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RESUMO 
 
 
A Violência Obstétrica Frente Aos Direitos Sociais Da Mulher 
Autores 
Ana Cristina De Souza Serrano Mascarenhas 
Graciele De Rezende Alves Pereira 
 
 
Este trabalho é de revisão literária, desenvolvido através de pesquisas feitas a partir de 
material já publicado, cujos autores discutem o tema violência obstétrica, que se caracteriza 
por uma prática exercida por profissionais de saúde, no que diz respeito ao corpo e aos 
processos reprodutivos da mulher se manifestando por uma atenção desumanizada, abuso de 
ações intervencionais, medicalização e a transformação patológica dos processos de 
parturição fisiológicas, e assim comprovam as ideias expostas ao longo do mesmo, tem como 
objetivo demonstrar a vulnerabilidade da mulher e do nascituro no momento do nascimento e 
puerpério, ainda, demonstrar as formas mais comuns da violência obstétrica como episiotomia 
e a manobra de kristeller que são intervenções violentas que são aceitas e consideradas 
naturais. Sendo essa violência muito presente não identificada como violência contra a 
mulher. Tendo como justificativa a necessidade de se estudar, discutir e falar sobre o assunto 
tratado. No decorrer, abordar-se-á os mais importantes aspectos da responsabilidade civil dos 
profissionais de saúde na prática de erro médico, indicando as controvérsias trazidas pelos 
doutrinadores e apresentação de posicionamentos dos tribunais a cerca do assunto. Ainda, dar-
se-á breve análise da Lei do Parto Humanizado da Argentina. Pretende-se assim, com este 
trabalho, ressaltar o quão é importante o enfretamento dessas questões, e contribuir na 
conscientização humana para com a violência obstétrica, pois se trata de uma luta política 
para o reconhecimento desta violência no âmbito dos direitos sexuais. 
 
Palavras-chave: violência obstétrica, direito da mulher, parto, responsabilidade civil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
A violência obstétrica 1 é caracterizada pela imposição de intervenções danosas à 
integridade física e psicológica das parturientes, perpetrada pelos profissionais de saúde, bem 
como pelas instituições (públicas e privadas) nas quais tais mulheres são atendidas. 
O termo “Violência Obstétrica 2 ” foi criado pelo Dr. Rogelio Pérez D’ Gregorio 
presidente da Sociedade de Obstetrícia de Ginecologia da Venezuela, fato que contribuiu para 
que iniciassem as lutas pela eliminação e punição de todas as práticas reconhecidas como 
violentas durante o atendimento e assistência ao parto. 
A violência obstétrica aborda três eventos diferentes do atendimento no serviço de 
saúde são eles: o pré-parto; o parto e o pós parto. Nesse contexto é importante ressaltar a 
importância da participação da mulher no processo decisório durante esses três eventos. 
Conforme estudos, o sentimento de não ser informada e não ter participado nas decisões 
foram associados à insatisfação. 
Inegavelmente, o parto é um momento importante na vida de uma mulher, sendo 
assim, sugere-se que seja a protagonista, com o cuidado e apoio promovido pelos 
profissionais desta área, tornando o parto o mais natural e humano possível. O processo de 
parir é fisiológico e desta forma a mulher necessita apenas de acolhimento, apoio, atenção e o 
mais importante: humanização. 
No Brasil, a violência institucional das maternidades e hospitais, é pouco discutida ou 
debatida. Essa forma de agressão é comum e justificada pelas dificuldades estruturais, 
capacitação pessoal e profissional deficitária nesse aspecto, e como resultado também se 
justifica pela própria impunidade de tais práticas. 
A violência presente nos corpos das mulheres e gravadas em seus respectivos 
conscientes gera trauma e essa experiência vivida solitariamente nesse momento fere direitos 
humanos como: igualdade, dignidade, respeito, justiça e valor da pessoa humana. Faz-se 
importante destacar que a violência obstétrica se enquadra como crime. A episiotomia, sem 
autorização pode ser considerada crime de lesão corporal de acordo com o artigo 129, do 
Código Penal Brasileiro3. 
Neste trabalho iremos demonstrar a vulnerabilidade da mulher e do nascituro no 
momento do nascimento e puerpério, assim como, discorrer sobre a violência obstétrica que 
viola direitos da personalidade humana, fundamentais aos dois sujeitos de direito. Desta 
forma acredita-se que a mulher deve protagonizar, saber e decidir sobre o seu corpo e se vai 
consentir com os procedimentos realizados no mesmo. 
 
1 Cad. Esc. Dir. Rel. Int. (UNIBRASIL), vol. 2, nº 25, Jul/Dez. 2016, p. 48-60 
2 Id. 
3 BRASIL. Decreto Lei nº 2.848, de 07 de Dezembro de 1940. Lesão Corporal, Brasília, DF, dez 1940. 
 
 
3 
 
Diante de um cenário de dano à saúde física ou psicológica para mãe e filho surge a 
necessidade de responsabilização do profissional de saúde. Diante da ideia de que a 
responsabilidade pressupõe a violação de um dever jurídico. 
Ao decorrer desse trabalho, abordar-se-á os mais importantes aspectos da 
responsabilidade civil dos profissionais de saúde na prática de violência obstétrica, indicando 
as controvérsias trazidas pelos doutrinadores e apresentação de posicionamentos dos 
Tribunais a cerca do assunto. 
Na busca pela igualdade e dignidade humana, justifica-se o estudo, partindo da 
presunção da vulnerabilidade da mulher diante de sua assistência sexual e reprodutiva em 
especial no período puerperal, compreendendo que a violência obstétrica também é uma 
questão de gênero. Partindo da conclusão que a violência obstétrica é uma forma de violência 
contra a mulher se tornando uma forma especifica de violência de gênero, havendo utilização, 
de forma arbitrária, da formação técnica por parte dos profissionais de saúde no controle dos 
corpos e da sexualidade das parturientes. 
 Diante da magnitude social e jurídica do assunto deseja-se enfatizar com este trabalho 
conhecimentos já concisos e ainda, propor reflexões à sociedade em geral, aos profissionais 
da saúde, aos juristas, e às parturientes, trazendo visibilidade ao tema aqui tratado. 
 Partindo da conclusão que a violência obstétrica é uma forma de violência contra a 
mulher se tornando uma forma especifica de violência de gênero, havendo utilização, de 
forma arbitrária, da formação técnica por parte dos profissionais de saúde, no controle dos 
corpos e da sexualidade das parturientes esse trabalho contribuirá para que a nossa sociedade 
jurídica reconheça essa violência como uma das formas de violência de gênero, trazendo em 
seus julgados tal nomenclatura e não mais reconhecida como pura e simplesmente como “erro 
médico” pelo único motivo de que a violência obstétrica só pode ocorrer com a participação 
da mulher, como vítima, sendo ela mãe, parturiente, esposa ou companheira. 
 A metodologia utilizada neste trabalho partiu de uma investigação de caráter 
explicativo, alicerçado nas análises de casos julgados e contidos nos acórdãos dos respectivos 
tribunais, de forma que poderíamos diferenciar as condições das sanções sofridas pelos 
autores da violência obstétrica e também o que a caracterizou. 
 Foram realizadas buscas exploratórias para que pudéssemos nos aprofundar sobre o 
tema, não sendo encontrado, o tema em específico “violência obstétrica” em obras 
doutrinárias. O nosso referencial teórico se baseou no Dossiê “Parirás com dor” 4 onde 
podemos caracterizar a violência e sua modalidades. Os autores, Maria Helena Diniz, Sílvio 
Salvo Venosa e Pablo Stolze Gagliano, foram também aprofundados a respeito da 
responsabilidade civil e também foram utilizados a Constituição Federal brasileira e o Código 
Civil brasileiro. 
 Foram realizadas buscas exploratórias, onde foi identificado que as ementas dos 
julgados nos casos de violência obstétrica não trazem em seus julgados a nomenclatura 
“violência obstétrica” e sim “erromédico”. Quando digitamos “violência obstétrica” 
verificamos que as ações movidas trás essa denominação, porém nas decisões ela vem 
descrita como forma de “erro médico”. Desta mesma forma, quando digitamos “erro médico 
parto”, encontramos então as decisões proferidas nos casos de episotomia e manobra de 
kristller na sua maioria. 
 Foram selecionados os casos mais específicos sobre o tema proposto e também mais 
marcantes de forma que pudesse ser demonstrada verdadeiramente uma situação de violência 
 
4 PARTO DO PRINCIPIO. Dossiê da Violência Obstétrica “Parirás com Dor”. 2012. 
<http://www.senado.gov.br/comissoes/documentos/SSCEPI/DOC%20VCM%20367.pdf>. Acesso em 09 de 
Setembro de 2017. 
 
http://www.senado.gov.br/comissoes/documentos/SSCEPI/DOC%20VCM%20367.pdf
4 
 
obstétrica e não de erro médico, tendo em vista que deve haver uma relação com uma ou mais 
modalidades da violência obstétrica, pois se assim fosse estaríamos diante de um erro médico 
devido ao parto. 
 Esse trabalho, em seu primeiro capítulo nos traz o conceito, fundamentos e a 
caracterização do tema “violência obstétrica”, um breve comentário sobre a lei da Argentina, 
que trata sobre o tema. No segundo capítulo demonstramos os aspectos gerais da 
responsabilidade civil, seu conceito, elementos e modalidades. No terceiro capítulo traremos 
abordagens de legislações e jurisprudências pertinentes ao tema e a responsabilidade civil dos 
profissionais de saúde quanto “erro médico”. 
 
 
 
 
1. A Violência Obstétrica 
1.1- Conceito e fundamentos da violência obstétrica 
 
Através do movimento de humanização do parto, foi construído o conceito de 
violência obstétrica. Essa expressão foi criada pelo médico e presidente da Sociedade de 
Obstetrícia e Ginecologia da Venezuela, Dr. Rogelio Pérez D’ Gregorio5. Foi em 2010, no 
Jornal Internacional de Ginecologia de Obstetrícia onde a Violência Obstétrica foi 
caracterizada. 
A violência obstétrica abrange todos os atos praticados no corpo da mulher e do filho 
que vem a nascer, sem o consentimento da mulher-mãe, além das realizações de 
procedimentos já superados pela medicina, como: 
 Episiotomia (corte na região do períneo), é realizado com a justificativa de facilitar a 
passagem da cabeça do nascituro, período este, chamado de expulsivo. A epsiotomia é um 
corte cirúrgico feito no períneo e iniciou-se a prática dessa técnica em uma época em que o 
parto era visto e aceito como um momento de sofrimento para a mulher. Essa prática foi 
abolida pelos profissionais da medicina baseado em evidências; 
 
 Enema (lavagem intestinal), intervenção habitual e protocolar. Utilizada com o intuito de 
evitar a evacuação da mulher durante o trabalho de parto e parto. Justificava-se também 
que o esvaziamento do intestino por meio da lavagem intestinal daria mais espaço para a 
passagem do bebê, acelerando o trabalho de parto, o que não foi comprovado pelas 
evidências científicas. Outra afirmação era que reduziria as chances de contaminação e 
infecção, o que de acordo com as mesmas evidências, também não é verdadeiro e muito 
diferente dessa teoria, pois pode aumentar a percepção de dor durante o processo de 
nascimento, também os riscos de infecção, em função de favorecer a evacuação de fezes 
líquidas, que podem atingir mais locais do corpo. O que precisamos entender é que o fato 
de ocorrer evacuação materna durante o trabalho de parto e parto é normal e fisiológico. E 
isso ocorre com a compressão e massagem intestinal que ocorre com a passagem do bebê 
no canal vaginal. Não há o que se falar em contaminação, já que no momento que ocorre a 
evacuação, um pano estéril é colocado rapidamente sobre as fezes. Caso ocorra o contato 
 
5 Dr. Rogelio Pérez D’Gregorio , Presidente da Sociedade de Obstetrícia e 
Ginecologia da Venezuela. Disponível em: https://violenciaobstetricablog.wordpress.com/tag/dr-rogelio-peres-d-
gregorio/. Acesso em 10 out 2017 
 
5 
 
indireto das fezes com o bebê o risco é inexistente, pois ao nascer ele deve ser colonizado 
primeiro pelas bactérias da própria mãe, pois é da mãe que recebe seus primeiros 
anticorpos; 
 
 Ocitocina sintética, usado de forma indiscriminada, acarretando outras intervenções como: 
anestesia, sofrimento fetal, até desencadear em uma cesárea desnecessária. Chamada de 
“sorinho” é dado para acelerar o trabalho de parto. A ocitocina é um hormônio que o 
pórpio corpo humano produz, capaz de gerar as contrações uterinas. Todas as mulheres são 
capazes de produzir a ocitocina, pois é consequência do próprio parto que cria esse 
equilíbrio hormonal; 
 
 
 Fórceps (pinça ou tenaz de que os cirurgiões se servem nas operações, para extrair corpos 
estranhos), instrumento cirúrgico empregado em certos partos difíceis: a aplicação de 
fórceps permite apressar a extração da criança são procedimentos prejudiciais e ineficazes, 
os quais são frequentemente utilizados; 
 
 Jejum de comida e água, não há justificativa para a restrição de líquidos e alimentos para 
essas mulheres em trabalho de parto. Os autores destacam que não há estudos em mulheres 
de alto risco para complicações, não existindo evidências que comprovam essa prática. E 
em gestantes de baixo risco, onde o "risco" de se precisar de uma anestesia geral é quase 
nulo, principalmente e mesmo que eventualmente venha a necessidade de uma analgesia de 
parto pela técnica peridural ou combinada, a ingestão de líquidos claros é permitida e deve 
ser encorajada; 
 
 
 Exames de toque frequentes (usados para conferira dilatação e o encaixe do bebê). O toque 
só deve ser realizado quando o resultado da avaliação for necessário para conduzir o que 
vai acontecer a seguir. Muitas das razões pelas quais é realizado poderiam ser avaliadas de 
outras formas ou não necessariamente precisam ser avaliadas continuamente e a dilatação 
mesmo é uma delas. Os toques são justificáveis somente quando necessários e é desejável 
realizá-los com a menor frequência possível. Nada de toque de hora em hora ou a cada 
duas horas, de rotina. Quando falamos em procedimento de rotina isso significa fazê-lo em 
todas as mulheres, sem que haja uma indicação clara para utilizá-lo naquele momento 
específico, para aquela mulher em particular; 
 
 Rompimento artificial da bolsa, realizado com o objetivo de acelerar o parto; 
 
 
 Posição horizontal da mulher (litotomia), Para os médicos "tradicionais" a posição de parir 
é única: posição de Litotomia, ou seja, deitada com as pernas amarradas, posição 
ginecológica. Outra técnica sem nenhum fundamento ao não ser que é cômoda somente 
para o obstetra, assim como somente se explica a tricotomia (raspagem dos pelos), e que 
dificulta ainda mais o trabalho de parto já que o canal do parto se eleva e você tem que 
fazer força maior. E nesta posição as chances de laceração de alto grau são grandes; 
 
 A manobra de kristeller, também não recomendada, porém continua sendo realizada na 
cesárea e parto normal. Baseia-se em um profissional deitar em cima da parturiente, 
pressionando a parte superior do útero para acelerar a saída do bebê. Procedimento esse 
6 
 
que pode causar graves lesões, na mãe, fratura de costelas e deslocamento da placenta, já 
os bebês correm o risco de traumas encefálicos; 
 
 
A partir desse conceito outros foram criados, porém para melhor entendimento, faz-se 
necessário relacionar este conteúdo com os direitos reprodutivos já que é dever do Estado 
assegurar os direitos sociais e individuais, quando a questão da sexualidade e da reprodução 
não se limita ao indivíduo. 
Os direitos sexuais e reprodutivos são reconhecidos em documentos internacionais e 
nacionais, são, acima de tudo, direitos humanos. Desta forma as pessoas têm o direito de 
forma livre e responsável, decidirem sobre ter filhose quantos deseja ter. E no tocante a 
violência obstétrica, o direito a ter informações, meios e métodos direcionados a esse fim. 
Resumidamente podemos dizer que é o direito de exercer a sexualidade e reprodução sem 
imposição ou violência e descriminação6. 
A autora Marlene Tamanini,7 discorre sobre a saúde reprodutiva, os direitos sexuais e 
reprodutivos, analisando assim, a reprodução, a sexualidade e as políticas, indica os tipos de 
conteúdo de direitos sexuais e reprodutivos conforme reproduzidos na tabela adaptada abaixo, 
que também vai se referir aos direitos sexuais que são compreendidos pelos instrumentos 
internacionais. 
 Tabela I- Direito sexuais e Reprodutivos 
 
Tipos de Direitos Sexuais e Reprodutivos Direitos Sexuais( Instrumentos Internacionais) 
 
Os direitos de adotar decisões relativas à 
reprodução sem sofrer descriminação, coerção ou 
violência. 
 
 
O direito de decidir livremente e responsavelmente 
sobre sua sexualidade 
 
O direito de decidir livre e responsavelmente o 
número de filhos e o intervalo entre seus 
nascimentos 
 
O direito de ter controle sobre o seu próprio corpo 
 
O direito de ter acesso a informação de métodos 
anticoncepcionais, meios seguros (serviços) 
disponíveis, acessível à toda a tecnologia 
disponível para ter ou não filhos. 
 
O direito de viver livremente sua orientação sexual, 
sem sofrer discriminação, coação ou violência. 
O direito de acesso ao mais elevado padrão de 
saúde reprodutiva. 
 
O direito a receber educação sexual 
 
O direito a privacidade 
 
 
O direito a fruir progresso científico e a consentir 
livremente com a experimentação, com os devidos 
cuidados éticos recomendados pelos instrumentos 
internacionais 
 
 
O direito de ter a prática sexual desvinculada da 
gerência do Estado e da reprodução 
 
6 Cad. Esc. Dir. Rel. Int. (UNIBRASIL), vol. 2, nº 25, Jul/Dez. 2016, p. 48-60 
7 TAMANINI, M. Novas tecnologias reprodutivas conceptivas: bioética e controvérsias. 2004. Disponível 
em: < http://www.scielo.br/pdf/ref/v12n1/21693.pdf> Acesso em 07 set 2017. 
7 
 
 
A sexualidade como direito da personalidade 
 Fonte: Tabela adaptada autora TAMINI 20048 
 
 Além disso, no princípio 4 da Conferência Internacional sobre População e 
Desenvolvimento do Cairo9, ficou consolidado que os direitos sexuais e reprodutivos são 
parte inalienável, integral e indivisível dos direitos humanos universais. Desta forma fica 
claro e objetivo que é imprescindível que a comunidade internacional tenha por objetivos a 
participação integral da mulher com condições isonômicas na vida civil, cultural, econômica e 
social, bem como a erradicação de todas as formas de descriminação. 
 Constata-se que se as prerrogativas acima referidas lhe são negadas, quando se retira 
da mulher a autoridade sobre seu próprio corpo, a possibilidade da mulher que dará a luz de 
ter autonomia e empoderamento para a escolha do parto, assim como dos procedimentos 
médicos que estará sujeita sem o seu consentimento. 
Podemos nos referir como lesões a esses direitos, a excessiva medicalização do corpo 
da mulher, as esterilizações sem consentimento, cesáreas indesejadas ou desnecessárias, 
tratamento dado às mulheres na sala de parto e os procedimentos médicos invasivos10. 
Entendemos que o direito à dignidade da pessoa humana é o principio que confere 
unidade de sentido e toda ordem constitucional, significando assim, proteção máxima da 
pessoa que é detentora de direitos e deveres em todas as relações em que se apresenta neste 
caso na relação médico-paciente. 
A reprodução é consequência da autonomia da mulher e do direito da personalidade e 
qualquer ação que tenha resultados estranhos ao interesse da mulher considera-se lesão. Desta 
forma o direito da mulher de decidir ter filhos é um direito da personalidade física e também 
de liberdade corporal. A autora Ana Paula Pellegrinello, em sua obra Reprodução Humana 
Assistida: a tutela dos direitos fundamentais das mulheres, faz a seguinte citação: 
 
(...) a decisão da mulher de engravidar e de parir (visando ampliar ou, até mesmo, a 
assim constituir família) deve refletir sua autonomia existencial, de modo que 
ninguém pode preventiva, genérica e injustificadamente interferir nesse projeto, 
inibindo-o. Ninguém mesmo, nem o Estado, sob pena de mal ferimento do princípio 
da dignidade da pessoa humana, com reflexos insuportáveis no livre 
desenvolvimento da personalidade11 
 
 
 Sendo assim, a mulher é protagonista de suas ações, tendo direito, portanto, de decidir 
sobre sua própria vida. Portanto sobre o estudo dos direitos sexuais reprodutivos é importante 
ressaltar que o feminismo tem papel importante quando o assunto é mudança de assistência ao 
parto. Não podemos deixar de refletir aqui que os direitos sexuais e reprodutivos são frutos 
desses movimentos que reivindicam e reescrevem a mudança do parto partindo da concepção 
de direitos sexuais e reprodutivos como direitos humanos. Desta forma, a violência obstétrica 
é qualquer ato praticado pelo profissional de saúde, ao que se refere ao corpo e aos processos 
 
8 idi ibid 
9 Relatório Da Conferência Internacional Sobre População E Desenvolvimento. Plataforma de Cairo, 1994. 
Disponível em: <http://www.unfpa.org.br/Arquivos/relatorio-cairo.pdf> Acesso em: 30 ago 2017. 
10 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos 
casos de Violência Obstétrica. vol. 2. N° 1. p. 257- 277 
11 PELEGRINELLO, Ana Paula. Reprodução Humana assistida: a tutela dos direitos fundamentais das 
mulheres. Curitiba: Juruá, 2014. P. 97 – 114. 
8 
 
reprodutivos da mulher, praticando atenção desumanizada, abuso de intervenções, 
medicalização e a transformação patológica dos processos de parto12. 
A violência obstétrica está diretamente ligada à história do parto, pois dá-se quando o 
parto deixa de ser um episódio natural, vivido apenas no seio familiar e passa a se tornar um 
evento médico em um a ambiente hospitalar, sendo dominado pela medicina e 
institucionalizado nos hospitais. 
O dossiê elaborado pela Rede Parto do Princípio 13 para a CPMI (Comissão 
Parlamentar Mista de Inquérito) da Violência Contra as Mulheres Violência cometida contra a 
mulher grávida, e sua família em serviços de saúde durante a assistência ao pré-natal, parto, 
pós parto, cesárea e abortamento pode ser verbal, física, psicológica ou mesmo sexual e se 
expressa de diversas maneiras explícitas ou veladas. Como outras formas de violências contra 
a mulher, a violência obstétrica é fortemente condicionada por preceitos de gênero. 
A construção do conceito compreende a evolução histórica do parto, para que se possa 
entender a mudança paradigmática de um procedimento ritualístico para uma obstetrícia 
baseada em evidências científicas e demonstrar o que é violência dentro da própria concepção 
médica. Nesta perspectiva, Júlio Camargo de Azevedo indica o conceito de violência 
obstétrica da seguinte forma: 
 
É possível afirmar que a violência na atenção obstétrica corresponde a qualquer ação 
ou omissão, culposa ou dolosa, praticada por profissionais da saúde, durante as fases 
pré- natal, parto, puerpério e pós-natal, ou, ainda, em casos de procedimentos 
abortivos autorizados, que, violando o direito à assistência médica da mulher, 
implique em abuso, maus tratos ou desrespeito a autonomia feminina sobre o 
próprio corpo ou a liberdade de escolha acerca do processo reprodutivo que entender 
adequado14. 
 
