Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

Prévia do material em texto

EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA MM. __ VARA CÍVEL DA COMARCA DE NOVO HAMBURGO/RS
ENIO ALONSIO KAVESKI, brasileiro, separado, empresário, portador do CPF sob o n. 150.882.430-49, carteira de identidade nº 2025948676, residente e domiciliada na Rua Mônaco nº 274, em Novo Hamburgo/RS por intermédio de seus advogados que subscrevem ao final, constituídos através do instrumento de procuração anexo, vem, respeitosamente à presença de Vossa Excelência propor a presente
AÇÃO INDENIZATÓRIA POR DANOS PATRIMONIAIS E EXTRAPATRIMONIAIS E LUCROS CESSANTES 
Contra CLÉBER EDUARDO DA SILVA, brasileiro, casado, técnico em couro, inscrito no CPF sob o nº. 559.300.260-68 e RG 3055167096 e MARIA ISABEL DA SILVA, brasileira, casada, inscrita no CPF sob o nº. 607.818.740-68 e RG nº. 1051449501, residentes e domiciliados na rua Eduardo da Silva Prado nº 63, bloco 33 e ap. 301, Bairro Canudos, CEP 93548-030 em Novo Hamburgo/RS, pelos fatos e fundamentos a seguir exarados.
1 – DOS FATOS
				
Em 05 de setembro de 2011, o Requerente celebrou contrato de compra e venda de fundo de comércio e equipamentos do posto de combustível Vitória Ltda com os Demandados, administradores do posto. O objeto do contrato, segundo sua cláusula primeira é “Fundo de Comércio de uma revenda de combustíveis denominado COMÉRCIO DE COMBUSTÍVEL VITÓRIA LTDA, localizado na Rua Bartolomeu de Gusmão nº 390, bairro canudos em Novo Hamburgo/RS”. Também uma relação de máquinas e equipamentos.
O preço ajustado foi de R$ 407.500,00 (quatrocentos e sete mil e quinhentos reais). Deveria ser pago da seguinte forma (especificações encontram-se na Cláusula Segunda do contrato anexo): I - R$ 55.000,00 (cinqüenta e cinco mil reais), representado por um automóvel Honda Civic LXS Flex, ano 2007/2008, II – R$ 35.00,00 (trinta e cinco mil reais) representado por um automóvel CITROEN C3 EXCL, ano 2008/2009, III – R$ 100.000,00 (cem mil reais) pagos em 10 parcelas de R$ 10.000,00 (dez mil reais) com primeiro vencimento em 15.01.2012, IV – R$ 217.500,00 (duzentos e dezessete mil e quinhentos reais) a serem pagos em 30 parcelas iguais de R$ 7.250,00 (sete mil e duzentos e cinqüenta reais) a primeira com vencimento em 25.10.2011. Houve alteração contratual nesta cláusula quanto aos pagamentos do item III e IV.
A garantia do contrato encontra-se na Cláusula Terceira e recai sob dois imóveis, de matrícula 1740 do registro de Imóveis de Novo Hamburgo e de matrícula 13.417 do cartório de Imóveis da Comarca de Tramandaí (a partir da 20ª parcela de R$ 7.250,00 os imóveis serão liberados do ônus de hipoteca).
Ocorre que na Cláusula Quarta, a vendedora, para assegurar a imediata administração do negócio outorgou procuração pública com plenos poderes de gestão aos compradores, mas com validade de apenas 30 (trinta) dias, com o compromisso de alteração do contrato social na Junta Comercial do RS. Na Cláusula Quinta ficou acordada que o comprador operaria de maneira provisória a empresa por aproximadamente 45 dias ou mais se necessária, enquanto tramitarem os documentos junto a Junta Comercial do RS.
Todavia, como verifica pelo contrato social alterado anexo, conforme carimbo da Junta Comercial do RS o mesmo só foi registrado em 18 de setembro de 2012, ou seja, mais de um ano da assinatura do contrato de compra e venda. O autor nunca teve posse do negócio, já que inclusive todas as movimentações bancárias realizadas em conta em nome do posto eram realizadas pelas Sra. Jaqueline (observar Cláusula Oitava do Contrato), logo os réus devem ser responsabilizados pelas dívidas adquiridas até o novo registro na Junta Comnercial do RS (18 de setembro de 2012).
