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Auditoria
Unidade 01
1
Conceituação
	Podemos dizer que auditoria é a técnica utilizada para verificar e confirmar a veracidade das informações e dos registros contábeis, principal meio de que se vale a Contabilidade para alcançar seu fim, que é o de apresentar a situação da saúde econômica e financeira da empresa.
	Com isto não queremos simplesmente afirmar que a ação da auditoria se limita em verificar aquilo que está registrado nos livros contábeis, pois a auditoria tem uma finalidade mais ampla e ela poderá também apurar o que foi omitido nos registros.
	As provas extracontábeis podem ser o testemunho de pessoas ligadas à empresa e que possam confirmar as ações ilícitas que os gestores ou inclusive os próprios funcionários da empresa tenham tomado.
A profissão
	A profissão de auditor não está regulamentada, então cabe ao contador, profissional de contabilidade formado pelos cursos de graduação em Ciências Contábeis, a atribuição ao direito de executar os serviços de auditoria.
	Esta prerrogativa para o desempenho das atividades de auditoria é privativa dos contadores, sendo vedada aos técnicos em contabilidade ou outros profissionais de categoria diversa.
	A legislação que estabelece as normas referentes à competência profissional do auditor é o Decreto-Lei nº 9.295, de 27 de maio de 1946, com alterações de acordo com a Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010. (BRASIL, 2013).
A profissão
	O contador legalmente habilitado está apto a exercer a atividade nas empresas em geral, contudo, há uma regulamentação paralela que prevê a habilitação específica para as empresas que possuem obrigatoriedade de auditoria, que são as S/A, instituições financeiras, entidades de previdência e empresas seguradoras.
	O contador que quiser atuar neste mercado, auditando estas empresas, precisa participar de um exame de qualificação técnica, aplicado anualmente sob responsabilidade do CFC.
	Inicialmente, deverá prestar o exame de qualificação geral, do qual lhe dará o registro no CNAI – Cadastro Nacional dos Auditores Independentes, e após, prestar a prova para a área que deseja atuar, sendo divididas entre CMV, BCB, SUSEP e PREVIC.
	O auditor deve atender ao PEC – programa de educação continuada, sob pena de perda do registro no CNAI caso não cumpra a carga anual.
Qualificação Profissional
	A qualificação profissional exigida de um auditor é a de uma pessoa com devida escolaridade, experiência necessária nessa função e conhecimentos em contabilidade e finanças, auditoria, ciências do comportamento, comunicações, sistemas e equipamentos de informática, economia, aspectos legais de negócios, métodos quantitativos, processo administrativo e atividades gerenciais.
	E ainda, atualmente, conhecimento em áreas não muito familiares para o auditor, tais como: processos informatizados da produção de bens e serviços, tecnologia de produção, automatização e robotização, práticas comerciais e de negócios, fatores motivacionais, entre outros.
	Isso tudo para facilitar as atividades do auditor, que deve ter preparo para assumir atividades em qualquer ramo empresarial. Sistemas de informações e de controles internos.
	Através de cursos específicos, o auditor recebe orientações para identificar-se com os propósitos dos serviços e da profissão. E assim familiarizar-se com todas as nuances da profissão.
Qualificação Profissional
	A profissão de auditor impõe aos que a ela se dedicam um trabalho estruturado com base nos seguintes princípios básicos:
 Capacidade técnica para rapidamente identificar possíveis problemas na empresa.
Apego a estritas normas morais e éticas para assegurar a melhor qualidade das atividades da auditoria.
Independência de julgamento que lhe permite expressar-se com liberdade, ou seja, não ficar “preso” a situações que comprometam a idoneidade do auditor em nenhuma situação.
Responsabilidade Social do Auditor
	Todo o trabalho do auditor possui reflexo no relatório final de auditoria. O que basicamente caracteriza a responsabilidade da auditoria é a emissão do parecer (opinião) sobre as demonstrações contábeis examinadas.
	É evidente que a simples emissão de um parecer, com relação à situação de uma determinada empresa, implica necessariamente num comprometimento que deve estar pautado em evidências implícitas da regularidade da situação examinada e da confiabilidade nos demonstrativos que foram utilizados como base para as pesquisas das evidências do auditor.
	Com base nisso, se estabelece que a responsabilidade do auditor contábil é abrangente e tem em seu plano de trabalho áreas ilimitadas a serem investigadas, principalmente nos dias atuais, em que se divulga que para cada empresa existe uma forma de “hipoteca social”, cuja responsabilidade perante a sociedade precisa ser cumprida.
Responsabilidade Social do Auditor
	Entende-se então que a responsabilidade do trabalho do auditor independente está voltada ao envolvimento de interesses dos sócios e acionistas da empresa para que sejam protegidos e vigiados. Mas, atenção para o fato de que o auditor independente não é apenas um profissional liberal prestando serviços à diretoria de uma empresa. Ele está a serviço da verdade contábil e patrimonial e por isso deve zelar pelos interesses múltiplos e intrincados na dinâmica patrimonial, na proteção das informações da empresa.
	Ainda, há outros interesses em jogo. De um lado, encontram-se os interesses dos controladores, geralmente representados pelos diretores em exercício. De outro lado, os interesses dos clientes, fornecedores, financiadores e todos aqueles que para transacionar com a empresa precisam conhecer o potencial de seu patrimônio, para se certificarem do mínimo de risco aceitável dentro da normalidade dos negócios.
Responsabilidade Social do Auditor
	Alguns cuidados necessários ao desempenho de uma auditoria:
 a) Realizar as avaliações nos locais onde os trabalhos estão sendo executados.
 b) Verificar e comprovar as evidências antes de qualquer conclusão. O auditor não deve basear-se em opiniões ou informações recebidas de quaisquer pessoas. Deve apenas utilizar-se dessas informações para aprofundar as evidências.
 c) Constatar as evidências como verdadeiras após a verificação de mais de uma pessoa integrante da equipe. É importante elaborar o relatório da auditoria em conjunto com a equipe, não se esquecendo de revisá-lo antes da entrega final.
 d) Registrar as deficiências à medida que forem sendo encontradas, para que, no relatório de auditoria, possam ser relatadas com exatidão de detalhe.
 e) Condições adversas que sejam encontradas durante a auditoria e que requeiram atenção especial devem conter relatórios prontos para corrigi-las e serem comunicadas de imediato aos diretores da entidade.
Responsabilidade Social do Auditor
 f) Registrar as evidências objetivas de tal modo que não permitam dúvidas de interpretação. Termos como alguns, muitos, poucos, diversos etc. devem ser evitados.
 g) Não fazer comentários sobre as evidências descobertas, mantendo-se o sigilo.
 h) Evitar opiniões de terceiros sobre como o serviço deve ser feito.
 i) Não interromper a auditoria. Caso seja necessário, os elementos que estão sendo examinados devem ficar blindados, fechados ou lacrados.
 j) Não esquecer que o objetivo não é somente localizar irregularidades, mas também destacar aspectos positivos encontrados durante a auditoria.
 k) Saber distinguir os aspectos vitais das evidências.
 l) Ficar atento a ações contrárias à auditoria por parte da entidade auditada, como a ausência de pessoas chave alegando doença, o prolongamento do tempo de almoço e outras atitudes que possam dificultar os trabalhos de auditoria.
 m) Utilizar de canais de comunicação adequados e transparentes, exceto para assuntos sigilosos.