Assim, constata-se que tudo aquilo que não foi escolhido pela mulher dentro de seus 
direitos, é considerado violência obstétrica. 
A violência obstétrica tem se manifestado ao longo da história, ganhando atualmente 
caráter endêmico, estando presente nas comunidadesde países de todo o mundo, em qualquer 
classe social, raça, idade, sexo ou religião. A violência obstétrica tem se alastrado de maneira 
assustadora e silenciosa. Tendo em vista questões culturais, o parto é visto como momento de 
dor necessária15. 
A legislação da Argentin16 e da Venezuela17 já tipificam a prática. A lei venezuelana n 
° 26.485 e seu artigo 6, alínea e ,conceitua a violência obstétrica da seguinte forma: 
 
[...] qualquer comportamento, açâo ou omissão, realizada por profissional de saúde, 
direta ou indiretamente, seja na esfera pública ou privada, que afeta os processos do 
corpo e reprodutivos das mulheres, e se expressa em um tratamento desumanizado, 
 
12 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos 
casos de Violência Obstétrica. vol. 2. N° 1. p. 257- 277. 
13 VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA. “Parirás com dor”. Dossiê elaborado pela Rede Parto do Princípio para a CPMI 
da Violência Contra as Mulheres. 2012. Disponível em: 
<https://www.senado.gov.br/comissoes/documentos/SSCEPI/DOC%20VCM%20367.pdf>. Acesso em 30 ago 
2017. 
14 AZEVEDO, Júlio Camargo de. Precisamos falar sobre a violência obstétrica. Disponível em: 
<https://www.conjur.com.br/2015-mai-16/julio-azevedo-precisamos-falar-violencia-obstetrica>. Acesso em: 07 
set. 2017. 
15 Cad. Esc. Dir. Rel. Int. (UNIBRASIL), vol. 2, nº 25, Jul/Dez. 2016, p. 48-60 
16 Lei Nacional n° 26.485, de Proteção Integral para prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra as Mulheres 
nos Âmbitos em que se Desenvolvem suas Relações Interpessoais, vigentes na Argentina desde 2009. 
17 VENEZUELA, Ley Orgánica sobre el Derecho de las Mujeres a una Vida Libre de Violencia. Gaceta Oficial 
38.647. Disponível em: <http://venezuela.unfpa.org/doumentos/Ley_mujer.pdf>. Acesso em: 11 set. 2017 
9 
 
com abuso de medicalização e patologização de processos naturais (...) trazendo 
perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seu corpo e 
sexualidade, influenciando negativamente a qualidade de vida das mulheres18. 
 
 
A lei da Venezuela que já tipifica a violência obstétrica é a lei que garante as mulheres 
uma vida livre de violências. 
1.2 Caracterização da Violência Obstétrica 
 
O Brasil não possui legislação específica sobre o tema, apenas discussões genéricas, 
porém está em tramitação no Congresso Nacional, o projeto de Lei 7.633/201419 do deputado 
Jean Wyllys, que trata sobre a humanização da assistência à mulher e ao neonato durante o 
ciclo gravídico-puerperal e dá outras providências, como a erradicação da violência 
obstétrica20. 
A violência obstétrica se caracteriza pelas intervenções prejudiciais à integridade física 
e psicológica das mulheres parturientes, impostas pelas instituições de saúdes, bem como 
pelas instituições (públicas ou privadas) e pelos profissionais de saúde. 
Tal violência também pode se caracterizar das seguintes formas: a recusa de admissão 
em hospital ou maternidade gerando a peregrinação por leito; impedimento da entrada do 
acompanhante escolhido pela mulher (desrespeitando a lei 11.108/2005- Lei do 
acompanhante); aplicação da ocitocina (sintética) para acelerar o parto; episiotomia de rotina; 
manobra de Krirteller; cesárias eletivas; restrição da posição do parto; violência psicológica 
por meio de humilhações, situações vexatórias, grosserias e comentários ofensivos; além de 
procedimentos dolorosos, desnecessários e humilhantes, tais como: uso rotineiro de lavagem 
intestinal, retirada de pelos pubianos, posição ginecológica com portas abertas, excessivos 
exames de toques e por pessoas diferentes para verificação de dilatação e posição do bebê, 
não permitir a ingestão de água e alimentos, amarrar braços e pernas.21 
Em razão da ausência de legislação no Brasil, o dossiê criado pela Rede Parto do 
Princípio22 para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da violência Contra as 
Mulheres traçou uma tipificação própria acerca do tema tratado e foram definidos a partir do 
conceito físico, psicológico,sexual, institucional, material e mediático, a qual será explanada 
no presente capítulo. 
Partindo do conceito físico, são os atos praticados em poder do corpo da mulher que 
causam dor ou dano físico, sem bases em evidências científicas. Exemplos: privação de 
alimentos, interdição à movimentação da mulher, tricotomia (raspagem de pelos), manobra de 
Kristeller, uso rotineiro da ocitocina, cesariana eletiva sem indicação e não utilização de 
analgesia quando tecnicamente indicada. 
 
18 Id. 
19 Brasil. Congresso Nacional. Projeto de Lei Complementar PLC n° 7.633/2014. Dispõe sobre a humanização 
da assistência à mulher e ao neonato durante o ciclo gravídico-puerperal e dá outras providências. Disponível 
em: <http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1257785>. Acesso em: 10 out 
2017. 
20 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos 
casos de Violência Obstétrica. vol. 2. N° 1. p. 257- 277 
21 VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA. “Parirás com dor”. Dossiê elaborado pela Rede Parto do Princípio para a CPMI 
da Violência Contra as Mulheres. 2012. Disponível em: 
<https://www.senado.gov.br/comissoes/documentos/SSCEPI/DOC%20VCM%20367.pdf>. Acesso em 30 ago 
2017. 
22 Id. 
 
10 
 
O caráter psicológico refere-se às atitudes verbais ou comportamentais que traz à 
mulher sentimento de inferioridade, vulnerabilidade, abandono, instabilidade emocional, 
medo insegurança e acuação. Podendo ser observados nas conversas com ameaças, chacotas, 
piadas grosseiras, chantagem e ofensas. 
Quando se refere a caráter sexual, são as ações que interferem na intimidade e pudor 
da mulher. Exemplos: episiotomia, exame de toques invasivos e excessivos ou agressivos, 
lavagem intestinal, a ruptura ou deslocamento de membranas, sem consentimento prévio e 
imposição de posição supina para o parto. 
Quanto ao que diz respeito à questão institucional, trata-se de impedimentos do acesso 
aos serviços de atendimentos à saúde, à amamentação, a omissão ou violação dos direitos das 
mulheres; em protocolos institucionais que dificultam, proíbem ou contrariam as normas, e a 
falta de fiscalização. 
Por fim, o caráter midiático, que engloba as ações que são dirigidas às mulheres em 
processos reprodutivos, através de meios de comunicação, que lhes atingem de forma 
negativa, denegrindo seus direitos, defendendo práticas científicas contra indicadas, com fins 
sociais, econômicos ou de dominação. Toma-se com exemplos: caso de incentivo 
desmotivado à cirurgia cesariana sem indicação científica, a demonização do parto normal e 
incentivo ao desmame precoce. Neste sentido Ana Cristina Duarte cita como sendo crime: 
 
(...) Fazer uma mulher acreditar que ela precisa de uma cesariana quando ela não 
precisa, utilizando de riscos imaginários ou hipotéticos não comprovados (o bebê é 
grande, a bacia é pequena, o cordão está enrolado); submeter a mulher a uma 
cesariana desnecessária, sem a devida explicação sobre os riscos que ela e o bebê 
estão correndo (complicações das cesárea, da gravidez subsequente, risco de 
prematuridade, complicação para médio e longo prazo para mãe e bebê)23. 
 
 
 Assim constata-se, mais uma vez, que tudo aquilo que não for de escolha da mulher 
quanto aos procedimentos a serem realizados antes, durante e depois do parto, trata-se de 
violência obstétrica e violação de seus direitos. 
 Pode-se observar que a forma de violência mais criticada é o procedimento de 
episiotomia,quando realizada irresponsavelmente, ou seja, sem necessidade, fazê-la de rotina, 
sendo desta forma prejudicial, por ser um procedimento danoso e pode representar mais um 
ato de dominação patriarcal, conforme explana Diniz: 
 
Dada a sua permanência de rotina mesmo diante da evidência bemdocumentada de 
sua limitada indicação, a episiotomia tem sido motivo de acalorado debate. Segundo 
Kitzinger, esse procedimento se mantém porque “representa o poder da obstetrícia” 
e deveria ser considerada “uma forma de mutilação genital” (BWHBC,1993:458). 
Para Davis-Floyd (1992:129), por meio da episiotomia, “os médicos, como 
representantes da sociedade, podem desconstruir a vagina (e por extensão, suas 
representações), e então reconstruí-las de acordo com nossas crenças e valores” (...) 
(DINIZ, 2003)24. 
 
Há que se atentar, portanto, à utilização ainda comum da episiotomia e de seus danos 
para a saúde da mulher, seja ela física, psicológica ou moral. 
 
23 DUARTE, Ana Cristina. Violência obstétrica. Disponível em: 
<http://estudamelania.blogspot.com.br/2013/02/guest-post-violencia-obstetrica-by-ana.html>. Acesso em: 07 set 
2017. 
24 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 17 ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo 
Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2003, 7 v. p. 24. 
11 
 
Não podemos deixar de abordar aqui que a violência obstétrica também ocorre em 
casos de abortamento. A Defensoria Pública do Estado de São Paulo define que se caracteriza 
violência obstétrica em caso de abortamento, quando ha a negativa ou demora no atendimento 
à mulher, indagações quanto o fato e motivo que se deu o aborto (se intencional ou não); 
realizações de procedimentos invasivos, quando realizados sem explicação, consentimento ou 
anestesia; práticas discriminatórias, ameaças, acusação ou culpabilização da mulher; e coação 
com a finalidade de confissão e denúncia à Polícia em caso de abortamento provocado25. 
 A violência obstétrica não pode ser tipificada apenas como erro médico ou conduta 
médica, pois ela se caracteriza ação de atos traumatizantes na assistência ao parto, pré- parto e 
puerpério desta forma deve-se ser considerado que é no procedimento, no tratar a paciente que 
estão contidas as formas de desrespeito contra a dignidade da pessoa humana26. 
 A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu que a violência obstétrica se 
caracterizasse na imposição de um grau significativo de dor e sofrimento que poderia ser 
evitado e que as intervenções desnecessárias, realizadas de rotinas se resultam em fatores de 
risco para a mulher e o bebê. Nesta perspectiva, a OMS afirma que: 
 
Todas as mulheres têm direito ao mais alto padrão de saúde atingível, incluindo o 
direito a uma assistência digna e respeitosa durante toda a gravidez e o parto, assim 
como o direito de estar livre da violência e descriminação. Os abusos, os maus 
tratos, a negligência e o desrespeito durante o parto equivalem a uma violação dos 
direitos humanos fundamentais das mulheres, como descrevem as normas e 
princípios de direitos humanos adotados internacionalmente. Em especial, as 
mulheres grávidas têm direito de serem iguais em dignidade, de serem livres para 
procurar, receber e dar informações, de não sofrerem discriminações e de usufruírem 
do mais alto padrão de saúde física e mental, incluindo a saúde sexual e 
reprodutiva27. 
 
 Assim sendo, faz-se necessário proporcionar à mulher tudo aquilo que lhe é de direito 
enquanto pessoa de direitos, para que usufrua os mesmos sem que sofra qualquer tipo de 
violência e que assim se faça valer todo aparato legal para tal finalidade. 
 As leis da Venezuela28 e da Argentina29, onde a prática já é tipificada como: 
 
Violência exercida pela equipe de saúde sobre o corpo e processos de saúde 
reprodutiva, expressa em um tratamento desumanizado e deficiente, um abuso de 
medicalização e patologização de processos naturais. 30 
 
 Dessa forma deixa claro que a violência obstétrica caracteriza-se pela apropriação 
do corpo e dos processos reprodutivos da mulher pelos profissionais de saúde, mediante um 
 
25 LIMA, Ivana Alcântra. Violência Obstétrica e a Responsabilidade dos profissionais de saúde.2015. 30 f. 
Trabalho de conclusão de curso (Gradação em Direito). Curso de Direito, Universidade Estadual da 
Paraíba.2015. 
26 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos 
casos de Violência Obstétrica. vol. 2. n° 1. p. 257- 277 
27 Organização Mundial De Saúde (Oms), Prevenção e eliminação de abusos, desrespeito e maus-
tratos durante o parto em instituições de saúde. 2014. Disponível em: < 
http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/134588/3/WHO_RHR_14.23_por.pdf> Acesso em 10 out 
2017. 
28 Lei Orgânica sobre o Direito Das Mulheres a uma Vida Livre de Violência, de novembro e 2007. 
29 Lei Nacional n° 26.485 de 01/04/2009 de Proteção Integral para prevenir, Punir e Erradicar a 
Violência contra as Mulheres nos Âmbitos em que se Desenvolvem suas Relações Interpessoais. 
30 Lei Nacional n° 26.485 de 01/04/2009 de Proteção Integral para prevenir, Punir e Erradicar a 
Violência contra as Mulheres nos Âmbitos em que se Desenvolvem suas Relações Interpessoais, 
Artigo 6 alínea e. 
http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/134588/3/WHO_RHR_14.23_por.pdf%3e%20Acesso
12 
 
tratamento desumanizado, abuso de medicalização e patologização dos processos naturais, 
causando a perda de autonomia da mulher e a da capacidade de decidir livremente sobre seu 
corpo e sexualidade, o que traz consequências danosas na qualidade de vida das mulheres. 
 A parturiente é sujeito de direitos, e possui o direito da dignidade da pessoa humana, 
conforme o Artigo 1º inciso III da Constituição Federal, como o fundamento do Estado 
Democrático de Direito. 
 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos 
Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de 
Direito e tem como fundamentos: 
III - a dignidade da pessoa humana31. 
 
 O principio da igualdade que a proteja de todas as formas de descriminação que se faz 
presente no Artigo 5° inciso I da Constituição Federal: 
 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade 
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos 
seguintes: 
 I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta 
Constituição32. 
 
 O principio da legalidade que assegura autonomia da mulher, estando ele consagrado 
no Artigo 5°, inciso II da Constituição Federal: 
 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade 
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos 
seguintes: 
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude 
de lei33 
 
 A Constituição Federal ainda garante a proteção à vida a saúde, acesso à segurança, à 
maternidade e à infância. Neste sentido, não há impedimento que os aplicadores do Direito 
possam punir esta prática, mesmo que no Brasil não possua lei específica sobre o tema, uma 
vez que tal prática se caracteriza a violação de princípios e direitos basilares do Estado 
Democrático de Direito. 
 A respeito do protagonismo da mulher no parto, a revista online Catraquinha publicou 
uma matéria recentemente onde a obstetriz, Ana Cristina Duarte faz a seguinte afirmação: 
“estamos sujeitos a procedimentos e protocolo simplesmente porque o parto natural é uma 
ameaça ao lucro”. De acordo com a matéria: 
 
 O modelo de parto que predomina no Brasil ainda é de práticas invasivas e de que 
não são recomendadas pelo ministério as saúde: uma em cada quatro mulheres sofre 
algum tipo de violência durante o parto no Brasil segundo a pesquisa “ mulheres 
 
31 BRASIL. Constituição(1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 1988. Disponível em: < 
http://www2.planalto.gov.br/acervo/constituicao-federal>. Acesso em: 10 out 2017. 
32 Id. 
33 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 1988. Disponível em: < 
http://www2.planalto.gov.br/acervo/constituicao-federal>. Acesso em: 10 out 2017. 
http://www2.planalto.gov.br/acervo/constituicao-federal
http://www2.planalto.gov.br/acervo/constituicao-federal
13 
 
brasileiras e gênero nos espaços público e privado divulgado em 2010 pela fundação 
Perseu Abramo 34 
 
 O artigo propõe discorrer sobre o protagonismo da mulher no parto e discutir os rumos 
da assistência ao parto e discutir os rumos da assistência ao parto e falar sobre o fundamental 
retorno desse protagonismo. Em parceria com a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a 
Infância) o “Catraquinha” está produzindo conteúdos para promover a orientação da 
campanha “QUEM ESPERA, ESPERA”. Para realização dessa matéria a revista 
Catraquinha dialogou com a obstretriz Ana Cristina Duarte, coordenadora do Grupo de Apoio 
à Maternidade Ativa (GAMA) e tal matéria, que será reproduzida e anexada ao fim deste 
trabalho, é iniciada com a seguinte fala da obstetriz: 
 
É fundamental que as mulheres entendam que o obstetra, a enfermeira, a parteira, a 
doula e toda a equipe médica são antes de tudo prestadores de serviço. A mulher é 
uma cliente, e como tal tem direito a informações e escolhas. Não deixamos nosso 
carro para consertar em qualquer lugar, e frequentemente questionamos a visão 
daquele profissional. Mas quando se trata da gestação, temos uma facilidade muito 
grande de deixar de lado esses questionamentos, tendendo a ver o médico como o 
portador da verdade absoluta. Ele sabe tudo e a mãe não sabe nada. Essa relação 
precisa mudar. Não pode ser uma relação de poder onde um sabe mais do que o 
outro, e sim de parceria e troca de informações. As mulheres devem poder fazer as 
suas escolhas junto a equipes que as respeitem35. 
 
 
 Não adianta, portanto, querer impor à mulher o que ela deve fazer. É ela quem precisa 
conhecer as estatísticas, os riscos, as probabilidades, fazer sua escolha e depois conviver com 
as consequências boas e ruins dessas escolhas. 
 
1.3 Lei Argentina nº 25.929- Lei do Parto Humanizado – Direito Comparado 
 
 A legislação argentina é uma das pioneiras na América Latina no que diz respeito ao 
parto humanizado. Mesmo recente, datando sua aprovação de 2004 e regulada em 2015, tem 
sido base de incentivo para outros países próximos, como o Brasil. Tal lei surgiu de 
movimentos feministas naquele país, os quais lutavam por melhorias dignas no que diz 
respeito à saúde da mulher antes, durante e depois do parto. 
 Na perspectiva legal argentina, a mulher deve ser a protagonista ativa, tratada com 
respeito que lhe é de direito humano, além também de ter como direito um acompanhante de 
sua preferência durante todo o processo parturiente. Quando se diz que a mulher deve ser 
respeitada quanto ao parto, refere-se desde seu direito a receber todas as informações sobre os 
possíveis procedimentos a serem tomados antes, durante e depois do parto e desta forma, 
poder escolher quais procedimentos deseja seguir, desde que bem amparada em suas decisões. 
Ainda, ter respeitados seus tempos biológicos e psicológicos, evitando assim práticas 
invasivas e desnecessárias. A partir de então práticas que desrespeitam a mulher são 
consideradas criminosas, cabendo penas aos envolvidos. 
 
34 PENZANI, Renata. É preciso retomar o protagonismo da mulher no parto. Catraquinha. Disponível em: 
<https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/unicef/indicacao/e-preciso-retomar-o-protagonismo-da-mulher-no-
parto/> Acesso em: 07 set 2017 
35 PENZANI, Renata. É preciso retomar o protagonismo da mulher no parto. Catraquinha. Disponível em: 
<https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/unicef/indicacao/e-preciso-retomar-o-protagonismo-da-mulher-no-
parto/> Acesso em: 07 set 2017 
14 
 
A partir da regulamentação desta lei, profissionais de saúde, hospitais, clínicas 
médicas e demais instituições e pessoas envolvidas tiveram que se informar para tomar as 
providências necessárias para que as mulheres fossem bem atendidas, dentro de seus direitos 
humanos, indo de encontro então com o que a Organização Mundial da Saúde recomenda. 
Caso a mulher tenha seus direitos violados, poderá denunciar ao órgão governamental 
Ombudsman's Office, pessoalmente, via internet ou telefone, a qualquer hora do dia. 
 É possível, a partir desta legislação, afirmar que a Argentina preocupa-se com a 
mulher e seu respectivo parto. 
 Conforme explana o dossiê “Parirás com dor” 36 , no Brasil há a necessidade de 
políticas públicas que reconheçam os atos violentos na hora do parto, e que deve existir ainda, 
a assistência no pré-natal e orientação à gestante até o momento do puerpério, de modo a 
garantir o direito de denunciar e se proteger. Ao analisar a lei argentina fica evidente a 
morosidade e atraso das autoridades do Brasil e seus códigos, vista a atual situação da 
assistência ao parto e ao nascimento. 
 Vale a pena ressaltar que outro fator relevante é a taxa de cesarianas realizadas em 
1995, na Argentina esse número não passava de 23% enquanto no Brasil girava em torno de 
36%37. 
 Em março de 2009, a República Argentina sancionou a Lei 26.485 de “Proteção 
Integral para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra as Mulheres nos Âmbitos em que 
se Desenvolvem suas Relações Interpessoais”, onde foram tipificados seis tipos violência no 
Artigo 6° alíneas a, b, c, d, e, f. Segue tabela adaptada: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tabela 2- Violência Contra a Mulher 
 Modalidades de Violência contra a 
mulher 
Como se caracterizam 
 
36 VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA. “Parirás com dor”. Dossiê elaborado pela Rede Parto do Princípio para 
a CPMI da Violência Contra as Mulheres. 2012. P. 28. 
37 Id. 
 
15 
 
 
 
 
 
 
 Violência doméstica contra a mulher 
Exercida contra a mulher por um membro do grupo 
familiar, independentemente do espaço físico onde 
ocorre, o que prejudica a dignidade, bem-estar, 
integridade física, psicológica, sexual, econômica ou 
patrimonial, a liberdade, compreendendo a liberdade 
reprodutiva e o direito ao pleno desenvolvimento das 
mulheres. O grupo familiar é entendido como 
originário do parentesco, seja por consanguinidade ou 
por afinidade, casamento, uniões de fato e casais ou 
namoro. Inclui relações atuais ou completas, não 
sendo uma exigência de convivência. 
 
