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METODOLOGIA CIENTÍFICA - LIVRO 05

Aula de Metodologia Científica (Aula 5) que apresenta definição e papel do método científico, classificação em métodos de procedimento e de abordagem e discussão de métodos de raciocínio (dedutivo, indutivo, fenomenológico, dialético), além de tópicos sobre análise, resultados e discussão.

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METODOLOGIA CIENTÍFICA 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Ana Paula Weinfurter Lima Coimbra de Oliveira 
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CONVERSA INICIAL 
Hoje estudaremos alguns dos elementos centrais na obtenção, descrição 
e análise dos dados e dos resultados em trabalhos científicos. Conversaremos 
sobretudo a respeito do direcionamento metodológico e da condução da 
apresentação e da discussão dos resultados. Os assuntos desta aula estão 
separados da seguinte maneira: 
 Método científico e construção da metodologia; 
 Metodologias para análises dos dados; 
 Obtenção e demonstração dos resultados; 
 Elaboração da discussão; 
 Considerações finais ou conclusões. 
CONTEXTUALIZANDO 
 A metodologia constitui o cerne de uma pesquisa científica. O método é o 
que de fato embasa a construção do trabalho, de tal forma que, sem um método 
bem definido, fica inviabilizada a obtenção de dados ou resultados pertinentes 
e, portanto, inviabiliza-se a elaboração de conclusões relevantes acerca do 
assunto de estudo. 
 O objetivo principal de uma pesquisa científica é sempre se aproximar o 
máximo possível da verdade com relação a algum fato, situação ou informação. 
Para isso a ciência faz uso de diferentes métodos. Os métodos podem ser 
determinados pelo tipo de objeto que será investigado e também pelos tipos de 
propósitos a serem alcançados. 
 Para fins didáticos, é possível dividir tais métodos em dois grandes 
grupos: 
 Métodos de procedimento 
 Métodos de abordagem (gerais) 
 Comentaremos sobre esses métodos ao longo da aula. 
TEMA 1 – MÉTODO CIENTÍFICO E CONSTRUÇÃO DA METODOLOGIA 
Já comentamos anteriormente que método é uma palavra de origem 
grega, que significa caminho. Em ciência, o método representa o caminho que 
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será seguido para chegar a um determinado fim. Tendo em vista que o objetivo 
primordial da ciência é a produção de conhecimento, o método científico seria, 
na verdade, um caminho ou procedimento utilizado para conquistar 
conhecimento. 
 Sendo assim, o método científico é algo inerente à construção do 
conhecimento e à ciência, sendo o responsável por permitir ao pesquisador 
ordenar seu pensamento e delinear os procedimentos que serão adotados para 
conseguir dados, alcançar objetivos e obter conclusões. Assume-se, portanto, 
que não se faz ciência sem utilizar um método científico (Prodanov; Freitas, 
2013). 
 Embora cada área do conhecimento possua seu próprio conjunto de 
técnicas e conhecimentos especializados, no geral, todas as áreas compartilham 
princípios gerais do método científico. 
 Devido à grande variedade de métodos disponíveis, há autores que os 
dividem e os classificam em métodos de raciocínio (ou de abordagem) e em 
métodos de investigação (ou de procedimento). 
1.1 Métodos de raciocínio ou de abordagem 
 De acordo com Assis (2009, p. 9), 
os métodos de raciocínio, gerais ou de abordagem são aqueles que 
dão embasamento lógico para a investigação científica. Estão 
relacionados com o plano de trabalho geral, com a linha de raciocínio 
que será adotada, sempre seguindo a lógica. Esses métodos podem 
ser classificados como: dedutivos, hipotético-dedutivos, indutivos, 
fenomenológicos ou dialéticos. 
 O método dedutivo parte do que chamamos de verdades universais 
para, a partir delas, conseguir chegar a determinadas conclusões mais 
particulares. A dedução costuma ter como protótipo o que é chamado de 
silogismo, que é um tipo de raciocínio composto, no qual é possível conseguir 
uma conclusão a partir de certas premissas. Como exemplo clássico, podemos 
citar o indicado por Assis (2009. p. 9): 
Todo homem é mortal ____________ universal, geral 
João é homem __________________ particular 
Logo, João é mortal _______________ conclusão 
 
 O método dedutivo já foi criticado devido a supor conhecimento prévio, 
partindo de uma afirmação geral. 