Ética Profissional
	A profissão de auditor se auto impôs um código de ética bastante rígido.
	Conforme Attie (2010), os princípios éticos que regem a profissão do auditor independente são os seguintes:
Independência, integridade e objetividade: deve manter suaintegridade e objetividade e, quando exercer a auditoria, ser independente daqueles a quem presta serviços.
Competência e padrões técnicos: deve observar os padrões técnicos profissionais e esforçar-se para tornar-se mais competente e melhorar a qualidade de seus serviços.
Responsabilidade perante o auditado: deve ser justo e honesto com seus auditados, cuidando de defender profissionalmente os interesses desses clientes, de forma condizente com as responsabilidades que tem para com o público.
Responsabilidade perante os colegas: deve conduzir-se de maneira a promover a cooperação e o bom relacionamento entre os membros de sua profissão.
Outras responsabilidades e práticas: deve conduzir-se de modo a elevar o nível de sua profissão e sua capacidade de servir ao público.
Relações Humanas e o Auditor
	No caso de o auditor manifestar a prática de relações humanas assentada no princípio do reconhecimento dos seres humanos dotados de uma personalidade própria que merece ser respeitada, ele, auditor, conseguirá conduzir o seu trabalho e terá a cooperação daqueles que estão dentro deste contexto.
	O auditor deverá sempre reconhecer que cada um de seus colegas, chefe e subordinado, mais do que simples executor de uma tarefa, é um ser humano e como tal deve ser tratado.
	A relação humana é condição básica para um resultado positivo do trabalho do auditor. Em síntese, presume-se uma atitude que envolve uma compreensão mútua e sincera dos sentimentos e anseios que todo ser humano leva consigo. Sentimentos e anseios estes que deverão estar presentes em todo trabalho do auditor, qualquer que seja o nível de formação intelectual das pessoas com as quais irá tratar.
Normas de Auditoria Geralmente Aceitas
	
	Segundo Crepaldi (2009, p. 208), “essas normas determinam a estrutura dentro da qual o auditor decide sobre o que é necessário à elaboração de um exame de demonstrações financeiras, à realização do exame e à redação do relatório”.
	Então, Normas de Auditoria são instrumentos de padronização dos exames de auditoria, de forma que não ocorram distorções em determinados tipos de análises. É inadequado cada auditor proceder as suas análises de acordo com suas próprias interpretações.
NORMAS RELACIONADAS À PESSOA DO AUDITOR
	Estas normas dizem respeito à natureza pessoal e à qualificação do auditor, estabelecendo as seguintes normas éticas e morais:
• a auditoria deve ser executada por pessoa legalmente habilitada, perante o CRC;
• o auditor deve ser independente em todos os seus assuntos relacionados com seu trabalho;
• o auditor deve aplicar o máximo de cuidado e zelo na realização do seu exame e na exposição de suas conclusões.
	Essas normas estão subdividas em dois grupos:
NORMAS RELACIONADAS À PESSOA DO AUDITOR
	Normas profissionais do auditor externo independente: foram regulamentadas pelo Conselho Federal de Contabilidade em 17 de dezembro de 1997, pela Resolução CFC nº 821/97, que aprovou a NBC P 1 - Normas Profissionais de Auditor Independente.
	Normas profissionais do auditor interno: foram regulamentadas pelo Conselho Federal de Contabilidade em 24 de março de 1995, pela Resolução CFC nº 781/95, que aprovou a NBC P 3 - Normas Profissionais do Auditor Interno. Essa resolução elencou as seguintes normas relativas à pessoa do auditor interno:
• competência técnico-profissional;
• autonomia profissional;
• responsabilidade do auditor interno na execução dos trabalhos;
• relacionamento com profissionais de outras áreas;
• sigilo;
• cooperação com o auditor independente.
NORMAS RELATIVAS À EXECUÇÃO DO TRABALHO
	Tais normas foram regulamentadas pelo Conselho Federal de Contabilidade em 17 de dezembro de 1997, pela Resolução CFC nº 820/97, que aprovou a NBC T 11 - Normas de Auditoria Independente das Demonstrações Contábeis. Essa resolução elencou as seguintes normas de execução dos trabalhos:
• planejamento da auditoria; relevância; risco de auditoria; supervisão e controle de qualidade; estudo e avaliação do sistema contábil e de controles internos; aplicação dos procedimentos de auditoria; documentação da auditoria; continuidade normal das atividades da entidade; amostragem; processamento eletrônico de dados (PED); estimativas contábeis; transações com partes relacionadas; transações e eventos subsequentes; carta de responsabilidade da administração; contingências.
NORMAS RELATIVAS AO PARECER DO AUDITOR EXTERNO 
	As normas do parecer têm a premissa de determinar a profundidade dos exames a serem realizados, a natureza da auditoria realizada, dentre outros.
	Podemos dizer que estas normas determinam o alcance da opinião formulada e devem atender aos seguintes requisitos: esclarecer se: (1) se o exame foi efetuado de acordo com as normas de auditoria geralmente aceitas; (2) se as demonstrações contábeis examinadas foram preparadas de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade; (3) se os referidos princípios foram aplicados, no exercício examinado, com uniformidade em relação ao exercício anterior;
NORMAS RELATIVAS AO PARECER DO AUDITOR EXTERNO 
	O trabalho do auditor apresentado no parecer do auditor independente é a parte em que o público poderá conhecer e avaliar a competência do seu trabalho e a sua responsabilidade legal assumida sobre o conteúdo exposto. Chama-se “função de certificar” a responsabilidade que os auditores têm em atestar a fidelidade e fidedignidade dos relatórios contábeis. Pode-se dizer que o parecer é um atestado fundamentado nos conhecimentos especializados de contabilidade e auditoria em conformidade com as normas de auditoria.	
	O parecer padrão, geralmente, possui três parágrafos, nos quais deverão declarar que foram adotados os princípios fundamentais de contabilidade, se esses princípios foram aplicados uniformemente, se a divulgação foi realizada de forma correta, e qual é o grau de responsabilidade assumido pelo auditor em relação às demonstrações contábeis.
NORMAS RELATIVAS AO PARECER DO AUDITOR EXTERNO 
	O Parecer do Auditor Independente é o documento que expressa, de forma clara e objetiva, obedecendo às características estabelecidas em normas específicas de auditoria, sua opinião sobre as demonstrações contábeis auditadas. Mediante o parecer, o auditor assume responsabilidade de ordem técnico-profissional, inclusive publicamente. Normalmente, o parecer é enviado aos acionistas, cotistas ou sócios, ao conselho de administração ou à diretoria da entidade, ou outro órgão equivalente.
