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José Meireles de Sousa Impacto ambiental e logística reversa Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Jeane Passos de Souza – CRB 8a/6189) Sousa, José Meireles de Impacto ambiental e logística reversa / José Meireles de Sousa. – São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2019. (Série Universitária) Bibliografia. e-ISBN 978-85-396-2681-6 (ePub/2019) e-ISBN 978-85-396-2682-3 (PDF/2019) 1.Gestão ambiental 2. Impacto ambiental 3. Gestão de empresas: Desenvolvimento sustentável 4. Gestão de empresas: Responsabilidade social empresarial 5. Logística: Distribuição de produtos 6. Logística empresarial 7. Gerenciamento da cadeia de suprimentos 8. Logística reversa 9. Reciclagem: material reciclável I. Título. II. Série. 19-905s CDD-658.1552 658.78 BISAC BUS078000 BUS000000 NAT011000 SCI026000 Índice para catálogo sistemático 1. Gestão ambiental: Administração 658.408 2. Gestão de empresas : Desenvolvimento sustentável : Responsabilidade social empresarial 658.408 3. Impacto ambiental : Avaliação : Economia 333.714 4. Meio ambiente : Impactos ambientais 363.7 5. Logística : Distribuição de produtos 658.78 6. Reciclagem: Material reciclável: Coleta seletiva 363.7282 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . IMPACTO AMBIENTAL E LOGÍSTICA REVERSA José Meireles de Sousa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor do Departamento Regional Luiz Francisco de A. Salgado Superintendente Universitário e de Desenvolvimento Luiz Carlos Dourado Editora Senac São Paulo Conselho Editorial Luiz Francisco de A. 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Sumário Capítulo 1 Meio ambiente e gestão ambiental, 7 1 Problemas ambientais, 9 2 Poluentes, 12 3 Meio ambiente como recipiente de resíduos, 14 4 Gestão ambiental, 16 5 Dimensões da gestão ambiental, 17 6 Sistemas de gestão ambiental (SGA), 18 Considerações finais, 19 Referências, 20 Capítulo 2 Políticas e normas de gestão ambiental, 23 1 Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), 25 2 ISO 14000, 27 3 Auditorias ambientais, 36 Considerações finais, 38 Referências, 39 Capítulo 3 Desenvolvimento sustentável, 41 1 Desenvolvimento sustentável, 42 2 Sustentabilidade corporativa, 49 3 Importância da informação na gestão ambiental, 54 Considerações finais, 57 Referências, 57 Capítulo 4 Avaliação do ciclo de vida do produto, 59 1 Logística e a cadeia de suprimentos, 60 2 Gestão do ciclo de vida do produto, 63 3 Filosofia dos 6 Rs, 69 Considerações finais, 71 Referências, 72 Capítulo 5 Logística reversa, 73 1 Logística reversa, 74 2 Canais reversos de revalorização, 77 3 Canais de distribuição reversa, 79 4 Reciclagem e reúso de materiais, 84 Considerações finais, 89 Referências, 89 Capítulo 6 A logística reversa como estratégia empresarial, 93 1 Estratégia empresarial, 94 2 Adequação a questões ambientais, 98 3 Razões competitivas, 101 Considerações finais, 105 Referências, 105 Capítulo 7 O produto pós-consumo, 107 1 Bens pós-consumo, 108 2 Descartáveis, duráveis e semiduráveis, 113 3 Aumento da descartabilidade, 115 Considerações finais, 120 Referências, 121 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 8 Canais de distribuição reversos do pós-consumo, 123 1 Canais de distribuição reversos do pós-consumo, 124 2 Canais de distribuição reversos de ciclo aberto e ciclo fechado, 129 Considerações finais, 135 Referências, 136 Capítulo 9 Canais de distribuição reversos do pós-venda, 137 1 Fluxos reversos de pós-venda, 138 2 Retorno pós-venda, 140 3 Prestação de serviço pós-venda, 148 Considerações finais, 150 Referências, 150 Capítulo 10 O impacto do fator tecnológico, 153 1 Logística de produtos eletroeletrônicos, 154 2 Descarte de produtos eletroeletrônicos, 159 3 Características do lixo de produtos eletroeletrônicos, 161 4 Cadeia reversa do equipamento eletroeletrônico, 165 Considerações finais, 168 Referências, 169 Capítulo 11 Produção mais limpa, 171 1 Conceito, 172 2 Diretrizes, 176 3 Objetivos, 182 Considerações finais, 184 Referências, 185 Capítulo 12 Ações de empresas na logística reversa, 187 1 Práticas empresariais de logística reversa na atualidade, 188 2 Estudos de caso, 194 Considerações finais, 202 Referências, 202 Capítulo 13 Ecoeficiência, 205 1 Conceito, 206 2 Objetivos, 211 3 Ecoeficiência no Brasil, 215 Considerações finais, 217 Referências, 217 Capítulo 14 Mercado de carbono, 219 1 Efeito estufa, 220 2 Processos geradores de gases, 221 3 Protocolo de Quioto, 225 4 Créditos de carbono, 229 5 Mercado de carbono, 236 Considerações finais, 237 Referências, 238 Capítulo 15 Reciclagem, 241 1 Conceito, 242 2 Processo de reciclagem de plástico, 244 3 Processo de reciclagem do alumínio, 251 Considerações finais, 255 Referências, 255 Capítulo 16 Consumo sustentável, 259 1 Consumo sustentável, 260 2 Sustentabilidade das empresas, 262 3 Paradigma cartesiano versus paradigma da sustentabilidade, 265 4 Educação ambiental, 267 Considerações finais, 270 Referências, 271 Sobre o autor, 275 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rtilh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 7 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 1 Meio ambiente e gestão ambiental O meio ambiente tem se tornado cada vez mais matéria fundamen- tal inserida em múltiplas discussões e decisões geradas em todos os níveis da sociedade. Nunca um tema assumiu tamanha importância. Enquadrado em inúmeros setores e variadas valências do conhecimen- to, pôde reunir consensos de opinião em um contexto de divergências quanto ao desenvolvimento político, econômico e social. Tudo isso por- que o meio ambiente, por um lado, é único e universal, e, como tal, envolve tudo e todos, independentemente de etnia, religião, visão política e condi- ção econômica ou social; e, por outro lado, como é incomensurável, tem sido esquecido por comodismo, e seus recursos são tratados como se fossem uma fonte inesgotável. 8 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Entre os vários alertas que instigaram o interesse de estudiosos, for- muladores de políticas, legisladores, empresas e da população como um todo pelo meio ambiente, alguns tiveram impacto muito significati- vo, pois, malgrado os efeitos nocivos que causaram ao meio am biente, contribuíram para alavancar não somente estudos e regulamentos am- bientais, mas também a disseminação da conscientização ambiental. PARA SABER MAIS Conheça alguns casos de desastres ecológicos que ocorreram pelo mundo que tiveram grandes impactos ambientais (SANTOS, 2018): • O desastre ecológico do superpetroleiro Exxon Valdez, em 24 de março de 1989, derramou aproximadamente 100 mil metros cúbicos de petróleo na costa do Alasca depois de ter encalhado na Enseada do Príncipe Guilherme; em resposta ao vazamento do Exxon Valdez, o Oil Pollution Act tornou-se lei em 1990, exigindo às companhias de petróleo a elaboração de planos de contingência para evitar derrames futuros e contê-los em caso de vazamento. • A explosão da plataforma Deepwater Horizon no dia 20 de abril de 2010 no Golfo do México, nos Estados Unidos, que estava sendo operada pela British Petroleum, obrigou a empresa ao pagamento de indenizações de cerca de 18,7 bilhões de dólares, além de ver sua imagem prejudicada perante seus consumidores. • A tragédia de Mariana, em Minas Gerais, considerada a maior tragé- dia ambiental do Brasil, ocorreu quando duas barragens da minera- dora Samarco se romperam, liberando lama e rejeitos sólidos, resul- tado da mineração, que se espalharam por mais de 600 quilômetros entre Minas Gerais e o Espírito Santo, causando mortes, desalojando famílias e causando perdas materiais e imateriais a centenas de mo- radores. Os processos que visam garantir indenização à população ultrapassam os 20 bilhões de reais. Além de desastres ecológicos, também o aumento demográfico, o desenvolvimento de novas tecnologias, o aumento médio do nível de 9Meio ambiente e gestão ambiental M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. vida com a busca por melhores condições de sobrevivência têm incen- tivado o homem a conscientizar-se de que o meio ambiente terá de ser protegido e olhado de forma diferente daquela que até agora tem ocor- rido, isto é, sem ter sua presença notada. O grande aviso para essa nova tomada de posição ocorreu com o descobrimento de buracos na camada de ozônio na atmosfera, o que de alguma maneira afetaria o dia a dia dos seres vivos, prejudicando, entre outros aspectos, as condições climatéricas, a forma mais visível e sentida pelos seres vivos na superfície do nosso planeta. O estudo das causas de alterações no clima, como as enchentes, ou períodos prolongados de seca que prejudicam as safras, tem levado os cientistas a analisar as consequências de certas atividades antrópicas, como o desmatamento de florestas, a emissão de poluentes industriais ou mesmo o acúmulo de resíduos sólidos que, ao contaminarem solos e rios, contribuem para o agravamento da saúde pública e da poluição ambiental e visual. Nesse contexto, as atividades logísticas, em parti- cular as que se relacionam com a localização e a remoção de resíduos, ganham especial relevo e serão objeto de análise no decorrer dos pró- ximos capítulos. 1 Problemas ambientais As mudanças na sociedade, ocorridas de forma dinâmica nas últi- mas décadas, levantaram um novo e importante desafio: como proteger e preservar os recursos do planeta sem comprometer o desenvolvimen- to econômico e social? O desenvolvimento tecnológico, a facilitação das comunicações e a inexorável expansão empresarial como formas de sobrevivência impul- sionam novos desejos de consumo que são renovados rapidamente em face ao crescente poder das inovações. 10 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Se as grandes obras, com intervenções em florestas, rios ou mesmo nos oceanos, necessitam de minuciosos estudos e aprovações oficiais e devem obedecer a critérios rigorosos, também a atividade econômi- ca, que faz mover consumidores e produtores, e que gera diariamente milhares de toneladas de resíduos sólidos e outros poluentes, é respon- sável pela conservação ambiental. PARA SABER MAIS Para se ter uma ideia, de acordo com a Prefeitura de São Paulo (SÃO PAULO, 2017), a cidade gera, em média, 20 mil toneladas de lixo diaria- mente (entre resíduos domiciliares, resíduos de saúde, restos de feiras livres, podas de árvores, entulho, etc.). Só de resíduos domiciliares são coletadas cerca de 12 mil toneladas por dia. Diariamente é percorrida uma área de 1.523 km², e estima-se que mais de 11 milhões de pessoas são beneficiadas pela coleta de resíduos domiciliares, seletivos e hos- pitalares. Cerca de 3,2 mil pessoas trabalham no recolhimento dos resí- duos e são utilizados 500 veículos (caminhões compactadores e outros específicos para o recolhimento dos resíduos de serviços de saúde). Nesse novo cenário de elevada competitividade, muitas empresas, para garantir sua sobrevivência ou aumentar a lucratividade, projetam e fabri- cam produtos que utilizam metodologias agressoras do meio ambiente; já nos mercados, o contínuo lançamento de novos produtos e o descarte de produtos usados faz com que lixo e desperdícios se acumulem, criando problemas ambientais cada vez mais complexos. Com a multiplicidade de partes interessadas e a diversidade das variáveis que devem ser levadas em conta em estudos sobre problemas ambientais, torna-se necessário conceituar e delimitar o significado de “meio ambiente” para tornar as análi- ses ambientais e os processos decisórios empresariais mais eficazes. O conceito de “meio ambiente” é muito amplo, pois engloba natureza e sociedade, ou seja, tudo aquilo que envolve ou cerca os seres vivos (ALENCASTRO, 2012), e pode ser definido como: 11Meio ambiente e gestão ambiental M aterial para usoexclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. O meio de onde a sociedade extrai os recursos essenciais à sobre- vivência e os recursos – geralmente denominados de naturais – demandados pelo processo de desenvolvimento socioeconômico; por outro lado, ambiente é também o meio de vida cuja integridade depende da manutenção de funções ecológicas essenciais à vida, o que faz emergir o conceito de recurso ambiental que se refere não mais somente à capacidade da natureza de fornecer recursos físicos, mas também de prover serviços e desempenhar funções de suporte à vida. (SÁNCHEZ, 2008, p. 21) Com a equiparação progressiva do conceito de “meio ambiente” ao de “meio de vida”, os problemas ambientais passaram a se identificar com o conceito de “poluição”. Os problemas ambientais, antes minimizados em favor do confor- to e do consumo, tornaram-se objeto de discussão cotidiana no seio de qualquer comunidade, independentemente de sua condição socio- econômica. O mundo tornou-se mais consciente quanto à situação am- biental e agora mais preocupado com as consequências de eventuais mudanças resultantes de impactos ambientais, isto é, de atividades, produtos e serviços que causem danos ecológicos resultantes de po- luição, da redução da camada de ozônio que nos protege das radiações solares ou, de forma mais genérica, da depredação de ecossistemas como resultado da extinção de espécies animais e vegetais. IMPORTANTE Segundo o IBGE (2004), impacto ambiental pode ser definido como [q]ualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população, as atividades sociais e econô- micas, a biota, as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos ambientais. 12 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . O meio ambiente e o sistema econômico interagem através dos im- pactos que este provoca naquele ou até mesmo através do impacto que os recursos naturais causam na economia; mas diferentemente da destruição do capital construído pelo homem, a degradação ambiental pode tornar-se irreversível, e os ativos ambientais em sua maioria não são substituíveis. O estudo dos impactos ambientais tem por objetivo avaliar as con- sequências de atividades que possam prejudicar a qualidade do meio ambiente de forma a prevenir ou mitigar depredações ambientais re- sultantes da realização de projetos empresariais ou de resíduos de fabricação e de consumo. 2 Poluentes Segundo o Dicionário Houaiss, o verbo “poluir” tem a acepção de “tor- nar sujo; manchar, corromper” (POLUIR, 2009). No contexto desta obra, conforme Sánchez (2008, p. 24), podemos afirmar que “poluir é profanar a natureza, sujando-a”, e que as causas da poluição são as atividades humanas que “sujam” o ambiente. Poluição refere-se à emissão de poluentes (grandezas físicas men- suráveis) que causam danos ao meio ambiente. A possibilidade de mensuração dos poluentes permite estabelecer níveis admissíveis de concentração, isto é, padrões ambientais, e dessa forma definir direitos e deveres do poluidor. Ao comparar as características do conceito de impacto ambiental ao de poluição, Sánchez (2008) refere que “impacto ambiental” é um conceito mais amplo que “poluição”: este tem sempre uma conotação negativa, em oposição a “impacto ambiental”, que pode ser benéfico ao ambiente. Por outro lado, a poluição é uma das causas do impacto am- biental, mas nem todo impacto ambiental tem a poluição como causa. 13Meio ambiente e gestão ambiental M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. NA PRÁTICA São impactos ambientais negativos o despejo de resíduos sólidos em rios ou as emissões de monóxido de carbono de carros e motos, pois provocam alterações persistentes no meio ambiente. Impactos ambien- tais positivos ocorrem com o reflorestamento de áreas degradadas ou a limpeza de rios e córregos e tendem a melhorar a qualidade de vida dos seres vivos. A depredação de ecossistemas ou a redução da camada de ozônio são em grande parte resultado do consumo desordenado e da aceita- ção de produtos fabricados e distribuídos sem respeito ao ambiente. Nesse cenário, a educação ambiental, entendida como identificação e análise dos fatores de risco que impactam negativamente o meio am- biente, deve ser integrada ao processo decisório de pessoas e empre- sas como fator crítico para o desenvolvimento pessoal e profissional. Ao consumir produtos que utilizam recursos naturais que não pos- sam ser substituídos ou que impactem negativamente o ambiente, pessoas e empresas estão progressivamente diminuindo suas fontes de abastecimento, encarecendo produtos pelo aumento de escassez de insumos e diminuindo a qualidade de vida dos seres vivos como resul- tado de impactos ambientais negativos, como é o caso da utilização, como matéria-prima, de madeira resultante de manejo não certificado ou a utilização indiscriminada de veículos poluidores. Muitas pessoas têm mudado suas atitudes junto ao mercado ao incorporar a responsabilidade ambiental em suas decisões, como é o caso da preferência por produtos biodegradáveis, a seletividade no des- carte do lixo ou mesmo a utilização de embalagens recicláveis. Atitudes desse tipo têm levado os governos a aprovar leis de monitoramento de poluição e de controle dos ecossistemas. 14 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . A efetividade da discussão ambiental depende do entendimento da forma de funcionamento dos mercados e também da atitude dos con- sumidores diante das questões ambientais. Entre outras, devem ser respondidas as seguintes questões: até que ponto os consumidores es- tão dispostos a pagar mais por produtos com a mesma funcionalidade, mas produzidos e comercializados de forma ecologicamente correta? Até que ponto as empresas irão prescindir de ganhos a curto prazo para produzir e comercializar produtos que não agridam o ambiente? 3 Meio ambiente como recipiente de resíduos A partir de 1970, a preocupação com a preservação do meio ambiente levou ao desenvolvimento e à implantação de unidades de tratamento de poluentes (unidades de fim de tubo) com o objetivo de reduzi-los no final do processo industrial e antes do seu descarte no ambiente, em um sistema de fluxo unidirecional (VILELA JÚNIOR; DEMAJOROVIC, 2013). A aglomeração de parques industriais e a expansão demográfica, so- bretudo nas grandes metrópoles, têm modificado o cenário do dia a dia e tornado cada vez maior o número de cidadãos que agora convivem com bueiros entupidos e lixo jogado nas ruas de grandes cidades, bem como lixões a céu aberto, o que tem contribuído para a conscientiza- ção de problemas ambientais e instigado governantes e populaçõesa assimilar novas soluções que possam amenizar esses efeitos nocivos, como a coleta seletiva, a reciclagem, os aterros sanitários ou mesmo a geração de energia a partir do lixo. A viabilização dessas soluções vem transformando gradualmente o conceito unidirecional das cadeias de suprimentos (tradicionalmente formadas pela logística de abastecimento de matérias-primas/produ- ção/comercialização/utilização/descarte em lixão ou aterros sanitários) em cadeias circulares, em que é possível aproveitar o descarte como matéria-prima. 15Meio ambiente e gestão ambiental M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 1 – Transformação do fluxo de produtos nas cadeias de suprimentos Consumo Consumo Produção Produção Ambiente Matéria- -prima Lixo IMPORTANTE A cadeia de suprimentos refere-se a uma […] rede de organizações conectadas e interdependentes, trabalhando conjuntamente, em regime de cooperação mú- tua, para controlar, gerenciar e aperfeiçoar o fluxo de maté- rias-primas e informação dos fornecedores para os clientes finais. (AITKEN, 1998, p. 67) O novo desenho das cadeias de suprimentos impacta o processo de gestão de logística integrada, que agora deve se ocupar com a destinação dos descartes – industriais e de consumo – e com as novas fontes de matéria -prima. Podemos acompanhar esse novo processo na figura 2. Figura 2 – O novo desenho das cadeias de suprimentos Logística reversa Supply chain 16 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . A excelência na gestão da cadeia de suprimentos, que antes procura- va garantir que o produto certo, na quantidade solicitada e no momento que o consumidor dele necessitava estava disponível, passa agora a incluir as operações de descarte, que devem ser efetuadas de forma eficiente e eficaz. 4 Gestão ambiental Verificou-se um incremento na abordagem a assuntos ambientais como resultado não somente de uma maior conscientização ambiental e social de consumidores e empresas, mas também porque foram de- senvolvidas novas oportunidades de negócio que permitirão às empre- sas reconhecimento pelos consumidores e crescimento pelo aumento de eficiência operacional. Empresas mineradoras, do agronegócio ou grandes indústrias tra- dicionalmente poluentes passaram a acautelar o seu desenvolvimento com a utilização de estratégias que minimizem impactos ambientais; caso contrário, seria grande o risco de prejuízo de sua imagem e, conse- quentemente, à sua sustentabilidade. Um número crescente de consumidores também exige produtos eco- logicamente corretos, levando os produtores a certificarem as cadeias de suprimentos, como é o caso do uso do selo verde em produtos florestais. Na nova realidade de consumo, as empresas adaptam processos e consequentemente estudam novas formas de produção e comerciali- zação que eliminem ou diminuam impactos ambientais, aumentando dessa forma a sua imagem nos mercados e contribuindo para a susten- tabilidade do seu desenvolvimento. A gestão ambiental reflete esse processo de integração empresa- -ambiente e deve estar presente em todas as decisões estratégicas e operacionais. 17Meio ambiente e gestão ambiental M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 1 – Benefícios da gestão ambiental BENEFÍCIOS DA GESTÃO AMBIENTAL Benefícios econômicos Benefícios estratégicos Economias de custo Incremento de receitas Melhoria da imagem institucional Economias devido à redução do consumo de energia e outros insumos Aumento da contribuição marginal de produtos verdes que podem ser vendidos a preços mais altos Renovação do portfólio de produtos Economias devido a reciclagem, venda e aproveitamento de resíduos e diminuição de efluentes Aumento da participação no mercado devido à inovação dos produtos e à menor concorrência Aumento da produtividade Redução de multas e penalidades por poluição Linhas de produtos para novos mercados Alto comprometimento do pessoal – Aumento da demanda por produtos que contribuam para a redução da poluição Melhoria nas relações de trabalho – – Melhoria e criatividade para novos desafios – – Melhoria das relações com governo, comunidade e grupos ambientalistas – – Acesso assegurado ao mercado externo – – Melhor adequação aos padrões ambientais Fonte: adaptado de Donaire (1999, p. 59). 5 Dimensões da gestão ambiental O espectro de aplicação da gestão ambiental é vasto, e podemos afirmar que intervenções antrópicas, individuais ou empresariais, em qualquer área de atuação, devem estar enquadradas por processos 18 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . regulatórios que contribuam não somente para o planejamento empre- sarial, mas também para a avaliação dos impactos ambientais. De acordo com Barbieri (2007, p. 26-27), [q]ualquer proposta de Gestão Ambiental inclui no mínimo três di- mensões, a saber: (1) a dimensão espacial, que concerne à área na qual se espera que as ações de gestão tenham eficácia; (2) a dimensão temática, que delimita as questões ambientais às quais as ações se destinam; e (3) a dimensão institucional, relativa aos agentes que tomaram iniciativas na gestão. 6 Sistemas de gestão ambiental (SGA) O aumento do comprometimento de pessoas físicas e das empre- sas com o meio ambiente ultrapassa aspectos meramente atitudinais ou mesmo a realização de medidas isoladas que se mostraram insufi- cientes para enfrentar os desafios ambientais contemporâneos e tem levado ao estabelecimento de diretrizes que regulamentem as opções de melhoria no desempenho ambiental. Surgem assim os sistemas de gestão ambiental (SGA), conceito que engloba um conjunto de ações administrativas e operacionais que visam mitigar os efeitos negativos das atividades humanas sobre a natureza (CURI, 2011) e que são inte- gradas à gestão empresarial global mediante política ambiental formu- lada pela própria empresa e coerente com a política econômica global (ALENCASTRO, 2012). Como filosofia de funcionamento, o SGA deve se orientar por ci- clos de retroalimentação estabelecidos com base em mensurações, diagnós ticos e auditorias, isto é, constitui-se num processo de melhoria contínua que pode ser esquematizado pelo ciclo PDCA (figura 3) e estar integrado à política ambiental da empresa. 19Meio ambiente e gestão ambiental M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 3 – O ciclo do PDCA na gestão ambiental Planejamento de metas, objetivos, métodos e procedimentos Execução das tarefas planejadas Act Plan Check Do Ação para a realização de correções ou melhorias Verificação do resultado das tarefas realizadasOs principais sistemas de gestão ambiental, como o BS 7750 (Reino Unido), o EMAS (União Europeia), o Environmental Management Program e o Canadian Standards Association (Canadá), têm em co- mum a implantação de uma política ambiental que orienta as decisões de melhoria de desempenho ambiental das empresas e que, conforme a figura 3, devem ser concretizadas mediante: planejamento (Plan); im- plementação e operacionalização de ações específicas (Do); verificação de desvios e resultados (Check); propostas de ações corretivas (Act); e, finalmente, uma análise crítica, isto é, uma revisão da efetividade dos processos. Considerações finais A crescente conscientização de que recursos são finitos e que a de- gradação ambiental é causadora de danos, muitos deles irreparáveis, tem despertado o estudo dos problemas ambientais nas mais variadas áreas do saber, desde a área da saúde, preocupada com as doenças re- lacionadas à escassez de água potável ou à poluição ambiental, à área agrícola, impactada por fenômenos atmosféricos outrora inexistentes e que devastam safras, passando pela área empresarial, que desenvolve 20 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . soluções para descarte de lixo tóxico, mecanismos de produção mais limpos ou estratégias de aproveitamento de resíduos sólidos. O desenvolvimento sustentável de qualquer empresa passa pela in- tegração dos processos de gestão ambiental à sua estratégia, o que só é viável com a conscientização de todos os problemas ambientais. As políticas e as normas de gestão ambiental passam a integrar a base do processo decisório das empresas. Referências AITKEN, James. Supply Chain Integration within the Context of Supplier Association. 1998. Tese (PhD em Filosofia) – School of Management, Cranfield University, Cranfield, 1998. Disponível em: <https://dspace.lib.cranfield.ac.uk/ handle/1826/9990>. Acesso em: 20 ago. 2018. ALENCASTRO, Mario Sérgio Cunha. Empresas, ambiente e sociedade. Curitiba: InterSaberes, 2012. BARBIERI, José Carlos. Gestão ambiental empresarial. São Paulo: Saraiva, 2007. CURI, Denise. Gestão ambiental. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. DONAIRE, Denis. Gestão ambiental na empresa. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOFÍSICA E ESTATÍSTICA (IBGE). Vocabulário básico de recursos naturais e meio ambiental. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2004. Disponível em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv4730. pdf>. Acesso em: 8 mar. 2018. POLUIR. In: DICIONÁRIO eletrônico Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. 1 CD-ROM. SANTOS, Vanessa Sardinha dos. Sete desastres ecológicos causados pelo homem no mundo. Brasil Escola, [s. l.], 2018. Disponível em: <http://brasilescola. uol.com.br/biologia/sete-desastres-ecologicos-causados-pelo-homem-no- mundo.htm>. Acesso em: 8 mar. 2018. 21Meio ambiente e gestão ambiental M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. SÁNCHEZ, Luiz Enrique. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. SÃO PAULO (Município). Prefeitura de São Paulo. A coleta de lixo em São Paulo. 2017. Disponível em: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/ regionais/amlurb/coleta_seletiva/index.php?p=229723>. Acesso em: 8 mar. 2018. VILELA JÚNIOR, Alcir; DEMAJOROVIC, Jacques. Modelos e ferramentas de gestão ambiental. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2013. 22 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 23 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 2 Políticas e normas de gestão ambiental Um grande número de consumidores, governos e empresas de toda a cadeia de suprimentos – especialmente os mais conscientes com as causas ambientais – procura constantemente formas de reduzir impac- tos ambientais e aumentar sua sustentabilidade no longo prazo. Para isso, faz-se necessário que governos desenvolvam políticas de proteção ambiental, que consumidores se conscientizem (assimilan- do formas de mitigação de problemas ambientais) e que as empresas adotem sistemas de gestão que sejam compatíveis com a preservação ambiental, reduzindo poluentes e destinando corretamente resíduos sólidos. 24 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Se o sucesso de uma empresa depende de uma gestão simulta- neamente eficiente (fazer certo as coisas) e eficaz (fazer as coisas certas), operando em áreas atraentes do mercado, obtendo custos baixos e mantendo a confiança dos seus stakeholders, é também ne cessário que, como parte do seu sistema da gestão global, o siste- ma de gestão ambiental (SGA) desenvolva e implemente sua políti- ca ambiental, gerenciando os aspectos ambientais (VILELA JÚNIOR; DEMAJOROVIC, 2013). Dado que o meio ambiente é único para todas as empresas, as ações empresariais avulsas, isto é, que não estejam enquadradas por políticas ambientais e que não sejam reguladas por normas e diretri- zes uniformes, poderão ter seus efeitos atenuados e, no longo prazo, perder a efetividade. A política ambiental das empresas estabelece e divulga as diretrizes que, respeitando a legislação vigente e melhorando o desempenho ambiental, devem ser respeitadas no processo decisório empresarial. De nada serve a uma empresa preservar uma área florestal se ela continua emitindo poluentes para a atmosfera, pois no curto prazo e considerando a escala global da natureza, a capacidade de absorção de poluentes compensada pela floresta preservada pode resultar em um saldo ambiental zero. Com o desenvolvimento e o crescimento da empresa, esse resultado seguramente não será benéfico para o am- biente, afetando sua regeneração. As empresas devem implementar políticas que direcionem as suas decisões – investimento, produção e comercialização – de forma a não afetar a capacidade de regeneração do meio ambiente. O desenvolvimento de políticas ambientais, conjugado com o esta- belecimento de normas de gestão ambiental, e a conscientização do ser humano com relação aos problemas ambientais são fatores críticos ao desenvolvimento harmoniosodo ser humano. 25Políticas e normas de gestão ambiental M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 1 Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) No estabelecimento das políticas ambientais, as empresas brasilei- ras devem atender à Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), ins- tituída pela Lei nº 6.938/1981 (BRASIL, 1981). Na figura 1 é possível analisar o que aborda a PNMA, que tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar no país condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida hu- mana, além de enquadrar os instrumentos de gestão ambiental. Figura 1 – Estrutura da Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA) Lei de crimes ambientais Política Nacional de Resíduos Outra legislação ambiental Normas voluntárias reguladoras dos sistemas de gestão ambiental Política Nacional do Meio Ambiente Integrando a PNMA, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi instituída pela Lei nº 12.305/2010 e regulamentada pelo Decreto nº 7.404/2010, e dispõe sobre princípios, objetivos, instrumentos e di- retrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, assim como as responsabilidades dos geradores, do poder 26 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . público e os instrumentos econômicos aplicáveis (BRASIL, 2010). Um vasto aparato jurídico, incluindo a lei dos crimes ambientais, torna a legis lação ambiental brasileira uma das mais completas do mundo (BRASIL, 2018). Esse conjunto de legislação é amparado pela Política Nacional do Meio Ambiente, que estabelece diretrizes que impulsionam a forma- ção de consciência ambiental, possibilitam e regulamentam o desen- volvimento de sistemas de gestão ambiental e licenciam e fiscalizam atividades que causem impactos ambientais utilizando um sistema de órgãos e entidades da União, dos estados, do Distrito Federal, dos territórios e dos municípios, bem como as fundações instituídas pelo poder público. Esta rede de organizações nos diferentes âmbitos da fe- deração, responsável pela proteção e melhoria da qualidade ambiental, constitui o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), conforme apresentado no quadro 1. Quadro 1 – Estrutura do Sisnama CONSELHO DO GOVERNO Assessora o presidente da República na formulação da política nacional e nas diretrizes governamentais para o meio ambiente e os recursos ambientais CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (CONAMA) Assessora, estuda e propõe ao Conselho de Governo diretrizes de políticas para o meio ambiente e os recursos naturais MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA) Formula e implementa políticas públicas ambientais nacionais INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS (IBAMA) Exerce o poder de polícia ambiental e executa ações das políticas nacionais de meio ambiente INSTITUTO CHICO MENDES Executa ações do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e de políticas relativas ao uso sustentável dos recursos naturais renováveis 27Políticas e normas de gestão ambiental M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. O Ibama e o Instituto Chico Mendes são os órgãos executores das políticas de meio ambiente, cabendo ao Conama: exercer funções con- sultivas e deliberativas, assessorando e propondo ao governo diretrizes para as políticas ambientais; realizar estudos sobre consequências am- bientais de projetos públicos e privados; decidir em último recurso so- bre multas e penalidades impostas pelo Ibama; e estabelecer normas, critérios e padrões relativos ao controle e à manutenção da qualidade do meio ambiente, com vistas ao uso racional dos recursos ambientais, de forma a garantir o equilíbrio entre os seres vivos e o meio ambiente. Além desses órgãos nacionais, também estados, Distrito Federal e municípios devem regionalizar as medidas emanadas do Sisnama, ela- borando padrões supletivos e complementares. 2 ISO 14000 É propósito deste livro realçar, entre os objetivos da política de meio ambiente, as questões de preservação e de movimentação de recursos que mais impactam na economia, condicionando o desenvolvimento das empresas. Para isso é fundamental relacionar a atividade empresa- rial ao meio ambiente. Meio ambiente pode ser conceituado como o meio de onde a so- ciedade extrai os recursos, quer os essenciais à sobrevivência, quer aqueles demandados pelo processo de desenvolvimento econômico (SÁNCHEZ, 2008). Uma vez que o meio ambiente é simultaneamente o fornecedor de recursos que possibilitam a elaboração de produtos e o receptor desses produtos, as questões ambientais são consideradas universais e permanentes. • Universais pois ultrapassam as fronteiras naturais dos países, dado que as cadeias de valor são globais – qualquer produto é composto de insumos provenientes de qualquer parte do mundo e consumido e descartado ao redor do mundo. 28 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • Permanentes pois a sua análise não é temporal – o meio ambien- te é um bem das gerações presentes e futuras, pois os recursos são finitos e, quando não são repostos, no futuro não poderão servir de insumo a novos produtos. A universalidade do meio ambiente e a crescente conscientização ambiental impulsionaram o desenvolvimento de normas ambientais voluntárias que auxiliam e disciplinam as empresas e seu processo de gestão ambiental. IMPORTANTE As organizações utilizam normas (padrões) como base de comparação contra algo que pode ser avaliado, como os atributos ou as caracterís- ticas que devem estar presentes em produtos por razões de segurança ou de qualidade. Esses padrões podem ser definidos pela empresa e desenvolvidos para melhorar sua eficiência ou uma vantagem competitiva; já outros são ex- ternos às empresas e dividem-se em duas categorias: normas obrigató- rias e regulamentadas pelo governo e normas voluntárias desenvolvidas e gerenciadas pelo setor privado. A violação das normas governamen- tais pode levar a multas ou litígios; a violação de normas voluntárias pode levar à perda de certificação e de oportunidades de negócios. A série de normas voluntárias ISO 14000 foi criada em 1991 pela International Organization for Standardization (ISO) para ajudar empre- sas na implementação ou no melhoramento de sistemas de gestão am- biental e desde então está em desenvolvimento, de forma a aumentar a eficiência da gestão ambiental. A criação da série de normas ISO 14000 foi inspirada nas especi- ficações da norma britânica British Standards (BS) 7750, existente na época e descontinuada após a publicação das normas ISO 14000. Mais tarde, a contribuição das normas da União Europeia, expressa pelo Eco-Management and Audit Schema (Emas), voltadas para planos 29Políticas e normasde gestão ambiental M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. específicos de atuação baseados no conceito de desenvolvimento sus- tentável, e do programa canadense CSA – Environmental Management Program, que desenvolveu um conjunto de iniciativas ambientais, in- cluindo sistemas de gestão ambiental e sistemas de auditoria, molda- ram a série de normas ISO 14000, que passou a integrar, de forma mais objetiva, a perspectiva de ciclo de vida nos processos de gestão am- biental, tal como expresso na atual norma ISO 14001. No Brasil, a série ISO 14000, que trata de sistemas de gestão ambien- tal, é publicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) como a norma ABNT NBR ISO 14001, que está em sua terceira edição, válida a partir de 6 de novembro de 2015. PARA SABER MAIS A ISO, baseada em Genebra, na Suíça, desde 1946, é uma organização não governamental essencial no desenvolvimento de normas voluntá- rias, que podem ser adotadas por seus 162 países-membros. Embora todas as normas desenvolvidas pela ISO sejam de aplicação facultativa, muitas são convertidas ou citadas em legislações por países-membros da ISO. Saiba mais sobre a ISO consultando o site da instituição. A série ISO 14000 é uma família de padrões agrupados em normas e diretrizes relativas a sistemas de gerenciamento e padrões de suporte relacionados em terminologia e ferramentas específicas, como a audi- toria (o processo de verificação de conformidade do sistema de geren- ciamento com o padrão), e que diz respeito principalmente ao processo de gestão ambiental, isto é, especifica o que a organização deve fazer para minimizar os efeitos nocivos sobre o meio ambiente causados por suas atividades. A ISO 14000 diz respeito à forma como uma organização aborda seu trabalho, e não diretamente ao resultado desse trabalho, ou seja, diz respeito a processos, e não a produtos. A forma como a organização gerencia seus processos afetará seu produto final. A norma ISO 14000 30 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . estabelece diversos elementos de gestão, de forma a garantir que um produto tenha o menor impacto prejudicial ao meio ambiente, tanto du- rante sua produção quanto em sua eliminação, seja pela poluição que pode causar, seja pelo esgotamento dos recursos naturais. O objetivo da norma ISO 14000 é prover uma estrutura para a pro- teção do meio ambiente e possibilitar uma resposta às mudanças das condições ambientais em equilíbrio com as necessidades socioeconô- micas e sem prejuízo de outros sistemas de gestão já utilizados nas empresas. A ISO 14000 atende à demanda dos sistemas de gestão ambiental implementados pelas organizações e define procedimentos de gerenciamento e de auditoria ambiental, bem como métodos de ava- liação do desempenho ambiental, e está estruturada de acordo com o ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act) – ferramenta de gestão utilizada no controle de processos e solução de problemas (figura 2) –, além de es- tabelecer três conjuntos de ferramentas importantes na implementação de um SGA: 1) avaliação do ciclo de vida; 2) avaliação do desempenho ambiental; e 3) rotulagem ambiental. De acordo com a NBR ISO 14001, as etapas do ciclo PDCA, quando aplicadas a um sistema de gestão ambiental, podem ser descritas da seguinte forma: Figura 2 – Etapas do ciclo PDCA Plan (planejar) Do (fazer) Check (checar) Act (agir) Estabelecer os objetivos ambientais e os processos necessários para entregar resultados de acordo com a política ambiental da organização. Implementar os processos conforme planejado. Monitorar e medir os processos em relação à política ambiental, incluindo seus compromis- sos, objetivos ambientais e critérios operacio- nais, e reportar os resultados. Tomar ações para melhoria contínua. Fonte: adaptado de ABNT (2015). 