 
 
 Violência institucional contra a mulher 
Realizada por funcionários, profissionais, pessoal e 
agentes pertencentes a qualquer órgão, entidade ou 
instituição pública, cujo objetivo é atrasar, dificultar 
ou impedir que as mulheres tenham acesso a políticas 
público e exercer os direitos previstos nesta lei. 
Também estão incluídos os que se exercem em 
partidos políticos, sindicatos, empresas, esportes e 
organizações da sociedade civil; 
 
 
 
 
 
 Violência no local de trabalho contra as mulheres 
Discrimina as mulheres em ambientes de trabalho 
públicos ou privados e dificulta seu acesso ao 
emprego, contratação, promoção, estabilidade ou 
permanência, requerendo requisitos sobre o estado 
civil, a maternidade, a idade, aparência física ou a 
realização de testes de gravidez. Também constitui 
violência contra as mulheres no local de trabalho para 
violar o direito à igual remuneração pela mesma 
tarefa ou função. Da mesma forma, inclui o assédio 
psicológico de forma sistemática sobre um 
determinado trabalhador para conseguir sua exclusão 
trabalhista. 
 
 
 Violência contra a liberdade reprodutiva 
Viola o direito das mulheres dedecidir de forma livre 
e responsável o número de gravidezes ou o intervalo 
entre os partos, de acordo com a Lei 25.673 de 
Criação do Programa Nacional de Saúde Sexual e 
Procriação Responsável. 
 
 
 Violência obstétrica 
 
Exercida pelo pessoal de saúde no corpo e nos 
processos reprodutivos das mulheres, expressada em 
tratamento desumanizado, abuso de medicalização e 
patologização de processos naturais, de acordo com a 
Lei 25.929. 
 
 
A publicação ou divulgação de mensagens e imagens 
estereotipadas através de meios de comunicação de 
16 
 
 
 
 
 Violência na mídia contra as mulheres 
 
 
 
massa que promovam, direta ou indiretamente, a 
exploração das mulheres ou suas imagens, prejudicar, 
difamar, discriminar, desonrar, humilhar ou prejudica 
a dignidade das mulheres, bem como o uso de 
mulheres, adolescentes e meninas em mensagens e 
imagens pornográficas, legitimando a desigualdade 
de tratamento ou construindo padrões socioculturais 
que reproduzem a desigualdade ou geram violência 
contra as mulheres. 
Fonte: Adaptada Lei 26.485 da Argentina 
 
 Analisando a estrutura legal da Argentina podemos observar que ela nos indica uma 
caminho seguro na construção de uma práxis médica e social que não só atendam à garantia 
dos direitos da mulher contra a violência, mas também a sociedade quando se discute os 
processos de continuidade e estruturação biológica, cultural e política. Não só é importante a 
conceituação da violência obstétrica, mas também os seus correlativos, o reconhecimento e 
igual tratamento a violência institucional, sabendo que a maioria dos partos são realizados em 
hospitais, onde a mulher pode sofrer violações de seus direitos por um servidor técnico 
administrativo. A lei Argentina também figura as violências físicas e psicológicas 
desdobradas na forma de ameaça e assédio o que também é relevante para ter mais exatidão 
quanto ao grau e intensidade da violência sofrida pelas mulheres durante a gestação e parto. 
 No cenário brasileiro a violência obstétrica não é crime, como no caso é na Argentina. 
O direito brasileiro, entretanto, pode amparar a parturiente quanto a responsabilidade civil. 
Quando observado qualquer ato de violência obstétrica a mulher pode ingressar com ações 
indenizatórias. O poder judiciário, ao analisar caso a caso, poderá intervir e identificar a 
possibilidade de reparação38. 
 
38 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos 
casos de Violência Obstétrica. vol. 2. n° 1. p. 257- 277 
 
 
17 
 
2 ASPECTOS GERAIS DA RESPONSABILIDADE CIVIL 
2.1 Conceito 
 
 Ao analisar o Artigo 5º, incisos V e X da Constituição Federal, percebemos que foi 
atribuído à responsabilidade civil o status de garantia fundamental dos cidadãos brasileiros. 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade 
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos 
seguintes: 
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização 
por dano material, moral ou à imagem; 
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, 
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua 
violação39; 
 
 
 Diante desta análise traremos doutrinadores e suas conceituações sobre o que versa a 
responsabilidade civil. 
 Partimos do princípio de que toda atividade que gera prejuízo resulta-se em 
responsabilidade ou dever de indenizar, de certa forma se retratar. Qualquer pessoa, natural ou 
jurídica e em qualquer situação, dever arcar com os resultados de um ato, fato, ou negócio 
danoso. Sendo assim todo ato humano pode acarretar o dever de indenizar. 
 De forma ampla o art. 186º do Código Civil, fundamenta-se em sede de indenização 
por ato ilícito, estabeleceu a base da responsabilidade civil extracontratual ou extranegocial no 
direito; 
Art.186 Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligencia ou imprudência, 
violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano40. 
 
 Verificamos que nesse artigo, estão presentes os requisitos para indenizar: ação ou 
omissão voluntária, relação de causalidade ou nexo causal, dano e finalmente culpa. 
 Maria Helena Diniz retrata que: 
 
 A responsabilidade civil é a aplicação de medidas que obriguem uma pessoa a 
reparar dano moral ou patrimonial causado a terceiros, em razão de ato por ela 
mesma praticada, por pessoa por quem ela responde, por alguma coisa a ela 
pertencente ou simples imposição legal41. 
 
 Pablo Stolze Galiano e Rodolfo Pamplona Filho dizem que: 
 
 
39 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 1988. Disponível em: < 
http://www2.planalto.gov.br/acervo/constituicao-federal>. Acesso em: 10 out 2017 
40 BRASIL. Decreto Lei nº10.406, de 10 de janeiro de 2002. Responsabilidade Civil 
41 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21º ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo 
Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, 7 v. p. 35 
http://www2.planalto.gov.br/acervo/constituicao-federal
18 
 
A responsabilidade civil deriva da agressão a um interesse eminentemente particular, 
sujeitando, assim, o infrator, ao pagamento de uma compensação pecuniária a 
vitima, caso não possa repor o estado anterior da coisa42. 
 
 Sérgio Cavalieri Filho 43nos ensina “que nosso ordenamento jurídico divide os direitos 
consolidados em positivos e negativos, deixando expresso o dever de não lesar ninguém, 
explicito também no Direito Romano por meio do neminemlaedere”. 
 Flavio Tartuce traz para nós que: 
 
A responsabilidade civil surge quando ocorre o desrespeito com certa obrigação, 
podendo ser pelo não cumprimento de regra contratual, ou por não observar um 
preceito normativo que regule a vida44. 
 
 Sílvio de Salvo Venosa cita que: 
 
(...) os ordenamentos contemporâneos buscam alargar cada vez mais o dever de 
indenizar, alcançando novos horizontes, a fim de que cada vez mais o dever de 
indenizar, a fim de que cada vez menos restam danos irressarcidos. É claro que é um 
desiderato ideal que a complexidade da vida contemporânea coloca sempre em 
xeque. Os danos que devem ser reparados são aqueles de índole jurídica, embora 
possam ter conteúdo também de cunho moral, religioso, social, ético etc., somente 
merecendo a reparação do dano as transgressões dentro dos princípios 
obrigacionais45. 
 
 A respeito da matéria de Direito, a doutrina vem enfrentando dificuldades quando a 
missão é conceituar a responsabilidade civil, já que alguns autores fundamentam-se no 
elemento culpa enquanto outros não se atentam apenas nessa questão (culpabilidade), mas 
também aos danos causados e a equivalência de direitos e deveres. Levando em consideração 
as duas vertentes podem dizer que ambas partem do mesmo princípio, que a responsabilidade 
civil é a obrigação de reparar um dano. 
 
2.2 Elementos da responsabilidade Civil 
 
 Antes de conceituar os elementos da responsabilidade civil presentes no art 186 do 
Código Civil, vamos analisar conceitos construídos por doutrinadores a respeito de ato ilícito 
e culpa. 
 Tudo que venha a violar o ordenamento jurídico é considerado ato ilícito, ou seja, que 
transgridam direitos de outra pessoa. Desta forma, caracterizada a ilicitude pura, porém 
mesmo que a conduta seja lícita, mas realizada de modo inadequado esta pode ter caráter de 
abuso de direito, possui natureza objetiva independente de culpa e dolo. Essa conduta é 
conhecida como ato ilícito equiparado. Conforme se pode observar nos artigos 186 e 187do 
código civil: 
 
42 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil. Responsabilidade Civil. 
4º ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p 9. 
43 FILHO, Sergio Cavalieri. Programa de Responsabilidade Civil. 10º ed.Atlas: São Paulo,2012, p. 19. 
44 TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil. 3° ed. São Paulo:Método, 2013, p. 423 
45 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 14. 
19 
 
Art 187 Também comete ato ilícito o titular de um direito que ao, exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa fé 
ou pelos bons costumes46. 
 
 No ordenamento Jurídico a ilicitude vem bem definida. Para a sua caracterização os 
elementos do artigo 186 tem de estarem presentes no mesmo cenário, para a caracterização da 
culpa resultando na responsabilidade civil. Observa-se que os elementos do artigo 186 do 
Código Civil, são indispensáveis quando o assunto versa sobre responsabilidade civil 
subjetiva, que será tratada no próximo capítulo. 
 Sílvio Salvo Venosa retrata que: 
 
Os atos ilícitos são os que promanam direta ou indiretamente da vontade e 
ocasionam efeitos jurídicos, mas contrários ao ordenamento. O ato voluntário é, 
portanto, o primeiro pressuposto da responsabilidade civil. Esse conceito prende-se 
ao de imputabilidade, porque a voluntariedade desaparece ou torna-se ineficaz 
quando o agente é juridicamente irresponsável47. 
 
 Percebemos que o autor nos aponta aqui o nexo de imputabilidade que é quando 
alguém tem a incumbência de responsabilidade por algo, observando o conjunto de situações 
dadas ao encarregado capacidade para responder, ou seja, não se discute a voluntariedade 
quando o agente estaria definido como inimputável ou que não teria nenhuma obrigação. 
Sílvio Salvo Venosa inda nos trás o seguinte: 
 
Como já apontamos modernamente a imputabilidade, cede importância ao 
ressarcimento, pois o vigente código já permite uma responsabilidade mitigada dos 
incapazes (art.928). O ato de vontade, contudo, deve ser revestido de ilicitude. 
Melhor dizer que, na ilicitude há, geralmente, uma cadeia ou sucessão de ato. O ato 
ilícito traduz-se em um comportamento voluntário que transgrida um dever48. 
 
 Maria Helena Diniz a respeito do ato ilícito, diz que: 
 
Em nosso ordenamento jurídico vigora a regra geral de que o dever ressarcitório pela 
prática de atos ilícitos decorre de culpa, ou seja, da reprovabilidade ou 
censurabilidade da conduta do agente. O comportamento do agente será reprovado 
ou censurado quando, ante circunstâncias concretas do caso, se entende que ele 
poderia ou deveria ter agido de modo diferente. Portanto, ato ilícito qualifica-se pela 
culpa. Não havendo culpa, não haverá em regra, qualquer responsabilidade49. 
 
 O código Civil em seu artigo 186, ao se referir ao ato ilícito, prescreve que este ocorre 
quando alguém, por ação ou omissão voluntária (dolo), negligência ou imprudência (culpa), 
viola direito ou causa dano, ainda que exclusivamente moral, a outrem, em face do que será 
responsabilizado pela reparação dos prejuízos. Estabelece esse diploma legal o ilícito como 
 
46 BRASIL. Decreto Lei nº10.406, de 10 de janeiro de 2002. Responsabilidade Civil. 
47 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p.31. 
48 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 32. 
49 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21º ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo 
Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007. p 39. 
 
20 
 
fonte da obrigação de indenizar danos causados à vítima. Logo, a lei impõe a quem a praticar 
o dever de reparar o prejuízo resultante. 
 Para a responsabilização civil de alguém, culpabilizando o agente, o obrigando a 
reparar o prejuízo causado é ponderoso a verificação de quatro elementos imprescindíveis, 
presentes no artigo 186 do código civil. 
 Trata-se agora das definições dadas pelos doutrinadores sobre culpa. 
 Maria Helena Diniz discorre que: 
 
 A culpa em sentido amplo, como violação de um dever jurídico, imputável a 
alguém, em decorrência de fato intencional ou de omissão de diligência ou cautela, 
compreende: o dolo, que é a violação intencional do dever jurídico, e a culpa em 
sentido estrito, caracteriza-se pela imperícia, imprudência ou negligência, sem 
qualquer deliberação de violar um dever. Portanto, não se reclama que o ato danoso 
tenha sido, realmente querido pelo agente, pois ele não deixará de ser responsável 
pelo fato de não ter se apercebido do seu ato nem medido as suas consequências. O 
dolo é a vontade consciente de violar o direito, dirigida à consecução do fim ilícito, 
e a culpa abrange a imperícia, a negligência e a imprudência. A imperícia é a falta de 
habilidade ou inaptidão para praticar certo ato, a negligência é a observância de 
normas que ordenam agir com atenção, capacidade, solicitude e discernimento, e a 
imprudência e a precipitação ou o ato de proceder sem cautela. Não há 
responsabilidade sem culpa, exceto disposição legal expressa, caso em que se terá a 
responsabilidade objetiva50. 
 
 Para Sílvio Salvo Venosa, 
 
A culpa civil em sentido amplo abrange não somente o ato ou conduta intencional, o 
dolo (delito, na origem semântica e histórica romana), mas também os atos ou 
condutas eivadas de negligência, imprudência ou imperícia, qual seja a culpa em 
sentido estrito( quase-delito). Essa distinção entre dolo e culpa ficou conhecida no 
Direito Romano, e assim foi mantida no código francês e em muitos outros 
diplomas, como delitos e quase delitos. Essa distinção, modernamente, já possui 
maior importância no campo de responsabilidade. Para fins de indenização, importa 
verificar se o agente agiu com culpa civil, em sentido lato, pois, como regra, a 
intensidade do dolo ou culpa não deve graduar o montante da indenização, embora o 
presente Código apresente dispositivo nesse sentido (art 994, Parágrafo único citar). 
A indenização deve ser balizada pelo efetivo prejuízo51. 
 
 Silvo de Salvo Venosa nos traz elementos importantes quanto às condutas viciadas por 
negligência, imprudência e imperícia: 
A culpa sob os princípios consagrados na negligência, imprudência e imperícia, 
contém uma conduta voluntária, mas com resultado involuntário, a previsão ou a 
previsibilidade e a falta de cuidado devido, cautela ou atenção. Na negligência o 
agente não age com a atenção devida em determinada conduta, de acordo com 
STOCO52 “há um dasajuste psíquico no procedimento antijurídico, ou uma omissão 
de certa atividade que teria evitado o resultado danoso”. Na imprudência ao agente é 
 
50 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21º ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo 
Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007. p 41. 
51 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 33. 
52 STOCO, Rui. Tratado de Responsabilidade Civil. 6 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007 
21 
 
intrépido, açodado, precipitado e age sem prever as consequências nefastas ou 
prejudiciais53. 
 
 E ainda nos traz os seguintes exemplos de imperícia: 
 
Na culpa sempre existe o aspecto de defeito da previsibilidade, assim na imperícia, 
não trazida ao bojo do artigo 186 (ou do antigo art. 159), mas certamente também 
integrante do conceito de culpa. É imperito o advogado que redige petição inepta e o 
médico que administra a droga errada e danosa ao paciente por exemplo”54. 
 
 Para Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho55 “a culpa não é umelemento 
essencial, mas sim acidental”. 
 A seguir, os elementos da responsabilidade civil. 
 
2.2.1 –Ação e Omissão 
A conduta é a manifestação da vontade humana. Podemos no referir, como a liberdade 
de que o agente (imputável) tem para escolher, com consciência e discernimento e que 
ocasionando um dano, haverá a possibilidade da aplicação da responsabilidade civil. 
 A forma mais recorrente de manifestação da vontade humano “é a ação que consiste 
num movimento corpóreo comissivo, um comportamento positivo” 56 que se resulta na 
destruição do bem que não lhe pertence. 
 A omissão consiste, na falta de ação, na inércia de não permitir que algo se realize. O 
agente se responsabiliza pelo prejuízo, não havendo causado, mas sim porque não o coibiu, 
quando era o que se esperava de sua conduta. 
 Maria Helena Diniz conceitua a ação dizendo que: 
É o elemento constitutivo da responsabilidade, vem ser o ato humano, comissivo ou 
omissivo, ilícito ou lícito, voluntário e objetivamente imputável, do próprio agente 
ou terceiro, ou o fato de animal ou coisa inanimada, que cause dano a outrem, 
gerando o dever de satisfazer os direitos do lesado57. 
 
 Sobre a ação lícita e ilícita, comissiva ou omissiva, Maria Helena Diniz ainda traz que: 
 
A responsabilidade decorrente de ato ilícito baseia-se na ideia de culpa e a 
responsabilidade sem culpa fundamenta-se no risco, que se vem impondo na 
atualidade, principalmente ante a insuficiência da culpa para solucionar todos os 
danos. O comportamento do agente poderá ser uma comissão ou omissão, a 
comissão vem a ser a prática de um ato que não se deveria efetivar, e a omissão, a 
 
53 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 36. 
54 Id.Ibid, p.36. 
55 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil. Imprenta: São 
Paulo,Saraiva, 2006, p 25. 
56 FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil. Imprenta: São Paulo, Saraiva, 2006. 
57 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21º ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo 
Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007. p 38. 
22 
 
não-observância de um dever de agir ou da prática de certo ato que deveria realizar-
se58. 
 
 Nesse contexto Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho nos trazem que: 
 
Podemos classificar a ação humana como positiva e negativa, a primeira delas 
traduz-se pela prática de um comportamento ativo, positivo, a exemplo de dano 
causado pelo sujeito que, embriagado, arremessa o seu veículo contra o muro do 
vizinho. A segunda forma de conduta, por sua vez, é de intelecção mais sutil. Trata-
se da atuação omissiva ou negativa, geradora de dano. Se, no plano físico,a omissão 
pode ser interpretada como um “nada”, um “não fazer”. Uma “simples abstenção”, 
no plano jurídico, este tipo de comportamento pode gerar dano atribuível ao 
omitente, que será responsabilizado pelo mesmo59. 
 
2.2.2 - Nexo de causalidade 
 
 A ligação presente entre a conduta humana e o dano é o do nexo de causalidade. Não 
sendo o bastante que o indivíduo tenha tido conduta contrária ao ordenamento jurídico, 
contudo o dano causado deve ser um resultado lógico de seus atos e desta forma, quando 
suprimimos o nexo de causalidade que se exclui a responsabilidade nos casos de caso fortuito, 
força maior, culpa exclusiva da vítima e culpa exclusivas de terceiro. 
 A respeito, Maria Helena Diniz discorre que: 
 
O vínculo entre o prejuízo e a ação designa-se “nexo causal”, de modo que o fato 
lesivo deverá ser oriundo da ação, diretamente ou como sua consequência previsível. 
Tal nexo representa, portanto, uma relação necessária entre o evento danoso e ação 
que o produziu, de tal sorte que esta é considerada como sua causa, todavia, não será 
necessário que o dano resulte apenas imediatamente de o fato que o produziu. 
Bastará que se verifique que o dano não ocorreria se o fato não tivesse acontecido. 
Este poderá não ser a causa imediata, mas, se for condição para a produção do dano, 
o agente responderá pela consequência60. 
 
 Silvio de Salvo Venosa aponta que o que liga a conduta do agente ao dano é o nexo 
causal nos trazendo o seguinte conceito: 
 
 O conceito de nexo causal, nexo etiológico ou relação de causalidade deriva das leis 
naturais. É o liame que une a conduta do agente ao dano. É por meio do exame da 
relação causal que concluímos quem foi o causador do dano. Trata-se de elemento 
indispensável. A responsabilidade objetiva dispensa a culpa, mas nunca dispensará o 
nexo causal. Se a vítima, que experimentou um dano não identificar o nexo causal 
 
58 , DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21º ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo 
Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p. 39. 
59 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil. Imprenta: São Paulo, 
Saraiva, 2006, p 28. 
 
60 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo 
Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p. 107. 
23 
 
que leva o ato danoso ao responsável, não há como ser ressarcida, nem sempre é 
fácil, no caso concreto, estabelecer a relação e efeito61. 
 
 Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho apud SERPA LOPES, que diz que: 
Uma das condições essenciais à responsabilidade civil é a presença de um nexo 
causal entre o fato ilícito e o dano por ele produzido. É uma noção aparentemente 
fácil e limpa de dificuldade. Mas se trata de mera aparência, porquanto a noção de 
causa é uma noção que se reveste de um aspecto profundamente filosófico, além das 
dificuldades de ordem prática, quando os elementos causais, os fatores de produção 
de um prejuízo, se multiplicam no tempo e no espaço62. 
 
2.2.3 - Nexo de imputabilidade 
 
 Nexo de imputabilidade é quando alguém tem a incumbência de responsabilidade por 
algo, observando o conjunto de situações dadas ao encarregado capacidade para responder 
pelos resultados de uma prática distinta de sua obrigação. Desta forma imputável e aquele que 
tinha condição e obrigação de ter agido de outra maneira. 
 Silvio de Sávio Venosa nos diz que: 
 
Imputar é atribuir a alguém a responsabilidade por fato ou ato. Desse modo, a 
imputabilidade é pressuposto não só de culpa, mas da própria responsabilidade. Se o 
agente quando da prática do ato ou da omissão, não tinha condições de entender o 
caráter ilícito da conduta, não pode, em principio, ser responsabilizado. Nessa 
premissa, importa verificar o estado mental e a maturidade do agente. Para que o 
agente seja imputável, exige-lhe capacidade e discernimento. A imputabilidade 
retrata a culpabilidade. Não se atinge o patamar da culpa se o agente causador do 
dano for inimputável63. 
 
 Neste mesmo contexto Maria Helena Diniz diz que: 
 
A imputabilidade, elemento constitutivo de culpa é atinente às condições pessoais 
(consciência e vontade) daquele que praticou o ato lesivo, de modo que consiste na 
possibilidade de fazer referir um ato a alguém por proceder de uma vontade livre. 
Assim, são imputáveis a uma pessoa todos os atos por ela praticados, livre e 
conscientemente. Portanto, ter-se-á imputabilidade, quando o ato advier de uma 
vontade livre e capaz. Para que haja imputabilidade é essencial a capacidade de 
entendimento (ou discernimento) e de autodeterminação64. 
 