Esta demora, que descumpriu as Cláusulas Quarta e Quinta do contrato causou severos danos matéria, morais e lucros cessantes ao autor, que cumpriu e cumpre com suas obrigações contratuais.
Após o vencimento da procuração de plenos poderes, toda e qualquer atividade típica de uma administração em um Posto de Gasolina tinha que ser autorizada e realizada por intermédio da procuradora dos vendedores, a Sra. Jaqueline Faller Velho Kuhn. Não conseguia realizar movimentações bancárias, tomar decisões junto a Ipiranga Distribuidora S.A., contratar empresas de cartão de credito e/ou débito, participar de promoções de fidelidade de clientela, enfim, a administração passou a sofrer e obviamente, os lucros a baixar. Inclusive como pode ser verificado em documentos do SPC e Serasa anexados, o CNPJ da empresa está negativado devido a débitos que foram inseridos enquanto o autor não tinha poderes legais 
O autor, por não tem liberdade de usar uma linha de crédito destinada a pessoa jurídica – que normalmente oferece juros mais baixos -, passou a sacrificar seus bens e renda pessoal para comprar combustível e outros produtos para o bom funcionamento do negócio. O autor se viu refém da procuradora dos réus, pois só ela poderia, por exemplo, sacar dinheiro das contas e nunca estava disponível para realizar tais tarefas, fazendo com que o autor deixasse de pagar compromissos nas datas corretas.
Não obstante as inúmeras tentativas amigáveis do Autor em compelir os Réus a cumprir a avença de compra e venda, pactuada pelas partes, estes quedou inerte. Ainda, a representante dos réus, Sra. Jaqueline até a presente data não forneceu esclarecimentos sobre os débitos, gastos ou quaisquer declaração, recibo ou extrato bancário. O posto de gasolina hoje possui mais de 35 protestos junto ao Tabelionato de Novo Hamburgo.
Por fim, indubitável que ora assiste ao Autor o direito de exigir que os réus cumpram com suas obrigações contratuais e paguem pelos danos morais, materiais e lucros cessantes por eles causados ao autor.
2 – DO DIREITO
2.1 – DA CARACTERIZAÇÃO DO DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL E DO DEVER DE INDENIZAR
		
A responsabilidade civil traz implícito o dever de indenizar. A Constituição Federal de 1988 é bastante elucidativa no que diz respeito ao dever de indenizar:
Art. 5º - ...
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano causado pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.
				O Código Civil regula, por seguinte, acerca da Responsabilidade civil, ou seja, o dever de indenizar. Os artigos 927, 186 e 187 do Código Civil estabelecem que:
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.
Maria Helena Diniz[footnoteRef:2], em sua obra, define: [2: DINIZ, Maria Helena. Teoria Geral das Obrigações, Saraiva, 16ª edição, 2002, p. 29.] 
“Na linguagem corrente, obrigação corresponde ao vínculo que liga um sujeito ao cumprimento de dever imposto por normas morais, religiosas, sociais ou jurídicas.”
É cediço na doutrina e na jurisprudência que o inadimplemento contratual pode ser resultado do dolo ou da culpa de uma das partes.
Entrementes, afigura-se como mais relevante para a pretensão indenizatória, ora pleiteada, a declaração do incumprimento imputável, objeto mediato, latente, do pedido sob análise.
“O inadimplemento da obrigação ocasiona danos aos participantes”, assevera USTARROZ[footnoteRef:3]. Segue afirmando: “nesse particular, surge a responsabilidade civil contratual para regular em que medida será criado o dever de uma parte indenizar a outra. Já se viu que não é qualquer inadimplemento que pode dar ensejo à indenização do credor, mas tão-somente aquele provocado pelo devedor, ou melhor, que a ele seja imputável (seja em razão de comportamento ilícito, como em virtude da própria natureza da obrigação – v. g., de resultado ou de garantia). [3: USTÁRROZ, Daniel. ResponsabilidadeContratual. 2ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 181.] 
