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Perícia Grafotécnica e Documentoscopia

Material sobre Documentoscopia (Perícia Grafotécnica) com definições, lista de equipamentos, cuidados de manuseio e preservação de documentos, agentes que alteram papéis, documentos rasgados/dobrados, alterações materiais, composição química de tintas e análises químicas; inclui bibliografia.

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1 
 
 
 
2 
 
 
 
Perícia 
Grafotécnica 
 
Documentoscopia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
SUMÁRIO 
 
1 – Definições .......................................................................................... 4 
2 – Equipamentos .................................................................................... 4 
3 – Cuidados na manipulação de documentos ......................................... 5 
4 – Agentes que alteram características de papéis ................................... 6 
5 – Documentos rasgados e dobrados ................................................... 10 
6 – Alterações documentais materiais ................................................... 10 
7 – Composição química das tintas das canetas ..................................... 16 
8 – Análise químicas de documentos ..................................................... 17 
Referência Bibliográfica: ........................................................................ 20 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
1 – Definições 
 
Documentoscopia é a disciplina relativa à aplicação prática que tem por 
objetivo verificar autenticidade ou autoria dos documentos. 
 
Os termos comumentes usados são Grafoscopia, Grafotécnica ou Perícia 
Gráfica. 
 
Existem outras disciplinas tendo também por objeto o "grafismo". 
Distinguem-se, porém, por seus objetivos. Assim, a "Grafologia", a "Caligrafia", 
a "Paleografia" e a "Criptografia", "Grafologia", pela formação do vocábulo, seria 
o estudo do grafismo. Infelizmente, o termo generalizou-se com a ideia 
complementar de que o exame tem por finalidade a descoberta das qualidades 
morais ou temperamentais do escritor. 
 
Documento é uma peça que tem um registro, habitualmente através da 
escrita, marcas, imagens, sinais ou outros. 
 
Ressaltamos que pode haver documento sem escrita (uma foto ou uma 
fita gravada de áudio ou vídeo, por exemplo). A reversa, porém, nunca é 
verdadeira. Não há qualquer viabilidade de haver escrita sem documento. A 
simples existência de qualquer registro escrito transformará de imediato, e por si 
só, aquele suporte em um documento. 
 
O principal objetivo da Documentoscopia é identificar a autenticidade ou 
inaltenticidade de grafismo, mecanografias e documentos. 
 
Autenticidade documental pode ser total ou parcial: 
 
a) Autenticidade total: totalmente verdadeiro 
b) Inautenticidade: documento totalmente falso 
c) Autenticidade parcial: documento autêntico pode ser parcialmente falso 
 
2 – Equipamentos 
 
É utilizado Lupa e Luz Ultravioleta para identificar algumas marcas que 
podem sugerir autenticidade ou não do documento. Há outros equipamentos, 
como Comparadores Espectrais de Video, Scanners de Alta Precisão. 
 
Há outras formas de análises mais minunciosas presentes 
predominantementes em laboratórios oficiais. 
 
Em caso de documentos em áudios, fotos ou vídeos outros equipamentos 
serão utilizados. 
 
 
5 
 
3 – Cuidados na manipulação de documentos 
 
Os exames periciais devem ser desenvolvidos seguindo procedimentos 
previamente definidos. Para que os vestigios não se percam, é necessário tomar 
medidas para preservar o máximo possivel todos os elementos existentes no 
material questionado. E não é de forma diferente no caso dos exames em 
documentos. 
 
Entretanto, todos aqueles que têm acesso aos documentos, e não apenas 
os peritos, devem estar capacitados a tomar as medidas adequadas no 
manuseio dos documentos. Assim, os policiais, promotores de justiça, 
defensores, advogados, assistentes técnicos e juízes devem estar capacitados 
a adotar as medidas de manuseio e preservação dos documentos, todos estes 
profissionais devem receber treinamento quanto ao correto manuscio dos 
documentos. 
 