31Políticas e normas de gestão ambiental M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 2.1 Avaliação do ciclo de vida No estudo de impactos ambientais é importante conceituar o ciclo de vida do produto que Vilela Júnior e Demajorovic (2013, p. 328) defi- nem como o “conjunto sequencial das etapas necessárias para que um produto cumpra a sua função, desde a obtenção de recursos naturais até seu destino final”, isto é, o seu descarte. A função de transporte deve ser incluída pois é uma atividade geradora de impactos ambientais e presente em todas as etapas do ciclo de vida dos produtos (figura 3). Figura 3 – Estágios do ciclo de vida de um produto Extração de recursos naturais Transformação industrial Comercialização e uso Destino final Transporte Fonte: adaptado de Vilela Júnior e Demajorovic (2013, p. 328). A avaliação do ciclo de vida (ACV) consiste num método de verifica- ção dos fatos que incidem sobre o desempenho ambiental de um produ- to desde o seu design até a produção e depois seu descarte final. Portney (1994, p. 69) define ACV como uma “metodologia utilizada para identificar energia e outros recursos necessários, assim como os impactos ambien- tais associados a cada estágio do ciclo de vida do produto”. A avaliação do ciclo de vida ajuda as empresas a analisarem todos os aspectos das suas operações e integrá-los na tomada de decisão rela- tiva aos processos estratégicos e operacionais. Ao analisar um produto 32 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . ou serviço através de todas as etapas do seu ciclo de vida (aquisição de matérias-primas, fabricação, transporte, uso/reutilização/manutenção, reciclagem/gerenciamento de resíduos e sistemas de abastecimento de energia relevantes), a ACV faz uso do sentido holístico da informação ambiental e pode ser usada no projeto de um novo produto ou na avalia- ção de um produto existente. Segundo a norma NBR ISO 14040, um estudo de ACV tem quatro componentes básicos (ABNT, 2009): 1. Definição de objetivos e escopo: identificação das razões para conduzir o estudo, a quem se pretende comunicar os resultados, qual o sistema de produto1 a ser estudado, requisitos de dados, métodos e limitações do estudo. 2. Análise do inventário do ciclo de vida: identificação, compilação e quantificação das entradas e saídas para um determinado produ- to ou serviço. 3. Análise de impacto: avaliação e compreensão da magnitude e sig- nificado dos impactos ambientais de um dado produto ou serviço. 4. Interpretação: avaliação e implementação de oportunidades para reduzir os encargos ambientais. Embora a ACV tenha muitos aspectos positivos, ainda apresenta mui- tos desafios, incluindo custos elevados, pois a pesquisa para muitos pro- dutos é complexa, tornando-se cara; dados insuficientes ou inadequados, uma vez que, para uma ACV, é necessário grande quantidade de dados, e haverá inevitavelmente uma série de lacunas de informação; dados in- conclusivos, pois a avaliação do ciclo de vida é baseada em informações1 Segundo a NBR ISO 14040, um sistema de produto é o “[c]onjunto de unidades de processo, conectadas material e energeticamente, que realiza uma ou mais funções definidas” (ABNT, 2009, p. 3). 33Políticas e normas de gestão ambiental M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. ambientais que se modificam rapidamente, levando a que os pressu- postos utilizados no processo possam ser questionados; e falta de uma metodologia padrão que compare impactos ambientais – por exemplo, comparando dois tipos diferentes de poluição –, o que agrava o proble- ma, visto que o reflexo dos resultados das avaliações do ciclo de vida para a qualidade de vida e para os impactos ecológicos nem sempre é compreendido da mesma forma. 2.2 Avaliação do desempenho ambiental A ABNT NBR ISO 14031, parte integrante da família de normas NBR ISO 14000, trata da avaliação do desempenho ambiental (ADA), que é definida como um processo para facilitar as decisões gerenciais com relação ao desempenho ambiental e que compreende a seleção de in- dicadores, a coleta e análise de dados, a avaliação da informação em comparação com critérios de desempenho ambiental, os relatórios e informes, as análises críticas periódicas e as melhorias deste processo. A avaliação do desempenho ambiental permite que uma empre- sa compreenda e quantifique mais claramente onde ela se encontra atualmente e até onde deve chegar para poder alcançar seus objetivos ambientais. O ADA proporciona à empresa uma ferramenta sistemáti- ca para gerar informações úteis, selecionando ou definindo quais indi- cadores de desempenho ambiental serão utilizados. As avaliações de desempenho ambiental são normalmente complementadas com audi- torias ambientais que verificam a conformidade com os requisitos defi- nidos pela NBR ISO 14001. Indicadores de desempenho ambiental são classificados em duas categorias: indicadores de desempenho gerencial e indicadores de de- sempenho operacional, conforme apresentados no quadro 2. 34 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Quadro 2 – Exemplos de indicadores de desempenho ambiental INDICADORES DE DESEMPENHO GERENCIAL INDICADORES DE DESEMPENHO OPERACIONAL • Número de iniciativas implantadas para prevenção de poluição • Número de treinamentos em questões ambientais aplicados • Número de sugestões de empregados para melhoria ambiental • Número de multas e penalidades ambientais sofridas • Quantidade de materiais reutilizados no processo de produção • Quantidade de água reutilizada • Quantidade de energia utilizada para a fabricação de cada produto • Custo de combustível utilizado em movimentação de produtos 2.3 Rotulagem ambiental Rotulagem ambiental consiste nas “declarações que constam nos rótulos de produtos, indicando seus atributos ambientais” (VILELA JÚNIOR; DEMAJOROVIC, 2013, p. 350). É crescente a demanda por parte dos consumidores por produtos que não prejudicam o meio ambiente, e por isso muitos produtos expli- citam em seus rótulos essa informação. Mas como uma pessoa julga o impacto ambiental de um produto? Como os consumidores avaliam a validade de uma declaração de produto sobre os impactos ambientais? Como avaliam o rótulo? Essas questões enaltecem a necessidade da criação de regras sobre rotulagem ambiental para garantir ao público que os produtos atendam a padrões ambientais mínimos. Os procedimentos de certificação são projetados para garantir a credibilidade dos rótulos e a confiança do público. De acordo com a norma NBR ISO 14020, que trata de rótulos e declarações ambientais, o objetivo é promover a demanda e o fornecimento dos produtos e servi- ços que causem o menor impacto ambiental através de comunicação e informações precisas e verificáveis que não sejam enganosas sobre aspectos ambientais de produtos e serviços, estimulando assim o po- tencial para uma melhoria ambiental contínua, ditada pelo mercado. 35Políticas e normas de gestão ambiental M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Como um primeiro passo, é necessário que o organismo que forne- ce os rótulos determine o método de verificação que será utilizado, de modo que os seguintes são os mais usuais: • Declaração de conformidade: quando o fabricante autodeclara a conformidade. • Revisão da documentação de suporte: nesse caso, a entidade que outorga o rótulo exige da empresa provas documentais de conformidade. • Avaliação da fase de produção e da cadeia de custódia dos pro- dutos rotuláveis. • Teste em amostras do produto. PARA SABER MAIS A rotulagem ambiental certifica com selos ambientais produtos que foram produzidos com menos impacto negativo ao meio ambiente em relação a outros produtos similares disponíveis no mercado, reconhe- cendo que as empresas produtoras se enquadram em ações de susten- tabilidade. Uma possível classificação de selos ambientais desenvolvi- da pela ISO estabelece os seguintes tipos de selos ambientais: tipo I, que tem como base critérios de ciclo de vida (regulamentado pela NBR ISO 14024); tipo II, que permite às empresas divulgarem na mídia os benefícios ambientais que o produto alcança (regulamentado pela NBR ISO 14021); e tipo III, que exige a avaliação do ciclo de vida como requi- sito ao selo ambiental. A família de normas ISO 14000 está em constante atualização, de forma a suprir consistente e eficientemente a demanda dos sistemas de gestão ambiental e atender às necessidades das empresas na abor- dagem aos desafios legais, comerciais e outros relacionados ao meio ambiente, além de assegurar a todos que a empresa está cumprindo as políticas ambientais estabelecidas. 36 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 3 Auditorias ambientais Auditoria ambiental é uma ferramenta da gestão utilizada para carac- terizar a situação ambiental da empresa, avaliando de forma sistemáti- ca se o desempenho ambiental está em conformidade com as políticas ambientais e se os processos de gestão e os equipamentos utilizados são adequados para cumprir os padrões ambientais predeterminados. Nesse contexto, entre as várias definições de auditoria ambiental, salien- tamos as expressas pela International Chamber of Commerce (ICC) nos textos da NBR ISO 14000 e as do Conama, apresentadas no quadro 3. Quadro 3 – Definições de auditoria ambiental International Chamber of Commerce (ICC) Uma ferramenta de gestão que utiliza uma avaliação sistemática, periódica, objetiva e documentada dos aspectos ambientais da organização, da gestão e dos equipamentos utilizados de forma a verificar se estão atuando com o objetivo de ajudar a salvaguardar o meio ambiente (KARAGIORGOS et al., 2008). NBR ISO 14000:2004 (auditoria interna) Processo sistemático, independente e documentado para obter evidência de auditoria e avaliá-la objetivamente, determinando assim a extensão em que os critérios de auditoria sãoatendidos. Resolução Conama nº 306/2002 Processo sistemático e documentado de verificação executado para obter e avaliar, de forma objetiva, evidências que determinem se as atividades, eventos, sistemas de gestão e condições ambientais especificados ou as informações relacionadas a estes estão em conformidade com os critérios de auditoria estabelecidos nesta resolução, e para comunicar os resultados desse processo. Analisando as definições de auditoria ambiental verifica-se a existên- cia de vários elementos comuns. Assim, é consensual que a auditoria é um processo sistemático, isto é, metódico, organizado e planejado; é um processo documentado, pois todas as etapas são registradas; e é um processo conduzido de forma objetiva, pois os resultados são apresen- tados seguindo os critérios estabelecidos para a auditoria e baseiam-se na comparação de evidências (VILELA JÚNIOR; DEMAJOROVIC, 2013). 37Políticas e normas de gestão ambiental M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A auditoria visa facilitar a atuação e o controle da gestão ambiental da empresa, assegurando que a planta industrial esteja dentro dos pa- drões de emissão exigidos pela legislação ambiental (DONAIRE, 1999). O desenvolvimento da auditoria ambiental é o resultado da necessi- dade de empregar ferramentas efetivas internas para gerenciar ques- tões ambientais. O trabalho dos auditores é analisar a eficiência das estratégias de gestão, propondo modificações para o seu aperfeiçoa- mento (CURI, 2011). Para determinar os tipos de auditorias ambientais, podemos dividi-las em três grupos em função da vinculação da equipe ou do time de audi- tores (VILELA JUNIOR; DEMAJOROVIC, 2013): o primeiro representa as auditorias internas (ou terceirizadas), solicitadas e pagas pela empresa; o segundo representa a contratação de auditorias por organizações ex- ternas à empresa para avaliar eventuais passivos ambientais; e o terceiro representa as auditorias realizadas por organismos independentes para emissão de certificados, como é o caso da ISO 14000. Uma auditoria ambiental integra um processo de melhoria contínua, sendo normalmente executada com base no ciclo PDCA. De acordo com Barbieri (2007, p. 220), o processo proposto pela ICC divide a audi- toria ambiental em três fases, conforme a figura 4. Figura 4 – Divisão da auditoria ambiental Atividades pré-auditoria Atividades de campo (auditoria propriamente dita) Atividades pós-auditoria Fonte: adaptado de Barbieri (2007, p. 220). As atividades de pré-auditoria incluem a definição dos critérios de auditoria, o escopo da auditoria, a seleção da unidade ou dos recursos 38 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . que serão auditados, o planejamento da auditoria propriamente dita, a seleção de auditores que conduzirão os trabalhos com objetividade e imparcialidade e os limites de atuação dos auditores. As atividades de campo incluem entrevistas visando à identificação do sistema de gestão, a avaliação de riscos e controles internos pela identificação de pontos fortes e fracos, a coleta de dados, a aplicação de testes, a avaliação de resultados e a elaboração preliminar de relató- rios de resultados. As atividades pós-auditoria incluem a reavaliação do relatório pre- liminar e a elaboração do relatório final; na sequência devem ser esta- belecidos planos de ação que indiquem responsabilidades para ações corretivas e deve-se proceder ao acompanhamento do plano certifi- cando-se de que os procedimentos foram executados corretamente. As auditorias ambientais impactam na eficácia da gestão dos pro- cessos empresariais e, consequentemente, na eficácia dos sistemas de gestão ambiental, auxiliando a empresa na redução de multas por incompatibilidade regulamentar na identificação precoce de proble- mas, na economia de custos com resíduos e no aumento da sua repu- tação ambiental. Considerações finais Neste capítulo foram analisados os principais instrumentos que en- quadram as questões ambientais nas empresas. Por um lado, muito embora as normas que regulamentam as ações ambientais das empre- sas sejam de adesão voluntária, a constatação de impactos ambientais resultantes de práticas ambientalmente incorretas, como o desmata- mento ilegal, leva os governos a estabelecer normas protetoras do meio ambiente; por outro lado, a conscientização das populações aumenta progressivamente a exigência de produtos e serviços ambientalmen- te corretos, o que leva as empresas a procurarem sistemas de gestão 39Políticas e normas de gestão ambiental M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. alinhados a práticas ambientalmente corretas, incorporando nos siste- mas de gestão normas ambientais e procedendo a auditorias ambien- tais. A questão que agora se coloca é saber quais são os obstáculos e as oportunidades para as empresas que cumprem as normas ambien- tais e buscam o seu desenvolvimento em mercados altamente compe- titivos. Esse tema será abordado no próximo capítulo. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). Introdução à NBR ISO 14001:2015. 2015. Disponível em: <http://www.abnt.org.br/publicacoes2/ category/146-abnt-nbr-iso-14001>. Acesso em: 26 mar. 2018. ______. NBR ISO 14040: gestão ambiental: avaliação do ciclo de vida: princípios e estrutura. Rio de Janeiro: ABNT, 2009. BARBIERI, José Carlos. Gestão ambiental empresarial. São Paulo: Saraiva, 2007. BRASIL. Ministério das Cidades. Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 3 ago. 2010. p. 2. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 17 mar. 2018. ______. Ministério do Meio Ambiente. Decreto no 7404, de 23 de dezembro de 2010. Regulamenta a Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, cria o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7404.htm>. Acesso em: 26 jul. 2018. ______. Ministério do Meio Ambiente. Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2 set. 1981. p. 16.509. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/l6938.htm>. Acesso em: 10 ago. 2018. 40 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . ______. Ministério do Meio Ambiente. Legislação. 2018. Disponível em: <http:// www.mma.gov.br/legislacao-mma>.Acesso em: 26 mar. 2018. CURI, Denise. Gestão ambiental. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. DONAIRE, Denis. Gestão ambiental na empresa. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999. KARAGIORGOS, Theoganis et al. Environmental auditing – Conceptual framework and contribution to the business. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON ACCOUNTING AND FINANCE, 2., 2008, Thessaloniki. Conference Proceedings… Thessaloniki: [s. n.], 2008. Disponível em: <http://www.drogalas. gr/uploads/publications/Environmental_auditing_Conceptual_framework_and_ contribution_to_the_business_environment.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2018. PORTNEY, Paul R. The price is right: making use of life cycle analysis. Issues in Science and Technology, Dallas, v. 10, n. 2, p. 69-75, 1994. SÁNCHEZ, Luis Enrique. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e méto- dos. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. VILELA JÚNIOR, Alcir; DEMAJOROVIC, Jacques. Modelos e ferramentas de gestão ambiental. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2013. 41 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 3 Desenvolvimento sustentável Qualquer gestor empresarial tem de gerir duas empresas em simul- tâneo: a empresa presente e a empresa futura. A empresa presente é gerida por meio de seus departamentos funcionais (marketing, financei- ro, comercial, recursos humanos, meio ambiente, saúde e segurança do trabalho, etc.); já a empresa futura é gerida por meio do planejamento, ou seja, com ações que não comprometam negativamente o futuro e que proporcionem o desenvolvimento empresarial sustentável. A sustentabilidade no desenvolvimento empresarial é resultado da capacidade da empresa em tomar decisões simultaneamente eficien- tes (fazendo certo as coisas) e eficazes (fazendo as coisas certas), ope- rando em áreas atraentes do mercado e obtendo custos baixos. 42 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . A consciência ambiental faz gestores e empresas agregarem ao seu horizonte estratégico e à prática operacional as questões ambientais, de- senvolvendo-se assim, nas empresas, os sistemas de gestão ambiental. Os sistemas de gestão ambiental (SGA), ao auxiliarem as empresas a lidar corretamente com o meio ambiente, não somente melhoram a imagem da empresa no mercado mas também aumentam a eficiência produtiva, ajudam a economizar matéria-prima e energia e reaproveitam resíduos de fabricação e de consumo. Ao aumentarem a eficiência em- presarial, os SGAs tornam-se condição necessária ao desenvolvimento sustentável de uma empresa. A aplicação das normas da série ISO 14000 no processo de gestão empresarial aumenta a eficácia empresarial, pois indica o que deve ser feito para minimizar impactos ambientais e melhorar o desempenho ambiental, garantindo dessa forma o desenvolvimento sustentável da empresa. 1 Desenvolvimento sustentável Entre as definições de desenvolvimento sustentável, a mais popu- lar é da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Relatório de Brundtland): “Desenvolvimento que atenda as necessida- des do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender às suas próprias necessidades” (UNITED NATIONS, 1987, tradução nossa). Essa definição foi ampliada e ainda é debatida, e em- bora o objetivo essencial de cuidar das gerações futuras continue a ser o mesmo, outros aspectos foram integrados no conceito de desenvol- vimento sustentável. A visão economicista do desenvolvimento começou a ser critica- da ao não considerar as questões sociais e ambientais, mas somen- te os aspectos produtivos e as taxas de crescimento econômico. Até que na conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e 43Desenvolvimento sustentável M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Desenvolvimento, ou Earth Summit, também conhecida como Rio-92 ou Eco-92 – realizada no Rio de Janeiro em 1992 –, foi proposto um novo padrão de desenvolvimento sustentável baseado em três pilares: sustentabilidade ambiental, econômica e social. Entre as conclusões da Eco-92 podemos destacar o desenvolvimen- to de dois instrumentos: a Agenda 21, conjunto abrangente de diretri- zes para alcançar a sustentabilidade ambiental, social e econômica que foi adotada por 172 nações; e a elaboração da ISO 14000, família de normas internacionais de gestão ambiental. IMPORTANTE O conceito de desenvolvimento sustentável expresso pela Agenda 21 aborda um desenvolvimento que não esgota, mas antes conserva e reali menta sua fonte de recursos naturais. Também não inviabiliza a socieda de, mas promove a repartição justa dos benefícios alcançados, que não é movido apenas por interesses imediatistas, e sim baseado no planeja mento de sua trajetória, e que, por essas razões, é capaz de manterse no espaço e no tempo, comprometendose assim com gerações futuras. Esse movimento levou ao aprimoramento do modelo inicial de de- senvolvimento sustentável, que priorizava o desenvolvimento econômi- co em relação ao desenvolvimento ambiental e social, e que nesse novo contexto passou a garantir um nível básico de qualidade de vida para todas as pessoas e a proteção dos sistemas ambientais e sociais que faziam com que a vida fosse possível e valesse a pena (ALENCASTRO, 2012). Nesse contexto, a sustentabilidade do desenvolvimento pressu- põe que a economia se desenvolva em conjugação com o ecossistema,1 o que nem sempre é viável, dado o conflito de interesses ocasionado 1 Conjunto dos seres vivos e dos fatores ambientais presentes em determinada região onde vivem, como o solo, a água, o ar e a própria luz solar. 44 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . pelos atuais padrões de utilização de recursos e desigualdades sociais entre países com diferentes graus de desenvolvimento. Partindo do princípio de que não se devem considerar conflitantes as metas ecológicas e econômicas, pois, para sua sobrevivência, os siste- mas econômicos dependem dos sistemas ecológicos de sustentação, Sachs (1993) refere que todo planejamento de desenvolvimento deve levar em conta cinco dimensões de sustentabilidade, conforme apre- sentado no quadro 1. Quadro 1 – As cinco dimensões do desenvolvimento SOCIAL ECONÔMICA ECOLÓGICA ESPACIAL CULTURAL Maior equidade da distribuição de renda Maior eficiência na gestão dos recursos Uso racional de recursos para preservação do ambiente Distribuição geográfica equilibrada das populações Soluções customizadas de acordo ao local, cultura e ecossistema Fonte: adaptado de Sachs (1993). A assimilação da visão humanista de Sachs, em princípio de difícil aceitação no mundo empresarial, progressivamente tem inspirado nas empresas práticas sustentáveis de desenvolvimento, como é o caso dos mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL), que contribuem na redução de gases de efeito estufa ou de captura de carbono, ou dos processos de reciclagem,que diminuem o impacto ambiental negativo, proporcionando maior lucro. PARA SABER MAIS Ao adotarem o Protocolo de Quioto – acordo sobre meio ambiente e sustentabilidade – os países comprometemse a reduzir emissões de poluentes. Os elevados custos dos programas de redução de emissões levaram à flexibilização desses programas com a sugestão de algumas alternativas, como é o caso dos MDLs estabelecidos a fim de conceder 45Desenvolvimento sustentável M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. créditos para projetos que reduzam ou evitem emissões nos países em desenvolvimento. Para saber mais sobre MDLs, consulte a obra Meca- nismo de desenvolvimento limpo aplicado a resíduos sólidos, de Adriana Felipetto (2007). O desenvolvimento sustentável está baseado na premissa de que o crescimento econômico e a qualidade ambiental precisam ser recon- ciliados (THOMAS; CALLAN, 2012), ou seja, crescimento econômico provoca impactos ambientais negativos que devem ser controlados e, sempre que possível, reduzidos. Quanto maior a necessidade de crescimento econômico para redu- ção de pobreza, maior o esforço de redução dos impactos ambientais necessário à manutenção do desenvolvimento sustentável, conforme pode ser analisado no infográfico apresentado na figura 1. Figura 1 – Impactos ambientais e desenvolvimento sustentável Esforço de redução do impacto ambiental Impacto ambiental por unidade de renda × população Renda per capita × população (crescimento econômico) Desenvolvimento sustentável O esforço para reduzir impactos ambientais negativos aumenta com o crescimento da população. Por isso, em países muito populosos e com elevadas taxas de crescimento, como é o caso dos países emer- gentes, o desenvolvimento sustentável enfrenta maiores dificuldades, muitas vezes superadas com a aplicação de regulamentos ambientais 46 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . rígidos e pesadas multas a infratores, além de divulgar ações de cons- cientização ambiental. Analisemos o caso da demanda de energia na China e na Índia, que tende a aumentar devido ao aumento populacional e ao crescimento econômico, causando impactos negativos no meio ambiente com au- mento de poluição e emissão de dióxido de carbono, o que contribui para o efeito estufa, ocasionando aumento da temperatura média do planeta. PARA SABER MAIS O efeito estufa é um fenômeno natural que possibilita a vida no nosso planeta. Parte da energia solar que chega à Terra é absorvida pela su perfície, promovendo o aquecimento global, de modo que uma parcela dessa energia, embora irradiada de volta ao espaço, é bloqueada pe los gases do efeito de estufa – dióxido de carbono (CO2), ozônio (O3), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) –, que apesar de “deixarem passar” a energia solar (emitida em comprimentos de onda menores), retêm a ra diação terrestre (emitida a maiores comprimentos de onda), mantendo a terra aquecida; dessa forma, quanto maior a presença desses gases, maior será a temperatura do planeta. Para saber mais sobre o efeito estufa, consulte Felipetto (2007, p. 11). Elkington (1998) introduziu o conceito de desenvolvimento sustentá- vel mais divulgado atualmente: o triple bottom line, que se assenta nos 3 Ps – people, planet, profit (“pessoas, planeta, lucro”) –, refletindo a inter- dependência das pessoas, da natureza e do benefício econômico para o sucesso da sustentabilidade no desenvolvimento (figura 2). Segundo o autor, o desenvolvimento sustentável pressupõe o desenvolvimento de um novo tipo de economia baseada em parcerias sociais e ambientais que ajudem a aumentar a eficiência das práticas tradicionais, proporcio- nando uma plataforma que permita que todos alcancem objetivos que nenhum dos parceiros poderia conseguir por conta própria. 47Desenvolvimento sustentável M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 2 – O tripé da sustentabilidade Triple Bottom Line Desempenho social People Prof i t Desempenho econômico Planet Desempenho ambiental O conceito de triple bottom line pressupõe um desenvolvimento har- monioso entre pessoas, ambiente e economia que, quando transporta- do para a realidade empresarial, pode ser interpretado pela forma como as empresas crescem, desenvolvendo as comunidades onde estão in- seridas e respeitando o ambiente. Nesse contexto, quando a empresa considera que o fim de sua ativi- dade econômica é a comercialização de seus produtos (sem preocupa- ção com a forma como seu descarte será feito), ou quando a empresa se serve de capital humano (sem preocupação quanto ao seu desen- volvimento), não ficam asseguradas as bases de um desenvolvimento sustentável. Uma empresa que tem como proposta de desenvolvimento a susten- tabilidade baseada no conceito de triple bottom line serve-se de técni cas modernas para não poluir o meio ambiente, utiliza racionalmente recursos 48 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . naturais de forma a reduzir drasticamente o desperdício, remunera seus funcionários corretamente, paga todos os impostos devidos e apresenta lucros que lhe garantem o desenvolvimento. No entanto, se a empresa ou algum de seus fornecedores utiliza trabalho escravo, mesmo que essa empresa esteja cumprindo com o desempenho econômico e ambiental, apresenta uma grave vulnerabilidade no desempenho social. Claro que essa empresa, como qualquer outra, deve pautar-se pela satisfação dos públicos que afetam ou são afetados pelas suas ativida- des, isto é, os stakeholders, como definimos no capítulo anterior. Certas decisões nem sempre agradam a todos os stakeholders, como é o caso de decisões econômicas que podem afetar de forma diferenciada inte- resses de acionistas e de colaboradores ou de fornecedores; por exem- plo, quando a instalação de um equipamento de redução de emissão de poluentes aumenta os custos da operação, diminuindo o lucro. Embora a importância do desenvolvimento econômico das empresas seja o fator prevalente, em muitos casos, relativamente aos aspectos sociais e ambientais, a crescente conscientização ambiental tem alte- rado essa hierarquia, pois progressivamente os stakeholders – clientes, fornecedores, colaboradores, acionistas, governo, comunidade e outros interessados – entendem que para assegurar o desenvolvimento em- presarial sustentável é imprescindível assegurar a permanente harmo- nia do tripé representado pelo triple bottom line. PARA SABER MAIS Mapas de sustentabilidade são roteiros para comercialização, produção e consumo sustentável que podem ser utilizados por empresas, consu midores, organizações públicas e outras organizações que desenvolvem padrões de sustentabilidade (normas, selos ambientais, etc.). Nesses mapas são indicadas as etapas que devem ser seguidas para se cami nhar rumo à sustentabilidade. A InternationalTrade Center (ITC), agência multilateral de desenvolvimento da Organização Mundial do Comércio e das Nações Unidas, dedicada ao apoio à internacionalização de micro, 49Desenvolvimento sustentável M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. pequenas e médias empresas, tem como missão promover o desenvol vimento econômico inclusivo e sustentável e contribuir para alcançar os Objetivos Globais das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentá vel, um mapa de sustentabilidade com os passos necessários ao desen volvimento sustentável. 2 Sustentabilidade corporativa Mas qual é o interesse das empresas na sustentabilidade? Se as empresas sobrevivem graças à sua competitividade, por que devem se preocupar com os problemas sociais e ambientais? Qual a relação entre competitividade e sustentabilidade? A sustentabilidade e a competitividade são indissociáveis, pois qual- quer empresa sustentável deve ser competitiva e auferir lucro. Os ele- mentos que associam estes conceitos e que podemos sintetizar podem ser categorizados da seguinte forma: • A responsabilidade ecológica de uma empresa, ou seja, a respon- sabilidade que a empresa tem perante os seres vivos e suas inte- rações com o meio ambiente onde vivem impacta na melhoria da sua imagem junto a consumidores e a comunidade em geral. • O cumprimento de requisitos legais (normas ambientais), salva- guardando a integridade dos ativos empresariais. • A redução de custos e aumento de lucro ao reciclar e reutilizar recursos e adotar medidas de economia energética. • A proteção de gerações futuras, garantindo melhores condições ambientais do planeta e melhorando a qualidade de vida das gerações atuais e futuras. 50 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • A satisfação dos stakeholders e, consequentemente, do merca- do, cada vez mais interessados pelas causas ambientais, o que aumenta o valor da empresa no mercado e garante o reconheci- mento dos executivos. Figura 3 – Por que as empresas devem se integrar à causa ambiental? Sentido de responsabilidade ecológica Proteção pessoal Pressão de mercado Qualidade de vida Lucro Requisitos legais Salvaguarda da empresa Imagem Sustentabilidade corporativa é uma filosofia de gestão traduzida como respeito ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável da sociedade, ou seja, a competitividade empresarial é associada às cinco dimensões de sustentabilidade definidas por Sachs (1993). Para uma organização interessada em desenvolvimento, o primeiro desafio é reconhecer que um sistema de gestão ambiental não é sinôni- mo de desenvolvimento sustentável, pois existem limites sociais e am- bientais ao desenvolvimento. Os padrões de gestão ambiental são parte da resposta da organização ao objetivo do desenvolvimento sustentá- vel, mas outras iniciativas que afetam o bem-estar social são impres- cindíveis no desenvolvimento de uma estratégia de sustentabilidade, como é o caso de algumas empresas que, embora respeitem padrões 51Desenvolvimento sustentável M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. ambientais no seu processo de gestão, são abastecidas por empresas poluidoras ou que utilizam trabalho escravo. Esse aspecto projeta o es- tudo da sustentabilidade corporativa para o âmbito da cadeia de valor em que a empresa está inserida. É notório que o avanço das tecnologias de informação e comuni- cação, a progressiva liberalização dos mercados e o incremento das inovações são em grande parte responsáveis pelo aumento da competi- tividade empresarial. Mas, como os produtos finais têm valor agregado em diferentes países, por diferentes empresas, a concorrência não se faz sentir tanto entre empresas individuais, mas sobretudo entre as cadeias de valor, ou seja, entre as cadeias de abastecimento. Uma empresa que comercialize produtos obtidos com prejuízo am- biental irá prejudicar-se tanto quanto ou mais que o seu fornecedor. A característica de universalidade do meio ambiente faz com que im- pactos ambientais afetem as cadeias de valor globais e não só uma empresa singular. A sustentabilidade corporativa requer uma abordagem integrada no processo de tomada de decisão. Implicações socioeconômicas de ações que visem reduzir impactos ambientais negativos devem ser entendidas não somente pelas empresas que compõem a cadeia de suprimentos, mas também pelo mercado consumidor, como, por exemplo, a produção e comercialização de produtos certificados – caso do manejo florestal de baixo impacto, que pode resultar em maior custo operacional e, conse- quentemente, aumentar o valor de transação desses produtos. NA PRÁTICA O manejo de baixo impacto de madeira, certificado com selo verde, é mais caro que um manejo legal mas sem a certificação ambiental; nesse caso, o consumidor deve acreditar que o produto mais caro foi manejado com redução de impacto ambiental (o selo verde não está normalmente estampado nos produtos) e deve ter disposição para pa gar mais caro pelo produto. 52 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Desse modo, a sustentabilidade corporativa abrange não somen- te cada empresa de forma individual, mas toda a cadeia de valor em que a empresa se insere e também o mercado onde comercializa seus produtos. Aprofundar o conhecimento das cadeias de abastecimento torna- -se fundamental para viabilizar o desenvolvimento empresarial e, nesse sentido, o conceito que garante simultaneamente o desenvolvimento econômico de uma empresa, a eficiência ambiental dos processos de gestão e o respeito ao desenvolvimento do capital humano da empresa e da sociedade é o de sustentabilidade corporativa. A sustentabilidade corporativa deve nortear as decisões de uma ges- tão eficiente das cadeias de abastecimento sustentável (GCAS), princi- palmente no que se refere aos processos de adaptação entre a compe- titividade e a sustentabilidade empresarial. IMPORTANTE Insumos de produção fornecidos por empresas altamente poluidoras ou que utilizem trabalho escravo prejudicarão outras empresas, inclusive suas próprias clientes; empresas que respeitem normas ambientais e têm sua cadeia de valor auditada (por exemplo, com cadeias de custó dia certificadas) ou que pratiquem logística reversa reutilizando ou re ciclando resíduos terão a sua imagem melhorada e conseguirão maior sustentabilidade no seu desenvolvimento. Uma visão mais econômica de sustentabilidade corporativa, como é o caso do conceito de valor compartilhado corporativo (corporate sha- red value – CSV) desenvolvido por Porter e Kramer (2011), sugere que a competitividade de uma empresa e a saúde das comunidades ao seu redor estão intimamente interligados, pois um negócio precisa de uma comunidade de sucesso não só para criar demanda por seus produ- tos, mas também para fornecer recursos públicos e contribuir para a53Desenvolvimento sustentável M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. melhoria da qualidade de vida. Também nessa perspectiva, as verten- tes social, econômica e ambiental são indissociáveis em processos de desenvolvimento sustentável. PARA SABER MAIS O conceito de valor compartilhado (shared value) pode ser definido como políticas e práticas operacionais que aumentam a competitivi dade de uma empresa ao mesmo tempo que promovem as condições econômicas e sociais nas comunidades em que atua. A criação de valor compartilhado concentra-se na identificação e na ampliação das cone xões entre o progresso social e econômico. O conceito baseiase na pre missa de que o progresso econômico e social deve ser abordado usan do princípios de valor, definido como benefícios em relação aos custos, e não apenas benefícios por si só (PORTER; KRAMER, 2011). Exemplo do reflexo de valor corporativo compartilhado no desenvolvi- mento sustentável das empresas é a parceria entre a Adidas e o Grameen Bank, banco de microcrédito criado por Muhammad Yunus, ganhador do prêmio Nobel da Paz, para fabricar um calçado de baixo custo para os po- bres de Bangladesh. Com essa ação, pessoas economicamente vulnerá- veis puderam aumentar sua proteção contra doenças, rendendo mais no trabalho, aumentando sua renda e eventualmente comprando outros cal- çados Adidas, contribuindo assim para o desenvolvimento da empresa. Impactos ambientais negativos podem ser reduzidos pela adoção de sistemas de gestão ambiental ao subsidiarem estratégias de desenvol- vimento sustentável apoiados muitas vezes em sistemas de logística reversa, como é o caso da reciclagem ou da reutilização de embalagens, que contribui não somente para a preservação de recursos naturais – na economia de matérias-primas e na redução da quantidade de resí- duos sólidos depositados em aterros sanitários – mas também para a criação de emprego em processos de reciclagem e nas operações de remoção de resíduos, e dessa forma contribuindo para o aumento de renda das populações. 54 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Empresas sustentáveis não devem servir-se do ambiente ou da co- munidade que as circunda, mas evoluir preservando o ambiente e desen- volvendo-se conjuntamente com as comunidades onde estão inseridas. 