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METODOLOGIA CIENTÍFICA AULA 5 Prof.ª Ana Paula Weinfurter Lima Coimbra de Oliveira A luno: JE F F E R S O N G O N Ç A LV E S LO P E S E m ail: jefferson.g.lopes@ gm ail.com 2 CONVERSA INICIAL Hoje estudaremos alguns dos elementos centrais na obtenção, descrição e análise dos dados e dos resultados em trabalhos científicos. Conversaremos sobretudo a respeito do direcionamento metodológico e da condução da apresentação e da discussão dos resultados. Os assuntos desta aula estão separados da seguinte maneira: Método científico e construção da metodologia; Metodologias para análises dos dados; Obtenção e demonstração dos resultados; Elaboração da discussão; Considerações finais ou conclusões. CONTEXTUALIZANDO A metodologia constitui o cerne de uma pesquisa científica. O método é o que de fato embasa a construção do trabalho, de tal forma que, sem um método bem definido, fica inviabilizada a obtenção de dados ou resultados pertinentes e, portanto, inviabiliza-se a elaboração de conclusões relevantes acerca do assunto de estudo. O objetivo principal de uma pesquisa científica é sempre se aproximar o máximo possível da verdade com relação a algum fato, situação ou informação. Para isso a ciência faz uso de diferentes métodos. Os métodos podem ser determinados pelo tipo de objeto que será investigado e também pelos tipos de propósitos a serem alcançados. Para fins didáticos, é possível dividir tais métodos em dois grandes grupos: Métodos de procedimento Métodos de abordagem (gerais) Comentaremos sobre esses métodos ao longo da aula. TEMA 1 – MÉTODO CIENTÍFICO E CONSTRUÇÃO DA METODOLOGIA Já comentamos anteriormente que método é uma palavra de origem grega, que significa caminho. Em ciência, o método representa o caminho que A luno: JE F F E R S O N G O N Ç A LV E S LO P E S E m ail: jefferson.g.lopes@ gm ail.com 3 será seguido para chegar a um determinado fim. Tendo em vista que o objetivo primordial da ciência é a produção de conhecimento, o método científico seria, na verdade, um caminho ou procedimento utilizado para conquistar conhecimento. Sendo assim, o método científico é algo inerente à construção do conhecimento e à ciência, sendo o responsável por permitir ao pesquisador ordenar seu pensamento e delinear os procedimentos que serão adotados para conseguir dados, alcançar objetivos e obter conclusões. Assume-se, portanto, que não se faz ciência sem utilizar um método científico (Prodanov; Freitas, 2013). Embora cada área do conhecimento possua seu próprio conjunto de técnicas e conhecimentos especializados, no geral, todas as áreas compartilham princípios gerais do método científico. Devido à grande variedade de métodos disponíveis, há autores que os dividem e os classificam em métodos de raciocínio (ou de abordagem) e em métodos de investigação (ou de procedimento). 1.1 Métodos de raciocínio ou de abordagem De acordo com Assis (2009, p. 9), os métodos de raciocínio, gerais ou de abordagem são aqueles que dão embasamento lógico para a investigação científica. Estão relacionados com o plano de trabalho geral, com a linha de raciocínio que será adotada, sempre seguindo a lógica. Esses métodos podem ser classificados como: dedutivos, hipotético-dedutivos, indutivos, fenomenológicos ou dialéticos. O método dedutivo parte do que chamamos de verdades universais para, a partir delas, conseguir chegar a determinadas conclusões mais particulares. A dedução costuma ter como protótipo o que é chamado de silogismo, que é um tipo de raciocínio composto, no qual é possível conseguir uma conclusão a partir de certas premissas. Como exemplo clássico, podemos citar o indicado por Assis (2009. p. 9): Todo homem é mortal ____________ universal, geral João é homem __________________ particular Logo, João é mortal _______________ conclusão O método dedutivo já foi criticado devido a supor conhecimento prévio, partindo de uma afirmação geral. A luno: JE F F E R S O N G O N Ç A LV E S LO P E S E m ail: jefferson.g.lopes@ gm ail.com 4 O método indutivo faz justamente o inverso do processo dedutivo. Isto é, o raciocínio é feito de modo que se parte do particular para o geral. Dessa forma, são as condições particulares que conduzem à formulação de teorias e