A primeira pessoa a ter acesso ao documento questionado deve adotar 
cuidados especiais, uma vez que estes cuidados repercutirão de maneira 
sensivel sobre os vestígios existentes no documento. Dependendo do que se 
espera do documento, recomenda-se que o manuseio ocorra com a utilização 
de luvas, o que toma possivel a realização de exames como o de levantamento 
de impressões digitais e de DNA. Além da utilização de luvas, o manuseio deve 
ser reduzido ao minimo possível. Estes dois cuidados diminuem 
consideravelmente a ocorrência de contaminação. 
 
Muitas vezes o documento questionado será objeto de diversos exames, 
realizados por outras áreas forenses, como o de levantamento de impressões 
digitais. Nestes casos, os exames documentoscópicos devem preceder qualquer 
outro exame. Seguindo o exemplo de levantamento de impressões digitais, as 
substâncias utilizadas para a revelação irão alterar o documento, dificultando ou 
impossibilitando os exames documentoscópicos. Além disso, a realização destes 
exames desde que feitos com cautela para não adicionar ou retirar uma 
impressão digital, não interferirá em um posterior exame de revelação. 
 
a) O que não pode ser feito: 
 
- Utilizar grampos, alfinetes e clipes 
- Realizar perfurações. Criar novas dobras 
- Escrever ou realizar outro tipo de marca nos documentos. Caso seja 
essencial rotular diretamente o documento, a marca identificadora deve ser 
aposta em algum espaço em branco 
- Escrever no envelope de evidencia com o documento dentro do envelope 
- Tocar o documento com caneta, lápis ou outro instrumento, colar as 
peças de um documento cortado ou rasgado por sobre um suporte. Os pedaços 
devem ser guardados da maneira como foram apresentados 
- Produzir rasuras 
 
6 
 
- Produzir qualquer tipo de traço 
- Cortar ou rasgar o documento, bem como tentar reparar um corte 
- Sublinhar, realçar ou circular palavras 
- Carregar vários documentos questionados livremente em sacos, de 
forma que possam rasgar ou amassar durante o transporte 
- Permitir a outras pessoas manusear ou carregar documentos 
questionados 
- Permitir que o suspeito manipule ou veja os documentos questionados 
- Permitir que qualquer pessoa diversa do perito em Documentoscopia 
realize testes químicos ou de outra natureza. 
 
b) O que deve ser feito: 
 
 -Utilizar envelopes para a armazenagem e para o transporte. Os 
envelopes devem ser largos o suficiente para o acondicionamento do documento 
sem dobras. Se o documento tiver que ser examinado com respeito a impressões 
digitais ou escrita latente utilizar luvas ou manusear pelas laterais o suficiente 
para qu seja acondicionado no envelope 
-Produzir cópia reprográfica, fotográfica ou digitalizar o documento, 
lembrando de não utilizar o modo de autoalimentação da máquina fotocopiadora 
-Proteger os documentos de altas temperaturas, da radiação 
eletromagnética e de condições elevadas de umidade 
- Preparar o histórico completo de cada documento, contendo data, lugar 
e de quem foi obtido 
- Manusear o documento o mínimo possível 
- Lembrar da regra de que os exames documentoscópicos devem 
preceder qualquer outro tipo de exame forense 
 
4 – Agentes que alteram características de papéis 
 
a) Agentes físicos: 
 
Os mais comuns são radiação eletromagnética, sol por exemplo, umidade 
e temperatura. 
 
A radiação eletromagnética pode alterar o suporte e a tinta utilizada nos 
documentos, como desaparecimento dos caracteres lançados ou impressos no 
suporte, aceleração do processo de envelhecimento do papel, 
A umidade pode ser absorvida pelo papel tornando-o flexível e com baixa 
resistência, mas tende a secar em ambiente seco e quente. Cada alteração no 
percentual de água no papel altera sua dimensões, modificando em pequenas 
proporções os escritos e impressos. 
 
A temperatura se torna importante pois influencia na umidade do ar, a 
variação brusca de temperatura ocasiona a condensação da umidade e 
 
7 
 
formação de gotas de água que irão depositar nos papéis. A temperatura 
também influencia nas reações quimicas do papel. 
 
b) Agentes químicos: 
 
Os principais mecanismos de reações químicas presentes nas 
transformações dos papéis são a hidrólise,a oxidação, a fotoxidação, os 
processos metabólicos e a catálise metálica. Cada uma destas reações químicas 
explicita os principais agentes que reagem com o papel. 
 