3 Importância da informação na gestão ambiental A crescente conscientização ambiental tem induzido indivíduos e empresas a entenderem mais profundamente os efeitos de impactos ambientais. O ambiente é universal e, em consequência disso, impactos ambientais não se restringem a quem os provoca, pois são sentidos por todos, como é o caso da descartabilidade de resíduos para lixões, que afeta múltiplas empresas e populações. A troca de informações facilmente acessíveis e de entendimento uni- versal é fundamental no processo de aprendizagem ambiental. A Global Reporting Initiative (GRI) padroniza relatórios de sustentabilidade que permitem às empresas prestar contas sobre seu desempenho ambien- tal, econômico e social. A GRI ajuda empresas e governos em todo o mundo a entender e comunicar seu impacto em questões críticas de sustentabilidade, como mudanças climáticas, direitos humanos, governança e bem-estar so- cial. Isso possibilita ações reais para criar benefícios sociais, ambientais e econômicos para todos. Os padrões de relatórios de sustentabilidade da GRI são desenvolvidos com verdadeiras contribuições de várias par- tes interessadas e estão enraizados no interesse público. Informações sobre o desempenho econômico, ambiental e social que permitam comparações entre regiões ou países são instrumentos úteis para o estabelecimento de políticas e estratégias de desenvolvimento sustentável, como é o caso dos relatórios de sustentabilidade ou dos indi- cadores de desenvolvimento sustentável (IDS) – no Brasil, desenvolvidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) –, métricas que possibilitam a análise de informações sobre o desempenho econômico, ambiental e social da organização e passíveis de comparação. 55Desenvolvimento sustentável M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A utilização de indicadores de desenvolvimento sustentável permite aos gestores tomar decisões mais eficientes em várias situações, tais como: • na atribuição de fundos e de recursos naturais ou na definição de prioridades de investimento; • na comparação de condições em diferentes locais ou áreas geográficas; • no planejamento de ações de desenvolvimento; • na detecção de tendências de consumo, demográficas, etc., no tempo e no espaço; • em desenvolvimentos científicos; • na informação ao público sobre os processos de desenvolvimen- to sustentável. Os indicadores de desenvolvimento sustentável são normalmen- te classificados em quatro categorias (quadro 2): indicadores am- bientais; indicadores econômicos; indicadores sociais; e indicadores institucionais. Quadro 2 – Exemplos de indicadores de desenvolvimento sustentável 1 – INDICADORES AMBIENTAIS • Consumo de substâncias destruidoras da camada de ozônio (por tipo de substância) • Quantidade comercializada de fertilizantes por área plantada (segundo o tipo de nutriente) • Número de focos de calor, segundo as grandes regiões e as Unidades da Federação 2 – INDICADORES ECONÔMICOS • Produto interno bruto per capita, a preços de 1995 • Valor das exportações, importações e saldo comercial (Brasil) • População e consumo final de energia, total e per capita (cont.) 56 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 3 – INDICADORES SOCIAIS • População residente e taxa média geométrica de crescimento anual da população residente • Rendimento médio mensal real das pessoas de 15 anos ou mais de idade, com rendimento por sexo • Taxa de mortalidade infantil 4 – INDICADORES INSTITUCIONAIS • Número de atos multilaterais relativos ao meio ambiente ratificados pelo Brasil • Municípios, total e com legislação ambiental, e respectiva proporção • Municípios, total e com Fundo Municipal de Meio Ambiente, e respectiva proporção Fonte: adaptado de IBGE (2017). PARA SABER MAIS Os indicadores de desenvolvimento sustentável (IDS) fornecem in formações referentes a aspectos ambientais, sociais, econômicos e institucionais do desenvolvimento brasileiro. Os IDS permitem não só entender a evolução como relacionar entre si dados econômicos, so ciais e ambientais. Saiba mais sobre IDS consultando o site do IBGE (disponível em: <https://www.ibge.gov.br/>). Os indicadores de desenvolvimento sustentável são sobretudo di- recionadores de sustentabilidade, pois ao transmitirem informações sobre a situação ambiental em cada momento – e sob várias pers- pectivas de análise – orientam empresas, governos e a sociedade em geral no processo de tomada de decisão que vise ao desenvolvimento sustentável.Os indicadores estão em harmonia com os aspectos social, econô- mico e ambiental, sendo capazes de suprir as necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. 57Desenvolvimento sustentável M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Considerações finais Neste capítulo analisamos o conceito de desenvolvimento sustentável e quais são os reflexos da sustentabilidade no desenvolvimento empre- sarial. Foram analisadas as vertentes sociais, econômicas e ambientais do desenvolvimento e os instrumentos que auxiliam gestores ambientais e decisores de políticas ambientais em processos de tomada de decisão. Foi ainda salientada a utilização de indicadores que permitam orientar e aumentar a eficiência de processos empresariais que envolvam interação com o meio ambiente. Questões relativas à análise do ciclo de vida de produtos e seu des- carte subsequente e estratégias de prolongamento de utilização serão analisadas no próximo capítulo. Referências ALENCASTRO, Mario Sérgio Cunha. Empresas, ambiente e sociedade. Curitiba: InterSaberes, 2012. ELKINGTON, John. Partnerships from cannibals with forks: the triple bottom line of 21st century business. Environmental Quality Management, Wheaton, p. 37-51, 1998. Disponível em: <https://pdfs.semanticscholar.org/9ae6/e83cffc77 c660900aee8a2982e045700126e.pdf>. Acesso em: 28 mar. 2018. FELIPETTO, Adriana Vilela Montenegro. Mecanismo de desenvolvimento limpo aplicado a resíduos sólidos. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Administração Municipal, 2007. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – IDS. 2017. Disponível em: <https://sidra.ibge. gov.br/pesquisa/ids/tabelas>. Acesso em: 18 mar. 2018. PORTER, Michael; KRAMER, Mark. Creating Shared Value. Harvard Business Review, Brighton, 2011. Disponível em: <https://hbr.org/2011/01/the-big-idea- creating-shared-value>. Acesso em: 17 abr. 2018. 58 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . SACHS, Ignacy. Estratégias de transição para o século XXI. In: BURSZTYN, Marcel. Para pensar o desenvolvimento sustentável. São Paulo: Brasiliense, 1993. p. 29-56. THOMAS, Janet; CALLAN, Scott. Economia ambiental. São Paulo: Cengage Learning, 2012. UNITED NATIONS (UN). Our common future, chapter 2: towards sustainable development. In: ______. Report of the World Commission on Environment and Development: Our Common Future. [S. l.]: UN Documents, 1987. Disponível em: <http://www.un-documents.net/ocf-02.htm#I>. Acesso em: 6 abr. 2018. 59 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 4 Avaliação do ciclo de vida do produto Com o aumento da competitividade e a consequente necessidade de especialização, a gestão da distribuição física – resultado do desenvol- vimento do conceito de distribuição em marketing – tornou-se gestão logística e depois gestão logística integrada ao abranger a totalidade da cadeia de abastecimento, incluindo os fluxos de informação e o retorno de mercadorias. Atualmente o conceito de “gestão da cadeia de suprimentos” extrapola as fronteiras da empresa, envolvendo fornecedores e as empresas que compõem a cadeia de abastecimento, de forma a gerenciar de maneira integrada, racional e otimizada o fluxo de materiais e informações, desde o início da cadeia de valor (matérias-primas) até o consumidor final. 60 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . A introdução massiva de novos produtos nos mercados encurta o ciclo de vida dos existentes, que são rejeitados pelos consumidores, e dinamiza o sistema logístico, que deverá operacionalizar o respectivo descarte em aterros sanitários ou o retorno desses produtos aos ciclos de produção. O foco do gerenciamento da cadeia de abastecimento está na coope- ração e na confiança entre as empresas componentes (CHRISTOPHER, 2011), visando não só entregar mais valor ao cliente a um custo menor como colaborar na ecoeficiência das empresas sempre que os produ- tos por elas comercializados, além de satisfazerem as necessidades dos consumidores, tiverem sido produzidos com o mínimo de impacto ambiental. Nesse contexto, a logística reversa como contribuinte para agregação de valor deve ser considerada parte fundamental do negó- cio, independentemente do ramo de atividade ou do mercado em que a empresa comercializa seus produtos. 1 Logística e a cadeia de suprimentos A separação da produção do consumo, devido a regras econômicas de especialização, necessita da realização de várias funções – normal- mente executadas por empresas especializadas – a fim de ir ao encon- tro das demandas dos consumidores. Produtos devem estar disponí- veis para os consumidores na quantidade, no local e no momento ideal. Cabe à logística gerenciar esse processo de movimentação de produtos realizado por várias empresas através de canais de distribuição de for- ma a maximizar a lucratividade por meio de minimização de custos. As empresas que proporcionam o fluxo de matérias-primas e merca- dorias conectando fornecedores de insumos a consumidores de produ- to constituem a cadeia de suprimentos, definida por Christopher (2011, p. 5) da seguinte forma: 61Avaliação do ciclo de vida do produto M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. […] uma rede de organizações conectadas e interdependentes, tra- balhando conjuntamente em regime de cooperação mútua, para controlar, gerenciar e aperfeiçoar o fluxo de matérias-primas e in- formação, de fornecedores para clientes finais. A cadeia de suprimentos movimenta fluxos de matérias-primas e pro- dutos acabados e semiacabados pelos canais de distribuição. As empre- sas participantes dos canais de distribuição relacionam-se comprando, transformando, vendendo, armazenando e transportando mercadorias, de forma a disponibilizar produtos que criem valor para consumidores. Além dessas funções, cabe às empresas canalizar informações de clien- tes, consumidores e, em geral, dos mercados que sejam úteis ao proces- so decisório das empresas componentes da cadeia de suprimentos. A globalização produtiva e comercial deslocou fontes de insumos, produção e mercados, levando as empresas não somente a se espe- cializarem na movimentação de matérias-primas e de produtos, mas a colaborar dentro da cadeia de abastecimento, pois o sucesso de cada empresa passou a depender do sucesso de toda a cadeia de abasteci- mento em que está inserida. O desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação e informação aumentou o ritmo das decisões em- presariais, tornando os fluxos de informação mais dinâmicos e apro- ximando as empresas fornecedoras deseus clientes, que dessa forma passaram a se relacionar com maior proximidade e dinamismo. Ao permitir a “identificação de produtos ao longo dos canais de dis- tribuição”, a utilização do código de barras “foi um avanço importante nas atividades da logística empresarial, contribuindo para seu relevan- te papel nas últimas décadas” (LEITE, 2009, p. 3). Mais recentemente, com o desenvolvimento de novos sistemas de gestão empresarial in- formatizados, como o Enterprise Resources Planning (ERP), a adoção de tecnologias RFID, que utilizam a frequência de rádio para captura de informações de produtos, e com os sistemas de localização GPS, a gestão das atividades logísticas ganharam relevância e passaram a integrar todos os componentes da cadeia de suprimentos. 62 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Até o final do século passado a movimentação do processo produtivo tinha um fluxo logístico unidirecional, começando nos insumos e termi- nando no descarte de produtos finais. A partir de então, com o crescente aumento de conscientização ambiental das empresas e dos consumido- res, tem sido revitalizada a movimentação de resíduos e rejeitos que são reutilizados como matérias-primas no processo de fabricação, transfor- mando gradativamente os fluxos logísticos de unidirecionais para circu- lares, o que leva a logística reversa a integrar as cadeias de suprimentos, conforme o fluxo apresentado na figura 1, e a ter papel relevante no pla- nejamento estratégico e na definição de diferenciais de competitividade das empresas. Figura 1 – Elementos e fluxos da cadeia de suprimentos Fornecedores Fluxos de mercadorias Fluxos de informação Indústria transformadora Mercado (consumo) Resíduos e rejeitos Inserção nas cadeias produtivas Nesse novo desenho da cadeia de suprimentos, a logística garante que os fluxos de insumos e de produtos satisfaçam de forma coordena- da as necessidades de clientes (produtores, atacadistas e varejistas) e de consumidores finais, retornando informações que possibilitem ajus- tes na concepção e na comercialização dos produtos de forma a melhor satisfazer o consumidor final. Esse fluxo também possibilita o trans- porte dos resíduos de produção e de comercialização, além das em- balagens, de forma a reintegrá-los nas cadeias produtivas, aumentan- do a rentabilidade e a imagem das empresas ao reutilizar desperdícios como matérias-primas e simultaneamente reduzir impactos ambientais negativos. 63Avaliação do ciclo de vida do produto M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Algumas importantes conclusões podem ser extraídas dessa arqui- tetura de cadeias de suprimentos com logística reversa integrada: • As empresas integrantes beneficiam-se junto ao mercado consumidor pela imagem de empresa com responsabilidade socioambiental. • As empresas integrantes podem aumentar a sua rentabilidade, reduzindo custos de aquisição, com a reutilização de insumos ou de embalagens. • Ao realizar um gerenciamento adequado de devoluções, a logísti- ca reversa facilita a proteção de dados do consumidor. • Ao reciclar e viabilizar a reutilização de produtos e equipamentos, a logística reversa promove o sucesso e a sustentabilidade do negócio. 2 Gestão do ciclo de vida do produto PARA PENSAR Fraldas descartáveis ou fraldas laváveis? Qual a menos poluente? A fralda descartável usa mais recursos naturais para sua fabricação e ocupa mais espaço nos aterros sanitários quando descartada. Para a reutilização da fralda lavável é necessário que seja feita sua limpeza e sanitização, o que consome energia, água e detergentes; ainda assim, a fralda lavável é a que causa menos impacto ambiental. O exemplo clássico de comparação entre fraldas descartáveis e fral- das laváveis nos ajuda a entender a importância da análise do ciclo de vida no estudo do impacto ambiental de produtos comercializados. 64 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . IMPORTANTE Ciclo de vida refere-se às etapas consecutivas e interligadas de um con- junto de processos destinados à disponibilização de produtos em esta- do de uso, desde a aquisição de matéria-prima – ou geração de recursos naturais – até à disposição final, conforme a figura 2. Figura 2 – Ciclo de vida de um produto Transformação Transporte Comercialização (uso) Embalagem Reciclagem (reúso) Matérias-primas (energia) A avaliação do ciclo de vida (ACV) permite verificar como os fatos empíricos (por exemplo, consumo de água, energia ou detergente) im- pactam no meio ambiente. 65Avaliação do ciclo de vida do produto M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Chehebe (2002, p. 10) define análise do ciclo de vida como uma [...] técnica para avaliação dos aspectos ambientais e dos impactos potenciais associados a um produto, compreendendo etapas que vão desde a retirada da natureza das matérias-primas elementares que entram no sistema produtivo à disposição do produto final. A ACV pode ser usada pela indústria na concepção de um novo produto ou na avaliação de um produto existente. Também é útil para analisar de forma sistemática e holística as questões ambientais rela- cionadas a sistemas produtivos e de comercialização, permitindo à em- presa identificar oportunidades de melhorias, identificar se as questões ambientais estão relacionadas à produção ou à utilização de produtos, subsidiar a produção de declarações ambientais ou esquemas de rotu- lagem e avaliar a performance ambiental com base em indicadores de sustentabilidade (CHEHEBE, 2002). As etapas do ciclo de vida de produtos determinadas pela ISO 14040 (figura 3) incluem a definição de meta e escopo, análise de inventário, análise de impacto e interpretação de resultados. Figura 3 – Avaliação do ciclo de vida Definição de objetivo e escopo Análise de inventário do ciclo de vida Interpretação do ciclo de vida Avaliação de impacto do ciclo de vida Desenvolvimento e melhoria de produtos Planejamento estratégico Políticas públicas Marketing Outras aplicações Estrutura de avaliação do ciclo de vida Aplicações diretas Fonte: adaptado de ISO (1997). 66 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 2.1 Definição do objetivo e escopo Nesta etapa devem ser indicadas as razões que originaram o estudo e para quem os resultados devem ser comunicados. Na definição do escopo deve ser descrito o sistema do produto a ser estudado, isto é, o conjunto de processos singulares, materiale energicamente ligados, que executam uma ou mais funções, e o alcance do estudo delimitando suas fronteiras, mas assegurando que a amplitude, a profundidade e os detalhes do estudo atendam ao objetivo declarado. Segundo Chehebe (2002, p. 28), um sistema relacionado ao produto é “uma coleção de operações que representam uma ou mais funções definidas e que pode ser descrito com suficientes detalhes e clareza”. A descrição de um sistema produto deve apresentar os fluxos energé- ticos, de insumos e de produtos que atravessam os limites do sistema, na entrada ou na saída, e ainda os fluxos das unidades de processamen- to e de produtos dentro do sistema. Confira esse sistema na figura 4. Figura 4 – Sistema produto Energia Insumos Outros sistemas Outros sistemas Tratamento de resíduos Transporte Produção Consumo Fronteira do sistema produto Fluxo do produto Fluxo do produto Reciclagem/ reutilização Fonte: adaptado de Chehebe (2002, p. 29). 67Avaliação do ciclo de vida do produto M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A delimitação da fronteira do sistema permite objetividade na análise do inventário e na avaliação do impacto, e por isso é importante deter- minar as unidades de processamento que estão incluídas nos limites da avaliação do ciclo de vida e a forma como estão interconectadas. 2.2 Análise do inventário do ciclo de vida Envolve a coleta de dados e os cálculos necessários para quantificar os insumos relevantes, as entradas e as saídas de um sistema de produ- to, o que inclui o uso de recursos naturais e as emissões para o ar, água e terra relacionadas ao sistema produto. Nesta etapa devem ser considera- dos os processos que emitam várias saídas (por exemplo, emissão para o ar e água) e ainda aqueles relacionados a procedimentos de reciclagem. Os dados – qualitativos ou quantitativos – devem ser coletados em cada unidade de processamento, respeitando as fronteiras do sistema e posteriormente classificados de forma a permitir uma análise seletiva, conforme apresentado na figura 5. Restrições à coleta de dados devem ser expressas no escopo e documentadas no relatório final. Figura 5 – Categorias de dados Energia e outros insumos Produtos e transporte Emissões para o ar Emissões para a terra Outras emissões Monóxido de carbono Óxido de enxofre Outros Sistema produto Emissões 68 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Após validação dos dados, as unidades de processamento são inter- conectadas de forma a permitir o cálculo completo de todo o sistema, devendo o resultado final referir os dados de entrada e saída em cada unidade de processamento. 2.3 Avaliação do impacto do ciclo de vida Nesta etapa utilizam-se os resultados da análise de inventário de ci- clo de vida avaliando o potencial dos impactos ambientais. De acordo com a norma ISO 14040 (ISO, 1997), os dados obtidos no inventário devem ser classificados e caracterizados, podendo também ser pon- derados de acordo com categorias de impacto de forma a avaliar a sig- nificância dos aspectos ambientais apresentados durante a etapa de inventário. A seleção das categorias consideradas na avaliação do impacto deve levar em conta as preocupações ambientais identificadas no objetivo e no escopo do estudo (CHEHEBE, 2002). São exemplos de categorias ambientais: • aquecimento global; • redução de camada de ozônio; • exaustão de recursos não renováveis; • entre outras. Se a avaliação concluir que o objetivo e o escopo da ACV não po- dem ser alcançados, deverá ser incluído um processo de revisão, para que, de forma iterativa, eventualmente se possa reavaliar diferentes tipos de impactos, utilizar metodologias alternativas ou mesmo modi- ficar o objetivo e o escopo da ACV. 69Avaliação do ciclo de vida do produto M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 2.4 Interpretação do ciclo de vida A interpretação é a fase da ACV em que os resultados da análise de inventário e a avaliação do impacto são combinadas em conjunto. Nesta etapa, o escopo da ACV também pode passar por uma revisão. O resultado da interpretação do ciclo de vida pode assumir a forma de conclusões e recomendações para tomadores de decisão consistentes com o objetivo e o escopo do estudo, sendo os resultados normalmente divulgados aos financiadores e consultores e parte da equipe que ela- borou o estudo, podendo também ser tornados públicos se tal menção constar no objetivo. A sensibilidade e a incerteza também são analisa- das para qualificar os resultados e as conclusões (HAUSCHILD, 2005). 3 Filosofia dos 6 Rs Políticas ambientais devem preocupar-se com todas as etapas da cadeia de suprimentos e não somente com coleta, tratamento e desti- nação de resíduos. Para isso, é necessário que designers de produtos e de processos se preocupem com os impactos que a produção, a co- mercialização e o consumo dos produtos que concebem podem causar ao meio ambiente. Em um “mundo ideal” deveriam projetar-se somente produtos necessários que possam fluir na cadeia de suprimentos, sem causar danos à natureza ou às pessoas, e os consumidores deveriam consumir de forma consciente. Assim, procura-se desenvolver nos indivíduos novas ideias e atitu- des que reflitam a necessidade de preservação do meio ambiente como fator crítico à qualidade de vida. O Ministério do Meio Ambiente sugere como base desta nova filosofia a política dos 5 Rs, como […] parte de um processo educativo que tem por objetivo uma mu- dança de hábitos no cotidiano dos cidadãos, levando-os a repensar seus valores e práticas, reduzindo o consumo exagerado e o des- perdício. (BRASIL, 2006) 70 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Essa política prioriza a redução do consumo e o reaproveitamento dos materiais em relação à sua reciclagem, e compõe-se dos seguintes princípios: • Reduzir o consumo que se reflete na preservação de recursos na- turais, diminuição de lixo, redução de energia e menores gastos no tratamento de resíduos. • Repensar hábitos e consumir conscientemente produtos que não impactem negativamente o meio ambiente. • Reaproveitar produtos que possam ser reusados e não des- cartados. • Reciclar sempre que possível e utilizar produtos reciclados. • Recusar produtos que gerem impactos ambientais significativos. PARA SABER MAIS Para saber mais sobre a aplicação da política dos 5 Rs, consulte a A3P – Agenda ambiental na administração pública (BRASIL, 2009), que tem como principal objetivo estimular a reflexão e a mudança de atitude dos servidores para que eles incorporem os critérios de gestão socio- ambiental em suas atividades rotineiras. Na linha do expresso na política dos 5 Rs, outros acrônimos tam- bém visam caracterizar e difundir de modo facilitado uma nova filoso- fia ambiental de redução, como é o caso da filosofia dos 6Rs (figura 6), que abrange os mesmos temas tratados pela política dos 5 Rs, porém desdobrando o reaproveitamento de produtos em reparação e reúso (PENYRHEOL, 2014). 71Avaliação do ciclo de vida do produto M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 6 – A filosofia dos 6 Rs REDUZIR • É possível reduzir a quantidade de materiais utilizados? Isso ajudará a proteger recursos valiosos. REPENSAR • Existe uma maneira melhor de resolver um problema que seja menos prejudicial para o meio ambiente? SUBSTITUIR (REPLACE) • Significa não aceitar coisas que não são a melhor opção para o meio ambiente. Por exemplo, a embalagem é realmente necessária? RECICLAR • Os materiais reciclados podem ser usados, ou o produto é feito de materiais que são fáceis de reciclar? REUSAR • O produto poderia ter outro uso? Suas partes podem ser usadas em outros produtos? Essa informação é claramente comunicada sobre o produto? Isso prolongará a vida do produto. REPARAR • O produto é fácil de reparar? Isso prolongará sua vida. A divulgação de acrônimos ambientais facilita e contribui para o de- senvolvimento de uma cultura ambiental traduzida em mudanças de hábitos do ser humano e proatividade na defesa do meio ambiente. Considerações finais A avaliação do ciclo de vida (ACV) é um processo que avalia os impactos ambientais associados a um sistema produto. Essa avalia- ção tem como base a identificação e a descrição, qualitativa e quanti- tativa, das utilizações e liberações de energia e materiais para o meio 72 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . ambiente, desde a extração e o processamento de matérias-primas até a fabricação, a distribuição, o uso, a reutilização, a reciclagem e a dispo- sição final, incluindo o transporte, processos analisados no âmbito da logística reversa. É importante ressaltar que a ACV avalia os impactos ambientais do sistema produto que se refletem nos sistemas ecológi- cos, na saúde das pessoas e no esgotamento de recursos naturais, mas não aborda efeitos econômicos ou sociais. Referências BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. A política dos 5 Rs. 2006. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/informma/item/9410>. Acesso em: 25 mar. 2018. ______. Ministério do Meio Ambiente. A3P – Agenda ambiental na adminis- tração pública. 5. ed. rev. atual. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2009. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/images/arquivo/80063/cartilha% 20completa%20A3P_.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2018. CHEHEBE, José Ribamar. Análise do ciclo de vida de produtos – ferramenta gerencial da ISO 14000. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002. CHRISTOPHER, Martin. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. São Paulo: Cengage do Brasil, 2011. HAUSCHILD, Michael. Assessing Environmental Impacts in a Life Cycle Perspective. Environmental Science and Technology, Washington, D.C., v. 39, n. 4, p. 81A-88A, 2005. INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION (ISO). ISO 14040: Environmental Management: Life Cycle Assessment: Goal and Scope Definiton and Life Cycle Inventory Analysis. Geneva: ISO, 1997. LEITE, Paulo Roberto. Logística reversa. São Paulo: Pearson, 2009. PENYRHEOL. The 6Rs. 2014. Disponível em: <http://penyrheol-comp.net/ technology/wp-content/uploads/sites/2/2014/06/6-Rs1.pdf>. Acesso em: 24 abr. 2018. 73 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 5 Logística reversa Empresas mais conservadoras encaram a logística reversa como mais uma operação a ser realizada no âmbito da distribuição de produ- tos. No entanto, vários fatores impulsionam a integração da logística re- versa na agenda estratégica das empresas, como é o caso da legislação expressa pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, que regulamenta princípios de coleta seletiva e caracteriza os sistemas de logística rever- sa, definindo setores em que ela se tonou obrigatória para fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. Também impactam no desenvolvimento da logística reversa o de- senvolvimento do e-commerce, que impulsiona as devoluções dos produtos comprados on-line, o aumento de competitividade entre 74 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . empresas, a legislação de defesa do consumidor, que facilita o retorno aos fabricantes de produtos adquiridos, a prática comercial de artigos em consignação e, de forma geral, a diminuição do ciclo de vida dos produtos comercializados. Todos esses aspectos contribuem para a projeção da logística re- versa como subsistema do processo logístico e parte integrante do pla- nejamento estratégico das empresas. Neste capítulo estudaremos as contribuições do sistema de logística reversa para a valorização das empresas e dos produtos por elas comercializados. 1 Logística reversa Uma das etapas da gestão integrada da logística, a logística reversa, também designada de logística inversa, pode ser definida como a […] área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agre- gando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, le- gal, de imagem corporativa. (LEITE, 2009, p. 17) Outros autores, como Rogers e Tibben-Lembke (1998, p. 2) definem logística reversa como o […] processo de planejamento, implementação e controle do fluxo eficiente e econômico de matérias-primas, produtos acabados e informações relacionadas, do ponto de consumo até ao ponto de origem para efeitos de valor de recaptura ou disposição adequada. O Council of Supply Chain Management Professionals (CSCMP) de- fine a logística reversa como […] um segmento especializado de logística com foco no movimen- to e gestão de produtos e recursos após a venda e após a entrega ao cliente e que inclui devoluções de produtos para reparo e/ou crédito. (CSCMP, 2013, p. 168) 75Logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Conceito similar ao de logística reversa, a logística verde, também designada de ecologística, é utilizada em estudos ambientais e difere da logística reversa no aspecto de ter como propósito planejar e diminuir os impactos ambientais da logística convencional. Entretanto, Donato (2008, p. 19) diferencia os dois conceitos afirmando que a […] logística verde ou ecologística é a parte da logística que se preo- cupa com os aspectos ambientais causados pela atividade logística, enquanto que a logística reversa trata dos aspectos dos retornos de produtos, embalagens ou materiais ao seu centro produtivo. A logística reversa tem como objetivosplanejar, implementar e con- trolar de modo eficiente e eficaz: • o retorno ou a recuperação de produtos; • a redução do consumo de matérias-primas; • a reciclagem, a substituição e a reutilização de materiais; • a deposição de resíduos; • a reparação e a refabricação de produtos. A gestão logística da cadeia de abastecimento visa manter e, se pos- sível, aumentar o valor oferecido na proposta de valor ao mercado con- sumidor. O estudo da logística reversa integrado no processo de gestão empresarial permitirá entender a forma como uma nova proposta de valor, agora integrada com novos valores ambientais e sociais, irá sus- citar nos consumidores a ideia de diferencial e alavancar nas empresas práticas mais sustentáveis de desenvolvimento. A logística reversa não somente colabora no aumento do ciclo de vida dos produtos ao facilitar reparos, trocas e reutilização de insumos recicla- dos e de produtos manufaturados como também impacta na eficiência empresarial ao reduzir custos com aquisições de insumos e fortalecer a fidelidade de clientes, sobretudo dos ambientalmente conscientes, que dão preferência a empresas que sigam princípios de sustentabilidade. 76 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Todas as atividades executadas no sentido de direcionar produtos, desde a origem ao destino, são objetos do ciclo logístico tradicional ou da logística “convencional” que, no entanto, também são válidas para o ciclo inverso (destino-origem), objeto da logística reversa (a diferença entre os dois ciclos pode ser observada no âmbito da execução dos processos). Ao analisar um processo de logística reversa, o gestor logístico deve levar em conta aspectos diferenciadores da logística “convencional”, conforme apresentado no quadro 1, de forma a racionalizar os canais logísticos reversos, aumentando a eficiência dos processos com res- peito ao meio ambiente e, simultaneamente, otimizando recursos, em especial resíduos e rejeitos, de forma a maximizar resultados empresa- riais, o que é possível com a aplicação de análises ao ciclo de vida dos produtos transformados e comercializados e com o emprego de pro- cessos produtivos utilizando estratégias de produção mais limpa (P+L) que evitem a geração e a emissão de resíduos. Quadro 1 – Diferenças entre logística convencional e logística reversa LOGÍSTICA “CONVENCIONAL” LOGÍSTICA REVERSA • Os fluxos logísticos dispõem-se de forma dispersa no destino priorizando as entregas • O processo convencional pode ser considerado previsível • Na logística convencional, a prioridade é o cumprimento do nível de serviço acordado • Os fluxos logísticos são dispersos nas coletas e convergem no destino • O processo reverso possui um nível de incerteza bastante elevado • Na logística reversa, a qualidade do serviço e a demanda tornam-se difíceis de controlar No contexto da cadeia de abastecimento, conforme relacionado no quadro 2, a logística reversa realiza as atividades de coleta, triagem, transporte, transformação de resíduos e de produtos retornados para cumprir seu escopo pressupondo que os produtos delas resultantes possam ser recuperados e comercializados como produtos recondi- cionados ou remanufaturados, mas não como novos; os produtos e materiais que não podem ser recuperados devem ser separados e en- viados a um aterro sanitário. 77Logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 2 – Escopo da logística reversa PRODUTOS EMBALAGEM • Retornar ao fornecedor • Revender • Recondicionar • Remanufaturar • Recuperar materiais • Reciclar • Aterro sanitário • Reusar • Recondicionar • Recuperar materiais • Reciclar 2 Canais reversos de revalorização O sistema logístico é constituído por atividades que agregam valor (value-added activities), ou seja, aquelas pelas quais o consumidor final está disposto a pagar, incluídas no preço final do produto, e atividades que não agregam valor (non-value-added activities), que representam o que o consumidor não deseja pagar para obter o produto, como é o caso do descarte de produtos, seja por devolução ou pelo descarte após uso (ROCHA; SOUZA, 2017). A incorporação da logística reversa no processo logístico da empresa, aliada a uma maior conscientização ambiental, deverá contribuir para reverter essa forma de valoração. Mas como agregar valor ao que já foi devolvido ou descartado? A res- posta a essa questão está no processo de logística reversa que agrega valor de alguma natureza às empresas, particularmente pelo retorno de bens ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo. Entretanto, o objetivo econômico não é o único. Dois novos fatores incentivam as decisões empresariais em adotá-la: o fator competitividade, pois cada vez mais consumidores optam por produtos ambientalmente corretos, e o fator ambiental, que leva consumidores a se preocuparem com a escassez de insumos vitais e valorizarem empresas que optem por práticas sus- tentáveis (LEITE, 2009). 78 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Uma vez que a agregação de valor é determinada pelo cliente/con- sumidor e realizada pela empresa, os consumidores devem entender e valorizar procedimentos que conduzam a uma diferenciação de servi- ço com maior valor agregado, como no caso de algumas redes varejis- tas que possuem centros de distribuição reversos e que dão suporte à devolução e troca dos produtos, satisfazendo as exigências dos seus clientes, pois acreditam que eles valorizam as empresas com políticas mais liberais de retorno de produto (STEIN, 2010). Não somente clientes/consumidores valorizam as atividades de lo- gística reversa; também produtores, público em geral e o ambiente saem ganhando. No quadro 3 são apresentados alguns tipos de valorização. Quadro 3 – Valorização em canais reversos VALORIZAÇÃO SOCIAL • Geração de empregos formais. • Fortalecimento das associações de catadores com geração de oportunidades de prestação de serviços ao sistema. • Promoção de uma maior conscientização da população quanto às questões ambientais. VALORIZAÇÃO ECONÔMICA • Maior retorno ao mercado de matérias-primas advindas da reciclagem. • Fortalecimento da indústria da reciclagem pelo consequente aumento da demanda. • Desenvolvimento de conhecimento e tecnologias relacionadas à reciclagem. VALORIZAÇÃO AMBIENTAL • Diminuição de casos de descarte incorreto. • Melhoria da qualidade dos serviços de reciclagem e consequente menor nível de rejeitos nos aterros. • Redução de gasto energético por conta do uso de reciclados. Com o descarte correto e a destinação final apropriada dos produ- tos que causam danos ao meio ambiente, as empresas podem reduzir custos ao utilizar produtos reciclados. Essa ação ajuda a criar novos negócios e empregos. 79Logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Com a logísticareversa, a destinação final de resíduos torna-se uma oportunidade de negócio para as empresas, pois os resíduos recolhidos são reciclados ou reutilizados. É o caso da cervejaria Ambev, que criou uma unidade de reciclagem de embalagens de vidro retornáveis que são reutilizadas até vinte vezes. Ao encarar o desperdício resultante de resí- duos da produção e do consumo como parte integrante de seu negócio, as empresas se valorizam e se tornam mais competitivas, pois agre- gam uma nova etapa ao seu negócio (cadeia de abastecimento reversa) sem investimento em matérias-primas e conquistam o reconhecimento da sociedade pelo respeito ao meio ambiente. Apesar do elevado nível de informalidade existente no setor, também é importante realçar a geração de empregos formais e informais com as atividades da logística reversa, além dos empregos criados pelos novos negócios de transformação e movimentação de produtos e ma- teriais. A população de catadores atuantes no Brasil está estimada em cerca de 387.900, com maior concentração dessa força de trabalho nas regiões Sudeste (42%) e Nordeste (30%) (DAGNINO; JOHANSEN, 2017). A logística reversa permite revalorizar produtos que de outro modo seriam destinados a aterros sanitários, e dessa forma contribuir para o aumento de valor das empresas que a praticam. 3 Canais de distribuição reversa Com a crescente necessidade das empresas se adaptarem a um mercado cada vez mais competitivo para administradores de empre- sas e profissionais de marketing, a gestão da logística ganha espaço fundamental no processo de gerenciamento. Estratégias de distribuição são cuidadosamente delineadas, empresas componentes dos canais de distribuição criteriosamente escolhidas, e o sistema logístico pas- sa a ser projetado e controlado com o auxílio das novas tecnologias de informação e comunicação. A crescente conscientização ambiental, 80 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . aliada à oportunidade das empresas em explorar novos mercados, com produtos reciclados e diminuição de custos, reutilização de produtos e matérias-primas, agregou ao sistema de distribuição tradicional os ca- nais de distribuição reversos, transformando o anterior sistema unidire- cional (fornecedor-cliente) em circular (fornecedor-cliente-fornecedor). Os canais de distribuição reversos são classificados em duas cate- gorias: canais de pós-venda e canais de pós-consumo (quadro 4). Quadro 4 – Tipos de canais de distribuição reversa CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO REVERSOS Pós-venda Pós-consumo Devolução Garantia Embalagem Reciclagem Reúso Remanufatura 3.1 Canais de distribuição reversos pós-venda Os canais de distribuição reversos pós-venda são utilizados para re- tornar produtos já comercializados à origem, como é o caso de produ- tos defeituosos, produtos que estejam no prazo de garantia e requeiram ajustes, produtos que tenham sido disponibilizados para venda mas não foram adquiridos em tempo hábil (como jornais, revistas ou outros ven- didos em consignação), além de embalagens/recipientes retornáveis e reutilizáveis (botijões de gás, galões de água, etc.). No caso das devoluções cabe ressaltar o desenvolvimento dos ca- nais de comercialização e-commerce, que têm impactado fortemente o crescimento das devoluções de produtos adquiridos, pois chegam a atingir 30% de todos os produtos comprados on-line, contra cerca de 9% daqueles adquiridos em lojas físicas (GODOY, 2016). O retorno de embalagens reutilizáveis, isto é, “as que foram projeta- das para retornar ao processo produtivo que lhe deu origem, ou ainda 81Logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. para algum canal de distribuição original” (RAZZOLINI FILHO; BERTE, 2009, p. 106), pode representar para as empresas custos adicionais consideráveis. Exemplos de embalagens retornáveis são os contêineres metálicos ou os paletes, que unitizam cargas e são utilizados em transportes nacionais e internacionais de mercadorias. Os engradados que acondi- cionam garrafas de cerveja e refrigerante, ou mesmo o retorno das pró- prias garrafas de vidro, são outros exemplos, e muitas vezes elas são coletadas por equipamentos específicos, como é o caso das máquinas de coleta instaladas em supermercados. Para reduzir o repasse dos custos do retorno das embalagens aos produtos, são desenvolvidas embalagens com características especí- ficas. As principais características necessárias ao desenvolvimento de embalagens retornáveis são: a facilidade de desmontagem, transporte, armazenagem, manutenção e identificação de origem (neste caso por questões legais que exijam a rastreabilidade). As embalagens retor- náveis também devem considerar as suas propriedades originais e ga- rantir um número de reutilizações que viabilize a operação de logística reversa (RAZZOLINI FILHO; BERTE, 2009). As embalagens que não possam ser reaproveitadas são direciona- das a lixões ou incineradas. O canal reverso de embalagens não retor- náveis, utilizadas no acondicionamento de agrotóxicos, merece uma atenção especial pela sua eficiência, resultado da regulamentação e da conscientização de todos os agentes envolvidos no segmento agros- silvipastoril, pois segundo dados da Associação Nacional de Defesa Vegetal (SISTEMA…, 2013), o Brasil recolheu e processou cerca de 95% das embalagens plásticas primárias (as que estão em contato direto com o produto) comercializadas em 2013. 