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Indaial – 2020 Tecnologia da consTrução de edificações i Prof.ª Flavia Lamim de Arantes Soriano Prof.ª Vivian Figueiredo Pereira Almeida 1a Edição Copyright © UNIASSELVI 2020 Elaboração: Prof.ª Flavia Lamim de Arantes Soriano Prof.ª Vivian Figueiredo P. Almeida Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Impresso por: S714t Soriano, Flavia Lamim de Arantes Tecnologia da construção de edificações I. / Flavia Lamim de Arantes Soriano; Vivian Figueiredo Pereira de Almeida. – Indaial: UNIASSELVI, 2020. 215 p.; il. ISBN 978-85-515-0440-6 1. Edificações. - Brasil. I. Almeida, Vivian Figueiredo Pereira de. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD 690 III apresenTação Bem-vindo ao Livro Didático de Tecnologia da Construção de Edificações I, que tem por objetivo construir conhecimentos gerais sobre as tecnologias básicas utilizadas na construção de edifícios e na gestão de obras. Espero que você se aproxime do conteúdo desta disciplina, percebendo o quanto o seu estudo é indispensável para a formação e aprofundamento dos conceitos sobre variados aspectos que permeiam a construção civil. É com satisfação que apresentamos este livro, visando ao seu desenvolvimento pessoal e contribuindo para que se torne futuramente um profissional capaz de promover uma gestão eficiente de obras. Começaremos nossos estudos na Unidade 1, na qual serão apresentados canteiros e locação de obras. A unidade está dividida em quatro tópicos principais: aspectos gerais de canteiro, instalações em canteiros, aspectos gerais de locação e métodos executivos de locação. Na Unidade 2 serão apresentadas fundações e sistemas estruturais, dividida em quatro tópicos que explicam sobre: engenharia de fundações, processos usuais de reforço e prevenção de fissuras, sistemas construtivos e alvenaria estrutural e concreto. Por sua vez, a Unidade 3 trata da execução de estruturas de concretos, vedações verticais e coberturas, em que serão apresentados diversos tópicos explicativos sobre o sistema de formas, armação, concretagem, projeto de alvenaria de vedação, ligação entre estruturas e paredes de vedação, dentre outros. Espero que você, acadêmico, alcance ótimos resultados nesta disciplina e que este livro contribua com a construção do seu conhecimento. Aprofunde-se nas leituras indicadas, assista aos vídeos e faça suas próprias anotações. Dedique-se para se tornar um profissional diferenciado no mercado de trabalho. Vamos lá? Boa leitura e bons estudos! Prof.ª Flavia Lamim de Arantes Soriano Prof.ª Vivian Figueiredo P. Almeida IV Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA V VI Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada! LEMBRETE VII UNIDADE 1 – CANTEIRO E LOCAÇÃO .............................................................................................1 TÓPICO 1 – CANTEIRO DE OBRAS: ASPECTOS GERAIS ............................................................3 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................3 2 CONCEITOS BÁSICOS ........................................................................................................................4 3 TIPOS E OS ELEMENTOS DE CANTEIROS ...................................................................................7 4 PLANEJAMENTO, ELABORAÇÃO E PADRONIZAÇÃO ............................................................8 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................16 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................17 TÓPICO 2 – INSTALAÇÕES EM CANTEIROS DE OBRAS ..........................................................19 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................19 2 INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS .......................................................................................................20 2.1 INSTALAÇÕES SANITÁRIAS .......................................................................................................20 2.2 VESTIÁRIOS .....................................................................................................................................21 2.3 ALOJAMENTOS ..............................................................................................................................22 2.4 LOCAL PARA REFEIÇÕES E COZINHA ....................................................................................23 2.5 LAVANDERIA .................................................................................................................................25 2.6 AMBULATÓRIO .............................................................................................................................25 2.7 ÁREA DE LAZER ...........................................................................................................................25 3 MANUTENÇÃO E LIMPEZA ............................................................................................................27 4 ARMAZENAMENTO E MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS ..................................................28 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................33 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................34 TÓPICO 3 – LOCAÇÃO DE OBRAS: CONCEITOS GERAIS........................................................37 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................372 DEFINIÇÕES BÁSICAS ......................................................................................................................37 3 REQUISITOS, EQUIPAMENTOS E FERRAMENTAS .................................................................40 4 TIPOS DE LOCAÇÃO ........................................................................................................................46 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................49 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................50 TÓPICO 4 – MÉTODOS EXECUTIVOS DE LOCAÇÃO ................................................................51 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................51 2 PROCESSO DE LOCAÇÃO POR CAVALETES .............................................................................51 3 PROCESSO DA TÁBUA CORRIDA (GABARITO) ......................................................................52 4 TRAÇADO E LOCAÇÃO AO LONGO DA CONSTRUÇÃO .....................................................54 4.1 EDIFÍCIOS EM CONCRETO ARMADO .....................................................................................57 4.2 EDIFÍCIOS EM CONCRETO PROTENDIDO ............................................................................58 4.3 EDIFÍCIOS COM ESTRUTURA METÁLICA .............................................................................59 LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................................60 RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................64 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................65 sumário VIII UNIDADE 2 – FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS ........................................................67 TÓPICO 1 – ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES ................................................................................69 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................69 2 ELEMENTOS NECESSÁRIOS AO PROJETO ................................................................................70 3 SONDAGEM .........................................................................................................................................71 4 CONCEITUAÇÃO GERAL .................................................................................................................73 5 ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES ....................................................................................................74 5.1 TRANSMISSÃO DE FORÇA APLICADA AO SOLO ................................................................76 6 TIPOS DE FUNDAÇÕES ....................................................................................................................77 6.1 FUNDAÇÕES DIRETAS OU RASAS ............................................................................................78 6.2 FUNDAÇÕES INDIRETAS OU PROFUNDAS ...........................................................................80 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................85 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................86 TÓPICO 2 – PROCESSOS USUAIS DE REFORÇO E PREVENÇÃO DE FISSURAS 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................87 2 CONHECENDO E PREVENINDO FISSURAS ..............................................................................87 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................99 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................100 TÓPICO 3 – SISTEMAS CONSTRUTIVOS ....................................................................................103 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................103 2 SISTEMAS CONSTRUTIVOS CONVENCIONAIS ...................................................................104 2.1 CONCRETO ARMADO COM ALVENARIA DE VEDAÇÃO ................................................108 2.2 ESTRUTURA METÁLICA ............................................................................................................110 2.3 ESTRUTURA DE MADEIRA .......................................................................................................112 2.4 ESTRUTURA PRÉ-MOLDADA ...................................................................................................113 3 SISTEMAS CONSTRUTIVOS NÃO CONVENCIONAIS ........................................................115 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................119 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................120 TÓPICO 4 – ALVENARIA ESTRUTURAL E CONCRETO ...........................................................121 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................121 2 ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS ..............................................................................122 2.1 ALVENARIA NÃO ARMADA ....................................................................................................123 2.2 ALVENARIA ARMADA OU PARCIALMENTE ARMADA ...................................................124 2.3 ALVENARIA PROTENDIDA ......................................................................................................124 2.4 MODULAÇÃO DOS ELEMENTOS ............................................................................................125 2.5 VANTAGENS E DESVANTAGENS ............................................................................................129 3 ALVENARIA ESTRUTURAL DE CONCRETO ............................................................................130 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................134 RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................137 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................138 UNIDADE 3 – ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS ............................................................................................................139 TÓPICO 1 – EXECUÇÃO DE ESTRUTURAS DE CONCRETO ...................................................141 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................141 2 GENERALIDADES ............................................................................................................................142 2.1 COMPONENTES DO CONCRETO ............................................................................................142 IX 2.1.1 Cimento ..................................................................................................................................143 2.1.2 Agregados ..............................................................................................................................1452.1.3 Água .......................................................................................................................................145 3 SISTEMA DE FÔRMAS ....................................................................................................................146 4 ARMAÇÃO ..........................................................................................................................................149 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................154 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................155 TÓPICO 2 – CONCRETAGEM ...........................................................................................................157 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................157 2 EDIFÍCIOS DE MÚLTIPLOS PAVIMENTOS...............................................................................158 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................167 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................168 TÓPICO 3 – PROJETO DE ALVENARIA DE VEDAÇÃO ............................................................169 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................169 2 DEFINIÇÕES BÁSICAS ....................................................................................................................169 3 PROJETO DE ALVENARIA DE VEDAÇÃO .................................................................................173 4 LIGAÇÃO ENTRE ESTRUTURAS E PAREDES DE VEDAÇÃO .............................................178 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................184 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................185 TÓPICO 4 – COBERTURAS ................................................................................................................187 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................187 2 TIPOLOGIAS ......................................................................................................................................189 3 DESEMPENHO ...................................................................................................................................191 RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................204 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................205 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................207 X 1 UNIDADE 1 CANTEIRO E LOCAÇÃO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • reforçar os conceitos sobre modelagem na construção; • conhecer elementos e tipos de canteiros; • introduzir conceitos sobre planejamento, elaboração e implantação de um canteiro de obras; • compreender sobre locação de obras e seus métodos executivos. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você encontrará auto atividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – CANTEIRO DE OBRAS: ASPECTOS GERAIS TÓPICO 2 – INSTALAÇÕES EM CANTEIROS DE OBRAS TÓPICO 3 – LOCAÇÃO DE OBRAS: CONCEITOS GERAIS TÓPICO 4 – MÉTODOS EXECUTIVOS DE LOCAÇÃO Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 CANTEIRO DE OBRAS: ASPECTOS GERAIS 1 INTRODUÇÃO O planejamento de operações em projetos, cujas fases são diferenciadas, visam à obtenção de maior produtividade, segurança, menores custos e desperdícios. O dimensionamento adequado em termos espaciais deve ser realizado com base na modelagem da construção civil, que contribui para o desenho de fluxos de processos operacionais de modo otimizado. O sucesso de um canteiro de obras deve considerar diversos aspectos que vão desde o armazenamento, dimensionamento, transporte de materiais, equipamentos de segurança até as áreas de vivência garantidas por legislação específica. As áreas de vivência possuem como foco o trabalhador e suas condições de trabalho. Dizem respeito às condições físicas do ambiente de trabalho, políticas de organização, higiene e instalações como alojamento, refeitório, banheiros etc. As áreas operacionais dizem respeito aos espaços em que a obra é efetivamente realizada e, por isso, os canteiros que estão bem planejados contribuem para obtenção de melhores resultados em função da disposição de equipamentos, procedimentos operacionais de movimentação de materiais e segurança do trabalho. Para que tudo seja colocado em prática é estudado e desenhado um arranjo físico. No layout o planejamento das necessidades é adequado ao espaço físico existente considerando a quantidade de operários, cronogramas, orçamentos, movimentação de equipamentos e materiais. Assim, é importante que se tenha conhecimento dos processos produtivos, por quais áreas tais processos passam e como começam e terminam. Existem diversos tipos de combinações possíveis, devendo ser escolhida a que melhor se adéque à estratégia e ao escopo do projeto. Deve-se primar pelo balanceamento das tarefas de modo a maximizar a utilização dos recursos disponíveis, evitando tempos ociosos e desperdícios. UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO 4 2 CONCEITOS BÁSICOS As operações relacionadas às obras de construção civil podem ser defi nidas como um conjunto de tarefas fundamentais à realização de um projeto. Segundo Larson e Gray (2016, p. 4-5): Um projeto é um empreendimento temporário que visa criar um produto, serviço ou resultado único [...]. As principais características são: 1. um objetivo estabelecido. 2. Um ciclo de vida defi nido, com início e fi m. 3. Geralmente, envolve diversos departamentos e profi ssionais. 4. Comumente, faz algo que nunca foi feito antes. 5. Requisitos específi cos de tempo, custo e desempenho. Na construção civil, tanto o conjunto de tarefas quanto os recursos necessários à execução de um projeto devem ser organizados de forma lógica na etapa de planejamento. A tecnologia da construção será defi nida a partir da escolha de equipamentos, recursos humanos e materiais, tarefas, prazos, ordem e procedimentos de execução. A hierarquização sequencial e lógica, estabelecida por meio de fl uxogramas, caracterizarão a estrutura do projeto construtivo. Para o desenvolvimento de um(a) modelo ou modelagem operacional, o profi ssional engenheiro deverá enumerar os recursos envolvidos no projeto e estabelecer o ordenamento das tarefas de forma otimizada, preferencialmente. A otimização se relaciona diretamente ao conceito de produtividade e ambos visam à qualidade, menores custos e tempos de execução. Na Construção Civil, a modelagem visa ao balanceamento entre recursos e parte disso é resultado da identifi cação dos processos que se repetem na linha do tempo. A modelagem (CYCLONE- CYCLic Operations NEtwork) para análise de estados de trabalho e fl uxo de entidades possui três formas básicas: FIGURA 1 – CYCLONE - CYCLIC OPERATIONS NETWORK FONTE: Adaptada de Halpin e Woodhead (1998) TÓPICO 1 | CANTEIRO DE OBRAS:ASPECTOS GERAIS 5 O formato gráfico do CYCLONE considera alguns elementos básicos que, de acordo com Halpin e Woodhead (1998) são: NORMAL Usado para representar tarefas normais de trabalho, que não possuem restrições para iniciar. COMBI Tem por objetivo representar tarefas que possuem restrição, condição ou pré-requisito, no entanto, similar ao elemento NORMAL. Q node Visa representar “nós”, filas ou esperas para uso de estados passivos de recursos. Arrow Indicador de Fluxo direcional da entidade de recursos. FIGURA 2 – ELEMENTOS BÁSICOS DA MODELAGEM FONTE: Adaptada de Halpin e Woodhead (1998) Pode se dizer que as formas básicas são o quadrado e o círculo, cuja função na modelagem é representar esquematicamente a alternância entre os estados ativos ou ociosos na operação construtiva, utilizando-se setas (arrows) indicadoras de percurso (HALPIN; WOODHEAD, 1998). Para que haja uma operação de construção é necessário haver uma tarefa de trabalho nomeada ou descrita de forma clara, em seguida observar os recursos necessários a sua execução e, posteriormente, à definição dos estados (ociosos ou ativos). Se fôssemos considerar, como exemplo, a operação de movimentação de terra, de acordo com Halpin e Woodhead (1998) seria necessário: caminhões, carregador frontal e solo (recursos). Pensando no ciclo do caminhão apenas, a forma gráfica (Figura 3), já incluído o estado, seria: UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO 6 Retorno do caminhão vazio Carregamento do caminhão Atividade de esvaziar Viagem do caminhão cheio Espera na fila FIGURA 3 – CICLO DO CAMINHÃO FONTE: Adaptada de Halpin e Woodhead (1998) Existem diversas formas de se modelar as estruturas operacionais de um projeto de construção e o modelista deve ser capaz de identificar, desenvolver, integrar e definir a inicialização das unidades de fluxo, ou seja, o desenho do ciclo de determinada atividade prevendo suas características lineares (exemplo: montagem de estruturas metálicas). Para aprender ou relembrar sobre modelagem das operações de construção, leia o Capítulo 11 do livro: HALPIN, Daniel W.; WOODHEAD, Ronald W. Administração da construção civil. Tradução Orlando Celso Longo e Vicente Custodio Moreira de Souza. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2004. DICAS Conhecer as operações e ciclos da obra permitem a elaboração assertiva de um canteiro de obras, cujo objeto principal serão as atividades administrativas, as destinadas ao uso dos funcionários e a armazenagem de materiais. As tarefas administrativas acompanharão o tamanho da obra, ou seja, quanto maior for, mais pessoas, processos e documentos estarão envolvidos. As áreas destinadas ao uso dos funcionários referem-se às instalações mínimas TÓPICO 1 | CANTEIRO DE OBRAS: ASPECTOS GERAIS 7 obrigatórias por leis vigentes e a armazenagem de materiais é o espaço destinado ao estoque seguro, evitando possíveis danos à saúde. Assim, pessoas e materiais deverão estar em ambientes diversos. 3 TIPOS E OS ELEMENTOS DE CANTEIROS De acordo com Illigworth (1993 apud SAURIN; FORMOSO, 2006, p. 19), os canteiros de obras e suas respectivas características constam no Quadro 1: Tipo Descrição Exemplo RESTRITO (Tipo mais comum) A construção ocupa o terreno completo ou uma alta porcentagem deste. Acessos restritos. Áreas delimitadas por meio de tapumes, muros e com um portão que dá acesso ao local. Construções em áreas centrais da cidade, ampliações e reformas. AMPLOS A construção ocupa somente uma parcela relativamente pequena do terreno. Há disponibilidade de acessos para veículos e de espaço para as áreas de armazenamento e acomodação de pessoal. Geralmente apresenta grandes máquinas e necessita interação com outras entidades (exemplo: prefeitura, polícia, stakeholders etc.). Construções de plantas industriais, conjuntos habitacionais horizontais e outras grandes obras como barragens ou usinas hidroelétricas. LONGOS E ESTREITOS ou Longitudinais Pode ter características do amplo e do restrito, a diferença é a complexidade da organização física. São restritos em apenas uma das dimensões, com possiblidade de acesso em poucos pontos do canteiro. Geralmente estreito, dificulta o fluxo adequado de pessoas, materiais e equipamentos. Trabalhos em estradas de ferro e rodagem, redes de gás e petróleo, obras pluviais e sanitárias urbanas. QUADRO 1 – TIPOS DE CANTEIROS FONTE: Adaptado de Illigworth (1993 apud SAURIN; FORMOSO, 2006, p. 19) UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO 8 Observe que embora o canteiro de obra possua a característica “fi xa”, quando estamos falando de um canteiro do tipo longitudinal esse conceito merece atenção. Perceba que se a própria obra “anda”, o canteiro precisa acompanhar, como é o caso das obras rodoviárias. O planejamento adequado do ambiente do canteiro se relaciona diretamente ao desempenho e à produção da obra. Assim, o layout deve ser elaborado considerando-se vários elementos, dentre eles: Áreas de Vivência Áreas Operacionais • Vestiário • Instalações sanitárias • Refeitório • Cozinha • Área de lazer • Alojamento e lavanderia • Ambulatório • Escritório • Portaria • Depósitos • Almoxarifados • Central de concreto • Central de argamassa • Central de armação QUADRO 2 – ÁREAS OPERACIONAIS X ÁREAS DE VIVÊNCIA FONTE: A autora 4 PLANEJAMENTO, ELABORAÇÃO E PADRONIZAÇÃO O canteiro de obras é como uma “fábrica” com diversas linhas de produção. Seu objetivo é possibilitar o andamento da obra através das áreas de vivência, do armazenamento de materiais, processamento, fi scalização e gerenciamento (LIMMER, 2008). As macroetapas de implantação de um canteiro de obras são: FIGURA 4 – ETAPAS FONTE: A autora TÓPICO 1 | CANTEIRO DE OBRAS: ASPECTOS GERAIS 9 Quando se fala em planejamento de um canteiro, a compreensão deve ser de que estamos falando do planejamento do layout da obra, etapa em que é necessário realizar os seguintes passos de forma sistematizada: • Análise preliminar de coleta de dados: ᵒ Programa de necessidades do canteiro listando-se as instalações que deverão ser locadas. ᵒ Defi nição técnica da obra listando-se as principais tecnologias construtivas adotadas, a fi m de que se possa ter claro quais serão os espaços necessários para a circulação, estocagem de materiais e áreas operacionais de produção. ᵒ Cronograma de fases sequenciadas quanto aos eventos da execução da obra. Isso permite a alocação de recursos materiais no tempo certo e a estimativa das respectivas áreas de armazenagem. Nesse sentido, também poderão ser estimadas as quantidades de operários no início, pico máximo de pessoal e desmobilização do canteiro. FIGURA 5 – MODELO DE CRONOGRAMA DE FASES FONTE: A autora ᵒ Consulta do orçamento por etapas. • Preparar o arranjo físico detalhado geral para identifi car a localização de cada equipamento ou instalação no canteiro. • Detalhar as instalações contendo planejamento de funcionamento e estabelecendo padrões básicos da empresa (exemplo: armários dos vestiários, técnicas de armazenamento e cada material, tipo de pavimentação das vias de circulação de materiais e pessoas), local e forma de fi xação de plataformas de proteção. O planejamento de canteiros visa à obtenção da melhor utilização do espaço físico disponível, possibilitando a convivência segura e efi ciente entre homens e máquinas. Isso se dá por meio da minimização da movimentação de componentes, materiais e a própria mão de obra. Por ser um processo gerencial, inclui etapas conforme esquema apresentado a seguir: UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO 10 FIGURA 6 – PROCESSOS GERENCIAIS FONTE: A autora Cada município brasileiro possui um Código de Obras e Edifi cações dispondo as regras gerais e específi cas para o licenciamento, execução, utilização e manutenção de obras e edifi cações considerando-se os limites dos imóveis. Tais especifi cações podem variar de um município para o outro, de acordo com Pinheiro e Crivelaro (2014a). Éimportante que o canteiro de obras seja um ambiente organizado e cumpra as exigências legais. Dentre essas exigências se destacam (PINHEIRO; CRIVELARO, 2014b): • Norma Regulamentadora – NR 18: sobre as condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção. • PCMAT – Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção em estabelecimentos com 20 (vinte) ou mais trabalhadores. Acesse os vídeos para ter uma melhor compreenção dos principais tópicos e avanços da NR 18 e do PCMAT ao longo do tempo: • https://youtu.be/ATGBGiPYbh0?list=PLqFX82ErS1XjviaN--JgwaoG63s5206ji • https://youtu.be/DFMkypjglcU DICAS TÓPICO 1 | CANTEIRO DE OBRAS: ASPECTOS GERAIS 11 Um canteiro eficiente é aquele que atende plenamente à obra dentro dos prazos e custos do projeto. É resultante de um layout baseado no estudo prévio da modelagem e considerando aspectos que proporcionem um ambiente seguro, que possibilitem a padronização de tarefas, a minimização de distâncias, a adequada estocagem de materiais, a produtividade, a flexibilidade e áreas de vivências conforme legislação vigente (LIMMER, 2008). Avaliar o tamanho do terreno, a localização, as condições do solo, disponibilidade e acesso aos serviços públicos, estacionamentos e instalações temporárias também são fatores importantes (PEURIFOY et al., 2015). Note que ao desenhar um arranjo físico é preciso ter a visão do todo. De acordo com Salgado (2018) e Mendonça e Daibert (2014) é fundamental: • Verificar o entorno das obras para compatibilizar os horários com as atividades da vizinhança, se necessário. • Fazer registro fotográfico do entorno da obra, visando destacar eventuais problemas existentes na vizinhança. Como exemplo, veja a Figura 7 destacando a avaria no azulejo: FIGURA 7 – RELAÇÃO DE MEDIDA FONTE: A autora • Preparar o terreno retirando-se entulhos, obstáculos e realizando-se a limpeza de vegetação, com cuidado para não remover árvores indevidamente ou sem autorização. • Adequar o terreno para a implementação da obra após estudos topográficos. Observar possíveis desníveis de terreno entre ambos para proceder com a devida proteção. Essa adequação é chamada de movimentação de terra, realizada a partir do corte e/ou escavação por meio de equipamentos como retroescavadeira (Figura 8); caminhões basculantes (Figura 9) e pá carregadeira (Figura 10): UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO 12 FIGURA 8 – RETROESCAVADEIRA FIGURA 9 – CAMINHÃO BASCULANTE FIGURA 10 – PÁ CARREGADEIRA FONTE: <https://funcionamientodemaquinas.fi les.wordpress.com/2017/09/c10782527. jpg?w=360&h=270>. Acesso em: 18 jul. 2019. FONTE: <https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSLzlGv9Bqsrvp6FY5v4xXSX QDlwtBT2JsKockE-VJtroF3-hYHLg>. Acesso em: 18 jul. 2019. FONTE: <http://www.avesco-cat.lv/fi leadmin/user_upload/226D.jpg>. Acesso em: 18 jul. 2019. TÓPICO 1 | CANTEIRO DE OBRAS: ASPECTOS GERAIS 13 • Visando à segurança da obra, realizar fechamentos da área de construção. Habitualmente feito com tapumes e especificações de execução. • Certificar-se na prefeitura da cidade, onde a obra será realizada, se existe um cadastro completo das redes subterrâneas correspondentes à água, ao esgoto, às telecomunicações e ao gás. • Simplificar os acessos de entrada e saída de materiais e sua distribuição, considerando-se o fluxo de pedestres. • Prever drenagens. • Realizar as instalações básicas (água, luz, esgoto etc.). Embora existam técnicas modernas para o arranjo físico do canteiro de obras, utilizando-se programas computacionais com capacidade de distinção entre duas ou mais soluções, técnicas tradicionais serão exploradas mais adiante. O profissional deve ter uma planta mais detalhada e, no mínimo, com uma escala de 1:100 da área onde a obra será realizada. De acordo com Limmer (2008), é importante que se disponha da planta que contém o arranjo geral da área, a planta do pavimento ou qualquer outra com a extensão do terreno e suas características plana e altimétrica. É recomendado, a partir de então, o uso de uma das técnicas a seguir para avaliar os cenários possíveis: 1. Recobrir o desenho em escala com uma folha de plástico transparente, e usando-se lápis cera, desenhar na folha de plástico uma primeira alternativa de localização das diferentes unidades componentes da “fábrica móvel”. 2. Recortar, em cartolinas coloridas e em escala, os diferentes elementos que compõem o canteiro e, por tentativas, determinar o melhor arranjo para os mesmos. 3. Como atualmente a maioria dos projetos são desenvolvidos em CAD, sobre o desenho do arranjo geral da obra, criar uma camada (layer) e sobre esta desenhar os diversos componentes do canteiro, podendo- se usar uma camada para prédios, outra para equipamentos etc. todas em cores diferentes. Com isso, várias tentativas de arranjo de canteiro podem ser feitas, escolhendo-se, após cuidadosa análise, a que se mostrar mais conveniente (LIMMER, 2008, p. 179). A seguir, conheça um layout de canteiro de obras rodoviárias (Figura 11) e o canteiro de uma obra de construção de linha de transmissão de energia implantado e em funcionamento (Figuras 12 e 13): UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO 14 FIGURA 11 – LAYOUT DE UM CANTEIRO DE OBRAS FONTE: DNIT (2016, p. 9) FIGURA 12 – VISTA DA ÁREA DE UM CANTEIRO DE OBRAS PARA CONSTRUÇÃO DE LINHA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA FONTE: A autora Desenhos 1 Escritório 10 Garagens 2 Seção Técnica 11 Ambulatório 3 Almoxarifado 12 Lavador 4 Depósito de Cimento 13 Equipe de Topografi a 5 Central de Armaduras 14 Posto de Combustível 6 Refeitório da Cozinha 15 Carpintaria 7 Alojamento 16 Área de Recreação 8 Banheiro e Vestiário 17 Guaritas 9 Ofi cina 18 Residências TÓPICO 1 | CANTEIRO DE OBRAS: ASPECTOS GERAIS 15 FIGURA 13 – VISTA DO PÁTIO DE UM CANTEIRO DE OBRAS PARA CONSTRUÇÃO DE LINHA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA FONTE: A autora Embora estrategicamente a padronização de procedimentos, áreas e atividades se destaque como uma ferramenta gerencial, na construção civil é importante avaliar quais serviços ou procedimentos podem e devem ser padronizados em uma obra. Essa avaliação deve considerar fatores como custo, repetição e, ainda, a semelhança entre as suas operações. A padronização traz consigo algumas oportunidades de melhorias na obra, como: diminuição do desperdício de materiais pelo reaproveitamento, facilidade de planejamento para novos layouts, fortalece a imagem da empresa no mercado, conformidade com os requisitos legais. De acordo com Saurin e Formoso (2006), especificamente na instalação de canteiro, a padronização traz benefícios relativos à redução de perdas materiais por melhor reaproveitamento; facilidade para planejar o arranjo físico dos novos canteiros e ainda contribui para consolidação da imagem no mercado (o canteiro é visto como uma espécie de “cartão de visitas”), conformidade com requisitos legais e elaboração de modelo básico de PCMAT. As etapas de padronização dos canteiros variam, geralmente, até três meses e consideram uma espécie de PDCA (Planejamento, Desenvolvimento, Controle e Ação). Nesse sentido, primeiramente são levantadas todas as obras da empresa, analisadas as viabilidades técnicas e financeiras da organização, discutidos os padrões existentes e definidas as possibilidades de padronização. Discute-se, altera-se e elabora-se manuais e planos para posterior implementação e controle das ações. Para as áreas de vivência, não se esqueça que a NR 18 (BRASIL, 2008) é a norma que norteia o tema. 16 Neste tópico, você aprendeu que: • A modelagem na construção civil é uma das bases para a elaboração do canteiro de obras. • O sucesso de um canteiro depende do seu adequado planejamento e mensuração de diversos aspectos. • Um arranjo físico de canteiro de obras segue método específico para sua elaboração. RESUMO DO TÓPICO 1 17 1 “As transformações da rede urbana brasileira durante as décadas de 1940 e de 1950, bem como as dimensões físico-territoriaisdas cidades demandavam novos instrumentos urbanísticos que superassem a visão voltada unicamente para o controle de uso do solo urbano. A importância do Seminário da Habitação e da Reforma Urbana, em 1963, residia, portanto, no fato de assumir a questão habitacional não mais como uma política setorial urbana, mas como uma parte significativa do lócus da produção e da reprodução social de seus habitantes”. FONTE: QUINTO JÚNIOR, L. P. Nova legislação urbana e os velhos fantasmas. Revista Estudos Avançados. São Paulo, v. 17, n. 47, jan./abr. 2003. Disponível em http://www.scielo.br/ pdf/ea/v17n47/a11v1747.pdf. Acesso em: 19 set. 2019. Com base em nossos estudos e no trecho anterior, assinale a alternativa correta: a) ( ) O código de obras e edificações visa ao estabelecimento de condições de meio ambiente e de trabalho para os operários e engenheiros de campo. b) ( ) O código de obras e edificações é um número obtido nas prefeituras para identificação de uma construção e processamento do registro de imóveis. c) ( ) O código de obras e edificações visa ao ordenamento urbano por meio de regras e normas, estabelecendo procedimentos para uso e ocupação do solo. d) ( ) O código de obras e edificações se refere ao número de controle constante no documento de propriedade e hereditariedade de um terreno. e) ( ) O código de obras e edificações somente se aplica a construções de edifícios, havendo legislação específica para a construção de casas de um pavimento. 