-se na rua”. 20 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 artísticas etc., além dos investimentos financeiros inter- nacionais, tudo levando à criação de diversos estabeleci- mentos voltados à hospedagem. A própria instalação da corte de Portugal, que trouxe ao País cerca de 10 mil pessoas, provocou grandes alterações. Com o decorrer do tempo, os proprietários de edifícios transformaram suas salas em lojas, em muitas das quais se instalaram cafés, de proprietários prioritariamente franceses, além de outros estabelecimentos comerciais ligados ao ramo da alimentação (o assunto será abordado adiante), e criaram também acomodações para hospeda- gem nos andares superiores, as quais conviveram com os albergues anteriormente existentes, mas essa estrutura não oferecia as mesmas condições de conforto e hospedagem que as disponíveis no exterior. Mais tarde, algumas man- sões, parte das quais antes ocupada por nobres, foram transformadas em hotéis de luxo, aproveitando-se o fato de estarem, na maioria, afastadas do centro e tendo como privilégio suas características de requinte, inserção em áreas menos ocupadas, com cenário paisagístico atraente etc. O transporte até essas áreas era feito por meio de tração animal com rotas de bondes, diligências. Origens da hotelaria No início do século XIX (19), o termo hotel – do francês hôtel – passou a ser utilizado para designar estabeleci- mentos voltados à hospedagem. O suíço César Ritz (1850-1918) é considerado o “pai da hotelaria”, pois foi responsável por criar os principais conceitos para hotéis de luxo na França, quando ocupou cargos de destaque no gerenciamento de importantes estabelecimentos. Os principais conceitos criados por Ritz foram: quartos amplos, toaletes conjugados aos quartos e criação da recepção do hotel, de forma a centralizar todo o atendi- mento ao cliente. Diligência: Veículo puxado por cavalo para transporte de pessoas, bagagens etc. Você sabia? Para se hospedar em ca- sas de família em São Paulo, no século XIX (19), as pessoas deviam trazer consigo uma carta de re- comendação. Ficar em casas particulares era umaalternativa para escapar das difíceis condições de higiene e acomodação oferecidas pelas hospeda- rias da época. Para saber mais, visite o site do Arquivo Histórico Municipal. Dispo- nível em: <http://www.arquiamigos. org.br/info/info24/i-estudos.htm>. Acesso em: 12 jun. 2013. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 21 Em 1898, ele criou em Paris, na França, um hotel que levou seu nome, sendo transformado com rapidez em uma rede com filiais em cidades turísticas como Londres (Inglaterra) e Madri (Espanha). Hotel Ritz. Paris, França. Anúncio da São Paulo Railway Company no jornal A Província de São Paulo, 19 mar. 1889, p.3. Origens da hotelaria no Brasil No Brasil, por volta do século XIX (19), alguns hotéis começam a se destacar. A partir de 1867, o setor passou a se beneficiar nessa região com a criação da São Paulo Railway Company, mais tarde Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, voltada para o transporte do café para exportação; e, algumas décadas depois, com as construções do Hotel Terminus, com mais de 200 quartos, e do Hotel Esplanada, com 250 quartos, situado atrás do Theatro Municipal de São Paulo, tendo instalações luxuo- sas para seus três restaurantes e salão de chá, que se transformaria, mais tarde, em um ponto de encontro de artistas, de homens de negócio e de intelectuais. © D ir ec tp ho to .o rg /A la m y/ G lo w Im ag es © A rq ui vo /A E 22 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 No Rio de Janeiro, um hotel que se tornou famoso foi o Pharoux. Aberto em 1817, iniciou como restaurante para, dois anos depois, passar a ter acomodações de hos- pedagem. Antigo Hotel Esplanada na Praça Ramos de Azevedo, em São Paulo (SP). Friedrich Pustkow. Hotel Pharoux, Vistas do Rio de Janeiro, século XIX (19). Coleção Pustkow, Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro (RJ). Também no Rio de Janeiro, em 1835, o Hotel da Itália, bem como outros depois dele, começou a apresentar bandas de música e a promover os primeiros bailes carnavalescos em suas dependências, estabelecendo uma nova alternativa para as elites locais e para a atividade do setor. Na cidade do Rio de Janeiro, faltavam hotéis na virada do século (de 1899 para 1900). O problema foi tão grande que o governo, em 1907, criou a isenção de im- postos e emolumentos municipais, válida por sete anos, para os cinco primeiros grandes hotéis que fossem construídos. A ce rv o M em ór ia V ot or an ti m F un da çã o B ib lio te ca N ac io na l. R io d e Ja ne ir o, R J gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 23 Outro fator, além da medida do governo, também serviu de incentivo: o surgimen- to, em 1908, do Statler Hotel, em Buffalo (EUA), considerado o primeiro hotel moderno, dispondo de portas corta-fogo, fechaduras em todas as portas, interruptor de luz ao lado das portas, banheiro privativo nos apartamentos, água corrente, es- pelho de corpo inteiro, geladeira, telefone etc. Seu proprietário havia lançado um slogan que se tornaria famoso: “A room and a bath a dollar and a half ”, isto é: “Um quarto e um banheiro por um dólar e meio”. Nome Significado Como se fala Room Quarto Rum Bath Banheiro Béf Bathroom Banheiro Béf rum Half Metade Réf Isso funcionou como um incentivo e, em 1908, foi inaugurado o Hotel Avenida, considerado o maior hotel do Brasil, seguido pelo Hotel Glória, inaugurado em agosto de 1922, e pelo Copacabana Palace, de 1923. Hotel Avenida, 1952. Rio de Janeiro (RJ). Como já ocorrido décadas antes no Rio de Janeiro, a hotelaria conseguiu se incor- porar à vida das elites das cidades. © A rq ui vo /A gê nc ia O G lo bo 24 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 O Hotel Glória, empreendimento da mesma empresa dos hotéis Palace, teria sido o primeiro a adotar os ser- viços de governança, contratando uma governanta de origem portuguesa; já o Copacabana Palace constituiria um marco na área da governança, introduzindo o estilo europeu de administração hoteleira. Hotel Glória na época de sua inauguração. Rio de Janeiro (RJ). A década de 1920 ainda contou com o surgimento da Sociedade Brasileira de Turismo (posteriormente Touring Club do Brasil), que desempenhou papel importante na divulgação do turismo e da hospitalidade no País, vindo a se constituir o primeiro órgão oficial de turismo brasi- leiro, ao ser nomeado pelo governo federal para o papel de instituição de fomento nessa área na América do Sul; e o surgimento de companhias de aviação, que também promoveram as viagens e, consequentemente, o seu desenvolvimento. Além desses dois acontecimentos relevantes, o surgimen- to de cassinos no Brasil abriu espaço para a criação de inúmeros hotéis e, além deles, dos hotéis-cassinos, que geraram empregos diretos e indiretos no setor. F un da çã o B ib lio te ca N ac io na l. R io d e Ja ne ir o, R J Para aprofundar seus conhecimentos sobre a história da hotelaria, procure leituras complementares, por exemplo, o livro de Luiz Gonzaga Godoi Trigo: Viagem na memória – guia histórico das viagens e do turismo no Brasil (São Paulo: Senac São Paulo, 2002). Trata-se de um guia histórico das viagens e do turismo no Brasil. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 25 Com a proibição dos jogos de azar, em 1946, por parte do governo federal, houve uma avalanche de falências em hotéis, a exemplo do Hotel Quitandinha, em Petró- polis, no Rio de Janeiro, e do Grande Hotel, em Águas de São Pedro, no Estado de São Paulo, entre outros. Grande Hotel, Águas de São Pedro (SP). Datas importantes para o turismo no Brasil: criação de associações e empresas 1936 Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih) 1945 Confederação Nacional do Comércio, que em 1955 criou o Conselho de Turismo e Federação Nacional dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares 1953 Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) 1958 Comissão Brasileira de Turismo (Combratur) 1966 Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), voltada ao planejamento e à execução da Política Nacional de Turismo 2004 Câmara Empresarial do Turismo, com vistas a modernizar o setor Fontes: Confederação Nacional do Comércio (CNC). Breve história do turismo e da hotelaria. Rio de Janeiro: CNC, 2005. Disponível em: <http://www.cnc.org.br/sites/default/files/arquivos/brevehistoricodoturismoedahotelaria.pdf>; Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). História. Rio de Janeiro: CNC, 2013. Disponível em: <http://www.cnc.org.br/cnc/sobre-cnc/historia>. Acesso em: 12 jun. 2013. A ce rv o S en ac 26 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Atividade 2 QuebRando a cabeça 1. Em grupo de até cinco pessoas, reflitam sobre as motivações para viagens na atualidade, respondendo às questões a seguir. a) Quais são, na opinião de vocês, as necessidades dos viajantes ou hóspedes na atualidade? b) Quais são, na opinião do grupo, as condições ideais de hospedagem? 2. Compartilhem com os demais grupos suas respostas. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 27 Atividade 3 Viagens, hospedagem e hotelaRia Até aqui, você conheceu alguns aspectos do surgimento das viagens, da hospedagem e da hotelaria. Faça aqui um resumo das informações que considerou importantes para sua formação profissional. A história da ocupação de garçom O conceito que temos hoje sobre serviços – setor da econo- mia no qual está inserida a ocupação de garçom – é bastan- te recente. Sobretudo nas últimas três décadas, o setor foi responsável por mudanças que podem ser percebidas nas áreas econômica, social e cultural do País e do mundo. Em outros tempos, em outros séculos, a concepção de serviços era diferente, sendo muito mais associada às formas de trabalho baseadas na servidão, e atémesmo na escravidão, do que à prestação de serviços tal como conhecemos hoje. Por isso, antes de nos determos mais nas especificidades técnicas do trabalho de garçom, vamos dedicar um pou- co mais do nosso tempo a fazer uma viagem histórica, que nos ajudará a compreender como o campo de atua- ção do garçom se formou. Além disso, faremos também uma reflexão sobre ques- tões ligadas ao mundo do trabalho, que nos ajudará a conhecer melhor as relações presentes no mercado de trabalho atual. Você sabia? Para fins de análise, a economia é dividida em três grandes setores: [...] • setor primário: corres- ponde às atividades re- lacionadas à produção de matérias-primas, incluin- do agricultura, avicultura, pesca, pecuária, silvicul- tura, mineração e os agronegócios em geral; • setor secundário: corres- ponde às atividades de transformação das ma- térias-primas, incluindo, portanto, indústrias e construção civil; • setor terciário: corres- ponde às atividades de comércio e oferta de serviços. Fonte: SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (SDECT). Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho: Geografia, História e Trabalho: 6o ano do Ensino Fundamental. São Paulo: SDECT, 2011. Silvicultura: Cultivo de ár- vores florestais. © iDicionário Aulete. <www.aulete.com.br> 28 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Feudalismo e servidão Leia o texto a seguir para saber um pouco mais sobre o período da história conhecido como feudalismo, no qual predominavam as relações de servidão. Você sabia? O feudalismo também é conhecido por Idade Mé- dia, período da história europeia entre o fim do Império Romano do Oci- dente, no século V (5), e o início das descobertas marítimas, no século XV (15). O termo média é jus- tamente utilizado no sen- tido de estar no meio, entre a Antiguidade clás- sica (o mundo grego e romano) e o mundo mo- derno, quando se inicia a passagem para o capita- lismo. Falar Idade Média é o mesmo que dizer “Ida- de ou Europa Medieval”. Carcassone, cidade francesa do período medieval, restaurada no século XIX (19). A sociedade feudal na Europa era dividida por critérios sociais completamente distintos da nossa, que valorizavam a condição de nascimento e a religião. As relações de trabalho naquela época não eram capitalistas nem escravas: o que existia era a servidão [...]. Vale dizer [...] que os servos eram responsáveis por todo o trabalho braçal e que eles jamais pertence- riam à nobreza, pois essa condição era determi- nada pelo nascimento. Aos nobres atribuía-se o dever de proteção aos servos. Por quase todo o tempo que durou o feudalismo, praticamente não houve trabalho assalariado, tal como o conhecemos hoje. A relação de trabalho baseava-se em uma série de obrigações dos servos para com os seus senhores, entre as quais trabalhar na terra dos nobres e pagar tributos em forma de produtos. Essas relações econômicas que envolviam a pres- tação de trabalho estavam misturadas com as Nobreza: Classe de pessoas que, por nascimento ou con- cessão do soberano, gozavam de certos privilégios ou pos- suíam títulos que as diferen- ciavam das demais pessoas. No feudalismo, a nobreza era privilegiada, assim como o clero, pois recebia dos reis muitas regalias, como terras e isenção de tributos. © J on at ha n B la ir /C or bi s/ L at in st oc k gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 29 relações religiosas, na medida em que as ideias que justificavam essa divisão social eram formuladas pela Igreja. Assim, por maiores que fossem as diferenças entre os grupos sociais que compunham a socieda- de feudal, eles estavam unidos pelo cristianismo. […] Em termos da produção, os feudos eram divididos em três partes: o domínio, o manso servil e a terra comum. Se tiver oportunidade, assista ao filme Robin Hood (direção de Ridley Scott, 2010). É uma adaptação da lenda de um herói que, com seu arco e flecha, roubava dos ricos para dar aos pobres. O castelo fortificado, onde morava a família do senhor feudal, geralmente era construído na parte mais alta do feudo. Abaixo e ao redor dele ficavam as terras produtivas, nas quais, em troca da proteção conferida pelo senhor e do direito de poderem trabalhar em suas próprias terras, os camponeses dedicavam dias de trabalho por ano, além de dividirem com o senhor feudal parte do que produzissem. O domínio era formado pelas terras cuja produção destinava-se exclusivamente ao senhor feudal e seus dependentes. Os servos trabalhavam neles durante três dias na semana. Essa obrigação era chamada de corveia. Domínio Terra comum Manso servil © L ea nd ro R ob le s/ P in ga do 30 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 O manso servil era o terreno cedido aos servos para a sua subsistência. Geralmente, ele era divi- dido em pequenos lotes denominados “glebas”, onde cada família trabalhava. Metade da produção dos lotes era entregue ao senhor, como uma es- pécie de imposto pelo uso da terra. Essa obrigação era denominada talha. A terra comum servia para a retirada de lenha e madeira para as construções de todos os habitan- tes do feudo, assim como de pasto para os animais. [...] E quais eram as obrigações do senhor feudal na sociedade medieval? Para os servos, o senhor feudal oferecia proteção e a possibilidade de trabalhar as terras do feudo. • Proteção significava que defenderiam o feudo de ataques externos (de outros senhores), mas também a possibilidade de ajudar os servos em casos de emergência. • Possibilidade de trabalho significava que os ser- vos poderiam arar o campo. [...] Um camponês no regime de servidão (servo) não tinha liberdade para mover-se de um feudo a outro e trocar de senhor feudal: as obrigações que assumia com seu senhor feudal o amarra- vam àquela terra. Como decorrência, de forma geral, a vida de um camponês era restrita ao seu feudo e às pessoas com quem convivia no campo e na aldeia. SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (SDECT). Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho: Geo- grafia, História e Trabalho: 6o ano do Ensino Funda- mental. São Paulo: SDECT, 2011, p.99-115. O nome da rosa (Der Name der Rose, direção de Jean-Jacques Annaud, 1986). Filme inspirado no romance de mesmo título, do italiano Umberto Eco, que se passa no período da Idade Média. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 31 Escravidão A escravidão foi outra forma de trabalho que perdurou em todo o mundo durante séculos e também está vin- culada à questão do servir. Ao longo da história da humanidade, ela teve várias facetas, de acordo com cada período histórico e contex- tos social, cultural, político e econômico de cada país que se utilizava desse tipo de relação. Desde a Antiguidade, passando pelo Império Romano, formas de escravidão foram observadas até bem pouco tempo atrás. No Brasil, por exemplo, ela perdurou até o século XIX (19), quando, em 1888, houve a Abolição da Escravatura (quando a escravidão foi abolida oficialmente). Atividade 4 Reflexão sobRe o tRabalho 1. Levando em consideração as questões até aqui discu- tidas sobre servidão e relações de trabalho, responda às questões a seguir. a) Pense em uma sociedade indígena isolada do mundo moderno. Os índios trabalham? Se essa sociedade não conhece o dinheiro, como o trabalho é pago? Você sabia? Mesmo após a Proclama- ção da Independência, em 1822, quando o Brasil se tornou um país indepen- dente de Portugal, o tra- balho escravo continuou a existir no País. Apesar das mudanças que ocor- riam em todo o mundo, e que também influen- ciavam o desenrolar da política e da economia brasileira, ainda foram necessários mais de 60 anos para que essaprática fosse abolida em nosso território. Se você não se lembra dessa parte da nossa história – o período da escravidão no Brasil –, reveja o Caderno do Trabalhador 5 – Conteúdos Gerais – “Repassando a história”, que trata dessa questão. Disponível em: <http://www.viarapida. sp.gov.br>. Acesso em: 12 jun. 2013. 32 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 b) Pense agora na sociedade em que você vive. A chama- da dona de casa trabalha? 