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7 [Digite texto] RESUMO A Violência Obstétrica Frente Aos Direitos Sociais Da Mulher Autores Ana Cristina De Souza Serrano Mascarenhas Graciele De Rezende Alves Pereira Este trabalho é de revisão literária, desenvolvido através de pesquisas feitas a partir de material já publicado, cujos autores discutem o tema violência obstétrica, que se caracteriza por uma prática exercida por profissionais de saúde, no que diz respeito ao corpo e aos processos reprodutivos da mulher se manifestando por uma atenção desumanizada, abuso de ações intervencionais, medicalização e a transformação patológica dos processos de parturição fisiológicas, e assim comprovam as ideias expostas ao longo do mesmo, tem como objetivo demonstrar a vulnerabilidade da mulher e do nascituro no momento do nascimento e puerpério, ainda, demonstrar as formas mais comuns da violência obstétrica como episiotomia e a manobra de kristeller que são intervenções violentas que são aceitas e consideradas naturais. Sendo essa violência muito presente não identificada como violência contra a mulher. Tendo como justificativa a necessidade de se estudar, discutir e falar sobre o assunto tratado. No decorrer, abordar-se-á os mais importantes aspectos da responsabilidade civil dos profissionais de saúde na prática de erro médico, indicando as controvérsias trazidas pelos doutrinadores e apresentação de posicionamentos dos tribunais a cerca do assunto. Ainda, dar- se-á breve análise da Lei do Parto Humanizado da Argentina. Pretende-se assim, com este trabalho, ressaltar o quão é importante o enfretamento dessas questões, e contribuir na conscientização humana para com a violência obstétrica, pois se trata de uma luta política para o reconhecimento desta violência no âmbito dos direitos sexuais. Palavras-chave: violência obstétrica, direito da mulher, parto, responsabilidade civil. 2 INTRODUÇÃO A violência obstétrica 1 é caracterizada pela imposição de intervenções danosas à integridade física e psicológica das parturientes, perpetrada pelos profissionais de saúde, bem como pelas instituições (públicas e privadas) nas quais tais mulheres são atendidas. O termo “Violência Obstétrica 2 ” foi criado pelo Dr. Rogelio Pérez D’ Gregorio presidente da Sociedade de Obstetrícia de Ginecologia da Venezuela, fato que contribuiu para que iniciassem as lutas pela eliminação e punição de todas as práticas reconhecidas como violentas durante o atendimento e assistência ao parto. A violência obstétrica aborda três eventos diferentes do atendimento no serviço de saúde são eles: o pré-parto; o parto e o pós parto. Nesse contexto é importante ressaltar a importância da participação da mulher no processo decisório durante esses três eventos. Conforme estudos, o sentimento de não ser informada e não ter participado nas decisões foram associados à insatisfação. Inegavelmente, o parto é um momento importante na vida de uma mulher, sendo assim, sugere-se que seja a protagonista, com o cuidado e apoio promovido pelos profissionais desta área, tornando o parto o mais natural e humano possível. O processo de parir é fisiológico e desta forma a mulher necessita apenas de acolhimento, apoio, atenção e o mais importante: humanização. No Brasil, a violência institucional das maternidades e hospitais, é pouco discutida ou debatida. Essa forma de agressão é comum e justificada pelas dificuldades estruturais, capacitação pessoal e profissional deficitária nesse aspecto, e como resultado também se justifica pela própria impunidade de tais práticas. A violência presente nos corpos das mulheres e gravadas em seus respectivos conscientes gera trauma e essa experiência vivida solitariamente nesse momento fere direitos humanos como: igualdade, dignidade, respeito, justiça e valor da pessoa humana. Faz-se importante destacar que a violência obstétrica se enquadra como crime. A episiotomia, sem autorização pode ser considerada crime de lesão corporal de acordo com o artigo 129, do Código Penal Brasileiro3. Neste trabalho iremos demonstrar a vulnerabilidade da mulher e do nascituro no momento do nascimento e puerpério, assim como, discorrer sobre a violência obstétrica que viola direitos da personalidade humana, fundamentais aos dois sujeitos de direito. Desta forma acredita-se que a mulher deve protagonizar, saber e decidir sobre o seu corpo e se vai consentir com os procedimentos realizados no mesmo. 1 Cad. Esc. Dir. Rel. Int. (UNIBRASIL), vol. 2, nº 25, Jul/Dez. 2016, p. 48-60 2 Id. 3 BRASIL. Decreto Lei nº 2.848, de 07 de Dezembro de 1940. Lesão Corporal, Brasília, DF, dez 1940. 3 Diante de um cenário de dano à saúde física ou psicológica para mãe e filho surge a necessidade de responsabilização do profissional de saúde. Diante da ideia de que a responsabilidade pressupõe a violação de um dever jurídico. Ao decorrer desse trabalho, abordar-se-á os mais importantes aspectos da responsabilidade civil dos profissionais de saúde na prática de violência obstétrica, indicando as controvérsias trazidas pelos doutrinadores e apresentação de posicionamentos dos Tribunais a cerca do assunto. Na busca pela igualdade e dignidade humana, justifica-se o estudo, partindo da presunção da vulnerabilidade da mulher diante de sua assistência sexual e reprodutiva em especial no período puerperal, compreendendo que a violência obstétrica também é uma questão de gênero. Partindo da conclusão que a violência obstétrica é uma forma de violência contra a mulher se tornando uma forma especifica de violência de gênero, havendo utilização, de forma arbitrária, da formação técnica por parte dos profissionais de saúde no controle dos corpos e da sexualidade das parturientes. Diante da magnitude social e jurídica do assunto deseja-se enfatizar com este trabalho conhecimentos já concisos e ainda, propor reflexões à sociedade em geral, aos profissionais da saúde, aos juristas, e às parturientes, trazendo visibilidade ao tema aqui tratado. Partindo da conclusão que a violência obstétrica é uma forma de violência contra a mulher se tornando uma forma especifica de violência de gênero, havendo utilização, de forma arbitrária, da formação técnica por parte dos profissionais de saúde, no controle dos corpos e da sexualidade das parturientes esse trabalho contribuirá para que a nossa sociedade jurídica reconheça essa violência como uma das formas de violência de gênero, trazendo em seus julgados tal nomenclatura e não mais reconhecida como pura e simplesmente como “erro médico” pelo único motivo de que a violência obstétrica só pode ocorrer com a participação da mulher, como vítima, sendo ela mãe, parturiente, esposa ou companheira. A metodologia utilizada neste trabalho partiu de uma investigação de caráter explicativo, alicerçado nas análises de casos julgados e contidos nos acórdãos dos respectivos tribunais, de forma que poderíamos diferenciar as condições das sanções sofridas pelos autores da violência obstétrica e também o que a caracterizou. Foram realizadas buscas exploratórias para que pudéssemos nos aprofundar sobre o tema, não sendo encontrado, o tema em específico “violência obstétrica” em obras doutrinárias. O nosso referencial teórico se baseou no Dossiê “Parirás com dor” 4 onde podemos caracterizar a violência e sua modalidades. Os autores, Maria Helena Diniz, Sílvio Salvo Venosa e Pablo Stolze Gagliano, foram também aprofundados a respeito da responsabilidade civil e também foram utilizados a Constituição Federal brasileira e o Código Civil brasileiro. Foram realizadas buscas exploratórias, onde foi identificado que as ementas dos julgados nos casos de violência obstétrica não trazem em seus julgados a nomenclatura “violência obstétrica” e sim “erromédico”. Quando digitamos “violência obstétrica” verificamos que as ações movidas trás essa denominação, porém nas decisões ela vem descrita como forma de “erro médico”. Desta mesma forma, quando digitamos “erro médico parto”, encontramos então as decisões proferidas nos casos de episotomia e manobra de kristller na sua maioria. Foram selecionados os casos mais específicos sobre o tema proposto e também mais marcantes de forma que pudesse ser demonstrada verdadeiramente uma situação de violência 4 PARTO DO PRINCIPIO. Dossiê da Violência Obstétrica “Parirás com Dor”. 2012. <http://www.senado.gov.br/comissoes/documentos/SSCEPI/DOC%20VCM%20367.pdf>. Acesso em 09 de Setembro de 2017. http://www.senado.gov.br/comissoes/documentos/SSCEPI/DOC%20VCM%20367.pdf 4 obstétrica e não de erro médico, tendo em vista que deve haver uma relação com uma ou mais modalidades da violência obstétrica, pois se assim fosse estaríamos diante de um erro médico devido ao parto. Esse trabalho, em seu primeiro capítulo nos traz o conceito, fundamentos e a caracterização do tema “violência obstétrica”, um breve comentário sobre a lei da Argentina, que trata sobre o tema. No segundo capítulo demonstramos os aspectos gerais da responsabilidade civil, seu conceito, elementos e modalidades. No terceiro capítulo traremos abordagens de legislações e jurisprudências pertinentes ao tema e a responsabilidade civil dos profissionais de saúde quanto “erro médico”. 1. A Violência Obstétrica 1.1- Conceito e fundamentos da violência obstétrica Através do movimento de humanização do parto, foi construído o conceito de violência obstétrica. Essa expressão foi criada pelo médico e presidente da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia da Venezuela, Dr. Rogelio Pérez D’ Gregorio5. Foi em 2010, no Jornal Internacional de Ginecologia de Obstetrícia onde a Violência Obstétrica foi caracterizada. A violência obstétrica abrange todos os atos praticados no corpo da mulher e do filho que vem a nascer, sem o consentimento da mulher-mãe, além das realizações de procedimentos já superados pela medicina, como: Episiotomia (corte na região do períneo), é realizado com a justificativa de facilitar a passagem da cabeça do nascituro, período este, chamado de expulsivo. A epsiotomia é um corte cirúrgico feito no períneo e iniciou-se a prática dessa técnica em uma época em que o parto era visto e aceito como um momento de sofrimento para a mulher. Essa prática foi abolida pelos profissionais da medicina baseado em evidências; Enema (lavagem intestinal), intervenção habitual e protocolar. Utilizada com o intuito de evitar a evacuação da mulher durante o trabalho de parto e parto. Justificava-se também que o esvaziamento do intestino por meio da lavagem intestinal daria mais espaço para a passagem do bebê, acelerando o trabalho de parto, o que não foi comprovado pelas evidências científicas. Outra afirmação era que reduziria as chances de contaminação e infecção, o que de acordo com as mesmas evidências, também não é verdadeiro e muito diferente dessa teoria, pois pode aumentar a percepção de dor durante o processo de nascimento, também os riscos de infecção, em função de favorecer a evacuação de fezes líquidas, que podem atingir mais locais do corpo. O que precisamos entender é que o fato de ocorrer evacuação materna durante o trabalho de parto e parto é normal e fisiológico. E isso ocorre com a compressão e massagem intestinal que ocorre com a passagem do bebê no canal vaginal. Não há o que se falar em contaminação, já que no momento que ocorre a evacuação, um pano estéril é colocado rapidamente sobre as fezes. Caso ocorra o contato 5 Dr. Rogelio Pérez D’Gregorio , Presidente da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia da Venezuela. Disponível em: https://violenciaobstetricablog.wordpress.com/tag/dr-rogelio-peres-d- gregorio/. Acesso em 10 out 2017 5 indireto das fezes com o bebê o risco é inexistente, pois ao nascer ele deve ser colonizado primeiro pelas bactérias da própria mãe, pois é da mãe que recebe seus primeiros anticorpos; Ocitocina sintética, usado de forma indiscriminada, acarretando outras intervenções como: anestesia, sofrimento fetal, até desencadear em uma cesárea desnecessária. Chamada de “sorinho” é dado para acelerar o trabalho de parto. A ocitocina é um hormônio que o pórpio corpo humano produz, capaz de gerar as contrações uterinas. Todas as mulheres são capazes de produzir a ocitocina, pois é consequência do próprio parto que cria esse equilíbrio hormonal; Fórceps (pinça ou tenaz de que os cirurgiões se servem nas operações, para extrair corpos estranhos), instrumento cirúrgico empregado em certos partos difíceis: a aplicação de fórceps permite apressar a extração da criança são procedimentos prejudiciais e ineficazes, os quais são frequentemente utilizados; Jejum de comida e água, não há justificativa para a restrição de líquidos e alimentos para essas mulheres em trabalho de parto. Os autores destacam que não há estudos em mulheres de alto risco para complicações, não existindo evidências que comprovam essa prática. E em gestantes de baixo risco, onde o "risco" de se precisar de uma anestesia geral é quase nulo, principalmente e mesmo que eventualmente venha a necessidade de uma analgesia de parto pela técnica peridural ou combinada, a ingestão de líquidos claros é permitida e deve ser encorajada; Exames de toque frequentes (usados para conferira dilatação e o encaixe do bebê). O toque só deve ser realizado quando o resultado da avaliação for necessário para conduzir o que vai acontecer a seguir. Muitas das razões pelas quais é realizado poderiam ser avaliadas de outras formas ou não necessariamente precisam ser avaliadas continuamente e a dilatação mesmo é uma delas. Os toques são justificáveis somente quando necessários e é desejável realizá-los com a menor frequência possível. Nada de toque de hora em hora ou a cada duas horas, de rotina. Quando falamos em procedimento de rotina isso significa fazê-lo em todas as mulheres, sem que haja uma indicação clara para utilizá-lo naquele momento específico, para aquela mulher em particular; Rompimento artificial da bolsa, realizado com o objetivo de acelerar o parto; Posição horizontal da mulher (litotomia), Para os médicos "tradicionais" a posição de parir é única: posição de Litotomia, ou seja, deitada com as pernas amarradas, posição ginecológica. Outra técnica sem nenhum fundamento ao não ser que é cômoda somente para o obstetra, assim como somente se explica a tricotomia (raspagem dos pelos), e que dificulta ainda mais o trabalho de parto já que o canal do parto se eleva e você tem que fazer força maior. E nesta posição as chances de laceração de alto grau são grandes; A manobra de kristeller, também não recomendada, porém continua sendo realizada na cesárea e parto normal. Baseia-se em um profissional deitar em cima da parturiente, pressionando a parte superior do útero para acelerar a saída do bebê. Procedimento esse 6 que pode causar graves lesões, na mãe, fratura de costelas e deslocamento da placenta, já os bebês correm o risco de traumas encefálicos; A partir desse conceito outros foram criados, porém para melhor entendimento, faz-se necessário relacionar este conteúdo com os direitos reprodutivos já que é dever do Estado assegurar os direitos sociais e individuais, quando a questão da sexualidade e da reprodução não se limita ao indivíduo. Os direitos sexuais e reprodutivos são reconhecidos em documentos internacionais e nacionais, são, acima de tudo, direitos humanos. Desta forma as pessoas têm o direito de forma livre e responsável, decidirem sobre ter filhose quantos deseja ter. E no tocante a violência obstétrica, o direito a ter informações, meios e métodos direcionados a esse fim. Resumidamente podemos dizer que é o direito de exercer a sexualidade e reprodução sem imposição ou violência e descriminação6. A autora Marlene Tamanini,7 discorre sobre a saúde reprodutiva, os direitos sexuais e reprodutivos, analisando assim, a reprodução, a sexualidade e as políticas, indica os tipos de conteúdo de direitos sexuais e reprodutivos conforme reproduzidos na tabela adaptada abaixo, que também vai se referir aos direitos sexuais que são compreendidos pelos instrumentos internacionais. Tabela I- Direito sexuais e Reprodutivos Tipos de Direitos Sexuais e Reprodutivos Direitos Sexuais( Instrumentos Internacionais) Os direitos de adotar decisões relativas à reprodução sem sofrer descriminação, coerção ou violência. O direito de decidir livremente e responsavelmente sobre sua sexualidade O direito de decidir livre e responsavelmente o número de filhos e o intervalo entre seus nascimentos O direito de ter controle sobre o seu próprio corpo O direito de ter acesso a informação de métodos anticoncepcionais, meios seguros (serviços) disponíveis, acessível à toda a tecnologia disponível para ter ou não filhos. O direito de viver livremente sua orientação sexual, sem sofrer discriminação, coação ou violência. O direito de acesso ao mais elevado padrão de saúde reprodutiva. O direito a receber educação sexual O direito a privacidade O direito a fruir progresso científico e a consentir livremente com a experimentação, com os devidos cuidados éticos recomendados pelos instrumentos internacionais O direito de ter a prática sexual desvinculada da gerência do Estado e da reprodução 6 Cad. Esc. Dir. Rel. Int. (UNIBRASIL), vol. 2, nº 25, Jul/Dez. 2016, p. 48-60 7 TAMANINI, M. Novas tecnologias reprodutivas conceptivas: bioética e controvérsias. 2004. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ref/v12n1/21693.pdf> Acesso em 07 set 2017. 7 A sexualidade como direito da personalidade Fonte: Tabela adaptada autora TAMINI 20048 Além disso, no princípio 4 da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento do Cairo9, ficou consolidado que os direitos sexuais e reprodutivos são parte inalienável, integral e indivisível dos direitos humanos universais. Desta forma fica claro e objetivo que é imprescindível que a comunidade internacional tenha por objetivos a participação integral da mulher com condições isonômicas na vida civil, cultural, econômica e social, bem como a erradicação de todas as formas de descriminação. Constata-se que se as prerrogativas acima referidas lhe são negadas, quando se retira da mulher a autoridade sobre seu próprio corpo, a possibilidade da mulher que dará a luz de ter autonomia e empoderamento para a escolha do parto, assim como dos procedimentos médicos que estará sujeita sem o seu consentimento. Podemos nos referir como lesões a esses direitos, a excessiva medicalização do corpo da mulher, as esterilizações sem consentimento, cesáreas indesejadas ou desnecessárias, tratamento dado às mulheres na sala de parto e os procedimentos médicos invasivos10. Entendemos que o direito à dignidade da pessoa humana é o principio que confere unidade de sentido e toda ordem constitucional, significando assim, proteção máxima da pessoa que é detentora de direitos e deveres em todas as relações em que se apresenta neste caso na relação médico-paciente. A reprodução é consequência da autonomia da mulher e do direito da personalidade e qualquer ação que tenha resultados estranhos ao interesse da mulher considera-se lesão. Desta forma o direito da mulher de decidir ter filhos é um direito da personalidade física e também de liberdade corporal. A autora Ana Paula Pellegrinello, em sua obra Reprodução Humana Assistida: a tutela dos direitos fundamentais das mulheres, faz a seguinte citação: (...) a decisão da mulher de engravidar e de parir (visando ampliar ou, até mesmo, a assim constituir família) deve refletir sua autonomia existencial, de modo que ninguém pode preventiva, genérica e injustificadamente interferir nesse projeto, inibindo-o. Ninguém mesmo, nem o Estado, sob pena de mal ferimento do princípio da dignidade da pessoa humana, com reflexos insuportáveis no livre desenvolvimento da personalidade11 Sendo assim, a mulher é protagonista de suas ações, tendo direito, portanto, de decidir sobre sua própria vida. Portanto sobre o estudo dos direitos sexuais reprodutivos é importante ressaltar que o feminismo tem papel importante quando o assunto é mudança de assistência ao parto. Não podemos deixar de refletir aqui que os direitos sexuais e reprodutivos são frutos desses movimentos que reivindicam e reescrevem a mudança do parto partindo da concepção de direitos sexuais e reprodutivos como direitos humanos. Desta forma, a violência obstétrica é qualquer ato praticado pelo profissional de saúde, ao que se refere ao corpo e aos processos 8 idi ibid 9 Relatório Da Conferência Internacional Sobre População E Desenvolvimento. Plataforma de Cairo, 1994. Disponível em: <http://www.unfpa.org.br/Arquivos/relatorio-cairo.pdf> Acesso em: 30 ago 2017. 10 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos casos de Violência Obstétrica. vol. 2. N° 1. p. 257- 277 11 PELEGRINELLO, Ana Paula. Reprodução Humana assistida: a tutela dos direitos fundamentais das mulheres. Curitiba: Juruá, 2014. P. 97 – 114. 8 reprodutivos da mulher, praticando atenção desumanizada, abuso de intervenções, medicalização e a transformação patológica dos processos de parto12. A violência obstétrica está diretamente ligada à história do parto, pois dá-se quando o parto deixa de ser um episódio natural, vivido apenas no seio familiar e passa a se tornar um evento médico em um a ambiente hospitalar, sendo dominado pela medicina e institucionalizado nos hospitais. O dossiê elaborado pela Rede Parto do Princípio 13 para a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) da Violência Contra as Mulheres Violência cometida contra a mulher grávida, e sua família em serviços de saúde durante a assistência ao pré-natal, parto, pós parto, cesárea e abortamento pode ser verbal, física, psicológica ou mesmo sexual e se expressa de diversas maneiras explícitas ou veladas. Como outras formas de violências contra a mulher, a violência obstétrica é fortemente condicionada por preceitos de gênero. A construção do conceito compreende a evolução histórica do parto, para que se possa entender a mudança paradigmática de um procedimento ritualístico para uma obstetrícia baseada em evidências científicas e demonstrar o que é violência dentro da própria concepção médica. Nesta perspectiva, Júlio Camargo de Azevedo indica o conceito de violência obstétrica da seguinte forma: É possível afirmar que a violência na atenção obstétrica corresponde a qualquer ação ou omissão, culposa ou dolosa, praticada por profissionais da saúde, durante as fases pré- natal, parto, puerpério e pós-natal, ou, ainda, em casos de procedimentos abortivos autorizados, que, violando o direito à assistência médica da mulher, implique em abuso, maus tratos ou desrespeito a autonomia feminina sobre o próprio corpo ou a liberdade de escolha acerca do processo reprodutivo que entender adequado14. Assim, constata-se que tudo aquilo que não foi escolhido pela mulher dentro de seus direitos, é considerado violência obstétrica. A violência obstétrica tem se manifestado ao longo da história, ganhando atualmente caráter endêmico, estando presente nas comunidadesde países de todo o mundo, em qualquer classe social, raça, idade, sexo ou religião. A violência obstétrica tem se alastrado de maneira assustadora e silenciosa. Tendo em vista questões culturais, o parto é visto como momento de dor necessária15. A legislação da Argentin16 e da Venezuela17 já tipificam a prática. A lei venezuelana n ° 26.485 e seu artigo 6, alínea e ,conceitua a violência obstétrica da seguinte forma: [...] qualquer comportamento, açâo ou omissão, realizada por profissional de saúde, direta ou indiretamente, seja na esfera pública ou privada, que afeta os processos do corpo e reprodutivos das mulheres, e se expressa em um tratamento desumanizado, 12 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos casos de Violência Obstétrica. vol. 2. N° 1. p. 257- 277. 