Nesse diapasão, faz-se necessário colacionar o ensinamento do ilustre jurista acerca da aferição do inadimplemento contratual causador da resolução do pacto, ad litteram: 
“Nesse sistema, incumbe ao juiz apreciar o comportamento das partes no contexto global do contrato, desde as tratativas; identificar o ponto de equilíbrio entre as prestações correspectivas e interdependentes, à vista dos princípios da equivalência, que devem ser preservados não só na fase genética, mas também na funcional; determinar as características e as finalidades do contrato, de acordo com os elementos objetivamente postos; fixar, se for o caso, as regras de cuidado e de diligência que deveriam ter sido obedecidas, nas circunstâncias; estabelecer os deveres de conduta derivados da boa-fé objetiva; ponderar entre a substancialidade do adimplemento, que satisfaz o credor e impede a resolução, e a gravidade do incumprimento, com violação fundamental do contrato, que leva à sua extinção; avaliar, na perspectiva do interesse do credor, quando a prestação se tornou inútil para ele, incapaz de satisfazer substancialmente à sua legítima expectativa, deixando de alcançar o escopo objetivamente posto no contrato; medir o interesse econômico expresso no negócio e pensá-lo também como um fator meta-jurídico relevante, subordinado ao interesse comum; finalmente, decidir de acordo com a eqüidade, os princípios da justiça comutativa e da boa fé, que a todos impõe deveres éticos inafastáveis”
No caso sub examine, resta cristalino que o descumprimento da Cláusula Quarta e Quinta do contrato de compra e venda, a qual traduz as principais obrigações do pacto celebrado pelas partes, decorre unicamente da nítida intenção do Réu locupletar-se indevidamente à custa do Demandante, não prestando sequer contas de movimentações bancárias, por exemplo.
Portanto, a partir da narrativa dos fatos supra-exposta e do vasto contexto probatório, em anexo, vislumbra-se de forma nítida o dolo, isto é, a intenção dos réus em quebrar de forma positiva o contrato de compra e venda celebrado com o autor, já que, de forma ardil e escusa, os réus não resolveram as pendências que lhes cabiam para o devido registro de novo contrato junto a Junta Comercial do RS e ainda, efetuaram operações bancárias em nome da empresa sem a autorização do autor.
Desse modo, a conduta da parte ré denota que esta sequer observou minimamente o princípio da boa-fé na aludida relação contratual. Conforme a redação do artigo 422 do Código Civil, os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como na sua execução, os princípios de probidade e boa-fé.
A boa-fé exige postura séria, leal, sincera, honesta dos contratantes, em todas as fases contratuais, implicando, também, no cumprimento dos deveres anexos de transparência, informação, cooperação que regem todos os atos negociais, devendo, pois, existir entre as partes uma sólida relação de confiança. Logo, a nítida má-fé estampada nas atitudes da parte Ré demonstram que esta infringiu profundamente o princípio da boa-fé objetiva. 
Por fim, explicitado o dolo da parte Demandada em não cumprir a obrigação assumida, cumpre demonstrar o dever de indenizar da parte Ré.
Consoante o disposto no artigo 475 do Código Civil, 
“a parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos”.
Nesta esteira está o magistério do ilustre jurista Sérgio Cavalieri Filho[footnoteRef:4], acerca da inexecução dos contratos, in litteris: [4: CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa Responsabilidade Civil, Ed. Malheiros, p. 298.] 
“As obrigações assumidas no contrato – não é demais repetir - devem ser fielmente executadas. A regra fundamental é que o devedor está obrigado a efetuar a prestação devida de um modo completo, tempo e lugar determinados na obrigação. Haverá responsabilidade contratual sempre que a inexecução do contrato decorrer de fato imputável ao devedor. Logo a responsabilidade contratual é também um dever sucessivo decorrente da violação de um dever primário estabelecido no contrato.”
 
Assim, pode-se afirmar que quando há o inadimplemento contratual estabelece-se automaticamente uma obrigação nova que se substitui à obrigação pré-existente no todo ou em parte, obrigação esta de reparar o prejuízo conseqüente à inexecução da obrigação assumida. 