2. Discuta com seus colegas a diferença entre trabalho remunerado e não remunerado. Escreva a seguir a que conclusões vocês chegaram. O surgimento da ocupação de garçom A ocupação de garçom, além de pertencer à área de tu- rismo e hospitalidade, guarda também importante rela- ção com outras ocupações da área de gastronomia. Sua origem está diretamente relacionada ao surgimento de restaurantes e às mudanças vivenciadas pela humanidade, ao longo de sua história, em relação aos hábitos alimentares. Como vimos, o ato de servir está presente desde a Anti- guidade, quando o serviço era feito por escravos que serviam seus donos no ambiente doméstico e pelos pro- prietários e seus familiares donos das tabernas, estabele- cimentos comuns do período medieval que ofereciam alimentação e a possibilidade de hospedagem para aque- les que estavam de passagem. Mesmo em dias atuais, as transformações continuam a acontecer. Um exemplo de significativa mudança nos hábitos alimentares das famílias, sobretudo nas últimas três décadas, foi o fato de terem passado a realizar parte das refeições diárias, especialmente o almoço, em Para conhecer mais sobre a história da gastronomia e as ocupações ligadas a esse ramo, acesse o material relativo às ocupações de cozinheiro e barman. Disponível em: <http://www.viarapida.sp.gov. br>. Acesso em: 12 jun. 2013. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 33 restaurantes, e não mais na própria casa. Essa mudança está muito ligada às transformações no mercado de tra- balho, principalmente com o ingresso maciço das mu- lheres, em particular nos anos 1970 e 1980. O século XVIII (18) foi um marco, trazendo grandes modificações para a gastronomia. As refeições começaram a ser servidas de maneira individualizada, abandonou-se o hábito de comer com as mãos, e os alimentos passaram a ser dispostos nos pratos para “encantar o olhar” antes de serem provados. A França, no século XVIII (18), viveu um importante episódio de sua história: a Revolução Francesa. Segundo alguns historiadores, ela teve início em 14 de julho de 1789 (dia que passou a ser feriado nacional na França), quando a população tomou, em Paris, a prisão da Bastilha, conhecida por aprisionar os oponentes da monarquia. Essa revolução, cujo lema era “Liberdade, igualdade e fraternidade”, foi responsável por profundas mudanças políticas e sociais, tendo importante signifi- cado no processo de transição do período feudal para o capitalismo. Se você não se lembra ou deseja conhecer mais sobre essa parte da história mundial – a revolução Francesa –, pode acessar o conteúdo do Caderno do Estudante de História do 7º ano do Programa EJA – Mundo do Trabalho. Disponível em: <http://www. ejamundodotrabalho.sp.gov.br>. Acesso em: 12 jun. 2013. Um homem conhecido como Boulanger fazia o que se chamava, na época [ano de 1765], de “caldos restaura- dores” [consommé – fala-se “consomê”], e colocava mesas nas calçadas para servi-los. Anos mais tarde (1782) Beauvilliers abriu o restau- rante Grande Taverne de Londres. Este foi o pri- meiro restaurante semelhante aos moldes do que temos hoje, com um menu e horários fixos para servir as refeições. Estava, portanto, criado o primeiro restaurante! Fonte: Larousse Gastronomique. Paris: Larousse, 2000, p. 2054-5. A gastronomia passou a ser considerada, portanto, uma área que se dedica ao “conhecimento das leis do estômago”. Essa terminologia da Antiguidade foi expandida no sé- culo XVIII (18) para a arte de preparar os alimentos explorando os sabores que podem oferecer, além, é claro, de se referir aos atos de comer e beber bem. 34 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Os ocidentais comem com talheres; os japoneses, com hashis (palitinhos); os indí- genas, com as mãos. Além de outros animais, no Brasil, apesar da proibição, come- -se carne de tartaruga; na França, carne de cavalo; e os vietnamitas apreciam o sabor da carne de cachorro. Em vários países consomem-se diversos animais e mesmo insetos, que não são alimentos em nosso País. De fato, em gastronomia não há certo nem errado, pois esses hábitos fazem parte das características de cada cultura. Atividade 5 a humanidade e o alimento Leia o texto a seguir e assinale as palavras cujo sentido você não compreendeu. De onde vem o gosto alimentar? Cada sociedade, em cada tempo, tem um hábito alimentar que está ligado não só ao clima e à geografia da região, como também à história dessa população. Os alimentos ingeridos têm uma história que reflete diretamente a época em que se vive. Ao nascer, o ser humano passa por um longo processo de formação do gosto e dos hábitos alimentares, em que os alimentos comuns de sua sociedade passam a ser seus alimentos prediletos e muito saboreados. Assim, a cozinha é um lugar privilegiado onde se pode compreender os hábitos alimentares, suas transforma- ções e permanências ao longo do tempo. Surge um novo conceito: gastronomia A culinária pouco a pouco se tornou uma “ciência” em busca de novas técnicas e foi dando lugar ao que se chama gastronomia. Com o contínuo processo de mudança nos hábitos alimentares e o consequente surgimento do restaurante, apareceu então uma das principais figuras que possibi- litam seu funcionamento: o garçom. Foi nesse momento da história que o ato de servir em estabelecimentos passou a ser função específica do garçom. No Brasil, o surgimento dos restaurantes e, em decorrência, da ocupação de gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 35 garçom seguiu o ritmo da urbanização do País, com maior expansão a partir do século XIX (19) e, princi- palmente, no século XX (20). A chegada da corte portuguesa ao Brasil em 1808, como vimos, foi um momento importante no desenvolvimen- to do País, em especial para a cidade do Rio de Janei- ro, que foi sede da corte de dom João VI (6o) por 13 anos. Para atender aos novos moradores e a seus hábi- tos europeus, houve o crescimento no número de es- tabelecimentos comerciais, entre eles os ligados ao ramo da alimentação, conhecidos à época como leite- rias e confeitarias. Mas foi a partir do século XX (20) que a urbanização do País ampliou-se para além dos principais centros, aumentando o número de estabelecimentos comerciais como restaurantes e bares, ao mesmo tempo que se expandia a ocupação do garçom no País. E o nome garçom, de onde vem? O nome garçom tem origem francesa. Nessa língua, o termo garçon significa rapaz ou garoto, e, no Brasil, foi adaptado de acordo com o sistema linguístico português, transformando-se em garçom, com a letra m no final. Já o feminino de garçom, garçonete, também foi construído com base no francês, pois a terminação ette é utilizada na língua francesa para compor o femi- nino de algumas palavras. Assim, em termos linguísticos, a denominação dessa ocupação pode ser considerada um estrangeirismo. Mas você sabe o que é isso? Já ouviu falar nesse termo? O uso de palavras ou de expressões estrangeiras na nos- sa língua é chamado estrangeirismo. Quando a origem da palavra é o inglês, seu uso pode também ser chamado anglicismo. Em alguns casos, conserva-se a grafia original das palavras, como em email, notebook, marketing etc.; Você sabia? Na França, o termo pa- ra designar garçom é serveur (fala-se “servér”) e garçonete, serveuse (fala-se “servêze”). Linguística: Estudo da lin- guagem e dos princípios geraisde funcionamento e evolução das línguas. © iDicionário Aulete. <www.aulete.com.br> 36 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 outras, no entanto, foram aportuguesadas, como bife (de beef ), nocaute (de knockout), handebol (de handball ), sutiã (soutien) e outras mais. Há escritores e artistas brasileiros que defendem a língua portuguesa sem os chamados estrangeirismos. É o caso do pernambucano Ariano Suassuna (1927- ), autor de Auto da Compadecida (1955), que é contra o uso de americanismos (termos tomados do inglês estadunidense) na nossa língua. Por que você acha que há brasileiros que são contra os americanismos? Papo de garçom Para terminar, um pouco de curiosidade. Alguns autores contam uma história interessante que explica como a denominação garçom se consolidou. Os períodos de guerra são reconhecidamente uma época em que mulheres e jovens precisam trabalhar para substituir a força de trabalho masculina, que acaba tendo de servir nos exércitos. Algumas histórias informam que, na França (país que participou ativamente das duas grandes guerras do século XX (20), a 1a e a 2a Guerras Mundiais), muitos desses jovens encontraram na ocupação de garçom e de atendente uma possibilida- de de trabalho. Assim, quando os clientes precisavam chamar a atenção desses profissionais, acabavam chamando-os por rapaz, ou seja, garçon. Muitos desses restaurantes e bares eram frequentados por soldados de diversas na- cionalidades que, ao voltarem para o país de origem, levaram consigo essa forma de denominar esses trabalhadores. © B el P ed ro sa /F ol ha pr es s gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 37 unida d e 2 Quem é o garçom hoje? Quando pensamos no trabalho do garçom, imediatamente nos vem à mente a ideia de servir. Trata-se daquele profissional que está sempre pronto para nos ajudar. Quer seja em situações de lazer, por exemplo, em um restaurante de hotel, ou mesmo no corre-corre diário dos restaurantes por quilo, lá está ele para nos atender. Aos olhares menos atentos, pode parecer, a princípio, que para realizar as atividades de garçom basta ser simpático, anotar pedidos e fechar a conta. No entanto, nosso intuito neste curso é construir com você um conjunto de conhecimentos que lhe possibilitem ir além ao desempenhar essa ocupação. Para começarmos a pensar sobre quais são as qualificações e os conhecimentos necessários para que o garçom realize o conjun- to de atividades que dele se espera, e que certamente vão além daquelas já citadas, vamos fazer a atividade seguinte. Atividade 1 a cRônica do gaRçom 1. Em grupo, com quatro colegas, leiam a crônica a seguir. Crônica de botequim: o mito do garçom Nenhuma outra figura na história mundial conhece tão bem os segredos e traquejos da noite quanto ele, o Garçom. Também Crônica: Coluna ou seção em revista ou jornal, geral- mente assinada, com comen- tários, críticas, narrativas etc., sobre temas ou fatos momentosos de interesse diverso (culturais, esportivos, políticos, sociais etc.), geral- mente a partir de noticiário. © iDicionário Aulete. <www.aulete.com.br> 38 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 conhecido como chefia, capitão, amigão, brother, doutor, mestre, camarada. Ele é seu, meu, nosso amigo. Conhece, melhor do que ninguém, a ficha de cada bebum ou dama solitária do bar. O Garçom já foi imortalizado pelo cinema e pela cultura popular. Ele é o responsável pelo alívio imediato ao final do dia. Muitas vezes é cúmplice de mentiras deslavadas e companheiro de pro- fundos e sombrios porres. É ouvinte atento de desventuras amo- rosas, competentíssimo psicólogo entre uma cerveja e outra. Todo Garçom é um baú repleto de histórias irreverentes e ini- magináveis. Bom Garçom te chama pelo nome e pergunta “O de sempre?”. Não espera a gente chamar para trazer mais uma. Sabe muito bem que a saideira dura pelo menos três rodadas. Pelo menos. O Garçom está presente no cotidiano. É fotógrafo, cupido e produtor musical. Na maioria das vezes sempre tem uma piada ou comentário sarcástico na ponta da língua. Vive correndo, alimentando a alegria de quem celebra a noite. O Garçom é o símbolo máximo da cortesia e da camaradagem. E é ele que muitas vezes leva a culpa no dia seguinte… pobre Garçom. Existem vários tipos de Garçons. Os simpáticos que estão sem- pre de alto-astral. Estes possuem uma energia incomum e não apresentam as tão cotidianas olheiras que os próprios clientes trazem em face. Existe também o Garçom gozador (sem troca- dilho), que vive fazendo piada com os clientes, comenta o futebol e sempre te sacaneia quando seu time perde. Dá palpites até. Há o Garçom mal-humorado (mas que o é somente para fazer pose). Basta perguntar onde está o limão da caipirinha que ele te manda ir buscar no Horti-fruit. Existe o Garçom gago, o ligei- rinho, o bom de memória e o que tem amnésia. Existe até mes- mo o invisível – que sempre se materializa com outra cerveja sobre a mesa. Independente do estilo do bar ou do cliente, sempre haverá um Garçom a postos pronto a animar a noite (ou o dia!). Psicólogo, amigo, descontraído, cansado, imbatível. [...]. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 39 Não importa. No final das contas, o Gar- çom é um patrimônio público, especta- dor dos melhores e piores momentos de nossas vidas. É um fiel mordomo. Em todo botequim que se preze, o Garçom é mesmo um mito. GIMENES, Fabricio. Crônica de botequim: o mito do garçom. São Botequim: política, cultura e boemia, 26 de outubro de 2009. Disponível em: <http://saobotequim. wordpress.com/2009/10/26/cronica-de- botequim-o-mito-do-garcom/>. Acesso em: 12 jun. 2013. 2. Após a leitura da crônica e pensando no que apren- demos até agora sobre o tema trabalhado, qual é a opinião do grupo sobre como a ocupação é descrita e caracterizada no texto? Registre aqui as conclusões a que chegaram. 3. Agora sozinho, reflita sobre seu futuro profissional: Você se imagina trabalhando como garçom? Como se vê? Onde se imagina trabalhando? Tempos modernos (Modern Times, direção de Charles Chaplin, 1936). O filme, na sua parte final, traz Chaplin trabalhando como garçom em um restaurante. 40 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 O garçom e seu universo de trabalho São muitas as possibilidades de trabalho, não são? Mesmo sabendo que para o exercício da ocupação não é obrigatório nenhum curso de especialização, são diversas as razões que reafirmam a importância de se ter, de forma sistematizada, acesso a todas as técnicas e a todos os conhecimentos relevan- tes (que são muitos!) para a boa prática da ocupação de garçom. Os conhecimentos que garçons e garçonetes vêm adquirindo ao longo de sua traje- tória de formação e de vida, ou seja, aquilo que aprendem com a prática cotidiana dentro e fora do trabalho, ou em cursos de formação profissional, são importantís- simos para o desenvolvimento da carreira e para que consigam um bom emprego. É verdade que se trata de um setor em expansão nas últimas décadas, e a perspec- tiva é de que esse crescimento continue; eventos de porte internacional, como a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, garantem o crescimento esperado. Mas, por outro lado, o hábito de frequentar restaurantes não está apenas associado aos momentos de lazer ou de grandes eventos; trata-se de um costume que já faz parte do cotidiano de muitas pessoas que frequentam esses estabelecimentos, às vezes, todos os dias. Por isso, o garçom precisa estar preparado para atuar nesses diversos tipos de am- biente, a fim de realizar diferentes tipos de trabalho, buscando sempre maior qua- lificação e ampliação de seus conhecimentos, pois isso poderá lhe trazer mais opções na hora da escolha do primeiro (ou de um novo) emprego.Chegou o momento de nos aprofundar um pouco mais no conhecimento das ati- vidades que você precisa aprender para exercer a ocupação de garçom. O Dia do Garçom é comemorado em 11 de agosto. Tradi- cionalmente, muitos restaurantes e bares realizam uma “competição de garçons”, na qual esses profissionais são convidados a demonstrar toda sua habilidade ao carregar bandejas cheias e pesadas; vence aquele que chegar primeiro sem deixar cair nada! Corrida de garçons, 1954. Paris, França. © U ni ve rs al /T em pS po rt /C or bi s/ L at in st oc k gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 41 Atividade 2 o Que eu sei sobRe a ocupação de gaRçom? Pense no que você sabe sobre ser garçom, respondendo às questões a seguir. 1. O que fazem os garçons? 2. Em sua opinião, quais os conhecimentos necessários para ser um profissional dessa área? Classificação Brasileira de Ocupações O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) produziu um documento chamado Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Ele descreve 2 422 ocupações e diz o que é preciso para exercê-las: a escolaridade necessária, o que cada profissional deve fazer, onde pode atuar etc. Entre as informações que constam desse documento, existe um grupo que nos interessa definir neste momen- to: quem é o garçom hoje. A CBO organiza as ocupações em “famílias”. A família ocupacional do garçom é a de número 5 134, denomi- nada pela CBO como “garçons, barman, copeiros e sommeliers (fala-se “someliê”)”, na qual encontramos a definição do que faz e do que deve saber fazer um tra- balhador que pretende ser garçom. A CBo é um documento que busca expressar e definir as ocupações existentes em todo o País. Sommelier : Especialista no serviço de bebidas. 42 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Para essa ocupação, a CBO traz alguns sinônimos de como ela pode ser conhecida; essa diferenciação de no- menclatura pode acontecer por diversas razões: seja por- que a ocupação é conhecida por variados nomes, seja porque pode ter um nome diferente de acordo com a cultura local dos muitos Estados e municípios em todo o Brasil. Vamos ver alguns sinônimos dados para a ocupação de garçom na descrição da CBO. • Atendente de bufê. • Atendente de mesa. • Auxiliar de maître (fala-se “métre”). • Garção. • Garçom de bar. • Passador de guarnição. Por se tratar de uma “família ocupacional”, encontramos nesse grupo não apenas a ocupação de garçom, mas tam- bém sete outras que têm afinidade e atividades em comum. São elas, com seus respectivos sinônimos: • atendente de lanchonete: ajudante, auxiliar de bar, auxiliar de lanchonete, atendente de balcão de café, balconista de lanchonete, cafeteiro, cantineiro (escola), chapista de lanchonete, servente de lanche; • barista: atendente barista, atendente de cafeteria; • barman: atendente de bar, auxiliar de barman, balco- nista de bar, preparador de drinques e bebidas; • copeiro: auxiliar de serviço de copa, chefe de copa, copeiro de bar, copeiro de eventos, copeiro de ho- tel, copeiro de lanchonete, copeiro de restaurante; • copeiro de hospital [sem sinônimo para esta ocupação]; Você sabia? A descrição de cada ocu- pação da CBo é feita pe- los próprios trabalhadores. Dessa forma, temos a ga- rantia de que as informa- ções vêm de quem atua no ramo e, portanto, conhece bem a ocupação. Você po- de ler esse documento na íntegra acessando, no la- boratório de informática, o site do MTE, disponível em: <http://www.mtecbo. gov.br>. Acesso em: 12 jun. 2013. Ao ler esse documento, você poderá, até mesmo, conhecer as instituições e os profissionais que des- creveram as atividades realizadas pelos garçons. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 43 • cumim: auxiliar de garçom, auxiliar de mesa em restau- rantes, hotéis e outros, carregador de utensílios de cozinha; • garçom (serviços de vinhos): degustador de vinho, escanção, especialista em vinho, sommelier. A descrição resumida (sumária), feita pela CBO, sobre o que fazem esses trabalhadores é a seguinte: Atendem os clientes, servem alimentos e bebidas em restaurantes, bares, cafeterias, hotéis, hospi- tais, eventos etc. Manipulam alimentos e preparam sucos, drinks e cafés. Realizam serviços de vinho e de café. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Disponível em: <http:// www.mtecbo.gov.br>. Acesso em: 12 jun. 2013. Atividade 3 sabeRes pReVistos na cbo paRa a ocupação de gaRçom e os pRópRios sabeRes O monitor ou uma das pessoas da classe vai ler, em voz alta, cada um dos itens a seguir e as áreas de atividades que lhes são correspondentes. Acompanhe atentamente a leitura e, enquanto estiver ouvindo, aproveite para assinalar ao lado de cada uma das atividades uma das opções seguintes. • Saberes que tenho: atividades que você já sabe fazer. • Saberes que preciso aprimorar: atividades que você sabe mais ou menos, ou seja, cujo conhecimento precisa aprimorar. • Saberes que não tenho: atividades que você não sabe fazer ou que ainda não conhece. Durante a leitura, mantenha um dicionário por perto. Talvez você precise consultar o significado de algumas palavras para compreender o texto. O monitor também pode ajudá- -lo nesse caso, explicando atividades ou termos desconhecidos por você ou por alguém da classe. 44 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Servir o cliente Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Trazer o couvert Entregar o cardápio Tirar o pedido Mapear mesa para entrega de pratos Encaminhar pedidos para cozinha e bar Servir aperitivos Servir bebidas Servir vinho Administrar o fluxo de pratos entre a cozinha e as mesas Checar pedido antes de servir Servir bandeja Servir pratos Fatiar carne (churrascaria) Destrinchar peixe Completar o bufê Servir queijos Servir sobremesas Servir chá, café, licores e digestivos Checar a conta Trazer a conta gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 45 Servir o cliente Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Receber contas Fazer porções para viagem Atender o cliente Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Recepcionar o cliente Informar previsão de tempo de espera Acomodar o cliente Acompanhar o cliente à mesa Questionar as preferências do cliente Dar sugestões Descrever os pratos Esclarecer as dúvidas do cliente Fornecer informações ao cliente Atender reclamações do cliente Montar praça, carrinho, mesa, balcão, bar Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Organizar estrutura de apoio (montar mise en place) Providenciar gelo Selecionar produtos (limpeza e outros) 46 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Montar praça, carrinho, mesa, balcão, bar Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Selecionar talheres Escolher louças Selecionar copos Montar kits de descartáveis (guardanapos, talheres, sal) Dobrar guardanapos Forrar bandeja Montar mesa, bandeja, balcão e bar Decorar mesa Montar carrinho Selecionar alimentos e bebidas Repor o material de apoio Repor aparadores e gueridons Repor bebidas em geral Substituir cobre- -manchas Organizar o trabalho Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Conferir ordem de serviço Verificar a lista de reserva gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 47 Organizar o trabalho Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Verificar quantidade e disponibilidade de produtos Verificar material de trabalho (utensílios e equipamentos) Requisitarutensílios, equipamentos e produtos de limpeza Verificar estoques de produtos e alimentos Controlar prazos e datas de validade de produtos e bebidas Contar número de couverts e refeições servidas Controlar sobras e perdas Mise en place (fala-se “misanplace”): Esta expressão francesa significa, literalmente, “colocado no lugar”. Pode ser usada em diversos segmentos, por exemplo, na cozinha, para denominar o procedimento que facilita e organiza todas as operações necessárias para a elaboração de um prato. O sentido do termo neste Caderno, no entanto, específico para a ocupação de garçom, aplica-se à orga- nização das mesas em um restaurante: a forma de se distribuir os pratos, talheres, copos etc., de acordo com cada tipo de serviço e/ou comida que será servido. 48 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Organizar o trabalho Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Controlar desperdícios Controlar acesso de pessoas Verificar cumprimento das normas sanitárias Verificar segurança do local de trabalho Preparar alimentos e bebidas (entradas, saladas, drinques etc.) Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Colocar bebidas para gelar Preparar coquetéis, drinques, aperitivos Preparar canapés Preparar couverts Preparar saladas Enfeitar drinques, coquetéis e pratos Observar o ponto de cozimento dos alimentos Observar a apresentação dos pratos Fazer serviço de réchaud Flambar sobremesas, pratos e bebidas gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 49 Preparar alimentos e bebidas (entradas, saladas, drinques etc.) Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Preparar sorbets e amuse-gueules Realizar o serviço de vinhos Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Compatibilizar vinhos e alimentos Apresentar carta de vinhos Auxiliar o cliente na escolha do vinho Apresentar o vinho para o cliente Abrir a garrafa Mostrar a rolha ao cliente Decantar o vinho Trocar vinhos e copos de acordo com o cardápio escolhido Desmontar a praça Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Desmontar o carrinho Desmontar mesas Recolher as bandejas Recolher louças, talheres, copos Guardar louças, copos e prataria 50 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Desmontar a praça Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Desmontar o bufê Tirar toalhas Guardar produtos Arrumar o espaço Inventariar bebidas consumidas Inventariar o material (louças, pratarias, enxoval de mesa) Encaminhar enxoval de mesa para lavanderia Higienizar utensílios e equipamentos Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Lavar utensílios Limpar prataria Secar louça e prataria Esterilizar instrumentos e materiais Limpar equipamentos de refrigeração Pôr louça e prataria na máquina de lavar Retirar louça e prataria da máquina de lavar Limpar equipamentos em geral Limpar balcão e bancada gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 51 Higienizar utensílios e equipamentos Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Limpar bandejas e carrinhos Retirar restos de comida Limpar mesas Separar lixo Limpar o chão Destinar o lixo Nome Como se fala Couvert Cuvér Réchaud Rechô Sorbet Sorbé Amuse-gueule Amius gãle O que mais diz a CBO São ainda apresentados na CBO saberes relacionados: • à escolarização formal e à formação profissional dos trabalhadores, por meio de cursos e/ou experiências de trabalho; • às atitudes pessoais que interferem no desempenho profissional. Atividade 4 mais infoRmações da cbo Você vai fazer agora, com relação a esses saberes, o mesmo exercício realizado na atividade anterior. 52 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Escolarização e formação/ experiência profissional Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar ou em andamento Saberes que não tenho Ensino Fundamental incompleto Treinamentos e cursos Curso de idiomas Atitudes pessoais Saberes que tenho Saberes que preciso aprimorar Saberes que não tenho Manter-se disciplinado Cuidar da aparência e da higiene pessoal Contornar situações adversas Demonstrar cordialidade Cultivar a sensibilidade Cultivar a ética profissional Manter-se dinâmico Demonstrar paciência Demonstrar educação Lidar com estresse Se você desconhece a maior parte dessas atividades ou acha que não sabe executá-las bem, não se sinta mal. Muitas delas fazem parte apenas do trabalho de garçons experientes, com algum tempo de atuação no mercado. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 53 Além disso, um dos objetivos deste curso de qualificação é desenvolver alguns desses conhecimentos, que podem ser considerados mais técnicos e estão diretamente rela- cionados à ocupação de garçom. Se existem muitos itens que você desconhece ou tem de aprimorar, não se preocupe. É exatamente para saber (ou saber melhor) como fazer esse trabalho que você está neste curso. Mantenha esses quadros com você. No final do curso, você vai utilizá-los novamente. Conquistas recentes da ocupação Para finalizar esta Unidade, falaremos agora de algumas conquistas recentes para a ocupação de garçom. Lei Antifumo A primeira conquista para a ocupação de garçom está relacionada a uma questão de saúde: a proibição do fumo em ambientes fechados. Para melhor compreender o que essa nova lei significa para os garçons, primeiro temos de falar um pouco sobre o tema saúde. Observe a definição de saúde utilizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): A Organização Mundial da Saúde – OMS define saúde como “o completo estado de bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de enfermidade”. Tal conceito tem uma profunda relação com o desenvolvimento e expressa a associação entre qualidade de vida e saúde da população. A saúde, nesse sentido, é resultado de um processo de produção social e sofre influência de condições de vida adequadas de bens e serviços. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Anvisa na redução à exposição involuntária à fumaça do tabaco. Brasília: Anvisa, 2009. p. 4. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/ wps/content/Anvisa+Portal/Anvisa/Inicio/Derivados+do+Tabaco/ Assuntos+de+Interesse/Publicacoes>. Acesso em: 12 jun. 2013. Você sabia? Existe um órgão público para fiscalizar e normati- zar todos os setores rela- cionados a produtos e serviços que possam afe- tar a saúde da população brasileira. A Anvisa, vin- culada ao Ministério da Saúde, atua também na área de alimentos: coor- dena, supervisiona e con- trola as atividades de registro, informações e inspeção, controle de ris- cos e estabelecimento de normas e padrões. O ob- jetivo é garantir as ações de vigilância sanitária de alimentos, bebidas, águas envasadas, seus insumos, suas embalagens, aditi- vos alimentares e coad- juvantes de tecnologia, limites de contaminantes e resíduos de medica- mentos veterinários. Essa atuação é comparti- lhada com outros Ministé- rios, como o da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e com os Estados e muni- cípios que integram o Sis- tema Nacional de Vigilância Sanitária. Saiba mais sobre esse ór- gão acessando o site da Agência de Vigilância Sa- nitária (Anvisa). Disponível em: <http://www.anvisa. gov.br>. Acesso em: 12 jun. 2013. 54 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Durante muitas décadas, enquanto o hábito de fumar foi permitido em ambientes fechados, como bares e restaurantes, os trabalhadores desses locais ficavam expostos à inalação dessafumaça. As pessoas que ina- lam fumaça mesmo sem tragar são denominadas “fu- mantes passivas”. É comprovado que os fumantes passivos também são atingidos pelo mal que a fumaça do tabaco provoca na saúde. Segundo informações da Anvisa: Quando o cigarro é aceso, somente uma parte da fumaça é tragada pelo fumante, e cerca de 2/3 da fumaça gerada pela queima é lançada no am- biente, através da ponta acesa do produto (cigarro, charuto, cigarrilhas e outros). Essa fumaça, denominada corrente secundária, so- mada à fumaça exalada pelo fumante forma, em ambientes fechados, a Fumaça Ambiental do Taba- co – FAT ou Poluição Tabagística Ambiental – PTA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Anvisa na redução à exposição involuntária à fumaça do tabaco. Brasília: Anvisa, 2009. p. 5. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/Anvisa+Portal/ Anvisa/Inicio/Derivados+do+Tabaco/ Assuntos+de+Interesse/Publicacoes>. Acesso em: 12 jun. 2013. Estudos informam que os malefícios provocados por essa fumaça ambiental podem ser tão fortes quanto os cau- sados pela fumaça inalada diretamente pelo fumante ao tragar um cigarro. Os trabalhadores expostos a essas condições, como os que trabalham em bares e restaurantes, têm, segundo estudos, um risco de 300% a 400% maior de contami- nação do que qualquer outra categoria ocupacional. Após um dia de trabalho, é como se eles tivessem fumado de quatro a dez cigarros. Você sabia? O cigarro é composto por cerca de 400 substân- cias, das quais aproxima- damente 200 são tóxicas. Dentre as substâncias tóxicas, 40 são cancerí- genas, ou seja, podem provocar câncer. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 55 Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, a PTA é a maior fonte de poluição em ambientes fechados e o tabagismo passivo, a 3a maior causa de morte evitável no mundo, perdendo apenas para o tabagismo ativo e o consumo excessivo de álcool (IARC, 1987; Surgeon General, 1986; IARC, 2002). Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Anvisa na redução à exposição involuntária à fumaça do tabaco. Brasília: Anvisa, 2009. p. 6. Disponível em: <http://portal. anvisa.gov.br/wps/content/Anvisa+Portal/Anvisa/Inicio/ Derivados+do+Tabaco/Assuntos+de+Interesse/Publicacoes>. Acesso em: 12 jun. 2013. Tendo em vista toda essa questão, que é de saúde pública, diversos Estados e municípios se mobilizaram no sentido de aprovar leis que proibissem o fumo em ambientes fechados. No Estado de São Paulo, no dia 7 de maio de 2009, entrou em vigor a Lei no 13.541, que proíbe o consumo de cigar- ros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou qualquer outro produto fumígeno em ambientes fechados. Diz a lei: Artigo 1o – Esta lei estabelece normas de proteção à saúde e de responsabilidade por dano ao consumidor, nos termos do artigo 24, incisos V, VIII e XII, da Constituição Federal, para criação de ambientes de uso coletivo livres de produtos fumígenos. Artigo 2o – Fica proibido no território do Estado de São Paulo, em ambientes de uso coletivo, públicos ou privados, o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos ou de qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco. § 1o – Aplica-se o disposto no “caput” deste artigo aos recintos de uso coletivo, total ou parcialmente fechados em qualquer dos seus lados por parede, divisória, teto ou telhado, ainda que provisórios, onde haja permanência ou circulação de pessoas. § 2o – Para os fins desta lei, a expressão “recintos de uso coletivo” compreende, dentre outros, os ambientes de trabalho, de estudo, de cultura, de culto religioso, de lazer, de esporte ou de entrete- Fumígeno: Que produz fu- mo ou fumaça. © iDicionário Aulete. <www.aulete.com.br> 56 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 nimento, áreas comuns de condomínios, casas de espetáculos, teatros, cinemas, bares, lanchonetes, boates, restaurantes, praças de alimentação, hotéis, pousa- das, centros comerciais, bancos e similares, supermercados, açougues, padarias, farmácias e drogarias, repartições públicas, instituições de saúde, escolas, museus, bibliotecas, espaços de exposições, veículos públicos ou privados de transporte coletivo, viaturas oficiais de qualquer espécie e táxis. [...] SÃO PAULO (Estado). Lei no 13.541, de 7 de maio de 2009. Disponível em: <http://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei/2009/lei%20n.13.541,%20de%20 07.05.2009.htm>. Acesso em: 12 jun. 2013. Atividade 5 alguns Resultados da lei antifumo paRa os gaRçons 1. Leia a reportagem a seguir: Com lei antifumo, garçons ganharam 3 anos a mais de vida Os garçons e funcionários de bar e restaurantes apresentaram uma melhora de saúde equivalente ao ganho de três anos de vida graças à lei que restringe o uso do cigarro em locais públicos fechados, apon- ta um estudo científico suíço divulgado nesta quinta-feira (30). A pesquisa, realizada pelo Instituto Tropical e de Saúde Pública do Cantão de Basileia, se baseou em exames cardiovasculares de uma centena de trabalhadores de bares e restaurantes, principalmente garçons. No caso dos estabelecimentos menores, a pesquisa tam- bém incluiu de forma voluntária os ajudantes de cozinha que cos- tumam colaborar com o atendimento aos clientes. Segundo os pesquisadores suíços, os três anos de vida a mais que foram mencionados representam uma média da melhora dos indica- dores cardiovasculares dos funcionários, que passaram a ficar menos expostos a fumaça em seus locais de trabalho. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 57 Os participantes do estudo foram submetidos a um primeiro exame médico antes da aplicação da lei antifumo na Suíça, no 1o de maio de 2010. Após seis e 12 meses depois, os envolvidos com a pesquisa voltaram a realizar os mesmos testes médicos, o que permitiu um melhor acompanhamento desta evolução. Antes da restrição do cigarro em locais públicos fechados, os empre- gados inalavam passivamente o equivalente a cinco cigarros por dia e, após a nova lei antifumo, essa exposição passou a ser 16 vezes menor, concluiu a pesquisa. Com lei antifumo, garçons ganharam 3 anos a mais de vida. Agência EFE. Disponível em: <http://saude.terra.com.br/doencas-e-tratamentos/ com-lei-antifumo-garcons-ganharam-3-anos-a-mais-de-vida,d41444dc33779310Vgn VCM10000098cceb0aRCRD.html>. Acesso em: 12 jun. 2013. 