	Os principais tipos de pareceres emitidos são classificados em:
● Opinião não modificada.
− Opinião sem ressalva.
● Opinião modificada.
− Opinião com ressalva.
− Opinião adversa.
− Abstenção de opinião.
RELATÓRIO / PARECER DO AUDITOR COM 
OPINIÃO SEM RESSALVA
	É o tipo de parecer usado quando o auditor não tem dúvidas das demonstrações financeiras auditadas. O primeiro e o segundo parágrafo destinam-se à apresentação do escopo do parecer. É o momento em que o auditor informa o objetivo e o tipo de exame que foi realizado pelo auditor. No terceiro parágrafo, o auditor expressa sua opinião sobre o trabalho auditado. Salienta-se que, para emitir o parecer sem ressalva, o auditor deve estar certo de que as demonstrações contábeis foram elaboradas conforme as normas de contabilidade e legislação em vigor.
	Por isso, o parecer deve estar alicerçado em alguns critérios, entre os quais: a observância dos princípios contábeis geralmente aceitos; a aplicação de testes dos registros contábeis ao invés de uma verificação completa; os erros de pouca relevância devem ser desconsiderados; o nível de segurança do sistema de controle interno deve ser o suficiente para o auditor estabelecer confiança nas informações contábeis auditadas; os livros e registros da empresa auditada devem ter suas informações relacionadas nas demonstrações contábeis.
RELATÓRIO / PARECER DO AUDITOR COM 
OPINIÃO COM RESSALVA
	A opinião com ressalva ocorre quando o auditor observa algum tipo de discordância ou restrição na extensão de seus exames de auditoria, mas que nãorequeiram parecer adverso ou abstenção de opinião. 
	A única diferença entre a opinião com ressalva e a opinião sem ressalva é a utilização das expressões “exceto por”, “exceto quanto” ou “com exceção de” quando se refere ao assunto objeto da ressalva.
	
RELATÓRIO / PARECER DO AUDITOR COM 
OPINIÃO COM RESSALVA
	Conforme a NBC TA 705, o auditor independente deve emitir opinião com ressalvas quando:
Ele, tendo obtido evidência de auditoria apropriada e suficiente, conclui que as distorções, individualmente ou em conjunto, são relevantes, mas Não Generalizadas nas demonstrações contábeis;
Não é possível pra ele obter evidência apropriada e suficiente de auditoria para fundamentar sua opinião, mas ele conclui que os possíveis efeitos de distorções não detectadas sobre as demonstrações contábeis, se houver, poderiam ser relevantes, mas Não Generalizadas.
RELATÓRIO COM OPINIÃO ADVERSA
	Este tipo de opinião é emitido quando as demonstrações financeiras apresentam inconsistências em conformidade com os princípios contábeis geralmente aceitos. Neste caso, o auditor deve descrever de forma clara e consistente todos os motivos que o levaram a tomar essa decisão e as consequências para as demonstrações financeiras.	
A Resolução nº 820/97, do CFC:
	“11.3.5.1 - No parecer adverso, o auditor emite opinião de que as demonstrações contábeis não estão adequadamente representadas, nas datas e períodos indicados, de acordo com as disposições contidas no item 11.1.1.1.
	11.3.5.2 - O auditor deve emitir parecer adverso quando verificar que as demonstrações contábeis estão incorretas ou incompletas, em tal magnitude que impossibilite a emissão do parecer com ressalva.”
RELATÓRIO COM ABSTEÇÃO DE OPINIÃO
	O Relatório/parecer do auditor independente com abstenção de opinião é uma declaração de que o auditor não deseja emitir nenhum tipo de parecer. Ao optar pela abstenção de opinião, o auditor deve especificar os motivos que o levaram a essa decisão.
	Para Attie (2010, p. 80-81):
	1. O parecer com abstenção de opinião é aquele em que o auditor deixa de emitir opinião sobre as demonstrações contábeis, por não ter obtido fundamentação suficiente para fundamentá-la.
	2. A abstenção de opinião em relação às demonstrações contábeis tomadas em conjunto não elimina a responsabilidade do auditor de mencionar, no parecer, qualquer desvio relevante que possa influenciar a decisão do usuário dessas demonstrações.
FORMAS DE AUDITORIA
	A auditoria pode apresentar diversas formas e cada uma delas apresenta características peculiares, que são classificadas da seguinte maneira:
	1 - De acordo com a extensão do trabalho.
	2 - De acordo com a profundidade dos exames.
	3 - De acordo com a sua natureza.
	4 - De acordo com os fins a que se destina.
	5- De acordo com as relações do auditor com a entidade auditada.
DE ACORDO COM A EXTENSÃO DO TRABALHO
	De acordo com a extensão do trabalho, a auditoria subdivide-se em auditoria geral, parcial ou específica e revisão limitada.
	A Auditoria geral, como o próprio nome indica, é a auditoria exercida sobre todos os itens que compõem o patrimônio da empresa. Também é com esse tipo de auditoria que o auditor busca fundamento em todas as operações contábeis em um determinado exercício social.
	Ao final do trabalho da auditoria geral, o auditor emite sua opinião sobre as demonstrações contábeis em conjunto e sobre os registros na qual se originaram.
	A auditoria geral pode ter algumas variações em relação à profundidade do exame e envolver maior volume de testes, conforme a necessidade de acordo com o julgamento do auditor, que, por sua vez, é, muitas vezes, baseado nos limites de segurança que o sistema de controle interno oferece.
DE ACORDO COM A EXTENSÃO DO TRABALHO
	A Auditoria parcial ou específica é realizada em apenas um determinado tipo de área e não requer toda a investigação dos registros contábeis, mas sim a investigação em apenas um item ou área específica. Geralmente é uma auditoria realizada com o objetivo de identificar possíveis fraudes ou desvios de recursos e serve justamente para aprofundar a verificação dessa área que está sendo investigada.
	Em alguns tipos de empresa ou situações que possam ocorrer em empresas, é inviável que se realize a auditoria geral das demonstrações contábeis, e com base nessas situações é salutar proceder-se a realização da auditoria limitada. Mas, o que pode pautar uma revisão limitada, geralmente, vem a ser a urgência em casos específicos e que se deseja investigar certas circunstâncias. A urgência faz com que uma auditoria limitada seja o suficiente para evidenciar as atividades do auditor. Isso pode gerar certa investigação de algumas contas específicas, porém não invalida os procedimentos adotados e os resultados obtidos.
DE ACORDO COM A PROFUNDIDADE DOS EXAMES
	A profundidade dos exames é uma característica específica para verificar a exatidão dos fatos, como uma perícia, em que há necessidade da comprovação das informações. A forma de proceder em um exame que exija maior profundidade é através da revisão integral ou da auditoria por testes (amostragem).