82 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . IMPORTANTE A Lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sóli- dos (PNRS), estabelece no artigo 33 a obrigatoriedade de estruturar e implementar sistemas de logística reversa mediante retorno dos produ- tos após o uso pelo consumidor: Art. 33. São obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço pú- blico de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de: I – agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem, após o uso, constitua resíduo perigoso, observadas as regras de gerenciamento de resíduos perigosos previstas em lei ou regulamento, em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, ou em normas técnicas; […]. (BRASIL, 2010) Nesse caso podemos verificar uma responsabilização de empresas e poder público pela logística reversa e destinação final ambientalmente correta. 3.2 Canais de distribuição reversos pós-consumo Os canais de distribuição reversos no pós-consumo retornam às cadeias produtivas ou ao processo de comercialização os produtos já adquiridos e descartados pelos consumidores, podendo ser canais de reciclagem, de reúso ou de remanufatura: • Os canais de reciclagem reaproveitam materiais que, após bene- ficiados, são utilizados como matéria-prima para novos produtos, como as embalagens cartonadas longa vida, utilizadas para leite e sucos, que podem ser transformadascom a separação de seus componentes (papel, alumínio e plástico) para servirem como matéria-prima para outros produtos: o papel pode ser usado na 83Logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. produção de bandejas para ovos, papel-toalha, etc., e o plásti- co, para telhas para a construção civil, vasos para plantas, entre outros produtos. • Os canais de reúso são utilizados para recolocação de produtos já utilizados por um primeiro consumidor, como o caso da re venda de automóveis usados. • Os canais de remanufatura revalorizam produtos já utilizados, principalmente maquinários e equipamentos industriais que, após serem desmontados, têm os seus componentes aproveita- dos na reconstrução de novos equipamentos. Os fluxos reversos de produtos em final de vida útil destinados a depósitos definitivos na forma de lixo são formas especiais de canais reverso pós-consumo estruturados em três estágios: coleta, triagem e transformação dos resíduos. No caso de resíduos sólidos, a implan- tação de processos de coletas seletivas já engloba uma pré-triagem, garantido maior eficiência ao processo reverso, pois separa materiais recicláveis com destino à reciclagem na etapa de coleta. O lixo orgânico é destinado a aterros sanitários ou à fabricação de adubo. O não retorno ao ciclo produtivo dos descartes de produtos e outros resíduos pode representar um problema ambiental sempre que os depósitos definitivos apresentem condições inapropriadas – como no caso de lixões a céu aberto – ou quando a capacidade nominal de estocagem desses depósitos não for suficiente para abrigar o volume dos resíduos depositados. O desequilíbrio entre o elevado crescimento dos volumes de lixo e a reduzida capacidade de aterros e outros depósitos que abriguem o descarte de resíduos e produtos em final de vida útil remete-nos para a necessidade do redesenho dos sistemas industriais, de forma a pos- sibilitar a reciclagem constante dos materiais em ciclos fechados con- tínuos (HAWKEN; LOVINS; LOVINS, 1999), conduzindo à eliminação da própria ideia de desperdício. 84 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Os canais reversos de pós-consumo utilizam meios alheios aos canais de abastecimento em suas operações (catadores, adquirentes específicos de materiais, etc.); já os canais reversos pós-venda servem- -se dos mesmos canais de distribuição quer para colocação de produ- tos à disposição do consumidor quer para retorno desses produtos aos ciclos produtivos ou de comercialização. A sustentabilidade das organizações depende não só dos seus resul- tados financeiros, mas também de aspectos sociais e ambientais, isto é, da forma como a empresa lida com o capital humano e com o am- biente. Entre os vários instrumentos utilizados para garantir a sustenta- bilidade, a logística reversa é peça fundamental, pois ao operacionalizar no sentido inverso da cadeia de abastecimento, o fluxo de produtos aca- bados e outros insumos contribui para aumentar a eficiência da empre- sa, garantindo abastecimento de insumos e produtos a menor custo; por outro lado, ao garantir emprego em suas operações, proporciona melhor condição social às populações direta ou indiretamente impacta- das pelos seus processos e, por fim, ajuda na manutenção da natureza ao reduzir impactos ambientais. 4 Reciclagem e reúso de materiais Entre os tipos de canais reversos de pós-consumo, a reciclagem tem ganhado crescente dinamismo, sendo responsável pela criação de no- vos negócios e pela criação de milhares de empregos. Ela é definida como “atividade de recuperação de materiais descartados que podem ser transformados novamente em matéria-prima para a fabricação de novos produtos” (RAZZOLINI FILHO; BERTE, 2009, p. 100). A coleta seletiva, processo que consiste na separação e no recolhimen- to dos resíduos descartados por empresas e pessoas, integra o processo de reciclagem ao separar os vários tipos de resíduos de forma a poderem 85Logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. ser reciclados. A coleta seletiva é realizada em duas etapas: num primeiro momento, os geradores de resíduos sólidos deverão segregá -los e dis- ponibilizá-los adequadamente, em coletores apropriados, para posterior- mente serem coletados pelo serviço público de limpeza urbana. Para facilidade na identificação dos coletores de resíduos sólidos, a Resolução do Conama nº 275/2001 estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos a ser adotado na identificação de cole- tores e transportadores, bem como nas campanhas informativas para a coleta seletiva (BRASIL, 2001). As principais cores utilizadas são ilus- tradas na figura 1. Figura 1 – Cores de recipientes de coleta seletiva Não recicláveis (preto) Orgânico (marrom) Plástico (vermelho) Metal (amarelo) Papel (azul) Vidro (verde) A coleta seletiva permite eficiência no recolhimento de materiais re- cuperados pelas operações de reciclagem protegendo a natureza, pois evitam novas extrações de recursos naturais. Ao canalizar materiais para a reciclagem, a coleta seletiva contribui para a melhoria do meio ambiente, que de outro modo receberia produtos depositados com longo tempo de decomposição e normalmente nocivos para a nature- za, como é o caso do chorume. No quadro 5 são apresentados alguns exemplos relacionado ao tempo de decomposição. 86 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Quadro 5 – Tempo aproximado de decomposição de materiais MATERIAIS TEMPO DE DECOMPOSIÇÃO Papel De 3 a 6 meses Tecidos De 6 meses a 1 ano Filtro de cigarro Mais de 5 anos Madeira pintada Mais de 13 anos Náilon Mais de 20 anos Metal Mais de 100 anos Alumínio Mais de 200 anos Plástico Mais de 400 anos Vidro Mais de 1.000 anos Borracha Indeterminado Fonte: adaptado de Gonçalves e Pinheiro (2008). A coleta seletiva é hoje realizada por mais de 54% dos municípios brasileiros por meio de pontos de entrega voluntária e por cooperativas de catadores, sendo os tipos de materiais recicláveis mais coletados o papel/papelão (34% do total coletado), plásticos (11%) e vidro (6%); em 2016, 1.055 municípios brasileiros (cerca de 18%) operaram em progra- mas de coleta seletiva, número superior aos 927 municípios no ano de 2014, o que demonstra um progressivo engajamento do poder público com a causa ambiental (CEMPRE, 2016). No Brasil, os índices de material reciclado são definidos como […] as quantidades recicladas (fluxos reversos) de determinado material constituinte em determinado espaço de tempo e as quan- tidades totais produzidas do material, no mesmo espaço de tem- po, provenientes de todos os produtos de pós-consumo dos quais possa ser extraído. (LEITE, 2009, p. 54) 87Logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede SenacEAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Conforme apresentado na tabela 1, em alguns casos os índices es- tão se mantendo, e em outros houve um aumento que espelha o suces- so no desenvolvimento dos negócios de reciclados. Destacamos aqui o caso da reciclagem de latas de alumínio, no processo de reciclagem do alumínio, pelo grande aproveitamento de matéria-prima reciclada. Tabela 1 – Evolução dos índices de materiais reciclados no Brasil MATERIAL 2006 ÍNDICE DE RECICLAGEM (ANO DE REFERÊNCIA) ANO DE REFERÊNCIA PAÍS QUE MAIS RECICLA Latas de alumínio 94% 97,9% 2015 Brasil Vidro 46% 47,0% 2011 Suíça (95%) Latas de aço 47% 46,7% 2015 Bélgica (96%) Plástico rígido 20% 21,7% 2011 Suécia (53%) Plástico PET 51% 59,0% 2011 Japão (77,9%) Fonte: adaptado de Cempre (2016). PARA SABER MAIS A lata de alumínio é o material reciclável com maior valor, e o Brasil é líder mundial na reciclagem de latas de alumínio. Após a coleta, as latas passam por um processo de separação de resíduos e sujidades, são prensadas em fardos padronizados, para depois seguirem para as indústrias de reciclagem. A coleta garante renda a milhares de traba- lhadores e protege recursos naturais, pois evita a extração da bauxita, principal minério do alumínio. Para saber mais sobre a reciclagem do alumínio, consulte a ficha técnica “latas de alumínio” disponibilizada pelo Compromisso Empresarial para a Reciclagem (CEMPRE, 2017), no link <http://cempre.org.br/artigo-publicacao/ficha-tecnica/id/5/latas- de-aluminio>. 88 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . A importância da atividade de reciclagem no Brasil é muito relevante em seus aspectos sociais, econômicos e ambientais. Segundo dados do censo populacional de 2010, cerca de 400 mil pessoas responderam ter como atividade remunerada principal a coleta de materiais reciclá- veis em todo o Brasil, atingindo 13% das cerca de 160 mil toneladas de resíduos sólidos geradas diariamente no Brasil (SILVA, 2017). No aspecto econômico, realce para o elevado volume de recursos injetados na economia brasileira. Segundo a Cempre, no ano de 2015 foram injetados R$ 730 milhões somente na etapa da coleta de latas de alumínio usadas para bebidas; também na proteção ao meio ambiente, a reciclagem, ao recuperar insumos já utilizados e reintroduzi-los nos ciclos de produção, reduz a extração de recursos naturais e diminui o volume de produtos tóxicos nos pontos de descarte. A velocidade de introdução no mercado de novos produtos com fi- nalidades semelhantes tem impulsionado a venda dos produtos subs- tituídos – e ainda em estado de uso – por meio de canais alternativos, designados de canais reversos de reúso. São exemplos desses canais reversos os canais de venda de automóveis e equipamentos usados, os leilões de sucata e maquinário, a venda de vestuário por meio de brechós ou de livros pelos sebos. A utilização da internet impulsiona esse canal de reúso com sites especializados, como o Desapego, que vende roupas e acessórios de moda usados, o UZlet, focado na venda de celulares usados, a Estante Virtual, que comercializa livros usados, ou ainda sites do tipo marketplaces, como é o caso do Mercado Livre ou da OLX, onde vendedores e compradores se encontram para transacio- nar produtos novos ou usados. Os canais de pós-consumo de remanufatura respondem pela ope- racionalização do retorno de produtos devolvidos ao ciclo de produção: após coletados, eles são enviados ao fabricante original ou a empresas de remanufatura autorizadas para serem desmanchados. Cada com- ponente é testado e eventualmente aproveitado em nova montagem 89Logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. de produto final para o restabelecimento de suas funções e requisitos técnicos originais e posterior comercialização com a designação de produto remanufaturado. Esses canais são utilizados especialmente na indústria automotiva e em produtos eletroeletrônicos. Considerações finais São expressivos os impactos econômicos, sociais e ambientais dos canais reversos de pós-venda ou pós-consumo: revalorizam produtos pois permitem a reutilização de produtos remanufaturados e a reutili- zação de matérias-primas em procedimentos de reciclagem, além de possibilitar o reúso de embalagens ao prolongar a vida útil de insumos e produtos acabados. Os canais reversos contribuem para reduzir im- pactos ao evitar a extração de recursos naturais, e ao alavancar novos negócios, também contribuem para a geração de empregos em coope- rativas de catadores, operadores logísticos e empresas de reciclagem e remanufatura. Os canais reversos não só impactam positivamente a imagem das empresas, contribuindo no seu desenvolvimento susten- tável, como demonstram crescente relevância na economia brasileira. Referências BRASIL. Ministério das Cidades. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 3 ago. 2010. p. 2. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 17 mar. 2018. ______. Ministério do Meio Ambiente. Resolução Conama nº 275, de 25 de abril de 2001. Estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser adotado na identificação de coletores e transportadores, bem como nas campanhas informativas para a coleta seletiva. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 jun. 2001. Seção 1, p. 80. Disponível em: <http://www2.mma.gov.br/port/ conama/legiabre.cfm?codlegi=273>. Acesso em: 20 abr. 2018. 90 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . COMPROMISSO EMPRESARIAL PARA A RECICLAGEM (CEMPRE). Fichas téc- nicas – latas de alumínio. 2017. Disponível em: <http://cempre.org.br/artigo- publicacao/ficha-tecnica/id/5/latas-de-aluminio>. Acesso em: 10 maio 2018. ______. Pesquisa Ciclosoft 2016 – radiografando a coleta seletiva. 2016. Disponível em: <http://cempre.org.br/ciclosoft/id/8>. Acesso em: 10 maio 2018. COUNCIL OF SUPPLY CHAIN MANAGEMENT PROFESSIONALS (CSCMP). CSCMP Supply Chain Management Definitions and Glossary. 2013. Dispo nível em: <http://cscmp.org/CSCMP/Educate/SCM_Definitions_and_Glossary_of_ Terms/CSCMP/Educate/SCM_Definitions_and_Glossary_of_Terms.aspx?hke- y=60879588-f65f-4ab5-8c4b-6878815ef921>. Acesso em: 10 maio 2018. DAGNINO, Roberto de Sampaio; JOHANSEN, Igor Cavallini. Os catadores no Brasil: características demográficas e socioeconômicas dos coletores de material reciclável, classificadores de resíduos e varredores a partir do censo demográfico de 2010. Mercado de trabalho, [s. l.], n. 62, p. 115-125, abr. 2017. Disponível em: <http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/7819/1/ bmt_62_catadores.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2018. DONATO, V. Logística verde. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2008. GODOY, Bianca. 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São Paulo: Saraiva, 2017. 91Logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. ROGERS, Dale; TIBBEN-LEMBKE, Ronald. Going Backwards: Reverse Logistics Trends and Practices. Reno: University of Nevada, 1998. SILVA, Sandro Pereira. A organização coletiva de catadores de material no brasil – dilemas e potencialidades sob a ótica da economia solidária. In: ______. Texto para discussão. Rio de Janeiro: Ipea, 2017. Disponível em: <http:// repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/7413/1/td_2268.PDF>. Acesso em: 20 maio 2018. SISTEMA Campo Limpo. Andef, São Paulo, 7 fev. 2013. Disponível em: <http:// www.andef.com.br/sustentabilidade/sistema-campo-limpo>. Acesso em: 4 maio 2018. STEIN, Sandra Luiza da Silva. Logística reversa como fator atenuante dos impactos causados ao meio ambiente: o caso das devoluções na empresa Mallory do Grupo Taurus no Brasil. 2010. Dissertação (Mestrado em Logística e Pesquisa Operacional) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2010. Disponível em: <http://www.geslog.ufc.br/images/arquivos/dissertacoes/2010/ sandra_luisa_da_silva_stein_2010.pdf>. Acesso em: 21 maio 2018. 93 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 6 A logística reversa como estratégia empresarial Qualquer empresa que pretenda se desenvolver de forma susten tável deverá atuar buscando se diferenciar no universo empresarial dentro dos limites que ela própria estabeleceu. O entendimento das possíveis estratégias e suas fronteiras permitirá à empresa consolidar posições dentro de seu mercado de atuação. A sobrevivência e o de senvolvimento de qualquer empresa dependem fundamentalmente da satisfação dos consumidores, cada vez mais preocupados com ques tões ambientais. Por isso, a necessidade de satisfazer os desejos dos stakeholders em geral e de consumidores em particular tem levado as empresas a in serir, de forma mais intensa, aspectos ambientais em suas estratégias. 94 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Neste capítulo será analisada a forma como a estratégia empresarial e a logística reversa – elemento dessa estratégia – podem influenciar a competitividade das empresas. 1 Estratégia empresarial Qualquer empresa tem uma razão para sua existência, que deve pre conizar determinada missão e que por sua vez define a sua atividade, de modo que esta, para ser cumprida de forma sustentável, pressupõe uma atuação que a conduza a uma diferenciação no universo empresa rial, mas sempre dentro dos limites que ela própria estabeleceu na razão da sua existência. A correta definição da missão (negócio em que a empresa está en volvida) deve ser feita em função dos produtos ou serviços oferecidos e dos mercados atendidos, mas o negócio deve nascer de uma necessi dade, e nunca de um produto (SOUSA, 2009). Vamos analisar o exemplo de uma empresa que fabrica e comercializa mobiliário em madeira. A missão dessa empresa deve incluir menção à fabricação de mobiliá rio – casa, escritório, escolar, etc. –; contudo, o negócio dessa empresa pode prever que o mobiliário é fabricado de acordo normas ambientais e, portanto, direcionado a consumidores com consciência ambiental. É inerente ao processo de desenvolvimento empresarial a busca por objetivos, e para isso as empresas seguem linhas de orientação que su portam suas decisões atuais na esperança de serem eficientes ao definir a melhor rota para os atingirem. No entanto, as constantes e imprevisíveis mudanças do meio ambiente a que as empresas estão sujeitas levamnas a considerarem, de forma constante, ajustes em seus processos, de forma a não alterarem seus objetivos e manterem o rumo previamente definido. Neste contexto, a noção de estratégia empresarial é caracterizada como uma forma de as empresas pensarem no seu futuro e definirem objetivos que estão diretamente relacionados e condicionados pelo entorno. 95A logística reversa como estratégia empresarial M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Os impactos do entorno/meio envolvente na estratégia empresarial fazemse sentir nos aspectos socioeconômicos e técnicos, pois com o alargamento dos mercados, resultado da globalização, as empresas dis persam geograficamente a sua atividade e passam a atender consumido res com diferentes culturas e necessidades; por outro lado, o dinamismo das inovações e a crescente cultura pelo consumismo fomentam a con corrência, aumentam o volume de descarte de produtos usados e tam bém alavancam a conscientização ambiental de governantes, empresas e consumidores que são mais sensíveis a questões ambientais e impõem a fabricantes, e a si próprios, condições cada vez mais exigentes no que se refere à proteção do meio ambiente. Entre a multiplicidade de autores que têm abordado a temática “es tratégia” salientaremos, em um primeiro momento na conceituação de estratégia, as contribuições de Igor Ansoff (conhecido por muitos como o pai da gestão estratégica), de Michael Porter (considerado uma das maiores autoridades em matéria de competitividade) e de Henry Mintzberg (especialista em estratégia empresarial). Para Ansoff, que introduziu nos processos de administração o plane jamento estratégico (caracterizado como um processo lógico e analítico para a escolha da posição futura da empresa em relação ao meio ambien te), define a estratégia como “um conjunto de regras de tomada de deci são para orientação do comportamento organizacional” (ANSOFF, 1984, p. 31) e que está assente em três pilares (quadro 1). Quadro 1 – A estratégia segundo Ansoff ESTRATÉGIA É PENSADA O estrategista define a estratégia, objetivos e consagra planos ESTRATÉGIA É OPÇÃO Escolhe entre diversas alternativas para posicionar a empresa no mercado ESTRATÉGIA AJUSTA A EMPRESA À REALIDADE Promove a gestão da mudança Fonte: adaptado de Ansoff (1984). 96 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © Edi to ra S en ac S ão P au lo . Para Porter (1991), estratégia é o ato de alinhar uma empresa ao seu ambiente. Mas como o ambiente e as capacidades das empresas estão sujeitas a mudanças contínuas, a estratégia tem como tarefa manter um balanço dinâmico e não um equilíbrio estático. O autor cita que a es sência da estratégia é a escolha de produtos e serviços oferecidos, das localizações geográficas em que a empresa atua, com quais empresas estará relacionada e qual a vantagem competitiva que deverá ser alcan çada atendendo a essas escolhas. Para Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), as estratégias não são necessariamente formais nem deliberadas, pois emergem por um processo de aprendizagem. Para os autores, a estratégia não tem uma única definição, mas uma série de definições que podem ser sistemati zadas pelo acrônimo dos 5 Ps, apresentados na figura 1. Figura 1 – Os 5 Ps estratégicos Plano (pretendida) Os 5 Ps de Mintzberg Padrão (realizada) Pretexto Perspectiva Posição (posicionamento) Fonte: adaptado de Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000). 97A logística reversa como estratégia empresarial M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quando definida como um plano, a estratégia referese a um curso de ações para o futuro; quando considerada um padrão, transmite a con sistência do comportamento da empresa ao longo do tempo. Ambas características estão presentes nas organizações: o plano representa o pretendido (futuro) e o padrão, o que foi realizado (passado). Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000) também caracterizam a estra tégia como uma posição, noção também desenvolvida por Porter, que a conceituou como a “criação de uma posição única e valiosa, envolvendo um conjunto diferente de atividades” (PORTER, 1991, p. 10). Outra defini ção é a que caracteriza estratégia como uma perspectiva, relacionando o pensamento dos estrategistas com a visão sistêmica da empresa. Numa visão mais abrangente, verifica-se que essas características se completam quando relacionadas. Por exemplo, uma empresa com uma perspectiva de proteção ambiental pode desenvolver o negócio de pro dutos reciclados e alterar sua posição no mercado sem alterar a pers pectiva; no entanto, a situação inversa – mudar o posicionamento sem mudar a perspectiva – será mais difícil de se concretizar. Por último, Mintzberg, Ahlstrand e Lampel descrevem a estratégia como um pretexto, ou seja, uma “manobra específica para enganar um oponente ou concorrente” (MINTZBERG; AHLSTRAND; LAMPEL, 2000, p. 20). Isso acontece, por exemplo, quando uma empresa investe em proteção ambiental para melhorar sua imagem mas não investe o sufi ciente no seu negócio para diminuir os impactos ambientais negativos. Para Ansoff (1984) e Porter (1991), a empresa formula inicialmente a estratégia em função do meio ambiente para na sequência optar pelo posicionamento da empresa no mercado, escolhendo uma posição difícil de imitar pela concorrência. Já Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), embora considerem a formulação inicial da estratégia inevitável, como se pode deduzir do modelo dos 5 Ps quando conceitua a estratégia como plano (aquilo que é pretendido) e como padrão (aquilo que já foi realiza do), dá ênfase ao processo de aprendizagem, que evolui com as constan tes alterações ambientais e com as tendências futuras e que resulta na adaptação da estratégia ao meio ambiente. 98 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Com a conscientização da proteção ao meio ambiente cada vez mais difundida, verifica-se que a noção de ambiente – outrora considerada como envolvente, macroambiente ou meio onde a empresa desenvolvia suas atividades – passou a incorporar de forma definitiva a temática ambiental, isto é, os problemas ambientais resultantes das atividades antrópicas, o que leva as empresas a inserir as temáticas ambientais no estabelecimento de suas estratégias. 2 Adequação a questões ambientais Conforme analisamos, a estratégia deve viabilizar as empresas a ob ter a máxima rentabilidade dentro dos limites da sua missão, o que só é possível se conseguirem elevada eficiência no desempenho e simulta neamente satisfizerem seus consumidores. Uma estratégia eficaz é a que assegura uma melhor e mais sólida combinação entre os pontos fortes da empresa e as necessidades do cliente em relação aos seus concorrentes (OHMAE, 2004), isto é, a que promove uma vantagem competitiva duradoura e que pode ser esque matizada na ligação entre a empresa (corporação), seus clientes e os concorrentes pelo modelo dos 3 Cs, apresentados na figura 2. Figura 2 – Os 3 Cs da vantagem competitiva Clientes Va lor Valor Diferencial de custo Ativos da empresa Ativos da concorrência Diferenciação entre produtos e serviços Fonte: adaptado de Ohmae (2004, p. 68). 99A logística reversa como estratégia empresarial M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A empresa deve se distinguir de seus concorrentes diferenciando produtos que atendam necessidades dos consumidores (agregando valor aos consumidores) e que sejam produzidos com diferencial (redu ção) de custo em relação à concorrência (agregando valor à empresa). Quando não for possível reduzir o custo por questões operacionais, a empresa deve desenvolver meios que compensem essa situação e au mentem o valor percebido pelo consumidor. Se para reduzir o efeito ne gativo de um impacto ambiental na produção de determinado produto a empresa tiver custos adicionais, então uma campanha de conscienti zação ambiental deve ser feita de forma que um eventual aumento do preço de venda não se reflita na diminuição de valor para o consumidor. O sucesso da estratégia deriva de uma vantagem de custo, de uma vantagem de valor ou de ambas (CHRISTOPHER, 2011). A logística como interface entre empresas e seus clientes tem papel fundamental nesse processo ao garantir que produtos e serviços sejam disponibili zados a consumidores no prazo estabelecido, na quantidade solicitada e no local acordado, tudo isso ao mais baixo custo para o produtor. Mas como pode a logística reversa, que aparentemente representa um custo adicional para a empresa, contribuir para viabilizar uma estratégia em presarial de sucesso? A resposta está na percepção de valor atribuído à logística reversa, e para isso não basta operacionalizar os fluxos reversos: deve-se divulgar o propósito da operação reversa e assim contribuir para a agregação de valor pelos consumidores. Em todo caso, os custos adicionais oca sionados pela logística reversa que impactam no preço de transação devem ser inferiores ao valor agregado pela operação. Quando a con corrência oferece uma melhor combinação de prazo, quantidade e local, a empresa estará em desvantagem, mas se a combinação for idêntica, a diferenciação será pelo preço ou pela imagem. 100 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei. © E di to ra S en ac S ão P au lo . NA PRÁTICA Dois produtos similares têm preços de venda diferentes: o produto da empresa A é ligeiramente mais barato que o produto da empresa B; no entanto, a empresa B tem reputação de preservação ambiental e a empresa A já foi citada como responsável por dano ambiental. Nesse caso, o consumidor ambientalmente consciente preferirá o produto B, enquanto que outro, alheio a problemas ambientais, optará pelo A. Para adequar o conceito de estratégia a questões ambientais, as empresas em geral – particularmente os gestores – devem ter uma visão sistêmica que abranja todos os processos empresariais, pois os impactos ambientais podem ter suas causas em qualquer departa mento da empresa. Como exemplo disso podemos citar situações que podem envolver setores como o departamento financeiro, que por fal ta de verba pode impedir a instalação de dispositivos de redução das emissões de gases poluentes; o departamento de produção, que pode não controlar o consumo excessivo de energia ou não fazer o planeja mento da produção adequado, resultando em excesso de resíduos; o departamento de recursos humanos, que pode não realizar treinamen tos em questões ambientais e levar os funcionários da empresa a não se preocupar com o descarte de produtos, o consumo excessivo de energia ou mesmo com os desperdícios de produção; ou mesmo o de partamento de logística, que para cumprir prazos de entrega subutiliza a capacidade de carga dos veículos, impactando em maior número de viagens, o que resulta em excesso de emissões de poluentes nas operações de distribuição. A sustentabilidade no desenvolvimento empresarial deve levar em conta a identificação do impacto do ambiente na estratégia, a capacida de da empresa (recursos e competências) em se adaptar às alterações do meio envolvente e à influência e expectativas dos stakeholders em eventuais readequações estratégicas. 101A logística reversa como estratégia empresarial M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 3 Razões competitivas A dinâmica das mudanças ambientais impacta na definição de estra tégia das empresas, que para assegurarem a sua competitividade preci sam de adaptações constantes e, por isso, devem se tornar mais ágeis. A agilidade empresarial só é possível com a assimilação de uma cultura de vivência estratégica que pressuponha que qualquer planejamento estratégico que fortaleça uma empresa deve se tornar uma competên cia empresarial, e não mais uma mera ferramenta operacional. O desenvolvimento de uma empresa deve ser enquadrado na sua estratégia previamente determinada e apoiado num plano estratégico definido como um [...] conjunto de ações a serem tomadas com base em informação coletada em dado momento que proporcione a análise da situação nesse momento e a projete no futuro, possibilitando à empresa atingir determinado objetivo empresarial. (SOUSA, 2009, p. 230) Planejamento focado no fortalecimento pressupõe que a empresa valorize a opinião de seus clientes e, como tal, esteja focada no mer cado e preocupada com a lucratividade do cliente definida por Kotler e Keller (2006, p 147) como “uma pessoa, família ou empresa que, ao longo do tempo, rende um fluxo de receita que excede por uma margem aceitável o fluxo de custos de atração, venda e atendimento relativos a ele”. Nesta perspectiva, é possível deduzir que a competitividade empre sarial depende simultaneamente da receita, da estrutura de custos e da adaptação da empresa às alterações ambientais (conforme apresenta das na figura 3). 102 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Figura 3 – Fatores de competitividade empresarial Lucratividade do cliente Adaptação constante ao mercado Controle de custos Competitividade empresarial A adaptação da empresa ao ambiente impacta na melhoria da ima gem, na fidelização de clientes e na receita, tornando-a mais competi tiva. O fluxo de receita e o controle de custos são resultado da forma como a empresa gerencia suas operações, e em nenhuma hipótese os custos de atração, venda e atendimento devem crescer numa proporção superior ao crescimento da receita, e por isso devem ser controlados. 3.1 Redução de custos Custos de venda e atendimento são consequência das operações de distribuição e da comercialização de produtos, e compõem o pacote de custos designado de “custos logísticos”. Os custos de venda podem ser apercebidos pelos consumidores, e são relacionados às atividades de armazenagem, transporte, movimen tação e manutenção de estoque. Já os produtos enviados para troca 103A logística reversa como estratégia empresarial M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. ou conserto por operações de logística reversa aumentam custos no atendimento e não são apercebidos como tal pelos consumidores, mas refletem-se na estrutura de custos das empresas. Se os custos de venda e atendimento dependem também das opera ções de logística convencional, os custos de atração são função de va riáveis mercadológicas, como imagem da empresa, preço de venda, loca lização do ponto de venda, etc., e de variáveis atitudinais, como o nível de conscientização ambiental dos consumidores. Quanto maior for a cons ciência ambiental do consumidor (cliente), menor será a influência do custo da logística reversa na atração e maior será a satisfação do cliente. 3.2 Diferenciação da imagem corporativa A inclusão de questões ambientais nas opções estratégicas das em presas não representa uma simples medida socioambiental para prote ger a imagem da empresa, mas tornase um importante fator de com petitividade empresarial que aumenta a lucratividade e a fidelização dos clientes, e por isso é possível afirmar que a contribuição da logística reversa para a criação de uma imagem de “empresa ambientalmente correta” contribui no desenho de uma estratégia de competitividade. A preocupação com a imagem corporativa como diferencial competi tivo é cada vez mais presente nas decisões empresariais, e segundo Leite (2009, p. 27), “estudos realizados no Brasil comprovam que empresas de diferentes setores empresariais apontam a imagem corporativa como uma das mais fortes motivações dos programas de logística reversa”. Muitas empresas que investem em meio ambiente, para diferenciação de suas marcas ou para ampliação de sua imagem corporativa, tornam o investimento em meio ambiente uma modalidade de comunicação, pois ao vincularem seus nomes aos projetos ambientais que apoiam, trans ferem às marcas o prestígio das entidades promotoras dos projetos e consequentemente elevam sua própria reputação (YANAZE, 2011). 104 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . A conjugação da redução de custo com o aumento de imagem cor porativa dinamiza a competitividade das empresas que integram a lo gística reversaao seu processo logístico, o que pode ser constatado utilizando o conceito dos 6 Rs ambientais. IMPORTANTE A seguir estão listados os conceitos dos 6 Rs e a competitividade empresarial: • A utilização de temporizadores de energia para desligar as luzes quando não são necessárias reduz o consumo de energia e os custos das empresas. • Produtores de fraldas descartáveis e de papel higiênico, ao dimi nuírem as dimensões das embalagens, comprimindoas, reduzem o número de entregas para o varejo, aumentam o número de emba lagens em exposição nas gôndolas dos supermercados e conse quentemente diminuem custos de distribuição e venda. • Clientes que utilizam bolsas próprias para acondicionar compras em supermercados, evitando a aquisição de sacolas de plástico, poderão poupar o que deveriam pagar pelas sacolas; o supermer cado reduz o estoque de sacolas de plástico e o ambiente fica mais preservado. • A reciclagem permite o abastecimento de insumos a preço mais barato reduzindo custos de produção e aumentando o lucro das empresas e a imagem da empresa perante a comunidade. • A reutilização da água de lavagem depois de filtrada (ou mesmo da água da chuva usada diretamente em outras atividades) permite economia com a conta de água. • A reutilização de autopeças permite reparações mais baratas e cria emprego por meio de novos empreendimentos de oficinas de reparação automotiva. 105A logística reversa como estratégia empresarial M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Com a crescente conscientização ambiental, a imagem da empresa “ambientalmente correta” impacta fortemente na sua competitividade, que também é função do sistema de gestão ambiental, sobretudo da forma como a empresa otimiza seus recursos ao proteger o meio am biente e, em particular, as ações que visam o aumento da receita sem prejuízos ambientais. Considerações finais Neste capítulo analisamos o impacto da estratégia e da logística re versa na competitividade das empresas e também concluímos que a inclusão de temáticas ambientais no desenvolvimento das estratégias empresariais não só aumenta a competitividade das empresas, mas também suas margens de lucro, além de melhorar sua imagem. Foi analisada a forma como o impacto de custos resultantes de programas de proteção ambiental (e que eventualmente possam prejudicar as mar gens de lucro das empresas) podem ser mitigados. Por fim, também concluímos que a logística reversa pode ser um fator de diferenciação e de competitividade se for assimilada pela estratégia empresarial. Referências ANSOFF, Igor. Implanting strategic management. New Jersey: PrenticeHall, 1984. CHRISTOPHER, Martin. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. São Paulo: Cengage do Brasil, 2011. KOTLER, Philip; KELLER, Kevin. Administração de marketing. 12. ed. São Paulo: Pearson, 2006. LEITE, Paulo Roberto. Logística reversa. São Paulo: Pearson, 2009. MINTZBERG, Henry; AHLSTRAND, Bruce; LAMPEL, Joseph. Safári de estra tégia. Porto Alegre: Bookman, 2000. 106 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . OHMAE, Kenichi. La mente del estratega. Madri: McGraw Hill, 2004. PORTER, Michael. Towards a Dynamic Theory of Strategy. Strategic Management Journal, New Jersey, v. 12, p. 95-117, 1991. Disponível em: <https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/smj.4250121008>. Acesso em: 20 abr. 2018. ______. What is Strategy? Harvard Business Review, Watertown, v. 74, n. 6, p. 61-78, 1996. Disponível em: <https://iqfystage.blob.core.windows.net/files/ CUE8taE5QUKZf8ujfYlS_Reading+1.4.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2018. SOUSA, José Manuel Meireles. Gestão: técnicas e estratégias no contexto brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2009. YANAZE, Mitsuru Higuchi. Gestão de marketing e comunicação. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. 107 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 7 O produto pós-consumo A destinação de produtos pós-consumo tem preocupado intensa- mente gestores públicos e a população em geral, pois o volume de lixo produzido vem aumentando ano após ano, e os depósitos para seu descarte muitas vezes não comportam as quantidades de resíduos produzidos. Ultimamente se tem verificado um grande esforço para que produ- tos descartados retornem aos ciclos produtivos, evitando o acúmulo de resíduos em aterros e outros depósitos e, simultaneamente, dimi- nuindo os impactos ambientais causados pelo lixo, colaborando com o bem-estar das populações. Neste capítulo analisaremos como as 108 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . organizações públicas e empresas privadas tratam a descartabilidade dos produtos após serem consumidos e como a logística reversa ate- nua os impactos negativos da descartabilidade. 