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AO JUÍZO DA VARA CÍVEL DA COMARCA DE ARACAJU 
Lorenzo Marcelo Aragão, Casado, Professor, inscrito no CPF sob nº 040.680.645-47, lorenzomarceloaragao@mailnull.com, residente e domiciliado na Avenida Albano Franco, 974, Bairro Industrial, Aracaju/Sergipe, 49065-020, vem à presença de Vossa Excelência, por meio do seu Advogado, infra assinado, ajuizar
AÇÃO DE COBRANÇA
Em face de Diogo Luan Barbosa, Solteiro, Pintor, inscrito no CPF sob nº 204.768.315-71, diogobarbosa@mailnull.com.br, residente e domiciliado na Rua Travessa Francelino Santos, 334, Bairro Aeroporto, na Cidade de Aracaju/Sergipe, Sergipe, 49038-270, pelos motivos e fatos que passa a expor.
DO NEGÓCIO JURÍDICO
O Autor firmou com o Réu um negócio jurídico para fins Compra de um imóvel.
O pagamento foi ajustado por meio de cheques pré-datados conforme o comprovante.
O Autor cumpriu com sua obrigação, conforme indica a prova que junta em anexo.
Todavia, os pagamentos que deveriam ser realizados, nos dias 17/01/2021 e 17/02/2021, o que não foi cumprido pelo Réu. Anteriormente à proposição da presente ação, o Autor buscou o adimplemento junto ao Réu, mas sem êxito, conforme notificação e mensagens que junta em anexo, motivando a presente ação.
DO DIREITO DO CREDOR
A legislação brasileira, em especial o Código Civil, prevê a possibilidade de o credor buscar a satisfação de seu crédito mediante a oposição de ação pertinente. 
No presente caso, tem-se em tela um ato ilícito pelo descumprimento de obrigação pactuada por parte do Réu, o que se enquadra no Código Civil nos seguintes termos:
Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.
No presente caso, tem-se a demonstração inequívoca da ilicitude do ato do Réu ao deixar de pagar R$ 45,000, nos termos do Art. 186 do Código civil, sendo inexigível qualquer outra prova, conforme precedentes sobre o tema:
APELAÇÃO CÍVEL. CONTRATOS AGRÁRIOS. AÇÃO DE COBRANÇA. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. AUSÊNCIA DE PROVA DE FATO IMPEDITIVO, MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO DO AUTOR. APLICAÇÃO DA REGRA DO ARTIGO 373 DO CPC/15. NÃO CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. SENTENÇA MANTIDA. Cobrança referente aos contratos de arrendamento inadimplido parcialmente pelo arrendatário. O ônus de comprovar o pagamento de uma obrigação é do devedor, cabendo ao credor apenas a prova da existência da dívida, instrumentalizada por documento particular, consoante estabelece o artigo 320 do Código Civil. Isto porque, nas ações de cobrança a prova do adimplemento da obrigação constitui fato impeditivo, modificativo e extintivo do direito do autor, que, por sua vez, deverá amparar a lide com prova escorreita da contratação, ex vi legis, do artigo 373, incisos I e II, do CPC/15. Precedentes do colendo Superior Tribunal de Justiça e desta egrégia Corte. NEGARAM PROVIMENTO AO APELO. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70080145311, Décima Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Giovanni Conti, Julgado em 21/02/2019). 
Trata-se da necessária aplicação da lei, uma vez que demonstrado o compromisso firmado e a ocorrência do descumprimento, outra solução não resta se não o imediato pagamento do débito, conforme amplamente protegido pelo direito.
DO ENRIQUECIMENTO ILÍCITO
Não reconhecer o direito aqui pleiteado, configura grave privilégio ao ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA, uma vez que ficou perfeitamente demonstrado enriquecimento indevido do devedor em detrimento ao direito do credor, devendo ser ressarcido, nos termos do Código Civil:
Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários.
Ampla doutrina reforça a importância da censura ao enriquecimento sem causa, para fins da efetiva preservação da boa-fé nas relações jurídicas:
"O repúdio ao enriquecimento indevido estriba-se no princípio maior da equidade, que não permite o ganho de um, em detrimento de outro, sem uma causa que o justifique. (...) A tese, hoje, preferida pela doutrina brasileira é a da admissão do princípio genérico de repulsa ao enriquecimento sem causa indevido. Essa a opinião de que participo." (RODRIGUES, Silvio. Direito civil: parte geral das obrigações. 24 ed. São Paulo: Saraiva, p. 159.)