13 VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA. “Parirás com dor”. Dossiê elaborado pela Rede Parto do Princípio para a CPMI da Violência Contra as Mulheres. 2012. Disponível em: <https://www.senado.gov.br/comissoes/documentos/SSCEPI/DOC%20VCM%20367.pdf>. Acesso em 30 ago 2017. 14 AZEVEDO, Júlio Camargo de. Precisamos falar sobre a violência obstétrica. Disponível em: <https://www.conjur.com.br/2015-mai-16/julio-azevedo-precisamos-falar-violencia-obstetrica>. Acesso em: 07 set. 2017. 15 Cad. Esc. Dir. Rel. Int. (UNIBRASIL), vol. 2, nº 25, Jul/Dez. 2016, p. 48-60 16 Lei Nacional n° 26.485, de Proteção Integral para prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra as Mulheres nos Âmbitos em que se Desenvolvem suas Relações Interpessoais, vigentes na Argentina desde 2009. 17 VENEZUELA, Ley Orgánica sobre el Derecho de las Mujeres a una Vida Libre de Violencia. Gaceta Oficial 38.647. Disponível em: <http://venezuela.unfpa.org/doumentos/Ley_mujer.pdf>. Acesso em: 11 set. 2017 9 com abuso de medicalização e patologização de processos naturais (...) trazendo perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seu corpo e sexualidade, influenciando negativamente a qualidade de vida das mulheres18. A lei da Venezuela que já tipifica a violência obstétrica é a lei que garante as mulheres uma vida livre de violências. 1.2 Caracterização da Violência Obstétrica O Brasil não possui legislação específica sobre o tema, apenas discussões genéricas, porém está em tramitação no Congresso Nacional, o projeto de Lei 7.633/201419 do deputado Jean Wyllys, que trata sobre a humanização da assistência à mulher e ao neonato durante o ciclo gravídico-puerperal e dá outras providências, como a erradicação da violência obstétrica20. A violência obstétrica se caracteriza pelas intervenções prejudiciais à integridade física e psicológica das mulheres parturientes, impostas pelas instituições de saúdes, bem como pelas instituições (públicas ou privadas) e pelos profissionais de saúde. Tal violência também pode se caracterizar das seguintes formas: a recusa de admissão em hospital ou maternidade gerando a peregrinação por leito; impedimento da entrada do acompanhante escolhido pela mulher (desrespeitando a lei 11.108/2005- Lei do acompanhante); aplicação da ocitocina (sintética) para acelerar o parto; episiotomia de rotina; manobra de Krirteller; cesárias eletivas; restrição da posição do parto; violência psicológica por meio de humilhações, situações vexatórias, grosserias e comentários ofensivos; além de procedimentos dolorosos, desnecessários e humilhantes, tais como: uso rotineiro de lavagem intestinal, retirada de pelos pubianos, posição ginecológica com portas abertas, excessivos exames de toques e por pessoas diferentes para verificação de dilatação e posição do bebê, não permitir a ingestão de água e alimentos, amarrar braços e pernas.21 Em razão da ausência de legislação no Brasil, o dossiê criado pela Rede Parto do Princípio22 para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da violência Contra as Mulheres traçou uma tipificação própria acerca do tema tratado e foram definidos a partir do conceito físico, psicológico,sexual, institucional, material e mediático, a qual será explanada no presente capítulo. Partindo do conceito físico, são os atos praticados em poder do corpo da mulher que causam dor ou dano físico, sem bases em evidências científicas. Exemplos: privação de alimentos, interdição à movimentação da mulher, tricotomia (raspagem de pelos), manobra de Kristeller, uso rotineiro da ocitocina, cesariana eletiva sem indicação e não utilização de analgesia quando tecnicamente indicada. 18 Id. 19 Brasil. Congresso Nacional. Projeto de Lei Complementar PLC n° 7.633/2014. Dispõe sobre a humanização da assistência à mulher e ao neonato durante o ciclo gravídico-puerperal e dá outras providências. Disponível em: <http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1257785>. Acesso em: 10 out 2017. 20 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos casos de Violência Obstétrica. vol. 2. N° 1. p. 257- 277 21 VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA. “Parirás com dor”. Dossiê elaborado pela Rede Parto do Princípio para a CPMI da Violência Contra as Mulheres. 2012. Disponível em: <https://www.senado.gov.br/comissoes/documentos/SSCEPI/DOC%20VCM%20367.pdf>. Acesso em 30 ago 2017. 22 Id. 10 O caráter psicológico refere-se às atitudes verbais ou comportamentais que traz à mulher sentimento de inferioridade, vulnerabilidade, abandono, instabilidade emocional, medo insegurança e acuação. Podendo ser observados nas conversas com ameaças, chacotas, piadas grosseiras, chantagem e ofensas. Quando se refere a caráter sexual, são as ações que interferem na intimidade e pudor da mulher. Exemplos: episiotomia, exame de toques invasivos e excessivos ou agressivos, lavagem intestinal, a ruptura ou deslocamento de membranas, sem consentimento prévio e imposição de posição supina para o parto. Quanto ao que diz respeito à questão institucional, trata-se de impedimentos do acesso aos serviços de atendimentos à saúde, à amamentação, a omissão ou violação dos direitos das mulheres; em protocolos institucionais que dificultam, proíbem ou contrariam as normas, e a falta de fiscalização. Por fim, o caráter midiático, que engloba as ações que são dirigidas às mulheres em processos reprodutivos, através de meios de comunicação, que lhes atingem de forma negativa, denegrindo seus direitos, defendendo práticas científicas contra indicadas, com fins sociais, econômicos ou de dominação. Toma-se com exemplos: caso de incentivo desmotivado à cirurgia cesariana sem indicação científica, a demonização do parto normal e incentivo ao desmame precoce. Neste sentido Ana Cristina Duarte cita como sendo crime: (...) Fazer uma mulher acreditar que ela precisa de uma cesariana quando ela não precisa, utilizando de riscos imaginários ou hipotéticos não comprovados (o bebê é grande, a bacia é pequena, o cordão está enrolado); submeter a mulher a uma cesariana desnecessária, sem a devida explicação sobre os riscos que ela e o bebê estão correndo (complicações das cesárea, da gravidez subsequente, risco de prematuridade, complicação para médio e longo prazo para mãe e bebê)23. Assim constata-se, mais uma vez, que tudo aquilo que não for de escolha da mulher quanto aos procedimentos a serem realizados antes, durante e depois do parto, trata-se de violência obstétrica e violação de seus direitos. Pode-se observar que a forma de violência mais criticada é o procedimento de episiotomia,quando realizada irresponsavelmente, ou seja, sem necessidade, fazê-la de rotina, sendo desta forma prejudicial, por ser um procedimento danoso e pode representar mais um ato de dominação patriarcal, conforme explana Diniz: Dada a sua permanência de rotina mesmo diante da evidência bemdocumentada de sua limitada indicação, a episiotomia tem sido motivo de acalorado debate. Segundo Kitzinger, esse procedimento se mantém porque “representa o poder da obstetrícia” e deveria ser considerada “uma forma de mutilação genital” (BWHBC,1993:458). Para Davis-Floyd (1992:129), por meio da episiotomia, “os médicos, como representantes da sociedade, podem desconstruir a vagina (e por extensão, suas representações), e então reconstruí-las de acordo com nossas crenças e valores” (...) (DINIZ, 2003)24. Há que se atentar, portanto, à utilização ainda comum da episiotomia e de seus danos para a saúde da mulher, seja ela física, psicológica ou moral. 23 DUARTE, Ana Cristina. Violência obstétrica. Disponível em: <http://estudamelania.blogspot.com.br/2013/02/guest-post-violencia-obstetrica-by-ana.html>. Acesso em: 07 set 2017. 24 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 17 ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2003, 7 v. p. 24. 11 Não podemos deixar de abordar aqui que a violência obstétrica também ocorre em casos de abortamento. A Defensoria Pública do Estado de São Paulo define que se caracteriza violência obstétrica em caso de abortamento, quando ha a negativa ou demora no atendimento à mulher, indagações quanto o fato e motivo que se deu o aborto (se intencional ou não); realizações de procedimentos invasivos, quando realizados sem explicação, consentimento ou anestesia; práticas discriminatórias, ameaças, acusação ou culpabilização da mulher; e coação com a finalidade de confissão e denúncia à Polícia em caso de abortamento provocado25. A violência obstétrica não pode ser tipificada apenas como erro médico ou conduta médica, pois ela se caracteriza ação de atos traumatizantes na assistência ao parto, pré- parto e puerpério desta forma deve-se ser considerado que é no procedimento, no tratar a paciente que estão contidas as formas de desrespeito contra a dignidade da pessoa humana26. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu que a violência obstétrica se caracterizasse na imposição de um grau significativo de dor e sofrimento que poderia ser evitado e que as intervenções desnecessárias, realizadas de rotinas se resultam em fatores de risco para a mulher e o bebê. Nesta perspectiva, a OMS afirma que: Todas as mulheres têm direito ao mais alto padrão de saúde atingível, incluindo o direito a uma assistência digna e respeitosa durante toda a gravidez e o parto, assim como o direito de estar livre da violência e descriminação. Os abusos, os maus tratos, a negligência e o desrespeito durante o parto equivalem a uma violação dos direitos humanos fundamentais das mulheres, como descrevem as normas e princípios de direitos humanos adotados internacionalmente. Em especial, as mulheres grávidas têm direito de serem iguais em dignidade, de serem livres para procurar, receber e dar informações, de não sofrerem discriminações e de usufruírem do mais alto padrão de saúde física e mental, incluindo a saúde sexual e reprodutiva27. Assim sendo, faz-se necessário proporcionar à mulher tudo aquilo que lhe é de direito enquanto pessoa de direitos, para que usufrua os mesmos sem que sofra qualquer tipo de violência e que assim se faça valer todo aparato legal para tal finalidade. As leis da Venezuela28 e da Argentina29, onde a prática já é tipificada como: Violência exercida pela equipe de saúde sobre o corpo e processos de saúde reprodutiva, expressa em um tratamento desumanizado e deficiente, um abuso de medicalização e patologização de processos naturais. 30 Dessa forma deixa claro que a violência obstétrica caracteriza-se pela apropriação do corpo e dos processos reprodutivos da mulher pelos profissionais de saúde, mediante um 25 LIMA, Ivana Alcântra. Violência Obstétrica e a Responsabilidade dos profissionais de saúde.2015. 30 f. Trabalho de conclusão de curso (Gradação em Direito). Curso de Direito, Universidade Estadual da Paraíba.2015. 26 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos casos de Violência Obstétrica. vol. 2. n° 1. p. 257- 277 27 Organização Mundial De Saúde (Oms), Prevenção e eliminação de abusos, desrespeito e maus- tratos durante o parto em instituições de saúde. 2014. Disponível em: < http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/134588/3/WHO_RHR_14.23_por.pdf> Acesso em 10 out 2017. 28 Lei Orgânica sobre o Direito Das Mulheres a uma Vida Livre de Violência, de novembro e 2007. 29 Lei Nacional n° 26.485 de 01/04/2009 de Proteção Integral para prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra as Mulheres nos Âmbitos em que se Desenvolvem suas Relações Interpessoais. 30 Lei Nacional n° 26.485 de 01/04/2009 de Proteção Integral para prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra as Mulheres nos Âmbitos em que se Desenvolvem suas Relações Interpessoais, Artigo 6 alínea e. http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/134588/3/WHO_RHR_14.23_por.pdf%3e%20Acesso 12 tratamento desumanizado, abuso de medicalização e patologização dos processos naturais, causando a perda de autonomia da mulher e a da capacidade de decidir livremente sobre seu corpo e sexualidade, o que traz consequências danosas na qualidade de vida das mulheres. A parturiente é sujeito de direitos, e possui o direito da dignidade da pessoa humana, conforme o Artigo 1º inciso III da Constituição Federal, como o fundamento do Estado Democrático de Direito. Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: III - a dignidade da pessoa humana31. O principio da igualdade que a proteja de todas as formas de descriminação que se faz presente no Artigo 5° inciso I da Constituição Federal: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição32. O principio da legalidade que assegura autonomia da mulher, estando ele consagrado no Artigo 5°, inciso II da Constituição Federal: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei33 A Constituição Federal ainda garante a proteção à vida a saúde, acesso à segurança, à maternidade e à infância. Neste sentido, não há impedimento que os aplicadores do Direito possam punir esta prática, mesmo que no Brasil não possua lei específica sobre o tema, uma vez que tal prática se caracteriza a violação de princípios e direitos basilares do Estado Democrático de Direito. A respeito do protagonismo da mulher no parto, a revista online Catraquinha publicou uma matéria recentemente onde a obstetriz, Ana Cristina Duarte faz a seguinte afirmação: “estamos sujeitos a procedimentos e protocolo simplesmente porque o parto natural é uma ameaça ao lucro”. De acordo com a matéria: O modelo de parto que predomina no Brasil ainda é de práticas invasivas e de que não são recomendadas pelo ministério as saúde: uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto no Brasil segundo a pesquisa “ mulheres 31 BRASIL. Constituição(1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 1988. Disponível em: < http://www2.planalto.gov.br/acervo/constituicao-federal>. Acesso em: 10 out 2017. 32 Id. 33 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 1988. Disponível em: < http://www2.planalto.gov.br/acervo/constituicao-federal>. Acesso em: 10 out 2017. http://www2.planalto.gov.br/acervo/constituicao-federal http://www2.planalto.gov.br/acervo/constituicao-federal 13 brasileiras e gênero nos espaços público e privado divulgado em 2010 pela fundação Perseu Abramo 34 O artigo propõe discorrer sobre o protagonismo da mulher no parto e discutir os rumos da assistência ao parto e discutir os rumos da assistência ao parto e falar sobre o fundamental retorno desse protagonismo. Em parceria com a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) o “Catraquinha” está produzindo conteúdos para promover a orientação da campanha “QUEM ESPERA, ESPERA”. Para realização dessa matéria a revista Catraquinha dialogou com a obstretriz Ana Cristina Duarte, coordenadora do Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (GAMA) e tal matéria, que será reproduzida e anexada ao fim deste trabalho, é iniciada com a seguinte fala da obstetriz: É fundamental que as mulheres entendam que o obstetra, a enfermeira, a parteira, a doula e toda a equipe médica são antes de tudo prestadores de serviço. A mulher é uma cliente, e como tal tem direito a informações e escolhas. Não deixamos nosso carro para consertar em qualquer lugar, e frequentemente questionamos a visão daquele profissional. Mas quando se trata da gestação, temos uma facilidade muito grande de deixar de lado esses questionamentos, tendendo a ver o médico como o portador da verdade absoluta. Ele sabe tudo e a mãe não sabe nada. Essa relação precisa mudar. Não pode ser uma relação de poder onde um sabe mais do que o outro, e sim de parceria e troca de informações. As mulheres devem poder fazer as suas escolhas junto a equipes que as respeitem35. Não adianta, portanto, querer impor à mulher o que ela deve fazer. É ela quem precisa conhecer as estatísticas, os riscos, as probabilidades, fazer sua escolha e depois conviver com as consequências boas e ruins dessas escolhas. 1.3 Lei Argentina nº 25.929- Lei do Parto Humanizado – Direito Comparado A legislação argentina é uma das pioneiras na América Latina no que diz respeito ao parto humanizado. Mesmo recente, datando sua aprovação de 2004 e regulada em 2015, tem sido base de incentivo para outros países próximos, como o Brasil. Tal lei surgiu de movimentos feministas naquele país, os quais lutavam por melhorias dignas no que diz respeito à saúde da mulher antes, durante e depois do parto. Na perspectiva legal argentina, a mulher deve ser a protagonista ativa, tratada com respeito que lhe é de direito humano, além também de ter como direito um acompanhante de sua preferência durante todo o processo parturiente. Quando se diz que a mulher deve ser respeitada quanto ao parto, refere-se desde seu direito a receber todas as informações sobre os possíveis procedimentos a serem tomados antes, durante e depois do parto e desta forma, poder escolher quais procedimentos deseja seguir, desde que bem amparada em suas decisões. Ainda, ter respeitados seus tempos biológicos e psicológicos, evitando assim práticas invasivas e desnecessárias. A partir de então práticas que desrespeitam a mulher são consideradas criminosas, cabendo penas aos envolvidos. 34 PENZANI, Renata. É preciso retomar o protagonismo da mulher no parto. Catraquinha. Disponível em: <https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/unicef/indicacao/e-preciso-retomar-o-protagonismo-da-mulher-no- parto/> Acesso em: 07 set 2017 35 PENZANI, Renata. É preciso retomar o protagonismo da mulher no parto. Catraquinha. Disponível em: <https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/unicef/indicacao/e-preciso-retomar-o-protagonismo-da-mulher-no- parto/> Acesso em: 07 set 2017 14 A partir da regulamentação desta lei, profissionais de saúde, hospitais, clínicas médicas e demais instituições e pessoas envolvidas tiveram que se informar para tomar as providências necessárias para que as mulheres fossem bem atendidas, dentro de seus direitos humanos, indo de encontro então com o que a Organização Mundial da Saúde recomenda. Caso a mulher tenha seus direitos violados, poderá denunciar ao órgão governamental Ombudsman's Office, pessoalmente, via internet ou telefone, a qualquer hora do dia. É possível, a partir desta legislação, afirmar que a Argentina preocupa-se com a mulher e seu respectivo parto. Conforme explana o dossiê “Parirás com dor” 36 , no Brasil há a necessidade de políticas públicas que reconheçam os atos violentos na hora do parto, e que deve existir ainda, a assistência no pré-natal e orientação à gestante até o momento do puerpério, de modo a garantir o direito de denunciar e se proteger. Ao analisar a lei argentina fica evidente a morosidade e atraso das autoridades do Brasil e seus códigos, vista a atual situação da assistência ao parto e ao nascimento. Vale a pena ressaltar que outro fator relevante é a taxa de cesarianas realizadas em 1995, na Argentina esse número não passava de 23% enquanto no Brasil girava em torno de 36%37. Em março de 2009, a República Argentina sancionou a Lei 26.485 de “Proteção Integral para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra as Mulheres nos Âmbitos em que se Desenvolvem suas Relações Interpessoais”, onde foram tipificados seis tipos violência no Artigo 6° alíneas a, b, c, d, e, f. Segue tabela adaptada: Tabela 2- Violência Contra a Mulher Modalidades de Violência contra a mulher Como se caracterizam 36 VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA. “Parirás com dor”. Dossiê elaborado pela Rede Parto do Princípio para a CPMI da Violência Contra as Mulheres. 2012. P. 28. 37 Id. 15 Violência doméstica contra a mulher Exercida contra a mulher por um membro do grupo familiar, independentemente do espaço físico onde ocorre, o que prejudica a dignidade, bem-estar, integridade física, psicológica, sexual, econômica ou patrimonial, a liberdade, compreendendo a liberdade reprodutiva e o direito ao pleno desenvolvimento das mulheres. O grupo familiar é entendido como originário do parentesco, seja por consanguinidade ou por afinidade, casamento, uniões de fato e casais ou namoro. Inclui relações atuais ou completas, não sendo uma exigência de convivência. Violência institucional contra a mulher Realizada por funcionários, profissionais, pessoal e agentes pertencentes a qualquer órgão, entidade ou instituição pública, cujo objetivo é atrasar, dificultar ou impedir que as mulheres tenham acesso a políticas público e exercer os direitos previstos nesta lei. Também estão incluídos os que se exercem em partidos políticos, sindicatos, empresas, esportes e organizações da sociedade civil; Violência no local de trabalho contra as mulheres Discrimina as mulheres em ambientes de trabalho públicos ou privados e dificulta seu acesso ao emprego, contratação, promoção, estabilidade ou permanência, requerendo requisitos sobre o estado civil, a maternidade, a idade, aparência física ou a realização de testes de gravidez. Também constitui violência contra as mulheres no local de trabalho para violar o direito à igual remuneração pela mesma tarefa ou função. Da mesma forma, inclui o assédio psicológico de forma sistemática sobre um determinado trabalhador para conseguir sua exclusão trabalhista. Violência contra a liberdade reprodutiva Viola o direito das mulheres dedecidir de forma livre e responsável o número de gravidezes ou o intervalo entre os partos, de acordo com a Lei 25.673 de Criação do Programa Nacional de Saúde Sexual e Procriação Responsável. Violência obstétrica Exercida pelo pessoal de saúde no corpo e nos processos reprodutivos das mulheres, expressada em tratamento desumanizado, abuso de medicalização e patologização de processos naturais, de acordo com a Lei 25.929. A publicação ou divulgação de mensagens e imagens estereotipadas através de meios de comunicação de 16 Violência na mídia contra as mulheres massa que promovam, direta ou indiretamente, a exploração das mulheres ou suas imagens, prejudicar, difamar, discriminar, desonrar, humilhar ou prejudica a dignidade das mulheres, bem como o uso de mulheres, adolescentes e meninas em mensagens e imagens pornográficas, legitimando a desigualdade de tratamento ou construindo padrões socioculturais que reproduzem a desigualdade ou geram violência contra as mulheres. Fonte: Adaptada Lei 26.485 da Argentina Analisando a estrutura legal da Argentina podemos observar que ela nos indica uma caminho seguro na construção de uma práxis médica e social que não só atendam à garantia dos direitos da mulher contra a violência, mas também a sociedade quando se discute os processos de continuidade e estruturação biológica, cultural e política. Não só é importante a conceituação da violência obstétrica, mas também os seus correlativos, o reconhecimento e igual tratamento a violência institucional, sabendo que a maioria dos partos são realizados em hospitais, onde a mulher pode sofrer violações de seus direitos por um servidor técnico administrativo. A lei Argentina também figura as violências físicas e psicológicas desdobradas na forma de ameaça e assédio o que também é relevante para ter mais exatidão quanto ao grau e intensidade da violência sofrida pelas mulheres durante a gestação e parto. No cenário brasileiro a violência obstétrica não é crime, como no caso é na Argentina. O direito brasileiro, entretanto, pode amparar a parturiente quanto a responsabilidade civil. Quando observado qualquer ato de violência obstétrica a mulher pode ingressar com ações indenizatórias. O poder judiciário, ao analisar caso a caso, poderá intervir e identificar a possibilidade de reparação38. 