2 Sobre a modelagem CYCLONE – CYCLic Operations Network – é correto afirmar: a) ( ) Nesta técnica o objetivo é realizar análise de atividades repetitivas, ou seja, cíclicas, visando ao alcance de uma produção mais uniforme e eficiente. b) ( ) Trata-se de modelagem trabalhosa, pois cada elemento do modelo possui um conjunto de atributos associados, tornando-a difícil e demorada. c) ( ) A modelagem CYCLONE inicia-se com um tema central e evolui através de linhas ou “ramos” relacionando os subtópicos de construções industriais. d) ( ) É uma ferramenta que analisa as causas e efeitos de uma ação, servindo para verificação de uma ocorrência quando há problemas de segurança na obra. e) ( ) Visa analisar o espaço físico e suas características espaciais. O uso da técnica é recomendado apenas em canteiros longitudinais em função das restrições existentes. AUTOATIVIDADE http://www.scielo.br/pdf/ea/v17n47/a11v1747.pdf http://www.scielo.br/pdf/ea/v17n47/a11v1747.pdf 18 19 TÓPICO 2 INSTALAÇÕES EM CANTEIROS DE OBRAS UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO A garantia de necessidades básicas quanto à higiene e segurança do trabalho se traduzem em um aumento da produtividade e queda de acidentes na construção civil. Com o advento da Norma Regulamentadora nº 18, as condições obrigatórias nos canteiros de obra trouxeram bons resultados. A NR nº 18 estabelece diretrizes administrativas, de planejamento e organização (BRASIL, 2008). Já o PCMAT é um programa de prevenção e riscos ambientais, que visa à redução ou eliminação de acidentes em uma obra. Um exemplo seria o cuidado com relação à boa iluminação em obras noturnas. Apesar de culturalmente ainda existirem profissionais da construção civil que desconsideram a importância da manutenção e limpeza no canteiro de obras, associada a essa dificuldade são desenvolvidos programas de educação, sinalização, premiação e conscientização dos benefícios da mudança de comportamento. Isso é fundamental não só nas áreas de vivências, mas no âmbito operacional. O cuidado na armazenagem e transporte dos materiais, a organização e limpeza do ambiente da obra podem evitar acidentes e traduzir-se em aumento da segurança do trabalho, redução de custo e tempo. Além dos recursos humanos existem preocupações também quanto ao uso de tecnologias e equipamentos. Para que se faça a escolha mais assertiva é importante reconhecer o portfólio existente, avaliar as experiências vivenciadas pela empresa, analisar o custo-benefício das escolhas baseando-se em cenários. Os cenários permitem compreender as implicações das escolhas e, a partir de incertezas, tomar as decisões que mais se adéquem ao tipo de obra, aos objetivos a que se destinam, aos investimentos necessários e aos riscos. De fato, certos acontecimentos podem não ser evitados, mas a tentativa de antevê-los propicia uma visão mais global do empreendimento. UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO 20 2 INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS As áreas de vivência, previstas na NR 18, são áreas destinadas ao uso dos funcionários da obra. Os canteiros devem dispor de: instalações sanitárias, vestiários, local para refeições, cozinha, ambulatório se houver mais de 50 operários e, ainda, para os funcionários residentes o alojamento, lavanderia, área de lazer. As respectivas áreas deverão ser constantemente conservadas, dedetizadas e limpas, assegurando os requisitos mínimos de conforto e higiene (BRASIL, 2008). A seguir serão desenvolvidos os conceitos de acordo com Yazigi (2009). 2.1 INSTALAÇÕES SANITÁRIAS São as áreas destinadas ao asseio corporal e necessidades fisiológicas de excreção. Devem ser mantidas em pleno estado de conservação, desprovida de odores, especialmente durante a jornada laboral. Suas paredes devem ser resistentes e laváveis, assim como o piso também deve ser lavável e não escorregadio. Havendo homens e mulheres na obra, os banheiros devem ser independentes. A sua instalação não deve ligar-se a áreas destinadas às refeições e devem ser iluminados e arejados. As instalações elétricas devem ser protegidas e ter pé-direito conforme determinado no Código de Edificações do município da obra. Um único conjunto de lavatório, vaso sanitário e mictório (Figura 14) deve atender a cada grupo de 20 trabalhadores ou fração. Já os chuveiros (Figura 15), na proporção de um para cada grupo de 10 funcionários. FIGURA 14 – BANHEIRO E LAVATÓRIO DE UM CANTEIRO DE OBRAS FONTE: A autora TÓPICO 2 | INSTALAÇÕES EM CANTEIROS DE OBRAS 21 FIGURA 15 – CHUVEIRO DO CANTEIRO DE OBRAS FONTE: A autora Os lavatórios (Figura 14) podem ser individuais ou coletivos, possuir torneira e estar a uma altura de 90 cm a contar do piso. Devem estar ligados à rede de esgotos, quando houver, e revestimento liso, impermeável e lavável. O gabinete sanitário deve ter área minima de 1 m2, ter trinco para fechamento da porta garantindo a invidualidade, ter lixeira com tampa e papel higiênico disponível. Os vasos devem ser do tipo bacia turca ou de assento, sifonados, com descarga. Os mictórios devem ficar na altura máxima de 50 cm do piso e ambos devem estar ligados à rede de esgotos ou fossa séptica, com interposição de sifões hidráulicos Os chuveiros devem estar instalados em uma área de 0,80 m2 com altura de 2,1 m do piso. Deve ter o escoamento para a rede de esgoto, não ter piso escorregadio, ter suporte para sabonete e cabide para toalhas. 2.2 VESTIÁRIOS Deverá ter um vestiário para troca de roupas dos trabalhadores não residentes em obras (Figura 16). O ambiente deve possuir paredes de alvenaria, madeira ou material equivalente, cobertura, ser arejado e iluminado, ter armários individuais com dispositivo de cadeado e o pé-direito conforme determinado no Código de Edificações do município da obra. UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO 22 FIGURA 16 – VESTIÁRIO DE UM CANTEIRO DE OBRAS FONTE: <https://www.grupovendap.com.br/images/modulo-para-vestiarios-01.jpg>. Acesso em: 20 set. 2019. 2.3 ALOJAMENTOS Os alojamentos do canteiro de obras devem ter paredes de alvenaria e piso cimentado ou materiais equivalentes. Possuir ventilação 1/20 da área do piso, iluminação, ter área mínima de 3 m2 por módulo cama/armário, pé-direito mínimo de 2,5 para camas simples ou 3 m para camas duplas. Não ser instalado em subsolos ou porões e instalações elétricas protegidas. Veja exemplos nas fi guras 17, 18 e 19: FIGURA 17 – VISÃO EXTERNA DO ALOJAMENTO DE UM CANTEIRO DE OBRAS FONTE: A autora TÓPICO 2 | INSTALAÇÕES EM CANTEIROSDE OBRAS 23 FIGURA 18 – VISÃO INTERNA DO ALOJAMENTO DE UM CANTEIRO DE OBRAS (1) FIGURA 19 – VISÃO INTERNA DO ALOJAMENTO DE UM CANTEIRO DE OBRAS (2) FONTE: A autora FONTE: A autora 2.4 LOCAL PARA REFEIÇÕES E COZINHA O local para refeições precisa ser fechado e isolado da obra, possuir piso lavável e cobertura (Figura 20). Deve possuir capacidade para atender a todos os operários durante as refeições, ser arejado, iluminado e com lavatório próximo ou no interior. Assim como os alojamentos, não deve estar situado em subsolos ou porões. UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO 24 FIGURA 20 – ÁREA INTERNA DO REFEITÓRIO DE UM CANTEIRO DE OBRAS FONTE: A autora Independentemente da existência de cozinha, todo canteiro terá um local específico para o aquecimento das refeições. Também deve estar garantido o fornecimento de água potável, filtrada e fresca (Figura 21). FIGURA 21 – BEBEDOUROS DE UM CANTEIRO DE OBRAS FONTE: A autora Havendo cozinha em um canteiro de obras, é preciso que haja ventilação para exaustão dos vapores, pé-direito conforme disposto no Código de Edificações, pia para lavar os alimentos e utensílios. Aos encarregados da cozinha devem ser asseguradas instalações sanitárias de uso exclusivo. Para a preservação dos alimentos, equipamentos de refrigeração. TÓPICO 2 | INSTALAÇÕES EM CANTEIROS DE OBRAS 25 2.5 LAVANDERIA Deve ser um local próprio, coberto, ventilado e iluminado, para que o trabalhador alojado possa lavar, secar e passar suas roupas de uso pessoal (Figura 22). O local deve conter tanques individuais ou coletivos em número adequado. FIGURA 22 – LAVANDERIA DE UM CANTEIRO DE OBRAS FONTE: A autora 2.6 AMBULATÓRIO Havendo 50 ou mais funcionários em uma obra, deverá ser habilitado um ambulatório com profi ssional e materiais de primeiros socorros. 2.7 ÁREA DE LAZER Local previsto para recreação dos trabalhadores, podendo ser usado o local de refeições para este fi m, conforme Figura 23: UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO 26 FIGURA 23 –p ÁREA DE LAZER DE UM CANTEIRO DE OBRAS FONTE: A autora Sobre a tipologia das instalações provisórias é preciso avaliar sempre o custo de aquisição, implantação, manutenção, possibilidade de reaproveitamento, durabilidade, facilidade de montagem e desmontagem, isolamento térmico e impacto visual (SAURIN; FORMOSO, 2006). Pode ser em alvenaria, sistema racionalizado em chapas de compensado e o sistema de containers. A instalação provisória em alvenaria é mais interessante quando o ambiente pode ser aproveitado após a finalização da obra. Assim, dependendo da análise realizada, algumas obras optam por alugar espaços já prontos como pousadas e condomínios para a instalação dos funcionários durante a realização do projeto. De acordo com Saurin e Formoso (2006, p. 51), um sistema racionalizado em chapas de compensado representa: [...] um aperfeiçoamento dos barracos em chapa de compensado comumente utilizados, de forma a aumentar o seu reaproveitamento e facilitar a sua montagem e desmontagem. O sistema racionalizado constitui-se de módulos de chapa de compensado resinado, com espessura mínima de 14 mm, ligados entre si por qualquer dispositivo que facilite a montagem e a desmontagem, tais como parafusos, dobradiças ou encaixes. Os seguintes requisitos devem ser considerados na concepção do sistema: (a) Proteger as paredes do banheiro contra a umidade (requisito da NR-18), revestindo-as, por exemplo, com chapa galvanizada ou pintura impermeável. Com o mesmo objetivo, é recomendável que o piso dos banheiros seja feito em contrapiso cimentado, e não em madeira; (b) Prever módulos especiais para portas e janelas. As janelas preferencialmente devem ser basculantes, garantindo iluminação natural à instalação; (c) Fazer a cobertura dos barracos com telhas de zinco, as quais são mais resistentes ao impacto de materiais se comparadas às telhas de fibrocimento. Além de usar TÓPICO 2 | INSTALAÇÕES EM CANTEIROS DE OBRAS 27 telhas de zinco, pode ser necessária a colocação de uma proteção adicional sobre os barracos, como, por exemplo, uma tela suspensa de arame de pequena abertura; (d) Pintar os módulos nas duas faces, assim como selar os topos das chapas de compensado, contribuindo para o aumento da durabilidade da madeira. (e) Prever opção de montagem em dois pavimentos, já que esta será uma alternativa bastante útil em canteiros restritos. Um problema que pode surgir ao planejar-se um sistema com dois pavimentos é a interferência com a plataforma principal de proteção. Nesse caso, uma solução que tem sido aceita pela fiscalização é o deslocamento da plataforma para a laje imediatamente superior, somente no trecho em que existe interferência. O mesmo sistema descrito poderia também ser feito com chapas metálicas galvanizadas, tomando-se o cuidado adicional, neste caso, de acrescentar algum tipo de isolamento térmico às paredes, como por exemplo, placas de isopor acopladas às mesmas. Deve-se estar atento ainda, para o fato de que o sistema apresentado pode ser aproveitado também em áreas cobertas. Nesse caso, os únicos componentes do sistema a serem usados são os módulos de parede. Em relação ao sistema de containers, Saurin e Formoso (2006, p. 53) consideram uma prática comum em países desenvolvidos e afirmam que: Mesmo possuindo um alto custo de utilização devido às dificuldades para manter um bom nível de conforto térmico o que exige a aquisição de uma grande quantidade de aparelhos de ar-condicionado os containers possuem diversas vantagens listadas abaixo: a) Rapidez no processo de montagem e desmontagem; b) Reaproveitamento total da estrutura; c) Possibilidade de diversos arranjos internos. Hoje em dia, o mercado para aquisição de container (aluguel e venda) é bastante grande e diversificado, o que facilita a sua negociação, modos de execução e de entrega como container já montado ou somente de entrega de seus componentes para montagem na obra. Tendo esta variedade de possibilidades de instalações (Tradicional racionalizada, containers e alvenaria), cabe ao responsável pelo planejamento determinar qual é a melhor opção para o canteiro em questão. Para a tomada da decisão, certos itens devem ser avaliados e compatibilizados visando ao melhor aproveitamento do canteiro em questão, como: a) Duração da obra; b) Pico máximo de funcionários que utilizaram as instalações; c) A vida útil dos materiais que podem ser utilizados para instalação; d) O custo dos materiais (compra/aluguel); e) Facilidade de montagem e reaproveitamento; f) Custo de instalação. Compatibilizando todos estes itens, considerando a experiência e vivência em obras do engenheiro responsável será possível determinar qual é a melhor alternativa para o canteiro em estudo. 3 MANUTENÇÃO E LIMPEZA Tanto a manutenção quanto a limpeza são fatores que contribuem para a saúde e a segurança dos trabalhadores da obra. Organizar o ambiente, sinalizá- lo e orientar a todos os envolvidos sobre a necessidade de se manter o local de trabalho deve ser tarefa constante. UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO 28 Existe programa de manutenção da organização do canteiro, que estabelece rotinas de limpeza e organização com dias e horários marcados. Programas dessa natureza visam à redução do desperdício e maximização da eficiência quanto ao melhor uso do espaço disponível. Em algumas obras são utilizados os conceitos da teoria de 5S, que de acordo com o Slack (2018, p. 582) consiste: 1. Separe (seiri) – Elimine o que não é necessário e mantenha o necessário. 2. Organize (seiton) – Posicione as coisas de tal forma que sejam facilmente alcançadas sempre que necessário. 3. Limpe (seiso) – Mantenha tudo limpo e arrumado; nenhum lixo ou sujeira na área de trabalho. 4. Standardize (seiketsu) – Mantenha sempre a ordem e a limpeza – arrumação permanente. 5. Sustente (shitsuke) – Desenvolva comprometimento e orgulho em manter padrões. Embora ainda existam profissionais da construção civil que nãopriorizam esse tipo de ideia, em algumas obras a gestão do canteiro se mostra mais eficaz quando há treinamentos, metas, avaliações de desempenho e premiações. Todo esse movimento parece motivar os trabalhadores a manter o ambiente mais limpo e organizado. Acesse o canal do SESI no Youtube e assista ao vídeo sobre a importância da ordem e limpeza em uma obra, disponível no endereço: https://youtu.be/g-orDfcHI3E. Nele é relatado sobre como as práticas de proteção, ordem e higiene garantem a segurança e melhoram a qualidade dos serviços. DICAS 4 ARMAZENAMENTO E MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS De acordo com Arbache (2011), uma das atividades mais importantes, em qualquer que seja o negócio, é a gestão dos estoques. O local das instalações de armazenagem de materiais em canteiros de obras desempenha grande papel no processo logístico conforme pode ser observado nas operações básicas de funcionamento constantes na Figura 24: https://youtu.be/g-orDfcHI3E TÓPICO 2 | INSTALAÇÕES EM CANTEIROS DE OBRAS 29 FIGURA 24 – OPERAÇÕES DE ARMAZENAGEM FONTE: Adaptado de Arbache (2011) Podemos listar várias funções do estoque de materiais, dentre elas, agilizar e manter ininterrupta as operações, garantir melhores preços de compra por riscos relacionados à infl ação, economia no valor do frete e possibilidade de desconto no valor unitário em compras por atacado. Os materiais em canteiros de obras podem ser classifi cados em perecíveis, especiais e de acabamento. Os materiais perecíveis, como cimento, cal e gesso devem ter depósitos específi cos, sem umidade, com ventilação e empilhados em piso elevado do solo. Os especiais, como as tintas, ferragens, fi ação etc. são caros e deterioram com facilidade. Já os materiais de acabamento, como exemplo as peças sanitárias e azulejos são armazenados posteriormente em local apropriado após os vedos. O atendimento da demanda em cada fase do canteiro deve ser realizado por meio do acompanhamento do cronograma da obra. Com antecedência devem ser defi nidas a disposição dos equipamentos fi xos e determinadas as áreas de estocagem. Por vezes, um lugar poderá armazenar materiais diferentes, em ocasiões diferentes. Veja alguns exemplos de áreas necessárias para a adequada estocagem de alguns insumos da construção no Quadro 3: UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO 30 Material Quantidade Características do Estoque Área (m2) Cimento 200 sacos Pilhas com 10 sacos 8,4 Cal 200 sacos Pilhas com 15 sacos 4,8 Areia 10 m3 Altura média de 0,8 m 12,5 Bloco 14x19x39 1000 un. Altura média de 1,6 m 7,5 Argamassa Intermediária 1 m3 Altura média de 0,3 m 3,5 Chapas de Compensado 75 chapas Até 75 chapas 4,5 Argamassa industrial 100 sacos Pilhas com 10 sacos 4,2 Madeira Serrada 320 m linear Altura média de 0,6m 6 Azulejo/Cerâmica 100 m2 Altura média de 1,6m 4 QUADRO 3 – ÁREAS NECESSÁRIAS PARA ESTOQUE FONTE: Souza e Franco (1997, p. 12) Uma das questões que envolvem a movimentação dos materiais é a escolha da tecnologia mais adequada ao transporte na obra. Mas qual será a melhor? Como defini-la com exatidão? Bem, o ideal é que a empresa que precisa tomar essa decisão tenha um portfólio de equipamentos passíveis de utilização e o registro das suas experiências com tais tecnologias. O transporte de materiais pode ser horizontal, vertical e misto conforme alguns exemplos a seguir: Horizontal Vertical Misto – Vertical e Horizontal • Carrinho de mão • Jerica • Porta-palete • Bob-cat • Dumper • Talha • Guincho de coluna • Elevador (pessoas e materiais) • Balancim fachadeiro • Guindaste • Guindaste • Bomba de concreto • Grua QUADRO 4 – TRANSPORTES X ORIENTAÇÃO FONTE: Adaptado de Mendonça e Daibert (2014) Sabendo-se que existem diferenciadas opções de composição para o sistema de transporte de uma obra, para a definição devem ser analisadas questões como a capacidade, funcionalidade, o custo de instalação e geometria do canteiro. TÓPICO 2 | INSTALAÇÕES EM CANTEIROS DE OBRAS 31 Para entender a diferença entre cada equipamentos de pequeno, médio e grande porte, leia: MENDONÇA, A. V.; DAIBERT, J. D. Equipamentos e instalações para construção civil. São Paulo: Érica, 2014. DICAS As datas de entrada, utilização e saída dos equipamentos devem estar bem defi nidas, principalmente quando este for alugado. Os acessos e o espaço para movimentação desimpedidos para que os equipamentos de guindar e transportar possam ser manuseados com segurança (YAZIGI, 2009). A seguir, apresentamos um indicador grosseiro da capacidade de uma grua para que você possa compreender alguns parâmetros de análise para escolha: Equipamento Duração de 1 ciclo Capacidade/ Ciclo FIGURA – GRUA FONTE: <https://www.casadaqualidade. com.br/wp-content/uploads/2018/10/ constru%C3%A7%C3%B5es-contemporaneas- 768x576.jpg>. Acesso em: 18 jul. 2019. 5 minutos 0,5 m3 concreto 8 m2 de alvenaria 200 kg de aço QUADRO 5 – EQUIPAMENTO X CICLO X CAPACIDADE FONTE: Adaptado Souza e Franco (1997) No exemplo dado, observe que pelo porte do equipamento, aspectos geométricos do terreno, a distância das construções vizinhas e a agilidade nos transportes de materiais serão determinantes para sua escolha, tanto quanto a complexidade de montagem e desmontagem. UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO 32 Ao utilizar qualquer equipamento é importante que a capacidade máxima seja consultada junto ao fabricante. Todos os equipamentos de transportes devem ser dimensionados por profissional habilitado, bem como realizada vistoria prévia quanto à capacidade da carga real, altura de elevação e a conservação do equipamento (YAZIGI, 2009). Acesse os seguintes links do canal do SESI na plataforma Youtube para saber mais sobre a utilização e movimentação de gruas e transporte de cargas em geral na construção civil. Lá são apresentados exemplos, dicas e orientações: • https://youtu.be/pQ7oVUeKXIA - Gruas. • https://youtu.be/kyCCS-OJiZ4 - Movimentação de cargas e pessoas. • https://youtu.be/ELAZlDuPnyY - Transporte e levantamento de carga. • https://youtu.be/jiGS7EBx0k0 - Transporte manual de cargas. DICAS https://youtu.be/pQ7oVUeKXIA https://youtu.be/kyCCS-OJiZ4 https://youtu.be/ELAZlDuPnyY https://youtu.be/jiGS7EBx0k0 33 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • Instalações provisórias são obrigatórias pela NR 18. • Manutenção e limpeza no canteiro de obras garantem a segurança e higiene no local de trabalho. • Gestão de estoque e transporte de materiais refletem em custo e tempo na obra, portanto, deve ser tratada com atenção. 34 1 “[...] Por mais elaborado que seja um programa de Segurança e Saúde no Trabalho e por melhores que sejam as ferramentas por ele disponibilizadas para o diagnóstico e a solução dos riscos do trabalho, se não houver disposição e participação compromissada de todos os envolvidos em suas ações, especialmente do corpo gerencial da empresa, os resultados por ele produzidos serão limitados, tanto do ponto de vista quantitativo, quanto qualitativo”. FONTE: OLIVEIRA, J. C. Segurança e saúde no trabalho: uma questão mal compreendida. São Paulo em Perspectiva, São Paulo, v. 17, n. 2, abr./jun. 2003. Disponível em: http://www. scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-88392003000200002. Acesso em: 10 ago. 2019. Com base em nossos estudos e na reflexão apresentada sobre o PCMAT ou NR18 é correto afirmar que: a) ( ) A NR 18 estabelece direitos e obrigações dos operários, dentre elas, a conferência e adequação proativa do EPI ao serviço a ser executado. b) ( ) O PCMAT deve ser desenvolvido por profissional da área de Segurança do Trabalho quando a obra possuir 20 ou mais funcionários. c) ( ) A CIPA tem por objetivo prever acidentes e doenças em estabelecimentos com 10 funcionários. d) ( ) O PCMAT deve ser desenvolvido por qualquer engenheiro experiente em obras sem registros de sinistros e com qualquer quantidade de funcionários. e) ( ) A NR 18 dispõe que instalações elétricas devem ser construídas, montadas, operadas,reformadas, ampliadas, reparadas e inspecionadas por todos diariamente. 2 A armazenagem de materiais no canteiro de obras pode ser entendida como uma atividade de planejamento e organização das operações destinadas a manter e a abrigar adequadamente os itens de material, mantendo-os em condições de uso até o momento de sua demanda efetiva na construção. Sobre a armazenagem de materiais em obras, é correto afirmar que: a) ( ) Os materiais devem ser armazenados em local que não prejudique o trânsito de pessoas e nem obstrua acessos, podendo ir até o limite de altura do operário que realizar a armazenagem, desde que não ultrapasse 1,80 m. b) ( ) Os materiais devem ser armazenados em local que não prejudique o trânsito de pessoas e nem obstrua acessos, podendo o almoxarifado ter apenas uma divisória simples para separação dos materiais tóxicos dos não tóxicos. AUTOATIVIDADE http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-88392003000200002 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-88392003000200002 35 c) ( ) Receber e definir a posição dos materiais no canteiro é responsabilidade do operário de plantão no ato da entrega. Já o controle de cada material durante a obra é realizado pelo engenheiro civil presente diariamente no almoxarifado. d) ( ) Materiais de grande comprimento ou tamanhos devem ser arrumados empilhados na vertical se tiverem 60 cm e na horizontal em tamanhos maiores que 60 cm. Faz-se uma espécie de cinta para que não haja tombamentos. e) ( ) Os materiais devem ser armazenados em local que não prejudique o trânsito de pessoas e nem obstrua acessos, não podendo ser empilhados diretamente sobre piso instável, úmido ou desnivelado. 36 37 TÓPICO 3 LOCAÇÃO DE OBRAS: CONCEITOS GERAIS UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Locar uma obra significa iniciar o processo de transferência de tudo o que foi projetado para a realidade. Esta é uma fase importante, considerada a base física das medidas correspondentes à edificação que será construída. Os trabalhos em terra somente poderão ser iniciados após autorização dos órgãos competentes, com documentos específicos, auxílio de equipamentos, ferramentas e profissionais especializados. Considera-se importante utilizar equipamentos eletrônicos como o nível a laser e estação total em obras mais complexas, pois, por meio da topografia, é possível obter resultados mais confiáveis e seguros. Erros de esquadro ou medidas na etapa de locação proporcionam marcações diferentes das especificadas em projeto, o que pode gerar perdas em função do retrabalho, desperdício de materiais, aumento de custo e até mesmo demolição, caso o erro não seja verificado antes da etapa construtiva. Os tipos de locação mais comuns são os de cavalete ou tábua corrida, sendo a primeira mais indicada para obras de menor porte por sua vulnerabilidade e custos menores, enquanto a segunda para obras maiores e que exigem precisão absoluta nas marcações. Neste tópico, você verá o fluxo de atividades comuns à locação de obras e aprenderá sobre termos rotineiramente utilizados durante a locação. Também poderá explorar as tecnologias atualmente utilizadas nesta fase da obra e uma breve introdução sobre os métodos de locação. 2 DEFINIÇÕES BÁSICAS A locação da obra é o processo de transferência das informações do projeto para o terreno. É nessa etapa que tudo é marcado com detalhamento e precisão, visto que quaisquer erros podem prejudicar o andamento das demais fases da obra. 38 UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO Na locação são marcados os recuos, a exata posição do prédio, fundações, alicerces, paredes, afastamentos, aberturas etc. Para que isso seja realizado adequadamente é preciso considerar dentre vários aspectos: as dimensões do terreno, o levantamento topográfico, a extensão da obra e a presença do arquiteto ou engenheiro responsável. Quaisquer erros na etapa de topografia, seja natural, instrumental ou humana no dimensionamento do projeto poderá ocasionar aumento de tempo e desperdício de materiais. Além disso, a locação é fundamental em etapas como, por exemplo: montagem de estruturas, marcação de alvenarias e passagem de instalações elétricas e tubulações. Erros na montagem da estrutura podem ocasionar patologias e até colapso em elementos estruturais, já na marcação de alvenaria afetar o uso de determinados cômodos. O terreno da construção de um edifício deve ser identificado, localizado e demarcado com perfeição, conforme limites estabelecidos na escritura pública de compra e venda. Respeitando-se o projeto de locação, é comum ter, como referência, aspectos como: alinhamento da rua, ponto devidamente sinalizado pelo topógrafo, edificações vizinhas e até o poste de alinhamento do passeio, uma lateral do terreno. Atendidos os requisitos legais junto aos órgãos competentes, parte-se para a etapa executiva em que é realizada a limpeza e escavação do terreno até a proximidade das cotas definidas. É importante que esta fase seja acompanhada por profissionais especializados em topografia, pois são necessários equipamentos adequados (estação total, nível a laser etc.) para fazer a definição da referência de nível (RN) e a conferência dos eixos, divisas, distâncias e alinhamento da rua. A escolha do tipo de locação deve ser analisada com base no empreendimento que se pretende construir. A locação, como etapa fundamental, promove uma qualidade na obra e auxilia o cumprimento do que foi orçado e planejado em termos de prazo. Se você considerar obras grandes, ou seja, acima de dois pavimentos ou mesmo com subsolo, é recomendado investir no serviço de locação topográfica, não só pelas marcações iniciais, mas também para acompanhar o decorrer da obra, através da locação dos elementos estruturais subsequentes e traduzindo- se em conformidade da edificação. Resumidamente, as etapas executivas para a locação de uma obra são: TÓPICO 3 | LOCAÇÃO DE OBRAS: CONCEITOS GERAIS 39 FIGURA 25 – FLUXO DA LOCAÇÃO DE OBRA FONTE: A autora Alguns termos são comumente usados na obra, são eles: Termo Signifi cado Cota de arrasamento ou de respaldo É a cota da face superior das estacas ou sapatas. Esquadros São gabaritos ou triângulos retângulos, com lados de 30, 40 e 50 cm, ou 60, 80 e 100 cm, ou ainda, 90, 120 e 150 cm. Para esquadros maiores pode-se usar trenas com lados de 3, 4 e 5 metros ou mais. Piquetes Pequenas estacas de madeira que servem para marcar o local de execução de um elemento estrutural. Pontalete Qualquer peça de madeira utilizada para apoio, escora. Pontos notáveis Pontos de referência iniciais, como, por exemplo, alinhamento de parede de edifi cação vizinha, alinhamento predial, marco topográfi co, árvore, poste etc. Testemunhos Marcos de concreto que geralmente marcam a existência de um piquete para realizar conferências no gabarito. Tolerância É o erro admitido em uma medida. Triangulação Verifi cação do esquadro com os triângulos retângulos. FONTE: A autora QUADRO 6 – TERMOS CORRIQUEIROS 40 UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO Erros graves de locação podem resultar na demolição de estruturas. IMPORTANT E 3 REQUISITOS, EQUIPAMENTOS E FERRAMENTAS Para executar cada uma das etapas da obra é preciso o uso de técnicas, parâmetros e orientações. Os documentos de referência para iniciar o procedimento de execução de trabalhos em terra são: projeto de prefeitura, levantamento planialtimétrico e projetos de fundação e arquitetônico executivo de implantação (YAZIGI, 2009). O projeto de prefeitura também é conhecido como Projeto Legal, Aprovação na Prefeitura, Alvará de Construção e Habite-se. Para conseguir sua aprovação, o importante é conter todas as informações suficientes para a efetiva construção. Em termos gerais, um projeto padrão deve conter minimamente a planta baixa, dois cortes, duas elevações, planta de locação, planta de cobertura e planta de situação (PINHEIRO, 2014b; NETTO, 2014). A planta baixa corresponde a um cortefeito por toda a edificação à meia altura, para que, a partir da visão vertical, seja possível a análise da distribuição das paredes, pisos e cerâmicas. Os cortes são desenhos que devem permitir entender o telhado e outros elementos estruturais como lajes, vigas, espessuras de parede, contrapiso até chegar na terra, detalhamentos cerâmicos em cozinhas e banheiros. As elevações se relacionam às fachadas, às vistas externas (NETTO, 2014). As plantas de coberturas mostram o tipo de cobertura da obra, os tipos de telhas, as direções das águas dos telhados e suas respectivas inclinações. A planta de locação mostra como a edificação está locada no terreno que será construído. Pode ser feito em conjunto com a planta de cobertura. A planta situação mostra como a obra está localizada em relação à vizinhança, como é o seu entorno, quais são as ruas que fazem frente, fundo e laterais e qual lote da quadra ela está localizada (NETTO, 2014). O importante é compreender que cada município brasileiro possui uma legislação que visa organizar as regras de uso e ocupação do solo da cidade e setores específicos para realização de trâmites legais. Essas regras normalmente estão dispostas em um plano diretor, código de obras, lei do uso e ocupação do solo e lei de zoneamento urbano. Cada termo desses pode variar, mas visam à regulamentação (BRASIL, 2001). TÓPICO 3 | LOCAÇÃO DE OBRAS: CONCEITOS GERAIS 41 No zoneamento urbano o objetivo é estabelecer quais áreas são dedicadas ao comércio, residências, uso misto, habitação de interesse social, áreas industriais etc. Com relação ao código de obras, você encontrará critérios da construção em si. Como exemplo, informações sobre iluminação necessária, ventilação, espessura mínima de paredes de divisa etc. (BRASIL, 20--). Com relação à lei de uso e ocupação do solo, já levando em consideração o zoneamento das cidades você vai entender qual percentual de área permeável mínima deve haver no projeto, área construída, taxa de ocupação máxima de construção no tal terreno, em outros. Essas serão informações que constarão na escritura do seu imóvel no Registro Geral de Imóveis e no IPTU – Imposto Predial Territorial Urbano futuramente (SÃO PAULO, 2001). Para enviar à prefeitura para análise, o projeto deve conter o endereço completo da obra, zoneamento, destinação do uso da obra, quem são os proprietários, quem é o responsável técnico pelo projeto, a planta de situação e locação, tabela contendo área total construída, área total permeável e taxa de ocupação dessa obra em relação ao terreno (SÃO PAULO, 2001). Cumprindo todos os requisitos técnicos, junto aos desenhos e informações apresentadas à prefeitura, devem constar no kit os documentos comprobatórios de propriedade do terreno ou edificação existente, dos direitos de uso e dos proprietários. É realizado um requerimento no órgão competente que, aprovado, permite o início da etapa executiva (SÃO PAULO, 2001). Para que se tenha condições de iniciar os serviços de locação, o terreno deverá já estar terraplanado e limpo até as cotas de nível estabelecidas para a execução das fundações. Os profissionais envolvidos nessa etapa devem ser habilitados e capazes de utilizar instrumentos e métodos apropriados, partindo da RN – Referência de Nível (cota 0,0) para delimitação dos eixos (SALGADO, 2018). Além da RN é preciso definir outras referências que permitam a conferência da distância entre eixos e divisas como o alinhamento da rua, por exemplo. Os métodos de locação variam conforme o tipo do edifício. Quanto mais extensa a obra, ou mais precisão tenha sua estrutura, mais precisa terá que ser a locação (SALGADO, 2018). As locações podem ser realizadas a partir do uso de duas coordenadas planimétricas e uma altimétrica. A medição das distâncias, nesse caso, é realizada com trenas e a altura medida pela transferência de nível com nível de mangueira, fio de prumo e régua de referência. Recomenda-se o uso de instrumentos topográficos para definição com precisão da referência do lote no terreno, em seguida, locação dos alinhamentos e verificação do esquadro (TULER; SARAIVA; TEIXEIRA, 2017). 42 UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO FONTE: <https://fi les.construfacilrj.com.br/2013/12/locacao-de-obra.jpg>. Acesso em: 10 ago. 2019. FIGURA 26 – REFERÊNCIA DO LOTE NO TERRENO FONTE: <https://fi les.construfacilrj.com.br/2013/12/locacao-de-obra-1.jpg>. Acesso em: 10 ago. 2019. FIGURA 27 – LOCAÇÃO DOS ALINHAMENTOS TÓPICO 3 | LOCAÇÃO DE OBRAS: CONCEITOS GERAIS 43 FONTE: <https://fi les.construfacilrj.com.br/2013/12/locacao-de-obra-2.jpg>. Acesso em: 10 ago. 2019. FIGURA 28 – VERIFICAÇÃO DO ESQUADRO Um canteiro de obras, dentre diversos materiais e equipamentos, deverá ter: • Brita 1. • Água limpa. • Nível de bolha com 35 cm. • Nível de mangueira ou aparelho de nível a laser. • Prumo de centro. • Areia média lavada. • Cimento Portland CP II. • Esquadro de alumínio. • Marreta de 5 kg. • Colher de pedreiro. • Linha de náilon. • Serrote. • Martelo. • Lápis de carpinteiro. • Enxada. • Trena de aço de 30 m. • Pá etc. Para a etapa especifi camente de locação é preciso ter: • Cavadeira. • Martelo. • Marreta. • Linha. • Sarrafos de 1’’ x 4’’ de 1ª qualidade. • Tábuas de 1’’ x 12’’ de 1ª qualidade. • Estacas de posição (piquetes). • Esquadro metálico de carpinteiro. 44 UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO • Tintas, principalmente preta, vermelha e branca. • Teodolito. • Pregos. • Arame recozido nº 18. Os acidentes referem-se a qualquer ocorrência que cause danos físicos ou à saúde de pessoas que estejam trabalhando ou transitando na obra. Podem ser de grande ou pequeno porte (MENDONÇA; DAIBERT, 2014). Por essa razão, além dos materiais que devem constar obrigatoriamente em um canteiro de obras, são necessários também: EPCs e EPIs (Equipamentos de Proteção Coletiva e Individual), respectivamente. Com o desenvolvimento tecnológico, surgiram ao longo do tempo diversos equipamentos para medição de ângulos e distâncias. Isso não só proporcionou um grande avanço na forma de obtenção de dados no campo e seu processamento, quanto melhorou a precisão dessas informações (SOUZA, 2001). Um dispositivo medidor eletrônico de distância (MED), de acordo com McCormac, Sarasua e Davis (2019, p. 76), “[...] é um aparelho que transmite um sinal portador de energia eletromagnética de sua posição atual para um receptor localizado em outra posição. O sinal é devolvido do receptor para o instrumento de tal forma que a distância entre eles é medida duas vezes”. MEDs são classificados como instrumentos eletro-ópticos ou instrumentos de micro-ondas. A distinção entre eles é baseada no comprimento das ondas da energia eletromagnética que eles transmitem. Os instrumentos eletro-ópticos transmitem luz em ondas curtas de cerca de 0,4 a 1,2 µm. Essa luz é visível ou apenas pouco acima da faixa do visível no espectro. Instrumentos de micro- ondas transmitem ondas longas, algo em torno de 10 a 100 µm (MCCORMAC; SARASUA; DAVIS, 2019). Leia o Capítulo 5 sobre instrumentos medidores eletrônicos de distâncias em MCCORMAC, J.; SARASUA, W.; DAVIS, W. Topografia. Tradução Daniel Carneiro da Silva. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2019. DICAS TÓPICO 3 | LOCAÇÃO DE OBRAS: CONCEITOS GERAIS 45 Para a medição de ângulos e direções com Estações totais, por muito tempo utilizou-se instrumentos que eram divididos em dois grupos: trânsitos e teodolitos. A distinção não era muito clara e ambos eram conhecidos por teodolitos e usados para medição de ângulos horizontais e verticais (MCCORMAC; SARASUA; DAVIS, 2019). Uma estação total combina três componentes básicos: um MED, um teodolito eletrônico e um microprocessador, formando um equipamento único (WOLF; BRINKER, 1994). De acordo com McCormac, Sarasua e Davis (2019), as estações totais podem ser: Estações Totais Convencionais - [...] são os instrumentos de levantamento mais utilizados para mapeamento, levantamento de propriedades e estaqueamentode construções. A precisão da estação total para medição de ângulos pode variar entre 2″, 3″, 5″ e 7″ de acordo com a norma ISO 17123-3. Geralmente, instrumentos menos precisos são mais apropriados para a aplicação em construção. Uma grande quantidade de dados inseridos e armazenados, programas de análise e opções de transferência de dados são disponíveis. Outras características incluem seus sistemas operacionais fáceis de usar e rastreamento dinâmico. Estação Total com Imageamento (Escaneamento a Laser) - Um escâner a laser que mede 50.000 pontos por segundo pode ser utilizado para a coleta de dados para levantamentos topográficos e para levantamento “as-built” [...]