Tal é o que ocorreu na hipótese sub judice.
Destarte, considerando-se que o inadimplemento do contrato firmado entre o autor e os réus é resultado de fato imputável à parte Demandada que, conforme restou acima demonstrado infringiu o contrato de forma dolosa, notadamente a Cláusulas Quarta e Quinta, cabendo a esta o dever de indenizar o autor.
Ademais, há que se mencionar, a título de argumentação, que a quebra da boa-fé e a mácula da confiança por parte da Ré per se, já ensejam o dever de indenizar.[footnoteRef:5] [5: Bruno Miragem, A Nova Crise do Contrato: Estudos sobre a Nova Teoria Contratual. Ed. Revista dos Tribunais.] 
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul calcou seu posicionamento nesse sentido:
APELAÇÕES CÍVEIS. RECURSO ADESIVO. AÇÃO RESCISÓRIA. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AUTOMÓVEL. FINANCIAMENTO PENDENTE. COMPROMISSO DE QUITAÇÃO DAS PARCELAS DO FINANCIAMENTO PELO COMPRADOR. POSTERIOR REVENDA DO BEM PELO COMPRADOR A TERCEIRO. DESCUMPRIMENTO DO COMPROMISSO DE PAGAMENTO DAS PARCELAS DO FINANCIAMENTO. INSCRIÇÃO DO NOME DA AUTORA NOS CADASTROS DE INADIMPLENTES QUE SUSTENTA PEDIDO ASSESSÓRIO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. 
PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Quanto à preliminar de ilegitimidade passiva, arguida pelo co-réu Flávio Airton Bungi, tenho que não merece acolhimento. A rescisão buscada pela autora afeta diretamente o segundo contrato de compra e venda, firmado entre os réus e, ainda que o terceiro adquirente tenha permanecido com o automóvel por curto período de tempo, este concordou com as condições do contrato, inclusive assumiu o compromisso de quitar as parcelas do financiamento, sendo parte legítima a figurar no pólo passivo da demanda. 
PRELIMINAR DE CARÊNCIA DE AÇÃO POR IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. Ainda que não tenha sido comprovada a existência de um contrato formal firmado entre as partes, a prova trazida aos autos demonstra a relação jurídica estabelecida entre as partes, ora litigantes, bem como os compromissos assumidos por estas, não havendo vedação, pelo ordenamento jurídico, ao pedido de rescisão contratual. 
PRELIMINAR DE DESERÇÃO DA APELAÇÃO INTERPOSTA PELO PRIMEIRO RÉU. PEDIDO DE AJG FORMULADO NA APELAÇÃO DEFERIDO. COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. Para fins de concessão do benefício da Assistência Judiciária Gratuita, não se exige estado de miserabilidade do requerente. Ganhos mensais inferiores a dez salários mínimos, nos termos do Enunciado nº 10 da Coordenadoria Cível de Porto Alegre, confortam a presunção legal de necessidade para fins de concessão do benefício. 
PRELIMINAR (REVELIA). A ausência de contestação tem como conseqüência a decretação da revelia do réu, o que, por si só, não impõe ao julgador o acolhimento total da pretensão deduzida pela demandante na inicial. 
RESCISÃO DO CONTRATO DE COMPRA E VENDA. Tendo em vista a comprovação do negócio jurídico envolvendo as partes, bem como o descumprimento do compromisso assumido pelos demandados, resta acolhido o pedido de rescisão do contrato de compra e venda. 
TRANSFERÊNCIA DO BEM NO DETRAN E AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO DA FINANCIADA DA VENDA DO BEM A TERCEIRO. O compromisso de transferência da titularidade do bem no DETRAN é da responsabilidade do novo adquirente, conforme o art. 123, § 1º do CTB. Outrossim, embora a comunicação da venda do bem à instituição financeira seja o procedimento correto, previsto contratualmente, seu descumprimento, pela financiada, não tem o condão de anular o contrato de compra e venda firmado entre os litigantes. 