38 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos casos de Violência Obstétrica. vol. 2. n° 1. p. 257- 277 17 2 ASPECTOS GERAIS DA RESPONSABILIDADE CIVIL 2.1 Conceito Ao analisar o Artigo 5º, incisos V e X da Constituição Federal, percebemos que foi atribuído à responsabilidade civil o status de garantia fundamental dos cidadãos brasileiros. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação39; Diante desta análise traremos doutrinadores e suas conceituações sobre o que versa a responsabilidade civil. Partimos do princípio de que toda atividade que gera prejuízo resulta-se em responsabilidade ou dever de indenizar, de certa forma se retratar. Qualquer pessoa, natural ou jurídica e em qualquer situação, dever arcar com os resultados de um ato, fato, ou negócio danoso. Sendo assim todo ato humano pode acarretar o dever de indenizar. De forma ampla o art. 186º do Código Civil, fundamenta-se em sede de indenização por ato ilícito, estabeleceu a base da responsabilidade civil extracontratual ou extranegocial no direito; Art.186 Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligencia ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano40. Verificamos que nesse artigo, estão presentes os requisitos para indenizar: ação ou omissão voluntária, relação de causalidade ou nexo causal, dano e finalmente culpa. Maria Helena Diniz retrata que: A responsabilidade civil é a aplicação de medidas que obriguem uma pessoa a reparar dano moral ou patrimonial causado a terceiros, em razão de ato por ela mesma praticada, por pessoa por quem ela responde, por alguma coisa a ela pertencente ou simples imposição legal41. Pablo Stolze Galiano e Rodolfo Pamplona Filho dizem que: 39 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 1988. Disponível em: < http://www2.planalto.gov.br/acervo/constituicao-federal>. Acesso em: 10 out 2017 40 BRASIL. Decreto Lei nº10.406, de 10 de janeiro de 2002. Responsabilidade Civil 41 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21º ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, 7 v. p. 35 http://www2.planalto.gov.br/acervo/constituicao-federal 18 A responsabilidade civil deriva da agressão a um interesse eminentemente particular, sujeitando, assim, o infrator, ao pagamento de uma compensação pecuniária a vitima, caso não possa repor o estado anterior da coisa42. Sérgio Cavalieri Filho 43nos ensina “que nosso ordenamento jurídico divide os direitos consolidados em positivos e negativos, deixando expresso o dever de não lesar ninguém, explicito também no Direito Romano por meio do neminemlaedere”. Flavio Tartuce traz para nós que: A responsabilidade civil surge quando ocorre o desrespeito com certa obrigação, podendo ser pelo não cumprimento de regra contratual, ou por não observar um preceito normativo que regule a vida44. Sílvio de Salvo Venosa cita que: (...) os ordenamentos contemporâneos buscam alargar cada vez mais o dever de indenizar, alcançando novos horizontes, a fim de que cada vez mais o dever de indenizar, a fim de que cada vez menos restam danos irressarcidos. É claro que é um desiderato ideal que a complexidade da vida contemporânea coloca sempre em xeque. Os danos que devem ser reparados são aqueles de índole jurídica, embora possam ter conteúdo também de cunho moral, religioso, social, ético etc., somente merecendo a reparação do dano as transgressões dentro dos princípios obrigacionais45. A respeito da matéria de Direito, a doutrina vem enfrentando dificuldades quando a missão é conceituar a responsabilidade civil, já que alguns autores fundamentam-se no elemento culpa enquanto outros não se atentam apenas nessa questão (culpabilidade), mas também aos danos causados e a equivalência de direitos e deveres. Levando em consideração as duas vertentes podem dizer que ambas partem do mesmo princípio, que a responsabilidade civil é a obrigação de reparar um dano. 2.2 Elementos da responsabilidade Civil Antes de conceituar os elementos da responsabilidade civil presentes no art 186 do Código Civil, vamos analisar conceitos construídos por doutrinadores a respeito de ato ilícito e culpa. Tudo que venha a violar o ordenamento jurídico é considerado ato ilícito, ou seja, que transgridam direitos de outra pessoa. Desta forma, caracterizada a ilicitude pura, porém mesmo que a conduta seja lícita, mas realizada de modo inadequado esta pode ter caráter de abuso de direito, possui natureza objetiva independente de culpa e dolo. Essa conduta é conhecida como ato ilícito equiparado. Conforme se pode observar nos artigos 186 e 187do código civil: 42 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil. Responsabilidade Civil. 4º ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p 9. 43 FILHO, Sergio Cavalieri. Programa de Responsabilidade Civil. 10º ed.Atlas: São Paulo,2012, p. 19. 44 TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil. 3° ed. São Paulo:Método, 2013, p. 423 45 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 14. 19 Art 187 Também comete ato ilícito o titular de um direito que ao, exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa fé ou pelos bons costumes46. No ordenamento Jurídico a ilicitude vem bem definida. Para a sua caracterização os elementos do artigo 186 tem de estarem presentes no mesmo cenário, para a caracterização da culpa resultando na responsabilidade civil. Observa-se que os elementos do artigo 186 do Código Civil, são indispensáveis quando o assunto versa sobre responsabilidade civil subjetiva, que será tratada no próximo capítulo. Sílvio Salvo Venosa retrata que: Os atos ilícitos são os que promanam direta ou indiretamente da vontade e ocasionam efeitos jurídicos, mas contrários ao ordenamento. O ato voluntário é, portanto, o primeiro pressuposto da responsabilidade civil. Esse conceito prende-se ao de imputabilidade, porque a voluntariedade desaparece ou torna-se ineficaz quando o agente é juridicamente irresponsável47. Percebemos que o autor nos aponta aqui o nexo de imputabilidade que é quando alguém tem a incumbência de responsabilidade por algo, observando o conjunto de situações dadas ao encarregado capacidade para responder, ou seja, não se discute a voluntariedade quando o agente estaria definido como inimputável ou que não teria nenhuma obrigação. Sílvio Salvo Venosa inda nos trás o seguinte: Como já apontamos modernamente a imputabilidade, cede importância ao ressarcimento, pois o vigente código já permite uma responsabilidade mitigada dos incapazes (art.928). O ato de vontade, contudo, deve ser revestido de ilicitude. Melhor dizer que, na ilicitude há, geralmente, uma cadeia ou sucessão de ato. O ato ilícito traduz-se em um comportamento voluntário que transgrida um dever48. Maria Helena Diniz a respeito do ato ilícito, diz que: Em nosso ordenamento jurídico vigora a regra geral de que o dever ressarcitório pela prática de atos ilícitos decorre de culpa, ou seja, da reprovabilidade ou censurabilidade da conduta do agente. O comportamento do agente será reprovado ou censurado quando, ante circunstâncias concretas do caso, se entende que ele poderia ou deveria ter agido de modo diferente. Portanto, ato ilícito qualifica-se pela culpa. Não havendo culpa, não haverá em regra, qualquer responsabilidade49. O código Civil em seu artigo 186, ao se referir ao ato ilícito, prescreve que este ocorre quando alguém, por ação ou omissão voluntária (dolo), negligência ou imprudência (culpa), viola direito ou causa dano, ainda que exclusivamente moral, a outrem, em face do que será responsabilizado pela reparação dos prejuízos. Estabelece esse diploma legal o ilícito como 46 BRASIL. Decreto Lei nº10.406, de 10 de janeiro de 2002. Responsabilidade Civil. 47 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p.31. 48 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 32. 49 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21º ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007. p 39. 20 fonte da obrigação de indenizar danos causados à vítima. Logo, a lei impõe a quem a praticar o dever de reparar o prejuízo resultante. Para a responsabilização civil de alguém, culpabilizando o agente, o obrigando a reparar o prejuízo causado é ponderoso a verificação de quatro elementos imprescindíveis, presentes no artigo 186 do código civil. Trata-se agora das definições dadas pelos doutrinadores sobre culpa. Maria Helena Diniz discorre que: A culpa em sentido amplo, como violação de um dever jurídico, imputável a alguém, em decorrência de fato intencional ou de omissão de diligência ou cautela, compreende: o dolo, que é a violação intencional do dever jurídico, e a culpa em sentido estrito, caracteriza-se pela imperícia, imprudência ou negligência, sem qualquer deliberação de violar um dever. Portanto, não se reclama que o ato danoso tenha sido, realmente querido pelo agente, pois ele não deixará de ser responsável pelo fato de não ter se apercebido do seu ato nem medido as suas consequências. O dolo é a vontade consciente de violar o direito, dirigida à consecução do fim ilícito, e a culpa abrange a imperícia, a negligência e a imprudência. A imperícia é a falta de habilidade ou inaptidão para praticar certo ato, a negligência é a observância de normas que ordenam agir com atenção, capacidade, solicitude e discernimento, e a imprudência e a precipitação ou o ato de proceder sem cautela. Não há responsabilidade sem culpa, exceto disposição legal expressa, caso em que se terá a responsabilidade objetiva50. Para Sílvio Salvo Venosa, A culpa civil em sentido amplo abrange não somente o ato ou conduta intencional, o dolo (delito, na origem semântica e histórica romana), mas também os atos ou condutas eivadas de negligência, imprudência ou imperícia, qual seja a culpa em sentido estrito( quase-delito). Essa distinção entre dolo e culpa ficou conhecida no Direito Romano, e assim foi mantida no código francês e em muitos outros diplomas, como delitos e quase delitos. Essa distinção, modernamente, já possui maior importância no campo de responsabilidade. Para fins de indenização, importa verificar se o agente agiu com culpa civil, em sentido lato, pois, como regra, a intensidade do dolo ou culpa não deve graduar o montante da indenização, embora o presente Código apresente dispositivo nesse sentido (art 994, Parágrafo único citar). A indenização deve ser balizada pelo efetivo prejuízo51. Silvo de Salvo Venosa nos traz elementos importantes quanto às condutas viciadas por negligência, imprudência e imperícia: A culpa sob os princípios consagrados na negligência, imprudência e imperícia, contém uma conduta voluntária, mas com resultado involuntário, a previsão ou a previsibilidade e a falta de cuidado devido, cautela ou atenção. Na negligência o agente não age com a atenção devida em determinada conduta, de acordo com STOCO52 “há um dasajuste psíquico no procedimento antijurídico, ou uma omissão de certa atividade que teria evitado o resultado danoso”. Na imprudência ao agente é 50 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21º ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007. p 41. 51 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 33. 52 STOCO, Rui. Tratado de Responsabilidade Civil. 6 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007 21 intrépido, açodado, precipitado e age sem prever as consequências nefastas ou prejudiciais53. E ainda nos traz os seguintes exemplos de imperícia: Na culpa sempre existe o aspecto de defeito da previsibilidade, assim na imperícia, não trazida ao bojo do artigo 186 (ou do antigo art. 159), mas certamente também integrante do conceito de culpa. É imperito o advogado que redige petição inepta e o médico que administra a droga errada e danosa ao paciente por exemplo”54. Para Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho55 “a culpa não é umelemento essencial, mas sim acidental”. A seguir, os elementos da responsabilidade civil. 2.2.1 –Ação e Omissão A conduta é a manifestação da vontade humana. Podemos no referir, como a liberdade de que o agente (imputável) tem para escolher, com consciência e discernimento e que ocasionando um dano, haverá a possibilidade da aplicação da responsabilidade civil. A forma mais recorrente de manifestação da vontade humano “é a ação que consiste num movimento corpóreo comissivo, um comportamento positivo” 56 que se resulta na destruição do bem que não lhe pertence. A omissão consiste, na falta de ação, na inércia de não permitir que algo se realize. O agente se responsabiliza pelo prejuízo, não havendo causado, mas sim porque não o coibiu, quando era o que se esperava de sua conduta. Maria Helena Diniz conceitua a ação dizendo que: É o elemento constitutivo da responsabilidade, vem ser o ato humano, comissivo ou omissivo, ilícito ou lícito, voluntário e objetivamente imputável, do próprio agente ou terceiro, ou o fato de animal ou coisa inanimada, que cause dano a outrem, gerando o dever de satisfazer os direitos do lesado57. Sobre a ação lícita e ilícita, comissiva ou omissiva, Maria Helena Diniz ainda traz que: A responsabilidade decorrente de ato ilícito baseia-se na ideia de culpa e a responsabilidade sem culpa fundamenta-se no risco, que se vem impondo na atualidade, principalmente ante a insuficiência da culpa para solucionar todos os danos. O comportamento do agente poderá ser uma comissão ou omissão, a comissão vem a ser a prática de um ato que não se deveria efetivar, e a omissão, a 53 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 36. 54 Id.Ibid, p.36. 55 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil. Imprenta: São Paulo,Saraiva, 2006, p 25. 56 FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil. Imprenta: São Paulo, Saraiva, 2006. 57 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21º ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007. p 38. 22 não-observância de um dever de agir ou da prática de certo ato que deveria realizar- se58. Nesse contexto Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho nos trazem que: Podemos classificar a ação humana como positiva e negativa, a primeira delas traduz-se pela prática de um comportamento ativo, positivo, a exemplo de dano causado pelo sujeito que, embriagado, arremessa o seu veículo contra o muro do vizinho. A segunda forma de conduta, por sua vez, é de intelecção mais sutil. Trata- se da atuação omissiva ou negativa, geradora de dano. Se, no plano físico,a omissão pode ser interpretada como um “nada”, um “não fazer”. Uma “simples abstenção”, no plano jurídico, este tipo de comportamento pode gerar dano atribuível ao omitente, que será responsabilizado pelo mesmo59. 2.2.2 - Nexo de causalidade A ligação presente entre a conduta humana e o dano é o do nexo de causalidade. Não sendo o bastante que o indivíduo tenha tido conduta contrária ao ordenamento jurídico, contudo o dano causado deve ser um resultado lógico de seus atos e desta forma, quando suprimimos o nexo de causalidade que se exclui a responsabilidade nos casos de caso fortuito, força maior, culpa exclusiva da vítima e culpa exclusivas de terceiro. A respeito, Maria Helena Diniz discorre que: O vínculo entre o prejuízo e a ação designa-se “nexo causal”, de modo que o fato lesivo deverá ser oriundo da ação, diretamente ou como sua consequência previsível. Tal nexo representa, portanto, uma relação necessária entre o evento danoso e ação que o produziu, de tal sorte que esta é considerada como sua causa, todavia, não será necessário que o dano resulte apenas imediatamente de o fato que o produziu. Bastará que se verifique que o dano não ocorreria se o fato não tivesse acontecido. Este poderá não ser a causa imediata, mas, se for condição para a produção do dano, o agente responderá pela consequência60. Silvio de Salvo Venosa aponta que o que liga a conduta do agente ao dano é o nexo causal nos trazendo o seguinte conceito: O conceito de nexo causal, nexo etiológico ou relação de causalidade deriva das leis naturais. É o liame que une a conduta do agente ao dano. É por meio do exame da relação causal que concluímos quem foi o causador do dano. Trata-se de elemento indispensável. A responsabilidade objetiva dispensa a culpa, mas nunca dispensará o nexo causal. Se a vítima, que experimentou um dano não identificar o nexo causal 58 , DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21º ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p. 39. 59 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil. Imprenta: São Paulo, Saraiva, 2006, p 28. 60 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p. 107. 23 que leva o ato danoso ao responsável, não há como ser ressarcida, nem sempre é fácil, no caso concreto, estabelecer a relação e efeito61. Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho apud SERPA LOPES, que diz que: Uma das condições essenciais à responsabilidade civil é a presença de um nexo causal entre o fato ilícito e o dano por ele produzido. É uma noção aparentemente fácil e limpa de dificuldade. Mas se trata de mera aparência, porquanto a noção de causa é uma noção que se reveste de um aspecto profundamente filosófico, além das dificuldades de ordem prática, quando os elementos causais, os fatores de produção de um prejuízo, se multiplicam no tempo e no espaço62. 2.2.3 - Nexo de imputabilidade Nexo de imputabilidade é quando alguém tem a incumbência de responsabilidade por algo, observando o conjunto de situações dadas ao encarregado capacidade para responder pelos resultados de uma prática distinta de sua obrigação. Desta forma imputável e aquele que tinha condição e obrigação de ter agido de outra maneira. Silvio de Sávio Venosa nos diz que: Imputar é atribuir a alguém a responsabilidade por fato ou ato. Desse modo, a imputabilidade é pressuposto não só de culpa, mas da própria responsabilidade. Se o agente quando da prática do ato ou da omissão, não tinha condições de entender o caráter ilícito da conduta, não pode, em principio, ser responsabilizado. Nessa premissa, importa verificar o estado mental e a maturidade do agente. Para que o agente seja imputável, exige-lhe capacidade e discernimento. A imputabilidade retrata a culpabilidade. Não se atinge o patamar da culpa se o agente causador do dano for inimputável63. Neste mesmo contexto Maria Helena Diniz diz que: A imputabilidade, elemento constitutivo de culpa é atinente às condições pessoais (consciência e vontade) daquele que praticou o ato lesivo, de modo que consiste na possibilidade de fazer referir um ato a alguém por proceder de uma vontade livre. Assim, são imputáveis a uma pessoa todos os atos por ela praticados, livre e conscientemente. Portanto, ter-se-á imputabilidade, quando o ato advier de uma vontade livre e capaz. Para que haja imputabilidade é essencial a capacidade de entendimento (ou discernimento) e de autodeterminação64. 2.2.4 - Dano 61 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 53. 62 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil.4ª ed. Imprenta: São Paulo, Saraiva,2006, p 85. 63 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 71. 64 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p. 112. 24 Dano é a violação, por ação ou omissão realizada pelo infrator contra interesses juridicamente tutelados, abrangendo entre eles todos aptos a atender as necessidades de uma pessoa, que retrata a própria expressão de liberdade, resguardada no direito constitucional de fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Desta forma Dano é a retirada total ou parcial de um bem jurídico, podendo ser de qualquer natureza, patrimonial ou até mesmo da própria personalidade da vítima, como a honra, a imagem, a liberdade etc. Sérgio Cavalieri Filho conceitua o dano como: O grande vilão da responsabilidade civil. Não haveria que se falar em indenização, nem em ressarcimento, se não houvesse o dano. Pode haver responsabilidade sem culpa, mas não pode haver responsabilidade sem dano. Na responsabilidade objetiva, qualquer que seja a modalidade do risco que lhe sirva de fundamento- risco profissional o, risco proveito, risco criado etc.