. Pulsos de lasers em alta velocidade com um espelho oscilante permitem o escaneamento instantâneo de superfícies a partir de uma posição conhecida. Além disso, esse tipo de equipamento também pode ser usado como uma estação total convencional para levantamento ponto a ponto em poligonais ou locações de obras. Estação Total Robótica (Controlada Remotamente) - A comunicação sem fio (wireless) entre o prisma e o instrumento, combinada com um equipamento motorizado, permite a operação da estação total a partir da posição do bastão [...]. Após a instalação do instrumento, os dados podem ser coletados por uma única pessoa, eliminando a necessidade de uma equipe de levantamento diminuindo, assim, os custos. Um sensor de rastreamento permite ao instrumento seguir a localização do prisma ou da unidade de posicionamento remoto. O operador comunica com o equipamento através de tecnologia sem fio para inserir os dados das locações em campo e outras informações computacionais relacionadas. Estação Total GPS (Sistema de Posicionamento Global) – A integração de um receptor GPS com uma estação total permite a instalação do instrumento em locais convenientes, eliminando a dependência de pontos de controle previamente definidos [...]. Esta tecnologia se baseia nas correções RTK da navegação por satélite para conseguir a precisão necessária para aplicações em levantamentos [...]. Além disso, sistemas de bastão ou tripé cada vez menores, mais leves e mais portáveis estão sendo disponibilizados, incluindo uma antena e receptor GPS, modem de rádio RTK e controladoras manuais. Esses sistemas servem para aumentar a velocidade da coleta de dados de campo em locais remotos e comuns (grifo do autor). 46 UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO A partir da medida de ângulos e distâncias ou coordenadas, as estações totais permitem a locação de pontos no campo partindo-se de uma posição principal e seguindo para as demais, conforme composição no projeto de locação (TULER; SARAIVA; TEIXEIRA, 2017). O passo seguinte é alinhar o ângulo horizontal até zero, que a partir das coordenadas salvas na estação total, o operador deve zerar o ângulo e determinar o alinhamento do ponto a ser encontrado. Posteriormente, uma etapa mais lenta, que é a de verificar a distância da estação total até o prisma refletor. Quando a estação finaliza o cálculo dessa distância, é obtido o resultado. Se a distância tiver sido negativa, significa que o prisma deve se afastar da Estação Total. Caso a distância tenha sido positiva, o prisma deve se aproximar da estação total (TULER; SARAIVA; TEIXEIRA, 2017). Esse tipo de procedimento é considerado confiável e preciso, embora possam ocorrer falhas humanas (TULER; SARAIVA; TEIXEIRA, 2017). O uso de tecnologia é interessante porque minimiza os erros durante a locação de obras evitando possíveis desperdícios ou prejuízos. Leia o Capítulo 15 sobre sistema de posicionamento global (GPS) em: MCCORMAC, J.; SARASUA, W.; DAVIS, W. Topografia. Tradução Daniel Carneiro da Silva. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2019. DICAS 4 TIPOS DE LOCAÇÃO A locação por cavaletes (Figura 29) é um método indicado para obras simples e de pequeno porte em função do menor custo e dificuldade de se manter as marcações ajustadas. Ele é formado por duas estacas e uma travessa que, niveladas, conferem estabilidade à estrutura. Chamamos obras de pequenos portes aquelas realizadas em garagens, barracões e ampliações. TÓPICO 3 | LOCAÇÃO DE OBRAS: CONCEITOS GERAIS 47 FIGURA 29 – ESQUEMA DE CAVALETES DE LOCAÇÃO FONTE: <https://fi les.construfacilrj.com.br/2013/12/locacao-de-obra-3.jpg>. Acesso em: 10 ago. 2019. A locação por tábua corrida (Figura 30) é utilizada em obras com muitos elementos ou maiores. Nesse tipo de técnica, a futura construção é contornada com estacas e tábuas niveladas e alinhadas, a partir de pontaletes cravados no chão, conforme medidas conferidas. Normalmente, associada à locação topográfi ca prévia. FIGURA 30 – ESQUEMA DE TÁBUAS CORRIDAS FONTE: <https://fi les.construfacilrj.com.br/2013/12/locacao-de-obra-4.jpg>. Acesso em: 10 ago. 2019. A chamada locação topográfi ca é habitualmente recomendada em obras de grande porte por gerar uma execução mais organizada da obra. Para esse tipo de locação é preciso contratar equipe especializada em topografi a (Figura 31). 48 UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO FIGURA 31 – ESTAÇÃO TOTAL FONTE: <https://cdn.pixabay.com/photo/2015/01/01/07/59/surveyor-585462_960_720.jpg>. Acesso em: 10 ago. 2019. A planta topográfica do terreno é elaborada com base nos pontos de referência e os projetos da edificação em cima dessa planta. É a partir desses mesmos pontos de referência que as coordenadas passam do papel para o terreno. A locação de pontos é realizada com base em dois pontos de coordenadas conhecidas (DAIBERT, 2014). A etapa de locação das fundações deve ser feita cuidadosamente, pois será a base para as demais locações da obra. Seu posicionamento correto é fundamental para a distribuição das cargas previstas. Se a fundação for superficial, será importante assegurar a posição e cota para que haja a correta centralização do carregamento do pilar (BUDH, 2017). Do mesmo modo que nas fundações, um erro na locação dos elementos estruturais poderá afetar a distribuição das cargas da edificação. Ao realizar a locação, fazer a conferência da distância de pilares até o eixo auxiliar a identificação de erros na locação; atenção nas atualizações no projeto; concretar os pontaletes; pintar o gabarito de modo a facilitar a visualização das marcações e linhas; sinalização dos níveis de cota e pontos de referência marcados pelo topógrafo para auxiliar na realização das escavações. ATENCAO https://cdn.pixabay.com/photo/2015/01/01/07/59/surveyor-585462_960_720.jpg 49 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • É necessário cumprir alguns requisitos legais antes de iniciar a locação. • O fluxo de atividades é importante para que a locação ocorra adequadamente. • Existem equipamentos e ferramentas específicas para cada etapa da obra. • Os tipos de locação precisam ser escolhidos com base nas necessidades, tamanho e objetivos de uma obra. 50 1 Uma planta de locação tem por finalidade, como o próprio nome sugere, localizar a edificação no terreno. Imagine uma planta de uma casa (e uma área de serviço anexa) no terreno correspondente ao lote 198 de uma planta de situação. As medidas em metro são 12 m x 36 m. O código de obras de determinada cidade especifica que os recuos mínimos devem ser de 4 m para a rua e de 1,5 m para terrenos de extrema. Para verificar se a planta está dentro das medidas exigidas, quais informações complementares devem ser apresentadas? a) ( ) Projeções do telhado, água do telhado, distância de circulação (largura) entre a casa e a área de serviço anexa. b) ( ) Dimensões do terreno, projeções do telhado, dimensões dos passeios e ruas, nome dos logradouros. c) ( ) Distância de circulação (largura) entre a casa e a área de serviço anexa, diagrama dos relacionamentos entre aspectos físicos. d) ( ) Água do telhado, dimensões do terreno, dimensões dos passeios e ruas, nome dos logradouros. e) ( ) Distância de circulação (largura) entre a casa e a área de serviço anexa, dimensões dos passeiose ruas, nome dos logradouros. 2 A locação de obras possui etapas burocráticas e executivas para sua realização. Enquanto a primeira se relaciona a aspectos legais e fundamentais ao planejamento e organização da construção, a segunda se refere à execução propriamente dita do projeto. Sabendo disso, assinale a opção que relaciona as etapas executivas conforme sua ordenação: a) ( ) A primeira fase é definição das referências, depois limpeza do terreno, marcação do gabarito e locação das formas diretamente. b) ( ) A primeira fase é marcar o gabarito e seus elementos, locar as formas para então realizar a limpeza do terreno. c) ( ) A primeira fase é marcar o gabarito, iniciar o método do cavalete ou tabeira e durante as etapas de cravação dos pontaletes, ir conferindo as medidas do projeto. d) ( ) A primeira fase é a limpeza, depois são definidas as referências, feitas as marcações no gabarito e executado o método de locação conveniente ao tipo de obra. e) ( ) A primeira fase é cravar os pontaletes, verificar a medição topográfica para realizar os ajustes do que foi marcado manualmente, em seguida limpeza do terreno. AUTOATIVIDADE 51 TÓPICO 4 MÉTODOS EXECUTIVOS DE LOCAÇÃO UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Os métodos executivos de locação mais utilizados são por cavalete e tábua corrida, ambos realizados, preferencialmente, a partir de medidas topográficas fundamentais à correta marcação do gabarito. Já os traçados de ângulos retos e paralelas na locação de obras servem para determinar o esquadro, ou seja, o alinhamento da construção no terreno. Cada locação terá suas características próprias considerando o tipo de estrutura da edificação a ser construída. As estruturas que trataremos nessa unidade serão as de concreto armado, concreto protendido e metálica. As estruturas de concreto armado fazem uso de aço em vigas e pilares e seu dimensionamento deve ser calculado conforme as normas vigentes dos órgãos reguladores. A estrutura de concreto protendido em lajes assegura um controle efetivo às flechas, deixando quase nula a ocorrência de fissuras, alcançando, então, excelência, qualidade e durabilidade. As estruturas metálicas podem ser usadas para execução de pilares, vigas, treliças de telhado, terças, pórticos etc. É importante que não se confunda uma estrutura metálica com barras de aço usadas em estruturas de concreto armado, pois possuem propriedades e comportamentos diferentes. Enfim, as barras de aço são associadas ao concreto para suprir a deficiência deste em resistir a esforços de tração. Na estrutura metálica há diferença no processo produtivo e no comportamento mecânico. 2 PROCESSO DE LOCAÇÃO POR CAVALETES Esse método visa à materialização dos alinhamentos definidos com o auxílio de equipamentos topográficos. Com duas linhas de nylon ou arame de aço recozido esticados, a partir das marcações do gabarito e no cruzamento das linhas, transferir as coordenadas das estacas (sapata ou elemento que venha a ser executado) para o terreno, usando um fio de prumo, marcar o ponto exato da estaca (centro), cravando um piquete (pintado de branco). Trata-se de um método relativamente vulnerável pela possibilidade de deslocamento das marcações (SCHROEDER, 2018). 52 UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO FIGURA 32 – PROCESSO DOS CAVALETES FONTE: Schroeder (2018, p. 44) 3 PROCESSO DA TÁBUA CORRIDA (GABARITO) Para realizar esse processo é preciso começar pela cravação de pontaletes a intervalos regulares alinhados e distantes aproximadamente 1,20 m da borda exterior da edifi cação. O esquadro correto do alinhamento dos eixos perpendiculares deve ser marcado e conferido antes da colocação das tábuas niveladas (SCHROEDER, 2018). Em seguida são marcadas as coordenadas na tabeira com pregos e auxílio de nylon ou arame recozido nº 18. No gabarito devem ser delimitados os eixos ortogonais de referência, as posições das estacas, os eixos das vigas baldrame, o centro geométrico e face dos blocos e o eixo das paredes/pilares (SCHROEDER, 2018). TÓPICO 4 | MÉTODOS EXECUTIVOS DE LOCAÇÃO 53 FIGURA 33 – EXEMPLO DE MARCAÇÃO COM SARRAFOS DE MADEIRA (1) FONTE: Salgado (2018, p. 24) FIGURA 34 – EXEMPLO DE MARCAÇÃO COM SARRAFOS DE MADEIRA (2) FONTE: Salgado (2018, p. 24) Acesse o vídeo sobre os procedimentos técnicos do método do cavalete no link https://youtu.be/-d1RALfoMio. Veja na prática como este procedimento é realizado. DICAS 54 UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO 4 TRAÇADO E LOCAÇÃO AO LONGO DA CONSTRUÇÃO O traçado de ângulos retos e paralelos determinam o esquadro. Esse procedimento é indispensável para a correta marcação dos alinhamentos das paredes externas da construção e referência para locação das demais paredes (SALGADO, 2018). Conforme visto no vídeo anterior, um método simples consiste na formação de um triângulo de Pitágoras, fazendo coincidir o alinhamento da base ao lado do ângulo reto. O esquadro deve fi car tangenciando as linhas sem tocá- las, quando as linhas fi carem paralelas ao esquadro garantimos o ângulo reto (Figura 35) (SALGADO, 2018). FIGURA 35 – ESQUADRO DE UM TERRENO FONTE: <http://engcarlos.com.br/servicos-preliminares-em-uma-obra-parte-2/>. Acesso em: 15 ago. 2019. TÓPICO 4 | MÉTODOS EXECUTIVOS DE LOCAÇÃO 55 O traçado de curvas é realizado a partir do cálculo do raio da curva. Primeiro acha-se o centro e com o auxílio de uma linha ou arame são traçadas as curvas no terreno como se fosse um compasso. É um método preciso para pequenos raios. FIGURA 36 – COMPASSO FONTE: <https://pixabay.com/pt/vectors/geometria-b%C3%BAssolas-divisores-155184/>. Acesso em: 15 ago. 2019. Grandes curvas devem ser calculadas pelo método das quatro partes (TULER; SARAIVA; TEIXEIRA, 2017), que consiste em aplicar, sucessivamente, sobre a corda obtida com a fl echa precedente, a quarta parte deste último valor (Figura 37): FIGURA 37 – MÉTODO DAS QUATRO PARTES FONTE: <https://4.bp.blogspot.com/-UFR0VYuTanU/Th4AQHUrpII/AAAAAAAAB-E/lxB9_ DCZqdg/s1600/33.gif>. Acesso em: 15 ago. 2019. 56 UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO f1=r-r² / ((r²+t²) ^ 1/2) f 2=f1/4 e f3=f2/4 • sendo: r = raio da curva; • t = tangente à curva (na intercessão da curva com a reta). Pode-se dizer que a etapa de locação das fundações é a mais complexa de todas, pois os demais elementos se utilizarão desta como referência. A execução perfeita das estacas nas fundações profundas garante sua eficiência e robustez estimadas em projeto. Se executada fora do escopo pode gerar redistribuição de cargas ou problemas no bloco de coroamento (ABNT, 1996). No sistema convencional de locação, as marcações podem ser inexatas. Em grandes obras, principalmente nessa etapa de locação de fundações, recomenda-se que sua realização ocorra com o auxílio da topografia para assegurar a marcação correta das estacas (TULER; SARAIVA; TEIXEIRA, 2017). Em se tratando de fundações superficiais é preciso estar atento à cota de arrasamento e ao posicionamento das sapatas para obter centralidade da carga proveniente do pilar. A estrutura pode se romper em caso de falhas nessas locações (BUDH, 2017). Na etapa de locação dos elementos estruturais ocorrem os procedimentos de fôrma, armação e concretagem das vigas, dos pilares e das lajes. Posicionar corretamente esses elementos irão garantir a correta distribuição das cargas esperadas no projeto. Erro de locação de um pilar pode sobrecarregar mais um que outro, por exemplo (BRASIL, 1997). No decorrer da execução das estruturas que servirão de fôrma para a concretagem das lajes é importante provisionar as instalações, ou seja, prever furações para esgoto, águas pluviais, água fria, caixas de passagem elétrica etc. Esse cuidado evita retrabalhos, perda de tempo, de material, custos e geração de entulho após a concretagem (BRASIL, 1997). A locação das vedações verticais são elementos fundamentais ao empreendimento, pois são elas que delimitam ambientes e proporcionam o layout desenhado para o espaço.Da mesma forma que as demais locações, deve ser realizada com precisão conforme informações definidas em projeto. Assim, os ambientes ficam com as exatas medidas da planta baixa. Além da estética e exatidão no projeto propriamente dito, é importante saber que está previsto no artigo 500, parágrafo primeiro do Código Civil, uma margem de 5% de tolerância para mais ou para menos na metragem entregue aos clientes. Caso haja uma entrega menor do que foi comprado, o consumidor pode reclamar e receber indenização por isso (BRASIL, 2002). TÓPICO 4 | MÉTODOS EXECUTIVOS DE LOCAÇÃO 57 Existem diversos tipos de métodos construtivos para a estrutura de edificações como: em concreto armado, concreto protendido e os edifícios com estrutura metálica. Para cada tipo existe um método de locação mais adequado e aspectos que devem ser observados, veja: 4.1 EDIFÍCIOS EM CONCRETO ARMADO Método amplamente usado nas edificações brasileiras, tal técnica está tão evoluída que sua produção é em série. Divide-se em equipes de carpinteiros para elaboração das fôrmas, em outra responsável pelo posicionamento das barras de aço dentro das fôrmas e mais uma para o lançamento e o adensamento do concreto. As fôrmas são marcadas na etapa da locação dos elementos estruturais com a participação, preferencialmente, de carpinteiros especializados e profissionais experientes como um técnico, mestre ou engenheiro. Por outro lado, é importante que se faça a conferência por uma terceira equipe, o que garantirá a correta locação (SALGADO, 2018). Em edifícios cuja estrutura é em concreto armado, é comum realizar o método tradicional de locação de um gabarito dos eixos de referência no perímetro do canteiro e transferir o gabarito para a estrutura tão logo que seja viável. É fundamental ter a marcação do eixo de referência de projeto na fôrma da laje e deixar um grampo de aço para, após a concretagem, ter a referência de um eixo em cada direção para locar os elementos estruturais da laje superior e as vedações verticais. Visando evitar retrabalhos, como dito anteriormente, é necessário atentar- se ao realizar as marcações das passagens por lajes e vigas. Caso, no meio da construção, seja necessária a perfuração dos elementos após o endurecimento do concreto, a estrutura pode ser danificada, gerar custos, dentre outros. Por vezes, em garagens, é necessária a previsão de passagem de instalações através da seção da viga. A maioria delas por conta dos ralos pluviais e sprinklers. É essencial que essas esperas sejam posicionadas antes da concretagem e com um diâmetro maior que o da passagem, preservando assim a seção do concreto armado. Veja um modelo de estrutura em concreto armado na figura a seguir: 58 UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO FIGURA 38 – ESTRUTURA EM CONCRETO ARMADO E PAREDES EM ALVENARIA DE VEDAÇÃO CERÂMICA FONTE: <https://static.wixstatic.com/media/ebe9f6_8f110a8daacb4a849231b59defba2b7f~mv2. jpg/v1/fi ll/w_448,h_336,al_c,lg_1,q_80/ebe9f6_8f110a8daacb4a849231b59defba2b7f~mv2. webp>. Acesso em: 15 ago. 2019. 4.2 EDIFÍCIOS EM CONCRETO PROTENDIDO As armaduras protendidas em estruturas de concreto, como etapa construtiva, se apresentam como um sistema interessante em função das cordoalhas diminuírem a densidade de barras de aço na laje. Além disso, permitem realizar vãos maiores apoiados diretamente nos pilares (lajes planas). Para esse tipo de estrutura, é comum utilizar o método tradicional de locação. É uma estrutura que tem a locação dos elementos estruturais facilitada por se tratar basicamente de pilares e de vigas externas. Veja fi gura a seguir: FIGURA 39 – PONTE COM ESTRUTURA DE CONCRETO PROTENDIDO FONTE: <http://awacomercial.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/03/concreto- protendido-4.jpg>. Acesso em: 15 ago. 2019. TÓPICO 4 | MÉTODOS EXECUTIVOS DE LOCAÇÃO 59 O posicionamento das fôrmas das instalações prediais desse tipo de método construtivo deve ser realizado com precisão absoluta. A perfuração de uma laje protendida, em função da presença de cordoalhas tensionadas dentro do concreto, é desaconselhada, pois se uma dessas cordoalhas for rompida, há sérios riscos estruturais. 4.3 EDIFÍCIOS COM ESTRUTURA METÁLICA As estruturas metálicas têm sido cada vez mais usadas, dada a rapidez de execução e montagem dos elementos. Inicialmente são montados os pilares e as vigas para, em seguida, executar as lajes. Para o posicionamento, tanto dos pilares quanto das vigas, é fundamental a presença de um topógrafo e uma estação total no canteiro de obras. Os elementos metálicos são içados com o auxílio de gruas e guindastes devidamente posicionados. Anteriormente à interligação de um elemento ao outro, atualmente realizado com o uso de cantoneiras e parafusos, o topógrafo, como já dito em outros momentos deste livro, auxiliará no posicionamento preciso. Nesse modelo não é possível a utilização de linhas mestras devido à incapacidade de se trabalhar com elas em grandes alturas sem lajes. Iniciando a concretagem das lajes, o topógrafo realiza a marcação dos eixos principais de referência nas lajes para facilitar a marcação das vedações verticais. FIGURA 40 – EDIFICAÇÃO COM ESTRUTURA METÁLICA FONTE: <https://cdn.escolaengenharia.com.br/wp-content/uploads/2018/07/estrutura- metalica.jpg>. Acesso em: 15 ago. 2019. https://cdn.escolaengenharia.com.br/wp-content/uploads/2018/07/estrutura-metalica.jpg https://cdn.escolaengenharia.com.br/wp-content/uploads/2018/07/estrutura-metalica.jpg 60 UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO LEITURA COMPLEMENTAR Sistemas estruturais e seus tipos Francis D. K. Ching Barry S. Onouye Douglas Zuberbuhler Os sistemas podem ser definidos como um conjunto de partes inter- relacionadas ou interdependentes que formam um todo mais complexo e unificado, servindo a um fim comum. As edificações podem ser vistas como uma materialização de vários sistemas e subsistemas que precisam, necessariamente, estar relacionados, coordenados e integrados entre si, e com a forma dimensional e com a organização espacial do prédio como um todo. O sistema estrutural de uma edificação é formado por um conjunto estável de elementos estruturais, projetados e construídos para sustentar e transmitir as cargas impostas até o solo de maneira segura, sem exceder os esforços permissíveis de seus elementos. Cada elemento estrutural possui características únicas e se comporta de maneira única sob cargas impostas. Contudo, antes que os elementos e componentes estruturais possam ser isolados para fins de estudo e resolução, é importante que o projetista entenda como o sistema estrutural acomoda e sustenta, de maneira holística, as formas, os espaços e as relações programáticas e contextuais do projeto arquitetônico. Independentemente do tamanho e da escala da edificação, seu sistema estrutural contém sistemas físicos de estrutura e vedação que definem e organizam suas formas e espaços. Esses elementos, por sua vez, podem ser divididos em subestrutura e superestrutura. Subestrutura A subestrutura é a divisão inferior de uma edificação (suas fundações), construída parcial ou completamente abaixo da superfície do solo. Sua função primária consiste em sustentar e ancorar a superestrutura, além de transmitir suas cargas para o solo com segurança. Uma vez que funciona como um vínculo crítico para a distribuição e a resolução das cargas da edificação, o sistema de fundações (mesmo que, em geral, não fique à vista) deve ser projetado para acomodar a forma e o leiaute da superestrutura, e para responder às condições variáveis do solo, das rochas e da água subterrâneas. As principais cargas impostas sobre a fundação consistem numa combinação das cargas mortas (peso próprio) e das cargas acidentais (ou de serviço), que agem verticalmente sobre a superestrutura. Além disso, o sistema de fundação deve ancorar a superestrutura contra oscilações provocadas pelo vento, tombamento e pressões ascendentes ou sucção do vento suportar movimentosTÓPICO 4 | MÉTODOS EXECUTIVOS DE LOCAÇÃO 61 súbitos do solo em caso de terremoto e de resistir à pressão imposta pela água do lençol freático e pela massa do solo lateral sobre as paredes do subsolo. Em alguns casos, o sistema de fundação precisa resistir também ao empuxo das estruturas tensionadas ou com arcos. O terreno e o contexto de uma edificação influenciam o tipo de subestrutura selecionada e, consequentemente, o padrão espacial projetado. • Relação com a superestrutura: o tipo e o padrão dos elementos de fundação exigidos influenciam, ou até determinam, o leiaute dos apoios da superestrutura. Para a eficiência estrutural, sempre que possível é preciso manter a continuidade vertical na transmissão de cargas. • Tipo de solo: A integridade da estrutura de uma edificação depende, em última análise, da estabilidade e da resistência sob carregamento do solo ou rocha sob a edificação. A capacidade de carregamento do solo ou rocha pode, portanto, limitar o dimensionamento de uma edificação ou exigir fundações mais profundas. • Relação com a topografia: As características topográficas de um terreno possuem implicações e consequências tanto ecológicas como estruturais, exigindo que todas as implantações considerem os padrões de escoamento naturais, as condições que podem acarretar o alagamento, a erosão ou o recalque, e as providências a serem tomadas para a proteção do habitat. Fundações superficiais As fundações superficiais são usadas sempre que um solo estável e com capacidade de carregamento adequada estiver relativamente perto da superfície. Elas são colocadas diretamente sob a parte mais baixa de uma subestrutura, e transferem as cargas da edificação diretamente para o solo de apoio, por meio da pressão vertical. As fundações superficiais podem assumir uma das formas geométricas a seguir: • Pontuais: sapatas • Em linha: muros de arrimo e sapatas corridas • Planas: radiers – lajes de concreto espessas e extremamente armadas, que atuam como uma única sapata monolítica para vários pilares ou uma edificação inteira – são usados sempre que a capacidade de carregamento permissível de um solo de fundação é baixa em relação às cargas da edificação, e quando as sapatas dos pilares internos se tornam tão grandes que é mais econômico fundi-las numa laje única. Os radiers podem ser enrijecidos por meio de uma grelha de nervuras, vigas ou paredes. Fundações profundas As fundações profundas são formadas por tubulões ou estacas cravadas que descem em um solo inadequado para transferir as cargas da edificação até um estrato rochoso com capacidade de carregamento mais adequada, ou areias densas e pedras bem abaixo da superestrutura. 62 UNIDADE 1 | CANTEIRO E LOCAÇÃO Superestrutura A superestrutura, ou o comprimento vertical da edificação acima das fundações, é formada pelas vedações externas e pela estrutura interna que define a forma da edificação, bem como por seu leiaute e sua composição espaciais. Pele A pele ou vedação externa de uma edificação (composta pela cobertura e pelas paredes externas, janelas e portas) fornece proteção e abrigo para os espaços internos da edificação. • A cobertura e as paredes externas protegem os espaços internos contra os rigores do clima, e controlam a umidade, o calor e o fluxo de ar através das diversas camadas de uma construção. • As paredes externas e a cobertura também reduzem os ruídos e proporcionam segurança e privacidade para os usuários da edificação. • As portas possibilitam o acesso físico. • As janelas fornecem o acesso da luz, do ar e das vistas. Estrutura O sistema estrutural é necessário para sustentar a pele da edificação, bem como seus pisos internos e paredes externas e internas; além disso, transfere as cargas impostas para a subestrutura. • Os pilares, as vigas e as paredes cortantes sustentam as estruturas do piso e do telhado. • As estruturas de piso são as bases planas e niveladas do espaço interno que sustentam nossas atividades internas e o mobiliário. • As paredes estruturais internas e as paredes internas não cortantes subdividem o interior da edificação em unidades espaciais (cômodos). • Os elementos que resistem aos esforços laterais são lançados para fornecer estabilidade lateral. No processo de construção, a superestrutura se eleva a partir da subestrutura, seguindo o mesmo caminho utilizado para transmitir suas cargas A intenção formal de um projeto de arquitetura pode ser sugerida ou determinada pelo terreno e pelo contexto, pelo programa e pela função, ou pelos objetivos e pelo significado. Além de considerar as opções formais e espaciais, também devemos contemplar nossas opções estruturais (a palheta de materiais, os tipos de apoios e elementos horizontais, e os sistemas de resistência aos esforços laterais). Essas escolhas são capazes de influenciar, sustentar e reforçar as dimensões formais e espaciais de um projeto. TÓPICO 4 | MÉTODOS EXECUTIVOS DE LOCAÇÃO 63 Numa etapa posterior do processo de elaboração do projeto, também será preciso investigar a forma e a dimensão dos componentes estruturais, além dos detalhes das conexões. Porém, as decisões de larga escala supracitadas veem em primeiro lugar, uma vez que determinam a direção e estabelecem os parâmetros para o desenvolvimento do projeto e dos detalhes. Tipos de sistemas estruturais Considerando uma atitude especifica em relação à função expressiva do sistema estrutural e da composição espacial desejada, é possível fazer escolhas adequadas para um sistema estrutural desde que entendamos os atributos formais que os vários sistemas desenvolvem ao responder aos esforços impostos e ao redirecionar essas solicitações para suas fundações. • As estruturas de massa ativa redirecionam as forças externas principalmente através do volume e da continuidade do material, como vigas e pilares. • As estruturas de vetor ativo redirecionam as forças externas principalmente através da composição dos elementos de tração e compressão, como uma treliça. • As proporções dos elementos estruturais (como paredes cortantes, lajes de piso e de cobertura, abobadas e cúpulas) nos fornecem evidências visuais de suas funções dentro do sistema estrutural, bem como da natureza de seu material. Uma parede de alvenaria, que é resistente à compressão, mas relativamente fraca em termos de flexão, será mais espessa do que uma parede de concreto armado exercendo a mesma função. Um pilar de aço é mais fino do que um pilar de madeira suportando a mesma carga. Uma laje de concreto armado de 10,0 centímetros, por exemplo, vencerá um vão superior ao vencido por um tablado de madeira com a mesma espessura. • As estruturas de superfície ativa redirecionam as forças externas principalmente ao longo da continuidade de uma superfície, como uma estrutura em lâmina ou casca. • As estruturas de forma ativa redirecionam as forças externas principalmente através da forma de seu material, como um sistema em arco ou cabo. • Para fins de estabilidade, as estruturas dependem menos do peso e da rigidez dos materiais, e mais de sua geometria, como ocorre com as estruturas em membrana e as treliças espaciais. Nesse caso, os elementos ficarão cada vez mais finos até perder sua capacidade de gerar a escala e a dimensão de um espaço. FONTE: CHING, F. D. K. ONOUYE, B. S.; ZUBERBHLER. Sistemas estruturais ilustrados – padrões, sistemas e projeto. 2. ed. Tradução Alexandre Salvaterra. Porto Alegre: Bookman, 2015. p. 22-26. 64 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você aprendeu que: • Os métodos executivos de locação podem ser realizados com o auxílio de cavaletes ou tábuas corridas. • Na locação de obras é importante realizar o traçado de ângulos retos e paralelas para maior precisão nas marcações. • As características de cada tipo de locação como: em edificações em concreto armado, protendido e estrutura metálica possuem diferenças e objetivos distintos. 65 AUTOATIVIDADE 1 A locação deobra é o ponto de partida de uma construção. Faça uma visita a uma obra e prepare um relatório sobre uma locação qualquer contendo: a) Tipo de construção, tipo do terreno e quantidade de pavimentos. b) Profissionais, materiais e equipamentos utilizados na locação. c) Citar e descrever detalhadamente as etapas realizadas. d) Justificar o uso da metodologia de gabarito utilizada. 2 O concreto armado é moldável e pode se apresentar de diversas formas e concepções. É fácil de se trabalhar com ele e ainda é durável e protetor das armações contra a corrosão. Sabendo-se que as estruturas de concreto utilizam fôrmas em sua execução, sobre seu projeto é correto afirmar: a) ( ) Incompatibilizar o sistema com o número de reutilizações consideradas rotineiras. b) ( ) Utiliza as chamadas plantas de transcrição de pilares para a definição da vista ortogonal da medida. c) ( ) Localiza no terreno as dimensões e arredores de onde o projeto será executado na vertical. d) ( ) Um projeto de fôrmas visa eliminar soluções improvisadas e aumentar a precisão geométrica da estrutura. e) ( ) Aumenta a precisão geostática da estrutura e compatibilização do sistema com as possibilidades de reutilização. 66 67 UNIDADE 2 FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • identificar sistemas construtivos; • reconhecer diferentes abordagens metodológicas de projetos; • interpretar procedimentos e técnicas da construção civil; • interpretar planilhas e textos técnicos. Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer da unidade, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES TÓPICO 2 – PROCESSOS USUAIS DE REFORÇO E PREVENÇÃO DE FISSURAS TÓPICO 3 – SISTEMAS CONSTRUTIVOS CONVENCIONAIS TÓPICO 4 – ALVENARIA ESTRUTURAL E CONCRETO Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 68 69 TÓPICO 1 ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Para iniciar qualquer tipo de construção é necessário um planejamento e este precisa de um projeto. Sem um projeto não é possível efetuar qualquer tarefa, pois as informações técnicas são fundamentais. Para edificar, em qualquer lugar que seja, independentemente da quantidade de pavimentos e da finalidade, é preciso buscar soluções construtivas que permitam de forma segura e eficiente propor edifícios que sirvam a variadas necessidades da sociedade, como: • Residencial (unifamiliar e multifamiliares). • Comercial. • Industrial. • Público. • Misto. A palavra projeto, segundo o dicionário Michaelis, significa: “propósito de executar algo; plano detalhado de um empreendimento a ser realizado” (PROJETO, 2019, s.p.). Na prática técnica, projeto é a “descrição gráfica e escrita das características de um serviço ou obra de Engenharia ou de Arquitetura, definindo seus atributos técnicos, econômicos, financeiros e legais” (ABNT, 2012a, p. 2). Esse conjunto de documentação é capaz de permitir a execução de uma edificação nas seguintes fases: • Estudo preliminar. • Anteprojeto. • Projeto arquitetônico (NBR 6492). • Projeto executivo (NBR 6118): ᵒ cálculo das cargas e esforços; ᵒ dimensionamento, detalhamento; ᵒ desenhos, conferência e forma e armação. • Registros, aprovação, licenciamento para construção. • Projeto como construído (as built) (NBR 14645-1:01; NBR 14645 - 2:05; e NBR 14645-3:11). UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 70 • Montagem de equipe: ᵒ engenheiros / arquitetos; ᵒ desenhistas / projetistas; ᵒ técnicos / estagiários; ᵒ apoio / administrativos. 2 ELEMENTOS NECESSÁRIOS AO PROJETO Para que haja uma organização e entendimento técnico aos projetos, alguns parâmetros devem ser adotados e seguidos segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT: • Numeração das plantas (1 / 2 / 3). • Classificação por tipo da planta (forma / armação / instalações). • Formato definido (oficiais A4, A3, A2, A1, A0 e outros). • Normas construtivas (procedimentos para execução pela ABNT). • Especificações (técnicas / administrativas). Diante de todo o projeto definido, ele precisa ser autorizado pelo órgão competente da gestão municipal, que normalmente é a secretaria de obras do município onde a construção será executada. Cada órgão possui uma metodologia, mas, em geral, inicialmente é solicitado o projeto arquitetônico (planta baixa, cortes, fachadas, cobertura e situação), e para aprovação e liberação do término da construção é solicitado as built, para verificação e aprovação das alterações que houveram no projeto inicial. Após a confecção de todo o projeto inicial, a fase seguinte é a do orçamento (NBR 12721:06), que visa ao levantamento de custos do projeto por itens: • Orçamento estimado: ᵒ por área de cálculo (m²). • Orçamento detalhado: ᵒ por composição de custos unitários (planilha de preços). • Benefício das despesas indiretas (BDI). Para saber mais sobre BDI, acesse: https://engenheirodecustos.com.br/ formula-bdi/. DICAS https://engenheirodecustos.com.br/formula-bdi/ https://engenheirodecustos.com.br/formula-bdi/ TÓPICO 1 | ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES 71 Com a edificação devidamente elaborada em projetos, levantados todos os custos e aprovada pelos proprietários, construtora e pelos órgãos competentes, a sua execução pode ser iniciada e acompanhada por técnicos especializados em cada área de acordo com o avanço da obra. 3 SONDAGEM Para estar devidamente estabilizada, toda construção precisa ser edificada com bases sólidas e resistentes, a fim de suportar o próprio peso e as cargas de uso decorrentes. O solo que a ancora, por sua vez, deve transmitir a resistência necessária para receber a carga construída. Porém, só se pode fazer uma obra em solos resistentes? A sondagem do solo se faz necessária para se obter as características das diversas camadas existentes em seu interior. A NBR 8036 dita as diretrizes para a avaliação e o estudo do subsolo do terreno com quantidade e localização adequadas de furos para o projeto geotécnico (ABNT, 1983). Solo Índice de resistência à penetração N Designação1) Areias e siltes Arenosos ≤ 4 Fofa(o) 5 a 8 Pouco compacta(o) 9 a 18 Medianamente compacta(o) 19 a 40 Compacta(o) > 40 Muito compacta(o) Argilas e siltes Argilosos ≤ 2 Muito mole 3 a 5 Mole 6 a 10 Média(o) 11 a 19 Rija(o) > 19 Dura (o) 1) As expressões empregadas para a classificação da compacidade das areias (fofa, compacta etc.) referem-se à deformabilidade e resistência destes solos, sob o ponto de vista de fundações, e não devem ser confundidas com as mesmas denominações empregadas para a designação da compacidade relativa das areias ou para a situação perante o índice de vazios críticos, definidos na Mecânica dos Solos. QUADRO 1 – ESTADOS DE COMPACIDADE E DE CONSISTÊNCIA FONTE: ABNT (2001a, p. 17) UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 72 Com a sondagem devidamente executada, as características são apresentadas em um relatório composto de um gráfico e um texto técnico com as informações referentes ao subsolo analisado, como: • Localização dos furos da sondagem. • Caracterização das camadas do solo até a profundidade que atenda ao projeto. • Espessura das camadas e avaliação das entre camadas. • Informação do nível do lençol freático. FIGURA 1 – LOCAÇÃO DOS FUROS NA SONDAGEM DO TERRENO FONTE: A autora Observe que na figura RN significa Referência de nível e SPT em inglês significa Standard Penetration Test ou Ensaio de Sondagem à Percussão. Os furos de sondagens devem ser, no mínimo, de um para cada 200 m² de área projetada em planta de edifício até 1200 m² de área total. Entre 1200 m² e 2400 m² de áreas deve-se fazer uma sondagem para cada 400 m². Para áreas superiores a 2400 m², o número de sondagens deve ser fixado de acordo com o plano particularda construção (ABNT, 1983). A norma dita, também, a quantidade mínima de furos para sondagens em outras circunstâncias: • Dois para área da projeção em planta do edifício até 200 m². • Três para área entre 200 m² e 400 m². TÓPICO 1 | ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES 73 FIGURA 2 – EXEMPLO DE UM PERFIL DO TERRENO AVALIADO PELA SONDAGEM À PERCUSSÃO FONTE: <https://cdn.escolaengenharia.com.br/wp-content/uploads/2018/09/boletim-de- sondagem.jpg>. Acesso em: 17 out. 2019. As informações fornecidas pela sondagem indicam as propriedades e características do subsolo, o que possibilita ao técnico avaliar e escolher a fundação mais adequada para a edificação em função do terreno. 