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MOISÉS MOREIRA LOPES ATM24 FURG 1 Arbovírus Características gerais Arbovírus é o termo reduzido de “Arthropod Borne virus” (vírus nascido de artrópode). A definição da OMS é a seguinte: vírus mantidos na natureza através da transmissão biológica entre hospedeiros vertebrados suscetíveis a artrópodes hematófagos, ou por transmissão transovariana e possivelmente venérea em artrópodes. Podem ou não ter reservatórios em outros animais. Estão organizados em famílias e estudaremos 4 arboviroses em específico. Família Membros Togaviridae Chikungunya, encefalites equinas Bunyaviridae Febre de sandfly (mosquito pólvora), Febre do vale Rift, Febre hemorrágica da Criméia-Congo Flaviviridae Febre amarela, dengue e zika OBS! A família Flaviviridae não inclui apenas arbovírus (inclui o vírus da encefalite e hepatite C também, por exemplo). Vírus da dengue Como a maioria dos flavivírus, o vírus da dengue é transmitido aos vertebrados por mosquitos cronicamente infectados. Morfologia O flavivírus possui forma arredondada, com diâmetro entre 40 e 60 nm. Seu nucleocapsídeo é envolto por uma dupla camada de lipídios. Todos os flavivírus possuem proteína E no envelope O vírus da dengue contém uma cadeia única de RNA. Além disso, existem quatro tipos diferentes de vírus da dengue: DENV-1, 2, 3 e 4. Geralmente uma epidemia está associada a apenas UM tipo de vírus da dengue. MOISÉS MOREIRA LOPES ATM24 FURG 2 Ciclo biológico O principal vetor da doença é o Aedes aegypti, que após picar uma pessoa com dengue, passa a transportar o vírus e a transmiti-lo a outros também por meio da picada. A dengue não é transmitida por meio do contato direto com pessoas doentes. • Ciclo silvestre: homem invade a zona selvagem e se infecta por meio de mosquitos; • Ciclo urbano: Pessoas infectadas transmitem o vírus ao mosquito, e o mosquito pica outras pessoas. Transmissão MOISÉS MOREIRA LOPES ATM24 FURG 3 Manifestação do quadro viral A doença se manifesta entre três e 15 dias após a picada, podendo ou não ocorrer a manifestação do quadro viral. Isso dependerá de: • Vírus: há “cepas” mais virulentas que outras • Mosquito vetor: dinâmica de transmissão, capacidade vetorial (tem mosquito que capacidade maior de transmitir o vírus), densidade, sazonalidade • Meio ambiente: imunidade em manada (ex: epidemia no RJ, que é zona endêmica, tende a se manifestar menos gravemente do que em zonas não endêmicas, como em Rio Grande - menor imunidade); clima, distribuição, sazonalidade, intensidade, etc. • Ser humano: resposta imune (imunocompetente ou suprimido), citocinas, ativação das células imunes, fatores genéticos. A imagem abaixo é um esquema de como pode se a manifestação de um quadro de dengue. Sintomas • Febre; • Dor de cabeça; • Cansaço; • Manchas vermelhas no corpo; • Dores no corpo; • Falta de ar Dengue Clássica O quadro clínico é muito variável. A primeira manifestação é a febre alta (39° a 40°), de início abrupto, seguida de cefaléia, mialgia, prostração, artralgia, anorexia, astenia, dor retroorbital, náuseas, vômitos, exantema e prurido cutâneo. Hepatomegalia dolorosa pode ocorrer, ocasionalmente, desde o aparecimento da febre. Alguns aspectos MOISÉS MOREIRA LOPES ATM24 FURG 4 clínicos dependem, com frequência, da idade do paciente. A dor abdominal generalizada pode ocorrer, principalmente nas crianças. Os adultos podem apresentar pequenas manifestações hemorrágicas, como petéquias, epistaxe, gengivorragia, sangramento gastrointestinal, hematúria e metrorragia. A doença tem uma duração de 5 a 7 dias. Com o desaparecimento da febre, há regressão dos sinais e sintomas, podendo ainda persistir a fadiga. Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) Os sintomas iniciais são semelhantes aos da dengue clássica, porém evoluem rapidamente para manifestações hemorrágicas e/ou derrames cavitários e/ou instabilidade hemodinâmica e/ou choque. Os casos típicos da FHD são caracterizados por febre alta, fenômenos hemorrágicos, hepatomegalia e insuficiência circulatória. São casos mais graves de dengue e existem 2 teorias explicam: • Cepas mais virulentas; • Reação cruzada: reação parcial → formação de antígeno-anticorpo → liberação de citocinas pró- inflamatórias → vasodilatação → sangramento. Vírus da Chikungunya É um vírus envelopado, vírus de RNA, simetria icosaédrica, mais ou menos as mesmas características do vírus da dengue. É uma doença viral semelhante à dengue. Apresenta forma de transmissão, vetor, ciclo e prevenção semelhante à dengue. Os sintomas são mais intensos e duradouros que na dengue e iniciam de 2 a 12 dias após infectado. Não apresenta nenhum subtipo, ao contrário da dengue. Não é possível ter chikungunya mais de uma vez. Depois de infectada, a pessoa fica imune pelo resto da vida. Zika vírus É um vírus pertencente à família Flaviviridae, gênero Flavivirus, assim como os vírus da dengue de da Chikungunya. Apresenta forma de transmissão, vetor, ciclo e prevenção semelhante à dengue. Os sintomas são mais intensos e duradouros que na dengue. Esse vírus apresenta uma possível e provável com malformações fetais e síndrome de Guillain-Barré. Morfologia Vírus de RNA envolvido por camada bilipídica, envelopado, simetria icosaédrica. Contém a proteína E e M também!! MOISÉS MOREIRA LOPES ATM24 FURG 5 Apresenta duas linhagens: africana e asiática. Diagnóstico Entre o 1º-5º dia PCR, depois do 5º dia sorologia para zika vírus. Deve-se atentar para uma possível reação cruzada com dengue. Febre amarela Doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), gravidade variável (10% desenvolverão a forma maligna), causada pelo vírus da febre amarela, que ocorre na América do Sul e na África. O agente etiológico é arbovírus do gênero Flavivirus, família Flaviviridae Diferentemente das outras 3 arboviroses, febre amarela tem vacina. MOISÉS MOREIRA LOPES ATM24 FURG 6 Ciclo biológico Diferentemente da dengue, possui apenas ciclo silvestre (homem invade a zona selvagem e se infecta por meio de mosquitos). No entanto, o aAdes aegypti pode transmitir a febre amarela em ambiente urbano, caso pique um indivíduo contaminado. Entretanto, mesmo com ciclo apenas silvestre, essa doença vem sofrendo reemergência, que pode ser associada à combinação de 5 fatores: • Exposição a populações humanas suscetíveis • Alta densidade de vetores e hospedeiros primários (primatas não humanos) • Condições climáticas favoráveis (alternância de períodos de chuvas e secas) • Emergência de uma nova linhagem genético do vírus • Circulação de pessoas e primatas infectados. Sintomas Febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina).