Prévia do material em texto
29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 1/20 Lição 06 Modelos de Gestão Ambiental Meio Ambiente, Sustentabilidade, E�ciência Energética e Energias Renováveis Começar a aula 1. Introdução Apesar de algumas ações terem sido tomadas anteriores a Revolução Industrial na proteção do meio ambiente quanto à gestão ambiental, como a proibição de serras hidráulicas na Inglaterra e leis para proteção das florestas na França, nos séculos XIV e XVII (ACOT, 1990), respectivamente, a preocupação era em salvaguardar os recursos naturais do país e não uma preocupação genuína com o meio ambiente conforme comenta Barbieri (2012) em seu trabalho. A partir da Revolução Industrial, medidas efetivas no combate à poluição tiverem início, mas só a partir da metade do século XIX, discussões sobre proteção de áreas naturais, e, só no pós-guerra, os movimentos ambientalistas surgiram. Importante destacar a ocorrência de grandes impactos ambientais como Bophal, Exxon Valdez, Cubatão Chernobil, dentre outras, resultando um aumento da consciência ambiental entre os diversos setores da sociedade e da economia, o que ensejou a necessidade de ações mais efetivas na prevenção de danos ao do meio ambiente. 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 2/20 O conhecimento crescente das populações em todo o mundo, das causas e consequências de fenômenos como o Aquecimento Global, conforme já comentado no tópico 1, destruição da camada de ozônio, perda acelerada das florestas e biodiversidade dos ecossistemas, contaminação e exaurimento dos recursos naturais vêm gerando maior cobrança dos governos por leis mais restritivas ao uso não sustentável dos recursos naturais e ao mesmo tempo mais severas quanto à punição de indivíduos e empresas à contaminação e exaurimento de destes mesmos recursos. Nesse contexto, as empresas vêm assumindo uma nova postura no intuito de procurar obter soluções ou minimizar o impacto de suas ações sobre o meio ambiente. Mas, para isso, não basta investir em tecnologias, treinamentos e mão de obra especializada, mas sim, sobretudo, em sistemas gerenciais administrativos que balizem, normatizem e tornem mais racionais as ações focadas na prevenção e proteção ambientais, como na Gestão Ambiental Empresarial, cuja importância no atendimento a essas necessidades serão abordadas também neste tópico. 2. Definição de gestão ambiental Várias são as definições encontradas na literatura referentes à Gestão Ambiental. Barbieri (2012, p. 19) define-a como sendo: As diretrizes e as atividades administrativas e operacionais, tais como planejamento, direção, controle, alocação de recursos e outras realizadas com o objetivo de obter efeitos positivos sobre o meio ambiente, tanto reduzindo, eliminando ou compensando os danos ou problemas causados pelas ações humanas, quanto evitando que eles surjam. Já Sánchez (2008, p.19) conceitua Gestão ambiental, como sendo: Um conjunto de medidas de ordem técnica e gerencial que visam a assegurar que o empreendimento seja implantado, operado e desativado em conformidade com a legislação ambiental e outras diretrizes relevantes, a fim de minimizar os riscos ambientais e os impactos adversos, além de maximizar os efeitos benéficos. Lanna (1995, p.17) coloca “Gestão Ambiental como sendo o: Processo de articulação das ações dos diferentes agentes sociais que interagem em um dado espaço, visando garantir, com base em princípios e diretrizes previamente acordados/definidos, a adequação dos meios de exploração dos recursos ambientais/naturais, econômicos e socioculturais às especificidades do meio ambiente. 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 3/20 Mas, o que essas definições teriam em comum? As ações de controle ambiental derivadas dos planos de Gestão Ambiental encontram sua única aplicação na fase de operação? Pelas definições apresentadas, pode-se perceber que um ponto comum a todas é o fato de utilizarem diferentes formas de gestão e controle, balizadas por normas e diretrizes ambientais, com o objetivo de proteger o meio ambiente, reduzindo e/ou minimizando as agressões, ou evitando-as. Quando Lanna (1995) menciona diferentes agentes sociais, inclui, nesse contexto, o setor públicotambém como agente utilizador e promotor da gestão ambiental, e não só aquelas ligadas à iniciativa privada. Apesar das ações de controle ambiental ser muito utilizadas na fase de operação, principalmente quando originadas do Sistema de Gestão Ambiental (SGA), Sánchez (2008), em sua definição, menciona também as fases de implantação e desativação dos empreendimentos (inerentes ao EIA - Tópico 5 –, salientando a importância dos planos de Gestão Ambiental a eles aplicados. 