4 CONCEITUAÇÃO GERAL Dá-se o nome de fundações à parte da estrutura que transmite ao solo a carga da edificação. Todos os esforços produzidos pelo peso da construção deverão ser suportados pelo terreno em que está projetado, devidamente em equilíbrio, sem que ocorram recalques ou ruptura do solo. É o início da construção, a primeira etapa a ser construída e normalmente todos os elementos estruturais que compõem a fundação ficam abaixo do solo. O volume de todo o material que compõe o solo cobre a infraestrutura até o alicerce. https://cdn.escolaengenharia.com.br/wp-content/uploads/2018/09/boletim-de-sondagem.jpg https://cdn.escolaengenharia.com.br/wp-content/uploads/2018/09/boletim-de-sondagem.jpg UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 74 FIGURA 3 – SISTEMAS DE CONSTRUÇÃO FONTE: A autora A Figura 3 ilustra, de modo esquemático, a localização das fundações como parte da estrutura de uma edificação. A fundação tem como função suportar com segurança as cargas provenientes do prédio. O projetista estrutural repassa ao projetista de fundação a demanda das cargas que serão transmitidas aos elementos da fundação. Confrontando essas informações com as características do solo onde será construído, o projetista de fundações calcula o deslocamento desses elementos e compara com os recalques admissíveis da estrutura, ou seja, o projeto de fundação é elaborado após o dimensionamento do projeto estrutural. 5 ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES A NBR 6122 (ABNT, 1996), sobre projeto e execução de fundações, fixa as seguintes condições básicas a serem observadas: • O objetivo da construção. • Os documentos complementares do projeto. • As definições dos elementos que compõem as fundações. • As investigações geotécnicas, geológicas e observações locais. • As cargas e segurança nas fundações. • As fundações superficiais e profundas. • As escavações. • As observações do comportamento e instrumentação de obras de fundação. TÓPICO 1 | ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES 75 Inicialmente, para escolher o tipo de fundação é preciso analisar a topografia da área a ser construída, as características do perfil de corte do solo com a resistência do solo e o nível de água, os dados da estrutura conforme o seu tipo arquitetônico, as características da área ao entorno da construção e as viabilidades econômicas. Um projeto estrutural mal dimensionado pode inviabilizar a execução da obra. O quadro a seguir mostra resumidamente o peso específico dos materiais mais utilizados para considerar as cargas atuantes numa edificação de acordo com o projeto de arquitetura e a sobrecarga ou carga útil nas lajes em função de suas finalidades. Material Peso específico Unidade Alvenaria de pedra 22 a 24 kN/m³ Alvenaria de tijolo maciço revestido 16 kN/m³ Alvenaria de tijolo furado revestido 13 kN/m³ Concreto simples 23 kN/m³ Concreto armado 25 kN/m³ Enchimento de lajes rebaixadas 14 kN/m³ Revestimento com madeira (taco) 0,45 kN/m² Ladrilho e pedras de piso 0,50 kN/m² Mármore de 2 a 3 cm de espessura 0,80 a 0,90 kN/m² Revestimento de tetos e pisos de lajes com argamassa 0,25 kN/m² Telhado completo – telha francesa 1,25 kN/m² Telhado completo – telha canal 1,50 kN/m² Telhado completo – telha colonial 1,20 kN/m² Telhado completo – telha fibrocimento 0,38 a 0,44 kN/m² Telhado completo – telha zinco 0,32 kN/m² Madeira de lei 0,9 kN/m³ Forro de madeira 0,16 kN/m² Forro de fibrocimento com esp. de 6 mm 0,18 kN/m² Carga extra para forros 0,5 kN/m² QUADRO 2 – PESO ESPECÍFICO DOS MATERIAIS MAIS UTILIZADOS FONTE: Adaptado de ABNT (1980) UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 76 5.1 TRANSMISSÃO DE FORÇA APLICADA AO SOLO A transmissão da força aplicada ocorre por meio da tensão, transmitida uniformemente à camada de solo, em que “F” é a força aplicada, “A” é a área da sapata retangular, “B e L” são as suas dimensões. FIGURA 4 – SAPATA QUADRADA FONTE: A autora FA B L A σ= × = Para dimensionar a fundação adequadamente, deve-se assentar ou ancorar a sua base em solo com resistência compatível à estrutura. A resistência transmitida para o terreno depende da geometria da fundação porque esta faz referência à distribuição de tensões em profundidade. FIGURA 5 – DISTRIBUIÇÃO DAS TENSÕES DO SOLO FONTE: A autora TÓPICO 1 | ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES 77 6 TIPOS DE FUNDAÇÕES Azeredo (1977) classifica as fundações em diretas ou rasas e indiretas ou profundas. • As fundações diretas ou rasas são aquelas que transmitem a carga da estrutura diretamente ao solo pela fundação. Geralmente são feitas em valas rasas, com profundidade máxima de 3,0 metros e a área que resiste à carga construída não ultrapassa ao dobro de sua menor dimensão. São denominadas por blocos, alicerces, sapatas e radiers. • As fundações indiretas ou profundas são aquelas que transferem a carga por efeito de atrito lateral do elemento com o solo e por meio de um fuste. As suas bases implantadas no solo possuem comprimento superior ao dobro da menor face e profundidade maior do que 3,0 metros. São denominadas de estacas ou tubulões. O diagrama a seguir apresenta a subdivisão dos diferentes tipos de fundações. FIGURA 6 – DIAGRAMA DE CLASSIFICAÇÃO DAS FUNDAÇÕES FONTE: Azeredo (1977, p. 30) UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 78 6.1 FUNDAÇÕES DIRETAS OU RASAS “São usadas quando o solo, logo nas camadas superfi ciais, apresenta resistência superior à exigida pela tensão da fundação a ser utilizada” (AZEREDO, 1977, p. 31). Bloco: elemento de fundação simples, composto de concreto simples, blocos de pequenas rochas ou tijolos. De forma cônica, de pedestal ou com degraus, sua altura é maior que a medida das faces laterais e são resistentes à compressão. FIGURA 7 – BLOCO EM ALVENARIA DE TIJOLO FONTE: Azeredo (1977, p. 31) Sapata: elemento em concreto com altura menor que um simples bloco, porém as dimensões laterais podem ser quadradas (L=B), retangular (L>B) ou contínua (L>3B), pois esse tipo de fundação, além da compressão, resiste principalmente às tensões por fl exão. TÓPICO 1 | ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES 79 FIGURA 8 – SAPATA ARMADA FONTE: Azeredo (1977, p. 33) Para os bordos do terreno, quando há necessidade de o pilar fi car localizado na divisa, a sapata não poderá invadir a propriedade ao lado, então, nesses casos, usa-se a sapata de divisa ou sapata excêntrica. FIGURA 9 – SAPATA EXCÊNTRICA FONTE: A autora Lastro de concreto: chama-se lastro a camada de concreto magro, ou seja, o concreto simples, com baixa resistência e espessura de 5 cm colocado no fundo da vala para proteger a ferragem do contato com o solo e regularizar o nível da fundação. UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 80 ForçaTensão Área = Radier: é o elemento da fundação que possui a forma semelhante à de uma laje, em que a altura é inferior a 50 cm na maioria das vezes e sua área é proporcional à área da construção. Essa placa é utilizada como fundação quando o terreno apresenta pouca resistência, ou seja, a taxa admissível do solo possui menos que a metade do somatório das cargas da estrutura ou excede a metade da área a ser construída, tornando economicamente mais viável unir toda a estrutura da fundação em um único elemento de concreto armado. FIGURA 10 – RADIER FONTE: A autora 6.2 FUNDAÇÕES INDIRETAS OU PROFUNDASAs fundações profundas são empregadas quando o solo apresenta em seu perfi l a localização da camada com resistência considerada adequada para suportar as cargas da construção a uma grande distância da superfície. Observe que há uma profundidade onde a substituição das camadas sem resistência necessária fi ca economicamente inviável para a construção (AZEREDO, 1977). Estas podem ser chamadas de estacas ou tubulões e sua função é transmitir as cargas da fundação para a camada do solo onde haja resistência necessária para receber as tensões da edifi cação. Estacas: são elementos alongados, geralmente cilíndricos ou prismáticos, cravados ou moldados no solo para transmitir a carga da construção para as camadas profundas do solo e para a contenção de empuxos laterais ou compactação de terrenos. TÓPICO 1 | ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES 81 As estacas podem ser de madeira, porém, para construções com grandes cargas é mais indicada a utilização de perfi s metálicos ou estacas de concreto armado. Já as estacas compostas são constituídas de diferentes materiais, madeira e concreto, por exemplo. FIGURA 11 – MATERIAIS DE ESTACAS FONTE: Ching (2017, p. 99) No mercado existem, atualmente, muitos tipos de estacas e cada uma possui sua particularidade. A escolha do modelo da estaca para cada obra se faz em função do acesso, profundidade da camada fi rme, terrenos vizinhos, viabilidade econômica e resistência. Na Figura 12, esses modelos são mostrados de modo simplifi cado. As estacas podem ser moldadas no local, pré-fabricadas ou escavadas. UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 82 FIGURA 12 – TIPOS DE ESTACAS FONTE: Ching (2017, p. 99) As estacas cravadas no solo podem utilizar os seguintes métodos: • Percussão: utiliza pilões com queda livre ou automáticos, costuma ser o modo mais utilizado para cravação de estacas, porém emite muito barulho. • Prensagem: utiliza prensa como macacos hidráulicos em plataformas com sobrecargas ou contra a própria estrutura existente. Esta não emite fortes ruídos nem grandes vibrações. • Vibração: utiliza um grande martelo com pontas tipo garras que fi xam na estaca em movimentos de giros em alta rotação, produzindo assim uma vibração de alta frequência para a cravação ou retirada das estacas no solo. Essa modalidade emite vibrações para os terrenos vizinhos. Que tal ver alguns tipos de estacas? Acesse o endereço: https://www.youtube. com/watch?v=jPwlrUyNcMA. DICAS TÓPICO 1 | ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES 83 Tubulão: são elementos estruturais de fundação que se assemelham a um poço. Sua montagem é feita com utilização de tubos metálicos, com cerca de 75 cm de diâmetros, que vão da superfície do local até a camada sólida com resistência admissível para a demanda de carga da construção. A fundação com tubulões a ar comprimido é mais utilizada em construções de pontes ou obras em regiões onde o solo seja saturado e que demandem maiores cargas (CHING, 2017, p. 100). FIGURA 13 – PARTES DE UM TUBULÃO A CÉU ABERTO FONTE: Ching (2017, p. 100) UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 84 FIGURA 14 – ESQUEMA DE TUBULÃO A AR COMPRIMIDO FONTE: <https://docplayer.com.br/69443067-Tubulao-a-ceu-aberto-tubulao-a-ar-comprimido. html>. Acesso em: 2 set. 2019. 85 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • A fundação está localizada na parte da infraestrutura da obra. • O estudo de toda fundação compreende: ᵒ estudo do terreno com a sondagem do solo; ᵒ somatório das cargas atuantes sobre a fundação; ᵒ tipos de fundação mais apropriada ao projeto; ᵒ execução do projeto seguindo as normas e especificações. 86 AUTOATIVIDADE 1 A fundação está em que parte da estrutura? a) ( ) Infraestrutura. b) ( ) Supraestrutura. c) ( ) Subsolo. d) ( ) Alicerce. 2 O radier é uma estrutura: a) ( ) De fundação utilizada em solo com baixa resistência. b) ( ) De fundação utilizada em terrenos compactados. c) ( ) De infraestrutura utilizada para o cobrimento da edificação. d) ( ) De supraestrutura utilizada para o cobrimento da edificação. 87 TÓPICO 2 PROCESSOS USUAIS DE REFORÇO E PREVENÇÃO DE FISSURAS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Desde o início da civilização, o homem se preocupa com a construção de estruturas adaptadas as suas necessidades, sejam residenciais, sejam laborais ou de infraestrutura como pontes, por exemplo. Com isso, a humanidade acumulou um grande acervo científico ao longo dos séculos, o que permitiu o desenvolvimento da tecnologia da construção, abrangendo a concepção, o cálculo, a análise e detalhamento de estruturas, tecnologia de materiais e as respectivas técnicas construtivas (RIPPER; SOUZA, 1998). Com o crescimento acelerado da construção civil houve a necessidade de inovações e a aceitação de maiores riscos. Esses riscos aceitos, mesmo dentro de certos limites regulamentados de diversas formas, o progresso do desenvolvimento tecnológico aconteceu e, com ele, o aumento de conhecimentos sobre estruturas e materiais, em particular, através do estudo e análise dos erros acontecidos, que têm resultado em deterioração precoce ou em acidentes. Todas as etapas de um projeto, iniciando pela concepção da ideia, passando pela execução, até a conclusão da construção, precisa de técnicas e procedimentos acompanhados com a intenção de prever qualquer erro, qualquer patologia oriunda de falhas executivas e degradação das estruturas (RIPPER; SOUZA, 1998). 2 CONHECENDO E PREVENINDO FISSURAS Quando há problemas na obra, estes podem ser de origens da execução ou do projeto. Como o processo construtivo envolve várias etapas e cada uma com a respectiva supervisão, quando um erro passa despercebido em alguma delas, este pode ficar acumulado no decorrer da construção e provocar sérios riscos à edificação antes mesmo da conclusão. Atualmente, com o avanço da tecnologia dos materiais nas construções e técnicas construtivas, os edifícios têm ficado cada vez mais esbeltos e menos contraventados, o que os torna mais leves e de menor orçamento. No entanto, os erros também vêm aumentando (THOMAZ, 2003). UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 88 Thomaz (2003) ainda ressalta que, no Brasil, não há um fiel registro dos problemas patológicos nas construções, mas que em outros lugares, como na Bélgica, com base em problemas patológicos, concluiu-se que os problemas pesquisados eram originados de 46% de falhas de projetos, 22% de falhas de execução e 15% de baixa qualidade dos materiais empregados na construção. Segundo Oliveira (2012), fissuras são manifestações patológicas e, geralmente, são causadas por tensões dos materiais. Se estes tiverem um esforço maior que sua resistência, ocorre falha que provoca uma abertura, e conforme sua espessura será classificada como fissura, trinca, rachadura, fenda ou brecha. ANOMALIAS ABERTURAS (mm) Fissura Até 0,5 Trinca De 0,5 a 1,5 Rachadura De 1,5 a 5,0 Fenda De 5,0 a 10,0 Brecha Acima de 10,0 QUADRO 3 – DEFINIÇÕES SEGUNDO A MEDIDA DAS ABERTURAS FONTE: Oliveira (2012, p.10) Vitório (2003, p. 26) relaciona algumas causas mais usuais do fissuramento das estruturas: • Cura mal realizada: ressecamento. • Retração. • Variação de temperatura. • Agressividade do meio ambiente. • Carregamento. • Erros de concepção. • Mal detalhamento do projeto. • Erros de execução. • Recalques dos apoios. • Acidentes. Os quadros a seguir apresentam um resumo das diferentes configurações das fissuras ocorridas em alvenarias e as prováveis causas geradoras de cada uma dessas tipologias (TAGUCHI, 2010). TÓPICO 2 | PROCESSOS USUAIS DE REFORÇO E PREVENÇÃO DE FISSURAS 89 SOBRECARGAS Fissuras causadas por sobrecargas Fissuras verticais induzidas por sobrecargas Fissuras horizontais por sobrecargas Fissuras por sobrecarga em apoios Fissuras por sobrecarga em pilares de alvenaria Fissuras por sobrecarga em torno de aberturas QUADRO 4 – CONFIGURAÇÕES TÍPICAS DE FISSURAS POR SOBRECARGA FONTE: Taguchi (2010, p. 33) UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMASESTRUTURAIS 90 TÉRMICAS Fissuras causadas por variações de temperatura Fissuras horizontais por movimentação térmica da laje Fissuras inclinadas por movimentação térmica da laje Fissuras inclinadas em paredes transversais por movimentação térmica da laje Fissuras verticais por movimentação térmica da laje Fissuras inclinadas por movimentação térmica da estrutura de concreto armado Fissuras de destacamento por movimentação térmica da estrutura de concreto QUADRO 5 – CONFIGURAÇÕES TÍPICAS DE FISSURAS TÉRMICAS TÓPICO 2 | PROCESSOS USUAIS DE REFORÇO E PREVENÇÃO DE FISSURAS 91 Fissuras verticais por movimentação térmica da alvenaria Fissuras de destacamento de platibanda por movimentação térmica FONTE: Taguchi (2010, p. 34) RETRAÇÃO – EXPANSÃO Fissuras causadas por retração e expansão Fissuras horizontais em paredes por retração da laje Fissuras na base de paredes por retração da laje Fissuras verticais em paredes por retração da laje Fissuras de destacamento de paredes de alvenaria por retração QUADRO 6 – CONFIGURAÇÕES TÍPICAS DE RETRAÇÃO – EXPANSÃO UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 92 Fissuras verticais em paredes por retração da alvenaria Fissuras horizontais por expansão da alvenaria Fissuras verticais por expansão da alvenaria FONTE: Taguchi (2010, p. 35) DEFORMAÇÕES Fissuras causadas por deformação de elementos da estrutura de concreto armado Fissuras em paredes por deformação do apoio Fissuras em paredes por deformação das vigas de apoio e superior Fissuras em paredes por deformação da viga superior QUADRO 7 – CONFIGURAÇÕES TÍPICAS DAS FISSURAS DEVIDO ÀS DEFORMAÇÕES TÓPICO 2 | PROCESSOS USUAIS DE REFORÇO E PREVENÇÃO DE FISSURAS 93 Fissuras em paredes com aberturas por deformação da estrutura Fissuras em paredes por deformação de balanços Fissuras horizontais em paredes por deformação da laje de cobertura FONTE: Taguchi (2010, p. 36) RECALQUE FUNDAÇÕES Fissuras causadas por recalque de fundações Fissuras causadas por recalque de fundações segundo um eixo principal Fissuras causadas por recalque de fundações fora de um eixo principal QUADRO 8 – CONFIGURAÇÕES TÍPICAS DE FISSURAS DEVIDO AO RECALQUE DAS FUNDAÇÕES UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 94 Fissuras verticais em peitoris por flexão negativa Fissuras verticais junto ao solo por ruptura das fundações Fissuras inclinadas em prédios estruturados FONTE: Taguchi (2010, p. 37) QUADRO 9 – FISSURAS CAUSADAS POR REAÇÕES QUÍMICAS E DETALHES CONSTRUTIVOS REAÇÕES QUÍMICAS Fissuras causadas por reações químicas Fissuras horizontais por expansão da argamassa DETALHES CONSTRUTIVOS Fissuras causadas por detalhes construtivos Fissuras por ancoragem de elementos construtivos Fissuras por deficiência de amarração FONTE: Taguchi (2010, p. 38) TÓPICO 2 | PROCESSOS USUAIS DE REFORÇO E PREVENÇÃO DE FISSURAS 95 Não construímos pensando nos defeitos, não é mesmo? Errado! Assim como compramos um automóvel com os itens de segurança incluídos, uma edifi cação é planejada e projetada com materiais e procedimentos que visam à qualidade e à garantia. Pelo menos é o que deveria ocorrer em todas as construções, mas, ocasionalmente, algo sai do planejamento e um problema aparece. Quando surge durante a construção é um pouco mais viável de ser reparado, embora qualquer imprevisto possa gerar inúmeras perdas. Mas, e quando os problemas surgem após a conclusão da obra? Não tenha dúvidas, o problema é dobrado e os gastos também. Por esse motivo, o controle de uma construção deve ser minucioso e criterioso. A prevenção de fi ssuras nos edifícios, como não poderia deixar de ser, passa obrigatoriamente por todas as regras de bem planejar, bem projetar e bem construir. Mais ainda, exige um controle sistemático e efi ciente da qualidade dos materiais e dos serviços, uma perfeita harmonia entre os diversos projetos executivos, estocagem e manuseio corretos dos materiais e componentes no canteiro de obras, utilização e manutenção corretas do edifício etc. (THOMAZ, 2003, p. 127). FIGURA 15 – ENFERMIDADE – DIAGNÓSTICO FONTE: Piancastelli (1999 p. 3) Para recuperar patologias em edifi cações é necessário ter ciência de como a construção foi executada, dos materiais utilizados, ensaios feitos e mão de obra utilizada. Assim, diante dos projetos e relatórios é possível diagnosticar a procedência da anomalia e buscar soluções cabíveis com melhor custo benefício. Porém, se não houver informações sufi cientes da construção onde o técnico foi solicitado a diagnosticar alguma patologia, o problema fi ca um pouco mais complicado. É nesse momento que não pode haver barganha, nem desprezo de mão de obra técnica especializada, pois são justamente as respostas que diferenciam um técnico de uma pessoa que “quebra o galho”. Porque este, normalmente, chega ao local solicitado, faz a análise visual da área, às vezes usa a chave do seu chaveiro para verifi car alguma fragilidade e uma caneta para medir alguma dimensão e depois de uma avaliação personalizada comenta algo sem solução defi nida. UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 96 Uma vistoria técnica responsável registra as informações possíveis sobre a construção; se estas não forem suficientes, o técnico solicita um ensaio cabível para a situação e, antes de mais nada, se o problema oferecer riscos à vida é solicitada a interdição pelo técnico, ou isolamento, ou ainda escoramento da área comprometida até sua recuperação. Quando é necessário algum ensaio para saber o volume do problema no interior da estrutura ou em alguma área, o técnico avalia a necessidade de usar algum que agrida ou altere a configuração da superfície a ser analisada, ou o profissional utiliza alguma técnica não destrutiva de ensaio. O mercado vem crescendo nesse setor e há várias tecnologias que diagnosticam em poucos minutos alguma anomalia ou sua procedência. Em consulta à Associação Brasileira de Ensaios não Destrutíveis – ABENDI – foi possível observar que existem várias modalidades de END (ensaios não destrutíveis), os mais utilizados no mercado atualmente são: • Ensaio visual. • Emissão acústica. • Partículas magnéticas. • Radiografias. • Correntes parasitas. • Estanqueidade. • Métodos esclerométricos. • Análise de vibrações. • Ultrassom. • Líquidos penetrantes. Para Almeida, Barata e Barros (1992), os ensaios destrutivos e não destrutivos se complementam. As seguintes vantagens dos ensaios não destrutivos, em relação aos ensaios destrutivos, são: • Permitem praticar a inspeção 100%. • Fornecem resultados a todo o volume de uma peça. • Contribuem para melhorar o projeto de uma peça. • Previnem a ocorrência de falhas em serviço. • Permitem a detecção e caracterização de defeitos. • Permitem fazer a caracterização de materiais. • Permitem fazer a sua caracterização por verificação das dimensões. As desvantagens dos ensaios destrutivos: • Provocam a destruição das peças. • Fornecem resultados que correspondem à inspeção de uma área específica da peça e não a todo o volume dela. • Não refletem a qualidade de todas as peças de um lote. TÓPICO 2 | PROCESSOS USUAIS DE REFORÇO E PREVENÇÃO DE FISSURAS 97 Após análise minuciosa da construção e da patologia, o responsável técnico avalia o método mais viável de recuperação disponível no mercado, otimizando prazo de execução com o orçamento da obra de recuperação. O engenheiro ou o técnico especializado em recuperação estrutural não ignoram fi ssura alguma, e reconhecem a procedência de alguns problemas justamente pela localização e pelo sentido das fi ssuras. Lembrando que fi ssuras são apenas um tipo de anomalia. Existem muitas outras, dentre elas: • Efl orescências. • Desagregações. • Fissurações. • Falhas de concretagem. • Deformabilidade excessiva. • Manchas de umidade. • Bolor e/ou outros micro-organismos. • Vibração excessiva. • Mudanças de coloração. • Deslocamentos. FIGURA 16 – EFLORESCÊNCIA EM ENCONTRO DE VIGAS FONTE: A autoraSegundo Oliveira (2012), fi ssuras são manifestações patológicas e geralmente são causadas por tensões dos materiais. Se estes tiverem um esforço maior que sua resistência, ocorre falha que provoca uma abertura, e conforme sua espessura será classifi cada como fi ssura, trinca, rachadura, fenda ou brecha. UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 98 Para saber mais sobre os diferentes tipos de patologia e recuperação, recomendamos a leitura do livro de Vicente de Souza e Thomaz Ripper, Patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. RIPPER, T; SOUZA, V. C. Patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 1998. DICAS Segundo Thomaz (2003), as obras de reparo e recuperação geralmente são difíceis, caras, demoradas e incômodas, quando são possíveis. Assim, o mais efi ciente a ser feito é que os profi ssionais atuem diretamente nas causas do problema, utilizando todas as técnicas de modo efi caz durante a construção ou na recuperação. Caso contrário, a charge a seguir sugere como “consolo” a seguinte ideia: FIGURA 17 – SOLUÇÃO ALTERNATIVA PARA O PROBLEMA DAS FISSURAS FONTE: Thomaz (2003, p.174) 99 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • Para elaborar um projeto de construção, deve-se respeitar as normas e os padrões técnicos. Um projeto arquitetônico básico é composto por: ᵒ planta baixa de cada pavimento; ᵒ cortes transversais e longitudinais; ᵒ planta das fachadas principais; ᵒ planta de cobertura; e ᵒ planta de situação. • Há erros de construção e estes vão do projeto à escolha dos materiais até a sua execução. • Há diversos tipos de causas para a anomalia identificada pela fissura e que, se bem identificada é possível, com conhecimentos técnicos, efetuar a recuperação na maioria dos casos. 100 AUTOATIVIDADE 1 (IESES, 2017) Quando uma edifi cação não apresenta um desempenho adequado ela está sujeita a diferentes tipos de patologias que se manifestam externamente. Entre estas formas de manifestação estão as fi ssuras. Na fi gura a seguir estão representas três tipos de fi ssuras que ocorrem nas paredes de alvenaria. Analise as assertivas abaixo relacionadas a estas fi ssuras e assinale a única alternativa correta. FONTE: <https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/56071/ieses-2017-igp- sc-perito-criminal-engenharias-prova.pdf?_ga=2.6256752.2130306050.1568055989- 1595872328.1568055989>. Acesso em: 17 out. 2019. I- A fi ssura do tipo 3 está relacionada a recalques diferenciados da fundação. II- A fi ssura do tipo 1 está relacionada a esforços de tração advindos da elevação de temperatura na laje. III- A fi ssura do tipo 2 está associada à presença de umidade no solo. a) ( ) Todas as assertivas estão corretas. b) ( ) Apenas as assertivas II e III estão corretas. c) ( ) Apenas as assertivas I e II estão corretas. d) ( ) Todas as assertivas estão incorretas. 2 (Prefeitura de Luís Correia – PI, 2018) Observe os itens a seguir sobre o Habite-se e marque a alternativa correta: FONTE: https://arquivo.pciconcursos.com.br/provas/27151284/76b0f2966e59/fi scal_de_ obras.pdf>. Acesso em: 17 out. 2019. I- É possível conseguir a escritura de um imóvel mesmo que este não possua o Habite-se. II- O Habite-se é um documento que visa garantir que o imóvel foi construído de acordo com as exigências da cidade em que a obra foi concebida. III- O Habite-se garante que o projeto seguiu os parâmetros exigidos pela legislação local. 101 a) ( ) I, II e III. b) ( ) II. c) ( ) I. d) ( ) II e III. 102 103 TÓPICO 3 SISTEMAS CONSTRUTIVOS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Com o avanço da tecnologia e ideias disponíveis na internet, quando se fala em construir algo, o construtor logo pensa qual sistema construtivo adotará. No entanto, para edificar algo normalizado, existem apenas algumas opções clássicas e com padrões normativos para projetar e executar um imóvel. Mas quem não pensou em ousar numa construção ou superar alguns conceitos? Há sites com inúmeras dicas e imagens que parecem até surreais. Imagine-se morando numa caixa metálica ou em um corredor de papel ou até mesmo num túnel de terra? Por outro lado, há construtores que não inovam, projetam o clássico com padrões populares ou sofisticados, sempre dentro do mesmo sistema tradicional, mas entre a inovação extrema e o conservadorismo clássico, o que precisa ser priorizado? Nada mais, nada menos que a segurança do sistema construtivo. Mas, o que é sistema construtivo? Segundo Weidle (1995, p. 21), a definição de sistema construtivo trata do conjunto de elementos que definem a estrutura da edificação. A obra pode ser construída com a estrutura de concreto armado, metálica ou de madeira. A alvenaria estrutural tem sido muito adotada na última década pela viabilidade e suas particularidades. Mas essas opções são as que já possuem normatizações e critérios de produção. Porém, há no mercado, atualmente, empresas e profissionais com novas técnicas e com conceitos mais sustentáveis, mas sem ensaios tecnológicos suficientes para todas as abordagens de esforços. Para saber mais sobre definições de sistemas construtivos, acesse: https:// www.escolaengenharia.com.br/tipos-de-sistemas-construtivos/. DICAS https://www.escolaengenharia.com.br/tipos-de-sistemas-construtivos/ https://www.escolaengenharia.com.br/tipos-de-sistemas-construtivos/ 104 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS No Brasil, existem algumas técnicas e modalidades de construção que incluem processos mais modernos e materiais diferentes, sustentáveis ou com melhor custo-benefício. 2 SISTEMAS CONSTRUTIVOS CONVENCIONAIS “O sistema convencional é formado por pilares, vigas e lajes de concreto armado, sendo que os vãos são preenchidos com tijolos cerâmicos para vedação” (VASQUES; PIZZO, 2014, p. 3). As construções são projetadas para que tenhamos níveis de desempenho satisfatório ao longo de sua vida útil. Assim, é necessário que durante e após a conclusão das obras e no período de operação, que esses níveis de desempenho sejam monitorados para atender à integridade da construção, como fatores de deterioração pelo intemperismo, desgaste natural, fadiga sobre solicitações, operações inadequadas e alterações ambientais. As normas técnicas são elaboradas com o objetivo de regulamentar a qualidade, a classificação, a produção e o emprego dos diversos materiais e serviços. São revisadas conforme a evolução da técnica aplicada. No Brasil, a normalização cabe à ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, sociedade civil sem fins lucrativos, mantida por sócios em todo o país. Sua sede está no Rio de Janeiro. A ABNT se dedica à elaboração de normas técnicas, sua difusão e incentivo. Essas normas devem ser complementadas por outras normas que fixam critérios específicos. Para campos mais restritos, outras entidades também possuem o mesmo objetivo, tais como: • ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland. • ABCI – Associação Brasileira de Construções Industrializadas. • ABESC – Associação Brasileira dos Serviços de Concretagem. • ABECEM – Associação Brasil. • Em outros países, diversas associações regulamentam assuntos técnicos: ᵒ nos EUA existem diversas associações, à ASTM – American Society for Testing Material cabe especificar materiais e à AWS – American Welding Society, especifica-se soldagem; ᵒ na Alemanha à DIN – Deustche Normenausschuss; ᵒ na Inglaterra à BS – British Stendards Institution; ᵒ essas entidades são coordenadas pela ISO – International Organization for Standardization, através de normas de gestão. TÓPICO 3 | SISTEMAS CONSTRUTIVOS 105 TIPO NORMA TÍTULO OBJETIVO Estrutura de concreto armado NBR 9062 Projeto e execução de estruturas de concreto pré- moldado Estabelecer os requisitos para o projeto, a execução e o controle de estruturas de concreto pré- moldado, armado ou protendido. NBR 6118 Projeto de estruturas de concreto – Procedimento Fixar os requisitos básicos exigíveispara projeto de estruturas de concreto simples, armado e protendido, excluídas aquelas em que se empregam concreto leve, pesado ou outros especiais. NBR 14931 Execução de estruturas de concreto – Procedimento Estabelecer os requisitos gerais para a execução de estruturas de concreto. Em particular, essa norma define requisitos detalhados para a execução de obras de concreto, cujos projetos foram elaborados de acordo com a ABNT NBR 6118. NBR 7191 Execução de desenhos para obras de concreto simples ou armado Fixar as condições especiais que devem ser observadas na execução de desenhos técnicos para obras de concreto simples ou armado. As condições gerais e os significados nessa norma são os fixados pela ABNT NBR 5984. QUADRO 10 – PRINCIPAIS REFERÊNCIAS NORMATIVAS E CONVENCIONAIS DE SISTEMAS CONSTRUTIVOS 106 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS Estrutura metálica NBR 8800 Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios Essa norma, com base no método dos estados-limites, estabelece os requisitos básicos que devem ser obedecidos no projeto à temperatura ambiente de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edificações. NBR 14323 Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios em situação de incêndio Essa norma, com base no método dos estados-limites, estabelece os requisitos para o projeto das estruturas de aço e das estruturas mistas de aço e concreto em situação de incêndio de edificações cobertas pelas NBR 8800 e NBR 14762, conforme os requisitos de resistência ao fogo, prescritos pela NBR 14432 ou legislação brasileira vigente. NBR 8681 Ações e segurança nas estruturas – Procedimento Fixar os requisitos exigíveis na verificação da segurança das estruturas usuais da construção civil e estabelecer as definições e os critérios de quantificação das ações e das resistências a serem consideradas no projeto das estruturas de edificações, quaisquer que sejam sua classe e destino, salvos os casos previstos em normas brasileiras específicas. NBR 14762 Dimensionamento de estruturas de aço constituídas por perfis formados a frio Essa norma, com base no método dos estados-limites, estabelece os requisitos básicos que devem ser obedecidos no dimensionamento à temperatura ambiente, de perfis estruturais de aço formados a frio, constituídos por chapas ou tiras de aço-carbono ou aço de baixa liga, conectados por parafusos ou soldas e destinados a estruturas de edifícios. TÓPICO 3 | SISTEMAS CONSTRUTIVOS 107 Estrutura de madeiras NBR 7190 Projeto de estruturas de madeira Fixar as condições gerais que devem ser seguidas no projeto, na execução e no controle das estruturas correntes de madeira, tais como pontes, pontilhões, coberturas, pisos e cimbres. Além das regras dessa norma, devem ser obedecidas as de outras normas especiais e as exigências peculiares a cada caso particular. NBR 6627 Pregos comuns e arestas de aço para madeiras Fixar as condições exigíveis para a fabricação e fornecimento de pregos e arestas, de aço de baixo teor de carbono. Pré- moldado NBR 9062 Projeto e execução de estruturas de concreto pré- moldado Estabelecer os requisitos para o projeto, a execução e o controle de estruturas de concreto pré- moldado, armado ou protendido. NBR 16475 Painéis de parede de concreto pré-moldado – Requisitos e procedimentos Estabelecer os requisitos e procedimentos a serem atendidos no projeto, na produção e na montagem de painéis de parede pré-moldados que se enquadram nos critérios de classificação estabelecidos na Seção 5. NBR 14859 Lajes pré- fabricadas de concreto Especificar os requisitos para os elementos pré-fabricados estruturais quanto à fabricação, recebimento e utilização dos componentes empregados na construção de lajes, para qualquer tipo de edificação. 108 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS Alvenaria estrutural NBR 15961 Alvenaria estrutural – Blocos de concreto Essa norma dividida em partes, especifica os requisitos mínimos exigíveis para o projeto de estruturas de alvenaria de blocos de concreto. NBR 15812 Alvenaria estrutural – Blocos cerâmicos Essa norma, dividida em partes, estabelece os requisitos mínimos exigíveis para o projeto de estruturas de alvenaria de blocos cerâmicos. Essa parte da NBR 15812 também se aplica à análise do desempenho estrutural de elementos de alvenaria de blocos cerâmicos inseridos em outros sistemas estruturais. NBR 15968 Qualificação de pessoas no processo construtivo para edificações – Perfil profissional do pedreiro de obras Especificar o perfil de competência para o pedreiro de vedação, alvenaria estrutural, revestimento vertical externo, revestimento horizontal (contrapiso/piso) e revestimento vertical interno e para o encarregado de pedreiro de obras. FONTE: A autora A construção técnica aplica os padrões normativos em todas as etapas construtivas. Os projetos adotam os parâmetros da NBR 15575, que tem como objetivo estabelecer os requisitos e critérios de desempenho aplicáveis às edificações habitacionais, como um todo integrado, bem como a serem avaliados de forma isolada para um ou mais sistemas específicos, assim como na aquisição de profissionais qualificados no processo construtivo para edificação (ABNT, 2013b). 