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José Meireles de Sousa
Impacto ambiental 
e logística reversa
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Jeane Passos de Souza – CRB 8a/6189)
Sousa, José Meireles de
 Impacto ambiental e logística reversa / José Meireles de Sousa. – 
São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2019. (Série Universitária)
	 Bibliografia.
 e-ISBN 978-85-396-2681-6 (ePub/2019)
 e-ISBN 978-85-396-2682-3 (PDF/2019)
 1.Gestão ambiental 2. Impacto ambiental 3. Gestão de empresas: 
Desenvolvimento sustentável 4. Gestão de empresas: Responsabilidade 
social empresarial 5. Logística: Distribuição de produtos 6. Logística 
empresarial 7. Gerenciamento da cadeia de suprimentos 8. Logística 
reversa 9. Reciclagem: material reciclável I. Título. II. Série.
19-905s CDD-658.1552
 658.78
 BISAC BUS078000
 BUS000000
 NAT011000
 SCI026000
Índice para catálogo sistemático
1. Gestão ambiental: Administração 658.408
2. Gestão de empresas : Desenvolvimento sustentável : 
Responsabilidade social empresarial 658.408
3. Impacto ambiental : Avaliação : Economia 333.714
4. Meio ambiente : Impactos ambientais 363.7
5. Logística : Distribuição de produtos 658.78
6. Reciclagem: Material reciclável: Coleta seletiva 363.7282
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IMPACTO AMBIENTAL 
E LOGÍSTICA REVERSA
José Meireles de Sousa
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aterial para uso exclusivo de aluno m
atriculado em
 curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com
partilham
ento digital, sob as penas da Lei. ©
 Editora Senac São Paulo.
Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo
Presidente do Conselho Regional
Abram Szajman
Diretor do Departamento Regional
Luiz Francisco de A. Salgado
Superintendente Universitário e de Desenvolvimento
Luiz Carlos Dourado
Editora Senac São Paulo
Conselho Editorial
Luiz Francisco de A. Salgado 
Luiz Carlos Dourado 
Darcio Sayad Maia 
Lucila Mara Sbrana Sciotti 
Jeane Passos de Souza
Gerente/Publisher
Jeane Passos de Souza (jpassos@sp.senac.br)
Coordenação Editorial/Prospecção 
Luís Américo Tousi Botelho (luis.tbotelho@sp.senac.br)
Márcia Cavalheiro Rodrigues de Almeida (mcavalhe@sp.senac.br)
Administrativo
João Almeida Santos (joao.santos@sp.senac.br)
Comercial
Marcos Telmo da Costa (mtcosta@sp.senac.br)
Acompanhamento Pedagógico
Ariadiny Carolina Brasileiro Maciel 
Otacilia da Paz Pereira
Designer Educacional
Diogo Maxwell Santos Felizardo
Revisão Técnica
Alessandro Augusto Rogick Athie
Colaboração
Josivaldo Petronilo da Silva
Coordenação de Preparação e Revisão de Texto
Luiza Elena Luchini
Preparação de Texto
Allan Moraes
Revisão de Texto
AZ Design Arte e Cultura
Projeto Gráfico
Alexandre Lemes da Silva 
Emília Corrêa Abreu
Capa
Antonio Carlos De Angelis
Editoração Eletrônica
Sidney Foot Gomes
Ilustrações
Sidney Foot Gomes
Imagens
iStock Photos
E-pub
Ricardo Diana
Proibida a reprodução sem autorização expressa.
Todos os direitos desta edição reservados à
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Rua 24 de Maio, 208 – 3º andar 
Centro – CEP 01041-000 – São Paulo – SP
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© Editora Senac São Paulo, 2019
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Sumário
Capítulo 1 
Meio ambiente e gestão 
ambiental, 7
1	 Problemas	ambientais, 9
2	 Poluentes, 12
3 Meio ambiente como recipiente 
de	resíduos, 14
4	 Gestão	ambiental, 16
5 Dimensões da gestão 
ambiental, 17
6 Sistemas de gestão ambiental 
(SGA), 18
Considerações	finais, 19
Referências, 20
Capítulo 2 
Políticas e normas de gestão 
ambiental, 23
1 Política Nacional do Meio 
Ambiente	(PNMA), 25
2	 ISO	14000, 27
3	 Auditorias	ambientais, 36
Considerações	finais, 38
Referências, 39
Capítulo 3 
Desenvolvimento sustentável, 41
1	 Desenvolvimento	sustentável, 42
2	 Sustentabilidade	corporativa, 49
3 Importância da informação na 
gestão	ambiental, 54
Considerações	finais, 57
Referências, 57
Capítulo 4 
Avaliação do ciclo de vida do 
produto, 59
1 Logística e a cadeia de 
suprimentos, 60
2 Gestão do ciclo de vida do 
produto, 63
3	 Filosofia	dos	6	Rs, 69
Considerações	finais, 71
Referências, 72
Capítulo 5 
Logística reversa, 73
1	 Logística	reversa, 74
2 Canais reversos de 
revalorização, 77
3	 Canais	de	distribuição	reversa, 79
4 Reciclagem e reúso de 
materiais, 84
Considerações	finais, 89
Referências, 89
Capítulo 6 
A logística reversa como 
estratégia empresarial, 93
1	 Estratégia	empresarial, 94
2 Adequação a questões 
ambientais, 98
3	 Razões	competitivas, 101
Considerações	finais, 105
Referências, 105
Capítulo 7 
O produto pós-consumo, 107
1	 Bens	pós-consumo, 108
2 Descartáveis, duráveis e 
semiduráveis, 113
3	 Aumento	da	descartabilidade, 115
Considerações	finais, 120
Referências, 121
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Capítulo 8 
Canais de distribuição reversos 
do pós-consumo, 123
1 Canais de distribuição reversos do 
pós-consumo, 124
2 Canais de distribuição reversos de 
ciclo	aberto	e	ciclo	fechado, 129
Considerações	finais, 135
Referências, 136
Capítulo 9 
Canais de distribuição reversos 
do pós-venda, 137
1	 Fluxos	reversos	de	pós-venda, 138
2	 Retorno	pós-venda, 140
3 Prestação de serviço 
pós-venda, 148
Considerações	finais, 150
Referências, 150
Capítulo 10 
O impacto do fator 
tecnológico, 153
1 Logística de produtos 
eletroeletrônicos, 154
2 Descarte de produtos 
eletroeletrônicos, 159
3 Características do lixo de 
produtos	eletroeletrônicos, 161
4 Cadeia reversa do equipamento 
eletroeletrônico, 165
Considerações	finais, 168
Referências, 169
Capítulo 11 
Produção mais limpa, 171
1	 Conceito, 172
2	 Diretrizes, 176
3	 Objetivos, 182
Considerações	finais, 184
Referências, 185
Capítulo 12 
Ações de empresas na logística 
reversa, 187
1 Práticas empresariais de logística 
reversa	na	atualidade, 188
2	 Estudos	de	caso, 194
Considerações	finais, 202
Referências, 202
Capítulo 13 
Ecoeficiência, 205
1	 Conceito, 206
2	 Objetivos, 211
3	 Ecoeficiência	no	Brasil, 215
Considerações	finais, 217
Referências, 217
Capítulo 14 
Mercado de carbono, 219
1	 Efeito	estufa, 220
2 Processos geradores de 
gases, 221
3	 Protocolo	de	Quioto, 225
4	 Créditos	de	carbono, 229
5	 Mercado	de	carbono, 236
Considerações	finais, 237
Referências, 238
Capítulo 15 
Reciclagem, 241
1	 Conceito, 242
2 Processo de reciclagem de 
plástico, 244
3 Processo de reciclagem do 
alumínio, 251
Considerações	finais, 255
Referências, 255
Capítulo 16 
Consumo sustentável, 259
1	 Consumo	sustentável, 260
2 Sustentabilidade das 
empresas, 262
3 Paradigma cartesiano 
versus paradigma da 
sustentabilidade, 265
4	 Educação	ambiental, 267
Considerações	finais, 270
Referências, 271
Sobre o autor, 275
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Capítulo 1
Meio ambiente e 
gestão ambiental
O meio ambiente tem se tornado cada vez mais matéria fundamen-
tal inserida em múltiplas discussões e decisões geradas em todos os 
níveis da sociedade. Nunca um tema assumiu tamanha importância. 
Enquadrado em inúmeros setores e variadas valências do conhecimen-
to, pôde reunir consensos de opinião em um contexto de divergências 
quanto ao desenvolvimento político, econômico e social. Tudo isso por-
que o meio ambiente, por um lado, é único e universal, e, como tal, envolve 
tudo e todos, independentemente de etnia, religião, visão política e condi-
ção econômica ou social; e, por outro lado, como é incomensurável, tem 
sido esquecido por comodismo, e seus recursos são tratados como se 
fossem uma fonte inesgotável.
8 Impacto ambiental e logística reversa Ma
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Entre os vários alertas que instigaram o interesse de estudiosos, for-
muladores de políticas, legisladores, empresas e da população como 
um	todo	pelo	meio	ambiente,	alguns	tiveram	impacto	muito	significati-
vo, pois, malgrado os efeitos nocivos que causaram ao meio am biente, 
contribuíram para alavancar não somente estudos e regulamentos am-
bientais, mas também a disseminação da conscientização ambiental.
PARA SABER MAIS 
Conheça alguns casos de desastres ecológicos que ocorreram pelo 
mundo que tiveram grandes impactos ambientais (SANTOS, 2018):
• O desastre ecológico do superpetroleiro Exxon Valdez, em 
24 de março de 1989, derramou aproximadamente 100 mil metros 
cúbicos de petróleo na costa do Alasca depois de ter encalhado 
na Enseada do Príncipe Guilherme; em resposta ao vazamento do 
Exxon Valdez, o Oil Pollution Act tornou-se lei em 1990, exigindo às 
companhias de petróleo a elaboração de planos de contingência 
para evitar derrames futuros e contê-los em caso de vazamento.
• A explosão da plataforma Deepwater Horizon no dia 20 de abril de 
2010 no Golfo do México, nos Estados Unidos, que estava sendo 
operada pela British Petroleum, obrigou a empresa ao pagamento de 
indenizações de cerca de 18,7 bilhões de dólares, além de ver sua 
imagem prejudicada perante seus consumidores.
• A tragédia de Mariana, em Minas Gerais, considerada a maior tragé-
dia ambiental do Brasil, ocorreu quando duas barragens da minera-
dora Samarco se romperam, liberando lama e rejeitos sólidos, resul-
tado da mineração, que se espalharam por mais de 600 quilômetros 
entre Minas Gerais e o Espírito Santo, causando mortes, desalojando 
famílias e causando perdas materiais e imateriais a centenas de mo-
radores. Os processos que visam garantir indenização à população 
ultrapassam os 20 bilhões de reais.
 
Além	de	desastres	ecológicos,	 também	o	aumento	demográfico,	o	
desenvolvimento de novas tecnologias, o aumento médio do nível de 
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vida com a busca por melhores condições de sobrevivência têm incen-
tivado o homem a conscientizar-se de que o meio ambiente terá de ser 
protegido e olhado de forma diferente daquela que até agora tem ocor-
rido, isto é, sem ter sua presença notada.
O grande aviso para essa nova tomada de posição ocorreu com o 
descobrimento de buracos na camada de ozônio na atmosfera, o que 
de alguma maneira afetaria o dia a dia dos seres vivos, prejudicando, 
entre outros aspectos, as condições climatéricas, a forma mais visível e 
sentida pelos seres vivos na superfície do nosso planeta.
O estudo das causas de alterações no clima, como as enchentes, ou 
períodos prolongados de seca que prejudicam as safras, tem levado os 
cientistas a analisar as consequências de certas atividades antrópicas, 
como	o	desmatamento	de	florestas,	a	emissão	de	poluentes	industriais	
ou mesmo o acúmulo de resíduos sólidos que, ao contaminarem solos 
e rios, contribuem para o agravamento da saúde pública e da poluição 
ambiental e visual. Nesse contexto, as atividades logísticas, em parti-
cular as que se relacionam com a localização e a remoção de resíduos, 
ganham especial relevo e serão objeto de análise no decorrer dos pró-
ximos capítulos.
1 Problemas ambientais
As mudanças na sociedade, ocorridas de forma dinâmica nas últi-
mas	décadas,	levantaram	um	novo	e	importante	desafio:	como	proteger	
e preservar os recursos do planeta sem comprometer o desenvolvimen-
to econômico e social?
O desenvolvimento tecnológico, a facilitação das comunicações e a 
inexorável expansão empresarial como formas de sobrevivência impul-
sionam novos desejos de consumo que são renovados rapidamente em 
face ao crescente poder das inovações.
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Se	as	grandes	obras,	com	intervenções	em	florestas,	rios	ou	mesmo	
nos	oceanos,	necessitam	de	minuciosos	estudos	e	aprovações	oficiais	
e devem obedecer a critérios rigorosos, também a atividade econômi-
ca, que faz mover consumidores e produtores, e que gera diariamente 
milhares de toneladas de resíduos sólidos e outros poluentes, é respon-
sável pela conservação ambiental.
PARA SABER MAIS 
Para se ter uma ideia, de acordo com a Prefeitura de São Paulo (SÃO 
PAULO, 2017), a cidade gera, em média, 20 mil toneladas de lixo diaria-
mente (entre resíduos domiciliares, resíduos de saúde, restos de feiras 
livres, podas de árvores, entulho, etc.). Só de resíduos domiciliares são 
coletadas cerca de 12 mil toneladas por dia. Diariamente é percorrida 
uma área de 1.523 km², e estima-se que mais de 11 milhões de pessoas 
são beneficiadas pela coleta de resíduos domiciliares, seletivos e hos-
pitalares. Cerca de 3,2 mil pessoas trabalham no recolhimento dos resí-
duos e são utilizados 500 veículos (caminhões compactadores e outros 
específicos para o recolhimento dos resíduos de serviços de saúde).
 
Nesse novo cenário de elevada competitividade, muitas empresas, para 
garantir sua sobrevivência ou aumentar a lucratividade, projetam e fabri-
cam produtos que utilizam metodologias agressoras do meio ambiente; 
já nos mercados, o contínuo lançamento de novos produtos e o descarte 
de produtos usados faz com que lixo e desperdícios se acumulem, criando 
problemas ambientais cada vez mais complexos. Com a multiplicidade de 
partes interessadas e a diversidade das variáveis que devem ser levadas 
em conta em estudos sobre problemas ambientais, torna-se necessário 
conceituar	e	delimitar	o	significado	de	“meio	ambiente”	para	tornar	as	análi-
ses	ambientais	e	os	processos	decisórios	empresariais	mais	eficazes.
O	conceito	de	“meio	ambiente”	é	muito	amplo,	pois	engloba	natureza	
e sociedade, ou seja, tudo aquilo que envolve ou cerca os seres vivos 
(ALENCASTRO,	2012),	e	pode	ser	definido	como:
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O meio de onde a sociedade extrai os recursos essenciais à sobre-
vivência e os recursos – geralmente denominados de naturais – 
demandados pelo processo de desenvolvimento socioeconômico; 
por outro lado, ambiente é também o meio de vida cuja integridade 
depende da manutenção de funções ecológicas essenciais à vida, 
o que faz emergir o conceito de recurso ambiental que se refere 
não mais somente à capacidade da natureza de fornecer recursos 
físicos, mas também de prover serviços e desempenhar funções 
de suporte à vida. (SÁNCHEZ, 2008, p. 21)
Com	a	equiparação	progressiva	do	conceito	de	“meio	ambiente”	ao	
de	“meio	de	vida”,	os	problemas	ambientais	passaram	a	se	 identificar	
com	o	conceito	de	“poluição”.
Os problemas ambientais, antes minimizados em favor do confor-
to e do consumo, tornaram-se objeto de discussão cotidiana no seio 
de qualquer comunidade, independentemente de sua condição socio-
econômica. O mundo tornou-se mais consciente quanto à situação am-
biental e agora mais preocupado com as consequências de eventuais 
mudanças resultantes de impactos ambientais, isto é, de atividades, 
produtos e serviços que causem danos ecológicos resultantes de po-
luição, da redução da camada de ozônio que nos protege das radiações 
solares ou, de forma mais genérica, da depredação de ecossistemas 
como resultado da extinção de espécies animais e vegetais.
IMPORTANTE 
Segundo o IBGE (2004), impacto ambiental pode ser definido como 
[q]ualquer alteração das propriedades físicas, químicas e 
biológicas do meio ambiente causada por qualquer forma 
de matéria ou energia resultante das atividades humanas 
que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança 
e o bem-estar da população, as atividades sociais e econô-
micas, a biota, as condições estéticas e sanitárias do meio 
ambiente e a qualidade dos recursos ambientais.
 
12 Impacto ambiental e logística reversa Ma
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O meio ambiente e o sistema econômico interagem através dos im-
pactos que este provoca naquele ou até mesmo através do impacto 
que os recursos naturais causam na economia; mas diferentemente da 
destruição do capital construído pelo homem, a degradação ambiental 
pode tornar-se irreversível, e os ativos ambientais em sua maioria não 
são substituíveis.
O estudo dos impactos ambientais tem por objetivo avaliar as con-
sequências de atividades que possam prejudicar a qualidade do meio 
ambiente de forma a prevenir ou mitigar depredações ambientais re-
sultantes da realização de projetos empresariais ou de resíduos de 
fabricação e de consumo.
2 Poluentes
Segundo o Dicionário Houaiss,	o	verbo	“poluir”	tem	a	acepção	de	“tor-
nar	sujo;	manchar,	corromper”	(POLUIR,	2009).	No	contexto	desta	obra,	
conforme	Sánchez	(2008,	p.	24),	podemos	afirmar	que	“poluir	é	profanar	
a	natureza,	sujando-a”,	e	que	as	causas	da	poluição	são	as	atividades	
humanas	que	“sujam”	o	ambiente.
Poluição refere-se à emissão de poluentes (grandezas físicas men-
suráveis) que causam danos ao meio ambiente. A possibilidade de 
mensuração dos poluentes permite estabelecer níveis admissíveis de 
concentração,	isto	é,	padrões	ambientais,	e	dessa	forma	definir	direitos	
e deveres do poluidor.
Ao comparar as características do conceito de impacto ambiental 
ao	 de	 poluição,	 Sánchez	 (2008)	 refere	 que	 “impacto	 ambiental”	 é	 um	
conceito	mais	amplo	que	“poluição”:	este	tem	sempre	uma	conotação	
negativa,	em	oposição	a	“impacto	ambiental”,	que	pode	ser	benéfico	ao	
ambiente. Por outro lado, a poluição é uma das causas do impacto am-
biental, mas nem todo impacto ambiental tem a poluição como causa.
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NA PRÁTICA 
São impactos ambientais negativos o despejo de resíduos sólidos em 
rios ou as emissões de monóxido de carbono de carros e motos, pois 
provocam alterações persistentes no meio ambiente. Impactos ambien-
tais positivos ocorrem com o reflorestamento de áreas degradadas ou 
a limpeza de rios e córregos e tendem a melhorar a qualidade de vida 
dos seres vivos.
 
A depredação de ecossistemas ou a redução da camada de ozônio 
são em grande parte resultado do consumo desordenado e da aceita-
ção de produtos fabricados e distribuídos sem respeito ao ambiente. 
Nesse	cenário,	a	educação	ambiental,	entendida	como	identificação	e	
análise dos fatores de risco que impactam negativamente o meio am-
biente, deve ser integrada ao processo decisório de pessoas e empre-
sas	como	fator	crítico	para	o	desenvolvimento	pessoal	e	profissional.	
Ao consumir produtos que utilizam recursos naturais que não pos-
sam ser substituídos ou que impactem negativamente o ambiente, 
pessoas e empresas estão progressivamente diminuindo suas fontes 
de abastecimento, encarecendo produtos pelo aumento de escassez de 
insumos e diminuindo a qualidade de vida dos seres vivos como resul-
tado de impactos ambientais negativos, como é o caso da utilização, 
como	matéria-prima,	de	madeira	resultante	de	manejo	não	certificado	
ou a utilização indiscriminada de veículos poluidores.
Muitas pessoas têm mudado suas atitudes junto ao mercado ao 
incorporar a responsabilidade ambiental em suas decisões, como é o 
caso da preferência por produtos biodegradáveis, a seletividade no des-
carte do lixo ou mesmo a utilização de embalagens recicláveis. Atitudes 
desse tipo têm levado os governos a aprovar leis de monitoramento de 
poluição e de controle dos ecossistemas.
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A efetividade da discussão ambiental depende do entendimento da 
forma de funcionamento dos mercados e também da atitude dos con-
sumidores diante das questões ambientais. Entre outras, devem ser 
respondidas as seguintes questões: até que ponto os consumidores es-
tão dispostos a pagar mais por produtos com a mesma funcionalidade, 
mas produzidos e comercializados de forma ecologicamente correta? 
Até que ponto as empresas irão prescindir de ganhos a curto prazo para 
produzir e comercializar produtos que não agridam o ambiente?
3 Meio ambiente como recipiente de resíduos
A partir de 1970, a preocupação com a preservação do meio ambiente 
levou ao desenvolvimento e à implantação de unidades de tratamento 
de	poluentes	(unidades	de	fim	de	tubo)	com	o	objetivo	de	reduzi-los	no	
final	do	processo	industrial	e	antes	do	seu	descarte	no	ambiente,	em	um	
sistema	de	fluxo	unidirecional	(VILELA	JÚNIOR;	DEMAJOROVIC,	2013).
A	aglomeração	de	parques	industriais	e	a	expansão	demográfica,	so-
bretudo	nas	grandes	metrópoles,	têm	modificado	o	cenário	do	dia	a	dia	
e tornado cada vez maior o número de cidadãos que agora convivem 
com bueiros entupidos e lixo jogado nas ruas de grandes cidades, bem 
como lixões a céu aberto, o que tem contribuído para a conscientiza-
ção de problemas ambientais e instigado governantes e populaçõesa 
assimilar novas soluções que possam amenizar esses efeitos nocivos, 
como a coleta seletiva, a reciclagem, os aterros sanitários ou mesmo a 
geração de energia a partir do lixo.
A viabilização dessas soluções vem transformando gradualmente 
o conceito unidirecional das cadeias de suprimentos (tradicionalmente 
formadas pela logística de abastecimento de matérias-primas/produ-
ção/comercialização/utilização/descarte em lixão ou aterros sanitários) 
em cadeias circulares, em que é possível aproveitar o descarte como 
matéria-prima.
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Figura 1 – Transformação do fluxo de produtos nas cadeias de suprimentos
Consumo
Consumo
Produção
Produção
Ambiente
Matéria-
-prima
Lixo
IMPORTANTE 
A cadeia de suprimentos refere-se a uma 
[…] rede de organizações conectadas e interdependentes, 
trabalhando conjuntamente, em regime de cooperação mú-
tua, para controlar, gerenciar e aperfeiçoar o fluxo de maté-
rias-primas e informação dos fornecedores para os clientes 
finais. (AITKEN, 1998, p. 67)
 
O novo desenho das cadeias de suprimentos impacta o processo de 
gestão de logística integrada, que agora deve se ocupar com a destinação 
dos descartes – industriais e de consumo – e com as novas fontes de 
matéria	-prima.	Podemos	acompanhar	esse	novo	processo	na	figura	2.
Figura 2 – O novo desenho das cadeias de suprimentos
Logística reversa
Supply chain
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A excelência na gestão da cadeia de suprimentos, que antes procura-
va garantir que o produto certo, na quantidade solicitada e no momento 
que o consumidor dele necessitava estava disponível, passa agora a 
incluir as operações de descarte, que devem ser efetuadas de forma 
eficiente	e	eficaz.
4 Gestão ambiental
Verificou-se	 um	 incremento	 na	 abordagem	 a	 assuntos	 ambientais	
como resultado não somente de uma maior conscientização ambiental 
e social de consumidores e empresas, mas também porque foram de-
senvolvidas novas oportunidades de negócio que permitirão às empre-
sas reconhecimento pelos consumidores e crescimento pelo aumento 
de	eficiência	operacional.
Empresas mineradoras, do agronegócio ou grandes indústrias tra-
dicionalmente poluentes passaram a acautelar o seu desenvolvimento 
com a utilização de estratégias que minimizem impactos ambientais; 
caso contrário, seria grande o risco de prejuízo de sua imagem e, conse-
quentemente, à sua sustentabilidade.
Um número crescente de consumidores também exige produtos eco-
logicamente	corretos,	levando	os	produtores	a	certificarem	as	cadeias	de	
suprimentos,	como	é	o	caso	do	uso	do	selo	verde	em	produtos	florestais.	
Na nova realidade de consumo, as empresas adaptam processos e 
consequentemente estudam novas formas de produção e comerciali-
zação que eliminem ou diminuam impactos ambientais, aumentando 
dessa forma a sua imagem nos mercados e contribuindo para a susten-
tabilidade do seu desenvolvimento.
A	 gestão	 ambiental	 reflete	 esse	 processo	 de	 integração	 empresa-
-ambiente e deve estar presente em todas as decisões estratégicas e 
operacionais.
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Quadro 1 – Benefícios da gestão ambiental 
BENEFÍCIOS DA GESTÃO AMBIENTAL
Benefícios econômicos Benefícios estratégicos
Economias de custo Incremento de receitas
Melhoria da imagem 
institucional
Economias devido à redução 
do consumo de energia e 
outros insumos
Aumento da contribuição 
marginal de produtos verdes 
que podem ser vendidos a 
preços mais altos
Renovação do portfólio de 
produtos
Economias devido a 
reciclagem, venda e 
aproveitamento de resíduos e 
diminuição de efluentes
Aumento da participação no 
mercado devido à inovação 
dos produtos e à menor 
concorrência
Aumento da produtividade
Redução de multas e 
penalidades por poluição
Linhas de produtos para 
novos mercados
Alto comprometimento do 
pessoal
–
Aumento da demanda por 
produtos que contribuam 
para a redução da poluição
Melhoria nas relações de 
trabalho
– –
Melhoria e criatividade para 
novos desafios
– –
Melhoria das relações com 
governo, comunidade e 
grupos ambientalistas
– –
Acesso assegurado ao 
mercado externo
– –
Melhor adequação aos 
padrões ambientais
Fonte: adaptado de Donaire (1999, p. 59).
5 Dimensões da gestão ambiental
O espectro de aplicação da gestão ambiental é vasto, e podemos 
afirmar	 que	 intervenções	 antrópicas,	 individuais	 ou	 empresariais,	 em	
qualquer área de atuação, devem estar enquadradas por processos 
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regulatórios que contribuam não somente para o planejamento empre-
sarial, mas também para a avaliação dos impactos ambientais. 
De acordo com Barbieri (2007, p. 26-27), 
[q]ualquer proposta de Gestão Ambiental inclui no mínimo três di-
mensões, a saber: (1) a dimensão espacial, que concerne à área 
na	qual	se	espera	que	as	ações	de	gestão	tenham	eficácia;	(2)	a	
dimensão temática, que delimita as questões ambientais às quais 
as ações se destinam; e (3) a dimensão institucional, relativa aos 
agentes que tomaram iniciativas na gestão.
6 Sistemas de gestão ambiental (SGA)
O aumento do comprometimento de pessoas físicas e das empre-
sas com o meio ambiente ultrapassa aspectos meramente atitudinais 
ou	mesmo	a	realização	de	medidas	isoladas	que	se	mostraram	insufi-
cientes	para	enfrentar	os	desafios	ambientais	contemporâneos	e	tem	
levado ao estabelecimento de diretrizes que regulamentem as opções 
de melhoria no desempenho ambiental. Surgem assim os sistemas de 
gestão ambiental (SGA), conceito que engloba um conjunto de ações 
administrativas e operacionais que visam mitigar os efeitos negativos 
das atividades humanas sobre a natureza (CURI, 2011) e que são inte-
gradas à gestão empresarial global mediante política ambiental formu-
lada pela própria empresa e coerente com a política econômica global 
(ALENCASTRO, 2012).
Como	 filosofia	 de	 funcionamento,	 o	 SGA	 deve	 se	 orientar	 por	 ci-
clos de retroalimentação estabelecidos com base em mensurações, 
diagnós ticos e auditorias, isto é, constitui-se num processo de melhoria 
contínua	que	pode	ser	esquematizado	pelo	ciclo	PDCA	(figura	3)	e	estar	
integrado à política ambiental da empresa.
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Figura 3 – O ciclo do PDCA na gestão ambiental
Planejamento de metas, 
objetivos, métodos 
e procedimentos 
Execução das 
tarefas planejadas
Act Plan
Check Do
Ação para a realização de 
correções ou melhorias
Verificação do resultado 
das tarefas realizadasOs principais sistemas de gestão ambiental, como o BS 7750 
(Reino Unido), o EMAS (União Europeia), o Environmental Management 
Program e o Canadian Standards Association (Canadá), têm em co-
mum a implantação de uma política ambiental que orienta as decisões 
de melhoria de desempenho ambiental das empresas e que, conforme 
a	figura	3,	devem	ser	concretizadas	mediante:	planejamento	(Plan); im-
plementação	e	operacionalização	de	ações	específicas	(Do);	verificação	
de desvios e resultados (Check); propostas de ações corretivas (Act); e, 
finalmente,	uma	análise	crítica,	 isto	é,	uma	revisão	da	efetividade	dos	
processos.
Considerações finais
A	crescente	conscientização	de	que	recursos	são	finitos	e	que	a	de-
gradação ambiental é causadora de danos, muitos deles irreparáveis, 
tem despertado o estudo dos problemas ambientais nas mais variadas 
áreas do saber, desde a área da saúde, preocupada com as doenças re-
lacionadas à escassez de água potável ou à poluição ambiental, à área 
agrícola, impactada por fenômenos atmosféricos outrora inexistentes e 
que devastam safras, passando pela área empresarial, que desenvolve 
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soluções para descarte de lixo tóxico, mecanismos de produção mais 
limpos ou estratégias de aproveitamento de resíduos sólidos.
O desenvolvimento sustentável de qualquer empresa passa pela in-
tegração dos processos de gestão ambiental à sua estratégia, o que só 
é viável com a conscientização de todos os problemas ambientais. As 
políticas e as normas de gestão ambiental passam a integrar a base do 
processo decisório das empresas.
Referências
AITKEN, James. Supply Chain Integration within the Context of Supplier 
Association.	1998.	Tese	(PhD	em	Filosofia)	–	School	of	Management,	Cranfield	
University,	 Cranfield,	 1998.	 Disponível	 em:	 <https://dspace.lib.cranfield.ac.uk/
handle/1826/9990>. Acesso em: 20 ago. 2018.
ALENCASTRO, Mario Sérgio Cunha. Empresas, ambiente e sociedade. Curitiba: 
InterSaberes, 2012.
BARBIERI, José Carlos. Gestão ambiental empresarial. São Paulo: Saraiva, 
2007.
CURI, Denise. Gestão ambiental. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.
DONAIRE, Denis. Gestão ambiental na empresa. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOFÍSICA E ESTATÍSTICA (IBGE). Vocabulário 
básico de recursos naturais e meio ambiental. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 
2004.	Disponível	em:	<https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv4730.
pdf>. Acesso em: 8 mar. 2018.
POLUIR. In: DICIONÁRIO eletrônico Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: 
Objetiva, 2009. 1 CD-ROM.
SANTOS,	 Vanessa	 Sardinha	 dos.	 Sete	 desastres	 ecológicos	 causados	 pelo	 
homem no mundo. Brasil Escola,	 [s.	l.],	2018.	Disponível	em:	<http://brasilescola. 
uol.com.br/biologia/sete-desastres-ecologicos-causados-pelo-homem-no- 
mundo.htm>. Acesso em: 8 mar. 2018.
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SÁNCHEZ, Luiz Enrique. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. 
São	Paulo:	Oficina	de	Textos,	2008.
SÃO PAULO (Município). Prefeitura de São Paulo. A coleta de lixo em São Paulo. 
2017.	 Disponível	 em:	 <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/ 
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VILELA	 JÚNIOR,	 Alcir;	 DEMAJOROVIC,	 Jacques.	 Modelos e ferramentas de 
gestão ambiental. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2013.
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Capítulo 2
Políticas e normas 
de gestão ambiental
Um grande número de consumidores, governos e empresas de toda 
a cadeia de suprimentos – especialmente os mais conscientes com as 
causas ambientais – procura constantemente formas de reduzir impac-
tos ambientais e aumentar sua sustentabilidade no longo prazo. 
Para isso, faz-se necessário que governos desenvolvam políticas de 
proteção ambiental, que consumidores se conscientizem (assimilan-
do formas de mitigação de problemas ambientais) e que as empresas 
adotem sistemas de gestão que sejam compatíveis com a preservação 
ambiental, reduzindo poluentes e destinando corretamente resíduos 
sólidos.
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Se o sucesso de uma empresa depende de uma gestão simulta-
neamente eficiente (fazer certo as coisas) e eficaz (fazer as coisas 
certas), operando em áreas atraentes do mercado, obtendo custos 
baixos e mantendo a confiança dos seus stakeholders, é também 
ne cessário que, como parte do seu sistema da gestão global, o siste-
ma de gestão ambiental (SGA) desenvolva e implemente sua políti-
ca ambiental, gerenciando os aspectos ambientais (VILELA JÚNIOR; 
DEMAJOROVIC, 2013).
Dado que o meio ambiente é único para todas as empresas, as 
ações empresariais avulsas, isto é, que não estejam enquadradas por 
políticas ambientais e que não sejam reguladas por normas e diretri-
zes uniformes, poderão ter seus efeitos atenuados e, no longo prazo, 
perder a efetividade. A política ambiental das empresas estabelece e 
divulga as diretrizes que, respeitando a legislação vigente e melhorando 
o desempenho ambiental, devem ser respeitadas no processo decisório 
empresarial.
De nada serve a uma empresa preservar uma área florestal se ela 
continua emitindo poluentes para a atmosfera, pois no curto prazo e 
considerando a escala global da natureza, a capacidade de absorção 
de poluentes compensada pela floresta preservada pode resultar em 
um saldo ambiental zero. Com o desenvolvimento e o crescimento da 
empresa, esse resultado seguramente não será benéfico para o am-
biente, afetando sua regeneração. As empresas devem implementar 
políticas que direcionem as suas decisões – investimento, produção e 
comercialização – de forma a não afetar a capacidade de regeneração 
do meio ambiente.
O desenvolvimento de políticas ambientais, conjugado com o esta-
belecimento de normas de gestão ambiental, e a conscientização do 
ser humano com relação aos problemas ambientais são fatores críticos 
ao desenvolvimento harmoniosodo ser humano.
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1 Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA)
No estabelecimento das políticas ambientais, as empresas brasilei-
ras devem atender à Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), ins-
tituída pela Lei nº 6.938/1981 (BRASIL, 1981). Na figura 1 é possível 
analisar o que aborda a PNMA, que tem por objetivo a preservação, 
melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando 
assegurar no país condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos 
interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida hu-
mana, além de enquadrar os instrumentos de gestão ambiental.
Figura 1 – Estrutura da Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA)
Lei de 
crimes 
ambientais
Política 
Nacional de 
Resíduos
Outra 
legislação
ambiental
Normas voluntárias reguladoras 
dos sistemas de gestão ambiental 
Política Nacional 
do Meio Ambiente
Integrando a PNMA, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) 
foi instituída pela Lei nº 12.305/2010 e regulamentada pelo Decreto 
nº 7.404/2010, e dispõe sobre princípios, objetivos, instrumentos e di-
retrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos 
sólidos, assim como as responsabilidades dos geradores, do poder 
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público e os instrumentos econômicos aplicáveis (BRASIL, 2010). Um 
vasto aparato jurídico, incluindo a lei dos crimes ambientais, torna a 
legis lação ambiental brasileira uma das mais completas do mundo 
(BRASIL, 2018).
Esse conjunto de legislação é amparado pela Política Nacional do 
Meio Ambiente, que estabelece diretrizes que impulsionam a forma-
ção de consciência ambiental, possibilitam e regulamentam o desen-
volvimento de sistemas de gestão ambiental e licenciam e fiscalizam 
atividades que causem impactos ambientais utilizando um sistema 
de órgãos e entidades da União, dos estados, do Distrito Federal, dos 
territórios e dos municípios, bem como as fundações instituídas pelo 
poder público. Esta rede de organizações nos diferentes âmbitos da fe-
deração, responsável pela proteção e melhoria da qualidade ambiental, 
constitui o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), conforme 
apresentado no quadro 1.
Quadro 1 – Estrutura do Sisnama
CONSELHO DO GOVERNO
Assessora o presidente da República na 
formulação da política nacional e nas diretrizes 
governamentais para o meio ambiente e os 
recursos ambientais
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE 
(CONAMA)
Assessora, estuda e propõe ao Conselho de 
Governo diretrizes de políticas para o meio 
ambiente e os recursos naturais
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA)
Formula e implementa políticas públicas 
ambientais nacionais
INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE 
E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS 
(IBAMA)
Exerce o poder de polícia ambiental e executa 
ações das políticas nacionais de meio ambiente
INSTITUTO CHICO MENDES
Executa ações do Sistema Nacional de Unidades 
de Conservação da Natureza e de políticas 
relativas ao uso sustentável dos recursos 
naturais renováveis
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O Ibama e o Instituto Chico Mendes são os órgãos executores das 
políticas de meio ambiente, cabendo ao Conama: exercer funções con-
sultivas e deliberativas, assessorando e propondo ao governo diretrizes 
para as políticas ambientais; realizar estudos sobre consequências am-
bientais de projetos públicos e privados; decidir em último recurso so-
bre multas e penalidades impostas pelo Ibama; e estabelecer normas, 
critérios e padrões relativos ao controle e à manutenção da qualidade 
do meio ambiente, com vistas ao uso racional dos recursos ambientais, 
de forma a garantir o equilíbrio entre os seres vivos e o meio ambiente. 
Além desses órgãos nacionais, também estados, Distrito Federal e 
municípios devem regionalizar as medidas emanadas do Sisnama, ela-
borando padrões supletivos e complementares.
2 ISO 14000
É propósito deste livro realçar, entre os objetivos da política de meio 
ambiente, as questões de preservação e de movimentação de recursos 
que mais impactam na economia, condicionando o desenvolvimento 
das empresas. Para isso é fundamental relacionar a atividade empresa-
rial ao meio ambiente.
Meio ambiente pode ser conceituado como o meio de onde a so-
ciedade extrai os recursos, quer os essenciais à sobrevivência, quer 
aqueles demandados pelo processo de desenvolvimento econômico 
(SÁNCHEZ, 2008). Uma vez que o meio ambiente é simultaneamente 
o fornecedor de recursos que possibilitam a elaboração de produtos e 
o receptor desses produtos, as questões ambientais são consideradas 
universais e permanentes.
 • Universais pois ultrapassam as fronteiras naturais dos países, 
dado que as cadeias de valor são globais – qualquer produto é 
composto de insumos provenientes de qualquer parte do mundo 
e consumido e descartado ao redor do mundo.
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 • Permanentes pois a sua análise não é temporal – o meio ambien-
te é um bem das gerações presentes e futuras, pois os recursos 
são finitos e, quando não são repostos, no futuro não poderão 
servir de insumo a novos produtos.
A universalidade do meio ambiente e a crescente conscientização 
ambiental impulsionaram o desenvolvimento de normas ambientais 
voluntárias que auxiliam e disciplinam as empresas e seu processo de 
gestão ambiental.
IMPORTANTE 
As organizações utilizam normas (padrões) como base de comparação 
contra algo que pode ser avaliado, como os atributos ou as caracterís-
ticas que devem estar presentes em produtos por razões de segurança 
ou de qualidade.
Esses padrões podem ser definidos pela empresa e desenvolvidos para 
melhorar sua eficiência ou uma vantagem competitiva; já outros são ex-
ternos às empresas e dividem-se em duas categorias: normas obrigató-
rias e regulamentadas pelo governo e normas voluntárias desenvolvidas 
e gerenciadas pelo setor privado. A violação das normas governamen-
tais pode levar a multas ou litígios; a violação de normas voluntárias 
pode levar à perda de certificação e de oportunidades de negócios.
 