leis gerais (Assis, 2009). O uso do raciocínio indutivo pressupõe verificação e experimentação, partindo do efeito para a descoberta das causas. Utiliza-se o método indutivo para abordar problemas de ordem prática (empíricos) e, em geral, se consegue uma generalização por meio da observação de casos concretos que consigam fornecer confirmação suficiente de uma determinada realidade (Gil, 2008; Assis, 2009). Para embasamento do raciocínio indutivo, é preciso que sejam feitas observações repetidas e em grande número, abrangendo uma ampla gama de situações. Segundo Assis (2009. p. 10): É possível um argumento indutivo ser falso, embora suas premissas sejam verdadeiras e ainda assim não haver contradição. Isso ocorre quando há uma (ou mais) proposição de observação (hipótese) logicamente possível, mas inconsistente, isto é, se essas premissas fossem estabelecidas como verdadeiras, terminariam por falsificar o argumento. Dizer, por exemplo, que todas as frutas que caem das árvores estão maduras é um fato logicamente possível, mas inconsistente. O método hipotético-dedutivo tem como ponto de partida o encontro de alguma lacuna de conhecimento com base na qual são formuladas hipótese e então, busca-se predizer a ocorrência de determinados fenômenos por meio de um processo chamado de inferência dedutiva, que é uma linha de raciocínio própria da matemática, a qual assegura que a conclusão é segura quando os dados estabelecidos para um problema (premissas) são seguros, confiáveis ou verdadeiros (Grácio; Feitosa; Nascimento, 2009). Esse método é relacionado diretamente com a experimentação e busca representar uma espécie de equilíbrio entre os métodos dedutivo e indutivo (Assis, 2009). O seguinte esquema resume a linha de raciocínio do método hipotético- dedutivo: A luno: JE F F E R S O N G O N Ç A LV E S LO P E S E m ail: jefferson.g.lopes@ gm ail.com 5 Figura 1 – Linha de raciocínio do método hipotético-dedutivo Fonte: Gil (2008, p.12) De acordo com Assis (2009, p. 10): No método hipotético-dedutivo, o cientista, combina observação cuidadosa, habilidade nas antecipações e intuição científica, para alcançar um conjunto de postulados que regem os fenômenos de interesse; a partir daí, deduz as consequências observáveis e verifica as consequências por meio de experimentação, refutando ou substituindo os postulados, quando necessário, por outros e assim prosseguindo. O método dialético vê tudo como estando em constante mudança, baseando-se na ideia de que permanentemente há algo se desagregando e se transformando, enquanto outras coisas nascem e se desenvolvem. Em outras palavras, considera-se que os fatos devem ser sempre considerados dentro de um contexto social e que as contradições sobre os fatos se transcendem e originam novas contradições, de tal forma que essas últimas necessitam de uma solução (Gil, 2008). Esse método costuma ser utilizado em pesquisas qualitativas, sendo bastante importante na filosofia. O método fenomenológico, de acordo com Siani, Correa e Las Casas (2016), permite a busca da compreensão das experiências de vida das pessoas, o que não pode ser alcançado do mesmo modo por outros tipos de metodologias. Ainda segundo esse autor, a fenomenologia faz uma análise mais profunda na qual as sensações e emoções são levadas em consideração enquanto se busca compreender o significado real das experiências para os indivíduos, assim como suas implicações.1.2 Métodos de investigação ou de procedimento Os métodos de investigação, específicos ou de procedimento constituem meios técnicos para investigação e, portanto, são etapas mais concretas da pesquisa. Podem ser divididos em: histórico, experimental, observacional, comparativo, estatístico e monográfico ou estudo de caso (Gil, 2008; Assis, 2009). A luno: JE F F E R S O N G O N Ç A LV E S LO P E S E m ail: jefferson.g.lopes@ gm ail.com 6 O método histórico preocupa-se em entender o passado, para poder estudar o presente e, de certa forma, predizer o futuro. Ou seja, com esse método, os fenômenos em estudo são colocados em um contexto histórico- social. É um método bastante utilizado no campo das ciências sociais com o intuito de verificar a influência de fatos do passado na sociedade atual e em suas organizações e relações (Assis, 2009). No