3. Dimensões da gestão ambiental Embora as iniciativas à Gestão Ambiental tenham tido origem em ações governamentais com o objetivo de enfrentar a escassez de recursos naturais, com o tempo, outras questões ambientais foram sendo consideradas por outros agentes e com alcances diferentes. Segundo Barbieri (2011), qualquer proposta de gestão ambiental inclui no mínimo três dimensões: 1. Dimensão ESPACIAL que concerne área na qual se espera que as ações de gestão tenham eficácia, podendo ser global, regional, nacional, local, setorial, empresarial e outros; 2. Dimensão TEMÁTICA que delimita as questões ambientais às quais as ações se destinam como o ar, águas, solo, fauna e flora, recursos minerais e outras; e 3. Dimensão INSTITUCIONAL relativa aos agentes que tomam as ini ciativas de gestão como empresas, governo, sociedade civil, instituição multilateral e outros. 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 4/20 A essas dimensões, pode-se acrescentar a dimensão filosófica que em última análise está ligada à percepção e entendimento do ser humano quanto ao mundo natural que o cerca. A partir dela, podem-se identificar posicionamentos extremados que vão de um polo ao outro, passando por posições intermediárias, os chamados: Antropocêntricos - entendem que a natureza está a serviço do ser humano e só tem valor à medida que venha atender as necessidades do ser humano. Numa posição mais estremada não há preocupação com a quantidade com o que se produz ou com que finalidade a que se destina (supérfluo ou não). Quando há alguma preocupação com a natureza está apenas no limite do atendimento às leis pertinentes. Ecocêntricos – estão no outro extremo, ou seja, os seres humanos não apresentam nenhum direito especial sobre a natureza, há uma equidade entre as espécies em que o ser humano possui os mesmos direitos. O consumo do ser humano deve ser restrito ao mínimo necessário para que não interfira nos processos de regeneração e que a tecnologia não é capaz de resolver os problemas gerados. Socioambientais – ocupam uma posição intermediária onde, apesar da valorização do meio ambiente, o uso da natureza é necessário para atender às necessidades do ser humano, respeitando suas limitações. Cada eixo da figura representa uma das dimensões da Gestão Ambiental. https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/11/AULA_meisus_top06_img01.jpg 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 5/20 Barbieri (2011) menciona que gestão ambiental empresarial, com predominância socioambiental, apoia-seem três critérios de desempenho: EFICIÊNCIA ECONÔMICA, EQUIDADE SOCIAL e RESPEITO AO MEIO AMBIENTE, os quais devem ser aplicados ao mesmo tempo. Em qual das posições de origem filosófica apresentadas acima você se encontra? 4. Modelos de gestão ambiental Qualquer modelo de gestão, do ponto de vista conceitual, relaciona-se a processos administrativos que visam verificar, organizar e também orientar os diversos setores de uma empresa, tendo como meta alcançar objetivos específicos. Da mesma forma, quando o foco da gestão são as questões ambientais inerentes às empresas, os modelos de gestão ambiental balizam os procedimentos administrativos no tempo e no espaço, assim como permitem maior coerência nas atividades a serem executadas pelos seus colaboradores. O modelo de gestão poderá ser desenvolvido pela própria empresa, atendendo às suas necessidades específicas ou ser adotado, tendo sua origem em modelos genéricos ou mesmo específicos. Importante salientar que independente do modelo, este deverá criar uma sinergia positiva com as outras necessidades administrativas. 4.1. Administração da qualidade ambiental 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 6/20 Segundo Barbieri (2011), o Total Quality Environmental Management (TQEM) é uma ampliação do modelo de Administração da Qualidade Total (TQM: do inglês Total Quality Management). De forma objetiva, o TQEM, também conhecido como TQM, preocupa-se com as questões ambientais, como ilustra a Figura abaixo. Nesse sentido, pode-se mencionar que no TQEM a qualidade ambiental é a superação das expectativas dos clientes internos e externos em termos ambientais e apresenta como meta poluição zero e amplia o entendimento de desperdício para incluir tudo que possa causar problemas ambientais. ADMINISTRAÇÃO DA QUALIDADE TOTAL (TQM) ADMINISTRAÇÃO DA QUALIDADE AMBIENTAL TOTAL (TQEM) Qualidade como dimensão estratégica Meio Ambiente como dimensão estratégica Liderança da alta administração Liderança de alta administração Foco no cliente Foco no cliente Abordagem por processo Abordagem por processo Participação de todos os níveis Participação de todos os níveis Melhoria contínua Melhoria contínua Meta: defeito zero Meta: resíduos zero TQM e TQEM - similaridades Fonte: Barbieri (2011) Para alcançar um desempenho ambiental cada vez mais elevado, o TQEM se vale de ferramentas típicas da qualidade, dentre eles o ciclo PDCA que em inglês significa Plan-Do-Check-Aet, (Ver figura abaixo em português). Esse ciclo permite elaborar planos de trabalhos para qualquer área- problema de modo contínuo (Figura abaixo) e, assim, a cada volta do ciclo, busca-se sempre a melhoria que, no caso, é a ambiental. 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 7/20 Na TQEM, os custos da qualidade são classificados em quatro categorias segundo Barbieri (2011): Cus tos de prevenção; Custos de avaliação; Custos de falhas internas; Custos de falhas externas. Enquanto os dois primeiros estão ligados as atividades para evitar problemas de qualidade, os dois últimos estão relacionados com os problemas causados pela ausência de qualidade. O Quadro abaixo apresenta exemplos dessas diferentes categorias de custos am bientais. Ciclo PDCA. https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/11/AULA_meisus_top06_img03-768x571.jpg 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 8/20 Custos da qualidade e custos ambientais. 4.2. produção mais limpa (P+ L) Esse modelo (Cleaner Production) é aplicado a processos, produtos e serviços com foco preventivo e objetiva minimizar os efeitos negativos sobre o ambiente natural. Teve sua origem no PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e na Orga nização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONU DI/UNIDO). https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/11/AULA_meisus_top06_img04-768x788.jpg 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 9/20 A Declaração Internacional sobre Produção Mais Limpa, elaborada pelo PNUMA, instrui que a P + L deve ser entendida como a aplicação contínua de uma estratégia preventiva integrada, envolvendo processos, produtos e serviços a fim de alcançar benefícios econômicos e sociais para a saúde humana e o meio ambiente. Já para o Centro Nacional de Tecnologias Limpas (CNTL), “Produção Mais Limpa significa a aplicação contínua de uma estratégia econômica, ambiental e tecnológica integrada aos processos e produtos, a fim de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, água e energia, através da não geração, minimização ou reciclagem de resíduos gerados” (CNTL/SNAI-RS, 1999, apud BABIERI, 2011). Fique sabendo! Foi definida pelo PNUMA, em 1990, uma “abordagem de proteção ambiental ampla que considera todas as fases do processo de manufatura ou ciclo de vida do produto, com o objetivo de prevenir e minimizar os riscos para os seres humanos e o meio ambiente a curto e a longo prazo” (BARBIERI, 2011). 4.3. Ecoeficiência “A ecoeficiência se alcança pela entrega de produtos e serviços com preços competitivos que satisfaçam as necessidades humanas e melhorem a qualida de de vida, enquanto reduzem progressivamente os impactos ecológicos e a intensi dade dos recursos ao longo de seu ciclo de vida para, no mínimo, manter a capacidade de carga estimada do planeta”. Segundo a Organization for Economic Co-Operation end Development OCDE (apud BARBIERI, 2011, p.x), uma empresa se tornaria ecoeficiente por meio de práticas focadas em: 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 10/20 a. minimizar a intensidade de materiais nos produtos e serviços; b. minimizar a intensidade de energia nos produtos e serviços; c. minimizar a dispersão de qualquer tipo de material tóxico pela empresa; d. aumentar a reciclabilidade de seus materiais; e. maximizar o uso sustentável dos recursos renováveis; f. aumentar a durabilidade dos produtos da empresa e g. aumentar a intensidade dos serviços em seus produtos e