1 Bens pós-consumo O ser humano satisfaz suas necessidades utilizando recursos dispo- nibilizados sob a forma de bens tangíveis e de serviços intangíveis. Os bens tangíveis – aqui designados de produtos – são constituídos por insumos de vários tipos e utilizados durante o tempo que constitui sua vida útil de prazo variável dependente de diversos fatores, apresentados e exemplificados no quadro 1 a seguir. Quadro 1 – Fatores que determinam a vida útil de um produto Características do produto Produtos perecíveis têm limite de durabilidade dependendo das condições de conservação; remédios têm validade determinada e normalmente expressa por condicionantes técnicos. Uso do limite de sua capacidade Pneus rodam até alcançarem o limite máximo de desgaste. Tendências de moda Vestuário e calçado são em regra utilizados de acordo com o consenso da comunidade sobre a moda. Mudança de faixa etária Vestuário, calçados e brinquedos são substituídos na medida da evolução etária do indivíduo. Esgotamento de sua utilidade Produtos descartáveis, como lápis e esferográficas, são utilizados enquanto tiverem capacidade de escrita; pilhas e baterias, enquanto produzirem energia. Inutilidade por substituição por um produto diferente Máquinas de escrever, fitas cassete, disquetes, vitrolas e mesmo discos de vinil foram substituídos. Incapacidade de regularização Equipamentos antigos que necessitam de reparação e que, por descontinuidade de produção de peças, não podem ser reparados. Mudança na condição socioeconômica ou profissional Residências, motocicletas e carros podem ser trocados em consequência de promoção social ou aumento de membros na família, assim como viaturas de trabalho podem ser substituídas pela mudança de atividade. Embalagens são descartadas após a utilização do conteúdo. 109O produto pós-consumo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Dessaforma, constata-se que em algum momento produtos aca- bados serão classificados de pós-consumo, pois terão chegado ao fim de sua vida útil na perspectiva do consumidor que os detém ou que os utiliza. Caberá à logística reversa alongar sua vida, revitalizando-os por al- gum processo ou enviando-os para mercados secundários, onde são comercializados como produtos usados, evitando assim o descarte de- finitivo. Quando isso não for viável, a logística reversa deverá encami- nhar, de forma ordenada e com respeito à regulamentação ambiental, os produtos de pós-consumo aos depósitos definitivos (aterros sanitá- rios, incineradoras, etc.). Bens de pós-consumo são produtos em fim de vida útil, definida como o “tempo decorrido desde a sua produção até o momento em que o primeiro possuidor se desembaraça dele” (LEITE, 2009, p. 38), e que podem ser canalizados a destinos finais tradicionais ou retornarem ao ciclo produtivo por processos de logística reversa. Como os produtos pós-consumo são compostos por vários tipos de materiais, com diferentes tempos de decomposição e destinos diferen- ciados (alguns serão reutilizados, outros recuperados e alguns serão desmanchados), faz-se necessário estabelecer categorias, que possibi- litem sistematizar os fluxos reversos para cada tipo de produto. Rogers e Tibben-Lembke (1998) classificam os produtos pós- -consumo de acordo com aspectos mercadológicos e conforme as ca- tegorias elencadas no quadro 2 a seguir. 110 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Quadro 2 – Classificação de produtos pós-consumo Produtos em liquidação Produtos de primeira qualidade que o varejista decidiu deixar de comercializar; nesse caso, as empresas varejistas podem buscar compradores para remoção desses produtos de seu estoque. Buy-outs Quando um fabricante compra o fornecimento de produtos do concorrente aos varejistas para reduzir a concorrência. Produtos em saldo Normalmente produtos sazonais de primeira qualidade, como vestuário ou calçados; no fim da estação (inverno ou verão), as empresas devem vender as sobras com desconto ou tentar recuperar algum valor por meio de logística reversa, canalizando produtos a canais secundários, como camelôs ou lojas de produtos em liquidação. Produtos excedentes Produtos de primeira qualidade que atacadistas ou varejistas têm em excesso por terem superestimado a demanda, mas que continuarão a ser vendidos, podendo ser recolocados em outro canal de distribuição, normalmente com redução significativa no preço. Produtos com defeito Produtos defeituosos que retornam aos fabricantes para reparo ou destruição. Produtos não defeituosos Produtos que após a compra são considerados como defeituosos ou inservíveis pelo consumidor, que os devolve, mas que após a análise do fabricante estão em perfeito uso, retornando aos canais de comercialização. Salvados Produtos que foram usados ou danificados e não podem ser mais vendidos como novos e por isso são direcionados a canais alternativos para serem comercializados. Devoluções Produtos devolvidos pelos clientes; as devoluções são geralmente tratadas da mesma forma que os salvados; são canalizados ao mercado secundário e não são vendidos como produtos de primeira qualidade. Fonte: adaptado de Rogers e Tibben-Lembke (1998). Para Leite (2009), os produtos de pós-consumo podem ser classifi- cados de acordo com o prazo da sua vida útil nas seguintes categorias: • Bens descartáveis – bens que possuem duração média de vida útil de algumas semanas, raramente superior a seis meses. Estão neste caso as embalagens de produtos, suprimentos de escritó- rio, revistas e jornais, entre outros. 111O produto pós-consumo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Bens duráveis – bens que apresentam duração média de vida útil variando de alguns anos a algumas décadas, como é o caso de automóveis, eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos indus- triais, navios, etc. • Bens semiduráveis – bens que apresentam duração média de vida útil de alguns meses, raramente superior a dois anos. Baterias de celulares e óleos lubrificantes são exemplos desta categoria. Em um sentido mais amplo, a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe (2016), para fins estatísticos – considerando não só os produtos resultantes de descarte pelo consumidor final, mas também os desperdícios e rejeitos designa- dos genericamente de resíduos – utiliza a seguinte classificação para resíduos: Figura 1 – Classificação dos resíduos Resíduos sólidos urbanos (RSU) Resíduos de construção e demolição (RCD) Resíduos de serviços de saúde (RSS) Fonte: adaptado de Abrelpe (2016). 112 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Nessa classificação nota-se a preocupação de segregar a classifi- cação dos resíduos de saúde, que pelas suas características podem apresentar periculosidade, fato que se reflete na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) quando ao dispor sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos estabelece a seguinte classificação para resíduos sólidos (BRASIL, 2010): • Quanto à origem, englobando os resíduos sólidos urbanos – RSUs (domiciliares e de limpeza urbana); de estabelecimentos comerciais; de serviços púbicos de saneamento básico; indus- triais; de serviços de saúde; da construção civil; agrossilvipastoris; de transportes; e de mineração. • Quanto à periculosidade, classificados em resíduos perigosos e não perigosos. Enquanto nas classificações da Abrelpe e na expressa pela PNRS os bens pós-consumo são classificados de acordo com sua origem e periculosidade, permitindo projetar de forma mais objetiva as políticas públicas de gestão de resíduos, as classificações que levam em conta as características de uso, a qualidade e o prazo de vida útil de produtos são utilizadas por empresas especializadas em operações de recicla- gem e possibilitam desenhar estratégias de alongamento da vida útil de produto – com maior ou menor dificuldade – no planejamento das operações de logística reversa. De acordo com os dados apresentados no gráfico 1, corresponden- tes à pesquisa webshoppers realizada pelo Ebit (2018), podemos verifi- car que entre 2011 e 2018 ocorreu um aumento constante no número de pedidos no e-commerce que refletirá no número de devoluções após aquisição, representando 30% de todos os produtos comprados on-line (GODOY, 2016). Esse fato vem intensificando as operações de logística reversa de difícil planejamento, dada a sua imprevisibilidade. 113O produto pós-consumo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Gráfico 1 – Evolução do número de pedidos no e-commerce (em milhões) 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 53,7 66,7 88,3 103,4 106,5 106,3 111,2 119,7 Fonte: adaptado de Ebit (2018).Já a coleta seletiva, com pontos fixos de recolhimento (pontos de en- trega voluntária – PEVs), e a coleta porta a porta (normalmente realiza- da pelo prestador de serviço público de limpeza e manejo dos resíduos sólidos ou por associações ou cooperativas de catadores de materiais recicláveis) permitem planejar com maior eficiência as operações de logística reversa. 2 Descartáveis, duráveis e semiduráveis Tomando como base a classificação de produtos baseada na vida útil, podemos verificar que entre os produtos de vida mais curta, de- signados de bens descartáveis, a generalidade das embalagens e os alimentos ocupam posição destacada, transformando-se rapidamente em resí duos; já os bens duráveis (como edifícios, maquinário e equipa- mentos industriais) e os bens semiduráveis (como baterias de veículos, pneus ou produtos elétricos e eletrônicos) têm vida mais longa. 114 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . No caso de bens descartáveis, a quantidade de resíduos se dá em função do consumo, que impacta no aumento de vendas e depende de vários fatores, como o nível de renda da população, o preço dos bens, as tendências da moda ou as inovações tecnológicas. Aumentos em ven- das requerem maior quantidade de recursos; por isso, é possível deduzir uma relação entre vendas e resíduos, o que apela ao desenvolvimento de políticas de produção sustentável e de práticas de consumo consciente. PARA SABER MAIS Consumir conscientemente é ter consciência dos impactos ambientais que uma compra, a utilização ou o descarte de um produto podem causar e como o consumidor pode maximizar impactos positivos e minimizar os negativos. O Instituto Akatu, organização não governamental sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente, relacionou doze princípios que fundamen- tam a prática do consumo consciente (AKATU, 2011): planeje suas com- pras; avalie os impactos de seu consumo; consuma apenas o necessário; reutilize produtos e embalagens; separe seu lixo; use crédito conscien- temente; conheça e valorize as práticas de responsabilidade social das empresas; não compre produtos piratas ou contrabandeados; contribua para a melhoria de produtos e serviços; divulgue o consumo consciente; cobre dos políticos; reflita sobre seus valores. No caso de bens duráveis e semiduráveis, como os produtos que per- manecem mais tempo na economia, elevando o nível do seu estoque, a produção de resíduos depende de vendas no passado que têm relação direta com o nível de renda das populações. Por exemplo, se durante lar- go período não houve uma alteração do nível médio de rendimentos de uma população, é normal que a vida média dos veículos privados em cir- culação aumente; já se essa situação for revertida e ocorrer um aumen- to substancial do nível de renda, teremos um aumento na quantidade de resíduos em função do maior número de veículos descartados e que serão substituídos por outros de modelos mais recentes, aumentando a 115O produto pós-consumo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. quantidade de recursos necessários à sua produção. Dessa forma, fica evidente a associação entre recursos utilizados e resíduos, o que apela a uma abordagem da prevenção e gestão de resíduos num contexto de gestão racional dos recursos naturais. 3 Aumento da descartabilidade O desenvolvimento industrial alavancado pelo dinamismo da com- petitividade empresarial que pôde ser verificado ao longo das últimas décadas contribuiu para o esgotamento dos recursos naturais e da capacidade de absorção e processamento de resíduos. A inserção de componentes plásticos (normalmente mais baratos) para substituição de produtos metálicos, e sobretudo da resina PET na fabrica- ção de embalagens com ganhos significativos de eficiência, tem aumen- tado os resíduos plásticos de difícil decomposição de forma exponencial. Também a proliferação de aparelhos de telefonia móvel, com custos cada vez mais reduzidos e de ciclos de vida útil cada vez mais curtos, contribui para o aumento da descartabilidade dos produtos de pós-consumo. Quando consideramos os resíduos sólidos urbanos constituídos não somente por bens de pós-consumo originários de atividades domésti- cas em residências urbanas, mas também os originários da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana, observamos um crescimento de geração até o ano de 2015, seguido de uma redução no ano de 2016 (gráfico 2). Segundo a Abrelpe (2016), no ano de 2016 foram gerados 78,3 mi- lhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, como apresentado no gráfico 2, o que reflete uma queda de 2% no montante gerado em 2015, embora a população brasileira apresentasse um crescimento de 0,8% en- tre 2015 e 2016; desse total foram coletados 71,3 milhões de toneladas, o que corresponde a um índice de cobertura de coleta de 91%, de modo que cerca de 7 milhões de toneladas tiveram uma destinação imprópria. 116 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Gráfico 2 – Geração de resíduos sólidos urbanos (em toneladas) 2012 2016 73,4 82 2013 75,4 2014 78,6 2015 79,9 78,3 70 72 74 76 78 80 Fonte: adaptado de Abrelpe (2016). Também a geração per capita de resíduos sólidos urbanos medida em kg/habitante/dia, como apresentado no gráfico 3, registrou queda de quase 3% no mesmo período. Gráfico 3 – Geração de resíduos sólidos urbanos (kg/habitante/dia) 1,08 1,02 1,03 1,04 1,05 1,06 1,07 1,037 1,041,041 1,062 1,071 2012 20162013 2014 2015 Fonte: adaptado de Abrelpe (2016). 117O produto pós-consumo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A redução na geração de resíduos – que, de acordo com a Lei nº 12.305/2010, é uma das prioridades da Política Nacional de Resíduos Sólidos – é reflexo de práticas de consumo consciente e está direta- mente relacionada, entre outros fatores, aos novos serviços disponibili- zados, como a locação de equipamentos ou mobiliário e às inovações tecnológicas. A redução de geração de resíduos sólidos urbanos per capita verificada em 2016 também foi consequência da crise econô- mica da época, que resultou em queda significativa na venda de móveis e eletrodomésticos, equipa mento e materiais de escritório, mas sobretudo na substituição de livros, revistas e jornais na forma física por edições digitais. A coleta de resíduos sólidos urbanos seguiu a mesma tendência negativa que os dados anteriores, conforme gráfico 4, mas segundo a Abrelpe (2016), a cobertura em todas as regiões brasileiras tem aumen- tado, o que pressupõe uma tendência na diminuição de resíduos com destinação imprópria. Gráfico 4 – Coleta de resíduos sólidos urbanos (toneladas/dia) 205000 175000 180000 185000 190000 195000 200000 175000 2012 20162013 2014 2015 181288 195452 189219195233 198750 Fonte: adaptado de Abrelpe (2016). 118 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Entre os fatores que alavancam a descartabilidade de produtos pós- -consumo, podemos constatar o grande impacto causado pelo desenvol- vimento de produtos embalados em material de alumínio, papel ou em resina PET, além da introdução no mercado de forma massiva e muito dinâmica de novos produtos, especialmente os eletroeletrônicos, com destaque para os celulares, tornando obsoletos os produtos já existentes. O aumento das taxas de descartabilidade é impactado por alguns produtos aceleradores da geração de resíduos, como copos e embala- gens de plástico, latas de alumínio, embalagens cartonadas ou baterias de celulares, e que por essa natureza devem ser monitorados e reinte- grados sempre que possível em novos ciclos de produção. Elementos mercadológicos também são indutores de resíduos, como a fast fashion (moda que muda rapidamente), apelos à praticidade com produtos des- cartáveis ou produtos com curta durabilidade, mas com baixo preço de venda, como ocorre com certos produtos importados. Em compensação, é visível o desenvolvimento de elementos reduto- res de resíduos, como é o caso das embalagens reutilizáveis, da locação de veículos e de equipamentos, incluindo mobiliário, bem como dos sis- temas de locação de veículos. Hawken, Lovins e Lovins (1999) sugerem que se forem adotadas a medidas listadas a seguir, a descartabilidade de resíduos pode ser redu- zida e ao mesmo tempo pode-se evitar a escassez de recursos, mitigan- do a deterioração ambiental: • Produtividade radical de recursos, ou seja, obter um produto com a mesma utilidade, mas empregando o mínimo possível de mate- rial e energia, ou seja, evitando qualquer desperdício. Nesse sen- tido, os impactos ambientais negativos diminuirão e a empresa diminuirá custos e aumentará o lucro. • Biomimetismo, redesenhando processos industriais e materiais de forma a possibilitar a reciclagem constante do material, em 119O produto pós-consumo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. ciclo fechado, ou seja, aproveitando ao máximo os resíduos gera- dos pelos produtos. • Economia de serviço e fluxo, em que bens e serviços não serão vendidos, mas emprestados ou alugados durante o período em que são utilizados, como é o caso do Uber, da Airbnb ou das em- presas que alugam mobiliário. • Investimento em capital natural, por exemplo, plantando e restau- rando florestas ou evitando emissões de poluentes. PARA SABER MAIS O biomimetismo reflete o que podemos aprender com a natureza, apli cando esse conhecimento no desenvolvimento de diferentes produtos, como é o caso do Airbus A380, o maior avião de passageiros do mundo, cujos componentes aerodinâmicos na ponta das asas copiam um deta- lhe observado nas asas da águia das estepes durante o seu voo. Outros exemplos podem ser encontrados no portal Ideia Sustentável, disponível em: <https://www.ideiasustentavel.com.br/>. Figura 2 – Descarte de produtos e sustentabilidade Máxima produtividade – biomimetismo: investimento em capital natural Condições prévias Op er ac io na liz aç ão : lo gí st ic a re ve rs a Produtos aceleradores Descartabilidade de produtos Ações mercadológicas Custo reduzido: vida útil curta Embalagens reutilizáveis Economia de serviço e fluxo 120 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Podemos concluir que a descartabilidade dos produtos, operaciona- lizada pela logística reversa, conforme figura 2, aumenta com a intro- dução de produtos aceleradores, com certas ações mercadológicas ou mesmo com a comercialização de produtos muito baratos, mas pode ser controlada com embalagens reutilizáveis e práticas de locação de produtos. No entanto, impactos ambientais resultantes da descarta- bilidade serão atenuados sempre que se maximize a produtividade de recursos, se possibilite a reciclagem em circuito fechado pelo biomime- tismo e, sobretudo, ao se investir em capital natural. Independentemente de tipo, origem, utilização ou vida útil do produ- to, caberá à logística reversa completar e prolongar o ciclo de vida dos produtos contribuindo não somente para o aumento da rentabilidade da empresa ao fornecer insumos a menor custo, mas também para a sustentabilidade, evitando impactos ambientais que prejudiquem o for- necimento regular de insumos que deteriorem a qualidade de vida do ser humano. Considerações finais Nas últimas décadas, a velocidade no lançamento de novos produ- tos nos mercados e os avanços tecnológicos, especialmente com a introdução de embalagens descartáveis, associados a práticas consu- mistas que levam consumidores a adquirirem bens além de suas ne- cessidades, têm impactado no aumento da descartabilidade de bens pós-consumo. Estudamos a necessidade de categorizar produtos para desenvolver políticas oficiais e estratégias empresariais que permitam estruturar or- ganizadamente a recuperação e o alongamento da vida útil de materiais e de produtos descartados, diminuindo impactos ambientais causados por resíduos dos bens pós-consumo e beneficiando empresas com a reintegração de insumos aos ciclos produtivos. A tendência ao aumento 121O produto pós-consumo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. da descartabilidade de produtos apela ao aumento da eficiência dos fluxos logísticos reversos e a estratégias inovadoras, pautadas em pla- nejamentos de novos produtos ambientalmente conscientes e em solu- ções de logística reversa integradas à estratégia empresarial. Referências AKATU. Conheça os 12 princípios do consumo consciente. 2011. Disponível em: <https://www.akatu.org.br/noticia/conheca-os-12-principios-do-consumo- consciente/>. Acesso em: 20 mar. 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE LIMPEZA PÚBLICA E RESÍDUOS ESPECIAIS (ABRELPE). Panorama dos resíduos sólidos no Brasil. 2016. Disponível em: <http://www.abrelpe.org.br/panorama_apresentacao.cfm>. Acesso em: 20 mar. 2018. BRASIL. Ministério das Cidades. Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 3 ago. 2010. p. 2. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_ 03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 17 mar. 2018. EBIT. Webshoppers. 2018. Disponível em: <https://www.ebit.com.br/ webshoppers>. Acesso em: 20 jun. 2018. GODOY, Bianca. Logística reversa influencia a compra de produtos. 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Com a integração das práticas de logística reversa no processo logístico das empresas, a distribuição alargou o seu espectro de atuação e passou a responder pelo retorno de produtos aos ciclos de produção, transformando-se num sistema bidirecional, daí a pertinência no estudo dos canais de distribuição re- versos – de pós-consumo e de pós-venda – no sistema de distribuição da empresa. Ao operacionalizar por canais de distribuição dedicados, fluxo reverso dos materiais vendidos ou consumidos, as empresas não somente ampliam sua imagem de responsabilidade ambiental, mas 124 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . também garantem abastecimento de insumos que de outra forma se- riam descartados sem retorno. Neste capítulo estudaremos os aspec- tos críticos inerentes aos processos de distribuição reversos que possi- bilitam a tomada de decisões que aumentam a eficiência empresarial. 1 Canais de distribuição reversos do pós-consumo Todos os produtos percorrem, desde a sua origem no produtor até estarem disponíveis para o consumidor, um sistema de complexidade mediana chamado canal de distribuição. Como esquematizado na fi gura 1, o ponto de partida, ou seja, o input do sistema, é o produtor; e o ponto de destino, o output do sistema, é o consumidor. O conjunto de entidades situadas entre o produtor e o consumidor, sejam pessoas ou organizações, são designadas por intermediários. Figura 1 – Intermediários no canal de distribuição Armazém/ atacado Meios de transporte Varejo Armazém/ produtor Meios de transporte Canal de distribuição Consumidor Segundo Sousa (2009, p. 93), numa perspectiva empresarial, pode- mos afirmar que […] os canais de distribuição são constituídos pelo conjunto de ele- mentos materiais e humanos, internos ou externos à empresa, e que ela utiliza para levar a cabo a sua ação de distribuição de forma a criar utilidade ao consumidor. Essa definição enfatiza a inevitabilidade da integração da empresa, produtora ou fornecedora, com os componentes do canal de distribuição e a necessidade de cuidados especiais na seleção de intermediários. 125Canais de distribuição reversos do pós-consumo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A seleção dos membros do canal de distribuição – as empresas in- termediárias – deve levar em conta o alinhamento das propostas de valor de todas as empresas constituintes, o que se torna mais difícil de conseguir à medida que aumenta o número de intermediários do canal (ROCHA; SOUZA, 2017). Quando a proposta de valor de uma empresa for a entrega de produtos produzidos com tecnologias ambientalmente amigáveis, todas as empresas da cadeia de suprimentos devem acatar tal contexto na sua proposta de valor, pois somente desse modo a dis- tribuição criará utilidade e será possível garantir que a proposta de valor da empresa cumpra com o prometido. IMPORTANTE Em teoria econômica, denomina-se “utilidade” a propriedade que os pro- dutos tangíveis e serviços têm de satisfazer as necessidades e os dese- jos humanos; isto é, “utilidade” descreve as preferências do consumidor. A distribuição cria utilidade ao colocar à disposição do consumidor final ou do comprador industrial produtos no momento em que são necessá- rios e no local previamente acordado, gerando assim utilidade de tempo e de local. Ao integrarem exigências de proteção ambiental, incluindo sistemas de logística reversa em suas operações, as empresas am- pliam o conceito de utilidade, que passa a englobar a utilidade de forma, definida como o valor conferido a um produto composto por componen- tes que o tornam específico (nesse caso, amigável ao meio ambiente). Se um empreendimento habitacional é caracterizado como susten- tável, deverá não somente privilegiar a redução do impacto paisagístico, o tratamento de resíduos orgânicos ou a geração de energia, mas ga- rantir que todos os materiais utilizados nas construções foram obtidos de forma ambientalmente correta. Do mesmo modo, quando um refri- gerante é comercializado como ecologicamente amigável, todas as em- presas que proporcionaram a disponibilidade do produto no mercado e que garantem o retorno das embalagens ao ciclo produtivo devem ter 126 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . propostas de valor coerentes. Pode-se deduzir que, em canais de distri- buição, o alinhamento das propostas de valor é definido pela empresa que detém o poder de comandar as operações de distribuição – o co- mandante do canal – e é influenciado pelos consumidores. Nos exem- plos apresentados, os comandantes do canal seriam, respectivamente, a empresa promotora do empreendimento e a produtora do refrigerante. Da mesma forma, caberá ao comandante de qualquer canal de distri- buição se empenhar para garantir que todos os intermediários colabo- rem com processos de distribuição ecologicamente corretos, incluindo o descarte adequado de produtos. Uma vez consumidos os bens duráveis, semiduráveis e descartáveis, incluindo as embalagens e os resíduos industriais, eles são descartados para aterros sanitários, incinerados ou coletados de forma organizada por meio de coleta seletiva, operacionalizada pela logística reversa para serem integrados a novos ciclos de produção, ou são ainda destinados à comercialização em mercados secundários. Os tipos de produtos descartados impactam a estrutura do canal de distribuição utilizado para tal finalidade. Uma lâmpada fluorescente que na sua composição contém mercúrio – material corrosivo e altamente contaminante – requer cuidados especiais e deve obedecer a rigorosos critérios de controle e segurança. Já o descarte de sapatos ou de rou- pas usadas pode ser realizado com níveis mais reduzidos de controle, embora devam ser descartados em locais apropriados ou então doados a organizações para serem redistribuídos. A estruturação do sistema de logística reversa de pós-consumo pode obedecer a vários fluxos, como apresentado na figura 2, que dependem principalmente do tipo de produto. 127Canais de distribuição reversos do pós-consumo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 2 – Canais de distribuição direto e pós-consumoFornecedor de insumos Fabricante de produtos Consumidor Pessoa física/empresa Resíduos industriais Materiais reciclados Mercado secundário Coleta normal Coleta seletiva Coleta de lixo Desmanche Remanufatura Componentes Incineração Sobras Reúso Duráveis/semiduráveis Intermediários (sucateiros) Indústria de reciclagem Descartáveis/semiduráveis Bens pós-consumo Pessoa física/empresa Fonte: adaptado de Leite (2009, p. 50). O descarte de um carro (produto durável) pode direcionálo ao reúso por meio de um mercado de automóveis usados, ou, em caso de perda total, ao desmanche. Os componentes resultantes do desmanche po- dem ser direcionados para remanufatura e serem comercializados em mercados secundários. Também o descarte de pneus inservíveis pode ser direcionado à incineração por cimenteiras licenciadas ou à indústria de reciclagem para serem aproveitados como matéria-prima juntamen- te ao asfalto ou ao concreto ou na fabricação de produtos de borracha. 128 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Uma comparação entre o volume dos fluxos de materiais direciona- dos aos mercados e os que fluem no sentido reverso, rumo aos ciclos produtivos, fornece uma ideia relativa das causas e dos impactos da poluição, e pode ser mensurado pelo índice de reciclagem. O índice de reciclagem reflete a relação percentual entre os volumes reciclados em determinado período de tempo em uma região com os produzidos no mesmo período e na mesma região. Quando se refere que o índice de reciclagem de latas de alumínio no mercado brasileiro em 2015 foi de 97,9%, tendo nesse período sido recicladas 23,1 bilhões de unidades, deduz-se que em 2015 foram produzidas 23,6 bilhões de latas de alumínio. A interpretação desse índice, que relaciona fluxos diretos de entrada no mercado de produtos com os fluxos reversos dos mesmos produ- tos pós-consumo, nos mesmos períodos de tempo, deve ser vista com cuidado, pois pode não levar em conta a durabilidade dos bens, os dife- rentes materiais que entram na composição dos produtos descartáveis nem as oscilações na produção. A interpretação de um índice de reciclagem de 20% para o lixo ele- trônico em determinado ano considera a relação entre os produtos que entram no mercado naquele ano e os que são descartados, porém não leva em conta nem uma eventual expansão de mercado (consequên- cia do aumento significativo de novos produtos) nem uma variação de demanda por novos produtos (consequência de maior número de con- sumidores). Por exemplo, a introdução de aparelhos celulares de baixo preço combinada com a redução no preço das telecomunicações não impactam proporcionalmente no descarte de celulares, pois muitos consumidores passam a utilizar mais de um aparelho e não descartam o antigo; por outro lado, a expansão da telefonia celular aumenta signifi- cativamente o descarte dos aparelhos de telefonia fixa, sem introdução de novos aparelhos fixos no mercado. 129Canais de distribuição reversos do pós-consumo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Para melhor sistematizar essa situação, Leite (2009) distingue os diversos tipos de índices: Quadro 1 – Tipos de índices de reciclagem Índice de reciclagem de um bem durável Por exemplo, quando se refere que, em 2013, cerca de 3,6 milhões de novos veículos utilitários e comerciais leves chegaram às estradas e apenas 538 mil de igual característica deixaram de circular (RECICLAGEM…, 2017), estamos nos referindo a um índice de reciclagem de 14,94% de veículos; da mesma forma, quando afirmamos que em 2016 somente 20% do lixo eletrônico gerado no mundo é reciclado de maneira apropriada (LIXO…, 2018), entende-se que 80% do lixo eletrônico gerado no mundo teve um destino impróprio. Índice de reciclagem dos componentes de um bem durável Referente às porcentagens de componentes ou de materiais constituintes reciclados de um determinado bem em relação ao seu peso; por exemplo, de um caminhão que chega ao fim de vida útil, 85% é revertido em peças de reposição, 10% em materiais recicláveis e apenas 5% é descartado. Índice de reciclagem do material constituinte Referente a produtos pós-consumo de que possam ser extraídos o mesmo tipo de material, como plástico, vidro, aço, latas de alumínio, etc.; por exemplo, segundo o Cempre (2017), em 2015 foram reciclados 46,7% do total das latas de aço e 97,7% das latas de alumínio consumidas no Brasil. Fonte: adaptado de Leite (2009). Embora forneçam uma perspectiva da eficiência da reciclagem de determinado produto ou matéria-prima, a interpretação dos índices de reciclagem deve levar em conta vários aspectos condicionantes, princi- palmente a oscilação durante o período em análise, quer de estoques acumulados por razões mercadológicas ou as que resultam de varia- ções de poder aquisitivo. 2 Canais de distribuição reversos de ciclo aberto e ciclo fechado A noção de ciclos abertos e fechados tem sofrido diferentes interpre- tações; entre elas, as que consideram que o ciclo aberto é relacionado à deposição de descartes em lixões ou aterros e que o ciclo fechado 130 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . ocorre quando os resíduos são direcionados aos ciclos produtivos para serem aproveitados como insumos de novos produtos. No entanto, e para melhor entendimento do processo reverso da logística integrada, consideraremos que a distinção entre canais de distribuição reversos de ciclo fechado e aberto é determinada pela destinação dos descartes recicláveis (LEITE, 2009): • Ciclo fechado: quando o retorno dos materiais descartados ao ciclo de produção pode alimentar processos produtivos de produ- tos similares, como nos processos de reciclagem de garrafas de vidro, em que os cacos de produtos pós-consumo são reutiliza- dos na produção de novas garrafas, ou das baterias de veículos, cujos materiais são reaproveitados para a fabricação de novas baterias. • Ciclo aberto: quando o retorno dos materiais descartados ao ciclo de produção for destinado à fabricação de um produto distinto. São exemplos de canais reversos de ciclo aberto a reciclagem de embalagens cartonadas do tipo longa vida, em que os insumos reciclados são destinados à produção de telhas para construção civil, vasos para floricultura ou toalhas de papel, entre outros. Com essa interpretação, também fica claro que, no caso de produtos duráveis de pós-consumo destinados a mercados secundários, como é o caso de canais reversos, de reúso ou de manufatura, os canais serão principalmente de ciclo fechado. O tipo de produto descartado quando reciclado impacta na estrutura do canal de distribuição reverso, exigindo níveis diferentes de especialização e de armazenagem, além de tipos de equipamento necessário às operações. Os canais reversos de ciclo aberto são normalmente comandados por empresas especializadas que coletam e selecionam materiais para posteriormente os direcionarem a várias empresas que os adquirem como insumos, como é o caso de empresas quereciclam lâmpadas 131Canais de distribuição reversos do pós-consumo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. fluorescentes, compostas basicamente por mercúrio, alumínio e vidro, e que são responsáveis por retirar o mercúrio das lâmpadas, eliminando a possibilidade de contaminações ambientais e intoxicações, para depois encaminharem para a reciclagem os materiais restantes. Nos canais reversos de ciclo fechado de bens descartáveis, presen- tes em reciclagem de insumos que não perdem propriedades ao serem aproveitados, como o vidro ou o alumínio, as operações reversas são comandadas pelas empresas que detêm o controle, mais ou menos completo, de toda a cadeia de abastecimento, como no caso da empre- sa Ambev, que controla toda a operação de ciclo fechado ao recolher as garrafas de vidro que acondicionam suas bebidas em estações de reciclagem, normalmente implantadas em supermercados, para depois transportálas para a indústria recicladora, onde são transformadas em novas garrafas de vidro e utilizadas como embalagem. De forma geral, podese afirmar que os materiais pósconsumo reci- clados por canais reversos de ciclo fechado proporcionam um proces- so de gestão logística com maior previsibilidade tanto no planejamento da coleta como no abastecimento de insumos para reciclagem. Já os canais reversos de ciclo aberto, ao reciclarem materiais pós-consumo para diversas cadeias produtivas, têm fluxos logísticos dispersos nas coletas e nas entregas, necessitando de maiores cuidados na armaze- nagem e na separação dos materiais coletados, e, consequentemente, têm maiores custos logísticos. 2.1 Canais de distribuição reversos de bens duráveis e semiduráveis Os bens duráveis ou semiduráveis de pós-consumo retornam aos ciclos produtivos ou aos mercados secundários em várias situações, conforme o esquema apresentado na figura 3, porém, utilizando quase sempre canais reversos de ciclo fechado, dedicados. 132 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Figura 3 – Canais reversos de bens duráveis Bens duráveis pós-consumo Bens inservíveis Mercado secundário (reciclados) Processadores de resíduos Desmanche Insumos reutilizáveis Resíduos descartáveis Reúso Remanufatura/ recondicionamento Mercado secundário (componentes de segunda mão ou remanufaturados) Processamento de reciclados Bens reutilizáveis Indústria de reciclagem ou depósito final No caso de canais de reúso – automóveis usados, equipamentos e maquinário em segunda mão, etc. – a reinserção de produtos nos mercados secundários é operacionalizada por intermediários especia- lizados nos diversos tipos de produtos ou, eventualmente, por meio de leilões; nesses processos, é comum que os produtos circulem mais de uma vez entre mercados secundários e entre empresas de processa- mento de reciclados, como no caso de uma máquina industrial usada que pode ser revendida, ou de peças de automóvel que podem ser recu- peradas e revendidas várias vezes por empresas especializadas. 133Canais de distribuição reversos do pós-consumo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Produtos inservíveis podem ser reprocessados para reutilização por processos de remanufatura ou recondicionamento, ou até mesmo serem desmanchados para revenda de seus componentes em merca- dos secundários. Não sendo viável o seu aproveitamento, os produtos inservíveis são coletados de forma organizada e desmanchados com eventual aproveitamento de seus componentes, que são direcionados à indústria de reciclagem, como é o caso das carcaças de automóveis, que após serem trituradas e seus componentes separados, são encami- nhadas para reciclagem a fim de serem utilizadas como matériaprima em outros ciclos produtivos; as sobras desse processo são enviadas a aterros sanitários. A remanufatura é definida como um bem resultante de processo in- dustrial realizado pelo fabricante original do produto novo, ou por em- presa autorizada pelo próprio fabricante original para substituição de componentes desgastados, de forma que o produto remanufaturado apresente desempenho de acordo com as especificações do bem novo e original (ABNT, 2014). O recondicionamento pode ser realizado por qualquer empresa que localiza e repara os componentes defeituosos de um produto inser- vível e os substitui por componentes novos ou remanufaturados de forma a assegurar que o bem recondicionado apresente condições de operação, funcionamento e desempenho equivalentes às especifica- ções do bem original. O descarte de bens duráveis em fim de vida útil – na falta de regula- mentação específica e quando não enviados diretamente às indústrias de reciclagem – é realizado de forma informal, normalmente por cata- dores ou empresas especializadas que revendem os produtos coleta- dos a sucateiros, sendo separados e canalizados a fabricantes que os utilizarão como insumos em suas produções. 134 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . NA PRÁTICA Em certas cidades, como em São Paulo, é possível descartar certos pro- dutos duráveis, como móveis, sofás e camas, nos ecopontos, locais de entrega voluntária administrados pela prefeitura. No caso de geladeiras ou freezers, empresas especializadas os coletam nas residências e ini- ciam a reciclagem desses produtos, separando gases perigosos (CFC) e o mercúrio de outros materiais, tais como plástico, ferro e alumínio, que são triturados e enviados a empresas recicladoras. 