2.1 CONCRETO ARMADO COM ALVENARIA DE VEDAÇÃO Existem diversos sistemas construtivos no Brasil e o mais utilizado é o método de alvenaria de vedação com estrutura de concreto armado. Essas alvenarias podem ser compostas de tijolos cerâmicos ou blocos de concreto unidos entre si com uma mistura cimentícia chamada argamassa. Esse sistema não requer mão de obra com qualificação especializada, por isso se torna economicamente mais viável, porém a ocorrência de erros é maior também. Segundo Pereira (2018), esse tipo de sistema possui pontos positivos e negativos, tais como: TÓPICO 3 | SISTEMAS CONSTRUTIVOS 109 • Vantagens: ᵒ suporta grandes vãos; ᵒ grande disponibilidade de mão de obra e materiais; ᵒ pouco exigência de qualificação da mão de obra; ᵒ facilita futuras reformas e mudanças no projeto. • Desvantagens: ᵒ maior custo; ᵒ muito peso; ᵒ maior tempo de execução; ᵒ gera muitos resíduos. FIGURA 18 – PRÉDIO EM ALVENARIA DE VEDAÇÃO E ESTRUTURA EM CONCRETO ARMADO FONTE: <http://www.ebanataw.com.br/roberto/seguros/construcaoCLASSE1.htm>. Acesso em: 17 out. 2019. Assim como a estrutura de concreto armado é fechada e isolada com alvenaria, a estrutura metálica também. No entanto, as técnicas estruturais possuem métodos particulares em cada método de construção. Embora as alvenarias sejam feitas com os mesmos parâmetros, a finalização das paredes nas estruturas metálicas possui afastamentos que respeitam o trabalho de dilatação dos elementos metálicos da estrutura. http://www.ebanataw.com.br/roberto/seguros/construcaoCLASSE1.htm 110 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS FIGURA 19 – PRÉDIO EM ALVENARIA DE VEDAÇÃO E ESTRUTURA METÁLICA FONTE: <http://guimaraesconstrucao.com.br/?portfolio=construcao-de-predio-em-estrutura- metalica-e-alvenaria-2>. Acesso em: 17 out. 2019. FIGURA 20 – DETALHE DE ALVENARIA COM A ESTRUTURA METÁLICA FONTE: Salgado (2018, p. 124) 2.2 ESTRUTURA METÁLICA A estrutura metálica é constituída por elementos como o aço, inox e ferro. De acordo com a demanda de carga da edificação, a estrutura será projetada com o perfil no teor de carbono ideal para atingir a resistência necessária. Essa estrutura requer mão de obra especializada e materiais apropriados para adequação do projeto, tornando uma obra às vezes cara e seletiva. Como visto no subtópico anterior, o conceito estrutural é similar ao sistema de concreto armado com fundações, pilares, vigas e lajes. No entanto, devido às propriedades do aço, o sistema de estrutura metálica possui características pertinentes as suaspropriedades, tais como: • Dispensa formas. • O comprimento dos vãos é bem maior. http://guimaraesconstrucao.com.br/?portfolio=construcao-de-predio-em-estrutura-metalica-e-alvenaria-2 http://guimaraesconstrucao.com.br/?portfolio=construcao-de-predio-em-estrutura-metalica-e-alvenaria-2 TÓPICO 3 | SISTEMAS CONSTRUTIVOS 111 • A estrutura é mais esbelta. • O prazo de execução é menor se comparado ao concreto armado. Os perfi s laminados são produzidos em siderúrgicas com dimensões e resistência conforme projeto solicitado. O material não é barato, porém o custo- benefício prevalece na escolha desse sistema de construção dependendo do projeto e orçamento. FIGURA 21 – ESTRUTURA METÁLICA CLÁSSICA UTILIZADA NA CONSTRUÇÃO DE PRÉDIO FONTE: <https://www.escolaengenharia.com.br/estrutura-metalica/>. Acesso em: 17 out. 2019. Para saber mais sobre execução de estruturas de aço, acesse: https://site.abece. com.br/download/pdf/FolderExecucao10.12.pdf. DICAS Porém, não é somente em grandes prédios, galpões, estádios ou pontes que a estrutura metálica é muito utilizada, os recursos e benefícios desse sistema construtivo também podem ser aplicados para construção de residências de pequeno, médio ou grande porte. O Steel Frame é um sistema construtivo industrializado e racionalizado. Sua estrutura é formada por perfi s de aço galvanizado e seu fechamento é feito por meio de placas cimentícias, de madeira ou drywall. A principal diferença do Steel Frame para os outros sistemas é a limpeza do canteiro de obras, pois a geração de resíduos é mínima e não há necessidade do uso de água (PEREIRA, 2018). Pereira (2018) informa também que o sistema Steel Frame possui pontos positivos e negativos, tais como: 112 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS • Vantagens: ᵒ agilidade na construção; ᵒ redução do peso da estrutura; ᵒ maior precisão na execução; ᵒ melhor isolamento térmico e acústico; ᵒ menor custo. • Desvantagens: ᵒ limite de pavimentos; ᵒ difi culdade de encontrar mão de obra especializada. FIGURA 22 – CONSTRUÇÃO COM STEEL FRAME FONTE: <http://www.brasilengenharia.com/portal/noticias/destaque/12449-light-steel-frame- uma-revolucao-silenciosa-no-setor-da-construcao-civil>. Acesso em: 17 out. 2019. Para saber mais sobre Steel Frame, acesse: https://plastbrinq.com.br/steel- frame/. DICAS 2.3 ESTRUTURA DE MADEIRA O método de construção do Wood Frame é muito parecido com o Steel Frame. A diferença é que no lugar dos perfi s de aço galvanizado são utilizados perfi s de madeira, normalmente de refl orestamento, como o pinus. Esse sistema construtivo é constituído por perfi s de madeira maciça, contraventados com chapas de OSB e estrutura de madeira autoclavada, com função de proteger a edifi cação de cupins e umidade (PEREIRA, 2018). O autor diz ainda que esse sistema construtivo possui pontos positivos e negativos, tais como: TÓPICO 3 | SISTEMAS CONSTRUTIVOS 113 • Vantagens: ᵒ canteiro de obras organizado e limpo; ᵒ uso de madeira de reflorestamento, única matéria-prima renovável da construção civil; ᵒ ótimo desempenho acústico e térmico; ᵒ agilidade na construção; ᵒ redução de geração de resíduos; ᵒ baixo custo. • Desvantagens: ᵒ mão de obra especializada; ᵒ limites de pavimentos; ᵒ maiores cuidados com impermeabilização. FIGURA 23 – CONSTRUÇÃO COM WOOD FRAME FONTE: <https://glaucodinizduarteviagens.com.br/2019/02/19/glauco-diniz-duarte-estados- unidos/>. Acesso em: 17 out. 2019. Para saber mais sobre estruturas de madeira, acesse: http://www.fiepr.org.br/ para-empresas/conselhos/base_florestal/uploadAddress/Wood%20frame[15468].pdf. DICAS 2.4 ESTRUTURA PRÉ-MOLDADA Esse método é muito adotado para edificações sem muito espaço de canteiro de obras, sustentabilidade para grandes demandas de cargas construtivas ou mesmo para o melhor planejamento com prazos determinantes. https://glaucodinizduarteviagens.com.br/2019/02/19/glauco-diniz-duarte-estados-unidos/ https://glaucodinizduarteviagens.com.br/2019/02/19/glauco-diniz-duarte-estados-unidos/ http://www.fiepr.org.br/para-empresas/conselhos/base_florestal/uploadAddress/Wood frame%5b15468%5d.pdf http://www.fiepr.org.br/para-empresas/conselhos/base_florestal/uploadAddress/Wood frame%5b15468%5d.pdf 114 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS A pré-fabricação das estruturas de concreto é um processo industrializado com grande potencial para o futuro. Todavia, geralmente a pré-fabricação ainda é vista por projetistas inexperientes como se fosse apenas uma variante técnica das construções de concreto moldadas no local. Nesse caso, a pré-fabricação significa apenas que partes da edificação são pré-moldadas em usinas fora do canteiro, para serem montadas depois na obra, como se o conceito inicial de uma estrutura moldada no local fosse obtido novamente. Esse ponto de vista é completamente errôneo. Todo sistema construtivo tem suas próprias características, que influenciam mais ou menos no layout da estrutura: largura do vão, sistemas de estabilidade etc. Para conseguir melhores resultados, o projeto deveria, desde o início, respeitar as demandas específicas e particulares estruturais dos sistemas construtivos pré-moldados (ACKER, 2003). Geralmente, as edificações que adotam esse sistema construtivo possuem um grande volume e prazos fixos, como shoppings, universidades, fábricas e grandes lojas. FIGURA 24 – CONSTRUÇÃO PRÉ-FABRICADA FONTE: <http://www.zanollin.com.br/estruturas-de-concreto/estruturas-de-concreto/estrutura- de-concreto-para-casas/estruturas-de-concreto-construcao-civil-marilia>. Acesso em: 17 out. 2019. Para saber mais sobre estruturas pré-fabricadas, acesse: http://www.ifbauer. org.br/noticia/pre-fabricados-de-concreto-6. DICAS http://www.zanollin.com.br/estruturas-de-concreto/estruturas-de-concreto/estrutura-de-concreto-para-casas/estruturas-de-concreto-construcao-civil-marilia http://www.zanollin.com.br/estruturas-de-concreto/estruturas-de-concreto/estrutura-de-concreto-para-casas/estruturas-de-concreto-construcao-civil-marilia http://www.ifbauer.org.br/noticia/pre-fabricados-de-concreto-6 http://www.ifbauer.org.br/noticia/pre-fabricados-de-concreto-6 TÓPICO 3 | SISTEMAS CONSTRUTIVOS 115 3 SISTEMAS CONSTRUTIVOS NÃO CONVENCIONAIS Com a defi nição de sistemas construtivos e conhecimento de normas visando à segurança e garantia das edifi cações, técnicos e construtores vêm implementando modernidade com sustentabilidade, e materiais como bambu, garrafas PET e terra tornaram-se elementos estruturais para algumas construções, porém os sistemas construtivos que não são normatizados ou não seguem um padrão de normas exclusivas, são considerados não convencionais. Você já deve ter ouvido falar da fl exibilidade e resistência do bambu como índices de comparação para força e resistência, certo? Pois bem, a prática mostra muitos resultados positivos, e pessoas têm usado esse elemento encontrado na natureza para construírem postes, pontes, torres e até residências. Pouco ainda se conhece de normas que garantam as propriedades do bambu, mas há inúmeros pesquisadores que defendem e comprovam a efi cácia desse material para utilização na construção civil. Há muitos trabalhos técnicos e acadêmicos sobre esse assunto na internet. FIGURA 25 – CONSTRUÇÃO COM ESTRUTURA DE BAMBU FONTE: ABNT (2018, p. 14) Para mais informações sobre construções com bambu, acesse: https://www. scia.net/sites/default/fi les/thesis/construcoes_de_bambu_-_debora_0.pdf. DICAS 116 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS Outro sistema utilizado por alguns construtores que adotam a ideia do pré-fabricado são os containers, uma vez em que a estrutura da caixa já vem pré-definida. Um container nada mais é do que uma caixa metálica destinada ao armazenamento de peças e materiais, e atualmente vem ganhando novas utilidades, seja para uma repartição em um canteiro de obras, para abrigar pessoas durante um evento (como uma feira, por exemplo) ou até mesmo servir como moradia paraalguma família em algum lugar. Essa ideia já é muito utilizada em países europeus e no Canadá, e aqui no Brasil vem ganhando espaço há alguns anos. Mas se você está achando desconfortável habitar numa caixa metálica em lugares frios ou em estações com altas temperaturas, observe que profissionais, como engenheiros e arquitetos que se especializam para construir com esse recurso estrutural, desenvolvem todo um sistema técnico para isolamento de acústica e térmica, instalações hidrossanitárias e até mesmo estilizar com o concreto e madeira para melhor acabamento. FONTE: <https://www.homify.com.br/foto/1921372/estudo-1-vista-longitudinal>. Acesso em: 17 out. 2019. FIGURA 26 – PRÉDIO MONTADO COM CONTAINERS Para mais informações sobre construções com container, acesse: http://www.sp.senac.br/blogs/revistainiciacao/wp-content/uploads/2015/12/128_IC_ corre%C3%83%C2%A7%C3%83%C2%B5es-do-autor.pdf. DICAS http://www.sp.senac.br/blogs/revistainiciacao/wp-content/uploads/2015/12/128_IC_corre%C3%83%C2%A7%C3%83%C2%B5es-do-autor.pdf http://www.sp.senac.br/blogs/revistainiciacao/wp-content/uploads/2015/12/128_IC_corre%C3%83%C2%A7%C3%83%C2%B5es-do-autor.pdf TÓPICO 3 | SISTEMAS CONSTRUTIVOS 117 Continuando com a ideia do pré-fabricado e sistema alternativo de construção com sustentabilidade, vamos falar do ADOBE, conhecido também como earthbag, superadobe ou hiperadobe. Esse método consiste na técnica de empilhar terra ensacada, como utilizada pelos militares, para criarem barreiras contra inundações ou barricadas de proteção nos campos de batalha. A construção de alvenarias estruturais com a utilização de terra é muito antiga e utilizada em várias partes do planeta. Com uma breve pesquisa é possível encontrar castelos no deserto, muralhas em largos campos e casas em áreas rurais. Por ser um método simples, ecológico, resistente e econômico, muitas pessoas, sem grandes conhecimentos técnicos, podem executá-lo: bastam algumas ferramentas, sacos ecológicos especiais, arame farpado e espaço com grande quantidade de argila ou terra boa, já que a obra demanda material suficiente para montar todo o volume das paredes, que por sua vez precisam ser bem mais largas que as alvenarias padrões para garantir a estabilidade e ajuda no conforto térmico interno da construção depois de pronta. O acabamento desse tipo de construção pode ser rústico como uma taipa ou revestido com argamassa e cerâmica, como as construções urbanas. A cobertura pode ser feita do mesmo método, já que este atende a grandes cargas devido ao alto índice de compressão ou outros tipos de estruturas, como a de madeira e telhados. FIGURA 27 – RESIDÊNCIA CONSTRUÍDA COM O SISTEMA SUPERADOBE FONTE: <https://construcaodicas.wordpress.com/2015/07/24/como-construir-com-sacos-de- terra/>. Acesso em: 17 out. 2019. https://construcaodicas.wordpress.com/2015/07/24/como-construir-com-sacos-de-terra/ https://construcaodicas.wordpress.com/2015/07/24/como-construir-com-sacos-de-terra/ 118 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS Para mais informações sobre construções com superadobe, acesse: http:// portalvirtuhab.paginas.ufsc.br/hiperadobe/. DICAS As possibilidades e os sistemas construtivos são inúmeros, no entanto, para uma construção ser técnica, mesmo que não seja normativa ainda, precisa atender a alguns critérios de segurança e estrutura. Você se lembra qual é a norma que dita os procedimentos de ações e segurança nas estruturas? Isso mesmo! A tabela das principais referências normativas e convencionais de sistemas construtivos à NBR 8681, que atende a todos os tipos de estruturas, auxilia qualquer sistema construtivo possível de ser executado (ABNT, 2004b). Dependendo da elaboração do projeto é viável pesquisar normas, artigos técnicos e profissionais que estejam de acordo com a metodologia de construção escolhida, mesmo que inovadora. E você, já pensou em inovar alguma construção? A figura a seguir é para lhe proporcionar ideias. Bons estudos. FIGURA 28 – CASA DE CABEÇA PARA BAIXO FONTE: <http://vogbee.com/br/essas-sao-as-12-casas-mais-incriveis-do-mundo/12/>. Acesso em: 17 out. 2019. http://portalvirtuhab.paginas.ufsc.br/hiperadobe/ http://portalvirtuhab.paginas.ufsc.br/hiperadobe/ http://vogbee.com/br/essas-sao-as-12-casas-mais-incriveis-do-mundo/12/ 119 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • Há sistemas de construções normatizadas, ou seja, que atendem às normas de padrão como a ABNT, em nível nacional, e sistemas que não atendem às convenções normatizadas. • Ambas precisam ser sustentáveis, duráveis e seguras. • Sistemas construtivos convencionais podem ser: ᵒ estruturas de concreto armado ou aço; ᵒ estruturas de madeira; ᵒ estruturas pré-fabricadas. • Sistemas construtivos não convencionais podem ser: ᵒ estruturas com bambu; ᵒ estruturas com adobe; ᵒ containers. 120 1 (TRF - 1ª REGIÃO, 2014) A NBR-15.575, enquanto Norma de desempenho, busca atender às exigências dos usuários e refere-se especificamente a sistemas que compõem edificações habitacionais, independentemente dos seus materiais constituintes e do sistema construtivo utilizado, e: FONTE: <https://s3.amazonaws.com/files-s3.iesde.com.br/resolucaoq/prova/prova/41684. pdf.>. Acesso em: 17 out. 2019. a) ( ) O objetivo, de modo diferente das normas prescritivas, é estabelecer requisitos fundamentais com base no uso consagrado de produtos ou procedimentos, buscando o atendimento às exigências dos usuários. b) ( ) O foco da norma está nas exigências dos usuários para o edifício habitacional e seus sistemas, considerando para tal o comportamento em uso e a prescrição atualizada de como os sistemas são construídos. c) ( ) A forma de estabelecimento do desempenho é comum e internacionalmente pensada por meio da definição de requisitos, critérios e métodos de avaliação, os quais sempre permitem a mensuração clara do seu cumprimento. d) ( ) A norma explora conceitos que, face à sua natureza conflitante relativamente aos critérios de medições, são aplicáveis somente com base nas condições do meio físico e da execução do empreendimento. e) ( ) As normas de desempenho traduzem as exigências dos usuários em termos de requisitos e critérios, o que permite orientar soluções tecnicamente adequadas e, por isso, podem substituir as normas prescritivas. 2 (IFSC, 2017) Com relação às madeiras e estruturas de madeira, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. FONTE: <https://s3.amazonaws.com/files-s3.iesde.com.br/resolucaoq/prova/prova/42678. pdf>. Acesso em: 17 out. 2019. ( ) As colunas de madeira podem ser de madeira roliça ou compostas por elementos contínuos e justapostos. ( ) As madeiras não têm boa resistência à tração na direção das fibras. ( ) As ligações estruturais de peças de madeira podem ser feitas por: cola; pregos; pinos; parafusos; conectares e entalhes. ( ) As peças de madeira têm comprimento limitado pelo tamanho das árvores e meios de transporte. ( ) A resistência à compressão normal às fibras é maior que a resistência à compressão paralela às fibras. Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA de cima para baixo. a) ( ) V, F, V, V, F. b) ( ) F, F, V, V, F. c) ( ) V, V, V, V, V. d) ( ) V, F, F, V, F. e) ( ) V, F, V, V, V. AUTOATIVIDADE https://s3.amazonaws.com/files-s3.iesde.com.br/resolucaoq/prova/prova/41684.pdf https://s3.amazonaws.com/files-s3.iesde.com.br/resolucaoq/prova/prova/41684.pdf https://s3.amazonaws.com/files-s3.iesde.com.br/resolucaoq/prova/prova/42678.pdf https://s3.amazonaws.com/files-s3.iesde.com.br/resolucaoq/prova/prova/42678.pdf 121 TÓPICO 4 ALVENARIA ESTRUTURAL E CONCRETO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Existem diversos tipos de alvenarias em função de sua aplicabilidade. Já falamos em alvenaria de vedação, aplicada para fechar, proteger e isolar uma edificação, com paredes cuja finalidade é apenas dividir ambientes internos. As alvenarias podem ser construídas ou simplesmente montadascom diversos tipos de materiais e tratamentos. Chamamos de alvenaria o conjunto de peças justapostas coladas em sua interface, por uma argamassa apropriada, formando um elemento vertical coeso. Esse conjunto coeso serve para vedar espaços, resistir a cargas oriundas da gravidade, promover segurança, resistir a impactos, à ação do fogo, isolar e proteger acusticamente os ambientes, contribuir para a manutenção do conforto térmico, além de impedir a entrada de vento e chuva no interior dos ambientes (TAUIL; NESE, 2010, p. 55). Porém, há paredes que possuem como principal característica estruturar a edificação, ou seja, é a própria estrutura acima da fundação que não seja a alvenaria. Estas possuem particularidades para que a obra não seja só um amontoado de blocos ou tijolos e que pareça um jogo de lego gigante. Salgado (2018) define alvenaria estrutural como um sistema construtivo com a função de suportar os esforços estruturais da edificação, com a condição principal de padronização dos blocos para a eficácia e segurança desse sistema construtivo, uma vez que a modulação vertical e horizontal do projeto seja primordial. Para a base de cálculo, o sistema usa a NBR 10837. Tauil e Nese (2010) dividem a alvenaria estrutural em três tipos: alvenaria não armada, alvenaria armada ou parcialmente armada e alvenaria protendida. Para construir com o sistema de alvenaria como estrutura é recomendado um projeto detalhado e de mão de obra qualificada. Há também as alvenarias pré-fabricadas de concreto, com as medidas e características definidas pelo projeto, que são construídas na empresa ou indústria qualificada e transportadas até a obra para serem encaixadas conforme orientação do projeto para atender às edificações modulares. Construções históricas e milenares foram construídas em alvenaria estrutural, como, por exemplo, o Parthenon, na Grécia. No Brasil, essa técnica ganhou volume na década de 1980. 122 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 2 ALVENARIA ESTRUTURAL COM BLOCOS Para falar de alvenarias estruturais, inicialmente é preciso conhecer algumas especificações e normas para entender como se aplica cada processo da construção. As normas referentes à estrutura (NBR 15961, NBR 15812 e NBR 15968) foram citadas no tópico anterior, agora vamos citar algumas normas que auxiliam e complementam as informações necessárias para projetar e executar obras com este sistema. NBR 6136 Blocos vazados de concreto simples para alvenaria Essa norma estabelece os requisitos para produção e aceitação de blocos vazados de concreto simples, destinados à execução de alvenaria com ou sem função estrutural. NBR 15049 Chumbadores de adesão química instalados em elementos de concreto ou de alvenaria estrutural – determinação do desempenho Descrever procedimentos para uma variedade de ensaios para determinação da resistência da ligação por adesão, desenvolvida pelo adesivo entre um elemento de fixação de aço e a superfície das paredes de um furo aberto no concreto ou na alvenaria estrutural (incluindo os elementos da alvenaria, o rejunte com argamassa e o graute), e para determinação dos efeitos sobre essa ligação de uma variedade de fatores, incluindo temperatura elevada, incêndio, radiação, umidade e ação de congelamento e descongelamento. O especificador ou o fabricante deve selecionar os ensaios que são apropriados para um dado sistema de ancoragem em relação a uma aplicação específica. NBR 14974 Bloco sílico-calcário para alvenaria Estabelecer os requisitos mínimos exigíveis para especificação, recebimento, dimensões e campos de aplicação em obras de alvenaria estrutural ou de vedação, com ou sem revestimento, de blocos sílico- calcários, e suas peças complementares de fabricação nacional ou importadas. NBR 12118 Blocos vazados de concreto simples para alvenaria — métodos de ensaio Especificar métodos de ensaio para análise dimensional e determinação da absorção de água, da área líquida, da resistência à compressão e da retração por secagem, em blocos vazados de concreto simples para alvenaria. QUADRO 11 – PRINCIPAIS NORMAS PARA ALVENARIA ESTRUTURAL FONTE: A autora TÓPICO 4 | ALVENARIA ESTRUTURAL E CONCRETO 123 FONTE: Tauil e Nese (2010, p.21) Quando a parede possui a função estrutural, esta substitui os elementos tradicionais de estruturas convencionais como pilares e vigas, pois as cargas da edifi cação são verticalmente distribuídas de modo uniforme nas alvenarias portantes, as que suportam as cargas, que por sua vez distribuem as cargas uniformemente ao longo da fundação (TAUIL; NESE, 2010). 2.1 ALVENARIA NÃO ARMADA Tauil e Nese (2010) explicam que esse tipo de alvenaria não recebe graute, mas reforços de aço (barras, fi os e telas) apenas por razões construtivas, nas vergas de portas, vergas e contravergas de janelas e outros reforços construtivos para aberturas. Esses aços também servem para evitar futuras patologias como trincas e fi ssuras provenientes da acomodação da estrutura, movimentação por efeitos térmicos, de vento e concentração de tensões. FIGURA 29 – ALVENARIA NÃO ARMADA 124 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 2.2 ALVENARIA ARMADA OU PARCIALMENTE ARMADA Para esse tipo de parede, que recebe reforços em algumas regiões devido às exigências estruturais, são utilizadas armaduras passivas de fi os, barras e telas de aço dentro dos vazios dos blocos e posteriormente grauteados, além do preenchimento de todas as juntas verticais (TAUIL; NESE, 2010). FONTE: Tauil e Nese (2010, p.22) FIGURA 30 – ALVENARIA ARMADA OU PARCIALMENTE ARMADA 2.3 ALVENARIA PROTENDIDA Tauil e Nese (2010) citam que esse tipo de alvenaria reforçada por uma armadura ativa, ou seja, pré-tensionada, submete a alvenaria a esforços de compressão. Esse tipo de alvenaria é pouco utilizado, pois os materiais, dispositivos e mão de obra para a protensão têm custo muito alto para o nosso padrão de construção, tais como: • Fixar a espera da barra ou cabo de protensão nas fundações. • Levantar a parede encaixando os furos dos blocos na barra. • Prever furos nas fi adas de caneletas. TÓPICO 4 | ALVENARIA ESTRUTURAL E CONCRETO 125 • Na altura da emenda da barra os trechos são conectados e protegidos. • Segue-se a alvenaria até a última fi ada. • Após 14 dias aplica-se a pro-tensão com um torquímetro, lembrando-se de engraxar as barras. • Efetua-se a medição e o grauteamento da ancoragem. FONTE: Tauil e Nese (2010, p.23) FIGURA 31 – ALVENARIA PROTENDIDA 2.4 MODULAÇÃO DOS ELEMENTOS O projeto para esse tipo de estrutura deve ser planejado e bem detalhado, caso contrário as peças não irão encaixar nas dimensões da obra. Os elementos das alvenarias não são chamados de tijolos e sim de blocos, que podem ser cerâmicos ou de concreto moldados com dimensões e aditivos necessários para atingirem a resistência necessária e nos padrões da norma. Há no mercado diversos modelos e fabricantes desses blocos, e o projetista deve estar ciente das dimensões e características de cada modelo de bloco, a fi m de melhor compor as alvenarias no projeto. 126 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS BLOCOS DIMENSÕES Meio Bloco Estrutural – 14x19x14 Medidas (cm): 14x19x14 Peças por m²: 33 Peso: 2,75 (kg) Peças por carga: 6.000 Bloco Estrutural Principal – 14x19x29 Medidas (cm): 14x19x29 Peças por m²: 16 Peso: 5,5 (kg) Peças por carga: 3.000 Bloco Estrutural de Amarração – 14x19x44 Medidas (cm): 14x19x44 Peças por m²: 11 Peso: 7,6 (kg) Peças por carga: 2.000 CANALETAS Calha “J” – 14x19x19 Medidas (cm): 14x19x19 Peças por m²: 5 Peso: 3,7 (kg) Peças por carga: 5.000 Calha “U” – 14x19x19 Medidas (cm): 14x19x19 Peças por m2: 5 Peso: 3,9 (kg) Peças por carga: 5.000 Calha “U” baixa – 14x09x19 Medidas (cm): 14x09x19 Peças por m2: 5 Peso: 1,9 (kg) Peças por carga: 9.000 QUADRO 12 – CARACTERÍSTICAS DE BLOCOS CERÂMICOS (NBR 15270) FONTE: Adaptado de <http://www.ceramicasalema.com.br/produtos/alvenaria-estrutural/>.Acesso em:17 out. 2019. http://www.ceramicasalema.com.br/produtos/alvenaria-estrutural/ TÓPICO 4 | ALVENARIA ESTRUTURAL E CONCRETO 127 Família de 11,5 cm de largura DIMENSÕES Bloco Largura: 11,5 cm Altura: 19 cm Comprimento: 11,5 cm Peças/M²: 40 Peso: 3,1 kg Bloco Largura: 11,5 cm Altura: 19 cm Comprimento: 11,5 cm Peças/M²: 20 Peso: 5,6 kg Bloco Largura: 11,5 cm Altura: 19 cm Comprimento: 36,5 cm Peças/M²: 13,3 Peso: 9,0 kg Família de 29 cm de largura DIMENSÕES Bloco Largura: 14 cm Altura: 19 cm Comprimento: 29 cm Peças/M²: 16,6 Peso: 8,7 kg Bloco complementar Largura: 14 cm Altura: 7 cm Comprimento: 14 cm Peças/Metro: 6,7 Peso: 2,0 kg Bloco complementar Largura: 14 cm Altura: 19 cm Comprimento: 44 cm Peso: 13,2 kg Meio bloco Largura: 14 cm Altura: 19 cm Comprimento: 14 cm Peças/M²: 33,3 Peso: 4,0 kg QUADRO 13 – CARACTERÍSTICAS DE BLOCOS CERÂMICOS (NBR 6136) 128 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS Família de 39 cm de largura DIMENSÕES Bloco Largura: 9 cm Altura: 19 cm Comprimento: 39 cm Peças/M²: 12,5 Peso: 8,0 kg Bloco Largura: 14 cm Altura: 19 cm Comprimento: 39 cm Peças/M²: 12,5 Peso: 11,7 kg Bloco Largura: 19 cm Altura: 19 cm Comprimento: 39 cm Peças/M²: 12,5 Peso: 16,2 kg Bloco complementar Largura: 14 cm Altura: 19 cm Comprimento: 9 cm Peso: 3,3 kg Bloco complementar Largura: 14 cm Altura: 19 cm Comprimento: 34 cm Peso: 10,2 kg Bloco complementar Largura: 14 cm Altura: 19 cm Comprimento: 54 cm Peso: 17,4 kg Meio bloco Largura: 9 cm Altura: 19 cm Comprimento: 19 cm Peças/M²: 25 Peso: 3,6 kg Meio bloco Largura: 14 cm Altura: 19 cm Comprimento: 19 cm Peças/M²: 25 Peso: 5,4 kg TÓPICO 4 | ALVENARIA ESTRUTURAL E CONCRETO 129 Meio bloco Largura: 19 cm Altura: 19 cm Comprimento: 19 cm Peças/M²: 25 Peso: 7,8 kg FONTE: Adaptado de <http://www.multibloco.com.br/produtos/lista.asp?grupo=6>. Acesso em: 17 out. 2019. Com as opções dos modelos de blocos, a modelagem das alvenarias em projetos segue a norma de encaixe alternados pelas fiadas, começando pelos cantos e entroncamentos com outras paredes, como mostra o esquema na imagem a seguir. FONTE: <http://www.comunidadedaconstrucao.com.br/upload/imagens/Proj%20Arq_06.JPG>. Acesso em: 17 out. 2019. FIGURA 32 – AMARRAÇÃO DE PAREDES EM “L” E “T” 2.5 VANTAGENS E DESVANTAGENS As principais vantagens no sistema de alvenaria estrutural são economia, rapidez e racionalização (CAMPOS, 2012): • Economia: os números são muito variáveis, mas ficam entre 15 e 20% do custo da estrutura da obra: ᵒ redução das formas; ᵒ redução do número de especialidades de mão de obra; ᵒ redução dos revestimentos; ᵒ redução da armação; ᵒ redução de desperdícios. • Rapidez: a obra de alvenaria é mais rápida, limpa e segura. • Racionalização: o sistema construtivo induz à: ᵒ racionalização de uma série de outras atividades como, por exemplo, as instalações elétricas e hidráulicas; http://www.multibloco.com.br/produtos/lista.asp?grupo=6 http://www.comunidadedaconstrucao.com.br/upload/imagens/Proj Arq_06.JPG 130 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS ᵒ menor diversidade de materiais; ᵒ facilidade de controle; ᵒ eliminação de interferências; ᵒ distribuição das cargas no solo mais uniforme. De acordo com Campos (2012, p. 15), as principais desvantagens no sistema de alvenaria estrutural são: • Impede a execução de reformas que alterem a disposição das paredes estruturais. • A concepção estrutural pode acabar condicionando o projeto arquitetônico. • A alvenaria não admite improvisações do tipo: ᵒ “depois tira na massa”; ᵒ “faz e quebra”; ᵒ “na obra a gente vê o que faz”. Para saber mais sobre alvenaria estrutural, acesse: http://wwwp.feb.unesp.br/ pbastos/alv.estrutural/Palestra%20Anicer-1.pdf. DICAS 3 ALVENARIA ESTRUTURAL DE CONCRETO Seguindo a ideia de alvenaria estrutural, porém agora como peça única, existem os sistemas pré-fabricados ou moldados no local, onde as alvenarias passam a ser chamadas de módulos e são projetadas individualmente para atender à particularidade de cada parede de uma construção nesse sistema. O projeto prevê todas as instalações necessárias de cada parede, a carga que ela deverá distribuir na fundação e acabamentos. Os encaixes são planejados por escala para que não haja equívocos na hora da montagem no local quando as paredes são pré-fabricadas. http://wwwp.feb.unesp.br/pbastos/alv.estrutural/Palestra Anicer-1.pdf http://wwwp.feb.unesp.br/pbastos/alv.estrutural/Palestra Anicer-1.pdf TÓPICO 4 | ALVENARIA ESTRUTURAL E CONCRETO 131 FONTE: <http://www.comunidadedaconstrucao.com.br/upload/imagens/Proj%20Arq_06.JPG>. Acesso em: 17 out. 2019. FIGURA 32 – AMARRAÇÃO DE PAREDES EM “L” E “T” Esse sistema é industrializado e utiliza formas para moldar o concreto conforme as propriedades de cada parede da edificação. Embora esse método pareça ser complicado ou muito sofisticado, saiba que o custo maior está no investimento da indústria de fôrmas, porém, toda a receita investida inicialmente é diluída no volume da produção. Esse sistema construtivo geralmente é mais aplicado em conjuntos habitacionais, licitação de estádios ou edificações que demandam curto prazo de execução. As obras pré-modulares requerem maior atenção aos projetos que visam a todo o tempo a execução. A NBR 15873 orienta a coordenação modular para edificações, para evitar possibilidades de erros, uma vez que o concreto, após o seu lançamento, não pode ser mexido (ABNT, 2010c). Outras normas da ABNT ditam parâmetros para o sistema de edificações modulares: • NBR 16055: parede de concreto moldada no local para a construção de edificações – requisitos e procedimentos. • NBR 15575: edificações habitacionais – desempenho. • NBR 12655: concreto de cimento Portland – preparo, controle, recebimento e aceitação. O sistema de fôrma é industrializado, assim como a elaboração do concreto, mas não pense que a obra consiste apenas em projetar, montar fôrmas, concretar, e está pronta, porque essas etapas são apenas partes da metodologia de construção. Há o controle em todo o processo, pois uma simples retirada de fôrma sem o devido cuidado pode causar vibração no concreto ainda na cura e ocasionar patologias nas estruturas. Os cantos de fôrmas também precisam ser cautelosamente cuidados para evitar volumes ou rebarbas inadequadas que impeçam o encaixe de esquadrias que também são projetadas e escolhidas no padrão modular (WENDLER; MONGE, 2018). http://www.comunidadedaconstrucao.com.br/upload/imagens/Proj Arq_06.JPG 132 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS 01 Seguir fielmente todas as diretrizes do projeto estrutural: posição das armaduras, reforços, juntas de indução etc. 06 Nunca posicionar duas caixas elétricas uma “de costas” para a outra. 02 Utilizar sistemas de fôrmas específicos para o sistema e não fazer adaptações. 07 Nunca encostar dois ou mais eletrodutos dentro da parede. 03 Seguir as diretrizes do projeto de montagem/desmontagem das fôrmas – certificar-se de montar todas as peças do sistema de fôrmas. 08 Tomar providências para que não ocorram interrupções durante a concretagem. 09 Não provocar impactos nas paredes durante a desforma. 04 Colocar espaçadores plásticos de armadura em número suficiente (6 unid./m2 nas paredes e 4 unid./ m² nas lajes). 10 Não permitir vibrações próximas às paredes de concreto, como, por exemplo, compactação de ruas, cravação de estacas etc. 05 Colocar espaçadores plásticos nos eletrodutos em número suficiente (2 unid./m de eletroduto). 11 Fazer cura adequada por pelo menos 3 dias. QUADRO 14 – 11 MANDAMENTOS DA PAREDE DE CONCRETO MOLDADA NO LOCAL FONTE: Wendler e Monge (2018, p. 41) Assim como as fôrmas delimitam as paredes de pequenas casas, é possível construir prédios com o mesmo processo. Essa técnica é usada para torres, pilares de pontes e outras obras que precisam de agilidade na execução. FIGURA 34 – FORMAS PARA MOLDAGEM DE ALVENARIAS NA CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIO FONTE: <https://engenharia360.com/sistemas-construtivos-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-paredes-de-concreto-moldadas-in-loco/>. Acesso em: 17 out. 2019. https://engenharia360.com/sistemas-construtivos-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-paredes-de-concreto-moldadas-in-loco/ https://engenharia360.com/sistemas-construtivos-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-paredes-de-concreto-moldadas-in-loco/ TÓPICO 4 | ALVENARIA ESTRUTURAL E CONCRETO 133 Você notou como as normas são importantes? Esse curso é exato e, para isso, segue as orientações normatizadas. É possível construir com estilo e personalidade, mas orientado pelas normas para discernir o que é certo ou não. DICAS Assista a uma animação de alvenaria de concreto moldado no local, acessando: https://www.youtube.com/watch?v=AHbo97alQdM. ATENCAO https://www.youtube.com/watch?v=AHbo97alQdM 134 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS LEITURA COMPLEMENTAR Método de construção com materiais recicláveis de um ambiente Autor Ana Maria Castro Machado et al Introdução A indústria da construção constitui um dos maiores e mais ativos setores em toda economia mundial que consomem matéria-prima (AMOEDA,2003). Em paralelo, os crescentes níveis populacionais associados com a elevação do poder aquisitivo têm contribuído com o crescimento progressivo e acumulativo da produção de dejetos descartados em aterros sanitários e/ou lixões. A Reciclagem de PET colabora para preservação ambiental, de maneira geral, a reciclagem do PET pode ocorrer de três diferentes maneiras: reciclagem química — onde os componentes das matérias primas do PET são separados; reciclagem energética — onde o calor da queima do resíduo pode ser aproveitado para a geração de energia elétrica (centrais termelétricas); reciclagem mecânica — onde é realizada a coleta seletiva, a produção de flocos e a reutilização do material para a produção de outros produtos, inclusive embalagens, mas para fins não alimentícios(FORMIGONI,2007). Nesta última forma de reciclagem estão as tentativas de utilização das garrafas de PET na construção civil, sempre com o intuito de minimizar os custos, criando alternativas para uma construção mais acessível (ABIPET,2015). As necessidades implícitas em termos de construção de edifícios e outras infraestruturas, agrava ainda mais o consumo de matérias-primas não renováveis, bem assim como a produção de resíduos. A sustentabilidade da indústria da construção, em particular o caso dos materiais de construção, assume desta forma um papel primordial de divulgação e aprofundamento do assunto. Diante destes fatos, preocupações ambientais entram no foco de desenvolvimento sustentável, para Fritjof Capra, sustentabilidade é um complexo de organização que tem como características: reciclagem, interdependência, parceria, flexibilidade e diversidade. Assim, a sustentabilidade, não se refere apenas à preservação e conservação do meio ambiente, mas, a relação entre os princípios da ecologia referentes à sustentação da vida: redes, ciclos, energia solar, alianças, diversidade e equilíbrio dinâmico. Considerando tipos de construção alternativa, a utilização de garrafas de pet no lugar de tijolos, pode reduzir o custo da obra em 2/3 do valor e atende os pré-requisitos necessários para ser utilizado como material de construção (NETO,2014). Este trabalho apresenta os métodos utilizados do uso do resíduo plástico (garrafa pet) como matéria-prima. Material e Métodos Este artigo foi elaborado com dados obtidos através de bancos de dados, tais como a capes e scielo, referentes aos métodos de construção de ambientes com garrafas PETS como material. Foi escolhido o ambiente denominado Casa TÓPICO 4 | ALVENARIA ESTRUTURAL E CONCRETO 135 PET instalada na FATEC de Presidente Prudente que ocupa um espaço de 24 m2, como mostra a Figura 1. E a edificação EcoARK, localizada em Taipei, Taiwan, ocupando cerca de 2000 m², com três níveis, como mostra a figura 2. Resultados e Discussão 1. Projeto Casa PET Na construção do ambiente “Casa PET”, foi realizada a nivelação e limpeza da área para implantar as cavas, que delimitam o local onde as paredes são colocadas, posteriormente foram preenchidas com concreto. Para a fundação das paredes, as garrafas PETS, provenientes de campanhas de doações, foram dispostas de maneira que ficassem deitadas e sobrepostas, sendo preenchidas com uma mistura de solo cimento (numa proporção de 90% de areia e 10% de cimento) com o auxílio de um grupo de escoteiros da cidade de Presidente Prudente, para garantir a rigidez do material, sendo unidas com areia, cimento, cal e água. Em seguida foi feito um contra piso de cimento, onde todo o encanamento ficou embutido e foi dado o acabamento, como a colocação de janelas e portas. O ambiente “CASA PET” proporcionou uma redução elevada e significativa nos custos de produção, cerca de 2/3, dando uma alternativa acessível com os mesmos benefícios de um ambiente tradicional. FIGURA 1 - IMAGEM DEMONSTRATIVA DO AMBIENTE CASA PET FONTE: Casa PET da FATEC, 2014. 