serviços. O modelo de Ecoeficiência utiliza a seguinte relação para medir a eficiência ambiental: na qual o valor do produto ou serviço pode ser dado em termos monetários, como receita líquida de vendas, margem líquida ou outro dessa natureza, ou quantidades físicas de produtos e serviços vendidos, como unidades ou toneladas vendidas. Já as influências podem ser medidas em quantidade total de energia ou de mate riais usados para produzir e entregar os produtos ou serviços. Conforme Barbieri (2011, p. 130) menciona: “quanto maior essa relação, maior é a efici ência do sistema produtivo em transformar recursos produtivos em produtos e servi ços vendidos”. Custos da qualidade e custos ambientais. 4.4. Ecologia industrial A Ecologia Industrial faz parte de um modelo de Gestão Ambiental inspirado na maneira como os organismos vivos interagem entre si e com o meio ambiente que o cerca, ou seja, tenta reproduzir nos sistemas produtivos da sociedade humana aquilo que ocorre nos ecossistemas naturais e seus organismos. https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/11/AULA_meisus_top06_img05.jpg 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=611/20 Metabolismo industrial (industrial meta bolism) é um conjunto de transformações físico- químicas que converte matérias-primas (biomassa, combustíveis minerais, metais etc.) em produtos manufaturados, estruturas produtivas e resíduos (ALMEIDA, 2006; BARBIERI, 2011). Já Ecologia Industrial, além de conter essa dimensão, ou seja, converter a matéria-prima em produtos e resíduos, vai mais longe, permite uma abordagem ambiental mais completa, procura fechar os ciclos de materiais e energia, imitando os sistemas biológicos. Mas, nos sistemas naturais, os animais e mesmo as plantas não geram resíduos, sobras de seus processos metabólicos? Isso não vai gerar poluição? No ambiente natural, não há geração de resíduos que não desempenhe alguma função, ou seja, os dejetos resultantes da alimentação dos organismos servem de alimento para outros, um conjunto de empresas poderia formar uma comunidade empresarial na quais os resíduos de produção de certas empresas se riam insumos de outras. Diferente dos outros modelos, os inspirados na natureza só poderão ser aplicados, então, em um conjunto de empresas (numa mesma área) e não em empresas isoladas. Mas, essa história toda não é muito teórica? Isso existe na prática ou é apenas algo que gostaríamos que fosse verdade? Observe e analise a figura abaixo. Kalundborg - parque industrial na Dinamarca. https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/11/AULA_meisus_top06_img06-768x775.jpg 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 12/20 4.5. Projeto para o meio ambiente Almeida (2006) define Projeto para O Meio Ambiente como sendo aquele que se preocupa em “examinar todo o ciclo de vida de um produto e propor alterações no projeto, de forma a minimizar seu impacto ambiental, da fabricação ao descarte.” Iniciativas como essas exigem o envolvimento da empresa como um todo, considerando seus diversos setores, bem como de fornecedores e dos canais de distribuição. Enquanto o DfE (Design for Environment) pode ser aplicado utilizando critérios ambientais específicos, os chamados DfX onde X está relacionado ao critério selecionado e, normalmente é substituído pela letra correspondente, também pode ser aplicado, utilizando múltiplos critérios como os da ISO/TR 14062 que objetiva integrar os aspectos ambientais no projeto e desenvolvimento do produto. Compare os quadros abaixo e verifique a diferença de abordagem entre um DfE específico e um que visa a combinação de diferentes ações ambientais de projeto sobre o desenvolvimento de produtos. Pode-se considerar um modelo de gestão centrado na fase de concepção dos produtos e de seus respectivos processos de produção, distribuição e utilização, tendo como objetivo a redução da poluição em todas as fases do ciclo de vida do produto. Projeto para o Meio Ambiente – exemplos que atendem a critérios ambientais específicos. Projeto para o Meio Ambiente – exemplos que integram diversas abordagens ambientais no projeto. https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/11/AULA_meisus_top06_img07-768x682.jpg https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/11/AULA_meisus_top06_img08-768x654.jpg 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 13/20 Múltiplos critérios