	A revisão integral estabelece a investigação do exame de todos os registros contábeis, assim como também de todos os documentos que servem como base para a fidelização dos controles da entidade.
	Essa forma de auditoria também necessita de maior profundidade na investigação dos exames de acordo com a segurança dos controles internos existentes, podendo a profundidade do exame variar segundo a necessidade.
DE ACORDO COM A PROFUNDIDADE DOS EXAMES
	Auditoria por testes (amostragem) é realizada com a utilização do exame de determinada porcentagem dos registros, isto é, uma parte dos registros e documentos ou dos controles considerada importante e suficiente, onde o auditor possa realizar seu trabalho e emitir uma opinião fundamentando a exatidão dos registros investigados e a legitimidade dos controles examinados.
	Essa profundidade do trabalho de auditoria é estabelecida pelo próprio auditor, isso baseado de acordo com os fins a que a auditoria se destina e o nível de confiança que merecem os controles internos.
	Assim, o auditor fixará a quantidade de testes que entender serem necessários e suficientes para formar seu juízo a respeito dos registros investigados no exame.
De acordo com a Natureza
	De acordo com a sua natureza, a auditoria pode ser permanente e eventual ou especial.
	A auditoria permanente é realizada em certas empresas que possuem auditoria interna. O departamento específico da auditoria interna tem a incumbência de acompanhar em tempo integral a segurança dos controles internos e os registros contábeis de acordo com os controles internos da empresa.
	A auditoria externa, por sua vez, também pode ser executada em caráter permanente, mas isso só é possível com a adoção de visitas programadas que o auditor poderá realizar em prazos estabelecidos. Desta forma, o auditor externo terá um menor volume de operações a serem acompanhadas ou realizadas, pois o espaço de tempo entre uma auditoria e outra é curto. A auditoria permanente pode ser continuada ou periódica.
De acordo com a Natureza
	A auditoria eventual ou especial é aquela que se realiza para fins específicos, sem que haja caráter permanente e que pode ser geral ou parcial, auditoria integral ou auditoria realizada por testes. (KRIECK, 2011).
	O auditor poderá ser chamado a executar a auditoria geral de apenas um exercício, sem programa de continuidade, mas apenas com o fim especial de opinar sobre a exatidão das contas e atos da gestão daquele período (atos relativos à reorganização societária como a criação de holdings). (KRIECK, 2011).
	Esse trabalho poderá, no futuro, transformar-se em serviços permanentes, porém naquele momento é apenas um serviço eventual e especial, para o qual o auditor deve fazer uma programação sem caráter permanente.
De acordo com os fins a que se destina
	A auditoria efetuada na área contábil objetiva identificar a adequação dos registros e procedimentosadotados e executados pela empresa de acordo com a qualidade da segurança do sistema de controle interno adotado pela mesma. Além disso, avaliar a observância e cumprimento das normas e regulamentos adotados pela administração, assim como a aplicação dos princípios fundamentais de contabilidade e as normas brasileiras de contabilidade.
	A auditoria para acautelar interesses, utilizada quando os acionistas e investidores não estão à frente da administração da empresa. Isso é comum ocorrer em empresas holdings familiares, em que a família fundadora da empresa está apenas no Conselho de Administração e os gestores são contratados a partir do mercado. Visa verificar a exatidão das demonstrações para estes usuários.
De acordo com os fins a que se destina
	A auditoria para fins de controle administrativo vem em concordância com a auditoria para acautelar interesses, pois as suas atividades de auditor são realizadas geralmente em caráter permanente, cujo controle administrativo tem por incumbência abranger unicamente certas áreas patrimoniais que se deseja controlar.
	Muitos dos erros e fraudes podem ser eliminados pela conferência física dos valores patrimoniais. A auditoria para apurar erros e fraudes é contratada pelas empresas que não têm auditoria periódica nem específica, e os auditores apenas são procurados quando os erros ou fraudes se manifestam como evidências concretas de atos ilícitos. A auditoria, quando objetiva a apuração de erros e fraudes, geralmente inclui revisão integral dos registros contábeis e dos documentos relativos à conta examinada.
De acordo com os fins a que se destina
	Todos os tipos de auditoria verificados anteriormente passam a ter objetivos também ao cumprimento de obrigações fiscais, mas pode haver auditorias específicas para a área fiscal.	
	A auditoria para cumprimento das obrigações fiscais requer bastante atenção, pois os aspectos legais e tributários estão em constantes mudanças e alguns itens precisam ser auditados com bastante acurácia. Por exemplo, a substituição tributária, que é um assunto complexo, além de polêmico, em função de se cobrar o imposto na base da emissão do produto, que significa recolher o imposto já na fábrica.
De acordo com os fins a que se destina
	Para que possam atingir os fins a que se destinam, quase todos os tipos de auditoria já referidos exigem a confirmação da exatidão das informações contidas nas demonstrações contábeis. Para confirmar a exatidão das informações das demonstrações contábeis, existem diversas áreas em que a auditoria pode atuar, inclusive corroborando com as melhores práticas de gestão. Podemos dividir em: auditoria na área operacional, auditoria de gestão, auditoria de sistemas informatizados, auditoria de qualidade, auditoria de qualidade e auditoria ambiental.
De acordo coma as relações do auditor com a entidade auditada
	A auditoria pode ser realizada por auditores internos ou externos (independentes). O auditor interno geralmente é funcionário da própria empresa, o que possibilita a realização de exames com maior extensão. O auditor externo ou independente utiliza com mais frequência o critério de testes, direcionando seus trabalhos para os exames de demonstrações contábeis e comprovação da veracidade das operações realizadas, documentos e registros. A auditoria interna é interesse da própria administração da empresa auditada, e a auditoria externa, também de interesse da citada administração, mas interessando principalmente a terceiros.
Auditoria Interna
	A auditoria interna tem sua função independente dentro da organização, como uma prestação de serviço à alta administração. Funciona como uma forma de controle mediante a medição e avaliação da eficiência de outros controles. Conforme Crepaldi (2009, p. 36), “o auditor interno é dependente da empresa em que trabalha e é responsável por seus atos somente perante a empresa em que exerce suas atividades”.
	A auditoria interna é realizada pelo próprio departamento de auditoria criado pela empresa e cumpre um papel fundamental, que é o de subsidiar o administrador com dados e informações tecnicamente elaborados, relativos às atividades para cujo acompanhamento e supervisão este não tem condições de realizar.
Auditoria Externa
	Em geral e, principalmente, as pequenas e médias empresas brasileiras não têm condições de manter equipes de executivos especializados nas diversas áreas. Por isso, além dos recursos que possuem internamente, contratam serviços especializados em áreas que necessitam. A auditoria independente pode assessorar no campo operacional ou no administrativo, além das atividades convencionais de auditoria.