2. Agora, com a ajuda do monitor, produza um pequeno texto sobre quais são, em sua opinião, os pontos positivos e negativos (se houver) da Lei Antifumo. Na própria descrição da CBO feita por profissionais da área, foram informadas atividades relativas ao hábito de fumar – até pouco tempo atrás muito comum em restaurantes e bares –, tais como colocar cinzeiros nas mesas e estar atento e fazer a limpeza deles constantemente. No entanto, a partir de 2009, os garçons paulistas obtiveram essa conquista não apenas relativa ao ambiente de trabalho, mas, sobretudo, uma importante conquis- ta para sua qualidade de vida e saúde. 58 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Agora leia (e, se tiver possibilidade, ouça também) a letra da canção de Noel Rosa (1910-1937) “Conversa de bote- quim”, composta em 1935, e perceba como o hábito de fumar se fazia presente nesse ambiente e na relação dos clientes com os garçons desde aquela época. Hoje, no entanto, por determinação da lei, algumas atividades ci- tadas na letra da música não fazem mais parte das tarefas de um garçom. Conversa de botequim Oswaldo Gogliano (VADICO) e Noel de Medeiros Rosa (NOEL ROSA) Seu garçom, faça o favor De me trazer depressa Uma boa média que não seja requentada Um pão bem quente com manteiga à beça Um guardanapo e um copo d’água bem gelada Feche a porta da direita com muito cuidado Que não estou disposto a ficar exposto ao sol Vá perguntar ao seu freguês do lado Qual foio resultado do futebol Se você ficar limpando a mesa Não me levanto nem pago a despesa Vá pedir ao seu patrão Uma caneta, um tinteiro, um envelope e um cartão Não se esqueça de me dar palitos E um cigarro pra espantar mosquitos Vá dizer ao charuteiro Que me empreste umas revistas, um isqueiro e um cinzeiro Seu garçom, faça o favor De me trazer depressa Uma boa média que não seja requentada Um pão bem quente com manteiga à beça Um guardanapo e um copo d’água bem gelada Feche a porta da direita com muito cuidado Que não estou disposto a ficar exposto ao sol Vá perguntar ao seu freguês do lado Qual foi o resultado do futebol F un da çã o B ib lio te ca N ac io na l. R io d e Ja ne ir o, R J gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 59 Telefone ao menos uma vez Para três quatro, quatro, três, três, três E ordene ao seu Osório Que me mande um guarda-chuva Aqui pro nosso escritório Seu garçom, me empresta algum dinheiro Que eu deixei o meu com o bicheiro Vá dizer ao seu gerente Que pendure esta despesa No cabide ali em frente Seu garçom, faça o favor De me trazer depressa Uma boa média que não seja requentada Um pão bem quente com manteiga à beça Um guardanapo e um copo d’água bem gelada Feche a porta da direita com muito cuidado Que não estou disposto a ficar exposto ao sol Vá perguntar ao seu freguês do lado Qual foi o resultado do futebol Copyright © 1936 by, Mangione, Filhos e Cia Ltda. Todos os direitos autorais reservados para todos os países do mundo. Regulamentação da gorjeta Além do salário pago por seu trabalho, é praxe e tradição do mercado, no Brasil e em vários países, pagar aos gar- çons uma gorjeta. O valor convencional pago no Brasil é de 10% do total da conta. A gorjeta pode ser entregue diretamente ao garçom, mas é muito comum ser paga pelos clientes com o valor da conta. Nesses casos, é responsabilidade do estabeleci- mento comercial repassar os valores aos garçons. Desde 2010, os garçons do Estado de São Paulo contam com um instrumento a mais para garantir que esse di- reito seja cumprido: o Disque Gorjeta. Leia a reportagem a seguir. Se você quiser relembrar ou aprender um pouco mais sobre cálculos e Matemática – por exemplo, porcentagem –, reveja o Caderno do Trabalhador 3 – Conteúdos Gerais – “Fazendo contas”. Disponível em: <http://www.viarapida.sp.gov. br>. Acesso em: 12 jun. 2013. 60 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Sindicato de garçons cria disque denúncia contra não repasse da gorjeta Serviço funciona de segunda à sexta das 10h às 18h pelo 0800 77 171 04. Denúncias vão auxiliar nas investigações da CPI da Gorjeta. Marcelo Mora Do G1, em São Paulo Desde o dia 18 deste mês, garçons, atendentes e outros funcionários contam com um serviço para denunciar bares, restaurantes, choperias e demais estabelecimentos ligados à gastronomia e hospedagem de São Paulo que não fazem o repasse da gorjeta – os 10% que são co- brados a mais nas contas apresentadas aos clientes. De acordo com a lei, a cobrança da gorjeta não é obrigatória, mas, quando é feita, o estabelecimento comercial é obrigado a repassar o valor integral- mente aos funcionários, que fazem o rateio do montante arrecadado. A iniciativa do Disque Gorjeta Denúncia (0800 77 171 04) é do Sindi- cato dos Trabalhadores em Gastronomia e Hospedagem de São Pau- lo e Região (Sinthoresp), que representa cerca de 300 mil trabalhado- res de 35 cidades da Grande São Paulo. O serviço funciona de segunda à sexta das 10h às 18h. Andréa Heczel, diretora do departamento jurídico do Sinthoresp e responsável pelo recebimento das denúncias, disse que o serviço vai ajudar nas investigações que deverão ser realizadas pela CPI da Gor- jeta, que está na pauta da Assembleia Legislativa de São Paulo. “Es- tamos recebendo uma média de oito a dez denúncias por dia”, disse. Segundo ela, a grande maioria das denúncias são de dois tipos: quan- do a casa não repassa a gorjeta ou quando não repassa de forma correta. “Este segundo caso é porque a gorjeta complementa o salá- rio e forma um rendimento mensal variável. Então o dono do estabe- lecimento tem de repassar também todos os benefícios ao trabalhador com base no valor deste rendimento”, afirmou Heczel. O G1 conversou com um dos garçons que apresentaram uma denún- cia por meio do telefone disponibilizado pelo sindicato. Ele trabalha há quatro anos em uma churrascaria de Alphaville, bairro nobre de gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 61 Barueri, na Grande São Paulo. Apesar de acrescer os 10% nas contas dos clientes, a churrascaria não repassa a gorjeta aos funcionários. “Só pagam o piso salarial da categoria. E a gente não pode nem conversar sobre isso, nem questionar, porque ameaçam demitir. Quan- do alguém questiona, eles repreendem”, contou. Até mesmo quando recebem gratificações em dinheiro dos clientes os garçons são obrigados a entregar o valor para a churrascaria. “Eles colocam os maîtres para fiscalizar quem recebe a gorjeta em mãos e para recolher o dinheiro”, relatou o garçom. Segundo ele, como não há qualquer fiscalização, os proprietários da churrascaria alegam que não fazem a cobrança dos 10%. De acordo com Andréa Heczel, o disque denúncia também está dis- ponível para clientes destes estabelecimentos comerciais. […] Aos poucos, os empresários começam a se conscientizar da impor- tância de cumprir a lei. Uma das cadeias mais famosas de hotéis e restaurantes, responsável por recepcionar as principais estrelas inter- nacionais, já se antecipou e fez um acordo com o Sinthoresp para regularizar essa questão. “Os trabalhadores terão a taxa de serviço registrada em carteira e parte deste valor será descontado para o pagamento de impostos”, disse Francisco Calasans, presidente do sindicato. MORA, Marcelo. Sindicato de garçons cria disque denúncia contra não repasse da gorjeta. G1, 25 fev. 2010. Disponível em: <http://g1.globo.com/Noticias/ SaoPaulo/0,,MUL1504422-5605,00.html>. Acesso em: 12 jun. 2013. Redução de tempo de aposentadoria dos garçons Outra importante conquista dos garçons foi a aprovação pelo Senado Federal, em 8 de agosto de 2012, do Projeto de Emenda à Constituição (PEC) que reduz o tempo de aposentadoria para esses trabalhadores. Para entrar em vigor, a lei ainda depende de nova aprovação do Legislativo federal e sanção da presidenta da República. Quando aprovada, ela possibilitará aos garçons aposentarem-se cinco anos mais cedo do que prevê a lei atual, diminuindo de 30 para 25 anos a contribuição daqueles que exercerem a função de garçom, maître, cozinheiro de bar ou restaurante e confeiteiro. 62 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Atividade 6 entendendo a pec dos gaRçons 1. Leia a reportagem a seguir. Garçons são homenageados na CLDF e reivindicam incorpo- ração da gorjeta à aposentadoria […] PEC dos Garçons – No início do mês, o senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que regulamenta a aposentadoria de garçons […]. A lei foi apelidada de “Reginaldo Rossi”. Um dos pontos da matéria institui regime especial de aposentadoria para que esses profissionais possam encerrar a carreira cinco anos mais cedo, pois os profissionais que atuam em bares e restaurantes são submetidos a condições prejudiciais à saúde, como a necessidade de permanecer em pé durante longos períodos e a exposição a forte variação de tempera- tura, em câmaras frigoríficas, fogões e fornos, o que justificaria a con- cessão do benefício. Para arcar com os custos da aposentadoria especial sem onerar o Insti- tuto Nacional da Seguridade Social (INSS), o texto prevê a obrigatorie- dade de que as empresas que empreguem garçons paguem 1% a mais de contribuição sobre a folha de pagamento. A aposentadoria especial é concedida a pessoas que trabalhamem condições prejudiciais à saúde ou à integridade física, expostas a agentes químicos e biológicos. O tempo de contribuição para as aposentadorias especiais é reduzido, variando de 15 a 25 anos, dependendo do tipo de exposição do segurado. A PEC dos Garçons foi aprovada por 62 votos, e garante aos segura- dos da Previdência Social, que exercem as funções de garçom, maître, cozinheiro de bar ou restaurante ou confeiteiro poder se aposentar após 25 anos na atividade. O projeto que cria a aposentadoria gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 63 especial para garçons e outros funcionários de bares e restaurantes vai agora ser examinada na Câmara dos Deputados e será analisada por comissões e pelo plenário. Se não sofrer alterações, o projeto seguirá para sanção presidencial, mas se for modificado, precisará retornar para revisão final do Senado. Garçons são homenageados na CLDF e reivindicam incorporação da gorjeta à aposentadoria. Portal em Pauta, 21 ago. 2012. Disponível em: <http:// camaraempauta.com.br/portal/artigo/ver/page/9/id/3364/nome/Garcons_sao_ homenageados_na_CLDF_e_reivindicam_incorporacao_da_gorjeta_a_ aposentadoria>. Acesso em: 12 jun. 2013. 2. Agora, com base no texto lido, responda: a) Quais os principais motivos que justificam o pedido de diminuição do tempo para aposentadoria dos garçons e outras ocupações citadas no texto? b) Com base na resposta do item anterior, cite exemplos concretos dessas situações, que, em sua opinião, fazem parte do cotidiano de trabalho dos garçons. c) Com a ajuda do monitor, faça uma pesquisa na internet e descreva a seguir quais serão as próximas etapas do projeto. Fique atento ao desenrolar desse processo, pois ele é muito importante para a sua ocupação e o seu futuro profissional e pessoal. 64 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 65 unida d e 3 O garçom e seu ambiente de trabalho Agora que você já identificou seus saberes, vamos pensar nas possibilidades de trabalho para garçons e garçonetes. Sobre os possíveis locais de trabalho nos quais você pos- sa ter pensado, em geral, os primeiros que vêm à cabeça são restaurantes e bares. Esses são, sem dúvida, os locais mais comuns de trabalho dos garçons. Nesta Unidade, vamos conhecer os principais tipos de restaurante e bar, que podem ser dos mais variados esti- los, atendendo aos mais variados públicos e suas neces- sidades. Contudo, existem outras possibilidades, pois garçons podem atuar em serviços de bufê e navios, por exemplo. Também a maneira como um garçom vai trabalhar e os vínculos empregatícios podem ser diferenciados. Veja alguns exemplos: • você pode trabalhar como empregado assalariado para alguém ou alguma empresa (restaurante, bar, clube etc.); • pode trabalhar por conta própria, montando o seu negócio (sozinho ou com um sócio), ou como autô- nomo, prestando serviços em estabelecimentos ou em eventos na casa de clientes (serviços de bufê). A forma ideal de trabalho é sempre aquela que garante os direitos do trabalhador. Entretanto, essa possibilidade nem sempre está disponível para todas as pessoas. Você sabia? O governo federal criou, em 2008, uma lei para formali- zar o trabalho dos que tra- balham por conta própria. Foi criada a figura do Mi- croempreendedor Indivi- dual (MEI), para permitir que esses trabalhadores sejam menos prejudica- dos pela informalidade. Uma vez cadastrados, os trabalhadores podem re- colher INSS e ter direito à aposentadoria e a ou- tros benefícios da Previ- dência Social. 66 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Há pessoas que preferem atuar por conta própria, tendo mais liberdade de organizar a vida pessoal e a agenda de trabalho. A principal vantagem, nesse caso, é a flexibili- dade de horário, pois esses profissionais trabalham por serviço prestado, e não necessariamente com uma jornada fixa. Pense no que é mais adequado para você. Conhecendo restaurantes Vamos falar agora sobre alguns dos principais tipos de res- taurante. É importante lembrar que os restaurantes podem variar bastante de acordo com cada município ou Estado, ou dependendo de suas características locais e culturais. Veja a seguir alguns deles. • Churrascaria – tipo de restaurante bastante comum no Brasil; tem seu serviço baseado nos mais diferentes tipos de carne, que são servidas em forma de rodízio pelos garçons diretamente às mesas. Existem também as churrascarias com serviço à la carte, mas a predo- minância é do rodízio. Para saber mais sobre questões relacionadas ao tema trabalho, reveja o Caderno do Trabalhador 1 – Conteúdos Gerais – “História do trabalho” e o Caderno do Trabalhador 4 – Conteúdos Gerais – “Trabalhar por conta própria”. Disponíveis em: <http://www.viarapida. sp.gov.br>. Acesso em: 12 jun. 2013. À la carte: Termo francês que significa “pelo cardápio”. Em restaurantes, diz-se de serviço em que se escolhem pratos listados no cardápio, com valor especificado para cada um deles. © iDicionário Aulete. <www.aulete.com.br> © L et ic ia M or ei ra /F ol ha pr es s gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 67 • Restaurante de hotel – alguns hotéis possuem o próprio restaurante, que pode atender tanto hóspedes quanto outros clientes, mesmo que estes não estejam hospedados no hotel, conhecidos como “passantes”. É importante saber que o perfil dos hóspedes pode variar bastante de acordo com a categoria de cada hotel e, consequentemente, os profissionais do restaurante devem estar preparados para atendê-los. Esses restaurantes também podem ser chamados de restaurantes in- ternacionais por atender clientes estrangeiros. • Restaurante fast-food – típico restaurante estadunidense. Serve sanduíches ou pratos prontos, sendo muito presente em shopping centers, além de ser uma boa opção para quem dispõe de pouco tempo para fazer as refeições. © M ar ce lo S pa ta fo ra /P ul sa r Im ag en s © R og ér io R ei s/ P ul sa r Im ag en s 68 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 • Restaurante self-service – esse tipo de restaurante tem uma característica bastante específica: é o próprio cliente que se serve. Ao garçom, cabe o serviço de atendi- mento de bebidas à mesa e as demais atividades referentes à preparação do salão; ele só não faz o serviço de comidas à mesa. Existem dois tipos de restaurante self-service: aquele onde as pessoas fazem seu prato e o pesam, pagando apenas pela quantidade de comida consumida (por quilo); e aqueles que têm um preço fixo e nos quais os clientes podem se servir à vontade. • Restaurante típico ou de especialidades – caracteriza-se por servir determinado tipo ou estilo de comida, por exemplo, pizzarias, restaurantes de comida japone- sa, de comida árabe, cujos pratos são específicos de outros países. Esse tipo de restaurante abrange também os que servem comidas típicas de outras regiões brasileiras, como restaurantes especializados em comida mineira ou baiana. © A le x S ilv a/ A gê nc ia E st ad o/ A E © R on ni e K au fm an /C or bi s/ L at in st oc k gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 69 • Restaurante tradicional ou clássico – pode contemplar uma variedade muito grande de restaurantes, desde os mais simples até os mais sofisticados. Pode se diferenciar ainda pela variedade dos tipos de comida servidos e pelas diversas formações das equipes de brigada. Questões ligadas à arquitetura e à decoração também podem ser um diferencial. • Serviço de buffet (ou bufê) – existe ainda outra possibilidade de trabalho para os garçons: são os que servem em eventos, trabalhando para buffets. Os buffets são serviços comumente utilizados em diferentes tipos de festase eventos, como ca- samentos, aniversários, batizados, lançamentos, conferências, homenagens etc. O garçom que atua nesse mercado tem como principais funções atender aos convi- dados, servindo-lhes bebidas, aperitivos e comidas, e recolhendo copos e pratos usados. Nesse caso, geralmente, os garçons são terceirizados. Trata-se de uma maneira bastante frequente de se começar a carreira e adquirir experiências va- riadas e contatos profissionais. Além de ser também um modo de ganhar um pouco mais: muitos garçons que trabalham em restaurantes fazem “bicos” em bufês para complementar a renda. São os chamados “Extras”. © F ra nz M ar c F re i/ C or bi s/ L at in st oc k © R om ill y L oc ky er /T he Im ag e B an k/ G et ty Im ag es 70 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Conhecendo os bares Além do restaurante, o bar é um dos locais que mais demandam a função de garçom. Comentaremos a seguir algumas especificidades das atividades exercidas pelo garçom em um bar, pois elas são um pouco diferentes das exercidas por esse