-, o dano constitui o seu elemento preponderante. Tanto assim que, sem dano, não haverá o que reparar, ainda que a conduta tenha sido culposa ou dolosa65. Silvio de Salvo Venosa nos traz o seguinte posicionamento a respeito do dano: O dano consistiu no prejuízo sofrido pelo agente. Pode ser individual ou coletivo, moral ou material, ou melhor, econômico e não econômico. A noção de dano sempre foi objeto de muita controvérsia. Na noção de dano está sempre presente a ação de prejuízo. Nem sempre a transgressão de uma norma ocasiona dano. Cuida-se, portanto, do dano injusto, aplicação do principio pelo qual a ninguém é dado prejudicar outrem66. Maria Helena Diniz já conceitua o dano relacionando-o com a responsabilidade civil contratual e extracontratual e discorre que: Dano é um dos pressupostos da responsabilidade civil, contratual ou extracontratual, visto que não poderá haver ação de indenização se, existência de um prejuízo. Só haverá responsabilidade civil se houver um dano a reparar (RSTJ,63:251). Isto é assim porque a responsabilidade resulta em obrigação de ressarcir, que, logicamente, não poderá concretizar-se onde nada há que reparar. Com muita prioridade, pontifica Giorgio Giorgio que “ nessun dobbio sulla verità di questo principio: sia pura violata I’ obligazione, mas se ildanno manca, manca la matéria de ressarcimento”. Não pode haver responsabilidade civil sem o dano a um bem jurídico, sendo imprescindível a prova real e concreta dessa lesão67. 2.3 Modalidades 2.3.1 - Responsabilidade Subjetiva 65 FILHO, Sérgio Cavalieri. Programa de Responsabilidade Civil. 8ª edição. São Paulo. Atlos, 2008, p. 70 66 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p.40. 67 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p 59. 25 Existem duas formas de culpa para serem analisadas. Uma embasada na reciprocidade social e a outra observa a possibilidade entre o ato praticado e o resultado obtido. Na primeira podemos analisar que a culpa possui elemento subjetivo e elemento extrínseco. Para melhor esclarecimento faremos o seguinte questionamento: o agente poderia ter agido de forma diferente? Existe relação entre o a vontade do agente e o fato? Desta, forma podemos afirmar que o elemento subjetivo consiste no animus agendi, nos reforçando na hipótese que o agente poderia ter agido de outra forma. A respeito do elemento extrínseco podemos dizer que consiste na reprobabilidade tomada pela sociedade em relação à conduta praticada pelo agente. Analisando a segunda forma de culpa, observamos que é visualizada pela perspectiva dos resultados obtidos e da violação do cuidado objetivo, de modo a caracterizar a negligência, imprudência e a imperícia. E nesse sentido podemos questionar qual era a perspectiva do resultado? Ocorreu a violação do cuidado objetivo? Toda pessoa tem o dever de ter cuidado objetivo em seus atos e/ou relações jurídicas. Na dúvida faz-se o seguinte questionamento: Alguém com prudência e discernimento necessário agiria da mesma maneira? Desta forma a responsabilidade subjetiva é aquela em que o dano causado em desfavor da vítima, foi causado por culpa do agente. Conforma nos traz o artigo 927 do código civil, aquele que por ato ilícito (artigos 186 e 187 do mesmo código) causar dano a alguém esta obrigada a repará-lo, deixando clara a maneira como se caracteriza a responsabilidade civil subjetiva. Sendo assim a base para caracterização à responsabilidade civil subjetiva e o ato ilícito e o dano causado a outrem e a culpa. Maria Helena Diniz nos diz que: A responsabilidade subjetiva encontra sua justificativa na culpa ou dolo por ação ou omissão, lesiva a determinada pessoa. Desse modo, a prova da culpa do agente será necessária para que surja o dever de reparar68. Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho relatam que a culpa se caracteriza também, quando o agente agir com negligência ou imprudência e fazem a seguinte afirmação: A responsabilidade civil subjetiva é a decorrente de dano causado em função de ato doloso ou culposo. Esta culpa por natureza civil se caracterizará quando o agente causador do dano atuar com negligência ou imprudência, conforme cediço doutrinariamente, através da interpretação da primeira parte do artigo 149 do código civil de 1916 (Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligencia, ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem fica obrigado a reparar o dano)69 Os Autores Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho faz menção ao Código Civil de 1916, tendo em vista que trazia essa interpretação de como se caracterizaria a culpa e a atuação do agente causador que mais tarde no Artigo 186 do Código Cívil de 2002 foi 68 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p 128. 69 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil.4ª ed. Imprenta: São Paulo, Saraiva, 2006, p 13. 26 somente aperfeiçoado incluindo o dano moral como um dano que também deve ser responsabilizado. Regra geral mantida, com o aperfeiçoamento, pelo artigo 186 do código civil de 2002(aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligencia ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito). Do referido dispositivo normativo supra transcrito, verificamos que a obrigação de indenizar (reparar o dano) e a consequência juridicamente lógica do ato ilícito, conforme se infere também dos artigos 1518 a 1532 do código civil de 1916, constantes de seu título VII (“Das obrigações por atos ilícitos”)70. Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho também nos aponta que ônus da prova sempre pertencerá ao autor, a respeito discorrem os autores: A noção básica da responsabilidade civil dentro da doutrina subjetiva, é o principio segundo o qual cada um responde pela própria culpa – unuscuiquesua culpa nocet. Por se caracterizar em fato constitutivo do direito à pretensão reparatória, caberá ao autor, sempre, o ônus da prova de tal culpa do réu. Todavia há situações em que o ordenamento jurídico atribui a responsabilidade civil a alguém por dano que nãofoi causado diretamente por ele, mas sim por terceiro com quem mantêm algum tipo de relação jurídica71. 2.3.2 - Responsabilidade Civil Objetiva Nesse tipo de responsabilidade o dano é causado por uma atividade lícita, porém mesmo sendo ela legal juridicamente, pode se resultar em prejuízo para a outra pessoa, resultando dessa forma no dever de ressarcir, estando presente somente o nexo causal. Podemos dizer que foi desta forma que surgiu a teoria do risco, pois quando baseando somente na culpabilidade, ficaríamos diante de lacunas, e dessa forma nos admite a reparação dos danos causados, mesmo que não seja caracterizada a culpa. A responsabilidade objetiva se resulta somente do dano e nexo de causalidade, essa teoria objetiva também nos traz que todo dano é passível de indenização e tem de ser rapidamente reparado por quem ele o causou direta ou indiretamente, independentemente de culpa. A responsabilidade civil objetiva está presente no artigo 927 do Código Civil e seu parágrafo único do código civil nos traz: Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem72. 70 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil.4ª ed. Imprenta: São Paulo, Saraiva, 2006, p13. 71Id. Ibid ,P. 14. 72 BRASIL. Código Civil. Lei nº 10. 406/2002. Institui o Código Civil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm Acesso em: 10 out 2017. 27 A responsabilidade civil ocorre em casos determinados em leis especiais e em casos em que a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implique risco para os direitos de outras pessoas. Maria Helena Diniz afirma que: A responsabilidade objetiva, se fundada no risco, que explica essa responsabilidade no fato de haver o agente causado prejuízo à vítima e seus ou seus bens. É irrelevante a conduta culposa do causador do dano, uma vez que bastará a existência do nexo causal entre prejuízo sofrido pela vítima e a ação do agente para que surja o dever de indenizar73. Sílvio de Salvo Venosa discorre em sua obra que: Ao analisar a teoria do risco, mais exatamente do chamado risco criado, nesta fase de responsabilidade civil de pós- modernidade, o que se leva em conta é potencialidade de ocasionar danos; a atividade ou conduta do agente que resulta por si só na exposição a um perigo, noção introduzida pelo Código Civil italiano de 1942 (art.2050). Leva-se em conta o perigo da atividade do causador do dano por sua natureza e pela natureza dos meios adotados. Nesse diapasão poderíamos exemplificar com uma empresa que se dedica a produzir e apresentar espetáculos com fogos de artifício. Ninguém duvida de que o trabalho com pólvora e com explosivos já representa um perigo para si mesmo, ainda que todas as medidas para evitar danos venham a ser adotadas. Outro exemplo que parece bem claro diz respeito a espetáculos populares, artísticos, esportivos etc. com grande afluxo de espectadores: é curial que qualquer acidente que venha a ocorrer em multidão terá natureza grave, por mais que se adotem modernas medidas de segurança. O Organizador dessa atividade, independentemente de qualquer outro critério, expõe as pessoas presentes inelutavelmente a um perigo74. Diz também ele que o Art. 927 do atual código dá mais amplitude ao âmbito da responsabilidade sem culpa, permitindo inclusive a responsabilidade do incapaz de forma que seu patrimônio possa vir a responder pelos danos que ele causou. Portanto, o âmbito da responsabilidade sem culpa aumenta sem culpa significativamente em vários segmentos dos fatos sociais. Tanto assim é que culmina com a amplitude permitida pelo acima transcrito art. 927, parágrafo único, do atual Código. Nesse diapasão, acentuam-se, no direito ocidental, nos aspectos de causalidade e reparação do dano, em detrimento da imputabilidade e culpabilidade de seu causador. Daí porque, por exemplo, o vigente Código estampa a responsabilidade do incapaz, a possibilidade de seu patrimônio responder por danos por ele causados, ainda que de forma mitigada75. A questão tem a ver com os princípios da dignidade humano do ofendido e da sociedade como um todo. Muito cedo se percebeu no curso da história que os princípios da 73 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p. 128. 74 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 20. 75 Id. Ibid, p. 22. 28 responsabilidade com culpa eram insuficientes para muitas das situações de prejuízo, a começar pela dificuldade da prova da própria culpa. Para Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho, (...) segundo tal espécie de responsabilidade, o dolo ou a culpa na conduta do agente causador do dano é irrelevante juridicamente, há vista que somente será necessário a existência do elo de causalidade entre dano e a conduta do agente responsável para que surja o dever de indenizar76. Ainda completam: As teorias objetivistas da responsabilidade civil procuram encará-la como mera questão de reparação dos danos, fundada diretamente no risco da atividade exercida pelo agente. É de ressaltar que o movimento objetivista surgiu no final do século XIX, quando o Direito Civil passou a receber a influência da Escola Positiva Penal77. 2.3.3 - Responsabilidade Civil Contratual e extracontratual A responsabilidade civil contratual, como o próprio nome nos traz, se estabelece pela existência de um contrato realizado entre as partes, o agente e a vítima. Desta forma se contratado agir de forma que compreendem os quatro elementos da responsabilidade civil, que são eles: ação ou omissão mais à culpa ou dolo, nexo e o dano causado. Por existência desse liame contratual, o ocorrerá a responsabilidade civil contratual. A responsabilidade civil extracontratual não apresenta o vínculo contratual entre o agente e a vítima, porém existe um liame legal, o agente causa dano a vítima, seja por ação ou omissão somado ao nexo de causalidade e culpa ou dolo. Segundo Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho, (...) se o prejuízo decorre diretamente da violação de um mandamento legal, por força da atuação ilícita do agente infrator (caso do sujeito que bate em um carro) estamos diante da responsabilidade extracontratual, a seguir analisada. Por outro lado, se, entre as partes envolvidas, já existia norma jurídica contratual que as vinculava, e o dano decorre justamente do descumprimento de obrigação fixada neste contrato, estaremos diante de uma situação de responsabilidade contratual78. Desta forma a responsabilidade civil contratual é o inadimplemento da obrigação que foi estabelecida em contrato firmada anteriormente pelas partes, conforme os artigos seguintes do Código Civil: 76 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil. 4ªed. Imprenta: São Paulo, Saraiva, 2006, p.14 77 Id. Ibid, p. 15 78 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil. Imprenta: São Paulo, Saraiva, 2006, p16. 29 Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado”e seguintes; Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, atualização dos valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. Parágrafo único. Se a prestação, devido à mora, se tornar inútil ao credor, este poderá enjeitá-la, e exigir a satisfação das perdas e danos79. Já a responsabilidade civil extracontratual ou como também é chamada aquiliana é a violação de norma legal. Neste mesmo sentido Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona Filho ainda completam: (...) com efeito para caracterizar a responsabilidade civil contratual, faz-se mister que a vítima e o autor do dano já tenham se aproximado anteriormente e se vinculado para o comprimento de uma ou mais prestações, sendo a culpa contratual a violação de um dever de adimplir, que constitui justamente o objeto do negócio jurídico, ao passo que, na culpa aquiliana, um dever necessariamente negativo, ou seja, a obrigação de não causar dano a ninguém80. A respeito, Maria Helena Diniz discorre em sua obra: Nosso Código Civil, no Art. 389, ao prescrever que “não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais jurus e atualizações monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado”, e no art. 395 ao dispor: “responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora de causa, mais juros , atualização de valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos e honorários de advogado”, sujeito o inadimplemento e o contratante moroso ao dever de reparar por perdas e danos devidos ao credor, que abrangem, segundo o Código Civil, art.402, além do ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar. Estabelece, ainda, esse diploma legal, no art. 403, que “ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direito e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual”81. 79 BRASIL. Código Civil. Lei nº 10. 406/2002. Institui o Código Civil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm Acesso em: 10 out 2017 80 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil. Imprenta: São Paulo, Saraiva, 2016, p 17. 81 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p 138. 30 31 3 – LEGISLAÇÕES E JURISPRUDÊNCIAS PERTINENTES E RESPONSABILIDADE CIVIL DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE Silvio de Salvo Venosa traz uma importante e valiosa observação que se faz obrigatória nesse início de capítulo: O médico, em sua arte, deve ser conhecedor da ciência para dar segurança ao paciente. A mesma situação se dá ao advogado em relação a seu constituinte. Assim como a obrigação assumida pelo advogado no patrocínio as causa, como regra geral, é de meio e não de resultado assim também a contraída pelo médico em relação à tratamento do enfermo. O médico obriga-se a empregar toda técnica, diligência e perícia, seus conhecimentos, da melhor com honradez e perspicácia, na tentativa de cura, lenitivo ou minoração dos males do paciente. Não pode garantir a cura, mesmo porque vida e morte são valores que pertencem às esferas espirituais82. O erro médico conceitua-se como falha profissional que teve como resultado o dano. O médico pode ser responsabilizado tanto na esfera civil quanto na esfera penal. Também são previstas as sanções administrativas do Conselho Federal de medicina desta forma, conforme a gravidade do dano, o médico pode ser impedido de exercer sua profissão. Neste sentido Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho dizem o seguinte: Estabelecida a premissa de que a responsabilidade civil do médico, como atividade profissional (liberal ou empregatícia), é subjetiva, vem à lume a questão do erro médico. (...) De fato, a prestação de serviços médicos não consiste em uma operação matemática, em que o profissional pode afirmar, de forma peremptória, que curará o individuo, dada a sua condição, em regra, de obrigação de meio. (...) por isso, a prova do elemento anímico (culpa) é tão importante quanto a conduta humana equivocada, no que diz respeito aos deveres gerais como cidadão e aos específicos da atividade profissional83. A Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) de nº 1931, de 17 de setembro 2009, traz as diretrizes que devem ser seguidas pelos médicos como forma de aperfeiçoar a realização da medicina, destaca-se: Capítulo I PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS VI- O médico guardará absoluto respeito pelo ser humano e atuará sempre em seu benefício. Jamais utilizará seus conhecimentos para causar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade. Capítulo III RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL É vedado ao médico: 82 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 128. 83 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil 18ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2016. 32 Art. 1º Causar dano ao paciente, por ação ou omissão, caraterizável como imperícia, imprudência ou negligência. Parágrafo único. A responsabilidade médica é sempre pessoal e não pode ser presumida. Art. 14 Praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação no País. Capítulo IV DIREITOS HUMANOS É vedado ao médico Art. 22. Deixar de obter consentimento do paciente ou de seu representante legal após esclarecê-lo sobre o procedimento a ser realizado, salvo em caso de risco iminente de morte. Art. 23. Tratar o ser humano sem civilidade ou consideração, desrespeitar sua dignidade ou discriminá-la de qualquer forma ou sob qualquer pretexto. Art.24. Deixar de garantir ao paciente o exercício do direito de decidir livremente sobre sua esposa ou seu bem-estar, bem como exercer sua autoridade para limitá-lo 84. Visto isto, é importante ressaltar que o Pacto San José da Costa Rica85, assegura o direito a integridade física, psíquica e moral e novamente é assegurado pela Constituição Federal no seu Artigo 196. Art. 196 A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução de risco de doença e de outros agravos e acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Sendo assim é importante analisar a definição dada pela (OMS) Organização Mundial de Saúde a partir do relatório da Conferência Internacional sobre e população e Desenvolvimento das Nações Unidas, sobre a situação específica da saúde reprodutiva, que é considerada um estado de completo bem-estar físico, mental e social, do qual abrange as matérias relacionadas ao sistema reprodutivo, suas finalidades e processos. Esse mesmo relatório ainda discorre que é indispensável à liberdade de decidir o que fazer e a possibilidade de reproduzir para uma vida sexual segura e satisfatória86. A lei nº 9.263/96 do planejamento Familiar87, e a Federal nº 8.069/90, o Estatuto da Criança e do Adolescente88(ECA), garantem direitos referentes à saúde materna. O ECA assegura que a mulher seja atendida preferencialmente pelo médico que a acompanhou no pré-natal conforme Artigo 8°, § 2°. 84 Código de Ética Médica. Resolução CEM Nº1931/2009 Disponível em: http://www.portalmedico.org.br/novocodigo/integra.asp 85 Convenção Americana De Direitos Humanos (1969) - Pacto De San José Da Costa Rica. Disponívelem: <http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/sanjose.htm> 86 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos casos de Violência Obstétrica. vol. 2. N° 1. p. 257- 277 87 BRASIL.Planejamento Familiar.Lei n°9.263 de 12 de Janeiro de 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9263.htm> 88 BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente: Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990, Lei n. 8.242, de 12 de outubro de 1991. – 3. ed. – Brasília : Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 2001. 33 Art. 8° É assegurado a todas as mulheres o acesso aos programas e às políticas de saúde da mulher e de planejamento reprodutivo e, às gestantes, nutrição adequada, atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério e atendimento pré-natal, perinatal e pós-natal integral no âmbito do Sistema Único de Saúde. (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016). Também é garantido pela lei nº 11.108/200589 o direito ao acompanhante. Temos também a lei nº 11.634/200790 que garante que a gestante seja inserida no programa de assistência pré- natal, e que tenha conhecimento prévio em qual maternidade será realizado o parto e será atendida em casos de intercorrência. Quanto à lei do acompanhante, lei 11.108/2005 estabelece que aos serviços de SUS, rede própria ou conveniada tem a obrigação em autorizar a presença de um acompanhante, indicado pela parturiente, durante todo o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. Portanto a pesquisa Nascer Brasil à Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz)91 afirma que esse direito ainda é um privilégio de mulheres brancas, usuárias do setor privado, com maior renda e que fizeram a opção pela cesariana, se beneficiando da presença constante do acompanhante menos de 20% das mulheres. Sobre isto: O descumprimento da lei do acompanhante se caracteriza quando houver restrição da escolha da mulher; restrição do tempo de permanência do acompanhante ou ainda restrição pelo vínculo com a instituição, quando, por exemplo, afirmam que tal direito só é válido para particulares92. Verificamos que mesmo com a lei em vigência para assegurar esse direito, algumas ações têm resultados improcedentes: Apelação cível - ação de indenização - hospital público regional - nascimento de trigêmeos -acompanhamento do pai - impossibilidade - medida excepcional – peculiaridades do caso - prestação do serviço - ausência de ilicitude – dano moral não caracterizado - sentença mantida. A Lei n° 11.108, de 7 de abril de 2005, diz:[...] O direito à presença de acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato está regulamentado desde 2005, pela Lei nº 11.108, no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde). Contudo, tal direito não prepondera na hipótese de haver risco à saúde das parturientes e dos nascituros. -Tratando-se de gestação de trigêmeos e sendo necessária a realização de cirurgia cesariana, com a presença de dois obstetras, um anestesista e três pediatras (um para cada recém-nascido) na sala cirúrgica, fez-se prudente limitar o acesso ao local, não havendo que se falar, portanto, em existência de conduta ilícita do corpo médico a ensejar dever de 89 89 BRASIL. DO SUBSISTEMA DE ACOMPANHAMENTO DURANTE O TRABALHO DE PARTO, PARTO E PÓS-PARTO IMEDIATO: Lei n°11.108 de 7 de Abril de 2005. Disponível em:< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11108.htm> 90 BRASIL. Lei n° 11.634 de 27 de Dezembro de 2007. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11634.htm> 91 Pesquisa Nascer Brasil Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). 2016. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/depressao-pos-parto-acomete-mais-de-25-das-maes-no-brasil Acesso em 10 out 2017 92 PARTO DO PRINCIPIO. Dossiê da Violência Obstétrica “Parirás com Dor”. 2012. <http://www.senado.gov.br/comissoes/documentos/SSCEPI/DOC%20VCM%20367.pdf>. Acesso em 09 de Setembro de 2017. http://www.senado.gov.br/comissoes/documentos/SSCEPI/DOC%20VCM%20367.pdf 34 indenizar. - Recurso desprovido. (TJ/MG, Apelação Cível nº. 10027130028544001, Relator: Eduardo Andrade, 1ª Câmara Cível, julgado em 15/07/2014)93. Por sua vez, em função da proteção da mulher nesse cenário de vulnerabilidade, surgem normas jurídicas entre as já citadas tem a lei nº 10.778/2003 foi elaborada para impor que seja realizada a notificação compulsória nos casos de violência contra a mulher seja ela atendida em serviços de saúde pública ou privada. No Brasil o sistema de saúde não tem uma área ou programa com atenção especial quando se trata de saúde sexual ou reprodutiva, sendo assim, entendemos que a violência contra a mulher é matéria de violação de direitos humanos, e as violações devem ser responsabilizadas. Miriam Ventura94 instrui que o direito à maternidade segura na situação legal no Brasil, o acesso integral e gratuito dos serviços de saúde, com qualidade, incluindo “planejamento familiar, assistência ao pré-parto, parto e pós parto, e emergência obstétrica, inclusive em situações que envolvem complicações no caso de aborto, espontâneos ou provocados” o sistema deve ser acolhedor, de modo a atender todas as mulheres indistintamente, o princípio de não descriminação tem a obrigação de ser tutelado, sem preconceitos, discriminações ou privilégios. Nesse sentido podemos afirmar que mesmo diante de tudo que foi discorrido em defesa da mulher, atos praticados de violência obstétrica são considerados “normais”, corriqueiros nos ambientes hospitalares, e dificilmente os agressores são responsabilizados, podendo ser eles os hospitais ou profissionais de saúde, ou pelas justificativas já mencionadas ou pela falta de acesso aos prontuários. A violência obstétrica pode ser praticada tanto pelos profissionais de saúde, quanto pelo estabelecimento de saúde. Sílvio de Salvo Venosa faz a seguinte citação: Cabe ao Direito, hoje tendo em seu bojo o poderoso instrumento da lei do consumidor, colocar nos devidos extremos a responsabilidade civil do médico. Deve ser entendida como responsabilidade médica não somente a responsabilidade individual do profissional, mas também as dos estabelecimentos hospitalares, casas de saúde, clínicas, associações e sociedades de assistência, pessoas jurídica, enfim, que , agindo por prepostos em atividades cientemente diluída procuram amiúda fugir de seus deveres sociais, morais e jurídicos. O defeito ou falha da pessoa jurídica na prestação de serviços médicos independe de culpa nos termos dos artigos do art.14 do código de defesa dos consumidores. Apenas a responsabilidade do médico, enquanto profissional liberal individual, continua no campo subjetivo (art. 14,§ 4º),avaliada de acordo com o art. 186 do código civil (antigo, art.159) e seus princípios tradicionais. Sendo o Direito instrumento de adequação social, deve-se adequar aos novos rumos da ciência médica. Cabe ao juiz, sentindo o pulso da sociedade, situar corretamente a responsabilidade médica. Cumpre também aos médicos e a sociedade conscientizarem-se de seus direitos e deveres, hoje com matizes muito diversos do inícios do século XX nos primórdios da responsabilidade civil moderna95. 93 MINAS GERAIS, Tribunal de Justiça. Apelação Cível n°. 10027130028544001. Disponível em:< https://tj- mg.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/129091484/apelacao-civel-ac-10027130028544001-mg> 94 VENTURA, Miriam. Direitos Reprodutivos no Brasil/ 1. Direitos Humanos 2. Direitos Reprodutivos 3. Reprodução Humana. 3ª edição, 2009. 95 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005,p. 139. 35 Para tanto, para apuração da responsabilidade civil dos enfermeiros e médicos, deve ser verificada a culpa, desta forma se comprovado que tenham agido com negligencia imprudência e imperícia, conforme o artigo 14,§4º do código de defesa do consumidor que diz: Art.14 §4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante verificação de culpa” só assim haverá a indenização96. Portanto há a concepção de que a responsabilidade do médico em sua atividade é a subjetiva, quando ocorrer danos, conforme o artigo 951 do código civil: Art. 951 O disposto nos arts. 948,949 e 950 aplica-se ainda no caso de indenização devida por aquele que, no exercício de atividade profissional, por negligencia, imprudência imperícia, causar a morte do paciente, agravar-lhe o mal, causar-lhe lesão ou inabilitá-lo ao trabalho”97. Para tanto, neste mesmo sentido Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho fazem a seguinte menção: A importância já transcrito §4º do artigo 14 do código de defesa do consumidor, ao reafirmar a responsabilidade civil subjetiva dos profissionais liberais, nos quais se encontram os mencionados agentes de atividade médica, se verifica na medida em que aquele diploma consagra, nas relações de consumo, a responsabilidade civil objetiva, mas expressamente, faz a ressalva o que infere o caráter proposital dessa situação excepcional98. E afirma ainda que quando se tratar da responsabilidade civil do hospital ou clínica não permanecerá subjetiva e assim discorre: Como já deve ter inferido, embora a responsabilidade civil do profissional médico permaneça subjetiva, o mesmo não pode ser dito do hospital ou clinica médica em que presta serviços. Com efeito por força da nova regra de responsabilização objetiva por ato de terceiro, contida no art. 932,III, do CC-02, não há como deixar de aplicar os dispositivo para tais entidades. Registra-se, inclusive, que essa regra se aplica também a hospitais filantrópicos, pois a atividade com intuito assistencial não afasta a responsabilidade pelo dever geral de vigilância e eleição que deve manter com seus profissionais99. O médico deve usar de prudência e diligências habituais para a correta prestação de seu serviço, sempre utilizando as melhores técnicas com o objetivo de alcançar um determinado resultado, sendo que tal atividade, em geral, estabelece ser uma obrigação de 96 BRASIL. Código de Defesa do Consumidor (1990). Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. 97 BRASIL. Decreto Lei nº10.406, de 10 de janeiro de 2002. Responsabilidade Civil. 98 GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil.4ª ed. Imprenta: São Paulo, Saraiva, 2006, p. 219. 99 Id. Ibid, p. 220. 36 meio e desta forma o profissional tem a obrigação de realizar a atividade, sem garantir, portanto, o resultado esperado100. Os hospitais filantrópicos, mesmo sendo a atividade natureza social não afasta a responsabilidade a responsabilidade. Conforma o artigo 37 § 6° da Constituição Federal: Art 37 § 6° As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadores de serviços públicos responderão pelos atos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros101. Dessa forma os prestadores de serviço público e privado serão responsabilizados objetivamente pelos atos que os seus profissionais causarem a terceiros. E o artigo 43 do Código Civil nos traz o seguinte: Art 43 As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos de seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvando direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo102. Havendo a responsabilidade objetiva da instituição esta pode entrar com um eventual direito de regresso contra o médico se ele esporadicamente faz uso das estruturas física ou logística daquele hospital para que possa realizar procedimentos cirúrgicos, pois existe uma relação entre o médico e o hospital. Maria Helena Diniz classifica a responsabilidade do médico como contratual e diz: A responsabilidade do médico é contratual, por haver entre médico e seu cliente um contrato, que se apresenta como uma obrigação de meio, por não comportar o dever de curar o paciente, mas de prestar-lhe cuidados conscienciosos e atentos conforme os progressos da medicina. Todavia, há casos em que a obrigação de resultado, com o sentido de cláusula de incolumidade, nas cirurgias estéticas e nos contratos de acidentes. Excepcionalmente a responsabilidade do médico terá natureza delitual, se ele cometer um ato ilícito penal ou violar normas regulamentares da profissão103. Neste mesmo sentido afirma que a responsabilidade do médico eventualmente terá natureza delitual, somente quando houver prática ilícita penal ou violação dos regulamentos que disciplinam está profissão e assim discorre: Embora o nosso código cível tenha regulado a responsabilidade médica no capitulo atinente aos atos ilícitos, tal responsabilidade, a nosso ver é contratual. Realmente nítido é o caráter contratual do exercício da medicina, pois apenas excepcionalmente terá natureza delitual, quando o médico cometer ato ilícito penal ou violar normas regulamentares da profissão. Assim, se o médico operador for experiente e tiver usado de meios técnicos indicados, não se explicando a origem eventual da sequela, 100 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos casos de Violência Obstétrica. vol. 2. N° 1. p. 257- 277. 101 Constituição Federal. Vade Mecum. São Paulo: Saraiva, 2016. 102 BRASIL. Decreto Lei nº10.406, de 10 de janeiro de 2002. Responsabilidade Civil 103 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p 303. 37 não haverá obrigação de risco profissional, pois os serviços médicos são, em regra de meio e não de resultado. Se nenhuma modalidade de culpa-negligência, imprudência ou imperícia- ficar demonstrada, como não há risco profissional, independente de culpa, deixará de haver base para fixação de responsabilidade civil, pois as correlações orgânicas ainda são pouco conhecidas e surgem às vezes resultados inesperados, desconhecidos (TJSP ADCOAS, 1981,n 80.418)104. Silvio de Salvo Venosa, rebate essa a classificação acima fazendo a seguinte menção: A doutrina tradicional discute o caráter contratual dessa responsabilidade, procurando afastá-la da responsabilidade aquiliana. Como já assentamos, inexiste diferença ontológica entre as duas modalidades de responsabilidade, contratual e extracontratual. Sob qualquer prisma, correndo a culpa, aflora o dever de indenizar. Contudo, existindo contrato, é no âmbito dos seus limites que será apurado o inadimplemento total ou descumprimento, ou o inadimplemento parcial ou mora. Se não há contrato e a culpa emerge de um dever de conduta, é nessa ação do agente que a culpa deve ser aferida. No entanto, em toda responsabilidade profissional, ainda que exista contrato, há sempre um campo de conduta profissional a ser examinado, inerente a profissão e independente da existência de contrato105. Destarte, a responsabilidade contratual e extra contratual surgem quase sempre concomitantemente. Ainda ressalta o doutrinador Silvio de Salvo Venosa: Resulta que nas hipóteses nas quais a existência de contrato entre médico paciente não fica muito claro, como quando um médico assiste transeunte em via pública, ou socorre um vizinho acometido de mal súbito, torna-se muito difícil aferir a falta do médico sob o prisma contratual,tanto assim é que a doutrina tem dificuldade em classificar o contrato, quando não como locação de serviços (e assim o é o contrato médico e paciente surge de forma clara), como um contrato sui generis. Dever ser afastada qualquer classificação ímpar na teoria dos contratos. Dizer que o contrato é sui generis nada esclarece106. 107Assim se o paciente contratando com o médico, uma consulta, tratamento, terapia ou cirurgia, claramente percebemos que o negócio jurídico é contratual, oneroso e comutativo. Sendo obrigação do médico de meio e não resultado, existindo contrato ou não, a não ser se tratar de plástica estética. Desta forma a responsabilidade contratual emerge da conduta e não do contrato, quando se observa a iniciativa unilateral do médico, na hipótese de ainda que contra a vontade da pessoa ele passe a tratá-la. Portanto não se deve desta forma considerar a atividade médica tomada unicamente ao plano contratual. Conforme trazido ao início desse trabalho, umas das formas de violência obstétrica é não ser informada dos procedimentos que irão ser realizados e desta forma não ter a oportunidade de participar das decisões dos processos decisórios nos três eventos, parto, pré parto e pós parto. 104 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21ª ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, p 296. 105 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 134. 106Id. Ibid, p. 135. 107 Id. Ibid, p. 135. 38 Neste sentido Silvio Salvo Venosa faz a seguinte menção: A omissão na informação correta ao paciente pode acarretar responsabilidade profissional. As situações de emergências devem ser devidamente sopesadas. As informações somente podem ser suprimidas quando efetivamente não poderem ser prestadas. O princípio a ser levado em conta é que, quanto mais arriscada a intervenção do profissional, seja com tratamento, seja com cirurgia, tanto mais necessária tornam-se a advertência e a informação aos paciente108. Neste sentido é importante observar que a episiotomia, conforme a pesquisa “Nascer no Brasil” é um procedimento que é feito sem consentimento prévio da parturiente, sendo ele uns dos únicos realizado desta forma. A pesquisa ainda relata que 53% dos partos vaginais no nosso país, entretanto a OMS recomenda que apenas em 10% dos casos é necessário. Em se tratando de primeiro filho o índice chega a 74%109. A episiotomia é uma cirurgia, que causa uma série de desconforto na mulher, pois lesa estruturas do períneo, tais como os músculos, vasos sanguíneos e tendões, o que pode ter como resultado, incontinência fecal e urinária, dor nas relações sexuais, risco de infecção e laceração perineal nos seguintes partos, pode ocorrer também sangramento em maior quantidade e também pode causar um resultado estético indesejável110. Desta forma é clara a responsabilidade do médico, sendo a responsabilidade solidária dos agentes que participaram do resultado danoso, havendo a fixação de valores referentes de danos morais e materiais. Fazendo-se presente ainda o pensionamento resultado da paralisação do exercício laboral da vítima. Conforme os dispostos nos artigos 948, 949 e 950: Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outras reparações: I - no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o luto da família; II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em conta a duração provável da vida da vítima. Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido. Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu. Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez. Aplica-se ainda no caso de indenização devida por aquele que, no exercício de atividade profissional, por negligência ou imperícia, causar morte do paciente, agravar-lhe o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho. Diante da responsabilidade civil, quando o assunto é episiotomia encontramos o acórdão seguinte no sítio do Supremo Tribunal Federal (STF), julgado pela Segunda Turma. 108 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 139. 109 REVISTA BRASIELIRA DE DIREITOS E GARANTIAS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos casos de Violência Obstétrica. vol. 2. N° 1. p. 257- 277 110 Cad. Esc. Dir. Rel. Int. (UNIBRASIL), vol. 2, nº 25, Jul/Dez. 2016, p. 48-60 39 Esse acórdão foi encontrado por intermédio da palavra-chave “episiotomia” e o ministro relator foi Celso de Mello: E m e n t a: responsabilidade civil objetiva do poder público – elementos estruturais – pressupostos legitimadores da incidência do art. 37, § 6º, da constituição da república – teoria do risco administrativo – hospital público que integrava, à época do fato gerador do dever de indenizar, a estrutura do ministério da saúde – responsabilidade civil da pessoa estatal que decorre, na espécie, da inflição de danos causada a paciente em razão de prestação deficiente de atividade médico-hospitalar desenvolvida em hospital público – lesão esfincteriana obstétrica grave – fato danoso para a ofendida resultante de episiotomia realizada durante o parto – omissão da equipe de profissionais da saúde, em referido estabelecimento hospitalar, no acompanhamento pós- cirúrgico – danos morais e materiais reconhecidos – ressarcibilidade – doutrina – jurisprudência – recurso de agravo improvido. (stf, ai 852237 agr, relator(a): Min. Celso de Mello, segunda turma, julgado em 25/06/2013, acórdão eletrônico dje-176 divulg 06-09-2013 public 09-09-2013, grifo nosso)111. Podemos perceber nesse caso que houve a responsabilização do poder público tendo em vista a aplicação da teoria do risco administrativo. Silvio de Salvo Venosa faz a seguinte observação: A relação médico paciente pode até mesmo ser de natureza estatutária, se o profissional for de hospital pertencente ao Estado. O médico que atua como funcionário público, causando dano a paciente, deve ser absorvido pela responsabilidade objetiva do art.37,§ 6º, da Constituição.O Estado terá regresso contra o médico se este tiver agido com culpa. Na responsabilidade civil do Estado, em matéria de atendimento médico, o que está em jogo é a chamada falta de serviço público causadora de dano ao particular, e não a responsabilidade de um agente público em particular (VENOSA, 2004, p. 114)112. Ao analisar o acórdão, verifica-se que houve sim a omissão do Poder Público, quando ele não orientou a parturiente sobre o procedimento que seria aplicado no parto e também dos riscos que poderia lhe afligir. Ficando, desta forma, clara que umas das formas de violência obstétrica é a perda de autonomia da mulher, deixando ela de ser protagonista de seu parto, do nascimento do seu próprio filho. Conduta que teve como resultado o prejuízo de sua integridade física, psíquica e sexual. Ficou presente no acórdão 852237, relator (a): Min. Celso de Mello, segunda turma, julgado em 25/06/2013, os elementos que caracterizam a Responsabilidade Civil e Objetiva do Poder Público, pois restouclaro que houve uma situação de fato que possibilitou o evento danoso. Houve também a ação e omissão do agente público atenuada pela lesão à vítima, competindo ao Estado indenizar pelo dano moral e/ou material. Ficando claro que não é necessária a caracterização de culpa dos agentes estatais. No acórdão seguinte, também sobre a episiotomia a jurisprudência se manifesta sobre a responsabilidade subjetiva do médico: 111 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. BRASÍLIA, DF,09 de setembro de 2013. Disponível em:< https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/busca?q=AI+852237+episiotomia> acesso em: 15 de setembro de 2017. 112 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil IV: Responsabilidade Civil 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2004, p 114. https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/busca?q=AI+852237+episiotomia 40 Trata-se de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja segue transcrita: APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. DANOS MATERIAIS E MORAIS. LUCROS CESSANTES. PARTO NORMAL. EPISIOTOMIA. LASCERAÇÃO PERINAL DE 4º GRAU. SUTURA DESCONTROLE NA ELIMINAÇÃO DE DEJETOS. INSUCESSO NA TENTATIVA DE CORREÇÃO. DANOS EVIDENTES. ERRO GROSSEIRO. IMPERÍCIA. NEGLIGÊNCIA. NEXO CAUSAL. CULPA RECONHECIDA. DEVER DE INDENIZAR. 1. Responsabilidade do médico: A relação de causalidade é verificada em toda ação do requerido, evidente o desencadeamento entre o parto, a alta premature e os danos físicos e morais, causando situação deplorável à apelante, originada de dilaceração perinal de 4º grau. Configurado erro grosseiro, injustificável, com resultado nefasto, o qual teve por causa a imprudência e negligência do requerido. Dever de indenizar.2. Danos morais: evidentes, procedimento realizado de forma a técnica, causando sofrimento físico e moral, constrangimento, humilhação, angústia, impossibilidade de levar uma vida normal, desemprego, alto estresse familiar. Procedência. 3. Danos materiais: comprovados através de recibos e notas fiscais. Procedência. 4. APensionamento\: paralisação da atividade produtiva da vítima, enquanto perdurou o tratamento para reconstrução do períneo. Parcial procedência. DERAM PARCIAL PROVIMENTO AO APELO. (STF - AI: 810354 RS, Relator: Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Data de Julgamento: 15/12/2010, Data de Publicação: DJe-001 DIVULG 04/01/2011 PUBLIC 01/02/2011, grifo nosso)113. Podemos verificar que no julgado analisado verificou-se uma laceração perinal de 4º grau, resultado da violência obstétrica, do trauma sofrido, que trouxe desconforto a mulher, como incontinência fecal, provocando o desequilíbrio emocional, social e psicológico da parturiente. O caso a seguir reporta-se a episiotomia que foi realizada sem o devido respeito aos procedimentos corretos e o resultado foi à morte da parturiente. Observe-se que a responsabilidade penal, mesmo que haja a reparação dos danos na esfera civil, também pode incidir-se nos casos de violência obstétrica. APELAÇÃO CRIMINAL. HOMICÍDIO CULPOSO. Parto normal com episiotomia. ART. 121, § 3º, DO cp. INCIDÊNCIA DA MAJORANTE DO § 4º DO MESMO DISPOSITIVO LEGAL. (inobservância de regra técnica de profissão). Pena que não merece redimensionamento. Demonstrado que o réu agiu com negligência, imprudência e imperícia, e que dita conduta levou a paciente a óbito, pois, após o parto com episiotomia, deixou de realizar procedimento de revisão do reto, o que propiciou a comunicação do conteúdo fecal com o canal vaginal, culminando com infecção generalizada, que evoluiu com a morte da vítima, mostra- se correta a sua condenação pela prática do delito de homicídio culposo. Aplicabilidade da causa de aumento de pena prevista no § 4º do art. 121 do CP, por inobservância de regra técnica de profissão. Pena definitiva de dois anos de detenção, substituída por duas restritivas de direito, consistentes na prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária, que se mostra adequada ao caso, não ensejando redimensionamento. APELAÇÃO DESPROVIDA.(TJ/RS, Apelação 113 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. BRASÍLIA, 06 de Fevereiro de 2007. Disponível em:< https://stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/18006554/agravo-de-instrumento-ai-810354-rs-stf> acesso em 15 de setembro de 2017 https://stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/18006554/agravo-de-instrumento-ai-810354-rs-stf 41 crime nº: 70053392767, Relatora: DES.