2.2 Canais de distribuição reversos de bens descartáveis “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” é uma conhecida frase atribuída a Lavoisier, químico francês considerado um dos pais da química moderna. Hoje sabemos que as transformações não monitoradas de produtos podem em muitos casos prejudicar a qua- lidade de vida, daí a necessidade de seu controle. No caso de descarte, cabe à reciclagem acompanhar esse produto de forma a reintegrálo na economia, e quando isso não for possível, direcioná-lo a depósitos seguros para descarte definitivo, como é o caso dos rejeitos radioati- vos, que são recolhidos e armazenados em depósitos intermediários existentes em unidades técnicocientíficas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN, 2015). O fato de determinado bem ser inservível na sua função nada garan- te que não possa ser aproveitado em outra finalidade, como é o caso do descarte de embalagens que tem impulsionado não somente o desen- volvimento de novos negócios de reciclagem, mas também a promoção do artesanato, que aproveita produtos inservíveis, como embalagens cartonadas, garrafas, palitos de picolé, latinhas de alumínio, e os trans- forma em produtos com valor para o consumidor. 135Canais de distribuição reversos do pós-consumo M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD,da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. No caso de canais reversos de bens pós-consumo que não possam ser reutilizáveis, as possíveis destinações são: o processamento por sucateiros com desmembramento de componentes, aproveitando ou reciclando peças; envio para empresas que desmontam equipamentos para venderem peças usadas em mercados secundários, como no caso de máquinas, veículos e outros equipamentos; ou o envio para depósi- tos finais (aterros sanitários), o que nem sempre é realizado de forma ambientalmente correta. IMPORTANTE Segundo a Abrelpe (2016), em 2016 o Brasil gerou 78,3 milhões de tone- ladas de resíduos sólidos, das quais foram coletados 91%, equivalente a 71,3 milhões de toneladas, evidenciando que 7 milhões de toneladas de resíduos não foram canalizados por canais de distribuição reversa e, consequentemente, tiveram destino impróprio. Considerações finais Neste capítulo analisamos os canais reversos de descarte dos dife- rentes tipos de produtos e o impacto ambiental positivo da utilização eficiente da logística reversa, e vimos como um produto ou uma emba- lagem vazia que são bens inservíveis para um consumidor podem ter utilidade em outro contexto de consumo. A crescente conscientização ambiental de consumidores e empre- sas desenvolve novos negócios e cria novos sistemas de consumo que ganham espaço e se contrapõem ao consumismo: brechós viram moda; a locação de móveis, casas e carros substitui a posse, diminuin- do o descarte; e produtos descartados são cada vez mais reciclados. Todos esses aspectos alavancam as operações de logística reversa e aprofundam o estudo dos canais por onde os bens descartados retor- nam aos ciclos produtivos. 136 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 16290: bens reprocessados: requisitos gerais. Rio de Janeiro, 2014. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE LIMPEZA PÚBLICA E RESÍDUOS ESPECIAIS (ABRELPE). Panorama dos resíduos sólidos no Brasil. 2016. Disponível em: <http://www.abrelpe.org.br/panorama_apresentacao.cfm>. Acesso em: 20 mar. 2018. COMPROMISSO EMPRESARIAL PARA A RECICLAGEM (CEMPRE). Fichas técnicas – latas de aço. 2017. 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São Paulo: Saraiva, 2017. SOUSA, José Manuel Meireles. Gestão: técnicas e estratégias no contexto brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2009. 137 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 9 Canais de distribuição reversos do pós-venda O estudo das operações de logística reversa pós-venda permite con- solidar e fechar o ciclo de produtos comercializados através das opera- ções logísticas circulares desempenhadas pelos membros dos canais de distribuição, retornando-os às suas origens. Cabe à logística reversa de pós-venda revalorizar os bens pós-venda, que, por serem novos ou pouco utilizados, podem ser reintegrados nos ciclos de produção ou de comercialização, diferentemente dos bens de pós-consumo, que ao chegarem ao fim de sua vida útil são majoritariamente destinados a processos de reciclagem. A diversidade de tipos de produtos pós-venda e a forma como são desenhados os canais reversos serão objetos de análise neste capítulo. 138 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1 Fluxos reversos de pós-venda Um produto é vendido quando sua propriedade é transferida para outra pessoa ou empresa mediante o pagamento de um preço estipu- lado. Por vários motivos, muitos produtos, antes de serem consumidos, retornam à sua origem utilizando os canais de distribuição reversos. Leite (2009, p.187) conceitua logística reversa de pós-venda como [a] área específica da logística que se ocupa do planejamento, da operação e do controle do fluxo físico e das informações logísticas correspondentes de bens pós-venda, sem uso ou com pouco uso, que por diferentes motivos retornam pelos elos da cadeia de distri- buição direta. O retorno de produtos pode ocorrer em diferentes estágios do ciclo de comercialização, conforme apresentado na figura 1: Figura 1 – Devoluções em canais de distribuição 1 1: entrega não consumada no horário acordado entre fornecedor e varejo ou atacado; 2: devolução do atacadista ou do varejista; 3: devolução pelo consumidor final. 2 3 Os motivos que originam o retorno podem ser de várias ordens, quer estejam previstos contratualmente ou não, como listados no quadro 1 a seguir. 139Canais de distribuição reversos do pós-venda M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 1 – Motivos de retorno de produtos pós-venda RETORNOS CONTRATUAIS RETORNOS NÃO CONTRATUAIS • Garantia • Consignação • Embalagens • Ajuste de defeitos • Atraso na entrega • Validade expirada • Devolução por defeito • Arrependimento da compra • Fim de estação O objetivo da logística reversa do pós-venda será agregar valor ao produto, entregando-o de volta ao consumidor que o devolveu e reinse- rindo-o nos ciclos produtivo ou de comercialização, ou destinando-o à reciclagem. Atacadistas e varejistas clientes de fabricantes e também consumi- dores esperam que o serviço pós-venda operacionalizado pela logística reversa seja um atributo que diferencie o produto; por isso as empresas dos canais de distribuição devem dar especial atenção aos fluxos rever- sos de pós-venda para manterem sua imagem no mercado. Ao estabelecerem a ligação entre fabricantes e consumidores, os vare- jistas são o elo da cadeia de abastecimento que mais se beneficiam com a eficiência da logística reversa do pós-venda. Para Leite (2009), os principais ganhos de competitividade que a logística reversa de pós-venda pode tra- zer ao varejo podem ser categorizados conforme o quadro 2. Quadro 2 – Ganhos de competitividade pelos varejistas com a logística reversa ESTRATÉGIA DE COMPETITIVIDADEGANHOS DE COMPETITIVIDADE Flexibilidade no retorno de mercadorias dos clientes Reforço de imagem corporativa Liberação de área de loja Redução de custos Manutenção de produtos frescos em suas lojas – Recaptura de valor dos estoques remanescentes – Fonte: adaptado de Leite (2009, p. 35). 140 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Retornos eficientes não somente contribuem para a manutenção da imagem das empresas (como atentas e solucionadoras de problemas), mas também reduzem custos de manutenção de estoque não vendido, que pode ser canalizado para mercados secundários ou para reciclagem. A logística reversa do pós-venda é uma atividade empresarial que colabora na otimização do desempenho empresarial, na redução de im- pactos ambientais e que interage fortemente com o ambiente e com consumidores, recuperando produtos novos ou seminovos já comercia- lizados para os devolver reparados, ou reintegrá-los em ciclos produti- vos ou de comercialização. Na logística reversa do pós-venda o planejamento é o fator crítico mais relevante e de maior dificuldade de execução, pois sendo a maioria das operações reversas do pós-venda imprevisíveis, devem ser realiza- das de forma eficiente e eficaz para não prejudicarem o desempenho da empresa. Analisemos o caso de um consumidor que comprou um produto que se mostrou defeituoso e requer o reparo. Esse consumidor deve ter esse produto reparado ou trocado o mais rapidamente possível, e essa operação deve correr num ambiente com elevada segurança. Se algum desses aspectos não forem cumpridos, o consumidor ficará insatisfeito e a imagem da empresa será prejudicada. A dificuldade no planejamento de operações reversas de pós-venda é consequência da imprevisibilidade na sua realização, o que se refle- te no aumento dos fluxos de veículos circulando e contribui para o in- cremento dos impactos ambientais. Essa situação é compensada pelo aumento da vida útil dos produtos, seja pela devolução ao consumo de produtos reparados ou pela reinserção de produtos descartados nos ciclos produtivos ou de comercialização. 2 Retorno pós-venda A eficiência do retorno de produtos pós-venda aos ciclos produtivos depende da organização das operações de logística reversa, e impacta 141Canais de distribuição reversos do pós-venda M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. diretamente na imagem das empresas, sobretudo quando são ofereci- das propostas de valor que incluem garantia ou troca em prazos predefi- nidos. Nesses casos, a logística reversa deve estar preparada para atuar de forma rápida e pontual. O desenvolvimento do comércio eletrônico tem alavancado as ope- rações reversas, pois quase 30% de todos os produtos comprados on-line são devolvidos para troca por não apresentarem as caracte- rísticas esperadas ou por arrependimento de compra (GODOY, 2016). O processo de logística reversa varia de acordo com o motivo que deu origem ao retorno: reparo dentro da garantia, devolução (por defeito ou sem motivo), fim do prazo estipulado da consignação e prazo de validade, conforme esquematizado na figura 2. Figura 2 – Fluxos reversos pós-venda Garantia Fornecedor de insumos/ indústria de transformação Atacadista Varejista Consumidor Reparos Devolução Consignação Validade Desmanche Remanufatura Re ci cl ag em /d es ca rt e fin al Mercado secundário Produtos pós-venda De vo lu çã o 142 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 2.1 Garantia O retorno por garantia faz parte do chamado retorno contratual asse- gurado pelo vendedor (LEITE, 2009), que ocorre por defeito no produto comprado, partindo da iniciativa do consumidor que, em regra, espe- ra que o mesmo produto ou outro similar lhe seja retornado em boas condições em curto espaço de tempo. A eficiência do canal reverso, garantindo prazos de retorno e segurança na operação, é peça funda- mental para assegurar que o serviço contratado na ocasião da compra não prejudique a imagem da empresa. O destino do produto retornado pode ser a reparação e consequente devolução ao consumidor, e o desmanche seguido de reciclagem ou remanufatura para posterior venda em mercados secundários. 2.2 Devoluções São de várias ordens os motivos que levam consumidores a devolver produtos. Segundo dados publicados no relatório Consumer Returns in the Retail Industry publicado pela National Retail Federation (NRF) em 2015 e apresentados na tabela 1, as principais razões para devolução pelos consumidores americanos e canadenses por meio das lojas físi- cas foi a compra de produtos com defeito e de baixa qualidade, seguida de compra de produto equivocado ou de arrependimento na compra, situações que refletem ações de compra impulsiva e que dificultam a previsão de coleta e retorno. Tabela 1 – Motivos de devoluções em todo o mundo MOTIVOS DAS DEVOLUÇÕES VALOR EM US$ (BILHÕES) Defeitos/baixa qualidade 162,0 Compra equivocada 99,3 (cont.) 143Canais de distribuição reversos do pós-venda M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. MOTIVOS DAS DEVOLUÇÕES VALOR EM US$ (BILHÕES) Arrependimento 88,7 Melhor preço em outra loja 83,4 Troca de presente 64,1 Tamanho incorreto 62,4 Devolução fraudulenta 28,2 Não corresponde à descrição 6,1 Entrega fora de prazo 4,6 Outro 43,8 Fonte: adaptado de National Retail Federation (2015). Segundo o relatório da NFR (2015), o elevado valor de devoluções fraudulentas teve maior incidência em devoluções de furtos em lojas – ou seja, o retorno de produtos furtados e que posteriormente foram devolvidos, pois o furto não foi consumado – mas também de merca- dorias usadas por períodos curtos, sem defeitos e que foram posterior- mente devolvidas ao abrigo de códigos de proteção ao consumidor; nesse caso, impactando diretamente as operações de logística reversa. Os produtos devolvidos no pós-venda, por qualquer das razões apon- tadas, utilizam canais reversos para retornarem ao ciclo produtivo em processos de reparação, remanufatura ou reciclagem, como é o caso dos aparelhos de informática que apresentam defeito após a compra, ou podem retornar para nova comercialização no mesmo canal ou em mercados secundários, como é o caso de artigos de vestuário ou calça- dos, quando são devolvidos por não se adaptarem aos usuários. As taxas de retorno de produtos pós-venda são bastante variáveis por indústria. Lacerda (2014) apresenta as taxas típicas de retorno de 144 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac São P au lo . alguns setores de atividade e da modalidade de vendas à distância, con- forme tabela 2. Tabela 2 – Taxas de retorno de produtos pós-venda INDÚSTRIA (SETOR DE ATIVIDADE) PERCENTUAL DE RETORNO Vendas à distância 18%-35% Computadores 10%-20% Impressoras 4%-8% Peças automotivas 4%-6% Produtos eletrônicos 4%-5% Fonte: adaptado de Lacerda (2014, p. 479). No e-commerce, os índices de trocas e devoluções apresentam va- lores significativos não somente em consequência de defeitos ou não conformidades, mas também por arrependimento da compra. O Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabelece que o direito de arrependi- mento da compra ou a troca de um produto com defeito pode ocorrer em até 7 dias corridos a partir da data de recebimento do produto com- prado à distância, sem custo algum para o consumidor (BRASIL, 1990), o que dificulta o planejamento das operações de logística reversa. Utilizam canais reversos pós-venda os reparos fora do contrato de garantia mas assumidos pelos fornecedores, designados de recalls, que são procedimentos previstos em lei adotados pelos fornecedores, que comunicam os consumidores eventuais defeitos verificados em produtos ou serviços colocados no mercado para correção ou ajustes, evitando assim a ocorrência de acidentes de consumo (FUNDAÇÃO PROCON-SP, 2018). Empresas com excesso de estoque parado por mudança de estação, como no caso do varejo de moda ou pela introdução de novos modelos 145Canais de distribuição reversos do pós-venda M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. no mercado, retornam produtos comprados tornados excedentários a mercados secundários, normalmente a lojas de menor porte, ao e- commerce ou à venda informal em mercados de rua. Devoluções também ocorrem por erros de expedição, avarias duran- te o transporte ou entregas fora de prazo, situação mais frequente nas grandes cidades que têm trânsito congestionado, o que dificulta o cum- primento de horários de entrega previamente ajustados com o varejo. Nesse caso, as mercadorias não entregues retornam à origem para se- rem entregues posteriormente. 2.3 Devolução de embalagens Embalagens são itens normalmente descartados após a recepção de produtos, contribuindo fortemente para a poluição, daí a necessi- dade do estudo de sua composição e do acompanhamento da sua des- tinação após a utilização. Em regra, após utilizadas, as embalagens podem ter como desti- no aterros sanitários, processos de reciclagem ou serem reutilizadas, cabendo às operações de logística reversa de pós-venda canalizar as embalagens retornáveis aos ciclos produtivos e comerciais, e por isso devem ser fabricadas com materiais resistentes que possibilitem um número mínimo de vezes de retorno, de forma a viabilizar o processo reverso (RAZZOLINI FILHO; BERTE, 2009). A norma ABNT NBR 9198 classifica as embalagens nas seguintes categorias (ABNT, 2010): • Embalagem primária: é a que está em contato com o produto e que normalmente é descartada após o consumo; é majoritaria- mente destinada a processos de reciclagem, como no caso das embalagens cartonadas, das garrafas PET ou de vidro e das latas de alumínio ou de aço. Mais recentemente, algumas empresas do setor de bebidas têm embalado produtos em vasilhames de vidro 146 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . retornável, coletados em pontos de coleta situados especialmen- te em supermercados, o que, se considerarmos a extensão ter- ritorial do Brasil, representa um desafio para a logística reversa (COMPANHIA MÜLLER DE BEBIDAS, 2016). • Embalagem secundária: são destinadas a conter uma ou mais em- balagens primárias, podendo ou não ser indicada para o transpor- te. A grande maioria desse tipo de embalagem é constituída por caixas de papelão, muitas vezes reciclado, o que diminui o consu- mo do insumo e gera menor volume de resíduo pós-consumo, po- dendo apresentar a forma de invólucro de plástico retrátil, como no caso de bebidas. • Embalagem terciária: agrupa diversas embalagens primárias ou secundárias para transporte. Essas embalagens destinam-se à unitização de cargas1 e geralmente são do tipo paletes de ma- deira, plástico, papelão ou metálicas, engradados, caixas de vá- rios tipos de materiais, contêineres de transporte, entre outros. A grande maioria desse tipo de embalagem é reutilizável, como os contêineres ou alguns tipos de paletes; os paletes de papelão ou mesmo alguns tipos de paletes de madeira são descartáveis e direcionados à reciclagem após sua utilização. As dimensões continentais do Brasil, assim como as dificuldades de infraestrutura logística, dificultam o estabelecimento de políticas de reuti- lização de embalagens; no entanto, muitas práticas de reciclagem, como no caso de embalagens de vidro e longa vida, têm sido desenvolvidas de forma a garantir uma reutilização dos insumos da embalagem. 1 Unitização de cargas é o acondicionamento de vários volumes em uma única unidade de carga e transporte. 147Canais de distribuição reversos do pós-venda M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 2.4 Consignação A venda em consignação é uma relação contratual que pressupõe que o fornecedor disponibilize seus produtos, no atacado ou no varejo, durante determinado prazo, ao fim do qual os produtos não vendidos são devolvidos, e aqueles que foram comercializados são pagos. Em certos casos, é grande o impacto dessas operações nas cadeias re- versas, como no retorno de jornais diários e revistas espalhados pelos inúmeros pontos de venda, em que as sobras podem atingir cerca de 10% (SILVA; ROSA, 2014) e são canalizadas de forma reversa, diária ou semanalmente. Os livros presentes nas livrarias normalmente são obje- to de contrato de consignação, sendo as sobras recolhidas ao final do prazo determinado em contrato. Embora intensas, essas atividades podem ser programadas pelo de- partamento de logística reversa da empresa. 2.5 Validade Em produtos alimentares e medicamentos, a validade determina o fim de vida útil do produto, e consequentemente sua destruição ou a re- ciclagem de alguns de seus componentes. No caso de produtos alimen- tares, verifica-se o aparecimento de novos negócios, especialmente em plataformas on-line, que focam na comercialização de produtos com prazos prestes a expirar, e os comercializam com preços mais baixos, evitando desperdícios. No caso de medicamentos, canais reversos são utilizados para di- recionar medicamentos dentro de prazo que não serão mais utilizados para instituições que os reaproveitam, como no caso da campanha do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), que integra o comple- xo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFM-USP) e estimula a devolução de medicamentos 148 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . não utilizados pelospacientes durante o tratamento, por quaisquer que sejam os motivos, evitando assim o descarte ou o uso inadequado dos mesmos (ICESP…, 2017). 3 Prestação de serviço pós-venda Além de contribuírem para a diminuição de impactos ambientais decorrentes de descartes impróprios dos produtos vendidos e não consumidos, o serviço de logística reversa pós-venda tem foco na re- valorização dos produtos, e para isso todas as atividades devem ser operacionalizadas eficientemente, com elevado grau de segurança e em ambientes credíveis. Como várias atividades do processo reverso são terceirizadas, torna-se necessário que as empresas contratadas tenham seus pro- pósitos alinhados aos demais componentes do canal de distribuição. Se uma empresa, para obter maior lucro, substituir em determinado equipamento um motor pouco poluente que apresentava defeito por outro mais poluente, embora garantindo o mesmo desempenho, pode- rá comprometer a imagem de “canal ambientalmente correto” e, con- sequentemente, a imagem de todas as empresas do canal. A revalorização dos produtos pelos consumidores depende, além do cumprimento dos prazos acordados de retorno, da garantia de que as operações de reparo serão realizadas por pessoal qualificado em em- presas que respeitem o ambiente e seus trabalhadores, e que as peças que substituírem as defeituosas estarão em perfeitas condições de uti- lização, além da garantia de que as movimentações sejam realizadas sem avarias nos transportes ou nas armazenagens intermediárias. A prestação de um serviço de logística reversa do pós-venda enfren- ta vários desafios, que Figueiredo (2002) sistematiza conforme os itens do quadro 3 a seguir. 149Canais de distribuição reversos do pós-venda M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 3 – Condicionantes à prestação de serviços de logística reversa de pós-venda Dificuldade de previsão da quantidade e do período da coleta, do tempo de reparo e quando será efetivado o retorno do produto reparado. Gestão de estoques, pois em caso de reparação, com reposição de alguma peça, torna-se difícil estimar o estoque necessário que garanta a realização do serviço. Necessidade de fabricação de alguma peça de reposição quando sua falta somente é notada na chegada do produto à unidade de reparação. Custo da falta de peças e de serviços que pode resultar em paragem de equipamentos vitais ao funcionamento de uma fábrica. Dificuldade de obter economias de escala, pois os retornos são ocasionais e na maioria das vezes não programados, requerendo movimentações exclusivas. Área geográfica dispersa na coleta dos produtos e, muitas vezes, no endereçamento das reparações a diferentes locais devido à diversidade de defeitos apresentados. Fonte: adaptado de Figueiredo (2002). • É importante que a logística reversa proporcione ao cliente uma experiência condizente com o pacote de serviços por ele dese- jado. James Fitzsimmons e Mona Fitzsimmons (2004) definem essa experiência como o conjunto de mercadorias e serviços oferecidos que consiste em instalações de apoio (suporte físico, como instalações, equipamentos, etc.) disponíveis para realiza- ção do serviço; no caso de uma reparação, a oficina de recepção do produto a ser reparado. • Bens facilitadores: material a ser utilizado na prestação do servi- ço, como peças de reposição, por exemplo. • Informações: dados sobre as etapas a serem realizadas e prazo para a realização de cada, assim como dados que permitam ras- trear o produto. Por exemplo: duração de tempo do reparo e data para entrega. • Serviços explícitos: benefícios do serviço efetuado; por exemplo, qual a garantia oferecida para o produto reparado. 150 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • Serviços implícitos: benefícios psicológicos para o cliente, como saber se a empresa não utiliza trabalho escravo e utiliza profissio- nais capacitados ou se os intermediários têm condutas ambien- talmente corretas. Considerações finais As operações de logística reversa são necessárias não só para a em- presa prestar o serviço anunciado na sua proposta de valor, colaborando na fidelização dos seus clientes, mas também pelo fato de colaborarem na proteção do meio ambiente ao prolongarem a vida útil dos produtos. No entanto, como envolvem aumento dos deslocamentos e provocam aumento de poluição e de engarrafamentos em grandes cidades, devem ser projetadas com cuidadosos planejamentos que aumentem a ecoefi- ciência empresarial. Embora represente um custo, a logística reversa do pós-venda contribui para a manutenção da imagem das empresas não somente quando opera retornos previstos em contratos, mas sobretudo quando se opera retornos não contratuais; nesse caso, a manutenção da imagem da empresa ficará garantida com a otimização da eficiência operacional nos canais de distribuição reversos. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 9198: embalagem e acondicionamento: terminologia. Rio de Janeiro, 2010. BRASIL. Ministério da Justiça. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 12 set. 1990. p. 1 (Suplemento). Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/l8078.htm>. Acesso em: 6 jul. 2018. COMPANHIA MÜLLER DE BEBIDAS. Relatório Ambiental 2016. 2016. Disponí- vel em: <https://www.ciamuller.com.br/upload/reports/files/MullerRelatorio16_ 1.pdf>. Acesso em: 6 jul. 2018. 151Canais de distribuição reversos do pós-venda M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. FIGUEIREDO, Kleber. A logística do pós-venda. ILOS, São Paulo, 10 jul. 2002. Disponível em: <http://www.ilos.com.br/web/a-logistica-do-pos-venda/>. Acesso em: 6 jul. 2018. FITZSIMMONS, James; FITZSIMMONS, Mona. Administração de serviços. Bookman: São Paulo, 2004. FUNDAÇÃO PROCON-SP. Recall. 2018. Disponível em: <http://sistemas.procon. sp.gov.br/recall/>. Acesso em: 6 jul. 2018. GODOY, Bianca. Logística reversa influencia a compra de produtos. Profissional de e-commerce, [s. l.], 27 jul. 2016. Disponível em: <http://www.profissionalde ecommerce.com.br/logistica-reversa-influencia-compra-de-produtos-aponta- pesquisa/>. Acesso em: 6 jul. 2018. 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Neste capítulo estudaremos o processo de logística reversa de pro- dutos eletroeletrônicos e as condicionantes e precauções que devem ser levadas em conta na operacionalização segura das operações de logística reversa de produtos eletroeletrônicos. 154 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1 Logística de produtos eletroeletrônicos A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305 de 2 de agosto de 2010, estabelece que pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, devem promover ações relacio- nadas ao gerenciamento de resíduos sólidos (BRASIL, 2010). Dessa forma, empresas, consumidores e serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos estão obrigados a destinar de forma ambientalmente correta os resíduos gerados pelo consumo, e cabe ao poder público realizar planos para o gerenciamento do lixo. De acordo com o artigo 33 da Lei nº 12.305, fabricantes, importa- dores, distribuidores e comerciantes são obrigados a estruturar e im- plementar sistemas de logística reversa mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos de agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, pilhas e baterias, óleos lubrificantes e em- balagens, lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, bem como de produtos eletroeletrônicos e seus componen- tes (BRASIL, 2010). Para esses produtos, é responsabilidade dos consumidores, após o uso, o descarte correto em pontos de coleta, normalmente disponibili- zados no varejo, para na sequência serem direcionados pelos varejistas aos fabricantes ou aos importadores, que têm a responsabilidade de dar a eles uma destinação ambientalmente correta (figura 1). Figura 1 – Responsabilidade compartilhada em processos de logística reversa Consumidor Varejo Fabricante Descarte Coleta Destinação finalTransporte 155O impacto do fator tecnológico M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Cabendo a fornecedores e comerciantes a responsabilidade de re- torno dos produtos eletroeletrônicos comercializados, as operações reversas são integradas naturalmente nos sistemas logísticos das empresas, facilitando o planejamento das operações, que normalmen- te incluem as seguintes ações (ABDI, 2013): • implantação de procedimentos de compra de produtos ou emba- lagens usadas; • disponibilização de postos de entrega de resíduos reutilizáveis e recicláveis; • atuação em parceria com cooperativas ou outras formas de as- sociação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis. Quando atingem o limite de sua vida útil, os equipamentos eletroele- trônicos (EEEs) transformam-se em resíduos de equipamentos eletro- eletrônicos (REEE). A definição, expressa pela diretiva do Parlamento Europeu 2011/65/UE, de grande aceitação pela comunidade acadê- mica e profissional, caracteriza resíduos de equipamentos eletroele- trônicos (REEEs) como os equipamentos elétricos ou eletrônicos que, após descarte, constituem resíduos, incluindo todos os componentes, subconjuntos e materiais consumíveis que fazem parte do produto no momento em que este é descartado (UE, 2011). IMPORTANTE A diretiva do Parlamento Europeu 2011/65/UE caracteriza equipamen tos elétricos e eletrônicos (EEEs) como os equipamentos cujo funcio namento adequado depende de correntes elétricas ou campos eletro magnéticos, bem como os equipamentos para geração, transferência e medição dessas correntes e campos destinados à utilização com uma tensão nominal (isto é, tensão elétrica, normalmente expressa em volts (V) ou quilovolts (kV), a que um determinado aparelho deve ser ligado para operar corretamente) não superior a 1.000 V para corrente alterna da e 1.500 V para corrente contínua. São exemplos de equipamentos 156 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . caracterizados pela diretiva europeia as geladeiras e freezers (eletro domésticos grandes), aspiradores (eletrodomésticos pequenos), com putadores (equipamentos de informática), televisores (equipamentos de consumo), lâmpadas (equipamentos de iluminação), equipamentos médicos, entre outros (UE, 2011). Dada a diversidade de produtos eletroeletrônicos, faz-se necessário categorizá-los de forma a otimizar a eficiência das operações. Segundo a ABID (2013), são considerados eletroeletrônicos os produtos cujo fun- cionamento depende do uso de corrente elétrica ou de campos eletro- magnéticos, podendo ser divididos em quatro categorias: • linha branca: refrigeradores e congeladores, fogões, lavadoras de roupa e louça, secadoras, condicionadores de ar; • linha marrom: monitores e televisores de tubo, plasma, LCD e LED, aparelhos de DVD e VHS, equipamentos de áudio, filmadoras; • linha azul: batedeiras, liquidificadores, ferros elétricos, furadeiras, secadores de cabelo, espremedores de frutas, aspiradores de pó, cafeteiras; • linha verde: computadores desktop e laptops, acessórios de infor- mática, tablets e telefones celulares. Outra classificação para produtos eletroeletrônicos mais abrangen- te, expressa no relatório Global E-Wast Monitor (BALDÉ et al., 2017), in- clui vários tipos de lâmpadas e categoriza os EEEs em seis categorias (conforme figura 2), realçando o nível do volume de resíduos do prin- cipal componente do equipamento eletroeletrônico descartado (metal, vidro, etc.) e o potencial impacto ambiental negativo quando o resíduo for descartado impropriamente, o que permite uma análise mais objeti- va quanto à forma de tratamento dos REEEs. 157O impacto do fator tecnológico M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 2 – As seis categorias de resíduos eletroeletrônicos Equipamentos de frio Geladeiras, freezers, aparelhos de ar condicionado, aquecedores Monitores Televisores, laptops, notebooks, tablets Lâmpadas Fluorescentes, LED Grandesequipamentos Máquinas de lavar roupa, lavadora de pratos, fogões, copiadoras Pequenos equipamentos Aspiradores, fornos de micro-ondas, brinquedos eletrônicos Pequenos equipamentos de telecomunicações Aparelhos GPS, calculadoras, telefones O desenvolvimento de novos materiais e tecnologias impacta na renovação de produtos eletroeletrônicos, diminuindo sua vida útil so- bretudo na primeira utilização, conforme figura 3, e em consequência desenvolve novos negócios em mercados secundários, aumentando a intensidade do sistema de logística reversa. Outro aspecto a ser levado em conta é a retenção e a armazenagem de forma inadequada dos equipamentos eletroeletrônicos pelos pri- meiros utilizadores após a primeira vida útil para posterior destinação, o que pode aumentar o estoque em situação imprópria dos resíduos poluentes. 158 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Figura 3 – Ciclo de vida dos EEEs Varejo de eletroeletrônicos Consumo pessoa física/ jurídica Descarte (fim da 1a vida útil) Mercado secundário (2a vida útil) Disposição final (incineração/ aterro sanitário) Retenção de equipamento ReciclagemRemanufatura Fonte: adaptado de ABDI (2013, p. 26). Além da contribuição para a redução dos impactos ambientais, a lo- gística reversa de REEEs traz importantes benefícios para a sociedade e às empresas envolvidas no processo (esquematizado no quadro 1), cumprindo assim os propósitos expostos no tripé da sustentabilidade. Além de benefícios ambientais, o sistema de logística reversa de REEEs, quando estiver em plena operação e cobrir 100% do território brasileiro, pode gerar até 15 mil postos de trabalho e contribuir com até 18% de crescimento da disponibilidade de material reciclado no merca- do, como é o caso dos plásticos (ABDI, 2013). Quadro 1 – Benefícios da logística reversa de REEEs SOCIAIS ECONÔMICOS AMBIENTAIS Geração de empregos formais Maior retorno ao mercado de matérias-primas advindas da reciclagem de REEEs Diminuição de casos de descarte incorreto de REEEs Fortalecimento das associações de catadores, com geração de oportunidades de prestação de serviços ao sistema Fortalecimento da indústria da reciclagem pelo consequente aumento da demanda Melhoria da qualidade dos serviços de reciclagem e consequente menor nível de rejeitos nos aterros (cont.) 159O impacto do fator tecnológico M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. SOCIAIS ECONÔMICOS AMBIENTAIS Promoção de uma maior conscientização da população quanto às questões ambientais relacionadas aos equipamentos eletroeletrônicos Desenvolvimento de conhecimento e tecnologias relacionada à reciclagem de REEEs Redução de gasto energético por conta de uso de reciclados (o gasto de energia para reciclagem de alumínio, por exemplo, é 95% menor do que para sua produção primária) Minimização de problemas de saúde causados pelo manuseio incorreto de REEEs Fonte: adaptado de ABDI (2013, p. 99). 2 Descarte de produtos eletroeletrônicos Segundo a Eurostat, agência de estatísticas da Comissão Europeia, os resíduos de equipamentos eletroeletrônicos são atualmente con- siderados como um dos fluxos de resíduos de mais rápido cresci- mento na União Europeia, crescendo a uma taxa de 3 a 5% por ano (EUROSTAT, 2016). Em 2016 foram descartados 44,7 milhões de toneladas de resí duos de equipamentos eletroeletrônicos (gráfico 1), o equivalente a 6,1 kg por habitante, com valor estimado de cerca de 55 bilhões de euros, e prevê-se que em 2021 esse número suba para 52,2 milhões de tone- ladas (BALDÉ et al., 2015), de modo que nos próximos anos todas as categorias de REEEs devem contribuir para o aumento das quantidades descartadas, à exceção dos monitores, sendo esperado um crescimen- to mais moderado nos produtos de informática devido aos efeitos da crescente miniaturização dos equipamentos. 160 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Gráfico 1 – Quantidades de EEEs mundialmente descartados por categoria (em milhões de toneladas) 7,6 6,6 9,1 3,9 0,7 16,8 Equipamentos de frio Grandes equipamentos Monitores Pequenos equipamentos Lâmpadas Pequenos equipamentos de telecomunicações Fonte: adaptado de Baldé et al. (2017). Embora a responsabilidade do descarte de REEEs esteja comparti- lhada entre consumidores, comerciantes, fabricantes e poder público (a quem cabe adotar procedimentos de reaproveitamento dos resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis quando oriundos dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos), a realidade é que muitos equipamentos eletroeletrônicos em fim de vida útil ainda são descartados em lixões a céu aberto, com elevado risco de contamina- ção ambiental. Segundo a ABDI (2013), embora os aterros sanitários não sejam ade- quados para a deposição de rejeitos de REEEs, são a única opção des- de que os rejeitos sejam distribuídos de forma ordenada, observando normas operacionais específicas para evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e minimizar impactos ambientais adversos. 161O impacto do fator tecnológico M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 3 Características do lixo de produtos eletroeletrônicos Os REEEs são majoritariamente compostos de metais ferrosos e não ferrosos, vidro e plástico, entre outros materiais, como madeiras e produtos têxteis. Embora muitos desses componentes não apresen- tem periculosidade no seu manuseio, em quase todos os equipamen- tos eletroeletrônicos é possível encontrar algum componente que pode causar danos à saúde humana, o que leva à necessidade de monitorar e controlar o processo do descarte de REEEs e, consequentemente, das operações de logística reversa. Com base na classificação adaptada de REEEs do relatório Global E-Waste Monitor, é possível caracterizar alguns aspectos que devem ser levados em conta no descarte de resíduos eletroeletrônicos, e a classifi- cação de periculosidade dos resíduos é dada segundo a norma brasilei- ra ABNT NBR 10004 (ABNT, 2004), conforme quadro 2. Quadro 2 – Características dos REEEs CATEGORIAS DE REEES TIPOS DE EQUIPAMENTO (EXEMPLOS) CARACTERÍSTICAS E PERICULOSIDADE DOS REEES (NBR 10004) Grandes equipamentos Fornos elétricos, máquinas de lavar louça, secadoras de roupa, etc. Predominância de metal (considerado resíduo não perigoso). Equipamentos de frio Geladeiras, congeladores, ares-condicionados, etc. Predominância de metal; é necessário remover gases como pentano, clorofluorcarboneto (CFC) e clorodifluorometano (HCFC) (considerados resíduos perigosos). Equipamentos diversos (inclui equipamentos de telecomunicação) Câmeras digitais, smartphones, notebooks, aspiradores, máquinas de café, etc. Predominância do metal e do plástico; elevada presença de matérias-primas críticas e valiosas, comoouro, prata, etc. (considerados resíduos não perigosos). Lâmpadas fluorescentes e de descarga Lâmpadas fluorescentes, lâmpadas de gás e LED. Predominância do vidro; concentração elevada de mercúrio, requerendo especial cuidado na reciclagem (considerado resíduo perigoso). (cont.) 162 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . CATEGORIAS DE REEES TIPOS DE EQUIPAMENTO (EXEMPLOS) CARACTERÍSTICAS E PERICULOSIDADE DOS REEES (NBR 10004) Monitores e televisores Aparelhos de TV e monitores. Predominância de vidro; presença de chumbo; revestimento interno da tela contém metais pesados (considerados resíduos perigosos). Fonte: adaptado de Moreira (2016). Como muitos dos equipamentos eletroeletrônicos são compostos por diversas camadas de materiais, como, plásticos, metais, etc., e muitas vezes recebem tratamentos anticorrosivos ou antichamas com substâncias químicas, a separação de seus componentes para proces- sos de reciclagem se torna dificultosa e onerosa. 