ambientais no projeto do produto? Como esse modelo poderia contribuir de forma mais ampla na melhoria ambiental do produto? Aprendendo mais uma! Um exemplo do uso de múltiplos critérios ambientais no projeto do produto é a redução do volume ou a massa dos ma teriais para melhorar sua eficiência, pois pode contribuir para reduzir o consumo de combustíveis nos transportes e o uso de espaços para armazenagem, ou seja, contribui também para a melhoria da eficiência energética e uso criterioso do solo. 4.6. Combinando modelos O quadro abaixo resume as principais características que diferenciam alguns dos modelos de Gestão Ambiental. Há de se sublinhar que tais modelos podem ser utilizados por empresas de diferentes setores e diferentes tamanhos, assim como aplicados não só isoladamente, mas combinados de forma que atenda às necessidades específicas de uma determinada empresa. Alguns modelos de gestão ambiental - resumo https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/11/AULA_meisus_top06_img09-768x694.jpg 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 14/20 5. A empresa como instituição sociopolítica e a evolução das práticas ambientais Culturalmente, em nosso país, a resposta para as questões ambientais tem partido do próprio governo. Isso se deve à predominância da abordagem tradicional da empresa típica da década de 80, quando era vista como uma instituição econômica, destinada à busca da maximização dos lucros e na minimização dos custos, incompatível, portanto, com investimento em proteção ambiental, pois esta era custosa e indesejável. Nessa abordagem, o meio ambiente é visto como fonte gratuita e inesgotável de matérias-primas e insumos e de destinação de resíduos, que se auto recupera. Por isso, as empresas buscavam apenas responder às determinações e regulamentações para evitar multas ou sanções, mas sem procurar prevenir os problemas. Suas atitudes reativas tendiam a focalizar as exigências de cada regra isoladamente e não dedicavam muito tempo, nem pensavam em integrar em um único sistema os procedimentos relativos à conformidade de cada regra ou lei. Nos anos noventa, em resposta às inúmeras pressões sofridas por parte da sociedade e do ambiente de negócios, as empresas têm atuado como uma instituição sociopolítica respondendo a: 1. Custos crescentes da proteção ambiental; 2. Análises minuciosas por seguradoras, instituições financeiras e investidores; 3. Regulamentação rigorosa para implementação de abordagens preventivas ao invés daquelas focadas no final dos processos; 4. Pressões governamentais de “comando e controle” para incentivos de mercado; 5. Percepção sistêmica do meio ambiente por parte de cientistas, técnicos e da sociedade em geral; 6. Necessidade de atender às exigências rígidas dos clientes que sinalizam com: desenvolvimento sustentável, ética, boa imagem institucional no mercado, atuação ecológica e responsável. A figura abaixo expõe as relações que as empresas passam a ter com a sociedade e com o ambiente de negócios: Nessa abordagem, a empresa deve responder com ações mais integradas, posicionando-se no mercado com práticas que variam de preventiva e até ofensiva (estratégica) em relação às questões ambientais, como sintetiza o quadro a seguir: A empresa como instituição sociopolítica. https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/11/AULA_meisus_top06_img10-768x557.jpg 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 15/20 CARACTERÍSTICAS ABORDAGENS CONTROLE DA POLUIÇÃO PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO ESTRATÉGICA CARACTERÍSTICAS ABORDAGENS CONTROLE DA POLUIÇÃO PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO ESTRATÉGICA Preocupação básica Cumprimento da legislação e respostas às pressões da comunidade. Uso e�ciente dos insumos. Competitividade. Postura típica Reativa. Reativa e proativa. Reativa e proativa. Ações típicas Corretivas; Tecnologias de remediação e de controle no �nal do processo (end of pipe); Aplicação de normas de segurança. Corretivas e preventivas; Conservação e substituição de insumos; Uso de tecnologias limpas. Corretivas, preventivas e antecipatórias; Antecipação de problemas e captura de oportunidades utilizando soluções de médio elongo prazos; Uso de tecnologias limpas.Teste 01 Percepção dos empresários e administradores Custo adicional. Redução de custo e aumento da produtividade. Vantagens