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 O método indutivo faz justamente o inverso do processo dedutivo. Isto 
é, o raciocínio é feito de modo que se parte do particular para o geral. Dessa 
forma, são as condições particulares que conduzem à formulação de teorias e 
leis gerais (Assis, 2009). O uso do raciocínio indutivo pressupõe verificação e 
experimentação, partindo do efeito para a descoberta das causas. Utiliza-se o 
método indutivo para abordar problemas de ordem prática (empíricos) e, em 
geral, se consegue uma generalização por meio da observação de casos 
concretos que consigam fornecer confirmação suficiente de uma determinada 
realidade (Gil, 2008; Assis, 2009). 
 Para embasamento do raciocínio indutivo, é preciso que sejam feitas 
observações repetidas e em grande número, abrangendo uma ampla gama de 
situações. 
 Segundo Assis (2009. p. 10): 
É possível um argumento indutivo ser falso, embora suas premissas 
sejam verdadeiras e ainda assim não haver contradição. Isso ocorre 
quando há uma (ou mais) proposição de observação (hipótese) 
logicamente possível, mas inconsistente, isto é, se essas premissas 
fossem estabelecidas como verdadeiras, terminariam por falsificar o 
argumento. Dizer, por exemplo, que todas as frutas que caem das 
árvores estão maduras é um fato logicamente possível, mas 
inconsistente. 
 O método hipotético-dedutivo tem como ponto de partida o encontro de 
alguma lacuna de conhecimento com base na qual são formuladas hipótese e 
então, busca-se predizer a ocorrência de determinados fenômenos por meio de 
um processo chamado de inferência dedutiva, que é uma linha de raciocínio 
própria da matemática, a qual assegura que a conclusão é segura quando os 
dados estabelecidos para um problema (premissas) são seguros, confiáveis ou 
verdadeiros (Grácio; Feitosa; Nascimento, 2009). Esse método é relacionado 
diretamente com a experimentação e busca representar uma espécie de 
equilíbrio entre os métodos dedutivo e indutivo (Assis, 2009). 
 O seguinte esquema resume a linha de raciocínio do método hipotético-
dedutivo: 
 
 
 
 
 
 
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Figura 1 – Linha de raciocínio do método hipotético-dedutivo 
 
Fonte: Gil (2008, p.12) 
 De acordo com Assis (2009, p. 10): 
No método hipotético-dedutivo, o cientista, combina observação 
cuidadosa, habilidade nas antecipações e intuição científica, para 
alcançar um conjunto de postulados que regem os fenômenos de 
interesse; a partir daí, deduz as consequências observáveis e verifica 
as consequências por meio de experimentação, refutando ou 
substituindo os postulados, quando necessário, por outros e assim 
prosseguindo. 
 O método dialético vê tudo como estando em constante mudança, 
baseando-se na ideia de que permanentemente há algo se desagregando e se 
transformando, enquanto outras coisas nascem e se desenvolvem. Em outras 
palavras, considera-se que os fatos devem ser sempre considerados dentro de 
um contexto social e que as contradições sobre os fatos se transcendem e 
originam novas contradições, de tal forma que essas últimas necessitam de uma 
solução (Gil, 2008). Esse método costuma ser utilizado em pesquisas 
qualitativas, sendo bastante importante na filosofia. 
 O método fenomenológico, de acordo com Siani, Correa e Las Casas 
(2016), permite a busca da compreensão das experiências de vida das pessoas, 
o que não pode ser alcançado do mesmo modo por outros tipos de metodologias. 
Ainda segundo esse autor, a fenomenologia faz uma análise mais profunda na 
qual as sensações e emoções são levadas em consideração enquanto se busca 
compreender o significado real das experiências para os indivíduos, assim como 
suas implicações.1.2 Métodos de investigação ou de procedimento 
 Os métodos de investigação, específicos ou de procedimento constituem 
meios técnicos para investigação e, portanto, são etapas mais concretas da 
pesquisa. Podem ser divididos em: histórico, experimental, observacional, 
comparativo, estatístico e monográfico ou estudo de caso (Gil, 2008; Assis, 
2009). 