A resistência química de um papel está diretamente associada à sua 
acidez (pH), sendo a acidez função dos resíduos de substâncias químicas 
utilizadas no processo de produção do papel. Papéis que apresentam elevada 
acidez tendem, com o passar do tempo, a modificar a coloração, de branco para 
amarelo, bem como apresentar redução na resistencia mecânica. 
 
As fontes de acidez presentes no papel podem ter origem interna e origem 
externa. No caso da origem interna, referem-se principalmente aos ácidos 
utilizados no clareamento das fibras de celulose, que permanecem como 
resíduos na formulação final do papel, assim como a degradação da lignina 
presente na sua formulação. As origens externas referem-se à utilização de 
tintas ácidas, bem como substâncias presentes na atmosfera, que são 
absorvidas pelo papel, principalmente em condições elevadas de umidade. A 
acidez proveniente de origem externa acarreta, normalmente, a formação de 
manchas, enquanto a acidez proveniente de origens internas gera modificação 
na coloração do papel de maneira uniforme. 
 
Uma das principais fontes de agentes químicos é a própria atmosfera. As 
substâncias presentes no ar dos centros urbanos reagem com os documentos 
aumentando sua degradação. Dentre os poluentes lançados no ar destacam-se 
o dióxido de enxofre e os solventes orgánicos. O dióxido de enxofre, lançado na 
atmosfera juntamente com os produtos da queima de combustiveis fósseis, após 
algumas reações químicas, gera o ácido sulfúrico que, em contato com o papel 
provoca manchas e escurecimento, bem como diminui a resistência. Os 
solventes orgânicos, oriundos de derivados do petróleo, volatilizam-se e reagem 
com o vapor d'água, podendo gerar outros ácidos. Estas substâncias causam a 
oxidação da celulose. Uma vez que a geração de ácidos na atmosfera depende 
da umidade, a armazenagem dos documentos em locais com baixa umidade 
torna-se uma solução adequada. 
 
Outra substância presente na atmosfera e que reage fortemente com o 
papel é o ozônio, devido à sua alta força oxidante, rompendo ligações orgânicas. 
 
A poeira é outro agente químico que causa danos aos documentos. Na 
composição da poeira existem diversas substâncias, como areia, fuligem e 
residuos provenientes de atividades industriais. Estas substâncias alteram a 
 
8 
 
coloração do documento, uma vez que são absorvidas pelo papel e, quando 
removidas, causam danos, em função da abrasão resultante. 
 
c) Agentes físicos mecânicos 
 
Os denominados agentes fisicos mecânicos são a guarda inadequada, o 
manuseio incorreto e a ocorrência de desastres, como, por exemplo, incêndios 
e inundações. 
 
O primeiro ponto refere-se à forma de guarda dos documentos: caso 
estejam encadernados, devem ser armazenados na vertical; e, caso sejam 
folhetos sem encadernação, devem ser guardados na horizontal, em caixas 
próprias (e as caixas devem ser confeccionadas de papel neutro ou alcalino). 
Todos os documentos devem ser guardados em estantes, com ventilação, 
temperatura e umidade adequadas. Os documentos com mais de 75 cm de altura 
ou de largura devem ser armazenados na horizontal, evitando-se que 
documentos com maiores dimensões posicionem-se acima dos documentos 
com menores dimensões, o que pode acarretar deformações permanentes. 
Outro ponto a ser observado refere-se ao empilhamento, que deve obedecer às 
condições fisicas, de tamanho e peso, de cada obra. Um empilhamento 
excessivo pode provocar a aderência dos impressos de uma folha em outra, o 
que trará perda de informações no documento. 
 
Percebe-se a deficiência no acondicionamento quando se verifica a forma 
como são produzidos os volumes que compõem os procedimentos 
administrativos e os processos, notadamente no empilhamento realizado sem 
critério. É comum visualizar documentos localizados na parte inferior de pilhas 
muitas vezes com mais de 1 metro de altura. Além disso, a formação dos autos 
muitas vezes é realizada mantendo-se no interior grampos metálicos e clipes 
que sofrem processo de oxidação, provocando danos aos documentos. A 
utilização de barbantes para a união dos volumes que compõem determinado 
procedimento pode favorecer o rasgo das margens dos documentos. Outro 
hábito comum é o de perfurar os documentos para que componham os autos. 
Neste caso, o procedimento aconselhável é que haja utilização de um saco 
plástico para a guarda do material, sendo que este saco plástico é que deverá 
ser perfurado para o entranhamento nos autos. 
 