	Para exercer esta profissão, o auditor independente deve possuir os devidos registros. E embora seja contratado pela empresa e sirva à administração desta, deve lembrar sempre que sua principal responsabilidade é perante terceiros, que precisam tomar decisões relativas à empresa com base nos seus relatórios apresentados.
Auditoria Externa
	Há impedimentos para o exercício da função de auditoria. Conforme estabelecem as Normas Profissionais de Auditor Independente - NBC P1, o auditor que, no período de execução da auditoria, possui algum vínculo considerado restritivo pela norma, não poderá executar o trabalho. Em geral, são: vínculo conjugal ou familiar com gestores, relação de trabalho, mesmo indireta, nos últimos anos, participação como acionista ou qualquer outro interesse financeiro, função ou cargo incompatível com a auditoria, fixação de honorários condicionais ou incompatíveis com o trabalho.
Relacionamento entre auditoria interna e externa
	Existem alguns interesses que são comuns entre a auditoria interna e externa. Na área contábil, por exemplo, ambos têm interesse na verificação da existência de: sistema de controle interno eficiente, sistema contábil que forneça as informações necessárias para a preparação de demonstrações que reflitam adequadamente a posição financeira e o resultado das operações da empresa, métodos idênticos para exame do sistema contábil e de controle interno, exame de registros contábeis, verificação de ativos e passivos, verificação, pesquisa, confronto de dados e uso de processos técnicos julgados necessários.
	Mas, assim como há interesses em comum, também existem diferenças, dentre as quais podemos citar as seguintes: Vínculo de trabalho, extensão dos trabalhos, direção dos trabalhos (para quem se dirige o trabalho) e responsabilidade.
Auditoria
Unidade 02
41
Elementos do controle interno
	No segmento empresarial, o aumento dos casos de fraude, o insucesso de muitas empresas ou atividades econômicas e os movimentos pela melhoria da qualidade das empresas visando à sobrevivência no mercado têm provocado discussões mais frequentes sobre os controles internos e a necessidade de melhores estruturas nesta área.
	Neste cenário, a auditoria passa a ter destaque, mas também precisa se adequar à realidade atual com qualificação e atuação condizentes com as características da operação empresarial e seus riscos. E o controle interno é fundamental, já que compreende todo plano de organização, os sistemas e políticas administrativas e a atuação eficiente dos envolvidos no processo. A responsabilidade de sua estruturação e acompanhamento cabe à direção e seus níveis gerenciais da empresa.
Elementos do controle interno
	Um dos objetivos principais do controle interno é garantir a confiabilidade do fluxo de informações e das várias fases do processo decisório. Em outras palavras, o controle interno deve responder a cada uma das seguintes indagações: expectativa; política de delegações; implementação; observância de autoridade; pontualidade; eficiência e eficácia; custódia; exatidão, completabilidade e pontualidade; padrões.
	Desse modo, de acordo com a sua natureza, seria possível resumir o controle interno da seguinte forma:	
	Completabilidade: o objetivo é assegurar que tudo o que deveria ter sido executado, registrado, decidido, providenciado, informado etc., de fato, foi.Assim, as informações, registros, providências etc. abrangem a totalidade dos fatos ocorridos.
Elementos do controle interno
	Exatidão: o objetivo é assegurar que tudo foi executado, registrado, decidido, providenciado, informado etc. corretamente. Assim, a execução, a valorização e a informação se revestem da necessária e adequada exatidão.
	Pontualidade: o objetivo é assegurar que tudo foi executado, registrado, decidido, providenciado, informado etc. no tempo previsto. Assim, as épocas, datas, cronogramas etc. foram rigorosamente respeitados.
	Justeza: o objetivo é assegurar que tudo foi executado, registrado, decidido, providenciado, informado, etc. com a devida autorização, de acordo com as normas, políticas e estruturas da empresa. Assim, todos os atos estão adequadamente autorizados. 
	Econômica: o objetivo é assegurar que o controle interno está economicamente justificado dentro do conjunto de atividades da empresa. Os controles internos não podem custar mais caro do que o retorno de informações proporcionado.
Elementos do controle interno
	Existem alguns elementos básicos que, tanto no conjunto como individualmente, são fundamentais para um bom sistema de controle interno. O não funcionamento adequado de um deles pode ocasionar a ineficiência de todo o sistema.
	Organograma adequado: definir e delimitar a autoridade e responsabilidade dos diversos departamentos, chefes, encarregados e empregados.
	Segregação de funções: é importante que a empresa separe as funções de contabilidade das funções de contas a pagar e contas a receber. Um funcionário ou departamento não deve ter a função de controle contábil e, ao mesmo tempo, o controle das operações que geram os lançamentos contábeis.
Elementos do controle interno
	Políticas e procedimentos claramente definidos: determinar as instruções por escrito através de manuais de procedimentos, onde devem conter as funções de todos os setores da empresa.
	Funcionários com grau de qualificação e habilidades compatíveis com o cargo que ocupam: selecionar os funcionários com cuidado e manter uma política de recursos humanos que envolva capacitação.
	Garantia de que as normas estabelecidas e procedimentos determinados estão sendo bem executados: certificar-se por meio de constante revisão e exames feitos por auditores internos e outros meios.
	Perfeito conhecimento da importância dos controles: ter o reconhecimento da importância dos controles por parte de quem os executa de acordo com cada área de atuação.
Elementos do controle interno
	O Controle Interno Contábil tem relação com a proteção do patrimônio e dos recursos financeiros da empresa e possui reflexos na exatidão e integridade dos registros contábeis. Almeida (2010, p. 42) exemplifica alguns controles contábeis, como:
- sistemas de conferência, aprovação e autorização;
- segregação de funções (pessoas que têm acesso aos registros contábeis não podem custodiar ativos da empresa);
- controles físicos sobre ativos;
- auditoria interna.
Elementos do controle interno
	O Controle Interno Administrativo: tem relação com a política dos negócios da empresa, ou seja, com as boas práticas de gestão, e está caracterizado pelos objetivos e missão da empresa, que devem ser medidos de acordo com a eficiência das operações e com a própria política de negócios. Alguns exemplos, segundo Almeida (2010, p. 42-43):
- análises estatísticas de lucratividade por linha de produtos;
- controle de qualidade;
- treinamento de pessoal;
- estudos de tempos e movimentos;
- análise de variações entre os valores orçados e os incorridos;
- controle dos compromissos assumidos, mas ainda não realizados economicamente.
Avaliação do controle interno
	O controle interno deve passar por uma revisão periódica, com o propósito de avaliar o cumprimento do que foi determinado. Almeida (1996 p. 60) trata da avaliação do sistema de controle interno como um processo que compreende as seguintes atividades:
− determinar os erros ou irregularidades que poderiam acontecer;
− verificar se o sistema atual de controles detectaria de imediato esses erros ou irregularidades;
− analisar as fraquezas ou falta de controle, que possibilitam a existência de erros ou irregularidades, a fim de determinar natureza, data e extensão dos procedimentos de auditoria;
− emitir relatório-comentário dando sugestões para o aprimoramento do sistema de controle interno da empresa.