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 O método histórico preocupa-se em entender o passado, para poder 
estudar o presente e, de certa forma, predizer o futuro. Ou seja, com esse 
método, os fenômenos em estudo são colocados em um contexto histórico-
social. É um método bastante utilizado no campo das ciências sociais com o 
intuito de verificar a influência de fatos do passado na sociedade atual e em suas 
organizações e relações (Assis, 2009). 
 No método monográfico ou estudo de caso, o pesquisador se concentra 
em estudar de modo bastante aprofundado, quase exaustivo, um determinado 
objeto ou assunto de pesquisa, os quais podem ser: grupos de indivíduos, 
instituições, uma pequena comunidade ou localidade ou mesmo um único 
indivíduo (Assis, 2009; Carabetta Júnior; Brito, 2011). 
 O método observacional se baseia na observação de fatos ou 
fenômenos que acontecem ou que já aconteceram (Assis, 2009). Nos estudos 
que utilizam esse método, o investigador atua apenas como um observador ou 
espectador. Durante a pesquisa, nesse caso, o pesquisador não realiza 
intervenções e, portanto, não interfere nem no curso natural nem no desfecho 
dos fatos ou fenômenos que estão sendo observados. Entretanto, é permitido ao 
pesquisador realizar análises, medições e outros tipos de procedimentos de 
coleta de dados ao longo da investigação (Fontelles et al., 2009). 
 Na condução de um método comparativo, busca-se verificar 
semelhanças e desvendar diferenças com o objetivo de compreender, por 
exemplo, o comportamento humano. Em outras palavras, a análise de diferenças 
e semelhanças possibilita desvendar padrões de variações relacionados a um 
determinado objeto de estudo (Balestro; Vargas; Machado Júnior, 2007). Uma 
pesquisa que utiliza o método comparativo se propõe a fazer uma análise 
completa de um fato ou fenômeno com o intuito de explicá-lo (Assis, 2009). A 
comparação pode ser usada como um recurso que aumenta a consistência no 
momento de indicar hipóteses de trabalho como válidas ou falsas, sendo que o 
ato de comparar constitui uma atividade que permite buscar o entendimento de 
certas características de fatos ou eventos, além de possibilitar controle da 
hipótese formulada para estudo. Ou seja, quando há algumas hipóteses 
consideradas plausíveis, o método comparativo permite que uma determinada 
hipótese se sobressaia às outras, por meio da análise de mais casos (Balestro; 
Vargas; Machado Júnior, 2007). 
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 O uso do método experimental tem o intuito de comprovar um 
determinado fenômeno. Nesse método, os objetos de estudo são submetidos a 
influências de variáveis para observação do que ocorre com o objeto nessas 
situações, sempre utilizando condições conhecidas e controladas pelo 
pesquisador (Assis, 2009). Nesse tipo de método, as variáveis utilizadas 
costumam ser preestabelecidas pelo pesquisador e as intervenções e 
manipulações do investigador ao longo do processo têm a intenção de verificar 
relação de causa-efeito. De tal forma que as variáveis escolhidas costumam 
constituir fatores que interferem na pesquisa (Carabetta Júnior; Brito, 2011). 
 Por meio do método estatístico é possível transformar dados e 
resultados de pesquisas qualitativas e quantitativas de forma que se consegue 
constatar determinadas relações entre fatos ou fenômenos. Com base nessas 
constatações, constroem-se generalizações relacionadas à natureza, ocorrência 
e significados de tais fatos ou fenômenos. A partir da aplicação desse método 
se consegue alcançar conclusões com grande probabilidade de serem 
verdadeiras (Assis, 2009). Isto é, o método estatístico analisa os dados 
quantitativamente com o objetivo de obter comprovações ou verificar relações 
entre fenômenos, chegando a generalizações explicativas (Carabetta Júnior; 
Brito, 2011). 
1.3 Construção da metodologia 
 O delineamento ou desenho correto do estudo é fundamental para que se 
tenha sucesso em obter as respostas e as conclusões esperadas para a 
pergunta de pesquisa. A construção do delineamento da pesquisa corresponde 
ao planejamento de toda sua parte operacional, isto é, corresponde à previsão 
de todas as suas etapas de realização (Fontelles et al., 2009). 
 A descrição da metodologia da pesquisa deve ser tão detalhada quanto 
possível, devendo ser concebida de tal maneira que outro pesquisador seja 
capaz de reproduzir o que foi feito apenas seguindo aquilo que se encontra 
descrito no trabalho publicado. 
 O delineamento da pesquisa também deve ser planejado de modo que 
sejam minimizados os possíveis erros ou vieses, bem como outras possíveis 
intercorrências que possam comprometer a obtenção, interpretação e discussão 
dos dados e dos resultados do estudo (Fontelles et al., 2009). 
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 Na descrição da metodologia, o autor deve explicitar de maneira bem clara 
e completa: 
 Qual será a população ou os sujeitos de pesquisa ou qual será o objeto 
de estudo; 
 Qual será o tipo de pesquisa empregado (experimental, observacional, 
retrospectivo, prospectivo, etc.); 
 Qual será a técnica utilizada para obtenção dos dados, bem como qual 
será o método de análise, interpretação e demonstração dos resultados; 
 Quais serão os critérios de inclusão e exclusão de dados, participantes ou 
de informações no estudo. 
TEMA 2 – METODOLOGIAS PARA ANÁLISE DOS DADOS 
 Antes de iniciar a análise, é necessário realizar a coleta dos dados ou 
informações de estudo. É na fase de coleta dos dados que o pesquisador coloca 
em prática todas as etapas ou ações que foram planejadas quando da 
concepção da metodologia ou do desenho do estudo. 
 As chances de sucesso na obtenção de respostas ou conclusões corretas 
para o problema de estudo dependem da elaboração de um desenho de 
pesquisa adequado e de um planejamento consistente dos procedimentos que 
serão adotados para obtenção de dados e informações. 
 De acordo com Fontelles et al. (2009), implementar inicialmente um 
“projeto piloto” é uma atitude que permite identificar possíveis erros cometidos 
durante o planejamento do estudo e minimizar problemas na execução dos 
procedimentos planejados. O projeto piloto permite: 
 Fazer teste e validação do método; 
 Aprimorar o cálculo de tamanho da amostra final; 
 Rever questionários e outros instrumentos de pesquisa; 
 Treinar a equipe no uso de equipamentos, execução de procedimentos; 
 Manusear cobaias ou quaisquer outros procedimentos que façam parte 
da pesquisa. 
 Ao final da etapa de coleta de dados/informações, o pesquisador se vê 
diante de uma série de dados ou informações numéricas ou textuais. Nesse 
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momento, essa coletânea de dados e informações ainda não faz sentido, sendo 
necessário, então, tabular, processar e apresentar tais dados. 
 Antes de iniciar de fato a análise dos dados ou das informações, é 
necessário novamente que o pesquisador elabore um planejamento. Deve ser 
planejado o modo de análise e processamento de tal forma que seja garantido 
um bom grau de precisão nas ações e procedimentos realizados e nos cálculos 
estatísticos, quando estes forem necessários. 
 Em pesquisas que se valerão de procedimentos estatísticos, é importante, 
duranteo planejamento da análise, determinar quais serão as variáveis e como 
estas serão consideradas na aplicação dos testes estatísticos. 
As variáveis podem ser classificadas como independentes, 
dependentes ou intervenientes. Sendo que as variáveis independentes 
seriam aquelas que afetam, influenciam ou determinam outras 
variáveis, enquanto que as variáveis dependentes variam conforme o 
pesquisador manipula a variável independente e, por fim, as variáveis 
intervenientes seriam aquelas capazes de controlar a influência da 
variável independente sobre a dependente, sendo capaz inclusive de 
esclarecer a relação entre elas (Carabetta Júnior; Brito, 2011, p. 69). 
 Atualmente a utilização de softwares de pacotes estatísticos permite muito 
maior precisão e segurança na organização e análise de grandes números de 
dados. Os pacotes estatísticos disponíveis dão condições para a realização de 
cálculos estatísticos, além de permitirem a elaboração de gráficos, tabelas e 
quadros (Fontelles et al., 2009). 
 Mesmo em uma revisão de literatura há que se planejar como vai ser feita 
a organização das informações obtidas na etapa de levantamento. Na 
construção da metodologia e do desenho do estudo, o pesquisador já tem que 
decidir que tipo de revisão pretende conduzir (narrativa, integrativa ou 
sistemática) para que essa decisão seja capaz de guiar a forma como o autor 
conduzirá o levantamento de informações e de fontes de consulta. Após 
realizado o levantamento das informações, estas também terão de ser 
organizadas e discutidas adequadamente para permitir a construção de um bom 
texto de revisão. 