 
2.2.4 - Dano 
 
61 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 53. 
62 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil.4ª ed. Imprenta: São 
Paulo, Saraiva,2006, p 85. 
63 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 71. 
64 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo 
Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p. 112. 
24 
 
 
 Dano é a violação, por ação ou omissão realizada pelo infrator contra interesses 
juridicamente tutelados, abrangendo entre eles todos aptos a atender as necessidades de uma 
pessoa, que retrata a própria expressão de liberdade, resguardada no direito constitucional de 
fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Desta forma Dano é a retirada 
total ou parcial de um bem jurídico, podendo ser de qualquer natureza, patrimonial ou até 
mesmo da própria personalidade da vítima, como a honra, a imagem, a liberdade etc. 
 Sérgio Cavalieri Filho conceitua o dano como: 
O grande vilão da responsabilidade civil. Não haveria que se falar em indenização, 
nem em ressarcimento, se não houvesse o dano. Pode haver responsabilidade sem 
culpa, mas não pode haver responsabilidade sem dano. Na responsabilidade 
objetiva, qualquer que seja a modalidade do risco que lhe sirva de fundamento- risco 
profissional o, risco proveito, risco criado etc.-, o dano constitui o seu elemento 
preponderante. Tanto assim que, sem dano, não haverá o que reparar, ainda que a 
conduta tenha sido culposa ou dolosa65. 
 
 Silvio de Salvo Venosa nos traz o seguinte posicionamento a respeito do dano: 
 
O dano consistiu no prejuízo sofrido pelo agente. Pode ser individual ou coletivo, 
moral ou material, ou melhor, econômico e não econômico. A noção de dano sempre 
foi objeto de muita controvérsia. Na noção de dano está sempre presente a ação de 
prejuízo. Nem sempre a transgressão de uma norma ocasiona dano. Cuida-se, 
portanto, do dano injusto, aplicação do principio pelo qual a ninguém é dado 
prejudicar outrem66. 
 
 Maria Helena Diniz já conceitua o dano relacionando-o com a responsabilidade civil 
contratual e extracontratual e discorre que: 
 
Dano é um dos pressupostos da responsabilidade civil, contratual ou extracontratual, 
visto que não poderá haver ação de indenização se, existência de um prejuízo. Só 
haverá responsabilidade civil se houver um dano a reparar (RSTJ,63:251). Isto é 
assim porque a responsabilidade resulta em obrigação de ressarcir, que, logicamente, 
não poderá concretizar-se onde nada há que reparar. Com muita prioridade, pontifica 
Giorgio Giorgio que “ nessun dobbio sulla verità di questo principio: sia pura violata 
I’ obligazione, mas se ildanno manca, manca la matéria de ressarcimento”. Não pode 
haver responsabilidade civil sem o dano a um bem jurídico, sendo imprescindível a 
prova real e concreta dessa lesão67. 
 
2.3 Modalidades 
 
2.3.1 - Responsabilidade Subjetiva 
 
 
65 FILHO, Sérgio Cavalieri. Programa de Responsabilidade Civil. 8ª edição. São Paulo. Atlos, 2008, p. 70 
66 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p.40. 
67 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo 
Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p 59. 
 
25 
 
 Existem duas formas de culpa para serem analisadas. Uma embasada na reciprocidade 
social e a outra observa a possibilidade entre o ato praticado e o resultado obtido. Na primeira 
podemos analisar que a culpa possui elemento subjetivo e elemento extrínseco. 
 Para melhor esclarecimento faremos o seguinte questionamento: o agente poderia ter 
agido de forma diferente? Existe relação entre o a vontade do agente e o fato? 
 Desta, forma podemos afirmar que o elemento subjetivo consiste no animus agendi, 
nos reforçando na hipótese que o agente poderia ter agido de outra forma. 
 A respeito do elemento extrínseco podemos dizer que consiste na reprobabilidade 
tomada pela sociedade em relação à conduta praticada pelo agente. 
 Analisando a segunda forma de culpa, observamos que é visualizada pela perspectiva 
dos resultados obtidos e da violação do cuidado objetivo, de modo a caracterizar a 
negligência, imprudência e a imperícia. E nesse sentido podemos questionar qual era a 
perspectiva do resultado? Ocorreu a violação do cuidado objetivo? 
 Toda pessoa tem o dever de ter cuidado objetivo em seus atos e/ou relações jurídicas. 
Na dúvida faz-se o seguinte questionamento: Alguém com prudência e discernimento 
necessário agiria da mesma maneira? 
 Desta forma a responsabilidade subjetiva é aquela em que o dano causado em desfavor 
da vítima, foi causado por culpa do agente. Conforma nos traz o artigo 927 do código civil, 
aquele que por ato ilícito (artigos 186 e 187 do mesmo código) causar dano a alguém esta 
obrigada a repará-lo, deixando clara a maneira como se caracteriza a responsabilidade civil 
subjetiva. 
 Sendo assim a base para caracterização à responsabilidade civil subjetiva e o ato ilícito 
e o dano causado a outrem e a culpa. 
 Maria Helena Diniz nos diz que: 
 
A responsabilidade subjetiva encontra sua justificativa na culpa ou dolo por ação ou 
omissão, lesiva a determinada pessoa. Desse modo, a prova da culpa do agente será 
necessária para que surja o dever de reparar68. 
 
 Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho relatam que a culpa se caracteriza 
também, quando o agente agir com negligência ou imprudência e fazem a seguinte afirmação: 
 
A responsabilidade civil subjetiva é a decorrente de dano causado em função de ato 
doloso ou culposo. Esta culpa por natureza civil se caracterizará quando o agente 
causador do dano atuar com negligência ou imprudência, conforme cediço 
doutrinariamente, através da interpretação da primeira parte do artigo 149 do código 
civil de 1916 (Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligencia, ou 
imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem fica obrigado a reparar o 
dano)69 
 
 Os Autores Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho faz menção ao Código 
Civil de 1916, tendo em vista que trazia essa interpretação de como se caracterizaria a culpa e 
a atuação do agente causador que mais tarde no Artigo 186 do Código Cívil de 2002 foi 
 
68 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo 
Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p 128. 
69 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil.4ª ed. Imprenta: São 
Paulo, Saraiva, 2006, p 13. 
26 
 
somente aperfeiçoado incluindo o dano moral como um dano que também deve ser 
responsabilizado. 
 
 Regra geral mantida, com o aperfeiçoamento, pelo artigo 186 do código civil de 
2002(aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligencia ou imprudência, 
violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato 
ilícito). Do referido dispositivo normativo supra transcrito, verificamos que a 
obrigação de indenizar (reparar o dano) e a consequência juridicamente lógica do ato 
ilícito, conforme se infere também dos artigos 1518 a 1532 do código civil de 1916, 
constantes de seu título VII (“Das obrigações por atos ilícitos”)70. 
 
 Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho também nos aponta que ônus da 
prova sempre pertencerá ao autor, a respeito discorrem os autores: 
 
A noção básica da responsabilidade civil dentro da doutrina subjetiva, é o principio 
segundo o qual cada um responde pela própria culpa – unuscuiquesua culpa nocet. 
Por se caracterizar em fato constitutivo do direito à pretensão reparatória, caberá ao 
autor, sempre, o ônus da prova de tal culpa do réu. Todavia há situações em que o 
ordenamento jurídico atribui a responsabilidade civil a alguém por dano que nãofoi 
causado diretamente por ele, mas sim por terceiro com quem mantêm algum tipo de 
relação jurídica71. 
 
2.3.2 - Responsabilidade Civil Objetiva 
 
 Nesse tipo de responsabilidade o dano é causado por uma atividade lícita, porém 
mesmo sendo ela legal juridicamente, pode se resultar em prejuízo para a outra pessoa, 
resultando dessa forma no dever de ressarcir, estando presente somente o nexo causal. 
Podemos dizer que foi desta forma que surgiu a teoria do risco, pois quando baseando 
somente na culpabilidade, ficaríamos diante de lacunas, e dessa forma nos admite a reparação 
dos danos causados, mesmo que não seja caracterizada a culpa. A responsabilidade objetiva 
se resulta somente do dano e nexo de causalidade, essa teoria objetiva também nos traz que 
todo dano é passível de indenização e tem de ser rapidamente reparado por quem ele o causou 
direta ou indiretamente, independentemente de culpa. 
 A responsabilidade civil objetiva está presente no artigo 927 do Código Civil e seu 
parágrafo único do código civil nos traz: 
 
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica 
obrigado a repará-lo.Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, 
independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade 
normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para 
os direitos de outrem72. 
 
70 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil.4ª ed. Imprenta: São 
Paulo, Saraiva, 2006, p13. 
71Id. Ibid ,P. 14. 
72 BRASIL. Código Civil. Lei nº 10. 406/2002. Institui o Código Civil. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm Acesso em: 10 out 2017. 
27 
 
 
 A responsabilidade civil ocorre em casos determinados em leis especiais e em casos em 
que a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implique risco para os direitos 
de outras pessoas. 
 Maria Helena Diniz afirma que: 
 
 
A responsabilidade objetiva, se fundada no risco, que explica essa responsabilidade 
no fato de haver o agente causado prejuízo à vítima e seus ou seus bens. É 
irrelevante a conduta culposa do causador do dano, uma vez que bastará a existência 
do nexo causal entre prejuízo sofrido pela vítima e a ação do agente para que surja o 
dever de indenizar73. 
 
 Sílvio de Salvo Venosa discorre em sua obra que: 
 
Ao analisar a teoria do risco, mais exatamente do chamado risco criado, nesta fase 
de responsabilidade civil de pós- modernidade, o que se leva em conta é 
potencialidade de ocasionar danos; a atividade ou conduta do agente que resulta por 
si só na exposição a um perigo, noção introduzida pelo Código Civil italiano de 
1942 (art.2050). Leva-se em conta o perigo da atividade do causador do dano por 
sua natureza e pela natureza dos meios adotados. Nesse diapasão poderíamos 
exemplificar com uma empresa que se dedica a produzir e apresentar espetáculos 
com fogos de artifício. Ninguém duvida de que o trabalho com pólvora e com 
explosivos já representa um perigo para si mesmo, ainda que todas as medidas para 
evitar danos venham a ser adotadas. Outro exemplo que parece bem claro diz 
respeito a espetáculos populares, artísticos, esportivos etc. com grande afluxo de 
espectadores: é curial que qualquer acidente que venha a ocorrer em multidão terá 
natureza grave, por mais que se adotem modernas medidas de segurança. O 
Organizador dessa atividade, independentemente de qualquer outro critério, expõe as 
pessoas presentes inelutavelmente a um perigo74. 
 
 Diz também ele que o Art. 927 do atual código dá mais amplitude ao âmbito da 
responsabilidade sem culpa, permitindo inclusive a responsabilidade do incapaz de forma que 
seu patrimônio possa vir a responder pelos danos que ele causou. 
 
Portanto, o âmbito da responsabilidade sem culpa aumenta sem culpa 
significativamente em vários segmentos dos fatos sociais. Tanto assim é que 
culmina com a amplitude permitida pelo acima transcrito art. 927, parágrafo único, 
do atual Código. Nesse diapasão, acentuam-se, no direito ocidental, nos aspectos de 
causalidade e reparação do dano, em detrimento da imputabilidade e culpabilidade 
de seu causador. Daí porque, por exemplo, o vigente Código estampa a 
responsabilidade do incapaz, a possibilidade de seu patrimônio responder por danos 
por ele causados, ainda que de forma mitigada75. 
 
 A questão tem a ver com os princípios da dignidade humano do ofendido e da 
sociedade como um todo. Muito cedo se percebeu no curso da história que os princípios da 
 
73 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo 
Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p. 128. 
74 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 20. 
75 Id. Ibid, p. 22. 
28 
 
responsabilidade com culpa eram insuficientes para muitas das situações de prejuízo, a 
começar pela dificuldade da prova da própria culpa. 
 
 Para Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho, 
 
(...) segundo tal espécie de responsabilidade, o dolo ou a culpa na conduta do agente 
causador do dano é irrelevante juridicamente, há vista que somente será necessário a 
existência do elo de causalidade entre dano e a conduta do agente responsável para 
que surja o dever de indenizar76. 
 
 Ainda completam: 
 
As teorias objetivistas da responsabilidade civil procuram encará-la como mera 
questão de reparação dos danos, fundada diretamente no risco da atividade exercida 
pelo agente. É de ressaltar que o movimento objetivista surgiu no final do século 
XIX, quando o Direito Civil passou a receber a influência da Escola Positiva 
Penal77. 
 
2.3.3 - Responsabilidade Civil Contratual e extracontratual 
 
A responsabilidade civil contratual, como o próprio nome nos traz, se estabelece pela 
existência de um contrato realizado entre as partes, o agente e a vítima. Desta forma se 
contratado agir de forma que compreendem os quatro elementos da responsabilidade civil, 
que são eles: ação ou omissão mais à culpa ou dolo, nexo e o dano causado. Por existência 
desse liame contratual, o ocorrerá a responsabilidade civil contratual. 
 A responsabilidade civil extracontratual não apresenta o vínculo contratual entre o 
agente e a vítima, porém existe um liame legal, o agente causa dano a vítima, seja por ação ou 
omissão somado ao nexo de causalidade e culpa ou dolo. 
 Segundo Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho, 
 
 (...) se o prejuízo decorre diretamente da violação de um mandamento legal, por 
força da atuação ilícita do agente infrator (caso do sujeito que bate em um carro) 
estamos diante da responsabilidade extracontratual, a seguir analisada. Por outro 
lado, se, entre as partes envolvidas, já existia norma jurídica contratual que as 
vinculava, e o dano decorre justamente do descumprimento de obrigação fixada 
neste contrato, estaremos diante de uma situação de responsabilidade contratual78. 
 
 Desta forma a responsabilidade civil contratual é o inadimplemento da obrigação que 
foi estabelecida em contrato firmada anteriormente pelas partes, conforme os artigos seguintes 
do Código Civil: 
 
76 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil. 4ªed. Imprenta: São 
Paulo, Saraiva, 2006, p.14 
77 Id. Ibid, p. 15 
78 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil. Imprenta: São Paulo, 
Saraiva, 2006, p16. 
29 
 
 
Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais 
juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e 
honorários de advogado”e seguintes; 
Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, 
atualização dos valores monetários segundo índices oficiais regularmente 
estabelecidos, e honorários de advogado. 
Parágrafo único. Se a prestação, devido à mora, se tornar inútil ao credor, este 
poderá enjeitá-la, e exigir a satisfação das perdas e danos79. 
 
Já a responsabilidade civil extracontratual ou como também é chamada aquiliana é a 
violação de norma legal. 
Neste mesmo sentido Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona Filho ainda completam: 
 
(...) com efeito para caracterizar a responsabilidade civil contratual, faz-se mister 
que a vítima e o autor do dano já tenham se aproximado anteriormente e se 
vinculado para o comprimento de uma ou mais prestações, sendo a culpa contratual 
a violação de um dever de adimplir, que constitui justamente o objeto do negócio 
jurídico, ao passo que, na culpa aquiliana, um dever necessariamente negativo, ou 
seja, a obrigação de não causar dano a ninguém80. 
 
 A respeito, Maria Helena Diniz discorre em sua obra: 
 
Nosso Código Civil, no Art. 389, ao prescrever que “não cumprida a obrigação, 
responde o devedor por perdas e danos, mais jurus e atualizações monetária segundo 
índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado”, e no art. 395 
ao dispor: “responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora de causa, mais juros , 
atualização de valores monetários segundo índices oficiais regularmente 
estabelecidos e honorários de advogado”, sujeito o inadimplemento e o contratante 
moroso ao dever de reparar por perdas e danos devidos ao credor, que abrangem, 
segundo o Código Civil, art.402, além do ele efetivamente perdeu, o que 
razoavelmente deixou de lucrar. Estabelece, ainda, esse diploma legal, no art. 403, 
que “ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só 
incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direito e imediato, 
sem prejuízo do disposto na lei processual”81. 
 
 
 
 
 
 
 
 
79 BRASIL. Código Civil. Lei nº 10. 406/2002. Institui o Código Civil. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm Acesso em: 10 out 2017 
80 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil. Imprenta: São Paulo, 
Saraiva, 2016, p 17. 
81 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo 
Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p 138. 
 
30 
 
 
31 
 
3 – LEGISLAÇÕES E JURISPRUDÊNCIAS PERTINENTES E 
RESPONSABILIDADE CIVIL DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE 
 
Silvio de Salvo Venosa traz uma importante e valiosa observação que se faz 
obrigatória nesse início de capítulo: 
 
O médico, em sua arte, deve ser conhecedor da ciência para dar segurança ao 
paciente. A mesma situação se dá ao advogado em relação a seu constituinte. Assim 
como a obrigação assumida pelo advogado no patrocínio as causa, como regra geral, 
é de meio e não de resultado assim também a contraída pelo médico em relação à 
tratamento do enfermo. O médico obriga-se a empregar toda técnica, diligência e 
perícia, seus conhecimentos, da melhor com honradez e perspicácia, na tentativa de 
cura, lenitivo ou minoração dos males do paciente. Não pode garantir a cura, mesmo 
porque vida e morte são valores que pertencem às esferas espirituais82. 
 
 
 O erro médico conceitua-se como falha profissional que teve como resultado o dano. 
O médico pode ser responsabilizado tanto na esfera civil quanto na esfera penal. Também são 
previstas as sanções administrativas do Conselho Federal de medicina desta forma, conforme 
a gravidade do dano, o médico pode ser impedido de exercer sua profissão. Neste sentido 
Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho dizem o seguinte: 
 
Estabelecida a premissa de que a responsabilidade civil do médico, como atividade 
profissional (liberal ou empregatícia), é subjetiva, vem à lume a questão do erro 
médico. (...) De fato, a prestação de serviços médicos não consiste em uma operação 
matemática, em que o profissional pode afirmar, de forma peremptória, que curará o 
individuo, dada a sua condição, em regra, de obrigação de meio. (...) por isso, a 
prova do elemento anímico (culpa) é tão importante quanto a conduta humana 
equivocada, no que diz respeito aos deveres gerais como cidadão e aos específicos 
da atividade profissional83. 
 
 A Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) de nº 1931, de 17 de setembro 
2009, traz as diretrizes que devem ser seguidas pelos médicos como forma de aperfeiçoar a 
realização da medicina, destaca-se: 
 
Capítulo I 
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 
VI- O médico guardará absoluto respeito pelo ser humano e atuará sempre em seu 
benefício. Jamais utilizará seus conhecimentos para causar sofrimento físico ou 
moral, para o extermínio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra 
sua dignidade e integridade. 
Capítulo III 
RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL 
É vedado ao médico: 
 
82 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 128. 
83 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil 18ª Ed. São Paulo: 
Saraiva, 2016. 
 
32 
 
Art. 1º Causar dano ao paciente, por ação ou omissão, caraterizável como imperícia, 
imprudência ou negligência. Parágrafo único. A responsabilidade médica é sempre 
pessoal e não pode ser presumida. 
Art. 14 Praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação 
no País. 
Capítulo IV 
DIREITOS HUMANOS 
É vedado ao médico 
Art. 22. Deixar de obter consentimento do paciente ou de seu representante legal 
após esclarecê-lo sobre o procedimento a ser realizado, salvo em caso de risco 
iminente de morte. 
Art. 23. Tratar o ser humano sem civilidade ou consideração, desrespeitar sua 
dignidade ou discriminá-la de qualquer forma ou sob qualquer pretexto. 
Art.24. Deixar de garantir ao paciente o exercício do direito de decidir livremente 
sobre sua esposa ou seu bem-estar, bem como exercer sua autoridade para limitá-lo 
84. 
 
 Visto isto, é importante ressaltar que o Pacto San José da Costa Rica85, assegura o 
direito a integridade física, psíquica e moral e novamente é assegurado pela Constituição 
Federal no seu Artigo 196. 
 
 Art. 196 A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas 
sociais e econômicas que visem à redução de risco de doença e de outros agravos e 
acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e 
recuperação. 
 
 
 Sendo assim é importante analisar a definição dada pela (OMS) Organização Mundial 
de Saúde a partir do relatório da Conferência Internacional sobre e população e 
Desenvolvimento das Nações Unidas, sobre a situação específica da saúde reprodutiva, que é 
considerada um estado de completo bem-estar físico, mental e social, do qual abrange as 
matérias relacionadas ao sistema reprodutivo, suas finalidades e processos. Esse mesmo 
relatório ainda discorre que é indispensável à liberdade de decidir o que fazer e a 
possibilidade de reproduzir para uma vida sexual segura e satisfatória86. 
 A lei nº 9.263/96 do planejamento Familiar87, e a Federal nº 8.069/90, o Estatuto da 
Criança e do Adolescente88(ECA), garantem direitos referentes à saúde materna. O ECA 
assegura que a mulher seja atendida preferencialmente pelo médico que a acompanhou no 
pré-natal conforme Artigo 8°, § 2°. 
 
84 Código de Ética Médica. Resolução CEM Nº1931/2009 Disponível em: 
http://www.portalmedico.org.br/novocodigo/integra.asp 
85 Convenção Americana De Direitos Humanos (1969) - Pacto De San José Da Costa Rica. Disponívelem: 
<http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/sanjose.htm> 
86 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos 
casos de Violência Obstétrica. vol. 2. N° 1. p. 257- 277 
87 BRASIL.Planejamento Familiar.Lei n°9.263 de 12 de Janeiro de 1996. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9263.htm> 
88 BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente: Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990, Lei n. 8.242, de 12 de 
outubro de 1991. – 3. ed. – Brasília : Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 2001. 
33 
 
 
Art. 8° É assegurado a todas as mulheres o acesso aos programas e às políticas de 
saúde da mulher e de planejamento reprodutivo e, às gestantes, nutrição adequada, 
atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério e atendimento pré-natal, 
perinatal e pós-natal integral no âmbito do Sistema Único de Saúde. (Redação dada 
pela Lei nº 13.257, de 2016). 
 
 
 Também é garantido pela lei nº 11.108/200589 o direito ao acompanhante. Temos 
também a lei nº 11.634/200790 que garante que a gestante seja inserida no programa de 
assistência pré- natal, e que tenha conhecimento prévio em qual maternidade será realizado o 
parto e será atendida em casos de intercorrência. 
 Quanto à lei do acompanhante, lei 11.108/2005 estabelece que aos serviços de SUS, 
rede própria ou conveniada tem a obrigação em autorizar a presença de um acompanhante, 
indicado pela parturiente, durante todo o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. 
 Portanto a pesquisa Nascer Brasil à Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca 
(Ensp/Fiocruz)91 afirma que esse direito ainda é um privilégio de mulheres brancas, usuárias 
do setor privado, com maior renda e que fizeram a opção pela cesariana, se beneficiando da 
presença constante do acompanhante menos de 20% das mulheres. Sobre isto: 
 
O descumprimento da lei do acompanhante se caracteriza quando houver restrição 
da escolha da mulher; restrição do tempo de permanência do acompanhante ou ainda 
restrição pelo vínculo com a instituição, quando, por exemplo, afirmam que tal 
direito só é válido para particulares92. 
 