método monográfico ou estudo de caso, o pesquisador se concentra em estudar de modo bastante aprofundado, quase exaustivo, um determinado objeto ou assunto de pesquisa, os quais podem ser: grupos de indivíduos, instituições, uma pequena comunidade ou localidade ou mesmo um único indivíduo (Assis, 2009; Carabetta Júnior; Brito, 2011). O método observacional se baseia na observação de fatos ou fenômenos que acontecem ou que já aconteceram (Assis, 2009). Nos estudos que utilizam esse método, o investigador atua apenas como um observador ou espectador. Durante a pesquisa, nesse caso, o pesquisador não realiza intervenções e, portanto, não interfere nem no curso natural nem no desfecho dos fatos ou fenômenos que estão sendo observados. Entretanto, é permitido ao pesquisador realizar análises, medições e outros tipos de procedimentos de coleta de dados ao longo da investigação (Fontelles et al., 2009). Na condução de um método comparativo, busca-se verificar semelhanças e desvendar diferenças com o objetivo de compreender, por exemplo, o comportamento humano. Em outras palavras, a análise de diferenças e semelhanças possibilita desvendar padrões de variações relacionados a um determinado objeto de estudo (Balestro; Vargas; Machado Júnior, 2007). Uma pesquisa que utiliza o método comparativo se propõe a fazer uma análise completa de um fato ou fenômeno com o intuito de explicá-lo (Assis, 2009). A comparação pode ser usada como um recurso que aumenta a consistência no momento de indicar hipóteses de trabalho como válidas ou falsas, sendo que o ato de comparar constitui uma atividade que permite buscar o entendimento de certas características de fatos ou eventos, além de possibilitar controle da hipótese formulada para estudo. Ou seja, quando há algumas hipóteses consideradas plausíveis, o método comparativo permite que uma determinada hipótese se sobressaia às outras, por meio da análise de mais casos (Balestro; Vargas; Machado Júnior, 2007). A luno: JE F F E R S O N G O N Ç A LV E S LO P E S E m ail: jefferson.g.lopes@ gm ail.com 7 O uso do método experimental tem o intuito de comprovar um determinado fenômeno. Nesse método, os objetos de estudo são submetidos a influências de variáveis para observação do que ocorre com o objeto nessas situações, sempre utilizando condições conhecidas e controladas pelo pesquisador (Assis, 2009). Nesse tipo de método, as variáveis utilizadas costumam ser preestabelecidas pelo pesquisador e as intervenções e manipulações do investigador ao longo do processo têm a intenção de verificar relação de causa-efeito. De tal forma que as variáveis escolhidas costumam constituir fatores que interferem na pesquisa (Carabetta Júnior; Brito, 2011). Por meio do método estatístico é possível transformar dados e resultados de pesquisas qualitativas e quantitativas de forma que se consegue constatar determinadas relações entre fatos ou fenômenos. Com base nessas constatações, constroem-se generalizações relacionadas à natureza, ocorrência e significados de tais fatos ou fenômenos. A partir da aplicação desse método se consegue alcançar conclusões com grande probabilidade de serem verdadeiras (Assis, 2009). Isto é, o método estatístico analisa os dados quantitativamente com o objetivo de obter comprovações ou verificar relações entre fenômenos, chegando a generalizações explicativas (Carabetta Júnior; Brito, 2011). 1.3 Construção da metodologia O delineamento ou desenho correto do estudo é fundamental para que se tenha sucesso em obter as respostas e as conclusões esperadas para a pergunta de pesquisa. A construção do delineamento da pesquisa corresponde ao planejamento de toda sua parte operacional, isto é, corresponde à previsão de todas as suas etapas de realização (Fontelles et al., 2009). A descrição da metodologia da pesquisa deve ser tão detalhada quanto possível, devendo ser concebida de tal maneira que outro pesquisador seja capaz de reproduzir o que foi feito apenas seguindo aquilo que se encontra descrito no trabalho publicado. O delineamento da pesquisa também deve ser planejado de modo que sejam minimizados os possíveis erros ou vieses, bem como outras possíveis intercorrências que possam comprometer a obtenção, interpretação e discussão dos dados e dos resultados