 Em revisões integrativas da literatura, o autor pode realizar a análise dos 
seus “dados” (estudos selecionados para fazer parte da revisão) das seguintes 
formas: 
 Aplicando análises estatísticas. 
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 Elaborando uma listagem de fatores encontrados ao longo dos estudos 
selecionados e que mostram efeito em uma determinada variável 
escolhida. 
 Escolhendo ou excluindo estudos com base no delineamento da 
pesquisa. 
 Cada uma dessas abordagens tem vantagens e desvantagens e cabe ao 
autor fazer a escolha adequada de maneira a avaliar os resultados de forma 
imparcial, sempre buscando conseguir explicações em cada um dos estudos 
selecionados para a ocorrência das variações observadas nos resultados 
(Unesp, 2015). 
TEMA 3 – OBTENÇÃO E DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS 
 As informações ou os dados obtidos na pesquisa devem ser capazes de 
permitir, após análise, a confirmação ou rejeição da hipótese que foi escolhida 
no início do estudo. 
 Os resultados obtidos na pesquisa devem ser apresentados e discutidos. 
A construção do trabalho escrito permite duas opções: primeiro, apresentar 
todos os resultados e, depois, apresentar a discussão em itens separados ou 
fazer um item único denominado resultados e discussão, no qual os resultados 
vão sendo discutidos à medida que são apresentados. 
 A apresentação dos resultados pode ter apoio dos recursos estatísticos 
(gráficos e tabelas) que já tenham sido elaborados durante o processo de 
organização e tabulação dos dados, além de ser possível utilizar quadros com o 
intuito de sintetizar descrições de resultados (Oliveira, 2011). 
 Em pesquisas em que se tenha utilizado questionário como instrumento 
de coleta de dados, pode-se apresentar os resultados referentes às respostas 
na forma de porcentagem, indicar as médias e desvios padrão ou utilizar 
apresentação na forma de gráficos. Nos casos de pesquisas cujos dados se 
baseiam em entrevistas, deve-se descrever as categorias de respostas dadas 
pelos participantes. 
 No momento de apresentar os resultados, é importante que o autor não 
se utilize apenas de gráficos, quadros e tabelas, sendo necessário também fazer 
descrições por meio de texto escrito, pois os recursos mencionados auxiliam na 
compreensão, mas não substituem a redação dos resultados (Oliveira, 2011). 
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 Em revisões de literatura não é usual redigir um item separado de 
apresentação de resultados, tendo em vista que não há de fato resultados 
obtidos a partir da análise de dados, mas sim conjuntos de informações obtidas 
mediante levantamento. 
 Mas em revisões sistemáticas e integrativas, pode-se utilizar esse item 
para fazer a apresentação da caracterização de cada estudo selecionado, da 
avaliação da qualidade de cada um deles e da comparação das análises 
estatísticas utilizadas pelos autores originais. Em revisões desse tipo é de suma 
importância que o autor se preocupe em apresentar claramente as informações 
de forma que o leitor seja capaz de conhecer as características verdadeiras dos 
estudos que foram incluídos pelo autor na revisão (Unesp, 2015). 
 Em revisões integrativas, a etapa de avaliação dos estudos incluídos na 
revisão equivale à etapa de análise de dados em pesquisas que embasam a 
produção de artigos originais (pesquisas de caráter prático ou de campo). Sendo 
assim, a relevância e a validade da revisão estão diretamente relacionadas com 
a realização de uma análise detalhada dos estudos selecionados. Os diferentes 
estudos devem ser analisados criticamente, com o intuito de explicar diferenças 
ou conflitos entre os resultados apresentados em cada um deles. 
 Com base nas informações disponibilizadas pela Unesp (2015, p. 7), há 
algumas questões que podem auxiliar o autor na análise crítica de estudos 
selecionados para uma revisão integrativa: 
Qual é a questão da pesquisa; qual é a base para a questão da 
pesquisa; por que a questão é importante; como eram as questões de 
pesquisas já realizadas; a metodologia do estudo está adequada; os 
sujeitos selecionados para o estudo estão corretos; o que a questão da 
pesquisa responde; a resposta está correta e quais pesquisas futuras 
serão necessárias. 