INADIMPLEMENTO DAS PARCELAS DO FINANCIAMENTOQUE GEROU A INSCRIÇÃO DO NOME DA AUTORA NOS CADASTROS DE INADIMPLENTES. Tendo em vista que os compradores do veículo assumiram o compromisso de quitar o contrato de financiamento, cuja incumbência fez parte da contratação, perfeitamente possível o pedido de indenização por danos moral por cadastro do nome da autora no rol de inadimplentes, eis que não deu causa ao inadimplemento. 
DESNECESSIDADE DA PROVA DO DANO MORAL. Verificado o evento danoso, surge a necessidade da reparação, não havendo que se cogitar da prova do prejuízo, se presentes os pressupostos legais para que haja a responsabilização civil pelo dano moral (nexo de causalidade e culpa). 
(...). Preliminares rejeitadas. Apelações desprovidas. Recurso adesivo parcialmente provido. 
(Apelação Cível Nº 70033610585, 13ª Câmara Cível, TJRS, Relator: Lúcia de Castro Boller, Julgado em 17/03/2011)
APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO CONDENATÓRIA DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS DECORRENTES DE INSCRIÇÃO INDEVIDA DO NOME DA AUTORA NOS CADASTROS DE INADIMPLENTES. PEDIDO DE TRANSFERÊNCIA DA PONTUAÇÃO DA CARTEIRA DE MOTORISTA DA AUTORA PARA A DA RÉ. CONTRATO DE COMPRA E VENDA COM RESERVA DE DOMÍNIO. TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE DO VEÍCULO À RÉ COM A CONDIÇÃO DE ESTA MANTER EM DIA AS PARCELAS DO FINANCIAMENTO E SUPORTAR EVENTUAIS MULTAS DE TRÂNSITO INCIDENTES SOBRE O VEÍCULO. DESCUMPRIMENTO DO CONTRATO PELA PARTE RÉ QUE DEIXOU DE QUITAR AS PARCELAS DO FINANCIMANTO E GEROU A INSCRIÇÃO INDEVIDA DO NOME DA AUTORA NOS CADASTROS DE INADIMPLENTES. DEVER DE INDENIZAR. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE DO BEM JUNTO AO DETRAN, PELA AUTORA. IMPOSSIBILIDADE DA TRANSFERÊNCIA DAS MULTAS PARA O NOME DA RÉ. AFASTAMENTO DO DEVER DE INDENIZAR OS DANOS DAÍ DECORRENTES. 
DANOS MORAIS. Tendo em vista a comprovação de que o inadimplemento que gerou a inscrição do nome da autora nos cadastros de inadimplentes foi por culpa exclusiva da ré, que deixou de cumprir com as condições do contrato, que previa a obrigação da compradora em adimplir as parcelas ajustadas nos respectivos vencimentos, impõe-se o dever de indenizar à autora pelos danos morais decorrentes do ilícito.
DESNECESSIDADE DA PROVA DO DANO MORAL. Verificado o evento danoso, surge a necessidade da reparação, não havendo que se cogitar da prova do prejuízo, se presentes os pressupostos legais para que haja a responsabilização civil pelo dano moral (nexo de causalidade e culpa). 
(...). Primeira apelação desprovida. Segunda apelação parcialmente provida. 
(Apelação Cível Nº 70032335192, Décima Terceira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Lúcia de Castro Boller, Julgado em 17/03/2011)
Portanto, a solução que se impõe à hipótese sub judice é o julgamento de integral procedência da presente demanda, a fim de determinar que o Réu arque com os danos causados ao autor e sua empresa, sejam eles materiais e morais, além de lucros cessantes (que serão apurados por meio de perícia).
2.2- DA CARACTERIZAÇÃO DOS DANOS PATRIMONIAIS, EXTRAPATRIMONIAIS E LUCROS CESSANTES
A indenização pelos danos extrapatrimoniais, como exposto pela legislação acima, é cabível quando verificados os pressupostos de responsabilidade civil, ao que se refere o nexo causal entre o dano e a culpa de seu causador.
Como já ventilado, a Constituição Federal de 1988 é clara em seu artigo 5º, inciso X, quando protege a honra e traz em seu bojo que:
 
Art. 5º - ...