2. EcoARK Na construção do pavilhão da EcoARK foram utilizadas cerca de 1,5 milhão de garrafas PET, porém foram transformadas em polli-tijolo para criar uma estrutura de intertravamento (colmeia) o que confere leveza e transparência ao material, permitindo a entrada de luz. Os polli-tijolos são fixados em uma malha metálica e uma peça de acrílico revestida por uma substância ininflamável, juntamente com uma placa de LED, para iluminar a fachada. Posteriormente são 136 UNIDADE 2 | FUNDAÇÕES E SISTEMAS ESTRUTURAIS fi xados em perfi s metálicos ligados a estrutura do prédio. Em relação a estrutura pode ser removida com facilidade, funcionando como um lego, com a mesma funcionalidade de uma cortina de vidro, porém pesa cerca de apenas 1/5 em relação à essas estruturas e custa menos da metade. FIGURA 2 - PAVILHÃO ECOARK FONTE: National Geographic,2015. Conclusões Foi comprovado que o uso de garrafas pets como principal matéria-prima na construção de ambientes é viável e não desestabiliza a estrutura da casa, apresentou alta efi ciência para suportar sobrepeso, uma ótima durabilidade. Como reaproveitamento do resíduo plástico (descartados erroneamente) esta é uma alternativa economicamente viável para a construção de ambientes. FONTE: <https://repositorio.unesp.br/handle/11449/142205>. Acesso em: 21 out. 2019. 137 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você aprendeu que: • Existe um sistema construtivo normatizado chamado alvenaria estrutural, que pode ser composto de blocos ou em peças modulares em concreto constituindo paredes que transmitem as cargas para as fundações de forma homogênea. Para isso há critérios e cuidados em cada etapa da obra, como: ᵒ elaboração de projeto de alvenaria estrutural e industrial também; ᵒ contratação de mão de obra qualificada; ᵒ controle de qualidade em todas as etapas. • Mesmo que constituída por blocos, a alvenaria estrutural pode ser qualificada em três tipos: ᵒ alvenaria não armada; ᵒ alvenaria armada ou parcialmente armada; ᵒ alvenaria protendida. 138 1 (IESES, 2016) A Alvenaria Estrutural é um sistema construtivo racionalizado no qual os elementos desempenham a função estrutural e de vedação ao mesmo tempo. O projeto deve seguir a rigorosos modelos matemáticos pré- estabelecidos. Assinale a alternativa que NÃO correspondente à alvenaria estrutural. FONTE: <https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/47331/ieses- 2016-bahiagas-tecnico-de-processos-tecnologicos-edificacoes-prova.pdf?_ ga=2.99818011.423320919.1568594992-1595872328.1568055989>. Acesso em: 17 out. 2019. a) ( ) Como os blocos vazados permitem a passagem das tubulações elétricas e hidráulicas, também não há necessidade de quebrar paredes, reduzindo desperdícios de materiais e mão de obra. b) ( ) Uma das medidas de economia para viabilizar um empreendimento é empregar blocos de concreto com diversas resistências à compressão, de acordo com a faixa de andar executada. c) ( ) Na alvenaria estrutural, elementos como pilares e vigassão desnecessários, pois as paredes, chamadas portantes distribuem a carga uniformemente ao longo dos alicerces. d) ( ) Na alvenaria estrutural não é dispensado o dimensionamento e execução de pilares convencionais, apenas elimina a execução de vigas aéreas, mas contribui significativamente para a redução de desperdícios de materiais e mão de obra. e) ( ) Na Alvenaria Estrutural elimina-se a estrutura convencional, o que conduz à importante simplificação do processo construtivo, reduzindo etapas e mão de obra, com consequente redução do tempo de execução. 2 (INPI, 2006) Os processos tecnológicos aplicados à construção civil incluem a alvenaria estrutural, na qual se elimina a estrutura convencional de concreto armado, simplificando o processo construtivo com redução de etapas, mão de obra e, consequentemente, tempo de execução. No que se refere às características dessa tecnologia de construção, assinale a opção correta. FONTE: <https://arquivo.pciconcursos.com.br/provas/11064656/459a015a3996/inpi_006_1. pdf>. Acesso em: 17 out. 2019. a) ( ) Os acabamentos conseguidos com esse tipo de alvenaria são de maior espessura, se comparados com os do sistema tradicional de construção. b) ( ) Esse processo oferece menos segurança ao operário. c) ( ) Não é possível construir pilares em alvenaria estrutural. d) ( ) Essa tecnologia de construção gera menos entulho. e) ( ) A montagem da estrutura é feita de modo que o eixo longitudinal dos furos dos tijolos (ou blocos) fique na posição horizontal. AUTOATIVIDADE https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/47331/ieses-2016-bahiagas-tecnico-de-processos-tecnologicos-edificacoes-prova.pdf?_ga=2.99818011.423320919.1568594992-1595872328.1568055989 https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/47331/ieses-2016-bahiagas-tecnico-de-processos-tecnologicos-edificacoes-prova.pdf?_ga=2.99818011.423320919.1568594992-1595872328.1568055989 https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/47331/ieses-2016-bahiagas-tecnico-de-processos-tecnologicos-edificacoes-prova.pdf?_ga=2.99818011.423320919.1568594992-1595872328.1568055989 https://arquivo.pciconcursos.com.br/provas/11064656/459a015a3996/inpi_006_1.pdf https://arquivo.pciconcursos.com.br/provas/11064656/459a015a3996/inpi_006_1.pdf 139 UNIDADE 3 ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • conhecer metodologias de construções com concreto armado; • reconhecer as diferentes etapas da concretagem; • reconhecer projetos e técnicas de diversos tipos de alvenarias; • conhecer procedimentos de vedações e fechamentos de alvenarias; • identificar alguns tipos de coberturas; • conhecer algumas normas e textos técnicos. Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer da unidade, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – EXECUÇÃO DE ESTRUTURAS DE CONCRETOS TÓPICO 2 – CONCRETAGEM TÓPICO 3 – PROJETO DE ALVENARIA DE VEDAÇÃO TÓPICO 4 – COBERTURAS Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 140 141 TÓPICO 1 EXECUÇÃO DE ESTRUTURAS DE CONCRETO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Na unidade anterior estudamos sobre diferentes sistemas construtivos. Dentre os sistemas normatizados temos como principal, e mais utilizado no mercado, as construções executadas com o concreto armado. Embora haja outros elementos que permitam estruturas mais esbeltas, com vãos maiores, mais leves e cronogramas mais curtos, as estruturas em concreto ainda estão em alta e isso talvez seja pelo fato do conservadorismo, ou pela solidez, mas observa-se que todo técnico que projeta uma estrutura, seja o desenho inovador que for, sempre prevê uma parte em concreto. Na maior parte dos projetos, as estruturas metálicas são ancoradas em blocos ou fundações em concreto armado. As estruturas de madeira precisam de base sólida, estável e que as proteja das intempéries do solo. O concreto atende a essas demandas com garantias. O concreto é a criação humana que mais se aproxima das rochas encontradas na natureza e talvez seja um dos elementos mais analisados em laboratórios técnicos. Por isso existem tantas normas com definições, procedimentos, nomenclaturas e ensaios com o concreto. Mas você sabe como foi feito o primeiro concreto? Acreditaria se o concreto armado tivesse sido criado por um jardineiro? Após Josef Aspdin desenvolver o cimento na ilha de Portland, na Inglaterra, um jardineiro francês chamado Joseph Monier, em 1861, construía jarros de flores que não resistiam à carga e se rompiam, até quando teve a ideia de acrescentar barras de aço na parte tracionada das peças feitas em argamassas de cimento, e gerou o concreto armado. Animado com sua experiência, Monier conseguiu chegar ao concreto armado, tal como o entendemos atualmente. Obteve, a partir de 1867, sucessivas patentes para a construção de tubos, lajes, pontes, obtendo êxitos em suas obras, mesmo sem qualquer base científica, apenas por métodos puramente empíricos. Depois que os direitos da patente de Monier foram vendidos para firmas alemãs, o concreto armado pôde encontrar uma primeira teoria cientificamente consistente, comprovada experimentalmente, elaborada e publicada por Emil Mörsch, em 1902 (SÜSSEKIND, 1980). UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 142 2 GENERALIDADES O concreto é uma mistura de cimento e materiais inertes, ou seja, agregados miúdos e graúdos que devidamente misturados apresentam uma mistura uniforme com a adição de água. Süssekind (1980) afirma que o concreto é empregado em todos os tipos de estruturas. É usado nas estruturas de edifícios residenciais, industriais, pontes, túneis, barragens, abóbadas, silos, reservatórios, cais, fundações, obras de contenção, galerias de metrô etc. Listando três razões básicas, todas individualmente indispensáveis, o concreto armado pode ser considerado uma solução viável, durável e de enorme confiabilidade a: • Trabalho conjunto do concreto e do aço, assegurado pela aderência entre os dois materiais. • Os coeficientes de dilatação térmica do aço e concreto são praticamente iguais. • O concreto protege da oxidação o aço da armadura, garantindo a durabilidade da estrutura. As vantagens e desvantagens do concreto armado, segundo Süssekind (1980, p. 4), são: • Vantagens: ᵒ Economia, basicamente a mais importante. O concreto (armado ou protendido) é mais barato que a solução metálica na maioria dos casos, só perde para ela em casos de vãos excessivamente grandes. ᵒ Adaptação a qualquer tipo de forma e facilidade de execução. ᵒ Ótima solução para estruturas monolíticas, hiperestáticas, com maiores reservas de segurança. ᵒ Manutenção e conservação praticamente nulas, associadas à grande durabilidade. ᵒ Resistência a efeitos térmicos, atmosféricos e a desgastes mecânicos. • Desvantagens: ᵒ A grande desvantagem do concreto armado é seu peso próprio (2,5 t/m³) e concreto simples (de valores entre 1,2 e 2,0 t/m³). ᵒ Outra desvantagem está na dificuldade de reformas ou demolições e o baixo grau de proteção térmica que oferece. 2.1 COMPONENTES DO CONCRETO Como já mencionamos antes, o concreto é uma mistura de cimento, materiais inertes e água. Vejamos um pouco de cada um desses componentes. TÓPICO 1 | EXECUÇÃO DE ESTRUTURAS DE CONCRETO 143 2.1.1 Cimento O cimento geralmente é comprado em sacos de 50 kg e existem diversos tipos com diferentes funções. A Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP –p e a NBR 16697 dividem o cimento por tipo e padronizam por sigla cada tipo e suas características: Tipos de cimento Portland Siglas Características Cimento Portland comum CP I É muito adequado para o uso em construções de concreto em geral quando não há exposição a sulfatos do solo ou deáguas subterrâneas, e quando não há necessidade de desforma rápida ou baixo desprendimento de calor. Também utilizado como retardador da pega. Comum com adições CP I-S Com até 10% de material carbonático em massa, recomendado para construções em geral, com as mesmas características. Composto com Escória CP II-E Recomendado para estruturas que exijam um desprendimento de calor moderadamente lento ou que possam ser atacados por sulfatos. Composto com Pozolana CP II-Z Empregado em obras civis em geral, subterrâneas, marítimas e industriais. O concreto feito com esse produto é mais impermeável e por isso mais durável. Composto com Fíler CP II-F Para aplicações gerais. Alto Forno CP III Apresenta maior impermeabilidade e durabilidade, baixo calor de hidratação, assim como alta resistência à expansão devido à reação álcali- agregado, além de ser resistente a sulfatos. É particularmente vantajoso em obras de concreto- massa, tais como barragens, peças de grandes dimensões, fundações de máquinas, pilares, obras em ambientes agressivos, tubos e canaletas para condução de líquidos agressivos, esgotos e efluentes industriais, concretos com agregados reativos, pilares de pontes ou obras submersas, pavimentação de estradas e pistas de aeroportos. QUADRO 1 – TIPOS DE CIMENTO UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 144 Pozolânico CP IV É especialmente indicado em obras expostas à ação de água corrente e ambientes agressivos. O concreto feito com este produto, em igualdade de condições, se torna mais impermeável, mais durável, apresentando resistência mecânica à compressão superior à do concreto feito com CP I, a idades avançadas. Alta resistência inicial CP V-ARI É o tipo mais adequado para aplicações onde o requisito de elevada resistência às primeiras idades é fundamental, como na indústria de pré-moldados e, especialmente, na aplicação da protensão. No entanto, apesar de garantir um crescimento acelerado de resistência já nos primeiros dias, há um decréscimo na velocidade desse crescimento, tendendo a valores finais assintóticos próximos aos obtidos para os demais tipos de cimento a idades mais avançadas. Resistente a Sulfatos CP RS Oferece resistência aos meios agressivos sulfatados, como redes de esgotos de águas servidas ou industriais, água do mar e em alguns tipos de solos. Pode ser usado em concreto dosado em central, concreto de alto desempenho, obras de recuperação estrutural e industriais, concretos projetado, armado e protendido, elementos pré-moldados de concreto, pisos industriais, pavimentos, argamassa armada, argamassas e concretos submetidos ao ataque de meios agressivos, como estações de tratamento de água e esgotos, obras em regiões litorâneas, subterrâneas e marítimas. Baixo Calor de Hidratação CP BC Este tipo de cimento tem a propriedade de retardar o desprendimento de calor em peças de grande massa de concreto, evitando o aparecimento de fissuras de origem térmica, devido ao calor desenvolvido durante a hidratação do cimento. Branco CPB Pode ser estrutural e não estrutural. O estrutural é aplicado em concretos brancos para fins arquitetônicos, com classes de resistência 25, 32 e 40, similares às dos demais tipos de cimento e pode, portanto, ser utilizado nas mesmas aplicações do cimento cinza. Já o não estrutural não tem indicações de classe e é aplicado, por exemplo, em rejuntamento de azulejos e em aplicações não estruturais. FONTE: Salgado (2018, p. 94-95) TÓPICO 1 | EXECUÇÃO DE ESTRUTURAS DE CONCRETO 145 2.1.2 Agregados A NBR 7211 define agregados como miúdo ou graúdo: • Miúdo – Areia de origem natural ou resultante do britamento de rochas estáveis, cujos grãos passam pela peneira de 4,75 mm e ficam retidos na peneira 0,150 mm. • Graúdo – Pedra britada proveniente de rochas estáveis, ou a mistura de ambos, cujos grãos passam pela peneira 152 mm e ficam retidos na peneira 4,75 mm (ABNT, 1983, p.2). Existem os agregados naturais, os agregados artificiais (bica-corrida, rachão, restolho e blocos) e os agregados industrializados divididos em leves (argila expandida e vermiculita) e pesados (hematita e barita). 2.1.3 Água A água utilizada no concreto deve ser potável. Não pode haver qualquer resíduo de óleo ou cloro, para não interferir na homogeneidade da mistura nem na composição química do cimento. Assim, também não pode ser utilizada água do mar nem água de fonte salobra. A dosagem de água deve obedecer ao traço solicitado, pois é a quantidade de água que vai alterar a consistência do concreto. Para saber mais sobre as propriedades do concreto, veja as literaturas: PETRUCCI, Eladio G. R. Concreto de cimento Portland. 7. ed. Porto Alegre: Globo, 1980; e LEONHARD, F. Construções de concreto. Rio de Janeiro: Interciência, 2008. DICAS As construções com estrutura de concreto podem ser armadas ou protendidas. Embora à primeira vista pareçam ser a mesma coisa, a diferença principal está na aplicação da tensão e dos esforços solicitantes da estrutura. Para Santos, Pinheiro e Muzardo (2004), o concreto com armadura passiva (concreto armado) pode ter a sua ferragem composta por barras ou fios, posicionados, dimensionados e amarrados conforme projeto do calculista. Todas essas informações do projeto são necessárias e precisam ser respeitadas na execução para atender às reações calculadas. Um erro de execução pode ocasionar o colapso da construção. Já o concreto com armadura ativa (concreto protendido) UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 146 possui como ferragens fios e cordoalhas. Essas armaduras são as pré-tracionadas, por equipamentos próprios, e depois da cura do concreto as tensões são aliviadas, portanto, os fios e/ou as cordoalhas aplicam uma força de compressão no elemento estrutural conforme dimensionamento em projeto. FIGURA 1 – CONSTRUÇÃO COM ESTRUTURA DE CONCRETO FONTE: <http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=19&Cod=2097>. Acesso em: 7 nov. 2019. A estrutura de concreto pode ter a armadura ativa ou passiva, ou ambas. Sua aparência ou o seu acabamento final não mostrará a diferença das armaduras porque o concreto será moldado conforme a fôrma e isolará qualquer ferragem contra oxidação por exposição ao oxigênio. 3 SISTEMA DE FÔRMAS A NBR 14931, no item 7, recomenda que o sistema que compreende as fôrmas, o escoramento, o cimbramento e os andaimes, incluindo seus apoios, bem como as uniões entre os diversos elementos, deve ser projetado e construído de modo a ter: • Resistência às ações a que possa ser submetido durante o processo de construção; [...] • Rigidez suficiente para assegurar que as tolerâncias especificadas para a estrutura e especificações do projeto sejam satisfeitas e a integridade dos elementos estruturais não seja afetada (ABNT, 2004a, p. 5-6). Ainda, a NBR 14931 cita no item 7.1 que assim como o formato, a função, a aparência e a durabilidade de uma estrutura de concreto permanente não devem ser prejudicadas devido à qualquer problema com as fôrmas, o escoramento ou sua remoção. As fôrmas devem adaptar-se ao formato e às dimensões das peças da estrutura projetada. http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=19&Cod=2097 TÓPICO 1 | EXECUÇÃO DE ESTRUTURAS DE CONCRETO 147 As fôrmas podem ser feitas de madeira, aço ou qualquer material resistente para garantir a integridade geométrica dos elementos a serem moldados na obra (ABNT, 2004a). FIGURA 2 – ESQUEMA DE FÔRMA DE VIGA COM ESCORAS FONTE: Salgado (2018, p. 67) Pregos normais com cabeça Aplicações: - Montagem de fôrmas para concreto - Confecção de estruturas diversas - Forros e tapumes Tamanho: - variável, a partir de 12 x 12 Pregos sem cabeça Aplicações: - Assoalho e marcenaria em geral - Rodapé - Molduras de portas e janelas etc. Benefícios: - Melhor acabamento, pois fi ca escondido na madeira Pregos com cabeça dupla Aplicações: - Ideal para montagem de estruturasde madeiras temporárias como fôrmas para concreto e andaimes. Sua dupla cabeça torna mais fácil o arranque, evitando danos à madeira. Tamanhos: - 18 x 27, 17 x 27, 18 x 30 QUADRO 2 – TIPOS DE PREGO FONTE: <https://www.gerdau.com/br/pt/productsservices/products/Document%20Gallery/ catalogo-pregos-gerdau.pdf>. Acesso em: 7 nov. 2019. UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 148 A NBR 14931 prevê ainda que o escoramento deve ser projetado de modo a não sofrer, sob a ação de seu próprio peso, com o peso da estrutura e das cargas acidentais que possam atuar durante a execução da estrutura de concreto, deformações prejudiciais ao formato da estrutura ou que possam causar esforços não previstos no concreto (ABNT, 2004a). No projeto do escoramento devem ser consideradas a deformação e a flambagem dos materiais e as vibrações a que o escoramento estará sujeito. Durante a construção, o escoramento deve ser apoiado sobre cunhas, caixas de areia ou outros dispositivos apropriados para facilitar a remoção das fôrmas, de maneira que não submeta a estrutura a impactos, sobrecargas ou outros danos. Na utilização de escoramento metálico devem ser seguidas as instruções do fornecedor responsável pelo sistema. Para os planos de desforma e escoramentos remanescentes, a NBR 14931 recomenda levar em conta os materiais utilizados associados ao ritmo de construção, tendo em vista o carregamento decorrente e a capacidade de suporte das lajes anteriores, quando for o caso (ABNT, 2004a). A colocação de novas escoras em posições preestabelecidas e a retirada dos elementos de um primeiro plano de escoramento podem reduzir os efeitos do carregamento inicial, do carregamento subsequente e evitar deformações excessivas. Paredes, pilares e faces laterais de vigas 3 dias Lajes com até 10 cm de espessura 3 dias Lajes com mais de 10 cm de espessura 21 dias Faces inferiores de vigas com até 10 m de vão 21 dias Arcos e abóbadas 28 dias Faces inferiores de vigas com mais de 10 m de vão 28 dias QUADRO 3 – PRÁTICA PARA DESFORMA DOS PAINÉIS FONTE: Salgado (2018, p. 71) A NBR 14931 considera os seguintes aspectos: • Nenhuma carga deve ser imposta e nenhum escoramento removido de qualquer parte da estrutura enquanto não houver certeza de que os elementos estruturais e o novo sistema de escoramento têm resistência suficiente para suportar com segurança as ações a que estarão sujeitos. • Nenhuma ação adicional, não prevista nas especificações de projeto ou na programação da execução da estrutura de concreto, deve ser imposta à estrutura ou ao sistema de escoramento sem que se comprove que o conjunto tem resistência suficiente para suportar com segurança as ações a que estará sujeito. TÓPICO 1 | EXECUÇÃO DE ESTRUTURAS DE CONCRETO 149 • A análise estrutural e os dados de deformabilidade e resistência do concreto usados no planejamento para a reestruturação do escoramento devem ser fornecidos pelo responsável pelo projeto estrutural ou pelo responsável pela obra, conforme acordado entre as partes. • A verificação de que a estrutura de concreto suporta as ações previstas, considerando a capacidade de suporte do sistema de escoramento e os dados de resistência e deformabilidade do concreto (ABNT, 2004a, p. 7). Para simplificar, a retirada das escoras deve respeitar o sentido das reações de equilíbrio das peças concretadas. Lembrando que o concreto tem maior resistência à compressão, ao aço e à tração, então a retirada de escoras de uma viga em balanço, por exemplo, é feita da parte em balanço para a parte engastada. Em via biapoiada, a retirada das escoras faz-se do centro do vão para as extremidades, conforme esquema a seguir. FIGURA 3 – ESQUEMA DE RETIRADA DE ESCORAS DE VIGA FONTE: A autora Que tal assistir a uma animação sobre fôrma e desfôrma? Acesse o endereço: https://www.youtube.com/watch?v=V6W_ZzBFCzo. DICAS 4 ARMAÇÃO Como dito antes, a armadura nos concretos pode ser constituída por barras, fios ou cordoalhas. A ferragem no concreto armado vai garantir a resistência estrutural atuando com as reações de flexão e tração atuantes nas tensões. O aço para concreto armado (CA) apresenta-se por classes em função da maleabilidade e da tensão de escoamento: https://www.youtube.com/watch?v=V6W_ZzBFCzo UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 150 Categoria Resistência característica de escoamento fyk Massa máxima dos lotes (t) por bitola CA – 25 250 MPa 5t – 6,3; 6t – 8,0; 8t – 10,0; 10t – 12,5; 13t – 16,0; 16t – 20,0; 20t – 22,0 25,0; 25t – 32,0 40,0 CA – 50 500 MPa 8t – 6,3; 10t – 8,0; 13t – 10,0; 16t – 12,5; 20t – 16,0; 25t – 20,0 22,0 25,0 32,0 40,0 CA – 60 600 MPa 8t – 6,3; 10t – 8,0; 13t – 10,0; 16t – 12,5; 20t – 16,0; 25t – 20,0 22,0 25,0 32,0 40,0 QUADRO 4 – RESISTÊNCIAS DO AÇO FONTE: ABNT (2007, p. 12) De acordo com a norma, Salgado (2018) resume as categorias encontradas no mercado como: CA-25 Grande maleabilidade (arames), utilizado principalmente como tirante em fôrmas para concreto armado. CA-50 Utilizado como elemento constituinte do concreto armado, principalmente barras longitudinais. CA-60 Também utilizado no concreto armado, porém preferencialmente usado na confecção de estribos. QUADRO 5 – CARACTERÍSTICAS DE CADA AÇO FONTE: <https://www2.gerdau.com.br/produtos/vergalhao-gerdau>. Acesso em: 7 nov. 2019. TÓPICO 1 | EXECUÇÃO DE ESTRUTURAS DE CONCRETO 151 O transporte, armazenamento e manuseio não podem danificar as peças. Cada elemento deve ser identificado conforme projeto para evitar equívocos durante a utilização. Quando é necessário executar alguma emenda das armaduras, estas devem ser feitas conforme previstas no projeto estrutural, respeitando os padrões da NBR 14931. Tipos de emendas: • por traspasse; • por luva com preenchimento metálico, prensadas ou rosqueadas; • por solda; • por outros dispositivos devidamente justificados (ABNT, 2004a, p. 10). Para a identificação das peças da armadura nos projetos de estrutura, cada componente da armadura recebe uma identificação composta de um desenho específico que mostra as dimensões a serem formatadas na obra, uma numeração que identifica a posição do elemento na armadura, a quantidade dos elementos, o diâmetro (ou bitola) do aço e ainda o comprimento total de cada elemento utilizado para o corte (SALGADO, 2018). FIGURA 4 – NOMENCLATURA DA FERRAGEM FIGURA 5 – EXEMPLO DE UMA VIGA FONTE: Salgado (2018, p. 79) FONTE: Salgado (2018, p. 79) UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 152 Com essas informações, a interpretação dos desenhos no projeto estrutural fica mais viável. No entanto, é necessário conhecer o posicionamento das barras em função dos diagramas de esforços solicitantes, principalmente os de flexão e tração, como ilustrados nos principais elementos estruturais a seguir: FIGURA 6 – ARMAÇÃO DE UM TIPO DE VIGA FONTE: Salgado (2018, p. 78) FIGURA 7 – ARMAÇÃO DE ALGUNS ELEMENTOS ESTRUTURAIS FONTE: Salgado (2018, p. 78) Após montada, a ferragem deve ser colocada adequadamente na fôrma, respeitando as dimensões do projeto e os afastamentos do aço da fôrma, e atendendo à exigência da NBR 6118 que estipula os recobrimentos mínimos em função da agressividade ambiental. Esses afastamentos são fundamentais para garantir o cobrimento mínimo de concreto com a finalidade de proteger a ferragem de fissuras que podem surgir na face do elemento estrutural após a cura e causar oxidação do aço por contato do oxigênio ou umidade. TÓPICO 1 | EXECUÇÃO DE ESTRUTURAS DE CONCRETO 153 FIGURA 8 – ALGUNS TIPOS DE ESPAÇADORES COMERCIALIZADOS FONTE: Salgado (2018, p. 85) Para saber mais sobre fôrmas e armação é recomendada a leitura de Júlio C. P. Salgado, Técnicas e práticas construtivas para edificação. 4. ed. São Paulo: Érica, 2018. DICAS 154 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • O concreto é composto de cimento,agregados graúdos (pedras), agregados miúdos (areias) e água. • Cada elemento deve respeitar os critérios normatizados para garantir a integridade de um bom concreto. • Há diferentes tipos de concreto e que dentre eles está o concreto armado, que pode ser feito com ferragens passivas ou protendidas quando a estrutura demandar a aplicação da tensão de cargas antes da concretagem. • O sistema de fôrma segue as regras das normas NBR 14931 e a NBR 6118, assim como os critérios para o descimbramento e os demais itens: ᵒ pregos; ᵒ afastamento das ferragens da fôrma com a utilização de espaçadores; ᵒ reutilização das fôrmas; ᵒ prazos para retirada das fôrmas. 155 1 (CIAAR, 2019) O cimbramento é a estrutura provisória que sustenta as fôrmas que vão receber e dar forma ao concreto ainda pastoso. A respeito do assunto de como será a sequência correta do descimbramento de uma viga de concreto em balanço com 3 metros pronta para desformar, assinale a alternativa correta. FONTE: <https://s3.amazonaws.com/files-s3.iesde.com.br/resolucaoq/prova/prova/18266. pdf>. Acesso em: 7 nov. 2019. a) ( ) Deve-se retirar todo o escoramento de uma vez só. b) ( ) Retiram-se primeiro as escoras do centro e depois em sentido do apoio e do balanço. c) ( ) Deve-se iniciar a retirada da ponta em balanço em sentido ao apoio. d) ( ) Deve-se iniciar a retirada na ponta do apoio e seguir em sentido ao balanço. 2 (CESPE/UNB, 2010): AUTOATIVIDADE Para construir uma mesa de concreto com apoio central, de modo a aumentar a resistência do seu tampo, evitando que se quebre, um pedreiro decidiu fixar uma armação de aço para atuar como reforço, contudo, não decidiu sobre o posicionamento da armação. A figura acima representa três cortes da mesa, cada um indicando, por meio de uma linha preta, uma possível posição de fixação da armação do tampo. FONTE: <http://www.cespe.unb.br/concursos/INMETRO2010/arquivos/ INMETRO10_055_64.pdf>. Acesso em: 7 nov. 2019. Nessa situação: a) ( ) a melhor alternativa para a fixação da armação é a apresentada na alternativa A. b) ( ) a melhor alternativa para a fixação da armação é a apresentada na alternativa B. c) ( ) a melhor alternativa para a fixação da armação é a apresentada na alternativa C. d) ( ) a utilização de armação de aço não é indicada nesse caso, visto que, fatalmente, irá diminuir a resistência mecânica da mesa. https://s3.amazonaws.com/files-s3.iesde.com.br/resolucaoq/prova/prova/18266.pdf https://s3.amazonaws.com/files-s3.iesde.com.br/resolucaoq/prova/prova/18266.pdf http://www.cespe.unb.br/concursos/INMETRO2010/arquivos/INMETRO10_055_64.pdf http://www.cespe.unb.br/concursos/INMETRO2010/arquivos/INMETRO10_055_64.pdf 156 157 TÓPICO 2 CONCRETAGEM UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO A concretagem compreende o preparo, o transporte e o adensamento do concreto. O concreto pode ser misturado à mão ou mecanicamente no canteiro, ou em usina de concreto que transporta o concreto em caminhões betoneiras em estado pastoso devidamente dosado. Esse sistema de transporte de concreto não pode ultrapassar um percurso com duração superior a 45 minutos. Para distâncias superiores são usados veículos betoneiras que, durante o percurso, preparam o concreto recebido em estado seco e devidamente dosado ao sair da central de concreto e o entregam na obra recém-preparado. O preparo industrial “tem a vantagem de fornecer o concreto com a composição perfeita e plasticidade adequada conforme solicitado” (CARDÃO, 1988, p. 305). A mistura do concreto pode ser manual para pouca quantidade e quando o concreto não requer muito controle. “Não é recomendado fazer a mistura com volume de concreto superior a 350 litros de uma vez” (AZEREDO, 1997, p. 66). A imagem a seguir ilustra as etapas da mistura manualmente. FIGURA 9 – ETAPAS DE MISTURA MANUAL DE CONCRETO FONTE: <https://www.fazfacil.com.br/wp-content/uploads/2012/07/mat_concreto_mistura_2. gif>. Acesso em: 7 nov. 2019. https://www.fazfacil.com.br/wp-content/uploads/2012/07/mat_concreto_mistura_2.gif https://www.fazfacil.com.br/wp-content/uploads/2012/07/mat_concreto_mistura_2.gif 158 UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS Azeredo (1997, p. 66) faz referência à outra opção de mistura do concreto que é a mecânica, ou seja, com a utilização de uma betoneira: [...] constituída de um tambor, fixo ou móvel em torno de um eixo que passa pelo seu centro, no qual é feita a mistura. As betoneiras se dividem em intermitentes e contínuas. As intermitentes podem ser de queda livre (eixo inclinado ou horizontal) e forçadas (cuba fixa ou contracorrente); as contínuas podem ser de queda livre e forçadas. Entre os misturadores de concreto, a betoneira é a mais utilizada. FIGURA 10 – ETAPAS DE MISTURA MECÂNICA DE CONCRETO FONTE: <https://www.fazfacil.com.br/wp-content/uploads/2012/07/mat_concreto_mistura_3. gif>. Acesso em: 7 nov. 2019. Em obras sem espaço físico para armazenamento de materiais, área para a mistura do concreto e projetos que demandem concreto com controle, faz- se necessária a solicitação de concreto usinado, pois este chega pronto à obra para aplicação imediata. Sua maior vantagem é o controle de qualidade, que não se compara ao concreto misturado na obra sem o controle adequado dos seus insumos, além da quantidade exata de cimento e água necessária. O uso de concreto usinado é economicamente viável quando o volume solicitado for superior a 3 m³ (SALGADO, 2018). 