A série de normas voluntárias ISO 14000 foi criada em 1991 pela 
International Organization for Standardization (ISO) para ajudar empre-
sas na implementação ou no melhoramento de sistemas de gestão am-
biental e desde então está em desenvolvimento, de forma a aumentar a 
eficiência da gestão ambiental.
A criação da série de normas ISO 14000 foi inspirada nas especi-
ficações da norma britânica British Standards (BS) 7750, existente na 
época e descontinuada após a publicação das normas ISO 14000. 
Mais tarde, a contribuição das normas da União Europeia, expressa 
pelo Eco-Management and Audit Schema (Emas), voltadas para planos 
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específicos de atuação baseados no conceito de desenvolvimento sus-
tentável, e do programa canadense CSA – Environmental Management 
Program, que desenvolveu um conjunto de iniciativas ambientais, in-
cluindo sistemas de gestão ambiental e sistemas de auditoria, molda-
ram a série de normas ISO 14000, que passou a integrar, de forma mais 
objetiva, a perspectiva de ciclo de vida nos processos de gestão am-
biental, tal como expresso na atual norma ISO 14001.
No Brasil, a série ISO 14000, que trata de sistemas de gestão ambien-
tal, é publicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) 
como a norma ABNT NBR ISO 14001, que está em sua terceira edição, 
válida a partir de 6 de novembro de 2015.
PARA SABER MAIS 
A ISO, baseada em Genebra, na Suíça, desde 1946, é uma organização 
não governamental essencial no desenvolvimento de normas voluntá-
rias, que podem ser adotadas por seus 162 países-membros. Embora 
todas as normas desenvolvidas pela ISO sejam de aplicação facultativa, 
muitas são convertidas ou citadas em legislações por países-membros 
da ISO. Saiba mais sobre a ISO consultando o site da instituição.
 
A série ISO 14000 é uma família de padrões agrupados em normas 
e diretrizes relativas a sistemas de gerenciamento e padrões de suporte 
relacionados em terminologia e ferramentas específicas, como a audi-
toria (o processo de verificação de conformidade do sistema de geren-
ciamento com o padrão), e que diz respeito principalmente ao processo 
de gestão ambiental, isto é, especifica o que a organização deve fazer 
para minimizar os efeitos nocivos sobre o meio ambiente causados por 
suas atividades.
A ISO 14000 diz respeito à forma como uma organização aborda 
seu trabalho, e não diretamente ao resultado desse trabalho, ou seja, diz 
respeito a processos, e não a produtos. A forma como a organização 
gerencia seus processos afetará seu produto final. A norma ISO 14000 
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estabelece diversos elementos de gestão, de forma a garantir que um 
produto tenha o menor impacto prejudicial ao meio ambiente, tanto du-
rante sua produção quanto em sua eliminação, seja pela poluição que 
pode causar, seja pelo esgotamento dos recursos naturais.
O objetivo da norma ISO 14000 é prover uma estrutura para a pro-
teção do meio ambiente e possibilitar uma resposta às mudanças das 
condições ambientais em equilíbrio com as necessidades socioeconô-
micas e sem prejuízo de outros sistemas de gestão já utilizados nas 
empresas. A ISO 14000 atende à demanda dos sistemas de gestão 
ambiental implementados pelas organizações e define procedimentos 
de gerenciamento e de auditoria ambiental, bem como métodos de ava-
liação do desempenho ambiental, e está estruturada de acordo com o 
ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act) – ferramenta de gestão utilizada no 
controle de processos e solução de problemas (figura 2) –, além de es-
tabelecer três conjuntos de ferramentas importantes na implementação 
de um SGA: 1) avaliação do ciclo de vida; 2) avaliação do desempenho 
ambiental; e 3) rotulagem ambiental.
De acordo com a NBR ISO 14001, as etapas do ciclo PDCA, quando 
aplicadas a um sistema de gestão ambiental, podem ser descritas da 
seguinte forma:
Figura 2 – Etapas do ciclo PDCA
Plan (planejar) Do (fazer) Check (checar) Act (agir)
Estabelecer os 
objetivos ambientais 
e os processos 
necessários para 
entregar resultados 
de acordo com a 
política ambiental da 
organização.
Implementar os 
processos conforme 
planejado.
Monitorar e medir 
os processos em 
relação à política 
ambiental, incluindo 
seus compromis-
sos, objetivos 
ambientais e 
critérios operacio-
nais, e reportar os 
resultados.
Tomar ações para 
melhoria contínua.
Fonte: adaptado de ABNT (2015).
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2.1 Avaliação do ciclo de vida
No estudo de impactos ambientais é importante conceituar o ciclo 
de vida do produto que Vilela Júnior e Demajorovic (2013, p. 328) defi-
nem como o “conjunto sequencial das etapas necessárias para que um 
produto cumpra a sua função, desde a obtenção de recursos naturais 
até seu destino final”, isto é, o seu descarte. A função de transporte deve 
ser incluída pois é uma atividade geradora de impactos ambientais e 
presente em todas as etapas do ciclo de vida dos produtos (figura 3). 
Figura 3 – Estágios do ciclo de vida de um produto
Extração de 
recursos naturais
Transformação 
industrial
Comercialização 
e uso
Destino final
Transporte
Fonte: adaptado de Vilela Júnior e Demajorovic (2013, p. 328).
A avaliação do ciclo de vida (ACV) consiste num método de verifica-
ção dos fatos que incidem sobre o desempenho ambiental de um produ-
to desde o seu design até a produção e depois seu descarte final. Portney 
(1994, p. 69) define ACV como uma “metodologia utilizada para identificar 
energia e outros recursos necessários, assim como os impactos ambien-
tais associados a cada estágio do ciclo de vida do produto”.
A avaliação do ciclo de vida ajuda as empresas a analisarem todos os 
aspectos das suas operações e integrá-los na tomada de decisão rela-
tiva aos processos estratégicos e operacionais. Ao analisar um produto 
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ou serviço através de todas as etapas do seu ciclo de vida (aquisição de 
matérias-primas, fabricação, transporte, uso/reutilização/manutenção, 
reciclagem/gerenciamento de resíduos e sistemas de abastecimento 
de energia relevantes), a ACV faz uso do sentido holístico da informação 
ambiental e pode ser usada no projeto de um novo produto ou na avalia-
ção de um produto existente.
Segundo a norma NBR ISO 14040, um estudo de ACV tem quatro 
componentes básicos (ABNT, 2009):
1. Definição de objetivos e escopo: identificação das razões para 
conduzir o estudo, a quem se pretende comunicar os resultados, 
qual o sistema de produto1 a ser estudado, requisitos de dados, 
métodos e limitações do estudo.
2. Análise do inventário do ciclo de vida: identificação, compilação e 
quantificação das entradas e saídas para um determinado produ-
to ou serviço.
3. Análise de impacto: avaliação e compreensão da magnitude e sig-
nificado dos impactos ambientais de um dado produto ou serviço.
4. Interpretação: avaliação e implementação de oportunidades para 
reduzir os encargos ambientais.
Embora a ACV tenha muitos aspectos positivos, ainda apresenta mui-
tos desafios, incluindo custos elevados, pois a pesquisa para muitos pro-
dutos é complexa, tornando-se cara; dados insuficientes ou inadequados, 
uma vez que, para uma ACV, é necessário grande quantidade de dados, 
e haverá inevitavelmente uma série de lacunas de informação; dados in-
conclusivos, pois a avaliação do ciclo de vida é baseada em informações1 Segundo a NBR ISO 14040, um sistema de produto é o “[c]onjunto de unidades de processo, conectadas 
material e energeticamente, que realiza uma ou mais funções definidas” (ABNT, 2009, p. 3).
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ambientais que se modificam rapidamente, levando a que os pressu-
postos utilizados no processo possam ser questionados; e falta de uma 
metodologia padrão que compare impactos ambientais – por exemplo, 
comparando dois tipos diferentes de poluição –, o que agrava o proble-
ma, visto que o reflexo dos resultados das avaliações do ciclo de vida 
para a qualidade de vida e para os impactos ecológicos nem sempre é 
compreendido da mesma forma.
2.2 Avaliação do desempenho ambiental 
A ABNT NBR ISO 14031, parte integrante da família de normas NBR 
ISO 14000, trata da avaliação do desempenho ambiental (ADA), que é 
definida como um processo para facilitar as decisões gerenciais com 
relação ao desempenho ambiental e que compreende a seleção de in-
dicadores, a coleta e análise de dados, a avaliação da informação em 
comparação com critérios de desempenho ambiental, os relatórios e 
informes, as análises críticas periódicas e as melhorias deste processo.
A avaliação do desempenho ambiental permite que uma empre-
sa compreenda e quantifique mais claramente onde ela se encontra 
atualmente e até onde deve chegar para poder alcançar seus objetivos 
ambientais. O ADA proporciona à empresa uma ferramenta sistemáti-
ca para gerar informações úteis, selecionando ou definindo quais indi-
cadores de desempenho ambiental serão utilizados. As avaliações de 
desempenho ambiental são normalmente complementadas com audi-
torias ambientais que verificam a conformidade com os requisitos defi-
nidos pela NBR ISO 14001.
Indicadores de desempenho ambiental são classificados em duas 
categorias: indicadores de desempenho gerencial e indicadores de de-
sempenho operacional, conforme apresentados no quadro 2.
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Quadro 2 – Exemplos de indicadores de desempenho ambiental
INDICADORES DE DESEMPENHO GERENCIAL INDICADORES DE DESEMPENHO OPERACIONAL
• Número de iniciativas implantadas para 
prevenção de poluição
• Número de treinamentos em questões 
ambientais aplicados
• Número de sugestões de empregados para 
melhoria ambiental
• Número de multas e penalidades ambientais 
sofridas
• Quantidade de materiais reutilizados no 
processo de produção
• Quantidade de água reutilizada
• Quantidade de energia utilizada para a 
fabricação de cada produto
• Custo de combustível utilizado em 
movimentação de produtos
2.3 Rotulagem ambiental
Rotulagem ambiental consiste nas “declarações que constam nos 
rótulos de produtos, indicando seus atributos ambientais” (VILELA 
JÚNIOR; DEMAJOROVIC, 2013, p. 350).
É crescente a demanda por parte dos consumidores por produtos 
que não prejudicam o meio ambiente, e por isso muitos produtos expli-
citam em seus rótulos essa informação. Mas como uma pessoa julga 
o impacto ambiental de um produto? Como os consumidores avaliam a 
validade de uma declaração de produto sobre os impactos ambientais? 
Como avaliam o rótulo? Essas questões enaltecem a necessidade da 
criação de regras sobre rotulagem ambiental para garantir ao público 
que os produtos atendam a padrões ambientais mínimos.
Os procedimentos de certificação são projetados para garantir a 
credibilidade dos rótulos e a confiança do público. De acordo com a 
norma NBR ISO 14020, que trata de rótulos e declarações ambientais, o 
objetivo é promover a demanda e o fornecimento dos produtos e servi-
ços que causem o menor impacto ambiental através de comunicação 
e informações precisas e verificáveis que não sejam enganosas sobre 
aspectos ambientais de produtos e serviços, estimulando assim o po-
tencial para uma melhoria ambiental contínua, ditada pelo mercado.
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Como um primeiro passo, é necessário que o organismo que forne-
ce os rótulos determine o método de verificação que será utilizado, de 
modo que os seguintes são os mais usuais:
 • Declaração de conformidade: quando o fabricante autodeclara a 
conformidade.
 • Revisão da documentação de suporte: nesse caso, a entidade 
que outorga o rótulo exige da empresa provas documentais de 
conformidade.
 • Avaliação da fase de produção e da cadeia de custódia dos pro-
dutos rotuláveis.
 • Teste em amostras do produto.
PARA SABER MAIS 
A rotulagem ambiental certifica com selos ambientais produtos que 
foram produzidos com menos impacto negativo ao meio ambiente em 
relação a outros produtos similares disponíveis no mercado, reconhe-
cendo que as empresas produtoras se enquadram em ações de susten-
tabilidade. Uma possível classificação de selos ambientais desenvolvi-
da pela ISO estabelece os seguintes tipos de selos ambientais: tipo I, 
que tem como base critérios de ciclo de vida (regulamentado pela NBR 
ISO 14024); tipo II, que permite às empresas divulgarem na mídia os 
benefícios ambientais que o produto alcança (regulamentado pela NBR 
ISO 14021); e tipo III, que exige a avaliação do ciclo de vida como requi-
sito ao selo ambiental.
 
A família de normas ISO 14000 está em constante atualização, de 
forma a suprir consistente e eficientemente a demanda dos sistemas 
de gestão ambiental e atender às necessidades das empresas na abor-
dagem aos desafios legais, comerciais e outros relacionados ao meio 
ambiente, além de assegurar a todos que a empresa está cumprindo as 
políticas ambientais estabelecidas.
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3 Auditorias ambientais
Auditoria ambiental é uma ferramenta da gestão utilizada para carac-
terizar a situação ambiental da empresa, avaliando de forma sistemáti-
ca se o desempenho ambiental está em conformidade com as políticas 
ambientais e se os processos de gestão e os equipamentos utilizados 
são adequados para cumprir os padrões ambientais predeterminados. 
Nesse contexto, entre as várias definições de auditoria ambiental, salien-
tamos as expressas pela International Chamber of Commerce (ICC) nos 
textos da NBR ISO 14000 e as do Conama, apresentadas no quadro 3.
Quadro 3 – Definições de auditoria ambiental
International Chamber of Commerce (ICC)
Uma ferramenta de gestão que utiliza uma avaliação sistemática, periódica, objetiva e documentada dos 
aspectos ambientais da organização, da gestão e dos equipamentos utilizados de forma a verificar se 
estão atuando com o objetivo de ajudar a salvaguardar o meio ambiente (KARAGIORGOS et al., 2008).
NBR ISO 14000:2004 (auditoria interna)
Processo sistemático, independente e documentado para obter evidência de auditoria e avaliá-la 
objetivamente, determinando assim a extensão em que os critérios de auditoria sãoatendidos.
Resolução Conama nº 306/2002
Processo sistemático e documentado de verificação executado para obter e avaliar, de forma objetiva, 
evidências que determinem se as atividades, eventos, sistemas de gestão e condições ambientais 
especificados ou as informações relacionadas a estes estão em conformidade com os critérios de 
auditoria estabelecidos nesta resolução, e para comunicar os resultados desse processo.
Analisando as definições de auditoria ambiental verifica-se a existên-
cia de vários elementos comuns. Assim, é consensual que a auditoria é 
um processo sistemático, isto é, metódico, organizado e planejado; é um 
processo documentado, pois todas as etapas são registradas; e é um 
processo conduzido de forma objetiva, pois os resultados são apresen-
tados seguindo os critérios estabelecidos para a auditoria e baseiam-se 
na comparação de evidências (VILELA JÚNIOR; DEMAJOROVIC, 2013).
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A auditoria visa facilitar a atuação e o controle da gestão ambiental 
da empresa, assegurando que a planta industrial esteja dentro dos pa-
drões de emissão exigidos pela legislação ambiental (DONAIRE, 1999). 
O desenvolvimento da auditoria ambiental é o resultado da necessi-
dade de empregar ferramentas efetivas internas para gerenciar ques-
tões ambientais. O trabalho dos auditores é analisar a eficiência das 
estratégias de gestão, propondo modificações para o seu aperfeiçoa-
mento (CURI, 2011).
Para determinar os tipos de auditorias ambientais, podemos dividi-las 
em três grupos em função da vinculação da equipe ou do time de audi-
tores (VILELA JUNIOR; DEMAJOROVIC, 2013): o primeiro representa as 
auditorias internas (ou terceirizadas), solicitadas e pagas pela empresa; 
o segundo representa a contratação de auditorias por organizações ex-
ternas à empresa para avaliar eventuais passivos ambientais; e o terceiro 
representa as auditorias realizadas por organismos independentes para 
emissão de certificados, como é o caso da ISO 14000.
Uma auditoria ambiental integra um processo de melhoria contínua, 
sendo normalmente executada com base no ciclo PDCA. De acordo 
com Barbieri (2007, p. 220), o processo proposto pela ICC divide a audi-
toria ambiental em três fases, conforme a figura 4.
Figura 4 – Divisão da auditoria ambiental
Atividades 
pré-auditoria
Atividades de campo 
(auditoria propriamente dita)
Atividades 
pós-auditoria
Fonte: adaptado de Barbieri (2007, p. 220).
As atividades de pré-auditoria incluem a definição dos critérios de 
auditoria, o escopo da auditoria, a seleção da unidade ou dos recursos 
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que serão auditados, o planejamento da auditoria propriamente dita, a 
seleção de auditores que conduzirão os trabalhos com objetividade e 
imparcialidade e os limites de atuação dos auditores.
As atividades de campo incluem entrevistas visando à identificação 
do sistema de gestão, a avaliação de riscos e controles internos pela 
identificação de pontos fortes e fracos, a coleta de dados, a aplicação 
de testes, a avaliação de resultados e a elaboração preliminar de relató-
rios de resultados.
As atividades pós-auditoria incluem a reavaliação do relatório pre-
liminar e a elaboração do relatório final; na sequência devem ser esta-
belecidos planos de ação que indiquem responsabilidades para ações 
corretivas e deve-se proceder ao acompanhamento do plano certifi-
cando-se de que os procedimentos foram executados corretamente.
As auditorias ambientais impactam na eficácia da gestão dos pro-
cessos empresariais e, consequentemente, na eficácia dos sistemas 
de gestão ambiental, auxiliando a empresa na redução de multas por 
incompatibilidade regulamentar na identificação precoce de proble-
mas, na economia de custos com resíduos e no aumento da sua repu-
tação ambiental.
Considerações finais
Neste capítulo foram analisados os principais instrumentos que en-
quadram as questões ambientais nas empresas. Por um lado, muito 
embora as normas que regulamentam as ações ambientais das empre-
sas sejam de adesão voluntária, a constatação de impactos ambientais 
resultantes de práticas ambientalmente incorretas, como o desmata-
mento ilegal, leva os governos a estabelecer normas protetoras do meio 
ambiente; por outro lado, a conscientização das populações aumenta 
progressivamente a exigência de produtos e serviços ambientalmen-
te corretos, o que leva as empresas a procurarem sistemas de gestão 
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alinhados a práticas ambientalmente corretas, incorporando nos siste-
mas de gestão normas ambientais e procedendo a auditorias ambien-
tais. A questão que agora se coloca é saber quais são os obstáculos e 
as oportunidades para as empresas que cumprem as normas ambien-
tais e buscam o seu desenvolvimento em mercados altamente compe-
titivos. Esse tema será abordado no próximo capítulo.
Referências
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ISO 14001:2015. 2015. Disponível em: <http://www.abnt.org.br/publicacoes2/
category/146-abnt-nbr-iso-14001>. Acesso em: 26 mar. 2018.
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de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, 
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______. Ministério do Meio Ambiente. Decreto no 7404, de 23 de dezembro de 
2010. Regulamenta a Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a 
Política Nacional de Resíduos Sólidos, cria o Comitê Interministerial da Política 
Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação dos 
Sistemas de Logística Reversa, e dá outras providências. Diário Oficial da 
União, Brasília, DF, 23 dez. 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7404.htm>. Acesso em: 26 jul. 2018.
______. Ministério do Meio Ambiente. Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981. 
Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos 
de formulação e aplicação, e dá outras providências. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 2 set. 1981. p. 16.509. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/leis/l6938.htm>. Acesso em: 10 ago. 2018.
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Capítulo 3
Desenvolvimento 
sustentável
Qualquer gestor empresarial tem de gerir duas empresas em simul-
tâneo: a empresa presente e a empresa futura. A empresa presente é 
gerida por meio de seus departamentos funcionais (marketing, financei-
ro, comercial, recursos humanos, meio ambiente, saúde e segurança do 
trabalho, etc.); já a empresa futura é gerida por meio do planejamento, 
ou seja, com ações que não comprometam negativamente o futuro e 
que proporcionem o desenvolvimento empresarial sustentável.
A sustentabilidade no desenvolvimento empresarial é resultado da 
capacidade da empresa em tomar decisões simultaneamente eficien-
tes (fazendo certo as coisas) e eficazes (fazendo as coisas certas), ope-
rando em áreas atraentes do mercado e obtendo custos baixos.
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A consciência ambiental faz gestores e empresas agregarem ao seu 
horizonte estratégico e à prática operacional as questões ambientais, de-
senvolvendo-se assim, nas empresas, os sistemas de gestão ambiental.
Os sistemas de gestão ambiental (SGA), ao auxiliarem as empresas 
a lidar corretamente com o meio ambiente, não somente melhoram a 
imagem da empresa no mercado mas também aumentam a eficiência 
produtiva, ajudam a economizar matéria-prima e energia e reaproveitam 
resíduos de fabricação e de consumo. Ao aumentarem a eficiência em-
presarial, os SGAs tornam-se condição necessária ao desenvolvimento 
sustentável de uma empresa.
A aplicação das normas da série ISO 14000 no processo de gestão 
empresarial aumenta a eficácia empresarial, pois indica o que deve ser 
feito para minimizar impactos ambientais e melhorar o desempenho 
ambiental, garantindo dessa forma o desenvolvimento sustentável da 
empresa.
1 Desenvolvimento sustentável
Entre as definições de desenvolvimento sustentável, a mais popu-
lar é da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento 
(Relatório de Brundtland): “Desenvolvimento que atenda as necessida-
des do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras 
de atender às suas próprias necessidades” (UNITED NATIONS, 1987, 
tradução nossa). Essa definição foi ampliada e ainda é debatida, e em-
bora o objetivo essencial de cuidar das gerações futuras continue a ser 
o mesmo, outros aspectos foram integrados no conceito de desenvol-
vimento sustentável.
A visão economicista do desenvolvimento começou a ser critica-
da ao não considerar as questões sociais e ambientais, mas somen-
te os aspectos produtivos e as taxas de crescimento econômico. 
Até que na conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e 
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Desenvolvimento, ou Earth Summit, também conhecida como Rio-92 
ou Eco-92 – realizada no Rio de Janeiro em 1992 –, foi proposto um 
novo padrão de desenvolvimento sustentável baseado em três pilares: 
sustentabilidade ambiental, econômica e social.
Entre as conclusões da Eco-92 podemos destacar o desenvolvimen-
to de dois instrumentos: a Agenda 21, conjunto abrangente de diretri-
zes para alcançar a sustentabilidade ambiental, social e econômica que 
foi adotada por 172 nações; e a elaboração da ISO 14000, família de 
normas internacionais de gestão ambiental.
IMPORTANTE 
O conceito de desenvolvimento sustentável expresso pela Agenda 21 
aborda um desenvolvimento que não esgota, mas antes conserva e reali­
menta sua fonte de recursos naturais. Também não inviabiliza a socieda­
de, mas promove a repartição justa dos benefícios alcançados, que não 
é movido apenas por interesses imediatistas, e sim baseado no planeja­
mento de sua trajetória, e que, por essas razões, é capaz de manter­se 
no espaço e no tempo, comprometendo­se assim com gerações futuras.
 
Esse movimento levou ao aprimoramento do modelo inicial de de-
senvolvimento sustentável, que priorizava o desenvolvimento econômi-
co em relação ao desenvolvimento ambiental e social, e que nesse novo 
contexto passou a garantir um nível básico de qualidade de vida para 
todas as pessoas e a proteção dos sistemas ambientais e sociais que 
faziam com que a vida fosse possível e valesse a pena (ALENCASTRO, 
2012). Nesse contexto, a sustentabilidade do desenvolvimento pressu-
põe que a economia se desenvolva em conjugação com o ecossistema,1 
o que nem sempre é viável, dado o conflito de interesses ocasionado 
1 Conjunto dos seres vivos e dos fatores ambientais presentes em determinada região onde vivem, como o 
solo, a água, o ar e a própria luz solar.
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pelos atuais padrões de utilização de recursos e desigualdades sociais 
entre países com diferentes graus de desenvolvimento.
Partindo do princípio de que não se devem considerar conflitantes as 
metas ecológicas e econômicas, pois, para sua sobrevivência, os siste-
mas econômicos dependem dos sistemas ecológicos de sustentação, 
Sachs (1993) refere que todo planejamento de desenvolvimento deve 
levar em conta cinco dimensões de sustentabilidade, conforme apre-
sentado no quadro 1.
Quadro 1 – As cinco dimensões do desenvolvimento
SOCIAL ECONÔMICA ECOLÓGICA ESPACIAL CULTURAL
Maior 
equidade da 
distribuição 
de renda
Maior 
eficiência na 
gestão dos 
recursos
Uso racional 
de recursos 
para 
preservação 
do ambiente
Distribuição 
geográfica 
equilibrada 
das 
populações
Soluções 
customizadas 
de acordo ao 
local, cultura e 
ecossistema
Fonte: adaptado de Sachs (1993).
A assimilação da visão humanista de Sachs, em princípio de difícil 
aceitação no mundo empresarial, progressivamente tem inspirado nas 
empresas práticas sustentáveis de desenvolvimento, como é o caso 
dos mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL), que contribuem na 
redução de gases de efeito estufa ou de captura de carbono, ou dos 
processos de reciclagem,que diminuem o impacto ambiental negativo, 
proporcionando maior lucro.
PARA SABER MAIS 
Ao adotarem o Protocolo de Quioto – acordo sobre meio ambiente e 
sustentabilidade – os países comprometem­se a reduzir emissões de 
poluentes. Os elevados custos dos programas de redução de emissões 
levaram à flexibilização desses programas com a sugestão de algumas 
alternativas, como é o caso dos MDLs estabelecidos a fim de conceder 
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créditos para projetos que reduzam ou evitem emissões nos países em 
desenvolvimento. Para saber mais sobre MDLs, consulte a obra Meca-
nismo de desenvolvimento limpo aplicado a resíduos sólidos, de Adriana 
Felipetto (2007).
 
O desenvolvimento sustentável está baseado na premissa de que o 
crescimento econômico e a qualidade ambiental precisam ser recon-
ciliados (THOMAS; CALLAN, 2012), ou seja, crescimento econômico 
provoca impactos ambientais negativos que devem ser controlados e, 
sempre que possível, reduzidos.
Quanto maior a necessidade de crescimento econômico para redu-
ção de pobreza, maior o esforço de redução dos impactos ambientais 
necessário à manutenção do desenvolvimento sustentável, conforme 
pode ser analisado no infográfico apresentado na figura 1.
Figura 1 – Impactos ambientais e desenvolvimento sustentável
Esforço de redução 
do impacto ambiental
Impacto ambiental por 
unidade de renda × 
população
Renda per capita × 
população 
(crescimento 
econômico)
Desenvolvimento 
sustentável
O esforço para reduzir impactos ambientais negativos aumenta com 
o crescimento da população. Por isso, em países muito populosos e 
com elevadas taxas de crescimento, como é o caso dos países emer-
gentes, o desenvolvimento sustentável enfrenta maiores dificuldades, 
muitas vezes superadas com a aplicação de regulamentos ambientais 
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rígidos e pesadas multas a infratores, além de divulgar ações de cons-
cientização ambiental.
Analisemos o caso da demanda de energia na China e na Índia, que 
tende a aumentar devido ao aumento populacional e ao crescimento 
econômico, causando impactos negativos no meio ambiente com au-
mento de poluição e emissão de dióxido de carbono, o que contribui 
para o efeito estufa, ocasionando aumento da temperatura média do 
planeta.
PARA SABER MAIS 
O efeito estufa é um fenômeno natural que possibilita a vida no nosso 
planeta. Parte da energia solar que chega à Terra é absorvida pela su­
perfície, promovendo o aquecimento global, de modo que uma parcela 
dessa energia, embora irradiada de volta ao espaço, é bloqueada pe­
los gases do efeito de estufa – dióxido de carbono (CO2), ozônio (O3), 
metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) –, que apesar de “deixarem passar” a 
energia solar (emitida em comprimentos de onda menores), retêm a ra­
diação terrestre (emitida a maiores comprimentos de onda), mantendo 
a terra aquecida; dessa forma, quanto maior a presença desses gases, 
maior será a temperatura do planeta. Para saber mais sobre o efeito 
estufa, consulte Felipetto (2007, p. 11).
 
Elkington (1998) introduziu o conceito de desenvolvimento sustentá-
vel mais divulgado atualmente: o triple bottom line, que se assenta nos 
3 Ps – people, planet, profit (“pessoas, planeta, lucro”) –, refletindo a inter-
dependência das pessoas, da natureza e do benefício econômico para o 
sucesso da sustentabilidade no desenvolvimento (figura 2). Segundo o 
autor, o desenvolvimento sustentável pressupõe o desenvolvimento de 
um novo tipo de economia baseada em parcerias sociais e ambientais 
que ajudem a aumentar a eficiência das práticas tradicionais, proporcio-
nando uma plataforma que permita que todos alcancem objetivos que 
nenhum dos parceiros poderia conseguir por conta própria. 
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Figura 2 – O tripé da sustentabilidade
Triple 
Bottom 
Line
Desempenho
social
People
Prof i t
Desempenho
econômico
Planet
Desempenho 
ambiental
O conceito de triple bottom line pressupõe um desenvolvimento har-
monioso entre pessoas, ambiente e economia que, quando transporta-
do para a realidade empresarial, pode ser interpretado pela forma como 
as empresas crescem, desenvolvendo as comunidades onde estão in-
seridas e respeitando o ambiente. 
Nesse contexto, quando a empresa considera que o fim de sua ativi-
dade econômica é a comercialização de seus produtos (sem preocupa-
ção com a forma como seu descarte será feito), ou quando a empresa 
se serve de capital humano (sem preocupação quanto ao seu desen-
volvimento), não ficam asseguradas as bases de um desenvolvimento 
sustentável.
Uma empresa que tem como proposta de desenvolvimento a susten-
tabilidade baseada no conceito de triple bottom line serve-se de técni cas 
modernas para não poluir o meio ambiente, utiliza racionalmente recursos 
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naturais de forma a reduzir drasticamente o desperdício, remunera seus 
funcionários corretamente, paga todos os impostos devidos e apresenta 
lucros que lhe garantem o desenvolvimento. No entanto, se a empresa ou 
algum de seus fornecedores utiliza trabalho escravo, mesmo que essa 
empresa esteja cumprindo com o desempenho econômico e ambiental, 
apresenta uma grave vulnerabilidade no desempenho social.
Claro que essa empresa, como qualquer outra, deve pautar-se pela 
satisfação dos públicos que afetam ou são afetados pelas suas ativida-
des, isto é, os stakeholders, como definimos no capítulo anterior. Certas 
decisões nem sempre agradam a todos os stakeholders, como é o caso 
de decisões econômicas que podem afetar de forma diferenciada inte-
resses de acionistas e de colaboradores ou de fornecedores; por exem-
plo, quando a instalação de um equipamento de redução de emissão de 
poluentes aumenta os custos da operação, diminuindo o lucro.
Embora a importância do desenvolvimento econômico das empresas 
seja o fator prevalente, em muitos casos, relativamente aos aspectos 
sociais e ambientais, a crescente conscientização ambiental tem alte-
rado essa hierarquia, pois progressivamente os stakeholders – clientes, 
fornecedores, colaboradores, acionistas, governo, comunidade e outros 
interessados – entendem que para assegurar o desenvolvimento em-
presarial sustentável é imprescindível assegurar a permanente harmo-
nia do tripé representado pelo triple bottom line.
PARA SABER MAIS 
Mapas de sustentabilidade são roteiros para comercialização, produção 
e consumo sustentável que podem ser utilizados por empresas, consu­
midores, organizações públicas e outras organizações que desenvolvem 
padrões de sustentabilidade (normas, selos ambientais, etc.). Nesses 
mapas são indicadas as etapas que devem ser seguidas para se cami­
nhar rumo à sustentabilidade. A InternationalTrade Center (ITC), agência 
multilateral de desenvolvimento da Organização Mundial do Comércio e 
das Nações Unidas, dedicada ao apoio à internacionalização de micro, 
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 curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com
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pequenas e médias empresas, tem como missão promover o desenvol­
vimento econômico inclusivo e sustentável e contribuir para alcançar os 
Objetivos Globais das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentá­
vel, um mapa de sustentabilidade com os passos necessários ao desen­
volvimento sustentável.
 
2 Sustentabilidade corporativa
Mas qual é o interesse das empresas na sustentabilidade? Se as 
empresas sobrevivem graças à sua competitividade, por que devem se 
preocupar com os problemas sociais e ambientais? Qual a relação entre 
competitividade e sustentabilidade?
A sustentabilidade e a competitividade são indissociáveis, pois qual-
quer empresa sustentável deve ser competitiva e auferir lucro. Os ele-
mentos que associam estes conceitos e que podemos sintetizar podem 
ser categorizados da seguinte forma:
 • A responsabilidade ecológica de uma empresa, ou seja, a respon-
sabilidade que a empresa tem perante os seres vivos e suas inte-
rações com o meio ambiente onde vivem impacta na melhoria 
da sua imagem junto a consumidores e a comunidade em geral.
 • O cumprimento de requisitos legais (normas ambientais), salva-
guardando a integridade dos ativos empresariais.
 • A redução de custos e aumento de lucro ao reciclar e reutilizar 
recursos e adotar medidas de economia energética.
 • A proteção de gerações futuras, garantindo melhores condições 
ambientais do planeta e melhorando a qualidade de vida das 
gerações atuais e futuras.
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 • A satisfação dos stakeholders e, consequentemente, do merca-
do, cada vez mais interessados pelas causas ambientais, o que 
aumenta o valor da empresa no mercado e garante o reconheci-
mento dos executivos.
Figura 3 – Por que as empresas devem se integrar à causa ambiental?
Sentido de responsabilidade 
ecológica
Proteção pessoal
Pressão de mercado
Qualidade de vida
Lucro
Requisitos legais
Salvaguarda 
da empresa
Imagem
Sustentabilidade corporativa é uma filosofia de gestão traduzida 
como respeito ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável da 
sociedade, ou seja, a competitividade empresarial é associada às cinco 
dimensões de sustentabilidade definidas por Sachs (1993).
Para uma organização interessada em desenvolvimento, o primeiro 
desafio é reconhecer que um sistema de gestão ambiental não é sinôni-
mo de desenvolvimento sustentável, pois existem limites sociais e am-
bientais ao desenvolvimento. Os padrões de gestão ambiental são parte 
da resposta da organização ao objetivo do desenvolvimento sustentá-
vel, mas outras iniciativas que afetam o bem-estar social são impres-
cindíveis no desenvolvimento de uma estratégia de sustentabilidade, 
como é o caso de algumas empresas que, embora respeitem padrões 
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ambientais no seu processo de gestão, são abastecidas por empresas 
poluidoras ou que utilizam trabalho escravo. Esse aspecto projeta o es-
tudo da sustentabilidade corporativa para o âmbito da cadeia de valor 
em que a empresa está inserida.
É notório que o avanço das tecnologias de informação e comuni-
cação, a progressiva liberalização dos mercados e o incremento das 
inovações são em grande parte responsáveis pelo aumento da competi-
tividade empresarial. Mas, como os produtos finais têm valor agregado 
em diferentes países, por diferentes empresas, a concorrência não se 
faz sentir tanto entre empresas individuais, mas sobretudo entre as 
cadeias de valor, ou seja, entre as cadeias de abastecimento.
Uma empresa que comercialize produtos obtidos com prejuízo am-
biental irá prejudicar-se tanto quanto ou mais que o seu fornecedor. 
A característica de universalidade do meio ambiente faz com que im-
pactos ambientais afetem as cadeias de valor globais e não só uma 
empresa singular.
A sustentabilidade corporativa requer uma abordagem integrada no 
processo de tomada de decisão. Implicações socioeconômicas de ações 
que visem reduzir impactos ambientais negativos devem ser entendidas 
não somente pelas empresas que compõem a cadeia de suprimentos, 
mas também pelo mercado consumidor, como, por exemplo, a produção 
e comercialização de produtos certificados – caso do manejo florestal de 
baixo impacto, que pode resultar em maior custo operacional e, conse-
quentemente, aumentar o valor de transação desses produtos.
NA PRÁTICA 
O manejo de baixo impacto de madeira, certificado com selo verde, 
é mais caro que um manejo legal mas sem a certificação ambiental; 
nesse caso, o consumidor deve acreditar que o produto mais caro foi 
manejado com redução de impacto ambiental (o selo verde não está 
normalmente estampado nos produtos) e deve ter disposição para pa­
gar mais caro pelo produto.
 
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Desse modo, a sustentabilidade corporativa abrange não somen-
te cada empresa de forma individual, mas toda a cadeia de valor em 
que a empresa se insere e também o mercado onde comercializa seus 
produtos. 
Aprofundar o conhecimento das cadeias de abastecimento torna-
-se fundamental para viabilizar o desenvolvimento empresarial e, nesse 
sentido, o conceito que garante simultaneamente o desenvolvimento 
econômico de uma empresa, a eficiência ambiental dos processos de 
gestão e o respeito ao desenvolvimento do capital humano da empresa 
e da sociedade é o de sustentabilidade corporativa.
A sustentabilidade corporativa deve nortear as decisões de uma ges-
tão eficiente das cadeias de abastecimento sustentável (GCAS), princi-
palmente no que se refere aos processos de adaptação entre a compe-
titividade e a sustentabilidade empresarial.
IMPORTANTE 
Insumos de produção fornecidos por empresas altamente poluidoras ou 
que utilizem trabalho escravo prejudicarão outras empresas, inclusive 
suas próprias clientes; empresas que respeitem normas ambientais e 
têm sua cadeia de valor auditada (por exemplo, com cadeias de custó­
dia certificadas) ou que pratiquem logística reversa reutilizando ou re­
ciclando resíduos terão a sua imagem melhorada e conseguirão maior 
sustentabilidade no seu desenvolvimento.
 