3.1 Componentes químicos do lixo eletrônico Contrariamente a outros tipos de resíduos, os REEEs são resultantes de produtos que têm uma vida útil muito curta, especialmente quan- do se trata de equipamentos de telecomunicação, e contêm compo- nentes de grande potencial poluidor, como o chumbo, o mercúrio e o cádmio, entre outros, o que reforça a necessidade de estudos sobre a sua correta destinação. Os REEEs são constituídos por muitos elementos raros e valiosos e, sendo assim, é elevado o interesse na sua recuperação por processos de reciclagem. Conforme Khaliq et al. (2014, p. 156), podemos destacar os seguintes metais que compõem os REEEs: • Metais preciosos: ouro e prata; • Metais de base: ferro, cobre, alumínio, níquel, estanho, zinco; • Metais do grupo de platina: paládio, platina, ródio, irídio, rutênio; 163O impacto do fator tecnológico M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Outros metais: mercúrio, berílio, índio, chumbo, cádmio, arsênio, antimônio, telúrio, gálio, selênio e germânio. • Terras raras: lantânio, cério, etc. Segundo Baldé et al. (2017), a recuperação desses metais raros e preciosos é vista como incentivadora ao desenvolvimento de uma eco- nomia recicladora, de modo que em 2014 o potencial econômico dos REEEs chegou aos 48 bilhões de euros, estimando-se a existência de 16,5 milhões de toneladas de metais ferrosos avaliados em 9 milhões de euros, sendo 1,9 milhões de toneladas de cobre (10,6 milhões de eu- ros), 220 mil toneladas de alumínio, 300 toneladas de ouro e mil tonela- das de prata, além de 12,3 milhões de toneladas de plásticos avaliadas em 12,3 milhões de euros. A presença de metais pesados nos REEEs pode causar danos à saúde humana, como demonstrado no quadro 3, o que obriga a um rigo- roso controle de processos na reciclagem desses resíduos. Quadro 3 – Metais presentes nos REEEs METAL PRINCIPAIS DANOS CAUSADOS À SAÚDE HUMANA Alumínio Alguns autores sugerem existir relação da contaminação crônica do alumínio como um dos fatores ambientais da ocorrência de mal de Alzheimer. Bário Provoca danos ao coração, com constrição dos vasos sanguíneos, elevação da pressão arterial e efeitos no sistema nervoso central. Cádmio Acumula-se em diversos órgãos, como rins, fígado, pulmões, pâncreas, testículos e coração. Possui meia-vida de 30 anos nos rins. Em intoxicação crônica, pode gerar descalcificação óssea, lesão renal, enfisema pulmonar, além de efeitos teratogênicos (deformação fetal) e carcinogênicos (câncer). Chumbo É o mais tóxico dos elementos; acumula-se nos ossos, nos cabelos, mas unhas, no cérebro, no fígado e nos rins. Em baixas concentrações, causa dores de cabeça e anemia. Exerce ação tóxica na biossíntese do sangue, no sistema nervoso, no sistema renal e no fígado; é um veneno cumulativo causador de intoxicações crônicas que provocam alterações gastrintestinais, neuromusculares e hematológicas, podendo levar à morte. Cobre Intoxicações com lesões no fígado. (cont.) 164 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . METAL PRINCIPAIS DANOS CAUSADOS À SAÚDE HUMANA Cromo Armazena-se nos pulmões, na pele, nos músculos e no tecido adiposo. Pode provocar anemia, alterações hepáticas e renais, além de câncer do pulmão. Mercúrio Atravessa facilmente as membranas celulares, sendo prontamente absorvido pelos pulmões. Possui propriedades de precipitação de proteínas (modifica as configurações das proteínas), sendo suficientemente grave para causar um colapso circulatório no paciente, levando à morte. É altamente tóxico para seres humanos: doses de 3 g a 30 g são fatais; tem efeito acumulativo e provoca lesões cerebrais, além de efeitos teratogênicos e de envenenamento no sistema nervoso central. Níquel Carcinogênico (atua diretamente na mutação genética). Prata Dez gramas na forma de nitrato de prata são letais ao homem. Fonte: adaptado de ABDI (2013). Embora contendo componentes de elevada periculosidade para a saúde humana, um volume significativo de resíduos eletroeletrônicos, sobretudo os gerados em países desenvolvidos, ainda são descartados impropriamente por pessoas não qualificadas, utilizando lixões a céu aberto ou sendo exportados para países menos desenvolvidos. IMPORTANTE A exportação de resíduos perigosos é controlada pela convenção de Basileia, ratificada pelo Brasil, e internalizada pelos decretos nº 875/1993 (BRASIL, 1993) e nº 4.581/2003 (BRASIL, 2003), que de finem os resíduos considerados perigosos e estabelecem mecanismos de controle transfronteiriço. Uma parte considerável dos REEEs gerados no Brasil precisam ser exportados para devido tratamento, pois a operação da maioria das em- presas brasileiras se limita aos processos de separação e moagem do 165O impacto do fator tecnológico M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. material, que posteriormente é exportado para ser processado (ABDI, 2013). Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, em 2017, das cerca de 7 mil toneladas exportadas de resíduos de polímeros e de outros plásticos, 50% foram destinadas à China, e das exportações de resíduos de vidro no total de 4,67 mil toneladas, 75% foram destinadas a Bangladesh (BRASIL, 2017). 4 Cadeia reversa do equipamento eletroeletrônico A cadeia reversa de equipamentos eletroeletrônicos pode assumir várias configurações, dependendo da consciência ambiental de empre- sas e consumidores e da legislação nacional, o que origina diferentes impactos ambientais. Na configuração que reduz substancialmente o impacto ambiental e que tem por base a legislação que atribui a fabricantes, importado- res, distribuidores e comerciantes a responsabilidade de retornar, após a utilização e o descarte pelo consumidor, os equipamentos eletroele- trônicos, conforme esquematizado na figura 4 a seguir, os REEEssão coletados por varejistas, pontos de coleta municipais ou serviços de co- leta feitos por empresas especializadas e direcionados a estações de tratamento que recuperam e reciclam os materiais componentes dos equipamentos. 166 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Figura 4 – Descarte correto de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos Consumidor Varejista Estação de tratamento Vidro separado por tipo triturado Matéria-prima para a indústria Recicladores Pontos de coleta Produtos tóxicos Tratamento por incineração Carcaça triturada Recicladores Matéria-prima para a indústria Empresas especializadas Baterias e circuitos impressos Empresas especializadas Destruição de gases poluentes (CFC, HCFC) Do total de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos gerados globalmente, cerca de 80% são descartados de forma imprópria, sen- do o Brasil responsável por cerca de 1,5 milhão de toneladas de REEEs (BALDÉ et al., 2017). O descarte incorreto ocorre quando consumido- res destinam produtos eletroeletrônicos em fim de vida útil a lixeiras normais, junto a outros tipos de lixo doméstico. Esses resíduos, nor- malmente constituídos por pequenos produtos eletroeletrônicos, são enviados para aterros sanitários, conforme esquematizado na figura 5, e normalmente não são separados antes do seu destino final, podendo causar contaminação no meio ambiente. 167O impacto do fator tecnológico M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 5 – Descarte incorreto de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos Consumidor Caixote de lixo Coleta por serviço de limpeza urbana Aterro sanitário Descarte impróprio, com liberação de substâncias tóxicas Pode também ocorrer que o descarte de EEEs seja efetuado por venda direta a empresas especializadas em produtos eletroeletrônicos usados (conforme esquematizado na figura 6) que posteriormente desmancham e reciclam materiais, ou quando os produtos reaproveitáveis são dire- cionados a mercados de segunda mão ou eventualmente à exportação. Placas de circuito impresso, monitores CRT, entre outros componentes classificados como resíduos perigosos, podem ser encaminhados a em- presas especializadas em reciclagem desse tipo de componente. Figura 6 – Descarte por venda de EEEs em final de vida útil Consumidor Empresa especializada Exportação Mercado de segunda mão Reciclagem Outro cenário pode ocorrer quando catadores se deslocam de por- ta em porta para coletar REEEs, conforme esquematizado na figura 7, revendendo produtos reutilizáveis, direcionando a empresas de recicla- gem ou reciclando “artesanalmente”; neste caso, podendo causar sérios impactos ambientais, sobretudo com a extração de metais por queima a céu aberto, pela extração por lixiviação ácida de metais preciosos, 168 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . pela fusão desprotegida de plásticos ou pelo despejo direto no meio ambiente de resíduos perigosos. Figura 7 – Cadeia reversa com coleta por catadores Consumidor Catadores Reciclagem artesanal Revenda Reciclagem Descarte impróprio, com liberação de substâncias tóxicas e despejo de resíduos perigosos Apesar de regulamentada por legislação e com responsabilidade distribuída entre consumidores, comerciantes e fabricantes, ainda são frequentes as situações de descartes impróprios de resíduos eletroele- trônicos. Embora a reciclagem de alguns EEEs requeira tecnologia avan- çada e alto investimento, já existem no Brasil empresas aptas a lidar com eles. Entretanto, somente a conscientização ambiental de consu- midores e integrantes da cadeia reversa possibilitará a diminuição do descarte irregular e de modalidades de processamento de lixo eletrôni- co nocivas ao ambiente e prejudiciais à saúde humana. Considerações finais Neste capítulo foram estudados os diferentes tipos de lixo eletrôni- co e analisados os componentes e as formas de descarte dos REEEs. Demos ênfase à necessidade de considerar os resíduos eletroeletrô- nicos de forma singular, dado que o seu processamento gera rejeitos compostos por elementos potencialmente perigosos e de reaprovei- tamento muitas vezes inviável, o que torna necessária a realização do descarte por empresas especializadas e que fazem uso de tecnolo- gias que minimizem os impactos ambientais. 169O impacto do fator tecnológico M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL (ABDI). Logística reversa de equipamentos eletroeletrônicos. Brasília: ABDI, 2013. Disponível em: <http://www.mdic.gov.br/arquivos/dwnl_1416934886.pdf>. Acesso em: 10 jul. 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 10004: resíduos sólidos: classificação. 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Decreto no 4.581, de 27 de janeiro de 2003. Promulga a Emenda ao Anexo I e Adoção dos AnexosVIII e IX à Convenção de Basiléia sobre o Controle do Movimento Transfronteiriço de Resíduos Perigosos e seu Depósito. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 28 jan. 2003. p. 1. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decreto/2003/D4581.htm>. Acesso em: 10 jul. 2018. EUROSTAT. Waste electrical and electronic equipment (WEEE). 2016. Disponível em: <http://ec.europa.eu/eurostat/web/waste/key-waste-streams/ weee>. Acesso em: 13 ago. 2018. KHALIQ, Abdul et al. Metal Extraction Processes for Electronic Waste and Existing Industrial Routes: A Review and Australian Perspective. Resources, Basel, n. 3, 152-179, 2014. Disponível em: <http://wealthfromwaste.net/wp- content/uploads/2014/11/Metal-Extraction-Processes-for-Electronic-Waste- and-Existing-Industrial-Routes.pdf>. Acesso em: 15 jul. 2018. MOREIRA, Ricardo Bessa. Caracterização das fracções de REEE encaminha- das para eliminação nos Cirver. 2016. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Materiais) – Instituto Superior Técnico, Lisboa, 2016. Disponível em: <https:// fenix.tecnico.ulisboa.pt/downloadFile/1689244997255901/Dissertacao.pdf>. Acesso em: 15 jul. 2018. UNIÃO EUROPEIA (UE). Directiva 2011/65/EU relativa à restrição do uso de de- terminadas substâncias perigosas em equipamentos eléctricos e electrónicos. Jornal Oficial da União Europeia, [s. l.], 8 jun. 2011. Disponível em: <https://eur-lex. europa.eu/legal-content/PT/TXT/PDF/?uri=CELEX:32011L0065&from=LV>. Acesso em: 20 jul. 2018. 171 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 11 Produção mais limpa A ideia de que o crescimento econômico é o único responsável pela melhoria da qualidade de vida do ser humano tem sido paulatinamente alterada, pois a sociedade sente cotidianamente que a degradação am- biental, em parte provocada pelo crescimento econômico desordenado, impacta no clima, causando alterações significativas nas temperaturas do planeta e na disponibilidade de recursos, como no caso de frequen- tes racionamentos de água potável. Uma vez que o crescimento é o curso normal das empresas, hou- ve a necessidade de desenvolver metodologias de produção, harmo- nizadoras do desenvolvimento econômico com os aspectos sociais e 172 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . ambientais em que as empresas estão inseridas, de forma a preservar o meio ambiente sem prejudicar o desenvolvimento empresarial. Neste contexto, surgem os programas de produção mais limpa, que serão objeto de estudo neste capítulo. 1 Conceito O crescimento das economias só garantirá uma melhoria nas con- dições de vida dos cidadãos se for sustentável; para isso, ele deve ser controlado e complementado com desenvolvimento social e proteção ambiental. Não é possível às empresas sustentarem o seu crescimento sem atenderem ao desenvolvimento de seus funcionários e da socie- dade e sem assumirem responsabilidade ambiental. A “produção mais limpa” surge como uma estratégia integradora que possibilita a promo- ção do desenvolvimento sustentável nas empresas. O conceito de produção mais limpa (PmaisL, ou P+L) proposto em 1989 pela United Nations Environment Programme – Division of Technology, Industry and Economics (UNEP-DTIE) foi definido como: Produção mais limpa […] é a aplicação contínua de uma estratégia ambiental preventiva integrada aplicada a processos, produtos e ser- viços para aumentar a eficiência geral e reduzir os riscos para os se- res humanos e o meio ambiente. (UNEP-DTIE, 2010, tradução nossa) Do ponto de vista empresarial, o conceito de produção mais limpa requer que a responsabilidade socioambiental esteja integrada à cultura empresarial, pois deve ser entendido como o conjunto de ações aplicá- veis a todos os níveis decisórios e em qualquer empresa que conduzam ao aumento de produtividade empresarial, com redução de insumos e desperdícios, e à mitigação de riscos ambientais. A característica inovadora da produção mais limpa reside na substi- tuição dos sistemas de controle de poluição aplicados tradicionalmente 173Produção mais limpa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. no final de processos e antes do descarte – mas normalmente muito dispendiosos e com eficácia reduzida (MATOS et al., 2017) – por uma estratégia que reduza e evite a poluição e o desperdício durante todo o ciclo de produção, a um custo reduzido, começando com o design do produto e passando por questões de manufatura, como o uso eficiente de matérias-primas, energia e água e a redução de emissão de poluentes. Sendo a produção mais limpa uma estratégia que objetiva o au- mento da eficiência empresarial como reflexo da redução de resíduos e emissões, as ações empresariais devem atender à minimização ou à reutilização de resíduos e emissões, conforme apresentado na figura 1. Figura 1 – Estratégias de produção mais limpa Produção mais limpa Reutilização de resíduos Nível 3 Reciclagem externa Nível 2Nível 1 Minimização de resíduos Redução na fonte Reciclagem interna Compostagem EstruturasModificação no processo Modificação no produto Materiais Substituição de matéria-primaHousekeeping Modificação de tecnologia Fonte: adaptado de CNTL (2003a, p. 23). 174 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Em estratégias de produção mais limpa, a eficiência empresarial deve priorizar ações de minimização de resíduos na fonte (nível 1), adaptan- do insumos e produtos de forma a alongar a sua vida útil e modificando processos de forma a torná-los menos poluentes e adotando práticas que reduzam desperdícios e mantenham o ambiente de trabalho, limpo e arrumado (housekeeping). Os resíduos que não puderem ser evitados devem ser recuperados e reutilizados na própria planta (nível 2), mas quando isso não for possível, poderão ser utilizadas ações de nível 3 (CNTL, 2003a), que passam pela reciclagem externa ou pela composta- gem dos materiais orgânicos. Na definição de produção mais limpa deve levar-se em consideração a distinção entre processos de fabricação mais limpos e a utilização de tecnologias limpas que a OCDE define como: Tecnologias que extraem e usam recursos naturais da maneira mais eficiente possível em todos os estágios de sua vida; que ge- ram produtos com redução ou mesmo sem componentes poten- cialmente prejudiciais; que minimizam emissões para o ar, água e solo durante o processo de fabricação e uso do produto; e que produzam, com a menor quantidade de energia possível, produtos duráveis que possam ser recuperados ou reciclados. (OECD, 1998, p. 20, tradução nossa) Um investimento em produção mais limpa que se dê por meio da im- plementação de tecnologias limpas é claramente mais fácil de identifi- car, mas pode ser mais dispendioso do que um investimento em produ- ção mais limpa por qualquer outro meio. Por exemplo, se uma empresa melhorar o serviçode limpeza da sua planta aumentando a eficiência de seus operários, ou se substituir matérias-primas por outras que causem menos poluição, estará agindo de acordo com o conceito de produção mais limpa, e com menor investimento do que seria necessário para implantar uma nova tecnologia de produção. 175Produção mais limpa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Programas de produção mais limpa não demandam somente gran- des investimentos que alterem sistemas produtivos ou energéticos; podem ser realizados com pequenos investimentos, normalmente incrementais, que contribuam não somente para a proteção do meio ambiente, mas também para o desenvolvimento das empresas, como exemplificado no quadro 1. Quadro 1– Exemplos de produção mais limpa AÇÕES DE PRODUÇÃO MAIS LIMPA EXEMPLOS Redução de matérias-primas utilizadas na fabricação de um produto ou embalagem Garrafas mais leves; a Coca-Cola, por exemplo, em dez anos reduziu em 20% a quantidade de plástico de suas garrafas. Redução do consumo de água e de energia utilizada nos domicílios Descargas em banheiros com duplo acionamento; utilização de lâmpadas LED. Redução do consumo de água na indústria de bebidas Redução do volume de água para limpeza de equipamentos; reúso das águas de descarte; eliminação de vazamentos; recuperação das águas de lavagem dos filtros na Companhia Brasileira de Bebidas. Redução da utilização de matérias-primas não recicláveis na fabricação de garrafas Garrafas totalmente recicláveis; a Ambev e a Guaraná Antárctica desenvolveram para o projeto Sustentabilidade Ponta a Ponta a primeira garrafa PET totalmente reciclada. Redução do uso de energia em habitações pela modificação dos projetos Projetos orientados à eficiência energética, maximizando a quantidade de luz que entra na habitação. Adaptação de projeto do produto com substituição de insumo Substituição do silicone à base de solvente por silicone à base de água em indústria de etiquetas, eliminando a emissão de gases e vapores no ambiente de trabalho. Reciclagem interna de embalagem PET Reciclagem interna de garrafas PET utilizadas como matéria-prima na fabricação de verniz/ esmalte sintético. Fonte: adaptado de Cetesb (2018). 176 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Seja qual for o método empregado para tornar a produção mais lim- pa, o resultado obtido deverá ser o aumento da eficiência energética, a redução ou eliminação de poluentes e resíduos gerados, assim como a quantidade de insumos renováveis (nocivos ou não) utilizados, e, como consequência, o aumento da rentabilidade empresarial. 2 Diretrizes A produção mais limpa aborda de forma holística os processos empresariais, com foco nos produtos ou nos serviços prestados pela empresa, identificando possíveis fontes de poluição desde o projeto dos produtos e dos serviços no ciclo produtivo até à comercialização, de forma a economizar matéria-prima, energia e reduzir as emissões de poluentes, sempre buscando o desenvolvimento sustentável da empresa. As técnicas de combate à poluição designadas de “técnicas de fi- nal de tubo” resolvem os problemas da poluição em processos produ- tivos na medida em que eles surgem, isto é, sem preocupação com a sua origem, tratando os resíduos e as emissões com equipamentos e tecnologias específicas. Já a produção mais limpa estuda a causa das emissões e dos resíduos procurando prevenir e reduzir a poluição no de- correr de todos os processos empresariais. Na sua essência, o conceito trata de prevenção, e não somente de controle da poluição. Produção mais limpa é um processo preventivo que está estruturado com base em determinados pressupostos empresariais e que, para evo- luir, deve atender a determinados fatores críticos que são atualizados de forma permanente, tornando-se necessária a institucionalização de macroprocessos (relacionados no quadro 2) que orientem as decisões estratégicas, gerenciais e operacionais. 177Produção mais limpa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 2 – Processo de implantação de produção mais limpa PRESSUPOSTOS FATORES CRÍTICOS MACROPROCESSOS Inovação Melhorias tecnológicas Benchmarking Competitividade Aplicação de know-how Reformulação da cultura empresarial Responsabilidade socioambiental Mudança de atitudes Gestão de mudança A inovação deve estar presente em todos os processos empresariais, isto é, a empresa deve cultivar uma cultura de inovação que, entre outras ações, permita: minimizar a quantidade de insumos utilizados; propor so- luções de menor consumo de energia; substituir produtos de difícil reci- clagem (tóxicos ou não) por produtos ambientalmente corretos; adotar processos produtivos com elevada eficiência energética, eliminando todo tipo de desperdício; e estruturar procedimentos de retorno e reciclagem a fim de evitar o descarte incorreto dos produtos vendidos. A competitividade empresarial deve ser reforçada sistematicamente com foco na maximização da eficiência dos processos e na otimização da proposta de valor da empresa, procurando valorizar os aspectos am- bientais na imagem repassada ao consumidor. A responsabilidade socioambiental deve integrar a cultura organiza- cional a fim de possibilitar o sucesso de uma abordagem preventiva, que normalmente encontra resistência em decorrência de uma falsa percepção de aumento de custos de controle de poluição com a aplica- ção de programas de produção mais limpa em relação aos que ocorre- riam em tratamentos convencionais de final de tubo. Os fatores críticos devem ser trabalhados de forma proativa, utilizan- do processos que reflitam as melhores práticas empresariais. Para isso, o benchmarking, definido por Sousa (2009, p. 219) como “um proces- so contínuo de avaliação e comparação do nível de desempenho das 178 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . melhores empresas do mercado, com o objetivo final de obter melho- rias de desempenho”, deve ser praticado de forma sistemática e integra- da no planejamento da produção mais limpa. As decisões realizadas em todos os níveis da empresa devem apre- sentar eventuais incorporações de melhorias tecnológicas ou modifi- cações em processos que aumentem a eficiência energética, e para isso faz-se necessária a permanente atualização tecnológica dos colaboradores. Por outro lado, a dinâmica dos mercados leva à necessidade de mu- dança de atitude dos colaboradores da empresa, sobretudo os recém- -chegados, de forma que uma cultura empresarial com forte pendor so- cioambiental seja cultivada e vivida por todos. Ao executarem processos de produção mais limpa, as empresas de- vem incorporar técnicas de mudanças ao processo de gestão, pois as constantes e imprevisíveis mudanças ambientais levam à necessidade de uma adaptação constante a novas ideias, novas tecnologias e novasatitudes, impactando sobretudo na cultura empresarial, que deve aco- modar-se constantemente a novas situações. O Centro Nacional de Tecnologia Limpas (CNTL) recomenda uma metodologia de implantação das técnicas de produção mais limpa em cinco fases, conforme quadro 3 (CNTL, 2003b). Nessa metodologia, é visível a preocupação com a mudança de paradigma relativamente aos resíduos, antes vistos apenas como um problema a ser resolvido, e que passaram a ser encarados como uma oportunidade de melhoria (CNTL, 2003a). Outro aspecto presente na metodologia proposta pelo CNTL é a monitoração constante em todas as etapas dos processos empresariais, fato que contribui para a identificação de variabilidades em processos com a detecção precoce de defeitos em equipamentos ou acúmulos de desperdícios de produção. 179Produção mais limpa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. PARA SABER MAIS O detalhamento das fases de implementação de técnicas de produção mais limpa pode ser consultado no manual Cinco fases da implantação de técnicas de produção mais limpa, editado pelo Centro Nacional de Tecnologias Limpas do Senai-RS (CNTL, 2003b). Quadro 3 – Roteiro para implementação de técnicas de produção mais limpa FASE 1 – PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO Passo 1 – Obter compromisso e envolvimento da gerência Passo 2 – Definir uma equipe do projeto Passo 3 – Estabelecer objetivos Passo 4 – Identificar barreiras e soluções ê FASE 2 – PRÉ-AVALIAÇÃO Passo 5 – Desenvolver o fluxograma do processo Passo 6 – Avaliar as entradas e saídas Passo 7 – Selecionar o foco da avaliação de produção mais limpa ê FASE 3 – AVALIAÇÃO Passo 8 – Originar um balanço de material Passo 9 – Conduzir uma avaliação de causas Passo 10 – Gerar oportunidades Passo 11 – Separar oportunidades ê FASE 4 – ESTUDO DE VIABILIDADE Passo 12 – Avaliação preliminar Passo 13 – Avaliação técnica Passo 14 – Avaliação econômica Passo 15 – Avaliação ambiental Passo 16 – Seleção de oportunidades ê FASE 5 – IMPLEMENTAÇÃO Passo 17 – Preparar o plano de produção mais limpa Passo 18 – Implementar oportunidades Passo 19 – Monitorar e avaliar Passo 20 – Sustentar atividades Fonte: adaptado de CNTL (2003b). 180 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Segundo o CNTL (2003b), o sucesso da implementação de progra- mas de produção mais limpa depende de vários fatores que devem ser observados no decorrer do processo, dos quais podemos destacar os seguintes: • Numa fase inicial é fundamental obter o comprometimento da alta direção da empresa em relação à implementação, pois sem que isso ocorra não será possível desenvolver o programa. • A formação da equipe responsável pela disseminação dos fun- damentos da produção mais limpa a todos os funcionários da empresa – o “ecotime” – deve obedecer a rigoroso critério, de- vendo seus membros estarem engajados com a defesa do meio ambiente e com o desenvolvimento da empresa. • O “ecotime” deve ser composto por pessoal técnico, consultores, representantes de chão de fábrica, componentes do departamen- to financeiro e da gestão em geral, e além de participar ativamente no processo de implementação do programa de produção mais limpa, tem como função incentivar todo o pessoal a participar na identificação de oportunidades de melhoria e na implementação das necessárias mudanças em processos, tendo também a in- cumbência de comunicar de forma clara quais os benefícios do programa para funcionários, comunidade, empresa e ambiente. • Após estabelecido o escopo do programa, delimitando a sua abrangência – se a empresa como um todo ou se restrito a al- gum setor específico –, serão estudados os fluxos de matérias- -primas, água e energia ao longo dos processos fabris para es- tabelecimento de uma estratégia que vise minimizar resíduos e emissões. • Na sequência será realizado um diagnóstico ambiental e de pro- cesso com base em dados preexistentes (CNTL, 2003b) para quantificar entradas de matérias-primas, água, energia e outros insumos, saídas de resíduos e emissões, e também para coletar 181Produção mais limpa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. dados referentes à situação ambiental da empresa e à situação de estocagem, armazenamento e acondicionamento de insumos e produtos acabados. Nessa fase, o “ecotime”, considerando re- gulamentos legais, quantidade e toxicidade dos resíduos, e ainda os custos envolvidos, seleciona o foco de trabalho (CNTL, 2003b). Por exemplo, se houver escassez de água na região e a empresa apresentar um consumo excessivo de água, o foco prioritário de- verá ser a redução do consumo de água. • Na fase seguinte quantificam-se os mesmos itens anteriormen- te avaliados, mas agora nas etapas dos processos fabris rela- cionadas ao foco do trabalho e determinadas na etapa anterior, comparando-os com os existentes antes da implementação do programa de produção mais limpa por meio de indicadores; por exemplo: relacionando a quantidade de água consumida por uni- dade de produto fabricado (m³/unidade de produto), restrita aos processos que serão adaptados, com a quantidade de água por unidade de produto fabricado referente ao valor total de água con- sumido pela empresa; o resultado poderá ser expresso da seguin- te forma: “O processo X consome 20% do total de água consumi- do pela empresa”. • Com os dados obtidos no diagnóstico e na avaliação focada nos processos, é possível ao “ecotime” identificar causas e conse- quências dos resíduos e das emissões. • Com base nas causas da geração de resíduos, é possível adap- tar processos, modificar insumos e eventualmente alterar o de- sign dos produtos, além de optar por uma estratégia de produção mais limpa (figura 1) mais adaptável à situação. • A seguir é realizada uma avaliação das opções estratégicas con- sideradas de forma técnica, ambiental e econômica, de forma a garantir que a implementação dos processos seja viável e otimize a eficiência ambiental e operacional da empresa. 182 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • A última fase é a implementação e o monitoramento das ativida- des que serão executadas, sendo essencial considerar os seguin- tes aspectos (CNTL, 2003b, p. 34): • Quando devem acontecer as atividades determinadas; • Quem é o responsável por estas atividades; • Quando são esperados os resultados; • Quando e por quanto tempo monitorar as mudanças; • Quando avaliar o progresso; • Quando devem ser assegurados os recursos financeiros; • Quando a gerência deve tomar uma decisão; • Quando a opção deve ser implantada; • Quanto tempo deve durar o período de testes; • Qual é a data de conclusão da implementação. A implantação de uma produção mais limpa pode não requerer grande complexidade, bastando por vezes adotar melhores práticas de limpeza em instalaçõesou assegurar a manutenção de determinado equipamento; no entanto, pode envolver medidas mais complexas as- sociadas a processos e produtos, o que pode incluir a mudança para fontes de energia renováveis, a reutilização ou a reciclagem de produtos ou mesmo modificações em projetos de produtos de forma a prolongar sua vida útil, reduzindo o consumo de recursos e permitindo a desmon- tagem e a reciclagem de seus componentes. 3 Objetivos Além de contribuir para a melhoria do meio ambiente, reduzindo des- perdícios e recuperando insumos, a produção mais limpa tem o obje- tivo de reduzir os custos operacionais e melhorar a produtividade das empresas ao propor soluções econômicas que produzam melhorias na 183Produção mais limpa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. composição e no design de produtos causadores de impactos ambien- tais nocivos. Ao justificar alterações em produtos e processos para re- dução de resíduos e emissões, incentiva a inovação a nível estratégico. A produção mais limpa também melhora o acesso aos mercados onde o número de consumidores que adere à defesa do meio ambiente e instiga a elaboração de legislação ambiental é cada vez maior. São altamente rentáveis os investimentos nessa área, pois de acordo com a pesquisa realizada com 100 empresas pelo Pew Center on Global Climate Change (PRINDLE, 2010), os investimentos bem-estruturados em processos de eficiência energética apresentam um payback médio de 3 anos, ou 18,5% de taxa interna de retorno. Ainda de acordo com a pesquisa, outros benefícios importantes dos investimentos em produção mais limpa são sentidos pelas empresas, como a melhoria da imagem e o aumento do comprometimento dos colaboradores (gráfico 1). Gráfico 1 – Benefícios dos investimentos em produção mais limpa 0% Melhorou a reputação corporativa Percentagem de respondentes Fortaleceu o posicionamento competitivo Melhorou a motivação dos colaboradores Aumentou produtividade do trabalhador 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 29% 37% 50% 60% Fonte: adaptado de Prindle (2010, p. 21). Vários obstáculos se colocam diante da implementação de progra- mas de produção mais limpa. Em pesquisa realizada por Matos et al. (2017, p. 3-5), foi concluído que a principal barreira à sua implementação é a indisponibilidade de recursos financeiros, humanos, tecnológicos ou de monitoramento que resultam da dificuldade em obter e gerenciar 184 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . capital pela falta de conhecimento e capacitação de gestores em temas ambientais ou pela precária gestão de conhecimento nas empresas. Embora a implementação de programas empresariais de produção mais limpa não seja solução para todos os problemas de sustentabili- dade, é um passo importante na direção correta para o desenvolvimen- to empresarial em uma perspectiva de triple bottom line ao garantir o de- senvolvimento econômico e social e a preservação do meio ambiente. Para que os programas de produção mais limpa atinjam seu objetivo, eles precisam se desenvolver nas empresas e sobretudo nos investido- res. Um melhor conhecimento dos seus processos industriais através de monitoramento constante contribui para um aumento de eficiência pro- dutiva e também para a melhoria da imagem ao colaborar na proteção ambiental, fatores que impactam fortemente no resultado financeiro. Considerações finais Conforme analisamos, programas de produção mais limpa não vi- sam exclusivamente proteger o meio ambiente de resíduos e emissões descartados impropriamente. Esses programas induzem nos funcioná- rios uma nova maneira de pensar sobre processos e produtos, impac- tando fortemente nos resultados empresariais, pois levam as empresas a monitorar de forma constante seus processos. Para uma implementação bem-sucedida, o conceito de produção mais limpa deve ser amplamente divulgado na empresa para os fun- cionários em todos os níveis, incluindo a alta direção, estando ativa- mente envolvidos. A produção mais limpa reduz riscos e passivos ambientais, aumen- tando a competitividade empresarial. Ao demonstrar um compromisso com uma produção mais limpa, as empresas facilitam a implantação de um sistema de gestão ambiental, melhoram sua imagem e ganham a confiança dos consumidores. 185Produção mais limpa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Referências CENTRO NACIONAL DE TECNOLOGIAS LIMPAS (CNTL). Cinco fases da im- plantação de técnicas de produção mais limpa. Porto Alegre: Senai, 2003b. ______. Implementação de programas de produção mais limpa. Porto Alegre: Senai, 2003a. COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO (CETESB). Produção e consumo sustentáveis: casos de sucesso. 2018. Disponível em: <https:// cetesb.sp.gov.br/consumosustentavel/casos-de-sucesso/listagem-geral/ setor-produtivo-industria/>. Acesso em: 13 jul. 2018. ECOTEC. Annex 2 – Review of Cleaner Production. 2002. Disponível em: <http:// ec.europa.eu/environment/enveco/eco_industry/pdf/annex2.pdf>. Acesso em: 13 jul. 2018. MATOS, Lucas Marques et al. Dificuldades e barreiras encontradas na imple- mentação da Cleaner Production: revisão da literatura. In: INTERNATIONAL WORKSHOP ADVANCES IN CLEANER PRODUCTION, 6., 2016, São Paulo. Anais… São Paulo: [s. n.], 2017. ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT (OECD). 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Acesso em: 31 jul. 2018. 187 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 12 Ações de empresas na logística reversa Como qualquer atividade empresarial, o conjunto de atividades que compõem a logística reversa deve contribuir para o aumento da renta- bilidade empresarial, ou seja, por meio delas a eficiência da gestão deve ser otimizada, controlando recursos, processos e pessoas e aplicando boas práticas na realização de atividades ou de procedimentos. Neste capítulo serão estudados alguns fatores que contribuem para o aumento da eficiência empresarial, com destaque para as boas prá- ticas que devem ser utilizadas nas atividades relacionadas à logística reversa. 188 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão aD is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1 Práticas empresariais de logística reversa na atualidade Para contribuir para o desenvolvimento sustentável empresarial, a logística reversa deverá otimizar recursos para maximizar resultados. Nesse sentido, a gestão empresarial deve estar atenta a eventuais ino- vações que possam aumentar a eficiência de suas operações e à forma como são operacionalizados os processos reversos. As atividades que integram o processo de logística reversa em ope- rações de retorno de produtos pós-venda e pós consumo, conforme es- quematizado na figura 1, variam de acordo com o produto ou resíduo, e são adaptadas ao tipo de retorno pretendido; como exemplo, o proces- so reverso para uma lâmpada fluorescente é diferente do retorno de um notebook devolvido por arrependimento na compra. Figura 1 – Canais de distribuição diretos e reversos De sc ar te pó s- co ns um o Ambiente de logística reversa Canais de distribuição diretos Canais de distribuição reversos ClienteComercializaçãoProduçãoInsumos Reciclagem Remanufatura Recondicionamento Reúso Reparação Serviço/ garantia Teste, triagem e desmontagem Incineração Descarte 189Ações de empresas na logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Independentemente do tipo de retorno, as principais estratégias que otimizam a eficiência do processo de logística reversa devem prever os seguintes elementos (LEITE, 2018): • diagnóstico e classificação das causas de retorno; • organização formal da área de logística reversa; • mapeamento dos processos e indicadores; • coordenação e rastreabilidade centralizada. Por outro lado, o enquadramento das operações reversas deve obe- decer à maximização do trade-off da relação das variáveis: nível de ser- viço oferecido, prazo para execução e custo das operações reversas. IMPORTANTE Trade-off significa escolher uma coisa em detrimento de outra. Assim, se uma empresa promete recolher no domicílio, reparar e entregar repa- rado determinado equipamento em 24 horas, é normal que, para cumprir com o prometido, os custos da empresa associados à operação aumen- tem relativamente a uma operação sem prazo definido; ou seja, a empre- sa escolhe manter o nível de serviço em detrimento dos custos. Os fatores empresariais que garantem a harmonização entre as estratégias de logística reversa e a operacionalização dos processos de reciclagem foram analisados em estudo realizado pela consulto- ria PricewaterhouseCoopers (PWC, 2008) e permitem o enquadra- mento das melhores práticas operacionais à estratégia empresarial (quadro 1). 190 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Quadro 1 – Fatores de sucesso em processos de reciclagem NÍVEL ESTRATÉGICO • Colaboração estratégica com parceiros da cadeia reversa • Consciência e suporte da alta gerência • Políticas e processos alinhados • Logística reversa como parte do programa de sustentabilidade • Recuperação de valor nos retornos NÍVEL GERENCIAL • Equilíbrio entre custo das operações e capacidade de resposta • Colaboração interfuncional • Foco estratégico em evitar retornos NÍVEL OPERACIONAL • Processos simplificados e padronizados • Controle sobre os tempos das operações • Perceber retornos como bens perecíveis A utilização sistemática de estratégias de benchmarking incentiva a pesquisa por boas práticas, ou seja, métodos utilizados em diferentes processos de negócio e que tiveram elevado desempenho em outras empresas, de forma a interiorizá-los, adaptando-os à empresa. Para identificar as melhores práticas em logística reversa deverão ser analisadas as atividades-chave do processo reverso de forma a re- conhecer os fatores críticos que impactam diretamente na eficiência das operações (quadro 2) e direcionar convenientemente os esforços gerenciais, permitindo que a empresa alcance um diferencial competiti- vo por meio da prática da logística reversa. 