Ainda quanto à guarda, a formação dos autos protege precariamente os 
documentos da penetração de pó e outras substâncias, já que vezes verifica-se 
que partes das folhas são entranhadas sem a observância dos limites que 
compõem as capas, ou seja, as folhas são perfuradas para compor os autos sem 
a preocupação de se fazer os furos de maneira simétrica. 
 
Os chamados arquivos mortos também merecem algumas considerações, 
uma vez que muitos documentos periciados encontram-se arm ze nados nestes 
locais e muitas vezes em caixas. Cuidados especiais de em ser tomados para 
evitar que as caixas fiquem superlotadas de documentos, o que pode favorecer 
 
9 
 
rasgos e amassamentos quando da retirada dos documentos, bem como a 
criação de insetos e outros micro-organismos. 
 
d) Agentes biológicos 
 
Muitos agentes biológicos como os micro-organismos, insetos e roedores 
se alimentam de substâncias presentes na composição do papel, como o amido 
e a celulose. 
 
* Micro-Organismos: Bactérias e Fungos, as bactérias captam suas 
fontes de carbono da celulose, e geram enzimas que aceleram o processo de 
degradação da celulose e das colas utilizada na fabricação do papel. Da mesma 
forma que as bactérias, os fungos utilizam a celulose do papel como fonte de 
carbono, enfraquecendo e destruindo suas fibra do papel. Além disso, provocam 
alterações na coloração do papel. 
 
A remoção dos fungos deve ser realizada caso a caso, principalmente 
quando se trata de documento valioso, como por exemplo, obras de arte. Alguns 
tipos de fungos podem ser identificados através da coloração das manchas que 
são produzidas no papel. De acordo com o fungo, deve-se utilizar um solvente 
adequado para o tratamento do papel. Contudo, muitas vezes a utilização de um 
solvente irá solubilizar também a tinta existente no documento, perdendo 
informações importantes. Desta forma, desenvolveu-se o método através de 
radiação laser para a remoção das manchas provocadas por fungos. 
 
* Insetos: Os principais insetos que atacam os documentos são, traças, 
baratas, cupins, besouros, carunchos e piolhos de livro. As traças e as baratas 
causam danos nas superficies e nas margens dos documentos e das 
encadernações; os cupins e as brocas se alimentam da celulose do papel e da 
madeira, promovendo danos aos documentos por intermédio de furos no interior 
dos documentos; os piolhos, que pode ser encontrados nas folhas, alimentam-
se de restos de fungos, mas podem danificar os documentos pela formação de 
furos de contornos irregular. A diminuição da ação dos insetos sobre os 
documentos se dá atavés da guarda destes documentos em condições de baixa 
temperatura e umidade. Além disso, caso o documento já se encontre com 
insetos, deve-se promover a limpeza através da retirada dos mesmos antes que 
o documento seja armazenado juntamente com os demais. Uma técnica que 
apresenta bons resultados na eliminação de insetos dos documentos é a 
embalagem do documento em um saco plástico e posterior congela mento por 
um período de cerca de 2 semanas. 
 
* Roedores: preferem ambientes quentes e úmidos e se alimentam de 
restos de alimentos. Danificam os documentos uma vez que utilizam papéis, 
tecidos, couros, dentre outros materiais, para a confecção de ninhos. 
 
* Seres humanos: o ser que deveria provocar os menores danos aosdocumentos, ao contrário, é o que provoca os maiores. Desde o manuseio, 
 
10 
 
momento em que o suor e a gordura, de caracteristicas ácidas, lhe provocam 
manchas, sem cuidados adequados proporcionam danos aos documentos. 
 
5 – Documentos rasgados e dobrados 
 
Se o documento estiver rasgado, os pedaços devem ser acondicionados 
em uma caixa rasa ou em um envelope. 
 