ª LizeteAndreisSebben, 2ª Câmara Criminal, julgado em 14/11/2013)114. Observa-se nesse acórdão que o médico foi condenado porque agiu com negligência, imprudência e imperícia, pois não realizou a revisão do toque retal depois de realizada a episiotomia, pois se assim tivesse feito verificaria a lesão, de modo que poderia ser reparado a tempo e a hora. Perceba que o procedimento não realizado pelo médico é mencionado como regra técnica de profissão, quando na realidade é mais um procedimento violento que é resultado de uma violência anterior que é a episiotomia. A paciente reclamara de dor, porém o médico liberou sua alta, o que resultou em infecção generalizada “septicemia”, e depois de vinte cinco dias internada na Unidade Terapêutica Intensiva (UTI) hospitalar a paciente veio a falecer. E conforme já estudado anteriormente, do médico exigia-se diferente conduta, tendo demonstrado a sua culpabilidade plena e sendo ele imputável. Outra forma comum de violência obstétrica é a manobra de Kristeller, conforme já tratado nas modalidades de violência obstétrica, nesse trabalho, a manobra de Kriteller se baseia em pressões que são aplicadas inadequadamente no fundo uterino justamente no momento expulsivo. Essa prática é comprovadamente desnecessária e prejudicial, pois causa dano no momento de sua execução, sendo que essa prática por si só contraria normas do Ministério da Saúde. Ação de indenização por danos materiais e morais – Responsabilidade solidária dos requeridos – Hospital e Administradora de Plano de Saúde – Conduta culposa do médico anestesista caracterizada – Realização de manobra com empurrão da barriga da parturiente sem orientação ou solicitação do médico obstetra – Manobra desnecessária – Consequências para a parturiente representada por lesões que extrapolam aquelas aceitáveis e previstas para o parto natural – Procedimentos de reparação – Sofrimento que extrapola o mero dissabor – Danos morais caracterizados – Fixação do valor de indenização em atendimento aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade – Danos materiais – Não caracterização – Inexistência de sequelas incapacitantes – Não demonstração de impossibilidade de exercício de atividade laboral por período superior àquele que seria dispensado aos cuidados com o filho recém-nascido – Acolhimento parcial do pedido inicial – Partilha dos ônus de sucumbência – Recurso parcialmente provido.(TJ-SP - APL: 00086400820138260011 SP 0008640-08.2013.8.26.0011, Relator: Marcia Dalla Déa Barone, Data de Julgamento: 27/09/2016, 3ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 28/09/2016)115. 114 RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça. Porto Alegre, 14 de Novembro de 2017. Disponível em: <https://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/113388642/apelacao-crime-acr-70053392767-rs/inteiro-teor- 113388652>. Acesso em 15 de Setembro de 2017. 115 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SÃO PAULO, 29 de Setembro de 2015. Disponível em: < https://tj- sp.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/388928947/apelacao-apl-86400820138260011-sp-0008640- 0820138260011/inteiro-teor-388928984> . Acesso em 16 de Setembro de 2017. https://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/113388642/apelacao-crime-acr-70053392767-rs/inteiro-teor-113388652 https://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/113388642/apelacao-crime-acr-70053392767-rs/inteiro-teor-11338865242 Encontra-se nesse julgado, também a responsabilidade civil por erro médico, neste caso, sendo resultado da execução da manobra de Kristeller, que causou lesões ao neonato, como a paralisia cerebral. Analisados os acórdãos, fica comprovada a caracterização da violência obstétrica, porém, mesmo existindo as normas e regulamentos na esfera do Ministério da Saúde, lamentavelmente, não existe nenhuma legislação brasileira específica, sobre o tema, não há na esfera civil e nem mesmo na criminal, contrário do que acontece na Argentina e Venezuela conforme já mencionamos no primeiro capítulo deste trabalho. Fato este que nos deixa uma missão, a falta de legislação própria não pode nos impossibilitar, como operadores do direito, de buscar a punição dessa prática, pois nos resta claro que a prática de violência obstétrica viola os princípios de direitos basilares do estado Democrático do Direito, nos permitindo aplicar à responsabilidade civil a equipe hospitalar, ao Estado e ainda nos permite a aplicação da lei penal, conforme ficou demonstrado nesse capítulo. Por fim que se possa caminhar com o dever de fazer do Direito um instrumento das lutas feministas objetivando que a violência obstétrica seja identificada como uma forma de violência contra mulher. 43 CONSIDERAÇÕES FINAIS Verificamos que a violência obstétrica pode se caracterizar de formas diversas no pré natal , pré parto e trabalho de parto e parto. Desde a não informação sobre os procedimentos e seus riscos e a não autorização para realização destes procedimentos, a injúria verbal caracterizada por palavras ofensivas, impedindo a mulher de exibir o que sentia naquele momento antecedente ou durante o parto. Observa-se ainda que as práticas de violência obstétrica não são reconhecidas como praticas violentas, pois, naquele momento as mulheres estão passando pelos momentos e emoções mais importantes de suas vidas, e talvez por isso as mulheres que passam por estas experiências violentas não falam sobre o assunto e muitas vezes preferem não se recordar. Sendo assim faz-se importante tratar sobre os direitos humanos da mulher, durante o período de gestação, parto e pós-parto impreterivelmente nas consultas de pré-natal tendo-se nesses momentos a chance de descrever sobre esse assunto, conscientizando-as a respeito das deliberações concernentes a seu corpo e seu parto, tendo ela condição de questionar e denunciar as práticas de violência. Podemos dizer que a violência obstétrica é uma das modalidades da violência de gênero, sendo ela interligada na estrutura social e que pela falta de informação, a maioria das mulheres, sequer compreende que sofrem abusos. É no tocante à admissão e potencialização dos direitos humanos que a mulher tem o poder de ser protagonista, cabendo a ela decidir sobre seu próprio corpo. É ela quem deve concordar ou não com os procedimentos que serão realizados em seu corpo. Esse trabalho nos traz a possibilidade de debater no meio acadêmico a execução de atos e erro medico, possibilitando o aprofundamento sobre a responsabilidade civil nos casos de violência obstétrica, analisando os julgados no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça (STJ) e demais tribunais estaduais. Podemos perceber nesta pesquisa que os julgados não mencionam o termo “violência obstétrica”, contribuindo para invisibilidade do fato quando se trata de processo judicial. Sabemos que existem os quadros violadores que evidenciam a prática, e mesmo assim os danos ou violências ainda não são compreendidos no termo “violência obstétrica”. Não só as parturientes como também os operadores de direito não portam ciência acerca da matéria. A partir da possibilidade das responsabilizações, conforme demonstrado no percurso do trabalho, faz-se obrigatório à necessidade de que a violência obstétrica seja declarada pelos agentes de Justiça e tratada nos julgados. Desta forma faz-se necessário a capacitação continuado dos magistrados. Não podemos trazer de forma generalizada às condutas médicas e dos profissionais de saúde, pois sendo parte delas necessárias e emergenciais, porém nos julgados trazidos a este estudo ficou claro o erro médico em relação às práticas mencionadas de violência obstétrica. A luta é pelo reconhecimento da violência obstétrica seja considerada judicialmente não sendo ela vista comente como erro médico, mas sim como uma modalidade de violência de gênero. Desta forma ha a espera ansiosa pelo dia em que restará mencionado a verdadeira nomenclatura em um caso julgado diante de uma prática tão violenta, fria e cruel. E por isso sugerimos que trabalhos futuros realizem estudos quanto à responsabilização penal dos agentes violadores. Podemos, a partir de este trabalho verificar, que a violência obstétrica, em suas diversas modalidades, conclui que estamos submergidos em uma sociedade sexista e preconceituoso e que as práticas que são conceituadas como normais e costumeiras, violam direitos como integridade física, a dignidade da pessoa humana, que subtraem da mulher o direito de protagonizar. 44 Essas modalidades devem ser erradicadas, conforme defende a Organização Mundial da Saúde (OMS) e devem ser, de forma eficaz, punidas, em especial quando se trata de responsabilidade civil dos profissionais de saúdes, autores ou coautores. 45 REFERÊNCIAS ARGENTINA, Lei do Parto Humanizado, Lei Nacional nº 25.929. Lei 26.485. LEY NACIONAL DE VIOLENCIA CONTRA LA MUJER, 2010. AZEVEDO, Júlio Camargo de. Precisamos falar sobre a violência obstétrica. Disponível em: <https://www.conjur.com.br/2015-mai-16/julio-azevedo-precisamos-falar-violencia- obstetrica>. Acesso em: 07 set. 2017. BRASIL. Código Civil. Lei nº 10. 406/2002. Institui o Código Civil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm Acesso em: 10 out 2017. BRUGGEMANN, Maria Odália. PARPINELLI, Mary Angela. OSIS, Maria José Duarte. Evidências Sobre o Suporte Durante o Trabalho de Parto/Parto: Uma Revisão da Literatura. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/csp/v21n5/03.pdf>. Acesso em 09 de Outubro de 2017. CHAUÍ, Marilena. CARDOSO, R. PAOLI, M.C. Perpectivas Antropológicas da Mulher. Rio de Janeiro: Zahar, 1985. V. 4. P.25-62. CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICO. Resolução CEM Nº1931/2009. Disponível em: <http://www.portalmedico.org.br/novocodigo/integra.asp>. Acesso em 28 de Setembro de 2017. CONGRESSO NAIONAL. Projeto de Lei Complementar PLC n° 7.633/2014. Dispõe sobre a humanização da assistência à mulher e ao neonato durante o ciclo gravídico-puerperal e dá outras providências. Disponível em: <http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1257785> Acesso em 10 de outubro de 2017. PLANALTO. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: < http://www2.planalto.gov.br/acervo/constituicao-federal>. Acesso em: 10 de outubro de 2017. ECA. Estatuto da criança e do adolescente: Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990, Lei n. 8.242, de 12 de outubro de 1991. – 3. ed. – Brasília : Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 2001. FERREIRA, Ana Luisa Carvalho. et al. Uma Luz no Fim do Útero: Reflexões sobre Gestação, Aborto e Violência Obstétrica. Disponível em: <http://sinus.org.br/2015/wp- content/uploads/2014/12/Artigo-OMS.pdf> Acesso em 12 de Outubro de 2017. Ministério da Saúde. Secretaria de atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Direitos sexuais, direitos reprodutivos e métodos anticoncepcionais. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. p. 4-5. PREFEITURA DE SÃO PAULO. Sistema Único de Saúde. Linha de Cuidado para Atenção Integral à Saúde da Pessoa em Situação de Violência. São Paulo, 2015. Disponível em: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1257785http://www2.planalto.gov.br/acervo/constituicao-federal 46 <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/baixacartilhaviolencia(1).pd f>. Acesso em: 30 ago 2017. CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS - Pacto De San José Da Costa Rica. 1969. Disponível em: <http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/sanjose.htm> Acesso em 21 de Setembro de 2017 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 21 ed. (aument. E atual. De acordo com o Novo Código Civil – lei nº 10406, de 10-1-2002). São Paulo: Saraiva, 2007, 7 v. DUARTE, Ana Cristina. Violência obstétrica. Disponível em: <http://estudamelania.blogspot.com.br/2013/02/guest-post-violencia-obstetrica-by-ana.html>. Acesso em: 07 set 2017. FILHO, Sérgio Cavalieri. Programa de Responsabilidade Civil. 8ª edição. São Paulo. Atlos, 2008. GAGLIANO, Pablo Stolze. FILHO, Rodolfo Pamplona. 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Direitos Reprodutivos no Brasil/ 1. Direitos Humanos 2. Direitos Reprodutivos 3. Reprodução Humana. 3ª edição, 2009. VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA. “Parirás com dor”. Dossiê elaborado pela Rede Parto do Princípio para a CPMI da Violência Contra as Mulheres. 2012. Disponível em: <https://www.senado.gov.br/comissoes/documentos/SSCEPI/DOC%20VCM%20367.pdf>. Acesso em 30 ago 2017. CAD.ESC.DIR.REL.INT.(UNIBRASIL). Violência Obstétrica Como Violência de Gênero e Violência Institucionalizada: Breves Considerações a Partir dos Direitos Humanos e Do Respeito às Mulheres. Curitiba-PR. Vol. 2, n° 25, Julho/dez 2016. Disponível em:< http://revistas.unibrasil.com.br/cadernosdireito/index.php/direito/article/viewFile/865/822> Acesso em: 10 de out. 2017. REVISTA BRASILEIRA DE DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS. Reflexos da Responsabilidade Civil e Penal nos Casos de Violência Obstétrica. Brasília. V.2, n° 1. Jan/Jun.2016.Disponívelem:<www.indexlaw.org/index.php/garantiasfundamentais/article/do wnload/911/905> acesso em: 10 Set. 2017. BRASIL.CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR (1990). Lei n°8.078, de 11 Setembro. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/18078.htm>. Acesso em: 10 Ago.2017. AGUIAR, Janaína Marques de. Violência Institucional em Maternidades Públicas: hostilidades ao invés de acolhimento como uma questão de gênero. Janaína Marques de Aguiar. São Paulo, 2010. Disponível em:< http://www.scielo.br/pdf/icse/2010nahead/aop4010> Acesso em: 11 out.2017. REDE PARTO DO PRINCÍPIO. Violência Obstétrica: Parirás com Dor. Dísponível em: http://www.senado.gov.br/comissões/documentos/SSCEPI/DOC%20367.pdf>. Acesso em 03 Set. 2017. BEAUVOIR, Simone de. O Segundo Sexo: Fatos e Mitos. 4ª. Ed. Tradução de Sérgio Milliet. Difusão Européia do Livro, São Paulo, 1970. ANEXO I LEI DE PROTEÇÃO INTEGRAL PARA MULHERES Lei 26.485 http://revistas.unibrasil.com.br/cadernosdireito/index.php/direito/article/viewFile/865/822 http://www.indexlaw.org/index.php/garantiasfundamentais/article/download/911/905 http://www.indexlaw.org/index.php/garantiasfundamentais/article/download/911/905 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/18078.htm http://www.scielo.br/pdf/icse/2010nahead/aop4010 http://www.senado.gov.br/comissões/documentos/SSCEPI/DOC%20367.pdf 48 Lei de proteção abrangente para prevenir, punir e erradicar a violência contra mulheres em áreas onde desenvolvem suas relações interpessoais Sancionado: 11 de março de 2009. Promulgada de fato: 1 de abril de 2009. O Senado e a Câmara dos Deputados da Nação Argentina reuniram-se no Congresso, etc. sanção com força de lei: LEI DE PROTEÇÃO INTEGRAL PARA PREVENIR, PENAR E ERRADICAR A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES NAS ÁREAS ONDE OS DESENVOLVIMENTOS SEUS RELACIONAMENTOS INTERPERSONAL TÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS ARTIGO 1 - Âmbito de aplicação. Ordem pública. As disposições desta lei são de ordem pública e são aplicáveis em todo o território da República, com exceção de disposições de natureza processual estabelecidas no Capítulo II do Título III deste documento. ARTIGO 2 - Objeto. O objetivo desta lei é promover e garantir: a) A eliminação da discriminação entre mulheres e homens em todos os níveis da vida b) O direito das mulheres de viver uma vida sem violência; c) As condições adequadas para sensibilizar e prevenir, sancionar e erradicar a discriminação e violência contra as mulheres em qualquer das suas manifestações e áreas; d) O desenvolvimento de políticas públicas interinstitucionais sobre violência contra as mulheres mulheres; 1947) e) A remoção de padrões socioculturais que promovam e sustentam a desigualdade de relações de gênero e poder sobre as mulheres; f) Acesso à justiça para as mulheres que sofrem violência; g) Assistência integral às mulheres que sofrem violência em áreas públicas e privadas para realizar atividades de programa para mulheres e / ou serviços violência especializada. SECÇÃO 3 - Direitos Protegidos. Esta lei garante todos os direitos reconhecidos pela Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, Convenção sobre os Direitos da Criança e da Lei 26.061 sobre a Proteção Integral das Crianças Direitos das Meninas, Meninos e Adolescentes e, especialmente, aqueles referidos: a) Uma vida sem violência e sem discriminação; b) Saúde, educação e segurança pessoal; c) Integridade física, psicológica, sexual, econômica ou patrimonial; d) Que a sua dignidade seja respeitada; e) Decidir sobre a vida reprodutiva, o número de gravidezes e quando as ter, de de acordo com a Lei 25.673 de Criação do Programa Nacional de Saúde Sexual e Procriação responsável; f) Intimidade, liberdade de crença e pensamento; g) Receba informações e conselhos adequados; h) Desfrute de medidas abrangentes de assistência,proteção e segurança; i) Aproveite o acesso gratuito à justiça em casos que se enquadram no âmbito da aplicação de a lei atual; 49 j) A verdadeira igualdade de direitos, oportunidades e tratamento entre homens e mulheres; k) Um tratamento respeitoso das mulheres que sofrem violência, evitando qualquer conduta, atuação ou omissão que produz revictimização. ARTIGO 4 - Definição. A violência contra as mulheres é entendida como todo comportamento, ação ou omissão, direta ou indiretamente, tanto na esfera pública como no privado, baseado em uma relação de poder desigual, afeta sua vida, liberdade, dignidade, integridade física, psicológica, sexual, econômica ou patrimonial, bem como sua segurança pessoal São incluídas as pessoas perpetradas pelo Estado ou seus agentes. A violência indireta é considerada, para os propósitos desta lei, toda conduta, ação omissão, provisão, critério ou prática discriminatória que coloca as mulheres em desvantagem com respeito ao homem. ARTIGO 5 - Tipos. Eles estão especialmente incluídos na definição do artigo precedendo, os seguintes tipos de violência contra as mulheres: 1.- Física: A que é usada contra o corpo da mulher produzindo dor, dano ou risco de produza-o e qualquer outra forma de abuso agressivo que afete sua integridade física. 2.- Psicológico: aquele que causa danos emocionais e diminui a auto-estima ou prejudica e perturba o desenvolvimento pessoal completo ou que busca degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, através de ameaças, assédio, assédio, restrição, humilhação, desonra, descrédito, manipulação de isolamento. Inclui também o culpa, vigilância constante, demanda de obediência, submissão, coerção verbal, perseguição, insulto, indiferença, abandono, ciúmes excessivos, chantagem, ridículo, exploração e limitação do direito de circulação ou qualquer outro meio que cause danos à sua saúde psicológica e autodeterminação. 3.- Sexual: qualquer ação que implique a violação em todas as suas formas, com ou sem acesso genital, do direito de uma mulher decidir voluntariamente sobre sua vida sexual ou saúde reprodutiva através de ameaças, coerção, uso da força ou intimidação, incluindo violação dentro do casamento ou outros relacionamentos relacionados ou de parentesco, independentemente de coexistência, bem como prostituição forçada, exploração, escravidão, assédio, abuso sexual e Trata-se de mulheres. 4.- Econômico e patrimonial: o que é direcionado para causar uma diminuição nos recursos direitos econômicos ou patrimoniais, através de: a) A perturbação da posse, posse ou propriedade de seus bens; b) A perda, roubo, destruição, retenção ou distração indevida de objetos, ferramentas de trabalho, documentos pessoais, ativos, valores e direitos econômicos; c) A limitação dos recursos econômicos destinados a satisfazer suas necessidades ou privação dos meios indispensáveis para viver uma vida digna; d) A limitação ou controle de seus rendimentos, bem como a percepção de um salário mais baixo para a mesma tarefa, no mesmo local de trabalho. 5.