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------------- CARACTERÍSTICAS DA DENTIÇÃO DECÍDUA ------------- Introdução • A dentição decídua tem características únicas que a diferem em diversos aspectos da dentição permanente. Dessa maneira, a preparação dos cirurgiões-dentistas para o atendimento infantil deve ressaltar as características da primeira dentição, assim como analisar todos os pontos que essa cavidade bucal apresenta durante o crescimento da criança. Características da dentição decídua • A partir da 6° semana de vida intra-uterina começa a formação dos incisivos decíduos. • Com 6 meses de vida começa a erupção dos incisivos inferiores. • A dentição está completa, com a erupção e a oclusão dos quatro segundos molares decíduos mais ou menos entre os 24 e 30 meses de vida da criança (2,5 anos). • Esse período de dentição decídua prolonga-se até os 6 anos, com a erupção dos primeiros molares permanentes, quando se tem o início da dentição mista. Vista vestibulolingual → O plano oclusal dos dentes decíduos é reto, sem curva de Spee. → Os dentes estão implantados verticalmente na base óssea. → A cabeça da mandíbula (côndilo), quase na mesma altura do plano oclusal. À medida que a criança cresce, a articulação fica em um plano mais alto, por causa do crescimento facial. Classificação de Baume − Considerando a presença ou não de diastemas nas regiões anterior, superior e inferior, a arcada dentária decídua pode ser classificada como do tipo I ou II, de acordo com Baume. O tipo I é o que apresenta diastemas entre os dentes anteriores e é mais favorável a um bom posicionamento dos dentes anteriores permanentes, quando de sua erupção. O tipo II é aquele que não tem diastemas entre os dentes anteriores e pode apresentar tendência maior a apinhamento na região anterior, quando da substituição dos decíduos pelos permanentes. − As arcadas podem ser mistas, ocorrendo com maior frequência arcos do tipo I superior e II inferior, pois a maxila sobrepõe-se à mandíbula, e, com menor frequência, os tipos II superior e I inferior. Admite-se que o diastema deva ter no mínimo 0,5 mm para ser considerado com objetivos de classificação. − De acordo com Baume, o arco do tipo I não se transforma em tipo II, e o inverso também não ocorre em crianças na fase de dentição decídua. Espaço Primata − Se localiza entre o canino e o primeiro molar decíduo, na mandíbula, e entre o incisivo lateral e o canino, na maxila. − Esse diastema não está presente obrigatoriamente em todas as arcadas nem relacionado com arco do tipo I ou II na mandíbula. Entretanto, são mais frequentes arcadas com espaços primatas do que sem estes – essa porcentagem chega a ser por volta de 80%, de acordo com Peters. Relação distal • Tomando-se como referência os pontos mais distais dos segundos molares decíduos superiores e inferiores, antes da erupção dos primeiros molares permanentes, a relação entre esses dois dentes, pela sua face distal, pode ser de três tipos: 1. Relação distal em plano, que ocorre, de acordo com Baume, em 76% dos casos; 2. Relação distal formando um degrau mesial para a mandíbula (14% dos casos); 3. Relação distal formando um degrau distal para a mandíbula ou qualquer combinação de relação terminal das descritas (10% dos casos); Vista anteroposterior Ao se examinar as arcadas decíduas em relação à sua base óssea, em vista anteroposterior, os inferiores apresentam o longo eixo com ligeira convergência para lingual, consideradas de apical para oclusal, e as superiores apresentam uma ligeira divergência de apical para oclusal. Esse fato demonstra que o longo eixo dos dentes superiores e inferiores apresenta paralelismo e que a curvatura de Wilson não é condição normal nessa dentição. Vista oclusal De acordo com Carrea, a dentição (superior e inferior), quando vista por oclusal, deve abordar um triângulo equilátero, tendo cada um de seus lados variação de 28 a 34 mm. Uma vez determinado o centro desse triângulo, ao traçar-se uma circunferência, esta passará na arcada superior, pelas superfícies incisais de incisivos e caninos, pelo sulco principal do primeiro molar, cortando a cúspide distopalatina do segundo molar. Vista oclusal da arcada decídua superior. A arcada inscrita em uma circunferência que passa pela borda incisal de incisivos, cúspide de caninos, passa pelo centro do primeiro molar e escapa pela cúspide distopalatina do segundo molar decíduo. Essa figura contém um triângulo equilátero com as bissetrizes dos ângulos ABC e BCA, que cortam a cúspide dos caninos. Vista oclusal da arcada inferior decídua. O arco inscrito em uma circunferência que passa pela borda incisal dos incisivos, cúspides do canino, cúspides vestibular do primeiro molar e no centro do segundo molar decíduo. Essa figura contém um triângulo equilátero, com