Uma visão mais econômica de sustentabilidade corporativa, como é 
o caso do conceito de valor compartilhado corporativo (corporate sha-
red value – CSV) desenvolvido por Porter e Kramer (2011), sugere que 
a competitividade de uma empresa e a saúde das comunidades ao seu 
redor estão intimamente interligados, pois um negócio precisa de uma 
comunidade de sucesso não só para criar demanda por seus produ-
tos, mas também para fornecer recursos públicos e contribuir para a53Desenvolvimento sustentável
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melhoria da qualidade de vida. Também nessa perspectiva, as verten-
tes social, econômica e ambiental são indissociáveis em processos de 
desenvolvimento sustentável. 
PARA SABER MAIS 
O conceito de valor compartilhado (shared value) pode ser definido 
como políticas e práticas operacionais que aumentam a competitivi­
dade de uma empresa ao mesmo tempo que promovem as condições 
econômicas e sociais nas comunidades em que atua. A criação de valor 
compartilhado concentra-se na identificação e na ampliação das cone­
xões entre o progresso social e econômico. O conceito baseia­se na pre­
missa de que o progresso econômico e social deve ser abordado usan­
do princípios de valor, definido como benefícios em relação aos custos, 
e não apenas benefícios por si só (PORTER; KRAMER, 2011).
 
Exemplo do reflexo de valor corporativo compartilhado no desenvolvi-
mento sustentável das empresas é a parceria entre a Adidas e o Grameen 
Bank, banco de microcrédito criado por Muhammad Yunus, ganhador do 
prêmio Nobel da Paz, para fabricar um calçado de baixo custo para os po-
bres de Bangladesh. Com essa ação, pessoas economicamente vulnerá-
veis puderam aumentar sua proteção contra doenças, rendendo mais no 
trabalho, aumentando sua renda e eventualmente comprando outros cal-
çados Adidas, contribuindo assim para o desenvolvimento da empresa.
Impactos ambientais negativos podem ser reduzidos pela adoção de 
sistemas de gestão ambiental ao subsidiarem estratégias de desenvol-
vimento sustentável apoiados muitas vezes em sistemas de logística 
reversa, como é o caso da reciclagem ou da reutilização de embalagens, 
que contribui não somente para a preservação de recursos naturais – 
na economia de matérias-primas e na redução da quantidade de resí-
duos sólidos depositados em aterros sanitários – mas também para 
a criação de emprego em processos de reciclagem e nas operações 
de remoção de resíduos, e dessa forma contribuindo para o aumento de 
renda das populações.
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Empresas sustentáveis não devem servir-se do ambiente ou da co-
munidade que as circunda, mas evoluir preservando o ambiente e desen-
volvendo-se conjuntamente com as comunidades onde estão inseridas.
3 Importância da informação na gestão ambiental
A crescente conscientização ambiental tem induzido indivíduos e 
empresas a entenderem mais profundamente os efeitos de impactos 
ambientais. O ambiente é universal e, em consequência disso, impactos 
ambientais não se restringem a quem os provoca, pois são sentidos por 
todos, como é o caso da descartabilidade de resíduos para lixões, que 
afeta múltiplas empresas e populações.
A troca de informações facilmente acessíveis e de entendimento uni-
versal é fundamental no processo de aprendizagem ambiental. A Global 
Reporting Initiative (GRI) padroniza relatórios de sustentabilidade que 
permitem às empresas prestar contas sobre seu desempenho ambien-
tal, econômico e social.
A GRI ajuda empresas e governos em todo o mundo a entender e 
comunicar seu impacto em questões críticas de sustentabilidade, como 
mudanças climáticas, direitos humanos, governança e bem-estar so-
cial. Isso possibilita ações reais para criar benefícios sociais, ambientais 
e econômicos para todos. Os padrões de relatórios de sustentabilidade 
da GRI são desenvolvidos com verdadeiras contribuições de várias par-
tes interessadas e estão enraizados no interesse público.
Informações sobre o desempenho econômico, ambiental e social que 
permitam comparações entre regiões ou países são instrumentos úteis 
para o estabelecimento de políticas e estratégias de desenvolvimento 
sustentável, como é o caso dos relatórios de sustentabilidade ou dos indi-
cadores de desenvolvimento sustentável (IDS) – no Brasil, desenvolvidos 
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) –, métricas que 
possibilitam a análise de informações sobre o desempenho econômico, 
ambiental e social da organização e passíveis de comparação.
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A utilização de indicadores de desenvolvimento sustentável permite 
aos gestores tomar decisões mais eficientes em várias situações, tais 
como:
 • na atribuição de fundos e de recursos naturais ou na definição de 
prioridades de investimento;
 • na comparação de condições em diferentes locais ou áreas 
geográficas;
 • no planejamento de ações de desenvolvimento;
 • na detecção de tendências de consumo, demográficas, etc., no 
tempo e no espaço;
 • em desenvolvimentos científicos;
 • na informação ao público sobre os processos de desenvolvimen-
to sustentável.
Os indicadores de desenvolvimento sustentável são normalmen-
te classificados em quatro categorias (quadro 2): indicadores am-
bientais; indicadores econômicos; indicadores sociais; e indicadores 
institucionais. 
Quadro 2 – Exemplos de indicadores de desenvolvimento sustentável
1 – INDICADORES AMBIENTAIS
• Consumo de substâncias destruidoras da camada de ozônio (por tipo de substância)
• Quantidade comercializada de fertilizantes por área plantada (segundo o tipo de nutriente)
• Número de focos de calor, segundo as grandes regiões e as Unidades da Federação
2 – INDICADORES ECONÔMICOS
• Produto interno bruto per capita, a preços de 1995
• Valor das exportações, importações e saldo comercial (Brasil)
• População e consumo final de energia, total e per capita
(cont.)
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3 – INDICADORES SOCIAIS
• População residente e taxa média geométrica de crescimento anual da população residente
• Rendimento médio mensal real das pessoas de 15 anos ou mais de idade, com rendimento por sexo
• Taxa de mortalidade infantil
4 – INDICADORES INSTITUCIONAIS
• Número de atos multilaterais relativos ao meio ambiente ratificados pelo Brasil
• Municípios, total e com legislação ambiental, e respectiva proporção
• Municípios, total e com Fundo Municipal de Meio Ambiente, e respectiva proporção
Fonte: adaptado de IBGE (2017).
PARA SABER MAIS 
Os indicadores de desenvolvimento sustentável (IDS) fornecem in­
formações referentes a aspectos ambientais, sociais, econômicos e 
institucionais do desenvolvimento brasileiro. Os IDS permitem não só 
entender a evolução como relacionar entre si dados econômicos, so­
ciais e ambientais. Saiba mais sobre IDS consultando o site do IBGE 
(disponível em: <https://www.ibge.gov.br/>).
 
Os indicadores de desenvolvimento sustentável são sobretudo di-
recionadores de sustentabilidade, pois ao transmitirem informações 
sobre a situação ambiental em cada momento – e sob várias pers-
pectivas de análise – orientam empresas, governos e a sociedade em 
geral no processo de tomada de decisão que vise ao desenvolvimento 
sustentável.Os indicadores estão em harmonia com os aspectos social, econô-
mico e ambiental, sendo capazes de suprir as necessidades da geração 
atual sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das 
futuras gerações.
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Considerações finais
Neste capítulo analisamos o conceito de desenvolvimento sustentável 
e quais são os reflexos da sustentabilidade no desenvolvimento empre-
sarial. Foram analisadas as vertentes sociais, econômicas e ambientais 
do desenvolvimento e os instrumentos que auxiliam gestores ambientais 
e decisores de políticas ambientais em processos de tomada de decisão. 
Foi ainda salientada a utilização de indicadores que permitam orientar e 
aumentar a eficiência de processos empresariais que envolvam interação 
com o meio ambiente. 
Questões relativas à análise do ciclo de vida de produtos e seu des-
carte subsequente e estratégias de prolongamento de utilização serão 
analisadas no próximo capítulo.
Referências
ALENCASTRO, Mario Sérgio Cunha. Empresas, ambiente e sociedade. Curitiba: 
InterSaberes, 2012.
ELKINGTON, John. Partnerships from cannibals with forks: the triple bottom 
line of 21st century business. Environmental Quality Management, Wheaton, p. 
37-51, 1998. Disponível em: <https://pdfs.semanticscholar.org/9ae6/e83cffc77 
c660900aee8a2982e045700126e.pdf>. Acesso em: 28 mar. 2018.
FELIPETTO, Adriana Vilela Montenegro. Mecanismo de desenvolvimento 
limpo aplicado a resíduos sólidos. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de 
Administração Municipal, 2007.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Indicadores de 
Desenvolvimento Sustentável – IDS. 2017. Disponível em: <https://sidra.ibge.
gov.br/pesquisa/ids/tabelas>. Acesso em: 18 mar. 2018.
PORTER, Michael; KRAMER, Mark. Creating Shared Value. Harvard Business 
Review, Brighton, 2011. Disponível em: <https://hbr.org/2011/01/the-big-idea- 
creating-shared-value>. Acesso em: 17 abr. 2018.
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SACHS, Ignacy. Estratégias de transição para o século XXI. In: BURSZTYN, 
Marcel. Para pensar o desenvolvimento sustentável. São Paulo: Brasiliense, 
1993. p. 29-56.
THOMAS, Janet; CALLAN, Scott. Economia ambiental. São Paulo: Cengage 
Learning, 2012.
UNITED NATIONS (UN). Our common future, chapter 2: towards sustainable 
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Capítulo 4
Avaliação do ciclo 
de vida do produto 
Com o aumento da competitividade e a consequente necessidade de 
especialização, a gestão da distribuição física – resultado do desenvol-
vimento do conceito de distribuição em marketing – tornou-se gestão 
logística e depois gestão logística integrada ao abranger a totalidade da 
cadeia de abastecimento, incluindo os fluxos de informação e o retorno 
de mercadorias.
Atualmente o conceito de “gestão da cadeia de suprimentos” extrapola 
as fronteiras da empresa, envolvendo fornecedores e as empresas que 
compõem a cadeia de abastecimento, de forma a gerenciar de maneira 
integrada, racional e otimizada o fluxo de materiais e informações, desde 
o início da cadeia de valor (matérias-primas) até o consumidor final. 
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A introdução massiva de novos produtos nos mercados encurta o 
ciclo de vida dos existentes, que são rejeitados pelos consumidores, e 
dinamiza o sistema logístico, que deverá operacionalizar o respectivo 
descarte em aterros sanitários ou o retorno desses produtos aos ciclos 
de produção.
O foco do gerenciamento da cadeia de abastecimento está na coope-
ração e na confiança entre as empresas componentes (CHRISTOPHER, 
2011), visando não só entregar mais valor ao cliente a um custo menor 
como colaborar na ecoeficiência das empresas sempre que os produ-
tos por elas comercializados, além de satisfazerem as necessidades 
dos consumidores, tiverem sido produzidos com o mínimo de impacto 
ambiental. Nesse contexto, a logística reversa como contribuinte para 
agregação de valor deve ser considerada parte fundamental do negó-
cio, independentemente do ramo de atividade ou do mercado em que a 
empresa comercializa seus produtos.
1 Logística e a cadeia de suprimentos
A separação da produção do consumo, devido a regras econômicas 
de especialização, necessita da realização de várias funções – normal-
mente executadas por empresas especializadas – a fim de ir ao encon-
tro das demandas dos consumidores. Produtos devem estar disponí-
veis para os consumidores na quantidade, no local e no momento ideal. 
Cabe à logística gerenciar esse processo de movimentação de produtos 
realizado por várias empresas através de canais de distribuição de for-
ma a maximizar a lucratividade por meio de minimização de custos.
As empresas que proporcionam o fluxo de matérias-primas e merca-
dorias conectando fornecedores de insumos a consumidores de produ-
to constituem a cadeia de suprimentos, definida por Christopher (2011, 
p. 5) da seguinte forma:
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[…] uma rede de organizações conectadas e interdependentes, tra-
balhando conjuntamente em regime de cooperação mútua, para 
controlar, gerenciar e aperfeiçoar o fluxo de matérias-primas e in-
formação, de fornecedores para clientes finais.
A cadeia de suprimentos movimenta fluxos de matérias-primas e pro-
dutos acabados e semiacabados pelos canais de distribuição. As empre-
sas participantes dos canais de distribuição relacionam-se comprando, 
transformando, vendendo, armazenando e transportando mercadorias, 
de forma a disponibilizar produtos que criem valor para consumidores. 
Além dessas funções, cabe às empresas canalizar informações de clien-
tes, consumidores e, em geral, dos mercados que sejam úteis ao proces-
so decisório das empresas componentes da cadeia de suprimentos.
A globalização produtiva e comercial deslocou fontes de insumos, 
produção e mercados, levando as empresas não somente a se espe-
cializarem na movimentação de matérias-primas e de produtos, mas a 
colaborar dentro da cadeia de abastecimento, pois o sucesso de cada 
empresa passou a depender do sucesso de toda a cadeia de abasteci-
mento em que está inserida. O desenvolvimento de novas tecnologias 
de comunicação e informação aumentou o ritmo das decisões em-
presariais, tornando os fluxos de informação mais dinâmicos e apro-
ximando as empresas fornecedoras deseus clientes, que dessa forma 
passaram a se relacionar com maior proximidade e dinamismo. 
Ao permitir a “identificação de produtos ao longo dos canais de dis-
tribuição”, a utilização do código de barras “foi um avanço importante 
nas atividades da logística empresarial, contribuindo para seu relevan-
te papel nas últimas décadas” (LEITE, 2009, p. 3). Mais recentemente, 
com o desenvolvimento de novos sistemas de gestão empresarial in-
formatizados, como o Enterprise Resources Planning (ERP), a adoção 
de tecnologias RFID, que utilizam a frequência de rádio para captura 
de informações de produtos, e com os sistemas de localização GPS, 
a gestão das atividades logísticas ganharam relevância e passaram a 
integrar todos os componentes da cadeia de suprimentos.
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Até o final do século passado a movimentação do processo produtivo 
tinha um fluxo logístico unidirecional, começando nos insumos e termi-
nando no descarte de produtos finais. A partir de então, com o crescente 
aumento de conscientização ambiental das empresas e dos consumido-
res, tem sido revitalizada a movimentação de resíduos e rejeitos que são 
reutilizados como matérias-primas no processo de fabricação, transfor-
mando gradativamente os fluxos logísticos de unidirecionais para circu-
lares, o que leva a logística reversa a integrar as cadeias de suprimentos, 
conforme o fluxo apresentado na figura 1, e a ter papel relevante no pla-
nejamento estratégico e na definição de diferenciais de competitividade 
das empresas.
Figura 1 – Elementos e fluxos da cadeia de suprimentos
Fornecedores
Fluxos de mercadorias
Fluxos de informação
Indústria 
transformadora
Mercado
(consumo)
Resíduos 
e rejeitos
Inserção 
nas cadeias 
produtivas
Nesse novo desenho da cadeia de suprimentos, a logística garante 
que os fluxos de insumos e de produtos satisfaçam de forma coordena-
da as necessidades de clientes (produtores, atacadistas e varejistas) e 
de consumidores finais, retornando informações que possibilitem ajus-
tes na concepção e na comercialização dos produtos de forma a melhor 
satisfazer o consumidor final. Esse fluxo também possibilita o trans-
porte dos resíduos de produção e de comercialização, além das em-
balagens, de forma a reintegrá-los nas cadeias produtivas, aumentan-
do a rentabilidade e a imagem das empresas ao reutilizar desperdícios 
como matérias-primas e simultaneamente reduzir impactos ambientais 
negativos.
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Algumas importantes conclusões podem ser extraídas dessa arqui-
tetura de cadeias de suprimentos com logística reversa integrada: 
 • As empresas integrantes beneficiam-se junto ao mercado 
consumidor pela imagem de empresa com responsabilidade 
socioambiental.
 • As empresas integrantes podem aumentar a sua rentabilidade, 
reduzindo custos de aquisição, com a reutilização de insumos ou 
de embalagens.
 • Ao realizar um gerenciamento adequado de devoluções, a logísti-
ca reversa facilita a proteção de dados do consumidor.
 • Ao reciclar e viabilizar a reutilização de produtos e equipamentos, 
a logística reversa promove o sucesso e a sustentabilidade do 
negócio.
2 Gestão do ciclo de vida do produto
PARA PENSAR 
Fraldas descartáveis ou fraldas laváveis? Qual a menos poluente?
A fralda descartável usa mais recursos naturais para sua fabricação e 
ocupa mais espaço nos aterros sanitários quando descartada. Para a 
reutilização da fralda lavável é necessário que seja feita sua limpeza e 
sanitização, o que consome energia, água e detergentes; ainda assim, a 
fralda lavável é a que causa menos impacto ambiental.
 
O exemplo clássico de comparação entre fraldas descartáveis e fral-
das laváveis nos ajuda a entender a importância da análise do ciclo de 
vida no estudo do impacto ambiental de produtos comercializados.
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IMPORTANTE 
Ciclo de vida refere-se às etapas consecutivas e interligadas de um con-
junto de processos destinados à disponibilização de produtos em esta-
do de uso, desde a aquisição de matéria-prima – ou geração de recursos 
naturais – até à disposição final, conforme a figura 2.
 
Figura 2 – Ciclo de vida de um produto
Transformação
Transporte
Comercialização
(uso)
Embalagem
Reciclagem
(reúso)
Matérias-primas
(energia)
A avaliação do ciclo de vida (ACV) permite verificar como os fatos 
empíricos (por exemplo, consumo de água, energia ou detergente) im-
pactam no meio ambiente.
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Chehebe (2002, p. 10) define análise do ciclo de vida como uma
[...] técnica para avaliação dos aspectos ambientais e dos impactos 
potenciais associados a um produto, compreendendo etapas que 
vão desde a retirada da natureza das matérias-primas elementares 
que entram no sistema produtivo à disposição do produto final.
A ACV pode ser usada pela indústria na concepção de um novo 
produto ou na avaliação de um produto existente. Também é útil para 
analisar de forma sistemática e holística as questões ambientais rela-
cionadas a sistemas produtivos e de comercialização, permitindo à em-
presa identificar oportunidades de melhorias, identificar se as questões 
ambientais estão relacionadas à produção ou à utilização de produtos, 
subsidiar a produção de declarações ambientais ou esquemas de rotu-
lagem e avaliar a performance ambiental com base em indicadores de 
sustentabilidade (CHEHEBE, 2002).
As etapas do ciclo de vida de produtos determinadas pela ISO 14040 
(figura 3) incluem a definição de meta e escopo, análise de inventário, 
análise de impacto e interpretação de resultados.
Figura 3 – Avaliação do ciclo de vida
Definição 
de objetivo 
e escopo
Análise de 
inventário do 
ciclo de vida
Interpretação 
do ciclo de vida
Avaliação de 
impacto do 
ciclo de vida
Desenvolvimento e melhoria 
de produtos
Planejamento estratégico
Políticas públicas
Marketing
Outras aplicações
Estrutura de avaliação do ciclo de vida Aplicações diretas
Fonte: adaptado de ISO (1997).
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2.1 Definição do objetivo e escopo
Nesta etapa devem ser indicadas as razões que originaram o estudo 
e para quem os resultados devem ser comunicados. Na definição do 
escopo deve ser descrito o sistema do produto a ser estudado, isto é, 
o conjunto de processos singulares, materiale energicamente ligados, 
que executam uma ou mais funções, e o alcance do estudo delimitando 
suas fronteiras, mas assegurando que a amplitude, a profundidade e os 
detalhes do estudo atendam ao objetivo declarado.
Segundo Chehebe (2002, p. 28), um sistema relacionado ao produto 
é “uma coleção de operações que representam uma ou mais funções 
definidas e que pode ser descrito com suficientes detalhes e clareza”. 
A descrição de um sistema produto deve apresentar os fluxos energé-
ticos, de insumos e de produtos que atravessam os limites do sistema, 
na entrada ou na saída, e ainda os fluxos das unidades de processamen-
to e de produtos dentro do sistema. Confira esse sistema na figura 4.
Figura 4 – Sistema produto
Energia
Insumos
Outros
sistemas
Outros
sistemas
Tratamento de resíduos 
Transporte Produção
Consumo
Fronteira 
do sistema 
produto
Fluxo do
produto
Fluxo do
produto
Reciclagem/
reutilização
Fonte: adaptado de Chehebe (2002, p. 29).
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A delimitação da fronteira do sistema permite objetividade na análise 
do inventário e na avaliação do impacto, e por isso é importante deter-
minar as unidades de processamento que estão incluídas nos limites da 
avaliação do ciclo de vida e a forma como estão interconectadas.
2.2 Análise do inventário do ciclo de vida
Envolve a coleta de dados e os cálculos necessários para quantificar 
os insumos relevantes, as entradas e as saídas de um sistema de produ-
to, o que inclui o uso de recursos naturais e as emissões para o ar, água e 
terra relacionadas ao sistema produto. Nesta etapa devem ser considera-
dos os processos que emitam várias saídas (por exemplo, emissão para 
o ar e água) e ainda aqueles relacionados a procedimentos de reciclagem. 
Os dados – qualitativos ou quantitativos – devem ser coletados em 
cada unidade de processamento, respeitando as fronteiras do sistema 
e posteriormente classificados de forma a permitir uma análise seletiva, 
conforme apresentado na figura 5. Restrições à coleta de dados devem 
ser expressas no escopo e documentadas no relatório final. 
Figura 5 – Categorias de dados
Energia e 
outros insumos
Produtos e 
transporte
Emissões 
para o ar
Emissões 
para a terra
Outras 
emissões
Monóxido de carbono
Óxido de enxofre
Outros
Sistema produto
Emissões
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Após validação dos dados, as unidades de processamento são inter-
conectadas de forma a permitir o cálculo completo de todo o sistema, 
devendo o resultado final referir os dados de entrada e saída em cada 
unidade de processamento.
2.3 Avaliação do impacto do ciclo de vida
Nesta etapa utilizam-se os resultados da análise de inventário de ci-
clo de vida avaliando o potencial dos impactos ambientais. De acordo 
com a norma ISO 14040 (ISO, 1997), os dados obtidos no inventário 
devem ser classificados e caracterizados, podendo também ser pon-
derados de acordo com categorias de impacto de forma a avaliar a sig-
nificância dos aspectos ambientais apresentados durante a etapa de 
inventário.
A seleção das categorias consideradas na avaliação do impacto 
deve levar em conta as preocupações ambientais identificadas no 
objetivo e no escopo do estudo (CHEHEBE, 2002). São exemplos de 
categorias ambientais:
 • aquecimento global;
 • redução de camada de ozônio;
 • exaustão de recursos não renováveis;
 • entre outras.
Se a avaliação concluir que o objetivo e o escopo da ACV não po-
dem ser alcançados, deverá ser incluído um processo de revisão, para 
que, de forma iterativa, eventualmente se possa reavaliar diferentes 
tipos de impactos, utilizar metodologias alternativas ou mesmo modi-
ficar o objetivo e o escopo da ACV.
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2.4 Interpretação do ciclo de vida
A interpretação é a fase da ACV em que os resultados da análise 
de inventário e a avaliação do impacto são combinadas em conjunto. 
Nesta etapa, o escopo da ACV também pode passar por uma revisão. 
O resultado da interpretação do ciclo de vida pode assumir a forma de 
conclusões e recomendações para tomadores de decisão consistentes 
com o objetivo e o escopo do estudo, sendo os resultados normalmente 
divulgados aos financiadores e consultores e parte da equipe que ela-
borou o estudo, podendo também ser tornados públicos se tal menção 
constar no objetivo. A sensibilidade e a incerteza também são analisa-
das para qualificar os resultados e as conclusões (HAUSCHILD, 2005).
3 Filosofia dos 6 Rs
Políticas ambientais devem preocupar-se com todas as etapas da 
cadeia de suprimentos e não somente com coleta, tratamento e desti-
nação de resíduos. Para isso, é necessário que designers de produtos 
e de processos se preocupem com os impactos que a produção, a co-
mercialização e o consumo dos produtos que concebem podem causar 
ao meio ambiente. Em um “mundo ideal” deveriam projetar-se somente 
produtos necessários que possam fluir na cadeia de suprimentos, sem 
causar danos à natureza ou às pessoas, e os consumidores deveriam 
consumir de forma consciente.
Assim, procura-se desenvolver nos indivíduos novas ideias e atitu-
des que reflitam a necessidade de preservação do meio ambiente como 
fator crítico à qualidade de vida. O Ministério do Meio Ambiente sugere 
como base desta nova filosofia a política dos 5 Rs, como 
[…] parte de um processo educativo que tem por objetivo uma mu-
dança de hábitos no cotidiano dos cidadãos, levando-os a repensar 
seus valores e práticas, reduzindo o consumo exagerado e o des-
perdício. (BRASIL, 2006)
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Essa política prioriza a redução do consumo e o reaproveitamento 
dos materiais em relação à sua reciclagem, e compõe-se dos seguintes 
princípios:
 • Reduzir o consumo que se reflete na preservação de recursos na-
turais, diminuição de lixo, redução de energia e menores gastos 
no tratamento de resíduos.
 • Repensar hábitos e consumir conscientemente produtos que não 
impactem negativamente o meio ambiente.
 • Reaproveitar produtos que possam ser reusados e não des- 
cartados. 
 • Reciclar sempre que possível e utilizar produtos reciclados.
 • Recusar produtos que gerem impactos ambientais significativos.
PARA SABER MAIS 
Para saber mais sobre a aplicação da política dos 5 Rs, consulte a 
A3P – Agenda ambiental na administração pública (BRASIL, 2009), que 
tem como principal objetivo estimular a reflexão e a mudança de atitude 
dos servidores para que eles incorporem os critérios de gestão socio-
ambiental em suas atividades rotineiras.
 
Na linha do expresso na política dos 5 Rs, outros acrônimos tam-
bém visam caracterizar e difundir de modo facilitado uma nova filoso-
fia ambiental de redução, como é o caso da filosofia dos 6Rs (figura 
6), que abrange os mesmos temas tratados pela política dos 5 Rs, 
porém desdobrando o reaproveitamento de produtos em reparação e 
reúso (PENYRHEOL, 2014).
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Figura 6 – A filosofia dos 6 Rs
REDUZIR
• É possível reduzir a quantidade de materiais utilizados? Isso ajudará a proteger recursos valiosos.
REPENSAR
• Existe uma maneira melhor de resolver um problema que seja menos prejudicial para o meio 
ambiente?
SUBSTITUIR (REPLACE)
• Significa não aceitar coisas que não são a melhor opção para o meio ambiente. Por exemplo, a 
embalagem é realmente necessária?
RECICLAR
• Os materiais reciclados podem ser usados, ou o produto é feito de materiais que são fáceis de 
reciclar?
REUSAR
• O produto poderia ter outro uso? Suas partes podem ser usadas em outros produtos? Essa informação 
é claramente comunicada sobre o produto? Isso prolongará a vida do produto.
REPARAR
• O produto é fácil de reparar? Isso prolongará sua vida.
A divulgação de acrônimos ambientais facilita e contribui para o de-
senvolvimento de uma cultura ambiental traduzida em mudanças de 
hábitos do ser humano e proatividade na defesa do meio ambiente.
Considerações finais
A avaliação do ciclo de vida (ACV) é um processo que avalia os 
impactos ambientais associados a um sistema produto. Essa avalia-
ção tem como base a identificação e a descrição, qualitativa e quanti-
tativa, das utilizações e liberações de energia e materiais para o meio 
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ambiente, desde a extração e o processamento de matérias-primas até 
a fabricação, a distribuição, o uso, a reutilização, a reciclagem e a dispo-
sição final, incluindo o transporte, processos analisados no âmbito da 
logística reversa. É importante ressaltar que a ACV avalia os impactos 
ambientais do sistema produto que se refletem nos sistemas ecológi-
cos, na saúde das pessoas e no esgotamento de recursos naturais, mas 
não aborda efeitos econômicos ou sociais.
Referências
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. A política dos 5 Rs. 2006. Disponível em: 
<http://www.mma.gov.br/informma/item/9410>. Acesso em: 25 mar. 2018. 
______. Ministério do Meio Ambiente. A3P – Agenda ambiental na adminis-
tração pública. 5. ed. rev. atual. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2009. 
Disponível em: <http://www.mma.gov.br/images/arquivo/80063/cartilha% 
20completa%20A3P_.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2018.
CHEHEBE, José Ribamar. Análise do ciclo de vida de produtos – ferramenta 
gerencial da ISO 14000. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002.
CHRISTOPHER, Martin. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. 
São Paulo: Cengage do Brasil, 2011.
HAUSCHILD, Michael. Assessing Environmental Impacts in a Life Cycle 
Perspective. Environmental Science and Technology, Washington, D.C., v. 39, 
n. 4, p. 81A-88A, 2005.
INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION (ISO). ISO 14040: 
Environmental Management: Life Cycle Assessment: Goal and Scope Definiton 
and Life Cycle Inventory Analysis. Geneva: ISO, 1997.
LEITE, Paulo Roberto. Logística reversa. São Paulo: Pearson, 2009.
PENYRHEOL. The 6Rs. 2014. Disponível em: <http://penyrheol-comp.net/ 
technology/wp-content/uploads/sites/2/2014/06/6-Rs1.pdf>. Acesso em: 
24 abr. 2018.
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Capítulo 5
Logística reversa
Empresas mais conservadoras encaram a logística reversa como 
mais uma operação a ser realizada no âmbito da distribuição de produ-
tos. No entanto, vários fatores impulsionam a integração da logística re-
versa na agenda estratégica das empresas, como é o caso da legislação 
expressa pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, que regulamenta 
princípios de coleta seletiva e caracteriza os sistemas de logística rever-
sa, definindo setores em que ela se tonou obrigatória para fabricantes, 
importadores, distribuidores e comerciantes.
Também impactam no desenvolvimento da logística reversa o de-
senvolvimento do e-commerce, que impulsiona as devoluções dos 
produtos comprados on-line, o aumento de competitividade entre 
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empresas, a legislação de defesa do consumidor, que facilita o retorno 
aos fabricantes de produtos adquiridos, a prática comercial de artigos 
em consignação e, de forma geral, a diminuição do ciclo de vida dos 
produtos comercializados.
Todos esses aspectos contribuem para a projeção da logística re-
versa como subsistema do processo logístico e parte integrante do pla-
nejamento estratégico das empresas. Neste capítulo estudaremos as 
contribuições do sistema de logística reversa para a valorização das 
empresas e dos produtos por elas comercializados.
1 Logística reversa
Uma das etapas da gestão integrada da logística, a logística reversa, 
também designada de logística inversa, pode ser definida como a
[…] área da logística empresarial que planeja, opera e controla o 
fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos 
bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao 
ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agre-
gando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, le-
gal, de imagem corporativa. (LEITE, 2009, p. 17)
Outros autores, como Rogers e Tibben-Lembke (1998, p. 2) definem 
logística reversa como o
[…] processo de planejamento, implementação e controle do fluxo 
eficiente e econômico de matérias-primas, produtos acabados e 
informações relacionadas, do ponto de consumo até ao ponto de 
origem para efeitos de valor de recaptura ou disposição adequada.
O Council of Supply Chain Management Professionals (CSCMP) de-
fine a logística reversa como
[…] um segmento especializado de logística com foco no movimen-
to e gestão de produtos e recursos após a venda e após a entrega 
ao cliente e que inclui devoluções de produtos para reparo e/ou 
crédito. (CSCMP, 2013, p. 168)
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Conceito similar ao de logística reversa, a logística verde, também 
designada de ecologística, é utilizada em estudos ambientais e difere da 
logística reversa no aspecto de ter como propósito planejar e diminuir 
os impactos ambientais da logística convencional. Entretanto, Donato 
(2008, p. 19) diferencia os dois conceitos afirmando que a
[…] logística verde ou ecologística é a parte da logística que se preo-
cupa com os aspectos ambientais causados pela atividade logística, 
enquanto que a logística reversa trata dos aspectos dos retornos de 
produtos, embalagens ou materiais ao seu centro produtivo.
A logística reversa tem como objetivosplanejar, implementar e con-
trolar de modo eficiente e eficaz:
 • o retorno ou a recuperação de produtos;
 • a redução do consumo de matérias-primas;
 • a reciclagem, a substituição e a reutilização de materiais;
 • a deposição de resíduos;
 • a reparação e a refabricação de produtos.
A gestão logística da cadeia de abastecimento visa manter e, se pos-
sível, aumentar o valor oferecido na proposta de valor ao mercado con-
sumidor. O estudo da logística reversa integrado no processo de gestão 
empresarial permitirá entender a forma como uma nova proposta de 
valor, agora integrada com novos valores ambientais e sociais, irá sus-
citar nos consumidores a ideia de diferencial e alavancar nas empresas 
práticas mais sustentáveis de desenvolvimento.
A logística reversa não somente colabora no aumento do ciclo de vida 
dos produtos ao facilitar reparos, trocas e reutilização de insumos recicla-
dos e de produtos manufaturados como também impacta na eficiência 
empresarial ao reduzir custos com aquisições de insumos e fortalecer a 
fidelidade de clientes, sobretudo dos ambientalmente conscientes, que 
dão preferência a empresas que sigam princípios de sustentabilidade.
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Todas as atividades executadas no sentido de direcionar produtos, 
desde a origem ao destino, são objetos do ciclo logístico tradicional ou 
da logística “convencional” que, no entanto, também são válidas para o 
ciclo inverso (destino-origem), objeto da logística reversa (a diferença 
entre os dois ciclos pode ser observada no âmbito da execução dos 
processos).
Ao analisar um processo de logística reversa, o gestor logístico deve 
levar em conta aspectos diferenciadores da logística “convencional”, 
conforme apresentado no quadro 1, de forma a racionalizar os canais 
logísticos reversos, aumentando a eficiência dos processos com res-
peito ao meio ambiente e, simultaneamente, otimizando recursos, em 
especial resíduos e rejeitos, de forma a maximizar resultados empresa-
riais, o que é possível com a aplicação de análises ao ciclo de vida dos 
produtos transformados e comercializados e com o emprego de pro-
cessos produtivos utilizando estratégias de produção mais limpa (P+L) 
que evitem a geração e a emissão de resíduos.
Quadro 1 – Diferenças entre logística convencional e logística reversa
LOGÍSTICA “CONVENCIONAL” LOGÍSTICA REVERSA
• Os fluxos logísticos dispõem-se de forma 
dispersa no destino priorizando as entregas
• O processo convencional pode ser 
considerado previsível
• Na logística convencional, a prioridade é o 
cumprimento do nível de serviço acordado
• Os fluxos logísticos são dispersos nas 
coletas e convergem no destino
• O processo reverso possui um nível de 
incerteza bastante elevado
• Na logística reversa, a qualidade do serviço e 
a demanda tornam-se difíceis de controlar
No contexto da cadeia de abastecimento, conforme relacionado no 
quadro 2, a logística reversa realiza as atividades de coleta, triagem, 
transporte, transformação de resíduos e de produtos retornados para 
cumprir seu escopo pressupondo que os produtos delas resultantes 
possam ser recuperados e comercializados como produtos recondi-
cionados ou remanufaturados, mas não como novos; os produtos e 
materiais que não podem ser recuperados devem ser separados e en-
viados a um aterro sanitário. 
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Quadro 2 – Escopo da logística reversa
PRODUTOS EMBALAGEM
• Retornar ao fornecedor
• Revender
• Recondicionar
• Remanufaturar
• Recuperar materiais
• Reciclar
• Aterro sanitário
• Reusar
• Recondicionar
• Recuperar materiais
• Reciclar
2 Canais reversos de revalorização
O sistema logístico é constituído por atividades que agregam valor 
(value-added activities), ou seja, aquelas pelas quais o consumidor final 
está disposto a pagar, incluídas no preço final do produto, e atividades 
que não agregam valor (non-value-added activities), que representam 
o que o consumidor não deseja pagar para obter o produto, como é 
o caso do descarte de produtos, seja por devolução ou pelo descarte 
após uso (ROCHA; SOUZA, 2017). A incorporação da logística reversa 
no processo logístico da empresa, aliada a uma maior conscientização 
ambiental, deverá contribuir para reverter essa forma de valoração.
Mas como agregar valor ao que já foi devolvido ou descartado? A res-
posta a essa questão está no processo de logística reversa que agrega 
valor de alguma natureza às empresas, particularmente pelo retorno de 
bens ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo. Entretanto, o objetivo 
econômico não é o único. Dois novos fatores incentivam as decisões 
empresariais em adotá-la: o fator competitividade, pois cada vez mais 
consumidores optam por produtos ambientalmente corretos, e o fator 
ambiental, que leva consumidores a se preocuparem com a escassez 
de insumos vitais e valorizarem empresas que optem por práticas sus-
tentáveis (LEITE, 2009).
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Uma vez que a agregação de valor é determinada pelo cliente/con-
sumidor e realizada pela empresa, os consumidores devem entender e 
valorizar procedimentos que conduzam a uma diferenciação de servi-
ço com maior valor agregado, como no caso de algumas redes varejis-
tas que possuem centros de distribuição reversos e que dão suporte à 
devolução e troca dos produtos, satisfazendo as exigências dos seus 
clientes, pois acreditam que eles valorizam as empresas com políticas 
mais liberais de retorno de produto (STEIN, 2010).
Não somente clientes/consumidores valorizam as atividades de lo-
gística reversa; também produtores, público em geral e o ambiente saem 
ganhando. No quadro 3 são apresentados alguns tipos de valorização.
Quadro 3 – Valorização em canais reversos
VALORIZAÇÃO SOCIAL
• Geração de empregos formais.
• Fortalecimento das associações de catadores com geração de oportunidades de prestação de 
serviços ao sistema. 
• Promoção de uma maior conscientização da população quanto às questões ambientais.
VALORIZAÇÃO ECONÔMICA
• Maior retorno ao mercado de matérias-primas advindas da reciclagem.
• Fortalecimento da indústria da reciclagem pelo consequente aumento da demanda. 
• Desenvolvimento de conhecimento e tecnologias relacionadas à reciclagem.
VALORIZAÇÃO AMBIENTAL
• Diminuição de casos de descarte incorreto.
• Melhoria da qualidade dos serviços de reciclagem e consequente menor nível de rejeitos nos aterros. 
• Redução de gasto energético por conta do uso de reciclados.
Com o descarte correto e a destinação final apropriada dos produ-
tos que causam danos ao meio ambiente, as empresas podem reduzir 
custos ao utilizar produtos reciclados. Essa ação ajuda a criar novos 
negócios e empregos.
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Com a logísticareversa, a destinação final de resíduos torna-se uma 
oportunidade de negócio para as empresas, pois os resíduos recolhidos 
são reciclados ou reutilizados. É o caso da cervejaria Ambev, que criou 
uma unidade de reciclagem de embalagens de vidro retornáveis que são 
reutilizadas até vinte vezes. Ao encarar o desperdício resultante de resí-
duos da produção e do consumo como parte integrante de seu negócio, 
as empresas se valorizam e se tornam mais competitivas, pois agre-
gam uma nova etapa ao seu negócio (cadeia de abastecimento reversa) 
sem investimento em matérias-primas e conquistam o reconhecimento 
da sociedade pelo respeito ao meio ambiente.
Apesar do elevado nível de informalidade existente no setor, também 
é importante realçar a geração de empregos formais e informais com 
as atividades da logística reversa, além dos empregos criados pelos 
novos negócios de transformação e movimentação de produtos e ma-
teriais. A população de catadores atuantes no Brasil está estimada em 
cerca de 387.900, com maior concentração dessa força de trabalho nas 
regiões Sudeste (42%) e Nordeste (30%) (DAGNINO; JOHANSEN, 2017).
A logística reversa permite revalorizar produtos que de outro modo 
seriam destinados a aterros sanitários, e dessa forma contribuir para o 
aumento de valor das empresas que a praticam.
3 Canais de distribuição reversa
Com a crescente necessidade das empresas se adaptarem a um 
mercado cada vez mais competitivo para administradores de empre-
sas e profissionais de marketing, a gestão da logística ganha espaço 
fundamental no processo de gerenciamento. Estratégias de distribuição 
são cuidadosamente delineadas, empresas componentes dos canais 
de distribuição criteriosamente escolhidas, e o sistema logístico pas-
sa a ser projetado e controlado com o auxílio das novas tecnologias 
de informação e comunicação. A crescente conscientização ambiental, 
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aliada à oportunidade das empresas em explorar novos mercados, com 
produtos reciclados e diminuição de custos, reutilização de produtos e 
matérias-primas, agregou ao sistema de distribuição tradicional os ca-
nais de distribuição reversos, transformando o anterior sistema unidire-
cional (fornecedor-cliente) em circular (fornecedor-cliente-fornecedor).
Os canais de distribuição reversos são classificados em duas cate-
gorias: canais de pós-venda e canais de pós-consumo (quadro 4).
Quadro 4 – Tipos de canais de distribuição reversa
CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO REVERSOS
Pós-venda Pós-consumo
Devolução Garantia Embalagem Reciclagem Reúso Remanufatura
3.1 Canais de distribuição reversos pós-venda
Os canais de distribuição reversos pós-venda são utilizados para re-
tornar produtos já comercializados à origem, como é o caso de produ-
tos defeituosos, produtos que estejam no prazo de garantia e requeiram 
ajustes, produtos que tenham sido disponibilizados para venda mas não 
foram adquiridos em tempo hábil (como jornais, revistas ou outros ven-
didos em consignação), além de embalagens/recipientes retornáveis e 
reutilizáveis (botijões de gás, galões de água, etc.).
No caso das devoluções cabe ressaltar o desenvolvimento dos ca-
nais de comercialização e-commerce, que têm impactado fortemente 
o crescimento das devoluções de produtos adquiridos, pois chegam a 
atingir 30% de todos os produtos comprados on-line, contra cerca de 9% 
daqueles adquiridos em lojas físicas (GODOY, 2016). 
O retorno de embalagens reutilizáveis, isto é, “as que foram projeta-
das para retornar ao processo produtivo que lhe deu origem, ou ainda 
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para algum canal de distribuição original” (RAZZOLINI FILHO; BERTE, 
2009, p.  106), pode representar para as empresas custos adicionais 
consideráveis. 
Exemplos de embalagens retornáveis são os contêineres metálicos 
ou os paletes, que unitizam cargas e são utilizados em transportes 
nacionais e internacionais de mercadorias. Os engradados que acondi-
cionam garrafas de cerveja e refrigerante, ou mesmo o retorno das pró-
prias garrafas de vidro, são outros exemplos, e muitas vezes elas são 
coletadas por equipamentos específicos, como é o caso das máquinas 
de coleta instaladas em supermercados.
Para reduzir o repasse dos custos do retorno das embalagens aos 
produtos, são desenvolvidas embalagens com características especí-
ficas. As principais características necessárias ao desenvolvimento de 
embalagens retornáveis são: a facilidade de desmontagem, transporte, 
armazenagem, manutenção e identificação de origem (neste caso por 
questões legais que exijam a rastreabilidade). As embalagens retor-
náveis também devem considerar as suas propriedades originais e ga-
rantir um número de reutilizações que viabilize a operação de logística 
reversa (RAZZOLINI FILHO; BERTE, 2009).
As embalagens que não possam ser reaproveitadas são direciona-
das a lixões ou incineradas. O canal reverso de embalagens não retor-
náveis, utilizadas no acondicionamento de agrotóxicos, merece uma 
atenção especial pela sua eficiência, resultado da regulamentação e da 
conscientização de todos os agentes envolvidos no segmento agros-
silvipastoril, pois segundo dados da Associação Nacional de Defesa 
Vegetal (SISTEMA…, 2013), o Brasil recolheu e processou cerca de 95% 
das embalagens plásticas primárias (as que estão em contato direto 
com o produto) comercializadas em 2013.
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IMPORTANTE 
A Lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sóli-
dos (PNRS), estabelece no artigo 33 a obrigatoriedade de estruturar e 
implementar sistemas de logística reversa mediante retorno dos produ-
tos após o uso pelo consumidor: 
Art. 33. São obrigados a estruturar e implementar sistemas 
de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o 
uso pelo consumidor, de forma independente do serviço pú-
blico de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os 
fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de:
I – agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como 
outros produtos cuja embalagem, após o uso, constitua 
resíduo perigoso, observadas as regras de gerenciamento 
de resíduos perigosos previstas em lei ou regulamento, em 
normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS 
e do Suasa, ou em normas técnicas; […]. (BRASIL, 2010)
Nesse caso podemos verificar uma responsabilização de empresas e 
poder público pela logística reversa e destinação final ambientalmente 
correta.
 