 As respostas a esses questionamentos compõem, então, a análise dos 
estudos selecionados e podem ser apresentadas em forma de quadros, tabelas 
ou texto como resultados a serem discutidos na pesquisa. 
TEMA 4 – ELABORAÇÃO DA DISCUSSÃO 
Para elaboração da discussão dos resultados alcançados com a 
pesquisa, o autor deve se utilizar dos achados de outros autores, confrontando 
seus resultados com aqueles demonstrados em outras publicações. É 
importante, sempre que possível, estabelecer comparações dos achados de 
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pesquisa tanto com estudos que concordam quanto com estudos que discordam 
daquilo que foi encontrado, pois isso enriquece a discussão e permite chegar a 
melhores conclusões. 
 Em trabalhos de revisão integrativa da literatura, a etapa de interpretação 
dos resultados corresponde à fase de discussão das pesquisas para artigos 
originais (pesquisas com característica práticas ou de campo). 
 No caso de pesquisas práticas ou de campo os resultados, devem ser 
discutidos em comparação ao que foi encontrado por outros pesquisadores em 
pesquisas semelhantes à que foi conduzida. 
 No caso de revisões sistemáticas ou integrativas, o autor fundamenta a 
discussão na análise crítica dos estudos que foram selecionados e incluídos na 
pesquisa, comparando com conclusões e conhecimentos teóricos advindos da 
revisão realizada. Por conta da ampla revisão realizada, é possível identificar 
lacunas de conhecimento, o que permite ao autor apontar necessidades de 
pesquisas direcionadas a preencher essas lacunas (Unesp, 2015). 
 No momento da discussão, em quaisquer dos tipos de pesquisa, é 
importante que o autor chame a atenção para informações/dados novos e 
interessantes que tenham sido obtidos, sendo que todos os resultados 
apresentados devem ser discutidos frente ao que foirevisado na literatura. 
 Em síntese, na discussão o autor interpreta os resultados, discute sua 
importância, verifica concordâncias e divergências com outros autores, sempre 
referenciando os estudos que estão sendo utilizados nas comparações. 
TEMA 5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS OU CONCLUSÕES 
 A parte final de uma pesquisa é chamada de conclusão no caso de 
pesquisas originais (de cunho prático ou de campo), enquanto que é chamada 
de considerações finais em trabalhos de revisão de literatura. 
 As conclusões ou considerações finais apresentam a síntese de todas as 
reflexões feitas ao longo da pesquisa, bem como apresentam as limitações do 
estudo e as sugestões para futuras pesquisas. 
 É importante que nessa etapa sejam apresentadas conclusões para cada 
um dos objetivos propostos para a pesquisa e também que seja dada uma 
resposta à hipótese levantada no início da produção. 
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 As conclusões ou considerações finais devem ser consequências naturais 
das discussões realizadas e do que foi exposto e explorado no desenvolvimento 
do trabalho. 
 Tendo em vista que essa etapa está fundamentada em deduções lógicas 
feitas a partir dos resultados e discussões do estudo, deve-se evitar nesse 
momento a utilização de citações de outros autores (Oliveira, 2011). Este deve 
ser um texto do próprio autor da pesquisa, baseado essencialmente nos achados 
da pesquisa realizada. 
 A leitura do texto das conclusões ou considerações finais deve permitir ao 
leitor obter respostas a todas as hipóteses e perguntas levantadas quando da 
concepção da pesquisa. 
FINALIZANDO 
 Nessa aula foi possível compreender que há muitas formas de conduzir 
uma pesquisa científica. E que a escolha do método correto, assim como a 
formulação de uma metodologia de pesquisa consistente são passos essenciais 
para o sucesso na obtenção dos resultados e conclusões do estudo. 
 A correta condução dos procedimentos metodológicos facilita a obtenção 
de resultados coerentes e relevantes, os quais são capazes então de embasar 
uma discussão sólida, a qual conduzirá a conclusões realmente pertinentes. 
 
REFERÊNCIAS 
ASSIS, M. C. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Pearson 
Education do Brasil, 2009. Disponível em: 
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