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à  indenização pelo dano causado pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.
O Dano moral no presente caso resta claro em virtude do fato do Requerente ter passado por situação vexaminória ao ver seu crédito pessoal e de sua família utilizado para sanar débitos do negócio, viu o negócio que sonhava cada vez mais próximo da falência. Hoje o posto possui mais de 35 títulos protestados e inscrições no SPC e SERASA que in viabilização qualquer concessão de crédito, fazendo com isso que as dívidas aumentem cada vez mais. No caso apresentado, o que se verifica é o fato em virtude do descumprimento contratual do Réu. 
Ademais, o péssimo tratamento e descaso dispensados à Autora quando procurou o réu para fazer cumprir o contrato entabulado entre ambos, macularam profundamente seu íntimo. 
Dessa forma, evidente se torna toda a situação constrangedora e desonrosa que está sendo submetida a Requerente, a qual deve ser reparada moralmente. Na situação em apreço, o dano moral está claramente identificado, na sensação de vulnerabilidade, frustração, impotência e humilhação experimentadas pela Autora face à inscrição no rol de inadimplentes e protestos, uma vez que tal fato causa verdadeiro constrangimento.
Diante disso, a indenização que procura o Autor trata-se de uma satisfação de ordem moral, pois o bem aqui lesado deve ser protegido pelo Direito, tanto quanto, senão mais do que os bens materiais, cuja lesão o autor também sofreu diante da necessidade de contratação de advogado para patrocinar sua causa, devido à situação em questão, que foi gerada ilegalmente pelo demandado.
Toda essa situação trouxe para si grande abalo psicológico, já que tinha que ficar a todo instante procurando soluções para seu caso, quando, em verdade, o responsável por tal busca deveria ser o Requerido. É indubitável que tal situação merece ser reparada.
A vítima que sofre lesão de direitos deve receber uma soma que lhe compense a frustração, a angústia, a revolta, o sofrimento, a aflição e a insegurança quanto situações futuras, e outros sentimentos negativos. O dano, no caso “sub judice”, deflui do próprio fato violador, representando, de outra parte, sanção para o lesante, pelo sacrifício injusto causado ao lesado.
O autor possui este legítimo interesse de reparação moral, embora não venha pedir um preço pelos sentimentos negativos que lhe tocaram, mas sim, que se lhe outorgue um meio de atenuar, em parte, as conseqüências da lesão jurídica por ele sofrida as quais são incontestáveis.
A reparação do dano moral no Direito Brasileiro está prevista na Constituição de 1988, no Capítulo que trata “Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos”, que no artigo 5º declara ser “assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem”, e no inciso X, depois de ressaltar que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas”, assegura direito à indenização “pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”.
A jurisprudência tem entendido que o dano moral deve ser reparado em todos os casos, ainda que para isso, seja necessário que se ponha de lado a interpretação literal e restrita das regras disciplinadoras da matéria, encontrando-se mecanismos para que a reparação do dano moral seja a mais ampla possível, dando uma interpretação mais elástica à matéria suscitada.
O dano moral reflete-se na violação do direito à dignidade. E nessa linha de raciocínio, a Constituição inseriu no art. 5º, incisos V e X a reparação do dano moral, por considerar inviolável a honra da pessoa humana como corolários do direito à dignidade. 
Cumpre transcrever, por oportuno, o escólio de Caio Mário da Silva Pereira:
 
Como sentimento humano, além de social, à mesma ordem jurídica repugna que o agente reste incólume em face do prejuízo individual. O lesado não se contenta com a punição social do ofensor. Nasce daí  a idéia de reparação, com estrutura de princípios de favorecimento à vítima e de instrumentos montados para ressarcir o mal sofrido. Na responsabilidade civil está  presente uma finalidade punitiva ao infrator aliada a uma necessidade que eu designo de pedagógica, a que não  é estranha a idéia de garantia para a vítima, e de solidariedade que a sociedade humana deve-lhe prestar.