2 EDIFÍCIOS DE MÚLTIPLOS PAVIMENTOS Depois de misturado, ou seja, após o cimento entrar em contato com a água, dá-se a reação química na mistura e toda a obra é preparada para o recebimento do concreto fresco, que demanda cuidados e procedimentos conforme as normas NBR 14931 e a NBR 12655. https://www.fazfacil.com.br/wp-content/uploads/2012/07/mat_concreto_mistura_3.gif https://www.fazfacil.com.br/wp-content/uploads/2012/07/mat_concreto_mistura_3.gif TÓPICO 2 | CONCRETAGEM 159 Durante o transporte de concreto fresco na obra, que pode ser por carrinho de mão, “giricas”, caçambas, caminhão betoneira, calhas, gruas, correias transportadoras etc., há risco de segregação dos componentes do concreto, com prejuízo da sua qualidade. Para que o concreto seja deslocado do local de sua mistura até a fôrma com qualidade, a peça a ser concretada deve estar preparada para receber o concreto fresco com todos os equipamentos em perfeitas condições de uso (SALGADO, 2018, p. 102). Para melhor descrever os devidos preparativos e aparatos para a concretagem, o autor descreve uma lista com itens importantes a serem considerados para que a concretagem transcorra sem problemas e garantindo a qualidade (SALGADO, 2018, p. 102-103): • Verificação das fôrmas: ᵒ Conferir se o nível do concreto acabado está visivelmente demarcado. ᵒ Verificar a perfeita fixação das mestras no caso de concretagem de lajes e de pisos. ᵒ As fôrmas devem estar limpas e lavadas antes da concretagem. ᵒ Quaisquer buracos ou fendas que possam deixar o concreto vazar precisam ser fechados. • Verificação dos acessos: ᵒ Procurar o menor percurso possível para o concreto. ᵒ Verificar se as rampas de acesso não possuem inclinação excessiva, se o trajeto está desobstruído e livre de entulhos. ᵒ Verificar se os acessos dos caminhões betoneiras, quando utilizados, estão em boas condições de tráfego e livre de atoleiros. ᵒ A circulação dos caminhões deve ser facilitada, de modo que o caminhão seguinte não impeça a saída do caminhão vazio. • Verificação do local de descarregamento e lançamento (aplicação): ᵒ Conferir se o local de descarregamento ou lançamento está desimpedido e plano. ᵒ Avaliar se há tábuas sobre as armações, principalmente em casos de lajes, para a movimentação de equipamentos e pessoal. • Aplicação com bombas e tubulações: ᵒ Caso o concreto seja bombeado, prever o local mais próximo possível da concretagem, para o posicionamento do equipamento de bombeamento e local para a manobra de caminhõesbetoneira. ᵒ Verificar o nivelamento da bomba. ᵒ Travar firmemente a tubulação em peças já concretadas ou em estruturas especialmente executadas para este fim, evitando a fixação na estrutura da forma que vai receber a concretagem. ᵒ Lubrificar a tubulação com argamassa de cimento e areia, não utilizando essa argamassa para a concretagem. • Condições dos equipamentos e equipes: ᵒ Verificar se os equipamentos para o transporte de concreto estão limpos e em bom estado e se a equipe operacional (transporte e aplicação) está dimensionada para o volume e o prazo de concretagem previsto. ᵒ Conferir se a obra dispõe de equipamentos de adensamento (vibradores) em quantidade suficiente. Salgado (2018, p. 104) ainda esclarece que não basta proceder corretamente na mistura e no transporte do concreto fresco se a aplicação não for bem executada. Na sequência, alguns procedimentos a serem acompanhados: 160 UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS • Assegurar que o preenchimento das formas seja uniforme, evitando o lançamento em pontos concentrados que possam causar sobrecarga na estrutura. • Não lançar o concreto de altura superior a três metros nem o jogar a grande distância com pá para evitar a separação da brita. Quando a altura for muito elevada, deve-se utilizar anteparos ou funil. • A aplicação do concreto deve ocorrer no menor prazo possível. • Lançar o concreto diretamente sobre a peça a ser concretada. • Adensamento do concreto deve ser com auxílio de vibrador de agulha, ou régua vibratória no caso da concretagem de lajes. • Iniciar a cura do elemento concretado o mais rápido possível. • A concretagem deve ser feita no máximo duas horas após a mistura ficar pronta. • Evitar paradas de concretagem para que não cause a chamada junta fria. • O concreto deve ser adensado em camadas e compatível com o equipamento de vibradores. • Utilizar um funil como auxílio para o lançamento de concreto em pilares quando a altura de lançamento for superior a 2,50 m. • Verificar se foram previstas ancoragens para os gastalhos de pé de pilar se for concretada uma laje. • Realizar ensaios de abatimento (slump-test) no recebimento do concreto e providenciar coleta para ensaio e controle da resistência à compressão (fck). • Antes do início da concretagem de pilares verificar se os elementos de apoio estão devidamente limpos e com a superfície apicoada. • Antes da concretagem é comum despejar no pé do pilar uma argamassa de cimento e areia no traço de 1:3. • Verificar se toda a camada de concreto está sendo vibrada, bem como se estão sendo respeitados o tempo de vibração e as camadas de concretagem. • Confirmar se os procedimentos para cura da superfície exposta estão sendo observados. • Retirar por sarrafeamento ou com auxílio de desempenadeira ou colher de pedreiro o material exsudado do concreto. Durante a montagem das ferragens, deve-se verificar a concentração de armaduras, principalmente nos encontros de pilares com vigas e em emendas, pois o afastamento entre as barras pode ser menor que o agregado graúdo do concreto e impedir o preenchimento de toda a fôrma, causando o chamado “ninho de pedra” e comprometendo a exposição da ferragem na retirada das fôrmas. A solução para esses casos seria o reposicionamento das ferragens ou a redução do diâmetro dos agregados, tornando o concreto mais fluido, de acordo com a autorização do responsável técnico pela estrutura (SALGADO, 2018). TÓPICO 2 | CONCRETAGEM 161 FIGURA 11 – SEÇÃO DE ELEMENTO MAL CONCRETADO FONTE: Salgado (2018, p. 105) As falhas de concretagem podem surgir por vários motivos, entre eles a concentração de armaduras. Por esse motivo deve-se manter a qualidade de adensamento e observar o diâmetro dos agregados do concreto. Nas figuras a seguir são apresentados dois tipos de armação e o posicionamento das barras, de armadura espaçada (no exemplo da armadura passiva) ou em armaduras densas, ou seja, com muitas barras. FIGURA 12 – ARMAÇÃO PASSIVA FONTE: <https://s3.amazonaws.com/mapa-da-obra-producao/wp-content/uploads/2017/03/ novo-layout-6.jpg>. Acesso em: 7 nov. 2019. https://s3.amazonaws.com/mapa-da-obra-producao/wp-content/uploads/2017/03/novo-layout-6.jpg https://s3.amazonaws.com/mapa-da-obra-producao/wp-content/uploads/2017/03/novo-layout-6.jpg 162 UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS FIGURA 13 – ARMAÇÃO ATIVA PÓS-TRACIONADA FONTE: <https://evehx.com/wp-content/uploads/2015/11/aderente-52-250x200.jpg>. Acesso em: 7 nov. 2019. Para saber mais sobre estruturas de concreto protendido, acesse o site: https:// docplayer.com.br/84336614-Estruturas-de-concreto-protendido.html. DICAS Quando o concreto é usinado, a mistura da massa possui procedimentos rigorosos e supervisionados por técnicos habilitados para atender às especificações do projeto elaborado pelo calculista da obra. As centrais de concreto disponibilizam profissionais credenciados que auxiliam na especificação do concreto sem interferir na resistência especificada no projeto. Podem auxiliar quanto à utilização de aditivos, diâmetro dos inertes em função das peças a serem concretadas e programação de concretagem. Em obras de médio ou grande porte, deve-se solicitar uma visita desses profissionais para verificação das condições da obra (SALGADO, 2018, p. 108). No pedido do concreto deve-se mencionar: • Resistência característica do concreto, inclusive o aditivo, se for usado. • Dimensão dos agregados em função da peça concretada. • Consumo mínimo de cimento, se for exigido pelo calculista. • Fazer referência quanto ao abatimento (slump-test) desejado. • Volume. • Peça a ser concretada. • Programação de entrega em função da capacidade de aplicação. https://evehx.com/wp-content/uploads/2015/11/aderente-52-250x200.jpg https://docplayer.com.br/84336614-Estruturas-de-concreto-protendido.html https://docplayer.com.br/84336614-Estruturas-de-concreto-protendido.html TÓPICO 2 | CONCRETAGEM 163 No recebimento do concreto usinado na obra deve-se observar: • Se a nota fiscal possui todas as informações do concreto solicitado. Não receber o caminhão caso haja discordância na nota fiscal. • Solicitar que o concreto seja movimentado energeticamente no “balão” do caminhão antes do descarregamento. • Realizar o teste de abatimento e, se for necessário, adicionar água somente com o consentimento do responsável técnico da obra. • Conforme a norma, retirar corpos de prova para a verificação da resistência. Esse procedimento também deve ser observado quando o concreto é feito na própria obra (SALGADO, 2018, p. 108-109). FIGURA 14 – CAMINHÃO BETONEIRA E CAMINHÃO BOMBA CONCRETANDO LAJE FONTE: <https://www.concrezac.com.br/images/servicos/02.jpg>. Acesso em: 7 nov. 2019. FIGURA 15 – TESTE DE ABATIMENTO FONTE: <http://www.concretoengenharia.com/tpl/timthumb.php?src=uploads/ ConcretoEngenharia-91ece19f88f1b3ee72b6a0e8b9703a56.jpg&h=637&w=871&zc=1>. Acesso em: 7 nov. 2019. https://www.concrezac.com.br/images/servicos/02.jpg http://www.concretoengenharia.com/tpl/timthumb.php?src=uploads/ConcretoEngenharia-91ece19f88f1b3ee72b6a0e8b9703a56.jpg&h=637&w=871&zc=1 http://www.concretoengenharia.com/tpl/timthumb.php?src=uploads/ConcretoEngenharia-91ece19f88f1b3ee72b6a0e8b9703a56.jpg&h=637&w=871&zc=1 164 UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS O que é Slump do concreto e como fazer o teste? Veja no endereço: https:// www.escolaengenharia.com.br/slump-test/. DICAS Após o manuseio do concreto fresco com o devido transporte e aplicação do concreto, o adensamento da mistura na fôrma tem por finalidade acomodar o concreto, fazendo com que não haja vazios no interior da fôrma, deixando a massa de concreto bem coesa. O método mais usual e eficaz de fazer isso é com a utilização de vibradores especialmente destinados a essa finalidade. Esse procedimento é muito importante e requer habilidade e treino, por isso essa tarefa deve ser sempresupervisada pelo técnico responsável pela concretagem ou pelo mestre de obras. O excesso de vibração pode provocar a segregação do concreto, comprometendo assim sua qualidade e eficiência. Acompanhe algumas observações quanto ao procedimento de vibração: • O adensamento deve ser feito de modo contínuo e enérgico. • A vibração da armadura como auxílio no adensamento só é prejudicial à estrutura. Criam-se bolhas de ar entre a armadura e o concreto com prejuízo da aderência. • No uso de vibradores de imersão, eles devem ser introduzidos na massa de concreto vertical ou pouco inclinada. • Deve-se evitar uma vibração com duração longa demais, pois provoca a desagregação do concreto. • É necessário que a espessura da camada a ser vibrada seja aproximadamente igual a três quartos do comprimento da agulha do vibrador, que deve atingir a camada anterior, sem penetrá-la. • Nas colunas e paredes é melhor usar também um vibrador externo (ou de parede). • A batida com o martelo nas fôrmas, bem como o uso de barras de ferro, não é suficiente para socar o concreto dentro das fôrmas. • Não se deve deitar o vibrador sobre a armadura em caso de concreto de lajes. • Nas lajes e pisos com pouca espessura, o vibrador de imersão tem pouca eficiência. Utilizar réguas vibratórias especialmente para este fim (SALGADO, 2018, p. 106). Há no mercado, motores com diferentes alimentações (elétricos, a gasolina, portáteis), e mangotes com tamanho e peso diferenciados. https://www.escolaengenharia.com.br/slump-test/ https://www.escolaengenharia.com.br/slump-test/ TÓPICO 2 | CONCRETAGEM 165 FIGURA 16 – MOTOR VIBRADOR E MANGOTES FONTE: <https://sc01.alicdn.com/kf/HTB1rwkRbUD.BuNjt_h7q6yNDVXaE/230V-Part-of- Concrete-vibrator.jpg_350x350.jpg>. Acesso em: 7 nov. 2019. Logo após o adensamento do concreto, este deve “descansar” enquanto as reações químicas reagem durante o período de cura. Para isso, as superfícies das peças concretadas, “expostas a condições que acarretam a secagem prematura, deverão ser protegidas por meios adequados, de modo a conservarem-se úmidas durante pelo menos sete dias contados a partir do dia do lançamento” (AZEREDO, 1997, p. 78). A cura do concreto pode ser feita de modo tradicional, ou seja, mantendo a superfície úmida. Em casos em que é difícil manter a superfície úmida, como em muros e barragen,s por exemplo, é feita a cura química: na superfície recém-concretada é aplicada uma película como parafina ou resina que impede a evaporação da água do concreto. Quando o tempo de cura é reduzido, faz- se a cura térmica, com o objetivo de auxiliar a secagem do concreto de modo controlado. Para saber mais sobre cura do concreto, acesse: https://www.tecnosilbr.com. br/o-que-e-cura-de-concreto-e-como-fazer-uma-cura-eficiente/. DICAS https://portuguese.alibaba.com/product-detail/230v-part-of-concrete-vibrator-60770802740.html https://sc01.alicdn.com/kf/HTB1rwkRbUD.BuNjt_h7q6yNDVXaE/230V-Part-of-Concrete-vibrator.jpg_350x350.jpg https://sc01.alicdn.com/kf/HTB1rwkRbUD.BuNjt_h7q6yNDVXaE/230V-Part-of-Concrete-vibrator.jpg_350x350.jpg https://www.tecnosilbr.com.br/o-que-e-cura-de-concreto-e-como-fazer-uma-cura-eficiente/ https://www.tecnosilbr.com.br/o-que-e-cura-de-concreto-e-como-fazer-uma-cura-eficiente/ 166 UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS FIGURA 17 – APLICAÇÃO DE PRODUTO PARA A CURA DO CONCRETO EXPOSTO AO CALOR E VENTOS FONTE: <https://www.aecweb.com.br/prod/cls/anuncios/pes_47052/ag-cura-acrilico-med.jpg>. Acesso em: 7 nov. 2019. file:///C:\Users\05709246930\Downloads\%3c https://www.aecweb.com.br/prod/cls/anuncios/pes_47052/ag-cura-acrilico-med.jpg 167 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • A execução de concretagem requer muita atenção e critérios quanto à/ao: ᵒ mistura; ᵒ transporte; ᵒ recebimento; ᵒ lançamento; ᵒ adensamento; ᵒ cura. • Por ser uma mistura de materiais inertes e químicos, o concreto não pode ser lançado de altura superior a 2,50 m em função de sua plasticidade. • O prazo de validade do concreto fresco da mistura até o adensamento deve seguir as recomendações da NBR 7212. 168 AUTOATIVIDADE 1 (UFJF, 2014) Com relação às propriedades do concreto no estado fresco, marque a alternativa INCORRETA. FONTE: <http://www.ufjf.br/antenado/files/2014/03/T%C3%89CNICO-EM- EDIFICA%C3%87%C3%95ES-PROVA-E-GABARITO.pdf>. Acesso em: 7 nov. 2019. a) ( ) Alguns fatores como consumo de água, agregados, consumo de cimento, relação água/cimento, adições e aditivos podem afetar a trabalhabilidade do concreto fresco, pois, alterando um ou mais desses fatores, haverá mudanças na fluidez ou na coesão ou em ambas as características. b) ( ) Um dos equipamentos utilizados em ensaios para medir a consistência do concreto é o cone de Abrams. O ensaio é conhecido como abatimento de tronco de cone. Concretos mais fluídos tendem a apresentar abatimentos menores, devido ao seu espalhamento. c) ( ) O tipo de mistura, transporte, lançamento e adensamento do concreto são fatores que limitam a trabalhabilidade, de forma a permitir um adensamento nos níveis aceitáveis, sem que haja segregação e exsudação consideráveis do concreto. d) ( ) O tempo de pega varia, principalmente, com o tipo de cimento, a relação água/cimento, a temperatura e os aditivos. Cimentos com maior calor de hidratação ou mais finos apresentam tempos de pega menores. Relações água/cimento maiores, normalmente, apresentam maiores tempos de pega. Maiores temperaturas diminuem os tempos de pega. 2 (FCC, 2016) A propriedade das argamassas no estado fresco que determina a facilidade com que elas podem ser misturadas, transportadas, aplicadas, consolidadas e acabadas, em uma condição homogênea, recebe o nome de: FONTE: <https://arquivo.pciconcursos.com.br/provas/25542535/67ccfa33468d/assist_tec_ infraestrutura_tec_edificacoes.pdf>. Acesso em: 7 nov. 2019. a) ( ) Adesão inicial. b) ( ) Homogeneidade. c) ( ) Trabalhabilidade. d) ( ) Consistência. e) ( ) Exsudação. http://www.ufjf.br/antenado/files/2014/03/T%C3%89CNICO-EM-EDIFICA%C3%87%C3%95ES-PROVA-E-GABARITO.pdf http://www.ufjf.br/antenado/files/2014/03/T%C3%89CNICO-EM-EDIFICA%C3%87%C3%95ES-PROVA-E-GABARITO.pdf 169 TÓPICO 3 PROJETO DE ALVENARIA DE VEDAÇÃO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Uma construção é composta de elementos estruturais e de vedação. Denomina-se alvenaria, a vedação feita de pedras naturais, tijolos ou blocos de concreto, ligados ou não por meio de argamassas, e deve: [...] oferecer condições de resistência, durabilidade e impermeabilidade. A aplicação de tijolos satisfaz plenamente as condições de resistência e durabilidade; a Impermeabilização, nesse caso, é obtida por meios artificiais, utilizando produtos específicos. A impermeabilidade à umidade tem interesse especial sob o ponto de vista higiênico (AZEREDO, 1997, p. 125). A alvenaria pode ser feita com os seguintes materiais: • Tijolos de barro cozido – comum; Iaminado; furado, com quatro furos, com seis furos, com oito furos; refratário baiano. • Blocos de concreto. • Concreto celular. • Tijolo de vidro. • Pedras naturais (argamassados, travados). Cardão (1988, p. 231) trata alvenaria como “um conjunto de materiais de um trabalho e que deve se comportar como um único bloco”. Ou seja, seus elementos devem possuir equilíbrio estável sob ação das diferentes forças que a solicitam. 2 DEFINIÇÕES BÁSICAS As vedações verticais existentes numa edificação formam um subsistema composto por elementos que dividem os ambientes internos, controlam e protegem a ação de agentes indesejáveis e intempéries, e fornecem suporte para as tubulações das diversas instalações, proporcionando condições de habitação necessária. “As vedações verticais podem ter esquadrias, vidros, painéis de diferentes materiais” (SALGADO, 2018, p. 112). UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 170 Alvenaria pode ser entendida como um componente construído em obrapela união entre blocos e tijolos com argamassa de assentamento como elemento de ligação, formando um conjunto monolítico estável, como ilustrado na imagem a seguir. Normalmente, as alvenarias de vedação compostas por blocos ou tijolos possuem um alto índice de quebras, desperdícios, retrabalhos, ausência de projeto de paginação, sem muito cuidado na execução (SALGADO, 2018). FIGURA 18 – ELEMENTOS DE ALVENARIA FONTE: Salgado (2018, p. 112) Ainda, Salgado (2018, p. 113-114) nos mostra que as principais propriedades das alvenarias são: • Ergonomia – a alvenaria é executada assentando peça por peça, proporcionando um desgaste físico considerável aos trabalhadores. O seu tamanho, a sua textura e o seu peso podem influenciar diretamente na produtividade. Nem sempre um bloco maior é mais produtivo que um bloco pequeno. • Regularidade dimensional – a regularidade nas dimensões dos blocos ou tijolos é fator importante para uma uniformidade no elemento final, além de proporcional economia de argamassa. • Absorção de água – um bloco ou tijolo com baixa absorção de água pode comprometer a penetração da nata do cimento nos seus poros, comprometendo a aderência com a argamassa de assentamento. Em regiões ou climas muito quentes, deve-se umedecer os blocos, principalmente os cerâmicos para que não haja uma perda brusca da umidade da argamassa. • Tamanho do bloco – diretamente ligado à capacidade da alvenaria em absorver movimentações oriundas de dilatação térmica e eventuais recalques. Quanto menos juntas, menor o poder de movimentação. • Desempenho térmico e acústico – as alvenarias podem também ser boas aliadas no isolamento térmico-acústico. • Peso específico – característica que influencia o dimensionamento estrutural da edificação, inclusive nas estruturas de fundação. • Outros elementos – na escolha do elemento de alvenaria deve- se também verificar a capacidade de suporte e fixação de outros elementos de acabamento ou decoração, tais como esquadrias, equipamentos, armários e redes. TÓPICO 3 | PROJETO DE ALVENARIA DE VEDAÇÃO 171 Essas propriedades devem ser observadas quanto: à resistência à compressão, à porosidade, à capilaridade, à absorção de água e aos coeficientes de absorção e dilatação térmica. Para melhor conceituar cada parte do sistema de alvenaria, seguiremos a terminologia sugerida por Thomaz et al. (2009, p. 4): Alvenaria de vedação - Parede constituída pelo assentamento de tijolos maciços ou blocos vazados com argamassa, com a função de suportar apenas seu peso próprio e cargas de ocupação como armários, prateleiras, redes de dormir etc. Bisnaga de assentar - Bolsa de couro ou tecido resistente, com formato cônico, tendo no vértice orifício circular, utilizada na execução de alvenarias, para formar cordões para o assentamento ou o rejuntamento dos blocos. Bloco cerâmico de vedação - Componente vazado, com furos prismáticos perpendiculares às faces que os contêm, que integra alvenarias de vedação intercaladas nos vãos de estruturas de concreto armado, aço ou outros materiais. Normalmente são empregados com os furos dispostos horizontalmente, devendo resistir somente ao peso próprio e a pequenas cargas de ocupação. Bloco cerâmico estrutural - Componente vazado, com furos prismáticos perpendiculares às faces que os contêm, que integra alvenarias que constituem o arcabouço resistente da construção, sendo normalmente aplicados com os furos dispostos verticalmente. Pode também ser aplicado em alvenarias de vedação. Bloco cerâmico vazado - Componente de alvenaria fabricado com material cerâmico, com furos posicionados vertical ou horizontalmente, com área útil do material cerâmico não excedendo a 25% da correspondente área bruta da seção. Bloco compensador - Componente com medidas equivalentes a submódulo do comprimento do bloco padrão (exemplo 1/4 M e 1/8 M), utilizado para complementar vãos que não sejam múltiplos inteiros do módulo. Bloco de amarração - Bloco com dimensões que permitem a amarração das paredes entre si, sem interferir na modulação. “Boneca” - Pequeno trecho saliente de alvenaria destinado ao alojamento de tubulações ou à fixação de marcos de portas e janelas. Canaleta J - Componente cerâmico com seção em forma de J, sem paredes transversais, que permite o apoio de lajes sem que se quebre a modulação vertical das fiadas nas paredes de fachada. Canaleta U - Componente cerâmico com seção em forma de U, sem paredes transversais, que permite a construção de cintas de amarração, vergas e contravergas. Aplicada no topo de paredes internas, permite o apoio de laje sem que se quebre a modulação vertical das fiadas. Cinta de amarração - Reforço de material resistente à tração e ao cisalhamento, introduzida e solidarizada às alvenarias para melhorar o desempenho das paredes frente a essas tensões. Componentes complementares - Blocos ou outros componentes cerâmicos que integram as alvenarias com função específica. UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 172 Contraverga - Reforço de material resistente à tração e ao cisalhamento, introduzida e solidarizada às alvenarias, localizada na parte inferior de vãos, como os de janelas, com a finalidade de absorver essas tensões. Escantilhão - Régua graduada, com subdivisão correspondente à altura de cada fiada, utilizada para obediência à modulação vertical da alvenaria e também para orientar o prumo das paredes. Escantilhão com tripé - Escantilhão suportado na vertical por três hastes articuladas, fixadas na base com pregos de aço, parafusos com buchas ou outros recursos, com sistema de regulagem que possibilita mantê-lo no prumo e alinhar a primeira marca com a cota da primeira fiada. Escantilhão telescópio - Escantilhão constituído por partes escamoteáveis, com regulagem de altura e sistema de molas que lhes confere capacidade de encaixar-se e manter-se preso nos reticulados da estrutura, com possibilidade de manter-se aprumado e alinhado com a cota da primeira fiada. Esticador de linha - Ferramenta normalmente de madeira, com formato de “U”, com a linha de náilon enrolada na base do “U”; encaixa-se a ferramenta nos blocos extremos da fiada que se está executando, com suas pernas enviesadas em relação ao eixo da parede, de forma que ao se esticar a linha a ferramenta fica presa por atrito e permite manter a linha esticada. Finca pinos - Ferramenta semelhante a uma pistola, destinada a cravar pinos de aço no concreto, na alvenaria ou em outros materiais, funcionando à base de explosivos; a ferramenta deve ser operada por profissionais habilitados, devendo apresentar regulagem de pressão (diferentes para os diferentes tipos de base) e sistema de comando que evite a deflagração acidental do projétil (pino de aço). Fio traçante - Barbante / fio de algodão que é impregnado com pó colorido (“vermelhão” ou equivalente), destinado à marcação de paredes, eixos de referência etc.; na exata posição que se quer demarcar, o fio é distendido e suportado nas extremidades, sendo em seguida esticado intermediariamente para que forme uma catenária invertida; soltando-se repentinamente o fio tencionado, grava na base a linha desejada. Graute - Micro concreto ou argamassa autoadensável, isto é, material que se acomoda no interior do molde sem a necessidade de ser socado ou vibrado, com a função de solidarizar a armadura à alvenaria. Junta a prumo - Assentamento de blocos ou tijolos onde os componentes da fiada superior projetam-se exatamente sobre os componentes inferiores, isto é, as juntas verticais de assentamento resultam alinhadas. Junta de controle - Junta introduzida em parede muito longa, em seção com mudança abrupta de direção ou mudança de espessura da parede, com a finalidade de evitar a fissuração da alvenaria. Junta em amarração – Assentamento de blocos ou tijolos de forma defasada, isto é, o componente superior projeta-se simultaneamente sobre as duas metades dos componentes inferiores, aceitando-se sobreposiçãomínima de um quarto do comprimento em trechos localizados das paredes. Junta seca - Encontro vertical entre dois blocos contíguos, sem argamassa na junta vertical de assentamento. TÓPICO 3 | PROJETO DE ALVENARIA DE VEDAÇÃO 173 Meia cana - Ferramenta côncava destinada à execução de alvenarias, com pequena largura, com capacidade para recolher quantidade de argamassa compatível com a dimensão do cordão que se pretende constituir para o assentamento de blocos. Módulo (M) - Unidade de medida padrão que representa a distância entre dois planos consecutivos do reticulado modular de referência (em geral, assume-se para essa distância o valor de um decímetro: 1 M = 10 cm). Palete - Plataforma de madeira sobre a qual se empilham os blocos ou tijolos a fim de transportá-los em maior quantidade e de forma segura, possibilitando ainda o içamento através de gruas ou guinchos e facilitando o encaixe de garfos de carrinhos porta-paletes. “Palheta”, meia desempenadeira ou régua de assentar - Régua com largura em torno de 4 ou 5 cm, ligeiramente mais comprida que os blocos, com a qual se recolhe argamassa da masseira e a deposita sobre o bloco mediante pequenos movimentos de translação e rotação (raspando a ferramenta na lateral do bloco e deixando a argamassa depositada no seu topo). Tijolo cerâmico maciço - Componente de alvenaria com forma de paralelepípedo, com todas as faces plenas de material cerâmico, podendo apresentar rebaixos de fabricação em uma das faces de maior área. Vão “em osso” - Dimensões de uma parede ou de um vão de esquadria, ou ainda medida linear entre faces de componentes estruturais ou de paredes, sem que tenha ocorrido aplicação de qualquer tipo de acabamento na obra bruta (estrutura e alvenarias). Verga - Reforço de material resistente à flexão e ao cisalhamento, introduzida e solidarizada às alvenarias sobre os vãos como os de portas ou janelas, com a finalidade de absorver tensões que se concentram no entorno dos vãos. Vida útil (VU) - Período de tempo durante o qual o edifício ou seus sistemas mantém o desempenho esperado, quando submetidos às atividades de manutenção pré-definidas no respectivo manual de operação, uso e manutenção. Vida útil de projeto (VUP) - Período estimado de tempo em que um sistema é projetado para atender aos requisitos de desempenho estabelecidos na série de normas NBR 15575, desde que cumprido o programa de manutenção previsto no respectivo manual de operação, uso e manutenção. 3 PROJETO DE ALVENARIA DE VEDAÇÃO A primeira parte da NBR 15270 nos orienta quanto às características (visuais, geométricas, físicas e mecânicas) a serem respeitadas nas indústrias na confecção dos tijolos e blocos, ilustrados a seguir (ABNT, 2017d). UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 174 FIGURA 19 – BLOCOS CERÂMICOS FONTE: ABNT (2017d, p. 2) O seguinte quadro mostra as dimensões adotadas para comercialização. Dimensões L X H X C Módulo Dimensional M = 10 cm Dimensões de fabricação (cm) Largura (L) Altura (H) Comprimento (C) Bloco principal ½ Bloco (1) M x (1) M x (2) M 9 9 19 9(1) M x (1) M x (5/2) M 24 11,5 (1) M x (3/2) M x (2) M 14 19 9 (1) M x (3/2) M x (5/2) M 24 11,5 (1) M x (3/2) M x (3) M 29 14 (1) M x (2) M x (2) M 19 19 9 (1) M x (2) M x (5/2) M 24 11,5 (1) M x (2) M x (3) M 29 14 (1) M x (2) M x (4) M 39 19 (5/4) M x (5/4) M x (5/2) M 11,5 11,5 24 11,5 (5/4) M x (3/2) M x (5/2) M 14 24 11,5 (5/4) M x (2) M x (2) M 19 19 9 (5/4) M x (2) M x (5/2) M 24 11,5 (5/4) M x (2) M x (3) M 29 14 (5/4) M x (2) M x (4) M 14 19 39 19 (3/2) M x (2) M x (2) M 19 9 (3/2) M x (2) M x (5/2) M 24 11,5 (3/2) M x (2) M x (3) M 29 14 (3/2) M x (2) M x (4) M 39 19 QUADRO 6 — DIMENSÕES DE FABRICAÇÃO DE BLOCOS CERÂMICOS DE VEDAÇÃO TÓPICO 3 | PROJETO DE ALVENARIA DE VEDAÇÃO 175 (2) M x (2) M x (2) M 19 19 19 9 (2) M x (2) M x (5/2) M 24 11,5 (2) M x (2) M x (3) M 29 14 (2) M x (2) M x (4) M 39 19 (5/2) M x (5/2) M x (5/2) M 24 24 24 11,5 (5/2) M x (5/2) M x (3) M 29 14 (5/2) M x (5/2) M x (4) M 39 19 NOTA: os blocos com largura de 6,5 cm e altura de 19 cm serão admitidos excepcionalmente, somente em funções secundárias (como em shafts ou pequenos enchimentos) e respaldados por projeto com identificação do responsável técnico. FONTE: ABNT (2017d, p. 6-7) Tipos de tijolos e blocos: FONTE: <https://image.slidesharecdn.com/pedraartificialceramica-141126152000-conversion- gate01/95/pedra-artificial-ceramica-18-1024.jpg?cb=1417015554>. Acesso em: 7 nov. 2019. FIGURA 20 – TIPOS DE TIJOLOS MACIÇOS DE BARRO https://pt.slideshare.net/ElizabethLambrecht/pedra-artificial-ceramica https://image.slidesharecdn.com/pedraartificialceramica-141126152000-conversion-gate01/95/pedra-artificial-ceramica-18-1024.jpg?cb=1417015554 https://image.slidesharecdn.com/pedraartificialceramica-141126152000-conversion-gate01/95/pedra-artificial-ceramica-18-1024.jpg?cb=1417015554 UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 176 FONTE: <http://ew7.com.br/projeto-arquitetonico-com-autocad/images/stories/dimenses-dos- tijolos.png>. Acesso em: 7 nov. 2019. FIGURA 21 – TIJOLOS FURADOS FONTE: <https://portalconstrucaofacil.com/wp-content/uploads/2019/02/bloco-concreto- estrutural.jpg>. Acesso em: 7 nov. 2019. FIGURA 22 – BLOCOS DE CONCRETO FONTE: <https://precon.com.br/portal/wp-content/uploads/2017/09/img_bloco_precon.png>. Acesso em: 7 nov. 2019. FIGURA 23 – BLOCO DE CONCRETO CELULAR file:///C:\Users\05709246930\Downloads\%3c http://ew7.com.br/projeto-arquitetonico-com-autocad/images/stories/dimenses-dos-tijolos.png http://ew7.com.br/projeto-arquitetonico-com-autocad/images/stories/dimenses-dos-tijolos.png file:///C:\Users\05709246930\Downloads\%3c https://portalconstrucaofacil.com/wp-content/uploads/2019/02/bloco-concreto-estrutural.jpg https://portalconstrucaofacil.com/wp-content/uploads/2019/02/bloco-concreto-estrutural.jpg file:///C:\Users\05709246930\Downloads\%3c https://precon.com.br/portal/wp-content/uploads/2017/09/img_bloco_precon.png TÓPICO 3 | PROJETO DE ALVENARIA DE VEDAÇÃO 177 Os blocos de concreto celular, ilustrados na imagem anterior, são utilizados na confecção de alvenarias e seu peso é inferior ao bloco de concreto comum, proporcionando o manuseio fácil e custo benefício. As normas NBR 14956, NBR 13438 e NBR 13440 estabelecem métodos e procedimentos de assentamento com argamassa, além de dimensões e características. Na execução das alvenarias, dependendo da finalidade, pode-se executar paredes de “meia vez”, ou seja, paredes com espessura de 10 cm ou a menor dimensão do tijolo; ou parede “de uma vez” que geralmente são alvenarias de uso externo, construídas com tijolos deitados, de modo que a sua espessura seja o dobro da parede de meia vez (REGO, 2010). FONTE: <http://ew7.com.br/projeto-arquitetonico-com-autocad/images/stories/tijolos%20 baianos.png>. Acesso em: 7 nov. 2019. FIGURA 24 – POSIÇÃO DOS TIJOLOS NO ASSENTAMENTO As fiadas são assentadas de modo que as peças (blocos ou tijolos) fiquem desalinhadas na direção vertical (no prumo). Esse procedimento é feito para que haja uma amarração entre as peças. “O alinhamento vertical é verificado com o fio de prumo e na posição horizontal com nível de bolha, prego e linha de nylon esticada” (REGO, 2010 p. 86), como ilustrado na imagem a seguir. FONTE: Rego (2010, p. 86) FIGURA 25 – FIADAS E PRUMO DE ALVENARIA file:///C:\Users\05709246930\Downloads\%3c http://ew7.com.br/projeto-arquitetonico-com-autocad/images/stories/tijolos baianos.png http://ew7.com.br/projeto-arquitetonico-com-autocad/images/stories/tijolos baianos.png UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 178 Para vãos nas alvenarias, como portas, por exemplo, o assentamento é interrompido na medida necessária do vão e entre os tijolos são colocados elementos de madeira cortados em forma de trapézio, chumbados nas laterais dos vãos que servem para colocação de portas ou janelas de madeira. Esses elementossão chamados de tacos (REGO, 2010). Atualmente, nas obras de médio a grande porte, esses tacos são substituídos por ganchos ou parafusos fi xados nos caixonetes ou batentes das esquadrias e fi xados por argamassa ou espuma expansiva de poliuretano (SALGADO, 2018). FIGURA 26 – TACOS DE ALVENARIA FONTE: Rego (2010, p. 89) Para saber mais sobre execução de alvenaria, acesse: https://www.docsity. com/pt/apostila-de-pedreiro/4716295/. DICAS 4 LIGAÇÃO ENTRE ESTRUTURAS E PAREDES DE VEDAÇÃO Para as ligações das alvenarias com a estrutura da edifi cação, devem- se considerar “os gradientes térmicos nas fachadas, as dimensões dos panos e a fl exibilidade da estrutura; [para estruturas muito fl exíveis como estruturas reticuladas de grandes vãos por exemplo], adotam-se detalhes construtivos especiais” (THOMAZ et al., 2009, p. 27), como ilustrado na imagem a seguir. TÓPICO 3 | PROJETO DE ALVENARIA DE VEDAÇÃO 179 FIGURA 27 – LIGAÇÕES ENTRE ALVENARIAS E PILARES DE ESTRUTURAS FLEXÍVEIS FONTE: Thomaz et al. (2009, p. 29) Seguindo as recomendações de Thomaz et al. (2009, p. 27), para as: [...] ligações convencionais com materiais rígidos e estruturas de concreto armado [...], deve-se proceder inicialmente à vigorosa limpeza das faces do pilar, com completa remoção do desmoldante. [Em seguida], as faces de arranque das alvenarias devem receber uma camada de chapisco. No assentamento, os blocos devem ser fortemente pressionados contra o pilar, resultando refluxo de argamassa e total compacidade da junta. O projeto da alvenaria deve definir a forma de ligação das paredes com os pilares, a fim de prevenir futuros destacamentos. [...] As ligações com os pilares podem ser executadas com telas metálicas [eletro soldadas, galvanizadas, aplicadas a cada duas fiadas e fixadas no concreto com pinos metálicos] (“tiros” aplicados com finca-pinos). Neste caso a tela deve ser dobrada exatamente a 90º, [...] aplicando-se os pinos e as respectivas arruelas o mais próximo possível da dobra da tela. As ligações com telas podem ser reforçadas mediante emprego de cantoneira metálica entre a tela e a arruela/cabeça do pino. Para evitar- se risco de corrosão, as telas devem ser recortadas com largura 1 ou 2 cm menor que a largura dos blocos. UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 180 FIGURA 28 – FIXAÇÃO DE ALVENARIAS EM PILARES COM O EMPREGO DE TELA METÁLICA GALVANIZADA FONTE: Thomaz et al. (2009, p. 28) Thomaz et al. (2009 p. 28) recomendam ainda que: [Para as] ligações mais fortes com armações de espera podem ser introduzidas na armadura do pilar, ou com “ferros-cabelo” posteriormente colados em furos executados com brocas de 8 mm de diâmetro (colagem com resina epóxi); nos casos correntes recomenda- se introduzir um ferro de 6 mm a cada 40 ou 50 cm, com transpasse em torno de 50 cm para o interior da alvenaria e com penetração no pilar de 6 a 8 cm. [...] A ligação pode ainda ser executada com gancho / estribo de dois ramos. Como veremos na imagem a seguir. FIGURA 29 – LIGAÇÕES ENTRE ALVENARIAS E PILARES COM GANCHO DE AÇO DE DOIS RAMOS OU COM AUXÍLIO DE BLOCOS TIPO CANALETA FONTE: Thomaz et al. (2009, p. 29) TÓPICO 3 | PROJETO DE ALVENARIA DE VEDAÇÃO 181 Para as ligações de alvenarias com estruturas metálicas, Thomaz et al. (2009 p. 30) recomendam que “as ancoragens sejam executadas com insertos de aço soldados nos pilares e chumbados nas juntas horizontais de assentamento, seguindo os métodos das ligações nas peças em concreto”. As imagens a seguir ilustram a ideia. FIGURA 30 – LIGAÇÕES ENTRE ALVENARIAS E PILARES DE AÇO – ESTRUTURA APARENTE FONTE: Thomaz et al. (2009, p. 30) FONTE: Thomaz et al. (2009, p. 30) FIGURA 31 – LIGAÇÕES ENTRE ALVENARIAS E PILARES DE AÇO – ESTRUTURA EMBUTIDA Nas fixações de alvenarias com lajes ou vigas superiores, após limpeza e aplicação de chapisco no componente estrutural é recomendado assentamento inclinado de tijolos de barro cozido, empregando-se argamassa relativamente fraca. Cria-se assim uma espécie de “colchão deformável”, amortecedor das deformações estruturais que seriam transmitidas à parede. Nos projetos modulados, onde a última fiada de blocos praticamente faceia a face inferior do componente estrutural, emprega-se argamassa fraca em cimento. Em se tratando de blocos vazados, a última fiada pode ser composta por meio-blocos assentados com furos na horizontal, facilitando-se sobremaneira a execução da fixação denominada “encunhamento” (THOMAZ et al., 2009, p. 31). UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 182 FIGURA 32 – ENCUNHAMENTO DE PAREDE COM O EMPREGO DE TIJOLOS DE BARRO COZIDO FONTE: Thomaz et al. (2009, p. 31) Quanto à fixação da alvenaria em estruturas muito deformáveis, Thomaz et al. (2009) recomendam a utilização de ligações ainda mais flexíveis, como, por exemplo, o emprego de poliuretano expandido ou “massa podre” composta com esferas de EPS (poliestireno expandido). Nesse caso, adequações de materiais e de detalhes construtivos devem ser estudadas para garantir a integridade do revestimento das paredes. O tempo entre a execução da parede e o encunhamento deve ser respeitado, proporcionando a retração natural da argamassa de assentamento entre os tijolos. Sempre que as estruturas forem intencionalmente flexíveis, com deformações que precisam superar a capacidade de acomodação das alvenarias, detalhes construtivos apropriados devem ser adotados nos encontros das alvenarias com as vigas ou lajes, conforme ilustração a seguir. A ancoragem superior das paredes, nesse caso, pode ser feita com insertos de aço (ferro de 6 mm, espaçamento em torno de 2 m), fixados nas vigas ou lajes mediante furação (broca 8 mm, profundidade do furo 5 a 6 cm), limpeza e colagem com resina epóxi. O acabamento da junta pode ser executado com selante flexível e moldura de gesso (“roda-teto”) (THOMAZ et al., 2009, p. 32). FIGURA 33 – DETALHES DE LIGAÇÃO DAS ALVENARIAS COM LAJE MUITO DEFORMÁVEL FONTE: Thomaz et al. (2009, p. 32) TÓPICO 3 | PROJETO DE ALVENARIA DE VEDAÇÃO 183 Para as ligações com vigas de aço ou lajes mistas, valem as mesmas recomendações anteriores, pois as alvenarias de fachada podem ser posicionadas externamente à estrutura, conforme detalhe ilustrado a seguir. FIGURA 34 – ALVENARIAS POSICIONADAS EXTERNAMENTE À ESTRUTURA METÁLICA FONTE: Thomaz et al. (2009, p. 33) 184 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • A alvenaria se define como elementos de vedações verticais nas construções e a implementar os componentes que constituem esse sistema de vedação. • É possível observar os diferentes blocos e tijolos que compõem uma alvenaria e recomendações normativas quanto às: ᵒ dimensões; ᵒ características geométricas; ᵒ característica mecânica. • Existem ligações especiais entre elementos estruturais e as paredes de vedação. 185 AUTOATIVIDADE 1 (FGV, 2019) A execução de alvenaria de tijolos e blocos cerâmicos, sem função estrutural, é muito empregada nas edificações. Com relação às condições de execução estabelecidas pela ABNT, analise as afirmativas a seguir. FONTE: <https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/61546/ fgv-2019-dpe-rj-tecnico-superior-especializado-engenharia-civil-prova.pdf?