do estudo (Fontelles et al., 2009). A luno: JE F F E R S O N G O N Ç A LV E S LO P E S E m ail: jefferson.g.lopes@ gm ail.com 8 Na descrição da metodologia, o autor deve explicitar de maneira bem clara e completa: Qual será a população ou os sujeitos de pesquisa ou qual será o objeto de estudo; Qual será o tipo de pesquisa empregado (experimental, observacional, retrospectivo, prospectivo, etc.); Qual será a técnica utilizada para obtenção dos dados, bem como qual será o método de análise, interpretação e demonstração dos resultados; Quais serão os critérios de inclusão e exclusão de dados, participantes ou de informações no estudo. TEMA 2 – METODOLOGIAS PARA ANÁLISE DOS DADOS Antes de iniciar a análise, é necessário realizar a coleta dos dados ou informações de estudo. É na fase de coleta dos dados que o pesquisador coloca em prática todas as etapas ou ações que foram planejadas quando da concepção da metodologia ou do desenho do estudo. As chances de sucesso na obtenção de respostas ou conclusões corretas para o problema de estudo dependem da elaboração de um desenho de pesquisa adequado e de um planejamento consistente dos procedimentos que serão adotados para obtenção de dados e informações. De acordo com Fontelles et al. (2009), implementar inicialmente um “projeto piloto” é uma atitude que permite identificar possíveis erros cometidos durante o planejamento do estudo e minimizar problemas na execução dos procedimentos planejados. O projeto piloto permite: Fazer teste e validação do método; Aprimorar o cálculo de tamanho da amostra final; Rever questionários e outros instrumentos de pesquisa; Treinar a equipe no uso de equipamentos, execução de procedimentos; Manusear cobaias ou quaisquer outros procedimentos que façam parte da pesquisa. Ao final da etapa de coleta de dados/informações, o pesquisador se vê diante de uma série de dados ou informações numéricas ou textuais. Nesse A luno: JE F F E R S O N G O N Ç A LV E S LO P E S E m ail: jefferson.g.lopes@ gm ail.com 9 momento, essa coletânea de dados e informações ainda não faz sentido, sendo necessário, então, tabular, processar e apresentar tais dados. Antes de iniciar de fato a análise dos dados ou das informações, é necessário novamente que o pesquisador elabore um planejamento. Deve ser planejado o modo de análise e processamento de tal forma que seja garantido um bom grau de precisão nas ações e procedimentos realizados e nos cálculos estatísticos, quando estes forem necessários. Em pesquisas que se valerão de procedimentos estatísticos, é importante, duranteo planejamento da análise, determinar quais serão as variáveis e como estas serão consideradas na aplicação dos testes estatísticos. As variáveis podem ser classificadas como independentes, dependentes ou intervenientes. Sendo que as variáveis independentes seriam aquelas que afetam, influenciam ou determinam outras variáveis, enquanto que as variáveis dependentes variam conforme o pesquisador manipula a variável independente e, por fim, as variáveis intervenientes seriam aquelas capazes de controlar a influência da variável independente sobre a dependente, sendo capaz inclusive de esclarecer a relação entre elas (Carabetta Júnior; Brito, 2011, p. 69). Atualmente a utilização de softwares de pacotes estatísticos permite muito maior precisão e segurança na organização e análise de grandes números de dados. Os pacotes estatísticos disponíveis dão condições para a realização de cálculos estatísticos, além de permitirem a elaboração de gráficos, tabelas e quadros (Fontelles et al., 2009). Mesmo em uma revisão de literatura há que se planejar como vai ser feita a organização das informações obtidas na etapa de levantamento. Na construção da metodologia e do desenho do estudo, o pesquisador já tem que decidir que tipo de revisão pretende conduzir (narrativa, integrativa ou sistemática) para que essa decisão seja capaz de guiar a forma como o autor conduzirá o levantamento de informações e de fontes de consulta. Após realizado o levantamento das informações, estas também terão de ser organizadas e discutidas adequadamente para permitir a construção de um bom texto de revisão. Em revisões integrativas da literatura, o autor pode realizar a análise dos seus “dados” (estudos