Avaliação do controle interno
	Neste processo de avaliação há três etapas a serem seguidas, que são:
Levantamento geral do sistema – verificação do funcionamento do sistema com as pessoas responsáveis pelo controle;
Avaliação propriamente dita do sistema - Após ter analisado e documentado o sistema de controle interno, avalia-se até que ponto o sistema é confiável. Nesta etapa, a identificação dos controles-chave do sistema constitui o aspecto de maior importância.
c) Testes de observância (cumprimento) - Na terceira etapa realizam-se os testes de cumprimento das atividades da empresa. Além de formar uma opinião sobre a eficácia do sistema mediante representações verbais ou escritas feitas por funcionários ou empregados, o auditor deve constatar que o sistema funciona realmente como foi descrito.
Avaliação do controle interno
	Em relação à avaliação da qualidade dos controles internos, os procedimentos aplicáveis podem ser os seguintes:
	Aplicação de questionários dirigidos – trata-se da aplicação de questionários de forma narrativa ou alternativa.
	Na forma narrativa, as perguntas são investigativas: o que, quem, como, por que e quando dos eventos, de modo que a resposta do entrevistado seja uma descrição completa do fato, método ou procedimento utilizado.
	Na forma alternativa, o questionário é estruturado para que as respostas dos entrevistados sejam sim, não ou não aplicável. Neste caso, as perguntas devem ser estruturadas de tal maneira que possam evidenciar a ineficiência e insuficiência do controle através de uma sequência de respostas idênticas.
Avaliação do controle interno
	Montagem de planilhas de controle - as planilhas são uma forma bastante simplificada de levantar e analisar aspectos específicos da estrutura de controle interno, tais como a segregação de funções e a tempestividade das ações e do processo decisório da empresa, podendo se configurar em tabelas, quadros, gráficos, dentre outras formas ilustrativas de demonstração de dados.
	Em sua elaboração, podem ser alimentadas de dados pelo próprio funcionário executor dos trabalhos, pelos encarregados de serviço ou pelo examinador, pois não exigem amplo conhecimento de controles internos para serem formuladas, sendo de fácil preenchimento e análise.
Avaliação do controle interno
	Fluxograma dos procedimentos das atividades - na revisão do controle interno é importante preparar um fluxograma para identificar os passos da entrada da mercadoria no estoque desde o ato da compra, envolvendo os processos industriais, até o ato da venda.
	Os principais pontos de um fluxograma devem considerar:
a) produtos e processos de fabricação;
b) controle sobre quantidades físicas;
c) controle sobre custos; e
d) determinação de estoques obsoletos.
O auditor e as prevenções contra fraude
	A principal função do profissional de auditoria não é atuar na busca de fraudes ou erros. No entanto, não se pode desconsiderar que em algumas situações ainda prevalece a ideia de que a auditoria tem essa finalidade.
	Na verdade, não se deve esperar que o trabalho do auditor garanta a inexistência de fraudes ou erros. Todavia, a aplicação de técnicas e procedimentos de auditoria adequados pode apresentar como resultado a identificação de alguma situação desse tipo.
	Segundo Franco e Marra (2001, p. 375), “[...] na maioria dos casos, os alcances, desfalques e desvios estão diretamente relacionados com o dinheiro disponível”.
	Com base em Attie (2010, p. 164), pode-se dizer que “bons controles internos previnem contra fraude e minimizam os riscos de erros e irregularidades, porque, por si só, não bastam paraevitá-los”.
O auditor e as prevenções contra fraude
	Conforme Krieck (2011), há dois tipos de fraudes, considerados como:
a) Desfalques: que envolvem a malversação de dinheiro ou bens e que são normalmente dissimulados através da falsificação dos registros.
b) Falsificação das contas e manipulação fraudulenta: que são feitas para obter benefícios diferentes daqueles relativos aos desfalques, por exemplo, a obtenção de empréstimos bancários com base na apresentação de demonstrações contábeis falsas.
	Em geral, as fraudes são cometidas por funcionários que ocupam desde os níveis de cargos mais baixos até os mais altos dentro de uma organização. Segundo o Relatório da Pesquisa 2004 sobre a Fraude no Brasil, desenvolvido pela KPMG, o funcionário fraudador, em sua grande maioria, é homem, tem entre 26 e 40 anos, tem remuneração que varia entre R$ 1.000,00 a R$ 4.000,00 e está há mais de dois anos na empresa.
Segurança dos Sistemas de Informação
	Considerando a natureza das informações dos sistemas informatizados e os riscos inerentes, é preciso adotar controles de segurança, pois é necessário que a política da empresa seja a de delegar a cada gerente a responsabilidade de assegurar que informações sensitivas sejam tratadas confidencialmente, que os recursos de sistemas estejam disponíveis ao pessoal autorizado, e que as informações sejam utilizadas para manter os negócios da empresa.
	Segundo Krieck (2011), como parte da responsabilidade da segurança de sistemas, incluem-se: plano de recuperação de acidentes, em caso de desastres; soluções e consultorias de segurança de sistemas; políticas e procedimentos de segurança de sistemas; programa de avaliação e prevenção de riscos associados.
Planejamento dos trabalhos de auditoria
	As normas de auditoria que são geralmente aceitas determinam que o trabalho de auditoria seja precedido de um adequado planejamento, o qual tem a finalidade de estabelecer metas para que seja feito um serviço de qualidade ao menor custo possível. Por isso, é uma das fases importantes do processo de auditoria que estudaremos neste tópico.
	No planejamento do seu trabalho, o auditor deve seguir as Normas Profissionais de Auditor Independente, respeitando os prazos e compromissos assumidos contratualmente com o seu cliente. Isso pressupõe adequado nível de conhecimento sobre as atividades desenvolvidas pelo cliente, os fatores econômicos, a legislação aplicável, as práticas operacionais da entidade e o nível geral de competência da administração.
Desenvolvimento do plano de auditoria
	O planejamento deve considerar todos os fatores relevantes na execução dos trabalhos (KRIECK, 2011), como:
• conhecimento e análise das práticas contábeis, sistema contábil e controles internos adotados pela entidade e as alterações em relação ao exercício anterior;
• os riscos de auditoria e identificação das áreas importantes da entidade de acordo com o volume de transações e complexidade das atividades;
 • a natureza, oportunidade e extensão dos procedimentos a serem aplicados;
• a existência de entidades associadas, filiais;
• uso dos trabalhos de outros auditores independentes, e auditores internos;
• a natureza, conteúdo e oportunidade dos pareceres, relatórios e outros informes a serem entregues à entidade;
• a necessidade de atender prazos estabelecidos por entidades reguladoras ou fiscalizadoras e para a entidade prestar informações aos demais usuários externos.