HARRISON sugere que, caso o documento necessite ser reconstruido, 
deve-se utilizar uma lâmina de vidro ou de plástico como suporte, valendo -se de 
uma pequena quantidade de adesivo. A seguir, deve-se colocar outra lâmina de 
vidro ou de plástico por sobre o documento montado, imprensando o documento 
entre as duas lâminas. Apesar de este autor sugerir a possibilidade de montagem 
do documento que se encontra rasgado, enten demos que o melhor é não 
realizar tal procedimento, mantendo os pedaços acondicionados juntos e 
montando-os, sem a utilização de adesivos, tal qual um quebra-cabeça, para a 
realização das fotografias. Depois de realizadas as fotografias, os pedaços 
devem ser acondicionados no local adequado. Os documentos não devem ser 
dobrados ou desdobrados desnecessariamente. Quando da apreensão do 
documento, este deve ser manipulado apenas o necessário para o 
acondicionamento em envelope próprio. Além disso, a manipulação com vistas 
à recomposição do documento ou operação para desdobrá-lo deve ser feita 
apenas pelos responsáveis pela realização das análises. 
 
 
6 – Alterações documentais materiais 
 
Conceitua-se alteração material como a modificação por processos físicos 
ou químicos de qualquer parte do documento, por outro lado, as alterações 
ideológicas representam as declarações falsas ou diversas das que deviam 
constar no documento. As alterações materiais constituem vestigios gerados 
legítima ou fraudulentamente; enquanto as alterações ideológicas não geram 
vestígios e estão, em regra, fora do campo de atuação da documentoscopia. 
Porém, não se espera que o perito identifique quem produziu a alteração 
documental. Entretanto, caso exista alguma informação contida no documento 
que auxilie no convencimento do magistrado quanto à motivação para a 
realização da alteração documental, deverá ser descrita pelo perito. Exemplo 
comum encontra-se nas Carteiras de Trabalho e Previdência Social onde, caso 
exista a necessidade de realizar alguma correção legítima esta será efetuada, 
através de uma alteração material, contudo, no próprio documento constará a 
justificativa para tal alteração. 
 
Os documentos podem ser alterados materialmente de várias formas, e o 
exame de cada uma dessas formas requer o emprego de técnicas para a 
detecção da alteração e para decifrar as informações originais (o que nem 
 
11 
 
sempre é possível). Didaticamente, dividem-se as alterações materais em 
subtrativas, aditivas e por montagem. 
 
É muito comum a existência mais de uma modalidade de alteração no 
documento, e, existem outras classificações exemplo, que afirma existirem 
quatro processos de modificação documentos: rasuras, reagentes químicos, 
acréscimos ou recortes. A identificação de alterações é feita através de métodos 
físicos, como observação com auxilio de instrumentos de ampliação, uso de 
fontes de iluminação com comprimentos de onda específicos, bem como o uso 
de solventes adequados. O uso solventes pode acarretar danos tintas utilizadas 
nos lançamentos questionados deve ser com cautela. 
 
* Alterações substrativas: 
 
a) Rasuras: 
 
Constitui a retirada de informações por meio de tintas ou grafite, através 
de um abrasivo (borrachas ou pontas metálicas). 
 
Os exames visam verificar a ateração na superfície do suporte quando se 
utiliza abrasivo para retirar total ou parcial a substância depositada no suporte. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
 
b) Amputação: 
 
Entende-se pela separação completa de parte do documento, seguida 
normalmente por adição de novas informações por meio de montagem. 
 
 
 
 
c) Lavagem: 
 
Representa alterção documental onde se utiliza uma substância quimica 
para retirar a substância que compõe a tinta ou grafite. 
 
 
 
 
Com a facilidade de abosorção da maioria dos solventes pelo papel, 
inviabiliza a aplicação somente em um pequeno pedação do papel, o que pode 
produzir manchas no mesmo. 
 
 
13 
 
d) Delaminação: 
 
Processo de alterção complexo e necessita de dois documentos para a 
realização. 
 
Primeiro é retirada parade do suporte do documento que será alterado, 
em seguida, por meio de outra fonte com características mais proximas daquela 
do documento alterado, cola-se ao documento que deseja alterar. 
 