selecionados para fazer parte da revisão) das seguintes formas: Aplicando análises estatísticas. A luno: JE F F E R S O N G O N Ç A LV E S LO P E S E m ail: jefferson.g.lopes@ gm ail.com 10 Elaborando uma listagem de fatores encontrados ao longo dos estudos selecionados e que mostram efeito em uma determinada variável escolhida. Escolhendo ou excluindo estudos com base no delineamento da pesquisa. Cada uma dessas abordagens tem vantagens e desvantagens e cabe ao autor fazer a escolha adequada de maneira a avaliar os resultados de forma imparcial, sempre buscando conseguir explicações em cada um dos estudos selecionados para a ocorrência das variações observadas nos resultados (Unesp, 2015). TEMA 3 – OBTENÇÃO E DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS As informações ou os dados obtidos na pesquisa devem ser capazes de permitir, após análise, a confirmação ou rejeição da hipótese que foi escolhida no início do estudo. Os resultados obtidos na pesquisa devem ser apresentados e discutidos. A construção do trabalho escrito permite duas opções: primeiro, apresentar todos os resultados e, depois, apresentar a discussão em itens separados ou fazer um item único denominado resultados e discussão, no qual os resultados vão sendo discutidos à medida que são apresentados. A apresentação dos resultados pode ter apoio dos recursos estatísticos (gráficos e tabelas) que já tenham sido elaborados durante o processo de organização e tabulação dos dados, além de ser possível utilizar quadros com o intuito de sintetizar descrições de resultados (Oliveira, 2011). Em pesquisas em que se tenha utilizado questionário como instrumento de coleta de dados, pode-se apresentar os resultados referentes às respostas na forma de porcentagem, indicar as médias e desvios padrão ou utilizar apresentação na forma de gráficos. Nos casos de pesquisas cujos dados se baseiam em entrevistas, deve-se descrever as categorias de respostas dadas pelos participantes. No momento de apresentar os resultados, é importante que o autor não se utilize apenas de gráficos, quadros e tabelas, sendo necessário também fazer descrições por meio de texto escrito, pois os recursos mencionados auxiliam na compreensão, mas não substituem a redação dos resultados (Oliveira, 2011). A luno: JE F F E R S O N G O N Ç A LV E S LO P E S E m ail: jefferson.g.lopes@ gm ail.com 11 Em revisões de literatura não é usual redigir um item separado de apresentação de resultados, tendo em vista que não há de fato resultados obtidos a partir da análise de dados, mas sim conjuntos de informações obtidas mediante levantamento. Mas em revisões sistemáticas e integrativas, pode-se utilizar esse item para fazer a apresentação da caracterização de cada estudo selecionado, da avaliação da qualidade de cada um deles e da comparação das análises estatísticas utilizadas pelos autores originais. Em revisões desse tipo é de suma importância que o autor se preocupe em apresentar claramente as informações de forma que o leitor seja capaz de conhecer as características verdadeiras dos estudos que foram incluídos pelo autor na revisão (Unesp, 2015). Em revisões integrativas, a etapa de avaliação dos estudos incluídos na revisão equivale à etapa de análise de dados em pesquisas que embasam a produção de artigos originais (pesquisas de caráter prático ou de campo). Sendo assim, a relevância e a validade da revisão estão diretamente relacionadas com a realização de uma análise detalhada dos estudos selecionados. Os diferentes estudos devem ser analisados criticamente, com o intuito de explicar diferenças ou conflitos entre os resultados apresentados em cada um deles. Com base nas informações disponibilizadas pela Unesp (2015, p. 7), há algumas questões que podem auxiliar o autor na análise crítica de estudos selecionados para uma revisão integrativa: Qual é a questão da pesquisa; qual é a base para a questão da pesquisa; por que a questão é importante; como eram as questões de pesquisas já realizadas; a metodologia do estudo está adequada; os sujeitos selecionados para o estudo estão corretos; o que a questão da pesquisa responde; a resposta está correta e quais pesquisas futuras serão necessárias. As respostas a esses questionamentos compõem, então, a análise dos estudos