3.2 Canais de distribuição reversos pós-consumo
Os canais de distribuição reversos no pós-consumo retornam às 
cadeias produtivas ou ao processo de comercialização os produtos já 
adquiridos e descartados pelos consumidores, podendo ser canais de 
reciclagem, de reúso ou de remanufatura:
 • Os canais de reciclagem reaproveitam materiais que, após bene-
ficiados, são utilizados como matéria-prima para novos produtos, 
como as embalagens cartonadas longa vida, utilizadas para leite 
e sucos, que podem ser transformadascom a separação de seus 
componentes (papel, alumínio e plástico) para servirem como 
matéria-prima para outros produtos: o papel pode ser usado na 
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produção de bandejas para ovos, papel-toalha, etc., e o plásti-
co, para telhas para a construção civil, vasos para plantas, entre 
outros produtos.
 • Os canais de reúso são utilizados para recolocação de produtos já 
utilizados por um primeiro consumidor, como o caso da re venda 
de automóveis usados.
 • Os canais de remanufatura revalorizam produtos já utilizados, 
principalmente maquinários e equipamentos industriais que, 
após serem desmontados, têm os seus componentes aproveita-
dos na reconstrução de novos equipamentos.
Os fluxos reversos de produtos em final de vida útil destinados a 
depósitos definitivos na forma de lixo são formas especiais de canais 
reverso pós-consumo estruturados em três estágios: coleta, triagem 
e transformação dos resíduos. No caso de resíduos sólidos, a implan-
tação de processos de coletas seletivas já engloba uma pré-triagem, 
garantido maior eficiência ao processo reverso, pois separa materiais 
recicláveis com destino à reciclagem na etapa de coleta. O lixo orgânico 
é destinado a aterros sanitários ou à fabricação de adubo.
O não retorno ao ciclo produtivo dos descartes de produtos e 
outros resíduos pode representar um problema ambiental sempre que 
os depósitos definitivos apresentem condições inapropriadas – como 
no caso de lixões a céu aberto – ou quando a capacidade nominal de 
estocagem desses depósitos não for suficiente para abrigar o volume 
dos resíduos depositados.
O desequilíbrio entre o elevado crescimento dos volumes de lixo e 
a reduzida capacidade de aterros e outros depósitos que abriguem o 
descarte de resíduos e produtos em final de vida útil remete-nos para 
a necessidade do redesenho dos sistemas industriais, de forma a pos-
sibilitar a reciclagem constante dos materiais em ciclos fechados con-
tínuos (HAWKEN; LOVINS; LOVINS, 1999), conduzindo à eliminação da 
própria ideia de desperdício.
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Os canais reversos de pós-consumo utilizam meios alheios aos 
canais de abastecimento em suas operações (catadores, adquirentes 
específicos de materiais, etc.); já os canais reversos pós-venda servem-
-se dos mesmos canais de distribuição quer para colocação de produ-
tos à disposição do consumidor quer para retorno desses produtos aos 
ciclos produtivos ou de comercialização.
A sustentabilidade das organizações depende não só dos seus resul-
tados financeiros, mas também de aspectos sociais e ambientais, isto 
é, da forma como a empresa lida com o capital humano e com o am-
biente. Entre os vários instrumentos utilizados para garantir a sustenta-
bilidade, a logística reversa é peça fundamental, pois ao operacionalizar 
no sentido inverso da cadeia de abastecimento, o fluxo de produtos aca-
bados e outros insumos contribui para aumentar a eficiência da empre-
sa, garantindo abastecimento de insumos e produtos a menor custo; 
por outro lado, ao garantir emprego em suas operações, proporciona 
melhor condição social às populações direta ou indiretamente impacta-
das pelos seus processos e, por fim, ajuda na manutenção da natureza 
ao reduzir impactos ambientais.
4 Reciclagem e reúso de materiais
Entre os tipos de canais reversos de pós-consumo, a reciclagem tem 
ganhado crescente dinamismo, sendo responsável pela criação de no-
vos negócios e pela criação de milhares de empregos. Ela é definida 
como “atividade de recuperação de materiais descartados que podem 
ser transformados novamente em matéria-prima para a fabricação de 
novos produtos” (RAZZOLINI FILHO; BERTE, 2009, p. 100).
A coleta seletiva, processo que consiste na separação e no recolhimen-
to dos resíduos descartados por empresas e pessoas, integra o processo 
de reciclagem ao separar os vários tipos de resíduos de forma a poderem 
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ser reciclados. A coleta seletiva é realizada em duas etapas: num primeiro 
momento, os geradores de resíduos sólidos deverão segregá -los e dis-
ponibilizá-los adequadamente, em coletores apropriados, para posterior-
mente serem coletados pelo serviço público de limpeza urbana. 
Para facilidade na identificação dos coletores de resíduos sólidos, a 
Resolução do Conama nº 275/2001 estabelece o código de cores para 
os diferentes tipos de resíduos a ser adotado na identificação de cole-
tores e transportadores, bem como nas campanhas informativas para 
a coleta seletiva (BRASIL, 2001). As principais cores utilizadas são ilus-
tradas na figura 1.
Figura 1 – Cores de recipientes de coleta seletiva
Não 
recicláveis 
(preto)
Orgânico 
(marrom)
Plástico 
(vermelho)
Metal
(amarelo)
Papel
(azul)
Vidro
(verde)
A coleta seletiva permite eficiência no recolhimento de materiais re-
cuperados pelas operações de reciclagem protegendo a natureza, pois 
evitam novas extrações de recursos naturais. Ao canalizar materiais 
para a reciclagem, a coleta seletiva contribui para a melhoria do meio 
ambiente, que de outro modo receberia produtos depositados com 
longo tempo de decomposição e normalmente nocivos para a nature-
za, como é o caso do chorume. No quadro 5 são apresentados alguns 
exemplos relacionado ao tempo de decomposição.
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Quadro 5 – Tempo aproximado de decomposição de materiais
MATERIAIS TEMPO DE DECOMPOSIÇÃO
Papel De 3 a 6 meses
Tecidos De 6 meses a 1 ano
Filtro de cigarro Mais de 5 anos
Madeira pintada Mais de 13 anos
Náilon Mais de 20 anos
Metal Mais de 100 anos
Alumínio Mais de 200 anos
Plástico Mais de 400 anos
Vidro Mais de 1.000 anos
Borracha Indeterminado
Fonte: adaptado de Gonçalves e Pinheiro (2008).
A coleta seletiva é hoje realizada por mais de 54% dos municípios 
brasileiros por meio de pontos de entrega voluntária e por cooperativas 
de catadores, sendo os tipos de materiais recicláveis mais coletados o 
papel/papelão (34% do total coletado), plásticos (11%) e vidro (6%); em 
2016, 1.055 municípios brasileiros (cerca de 18%) operaram em progra-
mas de coleta seletiva, número superior aos 927 municípios no ano de 
2014, o que demonstra um progressivo engajamento do poder público 
com a causa ambiental (CEMPRE, 2016).
No Brasil, os índices de material reciclado são definidos como
[…] as quantidades recicladas (fluxos reversos) de determinado 
material constituinte em determinado espaço de tempo e as quan-
tidades totais produzidas do material, no mesmo espaço de tem-
po, provenientes de todos os produtos de pós-consumo dos quais 
possa ser extraído. (LEITE, 2009, p. 54)
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Conforme apresentado na tabela 1, em alguns casos os índices es-
tão se mantendo, e em outros houve um aumento que espelha o suces-
so no desenvolvimento dos negócios de reciclados. Destacamos aqui o 
caso da reciclagem de latas de alumínio, no processo de reciclagem do 
alumínio, pelo grande aproveitamento de matéria-prima reciclada.
Tabela 1 – Evolução dos índices de materiais reciclados no Brasil
MATERIAL 2006
ÍNDICE DE 
RECICLAGEM 
(ANO DE 
REFERÊNCIA) 
ANO DE 
REFERÊNCIA
PAÍS QUE MAIS 
RECICLA
Latas de alumínio 94% 97,9% 2015 Brasil
Vidro 46% 47,0% 2011 Suíça (95%)
Latas de aço 47% 46,7% 2015 Bélgica (96%)
Plástico rígido 20% 21,7% 2011 Suécia (53%)
Plástico PET 51% 59,0% 2011 Japão (77,9%)
Fonte: adaptado de Cempre (2016).
PARA SABER MAIS 
A lata de alumínio é o material reciclável com maior valor, e o Brasil 
é líder mundial na reciclagem de latas de alumínio. Após a coleta, as 
latas passam por um processo de separação de resíduos e sujidades, 
são prensadas em fardos padronizados, para depois seguirem para as 
indústrias de reciclagem. A coleta garante renda a milhares de traba-
lhadores e protege recursos naturais, pois evita a extração da bauxita, 
principal minério do alumínio. Para saber mais sobre a reciclagem do 
alumínio, consulte a ficha técnica “latas de alumínio” disponibilizada 
pelo Compromisso Empresarial para a Reciclagem (CEMPRE, 2017), no 
link <http://cempre.org.br/artigo-publicacao/ficha-tecnica/id/5/latas- 
de-aluminio>.
 
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A importância da atividade de reciclagem no Brasil é muito relevante 
em seus aspectos sociais, econômicos e ambientais. Segundo dados 
do censo populacional de 2010, cerca de 400 mil pessoas responderam 
ter como atividade remunerada principal a coleta de materiais reciclá-
veis em todo o Brasil, atingindo 13% das cerca de 160 mil toneladas de 
resíduos sólidos geradas diariamente no Brasil (SILVA, 2017).
No aspecto econômico, realce para o elevado volume de recursos 
injetados na economia brasileira. Segundo a Cempre, no ano de 2015 
foram injetados R$ 730 milhões somente na etapa da coleta de latas de 
alumínio usadas para bebidas; também na proteção ao meio ambiente, 
a reciclagem, ao recuperar insumos já utilizados e reintroduzi-los nos 
ciclos de produção, reduz a extração de recursos naturais e diminui o 
volume de produtos tóxicos nos pontos de descarte. 
A velocidade de introdução no mercado de novos produtos com fi-
nalidades semelhantes tem impulsionado a venda dos produtos subs-
tituídos – e ainda em estado de uso – por meio de canais alternativos, 
designados de canais reversos de reúso. São exemplos desses canais 
reversos os canais de venda de automóveis e equipamentos usados, 
os leilões de sucata e maquinário, a venda de vestuário por meio de 
brechós ou de livros pelos sebos. A utilização da internet impulsiona 
esse canal de reúso com sites especializados, como o Desapego, que 
vende roupas e acessórios de moda usados, o UZlet, focado na venda 
de celulares usados, a Estante Virtual, que comercializa livros usados, 
ou ainda sites do tipo marketplaces, como é o caso do Mercado Livre ou 
da OLX, onde vendedores e compradores se encontram para transacio-
nar produtos novos ou usados.
Os canais de pós-consumo de remanufatura respondem pela ope-
racionalização do retorno de produtos devolvidos ao ciclo de produção: 
após coletados, eles são enviados ao fabricante original ou a empresas 
de remanufatura autorizadas para serem desmanchados. Cada com-
ponente é testado e eventualmente aproveitado em nova montagem 
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de produto final para o restabelecimento de suas funções e requisitos 
técnicos originais e posterior comercialização com a designação de 
produto remanufaturado. Esses canais são utilizados especialmente na 
indústria automotiva e em produtos eletroeletrônicos.
Considerações finais
São expressivos os impactos econômicos, sociais e ambientais dos 
canais reversos de pós-venda ou pós-consumo: revalorizam produtos 
pois permitem a reutilização de produtos remanufaturados e a reutili-
zação de matérias-primas em procedimentos de reciclagem, além de 
possibilitar o reúso de embalagens ao prolongar a vida útil de insumos 
e produtos acabados. Os canais reversos contribuem para reduzir im-
pactos ao evitar a extração de recursos naturais, e ao alavancar novos 
negócios, também contribuem para a geração de empregos em coope-
rativas de catadores, operadores logísticos e empresas de reciclagem 
e remanufatura. Os canais reversos não só impactam positivamente a 
imagem das empresas, contribuindo no seu desenvolvimento susten-
tável, como demonstram crescente relevância na economia brasileira.
Referências
BRASIL. Ministério das Cidades. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui 
a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro 
de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, 
Brasília, DF, 3 ago. 2010. p. 2. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ 
ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 17 mar. 2018.
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de 2001. Estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a 
ser adotado na identificação de coletores e transportadores, bem como nas 
campanhas informativas para a coleta seletiva. Diário Oficial da União, Brasília, 
DF, 19 jun. 2001. Seção 1, p. 80. Disponível em: <http://www2.mma.gov.br/port/
conama/legiabre.cfm?codlegi=273>. Acesso em: 20 abr. 2018.
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Capítulo 6
A logística reversa 
como estratégia 
empresarial 
Qualquer empresa que pretenda se desenvolver de forma susten­
tável deverá atuar buscando se diferenciar no universo empresarial 
dentro dos limites que ela própria estabeleceu. O entendimento das 
possíveis estratégias e suas fronteiras permitirá à empresa consolidar 
posições dentro de seu mercado de atuação. A sobrevivência e o de­
senvolvimento de qualquer empresa dependem fundamentalmente da 
satisfação dos consumidores, cada vez mais preocupados com ques­
tões ambientais. Por isso, a necessidade de satisfazer os desejos dos 
stakeholders em geral e de consumidores em particular tem levado as 
empresas a in serir, de forma mais intensa, aspectos ambientais em 
suas estratégias.
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Neste capítulo será analisada a forma como a estratégia empresarial 
e a logística reversa – elemento dessa estratégia – podem influenciar a 
competitividade das empresas.
1 Estratégia empresarial
Qualquer empresa tem uma razão para sua existência, que deve pre­
conizar determinada missão e que por sua vez define a sua atividade, 
de modo que esta, para ser cumprida de forma sustentável, pressupõe 
uma atuação que a conduza a uma diferenciação no universo empresa­
rial, mas sempre dentro dos limites que ela própria estabeleceu na razão 
da sua existência.
A correta definição da missão (negócio em que a empresa está en­
volvida) deve ser feita em função dos produtos ou serviços oferecidos e 
dos mercados atendidos, mas o negócio deve nascer de uma necessi­
dade, e nunca de um produto (SOUSA, 2009). Vamos analisar o exemplo 
de uma empresa que fabrica e comercializa mobiliário em madeira. A 
missão dessa empresa deve incluir menção à fabricação de mobiliá­
rio – casa, escritório, escolar, etc. –; contudo, o negócio dessa empresa 
pode prever que o mobiliário é fabricado de acordo normas ambientais 
e, portanto, direcionado a consumidores com consciência ambiental.
É inerente ao processo de desenvolvimento empresarial a busca por 
objetivos, e para isso as empresas seguem linhas de orientação que su­
portam suas decisões atuais na esperança de serem eficientes ao definir 
a melhor rota para os atingirem. No entanto, as constantes e imprevisíveis 
mudanças do meio ambiente a que as empresas estão sujeitas levam­nas 
a considerarem, de forma constante, ajustes em seus processos, de forma 
a não alterarem seus objetivos e manterem o rumo previamente definido.
Neste contexto, a noção de estratégia empresarial é caracterizada como 
uma forma de as empresas pensarem no seu futuro e definirem objetivos 
que estão diretamente relacionados e condicionados pelo entorno.
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Os impactos do entorno/meio envolvente na estratégia empresarial 
fazem­se sentir nos aspectos socioeconômicos e técnicos, pois com o 
alargamento dos mercados, resultado da globalização, as empresas dis­
persam geograficamente a sua atividade e passam a atender consumido­
res com diferentes culturas e necessidades; por outro lado, o dinamismo 
das inovações e a crescente cultura pelo consumismo fomentam a con­
corrência, aumentam o volume de descarte de produtos usados e tam­
bém alavancam a conscientização ambiental de governantes, empresas 
e consumidores que são mais sensíveis a questões ambientais e impõem 
a fabricantes, e a si próprios, condições cada vez mais exigentes no que 
se refere à proteção do meio ambiente.
Entre a multiplicidade de autores que têm abordado a temática “es­
tratégia” salientaremos, em um primeiro momento na conceituação 
de estratégia, as contribuições de Igor Ansoff (conhecido por muitos 
como o pai da gestão estratégica), de Michael Porter (considerado uma 
das maiores autoridades em matéria de competitividade) e de Henry 
Mintzberg (especialista em estratégia empresarial).
Para Ansoff, que introduziu nos processos de administração o plane­
jamento estratégico (caracterizado como um processo lógico e analítico 
para a escolha da posição futura da empresa em relação ao meio ambien­
te), define a estratégia como “um conjunto de regras de tomada de deci­
são para orientação do comportamento organizacional” (ANSOFF, 1984, 
p. 31) e que está assente em três pilares (quadro 1).
Quadro 1 – A estratégia segundo Ansoff
ESTRATÉGIA É PENSADA
O estrategista define a estratégia, objetivos e consagra planos
ESTRATÉGIA É OPÇÃO
Escolhe entre diversas alternativas para posicionar a empresa no mercado
ESTRATÉGIA AJUSTA A EMPRESA À REALIDADE
Promove a gestão da mudança
Fonte: adaptado de Ansoff (1984).
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Para Porter (1991), estratégia é o ato de alinhar uma empresa ao seu 
ambiente. Mas como o ambiente e as capacidades das empresas estão 
sujeitas a mudanças contínuas, a estratégia tem como tarefa manter 
um balanço dinâmico e não um equilíbrio estático. O autor cita que a es­
sência da estratégia é a escolha de produtos e serviços oferecidos, das 
localizações geográficas em que a empresa atua, com quais empresas 
estará relacionada e qual a vantagem competitiva que deverá ser alcan­
çada atendendo a essas escolhas.
Para Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), as estratégias não são 
necessariamente formais nem deliberadas, pois emergem por um 
processo de aprendizagem. Para os autores, a estratégia não tem uma 
única definição, mas uma série de definições que podem ser sistemati­
zadas pelo acrônimo dos 5 Ps, apresentados na figura 1.
Figura 1 – Os 5 Ps estratégicos
Plano 
(pretendida)
Os 5 Ps 
de Mintzberg
Padrão 
(realizada)
Pretexto
Perspectiva
Posição 
(posicionamento)
Fonte: adaptado de Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000).
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Quando definida como um plano, a estratégia refere­se a um curso 
de ações para o futuro; quando considerada um padrão, transmite a con­
sistência do comportamento da empresa ao longo do tempo. Ambas 
características estão presentes nas organizações: o plano representa o 
pretendido (futuro) e o padrão, o que foi realizado (passado).
Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000) também caracterizam a estra­
tégia como uma posição, noção também desenvolvida por Porter, que a 
conceituou como a “criação de uma posição única e valiosa, envolvendo 
um conjunto diferente de atividades” (PORTER, 1991, p. 10). Outra defini­
ção é a que caracteriza estratégia como uma perspectiva, relacionando 
o pensamento dos estrategistas com a visão sistêmica da empresa. 
Numa visão mais abrangente, verifica-se que essas características se 
completam quando relacionadas. Por exemplo, uma empresa com uma 
perspectiva de proteção ambiental pode desenvolver o negócio de pro­
dutos reciclados e alterar sua posição no mercado sem alterar a pers­
pectiva; no entanto, a situação inversa – mudar o posicionamento sem 
mudar a perspectiva – será mais difícil de se concretizar.
Por último, Mintzberg, Ahlstrand e Lampel descrevem a estratégia 
como um pretexto, ou seja, uma “manobra específica para enganar um 
oponente ou concorrente” (MINTZBERG; AHLSTRAND; LAMPEL, 2000, 
p. 20). Isso acontece, por exemplo, quando uma empresa investe em 
proteção ambiental para melhorar sua imagem mas não investe o sufi­
ciente no seu negócio para diminuir os impactos ambientais negativos.
Para Ansoff (1984) e Porter (1991), a empresa formula inicialmente 
a estratégia em função do meio ambiente para na sequência optar pelo 
posicionamento da empresa no mercado, escolhendo uma posição difícil 
de imitar pela concorrência. Já Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), 
embora considerem a formulação inicial da estratégia inevitável, como se 
pode deduzir do modelo dos 5 Ps quando conceitua a estratégia como 
plano (aquilo que é pretendido) e como padrão (aquilo que já foi realiza­
do), dá ênfase ao processo de aprendizagem, que evolui com as constan­
tes alterações ambientais e com as tendências futuras e que resulta na 
adaptação da estratégia ao meio ambiente.
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Com a conscientização da proteção ao meio ambiente cada vez mais 
difundida, verifica-se que a noção de ambiente – outrora considerada 
como envolvente, macroambiente ou meio onde a empresa desenvolvia 
suas atividades – passou a incorporar de forma definitiva a temática 
ambiental, isto é, os problemas ambientais resultantes das atividades 
antrópicas, o que leva as empresas a inserir as temáticas ambientais no 
estabelecimento de suas estratégias.
2 Adequação a questões ambientais
Conforme analisamos, a estratégia deve viabilizar as empresas a ob­
ter a máxima rentabilidade dentro dos limites da sua missão, o que só é 
possível se conseguirem elevada eficiência no desempenho e simulta­
neamente satisfizerem seus consumidores.
Uma estratégia eficaz é a que assegura uma melhor e mais sólida 
combinação entre os pontos fortes da empresa e as necessidades do 
cliente em relação aos seus concorrentes (OHMAE, 2004), isto é, a que 
promove uma vantagem competitiva duradoura e que pode ser esque­
matizada na ligação entre a empresa (corporação), seus clientes e os 
concorrentes pelo modelo dos 3 Cs, apresentados na figura 2. 
Figura 2 – Os 3 Cs da vantagem competitiva
Clientes
Va
lor
Valor
Diferencial de custo
Ativos da empresa Ativos da concorrência
Diferenciação entre 
produtos e serviços
Fonte: adaptado de Ohmae (2004, p. 68).
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A empresa deve se distinguir de seus concorrentes diferenciando 
produtos que atendam necessidades dos consumidores (agregando 
valor aos consumidores) e que sejam produzidos com diferencial (redu­
ção) de custo em relação à concorrência (agregando valor à empresa). 
Quando não for possível reduzir o custo por questões operacionais, a 
empresa deve desenvolver meios que compensem essa situação e au­
mentem o valor percebido pelo consumidor. Se para reduzir o efeito ne­
gativo de um impacto ambiental na produção de determinado produto 
a empresa tiver custos adicionais, então uma campanha de conscienti­
zação ambiental deve ser feita de forma que um eventual aumento do 
preço de venda não se reflita na diminuição de valor para o consumidor.
O sucesso da estratégia deriva de uma vantagem de custo, de uma 
vantagem de valor ou de ambas (CHRISTOPHER, 2011). A logística 
como interface entre empresas e seus clientes tem papel fundamental 
nesse processo ao garantir que produtos e serviços sejam disponibili­
zados a consumidores no prazo estabelecido, na quantidade solicitada 
e no local acordado, tudo isso ao mais baixo custo para o produtor. Mas 
como pode a logística reversa, que aparentemente representa um custo 
adicional para a empresa, contribuir para viabilizar uma estratégia em­
presarial de sucesso?
A resposta está na percepção de valor atribuído à logística reversa, e 
para isso não basta operacionalizar os fluxos reversos: deve-se divulgar 
o propósito da operação reversa e assim contribuir para a agregação 
de valor pelos consumidores. Em todo caso, os custos adicionais oca­
sionados pela logística reversa que impactam no preço de transação 
devem ser inferiores ao valor agregado pela operação. Quando a con­
corrência oferece uma melhor combinação de prazo, quantidade e local, 
a empresa estará em desvantagem, mas se a combinação for idêntica, 
a diferenciação será pelo preço ou pela imagem.
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NA PRÁTICA 
Dois produtos similares têm preços de venda diferentes: o produto da 
empresa A é ligeiramente mais barato que o produto da empresa B; 
no entanto, a empresa B tem reputação de preservação ambiental e a 
empresa A já foi citada como responsável por dano ambiental. Nesse 
caso, o consumidor ambientalmente consciente preferirá o produto B, 
enquanto que outro, alheio a problemas ambientais, optará pelo A.
 
Para adequar o conceito de estratégia a questões ambientais, as 
empresas em geral – particularmente os gestores – devem ter uma 
visão sistêmica que abranja todos os processos empresariais, pois os 
impactos ambientais podem ter suas causas em qualquer departa­
mento da empresa. Como exemplo disso podemos citar situações que 
podem envolver setores como o departamento financeiro, que por fal­
ta de verba pode impedir a instalação de dispositivos de redução das 
emissões de gases poluentes; o departamento de produção, que pode 
não controlar o consumo excessivo de energia ou não fazer o planeja­
mento da produção adequado, resultando em excesso de resíduos; o 
departamento de recursos humanos, que pode não realizar treinamen­
tos em questões ambientais e levar os funcionários da empresa a não 
se preocupar com o descarte de produtos, o consumo excessivo de 
energia ou mesmo com os desperdícios de produção; ou mesmo o de­
partamento de logística, que para cumprir prazos de entrega subutiliza 
a capacidade de carga dos veículos, impactando em maior número 
de viagens, o que resulta em excesso de emissões de poluentes nas 
operações de distribuição.
A sustentabilidade no desenvolvimento empresarial deve levar em 
conta a identificação do impacto do ambiente na estratégia, a capacida­
de da empresa (recursos e competências) em se adaptar às alterações 
do meio envolvente e à influência e expectativas dos stakeholders em 
eventuais readequações estratégicas.
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3 Razões competitivas
A dinâmica das mudanças ambientais impacta na definição de estra­
tégia das empresas, que para assegurarem a sua competitividade preci­
sam de adaptações constantes e, por isso, devem se tornar mais ágeis. 
A agilidade empresarial só é possível com a assimilação de uma cultura 
de vivência estratégica que pressuponha que qualquer planejamento 
estratégico que fortaleça uma empresa deve se tornar uma competên­
cia empresarial, e não mais uma mera ferramenta operacional.
O desenvolvimento de uma empresa deve ser enquadrado na sua 
estratégia previamente determinada e apoiado num plano estratégico 
definido como um
[...] conjunto de ações a serem tomadas com base em informação 
coletada em dado momento que proporcione a análise da situação 
nesse momento e a projete no futuro, possibilitando à empresa 
atingir determinado objetivo empresarial. (SOUSA, 2009, p. 230) 
Planejamento focado no fortalecimento pressupõe que a empresa 
valorize a opinião de seus clientes e, como tal, esteja focada no mer­
cado e preocupada com a lucratividade do cliente definida por Kotler 
e Keller (2006, p 147) como “uma pessoa, família ou empresa que, 
ao longo do tempo, rende um fluxo de receita que excede por uma 
margem aceitável o fluxo de custos de atração, venda e atendimento 
relativos a ele”.
Nesta perspectiva, é possível deduzir que a competitividade empre­
sarial depende simultaneamente da receita, da estrutura de custos e da 
adaptação da empresa às alterações ambientais (conforme apresenta­
das na figura 3). 
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Figura 3 – Fatores de competitividade empresarial
Lucratividade 
do cliente
Adaptação 
constante 
ao mercado
Controle 
de custos
Competitividade 
empresarial
A adaptação da empresa ao ambiente impacta na melhoria da ima­
gem, na fidelização de clientes e na receita, tornando-a mais competi­
tiva. O fluxo de receita e o controle de custos são resultado da forma 
como a empresa gerencia suas operações, e em nenhuma hipótese os 
custos de atração, venda e atendimento devem crescer numa proporção 
superior ao crescimento da receita, e por isso devem ser controlados.
3.1 Redução de custos
Custos de venda e atendimento são consequência das operações de 
distribuição e da comercialização de produtos, e compõem o pacote de 
custos designado de “custos logísticos”.
Os custos de venda podem ser apercebidos pelos consumidores, e 
são relacionados às atividades de armazenagem, transporte, movimen­
tação e manutenção de estoque. Já os produtos enviados para troca 
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ou conserto por operações de logística reversa aumentam custos no 
atendimento e não são apercebidos como tal pelos consumidores, mas 
refletem-se na estrutura de custos das empresas.
Se os custos de venda e atendimento dependem também das opera­
ções de logística convencional, os custos de atração são função de va­
riáveis mercadológicas, como imagem da empresa, preço de venda, loca­
lização do ponto de venda, etc., e de variáveis atitudinais, como o nível de 
conscientização ambiental dos consumidores. Quanto maior for a cons­
ciência ambiental do consumidor (cliente), menor será a influência do 
custo da logística reversa na atração e maior será a satisfação do cliente.
3.2 Diferenciação da imagem corporativa
A inclusão de questões ambientais nas opções estratégicas das em­
presas não representa uma simples medida socioambiental para prote­
ger a imagem da empresa, mas torna­se um importante fator de com­
petitividade empresarial que aumenta a lucratividade e a fidelização dos 
clientes, e por isso é possível afirmar que a contribuição da logística 
reversa para a criação de uma imagem de “empresa ambientalmente 
correta” contribui no desenho de uma estratégia de competitividade.
A preocupação com a imagem corporativa como diferencial competi­
tivo é cada vez mais presente nas decisões empresariais, e segundo Leite 
(2009, p. 27), “estudos realizados no Brasil comprovam que empresas de 
diferentes setores empresariais apontam a imagem corporativa como 
uma das mais fortes motivações dos programas de logística reversa”.
Muitas empresas que investem em meio ambiente, para diferenciação 
de suas marcas ou para ampliação de sua imagem corporativa, tornam o 
investimento em meio ambiente uma modalidade de comunicação, pois 
ao vincularem seus nomes aos projetos ambientais que apoiam, trans­
ferem às marcas o prestígio das entidades promotoras dos projetos e 
consequentemente elevam sua própria reputação (YANAZE, 2011).
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A conjugação da redução de custo com o aumento de imagem cor­
porativa dinamiza a competitividade das empresas que integram a lo­
gística reversaao seu processo logístico, o que pode ser constatado 
utilizando o conceito dos 6 Rs ambientais.
IMPORTANTE 
A seguir estão listados os conceitos dos 6 Rs e a competitividade 
empresarial:
• A utilização de temporizadores de energia para desligar as luzes 
quando não são necessárias reduz o consumo de energia e os 
custos das empresas.
• Produtores de fraldas descartáveis e de papel higiênico, ao dimi­
nuírem as dimensões das embalagens, comprimindo­as, reduzem 
o número de entregas para o varejo, aumentam o número de emba­
lagens em exposição nas gôndolas dos supermercados e conse­
quentemente diminuem custos de distribuição e venda.
• Clientes que utilizam bolsas próprias para acondicionar compras 
em supermercados, evitando a aquisição de sacolas de plástico, 
poderão poupar o que deveriam pagar pelas sacolas; o supermer­
cado reduz o estoque de sacolas de plástico e o ambiente fica mais 
preservado.
• A reciclagem permite o abastecimento de insumos a preço mais 
barato reduzindo custos de produção e aumentando o lucro das 
empresas e a imagem da empresa perante a comunidade.
• A reutilização da água de lavagem depois de filtrada (ou mesmo da 
água da chuva usada diretamente em outras atividades) permite 
economia com a conta de água.
• A reutilização de autopeças permite reparações mais baratas e 
cria emprego por meio de novos empreendimentos de oficinas de 
reparação automotiva.
 