Desenvolvimento do plano de auditoria
	Quanto aos objetivos do plano de auditoria, Almeida (2010, p. 126) afirma que os principais a serem atingidos são os seguintes:
− adquirir conhecimento sobre a natureza das operações, dos negócios e forma de organização da empresa;
− planejar maior volume de horas nas auditorias preliminares;
− obter maior cooperação do pessoal da empresa;
− determinar a natureza, amplitude e datas dos testes de auditoria;
− identificar previamente problemas relacionados com contabilidade, auditoria e impostos.
Desenvolvimento do plano de auditoria
	O planejamento de cada trabalho da auditoria envolve:
 Considerações Gerais sobre a Empresa Auditada.
 Determinação dos Riscos de Auditoria.
 Atualização das informações-base.
 Determinação dos componentes significativos.
 Identificação dos objetivos e riscos relativos a cada componente significativo.
 Planejamento da abordagem geral de auditoria.
 Planejamento do trabalho. (PEREZ JUNIOR, 2010, p. 46).
Planejamento da auditoria
	Como o planejamento e os programas de trabalho devem ser revisados e atualizados sempre que novos fatos o recomendarem, Krieck (2011) aborda que o processo de auditoria é geralmente dividido em cinco grandes etapas:
• Etapa 1 - Entendimento do negócio desenvolvido pelo cliente e definição das expectativas e dos resultados a serem alcançados, clara definição e entendimento dos negócios desenvolvidos pela empresa e das expectativas em relação ao trabalho de auditoria.
• Etapa 2 - Avaliação de riscos inerentes e de controle, avaliação de riscos correlatos ao negócio e aos processos e definição das áreas prioritárias a serem auditadas.
Planejamento da auditoria
• Etapa 3 - Desenvolvimento do plano de auditoria, definição do escopo do trabalho e dos procedimentos focados em riscos e expectativas e elaboração do memorando de planejamento da auditoria.
• Etapa 4 - Execução do plano de auditoria e aplicação dos programas de auditoria, com foco no valor agregado e na obtenção de satisfação de auditoria para fins de emissão do parecer.
• Etapa 5 - Comunicação dos resultados da auditoria, que envolve a elaboração e discussão do parecer de auditoria com o cliente, e relatório sobre controles internos, relatório sobre o cumprimento das normas estabelecidas pelo órgão regulamentador e demais relatórios requeridos, respeitadas as características específicas de cada trabalho.
Análise de Risco
	O relatório do Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados (AICPA, em inglês) define risco de auditoria como o risco do auditor falhar ao modificar sua opinião oportunamente sobre demonstrações contábeis erradas. É a possibilidade de o auditor não identificar erros materiais sobre as demonstrações contábeis por ele examinadas e sobre as quais tenha a responsabilidade profissional de emitir opinião baseando-se no atendimento aos princípios fundamentais de contabilidade.
	Os riscos de auditoria dividem-se, basicamente, em três categorias: Risco Inerente, Risco e Controle e Risco de Detecção.
Análise de Risco
	O risco inerente refere-se à possibilidade de as demonstrações contábeis apresentarem erros materiais, e põem ser maiores de acordo com:
• O risco operacional que implica na análise das operações da empresa auditada;
• O risco financeiro que está relacionado à análise da situação financeira da empresa auditada, principalmente quanto aos níveis de liquidez;
• A integridade da administração que está associada às possibilidades de manipulação dos registros contábeis por parte da administração, bem como à ocorrência de fraudes.
Análise de Risco
	Segundo Franco e Marra (2001, p. 320), “o erro ou irregularidade não foi detectado pelo sistema de controle interno da entidade auditada, gerando o chamado risco de controle”.
	Segundo Franco e Marra (2001, p. 320), “ao aplicar os procedimentos de auditoria, o auditor também não detecta os erros, advindo daí o chamado risco de detecção”. Portanto, o risco de detecção vem da possibilidade de que o resultado da execução de procedimentos de auditoria induza o auditor a concluir pela inexistência de erro que de fato existe.
	Está, portanto, associado com a natureza, extensão e avaliação de resultados dos procedimentos de auditoria.
Risco na amostra
	É assim chamado o risco de que seu tamanho e/ou o número de elementos selecionados para a auditagem não sejam representativos das condições da avaliação do todo.
	A estimativa na apuração do tamanho da amostra deve considerar as avaliações de risco e a relação custo/benefício do trabalho, ou seja, o número de itens daamostra selecionada não pode ser exageradamente pequeno, para não expor o auditor a riscos (visualização de pequenas quantidades de notas fiscais), nem exageradamente grande, para não tornar o trabalho inviável economicamente (pois demandaria enorme quantidade de horas de trabalho do auditor).
Materialidade X Risco de Auditoria
	O conceito de materialidade não é algo que possa ser definido e avaliado, exceto em suas aplicações específicas. Deve, entretanto, ser considerado em todos os trabalhos da auditoria, quer na execução de um determinado passo ou na preparação da programação anual.
	Os resultados de todos os trabalhos de auditoria devem partir de uma concentração de esforços nas áreas realmente importantes em função dos objetivos globais a serem alcançados.
	O grau de risco pelo qual um item sob exame possa estar incorreto também exerce influência importante na natureza e extensão dos procedimentos de auditoria adotados. A função do controle interno é diminuir até um mínimo possível os erros ou omissões. 
Normas de auditoria X riscos de auditoria
	As normas de auditoria definem que “risco de auditoria é a possibilidade de o auditor vir a emitir uma opinião tecnicamente inadequada sobre demonstrações contábeis significativamente incorretas”. A análise dos riscos de auditoria deve ser feita na fase de planejamento dos trabalhos, considerando a relevância em dois níveis (KRIECK, 2011):
a) No nível geral, considerando as demonstrações contábeis tomadas no conjunto, qualidade da administração, avaliação de sistema contábil e de controles internos e a situação econômica e financeira da entidade;
b) Nos níveis específicos, relativos ao saldo das contas ou natureza e volume das transações.
Seleção da Amostra a ser auditada
	Amostragem é o procedimento técnico em que o auditor realiza uma observação parcial do universo a ser auditado, com o fim de conhecer seus atributos e características típicas.
	A amostragem simples se refere quando a comprovação de dados é efetuada pelo auditor sem nenhuma sistematização lógica quanto a atributos, natureza, valor ou quantidade das amostras escolhidas, portanto, de maneira arbitrária.
	A amostragem crítica os subjetiva refere-se à comprovação efetuada através do direcionamento das amostras, quanto à sua quantidade, natureza, valor ou atributo, para determinar características ou atender objetivos do auditor.
Seleção da Amostra a ser auditada
	A amostragem estatística é onde o auditor não só determina a natureza e o número de amostras a verificar do universo total através de sistemas estatísticos, mas também utiliza esses sistemas para proceder à análise da significação dos resultados obtidos.