trabalhador no restaurante. Embora possa parecer um serviço mais simples de ser realizado, o garçom de bar precisa ter conhecimento mais aprofundado de bebidas e da descrição de cada co- quetel para poder oferecê-los aos clientes. Além de servir bebidas e coquetéis, tam- bém é sua função servir porções, salgadinhos e lanches em geral nas mesas do bar. Mais à frente, conversaremos em detalhes sobre bebidas, na Unidade 10 do Caderno 2. Por ora, assim como existe uma enorme diversidade de restaurantes, também os tipos de bares podem variar bastante, e é importante que você os conheça. Vejamos a seguir alguns deles. • Bar de hotel – nos hotéis, o tipo de bar mais comum é o chamado lobby bar (fala-se “lóbi bar”), localizado no saguão. Mas existem ainda os bares de piscina e o chamado set up (fala-se “setâp”), espécie de bar móvel, montado em um car- rinho, que atende os hóspedes em seus quartos. • Casas noturnas – são também um espaço importante para o garçom. Nesses bares, o cardápio de bebidas é amplo, e o de comida, restrito. © D av id R . F ra zi er P ho to lib ra ry , I nc ./ A la m y/ G lo w Im ag es gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 71 • American bar – típico bar estadunidense. Oferece bebidas conhecidas internacio- nalmente, principalmente coquetéis. Bar no qual a atração principal é o barman, que em muitas ocasiões é o proprietário. O local é caracterizado por um longo balcão com grandes prateleiras iluminadas. A montagem do salão é voltada para o bar, dando a impressão de se estar em um teatro, cujo ator principal é o barman. É o mais popular estilo de bar no planeta. • Botequim (ou boteco) – típico bar brasileiro, com serviço de bebidas, lanches, tira-gostos. Teve sua origem provavelmente nas vendas ou mercearias. Atualmen- te podemos dividi-los em duas categorias: os tradicionais e os chiques. Estes úl- timos são os preferidos para o happy hour após um dia de trabalho. Algumas ruas ou bairros são famosos por abrigar grande concentração desses tipos de bares. © D io m ed ia © D io m ed ia 72 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 • Café – típico bar francês. Serve bebidas alcoólicas e café em seus variados estilos. Conta com o serviço de profissionais especializados na arte de tirar cafés, os baristas. Os cafés estão localizados em regiões como praças e calçadões, próximos a lojas, em shopping centers, por exemplo. Diferentemente do american bar, suas mesas são colocadas de forma que a atração principal seja o lado externo. Tem grande relação com a rua. As pessoas gostam de ver e serem vistas. • Cervejaria – bar com vasta oferta de cervejas de alta e baixa fermentação, com destaque para o serviço de iguarias alemãs, assim como a disponibilidade de sommelier. Atualmente, tem-se percebido um grande interesse por cervejas diferen- ciadas, ao mesmo tempo que os clientes estão cada vez mais exigentes em relação às cervejas, o que justifica a presença cada vez mais frequente do sommelier de cervejas. © E th el D av ie s/ E as yp ix © Im ag eb ro ke r/ A la m y/ G lo w Im ag es gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 73 • Choperia – casa especializada em chope, petiscos e outras bebidas. Geralmente não possui grande varie- dade de marcas e especificidades de bebidas. Local bastante animado, costuma ser bem movimentado. • Clube privê – típico bar inglês, exclusivo para asso- ciados. Funciona como clube de bebidas destiladas exclusivas, além de charutaria com serviço de epicure sommelier (fala-se “epiquir someliê”). No Bra- sil, no entanto, esse tipo de bar está em desuso em respeito às leis contra o tabaco. Epicurista: Aquele que gos- ta de boas comidas e bebi- das. Nos bares brasileiros, o epicure sommelier é espe- cialista nas combinações de bebidas e charutos. © Y ad id L ev y/ A la m y/ G lo w Im ag es 74 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 • Dancing bar – típico bar estadunidense. Oferece bebidas, refeições e pista de dança com música ao vivo ou mecânica, com a presença de DJ. • Piano-bar – típico bar estadunidense. Bar com característica de um american bar, com música de piano, standards do jazz estadunidense, bossa nova, entre outros. © S tu ar t P ea rc e/ E as yp ix © A tla nt id e P ho to tr av el /C or bi s/ L at in st oc k gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 75 • Pub – típico bar britânico, com destaque para os ingleses e irlandeses. O nome deriva da palavra public house (público). Serve bebidas, alimentos rápidos e jogos como xadrez, gamão, dardo, entre outros. Atualmente, os pubs são encontrados nas capitais cosmopolitas, como São Paulo, e sua oferta de cervejas premium e destilados agrada o público amante do rock britânico. • Quiosque – estabelecimento localizado em lugares de grande circulação de pes- soas – praias, shopping centers, ruas, entre outros. Ele é geralmente aberto para todos os lados, com balcões. Nele há oferta de bebidas e comidas, de acordo com sua localização. Por exemplo, num quiosque de praia vendem-se cervejas, caipi- rinhas, petiscos, entre outras coisas. © A le x S eg re /A la m y/ G lo w Im ag es © A lb um /B ru no P ér ou ss e/ ak g- im ag es /L at in st oc k 76 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 • Bares temáticos – são aqueles que apresentam uma característica culturalmente definida: jogo de dardos, anos 1960 etc. Ou seja, são bares com um tema defini- do e com o objetivo de atingir um público específico por afinidade ou por ser especializado em algum tipo de bebida. Além desses, há ainda bares que se concentram em temas prediletos da população brasileira, como o temático de futebol, o bar do rock and roll, do samba, entre tantos outros exemplos. © K ev in S ch af er /C or bi s/ L at in st oc k gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 77 unida d e 4 Rotina e procedimentos do garçom Agora que você já conhece um pouco mais sobre o trabalho do garçom, inclusive os principais locais onde eles podem trabalhar, avançaremos mais um passo para nos aprofundar em conhecimentos sobre as atividades que os garçons realizam e outras questões relacionadas ao serviço de atendimento e da relação com os clientes, à estrutura e ao funcionamento dos restaurantes. Para isso, propomos a princípio uma atividade que pode ser mui- to interessante: uma pesquisa com seus futuros colegas de trabalho. Atividade 1 conhecendo o cotidiano da ocupação 1. Em grupo de quatro integrantes, vocês vão entrevistar um profissional da área. Considerando o conhecimento e as faci- lidades de cada um, procurem se organizar com os demais gruposda classe para que cada um converse com pessoas que trabalhem em lugares diferentes e, portanto, tenham atividades distintas. Por exemplo: um grupo pode entrevistar alguém que atue em um restaurante pequeno, de bairro; outro, um profissional de um restaurante maior, de hotel. Um terceiro pode escolher entrevis- tar um garçom que não trabalhe em restaurante, mas em eventos com bufês (trabalho chamado freelancer), e assim por diante. 78 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 O importante é tentar coletar diferentes olhares e expe- riências sobre a ocupação, pois isso poderá ajudá-lo a saber se quer mesmo seguir esse caminho e de que ma- neira vai tentar trabalhar no futuro. Antes de sair para a entrevista, o grupo deve preparar um roteiro com perguntas. Aqui são apresentadas algu- mas, mas vocês podem acrescentar outras que conside- rarem importantes. a) Qual é o nome do entrevistado? b) É homem ou mulher? c) Quantos anos tem? Qual é a escolaridade? Ainda es- tuda ou pretende voltar a estudar? d) Costuma fazer cursos para se especializar? e) Onde trabalha? f) Trabalha em apenas um lugar? g) Como escolheu essa ocupação? h) Como a aprendeu? i) Quais os pontos positivos e negativos nessa ocupação? j) Quais são os conselhos do entrevistado para um gar- çom que está começando agora? Agora é com o grupo: Quais são as outras perguntas que vocês gostariam de fazer a esse profissional? 2. Realizada a entrevista, é hora de compartilhar o que aprenderam. Com esse objetivo, façam um resumo com as informações mais importantes coletadas para apresentar à classe. 3. Agora, produzam um cartaz (que, se possível, deve ser afixado na sala de aula) com os principais achados desse trabalho. Indiquem no cartaz: a) o que é mais prazeroso na ocupação; Não se esqueçam de levar papel e caneta, ou mesmo um gravador, para registrar as respostas. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 79 b) o que é mais difícil; c) o que vocês não podem esquecer para serem bons profissionais, ou seja, os pontos que merecem atenção o tempo todo. Conhecendo a hierarquia dos restaurantes Um restaurante, assim como qualquer empresa, tem uma hierarquia dos profissionais que nele trabalham. A hie- rarquia é importante para determinar como o grupo de profissionais se relacionará e quem é responsável por qual tarefa. São encontrados nas brigadas dos principais res- taurantes: gerente de A&B (alimentos e bebidas); maître e garçom. Dependendo do ramo de atividade e do tama- nho do estabelecimento, também podemos encontrar commis (fala-se “comí”), sommelier, barman e chefe de fila. O gerente é o responsável pelo restaurante e deve super- visionar o trabalho dos demais profissionais. Ele tem que manter a qualidade do atendimento e dos alimentos e determinar as atividades de toda a equipe do restaurante. É quem cuida do estoque, confere o prazo de validade dos alimentos e estabelece os produtos e as quantidades a com- prar. Também cuida da rotina financeira e atua com a direção para determinar os produtos e serviços que melhor atendem à expectativa dos clientes. O maître é um profissional experiente responsável pelo serviço do restaurante, no qual deve supervisionar o aten- dimento aos clientes e o comportamento dos garçons e demais profissionais. É quem verifica a qualidade geral dos serviços, a limpeza dos utensílios de mesa (sendo responsá- vel, inclusive, pela organização da mise en place), a aparência dos pratos e a qualidade dos alimentos servidos em geral. Também conhece em detalhes os produtos servidos e é, ao lado dos garçons, quem faz sugestões aos clientes e atende a solicitações e dúvidas, tendo como uma de suas principais funções tornar a visita do cliente ao estabele- cimento um momento agradável. Em alguns restaurantes Brigada: Como é denomina- do em restaurantes e bares o conjunto dos profissionais que lá trabalham; os garçons são parte integrante dessa brigada. 80 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 existe também a figura do segundo maître, que tem praticamente as mesmas funções do primeiro, mas ainda é subordinado a este. Porém, o mais comum é a presença de apenas um maître no restaurante. O chefe de fila é uma ocupação que, na hierarquia do restaurante, fica entre o maître e o garçom; garçons e commis têm de responder a ele. O chefe de fila também exerce as funções de garçom, podendo ainda orientar os demais serviços, como limpeza e arrumação do salão. O garçom é a figura central do restaurante; todo o atendimento ao cliente, desde sua chegada até a saída, depende desse profissional. O commis é o ajudante do garçom, sendo sua função, portanto, auxiliar esse profis- sional: ele ajuda na limpeza do salão, nos serviços das mesas, em relação às quais é responsável pela retirada dos utensílios usados, e auxilia na relação entre garçom e cozinha do restaurante e/ou bar. Em que posso ajudá-lo? – como se dá o atendimento às mesas Para organizar o atendimento às mesas e aos clientes, o salão é dividido em partes chamadas praças, compostas por mais ou menos 20 lugares, tendo em geral um garçom e um commis responsáveis por seu atendimento. A divisão das praças depende do porte de cada estabelecimento e do tipo de serviço executado, mas essa é uma divisão recomendável que garante a qualidade do aten- dimento e do serviço. O maître é o responsável pela divisão dos garçons nas praças, e pode mantê-las fixas ou variá-las, de acordo com a necessidade do estabelecimento. Caso seja necessário, ou caso seja chamado por um cliente de outra praça, o garçom requisitado pode atender à mesa, dependendo da demanda, ou informar o garçom responsável pela praça de que sua presença está sendo solicitada. Caso tenha anotado algum pedido, deve repassá-lo ao garçom daquela praça. A rotina de um garçom A rotina de trabalho do garçom inclui algumas tarefas que devem se repetir diaria- mente no funcionamento de um restaurante, bar ou outro estabelecimento seme- lhante. Essas tarefas envolvem desde as atitudes e a apresentação pessoal, até outras funções, como arrumação do salão, limpeza do material, recepção e atendimento aos clientes. Após a atividade a seguir, falaremos sobre elas. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 81 Atividade 2 um olhaR sobRe as pRópRias atitudes 1. Leia o texto a seguir. Um último obrigado Na padaria, ontem cedo, soube que Toninho foi despedido. O homem que me atendeu no café da manhã durante os últimos cinco anos acaba de se perder na imensidão de São Paulo. Nunca mais o verei, certamente. E parece-me estranho que esse homem, sempre tão gentil, sempre atencioso, desapareça sem ao menos um último aper- to de mão. Logo cedo, no balcão do café, era Toninho quem se desdobrava, e seu nome podia ser escutado a todo o momento, em meio ao ba- rulho das xícaras, às ordens gritadas para o chapeiro e ao atropelo dos que chegavam ali para a primeira refeição do dia, antes de pe- garem o metrô. Naqueles minutos tensos, quando a turba se amontoava em volta do balcão, fazendo seus pedidos ao mesmo tempo, dando aos tons de voz uma urgência às vezes mentirosa, ele era o único que nunca perdia a paciência. E o que me encantava na sua maneira de atender é que Toninho jamais foi servil. Havia uma leve tensão em seus gestos; possuído de uma agilidade e de uma concentração inigualá- veis, ele comandava aquele espaço. Era educado sem ser submisso – qualidade rara em um empregado cuja principal tarefa é atender bem ao cliente, deixá-lo satisfeito, com a sensação de que, entre todos os que circundam a máquina de café e a vitrine de salgados, ele é o mais importante. 82 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Observar o comportamento desse homem significava entender de que maneira alguém pode, apesar da função subalterna, manter suadignidade, conceder aos seus menores atos certa dose de arte – com que perfeição ele lavava os copos e as xícaras; sua destreza ao preen- cher as comandas; e sempre, antes de me cumprimentar, tomava o cuidado de enxugar as mãos –, e assim manter-se acima da massa banal. Ser um subalterno, mas transformar seu trabalho em um refi- nado sistema de gestos, palavras, olhares e certezas. Temo que ele tenha sido despedido por causa da idade, pois já pas- sava dos quarenta. Mas se foi essa a razão, o que posso dizer, senão lastimar que, vagando por São Paulo ou remoendo suas decepções em alguma humilde casa da periferia, ele esteja impedido de ler este texto e, principalmente, de saber que suas diferentes gentilezas per- manecem guardadas em minha memória – e que faço dessas lem- branças uma forma de lhe dizer meu último muito obrigado. GURGEL, Rodrigo. Um último obrigado. Rodrigo Gurgel, 5 out. 2007. Disponível em: <http://rodrigogurgel.blogspot.com.br/2007/10/um-ltimo- obrigado-na-padaria-ontem-cedo.html>. Acesso em: 12 jun. 2013. Crítico literário do jornal Rascunho, colaborador da Folha de S. Paulo e colunis- ta do site Mídia sem Máscara, Rodrigo Gurgel é autor de Muita retórica – Pouca literatura (de Alencar a Graça Aranha), publicado pela Vide Editorial. 2. Agora, com base no texto lido, responda às seguintes questões: a) Quais são as características do Toninho, atendente da padaria, que mais chamaram a atenção do autor? b) O que você acha dessas características? Elas são adequadas ao trabalho do garçom? Justifique sua resposta. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 83 c) Observe e reflita sobre suas atitudes no cotidiano com a família, com os vi- zinhos ou nos lugares onde já trabalhou. Você considera que possui algumas das características descritas no texto? Quais? A relação garçom-cliente O trabalho do garçom, assim como o de diversas outras ocupações do setor de serviços, exige um relacionamento direto com o cliente. Por isso, além dos conhe- cimentos técnicos que você está aprendendo neste curso, há também outros saberes importantes, relacionados com o jeito de ser e de agir das pessoas no cotidiano (suas atitudes pessoais) e no trabalho (suas atitudes profissionais). Neste momento, falaremos de alguns desses aspectos, ajudando-o a refletir sobre a melhor maneira de agir no local de trabalho e no momento de atender e servir os clientes. Gostar de conhecer pessoas e conviver com elas é fundamental para um profissional que vai atender o público diariamente. Todos nós sabemos que existem pessoas com as quais é mais fácil conviver, e outras, digamos, menos sociáveis. Mas quantas vezes, no dia a dia, você já teve de lidar com indivíduos estressados, impacientes, cansados ou, até mesmo, furiosos com alguma situação? Na área profissional não será diferente. Você encontrará pessoas tranquilas e outras nem tanto; algumas compreensivas e outras menos dispostas a ouvir seus argumen- tos; pessoas contentes com o momento que estão vivendo e outras que passam por situações difíceis. Porém, como garçom, diante de todas elas será preciso demonstrar equilíbrio e paciência. Isso não significa que você precisa concordar com tudo, sem expor as próprias opiniões. Também não quer dizer que você deve aguentar desaforos ou deixar que o explorem. Apenas considere que lidar com pessoas requer tranquilidade e cuidado para não tornar situações difíceis mais complicadas do que já são. 84 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 A comunicação com os colegas de trabalho também deve acontecer de forma tranquila, tanto na relação com os profissionais da cozinha quanto com os demais garçons no salão do restaurante, onde não se deve falar alto, mas sim de forma discreta, caso tenha que se comunicar com outro colega de trabalho. Apresentação pessoal dos garçons Em relação à aparência pessoal e ao vestuário, não exis- tem propriamente regras, mas sim algumas recomenda- ções que são muito importantes. Vestimenta: essa recomendação independe do tipo de uniforme a ser utilizado (que é definido pelo estabeleci- mento em que se trabalha); o importante é que ele este- ja sempre limpo e em bom estado de uso. Você sabia? As roupas também po- dem carregar micróbios e contaminar os alimentos; por isso, além de lavar os uniformes de trabalho de maneira apropriada e constante, é muito impor- tante que eles sejam pas- sados, pois o calor do ferro ajuda a esterilizar as vestimentas. F ot os : © P au lo S av al a gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 85 Sapatos: como se trata de uma ocupação que exige do profissional ficar em pé durante longos períodos, é im- portante que o garçom utilize um sapato confortável, e as garçonetes devem evitar o uso de saltos. Ambos devem estar atentos, também, a solados escorregadios. Unhas e maquiagem: garçons devem estar atentos à higiene das mãos, sempre com unhas cortadas e limpas. No caso das garçonetes, é recomendável que tenham as unhas curtas e bem tratadas, pintadas apenas com base, além de usar maquiagem leve. Acessórios e perfumes: não é adequado o uso de acessórios grandes – como brincos, pulseiras, anéis ou cachecóis –, pois eles podem atrapalhar o desempenho profissional. Não se recomenda também o uso de perfumes. Cabelos: devem dar especial atenção aos cuidados com os cabelos, que devem estar sempre limpos e penteados; se compridos, devem ser presos para evitar qualquer con- tato com a comida, de preferência em um coque. Se você for executar atividades de manipulação de alimentos, não use esmalte de nenhum tipo. Seguem algumas outras recomendações importantes feitas pela Anvisa para os profissionais que, de alguma maneira, manipulam alimentos: • não fume, coma, tussa, espirre, fale demais ou toque em dinheiro durante a manipulação de alimentos; • se estiver doente ou com cortes e feridas, não manipule os ali- mentos; • faça exames periódicos de saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Cartilha sobre boas práticas para serviços de alimentação. Resolução-RDC no 216/2004. Brasília: Anvisa, p. 22-4. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/divulga/public/alimentos/cartilha_gicra_ final.pdf>. Acesso em: 12 jun. 2013. Saúde: além de visitas ao médico, recomendam-se também visitas periódicas ao dentista; mais que uma questão estética, o cuidado com a boca e os dentes é uma questão de saúde. 86 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Organização do salão O trabalho do garçom começa bem antes do momen- to em que o restaurante abre as portas, para que haja condições de atender ao público de maneira adequada, com a qualidade que se espera. Antes, existe uma série de atividades de preparação que precisam ser feitas. Vamos a elas! São de responsabilidade do garçom (em conjunto ou não com outros funcionários, como maîtres e commis, dependendo da brigada de cada estabelecimento) ativi- dades de organização do salão, como arrumação do espaço físico e seus móveis e a limpeza dos utensílios que serão utilizados. Geralmente, os restaurantes funcionam em dois turnos, almoço e jantar; nos dois casos os mesmos procedimen- tos devem ser realizados. A organização das mesas e dos utensílios pode variar de acordo com o tipo de restaurante, assim como a mise en place que será executada. Voltaremos a esse assunto nas Unidades 7 e 8 do Caderno 2, dedicadas exclusivamen- te a explicar em detalhes os diferentes tipos de serviço e suas respectivas mises en place. É tarefa do maître fazer a distribuição das atividades, bem como orientar a brigada de seu restaurante sobre todas as tarefas que deverão ser feitas. A organização do salão deve incluir ainda a arrumação de janelas e cortinas, a verificação do funcionamento do ar-condicionado ou dos ventiladores, bem como da lim- peza geral do salão. Outra etapa importante durantea mise en place consiste na higienização dos utensílios de uso do estabelecimento. Veja quais são os procedimentos para realizar essa higie- nização: Uma das principais funções do maître é repassar aos garçons, diariamente, as principais informações relativas aos pratos disponíveis no cardápio e às bebidas disponíveis no bar; neste último caso, é importante que os garçons tenham conhecimento da falta de alguma bebida em especial, para informar o cliente com precisão e evitar situações constrangedoras ou futuras reclamações. Sobre o cardápio de alimentos, é recomendável que o maître transmita aos garçons as informações dadas pelo chefe de cozinha sobre as recomendações do dia. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 87 1. Separar os materiais por tipo: pratos, copos, talheres etc. 2. Os talheres devem ser colocados em uma bandeja forrada; em seguida, joga-se álcool 70% sobre eles e, com um pano apropriado, limpa-se um a um. Após a higienização, eles devem sempre ser manuseados com auxílio de guardanapos para evitar que se sujem novamente. 3. Pratos e copos também devem ser higienizados com álcool; o procedimento é pa- recido com o da limpeza dos talheres, vertendo-se álcool sobre todos eles, sempre utilizando panos apropriados para limpeza. É importante que esse pano não solte fiapos e que os copos sejam limpos dentro e fora, e os pratos, dos dois lados. F ot os : © P au lo S av al a F ot os : © P au lo S av al a F ot os : © P au lo S av al a 88 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 4. Após a higienização, pratos e copos devem ser colocados em bandejas forradas para serem levados às mesas ou colocados em aparadores. É preciso tomar cuidado para não tocar na borda dos copos após o procedimento realizado; deve-se sempre pegá-los pela base ou haste. 5. Todos os demais utensílios a serem utilizados em mesas e como apoio deverão ser higienizados; os reci- pientes (saleiros, pimenteiras, galheteiros etc.) devem ser esvaziados e limpos, para somente depois serem cheios novamente; nunca leve ou deixe permanecer à mesa recipientes com menos de ¼ de conteúdo. 6. Os cardápios devem ser limpos diariamente; os que não tiverem mais condições de uso devem ser substi- tuídos. 7. Aparadores, carrinhos de comidas e bebidas e mesas auxiliares (gueridons) também devem ser limpos para, em seguida, serem equipados. São chamados de ménage (fala-se “menáge”) utensílios como porta-condimentos, açucareiros, pimenteiras, e ornamentação, como vasos, número de mesa, entre outros. Na reposição dos recipientes, é importante estar atento para não misturar produtos diferentes, sobretudo no caso de azeites, vinagres, mostardas e queijos. © P au lo S av al a gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 89 Atendimento ao cliente Assim que entrar no restaurante, o cliente deve ser recepcionado pelo maître ou garçom, que o acompanhará e o acomodará à mesa. Em seguida, deve-se entregar o cardápio, para que possam ser escolhidos os pratos e as bebidas. © P au lo S av al a © P au lo S av al a 90 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Como alguns já sabem exatamente o que vão pedir, mas outros demoram um tempo maior para escolher, não é necessário que o garçom fique junto à mesa, ao lado dos clientes. Porém, é necessário que esteja atento, caso o cliente precise de explicações sobre os pratos ou alguma outra questão relacionada ao cardápio. Por isso, estar bem informado sobre bebidas em falta, pratos com os quais o restaurante trabalha, bem como sobre as sugestões do dia ou as especialidades da casa é fundamental para a qualidade do trabalho de um garçom. Também é função do garçom – e, dependendo do res- taurante, do maître – sugerir pratos aos clientes. A mes- ma recomendação vale para as bebidas. Nesse caso, sobretudo em relação aos vinhos, é preciso conhecer bem a carta de vinhos do estabelecimento para fazer uma boa indicação. Mais à frente, no Caderno 2, quando falare- mos em detalhes sobre bebidas, retomaremos esse as- sunto, explicando melhor as características de cada tipo de vinho e dando dicas de harmonização, ou seja, com- binação dessa bebida com os pratos. Cabe ao garçom, ainda, oferecer o couvert, que pode ou não ser aceito pelos clientes. Lembre-se sempre de que a relação a ser estabelecida entre o garçom e seus clientes deve ser de respeito, sobre- tudo quanto à opinião do cliente. Não se deve forçar nenhum serviço, mas sim dar sugestões, com muita tran- quilidade e gentileza. O que o senhor deseja? Quando for anotar os pedidos, o garçom deve ter em mãos a comanda, na qual o pedido será anotado. Em alguns es- tabelecimentos já são utilizados aparelhos eletrônicos, ou seja, comandas eletrônicas, para realizar os pedidos. Nesse momento, é fundamental concentrar-se, possibi- litando assim a passagem correta da informação para a cozinha e o bar. Veja algumas informações importantes para a hora do atendimento ao cliente e da escolha da refeição: • nunca faça imposições nem force a escolha dos clientes; procure sempre se posicionar de forma atenciosa, deixando-os à vontade; • é importante estar atento e perceber as reações dos clientes; • tenha em mente que, se nada for oferecido, a chance de o cliente pedir algum item a mais, como um vinho, por exemplo, diminui; por isso, é função do garçom fazer sugestões, sempre de maneira clara, gentil e simpática. Para saber mais sobre informática, reveja o Caderno do Trabalhador 3 – Conteúdos Gerais – “ABC da informática”, que trata dessa questão. Disponível em: <http://www.viarapida.sp.gov. br>. Acesso em: 12 jun. 2013. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 91 A anotação correta também auxilia no momento de servir os pratos solicitados pelos clientes que compõem a mesa. Por exemplo: para saber o que cada cliente pe- diu, faça uma numeração na comanda dos lugares. Imagine que a cadeira que está de costas para a porta de entrada do salão é a número 1; no sentido horário, cadeira 2, cadeira 3 etc. Desse modo, o garçom conse- guirá servir todos os clientes da mesa sem perguntar o que cada um pediu, mesmo sendo uma mesa grande ou o serviço executado por um garçom que não anotou o pedido. Essa atenção especial na hora de se tirar o pedido não deve fazer parte apenas da rotina dos garçons de restaurantes; deve estar presente em qualquer ambiente de trabalho, desde uma lanchonete até um quiosque da praia. A conta, por favor! A última etapa de atendimento ao cliente é o pedido da conta. O garçom não deve nunca perguntar se os clientes que- rem a conta; essa é uma atitude deselegante, que pode causar constrangimento. O ideal é sempre esperar que os clientes o façam. É função do garçom checar a conta antes de entregá-la, verificando se os produtos consumidos foram anotados e cobrados adequadamente e se o valor da conta está correto. A conta deve ser entregue na mesa, sempre para quem a pediu, e o garçom deve se retirar, aguardando de forma atenta até que os clientes o chamem de novo. É importante observar que o copo de água, o guardana- po e a xícara de café devem ficar sobre a mesa mesmo que não sejam usados. Eles só devem ser retirados quan- do o cliente sair do estabelecimento. O posicionamento correto do garçom para a anotação dos pedidos é sempre à direita do cliente. Além disso, o garçom deve olhar sempre de frente para o cliente e ficar em uma posição que permita isso. 92 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Veja agora algumas orientações sobre como lidar com reclamações: • ouça o cliente com atenção, para poder compreender qual é sua reclamação; • mantenha a calma em todas as situações; • não discuta com o cliente; procure se responsabilizar pelos erros, casotenham de fato acontecido; • se for o caso, faça a troca do produto que foi objeto da reclamação. Pode desembaraçar Após a saída dos clientes e liberação da mesa, o garçom ou o commis, dependendo da organização e brigada do estabelecimento, deve fazer o serviço de retirada dos utensílios que restaram, operação também conhecida como desembaraço da mesa. Em seguida, a mesa deve ser preparada novamente para receber os próximos clientes. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 93 unida d e 5 O material do garçom Quais serão os segredos do garçom? Certamente, muitos! Você também vai colecionar segredos que descobrirá ao longo de sua carreira. Nesta Unidade, conheceremos alguns desses segredos ao tratar do material que os garçons têm à disposição no local de traba- lho. É importante que você conheça e aprenda a utilizar esse material, para que o trabalho seja realizado com maior quali- dade e eficiência. Cada restaurante, de acordo com suas especificidades, fará uso do material necessário para a realização de seus serviços. É in- teressante notar que, para o mesmo material, existem variedades de tipo e de qualidade; cada restaurante ou estabelecimento utilizará os que mais se adequam ao seu perfil. Antes de lhe apresentarmos esses materiais, faça a atividade a seguir, para verificar o que você já conhece. Atividade 1 paRa ReconheceR a áRea de tRabalho Liste a seguir os materiais que você conhece que são utilizados pelo garçom, descrevendo brevemente suas respectivas utilidades. Material Utilidade 94 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Material Utilidade Principais materiais do ambiente de trabalho do garçom Vamos agora conhecer em detalhes os principais equipamentos e materiais existen- tes em restaurantes e demais espaços de trabalho de garçons e garçonetes: Móveis Mobiliários Características Usos Mesas Quadradas ou retangulares São, geralmente, usadas para acomodar até quatro pessoas. Para acomodar grupos maiores, é comum juntar mesas, de acordo com a necessidade dos clientes e a capacidade do salão Mesas Redondas São, geralmente, usadas para acomodar seis ou mais pessoas F ot os : © P au lo S av al a gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 95 Mobiliários Características Usos Mesas Ovais São, geralmente, usadas para acomodar seis ou mais pessoas Mesas auxiliares ou gueridons Vários formatos Usados para dar apoio ao serviço das mesas. Podem ser fixos ou possuir rodinhas para possibilitar sua circulação pelo salão. Geralmente possuem uma prateleira na parte inferior, também para guardar utensílios Aparadores ou aparadores de praça Vários formatos Usados em salões para guardar demais utensílios (talheres, pratos, copos etc.) e dar apoio aos garçons durante o serviço das mesas Cadeiras Vários formatos Assentos para crianças (maiores de cinco anos), jovens e adultos Cadeirões Vários formatos Assento para crianças (menores de cinco anos) © D iv ul ga çã o/ T ra m on ti na © P au lo S av al a © D el la B ru na © D el la B ru na © P au lo S av al a 96 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Mobiliários Características Usos Carrinhos de comidas e bebidas Vários formatos Sua função é circular pelo restaurante levando bebidas ou sobremesas para a escolha dos clientes em suas mesas Utensílios Utensílios Usos Louças de porcelana Pratos de mesa Pratos comumente utilizados para servir a maioria das refeições; existem diversos formatos e tamanhos. Também chamados de pratos rasos A montagem do salão deve levar em consideração a circulação das pessoas e dos funcionários, principal- mente garçons. É recomendável que exista um espaço de pelo menos 1,5 metro entre as mesas, para que esse trânsito flua de forma satisfatória. Quanto mais sofisticado o restaurante, maior pode ser o distan- ciamento entre as mesas. O aparador deve ser montado antes da abertura do restaurante, ou seja, durante a mise en place. Sua montagem consiste em: estar forrado com toalha, ter bandejas, cardápios (comidas e bebidas), talheres, pratos e guardanapos de pano extras para a necessidade de substituição nas mesas. Com o hábito cada vez mais frequente de as famílias comerem fora de casa, diversos restaurantes ofere- cem serviços diferenciados para crianças, que vão desde cardápios apropriados (comida e quantidade) ou espaços com brinquedos, até papéis e lápis de cor para as crianças pintarem enquanto estão à mesa. Ao acomodar famílias com crianças, o garçom deve oferecer esses serviços aos clientes. F ot os : © P au lo S av al a gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 97 Utensílios Usos Taças de consommé Usadas para servir consommé (tipo de caldo) ou então alguma sopa em pequena porção Pratos de sopa Pratos fundos, especiais para servir sopas e caldos. Também usados para servir massas, risotos e até saladas. Deve-se colocar sempre um prato raso embaixo quando for servir Sopeiras Recipientes utilizados para servir sopa à mesa Pratos de sobremesa Pratos menores, para servir a maioria das sobremesas. Em alguns lugares podem também ser usados para servir pequenas entradas Pratos de pão Pratos menores para consumo do couvert F ot os : © P au lo S av al a 98 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Utensílios Usos Xícaras de café com pires Xícaras pequenas para servir café à mesa Xícaras de chá com pires Xícaras maiores para servir chá à mesa Baixelas (geralmente de aço inox ou prata) Bandejas São os principais instrumentos de trabalho do garçom; podem ser retangulares, redondas ou ovais. As retangulares são usadas em room service, e para transporte de pratos e travessas. As redondas são usadas para transporte de bebidas e outros pequenos itens como ménage. Podem ser de inox ou fibra plástica. Esta última possui superfície antiderrapante, sendo por isso mais prática Baixelas de peixe Recipientes utilizados para servir pratos à base de peixe. São sempre ovais e mais estreitas que as demais Baixelas Recipientes utilizados para servir pratos à mesa; podem ter diversos tamanhos. Podem ser redondas ou ovais © L uc ío la O ka m ot o © P au lo S av al a © P au lo S av al a © P au lo S av al a © P au lo S av al a © P au lo S av al a gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 99 Utensílios Usos Sous-plats Pratos grandes (maiores que todos os demais) usado como base para os outros pratos. Antigamente, era confeccionado em prata; hoje é encontrado em vários tipos de materiais Cloches Tampas utilizadas para cobrir os pratos no serviço de empratados sofisticados. Também usado em hotéis no room service (serviço de quarto) Demais utensílios Baldes para gelo Também conhecidos como caçambinhas, são utilizados para levar gelo à mesa dos clientes Baldes para garrafas De tamanho maior, são usados para manter vinhos, champanhes e cervejas gelados depois de abertos. Também podem ser chamados de baldes de gelo pequeno e grande Porta-baldes Apoios para baldes, para evitar colocá-los diretamente na toalha. Pode-se ainda usar um tripé para balde de gelo F ot os : © P au lo S av al a 100 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Utensílios Usos Pinças para gelo Utensílios para pegar o gelo do balde Porta-couverts Recipientes para colocar os aperitivos servidos no couvert e levar à mesa. Também chamado riviera Porta-manteigas Recipientes para colocar a manteiga geralmente em formato de pequenas bolas, chamadas noisettes, e levar à mesa Bules para leite Recipientes para colocar leite e levar à mesa Bules para chá Recipientes para colocar chá e levar à mesa Bules para café Recipientes para colocar café e levarà mesa © A tw P ho to gr ap hy /G et ty Im ag es © P au lo S av al a © P au lo S av al a © P au lo S av al a © P au lo S av al a © P au lo S av al a gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 101 Utensílios Usos Suportes para vinho Apoios para colocar a garrafa de vinho à mesa Cestas para pão Recipientes para colocar pães e levar à mesa Abridores de garrafa Fazem parte do material que o garçom deve carregar com ele Saca-rolhas Utilizados pelos garçons para abrir garrafas de vinho Saleiros Recipientes para colocar sal e levar à mesa Pimenteiras Recipientes para colocar pimenta e levar à mesa © P au lo S av al a © P au lo S av al a © P au lo S av al a © P au lo S av al a © P au lo S av al a © F er na nd o C ha ve s 102 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Utensílios Usos Paliteiros Recipientes para colocar palitos e levar à mesa, apenas quando solicitado pelo cliente Galheteiros Recipientes para colocar azeite e vinagre para levar à mesa. Não se costuma colocar no galheteiro azeites de melhor qualidade, preferindo-se preservar sua embalagem original Mostardeiras Recipientes para colocar mostarda e levar à mesa Açucareiros Recipientes para colocar açúcar e levar à mesa. Atualmente, é bastante comum o uso de sachês de açúcar e adoçante Moinhos ou moedores de pimenta Recipientes para moer a pimenta diretamente no prato do cliente F ot os : © P au lo S av al a gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 103 Utensílios Usos Queijeiras Recipientes para colocar queijo ralado e levar à mesa Castiçais Recipientes apropriados para colocar velas à mesa Números para as mesas Existem diversos modelos e servem para numerar as mesas do salão, facilitando o controle por parte dos garçons e dos demais funcionários do restaurante Lavandas Recipientes com água e, geralmente, uma fatia de limão, deixados à mesa para que os clientes limpem as pontas dos dedos no caso de alimentos que devem ser consumidos com as mãos. Pode-se usar no lugar uma toalha pequena úmida e quente © F er na nd o C ha ve s © P au lo S av al a © P au lo S av al a © P au lo S av al a 104 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Nome Como se fala Sous-plats Suplá Cloches Clóche Room service Rum sérvis Noisettes Nuaséte Consommé é uma palavra francesa. A receita desse prato foi criada por volta de 1700 e destinava-se a pes- soas enfermas, dada a concentração de nutrientes do preparo. Na atualidade, ela pode ser servida como en- trada quente ou fria, geralmente em taças especiais para esse fim. Para que o sal, ao ser colocado nos saleiros, não fique úmido, dificultando a saída do recipiente, deve-se torrá-lo no forno. © C ha rl ot te L ak e/ E as yp ix A bandeja é um dos instrumentos mais importantes do trabalho do garçom; é preciso dominar sua utilização, mas saiba que isso requer treino e conhecimento de algumas técnicas básicas: • elas devem sempre ser carregadas com a mão esquerda, para que a mão direita fique livre para servir os clientes; • a mão deve permanecer espalmada embaixo da bandeja com os dedos bem abertos, para dar equilíbrio; • para ajudar a equilibrar a bandeja, no caso de pequenos objetos, é preciso separar os utensílios que serão colocados, de forma a ba- lancear seu peso; também não é recomendado que se exagere na quantidade de utensílios colocados na bandeja, pois isso pode acarretar sua queda; • para ajudar a equilibrar a bandeja, no caso de garrafas, deve-se procurar deixá-las sempre encostadas umas nas outras, próximas ao corpo. Esse procedimento traz maior segurança. Se algo for cair, o garçom consegue segurar tudo de uma só vez. A distribuição de garrafas separadas pela bandeja é sempre muito perigosa; • também se recomenda que os pratos sejam separados por tipo (de mesa, sobremesa, pão) ao serem colocados para o transporte. Da mesma forma deve-se agir com os copos, lembrando-se de nunca colocar um dentro do outro. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 105 Talheres Facas de mesa e de sobremesa Facas de peixe Garfos de peixe Garfos de mesa e de sobremesa Colheres de sopa, sobremesa, chá e café Colheres de açucareiro Talheres para churrasco Garfos de ostra, também usados para casquinha de siri Colheres de molheira Conchas de sopeira F ot os : © P au lo S av al a 106 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Seguem algumas dicas importantes ao servir pratos não tão comuns como: • Ostras – em geral, são servidas dentro da própria concha e, assim, levadas diretamente à boca. • Lagosta – para servir este fruto do mar em sua versão origi- nal, ou seja, a lagosta inteira, é preciso que o prato acompanhe alicates especiais para se cortar a lagosta. Depois de retirada a carne, utiliza-se o talher de peixe para levar o alimento à boca. Hoje em dia é mais comum se servir o medalhão de lagosta – a lagosta sem a casca. • Escargô – ao servir este molusco, é preciso fazer uso de uma pinça especial que é utilizada para prendê-lo. Se tiver molho, coloca-se do lado direito do prato, antes do garfo, uma colher de sobremesa. Talheres de escargô © P au lo S av al a © J ud it h H ae us le r/ T ax i/ G et ty Im ag es © T et ra Im ag es /C or bi s/ L at in st oc k © M ar go ui lla t/ 12 3R F gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 107 Enxoval do restaurante Roupas Usos Moletons Evitam ruídos, impedem que a toalha escorregue, protegem a mesa quando se coloca algo quente, absorvem líquidos derramados Toalhas Podem ser de vários tecidos e cores, de acordo com os tipos de mesa e a decoração dos restaurantes; é importante que tenham de 20 a 30 centímetros de caimento Cobre-manchas ou napperons (fala-se “náp ron”) São utilizados sobre as toalhas; têm dupla função: ajudam a decorar a mesa e a manter a toalha limpa por mais tempo. Nos restaurantes mais simples, são utilizados cobre-manchas de papel que, assim como os de tecido, devem ser trocados a cada novo cliente Guardanapos de mesa São os guardanapos para utilização dos clientes; nos restaurantes mais simples, são utilizados guardanapos de papel. Mais à frente, no Caderno 2, teremos uma Unidade específica para ensinar a fazer diferentes dobras de guardanapo F ot os : © P au lo S av al a 108 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Roupas Usos Guardanapos de garçom São guardanapos utilizados pelos garçons no auxílio ao serviço de bandejas. São usados sobre o braço, evitando, sobretudo, que os garçons se queimem ao servir pratos quentes Panos de prato ou panos de copa Utilizados para higienizar os utensílios Panos de pó Utilizados para limpeza de móveis e alguns utensílios Panos descartáveis Utilizados para limpeza geral de móveis e utensílios F ot os : © P au lo S av al a gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 109 Roupas Usos Forros de bandeja Tipos de guardanapos utilizados para forrar as bandejas com o objetivo de evitar que os utensílios escorreguem. Também absorvem líquidos Equipamentos Equipamentos Usos Réchaud maître-d’hôtel (fala-se “rechô métre dotel”) Aparelhos utilizados para fazer a finalização de alguns pratos à mesa, por exemplo, massas e flambados Aparelhos para fondue Aparelhos utilizados para servir o fondue e seus acompanhamentos à mesa. A panela em que o fondue é preparado se chama caquelon Chaffing dish (fala-se “xáfim díchi”) Utilizados para servir diferentes tipos de comida e mantê-las aquecidas © P au lo S av al a © P au lo S av al a © L uc íd a O ka m ot o © E dg ar as K ur ausk as /1 23 R F 110 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Copos Para o garçom, é importante conhecer os diferentes copos para as mais variadas bebidas, assunto que abordaremos em detalhes, nas próximas páginas. Além do formato e do tamanho corretos, o garçom deve estar atento também a outras características que vão contribuir para a apreciação da bebida: limpeza ex- trema do copo, temperatura exata, decoração e bom gosto. Apesar da variedade de copos, eles são classificados apenas em duas grandes famílias: • copos sem pé (ou haste) – chamados tumblers ou unfooted (falam-se “tâmblers” e “anfúted”); • copos com pé (ou haste) – chamados stemmed ou footed (falam-se “stémed” e “fúted”). Veja na tabela a seguir alguns dos copos mais usados nos restaurantes e bares: Copos Características Usos Highball (fala-se “raibol”) ou long tumbler Alto, grande e com formato cilíndrico Long drinks (fala-se “longue drinques”): cuba-libre, gin fizz, hi-fi, gim-tônica, campari soda, sucos Collins Um pouco mais baixo que o highball e mais esguio. Ideal para long drink Uísque com club soda ou água mineral. Coquetéis servidos: bloody mary, tom collins, tequila sunrise, mojito, entre outros © S er gi i D ib ro va /1 23 R F © P au lo S av al a gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 111 Copos Características Usos On the rocks (fala-se “on de roques”) Baixo, com borda e fundo largos. O copo para caipirinha é semelhante, porém um pouco mais estreito e com fundo espesso Uísque com pedras de gelo Old-fashioned (fala-se “old fechion”) Borda mais larga que o fundo Coquetéis old-fashioned, negroni e americano, além de white russian, black russian, french connection, rusty nail, entre outros Taça martíni ou copo para coquetel Formato aberto na borda, com haste longa Martíni, manhattan (fala-se “manrátan”), daiquiri, alexander Hurricane ou taça escandinava, ou, ainda, poco grande, em espanhol Haste baixa, bojudo desde a parte de baixo até a metade, com estreitamento e nova abertura mais larga na borda. Ideal para servir com canudos dobráveis e decoração com frutas Coquetéis tropicais, piña colada (quando não é servida dentro do abacaxi, esta é sua taça oficial) © P au lo S av al a © P au lo S av al a © C re at iv e C ro p/ G et ty Im ag es © E le na E lis se ev a/ 12 3R F 112 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Copos Características Usos Margarita ou coupett (fala-se “cupê”) Haste longa, bojudo e com borda larga Margarita Copo para água Pé e formato bojudo; alto, com borda mais aberta e maior que os copos de vinho branco e vinho tinto A água é servida nesta taça e sempre acompanha o serviço de vinhos Copo para vinho branco ou rosé (fala-se “rosê”) Pé e formato bojudo ou cilíndrico; pequeno, com borda menor Vinho branco e vinho rosé. Essas bebidas são servidas sempre geladas, e o tamanho pequeno ajuda a evitar o aquecimento Copo para vinho tinto Pé e formato bojudo; alto e com borda mais aberta O vinho tinto é servido nesta taça, que contribui para que ele “respire” mais, liberando seu aroma © S am o T re bi za n/ 12 3R F © J on at ha n K an to r S tu di o/ G et ty Im ag es © Z oo na r/ E le na E lis se e/ K ey st on e © F er na nd o C ha ve s gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 113 Copos Características Usos Copo para espumante ou flûte (fala-se “flite”) Fino, comprido, com pé; borda mais estreita Espumante. A taça contribui para manter o gás carbônico presente, permitindo apreciar as borbulhas Sherry (xerez ou jerez) Mais baixo, com borda larga e pé Vinhos fortificados: xerez, madeira, vinho do Porto Copo para licores Cálice pequeno (30 ml) Licores, destilados puros, shots (fala-se “shóts”) Copo para conhaque Napoleão ou balão (balloon ou snifter - falam-se “balum” e “esnífter”) Bojudo, com borda estreita. Apesar da haste, é preferível segurar a taça com as mãos em seu bojo. O objetivo é que as notas aromáticas que compõem o bouquet (fala-se “buquê”) sejam sentidas no olfato graças ao calor Conhaques e brandies (fala-se “brénds”) © Im ag e S ou rc e/ G et ty Im ag es © J os e A nt on io R ev id ie go /1 23 R F © P au lo S av al a © S er ge y S kl ez ne v/ A la m y/ D io m ed ia 114 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Dicas sobre as taças de vinhos As taças de vinho muitas vezes parecem todas iguais, certo? Vamos colocá-las uma ao lado da outra para visualizar as diferenças de tamanho entre elas. Da esquerda para a direita: água, espumante, vinho tinto e vinho branco. Copos para cerveja e chope Quanto à cerveja, ela pode ser servida em diversos tipos de copo, em geral cilíndricos e de corpo grande. O chope, em particular, é servido em dois tipos específicos: copo tulipa e canecas de vidro grosso. © A lfr ed o B ar ni /E as yp ix © S to ck by te /G et ty Im ag es © M ic ha el T ra ve rs /1 23 R F © E vg en iy a U va ro va /1 23 R F © S im on K at ze r/ G et ty Im ag es © A le xa nd re B el em /K in o © S to ck by te /G et ty Im ag es © V al en ty n V ol ko v/ 12 3R F © V al en ty n V ol ko v/ 12 3R F gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 115 Atividade 2 ReVendo o Que apRendi Depois de conhecer os materiais mais importantes utilizados pelos garçons, respon- da às perguntas a seguir. 1. Como devem ser distribuídas as mesas no salão dos restaurantes? Por quê? 2. Quais os principais critérios para utilização da bandeja? 3. O que é um gueridom e qual sua utilização? 4. Quais atitudes o garçom deve tomar ao receber uma família com crianças? 5. Como se chama o recipiente apropriado para se colocar velas à mesa, que ajudam na decoração do ambiente? 116 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 6. Quais as principais características que diferenciam as taças de vinho branco, champanhe e martíni? gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 117 unida d e 6 Boas práticas de higiene O alimento, líquido ou sólido, é um assunto central nesta nova ocupação que você está aprendendo. Como ele é um dos mais importantes promotores da saúde, devemos conhecer a melhor maneira de prepará-lo e servi-lo, pois, caso contrário, poderá até mesmo nos causar doenças. Preparar um alimento de modo seguro para consumo significa, obrigatoriamente, adotar cuidados higiênico-sanitários em todas as etapas da produção, isto é, desde a plantação (também deno- minada produção primária) até a mesa do consumidor. Os estabelecimentos do ramo alimentício (bares, restaurantes, cafés etc.) devem, obrigatoriamente, ter um documento com a descrição do trabalho a ser executado e a forma correta de fazê-lo. É o chamado Manual de Boas Práticas. Nele, podem ser regis- tradas informações gerais sobre limpeza, água utilizada, con- trole de pragas, procedimentos de higiene e de controle de saúde dos funcionários, de que modo eles são capacitados, qual o destino do lixo e, por fim, como garantir a preparação de alimentos saudáveis. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disponi- biliza material e cartilhas que informam sobre os Procedimen- tos Operacionais Padronizados (POP), ou seja, documentos que descrevem como se deve proceder em cada operação em uma cozinha. Os POP devem conter todas as etapas de cada ação, bem como os materiais empregados e os responsáveis pelas ações. Além disso, esses documentos devem ficar disponíveis para que todos os funcionários de restaurantes, bares etc. possam con- sultá-los a qualquer momento durante seu trabalho. Parece uma etapaburocrática, mas ela é de extrema importância para ga- rantir os padrões de higiene na cozinha e no bar. 118 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Veja a seguir quais são os procedimentos indicados pela Anvisa. • Limpeza das instalações, dos equipamentos e móveis. • Controle de insetos transmissores e pragas. • Limpeza do reservatório de água. • Higiene e saúde dos manipuladores. Os procedimentos que devem ser adotados e estar presentes nos Manuais de Boas Práticas e nos POP, cujo objetivo é assegurar as condições higiênico-sanitárias do alimento a ser preparado, foram aprovados pela Resolução-RDC no 216, de 15 de setembro de 2004, da Anvisa. Essa Resolução estabelece as Boas Práticas para Serviços de Alimentação: [...] Art. 2o – A presente Resolução pode ser complementada pelos órgãos de vigilância sanitária estaduais, distrital e municipais visando abranger requisitos inerentes às realidades locais e promover a melhoria das condições higiênico-sanitárias dos serviços de alimentação. [...] Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução-RDC no 216, de 15 de setembro de 2004. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2004/res0216_15_09_2004. html>. Acesso em: 12 jun. 2013. Tais medidas são essenciais para que não haja risco de contaminação das pessoas, pois qualquer problema com os alimentos pode causar risco para a saúde dos tra- balhadores e dos consumidores. Como os alimentos são contaminados? Assim como há inúmeras maneiras de contaminar nossa água, o mesmo se dá com os alimentos. Qualquer elemento diferente do alimento pode ser sinal de contaminação. A con- taminação pode ser física, química ou biológica. Alguma vez você já encontrou fios de cabelo em sua comida? Esse é um exemplo de contaminação física. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 119 Já a contaminação química difere da física porque não é facilmente vista. Sabemos que um alimento sofreu con- taminação química quando nele há algum tipo de pro- duto químico que habitualmente não é utilizado como ingrediente. Podem ser produtos de limpeza, inseticidas, antibióticos, agrotóxicos, óleos lubrificantes, entre outros. E, por fim, quando o alimento contém seres vivos, como microrganismos e parasitas, ele sofreu contaminação biológica. Em geral, todas essas contaminações ocorrem no momento do preparo e da manipulação dos alimentos. Portanto, é possível evitá-las! O que são microrganismos? São seres invisíveis a olho nu, que podem ser vistos ape- nas com auxílio de microscópios dotados de lentes que aumentam de 400 a 1 000 vezes seu tamanho. Só é pos- sível enxergá-los a olho nu quando estão agrupados em forma de colônia. Os microrganismos são também conhecidos como mi- cróbios, classificados como desejáveis ou indesejáveis. Os microrganismos multiplicam-se nos alimentos quando encontram condições ideais de nutrientes, umidade e temperatura. © H ud so n C al as an s so br e fo to s © S er gh ei V el us ce ac /1 23 R F e © S te ve G sc hm ei ss ne r/ S P L /L at in st oc k 120 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Você já ouviu dizer que para o preparo do iogurte, por exemplo, é necessário adi- cionar uma cultura de bactérias? Parece estranho, mas a bactéria é um tipo de microrganismo desejável, como aqueles utilizados na produção de alguns alimen- tos e bebidas, como queijos, cervejas, vinhos e pães, entre outros. Os microrganismos indesejáveis que se desenvolvem no alimento causam deterioração e até doenças. Por exemplo, talvez você já tenha jogado fora algum alimento porque ficou muito tempo fora da geladei- ra e azedou, ou ficou com uma cor diferente da habitual. Esse é um caso típico de microrganismo que altera o aspecto físico do alimento. No entanto, a maioria dos microrganismos que causam doenças não provoca essa alteração no alimento. © O la f S pe ie r/ 12 3R F © T re bu ch et /1 23 R F © M ir ce a S av u/ 12 3R F © M ar ti na K ov ac ov a/ E as yp ix © A ge F ot os to ck /K ey st on e © E m ily K ee gi n/ G et ty Im ag es gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 121 1000 Zona de Perigo 900 800 700 600 500 400 300 200 100 00 -50 Conheça alguns microrganismos A maioria das doenças transmitidas por alimentos é causada por bactérias. Mas há outros tipos de microrganismos, como vírus, fungos e protozoários. Veja alguns exemplos no quadro a seguir. Tipo Onde? O que fazer? Salmonella Esta bactéria é encontrada em vários alimentos crus, como frango, porco e na casca dos ovos Cozinhar bem as carnes; limpar a casca do ovo com vinagre; consumir no mesmo dia produtos que levam ovos crus (maionese, por exemplo) Listeria monocytogenes Bactéria encontrada nas frutas, no leite e em seus derivados Lavar bem as frutas, consumir e utilizar os produtos refrigerados no prazo de validade Toxoplasma gondii Este é um protozoário que vive no aparelho digestório de gatos e pode contaminar os alimentos e as pessoas. Gatos e cozinha não combinam! Não ter gatos próximos à cozinha ou ao bar. Caso tenha vizinhos com gatos, chame a vigilância sanitária de sua cidade para a verificação dos animais Atividade 1 Refletindo, inteRpRetando, escReVendo 1. Em dupla, no laboratório de informática, pesquisem sobre a importância da temperatura para a conservação dos alimentos. 2. Observe o desenho a seguir. Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Cartilha sobre boas práticas para serviços de alimentação. Resolução-RDC no 216/2004. Brasília: Anvisa, p. 11. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/divulga/public/alimentos/ cartilha_gicra_final.pdf>. Acesso em: 12 jun. 2013. H ud so n C al as an s 122 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 3. Agora, escreva um texto sobre a importância da temperatura para o controle dos microrganismos nos alimentos. Os alimentos que contêm níveis elevados de umidade oferecem condições mais adequadas para a multiplicação de microrganismos. Para evitar sua proliferação, é necessário que os alimentos sejam conservados em temperaturas adequadas e em locais secos. Os alimentos perecíveis são aqueles passíveis de estragar quando não há condições adequadas de armazenamento. Os alimentos não perecíveis são secos, pois não possuem umidade suficiente para a proliferação de microrganismos. Isso permite que sejam conservados à tempe- ratura ambiente. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 123 Atividade 2 identificação de peRecíVeis e não peRecíVeis Agora que você conhece a definição de alimentos perecíveis e não perecíveis, clas- sifique os alimentos do quadro a seguir. Alimento Perecível Não perecível Morango Uísque Leite Abacaxi Chocolate em barra Iogurte Já conhecemos as medidas denominadas Boas Práticas para Serviços de Alimenta- ção, editadas pela Anvisa. Elas são necessárias para evitar, eliminar ou reduzir a níveis aceitáveis as contaminações biológicas, físicas e químicas. O local de trabalho Limpeza e organização são duas palavras de ordem nos locais de trabalho do garçom, isto é, restaurantes, bares, bufês e também a cozinha – lugares onde ele pode pré- -preparar os ingredientes. Para isso, a infraestrutura do local, ou seja, sua estrutura física, deve ser adequada para a manipulação de alimentos: • o piso, a parede e o teto devem ser conservados e não podem ter rachaduras, goteiras, infiltrações, mofos e descascamentos – porque uma rachadura, por exemplo, pode abrigar insetos e fungos sem que percebamos; • as janelas devem ter telas para impedir a entrada e o abrigo de insetos e outros animais; • todos os objetos sem utilidade para o trabalho no bar devem ser retirados do local; eles só atrapalhama circulação de pessoas e o manuseio dos equipamentos, e podem concentrar poeira e micróbios; • a rede de esgoto ou fossa séptica deve ser instalada fora da área de preparo e de armazenamento de alimentos; 124 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 • os produtos de limpeza devem ser regularizados e con- ter no rótulo o número de registro no Ministério da Saúde, ou a frase: “Produto notificado na Anvisa/MS”, e devem ser guardados separados dos alimentos; • os banheiros e vestiários não devem se comunicar di- retamente com as áreas de preparo e de armazenamen- to dos alimentos e precisam estar sempre limpos; • a limpeza deve ser feita sempre que necessário e ao final das atividades de trabalho. Ela é importante para preve- nir e impedir a aparição de baratas, ratos e outras pragas. Atividade 3 Visita a um RestauRante Você e seus colegas vão visitar um restaurante (comida por quilo, churrascaria, pizzaria etc.). Com o auxílio do monitor, solicitem autorização para a visita. 1. Na visita, vocês assumem o papel de observadores das condições de higiene do local. Fiquem atentos aos itens relacionados anteriormente. 2. Se possível, entrevistem o responsável pelo estabele- cimento e conversem sobre a manutenção do local de trabalho, quais são as formas de limpeza da cozinha, quem faz a limpeza etc. 3. Cada grupo deve organizar as observações e informa- ções coletadas durante a visita. 4. Apresentem aos demais colegas essas observações e informações coletadas na visita e troquem impressões. • Use apenas água tratada ou de sistema alternativo, como poços artesianos. Para o preparo de alimentos e do gelo, use apenas água potável. • O lixo deve ser retirado com frequência da área de preparo de alimentos, em sacos bem fechados. Após seu manuseio, lave bem as mãos com sabão. • Alguns tipos de lixo devem ser descartados de forma diferenciada. © R ub be rb al l/G lo w Im ag es gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 125 ANTIS- SÉPTICO Atividade 4 É bom RefletiR sobRe as boas pRáticas 1. Em grupo de cinco pessoas, analisem as recomenda- ções da Anvisa e discutam: a) sobre os procedimentos que geralmente usam na co- zinha da própria casa; b) quais procedimentos devem ser alterados? Por quê? 2. Exponham para a classe as conclusões a que chegaram. O ato de lavar as mãos parece ser um procedimento simples, mas, para quem lida com alimentos, são neces- sários alguns cuidados especiais, já que esse é o principal meio de transmissão de bactérias. Veja como fazer: Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Cartilha sobre boas práticas para serviços de alimentação. Resolução-RDC no 216/2004. Brasília: Anvisa, p. 26. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/divulga/public/alimentos/cartilha_gicra_final. pdf>. Acesso em: 12 jun. 2013. Lavar as mãos é o procedimento mais importante dentre as práticas de higiene, na cozinha ou no bar! H ud so n C al as an s 126 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 1. Utilize a água corrente para molhar as mãos. 2. Esfregue o antebraço, a palma e o dorso das mãos com sabonete, inclusive as unhas e os espaços entre os dedos, por aproximadamente 15 segundos. 3. Enxágue as mãos com água corrente, retirando todo o sabonete. 4. Seque-as com papel-toalha ou outro sistema eficiente de secagem. 5. Esfregue as mãos com um pouco de produto antisséptico. Ao lavar as mãos, fique atento também a estes cuidados: • esfregue todas as regiões das mãos (veja a ilustração a seguir, com as áreas geral- mente esquecidas); • a pia para lavar as mãos não deve ser a mesma para a lavagem dos vasilhames. Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Cartilha sobre boas práticas para serviços de alimentação. Resolução- RDC no 216/2004. Brasília: Anvisa, p. 28. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/divulga/public/alimentos/cartilha_gicra_final. pdf>. Acesso em: 12 jun. 2013. Cuidados com os ingredientes usados no preparo de bebidas Os produtos congelados e refrigerados devem ser armazenados imediatamente. Em seguida, armazenam-se os produtos não perecíveis, já que nestes últimos, como vimos, é mais difícil ocorrer a proliferação dos micróbios. Os locais de armazenamento devem ser limpos, organizados, ventilados e protegidos de insetos e outros animais. H ud so n C al as an s Áreas frequentemente esquecidas durante a lavagem das mãos Áreas pouco esquecidas durante a lavagem das mãos Áreas não esquecidas durante a lavagem das mãos gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 127 Não compre e, principalmente, não utilize produtos cujas embalagens apresentem algum tipo de alteração, que estejam amassadas, estufadas, enferrujadas, trincadas, com furos ou vazamentos, rasgadas, abertas ou com qualquer tipo de defeito. Antes de abrir as embalagens, é necessário limpá-las. Após a abertura da embalagem, os ingredientes que não forem utilizados totalmente devem ser armazenados em recipientes limpos e identificados com: • o nome do produto; • a data da retirada da embalagem original; • o prazo de validade após a abertura. Preparação dos alimentos com higiene Quando tratamos da preparação dos alimentos, é preci- so lembrar que a cozinha – e não apenas o restaurante ou bar – é também o local de trabalho do garçom. Por isso, todos os cuidados de higiene são fundamentais para o desempenho de suas funções. O primeiro cuidado deve ser não deixar alimentos crus em contato com alimentos cozidos. É importante que os utensílios utilizados no preparo de alimentos crus sejam lavados antes de serem usados em alimentos cozidos. Os alimentos congelados e refrigerados não devem per- manecer fora do freezer ou da geladeira por tempo pro- longado. Os alimentos cozidos precisam atingir altas temperaturas de forma que todas as partes do alimento atinjam no mínimo 70 °C. A mudança na cor e na textura da parte interna do alimento indica, geralmente, que houve com- pleto cozimento. Alterações de cheiro, sabor, cor, ou a formação de espu- ma e fumaça durante a utilização de óleos e gorduras, indicam que eles devem ser trocados imediatamente. Produtos com prazo de validade vencido não devem ser utilizados. 128 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 No caso de alimentos preparados, eles devem ser armazenados na geladeira ou no freezer e identificados de maneira semelhante à das embalagens de alimentos aber- tos e não utilizados totalmente, com: • o nome do produto; • a data de preparo; • o prazo de validade. Os alimentos nunca devem ser descongelados à temperatura ambiente. Para tanto, existem duas opções: o forno de micro-ondas, se o preparo for imediato, ou deixar o alimento na geladeira até descongelar. Frutas, legumes e hortaliças Alimentos que podem ser consumidos crus devem ser higienizados. Lembre-se de que a correta higienização elimina os micróbios. Para higienização de hortaliças, frutas e legumes: 1. Retire folhas, partes ou unidades deterioradas. 2. Lave em água corrente vegetais folhosos (hortelã, erva-cidreira, rúcula, agrião etc.), folha a folha, e frutas, uma a uma. 3. Coloque-os de molho por 10 minutos em água clorada, utilizando um produto adequado para esse fim (ler o rótulo da embalagem), com diluição de uma colher de sopa para um litro. 4. Enxágue em água corrente vegetais folhosos folha a folha, e frutas e legumes, um a um. 5. Faça o corte dos alimentos, para a montagem dos pratos, com as mãos e assegure- -se de que os utensílios estejam bem lavados. 6. Mantenha o alimento sob refrigeração até a hora de servir. Fonte: BRASIL. CGPAN/SAS/Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira: promovendo a alimentação saudável, 2005. Apud Cartilha sobre boas práticas para serviços de alimentação, p. 35. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/ divulga/public/alimentos/cartilha_gicra_final.pdf>.Acesso em: 12 jun. 2013. Cozinhar: parte integrante da função do garçom Você já deve ter assistido a alguns programas de televisão nos quais se preparam receitas culinárias. Nesses programas, parece ser fácil cozinhar, pois todos os in- gredientes da receita estão dispostos de forma ideal: cortados, ralados, descascados gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 129 e separados nas proporções exatas. É isso que na cozinha chamamos mise en place. Mais à frente, em outra Uni- dade, aprenderemos a mise en place referente à prepara- ção das mesas nos restaurantes, uma das principais atividades realizada pelos garçons. Para quem cozinha, portanto, a mise en place é o mo- mento inicial, em que todos os utensílios e ingredien- tes necessários para o preparo de algum prato devem ser separados e organizados. Além disso, nessa fase, os ingredientes são medidos, descascados e cortados, quando é preciso. Trata-se da etapa fundamental para a boa execução de qualquer receita. Imagine: o cliente pede um prato que leva abacaxi cozi- do e você começa a prepará-lo: descascar e cozinhar. Impossível! Assim, para que na cozinha haja uma pro- dução perfeita, a mise en place deve estar em ordem. Essa organização também auxilia na criação de um clima menos estressante no trabalho. Falhas nessa etapa, somadas à pressão para que o pedido saia rapi- damente, serão, com certeza, fonte de desgaste entre colegas. Para realizar a mise en place é essencial ter a ficha técnica do que vai ser preparado, ou seja, a re- ceita. Na ficha de cada prato ou produção a serem feitos estão contidas as quantidades de cada item e o método de preparo. Atividade 5 o estResse e as condições de tRabalho 1. Leia o texto a seguir e, durante a leitura, marque as palavras que desconhece. De acordo com a enciclopédia Larousse Gastronomique, na cozinha profissional, a mise en place é um procedimento que facilita e organiza todas as operações necessárias para a elaboração de qualquer prato. 130 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e gA r ç o m 1 Estresse na cozinha Observe um restaurante (que não seja por quilo) nos momentos de maior movimento. Geralmente, como clientes, as pessoas veem ape- nas os garçons correndo apressados equilibrando pratos, copos e bebidas, mas há o trabalho invisível ao público e que, de fato, faz tudo acontecer: é o trabalho no interior da cozinha. Para que os pratos, em seu resultado final, sejam saboreados pelos clientes houve um trabalho de muitas mãos. Dependendo do porte do restaurante o chef comanda uma “orquestra”, na qual todos devem tocar uma música harmoniosa para que a sinfonia, o prato final, che- gue à mesa corretamente. Mas, o trabalho na cozinha muitas vezes se distancia da imagem tranquila da execução de uma sinfonia e se assemelha a uma verda- deira maratona. Mesmo que haja o pré-preparo dos alimentos, a cor- reria é sempre grande. Se você teve a oportunidade de assistir aos filmes Simplesmente Marta (2001), Sem reservas (2007) ou mesmo Ratatouille (2007), pôde perceber como o clima na cozinha acaba sendo tenso e o trabalho, realizado sob forte pressão. Ou seja, para trabalhar no ramo de gastronomia é preciso se qualificar, mas também ficar atento ao ambiente de trabalho e compreender e compartilhar com seus colegas que a pressão não só altera o sabor do prato, mas pode aumentar as chances de o resultado final não agradar o cliente. Além da pressão nos momentos de pico no restaurante, em geral, as cozinhas são quentes e o trabalho para a maior parte dos diversos cargos é repetitivo. É sempre importante ficar alerta para as condições de trabalho, a fim de encontrar formas de prevenção do estresse e da fadiga física e mental. gA r ç o m 1 Arco Ocupacional Tu r i s m o e Ho s p i Ta l i d a d e 131 2. Procure no dicionário as palavras desconhecidas que você marcou e analise seu grau de compreensão do texto. 3. Forme um grupo com quatro colegas e discutam: a) Qual é a mensagem contida no texto? b) Quais são as maneiras para controlar o estresse no trabalho e na vida? © Ik on Im ag es /L at in st oc k v i a r á p i d a e m p r e g o www.viarapida.sp.gov.br A história do turismo e da ocupação de garçom Quem é o garçom hoje? O garçom e seu ambiente de trabalho Rotina e procedimentos do garçom O material do garçom Boas práticas de higiene