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Com a crescente conscientização ambiental, a imagem da empresa 
“ambientalmente correta” impacta fortemente na sua competitividade, 
que também é função do sistema de gestão ambiental, sobretudo da 
forma como a empresa otimiza seus recursos ao proteger o meio am­
biente e, em particular, as ações que visam o aumento da receita sem 
prejuízos ambientais.
Considerações finais
Neste capítulo analisamos o impacto da estratégia e da logística re­
versa na competitividade das empresas e também concluímos que a 
inclusão de temáticas ambientais no desenvolvimento das estratégias 
empresariais não só aumenta a competitividade das empresas, mas 
também suas margens de lucro, além de melhorar sua imagem. Foi 
analisada a forma como o impacto de custos resultantes de programas 
de proteção ambiental (e que eventualmente possam prejudicar as mar­
gens de lucro das empresas) podem ser mitigados. Por fim, também 
concluímos que a logística reversa pode ser um fator de diferenciação e 
de competitividade se for assimilada pela estratégia empresarial.
Referências
ANSOFF, Igor. Implanting strategic management. New Jersey: Prentice­Hall, 
1984.
CHRISTOPHER, Martin. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. 
São Paulo: Cengage do Brasil, 2011.
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Pearson, 2006.
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Porto Alegre: Bookman, 2000.
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em: 20 abr. 2018.
______. What is Strategy? Harvard Business Review, Watertown, v. 74, n. 6, 
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CUE8taE5QUKZf8ujfYlS_Reading+1.4.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2018.
SOUSA, José Manuel Meireles. Gestão: técnicas e estratégias no contexto 
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Capítulo 7
O produto 
pós-consumo
A destinação de produtos pós-consumo tem preocupado intensa-
mente gestores públicos e a população em geral, pois o volume de lixo 
produzido vem aumentando ano após ano, e os depósitos para seu 
descarte muitas vezes não comportam as quantidades de resíduos 
produzidos.
Ultimamente se tem verificado um grande esforço para que produ-
tos descartados retornem aos ciclos produtivos, evitando o acúmulo 
de resíduos em aterros e outros depósitos e, simultaneamente, dimi-
nuindo os impactos ambientais causados pelo lixo, colaborando com 
o bem-estar das populações. Neste capítulo analisaremos como as 
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organizações públicas e empresas privadas tratam a descartabilidade 
dos produtos após serem consumidos e como a logística reversa ate-
nua os impactos negativos da descartabilidade.
1 Bens pós-consumo
O ser humano satisfaz suas necessidades utilizando recursos dispo-
nibilizados sob a forma de bens tangíveis e de serviços intangíveis. Os 
bens tangíveis – aqui designados de produtos – são constituídos por 
insumos de vários tipos e utilizados durante o tempo que constitui sua 
vida útil de prazo variável dependente de diversos fatores, apresentados 
e exemplificados no quadro 1 a seguir.
Quadro 1 – Fatores que determinam a vida útil de um produto
Características do 
produto
Produtos perecíveis têm limite de durabilidade dependendo das condições de 
conservação; remédios têm validade determinada e normalmente expressa por 
condicionantes técnicos.
Uso do limite de sua 
capacidade
Pneus rodam até alcançarem o limite máximo de desgaste.
Tendências de moda
Vestuário e calçado são em regra utilizados de acordo com o consenso da 
comunidade sobre a moda.
Mudança de faixa 
etária
Vestuário, calçados e brinquedos são substituídos na medida da evolução etária 
do indivíduo.
Esgotamento de sua 
utilidade
Produtos descartáveis, como lápis e esferográficas, são utilizados enquanto 
tiverem capacidade de escrita; pilhas e baterias, enquanto produzirem energia.
Inutilidade por 
substituição por um 
produto diferente
Máquinas de escrever, fitas cassete, disquetes, vitrolas e mesmo discos de vinil 
foram substituídos.
Incapacidade de 
regularização
Equipamentos antigos que necessitam de reparação e que, por descontinuidade 
de produção de peças, não podem ser reparados.
Mudança 
na condição 
socioeconômica ou 
profissional
Residências, motocicletas e carros podem ser trocados em consequência de 
promoção social ou aumento de membros na família, assim como viaturas de 
trabalho podem ser substituídas pela mudança de atividade.
Embalagens são descartadas após a utilização do conteúdo.
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Dessaforma, constata-se que em algum momento produtos aca-
bados serão classificados de pós-consumo, pois terão chegado ao fim 
de sua vida útil na perspectiva do consumidor que os detém ou que 
os utiliza. 
Caberá à logística reversa alongar sua vida, revitalizando-os por al-
gum processo ou enviando-os para mercados secundários, onde são 
comercializados como produtos usados, evitando assim o descarte de-
finitivo. Quando isso não for viável, a logística reversa deverá encami-
nhar, de forma ordenada e com respeito à regulamentação ambiental, 
os produtos de pós-consumo aos depósitos definitivos (aterros sanitá-
rios, incineradoras, etc.).
Bens de pós-consumo são produtos em fim de vida útil, definida 
como o “tempo decorrido desde a sua produção até o momento em que 
o primeiro possuidor se desembaraça dele” (LEITE, 2009, p. 38), e que 
podem ser canalizados a destinos finais tradicionais ou retornarem ao 
ciclo produtivo por processos de logística reversa.
Como os produtos pós-consumo são compostos por vários tipos de 
materiais, com diferentes tempos de decomposição e destinos diferen-
ciados (alguns serão reutilizados, outros recuperados e alguns serão 
desmanchados), faz-se necessário estabelecer categorias, que possibi-
litem sistematizar os fluxos reversos para cada tipo de produto.
Rogers e Tibben-Lembke (1998) classificam os produtos pós- 
-consumo de acordo com aspectos mercadológicos e conforme as ca-
tegorias elencadas no quadro 2 a seguir.
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Quadro 2 – Classificação de produtos pós-consumo
Produtos em 
liquidação
Produtos de primeira qualidade que o varejista decidiu deixar de comercializar; nesse 
caso, as empresas varejistas podem buscar compradores para remoção desses produtos 
de seu estoque.
Buy-outs
Quando um fabricante compra o fornecimento de produtos do concorrente aos varejistas 
para reduzir a concorrência.
Produtos em 
saldo
Normalmente produtos sazonais de primeira qualidade, como vestuário ou calçados; no 
fim da estação (inverno ou verão), as empresas devem vender as sobras com desconto ou 
tentar recuperar algum valor por meio de logística reversa, canalizando produtos a canais 
secundários, como camelôs ou lojas de produtos em liquidação.
Produtos 
excedentes
Produtos de primeira qualidade que atacadistas ou varejistas têm em excesso por terem 
superestimado a demanda, mas que continuarão a ser vendidos, podendo ser recolocados 
em outro canal de distribuição, normalmente com redução significativa no preço.
Produtos 
com defeito
Produtos defeituosos que retornam aos fabricantes para reparo ou destruição.
Produtos 
não 
defeituosos
Produtos que após a compra são considerados como defeituosos ou inservíveis pelo 
consumidor, que os devolve, mas que após a análise do fabricante estão em perfeito uso, 
retornando aos canais de comercialização.
Salvados
Produtos que foram usados ou danificados e não podem ser mais vendidos como novos e 
por isso são direcionados a canais alternativos para serem comercializados.
Devoluções
Produtos devolvidos pelos clientes; as devoluções são geralmente tratadas da mesma 
forma que os salvados; são canalizados ao mercado secundário e não são vendidos como 
produtos de primeira qualidade.
Fonte: adaptado de Rogers e Tibben-Lembke (1998).
Para Leite (2009), os produtos de pós-consumo podem ser classifi-
cados de acordo com o prazo da sua vida útil nas seguintes categorias:
 • Bens descartáveis – bens que possuem duração média de vida 
útil de algumas semanas, raramente superior a seis meses. Estão 
neste caso as embalagens de produtos, suprimentos de escritó-
rio, revistas e jornais, entre outros.
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 • Bens duráveis – bens que apresentam duração média de vida útil 
variando de alguns anos a algumas décadas, como é o caso de 
automóveis, eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos indus-
triais, navios, etc.
 • Bens semiduráveis – bens que apresentam duração média de vida 
útil de alguns meses, raramente superior a dois anos. Baterias de 
celulares e óleos lubrificantes são exemplos desta categoria.
Em um sentido mais amplo, a Associação Brasileira de Empresas 
de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe (2016), para fins 
estatísticos – considerando não só os produtos resultantes de descarte 
pelo consumidor final, mas também os desperdícios e rejeitos designa-
dos genericamente de resíduos – utiliza a seguinte classificação para 
resíduos:
Figura 1 – Classificação dos resíduos
Resíduos sólidos urbanos (RSU)
Resíduos de construção e demolição (RCD)
Resíduos de serviços de saúde (RSS)
Fonte: adaptado de Abrelpe (2016).
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Nessa classificação nota-se a preocupação de segregar a classifi-
cação dos resíduos de saúde, que pelas suas características podem 
apresentar periculosidade, fato que se reflete na Política Nacional de 
Resíduos Sólidos (PNRS) quando ao dispor sobre as diretrizes relativas 
à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos estabelece 
a seguinte classificação para resíduos sólidos (BRASIL, 2010):
 • Quanto à origem, englobando os resíduos sólidos urbanos – 
RSUs (domiciliares e de limpeza urbana); de estabelecimentos 
comerciais; de serviços púbicos de saneamento básico; indus-
triais; de serviços de saúde; da construção civil; agrossilvipastoris; 
de transportes; e de mineração.
 • Quanto à periculosidade, classificados em resíduos perigosos e 
não perigosos.
Enquanto nas classificações da Abrelpe e na expressa pela PNRS 
os bens pós-consumo são classificados de acordo com sua origem e 
periculosidade, permitindo projetar de forma mais objetiva as políticas 
públicas de gestão de resíduos, as classificações que levam em conta 
as características de uso, a qualidade e o prazo de vida útil de produtos 
são utilizadas por empresas especializadas em operações de recicla-
gem e possibilitam desenhar estratégias de alongamento da vida útil 
de produto – com maior ou menor dificuldade – no planejamento das 
operações de logística reversa.
De acordo com os dados apresentados no gráfico 1, corresponden-
tes à pesquisa webshoppers realizada pelo Ebit (2018), podemos verifi-
car que entre 2011 e 2018 ocorreu um aumento constante no número 
de pedidos no e-commerce que refletirá no número de devoluções após 
aquisição, representando 30% de todos os produtos comprados on-line 
(GODOY, 2016). Esse fato vem intensificando as operações de logística 
reversa de difícil planejamento, dada a sua imprevisibilidade.
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Gráfico 1 – Evolução do número de pedidos no e-commerce (em milhões)
2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
53,7
66,7
88,3
103,4 106,5 106,3
111,2
119,7
Fonte: adaptado de Ebit (2018).Já a coleta seletiva, com pontos fixos de recolhimento (pontos de en-
trega voluntária – PEVs), e a coleta porta a porta (normalmente realiza-
da pelo prestador de serviço público de limpeza e manejo dos resíduos 
sólidos ou por associações ou cooperativas de catadores de materiais 
recicláveis) permitem planejar com maior eficiência as operações de 
logística reversa.
2 Descartáveis, duráveis e semiduráveis
Tomando como base a classificação de produtos baseada na vida 
útil, podemos verificar que entre os produtos de vida mais curta, de-
signados de bens descartáveis, a generalidade das embalagens e os 
alimentos ocupam posição destacada, transformando-se rapidamente 
em resí duos; já os bens duráveis (como edifícios, maquinário e equipa-
mentos industriais) e os bens semiduráveis (como baterias de veículos, 
pneus ou produtos elétricos e eletrônicos) têm vida mais longa.
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No caso de bens descartáveis, a quantidade de resíduos se dá em 
função do consumo, que impacta no aumento de vendas e depende de 
vários fatores, como o nível de renda da população, o preço dos bens, as 
tendências da moda ou as inovações tecnológicas. Aumentos em ven-
das requerem maior quantidade de recursos; por isso, é possível deduzir 
uma relação entre vendas e resíduos, o que apela ao desenvolvimento de 
políticas de produção sustentável e de práticas de consumo consciente.
PARA SABER MAIS 
Consumir conscientemente é ter consciência dos impactos ambientais 
que uma compra, a utilização ou o descarte de um produto podem causar 
e como o consumidor pode maximizar impactos positivos e minimizar 
os negativos. O Instituto Akatu, organização não governamental sem fins 
lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade 
para o consumo consciente, relacionou doze princípios que fundamen-
tam a prática do consumo consciente (AKATU, 2011): planeje suas com-
pras; avalie os impactos de seu consumo; consuma apenas o necessário; 
reutilize produtos e embalagens; separe seu lixo; use crédito conscien-
temente; conheça e valorize as práticas de responsabilidade social das 
empresas; não compre produtos piratas ou contrabandeados; contribua 
para a melhoria de produtos e serviços; divulgue o consumo consciente; 
cobre dos políticos; reflita sobre seus valores.
 
No caso de bens duráveis e semiduráveis, como os produtos que per-
manecem mais tempo na economia, elevando o nível do seu estoque, a 
produção de resíduos depende de vendas no passado que têm relação 
direta com o nível de renda das populações. Por exemplo, se durante lar-
go período não houve uma alteração do nível médio de rendimentos de 
uma população, é normal que a vida média dos veículos privados em cir-
culação aumente; já se essa situação for revertida e ocorrer um aumen-
to substancial do nível de renda, teremos um aumento na quantidade 
de resíduos em função do maior número de veículos descartados e que 
serão substituídos por outros de modelos mais recentes, aumentando a 
115O produto pós-consumo 
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quantidade de recursos necessários à sua produção. Dessa forma, fica 
evidente a associação entre recursos utilizados e resíduos, o que apela 
a uma abordagem da prevenção e gestão de resíduos num contexto de 
gestão racional dos recursos naturais. 
3 Aumento da descartabilidade
O desenvolvimento industrial alavancado pelo dinamismo da com-
petitividade empresarial que pôde ser verificado ao longo das últimas 
décadas contribuiu para o esgotamento dos recursos naturais e da 
capacidade de absorção e processamento de resíduos.
A inserção de componentes plásticos (normalmente mais baratos) para 
substituição de produtos metálicos, e sobretudo da resina PET na fabrica-
ção de embalagens com ganhos significativos de eficiência, tem aumen-
tado os resíduos plásticos de difícil decomposição de forma exponencial. 
Também a proliferação de aparelhos de telefonia móvel, com custos cada 
vez mais reduzidos e de ciclos de vida útil cada vez mais curtos, contribui 
para o aumento da descartabilidade dos produtos de pós-consumo. 
Quando consideramos os resíduos sólidos urbanos constituídos não 
somente por bens de pós-consumo originários de atividades domésti-
cas em residências urbanas, mas também os originários da varrição, 
limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza 
urbana, observamos um crescimento de geração até o ano de 2015, 
seguido de uma redução no ano de 2016 (gráfico 2).
Segundo a Abrelpe (2016), no ano de 2016 foram gerados 78,3 mi-
lhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, como apresentado no 
gráfico 2, o que reflete uma queda de 2% no montante gerado em 2015, 
embora a população brasileira apresentasse um crescimento de 0,8% en-
tre 2015 e 2016; desse total foram coletados 71,3 milhões de toneladas, 
o que corresponde a um índice de cobertura de coleta de 91%, de modo 
que cerca de 7 milhões de toneladas tiveram uma destinação imprópria. 
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Gráfico 2 – Geração de resíduos sólidos urbanos (em toneladas)
2012 2016
73,4
82
2013
75,4
2014
78,6
2015
79,9
78,3
70
72
74
76
78
80
Fonte: adaptado de Abrelpe (2016).
Também a geração per capita de resíduos sólidos urbanos medida 
em kg/habitante/dia, como apresentado no gráfico 3, registrou queda 
de quase 3% no mesmo período.
Gráfico 3 – Geração de resíduos sólidos urbanos (kg/habitante/dia)
1,08
1,02
1,03
1,04
1,05
1,06
1,07
1,037
1,041,041
1,062
1,071
2012 20162013 2014 2015
Fonte: adaptado de Abrelpe (2016).
117O produto pós-consumo 
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A redução na geração de resíduos – que, de acordo com a Lei 
nº 12.305/2010, é uma das prioridades da Política Nacional de Resíduos 
Sólidos – é reflexo de práticas de consumo consciente e está direta-
mente relacionada, entre outros fatores, aos novos serviços disponibili-
zados, como a locação de equipamentos ou mobiliário e às inovações 
tecnológicas. A redução de geração de resíduos sólidos urbanos per 
capita verificada em 2016 também foi consequência da crise econô-
mica da época, que resultou em queda significativa na venda de 
móveis e eletrodomésticos, equipa mento e materiais de escritório, mas 
sobretudo na substituição de livros, revistas e jornais na forma física 
por edições digitais.
A coleta de resíduos sólidos urbanos seguiu a mesma tendência 
negativa que os dados anteriores, conforme gráfico 4, mas segundo a 
Abrelpe (2016), a cobertura em todas as regiões brasileiras tem aumen-
tado, o que pressupõe uma tendência na diminuição de resíduos com 
destinação imprópria.
Gráfico 4 – Coleta de resíduos sólidos urbanos (toneladas/dia)
205000
175000
180000
185000
190000
195000
200000
175000
2012 20162013 2014 2015
181288
195452
189219195233
198750
Fonte: adaptado de Abrelpe (2016).
118 Impacto ambiental e logística reversa Ma
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Entre os fatores que alavancam a descartabilidade de produtos pós-
-consumo, podemos constatar o grande impacto causado pelo desenvol-
vimento de produtos embalados em material de alumínio, papel ou em 
resina PET, além da introdução no mercado de forma massiva e muito 
dinâmica de novos produtos, especialmente os eletroeletrônicos, com 
destaque para os celulares, tornando obsoletos os produtos já existentes. 
O aumento das taxas de descartabilidade é impactado por alguns 
produtos aceleradores da geração de resíduos, como copos e embala-
gens de plástico, latas de alumínio, embalagens cartonadas ou baterias 
de celulares, e que por essa natureza devem ser monitorados e reinte-
grados sempre que possível em novos ciclos de produção. Elementos 
mercadológicos também são indutores de resíduos, como a fast fashion 
(moda que muda rapidamente), apelos à praticidade com produtos des-
cartáveis ou produtos com curta durabilidade, mas com baixo preço de 
venda, como ocorre com certos produtos importados.
Em compensação, é visível o desenvolvimento de elementos reduto-
res de resíduos, como é o caso das embalagens reutilizáveis, da locação 
de veículos e de equipamentos, incluindo mobiliário, bem como dos sis-
temas de locação de veículos.
Hawken, Lovins e Lovins (1999) sugerem que se forem adotadas a 
medidas listadas a seguir, a descartabilidade de resíduos pode ser redu-
zida e ao mesmo tempo pode-se evitar a escassez de recursos, mitigan-
do a deterioração ambiental:
 • Produtividade radical de recursos, ou seja, obter um produto com 
a mesma utilidade, mas empregando o mínimo possível de mate-
rial e energia, ou seja, evitando qualquer desperdício. Nesse sen-
tido, os impactos ambientais negativos diminuirão e a empresa 
diminuirá custos e aumentará o lucro.
 • Biomimetismo, redesenhando processos industriais e materiais 
de forma a possibilitar a reciclagem constante do material, em 
119O produto pós-consumo 
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ciclo fechado, ou seja, aproveitando ao máximo os resíduos gera-
dos pelos produtos.
 • Economia de serviço e fluxo, em que bens e serviços não serão 
vendidos, mas emprestados ou alugados durante o período em 
que são utilizados, como é o caso do Uber, da Airbnb ou das em-
presas que alugam mobiliário.
 • Investimento em capital natural, por exemplo, plantando e restau-
rando florestas ou evitando emissões de poluentes. 
PARA SABER MAIS 
O biomimetismo reflete o que podemos aprender com a natureza, apli­
cando esse conhecimento no desenvolvimento de diferentes produtos, 
como é o caso do Airbus A380, o maior avião de passageiros do mundo, 
cujos componentes aerodinâmicos na ponta das asas copiam um deta-
lhe observado nas asas da águia das estepes durante o seu voo. Outros 
exemplos podem ser encontrados no portal Ideia Sustentável, disponível 
em: <https://www.ideiasustentavel.com.br/>.
 
Figura 2 – Descarte de produtos e sustentabilidade
Máxima produtividade – biomimetismo:
investimento em capital natural
Condições prévias
Op
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Produtos 
aceleradores
Descartabilidade de produtos
Ações 
mercadológicas
Custo reduzido:
vida útil curta
Embalagens
reutilizáveis
Economia de 
serviço e fluxo
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Podemos concluir que a descartabilidade dos produtos, operaciona-
lizada pela logística reversa, conforme figura 2, aumenta com a intro-
dução de produtos aceleradores, com certas ações mercadológicas ou 
mesmo com a comercialização de produtos muito baratos, mas pode 
ser controlada com embalagens reutilizáveis e práticas de locação de 
produtos. No entanto, impactos ambientais resultantes da descarta-
bilidade serão atenuados sempre que se maximize a produtividade de 
recursos, se possibilite a reciclagem em circuito fechado pelo biomime-
tismo e, sobretudo, ao se investir em capital natural.
Independentemente de tipo, origem, utilização ou vida útil do produ-
to, caberá à logística reversa completar e prolongar o ciclo de vida dos 
produtos contribuindo não somente para o aumento da rentabilidade 
da empresa ao fornecer insumos a menor custo, mas também para a 
sustentabilidade, evitando impactos ambientais que prejudiquem o for-
necimento regular de insumos que deteriorem a qualidade de vida do 
ser humano.
Considerações finais
Nas últimas décadas, a velocidade no lançamento de novos produ-
tos nos mercados e os avanços tecnológicos, especialmente com a 
introdução de embalagens descartáveis, associados a práticas consu-
mistas que levam consumidores a adquirirem bens além de suas ne-
cessidades, têm impactado no aumento da descartabilidade de bens 
pós-consumo.
Estudamos a necessidade de categorizar produtos para desenvolver 
políticas oficiais e estratégias empresariais que permitam estruturar or-
ganizadamente a recuperação e o alongamento da vida útil de materiais 
e de produtos descartados, diminuindo impactos ambientais causados 
por resíduos dos bens pós-consumo e beneficiando empresas com a 
reintegração de insumos aos ciclos produtivos. A tendência ao aumento 
121O produto pós-consumo 
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da descartabilidade de produtos apela ao aumento da eficiência dos 
fluxos logísticos reversos e a estratégias inovadoras, pautadas em pla-
nejamentos de novos produtos ambientalmente conscientes e em solu-
ções de logística reversa integradas à estratégia empresarial.
Referências
AKATU. Conheça os 12 princípios do consumo consciente. 2011. Disponível 
em: <https://www.akatu.org.br/noticia/conheca-os-12-principios-do-consumo- 
consciente/>. Acesso em: 20 mar. 2018.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE LIMPEZA PÚBLICA E RESÍDUOS 
ESPECIAIS (ABRELPE). Panorama dos resíduos sólidos no Brasil. 2016. 
Disponível em: <http://www.abrelpe.org.br/panorama_apresentacao.cfm>. 
Acesso em: 20 mar. 2018.
BRASIL. Ministério das Cidades. Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui 
a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro 
de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, 
Brasília, DF, 3 ago. 2010. p. 2. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_ 
03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 17 mar. 2018.
EBIT. Webshoppers. 2018. Disponível em: <https://www.ebit.com.br/ 
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LEITE, Paulo Roberto. Logística reversa. São Paulo: Pearson, 2009.
ROGERS, Dale; TIBBEN-LEMBKE, Ronald. Going Backwards: Reverse Logistics 
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123
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Capítulo 8
Canais de 
distribuição reversos 
do pós-consumo
A distribuição tradicionalmente é conceituada como o instrumento 
do marketing que relaciona a produção com o consumo, ou seja, cons-
titui-se em um sistema unidirecional. Com a integração das práticas 
de logística reversa no processo logístico das empresas, a distribuição 
alargou o seu espectro de atuação e passou a responder pelo retorno 
de produtos aos ciclos de produção, transformando-se num sistema 
bidirecional, daí a pertinência no estudo dos canais de distribuição re-
versos – de pós-consumo e de pós-venda – no sistema de distribuição 
da empresa. Ao operacionalizar por canais de distribuição dedicados, 
fluxo reverso dos materiais vendidos ou consumidos, as empresas não 
somente ampliam sua imagem de responsabilidade ambiental, mas 
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também garantem abastecimento de insumos que de outra forma se-
riam descartados sem retorno. Neste capítulo estudaremos os aspec-
tos críticos inerentes aos processos de distribuição reversos que possi-
bilitam a tomada de decisões que aumentam a eficiência empresarial.
1 Canais de distribuição reversos do 
pós-consumo 
Todos os produtos percorrem, desde a sua origem no produtor até 
estarem disponíveis para o consumidor, um sistema de complexidade 
mediana chamado canal de distribuição. Como esquematizado na fi­
gura 1, o ponto de partida, ou seja, o input do sistema, é o produtor; e o 
ponto de destino, o output do sistema, é o consumidor. O conjunto de 
entidades situadas entre o produtor e o consumidor, sejam pessoas ou 
organizações, são designadas por intermediários.
 Figura 1 – Intermediários no canal de distribuição
Armazém/ 
atacado
Meios de 
transporte
Varejo
Armazém/
produtor
Meios de 
transporte
Canal de distribuição
Consumidor
Segundo Sousa (2009, p. 93), numa perspectiva empresarial, pode-
mos afirmar que
[…] os canais de distribuição são constituídos pelo conjunto de ele-
mentos materiais e humanos, internos ou externos à empresa, e 
que ela utiliza para levar a cabo a sua ação de distribuição de forma 
a criar utilidade ao consumidor. 
Essa definição enfatiza a inevitabilidade da integração da empresa, 
produtora ou fornecedora, com os componentes do canal de distribuição 
e a necessidade de cuidados especiais na seleção de intermediários.
125Canais de distribuição reversos do pós-consumo
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A seleção dos membros do canal de distribuição – as empresas in-
termediárias – deve levar em conta o alinhamento das propostas de 
valor de todas as empresas constituintes, o que se torna mais difícil de 
conseguir à medida que aumenta o número de intermediários do canal 
(ROCHA; SOUZA, 2017). Quando a proposta de valor de uma empresa 
for a entrega de produtos produzidos com tecnologias ambientalmente 
amigáveis, todas as empresas da cadeia de suprimentos devem acatar 
tal contexto na sua proposta de valor, pois somente desse modo a dis-
tribuição criará utilidade e será possível garantir que a proposta de valor 
da empresa cumpra com o prometido.
IMPORTANTE 
Em teoria econômica, denomina-se “utilidade” a propriedade que os pro- 
dutos tangíveis e serviços têm de satisfazer as necessidades e os dese-
jos humanos; isto é, “utilidade” descreve as preferências do consumidor. 
A distribuição cria utilidade ao colocar à disposição do consumidor final 
ou do comprador industrial produtos no momento em que são necessá-
rios e no local previamente acordado, gerando assim utilidade de tempo 
e de local. Ao integrarem exigências de proteção ambiental, incluindo 
sistemas de logística reversa em suas operações, as empresas am-
pliam o conceito de utilidade, que passa a englobar a utilidade de forma, 
definida como o valor conferido a um produto composto por componen-
tes que o tornam específico (nesse caso, amigável ao meio ambiente).
 
Se um empreendimento habitacional é caracterizado como susten-
tável, deverá não somente privilegiar a redução do impacto paisagístico, 
o tratamento de resíduos orgânicos ou a geração de energia, mas ga-
rantir que todos os materiais utilizados nas construções foram obtidos 
de forma ambientalmente correta. Do mesmo modo, quando um refri-
gerante é comercializado como ecologicamente amigável, todas as em-
presas que proporcionaram a disponibilidade do produto no mercado e 
que garantem o retorno das embalagens ao ciclo produtivo devem ter 
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propostas de valor coerentes. Pode-se deduzir que, em canais de distri-
buição, o alinhamento das propostas de valor é definido pela empresa 
que detém o poder de comandar as operações de distribuição – o co-
mandante do canal – e é influenciado pelos consumidores. Nos exem-
plos apresentados, os comandantes do canal seriam, respectivamente, 
a empresa promotora do empreendimento e a produtora do refrigerante.
Da mesma forma, caberá ao comandante de qualquer canal de distri-
buição se empenhar para garantir que todos os intermediários colabo-
rem com processos de distribuição ecologicamente corretos, incluindo 
o descarte adequado de produtos.
Uma vez consumidos os bens duráveis, semiduráveis e descartáveis, 
incluindo as embalagens e os resíduos industriais, eles são descartados 
para aterros sanitários, incinerados ou coletados de forma organizada 
por meio de coleta seletiva, operacionalizada pela logística reversa para 
serem integrados a novos ciclos de produção, ou são ainda destinados 
à comercialização em mercados secundários.
Os tipos de produtos descartados impactam a estrutura do canal de 
distribuição utilizado para tal finalidade. Uma lâmpada fluorescente que 
na sua composição contém mercúrio – material corrosivo e altamente 
contaminante – requer cuidados especiais e deve obedecer a rigorosos 
critérios de controle e segurança. Já o descarte de sapatos ou de rou-
pas usadas pode ser realizado com níveis mais reduzidos de controle, 
embora devam ser descartados em locais apropriados ou então doados 
a organizações para serem redistribuídos.
A estruturação do sistema de logística reversa de pós-consumo pode 
obedecer a vários fluxos, como apresentado na figura 2, que dependem 
principalmente do tipo de produto.
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Figura 2 – Canais de distribuição direto e pós-consumoFornecedor de insumos 
Fabricante de produtos 
Consumidor 
Pessoa física/empresa 
Resíduos 
industriais 
Materiais 
reciclados 
Mercado 
secundário 
Coleta 
normal 
Coleta 
seletiva 
Coleta 
de lixo 
Desmanche 
Remanufatura 
Componentes 
Incineração 
Sobras 
Reúso
Duráveis/semiduráveis
Intermediários 
(sucateiros)
Indústria 
de reciclagem
Descartáveis/semiduráveis
Bens pós-consumo
Pessoa física/empresa
Fonte: adaptado de Leite (2009, p. 50).
O descarte de um carro (produto durável) pode direcioná­lo ao reúso 
por meio de um mercado de automóveis usados, ou, em caso de perda 
total, ao desmanche. Os componentes resultantes do desmanche po-
dem ser direcionados para remanufatura e serem comercializados em 
mercados secundários. Também o descarte de pneus inservíveis pode 
ser direcionado à incineração por cimenteiras licenciadas ou à indústria 
de reciclagem para serem aproveitados como matéria-prima juntamen-
te ao asfalto ou ao concreto ou na fabricação de produtos de borracha. 
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Uma comparação entre o volume dos fluxos de materiais direciona-
dos aos mercados e os que fluem no sentido reverso, rumo aos ciclos 
produtivos, fornece uma ideia relativa das causas e dos impactos da 
poluição, e pode ser mensurado pelo índice de reciclagem.
O índice de reciclagem reflete a relação percentual entre os volumes 
reciclados em determinado período de tempo em uma região com os 
produzidos no mesmo período e na mesma região. Quando se refere 
que o índice de reciclagem de latas de alumínio no mercado brasileiro 
em 2015 foi de 97,9%, tendo nesse período sido recicladas 23,1 bilhões 
de unidades, deduz-se que em 2015 foram produzidas 23,6 bilhões de 
latas de alumínio.
A interpretação desse índice, que relaciona fluxos diretos de entrada 
no mercado de produtos com os fluxos reversos dos mesmos produ-
tos pós-consumo, nos mesmos períodos de tempo, deve ser vista com 
cuidado, pois pode não levar em conta a durabilidade dos bens, os dife-
rentes materiais que entram na composição dos produtos descartáveis 
nem as oscilações na produção. 
A interpretação de um índice de reciclagem de 20% para o lixo ele-
trônico em determinado ano considera a relação entre os produtos que 
entram no mercado naquele ano e os que são descartados, porém não 
leva em conta nem uma eventual expansão de mercado (consequên-
cia do aumento significativo de novos produtos) nem uma variação de 
demanda por novos produtos (consequência de maior número de con-
sumidores). Por exemplo, a introdução de aparelhos celulares de baixo 
preço combinada com a redução no preço das telecomunicações não 
impactam proporcionalmente no descarte de celulares, pois muitos 
consumidores passam a utilizar mais de um aparelho e não descartam 
o antigo; por outro lado, a expansão da telefonia celular aumenta signifi-
cativamente o descarte dos aparelhos de telefonia fixa, sem introdução 
de novos aparelhos fixos no mercado.
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Para melhor sistematizar essa situação, Leite (2009) distingue os 
diversos tipos de índices:
Quadro 1 – Tipos de índices de reciclagem
Índice de 
reciclagem de 
um bem durável
Por exemplo, quando se refere que, em 2013, cerca de 3,6 milhões de novos 
veículos utilitários e comerciais leves chegaram às estradas e apenas 538 mil 
de igual característica deixaram de circular (RECICLAGEM…, 2017), estamos nos 
referindo a um índice de reciclagem de 14,94% de veículos; da mesma forma, 
quando afirmamos que em 2016 somente 20% do lixo eletrônico gerado no 
mundo é reciclado de maneira apropriada (LIXO…, 2018), entende-se que 80% do 
lixo eletrônico gerado no mundo teve um destino impróprio.
Índice de 
reciclagem dos 
componentes de 
um bem durável
Referente às porcentagens de componentes ou de materiais constituintes 
reciclados de um determinado bem em relação ao seu peso; por exemplo, de um 
caminhão que chega ao fim de vida útil, 85% é revertido em peças de reposição, 
10% em materiais recicláveis e apenas 5% é descartado.
Índice de 
reciclagem 
do material 
constituinte
Referente a produtos pós-consumo de que possam ser extraídos o mesmo tipo 
de material, como plástico, vidro, aço, latas de alumínio, etc.; por exemplo, 
segundo o Cempre (2017), em 2015 foram reciclados 46,7% do total das latas de 
aço e 97,7% das latas de alumínio consumidas no Brasil.
Fonte: adaptado de Leite (2009).
Embora forneçam uma perspectiva da eficiência da reciclagem de 
determinado produto ou matéria-prima, a interpretação dos índices de 
reciclagem deve levar em conta vários aspectos condicionantes, princi-
palmente a oscilação durante o período em análise, quer de estoques 
acumulados por razões mercadológicas ou as que resultam de varia-
ções de poder aquisitivo.
2 Canais de distribuição reversos de ciclo 
aberto e ciclo fechado
A noção de ciclos abertos e fechados tem sofrido diferentes interpre-
tações; entre elas, as que consideram que o ciclo aberto é relacionado 
à deposição de descartes em lixões ou aterros e que o ciclo fechado 
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ocorre quando os resíduos são direcionados aos ciclos produtivos para 
serem aproveitados como insumos de novos produtos. No entanto, e 
para melhor entendimento do processo reverso da logística integrada, 
consideraremos que a distinção entre canais de distribuição reversos 
de ciclo fechado e aberto é determinada pela destinação dos descartes 
recicláveis (LEITE, 2009):
 • Ciclo fechado: quando o retorno dos materiais descartados ao 
ciclo de produção pode alimentar processos produtivos de produ-
tos similares, como nos processos de reciclagem de garrafas de 
vidro, em que os cacos de produtos pós-consumo são reutiliza-
dos na produção de novas garrafas, ou das baterias de veículos, 
cujos materiais são reaproveitados para a fabricação de novas 
baterias.
 • Ciclo aberto: quando o retorno dos materiais descartados ao ciclo 
de produção for destinado à fabricação de um produto distinto. 
São exemplos de canais reversos de ciclo aberto a reciclagem de 
embalagens cartonadas do tipo longa vida, em que os insumos 
reciclados são destinados à produção de telhas para construção 
civil, vasos para floricultura ou toalhas de papel, entre outros.
Com essa interpretação, também fica claro que, no caso de produtos 
duráveis de pós-consumo destinados a mercados secundários, como é 
o caso de canais reversos, de reúso ou de manufatura, os canais serão 
principalmente de ciclo fechado.
O tipo de produto descartado quando reciclado impacta na estrutura do 
canal de distribuição reverso, exigindo níveis diferentes de especialização e 
de armazenagem, além de tipos de equipamento necessário às operações.
Os canais reversos de ciclo aberto são normalmente comandados 
por empresas especializadas que coletam e selecionam materiais para 
posteriormente os direcionarem a várias empresas que os adquirem 
como insumos, como é o caso de empresas quereciclam lâmpadas 
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fluorescentes, compostas basicamente por mercúrio, alumínio e vidro, e 
que são responsáveis por retirar o mercúrio das lâmpadas, eliminando a 
possibilidade de contaminações ambientais e intoxicações, para depois 
encaminharem para a reciclagem os materiais restantes.
Nos canais reversos de ciclo fechado de bens descartáveis, presen-
tes em reciclagem de insumos que não perdem propriedades ao serem 
aproveitados, como o vidro ou o alumínio, as operações reversas são 
comandadas pelas empresas que detêm o controle, mais ou menos 
completo, de toda a cadeia de abastecimento, como no caso da empre-
sa Ambev, que controla toda a operação de ciclo fechado ao recolher 
as garrafas de vidro que acondicionam suas bebidas em estações de 
reciclagem, normalmente implantadas em supermercados, para depois 
transportá­las para a indústria recicladora, onde são transformadas em 
novas garrafas de vidro e utilizadas como embalagem.
De forma geral, pode­se afirmar que os materiais pós­consumo reci-
clados por canais reversos de ciclo fechado proporcionam um proces-
so de gestão logística com maior previsibilidade tanto no planejamento 
da coleta como no abastecimento de insumos para reciclagem. Já os 
canais reversos de ciclo aberto, ao reciclarem materiais pós-consumo 
para diversas cadeias produtivas, têm fluxos logísticos dispersos nas 
coletas e nas entregas, necessitando de maiores cuidados na armaze-
nagem e na separação dos materiais coletados, e, consequentemente, 
têm maiores custos logísticos.
2.1 Canais de distribuição reversos de bens duráveis e 
semiduráveis
Os bens duráveis ou semiduráveis de pós-consumo retornam aos 
ciclos produtivos ou aos mercados secundários em várias situações, 
conforme o esquema apresentado na figura 3, porém, utilizando quase 
sempre canais reversos de ciclo fechado, dedicados.
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Figura 3 – Canais reversos de bens duráveis
Bens duráveis 
pós-consumo 
 
Bens 
inservíveis
Mercado secundário
(reciclados)
Processadores 
de resíduos 
Desmanche
Insumos 
reutilizáveis
Resíduos 
descartáveis
Reúso Remanufatura/ 
recondicionamento
Mercado secundário (componentes de 
segunda mão ou remanufaturados)
Processamento 
de reciclados 
 
Bens 
reutilizáveis
Indústria de reciclagem ou depósito final 
No caso de canais de reúso – automóveis usados, equipamentos 
e maquinário em segunda mão, etc. – a reinserção de produtos nos 
mercados secundários é operacionalizada por intermediários especia-
lizados nos diversos tipos de produtos ou, eventualmente, por meio de 
leilões; nesses processos, é comum que os produtos circulem mais de 
uma vez entre mercados secundários e entre empresas de processa-
mento de reciclados, como no caso de uma máquina industrial usada 
que pode ser revendida, ou de peças de automóvel que podem ser recu-
peradas e revendidas várias vezes por empresas especializadas.
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Produtos inservíveis podem ser reprocessados para reutilização 
por processos de remanufatura ou recondicionamento, ou até mesmo 
serem desmanchados para revenda de seus componentes em merca-
dos secundários. Não sendo viável o seu aproveitamento, os produtos 
inservíveis são coletados de forma organizada e desmanchados com 
eventual aproveitamento de seus componentes, que são direcionados 
à indústria de reciclagem, como é o caso das carcaças de automóveis, 
que após serem trituradas e seus componentes separados, são encami-
nhadas para reciclagem a fim de serem utilizadas como matéria­prima 
em outros ciclos produtivos; as sobras desse processo são enviadas a 
aterros sanitários.
A remanufatura é definida como um bem resultante de processo in-
dustrial realizado pelo fabricante original do produto novo, ou por em-
presa autorizada pelo próprio fabricante original para substituição de 
componentes desgastados, de forma que o produto remanufaturado 
apresente desempenho de acordo com as especificações do bem novo 
e original (ABNT, 2014).
O recondicionamento pode ser realizado por qualquer empresa que 
localiza e repara os componentes defeituosos de um produto inser-
vível e os substitui por componentes novos ou remanufaturados de 
forma a assegurar que o bem recondicionado apresente condições de 
operação, funcionamento e desempenho equivalentes às especifica-
ções do bem original.
O descarte de bens duráveis em fim de vida útil – na falta de regula-
mentação específica e quando não enviados diretamente às indústrias 
de reciclagem – é realizado de forma informal, normalmente por cata-
dores ou empresas especializadas que revendem os produtos coleta-
dos a sucateiros, sendo separados e canalizados a fabricantes que os 
utilizarão como insumos em suas produções.
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NA PRÁTICA 
Em certas cidades, como em São Paulo, é possível descartar certos pro-
dutos duráveis, como móveis, sofás e camas, nos ecopontos, locais de 
entrega voluntária administrados pela prefeitura. No caso de geladeiras 
ou freezers, empresas especializadas os coletam nas residências e ini-
ciam a reciclagem desses produtos, separando gases perigosos (CFC) e 
o mercúrio de outros materiais, tais como plástico, ferro e alumínio, que 
são triturados e enviados a empresas recicladoras.
 