 
 
 
À distância não seria possível identificar, porém com instrumentos de 
ampliação é possível identificar que houve amputação do X em destaque e 
inserção da peça de outro jogo. 
 
* Alterações aditivas: 
 
a) Retoque: 
 
Acrescimo de lançamento sem alterar o sentido, por exemplo quando 
ocorre falha de caneta por exemplo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
b) Emenda: 
 
Se presta para alterar o sentido do lançamento, como por exemplo passar 
o numeral “6” para “8”. 
 
 
 
c) Inserção: 
 
Acescenta-se um símbolo, ao contrário do anterior, não se transforma em 
outro, lança-se um por completo. 
 
Com a tinta preta, estava a numeração 42, em azul a inserção do número 
40. 
 
 
 
 
 
d) Sobrecarga por recobertura: 
 
Lançamento em cima do original. 
 
Por cima do carimbo original foi escrito com grafite a fim de tornar a 
impressão legível novamente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
e) Sobrecarga por cancelamento: 
 
Para ocultar lançamentos, por meio mais comum com, caneta 
esferográfica (cobertura total) , corretor ortográfico e colagem de pedaço de 
papel. 
 
 
 
 
 
 
 
f) Sobrecarga por obliteração: 
 
A grosso modo, seria “rabiscar” parcialemente o que se deseja cobrir. 
 
 
 
* Alterações por montagem: 
 
Consiste na utilização de um ou mais documentos para a produção de um 
novo. 
Nota-se que o ano de “2008” foi produto de uma alteração: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
 
A olho nú quase não se percebe que o laminado com os dizeres “Válida 
em todo o território nacional” está colado ao invés de impresso como deveria ser: 
 
 
 
 
7 – Composição química das tintas das canetas 
 
De maneira geral, as tintas de canetas são constituídas por: 
 
a) Colorantes: são os principais responsáveis pela coloração da tinta. 
Dividem-se em corantes e pigmentos. Os corantes são solúveis no veículo 
enquanto que os pigmentos não (são apenas finamente dispersos neste veículo). 
Uma mesma molécula pode ser classificada como corante ou pigmento do 
veículo em que se encontra. 
 
b) Veículos: são responsáveis por dissolver e/ou dispersar os 
componentes da tinta mantendo-a homogênea. Dividem-se comumente em 
solventes e resinas. Os solventes constituem-se de com postos orgânicos e/ou 
água, e são considerados a parte volátil do veículo. As resinas são responsáveis 
pelas características como viscosidade, aderência ao papel, propriedades 
lubrificantes, durabilidade, etc. 
 
c) Aditivos: são usados em menor quantidade nas tintas e variam de 
acordo com o tipo de caneta. Os aditivos passam à tinta características 
específicas para correção e melhoramento do desempenho da tinta. 
 
 
 
 
 
17 
 
8 – Análise químicas de documentos 
 
A análise de documentos em perícia criminal envolve uma extensa 
diversidade de métodos, variando de observações a olho desprotegido até 
equipamentos sofisticados. Todas as partes constituintes de um documento são 
objetos do exame pericial como, por exemplo, o suporte, os lançamentos 
manuscritos, as impressões, as imagens latentes, os conteúdos dos 
documentos, entre outros. 
 
Embora não haja na literatura uma definição oficial sobre o termo análise 
química de documentos (AQD), ele pode ser entendido, de maneira geral, como 
a aplicação, em documentos, das técnicas de análise fisico-químicas 
comumente encontradas nos laboratórios de química. A maioria dos artigos 
publicadosnessa área utiliza como técnicas principais a cromatografia, a 
espectrometria de massas, a espectroscopia na região do infravermelho e a 
espectroscopia Raman. 
 
a) Cromatografia: 
 
A cromatografia é um poderoso método de separação. Ela possibilita a 
separação de componentes diferentes (mesmo quando essa diferença é 
pequena) em uma mistura complexa. 
 