	A amostragem estatística, reduzindo consideravelmente o número de itens a serem testados, cria condições mais favoráveis para uma melhoria qualitativa do controle, reduz as diferenças de interpretações e exige menor número de auditores.
Auditoria
Unidade 03
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Papéis de Trabalho em Auditoria
	Conforme o Portal de Auditoria, os Papéis de Trabalho constituem um registro permanente do trabalho efetuado pelo auditor, dos fatos e informações obtidos, bem como das suas conclusões sobre os exames. É com base nos Papéis de Trabalho que o auditor irá relatar suas opiniões, críticas e sugestões. Tem por objetivo:
Auxiliar na execução de exames;
Evidenciar o trabalho feito e as conclusões emitidas;
Servir de suporte aos relatórios;
Constituir um registro que possibilite consultas posteriores;
Fornecer um meio de revisão por Supervisores;
Determinar se o serviço foi feito de forma adequada e eficaz, bem como julgar sobre a solidez das conclusões emitidas;
Considerar possíveis modificações nos procedimentos de auditoria adotados, bem como no programa de trabalho para o exame subsequente.
Papéis de Trabalho em Auditoria
	Os papéis de Trabalho devem ser preparados de modo que apresentem os detalhes importantes. Uma auditoria envolve tantos detalhes, que itens importantes podem passar despercebidos, como resultados da elaboração imperfeita dos papéis. Por isso, os Papéis de Trabalho devem ser completos quanto a:
Informações e fatos importantes;
Escopo do trabalho efetuado;
Fonte das informações obtidas;
Suas opiniões e conclusões.
Papéis de Trabalho em Auditoria
	
Papéis de Trabalho em Auditoria
	
	Conforme o quadro, as contas de disponibilidades estão subdivididas em caixa, bancos e aplicações financeiras, com os seus respectivos saldos. Nota-se que o papel de trabalho está identificado com a letra A. Essas contas foram auditadas separadamente e possuem suas evidências nos papéis de trabalho A1 - Caixa, A2 - Bancos e A3 - Aplicações Financeiras.
	Vamos agora analisar as evidências obtidas no papel de trabalho A1 da conta caixa, na qual estão inseridos os valores do fundo fixo da empresa, inclusive os das filiais.
Papéis de Trabalho em Auditoria
	
Papéis de Trabalho em Auditoria
	Observe que a auditoria evidenciou dois pontos de atenção. Embora não sejam situações críticas que coloquem em questionamento a segurança do sistema de controle interno, são observações que necessitam ser investigadas com cuidado.
	Conforme a letra (a) do Ponto de Atenção (PA), a empresa não possui boletim de caixa da filial em Curitiba. Isso pode denotar utilização de recursos indevidos sem a comprovação da retirada por responsável identificado, o que pode se configurar em fraude. Na letra (b) do PA consta que não há registro dos valores retirados em vales, dinheiro, cheques e outros documentos. Isso também pode denotar fraude. Apontar essas evidências no papel de trabalho é importante, porque serve para fortalecer o sistema de controle interno.
Tipos de Relatórios de Auditoria
	O conteúdo do relatório de auditoria deve contemplar as necessidades da empresa. Para isso, o auditor deve estabelecer um sistema de emissão de relatórios que seja adequado à situação constatada ao término do trabalho de auditoria.
a) Relatórios finais sintéticos
	O relatório sintético é elaborado de forma rápida e sucinta, com a finalidade de informar a alta direção da empresa sobre o que precisa ser melhorado ou necessita correção no sistema de controle interno.
	Esse tipo de relatório exige bastante cuidado na sua elaboração, pois deve ter a propriedade de informar os fatos com poucas palavras e da forma mais abrangente possível, sem que a omissão de um pequeno detalhe prejudique o objetivo principal.
Tipos de Relatórios de Auditoria
b) Relatórios finais analíticos
	São relatórios que contêm todas as informações e detalhes, de modo a permitir a solução dos problemas encontrados na auditoria. No entanto, os fatos de menor relevância podem ser apresentados nos próprios papéis de trabalho ou relacionados à parte, quando houver necessidade. Nesse tipo de relatório, geralmente se recomendam correções em itens específicos auditados.
c) Relatórios especiais
	O relatório especial ou confidencial é solicitado exclusivamente pelo diretor da empresa, com interesse específico em um determinado assunto. Por exemplo, um relatório especial sobre a auditoria de estoques e expedições feita com o objetivo de identificar possíveis desvios do estoque da empresa.
Tipos de Relatórios de Auditoria
d) Relatórios parciais
	
	O relatório parcial é elaborado quando se detecta algum problema, durante a auditoria, que deve ser levado ao conhecimento da gerência ou direção da empresa para a imediata correção. Esse tipo de problema é bastante comum durante os exames. A finalidade do relatório parcial é atender a necessidade de solucionar o problema de imediato, podendo ser apresentado em uma folha de papel de trabalho devidamente identificada. Além disso, esse tipo de relatório é utilizado pelo auditor para comunicar alguma dificuldade ou qualquer tipo de ocorrência que interfira diretamente no seu trabalho.
	
Distribuição do Relatório
	
	Os relatórios são distribuídos conforme o tipo de auditoria realizada e a estrutura organizacional da empresa. Em geral, é encaminhado ao diretorgeral ou gerente geral, ao gerente responsável pelas atividades sujeitas à auditoria e à pessoa diretamente ligada às atividades que estão sendo examinadas.
	Para cada nível da estrutura organizacional da empresa deve ser enviado um relatório apontando as falhas identificadas.
Elaboração do Relatório
	O relatório deve ser elaborado com coerência, dando ênfase aos aspectos principais do resultado da auditoria. O conteúdo básico deve expressar com clareza os objetivos, os resultados dos exames, as conclusões e as recomendações.
	Os objetivos devem apresentar as áreas que foram auditadas, os tipos de exames de auditoria que foram realizados e o período em que foi realizado.
	Os resultados dos exames devem apresentar os problemas identificados, os detalhes destes problemas e os procedimentos operacionais que não estão sendo seguidos.
	Na conclusão deverá constar a opinião do auditor referente aos resultados identificados na auditoria.
	Nas recomendações são apresentadas sugestões para adaptação e melhoria dos procedimentos no sistema de controle interno da empresa.
Elaboração do Relatório
	Primeiramente, deve-se fazer um esboço do relatório. Comece listando os itens que devem ser incluídos no relatório por ordem de importância. Geralmente, os principais itens são listados no início do relatório. Depois, faça uma revisão do esboço e certifique-se de que foram incluídos todos os pontos importantes, se foram realmente eliminados os pontos sem relevância e se os assuntos estão organizados de forma coerente.
	Os pontos de relatório deverão ter sempre, obrigatoriamente, títulos escritos apenas em letras maiúsculas, chamando a ideia principal do comentário.

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