competitivas. Envolvimento da alta administração Esporádico. Periódico. Permanente e sistemático. Áreas envolvidas Ações ambientais con�nadas nas áreas produtivas. As principais ações ambientais continuam con�nadas nas áreas produtivas, mas há crescente envolvimento de outras áreas. Atividades ambientais disseminadas pela organização; Ampliação das ações ambientais para toda a cadeia produtiva. Quadro abordagens da gestão ambiental na empresa. Fonte: Barbieri (2012, p. 107) 6. Abordagem preventiva, estratégica e uso dos sistemas de gestão ambiental 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 16/20 Quando há uma baixa cobrança da sociedade e do mundo dos negócios, normalmente as empresas adotam uma abordagem de controle da poluição (reação às demandas governamentais) apenas ao ponto em que não incorram em custos ainda maiores. Depois, ela avança para abordagem preventiva quando nota que seu custo em corrigir está sendo muito alto e que pode melhorar sua produtividade. Para isso, ela investe em evitar, reduzir ou modificar a geração de poluição, buscando ser mais eficiente e reduzir desperdícios. Daqui ela pode evoluir para uma abordagem estratégica e passar a antecipar os problemas, utilizando tecnologias limpas em prol da causa ambiental (BARBIERI, 2012). Mas, esse salto é ainda maior, como vemos a seguir: “Ser uma empresa ecológica é uma decisão politicamente correta, mas também, uma estratégia empresarial pró ativa e sustentável. Neste início de novo século, colocar em risco ou provocar danos ao meio ambiente passa a ficar oneroso para as empresas, além de representar a ineficiência do processo produtivo. As responsabilidades legais e penalidades resultantes dos desastres ecológicos, sejam por acidentes ou por negligência, têm trazido impactos e consequências graves para o universo das organizações empresariais, comprometendo a imagem da empresa. O exemplo ocorrido com a Exxon/Valdez, com multa de U$ 2 bilhões, impulsionou ações e estratégias nas empresas direcionadas à implantação de sistemas de gestão ambiental. As multas são tão prejudiciais para o mundo dos negócios, como são os efeitos na imagem externa e interna da empresa. Desastres ecológicos como o de Chernobyl (URSS), Bhopal (Índia), Petrobrás (Brasil) são cenários que devem ser avaliados, analisados e divulgados, não só pelas multas e cifras desprendidas ou apenas pela necessidade de que sejam seguidas as normas e a legislação ambiental; sobretudo, para que a ética de uma nova relação sociedade e natureza possa ser conquistada. É necessário que os conceitos ecológicos de redução do consumo, reutilização, reciclagem e respeito pelos outros elementos da natureza sejam os carros-chefes dos processos de gestão ambiental” Deslizamentos nas encostas do entorno da cidade provocados pela poluição atmosférica gerada nos parques industriais na cidade de Cubatão – SP, em 1985. Resultado do acidente de Chernobyl na Ucrânia – doenças geradas pela radiação liberada. https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/11/AULA_meisus_top06_img11.jpg https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/11/AULA_meisus_top06_img12.jpg 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 17/20 Mais do que os prejuízos com a imagem da empresa ou por multas ambientais, os sistemas de gestão ambiental promovem uma relação mais ética com a sociedade e com a natureza. As empresas que querem estabelecer uma relação duradoura para com o meio ambiente optam por utilizar um sistema de gestão ambiental; pode ser criado pela empresa ou a empresa pode escolher adotar um sistema de gestão ambiental que já tenha sido testado, homologado e seja o mais aceito em todo o mundo (conforme abordado no tópico anterior). Daremos foco na ISO 14001, abordada no próximo tópico, pois é o SGA mais utilizado em todo o mundo. Milhares de mortos em Bhopal na Índia em vazamento de gás em planta química para fabricação de agrotóxico. Se cada caso é um caso, empresas com necessidades e ramos de atuação diferentes, por que preferir um sistema de gestão ambiental (SGA) padrão, mesmo que reconhecidos internacionalmente, do que desenvolver seu próprio SGA? A escolha acaba sendo pelos sistemas de gestão ambiental normatizados e que possuem grande credibilidade internacional por terem sido desenvolvidos e serem atualizados periodicamente por organizações como: Organização Internacional de Comércio (OIC, em inglês ICC), Sistema Comunitário de Ecogestão e Auditoria (EMAS) e Organização Internacional de Padronização (ISO, sem tradução: a mesma sigla para todas as línguas). 