2.2 Canais de distribuição reversos de bens descartáveis
“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” é uma 
conhecida frase atribuída a Lavoisier, químico francês considerado um 
dos pais da química moderna. Hoje sabemos que as transformações 
não monitoradas de produtos podem em muitos casos prejudicar a qua-
lidade de vida, daí a necessidade de seu controle. No caso de descarte, 
cabe à reciclagem acompanhar esse produto de forma a reintegrá­lo 
na economia, e quando isso não for possível, direcioná-lo a depósitos 
seguros para descarte definitivo, como é o caso dos rejeitos radioati-
vos, que são recolhidos e armazenados em depósitos intermediários 
existentes em unidades técnico­científicas da Comissão Nacional de 
Energia Nuclear (CNEN, 2015).
O fato de determinado bem ser inservível na sua função nada garan-
te que não possa ser aproveitado em outra finalidade, como é o caso do 
descarte de embalagens que tem impulsionado não somente o desen-
volvimento de novos negócios de reciclagem, mas também a promoção 
do artesanato, que aproveita produtos inservíveis, como embalagens 
cartonadas, garrafas, palitos de picolé, latinhas de alumínio, e os trans-
forma em produtos com valor para o consumidor.
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No caso de canais reversos de bens pós-consumo que não possam 
ser reutilizáveis, as possíveis destinações são: o processamento por 
sucateiros com desmembramento de componentes, aproveitando ou 
reciclando peças; envio para empresas que desmontam equipamentos 
para venderem peças usadas em mercados secundários, como no caso 
de máquinas, veículos e outros equipamentos; ou o envio para depósi-
tos finais (aterros sanitários), o que nem sempre é realizado de forma 
ambientalmente correta.
IMPORTANTE 
Segundo a Abrelpe (2016), em 2016 o Brasil gerou 78,3 milhões de tone-
ladas de resíduos sólidos, das quais foram coletados 91%, equivalente 
a 71,3 milhões de toneladas, evidenciando que 7 milhões de toneladas 
de resíduos não foram canalizados por canais de distribuição reversa e, 
consequentemente, tiveram destino impróprio.
 
Considerações finais
Neste capítulo analisamos os canais reversos de descarte dos dife-
rentes tipos de produtos e o impacto ambiental positivo da utilização 
eficiente da logística reversa, e vimos como um produto ou uma emba-
lagem vazia que são bens inservíveis para um consumidor podem ter 
utilidade em outro contexto de consumo.
A crescente conscientização ambiental de consumidores e empre-
sas desenvolve novos negócios e cria novos sistemas de consumo 
que ganham espaço e se contrapõem ao consumismo: brechós viram 
moda; a locação de móveis, casas e carros substitui a posse, diminuin-
do o descarte; e produtos descartados são cada vez mais reciclados. 
Todos esses aspectos alavancam as operações de logística reversa e 
aprofundam o estudo dos canais por onde os bens descartados retor-
nam aos ciclos produtivos.
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Referências
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reprocessados: requisitos gerais. Rio de Janeiro, 2014.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE LIMPEZA PÚBLICA E RESÍDUOS 
ESPECIAIS (ABRELPE). Panorama dos resíduos sólidos no Brasil. 2016. 
Disponível em: <http://www.abrelpe.org.br/panorama_apresentacao.cfm>. 
Acesso em: 20 mar. 2018.
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técnicas – latas de aço. 2017. Disponível em: <http://cempre.org.br/artigo- 
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COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR (CNEN). Armazenamento 
de rejeitos radioativos. 2015. Disponível em: <http://www.cnen.gov.br/ 
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LEITE, Paulo Roberto. Logística reversa. São Paulo: Pearson, 2009.
LIXO eletrônico representa ‘crescente risco’ ao meio ambiente e à saúde hu-
mana, diz relatório da ONU. ONUBR, Rio de Janeiro, 3 jan. 2018. Disponível em: 
<https://nacoesunidas.org/lixo­eletronico­representa­crescente­risco­ao­meio­ 
ambiente-e-a-saude-humana-diz-relatorio-da-onu/>. Acesso em: 2 jul. 2018.
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Paulo, 20 jul. 2017. Disponível em: <http://rmai.com.br/reciclagem-de-carros- 
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ROCHA, Marcos Donizete Aparecido; SOUZA, José Meireles de. Canais de 
distribuição e geomarketing. São Paulo: Saraiva, 2017.
SOUSA, José Manuel Meireles. Gestão: técnicas e estratégias no contexto 
brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2009.
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Capítulo 9
Canais de 
distribuição reversos 
do pós-venda
O estudo das operações de logística reversa pós-venda permite con-
solidar e fechar o ciclo de produtos comercializados através das opera-
ções logísticas circulares desempenhadas pelos membros dos canais 
de distribuição, retornando-os às suas origens. Cabe à logística reversa 
de pós-venda revalorizar os bens pós-venda, que, por serem novos ou 
pouco utilizados, podem ser reintegrados nos ciclos de produção ou 
de comercialização, diferentemente dos bens de pós-consumo, que ao 
chegarem ao fim de sua vida útil são majoritariamente destinados a 
processos de reciclagem. A diversidade de tipos de produtos pós-venda 
e a forma como são desenhados os canais reversos serão objetos de 
análise neste capítulo.
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1 Fluxos reversos de pós-venda
Um produto é vendido quando sua propriedade é transferida para 
outra pessoa ou empresa mediante o pagamento de um preço estipu-
lado. Por vários motivos, muitos produtos, antes de serem consumidos, 
retornam à sua origem utilizando os canais de distribuição reversos.
Leite (2009, p.187) conceitua logística reversa de pós-venda como 
[a] área específica da logística que se ocupa do planejamento, da 
operação e do controle do fluxo físico e das informações logísticas 
correspondentes de bens pós-venda, sem uso ou com pouco uso, 
que por diferentes motivos retornam pelos elos da cadeia de distri-
buição direta.
O retorno de produtos pode ocorrer em diferentes estágios do ciclo 
de comercialização, conforme apresentado na figura 1:
Figura 1 – Devoluções em canais de distribuição
1
1: entrega não consumada no horário acordado entre fornecedor e varejo ou atacado; 
2: devolução do atacadista ou do varejista; 3: devolução pelo consumidor final.
2
3
Os motivos que originam o retorno podem ser de várias ordens, quer 
estejam previstos contratualmente ou não, como listados no quadro 1 
a seguir.
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Quadro 1 – Motivos de retorno de produtos pós-venda
RETORNOS CONTRATUAIS RETORNOS NÃO CONTRATUAIS
• Garantia
• Consignação
• Embalagens
• Ajuste de defeitos
• Atraso na entrega
• Validade expirada
• Devolução por defeito
• Arrependimento da compra
• Fim de estação
O objetivo da logística reversa do pós-venda será agregar valor ao 
produto, entregando-o de volta ao consumidor que o devolveu e reinse-
rindo-o nos ciclos produtivo ou de comercialização, ou destinando-o à 
reciclagem.
Atacadistas e varejistas clientes de fabricantes e também consumi-
dores esperam que o serviço pós-venda operacionalizado pela logística 
reversa seja um atributo que diferencie o produto; por isso as empresas 
dos canais de distribuição devem dar especial atenção aos fluxos rever-
sos de pós-venda para manterem sua imagem no mercado.
Ao estabelecerem a ligação entre fabricantes e consumidores, os vare-
jistas são o elo da cadeia de abastecimento que mais se beneficiam com a 
eficiência da logística reversa do pós-venda. Para Leite (2009), os principais 
ganhos de competitividade que a logística reversa de pós-venda pode tra-
zer ao varejo podem ser categorizados conforme o quadro 2.
Quadro 2 – Ganhos de competitividade pelos varejistas com a logística reversa
ESTRATÉGIA DE COMPETITIVIDADEGANHOS DE COMPETITIVIDADE
Flexibilidade no retorno de mercadorias dos clientes Reforço de imagem corporativa 
Liberação de área de loja Redução de custos 
Manutenção de produtos frescos em suas lojas –
Recaptura de valor dos estoques remanescentes – 
Fonte: adaptado de Leite (2009, p. 35).
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Retornos eficientes não somente contribuem para a manutenção da 
imagem das empresas (como atentas e solucionadoras de problemas), 
mas também reduzem custos de manutenção de estoque não vendido, 
que pode ser canalizado para mercados secundários ou para reciclagem. 
A logística reversa do pós-venda é uma atividade empresarial que 
colabora na otimização do desempenho empresarial, na redução de im-
pactos ambientais e que interage fortemente com o ambiente e com 
consumidores, recuperando produtos novos ou seminovos já comercia-
lizados para os devolver reparados, ou reintegrá-los em ciclos produti-
vos ou de comercialização.
Na logística reversa do pós-venda o planejamento é o fator crítico 
mais relevante e de maior dificuldade de execução, pois sendo a maioria 
das operações reversas do pós-venda imprevisíveis, devem ser realiza-
das de forma eficiente e eficaz para não prejudicarem o desempenho 
da empresa. Analisemos o caso de um consumidor que comprou um 
produto que se mostrou defeituoso e requer o reparo. Esse consumidor 
deve ter esse produto reparado ou trocado o mais rapidamente possível, 
e essa operação deve correr num ambiente com elevada segurança. 
Se algum desses aspectos não forem cumpridos, o consumidor ficará 
insatisfeito e a imagem da empresa será prejudicada.
A dificuldade no planejamento de operações reversas de pós-venda 
é consequência da imprevisibilidade na sua realização, o que se refle-
te no aumento dos fluxos de veículos circulando e contribui para o in-
cremento dos impactos ambientais. Essa situação é compensada pelo 
aumento da vida útil dos produtos, seja pela devolução ao consumo 
de produtos reparados ou pela reinserção de produtos descartados nos 
ciclos produtivos ou de comercialização.
2 Retorno pós-venda
A eficiência do retorno de produtos pós-venda aos ciclos produtivos 
depende da organização das operações de logística reversa, e impacta 
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diretamente na imagem das empresas, sobretudo quando são ofereci-
das propostas de valor que incluem garantia ou troca em prazos predefi-
nidos. Nesses casos, a logística reversa deve estar preparada para atuar 
de forma rápida e pontual.
O desenvolvimento do comércio eletrônico tem alavancado as ope-
rações reversas, pois quase 30% de todos os produtos comprados 
on-line são devolvidos para troca por não apresentarem as caracte-
rísticas esperadas ou por arrependimento de compra (GODOY, 2016).
O processo de logística reversa varia de acordo com o motivo que 
deu origem ao retorno: reparo dentro da garantia, devolução (por defeito 
ou sem motivo), fim do prazo estipulado da consignação e prazo de 
validade, conforme esquematizado na figura 2.
Figura 2 – Fluxos reversos pós-venda
Garantia
Fornecedor de 
insumos/ 
indústria de 
transformação
Atacadista 
Varejista 
Consumidor 
Reparos
Devolução Consignação Validade
Desmanche
Remanufatura
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Mercado 
secundário
Produtos pós-venda
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2.1 Garantia
O retorno por garantia faz parte do chamado retorno contratual asse-
gurado pelo vendedor (LEITE, 2009), que ocorre por defeito no produto 
comprado, partindo da iniciativa do consumidor que, em regra, espe-
ra que o mesmo produto ou outro similar lhe seja retornado em boas 
condições em curto espaço de tempo. A eficiência do canal reverso, 
garantindo prazos de retorno e segurança na operação, é peça funda-
mental para assegurar que o serviço contratado na ocasião da compra 
não prejudique a imagem da empresa.
O destino do produto retornado pode ser a reparação e consequente 
devolução ao consumidor, e o desmanche seguido de reciclagem ou 
remanufatura para posterior venda em mercados secundários. 
2.2 Devoluções
São de várias ordens os motivos que levam consumidores a devolver 
produtos. Segundo dados publicados no relatório Consumer Returns in 
the Retail Industry publicado pela National Retail Federation (NRF) em 
2015 e apresentados na tabela 1, as principais razões para devolução 
pelos consumidores americanos e canadenses por meio das lojas físi-
cas foi a compra de produtos com defeito e de baixa qualidade, seguida 
de compra de produto equivocado ou de arrependimento na compra, 
situações que refletem ações de compra impulsiva e que dificultam a 
previsão de coleta e retorno.
Tabela 1 – Motivos de devoluções em todo o mundo
MOTIVOS DAS DEVOLUÇÕES VALOR EM US$ (BILHÕES)
Defeitos/baixa qualidade 162,0
Compra equivocada 99,3
(cont.)
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MOTIVOS DAS DEVOLUÇÕES VALOR EM US$ (BILHÕES)
Arrependimento 88,7
Melhor preço em outra loja 83,4
Troca de presente 64,1
Tamanho incorreto 62,4
Devolução fraudulenta 28,2
Não corresponde à descrição 6,1
Entrega fora de prazo 4,6
Outro 43,8
Fonte: adaptado de National Retail Federation (2015).
Segundo o relatório da NFR (2015), o elevado valor de devoluções 
fraudulentas teve maior incidência em devoluções de furtos em lojas 
– ou seja, o retorno de produtos furtados e que posteriormente foram 
devolvidos, pois o furto não foi consumado – mas também de merca-
dorias usadas por períodos curtos, sem defeitos e que foram posterior-
mente devolvidas ao abrigo de códigos de proteção ao consumidor; 
nesse caso, impactando diretamente as operações de logística reversa.
Os produtos devolvidos no pós-venda, por qualquer das razões apon-
tadas, utilizam canais reversos para retornarem ao ciclo produtivo em 
processos de reparação, remanufatura ou reciclagem, como é o caso 
dos aparelhos de informática que apresentam defeito após a compra, 
ou podem retornar para nova comercialização no mesmo canal ou em 
mercados secundários, como é o caso de artigos de vestuário ou calça-
dos, quando são devolvidos por não se adaptarem aos usuários. 
As taxas de retorno de produtos pós-venda são bastante variáveis 
por indústria. Lacerda (2014) apresenta as taxas típicas de retorno de 
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alguns setores de atividade e da modalidade de vendas à distância, con-
forme tabela 2.
Tabela 2 – Taxas de retorno de produtos pós-venda
INDÚSTRIA (SETOR DE ATIVIDADE) PERCENTUAL DE RETORNO
Vendas à distância 18%-35%
Computadores 10%-20%
Impressoras 4%-8%
Peças automotivas 4%-6%
Produtos eletrônicos 4%-5%
Fonte: adaptado de Lacerda (2014, p. 479).
No e-commerce, os índices de trocas e devoluções apresentam va-
lores significativos não somente em consequência de defeitos ou não 
conformidades, mas também por arrependimento da compra. O Código 
de Defesa do Consumidor (CDC) estabelece que o direito de arrependi-
mento da compra ou a troca de um produto com defeito pode ocorrer 
em até 7 dias corridos a partir da data de recebimento do produto com-
prado à distância, sem custo algum para o consumidor (BRASIL, 1990), 
o que dificulta o planejamento das operações de logística reversa.
Utilizam canais reversos pós-venda os reparos fora do contrato de 
garantia mas assumidos pelos fornecedores, designados de recalls, 
que são procedimentos previstos em lei adotados pelos fornecedores, 
que comunicam os consumidores eventuais defeitos verificados em 
produtos ou serviços colocados no mercado para correção ou ajustes, 
evitando assim a ocorrência de acidentes de consumo (FUNDAÇÃO 
PROCON-SP, 2018).
Empresas com excesso de estoque parado por mudança de estação, 
como no caso do varejo de moda ou pela introdução de novos modelos 
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no mercado, retornam produtos comprados tornados excedentários 
a mercados secundários, normalmente a lojas de menor porte, ao 
e- commerce ou à venda informal em mercados de rua.
Devoluções também ocorrem por erros de expedição, avarias duran-
te o transporte ou entregas fora de prazo, situação mais frequente nas 
grandes cidades que têm trânsito congestionado, o que dificulta o cum-
primento de horários de entrega previamente ajustados com o varejo. 
Nesse caso, as mercadorias não entregues retornam à origem para se-
rem entregues posteriormente.
2.3 Devolução de embalagens
Embalagens são itens normalmente descartados após a recepção 
de produtos, contribuindo fortemente para a poluição, daí a necessi-
dade do estudo de sua composição e do acompanhamento da sua des-
tinação após a utilização.
Em regra, após utilizadas, as embalagens podem ter como desti-
no aterros sanitários, processos de reciclagem ou serem reutilizadas, 
cabendo às operações de logística reversa de pós-venda canalizar as 
embalagens retornáveis aos ciclos produtivos e comerciais, e por isso 
devem ser fabricadas com materiais resistentes que possibilitem um 
número mínimo de vezes de retorno, de forma a viabilizar o processo 
reverso (RAZZOLINI FILHO; BERTE, 2009).
A norma ABNT NBR 9198 classifica as embalagens nas seguintes 
categorias (ABNT, 2010):
 • Embalagem primária: é a que está em contato com o produto e 
que normalmente é descartada após o consumo; é majoritaria-
mente destinada a processos de reciclagem, como no caso das 
embalagens cartonadas, das garrafas PET ou de vidro e das latas 
de alumínio ou de aço. Mais recentemente, algumas empresas do 
setor de bebidas têm embalado produtos em vasilhames de vidro 
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retornável, coletados em pontos de coleta situados especialmen-
te em supermercados, o que, se considerarmos a extensão ter-
ritorial do Brasil, representa um desafio para a logística reversa 
(COMPANHIA MÜLLER DE BEBIDAS, 2016).
 • Embalagem secundária: são destinadas a conter uma ou mais em-
balagens primárias, podendo ou não ser indicada para o transpor-
te. A grande maioria desse tipo de embalagem é constituída por 
caixas de papelão, muitas vezes reciclado, o que diminui o consu-
mo do insumo e gera menor volume de resíduo pós-consumo, po-
dendo apresentar a forma de invólucro de plástico retrátil, como no 
caso de bebidas.
 • Embalagem terciária: agrupa diversas embalagens primárias ou 
secundárias para transporte. Essas embalagens destinam-se à 
unitização de cargas1 e geralmente são do tipo paletes de ma-
deira, plástico, papelão ou metálicas, engradados, caixas de vá-
rios tipos de materiais, contêineres de transporte, entre outros. A 
grande maioria desse tipo de embalagem é reutilizável, como os 
contêineres ou alguns tipos de paletes; os paletes de papelão ou 
mesmo alguns tipos de paletes de madeira são descartáveis e 
direcionados à reciclagem após sua utilização.
As dimensões continentais do Brasil, assim como as dificuldades de 
infraestrutura logística, dificultam o estabelecimento de políticas de reuti-
lização de embalagens; no entanto, muitas práticas de reciclagem, como 
no caso de embalagens de vidro e longa vida, têm sido desenvolvidas de 
forma a garantir uma reutilização dos insumos da embalagem.
1 Unitização de cargas é o acondicionamento de vários volumes em uma única unidade de carga e 
transporte.
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2.4 Consignação
A venda em consignação é uma relação contratual que pressupõe 
que o fornecedor disponibilize seus produtos, no atacado ou no varejo, 
durante determinado prazo, ao fim do qual os produtos não vendidos 
são devolvidos, e aqueles que foram comercializados são pagos. Em 
certos casos, é grande o impacto dessas operações nas cadeias re-
versas, como no retorno de jornais diários e revistas espalhados pelos 
inúmeros pontos de venda, em que as sobras podem atingir cerca de 
10% (SILVA; ROSA, 2014) e são canalizadas de forma reversa, diária ou 
semanalmente. Os livros presentes nas livrarias normalmente são obje-
to de contrato de consignação, sendo as sobras recolhidas ao final do 
prazo determinado em contrato.
Embora intensas, essas atividades podem ser programadas pelo de-
partamento de logística reversa da empresa.
2.5 Validade
Em produtos alimentares e medicamentos, a validade determina o 
fim de vida útil do produto, e consequentemente sua destruição ou a re-
ciclagem de alguns de seus componentes. No caso de produtos alimen-
tares, verifica-se o aparecimento de novos negócios, especialmente em 
plataformas on-line, que focam na comercialização de produtos com 
prazos prestes a expirar, e os comercializam com preços mais baixos, 
evitando desperdícios. 
No caso de medicamentos, canais reversos são utilizados para di-
recionar medicamentos dentro de prazo que não serão mais utilizados 
para instituições que os reaproveitam, como no caso da campanha do 
Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), que integra o comple-
xo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade 
de São Paulo (HCFM-USP) e estimula a devolução de medicamentos 
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não utilizados pelospacientes durante o tratamento, por quaisquer que 
sejam os motivos, evitando assim o descarte ou o uso inadequado dos 
mesmos (ICESP…, 2017).
3 Prestação de serviço pós-venda
Além de contribuírem para a diminuição de impactos ambientais 
decorrentes de descartes impróprios dos produtos vendidos e não 
consumidos, o serviço de logística reversa pós-venda tem foco na re-
valorização dos produtos, e para isso todas as atividades devem ser 
operacionalizadas eficientemente, com elevado grau de segurança e em 
ambientes credíveis.
Como várias atividades do processo reverso são terceirizadas, 
torna-se necessário que as empresas contratadas tenham seus pro-
pósitos alinhados aos demais componentes do canal de distribuição. 
Se uma empresa, para obter maior lucro, substituir em determinado 
equipamento um motor pouco poluente que apresentava defeito por 
outro mais poluente, embora garantindo o mesmo desempenho, pode-
rá comprometer a imagem de “canal ambientalmente correto” e, con-
sequentemente, a imagem de todas as empresas do canal. 
A revalorização dos produtos pelos consumidores depende, além do 
cumprimento dos prazos acordados de retorno, da garantia de que as 
operações de reparo serão realizadas por pessoal qualificado em em-
presas que respeitem o ambiente e seus trabalhadores, e que as peças 
que substituírem as defeituosas estarão em perfeitas condições de uti-
lização, além da garantia de que as movimentações sejam realizadas 
sem avarias nos transportes ou nas armazenagens intermediárias.
A prestação de um serviço de logística reversa do pós-venda enfren-
ta vários desafios, que Figueiredo (2002) sistematiza conforme os itens 
do quadro 3 a seguir.
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Quadro 3 – Condicionantes à prestação de serviços de logística reversa de pós-venda
Dificuldade de previsão da quantidade e do período da coleta, do tempo de reparo e quando será 
efetivado o retorno do produto reparado.
Gestão de estoques, pois em caso de reparação, com reposição de alguma peça, torna-se difícil estimar o 
estoque necessário que garanta a realização do serviço.
Necessidade de fabricação de alguma peça de reposição quando sua falta somente é notada na chegada 
do produto à unidade de reparação.
Custo da falta de peças e de serviços que pode resultar em paragem de equipamentos vitais ao 
funcionamento de uma fábrica.
Dificuldade de obter economias de escala, pois os retornos são ocasionais e na maioria das vezes não 
programados, requerendo movimentações exclusivas.
Área geográfica dispersa na coleta dos produtos e, muitas vezes, no endereçamento das reparações a 
diferentes locais devido à diversidade de defeitos apresentados.
Fonte: adaptado de Figueiredo (2002).
 • É importante que a logística reversa proporcione ao cliente uma 
experiência condizente com o pacote de serviços por ele dese-
jado. James Fitzsimmons e Mona Fitzsimmons (2004) definem 
essa experiência como o conjunto de mercadorias e serviços 
oferecidos que consiste em instalações de apoio (suporte físico, 
como instalações, equipamentos, etc.) disponíveis para realiza-
ção do serviço; no caso de uma reparação, a oficina de recepção 
do produto a ser reparado.
 • Bens facilitadores: material a ser utilizado na prestação do servi-
ço, como peças de reposição, por exemplo.
 • Informações: dados sobre as etapas a serem realizadas e prazo 
para a realização de cada, assim como dados que permitam ras-
trear o produto. Por exemplo: duração de tempo do reparo e data 
para entrega.
 • Serviços explícitos: benefícios do serviço efetuado; por exemplo, 
qual a garantia oferecida para o produto reparado.
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 • Serviços implícitos: benefícios psicológicos para o cliente, como 
saber se a empresa não utiliza trabalho escravo e utiliza profissio-
nais capacitados ou se os intermediários têm condutas ambien-
talmente corretas.
Considerações finais
As operações de logística reversa são necessárias não só para a em-
presa prestar o serviço anunciado na sua proposta de valor, colaborando 
na fidelização dos seus clientes, mas também pelo fato de colaborarem 
na proteção do meio ambiente ao prolongarem a vida útil dos produtos. 
No entanto, como envolvem aumento dos deslocamentos e provocam 
aumento de poluição e de engarrafamentos em grandes cidades, devem 
ser projetadas com cuidadosos planejamentos que aumentem a ecoefi-
ciência empresarial. Embora represente um custo, a logística reversa do 
pós-venda contribui para a manutenção da imagem das empresas não 
somente quando opera retornos previstos em contratos, mas sobretudo 
quando se opera retornos não contratuais; nesse caso, a manutenção 
da imagem da empresa ficará garantida com a otimização da eficiência 
operacional nos canais de distribuição reversos.
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 9198: 
embalagem e acondicionamento: terminologia. Rio de Janeiro, 2010.
BRASIL. Ministério da Justiça. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe 
sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Diário Oficial da 
União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 12 set. 1990. p. 1 (Suplemento). Disponível 
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/l8078.htm>. Acesso em: 6 jul. 
2018.
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151Canais de distribuição reversos do pós-venda
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153
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Capítulo 10
O impacto do fator 
tecnológico 
O dinamismo nas inovações, conjugado com o barateamento da 
maioria dos produtos (em especial os eletroeletrônicos), impulsiona o 
consumo, faz aumentar os níveis de lixo eletrônico e, em consequência, 
o descarte impróprio e inseguro de resíduos – muitas vezes por meio 
de queimadas a céu aberto ou em lixões –, o que representa um risco 
significativo para o meio ambiente e para a saúde humana.
Neste capítulo estudaremos o processo de logística reversa de pro-
dutos eletroeletrônicos e as condicionantes e precauções que devem 
ser levadas em conta na operacionalização segura das operações de 
logística reversa de produtos eletroeletrônicos.
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1 Logística de produtos eletroeletrônicos
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei 
nº 12.305 de 2 de agosto de 2010, estabelece que pessoas físicas ou 
jurídicas, de direito público ou privado, devem promover ações relacio-
nadas ao gerenciamento de resíduos sólidos (BRASIL, 2010). Dessa 
forma, empresas, consumidores e serviços públicos de limpeza urbana 
e de manejo de resíduos sólidos estão obrigados a destinar de forma 
ambientalmente correta os resíduos gerados pelo consumo, e cabe ao 
poder público realizar planos para o gerenciamento do lixo.
De acordo com o artigo 33 da Lei nº 12.305, fabricantes, importa-
dores, distribuidores e comerciantes são obrigados a estruturar e im-
plementar sistemas de logística reversa mediante retorno dos produtos 
após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público 
de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos de agrotóxicos, 
seus resíduos e embalagens, pilhas e baterias, óleos lubrificantes e em-
balagens, lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de 
luz mista, bem como de produtos eletroeletrônicos e seus componen-
tes (BRASIL, 2010).
Para esses produtos, é responsabilidade dos consumidores, após o 
uso, o descarte correto em pontos de coleta, normalmente disponibili-
zados no varejo, para na sequência serem direcionados pelos varejistas 
aos fabricantes ou aos importadores, que têm a responsabilidade de 
dar a eles uma destinação ambientalmente correta (figura 1).
Figura 1 – Responsabilidade compartilhada em processos de logística reversa 
Consumidor Varejo Fabricante 
Descarte Coleta Destinação finalTransporte
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Cabendo a fornecedores e comerciantes a responsabilidade de re-
torno dos produtos eletroeletrônicos comercializados, as operações 
reversas são integradas naturalmente nos sistemas logísticos das 
empresas, facilitando o planejamento das operações, que normalmen-
te incluem as seguintes ações (ABDI, 2013):
 • implantação de procedimentos de compra de produtos ou emba-
lagens usadas;
 • disponibilização de postos de entrega de resíduos reutilizáveis e 
recicláveis;
 • atuação em parceria com cooperativas ou outras formas de as-
sociação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis.
Quando atingem o limite de sua vida útil, os equipamentos eletroele-
trônicos (EEEs) transformam-se em resíduos de equipamentos eletro-
eletrônicos (REEE). A definição, expressa pela diretiva do Parlamento 
Europeu 2011/65/UE, de grande aceitação pela comunidade acadê-
mica e profissional, caracteriza resíduos de equipamentos eletroele-
trônicos (REEEs) como os equipamentos elétricos ou eletrônicos que, 
após descarte, constituem resíduos, incluindo todos os componentes, 
subconjuntos e materiais consumíveis que fazem parte do produto no 
momento em que este é descartado (UE, 2011). 
IMPORTANTE 
A diretiva do Parlamento Europeu 2011/65/UE caracteriza equipamen­
tos elétricos e eletrônicos (EEEs) como os equipamentos cujo funcio­
namento adequado depende de correntes elétricas ou campos eletro­
magnéticos, bem como os equipamentos para geração, transferência e 
medição dessas correntes e campos destinados à utilização com uma 
tensão nominal (isto é, tensão elétrica, normalmente expressa em volts 
(V) ou quilovolts (kV), a que um determinado aparelho deve ser ligado 
para operar corretamente) não superior a 1.000 V para corrente alterna­
da e 1.500 V para corrente contínua. São exemplos de equipamentos 
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caracterizados pela diretiva europeia as geladeiras e freezers (eletro­
domésticos grandes), aspiradores (eletrodomésticos pequenos), com­
putadores (equipamentos de informática), televisores (equipamentos 
de consumo), lâmpadas (equipamentos de iluminação), equipamentos 
médicos, entre outros (UE, 2011).
 
Dada a diversidade de produtos eletroeletrônicos, faz-se necessário 
categorizá-los de forma a otimizar a eficiência das operações. Segundo 
a ABID (2013), são considerados eletroeletrônicos os produtos cujo fun-
cionamento depende do uso de corrente elétrica ou de campos eletro-
magnéticos, podendo ser divididos em quatro categorias: 
 • linha branca: refrigeradores e congeladores, fogões, lavadoras de 
roupa e louça, secadoras, condicionadores de ar; 
 • linha marrom: monitores e televisores de tubo, plasma, LCD e LED, 
aparelhos de DVD e VHS, equipamentos de áudio, filmadoras; 
 • linha azul: batedeiras, liquidificadores, ferros elétricos, furadeiras, 
secadores de cabelo, espremedores de frutas, aspiradores de pó, 
cafeteiras; 
 • linha verde: computadores desktop e laptops, acessórios de infor-
mática, tablets e telefones celulares.
Outra classificação para produtos eletroeletrônicos mais abrangen-
te, expressa no relatório Global E-Wast Monitor (BALDÉ et al., 2017), in-
clui vários tipos de lâmpadas e categoriza os EEEs em seis categorias 
(conforme figura 2), realçando o nível do volume de resíduos do prin-
cipal componente do equipamento eletroeletrônico descartado (metal, 
vidro, etc.) e o potencial impacto ambiental negativo quando o resíduo 
for descartado impropriamente, o que permite uma análise mais objeti-
va quanto à forma de tratamento dos REEEs.
157O impacto do fator tecnológico 
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Figura 2 – As seis categorias de resíduos eletroeletrônicos
Equipamentos de frio
Geladeiras, freezers, aparelhos de ar condicionado, aquecedores
Monitores
Televisores, laptops, notebooks, tablets
Lâmpadas
Fluorescentes, LED
Grandesequipamentos
Máquinas de lavar roupa, lavadora de pratos, fogões, copiadoras
Pequenos equipamentos
Aspiradores, fornos de micro-ondas, brinquedos eletrônicos 
Pequenos equipamentos de telecomunicações
Aparelhos GPS, calculadoras, telefones
O desenvolvimento de novos materiais e tecnologias impacta na 
renovação de produtos eletroeletrônicos, diminuindo sua vida útil so-
bretudo na primeira utilização, conforme figura 3, e em consequência 
desenvolve novos negócios em mercados secundários, aumentando a 
intensidade do sistema de logística reversa.
Outro aspecto a ser levado em conta é a retenção e a armazenagem 
de forma inadequada dos equipamentos eletroeletrônicos pelos pri-
meiros utilizadores após a primeira vida útil para posterior destinação, 
o que pode aumentar o estoque em situação imprópria dos resíduos 
poluentes.
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Figura 3 – Ciclo de vida dos EEEs
Varejo de 
eletroeletrônicos
Consumo
pessoa física/ 
jurídica 
Descarte
(fim da 
1a vida útil)
Mercado 
secundário
(2a vida útil) 
Disposição 
final (incineração/
aterro sanitário)
Retenção de 
equipamento 
ReciclagemRemanufatura
Fonte: adaptado de ABDI (2013, p. 26).
Além da contribuição para a redução dos impactos ambientais, a lo-
gística reversa de REEEs traz importantes benefícios para a sociedade 
e às empresas envolvidas no processo (esquematizado no quadro 1), 
cumprindo assim os propósitos expostos no tripé da sustentabilidade.
Além de benefícios ambientais, o sistema de logística reversa de 
REEEs, quando estiver em plena operação e cobrir 100% do território 
brasileiro, pode gerar até 15 mil postos de trabalho e contribuir com até 
18% de crescimento da disponibilidade de material reciclado no merca-
do, como é o caso dos plásticos (ABDI, 2013).
Quadro 1 – Benefícios da logística reversa de REEEs
SOCIAIS ECONÔMICOS AMBIENTAIS
Geração de empregos formais Maior retorno ao mercado de 
matérias-primas advindas da 
reciclagem de REEEs
Diminuição de casos de 
descarte incorreto de REEEs
Fortalecimento das associações 
de catadores, com geração de 
oportunidades de prestação de 
serviços ao sistema
Fortalecimento da indústria da 
reciclagem pelo consequente 
aumento da demanda
Melhoria da qualidade dos 
serviços de reciclagem e 
consequente menor nível de 
rejeitos nos aterros
(cont.)
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SOCIAIS ECONÔMICOS AMBIENTAIS
Promoção de uma maior 
conscientização da população 
quanto às questões ambientais 
relacionadas aos equipamentos 
eletroeletrônicos
Desenvolvimento de 
conhecimento e tecnologias 
relacionada à reciclagem de 
REEEs
Redução de gasto energético 
por conta de uso de reciclados 
(o gasto de energia para 
reciclagem de alumínio, por 
exemplo, é 95% menor do que 
para sua produção primária) 
Minimização de problemas de 
saúde causados pelo manuseio 
incorreto de REEEs
Fonte: adaptado de ABDI (2013, p. 99).
2 Descarte de produtos eletroeletrônicos
Segundo a Eurostat, agência de estatísticas da Comissão Europeia, 
os resíduos de equipamentos eletroeletrônicos são atualmente con-
siderados como um dos fluxos de resíduos de mais rápido cresci-
mento na União Europeia, crescendo a uma taxa de 3 a 5% por ano 
(EUROSTAT, 2016).
Em 2016 foram descartados 44,7 milhões de toneladas de resí duos 
de equipamentos eletroeletrônicos (gráfico 1), o equivalente a 6,1 kg 
por habitante, com valor estimado de cerca de 55 bilhões de euros, e 
prevê-se que em 2021 esse número suba para 52,2 milhões de tone-
ladas (BALDÉ et al., 2015), de modo que nos próximos anos todas as 
categorias de REEEs devem contribuir para o aumento das quantidades 
descartadas, à exceção dos monitores, sendo esperado um crescimen-
to mais moderado nos produtos de informática devido aos efeitos da 
crescente miniaturização dos equipamentos.
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Gráfico 1 – Quantidades de EEEs mundialmente descartados por categoria (em milhões de toneladas)
7,6
6,6
9,1
3,9
0,7
16,8
Equipamentos de frio
Grandes equipamentos 
Monitores 
Pequenos equipamentos 
Lâmpadas 
Pequenos equipamentos
 de telecomunicações
Fonte: adaptado de Baldé et al. (2017).
Embora a responsabilidade do descarte de REEEs esteja comparti-
lhada entre consumidores, comerciantes, fabricantes e poder público 
(a quem cabe adotar procedimentos de reaproveitamento dos resíduos 
sólidos reutilizáveis e recicláveis quando oriundos dos serviços públicos 
de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos), a realidade é que 
muitos equipamentos eletroeletrônicos em fim de vida útil ainda são 
descartados em lixões a céu aberto, com elevado risco de contamina-
ção ambiental. 
Segundo a ABDI (2013), embora os aterros sanitários não sejam ade-
quados para a deposição de rejeitos de REEEs, são a única opção des-
de que os rejeitos sejam distribuídos de forma ordenada, observando 
normas operacionais específicas para evitar danos ou riscos à saúde 
pública e à segurança e minimizar impactos ambientais adversos.
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3 Características do lixo de produtos 
eletroeletrônicos
Os REEEs são majoritariamente compostos de metais ferrosos e 
não ferrosos, vidro e plástico, entre outros materiais, como madeiras 
e produtos têxteis. Embora muitos desses componentes não apresen-
tem periculosidade no seu manuseio, em quase todos os equipamen-
tos eletroeletrônicos é possível encontrar algum componente que pode 
causar danos à saúde humana, o que leva à necessidade de monitorar 
e controlar o processo do descarte de REEEs e, consequentemente, das 
operações de logística reversa.
Com base na classificação adaptada de REEEs do relatório Global 
E-Waste Monitor, é possível caracterizar alguns aspectos que devem ser 
levados em conta no descarte de resíduos eletroeletrônicos, e a classifi-
cação de periculosidade dos resíduos é dada segundo a norma brasilei-
ra ABNT NBR 10004 (ABNT, 2004), conforme quadro 2.
Quadro 2 – Características dos REEEs
CATEGORIAS DE 
REEES
TIPOS DE EQUIPAMENTO 
(EXEMPLOS)
CARACTERÍSTICAS E
PERICULOSIDADE DOS REEES (NBR 10004)
Grandes 
equipamentos
Fornos elétricos, máquinas de 
lavar louça, secadoras de roupa, 
etc.
Predominância de metal (considerado resíduo 
não perigoso).
Equipamentos 
de frio
Geladeiras, congeladores, 
ares-condicionados, etc.
Predominância de metal; é necessário remover 
gases como pentano, clorofluorcarboneto (CFC) 
e clorodifluorometano (HCFC) (considerados 
resíduos perigosos).
Equipamentos 
diversos (inclui 
equipamentos de 
telecomunicação)
Câmeras digitais, smartphones, 
notebooks, aspiradores, 
máquinas de café, etc.
Predominância do metal e do plástico; elevada 
presença de matérias-primas críticas e valiosas, 
comoouro, prata, etc. (considerados resíduos 
não perigosos).
Lâmpadas 
fluorescentes e de 
descarga
Lâmpadas fluorescentes, 
lâmpadas de gás e LED.
Predominância do vidro; concentração elevada 
de mercúrio, requerendo especial cuidado na 
reciclagem (considerado resíduo perigoso).
(cont.)
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CATEGORIAS DE 
REEES
TIPOS DE EQUIPAMENTO 
(EXEMPLOS)
CARACTERÍSTICAS E
PERICULOSIDADE DOS REEES (NBR 10004)
Monitores e 
televisores
Aparelhos de TV e monitores.
Predominância de vidro; presença de chumbo; 
revestimento interno da tela contém metais 
pesados (considerados resíduos perigosos).
Fonte: adaptado de Moreira (2016).
Como muitos dos equipamentos eletroeletrônicos são compostos 
por diversas camadas de materiais, como, plásticos, metais, etc., e 
muitas vezes recebem tratamentos anticorrosivos ou antichamas com 
substâncias químicas, a separação de seus componentes para proces-
sos de reciclagem se torna dificultosa e onerosa.
3.1 Componentes químicos do lixo eletrônico
Contrariamente a outros tipos de resíduos, os REEEs são resultantes 
de produtos que têm uma vida útil muito curta, especialmente quan-
do se trata de equipamentos de telecomunicação, e contêm compo-
nentes de grande potencial poluidor, como o chumbo, o mercúrio e o 
cádmio, entre outros, o que reforça a necessidade de estudos sobre a 
sua correta destinação.
Os REEEs são constituídos por muitos elementos raros e valiosos e, 
sendo assim, é elevado o interesse na sua recuperação por processos 
de reciclagem. Conforme Khaliq et al. (2014, p. 156), podemos destacar 
os seguintes metais que compõem os REEEs:
• Metais preciosos: ouro e prata; 
• Metais de base: ferro, cobre, alumínio, níquel, estanho, 
zinco;
• Metais do grupo de platina: paládio, platina, ródio, irídio, 
rutênio;
163O impacto do fator tecnológico 
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• Outros metais: mercúrio, berílio, índio, chumbo, cádmio, 
arsênio, antimônio, telúrio, gálio, selênio e germânio.
• Terras raras: lantânio, cério, etc.
Segundo Baldé et al. (2017), a recuperação desses metais raros e 
preciosos é vista como incentivadora ao desenvolvimento de uma eco-
nomia recicladora, de modo que em 2014 o potencial econômico dos 
REEEs chegou aos 48 bilhões de euros, estimando-se a existência de 
16,5 milhões de toneladas de metais ferrosos avaliados em 9 milhões 
de euros, sendo 1,9 milhões de toneladas de cobre (10,6 milhões de eu-
ros), 220 mil toneladas de alumínio, 300 toneladas de ouro e mil tonela-
das de prata, além de 12,3 milhões de toneladas de plásticos avaliadas 
em 12,3 milhões de euros.
A presença de metais pesados nos REEEs pode causar danos à 
saúde humana, como demonstrado no quadro 3, o que obriga a um rigo-
roso controle de processos na reciclagem desses resíduos.
Quadro 3 – Metais presentes nos REEEs
METAL PRINCIPAIS DANOS CAUSADOS À SAÚDE HUMANA
Alumínio
Alguns autores sugerem existir relação da contaminação crônica do alumínio como um dos 
fatores ambientais da ocorrência de mal de Alzheimer.
Bário
Provoca danos ao coração, com constrição dos vasos sanguíneos, elevação da pressão 
arterial e efeitos no sistema nervoso central.
Cádmio
Acumula-se em diversos órgãos, como rins, fígado, pulmões, pâncreas, testículos e coração. 
Possui meia-vida de 30 anos nos rins. Em intoxicação crônica, pode gerar descalcificação 
óssea, lesão renal, enfisema pulmonar, além de efeitos teratogênicos (deformação fetal) e 
carcinogênicos (câncer).
Chumbo
É o mais tóxico dos elementos; acumula-se nos ossos, nos cabelos, mas unhas, no cérebro, 
no fígado e nos rins. Em baixas concentrações, causa dores de cabeça e anemia. Exerce 
ação tóxica na biossíntese do sangue, no sistema nervoso, no sistema renal e no fígado; 
é um veneno cumulativo causador de intoxicações crônicas que provocam alterações 
gastrintestinais, neuromusculares e hematológicas, podendo levar à morte.
Cobre Intoxicações com lesões no fígado.
(cont.)
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METAL PRINCIPAIS DANOS CAUSADOS À SAÚDE HUMANA
Cromo
Armazena-se nos pulmões, na pele, nos músculos e no tecido adiposo. Pode provocar 
anemia, alterações hepáticas e renais, além de câncer do pulmão.
Mercúrio
Atravessa facilmente as membranas celulares, sendo prontamente absorvido pelos pulmões. 
Possui propriedades de precipitação de proteínas (modifica as configurações das proteínas), 
sendo suficientemente grave para causar um colapso circulatório no paciente, levando à 
morte. É altamente tóxico para seres humanos: doses de 3 g a 30 g são fatais; tem efeito 
acumulativo e provoca lesões cerebrais, além de efeitos teratogênicos e de envenenamento 
no sistema nervoso central.
Níquel Carcinogênico (atua diretamente na mutação genética).
Prata Dez gramas na forma de nitrato de prata são letais ao homem.
Fonte: adaptado de ABDI (2013).
Embora contendo componentes de elevada periculosidade para a 
saúde humana, um volume significativo de resíduos eletroeletrônicos, 
sobretudo os gerados em países desenvolvidos, ainda são descartados 
impropriamente por pessoas não qualificadas, utilizando lixões a céu 
aberto ou sendo exportados para países menos desenvolvidos. 
IMPORTANTE 
A exportação de resíduos perigosos é controlada pela convenção 
de Basileia, ratificada pelo Brasil, e internalizada pelos decretos 
nº 875/1993 (BRASIL, 1993) e nº 4.581/2003 (BRASIL, 2003), que de­
finem os resíduos considerados perigosos e estabelecem mecanismos 
de controle transfronteiriço.
 