- Simbólico: o que através de padrões estereotipados, mensagens, valores, ícones ou sinais transmitir e reproduzir a dominação, a desigualdade e a discriminação nas relações sociais, naturalizando a subordinação das mulheres na sociedade. ARTIGO 6 - Modalidades. Para os propósitos desta lei, as modalidades são definidas como formas em que diferentes tipos de violência contra as mulheres se manifestam na diferentes áreas, sendo especialmente incluídas as seguintes: a) Violência doméstica contra a mulher: exercida contra as mulheres por uma 50 membro do grupo familiar, independentemente do espaço físico onde ocorre, o que dano digno, bem-estar, integridade física, psicológico, sexual, econômico ou patrimonial, liberdade, incluindo liberdade reprodutiva e direito a desenvolvimento das mulheres. O grupo familiar é entendido como originário do parentesco ou consanguinidade ou afinidade, casamento, uniões de fato e casais ou namoro. Inclui relações atuais ou completas, não exigência de convivência; b) Violência institucional contra as mulheres: realizada pelos funcionários, profissionais, pessoal e agentes pertencentes a qualquer órgão, entidade ou instituição público, cujo objetivo é atrasar, impedir ou impedir que as mulheres tenham acesso a políticas públicas e exercer os direitos previstos nesta lei. Eles estão incluídos, Além disso, aqueles que são exercidos em partidos políticos, sindicatos, organizações empresariais, esportes e sociedade civil; c) Violência trabalhista contra a mulher: aquilo que discrimina as mulheres nos campos de trabalho público ou privado e isso dificulta seu acesso ao emprego, contratação, promoção, estabilidade ou permanência nele, exigências exigentes sobre o estado civil, maternidade, idade, aparência física ou a realização de testes de gravidez. Também constitui violência contra as mulheres no local de trabalho violando o direito à igualdade de remuneração igualmente tarefa ou função. Também inclui assédio psicológico de forma sistemática um trabalhador determinado para conseguir sua exclusão trabalhista; d) Violência contra a liberdade reprodutiva: uma que viole o direito das mulheres de decidir de forma livre e responsável o número de gravidezes ou o intervalo entre os partos, de acordo com a Lei 25.673 da Criação do Programa Nacional de Saúde Sexual e Procriação responsável e) Violência obstétrica: exercida pelo pessoal de saúde no corpo e nos processos direitos reprodutivos das mulheres, expressos em um tratamento desumanizado, abuso de medicalização e patologização de processos naturais, de acordo com a Lei 25.929. f) Violência da mídia contra as mulheres: a publicação ou disseminação de mensagens e imagens estereotipadas através de qualquer meio de comunicação de massa, que de certa forma direta ou indireta promova a exploração das mulheres ou suas imagens, injurie, difame, discriminar, desonrar, humilhar ou ameaçar a dignidade das mulheres, bem como a uso de mulheres, adolescentes e meninas em mensagens pornográficas e imagens, legitimar a desigualdade de tratamento ou construir padrões reprodutivos socioculturais da desigualdades ou geradores de violência contra as mulheres. TÍTULO II POLÍTICAS PÚBLICAS CAPÍTULO I PRECISOS DE RECTORES ARTIGO 7 - Princípios orientadores. Os três poderes do Estado, sejam nacionais ou autoridades provinciais, devem adotar as medidas necessárias e devem ratificar em cada uma de suas ações a respeito irrestrito ao direito constitucional à igualdade entre mulheres e homens. Para o o cumprimento dos propósitos desta lei deve garantir os seguintes preceitos reitores: a) Eliminação de discriminação e relações de poder desiguais sobre as mulheres; b) A adopção de medidas destinadas a sensibilizar a sociedade, promovendo valores de Igualdade e deslegitimação da violência contra as mulheres; 51 c) Assistência de forma abrangente e atempada para as mulheres que sofrem de qualquer tipo de violência, assegurando acesso gratuito, rápido, transparente e efetivo aos serviços criados para esse fim, além de promover a sanção e reeducação daqueles que exercem violência; d) A adoção do princípio da transversalidade estará presente em todas as medidas, bem como na execução das disposições normativas, articulando interinstitucionalmente e coordenação de recursos orçamentários; e) O incentivo à cooperação e participação da sociedade civil, comprometendo-se a entidades privadas e atores públicos não estatais; f) Respeitar o direito à confidencialidade e à privacidade, proibindo a reprodução para uso privado ou divulgação pública de informações relacionadas a situações de violência contra a mulher,sem autorização da pessoa que a sofre; g) A garantia da existência e disponibilidade de recursos econômicos que permitam a conformidade com os objetivos desta lei; h) Todas as ações que conduzam à realização dos princípios e direitos reconhecidos pela Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra Mulheres CAPÍTULO II AGÊNCIA COMPETENTE ARTIGO 8 - Órgão competente. O Conselho Nacional para as Mulheres será o corpo reitor responsável pela elaboração de políticas públicas para efetivar as disposições da lei atual. ARTIGO 9 - Poderes. O Conselho Nacional para a Mulher, para garantir a realização de os objetivos desta lei, devem: a) Desenvolver, implementar e monitorar um Plano Nacional de Ação para Prevenção, Assistência e erradicação da violência contra as mulheres; b) Articular e coordenar ações para o cumprimento desta lei, com os diferentes áreas envolvidas nos níveis nacional, provincial e municipal, e com as áreas universitárias, sindicatos, organizações empresariais, religiosas, organizações para a defesa dos direitos de mulheres e outros da sociedade civil com competência no campo; c) Convocar e estabelecer um Conselho Consultivo Ad Honorem, composto por representantes de organizações da sociedade civil e círculos acadêmicos especializados, que levará Aconselhar e recomendar em cursos de ação e estratégias apropriadas para enfrentar o fenômeno da violência; d) Promover nas diferentes jurisdições a criação de serviços de assistência integral e livre para mulheres que sofrem violência; e) Garantir modelos de abordagem tendentes a capacitar as mulheres que sofrem violência que respeite a natureza social, política e cultural do problema, não admitindo modelos que contemplam formas de mediação ou negociação; f) Gerar os padrões mínimos para detecção precoce e abordar situações de violência; g) Desenvolver programas de assistência técnica para as diferentes jurisdições destinadas à prevenção, detecção precoce, assistência precoce, reeducação, referência interinstitucional e à elaboração de protocolos para os diferentes níveis de atenção; h) Fornecer treinamento permanente, treinamento e treinamento no assunto para funcionários públicos no campo da Justiça, da polícia e das forças de segurança, e Forças Armadas, que serão ensinadas de forma integral e específica de acordo com cada área de ação, de um módulo básico respeitando os princípios consagrados nesta lei; 52 i) Coordenar com as áreas legislativas o treinamento especializado, em matéria de violência contra as mulheres e a implementação dos princípios e direitos reconhecidos pela Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra Mulheres para legisladores e conselheiros; j) Promover, através de associações e associações profissionais, o treinamento de pessoal dos serviços que, por suas atividades, podem intervir em casos de violência contra as mulheres; k) Projetar e implementar Registros de situações de violência contra as mulheres em um inter-jurisdicional e interinstitucional, em que os indicadores básicos são estabelecidos aprovado por todos os ministérios e secretarias competentes, independentemente da para determinar cada área para fins específicos, e acordado no âmbito dos Conselhos Federal com competência na matéria; l) Desenvolver, promover e coordenar com as diferentes jurisdições os critérios para a seleção de dados, modalidade de registro e indicadores básicos desagregados - como mínimo por idade, sexo, estado civil e profissão ou ocupação das partes, ligação entre o mulher que sofre violência e o homem que a exerce, natureza dos fatos, medidas adotados e seus resultados, e sanções impostas à pessoa violenta. Você deve garantir a reserva em relação à identidade das mulheres que sofrem violência; m) Coordenar com o poder judicial os critérios de seleção de dados, modalidade de Registro e indicadores que a integram que funcionam em ambos os poderes, independentemente de aqueles que definem cada um para os fins que são dele; n) Analisar e disseminar periodicamente dados estatísticos e resultados de pesquisa A fim de monitorar e adaptar as políticas públicas através do Observatório da Violência Contra as mulheres; ñ) Elaborar e publicar um Guia de Serviços em coordenação e atualização permanente com as diferentes jurisdições, fornecendo informações sobre os programas e serviços de assistência direta; o) Implementar uma linha telefônica gratuita e acessível de forma articulada com as províncias através de agências governamentais relevantes, visando fornecer contenção, informações e fornecer conselhos sobre os recursos existentes na prevenção da violência contra as mulheres e assistência aos que sofrem com ela; p) Estabelecer e manter um registro de organizações não-governamentais especializado no campo em coordenação com as jurisdições e para concluir acordos para a desenvolvimento de atividades preventivas, controle e execução de medidas de assistência à mulheres que sofrem violência e reabilitação de homens que exercem violência; q) Promover campanhas de conscientização e conscientização sobre violência contra mulheres mulheres, informando sobre os direitos, recursos e serviços que o Estado garante instalando a condenação social de todas as formas de violência contra as mulheres. Publicar materiais de difusão para apoiar as ações das diferentes áreas; r) Concluir acordos com organizações públicas e / ou instituições privadas para qualquer ação propiciando o cumprimento do alcance e dos objetivos desta lei; s) Convocar e pôr em funcionamento o Conselho, Consultivo das organizações da sociedade civil e elaborar o seu regulamento operacional interno; t) Promover a criação de redes na comunidade, a fim de desenvolver modelos de atenção e prevenção interinstitucional e intersetorial, que unem e coordenam esforços de instituições públicas e privadas; 53 u) Garantir o acesso a serviços de cuidados específicos para mulheres que são privadas liberdade CAPÍTULO III ORIENTAÇÕES BÁSICAS PARA POLÍTICAS ESTATAIS ARTIGO 10. - Fortalecimento técnico de jurisdições. O Estado nacional deve promover e fortalecer interinstitucionalmente as diferentes jurisdições para a criação e implementação de serviços abrangentes de assistência a mulheres que sofrem de violência e as pessoas que o exercem e devem garantir: 1.- Campanhas de educação e treinamento orientadas para a comunidade para informar, sensibilizar e prevenir a violência contra as mulheres nas áreas em que desenvolvem relações interpessoais. 2.- Unidades especializadas em violência no primeiro nível de atenção que trabalham na prevenção e assistência de atos de violência, que coordenará suas atividades de acordo com a padrões, protocolos e registros estabelecidos, e terá uma abordagem integral para seguintes atividades: a) Assistência interdisciplinar para avaliação, diagnóstico e definição de estratégias embarque; b) Grupos de ajuda mútua; c) Assistência jurídica gratuita e patrocínio; d) Atenção coordenada com a área de saúde que presta assistência médica e psicológica; e) Atenção coordenada com a área social fornecida por programas de assistência destinados a promover o desenvolvimento humano. 3.- Programas de assistência econômica para o auto-empoderamento das mulheres. 4.- Programas escolares comunitários para sustentar a estratégia de Auto-empoderamento das mulheres. 5.- Centros de dia para o fortalecimento integral das mulheres. 6.- Instâncias de trânsito para a atenção e abrigo de mulheres que sofrem violência em os casos em que a permanência em seu domicílio ou residência implica uma ameaça iminente para sua integridade física, psicológica ou sexual, ou a de seu grupofamiliar, devem ser orientadas para a integração imediata ao ambiente familiar, social e de trabalho. 7.- Programas de reeducação voltados para homens que exercem violência. ARTIGO 11. - Políticas públicas. O Estado nacional implementará o desenvolvimento de seguindo ações prioritárias, promovendo sua articulação e coordenação com as diferentes Ministérios e Secretarias do Poder Executivo Nacional, jurisdições provinciais e governos municipais, universidades e organizações da sociedade civil com competência na Matéria: 1.- Chefe do Gabinete de Ministros - Secretaria de Gabinete e Gestão Pública: a) Promover políticas específicas que implementem a legislação vigente em matéria de assédio sexualidade na administração pública nacional e garantir o uso efetivo dos princípios de não discriminação e igualdade de direitos, oportunidades e tratamento no emprego público; b) Promover, através do Conselho Federal de Função Pública, ações similares na domínio das jurisdições provinciais. 2.- Ministério do Desenvolvimento Social da Nação: a) Promover políticas voltadas para o re-alinhamento social e laboral das mulheres que sofrem violência; b) Desenvolver critérios de priorização para inclusão de mulheres em planos e programas de fortalecimento e promoção social e em planos de assistência de emergência; c) Promover linhas de treinamento e financiamento para a inserção laboral das mulheres em 54 processos de assistência à violência; d) Apoiar projetos para a criação e implementação de programas para atender à emergência para mulheres e cuidado de seus filhos; e) celebrar acordos com entidades bancárias para facilitar linhas de crédito para mulheres que sofrem violência; f) Coordenar com a Secretaria Nacional de Crianças, Adolescentes e Família eo Conselho Federal de Infância, Adolescência e Família, os critérios de atenção estabelecidos para meninas e adolescentes que sofrem violência. 3.- Ministério da Educação da Nação: a) Articular no quadro do Conselho Federal de Educação a inclusão nos conteúdos mínimos curriculares da perspectiva de gênero, o exercício da tolerância, respeito e liberdade nas relações interpessoais, igualdade entre os sexos, democratização de relações familiares, validade dos direitos humanos e deslegitimação de modelos Resolução violenta de conflitos; b) Promover medidas para incluir a detecção em planos de formação de professores violência precoce contra as mulheres; c) Recomendar medidas para prever a escolaridade imediata das crianças e adolescentes afetados, devido a uma mudança de residência derivada de uma situação de violência, até que a exclusão do agressor da casa seja fundamentada; d) Promover a incorporação do tema da violência contra a mulher nos currículos terciário e universitário, tanto nos níveis de graduação e pós-graduação; e) Promover a revisão e atualização de livros didáticos e materiais didáticos com o propósito de eliminar estereótipos de gênero e critérios discriminatórios, promovendo o igualdade de direitos, oportunidades e tratamento entre mulheres e homens; f) As medidas propostas acima serão promovidas no âmbito do Conselho Federal de Educação 4.- Ministério da Saúde da Nação: a) Incorporar o problema da violência contra as mulheres nos programas de saúde integral da mulher; b) Promover a discussão e adoção dos instrumentos aprovados pelo Ministério da Saúde da Nação sobre a violência contra as mulheres no âmbito do Conselho Federal de Saúde c) Projetar protocolos específicos para detecção precoce e cuidados de todos os tipos e modalidades de violência contra as mulheres, principalmente nas áreas de atenção primária à saúde emergências, clínica médica, obstetrícia, ginecologia, traumatologia, pediatria e saúde mental, que especificam o procedimento a seguir para o cuidado das mulheres que sofrem violência, salvaguardando a privacidade da pessoa assistida e promovendo uma prática médica não é sexista. O procedimento deve garantir a obtenção e preservação de elementos evidência; d) Promover serviços ou programas com equipes interdisciplinares especializadas em prevenção e atenção à violência contra a mulher e / ou aqueles que a exercem com a uso de cuidados e protocolos de referência; e) Promover a aplicação de um Registro de pessoas atendidas por situações de violência contra as mulheres, que coordena os níveis nacional e provincial. f) Assegurar a assistência especializada de crianças que testemunham violência; g) Promover acordos com a Superintendência de Serviços de Saúde ou uma agência que, em um 55 substituí-lo no futuro, para incluir programas de prevenção e assistência à violência contra mulheres, em estabelecimentos de assistência médica, segurança social e entidades de medicamentos pré-pagos, que devem incorporá-los em sua cobertura em igualdade condições com outros benefícios; h) Incentivar o treinamento contínuo do pessoal médico de saúde para melhorar a diagnóstico precoce e atenção médica com perspectiva de gênero; i) Promover, no âmbito do Conselho Federal de Saúde, o acompanhamento e acompanhamento do aplicação dos protocolos. Para o efeito, as organizações nacionais e provinciais podem Celebrar acordos com instituições e organizações da sociedade civil. 5.- Ministério da Justiça, Segurança e Direitos Humanos da Nação: 5.1. Ministério da Justiça: a) Promover políticas para facilitar o acesso das mulheres à justiça através da implementação de março e fortalecimento de centros de informação, assessoria jurídica e patrocínio livre legal b) Promover a aplicação de acordos com associações profissionais, instituições acadêmicas e organizações da sociedade civil para prestar assistência jurídica especializada e gratuita; c) Promover a unificação de critérios para a elaboração de relatórios judiciais sobre a situação de risco das mulheres que sofrem violência; d) Promover a articulação ea cooperação entre as diferentes instâncias judiciais envolvidas a fim de melhorar a eficácia das medidas judiciais; e) Promover a elaboração de um protocolo para a recepção de denúncias de violência contra mulheres, a fim de evitar a judicialização desnecessária dos casos que exigem outro tipo de abordagem; f) Fomentar instâncias de troca e coordenação com o Supremo Tribunal de Justiça da Nação para encorajar treinamento específico em diferentes níveis do Poder Judicial referiu-se ao assunto; g) Incentivar a formação de espaços de treinamento específicos para profissionais jurídicos; h) Promover pesquisas sobre causas, natureza, gravidade e consequências da violência contra as mulheres, bem como a eficácia das medidas aplicado para preveni-lo e reparar seus efeitos, divulgando periodicamente os resultados; i) Garantir o acesso a serviços de cuidados específicos para mulheres privadas de liberdade. 5.2. Secretaria de Segurança: a) Promover na polícia e nas forças de segurança, o desenvolvimento dos serviços programas interdisciplinares que prestam apoio às mulheres que sofrem violência para otimizar suas atenção, encaminhamento a outros serviços e cumprimento de disposições judiciais; b) Desenvolver, no âmbito do Conselho de Segurança Interna, os procedimentos básicos para concepção de protocolos específicos para a polícia e as forças de segurança, a fim de respostas adequadas para evitar a revictimização, facilitar a devida atenção, assistência e proteção policial para as mulheres que vem apresentar reclamações na sede da polícia; c) Promover a articulação da polícia e das forças de segurança que intervêm no atenção à violência contra as mulheres com instituições governamentais e organizações da sociedade civil; d) Sensibilizar e treinar a polícia e as forças de segurança sobre o tema da violência contraas mulheres no âmbito do respeito pelos direitos humanos; e) Incluir nos programas de treinamento das questões da polícia e das forças de segurança e / ou 56 Conteúdo curricular específico sobre os direitos humanos das mulheres e especialmente sobre a violência com uma perspectiva de gênero. 5.3. Secretaria de Direitos Humanos e Instituto Nacional contra a Discriminação, a Xenofobia e Racismo (INADI): a) Promover a inclusão do problema da violência contra as mulheres em todos programas e ações da Secretaria de Direitos Humanos da Nação e do INADI, em articulação com o Conselho Federal de Direitos Humanos. 6.- Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social da Nação: a) Desenvolver programas de conscientização, treinamento e incentivos para empresas e sindicatos para eliminar a violência no local de trabalho contra as mulheres e promover a igualdade de direitos, oportunidades e tratamento no local de trabalho, ter que respeitar o princípio da não discriminação em: 1. Acesso ao trabalho, em termos de convocação e seleção; 2. A carreira profissional, em termos de promoção e treinamento; 3. Permanência no local de trabalho; 4. O direito a uma remuneração igual pela mesma tarefa ou função. b) Promover, através de programas específicos, a prevenção do assédio sexual contra mulheres no campo das empresas e sindicatos; c) Promover políticas voltadas para treinamento e inclusão laboral de mulheres que sofrem violência; d) Promover o respeito pelos direitos trabalhistas das mulheres que sofrem violência, em particularmente quando devem estar ausentes do seu local de trabalho para cumprir prescrições profissionais, tanto administrativas quanto emanadas de decisões judicial. 7.- Ministério da Defesa da Nação: a) Adaptar os regulamentos, códigos e práticas internas das Forças Armadas ao Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher e a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra Mulheres; b) Promover programas e / ou medidas de ações positivas destinadas a erradicar padrões de discriminação contra as mulheres nas Forças Armadas para admissão, promoção e permanência neles; c) Sensibilizar os diferentes níveis hierárquicos sobre o tema da violência contra as mulheres mulheres no âmbito do respeito pelos direitos humanos; d) Incluir temas e / ou conteúdos específicos nos programas de treinamento direitos humanos e violência das mulheres com uma perspectiva de gênero. 8.