 Verificamos que mesmo com a lei em vigência para assegurar esse direito, algumas 
ações têm resultados improcedentes: 
 
Apelação cível - ação de indenização - hospital público regional - nascimento de 
trigêmeos -acompanhamento do pai - impossibilidade - medida excepcional – 
peculiaridades do caso - prestação do serviço - ausência de ilicitude – dano moral 
não caracterizado - sentença mantida. A Lei n° 11.108, de 7 de abril de 2005, 
diz:[...] O direito à presença de acompanhante durante o trabalho de parto, parto e 
pós-parto imediato está regulamentado desde 2005, pela Lei nº 11.108, no âmbito do 
SUS (Sistema Único de Saúde). Contudo, tal direito não prepondera na hipótese de 
haver risco à saúde das parturientes e dos nascituros. -Tratando-se de gestação de 
trigêmeos e sendo necessária a realização de cirurgia cesariana, com a presença de 
dois obstetras, um anestesista e três pediatras (um para cada recém-nascido) na sala 
cirúrgica, fez-se prudente limitar o acesso ao local, não havendo que se falar, 
portanto, em existência de conduta ilícita do corpo médico a ensejar dever de 
 
89 89 BRASIL. DO SUBSISTEMA DE ACOMPANHAMENTO DURANTE O TRABALHO DE PARTO, 
PARTO E PÓS-PARTO IMEDIATO: Lei n°11.108 de 7 de Abril de 2005. Disponível em:< 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11108.htm> 
90 BRASIL. Lei n° 11.634 de 27 de Dezembro de 2007. Disponível 
em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11634.htm> 
91 Pesquisa Nascer Brasil Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). 2016. Disponível 
em: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/depressao-pos-parto-acomete-mais-de-25-das-maes-no-brasil Acesso 
em 10 out 2017 
92 PARTO DO PRINCIPIO. Dossiê da Violência Obstétrica “Parirás com Dor”. 2012. 
<http://www.senado.gov.br/comissoes/documentos/SSCEPI/DOC%20VCM%20367.pdf>. Acesso em 09 de 
Setembro de 2017. 
http://www.senado.gov.br/comissoes/documentos/SSCEPI/DOC%20VCM%20367.pdf
34 
 
indenizar. - Recurso desprovido. (TJ/MG, Apelação Cível nº. 10027130028544001, 
Relator: Eduardo Andrade, 1ª Câmara Cível, julgado em 15/07/2014)93. 
 
 Por sua vez, em função da proteção da mulher nesse cenário de vulnerabilidade, 
surgem normas jurídicas entre as já citadas tem a lei nº 10.778/2003 foi elaborada para impor 
que seja realizada a notificação compulsória nos casos de violência contra a mulher seja ela 
atendida em serviços de saúde pública ou privada. 
 No Brasil o sistema de saúde não tem uma área ou programa com atenção especial 
quando se trata de saúde sexual ou reprodutiva, sendo assim, entendemos que a violência 
contra a mulher é matéria de violação de direitos humanos, e as violações devem ser 
responsabilizadas. 
 Miriam Ventura94 instrui que o direito à maternidade segura na situação legal no 
Brasil, o acesso integral e gratuito dos serviços de saúde, com qualidade, incluindo 
“planejamento familiar, assistência ao pré-parto, parto e pós parto, e emergência obstétrica, 
inclusive em situações que envolvem complicações no caso de aborto, espontâneos ou 
provocados” o sistema deve ser acolhedor, de modo a atender todas as mulheres 
indistintamente, o princípio de não descriminação tem a obrigação de ser tutelado, sem 
preconceitos, discriminações ou privilégios. 
 Nesse sentido podemos afirmar que mesmo diante de tudo que foi discorrido em 
defesa da mulher, atos praticados de violência obstétrica são considerados “normais”, 
corriqueiros nos ambientes hospitalares, e dificilmente os agressores são responsabilizados, 
podendo ser eles os hospitais ou profissionais de saúde, ou pelas justificativas já mencionadas 
ou pela falta de acesso aos prontuários. 
 A violência obstétrica pode ser praticada tanto pelos profissionais de saúde, quanto 
pelo estabelecimento de saúde. 
 Sílvio de Salvo Venosa faz a seguinte citação: 
 
Cabe ao Direito, hoje tendo em seu bojo o poderoso instrumento da lei do 
consumidor, colocar nos devidos extremos a responsabilidade civil do médico. Deve 
ser entendida como responsabilidade médica não somente a responsabilidade 
individual do profissional, mas também as dos estabelecimentos hospitalares, casas 
de saúde, clínicas, associações e sociedades de assistência, pessoas jurídica, enfim, 
que , agindo por prepostos em atividades cientemente diluída procuram amiúda fugir 
de seus deveres sociais, morais e jurídicos. O defeito ou falha da pessoa jurídica na 
prestação de serviços médicos independe de culpa nos termos dos artigos do art.14 
do código de defesa dos consumidores. Apenas a responsabilidade do médico, 
enquanto profissional liberal individual, continua no campo subjetivo (art. 14,§ 
4º),avaliada de acordo com o art. 186 do código civil (antigo, art.159) e seus 
princípios tradicionais. Sendo o Direito instrumento de adequação social, deve-se 
adequar aos novos rumos da ciência médica. Cabe ao juiz, sentindo o pulso da 
sociedade, situar corretamente a responsabilidade médica. Cumpre também aos 
médicos e a sociedade conscientizarem-se de seus direitos e deveres, hoje com 
matizes muito diversos do inícios do século XX nos primórdios da responsabilidade 
civil moderna95. 
 
 
93 MINAS GERAIS, Tribunal de Justiça. Apelação Cível n°. 10027130028544001. Disponível em:< https://tj-
mg.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/129091484/apelacao-civel-ac-10027130028544001-mg> 
94 VENTURA, Miriam. Direitos Reprodutivos no Brasil/ 1. Direitos Humanos 2. Direitos Reprodutivos 3. 
Reprodução Humana. 3ª edição, 2009. 
95 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005,p. 139. 
35 
 
 Para tanto, para apuração da responsabilidade civil dos enfermeiros e médicos, deve 
ser verificada a culpa, desta forma se comprovado que tenham agido com negligencia 
imprudência e imperícia, conforme o artigo 14,§4º do código de defesa do consumidor que 
diz: 
 
Art.14 §4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada 
mediante verificação de culpa” só assim haverá a indenização96. 
 
 Portanto há a concepção de que a responsabilidade do médico em sua atividade é a 
subjetiva, quando ocorrer danos, conforme o artigo 951 do código civil: 
 
 Art. 951 O disposto nos arts. 948,949 e 950 aplica-se ainda no caso de indenização 
devida por aquele que, no exercício de atividade profissional, por negligencia, 
imprudência imperícia, causar a morte do paciente, agravar-lhe o mal, causar-lhe 
lesão ou inabilitá-lo ao trabalho”97. 
 
 Para tanto, neste mesmo sentido Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho 
fazem a seguinte menção: 
 
A importância já transcrito §4º do artigo 14 do código de defesa do consumidor, ao 
reafirmar a responsabilidade civil subjetiva dos profissionais liberais, nos quais se 
encontram os mencionados agentes de atividade médica, se verifica na medida em 
que aquele diploma consagra, nas relações de consumo, a responsabilidade civil 
objetiva, mas expressamente, faz a ressalva o que infere o caráter proposital dessa 
situação excepcional98. 
 
 E afirma ainda que quando se tratar da responsabilidade civil do hospital ou clínica 
não permanecerá subjetiva e assim discorre: 
 
Como já deve ter inferido, embora a responsabilidade civil do profissional médico 
permaneça subjetiva, o mesmo não pode ser dito do hospital ou clinica médica em 
que presta serviços. Com efeito por força da nova regra de responsabilização 
objetiva por ato de terceiro, contida no art. 932,III, do CC-02, não há como deixar de 
aplicar os dispositivo para tais entidades. Registra-se, inclusive, que essa regra se 
aplica também a hospitais filantrópicos, pois a atividade com intuito assistencial não 
afasta a responsabilidade pelo dever geral de vigilância e eleição que deve manter 
com seus profissionais99. 
 
 O médico deve usar de prudência e diligências habituais para a correta prestação de 
seu serviço, sempre utilizando as melhores técnicas com o objetivo de alcançar um 
determinado resultado, sendo que tal atividade, em geral, estabelece ser uma obrigação de 
 
96 BRASIL. Código de Defesa do Consumidor (1990). Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. 
97 BRASIL. Decreto Lei nº10.406, de 10 de janeiro de 2002. Responsabilidade Civil. 
98 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil.4ª ed. Imprenta: São 
Paulo, Saraiva, 2006, p. 219. 
99 Id. Ibid, p. 220. 
36 
 
meio e desta forma o profissional tem a obrigação de realizar a atividade, sem garantir, 
portanto, o resultado esperado100. 
 Os hospitais filantrópicos, mesmo sendo a atividade natureza social não afasta a 
responsabilidade a responsabilidade. Conforma o artigo 37 § 6° da Constituição Federal: 
 
Art 37 § 6° As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado 
prestadores de serviços públicos responderão pelos atos que seus agentes, nessa 
qualidade, causarem a terceiros101. 
 
 
 
 Dessa forma os prestadores de serviço público e privado serão responsabilizados 
objetivamente pelos atos que os seus profissionais causarem a terceiros. 
 E o artigo 43 do Código Civil nos traz o seguinte: 
 
Art 43 As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis 
por atos de seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvando 
direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou 
dolo102. 
 
 
 Havendo a responsabilidade objetiva da instituição esta pode entrar com um eventual 
direito de regresso contra o médico se ele esporadicamente faz uso das estruturas física ou 
logística daquele hospital para que possa realizar procedimentos cirúrgicos, pois existe uma 
relação entre o médico e o hospital. 
 Maria Helena Diniz classifica a responsabilidade do médico como contratual e diz: 
 
A responsabilidade do médico é contratual, por haver entre médico e seu cliente um 
contrato, que se apresenta como uma obrigação de meio, por não comportar o dever 
de curar o paciente, mas de prestar-lhe cuidados conscienciosos e atentos conforme 
os progressos da medicina. Todavia, há casos em que a obrigação de resultado, com 
o sentido de cláusula de incolumidade, nas cirurgias estéticas e nos contratos de 
acidentes. Excepcionalmente a responsabilidade do médico terá natureza delitual, se 
ele cometer um ato ilícito penal ou violar normas regulamentares da profissão103. 
 
 Neste mesmo sentido afirma que a responsabilidade do médico eventualmente terá 
natureza delitual, somente quando houver prática ilícita penal ou violação dos regulamentos 
que disciplinam está profissão e assim discorre: 
 
Embora o nosso código cível tenha regulado a responsabilidade médica no capitulo 
atinente aos atos ilícitos, tal responsabilidade, a nosso ver é contratual. Realmente 
nítido é o caráter contratual do exercício da medicina, pois apenas excepcionalmente 
terá natureza delitual, quando o médico cometer ato ilícito penal ou violar normas 
regulamentares da profissão. Assim, se o médico operador for experiente e tiver 
usado de meios técnicos indicados, não se explicando a origem eventual da sequela, 
 
100 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos 
casos de Violência Obstétrica. vol. 2. N° 1. p. 257- 277. 
101 Constituição Federal. Vade Mecum. São Paulo: Saraiva, 2016. 
102 BRASIL. Decreto Lei nº10.406, de 10 de janeiro de 2002. Responsabilidade Civil 
103 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo 
Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p 303. 
37 
 
não haverá obrigação de risco profissional, pois os serviços médicos são, em regra 
de meio e não de resultado. Se nenhuma modalidade de culpa-negligência, 
imprudência ou imperícia- ficar demonstrada, como não há risco profissional, 
independente de culpa, deixará de haver base para fixação de responsabilidade civil, 
pois as correlações orgânicas ainda são pouco conhecidas e surgem às vezes 
resultados inesperados, desconhecidos (TJSP ADCOAS, 1981,n 80.418)104. 
 
 
 Silvio de Salvo Venosa, rebate essa a classificação acima fazendo a seguinte menção: 
 
A doutrina tradicional discute o caráter contratual dessa responsabilidade, 
procurando afastá-la da responsabilidade aquiliana. Como já assentamos, inexiste 
diferença ontológica entre as duas modalidades de responsabilidade, contratual e 
extracontratual. Sob qualquer prisma, correndo a culpa, aflora o dever de indenizar. 
Contudo, existindo contrato, é no âmbito dos seus limites que será apurado o 
inadimplemento total ou descumprimento, ou o inadimplemento parcial ou mora. Se 
não há contrato e a culpa emerge de um dever de conduta, é nessa ação do agente 
que a culpa deve ser aferida. No entanto, em toda responsabilidade profissional, 
ainda que exista contrato, há sempre um campo de conduta profissional a ser 
examinado, inerente a profissão e independente da existência de contrato105. 
 
 Destarte, a responsabilidade contratual e extra contratual surgem quase sempre 
concomitantemente. Ainda ressalta o doutrinador Silvio de Salvo Venosa: 
 
Resulta que nas hipóteses nas quais a existência de contrato entre médico paciente 
não fica muito claro, como quando um médico assiste transeunte em via pública, ou 
socorre um vizinho acometido de mal súbito, torna-se muito difícil aferir a falta do 
médico sob o prisma contratual,tanto assim é que a doutrina tem dificuldade em 
classificar o contrato, quando não como locação de serviços (e assim o é o contrato 
médico e paciente surge de forma clara), como um contrato sui generis. Dever ser 
afastada qualquer classificação ímpar na teoria dos contratos. Dizer que o contrato é 
sui generis nada esclarece106. 
 
 
 107Assim se o paciente contratando com o médico, uma consulta, tratamento, terapia 
ou cirurgia, claramente percebemos que o negócio jurídico é contratual, oneroso e comutativo. 
Sendo obrigação do médico de meio e não resultado, existindo contrato ou não, a não ser se 
tratar de plástica estética. Desta forma a responsabilidade contratual emerge da conduta e não 
do contrato, quando se observa a iniciativa unilateral do médico, na hipótese de ainda que 
contra a vontade da pessoa ele passe a tratá-la. Portanto não se deve desta forma considerar a 
atividade médica tomada unicamente ao plano contratual. 
 Conforme trazido ao início desse trabalho, umas das formas de violência obstétrica é 
não ser informada dos procedimentos que irão ser realizados e desta forma não ter a 
oportunidade de participar das decisões dos processos decisórios nos três eventos, parto, pré 
parto e pós parto. 
 
104 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo 
Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p 296. 
105 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 134. 
106Id. Ibid, p. 135. 
107 Id. Ibid, p. 135. 
38 
 
 Neste sentido Silvio Salvo Venosa faz a seguinte menção: 
 
A omissão na informação correta ao paciente pode acarretar responsabilidade 
profissional. As situações de emergências devem ser devidamente sopesadas. As 
informações somente podem ser suprimidas quando efetivamente não poderem ser 
prestadas. O princípio a ser levado em conta é que, quanto mais arriscada a 
intervenção do profissional, seja com tratamento, seja com cirurgia, tanto mais 
necessária tornam-se a advertência e a informação aos paciente108. 
 
 
 Neste sentido é importante observar que a episiotomia, conforme a pesquisa “Nascer 
no Brasil” é um procedimento que é feito sem consentimento prévio da parturiente, sendo ele 
uns dos únicos realizado desta forma. A pesquisa ainda relata que 53% dos partos vaginais no 
nosso país, entretanto a OMS recomenda que apenas em 10% dos casos é necessário. Em se 
tratando de primeiro filho o índice chega a 74%109. 
 A episiotomia é uma cirurgia, que causa uma série de desconforto na mulher, pois lesa 
estruturas do períneo, tais como os músculos, vasos sanguíneos e tendões, o que pode ter 
como resultado, incontinência fecal e urinária, dor nas relações sexuais, risco de infecção e 
laceração perineal nos seguintes partos, pode ocorrer também sangramento em maior 
quantidade e também pode causar um resultado estético indesejável110. 
 Desta forma é clara a responsabilidade do médico, sendo a responsabilidade solidária 
dos agentes que participaram do resultado danoso, havendo a fixação de valores referentes de 
danos morais e materiais. Fazendo-se presente ainda o pensionamento resultado da 
paralisação do exercício laboral da vítima. Conforme os dispostos nos artigos 948, 949 e 950: 
Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outras 
reparações: 
I - no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o luto da 
família; 
II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em 
conta a duração provável da vida da vítima. 
Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o ofendido 
das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além 
de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido. 
Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu 
ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além 
das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá 
pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da 
depreciação que ele sofreu. 
Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja 
arbitrada e paga de uma só vez. 
 
 Aplica-se ainda no caso de indenização devida por aquele que, no exercício de 
atividade profissional, por negligência ou imperícia, causar morte do paciente, agravar-lhe o 
mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho. 
 Diante da responsabilidade civil, quando o assunto é episiotomia encontramos o 
acórdão seguinte no sítio do Supremo Tribunal Federal (STF), julgado pela Segunda Turma. 
 
108 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 139. 
109 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos 
casos de Violência Obstétrica. vol. 2. N° 1. p. 257- 277 
110 Cad. Esc. Dir. Rel. Int. (UNIBRASIL), vol. 2, nº 25, Jul/Dez. 2016, p. 48-60 
 
 
39 
 
Esse acórdão foi encontrado por intermédio da palavra-chave “episiotomia” e o ministro 
relator foi Celso de Mello: 
E m e n t a: responsabilidade civil objetiva do poder público – elementos estruturais 
– pressupostos legitimadores da incidência do art. 37, § 6º, da constituição da 
república – teoria do risco administrativo – hospital público que integrava, à época 
do fato gerador do dever de indenizar, a estrutura do ministério da saúde – 
responsabilidade civil da pessoa estatal que decorre, na espécie, da inflição de danos 
causada a paciente em razão de prestação deficiente de atividade médico-hospitalar 
desenvolvida em hospital público – lesão esfincteriana obstétrica grave – fato 
danoso para a ofendida resultante de episiotomia realizada durante o parto – omissão 
da equipe de profissionais da saúde, em referido estabelecimento hospitalar, no 
acompanhamento pós- cirúrgico – danos morais e materiais reconhecidos – 
ressarcibilidade – doutrina – jurisprudência – recurso de agravo improvido. (stf, ai 
852237 agr, relator(a): Min. Celso de Mello, segunda turma, julgado em 25/06/2013, 
acórdão eletrônico dje-176 divulg 06-09-2013 public 09-09-2013, grifo nosso)111. 
 
 Podemos perceber nesse caso que houve a responsabilização do poder público tendo 
em vista a aplicação da teoria do risco administrativo. 
 Silvio de Salvo Venosa faz a seguinte observação: 
 
A relação médico paciente pode até mesmo ser de natureza estatutária, se o 
profissional for de hospital pertencente ao Estado. O médico que atua como 
funcionário público, causando dano a paciente, deve ser absorvido pela 
responsabilidade objetiva do art.37,§ 6º, da Constituição.O Estado terá regresso 
contra o médico se este tiver agido com culpa. Na responsabilidade civil do Estado, 
em matéria de atendimento médico, o que está em jogo é a chamada falta de serviço 
público causadora de dano ao particular, e não a responsabilidade de um agente 
público em particular (VENOSA, 2004, p. 114)112. 
 
 
 Ao analisar o acórdão, verifica-se que houve sim a omissão do Poder Público, quando 
ele não orientou a parturiente sobre o procedimento que seria aplicado no parto e também dos 
riscos que poderia lhe afligir. Ficando, desta forma, clara que umas das formas de violência 
obstétrica é a perda de autonomia da mulher, deixando ela de ser protagonista de seu parto, do 
nascimento do seu próprio filho. Conduta que teve como resultado o prejuízo de sua 
integridade física, psíquica e sexual. 
 Ficou presente no acórdão 852237, relator (a): Min. Celso de Mello, segunda turma, 
julgado em 25/06/2013, os elementos que caracterizam a Responsabilidade Civil e Objetiva 
do Poder Público, pois restouclaro que houve uma situação de fato que possibilitou o evento 
danoso. Houve também a ação e omissão do agente público atenuada pela lesão à vítima, 
competindo ao Estado indenizar pelo dano moral e/ou material. Ficando claro que não é 
necessária a caracterização de culpa dos agentes estatais. 
 No acórdão seguinte, também sobre a episiotomia a jurisprudência se manifesta sobre 
a responsabilidade subjetiva do médico: 
 
111 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. BRASÍLIA, DF,09 de setembro de 2013. Disponível em:< 
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/busca?q=AI+852237+episiotomia> acesso em: 15 de setembro de 
2017. 
112 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2004, p 114. 
 
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/busca?q=AI+852237+episiotomia
40 
 
 Trata-se de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso 
extraordinário interposto de acórdão, cuja segue transcrita: 
 
 APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. DANOS MATERIAIS E 
MORAIS. LUCROS CESSANTES. PARTO NORMAL. EPISIOTOMIA. 
LASCERAÇÃO PERINAL DE 4º GRAU. SUTURA DESCONTROLE NA 
ELIMINAÇÃO DE DEJETOS. INSUCESSO NA TENTATIVA DE CORREÇÃO. 
DANOS EVIDENTES. ERRO GROSSEIRO. IMPERÍCIA. NEGLIGÊNCIA. 
NEXO CAUSAL. CULPA RECONHECIDA. DEVER DE INDENIZAR. 1. 
Responsabilidade do médico: A relação de causalidade é verificada em toda ação do 
requerido, evidente o desencadeamento entre o parto, a alta premature e os danos 
físicos e morais, causando situação deplorável à apelante, originada de dilaceração 
perinal de 4º grau. Configurado erro grosseiro, injustificável, com resultado nefasto, 
o qual teve por causa a imprudência e negligência do requerido. Dever de 
indenizar.2. Danos morais: evidentes, procedimento realizado de forma a técnica, 
causando sofrimento físico e moral, constrangimento, humilhação, angústia, 
impossibilidade de levar uma vida normal, desemprego, alto estresse familiar. 
Procedência. 3. Danos materiais: comprovados através de recibos e notas fiscais. 
Procedência. 4. APensionamento\: paralisação da atividade produtiva da vítima, 
enquanto perdurou o tratamento para reconstrução do períneo. Parcial procedência. 
DERAM PARCIAL PROVIMENTO AO APELO. (STF - AI: 810354 RS, Relator: 
Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Data de Julgamento: 15/12/2010, Data de 
Publicação: DJe-001 DIVULG 04/01/2011 PUBLIC 01/02/2011, grifo nosso)113. 
 