Nesse diapasão, a professora Maria Helena Diniz complementa essa questão, se posicionando da seguinte forma:
 
O dano moral, no sentido jurídico não  é a dor, a angústia, ou qualquer outro sentimento negativo experimentado por umapessoa, mas sim uma lesão que legitima a vítima e os interessados reclamarem uma indenização pecuniária, no sentido de atenuar, em parte, as conseqüências da lesão jurídica por eles sofridos.
Agora, a pergunta que se revela é: como quantificar o dano moral?
Este tipo de dano e sua indenização não objetiva o enriquecimento sem causa pela vítima, mas sim a punição da parte causadora do dano no intuito de fazê-la corrigir os problemas que levaram a causa do dano, causando-lhe opressão quanto à reincidência do fato.
Apura-se, portanto, o valor da indenização pelo dano moral em decorrência da extensão do dano, sua magnitude, exposição da pessoa ou empresa, danos efetivamente causados e possibilidade de quem paga.
A par disso, doutrina e jurisprudência passaram a traçar os parâmetros para a fixação do valor da reparação. Eventual dificuldade em fixar valor reparatório não deve impedir a requerente a obter a devida reparação. Desta forma, poderá  ser utilizado o arbitramento como forma de apurar os prejuízos sofridos, sendo desnecessária prova material.
Há que se levar em conta, portanto, o grau de culpa do réu, sua capacidade financeira e seu comportamento diante do dano perpetrados, bem como, a extensão do dano. Critérios estes obrigatórios para a fixação do quantum indenizatório, segundo jurisprudência remansosa dos nossos Pretórios, em especial do Colendo Superior Tribunal de Justiça:
 
“A indenização por dano moral tem caráter dúplice, pois tanto visa a punição do agente quanto a compensação pela dor sofrida, porém a reparação pecuniária deve guardar relação com o que a vítima poderia proporcionar em vida, ou seja, não pode ser fonte de enriquecimento e tampouco inexpressiva”. 2
 
“A indenização por dano moral é arbitrável mediante estimativa prudencial que leve em conta a necessidade de, com a quantia, satisfazer a dor da vítima e dissuadir, de igual e novo atentado, o autor da ofensa”. 3
 
“A indenização por danos morais deve ser fixada em importância que, dentro de um critério de prudência e razoabilidade, leve em conta sua natureza penal e compensatória. A primeira, como uma sanção imposta ao ofensor, através da diminuição do seu patrimônio. A segunda, para que a reparação pecuniária traga uma satisfação que atenue o dano havido”. 4
 
“O valor da indenização por dano moral deve ser razoavelmente expressivo, não meramente simbólico. Deve pesar sobre o bolso do ofensor, como um fator de desestímulo, a fim de que não reincida na ofensa”. 5
Ademais, o que se busca não é o enriquecimento de quem aqui pede, mas sim a reparação pelos prejuízos causados por toda a exposição em que a Requerente fora exposta, diga-se, indevidamente.
Sendo assim, por todos os fatos expostos, deve ser o Requerido condenado ao pagamento pelo dano extrapatrimonial experimentado pelo Requerente por toda situação resultante do descumprimento contratual daquele.
O valor a título do dano extrapatrimonial deve ser arbitrado por Vossa Excelência, com base na experiência e doutrina, atendendo-se aos nortes indenizatórios reconhecidos pelos Tribunais, a fim de reparar a situação e restaurar a situação status quo ante que vigia antes do evento danoso.
Sobre os danos materiais e os lucros cessantes, primeiramente o art. 402 do Código Civil de 2002 classifica perdas e danos como aquilo que o credor efetivamente perdeu (dano emergente) e o que razoavelmente deixou de lucrar (lucro cessante). 
Na lição de Sergio Cavalieri Filho (Programa de Responsabilidade Civil, 8ª ed., São Paulo, Ed. Atlas, 2008) lucro cessante “consiste na perda do ganho esperável, na frustração da expectativa de lucro, na diminuição potencial do patrimônio da vítima. Pode decorrer não só da paralisação da atividade lucrativa ou produtiva da vítima, como, por exemplo, a cessação dos rendimentos que alguém já vinha obtendo da sua profissão, como, também, da frustração daquilo que era razoavelmente esperado.” Se os réus tivessem cumprido com suas responsabilidades contratuais e o autor realmente tivesse a real posse de negócio e logo o registro junto a Junta Comercial fosse realizado, o mesmo não teria contraído dívidas, poderia ter operado vendas com cartões, o que na ausência acarretou diminuição da lucratividade do posto. 