Afinal, a total ausência de motivação pelo inadimplemento deve configurar o dever de pagar, sob pena de enriquecimento ilícito:
AÇÃO DE ENRIQUECIMENTO ILÍCITO - COBRANÇA DE CHEQUE DEVOLVIDO POR INSUFICIÊNCIA DE FUNDOS - APELAÇÃO - ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE QUE O CHEQUE FOI EMPRESTADO PARA AQUISIÇÃO DE MATERIAIS QUE NÃO AFASTAM A PRESUNÇÃO DO DÉBITO - SENTENÇA MANTIDA - RECURSO DESPROVIDO. (TJSP; Apelação 1019804-49.2015.8.26.0506; Relator (a): Maria Salete Corrêa Dias; Órgão Julgador: 20ª Câmara de Direito Privado; Foro de Ribeirão Preto - 8ª Vara Cível; Data do Julgamento: 05/03/2018; Data de Registro: 07/03/2018)
Assim, considerando-se a tentativa infrutífera de recebimento dos valores devidos, bem como os prejuízos que tal atraso no cumprimento das obrigações geraram ao credor, requer-se desde logo o pagamento integral no valor de 45,000, mais o valor de R$ 5,000 a título de perdas e danos, devidamente atualizados cumulados com juros de mora.
DAS PERDAS E DANOS
Conforme demonstrado pelos fatos narrados e prova testemunhal que que será produzida no presente processo, o nexo causal entre o dano e a conduta da Ré fica perfeitamente caracterizado pelo ato de emissão de cheque pré-datado sem fundos, gerando o dever de indenizar, conforme preconiza o Código Civil:
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.
Nesse mesmo sentido, é a redação do art. 402 do Código Civil que determina: "salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar". 
DA RESPONSABILIDADE CIVIL
Toda e qualquer reparação civil está intimamente ligada à responsabilidade do causador do dano em face do nexo causal presente no caso concreto, o que ficou perfeitamente demonstrado nos fatos narrados. Sendo devido, portanto, a recuperação do patrimônio lesado por meio da indenização, conforme leciona a doutrina sobre o tema:
"Reparação de dano. A prática do ato ilícito coloca o que sofreu o dano em posição de recuperar, da forma mais completa possível, a satisfação de seu direito, recompondo o patrimônio perdido ou avariado do titular prejudicado. Para esse fim, o devedor responde com seu patrimônio, sujeitando-se, nos limites da lei, à penhora de seus bens." (NERY JUNIOR, Nelson. NERY, Rosa Maria de Andrade. Código Civil Comentado. 12 ed. Editora RT, 2017. Versão ebook, Art. 1.196)
Trata-se do dever de reparação ao lesado, com o objetivo de viabilizar o retorno ao status quo ante à lesão, como pacificamente doutrinado:
"A rigor, a reparação do dano deveria consistir na reconstituição especifica do bem jurídico lesado, ou seja, na recomposição in integrum, para que a vítima venha a encontrar-se numa situação tal como se o fato danoso não tivesse acontecido." (PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Vol. II - Contratos. 21ª ed. Editora Forense, 2017. Versão ebook, cap. 283)
DOS PEDIDOS
1. A concessão da Assistência Judiciária Gratuita, nos termos do art. 98 do Código de Processo Civil;
2. O deferimento do pedido liminar, para fins de determinar: 
a) O bloqueio BACEN JUD nas contas do Réu 
b) Caso não encontre valores suficientes, seja determinada a inalienabilidade e intransferibilidade dos bens do requerido, que relaciona em anexo;
3. A citação do réu, na pessoa de seu representante legal, para, querendo responder a presente demanda;
4.A procedência do pedido, com a condenação do Réu ao pagamento imediato das quantias devidas, no valor 45,000, acrescidas de juros e correção monetária;
5. A condenação ao pagamento de perdas e danos em decorrência do inadimplemento, em valor de R$ 5,000; 
6. A produção de todas as provas admitidas em direito;
7. A condenação do réu ao pagamento de honorários advocatícios nos parâmetros previstos no art. 85, §2º do CPC
8. Manifesta o interesse na realização de audiência conciliatória;
Dá-se à causa o valor de R$ R$ 50,000 (cinquenta reais) 
Nestes termos, pede deferimento.
Aracaju, 13 de Abril de 2021.
 ALUNO: LUCAS EMANUEL FONTES DE OLIVEIRA
MATRÍCULA: 202020087
#5210238 Wed Apr 14 10:41:54 2021

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