 Podemos verificar que no julgado analisado verificou-se uma laceração perinal de 4º 
grau, resultado da violência obstétrica, do trauma sofrido, que trouxe desconforto a mulher, 
como incontinência fecal, provocando o desequilíbrio emocional, social e psicológico da 
parturiente. 
 O caso a seguir reporta-se a episiotomia que foi realizada sem o devido respeito aos 
procedimentos corretos e o resultado foi à morte da parturiente. Observe-se que a 
responsabilidade penal, mesmo que haja a reparação dos danos na esfera civil, também pode 
incidir-se nos casos de violência obstétrica. 
 
APELAÇÃO CRIMINAL. HOMICÍDIO CULPOSO. Parto normal com 
episiotomia. ART. 121, § 3º, DO cp. INCIDÊNCIA DA MAJORANTE DO § 4º DO 
MESMO DISPOSITIVO LEGAL. (inobservância de regra técnica de profissão). 
Pena que não merece redimensionamento. Demonstrado que o réu agiu com 
negligência, imprudência e imperícia, e que dita conduta levou a paciente a óbito, 
pois, após o parto com episiotomia, deixou de realizar procedimento de revisão do 
reto, o que propiciou a comunicação do conteúdo fecal com o canal vaginal, 
culminando com infecção generalizada, que evoluiu com a morte da vítima, mostra- 
se correta a sua condenação pela prática do delito de homicídio culposo. 
Aplicabilidade da causa de aumento de pena prevista no § 4º do art. 121 do CP, por 
inobservância de regra técnica de profissão. Pena definitiva de dois anos de 
detenção, substituída por duas restritivas de direito, consistentes na prestação de 
serviços à comunidade e prestação pecuniária, que se mostra adequada ao caso, não 
ensejando redimensionamento. APELAÇÃO DESPROVIDA.(TJ/RS, Apelação 
 
113 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. BRASÍLIA, 06 de Fevereiro de 2007. Disponível em:< 
https://stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/18006554/agravo-de-instrumento-ai-810354-rs-stf> acesso em 15 de 
setembro de 2017 
https://stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/18006554/agravo-de-instrumento-ai-810354-rs-stf
41 
 
crime nº: 70053392767, Relatora: DES.ª LizeteAndreisSebben, 2ª Câmara Criminal, 
julgado em 14/11/2013)114. 
 
 
 Observa-se nesse acórdão que o médico foi condenado porque agiu com negligência, 
imprudência e imperícia, pois não realizou a revisão do toque retal depois de realizada a 
episiotomia, pois se assim tivesse feito verificaria a lesão, de modo que poderia ser reparado a 
tempo e a hora. Perceba que o procedimento não realizado pelo médico é mencionado como 
regra técnica de profissão, quando na realidade é mais um procedimento violento que é 
resultado de uma violência anterior que é a episiotomia. A paciente reclamara de dor, porém 
o médico liberou sua alta, o que resultou em infecção generalizada “septicemia”, e depois de 
vinte cinco dias internada na Unidade Terapêutica Intensiva (UTI) hospitalar a paciente veio a 
falecer. E conforme já estudado anteriormente, do médico exigia-se diferente conduta, tendo 
demonstrado a sua culpabilidade plena e sendo ele imputável. 
 Outra forma comum de violência obstétrica é a manobra de Kristeller, conforme já 
tratado nas modalidades de violência obstétrica, nesse trabalho, a manobra de Kriteller se 
baseia em pressões que são aplicadas inadequadamente no fundo uterino justamente no 
momento expulsivo. Essa prática é comprovadamente desnecessária e prejudicial, pois causa 
dano no momento de sua execução, sendo que essa prática por si só contraria normas do 
Ministério da Saúde. 
 
Ação de indenização por danos materiais e morais – Responsabilidade solidária dos 
requeridos – Hospital e Administradora de Plano de Saúde – Conduta culposa do 
médico anestesista caracterizada – Realização de manobra com empurrão da barriga 
da parturiente sem orientação ou solicitação do médico obstetra – Manobra 
desnecessária – Consequências para a parturiente representada por lesões que 
extrapolam aquelas aceitáveis e previstas para o parto natural – Procedimentos de 
reparação – Sofrimento que extrapola o mero dissabor – Danos morais 
caracterizados – Fixação do valor de indenização em atendimento aos princípios da 
razoabilidade e proporcionalidade – Danos materiais – Não caracterização – 
Inexistência de sequelas incapacitantes – Não demonstração de impossibilidade de 
exercício de atividade laboral por período superior àquele que seria dispensado aos 
cuidados com o filho recém-nascido – Acolhimento parcial do pedido inicial – 
Partilha dos ônus de sucumbência – Recurso parcialmente provido.(TJ-SP - APL: 
00086400820138260011 SP 0008640-08.2013.8.26.0011, Relator: Marcia Dalla 
Déa Barone, Data de Julgamento: 27/09/2016, 3ª Câmara de Direito Privado, Data 
de Publicação: 28/09/2016)115. 
 
 
 
114 RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça. Porto Alegre, 14 de Novembro de 2017. Disponível em: 
<https://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/113388642/apelacao-crime-acr-70053392767-rs/inteiro-teor-
113388652>. Acesso em 15 de Setembro de 2017. 
 
115 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SÃO PAULO, 29 de Setembro de 2015. Disponível em: < https://tj-
sp.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/388928947/apelacao-apl-86400820138260011-sp-0008640-
0820138260011/inteiro-teor-388928984> . Acesso em 16 de Setembro de 2017. 
 
 
https://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/113388642/apelacao-crime-acr-70053392767-rs/inteiro-teor-113388652
https://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/113388642/apelacao-crime-acr-70053392767-rs/inteiro-teor-11338865242 
 
 Encontra-se nesse julgado, também a responsabilidade civil por erro médico, neste 
caso, sendo resultado da execução da manobra de Kristeller, que causou lesões ao neonato, 
como a paralisia cerebral. 
 Analisados os acórdãos, fica comprovada a caracterização da violência obstétrica, 
porém, mesmo existindo as normas e regulamentos na esfera do Ministério da Saúde, 
lamentavelmente, não existe nenhuma legislação brasileira específica, sobre o tema, não há na 
esfera civil e nem mesmo na criminal, contrário do que acontece na Argentina e Venezuela 
conforme já mencionamos no primeiro capítulo deste trabalho. 
 Fato este que nos deixa uma missão, a falta de legislação própria não pode nos 
impossibilitar, como operadores do direito, de buscar a punição dessa prática, pois nos resta 
claro que a prática de violência obstétrica viola os princípios de direitos basilares do estado 
Democrático do Direito, nos permitindo aplicar à responsabilidade civil a equipe hospitalar, 
ao Estado e ainda nos permite a aplicação da lei penal, conforme ficou demonstrado nesse 
capítulo. 
 Por fim que se possa caminhar com o dever de fazer do Direito um instrumento das 
lutas feministas objetivando que a violência obstétrica seja identificada como uma forma de 
violência contra mulher. 
 
43 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 Verificamos que a violência obstétrica pode se caracterizar de formas diversas no pré 
natal , pré parto e trabalho de parto e parto. Desde a não informação sobre os procedimentos e 
seus riscos e a não autorização para realização destes procedimentos, a injúria verbal 
caracterizada por palavras ofensivas, impedindo a mulher de exibir o que sentia naquele 
momento antecedente ou durante o parto. 
 Observa-se ainda que as práticas de violência obstétrica não são reconhecidas como 
praticas violentas, pois, naquele momento as mulheres estão passando pelos momentos e 
emoções mais importantes de suas vidas, e talvez por isso as mulheres que passam por estas 
experiências violentas não falam sobre o assunto e muitas vezes preferem não se recordar. 
Sendo assim faz-se importante tratar sobre os direitos humanos da mulher, durante o período 
de gestação, parto e pós-parto impreterivelmente nas consultas de pré-natal tendo-se nesses 
momentos a chance de descrever sobre esse assunto, conscientizando-as a respeito das 
deliberações concernentes a seu corpo e seu parto, tendo ela condição de questionar e 
denunciar as práticas de violência. 
 Podemos dizer que a violência obstétrica é uma das modalidades da violência de 
gênero, sendo ela interligada na estrutura social e que pela falta de informação, a maioria das 
mulheres, sequer compreende que sofrem abusos. É no tocante à admissão e potencialização 
dos direitos humanos que a mulher tem o poder de ser protagonista, cabendo a ela decidir 
sobre seu próprio corpo. É ela quem deve concordar ou não com os procedimentos que serão 
realizados em seu corpo. 
 Esse trabalho nos traz a possibilidade de debater no meio acadêmico a execução de 
atos e erro medico, possibilitando o aprofundamento sobre a responsabilidade civil nos casos 
de violência obstétrica, analisando os julgados no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), 
Superior Tribunal de Justiça (STJ) e demais tribunais estaduais. 
 Podemos perceber nesta pesquisa que os julgados não mencionam o termo “violência 
obstétrica”, contribuindo para invisibilidade do fato quando se trata de processo judicial. 
Sabemos que existem os quadros violadores que evidenciam a prática, e mesmo assim os 
danos ou violências ainda não são compreendidos no termo “violência obstétrica”. Não só as 
parturientes como também os operadores de direito não portam ciência acerca da matéria. 
 A partir da possibilidade das responsabilizações, conforme demonstrado no percurso 
do trabalho, faz-se obrigatório à necessidade de que a violência obstétrica seja declarada pelos 
agentes de Justiça e tratada nos julgados. Desta forma faz-se necessário a capacitação 
continuado dos magistrados. 
 Não podemos trazer de forma generalizada às condutas médicas e dos profissionais de 
saúde, pois sendo parte delas necessárias e emergenciais, porém nos julgados trazidos a este 
estudo ficou claro o erro médico em relação às práticas mencionadas de violência obstétrica. 
 A luta é pelo reconhecimento da violência obstétrica seja considerada judicialmente 
não sendo ela vista comente como erro médico, mas sim como uma modalidade de violência 
de gênero. Desta forma ha a espera ansiosa pelo dia em que restará mencionado a verdadeira 
nomenclatura em um caso julgado diante de uma prática tão violenta, fria e cruel. E por isso 
sugerimos que trabalhos futuros realizem estudos quanto à responsabilização penal dos 
agentes violadores. 
 Podemos, a partir de este trabalho verificar, que a violência obstétrica, em suas 
diversas modalidades, conclui que estamos submergidos em uma sociedade sexista e 
preconceituoso e que as práticas que são conceituadas como normais e costumeiras, violam 
direitos como integridade física, a dignidade da pessoa humana, que subtraem da mulher o 
direito de protagonizar. 
44 
 
 Essas modalidades devem ser erradicadas, conforme defende a Organização Mundial 
da Saúde (OMS) e devem ser, de forma eficaz, punidas, em especial quando se trata de 
responsabilidade civil dos profissionais de saúdes, autores ou coautores. 
 
 
 
45 
 
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Acesso em: 10 de out. 2017. 
 
REVISTA BRASILEIRA DE DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS. Reflexos da 
Responsabilidade Civil e Penal nos Casos de Violência Obstétrica. Brasília. V.2, n° 1. 
Jan/Jun.2016.Disponívelem:<www.indexlaw.org/index.php/garantiasfundamentais/article/do
wnload/911/905> acesso em: 10 Set. 2017. 
 
BRASIL.CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR (1990). Lei n°8.078, de 11 Setembro. 
Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/18078.htm>. Acesso em: 10 
Ago.2017. 
 
AGUIAR, Janaína Marques de. Violência Institucional em Maternidades Públicas: 
hostilidades ao invés de acolhimento como uma questão de gênero. Janaína Marques de 
Aguiar. São Paulo, 2010. Disponível em:< 
http://www.scielo.br/pdf/icse/2010nahead/aop4010> Acesso em: 11 out.2017. 
 
REDE PARTO DO PRINCÍPIO. Violência Obstétrica: Parirás com Dor. Dísponível em: 
http://www.senado.gov.br/comissões/documentos/SSCEPI/DOC%20367.pdf>. Acesso em 03 
Set. 2017. 
 
BEAUVOIR, Simone de. O Segundo Sexo: Fatos e Mitos. 4ª. Ed. Tradução de Sérgio 
Milliet. Difusão Européia do Livro, São Paulo, 1970. 
 
 
 
 
 
ANEXO I 
LEI DE PROTEÇÃO INTEGRAL PARA MULHERES 
Lei 26.485 
http://revistas.unibrasil.com.br/cadernosdireito/index.php/direito/article/viewFile/865/822
http://www.indexlaw.org/index.php/garantiasfundamentais/article/download/911/905
http://www.indexlaw.org/index.php/garantiasfundamentais/article/download/911/905
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/18078.htm
http://www.scielo.br/pdf/icse/2010nahead/aop4010
http://www.senado.gov.br/comissões/documentos/SSCEPI/DOC%20367.pdf
48 
 
Lei de proteção abrangente para prevenir, punir e erradicar a violência contra 
mulheres em áreas onde desenvolvem suas relações interpessoais 
Sancionado: 11 de março de 2009. 
Promulgada de fato: 1 de abril de 2009. 
O Senado e a Câmara dos Deputados da Nação Argentina reuniram-se no Congresso, etc. 
sanção com força de lei: 
LEI DE PROTEÇÃO INTEGRAL PARA PREVENIR, PENAR E ERRADICAR A 
VIOLÊNCIA 
CONTRA AS MULHERES NAS ÁREAS ONDE OS DESENVOLVIMENTOS SEUS 
RELACIONAMENTOS 
INTERPERSONAL 
TÍTULO I 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
ARTIGO 1 - Âmbito de aplicação. Ordem pública. As disposições desta lei 
são de ordem pública e são aplicáveis em todo o território da República, com exceção de 
disposições de natureza processual estabelecidas no Capítulo II do Título III deste documento. 
ARTIGO 2 - Objeto. O objetivo desta lei é promover e garantir: 
a) A eliminação da discriminação entre mulheres e homens em todos os níveis da 
vida 
b) O direito das mulheres de viver uma vida sem violência; 
c) As condições adequadas para sensibilizar e prevenir, sancionar e erradicar a discriminação 
e 
violência contra as mulheres em qualquer das suas manifestações e áreas; 
d) O desenvolvimento de políticas públicas interinstitucionais sobre violência contra as 
mulheres 
mulheres; 1947) 
e) A remoção de padrões socioculturais que promovam e sustentam a desigualdade de 
relações de gênero e poder sobre as mulheres; 
f) Acesso à justiça para as mulheres que sofrem violência; 
g) Assistência integral às mulheres que sofrem violência em áreas públicas e privadas 
para realizar atividades de programa para mulheres e / ou serviços 
violência especializada. 
SECÇÃO 3 - Direitos Protegidos. Esta lei garante todos os direitos reconhecidos pela 
Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, a 
Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, 
Convenção sobre os Direitos da Criança e da Lei 26.061 sobre a Proteção Integral das 
Crianças 
Direitos das Meninas, Meninos e Adolescentes e, especialmente, aqueles referidos: 
a) Uma vida sem violência e sem discriminação; 
b) Saúde, educação e segurança pessoal; 
c) Integridade física, psicológica, sexual, econômica ou patrimonial; 
d) Que a sua dignidade seja respeitada; 
e) Decidir sobre a vida reprodutiva, o número de gravidezes e quando as ter, de 
de acordo com a Lei 25.673 de Criação do Programa Nacional de Saúde Sexual e 
Procriação responsável; 
f) Intimidade, liberdade de crença e pensamento; 
g) Receba informações e conselhos adequados; 
h) Desfrute de medidas abrangentes de assistência,proteção e segurança; 
i) Aproveite o acesso gratuito à justiça em casos que se enquadram no âmbito da aplicação de 
a lei atual; 
49 
 
j) A verdadeira igualdade de direitos, oportunidades e tratamento entre homens e mulheres; 
k) Um tratamento respeitoso das mulheres que sofrem violência, evitando qualquer conduta, 
atuação ou 
omissão que produz revictimização. 
ARTIGO 4 - Definição. A violência contra as mulheres é entendida como todo 
comportamento, 
ação ou omissão, direta ou indiretamente, tanto na esfera pública como no 
privado, baseado em uma relação de poder desigual, afeta sua vida, liberdade, dignidade, 
integridade física, psicológica, sexual, econômica ou patrimonial, bem como sua segurança 
pessoal São incluídas as pessoas perpetradas pelo Estado ou seus agentes. 
A violência indireta é considerada, para os propósitos desta lei, toda conduta, ação 
omissão, provisão, critério ou prática discriminatória que coloca as mulheres em desvantagem 
com respeito ao homem. 
ARTIGO 5 - Tipos. Eles estão especialmente incluídos na definição do artigo 
precedendo, os seguintes tipos de violência contra as mulheres: 
1.- Física: A que é usada contra o corpo da mulher produzindo dor, dano ou risco de 
produza-o e qualquer outra forma de abuso agressivo que afete sua integridade física. 
2.- Psicológico: aquele que causa danos emocionais e diminui a auto-estima ou prejudica e 
perturba o desenvolvimento pessoal completo ou que busca degradar ou controlar suas ações, 
comportamentos, crenças e decisões, através de ameaças, assédio, assédio, 
restrição, humilhação, desonra, descrédito, manipulação de isolamento. Inclui também o 
culpa, vigilância constante, demanda de obediência, submissão, coerção verbal, 
perseguição, insulto, indiferença, abandono, ciúmes excessivos, chantagem, ridículo, 
exploração e limitação do direito de circulação ou qualquer outro meio que cause danos à 
sua saúde psicológica e autodeterminação. 
3.- Sexual: qualquer ação que implique a violação em todas as suas formas, com ou sem 
acesso 
genital, do direito de uma mulher decidir voluntariamente sobre sua vida sexual ou 
saúde reprodutiva através de ameaças, coerção, uso da força ou intimidação, incluindo 
violação dentro do casamento ou outros relacionamentos relacionados ou de parentesco, 
independentemente de 
coexistência, bem como prostituição forçada, exploração, escravidão, assédio, abuso sexual e 
Trata-se de mulheres. 
4.- Econômico e patrimonial: o que é direcionado para causar uma diminuição nos recursos 
direitos econômicos ou patrimoniais, através de: 
a) A perturbação da posse, posse ou propriedade de seus bens; 
b) A perda, roubo, destruição, retenção ou distração indevida de objetos, 
ferramentas de trabalho, documentos pessoais, ativos, valores e direitos econômicos; 
c) A limitação dos recursos econômicos destinados a satisfazer suas necessidades ou privação 
dos meios indispensáveis para viver uma vida digna; 
d) A limitação ou controle de seus rendimentos, bem como a percepção de um salário mais 
baixo para 
a mesma tarefa, no mesmo local de trabalho. 
5.- Simbólico: o que através de padrões estereotipados, mensagens, valores, ícones ou sinais 
transmitir e reproduzir a dominação, a desigualdade e a discriminação nas relações sociais, 
naturalizando a subordinação das mulheres na sociedade. 
ARTIGO 6 - Modalidades. Para os propósitos desta lei, as modalidades são definidas como 
formas em que diferentes tipos de violência contra as mulheres se manifestam na 
diferentes áreas, sendo especialmente incluídas as seguintes: 
a) Violência doméstica contra a mulher: exercida contra as mulheres por uma 
50 
 
membro do grupo familiar, independentemente do espaço físico onde ocorre, o que 
dano digno, bem-estar, integridade física, psicológico, sexual, econômico ou 
patrimonial, liberdade, incluindo liberdade reprodutiva e direito a 
desenvolvimento das mulheres. O grupo familiar é entendido como originário do parentesco 
ou consanguinidade ou afinidade, casamento, uniões de fato e casais ou namoro. 
Inclui relações atuais ou completas, não exigência de convivência; 
b) Violência institucional contra as mulheres: realizada pelos funcionários, 
profissionais, pessoal e agentes pertencentes a qualquer órgão, entidade ou instituição 
público, cujo objetivo é atrasar, impedir ou impedir que as mulheres tenham acesso a 
políticas públicas e exercer os direitos previstos nesta lei. Eles estão incluídos, 
Além disso, aqueles que são exercidos em partidos políticos, sindicatos, organizações 
empresariais, 
esportes e sociedade civil; 
c) Violência trabalhista contra a mulher: aquilo que discrimina as mulheres nos campos de 
trabalho público ou privado e isso dificulta seu acesso ao emprego, contratação, promoção, 
estabilidade ou permanência nele, exigências exigentes sobre o estado civil, maternidade, 
idade, aparência física ou a realização de testes de gravidez. Também constitui violência 
contra as mulheres no local de trabalho violando o direito à igualdade de remuneração 
igualmente 
tarefa ou função. Também inclui assédio psicológico de forma sistemática 
um trabalhador determinado para conseguir sua exclusão trabalhista; 
d) Violência contra a liberdade reprodutiva: uma que viole o direito das mulheres de 
decidir de forma livre e responsável o número de gravidezes ou o intervalo entre os partos, 
de acordo com a Lei 25.673 da Criação do Programa Nacional de Saúde Sexual e 
Procriação responsável 
e) Violência obstétrica: exercida pelo pessoal de saúde no corpo e nos processos 
direitos reprodutivos das mulheres, expressos em um tratamento desumanizado, abuso de 
medicalização e patologização de processos naturais, de acordo com a Lei 25.929. 
f) Violência da mídia contra as mulheres: a publicação ou disseminação de mensagens e 
imagens estereotipadas através de qualquer meio de comunicação de massa, que de certa 
forma 
direta ou indireta promova a exploração das mulheres ou suas imagens, injurie, difame, 
discriminar, desonrar, humilhar ou ameaçar a dignidade das mulheres, bem como a 
uso de mulheres, adolescentes e meninas em mensagens pornográficas e imagens, 
legitimar a desigualdade de tratamento ou construir padrões reprodutivos socioculturais da 
desigualdades ou geradores de violência contra as mulheres. 
TÍTULO II 
POLÍTICAS PÚBLICAS 
CAPÍTULO I 
PRECISOS DE RECTORES 
ARTIGO 7 - Princípios orientadores. Os três poderes do Estado, sejam nacionais ou 
autoridades provinciais, devem adotar as medidas necessárias e devem ratificar em cada uma 
de suas ações a 
respeito irrestrito ao direito constitucional à igualdade entre mulheres e homens. Para o 
o cumprimento dos propósitos desta lei deve garantir os seguintes preceitos 
reitores: 
a) Eliminação de discriminação e relações de poder desiguais sobre as mulheres; 
b) A adopção de medidas destinadas a sensibilizar a sociedade, promovendo valores de 
Igualdade e deslegitimação da violência contra as mulheres; 
51 
 