7. Conclusão https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2018/11/AULA_meisus_top06_img13.jpg 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 18/20 Percebe-se que um ponto comum às definições de Gestão Ambiental é o fato de utilizarem diferentes formas de gestão e controle, balizadas por normas e diretrizes ambientais, com o objetivo de proteger o meio ambiente, reduzindo e/ou minimizando as agressões, ou evitando-as. Dimensões Espacial, Temática e Institucional deverão estar contidas em qualquer proposta de Gestão Ambiental e a elas pode-se acrescentar a dimensão filosófica, que estando ligada à natureza, acaba por gerar posições antropocêntricas, ecocêntricas e socioambientais. Para que a Gestão ambiental possa ser implementada com controle e de forma adequada, diferentes modelos foram desenvolvidos, dentre eles os que podem ser individualmente aplicados ou combinados entre si, em geral, em empresas isoladas. Já outros, como os inspirados na natureza, aplicados em comunidades de empresas. Não importando qual seja o modelo, o objetivo é inserir nos processos de produção, administrativos e culturais da empresa a variável ambiental, reduzindo a necessidade de matéria prima, energia e geração de resíduos. Quando se considera a empresa como instituição sociopolítica, a empresa deve responder com ações mais integradas, com práticas que variam de preventiva e até ofensiva (estratégica) em relação às questões ambientais. As empresas que querem estabelecer uma relação duradoura para com o meio ambiente, optam por utilizar um sistema de gestão ambiental. A escolha acaba sendo pelos sistemas de gestão ambiental normatizados e que possuem grande credibilidade internacional por terem sido desenvolvidos e serem atualizados periodicamente. 8. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT ISO/TR 14062:2004. Gestão ambiental - Integração de aspectos ambientais no projeto e desenvolvimento do produto. Disponível em: <https://pt.scribd.com/document/186971908/ABNT-ISO-TR-14062-Gestao-ambiental- Integracao-de-aspectos-ambientais-no-projeto-e-desenvolvimento-do-produto>. Acesso em: 20 fev. 2014. ALMEIDA, C.M.V.B.; GIANNETTI, B.F. Ecologia industrial: Conceitos, ferramentas e aplicações. São Paulo: Edgar Blunger, 2006. ACOT, P. História da ecologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1990 BARBIERI, J. C. Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. DONAIRE, D. Gestão Ambiental na empresa. São Paulo: Atlas, 1999. INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA (IBICT). Brasília, DF: 2012. http://www.ibict.br FIKSEL, J. Ingenieria de diseño medioambiental. DEF: desarrollo integral de produtos y processos ecoeficientes. Madri: McGraw-Hill, 1997. 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambientalhttps://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 19/20 LANNA, A. E. L. Gerenciamento de bacia hidrográfica: aspectos conceituais e metodológicos, 1995. 171 p. Disponível em: <http://www.ibama.gov.br/rqma/gestao-ambiental> Acesso em: 19 fev. 2014. LEÃO, A.L.C.; FALCÃO, C.A.C. Fazendo educação e vivendo a gestão ambiental. Recife: CPRH, 2002. 28p. Disponível em:<http://www.cprh.pe.gov.br/downloads/livreto-cprh.pdf>. Acesso em: 19 fev. 2014. SÁNCHEZ, Luis Enrique. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. 495 p. Ficha técnica Reitoria: Heraclito Amancio Pereira Junior Vice-reitoria: Luciana Dantas da Silva Pinheiro Pró-reitoria Acadêmica: Leda Maria Couto Nogueira Coordenação Geral Ead: Cristiano Biancardi Coordenação de Conteúdo: Vinicius Rosalen Conteúdo: José Luiz Gouvea Gasparini Orientação de Conteúdo: Emanuella Aparecida Fontan Revisão Gramatical: Roberto Carlos Ferreira Gestão de TI: 29/05/2021 Modelos de Gestão Ambiental https://cead.uvv.br/saladeaula/conteudo.php?aula=modelos-de-gestao-ambiental&dcp=meio-ambiente-sustentabilidade-eficiencia-energetica-e-energias-sustentaveis&topico=6 20/20 Lucas Sperandio Coradini Web Design: Bruno Guimaraes Mendes Ingrid Soares Barbosa Jefferson Teixeira Bessa Marcus Vinicius D. de Almeida Ilustração: Ray Jonatas Braz dos Santos Programação: Josué de Lacerda Silva Marcos Victor Barbosa Desenho Instrucional: Frederico Vescovi Leão Game: Rafael Scandian