selecionados e podem ser apresentadas em forma de quadros, tabelas ou texto como resultados a serem discutidos na pesquisa. TEMA 4 – ELABORAÇÃO DA DISCUSSÃO Para elaboração da discussão dos resultados alcançados com a pesquisa, o autor deve se utilizar dos achados de outros autores, confrontando seus resultados com aqueles demonstrados em outras publicações. É importante, sempre que possível, estabelecer comparações dos achados de A luno: JE F F E R S O N G O N Ç A LV E S LO P E S E m ail: jefferson.g.lopes@ gm ail.com 12 pesquisa tanto com estudos que concordam quanto com estudos que discordam daquilo que foi encontrado, pois isso enriquece a discussão e permite chegar a melhores conclusões. Em trabalhos de revisão integrativa da literatura, a etapa de interpretação dos resultados corresponde à fase de discussão das pesquisas para artigos originais (pesquisas com característica práticas ou de campo). No caso de pesquisas práticas ou de campo os resultados, devem ser discutidos em comparação ao que foi encontrado por outros pesquisadores em pesquisas semelhantes à que foi conduzida. No caso de revisões sistemáticas ou integrativas, o autor fundamenta a discussão na análise crítica dos estudos que foram selecionados e incluídos na pesquisa, comparando com conclusões e conhecimentos teóricos advindos da revisão realizada. Por conta da ampla revisão realizada, é possível identificar lacunas de conhecimento, o que permite ao autor apontar necessidades de pesquisas direcionadas a preencher essas lacunas (Unesp, 2015). No momento da discussão, em quaisquer dos tipos de pesquisa, é importante que o autor chame a atenção para informações/dados novos e interessantes que tenham sido obtidos, sendo que todos os resultados apresentados devem ser discutidos frente ao que foirevisado na literatura. Em síntese, na discussão o autor interpreta os resultados, discute sua importância, verifica concordâncias e divergências com outros autores, sempre referenciando os estudos que estão sendo utilizados nas comparações. TEMA 5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS OU CONCLUSÕES A parte final de uma pesquisa é chamada de conclusão no caso de pesquisas originais (de cunho prático ou de campo), enquanto que é chamada de considerações finais em trabalhos de revisão de literatura. As conclusões ou considerações finais apresentam a síntese de todas as reflexões feitas ao longo da pesquisa, bem como apresentam as limitações do estudo e as sugestões para futuras pesquisas. É importante que nessa etapa sejam apresentadas conclusões para cada um dos objetivos propostos para a pesquisa e também que seja dada uma resposta à hipótese levantada no início da produção. A luno: JE F F E R S O N G O N Ç A LV E S LO P E S E m ail: jefferson.g.lopes@ gm ail.com 13 As conclusões ou considerações finais devem ser consequências naturais das discussões realizadas e do que foi exposto e explorado no desenvolvimento do trabalho. Tendo em vista que essa etapa está fundamentada em deduções lógicas feitas a partir dos resultados e discussões do estudo, deve-se evitar nesse momento a utilização de citações de outros autores (Oliveira, 2011). Este deve ser um texto do próprio autor da pesquisa, baseado essencialmente nos achados da pesquisa realizada. A leitura do texto das conclusões ou considerações finais deve permitir ao leitor obter respostas a todas as hipóteses e perguntas levantadas quando da concepção da pesquisa. FINALIZANDO Nessa aula foi possível compreender que há muitas formas de conduzir uma pesquisa científica. E que a escolha do método correto, assim como a formulação de uma metodologia de pesquisa consistente são passos essenciais para o sucesso na obtenção dos resultados e conclusões do estudo. A correta condução dos procedimentos metodológicos facilita a obtenção de resultados coerentes e relevantes, os quais são capazes então de embasar uma discussão sólida, a qual conduzirá a conclusões realmente pertinentes. REFERÊNCIAS ASSIS, M. C. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. Disponível em: <http://www.cchla.ufpb.br/clv/images/docs/modulos/p2/p2_4.pdf>. Acesso em: 2 jan. 2018. BALESTRO, M. V.; VARGAS, E. R. de; MACHADO JUNIOR, E. V. 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