- Secretaria da mídia nacional: a) Promover a divulgação de mensagens e campanhas do Sistema Nacional de Mídia sensibilização permanente e conscientização voltada para a população em geral e em particular às mulheres sobre seu direito de viver uma vida livre de violência; b) Promover nos meios de comunicação de massa o respeito pelos direitos humanos de mulheres e o tratamento da violência desde uma perspectiva de gênero; c) Fornecer formação aos profissionais da mídia de massa na violência contra as mulheres; d) Incentivar a eliminação do sexismo na informação; e) Promover, por uma questão de responsabilidade social corporativa, campanhas de divulgação 57 publicidade para prevenir e erradicar a violência contra as mulheres. CAPÍTULO IV OBSERVATÓRIO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES Artigo 12. - Criação. Criar o Observatório da Violência contra as Mulheres no âmbito do Conselho Nacional para as Mulheres, para o acompanhamento, recolha, produção, registro e sistematização de dados e informações sobre a violência contra as mulheres. ARTIGO 13 - Missão. O Observatório será desenvolver um sistema informação permanente que você fornecer dados para a concepção, implementação e gestão visando a prevenção e erradicação da violência contra as políticas públicas das mulheres. ARTIGO 14 - Funções. As funções do observatório de violência contra mulheres: a) recolher, tratar, registar, analisar, publicar e divulgar informações regulares e diacronicamente sistemática e comparável e sincronicamente sobre a violência contra as mulheres; b) Promover o desenvolvimento de estudos e pesquisas sobre evolução, prevalência, tipos e formas de violência contra as mulheres, suas consequências e efeitos, identificando esses fatores sociais, culturais, econômicas e políticas que são de alguma forma associados ou pode constituir fundamento de violência; c) Para incorporar os resultados de suas pesquisas e estudos sobre relatos de que o Estado levantar as organizações regionais e internacionais nacionais sobre a violência contra mulheres; d) Para entrar em acordos de cooperação com entidades públicas ou privadas, nacionais ou agências internacional, a fim de coordenar o desenvolvimento de estudos interdisciplinares e investigações; e) Criar uma rede de informação e divulgar os dados recolhidos cidadania, estudos e actividades do Observatório através de seu próprio site ou ligado ao portal Conselho Nacional das Mulheres. Criar e manter uma base documental atualizada permanentemente aberto ao público; f) Para examinar as melhores práticas na prevenção e erradicação da violência contra as mulheres e as experiências inovadoras no campo e espalhá-los, a fim de ser adoptadas por estas organizações e instituições nacionais, provinciais ou municipais julgarem; g) coordenar as ações com as agências governamentais com jurisdição sobre direitos humanos das mulheres, a fim de monitorar a implementação de políticas prevenção e erradicação da violência contra as mulheres, para avaliar o seu impacto e desenvolver propostas de acções e reformas; h) Incentivar e promover a organização e realização de debates públicos regulares com participação de centros de pesquisa, instituições acadêmicas, organizações sociedade civil e representantes do público e, agências privadas nacionais e com a concorrência internacional no campo, promovendo a troca de experiências e identificação de questões e problemas relevantes para a agenda pública; i) Proporcionar formação, aconselhamento e apoio técnico a entidades públicas e privadas a aplicação dos Registos e protocolos; j) Coordenar ações do Observatório da Violência contra a Mulher com os outros Observatórios que existem a nível provincial, nacional e internacional; k) Para publicar o relatório anual sobre as actividades, que deve conter informações sobre estudos e investigações e propostas de reformas institucional ou política. Será divulgada ao público e elevado à 58 autoridades com competência na matéria a tomar as medidas adequadas. ARTIGO 15. - Integração. O Observatório da Violência contra as Mulheres vai integrado por: a) Uma pessoa nomeada pelo presidente do Conselho Nacional das Mulheres, que exercem Observatório endereço, deve ter formação acreditada em pesquisa social e direitos humanos; b) Uma equipe interdisciplinar adequado na técnica. TÍTULO III PROCEDIMENTOS CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Artigo 16 - Direitos e garantias mínimas de procedimentos judiciais e administrativos você. agências estaduais devem garantir às mulheres, em qualquer processo judicial ou administrativa, além de todos os direitos reconhecidos na Constituição Nacionais, Tratados Internacionais de Direitos Humanos ratificados pelo Nation Argentina, esta lei e as leis promulgadas em conformidade, os seguintes direitos e garantias: a) A gratuidade dos processos judiciais e representação legal de preferência especializada; b) Para se obter uma resposta eficaz e atempada; c) Para ser ouvido pessoalmente pelo juiz e pela autoridade administrativa competente; d) Na sua opinião levada em conta quando se chegar a uma decisão que afeta; e) Para receber proteção judicial urgente e preventiva quando são ameaçados ou violounenhum dos direitos previstos no artigo 3 da presente lei; f) a protecção da sua privacidade, garantindo a confidencialidade dos procedimentos; g) Para participar no processo de receber informação de estado da causa; h) Para receber tratamento humano, evitando revitimização; i) a evidência amplitude para provar as alegações, tendo em conta circunstâncias especiais em que atos de violência são desenvolvidos e que a sua testemunhas naturais; j) para se opor às inspecções no seu corpo fora do âmbito estrito da a ordem judicial. Deve mimá-los e perícia judicial tem o direito de ser acompanhado por alguém de confiança como eles são realizados por uma equipe profissional especializado e treinado com o gênero; k) Para ter mecanismos eficientes para denunciar funcionários por violação os prazos estabelecidos e outras irregularidades. ARTIGO 17. - Procedimentos Administrativos. jurisdições locais podem determinar a anterior ou posterior aos tribunais para execução desta procedimentos da lei, que será implementada pelos municípios, comunas, comitês de desenvolvimento, quadros, delegações Conselhos Provinciais de Mulheres ou áreas descentralizadas, juízes de paz ou organizações de sua própria escolha. Artigo 18. - Denúncia. Pessoas que trabalham em serviços de saúde, social, educação e saúde, pública ou privada, que a razão ou ocasião suas tarefas Tomaren conhecimento de um ato de violência contra as mulheres na termos da presente lei, são obrigados a apresentar relatórios, conforme o caso, mesmo nos casos em que o ato não definidos ofensa. CAPÍTULO II PROCEDIMENTO ARTIGO 19 - Scope. jurisdições locais no âmbito da sua 59 competência, ditar as suas regras de procedimento ou aderir às disposições processuais fornecidas nesta lei. ARTIGO 20. - Características do procedimento. O procedimento será livre e sumariamente. ARTIGO 21. - Apresentação da queixa. A denúncia foi apresentada pela violência contra as mulheres pode ser feita antes de qualquer juiz / juíza em qualquer jurisdição ea instância ou perante o Ministério Público, na forma oral ou escrita. identidade reserva do queixoso será salvo. ARTIGO 22 - Jurisdição. Compreender as causas / Juiz / a que é competente razão da matéria de acordo com os tipos e formas de violência em questão. Mesmo em caso de incompetência, / Juiz / a interveniente pode impor as medidas Preventiva que considere adequadas. ARTIGO 23. - Exposição de Polícia. No caso em que atender apenas um serviço de polícia exposição vai vesti-la e surge a possível existência de violência contra as mulheres, deve submetê-la à autoridade judiciária competente no prazo de vinte e quatro (24) horas ARTIGO 24. - As pessoas que podem fazer a reclamação. As queixas podem ser feito: a) Para a mulher que se considera lesada ou seu representante legal sem restrições; b) A criança ou adolescente diretamente ou através de seus representantes legais concordam que estabelecido na Lei 26,061 de Protecção dos Direitos da Criança e Adolescentes c) Qualquer pessoa, se a vítima tem uma deficiência ou sua condição física ou psíquica não poderia pedir-lo; d) Nos casos de violência sexual, a mulher que sofreu é o único autorizado a autor da queixa. Quando o mesmo que ser feita por um terceiro, a mulher serão convocados para homologar ou corrigir o em quatro (24) horas. A autoridade judiciária competente tomará as medidas necessárias para prevenir a causa tomar pública estadual. e) A denúncia criminal será obrigatório para qualquer pessoa agindo em ocupacionalmente cuidados de saúde, serviços sociais, educacionais e de saúde, público ou privado, que razão ou por ocasião das suas funções Tomaren conhecimento de que uma mulher sofre violência desde que os fatos podem constituir um crime. ARTIGO 25. - assistência de protecção. Em todos os casos, o processo será admitido o presença de um / a companheiro como assistência protetora pro bono, desde a mulher sofrer violência e pediu o único propósito de preservar a saúde física e psicológica da mesma. ARTIGO 26. - medidas preventivas urgentes. a) Durante qualquer fase do processo / Juiz / a interveniente pode, por sua própria iniciativa ou a pedido de uma festa, encomendar um ou mais das seguintes medidas preventivas de acordo com os tipos e as formas de violência contra as mulheres como definidos nos artigos 5 e 6 deste lei: a. 1. Ordenar a proibição abordar o suposto agressor à residência, trabalho, estudo, entretenimento e locais de ocorrência habitual da mulher 60 sofre violência; a.2. Encomendar o presumível autor de cessar actos de interferência ou intimidação, direta ou indiretamente, executar contra as mulheres; a.3. Ordenar o regresso imediato dos efeitos pessoais para o partido em movimento, se ele Tem sido privado do mesmo; A.4. Proibir a alegada compra agressor e posse de armas, e ordenar a apreensão de que são na sua posse; A.5. Fornecer medidas para proporcionar aqueles que sofrem violência ou exercícios, mediante necessitam de assistência médica ou psicológica, através de agências públicas e organizações da sociedade civil especializadas na formação em prevenção e cuidados violência contra as mulheres; A.6. medidas de tipo de segurança na casa da mulher; A.7. Classificar todas as outras informações necessárias para garantir a segurança das mulheres como sofrimento violência, para que cesse a violência e evitar a repetição de qualquer ato de perturbação ou intimidação, agressão e abuso contra as mulheres agressor. b) Não obstante as medidas previstas na alínea a) desta seção, onde o modo da violência doméstica contra as mulheres, / Juiz / a pode ordenar seguintes medidas preventivas urgentes: b.1. Proibir a alegada alienar agressor, alienar, destruir, ocultar ou transferir bens gananciales da união conjugal ou parceiro doméstico comum; b.2. Ordenar a exclusão do agressor da moradia comum, independentemente de propriedade da mesma; B.3. Decidir o reembolso para a casa da mulher se ela tinha se aposentado, após a exclusão a casa do suposto autor; B.4. Ordenar as forças de segurança, que acompanha as mulheres que sofrem violência, sua casa para recuperar seus pertences pessoais; B.5. Se o caso de um casal com filhos / as, uma quota de alimentos ser definido provisória, se for o caso, de acordo com a informação de fundo sobre a causa e de acordo as regras sobre o assunto; B.6. Se a vítima for menor de idade, ele / Judge / a, uma decisão fundamentada e tendo em conta a opinião e o direito a uma audição da criança ou adolescente lata conceder a tutela de um membro do seu agregado familiar, por consanguinidade ou afinidade, ou outros membros da família estendida família ou comunidade. B.7. Ordenar a suspensão provisória da visitação; B.8. Encomendar o presumível autor se abstenham de interferir de forma alguma no exercício guardião, criação e educação / as filhos / as; b.9. Ter o inventário de propriedade da comunidade da sociedade conjugal e da propriedade que se exerce e sofre violência. Em casos de casais coabitantes ter o inventário da propriedade de cada um; B.10. Conceder o uso exclusivo de mulheres vítimas de violência, para o período que considere móveis conveniente da casa. Artigo 27 - Poderes / Juiz / a. A / Juiz / a pode emitir mais de uma medida de Depois de determinar a duração da mesma de acordo com as circunstâncias, e deve estabelecer uma duração máxima dos mesmos, por auto fundada. ARTIGO 28. - Audição. A / Juiz / a interveniente irá definir uma audiência, que deve pessoalmente tomar sob pena de nulidade, dentro de quarenta e oito (48) horas 61 ordenou que as medidas do artigo 26, ou se você não tomar qualquer um deles, a partir do tempo tomou conhecimentoda reclamação. O presumível autor deve aparecer sob pena de ser levado perante o julgado com a ajuda da polícia. Nessa audiência, você vai ouvir as partes separadamente sob pena de nulidade, e condenar a medidas que considerar pertinentes. Se a vítima de violência, independentemente da criança ou adolescente deve I contemplou estipulado pela Lei 26,061 de Proteção Integral dos Direitos da Criança e do Adolescente. Audiências estão proibidos de mediação ou conciliação. ARTIGO 29. - Reports. Sempre que possível ele maio / Judge / a interveniente pode exigem um relatório feito por uma equipe interdisciplinar para determinar danos física, psicológica, econômica ou de outra forma sofrida pelas mulheres ea situação perigosa em que ele está localizado. Este relatório deve ser apresentado no prazo de quarenta e oito (48) horas, a fim de que Você pode aplicar outras medidas para interromper ou suspender qualquer dos mencionados na Artigo 26. A / Juiz / a interveniente pode também considerar os relatórios a serem elaborados pela equipes interdisciplinares de administração pública no, dano físico psicológico, econômica ou de outra forma sofrida por mulheres e perigo, evitando produzir novos relatórios que vitimam. Você também pode considerar relatórios de organizações profissionais da sociedade civil adequada para enfrentar a violência contra as mulheres. Artigo 30 - as provas, princípios e medidas. A / Juiz / a terá amplos poderes para ordenar e promover o processo, pode ter as medidas necessárias para investigar os eventos, localize o paradeiro do suposto autor, e proteger os que estão no risco de mais violência, governando o princípio da obtenção da verdade material ARTIGO 31 - Resoluções. Governou o princípio da ampla liberdade condicional por provar as alegações, avaliando as evidências fornecidas de acordo com o princípio do julgamento de som. os pressupostos são considerados para contribuir demonstração dos fatos, se eles são uma evidência séria, precisa e consistente. Artigo 32 - Sanções. Com o fracasso das medidas ordenadas, ele / Judge / a você pode avaliar a conveniência das modificar, pode ampliar ou encomendar outros. Diante de um novo padrão sem prejuízo de quaisquer responsabilidades civis ou criminais aplicar o / Juiz / a deve aplicar alguns / s das seguintes sanções: a) Aviso ou wake-up call para o ato cometido; b) informar sobre atos de violência ao corpo, instituição, união, associação profissional ou local de trabalho do agressor; c) Presença obrigatória do agressor reflexivo, programas educacionais ou terapêuticos visando modificar o comportamento violento. Além disso, quando a desobediência falha configure ou outro crime, o juiz deve colocar o fato no conhecimento / Juiz / a com competência em matéria penal. ARTIGO 33. - Recurso. Resoluções de concessão, recusa, interromper, modificar ou distribuir a cessação de quaisquer medidas preventivas urgentes ou impor sanções podem ser objecto de recurso no prazo de 3 (três) dias úteis. Recurso contra decisões de concessão de medidas preventivas urgentes ser concedida relacionamento e devolutivo. O recurso contra resoluções que prevêem a interrupção ou a cessação de tais medidas 62 É concedida por e suspensivo. Artigo 34 - Acompanhamento. Durante o processamento do caso, pelo tempo que julgar apropriada, ele / Judge / a deve monitorar a eficácia das medidas e decisões tomadas, e seja através da aparência das partes no tribunal, muitas vezes como é ordenado, e / ou através da intervenção de uma equipe interdisciplinar, que elaborar relatórios jornais sobre a situação. ARTIGO 35. - Reparação. A parte lesada pode buscar reparação civil por danos, de acordo com as regras comuns que regem a matéria. Artigo 36 - Obrigações dos / as trabalhadores / as. / Como funcionários / polícia como, judicial, trabalhadores da saúde e outros / a funcionário / a pública / aa que frequentam o mulheres afetadas são obrigados a comunicar: a) A legislação de direitos dá a violência que sofre mulher, e na serviços governamentais disponíveis para os seus cuidados; b) Como e em que a conduta a ser assistido no processo; c) Como preservar as provas. Artigo 37 - Records. A Suprema Corte de Justiça da Nação deve manter registros queixas sociodemográficas sobre atos de violência realizados no âmbito deste lei especificando a idade mínima, estado civil, profissão ou ocupação da mulher sofre violência e o agressor; ligação com o agressor, a natureza dos fatos, medidas tomadas e seus resultados, bem como as sanções impostas ao infrator. Os tribunais envolvidos em casos de violência fornecidas por esta lei deve apresentar anualmente informações relevantes para este registro. Acesso aos registros requer motivos claros e autorização judicial prévia, assegurando a confidencialidade da identidade das partes. A Suprema Corte de Justiça da Nação fazer estatísticas de acesso público permitem conhecer, pelo menos, as características daqueles que exercem ou sofrem violência e suas formas, ligação entre as partes, o tipo de acções e resultados, e tipo e quantidade de sanções aplicado. ARTIGO 38. - A colaboração de organizações públicas e privadas. A / Juiz / a Maio solicitar ou aceitar amicus curiae colaboração de organizações ou entidades pública ou privada dedicada à proteção dos direitos das mulheres. Artigo 39. - Isenção de encargos. Ações com base nesta lei isentar de vedação taxas, depósitos e qualquer outro imposto, não obstante previsto no artigo 68 do Código, Processo Civil e Comercial sobre costas. Artigo 40 - Regras complementares. Deve também aplicar esquemas processo correspondente de acordo com os tipos e formas de violência relatado. TÍTULO IV DISPOSIÇÕES FINAIS ARTIGO 41. - Em nenhum caso a conduzir, actos ou omissões fornecido para neste conta de importação criar novos crimes ou a alteração ou revogação da vigor. Artigo 42 - Lei 24.417 de Família, Violência, Protecção é aplicável em casos de violência doméstica não abrangidos por esta lei. ARTIGO 43. - Os itens que são necessários para a implementação desta lei será fornecido anualmente na Administração Geral Lei do Orçamento Nacional ARTIGO 44. - A lei vai entrar em vigor após a sua publicação no Diário Oficial a nação. 63 ARTIGO 45. - Contacte o Executivo Nacional. DADA NA CÂMARA DO CONGRESSO ARGENTINO, em Buenos Aires, THE ONCE dia de março de dois mil e nove. - registrado sob o nº 26,485 - 64 ANEXO II Lei do Parto Humanizado, Lei Nacional nº 25.929, Argentina, 2004. Solicitar ao Poder Executivo, que através do organismo que corresponda, inicie dentro de suas atividades uma campanha destinada a conscientizar a sociedade sobre a importância do acompanhamento da mulher durante o parto por uma pessoa de sua escolha, e dos benefícios que significa para a saúde do binômio mãe-filho. Senado e Câmara dos Deputados da Nação Argentina reunidos em Congresso,etc., sancionam com força de lei: Art. 1º.- A presente lei será de aplicação tanto ao âmbito público como privado da atenção da saúde no território da Nação. As obras sociais regidas por leis nacionais e as entidades de medicina particulares deverão deve fornecer benefícios obrigatórios nos termos desta lei, que são incorporados automaticamente ao Programa Médico Obrigatório. Art. 2º.- Toda mulher, em relação à gestação, trabalho de parto, parto e pós-parto,tem os seguintes direitos: a) A ser informada sobre as distintas intervenções médicas que poderão ocorrer durante estes processos, de modo que possa optar livremente quando existirem diferentes alternativas. b) A ser tratada com respeito, e de modo individual e personalizado que lhe garanta a intimidade durante todoo processo assistencial e tenha em consideração seus padrões culturais. c) A ser considerada, em sua situação a respeito do processo de nascimento, como pessoa sã, de modo que se facilite sua participação como protagonista de seu próprio parto. d) Ao parto natural, respeitoso dos tempos biológico e psicológico, evitando práticas invasivas e ministro de medicação que não estejam justificados pelo estado de saúde da parturiente ou da pessoa por nascer. e) A ser informada sobre a evolução de seu parto, o estado de seu filho ou filha e, em geral, que seja participante das diferentes atuações dos profissionais. f) A não ser submetida a nenhum exame ou intervenção cujo propósito seja de investigação, salvo consentimento manifestado por escrito e sob protocolo aprovado pelo Comitê de Bioética. g) A estar acompanhada, por uma pessoa de sua confiança e escolha, durante o trabalho de parto, parto e pós- parto. h) A ter a seu lado seu filho ou filha durante a permanência no estabelecimento sanitário, sempre que o recém- nascido não requeira de cuidados especiais. i) A ser informada, desde a gestação, sobre os benefícios do aleitamento materno e receber apoio para amamentar. j) A receber assessoria e informação sobre os cuidados de si mesma, e do filho ou filha. k) A ser informada especificamente sobre os efeitos adversos do tabaco, álcool e drogas sobre o filho ou filha e ela mesma. Art. 3º.- Toda pessoa recém-nascida tem direito: a) A ser tratada de forma respeitosa e digna. b) A sua inequívoca identificação. c) A não ser submetida a nenhum exame ou intervenção cujo propósito seja de investigação ou docência, salvo consentimento, manifestado por escrito de seus representantes legais, sob protocolo aprovado pelo Comitê de Bioética. d) A internação conjunta com sua mãe no quarto, e que a mesma seja o mais breve possível, tendo em consideração seu estado de saúde, bem como da mãe. e) Que seus pais recebam adequado assessoramento e informação sobre os cuidados para o seu crescimento e desenvolvimento, bem como de seu plano de vacinação. Art. 4º.- O pai e a mãe da pessoa recém-nascida em situação de risco têm os seguintes direitos: a) A receber informações compreensíveis, suficiente e continuada, em um ambiente adequado, sobre o processo ou evolução da saúde do seu filho, incluindo o diagnóstico, prognóstico e tratamento. b) A ter acesso contínuo a seu filho, enquanto a situação clínica permita, bem como participar de seu cuidado e na tomada de decisões sobre sua assistência. c) A prestar seu consentimento manifestado por escrito a quantos exames ou intervenções que se queira submeter seu filho ou filha com fins de pesquisa, sob protocolo aprovado pelo Comitê de Bioética. d) A que se facilite o aleitamento materno da pessoa recém-nascida sempre que não incida desfavoravelmente sobre sua saúde. e) A receber assessoramento e informação sobre os cuidados especiais do filho ou filha. Art. 5º.- Será autoridade de aplicação da presente lei o Ministério da Saúde da Nação no âmbito de suas competências, nas províncias e na Cidade de Buenos Aires e suas respectivas autoridades sanitárias. 65 Art. 6º.- O não cumprimento das obrigações decorrentes da presente lei, por parte das obras sociais e instituições médicas privadas, bem como o não cumprimento por parte dos profissionais de saúde e seus colaboradores em que prestam serviços, será considerado falta grave aos fins punitivos, sob pena de responsabilidade civil ou penal que possa corresponder. Artigo 7 º -. Esta Lei entra em vigor 60 (sessenta) dias após a sua promulgação. Artigo 8 º -. Comunicado ao Executivo. Dada no Salão do Congresso argentino, em Buenos Aires, no dia vinte e cinco de agosto de 2004. Sanção - 25 de agosto de 2004 Promulgação – 17 de Setembro de 2004 66 ANEXO III Figura 01 – Campanha Argentina contra Violência Obstétrica Fonte: El Mostrador. Disponível em: http://www.elmostrador.cl/braga/2017/05/19/que-es-la- violencia-obstetrica-y-que-hacer-para-que-no-te-pase/ 67 ANEXO IV Figura 02: Mulheres esperando em fila para cesáreas. Fonte: Santa Ana Maternity, Caracas. Oct. 19, 2011. (Carlos Garcia Rawlins/Reuters) 68 ANEXO V Figura 03: episiotomia Fonte: Paty Sampaio Doula. Disponível em: http://www.euqueropartonormal.com.br/eqpn/tag/kristeller/. http://www.euqueropartonormal.com.br/eqpn/tag/kristeller/ 69 ANEXO VI Figura 04: Enfermeira empurrando a barriga da mulher para adiantar o parto Fonte: Paty Sampaio Doula. Disponível em: http://www.euqueropartonormal.com.br/eqpn/tag/kristeller/. http://www.euqueropartonormal.com.br/eqpn/tag/kristeller/ 70 ANEXO VII Figura 4: Discussão sobre os procedimentos de Episiotomia e Episiorrafia 71 ANEXO VIII Figura 5: Matéria jornalística que explana o receio de mulheres quando expostas ao parto desumanizado 72 Figura 6: Relato da parturiente exposta na figura 5 Figura 7: Idem figura 6 73 74 ANEXO IX Figura 8: Materia Jornalistica sobre a necessidade de um parto mais humanizado. 75 76 77 78 79 80 ANEXO X Tramitação do Projeto de Lei que trata sobre a violência Obstétrica no Brasil.