as bissetrizes do ângulo A’B’C’ e B’C’A’ passando sobre a crista marginal mesial do primeiro molar decíduo. Observações O período compreendido e denominado dentição decídua é aquele que, como dito anteriormente, acontece após a erupção e oclusão dos segundos molares decíduos até o início da dentição mista. Pode-se deduzir que, mesmo estando a arcada caracterizada apenas com dentes decíduos, nessa fase ocorre uma série de mudanças preparatórias para favorecer o crescimento e desenvolvimento da maxila e da mandíbula, bem como a de uma oclusão normal nas dentições mista e permanente. Nesse período, ocorre o crescimento das bases ósseas, especialmente na altura da face e no comprimento das arcadas. Na altura, o crescimento é provocado pelos processos alveolares e as bases ósseas de maxila e mandíbula favorecem a melhor acomodação dos germes dos dentes permanentes, uma vez que estes vão aumentando o volume de suas estruturas, primeiro a coroa e, depois, as raízes, e, para que esse aumento ocorra, é necessário que o arcabouço ósseo se desenvolva, permitindo a acomodação satisfatória desses dentes sob as raízes dos decíduos que substituirão. → Diferentes estágios do desenvolvimento dos dentes decíduos erupcionados e os permanentes intraósseos em desenvolvimento. − A) Criança com 2 anos e meio. Observam-se desenvolvimento total dos dentes decíduos e pequeno desenvolvimento dos permanentes. − B) Criança com 4 anos e 9 meses. − C) Com 6 anos e meio, há necessidade de crescimento em altura na mandíbula e na maxila para ajustar o crescimento intraósseo dos dentes permanentes. Por sua vez, o crescimento das bases ósseas para posterior (maxila e mandíbula) também se verifica para acomodar os dentes permanentes localizados à distal dos segundos molares decíduos; inicialmente, esse crescimento favorece o posicionamento do primeiro molar permanente e, a seguir, do segundo. Nota-se que esse crescimento na arcada superior ocorre na tuberosidade, e, na inferior, na porção distal do segundo molar decíduo junto ao ramo por reabsorção da porção anterior do ramo e neoformação na sua parte posterior. Isso se refere ao crescimento das bases ósseas, e não à arcada dentária propriamente dita. Quanto ao terceiro plano de crescimento em lateralidade, este é muito pequeno nas fases iniciais de dentição decídua e fica mais evidente posteriormente, em especial quando se consideram medidas baseadas em dentes, e não nas bases ósseas. Esse crescimento ocorre com mais evidência nos períodos de erupção dos incisivos permanentes, em ambas as arcadas. Resumo das características da dentição decídua Vista vestibulolingual -Plano oclusal --> A dentição decídua não apresenta curva de Spee, pois os dentes são implantados verticalmente na base óssea. -Articulação temporomandibular --> Localiza-se próximo ao plano oclusal dos dentes inferiores e paralela a ele, sendo que, conforme a criança cresce, a articulação se estabelece em um plano mais alto em virtude do crescimento facial. -Arcode Baume tipo I --> Apresenta diastemas entre os dentes anteriores. É mais favorável para o posicionamento dos sucessores permanentes. -Arco de Baume tipo II --> Não apresenta diastemas entre os dentes anteriores. É desfavorável, pois favorece o apinhamento dos sucessores permanentes. -Espaço Primata Maxila: entre incisivo lateral e canino decíduo Mandíbula: entre canino e primeiro molar decíduo Relação distal -Referência: segundos molares decíduos, antes da erupção dos primeiros molares permanentes -Pode ser: plano, degrau mesial e degrau distal Vista anteroposterior -Dentes inferiores: convergência de apical para oclusal -Dentes superiores: divergência de apical para oclusal Vista oclusal (Carrea) Aborda um triângulo equilátero determinando o centro e traçando uma circunferência que deve passar pelo: -Arco superior: incisais dos incisivos e caninos, sulco principal do primeiro molar, cortando a cúspide distopalatina do segundo molar -Arco inferior: incisal de canino a canino, cúspide vestibular do primeiro molar e sulco principal do segundo molar Vista oclusal (Camberros) Tomou três pontos de referência de cada dente na mesial oclusal e distal no meio de cada uma destas superfícies, tanto no arco superior quanto no inferior. Observou nos arcos dos tipos I e II de Baume forma semelhante em ambos, não trazendo, pois, influência da presença de diastema. Isso vem salientar que a forma do arco dentário, em primeira instância, prende- se à forma do arco alveolar Vista oclusal (Barrow e White) Verificaram que os arcos decíduos podiam ser classificados de acordo com a forma: cônicos (5%), trapezoidais (65%) ou ovais (30%) Referência Guedes-Pinto, A. C et al. Odontopediatria: características e análise da dentição decídua. Editora Santos, 9ª edição. Rio de Janeiro: Santos, 2017.