c) Assistência de forma abrangente e atempada para as mulheres que sofrem de qualquer tipo 
de 
violência, assegurando acesso gratuito, rápido, transparente e efetivo aos serviços criados 
para esse fim, além de promover a sanção e reeducação daqueles que exercem violência; 
d) A adoção do princípio da transversalidade estará presente em todas as medidas, bem como 
na execução das disposições normativas, articulando interinstitucionalmente e 
coordenação de recursos orçamentários; 
e) O incentivo à cooperação e participação da sociedade civil, comprometendo-se a 
entidades privadas e atores públicos não estatais; 
f) Respeitar o direito à confidencialidade e à privacidade, proibindo a reprodução 
para uso privado ou divulgação pública de informações relacionadas a situações de 
violência contra a mulher,sem autorização da pessoa que a sofre; 
g) A garantia da existência e disponibilidade de recursos econômicos que permitam a 
conformidade com os objetivos desta lei; 
h) Todas as ações que conduzam à realização dos princípios e direitos reconhecidos pela 
Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra 
Mulheres 
CAPÍTULO II 
AGÊNCIA COMPETENTE 
ARTIGO 8 - Órgão competente. O Conselho Nacional para as Mulheres será o corpo 
reitor responsável pela elaboração de políticas públicas para efetivar as disposições da 
lei atual. 
ARTIGO 9 - Poderes. O Conselho Nacional para a Mulher, para garantir a realização de 
os objetivos desta lei, devem: 
a) Desenvolver, implementar e monitorar um Plano Nacional de Ação para Prevenção, 
Assistência e erradicação da violência contra as mulheres; 
b) Articular e coordenar ações para o cumprimento desta lei, com os diferentes 
áreas envolvidas nos níveis nacional, provincial e municipal, e com as áreas universitárias, 
sindicatos, organizações empresariais, religiosas, organizações para a defesa dos direitos de 
mulheres e outros da sociedade civil com competência no campo; 
c) Convocar e estabelecer um Conselho Consultivo Ad Honorem, composto por 
representantes de 
organizações da sociedade civil e círculos acadêmicos especializados, que levará 
Aconselhar e recomendar em cursos de ação e estratégias apropriadas para 
enfrentar o fenômeno da violência; 
d) Promover nas diferentes jurisdições a criação de serviços de assistência integral e 
livre para mulheres que sofrem violência; 
e) Garantir modelos de abordagem tendentes a capacitar as mulheres que sofrem 
violência que respeite a natureza social, política e cultural do problema, não 
admitindo modelos que contemplam formas de mediação ou negociação; 
f) Gerar os padrões mínimos para detecção precoce e abordar situações de 
violência; 
g) Desenvolver programas de assistência técnica para as diferentes jurisdições destinadas à 
prevenção, detecção precoce, assistência precoce, reeducação, referência interinstitucional e 
à elaboração de protocolos para os diferentes níveis de atenção; 
h) Fornecer treinamento permanente, treinamento e treinamento no assunto para 
funcionários públicos no campo da Justiça, da polícia e das forças de segurança, e 
Forças Armadas, que serão ensinadas de forma integral e específica de acordo com cada área 
de 
ação, de um módulo básico respeitando os princípios consagrados nesta lei; 
52 
 
i) Coordenar com as áreas legislativas o treinamento especializado, em matéria de violência 
contra as mulheres e a implementação dos princípios e direitos reconhecidos pela 
Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra 
Mulheres para legisladores e conselheiros; 
j) Promover, através de associações e associações profissionais, o treinamento de 
pessoal dos serviços que, por suas atividades, podem intervir em casos 
de violência contra as mulheres; 
k) Projetar e implementar Registros de situações de violência contra as mulheres em um 
inter-jurisdicional e interinstitucional, em que os indicadores básicos são estabelecidos 
aprovado por todos os ministérios e secretarias competentes, independentemente da 
para determinar cada área para fins específicos, e acordado no âmbito dos Conselhos 
Federal com competência na matéria; 
l) Desenvolver, promover e coordenar com as diferentes jurisdições os critérios para a 
seleção de dados, modalidade de registro e indicadores básicos desagregados - como 
mínimo por idade, sexo, estado civil e profissão ou ocupação das partes, ligação entre o 
mulher que sofre violência e o homem que a exerce, natureza dos fatos, medidas 
adotados e seus resultados, e sanções impostas à pessoa violenta. Você deve garantir 
a reserva em relação à identidade das mulheres que sofrem violência; 
m) Coordenar com o poder judicial os critérios de seleção de dados, modalidade de 
Registro e indicadores que a integram que funcionam em ambos os poderes, 
independentemente de 
aqueles que definem cada um para os fins que são dele; 
n) Analisar e disseminar periodicamente dados estatísticos e resultados de pesquisa 
A fim de monitorar e adaptar as políticas públicas através do Observatório da Violência 
Contra as mulheres; 
ñ) Elaborar e publicar um Guia de Serviços em coordenação e atualização permanente com 
as diferentes jurisdições, fornecendo informações sobre os programas e serviços de 
assistência direta; 
o) Implementar uma linha telefônica gratuita e acessível de forma articulada com as 
províncias 
através de agências governamentais relevantes, visando fornecer contenção, informações 
e fornecer conselhos sobre os recursos existentes na prevenção da violência 
contra as mulheres e assistência aos que sofrem com ela; 
p) Estabelecer e manter um registro de organizações não-governamentais 
especializado no campo em coordenação com as jurisdições e para concluir acordos para a 
desenvolvimento de atividades preventivas, controle e execução de medidas de assistência à 
mulheres que sofrem violência e reabilitação de homens que exercem violência; 
q) Promover campanhas de conscientização e conscientização sobre violência contra mulheres 
mulheres, informando sobre os direitos, recursos e serviços que o Estado garante 
instalando a condenação social de todas as formas de violência contra as mulheres. Publicar 
materiais 
de difusão para apoiar as ações das diferentes áreas; 
r) Concluir acordos com organizações públicas e / ou instituições privadas para qualquer ação 
propiciando o cumprimento do alcance e dos objetivos desta lei; 
s) Convocar e pôr em funcionamento o Conselho, Consultivo das organizações da sociedade 
civil 
e elaborar o seu regulamento operacional interno; 
t) Promover a criação de redes na comunidade, a fim de desenvolver modelos de 
atenção e prevenção interinstitucional e intersetorial, que unem e coordenam 
esforços de instituições públicas e privadas; 
53 
 
u) Garantir o acesso a serviços de cuidados específicos para mulheres que são privadas 
liberdade 
CAPÍTULO III 
ORIENTAÇÕES BÁSICAS PARA POLÍTICAS ESTATAIS 
ARTIGO 10. - Fortalecimento técnico de jurisdições. O Estado nacional deve 
promover e fortalecer interinstitucionalmente as diferentes jurisdições para a criação e 
implementação de serviços abrangentes de assistência a mulheres que sofrem de violência e 
as pessoas que o exercem e devem garantir: 
1.- Campanhas de educação e treinamento orientadas para a comunidade para informar, 
sensibilizar e prevenir a violência contra as mulheres nas áreas em que desenvolvem 
relações interpessoais. 
2.- Unidades especializadas em violência no primeiro nível de atenção que trabalham na 
prevenção e assistência de atos de violência, que coordenará suas atividades de acordo com a 
padrões, protocolos e registros estabelecidos, e terá uma abordagem integral para 
seguintes atividades: 
a) Assistência interdisciplinar para avaliação, diagnóstico e definição de estratégias 
embarque; 
b) Grupos de ajuda mútua; 
c) Assistência jurídica gratuita e patrocínio; 
d) Atenção coordenada com a área de saúde que presta assistência médica e psicológica; 
e) Atenção coordenada com a área social fornecida por programas de assistência destinados a 
promover o desenvolvimento humano. 
3.- Programas de assistência econômica para o auto-empoderamento das mulheres. 
4.- Programas escolares comunitários para sustentar a estratégia de 
Auto-empoderamento das mulheres. 
5.- Centros de dia para o fortalecimento integral das mulheres. 
6.- Instâncias de trânsito para a atenção e abrigo de mulheres que sofrem violência em 
os casos em que a permanência em seu domicílio ou residência implica uma ameaça iminente 
para sua integridade física, psicológica ou sexual, ou a de seu grupofamiliar, devem ser 
orientadas 
para a integração imediata ao ambiente familiar, social e de trabalho. 
7.- Programas de reeducação voltados para homens que exercem violência. 
ARTIGO 11. - Políticas públicas. O Estado nacional implementará o desenvolvimento de 
seguindo ações prioritárias, promovendo sua articulação e coordenação com as diferentes 
Ministérios e Secretarias do Poder Executivo Nacional, jurisdições provinciais e 
governos municipais, universidades e organizações da sociedade civil com competência na 
Matéria: 
1.- Chefe do Gabinete de Ministros - Secretaria de Gabinete e Gestão Pública: 
a) Promover políticas específicas que implementem a legislação vigente em matéria de 
assédio 
sexualidade na administração pública nacional e garantir o uso efetivo dos princípios 
de não discriminação e igualdade de direitos, oportunidades e tratamento no emprego público; 
b) Promover, através do Conselho Federal de Função Pública, ações similares na 
domínio das jurisdições provinciais. 
2.- Ministério do Desenvolvimento Social da Nação: 
a) Promover políticas voltadas para o re-alinhamento social e laboral das mulheres que sofrem 
violência; 
b) Desenvolver critérios de priorização para inclusão de mulheres em planos e programas 
de fortalecimento e promoção social e em planos de assistência de emergência; 
c) Promover linhas de treinamento e financiamento para a inserção laboral das mulheres em 
54 
 
processos de assistência à violência; 
d) Apoiar projetos para a criação e implementação de programas para atender à 
emergência para mulheres e cuidado de seus filhos; 
e) celebrar acordos com entidades bancárias para facilitar linhas de crédito para mulheres 
que sofrem violência; 
f) Coordenar com a Secretaria Nacional de Crianças, Adolescentes e Família eo Conselho 
Federal 
de Infância, Adolescência e Família, os critérios de atenção estabelecidos para meninas e 
adolescentes que sofrem violência. 
3.- Ministério da Educação da Nação: 
a) Articular no quadro do Conselho Federal de Educação a inclusão nos conteúdos 
mínimos curriculares da perspectiva de gênero, o exercício da tolerância, respeito e 
liberdade nas relações interpessoais, igualdade entre os sexos, democratização de 
relações familiares, validade dos direitos humanos e deslegitimação de modelos 
Resolução violenta de conflitos; 
b) Promover medidas para incluir a detecção em planos de formação de professores 
violência precoce contra as mulheres; 
c) Recomendar medidas para prever a escolaridade imediata das crianças e 
adolescentes afetados, devido a uma mudança de residência derivada de uma situação 
de violência, até que a exclusão do agressor da casa seja fundamentada; 
d) Promover a incorporação do tema da violência contra a mulher nos currículos 
terciário e universitário, tanto nos níveis de graduação e pós-graduação; 
e) Promover a revisão e atualização de livros didáticos e materiais didáticos com o 
propósito de eliminar estereótipos de gênero e critérios discriminatórios, promovendo o 
igualdade de direitos, oportunidades e tratamento entre mulheres e homens; 
f) As medidas propostas acima serão promovidas no âmbito do Conselho Federal de 
Educação 
4.- Ministério da Saúde da Nação: 
a) Incorporar o problema da violência contra as mulheres nos programas de saúde 
integral da mulher; 
b) Promover a discussão e adoção dos instrumentos aprovados pelo Ministério da Saúde 
da Nação sobre a violência contra as mulheres no âmbito do Conselho Federal de 
Saúde 
c) Projetar protocolos específicos para detecção precoce e cuidados de todos os tipos e 
modalidades de 
violência contra as mulheres, principalmente nas áreas de atenção primária à saúde 
emergências, clínica médica, obstetrícia, ginecologia, traumatologia, pediatria e saúde mental, 
que especificam o procedimento a seguir para o cuidado das mulheres que sofrem 
violência, salvaguardando a privacidade da pessoa assistida e promovendo uma prática 
médica 
não é sexista. O procedimento deve garantir a obtenção e preservação de elementos 
evidência; 
d) Promover serviços ou programas com equipes interdisciplinares especializadas em 
prevenção e atenção à violência contra a mulher e / ou aqueles que a exercem com a 
uso de cuidados e protocolos de referência; 
e) Promover a aplicação de um Registro de pessoas atendidas por situações de violência 
contra as mulheres, que coordena os níveis nacional e provincial. 
f) Assegurar a assistência especializada de crianças que testemunham violência; 
g) Promover acordos com a Superintendência de Serviços de Saúde ou uma agência que, em 
um 
55 
 
substituí-lo no futuro, para incluir programas de prevenção e assistência à violência 
contra mulheres, em estabelecimentos de assistência médica, segurança social e 
entidades de medicamentos pré-pagos, que devem incorporá-los em sua cobertura em 
igualdade 
condições com outros benefícios; 
h) Incentivar o treinamento contínuo do pessoal médico de saúde para melhorar a 
diagnóstico precoce e atenção médica com perspectiva de gênero; 
i) Promover, no âmbito do Conselho Federal de Saúde, o acompanhamento e 
acompanhamento do 
aplicação dos protocolos. Para o efeito, as organizações nacionais e provinciais podem 
Celebrar acordos com instituições e organizações da sociedade civil. 
5.- Ministério da Justiça, Segurança e Direitos Humanos da Nação: 
5.1. Ministério da Justiça: 
a) Promover políticas para facilitar o acesso das mulheres à justiça através da implementação 
de 
março e fortalecimento de centros de informação, assessoria jurídica e patrocínio 
livre legal 
b) Promover a aplicação de acordos com associações profissionais, instituições acadêmicas e 
organizações da sociedade civil para prestar assistência jurídica especializada e gratuita; 
c) Promover a unificação de critérios para a elaboração de relatórios judiciais sobre a 
situação de risco das mulheres que sofrem violência; 
d) Promover a articulação ea cooperação entre as diferentes instâncias judiciais envolvidas 
a fim de melhorar a eficácia das medidas judiciais; 
e) Promover a elaboração de um protocolo para a recepção de denúncias de violência contra 
mulheres, a fim de evitar a judicialização desnecessária dos casos que exigem 
outro tipo de abordagem; 
f) Fomentar instâncias de troca e coordenação com o Supremo Tribunal de Justiça da 
Nação para encorajar treinamento específico em diferentes níveis do Poder Judicial 
referiu-se ao assunto; 
g) Incentivar a formação de espaços de treinamento específicos para profissionais jurídicos; 
h) Promover pesquisas sobre causas, natureza, gravidade e 
consequências da violência contra as mulheres, bem como a eficácia das medidas 
aplicado para preveni-lo e reparar seus efeitos, divulgando periodicamente os resultados; 
i) Garantir o acesso a serviços de cuidados específicos para mulheres privadas de liberdade. 
5.2. Secretaria de Segurança: 
a) Promover na polícia e nas forças de segurança, o desenvolvimento dos serviços 
programas interdisciplinares que prestam apoio às mulheres que sofrem violência para 
otimizar suas 
atenção, encaminhamento a outros serviços e cumprimento de disposições judiciais; 
b) Desenvolver, no âmbito do Conselho de Segurança Interna, os procedimentos básicos para 
concepção de protocolos específicos para a polícia e as forças de segurança, a fim de 
respostas adequadas para evitar a revictimização, facilitar a devida atenção, assistência e 
proteção policial para as mulheres que vem apresentar reclamações na sede da polícia; 
c) Promover a articulação da polícia e das forças de segurança que intervêm no 
atenção à violência contra as mulheres com instituições governamentais e 
organizações da sociedade civil; 
d) Sensibilizar e treinar a polícia e as forças de segurança sobre o tema da violência 
contraas mulheres no âmbito do respeito pelos direitos humanos; 
e) Incluir nos programas de treinamento das questões da polícia e das forças de segurança e / 
ou 
56 
 
Conteúdo curricular específico sobre os direitos humanos das mulheres e especialmente 
sobre a violência com uma perspectiva de gênero. 
5.3. Secretaria de Direitos Humanos e Instituto Nacional contra a Discriminação, a 
Xenofobia e Racismo (INADI): 
a) Promover a inclusão do problema da violência contra as mulheres em todos 
programas e ações da Secretaria de Direitos Humanos da Nação e do INADI, em 
articulação com o Conselho Federal de Direitos Humanos. 
6.- Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social da Nação: 
a) Desenvolver programas de conscientização, treinamento e incentivos para empresas e 
sindicatos 
para eliminar a violência no local de trabalho contra as mulheres e promover a igualdade de 
direitos, 
oportunidades e tratamento no local de trabalho, ter que respeitar o princípio da não 
discriminação 
em: 
1. Acesso ao trabalho, em termos de convocação e seleção; 
2. A carreira profissional, em termos de promoção e treinamento; 
3. Permanência no local de trabalho; 
4. O direito a uma remuneração igual pela mesma tarefa ou função. 
b) Promover, através de programas específicos, a prevenção do assédio sexual contra 
mulheres no campo das empresas e sindicatos; 
c) Promover políticas voltadas para treinamento e inclusão laboral de mulheres que sofrem 
violência; 
d) Promover o respeito pelos direitos trabalhistas das mulheres que sofrem violência, em 
particularmente quando devem estar ausentes do seu local de trabalho para cumprir 
prescrições profissionais, tanto administrativas quanto emanadas de decisões 
judicial. 
7.- Ministério da Defesa da Nação: 
a) Adaptar os regulamentos, códigos e práticas internas das Forças Armadas ao 
Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher e a 
Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra 
Mulheres; 
b) Promover programas e / ou medidas de ações positivas destinadas a erradicar padrões de 
discriminação contra as mulheres nas Forças Armadas para admissão, promoção 
e permanência neles; 
c) Sensibilizar os diferentes níveis hierárquicos sobre o tema da violência contra as mulheres 
mulheres no âmbito do respeito pelos direitos humanos; 
d) Incluir temas e / ou conteúdos específicos nos programas de treinamento 
direitos humanos e violência das mulheres com uma perspectiva de gênero. 
8.- Secretaria da mídia nacional: 
a) Promover a divulgação de mensagens e campanhas do Sistema Nacional de Mídia 
sensibilização permanente e conscientização voltada para a população em geral e em 
particular às mulheres sobre seu direito de viver uma vida livre de violência; 
b) Promover nos meios de comunicação de massa o respeito pelos direitos humanos de 
mulheres e o tratamento da violência desde uma perspectiva de gênero; 
c) Fornecer formação aos profissionais da mídia de massa na violência 
contra as mulheres; 
d) Incentivar a eliminação do sexismo na informação; 
e) Promover, por uma questão de responsabilidade social corporativa, campanhas de 
divulgação 
57 
 
publicidade para prevenir e erradicar a violência contra as mulheres. 
CAPÍTULO IV 
OBSERVATÓRIO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES 
Artigo 12. - Criação. Criar o Observatório da Violência contra as Mulheres 
no âmbito do Conselho Nacional para as Mulheres, para o acompanhamento, recolha, 
produção, 
registro e sistematização de dados e informações sobre a violência contra as mulheres. 
ARTIGO 13 - Missão. O Observatório será desenvolver um sistema 
informação permanente que você fornecer dados para a concepção, implementação e gestão 
visando a prevenção e erradicação da violência contra as políticas públicas das mulheres. 
ARTIGO 14 - Funções. As funções do observatório de violência contra 
mulheres: 
a) recolher, tratar, registar, analisar, publicar e divulgar informações regulares e 
diacronicamente sistemática e comparável e sincronicamente sobre a violência contra as 
mulheres; 
b) Promover o desenvolvimento de estudos e pesquisas sobre evolução, prevalência, tipos e 
formas de violência contra as mulheres, suas consequências e efeitos, identificando 
esses fatores sociais, culturais, econômicas e políticas que são de alguma forma 
associados ou pode constituir fundamento de violência; 
c) Para incorporar os resultados de suas pesquisas e estudos sobre relatos de que o Estado 
levantar as organizações regionais e internacionais nacionais sobre a violência contra 
mulheres; 
d) Para entrar em acordos de cooperação com entidades públicas ou privadas, nacionais ou 
agências 
internacional, a fim de coordenar o desenvolvimento de estudos interdisciplinares e 
investigações; 
e) Criar uma rede de informação e divulgar os dados recolhidos cidadania, estudos e 
actividades do Observatório através de seu próprio site ou ligado ao portal 
Conselho Nacional das Mulheres. Criar e manter uma base documental atualizada 
permanentemente aberto ao público; 
f) Para examinar as melhores práticas na prevenção e erradicação da violência 
contra as mulheres e as experiências inovadoras no campo e espalhá-los, a fim de ser 
adoptadas por estas organizações e instituições nacionais, provinciais ou municipais 
julgarem; 
g) coordenar as ações com as agências governamentais com jurisdição sobre 
direitos humanos das mulheres, a fim de monitorar a implementação de políticas 
prevenção e erradicação da violência contra as mulheres, para avaliar o seu impacto e 
desenvolver propostas de acções e reformas; 
h) Incentivar e promover a organização e realização de debates públicos regulares com 
participação de centros de pesquisa, instituições acadêmicas, organizações 
sociedade civil e representantes do público e, agências privadas nacionais e 
com a concorrência internacional no campo, promovendo a troca de experiências e 
identificação de questões e problemas relevantes para a agenda pública; 
i) Proporcionar formação, aconselhamento e apoio técnico a entidades públicas e privadas 
a aplicação dos Registos e protocolos; 
j) Coordenar ações do Observatório da Violência contra a Mulher com os outros 
Observatórios que existem a nível provincial, nacional e internacional; 
k) Para publicar o relatório anual sobre as actividades, que deve conter 
informações sobre estudos e investigações e propostas de reformas 
institucional ou política. Será divulgada ao público e elevado à 
58 
 