191Ações de empresas na logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 2 – Características das atividades da logística reversa ATIVIDADE CARACTERÍSTICAS DAS ATIVIDADES FATORES CRÍTICOS Coleta Atividades logísticas para retornar produtos de volta ao mercado e transportá-los para instalações envolvidas nas outras etapas; inclui transporte, consolidação, transbordo e armazenamento. Segurança no transporte e armazenagem; cuidados com a embalagem Serviço/garantia Recuperação do produto e eventual devolução ao consumidor. Como alternativa, direcionar produtos para processos de reciclagem. Duração da operação, qualidade do serviço e modalidade do retorno (direto ao consumidor, varejo, via postal, etc.) Teste, triagem e desmontagem Classificação de produtos de acordo com tipo e composição e determinação da rota que o produto irá percorrer na cadeia inversa. Mercado e estratégia empresarial (levados em conta nas decisões sobre a destinação dos produtos) Recuperação Recuperação do valor do produto retornado por reutilização, reparação, renovação, reciclagem ou outras formas. Capacidade técnica dos intervenientes Comercialização Produtos recuperados são novamente comercializados. Opção pelo canal de distribuição mais coerente Além dos aspectos referidos, que estão diretamente relacionados às atividades da logística reversa, outros fatores impactam diretamente na eficiência das operações executadas por empresas brasileiras. • Cultura empresarial: a interiorização da conscientização ambien- tal na cultura empresarial é aspecto fundamental para a garantia de sucesso dos processos reversos, que devem integrar de forma natural o conjunto de operações realizado pelas empresas, inde- pendentemente da posição que a empresa ocupe na cadeia lo- gística. O sucesso da logística reversa, além de depender da inte- gração das operações reversas no sistema logístico da empresa, também é influenciado pelo grau de conscientização ambiental das empresas que participam da cadeia de distribuição. 192 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • Intervenção governamental: a intervenção dos governos nas ativi- dades de logística reversa pode apresentar aspectos motivadores para as empresas quando incentiva ações de proteção ambiental com base na reciclagem de produtos, criando novos empreen- dimentos, mas influi negativamente na eficiência ao tributar as operações reversas (de modo igual às operações de comerciali- zação), não privilegiando as atividades de reaproveitamento dos bens. • Informação: outro aspecto que impacta na eficiência é a informa- ção, que deve ser fluida e disponibilizada a todaa cadeia reversa. Leite (2009, p. 220) realça a importância da informação: A experiência tem ensinado que uma das maiores dificuldades e motivo de ineficiências nas cadeias reversas são a falta de in- formações relativas ao produto, às embalagens, ao momento de retorno, às quantidades de retorno, ao detalhamento da forma de tratar tecnologicamente os produtos no momento de reaproveita- mento, etc. A falta de informações entre os agentes das cadeias re- versas muitas vezes é responsável pelas divergências comerciais no retorno dos produtos. • Projeto de produto: produtos finais constituídos por materiais recicláveis e sem toxicidade, fabricados com menor quantidade de insumos e integrando componentes facilmente desmontáveis e que possam ser reutilizados, contribuem para a eficiência das operações de logística reversa. Neste contexto, Kumar (2016) deduziu que as boas práticas em processos de logística reversa devem obedecer aos seguintes aspec- tos (figura 2): 193Ações de empresas na logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 2 – Aspectos importantes para boas práticas em processos de logística A equipe de logística reversa deve ter autonomia para tomar decisões a qualquer momento, visto que o ciclo logístico reverso é curto e imprevisível. Sistemas de informação de gestão devem rastrear todas as atividades até ao final do processo de logística reversa e as informações referentes ao retorno de produtos devem circular livremente em todos os departamentos da empresa, especialmente no de pesquisa e desenvolvimento. Em operações de devolução para arranjo ou garantia, o sistema de informação utilizado pela logística reversa deve permitir que os clientes tenham acesso ao rastreamento de seus produtos. Deve ser criada uma equipe de suporte ao cliente que rastreie apenas retornos e que ajude os clientes a facilitar seus retornos. Os clientes entendem, assim, a maneira pela qual seu produto está fluindo na cadeia de mantimentos. Políticas e procedimentos relativos aos retornos, em cada ciclo de vida do produto até à disposição final dos produtos, devem satisfazer todas as normas vigentes. Sempre que a configuração do processo de logística reversa não for viável para a organização, ela deverá terceirizar algumas ou todas funções. Fonte: adaptado de Kumar (2016, p. 24). A terceirização de funções de logística reversa deve obedecer a con- dicionantes de custo de operação e capacidade das empresas contrata- das de realizar as atividades em ambiente seguro. A execução das operações reversas pela própria empresa significa não só a preservação das competências desenvolvidas internamente em troca de custos menores, mas também a garantia de menores ris- cos e de maior facilidade e agilidade na adaptação das operações. Ao externalizar a logística reversa, a empresa desinveste em competên- cias, infraestruturas, pessoas e conhecimentos e, no caso de eventual retorno da decisão, interiorizando as operações, pode incorrer em cus- tos adicionais. 194 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 2 Estudos de caso Desde 2010, o Brasil gera mais de 60 milhões de toneladas de resí- duos sólidos por ano, quantidade que em 2016 atingiu cerca de 78 mi- lhões de toneladas; dessa cifra, cabe destacar as mais de 200 milhões de lâmpadas fluorescentes, 1,040 bilhão de litros de óleos lubrifican- tes ou as cerca de 50 mil toneladas de embalagens de agrotóxicos (ABRELPE, 2016). A magnitude desses valores realça a importância da logística reversa no contexto da economia brasileira e a necessidade da adoção de boas práticas que maximizem a eficiência das operações. Uma análise mais pormenorizada das práticas adotadas nos proces- sos de logística reversa, como apresentado nos casos a seguir, permite entender os principais aspectos que devem ser trabalhados e desenvol- vidos para aumentar a eficiência das operações e a rentabilidade das empresas envolvidas. 2.1 Logística reversa de óleos lubrificantes usados ou contaminados (olucs) Qual o destino dos óleos lubrificantes usados? Quando direcionados à natureza, comprometem a qualidade do ar, do solo e da água, pois são resíduos com grande poder de contaminação. Segundo a Secretaria de Qualidade Ambiental (BRASIL, 2005), 1 litro de óleo lubrificante contamina 1 milhão de litros de água, e a combustão de óleos lubrificantes usados gera gases residuais nocivos ao meio ambiente e à saúde pública. Quando se troca o óleo lubrificante de um veículo, gera-se um resí- duo de óleo queimado. Perigoso não só para o meio ambiente como também para a saúde humana, trata-se de um produto tóxico, rico em metais pesados, ácidos orgânicos, hidrocarbonetos policíclicos aro- máticos e dioxinas, todas substâncias altamente poluentes designa- das pela sigla olucs (óleos lubrificantes usados ou contaminados). 195Ações de empresas na logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A Lei no 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabelece que são obrigados a implantar sistemas de logística reversa os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens, e que a responsabilida- de pela logística reversa deve ser assumida por toda a cadeia (consumi- dor, varejistas, atacadistas, fabricantes e importadores). Cabe ao Sindicato Nacional da Indústria do Rerrefino de Óleos Minerais (Sindirrefino), entidade gestora do acordo setorial estabeleci- do no âmbito da Lei no 12.305/2010, proceder à gestão das operações de logística reversa pós-consumo de olucs, coletando, armazenando e destinando de forma ambientalmente adequada o óleo lubrificante usa- do ou contaminado. Esse processo de logística reversa ocasiona dois subprocessos de reciclagem: a reciclagem dos olucs e a reciclagem das embalagens. Na reciclagem dos olucs, os óleos são coletados por veículos cadas- trados na Agência Nacional de Petróleo e direcionados a instalações industriais para serem refinados e descontaminados e voltarem a ser usados com as mesmas propriedades de óleo novo. As tecnologias uti- lizadas dão origem a vários tipos de óleos básicos (quadro 3), que são inseridos em diversos processos produtivos (SINDIRREFINO, 2012). Quadro 3 – Tecnologias de rerrefino de olucs SISTEMA ÁCIDO-ARGILA COM TERMOCRAQUEAMENTO Nessa modalidade de tecnologia, predomina a obtenção de óleo básico neutro pesado. SISTEMA DE DESTILAÇÃO A FLASH OU EVAPORAÇÃO PELICULAR Esta tecnologia propicia a obtenção predominante de óleo básico neutro leve e médio. SISTEMA POR EXTRAÇÃO A SOLVENTE SELETIVO DE PROPANO Esta tecnologia propicia a obtenção de óleo básico neutro médio Fonte: adaptado de Sindirrefino (2012). 196 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . PARA SABER MAIS Óleos básicos são a base para a elaboração deuma enorme gama de produtos, entre os quais os óleos lubrificantes. A Petrobras classifica os óleos básicos em naftênicos utilizados na fabricação de óleos isolan- tes para transformadores, graxas lubrificantes, fluidos de corte, óleos para compressores e óleos para amortecedores, podendo também ser utilizados como plastificantes de borracha e parafínicos (utilizados prin- cipalmente na elaboração de lubrificantes automotivos por apresentar um melhor comportamento da viscosidade frente a variações de tem- peratura), além da fabricação de lubrificantes marítimos, ferroviários, óleos industriais, graxas lubrificantes e produtos farmacêuticos, como o óleo mineral. Dos 1,040 bilhão de litros de óleos lubrificantes comercializados em 2016 por 89 produtores e 210 importadores, foram recolhidos para reci- clagem 413,67 milhões de litros, equivalentes a 39,74% (BRASIL, 2017), a maioria no estado de São Paulo, onde foram coletados 122,24 milhões de litros de olucs, o equivalente a 44,4% do total de óleo comercializado no estado (CETESB, 2018). Na reciclagem das embalagens de óleo, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) – entidade responsável pela gestão do acordo setorial estabelecido no âmbito da Lei no 12.305/2010 – procura garantir, por meio do programa Jogue Limpo, que as embalagens plásticas de óleos lubrificantes não sejam descartadas no lixo comum para não causar danos ao meio am- biente (JOGUE LIMPO, 2017) e para isso atua com dois propósitos: • Garantia de que o óleo residual que fica na embalagem após o uso não contamine águas ou solos. • Reaproveitamento do plástico das embalagens por meio da reci- clagem, dando a ele uma nova utilidade como insumo industrial. 197Ações de empresas na logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Em cada estado, uma gerenciadora cuida do processo, adminis- trando as diversas centrais de recebimento e dando suporte à frota de caminhões de recebimento especializado, que são equipados com alta tecnologia de controle. O processo, conforme esquema da figura 3, inicia-se com a entrega (responsabilidade do consumidor) das embalagens usadas nos pontos de recebimento, onde são armazenadas em segurança até serem co- letadas por caminhões; nos veículos, as embalagens são pesadas por balança eletrônica, e os dados transmitidos para a central de recebi- mento e direcionadas às centrais de recebimento, onde se procede à drenagem das embalagens, seleção e respectivo acondicionamento, para posteriormente serem encaminhadas às recicladoras credencia- das. Na recicladora, o material é triturado, submetido a um procedimen- to de descontaminação, transformado em matéria-prima e direcionado à produção de novas embalagens ou de outros produtos plásticos. Figura 3 – Operação de reciclagem de embalagens de olucs Nos pontos de recebimento as embalagens dos óleos lubrificantes são recebidas e armazenadas em segurança. Os caminhões do sistema itinerante recolhem as embalagens nos pontos de coleta e as levam às centrais de recebimento. Nas centrais de recebimento o material é preparado para a reciclagem e, em seguida, levado à empresa que realizará o processo. Na recicladora o material é processado para ser transformado em matéria-prima de novas embalagens. Fonte: adaptado de Sindicom (2013, p. 52). 198 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Podemos concluir que o rerrefino de olucs tem vantagens ambientais e econômicas para o Brasil, pois além de permitir reciclar um resíduo perigoso por meio de um método seguro, impedindo a contaminação do meio ambiente, reduz a quantidade de óleo básico necessária para a produção do óleo lubrificante virgem e, consequentemente, diminui a importação de petróleo do tipo leve, uma vez que o petróleo brasileiro é predominantemente do tipo pesado, e os óleos básicos são produzidos com uma parte de petróleo do tipo leve (SINDICOM, 2013). O processo de logística reversa de olucs é exemplo de responsabili- zação compartilhada de intervenientes em processos de consumo, pois seus utilizadores descartam corretamente os resíduos, e os fabricantes e importadores recuperam insumos, reinserindo-os em cadeias produ- tivas. Ganha o meio ambiente, que fica melhor protegido; ganha o se- tor de lubrificantes, que garante matéria-prima mais barata, e ganha o Brasil, pois reduz importações de lubrificantes. 2.2 A logística reversa de lâmpadas fluorescentes As lâmpadas fluorescentes são largamente utilizadas em quase to- das as situações de iluminação doméstica ou empresarial, pois apre- sentam elevada eficiência, baixo consumo e boa aparência, mas a in- tensidade na sua utilização reflete-se no aumento da geração anual de resíduos, que, segundo Bacila, Fischer e Kolicheski (2014), é estimada em mais de 200 milhões de unidades por ano, com tendência a aumen- tar devido ao banimento das lâmpadas incandescentes imposto pela Portaria Interministerial nº 1.007/2010 (BRASIL, 2011). Entre os componentes das lâmpadas fluorescentes está o mercú- rio, produto de elevada toxicidade, altamente prejudicial à saúde hu- mana, e que pode contaminar solo, animais e água, sobretudo quan- do presente em elevado número de unidades descartadas, mesmo que unitariamente o mercúrio presente em quantidade diminuta, com 199Ações de empresas na logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. cerca de 4 mg de mercúrio por lâmpada fluorescente (APLIQUIM BRASIL RECICLE, 2011). A obrigatoriedade de descarte correto das lâmpadas fluorescentes ficou regulamentada pela Lei nº 12.305/2010 (BRASIL, 2010). O acordo setorial para implantação do sistema de logística reversa de lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, previsto na referida lei, atribui responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida das lâmpadas fluorescentes a fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, de forma a possibilitar que, depois de usadas, as lâmpa- das fluorescentes possam ser reaproveitadas (BRASIL, 2014). Também no âmbito do acordo foi prevista a criação de uma entidade gestora, a associação sem fins lucrativos Reciclus, com o objetivo de promover o sistema de logística reversa. Uma lâmpada fluorescente típica contém uma multiplicidade de ele- mentos: é composta por um tubo selado de vidro preenchido de gás argônio e de vapor de mercúrio; o interior do tubo é revestido por um pó fosforoso composto de alumínio, antimônio, bário, cádmio e cálcio; os terminais são de alumínio ou plástico, e os eletrodos, de tungstênio, níquel, cobre ou ferro, e o isolamento nas extremidades é de baquelita. Dos vários elementos que compõem uma lâmpada fluorescente, se sobressai o mercúrio, metal pesado e tóxico muito perigoso à saúde, requerendo que o descarte seja controlado e feito por empresas espe- cializadas. Todo o processamento da reciclagem é controlado a fim de assegurar que a operação é realizada dentro dos limites de exposição ocupacional. Como em qualquer outro processo reverso, a logística reversa de lâmpadas descartadas tem por objetivo a recuperação da maioria de seus materiais constituintes e sua respectiva reinserção como insumos em indústrias,especialmente em fábricas de lâmpadas. 200 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . O processo de reciclagem, após a coleta, é realizado por meio de equipamentos instalados sob circunstâncias especiais e em ambien- tes controlados para que não haja fuga de vapores nem contaminação do ambiente e das pessoas. As etapas do processo são descritas con- forme a figura 4. Figura 4 – Processo de reciclagem de lâmpadas fluorescentes Coleta Esmagamento Separação de materiais Destilação de mercúrio Mercúrio recuperado Fundição (alumínio/latão) Reciclagem de vidro Disposição final (baquelita) A coleta é realizada em pontos de coleta dedicados a recepcionar lâmpadas fluorescentes. De acordo com Reciclus (entidade gestora do acordo setorial), esses pontos alcançaram na primeira quinzena de ju- nho de 2018 a marca de 543 unidades presentes em 80 cidades de 21 estados mais o Distrito Federal (RECICLUS, 2018, p. 1). Nessa fase, deve haver cuidado no armazenamento, no transporte e na disposição das lâmpadas, que são estocadas por tipo e tamanho. Na fase do esmagamento, as lâmpadas são implodidas e/ou que- bradas em pequenos fragmentos, por meio de um britador ou moinho, o que permite separar o pó fosforado contendo mercúrio dos outros elementos (terminais de alumínio, pinos de latão, componentes ferro- -metálicos, vidro e isolamento baquelítico). 201Ações de empresas na logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. As poeiras contendo mercúrio seguem para o processo de desmer- curização: são coletadas por um sistema de controle de emissão de gases e transferidas a unidade de destilação de mercúrio. O vidro é tes- tado para verificação de concentração de mercúrio; quando não exce- der 1,3 mg/kg, é reciclado para a fabricação de embalagens de produtos não alimentícios. O alumínio e os pinos de latão, depois de descontami- nados (a concentração de mercúrio não deve exceder 20 mg/kg), são enviados para reciclagem em uma fundição. Para recuperar o mercúrio, a poeira fosforosa é destilada por aque- cimento a temperatura superior a 357° C (ponto de ebulição do mercú- rio); na sequência, para obtenção de mercúrio com pureza de 99,99%, o material resultante é condensado e coletado em recipientes especiais ou decantadores; na sequência, processa-se uma nova destilação para remoção de impurezas. A única parte da lâmpada que em princípio não é reciclada é a ba- quelita, existente nas extremidades da lâmpada, e que após separada é muitas vezes destinada a aterros sanitários, o que causa problemas ao ambiente por muitos anos. Como alternativa, um grupo de alunos da Escola Técnica Estadual de Monte Mor, no interior do estado de São Paulo, desenvolveu em 2016 um projeto que propõe transformar a baquelita em material de construção e paisagismo (PROJETO…, 2016). Recentemente são utilizados no processo de trituração de lâmpa- das equipamentos compactos que realizam o processo de trituração e aprisionamento dos resíduos contaminantes nos locais de coleta para posterior encaminhamento às plantas, onde é efetuada a descontami- nação do material. Essa solução reduz custos de deslocamentos, mas aumenta os riscos de manuseamento inadequado e vazamento de contaminantes. A análise das práticas adotadas no processo de logística reversa de lâmpadas fluorescentes permite corroborar as afirmações anterio- res quanto às melhores práticas operacionais, sobretudo nos aspectos 202 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . da tomada de decisão operacional, pois diante da complexidade e da periculosidade que envolvem o processo, a equipe de logística reversa deve ter autonomia para tomar decisões a qualquer momento, mitigan- do eventuais fatores de risco e garantindo o cumprimento da legislação que regulamenta o descarte de lâmpadas fluorescentes. Também do ponto de vista de negócio, a obrigatoriedade legal para a recuperação dos resíduos de lâmpadas fluorescentes pode ser alternativa viável a novos empreendimentos, pois a especialização nos processos de reci- clagem, com a utilização de equipamentos móveis de pequena dimen- são, permite que novos empreendedores desenvolvam esse ramo de reciclagem com considerável lucratividade. Considerações finais Como estudamos neste capítulo, as melhores práticas em proces- sos de logística reversa fazem uso de abordagens integradas, abran- gendo o conjunto dos componentes das cadeias de distribuição rever- sas e lançando mão de metodologias que reduzem a incerteza sobre os recursos necessários à produção de produtos finais. Pudemos ainda salientar que a eficiência dos processos é otimizada com a redução do ciclo das operações reversas e a utilização de sistemas de informação que rastreiem os fluxos reversos de produtos e mantenham informados em tempo real os interessados no processo de logística reversa. Referências APLIQUIM BRASIL RECICLE. Serviços. 2011. Disponível em: <http://www. apliquimbrasilrecicle.com.br/servicos>. Acesso em: 19 jul. 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE LIMPEZA PÚBLICA E RESÍDUOS ESPECIAIS (ABRELPE). Panorama dos resíduos sólidos no Brasil. 2016. Disponível em: <http://www.abrelpe.org.br/panorama_apresentacao.cfm>. Acesso em: 20 mar. 2018. 203Ações de empresas na logística reversa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. BACILA, Danielle Miranda; FISCHER, Klaus; KOLICHESKI, Mônica Beatriz. Estudo sobre reciclagem de lâmpadas fluorescentes. Engenharia Sanitária e Ambiental, Rio de Janeiro, v. 19, n. esp., p. 21-30, 2014. Disponível em: <http:// www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-41522014000500021&script=sci_ abstract&tlng=pt>. Acesso em: 20 jul. 2018. BRASIL. Ministério das Cidades. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 3 ago. 2010. p. 2. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 17 mar. 2018. ______. Ministério de Minas e Energia. Portaria Interministerial nº 1.007, de 31 de dezembro de 2010. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 6 jan. 2011. Disponível em: <http://www.mme.gov.br/documents/10584/904396/Portaria_intermines tral+1007+de+31-12-2010+Publicado+no+DOU+de+06-01-2011/d94edaad-5e 85-45de-b002-f3ebe91d51d1?version=1.1>. Acesso em: 19 jul. 2018. ______. Ministério do Meio Ambiente e Secretaria de Qualidade Ambiental. Resolução Conama nº 362, de 23 de junho de 2005. Dispõe sobre o recolhimen- to, coleta e destinação final de óleo lubrificante usado ou contaminado. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 jun. 2005. p. 128-130. Disponível em: <http:// www2.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=466>. Acesso em: 19 jul. 2018. ______. Ministério do Meio Ambiente.Acordo setorial de lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista. 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P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . JOGUE LIMPO. Logística reversa de lubrificantes. 2017. Disponível em: <https://www.joguelimpo.org.br/institucional/responsabilidade.php>. Acesso em: 19 jul. 2018. KUMAR, Varun. Best Practices for Reverse Logistics Management. International Journal of Advanced Trends in Engineering and Technology, Perambalur, v. 1, n. 1, p. 22-24, 2016. Disponível em: <https://papers.ssrn.com/Sol3/papers. cfm?abstract_id=2973336>. Acesso em: 15 jul. 2018. LEITE, Paulo Roberto. Estratégias para uma eficiente logística reversa de pós- -venda. CLRB Logística Reversa, São Paulo, 15 maio 2018. Disponível em: <http://clrb476.wixsite.com/clrb-log-reversa/single-post/2018/05/15/ ESTRAT%C3%89GIAS-PARA-UMA-EFICIENTE-LOG%C3%8DSTICA- REVERSA-DE-P%C3%93S--VENDA>. Acesso em: 19 set. 2018. ______. Logística reversa. São Paulo: Pearson, 2009. PRICEWATERHOUSECOOPERS. 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Disponível em: <https://www.sindirrefino.org.br/rerrefino/processo-industrial>. Acesso em: 19 set. 2018. 205 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 13 Ecoeficiência Uma preocupação central de qualquer empresa é permanecer e crescer de forma sustentável nos mercados em que atua. Para isso, ela deve garantir sua supremacia em relação à concorrência, produzin- do e comercializando produtos que satisfaçam seus consumidores e aumentando sua participação nos mercados com diminuição de cus- tos de forma a maximizar seus resultados; ou seja, uma empresa que pretenda crescer sustentavelmente deve constantemente otimizar sua eficiência, e neste capítulo analisaremos como a ecoeficiência permite relacionar proteção ambiental com eficiência empresarial. 206 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1 Conceito Para otimizar sua eficiência, as empresas devem utilizar de forma racional os recursos disponíveis, procurando atender às expectativas de seus consumidores com menor consumo de insumos, energia, etc., pois dessa forma maximizam resultados e garantem sustentabilidade no crescimento. A redução de insumos nos processos fabris pode ser obtida com melhoria nos projetos de desenvolvimento de produtos, planejamento adequado na produção ou com a utilização de insumos recicláveis, mas a deslocalização das plantas produtivas relativamente aos mercados tem expandido consideravelmente os fluxos de matérias-primas e de produtos acabados, aumentando custos para as empresas e as emis- sões de gases poluentes pelos veículos transportadores, o que torna as atividades logísticas em geral, e particularmente os transportes, aspec- tos fundamentais na otimização da eficiência empresarial. Uma vez que o transporte de matérias-primas e produtos acabados globalmente consome cerca de 25% de toda a energia consumida no mundo (EIA, 2018), ocasionando elevado volume de emissões de gases tóxicos, é altamente relevante a correlação entre o desempenho empre- sarial e a proteção ambiental. Em 1992, o Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável (World Business Council on Sustainable Development – WBCSD) introduziu o conceito de ecoeficiência como uma filosofia de gerenciamento empresarial que leva à sustentabilidade, e definida como […] a entrega de bens e serviços com preços competitivos que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida, reduzindo impactos ecológicos e a intensidade de recursos utilizados dos bens e serviços, ao longo do ciclo de vida, em linha com a capacidade de carga estimada da Terra. (WBCSD, 2006, p. 3, tradução nossa) 207Ecoeficiência M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A ecoeficiência é consequência do conceito básico de eficiência, que consiste em fazer as coisas corretamente, e que geralmente está ligada à forma como as empresas realizam as operações com menos recursos, em menos tempo, com menor orçamento e menos pessoas, menos matéria-prima, etc., ou seja, a ecoeficiência trata da aplicação do tripé da sustentabilidade à gestão operacional das empresas. IMPORTANTE Responsável pela inserção do conceito de ecoeficiência no mundo em- presarial, o WBCSD é uma organização global liderada por CEOs de mais de 200 empresas globais de grande porte, trabalhando juntas para ace- lerar a transição para um mundo sustentável e tendo como propósito a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) por meio de cinco programas de trabalho que abrangem os seguintes te- mas: cidades e mobilidade; energia e economia circular; comida, terra e água; pessoas; e redefinição de valor. No Brasil, o WBCSD é representado pelo Conselho Empresarial Brasilei- ro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), associação civil sem fins lucrativos que reúne cerca de 60 dos maiores grupos empresariais do país com faturamento de cerca de 40% do PIB e responsáveis por mais de 1 milhão de empregos diretos, promovendo o desenvolvimen- to sustentável por meio da articulação junto aos governos e à socie- dade civil, além de divulgar conceitos e práticas mais atuais do tema. Uma análise do conceito do Instituto Ethos,organização da so- ciedade civil e de interesse público de responsabilidade social em- presarial (RSE), permite deduzir que as ações de sustentabilidade empresarial estão focadas não somente na responsabilidade social empresarial mas também nas práticas de ecoeficiência. 208 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . IMPORTANTE No Brasil, o Instituto Ethos define responsabilidade social empresarial como […] uma forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais se relaciona e pelo estabelecimento de metas empre- sariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para gerações futuras. (INSTITUTO ETHOS, 2017) Segundo Almeida (2002, p. 57), a “ecoeficiência é uma filosofia de gestão empresarial que incorpora a gestão ambiental e que pode ser considerada uma forma de responsabilidade ambiental corporativa”, tendo como principal objetivo o crescimento qualitativo e não quantita- tivo da economia. Para o autor, a sustentabilidade é resultado da combi- nação da ecoeficiência e da responsabilidade social empresarial. A integração dos conceitos de responsabilidade social empresarial e de ecoeficiência, ilustrada na figura 1, permite entender como a inte- gração dos aspectos econômicos, do ambiente e das pessoas (social) proporciona a sustentabilidade no desenvolvimento empresarial. Além das ações citadas como exemplos, e que podem ser desenvolvidas em cada esfera da sustentabilidade, muitas outras podem ser desenvolvi- das por diversos tipos de atores, com a mesma finalidade. 209Ecoeficiência M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 1 – Elementos da sustentabilidade AMBIENTAL Uso de recursos naturais Gestão ambiental Prevenção de poluição Justiça socio- ambiental Ecoeficiência Inserção social Desenvol- vimento sustentável ECONÔMICO Redução de custos Lucro Crescimento Pesquisa e desenvolvimento SOCIAL Padrão de vida Educação Comunidades Igualdade de oportunidades Empresas ecoeficientes maximizam seu valor ao adquirirem quan- tidades menores de insumos e energia e ao reduzirem emissões de poluentes sem prejuízo da satisfação dos consumidores de seus pro- dutos ou serviços, pois os negócios existem para satisfazer necessida- des humanas e como contrapartida serem recompensados com lucros. Mas é altamente improvável que esse processo, ao ser realizado por uma única empresa, reduza a utilização de recursos ou impactos am- bientais (VERFAILLIE; BIDWELL, 2000), o que faz com que o conceito de ecoeficiência se aplique a todas as empresas envolvidas em determina- do negócio, incluindo o desenvolvimento, a fabricação e a distribuição de novos produtos. 210 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . A ecoeficiência torna-se parte essencial de uma estratégia de negó- cios sustentável, pressupondo uma gestão ambiental de toda a cadeia de suprimentos do negócio, que gerencia todos os impactos ambientais significativos ocasionados pelas empresas componentes da cadeia ao longo dos ciclos de vida de produtos ou de serviços. Segundo Verfaillie e Bidwell (2000, p. 7), são sete os elementos que podem contribuir para a melhoria da ecoeficiência empresarial: 1. reduzir o consumo de insumos, produtos e serviços; 2. reduzir o consumo de energia com bens e serviços; 3. reduzir a dispersão de substâncias tóxicas; 4. intensificar a reciclagem de materiais; 5. maximizar o uso sustentável dos recursos naturais; 6. prolongar a durabilidade dos produtos; 7. agregar valor aos bens e serviços. Já em 1988, Drucker (1988) afirmava em um artigo publicado pela Harvard Business Review que a empresa do futuro seria baseada no conhecimento, fato que se torna cada vez mais atual e que leva a consi- derar a ecoeficiência um elemento estratégico fundamental da empresa contemporânea, levando Almeida (2002, p. 58) a considerar que [a] busca de ecoeficiência produz tendências como a desmateriali- zação: as empresas estão criando maneiras de substituir os fluxos de material por fluxos de conhecimento. Por exemplo: as tecnolo- gias da informação permitem conhecer o que o consumidor indi- vidual quer. Esse conhecimento, por sua vez, permite customizar produtos e serviços. A customização resulta em redução do des- perdício: menos rejeitos são gerados quando recursos que o con- sumidor não deseja não são produzidos. 211Ecoeficiência M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A ecoeficiência é simultaneamente uma forma de pensar e uma fer- ramenta de gestão, pois orienta a condução dos negócios de forma eco- nômica e ambientalmente correta pela aplicação sistemática dos sete elementos de melhoria de ecoeficiência (WBCSD, 2006). Entre as ferra- mentas que impulsionam a ecoeficiência, salientam-se: os sistemas de gestão ambiental; a gestão do ciclo de vida; a integração de considera- ções ambientais nos processos de desenvolvimento de produtos; a ges- tão ambiental das cadeias de suprimentos; e a produção mais limpa. 2 Objetivos O aumento de competitividade leva as empresas a reduzir tanto o uso de recursos escassos como os custos, e por isso é normal que a ecoefi- ciência oriente muitas decisões da sua cadeia de suprimentos, que pas- sam a consumir menos recursos e ganham em flexibilidade, de forma a atender em melhores condições mercados locais (CHRISTOPHER, 2011). PARA SABER MAIS As indústrias siderúrgicas tradicionais, construídas com base em altos fornos e operando de forma pouco flexíveis, produzindo aço em pro- cesso contínuo, estão sendo gradativamente substituídas por fábri- cas menores e mais flexíveis, como é o caso da siderúrgica do grupo Gerdau em Araçariguama (SP), utilizando fornos a arco elétrico e sucata de ferro como matéria-prima, produzindo aço de forma ecoeficiente e oferecendo maior flexibilidade (GERDAU…, 2006). A ecoeficiência envolve estratégias e habilidades para se produzir mais, melhor, com menor consumo de materiais, água e energia, em bases preço-competitivas,1 sem comprometer o gerenciamento das 1 Base preço-competitiva é o preço de produtos que sejam compatíveis com outros similares comercializados pela concorrência. 212 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . finanças e da qualidade, contribuindo para a qualidade de vida e, ao mesmo tempo, reduzindo a carga, o ônus, o dano e os impactos am- bientais causados por bens e serviços (VERFAILLIE; BIDWELL,2000). Christopher (2011) refere que uma estratégia emergente que visa otimizar a ecoeficiência e aumentar o valor do produto adquirido pelo consumidor é a fabricação rápida (rapid manufacturing – RM), ou fabri- cação aditiva, que usa tecnologias de construção de produtos camada por camada usando pó metal fundido a laser de polímeros, pois além de rentabilizar a produção e possibilitar níveis de customização elevados para o produto, reduz estoques de produtos acabados, minimizando o uso de energia e o desperdício de material. NA PRÁTICA Atualmente, com a utilização das impressoras 3D, o processo de fabri- cação aditiva está muito difundido e inserido em vários setores de ativi- dade, utilizando várias matérias-primas e podendo fabricar uma multipli- cidade de peças e utensílios. Com estratégias ecoeficientes, como as acima descritas, os consu- midores ficam mais satisfeitos com produtos customizados, e tanto as empresas como o meio ambiente ganham, pois são utilizados menos recursos e energia. O conceito de ecoeficiência está relacionado ao desempenho empre- sarial, que varia ao longo do tempo, pois as alterações ambientais são imprevisíveis e ininterruptas, tornando-se importante que as mudanças no desempenho ao longo do tempo sejam comparadas com um ponto de referência, e por isso a ecoeficiência de uma empresa precisa ser mensurada para poder ser otimizada constantemente. 213Ecoeficiência M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Classicamente, a eficiência de uma empresa avalia o quanto se pro- duz relativamente ao quanto se poderia produzir, e pode ser mensurada pela fórmula (sendo expressa em porcentagem): Produção contabilizada (atual)Eficiência= Máxima produção possível Por outro lado, o conceito de produtividade tem a ver com a forma como os recursos são utilizados, e os indicadores de produtividade medem o quanto se produz em relação aos recursos utilizados, nor- malmente expressos em quantidade (quilos, litros, etc.). A medição da produtividade induz à determinação do nível de eficiência empresarial. Dado que a ecoeficiência considera a interação da empresa com a qualidade de vida e com o ambiente, as variáveis que medem a ecoefi- ciência devem ser cientificamente sustentáveis, ambientalmente rele- vantes, precisas, facilmente verificáveis, úteis para todos os tipos de empresas em todo o mundo e estarem relacionadas às dimensões da economia e da ecologia, de forma a relacionar o valor do produto ou do serviço com a influência ambiental (VERFAILLIE; BIDWELL, 2000), podendo a medida da ecoeficiência ser representada pela seguinte fórmula: Valor do produto ou serviçoEcoeficiência = Impacto ambiental Os indicadores que normalmente definem as variáveis “valor do produto ou serviço” e “impacto ambiental” são os representados no quadro 1. Os indicadores de impacto ambiental podem estar tanto re- lacionados à produção de produtos ou de serviços (coluna 2), isto é, ao próprio negócio, quanto ao consumo de produtos ou de serviços (coluna 3). 214 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Quadro 1 – Indicadores de ecoeficiência 1 – INDICADORES DE VALOR DE PRODUTO OU SERVIÇO 2 – INDICADORES DE IMPACTO AMBIENTAL (REFERENTES AO NEGÓCIO) 3 – INDICADORES DE IMPACTO AMBIENTAL (REFERENTES AO USO DO PRODUTO) • Quantidade de produtos ou serviço produzidos ou fornecidos aos consumidores • Vendas líquidas • Consumo de energia • Consumo de materiais • Consumo de água • Emissões de gases de efeito de estufa • Emissões de substâncias destruidoras da camada de ozônio • Características do produto/ serviço • Descarte de embalagens • Consumo de energia • Emissões durante o uso Fonte: adaptado de Verfaillie e Bidwell (2000). Como exemplo de uma medida de ecoeficiência, consideremos uma empresa química que apresenta os valores no quadro 2 no decorrer de um ano de produção: Quadro 2 – Valores de produto e impacto ambiental VALOR DO PRODUTO IMPACTO AMBIENTAL • Massa do produto vendido = 500.000 kg • Vendas líquidas = R$ 300 milhões • Energia consumida = 100.000 gigajoules¹ • Insumos consumidos = 5.000 t • Água consumida = 50.000 m³ • Emissões gazes efeito estufa = 8.000 t (CO₂ ou equivalente) • Substâncias destruidoras camada ozônio = 25 t (CFC ou equivalente) Com base nos valores apresentados é possível deduzir os seguintes indicadores de ecoeficiência conforme quadro 3. 215Ecoeficiência M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 3 – Indicadores de ecoeficiência INDICADORES DE ECOEFICIÊNCIA EM FUNÇÃO DA QUANTIDADE DE PRODUTO EM FUNÇÃO DO VOLUME DE VENDAS Consumo de energia Consumo de insumos Emissões gases efeito estufa 5 kg por gigajoule 100 kg por tonelada 62,5 kg por t de CO₂ 5.000 US$ por gigajoule 60.000 US$ por tonelada 37.500 US$ por CO₂ * Joule (J) é uma unidade usada para medir energia; o gigajoule (GJ) é igual a 1 bilhão (109) joules Os indicadores de ecoeficiência podem ser apresentados como nú- meros absolutos, índices de ecoeficiência, indexados a um ano sele- cionado, ou expressos em relação a um objetivo projetado; entretanto, devem ser analisados ao longo de um período, e não isoladamente, de forma a permitir visualizar tendências e aspectos que impactem no de- sempenho da empresa. Os indicadores de ecoeficiência são utilizados para medirem como as ações levadas a cabo pela empresa estão con- tribuindo para que a empresa atinja os objetivos propostos dentro dos propósitos de um desenvolvimento sustentável. 3 Ecoeficiência no Brasil A ecoeficiência está cada vez mais presente nas estratégias de de- senvolvimento realizadas em empresas privadas e no âmbito de polí- ticas públicas. No Brasil são exemplos dessa tendência a instituição da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) – Lei nº 12.305/2010 (BRASIL, 2010), os fóruns estaduais de produção mais limpa realiza- dos pelo Ministério do Meio Ambiente, ou os incentivos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) à divulgação de casos de sucesso, à produção e ao consumo sustentável, em que são demons- trados benefícios da aplicação dos conceitos de ecoeficiência nos pro- cessos de gestão empresarial. 216 Impacto ambiental e logística reversa Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Em julho de 1995, a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep) escolheram o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, para sediar o 10º Centro Nacional de Produção Mais Limpa, com uma série de 23 centros instalados pelo mundo, entre eles o Centro Nacional de Tecnologias Limpas – CNTL/Senai-RS. Em 1997 foi criado o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, cuja missão é “promover a transformação prática de mercados,