Uma parte considerável dos REEEs gerados no Brasil precisam ser 
exportados para devido tratamento, pois a operação da maioria das em-
presas brasileiras se limita aos processos de separação e moagem do 
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material, que posteriormente é exportado para ser processado (ABDI, 
2013). Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e 
Serviços, em 2017, das cerca de 7 mil toneladas exportadas de resíduos 
de polímeros e de outros plásticos, 50% foram destinadas à China, e das 
exportações de resíduos de vidro no total de 4,67 mil toneladas, 75% 
foram destinadas a Bangladesh (BRASIL, 2017).
4 Cadeia reversa do equipamento 
eletroeletrônico
A cadeia reversa de equipamentos eletroeletrônicos pode assumir 
várias configurações, dependendo da consciência ambiental de empre-
sas e consumidores e da legislação nacional, o que origina diferentes 
impactos ambientais.
Na configuração que reduz substancialmente o impacto ambiental 
e que tem por base a legislação que atribui a fabricantes, importado-
res, distribuidores e comerciantes a responsabilidade de retornar, após 
a utilização e o descarte pelo consumidor, os equipamentos eletroele-
trônicos, conforme esquematizado na figura 4 a seguir, os REEEssão 
coletados por varejistas, pontos de coleta municipais ou serviços de co-
leta feitos por empresas especializadas e direcionados a estações de 
tratamento que recuperam e reciclam os materiais componentes dos 
equipamentos. 
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Figura 4 – Descarte correto de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos
Consumidor
Varejista
Estação de 
tratamento
Vidro 
separado por 
tipo triturado
Matéria-prima
para a indústria
Recicladores 
Pontos 
de coleta
Produtos 
tóxicos 
Tratamento por
incineração 
Carcaça 
triturada 
Recicladores 
Matéria-prima
para a indústria
Empresas 
especializadas
Baterias e 
circuitos 
impressos 
Empresas
especializadas 
Destruição 
de gases 
poluentes
 (CFC, HCFC)
Do total de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos gerados 
globalmente, cerca de 80% são descartados de forma imprópria, sen-
do o Brasil responsável por cerca de 1,5 milhão de toneladas de REEEs 
(BALDÉ et al., 2017). O descarte incorreto ocorre quando consumido-
res destinam produtos eletroeletrônicos em fim de vida útil a lixeiras 
normais, junto a outros tipos de lixo doméstico. Esses resíduos, nor-
malmente constituídos por pequenos produtos eletroeletrônicos, são 
enviados para aterros sanitários, conforme esquematizado na figura 5, 
e normalmente não são separados antes do seu destino final, podendo 
causar contaminação no meio ambiente. 
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Figura 5 – Descarte incorreto de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos
Consumidor Caixote de 
lixo
Coleta por serviço de 
limpeza urbana 
Aterro sanitário
Descarte impróprio, 
com liberação de substâncias tóxicas
Pode também ocorrer que o descarte de EEEs seja efetuado por venda 
direta a empresas especializadas em produtos eletroeletrônicos usados 
(conforme esquematizado na figura 6) que posteriormente desmancham 
e reciclam materiais, ou quando os produtos reaproveitáveis são dire-
cionados a mercados de segunda mão ou eventualmente à exportação. 
Placas de circuito impresso, monitores CRT, entre outros componentes 
classificados como resíduos perigosos, podem ser encaminhados a em-
presas especializadas em reciclagem desse tipo de componente. 
Figura 6 – Descarte por venda de EEEs em final de vida útil
Consumidor Empresa especializada Exportação 
Mercado de
segunda mão 
Reciclagem 
Outro cenário pode ocorrer quando catadores se deslocam de por-
ta em porta para coletar REEEs, conforme esquematizado na figura 7, 
revendendo produtos reutilizáveis, direcionando a empresas de recicla-
gem ou reciclando “artesanalmente”; neste caso, podendo causar sérios 
impactos ambientais, sobretudo com a extração de metais por queima 
a céu aberto, pela extração por lixiviação ácida de metais preciosos, 
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pela fusão desprotegida de plásticos ou pelo despejo direto no meio 
ambiente de resíduos perigosos.
Figura 7 – Cadeia reversa com coleta por catadores
Consumidor Catadores Reciclagem
artesanal
Revenda
Reciclagem 
Descarte impróprio,
 com liberação de 
substâncias tóxicas 
e despejo de 
resíduos perigosos
Apesar de regulamentada por legislação e com responsabilidade 
distribuída entre consumidores, comerciantes e fabricantes, ainda são 
frequentes as situações de descartes impróprios de resíduos eletroele-
trônicos. Embora a reciclagem de alguns EEEs requeira tecnologia avan-
çada e alto investimento, já existem no Brasil empresas aptas a lidar 
com eles. Entretanto, somente a conscientização ambiental de consu-
midores e integrantes da cadeia reversa possibilitará a diminuição do 
descarte irregular e de modalidades de processamento de lixo eletrôni-
co nocivas ao ambiente e prejudiciais à saúde humana.
Considerações finais
Neste capítulo foram estudados os diferentes tipos de lixo eletrôni-
co e analisados os componentes e as formas de descarte dos REEEs. 
Demos ênfase à necessidade de considerar os resíduos eletroeletrô-
nicos de forma singular, dado que o seu processamento gera rejeitos 
compostos por elementos potencialmente perigosos e de reaprovei-
tamento muitas vezes inviável, o que torna necessária a realização do 
descarte por empresas especializadas e que fazem uso de tecnolo-
gias que minimizem os impactos ambientais. 
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Disponível em: <http://www.mdic.gov.br/arquivos/dwnl_1416934886.pdf>. 
Acesso em: 10 jul. 2018.
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______. Ministério das Cidades. Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a 
Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro 
de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, 
Brasília, DF, 3 ago. 2010. p. 2. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ 
ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 17 mar. 2018.
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______. Ministério das Relações Exteriores. Decreto no 4.581, de 27 de janeiro 
de 2003. Promulga a Emenda ao Anexo I e Adoção dos AnexosVIII e IX à 
Convenção de Basiléia sobre o Controle do Movimento Transfronteiriço de 
Resíduos Perigosos e seu Depósito. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 
Brasília, DF, 28 jan. 2003. p. 1. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ 
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KHALIQ, Abdul et al. Metal Extraction Processes for Electronic Waste and 
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MOREIRA, Ricardo Bessa. Caracterização das fracções de REEE encaminha-
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Jornal Oficial da União Europeia, [s. l.], 8 jun. 2011. Disponível em: <https://eur-lex.
europa.eu/legal-content/PT/TXT/PDF/?uri=CELEX:32011L0065&from=LV>. 
Acesso em: 20 jul. 2018.
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Capítulo 11
Produção 
mais limpa
A ideia de que o crescimento econômico é o único responsável pela 
melhoria da qualidade de vida do ser humano tem sido paulatinamente 
alterada, pois a sociedade sente cotidianamente que a degradação am-
biental, em parte provocada pelo crescimento econômico desordenado, 
impacta no clima, causando alterações significativas nas temperaturas 
do planeta e na disponibilidade de recursos, como no caso de frequen-
tes racionamentos de água potável.
Uma vez que o crescimento é o curso normal das empresas, hou-
ve a necessidade de desenvolver metodologias de produção, harmo-
nizadoras do desenvolvimento econômico com os aspectos sociais e 
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ambientais em que as empresas estão inseridas, de forma a preservar 
o meio ambiente sem prejudicar o desenvolvimento empresarial. Neste 
contexto, surgem os programas de produção mais limpa, que serão 
objeto de estudo neste capítulo.
1 Conceito
O crescimento das economias só garantirá uma melhoria nas con-
dições de vida dos cidadãos se for sustentável; para isso, ele deve ser 
controlado e complementado com desenvolvimento social e proteção 
ambiental. Não é possível às empresas sustentarem o seu crescimento 
sem atenderem ao desenvolvimento de seus funcionários e da socie-
dade e sem assumirem responsabilidade ambiental. A “produção mais 
limpa” surge como uma estratégia integradora que possibilita a promo-
ção do desenvolvimento sustentável nas empresas.
O conceito de produção mais limpa (PmaisL, ou P+L) proposto 
em 1989 pela United Nations Environment Programme – Division of 
Technology, Industry and Economics (UNEP-DTIE) foi definido como:
Produção mais limpa […] é a aplicação contínua de uma estratégia 
ambiental preventiva integrada aplicada a processos, produtos e ser-
viços para aumentar a eficiência geral e reduzir os riscos para os se-
res humanos e o meio ambiente. (UNEP-DTIE, 2010, tradução nossa) 
Do ponto de vista empresarial, o conceito de produção mais limpa 
requer que a responsabilidade socioambiental esteja integrada à cultura 
empresarial, pois deve ser entendido como o conjunto de ações aplicá-
veis a todos os níveis decisórios e em qualquer empresa que conduzam 
ao aumento de produtividade empresarial, com redução de insumos e 
desperdícios, e à mitigação de riscos ambientais.
A característica inovadora da produção mais limpa reside na substi-
tuição dos sistemas de controle de poluição aplicados tradicionalmente 
173Produção mais limpa
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no final de processos e antes do descarte – mas normalmente muito 
dispendiosos e com eficácia reduzida (MATOS et al., 2017) – por uma 
estratégia que reduza e evite a poluição e o desperdício durante todo o 
ciclo de produção, a um custo reduzido, começando com o design do 
produto e passando por questões de manufatura, como o uso eficiente 
de matérias-primas, energia e água e a redução de emissão de poluentes. 
Sendo a produção mais limpa uma estratégia que objetiva o au-
mento da eficiência empresarial como reflexo da redução de resíduos 
e emissões, as ações empresariais devem atender à minimização ou à 
reutilização de resíduos e emissões, conforme apresentado na figura 1.
Figura 1 – Estratégias de produção mais limpa
Produção mais limpa
Reutilização de resíduos
Nível 3
Reciclagem 
externa
Nível 2Nível 1
Minimização de resíduos
Redução
na fonte
Reciclagem
interna Compostagem
EstruturasModificação no processo
Modificação 
no produto Materiais
Substituição de 
matéria-primaHousekeeping
Modificação 
de tecnologia
Fonte: adaptado de CNTL (2003a, p. 23).
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Em estratégias de produção mais limpa, a eficiência empresarial deve 
priorizar ações de minimização de resíduos na fonte (nível 1), adaptan-
do insumos e produtos de forma a alongar a sua vida útil e modificando 
processos de forma a torná-los menos poluentes e adotando práticas 
que reduzam desperdícios e mantenham o ambiente de trabalho, limpo 
e arrumado (housekeeping). Os resíduos que não puderem ser evitados 
devem ser recuperados e reutilizados na própria planta (nível 2), mas 
quando isso não for possível, poderão ser utilizadas ações de nível 3 
(CNTL, 2003a), que passam pela reciclagem externa ou pela composta-
gem dos materiais orgânicos.
Na definição de produção mais limpa deve levar-se em consideração 
a distinção entre processos de fabricação mais limpos e a utilização de 
tecnologias limpas que a OCDE define como:
Tecnologias que extraem e usam recursos naturais da maneira 
mais eficiente possível em todos os estágios de sua vida; que ge-
ram produtos com redução ou mesmo sem componentes poten-
cialmente prejudiciais; que minimizam emissões para o ar, água 
e solo durante o processo de fabricação e uso do produto; e que 
produzam, com a menor quantidade de energia possível, produtos 
duráveis que possam ser recuperados ou reciclados. (OECD, 1998, 
p. 20, tradução nossa)
Um investimento em produção mais limpa que se dê por meio da im-
plementação de tecnologias limpas é claramente mais fácil de identifi-
car, mas pode ser mais dispendioso do que um investimento em produ-
ção mais limpa por qualquer outro meio. Por exemplo, se uma empresa 
melhorar o serviçode limpeza da sua planta aumentando a eficiência de 
seus operários, ou se substituir matérias-primas por outras que causem 
menos poluição, estará agindo de acordo com o conceito de produção 
mais limpa, e com menor investimento do que seria necessário para 
implantar uma nova tecnologia de produção.
175Produção mais limpa
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Programas de produção mais limpa não demandam somente gran-
des investimentos que alterem sistemas produtivos ou energéticos; 
podem ser realizados com pequenos investimentos, normalmente 
incrementais, que contribuam não somente para a proteção do meio 
ambiente, mas também para o desenvolvimento das empresas, como 
exemplificado no quadro 1.
Quadro 1– Exemplos de produção mais limpa
AÇÕES DE PRODUÇÃO MAIS LIMPA EXEMPLOS
Redução de matérias-primas utilizadas na 
fabricação de um produto ou embalagem
Garrafas mais leves; a Coca-Cola, por 
exemplo, em dez anos reduziu em 20% a 
quantidade de plástico de suas garrafas.
Redução do consumo de água e de energia 
utilizada nos domicílios
Descargas em banheiros com duplo 
acionamento; utilização de lâmpadas LED.
Redução do consumo de água na indústria de 
bebidas
Redução do volume de água para limpeza de 
equipamentos; reúso das águas de descarte; 
eliminação de vazamentos; recuperação das 
águas de lavagem dos filtros na Companhia 
Brasileira de Bebidas.
Redução da utilização de matérias-primas não 
recicláveis na fabricação de garrafas
Garrafas totalmente recicláveis; a Ambev e 
a Guaraná Antárctica desenvolveram para 
o projeto Sustentabilidade Ponta a Ponta a 
primeira garrafa PET totalmente reciclada.
Redução do uso de energia em habitações pela 
modificação dos projetos
Projetos orientados à eficiência energética, 
maximizando a quantidade de luz que entra 
na habitação.
Adaptação de projeto do produto com substituição 
de insumo
Substituição do silicone à base de solvente 
por silicone à base de água em indústria de 
etiquetas, eliminando a emissão de gases e 
vapores no ambiente de trabalho.
Reciclagem interna de embalagem PET
Reciclagem interna de garrafas PET utilizadas 
como matéria-prima na fabricação de verniz/
esmalte sintético.
Fonte: adaptado de Cetesb (2018).
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Seja qual for o método empregado para tornar a produção mais lim-
pa, o resultado obtido deverá ser o aumento da eficiência energética, a 
redução ou eliminação de poluentes e resíduos gerados, assim como a 
quantidade de insumos renováveis (nocivos ou não) utilizados, e, como 
consequência, o aumento da rentabilidade empresarial.
2 Diretrizes
A produção mais limpa aborda de forma holística os processos 
empresariais, com foco nos produtos ou nos serviços prestados pela 
empresa, identificando possíveis fontes de poluição desde o projeto 
dos produtos e dos serviços no ciclo produtivo até à comercialização, 
de forma a economizar matéria-prima, energia e reduzir as emissões 
de poluentes, sempre buscando o desenvolvimento sustentável da 
empresa. 
As técnicas de combate à poluição designadas de “técnicas de fi-
nal de tubo” resolvem os problemas da poluição em processos produ-
tivos na medida em que eles surgem, isto é, sem preocupação com a 
sua origem, tratando os resíduos e as emissões com equipamentos e 
tecnologias específicas. Já a produção mais limpa estuda a causa das 
emissões e dos resíduos procurando prevenir e reduzir a poluição no de-
correr de todos os processos empresariais. Na sua essência, o conceito 
trata de prevenção, e não somente de controle da poluição.
Produção mais limpa é um processo preventivo que está estruturado 
com base em determinados pressupostos empresariais e que, para evo-
luir, deve atender a determinados fatores críticos que são atualizados 
de forma permanente, tornando-se necessária a institucionalização de 
macroprocessos (relacionados no quadro 2) que orientem as decisões 
estratégicas, gerenciais e operacionais.
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Quadro 2 – Processo de implantação de produção mais limpa
PRESSUPOSTOS FATORES CRÍTICOS MACROPROCESSOS
Inovação Melhorias tecnológicas Benchmarking
Competitividade Aplicação de know-how
Reformulação da cultura 
empresarial
Responsabilidade 
socioambiental
Mudança de atitudes Gestão de mudança
A inovação deve estar presente em todos os processos empresariais, 
isto é, a empresa deve cultivar uma cultura de inovação que, entre outras 
ações, permita: minimizar a quantidade de insumos utilizados; propor so-
luções de menor consumo de energia; substituir produtos de difícil reci-
clagem (tóxicos ou não) por produtos ambientalmente corretos; adotar 
processos produtivos com elevada eficiência energética, eliminando todo 
tipo de desperdício; e estruturar procedimentos de retorno e reciclagem a 
fim de evitar o descarte incorreto dos produtos vendidos.
A competitividade empresarial deve ser reforçada sistematicamente 
com foco na maximização da eficiência dos processos e na otimização 
da proposta de valor da empresa, procurando valorizar os aspectos am-
bientais na imagem repassada ao consumidor.
A responsabilidade socioambiental deve integrar a cultura organiza-
cional a fim de possibilitar o sucesso de uma abordagem preventiva, 
que normalmente encontra resistência em decorrência de uma falsa 
percepção de aumento de custos de controle de poluição com a aplica-
ção de programas de produção mais limpa em relação aos que ocorre-
riam em tratamentos convencionais de final de tubo.
Os fatores críticos devem ser trabalhados de forma proativa, utilizan-
do processos que reflitam as melhores práticas empresariais. Para isso, 
o benchmarking, definido por Sousa (2009, p. 219) como “um proces-
so contínuo de avaliação e comparação do nível de desempenho das 
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melhores empresas do mercado, com o objetivo final de obter melho-
rias de desempenho”, deve ser praticado de forma sistemática e integra-
da no planejamento da produção mais limpa.
As decisões realizadas em todos os níveis da empresa devem apre-
sentar eventuais incorporações de melhorias tecnológicas ou modifi-
cações em processos que aumentem a eficiência energética, e para 
isso faz-se necessária a permanente atualização tecnológica dos 
colaboradores.
Por outro lado, a dinâmica dos mercados leva à necessidade de mu-
dança de atitude dos colaboradores da empresa, sobretudo os recém-
-chegados, de forma que uma cultura empresarial com forte pendor so-
cioambiental seja cultivada e vivida por todos.
Ao executarem processos de produção mais limpa, as empresas de-
vem incorporar técnicas de mudanças ao processo de gestão, pois as 
constantes e imprevisíveis mudanças ambientais levam à necessidade 
de uma adaptação constante a novas ideias, novas tecnologias e novasatitudes, impactando sobretudo na cultura empresarial, que deve aco-
modar-se constantemente a novas situações.
O Centro Nacional de Tecnologia Limpas (CNTL) recomenda uma 
metodologia de implantação das técnicas de produção mais limpa em 
cinco fases, conforme quadro 3 (CNTL, 2003b). Nessa metodologia, 
é visível a preocupação com a mudança de paradigma relativamente 
aos resíduos, antes vistos apenas como um problema a ser resolvido, 
e que passaram a ser encarados como uma oportunidade de melhoria 
(CNTL, 2003a). Outro aspecto presente na metodologia proposta pelo 
CNTL é a monitoração constante em todas as etapas dos processos 
empresariais, fato que contribui para a identificação de variabilidades 
em processos com a detecção precoce de defeitos em equipamentos 
ou acúmulos de desperdícios de produção.
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PARA SABER MAIS 
O detalhamento das fases de implementação de técnicas de produção 
mais limpa pode ser consultado no manual Cinco fases da implantação 
de técnicas de produção mais limpa, editado pelo Centro Nacional de 
Tecnologias Limpas do Senai-RS (CNTL, 2003b).
 
Quadro 3 – Roteiro para implementação de técnicas de produção mais limpa
FASE 1 – PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO
Passo 1 – Obter 
compromisso e 
envolvimento da gerência
Passo 2 – Definir uma 
equipe do projeto
Passo 3 – Estabelecer 
objetivos
Passo 4 – Identificar 
barreiras e soluções
ê
FASE 2 – PRÉ-AVALIAÇÃO
Passo 5 – Desenvolver o 
fluxograma do processo
Passo 6 – Avaliar as entradas e 
saídas
Passo 7 – Selecionar o foco da 
avaliação de produção mais limpa
ê
FASE 3 – AVALIAÇÃO
Passo 8 – Originar um 
balanço de material
Passo 9 – Conduzir uma 
avaliação de causas
Passo 10 – Gerar 
oportunidades
Passo 11 – Separar 
oportunidades
ê
FASE 4 – ESTUDO DE VIABILIDADE
Passo 12 – Avaliação 
preliminar
Passo 13 – Avaliação 
técnica
Passo 14 – 
Avaliação 
econômica
Passo 15 – 
Avaliação 
ambiental
Passo 16 – 
Seleção de 
oportunidades
ê
FASE 5 – IMPLEMENTAÇÃO
Passo 17 – Preparar o 
plano de produção mais 
limpa
Passo 18 – Implementar 
oportunidades
Passo 19 – Monitorar e 
avaliar
Passo 20 – Sustentar 
atividades
Fonte: adaptado de CNTL (2003b).
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Segundo o CNTL (2003b), o sucesso da implementação de progra-
mas de produção mais limpa depende de vários fatores que devem ser 
observados no decorrer do processo, dos quais podemos destacar os 
seguintes:
 • Numa fase inicial é fundamental obter o comprometimento da 
alta direção da empresa em relação à implementação, pois sem 
que isso ocorra não será possível desenvolver o programa.
 • A formação da equipe responsável pela disseminação dos fun-
damentos da produção mais limpa a todos os funcionários da 
empresa – o “ecotime” – deve obedecer a rigoroso critério, de-
vendo seus membros estarem engajados com a defesa do meio 
ambiente e com o desenvolvimento da empresa. 
 • O “ecotime” deve ser composto por pessoal técnico, consultores, 
representantes de chão de fábrica, componentes do departamen-
to financeiro e da gestão em geral, e além de participar ativamente 
no processo de implementação do programa de produção mais 
limpa, tem como função incentivar todo o pessoal a participar na 
identificação de oportunidades de melhoria e na implementação 
das necessárias mudanças em processos, tendo também a in-
cumbência de comunicar de forma clara quais os benefícios do 
programa para funcionários, comunidade, empresa e ambiente.
 • Após estabelecido o escopo do programa, delimitando a sua 
abrangência – se a empresa como um todo ou se restrito a al-
gum setor específico –, serão estudados os fluxos de matérias-
-primas, água e energia ao longo dos processos fabris para es-
tabelecimento de uma estratégia que vise minimizar resíduos e 
emissões.
 • Na sequência será realizado um diagnóstico ambiental e de pro-
cesso com base em dados preexistentes (CNTL, 2003b) para 
quantificar entradas de matérias-primas, água, energia e outros 
insumos, saídas de resíduos e emissões, e também para coletar 
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dados referentes à situação ambiental da empresa e à situação 
de estocagem, armazenamento e acondicionamento de insumos 
e produtos acabados. Nessa fase, o “ecotime”, considerando re-
gulamentos legais, quantidade e toxicidade dos resíduos, e ainda 
os custos envolvidos, seleciona o foco de trabalho (CNTL, 2003b). 
Por exemplo, se houver escassez de água na região e a empresa 
apresentar um consumo excessivo de água, o foco prioritário de-
verá ser a redução do consumo de água.
 • Na fase seguinte quantificam-se os mesmos itens anteriormen-
te avaliados, mas agora nas etapas dos processos fabris rela-
cionadas ao foco do trabalho e determinadas na etapa anterior, 
comparando-os com os existentes antes da implementação do 
programa de produção mais limpa por meio de indicadores; por 
exemplo: relacionando a quantidade de água consumida por uni-
dade de produto fabricado (m³/unidade de produto), restrita aos 
processos que serão adaptados, com a quantidade de água por 
unidade de produto fabricado referente ao valor total de água con-
sumido pela empresa; o resultado poderá ser expresso da seguin-
te forma: “O processo X consome 20% do total de água consumi-
do pela empresa”.
 • Com os dados obtidos no diagnóstico e na avaliação focada nos 
processos, é possível ao “ecotime” identificar causas e conse-
quências dos resíduos e das emissões.
 • Com base nas causas da geração de resíduos, é possível adap-
tar processos, modificar insumos e eventualmente alterar o de-
sign dos produtos, além de optar por uma estratégia de produção 
mais limpa (figura 1) mais adaptável à situação. 
 • A seguir é realizada uma avaliação das opções estratégicas con-
sideradas de forma técnica, ambiental e econômica, de forma a 
garantir que a implementação dos processos seja viável e otimize 
a eficiência ambiental e operacional da empresa. 
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 • A última fase é a implementação e o monitoramento das ativida-
des que serão executadas, sendo essencial considerar os seguin-
tes aspectos (CNTL, 2003b, p. 34):
• Quando devem acontecer as atividades determinadas;
• Quem é o responsável por estas atividades;
• Quando são esperados os resultados;
• Quando e por quanto tempo monitorar as mudanças;
• Quando avaliar o progresso;
• Quando devem ser assegurados os recursos financeiros;
• Quando a gerência deve tomar uma decisão;
• Quando a opção deve ser implantada;
• Quanto tempo deve durar o período de testes;
• Qual é a data de conclusão da implementação.
A implantação de uma produção mais limpa pode não requerer 
grande complexidade, bastando por vezes adotar melhores práticas de 
limpeza em instalaçõesou assegurar a manutenção de determinado 
equipamento; no entanto, pode envolver medidas mais complexas as-
sociadas a processos e produtos, o que pode incluir a mudança para 
fontes de energia renováveis, a reutilização ou a reciclagem de produtos 
ou mesmo modificações em projetos de produtos de forma a prolongar 
sua vida útil, reduzindo o consumo de recursos e permitindo a desmon-
tagem e a reciclagem de seus componentes.
3 Objetivos
Além de contribuir para a melhoria do meio ambiente, reduzindo des-
perdícios e recuperando insumos, a produção mais limpa tem o obje-
tivo de reduzir os custos operacionais e melhorar a produtividade das 
empresas ao propor soluções econômicas que produzam melhorias na 
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composição e no design de produtos causadores de impactos ambien-
tais nocivos. Ao justificar alterações em produtos e processos para re-
dução de resíduos e emissões, incentiva a inovação a nível estratégico. 
A produção mais limpa também melhora o acesso aos mercados 
onde o número de consumidores que adere à defesa do meio ambiente 
e instiga a elaboração de legislação ambiental é cada vez maior.
São altamente rentáveis os investimentos nessa área, pois de acordo 
com a pesquisa realizada com 100 empresas pelo Pew Center on Global 
Climate Change (PRINDLE, 2010), os investimentos bem-estruturados 
em processos de eficiência energética apresentam um payback médio 
de 3 anos, ou 18,5% de taxa interna de retorno. Ainda de acordo com a 
pesquisa, outros benefícios importantes dos investimentos em produção 
mais limpa são sentidos pelas empresas, como a melhoria da imagem e 
o aumento do comprometimento dos colaboradores (gráfico 1).
Gráfico 1 – Benefícios dos investimentos em produção mais limpa
0%
Melhorou a reputação corporativa
Percentagem de respondentes
Fortaleceu o posicionamento competitivo
Melhorou a motivação dos colaboradores
Aumentou produtividade do trabalhador
10% 20% 30% 40% 50% 60% 70%
29%
37%
50%
60%
Fonte: adaptado de Prindle (2010, p. 21).
Vários obstáculos se colocam diante da implementação de progra-
mas de produção mais limpa. Em pesquisa realizada por Matos et al. 
(2017, p. 3-5), foi concluído que a principal barreira à sua implementação 
é a indisponibilidade de recursos financeiros, humanos, tecnológicos ou 
de monitoramento que resultam da dificuldade em obter e gerenciar 
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capital pela falta de conhecimento e capacitação de gestores em temas 
ambientais ou pela precária gestão de conhecimento nas empresas.
Embora a implementação de programas empresariais de produção 
mais limpa não seja solução para todos os problemas de sustentabili-
dade, é um passo importante na direção correta para o desenvolvimen-
to empresarial em uma perspectiva de triple bottom line ao garantir o de-
senvolvimento econômico e social e a preservação do meio ambiente. 
Para que os programas de produção mais limpa atinjam seu objetivo, 
eles precisam se desenvolver nas empresas e sobretudo nos investido-
res. Um melhor conhecimento dos seus processos industriais através de 
monitoramento constante contribui para um aumento de eficiência pro-
dutiva e também para a melhoria da imagem ao colaborar na proteção 
ambiental, fatores que impactam fortemente no resultado financeiro.
Considerações finais 
Conforme analisamos, programas de produção mais limpa não vi-
sam exclusivamente proteger o meio ambiente de resíduos e emissões 
descartados impropriamente. Esses programas induzem nos funcioná-
rios uma nova maneira de pensar sobre processos e produtos, impac-
tando fortemente nos resultados empresariais, pois levam as empresas 
a monitorar de forma constante seus processos. 
Para uma implementação bem-sucedida, o conceito de produção 
mais limpa deve ser amplamente divulgado na empresa para os fun-
cionários em todos os níveis, incluindo a alta direção, estando ativa-
mente envolvidos.
A produção mais limpa reduz riscos e passivos ambientais, aumen-
tando a competitividade empresarial. Ao demonstrar um compromisso 
com uma produção mais limpa, as empresas facilitam a implantação 
de um sistema de gestão ambiental, melhoram sua imagem e ganham 
a confiança dos consumidores.
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Referências
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ECOTEC. Annex 2 – Review of Cleaner Production. 2002. Disponível em: <http://
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MATOS, Lucas Marques et al. Dificuldades e barreiras encontradas na imple-
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Anais… São Paulo: [s. n.], 2017.
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9789264163409-en#page17>. Acesso em: 17 jul. 2018.
PRINDLE, Willian R. From Shop Floor to Top Floor: Best Business Practices 
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Capítulo 12
Ações de empresas 
na logística reversa
Como qualquer atividade empresarial, o conjunto de atividades que 
compõem a logística reversa deve contribuir para o aumento da renta-
bilidade empresarial, ou seja, por meio delas a eficiência da gestão deve 
ser otimizada, controlando recursos, processos e pessoas e aplicando 
boas práticas na realização de atividades ou de procedimentos. 
Neste capítulo serão estudados alguns fatores que contribuem para 
o aumento da eficiência empresarial, com destaque para as boas prá-
ticas que devem ser utilizadas nas atividades relacionadas à logística 
reversa.
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1 Práticas empresariais de logística reversa 
na atualidade
Para contribuir para o desenvolvimento sustentável empresarial, a 
logística reversa deverá otimizar recursos para maximizar resultados. 
Nesse sentido, a gestão empresarial deve estar atenta a eventuais ino-
vações que possam aumentar a eficiência de suas operações e à forma 
como são operacionalizados os processos reversos.
As atividades que integram o processo de logística reversa em ope-
rações de retorno de produtos pós-venda e pós consumo, conforme es-
quematizado na figura 1, variam de acordo com o produto ou resíduo, e 
são adaptadas ao tipo de retorno pretendido; como exemplo, o proces-
so reverso para uma lâmpada fluorescente é diferente do retorno de um 
notebook devolvido por arrependimento na compra.
Figura 1 – Canais de distribuição diretos e reversos
De
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Ambiente de logística reversa
Canais de distribuição diretos Canais de distribuição reversos
ClienteComercializaçãoProduçãoInsumos
Reciclagem
Remanufatura
Recondicionamento
Reúso
Reparação
Serviço/
garantia
Teste, triagem
e desmontagem
Incineração
Descarte
189Ações de empresas na logística reversa
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Independentemente do tipo de retorno, as principais estratégias que 
otimizam a eficiência do processo de logística reversa devem prever os 
seguintes elementos (LEITE, 2018):
 • diagnóstico e classificação das causas de retorno;
 • organização formal da área de logística reversa;
 • mapeamento dos processos e indicadores;
 • coordenação e rastreabilidade centralizada.
Por outro lado, o enquadramento das operações reversas deve obe-
decer à maximização do trade-off da relação das variáveis: nível de ser-
viço oferecido, prazo para execução e custo das operações reversas.
IMPORTANTE 
Trade-off significa escolher uma coisa em detrimento de outra. Assim, 
se uma empresa promete recolher no domicílio, reparar e entregar repa-
rado determinado equipamento em 24 horas, é normal que, para cumprir 
com o prometido, os custos da empresa associados à operação aumen-
tem relativamente a uma operação sem prazo definido; ou seja, a empre-
sa escolhe manter o nível de serviço em detrimento dos custos.
 