_ ga=2.265092812.279688464.1570584934-231533174.1569810571>. Acesso em: 7 nov. 2019. I- As alvenarias apoiadas em alicerces devem ser executadas no mínimo 48 horas após a impermeabilização dos alicerces. II- Recomenda-se chapiscar a face da estrutura que fica em contato com a alvenaria. III- No caso de alvenaria de blocos de vedação, estes devem ser usados com furos na vertical, exceto em disposições construtivas particulares. Está correto o que se afirma em: a) ( ) somente I. b) ( ) somente II. c) ( ) somente I e II. d) ( ) somente II e III. 2 (CEPS/UFPA, 2018) Nas paredes de alvenaria, as aberturas de portas e janelas devem ser reforçadas com elementos construtivos que minimizemas concentrações de tensões e evitem fissurações localizadas. Esses elementos são conhecidos como: FONTE: <https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/57968/ ceps-ufpa-2018-unifesspa-tecnico-de-laboratorio-edificacoes-prova.pdf?_ ga=2.261954254.279688464.1570584934-231533174.1569810571>. Acesso em: 7 nov. 2019. a) ( ) marcos para as portas e contravergas para as janelas. b) ( ) vergas para as portas e contramarcos para as janelas. c) ( ) vergas para as portas e janelas e contravergas para as janelas. d) ( ) marcos para as portas e janelas e contravergas para as janelas. https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/61546/fgv-2019-dpe-rj-tecnico-superior-especializado-engenharia-civil-prova.pdf?_ga=2.265092812.279688464.1570584934-231533174.1569810571 https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/61546/fgv-2019-dpe-rj-tecnico-superior-especializado-engenharia-civil-prova.pdf?_ga=2.265092812.279688464.1570584934-231533174.1569810571 https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/61546/fgv-2019-dpe-rj-tecnico-superior-especializado-engenharia-civil-prova.pdf?_ga=2.265092812.279688464.1570584934-231533174.1569810571 https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/57968/ceps-ufpa-2018-unifesspa-tecnico-de-laboratorio-edificacoes-prova.pdf?_ga=2.261954254.279688464.1570584934-231533174.1569810571 https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/57968/ceps-ufpa-2018-unifesspa-tecnico-de-laboratorio-edificacoes-prova.pdf?_ga=2.261954254.279688464.1570584934-231533174.1569810571 https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/57968/ceps-ufpa-2018-unifesspa-tecnico-de-laboratorio-edificacoes-prova.pdf?_ga=2.261954254.279688464.1570584934-231533174.1569810571 186 187 TÓPICO 4 COBERTURAS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO A cobertura da edificação tem a finalidade de proteger a construção das intempéries. Desde a construção dos abrigos rústicos nas cavernas até os dias atuais, a evolução se fez quanto aos materiais utilizados, técnicas construtivas, tipos de acabamento, elementos estruturais, características e formas de coberturas. As construções residenciais e de pequeno porte possuem maior índice de utilização de materiais cerâmicos, porém as obras de grande porte optam por materiais metálicos em função da rapidez e do custo-benefício. Uma obra de cobertura consiste em duas partes: a estrutura que pode ser executada com materiais e peças característicos para sustentar a outra parte chamada de cobertura. Esta cobre a estrutura com telhas, proporcionando a proteção da obra. É possível incluir na cobertura elementos destinados à captação das águas pluviais, como calhas e condutores. A parte estrutural da cobertura forma um sistema treliçado destinado a suportar toda a carga da cobertura, além dos esforços provenientes da ação das intempéries e suas variações. Cada parte desta estrutura possui uma nomenclatura (SALGADO, 2018, p. 146-147): • Tesoura – estrutura autoportante constituída de diversas peças formando uma estrutura treliçada com a finalidade de suportar toda a carga de um telhado. • Cumeeira – linha mais alta de um telhado. • Linha – peça de alinhamento da tesoura que recebe todos os esforços da tesoura e pela qual é transmitida a estrutura principal da obra. • Perna – suporta as terças e dá inclinação à estrutura conforme o tipo de telha utilizado. • Pendural – elemento vertical de distribuição das cargas de um telhado. • Escora – elemento oblíquo de distribuição das cargas de um telhado. • Empena – o mesmo que perna. • Terça – peça localizada entre o frechal e a cumeeira que tem a finalidade de travar as tesouras e suportar a estrutura de caibros. • Água – plano inclinado que define o caimento de um telhado. • Rincão – linha de encontro entre duas águas de um telhado. • Empeno – parte de alvenaria de elevação que acompanha o caimento de um telhado. • Beiral – parte da estrutura do telhado que se projeta além da alvenaria externa. • Tirante – peça em diagonal destinada ao travamento, absorvendo os esforços de tração da tesoura. • Frechal – nome dado à primeira terça da tesoura. • Caibro – peças de apoio para as ripas, pregadas sobre as terças. • Ripa – peças de apoio das telhas, pregadas sobre os caibros. UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 188 FIGURA 35 – ELEMENTOS DE COBERTURA FONTE: Salgado (2018, p. 147) Salgado (2018) ainda comenta sobre outro esquema de apoio da cobertura que pode ser a utilização de um pilar sobre a laje projetada com essa fi nalidade. Esse pilar ou pilarete, que pode ser de alvenaria, suporta as terças e cumeeira. Para vãos maiores que 3,00 m é recomendado um reforço com pontaletes servindo de mão francesa para o reforço da estrutura, conforme ilustração a seguir. FIGURA 36 – ESQUEMA DE APOIO DE COBERTURA FONTE: Salgado (2018, p. 148) TÓPICO 4 | COBERTURAS 189 2 TIPOLOGIAS Existem vários tipos de coberturas que variam de acordo com a escolha do técnico, levando em conta os fatores climáticos como chuva, vento, temperatura, neve etc. FIGURA 37 – TIPOS DE COBERTURAS FONTE: <http://usuarios.upf.br/~zacarias/Telhados.pdf>. Acesso em: 7 nov. 2019. Para cada tipo de telhado há um tipo de tesoura: FIGURA 38 – TIPOS DE TESOURA FONTE: Rego (2010, p. 111) UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 190 A cobertura pode variar conforme o sistema construtivo. Existem vários tipos de telhados, como as telhas de barro cozido, telhas metálicas, plásticas, vidro, pedra natural e outros, como no quadro a seguir. Telha de barro cozido (cerâmica) • marselhe ou francesa • paulistinha • paulista • itu • colonial • plan Telhas de fibrocimento (cimento amianto) • ondulada • canalete • moduladas Telha asfáltica com fibra vegetal • ondulada • placas em formato de escama Telhas com fibras de polímeros • ondulada • canalete Telhas metálicas • alumínio • cobre • ferro • zinco Plástico ou PVC • onduladas • dômus Telhas de vidro • tipo marselhe • tipo paulista Telha de pedra natural • escamas (ardósia) Telhas de policarbonatos • em formatos diversos QUADRO 7 – TIPOS DE TELHAS FONTE: Rego (2010, p. 112) A imagem a seguir ilustra alguns tipos de telhas comercializados atualmente e cada modelo possui características particulares quanto à colocação, rendimento, peso e resistência. TÓPICO 4 | COBERTURAS 191 FIGURA 39 – TIPOS DE TELHAS NO MERCADO FONTE: <https://www.tuacasa.com.br/wp-content/uploads/2018/02/tipos-de-telhas-18.png>. Acesso em: 7 nov. 2019 3 DESEMPENHO Salgado (2018, p. 148) nos orienta que a altura da cumeeira é “o ponto mais alto do telhado. Para o cálculo deste ponto é necessário saber o comprimento do vão e o grau de inclinação ou a porcentagem de inclinação conforme o modelo da telha a ser utilizada”. Exemplo: • Vão de 7 m. • Inclinação de 30% para o telhado. • A cumeeira está no meio do vão. file:///C:\Users\05709246930\Downloads\%3c https://www.tuacasa.com.br/wp-content/uploads/2018/02/tipos-de-telhas-18.png UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 192 Com estes dados temos: • Ponto do telhado = 30% de 3,50 (metade de 7 m). • Altura ou ponto do telhado = 1,05 m (SALGADO, 2018, p. 149). FIGURA 40 – EXEMPLO DE ALTURA DE TELHADO FONTE: Salgado (2018, p. 149) Como as madeiras possuem medidas limitadas em função do comprimento natural de árvores, ou parte do pedaço da madeira não está íntegro para utilizar na estrutura, nesses casos é necessário fazer emenda de peças com cuidado e critério em função dos esforços a que se destinam. Veja os tipos de emendas mais comuns: FIGURA 41 – TIPOS DE EMENDAS FONTE: Salgado (2018, p. 149) “O conjunto das peças que transmitem as cargas das telhas para a tesoura chama-se engradamento” (REGO, 2010, p. 108). TÓPICO 4 | COBERTURAS 193 FIGURA 42 – ESQUEMA DE ENGRADAMENTO FONTE: Rego (2010, p. 108) As uniões entre as diferentes peças que compõem uma tesoura são chamadas de sambladuras. As mais comuns estãorepresentadas no quadro a seguir. linha ↔ perna Estas emendas devem ser feitas sobre o plano da parede, evitando, com isto, que a reação vertical da parede venha tirar o equilíbrio da tesoura. Quando não for possível, deverá ser colocada uma peça complementar, chamada de "cachorro", para que a emenda possa ser ancorada com braçadeiras ou reforçada lateralmente com chapas metálicas e aparafusadas. perna ↔ pendural Deve ser feita de maneira a resistir ao cisalhamento, pelo esforço que sofre a perna. QUADRO 8 – PRINCIPAIS SAMBLADURAS UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 194 pendural ↔ linha Este tipo de sambladura deve ser feito de maneira tal, a não permitir esforços à linha. Deve ser com presilha, sem prender a linha, mantendo distância de ± 2 cm entre as peças, pois, quando da época das chuvas, o telhado aumenta de peso e se essa carga de peso for transmitida para a linha, esta, provavelmente, trabalhará à fl exão, o que não é recomendado. perna ↔ escora ↔ suspensório Este último, embora seja um pendural secundário, será fi xado à linha e à perna por meio de parafusos, porque ele não estará sendo fi xado na posição do momento máximo da linha, isto é, não estará transmitindo carga no ponto onde a linha está mais sujeita a romper- se. A escora deverá fi car junto a estes dois e embaixo da linha de centro da terça. terças - estas serão fi xadas com pregos sobre a perna da tesoura. Por serem peças de grande comprimento, necessitam de emendas que deverão ser feitas, sempre, onde o momento for nulo, aproximadamente a 1/4 do comprimento do vão, isto é, a 1/4 do espaçamento entre as tesouras, que é de ± 2,5 m. FONTE: Rego (2010, p. 109) • cumeeira 6 cm x 12 cm • terça 6 cm x 12 cm • frechal 6 cm x 12 cm • perna 6 cm x 12 cm • escora 2,5 cm x 12 cm • suspensório 2,5 cm x 12 cm • linha 6 cm x 12 cm • pendural 6 cm x 16 cm • caibro 5 cm x 7,5 cm • ripa 1,5 cm x 5 cm QUADRO 9 – DIMENSIONAMENTO APROXIMADO DA SEÇÃO DAS PEÇAS DA COBERTURA FONTE: Rego (2010, p. 110) TÓPICO 4 | COBERTURAS 195 A colocação das telhas deve ser de baixo para cima, ou seja, iniciando pelo beiral. Recomenda-se colocar duas ripas na primeira fi ada para alinhamento das telhas. Geralmente, no início do beiral coloca-se uma calha e, por conta disso, a linha dupla de ripa deve ser recuada em aproximadamente 10 cm. Para melhor acabamento do beiral, os caibros devem ser serrados na ponta na posição vertical para que seja fi xada uma tábua de acabamento denominada testeira ou tabeira (SALGADO, 2018), como ilustrado a seguir. FONTE: Salgado (2018, p. 155) FIGURA 43 – COLOCAÇÃO DE TELHA CERÂMICA E ACABAMENTO Na fi nalização da colocação de telhas no encontro com a cumeeira, normalmente é colocada uma linha de “telhas ‘cumeeira’ assentada com argamassa mista de cimento, cal e areia” (SALGADO, 2018, p. 155). Mas esse fechamento se faz após a verifi cação do alinhamento das telhas assentadas para melhor acabamento. Para os acabamentos de telhado em platibanda ou arremate com alvenaria, se faz necessária a utilização de rufo para isolamento do telhado e melhor aparência no acabamento. Os rufos podem ser confeccionados no local em concreto, argamassa ou em chapas metálicas comercializadas. Porém, o rufo metálico precisa ser fi xado na alvenaria e coberto com argamassa (contrarrufo) na parte superior garantindo a impermeação do mesmo (SALGADO, 2018). FONTE: Salgado (2018, p. 161) FIGURA 44 – ILUSTRAÇÃO DE RUFO EM ARREMATE COM PAREDE UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 196 Algumas telhas precisam ser fi xadas com o auxílio de parafusos, como é o caso das telhas metálicas. Mas a fi xação das telhas pode ser problema para a cobertura se for executada de modo inadequado, uma vez que as telhas são furadas para receberem parafusos quando apoiadas sobre madeiras ou ganchos em estruturas metálicas ou concreto. Em todos os casos e sobre as telhas, os elementos de fi xação (parafusos) devem receber um anel de borracha a ser colocado entre a telha e a porca ou na cabeça do parafuso de fi xação para a vedação do furo de passagem, mas com o devido cuidado na colocação, como ilustrado a seguir (SALGADO, 2018). FIGURA 45 – REGULAGEM DE FIXAÇÃO FONTE: <https://www.telhap.com.br/parafusos-de-fi xacao/>. Acesso em: 11 nov. 2019. No quadro a seguir é apresentada uma lista de elementos para fi xação de alguns modelos de telhas, conforme projeto e condições climáticas, como a incidência de fortes ventos. Parafuso com rosca soberba Fabricado em ferro galvanizado a fogo, com diâmetro de 8 mm e cabeça com estampa especial. Seu uso é imprescindível em coberturas sujeitas à forte sucção de vento e nas telhas do beiral, bem como nas coberturas com inclinação abaixo de 10º (18%). Gancho com rosca reto L Para fi xação de telhas e peças complementares em apoio metálico ou de concreto. Gancho com rosca reto simples Para fi xação de telhas e peças complementares em apoio metálico. QUADRO 10 – ELEMENTOS DE FIXAÇÃO TÓPICO 4 | COBERTURAS 197 Fixador de abas simples Para fi xação de peças complementares diretamente nas telhas quando há acesso por baixo da cobertura. FONTE: Salgado (2018, p. 162) A cobertura protege a construção ao receber as águas de chuvas, porém, devido ao seu volume ou aos ventos, a água que precipita nos beirais pode atingir a edifi cação. Para melhor direcionar as águas pluviais recebidas do telhado, é recomendado prever um sistema de captação de águas pluviais composto de calhas e condutores. As calhas possuem dimensões e materiais variados, e são fi xadas nos beirais dos telhados com a fi nalidade de captar as águas pluviais e direcioná- las aos condutores, que são fi xados nas alvenarias em pontos estratégicos. A NBR 10844 fi xa exigências e critérios necessários aos projetos das instalações de drenagem de águas pluviais, para garantir níveis aceitáveis de funcionalidade, segurança, higiene, conforto, durabilidade e economia (ABNT, 1989b). Nas instalações das calhas recomenda-se “prever saídas de excesso de água nas extremidades para que não haja problema com o escoamento como entupimento nos condutores, situação comum em lugares com muita vegetação” (SALGADO, 2018, p. 166). FONTE: Salgado (2018, p. 166) FIGURA 46 – CALHA COM PONTA REBAIXADA PARA ESCOAMENTO DE EXCESSO DE ÁGUA Observe os cuidados na execução ou manutenção de um telhado. ATENCAO UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 198 Segundo Salgado (2018, p. 168-169), estes são os cuidados que se deve ter na execução ou manutenção de um telhado, de acordo com o material da estrutura. Assim, se for: • Madeira ᵒ Usar sempre madeira de lei, sem nós nem lascas, que não apresentam “brocas”. ᵒ Usar madeira de bitolas uniformes e sem empenos. ᵒ A madeira deve estar seca. ᵒ A madeira que ficar exposta às intempéries deve receber tratamento impermeabilizante. • Metálica ᵒ As peças devem ter recebido tratamento anticorrosivo e pintura de acabamento. ᵒ Não deve apresentar sinais de ferrugem e, caso aconteça, deve ser tratada. ᵒ As soldas devem ser íntegras e não apresentar sinais de fissuras. Na dúvida, usar produto específico para visualização. • Cuidados gerais ᵒ Não se deve fazer manutenção de telhados em dias de chuva, exceto em casos de extrema necessidade. ᵒ Usar, sempre que possível, tábuas sobre as telhas para servirem de passarelas. ᵒ O uso do cinto de segurança é imprescindível em qualquer situação. ᵒ Na colocação das telhas cerâmicas, elas devem estar bem apoiadas umas nas outras e sobre a estrutura. As telhas consideradas empenadas devem ser descartadas, bem como as que apresentarem fissuras. ᵒ Na colocação de telhas de fibrocimento o aperto dos parafusos de fixação deve ser bastante controlado para evitar riscos de rompimento na telha. ᵒ Quando a inclinação do telhado é grande ou o local da obra é sujeito a fortes ventos, é recomendável a amarraçãodas telhas. ᵒ Na colocação das telhas, não se recomenda empilhar muitas num só lugar. Aconselha-se distribuí-las em pequenas pilhas ao longo da superfície do telhado. ᵒ Durante a colocação das telhas, é preciso prestar bastante atenção no seu alinhamento. TÓPICO 4 | COBERTURAS 199 LEITURA COMPLEMENTAR Telhados verdes como alternativa para construções sustentáveis Ana Júlia Frizon Pedro Henrique Branco Lázaro Eloisa Dezen Kempter Felippe Benavente Canteras INTRODUÇÃO A revolução industrial levou à formação de grandes centros urbanos e populacionais, na maioria das vezes criados sem planejamento e com poucas áreas verdes (SPOSITO, 2000). Problemas ambientais como a poluição do ar, solo e água, escassez de água de boa qualidade, ocorrência de enchentes, ilhas de calor, entre outros, podem estar relacionados à ocupação desordenada do solo, ao elevado número de indústrias e à ausência de espaços verdes (PAULA, 2004; SANTOS, 2012). As ilhas de calor são anormalidades térmicas, em que a temperatura dos grandes centros urbanos é maior do que áreas vizinhas, devido à substituição de materiais naturais pelos urbanos (concreto e asfalto). Esta elevação da temperatura nas cidades altera a circulação dos ventos, a umidade e as chuvas, devido à evaporação rápida da água e a poluição lançada na atmosfera pelos carros e indústrias (PAULA, 2004). O efeito das ilhas de calor é um agravante às condições térmicas encontradas no interior das edificações, principalmente em grandes centros urbanos, diminuindo a qualidade de vida dos habitantes destas edificações. Dessa forma, é crescente a busca por alternativas que solucionem ou minimizem esses problemas. Uma destas alternativas são os telhados verdes, compostos por diversas camadas com diferentes funções, como impermeabilização da laje, barreira radicular (sistema anti-raiz), sistema de drenagem, filtro, solo, substrato e vegetação (TAM et al., 2016). Os telhados verdes são coberturas vegetadas que auxiliam no processo de isolamento térmico e podem ser classificados de acordo com o porte das espécies vegetais utilizadas: plantas de porte baixo ou rasteiras caracterizam os telhados verdes extensivos e espécies de porte médio e arbóreo caracterizam os telhados verdes intensivos. Além da vista arquitetônica, os telhados ecológicos prestam serviços ambientais, como filtrar a poluição do ar [...] UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 200 MATERIAIS E MÉTODOS Área de Estudo O município de Limeira está localizado no centro-oeste do Estado de São Paulo, a 154 km da capital (São Paulo), em latitude S 22º 33' 53"e longitude W 47º 24' 06", com uma área total de aproximadamente 581 km², sendo 127 km² de área urbana com uma população de aproximadamente 303.682 habitantes (IBGE, 2018). Em relação ao clima, o município insere-se na zona subtropical úmida, caracterizado como tropical de altitude, com invernos secos e verões quentes. Segundo o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (CEPAGRI, 2018), o clima de Limeira é do tipo Aw, denominado como clima tropical de savanas, com intensas chuvas no verão e invernos secos. Ao longo do ano, as temperaturas variam de 12 °C a 30 °C e dificilmente é inferior a 8 °C e superior a 34 °C. Tem precipitação média anual de 1.312 mm, e no mês mais seco, esta é inferior a 60 mm (WEATHERS PARK, 2018). De acordo com o Centro Integrado Informações Agrometeorológicas (CIIAGRO, 2018), janeiro é o mês com maior incidência de chuva, com média de 244,3 mm, e julho é o mês com menor incidência de chuva, a qual possui uma média de 24,7 mm. Levantamento de Custos Através de revisão de literatura foi possível definir as principais variáveis construtivas dos telhados verdes extensivos, desde os mais simples até os mais complexos, sendo possível listar os principais materiais utilizados na construção. Posteriormente foi realizada a consulta a 77 lojas de diversas áreas de comercio (sendo elas floriculturas, lojas de impermeabilizantes, lojas de materiais de construção, e outras áreas correlatas), orçando todos os materiais utilizados, a fim de realizar o levantamento de custo médio de implantação do telhado verde por metro quadrado. Foram consultadas ainda 05 empresas especializadas em instalação de telhados verdes, obtendo-se o custo por metro quadrado e os materiais utilizados para a construção. Os orçamentos foram realizados no estado de São Paulo. [...] Módulos Experimentais (M) Para avaliar o desempenho térmico, três módulos experimentais de alvenaria estrutural de blocos de concreto e laje de concreto foram construídos. Um deles foi designado como módulo de Controle (M1), recebendo apenas impermeabilização superficial da laje. Os demais módulos, contam com camada de impermeabilização, manta anti-raiz, drenagem (manta geotêxtil Geoflex 130 g.m-2 e camada de 10 cm de argila expandida), 10 cm de substrato e as espécies escolhidas, Chlorophytum comosum, também conhecida como Clorofito do Sol (M2), e Hemigrafis alternata (M3), conforme a Figura 1. Os módulos medem 1,74 x 1,74 m e têm 3,00 m de altura. TÓPICO 4 | COBERTURAS 201 Figura 1. Detalhes Construtivos dos Módulos Experimentais. (A) Vista Frontal dos três Módulos. (B) Módulo Controle. (C) Módulo com Chlorophytum comosum. (D) Módulo com Hemigrafis alternata. Foram utilizados termohigrômetros da marca Testo modelo 174 h data logger, com capacidade para medições de temperatura, na faixa de -20 oC a +70 oC e resolução de 0,1 oC e precisão de 0,5 oC, e umidade, na faixa de 0 a 100% RH e resolução 0,1% RH e precisão de 3%. Com a utilização de quatro equipamentos, as medições foram realizadas simultaneamente no ambiente externo e no interior de cada um dos módulos a cada 10 minutos (medidas de temperatura e umidade do ar ambiente interno e externo), gerando 144 medidas por dia em cada um dos equipamentos. Ressalta-se que as medidas de temperatura e umidade foram iniciadas na segunda quinzena de fevereiro sendo registradas até dia 10 de abril de 2018 e foram excluídos os dias em que os módulos sofreram algum tipo de manutenção, sendo analisados no total 40 dias válidos, sendo 21 dias de medições no verão e 19 dias no outono. Os equipamentos forneceram dados brutos em formato de planilha de Excel, da qual foram extraídos os valores máximos, mínimos e médios. Foi realizada ainda a comparação das temperaturas entre os módulos a cada seis horas, dividindo os dias em quatro períodos: madrugada (00:00 as 6:00h), manhã (6:00 às 12:00h), tarde (12:00 às 18:00h) e noite (18:00 às 24:00h). A partir da divisão de períodos, foi aplicado o teste t de student pareado e bicaudal, a nível de significância de 5%, com a finalidade de comparar as temperaturas registradas nos períodos entre os módulos e confirmar a existência de diferenças significativas do ponto de vista estatístico. Fonte: Autores (2018) UNIDADE 3 | ESTRUTURAS DE CONCRETO, VEDAÇÕES VERTICAIS E COBERTURAS 202 RESULTADOS E DISCUSSÕES Levantamento de Custos No levantamento de custos, verificou-se os valores de cada uma das camadas (identificadas de (a) a (g)) que compõe os diversos modelos de telhados verdes. A Tabela 1 apresenta esses valores por camadas e por modelos, com os custos mínimo, médio e máximo encontrados na pesquisa. Custo Mínimo (R$) Custo Médio (R$) Custo Máximo (R$) Custos por Camadas (R$. m -2) (a)Impermeabilização (b) Drenagem (c) Substrato (d) Vegetação (e) Módulos Plásticos (f) Membrana Alveolar (g) Irrigação 7,75 96,40 9,00 4,50 74,40 55,08 0,74 29,26 196,08 35,24 24,06 101,60 55,08 77,92 75,00 279,95 87,50 48,00 125,60 55,08 366,12 Custos por Modelo (R$. m -2) Modelo 1 – (a) a (d) Modelo 2 – (a) a (e) Modelo 3 – (a) a (f) Modelo 4 – (a) a (e) e (g) Empresas 117,65 192,05 247,13 192,79 190,00 284,64 386,24 441,32 464,16 249,20 490,45 616,05 671,13 982,17 310,00 Tabela 1. Custos gerais dos telhados verdes no estado de São Paulo Nota-se que osvalores mais altos estão relacionados às camadas de irrigação, drenagem e módulos plásticos. Ressalta-se que a camada de drenagem é obrigatória em todos os modelos de telhados verdes, sendo dessa forma, a principal responsável pela elevação dos custos construtivos desse tipo de cobertura, principalmente dos modelos mais simples. Por outro lado, a camada de irrigação, que apresenta o maior custo dentre todos os componentes, e os módulos plásticos são utilizados apenas em modelos de telhados mais complexos, não sendo componentes obrigatórios nos telhados vegetados. [...] Conforto Térmico As medições com os termohigrômetros durante 40 dias indicaram que as temperaturas máximas tanto no verão (21 dias avaliados) quanto no outono (19 dias avaliados) ocorrem no período das 14:00 às 15:00 no ambiente externo aos módulos, sendo que esse comportamento foi observado em 45% dos dias avaliados. As temperaturas máximas observadas dentro dos módulos ocorreram majoritariamente no intervalo entre as 17:00 e 18:00, ocorrendo em 57,50% dos dias no M1, em 50% dos dias no M2 e 42,50% dos dias em M3. Dessa forma, TÓPICO 4 | COBERTURAS 203 afirma-se que ocorre um atraso térmico médio de 4 horas. Porém ressalta-se que os materiais empregados nos módulos possuem alta massa térmica, sendo compostos de blocos de concreto, um material que apresenta capacidade de absorver, armazenar e liberar calor lentamente. As mínimas temperaturas registradas, ocorrem entre as 6:00 e as 7:00 nos registros externos (80% dos dias) e entre as 7:00 e as 8:00 nos módulos, com uma ocorrência em 82,50% dos dias em M1, 67,50% dos dias em M2 e 70% dos dias em M3, este comportamento pode ser observado na figura 2A. O período de ocorrência das temperaturas máximas e mínimas se assemelha aos obtidos por Feitosa e Wilkinson (2018) no Rio de Janeiro. [...] CONCLUSÕES Os telhados verdes têm maior custo de implementação (R$321,64m-2), porém os ganhos de isolamento e conforto térmico são comprovados, mantendo a edificação até 3,4°C mais fria em dias de verão em comparação com um telhado convencional, além de manter a umidade do ambiente até 23,4% maior. Os telhados verdes conseguem atenuar os picos de temperatura e aumentar a umidade nas edificações durante os períodos mais quentes do ano, mantendo o ambiente mais confortável para os usuários, podendo inclusive diminuir o uso de equipamentos de refrigeração de ambientes, gerando economia de energia. A espécie vegetal Hemigrafis alternata utilizada no telhado verde tem melhor isolamento térmico na construção, em comparação com o telhado convencional e com o telhado verde com Chlorophytum comosum. REFERÊNCIAS Revista Verde, v.13, n.5, p.620-629, 2018. FONTE: <http://dx.doi.org/10.18378/rvads.v13i5.6197>. Acesso em: 21 nov. 2019. http://dx.doi.org/10.18378/rvads.v13i5.6197 204 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você aprendeu que: • A cobertura protege a edifi cação e pode ser feita de vários tipos, materiais e dimensões. • A NBR 10884 fi xa exigências e critérios necessários aos projetos das instalações de drenagem de águas pluviais, para garantir níveis aceitáveis de funcionalidade, segurança, higiene, conforto, durabilidade e economia. • Cada elemento da estrutura do telhado possui nome específi co para melhor identifi cação no projeto. • O telhado pode ser construído com diversos tipos de telhas existentes no mercado e, para cada método construtivo, deve-se respeitar as propriedades de cada telha, projetando a estrutura quanto a: ᵒ dimensão; ᵒ peso; ᵒ fi xação; ᵒ inclinação. Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA 205 AUTOATIVIDADE 1 (AMEOSC, 2018) “Como regra básica, a estrutura de uma cobertura é composta de um sistema treliçado destinado a suportar todo o carregamento da cobertura, além dos esforços provenientes da ação das intempéries, como variação de temperatura, chuva, vento e neve" (SALGADO, J. – Técnicas e Práticas Construtivas para Edifi cação). Com base nisso, assinale a alternativa incorreta acerca da nomenclatura e sua defi nição: FONTE: <https://www.aprovaconcursos.com.br/questoes-de-concurso/prova/ameosc- 2018-prefeitura-de-bandeirante-sc-engenheiro-civil>. Acesso em: 7 nov. 2019. a) ( ) Tesoura: estrutura autoportante constituída de diversas peças formando uma estrutura treliçada com a fi nalidade de suportar toda a carga de um telhado. b) ( ) Cumeeira: linha mais alta de um telhado. c) ( ) Pendural: suporta as terças e dá inclinação à estrutura conforme o tipo de telha utilizado. d) ( ) Escora: elemento oblíquo de distribuição das cargas de um telhado. 2 (FCC, 2011) Considere a fi gura a seguir. Uma cobertura é formada por superfícies planas inclinadas para um perfeito escoamento das águas de chuvas, onde o encontro destas superfícies recebe denominações específi cas. Considerando um telhado de quatro águas, as indicações numeradas por 1, 2 e 3, respectivamente, referem-se a: FONTE: <https://s3.amazonaws.com/questao-certa/arquivos_do/provas/2263/prova/fcc- 2011-tre-ap-analista-judiciario-engenharia-civil-prova.pdf>. Acesso em: 7 nov. 2019. a) ( ) cumeeira, rincão e espigão. b) ( ) espigão, rincão e cumeeira. c) ( ) rincão, espigão e água. d) ( ) água, rincão e espigão. e) ( ) cumeeira, espigão e água. 206 207 REFERÊNCIAS ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. A vez do bambu na construção civil. Boletim ABNT. Rio de Janeiro, v. 15, n. 161, p. 14-16, jan./fev. 2018. Disponível em: http://www.abnt.org.br/images/boletim/2018/Jan- Fev/Boletim_ABNT_161_jan_fev_2018.pdf. Acesso em: 17 out. 2019. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9062: projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado. Rio de Janeiro: ABNT, 2017a. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16475: painéis de parede de concreto pré-moldado - requisitos e procedimentos. Rio de Janeiro: ABNT, 2017b. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14859-3: lajes pré-fabricadas de concreto. parte 3: armadura treliçadas eletrossoldadas para lajes pré-fabricadas — requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2017c. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15270- 1: componentes cerâmicos - blocos e tijolos para alvenaria. parte 1: requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2017d. Disponível em: http://professor.pucgoias.edu.br/ SiteDocente/admin/arquivosUpload/17827/material/NBR_15270_1_2005.PDF. Acesso em: 17 out. 2019. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12655: concreto de cimento Portland - preparo, controle, recebimento e aceitação - procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6136: blocos vazados de concreto simples para alvenaria — requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2014. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14323: Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios em situação de incêndio. Rio de Janeiro: ABNT, 2013a. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575: Levar ao entendimento dos conceitos e à forma de atender aos requisitos da norma. Rio de Janeiro: ABNT, 2013b. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5674: manutenção de edificações - requisitos para o sistema de gestão de manutenção. Rio de Janeiro: ABNT, 2012a. Disponível em: http://www.pmb.eb.mil.br/images/ documentos/abnt/abnt_05674.pdf. Acesso em: 17 out. 2019. http://www.abnt.org.br/images/boletim/2018/Jan-Fev/Boletim_ABNT_161_jan_fev_2018.pdf http://www.abnt.org.br/images/boletim/2018/Jan-Fev/Boletim_ABNT_161_jan_fev_2018.pdf http://professor.pucgoias.edu.br/SiteDocente/admin/arquivosUpload/17827/material/NBR_15270_1_2005.PDF http://professor.pucgoias.edu.br/SiteDocente/admin/arquivosUpload/17827/material/NBR_15270_1_2005.PDF http://www.pmb.eb.mil.br/images/documentos/abnt/abnt_05674.pdfhttp://www.pmb.eb.mil.br/images/documentos/abnt/abnt_05674.pdf 208 ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16055: parede de concreto moldada no local para a construção de edificações — requisitos e procedimentos. Rio de Janeiro: ABNT, 2012b. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14645- 3: elaboração do "como construído" (as built) para edificações. parte 3: locação topográfica e controle dimensional da obra - procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2011a. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15968: qualificação de pessoas no processo construtivo para edificações — perfil profissional do pedreiro de obras. Rio de Janeiro: ABNT, 2011b. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15961- 1: alvenaria estrutural — blocos de concreto. parte 1: projeto. Rio de Janeiro: ABNT, 2011c. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12118: blocos vazados de concreto simples para alvenaria - métodos de ensaio. Rio de Janeiro: ABNT, 2011d. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14762: Dimensionamento de estruturas de aço constituídas por perfis formados a frio. Rio de Janeiro: ABNT, 2010a. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15812-2: alvenaria estrutural — blocos cerâmicos. parte 2: execução e controle de obras. Rio de Janeiro: ABNT, 2010b. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15873: coordenação modular para edificações. Rio de Janeiro: ABNT, 2010c. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8800: Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios. Rio de Janeiro: ABNT, 2008. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7480: aço destinado a armaduras para estruturas de concreto armado - especificações. Rio de Janeiro: ABNT, 2007. Disponível em: http://ferramar.com.br/wp-content/ uploads/2016/10/NBR7480.pdf. Acesso em: 17 out. 2019. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12721: avaliação de custos unitários de construção para incorporação imobiliária e outras disposições para condomínios edifícios - procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2006. http://ferramar.com.br/wp-content/uploads/2016/10/NBR7480.pdf http://ferramar.com.br/wp-content/uploads/2016/10/NBR7480.pdf 209 ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14645-2: elaboração do "como construído" (as built) para edificações. parte 2: levantamento planimétrico para registro público, para retificação de imóvel urbano - procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2005. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14931: execução de estruturas de concreto - procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2004a. Disponível em: https://docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/ construcao-de-edificios/nbr-14931-2004-execucao-de-estruturas-de-concreto- procedimento. Acesso em: 17 out. 2019. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8681: ações e segurança nas estruturas - procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2004b. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15049: chumbadores de adesão química instalados em elementos de concreto ou de alvenaria estrutural - determinação do desempenho. Rio de Janeiro: ABNT, 2004c. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: projeto de estruturas de concreto - procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2003. Disponível em: https://docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/ construcao-de-edificios/abnt-6118-projeto-de-estruturas-de-concreto- procedimento. Acesso em: 17 out. 2019. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6484: solo - sondagens de simples reconhecimento com SPT - método de ensaio. Rio de Janeiro: ABNT, 2001a. Disponível em: https://engenhariacivilfsp.files. wordpress.com/2014/11/spt-metodo_de_ensaio_nbr_6484.pdf. Acesso em: 17 out. 2019. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14645-1: elaboração do "como construído" (as built) para edificações. parte 1: levantamento planialtimétrico e cadastral de imóvel urbanizado com área até 25 000 m², para fins de estudos, projetos e edificação - procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2001b. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14432: exigências de resistência ao fogo de elementos construtivos de edificações - procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2001c. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10837: cálculo de alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto - procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2000. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7190: Projeto de estruturas de madeira. Rio de Janeiro: ABNT, 1997. https://docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/construcao-de-edificios/nbr-14931-2004-execucao-de-estruturas-de-concreto-procedimento https://docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/construcao-de-edificios/nbr-14931-2004-execucao-de-estruturas-de-concreto-procedimento https://docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/construcao-de-edificios/nbr-14931-2004-execucao-de-estruturas-de-concreto-procedimento https://docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/construcao-de-edificios/abnt-6118-projeto-de-estruturas-de-concreto-procedimento https://docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/construcao-de-edificios/abnt-6118-projeto-de-estruturas-de-concreto-procedimento https://docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/construcao-de-edificios/abnt-6118-projeto-de-estruturas-de-concreto-procedimento https://engenhariacivilfsp.files.wordpress.com/2014/11/spt-metodo_de_ensaio_nbr_6484.pdf https://engenhariacivilfsp.files.wordpress.com/2014/11/spt-metodo_de_ensaio_nbr_6484.pdf 210 ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 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