autoridades com competência na matéria a tomar as medidas adequadas. 
ARTIGO 15. - Integração. O Observatório da Violência contra as Mulheres vai 
integrado por: 
a) Uma pessoa nomeada pelo presidente do Conselho Nacional das Mulheres, que exercem 
Observatório endereço, deve ter formação acreditada em pesquisa social e 
direitos humanos; 
b) Uma equipe interdisciplinar adequado na técnica. 
TÍTULO III 
PROCEDIMENTOS 
CAPÍTULO I 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
Artigo 16 - Direitos e garantias mínimas de procedimentos judiciais e administrativos 
você. agências estaduais devem garantir às mulheres, em qualquer processo 
judicial ou administrativa, além de todos os direitos reconhecidos na Constituição 
Nacionais, Tratados Internacionais de Direitos Humanos ratificados pelo Nation 
Argentina, esta lei e as leis promulgadas em conformidade, os seguintes direitos e 
garantias: 
a) A gratuidade dos processos judiciais e representação legal de preferência 
especializada; 
b) Para se obter uma resposta eficaz e atempada; 
c) Para ser ouvido pessoalmente pelo juiz e pela autoridade administrativa competente; 
d) Na sua opinião levada em conta quando se chegar a uma decisão que afeta; 
e) Para receber proteção judicial urgente e preventiva quando são ameaçados ou 
violounenhum dos direitos previstos no artigo 3 da presente lei; 
f) a protecção da sua privacidade, garantindo a confidencialidade dos procedimentos; 
g) Para participar no processo de receber informação de estado da causa; 
h) Para receber tratamento humano, evitando revitimização; 
i) a evidência amplitude para provar as alegações, tendo em conta 
circunstâncias especiais em que atos de violência são desenvolvidos e que a sua 
testemunhas naturais; 
j) para se opor às inspecções no seu corpo fora do âmbito estrito da 
a ordem judicial. Deve mimá-los e perícia judicial tem o direito de ser 
acompanhado por alguém de confiança como eles são realizados por uma equipe profissional 
especializado e treinado com o gênero; 
k) Para ter mecanismos eficientes para denunciar funcionários por violação 
os prazos estabelecidos e outras irregularidades. 
ARTIGO 17. - Procedimentos Administrativos. jurisdições locais podem determinar a 
anterior ou posterior aos tribunais para execução desta procedimentos da lei, 
que será implementada pelos municípios, comunas, comitês de desenvolvimento, quadros, 
delegações 
Conselhos Provinciais de Mulheres ou áreas descentralizadas, juízes de paz ou 
organizações de sua própria escolha. 
Artigo 18. - Denúncia. Pessoas que trabalham em serviços de saúde, 
social, educação e saúde, pública ou privada, que a razão ou ocasião 
suas tarefas Tomaren conhecimento de um ato de violência contra as mulheres na 
termos da presente lei, são obrigados a apresentar relatórios, conforme o caso, 
mesmo nos casos em que o ato não definidos ofensa. 
CAPÍTULO II 
PROCEDIMENTO 
ARTIGO 19 - Scope. jurisdições locais no âmbito da sua 
59 
 
competência, ditar as suas regras de procedimento ou aderir às disposições processuais 
fornecidas 
nesta lei. 
ARTIGO 20. - Características do procedimento. O procedimento será livre e 
sumariamente. 
ARTIGO 21. - Apresentação da queixa. A denúncia foi apresentada pela violência 
contra as mulheres pode ser feita antes de qualquer juiz / juíza em qualquer jurisdição ea 
instância ou 
perante o Ministério Público, na forma oral ou escrita. 
identidade reserva do queixoso será salvo. 
ARTIGO 22 - Jurisdição. Compreender as causas / Juiz / a que é competente 
razão da matéria de acordo com os tipos e formas de violência em questão. 
Mesmo em caso de incompetência, / Juiz / a interveniente pode impor as medidas 
Preventiva que considere adequadas. 
ARTIGO 23. - Exposição de Polícia. No caso em que atender apenas um serviço de polícia 
exposição vai vesti-la e surge a possível existência de violência contra as mulheres, 
deve submetê-la à autoridade judiciária competente no prazo de vinte e quatro (24) 
horas 
ARTIGO 24. - As pessoas que podem fazer a reclamação. As queixas podem ser 
feito: 
a) Para a mulher que se considera lesada ou seu representante legal sem restrições; 
b) A criança ou adolescente diretamente ou através de seus representantes legais concordam 
que 
estabelecido na Lei 26,061 de Protecção dos Direitos da Criança e 
Adolescentes 
c) Qualquer pessoa, se a vítima tem uma deficiência ou sua condição física ou 
psíquica não poderia pedir-lo; 
d) Nos casos de violência sexual, a mulher que sofreu é o único autorizado a 
autor da queixa. Quando o mesmo que ser feita por um terceiro, a mulher serão convocados 
para 
homologar ou corrigir o em quatro (24) horas. A autoridade judiciária competente 
tomará as medidas necessárias para prevenir a causa tomar pública estadual. 
e) A denúncia criminal será obrigatório para qualquer pessoa agindo em ocupacionalmente 
cuidados de saúde, serviços sociais, educacionais e de saúde, público ou privado, que 
razão ou por ocasião das suas funções Tomaren conhecimento de que uma mulher sofre 
violência 
desde que os fatos podem constituir um crime. 
ARTIGO 25. - assistência de protecção. Em todos os casos, o processo será admitido o 
presença de um / a companheiro como assistência protetora pro bono, desde a mulher 
sofrer violência e pediu o único propósito de preservar a saúde física e psicológica 
da mesma. 
ARTIGO 26. - medidas preventivas urgentes. 
a) Durante qualquer fase do processo / Juiz / a interveniente pode, por sua própria iniciativa 
ou a pedido 
de uma festa, encomendar um ou mais das seguintes medidas preventivas de acordo com os 
tipos e 
as formas de violência contra as mulheres como definidos nos artigos 5 e 6 deste 
lei: 
a. 1. Ordenar a proibição abordar o suposto agressor à residência, 
trabalho, estudo, entretenimento e locais de ocorrência habitual da mulher 
60 
 
sofre violência; 
a.2. Encomendar o presumível autor de cessar actos de interferência ou intimidação, 
direta ou indiretamente, executar contra as mulheres; 
a.3. Ordenar o regresso imediato dos efeitos pessoais para o partido em movimento, se ele 
Tem sido privado do mesmo; 
A.4. Proibir a alegada compra agressor e posse de armas, e ordenar a apreensão de 
que são na sua posse; 
A.5. Fornecer medidas para proporcionar aqueles que sofrem violência ou exercícios, 
mediante 
necessitam de assistência médica ou psicológica, através de agências públicas e 
organizações da sociedade civil especializadas na formação em prevenção e cuidados 
violência contra as mulheres; 
A.6. medidas de tipo de segurança na casa da mulher; 
A.7. Classificar todas as outras informações necessárias para garantir a segurança das 
mulheres como sofrimento 
violência, para que cesse a violência e evitar a repetição de qualquer ato de 
perturbação ou intimidação, agressão e abuso contra as mulheres agressor. 
b) Não obstante as medidas previstas na alínea a) desta seção, onde 
o modo da violência doméstica contra as mulheres, / Juiz / a pode ordenar 
seguintes medidas preventivas urgentes: 
b.1. Proibir a alegada alienar agressor, alienar, destruir, ocultar ou transferir bens 
gananciales da união conjugal ou parceiro doméstico comum; 
b.2. Ordenar a exclusão do agressor da moradia comum, independentemente de 
propriedade da mesma; 
B.3. Decidir o reembolso para a casa da mulher se ela tinha se aposentado, após a exclusão 
a casa do suposto autor; 
B.4. Ordenar as forças de segurança, que acompanha as mulheres que sofrem violência, sua 
casa para recuperar seus pertences pessoais; 
B.5. Se o caso de um casal com filhos / as, uma quota de alimentos ser definido 
provisória, se for o caso, de acordo com a informação de fundo sobre a causa e de acordo 
as regras sobre o assunto; 
B.6. Se a vítima for menor de idade, ele / Judge / a, uma decisão fundamentada e 
tendo em conta a opinião e o direito a uma audição da criança ou adolescente lata 
conceder a tutela de um membro do seu agregado familiar, por consanguinidade ou afinidade, 
ou 
outros membros da família estendida família ou comunidade. 
B.7. Ordenar a suspensão provisória da visitação; 
B.8. Encomendar o presumível autor se abstenham de interferir de forma alguma no exercício 
guardião, criação e educação / as filhos / as; 
b.9. Ter o inventário de propriedade da comunidade da sociedade conjugal e da propriedade 
que se exerce e sofre violência. Em casos de casais coabitantes 
ter o inventário da propriedade de cada um; 
B.10. Conceder o uso exclusivo de mulheres vítimas de violência, para o período que 
considere 
móveis conveniente da casa. 
Artigo 27 - Poderes / Juiz / a. A / Juiz / a pode emitir mais de uma medida de 
Depois de determinar a duração da mesma de acordo com as circunstâncias, e 
deve estabelecer uma duração máxima dos mesmos, por auto fundada. 
ARTIGO 28. - Audição. A / Juiz / a interveniente irá definir uma audiência, que deve 
pessoalmente tomar sob pena de nulidade, dentro de quarenta e oito (48) horas 
61 
 
ordenou que as medidas do artigo 26, ou se você não tomar qualquer um deles, a partir do 
tempo tomou conhecimentoda reclamação. 
O presumível autor deve aparecer sob pena de ser levado perante o 
julgado com a ajuda da polícia. 
Nessa audiência, você vai ouvir as partes separadamente sob pena de nulidade, e condenar a 
medidas que considerar pertinentes. 
Se a vítima de violência, independentemente da criança ou adolescente deve I contemplou 
estipulado pela 
Lei 26,061 de Proteção Integral dos Direitos da Criança e do Adolescente. 
Audiências estão proibidos de mediação ou conciliação. 
ARTIGO 29. - Reports. Sempre que possível ele maio / Judge / a interveniente pode 
exigem um relatório feito por uma equipe interdisciplinar para determinar danos 
física, psicológica, econômica ou de outra forma sofrida pelas mulheres ea situação perigosa 
em que ele está localizado. 
Este relatório deve ser apresentado no prazo de quarenta e oito (48) horas, a fim de que 
Você pode aplicar outras medidas para interromper ou suspender qualquer dos mencionados 
na 
Artigo 26. 
A / Juiz / a interveniente pode também considerar os relatórios a serem elaborados pela 
equipes interdisciplinares de administração pública no, dano físico psicológico, 
econômica ou de outra forma sofrida por mulheres e perigo, evitando produzir 
novos relatórios que vitimam. 
Você também pode considerar relatórios de organizações profissionais da sociedade civil 
adequada para enfrentar a violência contra as mulheres. 
Artigo 30 - as provas, princípios e medidas. A / Juiz / a terá amplos poderes para 
ordenar e promover o processo, pode ter as medidas necessárias para 
investigar os eventos, localize o paradeiro do suposto autor, e proteger os que estão no 
risco de mais violência, governando o princípio da obtenção da verdade 
material 
ARTIGO 31 - Resoluções. Governou o princípio da ampla liberdade condicional por 
provar as alegações, avaliando as evidências fornecidas de acordo com o 
princípio do julgamento de som. os pressupostos são considerados para contribuir 
demonstração dos fatos, se eles são uma evidência séria, precisa e consistente. 
Artigo 32 - Sanções. Com o fracasso das medidas ordenadas, ele / Judge / a 
você pode avaliar a conveniência das modificar, pode ampliar ou encomendar outros. 
Diante de um novo padrão sem prejuízo de quaisquer responsabilidades civis ou criminais 
aplicar o / Juiz / a deve aplicar alguns / s das seguintes sanções: 
a) Aviso ou wake-up call para o ato cometido; 
b) informar sobre atos de violência ao corpo, instituição, união, associação 
profissional ou local de trabalho do agressor; 
c) Presença obrigatória do agressor reflexivo, programas educacionais ou terapêuticos 
visando modificar o comportamento violento. 
Além disso, quando a desobediência falha configure ou outro crime, o juiz deve 
colocar o fato no conhecimento / Juiz / a com competência em matéria penal. 
ARTIGO 33. - Recurso. Resoluções de concessão, recusa, interromper, 
modificar ou distribuir a cessação de quaisquer medidas preventivas urgentes ou impor 
sanções podem ser objecto de recurso no prazo de 3 (três) dias úteis. 
Recurso contra decisões de concessão de medidas preventivas urgentes ser concedida 
relacionamento e devolutivo. 
O recurso contra resoluções que prevêem a interrupção ou a cessação de tais medidas 
62 
 
É concedida por e suspensivo. 
Artigo 34 - Acompanhamento. Durante o processamento do caso, pelo tempo que julgar 
apropriada, ele / Judge / a deve monitorar a eficácia das medidas e decisões tomadas, e 
seja através da aparência das partes no tribunal, muitas vezes como é ordenado, 
e / ou através da intervenção de uma equipe interdisciplinar, que elaborar relatórios 
jornais sobre a situação. 
ARTIGO 35. - Reparação. A parte lesada pode buscar reparação civil por 
danos, de acordo com as regras comuns que regem a matéria. 
Artigo 36 - Obrigações dos / as trabalhadores / as. / Como funcionários / polícia como, 
judicial, trabalhadores da saúde e outros / a funcionário / a pública / aa que frequentam o 
mulheres afetadas são obrigados a comunicar: 
a) A legislação de direitos dá a violência que sofre mulher, e na 
serviços governamentais disponíveis para os seus cuidados; 
b) Como e em que a conduta a ser assistido no processo; 
c) Como preservar as provas. 
Artigo 37 - Records. A Suprema Corte de Justiça da Nação deve manter registros 
queixas sociodemográficas sobre atos de violência realizados no âmbito deste 
lei especificando a idade mínima, estado civil, profissão ou ocupação da mulher 
sofre violência e o agressor; ligação com o agressor, a natureza dos fatos, 
medidas tomadas e seus resultados, bem como as sanções impostas ao infrator. 
Os tribunais envolvidos em casos de violência fornecidas por esta lei deve apresentar 
anualmente informações relevantes para este registro. 
Acesso aos registros requer motivos claros e autorização judicial prévia, assegurando 
a confidencialidade da identidade das partes. 
A Suprema Corte de Justiça da Nação fazer estatísticas de acesso público 
permitem conhecer, pelo menos, as características daqueles que exercem ou sofrem violência 
e 
suas formas, ligação entre as partes, o tipo de acções e resultados, e tipo 
e quantidade de sanções aplicado. 
ARTIGO 38. - A colaboração de organizações públicas e privadas. A / Juiz / a Maio 
solicitar ou aceitar amicus curiae colaboração de organizações ou entidades 
pública ou privada dedicada à proteção dos direitos das mulheres. 
Artigo 39. - Isenção de encargos. Ações com base nesta lei 
isentar de vedação taxas, depósitos e qualquer outro imposto, não obstante 
previsto no artigo 68 do Código, Processo Civil e Comercial sobre 
costas. 
Artigo 40 - Regras complementares. Deve também aplicar esquemas 
processo correspondente de acordo com os tipos e formas de violência relatado. 
TÍTULO IV 
DISPOSIÇÕES FINAIS 
ARTIGO 41. - Em nenhum caso a conduzir, actos ou omissões fornecido para neste 
conta de importação criar novos crimes ou a alteração ou revogação da 
vigor. 
Artigo 42 - Lei 24.417 de Família, Violência, Protecção é aplicável 
em casos de violência doméstica não abrangidos por esta lei. 
ARTIGO 43. - Os itens que são necessários para a implementação desta 
lei será fornecido anualmente na Administração Geral Lei do Orçamento 
Nacional 
ARTIGO 44. - A lei vai entrar em vigor após a sua publicação no Diário Oficial 
a nação. 
63 
 
ARTIGO 45. - Contacte o Executivo Nacional. 
DADA NA CÂMARA DO CONGRESSO ARGENTINO, em Buenos Aires, THE 
ONCE dia de março de dois mil e nove. 
- registrado sob o nº 26,485 - 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
64 
 
ANEXO II 
 
 
Lei do Parto Humanizado, Lei Nacional nº 25.929, Argentina, 2004. 
 
 Solicitar ao Poder Executivo, que através do organismo que corresponda, inicie dentro de suas 
atividades uma campanha destinada a conscientizar a sociedade sobre a importância do acompanhamento da 
mulher durante o parto por uma pessoa de sua escolha, e dos benefícios que significa para a saúde do binômio 
mãe-filho. 
 Senado e Câmara dos Deputados da Nação Argentina reunidos em Congresso,etc., sancionam com 
força de lei: 
 Art. 1º.- A presente lei será de aplicação tanto ao âmbito público como privado da atenção da saúde no 
território da Nação. As obras sociais regidas por leis nacionais e as entidades de medicina particulares deverão 
deve fornecer benefícios obrigatórios nos termos desta lei, que são incorporados automaticamente ao Programa 
Médico Obrigatório. 
 Art. 2º.- Toda mulher, em relação à gestação, trabalho de parto, parto e pós-parto,tem os seguintes direitos: 
 a) A ser informada sobre as distintas intervenções médicas que poderão ocorrer durante estes processos, de 
modo que possa optar livremente quando existirem diferentes alternativas. 
 b) A ser tratada com respeito, e de modo individual e personalizado que lhe garanta a intimidade durante todoo processo assistencial e tenha em consideração seus padrões culturais. 
 c) A ser considerada, em sua situação a respeito do processo de nascimento, como pessoa sã, de modo que se 
facilite sua participação como protagonista de seu próprio parto. 
 d) Ao parto natural, respeitoso dos tempos biológico e psicológico, evitando práticas invasivas e ministro de 
medicação que não estejam justificados pelo estado de saúde da parturiente ou da pessoa por nascer. 
 e) A ser informada sobre a evolução de seu parto, o estado de seu filho ou filha e, em geral, que seja 
participante das diferentes atuações dos profissionais. 
 f) A não ser submetida a nenhum exame ou intervenção cujo propósito seja de investigação, salvo 
consentimento manifestado por escrito e sob protocolo aprovado pelo Comitê de Bioética. 
 g) A estar acompanhada, por uma pessoa de sua confiança e escolha, durante o trabalho de parto, parto e pós-
parto. 
 h) A ter a seu lado seu filho ou filha durante a permanência no estabelecimento sanitário, sempre que o recém-
nascido não requeira de cuidados especiais. 
 i) A ser informada, desde a gestação, sobre os benefícios do aleitamento materno e receber apoio para 
amamentar. 
 j) A receber assessoria e informação sobre os cuidados de si mesma, e do filho ou filha. 
 k) A ser informada especificamente sobre os efeitos adversos do tabaco, álcool e drogas sobre o filho ou filha 
e ela mesma. 
Art. 3º.- Toda pessoa recém-nascida tem direito: 
a) A ser tratada de forma respeitosa e digna. 
 b) A sua inequívoca identificação. 
 c) A não ser submetida a nenhum exame ou intervenção cujo propósito seja de investigação ou docência, 
salvo consentimento, manifestado por escrito de seus representantes legais, sob protocolo aprovado pelo Comitê 
de Bioética. 
 d) A internação conjunta com sua mãe no quarto, e que a mesma seja o mais breve possível, tendo em 
consideração seu estado de saúde, bem como da mãe. 
 e) Que seus pais recebam adequado assessoramento e informação sobre os cuidados para o seu 
crescimento e desenvolvimento, bem como de seu plano de vacinação. 
 Art. 4º.- O pai e a mãe da pessoa recém-nascida em situação de risco têm os seguintes direitos: 
 a) A receber informações compreensíveis, suficiente e continuada, em um ambiente adequado, sobre o 
processo ou evolução da saúde do seu filho, incluindo o diagnóstico, prognóstico e tratamento. 
 b) A ter acesso contínuo a seu filho, enquanto a situação clínica permita, bem como participar de seu 
cuidado e na tomada de decisões sobre sua assistência. 
 c) A prestar seu consentimento manifestado por escrito a quantos exames ou intervenções que se queira 
submeter seu filho ou filha com fins de pesquisa, sob protocolo aprovado pelo Comitê de Bioética. 
 d) A que se facilite o aleitamento materno da pessoa recém-nascida sempre que não incida 
desfavoravelmente sobre sua saúde. 
 e) A receber assessoramento e informação sobre os cuidados especiais do filho ou filha. 
 Art. 5º.- Será autoridade de aplicação da presente lei o Ministério da Saúde da Nação no âmbito de suas 
competências, nas províncias e na Cidade de Buenos Aires e suas respectivas autoridades sanitárias. 
65 
 
 Art. 6º.- O não cumprimento das obrigações decorrentes da presente lei, por parte das obras sociais e 
instituições médicas privadas, bem como o não cumprimento por parte dos profissionais de saúde e seus 
colaboradores em que prestam serviços, será considerado falta grave aos fins punitivos, sob pena de 
responsabilidade civil ou penal que possa corresponder. 
 Artigo 7 º -. Esta Lei entra em vigor 60 (sessenta) dias após a sua promulgação. 
 Artigo 8 º -. Comunicado ao Executivo. 
Dada no Salão do Congresso argentino, em Buenos Aires, no dia vinte e cinco de agosto de 2004. 
 Sanção - 25 de agosto de 2004 
 Promulgação – 17 de Setembro de 2004 
 
 
 
 
 
 
66 
 
ANEXO III 
 
 
 
Figura 01 – Campanha Argentina contra Violência Obstétrica 
 
 
 
Fonte: El Mostrador. Disponível em: http://www.elmostrador.cl/braga/2017/05/19/que-es-la-
violencia-obstetrica-y-que-hacer-para-que-no-te-pase/ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
67 
 
ANEXO IV 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 02: Mulheres esperando em fila para cesáreas.
 
 
 
Fonte: Santa Ana Maternity, Caracas. Oct. 19, 2011. (Carlos Garcia Rawlins/Reuters) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
68 
 
ANEXO V 
 
 
 
 
 
Figura 03: episiotomia 
 
 
 
 
Fonte: Paty Sampaio Doula. Disponível em: 
http://www.euqueropartonormal.com.br/eqpn/tag/kristeller/. 
 
 
 
 
http://www.euqueropartonormal.com.br/eqpn/tag/kristeller/
69 
 
ANEXO VI 
 
 
 
 
Figura 04: Enfermeira empurrando a barriga da mulher para adiantar o parto 
 
 
 
 
 
Fonte: Paty Sampaio Doula. Disponível em: 
http://www.euqueropartonormal.com.br/eqpn/tag/kristeller/. 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.euqueropartonormal.com.br/eqpn/tag/kristeller/
70 
 
ANEXO VII 
 
 
Figura 4: Discussão sobre os procedimentos de Episiotomia e Episiorrafia 
 
 
 
71 
 
ANEXO VIII 
 
Figura 5: Matéria jornalística que explana o receio de mulheres quando expostas ao parto 
desumanizado 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
72 
 
 
Figura 6: Relato da parturiente exposta na figura 5 
 
 
 
 
 
Figura 7: Idem figura 6 
73 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
74 
 
ANEXO IX 
Figura 8: Materia Jornalistica sobre a necessidade de um parto mais humanizado. 
 
 
 
 
 
75 
 
 
 
76 
 
 
 
 
 
 
77 
 
 
 
 
 
 
78 
 
 
 
 
 
79 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
80 
 
ANEXO X 
 
Tramitação do Projeto de Lei que trata sobre a violência Obstétrica no Brasil.

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