Os fatores empresariais que garantem a harmonização entre as 
estratégias de logística reversa e a operacionalização dos processos 
de reciclagem foram analisados em estudo realizado pela consulto-
ria PricewaterhouseCoopers (PWC, 2008) e permitem o enquadra-
mento das melhores práticas operacionais à estratégia empresarial 
(quadro 1).
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Quadro 1 – Fatores de sucesso em processos de reciclagem
NÍVEL ESTRATÉGICO
• Colaboração estratégica com parceiros da cadeia reversa
• Consciência e suporte da alta gerência
• Políticas e processos alinhados
• Logística reversa como parte do programa de sustentabilidade
• Recuperação de valor nos retornos
NÍVEL GERENCIAL
• Equilíbrio entre custo das operações e capacidade de resposta
• Colaboração interfuncional
• Foco estratégico em evitar retornos
NÍVEL OPERACIONAL
• Processos simplificados e padronizados
• Controle sobre os tempos das operações
• Perceber retornos como bens perecíveis
A utilização sistemática de estratégias de benchmarking incentiva a 
pesquisa por boas práticas, ou seja, métodos utilizados em diferentes 
processos de negócio e que tiveram elevado desempenho em outras 
empresas, de forma a interiorizá-los, adaptando-os à empresa. 
Para identificar as melhores práticas em logística reversa deverão 
ser analisadas as atividades-chave do processo reverso de forma a re-
conhecer os fatores críticos que impactam diretamente na eficiência 
das operações (quadro 2) e direcionar convenientemente os esforços 
gerenciais, permitindo que a empresa alcance um diferencial competiti-
vo por meio da prática da logística reversa.
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Quadro 2 – Características das atividades da logística reversa
ATIVIDADE CARACTERÍSTICAS DAS ATIVIDADES FATORES CRÍTICOS
Coleta
Atividades logísticas para retornar produtos de 
volta ao mercado e transportá-los para instalações 
envolvidas nas outras etapas; inclui transporte, 
consolidação, transbordo e armazenamento.
Segurança no transporte 
e armazenagem; cuidados 
com a embalagem
Serviço/garantia
Recuperação do produto e eventual devolução ao 
consumidor. Como alternativa, direcionar produtos 
para processos de reciclagem.
Duração da operação, 
qualidade do serviço e 
modalidade do retorno 
(direto ao consumidor, 
varejo, via postal, etc.)
Teste, triagem e 
desmontagem
Classificação de produtos de acordo com tipo e 
composição e determinação da rota que o produto irá 
percorrer na cadeia inversa.
Mercado e estratégia 
empresarial (levados em 
conta nas decisões sobre a 
destinação dos produtos)
Recuperação
Recuperação do valor do produto retornado por 
reutilização, reparação, renovação, reciclagem ou 
outras formas.
Capacidade técnica dos 
intervenientes
Comercialização
Produtos recuperados são novamente 
comercializados.
Opção pelo canal de 
distribuição mais coerente
Além dos aspectos referidos, que estão diretamente relacionados às 
atividades da logística reversa, outros fatores impactam diretamente na 
eficiência das operações executadas por empresas brasileiras.
 • Cultura empresarial: a interiorização da conscientização ambien-
tal na cultura empresarial é aspecto fundamental para a garantia 
de sucesso dos processos reversos, que devem integrar de forma 
natural o conjunto de operações realizado pelas empresas, inde-
pendentemente da posição que a empresa ocupe na cadeia lo-
gística. O sucesso da logística reversa, além de depender da inte-
gração das operações reversas no sistema logístico da empresa, 
também é influenciado pelo grau de conscientização ambiental 
das empresas que participam da cadeia de distribuição.
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 • Intervenção governamental: a intervenção dos governos nas ativi-
dades de logística reversa pode apresentar aspectos motivadores 
para as empresas quando incentiva ações de proteção ambiental 
com base na reciclagem de produtos, criando novos empreen-
dimentos, mas influi negativamente na eficiência ao tributar as 
operações reversas (de modo igual às operações de comerciali-
zação), não privilegiando as atividades de reaproveitamento dos 
bens.
 • Informação: outro aspecto que impacta na eficiência é a informa-
ção, que deve ser fluida e disponibilizada a todaa cadeia reversa. 
Leite (2009, p. 220) realça a importância da informação:
A experiência tem ensinado que uma das maiores dificuldades 
e motivo de ineficiências nas cadeias reversas são a falta de in-
formações relativas ao produto, às embalagens, ao momento de 
retorno, às quantidades de retorno, ao detalhamento da forma de 
tratar tecnologicamente os produtos no momento de reaproveita-
mento, etc. A falta de informações entre os agentes das cadeias re-
versas muitas vezes é responsável pelas divergências comerciais 
no retorno dos produtos.
 • Projeto de produto: produtos finais constituídos por materiais 
recicláveis e sem toxicidade, fabricados com menor quantidade 
de insumos e integrando componentes facilmente desmontáveis 
e que possam ser reutilizados, contribuem para a eficiência das 
operações de logística reversa. 
Neste contexto, Kumar (2016) deduziu que as boas práticas em 
processos de logística reversa devem obedecer aos seguintes aspec-
tos (figura 2):
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Figura 2 – Aspectos importantes para boas práticas em processos de logística
A equipe de logística reversa deve ter autonomia para tomar decisões a qualquer momento, 
visto que o ciclo logístico reverso é curto e imprevisível.
Sistemas de informação de gestão devem rastrear todas as atividades até ao final do processo de 
logística reversa e as informações referentes ao retorno de produtos devem circular livremente 
em todos os departamentos da empresa, especialmente no de pesquisa e desenvolvimento.
Em operações de devolução para arranjo ou garantia, o sistema de informação utilizado 
pela logística reversa deve permitir que os clientes tenham acesso ao rastreamento de 
seus produtos.
Deve ser criada uma equipe de suporte ao cliente que rastreie apenas retornos e que ajude 
os clientes a facilitar seus retornos. Os clientes entendem, assim, a maneira pela qual seu 
produto está fluindo na cadeia de mantimentos.
Políticas e procedimentos relativos aos retornos, em cada ciclo de vida do produto até à 
disposição final dos produtos, devem satisfazer todas as normas vigentes.
Sempre que a configuração do processo de logística reversa não for viável para a 
organização, ela deverá terceirizar algumas ou todas funções.
Fonte: adaptado de Kumar (2016, p. 24).
A terceirização de funções de logística reversa deve obedecer a con-
dicionantes de custo de operação e capacidade das empresas contrata-
das de realizar as atividades em ambiente seguro.
A execução das operações reversas pela própria empresa significa 
não só a preservação das competências desenvolvidas internamente 
em troca de custos menores, mas também a garantia de menores ris-
cos e de maior facilidade e agilidade na adaptação das operações. Ao 
externalizar a logística reversa, a empresa desinveste em competên-
cias, infraestruturas, pessoas e conhecimentos e, no caso de eventual 
retorno da decisão, interiorizando as operações, pode incorrer em cus-
tos adicionais.
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2 Estudos de caso
Desde 2010, o Brasil gera mais de 60 milhões de toneladas de resí-
duos sólidos por ano, quantidade que em 2016 atingiu cerca de 78 mi-
lhões de toneladas; dessa cifra, cabe destacar as mais de 200 milhões 
de lâmpadas fluorescentes, 1,040 bilhão de litros de óleos lubrifican-
tes ou as cerca de 50 mil toneladas de embalagens de agrotóxicos 
(ABRELPE, 2016). A magnitude desses valores realça a importância da 
logística reversa no contexto da economia brasileira e a necessidade da 
adoção de boas práticas que maximizem a eficiência das operações.
Uma análise mais pormenorizada das práticas adotadas nos proces-
sos de logística reversa, como apresentado nos casos a seguir, permite 
entender os principais aspectos que devem ser trabalhados e desenvol-
vidos para aumentar a eficiência das operações e a rentabilidade das 
empresas envolvidas.
2.1 Logística reversa de óleos lubrificantes usados ou 
contaminados (olucs)
Qual o destino dos óleos lubrificantes usados? Quando direcionados 
à natureza, comprometem a qualidade do ar, do solo e da água, pois são 
resíduos com grande poder de contaminação. Segundo a Secretaria de 
Qualidade Ambiental (BRASIL, 2005), 1 litro de óleo lubrificante contamina 
1 milhão de litros de água, e a combustão de óleos lubrificantes usados 
gera gases residuais nocivos ao meio ambiente e à saúde pública.
Quando se troca o óleo lubrificante de um veículo, gera-se um resí-
duo de óleo queimado. Perigoso não só para o meio ambiente como 
também para a saúde humana, trata-se de um produto tóxico, rico em 
metais pesados, ácidos orgânicos, hidrocarbonetos policíclicos aro-
máticos e dioxinas, todas substâncias altamente poluentes designa-
das pela sigla olucs (óleos lubrificantes usados ou contaminados).
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A Lei no 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos 
Sólidos, estabelece que são obrigados a implantar sistemas de logística 
reversa os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de 
óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens, e que a responsabilida-
de pela logística reversa deve ser assumida por toda a cadeia (consumi-
dor, varejistas, atacadistas, fabricantes e importadores).
Cabe ao Sindicato Nacional da Indústria do Rerrefino de Óleos 
Minerais (Sindirrefino), entidade gestora do acordo setorial estabeleci-
do no âmbito da Lei no 12.305/2010, proceder à gestão das operações 
de logística reversa pós-consumo de olucs, coletando, armazenando e 
destinando de forma ambientalmente adequada o óleo lubrificante usa-
do ou contaminado. Esse processo de logística reversa ocasiona dois 
subprocessos de reciclagem: a reciclagem dos olucs e a reciclagem das 
embalagens.
Na reciclagem dos olucs, os óleos são coletados por veículos cadas-
trados na Agência Nacional de Petróleo e direcionados a instalações 
industriais para serem refinados e descontaminados e voltarem a ser 
usados com as mesmas propriedades de óleo novo. As tecnologias uti-
lizadas dão origem a vários tipos de óleos básicos (quadro 3), que são 
inseridos em diversos processos produtivos (SINDIRREFINO, 2012).
Quadro 3 – Tecnologias de rerrefino de olucs
SISTEMA ÁCIDO-ARGILA COM TERMOCRAQUEAMENTO
Nessa modalidade de tecnologia, predomina a obtenção de óleo básico neutro pesado.
SISTEMA DE DESTILAÇÃO A FLASH OU EVAPORAÇÃO PELICULAR
Esta tecnologia propicia a obtenção predominante de óleo básico neutro leve e médio.
SISTEMA POR EXTRAÇÃO A SOLVENTE SELETIVO DE PROPANO
Esta tecnologia propicia a obtenção de óleo básico neutro médio 
Fonte: adaptado de Sindirrefino (2012).
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PARA SABER MAIS 
Óleos básicos são a base para a elaboração deuma enorme gama de 
produtos, entre os quais os óleos lubrificantes. A Petrobras classifica os 
óleos básicos em naftênicos utilizados na fabricação de óleos isolan-
tes para transformadores, graxas lubrificantes, fluidos de corte, óleos 
para compressores e óleos para amortecedores, podendo também ser 
utilizados como plastificantes de borracha e parafínicos (utilizados prin-
cipalmente na elaboração de lubrificantes automotivos por apresentar 
um melhor comportamento da viscosidade frente a variações de tem-
peratura), além da fabricação de lubrificantes marítimos, ferroviários, 
óleos industriais, graxas lubrificantes e produtos farmacêuticos, como 
o óleo mineral.
 
Dos 1,040 bilhão de litros de óleos lubrificantes comercializados em 
2016 por 89 produtores e 210 importadores, foram recolhidos para reci-
clagem 413,67 milhões de litros, equivalentes a 39,74% (BRASIL, 2017), 
a maioria no estado de São Paulo, onde foram coletados 122,24 milhões 
de litros de olucs, o equivalente a 44,4% do total de óleo comercializado 
no estado (CETESB, 2018).
Na reciclagem das embalagens de óleo, o Sindicato Nacional das 
Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) 
– entidade responsável pela gestão do acordo setorial estabelecido no 
âmbito da Lei no 12.305/2010 – procura garantir, por meio do programa 
Jogue Limpo, que as embalagens plásticas de óleos lubrificantes não 
sejam descartadas no lixo comum para não causar danos ao meio am-
biente (JOGUE LIMPO, 2017) e para isso atua com dois propósitos:
 • Garantia de que o óleo residual que fica na embalagem após o 
uso não contamine águas ou solos.
 • Reaproveitamento do plástico das embalagens por meio da reci-
clagem, dando a ele uma nova utilidade como insumo industrial.
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Em cada estado, uma gerenciadora cuida do processo, adminis-
trando as diversas centrais de recebimento e dando suporte à frota de 
caminhões de recebimento especializado, que são equipados com alta 
tecnologia de controle. 
O processo, conforme esquema da figura 3, inicia-se com a entrega 
(responsabilidade do consumidor) das embalagens usadas nos pontos 
de recebimento, onde são armazenadas em segurança até serem co-
letadas por caminhões; nos veículos, as embalagens são pesadas por 
balança eletrônica, e os dados transmitidos para a central de recebi-
mento e direcionadas às centrais de recebimento, onde se procede à 
drenagem das embalagens, seleção e respectivo acondicionamento, 
para posteriormente serem encaminhadas às recicladoras credencia-
das. Na recicladora, o material é triturado, submetido a um procedimen-
to de descontaminação, transformado em matéria-prima e direcionado 
à produção de novas embalagens ou de outros produtos plásticos.
Figura 3 – Operação de reciclagem de embalagens de olucs
Nos pontos de recebimento as embalagens dos óleos lubrificantes 
são recebidas e armazenadas em segurança.
Os caminhões do sistema itinerante recolhem as embalagens 
nos pontos de coleta e as levam às centrais de recebimento.
Nas centrais de recebimento o material é preparado para a 
reciclagem e, em seguida, levado à empresa que realizará o 
processo. 
Na recicladora o material é processado para ser transformado 
em matéria-prima de novas embalagens.
Fonte: adaptado de Sindicom (2013, p. 52).
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Podemos concluir que o rerrefino de olucs tem vantagens ambientais 
e econômicas para o Brasil, pois além de permitir reciclar um resíduo 
perigoso por meio de um método seguro, impedindo a contaminação 
do meio ambiente, reduz a quantidade de óleo básico necessária para 
a produção do óleo lubrificante virgem e, consequentemente, diminui a 
importação de petróleo do tipo leve, uma vez que o petróleo brasileiro é 
predominantemente do tipo pesado, e os óleos básicos são produzidos 
com uma parte de petróleo do tipo leve (SINDICOM, 2013).
O processo de logística reversa de olucs é exemplo de responsabili-
zação compartilhada de intervenientes em processos de consumo, pois 
seus utilizadores descartam corretamente os resíduos, e os fabricantes 
e importadores recuperam insumos, reinserindo-os em cadeias produ-
tivas. Ganha o meio ambiente, que fica melhor protegido; ganha o se-
tor de lubrificantes, que garante matéria-prima mais barata, e ganha o 
Brasil, pois reduz importações de lubrificantes.
2.2 A logística reversa de lâmpadas fluorescentes
As lâmpadas fluorescentes são largamente utilizadas em quase to-
das as situações de iluminação doméstica ou empresarial, pois apre-
sentam elevada eficiência, baixo consumo e boa aparência, mas a in-
tensidade na sua utilização reflete-se no aumento da geração anual de 
resíduos, que, segundo Bacila, Fischer e Kolicheski (2014), é estimada 
em mais de 200 milhões de unidades por ano, com tendência a aumen-
tar devido ao banimento das lâmpadas incandescentes imposto pela 
Portaria Interministerial nº 1.007/2010 (BRASIL, 2011).
Entre os componentes das lâmpadas fluorescentes está o mercú-
rio, produto de elevada toxicidade, altamente prejudicial à saúde hu-
mana, e que pode contaminar solo, animais e água, sobretudo quan-
do presente em elevado número de unidades descartadas, mesmo 
que unitariamente o mercúrio presente em quantidade diminuta, com 
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cerca de 4 mg de mercúrio por lâmpada fluorescente (APLIQUIM BRASIL 
RECICLE, 2011).
A obrigatoriedade de descarte correto das lâmpadas fluorescentes 
ficou regulamentada pela Lei nº 12.305/2010 (BRASIL, 2010). O acordo 
setorial para implantação do sistema de logística reversa de lâmpadas 
fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, previsto na 
referida lei, atribui responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida das 
lâmpadas fluorescentes a fabricantes, importadores, distribuidores ou 
comerciantes, de forma a possibilitar que, depois de usadas, as lâmpa-
das fluorescentes possam ser reaproveitadas (BRASIL, 2014). Também 
no âmbito do acordo foi prevista a criação de uma entidade gestora, a 
associação sem fins lucrativos Reciclus, com o objetivo de promover o 
sistema de logística reversa.
Uma lâmpada fluorescente típica contém uma multiplicidade de ele-
mentos: é composta por um tubo selado de vidro preenchido de gás 
argônio e de vapor de mercúrio; o interior do tubo é revestido por um 
pó fosforoso composto de alumínio, antimônio, bário, cádmio e cálcio; 
os terminais são de alumínio ou plástico, e os eletrodos, de tungstênio, 
níquel, cobre ou ferro, e o isolamento nas extremidades é de baquelita. 
Dos vários elementos que compõem uma lâmpada fluorescente, se 
sobressai o mercúrio, metal pesado e tóxico muito perigoso à saúde, 
requerendo que o descarte seja controlado e feito por empresas espe-
cializadas. Todo o processamento da reciclagem é controlado a fim de 
assegurar que a operação é realizada dentro dos limites de exposição 
ocupacional.
Como em qualquer outro processo reverso, a logística reversa de 
lâmpadas descartadas tem por objetivo a recuperação da maioria de 
seus materiais constituintes e sua respectiva reinserção como insumos 
em indústrias,especialmente em fábricas de lâmpadas.
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O processo de reciclagem, após a coleta, é realizado por meio de 
equipamentos instalados sob circunstâncias especiais e em ambien-
tes controlados para que não haja fuga de vapores nem contaminação 
do ambiente e das pessoas. As etapas do processo são descritas con-
forme a figura 4.
Figura 4 – Processo de reciclagem de lâmpadas fluorescentes
Coleta
Esmagamento
Separação 
de materiais
Destilação de mercúrio
Mercúrio recuperado
Fundição 
(alumínio/latão)
Reciclagem 
de vidro
Disposição 
final (baquelita)
A coleta é realizada em pontos de coleta dedicados a recepcionar 
lâmpadas fluorescentes. De acordo com Reciclus (entidade gestora do 
acordo setorial), esses pontos alcançaram na primeira quinzena de ju-
nho de 2018 a marca de 543 unidades presentes em 80 cidades de 21 
estados mais o Distrito Federal (RECICLUS, 2018, p. 1). Nessa fase, deve 
haver cuidado no armazenamento, no transporte e na disposição das 
lâmpadas, que são estocadas por tipo e tamanho.
Na fase do esmagamento, as lâmpadas são implodidas e/ou que-
bradas em pequenos fragmentos, por meio de um britador ou moinho, 
o que permite separar o pó fosforado contendo mercúrio dos outros 
elementos (terminais de alumínio, pinos de latão, componentes ferro-
-metálicos, vidro e isolamento baquelítico).
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As poeiras contendo mercúrio seguem para o processo de desmer-
curização: são coletadas por um sistema de controle de emissão de 
gases e transferidas a unidade de destilação de mercúrio. O vidro é tes-
tado para verificação de concentração de mercúrio; quando não exce-
der 1,3 mg/kg, é reciclado para a fabricação de embalagens de produtos 
não alimentícios. O alumínio e os pinos de latão, depois de descontami-
nados (a concentração de mercúrio não deve exceder 20 mg/kg), são 
enviados para reciclagem em uma fundição.
Para recuperar o mercúrio, a poeira fosforosa é destilada por aque-
cimento a temperatura superior a 357° C (ponto de ebulição do mercú-
rio); na sequência, para obtenção de mercúrio com pureza de 99,99%, o 
material resultante é condensado e coletado em recipientes especiais 
ou decantadores; na sequência, processa-se uma nova destilação para 
remoção de impurezas.
A única parte da lâmpada que em princípio não é reciclada é a ba-
quelita, existente nas extremidades da lâmpada, e que após separada 
é muitas vezes destinada a aterros sanitários, o que causa problemas 
ao ambiente por muitos anos. Como alternativa, um grupo de alunos 
da Escola Técnica Estadual de Monte Mor, no interior do estado de 
São Paulo, desenvolveu em 2016 um projeto que propõe transformar a 
baquelita em material de construção e paisagismo (PROJETO…, 2016).
Recentemente são utilizados no processo de trituração de lâmpa-
das equipamentos compactos que realizam o processo de trituração e 
aprisionamento dos resíduos contaminantes nos locais de coleta para 
posterior encaminhamento às plantas, onde é efetuada a descontami-
nação do material. Essa solução reduz custos de deslocamentos, mas 
aumenta os riscos de manuseamento inadequado e vazamento de 
contaminantes.
A análise das práticas adotadas no processo de logística reversa 
de lâmpadas fluorescentes permite corroborar as afirmações anterio-
res quanto às melhores práticas operacionais, sobretudo nos aspectos 
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da tomada de decisão operacional, pois diante da complexidade e da 
periculosidade que envolvem o processo, a equipe de logística reversa 
deve ter autonomia para tomar decisões a qualquer momento, mitigan-
do eventuais fatores de risco e garantindo o cumprimento da legislação 
que regulamenta o descarte de lâmpadas fluorescentes. Também do 
ponto de vista de negócio, a obrigatoriedade legal para a recuperação 
dos resíduos de lâmpadas fluorescentes pode ser alternativa viável a 
novos empreendimentos, pois a especialização nos processos de reci-
clagem, com a utilização de equipamentos móveis de pequena dimen-
são, permite que novos empreendedores desenvolvam esse ramo de 
reciclagem com considerável lucratividade.
Considerações finais
Como estudamos neste capítulo, as melhores práticas em proces-
sos de logística reversa fazem uso de abordagens integradas, abran-
gendo o conjunto dos componentes das cadeias de distribuição rever-
sas e lançando mão de metodologias que reduzem a incerteza sobre 
os recursos necessários à produção de produtos finais. Pudemos ainda 
salientar que a eficiência dos processos é otimizada com a redução do 
ciclo das operações reversas e a utilização de sistemas de informação 
que rastreiem os fluxos reversos de produtos e mantenham informados 
em tempo real os interessados no processo de logística reversa.
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203Ações de empresas na logística reversa
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Capítulo 13
Ecoeficiência
Uma preocupação central de qualquer empresa é permanecer e 
crescer de forma sustentável nos mercados em que atua. Para isso, 
ela deve garantir sua supremacia em relação à concorrência, produzin-
do e comercializando produtos que satisfaçam seus consumidores e 
aumentando sua participação nos mercados com diminuição de cus-
tos de forma a maximizar seus resultados; ou seja, uma empresa que 
pretenda crescer sustentavelmente deve constantemente otimizar sua 
eficiência, e neste capítulo analisaremos como a ecoeficiência permite 
relacionar proteção ambiental com eficiência empresarial.
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1 Conceito
Para otimizar sua eficiência, as empresas devem utilizar de forma 
racional os recursos disponíveis, procurando atender às expectativas 
de seus consumidores com menor consumo de insumos, energia, etc., 
pois dessa forma maximizam resultados e garantem sustentabilidade 
no crescimento.
A redução de insumos nos processos fabris pode ser obtida com 
melhoria nos projetos de desenvolvimento de produtos, planejamento 
adequado na produção ou com a utilização de insumos recicláveis, mas 
a deslocalização das plantas produtivas relativamente aos mercados 
tem expandido consideravelmente os fluxos de matérias-primas e de 
produtos acabados, aumentando custos para as empresas e as emis-
sões de gases poluentes pelos veículos transportadores, o que torna as 
atividades logísticas em geral, e particularmente os transportes, aspec-
tos fundamentais na otimização da eficiência empresarial. 
Uma vez que o transporte de matérias-primas e produtos acabados 
globalmente consome cerca de 25% de toda a energia consumida no 
mundo (EIA, 2018), ocasionando elevado volume de emissões de gases 
tóxicos, é altamente relevante a correlação entre o desempenho empre-
sarial e a proteção ambiental.
Em 1992, o Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento 
Sustentável (World Business Council on Sustainable Development – 
WBCSD) introduziu o conceito de ecoeficiência como uma filosofia de 
gerenciamento empresarial que leva à sustentabilidade, e definida como
[…] a entrega de bens e serviços com preços competitivos que 
satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de 
vida, reduzindo impactos ecológicos e a intensidade de recursos 
utilizados dos bens e serviços, ao longo do ciclo de vida, em linha 
com a capacidade de carga estimada da Terra. (WBCSD, 2006, 
p. 3, tradução nossa)
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A ecoeficiência é consequência do conceito básico de eficiência, 
que consiste em fazer as coisas corretamente, e que geralmente está 
ligada à forma como as empresas realizam as operações com menos 
recursos, em menos tempo, com menor orçamento e menos pessoas, 
menos matéria-prima, etc., ou seja, a ecoeficiência trata da aplicação do 
tripé da sustentabilidade à gestão operacional das empresas. 
IMPORTANTE 
Responsável pela inserção do conceito de ecoeficiência no mundo em-
presarial, o WBCSD é uma organização global liderada por CEOs de mais 
de 200 empresas globais de grande porte, trabalhando juntas para ace-
lerar a transição para um mundo sustentável e tendo como propósito 
a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) por 
meio de cinco programas de trabalho que abrangem os seguintes te-
mas: cidades e mobilidade; energia e economia circular; comida, terra e 
água; pessoas; e redefinição de valor.
No Brasil, o WBCSD é representado pelo Conselho Empresarial Brasilei-
ro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), associação civil sem 
fins lucrativos que reúne cerca de 60 dos maiores grupos empresariais 
do país com faturamento de cerca de 40% do PIB e responsáveis por 
mais de 1 milhão de empregos diretos, promovendo o desenvolvimen-
to sustentável por meio da articulação junto aos governos e à socie-
dade civil, além de divulgar conceitos e práticas mais atuais do tema.
 
Uma análise do conceito do Instituto Ethos,organização da so-
ciedade civil e de interesse público de responsabilidade social em-
presarial (RSE), permite deduzir que as ações de sustentabilidade 
empresarial estão focadas não somente na responsabilidade social 
empresarial mas também nas práticas de ecoeficiência.
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IMPORTANTE 
No Brasil, o Instituto Ethos define responsabilidade social empresarial 
como
[…] uma forma de gestão que se define pela relação ética 
e transparente da empresa com todos os públicos com os 
quais se relaciona e pelo estabelecimento de metas empre-
sariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da 
sociedade, preservando recursos ambientais e culturais 
para gerações futuras. (INSTITUTO ETHOS, 2017)
 
Segundo Almeida (2002, p. 57), a “ecoeficiência é uma filosofia de 
gestão empresarial que incorpora a gestão ambiental e que pode ser 
considerada uma forma de responsabilidade ambiental corporativa”, 
tendo como principal objetivo o crescimento qualitativo e não quantita-
tivo da economia. Para o autor, a sustentabilidade é resultado da combi-
nação da ecoeficiência e da responsabilidade social empresarial.
A integração dos conceitos de responsabilidade social empresarial 
e de ecoeficiência, ilustrada na figura 1, permite entender como a inte-
gração dos aspectos econômicos, do ambiente e das pessoas (social) 
proporciona a sustentabilidade no desenvolvimento empresarial. Além 
das ações citadas como exemplos, e que podem ser desenvolvidas em 
cada esfera da sustentabilidade, muitas outras podem ser desenvolvi-
das por diversos tipos de atores, com a mesma finalidade. 
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Figura 1 – Elementos da sustentabilidade
AMBIENTAL
Uso de recursos naturais
Gestão ambiental
Prevenção de poluição
Justiça
socio-
ambiental 
Ecoeficiência 
Inserção
social 
Desenvol-
vimento
sustentável
ECONÔMICO 
Redução de custos
Lucro
Crescimento
Pesquisa e desenvolvimento
SOCIAL
Padrão de vida
Educação
Comunidades
Igualdade de oportunidades 
Empresas ecoeficientes maximizam seu valor ao adquirirem quan-
tidades menores de insumos e energia e ao reduzirem emissões de 
poluentes sem prejuízo da satisfação dos consumidores de seus pro-
dutos ou serviços, pois os negócios existem para satisfazer necessida-
des humanas e como contrapartida serem recompensados com lucros. 
Mas é altamente improvável que esse processo, ao ser realizado por 
uma única empresa, reduza a utilização de recursos ou impactos am-
bientais (VERFAILLIE; BIDWELL, 2000), o que faz com que o conceito de 
ecoeficiência se aplique a todas as empresas envolvidas em determina-
do negócio, incluindo o desenvolvimento, a fabricação e a distribuição 
de novos produtos.
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A ecoeficiência torna-se parte essencial de uma estratégia de negó-
cios sustentável, pressupondo uma gestão ambiental de toda a cadeia 
de suprimentos do negócio, que gerencia todos os impactos ambientais 
significativos ocasionados pelas empresas componentes da cadeia ao 
longo dos ciclos de vida de produtos ou de serviços.
Segundo Verfaillie e Bidwell (2000, p. 7), são sete os elementos que 
podem contribuir para a melhoria da ecoeficiência empresarial:
1. reduzir o consumo de insumos, produtos e serviços;
2. reduzir o consumo de energia com bens e serviços;
3. reduzir a dispersão de substâncias tóxicas;
4. intensificar a reciclagem de materiais;
5. maximizar o uso sustentável dos recursos naturais;
6. prolongar a durabilidade dos produtos;
7. agregar valor aos bens e serviços.
Já em 1988, Drucker (1988) afirmava em um artigo publicado pela 
Harvard Business Review que a empresa do futuro seria baseada no 
conhecimento, fato que se torna cada vez mais atual e que leva a consi-
derar a ecoeficiência um elemento estratégico fundamental da empresa 
contemporânea, levando Almeida (2002, p. 58) a considerar que
[a] busca de ecoeficiência produz tendências como a desmateriali-
zação: as empresas estão criando maneiras de substituir os fluxos 
de material por fluxos de conhecimento. Por exemplo: as tecnolo-
gias da informação permitem conhecer o que o consumidor indi-
vidual quer. Esse conhecimento, por sua vez, permite customizar 
produtos e serviços. A customização resulta em redução do des-
perdício: menos rejeitos são gerados quando recursos que o con-
sumidor não deseja não são produzidos. 
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A ecoeficiência é simultaneamente uma forma de pensar e uma fer-
ramenta de gestão, pois orienta a condução dos negócios de forma eco-
nômica e ambientalmente correta pela aplicação sistemática dos sete 
elementos de melhoria de ecoeficiência (WBCSD, 2006). Entre as ferra-
mentas que impulsionam a ecoeficiência, salientam-se: os sistemas de 
gestão ambiental; a gestão do ciclo de vida; a integração de considera-
ções ambientais nos processos de desenvolvimento de produtos; a ges-
tão ambiental das cadeias de suprimentos; e a produção mais limpa.
2 Objetivos
O aumento de competitividade leva as empresas a reduzir tanto o uso 
de recursos escassos como os custos, e por isso é normal que a ecoefi-
ciência oriente muitas decisões da sua cadeia de suprimentos, que pas-
sam a consumir menos recursos e ganham em flexibilidade, de forma a 
atender em melhores condições mercados locais (CHRISTOPHER, 2011).
PARA SABER MAIS 
As indústrias siderúrgicas tradicionais, construídas com base em altos 
fornos e operando de forma pouco flexíveis, produzindo aço em pro-
cesso contínuo, estão sendo gradativamente substituídas por fábri-
cas menores e mais flexíveis, como é o caso da siderúrgica do grupo 
Gerdau em Araçariguama (SP), utilizando fornos a arco elétrico e sucata 
de ferro como matéria-prima, produzindo aço de forma ecoeficiente e 
oferecendo maior flexibilidade (GERDAU…, 2006).
 
A ecoeficiência envolve estratégias e habilidades para se produzir 
mais, melhor, com menor consumo de materiais, água e energia, em 
bases preço-competitivas,1 sem comprometer o gerenciamento das 
1 Base preço-competitiva é o preço de produtos que sejam compatíveis com outros similares 
comercializados pela concorrência.
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finanças e da qualidade, contribuindo para a qualidade de vida e, ao 
mesmo tempo, reduzindo a carga, o ônus, o dano e os impactos am-
bientais causados por bens e serviços (VERFAILLIE; BIDWELL,2000). 
Christopher (2011) refere que uma estratégia emergente que visa 
otimizar a ecoeficiência e aumentar o valor do produto adquirido pelo 
consumidor é a fabricação rápida (rapid manufacturing – RM), ou fabri-
cação aditiva, que usa tecnologias de construção de produtos camada 
por camada usando pó metal fundido a laser de polímeros, pois além de 
rentabilizar a produção e possibilitar níveis de customização elevados 
para o produto, reduz estoques de produtos acabados, minimizando o 
uso de energia e o desperdício de material.
NA PRÁTICA 
Atualmente, com a utilização das impressoras 3D, o processo de fabri-
cação aditiva está muito difundido e inserido em vários setores de ativi-
dade, utilizando várias matérias-primas e podendo fabricar uma multipli-
cidade de peças e utensílios.
 
Com estratégias ecoeficientes, como as acima descritas, os consu-
midores ficam mais satisfeitos com produtos customizados, e tanto as 
empresas como o meio ambiente ganham, pois são utilizados menos 
recursos e energia.
O conceito de ecoeficiência está relacionado ao desempenho empre-
sarial, que varia ao longo do tempo, pois as alterações ambientais são 
imprevisíveis e ininterruptas, tornando-se importante que as mudanças 
no desempenho ao longo do tempo sejam comparadas com um ponto 
de referência, e por isso a ecoeficiência de uma empresa precisa ser 
mensurada para poder ser otimizada constantemente. 
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Classicamente, a eficiência de uma empresa avalia o quanto se pro-
duz relativamente ao quanto se poderia produzir, e pode ser mensurada 
pela fórmula (sendo expressa em porcentagem): 
Produção contabilizada (atual)Eficiência= 
Máxima produção possível
Por outro lado, o conceito de produtividade tem a ver com a forma 
como os recursos são utilizados, e os indicadores de produtividade 
medem o quanto se produz em relação aos recursos utilizados, nor-
malmente expressos em quantidade (quilos, litros, etc.). A medição da 
produtividade induz à determinação do nível de eficiência empresarial.
Dado que a ecoeficiência considera a interação da empresa com a 
qualidade de vida e com o ambiente, as variáveis que medem a ecoefi-
ciência devem ser cientificamente sustentáveis, ambientalmente rele-
vantes, precisas, facilmente verificáveis, úteis para todos os tipos de 
empresas em todo o mundo e estarem relacionadas às dimensões da 
economia e da ecologia, de forma a relacionar o valor do produto ou 
do serviço com a influência ambiental (VERFAILLIE; BIDWELL, 2000), 
podendo a medida da ecoeficiência ser representada pela seguinte 
fórmula: 
Valor do produto ou serviçoEcoeficiência = 
Impacto ambiental
Os indicadores que normalmente definem as variáveis “valor do 
produto ou serviço” e “impacto ambiental” são os representados no 
quadro 1. Os indicadores de impacto ambiental podem estar tanto re-
lacionados à produção de produtos ou de serviços (coluna 2), isto é, 
ao próprio negócio, quanto ao consumo de produtos ou de serviços 
(coluna 3). 
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Quadro 1 – Indicadores de ecoeficiência
1 – INDICADORES DE 
VALOR DE PRODUTO 
OU SERVIÇO
2 – INDICADORES DE 
IMPACTO AMBIENTAL 
(REFERENTES AO NEGÓCIO)
3 – INDICADORES DE IMPACTO 
AMBIENTAL (REFERENTES AO 
USO DO PRODUTO)
• Quantidade 
de produtos 
ou serviço 
produzidos ou 
fornecidos aos 
consumidores
• Vendas líquidas
• Consumo de energia
• Consumo de materiais
• Consumo de água
• Emissões de gases de 
efeito de estufa
• Emissões de substâncias 
destruidoras da camada 
de ozônio
• Características do produto/
serviço
• Descarte de embalagens
• Consumo de energia
• Emissões durante o uso
Fonte: adaptado de Verfaillie e Bidwell (2000).
Como exemplo de uma medida de ecoeficiência, consideremos uma 
empresa química que apresenta os valores no quadro 2 no decorrer de 
um ano de produção:
Quadro 2 – Valores de produto e impacto ambiental
VALOR DO PRODUTO IMPACTO AMBIENTAL
• Massa do produto vendido = 500.000 kg
• Vendas líquidas = R$ 300 milhões 
• Energia consumida = 100.000 gigajoules¹
• Insumos consumidos = 5.000 t
• Água consumida = 50.000 m³
• Emissões gazes efeito estufa = 8.000 t 
(CO₂ ou equivalente)
• Substâncias destruidoras camada ozônio = 
25 t (CFC ou equivalente)
Com base nos valores apresentados é possível deduzir os seguintes 
indicadores de ecoeficiência conforme quadro 3.
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Quadro 3 – Indicadores de ecoeficiência
INDICADORES DE 
ECOEFICIÊNCIA
EM FUNÇÃO DA QUANTIDADE 
DE PRODUTO
EM FUNÇÃO DO VOLUME DE 
VENDAS
Consumo de energia
Consumo de insumos
Emissões gases efeito estufa
5 kg por gigajoule
100 kg por tonelada
62,5 kg por t de CO₂ 
5.000 US$ por gigajoule
60.000 US$ por tonelada
37.500 US$ por CO₂
* Joule (J) é uma unidade usada para medir energia; o gigajoule (GJ) é igual a 1 bilhão (109) joules
Os indicadores de ecoeficiência podem ser apresentados como nú-
meros absolutos, índices de ecoeficiência, indexados a um ano sele-
cionado, ou expressos em relação a um objetivo projetado; entretanto, 
devem ser analisados ao longo de um período, e não isoladamente, de 
forma a permitir visualizar tendências e aspectos que impactem no de-
sempenho da empresa. Os indicadores de ecoeficiência são utilizados 
para medirem como as ações levadas a cabo pela empresa estão con-
tribuindo para que a empresa atinja os objetivos propostos dentro dos 
propósitos de um desenvolvimento sustentável.
3 Ecoeficiência no Brasil
A ecoeficiência está cada vez mais presente nas estratégias de de-
senvolvimento realizadas em empresas privadas e no âmbito de polí-
ticas públicas. No Brasil são exemplos dessa tendência a instituição 
da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) – Lei nº 12.305/2010 
(BRASIL, 2010), os fóruns estaduais de produção mais limpa realiza-
dos pelo Ministério do Meio Ambiente, ou os incentivos da Companhia 
Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) à divulgação de casos de 
sucesso, à produção e ao consumo sustentável, em que são demons-
trados benefícios da aplicação dos conceitos de ecoeficiência nos pro-
cessos de gestão empresarial.
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Em julho de 1995, a Organização das Nações Unidas para o 
Desenvolvimento Industrial (Unido) e o Programa das Nações Unidas 
para o Meio Ambiente (Unep) escolheram o Serviço Nacional de 
Aprendizagem Industrial (Senai) de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, 
para sediar o 10º Centro Nacional de Produção Mais Limpa, com uma 
série de 23 centros instalados pelo mundo, entre eles o Centro Nacional 
de Tecnologias Limpas – CNTL/Senai-RS. Em 1997 foi criado o Conselho 
Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, cuja missão 
é “promover a transformação prática de mercados,

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