Na lição de Rui Stoco (Tratado de Responsabilidade Civil, Doutrina e Jurisprudência, 7ª ed., São Paulo, Ed. RT, 2007, pág.1236):
 “O critério acertado está em condicionar o lucro cessante a uma probabilidade objetiva resultante do desenvolvimento normal dos acontecimentos, conjugados às circunstâncias peculiares ao caso concreto”
A parte autora busca indenização pelos danos materiais que sofreu, tais como os valores que terá que honrar junto a instituições financeiras e demais credoras que sequer foram feitos por ele e sim pela representante dos vendedores.
Sendo assim, por todos os fatos expostos, deve ser o Requerido condenado ao pagamento pelo dano moral causado à Requerente em virtude dos eventos danosos que prejudicaram sua honra e imagem, especialmente pela inscrição indevida de seu nome nos cadastros de proteção ao crédito, sugerindo-se, para tanto, que seja a indenização arbitrada em valor a ser arbitrado por V. Exa., porém que este cumpra com seu caráter punitivo/restaurador.
3. DOS PEDIDOS
				
Diante dos fatos e fundamentos jurídicos acima esposados e, confiante nos sábios ensinamentos que certamente serão emanados por esse MM. Juízo, somados às robustas provas que se juntam nesta inicial, requer digne-se Vossa Excelência em:
a) REQUERER a juntada de comprovante de recolhimento de custas em cinco dias, cujo pagamento está sendo providenciado;
b) CITAR os Requeridos, através do envio de correspondência com aviso de recebimento – AR, para contestar a demanda, sob pena de revelia quanto aos fatos alegados, com fulcro no artigo 319 do Código de Processo Civil;
c) REQUERER que os réus tragam aos autos todos os documentos relativos ao negócio celebrado entre as partes, tais como contratos, extratos bancários, recibos, comprovantes de pagamento, cartões bancários, talonário de cheques e outros que para esclarecimentos; 
d) REQUERER a produção de provas por todos os meios admitidos em direito, especialmente a prova documental, testemunhal e prova pericial.
e) JULGAR PROCEDENTE a presente demanda, em sua totalidade, CONDENANDO, ainda, o Requerido ao pagamento de indenização pelos danos patrimoniais e extrapatrimoniais e lucros cessantes sofridos pelo Autor, face o abalo a honra e imagem da mesma resultantes do descumprimento contratual tais como inscrição de sua empresa em cadastros de restrição de crédito, além de diversas dívidas e protestos;
f) Que o termo inicial da correção monetária pelo IGP-M deverá ser contado da data do arbitramento do valor compensatório dos danos extrapatrimoniais, conforme previsão da Súmula nº 362, do STJ. Já o termo inicial dos juros moratórios, de acordo com o entendimento do referido Sodalício, em sua Súmula nº 54, deverá ser contados a partir da data do evento danoso, no presente caso, a data em que o contrato fez-se descumprido, seja 20 de outubro de 2012.
g) CONDENAR o Requerido ao adimplemento das custas processuais e honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação;
h) REQUERER, ainda, que sejam as futuras intimações expedidas, exclusivamente, em nome dos procuradores Gabriel Diniz da Costa OAB/RS 63.407 e Rafael Caselli Pereira OAB/RS 60.484 conforme procuração acostada a presente.
	Dá-se à causa o valor de alçada de R$ 1.193,50 (um mil novecentos e tres reais e cinqüenta centavos) tendo em vista a impossibilidade momentânea de arbitramento dos danos extrapatrimoniais, que ficarão à cargo de V. Exa.
Termos em que, requer deferimento.
Porto Alegre, 01 de outubro de 2012.
Dr Rafael Caselli Pereira		 		Gabriel Diniz da Costa
OAB/RS 60.484					OAB/RS 63.407
	DSS – p. 15

Mais conteúdos dessa disciplina