Devido à grande diversidade de técnicas cromatográficas torna-se dificil 
sua definição precisa. A União Internacional de Química Pura e Aplicada (em 
inglês International Union of Pure and Appleid Chemistry -IUPAC) define 
oficialmente cromatografia como "um método fisico de separação no qual os 
componentes a serem separados são distribuidos entre duas fases, uma 
permanece fixa (fase estacionária) enquanto a outra se move (fase móvel) em 
uma direção definida". Definições mais recentes podem ser encontradas na 
literatura, tal como: "A cromatogra fia é um método fisico-químico de separação. 
Ela está fundamentada na migração diferencial dos componentes de uma 
mistura, que ocorre devido a diferentes interações, entre duas fases imiscíveis, 
a fase móvel e a fase estacionária". O importante é saber que a amostra é 
transpor tada pela fase móvel através da fase estacionária (fixa) e o processo de 
separação ocorre devido à diferente interação dos seus componentes com estas 
fases. 
 
A cromatografia é considerada um método de separação não destrutivo. 
Ou seja, é possível recuperar as substâncias analisadas inalteradas ao final do 
processo. Entretanto, é necessário avaliar qual técnica melhor se aplica à 
amostra em exame. A cromatografia possibilita tanto análises qualitativas (saber 
quais componentes possui a mistura) quanto quantitativas (saber quanto dos 
componentes possui a mistura). 
 
 
18 
 
O processo de análise cromatográfica é frequentemente chamado de 
corrida cromatográfica, e os componentes alvos da amostra a ser examinada de 
analitos. O registro da separação dos componentes da mistura é denominado 
cromatograma. 
 
 
b) Espectometria de Massas: 
 
A espectrometria de massas (EM) é uma poderosa técnica de detecção e 
identificação tanto de moléculas como de elementos químicos. Quase todos os 
elementos químicos da tabela periódica podem ser determinados por esta 
técnica. Ela possui uma série de características que torna uma das principais 
técnicas analíticas utilizadas na química como excelente sensibilidade, baixos 
limites de detecção, rapidez nas análises e grande diversidade de aplicações. 
 
A IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada) define 
oficialmente espectrometria de massas como "o ramo da ciência que lida com 
todos os aspectos de espectroscópios de massas e os resultados obtidos com 
estes instrumentos". Em outras palavras, é a ciência da aplicação e uso de 
espectrômetros de massas. 
 
A EM é uma técnica estritamente instrumental sendo utilizada sozinha ou 
acoplada a outras técnicas analíticas como a cromatografia. 
 
Os espectrômetros de massas são compostos, em geral, por três partes 
principais: 
 
- fonte de ionização da amostra; 
- analisador de massas e; 
- detector. 
 
c) Espectoscopia na região do infravermelho: 
 
A espectroscopia utilizada na química como uma técnica de detecção e 
identificação de moléculas e elementos químicos. Ela pode ser entendida, de 
maneira geral, como interação da luz (radiação magnética) com matéria (tudo 
aquilo que possui massa ocupa espaço). A IUPAC oficialmente espectroscopia 
como sistemas físicos por meio da eletromagnética com interagem ou que deles 
produzidos. 
 
A espectroscopia é uma técnica essencialmente instrumental e se 
resume, basicamente, no estudo da absorção, emissão e espalhamento da 
radiação eletromagnética (luz) por átomos e moléculas. 
 
 
 
 
 
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d) Espectroscopia de Raman 
 
A espectroscopia de Raman estuda o espalhamento da luz ao ser incidida 
sobre uma amostra. É uma técnica considerada complementar à espertroscopia 
de infravermelho. Um exemplo de espalhamento é observado diariamente na cor 
azul do céu, onde as partículas e moléculas da atmosfera espalham mais 
eficientemente a radiação azul. 
 
O principal tipo de espalhamento ocorre sem mudança no comprimento 
de onda da luz incidente, chamado de espalhamento Rayleigh. Entretanto, a luz 
espalhada pode ter comprimento de onda menor (espa Ihamento Stokes - mais 
utilizado nas análises) ou maior (espalhamento anti-Stokes) quando comparado 
à fonte de radiação. 
 
 
 
 
 
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Referência Bibliográfica: 
FEUERHARMEL, Samuel; SIMÕES, Erick. Documentoscopia. São Paulo. 
Millennium Editora, 2014.

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